XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. ANÁLISE NUMÉRICA DO EFEITO DOS DESEQUILÍBRIOS EM SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO FALTOSOS ROBERTO J. CABRAL, RENATO G. FERRAZ, ROBERTO C. LEBORGNE, ALEXANDRE S. BAZANELLA, ARTURO S. BRETAS Laboratório de Sistemas Elétricos de Potência Departamento de Engenharia Elétrica Universidade Federal de Rio Grande do Sul Av. Osvaldo Aranha 103, Porto Alegre-RS, BRASIL, CEP 90035-190 [email protected], [email protected], [email protected], [email protected], [email protected] Abstract This paper presents a numerical study of the effects of the system unbalance and fault impedance on the calculation of voltages and currents in faulted systems. Two methods of fault calculation are tested: the symmetrical components method and the phase components method. Simulation using ATP/EMTP are considered as a benchmark to calculate the errors for each method. The fault calculation methods are implemented in MATLAB. The IEEE 13 bus test feeder is used in the case study where asymmetrical faults are simulated. Two different operational conditions that are tested considering three levels of voltage imbalance at the substation bus (3.65%) and several fault impedances between 0 and 25 Ω. The results show the accuracy of each fault calculation method and the error sensitivity to the pre-fault voltage imbalance and the fault impedance. Keywords Distribution systems, phase components, symmetrical components, system unbalance. Resumo Este trabalho apresenta um estudo numérico do efeito do desequilíbro no cálculo das tensões e correntes em sistemas elétricos durante faltas assimétricas. Através da comparação dos métodos de cálculo de curto circuito, utilizando-se o método de Componentes Simétricas e o método de Componentes de Fases, com o programa ATP/EMTP como valor de referência, calculamse os erros para cada método. A implementação das rotinas de cálculo de curto-circuito foram feitas no ambiente MATLAB. Foram simuladas faltas assimétricas em um sistema de distribuição baseado no modelo IEEE de 13 barras. São analisadas duas condições operacionais variando o nível de desequilíbrio da tensão na barra da subestação. Para o caso A consideram-se cargas equilibradas e para o caso B cargas desequilibradas, sendo que para o caso B o desequilíbrio da tensão é igual a 3,65%. As impedâncias de faltas variam de 0 a 25 Ω. Os resultados mostram a precisão de cada método de análise de faltas e a dependência dos erros com o nível de desequilíbrio pré-falta do sistema e da impedância de falta. Palavras-chave Sistemas de Distribuição, componentes de fases, componentes simétricas, sistemas desequilibrados. dade de energia elétrica. Estas faltas podem ser simétricas ou assimétricas, podendo ser faltas sólidas ou através de uma impedância (Zf). As faltas simétricas ou faltas trifásicas são mais severas, porém mais raras. Faltas assimétricas são mais comuns e provocam a circulação de correntes desequilibradas (Anderson, 1973; Stevenson, 1975). Os SEP podem ser equilibrados ou desequilibrados. Um sistema elétrico equilibrado deve cumprir os seguintes requisitos: fontes de tensão trifásica equilibrada, cargas trifásicas simétricas, alimentadores trifásicos transpostos e com impedâncias próprias iguais. Se uma destas condições não for cumprida, o sistema é considerado desequilibrado (Stevenson, 1975). É bastante comum considerar os SEP operando em condições equilibradas devido à grande simplicidade que resulta desta consideração no cálculo das correntes de faltas. Contudo, os sistemas de distribuição podem apresentar desequilíbrio substancial, principalmente devido às suas características construtivas e de operação. As metodologias utilizadas para a determinação das correntes de falta devem ser simples, eficientes e adequadas para as condições do sistema e características de falta. Os dois principais métodos de análise 1 Introdução Os métodos de análise de faltas são uma importante ferramenta utilizada para determinar as tensões e correntes do sistema durante a ocorrência de distúrbios. Atualmente, são propostas e utilizadas três abordagens para a análise de faltas: análise clássica por meio de Componentes Simétricas; análise utilizando Componentes de Fase e análise mediante simulações no domínio de tempo (Halpin, 1994). Os Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica (SDEE) são uma parte fundamental dos Sistemas Elétricos de Potência (SEP), pois fornecem energia a uma quantidade considerável de consumidores a partir de uma subestação transformadora de distribuição e alimentadores trifásicos aéreos e subterrâneos. Apresentam, ainda, laterais monofásicas ou bifásicas e cargas inerentemente desbalanceadas (Elgerd, 1970). Faltas em SEP são responsáveis por vários tipos de distúrbios e resultam em elevadas correntes que podem causar efeitos graves em equipamentos e linhas de energia, tais como estresse térmico e mecânico. Portanto, as técnicas de análise de faltas são importantes para a concepção dos SEP, a configuração do sistema de proteção e considerações da quali5202 XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. de faltas utilizadas para este estudo são: - O Método de Componentes Simétricas (MCS), que permite a decomposição de três sistemas equilibrados de fasores a partir de três fasores desequilibrados de um SEP (Stevenson, 1975). Geralmente, este método é usado para estudos de sistemas equilibrados, dando bons resultados em sistemas de transmissão (Alta Tensão e Extra-Alta Tensão), onde a única condição possível de desequilíbrio são as faltas assimétricas. Entretanto, o MCS é empregado também na análise de SDEE. - O Método de Componentes de Fase (MCF), que é baseado na representação de estruturas de fases, considerando as assimetrias típicas dos SDEE para estudos de sistemas desequilibrados (Anderson, 1973). A abordagem utilizando o MCF foi proposta para levar em consideração o desequilíbrio dos elementos em sistemas de distribuição (Halpin, 1995). Na aproximação de componentes de fases, as tensões e correntes do sistema estão relacionadas através das matrizes de impedância e de admitância. Este trabalho apresenta um estudo dos efeitos do desequilíbrio do sistema, considerando os dois métodos de análise de faltas mencionados e usa os resultados do ATP/EMTP (Alternative Transients Program) (Bonneville, 2002) como referência. A comparação é baseada na simulação numérica de faltas no sistema usando o programa MatLabTM (The MathWorks, Inc.). O estudo de caso utiliza o modelo do IEEE 13 bus test feeder (Kersting, 2001). Este artigo possui a seguinte estrutura: na seção dois se resume a formulação dos métodos de análise de faltas do MCF e do MCS. Na seção três um estudo de caso é apresentado. Na seção quatro é realizada a análise dos resultados dos testes. A seção cinco apresenta as conclusões deste trabalho. 1987). As cargas trifásicas são desequilibradas e podem ser monofásicas ou bifásicas, que provocam o aumento do grau de desequilíbrio no sistema (Elgerd, 1970; Kersting, 2007). Portanto, as tensões e correntes não são simétricas e nestas condições existe uma diferença de tensão entre os geradores e as cargas, causando uma corrente pelo neutro que é diferente de zero (Elgerd, 1970). Por conseguinte, as matrizes de impedância não são diagonais e a análise deve ser feita usando matrizes trifásicas. Figura 1. Modelo esquemático de um Sistema Elétrico de Potência. Os sistemas de distribuição podem ser divididos em três blocos de operação: subestação transformadora, os alimentadores e as cargas (Makram, 1987; Kersting, 2007). As matrizes trifásicas de impedâncias de cada elemento de um SDEE, em representação por fase, são descritas a seguir. Modelo de alimentadores: Um alimentador de distribuição é modelado por uma matriz de impedância trifásica. Que inclui as impedâncias próprias das fases e as impedâncias mútuas entre as fases. Essa matriz é obtida utilizando-se as equações de Carson e o método de redução de Kron, (Anderson, 1973; Makram, 1987; Kersting, 2007), conforme: 2 Métodos de Cálculo de Faltas 2.1 Componentes de Fase Z s -abc A representação de um SEP trifásico, em regime permanente, é mostrada na Fig. 1 (Stagg, 1968). Quando o sistema é simétrico e as cargas são equilibradas as correntes e tensões resultantes também são simétricas. Assim, os fasores das tensões e correntes terão igual magnitude e estarão defasados de 120° entre si. Nestas condições, a corrente de neutro (In) é zero. Ainda, as matrizes de impedância de fases dos geradores e transformadores são diagonais e todos os elementos da diagonal são iguais. A matriz de impedância de fases dos alimentadores é simétrica, onde as impedâncias próprias são iguais e as impedâncias mútuas são também iguais entre si. Os SDEE são caracterizados pela não transposição e assimetria dos alimentadores. Onde as impedâncias mútuas entre as fases não são iguais e as impedâncias próprias também podem ser diferentes (Makram, zaa zba zca zab zbb zcb zac zbc zcc (1) Onde zaa, zbb e zcc são as impedâncias próprias, e zab, zac e zbc são as impedâncias mútuas, todas representando impedâncias por unidade de comprimento da linha. Modelo do Sistema Elétrico de Transmissão A impedância equivalente do sistema de transmissão vista do Ponto de Acoplamento Comum (PAC) da subestação pode ser definida segundo: ZTh abc Z sis abc Z tr abc (2) Onde Zsis-abc é a impedância equivalente do sistema até a subestação e Ztr-abc é a impedância do transformador da subestação. 5203 XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. onde é definida como uma média entre as impedâncias próprias, e a equação (6) mostra a impedância mútua zm como uma média entre as impedâncias mútuas: Modelo do transformador Segundo (Makram, 1987; Brandwajn, 1982), um transformador trifásico de dois enrolamentos pode ser representado pela matriz de impedância conforme: Z tr abc z p zm zm zm z p zm zm zm z p (3) Z Carga abc Vb Pb jQb 0 (5) zab zbc zca (6) z p zm zm zm z p zm zm zm z p (7) A equação (7) é usada como a matriz de impedância média de fases, resultando em uma matriz diagonal de impedância de sequências como (10), onde os termos fora da diagonal são zero (Kersting, 2007). Esta matriz diagonal tem o elemento de sequência zero z00, e as impedâncias de sequência positiva e negativa iguais entre si, ou seja, z11 = z22. A matriz de impedância de sequência Z012 ,em Ω/km, é determinada diretamente como: 0 2 3 Z abc Modelo da carga As cargas modeladas como impedância constante podem ser trifásicas (ligação delta ou estrela), bifásicas ou monofásicas. Uma carga trifásica, ligada em estrela solidamente aterrada, pode ser determinada segundo: 0 2 Vc Pc jQc 1 zaa zbb zcc A matriz de impedância média de fases é: 0 3 zm Onde zp = 1/3 (z0 + 2z1) e zm = 1/3 (z0 - z1) são as impedâncias próprias e mútuas e z0, z1 e z2 são as impedâncias de sequência zero, positiva e negativa respectivamente (Brandwajn, 1982). V 2 a P jQ a a 0 0 1 zp (4) Onde Pi e Qi são as potências ativa e reativa de cada fase, Vi é a tensão de fase, e o subíndice i representa as fases a, b e c respectivamente. z00 z p +2z m (8) z11 z 22 z p - z m (9) Z 012 2.2 Componentes Simétricas z00 0 0 0 z11 0 0 0 z 22 (10) 2.3 Cálculos da Matriz Impedância de Barra A transformação de Componentes de Fases [Vabc] a Componentes Simétricas [V012] é chamada transformação de coordenadas de Componentes Simétricas (Anderson, 1973). As Componentes Simétricas são conhecidas como componentes de sequência zero, positiva e negativa (Fortescue, 1918). É possível estabelecer uma relação entre os valores de fase e os valores de sequências das correntes e das quedas de tensão ao longo de um alimentador (Anderson, 1973; Fortescue, 1918). Considerando-se um alimentador não transposto, sua matriz impedância Zs-abc é como (1). Porém, as impedâncias próprias e mútuas são distintas entre si. Em (Kersting, 2007) é proposta a modificação da matriz de impedância série Zs-abc de uma linha assimétrica do sistema, idealizando como uma impedância de linha transposta onde as impedâncias próprias são iguais entre si assim como também as mútuas. A equação (5) mostra a impedância própria zp, que Os métodos de cálculo de faltas utilizando a matriz impedância de barra ( Zbarra ) são adequados para qualquer tipo de SEP (pequeno e grande porte). Eles fornecem uma estimativa sistemática e eficiente para tensões e correntes após a ocorrência de faltas. Os elementos da diagonal da Zbarra representam a impedância equivalente de Thévenin vista da barra analisada. Assim, o elemento Zkk é a impedância própria equivalente de Thévenin vista na barra k quando a falta ocorre na barra k. Estes elementos são utilizados para calcular diretamente as correntes de falta. A matriz impedância de barra pode ser determinada a partir da matriz admitância de barra (Ybarra), conforme: 1 Z barra Ybarra (11) Onde a matriz admitância de barra é calculada (An5204 XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. derson, 1973) como segue: pio da superposição como: - Elementos da diagonal pf f Vi abc Vi abc Vi abc Yabc i,i j1Y abc i, j Y abc i,0 (15) n Onde Vi-abcpf é a tensão de pré-falta de fases na barra i. As correntes de linha na subestação podem ser obtidas por: - Elementos fora da diagonal Yabc i , j Y abc i , j S I linha abc YS j abc [VS abc V j abc ] Onde [Yabc]i,j são as admitâncias dos elementos ligados entre os nós i e j; [Ῡabc]i,j é o inverso das matrizes (1) e (3) e [Ῡabc]i,0 é o inverso de (4) e representa a admitância ligada à terra. Portanto, para uma rede de n barras é obtida a matriz Ybarra de dimensão 3n x 3n. onde VS-abc e Vj-abc são as tensões na subestação e das barras j ligadas ao barramento da subestação através de YS j-abc. Nó k a b c 2.4 Cálculos de Faltas If A estimativa de estado do sistema em falta de ambos os métodos apresentados, é baseada no princípio da superposição. As condições de faltas no sistema são simuladas como ilustrado na Fig. 2, onde a primeira fonte representa a tensão pré-falta (Vpré-falta) e a segunda fonte é a tensão de falta (Vfalta) que é o negativo da tensão de pré-falta e deve verificar as condições de falta (Anderson, 1973; Stevenson, 1975; Makram, 1987). Considera-se ainda somente a parte real (Rf) da impedância de falta (Zf). Para o MCF utiliza-se um algoritmo de fluxo de carga trifásico baseado na técnica ladder para estimar as tensões pré-falta (Kersting, 2007; Vieira, 2004). No caso do MCS, assume-se que o sistema é estático, ou seja, a tensão pré-falta igual a 1,00° pu. Considera-se, ainda, a potência base (Sbase) igual a 100 MVA e a tensão base (Vbase) 13,8 kV. A matriz impedância de barra trifásica deve ser modificada para incluir a impedância de falta (Makram, 1987). Para uma falta na barra k a matriz de impedância modificada (Znova) é: Z nova k , k Z barra k , k Z f (16) Rf V pré-falta V falta Figura 2. Princípio da superposição para falta fase-terra. 3 Estudos de Caso Para este estudo foi utilizada uma alteração no sistema teste de 13 barras do IEEE (Kersting, 2001). Este sistema possui dois modelos distintos de linhas trifásicas: aéreas e subterrâneas. O modelo da rede de distribuição trifásica é ilustrado na Fig. 3. (12) Onde Zf é a matriz de impedância de falta e k é a barra onde a ocorre a falta. Assim, a corrente de falta é calculada usando a lei de Ohm: I f abc Ynova ( k , k ) V f (13) Figura 2. Diagrama unifilar do sistema teste de 13 barras do IEEE. O sistema é inerentemente desequilibrado devido aos alimentadores não transpostos e variações nas conexões das cargas monofásicas e das cargas trifásicas desequilibradas que provocam o desequilíbrio do sistema. As características dos alimentadores são apresentadas na Tabela 1, onde as configurações 601 e 606 representam os alimentadores aéreos e subterrâneos respectivamente do sistema da Fig. 3 (Kers- Onde Ynova (k,k) = Znova(k,k) -1 e Vf = [va vb vc]T é o negativo da tensão pré-falta da barra k. As tensões de barra k são obtidas por: Vi abc Z barra i , k I f abc f (14) Onde i = 1,.., n e n são os números de barras. As tensões de barras são obtidas usando o princí- 5205 XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. ting, 2001). As características das cargas são apresentadas nas Tabelas 2 e 3. no barramento da subestação. O desequilíbrio de tensão é calculado como a razão da magnitude da componente de sequência negativa pela componente de sequência positiva, (IEEE Standard 1159, 2009). Tabela1. Dados dos Alimentadores Nó A Nó B Comp. (m) Config. 2 2 7 1 11 2 3 3 11 3 7 6 8 2 13 3 11 4 12 10 152 152 91 610 243 610 91 304 91 152 601 601 601 601 606 601 601 601 601 606 Vdeseq Tabela 2. Dados das cargas caso A Nó 0, 2153 j 0, 6325 0, 0969 j 0, 317 0, 0982 j 0, 2632 Z S abc 0, 0969 j 0, 3117 0, 2097 j 0, 6511 0, 0954 j 0, 2392 0, 0982 j 0, 2632 0, 0954 j 0, 2392 0, 2121 j 0, 6430 (15) 601 BS abc (16) 0, 4960 j 0, 2773 0,1983 j 0, 0204 0,1770 j 0, 0089 606 Z S abc 0,1983 j 0, 0204 0, 4903 j 0, 2511 0,1983 j 0, 0204 0,1770 j 0, 0089 0,1983 j 0, 0204 0, 4960 j 0, 2773 (17) 0 0 0 j 60, 2044 0 0 Nó 12 2 6 7 8 13 3 10 4 Para análise utilizando o MCS a capacitância dos alimentadores foi desprezada e as matrizes de impedâncias série de sequências foram obtidas aplicandose a transformação de coordenadas a Componentes Simétricas em (15) e (17). As matrizes de impedâncias série de sequências dos alimentadores, em Ω / km, são: 012 0, 4060 j1,1885 0 0 012 0,8765 j 0,2898 0 0 Fase c kW kVAR 57 26 34 20 134 97 57 42 77 44 43 29 419 239 281 154 57 50 0 0 0,3029 j 0,2579 0 0 0,3029 j 0,2579 Phase a kW kVAR 141 64 84 49 312 247 141 104 190 108 106 71 1057 611 708 374 141 123 Phase b Phase c kW kVAR kW kVAR 14 6 141 64 8 5 84 49 33 24 312 247 14 10 141 104 19 10 190 108 10 7 106 71 104 59 1057 611 69 38 708 374 14 12 141 123 O erro das correntes e das tensões foi calculado de acordo com as equações do Erro Médio Quadrático, em pu, conforme (22) e (23). As tensões e correntes, obtidas através da simulação no programa ATP/EMTP, foram consideradas como valores de referência para os cálculos dos erros, como mostrado. 0 0 0,1155 j 0, 3691 0 0 0,1155 j 0, 3691 (19) Z 606 Fase b kW kVAR 57 26 34 20 134 97 57 42 77 44 43 29 419 239 281 154 57 50 Tabela 3. Dados das cargas caso B (18) Z 601 12 2 6 7 8 13 3 10 4 Fase a kW kVAR 57 26 34 20 134 97 57 42 77 44 43 29 419 239 281 154 57 50 A fim de analisar o desempenho dos MCS e MCF, foram simulados dois conjuntos de faltas fase-terra no sistema de 13 barras do IEEE. O primeiro conjunto de simulações inclui três locais de faltas arbitrárias: as barras 2, 10 e 12, onde há consumidores sensíveis, tendo sido calculadas as tensões e as correntes de falta nas três barras. O segundo conjunto de simulações inclui faltas em todas as barras e cálculo das tensões e correntes no barramento da subestação. 0 j 3, 9145 0 j1, 2401 0 j 0, 7826 0 j1, 2401 0 j 3, 7031 0 j 0, 4608 0 j 0, 7826 0 j 0, 4608 0 j 3, 5036 0 0 j 60, 2044 606 BS abc 0 0 j 60, 2044 (21) V1 Para o Caso A, onde Vdeseq = 0%, considera-se cargas equilibradas, conforme a Tabela 2. Para o Caso B, o desequilíbrio é Vdeseq = 3,65% devido às cargas do sistema, mostradas na Tabela 3. De acordo com o tipo de condutor e a configuração do sistema, conforme a Tabela 1, as matrizes de impedância série, em Ω / km, e admitâncias shunt, em µΩ-1 / km, dos alimentadores são (Kersting, 2001): 601 V2 (20) RMSE[ pu ] Para o caso estudado consideram-se duas diferentes condições operacionais do sistema, onde os desequilíbrios de tensões (Vdeseq) são determinados 5206 1 n n (i ATP iM ) 1 2 (22) RMSE[ pu ] 1 n 2 (v ATP vM ) n 1 Erro Quadrático Médio da Corrente de Linha na Subestação [pu] XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. (23) Em (22) e (23) i é a corrente em pu, v é a tensão em pu, e o sub-índice M corresponde ao método usado (MCF e MCS). 4 Análise dos Resultados 0,07 0,06 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 0 0 2,5 5 7,5 10 12,5 15 17,5 20 22,5 25 Resistência de Falta (Rf ) [Ω] Os erros obtidos das correntes e tensões estimadas para os casos A e B são mostrados nas Figuras 4 - 7. Nessas figuras PC-A e PC-B; SC-A e SC-B representam as curvas obtidas para os casos A e B, pelos MCF e MCS, respectivamente. Estes resultados mostram que o erro usando MCS é maior do que o erro utilizando o MCF. Este resultado era esperado para os casos onde o desequilíbrio do sistema é considerável, mas não para o Caso A, onde o sistema era equilibrado. Na Fig. 4 é possível observar que o erro da corrente de falta calculada pelo método MCF é sempre inferior ao erro apresentado pelo MCS. O erro máximo por componentes de fase foi de 0,02 pu, enquanto o erro máximo por componentes simétricas foi da ordem de 0,035 pu. Em ambos os métodos observa-se que com o aumento da resistência de falta diminui o erro independentemente do desequilíbrio. PC (I) SC (I) PC (II) SC (II) Figura 5. Erro Quadrático Médio da Corrente de Linha da subestação em pu. (Caso A e B). Erro Quadrático Médio das Tensões de Fase na Su-estação [pu] O erro das tensões de fase na subestação apresenta um comportamento singular. Para faltas de baixa impedância (Zf < 2Ω) o erro do MCS é menor do que o erro de MCF, como é mostrado na Fig. 6. Mas, para maiores impedâncias de faltas, os erros do MCF diminuem consideravelmente, enquanto que o erro do MCS, no caso equilibrado, mantém-se constante e para o caso do sistema desequilibrado o erro aumenta. O máximo erro que atinge o MCF é 0,033 pu enquanto o MCS apresenta erros maiores, da ordem de 0,07 pu. 0,035 Erro Quadrático Médio da Corrente de Falta [pu] 0,08 0,03 0,025 0,02 0,015 0,08 0,07 0,06 0,05 0,04 0,03 0,02 0,01 0 0 0,01 2,5 5 7,5 10 12,5 15 17,5 20 22,5 25 Resistência de Falta (Rf ) [Ω] 0,005 PC (I) 0 0 5 10 15 20 SC (I) PC (II) PC (II) SC (II) Figura 6. Erro Quadrático Médio das Tensões de Fase da Subestação em pu. (Caso A e B). 25 Resistência de Falta (Rf ) [Ω] PC (I) SC (I) A Fig. 7 mostra um comportamento singular nos erros das tensões durante a falta nas barras 2, 10 e 12. Para falta de baixa impedância (Zf < 2Ω) o MCS tem melhor desempenho que o MCF, inclusive para o sistema com desequilíbrio. Na medida em que aumenta a impedância de falta, os erros do MCF diminuem consideravelmente em forma assintótica para 0,012 pu, enquanto que o erro do MCS no caso equilibrado se estabiliza no valor de 0,033 pu; e para o caso desequilibrado o erro atinge 0,056 pu. SC (II) Figura 4. Erro Quadrático Médio das Correntes de Falta em pu. (Caso A e B). O erro da corrente de linha calculada na subestação é mostrado na Fig. 5. Neste caso, o erro do MCS aumenta conforme aumenta a resistência de falta e o desequilíbrio do sistema, atingindo valores da ordem de 0,07 pu. O erro do MCF é visivelmente menor para impedâncias de faltas acima de 2,5 Ω, tendendo a zero conforme aumenta a impedância de falta, tanto para o sistema equilibrado quanto desequilibrado. 5207 Erro Quadrático Médio das Tensões de Barra durante a Falta [pu] XVIII Congresso Brasileiro de Automática / 12 a 16 Setembro 2010, Bonito-MS. Brandwajn, V.; Domel, H.W. and Domel, I.I. June 1982. “Matrix Representation of Three-Phase NWinding Transformers for Steady-State and Transient Studies.” IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems, Vol. PAS-101, No. 6. Elgerd, O. I (1970). Electric Energy System Theory. New York: McGraw-Hill. Fortescue, C.L. (1918). "Method of Symmetrical CoOrdinates Applied to the Solution of Polyphase Networks". Presented at the 34th annual convention of the AIEE (American Institute of Electrical Engineers) in Atlantic City, N.J. on 28 July 1918. Published in: AIEE Transactions, vol. 37, part II, pages 1027-1140. Halpin, S. M. and Grigsby, L. L. (1994). 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Erro Quadrático Médio das Tensões de Barra durante a Falta em pu (Caso A e B). 6 Conclusão Os resultados das simulações mostram que, para ambos os casos, o cálculo de faltas pelo MCF apresenta erros menores para maiores valores de impedâncias de falta. Por outro lado, o erro do MCS aumenta significativamente com o aumento da impedância de falta. O MCS também dá resultados imprecisos na corrente de linha na subestação no caso do sistema desequilibrado e com valores elevados de impedância de falta. Este erro elevado pode ser uma consequência da consideração das tensões pré-falta, iguais a 1 pu. Para falta com alta impedância a corrente de falta na subestação e a corrente de carga são semelhantes, portanto, a desconsideração da corrente de carga produz grandes erros nos cálculos. O MCS apresenta erros maiores no caso de sistemas desequilibrados, como era de esperar, pois este fora originalmente desenvolvido para a análise de sistemas equilibrados. Portanto, o melhor método é aquele que apresenta uma solução simples e eficiente para o problema que se deseja analisar. Os resultados comparativos obtidos neste trabalho mostraram que a escolha do método a ser utilizado depende do grau de precisão dos resultados que se deseja atingir. Sendo o MCF a melhor opção para a análise de faltas em SDEE. Agradecimentos Os autores agradecem a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo apoio financeiro deste estudo. Referências Bibliográficas Anderson, P. M ( 1973). Analysis of Faulted Power Systems. Iowa State University Press, Ames, IA. Bonneville Power Administration, (2002) “Alternative Transient Programs: ATP/EMTP”. [Online]. Available: http://www.emtp.rog/. 5208