UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE DESASTRES
ATLAS BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
1991 A 2012
Volume Sergipe
2ª edição revisada e ampliada
CEPED UFSC
Florianópolis – 2013
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Dilma Vana Rousseff
MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL
Fernando Bezerra Coelho
SECRETÁRIO NACIONAL DE DEFESA CIVIL
Humberto de Azevedo Viana Filho
DIRETOR DO CENTRO NACIONAL DE
GERENCIAMENTO DE RISCOS E DESASTRES
Rafael Schadeck
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
REITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
DE SANTA CATARINA
Professora Roselane Neckel, Dra.
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ESTUDOS
E PESQUISAS SOBRE DESASTRES
DIRETOR GERAL
Professor Antônio Edésio Jungles, Dr.
DIRETOR DO CENTRO TECNOLÓGICO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
Professor Sebastião Roberto Soares, Dr.
DIRETOR TÉCNICO E DE ENSINO
Professor Marcos Baptista Lopez Dalmau, Dr.
FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA
E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
SUPERINTENDENTE
Professor Gilberto Vieira Ângelo, Esp.
Esta obra é distribuída por meio da Licença Creative Commons 3.0
Atribuição/Uso Não Comercial/Vedada a Criação de Obras Derivadas / 3.0 / Brasil.
Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas
sobre Desastres.
Atlas brasileiro de desastres naturais: 1991 a 2012 / Centro Universitário de Estudos
e Pesquisas sobre Desastres. 2. ed. rev. ampl. – Florianópolis: CEPED UFSC, 2013.
89 p. : il. color. ; 22 cm.
Volume Sergipe.
1. Desastres naturais. 2. Estado de Sergipe - atlas. I. Universidade Federal de Santa
Catarina. II. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. III. Secretaria
Nacional de Defesa Civil. IV. Título.
CDU 912 (813.7).
Catalogação na publicação por Graziela Bonin – CRB14/1191.
Apresentação
O
conhecimento dos fenômenos climáticos e dos desastres naturais
e tecnológicos a que nosso território está sujeito é fundamental
para a efetividade de uma política de redução de riscos, objetivo
primordial da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Ciente disso,
tem-se avançado na construção de bancos de dados e no enriquecimento deles para que essas informações estejam disponíveis e atualizadas.
A primeira edição do Atlas Brasileiro de Desastres Naturais é um
exemplo desse avanço. Trata-se da evolução de um trabalho concluído
em 2010, que contou com a cooperação de todos os estados e do Distrito Federal, além da academia, num amplo trabalho de levantamento
de informações necessárias para a caracterização do cenário nacional
de desastres entre 1991 e 2010.
Realizado por meio de uma parceria entre a Secretaria Nacional de
Defesa Civil – SEDEC e a Universidade de Santa Catarina, esta nova edição
do Atlas foi atualizada com informações referentes aos anos de 2011 e 2012
e contempla novas metodologias para melhor caracterização dos cenários.
A perspectiva agora é a de que as atualizações dessas informações ocorram de forma ainda mais dinâmica. Com a implementação
do primeiro módulo do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres – S2ID, no início de 2013, os registros sobre desastres passaram a ser realizados on-line, gerando bancos de dados em tempo real.
Logo, as informações relacionadas a cada desastre ocorrido são disponibilizadas na internet, com informações que poderão prover tanto
gestores de políticas públicas relacionadas à redução dos riscos de
desastres, como também a academia, a mídia e os cidadãos interessados.
Finalmente, não se pode deixar de expressar os agradecimentos
àqueles que se empenharam para a realização deste projeto.
Humberto Viana
Secretário Nacional de Defesa Civil N
as últimas décadas os Desastres Naturais têm se tornado tema cada vez mais presente no cotidiano das
populações. Há um aumento considerável não apenas na frequência e na intensidade, mas também
nos impactos gerados causando danos e prejuízos cada vez mais intensos.
O Atlas Brasileiro de Desastres Naturais é um produto da pesquisa que resultou do acordo de cooperação entre a Secretaria Nacional de Defesa Civil e o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre
Desastres, da Universidade Federal de Santa Catarina.
A sua reedição está sendo realizada com o objetivo de atualizar e de incorporar eventos que provocaram desastres no Brasil nos anos de 2011 e de 2012.
A pesquisa pretende ampliar a compilação e a disponibilização de informações sobre os registros de
desastres ocorridos em todo o território nacional nos últimos 22 anos (1991 a 2012), por meio da publicação
de 26 volumes estaduais e de um volume Brasil.
O levantamento dos registros históricos, derivando na elaboração dos mapas temáticos e na produção do atlas, é relevante na medida em que viabiliza construir um panorama geral das ocorrências e das
recorrências de desastres no País e suas especificidades por estados e regiões. Tal levantamento subsidiará
o planejamento adequado em gestão de risco e redução de desastres, possibilitando uma análise ampliada
do território nacional, dos padrões de frequência observados, dos períodos de maior ocorrência, das relações desses eventos com outros fenômenos globais e dos processos relacionados aos desastres no País.
Os bancos de dados sistematizados e integrados sobre as ocorrências de desastres usados na primeira edição do atlas foram totalmente aproveitados e acrescidos das ocorrências registradas nos anos de
2011 e de 2012. Portanto, as informações relacionadas a esses eventos estão sendo processadas em séries
históricas e disponibilizadas a profissionais e a pesquisadores.
Este volume apresenta os mapas temáticos de ocorrências de desastres naturais no Estado de Sergipe. As informações aqui fornecidas referem-se a centenas de registros de ocorrências que mostram, anualmente, os riscos relacionados a esses eventos adversos.
Neste volume, o leitor encontrará informações sobre os registros dos desastres recorrentes no Estado
de Sergipe, espacializados nos mapas temáticos que, juntamente com a análise dos registros e com os
danos humanos, permitem uma visão global dos desastres ocorridos, de forma a subsidiar o planejamento
e a gestão das ações de minimização.
Prof. Antônio Edésio Jungles, Dr.
Coordenador Geral CEPED UFSC
EXECUÇÃO DO ATLAS BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ESTUDOS
E PESQUISAS SOBRE DESASTRES
GEOPROCESSAMENTO
Professor Gabriel Oscar Cremona Parma, Dr.
COORDENAÇÃO DO PROJETO
Professor Antônio Edésio Jungles, Dr.
REVISÃO TÉCNICA DE CONTEÚDO
Professor Rafael Augusto dos Reis Higashi, Dr.
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
SUPERVISÃO DO PROJETO
Professor Rafael Augusto dos Reis Higashi, Dr.
Professor Orlando Martini de Oliveira, Dr.
Joice Balboa
Professora Janete Abreu, Dra.
EQUIPE DE APOIO
Jairo Ernesto Bastos Krüger
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Graziela Bonin
Adriano Schmidt Reibnitz
EQUIPE DE ELABORAÇÃO DO ATLAS
AUTORES
Gerly Mattos Sanchez
Mari Angela Machado
Michely Marcia Martins
Professor Orlando Martini de Oliveira, Dr.
Professor Rafael Augusto dos Reis Higashi, Dr.
REVISÃO ORTOGRÁFICA E GRAMATICAL
Patrícia Regina da Costa
COORDENAÇÃO EDITORIAL
Denise Aparecida Bunn
Eliane Alves Barreto
Érika Alessandra Salmeron Silva
Sérgio Luiz Meira
Evillyn Kjellin Patussi
EQUIPE DE CAMPO, COLETA E TRATAMENTO DE DADOS
Ana Caroline Gularte
Paulo Roberto dos Santos
Bruna Alinne Classen
FOTOS CAPA
Daniela Gesser
Foto superior: Defesa Civil de Rio do Sul - SC
Regiane Mara Sbroglia
Karen Barbosa Amarante
Rita de Cássia Dutra
Maria Elisa Horn Iwaya
Foto à esquerda: Secretaria de Comunicação
Social de Tocantins - TO
Roberto Fabris Goerl
Larissa Mazzoli
Rodrigo Bim
Luiz Gustavo Rocha dos Santos
Foto inferior disponível em: <http://goo.gl/
XGpNxe>. Acesso em: 13 set. 2013.
Lista de Figuras
Figura 1: Registro de desastres...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................13
Figura 2: Foz do Rio São Francisco, Estado de Sergipe................................................................................................................................................................................................................................................................................21
Figura 3: Município de Frei Paulo ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................33
Figura 4: Seca no município de Frei Paulo...........................................................................................................................................................................................................................................................................................................34
Figura 5: Seca no município de Itabi ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................35
Figura 6: Seca no município de Itabi ......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................36
Figura 7: Enxurrada no município de Estância..................................................................................................................................................................................................................................................................................................44
Figura 8: Enxurradas em Estância.............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................47
Figura 9: Inundação do Rio São Francisco em período de cheia...........................................................................................................................................................................................................................................................54
Figura 10: Chuva no Município de Nossa Senhora do Socorro.............................................................................................................................................................................................................................................................57
Figura 11: a) Construção de novos loteamentos b) Aumento no hidrograma...........................................................................................................................................................................................................................63
Figura 12: a) Obstrução à drenagem b) Lixo retido na drenagem.......................................................................................................................................................................................................................................................63
Figura 13: Estação de recepção de dados de satélite da FUNCEME..................................................................................................................................................................................................................................................72
Figura 14: Linha de instabilidade desde o litoral do Estado do Maranhão até o Estado do Rio Grande do Norte..............................................................................................................................................72
Figura 15: Posicionamento de uma frente fria sobre o Nordeste.........................................................................................................................................................................................................................................................73
Figura 16: Processo de formação de granizo.....................................................................................................................................................................................................................................................................................................79
Figura 17: Posicionamento de uma frente fria sobre o Nordeste.........................................................................................................................................................................................................................................................80
Lista de Gráficos
Gráfico 1: Frequência anual de desastres causados por estiagem e seca no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012........................................................................................................................35
Gráfico 2: Frequência mensal de estiagem e seca no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.........................................................................................................................................................................35
Gráfico 3: Danos humanos ocasionados por estiagem e seca no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012...............................................................................................................................................36
Gráfico 4: Frequência anual de desastres por enxurradas no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.......................................................................................................................................................45
Gráfico 5: Frequência mensal de desastres por enxurradas no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012....................................................................................................................................................45
Gráfico 6: Danos humanos causados por desastres de enxurradas no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012...................................................................................................................................46
Gráfico 7: Estruturas destruídas e danificadas pelas enxurradas no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..........................................................................................................................................47
Gráfico 8: Frequência anual de desastres por inundações no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.......................................................................................................................................................55
Gráfico 9: Frequência mensal de desastres por inundações no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012 ..................................................................................................................................................55
Gráfico 10: Danos humanos causados por desastres de inundações no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012................................................................................................................................56
Gráfico 11: Danos materiais causados por desastres de inundações no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012................................................................................................................................57
Gráfico 12: Frequência anual de desastres por alagamentos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..................................................................................................................................................65
Gráfico 13: Frequência mensal de desastres por alagamentos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..............................................................................................................................................65
Gráfico 14: Danos humanos causados por desastres de alagamentos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.............................................................................................................................66
Gráfico 15: Edificações destruídas e danificadas pelos alagamentos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..................................................................................................................................66
Gráfico 16: Frequência mensal de registros de vendavais no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012........................................................................................................................................................73
Gráfico 17: Frequência anual de vendavais no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012........................................................................................................................................................................................73
Gráfico 18: Danos humanos causados por vendavais no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.................................................................................................................................................................74
Gráfico 19: Danos materiais causados por vendavais no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012.................................................................................................................................................................74
Gráfico 20: Danos humanos causados por granizos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012....................................................................................................................................................................80
Gráfico 21: Danos materiais causados por granizos no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012....................................................................................................................................................................81
Gráfico 22: Percentual dos desastres naturais mais recorrentes no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..........................................................................................................................................85
Gráfico 23: Frequência mensal dos desastres mais recorrentes no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012...........................................................................................................................................85
Gráfico 24: Municípios mais atingidos no Estado de Sergipe, classificados pelo total de registros, no período de 1991 a 2012....................................................................................................................86
Gráfico 25: Danos humanos associados a desastres naturais ocorridos no Estado de Sergipe no período de 1991 a 2012..........................................................................................................................86
Lista de Infográficos
Infográfico 1: Síntese das ocorrências de estiagens e secas no Estado de Sergipe.....................................................................................................................................................................................................................37
Infográfico 2: Síntese das ocorrências de enxurrada no Estado de Sergipe....................................................................................................................................................................................................................................48
Infográfico 3: Síntese das ocorrências de inundações no Estado de Sergipe.................................................................................................................................................................................................................................58
Infográfico 4: Síntese dos registros de alagamento no Estado de Sergipe.......................................................................................................................................................................................................................................67
Infográfico 5: Síntese das ocorrências de vendavais no Estado de Sergipe.....................................................................................................................................................................................................................................75
Infográfico 6: Síntese das ocorrências de granizos no Estado de Sergipe........................................................................................................................................................................................................................................81
Infográfico 7: Registros das diferentes tipologias de desastres naturais por municípios do Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012..........................................................................................87
Lista de Mapas
Mapa 1: Municípios e mesorregiões do Estado de Sergipe......................................................................................................................................................................................................................................................................20
Mapa 2: Registros de estiagem e seca no Estado de Sergipe de 1991 a 2012.............................................................................................................................................................................................................................32
Mapa 3: Registros de enxurradas no Estado de Sergipe de 1991 a 2012.......................................................................................................................................................................................................................................42
Mapa 4: Registros de inundações no Estado de Sergipe 1991 a 2012..............................................................................................................................................................................................................................................52
Mapa 5: Registros de alagamento no Estado de Sergipe de 1991 a 2012.......................................................................................................................................................................................................................................62
Mapa 6: Registros de vendavais no Estado de Sergipe de 1991 a 2012...........................................................................................................................................................................................................................................70
Mapa 7: Registros de granizos no Estado de Sergipe de 1991 a 2012..............................................................................................................................................................................................................................................78
Mapa 8: Registros do total dos eventos no Estado de Sergipe de 1991 a 2012.........................................................................................................................................................................................................................84
Lista de Quadros
Quadro 1: Hierarquização de documentos.......................................................................................................................................................................................................................................................................................................14
Quadro 2: Principais eventos incidentes no País.............................................................................................................................................................................................................................................................................................16
Quadro 3: Transformação da CODAR em COBRADE..............................................................................................................................................................................................................................................................................16
Quadro 4: Termos e definições propostos para as enxurradas..............................................................................................................................................................................................................................................................43
Quadro 5: Alguns conceitos utilizados para definir as inundações graduais....................................................................................................................................................................................................................................53
Lista de Tabelas
Tabela 1: População, taxa de crescimento, densidade demográfica e taxa de urbanização, segundo Brasil, Estado do Sergipe e as Grandes Regiões do Brasil – 2000/2010...................22
Tabela 2: População, taxa de crescimento e taxa de população urbana e rural, segundo a Região Nordeste e Unidades da Federação – 2000/2010...................................................................23
Tabela 3: Produto Interno Bruto per capita, segundo a Região Nordeste e Unidades da Federação – 2004/2008...............................................................................................................................................23
Tabela 4: Déficit Habitacional Urbano em relação aos domicílios particulares permanentes, segundo Brasil, Região Nordeste e Unidades da Federação – 2008.........................................24
Tabela 5: Distribuição percentual do Déficit Habitacional Urbano por faixas de renda média familiar mensal, segundo Região Nordeste e Unidades da Federação – FJP/2008.........24
Tabela 6: Pessoas de 25 anos ou mais de idade, total e respectiva distribuição percentual, por grupos de anos de estudo – Brasil, Região Nordeste e Estado de Sergipe – 2009....25
Tabela 7: Taxas de fecundidade total, bruta de natalidade, bruta de mortalidade, de mortalidade infantil e esperança de vida ao nascer, por sexo – Brasil, Região Nordeste e
Unidades.................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................25
Tabela 8: Danos humanos relacionados aos eventos mais severos (1991-2012)........................................................................................................................................................................................................................46
Tabela 9: Descrição dos principais municípios em relação aos danos materiais (1991-2012).............................................................................................................................................................................................47
Tabela 10: Os municípios mais severamente atingidos no Estado de Sergipe (1991-2012).................................................................................................................................................................................................56
Tabela 11: Total de danos materiais – eventos mais severos (1991-2012)......................................................................................................................................................................................................................................57
Tabela 12: Principais danos humanos em eventos de alagamento (1991-2012).......................................................................................................................................................................................................................66
Tabela 13: Descrição dos danos materiais nos municípios afetados por alagamento em Sergipe (1991-2012).......................................................................................................................................................67
Foto: Victor Adriano; vista da Ponte Aracaju-Barra (Ponte Construtor João Alves) sobre o rio Sergipe
Sumário
ESTIAGEM E SECA
INTRODUÇÃO
31
13
O ESTADO
DE SERGIPE
ENXURRADA
19
41
DESASTRES NATURAIS
NO ESTADO DE
SERGIPE DE 1991 A 2012
29
INUNDAÇÃO
51
ALAGAMENTO
61
VENDAVAL
69
GRANIZO
DIAGNÓSTICO DOS DESASTRES
77
NATURAIS NO ESTADO DE SERGIPE
83
Introdução
O
Atlas Brasileiro de Desastres Naturais é um produto de pesquisa
realizada por meio de um acordo de cooperação celebrado entre o
Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina e a Secretaria Nacional de Defesa Civil.
A pesquisa teve por objetivo produzir e disponibilizar informações sobre os registros de desastres no território nacional ocorridos nos últimos 22
anos (1991 a 2012), na forma de 26 volumes estaduais e um volume Brasil.
No Brasil, o registro oficial de um desastre poderia ocorrer pela emissão de três documentos distintos, não obrigatoriamente dependentes:
Notificação Preliminar de Desastre (NOPRED), Avaliação de Danos (AVADAN), ou Decreto municipal ou estadual. Após a publicação da Instrução
Normativa n. 1, de 24 de agosto de 2012, o NOPRED e o AVADAN foram
substituídos por um único documento, o Formulário de Informações sobre
Desastres (FIDE).
A emissão de um dos documentos acima referidos ou, na ausência
deles, e a decretação municipal ou estadual de situação de emergência ou
estado de calamidade pública decorrente de um desastre são submetidas
ao reconhecimento federal. Esse reconhecimento ocorreu devido à publicação de uma Portaria no Diário Oficial da União, que tornou pública e reconhecida a situação de emergência ou de calamidade pública decretada.
A Figura 1 ilustra o processo de informações para a oficialização do registro
e reconhecimento de um desastre.
Figura 1: Registro de desastres
Incidência de Evento Adverso
Município
NOPRED
AVADAN
FIDE
Decreto Municipal ou Estadual
Portaria de Reconhecimento Federal
Fonte: Dados da pesquisa (2013)
O Relatório de Danos também foi um documento para registro oficial
utilizado pela Defesa Civil até meados de 1990, mas foi substituído, posteriormente, pelo AVADAN. Os documentos são armazenados em meio físico
e as Coordenadorias Estaduais de Defesa Civil são responsáveis pelo arquivamento dos documentos.
Os resultados apresentados demonstram a importância que deve ser
dada ao ato de registrar e de armazenar, de forma precisa, integrada e sistemática, os eventos adversos ocorridos no País, porém até o momento não exis-
14
Introdução
te banco de dados ou informações sistematizadas sobre o contexto brasileiro
de ocorrências e controle de desastres no Brasil.
Dessa forma, a pesquisa realizada se justifica por seu caráter pioneiro no
resgate histórico dos registros de desastres e ressalta a importância desses registros pelos órgãos federais, distrital, estaduais e municipais de Defesa Civil.
Desse modo, estudos abrangentes e discussões sobre as causas e a intensidade dos desastres contribuem para a construção de uma cultura de proteção
civil no País.
Levantamento de Dados
Os registros até 2010 foram coletados entre outubro de 2010 e maio de
2011, quando pesquisadores do CEPED UFSC visitaram as 26 capitais brasileiras
e o Distrito Federal para obter os documentos oficiais de registros de desastres
disponibilizados pelas Coordenadorias Estaduais de Defesa Civil e pela Defesa
Civil Nacional. Primeiramente, todas as Coordenadorias Estaduais receberam
um ofício da Secretaria Nacional de Defesa Civil comunicando o início da pesquisa e solicitando a cooperação no levantamento dos dados.
Os registros do ano de 2011 foram digitalizados sob a responsabilidade
da SEDEC e os arquivos em meio digital foram encaminhados ao CEPED UFSC
para a tabulação, a conferência, a exclusão das repetições e a inclusão na base
de dados do S2ID.
Os registros de 2012 foram digitalizados em fevereiro de 2013 por uma
equipe do CEPED UFSC que se deslocou à sede da SEDEC para a execução
da tarefa. Além desses dados foram enviados ao CEPED UFSC todos os documentos existentes, em meio digital, da Coordenadoria Estadual de Defesa
Civil de Minas Gerais e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Paraná.
Esses documentos foram tabulados e conferidos, excluídas as repetições e, por
fim, incluídos na base de dados do S2ID. Além disso, a Coordenadoria Estadual
de Defesa Civil de São Paulo enviou uma cópia do seu banco de dados que foi
convertido nos moldes do banco de dados do S2ID.
Como na maioria dos Estados, os registros são realizados em meio físico e
depois arquivados, por isso, os pesquisadores utilizaram como equipamento de
apoio um scanner portátil para transformar em meio digital os documentos disponibilizados. Foram digitalizados os documentos datados entre 1991 e 2012,
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
possibilitando o resgate histórico dos últimos 22 anos de registros de desastres
no Brasil. Os documentos encontrados consistem em Relatório de Danos, AVADANs, NOPREDs, FIDE, decretos, portarias e outros documentos oficiais (relatórios estaduais, ofícios).
Como forma de minimizar as lacunas de informações, foram coletados documentos em arquivos e no banco de dados do Ministério da Integração Nacional e da Secretaria Nacional de Defesa Civil, por meio de consulta das palavraschave “desastre”, “situação de emergência” e “calamidade”.
Notícias de jornais encontradas nos arquivos e no banco de dados também
compuseram a pesquisa, na forma de dados não oficiais, permitindo a identificação de um evento na falta de documentos oficiais.
Tratamento dos Dados
Para compor a base de dados do Atlas Brasileiro de Desastres Naturais,
os documentos pesquisados foram selecionados de acordo com a escala de
prioridade apresentada no Quadro 1 para evitar a duplicidade de registros.
Quadro 1: Hierarquização de documentos
AVADAN/FIDE
Documento prioritário em função da abrangência de
informações registradas
NOPRED
Selecionado no caso de ausência de AVADAN/FIDE
Relatório de
Danos
Selecionado no caso de ausência de AVADAN/FIDE e NOPRED
Portaria
Selecionado no caso de ausência de AVADAN/FIDE, NOPRED e
Relatório de Danos
Decreto
Selecionado no caso de ausência de AVADAN/FIDE, NOPRED,
Relatório de Danos e Portaria
Outros
Selecionado no caso de ausência de AVADAN/FIDE, NOPRED,
Relatório de Danos, Portaria e Decreto
Jornais
Selecionado no caso de ausência dos documentos acima
Fonte: Dados da pesquisa (2013)
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Os documentos selecionados foram nomeados com base em um código formado por cinco campos que permitem a identificação da:
Introdução
15
A fim de identificar discrepâncias nas informações, erros de digitação e
demais falhas no processo de transferência de dados, foram criados filtros
de controle para verificação desses dados:
1 –Unidade Federativa;
2 –Tipo do documento:
A – AVADAN;
N – NOPRED;
F – FIDE;
R – Relatório de danos;
D – Decreto municipal;
P – Portaria;
J – Jornais.
3 –Código do município estabelecido pelo IBGE;
4 –Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE);
5 –Data de ocorrência do desastre (ano/mês/dia). Quando não foi
possível identificar foi considerada a data de homologação do
decreto ou de elaboração do relatório.
EX: SC – A – 4201901 – 12302 – 20100203
¸ ¸
¸
¸
¸
12 3
4
5
Fonte: Dados da pesquisa (2013)
As informações presentes nos documentos do banco de dados foram
manualmente tabuladas em planilhas para permitir a análise e a interpretação de forma integrada.
O processo de validação dos documentos oficiais foi realizado juntamente com as Coordenadorias Estaduais de Defesa Civil, por intermédio
da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o objetivo de garantir a representatividade dos registros de cada estado.
1 –De acordo com a ordem de prioridade apresentada no Quadro
1, os documentos referentes ao mesmo evento, emitidos com
poucos dias de diferença, foram excluídos para evitar a duplicidade de registros;
2 –Os danos humanos foram comparados com a população do município registrada no documento (AVADAN) para identificar discrepâncias ou incoerências de dados. Quando identificada uma situação discrepante adotou-se como critério não considerar o dado na
amostra, informando os dados não considerados na sua análise. A
pesquisa não modificou os valores julgados como discrepantes.
Classificação dos Desastres Naturais
O Atlas Brasileiro de Desastres Naturais apresenta a análise dos dez
principais eventos incidentes no País, sendo considerada até a publicação da
Instrução Normativa n. 1, de 24 de agosto de 2012, a Codificação de Desastres, Ameaças e Riscos (CODAR). Após essa data, considera-se a Codificação
Brasileira de Desastres (COBRADE), como mostra o Quadro 2, desenvolvida
pela Defesa Civil Nacional, como base para a classificação quanto à origem
dos desastres. Os registros foram convertidos da CODAR para a COBRADE,
a fim de uniformizar a base de dados analisada, Quadro 3.
16
Introdução
Atlas
Quadro 2: Principais eventos incidentes no País
Tipo
Movimentos de
Massa
Erosão
11311
Quedas, Tombamentos e rolamentos – Lascas
11312
Quedas, Tombamentos e rolamentos – Matacões
11313
Quedas, Tombamentos e rolamentos – Lajes
11314
Deslizamentos
11321
Corridas de Massa – Solo/Lama
11331
Corridas de Massa – Rocha/detrito
11332
Subsidências e colapsos
11340
Erosão Costeira/Marinha
11410
Erosão de Margem Fluvial
11420
Erosão Continental – Laminar
11431
Erosão Continental – Ravinas
11432
Erosão Continental – Boçorocas
11433
12100
Enxurradas
12200
Alagamentos
12300
Estiagem/seca
Ciclones – Ventos Costeiros (Mobilidade de Dunas)
13111
Ciclones – Marés de Tempestade (Ressacas)
13112
Tempestade Local/Convectiva – Vendaval
13215
13213
Estiagem
14110
Seca
14120
Tempestade Local/Convectiva – Tornados
13211
Onda de Frio – Geadas
13322
14131
Incêndio Florestal
14132
Fonte: Dados da pesquisa (2013)
Tipo
a
2012 –
volume sergipe
CODAR
COBRADE
Quedas, Tombamentos e rolamentos – Matacões
13304
11313
Deslizamentos
13301
11321
Corridas de Massa – Solo/Lama
13302
11331
Subsidências e colapsos
13307
11340
Erosão Costeira/Marinha
13309
11410
Erosão de Margem Fluvial
13308
11420
Erosão Continental – Laminar
13305
11431
Erosão Continental – Ravinas
13306
11432
Inundações
12301
12100
Enxurradas
12302
12200
Alagamentos
12303
12300
Ciclones - Ventos Costeiros (Mobilidade de Dunas)
13310
13111
Tempestade Local/Convectiva – Granizo
12205
13213
Tempestade Local/Convectiva – Vendaval
12101
13215
Seca
12402
14120
Estiagem
12401
14110
Tempestade Local/Convectiva – Tornados
12104
13211
Onda de Frio – Geadas
12206
13322
13305
14131
13306
14132
COBRADE
Quedas, Tombamentos e rolamentos – Blocos
Tempestade Local/Convectiva – Granizo
– 1991
Quadro 3: Transformação da CODAR em COBRADE
Inundações
Ciclones/vendavais
brasileiro de desastres naturais
Incêndio Florestal
Fonte: Dados da pesquisa (2013)
Produção de Mapas Temáticos
Com o objetivo de possibilitar a análise dos dados foram desenvolvidos mapas temáticos para espacializar e representar a ocorrência dos eventos. Utilizou-se a base cartográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE, 2005) para estados e municípios e a base hidrográfica da
Agência Nacional de Águas (ANA, 2010). Dessa forma, os mapas que compõem a análise dos dados por estado, são:
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
• Mapas municípios e mesorregiões de cada estado;
• Mapas para cada tipo de desastres;
• Mapas de todos os desastres do estado.
Análise dos Dados
A partir dos dados coletados para cada estado foram desenvolvidos
mapas, gráficos e tabelas que possibilitaram a construção de um panorama
espaço-temporal sobre a ocorrência dos desastres. Quando foram encontradas fontes teóricas que permitiram caracterizar os aspectos geográficos
do estado, como clima, vegetação e relevo, as análises puderam ser complementadas. Os aspectos demográficos do estado também compuseram
uma fonte de informações sobre as características locais.
Assim, a análise dos desastres, associada a informações complementares, permitiu a descrição do contexto onde os eventos ocorreram e subsidia
os órgãos responsáveis para as ações de prevenção e de reconstrução.
Dessa forma, o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, ao reunir informações sobre os eventos adversos registrados no território nacional, é um
repositório para pesquisas e consultas, contribuindo para a construção de
conhecimento.
Limitações da Pesquisa
As principais dificuldades encontradas na pesquisa foram as condições
de acesso aos documentos armazenados em meio físico, já que muitos deles
se encontravam sem proteção adequada e sujeitos às intempéries, resultando em perda de informações valiosas para o resgate histórico dos registros.
As lacunas de informações quanto aos registros de desastres, o banco
de imagens sobre desastres e o referencial teórico para caracterização geográfica por estado também se configuram como as principais limitações
para a profundidade das análises.
Por meio da realização da pesquisa, foram evidenciadas algumas fragilidades quanto ao processo de gerenciamento das informações sobre os
desastres brasileiros, como:
Introdução
17
• Ausência de unidades e campos padronizados para as informações declaradas nos documentos;
• Ausência de método de coleta sistêmica e armazenamento dos
dados;
• Falta de cuidado quanto ao registro e integridade histórica;
• Dificuldades na interpretação do tipo de desastre pelos responsáveis pela emissão dos documentos;
• Dificuldades de consolidação, transparência e acesso aos dados.
Cabe ressaltar que o aumento do número de registros a cada ano
pode estar relacionado à constante evolução dos órgãos de Defesa Civil
quanto ao registro de desastres pelos documentos oficiais. Assim, acreditase que pode haver carência de informações sobre os desastres ocorridos
no território nacional, principalmente entre 1991 e 2001, período anterior
ao AVADAN.
5
7
2
4
3
Fotos 1, 3, 4, 6 e7: Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Sergipe, 2011. Fotos 2 e 5: Tito Garcez, Wikimedia Commons, 2013.
6
1
O Estado de Sergipe
20
O Estado
de
Sergipe
Atlas
Mapa 1: Municípios e mesorregiões do Estado de Sergipe
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Caracterização Geográfica
O Estado
de
Sergipe
21
efeitos topográficos, minimizados pela topografia local quase insignificante e
a continentalidade bem definida no padrão regional do sertão, agreste e litoEstado de Sergipe localiza-se na parte ocidental da Região Norral, com o volume de chuvas decrescendo a partir do afastamento da fonte de
deste brasileira, entre os paralelos 9º31’54” e 11º34’12” de latitusuprimento de umidade no oceano (PLINTO, [19--?]). A estação seca é mais
de sul e os meridianos 36º24’27” e 38º11’20” de longitude oeste.
severa à medida que se interioriza o território sergipano (METEOROLOGIA
(SERGIPE, [20--?a])
SINÓTICA, 2004). As temperaturas oscilam pouco no estado, mas o oposto
Com uma área territorial de 21.094 km², é o menor estado brasileiro em
ocorre com a pluviosidade, registrando-se valores contrastantes, entre total e
dimensões territoriais, correspondente a 0,26% território nacional, e 1,42% da
regime de chuvas (METEOROLOGIA SINÓTICA, 2004).
Região Nordeste (NASCIMENTO, 1997). Limita-se ao norte, com o Estado de
O Sergipe possui uma característica de transição entre os regimes pluAlagoas, separado pelo rio São Francisco; ao Sul e ao Oeste, com o Estado da
viométricos do norte, com máximos pluviométricos de fevereiro a maio, e do
Bahia; e ao Leste, com o Oceano Atlântico. O estado ocupa uma faixa litorâsul, de dezembro a fevereiro. Essa transição é observada no início e/ou final da
nea com 120 km de largura e 163 km de extensão (SERGIPE, [20--?a]).
estação chuvosa alterando a precipitação positivamente com valores acima da
O Estado de Sergipe contém 75 municípios, divididos em três mesorrenormal climatológica ou negativamente, reduzindo a precipitação e causando
giões geográficas: Mesorregião Sertão Sergipa“veranicos” (SERGIPE, 2011). O regime pluviométrino, Mesorregião Agreste Sergipano e Mesorreco do estado é associado às condições atmosféricas
Figura 2: Foz do Rio São Francisco, Estado de Sergipe
gião Leste Sergipano, conforme o Mapa 1. Sua
e sistemas sinóticos que atuam no leste do Nordeste
capital é Aracaju, localizada na Mesorregião
do Brasil (NEB) e possuem uma característica própria
Leste Sergipano.
diferente dos demais regimes do NEB, apresentando
No nordeste brasileiro, o clima é muito
uma grande variabilidade sazonal (SERGIPE, 2011).
influenciado pela presença da Zona de ConO estado é dividido em três zonas climáticas sem
vergência Intertropical (ZCIT), de baixa pressão
limites muito definidos: o semiárido, com grande deatmosférica, originada pela convergência dos
ficiência hídrica; o clima de transição semiárida, que
ventos alísios dos dois hemisférios e a decorcorresponde ao que se denomina de Agreste, e clima
rente formação de massa de nuvens que resulta
de transição subúmida, situada próxima ao litoral e
em precipitações (FONTES; CORREIA, [20--?]).
suscetível aos períodos secos (SERGIPE, 2011).
Muitos quadros de seca são intensificados, não
A vegetação do Sergipe divide-se entre a área
somente pela falta de umidade no ar, mas tamúmida, a árida e a de transição entre as duas. A área
bém pela falta de mecanismos que convertam
úmida está localizada no litoral e ali há a vegetação
o vapor de água em chuva (METEOROLOGIA
perenifólia, composta pelos manguezais, restingas e
SINÓTICA, 2004). E por sofrer influência de diFloresta Atlântica. Essa floresta se estende por todo
versas massas de ar, muitas vezes, a umidade é
o litoral, com largura aproximada de 40 km, restandeslocada antes de precipitar.
do apenas alguns remanescentes. À medida que se
No Sergipe, o clima obedece aos controles
afasta do litoral, o porte da vegetação vai diminuinfísicos comuns dos climas tropicais, incluindo as
do e assumindo a forma caducifólia. A área de transicorrentes oceânicas ao longo de seu litoral, os Fonte: Acervo da Defesa Civil Estadual de Sergipe (BRASIL, 2011) ção está entre essa diminuição da Floresta Atlântica
O
22
O Estado
de
Sergipe
e início da caatinga e é formada pela associação dessas duas formas de vegetação de cerrado, denominada tabuleiro. Nas regiões áridas, há principalmente caatinga, mas também associações rupestres. A caatinga é subdivida
de acordo com a disponibilidade hídrica, em hiperxerófita ou hipoxerófita
(SERGIPE, [20--?c]).
O Estado de Sergipe é drenado por rios que pertencem a duas grandes bacias hidrográficas brasileiras, a do Rio São Francisco e a do Atlântico
Leste. A Bacia do São Francisco, a mais importante delas, tem uma extensão de 7.184 km², no estado. Nessa bacia estão o rio São Francisco, que
tem um curso de 236 km e serve de divisa entre os estados de Sergipe e de
Alagoas, e o rio Xingó, que faz a divisa de Sergipe com a Bahia. Há também
as bacias dos rios Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e do Real, que faz
a divisa sul com a Bahia (NASCIMENTO, 1997).
No século XIX e no início do século XX, foram construídos canais de conexão fluvial que permitiram a interligação das bacias hidrográficas dos rios
Japaratuba e Sergipe, por meio da construção do Canal do Pomonga, e entre
as bacias hidrográficas dos rios Sergipe e do Vaza-Barris, por intermédio do
Canal de Santa Maria (FONSECA, VILAR; SANTOS, 2009).
No relevo do litoral até a região central predominam terras planas ou ligeiramente onduladas. Isso permite que até essa faixa as chuvas sejam mais
frequentes do que na zona oeste, onde se localiza o sertão (SERGIPE, [20--?b]).
A presença de cavernas se deve à geologia do estado, situado em uma área
limítrofe de três províncias estruturais: Província de São Francisco, Província
Borborema, Província Costeira e Margem Continental (SANTOS; MENEZES,
2003). São formas desgastadas de baixas altitudes; 86% do território está abaixo de 300 m do nível do mar. A baixada litorânea constitui uma extensa faixa
de tabuleiros sedimentares, com cerca de 150 km de largura do litoral, em
direção ao interior. No norte do estado, esses terrenos baixos se unem à planície aluvial do Rio São Francisco. A baixada, por seus aspectos fisiográficos,
corresponde em sua maior parte à Zona da Mata, cuja vegetação original era a
floresta tropical, hoje, em grande parte, devastada pela exploração econômica
predatória ou substituída por áreas agrícolas (SOUZA, 2003).
Em relação à economia, Sergipe é o segundo maior produtor de laranjas do país. Além disso, tem um rebanho bovino bastante expressivo e está
investindo nos últimos anos em projetos de irrigação de hortaliças, rizicul-
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
tura e frutas tropicais, além dos cultivos tradicionais, como feijão, milho e
mandioca (LOPES, 2003).
Os cítricos são cultivados principalmente no sul do estado, a cana-de-açúcar na faixa costeira norte, os coqueirais e os perímetros irrigados são
as áreas agrícolas mais importantes economicamente. Apresentam peso
significativo, também, as culturas temporárias e a pecuária no agreste e
sertão sergipanos (LOPES, 2003)
Dados Demográficos
A Região Nordeste do Brasil possui uma densidade demográfica de
34,15 hab/km², a terceira menor do Brasil. Possui também a terceira menor
taxa de crescimento do país, com 11,18%, no período de 2000 a 2010. Já
o Estado do Sergipe apresenta uma população de 2.068.031 habitantes e
Tabela 1: População, taxa de crescimento, densidade demográfica e taxa de urbanização,
segundo Brasil, Estado do Sergipe e as Grandes Regiões do Brasil – 2000/2010
Grandes Regiões
BRASIL
Região Norte
Região Nordeste
População
em 2000
População
em 2010
169.799.170 190.732.694
Taxa de
Crescimento
2000 a 2010
Densidade
Taxa de Pop.
Demográfica
Urbana –
(hab/km²) 2010
2010
12,33%
22,43
84,36%
12.900.704
15.865.678
22,98%
4,13
73,53%
47.741.711
53.078.137
11,18%
34,15
73,13%
Sergipe
1.784.475
2.068.031
15,89%
92,22
73,51%
Região Sudeste
72.412.411
80.353.724
10,97%
86,92
92,95%
Região Sul
25.107.616
27.384.815
9,07%
48,58
84,93%
Região Centro-Oeste
11.636.728
14.050.340
20,74%
8,75
88,81%
Fonte: IBGE (2010)
densidade demográfica de 92,22 hab/km² (Tabela 1).
A população sergipana em sua maioria é urbana, com uma taxa de
73,51%, a quarta menor entre os estados da região. A característica de
maior população urbana é encontrada também na Região Nordeste, com
73,13%, seguindo a tendência do país, com uma taxa nacional de população urbana de 84,36% (Tabelas 1 e 2).
Atlas
– 1991
brasileiro de desastres naturais
a
2012 –
O Estado
volume sergipe
Tabela 2: População, taxa de crescimento e taxa de população urbana e rural,
segundo a Região Nordeste e Unidades da Federação – 2000/2010
Abrangência
Geográfica
População
2000
2010
Taxa de
Crescimento
(2000-2010)
Taxa de
População
Urbana (2010)
BRASIL
169.799.170 190.732.694
12,33%
84,36%
15,70%
47.741.711
53.078.137
11,18%
73,13%
26,87%
5.651.475
6.569.683
16,25%
63,07%
34,23%
Maranhão
Piauí
2.843.278
3.119.015
9,7%
65,77%
36,93%
Ceará
7.430.661
8.448.055
13,69%
75,09%
24,91%
Rio Grande do Norte
2.776.782
3.168.133
14,09%
77,82%
22,18%
Paraíba
3.443.825
3.766.834
9,38%
75,37%
24,63%
Pernambuco
7.918.344
8.796.032
11,08%
80,15%
19,85%
Alagoas
2.822.621
3.120.922
10,57%
73,64%
26,36%
Sergipe
1.784.475
2.068.031
15,89%
73,51%
26,49%
Bahia
13.070.250
14.021.432
7,28%
72,07%
27,93%
Abrangência
geográfica
BRASIL
Produto Interno Bruto
PIB – Produto Interno Bruto: é o total dos bens e serviços produzidos pelas unidades
produtoras residentes destinadas ao consumo final sendo, portanto, equivalente à soma
dos valores adicionados pelas diversas atividades econômicas acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB também é equivalente à soma dos consumos finais de bens e serviços
valorados a preço de mercado sendo, também, equivalente à soma das rendas primárias.
Pode, portanto, ser expresso por três óticas: a) da produção – o PIB é igual ao valor bruto
da produção, a preços básicos, menos o consumo intermediário, a preços de consumidor,
mais os impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos; b) da demanda – o PIB é igual
a despesa de consumo das famílias, mais o consumo do governo, mais o consumo das
instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (consumo final), mais a formação bruta
de capital fixo, mais a variação de estoques,mais as exportações de bens e serviços, menos
as importações de bens e serviços; c) da renda – o PIB é igual à remuneração dos empregados, mais o total dos impostos, líquidos de subsídios, sobre a produção e a importação,
mais o rendimento misto bruto, mais o excedente operacional bruto. (IBGE, 2008).
1
23
Tabela 3: Produto Interno Bruto per capita, segundo a Região
Nordeste e Unidades da Federação – 2004/2008
Fonte: IBGE (2010)
O PIB1 per capita do Estado de Sergipe, segundo dados da Tabela 3,
cresceu em média 55%, entre 2004 a 2008, acima da média da Região Nordeste, em torno de 53%, e da média do Brasil, em torno de 50%.
No ano de 2008, o PIB per capita era de R$ 9.778,96, maior que a média
regional, de R$ 7.487,55, mas abaixo da média nacional, de R$ 15.989,75. O
Sergipe
PIB per capita do Estado de Sergipe é o mais alto entre todos os estados da
Região Nordeste. No mesmo período, a taxa de variação foi de 55% (Tabela 3).
Taxa de
População
Rural (2010)
Região Nordeste
de
PIB per capita em R$
2004
2005
2006
2007
2008
10.692,19 11.658,12 12.686,60 14.464,73 15.989,75
Taxa de
Variação
2004/2008
50,00%
Região Nordeste
4.889,99
5.498,83
6.028,09
6.748,81
7.487,55
53,00%
Maranhão
3.587,90
4.509,51
4.627,71
5.165,23
6.103,66
70,00%
Piauí
3.297,24
3.701,24
4.211,87
4.661,56
5.372,56
63,00%
Ceará
4.621,82
5.055,43
5.634,97
6.149,03
7.111,85
54,00%
Rio Grande do Norte
5.259,92
5.950,38
6.753,04
7.607,01
8.202,81
56,00%
Paraíba
4.209,90
4.691,09
5.506,52
6.097,04
6.865,98
63,00%
Pernambuco
5.287,29
5.933,46
6.526,63
7.336,78
8.064,95
49,00%
Alagoas
4.324,35
4.688,25
5.162,19
5.858,37
6.227,50
44,00%
Sergipe
6.289,39
6.823,61
7.559,35
8.711,70
9.778,96
55,00%
Bahia
5.780,06
6.581,04
6.918,97
7.787,40
8.378,41
45,00%
Fonte: IBGE (2008)
Indicadores Sociais Básicos
Déficit Habitacional no Brasil
2
No Brasil, em 2008, o déficit habitacional urbano, que engloba as moradias sem condições de serem habitadas, em razão da precariedade das
construções ou do desgaste da estrutura física, correspondeu a 5.546.310
Déficit Habitacional: o conceito de déficit habitacional utilizado está ligado diretamente às
deficiências do estoque de moradias. Inclui ainda a necessidade de incremento do estoque,
em função da coabitação familiar forçada (famílias que pretendem constituir um domicilio unifamiliar), dos moradores de baixa renda com dificuldade de pagar aluguel e dos que vivem em
casas e apartamentos alugados com grande densidade. Inclui-se ainda nessa rubrica a moradia
em imóveis e locais com fins não residenciais. O déficit habitacional pode ser entendido, portanto, como déficit por reposição de estoque e déficit por incremento de estoque. O conceito
de domicílios improvisados engloba todos os locais e imóveis sem fins residenciais e lugares
que servem como moradia alternativa (imóveis comerciais, embaixo de pontes e viadutos, carcaças de carros abandonados e barcos e cavernas, entre outros), o que indica claramente a
carência de novas unidades domiciliares (BRASIL, 2008).
2
24
O Estado
de
Sergipe
Atlas
milhões de domicílios, dos quais, 4.629.832 milhões estão localizados nas
áreas urbanas. Em relação ao estoque de domicílios particulares permanentes do país, o déficit corresponde a 9,6%. No Estado de Sergipe, o déficit habitacional, em 2008, foi de 66.492 mil domicílios, dos quais 57.606 mil
localizados nas áreas urbanas e 8.886 nas áreas rurais (Tabela 4).
Tabela 4: Déficit Habitacional Urbano em relação aos domicílios particulares
permanentes, segundo Brasil, Região Nordeste e Unidades da Federação – 2008
Abrangência
geográfica
Déficit Habitacional – Valores Absolutos – 2008
Total
Urbano
Rural
Percentual em relação aos domicílios
particulares permanentes
Brasil
5.546.310 4.629.832 916.478
9,60%
Nordeste
1.946.735 1.305.628 641.107
13,00%
Maranhão
434.750
204.632
230.118
26,90%
Piauí
124.047
71.358
52.689
14,20%
Ceará
276.915
186.670
90.245
11,70%
Rio Grande do Norte
104.190
78.261
25.929
11,70%
Paraíba
104.699
87.746
16.953
9,60%
Pernambuco
263.958
214.182
49.776
10,60%
Alagoas
85.780
63.353
22.427
9,70%
Sergipe
66.492
57.606
8.886
11,70%
Bahia
485.904
34.820
144.084
11,50%
Fonte: Brasil (2008, p. 31)
Em relação ao estoque de domicílios particulares permanente do estado, o déficit corresponde a 11,70%. Se comparados aos percentuais de
domicílios particulares dos demais estados da região, Sergipe é o segundo
mais alto, juntamente com os Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte,
abaixo apenas do Maranhão – 26,90%, que está abaixo do percentual regional, 13,00%, mas acima do nacional, da ordem de 9,6%, conforme a Tabela 4.
Déficit Habitacional Urbano em 2008, Segundo Faixas de
Renda Familiar em Salários Mínimos
A análise dos dados refere-se à faixa de renda média familiar mensal
em termos de salários mínimos sobre o déficit habitacional. O objetivo é
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
destacar os domicílios urbanos precários e sua faixa de renda, alvo preferencial de políticas públicas que visem à melhoria das condições de vida da
população mais vulnerável.
No Estado de Sergipe, as desigualdades sociais estão expressas pelos indicadores do déficit habitacional, segundo faixa de renda. Os dados
mostram que a renda familiar mensal é extremamente baixa, onde 98,30%
das famílias recebem até três salários mínimos, sendo o maior percentual
entre os estados da Região. Na Região Nordeste, esse valor é de 95,6%,
enquanto a média no Brasil é de 89,6% das famílias (Tabela 5).
Tabela 5: Distribuição percentual do Déficit Habitacional Urbano por faixas de renda
média familiar mensal, segundo Região Nordeste e Unidades da Federação – FJP/2008
Abrangência
Geográfica
Faixas de Renda Média Familiar Mensal (em salário mínimo)
Até 3
3a5
5 a 10
Mais de 10
Total
Brasil
89,60%
7,00%
2,80%
0,60%
100%
Nordeste
95,60%
2,80%
1,20%
0,40%
100%
Maranhão
95,30%
3,40%
1,30%
-
100%
Piauí
91,50%
5,40%
3,10%
-
100%
Ceará
95,60%
2,60%
1,40%
0,40%
100%
Rio Grande do Norte
91,00%
3,60%
4,20%
1,20%
100%
Paraíba
97,70%
1,10%
0,60%
0,60%
100%
Pernambuco
97,50%
2,00%
0,40%
0,10%
100%
Alagoas
98,20%
0,90%
-
0,90%
100%
Sergipe
98,30%
0,60%
1,20%
-
100%
Bahia
94,90%
3,50%
1,00%
0,60%
100%
Fonte: Brasil (2008)
Escolaridade
A média de anos de estudo do segmento etário, que compreende as
pessoas acima de 25 anos ou mais de idade, revela a escolaridade de uma
sociedade, segundo IBGE (2010).
O indicador de escolaridade no Estado de Sergipe pode ser observado
pelo percentual de analfabetos (19,30%), que indica ser o segundo menor
com relação aos outros estados da região; de analfabetos funcionais (15,50%),
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
O Estado
volume sergipe
ou seja, pessoas com até três anos de estudos, e os de baixa escolaridade
(21,40%), compondo um indicador formado pelos sem escolaridade, com
muito baixa e baixa escolaridade, que, na soma, corresponde a 56,20% da
população acima de 25 anos (Tabela 6).
Tabela 6: Pessoas de 25 anos ou mais de idade, total e respectiva distribuição percentual,
por grupos de anos de estudo – Brasil, Região Nordeste e Estado de Sergipe – 2009
Pessoas de 25 anos ou mais de idade
Abrangência
Geográfica
Brasil
111.952
12,90%
11,80%
24,80%
29.205
23,20%
14,90%
22,20%
Maranhão
3.236
23,90%
15,90%
Piauí
1.745
29,10%
Ceará
4.590
23,20%
Sergipe
25
cador taxa de fecundidade – 1,83% – está abaixo do regional – 2,04% – e
do nacional – 1,94 – e é o menor entre os estados da região. O indicador
taxa bruta de natalidade – 20,42% - está acima do regional – 18,91% – e
do nacional – 15,77% – e é o terceiro maior entre os estados da região. O
indicador taxa bruta de mortalidade – 5,90% - está abaixo do regional –
6,56% - e do nacional – 6,27% – e é o menor entre os estados da região.
O indicador taxa de mortalidade infantil – 31,40% – está abaixo da média
regional – 33,20% - mas acima da média nacional – 22,5% - e está entre os
menores da região (Tabela 7).
Distribuição percentual, por grupos de anos de estudo
Total (1000 pessoas) Sem Instrução e Menos
1 a 3 anos
4 a 7 anos
de 1 ano de Estudo
Nordeste
de
Tabela 7: Taxas de fecundidade total, bruta de natalidade, bruta
de mortalidade, de mortalidade infantil e esperança de vida ao
nascer, por sexo – Brasil, Região Nordeste e Unidades
21,60%
Abrangência
Geográfica
Taxa de
Taxa Bruta de Taxa Bruta de Taxa de
Esperança de Vida ao Nascer
Fecundidade Natalidade
Mortalidade Mortalidade
Total
(‰)
(‰)
Infantil (‰) Total
Homens
Mulheres
16,80%
20,40%
BRASIL
1,94%
15,77
6,27
22,50
73,10
69,40
77,00
14,40%
21,20%
Região Nordeste 2,04%
18,91
6,56
33,20
70,4
66,90
74,10
Maranhão
2,31%
20,56%
6,45
36,50
68,44
64,59
72,48
Piauí
2,05%
19,92
6,26
26,20
69,68
66,67
72,84
Ceará
2,14%
17,96
6,41
27,60
70,95
66,75
75,37
Rio Grande do
Norte
2,10%
17,98
6,48
32,2
71,12
67,34
75,08
Rio Grande do Norte
1.745
19,20%
15,30%
24,70%
Paraíba
2.108
26,30%
14,50%
21,60%
Pernambuco
4.894
20,80%
13,20%
23,30%
Alagoas
1.646
27,20%
18,70%
23,20%
Paraíba
2,24%
14,76
7,29
35,20
69,75
66,33
73,34
Sergipe
1.096
19,30%
15,50%
21,40%
Pernambuco
2,05%
17,42
7,33
35,70
69,06
65,65
72,65
Bahia
8.115
22,90%
14,80%
22,10%
Alagoas
2,29%
23,18
7,00
46,40
67,59
63,69
71,69
Sergipe
1,83%
20,42
5,90
31,40
71,59
68,27
75,07
Bahia
1,87%
18,81
6,11
31,40
72,55
69,35
75,91
Fonte: IBGE (2009a)
Esperança de Vida ao Nascer3
No Estado de Sergipe, o indicador de esperança de vida – 71,59 anos
– está abaixo da média nacional – 73,1 anos – mas acima da regional –
70,4 anos – e é o segundo mais alto entre os estados da região. O indi No Brasil, o aumento de esperança de vida ao nascer, em combinação com a queda do nível geral
de fecundidade, resulta no aumento absoluto e relativo da população idosa. A taxa de fecundidade total
corresponde ao número médio de filhos que uma mulher teria no final do seu período fértil; essa taxa no
Brasil nas últimas décadas vem diminuindo e sua redução reflete a mudança que está ocorrendo no Brasil
em especial com o processo de urbanização e com a entrada da mulher no mercado de trabalho.
3
Fonte: IBGE (2009b)
O Estado de Sergipe apresentou um quadro de indicadores sociais
com limitadas condições de desenvolvimento, se comparado aos indicadores da Região Nordeste e do Brasil. O Produto Interno Bruto per capita do
estado é o mais alto entre todos os estados da Região Nordeste e é maior
que a média regional. No entanto, é possível observar que há discrepância
entre os indicadores econômicos e os indicadores sociais, demonstrando
que ocorre, no estado, uma má distribuição de renda entre os municípios.
26
O Estado
de
Sergipe
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– 1991
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2012 –
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O Estado
de
Sergipe
27
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Página ao lado: Defesa Civil de Rio do Sul - SC. Nesta página da esq. pra dir.: Fotos 1 e 2: Acervo da Secretaria de Estado da Defesa Civil de Santa catarina;
COMDEC de Parauapebas - PA, 2013a. Foto: Pedro Jaques
Desastres Naturais no Estado
de Sergipe de 1991 a 2012
Estiagem e Seca
32
Estiagem e Seca
Atlas
Mapa 2: Registros de estiagem e seca no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Estiagem
volume sergipe
O
s desastres relativos aos fenômenos de estiagens e secas compõem
o grupo de desastres naturais climatológicos, conforme a nova Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE).
O conceito de estiagem está diretamente relacionado à redução das
precipitações pluviométricas, ao atraso dos períodos chuvosos ou à ausência de chuvas previstas para uma determinada temporada, em que a perda
de umidade do solo é superior à sua reposição (CASTRO, 2003). A redução
das precipitações pluviométricas relaciona-se com a dinâmica atmosférica
global, que comanda as variáveis climatológicas referentes aos índices desse tipo de precipitação.
O fenômeno estiagem é considerado existente quando há um atraso
superior a quinze dias do início da temporada chuvosa e quando as médias
de precipitação pluviométricas mensais dos meses chuvosos permanecem
inferiores a 60% das médias mensais de longo período da região considerada (CASTRO, 2003).
A estiagem é um dos desastres de maior ocorrência e impacto no
mundo, devido, principalmente, ao longo período em que ocorre e à abrangência de grandes áreas atingidas (GONÇALVES; MOLLERI; RUDORFF,
2004). Assim, a estiagem, como desastre, produz reflexos sobre as reservas
hidrológicas locais, causando prejuízos à agricultura e à pecuária. Dependendo do tamanho da cultura realizada, da necessidade de irrigação e da
importância dessa na economia no município, os danos podem apresentar
magnitudes economicamente catastróficas. Seus impactos na sociedade,
portanto, resultam da relação entre os eventos naturais e as atividades socioeconômicas desenvolvidas na região, por isso, a intensidade dos danos
gerados é proporcional à magnitude do evento adverso e ao grau de vulnerabilidade da economia local ao evento (CASTRO, 2003).
O fenômeno de seca, do ponto de vista meteorológico, é uma estiagem prolongada, caracterizada por provocar uma redução sustentada das
reservas hídricas existentes (CASTRO, 2003). Sendo assim, seca é a forma
crônica do evento de estiagem (KOBIYAMA et al., 2006).
De acordo com Campos (1997), é possível classificar o fenômeno da
seca em três tipos:
• climatológica: que ocorre quando a pluviosidade é baixa com
relação às normais da área;
e seca
33
• hidrológica: quando a deficiência ocorre nos estoques de água dos
rios e dos açudes;
• edáfica: quando o déficit de umidade é constatado no solo.
Nos períodos de seca, para que se configure o desastre, é necessária
uma interrupção do sistema hidrológico de forma que o fenômeno adverso
atue sobre um sistema ecológico, econômico, social e cultural, vulnerável à
redução das precipitações pluviométricas. O desastre seca é considerado,
também, um fenômeno social, pois caracteriza uma situação de pobreza e
de estagnação econômica, advinda do impacto desse fenômeno meteorológico adverso. Dessa forma, a economia local, sem a menor capacidade
de gerar reservas financeiras ou de armazenar alimentos e demais insumos,
é completamente bloqueada (CASTRO, 2003).
Além dos fatores climáticos de escala global, como La Niña, as características geoambientais podem ser elementos condicionantes na frequência,
Figura 3: Município de Frei Paulo
Fonte: COMDEC de Itabi - SE (SERGIPE, 2013). Foto: Antônio Emídio Neto
34
Estiagem e Seca
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
na duração e na intensidade dos danos e dos prejuízos relacionados às secas.
Mapa 2. Nessa mesorregião, dois municípios foram enquadrados na classe
As formas de relevo e a altitude da área, por exemplo, podem condicionar o
de 22 registros: Poço Redondo e Porto da Folha; os municípios de Canindé
deslocamento de massas de ar, interferindo na formação de nuvens e, consede São Francisco, Gararu, Nossa Senhora da Glória e Monte Alegre registraquentemente, na precipitação (KOBIYAMA et al., 2006). O padrão estrutural
ram entre 18 e 16 ocorrências; Frei Paulo, Feira Nova, Nossa Senhora Apada rede hidrográfica pode ser também um condicionante físico que interfere
recida, Pinhão, Itabi e Carira registraram entre 13 e nove ocorrências; e os
na propensão para a construção de reservatórios e na captação de água. O
municípios de Pedra Mole, Graccho Cardoso e Ribeirópolis registraram entre
porte da cobertura vegetal pode ser caracterizado, ainda, como outro condisete e cinco ocorrências de estiagem e seca no período analisado.
cionante, pois retém umidade, reduz a evapotranspiração do solo e bloqueia
Na Mesorregião Agreste Sergipano foram 18 municípios atingidos,
a insolação direta no solo, diminuindo também a atuação do processo erosinum total de 84 ocorrências de desastres por estiagens e secas. Conforme
vo (GONÇALVES; MOLLERI; RUDORFF, 2004).
o Mapa 2, nesta mesorregião o município de Poço Verde foi o mais afetado,
Dessa forma, situações de secas e estiagens não são necessariamente
com 18 registros; São Miguel do Aleixo e Tobias Barreto ficaram enquadraconsequências somente de índices pluviais abaixo do normal ou de teores de
dos entre nove e 13 registros; Simão Dias, Cumbe e Nossa Senhora das Doumidade de solos e ar deficitários. Pode-se citar como condicionante o mares apresentaram entre cinco e sete registros e outros 11 municípios foram
nejo inadequado de corpos hídricos e de toda uma bacia hidrográfica, resulenquadrados entre um e quatro registros.
tados de uma ação antrópica desordenada no ambiente. As consequências,
A Mesorregião Leste Sergipana, que compreende o litoral do estado,
nesses casos, podem assumir características muito particulares, e a ocorrênregistrou 67 eventos, de acordo com o Mapa 2. Nessa mesorregião, os municia de desastres, portanto, pode ser
cípios Barra de Coqueiros e São FrancisFigura
4:
Seca
no
município
de
Frei
Paulo
condicionada pelo efetivo manejo
co foram os únicos que não apresentaram
dos recursos naturais realizado na
registros de estiagem e seca. O municíárea (GONÇALVES; MOLLERI; RUpio de Nossa Senhora de Lourdes foi o
DORFF, 2004).
mais afetado, com dez registros; São CrisNo decorrer do período entre
tóvão apresentou cinco registros e outros
1991 a 2012, ocorreram 345 registros
38 municípios ficaram enquadrados entre
oficiais de estiagem e seca no Estaum e quatro registros de ocorrências de
do do Sergipe. De acordo com as
estiagem e seca no período analisado.
informações apresentadas no Mapa
Conforme os dados apresentados
2, esses registros correspondem a
no Gráfico 1 e como se pode observar no
ocorrências em 75 municípios.
Infográfico 1, o ano de 1993 apresentou o
Esses municípios pertencem a
maior número de desastres por estiagens
diferentes mesorregiões do estado,
e secas, com 73 registros, enquanto 1998
entretanto, o número de desastres é
e 1999, na sequência, apresentaram 35 e
maior na Mesorregião Sertão Sergi38 registros, respectivamente.
pano, que apresentou 194 registros
O ano de 1993 foi o mais afetado
de estiagem e seca abrangendo
por eventos de estiagem e seca, dos 73
Fonte: COMDEC de Itabi - SE (SERGIPE, 2013). Foto: Antônio Emídio Neto
15 municípios, conforme mostra o
registros, 20 ocorreram no mês de mar-
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Estiagem
volume sergipe
73
70
60
50
40
35
30
0
29
21
20
10
38
1 1
5
2
9
9
8
17 16
3 4
29
25
12
6
Fonte: Brasil (2013)
ço, oito no mês de abril, um no mês de julho e 44 no mês de agosto. De
acordo com o CPTEC (EL NIÑO, 2007), o intervalo entre 1990 a 1993 foi
um período de vigência do fenômeno El Niño, que se caracteriza por um
aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico, predominantemente na sua faixa equatorial, afetando o clima regional e global,
mudando a circulação geral da atmosfera. No nordeste brasileiro esse fenômeno é um dos responsáveis pela ocorrência de secas severas (EL NIÑO,
2007). O ano de 1998 também foi um ano de forte ocorrência de El Niño.
Como se pode observar no Gráfico 2, com relação à frequência mensal
de estiagem e seca em Sergipe, as ocorrências desse fenômeno são frequentes no estado durante praticamente todos os meses do ano. Porém, nota-se
uma maior ocorrência nos meses entre agosto e abril. O mês de janeiro foi o
que apresentou o maior número de ocorrências, com 60 episódios de estiagem e seca, sendo que 37 delas ocorreram no ano de 1999. O segundo mês
mais afetado foi agosto, com 47 ocorrências, no qual 44 foram registradas
no ano de 1993. Analisando a ocorrência de El Niño em 1993, com as secas
e as estiagens mais severas do século, comparável às secas de 1915 e 1958,
o evento de 1992/1993 foi considerado moderado pelos especialistas. A di-
Frequência Mensal
60
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Frequência Anual
70
35
Gráfico 2: Frequência mensal de estiagem e seca no Estado
de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Gráfico 1: Frequência anual de desastres causados por estiagem e
seca no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
80
e seca
60
50
45
47
46
40
35
26
27
30
20
11
10
0
16
14
14
2
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
Fonte: Brasil (2013)
Figura 5: Seca no município de Itabi
Fonte: COMDEC de Itabi - SE (SERGIPE, 2013). Foto: Antônio Emídio Neto
dez
Estiagem e Seca
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Gráfico 3: Danos humanos ocasionados por estiagem e seca
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
800.000
702.461
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
Figura 6: Seca no município de Itabi
Fonte: COMDEC de Itabi - SE (SERGIPE, 2013). Foto: Antônio Emídio Neto
Fonte: Brasil (2013)
Afetados
Outros
Desaparecidos
Desalojados
Desabrigados
Enfermos
1.407
Feridos
0
Mortos
ferença entre este evento e os outros, considerados até mais intensos, é que
neste houve a influência da erupção do vulcão Monte Pinatubo, nas Filipinas,
em junho de 1991. Segundo especialistas, parece haver coincidência entre
grandes erupções vulcânicas, secas e eventos El Niño. Essa influência resultaria, provavelmente, no aumento do albedo pelas cinzas vulcânicas, pela consequente diminuição da temperatura atmosférica, tornando-a mais estável, e
pela diminuição da evaporação (MOLION; BERNARDO, 2000).
De acordo com o Gráfico 3, foram registradas 1.407 pessoas enfermas e
702.461 pessoas afetadas pelas ocorrências de estiagem e seca no Estado de
Sergipe no período analisado.
As consequências socioeconômicas não têm relação somente com a intensidade do fenômeno natural, pois, elas podem estar relacionadas, também, a questões de infraestrutura e de planejamento e ao aumento da população exposta.
Esses fenômenos naturais favorecem a redução nos níveis de água dos
rios e provocam o ressecamento dos leitos de rios de menor porte. Afetam
as áreas produtivas, com perdas nas lavouras, causando prejuízo aos agricultores, e comprometem os reservatórios de água, resultando em sede, fome
e na perda de rebanho, bem como em problemas de risco à vida humana.
Número de pessoas atingidas
36
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
ESTIAGEM
VOLUME SERGIPE
E SECA
37
Infográfico 1: Síntese das ocorrências de estiagens e secas no Estado de Sergipe
80
Estiagem e Seca
Eventos por ano
60
40
20
0
Totais por ano
Município
AMPARO DE SÃO FRANCISCO
AQUIDABÃ
ARACAJU
ARAUÁ
AREIA BRANCA
BOQUIM
BREJO GRANDE
CAMPO DO BRITO
CANHOBA
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
CAPELA
CARIRA
CARMÓPOLIS
CEDRO DE SÃO JOÃO
CRISTINÁPOLIS
CUMBE
DIVINA PASTORA
ESTÂNCIA
FEIRA NOVA
FREI PAULO
GARARU
GENERAL MAYNARD
GRACHO CARDOSO
ILHA DAS FLORES
INDIAROBA
ITABAIANA
ITABAIANINHA
ITABI
ITAPORANGA D'AJUDA
JAPARATUBA
JAPOATÃ
LAGARTO
LARANJEIRAS
MACAMBIRA
MALHADA DOS BOIS
MALHADOR
MARUIM
MOITA BONITA
MONTE ALEGRE DE SERGIPE
MURIBECA
NEÓPOLIS
1991
1992
73
1993
1
1
1
1994
1
1995
5
1996
2
1997
35
1998
1
1
38
1999
1
1
9
2000
21
2001
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
9
2002
29
2003
8
2004
3
2005
4
2006
17
2007
16
2008
25
2009
12
2010
1
2
1
1
1
2
2
2
1
1
2
6
2011
31
2012
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
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1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
2
1
1
2
1
1
1
1
2
1
1
2
2
1
1
1
1
2
2
1
1
1
1
1
1
Fonte: Brasil (2013)
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
2
1
345
Total
3
3
1
2
1
1
1
3
3
18
1
9
1
1
1
5
1
1
11
12
17
1
6
1
2
3
1
10
1
1
2
3
2
3
1
1
1
3
16
1
2
FREI PAULO
GARARU
GENERAL
ESTIAGEM EMAYNARD
SECA
GRACHO CARDOSO
ILHA DAS FLORES
INDIAROBA
ITABAIANA
ITABAIANINHA
ITABI
ITAPORANGA D'AJUDA
JAPARATUBA
JAPOATÃ
LAGARTO
LARANJEIRAS
MACAMBIRA
MALHADA DOS BOIS
MALHADOR
MARUIM
MOITA BONITA
MONTE ALEGRE DE SERGIPE
MURIBECA
NEÓPOLIS
NOSSA SENHORA APARECIDA
NOSSA SENHORA DA GLÓRIA
NOSSA SENHORA DAS DORES
NOSSA SENHORA DE LOURDES
NOSSA SENHORA DO SOCORRO
PACATUBA
PEDRA MOLE
PEDRINHAS
PINHÃO
PIRAMBU
POÇO REDONDO
POÇO VERDE
PORTO DA FOLHA
PROPRIÁ
RIACHÃO DO DANTAS
RIACHUELO
RIBEIRÓPOLIS
ROSÁRIO DO CATETE
SALGADO
SANTA LUZIA DO ITANHY
SANTA ROSA DE LIMA
SANTANA DO SÃO FRANCISCO
SANTO AMARO DAS BROTAS
SÃO CRISTÓVÃO
SÃO MIGUEL DO ALEIXO
SIMÃO DIAS
SIRIRI
TELHA
TOBIAS BARRETO
TOMAR DO GERU
UMBAÚBA
38
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
ATLAS BRASILEIRO
1
1
1
1
1
1
1
Infográfico 1: Síntese das ocorrências de estiagens e secas no Estado de Sergipe
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
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1
1
1
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1
1
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1
2
1
2
1
1
1
1
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1
1
1
1
1
1
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1
1
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2
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2
1
1
1
1
1
2
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
3
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Fonte: Brasil (2013)
2
1
2
DE DESASTRES NATURAIS
1
1
2
1
1
2
2
2
1
1
2
1
2
2
2
1
1
1
2
1
1
1
1
2
12
17
1
– 1991 A 2012 – VOLUME SERGIPE
2
6
1
2
3
1
1
2
10
1
1
2
3
2
3
1
1
1
3
1
1
16
1
2
1
2
11
1
2
17
5
1
10
1
1
2
7
1
1
11
1
2
1
3
22
1
1
2
18
1
1
2
22
1
3
1
5
1
2
2
1
1
1
5
2
13
7
1
1
1
1
2
11
1
1
4
1
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Referências
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de
Defesa Civil. Banco de dados e registros de desastres: sistema
integrado de informações sobre desastres – S2ID. 2013. Disponível em:
<http://s2id.integracao.gov.br/>. Acesso em: 10 mar. 2013.
CASTRO, Antônio Luiz Coimbra de. Manual de desastres: desastres
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CAMPOS, J. N. B. Vulnerabilidades hidrológicas do semiárido às secas.
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EL NIÑO de intensidade fraca a moderada mostra sinais de maturação no
pacífico equatorial. InfoClima: Boletim de Informações Climáticas, São
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inpe.br/~rinfo/infoclima/jan_2007.shtml>. Acesso em: 23 mar. 2013.
GONÇALVES, E. F.; MOLLERI, G. S. F.; RUDORFF, F. M. Distribuição dos
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In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS, 1., Florianópolis.
Anais... Florianópolis: GEDN/UFSC, 2004. p. 773-786.
KOBIYAMA, M. et al. Prevenção de desastres naturais: conceitos
básicos. Curitiba: Organic Trading, 2006. 109 p.
MOLION, Luiz C. Baldicero; BERNARDO, Sergio de Oliveira. Dinâmica
das chuvas no nordeste brasileiro. In: Congresso de Meteorologia, 2000,
Maceió, AL. Anais... Maceió, AL: cbmet, 2000. Disponível em: <http://
www.cbmet.com/cbm-files/12-7ea5f627d14a9f9a88cc694cf707236f.pdf>.
Acesso em: 3 nov. 2011.
Estiagem
e seca
39
Enxurrada
42
Enxurrada
Atlas
Mapa 3: Registros de enxurradas no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
S
– 1991
a
2012 –
Enxurrada
volume sergipe
egundo a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), proposta em 2012, as Inundações Bruscas passaram a ser
denominadas Enxurradas e são definidas como
Escoamento superficial de alta velocidade e energia, provocado por
chuvas intensas e concentradas, normalmente em pequenas bacias de relevo
acidentado. Caracteriza-se pela elevação súbita das vazões de determinada
drenagem e transbordamento brusco da calha fluvial (BRASIL, 2012, p. 73).
São diversas as definições utilizadas para o termo enxurrada. Em inglês, o termo flash flood é amplamente empregado para nomear as enxurradas (KOBIYAMA; GOERL, 2007). Já em espanhol, geralmente, utiliza-se o
termo avenidas súbitas, avenidas repentinas, avenidas, crecidas repentinas,
inundaciones súbitas (MORALES et al., 2006; SALINAS; ESPINOSA, 2004;
CORTES, 2004). No Brasil, observa-se na literatura termos como inundação
relâmpago, inundação ou enchente repentina e inundação brusca como
sinônimos de enxurradas (TACHINI; KOBIYAMA; FRANK, 2009; TAVARES,
2008; GOERL; KOBIYAMA, 2005; MARCELINO; GOERL; RUDORFF, 2004).
Ressalta-se que a terminologia está associada à localidade (TACHINI;
KOBIYAMA; FRANK, 2009), assim como a ciência que a aborda, pois na
ciência do solo/agronomia, o termo enxurrada está muitas vezes associado
ao fluxo concentrado, aos processos e à perda de solo (ALBUQUERQUE et
al., 1998; CASTRO; COGO; VOLK, 2006; BERTOL et al., 2010).
Além dos diversos termos, várias definições também são propostas aumentando ainda mais a complexidade desse fenômeno (Quadro 4).
No Brasil, Pinheiro (2007) argumenta que as enchentes ocorridas em
pequenas bacias são chamadas popularmente de enxurradas e, quando
ocorrem em áreas urbanas, elas são tratadas como enchentes urbanas. Para
Amaral e Gutjahr (2011), as enxurradas são definidas como o escoamento
superficial concentrado e com alta energia de transporte, que pode ou não
estar associado a áreas de domínio dos processos fluviais. Autores como
Nakamura e Manfredini (2007) e Reis et al. (2012) utilizam os termos escoamento superficial concentrado e enxurradas como sinônimos.
Nota-se que as definições ainda precisam amadurecer até que se chegue a uma consonância. Contudo, em relação às características, há mais
consenso entre os diversos autores/pesquisadores. Montz e Gruntfest (2002)
enumeram os seguintes atributos das enxurradas: ocorrem de maneira sú-
43
Quadro 4: Termos e definições propostos para as enxurradas
Termo
Autor
Definição
National Disaster
Education Coalitation
(2004)
Inundações bruscas que ocorrem dentro de 6 horas, após
uma chuva, ou após a quebra de barreira ou reservatório,
ou após uma súbita liberação de água armazenada pelo
atolamento de restos ou gelo.
NWS/NOAA (2005)
Uma inundação causada pela pesada ou excessiva chuva em
um curto período de tempo, geralmente menos de 6 horas.
Também uma quebra de barragem pode causar inundação
brusca, dependendo do tipo de barragem e o período de
tempo decorrido.
Flash flood
FEMA (1981)
Inundações bruscas usualmente consistem de uma rápida
elevação da superfície da água com uma anormal alta
velocidade das águas, frequentemente criando uma parede
de águas movendo-se canal abaixo ou pela planície de
inundação. As inundações bruscas geralmente resultam
da combinação de intensa precipitação, numa área de
inclinações íngremes, uma pequena bacia de drenagem, ou
numa área com alta proporção de superfícies impermeáveis.
Flash flood
Choudhury et al.
(2004)
Inundações bruscas são inundações de curta vida e que
duram de algumas horas a poucos dias e originam-se de
pesadas chuvas.
Flash flood
Súbitas inundações com picos de descarga elevados,
IAHS-UNESCO-WMO,
produzidos por severas tempestades, geralmente em uma
(1974)
área de extensão limitada.
Flash flood
Georgakakos (1986)
Operacionalmente, inundações bruscas são de fusão
curta e requerem a emissão de alertas pelos centros locais
de previsão e aviso, preferencialmente aos de Centros
Regionais de Previsão de Rios.
Flash flood
Kömüsçü et al. (1998)
Inundações bruscas são normalmente produzidas por
intensas tempestades convectivas, numa área muito
limitada, que causam rápido escoamento e provocam danos
enquanto durar a chuva.
Inundação
Brusca ou
Enxurrada
Castro (2003)
São provocadas por chuvas intensas e concentradas em
regiões de relevo acidentado, caracterizando-se por súbitas
e violentas elevações dos caudais, que se escoam de forma
rápida e intensa.
Flash flood
Kron (2002)
Inundações bruscas geralmente ocorrem em pequenas áreas,
passado apenas algumas horas (às vezes, minutos) das chuvas,
e elas têm um inacreditável potencial de destruição. Elas são
produzidas por intensas chuvas sobre uma pequena área.
Flash flood
Flash flood
Fonte: Goerl e Kobiyama (2005)
44
Enxurrada
Atlas
bita, com pouco tempo de alerta; seu deslocamento é rápido e violento,
resultando em muitas perdas de vida e em danos à infraestrutura e às propriedades; sua área de ocorrência é pequena; geralmente está associada a
outros eventos como os fluxos de lama e de detritos.
Em relação ao seu local de ocorrência, Amaral e Ribeiro (2009) argumentam que os vales encaixados (em V) e vertentes com altas declividades predispõem as águas a atingirem grandes velocidades em curto
tempo, causando inundações bruscas e mais destrutivas. Dessa maneira,
as enxurradas tendem a ocorrer em áreas ou bacias hidrográficas pequenas e declivosas, com baixa capacidade de infiltração ou solos rasos que
saturam rapidamente ou ainda em locais urbanizados (TUCCI; COLLISCHOON, 2006; SUN; ZHANG; CHENG, 2012). Atualmente, devido à reFigura 7: Enxurrada no município de Estância
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
dução da capacidade de infiltração associada à urbanização irregular ou
sem planejamento, as enxurradas têm se tornado frequentes em diversos
centros urbanos, estando muitas vezes associadas a alagamentos, sendo
que sua distinção se torna cada vez mais complexa.
Para NOAA (2010), independente de qual definição seja adotada, o
sistema de alerta para as enxurradas deve ser diferenciado em relação
aos outros tipos de processos hidrometeorológicos. Dessa maneira, a sua
previsão é um dos maiores desafios para os pesquisadores e os órgãos
governamentais ligados à temática dos desastres naturais. A maior parte
dos sistemas alertas atuais esta focado em eventos ou fenômenos com
um considerável tempo de alerta, sendo que os fenômenos súbitos ainda
carecem de sistemas de alerta efetivos (HAYDEN et al., 2007). Borga et al.
(2009) e Georgakakos (1986) sugerem que o sistema de
alerta para enxurradas deva ser em escala local, pois os
fenômenos meteorológicos causadores das enxurradas geralmente possuem escalas inferiores a 100 km².
Como no Brasil o monitoramento hidrológico e
meteorológico em pequenas bacias ainda é insuficiente para que se tenha um sistema de alerta para enxurradas, a análise histórica pode indicar quais bacias ou
cidades que este sistema de alerta local deve ser implementado, demonstrando a importância da correta
identificação do fenômeno e consequentemente o seu
correto registro.
Registros das Ocorrências
Fonte: Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Sergipe (BRASIL, 2011)
As enxurradas, conforme já visto, estão associadas a
pequenas bacias de relevo acidentado ou ainda a áreas
impermeabilizadas caracterizadas pela rápida elevação do
nível dos rios. Contudo, essas características indicam os locais mais susceptíveis a sua ocorrência, podendo ocorrer
em qualquer local.
Entre os anos de 1991 e 2012, o Estado de Sergipe
apresentou 43 registros oficiais de enxurradas severas
a
2012 –
caracterizadas como desastre. O Mapa 3 apresenta a distribuição espacial
dessas ocorrências no território sergipano.
A Mesorregião Leste Sergipano, onde se localiza a capital Aracaju,
apresentou a maior quantidade de desastres, com 77% do total registrado nestes 22 anos. Essa mesorregião sofre com o aumento de áreas impermeáveis devido ao crescente processo de urbanização, que ocorre sem
respeitar a dinâmica natural dos ambientes e sem se preocupar com uma
drenagem eficiente das águas das chuvas (SANTOS, 2009).
As regiões Agreste Sergipano e Sertão Sergipano registraram 16% e
7% do total de enxurradas, respectivamente. No Mapa 3 é possível observar que os municípios que registraram desastres relacionados a enxurradas
estão concentrados em algumas regiões do estado, como o norte do Sertão Sergipano e o norte e o centro-leste do Leste Sergipano.
Dos 75 municípios de Sergipe, apenas 24 registraram enxurradas severas, com destaque para Maruim, com seis registros, Aracaju e São Cristóvão, com quatro registros e Brejo Grande, com dois registros. Os outros 20
municípios registraram entre um e dois desastres.
Dentre os quatro municípios citados, Aracajú e São Cristóvão possuem
571 mil e 78 mil habitantes, respectivamente, estando em 1º e 5º colocação em termos populacionais no estado, segundo dados do último Censo
(IBGE, 2011). Por outro lado, os municípios de Maruim e Brejo Grande possuem 16 mil e 7 mil habitantes.
Dessa maneira, não apenas fatores antrópicos (população) levam à
ocorrência de desastres por enxurradas severas, mas também condicionantes físicos devem ser considerados.
O Gráfico 4 apresenta a frequência anual de enxurradas no Estado de
Sergipe. O ano de 1991 apresentou a maior frequência, podendo ser considerado um ano atípico comparado com os demais. Além disso, na última
década, as enxurradas têm se tornado mais recorrentes, sendo registradas
pelo menos duas vezes ao ano, a partir de 2008. Os municípios que registraram enxurradas em 1991 citam em seus relatórios de danos as intensas
chuvas como deflagradoras do desastre. Todos os municípios atingidos em
1991 situam-se na Mesorregião Leste Sergipano.
Em relação à distribuição mensal (Gráfico 5), observa-se que os meses de
fevereiro, maio e dezembro de destacam. As enxurradas de 1991 ocorreram
45
Enxurrada
volume sergipe
Gráfico 4: Frequência anual de desastres por enxurradas no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
20
18
Frequência
Média Anual
15
10
6
5
0
3
1
1
2
5
3
4
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
– 1991
Frequência Anual
brasileiro de desastres naturais
Fonte: Brasil (2013)
Gráfico 5: Frequência mensal de desastres por enxurradas no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
20
Frequência Mensal
Atlas
Frequência
15
10
9
9
5
5
0
Média Anual
16
1
jan
1
fev
mar
1
abr
mai
jun
1
jul
Fonte: Brasil (2013)
ago
set
out
nov
dez
46
Enxurrada
Atlas
em sua maioria nos meses de maio e dezembro. Em maio, somam-se junto
com as de 1991, três desastres ocorridos em 2009 e outros três em 2011. Já as
enxurradas ocorridas em dezembro estão todas associadas ao ano de 1991.
Os 43 desastres de enxurradas ocorridos no período da pesquisa afetaram mais de 95 mil sergipanos, deixando mais de dois mil enfermos, 659 desabrigados e 3,7 mil desalojados (Gráfico 6). Os 2.035 enfermos constam no relatório de danos do município de Poço Redondo devido à enxurrada ocorrida
em janeiro de 2004. Nesse mesmo evento e município foram registrados mais
de 31% de todos os desalojados no estado ao longo dos 22 anos analisados.
Além disso, dos 95 mil afetados, 85% estão relacionados a apenas cinco municípios atingidos pelas enxurradas de 2004 (1), 2009 (1) e 2010 (3).
Gráfico 6: Danos humanos causados por desastres de enxurradas
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
95.071
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
ção afetada pelo evento de abril de 2010. Esse município cita que em 9 de
abril de 2010, às 19h30, ocorreu uma intensa precipitação com o acumulado
aproximado de 100 mm, que, por sua vez, ocasionou o súbito transbordamento do Rio Paramopama e dos córregos e canais adjacentes. É possível
observar que a descrição se encaixa no conceito de enxurrada, que é a rápida elevação do nível dos rios por causa das intensas precipitações. Poço
Redondo teve 87% de toda a sua população afetada em um único evento de
enxurrada e, segundo o relatório de danos, o município inteiro foi atingido.
Os dois únicos falecimentos ocorreram em Estância e em Simão Dias.
Tabela 8: Danos humanos relacionados aos eventos mais severos (1991-2012)
Ano
Município
Mesorregião
Desabrigados
Desalojados
Mortos
Afetados
2010
São Cristóvão
Leste Sergipano
56
527
-
30.056
2004
Poço Redondo
Sertão Sergipano
97
1.207
-
27.060
2010
Laranjeiras
Leste Sergipano
14
63
-
12.220
2010
Carmópolis
Leste Sergipano
40
624
-
6.100
2009
Laranjeiras
Leste Sergipano
13
50
-
5.540
2009
Estância
Leste Sergipano
35
250
1
-
2004
Simão Dias
Agreste Sergipano
-
-
1
-
Fonte: Brasil (2013)
Afetados
Desalojados
Desabrigados
Outros
3.792
659
Desaparecidos
2.035
Enfermos
655
Feridos
2
Mortos
Número de pessoas atingidas
100.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
brasileiro de desastres naturais
Fonte: Brasil (2013)
A Tabela 8 apresenta os dez municípios que apresentaram o maior número de afetados por evento, bem como os dois municípios que registraram
falecimentos devido às enxurradas. São Cristóvão teve 38% de sua popula-
Como a sociedade, ao longo da sua história, procurou se estabelecer
próximo aos rios e aos cursos de água, os eventos de enxurrada ocasionam
um grande número de habitações destruídas e danificadas (Gráfico 7). Ressalta-se que apesar de o número de estabelecimentos de ensino não ser
um número expressivo, o dano a esse tipo de estrutura tende a afetar a normalidade do ano letivo, comprometendo, assim, o aprendizado dos alunos.
Portanto, é necessário que, ao se instalar estabelecimentos de ensino e de
saúde, sejam consideradas as áreas suscetíveis à ocorrência de enxurradas
e a outros tipos de desastres.
A Tabela 9 apresenta os principais municípios em relação aos danos
materiais. No Município de Laranjeiras, das 521 edificações danificadas,
92% referem-se a habitações. Com relação às edificações destruídas, 100%
delas são habitações. Essa tendência é encontrada em todos os municípios
que relataram seus danos.
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Enxurrada
volume sergipe
Gráfico 7: Estruturas destruídas e danificadas pelas enxurradas
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
800
47
Figura 8: Enxurradas em Estância
130
Destruídas
Edificações
Danificadas
600
400
200
4
Habitações
2
Comunitário
2
Ensino
2
Saúde
0
44
Fonte: Brasil (2013)
Tabela 9: Descrição dos principais municípios em relação aos danos materiais (1991-2012)
Ano
Município
Mesorregião
Total destruídas Total danificadas
Total
2010
Laranjeiras
Leste Sergipano
11
521
532
2004
Poço Redondo
Sertão Sergipano
23
408
431
2009
Estância
Leste Sergipano
50
203
253
2004
Simão Dias
Agreste Sergipano
83
140
223
2010
Carmópolis
Leste Sergipano
18
204
222
Fonte: Brasil (2013)
As enxurradas estão associadas a chuvas intensas em bacias hidrográficas declivosas. Contudo, elas podem ocorrer em qualquer lugar, mesmo
em pequenos municípios e em áreas planas. Em Sergipe, as enxurradas
se concentraram em determinadas regiões do estado, as quais devem ser
priorizadas na implementação de sistemas de alerta e em estudos mais
profundos sobre esse fenômeno. O ano de 1991 apresentou a maior frequência de enxurradas nos 22 anos analisados. Contudo, os eventos que
Fonte: Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Sergipe (BRASIL, 2011)
causaram mais danos e deixaram um maior número de pessoas afetadas
ocorreram na última década. Dessa maneira, a magnitude das enxurradas
pode estar sendo amplificada pela urbanização sem planejamento e pela
ocupação de áreas suscetíveis a sua ocorrência, fato este que deve ser levado em consideração na elaboração de um plano de prevenção municipal.
O Infográfico 2 apresenta um resumo das ocorrências de enxurradas
entre 1991 e 2012.
48
ENXURRADA
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
VOLUME SERGIPE
Infográfico 2: Síntese das ocorrências de enxurrada no Estado de Sergipe
20
Enxurradas
Eventos por ano
15
10
5
0
Totais por ano
Município
AMPARO DE SÃO FRANCISCO
ARACAJU
BARRA DOS COQUEIROS
BREJO GRANDE
CANHOBA
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
CARMÓPOLIS
ESTÂNCIA
ITABAIANA
LAGARTO
LARANJEIRAS
MALHADA DOS BOIS
MARUIM
NEÓPOLIS
NOSSA SENHORA DO SOCORRO
POÇO REDONDO
PORTO DA FOLHA
PROPRIÁ
RIACHUELO
ROSÁRIO DO CATETE
SALGADO
SÃO CRISTÓVÃO
SIMÃO DIAS
TELHA
18
1991
2
2
2
6
1992
1
1993
1994
1995
1996
1
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
3
2004
2005
2006
1
2007
2
2008
3
2009
5
2010
1
4
2011
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
2
2
1
1
2
1
1
Fonte: Brasil, 2013.
1
2012
43
Total
1
4
2
3
1
1
1
1
1
1
2
2
6
1
1
1
1
2
2
2
1
4
1
1
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
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Enxurrada
49
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Inundação
52
Inundação
Atlas
Mapa 4: Registros de inundações no Estado de Sergipe 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Inundação
volume sergipe
A
s inundações, anteriormente denominadas como “enchentes ou
inundações graduais” compõem o grupo dos desastres naturais hidrológicos, segundo a nova Classificação e Codificação Brasileira de
Desastres (COBRADE). Referem-se à
Submersão de áreas fora dos limites normais de um curso de água em zonas
que normalmente não se encontram submersas. O transbordamento ocorre
de modo gradual, geralmente ocasionado por chuvas prolongadas em áreas
de planície (BRASIL, 2012, p. 73).
Gontijo (2007) define as enchentes como fenômenos temporários que
correspondem à ocorrência de vazões elevadas num curso de água, com
eventual inundação dos seus terrenos marginais. Assim, elas ocorrem quando o fluxo de água em um trecho do rio é superior à capacidade de drenagem de sua calha normal, e então ocorre o transbordamento do corpo
hídrico e a água passa a ocupar a área do seu leito maior (TUCCI, 1993;
LEOPOLD, 1994).
Para Castro (2003), as inundações graduais são caracterizadas pela elevação das águas de forma paulatina e previsível, mantendo-se em situação
de cheia durante algum tempo, para depois escoarem gradualmente. São
eventos naturais que ocorrem com periodicidade nos cursos d’água, sendo características das grandes bacias hidrográficas e dos rios de planície,
como o Amazonas. O fenômeno evolui de forma facilmente previsível e a
onda de cheia desenvolve-se de montante para jusante, guardando intervalos regulares.
Na língua inglesa, o evento inundação é denominado flood ou flooding. No Quadro 5, pode-se observar algumas definições utilizadas para as
inundações graduais.
É possível perceber algumas características em comum nas diversas
definições. Elas ocorrem nas áreas adjacentes às margens dos rios que por
determinados períodos permanecem secas, ou seja, na planície de inundação. Geralmente são provocadas por intensas e persistentes chuvas e a
elevação das águas ocorre gradualmente. Devido a esta elevação gradual
das águas, a ocorrência de mortes é menor que durante uma inundação
brusca. Contudo, por causa de sua área de abrangência, a quantidade total
de danos acaba sendo elevada.
53
Quadro 5: Alguns conceitos utilizados para definir as inundações graduais
Termo
Autor
Definição
Flood
NFIP (2005)
Uma condição geral ou temporária de parcial ou completa
inundação de dois ou mais acres de uma terra normalmente
ou de duas ou mais propriedades (uma das quais é a
sua propriedade), proveniente da inundação de águas
continentais ou oceânicas.
Flood
National Disaster
Education Coalition
(2004)
Inundações ocorrem nas chamadas planícies de inundação,
quando prolongada precipitação por vários dias, intensa
chuva em um curto período de tempo ou um entulhamento
de gelo ou de restos, faz com que um rio ou um córrego
transbordem e inundem a área circunvizinha.
Flood
NWS/NOAA (2005)
A inundação de uma área normalmente seca causada pelo
aumento do nível das águas em um curso d’água estabelecido
como um rio, um córrego, ou um canal de drenagem ou um
dique, perto ou no local onde as chuvas precipitaram.
Flood
FEMA (1981)
Inundação resulta quando um fluxo de água é maior do que
a capacidade normal de escoamento do canal ou quando
as águas costeiras excedem a altura normal da maré alta.
Inundações de rios ocorrem devido ao excessivo escoamento
superficial ou devido ao bloqueio do canal.
Inundações
Graduais ou
Enchentes
Castro (1996)
As águas elevam-se de forma paulatina e previsível, mantém
em situação de cheia durante algum tempo e, a seguir,
escoam-se gradualmente. Normalmente, as inundações
graduais são cíclicas e nitidamente sazonais.
River Flood
Choudhury et al.
(2004)
Inundações de rios ocorrem devido às pesadas chuvas das
monções e ao derretimento de gelo nas áreas a montante
dos maiores rios de Bangladesh. O escoamento superficial
resultante causa a elevação do rio sobre as suas margens
propagando água sobre a planície de inundação.
Inundações
Ribeirinhas
Tucci e Bertoni
(2003)
Quando a precipitação é intensa e o solo não tem capacidade
de infiltrar, grande parte do volume escoa para o sistema de
drenagem, superando sua capacidade natural de escoamento.
O excesso de volume que não consegue ser drenado ocupa
a várzea inundando-a de acordo com a topografia das áreas
próximas aos rios.
Flood
Office of
Thecnology
Assessment (1980)
River Flood
Kron (2002)
Uma inundação de terra normalmente não coberta pela água
e que são usadas ou utilizáveis pelo homem.
É o resultado de intensas e/ou persistentes chuvas por
alguns dias ou semanas sobre grandes áreas, algumas vezes
combinadas com neve derretida. Inundações de rios que se
elevam gradualmente, algumas vezes em um curto período
de tempo.
Fonte: Goerl e Kobiyama (2005)
54
Inundação
Figura 9: Inundação do Rio São Francisco em período de cheia
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
cia, e não percebe que vai aumentando significativamente a ocupação das
áreas inundáveis (TUCCI, 1997), podendo desencadear situações graves de
calamidade pública.
A International Strategy for Disaster Reduction considera as inundações como desastres hidrológicos, ou seja, relacionados a desvios no ciclo
hidrológico (BELOW; WIRTZ; GUHA-SAPIR, 2009). No entanto, antes de serem desastres, as inundações são fenômenos naturais, intrínsecas ao regime dos rios. Quando esse fenômeno entra em contato com a sociedade,
causando danos, passa a ser visto como um desastre.
A frequência das inundações sofre mudanças devido às alterações na
bacia hidrográfica, que, por sua vez, modificam a resposta hidrológica e aumentam a ocorrência e magnitude do fenômeno (CENAPRED, 2007). Flemming (2002) relembra que as inundações, por serem fenômenos naturais,
não podem ser evitadas, porém seus danos podem ser mitigados.
Registros das Ocorrências
Fonte: Coordenadoria Estadual de Desfesa Civil de Sergipe (BRASIL, 2011)
Tucci (1993) explica que a ocorrência de inundações depende das características físicas e climatológicas da bacia hidrográfica – especialmente
a distribuição espacial e temporal da chuva.
A magnitude das inundações geralmente é intensificada por variáveis
climatológicas de médio e longo prazo e pouco influenciáveis por variações
diárias de tempo. Relacionam-se muito mais com períodos demorados de
chuvas contínuas do que com chuvas intensas e concentradas. Em condições naturais, as planícies e fundos de vales estreitos apresentam lento
escoamento superficial das águas das chuvas, e nas áreas urbanas estes fenômenos são intensificados por alterações antrópicas, como a impermeabilização do solo, retificação e assoreamento de cursos d’água (TAVARES;
SILVA, 2008). Essas alterações tornam-se um fator agravante, uma vez que
a água é impedida de se infiltrar, aumentando ainda mais a magnitude da
vazão de escoamento superficial. Outro fator importante é a frequência das
inundações, a qual, quando pequena, a população despreza a sua ocorrên-
No Estado de Sergipe foram levantados 21 registros oficiais de inundações excepcionais caracterizadas como desastre, entre os anos de 1991
e 2012. O Mapa 4 mostra a distribuição espacial desses registros. A Mesorregião Leste Sergipano possui um total de 13 registros, que representam
62% das ocorrências de desastres no estado se comparada às mesorregiões
Agreste e Sertão Sergipano. Verifica-se que a maior parte das ocorrências
compreende a porção norte do território. Este setor da bacia corresponde
ao trecho do Baixo São Francisco, caracterizado pelo rio encaixado e de vazões regularizadas pelos reservatórios das usinas de Sobradinho e Itaparica
(GODIM FILHO et al., 2004).
Os municípios mais atingidos por inundações extremas recorrentes, de
acordo com o Mapa 4, situam-se nesse setor: Gararu, Ilha das Flores, Nossa
Senhora de Lourdes e Propriá, cada um com 2 ocorrências. Segundo os
registros oficiais, estes municípios foram afetados pelas inundações do Rio
São Francisco e seus afluentes.
Observa-se também que vários municípios não apresentam registros
de desastres por inundação. Isto pode estar associado ao fato de que, nas
áreas da Bacia do São Francisco, as enchentes são controladas pelas barra-
a
2012 –
Inundação
volume sergipe
gens das hidrelétricas e pela construção de diques para proteção das comunidades ribeirinhas (GONDIM FILHO et al., 2004). Por outro lado, sugere
a ineficiência do sistema de identificação e avaliação dos eventos por parte
das coordenadorias municipais de defesa civil.
Os anos das inundações severas registradas, no período de 1991 a
2012, são apresentados no Gráfico 8. Observa-se que o ano de 2004 se
destaca com 16 registros. Neste ano, as inundações que afetaram a população de municípios do norte de Sergipe, de acordo com Godim Filho et
al. (2004), sucederam as chuvas após os barramentos nas regiões chamadas
de bacias incrementais. Segundo esses autores, os principais problemas
de inundações na bacia do São Francisco estão ligados à urbanização e ao
extravasamento das águas para o leito maior e para a planície de inundação. Isto ocorre especialmente nas localidades às margens do rio que se
encontram ocupadas.
Nos demais anos observa-se que não há uma frequência anual de registros de desastres no estado (Gráfico 8). Embora haja poucos registros de
inundações entre de 1991 e 2012, não significa que não tenham ocorrido
outros desastres associados a inundações no Estado de Sergipe ao longo
do período analisado.
A partir do Gráfico 9 é possível observar a frequência mensal de todos
os registros de inundações no estado. O mês de fevereiro foi o mais afetado ao longo do período em análise, com 19 registros. Das ocorrências
desse mês, 16 correspondem aos eventos de inundação ocorridos no ano
de 2004, registrados por municípios do Baixo São Francisco.
As inundações ocorridas nos meses de janeiro e fevereiro de 2004 foram provocadas devido ao deslocamento de frentes frias para o norte, à
atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), à banda de nuvens
densas que se localiza ao longo do Equador e que se apresentou ao sul da
sua posição normal, e à presença de Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis
(VCAN) sobre o Oceano Atlântico (PREVISÃO..., 2004). Segundo dados da
ANA (2010), o acumulado pluviométrico médio do mês de janeiro foi de
283,74 mm, em 18 dias de chuva, acima da média climatológica para este
período. Assim, o acúmulo das chuvas deste mês contribuiu para as situações de emergência decretadas no mês de fevereiro.
55
Gráfico 8: Frequência anual de desastres por inundações no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
18
16
16
14
12
10
8
6
4
4
2
0
1
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
– 1991
Frequência Anual
brasileiro de desastres naturais
Fonte: Brasil (2013)
Gráfico 9: Frequência mensal de desastres por inundações no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Frequência Mensal
Atlas
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
19
1
jan
1
fev
mar
abr
mai
jun
jul
Fonte: Brasil (2013)
ago
set
out
nov
dez
56
Inundação
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
pelas chuvas que provocaram o aumento do nível do Rio São Francisco e
afetou, principalmente, a população ribeirinha.
Gráfico 10: Danos humanos causados por desastres de inundações
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Fonte: Brasil (2013)
500
461
400
300
200
85
100
Afetados
Outros
Desaparecidos
Desalojados
Desabrigados
Enfermos
28
Feridos
0
Mortos
Número de pessoas atingidas
As precipitações prolongadas durante o período chuvoso podem originar consequências negativas para as comunidades de alguns municípios,
por conta da elevação dos níveis dos rios no estado. Nesse sentido, os danos humanos relacionados aos desastres por inundações são apresentados
no Gráfico 10. No período de 1991 a 2012, foram registradas, oficialmente,
461 pessoas afetadas, 85 desabrigadas e 28 desalojadas.
Fonte: Brasil (2013)
Com relação aos danos relacionados a desabrigados, mortos e afetados, a Tabela 10 mostra os municípios mais atingidos, com os respectivos
anos das inundações e os totais de danos em número de pessoas. O Município de Itabaiana registrou, na inundação de maio de 2009, 10 desabrigados e 383 afetados. Este evento extremo atingiu setores urbanos e rurais,
com a inundação do Rio Sergipe e de outros cursos d’água que banham
o município. Em Gararu, a inundação de fevereiro de 2004 foi ocasionada
Tabela 10: Os municípios mais severamente atingidos no Estado de Sergipe (1991-2012)
Ano
Município
Mesorregião
2009
Itabaiana
Agreste Sergipano 10
Desabrigados Mortos
-
383
2004
Gararu
Sertão Sergipano
-
78
75
Afetados
Salientam-se os baixos números de danos humanos em decorrência
dos poucos documentos oficiais que apresentam esse tipo de informação.
O mesmo serve para os danos materiais que serão apresentados na sequência. A maior parte dos registros de inundação no Estado de Sergipe
advém de portarias que não informam com detalhamento os danos ocasionados pelos desastres. Dessa maneira, é importante frisar que esses dados
não expressam realmente os verdadeiros danos sofridos pela população
dos municípios atingidos.
Com relação aos danos materiais, o Estado de Sergipe apresenta 144
registros de construções atingidas pelas inundações, entre os anos de 1991
e 2012. Observa-se no Gráfico 11 que os danos relativos às habitações prevalecem sobre os demais, com o total de 117 edificações danificadas e 27
destruídas.
A Tabela 11, apresenta os municípios afetados, com os danos materiais
mais expressivos. O Município de Itabaiana apresenta-se como o mais afetado do Estado de Sergipe, segundo os documentos oficiais levantados,
com o total de 118 estabelecimentos e estruturas destruídos e danificados,
referente à inundação de maio de 2009. Neste evento, os bairros do setor
urbano e áreas rurais foram atingidos. O documento oficial atribui o agravamento dos impactos das inundações às construções mal dimensionadas,
ao sistema de drenagem ineficiente e ao depósito irregular de resíduos
sólidos em vias públicas, que prejudicam o escoamento das águas.
No Município de Gararu foram registradas 17 residências danificadas.
Com a elevação das águas, as áreas de várzeas foram completamente inundadas e os diques de contenção precisaram ser reforçados por equipamentos disponibilizados pelo governo estadual, a fim de evitar prejuízos ainda
maiores à população.
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Inundação
volume sergipe
140
Destruídas
120
Danificadas
Figura 10: Chuva no Município de Nossa Senhora do Socorro
750
100
80
60
40
266
Infraestrutura
Habitações
Comunitários
0
Ensino
20
Saúde
Danos materiais (quantidade)
Gráfico 11: Danos materiais causados por desastres de inundações
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
57
Fonte: Brasil (2013)
Tabela 11: Total de danos materiais – eventos mais severos (1991-2012)
Ano
Município
Mesorregião
2009
Itabaiana
Agreste Sergipano
Total Danificadas Total Destruídas
115
3
Total
118
2004
Gararu
Sertão Sergipano
-
17
17
2004
Itaporanga D’ajuda
Leste Sergipano
2
7
9
Fonte: Brasil (2013)
Itaporanga D’ajuda também apresentou danos materiais, com um total
de 9 residências destruídas e/ou danificadas, na inundação decorrente do
transbordamento do Rio Vaza Barris e de reservatórios de água presentes
no território municipal. Este evento, de acordo com o documento oficial,
afetou o sistema de transportes no acesso à sede pela rodovia BR-101, com
a interdição da ponte que liga a capital, Aracaju, ao município.
Os episódios de inundação, em geral, são recorrentes nas áreas urbanas, principalmente quando essas áreas apresentam ocupação desordena-
Fonte: Coordenadoria Estadual de Desfesa Civil de Sergipe (BRASIL, 2011)
da em planícies de inundação. Dessa forma, as moradias e seus habitantes
passam a ser alvo dos eventos naturais relacionados com o aumento do
nível dos rios.
O acompanhamento da evolução diária das condições meteorológicas, assim como o monitoramento do nível dos rios, permite antecipar a
possibilidade das ocorrências de inundação e, consequentemente, minimizar os danos, tanto humanos quanto materiais. No entanto, essa previsibilidade não faz parte de um processo de gestão do risco, que, como
consequência, não reduz a vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas,
bem como do perímetro urbano, a enchentes e inundações.
58
INUNDAÇÃO
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
VOLUME SERGIPE
Infográfico 3: Síntese das ocorrências de inundações no Estado de Sergipe
20
Inundações
Eventos por ano
15
10
5
0
Totais por ano
Município
AMPARO DE SÃO FRANCISCO
BREJO GRANDE
CANHOBA
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
CEDRO DE SÃO JOÃO
GARARU
ILHA DAS FLORES
ITABAIANA
ITAPORANGA D'AJUDA
MONTE ALEGRE DE SERGIPE
NEÓPOLIS
NOSSA SENHORA DE LOURDES
PACATUBA
PORTO DA FOLHA
PROPRIÁ
SANTANA DO SÃO FRANCISCO
TELHA
1991
4
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
1
1
2002
2003
16
2004
1
1
1
1
1
1
1
2005
2006
2007
2008
1
2009
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
2010
2011
2012
21
Total
1
1
1
1
1
2
2
1
1
1
1
2
1
1
2
1
1
Fonte: Brasil (2013)
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Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
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2012 –
volume sergipe
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Alagamento
62
Alagamentos
Atlas
Mapa 5: Registros de alagamento no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
S
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Alagamentos
63
egundo a Classificação e Codificação Brasi- Figura 11: a) Construção de novos loteamentos b) Aumento no hidrograma
cia imediatamente após as
leira de Desastres (COBRADE), proposta em
precipitações
significati2012, os alagamentos caracterizam-se pela
vas, com transtornos à po“extrapolação da capacidade de escoamento de
pulação quando causam
sistemas de drenagem urbana e consequente acúinundações e alagamentos
mulo de água em ruas, calçadas ou outras infraes(FUNASA, 2006).
truturas urbanas, em decorrência de precipitações
A Figura 11 apresenta
intensas [...]” (BRASIL, 2012, p. 73) e da topografia
como cada novo empreensuave (CERRI, 1999). Sua ocorrência está diretadimento que é aprovado
mente relacionada com os sistemas de drenagem
aumenta a vazão e, conseurbana, que são entendidos como o conjunto de
quentemente, a frequência
medidas que objetivam a redução dos riscos relada sua ocorrência. O aucionados às enchentes, bem como à redução dos
mento da impermeabilizaFonte: Tucci (2007)
prejuízos causados por elas (TUCCI et al., 2007).
ção gera um maior volume
b) Lixo retido na drenagem
De modo geral, a urbanização promove a cana- Figura 12: a) Obstrução à drenagem
escoado superficialmente.
lização dos rios urbanos e as galerias acabam por reComo resposta, o municíceber toda a água do escoamento superficial. Esses
pio constrói um canal nos
conceitos já ultrapassados dos projetos de drenatrechos em que a drenagem urbana, que têm como filosofia escoar a água
gem inunda a cidade, o
precipitada o mais rapidamente possível para a juque apenas transfere para
sante, aumentam em várias ordens de magnitude a
a jusante a nova inundação.
vazão máxima, a frequência e o nível de inundação e
Desta forma, a população
alagamentos à jusante (CHOW;MAYS, 1988). Dessa
perde duas vezes: pelo auforma, o rápido afastamento das águas propicia a
mento da inundação e pelo
combinação dos fenômenos de enxurradas e alagadesperdício de recursos púmentos, principalmente em áreas urbanas acidentablicos (BRASIL, 2009).
das, como ocorre no Rio de Janeiro, Belo Horizonte
Outro grande problee em cidades serranas, o que torna os danos ainda
ma dos sistemas de dreFonte: Tucci (2005)
mais severos (CASTRO, 2003).
nagem está relacionado à
Os alagamentos são frequentes nas cidades mal planejadas ou que
própria gestão do saneamento. O carreamento de lixo e de sedimentos
crescem explosivamente, já que a realização de obras de drenagem e de
para as sarjetas, bocas de lobo e galerias acaba por obstruir as entradas
esgotamento de águas pluviais é deixada em segundo plano. Assim, os
e as tubulações de drenagem, colaborando para a ocorrência de alagasistemas de drenagem são altamente impactados e sobressaem-se como
mentos localizados. Ademais, interligações clandestinas de esgoto contrium dos problemas mais sensíveis causados pela urbanização sem planebuem para a insuficiência das redes de drenagem, com possibilidade de
jamento, ou seja, são os que mais facilmente comprovam a sua ineficiênrompimento das tubulações. Nessas condições, mesmo pequenos volumes
64
Alagamentos
pluviométricos são capazes de gerar alagamentos intensos em cidades urbanizadas, com diversos transtornos e possibilidade de desastres.
Nesse sentido é oportuno citar os estudos de Mattedi e Butzke (2001),
que mostraram que as pessoas que vivem em áreas de risco percebem os
eventos como uma ameaça, contudo não atribuem seus impactos a fatores
sociais. Esta percepção é comum quando ocorrem alagamentos, pois as
pessoas costumam atribuir à força da natureza a inundação de suas moradias e não à forma como ocupam e utilizam os espaços urbanos.
A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2010) indica que a
eficiência dos sistemas de drenagem de águas pluviais – e a consequente
prevenção de desastres com enchentes e alagamentos – está diretamente
relacionada à existência dos dispositivos de controle de vazão, pois estes atenuam a energia das águas e o carreamento de sedimentos para os
corpos receptores, onde há a disposição final dos efluentes da drenagem
pluvial. A ausência destes dispositivos é facilmente perceptível nos dados
divulgados pelo IBGE (2010), que mostram que um em cada três municípios
tem áreas urbanas de risco que demandam drenagem especial. Dentre os
municípios que relataram a existência de áreas de risco, somente 14,6%
utilizam informações meteorológicas e/ou hidrológicas, o que limita ainda
mais as condições de manejo das águas pluviais e drenagem urbana.
Para suportar as modificações do uso do solo na bacia são necessárias
obras de ampliação do sistema de drenagem (medidas estruturais), cujos
valores são tão altos que se tornam inviáveis. Tucci, Hespanhol e Cordeiro
Netto (2001), por exemplo, citam valores de US$ 50 milhões/km para aprofundamento de canais da macrodrenagem. Nesse quesito, as medidas não
estruturais (planejamento, controle na fonte, zoneamento etc.) tornam-se
menos onerosas e mais práticas.
Nessa temática, Pompêo (1999) afirma que se deve relacionar a sustentabilidade com a drenagem urbana, por meio do reconhecimento da complexidade das relações entre os ecossistemas naturais, o sistema urbano artificial e
a sociedade. Esta postura exige que a drenagem e o controle de cheias em
áreas urbanas sejam reconceitualizados em termos técnicos e gerenciais. Esta
definição eleva o conceito de drenagem à drenagem urbana sustentável, a
qual visa a imitar o ciclo hidrológico natural controlando o escoamento superficial o mais próximo da fonte, através de técnicas estruturais e não estruturais,
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
com o objetivo de reduzir a exposição da população aos alagamentos e inundações e, consequentemente, minimizar os impactos ambientais.
Os danos causados pelos alagamentos são, de modo geral, de pequena magnitude, pois a elevação das águas é relativamente baixa. Por
outro lado, os transtornos causados à população são de ordem elevada,
principalmente no que se refere à circulação de automóveis e pessoas, bem
como à limpeza das residências e das edificações comerciais após o escoamento das águas. De fato, o escoamento das águas superficiais sempre
ocorrerá, existindo ou não um sistema adequado de drenagem. Por isso, a
qualidade do sistema é que determina a existência de benefícios ou prejuízos à população.
Registros das Ocorrências
O Estado de Sergipe possui 11 registros oficiais de alagamentos severos caracterizados como desastre, entre os anos de 1991 e 2012. O Mapa 5
demonstra a distribuição espacial desses registros no território sergipano,
com a maioria dos desastres ocorrendo no leste do estado. Os municípios atingidos foram Aracaju, Barra dos Coqueiros, Brejo Grande, Ilha das
Flores, Itabaiana, Laranjeiras, Neópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa
Senhora do Socorro, Pacatuba e Tobias Barreto, com 1 registro cada.
Dentre essas cidades encontram-se as mais populosas do estado, como
Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Itabaiana e Tobias Barreto, que ocupam
a 1ª, 2ª, 4ª e 7ª colocação estadual, respectivamente (IBGE, 2011). Contudo,
há cidades que não passam de 20 mil habitantes, como Brejo Grande, Ilha
das Flores, Neópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Pacatuba. Isso evidencia
que não apenas os condicionantes antrópicos (população) estão associados
a ocorrências de desastres, mas também condicionantes físicos, já que municípios pouco populosos foram atingidos por alagamentos severos.
O Gráfico 12 apresenta a frequência anual de alagamentos registrados
entre 1991 e 2012, com 1 evento ocorrido em 2008 e 10 em 2010. Dessa
maneira, 91% dos desastres ocorreram em um único ano (2010).
Em relação à distribuição mensal (Gráfico 13), observa-se que a distribuição é semelhante à análise anual, já que os 10 desastres de 2010 ocorreram no mês de abril, enquanto o alagamento de 2008 ocorreu em maio.
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Alagamentos
volume sergipe
Gráfico 12: Frequência anual de desastres por alagamentos
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Frequência
10
10
5
0
1
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Frequência Anual
15
Fonte: Brasil (2013)
Gráfico 13: Frequência mensal de desastres por alagamentos
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Frequência Mensal
15
Frequência
10
10
5
0
1
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
Fonte: Brasil (2013)
ago
set
out
nov
dez
65
Os registros de 2010, cujas ocorrências variam entre os dias 08 e 12 de
abril, trazem como causa dos desastres as chuvas intensas neste período.
Em algumas cidades choveu 300 mm em apenas 48 horas, atingindo o acumulado de 452 mm em apenas 72 horas. Essa alta precipitação resultou em
alagamentos em 10 municípios.
A cidade de Tobias Barreto citou no registro do desastre que as chuvas
intensas causaram a súbita elevação do nível das águas. O município de Laranjeiras, atingido em 2008, cita o transbordamento do Rio Cotinguiba que
alagou diversas ruas. Nota-se que a descrição dos registros não se refere às
características de alagamentos, mas de enxurradas e inundações. O registro errôneo dos desastres é muito comum, conforme foi explanado no capítulo de enxurradas. Reitera-se, no entanto, que o registro correto permite avaliar com maior clareza os fatos e as características reais que
desencadearam determinado desastre. Os alagamentos, por exemplo, estão associados à dificuldade de escoamento das águas pluviais, problema
intensificado pela urbanização, cujo nível da água é baixo e causa poucos
danos. As enxurradas são características de pequenas bacias com relevo
acidentado, cujo escoamento da água possui alta energia, o que pode gerar danos vultosos. Já nas inundações, há o transbordamento gradual dos
rios nas áreas de planície, geralmente ocasionadas por chuvas prolongadas.
Ressalta-se que o relatório de danos do Município de Itabaiana descreveu detalhadamente as causas do desastre, citando as causas antropogênicas, como a ocupação desordenada do solo em áreas urbanas não
edificáveis, com desrespeito ao código de obras local, e a construção de
casas sobre os canais. O registro cita ainda o depósito errôneo de lixo em
vias públicas, o que causa entupimento dos sistemas de drenagem e colabora para os alagamentos, fato que vai ao encontro da problemática da
gestão do saneamento.
Os alagamentos desencadearam consequências negativas para as comunidades sergipanas. Reitera-se que estes eventos originam, de modo
geral, poucos danos, já que a elevação da água é relativamente baixa. Contudo, observa-se que mais de 115 mil pessoas foram afetadas, 2.059 desalojadas, 2.001 desabrigados, 71 enfermos e 47 feridos (Gráfico 14).
Os 5 municípios que apresentaram o maior número de pessoas afetadas são apresentados na Tabela 12, onde se pode observar que a capital
Alagamentos
Atlas
Gráfico 14: Danos humanos causados por desastres de alagamentos
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
115.125
Número de pessoas atingidas
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
O Gráfico 15 apresenta os prejuízos registrados no Estado de Sergipe, mostrando que as edificações mais afetadas foram as habitações, com
1.069 danificadas e 202 destruídas. Além disso, 17 unidades de ensino foram danificadas, o que demonstra um errôneo planejamento urbano, pois
foram construídas em áreas suscetíveis à ocorrência de alagamentos ou
a intensa urbanização alterou a dinâmica do escoamento, tornando essas
áreas suscetíveis a alagamentos.
Desalojados
Edificações
Desabrigados
Destruídas
Danificadas
Afetados
2.059
Outros
2.001
1500
Desaparecidos
47
71
Enfermos
Mortos
Gráfico 15: Edificações destruídas e danificadas pelos alagamentos
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Feridos
120.000
110.000
100.000
90.000
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
brasileiro de desastres naturais
1.069
1000
500
202
Fonte: Brasil (2013)
Mesorregião
Desabrigados
Desalojados
Afetados
Aracaju
Leste Sergipano
1.481
830
67.500
2010
Nossa Senhora do Socorro
Leste Sergipano
60
103
25.000
2010
Barra dos Coqueiros
Leste Sergipano
129
65
6.500
2010
Pacatuba
Leste Sergipano
125
175
5.500
2010
Neópolis
Leste Sergipano
16
82
4.012
Fonte: Brasil (2013)
do estado, Aracaju, foi a cidade mais atingida. Ressalta-se que nenhum
município apresentou falecimentos. Como os alagamentos, em geral, não
geram danos vultosos, existe a possibilidade de alguns alagamentos terem ocorrido simultaneamente a outros eventos, como enxurradas e deslizamentos, por exemplo.
7
Comunitários
Município
2010
Ensino
Ano
17
5
Saúde
Tabela 12: Principais danos humanos em eventos de alagamento (1991-2012)
0
Habitações
66
Fonte: Brasil (2013)
No que se refere aos danos materiais, a Tabela 13 quantifica os prejuízos registrados. Aracaju novamente é a cidade mais afetada, o que remete ao
conceito de desastre, que requer a presença do homem para ocorrer. A capital
teve 903 edificações danificadas ou destruídas, incluindo 4 centros de saúde,
15 sistemas de ensino e 6 unidades comunitárias danificadas. O total de edificações destruídas e danificadas de Aracaju em apenas 1 evento representa
70% do total de edificações destruídas e danificadas em todo o estado.
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
ALAGAMENTOS
VOLUME SERGIPE
Tabela 13: Descrição dos danos materiais nos municípios
afetados por alagamento em Sergipe (1991-2012)
Ano
Município
Mesorregião
2010
Aracaju
Leste Sergipano 123
Total Destruídas Total Danificadas
780
903
2010
Nossa Senhora do Socorro
Leste Sergipano 21
72
93
2010
Brejo Grande
Leste Sergipano 2
78
80
2010
Pacatuba
Leste Sergipano 25
35
60
2010
Barra dos Coqueiros
Leste Sergipano 15
38
53
67
A ocorrência de alagamentos, enquanto fenômeno, é frequente, principalmente nas cidades mais urbanizadas. Embora não causem danos que
caracterizem desastres, estes fenômenos geram inúmeros transtornos às
pessoas. As causas deste cenário estão relacionadas à ocupação do espaço
urbano pela população e à gestão da drenagem no nível local. Assim, a elaboração de um plano diretor de drenagem urbana nos municípios, aliada a
outras medidas não estruturais, contribui para a redução dos alagamentos
e, consequentemente, dos transtornos e desastres.
O Infográfico 4 apresenta um resumo dos registros oficiais de alagamentos ocorridos no Estado de Sergipe.
Total
Fonte: Brasil (2013)
Infográfico 4: Síntese dos registros de alagamento no Estado de Sergipe
15
Alagamentos
Eventos por ano
10
5
0
Totais por ano
Município
ARACAJU
BARRA DOS COQUEIROS
BREJO GRANDE
ILHA DAS FLORES
ITABAIANA
LARANJEIRAS
NEÓPOLIS
NOSSA SENHORA DE LOURDES
NOSSA SENHORA DO SOCORRO
PACATUBA
TOBIAS BARRETO
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
1
2008
2009
10
2010
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Fonte: Brasil (2013)
2011
2012
11
Total
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
68
Alagamentos
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
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2005. Disponível em: <http://4ccr.pgr.mpf.gov.br/institucional/gruposde-trabalho/residuos/docs_resid_solidos/GestaoAguasPluviaisUrbanas.
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Vendaval
70
Vendaval
Atlas
Mapa 6: Registros de vendavais no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
Q
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
uanto à sua origem, segundo a COBRADE, vendaval é enquadrado como desastre natural de causa meteorológica relacionado às
tempestades, por meio da intensificação do regime dos ventos.
Nesse sentido, o vendaval pode ser definido como um deslocamento
intenso de ar na superfície terrestre devido, principalmente, às diferenças
no gradiente de pressão atmosférica, ao incremento do efeito de atrito e
das forças centrífuga, gravitacional e de Coriolis, aos movimentos descendentes e ascendentes do ar e à rugosidade do terreno (CASTRO, 2003;
VIANELLO; ALVES, 1991).
As diferenças no gradiente de pressão correspondem às variações nos
valores entre um sistema de baixa (ciclone) e um de alta pressão atmosférica (anticiclone). Assim, quanto maior for o gradiente, mais intenso será o
deslocamento de ar.
Os movimentos ascendentes e descendentes de ar estão associados
ao deslocamento desse ar dentro de nuvens cúmulos-nimbus, são acompanhados normalmente por raios e trovões e podem produzir intensas rajadas
de ventos (VIANELLO; ALVES, 1991; VAREJÃO-SILVA, 2001; CASTRO, 2003).
Assim, os vendavais normalmente são acompanhados por precipitações hídricas intensas e concentradas, que caracterizam as tempestades.
Além das chuvas intensas, podem ser acompanhados ainda por queda de
granizo ou de neve, quando são chamados de nevascas.
As variações bruscas na velocidade do vento denominam-se rajadas,
as quais, normalmente, são acompanhadas também por mudanças bruscas
na direção (VAREJÃO-SILVA, 2001). Nas proximidades da interface superfície-atmosfera a intensidade dos ventos é altamente influenciada pelas características geométricas (rugosidade no terreno), sejam elas naturais (colinas, morros, vales etc.) ou construídas (casas, prédios etc.), e pelo estado
de aquecimento da própria superfície (KOBIYAMA et al., 2006). Assim, o
vento à superfície normalmente apresenta rajadas.
A ocorrência de sistemas frontais (frentes frias), sistemas convectivos
isolados (tempestades de verão) e ciclones extratropicais, entre outros,
pode ocasionar vendavais intensos. No entanto, para o Estado de Sergipe
os 3 registros referem-se ao desastre causado por vendaval em tempestade
convectiva local.
Vendaval
71
Esse tipo de desastre natural está mais associado a danos materiais
do que humanos, e causa danos diretos, ou seja, as áreas em que ocorrem
ventos fortes sempre estão associadas às áreas que apresentam os danos
mais intensos.
Segundo Tominaga, Santoro e Amaral (2009), danos humanos começam
a ser causados por ventos acima dos 75 km/h, como destelhamento de casas
mais frágeis, quedas de placas e quebra de galhos das árvores. No entanto, as consequências mais sérias correspondem ao tombamento de árvores,
postes e torres de alta tensão, causando danos à transmissão de energia
elétrica e telefonia; danos às plantações; destelhamentos e/ou destruição
das edificações; lançamento de objetos como projéteis etc. Estes projéteis
podem causar lesões e ferimentos em pessoas e animais e podem ser fatais,
como também causar danos nas edificações, tais como o rompimento de
janelas e portas (LIU; GOPALARATNAM; NATEGHI, 1990; FEMA, 2000).
Com base nos danos causados, foi construída a Escala Beaufort, que
varia de 0 a 12. O grau 12 classifica os ventos acima de 120 km/h. Ventos
com maior velocidade são considerados com intensidade de furacão, e
passam a se enquadrar em outra escala, chamada de Escala Saffir-Simpson, que utiliza os mesmos princípios da Beaufort (KOBIYAMA et al., 2006).
Deste modo, na Escala Beaufort, os vendavais correspondem a vendaval ou tempestade referentes ao grau 10, com ventos de velocidades
que variam entre 88 a 102 km/h. Produzem destelhamento e danos consideráveis em habitações mal construídas e derrubam árvores.
Em situações extremas, os vendavais podem ainda se caracterizar
como muito intensos ou ciclones extratropicais e como extremamente intensos, furacões, tufões ou ciclones tropicais. Os vendavais muito intensos correspondem ao grau 11 da Escala Beaufort, compreendendo ventos
cujas velocidades variam entre 102,0 a 120,0 km/h. Além das chuvas concentradas, costumam ser acompanhados por inundações, ondas gigantescas, raios, naufrágios e incêndios provocados por curtos-circuitos. Os
vendavais muito intensos surgem quando há uma exacerbação das condições climáticas, responsáveis pela gênese do fenômeno, incrementando
a magnitude do mesmo. Apresentam ventos de velocidades superiores
a 120,0 km/h, correspondendo ao grau 12 da Escala Beaufort. Causam
72
Vendaval
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Figura 13: Estação de recepção de
Figura 14: Linha de instabilidade desde o litoral do Estado
severos danos à infraestrutura e danos humanos
dados de satélite da FUNCEME
do Maranhão até o Estado do Rio Grande do Norte
(CASTRO, 2003).
A magnitude dos danos causados por vendavais pode ser mitigada por meio de monitoramento
e medidas de prevenção que se dividem em emergenciais e de longo prazo. Com relação ao monitoramento, os serviços meteorológicos acompanham
diariamente a evolução do tempo e têm condições
de alertar a Defesa Civil com horas, ou mesmo dias
de antecedência, sobre a passagem de uma frente
fria intensa, a caracterização de linhas de instabilidade e a caracterização de formações convectivas.
Normalmente, nessas condições, a queda acentuada da pressão barométrica em uma determinada
área e o estabelecimento de um forte gradiente
de pressão, com uma frente em deslocamento, são
prenúncio de vendaval (CASTRO, 2003).
Esses fenômenos ocorrem em todos os continentes. No Brasil, os vendavais são mais frequentes
Fonte: Ferreira e Mello (2008)
Fonte: Ferreira e Mello (2008)
nos estados da Região Sul: Rio Grande do Sul, SanAs Linhas de Instabilidade (LI) são bandas de nuvens causadoras de
ta Catarina e Paraná. A maior variação dá-se em função das estações do
chuva, normalmente do tipo cumulus, organizadas em forma de linha (Figuano, quando alguns sistemas atmosféricos são mais frequentes e intensos.
ra 13) (FERREIRA; MELLO, 2008). Segundo Teixeira (2004), as LI são frequenNesse sentido, as ocorrências de vendaval no Estado de Sergipe,
tes na costa do Nordeste e, principalmente, durante o verão, podem se deentre os anos de 1991 e 2012, totalizaram três registros oficiais. Para
senvolver em áreas ativas da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), ao
melhor visualização, os registros foram espacializados no Mapa 6, onde
longo das frentes de brisa marítima, ou de outras zonas de convergência.
pode ser vista a localização dos municípios afetados e seus respectivos
Nesse caso, podem causar precipitações intensas e ventos fortes.
números de registro. Os municípios afetados foram Aquidabã e Riachão
As frentes frias (FFs) (Figura 14) oriundas das latitudes subtropicais,
do Dantas, localizados na Mesorregião Agreste Sergipano, e Porto da Foque atingem o nordeste, induzem à formação de nebulosidade convectiva
lha, localizado na Mesorregião Sertão Sergipano.
sobre a região. São caracterizadas por uma banda de nuvens que se desloEsse tipo de desastre natural é considerado comum na época das
ca de sudoeste para nordeste sobre o continente e o Oceano Atlântico. As
chuvas. Na Região Nordeste do Brasil, os principais sistemas meteorolónuvens se formam na confluência da massa de ar frio mais densa que pegicos que afetam o tempo e o clima e suas relações com a ocorrência de
netra sob uma massa de ar quente, quando avançam em direção ao norte.
eventos adversos de causa eólica, são as Linhas de Instabilidade na Costa,
Elas penetram o Nordeste o ano todo, e durante o verão podem interagir
as Frentes Frias e os Complexos Convectivos de Mesoescala.
a
2012 –
Vendaval
volume sergipe
Figura 15: Posicionamento de uma
com o ar tropical quente
frente fria sobre o Nordeste
e úmido, gerando convecção profunda com
precipitação intensa, causando inundações, escorregamentos, algumas
vezes com ventos fortes
e granizo (CAVALCANTI;
KOUSKY, 2009).
Os Complexos Convectivos de Mesoescala
(CCM) são aglomerados
de nuvens que se formam
graças às condições locais favoráveis como temperatura, relevo, pressão
etc.; são mais frequentes
sobre o norte da Argentina, Paraguai e sul do
Fonte: Ferreira e Mello (2008)
Brasil, contudo, também
podem ocorrer no nordeste (SOUZA; ALVES, 1998); correspondem a uma
categoria extrema de Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM); e são
conhecidos por causar precipitações intensas e de curta duração, normalmente acompanhadas de fortes rajadas de vento (Figura 15).
Neste sentido, com relação à frequência mensal dos registros, observa-se no Gráfico 16, que as ocorrências de vendavais estão concentradas
nos meses de verão, janeiro e fevereiro.
A frequência anual de vendavais está ilustrada no Gráfico 17. No ano
de 1994, o município atingido foi o de Rincão do Dantas, que no mesmo
ano também registrou situação de emergência devido à queda de granizo.
Em 2004, o Município de Aquidabã registrou a destruição de 17 casas e
povoados isolados. O deslocamento violento de massas de ar foi apontado
como o causador do fenômeno. E, em 2010, o município de Porto da Folha
registrou que, em decorrência de vendaval, foram destruídas 60 casas e
interrompido o fornecimento de energia nos perímetros urbano e rural.
73
Gráfico 16: Frequência mensal de registros de vendavais no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
5
4
3
2
2
1
0
1
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Fonte: Brasil (2013)
Gráfico 17: Frequência anual de vendavais no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
5
4
3
2
1
0
1
1
1
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
– 1991
Frequência Mensal
brasileiro de desastres naturais
Frequência Anual
Atlas
Fonte: Brasil (2013)
Vendaval
Atlas
10.000
8.000
6.000
Fonte: Brasil (2013)
Porto da Folha, localizado na Mesorregião Sertão Sergipano, foi o único
município que apresentou afetados durante o evento de vendavais que ocorreu em janeiro de 2010. Foram seis feridos, 25 desabrigados e 45 desalojados.
Com relação aos danos materiais, o Estado de Sergipe apresentou um
total de 146 construções danificadas e 77 destruídas por vendavais, no período de 1991 a 2012. De acordo com o Gráfico 19, a maior parte dos danos
materiais foi nas habitações, destacando-se o Município de Porto da Folha,
que apresentou o maior número de residências danificadas e destruídas, 72
e 60, respectivamente.
a
2012 –
volume sergipe
142
Danificadas
120
100
77
80
60
40
20
0
3
1
172
Total de Afetados
71
Desaparecidos
38
Desalojados
8
Desabrigados
0
Enfermos
2.000
Feridos
4.000
– 1991
Fonte: Brasil (2013)
Infraestrutura
12.000
140
Destruídas
Habitações
11.580
Mortos
Número de afetados
14.000
160
Ensino
Gráfico 18: Danos humanos causados por vendavais no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
Gráfico 19: Danos materiais causados por vendavais no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Saúde
Conforme se pode observar no Gráfico 18, durante as ocorrências de vendavais registradas, 172 sergipanos foram desalojados, 71 desabrigados, seis
levemente feridos, dois gravemente feridos, 38 enfermos e 11.580 afetados.
Número de construções afetadas
74
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
VENDAVAL
VOLUME SERGIPE
75
Infográfico 5: Síntese das ocorrências de vendavais no Estado de Sergipe
1,5
Vendavais
Eventos por ano
1
0,5
0
Totais por ano
Município
AQUIDABÃ
PORTO DA FOLHA
RIACHÃO DO DANTAS
1991
1992
1993
1
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
1
2004
1
2005
2006
2007
2008
2009
1
2010
1
1
2011
2012
3
Total
1
1
1
Fonte: Brasil (2013)
Referências
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de
Defesa Civil. Banco de dados e registros de desastres: sistema
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76
Vendaval
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Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Granizo
78
Granizo
Atlas
Mapa 7: Registros de granizos no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
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2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
O
– 1991
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2012 –
volume sergipe
Granizo
79
s granizos, também conhecidos por saraivada, de acordo com a COgidos. No entanto, chuvas intensas e ventos fortes quando acompanham o
BRADE, compõem o grupo de desastres naturais meteorológicos
granizo aumentam os danos.
relacionados às tempestades. São caracterizados por precipitação
A agricultura é um dos setores econômicos que mais sofre com este
sólida de pedras de gelo, transparentes ou translúcidas, de forma esférica
fenômeno, pois plantações inteiras podem ser destruídas, dependendo
ou irregular, de diâmetro igual ou superior a 5 mm (VAREJÃO-SILVA, 2001).
da quantidade e do tamanho das pedras de gelo. De acordo com Tavares
As condições que propiciam a formação de granizo acontecem na par(2009), no Brasil, as culturas de frutas de clima temperado, como maçã,
te superior de nuvens convectivas do tipo cúmulos-nimbus. Estas nuvens
pera, pêssego e kiwi, e a fumicultura são as mais vulneráveis ao granizo.
apresentam temperaturas extremamente baixas no seu topo e elevado deDentre os danos materiais provocados, os mais importantes correspondem
senvolvimento vertical, podendo alcançar alturas de até 1.600 m, condições
à destruição de telhados, especialmente quando construídos com telhas
propícias para a transformação das gotículas de água em gelo.
de amianto ou de barro.
A precipitação de granizos ocorre, em geral, durante os temporais. Uma
O monitoramento e alerta sobre a ocorrência de granizos é uma megrande gota de chuva na parte inferior da nuvem, numa forte corrente de
dida preventiva importante na mitigação dos danos causados por esses
ascensão, é levada para cima e, ao alcançar temperaturas menores na linha
eventos naturais. Nesse sentido, os serviços de meteorologia acompanham
isotérmica de 0 oC, transforma-se em gelo. As gotas congeladas, ao crescediariamente as condições do tempo e têm condições de prevenir sobre sua
rem pelo processo de coalescência (agrupamento com outras gotas menores),
provável ocorrência.
movimentam-se com as correntes subsidentes. Nessa movimentação, ao se
O fenômeno ocorre em todos os continentes, especialmente nas rechocarem com gotas mais frias, crescem rapidamente até alcançarem um peso
giões continentais de clima quente das médias latitudes (20° a 55°), dimimáximo, ao ponto de não serem mais suportadas pelas correntes ascendentes,
nuindo em regiões marítimas e equatoriais. Entretanto, apresenta também
quando ocorre a precipitação, conforme apresenta a Figugrande frequência nas altas altitudes (reFigura 16: Processo de formação de granizo
ra 19 (KULICOV; RUDNEV, 1980; KNIGHT; KNIGHT, 2001).
giões montanhosas) das regiões tropicais.
O tempo de duração de uma precipitação de granizo
No Brasil, as regiões mais atingidas por
está relacionado à extensão vertical da zona de água no
granizo são a Sul, a Sudeste e parte meriinterior da nuvem e à dimensão das gotas. Neste sentido,
dional da Centro-Oeste; e especialmente
quanto maior for o desenvolvimento vertical da zona de
as áreas de planalto de Santa Catarina, Paágua e mais assimétricas forem as gotas, maior será a duraná e Rio Grande do Sul (TAVARES, 2009).
ração da precipitação (KULICOV; RUDNEV, 1980).
Apesar de o Estado de Sergipe se
De acordo com Mota (1983), durante a precipitação
encontrar em uma área de clima tropical,
muitas vezes os granizos degelam, chegando ao chão em
menos propício à formação de granizos
forma de gotas líquidas muito frias, ou ainda, o granizo
em relação ao clima temperado, apresenpode se fundir com elementos gasosos e com isso adquitou dois registros oficiais do fenômeno
rir a forma de floco de neve, e não mais de pedra de gelo.
no período da pesquisa, espacializados
O grau de dano causado por ocorrência de granino Mapa 7.
zos depende basicamente do tamanho das pedras, da
Os municípios atingidos foram Riadensidade da área, da duração do temporal, da velocichão do Dantas, localizado na Mesorregião
Fonte: Tavares (2009)
dade de queda e das características dos elementos atinAgreste Sergipano, e Canindé de São Fran-
Granizo
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
levância é que estes episódios geralmente são acompanhados por vendavais
e tempestades, o que dificulta definir isoladamente as consequências para
se decretar uma situação de emergência (CASTRO, 2003).
A ocorrência de granizos geralmente está relacionada a prejuízos econômicos, ambientais e sociais nas áreas afetadas. Em relação aos danos
humanos no Estado do Sergipe, conforme se pode observar no Gráfico 20,
354 pessoas foram afetadas, 24 desalojadas, 110 desabrigadas e 6 feridas,
correspondendo à ocorrência em Canindé de São Francisco. De acordo
com o documento oficial, no início da noite do dia 11 de janeiro de 2010
ocorreu uma forte chuva, seguida de ventos fortes e de granizo, que durou
cerca de 30 minutos, causando prejuízos na área rural do município.
Gráfico 20: Danos humanos causados por granizos no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
400
354
350
300
250
200
150
110
100
Fonte: Brasil (2013)
dos
Total de Afeta-
Desalojados
Desabrigados
Enfermos
Feridos
0
24
6
Desaparecidos
50
Mortos
cisco, localizado na Mesorregião Sertão Sergipano. Normalmente a ocorrência de granizo em regiões tropicais se dá em áreas continentais; neste sentido, os municípios atingidos localizam-se mais afastados do litoral.
A possível explicação para essas ocorrências de precipitação de granizos no estado pode estar relacionada com as Frentes Frias (FFs) ou Sistemas Frontais oriundos das latitudes subtropicais, que atingem o Nordeste e
induzem a formação de nebulosidade convectiva sobre essa região (Figura
17). São caracterizados por uma banda de nuvens que se desloca de sudoeste para nordeste sobre o continente e o Oceano Atlântico. As nuvens
se formam na confluência da massa de ar frio mais densa que penetra sob
uma massa de ar quente quando avança em direção ao norte. Durante os
meses mais quentes, podem interagir com o ar tropical quente e úmido,
gerando convecção profunda com precipitação intensa, algumas vezes
com ventos fortes e granizo (CAFigura 17: Posicionamento de uma
VALCANTI; KOUSKY, 2009).
frente fria sobre o Nordeste
Nesse sentido, os eventos
foram registrados nos meses de
verão, janeiro e fevereiro, que,
além de ser o período mais chuvoso do estado, apresenta temperaturas mais elevadas, o que
pode aumentar a probabilidade
de as chuvas serem acompanhadas por tempestade com queda
de granizo e ventos fortes, também registrados nos documentos oficiais dos municípios.
Foram registradas poucas
ocorrências de queda de granizo
no Sergipe, fato que pode estar
associado à falta de registros históricos de desastres ou à falta de
municípios que identificaram o
evento adverso e decretaram siFonte: Ferreira e Mello (2008)
tuação de emergência. Outra re-
Atlas
Número de afetados
80
GRANIZO
VOLUME SERGIPE
Riachão do Dantas registrou o evento no dia 28 de fevereiro de 1994,
no qual decretou situação de emergência pelo prazo de 60 dias, devido à
ocorrência de vendaval e granizo. Nos documentos oficiais não foram registradas mortes ou outros tipos de lesões ou danos aos habitantes nos dois
municípios afetados por granizo.
Com relação aos danos materiais, o Estado de Sergipe apresentou um
total de 101 construções danificadas e 14 destruídas por granizos, no período de 1991 a 2012. De acordo com o Gráfico 21, a maior parte dos danos
materiais foi nas habitações, 51, e na infraestrutura, 50, por ocasião do desastre ocorrido em Canindé de São Francisco.
81
Gráfico 21: Danos materiais causados por granizos no
Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
160
Destruídas
140
51
Danificadas
50
120
100
80
60
14
40
20
0
Infraestrutura
2012 –
Habitações
A
Ensino
– 1991
Saúde
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
Número de construções afetadas
ATLAS
Fonte: Brasil (2013)
Infográfico 6: Síntese das ocorrências de granizos no Estado de Sergipe
1,5
Granizo
Eventos por ano
1
0,5
0
Totais por ano
Município
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
RIACHÃO DO DANTAS
1991
1992
1993
1
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
1
Fonte: Brasil (2013)
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
1
2010
1
2011
2012
2
Total
1
1
82
Granizo
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Referências
TAVARES, R. Clima, tempo e desastres. In: TOMINAGA, L. K.; SANTORO,
J.; AMARAL, R. (Org.). Desastres naturais: conhecer para prevenir. São
Paulo: Instituto Geológico, 2009. p. 111-146.
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de
Defesa Civil. Banco de dados e registros de desastres: sistema
integrado de informações sobre desastres – S2ID. 2013. Disponível em:
<http://s2id.integracao.gov.br/>. Acesso em: 10 mar. 2013.
VAREJÃO-SILVA, M. A. Meteorologia e climatologia. Brasília, DF:
INMET, 2001.
CASTRO, Antônio Luiz Coimbra de. Manual de desastres: desastres
naturais. Brasília, DF: Ministério da Integração Nacional, 2003. 182 p.
CAVALCANTI, I. F. A.; KOUSKY, V. E. Frentes frias sobre o Brasil. In:
Cavalcanti, I. F. A. et al. (Org.). Tempo e clima no Brasil. São Paulo:
Oficina de Textos, 2009. 463 p.
FERREIRA, Antonio Geraldo; MELLO, Namir Giovanni da Silva. Principais
sistemas atmosféricos atuantes sobre a Região Nordeste do Brasil e a
influência dos Oceanos Pacífico e Atlântico no clima da Região. Revista
Brasileira de Climatologia, Presidente Prudente, v. 1, n. 1, p. 15-28,
dez., 2008. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/
revistaabclima/article/viewFile/25215/16909>. Acesso em: 16 maio 2013.
KNIGHT, C. A.; KNIGHT, N. C. Hailstorms. In: DOSWELL III, C. A. Severe
convective storms. Meteorological Monographs, Boston, v. 28, n. 50,
2001. p. 223-249, 2001.
KULICOV, V. A.; RUDNEV, G. V. Agrometeorologia tropical. Havana:
Científico-Técnica, 1980.
MOTA, F. S. Meteorologia agrícola. São Paulo: Nobel, 1983. 376 p.
Diagnóstico dos
Desastres Naturais
no Estado de Sergipe
84
Diagnóstico
dos desastres naturais no estado do
Sergipe
Atlas
Mapa 8: Registros do total dos eventos no Estado de Sergipe de 1991 a 2012
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
Diagnóstico
volume sergipe
A
Sergipe
85
Gráfico 22: Percentual dos desastres naturais mais recorrentes
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
3,8%
4,9%
Enxurradas
10,1%
Estiagens e Secas
Inundações
Outros
81,2%
Fonte: Brasil (2013)
Gráfico 23: Frequência mensal dos desastres mais recorrentes
no Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
Enxurradas
75
Frequência Mensal
o analisar os desastres naturais que afetaram o Estado de Sergipe,
ao longo de 22 anos (1991-2012), nota-se a ocorrência dos seguintes
eventos naturais adversos: estiagens e secas, inundações, granizo e
vendaval, com algumas recorrências em um mesmo ano. Os registros utilizados nas análises aqui apresentadas foram obtidos de 425 documentos
oficiais. No Mapa 8 observa-se que, dentro do período de análise (19912012), apenas dois municípios, de um total de 75, não foram afetados por
algum tipo de desastre natural. Os municípios de Porto da Folha, Poço
Redondo e Sertão do Canindé foram os mais atingidos e pertencem à Mesorregião do Sertão Sergipano, enquadrando-se na legenda deste mapa
na classe 21-25, sendo a maior parte desta quantidade de desastres associada à seca e à estiagem. No Gráfico 22 são apresentados os desastres
naturais mais recorrentes do Estado de Sergipe, com grande destaque para
as secas e estiagens, com uma percentagem de 81,2%, concentradas na
Mesorregião do Sertão Sergipano, onde predomina o clima semiárido. As
enxurradas e as inundações, com 10,1% e 4,9%, são, respectivamente, o
segundo e terceiro tipo de desastres mais recorrentes, concentrando-se na
Mesorregião do Leste Sergipano. Os municípios dessa mesorregião estão
localizados na margem oceânica e suas circunvizinhanças, onde predomina
um clima de transição subúmido. As áreas mais atingidas pelas inundações
estão localizadas nas regiões próximas aos rios, principalmente nos municípios localizados no norte do estado, na Bacia do Rio São Francisco. O
termo “outros” do Gráfico 22, com 3,8% do total de desastres, corresponde
aos eventos de alagamentos, granizos e vendavais.
A frequência mensal dos registros oficiais de desastres do Estado de
Sergipe está apresentada no Gráfico 23. Observa-se a ocorrência de estiagens e secas ao longo de todo o ano devido ao clima semiárido da Mesorregião do Sertão Sergipano, que apresenta grande déficit de chuva, e ao
clima de transição semiárido da Mesorregião do Agreste Sergipano. Portanto, nessas duas mesorregiões os problemas associados aos eventos de
estiagem e seca são crônicos e afetam a população em todos os meses do
ano. As inundações e as enxurradas são mais comuns na Mesorregião do
Leste Sergipano, que possui um clima de transição subúmido, com chuvas
concentradas nos primeiros meses do ano.
dos desastres naturais no estado do
Estiagens e Secas
Inundações
Outros
50
25
0
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
Fonte: Brasil (2013)
ago
set
out
nov
dez
86
Diagnóstico
dos desastres naturais no estado do
Sergipe
Atlas
Ao considerar o total de 425 registros de desastres ocorridos em Sergipe, foram selecionados os municípios mais atingidos pelas tipologias mais
recorrentes no estado (enxurradas, inundações, estiagem e seca), estando
esses resultados apresentados no Gráfico 24.
Gráfico 24: Municípios mais atingidos no Estado de Sergipe,
classificados pelo total de registros, no período de 1991 a 2012
Enxurradas
Inundações
Estiagens e Secas
Outros
Tobias Barreto
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
São Francisco foram registrados todos os tipos de desastre. O Município
de Porto da Folha é o que apresenta o maior número de desastres dentro
do período considerado (1991-2012), tendo sido atingido por 22 estiagens
e secas, uma enxurrada, uma inundação e uma vendaval.
Os danos humanos associados ao total de registros oficiais de desastres naturais ocorridos no Estado de Sergipe estão apresentados no Gráfico
25. Os seis registros de mortes estão associados a eventos de enxurradas.
Além dessas seis vítimas fatais, as diferentes tipologias de desastres registradas nos 425 documentos oficiais deixaram 716 pessoas feridas, 3.551 enfermas, 2.926 desabrigadas, 6.075 desalojadas, e 925.053 pessoas de alguma forma afetadas. O Infográfico 7 apresenta o quantitativo dos diferentes
tipos de desastres naturais ocorridos nos municípios do Estado de Sergipe.
São Miguel do Aleixo
Gráfico 25: Danos humanos associados a desastres naturais ocorridos
no Estado de Sergipe no período de 1991 a 2012
Poço Verde
925.052
5
10
15
20
25
30
Número de registros
Fonte: Brasil (2013)
Os eventos de estiagens e secas predominam sobre os demais tipos
de desastres e incidem em todos os municípios mais atingidos. Observa-se,
no Gráfico 24, que apenas nos municípios de Porto da Folha e Canindé do
95
100
10
1
6
Fonte: Brasil (2013)
Outros
0
716
1.000
Desaparecidos
Canindé do São Francisco
6.075
Desalojados
Frei Paulo
2.926
Desabrigados
Gararu
3.551
Enfermos
Monte Alegre de Sergipe
10.000
Feridos
Nossa Senhora da Glória
100.000
Mortos
Nossa Senhora de Lourdes
Número de pessoas (escala Log.)
1.000.000
Poço Redondo
Afetados
Portal da Folha
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
– 1991
A
2012 –
DIAGNÓSTICO
VOLUME SERGIPE
DOS DESASTRES NATURAIS NO ESTADO DO
SERGIPE
87
Infográfico 7: Registros das diferentes tipologias de desastres naturais por municípios do Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
400
Total dos Eventos
Por classe
300
200
100
0
Totais por ano
Município
AMPARO DE SÃO FRANCISCO
AQUIDABÃ
ARACAJU
ARAUÁ
AREIA BRANCA
BARRA DOS COQUEIROS
BOQUIM
BREJO GRANDE
CAMPO DO BRITO
CANHOBA
CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
CAPELA
CARIRA
CARMÓPOLIS
CEDRO DE SÃO JOÃO
CRISTINÁPOLIS
CUMBE
DIVINA PASTORA
ESTÂNCIA
FEIRA NOVA
FREI PAULO
GARARU
GENERAL MAYNARD
GRACHO CARDOSO
ILHA DAS FLORES
INDIAROBA
ITABAIANA
ITABAIANINHA
ITABI
ITAPORANGA D'AJUDA
JAPARATUBA
JAPOATÃ
LAGARTO
LARANJEIRAS
MACAMBIRA
MALHADA DOS BOIS
MALHADOR
MARUIM
MOITA BONITA
MONTE ALEGRE DE SERGIPE
MURIBECA
NEÓPOLIS
NOSSA SENHORA APARECIDA
NOSSA SENHORA DA GLÓRIA
NOSSA SENHORA DAS DORES
345
Estiagem e Seca
3
3
1
2
1
1
1
3
3
18
1
9
1
1
1
5
1
1
11
12
17
1
6
1
2
3
1
10
1
1
2
3
2
3
1
1
1
3
16
1
2
11
17
5
1
Mov. de Massa
Erosões
11
Alagamentos
43
Enxurradas
1
21
Inundações
1
1
4
1
2
1
3
1
1
1
1
1
2
Granizo
Chuvas Intensas
3
Vendavais
1
1
1
1
1
2
1
1
2
1
1
1
1
1
2
2
6
Fonte: Brasil (2013)
1
1
1
1
1
Incêndios
426
Total
5
4
6
2
1
3
1
6
3
5
21
1
9
2
2
1
5
1
3
11
12
19
1
6
4
2
6
1
10
2
1
2
4
5
3
3
1
7
3
17
1
5
11
17
5
JAPARATUBA
1
JAPOATÃ
2
LAGARTO
3
DIAGNÓSTICO
DOS DESASTRES NATURAIS NO2 ESTADO DO SERGIPE
LARANJEIRAS
MACAMBIRA
3
MALHADA DOS BOIS
1
MALHADOR
1
Infográfico 7: Registros das diferentes
MARUIM
1
MOITA BONITA
3
MONTE ALEGRE DE SERGIPE
16
MURIBECA
1
NEÓPOLIS
2
NOSSA SENHORA APARECIDA
11
NOSSA SENHORA DA GLÓRIA
17
NOSSA SENHORA DAS DORES
5
NOSSA SENHORA DE LOURDES
10
NOSSA SENHORA DO SOCORRO
1
PACATUBA
1
PEDRA MOLE
7
PEDRINHAS
1
PINHÃO
11
PIRAMBU
1
POÇO REDONDO
22
POÇO VERDE
18
PORTO DA FOLHA
22
PROPRIÁ
1
RIACHÃO DO DANTAS
3
RIACHUELO
1
RIBEIRÓPOLIS
5
ROSÁRIO DO CATETE
1
SALGADO
2
SANTA LUZIA DO ITANHY
2
SANTA ROSA DE LIMA
1
SANTANA DO SÃO FRANCISCO
1
SANTO AMARO DAS BROTAS
1
SÃO CRISTÓVÃO
5
SÃO MIGUEL DO ALEIXO
13
SIMÃO DIAS
7
SIRIRI
1
TELHA
1
TOBIAS BARRETO
11
TOMAR DO GERU
4
UMBAÚBA
1
88
1
1
2
ATLAS
BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS
2
tipologias de desastres naturais por municípios do Estado de Sergipe, no período de 1991 a 2012
6
1
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
2
1
2
1
1
2
2
1
1
4
1
1
1
Fonte: Brasil (2013)
1
1
– 1991
A
2012 –
VOLUME
1
2
4
SERGIPE
5
3
3
1
7
3
17
1
5
11
17
5
13
3
3
7
1
11
1
23
18
25
5
5
3
5
3
3
2
1
2
1
9
13
8
1
3
12
4
1
Atlas
brasileiro de desastres naturais
– 1991
a
2012 –
volume sergipe
Considerações Finais
O acordo de cooperação entre a Secretaria Nacional de Defesa Civil e
o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina foi importante, pois gerou o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, documento que se destaca por sua capacidade
de produzir conhecimento referente aos desastres naturais dos últimos 20
anos no Brasil. Tal iniciativa marca o momento histórico em que vivemos
diante da recorrência de desastres e de iminentes esforços para minimizar
perdas em todo território nacional.
Nesse contexto, o Atlas torna-se capaz de suprir a necessidade latente
dos gestores públicos de “olhar” com mais clareza para o passado, compreender as ocorrências atuais e, então, pensar em estratégias de redução
de risco de desastres adequadas para sua realidade local. Além disso, os
gestores devem fundamentar análises e direcionar as decisões políticas e
técnicas da gestão de risco.
O Atlas é também matéria-prima para estudos e pesquisas, ambos
científicos, mais aprofundados e torna-se fonte para a compreensão das
séries históricas de desastres naturais no Brasil, além de possibilitar uma
análise criteriosa de causas e consequências.
É importante registrar, contudo, que, durante a análise dos dados coletados, foram identificadas algumas limitações da pesquisa que não comprometem o trabalho, mas contribuem muito para ampliar o “olhar” dos
gestores públicos com relação às lacunas presentes no registro e no cuidado da informação sobre desastres. Destaca-se entre as limitações a clara
observação de variações e de inconsistências no preenchimento de danos
humanos, materiais e econômicos.
Diante de tal variação, optou-se, para garantir a credibilidade dos dados, por não publicar os danos materiais e econômicos, e, posteriormente,
recomenda-se aplicar um instrumento de análise mais preciso para validação desses dados.
As inconsistências encontradas retratam certa fragilidade histórica do
sistema nacional de defesa civil, principalmente pela ausência de profissio-
Diagnóstico
dos desastres naturais no estado do
Sergipe
89
nais especializados em âmbito municipal e pela falta de unidade e de padronização das informações declaradas pelos documentos de registros de
desastres. É, portanto, por meio da capacitação e da profissionalização dos
agentes de defesa civil que se busca sanar as principais limitações no registro e na produção das informações de desastres. É a valorização da história
e de seus registros que contribuirá para que o país consolide sua política
nacional de defesa civil e suas ações de redução de riscos de desastres.
No Estado de Sergipe, por exemplo, percebe-se a incidência de duas
tipologias fundamentais de desastres, estiagens e secas e enxurradas, que
possibilitam verificar a sazonalidade e a recorrência e, assim, subsidiar os
processos decisórios para direcionar recursos e reduzir danos e prejuízos
além de perdas humanas.
A partir das análises que derivam deste Atlas, é possível afirmar que
este estudo é mais um passo na produção do conhecimento necessário
para a gestão dos desastres naturais no país e para a construção de comunidades resilientes e sustentáveis.
O Atlas Brasileiro de Desastres Naturais marca o início do processo de
avaliação e de análise das séries históricas de desastres naturais no Brasil.
Espera-se que o presente trabalho possa embasar projetos e estudos de
instituições de pesquisa, órgãos governamentais e centros universitários.
Referências
BRASIL. Governo do Estado de Sergipe. Coordenadoria Estadual de
Defesa Civil. Acervo Fotográfico. 2011
BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de
Defesa Civil. Banco de dados e registros de desastres: sistema
integrado de informações sobre desastres – S2ID. 2013. Disponível em:
<http://s2id.integracao.gov.br/>. Acesso em: 10 mar. 2013.
SERGIPE (Estado). COMDEC – Coordenadoria Municipal de Defesa Civil
de Itabi – SE. Acervo Fotográfico. 2013.
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Volume Sergipe