III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA SEXUALIDADE NO ENSINO DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA: UM ESTUDO SOBRE AS EXPERIÊNCIAS DE FUTUROS/AS PROFESSORES/AS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO Joice Lima Rodrigues1 Sandro Prado Santos2 Resumo: Este texto traz resultados parciais de uma pesquisa de conclusão do curso em ciências biológicas de uma universidade federal mineira que tem como objetivo conhecer as características, tendências e os elementos pedagógicos presentes nos projetos de ensino, da disciplina estágio supervisionado de tal curso, que tratam da discussão de sexualidade no espaço escolar. A metodologia constituiu na revisão bibliográfica que abrangeu, no período de 2009 a 2010, os projetos de ensino da disciplina estágio supervisionado do curso de ciências biológicas que tratavam sobre a educação sexual nas escolas. Percebemos que o foco temático das ações pedagógicas, dos/as futuros/as professores/as, estão orientadas pelo discurso médico-biológico, legitimando os processos biológicos que envolvem tais situações. Palavras-chave: formação inicial, sexualidade, educação básica Introdução Neste artigo apresentamos parte do meu trabalho de conclusão de curso, no qual investigo como a sexualidade vem sendo tratada nos projetos de ensino, da disciplina estágio supervisionado do curso de ciências biológicas, de uma universidade pública mineira do município de ituiutaba/mg. Na pesquisa tínhamos como objetivos conhecer as características, tendências e os elementos pedagógicos utilizados por futuros/as professores/as de ciências e biologia para tratarem da sexualidade, examinar as possibilidades e as limitações encontradas por eles/as durante seu desenvolvimento, bem como questionar a noção de sexualidade como biologicamente determinada. O entendimento de que questões centrais no estudo da sexualidade se referem ao papel das culturas, das “linguagens, crenças, representações, fantasias, códigos sociais, desejos inconscientes, atributos biológicos (...) Em combinações e articulações complexas” (LOURO, 2001, p. 97), em que “ela se fabrica no intercâmbio de significados e contextos que ocorre entre o “eu” e o “outro”, o “eu” e o “nós” e o “eles” 1 Graduanda do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal – FACIP/UFU; [email protected] 2 Docente do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Integradas do Pontal – FACIP/UFU; [email protected] 1 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA (...) Trocas interpretativas que criam posições sociais, identitárias e políticas” (PRADO; MACHADO, 2008, p. 7), e, ao pensarmos como uma construção sociocultural constituída nas experiências de vida das pessoas, entre elas nas vivenciadas nos espaços escolares, levou-nos a estabelecer algumas conexões com as minhas lembranças escolares associadas à abordagem da temática sexualidade. Em 2004, a professora de Ciências trabalhou o tema com os/as alunos/as da 8ª série do ensino fundamental de uma escola pública Estadual do Município de Gurinhatã/MG. Nesse contexto, o meu grupo de trabalho ficou responsável pela abordagem da gravidez indesejada, aborto, métodos contraceptivos e doenças. Na ocasião, a professora sugeriu que convidássemos uma enfermeira, do PSF (Programa de Saúde da Família) da referida cidade, para ministrar uma palestra que abordasse os temas mencionados acima. A lembrança mais forte e recorrente do assunto foi uma carta de despedida de um feto que estava sendo abortado. Segundo Macedo (2005) na disciplina de ciências as discussões da sexualidade “são a reprodução – especialmente a indesejada e, portanto, as formas de evitá-las e as doenças sexualmente transmissíveis que ganham a centralidade” (p.135). Dessa forma, na educação escolarizada, “os discursos e as práticas em torno da sexualidade produzem efeitos nos corpos, nas identidades sexuais e de gênero dos/as alunos/as” (RIBEIRO, 2007, p. 177). Sendo assim, a mesma autora nos alerta que “no espaço escolar articulam-se distintas tecnologias de inscrição e controle da sexualidade dos/as alunos/as: as tecnologias regulamentadoras de processos biológicos (...) Através de vídeos, palestras, oficinas, projetos de educação sexual” (p. 176-177, grifo nosso). Ao comungarmos com os apontamentos elencados e ao advogarmos em torno da sexualidade como uma construção sociocultural, implica problematizarmos as práticas relacionadas à sexualidade no espaço escolar, sobretudo dos projetos de ensino. Dessa forma, vimos estimulados a conhecer quais as ações têm sido realizadas na educação básica, no âmbito de um curso de formação de professores/as de ciências/biologia de uma universidade pública de ituiutaba/MG, por meio dos estágios supervisionados. Situando o estudo: a perspectiva teórica 2 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA Ainda que estudos considerem que a escola representa um espaço social “constituído e atravessado pela sexualidade e ao mesmo tempo em que a (re)produzem representações” (SILVA, 2011, p. 147), sendo portanto um espaço sexualizado e generificado (BRITZAMAN, 1996; LOURO, 2003), alguns a consideram e/ou a colocam no “reino da vida privada, anulando suas percepções e consequências sociopolíticas e culturais ao compreendê-la como uma problemática individual” (LOPES, 2008, p. 125). Em tais discursos Lopes (2008, p. 125) aponta que “os corpos na escola não têm desejos, não se vinculam a prazeres eróticos e, na verdade, não existem como forças constitutivas de quem somos nas práticas sociais”. Num estudo de Ribeiro (2006) a sexualidade como um dispositivo histórico de poder a autora destaca que na escola se fala rotineiramente na sexualidade, sobretudo, “naquelas situações instituídas pelo discurso autorizado e seu porta-voz, através de distintas estratégias” (p. 116, grifos nossos). A partir dessas considerações, se faz necessário alguns questionamentos fundamentais para os conhecimentos de sexualidade que são constituídos e/ou instituídos estrategicamente nas práticas escolares: que corpo/sexualidade habita nossas escolas? Essa sexualidade das ciências é a nossa? Qual o discurso predominante utilizado como a maneira “correta” de abordar a sexualidade? Qual o discurso escolar que cabe a sexualidade? Que sexualidade cabe no ensino de ciências e biologia? Quando a sexualidade é trabalhada, quais as ênfases recaem sobre a temática? Em qual espaço disciplinar se inscreve as discussões de sexualidade e quais os conteúdos disciplinares são privilegiados pelos/as professores/as? Quais temáticas são marcadas pelas ausências? Quais temáticas roubam a cena quando o assunto é sexualidade na escola? Qual a voz autorizada, historicamente, para falar das questões de sexualidade e tomar iniciativas de responsabilização, saberes e fazeres acerca do tema? E, ainda, complementamos com os questionamentos de Silva e Cicillini (2010): Quem, afinal, na escola, responde e explica a fisiologia do ato abortivo? Quem inventou o termo aborto? Como funciona o corpo no ato reprodutivo, no processo digestório? Podem os atletas manter relação sexual no período das olimpíadas, antes de um jogo, de uma luta? A abstinência sexual diz respeito apenas aos atletas, homens, não se aplicando às atletas mulheres? De quem é a voz autorizada para falar da biotecnologia, da sexualidade no espaço escolar? Estas 3 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA e outras questões são debates que invadem as salas de aulas, e os espaços sociais, como um todo3. A sexualidade, embora fortemente presente na escola, “raramente faz parte do currículo. Quando a sexualidade é incluída no currículo, ela é tratada simplesmente como uma questão de informação certa ou errada, em geral ligada a aspectos biológicos e reprodutivos” (SILVA, 2007, p.108). Compreendemos que as discussões sobre sexualidade humana encontram espaço quase que exclusivamente nas aulas de ciências e biologia e no trabalho isolado dessas/es professoras/res. Podemos dizer, segundo Carvalho (2009) que: As abordagens sobre sexualidade, nos espaços escolares, elegem a biologia e os territórios do ensino de ciências, professores/as dessas disciplinas como locais e agentes privilegiados na construção de saberes e resposta sobre a sexualidade humana. Esta tendência de explicar fenômenos humanos em termos biológicos é muito forte quando falamos de sexualidade, e define, muitas vezes, nossos entendimentos acerca das categorias como corpo, sexo, gênero (...)4. Esse atrelamento da sexualidade com a disciplina de biologia e ciências é compreendida por barros, quadrado e Ribeiro (2009) como o “envolvimento com a ciência moderna que coloca em discurso o sexo, legitimando o que deve ou não ser falado, onde e quem deve discutir as questões relacionadas à sexualidade” (p. 7), isso vincula “à aquisição de conhecimentos científicos (categorizações e descrições) dos sistemas reprodutores e à genitalidade, atributo biológico compartilhado por todos independente de sua história e cultura” (p. 7). A partir do discurso científico, segundo Silva (2011, p. 150): “os(as) professores(as) se sentem autorizados(as) a falar sobre sexualidade com os(as) alunos(as)”. Essa mesma autora recorrendo a Ribeiro (2002) destaca que “os discursos científicos engendram a sexualidade como um atributo de natureza biológica, vinculada às características anatômicas internas e externas, dos corpos, fixando nessas características a sexualidade e as diferenças atribuídas aos homens e mulheres” (p. 151). 3 SILVA, E. P. Q.; CICILLINI, G. A. Das noções de corpo no ensino de biologia aos dizeres sobre sexualidade. In: 33ª REUNIÃO ANUAL DA ANPED – EDUCAÇÃO NO BRASIL: O BALANÇO DE UMA DÉCADA. Caxambu/MG. Anais... Caxambu/MG, 2010, p. 2-3. 4 CARVALHO, F. A. de. Que saberes sobre sexualidade são esses que (não) dizemos dentro da escola? In: FIGUEIRÓ, M. N. D (ORG.). Educação sexual: em busca de mudanças. Londrina: UEL, 2009, p. 2. 4 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA Com isso, o/a professor/a da disciplina de ciências e biologia passa a ser “a/o interlocutora/o autorizada/o (...) Encerrando-a, dessa forma, em uma teia discursiva, ou seja, o que é permitido falar sobre a sexualidade, o discurso biológico, que é entendido como legítimo, porque é comprovado cientificamente” (RIZZA; RIBEIRO, 2010, p. 7). Nesse viés, a discussão da sexualidade “funciona como uma estratégia de prevenção e controle das doenças sexualmente transmissíveis, da aids, do abuso sexual e da gravidez na adolescência” (SILVA, 2011, p. 150). Aliado a esses discursos, a sexualidade, também, continua sendo tematizada, no espaço escolar, na relação “entre sexualidade e perigo, entre sexualidade e doença, entre sexualidade e culpa” (MEYER, KLEIN E ANDRADE, 2009, p. 84). De modo geral, “no enfoque do risco, seguindo a tradicional hegemonia do referencial médico e as práticas educativas que enfocam a promoção da saúde sexual e a prevenção de gravidez e de doenças nessa esfera, têm sido orientadas por um viés individualista” (p. 86). Entretanto, a discussão da sexualidade num outro viés, “que englobe sentimentos, afetos, desejos e prazeres, geralmente fica marginalizada nas práticas pedagógicas, ao mesmo tempo em que se desconsideram os saberes dos alunos sobre a sexualidade, construídos nas suas experiências cotidianas” (SILVA, 2011, p. 150). Como podemos perceber nos dizeres de Louro (2000): Os adultos resguardam-se da discussão sobre os afetos, os desejos, os rituais e as fantasias e procuram manter a sexualidade, sempre que possível, sobre um enfoque estritamente informativo e “científico”, isto é, biológico. Travadas por estes limites, muitas das inquietações e dúvidas que mobilizam as crianças e os jovens deixam de ser expressas e só podem ser contempladas no interior de seus próprios grupos5. Apresentando as estratégias metodológicas A metodologia utilizada foi a pesquisa do tipo “estado da arte”, essa segundo Megid Neto (1999) inventaria, sistematiza e avalia a produção em determinada área do conhecimento e num período previamente estabelecido e possui uma natureza qualiquantitativa, possibilitando visibilidade à produção e uma reflexão crítica sobre a mesma e facilita o acesso e a utilização das experiências realizadas (GAMBOA, 1987). 5 LOURO, G. L. Segredos e mentiras do currículo. Sexualidades e gênero nas práticas escolares. In: _____. Currículo, gênero e sexualidade. Porto: porto editora, 2000, p.56. 5 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA Inicialmente realizamos uma revisão bibliográfica que abrangeu, no período de 2009 a 2010, os projetos de ensino da disciplina estágio supervisionado do curso de ciências biológicas da instituição que tratavam sobre a educação sexual nas escolas. O levantamento de dados foi efetuado na coordenação do curso, por meio da leitura e verificação dos documentos e se os mesmos referiam-se a nossa questão de pesquisa. Foram identificados 20 documentos que se referem de forma ampla a questão de pesquisa, sendo que dois foram propostos, porém não realizados devido proibição dos gestores da escola. Assim, estabelecemos os seguintes descritores: autores/as, ano de execução, nível e/ou modalidade de ensino, foco temático, objetivos educacionais, metodologia, transversalidade curricular e envolvimento da comunidade. Entretanto, apresentamos os resultados parciais dos descritores: foco temático e a metodologia utilizada nos projetos de ensino. Elegendo e analisando os projetos de ensino Do total de 68 projetos de ensino, de 2009 à 2010, sobre temas diversos elaborados para contribuir e/ou auxiliar na escola, vinte contemplavam o tema sexualidade, o que representa 29,4% das intervenções realizadas, sendo o tema mais recorrente nos relatórios de estágio analisados. Inicialmente realizamos uma descrição geral dos projetos de ensino que mencionaram propostas de ações pedagógicas acerca da sexualidade no espaço escolar (QUADRO 1). As proposições dos projetos de ensino dão maior ênfase aos aspectos biológicos, com foco: prevenção à gravidez indesejada e às DST/Aids, anatomia e fisiologia do sistema reprodutor humano, a discussão sobre as diferenças entre os conceitos de sexo e sexualidade, desenvolvimento de hábitos que contribuam para o autocuidado do corpo, sobretudo da higiene corporal, abuso sexual, puberdade, aborto, virgindade, ejaculação e métodos contraceptivos. Sendo assim, percebemos que os/as licenciandos/as desconsideram que a sexualidade humana é uma produção social e histórica que ultrapassa a biologia. Segundo Oliveira (2009) destaca que “(...) Há um referencial teórico centrado na descrição morfofisiológica dos órgãos que compõe os sistemas reprodutores com 6 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA abordagem, enfatizando o desenvolvimento dos órgãos envolvidos com a reprodução humana” (p.176), sem estabelecer uma relação com a sexualidade que envolve emoções, prazeres, histórias, significações, subjetivações e sensibilidade, entre outros aspectos. Quanto à metodologia adotada para o desenvolvimento dos projetos, o procedimento metodológico estratégico, predominantemente, utilizada foi a palestra ou aula expositiva e dinâmicas de grupo nas quais os/as alunos/as poderiam fazer perguntas anônimas expondo suas dúvidas em “caixinha de perguntas”. Os recursos didáticos foram: vídeos, imagens, jogos, questionários, cartazes, modelos anatômicos, murais do conhecimento e exemplares de métodos contraceptivos. QUADRO 1 – Descrição geral dos projetos de ensino Ano/semestre 2009/2 Disciplinas Nº de projetos de ensino Nº de projetos de ensino com ações de sexualidade Foco temático Metodologia Projeto de ensino Estágio supervisionado I diurno 12 0 - - - Dst’s - aids Palestra Relatório 1 Aborto Palestra – discussão e debate Relatório 2 Caixa de perguntas; questionário; amostras dos métodos contraceptivos; palestras; dinâmicas; filme Relatório 3 Estágio supervisionado Inoturno 10 2 Preconceitos, tabus, métodos contraceptivos – dst’s – aids Estágio supervisionado II diurno Métodos contraceptivos 11 6 Sexo e drogas Não realizado Caixa de perguntas; mural do conhecimento Relatório 4 Relatório 5 2010/1 Reprodução humana, sistema reprodutor, métodos contraceptivos e aborto Órgãos femininos e masculinos, prevenção da gravidez e dst’s Dst’s Estágio supervisionado II – noturno Estágio supervisionado I– noturno 6 0 Caixinha de perguntas, palestra Relatório 6 Caixa de perguntas, palestra Relatório 7 Não realizado Relatório 8 - - - Virgindade feminina, dst’s, abuso sexual, gravidez e higiene corporal Questionário, palestra Gravidez na adolescência e aborto 10 3 Saúde reprodutiva e saúde sexual (gravidez, aborto, métodos contraceptivos e dst’s) Dst’s e métodos contraceptivos 2010/2 Estágio supervisionado I – diurno Estágio supervisionado III – diurno 9 3 Sistema reprodutor masculino e feminino 10 6 Gravidez, dst’s e métodos contraceptivos Gravidez, dst’s e métodos contraceptivos Menstruação, masturbação, doenças sexualmente transmissíveis (dst e aids), ejaculação, formação de Dinâmica e vídeo Dinâmica e palestra Palestra, caixa de perguntas e próteses femininas e masculinas, camisinhas femininas e masculinas e outros modelos de métodos contraceptivos Caixa de perguntas, palestras, jogo, cartazes com imagens de órgãos sexuais masculinos e femininos Relatório 9 Relatório 10 Relatório 11 Relatório 12 Relatório 13 Palestra Relatório 14 Cartazes informativos Relatório 15 Caixinha de perguntas; mural do conhecimento Relatório 16 7 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA espermatozoides, anticoncepcionais, camisinha Dst’s e métodos contraceptivos Sistema reprodutivo, doenças sexualmente transmissíveis, puberdade, fecundação (gravidez precoce e seus riscos), menstruação, masturbação e métodos contraceptivos Palestra Relatório 17 Caixinha de perguntas; vídeos Relatório 18 Relatório 19 Métodos contraceptivos, dst’s e gravidez indesejada Caixa de perguntas Palestras Exemplares de órgãos sexuais Estágio supervisionado III– 6 0 noturno Fonte: Acervo de relatórios de Astágio Aupervisionados do curso de ciências biológicas: org.: Rodrigues; J.L.; Santos, S. P, 2013. Relatório 20 - Para alcançarmos o objetivo proposto da pesquisa, realizamos análise documental, com o estudo de 20 relatórios de estágio. A seguir, apresentamos alguns resultados parciais desse estudo. Observamos que a maioria das práticas em educação sexual nas escolas tem sido propostas, pelos/as licenciandos/as, para enfrentar o que consideram como problemas em relação à sexualidade, sobretudo, das meninas: O resultado foi incrível, as perguntas foram só em relação ao sexo e analisadas as questões, vimos que foram dúvidas femininas. Assim, foi dada uma alternativa (projeto de intervenção) para esse problema na escola. Relatório 5 Em nossa permanência na escola, observamos um elevado índice de gravidez na adolescência, sendo assim escolhemos fazer o projeto de intervenção sobre o tema. Relatório 16 Com esses apontamentos pudemos perceber que muitos/as licenciandos/as reificam o corpo como aparato reprodutivo (CASTRO; ABRAMOVAY; SILVA, 2004), privilegiando o corpo feminino no que diz respeito à contracepção (RIBEIRO, 2008), bem como associando às questões ligadas a sexualidade como problemáticas no espaço escolar, sobretudo, quando partem do feminino. Além disso, notamos que a sexualidade continua sendo tematizada nas escolas sob o enfoque do risco, do medo, da prevenção e de doenças: “ao longo da apresentação, do aborto, pode-se observar que alguns alunos sentiam desconfortáveis com as imagens (...), percebemos que mesmo as imagens sendo chocantes elas são de suma importância para a demonstração da realidade” Relatório 16; “(...) Abordamos as DST’S: principais doenças, como se prevenir, como se pega, onde procurar para fazer exames e tratamento, e, também a fecundação: gravidez precoce e seus riscos” Relatório18. 8 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA A partir das expressões, mencionadas pelos/as futuros/as professore/as, imagens chocantes, desconfortáveis, como se pega, fazer exames, tratamento, prevenção e riscos, estamos atentos que os projetos de ensino estavam permeados pela concepção do exercício da sexualidade como práticas cercadas de perigos e danos, e, por isso precisam estar sob vigilância, constante, das práticas escolares, por meio de prevenções, tratamentos, coibição dos corpos, dentre outros. Nesse contexto, comungamos com Louro (2000) quando a autora enfatiza que: A sexualidade que “entra” na escola parece estar sitiada pela doença, pela violência e pela morte. (...) Parece ser mais fácil exercer uma função de sentinela, sempre atenta à ameaça dos perigos, dos abusos ou dos problemas. São os possíveis riscos e danos que fornecem a pauta para as aulas de educação sexual6. Jane Felipe (2008) complementa que “via de regra, os projetos desenvolvidos nas instituições escolares sobre sexualidade são feitos apenas dentro da perspectiva de prevenção, do medo, ou até mesmo a partir de certo pânico moral” (p.5). Segundo Castro, Abramovay e Silva (2004), no sistema escolar essas práticas ainda não se consolidaram como algo a ser debatido e questionado. Assim, tais ações transformam-se em aulas prescritivas quanto ao uso do preservativo e a prevenção da gravidez, silenciando-se sobre o tesão, o amor e a paixão (RIBEIRO, 2008). O foco temático de todos os projetos analisados foi: dst’s, aids, métodos contraceptivos, reprodução humana, sistema reprodutor, aborto, órgãos femininos e masculinos, prevenção da gravidez, virgindade feminina, higiene, menstruação, masturbação, ejaculação, formação de espermatozoides, camisinha, puberdade e fecundação. Dessa forma, corroborando com as problematizações elencadas por esses/as autores/as. Os projetos de ensino enfatizaram o tempo todo as metodologias orientadas pelo discurso médico-biológico, (re)produzido na anatomia da reprodução humana (CARVALHO, 2009), tratamento da sexualidade simplesmente como uma questão de informação certa ou errada “passamos três vídeos sobre a valorização do corpo e o momento certo para a primeira relação sexual, fecundação, fertilização, crescimento do feto, métodos contraceptivos” (Relatório 18), em geral ligada a aspectos biológicos e reprodutivos (SILVA, 2007, p.108). 6 LOURO, G. L. Segredos e mentiras do currículo. Sexualidades e gênero nas práticas escolares. In: _____. Currículo, gênero e sexualidade. Porto: porto editora, 2000, p. 55. 9 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA Encontramos nos projetos de ensino uma territorialização do espaço das disciplinas de ciências e biologia na responsabilização, tradução destes e outros discursos e noções de sexualidade que são reconhecidas, ou se reconhecem como do campo biológico (SILVA; CICILLINI, 2010). Nesse sentido, “as discussões sobre sexualidade humana encontram espaço quase que (...) Exclusivamente no trabalho isolado dessas/es professoras/res” (FURLANI, 2008, p.39). Outro aspecto que podemos destacar é o quanto algumas escolas optam por conduzir atividades ligadas à sexualidade com extrema resistência, limitações e com muito receio, conforme relatamos a seguir: No decorrer do estágio, pode-se conhecer sobre as necessidades dos alunos e da escola, por meio destas investigações e situações vividas no cotidiano escolar elaboramos um projeto de intervenção, no entanto não foi bem aceito na escola. O diretor da escola não aprovou o projeto, pois considerou que os estagiários não seriam aptos para tratarem sobre sexualidade, e que os alunos da escola têm uma palestra uma vez no ano com um especialista no assunto. Relatório 4 O diretor e a professora nos avisaram que não poderíamos realizar esta prática sobre sexualidade, alegando que os alunos já haviam tido uma palestra com um médico e que não necessário desenvolver atividades neste tema. Alegaram, também, que este assunto poderia ser interpretado de um modo errôneo pelos pais e que esses poderiam vir a reclamar na escola, dizendo que estaríamos estimulando os/as alunos/as a praticarem sexo. Relatório 7 Com esses relatos podemos fazer dois apontamentos: de um lado o destaque da discussão de sexualidade, nas práticas pedagógicas, pela “voz autorizada” e palestras proferidas por médicos/as e enfermeiros/as (CAMARGO; RIBEIRO, 1999), e, por outro as resistências permeadas pelos diversos âmbitos, seja moral, religioso, social ou político (CASTRO; ABRAMOVAY; SILVA, 2004), além do familiar. Sendo assim, Cruz (2011) enfatiza que: Quem trabalha com educação para a sexualidade conhece a argumentação, pois, geralmente, a família é tida como impedimento para realização do trabalho. Mesmo considerando que as famílias podem criar oposição é importante ponderar que existem famílias que esperam que este trabalho seja feito pelas instituições. Poucas vezes a escolas convidam as famílias para participar, construir, aprender, compartilhar. Em geral as famílias são chamadas para apresentação de notas ou resolução de “problemas” apresentados pelos alunos/as. Além disto, a temática da sexualidade está incluída nos parâmetros curriculares nacionais, sendo assim, supostamente, não deveriam 10 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA existir dúvidas sobre a pertinência da abordagem desta temática na escola7. Esses apontamentos nos mostram algumas estratégias criadas pela escola instituídas pelo discurso autorizado e seus porta-vozes, realizando uma discussão da sexualidade sob o ponto de vista: (...) Dos especialistas, os/as médicos/as, os/as enfermeiros/as, os/as psicólogos/as, os/as professores/as de ciências e biologia (...) Geralmente chamados para “resolver problemas” associados à sexualidade através das informações de seus campos de conhecimento8. Sendo assim, alguns buscam refúgio no “científico” para falar sobre sexualidade, na maioria das vezes evitando a contextualização social e cultural das questões: “criamos um projeto que leve conhecimento científico aplicáveis no dia a dia e que respondesse as eventuais dúvidas dos/as alunos/as sobre a sexualidade, isento de formalidades e constrangimentos” (Relatório 18). A partir do discurso científico, segundo Silva (2011, p. 150): “os(as) professores(as) se sentem autorizados(as) a falar sobre sexualidade com os(as) alunos(as)”, engendrando-a como um atributo de natureza biológica, compartilhado por todos independente de sua história e cultura. Entretanto, percebemos que no debate da sexualidade não há grandes preocupações com os prazeres, sentimentos e os desejos, colocando em segundo plano a associação da mesma ao prazer e à vida. Isso foi claramente percebido quando os/as alunos/as da educação básica questionavam: “por que quando vimos uma mulher gostosa ficamos com muito tesão?”; “o que leva um homem a sentir tesão?”; “eu gostaria de saber qual seria a sensação ou prazer da mulher estar perdendo a virgindade?” (Relatório 9), no entanto, os/as licenciandos/as desse projeto de ensino enfocaram a discussão nos aspectos biológicos da virgindade feminina, dst’s, gravidez e higiene corporal, o que torna a mensagem pouco relevante para as dúvidas, preocupações, angústias dos/as 7 CRUZ, E.. F. Banheiros, travestis, relações de gênero e diferenças no cotidiano escolar. Psicologia Política, v. 11, n. 21, Jan/Jun, 2011, p. 76. 8 RIBEIRO, P. R. C. Inscrevendo a sexualidade: discursos e práticas de professores das séries iniciais. In: WORTMANN, M. L. C. ET AL (orgs.). Ensaios em estudos culturais, educação e ciência: a produção cultural do corpo, da natureza, da ciência e da tecnologia. Instância e práticas contemporâneas. Porto Alegre: editora da UFRGS, 2007, p.184. 11 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA adolescentes. Sendo assim, percebemos que tais orientações, discursos biológicos, distancia, afasta ou já não respondem os interesses e inquietações dos/as alunos/as. Essas limitações nos são apontadas por Louro (2000), quando nos resguardamos das discussões de afetos, desejos e prazeres à um enfoque estritamente informativo e científico, sobretudo biológico, “muitas inquietações e dúvidas que mobilizam as crianças e os jovens deixam de ser expressas e só podem ser contempladas no interior de seus próprios grupos” (p.56). Considerações finais Ao nos debruçarmos neste estudo, buscávamos encontrar as características, tendências e os elementos pedagógicos utilizados por futuros/as professores/as de ciências e biologia para tratarem da sexualidade, examinar as possibilidades e as limitações encontradas por eles/as durante seu desenvolvimento, e, nos deparamos com o que procurávamos, reconhecendo que tais práticas permanecem fortemente condicionadas a normas de conduta, da moral, do medo, do risco, cercada de perigos e à materialidade biológica. Os projetos apresentaram um entendimento da sexualidade apartado de uma construção histórica e cultural constituída nas experiências de vida das pessoas, entre elas nas vivenciadas nos espaços escolares, sendo assim, defendemos a existência desses discursos, além do biológico, para abordar a sexualidade no espaço escolar. Queremos esclarecer que ao questionarmos o aspecto estritamente informativo e biológico das propostas pedagógicas, não estamos negando a importância desta dimensão do processo educativo. Porém, acreditamos que uma educação para a sexualidade possibilite discutir outros discursos, temáticas e práticas, em que “não é negada a biologia, mas enfatizada, deliberadamente, a construção social e histórica produzida sobre as características biológicas” (LOURO, 2003, p. 22). No entanto, apesar das orientações recebidas pelos/as licenciandos/as durante as aulas da prática do estágio supervisionado em ciências e biologia e na disciplina educação, saúde e sexualidade, encontramos algumas limitações das intervenções desenvolvidas, sobretudo pela ênfase “aos aspectos biológicos ligados à sexualidade, mesmo quando algumas das problemáticas que justificaram a formulação dos projetos 12 III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES 15 a 17 de Maio de 2013 Universidade do Estado da Bahia – Campus I Salvador - BA remetessem aos aspectos sociais, históricos e culturais da sexualidade e a questões éticas” (MENEZES, 2012, p. 3922). Referências BARROS, S. C.; QUADRADO, R. P.; RIBEIRO, P. R. C. Sexualidade no currículo escolar: disciplinaridade ou transversalidade? IN: VII ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 2009, Florianópolis. Anais... Florianópolis, 2009. BRITZMAN, D. 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