Revista do Grupo Cemig
Ano 2 - Nº 6 - Maio a agosto/2011
Conquista histórica
Cemig chega ao consumidor
sete milhões em Minas
USINA SANTO ANTÔNIO
LEVA MAIS ENERGIA PARA
RONDÔNIA CRESCER
FILME EM MINAS:
A SÉTIMA ARTE COM
SOTAQUE MINEIRO
EXPEDIENTE
sete
milhões
Universo Cemig
Revista institucional do Grupo Cemig
Produzida pela Superintendência de
Comunicação Empresarial
Ano 2 - número 6 - Maio a agosto/2011
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e outras fontes controladas
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O papel utilizado neste impresso foi produzido com madeira de
florestas bem manejadas, garantindo o respeito ao meio ambiente.
2
Universo Cemig
EDITORIAL
para
Diretor-Presidente:
Djalma Bastos de Morais
Diretor Vice-Presidente:
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Coordenação de edição:
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e Carlos Henrique Santiago
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Press Comunicação Empresarial
Produção, redação e edição:
Rede Comunicação de Resultado
(Jornalista responsável – Flávia Rios MT 06013)
Redação:
Beatriz Debien
Desireé Antônio
Jeane Mesquita
Raquel Santos
Tarsis Murad
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Revisão:
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Edição de arte e diagramação:
Clayton Pedrosa (Rede Comunicação de Resultado)
Impressão: Gráfica 101
Tiragem: 24.000
Foto capa:
Arquivo Cemig
Luz
Arquivo Cemig
Arquivo Cemig
Companhia Energética
de Minas Gerais
Presença sul-americana
Em 59 anos, o Grupo Cemig investiu
na diversificação e na qualidade de seus
serviços, expandindo sua atuação no
Brasil e na América do Sul.
Confira onde a Companhia está presente
e suas respectivas operações
A população da Terra atingiu, este
ano, o número de sete bilhões de pessoas. Analistas, antropólogos sociais e
tantos outros estudiosos do assunto
acorreram aos jornais demonstrando
sua preocupação com esta estatística
arredondada da nossa raça.
Esse é o efeito de um número exato,
que teve sua partida em um tempo anterior a nós, cumpriu sua trajetória em
anos, séculos ou milênios, e cuja estampa nos meios de comunicação, agora,
pode nos espantar, alegrar ou preocupar.
A Cemig também tem, em 2011, seu
marco sete. Sete milhões de clientes ligados em Minas Gerais. No nosso caso,
o número é motivo de comemoração.
Significa que continuamos cumprindo a
missão que foi entregue aos nossos pioneiros há 59 anos, a partir da determinação de Juscelino Kubitschek.
Desde então, temos permanecido
com o mesmo espírito daqueles primeiros homens, cuja dedicação e talento
formataram e desenvolveram as Centrais Elétricas de Minas Gerais. Até se
transformar em Companhia Energética,
em 1983, a atuação da Empresa se estendeu a 96% do território mineiro, levando
energia aos lares, às ruas e ao campo e
sustentando o desenvolvimento industrial e comercial do Estado.
A mudança de denominação permitiu a expansão do negócio. Poderíamos,
assim, explorar as diversas formas de
fontes energéticas e, imediatamente,
buscamos o gás natural como primeira
alternativa à geração hidráulica e térmica até então utilizadas.
Djalma Bastos de Morais
Presidente da Cemig
O mundo já considerava a necessidade das alternativas energéticas,
paralelamente à discussão sobre a escassez de combustíveis não renováveis
e o cuidado com o meio ambiente, itens
até então ausentes na pauta dos governos mundiais.
A Cemig acompanhou tudo bem de
perto, fazendo a sua parte e assumindo
a vanguarda do setor, com suas ações
e propostas de gerar energia a partir
do vento, do sol, da construção de reservas naturais às margens de seus
reservatórios, da prestação de serviços
em eficiência energética, do serviço de
transmissão de dados via fibra óptica.
Isso sem falar em tecnologia; muitas
e novas tecnologias para o avanço do
setor, para a excelência na prestação de
serviços para a população.
Até que, em determinado momento, as montanhas de Minas foram ultrapassadas, os negócios se expandiram
para 19 estados de todo o País. E o Chile foi conquistado com a construção e
operação de uma linha de transmissão.
Entretanto, cá estamos comemorando sete milhões de clientes mineiros, pois se trata de um marco, além
de tudo, afetivo, que compartilhamos com todo o povo de Minas Gerais. Essa gente que viu nascer a Cemig, cresceu com ela, oferecendo seu
apoio, reconhecimento, criticando-a e
defendendo-a como verdadeiro patrimônio desta terra.
Por isso, é bem justo que as taças se
ergam, e que sete milhões de vozes se
juntem neste brinde histórico!
Maio - Agosto/2011
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Agência Imagem News
SUMÁRIO
ENERGIA
Irregularidade de alguns,
prejuízo para
todos
Vista do Museu Ferroviário que compõe o Complexo Ferroviário de Porto Velho (RO)
05
Luz para sete milhões
Energia
Os prejuízos do consumo
irregular de energia
07
Inovação e Tecnologia
Os resultados dos investimentos
da Cemig em P&D
11
Sustentabilidade
15
21
4
Editorial
Projetos inovadores, como o Mineirão Solar,
buscam alternativas sustentáveis para o uso
da energia
Capa
Cemig comemora a conquista do
consumidor sete milhões em Minas Gerais
Geração
Com a chegada da Usina Santo Antônio, em
Porto Velho, Rondônia se prepara para um
período de grande desenvolvimento
Universo Cemig
25
28
31
Regionalismo
As riquezas naturais, culturais, históricas e gastronômicas
de Rondônia, o segundo Estado mais jovem do Brasil
Cultura
Cemig fomenta a produção cinematográfica no
Estado com o Filme em Minas
Dicas Culturais
Dicas dos cineastas de projetos apoiados pelo
Filme em Minas e disponíveis na internet, em
locadoras ou para aquisição
33
Vitrine
34
Conheça alguns produtos ecologicamente corretos
que utilizam energia solar
Com a Palavra
Paulo Mendes Campos, escritor e jornalista
(in memoriam), sobre Belo Horizonte:
de Curral Del Rei à Pampulha
35
Retratos do Brasil
Arquivo Cemig
03
A
Especialistas da Cemig e
da Light apresentam os
problemas gerados pelo
consumo informal de
energia elétrica para a
população, o setor e o País
Primórdios de uma história de sucesso
Portal Cemig: http://www.cemig.com.br/
ACemig/QuemSomos/Gestao/Paginas/
ModernizacaoDaMedicao.aspx
s cenas são comuns nas
grandes capitais brasileiras: dentro do medidor de
energia elétrica há um papel ou
outro objeto impedindo a rotação
do disco que marca o consumo de
energia daquela residência. Em
outro imóvel, de forma menos sutil, encontra-se uma ligação direta
entre a fonte de energia e o local
em que será consumida sem passar pelo medidor.
Essas são apenas algumas
das formas de fraude envolvidas
no consumo irregular de energia
elétrica. Conhecida popularmente como “gatos de luz”, a prática
tem sido responsável por perdas
da ordem de 275 gigawatts/hora
de energia em Minas Gerais, o
suficiente para abastecer o município de Contagem, na Região
Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), por um ano.
Ainda mais grave é o prejuízo
de cerca de R$ 300 milhões, que
acabam sendo pagos pelo consumidor em situação regular, já que
ele banca também a energia que
está sendo utilizada ilicitamente
pelo seu vizinho.
Mas, de acordo com o gerente de Gestão e Controle de Perdas da Distribuição da Cemig,
Marco Antônio de Almeida, a
situação tem evoluído bastante na última década, graças à
efetividade das ações voltadas
para a coibição do consumo irregular. “A nossa atuação nos
últimos nove anos nos permitiu
atingir hoje um dos menores
percentuais de perdas do País,
2,22%, enquanto a média nacional chega a 13%”, explica.
A política de combate à irregularidade do uso de energia
elétrica adotada pela Concessionária é centrada em dois
grandes eixos. De um lado, a
fiscalização, que tem se tornado
mais intensa e assertiva, com o
trabalho conjunto com as Polícias Civil e Militar do Estado, e o
investimento em novas tecnologias de monitoramento, como os
medidores com a tecnologia de
infraestrutura de medição avançada (AMI, na sigla em inglês
para Advanced Metering Infrastructure), com início de implantação prevista na Cemig para 2012.
Maio - Agosto/2011
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Indústria da irregularidade
Para o superintendente jurídico da empresa
fluminense Light Serviços de Eletricidade S/A,
Fábio Amorim da Rocha, é preciso haver um trabalho de sensibilização não apenas da sociedade, mas também do Poder Judiciário, a quem caberia tratar da questão com mais rigor, tanto em
relação ao cidadão que age de má-fé quanto aos
advogados que têm se valido de subterfúgios
para incentivar o consumidor a não regularizar
sua situação. Segundo ele, a prática pode ser punida com medidas administrativas por parte da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), variando
de multa à suspensão do registro.
De acordo com Rocha, advogado e especialista no setor energético com mais de 20 anos de
experiência, é preciso conscientizar a população
de que o furto de energia elétrica se trata de um
crime previsto pelo Código Penal Brasileiro no
art. 155, caput e § 3º, adendo feito em 2002. “Há
uma grande indústria da irregularidade por trás
disso. Por isso, precisamos de uma atuação integrada entre as polícias, as delegacias especializadas, as concessionárias e o Judiciário, de quem
estamos buscando nos aproximar por meio de
seminários e outros eventos. É um trabalho contínuo e fundamental. Também é de extrema importância que a sociedade se envolva e denuncie porque todos acabam prejudicados por esse
crime”, diz Fábio Rocha.
6
Universo Cemig
Raio X do “gato”
Para quem se interessou pelo tema e
quer se aprofundar, uma boa dica é o livro
de Fábio Amorim da Rocha. “As Irregularidades no Consumo de Energia Elétrica”
(Ed. Synergia, 2011, R$ 84,00) apresenta
os principais aspectos jurídicos do assunto, reunindo doutrina, jurisprudência e a
legislação atualizada até a Resolução nº
414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O livro sobre perdas
comerciais (‘gato’) era um sonho antigo
que retomei em 2009, motivado pelo
meu inconformismo em ver que, apesar
dos bilhões que se perdem com esse ilícito penal, da tarifa mais cara que honestos e adimplentes suportam, o Judiciário
e a sociedade não conseguem enxergar
a dimensão desse grave problema que
impacta todos. Parafraseando a ilustre
desembargadora Leila Mariano, atual
presidente da Escola de Magistratura
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
(TJRJ), mencionada no último capítulo do
meu livro: ‘Eles fazem o gato e nós pagamos o pato’. Portanto, passamos da hora
de dar um basta ao ‘gato’”, diz o autor. Outras informações sobre o título no site da
Synergia Editora.
http://www.synergiaeditora.com.br/.
Energia para
inovar
Arquivo BHTrans
O outro eixo diz respeito às ações educativas, que buscam conscientizar os consumidores para os riscos e desvantagens do consumo
irregular de energia. Entre eles, estão desde a
má qualidade da energia furtada, cuja oferta
não está prevista e por isso é mais instável,
até a sua própria segurança, já que a sobrecarga pode ocasionar quedas de luz, danificando aparelhos eletrônicos, e acidentes graves,
como incêndios.
“Nossa atuação tem sido no sentido de regularizar a situação daquele consumidor, fazendo a instalação do medidor e negociando a
melhor forma de quitação do débito. E temos
tido muito êxito com a postura: de 2009 para
2010, houve aumento de 32% dos casos de recuperação dessas perdas”, conta o gerente.
Paula Kossatz/Press
Inovação e Tecnologia
Investimentos da Cemig em
P&D agregam mais expertise
ao setor energético do País
I
novação, para a Cemig, é um conceito amplo.
Tão amplo que investir em inovação, para a
organização, significa apoiar iniciativas que
vão desde projetos de preservação ambiental,
passam por projetos de engenharia, eficiência energética e chegam aos que promovem
ganhos operacionais nos mais variados processos da organização. É com essa visão que
a concessionária de energia mineira converte
investimentos de cerca de R$ 50 milhões todos
os anos em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no setor de energia elétrica.
Na Cemig, a gestão da inovação começou
a ser sistematizada em 1997, quando foi criada a metodologia de Gestão Estratégica de
Tecnologia (GET), que engloba ações de apoio
à criação de Centros de Excelência, planejamento tecnológico corporativo, programa de
proteção e comercialização da propriedade
intelectual, normalização técnica estratégica,
busca de financiamento para projetos de pesquisa, suporte às áreas na gestão da inovação
e gestão do conhecimento interno.
Portal Cemig: http://www.cemig.
com.br/inovacao/Paginas/PesquisaeDesenvolvimento.aspx
Semáforos com
tecnologia LED em
Belo Horizonte vão
reduzir em quase 90%
o consumo de energia
dos sinais
Maio - Agosto/2011
7
ao longo de cinco anos de programa, sendo R$ 100
milhões aportados pela concessionária e R$ 50 milhões pela fundação. O programa está subdividido
em 12 linhas de pesquisa relacionadas às diversas
atividades dos negócios de geração, transmissão e
distribuição de energia. O objetivo é incrementar o
desenvolvimento de fontes alternativas e de tecnologias que promovam o uso racional de energia, para o
consumidor e áreas afins da empresa. “A parceria foi
a forma que vislumbramos de agilizar o processo de
produção de pesquisas, gerar expertise no setor energético e fornecer meios para reter o pesquisador em
Minas Gerais”, explica o gerente de Gestão Tecnológica da Cemig, Jaelton Avelar Fernandino.
Já o diretor científico da Fapemig, José Policarpo de
Abreu, vê a assinatura do convênio como um marco,
não apenas pelo volume de recursos, o maior em valores absolutos da história da fundação, mas pelo exemplo que oferece. “Esse convênio é um modelo para outras empresas e mostra que é possível para qualquer
entidade, seja do setor empresarial ou público, fazer
parcerias e investir na produção científica”, revela.
P&D da Cemig em números
R$ 500 milhões investidos em cerca de 350 projetos de P&D nos últimos 11 anos;
R$ 150 milhões serão repassados, por meio de edital com a Fapemig, a
projetos de pesquisa ligados ao setor energético, de 2011 a 2015;
R$ 50 milhões é o valor médio, de investimento anual, que a Cemig
destina a projetos de pesquisa;
Cerca de 200 projetos estão em desenvolvimento atualmente;
Com esses recursos já foram gerados:
43 novos materiais e equipamentos aplicados à manutenção, operação,
supervisão e controle de processos e sistemas;
49 sistemas e softwares voltados para a otimização de processos e
integração de informações em diferentes plataformas;
79 metodologias, processos e procedimentos aplicados à melhoria
operacional, ganhos de eficiência e construção de novos padrões;
Cerca de 450 artigos nacionais ou internacionais publicados.
Resultados nas ruas
O Programa de P&D da Cemig
já investiu, nos últimos 11 anos,
mais de R$ 500 milhões em
cerca de 350 projetos. O resultado de um deles já pode ser
visto pelos belo-horizontinos
nos cruzamentos dos sinais
de trânsito da capital mineira:
nos semáforos em que havia
lâmpadas convencionais incandescentes, hoje há outras
que utilizam a tecnologia LED
(Light Emitting Diode, na sigla
em inglês, ou Diodo Emissor de
Luz, em português).
A alteração foi viabilizada
por uma parceria entre a Cemig – por intermédio da subsidiária Efficientia, que fará
a gestão da implantação das
novas lâmpadas – e a BHTrans.
Firmado em outubro de 2010,
o acordo prevê o investimento
de R$ 6,5 milhões na instalação
das 22.600 novas lâmpadas,
o que trará benefícios como
a redução de quase 90% do
consumo de energia dos sinais. “Já realizamos 44% da
troca, e nossa previsão é de
que tudo esteja finalizado em
setembro”, avalia o engenheiro eletrônico da BHTrans, Luiz
Henrique de Oliveira.
Outra vantagem é a maior
segurança, já que os faróis com
LED não sofrem interferência
da luz solar e não geram reflexos que podem confundir os
motoristas quanto à cor acesa no momento, chamado de
“efeito fantasma”. Além disso,
os semáforos à base de LED
duram 30 vezes mais do que
os incandescentes e, por isso,
são descartados com menor
frequência, reduzindo a manutenção e a quantidade de lixo.
Eugênio Paccelli
A GET garantiu à Cemig a efetividade no uso dos
recursos e o alinhamento estratégico dos projetos com
os objetivos da organização mesmo antes da promulgação da Lei n° 9.991, em 2000, que determinou que as
concessionárias de energia elétrica aplicassem, anualmente, um percentual de até 0,5% da sua receita operacional líquida em projetos de pesquisa e desenvolvimento, segundo regulamentos da Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel).
Para transformar a estratégia de inovação em
projetos que agreguem valor ao negócio, a Cemig
promove anualmente editais públicos, possibilitando a universidades, centros de pesquisa e empresas
submeterem propostas de projetos de P&D que serão
selecionadas por meio de um processo de avaliação e
priorização. Em maio deste ano, a Cemig publicou um
edital em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) para a captação de novos projetos, que serão iniciados em 2012,
disponibilizando um montante de R$ 30 milhões.
Firmada em maio deste ano, a parceria da Cemig
com a Fapemig prevê a destinação de R$ 150 milhões
No rumo da eficiência
energética
Na fronteira do desenvolvimento das novas tecnologias
aplicadas à eficiência energética está o projeto Centro
de Monitoramento de Usos
Finais (CMUF). Trata-se de um
sistema para monitoramento e medição do consumo
de energia, em tempo real e
setorizado, seja pelo agrupamento de tipos de consumos
semelhantes – aquecimento, iluminação e outros – ou
por aparelhos eletrônicos. As
informações sobre o uso de
energia serão acessadas pela
internet ou pelo celular, de
modo que o consumidor possa melhorar seus hábitos de
consumo.
Desenvolvido com o apoio
da Cemig, em parceria com o
Centro Federal de Educação
Tecnológica de Minas Gerais
(Cefet-MG) e a Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), o CMUF foi apresentado na segunda edição do
Fórum de Inovação e Tecnologia (FIT), evento promovido pela Concessionária que
reuniu especialistas do setor
energético e mostrou projetos inovadores, entre os dias
30 de maio e 2 de junho, em
sua sede, em Belo Horizonte.
Prédio da Cemig recebeu tecnologia
para testar sistema de monitoramento e
medição do consumo de energia
Efficientia http://www.efficientia.com.br
8
Universo Cemig
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Sustentabilidade
Em prol da preservação ambiental
A segunda edição do FIT trouxe à tona discussões
técnico-científicas a respeito de três temas: energias
da biomassa, eficiência energética e meio ambiente.
Além do projeto do CMUF, também foi apresentado o
projeto “Desenvolvimento de Metodologia para Mitigação dos Impactos de Operação de Usinas Hidrelétricas sobre a Ictofauna com Uso do ROV – Veículo
Submarino Operado Remotamente”.
A proposta é adaptar o ROV com a instalação de
câmeras e sonares para monitorar o comportamento
de peixes e adotar medidas de prevenção e proteção,
substituindo o trabalho de mergulhadores, considerado uma atividade de risco. Esse processo trará mais
segurança e precisão, já que a máquina cobre áreas
maiores, proporciona rotações de 360° e chega a profundidades de até 800 metros.
A iniciativa, que integra o programa Peixe Vivo, deve
ser implantada em 2012 em seis usinas.“Isso nos ajudará a
manter e reduzir ainda mais os níveis de acidentes, que já
diminuíram mais de 90% de 2007 para cá”, diz o analista
de meio ambiente da Cemig e um dos responsáveis pelo
projeto, Ricardo José da Silva.
Eugênio Paccelli
De acordo com uma de suas idealizadoras, a professora do Cefet-MG Patrícia Jota, a tecnologia já foi
instalada e está sendo testada com sucesso em 15 edificações, que incluem prédios nos campi da UFMG e do
Cefet e a sede da própria Cemig.
Veículo submarino operado remotamente traz segurança
e precisão em operações nas usinas
Eugênio Paccelli
Gestão do Conhecimento
Uma das principais tarefas do setor de Gestão
de Tecnologia da Cemig é cuidar da gestão
do conhecimento no âmbito da instituição
e dos programas de pesquisa e desenvolvimento, promovendo a troca de informações e experiências entre os profissionais.
Bons exemplos desse trabalho, além do Fórum de Inovação e Tecnologia (FIT), são o Encontro Anual com os Gerentes de Projetos
de P&D, os Encontros de Inovação, em que
especialistas da Cemig têm oportunidade
de debater assuntos de interesse com pesquisadores da área, palestras com especialistas e a criação, em caráter experimental,
do fórum virtual Alternativas Energéticas,
que funciona por meio de uma ferramenta
colaborativa dentro da intranet da empresa.
10
Universo Cemig
O sol é para
todos
Conheça alguns
projetos
inovadores da
Cemig com o
uso de energia
solar
O
astro-rei, a mais poderosa e inesgotável fonte
energética do sistema
solar, pouco a pouco vem sendo utilizado para a produção
de energia limpa e renovável.
Japão, Estados Unidos e Alemanha ainda são os maiores
expoentes mundiais na geração desse tipo de energia.
Mas o Brasil e, especialmente,
o Estado de Minas Gerais, tem
conseguido seu “lugar ao sol”
nesse cenário, graças a uma série de projetos desenvolvidos e
apoiados pela Cemig.
Um dos maiores destaques
é o Mineirão Solar, que vai
dotar o Estádio Governador
Magalhães Pinto, em Belo Horizonte, de infraestrutura baseada no uso da energia solar
e da eficientização energética.
As maiores vitrines da iniciativa, que tem prazo de conclusão
até dezembro de 2012, serão
os jogos da Copa do Mundo de
2014 e as partidas da fase de
eliminatórias da Copa das Confederações, em 2013.
O Mineirão Solar consiste
na instalação de uma usina
fotovoltaica sobre a cobertura de concreto do estádio, por
meio da utilização de placas
fotovoltaicas de filme fino. A
energia elétrica gerada será
interligada ao sistema de distribuição da Cemig. “O aproveitamento da energia solar
para a geração de eletricidade
por esse sistema tem tido uma
grande evolução e uma boa
aceitação da sociedade. Isso
não se deve apenas ao grande
apelo ambiental, mas também
à queda contínua dos custos
e às questões de autonomia e
inclusão energética”, explica o
gestor responsável pelo projeto, Alexandre Heringer Lisboa,
da Cemig.
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Potência elétrica estimada: 600 kW
Área a ser ocupada na cobertura superior
pelas placas: 7.385 m2
Tamanho de cada placa de filme fino:
5,486 x 0,394 m
Número de placas: 3.417
Graças a esse desafio, o Mineirão poderá receber a
mais alta certificação em eficiência energética do mundo,
o Green Building, atestando que a edificação é sustentável e ecoeficiente. Na Europa, alguns países já adotaram
os chamados “estádios solares”, como a Alemanha, na
Copa de 2006, e a Suíça, na Copa da União das Federações
Europeias de Futebol (Eurocopa), em 2008.
Usinas limpas
Outro projeto, também apoiado pela Cemig, mostra que é possível utilizar a energia solar para substituir usinas poluentes. Sob a denominação “Usina
Termoelétrica Solar Experimental de 10 kW Utilizando
Concentradores Cilíndrico-Parabólicos”, seu objetivo
consiste no desafio de demonstrar a viabilidade de
uma tecnologia de vasto potencial de utilização, embora exercida por pouquíssimos agentes no mundo,
12
Universo Cemig
Arquivo Cemig
Energia Inteligente
O Programa de Eficiência Energética da Cemig, o
Energia Inteligente (EI), é constituído por diversos projetos, promovendo a mudança de cultura no uso de
energia. Um deles é o Conviver Solar, que visa à instalação de sistemas de aquecimento solar em moradias
da Cohab-MG, possibilitando a redução de até 50%
na conta de luz de famílias de baixa renda. Até o fim
deste ano, 15 mil lares serão beneficiados. Outro projeto
do Energia Inteligente é o Solar-Ilpi, que beneficia Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpis) com
a substituição de chuveiros elétricos por sistemas de
aquecimento solar. A perspectiva é de gerar 70% de economia no consumo de energia somente com banhos.
O Solar - Hospital e Entidades Filantrópicas, por
sua vez, visa à substituição de chuveiros elétricos
por sistemas de aquecimento solar na rede hospitalar e em entidades filantrópicas de Minas. Tem como
objetivo não só a redução do consumo de energia,
mas também a diminuição da demanda do horário
de pico. Um exemplo é o Hospital Regional Prefeito
Osvaldo Resende Franco, de Betim (MG). Recentemente, ele foi contemplado com o maior sistema de
aquecimento solar já instalado em um hospital no
Brasil. São 850 metros quadrados de placas coletoras
e reservatórios com capacidade para armazenar 42 mil
litros de água quente. O investimento foi de R$ 1,34 milhão. Estima-se uma redução de R$ 260 mil nos custos
de energia gastos pela instituição anualmente.
Arquivo Cemig
Gustavo Penna
Mineirão Solar
servindo de modelo para iniciativas similares no Brasil. A miniusina, localizada no Campus 2 do Cefet-MG,
é composta por coletores que concentram a luz do sol,
de modo a aquecer um fluido utilizado para produzir
vapor e eletricidade.
O projeto da usina experimental foi realizado no
âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento
Cemig/Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Ela foi construída apenas com materiais disponíveis
no mercado nacional. “Procurar no nosso mercado o
máximo de soluções possíveis, mesmo que gerando
obstáculos ao andamento do projeto, busca mostrar
sua viabilidade técnica e independência tecnológica”,
esclarece Alexandre Lisboa.
Em parceria com a empresa espanhola de painéis
fotovoltaicos Solaria, além da Aneel e Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Cemig também participará da construção da
primeira usina solar fotovoltaica para produção de
energia conectada à rede de distribuição no Brasil.
A ação dará forma a uma usina com capacidade de
3MW em Sete Lagoas (MG), município próximo a Belo
Horizonte e ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG).
Avaliado em R$ 40 milhões, o projeto foi realizado
por intermédio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Cemig/Aneel, uma vez que não há, no momento, viabilidade econômica para empreendimentos desse tipo. “Precisamos de investimentos nessa
área, porque o custo da energia elétrica obtida via
energia solar no Brasil ainda é muito alto”, ressalta o
gerente de Alternativas Energéticas da Cemig, Marco
Aurélio Dumont Porto. Isso acontece porque o Brasil
não produz os equipamentos necessários para a construção de usinas solares. Eles precisam ser importados de países que os utilizam em larga escala, como
Espanha, Alemanha e China.
“Nossa expectativa é de que essa usina abra portas
para o domínio da tecnologia e a utilização de energia
limpa, difundindo a cultura solar em todo o País. Assim, os custos decairão, permitindo seu uso em escala
cada vez maior”, afirma o gerente. A estimativa é de
que a construção da usina seja iniciada em agosto
deste ano, com previsão de término em quatro meses.
Portal Cemig: http://www.cemig.
com.br/Sustentabilidade/Programas/EficienciaEnergetica
Sistemas de aquecimento solar em moradias de
Divinópolis (MG) reduzem gastos com energia
Maio - Agosto/2011
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Arquivo Cemig
Arquivo Cemig
CAPA
A
Com os Programas de Eficiência
Energética, Cemig visa promover
a mudança de cultura no
uso de energia
Pioneirismo
Arquivo Cemig
A PUC Minas tem um dos mais importantes centros de excelência na área de energia alternativa: o
Grupo de Estudos em Energia ou Green-IPUC. Fundado em 1997, ele mantém um prédio-laboratório
com equipamentos de última geração para pesqui-
Hospital Regional Prefeito Osvaldo
Resende Franco, de Betim (MG),
recebeu o maior sistema de
aquecimento solar já instalado em
um hospital no Brasil
14
Universo Cemig
sas sobre o tema. A estrutura, adquirida em parceria
com a Cemig, Eletrobras e outros colaboradores, fez
do Green-IPUC uma referência no Brasil. Ele é o único
laboratório responsável pela etiquetagem de coletores solares, reservatórios térmicos e equipamentos
fotovoltaicos para o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)
e obtenção do selo Procel. Também é um dos cinco
no mundo que conta com um simulador solar que
permite pesquisas com coletores em ambientes fechados e outros equipamentos.
Segundo a coordenadora do Centro de Pesquisa
Green-IPUC, a professora Antônia Sônia Diniz, a existência de centros como esse garante o uso eficiente
dos equipamentos e assegura ao consumidor a qualidade dos produtos adquiridos. “Desenvolver alternativas energética e ecologicamente responsáveis é fundamental para que tenhamos um futuro sustentável”,
diz a professora. Graças a iniciativas como essa e aos
vários projetos da Cemig que priorizam o uso da energia solar, é possível acreditar nisso.
Arquivo Cemig
“Queremos a mudança da cultura do uso da energia, que hoje possui uma parcela elevada de desperdício. Com esses projetos, queremos mostrar para a
sociedade que a energia elétrica é muito nobre para
ser utilizada para banhos. Temos uma fonte de abundância que é o calor do sol e tecnologia disponível
para aproveitá-la. O preço do chuveiro é mais barato
que um sistema solar, mas é importante promover
essa mudança, pois a economia obtida na compra
de um equipamento mais barato é menor comparada ao que será gasto a mais com energia elétrica”,
calcula o engenheiro de Soluções Energéticas do EI,
Leonardo Rivetti.
Milhões
de pontos de
luz
A energia elétrica
percorreu os
caminhos de
Minas e chega ao
consumidor
7 milhões
pós passar por tantos caminhos e histórias, a Cemig comemora a ligação do seu
consumidor sete milhões. A cada dia a
conexão da energia elétrica com a vida se faz
mais forte, intensificando o desenvolvimento,
ampliando as condições de segurança e conforto, possibilitando a geração de novos empregos,
melhores condições de saúde, de educação e de
lazer. Com estas palavras, no dia 29 de outubro
de 1976, foi anunciada a ligação do consumidor
um milhão, em Governador Valadares (Vale do
Rio Doce). Trinta e cinco anos depois, com todas
as mudanças registradas no mundo, os objetivos
da Empresa continuam os mesmos: levar desenvolvimento econômico e social, melhores condições de vida e energia de qualidade para além
das montanhas de Minas.
“A infraestrutura de energia elétrica é base
para todas as outras, e a Cemig, cuja história
é pautada na responsabilidade e compromisso com a sociedade, cuida para estar sempre à
frente com os avanços tecnológicos, através dos
seus múltiplos canais de acesso e atendimento,
a tecnologia aplicada à construção, adequação
ambiental, manutenção e modernização de suas
redes, equipamentos, softwares e todos os demais insumos desta complexa atividade que é a
distribuição de energia elétrica. Nos últimos cinco anos, estamos investindo mais de R$ 5 bilhões,
abrangendo municípios em todas as nossas ‘Muitas Minas’, como já falava o nosso Guimarães
Rosa”, comenta o diretor de Distribuição e Comercialização da Cemig, José Carlos de Mattos.
De acordo com o diretor, até chegar ao consumidor sete milhões, a Cemig construiu mais de
460 mil quilômetros de rede de energia elétrica,
o que equivale a 11 voltas ao redor da Terra. Essa
grandeza fica melhor evidenciada quando são
comparados estes dados com aqueles da 2ª maior
distribuidora do País, que, atendendo a 6 milhões
e 200 mil consumidores, concentrados no estado de
São Paulo, possui o equivalente a apenas 45 mil quilômetros de redes de distribuição, sendo, portanto,
dez vezes menor do que o verificado na Cemig.
Maio - Agosto/2011
15
Fotos: Arquivo Cemig
Para o dirigente, “toda a tecnologia e investimentos aplicados só fazem diferença porque temos
o compromisso e o engajamento de nossas pessoas.
Estou falando de quem construiu e mantém esta
grande empresa. Falo dos empregados da Cemig.”
José Carlos de Mattos afirma que investimentos adequados, pessoas capacitadas e comprometidas são a garantia de que a energia estará sempre presente, nas 24 horas do dia e em todos os
pontos conectados. “Quando o fornecimento for
interrompido, por força de intempéries sobre as
quais a Cemig não tem controle, os profissionais
estarão sempre preparados para o restabelecimento automático ou no menor tempo possível.”
O pioneirismo na introdução de tecnologia
no País está mais uma vez demonstrado com a
implantação das redes inteligentes, conhecidas
como smart grid. O sistema está sendo aplicado,
em caráter piloto, em Sete Lagoas, com o projeto
denominado Cidades do Futuro.
Profissionalismo, comprometimento
e reconhecimento
O eletricista de linhas de redes Aires Antônio
Magalhães Pinto, da região de Caeté, está na Cemig há quase 28 anos e afirma que acompanhou
muitas mudanças na Empresa. “A Cemig tem investido alto na modernização de processos, infraestrutura, capacitação e segurança da sua equipe,
e vem, ao longo dos anos, criando novas formas
de trabalhar. Tudo isso com foco na melhoria da
qualidade do atendimento ao cliente”, destaca.
Já o eletricista Ademilson Ramon Ribeiro, de
Três Pontas, enfatiza que a Empresa nunca esquece o foco na qualidade dos serviços prestados.
Os eletricistas da Cemig Aires
e Ademilson acompanharam
de perto a expansão das redes
elétricas pelo Estado
16
Universo Cemig
“Nosso trabalho precisa ser muito bem feito, pois os
problemas que solucionamos diariamente podem custar vidas. Estamos sempre atentos à manutenção das
redes, em entregar energia elétrica de qualidade, no
prazo e com segurança”, declara o profissional, que está
na Cemig há 19 anos.
O comprometimento do empregado da Cemig com a
qualidade é incentivado por meio de ações de reconhecimento, de valorização do funcionário e de cuidados com
a sua segurança. Em 2010, o eletricista Aires foi eleito
“empregado destaque em segurança”, o que lhe rendeu
como prêmio uma viagem para conhecer a Bolsa de Valores de Nova Iorque (EUA). “Foi uma experiência inesquecível”, diz, ressaltando ter percebido a importância
do trabalho dos empregados para a Companhia. “O crescimento dela está diretamente ligado ao nosso desempenho. Nesse sentido, garantir a nossa segurança é primordial e uma preocupação constante na Cemig”, avalia.
Essa satisfação também é vivenciada pelos eletricistas junto aos clientes. “Somos representantes da
Cemig e uma referência nas comunidades em que
atuamos. Em Caeté, sou constantemente procurado
para dar orientações, em função do nosso trabalho
e conhecimento técnico. Isso é muito gratificante”,
lembra Aires.
Para Ademilson, o reconhecimento é motivo de
satisfação e realização pessoal. “Sinto-me importante por realizar bem minha função e acredito que
cresci profissionalmente na Cemig. Os moradores
das cidades que atendo estão sempre me agradecendo pelo trabalho executado, pelo conhecimento
dividido com eles nas palestras e nos atendimentos”,
conta, orgulhoso.
Ademilson não esconde a paixão pela atividade.
“Costumo dizer para amigos e colegas de profissão
que o jogador da Seleção Brasileira de Futebol coloca
A Cemig é, hoje, a maior empresa integrada e o
terceiro maior grupo gerador do País, com capacidade
instalada de 6,9 MW. Só em Minas, são
55 hidrelétricas, como a Usina de Irapé
Maio - Agosto/2011
17
Luz para Todos
“Todo mundo se alegrou com a claridade da
luz. Foi uma festança no nosso quintal! Teve foguete, carne assada e bebida a noite toda. Tinha
gente cantando e tocando violão. Aqui ficou igual
a um jubileu. Todo dia colocamos a mão pro céu,
de alegria.”
A emoção toma conta da lembrança do dia
em que a luz chegou à casa de dona Zita Gonçalves de Moura, 70 anos, que mora na região Central de Minas. Ela foi uma das agraciadas pelo Luz
para Todos, uma iniciativa da Cemig e do Governo
Federal, que visa levar a energia elétrica aos mais
longínquos rincões mineiros. Em Minas Gerais,
99% das pessoas que estão na área de concessão
da Cemig têm hoje acesso à energia elétrica. De
2004 a julho de 2011, o Energia Rural – Programa
Luz para Todos beneficiou 273 mil famílias, valor
este equivalente a quase três vezes a meta original do programa.
“Este programa de eletrificação é, reconhecidamente, responsável pelo retorno de um enorme número de famílias que havia deixado o campo buscando a vida nas cidades. Hoje, aqueles
que lá vivem – com as possibilidades de conforto,
acesso à cultura, saúde, segurança e lazer que a
energia elétrica proporciona – se fixam em seus
locais de origem, contribuindo para a movimentação da economia local, vitalizando comunida-
7 milhões
Arquivo Cemig
o coração no bico da chuteira na hora de defender
a sua pátria. Nós, eletricistas, colocamos o coração
nas luvas de proteção”, reflete.
1976 1 0 0 0 0 0 0
1983 2 0 0 0 0 0 0
1989 3 0 0 0 0 00
1995 4 0 0 0 0 0 0
2000 5 0 0 0 0 0 0
2005 6 0 0 0 0 0 0
O diretor José Carlos de
Mattos destaca que,
para chegar ao consumidor
sete milhões, a Cemig
investiu R$ 5 bilhões nos
últimos cinco anos
2011 7 0 0 0 0 0 0
Consumidor 7 milhões/18 milhões de pessoas com energia elétrica
Aquisição de participação na Light (Concessionária RJ)
6 milhões
Consumidor 6 milhões/mais
de 17 milhões de pessoas atendidas
5 milhões
Consumidor 5 milhões/Nalsa Moreira (Pará de Minas)
4 milhões
Consumidor 4 milhões
3 milhões
Consumidor 3 milhões
Incorpora a CGE (Sudoeste de MG)
Assume os serviços de 18% de MG, atendidos pelo DAE
Consumidor 2 milhões/554 sedes municipais atendidas
2 milhões
1 milhão
Consumidor 1 milhão/Adalberto Coelho (Gov. Valadares)
Absorve Cia. Força e Luz
Criação da Cemig por JK
1952
18
Universo Cemig
1973
1976
1983 1985 1986
1989
1995
2000
2005 2006
2011
Maio - Agosto/2011
19
Fotos: Arquivo Cemig
des antes com reduzidos horizontes de crescimento. Podemos dizer que acontece, finalmente,
o resgate da dignidade do ser humano que, em
pleno século 21, via-se privado deste benefício”,
afirma José Carlos.
Marcos históricos
Desde o cliente um milhão, Adalberto Coelho,
morador de Governador Valadares, cada milhão de
novos consumidores foi comemorado pela Cemig.
E cada declaração emocionada em relação à chegada da luz foi sinônimo de vitória para a Empresa.
O consumidor sete milhões consolida a Companhia Energética de Minas Gerais como a maior
distribuidora da América Latina e maior companhia integrada de energia elétrica do Brasil.
Foco no cliente
Para que os mais de 18 milhões de mineiros
sejam atendidos com eficiência pela Cemig, a criação de centrais de atendimento e relacionamento
é indispensável. Pelo telefone, os consumidores
de residências, comércios e pequenas indústrias
são atendidos pelas agências e pelas Centrais de
Atendimento ao Cliente (Fale com a Cemig - 116).
Para os consumidores comerciais de grande
porte e médias indústrias, existe o Contact Center,
que faz os atendimentos por telefone ou pessoalmente. Também há cem profissionais exclusivamente treinados para o relacionamento com o
20
Universo Cemig
poder público, que são as prefeituras municipais e
secretarias de Estado.
Toda essa estrutura garante a proximidade entre a Empresa e cada um dos seus diferentes públicos. O consumidor sete milhões incentiva a busca
de novas formas de relacionamento, pois o mercado continua a crescer e os clientes vão ficar cada
dia mais exigentes.
“Felizes e orgulhosas são as pessoas que conciliam a nobreza do seu trabalho, que proporciona o
sustento próprio e o de sua família, com a grandeza da entrega de um produto indispensável e essencial à vida”, conclui o diretor José Carlos.
Maior empresa integrada
do setor:
Criada em 22 de maio de 1952, por
Juscelino Kubitschek;
3º maior grupo gerador brasileiro;
6,9 MW de capacidade instalada;
66 usinas no Brasil (55 em MG), sendo
60 hidrelétricas, 3 termoelétricas
e 3 eólicas;
58 empresas compõem o Grupo Cemig;
15 consórcios;
Mais de 114 mil acionistas em 44 países;
9% de aumento na venda
de energia em 2010.
A
pós vivenciar o ciclo da borracha, da cassiterita e do ouro, com consequente desenvolvimento, é chegada a hora de Rondônia
se desenvolver com a geração de energia. E o desafio, garante a assistente técnica da Secretaria
de Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia, Maria Emília da Silva, é sustentar o desenvolvimento. “Não queremos viver o mesmo que
aconteceu no passado, quando, após a pujança,
regredíamos”, afirma.
Isso porque o Estado teve momentos de progresso, mas não conseguiu manter o desenvolvimento quando a exploração da borracha, da cassiterita e do ouro acabou. Agora, é hora de aproveitar
o crescimento e não deixar a peteca cair. Crescimento, aliás, que está sendo gerado pela implantação da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, localizada
no Rio Madeira, a sete quilômetros de Porto Velho.
A construção da hidrelétrica está estimulando
a geração de emprego e renda na região. Atualmente, estão envolvidas no projeto cerca de 17 mil
pessoas. Dessas, 10% são mulheres que, por meio
do empreendimento, conseguiram uma nova
Cleris Muniz/Agência Imagem News
Da capital mineira para mais de 700 cidades do Estado e 18 milhões de pessoas. Por meio de programas como o Luz para Todos,
a Cemig levou energia para pequenas comunidades como a aldeia dos índios Krenak, em Resplendor
Nova
Rondônia
GERAÇÃO
O que muda com a chegada
da Usina Santo Antônio a
Porto Velho
oportunidade profissional. É o caso de Zenaide
Pereira da Silva, de 29 anos, que, há cerca de seis
meses, trabalha como operadora de pórtico rolante nas obras de construção da usina. Ela é responsável pela operação de um equipamento utilizado
para elevar e deslocar cargas de 240 toneladas. “É
um trabalho de muita responsabilidade. É preciso
ter atenção e observar muito. São máquinas bem
grandes e eu tenho que me comunicar por rádio,
e até mesmo por sinais, para saber a hora exata de
movimentar a carga”, explica Zenaide.
Para se capacitar – assim como outros 25 mil
homens e mulheres da região –, ela fez o curso de
operadora de máquinas pelo Programa de Educação Continuada Acreditar, desenvolvido pela Odebrecht (empresa que integra o consórcio para a
construção e operação da usina). Aluna exemplar,
sempre com boas notas e dedicada ao que faz, Zenaide foi contratada para trabalhar na usina.
Portal Santo Antônio Energia
http://www.santoantonioenergia.com.br
Desde que começou a ser
implantada, a Usina Santo Antônio
leva desenvolvimento econômico e
social a Rondônia
Maio - Agosto/2011
21
Desenvolvimento perceptível
Mesmo sem uma pesquisa que mostre, oficialmente, os resultados gerados pela implantação da
usina, a assistente técnica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia, Maria
Emília da Silva, afirma que as mudanças, principalmente na capital, Porto Velho, são visíveis.
Ela cita o aumento da oferta de vagas de trabalho pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) e da
sua demanda. Cresceram também a frota de veículos nas ruas – que saltou de 60 mil em 2005 para
130 mil este ano –, a demanda do comércio e o setor
22
Universo Cemig
imobiliário. Além disso, a região recebeu a implantação de indústrias para fornecimento de equipamentos, produtos e serviços para a hidrelétrica, além de
outros tipos de investimentos industriais.
“Se aumenta a demanda pelos serviços, cresce a receita”, enfatiza Maria Emília. Segundo ela,
Rondônia tem uma das melhores distribuições
de renda do País. “A distância entre os mais ricos
e os mais pobres é uma das menores também.
Não há grandes cinturões de pobreza no Estado.
Nossa taxa de desemprego é de 5,8%, sendo que
a média nacional é de 6,2%”, diz.
Nos bastidores
Para se ter uma noção da real capacidade da usina, a energia que poderá ser produzida por ela é o suficiente para abastecer 11 milhões de residências ou
o equivalente a 44 milhões de pessoas. Para tamanho empreendimento, foram necessários estudos
referentes à água, fauna, flora, solo e, principalmente, à população que residia na área de influência do
aproveitamento hidrelétrico do Rio Madeira, como
esclarece o diretor de Sustentabilidade da Santo Antônio Energia, Carlos Hugo Annes de Araújo.
Desde 2001, especialistas vêm desenvolvendo
esses estudos, os quais verificaram o potencial de geração de energia do rio e a possibilidade de executar
um projeto sustentável. “O trabalho foi desenvolvido ao longo dos 260 quilômetros do Rio Madeira”,
acrescenta Carlos Hugo. Segundo ele, o projeto está
em conformidade com as normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e busca intervir o mínimo possível
na vida da comunidade local.
Carlos Hugo informa que, com apoio do Centro
de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama,
mais de 23 mil animais foram resgatados e devolvidos ao seu habitat natural. Também estão sendo
feitos o monitoramento permanente da fauna e o
resgate da flora para perpetuação de espécies nativas. Além disso, foram investidos recursos na melhoria da infraestrutura na aldeia dos índios karitiana
e no combate a incêndios e crimes ambientais, com
equipamentos para o Batalhão da Polícia Florestal e
para o Corpo de Bombeiros.
Arquivo Odebrecht
“Minha vida mudou para melhor. A usina trouxe
muitas oportunidades e eu agarrei a minha”, ressalta a trabalhadora. Ela almeja o crescimento e já faz
planos para o futuro. “Estou arrumando minha casa
e vou poder dar uma vida melhor para minha filha.
Também quero fazer faculdade, porque o estudo nos
faz crescer”, declara. Zenaide é do Maranhão, mas foi
para Porto Velho com a família, há quatro anos, em
busca de novas oportunidades de crescimento.
Oportunidade que também teve Vanderlan Souza Gomes, 58 anos. Ele trabalha na obra há cerca de
dois anos. Inicialmente, após se capacitar pelo Acreditar, foi empregado como ajudante. Mas, pelo bom
desempenho, logo foi promovido a encanador e, depois, a operador de Estação de Tratamento de Água,
o que segundo ele, vem mudando sua vida. “Graças
ao trabalho na obra, consegui tirar carteira de motorista, comprei um carro e ainda estou conseguindo
pagar a faculdade da minha filha”, diz, orgulhoso.
E os benefícios se estendem ao dia a dia da família também. “Com o salário que recebo, posso dar
melhores condições de moradia e de alimentação
para minha família. Hoje, a gente pode passear mais
e almoçar em restaurantes”, relata Gomes, que é de
Manicoré (AM), mas mora em Porto Velho há mais
de 35 anos. “Uma vez, vim passear aqui e gostei muito. Resolvi me mudar, porque sabia que encontraria
mais oportunidades”, lembra.
Assim como Zenaide e Gomes, mais de 80% do
total de operários que trabalham na usina são moradores de Porto Velho e região. Mas os benefícios
vão além da geração de emprego e renda.
Zenaide está entre as mulheres que
cresceram profissionalmente com a
chegada da usina à Rondônia
Maio - Agosto/2011
23
Empreendimento de larga escala
Com uma potência instalada de 3.150,4 megawatts
(MW), o empreendimento, cujo início das operações
está previsto para dezembro deste ano, irá contribuir
para sustentar o desenvolvimento econômico do Brasil. Do total da energia gerada, 70% serão destinados
às distribuidoras e 30%, ao mercado livre, composto
por grandes consumidores, como as indústrias.
A Santo Antônio Energia é a sociedade responsável pela construção, operação e comercialização
da energia que será gerada pela hidrelétrica. Os
acionistas são: Cemig, Eletrobras Furnas, Odebrecht,
Andrade Gutierrez e o Fundo de Investimentos e
Participações Amazônia Energia (FIP). O empreendimento, de cerca de R$ 15 bilhões, faz parte do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do
governo federal.
O empreendimento em
números:
Com a oportunidade de
trabalho na Usina Santo
Antônio, Vanderlan conseguiu
melhorar a vida da família
24
Universo Cemig
Nos
trilhos do
desenvolvimento
“N
17 mil pessoas envolvidas
no projeto;
10% dos trabalhadores da
usina são mulheres;
80% dos operários moram
em Porto Velho e região;
25 mil pessoas foram
capacitadas;
44 milhões de pessoas é o
que a usina espera abastecer.
Arquivo Odebrecht
O diretor de Sustentabilidade garante que os resultados dos estudos e do planejamento já podem
ser sentidos. “Além de dar oportunidade de trabalho
a mais de 25 mil pessoas que estavam desempregadas, os serviços públicos de segurança, saúde e
educação receberam aportes para ampliar o atendimento à população”, explica.
Segundo Carlos Hugo, foram construídas duas
unidades de pronto atendimento na cidade, além de
melhorias em 19 postos de saúde e reforma e ampliação do Hospital Regional de Cacoal (RO), com 198 novos leitos, e do Hospital de Base em Porto Velho, com
65 novos leitos. Mais de R$ 12 milhões foram investidos em projetos de combate à malária. Em educação
pública, o diretor de Sustentabilidade relata que foram construídas duas escolas e realizadas melhorias
em sete, com 53 novas salas. A capacidade de atendimento foi ampliada para seis mil novos alunos.
Agência Imagem News
Regionalismo
O que encanta no segundo Estado mais jovem do Brasil
estas fronteiras de nossa pátria / Rondônia trabalha febrilmente / Nas oficinas
e nas escolas / A orquestração empolga
toda gente.” Esse trecho do hino do Estado traduz
bem o cenário atual. Rondônia tem 1,5 milhão de habitantes. É considerado um estado jovem, com 68% de
sua população em idade produtiva. Desde a época de
sua colonização, atrai migrantes de todas as regiões
do Brasil para muitas frentes de trabalho. Possui uma
estrutura fundiária descentralizada com 80% das propriedades rurais nas mãos de agricultores familiares e
20%, com grandes proprietários. O estado é atendido
por 28 faculdades particulares e uma federal, com cerca de 35 mil universitários. Por ano, são aproximadamente seis mil novos profissionais no mercado.
Atualmente, Rondônia vive a efervescência da
exploração do potencial hidrelétrico do Rio Madeira,
com a implantação da Usina Santo Antônio (veja re-
portagem nas páginas 21 a 24). Além da geração de
emprego e renda, a usina também está propiciando o
desenvolvimento socioeconômico e cultural da região.
Paulo Luciano da Silva Carvalho, de 29 anos, nasceu
em Porto Velho e trabalha há quase dois anos como
eletricista de corrente alternada nas obras de construção da usina. “Amo trabalhar aqui. Fiz muitos amigos
e agora tenho condições de dar melhor qualidade de
vida para minha família”, diz Carvalho. Para realizar os
sonhos, ele dá a dica: “Precisamos ter objetivos, lutar e
ser persistente”.
Foi buscando conquistar objetivos que Lenildo Alves Sena, de 42 anos, voltou a viver em Porto Velho
após alguns anos fora do Estado. “Voltei para a cidade em busca de novas oportunidades, que chegaram
com a hidrelétrica. Estou muito satisfeito. A usina é
uma grande escola”, conta Sena, que há quase dois
anos trabalha como auxiliar administrativo.
O Complexo Ferroviário de
Porto Velho é um dos atrativos
turísticos e históricos da região,
cuja restauração está em estudo
0
Ano 1 - NMaio
1 - Maio
/ 2010
- Agosto/2011
25
Pisco Del Gaiso
“É impossível falar de preservação ambiental sem
falar do maior envolvido, o homem”, explica Sandra
sobre as ações na área de direitos humanos, que integram o Programa de Educação Ambiental do consórcio.
Após trabalhar com a prevenção da violência contra a
mulher, o tema da campanha deste ano é exploração
infantil. Em um trabalho corpo a corpo, foram distribuídas cartilhas com orientações a 15 mil trabalhadores
do canteiro de obras da usina. A ação ganhou o apoio
da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Quem participou aprova. “Essa conscientização é
muito importante para que as crianças possam crescer com tranquilidade, sem pressão e sem abusos”,
Com o apoio do consórcio, mais de 23 mil animais
foram resgatados e devolvidos ao habitat natural
Riquezas naturais, memória e
cultura preservadas
Paralelamente à implantação da usina, a Santo Antônio Energia, consórcio responsável pela construção
e operação da hidrelétrica, está desenvolvendo várias
ações ambientais, socioeconômicas e culturais na região. Uma delas foi o apoio ao Centro de Triagem de
Animais Silvestres (Cetas), que será entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) após o enchimento do reservatório.
O consórcio também colaborou para o resgate de mais
de 23 mil animais que foram identificados e devolvidos
ao seu habitat natural.
O diretor de Sustentabilidade da Santo Antônio
Energia, Carlos Hugo Annes de Araújo, acredita que o
conhecimento científico gerado a partir das diversas
pesquisas realizadas para a implantação da usina será
um dos maiores legados oferecidos à comunidade científica e à população local. “Na área de monitoramento
de peixes, já foram identificadas 40 novas espécies que
habitam o Rio Madeira, além das 800 espécies já catalogadas”, afirma. Com as escavações para a construção
da barragem e da área do reservatório, também foram
identificados sítios arqueológicos e históricos.
Na histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um
trecho de sete quilômetros será reativado e poderá ser
utilizado para o passeio de maria-fumaça. A ferrovia
foi construída, entre 1907 e 1912, para ligar Porto Velho
a Guajará-Mirim (RO) e escoar a borracha brasileira e
boliviana para exportação. Segundo a vice-presidente
da Fundação Cultural de Porto Velho – Fundação Iaripuna, Berenice Simão, vários projetos estão sendo
analisados para dar continuidade aos trabalhos de
restauração e revitalização de todo o complexo ferroviário, incluindo o Museu, as praças Madeira-Mamoré
e Santo Antônio e a criação do Centro de Memória dos
Povos Indígenas. “Porto Velho nasceu em consequência da construção da ferrovia. Fazer esse trabalho significa resgatar a história local”, ressalta a professora
aposentada Yedda Borzacov, que mora em Porto Velho
há quase 70 anos.
A construção da ferrovia atraiu trabalhadores de
várias nacionalidades a Porto Velho. A miscigenação
acabou influenciando a culinária local, que vai de pratos típicos indígenas a comidas japonesas, nordestinas e gaúchas, além, é claro, dos peixes amazônicos,
do tradicional vatapá, o tacacá, o pato no tucupi e a
galinha picante. Entre os produtos típicos da região,
estão o açaí, o babaçu e a castanha.
Arquivo Santo Antônio Energia
Educação socioambiental
atesta Lenildo Alves Sena, que é pai de uma criança
de um ano e se preocupa com o assunto. “Conseguimos rearticular a rede de instituições que trabalham
o tema – governos municipal, estadual e federal, organizações não governamentais (ONGs) e redes de
proteção contra a violência – para seguirmos numa
só linha”, informa Sandra.
Arquivo Odebrecht
A partir do desenvolvimento que vem sendo propiciado pela implantação da usina, surgiu a necessidade de organizar, economicamente, os produtores
locais. “Queremos provocar o protagonismo na cidade. Agregar outras possibilidades para eles”, ressalta
a analista socioambiental da Santo Antônio Energia
Sandra Regina Nunes dos Santos.
Naturais de Porto Velho, Paulo e Lenildo são testemunhas
do progresso trazido pela Usina Santo Antônio à região
Parada obrigatória
Se for a Porto Velho, não deixe de conferir:
O Complexo Ferroviário, com o Museu, a Capela Santo Antônio
e o Prédio do Relógio, cuja construção é em forma de locomotiva.
O Real Forte Príncipe da Beira – localizado na fronteira entre Brasil
e Bolívia, tem 970 metros de extensão, 10 de altura e uma beleza
arquitetônica que atrai turistas para a região.
A Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás - Arraial Flor do Maracujá –
realizado em junho, o arraial é considerado o maior evento
cultural do Estado.
Jerusalém da Amazônia – é a segunda maior cidade cenográfica
do mundo – só perde para a do Recife – onde se encena a
Paixão de Cristo. Para não coincidir com outros eventos do
Estado durante a Semana Santa, a encenação acontece em maio.
cemig-energia.blogspot.com
26
Universo Cemig
Maio - Agosto/2011
27
CULTURA
Divulgação/Marília Rocha
Além de fomentar a produção audiovisual no Estado, o Filme em Minas participa da realização dos
principais encontros mineiros de cinema: Festival de
Tiradentes, Mostra CineOP e Mostra Cine BH. Está
presente no apoio à formação de projetos experimentais e vídeos ligados à arte contemporânea e colabora na produção e distribuição de diversos filmes
de repercussão internacional.
C
Filme em Minas, Programa de Estímulo
à Produção Audiovisual patrocinado
pela Cemig, chega a sua 5ª edição
inema retrata realidades. Exprime pelo
olhar do diretor um recorte do que se encontra no cotidiano. O que dá vida às telas
são as histórias. Porém a produção de um filme
requer um árduo trabalho que envolve equipe e
orçamentos consideráveis. Para incentivar e fomentar a produção audiovisual no Estado, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado
de Cultura, em parceria com a Cemig, via leis de
incentivo federais, lança a cada dois anos o edital
Filme em Minas – Programa de Estímulo à Produção Audiovisual, que chega a sua 5ª edição.
As cinco edições do programa investiram cerca
de R$ 17,5 milhões em 143 projetos. Só a 5ª edição
contempla 32 projetos, cuja relação de selecionados foi divulgada em junho, com incentivo total
de R$ 4,5 milhões. As sete categorias mostram a
diversidade da produção audiovisual do Estado.
“Apesar de a produção mineira audiovisual
se destacar nos cenários nacional e internacio-
28
Universo Cemig
nal, existem muitas dificuldades de produção.
Com o Filme em Minas, os realizadores passam
a contar com um instrumento regular de estímulo que garante a continuidade da produção”,
explica a analista de patrocínio cultural da Cemig Cecília Bhering.
Causos da gente
“Mineiro é um contador de história nato e
temos no Estado uma vasta bagagem cultural
para contar e uma grande diversidade de paisagens para filmar”, afirma o cineasta Helvécio
Ratton, contemplado na categoria Produção de
Longa-Metragem com o projeto “Estrelas Caídas do Céu”. Baseado em um fato de 1752, em
Diamantina (MG), o longa infanto-juvenil teve o
nome mudado para “Segredos dos Diamantes”
e sua exibição está prevista para o segundo semestre de 2011.
o/Marília
Divulgaçã
es
own Film
o/Downt
telas
Memória registrada e compartilhada
“Certa vez ouvi um cineasta dizer que um país
sem documentários é como uma família sem álbum
de fotos. Estimular e possibilitar a criação de filmes
é contribuir enormemente para a feitura de nosso
álbum de memórias”, relata Marília Rocha. Além da
capacitação de mão de obra local, o Filme em Minas
Divulgaçã
grandes
Rocha
Histórias
mineiras nas
“Acácio”, da cineasta Marília Rocha, longa selecionado na categoria Distribuição, rodou os principais
festivais pelo mundo. “Tivemos a alegria de sermos
bem-recebidos em importantes festivais internacionais, como o de Roterdã (Holanda), Bafici (Argentina),
Festival de Guadalajara (México), Doclisboa (Portugal), Festival Visions du Réel (Suíça)”, relembra.
Receita de sucesso
Longas-metragens premiados
Curtas-metragens premiados
Mutum, de Sandra Kogut
Encerrou a 39ª Quinzena dos Realizadores em Cannes e
foi eleito melhor filme no Festival do Rio, em 2007.
Nascente, de Helvécio Marins
Um dos curtas brasileiros mais exibidos
no circuito nacional e internacional de
festivais nos últimos anos. Vencedor de
17 prêmios, sendo cinco no exterior.
Andarilho, de Cao Guimarães
Selecionado para o 64º Festival de Veneza, premiado
como melhor filme no 9º Festival Internacional de
Cine na Espanha.
Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton
Neste filme de grande relevância histórica, Ratton
foi premiado como melhor diretor no 39º Festival de
Brasília, o mais importante do País.
A Falta que Me Faz, de Marília Rocha
Sua estreia internacional foi no Festival de Cinema
de Roterdã, onde a diretora foi considerada a mais
importante documentarista brasileira da atualidade.
Mercúrio, de Sávio Leite
O filme faz parte da seleção oficial de
mais de 30 mostras e festivais, sendo
15 no exterior.
O Crime da Atriz, de Elza Cataldo
Ganhou os prêmios do Júri e do Público
de Melhor Curta Brasileiro na Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo.
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Dicas Culturais
Mercado regional
Divulgação/Marília Rocha
O
engenheiro de projetos Afonso Nunes é empregado da Cemig, onde trabalha na área de
Expansão de Empreendimentos de Alta Tensão. Quando não está na empresa, ele atua como cineasta e já produziu diversos curtas-metragens. Nesta
edição do Universo Cemig, ele compartilha duas dicas:
locais e filmes que devemos visitar e assistir.
Saiba mais
Confira a evolução da verba do Filme em Minas por edição e o número
de projetos inscritos e selecionados na 5ª edição no portal Cemig:
Mais informações sobre o Filme em Minas no www.cultura.mg.gov.br.
Universo Cemig
vida
Dos dois lados da tela: Afonso Nunes
dá dicas de cinéfilo e conta um pouco
das suas experiências como cineasta
Making of de “Sentinela”, de Afonso Nunes, e o diretor Helvécio Ratton com o ator Paulo José, na filmagem de
“Pequenas Histórias”. Esses são alguns dos projetos apoiados pelo Filme em Minas
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vida
A
imita a arte;
a arte imita a
Bianca Aun
“O Filme em Minas gera um impacto crescente
na economia local. Cada filme realizado estimula a
capacitação técnica do setor, aciona parcerias entre
empresas produtoras, proporciona movimentação
contínua da área audiovisual e colabora para o fomento de toda a cadeia produtiva”, afirma a diretora
do Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura,
Carolina Gontijo.
Um exemplo dessa movimentação foi a produção do filme “Mutum”, de Sandra Kogut, que contou
com recursos da primeira edição do Filme em Minas
e com o apoio da Minas Film Commission. Cerca de
40% do orçamento de R$ 800 mil foram aplicados na
região de Três Marias (MG), onde o longa foi filmado
com a participação da população local. “O Filme em
Minas fomenta o mercado, valoriza a mão de obra
local, democratiza o direito à concorrência e supre
diretamente uma ausência de produção pela falta
de políticas destinadas ao segmento”, analisa o presidente da Associação Curta Minas, Marco Aurélio
Ribeiro. Os membros da Associação estão entre os
responsáveis pela criação do Filme em Minas, há dez
anos. Hoje, ela é parceira do Estado no desenvolvimento do programa e participa de todas as etapas
de sua realização.
Divulgação/Orapronobisfilmes
estimula publicações sobre a área e a preocupação
com a história, permitindo a digitalização de acervos
pela categoria Publicação, Preservação e Memória.
“Quando você não preserva, não há registro e o que
não é registrado não é cultura reconhecida”, salienta
Cecília Bhering.
Os materiais produzidos com os recursos do programa compõem ainda o Acervo Filme em Minas. A Secretaria de Estado de Cultura tem os direitos de exibição
não comercial dos projetos e estimula a circulação dos
filmes, principalmente pelo interior. O programa ainda
oferece oficinas desde 2006: foram mais de 450 alunos
capacitados em 42 oficinas de Produção Audiovisual,
Desenvolvimento de Projetos e Introdução ao Cinema.
Portal da Cemig
http://www.cemig.com.br/cultura
Em Belo Horizonte, onde se pode assistir a um
bom filme?
Frequento o cinema Usiminas Belas Artes e as mostras da Sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes.
No final do ano, não abro mão de acompanhar o FórumDoc - Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. É nele que me abasteço.
O seu documentário Sentinela (2007) teve a Cemig como uma das patrocinadoras. Foi importante este apoio?
Tive apoio da Cemig por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e consegui um aporte no valor de R$
20 mil. Todos os recursos captados pelo filme foram
destinados às fases de pesquisa, produção, filmagem e finalização. A distribuição ficou por conta dos
recursos próprios da Orapronobis Filmes.
O filme aborda o rito fúnebre em cidades do interior. Como foi o processo de pesquisa sobre os
rituais dos moribundos?
A ideia de realizar o filme partiu de uma entrevista realizada com meu pai em meados de 2003, pouco antes das filmagens do curta-metragem “A Idade do Homem”. Resolvi pesquisar literatura, cinema, música e
artes plásticas, ou seja, quase todas as manifestações
artísticas. A partir desse material iconográfico, desenvolvi o roteiro, que levou em torno de dois anos.
Indique um filme produzido pelo Programa Filme em Minas.
São muitos, mas destaco dois filmes – “Acácio” e
“A Falta que Me Faz”, ambos de Marília Rocha, disponíveis para compra no site.
www.mariliarocha.com.
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De
bemcom o planeta
Andarilhos de Minas
A diretora Marília Rocha, da Teia Produções, indicou o
filme do artista mineiro Cao Guimarães. “Andarilho” foi
patrocinado integralmente pelo Filme em Minas, em
sua segunda edição. O longa-metragem conta a história
de três andarilhos solitários, que percorrem trajetórias
distintas em estradas do Nordeste de Minas Gerais.“Andarilho” apresenta a fusão entre pessoas e lugares de
passagem. O desapego em gestos e vidas desgarradas.
Divulgação Pequenas Histórias
Pequenas grandes histórias
O cineasta Helvécio Ratton, da Quimera Filmes, indicou um de seus filmes com grande recepção junto ao
diversificado público. “Pequenas Histórias” apresenta
uma senhora que, da varanda de uma fazenda, conta quatro histórias ao mesmo tempo em que corta e
costura retalhos de pano, criando imagens que formam uma toalha. O casamento do pescador com a
sereia. O coroinha de uma igreja que vê a procissão
das almas. O encontro do Papai Noel com um menino
de rua. E as aventuras de Zé Burraldo, sujeito ingênuo
que sempre se deixa levar pelos outros.
Filme “Pequenas Histórias”, de Helvécio Ratton (2006)
Duração: 80 minutos
Gênero: Infantil
Filme em Minas: 3ª edição
Categoria: Distribuição
Onde encontrar: No Acervo Filme em Minas e em
todas as locadoras de Belo Horizonte. Você também
pode comprar o DVD do filme na produtora Quimera
Filmes (31) 2552-1616.
www.pequenashistorias.com.br
Já é possível encontrar relógios que funcionam à base de energia solar, dispensando a
troca e descarte da bateria. A Citizen criou
a tecnologia Eco-Drive, um mecanismo de
captação dos raios de luz que os converte
em energia. Dependendo da opção de modelo escolhida, a energia pode durar até cinco anos sem recarga. Ainda há uma bateria
secundária que não requer trocas como as
comuns, pois possui um sistema que armazena a luz e a transforma em energia elétrica, com durabilidade de cerca de 20 anos.
Outras informações:
http://www.citizen.com.br/onde-comprar.
Economia no banho
Celular com tecnologia verde
A Samsumg criou o Blue Earth, um celular que pode
ser carregado com energia solar. Uma carga de
duas horas no sol é suficiente para se falar dez minutos ou duas horas em modo stand by. O aparelho
tem acabamento em plástico reciclado de garrafas
PET, é livre de substâncias nocivas ao meio ambiente e possui perfil que se ajusta automaticamente
para economizar energia. Além disso, tem pedômetro ecológico, aplicativo que incentiva os usuários
a fazer seus trajetos a pé, informando o quanto a
emissão de gás carbônico (CO2) é reduzida e quantas árvores são poupadas ao evitar os meios de
transporte convencionais. O aparelho pode ser encontrado em lojas de eletroeletrônicos.
Arquivo Cemig
Relógios ecológicos
www.caoguimaraes.com
Universo Cemig
Divulgação/Citizen
Divulgação/Cao Guimarães
Onde encontrar: No Acervo Filme em Minas.
O DVD pode ser comprado na Livraria Travessa.
Divulgação/Samsumg
Conheça alguns produtos ecologicamente corretos que utilizam energia solar
Filme “Andarilho”, de Cao Guimarães (2006)
Duração: 80 minutos
Gênero: Documentário
Filme em Minas: 2ª edição
Categoria: Produção Longa-Metragem
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VITRINE
Uma família de classe média de quatro pessoas utiliza, por
mês, aproximadamente 100 quilowatts-hora (kWh) com o banho. Esse gasto equivale a R$ 60 mensais. Uma das alternativas é o sistema de aquecimento solar, cujos coletores captam
a radiação solar e a transferem para a água na forma de calor.
A água aquecida é conduzida por tubos para um reservatório
isolado termicamente, que a conserva quente até o momento
do seu uso, seja de dia ou à noite. O sistema com capacidade de
200 litros custa, em média, R$ 2 mil. Estima-se uma economia
anual com a conta de luz de quase R$ 700. Onde encontrar:
www.aquecemax.com.br - www.enalter.com.br - www.pantho.com.br - www.empresastuma.com.br
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Arquivo Cemig
RETRATOS DO BRASIL
Com a palavra
Belo Horizonte:
Reprodução
de Curral Del Rei à Pampulha
Paulo Mendes Campos
(in memoriam)
Escritor, jornalista e cronista,
nasceu em Belo Horizonte e
pertenceu à geração dos mineiros
Pedro Nava, Fernando Sabino e
Otto Lara Resende, entre outros.
Faleceu no Rio de Janeiro, há
exatamente 20 anos, em
1º de julho de 1991.
(Trechos extraídos da
apresentação do livro
“Belo Horizonte: de
Curral Del Rei à Pampulha”,
editado pela Cemig na década
de 80 e atualmente esgotado)
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Universo Cemig
O carrossel entra em movimento
quando chega, olha e para o bandeirante Ortiz. Foi em 1701.
Última década do século dezenove: o arraial de Curral del-Rei tem
uma igreja, ruazinhas teimosas, um
comercinho vivaz, moradores ativos,
tudo a que têm direito os aventureiros de uma odisseia!
Mãos à obra. A 12 de dezembro
de 1897, Bias Fortes e Afonso Pena
desembarcam na estação de General Carneiro: é a festa inaugural. Da
Cidade de Minas! A gente ainda se
atrapalha com os nomes no começo
da existência.
Bênção do palácio, eloquência,
algum tédio festivo, e Minas Gerais
adquiriu uma cabeça nova; mas é
preciso confeccionar a roupa para o
corpo, que está nu. Os primeiros desastres, com o incêndio do quartel,
demonstram que o corpo está vivo
e cresce. Abrem-se portas: para colégios, agências bancárias, hospitais
e até para uma faculdade, naturalmente de Direito. O século não exalou o último alento. Os habitantes
ficam mais conspícuos ao assistir
pela primeira vez a posse de um presidente: Silviano Brandão.
Vai partir o carrossel de outro século. Instala-se o Conselho Deliberativo. Uma vidinha teatral já funciona.
O mercado, uma dimensão popular
da Associação Comercial. Obras de
arte tentam exibir-se a transeuntes
que transpiram pelas ladeiras gravemente vestidos. (...) Apesar da topografia vagarenta, Beagá sobe e desce
pelos caminhos da primeira década,
conseguindo, ao fim do esforço, colocar dentro do carrossel um imponente Teatro Municipal.
Os anos vinte, contudo, estão às
portas com suas mensagens eletrizantes de renovação técnica, de
bons negócios, de boa distribuição
de renda, de liberdade indiscriminada, de satisfação para os olhos,
para os corações, para as pernas.
O carro-chefe dessa caravana de
animações não pode ser mais chic,
mais honesto: Beagá acolhe os soberanos da Bélgica.
As moças gradualmente mais
bonitas e elegantes comportam-se
pelo figurino da educação católica
e da doutrina tradicional das famílias. Instala-se um Conservatório de
Música. As operetas voltam. A ciência dá mais um ar de sua graça, curvando-se diante de Madame Curie
e inaugurando o Instituto de Rádio.
Políticos comem e se pronunciam
sob qualquer pretexto.
The Big Parade abre o Cine Glória. Escritores modernistas criam ou
recriam, na rua da Bahia, modos espantosos de pensar e escrever. Canta-se com fervor. O contracanto é a
Aliança Liberal, fechando-se o decênio com as violências de Montes
Claros. É a Revolução de Outubro. A
cidade amanhece rasgada de balas.
A Legião de Outubro nas ruas. É a
nova década. É a nova revolução. É a
morte de Olegário Maciel. É Getúlio
Vargas no Catete e Benedito Valadares na Liberdade.
1937: Cidade Industrial (A guerra
novamente). Três anos depois começam as obras da Pampulha, inaugurada em 1942. Com Juscelino Kubitschek na Prefeitura, Curral del-Rei
torna-se uma cidade moderna ou
modernista, como quiserem. Mas
não é a mesma. Nunca mais.
Antigo prédio da Companhia Força e Luz de Minas
Gerais, adquirida pela Cemig em 1973, na capital
mineira, um dos primeiros passos rumo ao crescimento
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