B UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR Concepção estratégica das intervenções operacionais no domínio do Ensino Superior NOVEMBRO DE 2005 Comi ssão de Trabalho Manuel José dos Santos Silva (Coordenação Geral) C ONS UL T ORE S Domingos Vaz Manuel Joaquim Loureiro Maria Eugénia Ferrão Maria Luísa Branco Susana Garrido Azevedo C ONS UL T ORE S E XT E RN OS Júlio Pedrosa Elsa Justino A P OI O T ÉC NIC O Carlos Deodato I AGRADECIMENTOS Os autores estão gratos à Professora Doutora Helena Alves pela redacção da secção referente à “ Formação contínua de empresários, executivos e quadros de empresas” e à Dra. Isabel Neto pelos esclarecimentos sobre o modelo do curso de Licenciatura em Medicina da Universidade da Beira Interior. II SUMÁRIO EXECUTIVO A contribuição para a formulação de políticas públicas no horizonte 2013, subordinada ao tema Ensino Superior, desenvolve-se em torno de três grandes desígnios: (1) Qualificar a população portuguesa; (2) Construir o Espaço Europeu de Ensino Superior; (3) Aumentar a ligação Ensino-InvestigaçãoSociedade. Estes desígnios desdobram-se em objectivos gerais e específicos, e em metas a alcançar, considerando os factores críticos e as realizações necessárias para a concretização das referidas metas, tal como está sistematizado no Quadro-Síntese que se apresenta em seguida. O investimento estratégico na formação e na capacitação científica e tecnológica deve ser concebido sob a óptica da empregabilidade e da coesão social. A análise da situação socio-demográfica mostra que Portugal enfrenta a barreira do nível educacional da população e de performance do Sistema Educativo que, no âmbito da Estratégia de Lisboa, tem de ser ultrapassada. A tabela Estatísticas-síntese ilustra a posição do país no contexto europeu e mundial. A divergência entre Portugal e os países desenvolvidos, não apenas no que se refere à escolaridade em geral mas especificamente no que concerne à educação superior, requer o estabelecimento de metas exigentes para o horizonte de 2013, que terão de ser ao mesmo tempo realistas e desafiantes, no sentido de elevar não apenas o nível geral de educação, mas também de promover a empregabilidade e a mobilidade profissional dos portugueses. No contexto da construção de um Espaço Europeu do Ensino Superior é exigida uma importante mudança nos paradigmas de formação, centrando-a na globalidade da actividade e nas competências que os jovens devem adquirir, e projectando-a para várias etapas da vida de adulto, em necessária ligação com a evolução do conhecimento e dos interesses individuais e colectivos. Contudo, se por um lado as reformas estão associadas a aspectos que têm a ver com a docência, também se levantam desafios à melhoria da qualidade da investigação desenvolvida e à formação de novos investigadores. As Instituições de Ensino Superior (IES) e o Governo deverão articular-se para garantir que a melhoria da qualidade da docência não prejudique a qualidade da investigação, isto é, garantir que uma e a outra se reforcem mutuamente. Os novos propósitos colocam o imperativo de repensar a articulação entre ciência, universidade e sociedade, que é hoje assumido por um número crescente de investigadores e de instituições internacionais. Os desafios residem na capacidade de as IES deixarem de actuar de acordo com a lógica que tradicionalmente lhes é reconhecida e procederem a alterações, nomeadamente quanto à missão, aos objectivos e ao modelo organizacional. A existência territorializada de IES de qualidade com capacidade de afirmação constitui uma condição absolutamente necessária para trilhar trajectórias de progresso e de desenvolvimento sustentável numa sociedade cada vez mais cognitiva e numa economia cada vez mais globalizada. A identificação das intervenções prioritárias para o período 2007-2013, resultou, por um lado, da análise do anterior Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII), e por outro lado, do estudo de documentação estratégica relevante a nível internacional. O trabalho efectuado conduziu à identificação dos seguintes III domínios estratégicos de intervenção para o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN 20072013): • Elevar o nível geral da educação e formação dos portugueses; • Promover a empregabilidade e mobilidade profissional; • Promover as condições de natureza organizacional, estrutural e metodológica; • Promover o sucesso escolar no Ensino Superior; • Favorecer a cooperação inter-institucional; • Estimular a investigação no ensino superior; • Contribuir para a sustentabilidade local e regional. As questões transversais relativas a alguns dos domínios referidos, devem ser devidamente consideradas nas prioridades de outros sectores ou programas, nomeadamente as questões associadas a outros níveis de ensino, à investigação, à reforma da Administração Pública ou à sustentabilidade das actividades económicas. IV Quadro Síntese Concepção estratégica das intervenções operacionais no domínio do Ensino Superior 1 2 1.1. Elevar o nível geral de educação e formação dos portugueses OG 1.2. Promover a empregabilidade e a mobilidade profissional 1. Qualificar a população portuguesa DESÍGNIO OE METAS BENEFICIÁRI OS FINAIS Oferta formativa limitada organização e funcionamento 1.1.1. Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa 25 % da população em idade activa com diploma ISCED 5 1.1.2. Incentivar o ensino pós – secundário de curta duração 5 % da população entre os 18-24 anos com diploma ISCED 4 População 25-64 anos pelas REALIZAÇÕES NECESSÁRIAS condições de Procura com nível reduzido Cursos de 1ºciclo ou unidades curriculares (em concordância com o DL nº 42/2005) mediante contextualização; Pré-selecção de IES no ano de 2006; Estudo para a quantificação de recursos e identificação das áreas prioritárias por região; Excesso de burocracia nos processos FSE População 18-24 anos Professores formadores 1.1.3. Aumentar a participação em aprendizagem ao longo da vida FACTORES CRÍTICOS Pelos menos 20% da população participe com regularidade em acção de ALV Escassez de recursos para criar e desenvolver oferta formativa inovadora e atractiva nas IES e Desadequação entre cursos oferecidos e procurados ---------------Empresários, executivos e quadros de empresas Alterar quadro legal para aumentar a oferta ISCED4; Promover novos cursos junto dos beneficiários finais; Financiamento dos cursos com enquadramento no plano de desenvolvimento das IES; Reduzida participação dos grupos-alvo Formação contínua; Prioridade a acções de mestrado/doutoramento (2º e 3º ciclos) com forte componente de investigação educacional ; Financiamento condicionado à relevância no contexto de desenvolvimento profissional do indivíduo e do centro escolar/formação Financiamento de acções sobre temáticas transversais Prioridade às regiões com piores indicadores de desempenho escolar ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Inovação de métodos de ensino-aprendizagem com utilização de TIC/e-learning Certificação de ensino à distância Inquérito nacional para a formação (inclui-lo no inquérito ao emprego?). Maior adequação da formação às necessidades do mercado de trabalho e do desenvolvimento do país 1.2.1. Ampliação dos perfis profissionais Disponibilização de módulos de formação e cursos de 2ºciclo IES1 Ausência de dados acerca das necessidades de formação. Apoiar a inscrição nos cursos de formação de 2º ciclo ou em unidades curriculares; Promover estudos de planeamento e caracterização das necessidades de formação; Implementar Gabinetes de Apoio ao Aluno, com uma adequada consolidação da valência de Orientação Vocacional. IES2 Ausência de dados acerca das necessidades de formação. Apoiar a criação de estágios profissionais e estágios curriculares; Apoiar a realização de estudos de planeamento e caracterização das necessidades de formação. Avaliação, consolidação e ampliação das medidas em curso 1.2.2. Melhorar a inserção no mercado de trabalho – estágios profissionais Disponibilização de estágios como complementos profissionalizantes e estágios curriculares; Avaliação, consolidação e ampliação das medidas em curso Indirectamente diplomados desempregados e outras pessoas para quem as medidas postas em prática representem uma melhoria estratégica para a sua posição face ao mercado de emprego ou mesmo melhoria para o seu estatuto salarial. Indirectamente diplomados desempregados, outras pessoas para quem as medidas postas em prática representem uma melhoria estratégica para a sua posição face ao mercado de emprego e uma melhoria para o seu estatuto salarial. Também os futuros diplomados para quem os estágios curriculares constituem um vertente profissionalizante da sua formação. V OE 2.1.1. Formação pedagógica / Inovação no ensinoaprendizagm 2.2. Promover o sucesso escolar no ensino superior OG 2.3. Favorecer a cooperação inter-institucional 2. Construir o Espaço Europeu de Ensino Superior DESÍGNIO 2.1. Promover as condições de natureza organizacional, estrutural e metodológica Quadro Síntese Concepção estratégica das intervenções operacionais no domínio do Ensino Superior 2.1.2. Estimular a formação avançada METAS BENEFICIÁRIOS FINAIS FACTORES CRÍTICOS Escassez de recursos humanos qualificados 100% docentes do ES com formação pedagógica/didáctica/metodológica Docentes do ensino superior com doutoramento Falta de cultura organizacional 100% dos docentes do ES universitário de carreira com grau de doutor 50 % dos docentes do ES politécnico com grau de doutor 2.1.3. Melhorar o ambiente de aprendizagem Adaptar e alargar infra-estruturas 2.2.1. Melhorar a interface entre ensino secundário e ensino superior Implementação de formação em ISCED 4, para apoiar a transição de alunos provinientes do ensino secundário, embora com carácter provisório; Maior integração e coerência curricular entre os diferentes níveis de ensino. Docentes do ensino superior sem doutoramento e que nunca tiveram apoio de fundos estruturais Estatísticas desactualizadas Inexistência da caracterização dos recursos instalados IES públicas Escassez de recursos financeiros REALIZAÇÕES NECESSÁRIAS Proceder ao estudo de “boas práticas”. Financiamento de programas de desenvolvimento e inovação no ensino-aprendizagem, que inclua acções de formação pedagógica/didáctica/metodológica para 100% dos seus docentes, incluindo acções que tenham por referência a superação de situações típicas de insucesso. Valorização de dimensões pedagógica e didáctica para o efeito da progressão na carreira docente; Sistema de acompanhamento dos resultados no âmbito de auto-avaliação de IES Criação de gabinetes de formação para a docência Actualização das estatísticas; Continuidade do processo de formação avançada de forma integrada no plano de formação da IES; Estudo prospectivo das necessidades de espaço e equipamentos face ao plano de desenvolvimento de cada instituição; Concretização das adaptações ou alargamentos; IES Condições de organização, financiamento e cultura individualista que tem caracterizado o exercício da actividade docente Apoio a medidas destinadas a suportar a implementação da formação em ISCED 4 Apoio a medidas para promover estudos e acções destinadas a melhorar a integração curricular entre áreas disciplinares; 2.2.2. Promover a adaptação dos alunos Promoção das competências pedagógicas dos professores, destinadas a superar situações críticas de insucesso; Generalização dos gabinetes de apoio psicopedagógico; Favorecimento de medidas de apoio à inserção no mercado de trabalho no decurso da formação Reforço das medidas de apoio social a estudantes desfavorecidos IES Públicas A cultura organizacional das IES que não contempla a formação pedagógica dos docentes Problemas de adaptação e de inserção dos estudantes nos ensino superior (falta de hábitos correctos de estudo e falta de apoio ao nível de encaminhamento vocacional) Falta de cultura de emprego de estudantes nas actividades internas das IES (falta de iniciativa dos estudantes para aplicação de tempos livres em actividades renumeradas, nomeadamente no trabalho temporário e grande dependência dos estudantes face ao agregado Falta de cultura de responsabilidade Deficiente desenvolvimento da cultura humanista, da educação para a saúde e do desporto de lazer Escassez de recursos Medidas de apoio destinadas à promoção das competências pedagógicas dos professores Criação de gabinetes de apoio pedagógico Criação de bolsas de apoio a acções integradas em meio Institucional: dinamizadoras de actividades para o desenvolvimento de prática cultural e desportiva, monitores de apoiam a salas de estudo e bolsas de transporte para apoio a práticas de voluntariado em IPSS Atribuição de subsídios de instalação aos alunos economicamente carenciados ingressados. Apoio a estudantes desfavorecidos com aproveitamento escolar excepcional Apoio a estudantes para participação em actividades culturais e desportivas Apoio a programas ou acções de desenvolvimento da cultura humanista Bolsas de estudo ou apoio à criação de Centro de aprendizagem de línguas estrangeiros e intercâmbios culturais e desportivos Construção, reabilitação ou adaptação de espaços para residências de estudantes, refeitórios, salas de estudo e espaços lúdicos destinados à cultura e ao desporto 2.3.1. Desenvolvimento de cursos de mestrado e de doutoramento em rede Promoção de graus académicos conjuntos em Portugal e na EU IES 2.3.2. Promover a mobilidade de estudantes e professores Alcançar o nível de participação média da EU na mobilidade dos estudantes Maior aposta das IES na mobilidade de professores. IES Inexistência de certificação/acreditação da qualidade Obstáculos de natureza jurídico-administrativos; Desfasamentos entre calendários escolares nas IES da UE ; Recursos linguísticos entre as IES dos Estados-Membros da EU.; Financiamento de cursos conducentes à titularização conjunta Adopção generalizada do cartão “Europass” entre as IES pertencentes à EU. Obtenção de competências linguísticas. Quotas nas residências para estudantes em mobilidade transnacional Cursos de Verão e intercâmbio bilateral ou multilateral. Financiamento para substituição temporária de docentes envolvidos em programas de mobilidade 2.3.3. Desenvolver programas de investigação comuns Melhoria da qualidade da investigação decorrente da criação do Espaço Europeu da Investigação Criação e participação em redes de cooperação IES Desequilíbrio entre as actividades de ensino - investigação Criar programas de estímulo preconizando a criação de redes nacionais e internacionais. Criar redes de IES a nível regional (e transfronteiriço) tanto nacionais como internacionais VI Quadro Síntese Concepção Estratégica das intervenções operacionais no domínio do Ensino Superior DESÍGNIO OG OE METAS BENEFICIÁRIOS FINAIS FACTORES CRÍTICOS 3.1. Estimular a investigação no ensino superior 3.2. Contribuir para a sustentabilidade local e regional 3. Aumentar a ligação Ensino-Investigação-Sociedade Tendência generalizada (EU) para uma perda de interesse pelas carreiras científicas 3.1.1. Tornar atractiva a profissão e a carreira de investigador Acelerar o ritmo de crescimento da produção científica portuguesa IES e suas unidades de investigação Em 2001 a permilagem da população com idade entre os 20 e 29 anos licenciada em áreas científicas e tecnológicas era de 7.40 quando a média da EU era de 9.4. Ambiguidade existente em torno da figura do investigador 3.1.2. Valorizar a componente de investigação educacional Aumentar a produção científica em matéria de investigação educacional 3.2.1. Estimular uma cultura de inovação Assunção das IES como agentes activos de inovação; Integrar a inovação nos curricula; Utilizar o cumprimento dos direitos de patentes para estimular o investimento em inovação e melhorar a difusão do conhecimento. 3.2.2.Promover o espírito empreendedor Reorientações pedagógicas que incentivem uma cultura de não-aversão ao risco; Aumentar em 50% as parcerias em projectos de I&D entre as IES e o sector privado; Introduzir o empreendedorismo em algumas estruturas curriculares; 3.2.3. Fomentar a investigação de base regional em áreas estratégicas de excelência 3.2.4. Prestação de serviços e valorização social e cultural IES e suas unidades de investigação A investigação educacional é uma área recente no ensino superior e pouco valorizada Baixo número de patentes registadas, contrastando com valores médios União Europeia: 161.1 (EU-15) IES Entidades financeiras pouco avessam ao apoio a iniciativas inovadoras IES Sistema de ensino tendencialmente magistral Indicador de empenho das empresas em actividades de I&D de Portugal é 0,17 e o da média europeia é 1.28 (EU-15). Contexto cultural com resistências a uma relação de interesse mútuo (empresas/IES) e de objectivos partilhados Optimização das dinâmicas de desenvolvimento territorial exige investigação de base regional IES Défice de cultura académica interdisciplinar Fraca articulação entre a formação pós-graduada e a investigação estratégica para o desenvolvimento regional Dinamizar os serviços de extensão ou transferência tecnológica e de conhecimentos IES Falta de multidisciplinaridade ou transdisciplinaridade REALIZAÇÕES NECESSÁRIAS Sensibilizar os jovens para o estudo das matérias científicas e técnicas; Implementação dos Clubes das Ciências num esquema de parceria IES/ensino básico e secundário; Encorajar os estudantes com capacidades de investigação a prosseguir estudos ao nível do 2º e 3º ciclos; Financiar projectos que envolvam a participação de jovens investigadores Co-financiar a contratação de investigadores de carreira; Apoiar a mobilidade no espaço europeu de ensino como incentivo à carreira de investigação; Criar dimensão europeia nas carreiras de investigação; Criar gabinetes de apoio à investigação para preparar candidaturas e com serviço especializado de tradução. Criar medidas de financiamento para projectos de investigação educacional que optimizem a qualidade de ensino nas diversas áreas científicas Participação regular de alunos e investigadores em estágios de curta duração nas empresas Estratégias por parte das IES que encorajem os alunos para a criação de empresas de alta tecnologia Financiar a investigação estratégica, pois tem potencial impacte na criação de produtos e indústrias inovadoras Gabinete de Transferência Tecnológica para patentear as inovações e fazer a sua comercialização, a assumir no Programa específico de I&D, Inovação e Empreendedorismo 2007-2013. Disciplina de empreendedorismo nas áreas das ciências naturais, engenharias, economia e gestão e como formação transversal em outras áreas do conhecimento; Acções de formação aos docentes em empresas com potencial inovador; Apoiar financeiramente o desenvolvimento de material didáctico para a nova disciplina do empreendedorismo; Financiamento de investigação científica de base regional em áreas estratégicas de excelência, através de contratos-programa que contemplem a atribuição de bolsas de formação pós-graduada para a realização de cursos de pós-graduação com ligação àquele tipo de investigação Patrocinar Observatórios das Dinâmicas Regionais Co-financiamento das seguintes actividades: Acções de formação e consultadoria; Realizar cursos, seminários e workshops temáticos diversos; Levar a cabo diagnósticos e projectos de intervenção de apoio à comunidade; Formar opinião pública qualificada para o exercício da cidadania; Publicar monografias e outra documentação diversa VII Estatísticas – Síntese Formulação de políticas públicas no horizonte 2013: EDUCAÇÃO – Ensino Superior Indicador População 25-64 com diploma de Ensino Superior População 25-34 com diploma de Ensino Superior População 25-34 não matriculada População 18-24 saída precoce Portugal 8,6% Comparação Internacional 23,0% Média da OCDE 12,9% 24,3% EU-25 66,0% Participação ALV Professores do ensino não superior na força de trabalho 4,8% 3,4% Desemprego na pop. 25-64 com diploma do Ensino Superior Diploma C&T Mobilidade de estudantes Despesas do PIB em I&D Permilagem de graduados em C&T na pop.20-29 Despesas das empresas em I&D- I&D das empresas/PIB 4,9% 55,7% Turquia 70,3%México 28,3% Espanha 26,4% Itália 9,4% EU-25 2,6% OCDE 3,7% Noruega 3,6% Hungria 1,5% Japão 1,4% Coreia 3,9% OCDE 16,8% 0,97% 0,64% 7,4 ‰ 25,7% EU-15 2% EU-15 0,69% EU-15 9,4‰ EU-25 0,17% 1,28% EU-15 2,68% Finlândia 1,80% Alemanha 0,52% Espanha 0,36% França 11% Hungria 10% Itália 10% Finlândia 9% Noruega 7,3% Espanha 7,2% França Actividade total de empreendedorismo (TEA) 44,9% 7% VIII Índice INTRODUÇÃO...................................................................................................................................................1 1. DESÍGNIO I. Qualificar a população portuguesa .......................................................................................2 1.1. Elevar o nível geral da educação e formação dos portugueses ...........................................................4 1.1.1. Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa .....................................5 1.1.2. Incentivar o ensino pós-secundário de curta duração..................................................................10 1.1.3. Aumentar a participação em aprendizagem ao longo da vida.....................................................15 1.2 Promover a empregabilidade e a mobilidade profissional..................................................................32 1.2.1 Ampliação dos perfis profissionais ou reconversão profissional dirigidos a indivíduos desempregados qualificados pelo Ensino Superior.................................................................................32 1.2.2 Melhorar a inserção no mercado de trabalho – estágio profissional ..........................................43 REFERÊNCIAS – Desígnio I...........................................................................................................................46 2. DESÍGNIO II: Construir o espaço europeu de ensino superior .................................................................54 2.1 Promover as condições de natureza organizacional, estrutural e metodológica...............................58 2.1.1 Formação pedagógica / Inovação no ensino-aprendizagem.........................................................61 2.1.2 Estimular a formação avançada.......................................................................................................63 2.1.3 Melhorar o ambiente de aprendizagem ...........................................................................................68 2.2 Promover o sucesso escolar no Ensino Superior .................................................................................70 2.2.1 Melhorar a interface entre Ensino Secundário e Ensino Superior.................................................72 2.2.2 Promover a adaptação dos alunos ingressados .............................................................................74 2.3 Favorecer a cooperação inter-institucional .........................................................................................81 2.3.1 Desenvolvimento de cursos de mestrado e de doutoramento em rede..........................................81 2.3.2 Promover a mobilidade de estudantes e professores .....................................................................84 2.3.3 Desenvolver programas de investigação comuns ..........................................................................88 Referências – Desígnio II .................................................................................................................................90 3. DESÍGNIO III................................................................................................................................................96 Aumentar a ligação Ensino – Investigação - Sociedade .................................................................................96 3.1. Estimular a investigação no ensino superior.......................................................................................98 3.1.1. Tornar atractiva a carreira de investigador .................................................................................99 3.1.2. Valorizar a componente de investigação educacional no ensino superior ...............................103 3.2. Contribuir para o desenvolvimento humano, local, regional e global ............................................105 3.2.1. Estimular uma cultura de inovação .............................................................................................107 3.2.2. Promover o espírito empreendedor..............................................................................................110 3.2.3. Fomentar a investigação de base regional em áreas estratégicas de excelência.....................114 3.2.4. Prestação de serviços e valorização social e cultural ................................................................115 Referências – Desígnio III ..............................................................................................................................117 IX ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1.1 – Projecção da população residente 2010 ........................................................... 6_Toc122267781 Tabela 1.2 – População 18-24 com nível de instrução Ensino Secundário ...................................................10 Tabela 1.3 - Distribuição dos alunos dos cursos tecnológicos, ano lectivo 2004/5 ......................................14 Tabela 1.4 – Distribuição dos professores/formadores por nível/tipo de ensino ..........................................25 Tabela 1.5 – Distribuição dos professores/formadores por nível/tipo de ensino (2001/2) ...........................25 Tabela 1.6 – Evolução dos principais indicadores quantitativos de formação profissional ................................................................................................................................................ 27_Toc122267790 Tabela 1.7 - Evolução do desemprego de diplomados em Portugal nos últimos anos .................................35 Tabela 2.1 Crescimento (1998-2002) do Ensino Superior na Europa ...........................................................59 _Toc122267802Tabela 2.2 - Grau académico dos docentes das Universidades públicas e população discente...............................................................................................................................................................66 Tabela 2.3 - Grau académico dos docentes dos Institutos Politécnicos públicos e população discente......67 Tabela 2.4 – Matriculados e taxa bruta de escolarização superior na faixa etária 20-24 anos.....................74 Tabela 2.5 – Vagas, candidatos e colocados no ensino superior público ......................................................75 Tabela 2.6 – Alunos matriculados no ensino secundário, por modalidade de ensino...................................75 Tabela 2.7 – Via de acesso ao ensino superior por tipo de instituição de ensino..........................................76 Tabela 2.8 – Níveis de escolaridade do grupo doméstico de origem dos estudantes do ensino superior e comparação com a sociedade portuguesa ........................................................................................................76 Tabela 2.9 – Despesa pública em acção social escolar e em bolsas de estudo..............................................77 Tabela 2.10 – Estimativa de alunos deslocados por NUT em percentagem..................................................78 Tabela 2.11 – Dados globais sobre disponibilidades do alojamento por NUT .............................................78 Tabela 2.12 – Número de Camas a construir com base nas disponibilidades e nos bolseiros deslocados..79 ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1.1 – Evolução do número de vagas no ensino superior (1993-2003) ...............................................8 Gráfico 1.2 – Distribuição da população 18-24 com nível instrução Ens. Secundário, ...............................11 por tipo de frequência, segundo a idade...........................................................................................................11 Gráfico 1.3 – Trabalhadores em acções de Formação Profissional segundo o grupo profissional..............28 Gráfico 2.1 Evolução do número de doutoramentos em Portugal, 1992-2002............................................63 Gráfico 3.1 – Evolução da produção científica portuguesa: número de publicações por ano e por área científica...........................................................................................................................................................100 Gráfico 3.2 – Nº de diplomados por área de formação (1993-2002) ...........................................................101 X INTRODUÇÃO O estudo CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA DAS INTERVENÇÕES OPERACIONAIS NO DOMÍNIO DO ENSINO SUPERIOR foi desenvolvido pela Universidade da Beira Interior no âmbito do protocolo celebrado entre esta instituição e a Direcção Geral do Desenvolvimento Regional. Na primeira fase do trabalho, reportada no documento intitulado FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS NO HORIZONTE 2013 RELATIVAS AO TEMA EDUCAÇÃO – ENSINO SUPERIOR, procedeu-se à revisão dos principais documentos referentes à implementação da Declaração de Bolonha e às acções subjacentes à Estratégia de Lisboa, e definiu-se o quadro de referência para as orientações estratégicas do ensino superior no horizonte de 2013. Elegeram-se assim três desígnios: (1) Qualificar a população portuguesa, (2) Construir o espaço europeu de ensino superior, (3) Aumentar a ligação ensino-investigação-sociedade. No presente documento são estabelecidos os objectivos gerais e específicos para os três desígnios, enunciando também as metas a alcançar, os factores constrangedores ou críticos e as realizações necessárias para a concretização das referidas metas. 1 1. DESÍGNIO I. Qualificar a população portuguesa “A consolidação da Sociedade do Conhecimento acarreta necessariamente a adopção de novos instrumentos e recursos, novos métodos de trabalho, de organização e de aprendizagem, pressupondo a aprendizagem ao longo da vida como um dever de todos os cidadãos. O investimento estratégico na formação e na capacitação científica e tecnológica deve ser definido de forma acrescida, sob a óptica da empregabilidade e da coesão social” (Santos Silva et al., 2005; p.19). A caracterização socio-demográfica apresentada em Santos Silva et al. (op.cit., p.23) mostra que a consolidação da Sociedade do Conhecimento em Portugal enfrenta a barreira do nível educacional da população e de performance do Sistema Educativo que, no âmbito da Estratégia de Lisboa, tem de ser ultrapassada até 2010. A prioridade de qualificar os portugueses integra também o Plano Tecnológico3 do XVII Governo Constitucional. O papel das instituições de Ensino Superior é de grande relevância em múltiplas dimensões, tendose estabelecido prioridades de intervenção nomeadamente através dos seguintes objectivos gerais: • Elevar o nível geral da educação e formação dos portugueses; • Promover a empregabilidade e mobilidade profissional. Estes objectivos inscrevem-se na resposta a dar a um dos mais importantes problemas que impedem o desenvolvimento do país: o da qualificação dos cidadãos. Trata-se de um problema crítico para a competitividade de Portugal, cuja resolução constitui um imperativo para o crescimento da economia, para o emprego e para o aumento dos salários. De acordo com números de 2002, a população portuguesa em idade activa com o diploma de Ensino Superior era apenas de 9%, sendo de 23% na média da OCDE. Todavia, se tivermos em conta que, de acordo com dados do INE reportados a 2004, a taxa de desemprego dos diplomados do Ensino Superior foi de 5,5%, a que acresce o fenómeno da “fuga de cérebros”4, verificamos que há uma percentagem 3 O lançamento do Plano Tecnológico ocorreu a 23 de Novembro de 2005, momento em que o presente estudo se encontrava em fase de ultimação. No entanto, pela importância daquele Plano Estratégico para “promover o desenvolvimento sustentado de Portugal”, os autores fizeram-lhe menção nas medidas/acções de intersecção. 4 De acordo com um relatório do Banco Mundial (Özden, & Schiff, 2005), um quinto dos portugueses com ensino superior não trabalha em Portugal. Este número, segundo aquele relatório que analisa o 2 substancial de diplomados do Ensino Superior que não é alvo de um aproveitamento adequado em benefício do desenvolvimento do país. O fosso que separa Portugal dos outros países desenvolvidos no que toca à formação da sua população, não apenas no que se refere à escolaridade em geral mas especificamente no que concerne à educação superior, requer o estabelecimento de metas exigentes para o horizonte de 2013, que terão de ser ao mesmo tempo realistas e desafiantes, no sentido de elevar não apenas o nível geral de educação, mas também de promover a empregabilidade e a mobilidade profissional dos portugueses. fenómeno da fuga de cérebros, refere que Portugal é o país europeu de média/grande dimensão mais afectado pela saída de licenciados e quadros técnicos. 3 1.1. Elevar o nível geral da educação e formação dos portugueses Na sequência da Estratégia de Lisboa, em Março de 2001 o Conselho Europeu estabeleceu três metas a atingir até 2010: os sistemas de educação e de formação deverão aliar qualidade, acesso generalizado e abertura ao mundo exterior. O programa de trabalhos Education & Training 2010, aprovado por aquele Conselho em 2002, foi instituído para que os estados membros contribuíssem para o propósito comum de, até 2010, a União se tornar a economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, de modo a garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e maior coesão social. O relatório intercalar Education and Training 2010 – The success of the Lisbon Strategy hunges on urgent reforms, datado de Novembro de 2003, refere: “…todos os países europeus desenvolvem esforços para adaptar os sistemas de educação e formação à sociedade e à economia do conhecimento, mas as reformas empreendidas não estão à altura do necessário e o seu ritmo actual não permitirá à União atingir os objectivos que se propôs.” Nas suas conclusões sobre este relatório o Conselho Europeu reafirmou o papel crucial da Educação e Formação no sucesso dos principais objectivos traçados na Estratégia de Lisboa, sublinhando a necessidade de se investir mais, e mais eficientemente, no capital humano como condição para o crescimento económico, produtividade, integração social e inclusão. O Conselho reforçou a necessidade de reformas e investimento adicional nas áreas chave para a sociedade do conhecimento e sustém que todos os estados membros devem adoptar uma estratégia de Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV) até 2006. Considera-se ALV toda e qualquer actividade de aprendizagem, com um objectivo, empreendida numa base contínua e visando melhorar conhecimentos, aptidões e competências. É neste contexto que se elegem os seguintes objectivos específicos: • Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa; • Aumentar a participação em ALV; • Incentivar o ensino pós-secundário de curta duração. 4 1.1.1. Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa Segundo o EUROSTAT, em 2001, 21,5% da população portuguesa na idade 2564 tinha completado pelo menos o Ensino Secundário, enquanto que a média na UE é de 63,6%. Na mesma faixa etária, 9% dos portugueses têm pelo menos um diploma de Ensino Superior, enquanto a média dos países membros da OCDE é de 23%, destacando-se o Canadá com 43%, EUA com 38% e o Japão com 36% (OCDE, 2004; tabela A3, p.72-73). Considerando a melhoria verificada na tendência recente apresentada pelas taxas de participação e de graduação no Ensino Superior, poderia admitir-se concluir-se que com as coortes mais jovens melhorar-se-á o nível educacional da população activa em Portugal. É verdade, mas está longe de ser suficiente. Há duas razões principais para essa insuficiência: (1) a tendência demográfica, com índice sintético de fecundidade de 1,4 e esperança média de vida à nascença de 76 anos, altera a estrutura da pirâmide etária, verificando-se a redução da proporção de jovens e aumento da população adulta; (2) mantém-se a situação desfavorável face aos parceiros da UE mesmo nos grupos etários mais jovens da população adulta. Enquanto na população com idade 30-34 a EU25 tem 24,3% de habitantes com qualificação ISCED5 5 ou 6, em Portugal regista-se a percentagem 12,9% (Eurydice&Eurostat, 2005; p.314). Os países onde este indicador tem valores inferiores ao verificado em Portugal são a República Checa (12,5%), a Eslováquia (10,2%) e a Roménia (9,3%). Tal como ficou mostrado em Santos Silva et al. (op.cit., p.23), a diferença entre regiões do país é muito acentuada, sendo a região da Grande Lisboa a que se encontra numa situação mais favorável. Igualmente as regiões do Grande Porto e Baixo Mondego concentravam as maiores percentagens de população que completou o Ensino Superior, com valores que oscilavam entre os 10,8% e os 15,1%. As percentagens mais baixas verificam-se no Tâmega e Pinhal Interior, com valores compreendidos no intervalo [2,8; 3,6] (INE, 2002, p. LXX). 1.1.1.1. Metas/Resultados a Alcançar Com o objectivo específico intitulado “Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa” pretende-se acelerar a melhoria dos níveis de qualificação académica da população adulta (25-64) aumentando para 25% a 5 International Standard Classification of Education, 1997. 5 percentagem da população que detém diploma ISCED 5 ou 6 até 2013. As assimetrias regionais devem ser diminuídas através da discriminação positiva das acções a desenvolver e na disponibilização dos respectivos recursos financeiros. A tabela 1.1 contém a projecção da população residente 25-64 para 2010, cenário base6 (INE, 2003), segundo as regiões por grupo etário. Tabela 1.1 – Projecção da população residente 2010 Ano 2010 Grupo Etário Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve Açores Madeira Total 25-34 555736 246266 542286 66506 65651 42110 40213 1558768 35-44 586503 254611 566922 68722 68175 36007 38896 1619836 45-64 1020963 465799 942854 132063 115026 57742 61540 2795987 Total 25-64 2163202 966676 2052062 267291 248852 135859 140649 5974591 Um milhão quatrocentos e noventa e quatro mil é o número de indivíduos que deteriam diploma ISCED 5 em 2013 caso a meta fosse alcançada (tabela a1.1 em anexo). O processo de previsão do número de indivíduos a abranger por região requer estatísticas regionais não disponíveis à data. No entanto, pode obter-se uma estimativa grosseira considerando que, se não houvesse qualquer tipo de intervenção, a distribuição da população com aquele diploma em 2001 permaneceria estacionária em 2010. Através da diferença entre os dois cenários obtém-se o número previsto de indivíduos a abranger na intervenção operacional, sendo de seiscentos e trinta e três mil indivíduos (tabela a1.3 em anexo). Considerando, nesta fase7, que o tipo de formação prioritária é a de 1º ciclo, com a duração eventual de três anos, a cada ano lectivo (de 2007/2008 até 2012/2013) deveriam entrar em formação cento e seis (106) mil indivíduos. 1.1.1.2. Factores Críticos Perante o cenário acima exposto as IES deparam-se com um desafio ambicioso no contexto nacional, mas ainda muito restritivo face à região da UE. Segundo o Recenseamento da População e da Habitação 2001, a população 25-64 com Ensino Secundário completo é 761.867 (tabela 6.05, INE, 2001), representando 14% da população naquele grupo etário. Entre a população com diploma do Ensino Secundário, 106.402 (14%) indivíduos frequentavam alguma IES e 77.807 (10%) já tinham frequentado, mas não completaram qualquer curso. Os restantes 76% da população 256 Índice sintético de fecundidade2001=1,4; Índice sintético de fecundidade2050=1,7; Esperança média de vida à nascença: H2001=73,2; H2050=79; M2001=79,8; M2050=84,7; Saldo migratório2050 =10000. 7 Na secção 1.1.2 Incentivar o ensino pós-secundário de curta duração há-de defender-se que o incentivo à realização de cursos conferidores do nível ISCED 4 será essencial para tornar esta meta factível. 6 64 qualificados academicamente pelo Ensino Secundário nunca tinham frequentado o ensino superior (tabela a1.4). A melhoria da performance do Ensino Secundário, com a consequente diminuição da taxa de saída precoce e redução do desfasamento idade-ano, proporcionará a que no futuro próximo maior número de jovens se encontrem em condições de ingressar no Ensino Superior e assim possam contribuir para alcançar aquela meta. A alteração do quadro legal para a certificação de competências ou para as condições de ingresso no Ensino Superior (exame ad-hoc, por exemplo) poderão ajudar a aumentar a população elegível para a intervenção. A comunicação da Comissão estabelece, entre os factores chave para facilitar o acesso às oportunidades de aprendizagem que, no sector formal, os critérios de admissão, progressão e reconhecimento sejam revistos, tendo em conta a aprendizagem não formal e informal (COM (2001), 678; p.17). O Programa do XVII Governo Constitucional (p.48 e 51) está em sintonia com tal orientação nos seguintes termos: Cumpre-se estender, progressivamente, ao nível do ensino secundário os processos de reconhecimento, validação e certificação das competências adquiridas […]. […] o Governo alterará a política de vagas no ensino público, de modo a diminuir as barreiras administrativas ao ingresso (numerus clausus) e a adequar a oferta de vagas ao andamento da procura de cursos pelos estudantes e das qualificações respectivas por parte do tecido económico e social, sem nunca esquecer a relevância científica e cultural das formações. O estipulado no artº12º da Lei nº49/2005 dá o enquadramento para a definição de novas condições de acesso ao Ensino Superior. Ainda não está publicado o decretolei que estabeleça tais condições. Adicionalmente, seria benéfico para o sistema de Ensino Superior desenvolver uma experiência piloto de reconhecimento e certificação de competências que pudesse vir a ser generalizado. Nas actuais condições de funcionamento, dificilmente as IES poderiam corresponder favoravelmente ao desafio acima enunciado, em termos da oferta formativa. Observe-se a evolução do número de vagas no Ensino Superior nos últimos anos (gráfico 1.1; tabela a1.5 no anexo I). O número de vagas disponíveis aumentou ao longo da década de 90, tendo atingido as 91.555 no ano lectivo 1999/2000. Nos anos recentes a tendência tem sido decrescente. 7 Gráfico 1.1 – Evolução do número de vagas no ensino superior (1993-2003) 100000 90000 80000 70000 60000 19 93 /9 4 19 94 /9 5 19 95 /9 6 19 96 /9 7 19 97 /9 8 19 98 /9 9 19 99 /0 0 20 00 /0 1 20 01 /0 2 20 02 /0 3 20 03 /0 4 50000 40000 30000 20000 10000 0 Fonte: OCES, 2005. No ano lectivo de 2004/5 o número de alunos inscritos pela 1ªvez no 1ºano em IES foi de 83.038 alunos (OCES, 2005). Comparativamente, os 106 mil indivíduos/ano representam um acréscimo de 128%. Ainda assim, deve levar-se em conta que: • Na maioria das IES há lugares discentes disponíveis; • Os elevados padrões de qualidade impostos pela concorrência no Espaço Europeu do Ensino Superior contribuirão para reduzir o insucesso escolar e assim, melhorar a eficiência das IES; • A reestruturação dos cursos de Ensino Superior associada à implementação da Declaração de Bolonha diminuirá a duração dos cursos que conferem o diploma ISCED 5. 1.1.1.3. Realizações Necessárias Conjuntamente, as três características conjunturais acima enunciadas representam um potencial formativo instalado que é propício à concretização do plano anteriormente traçado. No entanto, é absolutamente necessário prevenir eventuais obstáculos tais como a inércia8 dos principais actores neste tipo de formação e o excesso de burocracia. A este propósito, o relatório da OCDE sobre educação de adultos em Portugal menciona o seguinte: 8 A flexibilidade desejável tem exemplo na comunidade flamenga da Bélgica que, para atrair pessoas para o Ensino, está a financiar um projecto de formação de professores que consiste no seguinte: alunos com qualificações ou experiência de trabalho em áreas afins (psicologia, trabalho social, etc.) têm a oportunidade de obter um diploma de 1º ciclo (bachelor) em formação de professores do ensino primário num período de tempo muito mais curto do que o que seria usualmente necessário. Também na Noruega, desde 2001, pessoas com idade superior a 25 anos e sem o diploma do Ensino Secundário podem candidatar-se à Universidade. A Universidade determinará se o candidato está ou não qualificado (certificação de aprendizagens não formais) para frequentar um dado curso. Deste modo, muitos adultos começaram programas de formação de professores na Noruega nos últimos anos. 8 The first, though possibly erroneous, impression gained by outside observers is of a complex learning system evolving continuously in order to meet the demands of each period and overcome the problems entailed by earlier policies or reforms. It is therefore difficult for the outsider to determine the system’s operating principle and its coherence. […] Even if one considers just the government agencies responsible for adult education, one is surprised by their diversity and the complexity of their interactions with education providers at the local level: local authorities, businesses, associations of different types, training centres, private welfare institutions, etc. OECD (2001, p.15). O excesso de burocracia usualmente associado aos processos de financiamento FSE podem constituir um forte obstáculo à cooperação das IES que reúnem condições reais de concretização da intervenção. Assim sendo, propõe-se que: • Os processos formais para obtenção do financiamento sejam simplificados, por exemplo através da celebração de contratosprograma com IES cujos parâmetros sejam, entre outros, o número de diplomados resultantes da intervenção; • As IES envolvidas devem proporcionar horários compatíveis e a matrícula dos beneficiários finais em unidades curriculares nos termos estabelecidos pelo Decreto-Lei nº42/20059, de modo a flexibilizar a oferta aos estudantes-trabalhadores; • As IES devem optimizar os recursos educativos10 instalados com o reforço transitório do pessoal docente e não docente para o efeito; • Para que o ano de 2007 seja inteiramente aproveitado em actividades efectivas de formação, torna-se premente que ainda no decorrer do presente QCA, isto é no ano de 2006, se proceda à pré-selecção de IES interessadas em participar neste tipo de contratos-programa. Neste contexto torna-se relevante o desenvolvimento de um estudo de especialidade para a quantificação dos recursos envolvidos e áreas de formação prioritárias por região. 9 Aprova os princípios reguladores de instrumentos para a criação do espaço europeu de ensino superior. O desgaste dos recursos laboratoriais e infra-estruturas gerais decorrente de tal volume de formação deve ser passível de elegibilidade financeira através de contratos de manutenção ou substituição quando se faça necessário, a não ser que o contrato-programa ou termo de aceitação seja parametrizado em função do nº de formandos diplomados (forfait). 10 9 1.1.2. Incentivar o ensino pós-secundário de curta duração No que concerne à população 20-24, verifica-se que 66% não está matriculada em qualquer nível de ensino. Aqueles que têm pelo menos o Ensino Secundário representam 18,5% e os que têm habilitação inferior ao Ensino Secundário representam 47,4% da população 20-24. Segundo este indicador, Portugal também se encontra entre os países em pior situação, ganhando à Turquia (55,7%) e ao México (70,3%) (OCDE, 2004; tabela C5.1). Em 2001, 44,9% dos jovens dos 18 aos 24 anos deixaram a escola antes ou imediatamente após terem completado a escolaridade obrigatória. Esta proporção é a mais elevada da UE, figurando a Espanha com o segundo valor mais elevado e em seguida a Itália, com 28,3% e 26,4%, respectivamente. A tabela 1.2 apresenta a distribuição da população 18-24 com nível de instrução Ensino Secundário. Verifica-se que apenas 30% o completaram enquanto 32% abandonaram o sistema sem obter o diploma. Tabela 1.2 – População 18-24 com nível de instrução Ensino Secundário Ensino secundário Nºindivíduos % Completo 115821 30% Incompleto 123673 32% A frequentar 151912 39% Total 391406 100% Fonte: Censo 2001; tabela 6.04 Adicionalmente, o gráfico 1.2 mostra que apenas 7% dos jovens com 18 anos e este nível de instrução já obteve o diploma de Ensino Secundário, enquanto entre os jovens de 24 anos tal percentagem é de 51%. Entre estes jovens a percentagem dos que abandona o sistema educativo aumenta com a idade, variando de 11% (18 anos) até 41% (24 anos). 10 Gráfico 1.2 – Distribuição da população 18-24 com nível instrução Ens. Secundário, por tipo de frequência, segundo a idade 100% 90% 80% 70% 60% A frequentar 50% 40% Incompleto Completo 30% 20% 10% 0% 18 19 20 21 22 23 24 Idade O contraste entre o nível educacional da população com idade superior a 35 anos e o da população jovem poderia sugerir que o problema da sub-qualificação que caracteriza a população portuguesa seria simplesmente resolvido, progressivamente, pela renovação dos coortes etários na pirâmide. No entanto, os indicadores de desempenho do sistema educativo acima mencionados mostram que elevada proporção da população jovem carece de educação/formação, pelo que é urgente um esforço considerável da parte das autoridades intervenientes para que aquela polarização não se mantenha no futuro próximo e os jovens se mantenham motivados para o prosseguimento dos estudos. No que se refere à formação de nível intermédio, “Uma maior coordenação das diversas tutelas políticas responsáveis pela oferta de formações de nível intermédio (especialmente dos Ministérios da Educação e do Trabalho), não sendo condição suficiente, pode ser tomada como um requisito indispensável à transformação da procura social, ao nível das representações e da acção. […] Também se verifica que jovens com o ensino secundário geral são encaminhados, pelos centros de emprego para cursos de formação profissional no âmbito do sistema de aprendizagem (nível III). Tal opção entra em contradição com a ideia de que a preparação para o trabalho é passível de ser concretizada através de sucessivas qualificações alcançadas em diferentes níveis de formação. De facto, presentemente o sistema de formação não oferece qualquer 11 solução para contornar o “vazio” de opções que espera os que não conseguem aceder ao mercado de trabalho ou ao ensino superior11.” (Coimbra et al., 2004, p.111). Amaral (2003) reforça a necessidade das IES criarem oferta formativa dirigida aos alunos com diploma ISCED 3. O autor justifica-o do seguinte modo: […] as estatísticas mostram que cerca de 30% dos alunos que completam o 12ºano ingressam directamente no mercado de trabalho. Os alunos que optam pelo mercado de trabalho fazemno devido à idade (grupo dos 22 aos 24 anos) e ao nível de formação escolar dos pais – 75% destes alunos têm pais habilitados com um máximo de instrução equivalente à 4ªclasse. A introdução das notas mínimas de 9,5 valores nas provas de acesso irá aumentar o número de alunos que não ingressa directamente no ensino superior tradicional, pelo que se torna fundamental a criação de ciclos curtos, pós-secundários, de carácter fortemente vocacional. A maior e diversificada oferta de cursos de nível ISCED 4 poderia promover a transição do ensino secundário para o ensino superior para os diplomados ISCED 3 da via profissional. Os cursos pós-secundários de curta duração com carácter profissionalizante também serão destinados aos diplomados ISCED 3 que tiveram a formação geral no Ensino Secundário. Estes devem ser orientados a contextos reais de trabalho, quer através da realização de mini-estágios no decurso da formação ou estágio final. Deste modo, promover-se-á maior conhecimento dos futuros candidatos ao ensino superior quanto à oferta aí disponível, às características dos cursos, saídas profissionais, fomentando simultaneamente uma aproximação entre instituições educativas e produtivas. De acordo com a definição ISCED 4 (tabela a1.6 em anexo) os cursos do ensino pós-secundário de curta duração podem ser criados com dois propósitos diferentes: a) Programas criados para prosseguimento de estudos ISCED 5A ou 5B; b) Programas criados para a inserção do jovem no mercado de trabalho. As taxas de graduação em cursos do ensino pós-secundário não superior, para prosseguimento de estudos, em países tais como a Bélgica, República Checa ou a Suiça, são superiores às taxas associadas aos cursos de carácter profissionalizante (OCDE, 2004; tabela A2.3; p.59). Em Portugal, os cursos de especialização tecnológica (CET) são cursos do ensino pós-secundário de curta duração que, ao abrigo do nº2 do artº7º do Decreto-Lei nº401/91 de 16 de Outubro, são regulamentados pela portaria nº1227/95 de 10 de 11 Apesar de consagradas em diploma legal, as formações pós-secundárias encontram-se longe de estarem implementadas. 12 Outubro e se regem com as alterações a ela feitas pelas portarias nº989/9912 de 3 de Novembro, nº698/2001 de 11 de Julho e nº392/2002 de 12 de Abril. De acordo com este enquadramento legal, os CET podem ser promovidos por instituições que realizam formação profissional do nível III ou formação escolar de nível secundário ou equivalente, nomeadamente: a) estabelecimentos de ensino secundário públicos, privados e cooperativos com autonomia ou paralelismo pedagógico; b) escolas profissionais públicas ou privadas; c) centros de formação profissional de gestão directa ou participada; d) escolas tecnológicas. De acordo com a redacção introduzida ao artº16º da Lei de Bases do Sistema Educativo pela Lei nº49/2005 de 30 de Agosto, “1Os estabelecimentos de ensino superior podem ainda realizar cursos de ensino póssecundário não superior visando a formação profissional especializada. 2-Os titulares dos referidos no número anterior estão habilitados a concorrer ao acesso e ingresso no ensino superior, sendo a formação superior neles realizada creditável no âmbito do curso em que sejam admitidos.”. A concretização do nº2 do artº16º permitirá o alargamento da população discente do Ensino Superior, contribuindo também para atingir a meta estabelecida no objectivo específico 1.1.1 Fomentar a aquisição de competências avançadas na população activa. Focalizando a análise na formação pós-secundária, incluindo os CET, o Plano Tecnológico preconiza o envolvimento das IES neste tipo de formação na dupla perspectiva de (a) articulação entre os níveis de ensino secundário e superior e de creditação, para efeitos de prosseguimento de estudos superiores, de formação obtida nos cursos de especialização pós-secundária; (b) apoiar a reconversão de diplomados desempregados ou empregados em situação de sub-emprego para as áreas tecnológicas (www.planotecnologico.pt, p.19). Segundo o Ministério da Educação, no ano lectivo 2004/5 apenas 2040 alunos frequentaram um CET. A população 18-24 com nível de instrução Ensino Secundário é de 391.406 (Censo 2001). Os alunos que frequentavam em 2004/5 cursos CET representam aproximadamente 0,5% desta população (Tabela 1.3). 12 As finalidades do CET estão estipuladas no artº2 da portaria nº989/99 de 3 de Novembro alterado pela portaria nº392/2002 de 12 de Abril, e são as seguintes: a) aprofundar o nível de conhecimentos científicos e tecnológicos; b) desenvolver competências pessoais e profissionais adequadas ao exercício profissional qualificado; c) promover percursos formativos que integrem os objectivos de qualificação e inserção profissional e permitam o prosseguimento de estudos. 13 Tabela 1.3 - Distribuição dos alunos dos cursos tecnológicos, ano lectivo 2004/5 Regiões Nºalunos % Norte 1008 49% Centro 520 25% Lisboa e Vale do Tejo 265 13% Alentejo 89 4% Algarve 158 8% Total 2040 100% Fonte: Ministério da Educação - Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo 1.1.2.1. Metas/Resultados a Alcançar Pelo menos 5% da população 18-24 tenha diploma ISCED 4 em 2013. 1.1.2.2. Factores Críticos O principal obstáculo a que as IES tenham um papel mais relevante neste tipo de formação é a escassez de recursos para desenvolver e implementar programas de formação inovadores para a transição Ensino Secundário/Superior13. De um modo geral, o reconhecimento do valor e importância deste tipo de formação passará por integrá-lo cabalmente nas actividades normais das instituições de formação previstas na lei e anteriormente referidas. No que concerne às IES, os cursos de formação pós-secundária de curta duração devem ser tratados em plano de igualdade com os demais, isto é, no calendário escolar. Na actualidade, os mecanismos de financiamento impossibilitam-no pois ocorrem de modo pontual e descontínuo. 1.1.2.3. Realizações Necessárias Torna-se assim necessário: (a) proceder à alteração do quadro legal do ensino pós-secundário de curta duração para aumentar a oferta formativa através da maior participação das IES; (b) promover este tipo de cursos junto do grupo - alvo: população 18-24; (c) alterar o modo de atribuição do financiamento para que as instituições possam considerar estes curso a par dos que já desenvolvem (cursos ISCED 5 e 6). Do mesmo modo, os alunos ISCED 4 devem ser tratados, sob todas as perspectivas, de modo semelhante aos restantes alunos do Sistema Educativo. 13 Observe-se que há IES não públicas a oferecer o “ano 0” para alunos que queiram prosseguir estudos nessas instituições. 14 1.1.3. Aumentar a participação em aprendizagem ao longo da vida14 A aprendizagem ao longo da vida (ALV) num dos temas mais relevantes na concretização da Estratégia de Lisboa. Aprender ao longo da vida exige vários requisitos por parte dos públicos – alvo e, desde logo, o reconhecimento da sua importância para que cada indivíduo potencie a sua empregabilidade15. A orientação vocacional/profissional constitui um instrumento determinante para que, na perspectiva da procura da formação se disponibilize a qualquer cidadão o apoio para a identificação das suas capacidades, competências e interesses e se propicie a tomada de decisão em matéria de formação. A este respeito Coimbra et al. (2001, p.35) referem que: […] as pessoas podem deliberadamente influenciar as suas trajectórias (escolares, profissionais…) quer durante o período de formação (inicial ou contínua) quer no decurso da sua vida profissional […]. Se não, veja-se: o processo educativo, em qualquer dos seus estádios de formação, proporcionará aos indivíduos, de um modo mais ou menos explícito, diversas oportunidades de resolução de tarefas vocacionais – isto é de confronto com situações que os levam a ponderar diferentes alternativas de acção que envolvem aspectos relativos à realização pessoal, à satisfação, ao investimento ou ao desempenho de papéis. […] A adaptabilidade 16 afirma-se, desde logo, como uma atitude e uma condição de vida essencial no que respeita ao exercício de uma actividade profissional. O papel da orientação vocacional/profissional também é fundamental na perspectiva da oferta de formação, pois permite aos estabelecimentos de ensino em geral e às IES17 em particular, aumentarem a qualidade da sua oferta, mais ajustada ao mercado de trabalho, facilitando a transição para a vida activa. Uma força de trabalho que detém elevado nível educacional e que se encontra em aprendizagem permanente, 14 A secção está em sintonia com as prioridades definidas no Programa do XVII Governo (p.21-2) para o novo quadro de promoção da ALV: 15 “ * Definir objectivos em termos não só de níveis de educação-formação, mas de perfis profissionais em défice no mercado de trabalho; * Diversificar as oportunidades de aprendizagem: - […] - Desenvolver os novos instrumentos de e-learning […] - Formar os formadores para as suas novas tarefas de apoio à aprendizagem. * Desenvolver uma nova infra-estrutura para a aprendizagem ao longo da vida, tirando partido das tecnologias da informação; […]” Capacidade do indivíduo para manter um emprego, prende-se não apenas com a adequação dos seus conhecimentos e competências, mas também com as motivações e oportunidades oferecidas aos indivíduos para procurar emprego. 16 De acordo com Savickas (1997), o termo adaptabilidade (vocacional) simboliza a disponibilidade dos sujeitos para lidar com as tarefas, previsíveis e imprevisíveis, de preparação para o desempenho do papel de profissional, bem como com os ajustamentos inesperados despoletados pelas mudanças no trabalho e nas condições em que este decorre. 17 No que se refere às IES, a orientação vocacional/profissional é um tema desenvolvido no Desígnio II. 15 apresenta maior capacidade para se adaptar a novos desafios e de utilizar/fomentar a inovação, nomeadamente os que procedem da introdução de inovações em tecnologia de informação e comunicação. Apesar dos benefícios individuais e colectivos associados à ALV, a análise comparativa dos níveis de participação em cursos de ALV apresentada em Santos Silva et al. (2005, p.25) revela a posição desvantajosa que Portugal ocupa face aos restantes membros da UE. Segundo os dados do EUROSTAT de 2004 apenas 4,8%18 da população adulta portuguesa participou em algum curso de ALV enquanto que a média UE-15 é 10,1% e EU-25 é 9,4%. Segundo o INE (2004) “Portugal apresenta, nesta área [ALV] uma situação relativamente débil, com uma percentagem da população envolvida em acções de formação ao nível das mais baixas registadas na EU (15) e sem que se verifique uma evolução positiva para esse indicador. […] Isso é ainda notório pela posição relativa de Portugal que, ao nível deste indicador, se mantém todos os anos nas últimas 5 posições [EU (15)]. Em 2003 observa-se, em Portugal, o valor mais baixo registado a nível da EU – apenas 3,6% da população entre os 25 e os 64 anos participava em cursos de formação.” No âmbito da Estratégia de Lisboa os Estados-membros comprometeram-se a atingir pelo menos 12,5% como taxa média de participação em ALV da população em idade activa (25-64). Esta meta também é a assumida pelo Plano Tecnológico. Em Santos Silva et al (2005) estabeleceu-se como meta que, em 2013, pelo menos 20% da população portuguesa participe, com regularidade19, em acções de actualização/especialização. O acréscimo deve ser gradual e os planos de formação oferecidos devem ser concertados entre beneficiários e instituições/organizações, devem aperfeiçoar-se métodos e materiais de ensino especialmente adaptados a cada grupoalvo de ALV. Nestas circunstâncias, as acções ALV podem caracterizar-se quanto à sua natureza e população-alvo, destacando-se duas categorias: (1) Formação contínua de professores/formadores; (2) Formação contínua de empresários, executivos e quadros de empresas. 18 Percentagem da população entre os 25-64 anos, que participou em eduacação e formação, quatro semanas antes da pesquisa (Labour Force Survey). 19 Considera-se condição de regularidade a realização de pelo menos um curso de actualização/especialização a cada 2 anos. 16 (1) Formação contínua de professores/formadores O primeiro relatório do Conselho de Educação e da Comissão, Education and Training 2010 – The success of the Lisbon Strategy Hunges on Urgent Reforms, adoptado em 26 de Fevereiro de 2004, sobre a implementação da Estratégia de Lisboa nos domínios da Educação e Formação, enfatiza o papel central dos professores e formadores na Sociedade do Conhecimento, reforçando a ideia de que o sucesso das reformas necessárias depende da existência de professores e formadores altamente qualificados e motivados que possam implementar tais reformas no terreno e destacando a importância de um enquadramento de referência europeu para o desenvolvimento das políticas que fomentem a formação contínua no contexto de ALV. O relatório de progresso Improving the education of teachers and trainers, Implementation of Education & Training 2010, Working group A, (September, 2004), European Commission, Directorate-General Education and Culture (pg.6), estabelece determinados princípios orientadores para o desenvolvimento daquele enquadramento. Entre eles, encontram-se os seguintes: • A definição das competências na educação do professor ou formador deve ser vista numa perspectiva de ALV; • O processo de desenvolvimento profissional do professor/formador deve ser da responsabilidade do próprio como também da instituição que ele serve, num contexto de parceria entre professores, instituições de ensino ou formação, empregadores, associações de pais, etc; • A mobilidade de professores e formadores deve ser parte integrante do desenvolvimento profissional quer na fase de formação inicial quer na de formação contínua; • A Dimensão Europeia20 deve ter uma presença muito mais forte nos programas e curricula da formação inicial de professores/formadores; • Deve ser dado apoio profissional adequado aos responsáveis pela educação de professores e formadores (Formação de Professores/Formadores); 20 A dimensão europeia da educação significa que professores e alunos estão conscientes da base cultural comum, da riqueza da diversidade regional e nacional que partilham no contexto europeu. A dimensão europeia envolve não apenas os membros EU mas toda a Europa, incluindo as suas comunidades de emigrantes. É um conceito inclusivo. Os professores e alunos devem ter horizontes amplos para considerar este conceito em toda a sua extensão. 17 • Ao nível Europeu são necessárias estruturas para a promoção da Dimensão Europeia no desenvolvimento profissional de professores/formadores e para a produção de novo conhecimento no campo da investigação educacional. Neste contexto e no que se refere às temáticas disciplinares e às modalidades da formação contínua de professores, estas devem manter-se tal qual no actual QCA, salvo se alguma avaliação de programa (desconhecida à data) aconselhe qualquer alteração. No entanto, o sistema gerou situações perversas do ponto de vista do espírito subjacente aos pontos anteriormente enunciados. Concretamente, referimo-nos à facilidade com que professores procuram a formação contínua numa lógica de obtenção de créditos, apenas para o efeito de progressão na carreira, com objectivos ou critérios completamente afastados das suas necessidades de formação face à comunidade escolar a que pertencem. Cruz et al. (2003, p.6) referem “Apesar do esforço já dispendido nessa vertente na última década, há ainda muito trabalho a fazer, nomeadamente no que diz respeito à gestão mais rigorosa dos meios disponíveis e ao enquadramento científicopedagógico da formação proposta aos professores”. Conforme discutido em Ferrão et al. (2005, p.77-80) a organização das acções de formação contínua de professores devem ter em consideração as necessidades reais de cada contexto escolar, nomeadamente através da utilização de modalidades de formação centradas na escola e nas práticas profissionais, dando particular atenção às áreas de desenvolvimento curricular, disciplinares e não disciplinares, de supervisão pedagógica e de orientação educativa (Decreto-lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro). Sammons et al. (1995) dão especial significado à expressão learning organization, chamando a atenção para a importância da formação acontecer em ambiente contextualizado, ou seja, na própria escola ou no ambiente de ensino-aprendizagem. Tradicionalmente, na maioria das escolas dos diferentes graus de ensino, predomina, por parte dos professores uma cultura individualista que privilegia um espaço de acção (a sala de aula), um domínio do saber (ligado a uma área disciplinar), uma relação com uma parte da população escolar (os “seus” alunos das “suas” turmas). A passagem desta lógica compartimentada, baseada numa cultura profissional individualista, para uma cultura colaborativa e para uma visão global da escola, encarada como uma totalidade organizacional, é decisiva para a emergência da criatividade das escolas e a sua afirmação como territórios inovadores. Uma das 18 dimensões fundamentais da formação centrada na escola consiste precisamente em criar situações que permitam aos professores aprender a pensar e a agir de modo diferente, à escala do seu estabelecimento de ensino (Canário, 1998, p.14). Em Portugal, o espírito da lei contempla o papel da formação na concretização de mudanças através da valorização de modalidades de formação “centradas na escola”. Assim, o diploma legal que estabelece o regime jurídico da Formação Contínua de Professores, enuncia como competências do director da comissão pedagógica, entre outras a “identificação das necessidades de formação dos docentes e a elaboração do plano de formação do centro” e “assegurar a articulação com outros estabelecimentos, designadamente os de ensino superior, tendo em vista a preparação, orientação e gestão de acções de formação contínua” (DL 249/92, Artigo 26º). Complementarmente, a regulamentação do funcionamento do conselho pedagógico (DL. 115-A/98, artigo 24.º) define-o como “o órgão de coordenação e orientação educativa da escola, nomeadamente nos domínios pedagógico-didáctico, (...) da formação inicial e contínua de pessoal docente e não docente”. Também se prevê (DL. 115-A/98, artigo 26.º), como uma das competências do conselho pedagógico: “Elaborar o plano de formação e de actualização do pessoal docente e não docente, em articulação com o previsto centro de formação de associação de escolas, e acompanhar a respectiva execução”. Face aos desafios colocados na actualidade, as temáticas transversais de formação contínua devem priorizar os domínios que seguidamente se enunciam: • Formação para as novas competências básicas, • Formação para a Dimensão Europeia: estudo de idiomas, • Aumentar a participação em Matemática, Ciências e Tecnologia (MC&T), • Prevenção do insucesso escolar, • Andragogia/antropagogia21. Formação para as novas competências básicas A comunicação COM (2002) 779 reconhece a necessidade de um nível mais elevado de competências básicas adaptadas ao novo mercado de trabalho. São consideradas como novas competências básicas as seguintes: cultura digital, capacidade 21 Patrício (2002, p.73) propõe o termo antropagogia como o correcto a usar-se neste contexto, uma vez que “só ele capta e dá a totalidade do homem e do humano.”. 19 de aprender a aprender, competências sociais, espírito empresarial e o domínio de línguas estrangeiras. Cachapuz et al. (2004) identificam cinco saberes básicos: (1) Aprender a aprender; (2) Comunicar adequadamente; (3) Cidadania activa; (4) Espírito crítico; (5) Resolver situações problemáticas e conflitos. Os autores procedem a uma análise de congruência dos saberes identificados com o conjunto de competências essenciais e estruturantes preconizadas no Currículo Nacional do Ensino Básico. Concluem que, duma forma geral, o discurso desenvolvido pelo Ministério da Educação é “globalmente congruente com os quadros de referência […] apresentados”, pelo menos ao nível intencional do currículo, permanecendo em aberto as condições de implementação, coordenação e avaliação, bem como a qualificação dos intervenientes (professores, alunos, pais, etc.). A análise de catorze entrevistas sobre a prática nas escolas da abordagem curricular baseada no desenvolvimento de competências essenciais permitiu a identificação de alguns factores constrangedores, entre os quais se encontra os de natureza profissional, formativa. Os professores querem ser ajudados não só a conceber os seus projectos mas a implementálos de uma forma real, concreta, no terreno. Querem ser acompanhados por alguém que lhes transmita segurança, lhes dê estímulo, esclareça dúvidas e dê sugestões. Sentem-se esclarecidos ao longo de uma acção de formação, mas depois falta-lhes o suporte continuado na aplicação prática do que aprenderam. (Alonso, 2004). Tais domínios de formação devem ser incluídos nos programas de formação inicial de professores e oferecidos cursos/seminários/workshops de formação contínua para a actualização dos professores em exercício. A par e para reforçar o ensinoaprendizagem, devem ser consideradas acções de formação orientadas à produção de materiais didácticos fazendo uso de TIC e dos novos métodos de e-learning. O Ensino Básico é objecto de uma medida relevante por parte do Plano Tecnológico que preconiza o “lançamento de um ensino básico de elevada qualidade” através da formação e acompanhamento dos professores de Matemática e Português, da criação do Plano Nacional de Leitura, da introdução do ensino experimental das ciências, da inclusão do ensino de inglês – desde o primeiro ano de escolaridade, do esforço para assegurar aos alunos uma maior permanência na escola. 20 Dimensão Europeia na formação inicial e contínua: mobilidade e estudos de idiomas Tal como foi mencionado anteriormente, a mobilidade é uma das principais características para a construção da Dimensão Europeia. Para os autores de Improving the education of teachers and trainers a mobilidade dos profissionais, neste caso dos professores/formadores, deve ser uma preocupação das autoridades dos estados membros. Um dos modelos apontados para a gestão de recursos destinados à mobilidade de professores/formadores é o que centraliza esses recursos nas instituições de formação de professores/formadores permitindo a estas o planeamento dos cursos de formação inicial ou contínua integrando-lhes o programa de mobilidade. Uma fonte de bloqueio ao desenvolvimento da Dimensão Europeia no seu todo, incluindo a mobilidade, é a insuficiência do conhecimento de línguas estrangeiras. Em Portugal têm sido adoptadas medidas para obviar esta limitação nas gerações mais jovens através da inclusão de pelo menos duas línguas estrangeiras nos programas do Ensino Básico e Secundário. O documento Improving the education of teachers and trainers recomenda que todos os programas de formação inicial de professores/formadores incluam o estudo de idiomas europeus, e aconselha a que tal prática também seja promovida no âmbito da formação contínua de professores. A propósito da interpelação da declaração de Bolonha à formação de professores Cruz et al. (2003) referem: Assinalemos, desde já, que, se a mobilidade europeia poderá tornar-se cada vez mais intensa noutras profissões, não nos parece que tal venha a ocorrer, com a mesma facilidade, na de professor – quanto mais não seja porque, para a maior parte das disciplinas, se exige do professor o domínio rigoroso da língua veicular… Tal obstáculo poderá ser ultrapassado se os departamentos de línguas e de formação de professores forem estimulados para a implementação daquelas recomendações. Na vasta maioria dos países europeus, a formação inicial de professores é da responsabilidade de IES. Com as alterações decorrentes do processo de Bolonha tudo indica que a formação contínua de professores/formadores conte cada vez mais com a riqueza de recursos instalados nestas instituições contribuindo para alcançar melhores padrões de qualidade da formação. Nestes termos, os três ciclos de ensino devem ser encarados pelo professor/formador numa óptica de ALV. As IES devem flexibilizar os programas de tal modo que os três ciclos sejam compostos por unidades curriculares. Já 21 ao nível do 3º ciclo (Phd) insere-se a investigação em Educação que deverá ganhar cada vez maior relevância no horizonte da Educação e Formação 2010. A este propósito, o grupo de trabalho A (Implementation of Education and training 2010, pg.12) faz a seguinte recomendação: […] teacher education within the Bologna Process should be developed on the same basis as for other professional programmes (medicine, engineering, etc.). Apart from this, a broader integration of teacher education in universities is imperative, whenever this does not happen: teacher education programmes must be delivered in all three cycles of the higher education degree structure and be research-based, which implies that much more attention should be paid to the promotion of teacher and school education research and the development of new knowledge, namely by including this field in the European Research Area. Aumentar a participação em Matemática, Ciências e Tecnologia (MC&T) Os estados membros da EU comprometeram-se a aumentar em pelo menos 15% o número total de diplomados em MC&T, reduzindo o desequilíbrio de género. Segundo o Eurostat, na maioria dos países para os quais os dados estão disponíveis, há menos de 10 diplomados em C&T por cada 1000 habitantes na idade 2029. Em Portugal, a permilagem é de 7,4. A meta estabelecida no Plano Tecnológico é de 12 em cada mil habitantes. Os países onde se verificam os valores mais elevados são a Irlanda (20,5), a França (20,2) e o Reino Unido (19,5) (Eurydice & Eurostat, 2005; p.323). O relatório de progresso Increasing participation in Math, Sciences and Technology, Implementation of Education & Training 2010, Working group D, (December, 2004), European Commission, Directorate-General Education and Culture apresenta cinco recomendações-chave entre as quais aponta a necessidade de introduzir métodos de ensino mais atractivos e efectivos nas disciplinas de MC&T, em todos os níveis do Ensino não-Superior; os métodos de ensino devem considerar igualmente os alunos com desempenho atípico (high and low achievers) de modo a motivar os alunos mais fracos e a não desperdiçar o potencial dos alunos excelentes. No âmbito do incentivo à formação geral em MC&T o mesmo relatório recomenda que alunos com desempenho fraco em MC&T tenham curricula adequados às suas necessidades, aptidões e interesses, dando-lhes mais oportunidades para actividades práticas e adoptando materiais e livros de texto adequados. Todos estes 22 aspectos devem ser contemplados na formação inicial e contínua de professores/formadores. Relativamente à participação dos professores nas acções de formação em Matemática, os autores do relatório intercalar de “Definição de orientações estratégicas e abordagens operacionais para o apoio estrutural comunitário no horizonte 2007-2013 no domínio da Educação e Formação” referem que o número de professores que realizaram formação contínua em Matemática, financiada pelo Prodep, em 2002, 2003 e 2004, foi de 1923, 1313, 1339, respectivamente (pág.50). Estes números são infímos comparativamente com o número de professores do ensino não-superior (190.420). A formação inicial e contínua dos professores/formadores em MC&T deve sensibilizá-los para o desenvolvimento de uma cultura científica, concentrando-se em aspectos como: desenvolvimento curricular, ensino experimental e desenvolvimento de material pedagógico inovador. Prevenção do insucesso escolar A comunicação “Investir eficazmente na educação e na formação: um imperativo para a Europa” (COM (2002) 779 de Janeiro de 2003) diz o seguinte sobre os níveis de conhecimento: Apesar de geralmente se verificar uma correlação positiva entre os níveis de investimento e as taxas de conhecimento, esta situação não se verifica em todos os países. Em certos casos, o nível de conhecimentos atingido pelos alunos (medido por instrumentos como PISA ou IALS) é menor do que noutros países que têm níveis de despesas de educação semelhantes, ou mesmo inferiores. Essa situação pode ser explicada por vários factores, nomeadamente: a fraca qualidade dos programas curriculares, uma pedagogia inadaptada, a falta de capacidade em dar resposta aos problemas dos grupos ou das regiões desfavorecidas ou uma distribuição ineficaz de recursos. Portugal é um dos países que apresenta maus resultados no PISA22. Segundo os dados portugueses do PISA 2000, aproximadamente 38% dos alunos de 15 anos envolvidos na avaliação frequentavam níveis de ensino inferiores23 aos esperados para a sua idade. Os alunos retidos não passaram pelo processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos programáticos previstos até ao 10ºano de escolaridade, tornando-se assim impossível dar provas dessa aprendizagem. Observa-se, por exemplo, que os jovens de 22 No PISA 2003 a posição relativa de Portugal face aos 30 países da OCDE foi o 24º lugar em literacia Matemática, o 27º em literacia científica e o 24º em literacia em contexto de leitura (GAVE, 2004). 23 No PISA 2000 participaram alunos que frequentavam entre o 5º e o 11º anos; no PISA 2003 participaram alunos que frequentavam entre o 7º e o 11º anos. 23 15 anos a frequentar o 5º ano têm, em média, o desempenho em Matemática reduzido em 233 unidades comparativamente aos jovens de 15 anos que frequentam o 10º ou 11º anos de escolaridade. A escala de desempenho em Matemática é ajustada para a média internacional de 500 valores com desvio padrão de 100. Os alunos portugueses que frequentam o nível de ensino adequado à idade atingem resultados em Matemática que não são estatisticamente diferentes da média internacional (Ferrão, 2005). Os restantes indicadores de desempenho do Sistema Educativo português mostram que o insucesso/retenção e o abandono escolar são os fenómenos que mais contribuem para a situação desfavorável de Portugal face aos restantes estados membros. Segundo a cartografia do abandono e insucesso escolares (ME, 2003) a região com a taxa de abandono mais baixa foi o Pinhal Interior Sul (1,4%) e o máximo registou-se no Tâmega (6,2%). No que se refere à taxa de retenção o valor mínimo verificou-se no Pinhal Litoral (10,1%) e o máximo no Douro (15,3%). O valor mínimo da taxa de saída precoce verificou-se na Grande Lisboa (32,6%) e o máximo no Tâmega (68,2%). Dado o papel central do professor no processo ensino-aprendizagem, deve ser dada prioridade a acções de formação contínua cuja área de incidência sejam as regiões com piores indicadores de desempenho e que apontem estratégias de: • Diagnóstico precoce dos alunos em risco de retenção; • Reforço educativo individualizado (entre outras práticas, orientar o aluno para o exercício da auto-avaliação e da regulação da aprendizagem usando os materiais didácticos adequados). Andragogia/Andropagogia A ALV envolve estudantes com perfil muito diversificado, dizendo respeito a indivíduos nos diferentes estádios da vida. Face ao desafiador quadro em matéria de formação de adultos, particularmente da população 25-64, revela-se determinante promover acções de formação de professores/formadores para: (1) o desenvolvimento e prática de metodologias de ensino-aprendizagem; (2) a adequação de conteúdos curriculares às características dos grupos-alvo. Segundo o relatório da OCDE (2001, p.34), especialistas em educação de adultos (referindo-se a Luís Imaginário, Roberto Carneiro e Márcia Trigo) estão cientes de que é necessário um tipo de ensino diferente daquele que é ministrado aos jovens. 24 De acordo com o explanado no relatório intercalar do estudo “Definição de orientações estratégicas e abordagens operacionais para o apoio estrutural comunitário no horizonte 2007-2013 no domínio da Educação e Formação”, o princípio orientador da oferta deve contemplar a necessidade de atender a tal diversidade, não só no que concerne à idade, mas também quanto às necessidades educativas especiais e a situações específicas tais como desempregados ou em risco de desemprego. Segundo o Censo 2001 (INE, 2002; tabela 6.31) o número de docentes do ensino não superior é 190.420, aproximadamente 4% da população economicamente activa. A sua distribuição por níveis/tipo de ensino é apresentada na tabela 1.4. Tabela 1.4 – Distribuição dos professores/formadores por nível/tipo de ensino Nível/tipo de Ensino Nº de indivíduos % 20354 10,7% Ens .Básico (1ºciclo, pré-primário) 45880 24,1% Ens. Básico (2º/3º ciclos) e Secundário 118935 62,5% Ens. Básico, Secundário e similares não classificados em outra parte 3414 1,8% Educação Especial 1837 1,0% 190420 100,0% Educadores de infância Total Fonte: Censo 2001 Segundo o Ministério da Educação (www.giase.min- edu.pt/stats01.asp?auxID=stats) o número de professores/formadores no ano lectivo 2001/2 foi 176.887 cuja distribuição se apresenta na tabela 1.5. A comparação das distribuições resultantes das duas fontes de informação (INE e ME) permite verificar que a percentagem de professores do ensino pré-escolar está compreendida no intervalo [8%,11%], os professores do 1º ciclo representam 21% a 24% dos professores do ensino não-superior, os professores do 2º ciclo em torno de 20% e os professores do 3º ciclo e ensino secundário são em torno de 51% do total. Tabela 1.5 – Distribuição dos professores/formadores por nível/tipo de ensino (2001/2) N fr Pré-escolar Nível/tipo de Ensino 14330 8,1% 1ºciclo EB 37918 21,4% 2ºciclo EB 34616 19,6% 3ºciclo EB+Sec. 82867 46,8% Esc. Profissionais 7156 Total 176887 Fonte: GIASE/Ministério da Educação 4,0% 100,0% 25 Excluindo os professores do ensino pré-escolar, verifica-se que aproximadamente 3,4% da força de trabalho portuguesa está dedicada a funções de ensino/formação no ensino não superior. Comparativamente aos países membros da OCDE aquele valor encontra-se bastante acima da média, 2,6%, a par com países como a Noruega (3,7%) e a Hungria (3,6%). Este indicador tem valor mínimo na Coreia (1,4%) seguido do Japão (1,5%) (OCDE, 2005; p.28). A comparação da situação de Portugal no contexto internacional tem a ressalva decorrente da incongruência nas estatísticas acima mencionadas. O processo de reestruturação dos cursos de formação de professores decorrente da aplicação da Declaração de Bolonha deverá levar as IES a planear a oferta formativa visando também os cursos de formação contínua de professores e assim assumirem um papel de liderança no que toca a esta vertente de formação, nomeadamente ao nível dos cursos de 2º e 3º ciclos. Resultados a Alcançar Para a previsão dos recursos envolvidos neste tipo de formação entre 2007-2013, se os 190 mil professores realizarem alguma acção ALV a cada dois anos, o volume de formação traduz-se em aproximadamente 95 mil professores por ano em acções de ALV. A avaliação de resultados da intervenção deverá ser planeada atempadamente de modo a quantificar o seu impacto na melhoria dos resultados escolares. Para facilitar o acompanhamento da intervenção, também deverá ser estabelecido um conjunto indicadores-padrão e definidos claramente os procedimentos para a respectiva recolha de dados. Financiamento condicionado à relevância da acção de formação no contexto de desenvolvimento profissional do beneficiário final e do centro escolar/formação. 26 (2) Formação Contínua de Empresários, Executivos e Quadros de Empresas A capacidade das organizações para identificar as competências chave e encorajar o seu desenvolvimento entre os seus colaboradores, representa as bases para as novas estratégias competitivas (ECEMS, 2005). Neste sentido, a comunicação da Comissão de 2001 “Tornar o Espaço Europeu de Aprendizagem ao Longo da Vida uma Realidade” realça o papel dos empregadores como “… principais responsáveis pelo desenvolvimento das competências da sua força de trabalho, estando também cada vez mais investidos de responsabilidades sociais mais vastas, nomeadamente quando alargam as suas oportunidades de formação e os seus recursos a um público mais vasto”. Tabela 1.6 – Evolução dos principais indicadores quantitativos de formação profissional 1997 1998 2000 2001* 2002* 2003* Nº de empresas com acções de formação 3750 3688 5491 7572 7959 8669 Percentagem de empresas com acções de formação 10,7 10,6 13,5 17,1 16,0 18,7 Nº de participantes em (milhares) 445,5 465,0 727,6 596,9 551,6 636,1 Trabalhadores em formação relativamente ao total de trabalhadores (%) x x x 18,6 17,5 19,6 Nº médio de participantes por acção 7,2 7,7 6,5 5 5 5 Nº de acções desenvolvidas (milhares) 62,3 60,0 112,2 117,7 101,9 127,8 Nº médio horas formação/participante 68,9 83,5 74,2 25,8 39,2 26,1 Nº médio horas formação/empresa (milhares) 8,2 10,5 9,8 2,0 2,7 1,9 Custo médio, por participante, das acções de formação (em milhares de escudos até 1998) 107,3 88,2 424€ 279,4€ 321,7€ 314,9€ Participação das empresas nos custos c/ formação (%) 64,0 58,7 58,1 91,2 86,5 88,0 acções de formação * Nestes anos não foram inquiridos dados relativos a formação no âmbito do sistema de aprendizagem e de trabalhadores externos X Dados não disponíveis (Fonte: DGEEP, 2005:13) Assim, a motivação dos empresários, bem como, dos executivos e quadros das empresas, torna-se fundamental para o incentivo à participação na aprendizagem ao longo da vida dentro das empresas que representam, assim como, da sua própria participação. 27 O Inquérito à Execução de Acções de Formação Profissional - 200324 (DGEEP, 2005), mostra que face a 2002 houve um aumento do número de empresas que promoveram acções de formação para os seus trabalhadores, do número de acções desenvolvidas e da percentagem de participação das empresas no custo total de formação por participante. Em contrapartida, a média de horas de formação e o custo médio das acções de formação por participante registaram uma diminuição. Como se pode observar no Gráfico 1.3, o grupo profissional que menos acções de formação frequentou foi o grupo dos dirigentes e quadros superiores, representando 15% do total de trabalhadores em acções de formação profissional, tendo sido em 2003 o número total de trabalhadores em acções de formação de 636,1 milhares. Gráfico 1.3 – Trabalhadores em acções de Formação Profissional segundo o grupo profissional Dirigentes e quadros superiores; 15% Operários; 33% Técnicos; 22% Pessoal adm inistrativo; 30% Fonte: (DGEEP, 2005: 16) Contudo, segundo o relatório do Conselho (Educação) para o Conselho Europeu “Os objectivos futuros concretos dos sistemas de educação e formação” (Conselho da União Europeia, 2001), a natureza do trabalho numa sociedade do conhecimento está a alterar-se. Aos gestores, executivos e quadros de empresas são agora exigidas novas qualificações, que obrigam a um aumento do factor conhecimento quer nos produtos, quer nas novas formas de organização do trabalho, exigindo novas competências e novos conteúdos de formação. 24 “Consideram-se como acções de formação as que resultam de um conjunto de actividades devidamente planeadas e estruturadas, visando a aquisição de conhecimentos e capacidades exigidas para o exercício das funções próprias de uma profissão ou grupo de profissões. São consideradas quer as acções de formação realizadas pela empresa/entidade nas suas instalações, quer as realizadas por outras entidades mas em que participaram trabalhadores da empresa.” (DGEEP, 2001). 28 Neste sentido, importa impulsionar a participação dos empresários, executivos e quadros de empresas, em linha com o objectivo estabelecido por Santos Silva et al. (2005), para 2013, em acções de actualização e especialização. 1.1.3.1 Metas/ Resultados a Alcançar Em Santos Silva et al. (2005), estabeleceu-se como meta que pelo menos 20% da população portuguesa participe com regularidade em acções de actualização/especialização. Para tal, o relatório de progresso do working group H Open learning environment; making learning atractive, strengthening links with working life and society (European Comission, 2004) preconiza a estruturação de uma abordagem mais coerente à educação e à formação ao nível europeu no contexto da ALV. A referida estruturação, envolve uma maior aproximação entre os produtores de saber e o mundo da aprendizagem. As IES têm aqui um papel fundamental como força principal para o desenvolvimento sustentável nas sociedades baseadas no conhecimento intensivo (Miclea, 2004; European Comission, 2004). O debate levado a cabo na conferência mundial sobre educação superior Higher education in the twenty-first century: vision anda action (Unesco, 1998), refere mesmo que, em economias orientadas pela ciência e a tecnologia é nas universidades que está a chave do poder para a economia do conhecimento. È nelas que se desenvolve o conhecimento resultante das investigações e é nelas que se desenvolvem novas tecnologias e soluções para a realidade empresarial. Neste sentido, importa sobretudo (1) Identificar e antecipar as competências e qualificações necessárias ao grupo profissional dos empresários, executivos e quadros de empresas; (2) Reconhecer e validar competências e qualificações; (3) Informar, apoiar e fornecer acompanhamento. 1.1.3.2. Factores Críticos O tecido empresarial português é constituído maioritariamente por pequenas e médias empresas, sendo que estas apresentam características muito particulares. No relatório final sobre e-learning nas pequenas e médias empresas (DGEC, 2003), são apresentados alguns obstáculos à cultura de aprendizagem nas pequenas e médias empresas, especificamente no que respeita à formação de gestores. Segundo este relatório, os gestores das PME, utilizam uma abordagem de curto prazo, só se preocupando com a formação quando se deparam com problemas reais. Por outro lado, 29 a maioria dos gestores e empresários enfrentam alguns problemas de delegação e falta de tempo, não podendo estar muito tempo afastados da empresa. Importa assim, promover a utilização das TIC, como forma de levar a aprendizagem ao local de trabalho, para que os empresários, executivos e quadros de empresas possam aprender num local que lhes permita cumprir outras obrigações e ao ritmo que lhes convém. No entanto, para que tal se concretize, importa promover a certificação de qualidade no ensino à distância, bem como, apoiar as parcerias entre fornecedores de conteúdos educacionais e fornecedores de telecomunicações e tecnologias de informação. Por outro lado, importa, no sector formal e de acordo com o comunicado da Comissão (Comissão Europeia, 2001), rever os critérios de admissão, progressão e reconhecimento, tendo em conta a aprendizagem não formal e informal. 1.1.3.3.Realizações Necessárias O incentivo à aprendizagem contínua por parte de empresários, executivos e quadros de empresas, constitui um desafio para as IES. Segundo (Miclea, 2004), as exigências de uma sociedade do conhecimento irão impor alterações profundas às IES. Estas deverão ser capazes de aproveitar o prestígio que detêm na sociedade, melhorando a relevância e a qualidade dos seus programas e actividades globais. Muitos dos ajustamentos terão que passar, pelas políticas de admissão e acesso, pela organização dos estudos, pelos conteúdos dos currículos, pelos meios de levar o ensino aos públicos alvo, pelos métodos e técnicas de ensino, pelas práticas e estratégias, entre outros. Estas exigências quando conjugadas com as exigências profissionais dos empresários, executivos e quadros de empresas, irão exigir ás IES um ajustamento das suas ofertas de formação/actualização às necessidades deste grupo profissional. Para tal, é essencial o estabelecimento de parcerias entre os vários parceiros sociais, como forma de aproximação entre a realidade empresarial e o ensino /formação. Também a auscultação sistemática das necessidades sectoriais a nível nacional e regional deverá ser implementada. Da mesma forma, a oferta de programas de aprendizagem que antecipem as necessidades formativas, bem como, soluções de aprendizagem no local de trabalho, como por exemplo o e-learning, serão fundamentais para colmatar a lacuna existente em termos de participação na ALV. 30 Também a oferta de propostas de formação/ensino flexíveis e modulares, assume um papel relevante na sociedade do conhecimento para os empresários, executivos e quadros de empresas, pois muitas vezes, as exigências profissionais deste grupo profissional, conduzem à interrupção da aprendizagem, tornando-se por vezes difícil o seu recomeço por questões formais inerentes às propostas de formação/actualização actuais. Para este grupo profissional, será ainda fundamental a disseminação de informação, aconselhamento e personalização dos planos de estudos, quer em função das necessidades individuais, quer em função dos saberes e competências já possuídos. Para além das áreas de formação/especialização, já actualmente oferecidas pelas IES, e que vão de encontro às necessidades deste grupo profissional, uma das áreas de formação necessariamente a desenvolver será o desenvolvimento de capacidades de diagnóstico relativamente a necessidades de formação dentro da própria empresa. Os empresários, executivos e quadros de empresas são os principais responsáveis pelas decisões de participação em acções de ALV junto dos restantes trabalhadores. 31 1.2 Promover a empregabilidade e a mobilidade profissional A promoção do desenvolvimento do país, aliada à participação na criação do Espaço Europeu do Ensino Superior, necessária a uma cada vez maior exigência de eficácia num contexto de competitividade a nível internacional passa pela implementação de maiores níveis de empregabilidade e mobilidade contribuindo para a redução das assimetrias sociais quer ao nível nacional quer ao nível europeu. Do Ensino Superior espera-se um amplo e decisivo papel no desenvolvimento dos cidadãos e das sociedades modernas, na medida em que potencia o desenvolvimento social, cultural e económico, a cidadania activa e os valores éticos. Tendo em conta todo este potencial é legítimo esperar-se também um contributo decisivo na promoção da empregabilidade e mobilidade profissional dos cidadãos. É neste contexto que são formulados os seguintes objectivos específicos: • Ampliação dos perfis profissionais ou reconversão profissional dirigidos a indivíduos desempregados qualificados pelo Ensino Superior, • Melhorar a inserção no mercado de trabalho – estágio profissional. 1.2.1 Ampliação dos perfis profissionais ou reconversão profissional dirigidos a indivíduos desempregados qualificados pelo Ensino Superior Em 2004, a taxa de desemprego na população adulta (25-64 anos) com diploma do Ensino Superior em Portugal foi de 4,9% (OCDE, 2005:252) enquanto a média dos países da OCDE foi de 3,9%. Tomando os dados do Recenseamento Populacional de 2001, apesar de desactualizados, verifica-se grande variação na taxa de desemprego entre áreas de formação. Por exemplo, na área de Comércio e Administração a taxa atinge o valor de 17,7%. Ainda de acordo com a mesma fonte, havia 14847 pessoas com diploma de Ensino Superior desempregadas, o que representa 6% do total de desempregados da população com 25-64 anos. Segundo o Inquérito ao Emprego (INE, 2005) no 1ºtrimestre de 2005 o número de desempregados diplomados pelo Ensino Superior é aproximadamente de 40,1 mil indivíduos. Pretende-se assim, ampliar e/ou complementar os perfis profissionais ou promover a reconversão profissional dirigida a indivíduos qualificados pelo Ensino Superior, desempregados ou em risco de desemprego. As acções de ampliação, complemento ou reconversão profissional deverão ser planeadas de modo a potenciar a 32 formação já completada, através da oferta da formação complementar necessária à habilitação profissional em áreas de maior empregabilidade ou de carência para o desenvolvimento do país. Estas acções, que deverão contar com um enquadramento político e financeiro específico, poderão assumir o formato de módulos de formação de 2º ciclo, de preferência com recurso a colaboração interinstitucional, compreendendo não apenas as tradicionais instituições de formação, mas também as instituições ligadas à produção e à prestação de serviços. Caracterização geral da evolução da formação de nível superior Tendo em conta os dados publicados nos Censos 2001 (INE, 2002), alguns aspectos sobressaem quando apreciamos a evolução da população com um diploma de ensino superior25 nos últimos anos: • De acordo com os dados disponíveis, a população com um diploma do ensino superior passou de 4% em 1991, para 8,6% em 2001, mostrandonos que esta população duplicou. Constata-se ainda que esta evolução se verificou em todas as regiões do país, sendo a região de Lisboa a que claramente apresenta uma maior percentagem de diplomados, 13,5%, seguida da região do Algarve com 7,3 %, apresentando-se em última posição o Alentejo com 5,7%. • Considerando as áreas de formação, em 2001 a população que completou o ensino superior, fê-lo maioritariamente nas áreas de “Comércio e Administração” (13,2%), “Saúde” (12,8%), “Formação de Professores e Ciências da Educação” (12,1%) e “Letras e Ciências Religiosas” (12,0%). • A análise por sexo mostra-nos uma forte representação feminina no total dos diplomados, numa proporção de 72 homens por cada 100 mulheres. De notar que a população feminina tem concluído os seus cursos superiores predominantemente nas áreas de “Formação de Professores e Ciências da Educação” (18,2%), Letras e Ciências Religiosas (15,2%) e Saúde (14,8%). É ainda digno de nota o facto de, apesar da proporção verificada, serem ainda poucas as mulheres que ocupam lugares de topo nas empresas, de serem vítimas de discriminação salarial, em subsídios de disponibilidade e prémios de desempenho (Morais, 2005). 25 População com 21 ou mais anos. 33 Emprego e desemprego na população com diploma de estudos superiores O emprego actual, sobretudo dos jovens diplomados, caracteriza-se pela precaridade e rotatividade, aspectos confirmados pelas elevadas taxas de contratação a prazo e pelas elevadas taxas de desemprego. Segundo dados do INE, a taxa de desemprego nacional em 2004 foi de 6,7%, verificando-se ser tanto mais alta, quanto mais baixo é o nível de escolaridade alcançado. Considerando especificamente as taxas de desempregados por níveis de ensino, a dos habilitados com o ensino superior (5,5%), foi menor quando comparada com a taxa dos que completaram o ensino secundário (7,1%), ou dos que eram detentores do ensino básico (7,6%). Alguns aspectos a reter: A taxa de desempregados diplomados do ensino superior foi a que mais • cresceu desde 1998, passando de 3,5 % nesse ano para 5,5% em 2004. Esta taxa é de 5,0% para os homens e 5,8 % para as mulheres. Com base em dados do Eurostat relativos ao 3º trimestre de 2004, verifica-se • que o desemprego dos diplomados do ensino superior é mais elevado em Portugal do que em outros países da EU a 25. Países como a Bélgica, República Checa, Estónia, Itália, Letónia, Malta, Eslováquia e Finlândia apresentam uma taxa de desemprego mais baixa que Portugal, no que respeita a diplomados do ensino superior, embora apresentem uma taxa de desemprego total mais elevada. Este dado permite concluir que em Portugal o subaproveitamento de conhecimento é maior que noutros países da União. Com o recurso a dados do desemprego26 disponíveis no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) podemos descrever o fenómeno com mais detalhe. Todavia, quando se preconiza esta análise é necessário ter em conta que nem todos os desempregados com habilitações de nível superior acedem aos centros de emprego. Só recentemente estes desempregados se inscrevem nesses centros de forma mais sistemática, sendo provável que o seu número esteja sub-avaliado nos anos transactos. Será razoável pensar que a percentagem de inscritos tenha vindo as aumentar nos últimos anos, seja porque as dificuldades de emprego têm vindo a aumentar, seja 26 Os dados fornecidos pelo IEFP acerca do desemprego de diplomados do Ensino Superior, agrupam todos os graus académicos – bacharelato, licenciatura, mestrado e doutoramento. 34 porque se tornou disponível o subsídio de desemprego para docentes, seja ainda porque foram disponibilizadas medidas dirigidas a estes desempregados, das quais faz parte o programa Formação para Desempregados Qualificados (FORDESQ). Embora considerando os limites apontados, os dados mostram que o peso dos desempregados diplomados no total aumentou entre 1995 e 2003, o que ficará a deverse ao aumento do número de recém – diplomados e à maior dificuldade de inserção destes no mercado de trabalho. Esta evolução está de acordo com o que referimos atrás acerca da evolução da taxa de desemprego. A análise dos dados do quadro seguinte mostra que a evolução do desemprego dos diplomados foi quase sempre mais desfavorável que a do desemprego em geral. Embora a menor ritmo, o desemprego total continuou a aumentar em 2004, verificando-se uma diminuição no desemprego dos diplomados. No final de Dezembro de 2004 compreendia 35210 pessoas (leia-se pessoas inscritas no IEFP), numero que representa 7,5% do total e claramente superior ao que se verificava à 10 anos atrás. Em Setembro de 2004 atingiu o seu máximo, com 47.598 pessoas. Tabela 1.7 - Evolução do desemprego de diplomados em Portugal nos últimos anos. Os dados reportamse ao mês de Dezembro. Até 1999 os dados são apenas do Continente. Ano Total de diplomados Peso no desemprego (%) Evolução anual do desemprego total (%) Evolução anual do desemprego de diplomados (%) 28,1 1995 20.244 4,5 1996 22.830 5,1 -0,3 12,8 1997 22.481 5,6 -9,4 -1,5 1998 21,233 5,7 -8,7 -5,6 1999 20,707 6,3 -11,0 -2,5 2000 23.735 7,3 -4,5 13,1 2001 23,071 7,1 -0,5 -2,8 2002 29.840 7,8 17,3 29,3 2003 39.785 8,8 19,0 33,3 2004 35.210 7,5 3,6 -11,5 Fonte IEFP. Relativamente à situação de desempregos dos diplomados do Ensino Superior destacam-se ainda outros dados respeitantes à idade, género e região. 35 • No que toca ao género, reportando-nos a Dezembro de 2004, constatamos que 56% eram mulheres. Todavia, o desemprego tem vindo a aumentar mais entre os homens nos últimos anos. 40% apresenta uma idade inferior as 45 anos. • No plano da idade, 3/4 dos desempregados são jovens até 35 anos. Destes, 66% são mulheres. • As regiões com maior incidência de desempregados diplomados do Ensino Superior são Lisboa e Vale do Tejo e Norte, respectivamente com 39% e 38% do total. Adequação da formação ao mercado de trabalho A adequação da formação ao mercado de trabalho constitui um tema reiterado quer do lado dos potenciais empregadores, quer das instituições de formação, embora não se disponha de muitos dados sobre o mesmo. Com efeito, as implicações para eventuais medidas a pôr em prática, beneficiarão fortemente de estudos sobre a inserção de ex-diplomados. Neste sentido teremos em conta um amplo estudo efectuado em 2001, e que inquiriu os diplomados que completaram a sua formação superior no ano lectivo de 1994/9527. Os diplomados considerados neste estudo demoraram, em média, seis meses para obter um primeiro emprego. Adicionalmente, apurou-se que 50% destes diplomados tinham encontrado o seu primeiro emprego um mês após a conclusão do seu curso, sendo que, cerca de metade (49%) com contratos a termo certo, 18% em prestação de serviços e apenas 29% com contratos sem termo. Considerando agora os desempregados, as razões apontadas por estes para a sua situação de desemprego foram: o facto de não ter sido possível encontrar uma actividade adequada à sua formação e (35%), o facto de não encontrarem nenhum emprego (33,9%) e estarem à espera de resposta (30,2%). Tendo em conta que o número de licenciados aumentou significativamente desde a altura em que estes desempregados concluíram a sua formação superior e que os números do desemprego se agravaram, é de esperar que a situação actual se tenha agravado, quer no que toca ao desemprego, quer no que toca ao sub emprego. 27 Este estudo foi efectuado no âmbito do Sistema de Observação dos Percursos de Inserção dos Diplomados do Ensino Superior (ODES). 36 Recorrendo aos dados do desemprego conseguimos uma melhor caracterização do problema, permitindo-nos saber quais as áreas de formação dos desempregados com formação superior. No ano de 2003, 64,3% dos diplomados inscritos no IEFP eram procedentes de 3 áreas de formação (em 30), agrupadas da seguinte forma: Ciências exactas, humanas e da vida (34,7%), Administração e Gestão (17,9%), Educação, formação, animação sócio-cultural e desporto (11,7%). Merece destaque o facto de as duas primeiras áreas referidas serem já em Janeiro de 2000 as áreas de origem mais frequente dos desempregados com formação superior e também o facto de a última área referida não ter ainda sofrido a influência do subsídio de desemprego para docentes, existente desde Abril de 2000. Considerando áreas mais específicas dentro das 30 áreas previstas, constata-se que as Ciências humanas e sociais, com 29%, a Administração e Gestão, com 11%, e a Formação de professores e formadores, com 10%, constituem 50% dos desempregados com formação superior, susceptíveis de serem enquadrados numa área de formação. Dados do IEFP, reportados a Abril de 2004, permitem verificar que o problema atinge uma faixa etária bastante jovem, já que dos desempregados registados com formação superior, 74% têm menos de 35 anos, conclusão também aplicável ao ano de 2003. Considerando as 3 áreas de proveniência da maioria dos desempregados com formação superior o nível etário é ainda mais jovem que a média, algo que se nota claramente para os que caem na área de Educação, formação, animação sócio-cultural e desporto, em que 70% têm menos de 30 anos, e 92% menos de 40 anos. Outro aspecto a registar é que a maioria (77%) dos diplomados inscritos no IEFP, procura um novo emprego, o que nos permite concluir pela existência prévia de uma ou mais inserções precárias ou votadas ao insucesso. A procura de novo emprego aparece como motivo de inscrição para a totalidade dos desempregados da Banca e Seguros, Calçado e Curtumes, e, Energia, frio e climatização. Este motivo verifica-se também para 85% dos desempregados das áreas do Têxtil e vestuário, Madeira e cortiças, Transportes, e, Educação e formação (incluindo professores e formadores). Por sua vez, a inscrição no IEFP por procura de um primeiro emprego, não é maioritária, como se depreende, apresentando os seus maiores valores nas áreas do Ambiente e urbanismo e arquitectura (48,3%), Agro - indústria (47,7%), Indústrias químicas (41,5%), Saúde (36,4%), Cerâmica e vidro (35%) e Agricultura e pesca (31%). 37 Valerá ainda a pena considerar o tempo de permanência dos diplomados como inscritos no IEFP. Os dados permitem-nos afirmar que 58% destes permanecem inscritos menos de 6 meses, 24% entre 6 e 12 meses e 18% mais de 12 meses. A área mais favorecida é a da Administração e gestão, cujos diplomados deixam a situação de desemprego antes dos 6 meses de permanência (72%) e antes dos 12 meses (89%). A área mais desfavorecida é a dos Professores e formadores, dado que apenas 51% fica no desemprego menos de 6 meses, embora passados 12 meses apenas 8% permaneça nessa situação. Considerando as profissões em particular, e reportando-nos a dados de 2003, o desemprego de profissionais registados com habilitação superior atinge sobretudo 4 profissões: Directores de empresa (5.280 indivíduos), Especialistas em Ciências físicas, matemáticas e engenharias (5.305 indivíduos), os Docentes (8.715 indivíduos) e outros especialistas, intelectuais e cientistas (13.241 indivíduos). Os dados proporcionados pelos registos do IEFP acerca dos desempregados diplomados do Ensino Superior prestam-se a uma boa caracterização do problema, já que permitem considerar aspectos importantes, como as áreas de formação mais frequentes entre estes desempregados. Todavia a sua interpretação e conclusões a tirar exigem alguns cuidados para evitar leituras apressadas, como a de que há excesso de professores e formadores, já que estes constituíam 10% dos desempregados diplomados em 2003. Apesar de tudo, com recurso a estes dados, bem como a comparações internacionais, que nos levam a concluir que temos poucos diplomados em áreas técnicas, facilmente se conclui pelo défice de planeamento da formação superior, não se considerando nem as necessidades do mercado de trabalho e a sua capacidade de absorção, nem as necessidades do país, no que toca à promoção do seu desenvolvimento. 1.2.1.1. Metas/ Resultados a Alcançar Tomando por referência a situação de desemprego dos diplomados do Ensino Superior, fará sentido falar de diferentes tipos de medidas: medidas preventivas ou de planeamento e medidas de ampliação ou reconversão do perfil profissional. As medidas de carácter preventivo prendem-se com a necessidade de implementar mecanismos de planeamento destinados prevenir um fluxo exagerado de diplomados em áreas pouco expressivas em termos de oferta de emprego e a fomentar a formação em áreas para as quais a procura se mantém consistente e não é satisfeita. 38 Obviamente, e é preciso afirmá-lo claramente, a promoção da empregabilidade não pode equacionar a criação de cursos tendo apenas por referência uma lógica de emprego. Com efeito, uma formação superior pode ser interessante para o mercado de trabalho, mesmo sem ser concebida como um formação para uma ocupação profissional particular. Nem sempre a satisfação das necessidades imediatas de emprego corresponde aquilo que é exigido pelas necessidades de desenvolvimento do país. Hoje, a afirmação das IES como instituições de qualidade não poderá ignorar a importância da competitividade dentro e fora do país em que estão inseridas. Não poderá ignorar também a necessidade de criar cursos atractivos para as comunidades em que se inserem. O interesse posto nesta dimensão levou a que, por exemplo, se considere a possibilidade de a Europa poder vir a tornar-se um centro de estudos bastante atractivo para estudantes dos PALOP e América Latina. Qualquer curso de nível superior deverá considerar objectivos de empregabilidade apresentando-se, aos olhos do empregador, como constituído por um plano de competências a desenvolver e um plano de estudos relevante na área científica de emprego em causa, e, estar ao mesmo tempo acreditado por uma estrutura oficial. Verificamos que em Portugal, o processo de avaliação e reconhecimento da qualidade e a acreditação dos cursos existentes são aspectos bastante negligenciados. Contudo, considerar objectivos de empregabilidade implica também ter em conta projecções para os anos futuros de pessoal diplomado nas mais diferentes áreas, as quais infelizmente tardam em ser disponibilizadas. Refira-se ainda que neste contexto de empregabilidade apenas pode significar preparação ou formação inicial para uma profissão, não estando em causa a exigência de um perfil completo e acabado para o exercício duma profissão. Torna-se assim necessário garantir aspectos de empregabilidade no novo design dos cursos de ensino superior. Tem que ser suficientemente generalista dentro de uma área científica, na sua fase inicial (1º Ciclo) para não comprometer a possibilidade de o diplomado poder optar por conduzir a sua formação na direcção de uma sub - área similar ou de uma sub-área mais específica. Ainda assim, o 1º ciclo proporcionará empregabilidade geral imediata, de acordo com legislação adequada, e proporcionará uma empregabilidade mais especializada, se apostar na continuidade da formação. As medidas de ampliação ou reconversão do perfil profissional, destinadas a diplomados ou licenciados do ensino superior, com prioridade para os desempregados, poderão contemplar diferentes iniciativas como a criação de módulos complementares à 39 formação inicial, capazes de, mediante um alargamento de competências, assegurar perfis completos para o exercício de uma profissão, em grande parte dos casos sob a forma de sub-especializações. Deverão ser concebidas medidas para que estas sub especializações possam ser criadas num regime de colaboração entre as IES e as entidades empregadoras ou ordens profissionais. Por fim, a inserção no mercado de trabalho sairá melhorada com o apoio a medidas de acompanhamento e orientação vocacional, tendo por referência as necessidades das entidades empregadoras e as necessidades de desenvolvimento do país. As medidas de orientação vocacional deverão ser contempladas nos Gabinetes de Apoio Psicológico ao Aluno, onde esta valência poderá adequadamente coexistir com a valência pedagógica e clínica. 1.2.1.2. Factores Críticos Para a resolução do problema do desemprego dos diplomados não se tem podido contar com o efeito auto-regulador das leis do mercado, nem do crescimento económico. Considerando a dimensão do problema, espera-se do estado a implementação de políticas activas de emprego através de programas e medidas específicas para apoiar a inserção destes profissionais, como forma de compensar também o disfuncionamento que decorre da falta de planeamento em torno das necessidades de formação, em função da procura do mercado de trabalho, por um lado, e das necessidades de desenvolvimento do país por outro. Alguns problemas decorrem do modelo de desenvolvimento e emprego de quadros técnicos jovens. Perante o problema central do aumento do desemprego de licenciados nos últimos anos várias questões emergem, relacionadas com o número de licenciados, com as áreas de formação e com a capacidade de absorção do mercado de trabalho dos recursos e conhecimento disponível. A comparação com países mais desenvolvidos mostra-nos que a nossa percentagem de licenciados é mais baixa, tanto em termos globais, como nas áreas científicas e tecnológicas. De acordo com números de 2002, a população portuguesa em idade activa como Ensino Superior era apenas de 9%, sendo de 29% na média da OCDE. Reportando-nos a números de 2001, apenas 16,8 % do total dos detentores do Ensino Superior em Portugal o tinha feito em Ciência (5,1%) ou em Engenharia 40 (11,7%), sendo de 25,7% a média da UE15 (11,1% em Ciência e 14,6% em Engenharia). A opção que tem sido seguida no nosso país em termos de modelo de desenvolvimento, não tem apostado suficientemente na requalificação de quadros, havendo demasiada contemplação com as baixas qualificações e os baixos salários, não se valorizando, ao mesmo tempo, suficientemente o conhecimento e competências disponíveis. Trata-se de algo que se tem verificado no sector privado, mas que se vem verificando também no sector público, com o desinvestimento nas instituições de I&D. 1.2.1.3 Realizações Necessárias As realizações a pôr em prática carecem de enquadramento em políticas de inserção no mercado de trabalho. Das medidas que têm vindo a ser postas em prática, merece destaque o programa Formação para Desempregados Qualificados (FORDESQ) promovido pelo IEFP o qual terá atingido em 2004 cerca 9 mil pessoas e constitui um bom exemplo do tipo de medida a apoiar. Da medida Formação de Activos Qualificados (FORDESQ) (IEFP, 2004 a), dirigida a desempregados com habilitações de nível superior, espera-se o incremento da formação de base, através da aquisição de novas competências em domínios com capacidade para gerar emprego, como é o caso da Gestão empresarial de micro e médias empresas, Qualidade, Ambiente, Urbanismo, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, Tecnologias de Informação e Comunicação, Marketing e Publicidade, Planeamento da Produção, Concepção e desenvolvimento de novos produtos e Logística. A avaliação de acompanhamento desta medida, permite concluir pelo sucesso relativo da mesma. No que toca aos abrangidos pela mesma, somente 23% estava a trabalhar e 64% não encontrou emprego 3 meses após o fim do programa. As principais razões apontadas para a dificuldade em obter emprego são a falta de emprego na região (23%) e a falta de emprego na área de formação académica (37%). Da leitura destes dados depreendem-se não apenas dificuldades claras a nível da oferta do mercado de emprego, mas também a desadequação da formação ministrada ao nível da formação superior, razões que actuam como justificações para as dificuldades de inserção ou reinserção profissional. A importância do FORDESQ, dirigido exclusivamente a diplomados do Ensino Superior (83% licenciados e 17% bacharéis), maioritariamente mulheres (77%) com 41 mais de 25 anos (68%), também fica patente na possibilidade de aquisição de novos conhecimentos, novas competências, reforço das adquiridas e aumento das oportunidades de emprego, tendo correspondido também às expectativas da maioria dos participantes (68%). Foi possível apurar que 25% dos que encontraram emprego eram professores do Ensino Básico e Secundário, não se conhecendo as percentagens relativas a outras profissões, devido à exiguidade das respostas obtidas. Porém, a precariedade é extremamente elevada, pois 72% não conseguiu mais que um contrato a termo certo e 12 % ficou em regime de prestação de serviços. Da avaliação ainda incipiente desta medida fica claro que, ao colocar os jovens em contacto com o mundo do trabalho, consegue promover em certa medida o sucesso em termos do emprego subsequente. O maior limite encontrado tem a ver com a precariedade dos contratos laborais conseguidos. A este fenómeno não serão alheios alguns aspectos como: • obtenção de mão-de-obra a baixo custo por parte das entidades beneficiárias destas medidas; • dificuldades ao nível do acompanhamento e controlo da aplicação das medidas por parte do IEFP. Outras medidas de referência a apoiar e reforçar: • Inserção de Mestres e Doutores nas empresas (Agência de Inovação); • Programa Contacto (ICEP); • Programa Quadros (IAPMEI). Estes programas abrangeram 1206 pessoas entre 1997 e 2004. • Programa de reconversão de licenciados desempregados de longa duração (MCES, Setembro de 2004), com 1564 vagas para formação em instituições do ensino superior público e privado; • Inov – Jovem: Jovens Quadros para a Inovação das PME (em fase de regulamentação). Pretende inserir mil jovens em PME, em diferentes áreas. Contudo, considerando os recursos instalados e a experiência de formação das IES, estas deverão ser chamadas a desempenhar um papel mais activo na concepção 42 deste tipo de acções, em articulação com outras instituições como o IEFP. A elegibilidade destas acções deverá mesmo depender desta participação. Assim, para além do reforço às medidas apontadas, devem ser consideradas linhas de apoio às IES, para que possam participar no esforço de reconversão e requalificação dos desempregados diplomados do Ensino Superior. 1.2.2 Melhorar a inserção no mercado de trabalho – estágio profissional Num esforço de harmonização, entre as competências teóricas e técnicas, é importante que seja dado aos recém diplomados do Ensino Superior a possibilidade de complementarem a sua formação com a prática das organizações, no sentido de verem facilitado o seu ingresso no mercado de trabalho. Assim sendo, é importante que as IES continuem a apostar em estabelecer protocolos com instituições do tecido económico, cultural e social que se responsabilizarão em receber os estagiários por períodos de duração variável que podem ir de 3 meses a 1 ano. Esta estratégia deve ser articulada com programas de incentivo ao 1º emprego. Ao mesmo tempo não são de descurar os estágios curriculares, como forma de assegurar um contacto precoce com as instituições de trabalho e garantir uma vertente profissionalizante para a formação quer esta seja de 1º ou 2º ciclo. 1.2.2.1 Metas / Resultados a Alcançar A melhoria da inserção no mercado de trabalho consegue-se com base na valorização de alguns aspectos da oferta de formação por parte das IES: Valorização das dimensões profissionalizantes, reforço da parceria escola / empresa e da empregabilidade, aprendizagem ao longo da vida – educação/formação da população adulta e melhoria das condições infra – estruturais e da qualidade da formação. Especificamente, a inserção no mercado de trabalho sairá melhorada com o apoio a medidas de conducentes à criação de estágios curriculares e /ou profissionais, com base em protocolos com instituições empregadoras. 1.2.2.2 Factores Críticos A ausência de planeamento, a que não é alheia a desresponsabilização do Estado, tendo em conta a inacção de sucessivos Governos, levou a uma proliferação desenfreada de cursos que conferem habilitações para funções desprovidas de interesse 43 para o sistema produtivo, ou desprovidas de interesse social, ou para o desenvolvimento do país. A falta de interesse de grande parte dos projectos de formação, reside no facto de não contemplarem uma vertente prática, aplicada ou profissionalizante, em correspondência com perfis profissionais esperados, por parte da sociedade em geral ou do sector produtivo em particular. Como resultado deparamo-nos com falta de profissionais em algumas áreas (e.g. enfermeiros e médicos) e o excesso noutras, alimentando de forma abundante o desemprego e o sub – emprego. Constata-se assim um amplo desequilíbrio entre a oferta e a procura, traduzido na determinação daquela sobre esta, sendo obviamente desejável o contrário. 1.2.2.3. Realizações Necessárias Os Estágios Profissionais (IEFP, 2004b) constituem uma medida posta em prática também sob a alçada do IEFP e terá atingido já cerca de 16 mil pessoas. Espera-se do programa Estágios Profissionais, criado em 1997 e dirigido a desempregados com habilitações de nível superior e nível intermédio, um contributo para a inserção de jovens na vida activa, complementando uma qualificação anteriormente adquirida, com uma formação prática em contexto laboral. É de salientar que este programa exclui os estágios curriculares dos cursos, e excluiu até Março de 2005 os estágios destinados à aquisição de uma habilitação profissional obrigatória para o acesso ao exercício de uma profissão, como o regulado pelas ordens profissionais. A avaliação de acompanhamento desta medida, permite concluir pelo seu sucesso. No 1º semestre de 2004, 71% dos desempregados28, encontravam-se empregados 3 meses após o fim do programa, estando ainda 24% no desemprego. As principais razões apontadas para a dificuldade em obter emprego são a falta de emprego na região (32%) e a falta de emprego na área de formação académica (20%), continuando presente a desadequação entre a formação e oferta de trabalho. A importância destes Estágios fica patente na aquisição de experiência profissional e exercício de uma actividade, correspondendo às expectativas da maior parte dos participantes. Estes (76%), consideram que a medida foi determinante para a aquisição de emprego, o que está de acordo com o facto de grande parte ter ficado na entidade ou empresa em que o estágio foi realizado. Os dados não permitem isolar os 28 Fonte: IEFP. Os dados englobam todos os níveis de formação previstos no âmbito do programa, todavia, 64% têm habilitações de nível superior. 44 licenciados dos restantes, mas permitem ficar com a ideia de que ocorreram mudanças profissionais entre os participantes para profissões mais qualificadas ou mais ricas em conhecimento. Ainda assim convém não exagerar os efeitos dos Estágios, pois a precariedade mantém-se substancial, já que dos ex-estagiários, 49% conseguiu um contrato a termo certo, 17% ficaram como prestadores de serviços, e, apenas 34% conseguiram um contrato sem termo. Da avaliação decorrente desta medida verifica-se ainda que, esta ao promover o contacto dos jovens com o mundo do trabalho, consegue potenciar o sucesso em termos do emprego subsequente. O maior limite encontrado tem a ver também com a precariedade dos contratos laborais conseguidos. Teremos de considerar aqui também alguns aspectos influentes como a obtenção de mão-de-obra a baixo custo por parte das entidades beneficiárias destas medidas e as dificuldades ao nível do acompanhamento e controlo da aplicação das medidas por parte do IEFP. Fica patente a importância do estágio na sequência da habilitação académica, em colaboração com as eventuais entidades empregadoras, para a qualificação, requalificação e obtenção de emprego. Todavia, algo poderá ser feito ainda durante a formação académica. Contactos pontuais com o mundo do trabalho, em colaboração com as diferentes instituições de produção e serviços, poderão dar um contributo significativo para uma qualificação que facilite a obtenção de emprego. Para tal deverão ser criadas linhas de apoio às IES para a implementação destas medidas. 45 REFERÊNCIAS – Desígnio I AMARAL, A M.S.C. (2003) – Consolidação da Legislação do ensino superior. Cipes, Fundação das Universidades Portuguesas. ALONSO, L.(2004) – Competências Essenciais no Currículo: Que Práticas nas Escolas? In A.F. Cachapuz I.S.Chaves, F.Paixão.(orgs) Saberes Básicos de Todos os Cidadãos no Sec. XXI, Actas de seminário realizado em 11 de Março de 2004 Lisboa, Conselho Nacional de Educação. CACHAPUZ, A. F., CHAVES, I.S., e PAIXÃO, F.(orgs) (2004) – Saberes Básicos de Todos os Cidadãos no Sec. XXI, Actas de seminário realizado em 11 de Março de 2004. Conselho Nacional de Educação. CANÁRIO, R. (1998) – Gestão da Escola: Como Elaborar o Plano de Formação? 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B: Programmes not designed They are often nort significantly more class into of further education programmes. to lead directly to ISCED 5A advanced than programmes at ISCED 3 These programmes are often or 5B. These programmes lead Vocational: but they serve to braden the knowledge of designed for students who directly to the labour market or which prepares participants participants who have already completed a have other ISCED 4 programmes for direct entry, without programme at level 3. The students are although a formal ISCED level further tipically older than those in ISCED 3 3 qualification may not be specific programmes. required for entry. Successful completion of ISCED 4 programmes typically gave a The duration of between 6 months and 2 years. programmes completed level 3, Education training, into occupations. such programmes leads to a second type are of nationally labour-market considered as upper secondary programmes, even though entrants to theses programmes will have typically already completed secondary another programme relevant vocational qualification. upper (i.e. second-cycle programmes). 53 2. DESÍGNIO II: Construir o espaço europeu de ensino superior O processo de Bolonha tem como objectivo principal a construção de um Espaço Europeu do Ensino Superior. Este espaço, que se pretende seja uno, coeso, harmónico, competitivo e atractivo, inclusive para o mundo não europeu, tem como objectivos genéricos a promoção da mobilidade e empregabilidade dos graduados, tornando uma realidade a livre circulação dos cidadãos e o efectivo reforço da competitividade, a nível internacional, do Ensino Superior europeu. Efectivamente, a Declaração de Bolonha permitiu um “alinhamento voluntário” das políticas nacionais, por parte dos governos, transferindo para a esfera europeia questões que eram do âmbito nacional. Santos Silva et al. (2005:27). Com a Declaração de Bolonha preconiza-se uma importante mudança nos paradigmas de formação, centrando-a na globalidade da actividade e nas competências que os jovens devem adquirir, e projectando-a para várias etapas da vida de adulto, em necessária ligação com a evolução do conhecimento e dos interesses individuais e colectivos. Através do Decreto-Lei nº42/2005, de 22 de Fevereiro, foram aprovados em Portugal os princípios reguladores de instrumentos para a criação do espaço europeu de ensino superior e o Despacho nº 10543/2005, de 11 de Maio, estabelece as normas técnicas para a apresentação das estruturas curriculares e dos respectivos planos de estudos. Reichert e Tauch (2005) apresentam a situação dos países membros da UE no que concerne ao estado de implementação das reformas decorrentes da Declaração de Bolonha. Dependendo do país, a reestruturação dos planos de estudos encontra-se em diferentes fases de desenvolvimento. Quase todos os países já tinham implantado a formação em dois ciclos no final de 2004. Apenas uma minoria de IES aguardava instruções mais precisas por parte dos governos em relação aos aspectos operacionais do sistema. Esta era a situação de Portugal, Espanha e Suécia. Tauch refere que o conceito de modularização tem uma enorme variedade de interpretações. Enquanto um número substancial de IES declaram que os planos de estudo já se encontram modularizados (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Hungria, Noruega, Holanda, Roménia, Suécia e Turquia), outras (Portugal, Espanha, França e Suiça) iniciaram o processo mediante a introdução de semestres que substituíram o ano académico como unidade de referência. As instituições portuguesas envolvidas no estudo foram a Universidade de Aveiro, a Universidade do Algarve e a Universidade de Coimbra. É- 54 nos difícil alcançar o significado de “processo mediante a introdução de semestres”. Do que se conhece, além da legislação acima referida, as reformas necessárias nas IES portuguesas ainda estão por acontecer. À data, apenas a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro têm o Suplemento ao Diploma certificado. A preparação dos novos planos de estudos30 devem ser centrados no estudante e as IES devem prever que, dada a maior flexibilidade desejável no novo paradigma educativo, o estudante precisará de maior apoio e tutorização para decidir o itinerário de formação que mais lhe convém. O conceito de modularização tem aplicação na nova Licenciatura em Medicina da UBI, iniciada em 2001, com a organização do curriculum em módulos de integração de conteúdos, o que leva ao desaparecimento das fronteiras artificiais entre conteúdos de cadeiras. Por outro lado, nesta Faculdade, a utilização de metodologias centradas na aprendizagem, colocam o aluno no centro do processo, responsabilizando-o pela pesquisa da informação necessária ao cumprimento dos objectivos definidos. Neste sentido, o Professor/Tutor assume um papel de orientador da aprendizagem em tutorias com pequeno número de alunos. A definição de objectivos de aprendizagem nos domínios do conhecimento, das habilidades e aptidões clínicas e das atitudes, a contextualização das aprendizagens com a prática clínica e o desenvolvimento de um processo de avaliação adequado aos objectivos, permite aos alunos a aquisição das competências básicas necessárias a um Licenciado em Medicina. Com os recursos actualmente existentes na maioria das IES é praticamente impossível estabeler serviços adequados de tutoria e de apoio aos estudantes, quer por falta de cultura organizacional, quer por deficiências na formação pedagógica e metodológica do pessoal docente, quer por falta de espaços de trabalho adaptados à nova realidade educativa (espaços para horas de contacto, bibliotecas e salas de estudo, laboratórios). Além do aumento no número de horas de tutoria e de contacto com os estudantes, é necessário informar, debater e formar31 os professores para a aprendizagem centrada no aluno. As reformas de Bolonha têm subjacente o elevado padrão da qualidade no ensino. Se por um lado elas estão associadas a assuntos relacionados com a docência, 30 Segundo aqueles autores, de modo geral, os cursos de pós-graduação têm um potencial desaproveitado pelas IES para ocupar um lugar estratégico na educação superior e sugerem que, ao desenvolver novos planos de estudos, os aspectos de internacionalização e interdisciplinares sejam potenciados. 31 A título de exemplo, a Licenciatura em Medicina da UBI conta com o Gabinete de Educação Médica cujo propósito central é a formação de professores. 55 também se levantam desafios à melhoria da qualidade da investigação dês envolvida e à formação de novos investigadores. Instituições e o Governo têm de se articular para garantir que a melhoria da qualidade da docência não prejudique a qualidade da investigação, isto é, garantir que uma e a outra se reforcem mutuamente. Adicionalmente, a implantação das estruturas de dois ciclos, que normalmente está relacionada com a modularização e o sistema ECTS, também acarreta muito mais trabalho para a gestão e administração das IES, veja-se a necessária actualização dos procedimentos académicos e dos sistemas informáticos e a correspondente formação do pessoal administrativo. O artº18º e seguintes do Decreto-Lei nº42/2005 dão uma pequena ideia das mudanças a implementar no futuro próximo, só no que se refere à correspondência de escalas para efeito da comparabilidade das classificações. Em Portugal, apesar do compromisso assumido pelos Governos em por em marcha as reformas necessárias, ainda não foi disponibilizado qualquer financiamento extra às IES para cobrir os gastos decorrentes da reforma. As IES na Alemanha, Bélgica (flamenga), Espanha, Estónia, Finlândia, Irlanda, Letónia, Holanda, Noruega e Suiça contam com financiamento adicional do Estado para as reformas em curso (Reichert e Tauch, 2005; p.85-86). O Programa do XVII Governo Constitucional estabelece quatro finalidades da política para o sector no período 2005-2009. Uma delas é a concretização do processo de Bolonha e outra é a promoção da qualidade no sistema de ensino superior. Aquele Programa refere o seguinte: O elemento mais importante do Processo de Bolonha é a concepção dos cursos superiores na lógica da aquisição de competências. A transição de um sistema de ensino baseado na ideia da transmissão de conhecimentos para um sistema baseado no desenvolvimento de competências é a questão crítica central, em toda a Europa e com particular expressão em Portugal, dados os altíssimos valores de abandono e insucesso que aqui se verificam. No sentido de favorecer essa transição, a importância da dimensão pedagógica no desempenho docente será reforçada, na revisão do Estatuto da Carreira Docente, e criado um sistema de contratos-programa com as instituições, para a aplicação de medidas pedagógicas necessárias. Acresce que a reforma do sistema de Ensino Superior se inscreve na execução do próprio Plano Tecnológico. Torna-se premente que o Estado honre os compromissos assumidos através dos instrumentos de financiamento adequados à concretização das reformas. Isto é, espera- 56 se que os compromissos e prioridades estabelecidas em matéria de Educação e Formação, nomeadamente no que se refere ao Ensino Superior, se manifestem aquando da alocação dos fundos estruturais. Segundo Reichert e Tauch (op.cit.) mesmo nos países onde as reformas já estão em curso, os intervenientes declararam que seria necessário mais tempo para as implementar cabalmente. Portugal parte, assim, duma situação duplamente desvantajosa. A este respeito, torna-se pertinente fazer menção aos resultados da ordenação de IES de todo o mundo (Liu e Cheng, 2005). Perante os critérios estabelecidos32 foram consideradas mais de 2000 instituições, aproximadamente 1000 foram ordenadas e os resultados publicados referem-se às 500 que figuram no topo da lista. Apesar das limitações metodológicas deste tipo de comparações, os resultados expõem uma realidade profundamente adversa às IES portuguesas. Entre as 20 instituições no topo da lista encontram-se apenas 2 europeias (Univ. Cambridge, Univ. Oxford) e todas as restantes são dos EUA. Entre as 100 instituições no topo há 37 europeias, 55 americanas (51 dos EUA e 4 do Canada) e 8 asiáticas. Portugal conta com 1 instituição (Univ. Lisboa) entre as 500 posições publicadas, situando-se no 472º lugar. O Brasil tem 1 instituição nas 200 primeiras posições, 3 nas 400, e 4 nas 500. A Espanha figura com 1 instituição nas 200 primeiras da lista, 4 nas 400 e 9 nas 500. A Grécia conta com 2 instituições entre as 400 do topo. Entre as primeiras 100 instituições europeias não se encontra qualquer portuguesa. Está a esgotar-se o tempo útil para tomar as medidas necessárias e incorporar efectivamente as mudanças decorrentes d processo de Bolonha nas actividades académicas e científicas. Para que as IES se tornem competitivas no Espaço Europeu é absolutamente necessário que os seguintes objectivos gerais sejam levados por diante. • Promover as condições de natureza organizacional, estrutural e metodológica; • Promover o sucesso escolar no Ensino Superior; • Favorecer a cooperação inter-institucional. 32 Incluem constructos como a qualidade da educação (10%), a qualidade da faculdade (40%), resultados de investigação (40%), desempenho face à dimensão da instituição (10%). 57 2.1 Promover as condições de natureza organizacional, estrutural e metodológica A expansão do ingresso no Ensino Superior observada nos últimos 30 anos traduziu-se por um crescimento extraordinário do número de alunos a frequentar as instituições. No início da década de 70, os alunos das IES eram aproximadamente 60 mil e no ano lectivo 2003/4 eram 390 mil, não incluindo os alunos matriculados em cursos de pós-graduação. Estes números traduzem a democratização do acesso ao Ensino Superior, o que alguns colegas têm classificado de massificação. Com tal democratização também aumentou a heterogeneidade da população discente, quer quanto ao perfil e trajectória escolar, quanto às regiões de proveniência ou à origem socio-económico-cultural, entre outros. A diversidade dos alunos não é compatível com a uniformização com que são ensinados – planos curriculares, conteúdos e métodos pedagógicos. Talvez daqui a origem do termo massificação. Entre os factores de insucesso escolar discutidos em Santos Silva et al. (2005), encontra-se latente o efeito da massificação. Segundo o Eurydice & Eurostat (2005; p.147) tendo por referência o ano de 1998, a taxa de crescimento anual33 registada em Portugal em 2002 foi de 113%. A tabela 2.1 lista os países europeus por ordem decrescente deste indicador. A análise permite constatar que, face à situação estrutural do nosso país, o crescimento nos últimos anos é modesto quando comparado com o verificado nos países parceiros. A concretização das propostas deste documento, em especial as referentes ao Desígnio I, ajudarão a melhorar a posição do país. A democratização do acesso assentou fundamentalmente na criação de lugares discentes, com preocupação insuficiente pela qualidade da formação, tendo como resultado a situação actual de performance do sistema – elevada taxa de abandono, principalmente nos primeiros anos, e de retenção. No estudo sobre (in) sucesso escolar (Almeida, 2002; p.105) a abordagem dos principais factores explicativos recai sobre conceitos ou processos fortemente interdependentes: aprendizagem, ensino e avaliação. O autor menciona “com eles, pretendemos, desde logo, co-responsabilizar alunos, professores e instituição académica pelo problema em apreço”. 33 O indicador é calculado pela razão entre o nº de alunos matriculados no ano e o nº de alunos matriculados no ano de referência, multiplicando o resultado por 100. 58 Sobre o mesmo assunto e referindo-se aos resultados visíveis do insucesso escolar através da avaliação externa dos Tabela 2.1 Crescimento (1998-2002) do Ensino Superior na Europa Taxa de crescimento País EU-25 116 LU 162 RO 161 PL 160 LV 157 terão ficado poucas dúvidas do esforço que importa fazer no que LT 154 respeita ao aperfeiçoamento pedagógico dos docentes. De realçar que SI 146 IS 143 EL 141 docentes no decorrer do processo de avaliação… No fundo, o que está EE 141 em jogo é a progressiva tomada de consciência dos docentes de que HU 139 SE 136 SK 135 CY 133 cursos de graduação das universidades portuguesas Cachapuz (2000; p.56) diz o seguinte: Para quem teve o cuidado de ouvir atentamente os alunos envolvidos, tal necessidade foi-me frequentemente expressa pelos próprios leccionar no ensino universitário não é aquela actividade trivial que muitos julgam ser.” CZ 132 MT 126 IE 123 UK 116 FI 114 de 1 PT 113 NL 112 Julho (para o pessoal docente do ensino superior politécnico), em NO 108 DK 107 ES 105 BE 104 DE 103 FR 100 IT 99 AT 90 BG 88 LI : A formação pedagógica e metodológica dos docentes de Ensino Superior está acautelada nos estatutos da carreira docente, Decreto-Lei nº 448/7934 de 13 de Novembro (para o pessoal 35 docente do ensino universitário) e Decreto-Lei nº185/81 fase de revisão. No que diz respeito à formação inicial dos docentes universitários, o estatuto atribui ao professor catedrático a função de coordenação da orientação pedagógica e científica de uma disciplina, de um grupo de disciplinas ou de um departamento e explicita na alínea c) do nº1 do artº5º que também a ele compete “coordenar, com os restantes professores do seu grupo ou departamento, os programas, o estudo e aplicação de métodos de ensino e investigação relativos às disciplinas desse grupo ou departamento”. O artº81º referente à formação e orientação de assistentes e assistentes estagiários prevê que estes sejam permanentemente orientados na sua actividade docente por professores anualmente designados para o efeito pelo conselho científico da escola. Também o acesso à categoria de assistente pode concretizar-se pela aprovação em provas de aptidão pedagógica e capacidade científica destinadas a averiguar a competência pedagógica e a profundidade dos conhecimentos científicos dos assistentes estagiários. 34 35 Com as alterações introduzidas por treze diplomas posteriores. Com as alterações introduzidas por quatro diplomas posteriores. 59 No que se refere ao ensino politécnico, o nº5 do artº3º atribui ao professorcoordenador a coordenação pedagógica, científica e técnica das actividades docentes e de investigação compreendidas no âmbito de uma disciplina ou área científica e na alínea c) reforça-o com a seguinte redacção: “Supervisar as actividades pedagógicas, científicas e técnicas dos professores-adjuntos e assistentes da respectiva disciplina ou área científica”. O artº37º estipula que os assistentes são permanentemente orientados por professores designados para o efeito pelo conselho científico. A prática mostra que o benefício resultante desta estrutura de formação de docentes não resistiu à massificação do sistema. Por outro lado, face à rapidez das mudanças sociais, educativas, tecnológicas, e à necessidade dos próprios professores catedráticos e coordenadores participarem em ALV, o modelo previsto nos estatutos da carreira entrou em desuso. Conhecendo as dimensões estruturais da figura do professor do Ensino Superior será possível orientar a sua formação numa perspectiva de ALV e no âmbito do seu desenvolvimento profissional. Patrício (2002, p.75) estabelece as seguintes dimensões estruturais: • a científica; • a pedagógica e didáctica; • a investigativa; • a publicista; • a comunitária; • a cultural; • a humana. Entre estas dimensões, aquelas que correntemente são contempladas para o ingresso e progressão na carreira docente são a científica, a investigativa e a publicista. O curso de doutoramento prepara os docentes na dimensão científica e da investigação, mas no quadro do Espaço Europeu do Ensino Superior, o grau de doutor não é mais do que a condição inicial para a carreira de professor do Ensino Superior. Quanto ao desenvolvimento das restantes componentes, tem ficado sob a responsabilidade individual fazê-lo ou não, escolher o meio e a forma. Ora os indicadores de desempenho do Ensino Superior português são bem elucidativos quanto à premência de tomar medidas adequadas para alterar a situação, nomeadamente no que se refere à formação pedagógica dos docentes. 60 De referir que um vector estratégico consagrado no Plano Tecnológico é precisamente o de “estimular novos processos de ensino/aprendizagem no ensino superior, implementando o Processo de Bolonha”. Para o que pretende adaptar os diversos diplomas legais a tal objectivo. Configura-se assim a necessidade de dar continuidade à formação de professores do Ensino Superior segundo duas tipologias: a formação avançada, através do financiamento de doutoramentos, e, de modo inovador em Portugal, instituir a formação pedagógica, didáctica e metodológica, por exemplo, a partir de uma análise de casos de boas práticas (dentro e fora do país). Finalmente, para que as mudanças prementes nas IES tenham sucesso é necessário adaptar os espaços de ensino ao novo paradigma do “ensino centrado no aluno”, criar espaços de estudo, por exemplo bibliotecas, e espaços para trabalho em pequenos grupos de tal forma que os objectivos da Declaração de Bolonha sejam completamente atingidos. Nestes termos, propõe-se como objectivo específico melhorar o ambiente de aprendizagem. 2.1.1 Formação pedagógica / Inovação no ensino-aprendizagem Sob o título “inovação no ensino e aprendizagem, o memorando para ALV (COM, 2000) estabelece esta mensagem-chave cujo objectivo é o desenvolvimento de métodos efectivos de ensino e aprendizagem e contextos para o continuum da ALV. A selecção dos professores no Ensino Superior, tradicionalmente, faz-se entre os melhores alunos, ou seja, entre universitários com experiências e aptidões ajustadas às exigências do trabalho universitário, mas muito afastadas do que é usual encontrar no estudante (Pedrosa, 2002; p.15). Tal contribui, parcialmente, para a existência de um desajustamento entre as expectativas dos professores em relação às competências e características dos alunos. 2.1.1.1 Metas / Resultados a Alcançar Face ao anteriormente exposto sobre a inexistente formação pedagógica dos docentes do Ensino Superior deve promover-se este tipo de formação dirigido à totalidade dos seus docentes. Com este objectivo pretende-se envolver 100% de docentes do Ensino Superior em actividades regulares de formação pedagógica. Assim, o pacote de formação contínua de cada IES deve ser financiado se as iniciativas de formação forem regulares 61 e obrigatórias para todos os seus professores. Os objectivos devem ser a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem pelo que as propostas de conteúdos devem reflectir a preocupação com o sucesso escolar e a obtenção de melhores resultados. Os moldes de realização devem ser interdisciplinares, interdepartamentais e/ou interinstitucionais. Cada instituição deve conceber um sistema de monitorização ou auto-avaliação do seu plano de formação contínua. 2.1.1.2 Factores Críticos Antevêem-se três tipos de constrangimento: (1) falta de cultura organizacional que estimule e motive os professores para participar em actividades de formação contínua e mudar a sua prática docente; (2) escassez de recursos humanos e materiais para desenvolver e manter programas de formação contínua dirigidos aos docentes do Ensino Superior e com impacto no ensino-aprendizagem; (3) falta de conhecimento/competências sobre formação pedagógica e metodológica no Ensino Superior. 2.1.1.3 Realizações Necessárias Urge a valorização da componente pedagógica, como forma de promover o desenvolvimento e inovação no ensino-aprendizagem, com recurso à formação pedagógica/didáctica/metodológica dos docentes, sem descurar a formação dirigida para a superação de situações típicas de insucesso. É importante realizar estudos de caso – boas práticas – de valorização da dimensão pedagógica na actividade docente, da natureza dos saberes e competências requeridas, bem como da tipologias de formação. Oportuna será também a revalorização das dimensões pedagógica e didáctica para o efeito da progressão na carreira docente, a qual pode ser enquadrada quer no sistema de acompanhamento dos resultados no âmbito de auto-avaliação de IES, quer no estatuto das carreiras docentes do ensino superior. Valerá a pena considerar a implementação de gabinetes de educação ou formação para o ensino, enquadrados no âmbito das competências de uma pró-reitoria. 62 2.1.2 Estimular a formação avançada Já anteriormente foi defendido neste documento que, hoje em dia, o curso de doutoramento constitui a principal via para a formação inicial dos docentes do Ensino Superior. As estatísticas referentes à evolução do número de doutoramentos realizados e reconhecidos em Portugal nos últimos anos mostram uma tendência de crescimento acentuado, tal como pode ser observado no gráfico 2.1. Gráfico 2.1 Evolução do número de doutoramentos em Portugal, 1992-2002 Número de doutoramentos 900 800 700 600 500 Realizados 400 Reconhecidos 300 200 100 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 0 Fonte: OCES, 2005. O pessoal docente do ensino universitário é, talvez, o grupo que mais tem beneficiado dos programas de formação avançada co-financiados pelo Fundo Social Europeu nos últimos anos. Porém, não dispomos, à data, de dados ou estatísticas que o traduzam. O estudo “Evolução da qualificação do pessoal docente do ensino superior universitário público: 1993 a 2003” (OCES, 2004) refere o seguinte quanto à Metodologia adoptada: Na ausência de uma recolha sistemática da informação estatística referente à qualificação do pessoal docente do ensino superior, procedeu-se a uma estimativa36 assente nos pressupostos adiante descritos. Consideraram-se titulares do grau de doutor todos os professores (catedráticos, associados e auxiliares) integrados na carreira. […] Consideraram-se titulares do grau de mestre todos os assistentes integrados na carreira. As tabelas 2.2. e 2.3 contêm os dados disponibilizados pela DGES e pelo OCES relativamente à caracterização do pessoal docente das IES públicas, quanto ao 36 O sublinhado é da nossa responsabilidade. 63 grau académico, e respectiva população discente. Os ratios apresentados sugerem alguns critérios a serem considerados aquando da definição de prioridades para atribuição do financiamento. 2.1.2.1. Metas / Resultados a Alcançar A continuidade do programa de formação avançada deve contribuir para que, em 2013, 100% dos docentes do ensino superior universitário de carreira sejam detentores do grau de doutoramento e 50% para os docentes do ensino superior politécnico. 2.1.2.2. Factores Críticos Inexistência de estatísticas actualizadas relativamente à qualificação do pessoal docente do ensino superior não público. 2.1.2.3. Realizações Necessárias Urge proceder à actualização das estatísticas mencionadas no item anterior para viabilizar o estabelecimento de metas e sua quantificação, bem como a proposta de indicadores de acompanhamento/avaliação. Dar continuidade ao programa de formação avançada no que se refere aos cursos de doutoramento mas de forma integrada no plano de formação, que contemple a formação inicial e contínua, de cada IES. 64 Tabela 2.2 - Grau académico dos docentes das Universidades públicas e população discente Instituição [3] Nº alunos Inscritos(c) [4] Nºalunos inscritos 1º ano 1ªvez(c) [5] NºDoutores(a) NºMestres(a) Nºdocentes (b) [1] [2] [1]/[3]*100% [4]/[1] [5]/[1] UNIVERSIDADE DE LISBOA 1061 294 1605 17413 4379 66% 16,4 4,1 UNIVERSIDADE DO ALGARVE 228 67 337 3876 914 68% 17,0 4,0 UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA 1217 293 1734 20877 4690 70% 17,2 3,9 UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA 783 252 1204 13997 3427 65% 17,9 4,4 UNIVERSIDADE DE AVEIRO 478 163 708 8560 2235 68% 17,9 4,7 UNIVERSIDADE DOS AÇORES 156 54 247 2817 822 63% 18,1 5,3 UNIVERSIDADE DO PORTO 1283 339 1960 24153 5730 65% 18,8 4,5 UNIVERSIDADE DE COIMBRA 850 258 1411 19215 3898 60% 22,6 4,6 UNIVERSIDADE DE ÉVORA 333 182 570 7741 1525 58% 23,2 4,6 UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR 210 156 404 5149 1169 52% 24,5 5,6 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA 247 197 541 6276 1271 46% 25,4 5,1 182 136 394 5621 1416 46% 30,9 7,8 UNIVERSIDADE DO MINHO 477 279 1120 14985 3225 43% 31,4 6,8 UNIVERSIDADE DA MADEIRA 78 43 176 2580 696 44% 33,1 8,9 UNIVERSIDADE ABERTA 97 57 177 10006 3298 55% 103,2 34,0 TOTAL 7680 2770 12588 163266 38695 61% 21,3 5,0 (a) Grau académico dos docentes do Ensino Superior, 2004, DGES (b) Evolução, por categorias, do pessoal docente do Ensino Superior, 2003/4, OCES (c) Alunos inscritos no ano lectivo 2004/5, OCES 66 Tabela 2.3 - Grau académico dos docentes dos Institutos Politécnicos públicos e população discente Instituição UNIVERSIDADE DO ALGARVE ( ENS. POLIT) UNIVERSIDADE DE AVEIRO ( ENS. POLIT) INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA INSTITUTO POLITÉCNICO DO CÁVADO E DO AVE INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA INSTITUTO POLITÉCNICO DE PORTALEGRE INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR TOTAL NºDoutores(a) NºMestres(a) Nºdocentes (b) Nº alunos Nºalunos inscritos [1] [2] [3] Inscritos(c) [4] 1º ano 1ªvez(c) [5] 38 12 17 6 73 41 76 27 50 119 24 134 28 54 43 46 23 811 193 82 146 31 184 184 254 151 223 372 88 460 161 254 166 208 103 3260 355 153 245 70 466 345 672 270 598 967 209 967 292 493 271 436 259 7068 4696 2758 2840 1447 4793 4064 8171 3181 8670 12264 2954 13965 3426 6029 2993 5600 3348 91199 839 585 562 292 913 784 1278 567 1729 1985 557 2261 620 1218 651 1154 672 16667 [1]/[3]*100% [4]/[1] 11% 8% 7% 9% 16% 12% 11% 10% 8% 12% 11% 14% 10% 11% 16% 11% 9% 11% 124 230 167 241 66 99 108 118 173 103 123 104 122 112 70 122 146 112 (a) Grau académico dos docentes do Ensino Superior, 2004, DGES (b) Evolução, por categorias, do pessoal docente do Ensino Superior, 2003/4, OCES (c) Alunos inscritos no ano lectivo 2004/5, OCES 67 [5]/[1] 22 49 33 49 13 19 17 21 35 17 23 17 22 23 15 25 29 21 2.1.3 Melhorar o ambiente de aprendizagem A implementação das reformas decorrentes da Declaração de Bolonha e preconizadas no Decreto-Lei nº42/2005 impõe novas necessidades em termos das condições de infra-estruturas e de equipamento. Tal como o diploma refere, nesta nova concepção, “o estudante desempenha o papel central, quer na organização das unidades curriculares, cujas horas de contacto assumirão a diversidade de formas e metodologias de ensino mais adequadas, quer na avaliação e acreditação, as quais considerarão a globalidade do trabalho de formação do aluno, incluindo as horas de contacto37, as horas de projecto, as horas de trabalho de campo, o estudo individual e as actividades relacionadas com a avaliação, abrindo-se também a actividades complementares com comprovado valor formativo artístico, sócio-cultural ou desportivo.” Este entendimento do que deve ser o modo de trabalhar no ensino superior vai ao encontro da percepção de pedagogia universitária descrita por Dias (2002, p.70) e que seguidamente se apresenta: A pedagogia universitária não é a do ensino mas a da investigação, não é a da aula, mas a do laboratório, ou se quisermos, é a da aula quando esta é transformada em laboratório de pesquisa ou em gabinete de investigação. Verifica-se quando o professor se despe da postura professoral ou magistral de quem sabe, e assume perante os alunos a atitude humilde de quem não sabe, e está consciente de que anda à procura e convida os alunos a participar nessa tarefa: “eu ando a investigar este assunto; vocês querem associar-se a mim nesse trabalho?” As instalações e apetrechamento das IES não estão em concordância com a nova concepção do ensino superior. Na óptica da explicação causal do (in)sucesso, Isabel Alarcão (2000) mostra o peso real dos diferentes factores, a partir de uma sistematização dos mesmos. Esta autora considera que são de considerar as más condições físicas, as turmas demasiado grandes, a falta de instrumentos de trabalho, falta de coordenação, insuficiente funcionamento dos conselhos pedagógicos, má integração institucional dos alunos, desconhecimento de regras, deveres e direitos, inexistência ou insuficiência dos serviços de apoio ao aluno, má clarificação do que se espera do aluno, falta de espaços de estudo, incapacidade de prestar atenção aos alunos com maiores dificuldades. Esta listagem ficará sem dúvida mais completa se considerarmos as insuficiências de ordem 37 De acordo com o diploma, “horas de contacto” define-se como o tempo utilizado em sessões de ensino de natureza colectiva, designadamente em salas de aula, laboratórios ou trabalhos de campo, e em sessões de orientação pessoal do tipo tutorial. 68 administrativa. Bedéis organizados com mais eficácia na relação com professores e alunos, secretariados mais eficientes libertando de vez os professores de actividades administrativas comezinhas e secretariados pedagógicos capazes de apoiar os professores em âmbitos como a concepção de documentos pedagógicos e sua reprodução ou disponibilização on-line, ou ainda na pesquisa de medidas de financiamento e instrução de candidaturas, terão seguramente um reflexo, no mínimo indirecto, na melhoria das condições de ensino e aprendizagem. 2.1.3.1 Metas / Resultados a Alcançar Adaptação e alargamento de infra-estruturas, nomeadamente salas de estudo, laboratórios, bibliotecas. 2.1.3.2 Factores Críticos Caracterização de infra-estruturas da rede não disponível, o que inviabiliza, à data, estabelecer o tipo de intervenção necessária no horizonte 2007-2013. 2.1.3.3. Realizações Necessárias Proceder ao estudo rigoroso do estado/natureza das instalações e equipamentos disponíveis nas IES públicas e, em sequência desenvolver o estudo prospectivo das necessidades de espaços e equipamentos face ao plano de desenvolvimento de cada IES público; Concretização das adaptações e alargamento diagnosticados necessários. 69 2.2 Promover o sucesso escolar no Ensino Superior O insucesso escolar no ensino superior representa um problema assumido politicamente com a publicação do Despacho 66599 de 5 de Abril de 1999, onde se solicita às IES o desenvolvimento de estudos e intervenções com vista à sua superação. Para além de outras, traduz-se em duas manifestações facilmente objectiváveis: a dificuldade em concluir os cursos no tempo previsto para a sua conclusão e o abandono escolar. Vários têm sido os esforços para caracterizar o problema, estando já disponíveis os resultados de diferentes estudos que nos mostram a importância relativa das variáveis envolvidas, embora se fique com a sensação de não haver um aproveitamento sistemático desses resultados para fundamentar medidas de promoção do sucesso. De acordo com Tavares & Santiago (2000), há muito que os factores de sucesso ou insucesso são conhecidos, associados à pessoa de alunos e docentes, às condições institucionais e ao curriculum. A promoção do sucesso escolar exigiria consideração de todos esses factores de forma integrada e coerente. Todavia, antes valerá a pena operacionalizar a noção de insucesso escolar como variável dependente. Operacionalização da noção de insucesso De acordo com L. Almeida (2002) valerá a pena considerar um sentido estrito e um sentido amplo quando falamos de insucesso, dadas as implicações ao nível da acção. • Sentido restrito (ou escolar): contempla aspectos particulares do insucesso enquadrado em cursos e/ou disciplinas, habitualmente nos primeiros anos com maior incidência no âmbito das ciências exactas e engenharias, a dificuldade em concluir os cursos no tempo previsto38, as elevadas taxas de abandono, com a correspondente baixa nas percentagens de conclusão. • Sentido amplo (ou académico): às componentes do sentido restrito convirá acrescentar o insucesso manifestado em termos pessoais e sociais, na obtenção e adaptação a uma actividade profissional, ou na insuficiente formação cívica e ética, indispensável a uma eficaz integração sócioprofissional, e à participação na vida da comunidade. 38 “… suplantando em mais que um ano a media geral dos anos necessários à conclusão” (Almeida, 2002, p.104) 70 Desempenho pedagógico dos professores do ensino superior Alguns estudos têm mostrado a relação entre o insucesso escolar e o desempenho pedagógico dos docentes do ensino superior. Assim, uns estudos sugerem como causa para o insucesso escolar a forma como são transmitidos os conteúdos e o nível de compreensão alcançado (Tavares, Santiago e Lencastre, 1998), e outros apontam para uma relação entre o comportamento do professor e a motivação do aluno para prosseguir ou não os seus estudos (Gonçalves, 2000). Num estudo para caracterizar os factores responsáveis pelo sucesso e insucesso dos alunos do primeiro ano das licenciaturas em Ciências e Engenharias da Universidade de Aveiro. Tavares, Santiago e Lencastre (1998), falam de uma descontinuidade pedagógica a que são submetidos os alunos que ingressam pela primeira vez na universidade ao serem submetidos a novos ritmos de trabalho com novas exigência em termos cognitivos. Estes aspectos associados à transição seriam acompanhados por insuficiências nos métodos de ensino, desinvestimento do problema por parte dos professores e falta de acompanhamento dos alunos por parte de estruturas especializadas no domínio psicológico, vocacional e pedagógico. Aspectos emocionais associados à transição para o ensino superior A consideração deste factor surge em função do elevado nível de insucesso constatado nos primeiros anos, principalmente no primeiro, que poderá ficar a dever-se, pelo menos em parte, às exigências emocionais das vivências associadas à transição. Neste sentido são apontadas as exigências emocionais associadas à transição brusca para um ambiente de liberdade e autonomia, a frustração derivada da não colocação na primeira escolha, o ambiente impessoal das turmas enormes, a preocupação com o futuro, relativamente sombrio no que toca a saídas profissionais. No estudo de Tavares, Santiago e Lencastre (1998) é assumida a transição para o ensino superior como uma descontinuidade em relação às experiências educativas anteriores, sendo as manifestações dessa descontinuidade apreciáveis no domínio psicológico, pedagógico /didáctico e institucional. Para o aluno, a mudança resultante desta descontinuidade é suficiente para influenciar as suas expectativas e motivação podendo mesmo implicar mudanças nos projectos vocacionais de cada um. Os dados apresentados relativos a factores de insucesso não são exaustivos. 71 Outros investigadores para além dos referidos têm desenvolvido trabalho relevante nesta matéria, como é o caso de Almeida (2002) que também refere factores associados ao aluno, ao professor, ao currículo e contextuais / institucionais. O que nos permite afirmar que dispomos de dados colhidos a partir da realidade nacional suficientes para fundamentar linhas de acção destinadas a promover o sucesso. Assim, sem prejuízo de uma melhor categorização parece-nos necessário prever as medidas que a seguir se apresentam de acordo com os objectivos específicos formulados. 2.2.1 Melhorar a interface entre Ensino Secundário e Ensino Superior Feita a delimitação conceptual prévia, questão que se coloca tem a ver com a necessidade de considerar as variáveis ou factores associados ao fenómeno do insucesso escolar no Ensino Superior. Desempenho obtido nos níveis de ensino anteriores Há diversos estudos a sustentar que o desempenho escolar obtido pelos alunos nos níveis de ensino anteriores é uma das variáveis pessoais que constitui um dos melhores preditores do sucesso académico no primeiro ano do Ensino Superior. Concretamente, o rendimento no Ensino Secundário permite predizer o rendimento escolar encontrado no Ensino Superior (Cosme, 2004; Miranda e Marques, 1996; Ting e Robinson, 1988). São de referir ainda os estudos que constatam que são cada vez maiores as limitações das competências dos alunos que atingem o ensino superior. Apesar da unanimidade verificada em torno destes dados, não podemos esquecer que a determinação do fenómeno está longe de ser linear, dependendo de múltiplos factores, como veremos adiante, o que nos deve fazer evitar qualquer mecanismo atributivo perverso que coloque a responsabilidade, exclusivamente no Ensino Secundário, por não preparar adequadamente os alunos, ou no Ensino Superior por não se mostrar capaz de ajudar a superar os limites apresentados pelos alunos que ingressam no primeiro ano curricular. 72 O curriculum Para além dos factores associados à pessoa do aluno e do docente entretanto mencionados valerá a pena a referência a uma outra categoria de factores nem sempre valorizada suficientemente: o curriculum. Numa sistematização acerca dos factores de insucesso escolar Alarcão (2000) tem em conta esta categoria, concedendo-lhe o mesmo estatuto que concede ao aluno, professor ou à instituição. Inclui nela factores como: o desajuste entre níveis de ensino, a falta de bases, a insuficiência de recursos didácticos, a má organização de horários e calendários de testes, falta de flexibilidade curricular, falta de articulação vertical e horizontal, deficiente integração teoria e prática e demasiado tempo dispendido em avaliações. 2.2.1.1 Metas / Resultados Alcançar No que concerne a este objectivo específico impõe-se a consideração das variáveis de acesso dos alunos, possibilitando uma melhor adaptação destes na transição para o ensino superior, mediante a possibilidade de em ISCED 4 fazerem a recuperação em áreas disciplinares necessárias a uma eficaz integração nos planos de estudo do que desejam prosseguir. A melhoria da interface entre Ensino Secundário e Ensino Superior sairá beneficiada com uma maior integração e coerência curricular entre os diferentes níveis de ensino, assegurando em cada nível as competências prévias necessárias ao nível seguinte. Esta linha de acção considera-se básica, e levada às últimas consequências obrigaria a estender a reflexão a todos os níveis de ensino. 2.2.1.2 Factores Críticos Pese embora a autonomia prevista para as IES, as actuais condições de organização e financiamento não permitem a tomada de iniciativas como a referida na meta anterior, sem o recurso a medidas específicas de apoio. No que concerne à integração e coerência entre diferentes níveis de ensino, embora se conheçam as linhas de continuidade a que devem obedecer os programas, fruto do individualismo tem caracterizado o exercício da actividade docente, não tem havido a necessária comunicação entre os docentes e as instituições responsáveis por cada nível, de forma a garantir em cada nível os conhecimentos e competências necessárias ao bom desenvolvimento dos níveis seguintes. 73 2.2.1.3 Realizações Necessárias De acordo com o que se acaba de referir, será oportuna a criação de medidas de apoio à implementação da formação em ISCED 4, aproveitando a experiência e know how das IES. Justifica-se também uma linha de apoio destinada a promover acções destinadas a melhorar a integração curricular entre áreas disciplinares. 2.2.2 Promover a adaptação dos alunos ingressados A expansão dos últimos 30 anos do ensino superior é um facto sem paralelo na história de Portugal, cuja revolução intelectual, social e cultural não encontra comparação com nenhum outro sector da sociedade. Em 1985 a taxa bruta de escolarização na faixa etária 20-24 anos era de 15% para um número aproximado de 100.000 estudantes matriculados no ensino superior (na década de 70 essa taxa não ultrapassava os 5%), em 1997 ultrapassa pela primeira vez a fasquia dos 40% fixandose hoje (2004) nos 48,4%.39 Tabela 2.4 – Matriculados e taxa bruta de escolarização superior na faixa etária 20-24 anos Ano População na faixa etária 20/24 anos Matriculados por ano civil Taxa bruta de escolarização na faixa etária 20-24 anos 2000 779.920 374.173 48,0% 2001 768.059 386.314 50,3% 2002 755.947 393.088 52,0% 2003 744.779 393.790 52,9% 2004 732.386 354.420 48,4% Fonte: DGES/DSAS, 2004 O número de estudantes matriculados e a expressão social que representa é também de fazer notar. Hoje os mais de 350.000 estudantes de formação graduada, transformam o panorama do ensino superior, numa força de trabalho que irá qualificar, em grande medida, todos os sectores produtivos da sociedade portuguesa (população entre os 20-24 anos de 650.259 jovens residentes em Portugal)40 . De referir que, não obstante continuar em vigor o regime de numerus clausus, é a partir do ano de 2001 que se dá a inversão da procura face à oferta, ou seja, a existência pela primeira vez de mais vagas do que candidatos ao ensino superior.41 Parece estar longínquo o ano de 1995 39 Cf, DEGESUP/ME, O Ensino Superior em Portugal, Editorial do Ministério da Educação, Lisboa, 1999. INE,GE/ADS – Estimativas e projecções de população residente segundo o sexo e por grupos quinquenais. 41 Cf, Medina, Fernando, 10 anos de Acção Social no Ensino Superior - Contributos e Reflexões, DGES/DSAS, Lisboa, 2004. 40 74 com 80.009 candidatos ao ensino superior público, e 34.306 vagas oferecidas pelas IES Públicas.42 Tabela 2.5 – Vagas, candidatos e colocados no ensino superior público Anos Vagas Candidatos Colocados 2000 46.965 52.596 40.100 2001 48.229 47.550 36.381 2002 48.468 48.758 38.379 2003 45.357 43.776 36.077 2004 46.057 44.096 37.568 Fonte: DGES/DSAS, 2004 Mas o percurso para a entrada no ensino superior parece repercutir problemas que se desenvolvem anteriormente. Veja-se por exemplo, o percurso feito pelos estudantes através do ensino secundário. Ao analisarmos a distribuição de alunos matriculados no ensino superior, por modalidade de ensino e a via acesso dos estudantes que ingressam no ensino superior, constata-se que 83,3% ingressa no ensino superior por via dos cursos gerais. O acesso por “vias não tradicionais” (ensino profissional, formação de adultos, reconhecimento de competências, etc.) varia, nos restantes países europeus, entre os 3% e os 9%. Em Portugal representa cerca de 7%. Exceptua-se a Irlanda, com 18%43. Tabela 2.6 – Alunos matriculados no ensino secundário, por modalidade de ensino (em percentagem) Modalidade de ensino 54,7 Cursos tecnológicos Ensino artístico especializado Profissional Qualificante 16,0 0,7 9,6 0,2 Ensino recorrente Total Fonte: GIASE/Ministério da Educação, 2004 42 43 % Cursos gerais 18,8 100,0 DGES/Direcção de Serviços do Acesso, 2004. Eurostudent Report 2005, Social and Economic Condictions of Student life in Europe, Hannover, HIS, 2005. 75 Tabela 2.7 – Via de acesso ao ensino superior por tipo de instituição de ensino (em percentagem) Tipo de instituição de ensino Via de acesso Público universitário Público politécnico Particular e cooperativo 88,8 76,4 81,7 83,3 6,7 16,8 7,9 9,9 1,2 2,5 4,0 2,4 0,4 1,6 2,6 0,2 100,0 1,8 4,3 2,4 0,1 100,0 1,9 5,9 3,8 0,7 100,0 1,2 0,0 2,9 0,3 100,0 Total Cursos gerais Sub - total Cursos tecnológicos Sub - total Ensino recorrente Curso geral Curso técnico Sub - total Outra Via ad - hoc Total Fonte: DGES/CIES, 2005 Não obstante as razões para uma determinada escolha de instituição/curso, são os recursos económicos e educacionais das famílias de origem, os factores que mais contribuem para o ingresso no ensino superior (exemplos contrários, de maior igualdade social de oportunidades, encontram-se, de acordo com os dados do Eurostudent 2005, na Irlanda, na Espanha, na Finlândia e na Holanda). É também em Portugal (Eurostudent 2005) onde se observa maior preponderância de escolaridades elevadas dos pais dos estudantes na comparação com o segmento etário correspondente da população total. Tabela 2.8 – Níveis de escolaridade do grupo doméstico de origem dos estudantes do ensino superior e comparação com a sociedade portuguesa (em percentagem) Níveis de escolaridade do grupo doméstico de origem Total População portuguesa 40-60 Anos Superior 35,8 9,8 Secundário 16,4 8,9 Básico 3 13,0 10,0 Básico 2 12,9 8,8 Básico 1 22,0 62,5 Fonte: DGES/CIES, 2005 Não obstante todos os condicionalismos que Portugal demonstra face ao problema da escolarização dos jovens portugueses (…) “o extraordinário desenvolvimento do ensino superior em todos os países da Europa conseguiu-se, em parte, graças ao fomento sustentado de políticas de acção social escolar concebidas e executadas com algum rasgo e muita determinação. Com efeito, tais políticas evoluíram de um primeiro objectivo de contribuir para a democratização do acesso, para se 76 centrarem, num segundo momento, no incremento do desempenho individual dos estudantes, e, para passarem ultimamente a agregar o imperioso objectivo de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino.44 Todas as propostas feitas ao longo deste documento têm como pressuposto basilar a necessidade de continuar a expandir o sistema e alargá-lo a novos públicos, melhorar a qualidade do ensino-aprendizagem e promover a equidade do sistema. Foi anteriormente referido que a maior taxa de insucesso e abandono no ensino superior verifica-se nos primeiros anos e defendeu-se que medidas especiais são necessárias para promover a adaptação ou integração desses alunos. O artº11º do regime jurídico do desenvolvimento e da qualidade do ensino superior (Lei nº1/2003, de 6 de Janeiro) menciona a necessidade do Estado, através de um sistema de acção social do ensino superior, assegurar o direito à igualdade de oportunidades de acesso, frequência e sucesso escolar, pela superação de desigualdades económicas, sociais e culturais. Por outro lado, o Decreto-Lei nº129/93 e diplomas posteriores que regem a acção social no Ensino Superior estabelecem o modelo de funcionamento dos serviços para assegurar a equidade necessária ao ensino superior no espaço europeu. Tabela 2.9 – Despesa pública em acção social escolar e em bolsas de estudo Ano Despesa pública em ASE Despesa pública em bolsas de estudo % em bolsas 1999 105.261.676 79.989.226 76% 2000 129.308.992 81.779.393 63% 2001 130.454.292 84.249.364 65% 2002 160.683.211 71.063.334 44% 2003 132.782.960 78.360.708 59% 2004 152.569.554 88.977.344 58% Fonte: DGES/DSAS, 2004 Apesar dos esforços e realizações dos últimos anos, é necessário manter o apoio ao sistema de acção social, nomeadamente no que se refere à construção de cantinas e residências em pólos estudantis com elevada proporção de alunos deslocados. 44 Justino, Elsa, Silva Pereira, Joaquim, in Amaral, Alberto, Avaliação, Revisão e Consolidação da Legislação do Ensino Superior, CIPES, 2003, pág. 330 77 Tabela 2.10 – Estimativa de alunos deslocados por NUT em percentagem NUT II % Alunos Deslocados Norte Centro LVT Alentejo 59,8% 75,8% 35,0% 76,8% Algarve Ilhas 67,6% 48,1% Fonte: DGES/DSAS, 2004 [estimativa feita através Média da % dos bolseiros deslocados/bolseiros do Ano] Pelas taxas de ocupação das residências existentes, constata-se que existe uma grande procura, mas que nem sempre há oferta disponível. Mais de 50% da ocupação das residências para estudante é alcançada por estudantes de fracos recursos (conceito de bolseiro da acção social = estudante economicamente carenciado), constituindo este recurso, com baixo custo para o estudante (55 €/para os bolseiros) um meio muito importante para que estes permaneçam no ensino superior e também se autonomizem. O ingresso dos estudantes economicamente carenciados deve ser apoiado através da atribuição de uma bolsa de instalação, a ser atribuída no acto da inscrição da IES. Tal ajudará o aluno a fazer face às despesas iniciais de instalação e aquisição de material didáctico, viabilizando-lhe a participação nas actividades lectivas desde o primeiro dia de aulas. Muitos dos alunos economicamente carenciados vêem-se impossibilitados até ao recebimento da bolsa de acção, que ocorre aproximadamente em Novembro – passados dois meses depois das aulas terem início. Tabela 2.11 – Dados globais sobre disponibilidades do alojamento por NUT Nº NUT CAMAS Nacional Norte Centro LVT Alentejo Algarve Ilhas 13.133 3.722 4.718 2.563 1.198 599 333 N.º de Bolseiros deslocados 29.910 8.643 12.816 4.490 2.359 782 820 Camas existentes/ Bolseiros Deslocados Taxa de Ocupação das camas por Bolseiros Taxa de Ocupação das camas pelos restantes alunos não bolseiros Taxa de ocupação Global 44% 43% 37% 57% 51% 77% 41% 68% 63% 79% 57% 71% 57% 59% 26% 31% 15% 35% 29% 43% 28% 95% 94% 95% 93% 100% 99% 87% Fonte: DGES/DSAS, 2004 78 As 13.133 camas existentes não são em número suficiente para cobrir toda a procura potencial dos 29.910 estudantes bolseiros deslocados. Muito embora os estudantes bolseiros tenham primazia na atribuição de alojamento, existem outros estudantes, que não sendo bolseiros, também necessitam de alojamento, nomeadamente, do alojamento disponibilizado pelo Estado a preços controlados. Tabela 2.12 – Número de Camas a construir com base nas disponibilidades e nos bolseiros deslocados Bolseiros Nº Nº Bolseiros População deslocados/ NUT Camas Camas Deslocados Escolar População Necessárias Escolar Nacional Norte Centro LVT Alentejo Algarve Ilhas Fonte: DGES/DSAS, 2004 13.133 3.722 4.718 2.563 1.198 599 333 29.910 8.643 12.816 4.490 2.359 782 820 243.316 66.790 65.778 81.414 13.486 9.143 5.254 12% 13% 19% 6% 17% 9% 16% 16.777 4.921 8.098 1.927 1.161 183 487 2.2.2.1 Metas / Resultados a Alcançar A acção social em Portugal deverá evoluir no sentido de incentivar a autonomia dos estudantes, incentivando e facilitando a integração de estudantes com práticas de trabalho remunerado e num quadro de formação ao longo da vida. O alargamento dos apoios disponíveis deverá ponderar a diversificação das fontes de financiamento, que nos restantes países, ao contrário de Portugal, não se esgota no esforço financeiro do Estado, nomeadamente na forma de apoios reembolsáveis, e de práticas de trabalho remunerado. O grande esforço de investimento em infra-estruturas deverá estar concentrado na passagem de 5% para 9% de camas disponíveis em residência de estudantes, ou seja, a construção ou reabilitação de um parque de infra-estruturas de alojamento com capacidade para 20.000 estudantes no total. 2.2.2.2 Factores Críticos A contribuição das famílias portuguesas para as despesas de frequência dos estudantes a frequentar o ensino superior é proporcionalmente superior à verificada na generalidade dos países Europeus. Para os estudantes que residem com os pais, 86% recebe algum apoio financeiro da família, sendo equivalente a uma média de 281€/mês. Cerca de 55% dos estudantes permanecem em casa dos pais durante os seus estudos e apenas 4% estão em residências de estudantes. 79 Portugal é, também, o país europeu onde a proporção de estudantes com tempo de trabalho remunerado é menor (20%). Comparativamente, na Holanda praticamente todos (91%) os estudantes contribuem para o pagamento das despesas de frequência através de rendimentos do trabalho remunerado. Em Portugal 24% dos estudantes do ensino superior público são apoiados pelo Estado, o que representa um valor semelhante ao registado noutros países, como na Alemanha e Espanha. 2.2.2.3 Realizações Necessárias Um dos principais meios para promover a integração dos estudantes com algum tipo de insucesso ou de distorção no planeamento vocacional é o financiamento para a consolidação/criação de gabinetes de apoio psicopedagógico, com a dupla função de apoiar os estudantes e de proporcionar o estudo sistemático e endógeno do problema do insucesso. A segunda realização fundamental deverá ser uma aposta no alojamento e alimentação para estudantes, não só através da construção de residências e cantinas, mas também através do incentivo à criação de soluções com o mercado de arrendamento, das parcerias público/privadas e do incentivo à reabilitação dos centros históricos através do financiamento de acções integradas entre autarquias e IES. Atribuição de subsídios de instalação aos alunos economicamente carenciados ingressados. Para o apoio à autonomização do estudante através de práticas de trabalho a tempo parcial, mas remunerado, deveria ser criada uma bolsa de emprego financiado para acções integradas dentro dos estabelecimentos de ensino superior, nomeadamente para a monitorização de actividades desportivas, actividades culturais ou de apoio a programas ou acções de desenvolvimento da cultura humanista. Também as actividades desportivas deveriam ser integradas num programa nacional para a prática do desporto lazer e como incentivo à educação para a saúde, também, através, da construção de infra-estruturas desportivas. 80 2.3 Favorecer a cooperação inter-institucional A internacionalização crescente do ensino e da investigação, e as questões relacionadas com a acreditação para fins profissionais, requer das IES as adaptações necessárias em termos de estruturas, programas de estudos e métodos de gestão, como condição para que as IES portuguesas possam aumentar a atractividade e se mantenham competitivas. Por forma a afirmarem-se de forma vantajosa num contexto cada vez mais globalizado as IES devem criar e participar activamente em redes de cooperação tanto nacionais como internacionais. Neste sentido torna-se decisivo que concretizem os seguintes objectivos específicos: • Desenvolvimento de cursos de mestrado e de doutoramento em rede; • Promover a mobilidade de estudantes e professores; • Desenvolver programas de investigação comuns. 2.3.1 Desenvolvimento doutoramento em rede de cursos de mestrado e de Uma das inevitabilidades das IES face ao novo quadro de desafios que as convoca (da criação do Espaço Europeu de Ensino Superior, às tendências de contracção demográfica), será o de criarem e participarem activamente em redes de cooperação tanto nacionais como internacionais. A planificação da rede de Ensino Superior em Portugal, como é conhecido, não teve em conta aquelas realidades, pelo que se torna muito importante definir estratégias alargadas que, permitindo racionalizar as instituições, garantam a sua sustentabilidade com elevados patamares de qualidade. Devem ser perseguidas lógicas de complementaridade e de especialização, na perspectiva de uma cooperação e de obtenção de sinergias, sem prejuízo, naturalmente, da manutenção dos níveis de autonomia de cada uma das instituições. No estudo Trends IV,45 Sybille Reichert e Christian Tauch referem o aumento do nível de interesse, por parte das IES de vários países europeus, desde o estudo Trends III, em relação à criação de graus académicos conjuntos.46 45 Reichert e Tauch, Trends IV: European Universities Implementing Bologna, 2004, www.eua.be. “O estudo Trends III tinha revelado que o nível de interesse em Graus Conjuntos entre os Conselhos de Reitores e os Ministros era ‘médio a baixo’. Aparentemente, isto mudou para melhor na maior parte dos países, talvez devido à influência do programa Erasmus Mundus. Os níveis de interesse aumentaram e parece provável o crescimento da oferta de Graus Conjuntos nos próximos anos.” Reichert, Tauch, ibidem, ponto 2.5, p.15. 46 81 As conclusões de Reichert e Tauch são corroboradas por um outro estudo da EUA, incidindo especificamente sobre programas conjuntos de Mestrado promovidos por aquela associação, e, mais especificamente ainda, sobre os respectivos benefícios e obstáculos em matéria de certificação de qualidade e reconhecimento, de experiência e mobilidade dos estudantes e de integração e sustentabilidade do currículo – e que atribui tal aumento de interesse “à referência explícita feita ao desenvolvimento de graus conjuntos pelos Ministros da Educação nas suas Declarações de Bolonha, Praga e Berlim”, bem como “ao lançamento antecipado do Programa da Comissão Europeia Erasmus Mundus”. 47 Este último estudo aponta, como benefícios dos programas conjuntos de Mestrado – e que podemos pensar como extensíveis aos programas conjuntos em geral – os seguintes: i) Para o estudante: favorecimento de novas maneiras de pensar, enriquecimento em termos de novas oportunidade culturais, desenvolvimento das capacidades linguísticas, experimentação de novos métodos de aprendizagem, aumento da consciência da cultura europeia, extensão do conhecimento social e tecnológico paneuropeu, aproveitamento de novas oportunidades de emprego e enriquecimento dos CV; ii) Para os Professores: alargamento das oportunidades de desenvolvimento profissional fora do contexto nacional, cooperação com académicos a nível internacional, aumento dos contactos para investigação, exploração de complementaridades nos métodos de ensino e aprendizagem, integração entre ensino e investigação em áreas especializadas, confronto com outras tradições académicas e culturais; iii) Para as Instituições: informação sobre as políticas e as práticas existentes noutras instituições e países europeus, visibilidade em termos de cooperação inter-IES, potenciação das capacidades através da sinergia com outras instituições, criação (ou aumento) de uma reputação internacional, atracção de estudantes de outras instituições, nacionais e não nacionais; iv) Para a Europa: aceleração da implementação das reformas de Bolonha, no que se refere a cada um dos seus objectivos, satisfação das necessidades profissionais da Europa, contribuição para a retenção dos melhores estudantes europeus, atracção de estudantes não europeus, favorecimento da cooperação com instituições não europeias, desenvolvimento da cidadania europeia e do entendimento inter-cultural.48 47 EUA, Developing Joint Masters Programmes for Europe. Results of the Eua Joint Masters Project March 2002 - Jan 2004, 2004, 1, p. 8, www.eua.be. 48 EUA, 5.1, pp. 12-3. 82 A implementação de graus académicos conjuntos tem um potencial (ainda desaproveitado) para a construção de um Espaço Europeu do Ensino Superior, ao impulsionar a cooperação entre as instituições europeias. 2.3.1.1 Metas / Resultados a Alcançar Promover a titularização conjunta dos cursos de 2º e 3º ciclo em Portugal. Este objectivo justifica-se para a racionalização de recursos (na óptica da procura e da oferta) de formação e, também, para o posicionamento estratégico no âmbito do Espaço Europeu do Ensino Superior. Um dos desafios que as IES têm de defrontar é o de trabalharem em colaboração e retirarem o máximo partido dos seus pontos fortes com o objectivo de satisfazer as necessidades europeias académicas e profissionais. Os novos planos de cursos de pós-graduação devem ocupar um lugar estratégico na educação superior e devem contemplar dimensões de internacionalização. 2.3.1.2 Factores Críticos O aumento de interesse por graus conjuntos é, no entanto, contrariado por aquele que é considerado, de forma generalizada, como um dos maiores problemas à implementação dos “graus conjuntos”: o da certificação/acreditação da qualidade, que não é fácil de assegurar em relação aos programas transnacionais,49 nem sequer aos programas nacionais face ao actual sistema de criação e funcionamento dos cursos de pós-graduação. 2.3.1.3 Realizações Necessárias Financiamento de cursos conducentes à titularização conjunta e sujeitos à avaliação externa num quadro legal a definir. 49 Cf. Reichert, Tauch, ibidem. Note-se que já em relação ao Programa Sócrates/Erasmus se têm vindo a colocar problemas deste género. 83 2.3.2 Promover a mobilidade de estudantes e professores A mobilidade transnacional na educação, o seu reforço e melhoria qualitativa estão a assumir um papel cada vez mais importante na modernização dos sistemas de educação e formação na Europa, de tal forma que estas questões foram incorporadas no programa de trabalho “Educação e Formação 2010”, que constitui a vertente para a educação e formação da Estratégia de Lisboa.50 Num outro documento da Comissão Europeia é referido que a mobilidade na educação é um elemento integrante da liberdade de circulação das pessoas e um dos principais objectivos da acção da União Europeia no domínio da educação (COM, 2005; 0179, de 23.9.2005). Esta apresenta-se como uma das principais dimensões, se não mesmo a mais concreta e produtiva, para a construção de uma cidadania europeia que se deseja mais participada e mais activa. Por outro lado, a construção de um autêntico espaço europeu do conhecimento e da aprendizagem que seja atractivo para os seus cidadãos e para o resto do mundo, continua a ser um enorme desafio e a exigir que se criem instrumentos de apoio à concretização da mobilidade europeia de estudantes e professores (Com, 2004, 21 final, de 23.01.2004). Como estímulo à mobilidade, a Comissão Europeia criou, dentro do Programa Sócrates, a Acção Erasmus que permite a criação de condições favoráveis à mobilidade tanto de estudantes como de professores. Aos estudantes é-lhes permitido beneficiar, do ponto de vista linguístico, cultural e educativo, do contacto com outros países europeus e com os respectivos sistemas de ensino, nas suas áreas de estudo. Aos professores élhes proporcionado a oportunidade de valorização pessoal e profissional. Desde o seu lançamento, mais de um milhão de estudantes beneficiaram da Acção Erasmus51 e cerca de 12 000 professores participaram todos os anos em acções de mobilidade (Com, 2003, 58 final, de 05.02.2003). Esta adesão será potenciada pela implementação de alguns instrumentos criados para assegurar o reconhecimento das competências obtidas em IES de outros Estados-Membros, nomeadamente o Sistema ECTS (European Credit Transfer System) e o Suplemento ao Diploma. O Sistema ECTS constitui um dos instrumentos mais relevantes da política europeia de evolução do paradigma formativo ao permitir a transferência transparente de créditos e a sua 50 Ministério da Educação, Ministério do Trabalho e da Solidariedade e Ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 2005. 51 Em 2002, esta Acção deu apoio à mobilidade de cerca de 115 000 estudantes, o que representa perto de 1% do total da população anual total de estudantes do ensino superior na Europa (Com, 2004, 21 final, de 23.01.2004). 84 acumulação progressiva.52 O Suplemento ao Diploma, previsto na Declaração de Bolonha, permite garantir a transparência e reconhecimento internacional de qualificações para fins académicos e profissionais, uma vez que nele é descrita a natureza, o contexto e o conteúdo dos programas curriculares realizados pelo titular.53 As acções de mobilidade que se têm verificado a nível dos docentes assenta principalmente em redes temáticas interuniversitárias que actuam como grupos de reflexão sobre o futuro ou o desenvolvimento das suas disciplinas (Com, 2003, 58 final de 05.02.2003). 2.3.2.1 Metas/Resultados a Alcançar Considerando que nos Estados-membros da EU, a percentagem de estudantes nas IES, provenientes de outros países, se situa ligeiramente acima dos 2%, e ainda que a mobilidade nos meios académicos portugueses anda perto dos 0,97%54, propõe-se para o nosso país um aumento no número de estudantes em mobilidade transnacional, em níveis que permitam igualar estes valores referenciados como participação média da EU. No que diz respeito à mobilidade de professores propõe-se que haja uma maior aposta entre as IES pertencentes aos diferentes Estados-membros nesta dimensão e que sejam dadas condições para que os docentes se possam envolver neste tipo de acções. 2.3.2.2 Factores Críticos O número relativamente baixo de experiências de mobilidade transnacional na educação é, geralmente, atribuído aos diversos obstáculos que prejudicam e até inibem essa mobilidade (Com, 2004, 21 final, de 23.01.2004). Apontamos aqui algumas dificuldades que podem estar a ser factores inibidores e que merecem uma acção consertada em direcção á sua resolução. Um dos factores de bloqueio à mobilidade na educação, no que diz respeito aos estudantes, é a falta de competências linguística dos participantes. Aos que optam por, no âmbito da Acção Erasmus, ir para determinada IES, deve-lhes ser garantida a 52 Decreto-Lei nº 42/2005, de 22 de Fevereiro. Ibidem. 54 Esta percentagem foi obtido comparando o número de estudantes em cursos de ensino superior no ano lectivo 2003/2004 (OCES, 2004) com o número de estudantes em mobilidade no estrangeiro que para o mesmo ano lectivo é de 3803 (Agência Nacional para os Programas Sócrates e Leonardo da Vinci:Programa Sócrates, Guia de Estudantes Erasmus, 2004 – www.socleo.pt). 53 85 formação linguística adequada para que possam participar plenamente nas actividades académicas. Existem também obstáculos de natureza jurídica e administrativa, como sejam os que se prendem com as autorizações de residência e protecção social. Os estudantes dos países da União Europeia não necessitam de uma autorização de residência para entrar em Portugal, salvo se a sua estadia for superior a 90 dias (Com, 2003, 58 final, de 05.02.2003). A nível da mobilidade de professores pode apontar-se como factor limitador algum desfasamento ao nível dos calendários escolares praticados nas IES pertencentes a diferentes países comunitários e os efeitos menos desejáveis nas aulas que podem surgir associados à ausência temporária do docente no seu estabelecimento de ensino de origem. 2.3.2.3 Realizações Necessárias Como forma de garantir a transparência das qualificações e competências obtidas em regime de mobilidade transnacional, pensamos ser aconselhável a adopção generalizada do cartão Europass55, pois em Portugal a sua aplicação é ainda algo restrita, apesar de se verificar uma tendência crescente na sua utilização. De 2001 até ao inicio de 2005 foram emitidos 1038 documentos no nosso país.56 Uma forma de ultrapassar a falta de harmonização linguística entre as IES pertencentes aos diferentes Estados-membros, propomos que as IES, que aderirem à Acção Erasmus no âmbito do Programa Sócrates, desenvolvam acções de obtenção de competências linguística, na língua do país de acolhimento, antes de os estudantes iniciarem o seu período de aprendizagem no estrangeiro. O mesmo deverá aplicar-se aos alunos que chegam do estrangeiro. Esta acção deverá ser complementada com intercâmbios de professores entre IES parceiras, que pretendam introduzir nos seus programas a Aprendizagem Integrada de Línguas e conteúdos, no âmbito da mobilidade de estudantes (COM (2004), 21, final, 23.01.2004). 55 Europass – o principal objectivo deste cartão é registar, num único formato, experiências de mobilidade transnacional para fins de aprendizagem. Cabe às instituições de origem e de acolhimento fazerem o registo das diferentes experiências de mobilidade em termos de qualificações e competências obtidas. 56 Ministério da Educação, Ministério do Trabalho e da Solidariedade e Ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 2005. 86 Apesar de os Estudantes que optam por ir para uma IES pertencente a um outro Estado-Membro57 poderem usufruir de uma bolsa que representa uma contribuição para as despesas de viagem e para a diferença entre níveis de vida, 58 era importante que nas IES dos Estados-membros de acolhimento fossem contempladas quotas nas residências de estudantes destinadas especificamente a esse tipo de estudantes. As IES se pretendem incentivar o número de estudantes que optam por contemplar a sua formação em regime de mobilidade é importante que se preocupem em alargar as suas ofertas. Neste contexto, seria importante que estas apostassem na oferta de novas formas de mobilidade, nomeadamente através de Cursos de Verão e intercâmbio bilateral ou multilateral (CNE, 2001). No contexto da mobilidade transnacional na educação, é importante que se aposte em dotar as pessoas de “contacto”, nomeadamente os professores, as administrações das IES e o pessoal das organizações de origem e de acolhimento, de competências interculturais, através da realização de acções de formação específicas (Jornal Oficial das Comunidades Europeias, Conselho, 10 Julho de 2001). 57 No âmbito acção Erasmus. Ministério da Educação, Ministério do Trabalho e da solidariedade social e Ministério da ciência, Tecnologia e ensino Superior, 2005. 58 87 2.3.3 Desenvolver programas de investigação comuns “A economia e a sociedade do conhecimento nascem da combinação de quatro elementos interdependentes: a produção de conhecimento, essencialmente pela investigação científica; a sua transmissão através da educação e da formação; a sua divulgação com as tecnologias da informação e da comunicação; e a sua exploração através da inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, surgem novos modos de produção, transmissão e exploração dos conhecimentos, que têm por efeito associar um maior número de intervenientes, geralmente interligados em redes num contexto cada vez mais internacionalizado”.59 A Conferência de Berlim acentuou a necessidade de ligação entre o Espaço Europeu do Ensino Superior e o Espaço Europeu da Investigação (European Research Area, ERA) como bases da “Europa do Conhecimento”. A cooperação interinstitucional deve incidir não apenas sobre as actividades de formação e aprendizagem mas também especificamente sobre a investigação. Para além dos já citados Doutoramentos, que assumem um papel central nesta matéria ganha especial interesse a construção de programas de Mestrado interdisciplinares. Aliás, e como referem Reichert e Tauch, “nalguns casos, as instituições desenvolvem explicitamente tais programas de Mestrado para se posicionarem em matéria de investigação em termos nacionais ou internacionais como parte da sua estratégia de investigação”.60 Esta mesma tendência das IES para perspectivarem a sua investigação ao nível da dimensão europeia – e isso apesar do ainda relativamente reduzido volume dos fundos por elas obtidos para tal desiderato – é acentuada num estudo de Bernadette Conraths e Hanne Smidt, que, ao mesmo tempo, faz notar que “ [a] cooperação interinstitucional, a investigação interdisciplinar, os centros de excelência e a educação doutoral são considerados como as principais prioridades futuras a desenvolver ao nível Europeu”.61 Para corresponder a essa perspectiva – e expectativa – das IES, o mesmo estudo recomenda não só a implementação de um Conselho Europeu de Investigação (European Research Council) e outros instrumentos do Programa-Quadro de Investigação (Research Framework Programme), mas também o aumento de “meios e oportunidades para a formação de redes bilaterais ou multilaterais, Europeias e 59 Cf. Comissão das Comunidades Europeias – Comunicado da Comissão: O papel das universidades na Europa do conhecimento, Bruxelas: 05.02.2003 (COM) 58 final, p.5. 60 Reichert, Tauch, ibidem, 5.1, p.33. 61 Bernadette Conraths, Hanne Smidt, The Funding of University-based Research and Innovation in Europe. An Exploratory Study, 2005, www.eua.be, “Summary of findings”, 4, p. 6; cf. também, em III, 6, p. 18, a ênfase na investigação interdisciplinar e inter-institucional. 88 internacionais, e o suporte da cooperação e da inovação estratégicas inter-institucionais e dos modelos de parceria IES – indústria ou de tripla hélice.”62 Tal como já referido, o variado conjunto de acções de cooperação tem sido, nos últimos anos, marcado essencialmente pelo intercâmbio de estudantes e pela mobilidade de professores no âmbito da União Europeia. Mas, para além destes programas, que devem ser reforçados, as IES portuguesas muito beneficiariam do estreitamento de laços de cooperação científica, pedagógica e de investigação, que devem ser estimulados entre si. 2.3.3.1 Metas/ Resultados a Alcançar Melhoria da qualidade da investigação desenvolvida decorrente da criação do Espaço Europeu da Investigação (European Research Area), como factor da “Europa do Conhecimento” . As IES face ao novo quadro de desafios e oportunidades que as convoca será o de criarem e participarem activamente em redes de cooperação tanto nacionais como internacionais. 2.3.3.2. Factores Críticos Ao nível da investigação as reformas de Bolonha também visam elevados patamares na qualidade da investigação e na formação de investigadores. As IES e o Governo devem assumir a responsabilidade pelo enquadramento que favoreça e potencie o espírito daquele processo reformador. E garantir que a melhoria da qualidade do ensino não prejudique a qualidade da investigação: uma e outra devem-se reforçar mutuamente. 2.3.3.3. Realizações Necessárias Criar programas específicos de estímulo preconizando a criação de redes nacionais de cooperação científica, pedagógica e de investigação. A criação de redes de IES a nível regional (e transfronteiriças, sempre que se justifique) são outra dimensão que deverá ser assumida. 62 Conraths, Hanne Smidt ibidem, V, 3, p.34. 89 Referências – Desígnio II ALARCÃO, I. (2000) – Para uma Conceitualização dos Fenómenos de Sucesso/Insucesso Escolares no Ensino Superior, in J. Tavares e R. Santiago (Orgs.), Ensino Superior: (In) sucesso Académico, Porto, Porto Editora. ALMEIDA, L. (2002) – Formatar o Ensino a Pensar na Aprendizagem, in A. S. Pouzada, L. S. Almeida e R. M. Vasconcelos (Orgs.), Contextos e Dinâmicas da Vida Académica, Guimarães/Braga, Universidade do Minho. 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DESÍGNIO III Aumentar a ligação Ensino – Investigação - Sociedade O Conselho Europeu, no contexto da Estratégia de Lisboa, acentuou a necessidade de criar um espaço europeu de investigação e de inovação, dada a situação precária em que se encontra a investigação na União Europeia face, nomeadamente, aos EUA e ao Japão. Efectivamente, a investigação desempenha um papel crucial a nível do desenvolvimento económico, do emprego e da coesão social. Urge, deste modo, estabelecer um plano de acção concertada no sentido de ultrapassar o atraso europeu, invertendo a tendência actual, a fim de fomentar um aumento do crescimento e da competitividade no contexto da economia global (CCE, 18. 01.00). Sem esta necessária coordenação e determinação, quer para alargar, quer para melhorar os esforços na investigação, a Europa corre o risco de perder a corrida na passagem a uma economia e sociedade do conhecimento e de assumir a desejada liderança a nível da investigação científica mundial. A criação deste espaço europeu passa, necessariamente, por uma maior coordenação e integração das actividades de investigação, quer a nível dos diversos países, quer a nível da União Europeia, questão parcialmente facilitada pela existência de uma base jurídica já aprovada pelo Tratado da União, no sentido de apoiar acções tendo em vista a cooperação europeia, nas matérias de I & D tecnológico (CCE, 18.01.00). Contudo, e na prática, continua a verificar-se uma disparidade, dado que o quadro e referências das actividades de investigação continua a ser preferencialmente de ordem nacional, ou seja, mais do que a desejável coordenação há uma adição pura e simples de actividades de investigação na UE. O objectivo principal consiste, por conseguinte, em tornar as actividades de investigação mais eficazes e inovadoras. Deverão, também, assegurar-se perspectivas mais aliciantes para os indivíduos com capacidades de investigação (Conselho Europeu de Lisboa: Conclusões da Presidência, 2000). No contexto da criação do Espaço Europeu de Investigação, situa-se também o imperativo de repensar a articulação entre ciência, universidade e sociedade, que é hoje assumido por um número crescente de investigadores e de instituições internacionais. 96 Existe uma preocupação crescente face a uma nova agenda de investigação orientada para os problemas sociais com que o Século XXI se confronta 63 . O principal desafio residirá, naturalmente, na capacidade das IES deixarem de actuar de acordo com a lógica que tradicionalmente lhes é reconhecida e proceder a alterações, nomeadamente quanto à missão e aos objectivos, ao modelo organizacional e ao próprio sistema de financiamento. Esta tendência traduz-se numa sequência de mudanças apontadas por diversos autores (Etzkowitz et al, 2000). A primeira destas mudanças marca a passagem da universidade centrada no ensino (teaching university) para a universidade centrada na investigação (research university). A segunda das grandes mudanças em curso caracteriza-se pelo surgimento da universidade empreendedora (entrepreneurial university), cuja missão também acolhe, explicitamente, objectivos económicos e sociais. O caminho é o de uma crescente intensificação da ligação entre a universidade e a sociedade, que deverá adquirir modalidades específicas consoante a especificidade dos contextos económicos e sociais, constituindo-se, em todo o caso, como instituição polarizadora e dinamizadora do espírito empreendedor. A contribuição das IES para o desenvolvimento das regiões, não sendo um fenómeno novo, tem-se afirmado como uma força poderosa do seu processo de legitimação. Mas o seu reequacionamento como instrumento de desenvolvimento regional não pode ignorar todo um conjunto de inércias. Há que procurar respostas específicas, tendo em conta factores contextuais e a experiência acumulada das instituições académicas e das regiões. Assim, a articulação docência – investigação – sociedade contém os elementos estruturantes das missões da futura universidade como centro de criação, transmissão e difusão de conhecimento. E terá consequências no desenho de políticas públicas, nomeadamente na assunção de práticas com incidência em domínios como a investigação, o ensino, os recursos humanos, a qualidade, a cooperação e o relacionamento das IES com a sociedade, em particular com as regiões em que se inserem. Reconhece-se a necessidade de promover e explorar efeitos de rede, numa 63 São vários os problemas sociais que se agravaram, tendo surgido outros novos: os problemas da fome, problemas de doença e problemas urbanos (e.g. habitação, transporte, poluição, pobreza, crime, infraestruturas, energia). A estes juntam-se outros, como o ordenamento do território, desertificação do meio rural, gestão de recursos hídricos, coesão social e territorial e envelhecimento e estabilização da população. 97 lógica de sistema, promovendo a interacção entre os diferentes agentes de inovação, públicos e privados, não esquecendo a sua relação com o território. Face às considerações expostas, estabeleceram-se como objectivos gerais do desígnio aumentar a ligação ensino – investigação – sociedade os seguintes: • Estimular a investigação no ensino superior; • Contribuir para o desenvolvimento humano, local, regional e global 3.1. Estimular a investigação no ensino superior A dicotomia ensino – investigação tem sido uma característica essencial da identidade das IES. Como referem Simão, Santos e Costa (2002): “uma universidade sem investigação é um corpo sem alma, não terá futuro e não poderá desempenhar cabalmente a sua missão” (p. 43). Devem, por conseguinte, ser dadas condições aos docentes do ensino superior para prosseguirem os seus projectos de investigação, mediante uma racionalização dos recursos humanos e a alocação de verbas para investigação. Como salienta Fidalgo (1994), num artigo sobre as particularidades e exigências da profissão de docente universitário: “muito da tensão e incompatibilidade entre a leccionação e a investigação universitárias reside na concepção escolarizada da universidade. A formação científica dos estudantes não pode ser unicamente passiva, resumindo-se à comunicação de uma via só, de professor para alunos. Essa formação será tanto melhor quanto mais os estudantes tiverem a possibilidade de aprenderem em directo com a investigação a quente” (p.158). Pese embora o papel fulcral e incontornável, a desempenhar pelas IES na formação de investigadores, a sua captação e desenvolvimento exige o convocar de sinergias entre os vários subsistemas de ensino. Deverá também ser instituída como prática regular o estabelecimento de parcerias entre as IES e outras instituições públicas, privadas ou de carácter associativo, em ordem à realização de projectos de investigação (podendo partir de um ou de outro sentido). Neste contexto, elegemos os seguintes objectivos específicos: • Tornar atractiva a carreira de investigador; • Valorizar a componente de investigação educacional no ensino superior. 98 3.1.1. Tornar atractiva a carreira de investigador Dado que a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico dela decorrente constituem um elemento fulcral do desenvolvimento da sociedade, a UE defende uma valorização da figura do investigador, preconizando uma sensibilização das empresas e outras organizações no sentido de aumentar a sua procura e empregabilidade. Este reforço dos recursos humanos, em matéria de investigação, exige, contudo, um esforço que ultrapassa o quadro estrito do ensino superior. No que se refere ao caso português, tem-se verificado um crescimento exponencial da produção científica, a uma taxa média anual de 14%, desde o início da década de 80 do século passado. Segundo dados do OCES, 2005, a nossa produção científica é, efectivamente, a que conheceu maior crescimento no contexto da União Europeia. Contudo, mesmo mantendo o ritmo actual, e tendo em conta os progressos evidentes assinalados na última década (Gráfico 3.1), a nossa produção científica só igualará a da Grécia, um país de economia e dimensão semelhantes a Portugal, daqui a cinco anos e só atingiremos a média europeia daqui a várias décadas. O défice científico português afecta criticamente o nosso desenvolvimento económico, a nossa qualidade de vida e a qualidade do nosso trabalho. O crescimento científico português é, pois, uma exigência premente. O ritmo já atingido de construção das nossas capacidades científicas não deve ser quebrado. Urge, ao invés, acelerar esse ritmo no sentido de convergir com as metas europeias. 3.1.1.1. Metas/ Resultados a Alcançar A UE definiu como meta global para I&D, em 2010, 3% do PIB, colocando em marcha um processo exigente de aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico. Considerando que a despesa pública em I&D foi, em 2002, de 0.64 % do PIB, para Portugal, contra 0.69 para a EU (15) e 1.02 para a Finlândia (MEI, 2005), a meta de 3% do PIB em despesas de I&D aparece como muito ambiciosa, exigindo medidas de incremento sérias. Portugal deve envidar esforços no sentido de corresponder a esta exigência. Segundo o Observatório das Ciências e das Tecnologias (2002), e no que diz respeito à evolução do número de investigadores e do pessoal em I&D, entre 1995 e 2001, constata-se um aumento mais acentuado entre 1995 e 1997 (26,9%), verificando- 99 se uma ligeira subida de 1999 para 2001 (9,7%). O total de investigadores em 2001 era de 31 121. Para este valor final têm vindo a contribuir principalmente as IES com 54,8%, ou seja, com 17050 investigadores. Até 2010, considera-se que o número de investigadores deveria aumentar de acordo com as recomendações europeias e a meta de 5,3 investigadores em cada mil habitantes (Plano Tecnológico). Segundo os últimos dados disponíveis, o aumento do número total de investigadores na UE-15, entre 2000 e 2001 foi de 2%. Em 2001, cerca de 1,8 milhões de pessoas exerciam actividades de I&D, a tempo integral (COM, 2003, 436 final, de 18.07.2003, p. 8). O aumento do investimento no domínio da investigação potenciará a procura de investigadores, prevendo-se que, com a substituição dos investigadores no activo, à medida que estes vão envelhecendo, sejam necessários cerca de 700 000 novos investigadores, até 2010, no espaço da UE. Gráfico 3.1 – Evolução da produção científica portuguesa: número de publicações por ano e por área científica Physical, Chemical & Earth Sciences 1600 1400 Life Sciences 1200 Clinical Medicine 1000 800 Agriculture, Biology & Enviromental Sciences 600 400 Engineering, Computing & Technology 200 Social an Behavioral Sciences 0 20 0 01 20 * 02 * 99 20 98 19 97 19 96 19 95 19 94 19 93 19 92 19 91 19 19 19 90 0 Arts & Humanities Fonte: OCES, 2004. 3.1.1.2. Factores Críticos Ao nível da União Europeia, verifica-se uma diminuição do interesse dos jovens pelas disciplinas de Matemática, Ciências e Tecnologia64. Em Portugal, constata-se que o número de licenciados nestas áreas está a decrescer e não acompanha a necessidade dos avanços científicos e de inovação tecnológica, sendo claramente insuficiente (Gráfico 3.2 ) Em 2002, verifica-se que a permilagem da população com idade entre os 64 Conclusões do Conselho de 5 de Maio de 2003 – Jornal Oficial da UE C de 134/4 de 7.6.2003 100 20 e 29 anos licenciada em ciência e engenharia era de 7.40, contra a média de 9.40 da EU (15) de acordo com os dados disponíveis em 2002. Gráfico 3.2 – Nº de diplomados por área de formação (1993-2002) serviços 2002/03 Saúde e protecção civil 2001/02 2000/01 Agricultura 1999/00 Eng. Indústrias transf. e construc. 1998/99 1997/98 Ciências 1996/97 Ciênc. Sociais comércio e direito 1995/96 1994/95 Artes e humanidades 1993/94 0 5000 10000 15000 20000 25000 Educação Fonte: OCES, 2004 A este factor vem acrescentar-se, nas diversas áreas científicas, a ambiguidade existente em torno da figura do investigador, na medida em que as suas actividades podem estar relacionadas com uma tipologia variada de investigação, que vai da investigação fundamental, passando pela investigação estratégica, investigação aplicada, desenvolvimento experimental e transferência de conhecimentos, que inclui inovação e capacidades de aconselhamento (COM, 2003, 436 final, de 18.7. 2003). 3.1.1.3. Realizações Necessárias A necessidade da valorização da figura do investigador, decorrente da constatação de uma tendência generalizada na UE para a perda de interesse pelas carreiras científicas, aponta para a necessidade urgente de, ao nível dos vários graus de escolaridade, se sensibilizar os jovens para o estudo das matérias científicas e técnicas. Segundo as Conclusões do Conselho de Ministros da Educação da UE, reunido em 5 de Maio de 2003, deverá verificar-se, até 2010, um aumento de cerca de 15% do 101 número total de licenciados nas áreas da Matemática, Ciências e Tecnologias65, tal como referido anteriormente. O Governo português definiu, para aquele horizonte, a meta de 12 diplomados em C&T em cada mil habitantes (Plano Tecnológico). Neste contexto, e no espírito subjacente ao “Plano de Acção Ciência e Sociedade”, correspondente a uma iniciativa pan-europeia destinada a apoiar a educação científica nas escolas (COM, 2003, 436 final, de 18.7. 2003), julgamos da maior relevância a implementação dos Clubes das Ciências que permitam uma iniciação à actividade científica, num contexto de educação muito mais informal e, simultaneamente, lúdico, podendo, inclusivé, contar com a colaboração de investigadores da área científica respectiva. Estes deveriam ser financiados e ficar a cargo de professores responsáveis nas escolas do ensino básico e secundário, fazendo parte dos seus horários lectivos, podendo também funcionar em estabelecimentos do ensino superior, num esquema de parceria com instituições dos ensinos básicos e secundário. Cabe também aqui destacar outro tipo de actividades, como programas do tipo “Ciência Viva”, “Semanas da Ciência”, “Concursos para Jovens Cientistas”, e outros. A nível do Ensino Superior, consideramos que, sem prejuízo de uma iniciação à actividade de investigação nos cursos do 1º ciclo, através da introdução de unidades curriculares de iniciação à investigação, é nos segundo e terceiro ciclos que esta energe como elemento central, permitindo, numa época de massificação do Ensino Superior, assegurar a excelência na qualificação dos meios humanos. Deste modo, os indivíduos que demonstrarem, ao nível do 1º ciclo de estudos, capacidades de investigação deverão ser encorajados a prosseguir estudos ao nível do 2º e 3º ciclos, com vista à obtenção do doutoramento, mediante um sistema de atribuição de bolsas. O incentivo à actividade dos jovens investigadores deverá, ainda, passar por um sistema de financiamento acrescido dos projectos que envolvam a sua participação. Em articulação com os Centros de Investigação preconiza-se a reactivação da carreira de investigador. Esta carreira, regulamentada pelo Decreto-Lei nº 124/99 (Estatuto da Carreira de Investigação Científica), constitui um enquadramento estável que em muito poderá beneficiar a actividade de investigação. Deveria, pois, ser atribuído co-financiamento às IES para que pudessem contratar investigadores de carreira. 65 Conclusões do Conselho de 5 de Maio de 2003 – Jornal Oficial da UE C de 134/4 de 7.06.2003 102 O incentivo à carreira de investigador no espaço europeu deverá também passar por um incentivo à mobilidade, enquanto instrumento de formação (sendo desejável a ultrapassagem dos 5% actuais). Esta medida passa pela introdução de uma dimensão europeia nas carreiras de investigação, nomeadamente através da abertura dos comités de recrutamento de investigadores a cientistas de outros países (COM, 2000, 6 final, de 18.01.2000). A generalização de gabinetes de apoio à investigação, nos vários estabelecimentos de ensino superior, aparece como uma medida facilitadora da preparação de candidaturas a projectos de investigação e respectivo acompanhamento e prestação de provas. Dado o peso das publicações em língua inglesa no mundo da investigação científica, estes gabinetes deverão possuir um serviço especializado de tradução a funcionar em permanência66. 3.1.2. Valorizar a componente de investigação educacional no ensino superior Considerando que o binómio ensino - investigação é essencial à preservação da identidade do ensino superior, e tendo em conta as exigências de reformulação organizacional e metodológica decorrentes do processo de Bolonha, no sentido de uma aprendizagem centrada no aluno, que decorra ao longo da vida, há que criar um enquadramento propício para que os docentes do ensino superior, nas suas diversas áreas científicas, desenvolvam investigações no sentido de optimizar o processo de ensino-aprendizagem. Esta optimização passa pela aplicação e desenvolvimento de metodologias inovadoras (O’ Mahony, 2001), sobretudo nas áreas onde o insucesso é mais evidente. 3.1.2.1. Metas/ Resultados a Alcançar Na sequência da meta traçada em 2.1.1 (Formação pedagógica/inovação no ensino-aprendizagem), considera-se que os docentes do ensino superior deverão tomar consciência da importância da reflexão sobre as suas práticas de ensino. Esta consciência deverá traduzir-se, por sua vez, num aumento de investigações científicas conducentes a uma inovação eficaz em termos dos processos de ensino-aprendizagem, nas diversas áreas científicas. 66 Apesar da predominância incontornável da língua inglesa, pensamos que a construção do espaço europeu de investigação passa também pelo reactivar das publicações em outras línguas. 103 3.1.2.2. Factores Críticos A investigação em educação é uma área relativamente recente no Ensino Superior, que se prende com as alterações profundas vividas por este subsistema de ensino nas últimas décadas do século passado, e que foi potenciada pela implementação do Processo de Bolonha. São muitos ainda os que consideram que insistir na importância das práticas pedagógicas equivale ao descurar da importância fundamental da investigação científica como tarefa nobre e primeira da universidade (Dias, 2002). Contudo, e na medida em que o professor universitário é um investigador, que, trabalhando numa instituição de ensino superior procura criar nos seus alunos o gosto pela investigação, devendo envolver-se com eles nesta tarefa, os aspectos da investigação e das práticas que a fomentam aparecem como intimamente relacionadas (Dias, 2002). 3.1.2.3. Realizações Necessárias Face aos novos desafios com que se confronta o ensino superior, e à implementação das exigências decorrentes da Declaração de Bolonha, deverão ser criadas medidas de financiamento para projectos de investigação-acção cujo objecto seja a optimização dos processos de ensino-aprendizagem nas diversas áreas científicas. 104 3.2. Contribuir para o desenvolvimento humano, local, regional e global A existência territorializada de IES de qualidade e com capacidade de afirmação constitui uma condição absolutamente necessária para trilhar trajectórias de progresso e de desenvolvimento sustentável numa sociedade cada vez mais cognitiva e numa economia cada vez mais globalizada.67 A dimensão regional da actividade das IES contempla um impacto frequentemente importante no plano económico, social e cultural. Isto contribui para fazer delas um instrumento de desenvolvimento regional e de coesão social e territorial (CCE, Com:2003-58 final). Além de trabalharem para elevar o nível geral de educação e formação, e de promoverem a empregabilidade e a mobilidade profissional dos cidadãos (já apresentado no Desígnio I), as IES são fonte de competências especializadas e têm um potencial catalisador de parcerias múltiplas entre os agentes económicos e sociais, através de diversas redes. Esta circunstância, em paralelo com a incipiente participação do sector empresarial na execução e financiamento das actividades de I&D,68 leva a que caiba ao Ensino Superior um papel determinante na configuração do processo de desenvolvimento da interacção universidade-empresas-sector público. Deste modo a compatibilização de estratégias de especialização qualificantes das regiões, ancoradas em conteúdos científicos e tecnológicos endógenos é, fundamentalmente, exequível através de um quadro de cooperação crescente entre as instituições do Ensino Superior, o tecido empresarial e os serviços da administração pública (local, regional e central). Do ponto de vista das relações entre as IES e o tecido económico, cremos ser possível o seu incremento no quadro de estratégias de inovação assentes, por um lado, no melhoramento e criação de novos produtos pelas empresas existentes a exigirem o recurso a competências de maior especificidade e, eventualmente, extensíveis ao processo produtivo que implicam contactos muito estreitos entre os produtores e utilizadores de novas tecnologias. Por outro, num claro propósito centrado na criação de novas capacidades empresariais, baseadas no incentivo à criação e incubação de empresas com perfil inovador vinculado à ciência e tecnologia. 67 A vinculação formal das missões de muitas instituições de Ensino Superior ao desenvolvimento local e regional leva alguns autores a considerá-las como um factor de diferenciação das instituições de Ensino Superior, ainda que o exame de tais finalidades não tenha sido objecto de estudo em Portugal (cf. e.g. J. Simão et al, 2002). 68 Apontado nomeadamente por Couto A., et al, 2005, p. 169. 105 No domínio das relações com a administração pública, a eficácia do seu desempenho, em diferentes esferas, reclama por uma maior utilização do conhecimento. Este requisito poderá constituir um instrumento poderoso de política científica e tecnológica, pois implica a mobilização de competências, quer nas questões associadas à tomada de decisão, quer na formatação de uma procura tecnológica centrada na resposta pública a problemas complexos e de natureza multidimensional nos domínios social, demográfico, ambiental, urbano, segurança, saúde e organizacional, entre outros. Tais objectivos decorrem da valorização do papel das IES como factores de localização e, deste modo, da sua aptidão para influenciar favoravelmente a localização de iniciativas empresariais mais exigentes quanto à qualidade e complexidade dos recursos a utilizar. Esta alteração qualitativa dos factores locativos regionais é susceptível de reforçar a capacidade regional de mobilização de inciativas exógenas orientadas para o aproveitamento de recursos científicos e tecnológicos existentes. A este nível sublinha-se a qualidade da envolvente empresarial, na perspectiva dos “milieux innovateurs”, na qual a valorização selectiva do desempenho regional se encontra associada a uma concentração de recursos e sua aplicação articulada, qualidade urbana, acessibilidades, infra-estruturas físicas e imateriais nacional e internacional.69 Também a prossecução de estratégias de aproximação IES - empresas podem ser levadas a cabo essencialmente no quadro extra-regional. Em que haverá um objectivo determinado das IES em desenvolver vocações científicas e tecnológicas orientadas para o mercado e que buscam uma valorização supra-regional com sucesso. Estes objectivos gerais estão, assim, associados a processos que estimulem a criatividade e a mudança organizacional, devendo desdobrar-se nos seguintes objectivos específicos: • Estimular uma cultura de inovação; • Promover o espírito empreendedor; • Fomentar a investigação de base regional em áreas estratégicas de excelência; • Prestar serviços e valorização social e cultural. 69 O «meio inovador» define-se como um conjunto territorializado e aberto que integra saber-fazer, regras e capital relacional. Está ligado a um colectivo de actores, de recursos humanos e materiais que interage em permanência com a sociedade e o ambiente externo. 106 3.2.1. Estimular uma cultura de inovação O reconhecimento da importância da inovação para o aumento da competitividade europeia foi assumido pelo Conselho Europeu da Primavera de 2004 ao salientar que a competitividade, a inovação e a promoção de uma cultura empresarial são condições imprescindíveis para o crescimento. É, aliás, um requisito de fundamental importância para que os países em geral, e as regiões em particular, possam contribuir para a meta estabelecida pela Comunidade Europeia para 2010. Esta meta exige esforços concertados a desenvolver por vários agentes, nomeadamente instituições de ensino, estado e empresas. A inovação é considerada decisiva numa economia e numa sociedade cujo principal recurso é o conhecimento e a aprendizagem um processo decisivo. Segundo a economia da aprendizagem (Lundvall e Borrás, 1997), a inovação emerge como um processo evolucionista, interactivo e de dimensão colectiva e sistémica, que contribui para melhorar, quer a produtividade, quer a capacidade competitiva das empresas e consequentemente aumentar o desenvolvimento económico e social de um país. 3.2.1.1. Metas/ Resultados a Alcançar A inovação exige um contexto que estimule a criatividade, a exploração e o risco, assim como pessoas com competências avançadas e específicas, com conhecimento e acesso às redes internacionais em que se produz a ciência e a tecnologia de vanguarda. Segundo o OCES (2004), Portugal apresenta dificuldades a este nível devido ao peso do “atraso estrutural”. Ou seja, é necessário um “contexto institucional” e “capital humano”, aspectos em que Portugal apresenta défices estruturais. Cabe às IES a assunção de um papel activo em termos de inovação nas actividades que desenvolvem, em particular convocando o interesse dos alunos para a inovação através da criação de unidades curriculares centradas nesta matéria que tem um carácter transversal. Ainda de acordo com o Observatório da Ciência e do Ensino Superior (2004), apostar na inovação tecnológica apresenta-se como uma estratégia necessária para que Portugal se desenvolva a um ritmo que corresponda à ambição de atingir os níveis de desempenho económico dos países mais desenvolvidos. Por outro lado, os países membros da OCDE têm fomentado a utilização e o cumprimento dos direitos de patentes para estimular o investimento em inovação e melhorar a difusão do conhecimento. Os direitos de propriedade intelectual, em 107 particular as patentes, revestem-se de uma importância crescente para a ciência e inovação já que têm um impacto sobre a distribuição dos lucros financeiros da inovação assim como sobre a difusão de novas descobertas tecnológicas. 3.2.1.2. Factores Críticos As dinâmicas da inovação, mesmo parciais, localizadas e intermitentes, não são um dos traços que caracterizam a realidade económica do nosso país. O número de patentes portuguesas registadas no EPO (European Patent Office) em 2002 foi de aproximadamente quatro (4) (MEI, 2005), o que contrasta significativamente com os valores apresentados pela União Europeia70: EU (15) com 161.1, a Espanha com 24.1, a Irlanda com 85.6, a França com 145.3, destacando-se a Finlândia com 337.8. Aqui à que fazer no entanto uma ressalva, já que o desfasamento dos números não reflecte necessariamente a realidade pela falta de enquadramento legal para a colocação em funcionamento do EPO em Portugal. Acresce, como já foi referido no objectivo específico tornar atractiva a profissão e a carreira de investigador, que o número de licenciados em áreas científicas e técnicas está a decrescer enquanto que a procura para a obtenção de maiores avanços científicos e inovações tecnológicas tende a aumentar. Importa sublinhar que o financiamento da inovação constitui um aspecto muito importante da promoção da mudança institucional, designadamente no que respeita ao financiamento de iniciativas e empresas orientadas para a inovação. A este nível veja-se o relatório final de I&D, Inovação e Empreendedorismo: 2007-2013, quando se refere que “o sistema financeiro português está baseado no crédito, sendo que as entidades financeiras são avessas ao risco, preferindo emprestar dinheiro a empresas existentes em situações em que os activos colaterais podem ser afectos à cobertura da dívida. Têm tendido por isso a ser muito cautelosos no apoio a iniciativas mais inovadoras e arriscadas, especialmente no caso das lançadas por jovens empreendedores.” (Godinho e Simões, 2005: 68-69). Para uma abordagem mais detalhada deste problema remetemos para este relatório. 70 Cf. European Commission Entreprise Directorate-General, European Trend Chart on Innovation , 2003 European Innovation Scoreboard: Technical Paper nº2, Analyss of National Performances, November, 2003. 108 3.2.1.3. Realizações Necessárias Torna-se premente que o Ensino Superior assuma estratégias formativas orientadas para a inovação e promova o incremento da taxa de alunos a optar pelas áreas das ciências e das tecnologias. Como sugere o Ministério da Economia e da Inovação, é necessário que o sistema educativo forneça as competências requeridas por empresas inovadoras e que se assista à transferência de conhecimentos e à difusão da inovação (MEI, 2005). Estas instituições a par das instâncias que financiam os projectos no âmbito da inovação, devem dar especial apoio à investigação estratégica, ou seja, aquela em que se prevê que os resultados possam dar um contributo mais significativo para a criação de produtos e indústrias inovadoras menos sujeitas a movimentos de deslocalização (Audrestsch e Carlsson, 2004). A interacção entre as IES e o sector empresarial poderá ser incrementada, por exemplo, através: • da participação regular de alunos e investigadores em estágios de curta duração nas empresas; • da adopção, por parte das IES, de uma política de educação que encoraje os alunos para a criação de empresas de alta tecnologia, conforme o documento: I&D, Inovação e Empreendedorismo 20072013 (M.M.Godinho e V.C.Simões, 2005); • do encorajamento das indústrias a investir em grupos de investigação universitários e atrair elementos altamente qualificados, para formar equipas estratégicas em termos de inovação (Ferreira, 2003). Dentro destas preocupações, e dado o crescente processo de globalização das economias e das sociedades, seria aconselhável a adopção, também, de formas de trabalho interdisciplinares e de cooperação entre as instituições académicas e de investigação nacionais e internacionais que permitam a materialização de iniciativas de pós-graduação ou de investigação (Guimarães e Matias, 2003). Quanto aos direitos de propriedade intelectual uma forma de incentivar o processo de preservação da titularidade das inovações será a de agilizar o processo de criação de patentes por forma a proteger a propriedade intelectual de origem académica. Importaria que as IES apostassem na comercialização da propriedade intelectual que surge do desenvolvimento das suas capacidades, staff e estudantes (Etzkowitz, 2004). Para tal, sugere-se a criação de um comité académico, que poderia designar-se 109 por Gabinete de Transferência Tecnológica, com funções na análise das inovações a serem patenteadas e na sua comercialização. 3.2.2. Promover o espírito empreendedor O empreendedorismo é considerado como uma das componentes da performance económica dos países ao melhorar o ambiente competitivo e a promoção de métodos e ferramentas de negócio inovadoras, sustenta a Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2001). A Comissão Europeia elegeu “a alteração do ambiente favorável ao empreendedorismo”, a par da inovação e do crescimento como uma das reformas mais importantes da União Europeia sob o argumento de que sem empreendedorismo não há pleno aproveitamento das oportunidades e utilização dos recursos de forma adequada. É esta capacidade de realização que identifica oportunidades e as transforma em processos económicos ao serviço da sociedade. Sociedade essa que se quer criadora e adaptável às diversas situações que contribuirão também, a este nível, para atingir os objectivos da Estratégia de Lisboa. O empreendedorismo, apresenta-se como um forte contribuinte para mobilizar os recursos necessários ao desenvolvimento da economia, ao fomento de emprego e, como factor de participação da sociedade civil, para além da promoção da inovação nos produtos, serviços e técnicas e de dinamização de carreiras profissionais, associadas a uma mobilidade social, que cruza diversos protagonistas como é o caso das IES e as empresas (Programa do XVII Governo Constitucional; Conceição e Heitor, 1999). O fomento das relações entre as IES e o sector privado é fundamental para o desenvolvimento do empreendedorismo. Mas a insuficiência daquele fomento é traduzida de forma clara na despesa total em I&D efectuada por parte das empresas portuguesas (cerca de 20% do total nacional, em contraste com a média europeia, 62%, e mais de 65 % no Japão, na Alemanha e nos EUA), no baixo número de publicações científicas co-autoradas por investigadores afectos a ambos os sectores e no número diminuto de pós-graduados a exercerem funções na indústria (apenas 0.9% do total) (Ferreira, 2004). Mas, segundo o mesmo documento para que o empreendedorismo atinja os níveis aceitáveis e desejáveis, é importante que se verifique uma série de circunstâncias, entre as quais, uma suficiente formação em empreendedorismo e utilização de métodos de ensino eficientes (GEM, 2001). Uma análise ao principal indicador que reflecte a actividade de empreendedorismo dos países, ou seja, o nível de 110 Actividade Total de Empreendedorismo71- TEA (Total Entrepreneurship Activity), permite verificar que no nosso país este indicador é de aproximadamente 7%, o que faz com que Portugal ocupe a 21ª posição no ranking dos 29 países pertencentes à Europa, Ásia, América Latina, América do Norte, e outros países como Austrália, Israel, Nova Zelândia e África do Sul, que fizeram parte do estudo desenvolvido em 2001 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) sobre empreendedorismo. Com este valor de TEA, Portugal situa-se atrás de países como a Hungria (11%), Itália (10%), Finlândia (10%), Noruega (9%), Dinamarca (8%), Espanha (7,3), França (7,2%), entre outros. 3.2.2.1. Metas/ Resultados a Alcançar Com o estabelecimento do objectivo especifico “Promover o espírito empreendedor” pretende-se contribuir para a sustentabilidade local e regional no nosso país. Mas, para que isso seja possível propõem-se como metas a ser alcançadas: • Aproximar as IES do sector privado; • Introduzir o empreendedorismo na estrutura curricular dos cursos do ensino superior nas áreas das ciências naturais, engenharias, economia e gestão, não ignorando que o espírito empreendedor é matéria transversal a todas as áreas do conhecimento. Como forma de estimular a maior aproximação entre as instituições de ensino superior e o sector privado sugere-se que o Programa Operacional "Ciência, Tecnologia, Inovação” crie linhas especiais de financiamento para os Projectos de I&D desenvolvidos em parceria entre o sector privado e as IES. Com esta aproximação entre as instituições privadas e as IES pretende-se desenvolver, e reforçar, os laços entre o saber académico e a realidade empresarial. Existem experiências frutuosas em algumas universidades conceituadas72, em que grandes empresas multinacionais estabelecem relações de parceria e troca da disponibilização de informação mútua a incorporar, por um lado, em trabalhos académicos de alunos e de investigação de docentes e, por outro lado, fomentarem um processo de transferência tecnológica para essas empresas (Heitor, 2001). Tomando como referência o estudo desenvolvido recentemente pelo OCES relativamente à relação das universidades com as empresas, constata-se que das 9141 71 O TEA para um determinado país representa a percentagem de adultos na população envolvidos, quer em novas empresas (empresas que sobreviveram a fase start-up), quer em empresas nascentes. 72 Nomeadamente nas universidades de Cambridge, Southampton e Sheffield. 111 participações de Unidades de I&D do ensino superior no conjunto dos Projectos de I&D, cerca de 17% (1585) são em projectos com a participação de empresas, distribuindo-se 833, ou seja, 53%, pelas áreas das Engenharias e Tecnologias e 95 (6% dos projectos) pelas Ciências Naturais73 (OCES, 2005). Como são as empresas que desenvolvem internamente actividades de I&D que mais procuram o estabelecimento de parcerias com as IES, em Portugal torna-se mais difícil que a meta da aproximação empresas-IES adquira contornos muito ambiciosos (Martins et al, 2005). Uma análise ao indicador que reflecte o empenho das empresas em actividades de I&D (I&D das empresas/PIB) permite constatar que para Portugal este indicador é bastante reduzido (0,17) comparativamente à média europeia (EU-15) que tem um valor de 1.28, registando a França (0,36), a Espanha (0,52), a Itália (0,53), a Alemanha (1,80), a Finlândia (2,68) e a Suécia (2,84), (COM (2002), 1349:27). Assim sendo, propõe-se que para o horizonte temporal de 2013, haja um aumento das relações de parceria entre as IES e o sector privado em cerca de 50%, traduzindo-se em cerca de 2400 parcerias em termos de projectos de I&D entre as IES e as empresas. Paralelamente e como forma de apoiar e até incentivar este esforço de produção científica conjunta, sugere-se que o Programa Operacional "Ciência, Tecnologia, Inovação” aumente na mesma proporção, isto é em 50%, o financiamento concedido a projectos desenvolvidos em parceria/consórcios com o sector privado. A segunda meta a atingir, dentro deste objectivo específico, prende-se com a introdução do empreendedorismo na estrutura curricular dos cursos do ensino superior nas áreas das ciências naturais, engenharias, economia e gestão. Adicionalmente, considera-se que nos demais cursos este objectivo deveria ser assumido como uma formação transversal. 3.2.2.2. Factores Críticos A proposta de uma maior aproximação entre as IES e o sector privado, não é de todo fácil de implementar. Em termos culturais, existem ainda resistências a ultrapassar para uma relação de interesse mútuo, de trabalho conjunto e de objectivos partilhados. A promoção do espírito empreendedor, como factor de dinamismo económico, não é de todo compatível com um sistema de ensino que tende a ser predominantemente 73 Sendo os projectos respeitantes aos temas do Ambiente e do Mar. 112 magistral, pouco motivador para os alunos, com conteúdos maioritariamente cognitivos e pouco incentivador das capacidades de intercomunicação. O papel da educação é considerado por muitos como o veículo de excelência, pelo que deverão ser encetadas algumas reorientações pedagógicas. Estas reorientações deveriam passar pelo reforço e diversificação das metodologias de carácter experimentalista que incentivem o pensamento criativo e inovador e contribuam para o desenvolvimento de uma cultura de não-aversão ao risco e de aceitação do insucesso (falências) como fazendo parte do processo de aprendizagem. Mas, para dar resposta a estas necessidades, tendo em vista a promoção do espírito empreendedor, torna-se necessário também que a componente de formação contínua dos docentes/formadores adopte uma abordagem mais prática e se privilegiem as formações avançadas em ambiente empresarial. A proposta de introdução da disciplina de empreendedorismo na estrutura curricular não é um processo de todo fácil, já que as IES estão a passar por um processo de reestruturação no âmbito do Processo de Bolonha. A diminuição do número de anos de leccionação afectos ao 1º ciclo de ensino, obrigou as instituições de ensino superior a abdicarem de determinadas matérias e a condensar outras, como forma de respeitarem a diminuição do número de anos curriculares. 3.2.2.3. Realizações Necessárias Tendo em vista a promoção do espírito empreendedor, torna-se premente uma maior aposta na criação de protocolos e parcerias entre as universidades e o sector privado, em termos de projectos de investigação ou no desenvolvimento de actividades conjuntas. A acrescentar a esta medida é importante promover a capacidade empreendedora dos alunos do ensino superior mediante a leccionação da disciplina de empreendedorismo nas áreas das ciências naturais, engenharias, economia e gestão e como formação transversal em outras áreas do conhecimento. Como esta disciplina é leccionada em muito poucas IES e como tal ainda não existe material didáctico preparado com as metodologias mais adequadas ao ensino, sugere-se a criação de materiais didácticos que dêem resposta às necessidades pedagógicas. 113 Como forma de preparar os docentes para as novas metodologias necessárias ao espírito empreendedor é imprescindível que lhes sejam fornecidas acções de formação, idealmente em ambiente empresarial. 3.2.3. Fomentar a investigação de base regional em áreas estratégicas de excelência No contexto das múltiplas dimensões que a investigação assume importa, também, considerar aquela cuja relevância seja medida por relação a contextos locais e regionais. A afirmação de dinâmicas de desenvolvimento são indissociáveis do apetrechamento das regiões de centros de massa críticas dedicados à investigação de temáticas regionais em áreas estratégicas de excelência. É hoje reconhecido que os impactes das IES nas cidades e nas regiões são muito diversos e têm consequências em domínios como o emprego, a educação e qualificação da população activa, a transferência de tecnologia e de inovação, a melhoria da qualidade de vida, etc. Além de que, não se deve ignorar, a incidência de uma dimensão simbólica significativa no estatuto da hierarquia urbana nacional, com efeitos evidentes nos próprios quadros competitivos locais e regionais. Também a prossecução deste tipo de investigação exige que as IES e as suas unidades de investigação sejam prestigiadas, conhecidas do público como locais de excelência. Urge promover culturas científicas que proporcionem a criatividade, e constituir equipas de investigação disciplinares e interdisciplinares. 3.2.3.1. Metas/ Resultados a Alcançar Os novos desafios na perspectiva da optimização das dinâmicas de desenvolvimento territorial, vão da necessidade de acolher novos públicos-alvo, (no âmbito da educação e formação ao longo da vida), à necessária e fundamental, actuação associada à investigação de base regional em áreas estratégicas de excelência, que terá necessariamente impactes diversos, entre os quais em processos mais qualificados de apoio à decisão. 3.2.3.2. Factores Críticos Défice de cultura académica interdisciplinar com consequências na capacidade de geração de estratégias de desenvolvimento regional, com base no conhecimento. 114 Fraca articulação entre a formação pós-graduada e linhas de investigação estratégicas para o desenvolvimento regional. 3.2.3.3. Realizações Necessárias É importante estimular este tipo de investigação, em articulação com as necessidades das regiões. Para o que as políticas de I & D (Investigação e Desenvolvimento) e tecnológica, e os programas de financiamento da investigação, devem contemplar uma inserção estratégica regional na alocação de verbas. Devendo, para o efeito, ser considerado o financiamento desta investigação estratégica através de contratos-programa com as IES a seleccionar com base nestas práticas de investigação. Tais contratos-programa devem contemplar a atribuição de bolsas de formação pósgraduada para a realização de cursos, com ligação às linhas de investigação estratégica. Seria aconselhável a criação de Observatórios das Dinâmicas Regionais, que teria por objectivos: a recolha de informação regional actualizada; tratar e divulgar a informação de base regional; e apoiar centros de pesquisa temáticos. 3.2.4. Prestação de serviços e valorização social e cultural No actual contexto a importância dos serviços de apoio à comunidade aparece acrescida. Cabem aqui os serviços também designados de extensão ou transferência tecnológica e de conhecimentos. Estes serviços devem assumir-se como espaços de aprendizagem já que se constituem como canais privilegiados de contacto com a sociedade, permitindo o desenvolvimento de processos de aprendizagem interactiva com diversos actores como, entre outros, as empresas, os organismos públicos, ou as organizações não governamentais. 3.2.4.1. Metas/ Resultados a Alcançar Esta realidade prática exige uma proximidade das IES aos utilizadores de conhecimento. Dar respostas a procuras sociais de ciência e tecnologia orientadas para a resolução de problemas. 115 3.2.4.2. Factores Críticos Esta dimensão não se coloca, por conseguinte, só no interior das IES, pela multidisciplinaridade ou transdisciplinaridade por vezes exigidas, mas transborda para o exterior delas ao reclamar pela sensibilidade e importância dos saberes tradicionais e do conhecimento contextualizado na resolução de problemas com bases localizadas. 3.2.4.3. Realizações Necessárias Propõe-se co-financiamento para: Acções de formação e consultadoria; Realizar cursos, seminários e workshops temáticos diversos; Levar a cabo diagnósticos e projectos de intervenção de apoio à comunidade; Formar opinião pública qualificada para o exercício da cidadania; Publicar monografias e outra documentação diversa. 116 Referências – Desígnio III AA.VV (2004) - Covilhã e sua Relação com a Região: Fundamentos para uma Gestão Estratégica Anais, – 1º Seminário Internacional: Rede Alfa Plan GIES, 105-192. Audrestch, A. e Carlsson, P. 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