Acesp
Revista da
ACESP
Associação dos Canais Comunitários
do Estado de São Paulo
Ano I - Edição I - Set/Out - 2010
www.acesptv.com.br
A cidadania em notícia
SOCIEDADE
PODEROSA
O que uma endade civil organizada
pode fazer pela democracia?
SESCON-SP e os basdores das lutas
pelo empreendedorismo
José Maria Chapina Alcazar
presidente do SESCON-SP
Carta Aberta
EXPEDIENTE
O
s Canais Comunitários, agora, contam com mais um veículo de comunicação: a Revista da ACESP. A publicação tem como objetivo falar
sobre tudo o que envolve Comunicação Comunitária e Terceiro-Setor. Chamamos isso de “cidadania em notícia”.
Nas páginas que seguem, o leitor vai poder conhecer mais sobre os trabalhos desenvolvidos por essas emissoras cidadãs distribuídas pelo Estado de
São Paulo. Assim, conseguimos dar maior visibilidade a realizações importantes que dificilmente seriam pautadas pela mídia comercial.
Um exemplo é o belíssimo trabalho do Canal Comunitário de Rio Claro,
a TV Cidade Livre-SP, como Ponto de Cultura local. O desempenho está
relatado nesta edição. Outro exemplo: por meio desta revista, jogamos luz
sobre a forte atuação da TV Polo, de Cubatão, em mostrar os avanços ambientais da cidade.
O surgimento deste novo canal de informações é fruto de muita organização e planejamento. Desde 2009 a ACESP começou a inserir em suas
atividades princípios da comunicação organizacional. A técnica em nada
tem a ver com a mera construção de discursos. Se assim fosse, esta revista,
juntamente com todo o investimento aplicado nela, sequer existiriam.
O que se tem feito é pensar a maior entidade de Canais Comunitários do
país como uma indispensável fonte de informação. Trabalhar essa vocação
tem sido nossa obsessão, porque acreditamos que nosso papel de organizar
e apoiar as TVs Comunitárias traz inerente a si toda uma série de fatos
importantes que não seriam revelados por outros noticiários. Assim, a Associação acaba trabalhando sempre com o intuito de registrar, arquivar e
disseminar tudo que envolve a causa Comunitária.
A ACESP tem obrigação de ser transparente com o associado. E faz isso
há dez anos, desde sua fundação. O que acrescentamos de um ano para cá é
o compromisso de fazer com que o cidadão também possa, a qualquer momento, saber tudo a respeito das Emissoras Comunitárias, os verdadeiros
canais da cidadania.
Por isso mesmo, estreamos há tempos um site, o www.acesptv.com.br,
que é uma central de notícias sobre a atividade de nossos associados e parceiros. E aguarde: novidades na área da web serão apresentadas em breve.
FERNANDO MAURO DI MARZO TREZZA
presidente
MARCEL HOLLENDER
1º vice-presidente
ADEMIR MARQUES
2º vice-presidente
MIGUEL CORTES
3º vice-presidente
CLEBER BEZERRA DA SILVA
secretário
RENATO GOMES DANTAS DE ANDRADE
1º tesoureiro
LUIZ GUSTAVO ABRAHÃO PACCES
2º tesoureiro
WILLIAM MARTIN NETO
coordenador administrativo
WILSON VIEIRA
coordenador de marketing
ANDRÉ PACCES
coordenador jurídico
PAULO CONTIM
coordenador de relações públicas
WALTER CIGLIONI
coordenador de programação
DAVI JACKES ADISSI
coordenador de rede
FABIO RENATO AMARO DA SILVA
1º coordenador de relações governamentais
CLEMENTE DE SOUZA LENE
2º coordenador de relações governamentais
MARCELO ANDRÉ PARREIRA DE
OLIVEIRA
coordenador cultural
FERNANDO CARVALHO
coordenador de relações institucionais
ARNALDO A. YANSEN
coordenador de projetos
LILIA MARIA REGINATO GALANA
coordenadora de tecnologia
RODNEY AGOSTINHO
coordenador de planejamento
ANTONIO DA SILVA DIAS
1º conselheiro fiscal
MIGUEL CATAN NETO
2º conselheiro fiscal
NATAL LEO
3º conselheiro fiscal
REDAÇÃO
FERNANDO MAURO DI MARZO TREZZA
Direção
FERNANDO MAURO TREZZA
presidente da ACESP, que reúne os Canais
Comunitários do Estado de São Paulo.
É um dos fundadores da ABCCOM,
que representa os Canais Comunitários do
Brasil, foi o seu primero presidente e
é o atual diretor de relações institucionais.
FÁBIO PEREIRA
Jornalista Responsável
(MTb 44.167)
FÁBIA ZUANETTI
Criação Gráfica e Diagramação
MARCIO MELLO
Redação
www.acesptv.com.br
00
%3.)74WEHE
EVIZMWXE%')74
&&",2""&0&(&',"&'"
2"("&/"!, !'""#% %"!/ %"%)&'
.%2"!"% ')"
&&",2""&!&" (!
'+%"&"&'"2"("
!'('#/(! $(
%#%&!' &$(%!' &%)"%&""%(+
%"#(&'' "!%&%( &&&"&
!'% &(%"#%"% %(!(+%$(
)"%'"&&&(!&%&1&#
*IVRERHS1EYVSJEPEES8VMFYRE
O Programa Tribuna Judiciária é o elo que nos une à
ACESP. Nossa missão é produzir um tipo de programação, que ao contrário das grandes redes de televisão,
não tenha suas finalidades regidas pelos interesses do
lucro. Somos um provedor de informações para aqueles
que, historicamente, foram privados do direito de participar como emissores ativos de conteúdos por meio deste
meio de comunicação de massa que é a televisão.
Privilegiamos as demandas dos servidores públicos do
Judiciário e enfatizamos os temas voltados para a cidadania e a justiça. Nos orgulhamos de que o Programa
Tribuna Judiciária tenha recebido da ACESP o prêmio
“Cidadania Áudio Visual Terceiro Setor”.
Yvone Barreiros Moreira - presidente da AOJESP
)RXVIZMWXEGSQSGSVVIKIHSV
KIVEPHS'2.QMRMWXVS+MPWSR(MTT
'SFIVXYVEHEWEWWIQFPqMEWKIVEMWHSW
WIVZMHSVIWHSNYHMGMjVMSKVIZI
-RJSVQEpnSIWTIGMEPM^EHE
TVSJIWWSV;EKRIV&EPIVE
4VSJ%^M^%F´7EFIVTVIQMEHS
RE*YRHEpnS'SRVEHS;IWWIP
)RXVIZMWXEGSQSTVSJIWWSV
INYVMWXE(EPQSHI%FVIY(EPEVM
'SQSTVIWMHIRXI
HS78*1EVGS
%YVqPMSHI1IPPS
*SXSWEVUYMZS%3.)74
(IRYRGMERHSEWGSRHMp~IWHSW
uRHMSWKYEVERMWIQ4EVIPLIMVSW74
&'"&'
***"&#"%%
)'"%
#%"% ,2""%(!
(+%&&&'"&
)-"&"&#%"% &
+#%&!'"&
EDIÇÃO I
ANO I
Set/Out - 2010
ÍNDICE
Pág. 06 CAPA
CONTADOR DE NÚMEROS E LUTAS
José Maria Chapina Alcazar, do SESCON-SP
09
PARCERIA
10
PLANOS DE MÍDIA
CONTRATO COM O ITAÚ CULTURAL É ASSINADO MAIS UMA VEZ
UMA VITÓRIA, MUITOS PAIS
12
TV CELA
14
16 FALA, PRESIDENTE
CARAVANAS COMUNITÁRIAS
ITINERANTES DA COMUNICAÇÃO
A TV ATRÁS DAS GRADES
CLEBER BEZERRA
TV Vale das Artes
17 EMISSORAS ASSOCIADAS
SAIBA ONDE ESTÁ A TV COMUNITÁRIA MAIS
PRÓXIMA DE VOCÊ
18
TV CRÔNICA
A INTERNET VAI VIRAR TV
Capa
Contador de números e lutas
Por Fábio Pereira
D
ia desses, em uma sala de espera o presidente do SESCON-SP, José Maria
Chapina Alcazar, folheava uma revista para o tempo passar. Quando atentou
para o ano da publicação – editada pela FIESP – surpreendeu-se: o título datava
de 20 anos atrás.
Chapina, como é conhecido, teve a repentina sensação de que o tempo naquele
instante passou a correr rapidamente, mas não para frente, como desejava. O rumo
das horas parecia retroceder. E foi nesse momento em que o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento,
Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo, líder de 62 segmentos
econômicos, começou a refletir.
Observou ele que as demandas da sociedade não mudaram muito de lá para cá.
“Os apelos são iguais. Menos carga tributária, menos burocracia, zero de corrupção na política e mais geração de emprego”. E para exemplificar a falta de avanço,
foi mais longe em sua viagem ao passado. Ele lembrou de uma Grécia bem longínqua, então famosa pelos ritos democráticos e não pela avalanche de dívidas neste
século XXI. “Se você olhar a História grega, vai ver que corrupção e imposto
eram temas debatidos”.
Com exclusividade para Revista da ACESP, Chapina também tratou da união
da sociedade civil organizada e até passou a receita para que vitórias como as
conquistadas sobre a CPMF e MP 232 voltem a acontecer em outras áreas. Além
disso, falou da importância da causa das TVs Comunitárias, emissoras que julga
essenciais para a democracia na informação.
Ao final, contou orgulhoso sobre uma das maiores - literalmente - conquistas do
SESCON-SP. Sua administração está a todo o vapor tocando as obras de ampliação da nova sede. O novo prédio que está sendo erguido vai somar mais 8 mil metros quadrados ao edifício atual, que conta com mais de 5 mil metros quadrados de
área à disposição dos associados. Acompanhe os principais trechos da conversa.
Você é um empresário do setor contábil.
Como é que começou o desejo de fazer
algo mais pela classe?
Pela gratidão. A minha vida foi pautada
na contabilidade. Não fiz outra coisa a não
ser trabalhar nesta profissão, desde os 14
anos de idade. Eu conheci minha esposa
neste ramo. A Kátia era mecanógrafa. Nos
conhecemos, namoramos, noivamos, casamos e ela me deu três filhos maravilhosos.
Ou seja, a profissão contábil me deu tudo
na vida. Então, quando atingi um grau de
maturidade eu entrei nas entidades representativas do setor. Eu tinha, mais ou menos 26 anos de profissão. Atualmente, estou
completando pouco mais de 40 anos.
E o que é necessário para manter o estímulo de lutar pela classe?
Para fazer o que nós estamos fazendo aqui é
preciso ter amor. Você não é remunerado e
ainda ainda põe dinheiro do seu bolso. Você
acaba fazendo muitos amigos e tem bastante
visibilidade. Isso até traz algum retorno de futuros clientes que poderão se interessar, mas é
um trabalho voluntário de toda a diretoria.
E a sociedade, o que ganha com o traba06
www.acesptv.com.br
lho do SESCON-SP?
O SESCON-SP representa 62 segmentos
econômicos e nossos antecessores já tinham
criado o Fórum Permanente do Empreendedorismo. Então já existia essa visão de que
algo deveria ser feito para a sociedade. Mas
nós trabalhamos com isso tendo um pouquinho mais de ênfase, com mais prioridade nesses assuntos da sociedade. Aí, junto
com o Fórum, FIESP, CIESP, Associação
Comercial, FACESP, Fecomércio, OAB, e
tantas outras entidades que são parceiras,
houve uma união muito forte e o SESCONSP acaba sempre estando à frente dessas
mobilizações por conta do conhecimento
tributário. A gente lida com a burocracia
do empreendedorismo e acaba abastecendo
as discussões. A questão da CPFM foi uma
mobilização que deu certo, as entidades todas se agregaram. É uma consequência de
todo esse trabalho a sociedade ganhar.
Essa união é algo que tem sido constante
ou ocorre apenas esporadicamente?
Infelizmente, essa união tem ocorrido apenas pela dor. Ela poderia ser uma união um
pouquinho mais permanente. Nós tivemos
casos lá atrás como a MP 232, que também
“Os empreendedores perceberam que a
união em uma
única voz é o
caminho. Não
importa quem
é o líder do
movimento”
foi uma medida provisória que veio com
a intenção de aumentar a carga tributária
do setor de serviços. Houve uma grande
mobilização que se iniciou aqui nesta casa
do SESCON-SP com 30 ou 40 entidade e
terminamos o movimento com 1600 entidades. Com a luta contra a CPMF, os empreendedores perceberam que o canal da
união em uma única voz é o caminho. Não
importa quem é o líder daquele movimento. Por exemplo: na MP 232, nós ficamos
como secretários da mobilização e tivemos
o grande líder Guilherme Afif Domingos.
Na CPFM, nós também ficamos como secretários e tivemos na liderança o grande
Paulo Skaf.
O que pode azedar essas uniões, que são
tão importantes para a sociedade?
O que falta às vezes é um pouquinho de humildade. A vaidade pode atrapalhar a união,
porque começa a ter um pouco de ciumeira.
A gente tem que ver se o foco está sendo
atingido. Deixe alguém sair na foto. O importante é conseguir o resultado final. Mas
uma coisa é certa: quando há necessidade,
há o empenho de todos.
Divulgação
www.acesptv.com.br
07
Capa
“Inibir o crescimento dos Canais Comunitários,
impedindo que eles tenham relações econômicas, não tem muito sendo”
Em 1949, o sindicato que o senhor preside surgiu como Associação Profissional
das Empresas de Serviços Contábeis de
São Paulo. De lá para cá, as demandas
sociais mudaram?
Outro dia, eu estava na empresa de um
cliente meu e na recepção tinha uma revista
com nada mais nada menos que 20 anos.
Por sinal, era uma revista da FIESP. Eu comecei a folhear a revista e os apelos eram
os mesmos que os de hoje. Menos carga
tributária, menos burocracia, zero de corrupção na política e mais geração de emprego. Hoje, vivemos com maior grandeza,
ou seja, os números são maiores que os de
1949, devido ao volume da população, mas
acho que aquilo que está se discutindo e
o discurso são os mesmos. Logicamente,
houve evoluções, mas com o aumento do
tamanho de cidades, de Estados, os problemas aumentaram. Se você olhar a História
grega também vai ver que corrupção e imposto eram temas debatidos. Agora, para
apontar algo diferente entre 1949 e 2010
acho que era o ar, a vida. Nós não tínhamos
essa poluição. A consciência ambiental está
também mais apurada.
O avanço da tecnologia pode diminuir a
importância do profissional da contabilidade?
Há um certo paradigma que a máquina vai
substituir a nossa profissão. Outro dia, um
presidente de uma software house grande
teve a infelicidade de declarar na mídia que
os sistemas de gestão irão substituir a profissão contábil. Esse foi um grande engano,
porque essa profissão jamais será substituída. O que está acontecendo com nossa profissão é o resgate do intelectual dela. Porque
em 1949 nós tínhamos o guarda-livros, que
era um homem de confiança do presidente de companhia. Então, ele utilizava seu
intelectual para assessorar, orientar. Com
a evolução de um Estado totalmente controlador e com a ânsia de arrecadar foram
sendo criadas obrigações e mais obrigações. Senso assim, o contabilista se tornou
um agente entre governo e contribuinte, só
que sem valor agregado. Ele se tornou um
tarefeiro. A contabilidade deixou de ser utilizada como meio estratégico. Ela começou
a ser utilizada somente como meio fiscal.
Com o avanço tecnológico, o contador deixa de ter aquele trabalho braçal, tarefeiro e
volta a ter o valor intelectual. Não haverá
08
www.acesptv.com.br
trabalho de gestão, ou peça orçamentária,
ou peça contábil que não deva ser interpretada por um especialista em contas, que é o
contador. Então, o avanço da tecnologia vai
valorizar muito a nossa classe.
Esse resgate do valor intelectual é uma
justificativa para que a entidade presidida pelo senhor invista na Unisescon?
Com certeza. O SESCON-SP está priorizando sempre a devolução do dinheiro que
ele recebe por meio do imposto sindical
em prestação de serviços ao associado. A
Unisescon, que á a universidade corporativa, é um projeto que busca a educação
continuada dessa profissão que hoje está
precisando de muita capacitação técnica.
O profissional de contabilidade que não
dedicar seu tempo ao estudo, ao aperfeiçoamento, não vai conseguir que os números
se transformem em planejamento estratégico. Dentro da Unisescon nós temos um
projeto chamado SESCON Solidário, que
é um meio de capacitar o jovem para o
primeiro emprego. Na Unisescon, esse jovem tem acesso às aulas gratuitamente e
também recebe, sem pagar nada, alimentação e condução. Os encaminhamentos
são feitos por entidades parceiras.
Como você tem visto a luta dos Canais
Comunitários?
Eu tenho acompanhado muito a luta dos
Canais Comunitários. Muitas vezes, em
Brasília, eu tenho encontrado o Fernando
Mauro defendendo a regulamentação da
ida das emissoras comunitárias para a TV
digital aberta. Eu acho que nós precisamos
democratizar os meios de comunicação.
Inibir o crescimento dos Canais Comunitários, impedindo que eles tenham relações
econômicas, não tem muito sentido. Por
que não permitir que um Canal Comunitário também possa vender o seu espaço,
vender os seus anúncios, para ampliar a sua
rede? Isso é democracia na informação. As
grandes redes não precisam temer essa concorrência, porque ela é muito salutar.
Por que muitas entidades da sociedade
civil desfrutam de maior credibilidade
junto à população se comparada com
certos representantes políticos eleitos?
Acredito que isso acontece também por conta do poder da comunicação dessas entidades, pela força de formar opinião e intervir
no Congresso. Quando você une uma OAB,
uma Associação Comercial, Fecomércio,
FIESP, SESCON-SP, essas entidades que
lideram, que são as intermediárias, elas representam efetivamente uma sociedade com
força e com poder. E quando você vai ao
Congresso essa força faz acontecer, como
fez acontecer na CPMF e tantas outras coisas. Recentemente, o Pacto da República
teve uma recuada muito grande. Os apelos
dessa mobilização das entidades estão sendo ouvidos. O que a gente tem que tomar
muito cuidado é com o seguinte: não dar a
essas entidades a conotação partidária. Caso
contrário, a gente perderá credibilidade.
OAB, Associação Comercial,
Fecomércio, FIESP,
SESCON-SP, essas endades que
lideram, representam efevamente uma sociedade
com força e com poder
Parceria
7
Foto: Marcio Mello
vezes
Esta é a quandade de ocasiões
em que a ACESP fechou parceria
com o Itaú Cultural; em 2010,
aconteceu de novo
P
arceria entre os Canais Comunitários paulistas e o Instituto Itaú
Cultural foi renovada. O contrato tem
validade de três anos. Na ocasião, estiveram presentes diretores acespianos e
também Eduardo Saron, superintendente de atividades culturais do Itaú Cultural e Renata Linhares, responsável pelas relações institucionais da entidade
parceira da ACESP.
Pelo acordo, os canais associados da
ACESP poderão, deliberadamente, exibir os conteúdos audiovisuais produzidos pelo instituto. Em contrapartida, o
Itaú Cultural subvencionará passagens
aéreas e hospedagens a acespianos para
que participem de encontros da entidade comunitária.
“O cidadão pode se enxergar no Canal
Comunitário e isso é fundamental. Nós
acreditamos na associação das TVs comunitárias aqui de São Paulo”, elogiou
Saron. Para Fernando Mauro Trezza,
presidente da ACESP e um dos que iniciaram a parceria há anos, os vídeos do
Itaú Cultural sempre estiveram próximos das emissoras comunitárias.
“Os programas do Itaú Cultural são os
mais escolhidos [para ser exibido nas
TVs Comunitárias], juntamente com
outros parceiros como Sebrae Nacional
e TV Senado. Isso porque a linguagem
dos programas do Itaú Cultural tem
muito a ver com a linguagem dos Canais Comunitários”, afirmou Trezza.
Participação: Diretores
acespianos compareceram em
peso à renovação da parceria; TV Osasco fez cobertura
e vídeo foi exibido em todo o
Estado de São Paulo
O Instituto Itaú Cultural é voltado para o incentivo e a difusão de manifestações artísticointelectuais. Seu fundador,
Olavo Setúbal, já na década de
1980, apontava a importância
da linguagem audiovisual para
o ensino.
Hoje, o Itaú Cultural é exemplo na produção de vídeos que valorizam a
cultura brasileira e ensinam o público sobre a diversidade nacional.
Além disso, a entidade acredita em parcerias com instituições públicas, da
iniciativa privada e da sociedade civil. O objetivo é democratizar o acesso
à cultura, promover o intercâmbio entre agentes culturais e difundir os
conteúdos audiovisuais, dentro e fora do Brasil.
A qualidade dos materiais produzidos e o sucesso junto ao público têm
demonstrado que a receita está dando certo.
www.acesptv.com.br
09
Planos de Mídia
Uma vitória, muitos pais
Canais Comunitários já veiculam propaganda
instucional do Governo Federal; entendimento com
o Execuvo paulista também foi feito
O
ex-presidente americano John Kennedy afirmou certa vez que a vitória tem
mil pais e a derrota é órfã. Ele disse isso
certo de que quando algo tem bom resultado, muitos vão querer reivindicar a paternidade exclusiva. No caso das TVs Comunitárias no Brasil, isso não acontece.
A união em torno das duas grandes entidades representativas do setor, a ABCcom e a ACESP, fizeram os gestores dos
canais se acostumarem a lamentar derrotas juntos e também a comemorar unidos.
Foi o que aconteceu com a inclusão dos
canais comunitários no Plano de Mídia
Federal. Uma vitória concretizada e comemorada coletivamente.
Tanto a ABCcom como a ACESP batalharam durante anos por essa inclusão legítima, que foi anunciada no final de 2009.
Pouco tempo antes, a Advocacia Geral da
União (AGU) publicou entendimento favorável à causa comunitária. Na época, a
AGU era comandada pelo hoje ministro do
Supremo Tribunal Federal, José Antonio
10
www.acesptv.com.br
Sempre plural
“Nós achamos que quem pode mais, pode
menos e aí fomos ao Governo Estadual
paulista solicitar o mesmo entendimento”,
afirmou Fernando Mauro Trezza, presidente da ACESP e diretor de relações institucionais da ABCcom. “Essa conquista é de
todos nós, ABCcom e ACESP. A vitória tem
a mão do Didi [pres. da ABCcom], do Pau-
lo Miranda [vice-presidente da ABCcom],
do Renato Gomes [tesoureiro da ACESP] e
de tantos outros que sempre estiveram juntos como irmãos na luta comunitária. Os
canais associados da ACESP e ABCcom
estão de parabéns”, completou Trezza.
Em 2010, os Canais Comunitários começaram a receber institucionais em vídeo do Governo Federal para veiculação.
A Secretaria de Comunicação do Governo
paulista já se demonstrou também favorável ao pleito e já iniciou o cadastramento dos associados à ACESP. Isso ocorreu
depois que a entidade representativa das
emissoras comunitárias paulistas levou comitiva com vários diretores ao Palácio dos
Bandeirantes no início deste ano. “Nossa
união só tem fortalecido a ACESP e, assim,
registramos uma conquista atrás da outra”,
afirmou Trezza.
Nos Canais Comunitários é assim: a
pluralidade de ações e ideias sempre partem do coletivo. A sociedade inteira ganha com isso.
Foto: Fábio Pereira
Em São Paulo:
TV V, de Votorantim, e TV Osasco
registram visita da
ACESP ao Palácio
dos Bandeirantes,
sede do Governo
paulista, para pleitear propagandas
institucionais
Dias Toffoli. Sua cidade natal é Marília e,
lá, o magistrado pôde conhecer o dedicado trabalho da TV Comunitária local (15
NET), que é filiada à ACESP e à ABCcom.
Seu presidente é Ademir Marques.
Após o entendimento favorável, o Ministério das Comunicações, sob a liderança
do então ministro Helio Costa, publicou,
apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, o parecer 2181-5.03/2009 reconhecendo o direito dos Canais Comunitários veicularem propaganda institucional
do Governo Federal.
Palavras de Paz recebe prêmio de melhor programa televisivo
O programa Palavras de Paz (Words of Peace) recebeu mais um prêmio televisivo. Trata-se do 1º prêmio do
“Publieksfavoriet Televisie” (Escolha do Público para Melhor Programa Televisivo) da competição ‘SALTO Awards 2009’, Amsterdã, Holanda.
P
ALAVRAS DE PAZ mostra trechos das palestras que Prem
Rawat, conhecido como Maharaji,
realiza em todo o mundo para transmitir sua perspectiva única sobre a
vida, tendo já recebido inúmeros
prêmios da crítica internacional ao
longo dos anos. O enfoque humano endereçado a cada pessoa tem
proporcionado uma boa receptividade da mídia em geral e dos telespectadores.
O programa foi criado em 2002
por Prem Rawat, que desde criança desenvolve no mundo um trabalho contínuo pela paz. Ele tem
transmitido sua mensagem em diversas universidades americanas e
européias, centros de cultura, centros de convenções e incontáveis
eventos, realizados em muitos lugares do planeta, para platéias que
reúnem todos os tipos de indivíduos. Mesmo com o aumento de sua
audiência, a mensagem de Prem
Rawat permanece dirigida a cada
pessoa: “Se você está procurando
por plenitude e paz”, ele diz, “a solução está dentro. Se é isso o que
você quer, posso ajudá-lo.”
Traduzido para vários idiomas, Palavras de Paz é exibido nos Estados Unidos, Canadá, África do Sul,
Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Reino
Unido, Holanda, Suécia, Itália, Espanha e em países da América Latina, entre eles, o Brasil, atingindo
uma audiência mundial de milhões
de pessoas.
Além de veiculada pela TV, essa
mensagem de paz é propagada por
vídeos, áudios, impressos, músicas,
outras expressões artísticas, fóruns
públicos e pela literatura. Para pro-
cidades brasileiras.
duzir todo esse material, Prem Rawat instituiu a Fundação Prem Rawat, que promove sua mensagem e
iniciativas humanitárias importantes
em todo o mundo.
Todos esses materiais, que expressam uma Cultura da Paz Interior, são disponibilizados por voluntários que, aqui no Brasil, atuam
por meio da Sociedade de Apoio ao
Conhecimento e Paz Interior.
Cerca de 7.000 pessoas acessam
mensalmente o site e Blogs do programa : www.palavrasdepaz.org.br
. Dessas, 90% entram no site pela
primeira vez. Muitas fazem download e imprimem em média mais de
uma página do site.
Inspirando milhões de telespectadores brasileiros
Palavras de Paz chega a presídios do mundo inteiro
Prem Rawat tornou-se um dos
palestrantes favoritos dos telespectadores brasileiros que assistem ao
seu programa na TV. Seus esforços
para que as pessoas tenham paz
vêm sendo reconhecidos por governos, chefes de Estado, líderes civis
e do mundo dos negócios em todos
os continentes. Palavras de Paz é
transmitido três vezes por semana
em São Paulo e aproximadamente
duas vezes por semana em cerca
de cem outras cidades brasileiras.
Nos seis continentes, a mensagem
de Prem Rawat tem sido transmitida a reclusos em penitenciárias e
vem provocando mudanças na vida
dessas pessoas, segundo constatação dos diretores das instituições.
Iniciado em dezembro de 2003, na
maior prisão da Ásia, localizada em
Nova Déli, o programa se expandiu
para a Austrália, Reino Unido, Nova
Zelândia, Estados Unidos, América
do Sul, África e México. Com variações locais, consiste basicamente
na distribuição de material impresso e apresentações periódicas da
série em DVD chamada Palavras
de Paz, que mostram as palestras
internacionais de Prem Rawat.
Prêmios televisivos no Brasil
Devido à rara qualidade de sua
mensagem, em 2004, o programa
Palavras de Paz foi laureado pela
Associação dos Canais Comunitários do Estado de São Paulo
(ACESP) e, em 2006, pela Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom) com o prêmio
“Audiovisual Cidadania”. O mais
importante é que o sucesso do
programa continua e Palavras de
Paz passou a ser exibido em diversas emissoras de mais de 100
A mensagem de paz em expansão
Palavras de Paz na FIESP
Como aconteceu no ano passado quando músicos e voluntários
fizeram apresentações diversas
sobre a possibilidade de encontro
da paz interior, Palavras de Paz
participará esse ano na Mostra
de Responsabilidade Social que
acontece na FIESP.
Informações: www.palavrasdepaz.org.br
Foto: FotoSearch
Caravanas Comunitárias
Foto: Marcio Mello
Inerantes
da comunicação
Bastidores: Presidente da ACESP acompanha gravação feita em mangue; TV Polo mostra que cidade de Cubatão já avançou muito na preservação ambiental
No detalhe: Guará-Vermelho, símbolo da região
Visitas ao interior paulista ajudam a resolver questões
delicadas e ensinam sobre importância das TVs Comunitárias
A
cidade de Cubatão, ao longo dos
anos, viu cristalizar nos meios de
comunicação a imagem de uma região com altos índices de poluição.
Por um tempo, isso foi verdade. Em
2010, porém, a história é outra. Mas
qual veículo tem se preocupado em
desdizer os anos ruins? Poucos. E
nenhum mais que a TV Polo, o canal
comunitário da cidade.
Esta foi uma constatação da Caravana Comunitária, que é a visita oficial
do presidente da ACESP, Fernando
Mauro Trezza, aos Canais Comunitários paulistas. Neste primeiro semestre, as emissoras de Peruíbe,
Rio Claro e Mogi das Cruzes também receberam a comitiva.
A ocasião acaba servindo para que
a entidade se aproxime mais da rea-
12
www.acesptv.com.br
lidade dos associados, podendo até
descobrir bons exemplos. “Quando o
presidente chegou aqui ele achou muito criativa a nossa maneira de montar
cenários. Nossos funcionários sentiram-se orgulhosos e reconhecidos”,
afirmou Marcelo Fiorio, presidente da
TV Cidade Livre, instalada no município de Rio Claro.
Importante Ponto de Cultura, a TV Comunitária de Rio Claro oferece cursos
de audiovisual para jovens e oficinas de
literatura, entre outras atividades, para
idosos. Isso demonstra que a atuação
do Canal Comunitário vai além do que
uma programação de qualidade.
Teatro no estúdio
As visitas também são ponto for-
te de integração entre diretores do
canal, entidades do Terceiro-Setor e
poder público local. Membros desses
três setores têm comparecido em peso
aos encontros. “As TVs Comunitárias mostram aquilo que interessa
ao cidadão, como o buraco na rua de
casa”, afirma Paulo Contim, que é
presidente da TV Osasco e que tem
feito parte da Caravana.
A Nova TV Comunitária de Mogi
das Cruzes é exemplo de serviço ao
cidadão. Seus programas valorizam
o noticiário local. Além disso, quando esteve na cidade, os membros da
Caravana almoçaram no restaurante
do Instituto Pró-Mais Vida, que é o
gestor do canal. O Instituto há mais de
30 anos presta assistência a idosos. A
liderança é do Padre Vicente Morlini,
Foto: Fábio Pereira
Casa cheia:
Visita da ACESP à
TV Vale das Artes lotou
auditório da emissora;
TV peruibense tem
compromisso com
a cultura local
Criatividade:
Funcionários da TV
Cidade Livre, de Rio
Claro, são exemplo de eficiência;
Canal Comunitário
rio-clarense ganhou
direito de ser Ponto
de Cultura
também presidente do Canal Comunitário local.
Em Peruíbe, não é diferente. As entidades gestoras do canal são militantes na defesa da cultura do município.
A presidente da Oficina Cultural Tom
Jobim, Ecilla Bezerra, que também é
vice-presidente da TV Vale das Artes, já foi secretária de Cultura e atualmente abre as portas do estúdio da
TV peruibense, que possui auditório,
para que grupo de teatro local faça
seus ensaios e apresentações.
Mais cidadania
Foto: Gerci Moreira
Cleber Bezerra, presidente da TV
Vale das Artes e secretário da ACESP,
é um entusiasta do crescimento de todas as TVs Comunitárias do Brasil.
Por isso mesmo, atua fortemente nas
entidades que organizam e representam o setor. “Eu e o Fernando Mauro
[Trezza] atuamos em prol da ACESP
e ABCcom [entidade nacional de TVs
Comunitárias] desde que a gente tinha mais cabelo”, brincou ele.
Com essas viagens, a ACESP consegue descobrir de perto o que fazem
e como vivem os canais comunitários associados. Muitos problemas
são resolvidos nos encontros. Mitsuaki Kojima, que gerencia a Nova
TV Comunitária de Mogi das Cruzes,
fez questão de, ao ser visitado, marcar uma reunião com o presidente da
ACESP e a diretoria do canal, só para
tratar de assuntos delicados para a
emissora. Sinal de que o diálogo en-
tre associado e associação
é instrumento que goza de
confiança.
Estas viagens são fruto
da organização e estrutura
profissional que a ACESP
passou a dispor após Trezza
criar a Rede ACESP de exibição, que consiste em levar
programação de qualidade a
várias cidades paulistas. A
ação traz recursos para a entidade que representa os Canais Comunitários paulistas.
Estes podem ser cada vez
melhor atendidos. Quem ganha com isso é a cidadania.
CNN e Canal Comunitário
Em Rio Claro, a comitiva da ACESP encontrou o melhor
cineasta com celular do mundo. Ele foi eleito em 2009
pela CNN e é diretor de desenvolvimento de projetos da
TV Cidade Livre-SP, o Canal Comunitário local.
João Paulo Miranda, 27, é coordenador do grupo KinoOlho, que é voltado à produção de curtas metragens. “Não
tínhamos equipamentos para a produção dos filmes e uma
alternativa foi explorar as capacidades do celular”, afirmou ele, que é bacharel em cinema e está prestes a defender mestrado na Universidade de Campinas.
Seu vídeo, com 3 minutos de duração, foi inicialmente
produzido como atividade para o Kino-Olha e ganhou visibilidade mundial. O mesmo grupo, agora, está às voltas
com um projeto de Cinema Caipira e tem total apoio da
TV Cidade Livre-SP. A criatividade nos Canais Comunitários, como se vê, não para.
Assista ao vídeo: http://zapt.in/Kfb
www.acesptv.com.br
13
TV Cela
A TV atrás
das grades
No interior paulista,
projeto resgata
autoesma e
cidadania de presas
N
a Cadeia Feminina de Votorantim, uma
câmera registra diariamente todos os
passos das detentas. A lente, porém, não faz
parte do sistema de segurança. Longe do
comando dos agentes, o aparelho gravador
de imagens e realidade é operado por uma
das presas. Ela participa do programa TV
Cela. A idealização é da Associação Cultura Votorantim.
Além de registrar o cotidiano das detentas, o TV Cela transformou um estreito
cercado de grades em cenário para o programa. Na apresentação e produção, mais
detentas. Como entrevistados já passaram
por este “estúdio” tão improvável figuras
como o prefeito de Votorantim Carlos Pivetta (PT), os deputados estaduais Hamilton
Pereira (PT) e Maria Lúcia Amary (PSDB),
o delegado seccional de Sorocaba José Augusto de Barros Pupin e o sociólogo Mario
Miranda Junior, da Fundação Manoel Pedro Pimentel de Amparo ao Preso (Funap)
De acordo com ex-secretário de Cultura de Votorantim, atual presidente do
Canal Comunitário de Votorantim (TV V
- 10 Super Mídia) e coordenador do projeto, Werinton Kermes, o intuito é “quebrar estereótipos”. A jornalista Luciana
Lopez, que também coordena o projeto,
acredita que o projeto mostra para a sociedade que as detentas “têm habilidades
e capacidade”. Para o programa, elas também gravam depoimentos e dicas de arte.
Premiação
O programa já se tornou tema de outras atrações de TVs. Recentemente, foi
pauta para o prestigiado Profissão Repórter, da TV Globo, e também para um
programa do canal a cabo ESPN. Além
disso, é exibido pelo Canal Comunitário de Votorantim e em uma rede de
outros Canais Comunitários paulistas.
Kermes e Luciana conquistaram apoios
importantes para essa iniciativa exitosa.
Um deles é do delegado da Delegacia Seccional de Sorocaba, José Augusto Pupin.
Quando atuava em Votorantim, Pupin percebeu a importância do projeto e ajudou
a iniciativa a ganhar força. Já as faculdades de Comunicação da Ceunsp cuidam
da edição e ajudam na produção. Além da
equipe de detentas, profissionais de comunicação voluntários do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba ajudam a produzir
o TV Cela, que em 2009 ganhou prêmio
em Gramado na categoria vídeo social.
Estúdio improvável: o TV Cela é gravado dentro de prisão feminina; TV V, de Votorantim, e canais da ACESP exibem o conteúdo
Foto: Werinton Kermes
14
www.acesptv.com.br
Fala, Presidente CLEBER BEZERRA
“Somos os maiores vendedores de assinaturas de TV”
A
Como foi o começo da TV?
Foi há 13 anos. E muito difícil. A gente não
tinha nenhuma experiência, mas achávamos
que com apenas uma câmera não poderíamos começar uma TV. Então, investimos
em equipamentos e fomos para a cidade de
São Paulo em busca de um profissional que
editava e operava câmeras. Ele nos ensinou
e ensinou a comunidade.
Essa é uma das funções do canal comunitário: ensinar.
Isso mesmo. E nós formamos até hoje. Muitos dos que aprendem aqui vão atuar em
emissoras de maior porte financeiro. Aqui
no canal sempre tem gente nova, aprendendo e com atitudes criativas.
E depois dessa fase em que você precisou
aprender?
Fomos equipando mais o canal e compramos nosso prédio. O estúdio é amplo e temos um auditório.
Hoje, qual o grande desafio da TV Vale
das Artes?
Um dos muitos desafios é convencer a operadora a cabo local a expandir o acesso às
periferias. Nós estamos em uma cidade
pequena. Peruíbe tem cerca de 60 mil habitantes. A operadora local é a São Paulo
TV a cabo, que é a menor do país. Se por
um lado, estamos atendendo bem a região
central, falta ainda disponibilizar acesso a
muita gente que quer receber nosso sinal.
E nós sabemos que o Canal Comunitário é
o maior vendedor de assinatura. A pessoa
16
www.acesptv.com.br
Foto: Fábio Pereira
cidade de Peruíbe, a 130 quilômetros da Capital, tem Canal Comunitário há 13 anos. Quando chegaram lá
os irmãos Cleber e Ecilla Bezerra, atuais gestores da TV Vale das Artes, nem
eles próprios nem os cidadãos haviam
desvendado o “mistério” de se fazer
televisão. Os dois, então, iniciaram o
árduo trabalho.
Na entrevista abaixo, Cleber Bezerra,
presidente do canal, conta um pouco do
passado e presente da emissora. E, ao
final, avisa qual deve ser o futuro de todos os Canais Comunitários do Brasil:
fazer parte do canal da cidadania, que
será instituído pelo Governo Federal e
fará parte da TV Digital aberta. Hoje, a
TV Vale das Artes e demais Comunitárias estão, por lei, restritas ao cabo.
Fernando Mauro Trezza (ao centro), posa para foto com presidente da
TV Vale das Artes, Cleber Bezerra e a vice-presidente, Ecilla Bezerra
compra o pacote de canais porque quer se
ver na TV, saber sobre o que passa na cidade. Ainda não conseguimos vencer essa
luta.
O relacionamento com o poder público
é bom?
Eu sempre tive um bom relacionamento com
o poder público. Houve apenas um período
de exceção, quando um ex-prefeito, hoje já
falecido, destruiu nosso canal inteiro, por
razões políticas. Tivemos de comprar novos equipamentos e também reformar todo
o prédio da emissora. Mas, sempre tivemos
bom relacionamento com todos. Inclusive,
transmitimos por dois anos as sessões da
Câmara Municipal sem receber nenhum
pagamento para cobrir os custos. Aliás, este
é um defeito do canal comunitário: muitos
dos que se beneficiam dele não querem pagar pelo serviço.
Acham que a TV Comunitária não paga
contas.
É isso mesmo. Somos um canal sem fins
lucrativos, mas essa atividade tem custo. Precisa de funcionários, pagamento de
luz, água e manutenção de equipamentos.
É bom lembrar: não temos nenhuma verba
governamental fixa e suficiente para custear
nossos gastos.
Como você enxerga o papel das entidades representativas dos Canais Comunitários?
Sinto orgulho de ter conseguido fundar
a ACESP e a ABCcom, juntamente com
Fernando Mauro Trezza e Renato Gomes. Foi muito difícil. Na época, havia
poucos canais. Mas eu acho que foi a
melhor coisa que fizemos. Nossas associações são fortes.
Por que os Canais Comunitários devem
ir para o canal da cidadania?
Eu acho que se fizesse um canal da cidadania sem os Canais Comunitários seria uma
injustiça muito grande. Nós somos os veículos da cidadania. Esse é o nosso papel e o
desempenhamos há muito tempo.
“Canal da cidadania sem TVs
comunitárias é injusça.
Nós somos os veículos da cidadania”.
E A
Canal 8 TV
Abrangência: Campinhas e Indaiatuba
Número do canal: 8
Operadora: NET
Responsável: Lilia Gallana
Rua Antonio Vaine, 30
CEP 13084-701
Telefone: (19) 3289-0290
Site: www.canaloito.org
E-mail: [email protected]
Canal RP9
Abrangência: Ribeirão Preto
Número do canal: 9
Operadora: NET
Responsável: Evaldo Calil Pereira Jardim
Rua Visconde Rio Branco, 1238
CEP 14.095-280
Telefone: (16) 3995-2161 / (16) 3995-2161
Site: www.canalrp9.com.br
E-mail: [email protected]
ECO TV
Abrangência: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul,
Diadema, Mauá
Número do canal: 9 (digital) e 96 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Juliana Bontorim
Rua Eduardo Monteiro, 158
CEP 09041-300
Telefone: (11) 4990-3575
E-mail: [email protected]
Nova TV Comunitária
Abrangência: Mogi das Cruzes
Número do canal: 9 (digital) e 96 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Mitsuaki Kojima
Rua Engenheiro Eugênio Motta, n° 591
CEP 08730-120
Telefone: (11) 4724-7294
Site: www.novatvcomunitaria.com.br
E-mail: [email protected]
TV Aberta - SP
Abrangência: São Paulo
Número do canal: 9 (digital) e 72 (analógica)
Operadora: NET e TVA
Responsável: Marcel Hollender
Rua Cardoso de Almeida, 2269
CEP 01251-001
Telefone: (11) 3868-2802
E-mail: [email protected]
TV C
Abrangência: Jaú
Número do canal: 8
Operadora: NET
Responsável: Antônio Silva Dias
Rua Rafael de Almeida Leite, 55
CEP 17210-580
Telefone: (14) 3626-6866
Site: www.tvcjau.com.br
E-mail: tvc@jau.flash.tv.br / [email protected]
TV Cidade Jacareí
Abrangência: Jacareí
Número do canal: 9 (digital) e 95 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Humberto Leal / Rodrigo Leal
Avenida Siqueira Campos, 641
CEP 12307-000
Telefone: (12) 3962-4537
Site: www.tvcidadejacarei.tv.br
E-mail: [email protected]
TV Cidade Livre
Abrangência: Rio Claro
Número do canal: 10 (digital) e 99 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Marcelo Fiorio / Luiz Cavalari
Avenida Dois, 453
CEP 13500-410
Telefone: (19) 3524-3007
Site: www.tvcidadelivre.com
E-mail: [email protected]
TV Circulando
Abrangência: Araraquara
Número do canal: 99
Operadora: Super TV
Responsável: Valmir da Silva Moreira
Rua Geraldo Armando Cardoso, 414
CEP 14801 780
Telefones: (16) 3331-3794 / (16) 3331-3794
Site: www.tvcirculando.com.br
E-mail: [email protected]
TV Com
Abrangência: Santos
Número do canal: 11
Operadora: NET
Responsável: Augusto Capodicasa
Av. Bernardino de Campos, 18 sala 515 / CEP 11065-000
Telefone: (13) 3225-6538
E-mail: [email protected]
TV Com Piracicaba
Abrangência: Piracicaba
Número do canal: 5
Operadora: NET
Responsável: Elia Youssef Nader
Rua Duque de Caxias, 490
CEP 13416-150
Telefone: (19) 3433-0825
E-mail: [email protected]
TV Com Sorocaba
Abrangência: Sorocaba
Número do canal: 7
Operadora: NET
Responsável: Wilson Vieira
Rua Coronel Cavalheiros, 74
CEP 18035 640
Telefone: (15) 3233-6696
E-mail: [email protected]
TV Comunitária de Marília
Abrangência: Marília
Número do canal: 15
Operadora: NET
Responsável: Ademir Marques
Tupã 260, A CEP 17501/500
Telefone: (14) 3454-5959
E-mail: [email protected]
TV Comunitária de São Carlos
Abrangência: São Carlos
Número do canal: 7
Operadora: NET
Responsável: Eduardo Antonio Teixeira Cotrim
Avenida São Carlos, 2205 Sala 1005 / CEP 13566-330
Telefone: (16) 3374-2129
E-mail: [email protected]
TV da Cidade
Abrangência: São José do Rio Preto
Número do canal: 16
Operadora: NET
Responsável: Fábio Renato / Elso Martins
Rua José Silva do Amaral Salles, 2322
CEP 15025-450
Telefone: (17) 3212-2829
Site: www.canal16.com.br
E-mail: [email protected]
TV Guarulhos
Abrangência: Guarulhos
Número do canal: 20
Operadora: NET
Responsável: Fernando Mauro Trezza
Avenida Dr. Timóteo Penteado, 2778 - 2° andar
CEP 07061-000
Telefone: (11) 3435-6320
Site: www.tvguarulhos20.com.br
E-mail: [email protected]
TV Integração
Abrangência: São José dos Campos
Número do canal: 3 (digital) e 95 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Renato Gomes
Av. Leopoldo Rossi, 15
CEP 12242-060
Telefone: (12) 3307-1927
E-mail: [email protected]
TV JA
Abrangência: Catanduva
Número do canal: 99
Operadora: NET
Responsável: José Alfredo Luiz Jorge
Rua Amazonas, 136
CEP:15800-050
Telefone: (17) 3522-1114
Site: www.tvja.com.br
E-mail: [email protected]
TV Litoral Norte
Abrangência: Ubatuba e Caraguatatuba
Número do canal: 18
Operadora: NET
Responsável: Cassio Angelo Rodrigo Petreca
Av. Cuiabá, 997
CEP 11665-295
Telefone: (11) 7737-2118
Site: www.tvlitoral.net
E-mail: [email protected]
TV Mantiqueira
Abrangência: Atibaia e Bragança Paulista
Número do canal: 22
Operadora: NET
Responsável: Rodney Agostinho
Rua Rachaman, 371
CEP 11750-000
Telefone: (13) 3454-1788
Site: www.tvmantiqueira.com
E-mail: [email protected]
TV Osasco
Abrangência: Osasco
Número do canal: 6 (digital) e 22 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Miguel Catan / Paulo Contim
Rua Virgínia Aurora Rodrigues, 218
CEP 06097-020
Telefone: (11) 3654-2008
Site: www.tvosasco.com.br
E-mail: [email protected]
TV Polo
Abrangência: Cubatão
Número do canal: 11 (digital) e 18 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: Marcelo André Parreira de Oliveira
Rua Sete de Setembro, 26 - Sala 1 - Vila Nova
CEP 11525-010
Telefone: (13) 3304-1268
Site: www.tvpolocubatao.com.br
E-mail: [email protected]
TV Regional - RTV
Abrangência: Caçapava
Número do canal: 9 (analógico) 3 (digital)
Operadora: NET
Responsável: Carlos Alberto dos Santos / José Mauro
Rua Fabrício Correa de Toledo, 258 CEP 12287-370
Telefone: (12) 3221 6384
E-mail: [email protected]
TV V
Abrangência: Votorantim
Número do canal: 10
Operadora: Super Mídia
Responsável: Werinton Kermes
Rua João Walter 289 - sala 5
CEP 18110-020
Telefone: (15) 3247-7243
Site: www.tvvotorantim.blogspot.com
E-mail: [email protected]
TV Vale das Artes
TV IN
Abrangência: Americana, Araras, Hortolândia, Limeira, Mogi Guaçu,
Mogi Mirim, Nova Odessa, Santa Bárbara D´Oeste, Sumaré
Número do canal: 8 (digital) e 99 (analógico)
Operadora: NET
Responsável: David Jacques Adissi / Cesar Peggy
Rua Sete de Setembro, 1070
CEP 13465-320
Telefone: (19) 3604-4644
Site: www.tv.tvin.tv.br
E-mail: [email protected]
Tvitapê
Abrangência: Itapetininga
Número do canal: 99
Operadora: NET
Responsável: Antonio Lauro Vieira de Moraes (LALO)
Rua Antonio Annunciato, 111 - Vila Aurora
CEP 18.213-220
Telefones: (15) 3373-4017
Site: www.tvitape.com.br
E-mail: [email protected]
Abrangência: Peruíbe
Número do canal: 16
Operadora: SAT TV
Responsável: Cleber Bezerra / Ecilla Bezerra
Avenida Padre Anchieta, 4297
CEP 11750-000
Telefone: (13) 3454-1788
Site: www.novavaledasartes.com.br
E-mail: [email protected]
TV Valinhos
Abrangência: Valinhos
Número do canal: 3
Operadora: NET
Responsável: José Roberto Schiavinato
Rua Lourenço Ferrari, 291 - Sala 4
CEP 13272-810
Telefone: (19) 3929-5928
E-mail: [email protected]
TV Crônica
Imagem: GettyImages
A internet
vai virar TV
Por Fábio Pereira
H
ouve o tempo dos televizinhos. Em meados de 195060, assistir à televisão era prática alegre e coletiva. A vizinhança inteira se reunia na única casa da rua que
possuía aparelho televisor. Na sala, lugar de visitas, todos se emocionavam, sorriam e faziam animado ti-ti-ti diante daquela caixa mágica.
No século 21, a televisão está no quarto, cozinha, banheiro e até
nos carros, mas não significa que a essência morreu. O aparelho luminoso ainda é instrumento de integração. Seja porque ainda é bom
assisti-lo em turma, seja porque os temas tratados em sua programação nos pautam, dão assuntos para as mesas de bares, nos inserem
em um mesmo universo de acontecimentos. Tudo isso nos une mais.
Aí, entra a internet. Entusiastas audaciosos, subindo os altos degraus
da prepotência, afirmam que a TV vai virar internet. Er-ra-do. Se algo vai
ser transformado, é o mundo online. A rede é que vai virar TV. Explica-se.
Hoje, a internet carece de velocidade. O sonho de 10 entre 10 internautas é que o carregamento das páginas na web seja rápido como um zapear
de canais na TV. E mais: é preciso qualidade aos vídeos online. Hoje, do
Youtube ao Vimeo, há digitalizações, trava-destrava, definição imperfeita.
Outro ponto: a TV é acessível. Além de mais barata, vem com o controle
remoto, que nada mais é que um teclado cheio de atalhos. Nada de ficar
digitando, digitando, digitando, como é na web. O lema “apenas um clique”, tão propagado para encher a bola da internet, pertence mesmo à TV.
Não se quer aqui ignorar o valor da internet. Espera-se apenas desconstruir a falsa certeza de que a TV, com o avanço da web, se tornará cada vez mais dispensável. Ora, a internet persegue muitas qualidades da TV. Então, quem está correndo para ser igual a quem?
Para os produtores de conteúdo para TV, resta se concentrar em saciar
as necessidades dos telespectadores que transitam entre o conteúdo da
TV e a interatividade instantânea da internet. Mas nunca se pode esquecer qual invenção, há 60 anos no Brasil, começou por meio de imagens
e áudio a maior e mais poderosa forma de informar, entreter e apaixonar.
20
www.acesptv.com.br
10 entre 10
internautas
querem que o
carregamento
das páginas na
web seja rápido
como o zapear
na TV
Fábio Pereira é produtor de TV,
jornalista formado e editor da
Revista da ACESP
Há mais de 78 anos, o IDORT/SP vem cumprindo a sua missão
de formar e desenvolver o capital humano com treinamentos
e consultorias nas áreas de Educação Corporativa, Gestão Pública,
Responsabilidade Social e Terceiro Setor.
Av. Paulista, 1294 - 1º andar - CEP 01310 - São Paulo - SP - Brasil
Fones (11) 2847 4400 - (11) 2847 4447
www.idort.com