Curso de Pedagogia
Estudo Bibliográfico
A contação de história por meio da literatura infantil como uma influenciadora para
o gosto pela leitura.
The storytelling through children's literature as an influential for the love of reading.
Greygby Magalhães Souza¹, Maria Luiza Dias de Alvarenga¹, Elizene Maria Caliman de Sousa².
1 Alunas do curso de pedagogia
2 Professora Mestre do curso de pedagogia
RESUMO
O presente artigo tem como propósito compreender como as ações pedagógicas pautadas na literatura
infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental contribuem para o desenvolvimento das habilidades de
leitura. O presente trabalho tem como objetivo principal investigar se literatura infantil influencia no gosto
pela leitura nos anos iniciais do ensino fundamental e os específicos são: aprofundar os estudos sobre a
importância da literatura nos anos iniciais e verificar se a literatura infantil é fator importante no processo de
bons leitores. Como principais referenciais teóricos, foram utilizados Cunha (1993), Oliveira (2005),
Zilbermann (1988), Abramovich (1994), entre outros. Para a pesquisa foi realizada uma abordagem
metodológica de cunho qualitativo e como técnica de coleta de dados foi utilizada a pesquisa bibliográfica. A
escolha do tema surgiu a partir de uma inquietação das pesquisadoras a respeito do gosto pela leitura, pois
semelhança ou não, alguns adultos em completo, temos um mau relacionamento com os livros
(particularmente os de literatura) por não terem sido trabalhados/contextualizados em nossa trajetória
escolar.
Palavras-chave: Literatura infantil; Alfabetização; Leitores.
ABSTRACT
This article aims to understand how the pedagogical actions based on children's literature in the early years
of primary school contribute to the development of reading skills. This study aims to investigate whether
children's literature influences the taste for reading in the early years of elementary school and the specific
are: further study the importance of literature in the early years and verify that children's literature is an
important factor in the process of good readers. The main theoretical references were used Cunha (1993),
Oliveira (2005), Zilbermann (1988), Abramovich (1994), among others. For the survey was conducted a
methodological approach of qualitative nature and as a data collection technique was used to literature. The
choice of the subject arose from a concern of the researchers about the love of reading, because like it or
not, we adults in full, we have a bad relationship with books (particularly literature) because they were not
worked / contextualized in our school life.
Keywords: Children's
literature ; literacy ; Readers .
Contato: [email protected] / [email protected]
INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA
A alfabetização é um processo no qual o
indivíduo assimila o aprendizado do alfabeto e
sua utilização como código de comunicação.
Todavia, esse processo não se deve resumir
apenas
à
aquisição
dessas
habilidades
mecânicas (codificação e decodificação) do ato
de ler, mas na capacidade de interpretar,
compreender, criticar e produzir conhecimento. A
alfabetização envolve também o desenvolvimento
de novas formas de compreensão e uso da
linguagem de maneira geral. (PIMENTA, 2012)
Sendo assim, para o ato da alfabetização
ser completo, o indivíduo deve não somente ler,
mas ter a capacidade de interpretar o que está
lendo.
A Alfabetização é um processo complexo
ligado
à
construção
do
conhecimento.
Atualmente, este conceito está sendo desdobrado
aliado a outras áreas do conhecimento, por
exemplo: Alfabetização Musical, Alfabetização
Matemática, Alfabetização em Informática, além
da sua origem que era para designar a aquisição
da leitura e da escrita formal.
Alfabetizar é um conceito amplo, portanto,
torna-se fundamental compreender as várias
concepções que o envolvem.
Inicialmente, o ato de alfabetizar era
considerado como um processo de decodificação,
ou seja, que através de mecanismos repetitivos
o aluno iria decorar os códigos, ou letras
para simultaneamente ler e escrever.
Atualmente, a alfabetização não é vista
como algo desconexo do mundo, ela envolve um
processo
de
construção
de
conhecimento, e carrega
a
pretensão
de
reconhecer os educandos como sujeitos
autônomos, críticos na sociedade para serem
sujeitos ativos, que possuam a competência de
transformar a sociedade, para que seja mais justa
igualitária e cidadã. (LORENZET; GIROTTO,
2010)
Nesse sentido, compreende-se que o
sujeito não deve ter somente um meio de
aprendizado, mas sim procurar a sua própria
autonomia de conhecimento.
Segundo
Ferreiro
(1996)
o
desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem
dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas
sociais assim como as informações sociais, não
são recebidas passivamente pelas crianças.
De acordo com suas experiências com
crianças, Ferreiro (1999) esquematiza uma
proposta fundamental sobre o processo de
alfabetização inicial: restituir à língua escrita seu
caráter de objeto social; desde o inicio (inclusive
na pré-escola), se aceita que todos na escola
podem produzir e interpretar escritas, cada qual
em seu nível.
A iniciação da alfabetização deve
acontecer de maneira espontânea e significativa
para o mundo em que a criança está inserida,
respeitando seu processo de aprendizagem.
A
educação
infantil
ao
promover
experiências significativas de aprendizagem da
língua, por meio de um trabalho com a linguagem
oral e escrita, se constitui em um dos espaços de
ampliação das capacidades de comunicação e
expressão e de acesso ao mundo letrado pelas
crianças. Essa ampliação está relacionada ao
desenvolvimento gradativo das capacidades
associadas às quatro competências linguísticas
básicas: falar, escutar, ler e escrever.
(CRUVINEL; ALVES, 2013, apud MELLO;
MILLER, 2008).
Segundo Vygotski (2001), a escrita é uma
representação de segunda ordem. Ela se constitui
por um sistema de signos, palavras escritas que
representam os sons e palavras da linguagem
oral, que tem relação com o mundo real.
(CRUVINEL; ALVES, 2013)
Para Vygotski (2001), desde o início, a
escrita precisa ser apresentada à criança como
um instrumento que tem uma função social: a
função de expressar ou comunicar, ideias e
sentimentos, ou seja, é um equivoco pensar que
o ensino dos aspectos técnicos da escrita para a
criança permite-lhe aprender a escrever e ler
conforme requer o uso da escrita nas diversas
situações sociais em que é utilizada. (CRUVINEL;
ALVES, 2013)
Na
educação
infantil
utilizamos
a
linguagem visual quando as crianças ilustram seu
crachá para reconhecê-lo mais tarde e antes que
aprendam a ler o próprio nome. É por meio da
ilustração que as crianças reconhecem a regra
que procuram seguir na vida diária da escola.
(CRUVINEL; ALVES, 2013).
Zilbermann (1985) afirma que, antes de
aprender a ler, a criança conhece livros e outros
materiais veiculados através da palavra escrita, o
que pode estimular a aprendizagem da leitura.
Ressalta a existência de livros dirigidos à fase em
que a criança está alfabetizando.
O primeiro contato da criança com um texto
é feito oralmente através da voz da mãe, do pai
ou dos avôs, contando contos de fadas, trechos
da Bíblia, histórias inventadas, livros curtinhos,
poemas sonoros e outros mais, são importantes
para a formação de qualquer criança ouvir muitas
histórias e escutá-las é o inicio da aprendizagem
para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho
absolutamente infinito de descobertas e de
compreensão do mundo. (ABRAMOVICH, 1995).
Por meio da literatura a criança conhece a
sua cultura, e outras culturas que estão em sua
volta. A leitura é de extrema importância por isso
se deve estar sempre lendo para as crianças da
educação infantil. (CRUVINEL; ALVES, 2013).
As relações entre leitura e literatura nem
sempre são analisadas, reavaliadas e praticadas
como deveriam no contexto escolar. A leitura como atividade atrelada á consciência crítica do
mundo, do contexto histórico - social em que o
aluno está inserido - precisa ser mais praticado
em sala de aula. O papel da escola é o de formar
leitores críticos e autônomos capazes de
desenvolver uma leitura crítica de mundo.
Contudo, esta noção parece perder-se diante de
outras concepções que ainda orientam as
práticas escolares. (FLECK, apud SILVA, 2005).
A literatura infantil desemboca no exercício
de compreensão, sendo um ponto de partida para
outros textos, pois com o passar do tempo, as
crianças sentem necessidade de variar os temas
de leitura uma vez que, a leitura é a forma mais
sistematizada de elaboração da fantasia,
passando a ter um nível mais elevado de cultura,
estimulando a escolha e a crítica de certos textos.
(PERUZZO, 2011).
A função social da literatura é facilitar ao
homem compreender – e, assim, emancipar-se dos dogmas que a sociedade lhe impõe. Isso é
possível
pela
reflexão
crítica
e
pelo
questionamento proporcionado pela leitura. Se a
sociedade buscar a formação de um novo
homem, terá de se concentrar na infância para
atingir esse objetivo. (CALDIN, 2003)
Nesse sentido, pode-se dizer que o
movimento da literatura infantil contemporânea,
ao oferecer uma nova concepção de texto escrito
aberto a múltiplas leituras, transforma a literatura
para crianças em suporte para experimentação
do mundo. Dessa maneira, as histórias
contemporâneas, ao apresentarem as dúvidas da
criança em relação ao mundo em que vive, abrem
espaço para o questionamento e a reflexão,
provenientes da leitura. (CALDIN, 2003)
Por outro lado, os contos clássicos não
impedem o raciocínio lógico, porque não
embotam a inteligência da criança. Envolvem isto
sim, o aguçar de sua sensibilidade artística e o
equilibrar o sonho com o real. É um jogo
estimulante – a criança sabe que o que está
lendo não é verdade, mas finge acreditar – é a
magia do imaginário, tão necessária ao
desenvolvimento infantil. (CALDIN, 2003)
É através da literatura que se manifesta
todo o potencial criativo de que se pode ser
portador o falante de uma língua. Na literatura as
palavras funcionam como matéria-prima da
criação artística nos seus mais diferentes
gêneros. Quando escrevemos dispomos de maior
tempo para refletir sobre a forma da mensagem
que queremos transmitir. Poderíamos mesmo
dizer que a escrita é um produto linguístico mais
depurado. (FREITAS apud REGO, 1988).
Constata-se,
a
partir
das
ideias
apresentadas por Rego (1988) que, a literatura
está presente em todo o lugar. No momento da
escrita, a imaginação dos indivíduos flui e acaba
construindo um mundo de ideias. O mesmo
acontece com as crianças. Através de seus
caracteres, rabiscos, desenhos, traços relatam
suas mensagens. (FREITAS 2009).
Os professores dos primeiros anos da
escola fundamental devem trabalhar diariamente
com a literatura, pois, esta se constitui em
material indispensável que aflora a criatividade
infantil e desperta a veia artística da criança.
Nessa faixa etária, os livros de literatura devem
ser oferecidos às crianças, através de uma
espécie de coleção de sentimentos e emoções
que favorecem a proliferação do gosto pela
literatura, enquanto forma de lazer e diversão.
(PEREIRA, 2007)
A criança pode, com seu pensamento
lúdico, favorecer a construção dos seus
conhecimentos. A literatura infantil também é
lúdica, é fantasia, questionamento e, sendo
assim, ambos, criança e literatura, possuem
afinidades que podem proporcionar ao professor
e à criança benefícios no processo ensinoaprendizagem. Há um amplo campo da literatura
a ser explorado pela criança. É pertinente que o
professor faça com que isso aconteça. (HOLTZ;
DAROS 2013)
Os benefícios que as obras literárias
proporcionam para o processo de ensinoaprendizagem e a formação do aluno-leitor,
juntamente com a aplicação de um trabalho
pedagógico bem elaborado, com práticas de
letramento e uma biblioteca bem equipada e
organizada, e ainda, com um trabalho em
conjunto envolvendo toda a comunidade escolar,
poderão ajudar na caminhada educativa do
sujeito. (HOLTZ; DAROS 2013)
O ideal da obra literária é fazer com que as
crianças unam o entretenimento ao prazer da
leitura, educando a sensibilidade, reunindo a arte
das palavras e das imagens. Assim, a criança
desenvolve a sua admiração, compreensão do
ser humano e do mundo, entendimento dos
problemas humanos, da sociedade e seus
próprios,
enriquecendo
suas
experiências
escolares, cidadãs e pessoais, pois elas ainda
estão num processo de formação de experiências
reais. (HOLTZ; DAROS, 2013)
A formação da criança leitora ainda é um
dos desafios que se coloca para a educação
brasileira e na prática de muitos professores,
quando objetivam formar alunos leitores. (HOLTZ;
DAROS, 2013)
Desta forma, o objeto de pesquisa da
literatura infantil, tem caráter bibliográfico
exploratório, e vem discutir a seguinte questão:
ações pedagógicas pautadas na literatura infantil,
nos anos iniciais do ensino fundamental
contribuem para o desenvolvimento das
habilidades de leitura?
O objetivo principal deste artigo é investigar
se literatura infantil influencia no gosto pela leitura
nos anos iniciais do ensino fundamental,
utilizando, para isso foi utilizada uma abordagem
metodológica de cunho qualitativo, e como
técnica de coleta de dados a pesquisa
bibliográfica.
Os objetivos específicos são: aprofundar
os estudos sobre a importância da literatura
infantil nos anos iniciais e também verificar se a
literatura infantil é fator importante no
desenvolvimento de bons leitores, nos periódicos,
artigos e livros pesquisados.
Conceituando Literatura Infantil
A Literatura Infantil tem seu início através
de Charles Perrault, clássico dos contos de
Fadas, no século XVII... (embora esta só viesse
encontrar o seu verdadeiro lugar com o advento
da burguesia, entre os bem-nascidos, nos fins do
século XVIII e início do século XIX...
(CARVALHO, 1989)
Antes disso, a criança, acompanhando a
vida social do adulto, participava também de sua
literatura. (CUNHA, 2006)
No início do século XVIII a criança passa a
ser vista não somente como mini adulto, e sim
como
um
ser
com
necessidades
de
aprendizagem para se inserir na vida adulta.
A atuação metodológica desta época tinha
como finalidade alcançar o domínio total da
criança por meio da manipulação, onde ela vinha
a sentir-se impotente e dependente do adulto.
Foi por meio do aspecto pedagógico que
surgiram
as
principais
publicações
e
disseminação dos textos destinados as crianças.
Os autores das principais obras literárias
escreviam com a intenção de transferir ideias de
boa conduta, sempre com uma lição de moral.
O aspecto meramente lúdico de um texto
não justificava a publicação, apenas o critério de
utilidade educativa legitimava a difusão de
histórias infantis. (MAGALHÃES, 1987)
A literatura infantil brasileira nasce no final
do século XIX. Antes das últimas décadas dos
oitocentos, a circulação de livros infantis era
precária e irregular, representada principalmente
por edições portuguesas. (ZILBERMAN, 2005)
Cunha (2006) ressalta que, "com Monteiro
Lobato é que tem início a verdadeira literatura
infantil brasileira. Com uma obra diversificada
quanto aos gêneros e orientação, cria esse autor
uma literatura centralizada em
algumas
personagens, e percorrem e unificam seu
universo ficcional... Ao lado de obras marcantes
didáticas escreve Lobato outras de exploração
folclore ou de pura imaginação, com ou sem
reaproveitamento de elementos e personagens
da literatura infantil tradicional.
Segundo Arroyo (1990) emprega-se a
expressão Literatura Infantil ao conjunto de
publicações que em seu conteúdo tenham formas
recreativas ou didáticas, ou ambas, e que sejam
destinados ao público infantil.
No entanto, especialistas que debruçam
nesta área consideram esta conceituação um
tanto restrita, haja vista que muito antes da
existência de livros e revistas infantis, a literatura
Infantil atuava na tradição oral, transmitindo a
expressão da cultura de um povo de geração em
geração. (PAIVA; OLIVEIRA, 2008).
Coelho (1986) argumenta que literatura é
arte, é um ato criativo que, por meio da palavra,
cria um universo autônomo, realista ou fantástico,
onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço,
mesmo que se assemelhem ao que podemos
reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali
transformado em linguagem, assumem uma
dimensão diferente: pertencem ao universo da
ficção. (TELES, 2013)
Para Frantz (2001), “a literatura infantil é
também ludismo, é fantasia, é questionamento, e
dessa forma consegue ajudar a encontrar
respostas para as inúmeras indagações do
mundo infantil, enriquecendo no leitor a
capacidade de percepção das coisas.”
Segundo Cecília Meireles, Literatura Infantil
não é aquela que é escrita para as crianças, mas
aquela que as crianças gostam de ler.(SANCHEZ,
1999)
Grandes nomes da literatura infantil
refletem em seus escritos não só as
preocupações do momento ou os problemas
sociais da época, como também suas primeiras
palavras oral ou escrita a que tiveram acesso.
(SANCHEZ, 1999)
A literatura infantil parece que em todos os
lugares sofre com os concorrentes: TV, história
em quadrinhos, falta de condições de editar livros,
baixo poder aquisitivo das classes menos
favorecidas e que na América Latina constituem a
maioria da população, concorrência de inventos
eletrônicos, como por exemplo, o "livro sonoro"
etc. (SANCHEZ, 1999)
Objetivo da Literatura Infantil
O objetivo principal da literatura infantil,
durante o século XVIII e meados do século XIX,
foi a formação ética. As histórias podiam variar,
mas a lição moral, no final, jamais era esquecida.
(SANCHEZ, 1999)
Como a publicação dos "Contos Populares
Alemães", pelos irmãos Grimm (1826), abriu-se
uma nova era para a literatura infantil. Foi assim,
que surgiu uma nova evolução para a literatura
infantil, também revolucionou com o Clássico
"Alice no País da Maravilhas" de Lewis Carrol,
que trouxe uma visão do surrealismo para as
crianças.
Um dos objetivos da literatura infantil é
fornecer informações novas à criança que lhe
propiciem
segurança
e
flexibilidade
na
compreensão de situações que irá enfrentar em
sua vida.
A finalidade da literatura infantil não é
estimular o consumo e tão pouco lançar-se na
caça do mercado, seria ocupar uma função
determinada na vida infantil e orientar sua
formação.
Para Sanchez (1999) um bom livro infantil,
poderá atingir boa parte desses objetivos. Além
de recrear, divertir, despertará na criança e no
jovem o que eles trazem de melhor em si,
fazendo brotar de dentro para fora o mundo
maravilhoso, novo e eterno.
O papel da literatura infantil não é somente
ensinar as crianças a ler, é também dar
oportunidade de serem bons leitores. Para assim
estarem
preparados
para
construir
o
conhecimento tendo prazer em ler mais. A
literatura compreende um dos objetivos do PCN
de língua portuguesa.
[...] valorizar a leitura como fonte de
informação, via de acesso aos mundos
criados pela literatura e possibilidade de
fruição estética, sendo capazes de recorrer
aos materiais escritos em função de diferentes
objetivos. (BRASIL, 1997)
Para que a criança adquira o hábito da
leitura, é extremamente necessário e importante
que ela tenha livros adequados à sua idade.
Mesmo na era da televisão, quando incentivadas,
as crianças lêem e com isso ganham mundos
novos nos quais podem expandir sua imaginação.
(SANCHEZ, 1999)
A literatura Infantil, enriquecendo a
imaginação da criança, vai oferece-lhe condições
de liberação sadia, ensinando-lhe a libertar-se
pelo espírito: levando-a a usar o raciocínio e a
cultivar a liberdade. (CARVALHO, 1987)
É com a literatura que a criança unirá o
entretenimento ao prazer da leitura, construindo
suas próprias ideias, agregando a arte das
palavras e das imagens. Desenvolvendo assim
sua capacidade de admiração, tendo assim
entendimento do ser humano e do mundo.
A Importância da literatura infantil nos
anos iniciais
A literatura infantil desemboca no exercício
de compreensão, sendo um ponto de partida para
outros textos, pois com o passar do tempo, as
crianças sentem necessidade de variar os temas
de literatura uma vez que, a leitura é a forma mais
sistematizada de elaboração da fantasia,
passando a ter um nível mais elevado de cultura,
estimulando a escolha e a crítica de certos textos.
Para chegar à situação de um constante
desenvolvimento de uma cultura da leitura, é
necessário uma conscientização da sua
importância para a vida e para a formação de um
povo, porque não há nação desenvolvida que não
seja uma nação de leitores, como nos diz
Monteiro Lobato. (PERUZZO, 2011)
O livro é de suma importância para o
primeiro contato com a criança, pois se deve
tocá-lo, folheá-lo, onde se pode criar um contato
mais íntimo. Através disso pode-se dizer que,
começa o gosto pelos livros, compreendendo que
ele torna-se parte do mundo apaixonante, onde
esse mundo mostra-se por meio de letras,
palavras, frases, mensagens e desenhos.
A literatura infantil torna-se importante na
formação social e pessoal do ser humano, pois
aguça o fascínio e a atenção da criança,
construindo nela outras ideias, imaginação,
autonomia, compreensão de diferentes soluções
de problemas e pensamentos críticos.
É à literatura, como linguagem e como
instituição, que se confiam os diferentes
imaginários, as diferentes sensibilidades, valores
e comportamentos através dos quais uma
sociedade expressa e discute, simbolicamente,
seus impasses, seus desejos, suas utopias. Por
isso a literatura é importante no currículo escolar:
o cidadão, para exercer, plenamente sua
cidadania, precisa apossar-se da linguagem
literária, alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário
competente, mesmo que nunca vá escrever um
livro: mas porque precisa ler muitos. (PAIVA;
OLIVEIRA apud LAJOLO, 2008).
Para Abramovich (1994) escutá-las é o
início da aprendizagem para ter um caminho
absolutamente infinito de descoberta e de
compreensão do mundo. É ouvindo história que
se pode sentir (também) emoções importantes,
como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o
medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a
tranquilidade, e tantas outras mais, e viver
profundamente tudo o que as narrativas
provocam em quem as ouve.
Contar história para crianças sempre
expressou um ato de linguagem de representação
simbólica do real direcionado para a aquisição de
modelos linguístico. (OLIVEIRA, 2005)
O estímulo é um dos processos mais
importantes para o desenvolvimento do gosto
pela leitura assídua, tornando-se constante desde
cedo e continuando pela vida, começando na
relação familiar e se aperfeiçoando na escola.
A imaginação bem motivada é uma fonte
de libertação, com riqueza. É uma forma de
conquista de liberdade, que produzirá bons frutos,
como a terra agreste, que se aduba e enriquece,
produz frutos sazonados. (CARVALHO, 1989)
O conto infantil é uma chave mágica que
abre as portas da inteligência e da sensibilidade
da criança, para sua formação integral.
(CARVALHO, 1989)
É através da história que se podem
descobrir outros lugares, outros tempos, outros
jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica. E
ficar sabendo História, Geografia, Filosofia,
Política, Sociologia, sem precisar saber o nome
disso tudo e muito menos achar que tem cara de
aula. ( ABRAMOVICH, 1994).
A literatura infantil é, ao mesmo tempo,
recreação e terapia, suporte de cultura e o mais
importante elemento de comunicação; mas,
sobretudo, um instrumento de diálogo entre a
criança e o adulto. (CARVALHO, 1989)
Carvalho ainda ressalta que, a literatura
reflete sempre a sua época; por mais alienada
que seja, reflete o clima em que foi escrita, os
aspectos conjunturais traem qualquer literatura, e
a literatura infantil não constitui exceção.
Zilbermann (1994) argumenta o que segue,
a literatura sintetiza, por meio dos recursos da
ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de
contato com o que o leitor vive cotidianamente.
Para Pinto (apud RUFINO e GOMES,
1999) a Literatura Infantil tem um grande
significado no desenvolvimento de crianças de
diversas idades, onde se refletem situações
emocionais,
fantasias,
curiosidades
e
enriquecimento do desenvolvimento perceptivo.
Para ele a leitura de histórias influi em todos os
aspectos da educação da criança: na afetividade:
desperta a sensibilidade e o amor à leitura; na
compreensão: desenvolve o automatismo da
leitura rápida e a compreensão do texto; na
inteligência: desenvolve a aprendizagem de
termos e conceitos e a aprendizagem intelectual.
Por meio de uma história inventada e de
personagens que nunca existiram, é possível
levantar e discutir, de modo prazeroso e lúdico,
assuntos humanos relevantes, muitos deles,
aliás, geralmente evitados pelo discurso didáticoinformativo – e mesmo pela ciência – justamente
por serem considerados subjetivos, ambíguos e
imensuráveis. (AZEVEDO, 2004)
É por meio das histórias que as crianças
criam uma relação real, compartilham detalhes,
lembram os personagens ou acrescentam fatos
que são esquecidos pelo contador. Histórias reais
são essenciais para que a criança construa sua
identidade e assimile suas relações familiares.
Um fato importante também que se cria é a
ligação afetiva estabelecida entre o contador e a
criança.
A literatura - Mitos, História, Contos,
Poesias, qualquer que seja a sua forma de
expressão, é uma das mais nobres conquistas da
humanidade: a conquista do próprio homem!
(CARVALHO, 1989)
Para Carvalho tirar da criança o encanto da
fantasia pela arte, particularmente a arte do
desenho, da forma, das cores, e a literatura (que
representa todas), é sufocar e suprimir toda a
riqueza de seu mundo interior. (CARVALHO,
1989)
O gosto pela leitura nos anos iniciais:
a influência da literatura infantil.
É durante a etapa dos anos iniciais do
ensino fundamental que é construído um conjunto
de conhecimentos para toda a vida da criança,
tanto nos aspectos cognitivos, emocionais,
afetivos, físicos e sociais de cada um,
considerando que o ser humano é um ser
completo e singular. Em vista disso, deve-se
propiciar um ensino de linguagem oral e escrita,
em que o aluno desenvolva e compreenda não só
o que a escrita representa, mas também de que
forma é representada graficamente a linguagem.
É por meio da linguagem que o aluno amplia sua
possibilidade de inserção e de participação nas
diversas práticas sociais, que também contribuem
para a formação do sujeito na sua interação com
o outro, na construção de muitos conhecimentos
e no desenvolvimento do pensamento.
É na infância que acontece, para a maioria
das crianças, os primeiros contatos com os livros
e com a leitura. Nessa fase, o incentivo a leitura
deve-se fundamentar em contextos significativos
à criança e não em contextos isolados e
descontextualizados. Porém, tal ensino deve
partir das concepções iniciais que a criança
constrói nas situações sociais de leitura fora da
escola, e que lhe permitam pensar e perceber
que a escrita lhe traz percepções significativas.
Isso não significa que o leitor iniciante que está
em processo de socialização e de racionalização
da realidade, bem como o leitor em processo que
representa o interesse pelo conhecimento das
coisas, passando pelo leitor fluente, fase da
consolidação da leitura e da compreensão, e do
leitor crítico que é a fase total do domínio da
leitura, mereça menos atenção. (PERUZZO,
2011)
Na alfabetização é indispensável a
presença de livros literários, uma vez que o
contato com os livros possibilita um olhar para o
mundo letrado, para assim apropriar-se das
habilidades de leitura e escrita, pois a mesma
ocupa grupos sociais diferentes, ampliando a
curiosidade e possibilidade de se familiarizar.
Tem-se como assertiva que a criança, ao
realizar a leitura de textos literários, não passa
apenas os olhos pela página impressa. Busca um
sentido
nas
palavras,
aventura-se
no
desvendamento do enigma do código escrito.
(CALDIN, 2003)
A leitura ajuda a criar familiaridade com o
mundo da escrita. A proximidade com o mundo
da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e
ajuda em todas as disciplinas, já que o principal
suporte para o aprendizado na escola é o livro
didático. Ler também é importante porque ajuda a
fixar a grafia correta das palavras.
O hábito da leitura aperfeiçoa o vocabulário
favorecendo seu desenvolvimento e facilita sua
compreensão de leitura. Sendo assim, cria
através do mesmo um esquema de leitura, onde
começa a produzir um maior entendimento
intelectual que criamos a respeito da literatura
infantil.
Com a leitura literária concebe-se novos
horizontes, dando ao leitor autonomia em seus
conhecimentos e aprendizagens, atribuindo ao eu
como ser social.
Coelho (2000) apud Lima (2009) diz que "a
literatura é antes de tudo, literatura; ou melhor, é
arte: fenômeno de criatividade que representa o
mundo, o homem, a vida através da palavra.
Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e
o real, os ideais e a sua possível / impossível
realização [...]"
Novos conhecimentos surgem por meio da
leitura, assumindo autonomia de seu saber,
contribuindo na concepção do seu eu, uma vez
que desenvolve valências de seu aprendizado,
produzindo novos saberes para sua vida, assim
reconhecer-se como parte da sociedade.
A alfabetização e a afetividade são duas
ações que devem andar juntas, pois, é através de
um adulto ou responsável pela criança, que
ocorre a orientação e mediação do processo de
alfabetização. E esse desenvolvimento deve
decorrer por meio de amor, dedicação e
interessantes métodos, aonde a criança venha a
criar possibilidades de realizações como ser
humano, nesse sentido a literatura auxilia como
mediadora, onde ela cria sua história por meio de
suas experiências vividas.
Cunha (1974) afirma que, a literatura
infantil influi e quer influir em todos os aspectos
da educação do aluno. Assim, nas três áreas
vitais do homem (atividade, inteligência e
afetividade) em que a educação deve promover
mudanças de comportamento, a Literatura Infantil
tem meios de atuar. Segundo Jauss:
"A função social da literatura só se faz
manifesta na sua genuína possibilidade ali
onde a experiência literária do leitor entra no
horizonte de expectativas da prática de sua
vida, pré-forma sua compreensão de mundo
com isso repercute também em sua formação
de comportamento social".(1999)
Para incentivar a prática da leitura, deve-se
levar em conta as preferências quanto a gênero,
temas, tipologia textual, bem como as variáveis
ambientais às quais o aluno está sujeito em sala,
pois cada pessoa tem um tempo diferente para
aprender. Sua história de vida não pode ser
desprezada;
logo,
características
do
desenvolvimento
humano
em
relação
à
aprendizagem estão atreladas às necessidades
de pré-conhecimento por parte daqueles que
pretendem incentivar seus alunos para a prática
da leitura. (BAMBERGER, 2002)
A originalidade dos textos para crianças
advém do fato de que é a espécie de leitor que
eles esperam atingir o que determina sua
inclusão no gênero designado como literatura
infantil. (ZILBERMAN, 1987)
Para Sanchez (1999), os educadores
sabem muito bem que os hábitos de leitura
devem ser inculcados nos bancos de escola. É
nesse período que a criança adquire o hábito da
leitura. Uma biblioteca á disposição da criança e
do jovem, e salas de leitura adequadas ao
atendimento desses leitores, muito contribuiria
para sanar o problema que parece dominar em
todas as escolas.
A leitura em nossa sociedade tem uma
função primordial de despertar e proporcionar
conhecimentos básicos, que venha a contribuir
para a construção integral da vida do aluno em
sociedade e para o exercício da cidadania.
"Aprender a ler significa aprender a ler o
mundo, e a função do educador não seria
precisamente a de ensinar a ler, mas a de
criar condições para o educando realizar a sua
própria aprendizagem, conforme seus próprios
interesses, necessidades, fantasias, seguindo
as dúvidas e exigências que a realidade lhe
apresenta". (MARTINS, 1999)
Sanchez ressalta que, a leitura é um ato
solitário. E é esse hábito que pode enriquecer
verdadeiramente o espírito jovem, em formação.
Ela
precisa
conhecer-se,
identificar-se,
questionar-se. Bons livros colocados á disposição
das crianças podem lhes proporcionar momentos
de verdadeiro prazer, diversão, além de
proporcionar-lhe o conhecimento subjetivo de um
mundo que a TV por mais colorida e barulhenta,
ou por ser colorida e barulhenta, não lhe
transmite.
Tal hábito não se pode formar, no
entanto, como num passe de mágica. Faz-se
necessário que o educador tenha bem presente
qual é a verdadeira natureza da leitura e,
consequentemente, quais os passos a serem
desenvolvidos nessa direção.
Com a leitura sistemática de bons livros,
as crianças ganhariam com o conhecimento da
linguagem pátria, aprenderiam a expressar seus
pensamentos, pois teriam recursos para isso,
com o enriquecimento do vocabulário, sem que
isso venha a se constituir em pedantismo. E
finalmente lhe dariam informações para poder
entender muitos dos temas que são abordados
pela TV e que requerem conhecimentos
anteriores do telespectador. (SANCHEZ, 1999)
Quem se relaciona permanentemente
com livros faz mais associações, adquire um
repertório maior de história, desenvolve a
concentração, aprende a ouvir e aprimora as
capacidades representativas e simbólicas por
meio da escrita e das imagens.
Metodologias pautadas na literatura
infantil nos anos iniciais.
Todos os educadores reclamam muito,
atualmente, contra o crescente desinteresse dos
estudantes de todos os graus pela leitura. Muitas
e diferentes razões são apontadas para o fato:
descuido familiar, decadência do ensino, excesso
de facilidades na vida escolar, apelos sociais com
muitas formas de diversão etc. etc. (CUNHA,
2006)
Sendo assim o professor é um mediador
na construção de formas e procedimentos que
contribuem para a formação do desenvolvimento
integral do seu aluno, mesmo para os que ainda
não estejam em processo de alfabetização.
Uma pesquisa realizada por Cunha
(2006) em 1973, a respeito do gosto pela leitura,
apontou que "entre televisão, cinema, música,
teatro e esporte, a leitura ocupa sempre um dos
dois últimos lugares, na preferência dos alunos".
Não devemos culpar somente os meios
de comunicação pelo fato de haver um
desinteresse pela leitura, pois os mesmos
também possuem sua finalidade, e têm-se
ajustados com o novo modelo de sociedade
existente, pois é sabido que um leitor constante
não vai deixar seu hábito por interferência de
outros meios.
Sem dúvida, o desinteresse dos nossos
alunos tem como uma das causas esse novo
condicionamento, essa tranquilidade com que
vamos, ano após ano, levando as crianças aos
mesmos livros, as mesmas histórias, supondo
sempre atividades iguais, para alunos iguais.
(CUNHA, 2006)
A literatura infantil segundo Abramovich é
(1994), "uma das atividades mais fundantes, mais
significativas, mais abrangentes e suscitadoras
dentre tantas outras é a que decorre do ouvir uma
boa história, quando bem contada [...]
O primeiro contato da criança com a
leitura, geralmente ocorre na escola, sendo assim
primordial o incentivo à leitura contextualizada
com a realidade da criança, fazendo com que ela
se veja enquanto ser participativo do enredo, da
temática trabalhada. (LEITE, 2014)
Ah, como é importante para a formação
de qualquer criança ouvir muitas, muitas
histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem
para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho
absolutamente infinito de descoberta e de
compreensão do mundo. (ABRAMOVICH, 1994)
Nesse sentido a finalidade da literatura
infantil é estabelecer uma união entre a leitura e a
escrita. Segundo Borges apud Ferreiro (2001), "a
escrita não é um produto escolar, mas sim, um
objeto cultural, resultado do esforço coletivo da
humanidade. Como objeto cultural, a escrita
cumpre diferentes funções sociais e tem meios
concretos de existência".
A questão do ensino da literatura ou da
leitura literária envolve, portanto, esse exercício
de reconhecimento das singularidades e das
propriedades compositivas que matizam um tipo
particular de escrita. Com isso, é possível afastar
uma série de equívocos que costumam estar
presentes na escola em relação aos textos
literários, ou seja, tratá-los como expedientes
para servir ao ensino das boas maneiras, dos
hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos
tópicos gramaticais, das receitas desgastadas do
“prazer do texto”, etc. Postos de forma
descontextualizada, tais procedimentos pouco ou
nada contribuem para a formação de leitores
capazes de reconhecer as sutilezas, as
particularidades, os sentidos, a extensão e a
profundidade das construções literárias. (BRASIL,
1997)
São nos anos iniciais que essa
construção deve ser incentivada pelo professor,
sendo ele o mediador e condutor importante,
aprimorando sempre o ritmo da aprendizagem de
cada criança e buscando novas metodologias que
contribuem com o aluno, sempre observando as
dificuldades no processo de aprendizagem. É
necessário que haja na escola um local amplo
para aplicar essa prática pedagógica.
[...] os professores deverão organizar a sua
prática de forma a provocar em seus alunos: o
interesse pela leitura de histórias; a
familiaridade com a escrita por meio da
participação em situações de contato cotidiano
com os livros, revistas, historiais em
quadrinhos; escutar textos lidos apreciando a
leitura feita pelo professor; escolher os livros
para ler e apreciar (BRASIL, 1998, vol.3,)
As escolas devem estimular e possibilitar
maneiras de contar histórias aos alunos
disponibilizando o cantinho da leitura para assim
incentivar o sujeito a ler, uma vez que não é
responsabilidade somente do professor, como
também da instituição, sendo assim a mesma
deverá
providenciar
novas
referências
bibliográficas, enriquecendo e aguçando novos
conhecimentos.
É importante que o trabalho com o texto
literário esteja incorporado às práticas cotidianas
da sala de aula, visto tratar-se de uma forma
específica de conhecimento. Essa variável de
constituição da experiência humana possui
propriedades compositivas que devem ser
mostradas, discutidas e consideradas quando se
trata de ler as diferentes manifestações colocadas
sob a rubrica geral de texto literário. (BRASIL,
1997)
É importante que o educador aborde o
conhecimento empírico que o aluno traz consigo,
pois não é somente na escola que se inicia a
aprendizagem da escrita e da linguagem, o
próprio sujeito tem uma bagagem do mundo que
o cerca.
É na vida escolar que o aluno terá que
enfrentar e superar dificuldades de leitura e
compreensão. A literatura infantil contribuirá na
formação de seus quadros referenciais, por meio
de escolhas e informações adquiridas pelo
manuseio dos livros.
"O domínio da língua, oral e escrita, é
fundamental para a participação social efetiva,
pois é por meio dela que o homem se
comunica, tem acesso à informação, expressa
e defende pontos de vista, partilha ou constrói
visões de mundo, produz conhecimento. Por
isso, ao ensiná-la, a escola tem a
responsabilidade de garantir a todos os seus
alunos o acesso aos saberes lingüísticos,
necessários para o exercício da cidadania,
direito inalienável de todos".(BRASIL, 1997)
Para contar história - seja qual for - é bom
saber como se faz. Afinal, nela se descobre
palavras novas se encontra em contato com a
música e com a sonoridade das frases, dos
nomes... Se capta o ritmo, a cadência do conto,
fluindo como uma canção... Ou se brinca com a
melodia dos versos, com acerto das rimas, com o
jogo das palavras... Contar histórias é uma arte...
é tão linda!!! É ela que equilibra o que é ouvido
com o que é sentido, por isso não é nem
remotamente declaração ou teatro... Ela é uso
simples e harmônico da voz. (ABRAMOVICH,
1994)
O professor pode inovar através da
literatura para despertar o interesse do aluno,
pois a educação quando está iniciando sob a
visão da leitura, tem como objetivo despertar um
mundo onde o indivíduo conseguirá buscar suas
informações [...] (HOLTZ, 2013)
Para aproveitar bem o texto lido, de acordo
com Abramovich, "é bom que quem esteja
contando crie todo um clima de envolvimento, de
encanto... Que saiba dar as pausas criar os
intervalos, respeitar o tempo para o imaginário de
cada criança construir o seu cenário, visualizar
seus monstros, criar seus dragões, adentrar pela
casa, vestir sua princesa, e pensar na cara do
padre, sentir o galope do cavalo, imaginar o
tamanho do bandido e outras coisas mais [...]
As pessoas geralmente entendem literatura
como aquilo que está em livros e que tem caráter
de história inventada ou de texto para ser
declarado, com sons parecidos ao final das linhas
(rimas). Em alguns ambientes profissionais, o
termo literatura pode se referir aos livros que
trazem textos de áreas profissionais específicas.
Assim, por exemplo, fala-se em literatura médica
ou jurídica em referência aos textos escritos
sobre esses assuntos. Aqui neste estudo a
literatura será entendida como aquela que se
relaciona direta e exclusivamente com a arte da
palavra, com a estética e com o imaginário.
(HOLTZ apud COSTA, 2007).
A literatura não é cópia do real, nem puro
exercício de linguagem, tampouco mera fantasia
que se asilou dos sentidos do mundo e da história
dos homens. Se tomada como uma maneira
particular de compor o conhecimento, é
necessário reconhecer que sua relação com o
real é indireta [...] (BRASIL, 1997)
Considerações finais
Pode-se concluir, por meio desta pesquisa
que as ações pedagógicas pautadas na literatura
infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental
contribuem para o desenvolvimento das
habilidades de leitura, uma vez que a literatura
infantil é um instrumento norteador fundamental
no processo inicial pelo gosto da leitura, em que o
sujeito que tem contato direto com obras
literárias, desde cedo, seja ouvindo ou lendo,
desenvolverá um vocabulário mais agradável e
positivo de leitura, gerando um processo de
constante estimulação.
Processo
esse
que
necessita
da
contribuição
de
agentes
como,
família,
educadores, escola, meios sociais, entre outros.
Criando condições necessárias para o processo
do hábito de leitura, incluindo oportunidades de
acesso aos diversos meios estimulantes como,
feiras literárias, bibliotecas e livrarias, pois os
mesmos favorecem o interesse pela leitura.
A literatura infantil vai além da contação de
histórias, ela envolve e contribui na vida direta do
sujeito, socializando-se com as ideias dos autores
e modificando sua forma de agir.
É fundamental analisar com as crianças
suas preferências de literatura, para assim
agrupar as obras de acordo com a relevância do
leitor.
Verificamos que com a contextualização da
literatura desperta e colabora na construção
intelectual, afetiva e emotiva da criança,
possibilitando
um
momento
prazeroso
transformando seu interior.
Como diz Abramovich (1994), "ler histórias
para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir,
rir, gargalhar com situações vividas pelos
personagens, com a ideia do conto ou com o jeito
de escrever dum autor e, então, poder ser um
pouco cúmplice desse momento de humor, de
brincadeira, de divertimento [...]"
Com
o
intuito
de
favorecer
o
desenvolvimento pelo gosto da leitura, é que se
percebe a importância da literatura infantil nos
anos iniciais, que por meio dela que o aluno se
apropria gradativamente de um universo de
magia, sendo ouvinte, escritor e leitor.
A literatura infantil auxilia o professor a
encontrar métodos que favoreçam a formação do
aluno, tendo como finalidade firmar relações entre
a relação e escrita. Ela desperta diferentes
emoções favorecendo a formação de indivíduos
criativos e pensantes, para assim compreender o
mundo ao qual está inserido.
É primordial que os educadores e as
instituições dêem uma maior atenção sobre a
função e a importância da literatura infantil, tendo
em vista a construção da formação do bom leitor
e ao desenvolvimento da aprendizagem durante
os anos iniciais.
O educador deve ser um leitor assíduo,
para assim compreender o processo da
construção da leitura infantil e estimular o gosto
pela leitura em seus alunos, utilizando uma
abordagem contextualizada com os interesses de
cada um.
O docente que presenteia porções de
jornadas de leituras encantadoras, sem
complicar, mas com procedência, desenvolverá
no novo leitor uma prática que o acompanhará
durante toda sua vida.
O papel do professor é de fundamental
importância na aprendizagem do aluno, e é nesta
faixa etária que requer mais estímulos, por meios
de métodos que favoreçam o entendimento da
criança tornando agradável seu desenvolvimento
e aprendizagem. Através da leitura é possível
adquirir novos conhecimentos, buscar novos
horizontes e despertar o imaginário. O hábito de
ler não depende somente do estímulo do
professor, a escola também deve contribuir,
criando ambientes de leitura e projetos voltados
para o desenvolvimento do aluno leitor.
A escola deve ser um incentivador do
trabalho com a literatura infantil, buscando novas
bibliografias, realizando projetos literários e
proporcionando condições necessárias para
prática de leitura, uma vez que é na escola que o
aluno inicia sua aprendizagem da linguagem e
escrita.
O estímulo à leitura deve ocorrer não
somente na sala de aula, como também no
contexto familiar, uma vez que a família é a base
para a formação do ser humano. Segundo
Vygotsky (2007) a criança aprende e se
desenvolve com o meio em que está inserido,
caso não haja interesse pelos pais, os filhos
também terão dificuldades em despertar interesse
pelos livros.
A literatura infantil deve ser trabalhada
pelo professor com a intenção de favorecer a
aprendizagem, sendo apresentada de diversas
formas, envolvendo o aluno no contexto da
história e diversificando as atividades para assim
possibilitar o entendimento do aluno.
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