Boletim do Embaixador Edição 69. Junho 2013 Inspirados pela Imagem: Joaci Oliveira Palavra de Deus No próximo dia 29 de junho, a Fazenda da Esperança completa 30 anos de atividade. Há muito que comemorar. Mais de 20 mil jovens passaram pela comunidade e seus familiares são sempre muito agradecidos. Ao mesmo tempo, a entidade teve que se organizar e aprovar sua metodologia para receber o reconhecimento por parte de alguns departamentos públicos, apesar das ações e dos resultados positivos, atestados internacionalmente. www.fazenda.org.br Reconhecimento Pontífice Bento XVI na Fazenda Não foram estudos e nem pesquisas, mas a prática da Palavra de Deus vivida diariamente que definiu como deveria ser o estilo de vida da Fazenda da Esperança. Q uando uma pessoa já não tem mais o que perder, observando que sua vida física, espiritual, mental, social, familiar e profissional se encontra totalmente desestruturada, passa a ter mais abertura e menos resistência para aceitar ou até mesmo pedir por mudança. Isso exemplifica bem a situação do primeiro jovem da história da Fazenda da Esperança, Antonio Eleutério, que argumentou não querer mais ver sua mãe sofrer, quando pediu a Nelson Giovanelli Rosendo, fundador dessa comunidade terapêutica, que precisava de alguém 24 horas por dia junto dele. Mas lá no início quando tudo isso aconteceu, os envolvidos nesta aventura não tinham pretensões futuras para essa realidade. Contudo, naturalmente, surgiam necessidades e desejos. Decidiram morar junto. Para isso precisavam se manter. Tinham mais pedidos do que vagas. Necessitavam ampliar, e consequentemente vieram as primeiras burocracias: Registros, uma obra social, uma vida contábil, recebiam aprovação de projetos, obrigatoriamente deviam ter uma conta bancária, provar o que recebiam e gastavam, ano após ano mais desejos e mais necessidades. Você já ouviu falar em comunidade terapêutica (CT)? Elas provavelmente fazem parte de algum momento de sua vida mesmo que você tenha apenas ouvido falar. Elas são comunidades dentro da sua comunidade. Para sua existência necessita de regras, valores, trabalho, convivência, espiritualidade e outras estruturas que muitas vezes a sociedade não oferece: Perdeu ou tem, mas não valoriza ou não vive. Para a Fazenda da Esperança ser definida como tal, foram anos de muitas atividades. Foi necessário se unir, definir o que são e o que fazem, mostrar suas regras, seus resultados, inclusive para receber apoio do Estado e ajudá-lo, visto que o governo só oferece 0,34 % dos leitos necessários para o cuidado dos dependentes químicos, enquanto as CTs disponibilizam 80% das vagas oferecidas no país. O que a Fazenda da Esperança descobriu durante os 30 anos de vivência do Evangelho, não somente confirmou as exigências para ser uma comunidade terapêutica como também ajudou a definir quem ou qual organização pode ser considerada como tal. O trabalho na Fazenda da Esperança é mais que uma laborterapia. Ele visa a autossustentação da comunidade e a melhoria para a autoestima dos internos quando se sentem capazes de se manter. 2 - Boletim do Embaixador - Edição 69 - junho 2013 Uma comunidade terapêutica faz seu interno, incluindo a equipe responsável, refletir sobre seus atos. Na Fazenda da Esperança isso é feito sob a ótica do evangelho. Os jovens responsáveis buscam se santificar doando-se ao próximo, mas não desejam apenas que deixem as drogas ou o álcool, porque como afirmou Bento XVI, isso seria muito pouco! É necessário dar Deus para essas pessoas. Uma das definições de CT é que ela oferece espaço para trabalho, convivência e espiritualidade. Apesar de esta última estar sempre vinculada a um grupo específico, o ambiente da comunidade propicia espaço para o ecumenismo e o respeito religioso recíproco. O interno não pratica está confissão, mas participa de todos os momentos já que decidiu por livre vontade fazer parte deste processo de recuperação. No site do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, vinculado ao Ministério da Justiça pelo qual as comunidades terapêuticas passaram a ser acompanhadas desde o ano passado, o texto sobre as comunidades afirma que a primeira existente data de 1860 de um grupo da Inglaterra. Outras diversas experiências são contempladas, mas no Brasil afirma-se que essa realidade começou a se multiplicar a partir da década de 80 e se ampliou enormemente nos últimos anos devido às graves consequências das drogas que se espalham pela sociedade brasileira. Muitos jovens como Antonio Eleutério tiveram e têm a chance de reconstruírem suas vidas em muitas comunidades terapêuticas, como a Fazenda da Esperança que tem uma Associação Internacional de Fieis, reconhecida pelo Vaticano, como sua mantenedora, que lutam para se manterem ativas e atuantes. Na maioria das vezes, nesses 30 anos essa é a única alternativa para muitas famílias. Aconteceu comigo “Minha mãe tentou construir sua vida em São Paulo, onde se formou em pedagogia. Nesta época, conheceu meu pai e engravidou. Ele não quis me assumir, então, ela voltou para o Maranhão. Minha infância foi muito sofrida, mas feliz. Fui 5 anos, 1 s, re va Ta ra uma criança muito Lucas Bandei desde peque- levada e minha mãe e lo u a P o ã S natural de ue seu sempre me corrigia aranhão, porq M o n ra o m no rnidade. porque desejava me te a p a su iu pai não assum educar bem. Eu sempre pedi um pai para minha mãe. Poderia ser um padrasto. Ela se apaixonou e acreditamos que daria certo. Ele tinha muito ciúme de nós e isso sempre gerava conflitos. Na rua com os “ditos” amigos, comecei a fumar cigarro, ingerir bebidas alcoólicas e aos 10 anos já fumava maconha. Com o tempo minha mãe ficou doente e as pessoas não acreditavam mais em mim. Por exemplo, quando entrava no supermercado para comprar drogas (álcool e cigarro), percebia que as pessoas mandavam me vigiar. Foi muito difícil para eu conseguir entrar para me recuperar aqui na Fazenda da Esperança. Antes disso procuramos outras comunidades e sempre era complicado por eu ser menor de idade. Eu tenho o desejo de fazer minha mãe feliz, ter uma boa profissão, e constituir uma família. Por vários problemas minha mãe não pode me visitar por duas vezes. Eu passei cinco meses sem vê-la. Porque era para ficar somente três meses sem visita. Eu realmente quero mudar de vida e apesar de sentir vontade de ir embora, agüentei firme aqui”. “A Palavra que me marcou foi: Você só é feliz quando faz o outro feliz, quando a gente ama concretamente”. A voz do Embaixador “Frei Hans, foi através da Rede Vida que conheci o trabalho desenvolvido pela Fazenda da Esperança. Fiquei muito sensibilizada, e rogo a Deus que o abençoe. Também peço a sua benção para minha mãe que convive com um filho dependente de álcool e drogas. Por isso, quero ajudar no que for possível, pois acredito que o pouco que posso ajudar, será muito bem aproveitado nesse projeto abençoado por Deus”! Edméia - Várzea Grande / MT. Escreva-nos. Esse é seu espaço. Mande-nos suas impressões, pedidos, opiniões. Compartilhe conosco pelo e-mail: [email protected] ou via carta pelo endereço: Dep. Retorno à Vida – Caixa Postal: 529 – CEP. 12511-970 – Guaratinguetá / SP. Boletim do Embaixador - Edição 69 - junho 2013 - 3 A-notável Esperar Naquele em que confio Padre Mathias Laminsk, alemão, recebeu a missão de abrir uma Fazenda da Esperança junto a seu novo trabalho pastoral no Brasil. “Em novembro de 2011, cheguei à Diamantina/ MG. Dom João Bosco, o arcebispo local, convidou-me para sua diocese e o cardeal de Berlim liberou-me. Em 2004 e 2005 vivi como missionário da Fazenda da Esperança no Brasil, abrindo a primeira Fazenda de Minas, em Três Marias. Desde então, conheço muitas pessoas em Diamantina”. “Depois de um ano de trabalho, pudemos construir a primeira casa na Fazenda que recebemos de doação. Antes disso, realizamos a primeira Conferência Regional de Reação à Droga e ao Álcool. Convidamos representantes de 17 municípios do Vale do Jequitinhonha, uma região sofrida Minas. No dia 3 de abril de 2013, frei Hans e Nelson abriram esta conferência com uma palestra. Mais de 100 pessoas participaram e ficaram entusiasmadas com a chegada da Fazenda da Esperança aqui na região. Com frei Hans, Nelson e outros visitamos um terreno nas montanhas com muita água. Lindo! Mas Frei Hans ficou um pouco triste com tantas dúvidas que surgiram. Como manter esta Fazenda que se encontra a mais de uma hora e meia de viagem de Diamantina? Antes de partir, reunimo-nos mais uma vez. Frei Hans e Nelson pediram para procurar outro terreno. Eles partiram e nós ficamos um pouco tristes depois de tudo o que aconteceu. Tudo foi bem preparado. E agora, o que poderíamos fazer”? “No dia seguinte, passei pela cidade de Gouveia/ MG, 30 quilômetros de Diamantina. Visitei padre Paulo Henrique e contei-lhe as coisas que aconteceram e a minha tristeza. Ele me respondeu: “Mathias, vamos começar aqui em Gouveia. O prefeito vai nos ajudar. Eu tenho certeza disso”. Ligou para o prefeito e na mesma hora nos mostrou um novo terreno e falou: “Seria uma honra para nossa cidade acolher a Fazenda da Esperança”. São 50 hectares, a dois quilômetros da cidade, com asfalto, água, luz e telefone. Um clima bom por causa das montanhas e terra fértil para plantação. O terreno está ao lado da estrada mais frequentada da região, entre Curvelo, Gouveia, Diamantina, Datas e Serro. Ideal para um centro de evangelização na região! O prefeito falou que fará o possível para ajudar na construção das casas... Voltei para Diamantina pensando: “É verdade! Ontem ficamos tristes e hoje Deus já nos mostrou um novo caminho!”. “Faça esse boletim circular! Dê a um amigo ou vizinho, ele pode atingir mais irmãos em prol da nossa missão.” www.fazenda.org.br OBRA SOCIAL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA - FAZENDA DA ESPERANÇA Departamento Retorno à Vida - Caixa Postal 529 - CEP 12511-970 Guaratinguetá-SP Tel.: (12) 3128 8900 E-mail: [email protected]