porto amp A dinamização da baixa portuense tem-se afirmado como uma bandeira do executivo camarário liderado por Rui Rio que tem vindo a desenvolver esforços no sentido de encontrar soluções para um problema que se arrasta há décadas. A par das preocupações com a revitalização do centro da cidade, são vários os projectos em desenvolvimento entre os quais o aproveitamento de alguns espaços municipais e a aposta em actividades culturais. Aposta na dinamização Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira Projecto Mutatis Mutandis modela árvores em forma de escultura Texto: Marta Almeida Carvalho Fotos: Virgínia Ferreira 92 O projecto Mutatis Mutandis pretende “recuperar” troncos de árvores, abatidas por doença ou velhice, em peças de arte, prolongando-as na memória colectiva da cidade. A primeira escultura, com o título “Sácoras”, da autoria do mestre Acácio de Carvalho, foi realizada sobre um tronco de uma tília, abatida por doença em 2007. A árvore, que pertencia aos Jardins do Palácio de Cristal, vai lá permanecer, na emblemática Avenida das Tílias. A segunda, sob o título “Pásion” é também feita a partir de uma tília e uma obra do mesmo autor que pode ser vista no Complexo Desportivo Monte Aventino (Antas). 93 porto amp Domus Trindade: Baixa portuense conta com mais um espaço em prol da revitalização Localizada em pleno centro do Porto, junto ao edifício da Câmara Municipal e da estação de Metro da Trindade, a galeria comercial Trindade Domus, inaugurada em Janeiro, oferece 25 lojassatélite, sete espaços de restauração e três lojasâncora distribuídas por dois pisos - um supermercado Froiz, o health club Active Life e a loja de brinquedos Casa das Prendas. Cañas Y Tapas, Peoples Phone, Mister Minit, Retoucherie de Manuela e Ergovisão são outras marcas presentes no espaço, que pretende vir a ser uma referência na dinamização da baixa portuense. Aos cerca de seis mil metros quadrados de área bruta, locável em galeria, juntam-se mais cerca de três mil em lojas de rua. O centro da cidade passa agora a contar com mais 540 lugares de estacionamento. O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, 94 enalteceu a capacidade de iniciativa e perseverança de Martinho Tavares, responsável pela empresa promotora da obra, defendendo que “a reabilitação da baixa deve ter duas componentes: a pública e a privada” sendo que a última deve ser a principal. “Seria impensável recuperar o centro do Porto com dinheiros públicos. Para isso eram necessárias verbas astronómicas que nem o aumento de impostos, fora de questão, tornaria suficiente”, esclarece o autarca. Lino Ferreira, vereador do Urbanismo da autarquia portuense, salientou que este desfecho representa “o fim de uma obra em agonia”, assegurando que já estão a ser procuradas mais parcerias para outros locais da cidade que se encontravam “ao abandono”. Martinho Tavares, da empresa promotora referiu que “depois de um «parto» difícil, este projecto é uma mais-valia para o centro do Porto e uma boa aposta para o desenvolvimento da cidade” que, após alguns anos de impasse, se vê “finalmente concretizado”. 95 porto amp ficado, o seu traçado não pode sofrer alterações profundas e tem de ser preservado. O vereador garante que a pretensão da autarquia é a de manter a função cultural e de lazer associada ao espaço, sendo que o projecto vencedor terá de obedecer a este objectivo e a outros requisitos de avaliação, como o número de dias que o proponente o irá ceder, gratuitamente, à autarquia para que esta continue a facultar iniciativas de interesse municipal aos portuenses. Animação de Páscoa Ferreira Borges: Mercado mais «animado» O Mercado Ferreira Borges é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, com a sua característica arquitectura em ferro. Situado num local privilegiado do Porto, pode vir a ter um papel mais activo na revitalização da baixa portuense. Segundo Gonçalo Gonçalves, vereador da Cultura, Turismo e Lazer da autarquia, o mercado tem vindo a ser usado sobretudo em duas vertentes – a de interesse municipal, em que o edifício é cedido pela câmara para a realização de variadíssimos eventos, e no aluguer do espaço a outras entidades. No entanto estas são “actividades descontínuas” ao contrário do que se pretende para o local. No sentido de imprimir uma maior dinamização à infraestrutura, a Câmara do Porto lançou um concurso de ideias para a sua exploração por privados, para um prazo máximo de vinte anos, em que o vencedor terá de proceder a obras de requalificação e de conservação do espaço. Em virtude da condição de edifício classi96 Este ano, a cidade do Porto conta com uma série de concertos de Páscoa, cujo tema é dedicado à presença da mulher na música pascal. Dando continuidade às iniciativas realizadas em 2007, a Câmara do Porto pretende, uma vez mais, disponibilizar aos portuenses uma diversidade de iniciativas musicais para lembrar a quadra. Recorde-se que o ano passado, a animação pascal foi disponibilizada através de dois programas distintos – Porto Bairro a Bairro (concertos) e Porto Lazer, sendo que este ano os dois integram uma única actividade que irá facultar ao público sete grandes concertos para comemorar a época. O ciclo, que já teve início, prolonga-se até 19 de Março. Tome nota: 14 Março (6ª) - Coro Gregoriano de Paris - Voix de Femmes 21h30, Igreja de Aldoar. 15 Março (sáb) - Coro Gregoriano de Lisboa, 21h30, Igreja dos Capuchinhos (Paranhos). 19 Março (4ª) - Soeur Marie Keyrouz e Ensemble Vocal de la Paix, 21h30, Igreja Sª da Conceição (Bonfim). Mercado do Bolhão: Reconversão por privados aprovada pela maioria do executivo A maioria PSD/CDS-PP viabilizou o projecto de concepção, construção e exploração do Mercado do Bolhão que será executado pela TCN - TramCroNe. De acordo com o vereador do Urbanismo da autarquia, Lino Ferreira, a reconversão será feita de forma “integrada, através de uma intervenção no edificado, no tecido empresarial e, sobretudo, na sua vivência”. As patologias construtivas e estru97 porto amp ção dos comerciantes que pretendam continuar a exercer a sua actividade naquele espaço”, diz. A TCN deverá agora desenvolver o projecto na senda do estudo preliminar apresentado e, depois da aprovação por parte das entidades implicadas no processo, incluindo o IGESPAR (antigo IPPAR), terão início as obras, sendo o prazo de 24 meses o previsível para a sua execução. De acordo com o vereador, a TCN manifestou vontade de conseguir um local provisório onde instalar os comerciantes, durante as obras de requalificação, para que não se perca o «espírito» do mercado tradicional, que pretende manter no novo espaço. As preocupações dos comerciantes quanto ao futuro do mercado são legítimas e há que “conciliar interesses”, sintetiza Lino Ferreira, defendendo que “o Bolhão renascido será melhor para todos, incluindo os que lá trabalham”.Q turais, que têm contribuído para o definhamento daquele que é o mais tradicional mercado da cidade, tornam cada vez mais difícil a sobrevivência financeira dos que trabalham no seu interior. Apesar de tudo, e segundo Lino Ferreira, “o mercado mantém o seu tipicismo e a qualidade dos produtos, que diariamente estão disponíveis para aqueles que têm tempo de procurá-los”. Lino Ferreira defende, no entanto, que “o quotidiano das famílias modernas não se coaduna com o seu horário de funcionamento e com a limitada oferta de produtos”. Assim, a par da necessidade de uma reabilitação profunda surgiu a de transformar o espaço num pólo de atracção e de vivência urbana da baixa portuense. A Câmara do Porto decidiu, então, lançar um concurso público internacional para concepção, projecto, construção e exploração do mercado cuja reabilitação do edificado respeitasse o traçado e garantisse “um projecto de exploração comercial, mantendo o que há de tradicional e adequando o edifício a novas funcionalidades e exigências comerciais”. O responsável sustenta que, no processo de candidatura, a autarquia pontuou de forma significativa o concorrente que melhor acautelou a questão dos comerciantes e que maiores garantias se comprometeu a dar. “O projecto impõe a manutenção do mercado tradicional e garante a recondu98 Recolha de óleos alimentares usados A Junta Metropolitana abriu concurso público comunitário para a concepção, montagem e gestão de um sistema de recolha e transpor te de óleos alimentares usados, nos municípios da Área Metropolitana do Por to (AMP). O objectivo é o de desenvolver um compor tamento de responsabilidade social e ambiental e incentivar a recuperação dos óleos alimentares usados, que são extraordinariamente nocivos em termos ambientais e causadores de elevados danos na eficiência das estações de tratamento de águas residuais (ETAR), nomeadamente nas municipais. A promoção da recolha de proximidade dos óleos usados, através da requalificação e alargamento de pontos de recolha e do envolvimento dos cidadãos para a sua correcta deposição, pretende ainda valorizar o aproveitamento e reciclagem dos óleos alimentares usados, nomeadamente, para a produção de biodiesel, permitindo ainda melhorias significativas a nível de impacte ambiental. Desta forma, as entidades envolvidas no projecto permitirão garantir não só um destino final e adequado a este tipo de resíduos como, também, contribuir para o cumprimento dos objectivos de uma politica energética menos dependente dos combustíveis fósseis. 99