DIVERSIDADE, BUSCA DE IGUALDADE ENTRE OS SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER 1 . Ana Lúcia Pereira 2 As reflexões sobre diversidade, igualdade entre os sexos e valorização da mulher são abrangentes e complexas, principalmente quando ampliadas considerando o componente étnico-racial, a participação política e a mobilização social no Brasil. O desafio é grande, mas, ao mesmo tempo estimulante. Para iniciar essa reflexão, gostaria de citar o refrão de uma música muito conhecida, de Milton Nascimento e Fernando Brant, Maria, Maria que nos incita a pensar: “Maria, Maria é um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta, uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta. Maria, Maria é o som, é a cor, o suor, é a dose mais forte e lenta, de uma gente que ri, quando deve chorar e não vive apenas aguenta. Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre. Quem traz no corpo a marca. Maria, Maria mistura a dor e a alegria”. Este pequeno refrão nos sensibiliza para a necessidade de um olhar mais apurado sobre a realidade e o tratamento que tem sido dispensado aos setores socialmente desfavorecidos no Brasil. Contudo, é necessário um olhar sob a ótica do gênero, raça e etnia para percebermos que existem pontos em comum, nesse processo, de norte a sul do Brasil. E refletir sobre os porquês dessa opressão, quais as possibilidades de reversão desta situação via mobilização social. Neste sentido, este texto apresentará breves reflexões sobre a mobilização do movimento negro e feminista na ótica dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil 1 Texto produzido para apresentação no Seminário do COEP - Comitê de Entidades Públicas no Combate à Fome e Pela Vida; em parceria com a COPPE/UFRJ, a ser realizado entre os dias 10 e 12 de novembro, na cidade do Rio de Janeiro. 2 Ana Lúcia Pereira é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP – Campus de Marília; mestre em História pela mesma universidade – Campus de Assis. Doutoranda em Sociologia na Faculdade de Ciências e Letras – UNESP/Araraquara (FCL/Ar) onde participa do LEAD (Laboratório de Estudos Africanos, Afro-brasileiros e da Diversidade), entre outros. Membro atuante dos APNs (Agentes de Pastoral Negros do Brasil), e, do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), onde coordena a Comissão Permanente de Segurança Alimentar e Nutricional das Populações Negras e Povos e Comunidades Tradicionais. É Professora Assistente na Universidade Federal do Tocantins (UFT). (APNs) e apontará alguns dos principais desafios para o futuro com vistas à valorização da mulher e do processo de mobilização social. Trata-se de uma sistematização, a partir da minha experiência de vida como mulher, negra, militante, educadora e pesquisadora; que adquiri ao longo de uma história de militância junto aos Agentes de Pastoral Negros do Brasil - entidade nacional do movimento negro, fundada em março de 1983, na cidade de São Paulo. A título de organização das idéias, resolvi estruturar o texto em três partes, a saber: I - Fé na luta: A história dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil. II - Combate ao machismo com ênfase na eliminação da opressão da mulher negra. III – Desafios da caminhada. I - Fé na Luta: Agentes de Pastoral Negros do Brasil 3 No dia 13 de março de 2008, os Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) completaram 25 anos de luta contra o racismo. A fé como elemento fundante desde a sua criação, permitiu a maturidade dos APNs na luta contra o preconceito e a discriminação racial, num período autoritário de nossa história, quando diversos movimentos sociais tornaram-se protagonistas da redemocratização do país. São negros e negras que tornaram – se novos atores sociais, originados das comunidades eclesiais de base - CEBs, com uma sólida formação baseada na Teologia da Libertação. A atuação dos APNs na defesa dos direitos humanos e na promoção da comunidade negra constituíram assim, uma ação conscientizadora e libertadora através de quatro eixos fundamentais: construção da teologia negra; combate ao machismo com ênfase na eliminação da opressão da mulher negra; defesa de uma proposta político-educacional voltada para a diversidade étnico-racial e luta pelas políticas de ações afirmativas. 3 Texto produzido originalmente para publicação na Revista Raça, no ano de 2008. A construção da teologia negra se deu em torno do resgate da história e da identidade negra, sobretudo no processo de formação de diversos grupos, que à luz da Bíblia e da realidade política, social e econômica brasileira, refletiam sobre a situação da negritude vitimada pelo racismo e pela discriminação. Foi á fase da afirmação da identidade e da descoberta de pertença da comunidade negra. O combate ao machismo para a eliminação da opressão da mulher negra aconteceu de forma muito dolorida. Foi o momento em que as mulheres APNs passaram a se ver como mulheres que viviam cotidianamente uma dupla humilhação: uma no âmbito doméstico - vistas como objeto sexual e outra no âmbito social da produção – referente à desigualdade salarial. As reuniões lideradas pelas APNs cariocas e baianas permitiram a troca de experiências como estratégia de sobrevivência. O maior dos desafios vencidos foi passar a debater o assunto na presença dos nossos próprios companheiros. Já a Educação foi á marca dos APNs, promovendo constantes encontros de educadores negros idealizados no Rio Grande do Sul, que se proliferaram no Brasil inteiro, resultando na defesa de uma proposta político-educacional voltada para a diversidade étnico-racial, pautada na ancestralidade e na oralidade. Não podemos deixar de citar o crescente número de cursinhos pré-vestibulares para negros (as) carentes, distribuídos em todos os nossos mocambos, que finalmente vêm oferecer mais acesso da população negra ao ensino superior. As transformações ocorridas no mundo, particularmente a ampliação da exclusão via projeto neoliberal associado ao processo de globalização exigiu do movimento negro, novas estratégias de intervenção, como as políticas de ações afirmativas que passaram a ocupar a agenda dos APNs na década de 90. Mas, se a luta tem sido mobilizadora e, podemos dizer vitoriosa foi sem dúvida por seu aspecto coletivo e solidário. Os APNs sempre atuaram junto ao movimento negro no Fórum Nacional de Entidades Negras, como exemplos na organização da Marcha Zumbi dos Palmares, Contra o Racismo, Pela Cidadania e a Vida (Brasília, 1995); no Movimento Brasil Outros 500: Resistência Negra, Indígena e Popular, (Porto Seguro, 2000); na Conferência Mundial contra o Racismo (Durban, África do Sul, 2001) e na Marcha Zumbi +10 (Brasília, 2005); entre outros. Vale dizer ainda, que as ações estão sendo consolidadas na introdução de temas nunca antes debatidos pelo movimento negro, como a questão da segurança alimentar e nutricional das populações negras e a garantia da alimentação adequada, como direito humano. Essa questão sob o eixo étnico/racial ocupa espaço privilegiado no contexto nacional e internacional. É arma fundamental para a inserção da População Negra como protagonista no âmbito das ações governamentais na construção de uma sociedade igualitária, que busca, a partir de seu patrimônio afrodescendente, estratégias de superação das desigualdades. A integração dos APNs do Brasil com as comunidades quilombolas e as comunidades religiosas de matriz africana, fortalece o nosso trabalho, na perspectiva de um mundo mais justo, solidário e livre do racismo. II - Diversidade, busca de igualdade entre os sexos e valorização da mulher. A questão da diversidade, busca de igualdade entre os sexos e valorização da mulher passou a ser abordada no âmbito dos APNs a partir da inserção das mulheres APNs na luta do movimento feminista, no início da década de 90, mais precisamente no ano de 1993, quando realizamos o I Encontro Nacional de Mulheres APNs, na cidade de Salvador, Bahia. Na ocasião, discutimos o tema: mulher negra, ecumenismo e política; decidimos compor o Fórum Estadual de Mulheres Negras nos diversos estados em que tínhamos representação e elegemos, já em 1994, uma mulher na presidência da entidade 4 . O que mudou em nossa militância? Ela passou a ter mão dupla: impossível discutir raça, sem a categoria gênero. Impossível discutir gênero sem a categoria raça! O que mudou em nossa vida? Passamos a investir em nossa formação acadêmica e profissional e trabalhar a nossa auto-estima através da participação em cursinhos pré-vestibulares e grupos de estudos. A formação das mulheres APNs durante a década de 1990 foi pautada por três importantes eventos: IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em 1995, em Beijin/China; a Marcha Zumbi dos Palmares, Contra o Racismo, Pela Cidadania e a 4 Elegemos Jacinta Maria Santos/APN do Maranhão, para a gestão 94/96. Vida, realizada em Brasília, no ano de 1995 e a organização da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, que aconteceu em Durban, África do Sul, em maio de 2001. Esses eventos impactaram governo e sociedade civil e inauguraram uma nova fase de atuação do movimento negro e feminista. Passamos do campo da denúncia, para o campo da proposição de políticas públicas. Para uma entidade composta majoritariamente de mulheres oriundas da periferia, a mobilização para as conferências exerceram grande importância, pois oportunizaram a realização de debates sobre o tema específico; garantiram a participação social no processo de preparação do documento brasileiro e do estabelecimento de uma plataforma de ações. Um destaque especial desse processo aconteceu na organização da Marcha Zumbi dos Palmares, Contra o Racismo, Pela Cidadania e a Vida, realizada em Brasília, no ano de 2005. Das 14 representações de entidades nacionais, somente duas mulheres: uma, representando o Fórum de Mulheres Negras e a outra, representando os Agentes de Pastoral Negros do Brasil. A marcha foi um marco na proposição de políticas públicas para a população negra brasileira, pois, naquela ocasião, o governo brasileiro assumiu publicamente que o Brasil é um país racista e formou um grupo de trabalho interministerial para a promoção da igualdade racial. Importante ressaltar que o grupo era composto por governo e sociedade civil e, na composição, novamente os Agentes de Pastoral Negros foi representado por uma mulher 5 . Foi um período bastante profícuo para o movimento negro e feminista brasileiro, pois tivemos a oportunidade de demonstrar que a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, não a garantia os direitos fundamentais da população negra e não havia um respeito à diversidade étnico-racial no país. Em 1996, quando o governo brasileiro lançou o Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH, que determinou medidas para assegurar a defesa e promoção destes direitos; conseguimos um capítulo específico para a discussão dos direitos humanos para a 5 Fomos representados por Vera Triunfo/APN do Rio Grande do Sul, na época, assessora parlamentar do então Deputado Federal Paulo Paim. população negra. Enquanto uma carta de intenções o PNDH elegeu prioridades e apresentou propostas de caráter administrativo, legislativo e político. A adesão do governo brasileiro à Declaração e ao Plano de Ações assinado na III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, foi, para nós, uma grande vitória em prol da promoção de políticas de ações afirmativas 6 , necessárias para garantia da diversidade étnicoracial e de gênero no país. Estas breves reflexões sobre a mobilização do movimento negro e feminista, sob a ótica dos Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs) nos apontam que as proposições são amplas, as mobilizações são necessárias e intensas, pois existe muito a fazer ainda. Os números ainda são implacáveis e desfavoráveis para nós, mulheres negras. As diferenças se mantém ao longo do tempo e nos incitam a continuarmos lutando e nos mobilizando. Vejamos alguns dados do Censo do IBGE (2000) 7 : 1. Taxa de analfabetismo para a faixa etária de 25 anos ou mais: Raça/Cor Masculino Feminino Total Brancos 9,61 10,89 10,29 Negros 23,22 24,20 23,71 Total 15,62 16,42 16,04 Escolhemos a tabela que mostra os dados da população brasileira com faixa etária entre 25 e 39 anos. São pessoas nascidas entre 1961 e 1975 (já que a referência é o ano 2000). 6 Significa papel ativo do Estado e das organizações na promoção da igualdade, materializado por meio de medidas legislativas, administrativas, processuais (judiciais) e por intermédio de variados métodos, sejam preventivos, persuasivos, repressivos, ou conjugando-se uns e outros. 7 Fonte: Censo Demográfico, IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tabulações do LAESER (Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais) do Instituto de Economia (IE) - UFRJ. A categoria Negra representa a soma das pessoas Pretas e Pardas Vemos para essa faixa etária, que a taxa de analfabetismo no Brasil é de 16,04. Verificamos que a taxa se mantém quase inalterada se analisarmos apenas pelo olhar de gênero: a taxa da população feminina é de 16,42 e melhora um pouquinho, no caso masculino, se olhamos para a taxa que é de 15,62. Mas, se fizermos a desagregação dos dados com o olhar racial já poderemos perceber como a diferença é gritante: melhora 5,75 pontos para a população branca e piora 7,67 pontos para a população negra. Em outras palavras: o índice de analfabetismo no Brasil entre negros e brancos tem uma diferença de 13,42 pontos. Vamos fazer um outro exercício: o olhar a partir de gênero e raça: a taxa de analfabetismo no Brasil é de 16,04; no entanto, o índice para a população masculina branca é de 9,61 e da população feminina negra é de 24,20. A diferença atinge 14,59. 2. Rendimento médio do trabalho principal: Raça/Cor Masculino Feminino Total Brancos 1.064,47 683,09 916,29 Negros 495,36 350,63 444,45 Total 820,11 553,78 720,77 Outra forma de analisarmos as desigualdades raciais é observarmos o impacto no rendimento médio do trabalho principal da população brasileira. O raciocínio é o mesmo, mas a nossa facilidade em entender o impacto é maior, pois tem a ver com o nosso bolso. Vejamos: O rendimento médio do trabalho principal da população brasileira no ano 2.000 era de R$ 720,77 (setecentos e vinte reais e setenta e sete centavos). A média se apresenta bastante alterada se analisarmos apenas pelo olhar de gênero: o rendimento médio do trabalho principal da população feminina é de R$ 553,78 (quinhentos e cinquenta e três reais e setenta e oito centavos) e melhora consideravelmente se analisarmos o rendimento médio do trabalho principal da população masculina, que é de R$ 820,11 (oitocentos e vinte reais e onze centavos). Em síntese: no ano 2000, os homens brasileiros ganhavam R$ 266,33 (duzentos e sessenta e seis reais e trinta e três centavos) a mais que as mulheres brasileiras. Ao aplicarmos a desagregação dos dados com o olhar racial, vamos observar que o rendimento médio do trabalho principal da população branca é de R$ 916,29 (novecentos e dezesseis reais e vinte e nove centavos, contra R$ 444,45 (quatrocentos e quarenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos. Uma diferença de mais de 100%, ou seja, R$ 471,84 (quatrocentos e setenta e um reais e oitenta e quatro centavos). Finalmente, sob o olhar de gênero e raça observamos que: o rendimento médio do trabalho principal da população masculina branca é de R$ 1.064,47 (hum mil e sessenta e quatro reais e quarenta e sete centavos e da população feminina negra é de 350,63 (trezentos e cinquenta reais e sessenta e três centavos). A diferença é três vezes maior. 2. Índice de Pobreza (percentual): Raça/Cor Masculino Feminino Total Brancos 31,16% 31,31% 31,24% Negros 56,96% 57,46% 57,21% Total 43,27% 42,87% 43,06% A leitura da tabela que apresenta o percentual do índice de pobreza no Brasil nos permite um arredondamento dos números percentuais: a pobreza no Brasil atinge 43% da população brasileira e este índice pode ser considerado o mesmo para homens e mulheres. Contudo, no quesito raça, isto é, no olhar racial a pobreza atinge majoritariamente a população negra: 57%, contra 31% da população branca. Neste sentido, a questão da diversidade étnico-racial ganha novos contornos e precisa ser enfrentada, caso queiramos a garantia dos direitos humanos, o que resignifica a busca da igualdade de direitos, com respeito às diferenças. Quando nos depararmos com a ineficiência dos instrumentos legais e formais para a extinção de toda a sorte de desigualdades e discriminações sociais e a impossibilidade da igualdade entre os sexos e/ou entre as diversas etnias, percebemos, inevitavelmente, que as políticas universais não são suficientes. Percebemos os limites do Estado, como responsável pela promoção dos direitos humanos. É nesse momento que julgamos ser necessárias as políticas de ações afirmativas. Temos assistido no país uma reação descabida e um certo “mal-estar” da elite intelectual brasileira quando levantamos a bandeira do combate ao racismo, discriminação e preconceito. É visível ainda o descontentamento de grande parte da população, quando nós, mulheres negras, nos organizamos para afirmar a nossa identidade étnico-racial e denunciar a opressão que vivenciamos em nosso cotidiano. Na questão da diversidade religiosa somos constantemente agredidas quando buscamos valorizar a nossa cultura ancestral e/ou declarar a nossa profissão de fé às religiões de matriz africana. III – Desafios na caminhada. Percebe-se que o Brasil é um terreno fértil, para reflexões sobre diversidade, igualdade entre os sexos e valorização da mulher. Diante da realidade apresentada, temos necessariamente que enfocar a questão da discriminação étnica, racial e de gênero. É uma realidade de idas e vindas que nos faz pensar a necessidade de trilharmos novos caminhos que passam pelo enfrentamento dos conflitos, pela negociação na esfera pública e privada e pela mobilização social em prol das temáticas que nos afligem. Assim, não podemos ter medo de dizer que somos vítimas do machismo, do sexismo, do racismo, do preconceito e da discriminação racial, pois a exclusão social é fruto desta realidade e não o contrário. Sabemos que avançamos muito na formulação de instrumentos legais no campo dos direitos humanos na esfera nacional e internacional, mas ainda não conseguimos fazer valer esses direitos. Sendo assim, propomos a mobilização social para que os movimentos sociais possam sensibilizar a sociedade civil e o governo para a: - construção de uma cultura de paz e não violência; - compreensão de que o racismo, preconceito e discriminação racial constituem-se em um tipo de violência que acarreta o genocídio preferencial da população negra; - divulgação das pesquisas que têm sido realizadas no campo das desigualdades raciais, com o intuito de busca da resolução desse problema; - compreensão de que o movimento negro e feminista não estão dividindo o Brasil entre brancos e negros e/ou homens e mulheres: foram os resquícios da escravidão e do machismo que desencadearam esse processo que pode ser revertido, se ações concretas de eliminação das desigualdades étnicas e raciais forem efetivadas; - necessidade de priorizar a análise das relações raciais no Brasil como condição sine qua non para a construção de um país mais justo e igualitário; - popularização da agenda dessa mobilização social, de forma que não fique restrita ao movimento negro e feminista. Assim toda a sociedade brasileira poderá aderir ao pacto de combate ao racismo institucional 8 ; - valorização das mulheres negras no sentido de garantia de participação na vida política, econômica e social do país. Isso pressupõe uma equidade na distribuição de renda. IV – Bibliografia BRASIL, Ministério da Justiça. Anais do seminário internacional “Multiculturalismo e racismo: o papel da ação afirmativa nos estados democráticos contemporâneos”. Brasília: Ministério da Justiça, 1996. GUIMARAES, A. S. A. Racismo e Anti-racismo no Brasil._São Paulo: Editora 34 Ltda; Fundação de Apoio a Universidade de São Paulo, 1999. JACCOUD, L.; BEGHIN, N. Desigualdades raciais no Brasil: uma balanço da intervenção governamental. Brasília, Ipea, 2002. PAIM, P. Estatuto da igualdade racial. Brasília: Gabinete do Senador Paim, 2003. 8 Racismo Institucional é entendido aqui como a incapacidade coletiva de uma organização em prover um serviço profissional e adequado às pessoas devido à sua cor, cultura, origem racial ou étnica. Ainda que não haja a intenção, práticas discriminatórias indesejáveis e antiéticas que fazem parte da rotina das instituições e das pessoas que nelas atuam. O racismo já está cristalizado, incorporado no cotidiano e, na maioria das vezes, é tão “natural” que passa despercebido. Para transformar esta realidade, é preciso por em prática uma série de ações: deve-se investir numa gestão pública responsável e sensível; na destinação de recursos financeiros para necessidades prioritárias e específicas como a formação dos profissionais de saúde; na realização de campanhas informativas; na ampliação da participação e qualificação do controle social, entre outras. PAIXÃO, M. J. P. Desenvolvimento humano e Relações Raciais. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. RIBEIRO, M. Diversidade racial, étnica e processos de participação política na América Latina. Disponível em: http://www.lppuerj.net/olped/documentos/ppcor/0296.pdf SANTOS, R. E.; LOBATO, F. (Org.). Ações Afirmativas: Políticas públicas contra as desigualdades raciais. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. SÃO PAULO, Prefeitura do Município de São Paulo. Durban+ 5 Conferência Mundial Contra o Racismo: Declaração de Durban e Plano de Ação. Prefeitura do Município de São Paulo: São Paulo, 2005. SOUZA, J. C. P. 25 anos APNs: Presença histórica, desafios e perspectivas. Textobase da XII Assembléia Nacional dos Agentes de Pastoral Negros. São Paulo, 2008. VALENTE, F. L. S. Direito Humano à Alimentação: desafios e conquistas. Paulo: Cortez Editora, 2002. Centro de Convenções do CBC – Colégio Brasileiro de Cirurgiões Endereço: Rua Visconde de Silva, nº 52 Botafogo – Rio de Janeiro - RJ http://www.coepbrasil.org.br/iiencontro/ Dia 10 – 2ª feira 09:00h Abertura Lançamento Selo Comemorativo COEP 15 Anos 10:45 às 12:15h Mesa “Desenvolvimento Sustentável” – Nísia Werneck – João Lutz – Helio Mattar 12:15 às13:00h 14:30 às 16:10h Debate Mesa “Diversidade, Igualdade entre os Sexos e Valorização da Mulher” – Ângela Fontes – Nahyda Franca – Ana Lúcia Pereira 16:10 às 17:00h Debate 17:15 às 18:15h Apresentação cultural Dia 11– 3ª feira 08:30 às 09:00h Credenciamento 09:00 às 09:20h Apresentação do vencedor do concurso de música – COEP RJ 09:20 às 10:10h “Solidariedade e Inovação Social” Palestrante: Roberto Bartholo 10:30 às 12:00h Mesa “Atuação em rede- cooperação, comunicação, articulação e liderança” – John Saxby São – Cassio Martinho – Larissa Barros 12:00 às12:45h Debate 14:30 às 15:40h “ Princípios da Democracia” 16:10 às 17:10h Debate 17:10 às 17:40h Apresentação cultural 17:40 às 18:00h Encerramento Palestrante: Leonardo Boff Dia 12 – 4ª feira 09:00 às 09:30h Credenciamento 09:30 às 12:30h Solenidade Comemorativa de 15 Anos 14:30 às 17:00h Mesa Redonda “Fome, pobreza e desigualdade: como fortalecer a participação social e a atuação em rede” - Anna Peliano - Clemente Ganz - Francisco Menezes - D. Mauro Morelli - Renato Maluf - Santinha Tavares 17:00 às 18:00h Encerramento