Curso de Pedagogia Estudo Bibliográfico A contação de história por meio da literatura infantil como uma influenciadora para o gosto pela leitura. The storytelling through children's literature as an influential for the love of reading. Greygby Magalhães Souza¹, Maria Luiza Dias de Alvarenga¹, Elizene Maria Caliman de Sousa². 1 Alunas do curso de pedagogia 2 Professora Mestre do curso de pedagogia RESUMO O presente artigo tem como propósito compreender como as ações pedagógicas pautadas na literatura infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental contribuem para o desenvolvimento das habilidades de leitura. O presente trabalho tem como objetivo principal investigar se literatura infantil influencia no gosto pela leitura nos anos iniciais do ensino fundamental e os específicos são: aprofundar os estudos sobre a importância da literatura nos anos iniciais e verificar se a literatura infantil é fator importante no processo de bons leitores. Como principais referenciais teóricos, foram utilizados Cunha (1993), Oliveira (2005), Zilbermann (1988), Abramovich (1994), entre outros. Para a pesquisa foi realizada uma abordagem metodológica de cunho qualitativo e como técnica de coleta de dados foi utilizada a pesquisa bibliográfica. A escolha do tema surgiu a partir de uma inquietação das pesquisadoras a respeito do gosto pela leitura, pois semelhança ou não, alguns adultos em completo, temos um mau relacionamento com os livros (particularmente os de literatura) por não terem sido trabalhados/contextualizados em nossa trajetória escolar. Palavras-chave: Literatura infantil; Alfabetização; Leitores. ABSTRACT This article aims to understand how the pedagogical actions based on children's literature in the early years of primary school contribute to the development of reading skills. This study aims to investigate whether children's literature influences the taste for reading in the early years of elementary school and the specific are: further study the importance of literature in the early years and verify that children's literature is an important factor in the process of good readers. The main theoretical references were used Cunha (1993), Oliveira (2005), Zilbermann (1988), Abramovich (1994), among others. For the survey was conducted a methodological approach of qualitative nature and as a data collection technique was used to literature. The choice of the subject arose from a concern of the researchers about the love of reading, because like it or not, we adults in full, we have a bad relationship with books (particularly literature) because they were not worked / contextualized in our school life. Keywords: Children's literature ; literacy ; Readers . Contato: [email protected] / [email protected] INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA A alfabetização é um processo no qual o indivíduo assimila o aprendizado do alfabeto e sua utilização como código de comunicação. Todavia, esse processo não se deve resumir apenas à aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do ato de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar e produzir conhecimento. A alfabetização envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso da linguagem de maneira geral. (PIMENTA, 2012) Sendo assim, para o ato da alfabetização ser completo, o indivíduo deve não somente ler, mas ter a capacidade de interpretar o que está lendo. A Alfabetização é um processo complexo ligado à construção do conhecimento. Atualmente, este conceito está sendo desdobrado aliado a outras áreas do conhecimento, por exemplo: Alfabetização Musical, Alfabetização Matemática, Alfabetização em Informática, além da sua origem que era para designar a aquisição da leitura e da escrita formal. Alfabetizar é um conceito amplo, portanto, torna-se fundamental compreender as várias concepções que o envolvem. Inicialmente, o ato de alfabetizar era considerado como um processo de decodificação, ou seja, que através de mecanismos repetitivos o aluno iria decorar os códigos, ou letras para simultaneamente ler e escrever. Atualmente, a alfabetização não é vista como algo desconexo do mundo, ela envolve um processo de construção de conhecimento, e carrega a pretensão de reconhecer os educandos como sujeitos autônomos, críticos na sociedade para serem sujeitos ativos, que possuam a competência de transformar a sociedade, para que seja mais justa igualitária e cidadã. (LORENZET; GIROTTO, 2010) Nesse sentido, compreende-se que o sujeito não deve ter somente um meio de aprendizado, mas sim procurar a sua própria autonomia de conhecimento. Segundo Ferreiro (1996) o desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças. De acordo com suas experiências com crianças, Ferreiro (1999) esquematiza uma proposta fundamental sobre o processo de alfabetização inicial: restituir à língua escrita seu caráter de objeto social; desde o inicio (inclusive na pré-escola), se aceita que todos na escola podem produzir e interpretar escritas, cada qual em seu nível. A iniciação da alfabetização deve acontecer de maneira espontânea e significativa para o mundo em que a criança está inserida, respeitando seu processo de aprendizagem. A educação infantil ao promover experiências significativas de aprendizagem da língua, por meio de um trabalho com a linguagem oral e escrita, se constitui em um dos espaços de ampliação das capacidades de comunicação e expressão e de acesso ao mundo letrado pelas crianças. Essa ampliação está relacionada ao desenvolvimento gradativo das capacidades associadas às quatro competências linguísticas básicas: falar, escutar, ler e escrever. (CRUVINEL; ALVES, 2013, apud MELLO; MILLER, 2008). Segundo Vygotski (2001), a escrita é uma representação de segunda ordem. Ela se constitui por um sistema de signos, palavras escritas que representam os sons e palavras da linguagem oral, que tem relação com o mundo real. (CRUVINEL; ALVES, 2013) Para Vygotski (2001), desde o início, a escrita precisa ser apresentada à criança como um instrumento que tem uma função social: a função de expressar ou comunicar, ideias e sentimentos, ou seja, é um equivoco pensar que o ensino dos aspectos técnicos da escrita para a criança permite-lhe aprender a escrever e ler conforme requer o uso da escrita nas diversas situações sociais em que é utilizada. (CRUVINEL; ALVES, 2013) Na educação infantil utilizamos a linguagem visual quando as crianças ilustram seu crachá para reconhecê-lo mais tarde e antes que aprendam a ler o próprio nome. É por meio da ilustração que as crianças reconhecem a regra que procuram seguir na vida diária da escola. (CRUVINEL; ALVES, 2013). Zilbermann (1985) afirma que, antes de aprender a ler, a criança conhece livros e outros materiais veiculados através da palavra escrita, o que pode estimular a aprendizagem da leitura. Ressalta a existência de livros dirigidos à fase em que a criança está alfabetizando. O primeiro contato da criança com um texto é feito oralmente através da voz da mãe, do pai ou dos avôs, contando contos de fadas, trechos da Bíblia, histórias inventadas, livros curtinhos, poemas sonoros e outros mais, são importantes para a formação de qualquer criança ouvir muitas histórias e escutá-las é o inicio da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo. (ABRAMOVICH, 1995). Por meio da literatura a criança conhece a sua cultura, e outras culturas que estão em sua volta. A leitura é de extrema importância por isso se deve estar sempre lendo para as crianças da educação infantil. (CRUVINEL; ALVES, 2013). As relações entre leitura e literatura nem sempre são analisadas, reavaliadas e praticadas como deveriam no contexto escolar. A leitura como atividade atrelada á consciência crítica do mundo, do contexto histórico - social em que o aluno está inserido - precisa ser mais praticado em sala de aula. O papel da escola é o de formar leitores críticos e autônomos capazes de desenvolver uma leitura crítica de mundo. Contudo, esta noção parece perder-se diante de outras concepções que ainda orientam as práticas escolares. (FLECK, apud SILVA, 2005). A literatura infantil desemboca no exercício de compreensão, sendo um ponto de partida para outros textos, pois com o passar do tempo, as crianças sentem necessidade de variar os temas de leitura uma vez que, a leitura é a forma mais sistematizada de elaboração da fantasia, passando a ter um nível mais elevado de cultura, estimulando a escolha e a crítica de certos textos. (PERUZZO, 2011). A função social da literatura é facilitar ao homem compreender – e, assim, emancipar-se dos dogmas que a sociedade lhe impõe. Isso é possível pela reflexão crítica e pelo questionamento proporcionado pela leitura. Se a sociedade buscar a formação de um novo homem, terá de se concentrar na infância para atingir esse objetivo. (CALDIN, 2003) Nesse sentido, pode-se dizer que o movimento da literatura infantil contemporânea, ao oferecer uma nova concepção de texto escrito aberto a múltiplas leituras, transforma a literatura para crianças em suporte para experimentação do mundo. Dessa maneira, as histórias contemporâneas, ao apresentarem as dúvidas da criança em relação ao mundo em que vive, abrem espaço para o questionamento e a reflexão, provenientes da leitura. (CALDIN, 2003) Por outro lado, os contos clássicos não impedem o raciocínio lógico, porque não embotam a inteligência da criança. Envolvem isto sim, o aguçar de sua sensibilidade artística e o equilibrar o sonho com o real. É um jogo estimulante – a criança sabe que o que está lendo não é verdade, mas finge acreditar – é a magia do imaginário, tão necessária ao desenvolvimento infantil. (CALDIN, 2003) É através da literatura que se manifesta todo o potencial criativo de que se pode ser portador o falante de uma língua. Na literatura as palavras funcionam como matéria-prima da criação artística nos seus mais diferentes gêneros. Quando escrevemos dispomos de maior tempo para refletir sobre a forma da mensagem que queremos transmitir. Poderíamos mesmo dizer que a escrita é um produto linguístico mais depurado. (FREITAS apud REGO, 1988). Constata-se, a partir das ideias apresentadas por Rego (1988) que, a literatura está presente em todo o lugar. No momento da escrita, a imaginação dos indivíduos flui e acaba construindo um mundo de ideias. O mesmo acontece com as crianças. Através de seus caracteres, rabiscos, desenhos, traços relatam suas mensagens. (FREITAS 2009). Os professores dos primeiros anos da escola fundamental devem trabalhar diariamente com a literatura, pois, esta se constitui em material indispensável que aflora a criatividade infantil e desperta a veia artística da criança. Nessa faixa etária, os livros de literatura devem ser oferecidos às crianças, através de uma espécie de coleção de sentimentos e emoções que favorecem a proliferação do gosto pela literatura, enquanto forma de lazer e diversão. (PEREIRA, 2007) A criança pode, com seu pensamento lúdico, favorecer a construção dos seus conhecimentos. A literatura infantil também é lúdica, é fantasia, questionamento e, sendo assim, ambos, criança e literatura, possuem afinidades que podem proporcionar ao professor e à criança benefícios no processo ensinoaprendizagem. Há um amplo campo da literatura a ser explorado pela criança. É pertinente que o professor faça com que isso aconteça. (HOLTZ; DAROS 2013) Os benefícios que as obras literárias proporcionam para o processo de ensinoaprendizagem e a formação do aluno-leitor, juntamente com a aplicação de um trabalho pedagógico bem elaborado, com práticas de letramento e uma biblioteca bem equipada e organizada, e ainda, com um trabalho em conjunto envolvendo toda a comunidade escolar, poderão ajudar na caminhada educativa do sujeito. (HOLTZ; DAROS 2013) O ideal da obra literária é fazer com que as crianças unam o entretenimento ao prazer da leitura, educando a sensibilidade, reunindo a arte das palavras e das imagens. Assim, a criança desenvolve a sua admiração, compreensão do ser humano e do mundo, entendimento dos problemas humanos, da sociedade e seus próprios, enriquecendo suas experiências escolares, cidadãs e pessoais, pois elas ainda estão num processo de formação de experiências reais. (HOLTZ; DAROS, 2013) A formação da criança leitora ainda é um dos desafios que se coloca para a educação brasileira e na prática de muitos professores, quando objetivam formar alunos leitores. (HOLTZ; DAROS, 2013) Desta forma, o objeto de pesquisa da literatura infantil, tem caráter bibliográfico exploratório, e vem discutir a seguinte questão: ações pedagógicas pautadas na literatura infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental contribuem para o desenvolvimento das habilidades de leitura? O objetivo principal deste artigo é investigar se literatura infantil influencia no gosto pela leitura nos anos iniciais do ensino fundamental, utilizando, para isso foi utilizada uma abordagem metodológica de cunho qualitativo, e como técnica de coleta de dados a pesquisa bibliográfica. Os objetivos específicos são: aprofundar os estudos sobre a importância da literatura infantil nos anos iniciais e também verificar se a literatura infantil é fator importante no desenvolvimento de bons leitores, nos periódicos, artigos e livros pesquisados. Conceituando Literatura Infantil A Literatura Infantil tem seu início através de Charles Perrault, clássico dos contos de Fadas, no século XVII... (embora esta só viesse encontrar o seu verdadeiro lugar com o advento da burguesia, entre os bem-nascidos, nos fins do século XVIII e início do século XIX... (CARVALHO, 1989) Antes disso, a criança, acompanhando a vida social do adulto, participava também de sua literatura. (CUNHA, 2006) No início do século XVIII a criança passa a ser vista não somente como mini adulto, e sim como um ser com necessidades de aprendizagem para se inserir na vida adulta. A atuação metodológica desta época tinha como finalidade alcançar o domínio total da criança por meio da manipulação, onde ela vinha a sentir-se impotente e dependente do adulto. Foi por meio do aspecto pedagógico que surgiram as principais publicações e disseminação dos textos destinados as crianças. Os autores das principais obras literárias escreviam com a intenção de transferir ideias de boa conduta, sempre com uma lição de moral. O aspecto meramente lúdico de um texto não justificava a publicação, apenas o critério de utilidade educativa legitimava a difusão de histórias infantis. (MAGALHÃES, 1987) A literatura infantil brasileira nasce no final do século XIX. Antes das últimas décadas dos oitocentos, a circulação de livros infantis era precária e irregular, representada principalmente por edições portuguesas. (ZILBERMAN, 2005) Cunha (2006) ressalta que, "com Monteiro Lobato é que tem início a verdadeira literatura infantil brasileira. Com uma obra diversificada quanto aos gêneros e orientação, cria esse autor uma literatura centralizada em algumas personagens, e percorrem e unificam seu universo ficcional... Ao lado de obras marcantes didáticas escreve Lobato outras de exploração folclore ou de pura imaginação, com ou sem reaproveitamento de elementos e personagens da literatura infantil tradicional. Segundo Arroyo (1990) emprega-se a expressão Literatura Infantil ao conjunto de publicações que em seu conteúdo tenham formas recreativas ou didáticas, ou ambas, e que sejam destinados ao público infantil. No entanto, especialistas que debruçam nesta área consideram esta conceituação um tanto restrita, haja vista que muito antes da existência de livros e revistas infantis, a literatura Infantil atuava na tradição oral, transmitindo a expressão da cultura de um povo de geração em geração. (PAIVA; OLIVEIRA, 2008). Coelho (1986) argumenta que literatura é arte, é um ato criativo que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem ao que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformado em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção. (TELES, 2013) Para Frantz (2001), “a literatura infantil é também ludismo, é fantasia, é questionamento, e dessa forma consegue ajudar a encontrar respostas para as inúmeras indagações do mundo infantil, enriquecendo no leitor a capacidade de percepção das coisas.” Segundo Cecília Meireles, Literatura Infantil não é aquela que é escrita para as crianças, mas aquela que as crianças gostam de ler.(SANCHEZ, 1999) Grandes nomes da literatura infantil refletem em seus escritos não só as preocupações do momento ou os problemas sociais da época, como também suas primeiras palavras oral ou escrita a que tiveram acesso. (SANCHEZ, 1999) A literatura infantil parece que em todos os lugares sofre com os concorrentes: TV, história em quadrinhos, falta de condições de editar livros, baixo poder aquisitivo das classes menos favorecidas e que na América Latina constituem a maioria da população, concorrência de inventos eletrônicos, como por exemplo, o "livro sonoro" etc. (SANCHEZ, 1999) Objetivo da Literatura Infantil O objetivo principal da literatura infantil, durante o século XVIII e meados do século XIX, foi a formação ética. As histórias podiam variar, mas a lição moral, no final, jamais era esquecida. (SANCHEZ, 1999) Como a publicação dos "Contos Populares Alemães", pelos irmãos Grimm (1826), abriu-se uma nova era para a literatura infantil. Foi assim, que surgiu uma nova evolução para a literatura infantil, também revolucionou com o Clássico "Alice no País da Maravilhas" de Lewis Carrol, que trouxe uma visão do surrealismo para as crianças. Um dos objetivos da literatura infantil é fornecer informações novas à criança que lhe propiciem segurança e flexibilidade na compreensão de situações que irá enfrentar em sua vida. A finalidade da literatura infantil não é estimular o consumo e tão pouco lançar-se na caça do mercado, seria ocupar uma função determinada na vida infantil e orientar sua formação. Para Sanchez (1999) um bom livro infantil, poderá atingir boa parte desses objetivos. Além de recrear, divertir, despertará na criança e no jovem o que eles trazem de melhor em si, fazendo brotar de dentro para fora o mundo maravilhoso, novo e eterno. O papel da literatura infantil não é somente ensinar as crianças a ler, é também dar oportunidade de serem bons leitores. Para assim estarem preparados para construir o conhecimento tendo prazer em ler mais. A literatura compreende um dos objetivos do PCN de língua portuguesa. [...] valorizar a leitura como fonte de informação, via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética, sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos. (BRASIL, 1997) Para que a criança adquira o hábito da leitura, é extremamente necessário e importante que ela tenha livros adequados à sua idade. Mesmo na era da televisão, quando incentivadas, as crianças lêem e com isso ganham mundos novos nos quais podem expandir sua imaginação. (SANCHEZ, 1999) A literatura Infantil, enriquecendo a imaginação da criança, vai oferece-lhe condições de liberação sadia, ensinando-lhe a libertar-se pelo espírito: levando-a a usar o raciocínio e a cultivar a liberdade. (CARVALHO, 1987) É com a literatura que a criança unirá o entretenimento ao prazer da leitura, construindo suas próprias ideias, agregando a arte das palavras e das imagens. Desenvolvendo assim sua capacidade de admiração, tendo assim entendimento do ser humano e do mundo. A Importância da literatura infantil nos anos iniciais A literatura infantil desemboca no exercício de compreensão, sendo um ponto de partida para outros textos, pois com o passar do tempo, as crianças sentem necessidade de variar os temas de literatura uma vez que, a leitura é a forma mais sistematizada de elaboração da fantasia, passando a ter um nível mais elevado de cultura, estimulando a escolha e a crítica de certos textos. Para chegar à situação de um constante desenvolvimento de uma cultura da leitura, é necessário uma conscientização da sua importância para a vida e para a formação de um povo, porque não há nação desenvolvida que não seja uma nação de leitores, como nos diz Monteiro Lobato. (PERUZZO, 2011) O livro é de suma importância para o primeiro contato com a criança, pois se deve tocá-lo, folheá-lo, onde se pode criar um contato mais íntimo. Através disso pode-se dizer que, começa o gosto pelos livros, compreendendo que ele torna-se parte do mundo apaixonante, onde esse mundo mostra-se por meio de letras, palavras, frases, mensagens e desenhos. A literatura infantil torna-se importante na formação social e pessoal do ser humano, pois aguça o fascínio e a atenção da criança, construindo nela outras ideias, imaginação, autonomia, compreensão de diferentes soluções de problemas e pensamentos críticos. É à literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias. Por isso a literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer, plenamente sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, alfabetizar-se nela, tornar-se seu usuário competente, mesmo que nunca vá escrever um livro: mas porque precisa ler muitos. (PAIVA; OLIVEIRA apud LAJOLO, 2008). Para Abramovich (1994) escutá-las é o início da aprendizagem para ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo. É ouvindo história que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve. Contar história para crianças sempre expressou um ato de linguagem de representação simbólica do real direcionado para a aquisição de modelos linguístico. (OLIVEIRA, 2005) O estímulo é um dos processos mais importantes para o desenvolvimento do gosto pela leitura assídua, tornando-se constante desde cedo e continuando pela vida, começando na relação familiar e se aperfeiçoando na escola. A imaginação bem motivada é uma fonte de libertação, com riqueza. É uma forma de conquista de liberdade, que produzirá bons frutos, como a terra agreste, que se aduba e enriquece, produz frutos sazonados. (CARVALHO, 1989) O conto infantil é uma chave mágica que abre as portas da inteligência e da sensibilidade da criança, para sua formação integral. (CARVALHO, 1989) É através da história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica. E ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula. ( ABRAMOVICH, 1994). A literatura infantil é, ao mesmo tempo, recreação e terapia, suporte de cultura e o mais importante elemento de comunicação; mas, sobretudo, um instrumento de diálogo entre a criança e o adulto. (CARVALHO, 1989) Carvalho ainda ressalta que, a literatura reflete sempre a sua época; por mais alienada que seja, reflete o clima em que foi escrita, os aspectos conjunturais traem qualquer literatura, e a literatura infantil não constitui exceção. Zilbermann (1994) argumenta o que segue, a literatura sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive cotidianamente. Para Pinto (apud RUFINO e GOMES, 1999) a Literatura Infantil tem um grande significado no desenvolvimento de crianças de diversas idades, onde se refletem situações emocionais, fantasias, curiosidades e enriquecimento do desenvolvimento perceptivo. Para ele a leitura de histórias influi em todos os aspectos da educação da criança: na afetividade: desperta a sensibilidade e o amor à leitura; na compreensão: desenvolve o automatismo da leitura rápida e a compreensão do texto; na inteligência: desenvolve a aprendizagem de termos e conceitos e a aprendizagem intelectual. Por meio de uma história inventada e de personagens que nunca existiram, é possível levantar e discutir, de modo prazeroso e lúdico, assuntos humanos relevantes, muitos deles, aliás, geralmente evitados pelo discurso didáticoinformativo – e mesmo pela ciência – justamente por serem considerados subjetivos, ambíguos e imensuráveis. (AZEVEDO, 2004) É por meio das histórias que as crianças criam uma relação real, compartilham detalhes, lembram os personagens ou acrescentam fatos que são esquecidos pelo contador. Histórias reais são essenciais para que a criança construa sua identidade e assimile suas relações familiares. Um fato importante também que se cria é a ligação afetiva estabelecida entre o contador e a criança. A literatura - Mitos, História, Contos, Poesias, qualquer que seja a sua forma de expressão, é uma das mais nobres conquistas da humanidade: a conquista do próprio homem! (CARVALHO, 1989) Para Carvalho tirar da criança o encanto da fantasia pela arte, particularmente a arte do desenho, da forma, das cores, e a literatura (que representa todas), é sufocar e suprimir toda a riqueza de seu mundo interior. (CARVALHO, 1989) O gosto pela leitura nos anos iniciais: a influência da literatura infantil. É durante a etapa dos anos iniciais do ensino fundamental que é construído um conjunto de conhecimentos para toda a vida da criança, tanto nos aspectos cognitivos, emocionais, afetivos, físicos e sociais de cada um, considerando que o ser humano é um ser completo e singular. Em vista disso, deve-se propiciar um ensino de linguagem oral e escrita, em que o aluno desenvolva e compreenda não só o que a escrita representa, mas também de que forma é representada graficamente a linguagem. É por meio da linguagem que o aluno amplia sua possibilidade de inserção e de participação nas diversas práticas sociais, que também contribuem para a formação do sujeito na sua interação com o outro, na construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. É na infância que acontece, para a maioria das crianças, os primeiros contatos com os livros e com a leitura. Nessa fase, o incentivo a leitura deve-se fundamentar em contextos significativos à criança e não em contextos isolados e descontextualizados. Porém, tal ensino deve partir das concepções iniciais que a criança constrói nas situações sociais de leitura fora da escola, e que lhe permitam pensar e perceber que a escrita lhe traz percepções significativas. Isso não significa que o leitor iniciante que está em processo de socialização e de racionalização da realidade, bem como o leitor em processo que representa o interesse pelo conhecimento das coisas, passando pelo leitor fluente, fase da consolidação da leitura e da compreensão, e do leitor crítico que é a fase total do domínio da leitura, mereça menos atenção. (PERUZZO, 2011) Na alfabetização é indispensável a presença de livros literários, uma vez que o contato com os livros possibilita um olhar para o mundo letrado, para assim apropriar-se das habilidades de leitura e escrita, pois a mesma ocupa grupos sociais diferentes, ampliando a curiosidade e possibilidade de se familiarizar. Tem-se como assertiva que a criança, ao realizar a leitura de textos literários, não passa apenas os olhos pela página impressa. Busca um sentido nas palavras, aventura-se no desvendamento do enigma do código escrito. (CALDIN, 2003) A leitura ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita. A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e ajuda em todas as disciplinas, já que o principal suporte para o aprendizado na escola é o livro didático. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras. O hábito da leitura aperfeiçoa o vocabulário favorecendo seu desenvolvimento e facilita sua compreensão de leitura. Sendo assim, cria através do mesmo um esquema de leitura, onde começa a produzir um maior entendimento intelectual que criamos a respeito da literatura infantil. Com a leitura literária concebe-se novos horizontes, dando ao leitor autonomia em seus conhecimentos e aprendizagens, atribuindo ao eu como ser social. Coelho (2000) apud Lima (2009) diz que "a literatura é antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e a sua possível / impossível realização [...]" Novos conhecimentos surgem por meio da leitura, assumindo autonomia de seu saber, contribuindo na concepção do seu eu, uma vez que desenvolve valências de seu aprendizado, produzindo novos saberes para sua vida, assim reconhecer-se como parte da sociedade. A alfabetização e a afetividade são duas ações que devem andar juntas, pois, é através de um adulto ou responsável pela criança, que ocorre a orientação e mediação do processo de alfabetização. E esse desenvolvimento deve decorrer por meio de amor, dedicação e interessantes métodos, aonde a criança venha a criar possibilidades de realizações como ser humano, nesse sentido a literatura auxilia como mediadora, onde ela cria sua história por meio de suas experiências vividas. Cunha (1974) afirma que, a literatura infantil influi e quer influir em todos os aspectos da educação do aluno. Assim, nas três áreas vitais do homem (atividade, inteligência e afetividade) em que a educação deve promover mudanças de comportamento, a Literatura Infantil tem meios de atuar. Segundo Jauss: "A função social da literatura só se faz manifesta na sua genuína possibilidade ali onde a experiência literária do leitor entra no horizonte de expectativas da prática de sua vida, pré-forma sua compreensão de mundo com isso repercute também em sua formação de comportamento social".(1999) Para incentivar a prática da leitura, deve-se levar em conta as preferências quanto a gênero, temas, tipologia textual, bem como as variáveis ambientais às quais o aluno está sujeito em sala, pois cada pessoa tem um tempo diferente para aprender. Sua história de vida não pode ser desprezada; logo, características do desenvolvimento humano em relação à aprendizagem estão atreladas às necessidades de pré-conhecimento por parte daqueles que pretendem incentivar seus alunos para a prática da leitura. (BAMBERGER, 2002) A originalidade dos textos para crianças advém do fato de que é a espécie de leitor que eles esperam atingir o que determina sua inclusão no gênero designado como literatura infantil. (ZILBERMAN, 1987) Para Sanchez (1999), os educadores sabem muito bem que os hábitos de leitura devem ser inculcados nos bancos de escola. É nesse período que a criança adquire o hábito da leitura. Uma biblioteca á disposição da criança e do jovem, e salas de leitura adequadas ao atendimento desses leitores, muito contribuiria para sanar o problema que parece dominar em todas as escolas. A leitura em nossa sociedade tem uma função primordial de despertar e proporcionar conhecimentos básicos, que venha a contribuir para a construção integral da vida do aluno em sociedade e para o exercício da cidadania. "Aprender a ler significa aprender a ler o mundo, e a função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, seguindo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta". (MARTINS, 1999) Sanchez ressalta que, a leitura é um ato solitário. E é esse hábito que pode enriquecer verdadeiramente o espírito jovem, em formação. Ela precisa conhecer-se, identificar-se, questionar-se. Bons livros colocados á disposição das crianças podem lhes proporcionar momentos de verdadeiro prazer, diversão, além de proporcionar-lhe o conhecimento subjetivo de um mundo que a TV por mais colorida e barulhenta, ou por ser colorida e barulhenta, não lhe transmite. Tal hábito não se pode formar, no entanto, como num passe de mágica. Faz-se necessário que o educador tenha bem presente qual é a verdadeira natureza da leitura e, consequentemente, quais os passos a serem desenvolvidos nessa direção. Com a leitura sistemática de bons livros, as crianças ganhariam com o conhecimento da linguagem pátria, aprenderiam a expressar seus pensamentos, pois teriam recursos para isso, com o enriquecimento do vocabulário, sem que isso venha a se constituir em pedantismo. E finalmente lhe dariam informações para poder entender muitos dos temas que são abordados pela TV e que requerem conhecimentos anteriores do telespectador. (SANCHEZ, 1999) Quem se relaciona permanentemente com livros faz mais associações, adquire um repertório maior de história, desenvolve a concentração, aprende a ouvir e aprimora as capacidades representativas e simbólicas por meio da escrita e das imagens. Metodologias pautadas na literatura infantil nos anos iniciais. Todos os educadores reclamam muito, atualmente, contra o crescente desinteresse dos estudantes de todos os graus pela leitura. Muitas e diferentes razões são apontadas para o fato: descuido familiar, decadência do ensino, excesso de facilidades na vida escolar, apelos sociais com muitas formas de diversão etc. etc. (CUNHA, 2006) Sendo assim o professor é um mediador na construção de formas e procedimentos que contribuem para a formação do desenvolvimento integral do seu aluno, mesmo para os que ainda não estejam em processo de alfabetização. Uma pesquisa realizada por Cunha (2006) em 1973, a respeito do gosto pela leitura, apontou que "entre televisão, cinema, música, teatro e esporte, a leitura ocupa sempre um dos dois últimos lugares, na preferência dos alunos". Não devemos culpar somente os meios de comunicação pelo fato de haver um desinteresse pela leitura, pois os mesmos também possuem sua finalidade, e têm-se ajustados com o novo modelo de sociedade existente, pois é sabido que um leitor constante não vai deixar seu hábito por interferência de outros meios. Sem dúvida, o desinteresse dos nossos alunos tem como uma das causas esse novo condicionamento, essa tranquilidade com que vamos, ano após ano, levando as crianças aos mesmos livros, as mesmas histórias, supondo sempre atividades iguais, para alunos iguais. (CUNHA, 2006) A literatura infantil segundo Abramovich é (1994), "uma das atividades mais fundantes, mais significativas, mais abrangentes e suscitadoras dentre tantas outras é a que decorre do ouvir uma boa história, quando bem contada [...] O primeiro contato da criança com a leitura, geralmente ocorre na escola, sendo assim primordial o incentivo à leitura contextualizada com a realidade da criança, fazendo com que ela se veja enquanto ser participativo do enredo, da temática trabalhada. (LEITE, 2014) Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo. (ABRAMOVICH, 1994) Nesse sentido a finalidade da literatura infantil é estabelecer uma união entre a leitura e a escrita. Segundo Borges apud Ferreiro (2001), "a escrita não é um produto escolar, mas sim, um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. Como objeto cultural, a escrita cumpre diferentes funções sociais e tem meios concretos de existência". A questão do ensino da literatura ou da leitura literária envolve, portanto, esse exercício de reconhecimento das singularidades e das propriedades compositivas que matizam um tipo particular de escrita. Com isso, é possível afastar uma série de equívocos que costumam estar presentes na escola em relação aos textos literários, ou seja, tratá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais, das receitas desgastadas do “prazer do texto”, etc. Postos de forma descontextualizada, tais procedimentos pouco ou nada contribuem para a formação de leitores capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os sentidos, a extensão e a profundidade das construções literárias. (BRASIL, 1997) São nos anos iniciais que essa construção deve ser incentivada pelo professor, sendo ele o mediador e condutor importante, aprimorando sempre o ritmo da aprendizagem de cada criança e buscando novas metodologias que contribuem com o aluno, sempre observando as dificuldades no processo de aprendizagem. É necessário que haja na escola um local amplo para aplicar essa prática pedagógica. [...] os professores deverão organizar a sua prática de forma a provocar em seus alunos: o interesse pela leitura de histórias; a familiaridade com a escrita por meio da participação em situações de contato cotidiano com os livros, revistas, historiais em quadrinhos; escutar textos lidos apreciando a leitura feita pelo professor; escolher os livros para ler e apreciar (BRASIL, 1998, vol.3,) As escolas devem estimular e possibilitar maneiras de contar histórias aos alunos disponibilizando o cantinho da leitura para assim incentivar o sujeito a ler, uma vez que não é responsabilidade somente do professor, como também da instituição, sendo assim a mesma deverá providenciar novas referências bibliográficas, enriquecendo e aguçando novos conhecimentos. É importante que o trabalho com o texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas da sala de aula, visto tratar-se de uma forma específica de conhecimento. Essa variável de constituição da experiência humana possui propriedades compositivas que devem ser mostradas, discutidas e consideradas quando se trata de ler as diferentes manifestações colocadas sob a rubrica geral de texto literário. (BRASIL, 1997) É importante que o educador aborde o conhecimento empírico que o aluno traz consigo, pois não é somente na escola que se inicia a aprendizagem da escrita e da linguagem, o próprio sujeito tem uma bagagem do mundo que o cerca. É na vida escolar que o aluno terá que enfrentar e superar dificuldades de leitura e compreensão. A literatura infantil contribuirá na formação de seus quadros referenciais, por meio de escolhas e informações adquiridas pelo manuseio dos livros. "O domínio da língua, oral e escrita, é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes lingüísticos, necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos".(BRASIL, 1997) Para contar história - seja qual for - é bom saber como se faz. Afinal, nela se descobre palavras novas se encontra em contato com a música e com a sonoridade das frases, dos nomes... Se capta o ritmo, a cadência do conto, fluindo como uma canção... Ou se brinca com a melodia dos versos, com acerto das rimas, com o jogo das palavras... Contar histórias é uma arte... é tão linda!!! É ela que equilibra o que é ouvido com o que é sentido, por isso não é nem remotamente declaração ou teatro... Ela é uso simples e harmônico da voz. (ABRAMOVICH, 1994) O professor pode inovar através da literatura para despertar o interesse do aluno, pois a educação quando está iniciando sob a visão da leitura, tem como objetivo despertar um mundo onde o indivíduo conseguirá buscar suas informações [...] (HOLTZ, 2013) Para aproveitar bem o texto lido, de acordo com Abramovich, "é bom que quem esteja contando crie todo um clima de envolvimento, de encanto... Que saiba dar as pausas criar os intervalos, respeitar o tempo para o imaginário de cada criança construir o seu cenário, visualizar seus monstros, criar seus dragões, adentrar pela casa, vestir sua princesa, e pensar na cara do padre, sentir o galope do cavalo, imaginar o tamanho do bandido e outras coisas mais [...] As pessoas geralmente entendem literatura como aquilo que está em livros e que tem caráter de história inventada ou de texto para ser declarado, com sons parecidos ao final das linhas (rimas). Em alguns ambientes profissionais, o termo literatura pode se referir aos livros que trazem textos de áreas profissionais específicas. Assim, por exemplo, fala-se em literatura médica ou jurídica em referência aos textos escritos sobre esses assuntos. Aqui neste estudo a literatura será entendida como aquela que se relaciona direta e exclusivamente com a arte da palavra, com a estética e com o imaginário. (HOLTZ apud COSTA, 2007). A literatura não é cópia do real, nem puro exercício de linguagem, tampouco mera fantasia que se asilou dos sentidos do mundo e da história dos homens. Se tomada como uma maneira particular de compor o conhecimento, é necessário reconhecer que sua relação com o real é indireta [...] (BRASIL, 1997) Considerações finais Pode-se concluir, por meio desta pesquisa que as ações pedagógicas pautadas na literatura infantil, nos anos iniciais do ensino fundamental contribuem para o desenvolvimento das habilidades de leitura, uma vez que a literatura infantil é um instrumento norteador fundamental no processo inicial pelo gosto da leitura, em que o sujeito que tem contato direto com obras literárias, desde cedo, seja ouvindo ou lendo, desenvolverá um vocabulário mais agradável e positivo de leitura, gerando um processo de constante estimulação. Processo esse que necessita da contribuição de agentes como, família, educadores, escola, meios sociais, entre outros. Criando condições necessárias para o processo do hábito de leitura, incluindo oportunidades de acesso aos diversos meios estimulantes como, feiras literárias, bibliotecas e livrarias, pois os mesmos favorecem o interesse pela leitura. A literatura infantil vai além da contação de histórias, ela envolve e contribui na vida direta do sujeito, socializando-se com as ideias dos autores e modificando sua forma de agir. É fundamental analisar com as crianças suas preferências de literatura, para assim agrupar as obras de acordo com a relevância do leitor. Verificamos que com a contextualização da literatura desperta e colabora na construção intelectual, afetiva e emotiva da criança, possibilitando um momento prazeroso transformando seu interior. Como diz Abramovich (1994), "ler histórias para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com situações vividas pelos personagens, com a ideia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento [...]" Com o intuito de favorecer o desenvolvimento pelo gosto da leitura, é que se percebe a importância da literatura infantil nos anos iniciais, que por meio dela que o aluno se apropria gradativamente de um universo de magia, sendo ouvinte, escritor e leitor. A literatura infantil auxilia o professor a encontrar métodos que favoreçam a formação do aluno, tendo como finalidade firmar relações entre a relação e escrita. Ela desperta diferentes emoções favorecendo a formação de indivíduos criativos e pensantes, para assim compreender o mundo ao qual está inserido. É primordial que os educadores e as instituições dêem uma maior atenção sobre a função e a importância da literatura infantil, tendo em vista a construção da formação do bom leitor e ao desenvolvimento da aprendizagem durante os anos iniciais. O educador deve ser um leitor assíduo, para assim compreender o processo da construção da leitura infantil e estimular o gosto pela leitura em seus alunos, utilizando uma abordagem contextualizada com os interesses de cada um. O docente que presenteia porções de jornadas de leituras encantadoras, sem complicar, mas com procedência, desenvolverá no novo leitor uma prática que o acompanhará durante toda sua vida. O papel do professor é de fundamental importância na aprendizagem do aluno, e é nesta faixa etária que requer mais estímulos, por meios de métodos que favoreçam o entendimento da criança tornando agradável seu desenvolvimento e aprendizagem. Através da leitura é possível adquirir novos conhecimentos, buscar novos horizontes e despertar o imaginário. O hábito de ler não depende somente do estímulo do professor, a escola também deve contribuir, criando ambientes de leitura e projetos voltados para o desenvolvimento do aluno leitor. A escola deve ser um incentivador do trabalho com a literatura infantil, buscando novas bibliografias, realizando projetos literários e proporcionando condições necessárias para prática de leitura, uma vez que é na escola que o aluno inicia sua aprendizagem da linguagem e escrita. O estímulo à leitura deve ocorrer não somente na sala de aula, como também no contexto familiar, uma vez que a família é a base para a formação do ser humano. Segundo Vygotsky (2007) a criança aprende e se desenvolve com o meio em que está inserido, caso não haja interesse pelos pais, os filhos também terão dificuldades em despertar interesse pelos livros. A literatura infantil deve ser trabalhada pelo professor com a intenção de favorecer a aprendizagem, sendo apresentada de diversas formas, envolvendo o aluno no contexto da história e diversificando as atividades para assim possibilitar o entendimento do aluno. Referencia Bibliográfica 1- ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1994. 2- AGUIAR, T. de Vera. Literatura: a formação do leitor, alternativas metodológicas. 2. Ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993. 3- AZEVEDO, Ricardo. Formação de leitores e razões para a literatura. São Paulo DCL, 2004. 4- BAMBERGUER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. Ática, 7º ed. São Paulo, 2002. 5- BOLETIM GEPEM. Paraná, 2013. HOLTZ, Janice Maria; DAROS, Thuinie Medeiros Vilela. As contribuições da literatura infantil para a formação da criança leitora. IV Congresso Internacional de Educação. Faculdade União das Américas–Uniamérica. Foz do Iguaçu, 2013. 6- BRASIL. 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