121 VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRODUÇÃO DO MELOEIRO IRRIGADO POR GOTEJAMENTO NA FAZENDA SANTA JÚLIA EM MOSSORÓ-RN NEYTON DE OLIVEIRA MIRANDA DSc, Professor Adjunto, ESAM, Caixa Postal 137, 59600-970 Mossoró-RN, e-mail: [email protected] TEÓGENES SENNA DE OLIVEIRA DSc, Professor Adjunto, UFC, 60365-001 Fortaleza-CE, e-mail: [email protected] SÉRGIO LUIZ AGUILAR LEVIEN DSc, Eng. Agrícola,ESAM, Caixa Postal 137, 59600-970, Mossoró, RN, e-mail: [email protected] JOSÉ FRANCISMAR DE MEDEIROS DSc, Eng. Agrônomo, ESAM, Caixa Postal 137, 59600-970, Mossoró-RN, e-mail: [email protected] RESUMO – Em área de produção comercial de melão com 3,2 ha, demarcou-se sub-áreas de 20m2 numa malha de 36 x 36 m, visando-se obter dados para subsidiar levantamento detalhado da variabilidade espacial da cultura. Em cada local determinou-se a cota e a distância até a entrada de água, e coletou-se a vazão para determinar a uniformidade de aplicação de água. A variabilidade espacial foi determinada para vazão e pressão do sistema de irrigação, componentes de produção do melão, pH do solo e teores de P, K, Ca, Mg e Na. A dependência espacial da variabilidade observada para componentes de produção, vazão, pH e teores de P, K e Ca, possibilitou a interpolação por krigagem e a confecção de mapas de contornos. Obtiveram-se coeficientes de variação entre 4,03% para pH e 134,65% para peso de frutos tipo exportação. A produção de frutos tipo exportação teve correlação negativa com a vazão e a distância até a entrada de água. Os teores de Mg influenciaram negativamente a produção de melão. Palavras-chave: Cucumis melo L., Geoestatística, Correlação SPATIAL VARIABILITY ON DRIP IRRIGATED MELON YIELD AT SANTA JULIA FARM IN MOSSORÓ, RN, BRAZIL ABSTRACT – The objective of this study was to obtain preliminary data for a more detailed study on the spatial variability of melon production. A commercial field (3,2 ha) was surveyed at 36 sites with an 20 m2 area, located on a 36 m x 36 m equilateral grid. Elevation, distance from the water inlet, and collected discharge rate to determine water application uniformity were determined in each location. Spatial variability was determined for discharge rate, pressure, yield components of melon, soil pH and topsoil levels of P, K, Ca, Mg and Na. The spatial dependence in the variability of yield components, pressure, discharge rate, pH and levels of P, K and Ca allowed data interpolation by kriging and the generation of contour maps. Variation coefficients ranging from 4,03% for pH and 134,65% for yield of exportation type fruits were obtained. Yield of exportation type fruits showed negative correlation with discharge rate and distance to water inlet. Soil Mg levels had negative influence on melon yield. Keywords: Cucumis melo L., Geostatistics, Correlation INTRODUÇÃO A produtividade da cultura não é uniforme dentro do campo devido a variações inerentes do solo, inclusive do relevo, que influi na umidade do solo (MARQUES JÚNIOR & CORÁ, 1998). Por isto, a disponibilidade de nutrientes, o suprimento de de água, as condições relacionadas ao crescimento das raízes das plantas, além de plantas daninhas, insetos e doenças variam ao longo da área cultivada. Práticas de manejo causam variabilidade no stand da cultura, na compactação e nos teores de nutrientes do solo (PLANT et al., 1999; CASSEL et al., 2000). Entre os fatores mais estudados, a disponibilidade de água (POLLACK & WALLACH, 2001) e de nitrogênio (LI et al., 2002) são os que mais se relacionam com a produtividade das culturas. O manejo homogêneo de campos agrícolas geralmente causa o uso excessivo de fertilizantes e defensivos agrícolas, elevação de custos e danos ambientais (MARQUES JÚNIOR & CORÁ, 1998). A agricultura de precisão, ou produção espacialmente variável, a partir de amostragem detalhada dos fatores envolvidos, procura identificar a variabilidade CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 MIRANDA et al. e os fatores limitantes à produção para estabelecer relações causa-efeito e viabilizar a aplicação mais eficiente de insumos e tratos culturais, aumentando a produtividade e/ou a eficiência e o retorno econômico da atividade (PLANT et al., 1999; SCHUELLER & WHITNEY, 2000). Para tanto, o primeiro passo deve ser a confecção de mapas de produtividade para visualizar o comportamento das culturas de forma mais completa (BALASTREIRE et al., 1997), depois o campo é dividido em subáreas, conforme os fatores limitantes, para aplicação variável das práticas de manejo (NIELSEN et alii, 1997). A variabilidade espacial de características do solo relacionadas à irrigação e dos equipamentos de irrigação tem grande influência na produtividade das culturas. A variação em produtividade é atribuida por Bergez & Nolleau (2003) à combinação dos efeitos da variabilidade espacial do solo e da aplicação de fertilizantes e água. Alguns autores estudaram a variabilidade de características do solo que determinam e caracterizam o armazenamento de água no solo, da lâmina real necessária e da lâmina aplicada (FIETZ, 1998; GONÇALVES et al., 1999; SOUZA et al., 1999). Por isto, localizar regiões com déficit ou excesso de água auxilia a racionalizar o manejo da irrigação (FIETZ, 1998). Upadhyaya et al. (1999) observaram que muitas das variáveis influenciando a produtividade de tomate irrigado por sulcos estão relacionadas ao status de umidade do solo, indicando o manejo da irrigação como um aspecto crítico na agricultura irrigada, que influencia, além da umidade do solo, a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Quanto à fertilidade, fica evidente que coletar uma amostra composta não permite identificar a variabilidade do solo. A aplicação uniforme de fertilizantes e corretivos pode reduzir a produtividade e a qualidade dos produtos nas áreas com pH e teores de nutrientes abaixo da média. Por outro lado, em locais onde o pH e os teores de nutrientes estão acima da média, a aplicação será excessiva, podendo acarretar, além do maior custo, desequilíbrio nutricional, deficiência de micronutrientes, redução de rendimentos e poluição do lençol freático. Quando a aplicação é feita de acordo com o potencial de produção de cada região do campo pode haver redução de custos e maior lucro para o campo como um todo (FRANÇA et al., 2000). Neste sentido, alguns autores demonstram as conseqüências da variabilidade espacial do pH e teores de nutrientes 122 no solo e da aplicação de fertilizantes e corretivos de maneira uniforme ou considerando a variabilidade espacial(DE BOER,2000;FRANÇA et al., 2000). A geoestatística, que considera a correlação entre observações vizinhas, tem sido utilizada para analisar variáveis de solo e planta que exibam dependência espacial, ou seja, variam de um lugar para outro com aparente continuidade (VIEIRA, 2000). Estando os valores de uma característica ou propriedade, relacionados à sua distribuição espacial, é possível caracterizar sua variabilidade através de semivariogramas, para definir o grau de dependência no espaço da grandeza e o alcance ou domínio de cada medida (MARQUES JÚNIOR & CORÁ, 1998) e, usando métodos de interpolação como a krigagem, estimar valores para locais não amostrados, sem tendenciosidade e com mínima variância e, assim, confeccionar mapas de isovalores das características em estudo (VIEIRA, 2000). Segundo Plant et al. (1999), análises de correlação e de regressão podem ser usadas para identificar os fatores que influenciam a variação espacial da produtividade. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento preliminar da variabilidade espacial de algumas características do solo, da irrigação e de componentes da produção do meloeiro e, dentre eles, identificar possíveis fatores limitantes à produção. MATERIAL E MÉTODO O trabalho foi realizado em área de produção comercial de melão com 3,2 ha, correspondendo a uma unidade operacional de irrigação, em fazenda situada no município de Mossoró-RN, com coordenadas 5°02’02”S e 37°22’33”W. O solo é um Luvissolo crômico (EMBRAPA, 1999). O melão amarelo, híbrido AF 646, foi semeado em 22/12/2001 e colhido em 25/2 e 4/3/2002. O espaçamento entre linhas foi de 2,0 m com duas plantas a cada 0,40 m. O sistema de irrigação localizada constava de duas sub-áreas com a tubulação principal no meio. Os gotejadores do tipo NAAN PAZ-25, espaçados de 0,40 m, estavam sendo usados pela terceira safra. A pressão no final das linhas era de aproximadamente 110 kPa. Os dados foram coletados em sub-áreas de 2 20 m (10 x 2 m). Cada sub-área estava centralizada em um nó de uma malha com espaçamento de 36 x 36 m, que era localizado por coordenadas nos eixos X e Y. Foram determinados: altura em centímetros (cota) em relação ao ponto de entrada de água; CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRODUÇÃO DO MELOEIRO distância até o ponto de entrada de água no sistema; vazão de 3 gotejadores escolhidos ao acaso, durante dois minutos; pressão na extremidade das laterais onde foram coletadas as vazões; uniformidade de distribuição de água e o coeficiente de variação devido à hidráulica (ASAE, 1994). Após a classificação dos frutos colhidos foram determinados: número por parcela de frutos dos tipos exportação (NEXP), mercado nacional (NNAC), refugo (NREF) e número total (NTOT); produção, em kg por parcela de frutos de cada uma das classificações, (PEXP, PNAC, PREF e PTOT), e peso médio do total de frutos, em kg, (PMTOT). A produção comercial, em kg por parcela, (PCOM), foi considerada a soma de PEXP e PNAC. Foram retiradas amostras de solo na profundidade de 0 a 20 cm, para determinação de pH em água, Ca, Mg, K e Na, em cmolc.dm-3, e P, em mg.dm-3, conforme EMBRAPA (1997). A análise estatística dos dados obtidos foi feita através de parâmetros da estatística descritiva e dos coeficientes de correlação entre as variáveis. Usando a geoestatística foi determinada a correlação espacial através do semivariograma, que foi ajustado a um modelo matemático para determinar seus parâmetros. Um semivariograma expressa graficamente a relação entre a semivariância (?) e a distância entre amostras (h). Uma estimativa da semivariância, com N(h) sendo o número de pares de amostras separados por uma distância (h), é dada pela seguinte equação: ? ( h) ? 1 N ( h) ? [Z ( xi) ? Z ( xi ? h)]2 2 N (h ) i? 1 (1) onde, ?(h) é a semivariância entre os valores de dois pares de dados de uma variável Z, Z(xi) e Z(xi+h), separados por uma distância h. A semivariância geralmente aumenta com a distância (h) entre locais de amostragem, até um valor mais ou menos constante, o patamar (C+C0 ) a uma certa distância (a) chamada alcance da dependência espacial. Amostras separadas por distâncias menores do que o alcance são correlacionadas espacialmente, e aquelas separadas por distâncias maiores não são correlacionadas. A semivariância em h = 0 é chamada efeito pepita, que representa uma variabilidade do campo ou experimental, que não é detectável na escala de amostragem usada. A Figura 1 ilustra um semivariograma típico com seus parâmetros. O modelo apresentado é o esférico considerado o mais conveniente para fins de interpolação. Com dados do semivariograma foi realizada, pelo método da krigagem, a interpolação dos valores para locais não amostrados para confeccionar mapas de contornos, segundo a equação (VIEIRA, 2000): ? C+Co semivariância 123 Co a h distância FIGURA 1 – Semivariograma típico com seus parâmetros: efeito pepita (C0), patamar (C+ C0) e alcance (a) Z ( x0 ) ? N ? ? i z ( xi ) (2) i ?1 onde, Z(x0 ) é o valor estimado para a variável no ponto x0 , Z(x) são os valores medidos nos locais xi , e ? i são os pesos calculados a partir do semivariograma. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 1 pode-se observar os parâmetros do semivariograma e estatística descritiva das variáveis estudadas. Foi constatada dependência espacial das variáveis: VAZÃO, NEXP, PEXP, NNAC, NREF, PREF, NTOT, PTOT e PMTOT. Dependência espacial foi observada nos teores de P, K e Ca e no pH. Para estas variáveis, dentro do alcance do semivariograma, os valores obtidos estão correlacionados entre si. Isto permite a interpolação por krigagem e a confecção de mapas de isovalores (VIEIRA, 2000). Nas Figuras 2 e 3 estão apresentados os mapas de isovalores de algumas variáveis. A observação destes mapas permite identificar áreas com valores elevados ou reduzidos de cada variável. As variáveis cujo semivariograma ajustado apresentou modelo efeito pepita puro (EPP) não apresentam dependência espacial na escala estudada, ou seja, seus valores seriam completamente aleatórios naquela área. O modelo EPP é caracterizado por uma reta paralela ao eixo CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 MIRANDA et al. 124 dos X com valor de Y constante, igual a C0 . como o pH do solo é baixo, e é alto para teores de Obtiveram-se coeficientes de variação (CV) P no solo, por exemplo. As relações C0 /(C0 +C) entre 4,03% para pH até 134,65% para PEXP, obtidas indicam altos níveis de dependência espacial demonstrando a variabilidade existente. Estudos se utilizarmos os mesmos critérios que Fietz (1998) revisados por autores como Marques Júnior & Corá e Silva & Chaves (2001): dependência alta quando (1998) e Silva & Chaves (2001) mostram que, em efeito pepita é menor ou igual a 25% do patamar, geral, o coeficiente de variação de características moderada se está entre 25% e 75% e fraca se o Tabela 1 – Resumo da estatística descritiva e dos parâmetros do semivariograma dos componentes de produção de melão, características do sistema de irrigação e teores de nutrientes do solo em área de produção comercial, Mossoró-RN, 2002 Variáveis Média Máx. Mín. CV(%) Co* Co+C Co/(Co+C) a Modelo NEXP 1,17 5,00 0 127,50 0,70 2,34 0,30 37,30 EXP PEXP 1,35 6,81 0 134,60 2,22 4,49 0,49 149,3 EXP NREF 3,90 8,00 0 46,82 0,66 3,44 0,19 76,20 ESF PREF 4,23 9,16 0 50,40 0,59 4,68 0,13 66,80 ESF NNAC 3,13 9,00 0 23,00 0,33 4,44 0,07 52,50 ESF PNAC 4,19 6,82 0 71,12 EPP NTOT 8,20 14,00 4,00 32,72 1,37 7,49 0,18 74,70 ESF PTOT 9,77 18,30 3,75 35,56 1,41 12,47 0,11 69,00 ESF PMTOT 1,18 1,53 0,94 10,48 0,003 0,016 0,22 56,40 ESF PCOM 5,54 12,00 0 55,60 EPP Vazão 1,32 1,53 0,98 8,66 0,005 0,015 0,37 290,7 ESF P (mg dm-3) 143,4 89,00 238,0 22,08 269,00 1114,0 0,24 52,20 EXP K (cmolc dm-3 ) 0,21 0,41 0,12 34,16 0,001 0,005 0,19 57,80 ESF Ca (cmolc dm-3 ) 2,44 3,60 1,60 18,85 0,037 0,216 0,17 59,30 ESF Mg (cmolc dm-3) 1,28 2,10 0,60 29,69 EPP Na (cmolc dm-3 ) 0,19 0,30 0,13 22,98 EPP pH (água) 7,45 7,90 6,70 4,03 0,021 0,106 0,20 123,7 ESF * Co é o efeito pepita; Co+C é o patamar; a é o alcance; ESF é esférico, EXP exponencial e EPP efeito pepita puro; NEXP é o número de frutos tipo exportação por parcela; PEXP é o peso de frutos tipo exportação em kg por parcela; NREF é o número de frutos refugo por parcela; PREF é o peso de frutos refugo em kg por parcela; NNAC é o número de frutos para mercado interno por parcela; PNAC é o peso de frutos para mercado interno em kg por parcela; NTOT é o número total de frutos por parcela; PTOT é o peso total de frutos em kg por parcela; PMTOT é o peso médio total de frutos em kg por fruto e PCOM é o peso de frutos comerciais em kg por parcela. efeito pepita é maior do que 75%. Na vazão do sistema de irrigação foi observada uniformidade estatística de 90% ? 1,5%, considerada boa conforme ASAE (1994), e a uniformidade estatística por causas hidráulicas de 93 % ? 1,5%. Porém, a análise visual do mapa de isolinhas (Figura 2a) mostra regiões de menor e de maior vazão, diminuindo à medida que se afasta na direção oposta à entrada de água (oeste) e para as extremidades (norte e sul). Segundo Fietz (1998) a localização de regiões com excesso ou déficit de água é útil no manejo da irrigação. Os coeficientes de correlação entre as variáveis dos componentes de produção e algumas características do sistema de irrigação estão apresentados na Tabela 2. A correlação negativa significativa da vazão com a distância até a entrada de água mostra que esta variação foi causada pela perda de carga no sistema. A produção de frutos tipo exportação (Figura 2b) e seu número tiveram correlação negativa com a distância até a entrada de água e com a vazão do sistema, demonstrando que o excesso de água prejudicou a qualidade dos frutos. A menor vazão nas maiores distâncias até a entrada de água também diminuiu o pH (Figura 3a), provavelmente durante as safras anteriores houve menor acumulação de Ca e Mg nas maiores distâncias, como se pode observar visualmente (Figura 3b). Os teores de magnésio no solo foram os que mais influenciaram a produção, tiveram correlação negativa altamente significativa com a produção total (Figura 2c), com o número de frutos total (Figura 2d) e com a produção de frutos . CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 125 VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRODUÇÃO DO MELOEIRO 180.00 140.0 0 160.00 120.0 0 140.00 100.0 0 120.00 80.00 100.00 80.00 60.00 60.00 40.00 40.00 20.00 20.00 0.00 0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 120.00 140.00 160.00 180.00 0.00 0.00 20.00 40.00 60.00 (A) 140.0 0 120.0 0 120.0 0 100. 0 0 100.0 0 80.0 0 80.00 60.0 0 60.00 40.0 0 40.00 20.0 0 20.00 20.0 40.0 60.0 80.0 100.0 120.0 140.0 160.0 180.0 120.0 140.0 160.0 180.0 (B) 140.0 0 0.0 0.0 0 80.00 100.0 120.0 140.0 160.0 180.0 (C) 0.00 0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.0 (D) Figura 2 – Isovalores de: a) vazão (L.h -1); b) produção de frutos tipo exportação (kg por parcela); c) produção total de frutos (kg por parcela) e d) número total de frutos por parcela em área de produção comercial de melão, Mossoró-RN, 2002 comerciais. Em trabalho com soja, Johann et al (2002) identificaram como fatores responsáveis pelas regiões de alta e baixa produtividade os teores de P, K, MO e Ca e a resistência do solo à penetração.Como se observa nas Figuras 3c e 3d, os teores de P e K são maiores nas regiões mais próximas à entrada de água, e vão diminuindo a medida que se afastam, demonstrando que há uma deposição desuniforme de nutrientes na fertirrigação. Schlindwein & Anghinoni (2000) verificaram que a desuniformidade na aplicação de fertilizantes em culturas anuais aumenta a variabilidade espacial dos nutrientes e pH do solo. Quanto aos outros componentes da produção, a natureza de sua variabilidade deve estar associada a outrascaracterísticas químicas e físicas do solo bem como à ocorrência de pragas e doenças (NIELSEN et al., 1997) que deverão ser avaliadas em trabalho detalhado a ser realizado baseado nas informações obtidas. CONCLUSÕES Dependência espacial na variabilidade das características estudadas foi observada.A variabilidade da vazão no sistema de irrigação foi em grande parte devido à perda de carga ao longo das tubulações. A variação na vazão correlacionouse negativamente com a distância até a entrada de água. A produção de frutos tipo exportação foi prejudicada nas regiões com maiores vazões. Dentre CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 MIRAANDA et al. pH e nutrientes, os teores de magnésio no solo foram os que mais influenciaram os componentes de produção, de forma negativa. 140.0 0 140.0 0 120.0 0 120.0 0 100.0 0 100.0 0 80.0 0 80.00 60.0 0 60.00 40.0 0 40.00 20.0 0 20.00 0.0 0 0.0 20.0 40.0 60.0 80.0 100.0 120.0 140.0 160.0 180.0 0.00 0.00 20.00 40.00 60.00 (A) 140.0 0 120.0 0 120.0 0 100.0 0 100.0 0 80.00 80.00 60.00 60.00 40.00 40.00 20.00 20.00 20.00 40.00 60.00 80.00 (C) 100.0 80.00 100.0 120.0 140.0 160.0 180.0 120.0 140.0 160.0 180.0 (B) 140.0 0 0.00 0.00 126 120.0 140.0 160.0 180.0 0.00 0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.0 (D) Figura 3 – Isovalores de: a) pH do solo; b) teor no solo de cálcio (cmolc dm-3); c) fósforo (mg dm-3) e d) potássio (mg dm-3) em área de produção comercial de melão, Mossoró-RN, 2002 CAATINGA, Mossoró-RN, v.17, n.2, p.121-128, jan./jun. 2004 127 VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRODUÇÃO DO MELOEIRO Tabela 2 – Coeficientes de correlação entre os componentes de produção de melão, características do sistema de irrigação e teores de nutrientes em área de produção comercial, Mossoró-RN, 2002 Variável Vazão Distância P K Ca Mg Na PH PTOT -0,001ns -0,06ns -0,020ns -0,03ns -0,05 ns -0,44** -0,200 ns -0,030 ns NTOT -0,006ns -0,14ns -0,015ns -0,05ns -0,02 ns -0,44** -0,170 ns -0,080 ns ns ns ns ns + ns ns PMTOT -0,050 -0,29 -0,181 -0,12 -0,23 -0,16 -0,180 -0,120 ns + ns ns ns ns ns ns PEXP -0,324 -0,26 -0,175 -0,07 -0,05 -0,19 -0,290 -0,070 ns ns ns ns ns ns ns ns PNAC -0,014 -0,06 -0,010 -0,18 -0,05 -0,27 -0,030 -0,070 ns ns ns ns ns ns ns ns PREF 0,237 -0,23 -0,010 -0,26 -0,16 -0,16 -0,040 -0,090 ns NEXP -0,379* -0,32+ -0,210ns -0,09ns -0,03 ns -0,15 ns -0,270 ns -0,050 ns NNAC 0,045ns -0,15ns -0,080ns -0,23ns -0,13 ns -0,27 ns -0,005 ns -0,050 ns NREF 0,265ns -0,30+ -0,090ns -0,26ns -0,13 ns -0,21 ns -0,040 ns -0,140 ns PCOM -0,178ns -0,09ns -0,090ns -0,21ns -0,06ns -0,39* -0,190 ns -0,030 ns Vazão 1,000 -0,56** -0,050ns -0,28ns -0,10 ns 0,28 ns -0,070 ns -0,006 ns ** ns ns ns ns ns Distância -0,559 1,00 -0,001 -0,25 -0,09 -0,19 -0,140 -0,390 * + significativo a 10% de probabilidade; * significativo a 5%; ** significativo a 1%; NEXP é o número de frutos tipo exportação por parcela; PEXP é o peso de frutos tipo exportação em kg por parcela; NREF é o número de frutos refugo por parcela; PREF é o peso de frutos refugo em kg por parcela; NNAC é o número de frutos para mercado interno por parcela; PNAC é o peso de frutos para mercado interno em kg por parcela; NTOT é o número total de frutos por parcela; PTOT é o peso total de frutos em kg por parcela; PMTOT é o peso médio total de frutos em kg por fruto e PCOM é o peso de frutos comerciais em kg por parcela. AGRADECIMENTOS À Fazenda Santa Júlia pela permissão para desenvolver o trabalho em suas dependências e pelo apoio. Ao Engenheiros Agrônomos Leonardo Porpino Alves e Manuel Januário da Silva Júnior pelo auxílio nas coletas de dados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASAE. American Society of Agricultural Engeneers. Field evaluation of microirrigation systems. In: Asae standards 1994. St. Joseph: ASAE. 1994. p.760-765. BALASTREIRE, L.A.; ELIAS, A.I.; AMARAL, J.R. Agricultura de precisão: mapeamento da produtividade da cultura do milho. Engenharia na Agricultura, Viçosa, v.5, n.4, p.308-324, 1997. BERGEZ, J.E.; NOLLEAU, S. Maize grain yield variability between irrigation stands: a theoretical study. Agricultural Water Management, Amsterdam, v.60, n.1, p.43-57, 2003. 212p. (Documentos, 1). EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: Embrapa Produção de Informação, 1999. 412 p. FIETZ, C.R. 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