UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO
ESPECIALIZAÇÃO EM TECNOLOGIA JAVA
JADER GUSTAVO DE CAMPOS SANTOS
ACESSIBILIDADE EM APLICAÇÕES DESKTOP UTILIZANDO
FERRAMENTAS JAVA
MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO
CORNÉLIO PROCÓPIO
2010
JADER GUSTAVO DE CAMPOS SANTOS
ACESSIBILIDADE EM APLICAÇÕES DESKTOP UTILIZANDO
FERRAMENTAS JAVA
Monografia apresentada como requisito parcial para
obtenção do título de Especialista em Tecnologia
Java pela Universidade Tecnológica Federal do
Paraná - Campus Cornélio Procópio.
Orientador:
Pansanato
Prof.
Dr.
CORNÉLIO PROCÓPIO
2010
Luciano
Tadeu
Esteves
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO
DIRETORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM TECNOLOGIA JAVA
PR
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
JADER GUSTAVO DE CAMPOS SANTOS
ACESSIBILIDADE EM APLICAÇÕES DESKTOP UTILIZANDO
FERRAMENTAS JAVA
Monografia
apresentada
ao
Curso
de
Especialização em Tecnologia Java da
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
- Campus Cornélio Procópio.
Nota _______________________________.
COMISSÃO EXAMINADORA
_______________________________________
Prof. Dr. Luciano Tadeu Esteves Pansanato
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
_______________________________________
Prof. Ms. Eduardo Cotrin Teixeira
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
_______________________________________
Prof. Ms. Francisco Pereira Junior
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio, _____de ___________de _____.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por ter aberto as portas certas em minha
vida e por ter me acompanhado sempre.
À minha família por ter compreendido a minha ausência em alguns momentos
para que eu pudesse concluir esse trabalho.
Também ao meu Orientador, o Professor Dr. Luciano Tadeu Esteves
Pansanato pelo incentivo, simpatia e presteza no auxílio às atividades durante o
andamento e normatização desta Monografia.
Agradeço ainda aos meus amigos, em especial ao Marcio Gabriel (in
memorian) que se fez sempre solícito durante todo o período em que estudamos
juntos, pela sua simpatia e carisma.
A todos os professores que tentaram compartilhar um pouco do seu
conhecimento, contribuindo para a formação do nosso pensamento crítico.
E por último, aos que de uma forma direta ou indireta auxiliaram para a
realização deste trabalho.
“Nós não devemos deixar que as incapacidades das
pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas
habilidades.” ( Hallahan e Kauffman, 1994)
RESUMO
SANTOS, Jader Gustavo de Campos. Acessibilidade em Aplicações Desktop
Usando Ferramentas Java. 2010. 36 f. Monografia (Especialização em Tecnologia
Java) - Programa de Pós - Graduação Lato Sensu - Universidade Tecnológica
Federal do Paraná, Cornélio Procópio, 2010.
A acessibilidade é um assunto que é alvo de vários estudos nas mais diversas áreas
porque o número de pessoas portadoras de algum tipo de necessidade especial é
relevante tanto. O presente trabalho tem seu foco na acessibilidade digital, visto que
a tecnologia da informação vem ganhando espaço na sociedade e está presente no
dia a dia dos cidadãos. Existem diversas ferramentas que dão apoio a esse público
específico, chamadas de tecnologias assistivas. Para que essas tecnologias possam
funcionar de maneira satisfatória é necessário preparar as aplicações durante o
desenvolvimento para que estas se tornem acessíveis. A tecnologia Java possui
uma API (Interface de Programação de Aplicativos) específica, a API Java
Accessibility, que contém classes e interfaces que, quando aplicadas, garantem ao
software se tornar acessível às tecnologias assistivas. O presente trabalho teve
como objetivo fazer um levantamento das ferramentas Java que proporcionam a
acessibilidade às aplicações desktop. O uso da API Java Accessilibity e o pacote de
utilitários de acessibilidade para fornecer apoio à API são suficientes para prover a
acessibilidade.
Palavras chave: Acessibilidade. Tecnologia Java. Inclusão Digital.
ABSTRACT
SANTOS, Jader Gustavo de Campos. Accessibility in Desktop Applications
Using Java Tools. 2010. 36 f. Monografia (Especialização em Tecnologia Java) Programa de Pós - Graduação Lato Sensu - Universidade Tecnológica Federal do
Paraná, Cornélio Procópio, 2010.
Accessibility is a subject of several studies in different areas because of the number
of people with some kind of disability is relevant. The present work is focused on
digital accessibility, since the information technology has gained importance in
society and the technology is present in the daily lives of citizens. There are several
tools that give support to this specific audience, called assistive technologies. For
these technologies work satisfactorily is necessary to prepare the applications during
the development so that they become accessible. The Java technology has a specific
API (Application Programming Interface), the Java Accessibility API, which contains
classes and interfaces that, when applied, ensures that the software becomes
accessible to assistive technologies. The present work aimed to do a survey of Java
tools that provide accessibility to desktop applications. The use of Java Accessibility
API and the utilities package to provide support for the API are enough to provide
accessibility.
Keyword: Accessibility. Java Technology. Digital Inclusion.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Desafios para a Inclusão Digital ................................................................ 13
Figura 2 - Inclusão..................................................................................................... 14
Figura 3 - Interface como responsável pelas conexões homem-computador ........... 19
Figura 4 - Adaptações Físicas ................................................................................... 19
Figura 5 - Teclado Expandido ................................................................................... 20
Figura 6 - Diagrama de como a Java Accessibility Bridge trabalha........................... 24
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Interface X Deficiência motora ................................................................ 20
Quadro 2 - Interface X Deficiência visual .................................................................. 20
Quadro 3 - Interface X Deficiência auditiva ............................................................... 21
Quadro 4 - Interface X Deficiência mental ................................................................. 21
Quadro 5 - Checklist de acessibilidade para Software IBM - Versão 3.6 .................. 27
LISTA DE SIGLAS
API
Application Programming Interface
IHC
Interação Homem-Computador
JFC
Java Foundation Classes
PNE Pessoa com Necessidades Especiais
TICs Tecnologias da Informação e Comunicação
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 11
2. INCLUSÃO DIGITAL DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS ........ 13
3. ACESSIBILIDADE ......................................................................................................... 16
3.1. ACESSIBILIDADE DIGITAL ......................................................................................... 16
3.2. TECNOLOGIA ASSISTIVA ........................................................................................... 17
4. ACESSIBILIDADE COM TECNOLOGIA JAVA ....................................................... 23
4.1. REQUISITOS DE ACESSIBILIDADE PARA APLICAÇÕES ............................... 25
4.2. A API JAVA ACCESSIBILITY ............................................................................. 27
4.3. CLASSES E INTERFACES DA API JAVA ACCESSIBILITY .............................. 28
5. CONCLUSÃO ................................................................................................................. 32
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 34
11
1. INTRODUÇÃO
A inclusão social é um tema que vem sendo discutido com freqüência.
Conseqüentemente, também, vêm sendo discutidas também as questões da
inclusão digital, pois as pessoas estão inseridas em um contexto em que cada vez
mais se tornam dependentes da informação nas suas atividades rotineiras,
fenômeno este chamado de sociedade da informação.
Essa sociedade da informação vem alterando os hábitos da vida
cotidiana porque as tecnologias da informação estão presentes nas escolas, bancos,
lojas, casas. Depara-se com isso ao utilizar equipamentos domésticos, aparelhos
celulares, computadores, ou até mesmo consultar a situação bancária em um
terminal de auto-atendimento. Para Balboni (2007), neste novo contexto global, a
informação passou a ser o produto mais importante para o desenvolvimento
econômico, político e social de cada nação. Entretanto, boa parte da população vive
às margens dessas tecnologias por não saber como manuseá-las.
O problema da exclusão digital ganha uma dimensão ainda mais
complexa quando o usuário é portador de necessidades especiais. Isso porque,
além dos fatores sócio-econômicos, existem as barreiras físicas que dificultam o
acesso do usuário ao computador. Portanto, é necessário ressaltar questões sobre a
acessibilidade, tanto física e arquitetônica, quanto nos softwares instalados nos
computadores. No entanto, deve-se pensar em acessibilidade de forma consciente,
visto que existem até mesmo leis federais que garantem aos usuários esse tipo de
serviço.
A motivação para esse trabalho surge da necessidade de levantar
informações que possam colaborar para a redução do quadro de pessoas
portadoras de necessidades especiais que estão excluídas digitalmente. No Brasil,
no último censo demográfico realizado, foi constatado que pelo menos 14% da
população possuem algum tipo de deficiência, sendo ela física ou mental (IBGE,
2000).
Existem atualmente algumas ferramentas disponíveis para esse grupo
de pessoas. Essas ferramentas são softwares que fornecem auxilio aos usuários,
chamadas tecnologias assistivas, e estão incluídos os leitores de tela, sintetizadores
12
de voz, teclados virtuais, etc. Para que essas tecnologias possam funcionar de
maneira satisfatória, é necessário que os programas que os usuários utilizam
forneçam suporte para essas ferramentas.
Neste trabalho, é apresentado um estudo das ferramentas Java que
garantem a acessibilidade em aplicações desktop, sendo identificada a existência de
uma API de acessibilidade que garante às aplicações o necessário para trabalhar
em conjunto com as tecnologias assistivas.
Para fornecer uma abordagem do assunto, esta monografia foi dividida
em 5 capítulos. O primeiro capítulo envolve a presente introdução. No capítulo dois,
o foco é sobre a inclusão digital de pessoas com necessidades especiais, abordando
o conceito de inclusão digital e os tipos de necessidades especiais. Na sequência, o
capítulo 3 apresenta um resumo geral sobre a acessibilidade, com foco na
acessibilidade digital, trazendo os conceitos e as vantagens para os usuários. Ainda
no capítulo 3, é feito um estudo sobre as tecnologias assistivas, esclarecendo os
conceitos e os principais recursos disponíveis. No capítulo 4, é apresentada a
acessibilidade mediada pela tecnologia Java, são levantados os requisitos de
acessibilidade para as aplicações e é apresentada a API Java Accessibility, que
garante o suporte para as tecnologias assistivas. Em seguida, no capítulo 5, é
apresentada a conclusão.
13
2. INCLUSÃO DIGITAL DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
Para Hazard et. al. (2007), após muito tempo de rejeição e abandono
nos dois últimos séculos, as pessoas com deficiência passaram a ser objeto de
políticas especiais que visam à qualificação ou habilitação dessas pessoas para que
elas possam se interagir na sociedade.
Ao se discutir sobre inclusão digital, deve-se considerá-la como sendo
um processo que envolve muito mais que ter ou não acesso a um computador, é
preciso o indivíduo ter a capacidade de operá-lo com autonomia.
Nesse sentido, Azevedo e Barros (2004) consideram a inclusão como o
movimento permanente na busca de igualdade de condições e oportunidades para
evitar diversas situações de privação. O desafio está, portanto, em oferecer, de
maneira permanente, igualdade na condição de obtenção dessas oportunidades.
Para Passerino e Montardo (2007), a questão envolve muito mais que
indivíduos incluídos ou excluídos, e sim de grupos em contextos sociais que
participam do fenômeno da inclusão como processo social em busca de melhoria na
qualidade de vida dos membros do grupo.
Para inserir esses membros da sociedade na era digital, surgem alguns
desafios da inclusão digital, ilustrados na figura 1: favorecer o acesso do cidadão ao
mundo virtual, reduzir o analfabetismo digital (que implica em fornecer noções
básicas sobre sistemas informatizados) e melhorar a qualidade da interface gráfica
disponibilizada, adaptando-a ao seu público-alvo (SILVINO E ABRAHÃO, 2003).
Figura 1 - Desafios para a Inclusão Digital
Fonte: Silvino e Abrahão (2003).
14
Para as pessoas com necessidades especiais (PNEs), o processo de
inclusão digital envolve barreiras arquitetônicas, de comunicação e de acesso físico
a equipamentos e programas adequados, onde são necessárias ferramentas que
possibilitem uma adaptação do equipamento para que o usuário possa utilizá-lo de
maneira satisfatória, como ilustrado na figura 2.
Para os PNEs as dificuldades para utilização de computadores vão além
do acesso às máquinas e à rede, pois eles apresentam diferentes tipos de
deficiências para as quais os softwares e hardwares, de forma geral, não estão
preparados (ALVES et. al., 2002).
Figura 2 - Inclusão por meio de adaptação física
Fonte: Soares (2008).
O número de brasileiros com necessidades especiais ultrapassa 24,6
milhões de pessoas, isto é, 14% da população brasileira é constituída por pessoas
com pelo menos algum tipo de deficiência (IBGE, 2000). Essa parcela da população
é considerada “com necessidades especiais” por se enquadrar em uma das
seguintes categorias contidas no Decreto no 3.298, de 20 de dezembro de 1999:
 Deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do
corpo
humano,
acarretando
o
comprometimento
da
função
física,
apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia,
monoparesia, tetraplegia,
tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia,
hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral,
15
membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades
estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de
funções.
 Deficiência auditiva: perda parcial ou total das possibilidades auditivas
sonoras, variando em graus e níveis que vão de 25 decibéis (surdez leve) à
anacusia (surdez profunda).
 Deficiência visual: acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho,
após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20 (tabela de Snellen), ou
ocorrência simultânea de ambas as situações.
 Deficiência mental: funcionamento intelectual geral significativamente abaixo
da média, oriundo do período de desenvolvimento, concomitante com
limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta adaptativa ou da
capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da
sociedade.
 Deficiência múltipla: associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais
deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física), com comprometimentos
que acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua
capacidade adaptativa.
Na tentativa de inclusão social dessas pessoas com necessidades
especiais, o avanço das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) no
país tem sido acompanhado por políticas públicas e privadas, voltadas à inclusão
digital, em especial à universalização do acesso à era digital (BALBONI, 2007;
MOURÃO et al., 2009).
16
3. ACESSIBILIDADE
Ao discutir a inclusão das pessoas com necessidades especiais, é
imprescindível levar em consideração as questões de acessibilidade.
O Decreto 5.296 de 2 de dezembro de 2004 define a acessibilidade
como:
“condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida,
dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos
serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação
e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade
reduzida.” (BRASIL, 2004).
Teixeira (2008) complementa a definição supracitada, afirmando que “a
acessibilidade é uma das formas de promoção da equiparação de oportunidades
entre os cidadãos”, de modo que se criem possibilidades de acesso, possibilitando
que todas as pessoas exerçam sua cidadania de maneira mais justa.
3.1. ACESSIBILIDADE DIGITAL
No
que
diz respeito
à acessibilidade digital,
o
conceito de
acessibilidade se aplica ao acesso à informação por algum tipo de dispositivo
eletrônico, seja um computador de mesa, um notebook ou celular, de forma que as
barreiras sejam quebradas, mediante adaptação de hardware e utilização de
softwares especializados. Passerino e Montardo (2007) confirmam essa afirmação
destacando que “a acessibilidade digital só pode ser proporcionada através de uma
combinação entre hardware e software, que oferecem, respectivamente, os
mecanismos físicos para superar barreiras de percepção e o acesso a funções e
informações”.
De acordo com o modelo de acessibilidade proposto pelo Governo
Eletrônico (2005), no que se refere ao acesso ao computador, são identificadas
quatro situações adversas para os PNEs:
 Dificuldades na utilização do mouse: pessoas com deficiências visuais e
pessoas com amputações ou dificuldades de movimentos sentem várias
17
dificuldades na utilização do mouse. Portanto, deve-se viabilizar o acesso ao
computador sem mouse.
 Dificuldades na utilização do teclado: pessoas com amputações ou
restrições de movimentos têm dificuldades para usar um teclado tradicional.
Nesses casos, deve-se viabilizar o acesso ao computador sem teclado, isto é,
a interação deve poder ser feita através de um periférico especial ou pelo
reconhecimento da voz.
 Dificuldades na visualização do monitor: como a informação processada
por um computador é exibida em um monitor de vídeo, os cegos ou pessoas
com dificuldades visuais graves precisam recorrer a um outro dispositivo para
obter a informação da tela. Deve-se então ser fornecido um programa leitor
de tela, isto é, um software capaz de captar a informação do vídeo e enviá-la
para um sintetizador de voz ou para um terminal Braille.
 Dificuldades na obtenção de sons de dispositivos de áudio: pessoas com
problemas de audição possuem dificuldade em acessar informações
disponíveis somente através de dispositivos de áudio. Deve-se emitir a
informação também de outra forma.
O conceito de acessibilidade vem de encontro com esses problemas na
tentativa de resolvê-los, de maneira que cada vez mais as pessoas com
necessidades especiais possam ter acesso à informação no formato digital. No
entanto, para tornar possível a inclusão digital, é necessário fazer uso de tecnologias
de apoio para dar suporte às PNEs, conhecidas como tecnologias assistivas.
3.2. TECNOLOGIA ASSISTIVA
O termo “assistive technology”, traduzido para o português como
tecnologia assistiva, ainda não possui definição nos dicionários da língua
portuguesa. No entanto, considerando que a palavra significa alguma coisa que
assiste, auxilia, pode-se definir o termo tecnologia assistiva como a tecnologia que
dá suporte às pessoas com necessidades especiais, adaptando e/ou fornecendo
18
dispositivos necessários para que essas pessoas possam realizar atividades da
maneira mais independente possível.
Lima (2003) em seus estudos define que
“As tecnologias assistivas, também denominadas de ajudas técnicas, têm
como objetivo proporcionar às pessoas com necessidades especiais, maior
independência, melhor qualidade de vida e inclusão social, através da
ampliação de sua comunicação, mobilidade, controle de seu ambiente,
habilidades de seu aprendizado, trabalho e integração com a família,
amigos e sociedade.” (LIMA, 2003).
A tecnologia assitiva, quando aplicada adequadamente, é fundamental
na garantia de acessibilidade às mesmas atividades realizadas pelas pessoas sem
necessidades especiais. Essas técnicas podem eliminar ou minimizar as limitações
funcionais, permitindo seu desempenho e interação nas mais diversas situações
cotidianas como, por exemplo, o acesso à informação e comunicação (MARTINS
NETO & ROLLENBERGER, 2006 apud TEIXEIRA, 2008).
Neste trabalho, o termo “tecnologia assistiva” designa os equipamentos
(hardware) e os programas (software) e se restringe aos componente eletrônicos
digitais de hardware (dispositivos de entrada e/ou saída de hardware) e o software,
ambos têm como função mediar a interação homem-computador, possibilitando às
PNEs a realização de atividades motoras, perceptivas e cognitivas.
Considerando o computador como ferramenta de ajuda para PNEs, é
preciso diferenciar duas dimensões que envolvem a tecnologia informática, ou seja,
o hardware e o software que irão coordenar a Interação Homem-Computador (IHC)
(HOGETOP E SANTAROSA, 2002).
Hogetop e Santarosa (2002) afirmam ainda que o sucesso na interação
PNE-Computador consiste basicamente em ser o mais simples e amigável possível,
oferecendo uma ponte através da qual as peculiaridades individuais são
contempladas. A figura 3 apresenta os elementos envolvidos na dinâmica da
interação PNE-Computador, visto que a interface é a ponte de ligação entre o
usuário e o computador.
19
Figura 3 - Interface como responsável pelas conexões homem-computador
Fonte: Silveira (1999) apud Lima (2003).
No que diz respeito à adaptação física, existem alguns aparelhos ou
adaptações que podem ser fixadas no corpo da PNE, como ilustrado na figura 4, e
que facilitam a interação desta com o computador.
Estabilizador de Punho e abdutor de polegar
Pulseira de Pesos
Figura 4 - Adaptações Físicas
Fonte: Galvão Filho e Damasceno (2008).
Existem também adaptações feitas no hardware. Essas adaptações
variam de acordo com a deficiência da pessoa com necessidade especial. Essas
ajudas técnicas de hardware, como ilustrado na figura 5, podem ser adquiridas ou
criadas para atender a necessidade específica da PNE. Dessa maneira, são
encontradas com muita freqüência soluções de baixo custo, ou até mesmo gratuitas,
mas de alta funcionalidade.
20
Figura 5 - Teclado Expandido
Fonte: Prefeitura de São Paulo (2006).
Campos e Silveira (1998) fizeram um levantamento das possíveis
tecnologias e interfaces a serem empregadas para as pessoas com necessidades
especiais, de acordo com o tipo de necessidade, esse levantamento é reforçado por
Tanaka (2004). Os quadros 1 a 4 mostram o resultado desses estudos.
Privilegiar
 Sistemas de varredura (simulador de teclado e mouse)
 Sistemas comunicadores alternativos (tabuleiros)
 Predição de palavras c/ armazenamento das mais
utilizadas
 Adaptação às preferências do usuário nos sistemas de
varredura (p/ controle de velocidade de sistemas de
varredura, p. ex.)
 Boa distribuição das informações na tela
 Teclado ampliado, tela sensível ao toque/sopro, próteses
Quadro 1 - Interface X Deficiência motora
Fonte: Campos e Silveira (1998); Tanaka (2004)
Privilegiar
 Uso de som
 Tamanho grande das fontes
 Teclado e impressora Braille, monitores de maior tamanho
possível, tela sensível ao toque, sistema de som no
computador (placa de som, microfone e caixas de som ou
fones de ouvido)
Quadro 2 - Interface X Deficiência visual
Fonte: Campos e Silveira (1998); Tanaka (2004)
Evitar
 Ícones e letras pequenos
 Uso excessivo de opções na tela
 Mouse e joystick
Evitar
 Excesso de opções
 Uso de muitas cores
 Ícones e letras pequenos
 Uso excessivo do mouse
21
Privilegiar
 Uso da língua de sinais
 Ícones e mensagens na forma gráfica
 Textos pequenos e claros, com verbos no infinitivo
 Animações e filmes
 Vídeo colorido de alta resolução, microfone (treinamento
de voz)
Evitar
 Textos longos
 Linguagem conotativa (não-usual)
 Mesóclises
 Onomatopéias, gírias, metáforas,
palavras pouco utilizadas
 Ambigüidades
 Som (exceto para aqueles com resto
auditivo)
Quadro 3 - Interface X Deficiência auditiva
Fonte: Campos e Silveira (1998); Tanaka (2004)
Privilegiar
 Ambientes abertos como o Logo, que permitem livre
interação e possibilidade de análise das interações
 Interação
 Ícones
 Textos pequenos
 Animações, filmes e sons
 Teclado, mouse, tela sensível ao toque, sistema de som no
computador (placa de som, microfone e caixas de som ou
fones de ouvido)
Quadro 4 - Interface X Deficiência mental
Fonte: Campos e Silveira (1998); Tanaka (2004)
Evitar
 Textos longos
 Gírias, expressões e palavras
pouco utilizadas
Já recurso técnico oferecido pelos softwares conta com diversos
utilitários. Os programas variam de acordo com as necessidades especiais de cada
usuário.
Hogetop e Santarosa (2002) exemplificam alguns desses recursos, de
acordo com os dispositivos de entrada e saída de dados:
Dispositivos de entrada de dados:
 Acionadores: oferecem uma forma de entrada de informações no computador
quando o teclado e/ou o mouse não são possíveis, podendo ser acionado por
movimentos como o piscar dos olhos, sopro e gemido;
 Reconhecimento de voz: é utilizado para o usuário falar um comando ou outra
informação para o computador em vez de utilizar o teclado ou o mouse para a
entrada de dados.
Dispositivos de saída de dados:
 Sintetizador de Voz: é um processo de produção artificial de voz humana;
 Leitor de Tela: estes programas vão passando por textos e imagens e, sob a
ajuda de um sintetizador de voz, reproduz para a pessoa o que está na tela;
22
 Ampliador de Tela: funciona como uma lupa, aumentando o tamanho dos
itens exibidos na tela do computador.
23
4. ACESSIBILIDADE COM TECNOLOGIA JAVA
Na tentativa de reduzir as barreiras entre as pessoas portadoras de
necessidades especiais e o computador, a tecnologia Java conta com recursos que
dão suporte à acessibilidade.
A questão da acessibilidade foi introduzida na tecnologia Java a partir
de março de 1996, por meio de um relatório encomendado pela Sun Microsystems
(SUN MICROSYSTEMS, 1998a).
Há quatro áreas em que a Sun está construindo apoio para a
Acessibilidade na plataforma Java:
 API Java Accessibility;
 Java Accessibility Utilities;
 Java Accessibility Bridge;
 Pluggable Look and Feel do Java Foundation Classes (JFC).
A API (Application Program Interface) Java Accessibility define o
contrato entre o os componentes de interface do usuário e uma tecnologia assistiva
para o acesso a esse aplicativo Java. Se um aplicativo Java apóia plenamente a API
Java Accessibility, então ele é compatível com as tecnologias assistivas, como
leitores de tela, ampliadores de tela, etc (ORACLE e SUN, 2004 apud DIAS, 2010).
Além da API de acessibilidade, existe também o Java Accessibility
Utilities, disponibilizado pela Sun a fim de fornecer acesso aos aplicativos Java,
fornecendo suporte necessário para as tecnologias assistivas na localização dos
objetos que implementam a API Java Accessibility. Esse conjunto de classes é
disponibilizado separadamente da API de acessibilidade (DIAS, 2010).
“A fim de fornecer acesso a aplicativos Java, uma tecnologia assistiva
requer mais do que a API de acessibilidade: requer também apoio na
localização de objetos que implementam a API, bem como suporte para o
carregamento na Máquina Virtual Java, rastreamento eventos, etc. O Java
Accessibility Utilities fornece esta assistência. (SUN MICROSYSTEMS,
1999).”
No que diz respeito a Java Accessibility Bridge, ela funciona
como uma ponte entre a JVM e o ambiente nativo. Portanto, pode-se enfatizar que
as aplicações Java são executadas em uma ampla variedade de sistemas
operacionais, sendo que muitos dos quais disponibilizam tecnologias assistivas (por
24
exemplo, Macintosh, OS/2, Microsoft Windows). Para que as tecnologias de apoio
existentes considerem o acesso a aplicativos Java, elas precisam de uma ponte
entre o ambiente nativo do sistema operacional e a máquina virtual Java que dá
suporte aos recursos de Acessibilidade. Esta ponte, em razão do efeito em parte na
máquina virtual Java e parte sobre a plataforma nativa, será ligeiramente diferente
para cada plataforma (SUN MICROSYSTEMS, 1998a). Para que as tecnologias
assistivas disponíveis nos sistemas operacionais possam fornecer acesso aos
aplicativos Java, eles precisam de alguma forma para se comunicar com o suporte
de acessibilidade Java.
O Java Accessibility Bridge suporta essa comunicação. Esta ponte é
uma classe que contém métodos nativos, visto que parte do código dessa classe é
realmente fornecido por uma DLL no Sistema Operacional (SO). A tecnologia
assistiva em execução no SO, por exemplo, um leitor de tela Macintosh, se
comunica com o sistema através da DLL que faz a ponte na parte nativa, que por
sua vez se comunica com a máquina virtual Java e de lá para o suporte ao pacote
Java Accessibility utility e à API Java Accessibility implementada no aplicativo Java
que está fornecendo acesso. A figura 6 exemplifica como é feita a comunicação no
Java Accessibility Bridge.
Figura 6 - Diagrama de como a Java Accessibility Bridge trabalha
Fonte: Sun Microsystens (1998a).
O Java Foundation Classes, ou JFC, é um conjunto de novas
tecnologias, que representa a base para a criação de aplicativos Java. O "swing",
25
conjunto de componentes de interface do usuário, também é construído com base
na JFC, usando uma arquitetura Pluggable Look and Feel. Esta arquitetura separa a
implementação dos componentes de interface do usuário de sua apresentação. Em
uma base de componente por componente, a apresentação é determinada por meio
de programação, e pode ser escolhida pelo usuário. Em vez de uma apresentação
visual, o usuário poderia escolher uma apresentação de áudio (ou tátil) como, por
exemplo, uma apresentação das informações em Braile, ou uma combinação dos
dois. Com este suporte, o usuário não precisaria de um software externo para
interpretar a apresentação visual do programa na tela; em vez disso, o acesso seria
direto ao programa porque a interação com o usuário acontece em sua modalidade
desejada (SUN MICROSYSTENS, 1998a).
É importante destacar que, das quatro áreas que a Sun dá suporte às
tecnologias assistivas, o foco deste trabalho é a API Java Accessibility, descrita na
seção 4.2 deste trabalho.
4.1. REQUISITOS DE ACESSIBILIDADE PARA APLICAÇÕES
Para que uma aplicação possa ser considerada acessível, existe um
conjunto de critérios que precisam ser atendidos. Os requisitos de acessibilidade da
Tecnologia Java seguem os padrões exigidos pela lei americana, uma vez que,
desde 1973, quando a Seção 508 da Lei federal de Reabilitação foi criada, os
órgãos federais dos Estados Unidos são obrigados a comprar produtos eletrônicos e
de tecnologia da informação e serviços que atendam as normas da referida seção
(ORACLE E SUN, 2010).
Um checklist de acessibilidade foi criado para as aplicações
desenvolvidas com a tecnologia Java. No entanto, essa lista de verificação se fundiu
ao checklist de acessibilidade dos softwares da IBM, e a lista Java não está mais
disponível. Portanto, os desenvolvedores e testadores Java devem usar o checklist
de acessibilidade para software da IBM para o cumprimento de todos os requisitos
de acessibilidade (IBM, 2009).
26
Compreender a acessibilidade exige uma tomada de consciência das
necessidades especiais dos grupos de múltiplos usuários, incluindo pessoas com
deficiência e usuários com deficiência em razão da idade. A pessoa com deficiência
pode encontrar barreiras que podem ser eliminadas ou minimizadas pelo software.
As quatro principais categorias de deficiência são: visão, audição, mobilidade e
cognitiva. Assim, a versão 3.6 do checklist de acessibilidade para softwares IBM,
lançada em outubro de 2009, é utilizada em (IBM, 2009):
 Aplicações Eclipse que utilizam o controle Standard Widget Toolkit (SWT);
 Aplicações Java 2 ou posterior que utilizam Swing;
 Aplicações Java 1.1.x que utilizam o Abstract Window Toolkit (AWT);
 Produtos com linha de comando ou interfaces “green screen”;
 Softwares e aplicações que têm uma interface com o usuário.
No Quadro 5 é descrito o checklist da IBM para acessibilidade em Java.
Checklist de acessibilidade para Software IBM - Versão 3.6
1
ACESSO AO TECLADO
1.1 Fornecer equivalência no teclado para todas as ações
Não interferir nas funcionalidades na acessibilidade do teclado
1.2 incorporadas pelo sistema operacional
2
2.1
2.2
2.3
2.4
3
INFORMAÇÕES DO OBJETO
Fornecer um indicador de foco visual que se move entre os objetos
interativos conforme o foco de entrada vai mudando. Este indicador de
foco deve ser programaticamente exposto pela tecnologia assistiva.
Fornecer informação semântica sobre objetos de interface do usuário.
Quando uma imagem representa um elemento do programa, a
informação veiculada pela imagem também deve estar disponível no
texto.
Associar rótulos com os controles, objetos, ícones e imagens. Se uma
imagem é usada para identificar os elementos programáticos, o
significado da imagem deve ser consistente em todo o aplicativo.
Quando formulários eletrônicos são utilizados, deve permitir que as
pessoas que utilizam a tecnologia assistiva para acessar as
informações, elementos de campo e funcionalidade necessária para a
o preenchimento e envio do formulário, incluindo todas as direções e e
sugestões.
SONS E MULTIMÍDIA
Fornecer uma opção de sinalização visual para todos os alertas de
3.1 áudio.
3.2 Fornecer alternativas acessíveis para áudio e vídeo significativos.
3.3 Fornecer uma opção para ajuste de volume.
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Planejado
N/A
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Sim Não
Planejado
N/A
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27
(Continuação)
4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
TELA
Fornecer texto através de sistema padrão de chamada de funções
ou através de uma API que suporta a interação com tecnologia
assistiva.
Uso da cor como um acessório e não como a única forma de
transmitir informações ou indicar uma ação.
Suporte a configurações do sistema para alto contraste para todos
os controles de interface do usuário e área de conteúdo do cliente.
Quando a personalização de cores é suportada, fornecer uma
variedade de seleções de cores capazes de produzir uma
variedade de níveis de contraste.
Herdar configurações do sistema para a fonte, tamanho e cor para
todos os controles de interface do usuário.
Fornecer uma opção para exibir uma animação em modo de
apresentação não-animada.
5
TEMPO DE RESPOSTA
Fornecer uma opção para ajustar o tempo de resposta de
5.1 instruções cronometradas ou permitir persistir as instruções.
Não usar sinalização ou textos brilhantes, objetos, ou outros
objetos tendo o brilho com freqüência superior a 2Hz e inferior a
5.2 55 Hz.
Quadro 5 - Checklist de acessibilidade para Software IBM - Versão 3.6
Fonte: IBM (2009)
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Essa lista de verificação é utilizada apenas em softwares desktops;
existe um checklist de acessibilidade específico para aplicações Web.
4.2. A API JAVA ACCESSIBILITY
O objetivo deste trabalho é estudar as ferramentas que proporcionam a
acessibilidade nas aplicações desktop desenvolvidas em Java para as pessoas
portadoras de necessidades especiais. Portanto, é apresentada uma abordagem
mais detalhada da API Java Accessibility para descrever seus recursos e
funcionalidades.
Especificamente, a API Java Accessibility define um contrato entre os
componentes de interface usados em uma aplicação e a tecnologia assistiva que
permite o acesso a essa aplicação Java. Se uma aplicação suporta totalmente a API
28
Java Accessibility, ela é compatível com leitores de tela, ampliadores de tela, e
outros tipos de tecnologias assistivas (ORACLE e SUN, 2010).
Para garantir melhores resultados, atualizações foram feitas na API de
acessibilidade viabilizando uma evolução freqüente. Essas atualizações totalizam 3
versões desde março de 1998, quando foi lançada oficialmente a versão 1.0, até a
versão 1.3 lançada em 1999. A API de acessibilidade Java consiste de 8 interfaces e
6 classes que são abordadas na próxima seção (SUN MICROSYSTEMS, 1998b).
4.3. CLASSES E INTERFACES DA API JAVA ACCESSIBILITY
Para dar suporte a acessibilidade, a API Java dispõe de algumas
interfaces e classes que necessitam ser implementadas. Portanto, essa seção faz
uma breve descrição de cada uma dessas classes e interfaces que fazem parte do
pacote javax.accessibility da API Java Accessibility.
Dentre as Interfaces disponíveis estão (SUN MICROSYSTEMS, 1999):
1. Interface Accessible: é a interface principal da API, sendo que todos os
componentes que oferecem suporte à API de acessibilidade devem
implementar
essa
getAccessibleContext,
interface.
que
Ela
retorna
contém
uma
um
único
instância
da
método,
classe
AccessibleContext.
2. Interface AccessibleAction: esta interface deve fornecer suporte a qualquer
objeto que execute uma ou mais ações. Ela fornece o mecanismo padrão
para a tecnologia assistiva determinar quais são as ações bem como informar
o objeto o momento de executar essas ações. Qualquer objeto que pode ser
manipulado deve apoiar essa interface. Para saber se um objeto suporta a
interface AccessibleAction, deve-se usar um objeto AccessibleContext para
chamar o método getAccessibleAction(); se o valor de retorno não for nulo, o
objeto oferece suporte a essa interface.
3. Interface AccessibleComponent: esta interface deve fornecer suporte a
qualquer objeto que é processado na tela. Ela fornece o mecanismo padrão
29
para uma tecnologia assistiva determinar e definir a representação gráfica de
um objeto.
4. Interface AccessibleSelection: esta interface fornece o mecanismo padrão
para uma tecnologia assistiva determinar quais filhos estão atualmente
selecionados, bem como modificar o conjunto de seleção. Qualquer objeto
que tenha filhos que podem ser selecionados devem ter suporte para a
interface AccessibleSelection.
5. Interface AccessibleText: esta interface deve fornecer suporte a qualquer
objeto no qual o texto pode ser editado. Nem todo texto exibido na tela pode
ser editado, como por exemplo, o texto contido nos botões, menus, etc, que
os usuários não devem manipular. No entanto, os objetos que contenham
texto editável, devem implementar a interface AccessibleText para que
possam interagir com as tecnologias assistivas. Essa interface também
fornece suporte na recuperação dos atributos do caractere em uma
determinada posição no texto (fonte, tamanho, estilo, etc.), bem como obter o
texto selecionado (se houver), o comprimento do texto e a localização do
cursor do texto.
6. Interface AccessibleHypertext: esta interface deve dar suporte a qualquer
objeto que apresenta informações na tela no formato de hipertexto. Ela
fornece o mecanismo padrão para uma tecnologia assistiva acessar o texto
através de seus conteúdos, atributos e localização espacial. Ela também
fornece mecanismos padrão para manipulação de links.
7. Interface AccessibleHyperlink: os objetos que são links devem fornecer
suporte a essa interface. Um objeto que implementa essa interface será
retornado
pela
chamada
do
método
getLink
de
um
objeto
AccessibleHypertext.
8. Interface AccessibleValue: essa interface deve dar suporte a qualquer objeto
que suporta um valor numérico como, por exemplo, uma barra de rolagem.
Essa interface fornece o mecanismo padrão para uma tecnologia assistiva
determinar e definir o valor numérico, bem como obter os valores mínimo e
máximo.
As classes que compõem a API Java Accessibility são (SUN
MICROSYSTEMS, 1999):
30
1. Classe AccessibleContext: essa classe representa o mínimo de informação
que todos os objetos retornam e é obtida através da chamada do método
getAccessibleContext de um objeto que implementa a interface Accessible.
Esta informação inclui o nome acessível, descrição, função e estado do
objeto. Essa classe também contém métodos para a obtenção de
informações específicas de acessibilidade sobre um componente. Se um
componente fornece suporte a essa classe, esses métodos retornam um
objeto
que
implementa
AccessibleAction,
uma
ou
mais
das
seguintes
AccessibleComponent,
interfaces:
AccessibleSelection,
AccessibleText, AccessibleHypertext, AccessibleValue.
2. Classe AccessibleRole: essa classe encapsula o papel do objeto acessível na
interface do usuário e é obtido
através da chamada do método
getAccessibleRole em um AccessibleContext. Isso inclui o “Check Box”,
“Menu Item”, “Panel”, etc. Esses papéis são identificados pelas constantes
desta
classe,
tais
como
AccessibleRole.CHECK_BOX,
AccessibleRole.MENU_ITEM e AccessibleRole.PANEL. As constantes desta
classe apresentam uma enumeração fortemente tipada dos papéis do objeto.
Embora esta classe pré-defina uma vasta lista de funções padrão, é possível
complementar com funções adicionadas pelo programador futuramente sem
precisar modificar a classe base.
3. Classe AccessibleState: esta classe encapsula um estado particular de um
objeto acessível. Entre os estados acessíveis estão um objeto da classe
AccessibleState que pode assumir os seguintes valores: "Armed", "Busy",
"Checked", "Focused", etc. Essas funções são identificadas através das
constantes desta classe: AccessibleState.ARMED, AccessibleState.BUSY,
AccessibleState.CHECKED e AccessibleState.FOCUSED. A soma de todos
esses estados que o objeto pode assumir é chamado de AccessibleStateSet,
e pode ser obtido pela chamada do método getAccessibleStateSet em um
AccessibleContext. As constantes desta classe também apresentam uma
enumeração fortemente tipada dos papéis do objeto, podendo ainda ser
adicionadas funções sem modificar a classe base. Como na AccessibleRole,
as constantes AccessibleState fornecem um método chamado toDisplayString
que
obtém
a
localização
da
string
para
a
função
da
classe
31
AccessibleResourceBundle. Como resultado, os programadores podem usar
as constantes definidas no AccessibleState para desenvolver aplicações
internacionalizadas.
4. Classe AccessibleStateSet: essa classe encapsula um conjunto de estados
de
um
objeto
acessível
e
é
obtido
pela
chamada
do
método
getAccessibleStateSet de um AccessibleContext. Uma vez que um objeto
pode ter vários estados (por exemplo, pode ser tanto “Checked” "e
“Focused”), essa classe é necessária para encapsular uma coleção desses
estados. Os métodos da classe AccessibleStateSet são fornecidos para
recuperar o AccessibleStates individual do conjunto de estados.
5. Classe AccessibleBundle: É uma classe abstrata que é usada para manter
uma enumeração fortemente tipada. É a super classe de ambas as classes
AccessibleRole e AccessibleState. O desenvolvedor normalmente não
interage diretamente com essa classe, mas sim com as classes filhas:
AccessibleRole e AccessibleState. A classe AccessibleBundle possui um
único método, toDisplayString, que permite obter a localização de uma string,
sendo que essa seqüência localizada destina-se a ser lida por seres
humanos.
6. Classe AccessibleResourceBundle: esta classe contém a localização das
strings para as classes AccessibleRole e AccessibleState. Assim como na
classe AccessibleBundle, o desenvolvedor não interage diretamente com
essa
classe,
mas
sim
com
as
classes
filhas:
AccessibleRole
e
AccessibleState.
É importante destacar que, para proporcionar a acessibilidade aos
aplicativos escritos na linguagem de programação Java, uma tecnologia assistiva
exige mais do que a API de acessibilidade Java. Ela também requer um mecanismo
para localizar os objetos que implementam essa API, bem como suporte para
carregá-la na Máquina Virtual Java, rastreamento de eventos, e assim por diante.
Portanto, a API Java Accessibility trabalha em conjunto com a Java Accessibility
Utilities que presta essa assistência (ORACLE e SUN, 2010).
32
5. CONCLUSÃO
Em meio à evolução da informação disponibilizada cada vez mais no
formato digital e considerando que essas informações devem estar ao alcance de
todas as pessoas, os estudos sobre a inclusão digital vêm sendo realizados por
diversos pesquisadores. Especificamente para pessoas portadoras de necessidades
especiais, os obstáculos para o acesso ao computador não se restringe a apenas
questões sociais e econômicas, mas também a questões arquitetônicas e físicas.
O desenvolvimento de ferramentas e tecnologias para auxiliar as
pessoas portadoras de necessidades especiais vem ocorrendo, chamadas de
tecnologias assistivas. Algumas dessas ferramentas estão disponíveis no mercado,
algumas distribuídas de forma livre, em que o usuário pode utilizá-las sem nenhum
ônus financeiro, e outras disponibilizadas mediante o pagamento de licenças.
A maioria dos softwares é disponibilizada em inglês, dificultando a
utilização destes e os programas confeccionados com o intuito de ajudar, às vezes
acabam não funcionando de maneira satisfatória para os PNEs. Portanto, é
importante ressaltar a existência da necessidade de ampliação de estudos nesta
área para tentar aproximar as tecnologias assistivas da realidade de cada usuário.
No que diz respeito à tecnologia Java, as tecnologias disponíveis vem
sofrendo atualizações com o intuito de aprimorar as ferramentas que oferecem
suporte a acessibilidade aos softwares. Deve ficar claro que somente o uso da API
Java Accessilibity não é suficiente para prover a acessibilidade, sendo necessário
utilizar o pacote de utilitários para fornecer apoio à API.
Outro fator que o desenvolvedor deve ter em mente é que os requisitos
de acessibilidade não deve ser um bônus disponibilizado no software, mas sim,
colocado como prioridade, pois a acessibilidade vem sendo apoiada por leis federais
e internacionais.
Neste trabalho, o objetivo foi realizar um levantamento das ferramentas
disponibilizadas pela tecnologia Java para apoiar a acessibilidade em aplicações
desktop. Assim, a principal contribuição corresponde ao levantamento realizado
sobre os recursos disponíveis para essa tecnologia. Entretanto, algumas outras
questões são fundamentais para a promoção da inclusão digital dos PNEs que vão
desde questões técnicas envolvendo os recursos da API que podem ser testadas e
33
melhoradas, até questões de âmbito social como a conscientização das pessoas
envolvidas direta ou indiretamente com as questões de acessibilidade para que cada
vez mais esse assunto possa ser introduzido na vida dos cidadãos.
34
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