SOCIOLOGIA I
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Introdução
Você já parou para pensar por que você se veste desta maneira? Por que gosta de tal estilo de
música – e não gosta de outro – por que fala português – e não outra língua – ou ainda, por que você ri e
qual é o significado do riso em sua sociedade? Pensando mais fundo, você sabe o que é uma sociedade?
Para muitas pessoas estas questões parecem pouco relevantes, são vistas como coisas “naturais”,
isto é, coisas que sempre foram assim e assim continuarão a ser, por isso, não merecem atenção.
Raramente as pessoas se dedicam a pensar sobre as coisas que acontecem consigo ou com as demais
pessoas no cotidiano, na sociedade. Muitas vezes nem mesmo nos damos conta de que não estamos
sozinhos, vivemos em sociedade, ou seja, precisamos das outras pessoas para viver.
Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, as coisas que acontecem na sociedade não são
“naturais”, certamente, se estudadas elas apresentarão início, meio e, possivelmente fim, o que na
SOCIOLOGIA é chamado de “processo”. São fatos produzidos em sociedade e pela sociedade, por isso,
são passíveis de observação e, quiçá, modificação.
Pois bem, você deve estar se perguntando: “O que a sociologia tem a ver com tudo isso?” ou ainda,
“O que eu tenho a ver com isso?”
A sociologia, você verá neste estudo, é a ciência que nos ajuda a entender como a sociedade se
organiza e, com isso, você é capaz de entender qual é o seu papel dentro da sociedade. Sim! Você não
está isolado, você tem um papel na sociedade, mesmo que ainda não tenha se dado conta disto!
Perceba que estudar sociologia é buscar entender um pouco mais sobre sua realidade, sobre você e
sua relação com sua sociedade, mas também com a sociedade mundial. Isto é de extremo valor! Saber o
porquê agimos assim – e não assado – nos ajuda a decidir melhor nossas ações e posicionamentos sociais,
além de nos fazer entender mais sobre os seres humanos em sociedade.
Estamos certos de que depois de concluir este curso de sociologia você se sentirá mais apto a viver
em sociedade, pois entenderá suas principais regras.
A partir de agora vamos entender o que é SOCIOLOGIA, como ela se formou, o que estuda, porque é
importante conhecermos e estudarmos essa ciência. Depois de conhecer um pouquinho esta ciência,
temos certeza de que você entenderá um pouco mais sobre você.
Então, vamos lá! Ótimos estudos!
1.
Sociedade e Sociologia.
De modo geral podemos dizer que a sociologia é a ciência que estuda a sociedade. Por sua vez,
“uma sociedade é um sistema de interrelações que envolve os indivíduos coletivamente” (GIDDENS, 2008,
p. 22).
Neste nosso estudo, sociologia e sociedade são conceitos que estarão conosco sempre. Veja que
estão interligados até mesmo pela etimologia da palavra, onde:
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SOCIO
SOCIEDADE
LOGIA
ESTUDO
SOCIOLOGIA
Logo entendemos que a SOCIOLOGIA é a ciência que nasce para estudar a sociedade. Estudar para
entender como a sociedade é formada, como é possível que pessoas tão diferentes possam se unir e
formarem um grupo relativamente coeso, chamado SOCIEDADE.
1.2
Como a sociologia surge?
A sociologia é uma ciência relativamente nova. Ela surge no século XIX, na Europa. O termo
“sociologia” começa a ser utilizado aproximadamente por volta de 1830, foi formulado por August Comte
(1798 – 1857) um pensador positivista da época que entendia que as ciências exatas poderiam fornecer
métodos (caminhos) para orientar a sociedade.
Para entendermos melhor essa ideia, precisamos lembrar que a sociedade européia do século XIX foi
marcada por uma série de mudanças profundas. Foi um período de grandes transformações sociais,
culturais e históricas desencadeadas, principalmente, pela Revolução Industrial iniciada no século anterior.
Um dos principais efeitos provocados pela Revolução Industrial foi a mudança no processo de
produção que passe do modo agrícola para o modo industrial. Tal mudança acarretou profunda
transformação no modo de vida daquelas pessoas, antes acostumadas ao meio rural e seu sentido próprio
de organização social.
É importante entendermos que as regras sociais que geriam a sociedade pré-industrial (alguns
sociólogos chamaram estas sociedade de “tradicionais”, como é o caso de Émile Durkheim) embora não
contentasse a todos, tendo em vista a desigualdade social respaldada numa hierarquia entre servos e
senhores, era conhecida por todos e, legitimava-se pela vontade divina, isto é, de crenças e instituições
como a Igreja.
Esse modelo de sociedade foi perdendo força com o advento das transformações sociais,
econômicas e científicas.Desde fins do século XVIII, a Revolução Industrial, promove a expansão capitalista
e, como consequência, profundas transformações sociais: rápida e caótica urbanização, brutal miséria
incluindo fome , novas formas de conflito, proliferação de doenças, aumento do alcoolismo, do suicídio, da
prostituição, exploração de mulheres, jovens, crianças, etc. Por outro lado, conheciam-se também as
inovações tecnológicas nunca antes vistas, os hábitos de consumo modificavam, nasciam novos
movimentos artísticos, sociais; era o mundo moderno que nascia.
Alguns acreditavam que as mudanças eram positivas e necessárias. A maioria, contudo, sentia que
havia algo de DESORDEM no ar e temiam por não entenderem o que acontecia, visto que tudo era novo.
Com a formação de uma nova estrutura social onde a burguesia colocava-se como classe forte, pelo
seu poder comercial, o clero e a monarquia vão perdendo legitimidade. Ocorre também um processo de
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SECULARIZAÇÃO, isto é, o abandono do Estado eclesiástico, ou seja, quando ocorre a separação da
religião do mundo político/institucional.
Todas estas mudanças causavam grande inquietação nos filósofos e pensadores da época. Alguns
se dedicaram a entender, cientificamente, o que estava acontecendo com aquela sociedade, onde os
valores tradicionais entravam em decadência.
Foi este o contexto de surgimento da sociologia. Ela nasce como forma sistemática de
conhecimento da realidade social. Tem o compromisso de elaborar abordagens científicas sobre a
sociedade. Os primeiros sociólogos procuraram formular uma ciência social que seguisse os moldes das
ciências exatas, tendo em vista que os métodos destas poderiam guiar aquela.
Os primeiros pensadores que se dedicaram a entender a sociedade a partir de uma abordagem
“científica” pertenciam a uma escola de pensamento chamada “positivismo”. Os positivistas acreditavam que
aquela sociedade passava por uma situação de caos (desordem) e precisava de regras, normas que
orientasse a direção para o progresso. Entendiam que as mudanças advindas da transição do sistema
feudal (baseado nas atividades agrárias e hierarquia) para o sistema capitalista (baseado na urbanização,
na indústria, no comércio, na exploração do trabalhador) era expressão da modernidade. Esforçavam-se
para transpor os métodos das ciências exatas para a ciência da sociedade, isto é, a sociologia.
August Comte, como vimos, esteve entre estes pensadores, ele é visto como o primeiro a usar o
termo “sociologia” como a ciência que se dedica a entender a sociedade humana. Para ele, a sociologia
seria capaz de estudar e entender os problemas sociais que surgiam para assim, estabelecer a ordem
social e o progresso da civilização moderna. Pensava que se fosse possível entender as regras sociais do
passado e do presente, seria possível “prever” até mesmo o futuro da sociedade.
Mesmo com todo o seu esforço, Comte não conseguiu viabilizar a construção da ciência “sociologia”.
Essa tarefa foi realizada por Émile Durkheim (1858-1917) que desde então ficou conhecido por fundar a
sociologia como ciência, isto é, com métodos próprios de investigação.
O sociólogo francês Émile Durkheim foi quem primeiro elaborou sistematicamente a ciência
sociologia, isto é, ele definiu o objeto de estudo desta ciência, seu campo de estudo e os métodos de
estudo próprios. Ele entendia a sociedade como um organismo vivo, formado pela combinação de
consciências individuais que, juntas, formariam o que chamou de “consciência coletiva”, isto é, uma
realidade psíquica distinta, exterior ao indivíduo que apresenta forte poder de coerção em relação a este.
Para entender a importância deste momento vamos pensar da seguinte maneira: par que a biologia
seja reconhecida como ciência ela precisa ter alguns requisitos básicos são eles:
a) Um campo de estudo próprio = a natureza;
b) Um objeto de estudo = a vida em todas as suas manifestações;
c) Um profissional/especialista = biólogo;
d) Um conjunto de métodos de estudo dos fenômenos = por exemplo, a observação, a
experimentação, a manipulação.
Pois bem, Durkheim entendia que a sociologia deveria seguir o mesmo caminho. É óbvio que não
seria possível ao sociólogo repetir, no laboratório, os fenômenos sociais, mas ele poderia identificá-los por
meio da observação. Para tanto, era preciso entender os fenômenos sociais como “coisas”, isto é, “objetos
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concretos”. Durkheim criou regras para identificar quais fenômenos seriam objetos de estudo da sociologia.
Aos fenômenos que poderiam ser estudados pela sociologia ele deu o nome de fatos sociais.
Vejamos agora as características dos fatos sociais:
Para que o fenômeno seja considerado um fato social, e assim seja passível de observação
sociológica é preciso que este apresente as três características a seguir:
GENERALIDADE: significa que o fenômeno é comum a todos os membros de um grupo;
NORMALIDADE: os fatos sociais são regras, normas sociais que visam, no limite,
normalizar os indivíduos;
COERCITIVOS: todo fato apresenta forte poder de coerção. Tal coerção é expressa por
sanções que podem ser legais ou espontâneas.
Devemos lembra que os fatos sociais são produzidos pela coletividade social, portanto eles são
exteriores ao indivíduo. Agora, preste atenção no texto que segue abaixo:
O médico Joaquim Monte, em seu livro: “Promoção da qualidade de vida” (1997), considera o corpo
humano como sendo um “organismo vivo concebido sob forma de uma estrutura que apresenta constituição
e função (um conjunto organizado de elementos bióticos de anatomia e fisiologia). A estrutura do corpo
humana representa a dimensão orgânica da pessoa: a carne da qual somos constituídos (matéria orgânica
com suas características constitucionais e suas propriedades funcionais) e que tem a potencialidade de
reproduzir, nascer, maturar, crescer, desenvolver, agir, adaptar, adoecer, sarar e morrer” (p.275).
É de maneira semelhante que Durkheim entende a sociedade: com suas partes e operação e
cumprindo suas funções. E, caso a família, a igreja, o Estado, a escola, o trabalho, os partidos políticos,
etc., que são elementos da sociedade com funções específicas venham a falhar no cumprimento delas,
surge no corpo da sociedade aquilo que Durkheim chamou de anomia, ou seja, uma patologia. Assim como
no corpo humano, se algo não funcionar bem, em “ordem”, significa que está doente. (LORENSETT, E. p.
15).1
Para entender as transformações sociais características da sociedade européia do século XIX,
Durkheim observou que aquele “corpo social” (ou seja, na sociedade) apresentava uma mudança profunda
no que diz respeito ao modo de organização dos valores sociais e da solidariedade entre as pessoas.
Haviam sociedades que se organizavam tendo como base uma solidariedade mecânica, (as sociedades
tradicionais) e outras se organizavam a partir de uma solidariedade do tipo orgânica, (característica das
sociedades modernas).
SOLIDARIEDADE MECÂNICA: seriam aquelas nas quais existiriam poucos papéis sociais. Os membros
destas sociedades obedeciam às regras estabelecidas pela coletividade, eram fortemente unidos por
crenças e valores comuns. A consciência coletiva era forte e atingia a todos, por isso, existia pouco espaço
para individualidades. Um exemplo deste tipo de sociedade são as sociedades indígenas.
1
As teorias sociológicas na compreensão do presente. Material do curso de sociologia do Estado do
Paraná. Disponibilizado pela internet.
5
SOLIDARIEDADE ORGÂNICA: (o nome tem relação com “organismo”, partes diferentes que devem
colaborar como um organismo) típicas do mundo moderno. São sociedades onde existem muitos papéis
sociais, por este motivo torna-se muito difícil controlar todas as pessoas, como conseqüência há uma maior
presença da individualidade.
ANOMIA: apresentar-se-ia com maior freqüência em sociedades de solidariedade orgânica, pois o
individualismo suscitaria o egoísmo nas pessoas e deixar-se-ia de pensar no bem da coletividade para
pensar no bem individual. A modernidade, para Durkheim, apresentaria essa anomia moderna, a falta de
normas e controle sobre a individualidade.
Além de Durkheim, outros sociólogos “clássicos”, que elaboraram outras interpretações sobre a sociedade
do século XIX foram: Karl Marx e Max Weber. Veremos suas teorias nos próximos módulos de estudo.
Para saber mais indicamos
SOCIOLOGIA PARA JOVENS DO SÉCULO XXI. OLIVEIRA, Luis Fernandes de; COSTA, Cesar Rocha. Rio
de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2007.
SOCIOLOGIA. GIDDENS, Anthony. Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.
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