Revista do Grupo Cemig Ano 2 - Nº 6 - Maio a agosto/2011 Conquista histórica Cemig chega ao consumidor sete milhões em Minas USINA SANTO ANTÔNIO LEVA MAIS ENERGIA PARA RONDÔNIA CRESCER FILME EM MINAS: A SÉTIMA ARTE COM SOTAQUE MINEIRO EXPEDIENTE sete milhões Universo Cemig Revista institucional do Grupo Cemig Produzida pela Superintendência de Comunicação Empresarial Ano 2 - número 6 - Maio a agosto/2011 Av. Barbacena, 1.200 – 19º andar Tel.: (31) 3506-4949/3506-2052 Caixa Postal 992 Belo Horizonte/MG e-mail: [email protected] End. internet: www.cemig.com.br Filiado à Aberje Fontes Mistas Grupo de produto proveniente de florestas bem manejadas e outras fontes controladas www.fsc.org Cert no.IMO-COC-029623 C 1996 Forest Stewardship Council O papel utilizado neste impresso foi produzido com madeira de florestas bem manejadas, garantindo o respeito ao meio ambiente. 2 Universo Cemig EDITORIAL para Diretor-Presidente: Djalma Bastos de Morais Diretor Vice-Presidente: Arlindo Porto Neto Diretor de Distribuição e Comercialização: José Carlos de Mattos Diretor de Finanças e Relações com Investidores: Luiz Fernando Rolla Diretor de Geração e Transmissão: Luiz Henrique de Castro Carvalho Diretor de Gestão Empresarial: Frederico Pacheco de Medeiros Diretor de Desenvolvimento de Negócios: Fernando Henrique Schuffner Neto Diretor Comercial: José Raimundo Dias Fonseca Diretor de Gás: Fuad Noman Diretora Jurídica: Maria Celeste Morais Guimarães Diretor de Relações Institucionais e Comunicação: Luiz Henrique Michalick Editor responsável: Luiz Henrique Michalick - Reg. nº 2.211 SJPMG Coordenação de edição: Etevaldo Lucas Queiroz, Cibele Andrade Neves e Carlos Henrique Santiago Apoio: Jonatas Andrade Projeto Gráfico e Editorial: Press Comunicação Empresarial Produção, redação e edição: Rede Comunicação de Resultado (Jornalista responsável – Flávia Rios MT 06013) Redação: Beatriz Debien Desireé Antônio Jeane Mesquita Raquel Santos Tarsis Murad Tatiana Linhares Revisão: Regina Palla Edição de arte e diagramação: Clayton Pedrosa (Rede Comunicação de Resultado) Impressão: Gráfica 101 Tiragem: 24.000 Foto capa: Arquivo Cemig Luz Arquivo Cemig Arquivo Cemig Companhia Energética de Minas Gerais Presença sul-americana Em 59 anos, o Grupo Cemig investiu na diversificação e na qualidade de seus serviços, expandindo sua atuação no Brasil e na América do Sul. Confira onde a Companhia está presente e suas respectivas operações A população da Terra atingiu, este ano, o número de sete bilhões de pessoas. Analistas, antropólogos sociais e tantos outros estudiosos do assunto acorreram aos jornais demonstrando sua preocupação com esta estatística arredondada da nossa raça. Esse é o efeito de um número exato, que teve sua partida em um tempo anterior a nós, cumpriu sua trajetória em anos, séculos ou milênios, e cuja estampa nos meios de comunicação, agora, pode nos espantar, alegrar ou preocupar. A Cemig também tem, em 2011, seu marco sete. Sete milhões de clientes ligados em Minas Gerais. No nosso caso, o número é motivo de comemoração. Significa que continuamos cumprindo a missão que foi entregue aos nossos pioneiros há 59 anos, a partir da determinação de Juscelino Kubitschek. Desde então, temos permanecido com o mesmo espírito daqueles primeiros homens, cuja dedicação e talento formataram e desenvolveram as Centrais Elétricas de Minas Gerais. Até se transformar em Companhia Energética, em 1983, a atuação da Empresa se estendeu a 96% do território mineiro, levando energia aos lares, às ruas e ao campo e sustentando o desenvolvimento industrial e comercial do Estado. A mudança de denominação permitiu a expansão do negócio. Poderíamos, assim, explorar as diversas formas de fontes energéticas e, imediatamente, buscamos o gás natural como primeira alternativa à geração hidráulica e térmica até então utilizadas. Djalma Bastos de Morais Presidente da Cemig O mundo já considerava a necessidade das alternativas energéticas, paralelamente à discussão sobre a escassez de combustíveis não renováveis e o cuidado com o meio ambiente, itens até então ausentes na pauta dos governos mundiais. A Cemig acompanhou tudo bem de perto, fazendo a sua parte e assumindo a vanguarda do setor, com suas ações e propostas de gerar energia a partir do vento, do sol, da construção de reservas naturais às margens de seus reservatórios, da prestação de serviços em eficiência energética, do serviço de transmissão de dados via fibra óptica. Isso sem falar em tecnologia; muitas e novas tecnologias para o avanço do setor, para a excelência na prestação de serviços para a população. Até que, em determinado momento, as montanhas de Minas foram ultrapassadas, os negócios se expandiram para 19 estados de todo o País. E o Chile foi conquistado com a construção e operação de uma linha de transmissão. Entretanto, cá estamos comemorando sete milhões de clientes mineiros, pois se trata de um marco, além de tudo, afetivo, que compartilhamos com todo o povo de Minas Gerais. Essa gente que viu nascer a Cemig, cresceu com ela, oferecendo seu apoio, reconhecimento, criticando-a e defendendo-a como verdadeiro patrimônio desta terra. Por isso, é bem justo que as taças se ergam, e que sete milhões de vozes se juntem neste brinde histórico! Maio - Agosto/2011 3 Agência Imagem News SUMÁRIO ENERGIA Irregularidade de alguns, prejuízo para todos Vista do Museu Ferroviário que compõe o Complexo Ferroviário de Porto Velho (RO) 05 Luz para sete milhões Energia Os prejuízos do consumo irregular de energia 07 Inovação e Tecnologia Os resultados dos investimentos da Cemig em P&D 11 Sustentabilidade 15 21 4 Editorial Projetos inovadores, como o Mineirão Solar, buscam alternativas sustentáveis para o uso da energia Capa Cemig comemora a conquista do consumidor sete milhões em Minas Gerais Geração Com a chegada da Usina Santo Antônio, em Porto Velho, Rondônia se prepara para um período de grande desenvolvimento Universo Cemig 25 28 31 Regionalismo As riquezas naturais, culturais, históricas e gastronômicas de Rondônia, o segundo Estado mais jovem do Brasil Cultura Cemig fomenta a produção cinematográfica no Estado com o Filme em Minas Dicas Culturais Dicas dos cineastas de projetos apoiados pelo Filme em Minas e disponíveis na internet, em locadoras ou para aquisição 33 Vitrine 34 Conheça alguns produtos ecologicamente corretos que utilizam energia solar Com a Palavra Paulo Mendes Campos, escritor e jornalista (in memoriam), sobre Belo Horizonte: de Curral Del Rei à Pampulha 35 Retratos do Brasil Arquivo Cemig 03 A Especialistas da Cemig e da Light apresentam os problemas gerados pelo consumo informal de energia elétrica para a população, o setor e o País Primórdios de uma história de sucesso Portal Cemig: http://www.cemig.com.br/ ACemig/QuemSomos/Gestao/Paginas/ ModernizacaoDaMedicao.aspx s cenas são comuns nas grandes capitais brasileiras: dentro do medidor de energia elétrica há um papel ou outro objeto impedindo a rotação do disco que marca o consumo de energia daquela residência. Em outro imóvel, de forma menos sutil, encontra-se uma ligação direta entre a fonte de energia e o local em que será consumida sem passar pelo medidor. Essas são apenas algumas das formas de fraude envolvidas no consumo irregular de energia elétrica. Conhecida popularmente como “gatos de luz”, a prática tem sido responsável por perdas da ordem de 275 gigawatts/hora de energia em Minas Gerais, o suficiente para abastecer o município de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), por um ano. Ainda mais grave é o prejuízo de cerca de R$ 300 milhões, que acabam sendo pagos pelo consumidor em situação regular, já que ele banca também a energia que está sendo utilizada ilicitamente pelo seu vizinho. Mas, de acordo com o gerente de Gestão e Controle de Perdas da Distribuição da Cemig, Marco Antônio de Almeida, a situação tem evoluído bastante na última década, graças à efetividade das ações voltadas para a coibição do consumo irregular. “A nossa atuação nos últimos nove anos nos permitiu atingir hoje um dos menores percentuais de perdas do País, 2,22%, enquanto a média nacional chega a 13%”, explica. A política de combate à irregularidade do uso de energia elétrica adotada pela Concessionária é centrada em dois grandes eixos. De um lado, a fiscalização, que tem se tornado mais intensa e assertiva, com o trabalho conjunto com as Polícias Civil e Militar do Estado, e o investimento em novas tecnologias de monitoramento, como os medidores com a tecnologia de infraestrutura de medição avançada (AMI, na sigla em inglês para Advanced Metering Infrastructure), com início de implantação prevista na Cemig para 2012. Maio - Agosto/2011 5 Indústria da irregularidade Para o superintendente jurídico da empresa fluminense Light Serviços de Eletricidade S/A, Fábio Amorim da Rocha, é preciso haver um trabalho de sensibilização não apenas da sociedade, mas também do Poder Judiciário, a quem caberia tratar da questão com mais rigor, tanto em relação ao cidadão que age de má-fé quanto aos advogados que têm se valido de subterfúgios para incentivar o consumidor a não regularizar sua situação. Segundo ele, a prática pode ser punida com medidas administrativas por parte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), variando de multa à suspensão do registro. De acordo com Rocha, advogado e especialista no setor energético com mais de 20 anos de experiência, é preciso conscientizar a população de que o furto de energia elétrica se trata de um crime previsto pelo Código Penal Brasileiro no art. 155, caput e § 3º, adendo feito em 2002. “Há uma grande indústria da irregularidade por trás disso. Por isso, precisamos de uma atuação integrada entre as polícias, as delegacias especializadas, as concessionárias e o Judiciário, de quem estamos buscando nos aproximar por meio de seminários e outros eventos. É um trabalho contínuo e fundamental. Também é de extrema importância que a sociedade se envolva e denuncie porque todos acabam prejudicados por esse crime”, diz Fábio Rocha. 6 Universo Cemig Raio X do “gato” Para quem se interessou pelo tema e quer se aprofundar, uma boa dica é o livro de Fábio Amorim da Rocha. “As Irregularidades no Consumo de Energia Elétrica” (Ed. Synergia, 2011, R$ 84,00) apresenta os principais aspectos jurídicos do assunto, reunindo doutrina, jurisprudência e a legislação atualizada até a Resolução nº 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O livro sobre perdas comerciais (‘gato’) era um sonho antigo que retomei em 2009, motivado pelo meu inconformismo em ver que, apesar dos bilhões que se perdem com esse ilícito penal, da tarifa mais cara que honestos e adimplentes suportam, o Judiciário e a sociedade não conseguem enxergar a dimensão desse grave problema que impacta todos. Parafraseando a ilustre desembargadora Leila Mariano, atual presidente da Escola de Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), mencionada no último capítulo do meu livro: ‘Eles fazem o gato e nós pagamos o pato’. Portanto, passamos da hora de dar um basta ao ‘gato’”, diz o autor. Outras informações sobre o título no site da Synergia Editora. http://www.synergiaeditora.com.br/. Energia para inovar Arquivo BHTrans O outro eixo diz respeito às ações educativas, que buscam conscientizar os consumidores para os riscos e desvantagens do consumo irregular de energia. Entre eles, estão desde a má qualidade da energia furtada, cuja oferta não está prevista e por isso é mais instável, até a sua própria segurança, já que a sobrecarga pode ocasionar quedas de luz, danificando aparelhos eletrônicos, e acidentes graves, como incêndios. “Nossa atuação tem sido no sentido de regularizar a situação daquele consumidor, fazendo a instalação do medidor e negociando a melhor forma de quitação do débito. E temos tido muito êxito com a postura: de 2009 para 2010, houve aumento de 32% dos casos de recuperação dessas perdas”, conta o gerente. Paula Kossatz/Press Inovação e Tecnologia Investimentos da Cemig em P&D agregam mais expertise ao setor energético do País I novação, para a Cemig, é um conceito amplo. Tão amplo que investir em inovação, para a organização, significa apoiar iniciativas que vão desde projetos de preservação ambiental, passam por projetos de engenharia, eficiência energética e chegam aos que promovem ganhos operacionais nos mais variados processos da organização. É com essa visão que a concessionária de energia mineira converte investimentos de cerca de R$ 50 milhões todos os anos em atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no setor de energia elétrica. Na Cemig, a gestão da inovação começou a ser sistematizada em 1997, quando foi criada a metodologia de Gestão Estratégica de Tecnologia (GET), que engloba ações de apoio à criação de Centros de Excelência, planejamento tecnológico corporativo, programa de proteção e comercialização da propriedade intelectual, normalização técnica estratégica, busca de financiamento para projetos de pesquisa, suporte às áreas na gestão da inovação e gestão do conhecimento interno. Portal Cemig: http://www.cemig. com.br/inovacao/Paginas/PesquisaeDesenvolvimento.aspx Semáforos com tecnologia LED em Belo Horizonte vão reduzir em quase 90% o consumo de energia dos sinais Maio - Agosto/2011 7 ao longo de cinco anos de programa, sendo R$ 100 milhões aportados pela concessionária e R$ 50 milhões pela fundação. O programa está subdividido em 12 linhas de pesquisa relacionadas às diversas atividades dos negócios de geração, transmissão e distribuição de energia. O objetivo é incrementar o desenvolvimento de fontes alternativas e de tecnologias que promovam o uso racional de energia, para o consumidor e áreas afins da empresa. “A parceria foi a forma que vislumbramos de agilizar o processo de produção de pesquisas, gerar expertise no setor energético e fornecer meios para reter o pesquisador em Minas Gerais”, explica o gerente de Gestão Tecnológica da Cemig, Jaelton Avelar Fernandino. Já o diretor científico da Fapemig, José Policarpo de Abreu, vê a assinatura do convênio como um marco, não apenas pelo volume de recursos, o maior em valores absolutos da história da fundação, mas pelo exemplo que oferece. “Esse convênio é um modelo para outras empresas e mostra que é possível para qualquer entidade, seja do setor empresarial ou público, fazer parcerias e investir na produção científica”, revela. P&D da Cemig em números R$ 500 milhões investidos em cerca de 350 projetos de P&D nos últimos 11 anos; R$ 150 milhões serão repassados, por meio de edital com a Fapemig, a projetos de pesquisa ligados ao setor energético, de 2011 a 2015; R$ 50 milhões é o valor médio, de investimento anual, que a Cemig destina a projetos de pesquisa; Cerca de 200 projetos estão em desenvolvimento atualmente; Com esses recursos já foram gerados: 43 novos materiais e equipamentos aplicados à manutenção, operação, supervisão e controle de processos e sistemas; 49 sistemas e softwares voltados para a otimização de processos e integração de informações em diferentes plataformas; 79 metodologias, processos e procedimentos aplicados à melhoria operacional, ganhos de eficiência e construção de novos padrões; Cerca de 450 artigos nacionais ou internacionais publicados. Resultados nas ruas O Programa de P&D da Cemig já investiu, nos últimos 11 anos, mais de R$ 500 milhões em cerca de 350 projetos. O resultado de um deles já pode ser visto pelos belo-horizontinos nos cruzamentos dos sinais de trânsito da capital mineira: nos semáforos em que havia lâmpadas convencionais incandescentes, hoje há outras que utilizam a tecnologia LED (Light Emitting Diode, na sigla em inglês, ou Diodo Emissor de Luz, em português). A alteração foi viabilizada por uma parceria entre a Cemig – por intermédio da subsidiária Efficientia, que fará a gestão da implantação das novas lâmpadas – e a BHTrans. Firmado em outubro de 2010, o acordo prevê o investimento de R$ 6,5 milhões na instalação das 22.600 novas lâmpadas, o que trará benefícios como a redução de quase 90% do consumo de energia dos sinais. “Já realizamos 44% da troca, e nossa previsão é de que tudo esteja finalizado em setembro”, avalia o engenheiro eletrônico da BHTrans, Luiz Henrique de Oliveira. Outra vantagem é a maior segurança, já que os faróis com LED não sofrem interferência da luz solar e não geram reflexos que podem confundir os motoristas quanto à cor acesa no momento, chamado de “efeito fantasma”. Além disso, os semáforos à base de LED duram 30 vezes mais do que os incandescentes e, por isso, são descartados com menor frequência, reduzindo a manutenção e a quantidade de lixo. Eugênio Paccelli A GET garantiu à Cemig a efetividade no uso dos recursos e o alinhamento estratégico dos projetos com os objetivos da organização mesmo antes da promulgação da Lei n° 9.991, em 2000, que determinou que as concessionárias de energia elétrica aplicassem, anualmente, um percentual de até 0,5% da sua receita operacional líquida em projetos de pesquisa e desenvolvimento, segundo regulamentos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para transformar a estratégia de inovação em projetos que agreguem valor ao negócio, a Cemig promove anualmente editais públicos, possibilitando a universidades, centros de pesquisa e empresas submeterem propostas de projetos de P&D que serão selecionadas por meio de um processo de avaliação e priorização. Em maio deste ano, a Cemig publicou um edital em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) para a captação de novos projetos, que serão iniciados em 2012, disponibilizando um montante de R$ 30 milhões. Firmada em maio deste ano, a parceria da Cemig com a Fapemig prevê a destinação de R$ 150 milhões No rumo da eficiência energética Na fronteira do desenvolvimento das novas tecnologias aplicadas à eficiência energética está o projeto Centro de Monitoramento de Usos Finais (CMUF). Trata-se de um sistema para monitoramento e medição do consumo de energia, em tempo real e setorizado, seja pelo agrupamento de tipos de consumos semelhantes – aquecimento, iluminação e outros – ou por aparelhos eletrônicos. As informações sobre o uso de energia serão acessadas pela internet ou pelo celular, de modo que o consumidor possa melhorar seus hábitos de consumo. Desenvolvido com o apoio da Cemig, em parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o CMUF foi apresentado na segunda edição do Fórum de Inovação e Tecnologia (FIT), evento promovido pela Concessionária que reuniu especialistas do setor energético e mostrou projetos inovadores, entre os dias 30 de maio e 2 de junho, em sua sede, em Belo Horizonte. Prédio da Cemig recebeu tecnologia para testar sistema de monitoramento e medição do consumo de energia Efficientia http://www.efficientia.com.br 8 Universo Cemig Maio - Agosto/2011 9 Sustentabilidade Em prol da preservação ambiental A segunda edição do FIT trouxe à tona discussões técnico-científicas a respeito de três temas: energias da biomassa, eficiência energética e meio ambiente. Além do projeto do CMUF, também foi apresentado o projeto “Desenvolvimento de Metodologia para Mitigação dos Impactos de Operação de Usinas Hidrelétricas sobre a Ictofauna com Uso do ROV – Veículo Submarino Operado Remotamente”. A proposta é adaptar o ROV com a instalação de câmeras e sonares para monitorar o comportamento de peixes e adotar medidas de prevenção e proteção, substituindo o trabalho de mergulhadores, considerado uma atividade de risco. Esse processo trará mais segurança e precisão, já que a máquina cobre áreas maiores, proporciona rotações de 360° e chega a profundidades de até 800 metros. A iniciativa, que integra o programa Peixe Vivo, deve ser implantada em 2012 em seis usinas.“Isso nos ajudará a manter e reduzir ainda mais os níveis de acidentes, que já diminuíram mais de 90% de 2007 para cá”, diz o analista de meio ambiente da Cemig e um dos responsáveis pelo projeto, Ricardo José da Silva. Eugênio Paccelli De acordo com uma de suas idealizadoras, a professora do Cefet-MG Patrícia Jota, a tecnologia já foi instalada e está sendo testada com sucesso em 15 edificações, que incluem prédios nos campi da UFMG e do Cefet e a sede da própria Cemig. Veículo submarino operado remotamente traz segurança e precisão em operações nas usinas Eugênio Paccelli Gestão do Conhecimento Uma das principais tarefas do setor de Gestão de Tecnologia da Cemig é cuidar da gestão do conhecimento no âmbito da instituição e dos programas de pesquisa e desenvolvimento, promovendo a troca de informações e experiências entre os profissionais. Bons exemplos desse trabalho, além do Fórum de Inovação e Tecnologia (FIT), são o Encontro Anual com os Gerentes de Projetos de P&D, os Encontros de Inovação, em que especialistas da Cemig têm oportunidade de debater assuntos de interesse com pesquisadores da área, palestras com especialistas e a criação, em caráter experimental, do fórum virtual Alternativas Energéticas, que funciona por meio de uma ferramenta colaborativa dentro da intranet da empresa. 10 Universo Cemig O sol é para todos Conheça alguns projetos inovadores da Cemig com o uso de energia solar O astro-rei, a mais poderosa e inesgotável fonte energética do sistema solar, pouco a pouco vem sendo utilizado para a produção de energia limpa e renovável. Japão, Estados Unidos e Alemanha ainda são os maiores expoentes mundiais na geração desse tipo de energia. Mas o Brasil e, especialmente, o Estado de Minas Gerais, tem conseguido seu “lugar ao sol” nesse cenário, graças a uma série de projetos desenvolvidos e apoiados pela Cemig. Um dos maiores destaques é o Mineirão Solar, que vai dotar o Estádio Governador Magalhães Pinto, em Belo Horizonte, de infraestrutura baseada no uso da energia solar e da eficientização energética. As maiores vitrines da iniciativa, que tem prazo de conclusão até dezembro de 2012, serão os jogos da Copa do Mundo de 2014 e as partidas da fase de eliminatórias da Copa das Confederações, em 2013. O Mineirão Solar consiste na instalação de uma usina fotovoltaica sobre a cobertura de concreto do estádio, por meio da utilização de placas fotovoltaicas de filme fino. A energia elétrica gerada será interligada ao sistema de distribuição da Cemig. “O aproveitamento da energia solar para a geração de eletricidade por esse sistema tem tido uma grande evolução e uma boa aceitação da sociedade. Isso não se deve apenas ao grande apelo ambiental, mas também à queda contínua dos custos e às questões de autonomia e inclusão energética”, explica o gestor responsável pelo projeto, Alexandre Heringer Lisboa, da Cemig. Maio - Agosto/2011 11 Potência elétrica estimada: 600 kW Área a ser ocupada na cobertura superior pelas placas: 7.385 m2 Tamanho de cada placa de filme fino: 5,486 x 0,394 m Número de placas: 3.417 Graças a esse desafio, o Mineirão poderá receber a mais alta certificação em eficiência energética do mundo, o Green Building, atestando que a edificação é sustentável e ecoeficiente. Na Europa, alguns países já adotaram os chamados “estádios solares”, como a Alemanha, na Copa de 2006, e a Suíça, na Copa da União das Federações Europeias de Futebol (Eurocopa), em 2008. Usinas limpas Outro projeto, também apoiado pela Cemig, mostra que é possível utilizar a energia solar para substituir usinas poluentes. Sob a denominação “Usina Termoelétrica Solar Experimental de 10 kW Utilizando Concentradores Cilíndrico-Parabólicos”, seu objetivo consiste no desafio de demonstrar a viabilidade de uma tecnologia de vasto potencial de utilização, embora exercida por pouquíssimos agentes no mundo, 12 Universo Cemig Arquivo Cemig Energia Inteligente O Programa de Eficiência Energética da Cemig, o Energia Inteligente (EI), é constituído por diversos projetos, promovendo a mudança de cultura no uso de energia. Um deles é o Conviver Solar, que visa à instalação de sistemas de aquecimento solar em moradias da Cohab-MG, possibilitando a redução de até 50% na conta de luz de famílias de baixa renda. Até o fim deste ano, 15 mil lares serão beneficiados. Outro projeto do Energia Inteligente é o Solar-Ilpi, que beneficia Instituições de Longa Permanência para Idosos (Ilpis) com a substituição de chuveiros elétricos por sistemas de aquecimento solar. A perspectiva é de gerar 70% de economia no consumo de energia somente com banhos. O Solar - Hospital e Entidades Filantrópicas, por sua vez, visa à substituição de chuveiros elétricos por sistemas de aquecimento solar na rede hospitalar e em entidades filantrópicas de Minas. Tem como objetivo não só a redução do consumo de energia, mas também a diminuição da demanda do horário de pico. Um exemplo é o Hospital Regional Prefeito Osvaldo Resende Franco, de Betim (MG). Recentemente, ele foi contemplado com o maior sistema de aquecimento solar já instalado em um hospital no Brasil. São 850 metros quadrados de placas coletoras e reservatórios com capacidade para armazenar 42 mil litros de água quente. O investimento foi de R$ 1,34 milhão. Estima-se uma redução de R$ 260 mil nos custos de energia gastos pela instituição anualmente. Arquivo Cemig Gustavo Penna Mineirão Solar servindo de modelo para iniciativas similares no Brasil. A miniusina, localizada no Campus 2 do Cefet-MG, é composta por coletores que concentram a luz do sol, de modo a aquecer um fluido utilizado para produzir vapor e eletricidade. O projeto da usina experimental foi realizado no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Cemig/Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ela foi construída apenas com materiais disponíveis no mercado nacional. “Procurar no nosso mercado o máximo de soluções possíveis, mesmo que gerando obstáculos ao andamento do projeto, busca mostrar sua viabilidade técnica e independência tecnológica”, esclarece Alexandre Lisboa. Em parceria com a empresa espanhola de painéis fotovoltaicos Solaria, além da Aneel e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Cemig também participará da construção da primeira usina solar fotovoltaica para produção de energia conectada à rede de distribuição no Brasil. A ação dará forma a uma usina com capacidade de 3MW em Sete Lagoas (MG), município próximo a Belo Horizonte e ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG). Avaliado em R$ 40 milhões, o projeto foi realizado por intermédio do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Cemig/Aneel, uma vez que não há, no momento, viabilidade econômica para empreendimentos desse tipo. “Precisamos de investimentos nessa área, porque o custo da energia elétrica obtida via energia solar no Brasil ainda é muito alto”, ressalta o gerente de Alternativas Energéticas da Cemig, Marco Aurélio Dumont Porto. Isso acontece porque o Brasil não produz os equipamentos necessários para a construção de usinas solares. Eles precisam ser importados de países que os utilizam em larga escala, como Espanha, Alemanha e China. “Nossa expectativa é de que essa usina abra portas para o domínio da tecnologia e a utilização de energia limpa, difundindo a cultura solar em todo o País. Assim, os custos decairão, permitindo seu uso em escala cada vez maior”, afirma o gerente. A estimativa é de que a construção da usina seja iniciada em agosto deste ano, com previsão de término em quatro meses. Portal Cemig: http://www.cemig. com.br/Sustentabilidade/Programas/EficienciaEnergetica Sistemas de aquecimento solar em moradias de Divinópolis (MG) reduzem gastos com energia Maio - Agosto/2011 13 Arquivo Cemig Arquivo Cemig CAPA A Com os Programas de Eficiência Energética, Cemig visa promover a mudança de cultura no uso de energia Pioneirismo Arquivo Cemig A PUC Minas tem um dos mais importantes centros de excelência na área de energia alternativa: o Grupo de Estudos em Energia ou Green-IPUC. Fundado em 1997, ele mantém um prédio-laboratório com equipamentos de última geração para pesqui- Hospital Regional Prefeito Osvaldo Resende Franco, de Betim (MG), recebeu o maior sistema de aquecimento solar já instalado em um hospital no Brasil 14 Universo Cemig sas sobre o tema. A estrutura, adquirida em parceria com a Cemig, Eletrobras e outros colaboradores, fez do Green-IPUC uma referência no Brasil. Ele é o único laboratório responsável pela etiquetagem de coletores solares, reservatórios térmicos e equipamentos fotovoltaicos para o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e obtenção do selo Procel. Também é um dos cinco no mundo que conta com um simulador solar que permite pesquisas com coletores em ambientes fechados e outros equipamentos. Segundo a coordenadora do Centro de Pesquisa Green-IPUC, a professora Antônia Sônia Diniz, a existência de centros como esse garante o uso eficiente dos equipamentos e assegura ao consumidor a qualidade dos produtos adquiridos. “Desenvolver alternativas energética e ecologicamente responsáveis é fundamental para que tenhamos um futuro sustentável”, diz a professora. Graças a iniciativas como essa e aos vários projetos da Cemig que priorizam o uso da energia solar, é possível acreditar nisso. Arquivo Cemig “Queremos a mudança da cultura do uso da energia, que hoje possui uma parcela elevada de desperdício. Com esses projetos, queremos mostrar para a sociedade que a energia elétrica é muito nobre para ser utilizada para banhos. Temos uma fonte de abundância que é o calor do sol e tecnologia disponível para aproveitá-la. O preço do chuveiro é mais barato que um sistema solar, mas é importante promover essa mudança, pois a economia obtida na compra de um equipamento mais barato é menor comparada ao que será gasto a mais com energia elétrica”, calcula o engenheiro de Soluções Energéticas do EI, Leonardo Rivetti. Milhões de pontos de luz A energia elétrica percorreu os caminhos de Minas e chega ao consumidor 7 milhões pós passar por tantos caminhos e histórias, a Cemig comemora a ligação do seu consumidor sete milhões. A cada dia a conexão da energia elétrica com a vida se faz mais forte, intensificando o desenvolvimento, ampliando as condições de segurança e conforto, possibilitando a geração de novos empregos, melhores condições de saúde, de educação e de lazer. Com estas palavras, no dia 29 de outubro de 1976, foi anunciada a ligação do consumidor um milhão, em Governador Valadares (Vale do Rio Doce). Trinta e cinco anos depois, com todas as mudanças registradas no mundo, os objetivos da Empresa continuam os mesmos: levar desenvolvimento econômico e social, melhores condições de vida e energia de qualidade para além das montanhas de Minas. “A infraestrutura de energia elétrica é base para todas as outras, e a Cemig, cuja história é pautada na responsabilidade e compromisso com a sociedade, cuida para estar sempre à frente com os avanços tecnológicos, através dos seus múltiplos canais de acesso e atendimento, a tecnologia aplicada à construção, adequação ambiental, manutenção e modernização de suas redes, equipamentos, softwares e todos os demais insumos desta complexa atividade que é a distribuição de energia elétrica. Nos últimos cinco anos, estamos investindo mais de R$ 5 bilhões, abrangendo municípios em todas as nossas ‘Muitas Minas’, como já falava o nosso Guimarães Rosa”, comenta o diretor de Distribuição e Comercialização da Cemig, José Carlos de Mattos. De acordo com o diretor, até chegar ao consumidor sete milhões, a Cemig construiu mais de 460 mil quilômetros de rede de energia elétrica, o que equivale a 11 voltas ao redor da Terra. Essa grandeza fica melhor evidenciada quando são comparados estes dados com aqueles da 2ª maior distribuidora do País, que, atendendo a 6 milhões e 200 mil consumidores, concentrados no estado de São Paulo, possui o equivalente a apenas 45 mil quilômetros de redes de distribuição, sendo, portanto, dez vezes menor do que o verificado na Cemig. Maio - Agosto/2011 15 Fotos: Arquivo Cemig Para o dirigente, “toda a tecnologia e investimentos aplicados só fazem diferença porque temos o compromisso e o engajamento de nossas pessoas. Estou falando de quem construiu e mantém esta grande empresa. Falo dos empregados da Cemig.” José Carlos de Mattos afirma que investimentos adequados, pessoas capacitadas e comprometidas são a garantia de que a energia estará sempre presente, nas 24 horas do dia e em todos os pontos conectados. “Quando o fornecimento for interrompido, por força de intempéries sobre as quais a Cemig não tem controle, os profissionais estarão sempre preparados para o restabelecimento automático ou no menor tempo possível.” O pioneirismo na introdução de tecnologia no País está mais uma vez demonstrado com a implantação das redes inteligentes, conhecidas como smart grid. O sistema está sendo aplicado, em caráter piloto, em Sete Lagoas, com o projeto denominado Cidades do Futuro. Profissionalismo, comprometimento e reconhecimento O eletricista de linhas de redes Aires Antônio Magalhães Pinto, da região de Caeté, está na Cemig há quase 28 anos e afirma que acompanhou muitas mudanças na Empresa. “A Cemig tem investido alto na modernização de processos, infraestrutura, capacitação e segurança da sua equipe, e vem, ao longo dos anos, criando novas formas de trabalhar. Tudo isso com foco na melhoria da qualidade do atendimento ao cliente”, destaca. Já o eletricista Ademilson Ramon Ribeiro, de Três Pontas, enfatiza que a Empresa nunca esquece o foco na qualidade dos serviços prestados. Os eletricistas da Cemig Aires e Ademilson acompanharam de perto a expansão das redes elétricas pelo Estado 16 Universo Cemig “Nosso trabalho precisa ser muito bem feito, pois os problemas que solucionamos diariamente podem custar vidas. Estamos sempre atentos à manutenção das redes, em entregar energia elétrica de qualidade, no prazo e com segurança”, declara o profissional, que está na Cemig há 19 anos. O comprometimento do empregado da Cemig com a qualidade é incentivado por meio de ações de reconhecimento, de valorização do funcionário e de cuidados com a sua segurança. Em 2010, o eletricista Aires foi eleito “empregado destaque em segurança”, o que lhe rendeu como prêmio uma viagem para conhecer a Bolsa de Valores de Nova Iorque (EUA). “Foi uma experiência inesquecível”, diz, ressaltando ter percebido a importância do trabalho dos empregados para a Companhia. “O crescimento dela está diretamente ligado ao nosso desempenho. Nesse sentido, garantir a nossa segurança é primordial e uma preocupação constante na Cemig”, avalia. Essa satisfação também é vivenciada pelos eletricistas junto aos clientes. “Somos representantes da Cemig e uma referência nas comunidades em que atuamos. Em Caeté, sou constantemente procurado para dar orientações, em função do nosso trabalho e conhecimento técnico. Isso é muito gratificante”, lembra Aires. Para Ademilson, o reconhecimento é motivo de satisfação e realização pessoal. “Sinto-me importante por realizar bem minha função e acredito que cresci profissionalmente na Cemig. Os moradores das cidades que atendo estão sempre me agradecendo pelo trabalho executado, pelo conhecimento dividido com eles nas palestras e nos atendimentos”, conta, orgulhoso. Ademilson não esconde a paixão pela atividade. “Costumo dizer para amigos e colegas de profissão que o jogador da Seleção Brasileira de Futebol coloca A Cemig é, hoje, a maior empresa integrada e o terceiro maior grupo gerador do País, com capacidade instalada de 6,9 MW. Só em Minas, são 55 hidrelétricas, como a Usina de Irapé Maio - Agosto/2011 17 Luz para Todos “Todo mundo se alegrou com a claridade da luz. Foi uma festança no nosso quintal! Teve foguete, carne assada e bebida a noite toda. Tinha gente cantando e tocando violão. Aqui ficou igual a um jubileu. Todo dia colocamos a mão pro céu, de alegria.” A emoção toma conta da lembrança do dia em que a luz chegou à casa de dona Zita Gonçalves de Moura, 70 anos, que mora na região Central de Minas. Ela foi uma das agraciadas pelo Luz para Todos, uma iniciativa da Cemig e do Governo Federal, que visa levar a energia elétrica aos mais longínquos rincões mineiros. Em Minas Gerais, 99% das pessoas que estão na área de concessão da Cemig têm hoje acesso à energia elétrica. De 2004 a julho de 2011, o Energia Rural – Programa Luz para Todos beneficiou 273 mil famílias, valor este equivalente a quase três vezes a meta original do programa. “Este programa de eletrificação é, reconhecidamente, responsável pelo retorno de um enorme número de famílias que havia deixado o campo buscando a vida nas cidades. Hoje, aqueles que lá vivem – com as possibilidades de conforto, acesso à cultura, saúde, segurança e lazer que a energia elétrica proporciona – se fixam em seus locais de origem, contribuindo para a movimentação da economia local, vitalizando comunida- 7 milhões Arquivo Cemig o coração no bico da chuteira na hora de defender a sua pátria. Nós, eletricistas, colocamos o coração nas luvas de proteção”, reflete. 1976 1 0 0 0 0 0 0 1983 2 0 0 0 0 0 0 1989 3 0 0 0 0 00 1995 4 0 0 0 0 0 0 2000 5 0 0 0 0 0 0 2005 6 0 0 0 0 0 0 O diretor José Carlos de Mattos destaca que, para chegar ao consumidor sete milhões, a Cemig investiu R$ 5 bilhões nos últimos cinco anos 2011 7 0 0 0 0 0 0 Consumidor 7 milhões/18 milhões de pessoas com energia elétrica Aquisição de participação na Light (Concessionária RJ) 6 milhões Consumidor 6 milhões/mais de 17 milhões de pessoas atendidas 5 milhões Consumidor 5 milhões/Nalsa Moreira (Pará de Minas) 4 milhões Consumidor 4 milhões 3 milhões Consumidor 3 milhões Incorpora a CGE (Sudoeste de MG) Assume os serviços de 18% de MG, atendidos pelo DAE Consumidor 2 milhões/554 sedes municipais atendidas 2 milhões 1 milhão Consumidor 1 milhão/Adalberto Coelho (Gov. Valadares) Absorve Cia. Força e Luz Criação da Cemig por JK 1952 18 Universo Cemig 1973 1976 1983 1985 1986 1989 1995 2000 2005 2006 2011 Maio - Agosto/2011 19 Fotos: Arquivo Cemig des antes com reduzidos horizontes de crescimento. Podemos dizer que acontece, finalmente, o resgate da dignidade do ser humano que, em pleno século 21, via-se privado deste benefício”, afirma José Carlos. Marcos históricos Desde o cliente um milhão, Adalberto Coelho, morador de Governador Valadares, cada milhão de novos consumidores foi comemorado pela Cemig. E cada declaração emocionada em relação à chegada da luz foi sinônimo de vitória para a Empresa. O consumidor sete milhões consolida a Companhia Energética de Minas Gerais como a maior distribuidora da América Latina e maior companhia integrada de energia elétrica do Brasil. Foco no cliente Para que os mais de 18 milhões de mineiros sejam atendidos com eficiência pela Cemig, a criação de centrais de atendimento e relacionamento é indispensável. Pelo telefone, os consumidores de residências, comércios e pequenas indústrias são atendidos pelas agências e pelas Centrais de Atendimento ao Cliente (Fale com a Cemig - 116). Para os consumidores comerciais de grande porte e médias indústrias, existe o Contact Center, que faz os atendimentos por telefone ou pessoalmente. Também há cem profissionais exclusivamente treinados para o relacionamento com o 20 Universo Cemig poder público, que são as prefeituras municipais e secretarias de Estado. Toda essa estrutura garante a proximidade entre a Empresa e cada um dos seus diferentes públicos. O consumidor sete milhões incentiva a busca de novas formas de relacionamento, pois o mercado continua a crescer e os clientes vão ficar cada dia mais exigentes. “Felizes e orgulhosas são as pessoas que conciliam a nobreza do seu trabalho, que proporciona o sustento próprio e o de sua família, com a grandeza da entrega de um produto indispensável e essencial à vida”, conclui o diretor José Carlos. Maior empresa integrada do setor: Criada em 22 de maio de 1952, por Juscelino Kubitschek; 3º maior grupo gerador brasileiro; 6,9 MW de capacidade instalada; 66 usinas no Brasil (55 em MG), sendo 60 hidrelétricas, 3 termoelétricas e 3 eólicas; 58 empresas compõem o Grupo Cemig; 15 consórcios; Mais de 114 mil acionistas em 44 países; 9% de aumento na venda de energia em 2010. A pós vivenciar o ciclo da borracha, da cassiterita e do ouro, com consequente desenvolvimento, é chegada a hora de Rondônia se desenvolver com a geração de energia. E o desafio, garante a assistente técnica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia, Maria Emília da Silva, é sustentar o desenvolvimento. “Não queremos viver o mesmo que aconteceu no passado, quando, após a pujança, regredíamos”, afirma. Isso porque o Estado teve momentos de progresso, mas não conseguiu manter o desenvolvimento quando a exploração da borracha, da cassiterita e do ouro acabou. Agora, é hora de aproveitar o crescimento e não deixar a peteca cair. Crescimento, aliás, que está sendo gerado pela implantação da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, localizada no Rio Madeira, a sete quilômetros de Porto Velho. A construção da hidrelétrica está estimulando a geração de emprego e renda na região. Atualmente, estão envolvidas no projeto cerca de 17 mil pessoas. Dessas, 10% são mulheres que, por meio do empreendimento, conseguiram uma nova Cleris Muniz/Agência Imagem News Da capital mineira para mais de 700 cidades do Estado e 18 milhões de pessoas. Por meio de programas como o Luz para Todos, a Cemig levou energia para pequenas comunidades como a aldeia dos índios Krenak, em Resplendor Nova Rondônia GERAÇÃO O que muda com a chegada da Usina Santo Antônio a Porto Velho oportunidade profissional. É o caso de Zenaide Pereira da Silva, de 29 anos, que, há cerca de seis meses, trabalha como operadora de pórtico rolante nas obras de construção da usina. Ela é responsável pela operação de um equipamento utilizado para elevar e deslocar cargas de 240 toneladas. “É um trabalho de muita responsabilidade. É preciso ter atenção e observar muito. São máquinas bem grandes e eu tenho que me comunicar por rádio, e até mesmo por sinais, para saber a hora exata de movimentar a carga”, explica Zenaide. Para se capacitar – assim como outros 25 mil homens e mulheres da região –, ela fez o curso de operadora de máquinas pelo Programa de Educação Continuada Acreditar, desenvolvido pela Odebrecht (empresa que integra o consórcio para a construção e operação da usina). Aluna exemplar, sempre com boas notas e dedicada ao que faz, Zenaide foi contratada para trabalhar na usina. Portal Santo Antônio Energia http://www.santoantonioenergia.com.br Desde que começou a ser implantada, a Usina Santo Antônio leva desenvolvimento econômico e social a Rondônia Maio - Agosto/2011 21 Desenvolvimento perceptível Mesmo sem uma pesquisa que mostre, oficialmente, os resultados gerados pela implantação da usina, a assistente técnica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia, Maria Emília da Silva, afirma que as mudanças, principalmente na capital, Porto Velho, são visíveis. Ela cita o aumento da oferta de vagas de trabalho pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) e da sua demanda. Cresceram também a frota de veículos nas ruas – que saltou de 60 mil em 2005 para 130 mil este ano –, a demanda do comércio e o setor 22 Universo Cemig imobiliário. Além disso, a região recebeu a implantação de indústrias para fornecimento de equipamentos, produtos e serviços para a hidrelétrica, além de outros tipos de investimentos industriais. “Se aumenta a demanda pelos serviços, cresce a receita”, enfatiza Maria Emília. Segundo ela, Rondônia tem uma das melhores distribuições de renda do País. “A distância entre os mais ricos e os mais pobres é uma das menores também. Não há grandes cinturões de pobreza no Estado. Nossa taxa de desemprego é de 5,8%, sendo que a média nacional é de 6,2%”, diz. Nos bastidores Para se ter uma noção da real capacidade da usina, a energia que poderá ser produzida por ela é o suficiente para abastecer 11 milhões de residências ou o equivalente a 44 milhões de pessoas. Para tamanho empreendimento, foram necessários estudos referentes à água, fauna, flora, solo e, principalmente, à população que residia na área de influência do aproveitamento hidrelétrico do Rio Madeira, como esclarece o diretor de Sustentabilidade da Santo Antônio Energia, Carlos Hugo Annes de Araújo. Desde 2001, especialistas vêm desenvolvendo esses estudos, os quais verificaram o potencial de geração de energia do rio e a possibilidade de executar um projeto sustentável. “O trabalho foi desenvolvido ao longo dos 260 quilômetros do Rio Madeira”, acrescenta Carlos Hugo. Segundo ele, o projeto está em conformidade com as normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e busca intervir o mínimo possível na vida da comunidade local. Carlos Hugo informa que, com apoio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, mais de 23 mil animais foram resgatados e devolvidos ao seu habitat natural. Também estão sendo feitos o monitoramento permanente da fauna e o resgate da flora para perpetuação de espécies nativas. Além disso, foram investidos recursos na melhoria da infraestrutura na aldeia dos índios karitiana e no combate a incêndios e crimes ambientais, com equipamentos para o Batalhão da Polícia Florestal e para o Corpo de Bombeiros. Arquivo Odebrecht “Minha vida mudou para melhor. A usina trouxe muitas oportunidades e eu agarrei a minha”, ressalta a trabalhadora. Ela almeja o crescimento e já faz planos para o futuro. “Estou arrumando minha casa e vou poder dar uma vida melhor para minha filha. Também quero fazer faculdade, porque o estudo nos faz crescer”, declara. Zenaide é do Maranhão, mas foi para Porto Velho com a família, há quatro anos, em busca de novas oportunidades de crescimento. Oportunidade que também teve Vanderlan Souza Gomes, 58 anos. Ele trabalha na obra há cerca de dois anos. Inicialmente, após se capacitar pelo Acreditar, foi empregado como ajudante. Mas, pelo bom desempenho, logo foi promovido a encanador e, depois, a operador de Estação de Tratamento de Água, o que segundo ele, vem mudando sua vida. “Graças ao trabalho na obra, consegui tirar carteira de motorista, comprei um carro e ainda estou conseguindo pagar a faculdade da minha filha”, diz, orgulhoso. E os benefícios se estendem ao dia a dia da família também. “Com o salário que recebo, posso dar melhores condições de moradia e de alimentação para minha família. Hoje, a gente pode passear mais e almoçar em restaurantes”, relata Gomes, que é de Manicoré (AM), mas mora em Porto Velho há mais de 35 anos. “Uma vez, vim passear aqui e gostei muito. Resolvi me mudar, porque sabia que encontraria mais oportunidades”, lembra. Assim como Zenaide e Gomes, mais de 80% do total de operários que trabalham na usina são moradores de Porto Velho e região. Mas os benefícios vão além da geração de emprego e renda. Zenaide está entre as mulheres que cresceram profissionalmente com a chegada da usina à Rondônia Maio - Agosto/2011 23 Empreendimento de larga escala Com uma potência instalada de 3.150,4 megawatts (MW), o empreendimento, cujo início das operações está previsto para dezembro deste ano, irá contribuir para sustentar o desenvolvimento econômico do Brasil. Do total da energia gerada, 70% serão destinados às distribuidoras e 30%, ao mercado livre, composto por grandes consumidores, como as indústrias. A Santo Antônio Energia é a sociedade responsável pela construção, operação e comercialização da energia que será gerada pela hidrelétrica. Os acionistas são: Cemig, Eletrobras Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez e o Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP). O empreendimento, de cerca de R$ 15 bilhões, faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. O empreendimento em números: Com a oportunidade de trabalho na Usina Santo Antônio, Vanderlan conseguiu melhorar a vida da família 24 Universo Cemig Nos trilhos do desenvolvimento “N 17 mil pessoas envolvidas no projeto; 10% dos trabalhadores da usina são mulheres; 80% dos operários moram em Porto Velho e região; 25 mil pessoas foram capacitadas; 44 milhões de pessoas é o que a usina espera abastecer. Arquivo Odebrecht O diretor de Sustentabilidade garante que os resultados dos estudos e do planejamento já podem ser sentidos. “Além de dar oportunidade de trabalho a mais de 25 mil pessoas que estavam desempregadas, os serviços públicos de segurança, saúde e educação receberam aportes para ampliar o atendimento à população”, explica. Segundo Carlos Hugo, foram construídas duas unidades de pronto atendimento na cidade, além de melhorias em 19 postos de saúde e reforma e ampliação do Hospital Regional de Cacoal (RO), com 198 novos leitos, e do Hospital de Base em Porto Velho, com 65 novos leitos. Mais de R$ 12 milhões foram investidos em projetos de combate à malária. Em educação pública, o diretor de Sustentabilidade relata que foram construídas duas escolas e realizadas melhorias em sete, com 53 novas salas. A capacidade de atendimento foi ampliada para seis mil novos alunos. Agência Imagem News Regionalismo O que encanta no segundo Estado mais jovem do Brasil estas fronteiras de nossa pátria / Rondônia trabalha febrilmente / Nas oficinas e nas escolas / A orquestração empolga toda gente.” Esse trecho do hino do Estado traduz bem o cenário atual. Rondônia tem 1,5 milhão de habitantes. É considerado um estado jovem, com 68% de sua população em idade produtiva. Desde a época de sua colonização, atrai migrantes de todas as regiões do Brasil para muitas frentes de trabalho. Possui uma estrutura fundiária descentralizada com 80% das propriedades rurais nas mãos de agricultores familiares e 20%, com grandes proprietários. O estado é atendido por 28 faculdades particulares e uma federal, com cerca de 35 mil universitários. Por ano, são aproximadamente seis mil novos profissionais no mercado. Atualmente, Rondônia vive a efervescência da exploração do potencial hidrelétrico do Rio Madeira, com a implantação da Usina Santo Antônio (veja re- portagem nas páginas 21 a 24). Além da geração de emprego e renda, a usina também está propiciando o desenvolvimento socioeconômico e cultural da região. Paulo Luciano da Silva Carvalho, de 29 anos, nasceu em Porto Velho e trabalha há quase dois anos como eletricista de corrente alternada nas obras de construção da usina. “Amo trabalhar aqui. Fiz muitos amigos e agora tenho condições de dar melhor qualidade de vida para minha família”, diz Carvalho. Para realizar os sonhos, ele dá a dica: “Precisamos ter objetivos, lutar e ser persistente”. Foi buscando conquistar objetivos que Lenildo Alves Sena, de 42 anos, voltou a viver em Porto Velho após alguns anos fora do Estado. “Voltei para a cidade em busca de novas oportunidades, que chegaram com a hidrelétrica. Estou muito satisfeito. A usina é uma grande escola”, conta Sena, que há quase dois anos trabalha como auxiliar administrativo. O Complexo Ferroviário de Porto Velho é um dos atrativos turísticos e históricos da região, cuja restauração está em estudo 0 Ano 1 - NMaio 1 - Maio / 2010 - Agosto/2011 25 Pisco Del Gaiso “É impossível falar de preservação ambiental sem falar do maior envolvido, o homem”, explica Sandra sobre as ações na área de direitos humanos, que integram o Programa de Educação Ambiental do consórcio. Após trabalhar com a prevenção da violência contra a mulher, o tema da campanha deste ano é exploração infantil. Em um trabalho corpo a corpo, foram distribuídas cartilhas com orientações a 15 mil trabalhadores do canteiro de obras da usina. A ação ganhou o apoio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Quem participou aprova. “Essa conscientização é muito importante para que as crianças possam crescer com tranquilidade, sem pressão e sem abusos”, Com o apoio do consórcio, mais de 23 mil animais foram resgatados e devolvidos ao habitat natural Riquezas naturais, memória e cultura preservadas Paralelamente à implantação da usina, a Santo Antônio Energia, consórcio responsável pela construção e operação da hidrelétrica, está desenvolvendo várias ações ambientais, socioeconômicas e culturais na região. Uma delas foi o apoio ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que será entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após o enchimento do reservatório. O consórcio também colaborou para o resgate de mais de 23 mil animais que foram identificados e devolvidos ao seu habitat natural. O diretor de Sustentabilidade da Santo Antônio Energia, Carlos Hugo Annes de Araújo, acredita que o conhecimento científico gerado a partir das diversas pesquisas realizadas para a implantação da usina será um dos maiores legados oferecidos à comunidade científica e à população local. “Na área de monitoramento de peixes, já foram identificadas 40 novas espécies que habitam o Rio Madeira, além das 800 espécies já catalogadas”, afirma. Com as escavações para a construção da barragem e da área do reservatório, também foram identificados sítios arqueológicos e históricos. Na histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um trecho de sete quilômetros será reativado e poderá ser utilizado para o passeio de maria-fumaça. A ferrovia foi construída, entre 1907 e 1912, para ligar Porto Velho a Guajará-Mirim (RO) e escoar a borracha brasileira e boliviana para exportação. Segundo a vice-presidente da Fundação Cultural de Porto Velho – Fundação Iaripuna, Berenice Simão, vários projetos estão sendo analisados para dar continuidade aos trabalhos de restauração e revitalização de todo o complexo ferroviário, incluindo o Museu, as praças Madeira-Mamoré e Santo Antônio e a criação do Centro de Memória dos Povos Indígenas. “Porto Velho nasceu em consequência da construção da ferrovia. Fazer esse trabalho significa resgatar a história local”, ressalta a professora aposentada Yedda Borzacov, que mora em Porto Velho há quase 70 anos. A construção da ferrovia atraiu trabalhadores de várias nacionalidades a Porto Velho. A miscigenação acabou influenciando a culinária local, que vai de pratos típicos indígenas a comidas japonesas, nordestinas e gaúchas, além, é claro, dos peixes amazônicos, do tradicional vatapá, o tacacá, o pato no tucupi e a galinha picante. Entre os produtos típicos da região, estão o açaí, o babaçu e a castanha. Arquivo Santo Antônio Energia Educação socioambiental atesta Lenildo Alves Sena, que é pai de uma criança de um ano e se preocupa com o assunto. “Conseguimos rearticular a rede de instituições que trabalham o tema – governos municipal, estadual e federal, organizações não governamentais (ONGs) e redes de proteção contra a violência – para seguirmos numa só linha”, informa Sandra. Arquivo Odebrecht A partir do desenvolvimento que vem sendo propiciado pela implantação da usina, surgiu a necessidade de organizar, economicamente, os produtores locais. “Queremos provocar o protagonismo na cidade. Agregar outras possibilidades para eles”, ressalta a analista socioambiental da Santo Antônio Energia Sandra Regina Nunes dos Santos. Naturais de Porto Velho, Paulo e Lenildo são testemunhas do progresso trazido pela Usina Santo Antônio à região Parada obrigatória Se for a Porto Velho, não deixe de conferir: O Complexo Ferroviário, com o Museu, a Capela Santo Antônio e o Prédio do Relógio, cuja construção é em forma de locomotiva. O Real Forte Príncipe da Beira – localizado na fronteira entre Brasil e Bolívia, tem 970 metros de extensão, 10 de altura e uma beleza arquitetônica que atrai turistas para a região. A Mostra de Quadrilhas e Bois-Bumbás - Arraial Flor do Maracujá – realizado em junho, o arraial é considerado o maior evento cultural do Estado. Jerusalém da Amazônia – é a segunda maior cidade cenográfica do mundo – só perde para a do Recife – onde se encena a Paixão de Cristo. Para não coincidir com outros eventos do Estado durante a Semana Santa, a encenação acontece em maio. cemig-energia.blogspot.com 26 Universo Cemig Maio - Agosto/2011 27 CULTURA Divulgação/Marília Rocha Além de fomentar a produção audiovisual no Estado, o Filme em Minas participa da realização dos principais encontros mineiros de cinema: Festival de Tiradentes, Mostra CineOP e Mostra Cine BH. Está presente no apoio à formação de projetos experimentais e vídeos ligados à arte contemporânea e colabora na produção e distribuição de diversos filmes de repercussão internacional. C Filme em Minas, Programa de Estímulo à Produção Audiovisual patrocinado pela Cemig, chega a sua 5ª edição inema retrata realidades. Exprime pelo olhar do diretor um recorte do que se encontra no cotidiano. O que dá vida às telas são as histórias. Porém a produção de um filme requer um árduo trabalho que envolve equipe e orçamentos consideráveis. Para incentivar e fomentar a produção audiovisual no Estado, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, em parceria com a Cemig, via leis de incentivo federais, lança a cada dois anos o edital Filme em Minas – Programa de Estímulo à Produção Audiovisual, que chega a sua 5ª edição. As cinco edições do programa investiram cerca de R$ 17,5 milhões em 143 projetos. Só a 5ª edição contempla 32 projetos, cuja relação de selecionados foi divulgada em junho, com incentivo total de R$ 4,5 milhões. As sete categorias mostram a diversidade da produção audiovisual do Estado. “Apesar de a produção mineira audiovisual se destacar nos cenários nacional e internacio- 28 Universo Cemig nal, existem muitas dificuldades de produção. Com o Filme em Minas, os realizadores passam a contar com um instrumento regular de estímulo que garante a continuidade da produção”, explica a analista de patrocínio cultural da Cemig Cecília Bhering. Causos da gente “Mineiro é um contador de história nato e temos no Estado uma vasta bagagem cultural para contar e uma grande diversidade de paisagens para filmar”, afirma o cineasta Helvécio Ratton, contemplado na categoria Produção de Longa-Metragem com o projeto “Estrelas Caídas do Céu”. Baseado em um fato de 1752, em Diamantina (MG), o longa infanto-juvenil teve o nome mudado para “Segredos dos Diamantes” e sua exibição está prevista para o segundo semestre de 2011. o/Marília Divulgaçã es own Film o/Downt telas Memória registrada e compartilhada “Certa vez ouvi um cineasta dizer que um país sem documentários é como uma família sem álbum de fotos. Estimular e possibilitar a criação de filmes é contribuir enormemente para a feitura de nosso álbum de memórias”, relata Marília Rocha. Além da capacitação de mão de obra local, o Filme em Minas Divulgaçã grandes Rocha Histórias mineiras nas “Acácio”, da cineasta Marília Rocha, longa selecionado na categoria Distribuição, rodou os principais festivais pelo mundo. “Tivemos a alegria de sermos bem-recebidos em importantes festivais internacionais, como o de Roterdã (Holanda), Bafici (Argentina), Festival de Guadalajara (México), Doclisboa (Portugal), Festival Visions du Réel (Suíça)”, relembra. Receita de sucesso Longas-metragens premiados Curtas-metragens premiados Mutum, de Sandra Kogut Encerrou a 39ª Quinzena dos Realizadores em Cannes e foi eleito melhor filme no Festival do Rio, em 2007. Nascente, de Helvécio Marins Um dos curtas brasileiros mais exibidos no circuito nacional e internacional de festivais nos últimos anos. Vencedor de 17 prêmios, sendo cinco no exterior. Andarilho, de Cao Guimarães Selecionado para o 64º Festival de Veneza, premiado como melhor filme no 9º Festival Internacional de Cine na Espanha. Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton Neste filme de grande relevância histórica, Ratton foi premiado como melhor diretor no 39º Festival de Brasília, o mais importante do País. A Falta que Me Faz, de Marília Rocha Sua estreia internacional foi no Festival de Cinema de Roterdã, onde a diretora foi considerada a mais importante documentarista brasileira da atualidade. Mercúrio, de Sávio Leite O filme faz parte da seleção oficial de mais de 30 mostras e festivais, sendo 15 no exterior. O Crime da Atriz, de Elza Cataldo Ganhou os prêmios do Júri e do Público de Melhor Curta Brasileiro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Maio - Agosto/2011 29 Dicas Culturais Mercado regional Divulgação/Marília Rocha O engenheiro de projetos Afonso Nunes é empregado da Cemig, onde trabalha na área de Expansão de Empreendimentos de Alta Tensão. Quando não está na empresa, ele atua como cineasta e já produziu diversos curtas-metragens. Nesta edição do Universo Cemig, ele compartilha duas dicas: locais e filmes que devemos visitar e assistir. Saiba mais Confira a evolução da verba do Filme em Minas por edição e o número de projetos inscritos e selecionados na 5ª edição no portal Cemig: Mais informações sobre o Filme em Minas no www.cultura.mg.gov.br. Universo Cemig vida Dos dois lados da tela: Afonso Nunes dá dicas de cinéfilo e conta um pouco das suas experiências como cineasta Making of de “Sentinela”, de Afonso Nunes, e o diretor Helvécio Ratton com o ator Paulo José, na filmagem de “Pequenas Histórias”. Esses são alguns dos projetos apoiados pelo Filme em Minas 30 vida A imita a arte; a arte imita a Bianca Aun “O Filme em Minas gera um impacto crescente na economia local. Cada filme realizado estimula a capacitação técnica do setor, aciona parcerias entre empresas produtoras, proporciona movimentação contínua da área audiovisual e colabora para o fomento de toda a cadeia produtiva”, afirma a diretora do Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura, Carolina Gontijo. Um exemplo dessa movimentação foi a produção do filme “Mutum”, de Sandra Kogut, que contou com recursos da primeira edição do Filme em Minas e com o apoio da Minas Film Commission. Cerca de 40% do orçamento de R$ 800 mil foram aplicados na região de Três Marias (MG), onde o longa foi filmado com a participação da população local. “O Filme em Minas fomenta o mercado, valoriza a mão de obra local, democratiza o direito à concorrência e supre diretamente uma ausência de produção pela falta de políticas destinadas ao segmento”, analisa o presidente da Associação Curta Minas, Marco Aurélio Ribeiro. Os membros da Associação estão entre os responsáveis pela criação do Filme em Minas, há dez anos. Hoje, ela é parceira do Estado no desenvolvimento do programa e participa de todas as etapas de sua realização. Divulgação/Orapronobisfilmes estimula publicações sobre a área e a preocupação com a história, permitindo a digitalização de acervos pela categoria Publicação, Preservação e Memória. “Quando você não preserva, não há registro e o que não é registrado não é cultura reconhecida”, salienta Cecília Bhering. Os materiais produzidos com os recursos do programa compõem ainda o Acervo Filme em Minas. A Secretaria de Estado de Cultura tem os direitos de exibição não comercial dos projetos e estimula a circulação dos filmes, principalmente pelo interior. O programa ainda oferece oficinas desde 2006: foram mais de 450 alunos capacitados em 42 oficinas de Produção Audiovisual, Desenvolvimento de Projetos e Introdução ao Cinema. Portal da Cemig http://www.cemig.com.br/cultura Em Belo Horizonte, onde se pode assistir a um bom filme? Frequento o cinema Usiminas Belas Artes e as mostras da Sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes. No final do ano, não abro mão de acompanhar o FórumDoc - Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. É nele que me abasteço. O seu documentário Sentinela (2007) teve a Cemig como uma das patrocinadoras. Foi importante este apoio? Tive apoio da Cemig por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e consegui um aporte no valor de R$ 20 mil. Todos os recursos captados pelo filme foram destinados às fases de pesquisa, produção, filmagem e finalização. A distribuição ficou por conta dos recursos próprios da Orapronobis Filmes. O filme aborda o rito fúnebre em cidades do interior. Como foi o processo de pesquisa sobre os rituais dos moribundos? A ideia de realizar o filme partiu de uma entrevista realizada com meu pai em meados de 2003, pouco antes das filmagens do curta-metragem “A Idade do Homem”. Resolvi pesquisar literatura, cinema, música e artes plásticas, ou seja, quase todas as manifestações artísticas. A partir desse material iconográfico, desenvolvi o roteiro, que levou em torno de dois anos. Indique um filme produzido pelo Programa Filme em Minas. São muitos, mas destaco dois filmes – “Acácio” e “A Falta que Me Faz”, ambos de Marília Rocha, disponíveis para compra no site. www.mariliarocha.com. Maio - Agosto/2011 31 De bemcom o planeta Andarilhos de Minas A diretora Marília Rocha, da Teia Produções, indicou o filme do artista mineiro Cao Guimarães. “Andarilho” foi patrocinado integralmente pelo Filme em Minas, em sua segunda edição. O longa-metragem conta a história de três andarilhos solitários, que percorrem trajetórias distintas em estradas do Nordeste de Minas Gerais.“Andarilho” apresenta a fusão entre pessoas e lugares de passagem. O desapego em gestos e vidas desgarradas. Divulgação Pequenas Histórias Pequenas grandes histórias O cineasta Helvécio Ratton, da Quimera Filmes, indicou um de seus filmes com grande recepção junto ao diversificado público. “Pequenas Histórias” apresenta uma senhora que, da varanda de uma fazenda, conta quatro histórias ao mesmo tempo em que corta e costura retalhos de pano, criando imagens que formam uma toalha. O casamento do pescador com a sereia. O coroinha de uma igreja que vê a procissão das almas. O encontro do Papai Noel com um menino de rua. E as aventuras de Zé Burraldo, sujeito ingênuo que sempre se deixa levar pelos outros. Filme “Pequenas Histórias”, de Helvécio Ratton (2006) Duração: 80 minutos Gênero: Infantil Filme em Minas: 3ª edição Categoria: Distribuição Onde encontrar: No Acervo Filme em Minas e em todas as locadoras de Belo Horizonte. Você também pode comprar o DVD do filme na produtora Quimera Filmes (31) 2552-1616. www.pequenashistorias.com.br Já é possível encontrar relógios que funcionam à base de energia solar, dispensando a troca e descarte da bateria. A Citizen criou a tecnologia Eco-Drive, um mecanismo de captação dos raios de luz que os converte em energia. Dependendo da opção de modelo escolhida, a energia pode durar até cinco anos sem recarga. Ainda há uma bateria secundária que não requer trocas como as comuns, pois possui um sistema que armazena a luz e a transforma em energia elétrica, com durabilidade de cerca de 20 anos. Outras informações: http://www.citizen.com.br/onde-comprar. Economia no banho Celular com tecnologia verde A Samsumg criou o Blue Earth, um celular que pode ser carregado com energia solar. Uma carga de duas horas no sol é suficiente para se falar dez minutos ou duas horas em modo stand by. O aparelho tem acabamento em plástico reciclado de garrafas PET, é livre de substâncias nocivas ao meio ambiente e possui perfil que se ajusta automaticamente para economizar energia. Além disso, tem pedômetro ecológico, aplicativo que incentiva os usuários a fazer seus trajetos a pé, informando o quanto a emissão de gás carbônico (CO2) é reduzida e quantas árvores são poupadas ao evitar os meios de transporte convencionais. O aparelho pode ser encontrado em lojas de eletroeletrônicos. Arquivo Cemig Relógios ecológicos www.caoguimaraes.com Universo Cemig Divulgação/Citizen Divulgação/Cao Guimarães Onde encontrar: No Acervo Filme em Minas. O DVD pode ser comprado na Livraria Travessa. Divulgação/Samsumg Conheça alguns produtos ecologicamente corretos que utilizam energia solar Filme “Andarilho”, de Cao Guimarães (2006) Duração: 80 minutos Gênero: Documentário Filme em Minas: 2ª edição Categoria: Produção Longa-Metragem 32 VITRINE Uma família de classe média de quatro pessoas utiliza, por mês, aproximadamente 100 quilowatts-hora (kWh) com o banho. Esse gasto equivale a R$ 60 mensais. Uma das alternativas é o sistema de aquecimento solar, cujos coletores captam a radiação solar e a transferem para a água na forma de calor. A água aquecida é conduzida por tubos para um reservatório isolado termicamente, que a conserva quente até o momento do seu uso, seja de dia ou à noite. O sistema com capacidade de 200 litros custa, em média, R$ 2 mil. Estima-se uma economia anual com a conta de luz de quase R$ 700. Onde encontrar: www.aquecemax.com.br - www.enalter.com.br - www.pantho.com.br - www.empresastuma.com.br Maio - Agosto/2011 33 Arquivo Cemig RETRATOS DO BRASIL Com a palavra Belo Horizonte: Reprodução de Curral Del Rei à Pampulha Paulo Mendes Campos (in memoriam) Escritor, jornalista e cronista, nasceu em Belo Horizonte e pertenceu à geração dos mineiros Pedro Nava, Fernando Sabino e Otto Lara Resende, entre outros. Faleceu no Rio de Janeiro, há exatamente 20 anos, em 1º de julho de 1991. (Trechos extraídos da apresentação do livro “Belo Horizonte: de Curral Del Rei à Pampulha”, editado pela Cemig na década de 80 e atualmente esgotado) 34 Universo Cemig O carrossel entra em movimento quando chega, olha e para o bandeirante Ortiz. Foi em 1701. Última década do século dezenove: o arraial de Curral del-Rei tem uma igreja, ruazinhas teimosas, um comercinho vivaz, moradores ativos, tudo a que têm direito os aventureiros de uma odisseia! Mãos à obra. A 12 de dezembro de 1897, Bias Fortes e Afonso Pena desembarcam na estação de General Carneiro: é a festa inaugural. Da Cidade de Minas! A gente ainda se atrapalha com os nomes no começo da existência. Bênção do palácio, eloquência, algum tédio festivo, e Minas Gerais adquiriu uma cabeça nova; mas é preciso confeccionar a roupa para o corpo, que está nu. Os primeiros desastres, com o incêndio do quartel, demonstram que o corpo está vivo e cresce. Abrem-se portas: para colégios, agências bancárias, hospitais e até para uma faculdade, naturalmente de Direito. O século não exalou o último alento. Os habitantes ficam mais conspícuos ao assistir pela primeira vez a posse de um presidente: Silviano Brandão. Vai partir o carrossel de outro século. Instala-se o Conselho Deliberativo. Uma vidinha teatral já funciona. O mercado, uma dimensão popular da Associação Comercial. Obras de arte tentam exibir-se a transeuntes que transpiram pelas ladeiras gravemente vestidos. (...) Apesar da topografia vagarenta, Beagá sobe e desce pelos caminhos da primeira década, conseguindo, ao fim do esforço, colocar dentro do carrossel um imponente Teatro Municipal. Os anos vinte, contudo, estão às portas com suas mensagens eletrizantes de renovação técnica, de bons negócios, de boa distribuição de renda, de liberdade indiscriminada, de satisfação para os olhos, para os corações, para as pernas. O carro-chefe dessa caravana de animações não pode ser mais chic, mais honesto: Beagá acolhe os soberanos da Bélgica. As moças gradualmente mais bonitas e elegantes comportam-se pelo figurino da educação católica e da doutrina tradicional das famílias. Instala-se um Conservatório de Música. As operetas voltam. A ciência dá mais um ar de sua graça, curvando-se diante de Madame Curie e inaugurando o Instituto de Rádio. Políticos comem e se pronunciam sob qualquer pretexto. The Big Parade abre o Cine Glória. Escritores modernistas criam ou recriam, na rua da Bahia, modos espantosos de pensar e escrever. Canta-se com fervor. O contracanto é a Aliança Liberal, fechando-se o decênio com as violências de Montes Claros. É a Revolução de Outubro. A cidade amanhece rasgada de balas. A Legião de Outubro nas ruas. É a nova década. É a nova revolução. É a morte de Olegário Maciel. É Getúlio Vargas no Catete e Benedito Valadares na Liberdade. 1937: Cidade Industrial (A guerra novamente). Três anos depois começam as obras da Pampulha, inaugurada em 1942. Com Juscelino Kubitschek na Prefeitura, Curral del-Rei torna-se uma cidade moderna ou modernista, como quiserem. Mas não é a mesma. Nunca mais. Antigo prédio da Companhia Força e Luz de Minas Gerais, adquirida pela Cemig em 1973, na capital mineira, um dos primeiros passos rumo ao crescimento Maio - Agosto/2011 35