Descobrindo o Evangelho Cláudio César Gonçalves São Paulo / 2001 Descobrindo o Evangelho SUMÁRIO 1 - APRESENTAÇÃO 2 2 - A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL 3 3 - A ESCRITURA SAGRADA 7 4 - DEUS 11 5 - O HOMEM 16 6 - JESUS CRISTO 19 7 - O ESPÍRITO SANTO 24 8 - A TRINDADE 28 9 - A IGREJA 31 10 - OS SACRAMENTOS 35 11 - A ORAÇÃO E O DÍZIMO 39 12 - FIM DOS TEMPOS 43 13 - PROFISSÃO DE FÉ 47 14 - BIBLIOGRAFIA 49 1 Descobrindo o Evangelho 1 Apresentação Seja bem-vindo!!! Estamos muito contentes por você ter decidido frequentar a Classe “Descobrindo o Evangelho”. Esta apostila que você está recebendo contém todo o material que você estudará nesta Classe, que traz as principais doutrinas da Palavra de Deus de forma simples. Este Curso visa levar cada pessoa a um melhor conhecimento da Pessoa de Jesus Cristo nosso Salvador. Você pode compartilhar suas dúvidas, temores e dificuldades, pois estamos dispostos a te ajudar e orientar naquilo que você necessitar. Mais importante ainda, é que você estará “descobrindo o evangelho”. Neste Curso Básico, você está dando um passo muito importante. Agora você pode compartilhar a vida cristã e seus conhecimentos com um grupo que está começando a descobrir o mesmo que você. Na Classe Descobrindo o Evangelho você vai conhecer doutrinas bíblicas num nível mais profundo do que você tem conhecido. Portanto, mãos à obra. Estude o máximo que você puder. Procure não faltar às aulas. Fique à vontade para fazer a pergunta que você quiser para os professores. Qualquer dificuldade que você tiver, pode procurar os seus professores. Ao fim destes estudos, a Igreja Presbiteriana de Vila Natal terá o maior prazer de recebê-lo como membro da Igreja e tê-lo trabalhando conosco para o Reino de Deus. Mas lembre-se, você não é obrigado a se tornar membro da Igreja. Esta é uma decisão sua; fique à vontade quanto à sua decisão; independente de ser recebido como membro da Igreja ou não, você pode participar desta Classe e nós ficamos contentes com isto. De qualquer forma, aí está o convite. É um grande prazer ter você conosco!!! Cláudio César Gonçalves 2 Descobrindo o Evangelho 2 A Igreja Presbiteriana do Brasil Questões: 1 – Qual foi a primeira igreja a existir no mundo? A primeira igreja a existir no mundo é hoje denominada “Igreja Primitiva”, composta pelos apóstolos e demais seguidores de Jesus Cristo conforme relata Lucas no livros “Atos dos Apóstolos”. 2 – Quais eram as características desta Igreja Primitiva? Esta comunidade viveu integralmente os valores do Reino de Deus, sendo marcada pelo amor incondicional a Deus e ao próximo; permanecia firme na doutrina dos apóstolos e nas orações, vivia em íntima comunhão, atendia os necessitados e proclamava diariamente o evangelho do Reino aos que não o conheciam (At 2.42-47 At 4.32-35). 3 - O que ocasionou a Reforma Protestante? Esta igreja aos poucos foi se corrompendo, atingindo o apogeu de sua degeneração durante a Idade Média. Com o desejo de uma ampla reforma, o monge Martinho Lutero deu início à Reforma Protestante, afixando suas 95 teses na capela de Wittemberg, Alemanha em 1517. 4 – Como nasceu a Igreja Presbiteriana? A Igreja Presbiteriana nasceu na Escócia, através do reformador John Knox. Este reformador recebeu profunda influência de João Calvino (um dos mais notáveis reformadores). A Igreja Reformada (ou calvinista), veio a ser chamada, na Escócia, de Presbiteriana, por ser dirigida por presbíteros eleitos pela igreja local, conforme o modelo bíblico (1Pe 5.1-2). 3 Descobrindo o Evangelho 5 – Como a Igreja Presbiteriana chegou ao Brasil? Da Escócia, a Igreja Presbiteriana chegou à Inglaterra, de onde foi levada para a América do Norte no século XVII. Houve um grande avivamento espiritual acontecido nos Estados Unidos nos séculos XVIII e XIX, e foi então que a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) enviou o Rev. Ashbel Green Simonton para o Brasil, o qual chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. Esta é a data comemorada oficialmente como o Dia da Igreja Presbiteriana do Brasil. A Igreja Presbiteriana do Brasil A IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) é herdeira de fé reformada no Brasil, suas afirmações de fé se baseiam na sistematização teológica feita por Calvino e seus seguidores. Vejamos como se governa a IPB: 1 – SÍMBOLOS DE FÉ Para a IPB a única regra de fé e prática é a Bíblia Sagrada, entretanto, em virtude das doutrinas bíblicas não estarem sistematizadas ali, adotamos uma Confissão de Fé e um Catecismo, como manual de doutrina. A Confissão de Fé foi formulada por uma assembléia convocada pelo Parlamento inglês para elaborar os princípios de governo, doutrina e culto que regeriam as atividades religiosas da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Esta assembléia foi instalada em 01/07/1643, composta por anglicanos, congregacionais, independentes, batistas e presbiterianos, tinha 121 teólogos e 30 leigos nomeado pelo parlamento, realizou 1163 sessões, sem contar reuniões de comissões e subcomissões. O local das reuniões foi na Abadia de Westminster. As afirmações desta assembléia foram aprovadas pelo Parlamento inglês em 1647. A assembléia formulou uma confissão de fé, dois catecismos, o maior e o breve. Esta confissão de fé ficou conhecida como “Confissão de Fé de Westminster”. 4 Descobrindo o Evangelho 2 – SISTEMA DE GOVERNO A IPB adota o sistema de governo. É um meio termo entre o sistema episcopal, em que o governo exercido pelo bispo, e o congregacional, onde as decisões são tomadas por assembléias, com todos os membros. Na IPB os membros se reúnem em assembléia e elegem seus representantes. A IPB é uma igreja “Conciliar”, todas as decisões são tomadas por concílios eleitos para tal fim. Todas as decisões dos concílios devem ser documentadas, lavrando-se em atas de todas as resoluções. a) Governo Local: O governo da igreja local é exercido pelos presbíteros (por isso presbiteriana) eleitos por uma assembléia dos membros. O Conselho é o menor concílio da IPB e é instituídos pelos presbíteros eleitos e pelo pastor da igreja. O Conselho tem a responsabilidade de exercer o governo espiritual e administrativo da igreja. Para participar das decisões regionais o conselho elege, dentre os seus membros o presbítero que representará a igreja no concílio superior. b) Governo Regional: O governo de uma determinada região é exercida por dois concílios: Presbitério: O Presbitério é formado pelos pastores de determinada região e mais um presbítero de cada igreja. Um presbitério deve ser composto de pelo menos 4 (quatro) igrejas. O Presbitério é responsável pela disciplina de pastores e pelo governo espiritual da sua região, é dirigido por uma diretoria (Comissão Executiva) eleita anualmente. O Presbitério fiscaliza e orienta as decisões das igrejas locais. Sínodo: O Sínodo também é um governo regional, exerce o governo sobre os presbitérios. Um Sínodo deve ser composto de, no mínimo 3 (três) presbitérios. Suas reuniões são bienais ( anos ímpares) e cada presbitério se faz representar por três pastores e presbíteros. Dirige, coordena e fiscaliza os trabalhos dos presbitérios. Governo Nacional: O Governo Nacional da IPB é exercido pelo “Supremo Concílio”, que se reúne a cada quatro anos e é composto de representantes de todos os presbitérios, sendo dois pastores e dois presbíteros de cada um deles. Esta assembléia decide todas as questões da igreja, sejam teológicas, 5 Descobrindo o Evangelho disciplinares, etc. No período compreendido entre os quatro anos a IPB é governada pela Comissão Executiva, que é formada pela “mesa” do Supremo Concílio (Presidente, Vice Presidente, Secretário Executivo e Tesoureiro) e por todos os presidentes dos Sínodos. A Comissão Executiva do Supremo se reúne pelo menos uma vez por ano. 3 – A LEGISLAÇÃO DA IPB A IPB é regida por um conjunto de leis que abrange todos os aspectos da vida da Igreja, o Manual Presbiteriano é composto de: a) Constituição da Igreja: É um conjunto de leis que trata de todas as questões administrativas da igreja, todos os concílios são regidos pela Constituição. b) Código de Disciplina: São as leis que se referem à disciplina dos membros da IPB, dos pastores e do concílio. Contém toda a formalidade do processo de disciplina na igreja. c) Princípios de Liturgia: Trata da forma dos cultos da IPB. Além destes três conjuntos de leis o Manual Presbiteriano tem ainda os estatutos da igreja nacional, os regimentos internos dos concílios e modelos dos estatutos para igrejas locais. Todas as atividades conciliares da IPB devem obedecer este conjunto de leis, o que dá uniformidade e identidade à IPB. Todas as decisões dos concílios são recorríveis aos concílios superiores. 6 Descobrindo o Evangelho 3 A Escritura Sagrada Questões: 1- O que é Escritura Sagrada, e como ela foi escrita ? É o termo usado para se referir à Bíblia, conjunto de livros que compõem a Palavra de Deus escrita, a revelação de Deus ao homem. Ela foi escrita por cerca de 40 escritores, diferentes uns dos outros, em épocas bem distintas, num período de 1600 anos aproximadamente (2 Pe 1.19-21). 2 - Quantos livros tem a Bíblia? A Bíblia tem 66 livros, divididos em duas grandes partes : 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. 3 - Quem é o autor da Bíblia? O único autor da Bíblia é o próprio Deus. A Escritura Sagrada foi dada por inspiração divina (2 Tm 3.16). 4 - Qual o tema unificador da Bíblia? Na realidade são três temas: Reino, Pacto e Mediador. Reino: Deus é Rei, Criador Soberano; ele reina sobre toda a criação; tem o seu trono de onde "comanda” seu Reino. Pacto: Deus entrou num relacionamento de vida e amor com o Homem, colocando-o como "vice-regente" no Mundo. Mediador: O Mediador do Pacto, administra o Reino, dirige, restaura e remove toda maldição. 5 - Por que foi necessário escrever a Bíblia? Por causa do pecado. Com a entrada do pecado no mundo, o homem ficou separado de Deus e não pode chegar ao conhecimento d’Ele por si mesmo e pela 7 Descobrindo o Evangelho criação em geral. Por isso, Deus fez escrever a Sua vontade na Bíblia para que o homem pudesse conhecê-lo para salvação (2 Tm 3.15-17). 6 - A Bíblia continua sendo escrita? Não. A História da Salvação já está completamente revelada; os cristãos são "personagens" ativos na progressão desta história na atualidade, vivendo e divulgando-a, aguardando apenas a sua consumação no fim dos tempos. Logo, nada pode ser acrescentado à Bíblia, nem dela retirado (Gl 1.8,9; Mt 5.18; Ap 22.18-19). Escritura Sagrada – Sua Importância 1 - REVELAÇÃO É a operação divina que comunica ao homem fatos que a razão humana é insuficiente para conhecer. É portanto, a operação divina que comunica a verdade de Deus ao homem (1Co 2.10). a) Provas da Revelação A Indestrutibilidade da Bíblia: O diabo foi o primeiro ser a pôr em dúvida a existência da revelação: “É assim que Deus disse?” (Gn 3.1). Mas a Bíblia é a Palavra de Deus. Uma porcentagem muito pequena de livros sobrevive além de um quarto de século, e uma porcentagem ainda menor dura um século, e uma porção quase insignificante dura mil anos. A Bíblia, porém, tem sobrevivido em circunstâncias adversas. Em 303 A.D. o imperador Dioclécio decretou que todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. A Bíblia é hoje encontrada em mais de mil línguas e ainda é o livro mais lido do mundo. 2 – INSPIRAÇÃO É a operação divina que influenciou os escritores bíblicos, capacitando-os a receber a mensagem divina, e que os moveu a transcrevê-la com exatidão, 8 Descobrindo o Evangelho impedindo-os de cometerem erros e omissões, de modo que ela recebeu autoridade divina e infalível, garantindo a exata transferência da verdade revelada de Deus para a linguagem humana inteligível (1Co 10.13; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.20,21). Argumento da Profecia Cumprida: Muitas profecias a respeito de Cristo se cumpriram integralmente, sendo que a mais próxima do primeiro advento, foi pronunciada 165 anos antes de seu cumprimento. As profecias a respeito da dispersão de Israel também, se cumpriram (Dt 28; Jr 15.4; l6.13; Os 3.4; etc.); da conquista de Samaria e preservação de Judá (Is 7.6-8; Os 1.6,7; 1 Rs 14.15); do cativeiro babilônico sobre Judá e Jerusalém (Is 39.6; Jr 25.9-12); sobre a destruição final de Samaria (Mq 1.6-9); sobre a restauração de Jerusalém (Jr 29.10-14), etc. Reivindicações da Própria Escritura: A própria Bíblia expressa sua infalibilidade, reivindicando autoridade. Nenhum outro livro ousa fazê-lo. Encontramos essa reivindicação nas seguintes expressões: "Disse o Senhor a Moisés" (Ex 14.1,15,26; 16.4; 25.1; Lv 1.1; 4.1; 11.1; Nm.4.1; 13.1; Dt 32.48) "O Senhor é quem fala" (Is 1.2); "Disse o Senhor a Isaías" (Is 7.3); "Assim diz o Senhor" (Is 43.1). Outras expressões semelhantes são encontradas: "Palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor" (Jr 11.1); "Veio expressamente a Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez 1.3); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Oséias" (Os 1.1); "Palavra do Senhor que foi dirigida a Joel" (Jl 1.1), etc. Expressões como estas são encontradas mais de 3.800 vezes no Velho Testamento. Portanto o A.T. afirma ser a revelação de Deus, e essa mesma reivindicação faz o Novo Testamento (1 Co 14.37; 1 Ts 2.13; 1 Jo 5.10; 2 Pe 3.2). 3 – ILUMINAÇÃO É a influência ou ministério do Espírito Santo que capacita todos os que estão num relacionamento correto com Deus para entender as Escrituras (1 Co 2.12; Lc 24.32,45; 1 Jo 2.27). A iluminação não inclui a responsabilidade de acrescentar algo 9 Descobrindo o Evangelho às Escrituras (revelação) e nem inclui uma transmissão infalível na linguagem (inspiração) daquele que o Espírito Santo ensina. A iluminação é diferenciada da revelação e da inspiração no fato de ser prometida a todos os crentes, pois não depende de escolha soberana, mas de ajustamento pessoal ao Espírito Santo. Além disso a iluminação admite graus podendo aumentar ou diminuir (Ef 1.16-18; 4.23; Cl 1.9). A iluminação não se limita a questões comuns, mas pode atingir as coisas profundas de Deus (1 Co 2.10) porque o Mestre Divino está no coração do crente e, portanto, ele não houve uma voz falando de fora e em determinados momentos, mas a mente e o coração são sobrenaturalmente despertados de dentro (1 Co 2.16). Este despertamento do Espírito pode ser prejudicado pelo pecado, pois é dito que o cristão que é espiritual discerne todas as coisas (1 Co 2.15), ao passo que aquele que é carnal não pode receber as verdades mais profundas de Deus que são comparadas ao alimento sólido (1 Co 2.15; 3.1-3; Hb 5.12-14). A iluminação, a inspiração e a revelação estão estritamente ligadas, porém podem ser independentes, pois há inspiração sem revelação (Lc 1.1-3; 1 Jo 1.1-4); inspiração com revelação (Ap 1.1-11); inspiração sem iluminação (1 Pe 1.10-12); iluminação sem inspiração (Ef 1.18) e sem revelação (1 Co 2.12; Jd 3); revelação sem iluminação (1 Pe 1.10-12) e sem inspiração (Ap 10.3,4; Êx 20.1-22). É digno de nota que encontramos estes três ministérios do Espírito Santo mencionados em uma só passagem (1 Co 2.9-13); a revelação no versículo 10; a iluminação no versículo 12 e a inspiração no versículo 13. 10 Descobrindo o Evangelho 4 Deus Questões: 1- Quem é Deus? DEUS É. Simplesmente é. Qualquer definição de Deus seria limitada para dar uma compreensão exata de sua essência (natureza). Ele não se adequa à nossa mente, à lógica humana (Êx 3.14; Is 55.8-9; Sl 147.5; Rm 11.33-34). 2 - Existe mais que um Deus? Não. Existe somente um Deus, o Deus vivo e verdadeiro (Dt 6.4; Jr 10.10; Is 43.10; Is 45.6-7; 1 Tm 1.17). 3 - Quais são os atributos de Deus? Deus é Espírito (Jo 4.24); Deus é Pessoal (Is 57.15; Sl 23; Êx 13.21; Is 48.17); Eterno, Invisível (Sl 90.2; 1 Tm 1.17); Imortal (1Tm 6.16); Imutável (Tg 1.17); Misericordioso, Longânimo, Fiel (Sl 103.8; Êx 34.6); Santo (Is 6.3; Êx 15.11); Justo (Ne 9.32-33; Sl 145.17); Onisciente (Sl 139.1-4); Onipotente (Ap 4.8; Gn 17.1); Onipresente (Sl 139.5-12); Sábio (Jó 11.8-9); Auto-existente (Jo 5.26); Perfeito (Jó 11.7) e Amor (1 Jo 4.8). Ele não somente possui estes atributos, como também eles emanam dEle. 4 - O que significa “Soberania de Deus” ? Soberania de Deus trata da ação dEle como Rei do universo, dominando sobre tudo e determinando toda a história. Afirma, categoricamente, que Deus é Deus e não um homem de qualidades superiores. Ele é o único Deus, ninguém pode detê-lo, faz toda a Sua vontade. È Senhor sobre toda a criação, é um ser incomparável, 11 Descobrindo o Evangelho incompreensível, porém conhecível (1 Cr 29.11-12; Ap 19.16; Jó 23.13; Mt 10.29-30; Rm 11.33-36). 5 - Deus Criou todas as coisas? Sim, Deus criou todas as coisas do nada, pela palavra de Seu poder, em seis dias, e tudo muito bem (Gn 1 e 2.1-3; Hb 11.3; Ap 4.11). A Natureza e os Atributos de Deus “Está lição tem como objetivo estudar a respeito de quem é DEUS. Vale a pena lembrar que vamos estudá-lo até o ponto que Ele se deixou conhecer, diferentemente de outros estudos, onde podemos manipular o objeto estudado, por isso, com muita humildade e sabendo da nossa limitação, vamos tentar entender um pouco mais do ser de Deus”. Se Deus não tivesse tomado a iniciativa de se revelar, ninguém jamais o conheceria. Mas, felizmente, ele se revelou, se fez conhecer por meio de sua revelação. Não importa quão profundo seja o nosso conhecimento teológico, sempre haverá muitos aspectos da natureza e caráter de Deus que permanecerão um mistério para nós. Nenhum ser humano pode ter o conhecimento pleno de Deus. Deus é “incompreensível” (Jó 38.1-41; Jó 38.34; Sl 139.1-18; Is 55.8,9; Rm 11.33-36; 1 Co 2.6-16), entretanto pode ser “conhecido”, pois ele mesmo se fez conhecer. Não podemos definir Deus, a mente humana, limitada, não pode captar toda a grandeza do Ser de Deus. O máximo que podemos fazer é uma descrição analítica de Deus, a partir do que Ele nos revela na Bíblia Sagrada. 1 - OS ATRIBUTOS DE DEUS A palavra “atributo” embora não expresse corretamente o tema deste tópico tem sido a palavra consagrada para designar as “perfeições”, ou qualidade do Ser de Deus. Como Deus é perfeito seus atributos são chamados, também de “Perfeições Divinas”. Há atributos que são peculiares a Deus e são chamados “Incomunicáveis”, 12 Descobrindo o Evangelho outros que encontram algum traço, ou alguma ressonância no ser humano são chamados “Comunicáveis”, vejamos quais são: a) Atributos Incomunicáveis: Estes atributos destacam a distinção absoluta de Deus, sua grandeza transcendente (além da criação). São aqueles que não encontram analogias no ser humano. Auto-existência ou Independência (Jo 1.1-5; Ex 3.13,14; Jo 5.26; At 17.22-31; Cl 1.15-20; Ap 1.8) - Deus é um ser absolutamente autônomo, sua existência não depende de nenhuma causa secundária. Ele existe por si só. Eternidade ( Sl 90.2; Sl 102.12; 2 Pe 3.8) - Deus sempre existiu e sempre existirá, não tem começo nem fim. Deus não está limitado pelo tempo, ele vive no eterno hoje. Imensidade ou Onipresença (1 Re 8.27; Sl 139.7-10; Is 66.1; Jó 11.7-9; Jr 23.23,24; At 17.22-31) - Somente um Espírito infinito pode ser onipresente. Deus não está limitado pelo espaço, ele está presente ao mesmo tempo em todos os lugares. A onipresença de Deus é um conforto para o crente e um terror para o não-crente. Imutabilidade (Ml 3.6; Tg 1.17) - Deus não muda em seu ser, em seus atos, e nem em seus propósitos. Mudança implica em melhorar ou piorar, se Deus melhorar ele não era Deus, se ele piorar ele deixa de ser Deus. Onipotência (Gn 17.1; Sl 115.3; Rm 11.36; Ef 1.11; Hb 1.3) - Onipotência não significa que Deus pode fazer qualquer coisa. Ele não pode agir contra sua natureza. Onipotência refere-se ao poder soberano de Deus, sua autoridade e seu controle sobre a ordem criada. A onipotência, embora seja uma ameaça para o ímpio, é uma fonte de conforto para o crente. O mesmo poder que Deus exibiu na criação é manifestado na nossa redenção. Nada no universo pode atrapalhar ou frustar os planos de Deus. Onisciência (Sl 147.5; Ez 11.5; At 15.18; Rm 11.33-36; Hb 4.13) - Onisciência significa “todo conhecimento”. Deus tem um grau de conhecimento muito mais elevado do que o das criaturas, mas que é do mesmo tipo de lógica. Atribuir um tipo diferente de lógica a Deus é fatal para o Cristianismo. A onisciência de Deus 13 Descobrindo o Evangelho é baseada em seu ser infinito e em sua onipotência, ela é crucial para o seu papel como Juiz do universo. a) Atributos Comunicáveis: Estes são aqueles atributos que encontram alguma analogia no ser humano, são as perfeições de Deus que ele comunicou à suas criaturas humanas. Conhecimento (1 Re 8.39; Is 46.10; Ez 11.5; At 15.18; Hb 4.13) – É a perfeição de Deus por meio da qual ele conhece todas as coisas de maneira plena. Em Deus chamamos de Onisciência, ou seja, Deus conhece todas as coisas, nada há que passe desapercebido dos seus olhos. Sabedoria (Sl 33.10,11; Rm 8.28; Rm 11.33; Ef 3.10) – É a inteligência de Deus como se manifesta da adaptação de meios para alcançar a determinados fins. Por isso Deus sempre escolhe os melhores meios para atingir os fins que ele propõe. Bondade (Sl 25.8-10; Sl 36.6; Sl 100.1; Sl 104.21; Sl 145.8,9,16; Mt 5.45; At 14.17; Tg 1.17) – É aquela perfeição de Deus que o move a tratar generosa e bondosamente com todas as suas criaturas. Quando se dirige às suas criaturas racionais a bondade de Deus se chama amor. A bondade de Deus ainda se manifesta como misericórdia e longanimidade, ele se compadece de nós e nos tolera apesar de nosso pecado. Santidade (Ex 3.1-6; 1 Sm 2.2; Ex 15.11; Is 6.3; Hc 1.13; Ap 4.8) – Deus é perfeitamente puro em sua pessoa e em seus atos e, consequentemente, ele é contra toda e qualquer forma de impureza. Por esta perfeição Deus se aborrece com o pecado e exige pureza de suas criaturas. Somos chamados para ser santos, para refletir a pureza de Deus. Justiça (Gn 18.25; Ex 34.6,7; Ne 9.32,33; Sl 71.19; Sl 145.7; Mt 10.42; Rm 1.32; Rm 9.14-33) – Justiça é dar o que é devido. Deus é absolutamente justo, ele governa o mundo com justiça, recompensa todos os atos bons do homem e pune os seus erros. 14 Descobrindo o Evangelho Soberania (Sl 115.3; Mt 10.29; Ef 1.11) – Sob este aspecto estão envolvidos vários aspectos da soberania de Deus: sua vontade soberana, seu poder soberano (Onipotência), sua soberania em planejar e dirigir os negócios de suas criaturas racionais. “Porventura desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso?” Jó 11.7. Realmente o homem não tem condição de desvendar os mistérios de Deus, só podemos conhecer o que Deus permitiu por meio de sua revelação. Quando tentamos fazer de Deus um objeto de pesquisa descobrimos que há verdades sobre ele que não se enquadram em nossa limitada visão e lógica. Há muitos mistérios que não conseguiremos desvendar simplesmente porque Deus não quis revelá-los a nós. Cumpre-nos alegrar pelo conhecimento que Deus nos permite ter de si mesmo, conhecimento suficiente para fazer-nos seus adoradores. Diante das absolutas perfeições de Deus cumpre-nos voltar a ele nossos olhos com fé e esperança, certos de que ele se torna o recompensador daqueles que o buscam. 15 Descobrindo o Evangelho 5 O Homem Questões: 1 – Como o homem foi criado? O homem e a mulher foram criados por Deus, no fim do ato criador, como a coroa da criação (Gn 1.26-31; Gn 2.4-25). O homem foi “formado” do pó da terra, soprando Deus nele o fôlego da vida; A mulher foi criada a partir de uma costela do homem (Gn 2.7, 21-22) e foram chamados Adão e Eva. 2 – Qual foi o acordo que Deus fez com o homem, e como foi? Quando Deus criou o homem e a mulher os colocou no jardim do Éden, para morar e cuidar (Gn 2.8-15), lhes disse que poderiam comer de tudo, menos comer do fruto da árvore do conhecimento, pois se o fizessem, desobedeceriam a Deus e morreriam. Este acordo chamamos de “Pacto das Obras”. Mas eles não resistiram e, tentados por Satanás comeram do fruto e pecaram contra Deus (Gn 2.16; 3.1-24). 3 - Quais foram as consequências do pecado de Adão e Eva? Com a queda, entrou o pecado no mundo e por ele, a morte física e espiritual; a física marcada pelas doenças e sofrimentos diversos e a espiritual marcada pela separação total de Deus. A criação também foi afetada pela queda (Gn 3.16-19; Os 6.7; Rm 8.19-22; Rm 6.23; Rm 5.12). 4 – Com o pecado de Adão, toda a humanidade foi corrompida? Pela Queda, toda a natureza humana foi corrompida; cada parte da vida humana ficou manchada pelo pecado. O homem perdeu a retidão e santidade originais, tornando-se “escravo” do pecado, totalmente incapaz de buscar a Deus por si mesmo; inclinado a todo mal, tendo a sua vontade dominada pelo pecado; seu 16 Descobrindo o Evangelho estado original é de putrefação, de morte. Por isso é chamada de “depravação total” (Rm 3.9-18,23; Rm 6.23; Gn 6.5; Jr 17.9; Rm 5.12; Sl 51.3,5; 1 Co 15.21-22; Ef 2.1-3; Rm 7.18; 1 Co 1.8). 5 – O que é pecado? Pecado é tudo aquilo que fazemos, em atos ou pensamentos, que contrariam a vontade e a Palavra de Deus (1 Jo 3.4; Sl 119.11). 6 – O homem foi condenado a viver longe de Deus para Sempre? Não. Deus pela sua infinita misericórdia resolveu elaborar e realizar uma plano para restaurar o Seu relacionamento com o homem através de Jesus Cristo, que chamamos de “Pacto da Graça”. O Homem – A Criação 1 - OS CRISTÃOS DEVEM ACREDITAR NA CRIAÇÃO Nós acreditamos na criação, em primeiro lugar, não por causa de evidência científica, mas por causa de nossa fé em Jesus Cristo e na Palavra dele, a Bíblia. O Senhor Jesus é revelado na Bíblia como o Criador de todas as coisas (Jo 1.3; Hb 1.1-3), e Ele está a favor de cristãos, é Senhor de tudo e a Cabeça de todas as coisas, inclusive da ciência (At 10.36; Ef 1.22). O Cabeça disse algo sobre ciência em João 5.45-47, isto é , se nós acreditamos em Jesus Cristo, então nós temos que acreditar nos escritos de Moisés. Sobre o que escreveu Moisés? Em primeiro lugar ele escreveu sobre a criação de todas as coisas por Deus. Assim nós julgamos ciência pela Bíblia e não ao contrário. “Nós caminhamos por fé, não através de visão” ( 2 Co 5.7). Os defensores de evolução estão impossibilitados de aduzir formas fósseis que mostram um processo histórico atual de evolução de tipos novos de organismos. Eles não têm inventado teorias científicas que realmente explicam evolução, e eles não podem demonstrar a evolução de qualquer coisa nova por 17 Descobrindo o Evangelho qualquer mecanismo genético conhecido ou processo. Além disso, não há nenhuma evidência que prova que a evolução alegada de toda a vida realmente aconteceu. Ao longo da história do mundo nenhum desígnio complexo novo foi observado para originar uma mente inteligente. Na ausência de uma explicação evolutiva, a criação especial divina permanece como a única explicação cientificamente viável para a origem de vida e de todos os desígnios biológicos. Você e eu não estamos sendo enganados porque nós acreditamos que no princípio Deus criou os tipos de plantas e animais, cada um para reproduzir depois de seu próprio tipo. Como cidadãos Cristãos nós devemos declarar nossa fé abertamente no registro bíblico da criação. E nós devemos trabalhar para, parar o ensino dogmático de evolução e a perseguição de cristãos nas escolas públicas e universidades. 2 – O SURGIMENTO DO PECADO NO MUNDO Desde o momento em que nossos primeiros pais (Adão e Eva) desobedeceram a ordem divina e seguiram a sua própria vontade, comendo do fruto proibido (Gn 2.17). Como conseqüência do pecado, o que aconteceu? Os pais da raça humana ficaram sujeitos à morte. "Porque o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23). A quantos passou a sentença de morte? A todos. "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5.12). A morte é a coroa dos males conseqüentes do pecado. Com ela herdamos também o mal de estar separados de Deus e privados de Seus favores. "Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.23). Consentindo em desobedecer, o homem tornou-se inimigo de Deus e escravo do pecado. Posso por mim mesmo sair desta terrível condição? A Escritura pergunta e responde: "Pode acaso o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então poderíeis fazer o Bem, estando acostumados a fazer o Mal" (Jr 13.23). É totalmente impossível sair desta condição sem ajuda. Deixado à mercê da minha sorte, estaria sem esperança. 18 Descobrindo o Evangelho 6 Jesus Cristo Questões: 1 – Quem é Jesus? Jesus é a 2ª Pessoa da Trindade, o Filho de Deus existente desde toda a eternidade, encarnado. 2 – Como se deu a encarnação de Deus Filho? A 2ª Pessoa da Trindade assumiu a forma e natureza humana, sendo concebido no ventre da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo (Mt 1.18-21; Lc 1.26-38; Jo 1.1,14; Gl 4.4). 3 – Assumindo a natureza humana, o Filho de Deus encarnado perdeu sua divindade? Não. Jesus não perdeu seus atributos divinos na encarnação. Ele era perfeitamente Deus e perfeitamente homem, ao mesmo tempo. Ele é uma só pessoa com duas naturezas – divina e humana – sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem sem pecado (Mt 1.23; Jo 1.1-18; 1 Jo 5.20; Lc 1.35; Mt 16.16; Jo 20.31; Cl 1.15-20; Cl 2.9; 1 Tm 2.5; Rm 9.5; Rm 1.1-4). 4 – Por que era necessário Jesus ser Deus? Para sustentar a natureza humana livre de pecados, vencer todas as tentações e a morte, ressuscitando dentre os mortos; tornar eficaz a sua obra, garantindo a salvação aos eleitos e a vitória final do seu Reino sobre o reino de Satanás (Hb 7.26,27; At 2.24; At 20.28; Rm 1.4; Hb 5.9; Lc 1.67-79). 5 – Por que era necessário Jesus ser homem? 19 Descobrindo o Evangelho Para participar de nossas fraquezas, tentações e sofrimentos, solidarizando-se com a raça humana, para apresentar o homem diante de Deus, para representar o pecado no Pacto, para poder entregar sua vida, morrendo na cruz do Calvário (Mt 11.28-30; Hb 4.15; Hb 5.1-10; Hb 2.17-18; Fp 2.5-8; Hb 12.2-3). 6 – Qual é o propósito da Obra de Cristo? Seu propósito foi salvar o seu povo (Mt 1.21), reconciliar com os homens (Rm 5.10; 2 Co 5.18-19; Cl 1.21-22), resgatar e adotar (Gl 4.4-5), libertar da escravidão do pecado (Hb 2.14-15), redimir e purificar (Hb 1.3; Hb 9.12-14), carregar sobre Si o pecado do seu povo (1 Pe 2.24), cancelar a dívida (Cl 2.13,14; 2 Co 5.21), comprar um povo (Ap 5.9,10) comprar a Igreja (At 20.28). 7 – Este propósito foi cumprido? Sim. Jesus Cristo não falhou em sua Obra; ela foi plenamente cumprida pela sua morte e ressurreição (Jo 19.30; Jo 17.4; Jo 20.1-18; 1 Co 15.1-21). Esta Obra é aplicada pela ação do Espírito Santo na vida daqueles por quem Cristo fez a expiação (Tt 3.5,6). Jesus Cristo – A Salvação O homem criado à imagem de Deus caiu. O pecado trouxe sérias consequências para a humanidade, a separação do Criador é, sem dúvida, a pior delas. Como o homem poderia voltar a relacionar-se com Deus? Na Sua Bondade infinita, Deus promoveu a instalação de uma “operação resgate”, um plano redentor onde os laços rompidos seriam reatados. Uma Aliança entre Deus Pai e Deus Filho e o Deus Espírito Santo estabeleceu a Salvação do homem perdido. 20 Descobrindo o Evangelho 1 - JESUS – UM SALVADOR SUFICIENTE O pecado do homem exigia a aplicação da justiça. Deus não se relaciona com o pecado, Ele poderia simplesmente fechar os olhos como se nada tivesse acontecido. Mas Deus mesmo, movido pelo Seu grande Amor, providenciou um meio de salvação para o pecador (Jo 3.16). Veja como foi que o Filho de Deus pôde ser o nosso Salvador: a) Sua Humanidade: (Jo 1.14; Gl 4.4) – O pecado foi cometido por um homem, só outro homem poderia oferecer satisfação à Deus, eis o motivo e a necessidade da encarnação. Jesus foi perfeito homem para que pudesse representar outros homens (Rm 5.12-21), conheceu as limitações da humanidade e sujeitou-se a elas: sentia cansaço, sede, fome, etc. Como homem ofereceu perfeita obediência ao Pai, viveu uma vida totalmente santa. b) Sua Divindade: Conquanto fosse homem, Jesus não deixou de ser Deus ao se encarnar (Jo 1.1; Lc 1.35). É certo que a encarnação impôs certas restrições, mas Jesus Cristo continua sendo Deus e homem. A divindade de Jesus, entretanto, é a garantia de que seu sacrifício tenha eficácia eterna e total. c) Sua Obra: O que Cristo fez por nós para salvar-nos? Jesus foi o nosso substituto perante a Justiça Divina, morrendo e derramando seu sangue por nós (Hb 9.22,28; Gl 3.13; Rm 3.23-25). Isaías 53.4,5 afirma, profeticamente, a eficácia do sacrifício de Jesus pelo nossos pecados. Jesus mesmo afirmou a necessidade do seu sacrifício, só o seu sangue poderia satisfazer a Justiça de Deus. d) Sua Suficiência: (2 Co 5.19; Rm 5.1,8; Rm 8.1) – Por meio da substituição de Cristo somos perdoados, reconciliados e salvos. A morte de Jesus Cristo satisfaz a Justiça de Deus, o pecado foi punido Nele. Deus mesmo providenciou a satisfação da Sua Justiça. Esta é a grande dádiva de Deus, de um lado o Pai que dá o Seu Filho para substituir-nos, do outro o Filho que se humilha, encarnado-se, dando a vida e derramando o Seu sangue em nosso lugar. Isto é o Amor de Deus por nós. A Salvação é uma dádiva e não uma conquista; é o fruto da graça de Deus e não dos méritos humanos; é motivo de humildade e eterna gratidão e não de orgulho e vanglória. 21 Descobrindo o Evangelho 2 - O HOMEM – ARREPENDIMENTO E FÉ Para que os efeitos da Salvação sejam percebidos na vida do homem, alguns elementos são indispensáveis. Não queremos dizer com isso que a Salvação dependa destes elementos. Eles são as ferramentas dadas pelo próprio Deus, com as quais o homem se apropria da graça de Deus. a) Arrependimento: a necessidade de arrependimento é afirmada em toda a Escritura como sendo preponderante na apropriação da Salvação (Ez 33.11; Mt 4.17; Mc 1.15; At 2.38; At 17.30). Mas o que vem a ser “arrependimento”? R: Mudança de mente. Este arrependimento envolve três aspectos: O Intelecto: arrependimento é tomar consciência de si mesmo, como alguém que está errado diante de Deus. Não apenas arrepender-se de seus pecados, é arrepender-se de si mesmo, é reconhecer o “erro em que tem vivido” e não apenas o erro praticado. Boa ilustração disto é “filho pródigo” (Lc 15.17-19). A Emoção: O arrependimento inclui tristeza genuína e real por causa do pecado (2 Co 7.9,10). O reconhecimento do erro deve levar ao verdadeiro arrependimento, a deplorar sua atitude e mudar de vida. Os rabinos judeus afirmavam que o verdadeiro arrependimento é aquele que não volta ao mesmo pecado em circunstâncias semelhantes. A Vontade: Aqui nos referimos a uma mudança consciente de propósito de vida, uma decisão no íntimo de deixar o pecado e uma disposição para procurar o perdão e a purificação. Nada adiantaria tomar consciência e entristecer-se se o pecador não mudasse de atitude. É tirar a roupa suja e vestir-se com a roupa nova e limpa da Justiça. b) Fé: Além de abandonar a velha vida, através do arrependimento, o pecador precisa de crer em Jesus cristo e recebê-lo como Salvador e Senhor (Rm 1.17; At 16.31; Jo 3.18). A fé genuína é aquela expressa em conhecimento da Verdade, convicção de que Cristo é o seu Salvador, que Seu sacrifício é suficiente, e obediência à Vontade de Deus. A fé verdadeira deve ser coroada com a vida de observância da Vontade de Deus (1 Jo 2.6). É esta a ênfase de Tiago em sua 22 Descobrindo o Evangelho carta, a verdadeira fé se expressa em uma vida de piedade, de ação concreta em favor do outro. A Salvação do pecador é uma dádiva de amor imensurável de Deus por nós. Ele mesmo providenciou todos os elementos necessários a nossa reconciliação com Ele. Cumpre-nos devolver a Ele a vida que nos deu como expressão de nossa alegria e satisfação. Nunca devemos nos deixar dominar pelo orgulho ou pela vanglória pelo fato de sermos salvos, salvação é dádiva, é presente de Deus, é Graça. O fato de sermos salvos deve fazer de nós gente agradecida e que se entrega plenamente para o louvor e glória daquele que nos salvou. 23 Descobrindo o Evangelho 7 O Espírito Santo Questões: 1 - Quem é o Espírito Santo? É a 3ª Pessoa da Trindade, igual ao Pai e ao Filho. É procedente deles, da mesma substância (natureza) e igual em poder e glória. Ele foi enviado para aplicar a obra da salvação no coração dos eleitos (Jo 14.16-17, 25-26; Jo 16.7-11; Tt 3.5-6). 2 – O Espírito Santo atua somente na obra da salvação? Não. Ele opera também na sociedade em geral, restringindo o pecado, promovendo a justiça, a paz, a verdade, a moralidade e o bem; dirige bençãos naturais a todos os seres indistintamente, como alimento, chuva, sol, e prosperidade dentre outras. Esta é a chamada Graça Comum, por ser o favor de Deus dirigido a todos os homens, porém não produz a Salvação (Mt 5.44-45; Gn 39.5; Sl 145.9; At 14.17; Lc 6.35-36; Rm 13.4; 2 Rs 10.29-31). 3 – O que é regeneração? É o ato exclusivo e único, instantâneo, do Espírito Santo, pelo qual Ele implanta, interiormente, a nova vida no eleito (regeneração = novo nascimento). O homem natural é morto em seus pecados; pela regeneração, o Espírito Santo lhe dá vida espiritual, mudando a disposição da alma, preparando-a para receber o Reino de Deus, a salvação (Jo 3.3-8; Ef 2.1-5; Tt 3.5-6; 1 Co 2.12-15; At 16.14; 2 Co 5.15; Ez 36.26). 4 – Porque a regeneração é necessária para a salvação? Porque sem este novo nascimento, o homem continua morto em seus pecados, indisposto e incapaz de receber o Evangelho, inimigo do Reino de Deus. Pela regeneração sua resistência é quebrada, as barreiras são derrubadas e recebe 24 Descobrindo o Evangelho nova vida, a qual o capacita a receber o Evangelho e ser salvo (Ez 36.26; Jo 3.3; Ez 11.19-20; 1 Co 2.10-16). 5 – O que é arrependimento? É a obra operada pelo Espírito Santo no coração do pecador eleito, pela qual ele reconhece a total corrupção de sua natureza, sente profunda tristeza pelo seu pecado e decide abandoná-lo, voltando-se para Deus, numa total transformação de sua existência para adequar-se aos valores do Reino de Deus, o qual a exige (Mc 1.15; 2 Co 7.9-10; Lc 24.47; Rm 2.4; At 2.37-38; At 20.21; Ap 2.5; At 11.18; Ez 36.31). A Natureza do Espírito Santo 1 - A PERSONALIDADE DO ESPIRITO SANTO O Espirito Santo é uma Pessoa, distinta do Pai e do Filho, e não uma mera influência, energia ou operação divina, e portanto dotado de intelecto, emoção, autoconsciência e autodeterminação. a) Características Pessoais: Inteligência (1 Co 2.10,11; Rm 8.27). Vontade (1 Co 12.11). Amor (Rm 15.30). Bondade (Ne 9.20). Tristeza (Ef 4.30; Is 63.10). b) Atos Pessoais: Ele perscruta (1 Co 2.10). Ele fala (Ap 2.7; Gl 4.6; Jo 15.26). Ele intercede (Rm 8.26). Ele ensina (Jo 14.26). 25 Descobrindo o Evangelho Ele guia (Jo 16.12-14; Ne 9.20). Ele chama (At 13.2; 20.28). 2 - A DIVINDADE DO ESPIRITO SANTO O Espirito Santo é coeterno e consubstancial com o Pai e o Filho. a) Nomes Divinos: Deus (At 5.3,4). Senhor (2 Co 3.18). b) Atributos Divinos: Eternidade (Hb 9.14). Onipresença (Sl 139.7-10). Onipotência (Lc 1.35). Onisciência (1 Co 2.10,11). A Obra do Espírito Santo 1 - EM RELAÇÃO AO UNIVERSO MATERIAL Ele participou da obra da criação (Sl 33.6; Jó 33.4; 104.29,30). 2 - EM RELAÇÃO AOS HOMENS NÃO REGENERADOS a) Luta (Gn 6.3). b) Testifica (Jo 15.26; At 5.32). c) Convence (Jo 16.8-11). 3 - EM RELAÇÃO AOS CRENTES a) Regenera (Jo 3.3-6; 6.63; Tt 3.5; 1 Co 2.4; 3.6). b) Batiza (Jo 1.32-34; 1 Co 12.13; At 1.5). 26 Descobrindo o Evangelho c) Habita (1 Co 3.16; 6.15-19; Rm 8.9). d) Sela (Ef 1.13,14; 4.30). e) Testifica (Rm 8.14,16). f) Fortalece (Ef 3.16). g) Enche (Ef 5.18-20). h) Liberta (Rm 8.2). i) Guia (Rm 8.14; At 8.27-29; 13.2,4). j) Ilumina (1 Co 2.12,14). l) Instrui (Jo 16.13,14). m) Capacita (1Ts 1.5; At 1.8; 1 Co 2.1-5). n) Produz Frutos (Gl 5.22,23; Fp 3.3; At 2.11). o) Intercede (Rm 8.26; Jd 20). 4 - EM RELAÇÃO A CRISTO a) Concebido pelo Espirito Santo (Lc 1.35). b) Ungido pelo Espirito Santo (At 10.38; Is 11.2; 61.1; Lc 4.14,18; Mt 12.17,18). c) Guiado pelo Espirito Santo (Mt 4.1). d) Cheio do Espirito Santo (Lc 4.1; Jo 3.34). e) Ministério (Lc 4.14,18,19; Is 61.1). f) Sacrifício (Hb 9.14). g) Ressurreição (Rm 8.11; Rm 1.4). h) Deu mandamentos pelo Espirito Santo (At 1.1,2). 5 - EM RELAÇÃO AS ESCRITURAS a) É o Seu Autor (2 Pe 1.20,21; 2 Tm 3.16; 2 Pe 3.15,16; Jo 16.13). b) É o Seu Intérprete (Ef 1.17; 1 Co 2.9-14; Jo 16.14-16 ; 2 Pe 1.20,21; 1 Jo 2. 20,27). 27 Descobrindo o Evangelho 8 A Trindade Questões: 1 – Quantas e quais são as pessoas na Divindade? Neste único Ser Divino há três Pessoas ou subsistências individuais, ou seja, A Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16-17; 2 Co 13.13; Gn 1.1-13,26; Gn 11.7; Is 61.1; Jo 14.16-17; Lc 1.35; 1 Co 12.4-6; 1Pe 1.2). 2 – Qual é a relação entre as pessoas da Trindade? Este é um grande mistério para a mente humana: as três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, coexistem em uma só divindade. São um só Deus da mesma essência, substância, poder e glória e, ainda assim, cada um tem personalidade distinta (Gl 1.1; Jo 1.18; 1 Jo 5.20; Sl 45.6; Hb 1.8; At 5.3-4; Jo 1.1; Is 9.6; 1 Co 2.10-11; Jo 10.30). 3 – Quais são as propriedades pessoais das três pessoas da Divindade? O Filho é eternamente gerado do Pai (Jo 14.8-9; Jo 1.14,18; Hb 1.5-6; Jo 17.5) e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Jo 14.16-17,26; Jo 15.26; Gl 4.6; 1 Co 2.12). 4 – Existe uma distinção na obra realizada por cada membro da Trindade? Sim. Existe diferentes operações assumidas pela Triunidade. O Pai inicia a criação e a salvação; o Filho redime a criação (morreu para salvá-la); o Espírito Santo regenera e santifica, aplicando a salvação à vida dos crentes (Jn 2.9; Is 43.12; Rm 11.33-36). 5 - Qual a formulação histórica da Trindade? 28 Descobrindo o Evangelho A formulação histórica da Trindade é que Deus é um em essência e três em pessoas. Embora tal fórmula seja misteriosa, de maneira nenhuma é contraditória. A unidade da Deidade é afirmada em termos de essência ou ser, enquanto que sua diversidade é expressa em termos de pessoas. O Deus Trino A Bíblia nos ensina que há somente um Deus, mas Ele subsiste em três pessoas. A Doutrina da Trindade é um mistério. Não podemos harmonizá-la com a lógica humana. Está além de nossa compreensão. Mas podemos descrevê-la, conforme é ensinada nas Escrituras. O grande mistério da Trindade está no fato de as três pessoas ser apenas um Ser essencial espiritual, indivisível e inalienável, que é comum ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Eles tem em comum uma só inteligência, um só poder, uma só vontade etc., que são infinitos quando dizemos que são pessoas distintas. Concluindo, a essência divina está dividida em três pessoas, mas está presente nas três em igual proporção e intensidade; todas as pessoas da Trindade possuem todos os atributos divinos. O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. As três pessoas se distinguem por suas diferentes “funções” no plano redentor. 1 - AS FUNÇÕES DAS PESSOAS DA TRINDADE Existe também uma distinção na obra realizada por cada membro da Trindade. Num sentido, a obra da salvação é comum a todas as três pessoas da Trindade. Mesmo assim, na maneira de atividade existe diferentes operações assumidas pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, como vemos abaixo: Pai – O Deus Pai é revelado como o Espírito Infinito, o Criador, o Deus da Natureza. Ele inicia a criação e a redenção. Filho – Cristo é o eterno Filho de Deus que se fez homem por amor de nós, encarnado-se miraculosamente por obra do Espírito Santo no ventre da virgem Maria (Lc 1.35). Viveu uma vida de servo, sendo obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.6-8), com a qual realizou um sacrifício perfeito e 29 Descobrindo o Evangelho único em nosso favor (Hb 7.22-28). Ele ofereceu a si mesmo como vítima de propiciação pelos nossos pecados, reconciliando-nos com o Pai (2 Co 5.19). Depois de permanecer três dias sob o poder da morte, ressuscitou e, tendo ficado quarenta dias com os seus discípulos (At 1.3), subiu aos céus (At 1.9), onde está à direita de Deus intercedendo por nós. O Filho redime a criação. Espírito Santo – O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade. É o Espírito da Verdade, o outro Consolador prometido por Cristo, o Santificador de nossas almas (Jo 14.16,17). É por meio do Espírito que Cristo realiza a sua presença com o seu povo, segundo a promessa: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). O Espírito Santo regenera e santifica, aplicando a redenção aos crentes. 2 - AFIRMAÇÕES BÍBLICAS É na Bíblia que encontramos os argumentos para descrever essa doutrina, ainda que não possamos compreendê-la totalmente. No Batismo de Jesus houve a manifestação das três pessoas: o Filho sendo batizado, recebeu o Espírito que desceu sobre Ele de uma maneira visível, e o Pai disse: “Este é meu Filho amado em quem me comprazo” (Mt 3.13-17); Jesus ordena o Batismo em nome da Trindade (Mt 28.19); a Igreja usou uma bênção trinitariana (2 Co 13.13); etc. 3 - IMPORTÂNCIA DA DOUTRINA DA TRINDADE Devemos dar uma enorme importância à doutrina da Trindade, porque ela está no coração da teologia cristã e no cerne da nossa redenção. Se não há Trindade, não há encarnação; e se não há encarnação do Verbo, a expiação tornase apenas uma apresentação teatral sem qualquer significado para nós. O assunto da justificação pelo sangue de Cristo ficaria totalmente prejudicado. Nossas culpas continuariam conosco, ainda estaríamos com dívida por pagar, porque um homem simplesmente não pode levar a culpa de homens, morrendo na cruz, sem condições de ressuscitar pelo seu próprio poder. O objeto da nossa fé, Jesus Cristo, seria apenas um homem, nada mais. Somente a doutrina da Trindade é que faz com que vejamos em Cristo o Verbo encarnado, o Redentor, o Deus-homem. 30 Descobrindo o Evangelho 9 A Igreja Questões: 1 – O que é a Igreja ? Temos duas igrejas, a visível e a invisível: A Igreja invisível não é uma denominação religiosa, trata-se do corpo de Cristo, sendo Ele o cabeça, ou seja, aqueles que independentemente de denominação, creram em Jesus Cristo como seu único Salvador ou ainda crerão (Ef 1.22-23; Cl 1.18; 1Co 12.27). A igreja visível é a reunião dos santos, onde juntos crescem no conhecimento, na comunhão, na santidade e na adoração exercendo seus ministérios e dons, para proclamação do Reino. Através dela Deus se manifesta ao mundo (At 2.42,46-47). 2 – Qual é a missão da Igreja ? A missão da igreja dividi-se em três características, que são: a) Proclamação - Que consiste em proclamar a Palavra de Deus aos homens, ou seja, anunciar a Salvação garantida por Jesus Cristo na cruz do Calvário. Esta mensagem deve ser proclamada em todo o mundo (Mt 28.18; Mt 24.14; Mc 13.10 e Mc 16.15). b) Ensino - Que consiste agora em ensinar toda a Vontade de Deus revelada aos que foram atingidos pela proclamação do Evangelho de Jesus Cristo. Nossa realidade deve ser pensada, criticada e reflexionada com base na Palavra de Deus (At 20.26-27; Mt 28.19-20). c) Serviço - Significa que fomos chamados para servir, ou seja, atender àqueles que passam por qualquer tipo de necessidade ou sofrimento, 31 Descobrindo o Evangelho desenvolvendo ou apoiando qualquer situação legítima, lutando pela melhoria de vida do ser humano, denunciando qualquer tipo de injustiça que fira os princípios da Palavra de Deus ( Gl 2.10; Tg 2.14-26; 1 Jo 3.16-18). 3 – Quando que a Igreja se mostra comprometida com o Reino de Deus ? Quando ela cumpre fielmente esta tríplice missão no mundo, ou seja, todo o crente deve estar envolvido com esta missão sem exceção, para descobrir os seus dons, desenvolve-los e aplica-los em alguma área específica no Reino de Deus (Rm 12.3-8; Ef 4.11-16). A Igreja de Cristo A Igreja é uma palavra que vem do grego, e nesta língua significa “assembléia”, “multidão”, “ajuntamento popular”. Qualquer grupo que se reunisse para tratar dos mais diversos fins era, para os gregos, uma igreja (ekklesia). Os tradutores da Bíblia passaram a usar esta palavra com um sentido religioso, para designar uma assembléia ou reunião de pessoas que se congregavam para prestar culto à Deus. É com este sentido que ela aparece no Antigo Testamento. 1 - DIVERSIDADE DE SENTIDOS A palavra Igreja, na linguagem religiosa, passou, com o tempo, a ser usada em vários sentidos, tais como: igreja visível e igreja invisível; igreja militante e igreja triunfante; igreja católica ou universal e igreja local ou particular; igreja como credo (igreja romana, igreja ortodoxa, igreja reformada ou protestante); seitas ou denominações (presbiteriana, metodista, batista, etc.); e naturalmente, o próprio edifício onde se congregam os fiéis. 2 - IGREJA DE CRISTO Há duas maneiras de definir a Igreja de Cristo. A primeira afirma que ela “ é a companhia dos eleitos que são chamados pelo Espírito de Deus” ou, de maneira 32 Descobrindo o Evangelho mais simples “a comunidade dos santos”, que é a igreja invisível. A segunda a define como “a comunidade dos que professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos”, que é a igreja visível. É importante lembrar que somente aqueles que pertencem a Igreja Invisível, as quais Deus conhece, são salvas. 3 - OS ATRIBUTOS DA IGREJA a) Unidade – Consiste na união espiritual de todos os crentes. Distingue-se da união orgânica. É em virtude da união espiritual que os crentes formam o corpo místico de Cristo, de acordo com as seguintes palavras de Paulo: “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e, individualmente, membros uns dos outros” (1 Co 12.27). Em virtude dos pecados e da fraqueza do homem, essa unidade não se tem manifestado objetivamente, conforme a vontade expressa de Cristo na oração sacerdotal: “ A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim, e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21). b) Santidade – O sentido básico da palavra santidade é “separado”. Santo é aquele que foi separado do mundo por Deus, para servi-lo no mundo. O sentido primário da palavra, portanto, não é moralista, mas indica a relação com Deus e propósito de servi-lo. c) Universalidade – (ou catolicidade) A igreja de Cristo é universal porque inclui todos os crentes, de todas as partes da terra. Cristo ordenou que o evangelho fosse pregado a todo o mundo, para fazer discípulos em todas as nações. O âmbito da mensagem é universal e o seu propósito é congregar, num só corpo, todos os que crêem, em qualquer tempo ou lugar. 4 - AS MARCAS CARACTERÍSTICAS DA IGREJA Estas marcas pertencem à igreja visível e servem para distinguir a verdadeira igreja da falsa. Os reformadores, geralmente concordam em apontar estas três marcas características: a) O verdadeiro ensino da Palavra de Deus – A importância dessa marca pode ser apreciada em textos como os seguintes: “Se vós permanecerdes nas minhas 33 Descobrindo o Evangelho palavras, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31,31); “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem assim o Pai, como o Filho” (2 Jo 9). A pregação deve ser fiel às verdades fundamentais da Palavra de Deus e exercem influência controladora na fé e na vida prática do crente. b) Administração correta dos Sacramentos – Os sacramentos (Batismo e Santa Ceia) são inseparáveis da Palavra de Deus. Devem ser administrados pelo Ministro da Palavra e destinam-se aos crentes e aos seus filhos. Textos esclarecedores: “ Ide por todo o mundo e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19); “E perseveraram na doutrina dos apóstolos, na comunhão do partir do pão e nas orações” (At 2.42). c) O Exercício fiel da Disciplina – Essa marca é essencial para manter a pureza da doutrina e dos sacramentos, bem como testemunho dos membros da Igreja. A Palavra de Deus insiste na disciplina propriamente aplicada, em textos como os seguintes: “Em verdade vos digo, que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18); “... expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (1 Co 5.13), neste texto Paulo refere-se a um crente de conduta impura na igreja de Corinto. Pelo que ficou exposto, vimos que a Igreja de Cristo é o seu corpo místico e que os crentes são individualmente membros deste corpo. Nela foi feita a condutora da obra de Redentora de Cristo, a partir do momento em que Ele subiu aos céus, após a ressurreição. Todo crente tem o privilégio de ser participante desta obra, como membro da comunidade dos salvos pela graça de Deus. E todos os salvos são unidos à igreja pelo Espírito Santo. Por isso, há um sentido em que se torna exata a afirmação: “Fora da igreja não há salvação!”. 34 Descobrindo o Evangelho 10 Os Sacramentos Questões: 1 – O que é sacramento, e quais são ? É uma ordenança sagrada instituída por Deus para representar, por meio de sinais visíveis, a graça espiritual da salvação e todas as bênçãos dela decorrentes, comunicadas àqueles que dela participam. Os sacramentos são: o Batismo e a Santa Ceia (Mt 28.19; Lc 22.19-20; 1 Co 11.23-26). 2 – Por que o Batismo é um meio de graça? Porque no Batismo, tendo a água como sinal visível, representando a purificação espiritual, o batizando é admitido na Igreja visível, é unido a Cristo e torna-se participante das bênçãos da salvação (At 2.38-41; Rm 6.3-4). 3 – O que se exige da pessoa para ser batizada? No caso de adultos, exige-se fé em Jesus Cristo como Salvador e disposição em obedecê-lo. No caso de crianças, é necessário ter os pais, ou um deles, crentes (At 8.36-38; At 2.38; 1 Co 7.14). 4 – É correto batizar crianças? Sim. O batismo substitui a circuncisão como selo e sinal de participação no Pacto (Gl 5.2-7; Cl 2.11-12); o Pacto foi feito com Abraão e sua descendência, e toda criança estava incluída nele, devendo ser circuncidada (Gn 17.7-14; Dt 29.9-15); o Pacto não foi anulado, antes foi confirmado e feito novo (Gl 3.17,18,29; Hb 6.13-20; 35 Descobrindo o Evangelho Rm 4.11-18); os filhos dos cristãos são participantes do Pacto e desfrutam de suas bençãos (At 2.38,39; Mc 10.13-16; 1 Co 7.14). Além do mais, há fortes evidências de batismos infantis na Igreja Primitiva (At 16.14-15, 31-33) e não há qualquer proibição a esta prática. 5 - O que é Ceia do Senhor? É um sacramento instituído por Cristo, no qual o pão e o vinho são os sinais visíveis, “representando”, respectivamente o corpo e o sangue de Jesus, entregue na cruz do Calvário. A Ceia do Senhor é o símbolo máximo da salvação dos eleitos; em sua celebração são comemoradas a morte e ressurreição de nosso Senhor. Só participam da Ceia aqueles que professaram publicamente sua fé em Jesus (1 Co 11.26; Lc 22.19; Jo 6.50-59 ). Os Dois Sacramentos 1 - O BATISMO a) As Formas de Batismo: A igreja de Cristo reconhece três formas de administração do batismo: a aspersão, a imersão e a efusão. Na “aspersão”, a água é borrifada ou aspergida sobre a cabeça do batizando; na “imersão”, como a palavra sugere, o batizando é mergulhado na água; e na “efusão”, derrama-se sobre a cabeça do batizando um vazo d’água. A Igreja Presbiteriana considera as três formas igualmente válidas, mas prefere a aspersão. b) Porque Batizamos por Aspersão? A Igreja Presbiteriana sempre adotou a aspersão como forma preferida de batismo. Divergimos do exclusivismo dos imersionistas apoiados, entre outros, nos seguintes argumentos: O batismo com água é apenas um símbolo: A quantidade de líquido usado na sua administração não altera a validade do sacramento. 36 Descobrindo o Evangelho O significado da palavra batismo: Não é decisivo para se afirmar que a imersão é a única forma válida desse sacramento. Em Mt 15.2; Mc 7.1-5 e Lc 11.37-39, a palavra grega batismo (baptizo) é empregada para designar a lavagem das mãos, de copos, jarros de metal e camas. Tal ato era realizado mediante o derramamento de água, como se pode depreender de 2 Rs 3.11. O batismo com água e com o Espírito: A batismo com água simboliza o batismo com o Espírito Santo em forma de derramamento: “ Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2. 28,29; At 2. 17). No Pentecoste o Espírito Santo desceu sob forma de línguas de fogo, isto é, em forma de aspersão (At 2.1-4). O batismo de Saulo: O batismo de Saulo na casa de Ananias, não poderia obviamente, ter sido aplicado na forma de imersão (At 9.18), bem como o batismo do carcereiro de Filipos e de “todos os seus”, as altas horas da noite (At 16.33). Há outros exemplos no livro de Atos, com relação aos quais este argumento é igualmente válido. c) Por que Batizamos Crianças? O batismo de crianças é outro ponto de divergência entre os presbiterianos e os imersionistas. Para nós há vários argumentos sólidos que justificam o batismo de crianças, entre os quais mencionamos os seguintes: As Crianças e o Pacto do Antigo Testamento: As crianças sempre fizeram parte integrante da família de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento: “Essa é a aliança que estabelecerei entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidarei a carne de vosso crepúcio: será isso por sinal de aliança entre mim e vós” (Gn 17. 10,11). “Porque a promessa é para vós e para vossos filhos” (At 2. 39). Se a igreja no Antigo Testamento, admitiu crianças, não podemos excluí-las, no Novo Testamento, negando-lhes o batismo. Batismo e circuncisão: Nas palavras de Paulo, em Cl 2. 11,12, o batismo é a “circuncisão de Cristo”. Estes dois ritos – circuncisão e batismo – tem o mesmo propósito, a saber, a iniciação na igreja de Deus. Ora a criança judia era circuncidada no oitavo dia, depois do nascimento. Nada há que possa impedir 37 Descobrindo o Evangelho procedimento idêntico, que é a aplicação do batismo às crianças na igreja de Cristo. Batismo de famílias inteiras: No Novo Testamento, há várias referências a batismos de famílias inteiras. É mais natural concluir que nessas famílias houvesse crianças, que teriam recebido também o batismo (At 16. 15, 33; 18.8). 2 - A SANTA CEIA a) A Instituição Da Ceia Do Senhor Há quatro narrativas distintas da instituição da Ceia do Senhor (Mt 26. 26-29, Mc 14. 22-25, Lc 22. 19-20 e 1Co 11. 23-25). Assim como a Páscoa representava no Antigo Testamento a libertação dos judeus do cativeiro egípcio, assim a Santa Ceia, no Novo Testamento simboliza a nossa libertação do poder do pecado, mediante o sacrifício de Cristo. O pão partido e o vinho simbolizam o corpo quebrantado do Senhor e o seu sangue derramado. O comer e o beber materialmente destes elementos são indicados da apropriação espiritual do corpo e sangue do Senhor, isto é, dos frutos do sacrifício de Jesus Cristo na cruz, e são um memorial constante da obra redentora do Senhor até o grande dia de Sua vinda (Lc 23. 19). b) As Pessoas a quem se Destina a Ceia do Senhor A Ceia do Senhor não foi instituída para todos indiscriminalmente, mas só para os que podem conscientemente exercer a fé, e podem examinar-se a si mesmos quanto à compreensão correta da significação espiritual da Ceia do Senhor. Isto significa que as crianças que ainda não atingiram a idade da compreensão não estão aptas a participar deste sacramento. E até os verdadeiros crentes tem o direito de participar dele só quando sua conduta não está em flagrante oposição à sua profissão. Por isso o apóstolo Paulo insiste na necessidade do auto-exame (1Co 11. 28-32). Os não crentes naturalmente estão excluídos da mesa do Senhor, e os que se declaram cristãos não podem ser admitidos a ela se consciente e persistentemente se afastam da verdade ou levam vidas ofensivas. 38 Descobrindo o Evangelho 11 A Oração e o Dízimo Questões: 1 – O que é oração? Oração é uma conversa do salvo com Deus, é uma audiência do súdito do Reino com o seu Rei, na qual ele O adora e intercede por si mesmo e por outros, deixando todos os seus cuidados nas mãos soberanas dEle. 2 – Todo cristão deve orar diariamente? A Bíblia exorta todo cristão a ser perseverante na oração; o súdito do Reino de Deus deve estar constantemente diante do trono do seu Rei. Cristão que não ora, não é verdadeiro cristão (Mc 14.38; 1Ts 5.17; Rm 12.12; Lc 11.1; Lc 18.1; Jd 20; Cl 4.2). 3 – Por que a oração é um meio de graça? A oração é um meio de graça porque revela e desenvolve o senso de dependência de Deus, coloca o salvo em íntima comunhão com Ele ao adorá-lo reverente e reconhecer que toda a sua vida está nas mãos dele, traz sobre o cristão as bençãos que ele necessita, as quais já estão preparadas de antemão conforme a vontade soberana de Deus; prepara o espírito para a luta no serviço a Deus no mundo (1 Jo 5.14; Mt 6.5-8; Ef 6.10-18; Mt 26.41; Fp 4.6). 4 – Por que devemos entregar o Dízimo? Qualquer instituição necessita de recursos financeiros para funcionar e a igreja não é uma exceção. A congregação de Israel precisava de recursos para manter o santuário e sustentar os levitas. A igreja necessita de recursos para manter o templo e suas instituições e para sustentar aqueles que se dedicam ao seu serviço. Por isso 39 Descobrindo o Evangelho “Deus requer” de seu povo o dízimo e as ofertas (Ml 3.8-10; Gn 14.20; Gn 28.18-22; Lv 27.30; Nm 18.21; 1 Co 9.13,14; 2 Co 8.1,2; Mt 10.42). A Exigência de Deus – O Dízimo A maior polêmica sobre as finanças, repousa sobre a questão do dízimo. Afinal de contas devemos ou não dar o dízimo de nossos bens? Para que serve o dízimo? Como tem sido administrado este dinheiro? O grande dilema é descobrir se devemos ou não entregar o dízimo. 1 – O DÍZIMO NO ANTIGO TESTAMENTO: Abraão foi o primeiro crente a dar o dízimo, muito antes de ser instituída lei do dízimo (Gn 14.20), foi imitado por Jacó, seu neto (Gn 28.18-22). Quando a lei foi outorgado por meio de Moisés, o dízimo foi incorporado à legislação. a) Os dízimos do Senhor: (Lv 27.30-34) – O Senhor foi quem exigiu que entregasse de tudo quanto se produzisse o dízimo, a décima parte, tanto dos cereais, produtos de árvores, vegetais, todos; destes podia-se “resgatar” alguma coisa quando 20 % a mais do seu valor; dos animais nada se podia resgatar, tudo que fosse marcado para o Senhor devia ser entregue, independente se fossem animais bons ou ruins. O dízimo era uma obrigação e não uma opção para o povo de Deus. b) Os dízimos sustentavam os levitas: (Nm 18.21) – A Tribo de Levi foi separada por Deus para ministrar no tabernáculo, não receberam terras por herança, mas receberam os dízimos para o seu sustento. Os dízimos eram o pagamento pelos serviços prestados no Templo. Os levitas deviam dar o seu dízimo aos sacerdotes. c) A festa dos dízimos: (Dt 14.22-29) – O texto faz referência a uma grande festa que era realizada na entrega dos dízimos, esta festa deveria ser realizada no santuário central, lugar que Deus determinasse. Não sabemos quanto dos 40 Descobrindo o Evangelho dízimos era consumido ali, mas a ênfase recai sobre a importância de expressar a gratidão a Deus em uma celebração familiar. d) A assistência aos necessitados: (Dt 26.12,13) – Trienalmente os dízimos eram armazenados nas cidades de origem e serviam para o socorro dos necessitados, estrangeiros, órfãos e viuvas. 2 – O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO: No Novo Testamento pouco se fala sobre o dízimo, com exceção da clássica passagem de Mt 23.23, onde Jesus não enfatizou ou acrescentou nada ao Ensino do Antigo Testamento. No Novo Testamento a questão do dízimo parece perder a sua força, não porque o crente não deve contribuir, mas porque agora nos é requerido mais do que atitudes rituais. Deus quer toda a nossa vida, não apenas partes dela como faziam os religiosos da época de Jesus. No Novo Testamento há muita ênfase sobre “ofertas”, estas é que são muito defendidas e reclamadas. Vejamos: a) O sustento de Jesus e dos discípulos: (Lc 8.1-3; Mt 10.9-10) – Durante o seu ministério, Jesus recebeu ofertas daqueles que o seguiam e estimulou os seus discípulos a se sustentarem de seu trabalho de evangelização pelas vilas da Palestina. b) O sustento de Paulo e outros obreiros: (1 Co 9.11,13,14; 2 Co 7-9; 1 Tm 5.17,18; Fp 4.15,16) – O apóstolo Paulo sempre contou com o apoio financeiro das igrejas por onde passou. A igreja de Antioquia da Síria foi a grande patrocinadora das viagens missionárias do apóstolo. As ofertas levantadas nas igrejas eram o meio de sustento dos apóstolos, evangelistas e presbíteros (pastores). Paulo afirma enfaticamente que aqueles que labutam na obra do Senhor deve ter nela o seu sustento. c) A assistência aos “santos”: (At 11.29-30; 2 Co 8.13-15; 1 Tm 5.16) – Ofertas eram levantadas com vistas ao suprimento das necessidades urgentes dos irmãos menos favorecidos, dos carentes. A igreja sempre esteve atenta a estas necessidades e correu no sentido de supri-las. As ofertas eram destinadas para este fim também. 41 Descobrindo o Evangelho Entendemos que a firmação do Senhor Jesus sobre os dízimos é mais do que suficiente para que usemos esta prática de contribuição nas igrejas de Jesus. Entretanto, assim como no Antigo Testamento, contribuir com o dízimo é apenas se desincumbir de uma obrigação, o Senhor sempre espera que vamos além, que entendamos que mais que uma obrigação, contribuir com o seu Reino é um privilégio e é o objetivo primeiro de todo discípulo (Mt 6.33), assim cumpre-nos ser abundantes em nossas contribuições. 42 Descobrindo o Evangelho 12 Fim dos Tempos Questões: 1 – Quais os sinais que precederão a Segunda Vinda de Cristo? A Segunda Vinda de Cristo será precedida pela pregação do Evangelho a todas as nações, pela grande apostasia, grande tribulação, pelo aparecimento do Anticristo, por terremotos, fomes e guerras. Muitos desses sinais têm estado presentes desde os primórdios da história; contudo serão intensificados nos últimos dias. Estes são os chamados “Sinais dos Tempos” (Mt 24.3-31; 2 Ts2.1-12; 2 Tm 3.1-9). Não é possível definir a ordem cronológica destes sinais, eles podem ocorrer concomitantemente. 2 – Como são chamadas as correntes de interpretação “mil anos” de Apocalipse 20? As quatro principais interpretações são chamadas: Pré-Milenismo Dispensacionalista, Pré-Milenismo Histórico, Pós-Milenismo e Amilenismo. Como este curso visa uma orientação básica, estudaremos no momento apenas o Amilenismo, as outras interpretações serão estudadas detalhadamente em um próximo curso de doutrinas. 3 – O que é Amilenismo? O Amilenismo defende que os mil anos de Apocalipse 20 não podem ser entendidos literalmente, nem como um reinado visível e terreno de Cristo antes do fim. O milênio refere-se ao período que vai desde a primeira até a Segunda Vinda de Cristo; neste milênio, as almas dos salvos vivem e reinam com Jesus no céu, enquanto as almas dos ímpios não vivem, nem reinam, com Ele (Ap 20.4-6); Satanás está preso, não podendo impedir a pregação nem desenvolvimento do Evangelho; sua prisão se deu quando Jesus veio pela primeira vez e o derrotou (Ap 43 Descobrindo o Evangelho 20.1-3; Jo 12.31-32; Lc 10.17-18; Mt 12.29). No final deste milênio ele será solto; então aparecerá o Anticristo e virá a grande tribulação seguida pelo imediato retorno de Cristo, que destruirá Satanás, e pela ressurreição simultânea dos salvos e dos ímpios para julgamento (Ap 20.7-15); os salvos reinarão eternamente com Cristo na nova terra, onde não haverá sofrimento, nem qualquer corrupção ou oposição a Cristo. Esta é a posição mais coerente com o ensino todo da Bíblia. 4 – O que acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo? Quando Cristo aparecer nas nuvens com seus anjos (será repentina, única, pessoal e visível) haverá a ressurreição geral dos mortos, tanto dos justos quanto dos injustos (Jo 5.28-29; At 24.15; Dn 12.2; Ap 20.11-15); os justos ressuscitados, bem como os vivos, terão seus corpos transformados e glorificados, subirão para encontrar-se com Cristo nas nuvens e descerão imediatamente com Ele à Terra (Jo 6.39-40,44; 1 Co 15.21-58; Fp 3.20-21; 1 Ts 4.13-18). Satanás, o Anticristo e os seus seguidores serão definitivamente derrotados (Ap 16.12-16; Ap 20.7-10); seguese o juízo final e o estabelecimento dos novos céus e nova Terra. 5 – Como se dará o juízo final? Todos os homens e anjos deverão comparecer diante do tribunal de Cristo para serem julgados (Mt 25.31-33; At 17.31; 2 Co 5.10; Rm 14.10-12; Rm 2.16; Jd 6; 2 Pe 2.4; AP 20.11-15); neste juízo final será dada a sentença de cada ser, vida eterna ou sofrimento eterno, de acordo com suas obras, tendo com base a vontade de Deus revelada nas Escrituras e a obra de Cristo (Mt 12.36-37; Mt 25.34-46; 2 Co 5.10; Ap 20.13; Jo 3.18,36; Jo 5.24; Rm 8.1; Rm 2.12; Lc 12.47-48; 1 Co 13.10-15). O propósito maior deste juízo é manifestar a glória de Deus. Os “Mil Anos” de Apocalipse 20 1 - PRÉ-MILENISMO HISTÓRICO 44 Descobrindo o Evangelho a) Fim dos Tempos Aparecimento do Anticristo (Mt 24; Ap 13) Aparecimento do Falso Profeta Grande Tribulação Batalha do Armagedon b) Segunda Volta de Cristo Cristo volta para destruir seus inimigos e reinar (Ap 19:1ss) Destrói o Anticristo e o Falso Profeta (Ap 19:20) c) Milênio Satanás é preso por mil anos para não enganar as nações (Ap 20:1,2) Segue-se a 1ª ressurreição dos salvos (Ap 20:4,5 comp. com Ap 2:8 e 13:3,14 e I Co 15:23-26) Jesus reina na Terra por mil anos literais com seus súditos (Ap 20:4-5) Haverá conversão em massa dos judeus (pela Graça, mediante a Fé) Cristo ainda será resistido d) Juízo Final Satanás é solto no final dos mil anos (Ap 20:7) Satanás reúne todos os que não aceitaram a Jesus para lutar contra ele (Ap 20:8) Jesus vence a batalha e destrói todos os seus inimigos (Ap 20:9-10) Satanás é lançado no inferno Acontece a 2ª ressurreição, desta vez de todos os mortos (Ap 20:11-15) O julgamento é feito (Ap 20:13) A morte é "destruída" (Ap 20:14) Os incrédulos são condenados ao inferno (Ap 20:15) São estabelecidos novos céus e nova terra (Ap 21) 2 - PÓS - MILENISMO a) Milênio Milênio não é um período de mil anos literais (Ap 20:1-6). 45 Descobrindo o Evangelho Corresponde a um período entre a 1ª e a 2ª vindas de Cristo. Neste período, Satanás está preso, não podendo impedir a pregação do Evangelho. Evangelho será pregado a todo o mundo e aceito pela maioria das pessoas. b) Fim dos Tempos Judeus e gentios se converterão em massa. Evangelho impregnará todo o mundo (Mt 28:18-20; Mt 16:18; Nm 14:21; Is 2:2-4; Jr 31:31-34). Haverá paz e justiça mundiais. Haverá grande avanço das ciências. Haverá prosperidade e vida tranqüila. Não existirá o anticristo, nem a grande tribulação; são fatos já ocorridos no início da era cristã (Mt 24). c) Juízo Final No final deste milênio, Cristo volta. Satanás é solto (Ap 20:7ss). Jesus Cristo destruirá Satanás e seus súditos. Os mortos ressuscitarão. Haverá o grande julgamento. Os incrédulos serão lançados no inferno. Os salvos reinarão com Cristo eternamente nos novos céus e nova Terra. 3 - AMILENISMO a) Ministério de Cristo – Início do Milênio Os mil anos de Ap 20:1-6 não são mil anos literais. Milênio é um período indeterminado de tempo entre a 1ª e 2ª vindas de Cristo. Neste período, Satanás está preso, no sentido de não poder impedir a pregação do evangelho 46 Descobrindo o Evangelho 13 Profissão de Fé Questões: 1 - O que é Profissão de Fé? É a declaração pública (diante de Deus, da Igreja e demais pessoas) que o cristão faz de sua fé em relação, principalmente, a Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo e à Bíblia Sagrada. 2 - Por quê fazer pública Profissão de Fé? Uma vez que a pessoa tenha crido em Jesus como seu salvador, que esteja disposta a seguí-lo, ela não deve ficar fora da comunhão da Igreja visível e nem deixar de participar da Ceia do Senhor. A profissão de fé lhe permite participar das duas. É exigida a profissão de fé porquê, diante de tantas doutrinas falsas que são ensinadas, contrárias à Palavra de Deus, é necessário que o cristão saiba e declare exatamente qual o conteúdo de sua fé. 3 - Quem deve professar a fé? Deve professar a fé quem: a) Tem certeza de sua salvação, tendo já crido em Jesus Cristo como seu Salvador. b) Está disposto a seguí-lo, obedecendo à Bíblia Sagrada. c) Já conhece e compreende os princípios básicos da fé cristã. d) Não seja membro de nenhuma outra Igreja genuinamente evangélica. 4 - Quem deve professar a fé e ser batizado? Quem se enquadra nas condições da resposta anterior e ainda não foi batizado em alguma Igreja evangélica. 47 Descobrindo o Evangelho 5 - Quais são os direitos dos membros da Igreja que professam a sua fé? a) Participar da Ceia do Senhor. b) Votar e ser votado para cargos de liderança da Igreja. c) Votar nas Assembléias ordinárias e extraordinárias da Igreja, tendo participação ativa na vida eclesiástica. 6 - Quais são os deveres dos membros da Igreja que professam a sua fé? Conforme artigo 14 da Constituição da Igreja Presbiteriana do brasil (CI/IPB): a) Viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada. b) Honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra. c) Sustentar a Igreja e as suas instituições, moral e financeiramente. d) Obedecer às autoridades da Igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras. e) Participar dos trabalhos e reuniões da sua Igreja, inclusive assembléias. 7 - Qual a idade mínima para professar a fé? Não existe uma definição exata quanto a idade mínima para se professar a fé. Independente da idade, a pessoa deve satisfazer as exigências acima descritas. É comum receber pessoas a partir dos 12 anos de idade. 48 Descobrindo o Evangelho 14 Bibliografia BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 4 ed. Campinas/SP: Editora Luz para o Caminho,1996. 791 p. BRAGA, Ludgero. Bases da Fé Cristã. 8 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998. Em 3 cadernos. CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999. 416 p. HODGE, A. A. Confissão de Fé Westminter Comentada. São Paulo: Editora Os Puritanos,1999. 596 p. DUTRA, Adailton C. de Assis. Apostila Doutrina em Questão. Mendes Pimentel/SP, 1992. 58 p. NASCIMENTO, Adão Carlos. Curso para Catecúmenos. Santa Bárbara d’Oeste/SP: SOCEP, 1993. 134 p. SILVA, Agnaldo. Apostila Curso de Doutrinas Básicas. Barra do Garças/MT, 1998. 39 p. SPROUL, R. C. Verdades Essenciais da Fé Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999. Em 3 cadernos. 49