GRAVEL
ISSN 1678-5975
Dezembro - 2007
Nº 5
89-102
Porto Alegre
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS:
Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
Medeanic S.1, Corrêa I.C.S.1 & Weschenfelder J.1
1
Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica – CECO/IG/UFRGS ([email protected]).
RESUMO
Com base no estudo de 11 amostras de lama do fundo da Laguna dos
Patos, palinomorfos variáveis representados por polens e esporos de plantas
terrestres e aquáticas vasculares, zigósporos, coenobium e colônias de
clorofilas, cistos de dinoflagelados e de acritarcas, e palinomorfos de fungos
foram registrados. As assembléias de palinomorfos são de origem alóctone e
se diferenciam pela diversidade taxonômica e freqüência de taxa, vinculadas
com as características ecológicas da laguna, a vegetação terrestre e aquática
nas áreas adjacentes à laguna, influência do oceano e proximidade da bacia de
drenagem. Os palinomorfos de algas são mais abundantes na parte sul da
laguna (pré-límnica), mas são mais diversos pelos taxa na parte norte
(límnica). A maior diversidade de polens e esporos ocorre nas amostras de
áreas sob a influência do Rio Camaquã e do Lago Guaíba. A freqüência maior
de polens de plantas de dunas e de marismas ocorre na parte leste. Os diversos
fitólitos são relativamente freqüentes nas amostras de locais próximos as
dunas e marismas.
ABSTRACT
Based on 11 muddy samples of bottom sediments from the Patos
Lagoon, various palynomorphs represented by pollen, and spores of terrestrial
and aquatic vascular plants, zygospores, coenobias and colonies of
Chlorophyta, cysts of dinoflagellates and acritarchs and fungal palynomorphs
were registered. The palynomorph assemblages are allochtonous by origin and
are differed by taxonomic diversity and frequency of taxons which are
connected with ecological characteristic of the lagoon, terrestrial and aquatic
vegetation in adjacent to lagoon areas, ocean influence, and proximity to
drainage basin. The algal palynomorphs are more abundant in the southern
part of the lagoon (pre-limnic), but are more diverse by taxons in the northern
part (limnic). The most pollen-and-spore diversity is encountered in the
samples from the points subjected by River Camaquã and Lago Guaíba
influence. In the east, there are more pollen of dune and intertidal marsh
plants. Diverse phytoliths are relative abundant from the samples in the points
of sampling not far from the dune and intertidal marshes.
Palavras chave: palinomorfos, sedimentos lagunares, Laguna dos Patos.
90
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
INTRODUÇÃO
A evolução da Planície Costeira do Rio
Grande do Sul, bem como a história da
formação da Laguna dos Patos, pode ser descrita
através dos estudos palinológicos dos
sedimentos lagunares quaternários. Os polens e
esporos de plantas terrestres e aquáticas
vasculares, zoósporos de fungos distribuídos nas
dunas, marismas, pântanos e banhados das áreas
adjacentes da laguna, são os principais
palinomorfos
presentes
nos
sedimentos
lagunares. Estes palinomorfos são transportados
ao ambiente lagunar pelos ventos, rios e
correntes aquáticas. Para se obter melhores
resultados nas reconstruções paleoambientais é
importante estudar os polens e esporos dos
sedimentos recentes superficiais e compará-los
com a composição taxonômica da vegetação
atual, presente na área de estudo (D’Antoni &
Marcgraf, 1980; Caramello et al., 1991; Hjell,
1997; Paez et al., 1997). A desconformidade
entre os dados palinológicos e botânicos se
explica pela diferença em: (a) produção polínica
pelas diferentes plantas (Dimbleby, 1967); (b)
morfologia específica de polens e esporos de
diferentes plantas, para serem preservados nos
sedimentos (Traverse, 1988); e (c) capacidade
de transporte pela água, vento, insetos, entre
outros (Traverse, 1988). A composição química
e microbiológica dos sedimentos exerce papel
importante na preservação dos polens e esporos
nas seqüências sedimentares (Tauk, 1990).
Os trabalhos sobre polens e esporos,
encontrados nos sedimentos superficiais dos
fundos lagunares, realizados por Busk (1997) e
Woo et al. (1998), mostram que as associações
de polens e esporos e suas freqüências,
dependem do local da amostragem. Amostras de
locais mais afastados da margem lagunar são
caracterizadas pela menor quantidade e
diversidade de taxa de polens e esporos das
plantas terrestres, dependendo da produção de
polens e esporos pelas plantas e sua capacidade
de transporte.
Outros palinomorfos, de extrema
importância nos sedimentos lagunares, são os
palinomorfos de algas (Canter-Lund & Lund,
1995). Os palinomorfos de clorofilas
(Chlorophyta) se desenvolvem em lagunas ou
são transportados até elas pelos rios e suas
correntes. Os cistos de dinoflagelados
(Dinophyta) e acritarcas (Acritarcha), algas
principalmente marinhas, são transportados até o
interior das lagunas através de canais de
conexão entre o sistema lagunar e o oceano e/ou
pelas marés. A distribuição de palinomorfos nos
sedimentos do fundo das lagunas pode ser
influenciada pelas correntes presentes no corpo
lagunar.
A freqüência e a diversidade
taxonômica de palinomorfos dos sedimentos são
relacionadas, além dos fatores acima
mencionados, com a litologia e a granulometria
dos sedimentos. Os sedimentos mais favoráveis
para a preservação dos palinomorfos são os
argilosos ou sílticos (Traverse, 1988).
Os primeiros estudos de assembléias de
palinomorfos, nos sedimentos superficiais das
marismas e de pântanos atuais na parte estuarina
da Laguna dos Patos, foram realizados por
Medeanic (2004; 2006). Nesses estudos, as
assembléias de palinomorfos de marismas são
bem conhecidas, pois além de polens e esporos
de plantas terrestres e aquáticas, incluem os
palinomorfos de algas como clorofilas, cistos de
dinoflagelados, cistos de acritarcas e
microforaminíferos.
Além dos palinomorfos, encontram-se
nos sedimentos lagunares os fitólitos que
apresentam corpos microscópicos silicosos
originados pela precipitação de silix ao longo da
vida nos tecidos das plantas. Esses são
abundantes em gramíneas e outras plantas
herbáceas das regiões costeiras (Lu & Liu,
2003). O uso de fitólitos no estudo das planícies
costeiras do Brasil ainda não foi realizado. Os
primeiros dados sobre morfotipos de fitólitos em
plantas Spartina ciliata e Panicum racemosum,
abundantes nas dunas da planície costeira do Rio
Grande
do
Sul,
foram
recentemente
apresentados por Lima & Medeanic (2007).
Neste trabalho são apresentados os
primeiros dados sobre palinomorfos e fitólitos
dos sedimentos superficiais do fundo da Laguna
dos Patos. Os resultados deste trabalho são de
alta importância para uma melhor interpretação
dos dados palinológicos obtidos nas amostras
dos sedimentos quaternários da planície costeira
do Rio Grande do Sul.
ÁREA DE ESTUDO
A Laguna dos Patos está relacionada ao
processo evolutivo da planície costeira do estado
do Rio Grande do Sul, durante o Quaternário
GRAVEL
Medeanic et al.
(Villwock et al., 1986; Martins et al., 1989).
Esta laguna apresenta-se alongada de forma
paralela à linha de costa atual, com seu
escoamento acompanhando o eixo principal de
orientação NE-SO (Toldo Jr., 1991). Em sua
parte estuarina, a laguna está conectada com o
oceano através de um canal. A Laguna dos Patos
pode ser dividida em dois setores com relação às
características dos sedimentos de fundo. No
setor marginal predominam os sedimentos
arenosos enquanto que em sua parte mais interna
e profunda, predominam as lamas orgânicas e as
argilas. A laguna recebe água doce da bacia
hidrográfica do rio Jacuí, do qual faz parte o
Lago Guaíba, e do rio Camaquã. (Martins et al.,
1987). Na parte estuarina, a salinidade é de
91
aproximadamente 3‰, cujo valor, em
determinadas épocas do ano, pode ser
constatado até a 200 km ao norte da
desembocadura lagunar (Toldo Jr. et al., 2000).
De acordo com Closs (1966), a Laguna dos
Patos, pelas suas características ecológicas, pode
ser dividida em três regiões: estuarina (I), prélímnica (II) e límnica (III) (Fig. 1). A região
estuarina compreende desde a desembocadura
da laguna até a altura da Feitoria. A região prélímnica da laguna se estende desde o limite da
região estuarina (Feitoria) até a Ponta Dona
Maria, localizada do lado oeste da laguna, e a
Ponta Cristóvão Pereira, localizada do lado leste
da laguna, e a região límnica compreende a parte
restante do setor norte.
Figura 1. Mapa de localização da Laguna dos Patos, com a posição dos pontos de amostragem dos sedimentos
de fundo utilizados para os estudos de palinomorfos. I- região estuarina; II- região pré-límnica; IIIregião límnica.
GRAVEL
92
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
A distribuição de algas clorofilas atuais
na Laguna dos Patos foi catalogada por Torgan
et al. (2001), sendo as clorofilas de Spirogyra e
Botryococcus as mais comuns.
Nas áreas adjacentes a Laguna dos
Patos, encontram-se vastamente distribuídas as
dunas costeiras, as marismas e as pradarias
submersas (Cordazzo & Seeliger, 1995;
Seeliger, 1992; Costa et al., 1996, 1997). A
extensão das marismas e a diversidade
taxonômica da vegetação dependem da
freqüência dos ciclos de marés, do clima, da
topografia, da influência de canais, entre outros.
Atualmente, as espécies das famílias
Cyperaceae,
Poaceae,
Asteraceae,
Chenopodiaceae, Juncaceae e Juncaginaceae
predominam na região. Os pântanos, ao redor da
Laguna dos Patos, são caracterizados por grande
variedade taxonômica de plantas aquáticas das
famílias
Ponteridaceae,
Salviniaceae,
Typhaceae, Polygalaceae, Menyanthaceae e
Juncaceae. As árvores e arbustos mais comuns
são Erytrina crista-galli e algumas espécies de
Myrtaceae e Fabaceae. Nas marismas, na parte
estuarina da Laguna dos Patos, encontram-se
espécies de Cyperaceae, Poaceae, Juncaceae,
Asteraceae,
Chenopodiaceae,
Fabaceae,
Malvaceae e Juncaginaceae. Nas margens dos
rios,
a
planta
aquática
Polygonum
hydropiperoides é a espécie predominante.
Atualmente o impacto antrópico é manifestado
por diminuição das áreas de marismas,
empobrecimento na diversidade das plantas
nativas e no aumento de plantas invasoras
(Costa et al., 1997). As plantas amplamente
introduzidas na região são Eucalyptus, Pinus
maritima e Salix.
MATERIAIS E MÉTODOS
São consideradas neste estudo 19
amostras de sedimentos de fundo do interior da
Laguna dos Patos (Fig. 1). As amostras foram
coletadas durante levantamento de pesquisa
oceanográfica, realizado a bordo da Lancha
Oceanográfica Larus da Fundação Universidade
Federal do Rio Grande (FURG). As amostras
foram coletadas nas regiões pré-límnica e
límnica. Não foi efetuada amostragem na parte
estuarina, pois nesta área os sedimentos de
fundo são constantemente revolvidos pela
intensa navegação e obras de dragagem.
Os sedimentos foram coletados por um
amostrador busca-fundo, do tipo Van Veen, em
profundidades em torno de 6 metros. As
amostras foram ensacadas, identificadas e
enviadas posteriormente ao laboratório para
análise. A maioria das amostras são compostas
por lamas orgânicas e algumas amostras por
lamas arenosas ou areias (Quadro 1).
Quadro 1. Característica litológica das amostras
analisadas.
Amostra
Litologia
P1
lama
P2
areia
P3
areia grossa
P4
lama
P5
areia
P6
lama
P7
lama
P8
lama
P9
lama arenosa
P10
lama
P11
areia
P12
areia
P13
lama
P14
lama
P15
lama
P16
lama arenosa
P17
areia
P18
lama
P19
lama arenosa
O tratamento químico das amostras foi
feito segundo as técnicas usuais descritas por
Faegri & Iversen (1975). As amostras (50
gramas cada) foram atacadas com HCl (10%) e
KOH (10%), tendo sido aplicado o método de
separação entre substâncias inorgânicas e
orgânicas através de líquido denso (solução
aquosa de ZnCl2 com densidade 2,2 g/cm3). A
não aplicação do HF possibilitou a preservação
dos fitólitos de opala. As lâminas do material
estudado encontram-se arquivadas junto à
palinoteca do Centro de Estudos de Geologia
Costeira e Oceânica (CECO) do Instituto de
Geociências da UFRGS.
A definição taxonômica de polens e
esporos das plantas vasculares foi feita através
de consulta à palinoteca das plantas nativas do
estado do Rio Grande do Sul. As algas verdes
encontradas também foram determinadas com
base na bibliografia existente (Canter-Lund &
Lund, 1978; Van Geel & Van Der Hammen,
1978).
GRAVEL
Medeanic et al.
Foram consideradas apenas as amostras
com contagem superior a 200 palinomorfos.
Todos os palinomorfos, em cada amostra, foram
contados juntos (“soma de palinomorfos”), a
saber: polens das plantas vasculares (terrestres e
aquáticas), esporos de briófitos e pteridófitos,
zigósporos
de
clorofilas,
cistos
de
dinoflagelados e acritarcas e palinomorfos de
fungos. Os resultados da distribuição (%) de
93
palinomorfos nas amostras são apresentados no
Quadro 2. A ordem das amostras mencionadas
no referido quadro está de acordo com a
localização dessas na direção SW-NE.
Os taxa de palinomorfos mais
representativos foram fotografados usando-se
microscópio óptico e câmara digital (Pranchas I,
II e III).
Quadro 2. Composição taxonômica de palinomorfos e sua freqüência (%) nas amostras superficiais do fundo da
Laguna dos Patos.
Taxa de palinomorfos
Polens (arbóreo), %
Alchornea
Apocynaceae
Anacardiaceae
Caprifoliaceae
Melastomaceae
Mimosaceae
Moraceae-Urticaceae
Myrtaceae
Palmae
Pinus maritima
Rosaceae
Rubiaceae
Polens (herbáceo), %
Asteraceae
Apiaceae
Brassicaceae
Chenopodiaceae
Cyperaceae
Fabaceae
Juncaginaceae
Poaceae
Polygonum
Scrophulariaceae
Solanaceae
Verbenaceae
Polens e esporos aquáticos, %
Azolla filiculoides
Typhaceae
Esporos (pteridófitos e
briófitos), %
Alsophyla
Anemia
Anthoceros
Blechnum
Dicksonia
Dicranoglossum
Dicranopteris
Dryopteris
Hyperzia
Lycopodiella
Microgramma
Osmunda
Phaeoceros
Polypodiaceae
Pterideae
Sphagnum
Clorofilas, %
Botryococcus
Mougeotia
Pediastrum
Pseudoschizaea
Spirogyra
Dinoflagelados e acritarcas, %
Fungos, %
P1
11,2
11,2
26,1
1,2
11,2
1,1
0,6
12,0
0,6
P10
8,3
0,5
0,3
0,5
0,3
0,5
3,1
2,6
0,5
23,5
0,8
0,5
9,1
3,7
0,5
1,6
4,7
0,8
1,0
0,3
0,5
1,0
1,0
18,3
P19
8,7
0,7
0,7
0,5
0,7
1,4
0,4
0,7
0,7
1,5
1,4
40,0
2,5
1,4
10,7
2,9
11,4
1,1
7,1
0,7
0,7
1,1
0,4
4,3
0,7
3,6
19,8
P4
61,7
6,0
18,0
1,2
0,6
35,9
2,4
P18
23,8
2,5
5,0
11,3
5,0
48,8
15,0
3,8
3,8
7,5
7,5
2,5
16,2
15,0
0,6
60,7
60,7
1,4
-
2,1
1,6
1,0
1,0
0,3
1,6
1,0
8,9
0,8
39,7
33,4
0,3
6,0
8,6
0,6
2,2
0,4
0,7
1,1
1,1
2,1
1,1
1,0
2,0
1,6
0,6
4,9
0,7
0,4
25,6
23,1
0,7
1,8
0,8
0,7
2,4
35,9
34,6
1,1
-
3,8
2,5
3,8
5,0
12,5
12,5
-
GRAVEL
Amostras
P14
6,3
3,5
2,8
60,2
3,5
0,8
11,0
11,0
0,4
3,5
28,4
0,8
0,8
0,8
8,9
0,8
1,1
0,8
2,7
3,5
19,1
10,6
1,4
7,1
4,6
-
P15
10,2
0,3
0,1
0,1
3,4
5,4
1,0
44,6
9,3
1,2
9,4
14,1
0,1
2,4
6,7
0,6
0,3
0,3
0,2
2,3
0,4
1,9
14,1
P13
7,4
6,3
1,1
63,5
9,5
15,9
6,3
5,3
26,5
12,2
P8
23,0
23,0
45,4
5,4
16,9
4,6
2,3
16,2
1,6
P6
57,7
1,9
19,2
15,4
1,9
19,4
5,8
2,5
1,0
0,6
0,3
1,0
0,1
1,5
1,0
0,6
0,3
5,2
0,3
0,3
0,1
26,9
22,8
0,7
0,6
2,8
0,7
1,2
1,1
5,3
0,5
5,3
16,9
15,9
1,0
-
1,6
30,0
26,2
3,8
-
1,0
1,0
1,9
1,9
34,6
34,6
1,9
-
P7
1,9
1,9
46,1
2,6
9,7
6,5
1,3
26,0
11,7
1,3
3,9
1,3
1,3
0,7
1,9
1,3
37,7
31,2
1,9
3,2
1,3
2,6
94
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Das 19 amostras coletadas, os
palinomorfos foram encontrados em 11 amostras
de composição lamosa. Nas amostras P2, P3, P5,
P9, P11, P12, P16 e P17, de composição lamoarenosa ou arenosa, os palinomorfos não foram
encontrados (Quadro 1). As associações dos
palinomorfos nas amostras são caracterizadas
por: (a) porção significativa de zigósporos de
clorofilas; (b) freqüência esporádica de cistos de
acritarcas e de dinoflagelados; (c) freqüência
relativamente baixa de polens de plantas
aquáticas vasculares; (d) diversidade taxonômica
e abundância de briófitos e pteridófitos variam,
dependendo do local de amostragem; (e)
diversidade taxonômica representativa dos
polens das plantas terrestres, especialmente de
plantas herbáceas; (f) esporos de fungos raros; e
(g) morfotipos variáveis de fitólitos. A variedade
e freqüência de palinomorfos nas amostras são
relacionadas com a posição do ponto de
amostragem (distância à margem da laguna,
salinidade da laguna, posição da área de
drenagem, influência do oceano e das marés).
Palinomorfos de clorofilas
Todas as amostras analisadas são
caracterizadas pela presença constante de
palinomorfos de clorofilas (Prancha I, Figs. 1-9;
Fig. 2, A). Esses palinomorfos são representados
pelos zigósporos (Mougeotia, Pseudoschizaea,
Spirogyra),
colônias
(Botryococcus)
e
coenobium
(Pediastrum).
Botryococcus
prevalece entre as clorofilas em todas as
amostras. Na parte proximal do estuário
(amostras P1 e P10) as colônias de Botryococcus
são mais abundantes em relação aos outros
palinomorfos. Zigósporos de Spirogyra são
menos freqüentes e ocorrem esporadicamente. A
maior diversidade de palinomorfos de clorofilas
foi registrada nas amostras P15 e P7 onde, além
de Botryococcus e Spirogyra, se encontram
Mougeotia, Pediastrum e Pseudoschizaea. Essas
algas de água doce se desenvolvem nesse setor
lagunar, provavelmente nos períodos de
aumento de precipitações pluviométricas. Os
palinomorfos de clorofilas, nas amostras da
região pré-límnica, são menos diversos do que
na região límnica (Quadro 2).
Cistos de dinoflagelados e de acritarcas
Os cistos de dinoflagelados indicam
ambientes de salinidade elevada e conexão com
o oceano e/ou influenciados pelas marés. As
maiores freqüências de cistos de acritarcas –
Micrhystridium,
Cymatiosphaera
e
dinoflagelados (Prancha I, Fig. 10), foram
registradas nas amostras P10 e P14, situadas no
lado leste da Laguna dos Patos e mais próximas
da influência do oceano (Fig. 2, B). Nas
amostras P7 e P8, nos pontos mais afastados da
influência oceânica, os cistos de acritarcas e de
dinoflagelados não foram encontrados.
Polens e esporos das plantas aquáticas
Os polens e esporos de plantas
aquáticas são raros e são encontrados
esporadicamente (Fig. 2, C). Eles são
representados pelos Azolla filiculoides e
Typhaceae e pertencem às plantas distribuídas
nas margens da laguna, nas marismas e
pântanos. As amostras P19 e P15 são as que
apresentam maior porcentagem (Quadro 2). As
raras ocorrências de esporos de A. filiculoides
(Prancha II, Fig. 1) nas amostras, contrastando
com a ampla distribuição destas plantas nas
zonas periféricas da laguna e nas marismas,
evidencia a capacidade de transporte limitada
dos esporos. Quantidades anômalas altas de
esporos de A. filiculoides nos sedimentos são
mais prováveis “in situ” (Medeanic et al., 2006).
Os polens de Typhaceae (Typha cf.
domingensis) são mais freqüentes nas amostras
P10, P19, P14 e P15, cujas coletas foram feitas
nos pontos relativamente próximos aos locais de
distribuição desta planta, nas zonas periféricas
da Laguna dos Patos. Na amostra P10 foram
registrados
os
polens
de
Polygonum
hydropiperoides de planta que cresce em
ambientes de água doce (Prancha II, Fig.11).
GRAVEL
Medeanic et al.
95
Prancha I. Palinomorfos de clorofilas, dinoflagelados e de fungos: 1-3 – Botryococcus; 4-6 – Spirogyra; 7 –
Pediastrum; 8 – Mougeotia; 9 – Pseudoschizaea; 10 – cisto de dinoflagelado; 11 – zoósporo de
fungo; 12 – Tetraploa. Aumento de 400X.
Esporos de briófitos e pteridófitos
O Quadro 2 apresenta a lista completa
de taxa de briófitos e pteridófitos. As fotografias
de alguns pteridófitos e briófitos são
apresentadas na Prancha II, Figs. 2-5. Os
esporos de briófitos e pteridófitos, distribuídos
nos pântanos, marismas e depressões entre
dunas, ocorrem com maior freqüência nas
amostras P10, P19, P15 e P13 (Fig. 2, D). Essas
amostras foram coletadas em locais situados
próximo da margem da laguna, no setor leste e
oeste. Menos significativas são as ocorrências de
esporos nas amostras P1 e P4, em locais mais
afastados da margem da laguna, e podem,
provavelmente, indicar a baixa capacidade de
transporte dos esporos pelo vento. Nas amostras
da parte leste, onde a margem lagunar está no
limiar de dunas e marismas, predominam os
esporos de briófitas (Anthoceros e Phaeoceros),
os quais são comuns nos sedimentos superficiais
das marismas da planície costeira do Rio Grande
GRAVEL
96
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
do Sul (Medeanic, 2006). Na parte oeste, nas
amostras P19 e P7, nos pontos sujeitos a
influência do rio Camaquã e do Lago Guaíba,
aumenta a freqüência e a variedade de esporos
de pteridófitos: Alsophyla, Blechnum, Diksonia,
Microgramma,
Dicranoglossum,
Pteridae,
Dryopteris e Osmunda. Esses, alóctones de
origem, foram transportados à laguna pelas
correntes aquáticas das regiões adjacentes
campestres, de pântanos e florestas.
Figura 2. Freqüência (%) de palinomorfos de clorofilas (A), cistos de dinoflagelados e acritarcas (B), polens e
esporos de plantas aquáticas (C), e esporos de pteridófitos e briófitos (D). Eixo horizontal - números
das amostras; eixo vertical- porcentagem.
GRAVEL
Medeanic et al.
97
Prancha II. Esporos e polens: 1 – Azolla filiculoides; 2 – Phaeoceros; 3 – Hyperzia; 4 – Lycopodiella; 5 –
Osmunda; 6,7 – Poaceae; 8 – Polygonaceae; 9,10 – Asteraceae; 11 – Polygonum hydropiperoides.
Aumento de 400X.
Polens
Os polens de plantas terrestres são
transportados ao ambiente lagunar, onde se
depositam, pelos ventos e correntes aquáticas.
Os polens de plantas arbóreas são relativamente
raros. Polens arbóreos são registrados
abundantemente nas amostras P18 e P8 (Fig. 3,
A). Nessas amostras predominam polens de
Pinus maritima (planta anemófila), os quais são
produzidos em grandes quantidades pelas
plantas e possuem alta capacidade de transporte
pelos ventos (Traverse, 1988). Na planície
costeira do Rio Grande do Sul, essa planta
introduzida é bem freqüente e é utilizada na
fixação de dunas, uso doméstico e
ornamentação. Os polens de anemófila Palmae
ocorrem também com freqüência maior do que
outros polens (Quadro 2). A variedade
taxonômica mais significativa de polens
arbóreos ocorre na amostra P19, de um ponto de
amostragem que fica perto da desembocadura do
rio Camaquã. A corrente do rio Camaquã
transporta polens e esporos, dispersos na coluna
GRAVEL
98
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
d'água, provenientes de plantas terrestres de
áreas florestais bem afastadas da laguna. A sua
distribuição pelos ventos, provavelmente é mais
limitada do que os polens de P. maritima e
Palmae.
Figura 3. Freqüência (%) de polens arbóreos (A), polens herbáceos (B) e fitólitos (C). Eixo horizontal - números
das amostras; eixo vertical- porcentagem.
Polens
herbáceos
são
bastante
representativos e abundantes nas amostras
(Quadro 2, Fig. 3, B), em comparação com
outros palinomorfos, e indica uma ampla
distribuição de plantas herbáceas nas dunas,
marismas e pântanos das áreas marginais
adjacentes da Laguna dos Patos. Os polens de
Asteraceae,
Chenopodiaceae,
Cyperaceae,
Juncaginaceae e Poaceae são mais freqüentes em
todas as amostras analisadas (Prancha II, Figs.
2-10, Prancha III, Figs. 1-3). As espécies das
famílias supramencionadas são freqüentes nas
marismas, dunas e depressões inter-dunas das
áreas adjacentes à laguna. As maiores taxas de
polens herbáceos foram observadas nas amostras
P4, P18, P14, P13 e P6, coletadas nos pontos
que ficam perto da margem leste da laguna. Nas
amostras P1 e P10, as quantidades de polens
herbáceos são menores, predominando os polens
de Chenopodiaceae e Poaceae. Na amostra P19,
no ponto de amostragem que fica perto da
desembocadura do rio Camaquã, a variedade
GRAVEL
Medeanic et al.
taxonômica de polens de plantas campestres e de
pântanos
(Fabaceae,
Brassicaceae,
Scrophulariaceae, Solanaceae e Verbenaceae)
99
aumenta significativamente. As freqüências de
plantas de dunas e marismas diminuem.
Prancha III. Polens e fitólitos: 1,2 – Cyperaceae; 3 – Chenopodiaceae; 4-14 – fitólitos. Aumento de 400X.
Palinomorfos de fungos
Os
palinomorfos
de
fungos,
representados
pelos
zoósporos,
são
extremamente raros (Quadro 2). As maiores
freqüências de zoósporos foram registradas na
amostra P7, em local influenciado pelas águas
do Lago Guaíba. Mais freqüentes são Tetraploa
(Prancha I, Fig. 12) e outro palinomorfo de
fungo não identificado (Prancha I, Fig. 11).
Zoósporos de Tetraploa foram registrados nos
sedimentos superficiais das marismas atuais na
parte estuarina da Laguna dos Patos, onde se
associam predominantemente com polens de
plantas herbáceas halófitas e xerófitas, cistos de
acritarcas
e
dinoflagelados,
e
microforaminíferos (Medeanic, 2006). Outro
palinomorfo de fungos foi encontrado nas
plantas atuais de Panicum racemosum na praia
do Cassino, Rio Grande do Sul (inédito). A
freqüência rara dos palinomorfos de fungos nas
amostras indica a sua capacidade bem restrita de
GRAVEL
100
Palinomorfos nos Sedimentos de Fundo da Laguna dos Patos-RS: Aplicação nas Reconstruções Paleoambientais
transporte pelos ventos. As maiores freqüências
de palinomorfos de fungos, transportados,
provavelmente, pela água, foram registrados na
amostra P7.
Fitólitos
Nas lâminas palinológicas foram
encontrados diversos fitólitos - corpos
microscópicos de sílica presentes nos tecidos de
plantas, os quais se liberam destas após a
decomposição e se depositam nos sedimentos.
São estruturas abundantes em gramíneas de
regiões costeiras (Lu & Liu, 2003). Na maioria
das amostras foram encontrados fitólitos de
morfologias bastante variáveis (Prancha III,
Figs. 4-14), mas esses não foram identificados
pela falta de bibliografia especializada sobre os
fitólitos no Brasil. As ocorrências mais
significativas de fitólitos foram registradas nas
amostras P10, P13, P14 e P18, de pontos mais
próximos à margem leste da laguna (Fig. 3, C).
Nestas mesmas amostras, os polens de
gramíneas, vastamente distribuídos nas dunas e
marismas
adjacentes,
são
bastante
representativos (Quadro 2). Nos pontos de
amostragem mais afastados da margem da
laguna, os fitólitos são raros, o que pode
evidenciar sua capacidade restrita ao transporte.
CONCLUSÕES
Os dados apresentados mostram a
importância dos estudos dos palinomorfos nos
sedimentos superficiais do fundo da Laguna dos
Patos. Em sedimentos de fundo lagunar,
litologicamente
semelhantes,
foram
estabelecidas
diversas
assembléias
de
palinomorfos, cuja composição taxonômica e
freqüência de taxa são influenciadas pela
posição do ponto de amostragem, proximidade
ou afastamento da margem da laguna, influência
do oceano adjacente, das marés, e dos rios e das
mesmas
características
tafonômicas
de
palinomorfos. Todos esses fatores são
importantes e devem ser levados em
consideração nos estudos relacionados com a
reconstrução do paleoambiente costeiro do
Quaternário.
A abundância de palinomorfos de algas
(clorofilas, dinoflagelados e acritarcas) e plantas
aquáticas vasculares, nos diferentes locais da
região pré-límnica e límnica da Laguna dos
Patos depende das características ecológicas
atuantes, influência do oceano e influxos de
água doce. No setor leste da laguna, o qual sofre
maior influência das condições oceânicas e das
marés, observa-se um aumento na freqüência de
palinomorfos marinhos, o que pelo contrário, na
parte oeste da laguna, influenciada predominante
por rios, observa-se os palinomorfos marinhos
diminuindo significativamente.
Na parte leste da laguna, as assembléias
de polens são relacionadas à vegetação atual,
distribuídas nos pântanos, marismas, dunas,
floresta nativa e plantas introduzidas nas áreas
adjacentes.
Nas amostras da parte oeste,
caracterizada pela ampla bacia de drenagem, é
observada uma maior variedade taxonômica de
polens e esporos de plantas terrestres e aquáticas
vasculares, transportadas pela água das regiões
campestres, dos pântanos e das florestas.
Os diferentes tipos de polens possuem
diferentes capacidades de transporte, o que
determina a sua dispersão nos sedimentos de
fundo da Laguna dos Patos.
Os zoósporos de fungos, caracterizados
pela baixa capacidade de transporte pelo vento e
pela água, são raros nos sedimentos lagunares.
Os fitólitos originados das plantas,
principalmente
gramíneas
e
ciperáceas,
observados nas amostras, são importantes na
identificação da cobertura vegetal das dunas e
marismas. Altas freqüências de fitólitos podem
servir como indicador da cobertura vegetal
densa, com predomínio de gramíneas e de
ciperáceas.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradeçam ao CNPq
(processos no 300005/2007-5 e n° 303956/20062) e a FAPERGS (processo nº 0521261) pelo
apoio financeiro deste estudo. A GEOWORK e
ao LOG/FURG, pelo apoio nos trabalhos de
campo e na coleta das amostras.
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