UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO AMAPÁ RUIMARISA MONTEIRO PENA MARTINS O SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO SERVIDOR PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ: práticas e desafios da gestão . MACAPÁ – AMAPÁ 2010 1 RUIMARISA MONTEIRO PENA MARTINS O SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO SERVIDOR PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ: práticas e desafios da gestão Dissertação submetida ao Curso de Mestrado Profissional em Planejamento e Políticas Públicas do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual do Ceará em convênio com a Escola de Administração Pública do Amapá, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Planejamento e Políticas Públicas. Área de Concentração: Planejamento e Políticas Públicas. Orientador: Prof. Dr. Francisco Horácio da Silva Frota. MACAPÁ – AMAPÁ 2010 2 M386s Martins, Ruimarisa Monteiro Pena O sistema de avaliação de desempenho do servidor público do Estado do Amapá: práticas e desafios da / Ruimarisa Monteiro Pena Martins. – Fortaleza, 2010. 104 p. ; il. Orientador: Prof. Dr. Francisco Horácio da Silva Frota. Dissertação (Mestrado Profissional em Planejamento e Políticas Públicas) – Universidade Estadual do Ceará, Escola de Administração Pública do Amapá, Centro de Estudos Sociais Aplicados. 1. Serviço público. 2. Gestão de pessoas. 3. Avaliação. 4. Desempenho. I. Universidade Estadual do Ceará, Escola de Administração Pública do Amapá, Centro de Estudos Sociais Aplicados. CDD: 351 3 RUIMARISA MONTEIRO PENA MARTINS O SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO SERVIDOR PÚBLICO DO ESTADO DO AMAPÁ: práticas e desafios da gestão Dissertação submetida ao Curso de Mestrado Profissional em Planejamento e Políticas Públicas do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual do Ceará em convênio com a Escola de Administração Pública do Amapá, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Planejamento e Políticas Públicas. Área de Concentração: Planejamento e Políticas Públicas. Aprovada em: 23/11/2010. BANCA EXAMINADORA __________________________________________ Francisco Horácio da Silva Frota (Orientador) Universidade Estadual do Ceará – UECE __________________________________________ Prof.ª Dr.ª Maria Helena de Paula Frota Universidade Estadual do Ceará – UECE __________________________________________ Prof. Dr. Hermano Machado Ferreira Lima Universidade Estadual do Ceará – UECE 4 À minha filha Aimée Pena Martins, que tem acompanhado e incentivado minha jornada profissional, ficando muitas vezes em segundo plano. Não concluiria esta meta se não fosse sua compreensão e apoio. 5 AGRADECIMENTOS A Deus que ilumina a minha vida todos os dias. À minha mãe por sempre estar a meu lado me apoiando nos momentos mais difíceis. A minha família, especialmente minhas irmãs, Núbia e Ana Rúbia, que foram pessoas essenciais para passagem desta etapa da minha vida e por cuidarem tão bem de mim. Aos colegas do curso de Mestrado em Planejamento e Políticas Públicas, por terem enriquecido o meu saber. Ao Governo do Estado do Amapá pela possibilidade de realizar esse estudo. Ao Prof. Dr. Francisco Horácio da Silva Frota pelas orientações e incentivos no decorrer da jornada. A Profª. Mestra Maura Leal, pelas orientações na pesquisa e pela amizade a mim dispensada. Aos Professores do Mestrado Profissional em Planejamento e Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará, pela dedicação a todos os alunos, apesar do cansaço da viagem. Aos Professores Doutores Horácio Frota, Alexandre Barbalho, Celeste Cordeiro e Heloísa Frota, pelas orientações no processo de qualificação. Aos funcionários da Escola de Administração Pública, em especial, a Camille e Eunice, pela qualidade no atendimento aos alunos do Mestrado. 6 De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando A certeza de que precisamos continuar A certeza que seremos interrompidos antes de terminar Portanto, devemos: Fazer da interrupção um caminho novo Da queda, um passo de dança Do medo, uma escada Do sonho, uma ponte Da procura, um encontro. (Fernando Pessoa) 7 RESUMO O presente trabalho teve como objetivo estudar o sistema de avaliação de desempenho do servidor público estadual do Amapá e, fundamentalmente, demonstrar a importância que tem avaliar o desempenho humano quando se busca a qualidade no serviço púbico. Considerando que o período analisado foi 2003 a 2008, foi dado ênfase ao programa de governo desse período, buscando-se identificar possíveis contribuições da avaliação para a gestão atual, bem como a influência dessa gestão na consolidação da política de avaliação do servidor do Estado. Para isso, foi realizada revisão bibliográfica sobre a metodologia de avaliação de desempenho com foco em competências e gestão de pessoas no serviço público, além de estudo sobre a formação do Estado do Amapá, que apresenta características específicas por ser um Estado novo e, ainda, depender do orçamento da União. Para se traçar o perfil do sistema de avaliação de desempenho estudado, foi realizado levantamento documental nas fichas de avaliação dos servidores, na política de desenvolvimento do servidor do Estado, no plano plurianual do atual governo, na lei 0066, bem como foram realizadas entrevistas com os responsáveis pela execução do processo de avaliação e pela política de desenvolvimento dos servidores estaduais do Amapá. Palavras-chave: Serviço público. Gestão de pessoas. Avaliação. Desempenho. 8 ABSTRACT This work aimed to study the system of performance appraisal of civil servants and state of Amapa, fundamentally, to demonstrate the importance of assessing human performance when seeking quality in public service. Whereas the study period was from 2003 to 2008, emphasis was given to the government program that period, trying to identify possible contributions of evaluation for the current administration, as well as the influence of management in the consolidation of political evaluation of the server's state. For this, we reviewed the literature on the methodology of performance evaluation with a focus on skills and people management in public service, and study on the formation of the state of Amapá, which has specific characteristics for being a new state, and also depend on the budget of the Union To profile the system performance evaluation study was conducted in the documentary survey evaluation forms from servers in the development policy of the server state in the multi-annual plan of the current government, law 0066, and interviews were conducted with those responsible for implementing the evaluation process and the development policy of the state of Amapá servers. Key words: Public service. Personnel management. Assessment. Performance. 9 LISTA DE TABELAS TABELA 1 Valores destinados por Função e Programa para Políticas de Desenvolvimento do Servidor 2004-2007............................................................................................ 34 TABELA 2 Sexo dos servidores avaliados................................................................................ 71 TABELA 3 Percentual dos pontos obtidos pelos servidores no critério assiduidade e urbanidade no período de estágio probatório.......................................................... TABELA 4 Percentual dos pontos obtidos pelos servidores no critério pontualidade e disciplina no período de estágio probatório............................................................. TABELA 5 73 74 Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação durante o estágio probatório................................................................................................................. 75 TABELA 6 Percentual de pontos obtidos em produtividade e qualidade durante o estágio probatório................................................................................................................. 76 TABELA 7 Percentual de pontos obtidos em responsabilidade durante o estágio probatório.. 77 TABELA 8 Conceito total obtido pelos servidores no período de estágio probatório................ 78 TABELA 9 Percentual de pontos obtidos em quantidade e qualidade do trabalho para progressão............................................................................................................... 79 TABELA 10 Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação para progressão............ 80 TABELA 11 Percentual de pontos obtidos em assiduidade e urbanidade para progressão....... 81 TABELA 12 Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina para progressão......... 82 TABELA 13 Conceitos atribuídos aos servidores em cada critério no período de progressão... 83 TABELA 14 Percentual dos conceitos atribuídos aos servidores em cada critério no período de progressão.......................................................................................................... 83 TABELA 15 Conceito total obtido pelos servidores no período de progressão........................... 84 10 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 Sexo dos servidores avaliados.............................................................................. 72 GRÁFICO 2 Percentual dos pontos obtidos em assiduidade e urbanidade pelos servidores durante o estágio probatório.................................................................................. 74 GRÁFICO 3 Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina durante o estágio probatório............................................................................................................... 75 GRÁFICO 4 Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação durante o estágio probatório............................................................................................................... 76 GRÁFICO 5 Percentual de pontos obtidos em produtividade e qualidade durante o estágio probatório............................................................................................................... 77 GRÁFICO 6 Percentual de pontos obtidos em responsabilidade durante o estágio probatório............................................................................................................... 78 GRÁFICO 7 Percentual de pontos obtidos em qualidade e quantidade para progressão........ 80 GRÁFICO 8 Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação para progressão......... 81 GRÁFICO 9 Percentual de pontos obtidos em assiduidade e urbanidade para progressão.... 82 GRÁFICO 10 Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina para progressão...... 83 GRÁFICO 11 Percentual de servidor por conceito obtido........................................................... 84 11 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 Evolução dos estilos gerenciais no Brasil................................................................. 39 QUADRO 2 Síntese das diferenças entre a organização pública e a privada.............................. 41 QUADRO 3 Demonstrativo de servidores efetivos por grupo de atividade.................................. 58 12 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ALCMS CEB CHA CNE DASP EAP GEA GPR IBGE IME INPA IPEM IPESAP MARE MP PDSA PIB PPA PROVAM SEAD SIAPE SPVEA SRH SUDAM SUFRAMA USP Área de Livre Comércio de Macapá e Santana Câmara de Educação Básica Conhecimento, Habilidades e Atitudes Conselho Nacional de Educação Departamento Administrativo do Serviço Público Escola de Administração Pública Governo do Estado do Amapá Gestão por Resultado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Índice de Magnitude do Estado Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Instituto de Pesos e Medidas Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Administração Pública Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá Produto Interno Bruto Plano Plurianual Programa de Estudos e Pesquisas dos Vales Amazônicos Secretaria de Estado da Administração do Amapá Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia Secretaria de Recursos Humanos Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia Superintendência da Zona Franca de Manaus Universidade de São Paulo 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....................................................................... 14 2 O AMAPÁ DO SERVIÇO PÚBLICO..................................... 20 2.1 2.1.1 AMAPÁ – o presente espelho do passado................................................. 20 O Amapá e o novo modelo de gestão..................................................... 31 3 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO: um desafio na gestão de pessoas no serviço público........................................... 37 3.1 GERENCIANDO O SERVIÇO PÚBLICO.................................................... 37 3.2 O PAPEL DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NA GESTÃO DE PESSOAS......................................................................................................... 43 A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO POR COMPETÊNCIA: re-humanizando a avaliação........................................................................................................ 52 3.3 4 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NO SERVIÇO PÚBLICO: a experiência do Estado do Amapá....................................... 56 60 60 65 4.1.3.1 4.1.3.2 RESULTADOS E DISCUSSÕES...................................................................... Documentação................................................................................................ Entrevistas....................................................................................................... Resultado da pesquisa realizada nas fichas de avaliação do estágio probatório e fichas de avaliação para progressão...................................... Resultado da pesquisa realizada nas avaliações do estágio probatório.......... Resultado da pesquisa nas avaliações para progressão................................. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................... 86 REFERÊNCIAS..................................................................... 92 APÊNDICE............................................................................. 97 4.1 4.1.1 4.1.2 4.1.3 71 72 79 APÊNDICE – ROTEIRO DE ENTREVISTAS................................................ 98 ANEXOS................................................................................ 99 ANEXO A – FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – ESTÁGIO PROBATÓRIO........................................................................... 100 ANEXO B – FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – PROGRESSÃO. 103 14 1 INTRODUÇÃO As práticas de Avaliação de Desempenho não são novas. Desde o momento em que o homem deu emprego a outro, o desempenho desse empregado passou a ser avaliado com o objetivo de identificar se o resultado do seu trabalho atendia às expectativas do empregador. Para Lucena (1992, p. 35), “as práticas da avaliação, entendida no seu sentido genérico, é tão antiga quanto o próprio homem. É o exercício da análise e do julgamento sobre a natureza, sobre o mundo que nos cerca e sobre as ações humanas.” No serviço público, a lógica é a mesma, mas o empregador passa a ser uma entidade pública, o Estado, que possui como empregado, o servidor público e o cliente-usuário como termômetro de sucesso do serviço ofertado. É claro que, no âmbito público, há especificidades e surgem questões diversas que tornam complexas esta relação e a condução estratégica de governo na gestão destas questões. Tomando como base esta complexidade, este estudo objetivou investigar e descrever o Sistema de Avaliação de Desempenho do servidor público do Estado do Amapá, identificando os principais entraves que comprometem a qualidade do serviço público, bem como, fazendo uma leitura dos modelos utilizados, apontando um modelo que pudesse ser utilizado no Estado. A pretensão de pesquisar sobre este tema decorre dos 15 (quinze) anos de experiências na área de gestão de pessoas e consultoria organizacional, tanto no setor público quanto no privado. Dentre as principais atividades desenvolvidas destaca-se o de Coordenação de Planejamento e Articulação Institucional na Escola de Governo do Amapá, em que foi possível conhecer de forma próxima a dinâmica que envolve a Administração pública, principalmente com relação à gestão de recursos humanos. Assim, com os conhecimentos adquiridos através de leituras, e participação em cursos e seminários, aguçou-se o interesse pelo desempenho das pessoas nos seus locais de trabalho. Neste período, foi possível identificar que na gestão de seres humanos, há uma diversidade de comportamentos, que nem sempre possibilita o alcance dos 15 objetivos e metas da instituição. Este fracasso é geralmente associado à incompetência das pessoas, no entanto, pode significar um sinalizador de que a gestão está pouco comprometida com o desenvolvimento dos colaboradores internos, e não identifica competências e habilidades e o perfil necessário à atividade. Além disso, a Avaliação de Desempenho é uma novidade no serviço público. Poucas são as bibliografias que tratam sobre este tema com o rigor necessário. Esta incipiência foi um estímulo para o desejo de participar deste debate, e quem sabe contribuir de alguma forma para o desenvolvimento de profissionais do serviço público que estejam envolvidos no processo de administrar desempenhos. Também o fato de que no Estado do Amapá, o serviço público é o maior empregador. Apenas nos últimos 15 (quinze) anos, pode-se dizer que o Amapá fortaleceu o novo modelo econômico, mesmo assim o que prevalece é o Estado assumindo, quase totalmente, o papel de patrão. Os empregos, em sua maioria, vêm através do governo, municipal, estadual e federal, o que leva o movimento do comércio local a ocorrer com maior intensidade no período do pagamento de salários dos servidores públicos. Os grandes investimentos no Estado, ainda são oriundos do setor público. Desta forma, o servidor público, tido como capital humano é o grande diferencial no processo de desenvolvimento do Estado do Amapá, por isso a necessidade de avaliar o seu desempenho na prestação dos serviços colocados a disposição do cidadão. Um Sistema de Avaliação de Desempenho no serviço público que valorize as competências, e considere o servidor não como um objeto passivo, mas como elemento ativo no processo e alinhe as necessidades de desenvolvimento deste servidor às demandas sociais, tende a ser um poderoso instrumento de gestão. Refletindo sobre essa postura, o presente trabalho tem a finalidade de examinar o processo de avaliação de desempenho dos servidores públicos estadual do Amapá. Atualmente, o Estado conta com 15.450 servidores distribuídos em 12 (doze) grupos, quais sejam: Magistério, Fiscalização e Arrecadação, Polícia Civil, Técnico-científico, Penitenciário, Atividade do Estado, Sócio-educativo e de Proteção, Instituto de Pesos e Medidas (IPEM), Infraestrutura, Governamental, Meio 16 Ambiente e Saúde. Esses servidores entraram para a administração estadual através de concursos públicos que ocorreram após a transformação do Amapá em Estado e foram submetidos à avaliação de desempenho no estágio probatório e para progressão funcional. Considerando que essas avaliações de desempenho ocorreram no período de 2003 a 2008, na gestão do atual governo, a pesquisa analisou o resultado das avaliações num comparativo com a proposta desse governo. Diante do exposto, algumas questões foram norteadoras para o inquirimento do modelo de Avaliação de Desempenho empregado pelo Governo do Estado do Amapá. Assim, pretende-se através desta pesquisa responder se a avaliação do servidor público contribuiu para identificar como esse servidor está reagindo às demandas sociais? A avaliação de desempenho serve como referencial para melhorar a performance do servidor? A avaliação de desempenho atual está alinhada ao modelo de gestão e as metas do atual governo? O método de avaliação utilizado pelo GEA para medir o desempenho de seus servidores é adequado ao perfil do servidor e a realidade do Estado? De acordo com Leandro (2009, p. 17), a avaliação de desempenho tem de ser um projeto, com objetivo claro de melhorar o desempenho do pessoal, promover os ajustes que sejam necessários ao desenvolvimento das funções; eliminar desperdícios com tarefas inúteis; gerar alterações funcionais necessárias; elevar a auto-estima do trabalhador por meio do aproveitamento de suas reais potencialidades; diagnosticar necessidades de treinamento; e promover a melhoria de qualidade do desempenho de cada um e, consequentemente, de todos. Para análise do Sistema de Avaliação de Desempenho que está sendo aplicada pelo Governo do Estado do Amapá, foi utilizado como referencial a Avaliação por Competência, por acreditar-se que todo profissional apresenta um perfil de competências técnicas e comportamentais, sendo esta última indispensável para o sucesso no cargo. Rabaglio (2004, p. 6), define competências como CHA: conhecimentos (Saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (querer fazer). Para a autora não basta somente considerar o “C” ou “CH” é necessário, sobretudo complementá-lo com “A”. 17 Hoje, sabe-se que este último critério faz muita diferença, pois é o diferencial competitivo de cada profissional. Nessa linha de pensamento, vários autores e consultores separam o CHA em dois grupos: o de competências técnicas, que aponta para o que o profissional precisa saber para o desempenho de sua função e o de competências comportamentais, que inclui ética, postura assertiva diante da sociedade. Para os autores Souza et al. (2007, p. 97), esse tipo de avaliação caracteriza-se pela mensuração das competências conceituais (conhecimento e domínio de conceitos e teorias), técnicas (domínio de métodos e ferramentas) e interpessoais (atitudes e valores) necessárias ao desempenho esperado, a partir de instrumentos específicos e entrevistas. Este trabalho tem como abordagem, predominantemente, a pesquisa qualitativa, implicando em maior integração com o processo de avaliação de desempenho do servidor público do Estado do Amapá, objeto deste estudo, o que possibilitou entendimento sobre a natureza geral do fenômeno e melhor compreensão desse fenômeno a partir da percepção dos sujeitos envolvidos, numa relação empática. Buscou-se visualizar o contexto da avaliação de desempenho e descrevêlo exatamente como ocorre para, a partir de um enfoque dedutivo, analisar e tecer as considerações devidas. Dado o seu caráter exploratório, num universo de 15.450 servidores, foi definido como amostra para a pesquisa 336 servidores, escolhidos de forma aleatória dentro dos grupos de atividades, e que passaram pela avaliação de estágio probatório e avaliação para progressão, no período de 2003 a 2008. Para isso, foram utilizadas como estratégia para a coleta de dados, a análise documental, levantamento bibliográfico e entrevistas. Assim, como a pesquisa pretendeu analisar a partir da problemática do Estado, priorizaram-se as fontes oficiais documentais da Secretaria de Estado da Administração do Amapá: as fichas de avaliação de desempenho dos servidores; do Governo do Estado: o Plano Plurianual de 2004 a 2007; da Escola de Administração 18 Pública: a Proposta Política Pedagógica e o Programa de Desenvolvimento do Servidor, além da legislação pertinente ao servidor público estadual. As fichas de avaliação de desempenho foram analisadas, levando-se em consideração: os itens que definem o perfil do servidor empreendedor são os mesmos que compõem a avaliação atual? Existe progressão no conceito do servidor da avaliação do estágio probatório para a avaliação de progressão? O resultado da avaliação de desempenho do servidor é utilizado como norteador do Programa de Desenvolvimento do Servidor? No Plano Plurianual foi observado se este destinava recursos para o desenvolvimento do servidor público e como definia o compromisso com o servidor. Na Proposta Política Pedagógica da Escola de Administração Pública do Amapá foi observado: a EAP definia um perfil ideal para o servidor? Este perfil era o mesmo que estava sendo avaliado pelo Governo do Estado do Amapá, através da Secretaria de Administração? O resultado da avaliação estava refletida no Programa de Desenvolvimento do servidor? A lei 0066 foi utilizada para orientação sobre o período de estágio probatório e progressão (AMAPÁ, 1993). A bibliografia selecionada foi referente à avaliação de desempenho, gestão de pessoas no serviço público e privado, gestão por competência, administração pública, encontradas em revistas técnicas, livros e na rede mundial de computadores. Para a coleta de dados através das entrevistas, foram selecionados os sujeitos envolvidos diretamente no planejamento e execução da avaliação de desempenho dos servidores estaduais, quais sejam: a diretora de recursos humanos da Secretaria de Administração, o responsável pela avaliação de desempenho no estágio probatório e o responsável pela avaliação de desempenho para progressão, também servidores da SEAD e a coordenadora de planejamento da Escola de Administração Pública. Como direcionamento para a entrevista, foi formulado um questionário com perguntas que possibilitassem a compreensão do processo de avaliação, que 19 respondessem as inquietudes da pesquisa e possibilitassem a compreensão da percepção dos envolvidos. As entrevistas foram agendadas e realizadas individualmente, com auxílio de um gravador. Assim, este trabalho está estruturado em seções, sejam elas: introdução, três seções em forma de capítulos e considerações finais. A seção 2 “O Amapá do Serviço Público” tem como objetivo apresentar o Estado do Amapá, da formação aos dias atuais, fazendo referência a situação políticoeconômica de transformação de Território em Estado e o fato de ter seu desenvolvimento, em sua maioria, vinculado ao setor público, tendo sido enfatizado a proposta de governo do período 2003 a 2008, período este definido para a pesquisa. Na terceira seção “Avaliação de Desempenho: um desafio na gestão de pessoas no serviço público” foi apresentado a evolução da administração pública e a preocupação em se avaliar pessoas no serviço público. Foi dado ênfase a avaliação de desempenho com foco em competência como um método que pode ser aplicado no setor público para desenvolver conhecimento, habilidade e atitude no servidor. Na quarta seção “Avaliação de Desempenho no Serviço Público: a experiência do Amapá” buscou-se apresentar como está ocorrendo o processo de avaliação de desempenho dos servidores estaduais do Governo do Amapá. Nas considerações finais a preocupação foi em analisar os dados pesquisados e refletir sobre os questionamentos que direcionaram a pesquisa, mostrando a necessidade de se fazer uma reestruturação do processo de avaliação de desempenho do servidor público do Estado do Amapá. 20 2 O AMAPÁ DO SERVIÇO PÚBLICO 2.1 AMAPÁ – o presente espelho do passado A dinâmica política administrativa do serviço público no Estado do Amapá está relacionada ao seu processo histórico de ocupação, sobretudo pela forma que a região vem sendo administrada desde o período colonial pelos portugueses. Como este estudo se propôs a analisar a Avaliação Desempenho do Servidor Público deste Estado, para uma melhor compreensão deste instrumento de gestão, fez-se necessário associá-lo a todo este contexto histórico, uma vez que este fator foi decisivo na cultura política deste Estado. O historiador Arthur Cézar Ferreira Reis1 realizou vários estudos com o intuito de demonstrar que a conquista dos limites territoriais brasileiros no norte, foi lenta, gradativa e condicionada a fatores geográficos e históricos, que despertaram a cobiça de estrangeiros. Como poucos outros, o Território do Amapá possui um fundamento histórico e geopolítico quase sensacional. Objeto da cobiça desenfreada de estrangeiros, seu processo de formação e de integração ao espaço político do Brasil foi lento, trabalhoso, dando margens às páginas de heroicidade e pondo à prova os sentimentos cívicos de luso-brasileiros (REIS, 1946, p. 5). A questão da fronteira na região, que atualmente compreende o Estado do Amapá, sempre se mostrou como um sério problema para o Estado brasileiro. Como sua área fronteiriça faz limites com a Guiana Francesa, desde seu descobrimento pelos portugueses a região do Amapá foi alvo permanente da cobiça de estrangeiros2. O Senador José Sarney evidenciou essa singularidade. Desde que cheguei ao Amapá interessei-me pela sua história. A rica história de uma região que foi disputada entre as grandes potências coloniais. Franceses, ingleses, holandeses e portugueses [...] O singular é que nasceu 1 Entre os principais cargos que Reis ocupou merecem destaques: a Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia (SPVEA), em 1953; a presidência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em 1956; Diretor do Departamento de História e Divulgação do Estado da Guanabara (1961); Diretor do Departamento Nacional da Indústria e Comércio e governador de Manaus em 1964. Na academia foi professor na Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade Federal Fluminense. 2 Pelo Decreto-Lei n 5.812 a demarcação dos limites do Território Federal do Amapá foi o seguinte: noroeste e norte com as Guianas Francesa e Holandesa; a noroeste e leste com o Oceano Atlântico; a sul e sueste canal do Norte e o braço norte do Rio Amazonas até o foz do Rio Jarí; a sudoeste e oeste o Rio Jarí, da sua foz até as cabeceiras na Serra do Tumucumaque. 21 um sentimento nativista que foi a raiz de a região tornar-se brasileira (SARNEY; COSTA, 2004). Como forma de garantir a ocupação e o domínio da Bacia Amazônica, os portugueses fixaram efetivos militares e um incipiente povoamento agrícola, através da construção de fortes, aldeamentos, vilas etc.; por todo o espaço que hoje é o Estado do Amapá. No entanto, apesar de todas as tentativas dos portugueses visando garantir o domínio sobre as terras amapaenses, os franceses conseguiram se estabelecer na região, principalmente através da exploração econômica das riquezas naturais e do intercâmbio comercial com população local. Na região que atualmente compreende o município Calçoene, em 1894, com a descoberta de ouro, acabou por ocorrer um trânsito livre de franceses, que estabeleceram com os indígenas o tráfico clandestino de mercadorias e de escravos e de contrabando de ouro (VIANA, 1948, p. 89). A ocupação de franceses, concomitantemente com a colonização portuguesa na região, desencadeou uma série de conflitos entre as duas soberanias, que só foram solucionados, em 1900, com recurso arbitral, que deu a posse definitiva do Contestado Amapaense em favor do Brasil. Depois de esgotadas as possibilidades de acordo entre França e o Brasil, decidiu-se por chamar um terceiro país para avaliar a questão, nesse caso a Suíça, o qual “Rio Branco desenvolveu uma profícua atividade, facilitando consideravelmente as negociações que deram origem ao Compromisso Arbitral de 10 de abril de 1897”, através de um memorial de documentos que comprovaram os direitos do Brasil na controvérsia, resolvendo definitivamente o conflito (ARAÚJO, 2006). A fácil penetração de franceses em território brasileiro demonstra a fragilidade política da administração portuguesa no norte, o que não se modificou com a independência brasileira, considerando que o momento de maior penetração francesa ocorreu quando o Brasil já era uma nação politicamente independente. O fato é que a administração de um vasto território como o da Amazônia sempre representou um fardo maior do que o Brasil poderia suportar. Mesmo após a integração definitiva do ex-contestado ao país e da sua incorporação às terras 22 paraenses em 19013, no ano de 1940 a região amapaense apresentava um quadro de grande abandono político. O recenseamento daquele ano, nos municípios do Amapá, Macapá, Mazagão, e Almerim (parte)4, confirmaram concretamente o despovoamento e empobrecimento da Região5. A defesa nacional, é fácil de compreender-se, não implicava a existência de perigos de agressões á terra brasileira pela orla fronteiriça, mas a existências de perigos advindos do abandono em que se achavam aquelas regiões. Havia a necessidade de uma política que procedesse à recuperação humana, cultural, e econômica da fronteira, vivificando-a, vitalizando-a. A expressão defesa nacional não podia nem pode deixar de ter esse sentido. Fundamentos geográficos, humanos, econômicos e culturais, recordados neste capítulo e indicados mais impressivamente nos precedentes, no caso do Amapá, de par com as raízes históricas que constituem, em última análise, o corpo de este ensaio, autorizando, justificando o decreto-lei 5.812, de 13 de setembro de 1943, não só o autorizavam e justificavam, porque o determinavam (REIS, 1946, p. 123, grifo nosso). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1940, a população residente na área correspondente ao Território era de aproximadamente 21.191 habitantes, com densidade demográfica de 0,147 hab/km2. Desse total, 9.973 se encontravam no município de Macapá, 6.007 no município do Amapá e 6.201 no município de Mazagão (IBGE, 1952)6. Os números apresentados7 correspondiam a 2,2% da população do Estado do Pará, a qual ocupava 10,5% da superfície do Estado. A densidade populacional nessas áreas era extremamente baixa, comparada às outras regiões do Pará. Aproximadamente 92% da população desses municípios se concentravam na zona rural. No principal centro urbano, Macapá, não se podia dizer que existia uma aglomeração de habitantes, considerando que do total de 1.036 que residiam nesse centro, apenas 646 pessoas viviam no quadro urbano e 390 no suburbano8 (SILVA, 1944, p. 445-454). 3 O Decreto-Lei N. 938 de 21 de janeiro de 1901 dispõe sobre a incorporação do território do antigo Contestado ao Estado do Pará. 4 No momento do desmembramento do Pará, as áreas de dois dos três municípios irão sofrer alterações nas suas extensões, o que dificulta as informações censitárias sobre o Território do Amapá. 5 Dados apresentados no Recenseamento Geral do Brasil (1º de Setembro de 1940). Série Regional. Parte III Pará. Censo Demográfico: População e Habitação e Censos Econômicos: Agrícola, Industrial, Comercial e dos Serviços. Rio de Janeiro: IBGE, 1952. 6 Deste total 1.015 habitantes pertenciam ao município de Almerim no Pará. 7 Estes dados podem apresentar variações, considerando que estas regiões ainda pertenciam ao Estado do Pará e no momento do desmembramento as extensões de dois dos três municípios foram alteradas; deve-se considerar também que o boletim geográfico é de 1944, e se buscou considerar somente as populações residentes nas áreas que compuseram o Território do Amapá após 1943. 8 Segundo denominação do IBGE, estabelecido pelo Decreto nº. 311, de 02 de março de 1938, urbano seria a caracterização dada à zona de concentração, e suburbano à zona de expansão das sedes municipais e distritais. 23 Portanto, a época da transformação em Território a população do Amapá era essencialmente rural e vivia uma realidade distinta do centro político do país, o que comprova a distância e possivelmente o desconhecimento do que ocorria no restante do Brasil. Reis (1946, p. 122), ao analisar a questão da fronteira no norte do Brasil conclui que “não havia em alguns trechos, uma consciência de brasilidade”; ou seja, o maior problema que o Brasil enfrentava nessa região era, sobretudo, de ausência de sentimento patriótico, decorrente principalmente da omissão do governo brasileiro. “A simples assistência do Poder Federal aos Municípios ou aos Estados ou a interferência por meio de órgãos técnicos desse mesmo Poder Federal, mais uma vez experimentados, não produziram os resultados estimados” (REIS, 1946, p. 122-123). Era preciso nacionalizar as fronteiras do norte do país, através de uma ação mais ampla do governo federal. A ideia de criação de um Território amapaense foi manifestada anos antes pela população local em documento enviado ao Presidente da República em 1920, assinado, conforme transcrito neste documento, por fazendeiros, comerciantes, funcionários civis, artistas, operários e representantes de todas as classes populares, com residência fixa no município de Montenegro, ex-Amapá, à época Estada do Pará, os quais expressaram o descontentamento com o governo paraense e alegaram estarem “cansados de suportar a incúria, o desleixo, o esquecimento e abandono dos dirigentes públicos por esse ferocíssimo trecho da Pátria que o laudo de Berna em 1 de dezembro integrou no Território nacional” Também neste abaixo assinado, propunham ao que a União tomasse “o encargo de povoar e desenvolver as forças naturais da Região, faça uma administração totalmente federal, a exemplo do que o governo do paiz praticou no território do Acre.” (REIS, 1946). Além das reivindicações acima, o documento alegava, ainda, a falta de escolas, de assistência hospitalar, de estradas, de mão-de-obra especializada, de um telégrafo e denunciava a condição precária da única embarcação fluvial existente naquele trecho e por consequência a comunicação incerta dos correios e o abastecimento de gêneros de bens de consumo para a região. As reclamações contra a administração do Pará, relatadas nesse documento, transparecem, além do descontentamento da população com o abandono da região, o desejo de transformála em Território Federal. De fato, o Estado do Pará não possuía recursos financeiros 24 para atender a demanda dos problemas ligados à assistência médica, à educação, ao saneamento e à moradia. Esses problemas eram maiores nas áreas interioranas. Essas dificuldades foram levantadas em dois relatórios do governo do Pará, enviados ao presidente Vargas. No primeiro, em 1940, o interventor paraense José Carneiro da Gama Malcher esclareceu que apesar de todos os investimentos e melhorias que vinham sendo realizadas desde a implantação do “Estado Novo”, “esse espetáculo infelizmente, está circunscrito ao litoral, às cidades, resta levar ao trabalhador rural, precisamente o que faz a produção da riqueza na mata, no campo, nos rios, na maior parte do interior, os favores e amparos de que já gozam seus irmãos” (PARÁ, 1940). No segundo, em 1944, Magalhães Barata relata as dificuldades financeiras que o Pará tinha para administrar a grande demanda do Estado. O interventor do Pará observou o contraste entre a grande extensão territorial, constituída de potencialidades naturais, e a pobreza econômica da região: “Há um contraste flagrante entre a grandeza e exuberância do meio e a situação de insuficiência econômica em que vive o homem por estas terras marginais dos grandes rios que formam o sistema amazônico e da floresta sem fim” (PARÁ, 1944; SILVA, 2007), e expôs a falta de recursos que o Estado enfrentava para resolver os problemas decorrentes da extensão e do povoamento desordenado, ao afirmar que, aqui a intervenção oficial na ordem econômica, dentro dos postulados da defesa nacional, tem que ser mais direita e extensa possível, pela situação singular e peculiar que nos encontramos, em relação à economia nacional, pela zona de produção e pela grande desproporção entre os meios de que dispomos para êsse aproveitamento, e as dificuldades que temos que enfrentar, de toda a sorte, para efetiva ocupação da terra e sua exploração (PARÁ, 1944; SILVA, 2007). Anos depois, durante a constituinte de 1946, quando a permanência ou não dos Territórios Federais foi posta em discussão, a opinião favorável do exgovernador, ao desmembramento das terras paraenses foi citada pelo deputado Café Filho, ao afirma que “O Sr. Magalhães Barata, na Comissão da Constituição disse que o Pará tinha incapacidade de administrar o Território do Amapá”. A defesa da manutenção dos Territórios Federais, na constituinte, foi liderada pelo pessedista acreano Hugo Carneiro, que se colocava como o defensor dos “irmãos de territórios”. Para ele, a criação dessas unidades não veio “fragmentar 25 os Estados, mas, sim, encher vastos do Brasil, levando àquelas populações até então abandonadas, o carinho da administração e a eficiência do governo”. Hugo Carneiro citou o Amapá como exemplo de sucesso do programa dos Territórios, com base no depoimento do ex-governador e Senador Magalhães Barata9. O nobre Senador pelo Estado de V. Ex.ª Magalhães Barata, é sincero em afirmar que a criação do Território do Amapá veio ao encontro do desejo do povo paraense, porque o Pará não se achava em condições financeiras de dispensar àquela grande região a assistência que de que necessitava, e a prova é que o Território do Amapá está em franco progresso (BRASIL, 1948). No Estado do Pará, ao contrário do que ocorreu no Paraná, Santa Catarina e Amazonas, em que os deputados destes Estados posicionaram-se a favor da incorporação dos territórios sobre a sua jurisprudência, a bancada paraense mostrava-se favorável a manutenção do Território Amapaense. O deputado paraense pessedista João Botelho deu o seguinte aparte durante o discurso de Hugo Carneiro: “Com a criação do Território do Amapá, aquela região está em franco progresso e desenvolvimento, coisa que nunca teve”. A defesa da manutenção desse Território se justificou pelo fato desses deputados acreditarem que o Pará não tinha à época recursos suficientes para administrar a região do Amapá. Contudo, observa-se que as relações econômicas, políticas e sociais do Estado do Pará com as regiões que atualmente pertencem ao Amapá eram distantes e restritas e a perda deste território não representou prejuízos financeiros, tampouco patrióticos, o que confirma a ausência de um poder político efetivo na região. A preocupação com a defesa nacional como proposta de revitalização de espaços vazios e inabitados, ressaltada pelos idealizadores do projeto de criação dos Territórios Federais, foi preponderante em terras amapaenses para a criação, em 1943, do Território Federal do Amapá, pois o Estado brasileiro percebia a ausência de elementos de nacionalização que sustentassem o domínio brasileiro sobre a região. Para Porto (2003), a criação desse Território pode ser explicada a partir de dois pontos estratégicos: um primeiro de caráter administrativo, que objetivava 9 Joaquim de Magalhães Cardoso Barata foi Senador pelo Estado do Pará de 1946 a 1955 e de 1955 a 1956. Exerceu três mandatos como governador pelo Estado do Pará: como Interventor de 12 de novembro de1930 a 12 de abril de 1935 e 20 de fevereiro de 1943 a 29 de outubro de 1945; e governador eleito e 10 de junho de 1956 a 29 de maio de 1959. 26 implantar um núcleo governamental estadual para impedir focos de desnacionalização no país, estimular o povoamento, e buscar organizar economicamente a região; e um segundo de cunho militar, com a meta de proteger a fronteira do norte do país de possíveis invasões durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo Porto (2003, p. 47) “enquanto havia discussões sobre a defesa ou segurança nacional na Amazônia, na prática houve uma abertura internacional das potencialidades amazônicas”. A questão da nacionalização dos espaços fronteiriços foi condicionante para a criação dos Territórios Federais. Na região amapaense, a população convivia com a ausência do poder público e se encontrava isolada do grande centro político do país. A vida cotidiana nas terras amapaenses era pacata, intimista, típica de uma região ruralizada. A maioria da população tinha como meio de sobrevivência o que extraia da natureza. Na extensão territorial das três cidades existentes, o modo de vida não se diferenciava muito, considerando que quase a totalidade da população vivia de hábitos típicos de realidade rural na Amazônia. O poder político era exercido conforme as regras dos que se apropriavam de vastas regiões territoriais. Somente com o ato governamental de 1943 foi que o Amapá passou a ter, como afirmou Reis (1946), “personalidade política”. Com a sua transformação em Território Federal e com a indicação de Janary Gentil Nunes para primeiro governador territorial, a região inaugurou um novo capítulo da sua geografia de fronteira. Porém, a tarefa de transformar o Amapá, em região "integrada ao Brasil" era considerada uma tarefa difícil. No início de 1946, as condições de vida em terras amapaenses foi descrita como preocupantes e permanecem em todo o Território, à espera de solução os mesmos problemas que aqui encontramos. Tudo ainda está por fazer, apesar de havermos empregado a totalidade de nossas fôrças para concretizar o ideal do Amapá rico e feliz, integrado na civilização brasileira (TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ, 1946, p. 8). Um das primeiras medidas da administração janarista foi criação dos Órgãos da Administração do Território, pelo Decreto 01, de 25 de janeiro de 1944, o qual instituiu a Secretaria Geral, o Departamento de Administração, Departamento de Educação e Cultura, Departamento de Viação e Obras Públicas, Departamento de Produção e Pesquisas, Departamento de Saúde Pública, Departamento de Terras e Colonização, Geografia e Estatística e Departamento de Segurança Pública 27 e Guarda Territorial (AMAPÁ, 1945). A partir deste momento podemos considerar que surgem as primeiras contratações de servidores públicos para o Amapá. Os maiores investimentos do governo de Janary Nunes no setor urbanístico, foram feitos na capital, em Macapá, com a construção de prédios do governo territorial e residências para os funcionários públicos. Essas obras objetivavam transformar este município na cidade adequada para recepcionar as pessoas que eram trazidas de outros Estados, a maior parte vindas do Pará, para trabalhar no serviço público, principalmente, nas chefias de departamentos e em cargos estratégicos. Macapá vivenciava um surto populacional com a vinda de funcionários, que traziam suas famílias para residir na capital. Segundo os dados do relatório (TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ, 1946, p. 113), a população macapaense de 1286 habitantes, em janeiro de 1944, passou para 2.800 habitantes, em dezembro deste mesmo ano. De forma a justificar a vinda dessas pessoas Janary Nunes afirmou: “a presença das famílias é indispensável na nova terra para que a sociedade surja moralizada” (TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ, 1946, p. 111). Percebe-se, neste período, um grande surto migratório de funcionários públicos para o Estado, uma vez que a maioria das pessoas que vinha residir no Território era para trabalhar no setor público. Vale esclarecer, que como a natureza jurídica do Amapá, a época, era de Território Federal, entidade política vinculada a União, estes servidores eram funcionários federais. Somente com a Constituição Federal, de 1988, que o Amapá, juntamente com o Território de Roraima, passou a condição de Estado, e ganhou autonomia política, provocando mudanças na sua dinâmica espacial. No entanto, processos de fragmentação do espaço já eram públicos como estratégia de poder, criando-se então em 1987 mais quatro municípios10. A Constituição Estadual de 1992, através de plebiscito, fragmenta ainda mais o espaço amapaense criando outros seis municípios.11 De acordo com o artigo 235, inciso IX da referida Constituição, com o processo de estadualização, os ex-Territórios Federais passaram por um período de 10 .Em 1987 foram criados os municípios de Santana, Tartarugalzinho, Ferreira Gomes e Laranjal do Jarí. .Em 1992 foram criados os municípios de Amaparí, Serra do Navio, Cutias do Araguari, Porto Grande, Itaubal do Piriri e Pracuúba. 11 28 transição de transferência de 10 (dez) anos de responsabilidades dos atos administrativos federais para estaduais. Como estratégia adotada pelo governo para atrair investimentos ao Estado, ocorreu em 1991, a implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana12, como política de incentivo ao desenvolvimento industrial do Amapá, que motivou um intenso fluxo migratório, não apenas do campo para a cidade, mas também de outras capitais, principalmente norte-nordeste. Com uma população de 596.751 (2005) segundo estimativas do IBGE, entre 1991 e 1996, o Estado teve um crescimento populacional de 5.3% ao ano, passando de 289.000 para 430.000 pessoas. Mais da metade deste crescimento decorre de migração proveniente, principalmente, do Pará, Maranhão e Ceará de acordo com o IBGE (AMAPÁ, 2010). A Área de Livre Comércio Macapá e Santana é classificada como: Área geográfica delimitada onde a isenção fiscal favorece, principalmente, à comercialização de bens importados de terceiros ou do próprio país. Essas áreas funcionariam, basicamente, como entreposto comercial não tendo como objetivo básico o favorecimento de uma política de promoção industrial, mas a permissão do acesso ao comércio de importados em áreas isoladas, gerando uma alternativa de desenvolvimento regional (SUPERINTENDÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA-SUDAM. PROGRAMA DE ESTUDOS E PESQUISAS DOS VALES AMAZÔNICOSPROVAM, 1955, p. 4). O Amapá apresenta problemas nas áreas de transporte e comunicação, uma vez que o isolamento geográfico da cidade (separada do resto do país pelo Rio Amazonas) não permite a ligação rodoviária com o restante do Brasil e o acesso via internet é difícil. O isolamento traz consequências em todos os níveis, no econômico, político cultural e social. Como o Estado, por exemplo, não produz gêneros de primeira necessidade, o isolamento geográfico proporciona o aumento do custo de vida já que o abastecimento da cidade é totalmente dependente da produção de outros centros urbanos. A estadualização pretendia tornar o Amapá mais autônomo e descentralizado do governo federal. A autonomia política foi conquistada, porém o Amapá depende do repasse de recursos públicos e grande parte de sua receita vem do governo federal através de convênios, principalmente para as áreas de educação, saúde e segurança pública. Os gastos com pessoal continuam elevando 12 A criação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS) ocorreu pelo Decreto-Lei n. 8.387, de 30/12/1991 e foi regulamentada pelo Decreto-Lei n. 517, de 08/05/1992. 29 as despesas do Estado, conforme demonstra Chelala (2008, p.159) ao mensurar o Índice de Magnitude do Estado (IME) através da “quantidade de servidores públicos em relação a população ocupada”. Utilizando-se de dados obtidos através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o pesquisador concluiu que: [...] o Estado do Amapá é a unidade da federação com maior quantidade proporcional de servidores públicos, com aproximadamente 29% da população empregada apresentando esta ocupação como a principal. Em seguida vêm Roraima, Acre, Distrito Federal e Rondônia, todos com proporções de servidores públicos superiores a 20% [...] A média nacional está situada em 11,8%, com 5,9% milhões de pessoas que têm como ocupação principal o funcionalismo público. Além de o Estado do Amapá ser o maior empregador de funcionários públicos em termos proporcionais, a tendência prossegue crescente (CHELALA, 2008, p. 160). Para medir o “índice despesas de pessoal” Chelala (2008, p. 170) utilizouse do balanço dos Estados, extraídos diretamente da contabilidade pública dos Estados e dos boletins estatísticos de pessoal federal, fornecido pelo Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE), sistema que gerencia toda a folha de pagamento dos servidores públicos federais, divulgado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP)/Secretaria de Recursos Humanos (SRH). Nesse levantamento, o Estado do Amapá: ocupou a primeira posição, no qual a soma das despesas de pessoal estadual e federal alcançou o expressivo valor de R$ 1,5 bilhões, que equivale a 34,5% do [Produto Interno Bruto-]PIB amapaense. Roraima, apesar de apresentar o menor valor nominal entre as unidades da federação pesquisadas, ficou em segundo lugar em termos proporcionais, com uma relação de 28,1% da soma das despesas de pessoal sobre o PIB estadual. Outro ex-Estado, o Acre, ocupou o terceiro posto neste indicador. Todos os valores são expressivos se comparados com a média nacional, que se situa em aproximadamente 8% (CHELALA, 2008, p. 173). Verifica-se, portanto, a forte presença do Estado na socioeconomia local, o que não é garantia de políticas públicas fortes que respondam às demandas sociais. Ao contrário, uma crise financeira, que venha a impedir repasses da União, pode ocasionar no Estado um colapso econômico, gerando desde o atraso no pagamento dos servidores ao compromisso com os fornecedores da máquina pública. A exemplo da realidade brasileira, o Amapá possui uma cultura política marcada pelo autoritarismo uma vez que foi dirigido pelos militares até a década de 1990, e elegeu um militar como primeiro governador, e só elegeu um governador civil há pouco mais de dez anos. Em 15 de março de 1979, ao assumir a Presidência 30 da República, João Batista Figueiredo nomeou para governar o Território Federal do Amapá, o Comandante da Marinha, Annibal Barcelos, que permaneceu no cargo até 1985, porém retornou eleito governador em 1991. Em 1995, assumiu o governo do Estado por eleição direta, João Alberto Capiberibe, reeleito em 1998. Adotou como programa de governo o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), que segundo Porto (2005, p. 144) teve grande importância “pela sua preocupação com as questões ambientais e sociais, pelo maior envolvimento dos movimentos sociais nas decisões administrativas locais, e pelo seu reconhecimento internacional.” Porto (2005, p. 144-145) afirma, ainda, que somente dois programas de governo foram implantados após a estadualização: o Plano de Ação Governamental (1992-1995), que procurou articular as políticas regionais com o contexto estadual, buscando o desenvolvimento do Amapá segundo a identificação e exploração racional de suas potencialidades, compatibilizando-as com as necessidades de minimização das distorções sociais existentes e a retomada do crescimento econômico [...] e o PDSA, que apresentou as principais transformações políticas, econômicas e administrativas do Estado [...] e possui duas diretrizes gerais: maior agregação de valor aos produtos naturais do Estado e esforço para que a atividade econômica respeite a biodiversidade, evitando sua predação. O primeiro passo do novo Estado no sentido de buscar independência econômica foi adotar estratégias para atrair investidores através de incentivos fiscais, como os oferecidos pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) com a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS), quando foram implantados os mecanismos para o desenvolvimento industrial do Amapá, através da Lei n. 144, de 28 de janeiro de 1994 e regulamentada pelo Decreto n. 2.530, de 31 de maio de 1994. Quanto à gestão de pessoas no serviço público, em 1991 ocorreu o primeiro concurso público e em 1994, o segundo concurso, ambos no governo de Annibal Barcelos que, ainda, nesse ano concedeu reajuste salarial a todos os servidores efetivos. Em 1999, no governo de Capiberibe foi criado, através da Lei nº 0447, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento em Administração Pública (IPESAP), entidade de direito privado e de utilidade pública e interesse coletivo, “com o objetivo 31 de prestar assistência, fomento, execução e pesquisa científica nas áreas de saúde, educação, tecnologia da informação, meio ambiente, ciência e tecnologia e serviços públicos”13. Em 2002, a Lei nº 0656 alterou a redação do Art. 10 da Lei 0447, ao qual foi acrescentado parágrafo único que versa sobre a situação dos 2.900 (dois mil e novecentos) servidores, concursados e nomeados regularmente, no caso de extinção do Instituto. Este artigo passou a ser regulamentado com a seguinte redação “os servidores concursados e nomeados regularmente, serão imediatamente absorvidos nos quadros do Poder Executivo, dentro de suas respectivas categorias e mantidos os respectivos vencimentos e vantagens”14. Logo, após a extinção do IPESAP, através do Decreto Nº 2395, os servidores do quadro do Instituto passaram a ser regulados pela Lei nº 0660, conforme Artigo 2º da referida lei15. Diante deste fato, os servidores do extinto IPESAP passaram a fazer parte da administração direta, do quadro de pessoal civil do Estado do Amapá. 2.1.1 O Amapá e o novo modelo de gestão Em 2003, assumiu o governo do Estado, Antônio Waldez Góes da Silva, tendo sido reeleito em 2006. Nos últimos sete anos, o Governo do Estado do Amapá, promoveu grandes mudanças no processo de planejamento do Estado, possibilitando a integração de suas ações ao mesmo tempo em que tornou a gestão dos bens públicos, mais democrática, participativa, transparente e acima de tudo comprometida com o cidadão. A atuação integrada dos órgãos através das secretarias especiais foi a principal estratégia para redução dos gastos, eliminando sombreamentos de competências e re-trabalho, melhorando a qualidade das ações do GEA, definindo o foco do governo, aumentando a captação de recursos externos e estreitando as parcerias com todos os poderes. 13 14 15 Lei Nº 0447, de 30 de junho de 1999. Publicada no Diário Oficial do Estado nº 2082, de 30.06.99. Lei Nº 0656, de 05 de março de 2002. Publicada no Diário Oficial nº 2747, de 18.03.02. Decreto Nº 2395, de 23 de maio de 2002. 32 Em 2003, o então Governo do Estado do Amapá propôs um novo modelo de gestão. Tendo o servidor como capital humano, o modelo se baseava na valorização e capacitação dos servidores, com a implantação e profissionalização das carreiras do Estado, além da modernização da tecnologia da informação e da utilização de indicadores de desempenho que permitisse ao governo avaliar e acompanhar sua efetividade. Este modelo de “Modernização da Gestão” amplamente divulgado como “Novo Modelo de Gestão” apresentava uma estrutura com o objetivo de alavancar a performance da administração gerencial, por meio do compartilhamento e integração de informações, da agilidade na tomada de decisão e da gestão por indicadores dos programas e ações de governo. Para isso, as unidades administrativas do Estado, ou seja, as secretarias da administração direta e indireta foram agrupadas em setores e foram criados fóruns de discussão compartilhada para tomada de decisão. Todo esse processo de discussão para mudança na estrutura de governo e execuções das políticas públicas tiveram como referência o Plano de Governo elaborado e defendido durante a corrida eleitoral, presente no discurso oficial e inclusive na propaganda governamental, intitulado “Desenvolvimento com Justiça Social”. As políticas públicas para o Estado previstas no Plano Plurianual16 20042007 se basearam em quatro orientadores estratégicos: Crescimento, para viabilizar a produção de bens e da riqueza de que o Amapá precisa; Integração, para conjugar esforços no plano regional, setorial, político e institucional; Responsabilidade, para lograr a eficiência alocativa dos recursos, o equilíbrio fiscal, o equilíbrio ambiental, com completa transparência das ações; e Solidariedade, para viabilizar a inclusão social e para traduzir o desenvolvimento em benefícios para a população (GEA, 2003, grifo nosso). Alinhadas recomendações específicas do governo federal, que propôs a adoção do conceito de macro-objetivos para o adequado balizamento da elaboração 16 O Plano Plurianual (PPA) é o instrumento de planejamento de médio prazo do Governo do Estado que estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, os objetivos e metas da administração pública estadual, promovendo a identificação clara dos objetivos e prioridades do governo, a integração do planejamento e do orçamento, a gestão empreendedora orientada para resultados, a garantia da transparência, o estímulo às parcerias, e a organização das ações de governo em programas. 33 de Programas e Ações do PPA, foram definidos quatro macro-objetivos para o PPA 2004-2007, quais sejam: fortalecimento da infra-estrutura do Estado, desenvolvimento da base produtiva do Estado, promoção da cidadania, com inclusão social, desenvolvimento da gestão pública (GEA, 2003). No macro-objetivo Fortalecimento da Infra-Estrutura do Estado foram definidas as ações envolvendo obras destinadas a aumentar e ampliar os estoques dos equipamentos públicos pré-existentes (estradas, pontes, esgotos, portos etc.), bem como dar suporte ao surgimento de diversos outros segmentos produtivos, tanto na área social, quanto econômica, bem como transformar o Estado em um grande pólo de desenvolvimento nos próximos anos e décadas. O macro-objetivo Desenvolvimento da Base Produtiva está voltado para identificar as cadeias produtivas locais e as características dos nossos ecossistemas, ancorado num programa de pesquisa que leva em conta a riqueza da biodiversidade. Atenção especial foi conferida ao setor do turismo, em face da evidente potencialidade existente no Estado. O macro-objetivo Promoção da Cidadania, com Inclusão Social teve por objetivo assegurar o exercício pleno da cidadania, garantindo o acesso da população aos serviços públicos essenciais, bem como a implementação de medidas transitórias de natureza compensatória, objetivando o resgate da dignidade humana. Para a consecução desse Macro-objetivo, todos os programas e ações do Governo apontavam para a promoção da justiça, com equidade social, e maximização dos esforços do Estado na geração de emprego e renda. Finalmente, no macro-objetivo Desenvolvimento da Gestão Pública, ficou definido o papel do governo como sendo de indutor das condições prévias para a construção do futuro do Estado, descentralizando estruturas e funções, induzindo o esforço dos municípios e da sociedade na promoção do seu próprio desenvolvimento. Desta forma, a construção de um Estado moderno livre das práticas do clientelismo, do paternalismo e da corrupção, em que os mecanismos de decisão sejam transparentes, participativos e democráticos, assim como o aperfeiçoamento da administração, promovendo-a de meios instrumentais e investindo na formação e qualificação do capital humano, tornaram-se foco desse projeto. 34 Desde o início da gestão atual, o governo demonstrou interesse no desenvolvimento dos servidores do Estado. O capital humano foi percebido como fator relevante para o desenvolvimento da gestão e consequentemente para o desenvolvimento do Amapá, o que levou ao investimento de recursos financeiros para a promoção e desenvolvimento desse servidor. A Tabela a seguir demonstra claramente o quantitativo financeiro destinado ao quadriênio 2004-2007 para o investimento em ações de desenvolvimento do servidor público do Estado do Amapá. Nesse quadriênio, o Estado dispunha de R$ 378.052.000,00 para a execução dessa política de desenvolvimento. TABELA 1 – Valores destinados por Função e Programa para Políticas de Desenvolvimento do Servidor 2004-2007 FUNÇÃO/PROGRAMA 2004 2005 2006 2007 TOTAL Gestão de recursos humanos 70.050 82.408 98.931 119.747 371.136 Valorização do servidor público 1.036 840 504 604 2.984 Treinamento e desenvolvimento do 1.078 837 970 1.047 3.932 servidor público TOTAL GERAL 378.052 Fonte: Amapá (2003). No quadriênio seguinte, 2008 a 2011, o governo adotou a metodologia de Gestão por Resultados, modelo voltado para o cidadão como cliente, que busca reduzir custos direcionando as ações de governo para as reais demandas do cidadão, necessitando da implementação de um canal de diálogo entre governo e população, direto e transparente. O governo passa a ser o meio para a satisfação do cidadão e as políticas públicas implantadas passam a ser monitoradas e avaliadas também sob o ponto de vista do cidadão como cliente principal. A metodologia de Gestão por Resultado (GPR) é assim definida: [...] metodologia que tem como propósito básico assessorar o Governador do Estado, a definir diretrizes e estabelecer medidas a serem seguidas pelos órgãos que integram a administração estadual, com o objetivo de garantindo o equilíbrio financeiro do tesouro estadual, elevar a efetividade da administração estadual [...] introduz uma filosofia, que tem como foco os beneficiários das políticas e ações governamentais, orientando-se para os resultados de desenvolvimento (GEA, 2007, p. 8). 35 Os resultados estratégicos do governo a serem monitorados e avaliados com a metodologia foram agrupados em cinco eixos, quais sejam: econômico, social, infraestrutura, defesa social, gestão e governança. No eixo 5, Gestão e Governança, além da busca de resultados voltados para o equilíbrio fiscal e desenvolvimento regional está contido a busca por um serviço público de qualidade, o que segundo o PPA 2008-2011 consiste em oferecer à população amapaense bens e serviços de qualidade, orientando os servidores públicos a focar e priorizar o atendimento ao cidadão como seu cliente. Portanto, o governo passou a adotar uma estratégia de trabalho na qual há a valorização do diálogo com os diversos atores sociais. Para isso, a necessidade de servidores capacitados na escuta das demandas públicas e conhecedores plenos dos objetivos e metas desse governo. Ao buscar a aproximação com o cidadão, o governo criou a Escola de Administração Pública do Amapá (EAP) para gerenciar o desenvolvimento do capital humano do serviço público – o servidor. Coube, portanto, a EAP definir e executar a política de desenvolvimento do servidor público do Estado, o que a tornou responsável pelo desenvolvimento e avaliação desse servidor. A EAP foi criada, portanto, com a competência de planejar, executar e coordenar a política de formação e desenvolvimento de recursos humanos, no âmbito da administração direta e indireta, visando elevar o nível de capacitação técnicoprofissional e melhorar a qualidade dos serviços prestados junto à comunidade. Com o propósito de fortalecer e consolidar a política de Governo do Estado do Amapá, a Escola de Administração Pública desenvolveu e implementou ações inovadoras que tiveram como objetivo eliminar o conjunto de desafios colocados à administração estadual, de modo a manter a gestão pública à altura e à frente das mudanças, contribuindo para acelerar o processo de modernização do Estado. Como forma de facilitar o processo de transformação organizacional, promover a excelência dos serviços prestados pela Instituição e administrar o desenvolvimento e a contribuição dos servidores públicos estaduais, a Escola definiu seus focos estratégicos. São eles: 36 Cooperação e Integração Estratégica – Desenvolver ações que viabilizem as estratégias de governo e os objetivos e planos dos órgãos estaduais. Transformação dos Órgãos Estaduais – Atuar como parceiro dos órgãos estaduais nos processos de transformação organizacional e preparar os gestores e os servidores para a mudança. Desenvolvimento do Servidor Público Estadual – Promover o desenvolvimento técnico, gerencial e pessoal do servidor público. Excelência na Prestação dos Serviços – Melhorar continuamente a qualidade dos serviços e do atendimento da EAP (ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO AMAPÁ, 2006, grifo nosso). Pode-se observar a existência de focos específicos para o desenvolvimento de ações que viabilizassem as estratégias de governo aliadas a promoção e desenvolvimento dos servidores públicos. Logo, as ações de desenvolvimento dos servidores estaduais deveriam estar alinhadas as metas desse governo. Para que isso ocorra é necessário que sejam identificadas as competências que o servidores já possuem e àquelas que eles necessitam para executar os programas de governo. O gap criado entre essas competências poderia ser utilizado como orientador dessa demanda de desenvolvimento. Para que isso ocorra é necessário avaliar o desempenho desses servidores. Considerando que já existe um processo de avaliação de desempenho instalado e em pleno funcionamento no Estado, caberá a essa pesquisa identificar a relação existente com o programa de governo atual. 37 3 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO: um desafio na gestão de pessoas no serviço público Se queres colher em três anos, Planta trigo; Se queres colher em dez anos, Planta uma árvore; Mas, se queres colher para sempre, Desenvolve o homem. (Provérbio chinês) 3.1 GERENCIANDO O SERVIÇO PÚBLICO A administração pública evoluiu historicamente a partir de três modelos distintos: a administração patrimonialista; a administração burocrática e a administração gerencial. Nas sociedades pré-capitalistas e pré-democráticas, o que definia o Estado era uma administração patrimonialista, na qual não se fazia distinção entre os bens privados do príncipe e o patrimônio público. O aparelho do Estado era uma extensão do poder do governante e seus auxiliares, os funcionários, eram tidos como membros da nobreza. Formação, conhecimento, competência profissional não eram atributos considerados para ascensão aos cargos públicos. Estes, vistos como prebendas, eram distribuídos entre os parentes e amigos do rei. Corrupção e nepotismo caracterizam esse modelo de administração. No Brasil, no período colonial, o Estado era uma unidade política centralizada na figura do rei e de seus conselheiros e os cargos públicos pertenciam aos nobres ou a burguesia enriquecida, numa total demonstração de que os interesses pessoais estavam acima dos interesses públicos. Poder político e econômico se confundia, detinha o primeiro quem possuísse “patrimônio”, fontes de grandes riquezas. Como forma de combater a corrupção e nepotismo do modelo anterior, na segunda metade do século XIX, surge a administração pública burocrática, consubstanciando a ideia de poder racional-legal. São princípios orientadores desse modelo, o desenvolvimento à profissionalização, a ideia de carreira, a hierarquia 38 funcional, o formalismo, a impessoalidade. Foram utilizados controles rígidos em todos os processos, tais como na admissão de pessoal, compras, nas contratações do poder público e no atendimento das necessidades da população. Como existia desconfiança dos administradores e das demandas atendidas, foram utilizados controles preventivos a priori. A administração pública burocrática emergiu, portanto, para salvaguardar o patrimônio público, combatendo o nepotismo e a corrupção, inerentes a administração patrimonial e, apresentando um novo serviço público: impessoal, formal, racional. A tentativa de controlar os abusos e a corrupção é um ponto positivo desse modelo, porém a eficiência da administração pública ficou comprometida. O controle passou a ser um fim do Estado ao invés de um meio para seus objetivos. Com isso atender às necessidades dos cidadãos, tidos como clientes, passou a ser um problema. A administração pública gerencial surgiu na segunda metade do séc. XX como resposta à crise do Estado, como uma forma de enfrentar a crise fiscal, a baixa qualidade dos serviços públicos e como um instrumento para proteger o patrimônio público dos desmandos e corrupção instalados com a burocracia. Bresser-Pereira (1998, p. 28) observa que a administração pública gerencial é orientada para o cidadão e para a obtenção de resultados; pressupõe que os políticos e os funcionários públicos são merecedores de um grau limitado de confiança; como estratégia, serve-se da descentralização e do incentivo à criatividade e à inovação; o instrumento mediante o qual se faz o controle sobre os gestores públicos é o contrato de gestão. Um novo estilo de gestão fez-se necessário para se rediscutir o papel e forma de funcionamento do Estado. A crise do Estado instalada com o modelo burocrático levou-o a perda de sua capacidade de realizar suas funções básicas. O novo estilo que emergiu estava mais próximo do setor privado, fortalecia a celeridade nos processos, o direito do cidadão as coisas públicas, sem perder a qualidade nos serviços colocados a disposição da população. 39 Desta forma, pode-se afirmar que no séc. XVIII, buscou-se a proteção do indivíduo contra um Estado Oligárquico, instituindo-se o direito civil. No séc. XIX, a preocupação era a de proteger os pobres contra os ricos, os poderosos, momento em que foram definidos os direitos sociais. Somente no séc. XX ocorreu a preocupação de se proteger o Estado, o patrimônio público, proteger a res pública da ambição dos poderosos, definindo-se que o que era público era direito de todos, não podendo ser apropriado por minoria privilegiada, o patrimônio público, em síntese a res pública, é de todos e para todos. O Quadro que segue mostra um comparativo dos três estilos de administração: PATRIMONIALISTA (Até o final do séc. XIX) - O aparelho do Estado funcionava como extensão do poder do soberano. Ausência de distinção entre o patrimônio público (res pública) e o privado (res principis). - Os cargos públicos eram títulos de nobreza (prebendas) passíveis de negociação e sujeitos à discricionariedade do governante. - A corrupção e o nepotismo eram dominantes na administração. BUROCRÁTICA (Início do séc. XX) - Modelo baseado em regras, normas. Busca da eficiência através dos princípios de: impessoalidade, formalidade e profissionalismo. Poder Racional-legal. Controle a priori (Ênfase nos procedimentos). -Os cargos eram conseguidos através de sistemas de méritos e de carreiras para o combate da corrupção e nepotismo. - Centralização e Hierarquia. -“Dominação” ou autoridade de caráter: carismático (o líder visto como um herói); tradicional (legitimidade reconhecida pela tradição); racional-legal (decorre da legalidade das normas, leis racionais). - Centralização e Hierarquia. - Concebida para ambiente estável. - Concebida para ambiente estável. GERENCIAL (Segunda metade do séc. XX) - Modelo baseado na flexibilidade para combater a rigidez burocrática, na redução de custos através da qualidade x produtividade. Controle a posteriori (Ênfase nos resultados). - Os cargos são conseguidos por concurso público. Há sistema de planos de carreira, capacitação e avaliação de desempenho. - Autonomia do administrador com delegação de autoridade, fixação de metas e objetivos. Utilização de mecanismos de competição (Competição Administrada). - Descentralização e Desconcentração. - Concebida para ambiente instável. QUADRO 1 – Evolução dos estilos gerenciais no Brasil Fonte: Adaptado de Bresser-Pereira (1998). De qualquer forma, independente do estilo gerencial adotado, era preciso retomar a reforma do Estado não apenas pelo viés do custo, da economia, mas principalmente pelo viés político, ético. Gerenciar o Estado passa pela transformação e produção de igualdade e isso tudo pressupõe governo democrático. 40 Segundo Bresser-Pereira (1998, p. 25), a democracia e a administração pública burocrática – as duas instituições criadas para proteger o patrimônio público – tinham de mudar: a democracia devia ser aprimorada para se tornar mais participativa ou mais direta; e a administração pública burocrática devia ser substituída por uma administração pública gerencial. O Governo de Fernando Henrique Cardoso se dedicou a Reforma da administração pública, transformou a antiga e burocrática secretaria da presidência no Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, que dentre várias medidas, flexibilizou a estabilidade do servidor público, como forma de aproximar os mercados de trabalho público e privado. Foi formulado o “Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado”, o que segundo o então ministro Bresser-Pereira (1998, p. 21-28) tinha como objetivo “transformar a administração pública brasileira, de burocrática, em administração gerencial. A substituição de uma administração pública burocrática por uma administração gerencial passou a ser uma questão nacional”. Na visão de Bresser-Pereira (apud PAULA, 2007, p. 130) os principais objetivos da administração pública gerencial são: a) melhorar as decisões estratégicas do governo e da burocracia; b) garantir a propriedade e o contrato, promovendo um bom funcionamento dos mercados; c) garantir a autonomia e capacitação gerencial do administrador público; d) assegurar a democracia através da prestação de serviços públicos orientados para o “cidadão-cliente” e controlados pela sociedade. Paula (2007, p. 130), afirma que o novo modelo de gestão, para alcançar os objetivos propostos deve apresentar as seguintes características: a) administração profissional, autônoma e organizada em carreiras; b) descentralização administrativa; c) maior competição entre as unidades administrativas; d) disciplina e parcimônia no uso dos recursos; e) indicadores de desempenho transparentes; f) maior controle dos resultados; g) ênfase no uso de práticas de gestão originadas no setor privado. No que concerne às práticas de gestão oriundas do setor privado, para alguns autores, dentre eles KlikIsberg (1993) gerenciar o setor público não é a mesma coisa que gerenciar o setor privado. As realidades são diferentes, os clientes são diferentes, assim como a estrutura das organizações. No setor privado, o cliente 41 tem liberdade de escolha do que vai consumir, o mercado competitivo oferece os mais diversos produtos e serviços. No setor público, o cliente é o cidadão, possuidor de direitos, que necessita do atendimento garantido por lei, e que nem sempre recebe esse atendimento com a qualidade devida. As diferenças relevantes entre o setor público e o privado podem ser observadas no Quadro a seguir: CRITÉRIO 1. Forma de obtenção de recursos. ORGANIZAÇÃO PÚBLICA Receitas derivadas de Tributos (impostos, taxas, contribuições) de caráter compulsório. 2- Destinatário dos objetivos e ações executadas. 3- Interesses atendidos. O cidadão: possuidor de direitos e deveres. Coletivos, sociais, difusos. 4- Mecanismo de controle do desempenho dos dirigentes. 5- Características do Processo de Tomada de decisão. Controle político, por meio de eleições dos governantes. Decisões mais lentas, influenciadas por variáveis de ordem política. Políticas Públicas de acordo com os programas de Governo. Através de Lei. 6- Modo de criação, alteração ou extinção da pessoa jurídica. ORGANIZAÇÃO PRIVADA Receitas advindas de pagamentos por livre e espontânea vontade dos clientes. O cliente: manifesta suas escolhas no mercado. Particulares, privados, individualizados. Controle pelo mercado através da concorrência. Decisões mais rápidas, buscando a racionalidade. Políticas empresariais voltadas para objetivos de mercado. Através de instrumento contratual ou societário. QUADRO 2 – Síntese das diferenças entre a organização pública e a privada Fonte: Adaptado de Bresser-Pereira (1998). Outro fator diferencial é que na organização privada, se o funcionário não estiver atendendo a finalidade da organização, pode ser demitido, substituído imediatamente. Na organização pública, o funcionário está protegido pela estabilidade e o seu desligamento do emprego só pode ocorrer após processo administrativo, dando-lhe direito a defesa. No que concerne a recursos financeiros, a obtenção de recursos na iniciativa privada se dá a partir da fidelização do cliente, quanto mais fidelizado estiver, maiores serão os recursos organizacionais. Na organização pública, a receita é oriunda de impostos, tributos pagos pelo cidadão. Os dirigentes da empresa privada são controlados pela concorrência, pelo mercado, é ele que direciona sua permanência ou saída, seu comportamento, suas 42 relações. Os dirigentes da empresa pública são controlados pelo meio político, pelas alianças partidárias. A tomada de decisão é outro ponto diferencial. No setor público, as decisões são embasadas por questões políticas partidárias, são lentas e nem sempre favorecem a organização, além de privilegiar pequenos grupos. No setor privado, as decisões são rápidas, racionais, voltadas à satisfação do mercado consumidor. Por outro lado, a organização pública se assemelha com a organização privada na medida em que possui os mesmos processos administrativos: planejamento, organização, direção e controle, bem como, para que consiga cumprir com sua função social com qualidade, é preciso que possua profissionais competentes, qualificados, comprometidos com a causa pública. Nesta perspectiva, a reforma administrativa implementa uma nova política de recursos humanos. O Programa de Qualidade e Participação elaborado pelo Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE), além de preparar a gestão para as mudanças de uma cultura burocrática para uma cultura gerencial, valorizava a participação e iniciativa do servidor público. Os princípios da qualidade total, tais como constância de propósitos, melhoria contínua, satisfação do cliente, dentre outros, implementados na iniciativa privada passaram a ser utilizados pelo Programa de Qualidade e Participação na nova política. Assim como as ferramentas de gestão como o Ciclo de Melhoria Contínua (Ciclo PDCA) para acompanhamento de processos e o Benchmarking, que são técnicas e práticas exitosas compartilhadas e que podem ser adotadas como exemplo, passaram a compor instrumentos desse Programa. Verifica-se, porém, que apesar da importação da expertise do setor privado para o setor público, gerenciar o serviço público é um grande desafio. O gestor esbarra em normas e regras no que concerne à gestão de pessoas que, se por um lado protegem o patrimônio público e o direito do servidor, por outro engessam a administração. A forma como é conduzida a admissão de pessoas no serviço público não é garantia de alocar a pessoa certa no lugar certo. Tal fato, porém, poderia ser corrigido se houvesse uma avaliação adequada do desempenho 43 desses profissionais, identificando seus conhecimentos e habilidades e traçando um plano para o desenvolvimento pessoal. 3.2 O PAPEL DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NA GESTÃO DE PESSOAS Desde a existência humana já havia a prática de se avaliar o desempenho de outra pessoa. Farias (2001, p. 7) relata que o diálogo entre Moisés e seu sogro Jetro reflete a preocupação em identificar pessoas capacitadas para um dado serviço, a partir da avaliação que se faz delas. Não é bom o que fazes. Sem dúvidas desfalecerás, assim como este povo que está contigo: pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer... Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem [...] para que julguem este povo em todo o tempo. A preocupação em avaliar pessoas no serviço público é antiga. BresserPereira (1996) relata que em 1842 foi aprovada uma lei no Congresso Americano que designava aos chefes de departamentos no serviço público federal a emitirem relatórios anuais sobre o desempenho de seus funcionários, assim como se a demissão de uns e a admissão de outros, estava levando em consideração a possibilidade de melhor desempenho no serviço público. Em 1880, foi desenvolvido no exército americano, um sistema de avaliação e em 1918, a General Motors formalizou a avaliação de seus executivos. Entre os anos de 1960 e 1970, o norte americano David McClelland realizou uma pesquisa que identificava os aspectos de desempenho não passiveis de atribuição à inteligência do profissional, nem ao grau de conhecimento e habilidade, referindo-se a competência. No Brasil, a Constituição de 1824 já trazia como condição de acesso a cargos públicos o preenchimento de alguns critérios: “Todo cidadão pode ser admitido aos cargos públicos civis, políticos ou militares, sem outra diferença que não seja por talentos ou virtudes” – Artigo 179, Item XIV (CAMPANHOLE; CAMPANHOLE, 1976 apud BARBOSA, 1996). A Lei 284 de 28 de outubro de 1936, conhecida como Lei do Reajustamento, fixou as diretrizes do primeiro plano de classificação e de avaliação de desempenho de cargos na administração pública. 44 Como se pode observar, a preocupação em profissionalizar o serviço público no Brasil remonta a década de 30, quando também foi criado o Conselho Federal do Serviço Público e o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). Criado no Estado Novo de Getúlio Vargas, através do decreto-lei 579/38, o DASP passou a direcionar a forma como o servidor seria dirigido no setor público. De lá pra cá várias medidas foram tomadas no sentido de regulamentar as relações entre Estado e servidores, dentre elas a instituição de um órgão central para a política de recursos humanos, a criação de novas sistemáticas de classificação de cargos e a estruturação de quadros de pessoal, o estabelecimento de regras para a profissionalização dos servidores e a constituição de um sistema de carreiras baseado no mérito são as medidas de maior destaque desse período (PIRES et al., 2005). A Reforma Administrativa implantada no Brasil em 1995, com o Plano Diretor da Reforma do Estado, pelo Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE), veio para reestruturar as organizações que não mais conseguiram dar respostas às demandas sociais. Isto implicava em mudar sistemas, organizações, legislações e, principalmente, o desenvolvimento do servidor público, visto pelo senso comum como indolente e sem compromisso. A formação profissional, com vistas ao desenvolvimento do servidor público fora enfatizado na Reforma Administrativa. Identificou-se que o funcionário capacitado, motivado, contribui muito mais para a organização, seja ela pública ou privada. Diante disso, a nova legislação flexibilizou a estabilidade do servidor público, que poderia ser demitido, após avaliação por insuficiência de desempenho, sendo-lhe assegurada ampla defesa. Da mesma forma, poderia também ocorrer demissão por excesso de quadros. Neste caso, além da avaliação de desempenho do servidor, o tempo de serviço seria considerado. Segundo Paula (2007, p. 132) para o ex-ministro Bresser Pereira: a demissão por insuficiência de desempenho contribui para a implementação da administração gerencial, já que sinaliza um processo de mudança cultural na gestão do setor público. A exoneração por excesso de quadros, por sua vez, promoveria a redução do déficit público, cumprindo os limites constitucionais de despesas com pessoal. A busca por uma gestão de qualidade no serviço público tem levado os governos a identificarem e utilizarem as competências e habilidades dos servidores 45 para melhor atender ao cidadão. A gestão sobre o servidor público tem sido de responsabilidade da área de Recursos Humanos, que passa a assumir o planejamento estratégico da Gestão de Pessoas das organizações públicas, não só cuidando da folha de pagamento e registro de pessoal, mas principalmente se preocupando com a carreira e desenvolvimento do servidor. É grande a literatura que fala sobre a postura do servidor no contexto atual. Num mundo de constantes mudanças, no qual não basta ser especialista, saber de muito um pouco, é preciso ser generalista, saber um pouco de tudo, espera-se que o servidor público, antes tido como burocrata, com conhecimento restrito de sua carteira, desenvolva um perfil empreendedor, deixando de lado a postura passiva e se tornando um sujeito ativo, capaz de assumir responsabilidades pela sua atuação e auto-desenvolvimento, capaz de lidar com elementos inéditos e imprevistos. Diante disso surge um grande desafio para a área de Recursos Humanos dos Estados, o de construir mecanismos que promovam motivação no servidor, alinhando os objetivos deste servidor aos objetivos das instituições. Dessa forma, é preciso identificar a capacidade desse servidor, verificar se o conhecimento que possui está de acordo com o papel que desempenha na administração pública e isto é possível ao se avaliar o seu desempenho. Avaliação de desempenho é um instrumento de gestão que busca identificar se as competências dos colaboradores internos estão compatíveis com as funções que desempenha, possibilitando o estabelecimento de um gap entre o conhecimento e habilidades possuídos e o esperado. Cada governo deve buscar a melhor maneira para fazer o monitoramento do desempenho do seu servidor, levando em consideração a cultura local, porém sem perder o foco da qualidade. A avaliação de desempenho não pode ser vista apenas para medir o desempenho passado, mas contribuir para definir um desempenho futuro. Deve servir para modificar comportamentos, formar atitudes novas. Para Bergamini e Beraldo (1988, p. 35) a Avaliação de Desempenho não se trata de um ajuste de contas ou de uma lista negra de defeitos, mas de um levantamento de informações que vem beneficiar todos dentro da empresa. 46 Chiavenato (1997, p. 337) ressalta que a Avaliação ou Administração de Desempenho é um método que visa, continuamente, estabelecer um contrato com os funcionários referentes aos resultados desejados pela organização, acompanhar os desafios propostos, corrigindo os rumos, quando necessário, e avaliar os resultados conseguidos. Assim pode-se concluir como bem diz Pontes (1996, p. 22), a Avaliação de Desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo e o seu potencial de desenvolvimento futuro. No processo de avaliação de desempenho três elementos são fundamentais: o avaliador, geralmente, o chefe imediato, aquela pessoa que está próxima do servidor e que possui conhecimento sobre suas competências; o avaliado, que é o funcionário, que terá o seu desempenho valorizado e a ferramenta a ser utilizada para a avaliação. Sobre esta questão Bergamini e Beraldo (1988, p. 143). considera que “por avaliadores de desempenho entendem-se todas as pessoas que direta ou indiretamente possam estar envolvidas na atividade de detectar diferenças individuais de comportamento em situação de trabalho [...]”. Desta forma, o avaliador pode ser tanto o chefe imediato quanto o colega de trabalho ou, ainda, equipes formadas com o objetivo de identificar comportamentos adequados e inadequados no desempenho de atividades. O que qualifica o indivíduo como avaliador é o conhecimento que detém sobre o ambiente de trabalho, as pessoas e a cultura organizacional, além da assertividade, competência interpessoal e o conhecimento que detém sobre o instrumento de avaliação. Bergamini e Beraldo (1988, p. 36) ressalta que, sempre deverá ter a preparação dos avaliadores para a avaliação. E o avaliador precisa compreender as funções do avaliado que está preste a avaliar para que possa proceder mais corretamente possível. Ao avaliador ou supervisor cabe a principal responsabilidade de avaliar, sendo que reafirmará sua autoridade usando critérios justos e seguros. No serviço público, os avaliadores são, em sua maioria, o chefe imediato, pessoas indicadas politicamente, sem critério definido e que não possuem conhecimento sobre a área de trabalho, organização e gestão ou métodos e técnicas de avaliação. Segundo Gillen (2000), alguns problemas poderão ocorrer nas Avaliações de Desempenho, caso o avaliador não esteja preparado para avaliar, tais como: 47 visão de Avaliação de Desempenho como uma obrigação administrativa, a ela dedicando tempo e atenção insuficientes para seu bom funcionamento; muitos avaliadores tendem a ficar na posição de juizes, os avaliados tendem a ficar na defensiva e os avaliadores tornam-se, demasiadamente, críticos; pode ocorrer também a falta de envolvimento que leva à falta de direção, sendo que os avaliadores permitem aos avaliados ficarem no extremo de só receber. Considerando-se que no processo de avaliação são pessoas que estão envolvidas, portanto suscetíveis a erros, alguns cuidados podem ser tomados para evitá-los ou pelo menos minimizá-los, tais como: a preparação do avaliador para a realização da avaliação, os indicadores da avaliação, a escolha de métodos, técnicas compatíveis com a realidade. Na prática, a Avaliação de Desempenho ainda é fonte de conflito entre avaliador e avaliado, gerando frustração, crise e insatisfação. O avaliador fica na posição do todo poderoso, demasiadamente crítico, tendo em suas mãos a vida do servidor, e o avaliado na defensiva, na situação de alguém que irá receber a informação sobre a sua conduta no serviço público, em alguns casos sem poder opinar. O que avaliar é uma outra preocupação dos gestores de pessoas. Ainda hoje, em algumas organizações, desempenho está associado à produtividade, à quantidade de trabalho, à identificação de quem trabalha e quem não trabalha. Na década de 20, porém, ocorreu uma ampliação na percepção do homem-produtor, a escola das Relações Humanas, com uma visão humanista, aponta para uma visão de homo socialis que responde a incentivos sociais e simbólicos, afastando-se da visão de homo economicus, que respondia a incentivos salariais. Verificou-se que a produtividade estava bem mais aliada a condição de satisfação do funcionário, que passou a ser visto como integrante de valor na organização. Assim, a avaliação deve estar focada no desempenho do indivíduo em determinado período e determinada tarefa realizada, evitando-se que informações anteriores sobre o indivíduo venham a influenciar o processo de avaliação. A escolha de métodos e técnicas é outro ponto que precisa ser valorizado. Existem várias formas de se fazer Avaliação de Desempenho do funcionário, porém se deve atentar para os métodos que contribuam para o desenvolvimento do avaliado, da organização, do avaliador e seja expandido para o 48 usuário do serviço público. Para Pontes (1996, p. 22), a Avaliação de Desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa no cargo e o seu potencial de desempenho futuro. Dependendo do método e técnica utilizados, o avaliador terá resultados diferenciados, que podem vir ou não ao encontro de suas expectativas. Porém todos os métodos apresentam vantagens e desvantagens, por isso devem ser bem analisados antes da aplicação. Chiavenato (1981, p. 195-196) aponta para essa necessidade ao afirmar que, a avaliação do desempenho pode ser feita por intermédio de métodos que podem variar intensamente não só de uma empresa para outra, mas dentro da mesma empresa, quer tratar-se de níveis diferentes de pessoal ou áreas de atividades diversas. Geralmente a sistemática da avaliação do desempenho atende a determinados objetivos traçados com base em uma política de aplicação do pessoal. [...] Cada sistemática atende a determinados objetivos específicos e a determinadas características das várias categorias de pessoas. Há vários modelos de avaliação do desempenho e cada um apresenta vantagens e desvantagens e relativa adequação a determinados tipos de cargos e situações. Chiavenato (1999, p. 195) considera como métodos tradicionais mais utilizados para avaliar o desempenho humano na organização: escalas gráficas, escolha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e listas de verificação. O método de escalas gráficas apresenta tabela com dupla entrada, tendo na linha horizontal os fatores de avaliação, ou seja, os critérios a serem avaliados e nas colunas, os graus de avaliação do desempenho nesses critérios. Para a definição dos fatores de avaliação, a organização deve identificar quais comportamentos e atitudes que devem ser valorizados e dar significado a esses fatores, com uma descrição clara e objetiva, que não permita duplo sentido. Os graus são definidos a partir de conceitos como regular, bom, ótimo etc. O método de escolha forçada avalia o desempenho da pessoa através de frases descritivas, apresentadas em bloco, focalizando aspectos do comportamento. O avaliador é forçado a escolher entre as frases apresentadas, aquela que mais se aproxima do comportamento do avaliado e também a que mais se distancia desse. O método de pesquisa de campo implica na utilização de especialista em avaliação, que realiza entrevista com o chefe imediato para, em conjunto, avaliarem a postura dos subordinados. Após a entrevista com cada gerente e/ou chefe 49 imediato, o especialista preenche um formulário sobre o funcionário. Este método é um dos mais completos e utilizados e é desenvolvido em quatro etapas: entrevista inicial, entrevista complementar, plano corretivo e acompanhamento. O método dos incidentes críticos é considerado bastante simples pelos especialistas, baseia-se nas características extremas, excepcionais do indivíduo, sejam elas positivas que gerem sucesso, ou negativas, que produzam fracasso. A lista de verificação é uma simplificação do método de escalas gráficas, é um método tradicional de avaliação baseado em uma lista de fatores de desempenho em que cada fator recebe uma avaliação, em forma de valor numérico ou conceito. Esses métodos tradicionais fortalecem a burocracia, a rotina, e retiram do avaliador a possibilidade de identificar novas características em seus subordinados, e no avaliado de apresentar característica que não está contida no formulário de avaliação. Esses métodos identificam o que o indivíduo não sabe, características que ele não possui e não o seu potencial de desenvolvimento. Nos métodos tradicionais de avaliação de desempenho os chefes avaliam seus subordinados para identificar seus pontos fracos. Partem da premissa de que conhecem seus subordinados o suficiente para definirem o que é melhor pra eles assumindo, portanto, o papel de juiz. A ênfase é dada ao passado e o subordinado tem papel passivo no processo, além de que é enfatizada a personalidade do indivíduo. Nos métodos atuais, os subordinados se auto-analisam a fim de identificar não só os pontos a serem melhorados, mas também os pontos fortes e o potencial de desenvolvimento. O chefe assume papel de educador e parte da premissa de que o próprio trabalhador sabe, ou pode aprender, a identificar suas capacidades e necessidades. A ênfase é para o futuro e o subordinado assume papel mais ativo, uma vez que poderão ser criados relacionamentos em que todos se sintam responsáveis. É enfatizado o desempenho do indivíduo. Verifica-se, portanto, que a avaliação de desempenho deixa de ser vista como um recurso operacional para assumir uma função estratégica. Os governos modernos adotam e valorizam a avaliação de desempenho de seus servidores, pois perceberam que o maior capital de que dispõem é o ser humano. Nenhuma política 50 pública tem como se firmar se não for através do servidor e, para isso é preciso que ele esteja qualificado e motivado para executá-las. A Avaliação de Desempenho, realizada com clareza e precisão, contribui para a organização dar direcionamento no planejamento de recursos humanos, com capacitação, planos de cargos e salários adequados, ao mesmo tempo possibilita ao avaliado conhecer seus pontos fortes e fracos, rever sua postura profissional e desenvolver competências necessárias ao cargo. Para o avaliador cria a possibilidade de redimensionar a equipe, potencializando o que cada colaborador tem de melhor e possibilitando oportunidades de melhoria dentro da instituição. Dentre as novas formas de avaliação de desempenho estão a avaliação 360 graus e a avaliação por competência. A avaliação 360 graus é também conhecida como feedback 360 graus. Nesta, o avaliado se autoavalia e tem a sua atuação avaliada também pelos seus pares, superiores e subordinados. As informações são coletadas tanto no ambiente interno quanto no externo. O feedback oriundo de diversas fontes proporciona ao indivíduo comparar o resultado de sua autoavaliação com o resultado das avaliações realizadas por seu chefe, colegas de trabalho e o cliente externo, dando-lhe condições de refletir sobre a forma como suas ações estão impactando os demais. Considerando que as informações, sobre o indivíduo, vêm de fontes diversas, a organização tem maior compreensão do comportamento desse indivíduo, portanto mais condições de investir no desenvolvimento de suas competências pessoais, através de um plano de melhoria que venha suprir suas deficiências. A avaliação de desempenho com foco em competência passou a ser enfatizada na metade da década de 90 e início do ano 2000, quando se passou a valorizar não apenas as competências técnicas, mas também as comportamentais e, ainda, as atitudes do indivíduo. Desta forma, o conceito de “competência” vem ratificar a capacidade do indivíduo para desempenhar suas funções, agregando aos conhecimentos e habilidades, aspectos sociais e atitudes. Na percepção do Prof. Joel de Souza Dutra da Universidade de São Paulo – USP (apud SILVA, 2005, p. 11), “a competência de uma pessoa pode ser compreendida como sua capacidade de entrega. Uma pessoa é competente quando, graças as suas capacidades, entrega e agrega valor ao 51 negócio ou à organização em que atua, a ele próprio e ao meio em que vive. Uma pessoa se desenvolve quando amplia sua capacidade de entrega. Competência é a capacidade de uma pessoa gerar resultados dentro dos objetivos organizacionais.” Portanto, coadunando com o pensamento europeu, não basta ter as qualidades necessárias para o desempenho de uma função, é preciso comprometimento e este último só ocorre quando a pessoa está motivada. Fleury e Fleury (apud RUANO, 2003, p. 240), afirma que “competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Como se pode observar o conceito de “competência” demanda duas dimensões, a estratégica (corporativa), que trata das competências da organização e, a dimensão do individuo, que trata das competências individuais. Os que defendem a dimensão organizacional afirmam que a “identificação das competências parte da estratégia empresarial, passa pela definição das competências organizacionais e desdobra-se em competências funcionais” (RUANO 2003, p. 22; GREEN, 1999; ÉBOLI, 2001; DUTRA, 2001; FLEURY; FLEURY, 2001; RUAS, 2001). Desta forma, têm-se o patrimônio de conhecimento da organização, originado a partir do seu processo de desenvolvimento e que se reflete nas relações com os seus clientes. Os autores que defendem a formação das competências a partir do indivíduo indicam que “a análise das competências de cada profissional formaria o portfólio de competências organizacionais” (RUANO, 2003, p. 22). Logo, o valor competitivo de cada organização estaria diretamente ligado às competências de seus colaboradores internos. A compreensão do conceito de competência parte do propósito de entender que existe uma relação profunda entre indivíduo e organização. Por um lado, a organização tem suas competências formadas a partir do seu processo de desenvolvimento, que vem se concretizar no patrimônio de conhecimento da própria organização. Por outro lado, têm-se o arcabouço de conhecimento oriundo do indivíduo, que ao adentrar a organização traz consigo seus conhecimentos, suas experiências, seus hábitos e costumes. Este conhecimento nem sempre é 52 aproveitado, em sua totalidade, pela organização, porém é a contribuição efetiva do indivíduo ao patrimônio organizacional. Se a organização precisa do indivíduo, da sua expertise para se manter competitiva no mercado de trabalho também, o indivíduo, precisa da organização para se manter atuante e agregar valor ao seu status profissional. O indivíduo, portanto, agrega valor à organização ao mesmo tempo em que é enriquecido por ela, conforme afirma Ruano (2003, p. 23): Assim, a empresa transfere seu patrimônio para as pessoas, enriquecendoas e preparando-as para enfrentar novas situações profissionais e pessoais dentro ou fora da organização. As pessoas, por sua vez, ao desenvolverem sua capacidade individual, transferem para a organização seu aprendizado, dando-lhe condições para enfrentar novos desafios. Tratando-se de competências, indivíduo e organização, fazem parte de um mesmo processo e à medida que essas competências se desenvolvem, verificam-se o crescimento profissional e organizacional. No serviço público, para que isso ocorra, é preciso que a área de RH esteja integrada às políticas de governo, com condições de identificar as demandas sociais e definir as competências a serem desenvolvidas. O serviço público de uma forma ou de outra serve ao cidadão e o melhor aproveitamento das potencialidades do servidor irá contribuir para a oferta de serviços de qualidade. A organização pública vive de resultados, mesmo que não seja o monetário, precisa apresentar o resultado de sua atividade-fim, logo o gestor de pessoas não pode prescindir da busca da finalidade da organização. É fundamental promover e valorizar o servidor para o melhor aproveitamento de suas potencialidades sem, porém, perder o foco da missão organizacional. Buscar o resultado sem investir nas pessoas ou valorizar os servidores sem ter presente o que se pretende é prejudicial à organização pública e a consequência dessa estratégia inadequada é sentida pelo usuário. 3.3 A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO POR COMPETÊNCIA: re-humanizando a avaliação Da mesma forma que as organizações possuem suas próprias competências, os seus colaboradores internos quando entram trazem seu arcabouço 53 de conhecimento e experiência. Cabe ao gestor de pessoas agrupar as competências individuais às competências organizacionais, afim de que indivíduo e organização caminhem em uma mesma direção. Como saber, portanto, se as competências individuais estão ou não de acordo com as competências organizacionais? Como saber se as competências do indivíduo estão de acordo com o que a organização espera dele? Avaliando esse indivíduo. A Gestão por Competência surge como uma ferramenta capaz de auxiliar as empresas na identificação do que elas precisam para se desenvolverem, o que precisam buscar ou treinar nos seus colaboradores para que desenvolvam suas atividades de forma produtiva. Para Leme (2005, p. 12) é imprescindível a empresa, “saber os comportamentos, as habilidades, as atitudes ou os comportamentos que a empresa precisa ter em seus colaboradores para que todos, de forma orientada e organizada, possam alcançar os objetivos traçados.” Avaliar a competência profissional, portanto, é não só identificar o que o indivíduo sabe, mas como ele coloca esse conhecimento a disposição de seus pares e da sociedade. A adoção do termo “competência” na gestão tem diversas conotações. Para Stoffel (2000, p. 11) desempenho é uma ação que pode ser verificada e mensurada. Nesta perspectiva, apesar das peculiaridades, é possível a adoção do Modelo de Avaliação de Desempenho por Competências no serviço público. Rabaglio (2004, p. 23) define competência como “conhecimentos, habilidades e atitudes que são os diferenciais de cada pessoa e têm impacto em seu desempenho e consequentemente nos resultados atingidos”. Desta forma, pode-se dizer que uma pessoa tem competência quando possui conhecimento, habilidade e atitude para desempenhar eficazmente suas atividades. As três dimensões da competência são, portanto, o conhecimento, que corresponde ao saber, ao conjunto de informações que o indivíduo assimilou ao longo de sua vida e que lhe permite compreender o mundo, a habilidade que é a prática, o conhecimento posto em ação, o como fazer determinada atividade, utilizando-se informações adquiridas e a atitude, que se refere aos aspectos sociais, comportamentais, ao querer fazer. 54 Portanto, o “saber” – C e o “saber fazer” – H, são competências técnicas, enquanto o “querer fazer” – A, é a competência comportamental. O agrupamento do CHA é o que define se o indivíduo é ou não competente. Para esta teoria pouco importa o indivíduo ter conhecimento, dominar técnicas, conhecer sistemas de informações, conhecer ferramentas, se ele não conseguir por em prática esse conhecimento. Pode-se dizer que esse indivíduo detém o C, porém não tem o H. Da mesma forma, esse indivíduo possui todas as informações necessárias para ser um bom profissional e ainda consegue por em prática, exercitar esse conhecimento, porém apresenta dificuldade de relacionamento interpessoal, falta-lhe competência interpessoal. Diz-se que a esse indivíduo falta o A, a competência comportamental. A competência profissional resulta, portanto, da combinação desses três fatores. De acordo com Leme (2006, p.3) o conhecimento é o saber, o que aprendemos nas escolas, universidades, nos livros, no trabalho, na escola da vida. Para Resende (2003, p. 32) Competência é a transformação de conhecimentos, aptidões, habilidades, interesse, vontade etc. em resultados práticos. Ter conhecimento e experiência e não saber aplicá-los em favor de um objetivo, de uma necessidade, de um compromisso, significa não ser competente. Na mesma linha de raciocínio Gramigna (2002) faz uso do conceito “árvore das competências”, no qual a raiz seria o conjunto de valores, crenças, princípios, ou seja, as atitudes; o tronco corresponderia ao conhecimento, conjunto de informações que o indivíduo adquiriu ao longo do tempo e utiliza quando necessário e a copa, com seus frutos, flores e folhas, corresponde às habilidades, que significa agir com talento, capacidade e técnica, obtendo resultados positivos. Na definição do Conselho Nacional de Educação “competência profissional é a capacidade de mobilizar, articular e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pelo trabalho.”17 17 Resolução do Conselho Nacional de Educação da Câmara de Educação Básica CNE/CEB nº 04/1999, art. 6º, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional (BRASIL, 1999). 55 No desdobramento do significado do conceito de competência, identificase competência técnica e competência comportamental. Leme (2005, p. 15) apresenta o conceito de competências técnicas como “tudo o que o profissional precisa saber para desempenhar sua função, por exemplo, idiomas, sistemas de computação, ferramentas etc. É tudo aquilo que o profissional precisa para ser um especialista tecnicamente”. Nesse caso, a competência técnica está ligada à transmissão de conhecimento. E a comportamental é “tudo que o profissional precisa demonstrar como seu diferencial competitivo e tem impacto em seus resultados, por exemplo, criatividade, flexibilidade, foco em resultados e no cliente, organização, planejamento, liderança e tantas outras”. Nesse caso, as competências comportamentais envolvem as atitudes e comportamentos compatíveis com as atividades a serem realizadas. A avaliação de desempenho por competências pode mensurar tanto as competências técnicas quanto as comportamentais. Para isso é preciso definir um perfil de competências, que englobe as competências essenciais, que são aquelas obrigatórias para todos da organização e as competências do cargo ou de grupos de cargos. O objetivo é identificar o quanto as pessoas possuem da competência exigida e, possibilitar a gestão, traçar um plano de melhoria para o colaborador, para o desenvolvimento da mesma. Definidas as competências organizacionais e as competências de cada cargo ou grupo de cargo, o passo seguinte é definir os indicadores das competências e, posteriormente, mensurar esses indicadores no colaborador. Pode ser questionado pelo leitor, que no serviço público a admissão do servidor já o indica para determinado cargo, o que é verdade, porém os concursos públicos não especificam dentro do órgão o setor que o indivíduo vai desenvolver suas funções. Desta forma, o indivíduo que foi aprovado em concurso para o cargo de enfermeiro, por exemplo, pode ser alocado pelo setor de recursos humanos, após a avaliação de desempenho com foco em competências, no setor em que melhor possa utilizar sua competência. 56 4 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO NO SERVIÇO PÚBLICO: a experiência do Estado do Amapá A vida é um bumerangue; o que atiro me retorna. Só há sentido em avaliar o outro, quando isso for para o desenvolvimento pessoal e coletivo. (LEANDRO, 2009) A Avaliação de Desempenho do servidor público data da Emenda Constitucional nº. 19, de 04.06.1998, que alterou o artigo 41 da Constituição Federal, que estabeleceu critérios para a perda do cargo público. O parágrafo 1º do referido artigo estabelece que, o servidor público estável só perderá o cargo: III mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada a ampla defesa” e no parágrafo 4º “como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade (BRASIL, 1988). Frente a esse desafio, o Governo do Estado do Amapá em 03 de maio de 1993 instituiu através da Lei 0066 a avaliação de desempenho para o servidor público estadual, obedecendo aos critérios definidos pela Lei Federal (AMAPÁ, 1993). Esta Avaliação de Desempenho ocorre em duas situações: Avaliação Especial de Desempenho dos Servidores em Estágio Probatório e Avaliação de Desempenho Periódica. A primeira enfoca que terminado o período de estágio probatório, o servidor terá garantido a sua estabilidade no emprego público. A outra tem como objetivo avaliar a atuação do servidor no exercício do cargo, definindo o seu merecimento quanto à progressão funcional. Portanto, ao ingressar no serviço público no Estado do Amapá, o servidor nomeado para Cargo Efetivo, no período do Estágio Probatório tem seu desempenho avaliado considerando os critérios de assiduidade e urbanidade, pontualidade e disciplina, iniciativa e cooperação, produtividade e qualidade e, responsabilidade. Terminado esse período, o servidor não aprovado no Estágio Probatório deve ser exonerado e o aprovado adquiri estabilidade e “só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou de processo 57 administrativo disciplinar, na qual lhe seja assegurada ampla defesa” – Art. 39 da Lei Estadual 0066/93, de 03 de maio de 1993 (AMAPÁ, 1993). Obedecendo ao Capítulo II do Decreto Nº 2762, em seu artigo 2º “a progressão funcional se dará como resultado da avaliação de desempenho com base nas metas e critérios de produtividade, definidos por categoria funcional”18. O tempo que ocorrerá a progressão será de 12 (doze) a 18 (dezoito) meses, após o cumprimento do Estágio Probatório. Com a Constituição de 1988, conforme já enfatizado no primeiro capítulo desta pesquisa, o Território federal do Amapá foi transformado em Estado mantendo, porém, dependência do Governo federal para melhor se estabilizar. Enquanto território, os servidores públicos eram federais, sendo que com o processo de estadualização foram criados cargos estaduais, porém os servidores públicos federais não foram assumidos pelo Estado, continuando como federais. Somente em 1991 ocorreu o primeiro concurso público estadual que, segundo Porto (2005), por manejo político do Governador Anníbal Barcelos, consegui-se que os selecionados fossem nomeados como servidores públicos federais. Em 1995, cerca de 5.000 desses foram exonerados do sistema federal, pois aquele concurso foi realizado quando o Amapá já era Estado. Esse episódio causou movimentos políticos visando à manutenção desses servidores na folha de pagamento federal, chegando a ser negociado com o voto favorável à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Esta pesquisa utilizou dados do período do governo Capiberibe, quando ocorreram as primeiras avaliações dos servidores no estágio probatório, porém o direcionamento desta para o governo Waldez Góes, momento em que foram realizadas as avaliações de desempenho dos servidores buscando a progressão funcional. Diante disso, foi analisado o modelo de gestão do governo, no período de 2003 a 2008, considerando-se focos estratégicos, metas, objetivos e visão de futuro, ou seja, o que o governo pretendeu alcançar na área da saúde, da educação e da gestão, uma vez que são nessas áreas que se encontram esses servidores. Considerando a população de 15.450 servidores, os elementos da amostra foram escolhidos de forma aleatória dentro dos estratos (grupos). Margem 18 Decreto Lei Nº2762, de 22 de setembro de 1998, que regulamentou o art. 10, da Lei 0066, de 03/05/93. 58 de confiança de 95%, P. 50%, erro de amostragem igual a 5%, o que permitiu analisar a avaliação de desempenho de 336 servidores assim distribuídos: GRUPO (ESTRATO) Magistério POPULAÇÃO AMOSTRA 8.992 194 Fiscalização e arrecadação 108 3 Polícia civil 920 20 Técnico-científico 149 3 Penitenciário 460 10 16 0 187 4 Fiscalização e arrecadação (IPEM) 29 1 Infraestrutura 44 1 Governamental 1.717 38 Meio ambiente 148 4 Saúde 2.680 58 TOTAL 15.450 336 Atividade do estado Sócio-educativo e de proteção QUADRO 3 – Demonstrativo de servidores efetivos por grupo de atividade Fonte: Pesquisa direta. É claro que saber o que o servidor pensa sobre esse processo de avaliação é importante, porém não foi o foco deste trabalho. Pretendeu-se buscar responder quais os resultados que a avaliação de desempenho trouxe para a gestão pública a partir da perspectiva do Estado e não do servidor. Um servidor motivado, capacitado, tendo sua competência adequada ao seu local de trabalho é fundamental para a promoção do desenvolvimento do Estado, por isso esta pesquisa se propôs a analisar se ocorreram modificações no comportamento do servidor entre o estágio probatório e a progressão e se as possíveis modificações foram promovidas e acompanhadas pelo governo. Pretendeu-se, ainda, analisar se os critérios19 utilizados na avaliação para identificar o desempenho desses servidores contribuíram para que o governo atual alcançasse o seu objetivo, ou seja, se estava alinhado ao modelo de gestão empregado. 19 Na Ficha de Avaliação de Desempenho do Servidor Público do Amapá os critérios foram definidos em cinco blocos, sendo: I – Assiduidade e urbanidade, II – Pontualidade e disciplina, III – Iniciativa e cooperação, IV – Produtividade e qualidade e V – Responsabilidade ou tempo de serviço. 59 Um outro foco de atenção desta pesquisa foi identificar se o perfil do servidor empreendedor criado pela Escola de Administração Pública foi retratado na avaliação de desempenho utilizada e se o resultado da avaliação foi utilizado para embasar a Política de Desenvolvimento do Servidor. E, finalmente, foi avaliado o método que é utilizado para a realização da avaliação, buscando identificar se ele é compatível com a realidade do serviço público local. A realização deste trabalho implicou na coleta de dados a partir de quatro fontes: análise documental, pesquisa bibliográfica e entrevista com servidores que atuam diretamente no processo de avaliação de desempenho do servidor público do Estado. Na análise documental foram priorizadas as fontes documentais da Secretaria de Estado da Administração do Amapá (SEAD) tais como: a Ficha de Avaliação de Desempenho de 336 servidores, escolhidos de forma aleatória dentro de cada estrato, as Portarias de Progressão Funcional desses servidores, bem como o estudo da legislação pertinente ao servidor público estadual; o Plano Plurianual do período de 2003 a 2008 e a Política de Desenvolvimento do Servidor, elaborada pela Escola de Administração pública desse mesmo período. A entrevista foi realizada com servidores da Secretaria de Administração do Estado (SEAD) e da Escola de Administração Pública do Amapá (EAP). Para seleção desses servidores, utilizou-se como critério: estar envolvido diretamente no processo de avaliação de desempenho. Neste caso foram selecionados a Diretora de Recursos humanos da SEAD, o coordenador da avaliação de estágio probatório e o coordenador da avaliação de progressão; responsabilidade pela elaboração da Política de Desenvolvimento do Servidor. Neste caso foi selecionada a Coordenadora de Planejamento da EAP. A pesquisa é bibliográfica, pois foram utilizadas bibliografias referentes a gestão de pessoas, gestão pública, gestão por competências, administração geral, avaliação de desempenho etc., encontradas em livros, revistas especializadas, artigos e na rede mundial de computadores. 60 Foram analisadas as avaliações de 336 servidores, amostra representativa dos 15.450 servidores estaduais, que foram submetidos à avaliação de 12 em 12 meses nos primeiros três anos, para o estágio probatório e, posteriormente 18 meses, tendo como objetivo a progressão horizontal. Neste caso, a pontuação atribuída ao servidor é a garantia de mudança de classe passando a ter um crescimento salarial de 2,5% sobre o salário bruto, exceção aos servidores do magistério, que possuem plano de cargos e salários e recebem um acréscimo de 3,0%. 4.1 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1.1 Documentação A Secretaria de Administração, através do setor de Recursos Humanos, é a responsável pela avaliação de desempenho de todos esses servidores. Para isso, utiliza formulários específicos que são encaminhados às demais secretarias a fim de serem preenchidos pelo chefe imediato do servidor, que passa a avaliá-lo de acordo com os critérios, previamente, estabelecidos. Após a avaliação da chefia, o servidor deve ratificar, com sua assinatura, a avaliação. A ficha é, então, encaminhada à secretaria de administração que tira uma média entre as três avaliações para homologação do secretário e, posterior progressão funcional. Não existe documentação (projeto, relatórios) que demonstre como ocorreu a implantação do processo de avaliação de desempenho no Estado. Somente as fichas de avaliação, que são as mesmas desde a implantação, adaptadas do serviço público federal. Além da própria ficha, não existe manual de orientação aos avaliadores que demonstre a importância da avaliação e possível conduta em sua realização. A avaliação é feita pelo chefe imediato, independente do tempo que estiver no cargo e o tipo de relacionamento que possuir com o subordinado. Não existe nenhuma ação do governo do Estado que capacite os servidores a realizarem a avaliação de desempenho, ou seja, a se tornarem avaliadores, assim como não existe manual de orientação sobre como proceder na entrevista, como dar feedback 61 e o que fazer com o resultado da avaliação. O único critério para ser avaliador é estar em cargo de chefia e ter pessoas subordinadas a esse cargo. A avaliação é feita no próprio local de trabalho, sem data e hora definida para o preenchimento do formulário. “Em geral, o avaliador preenche o formulário sozinho, sem a presença do avaliado, que só toma conhecimento da nota que recebeu, quando vai assinar o referido documento” (entrevista). Não foram identificados documentos que comprovem o acompanhamento do progresso dos servidores pelo governo após serem avaliados, a fim de se verificar mudança de comportamento e possíveis soluções para os problemas encontrados. Além da Lei 0066, também não existe nenhuma documentação que oriente os servidores sobre a importância da avaliação em sua vida funcional, o que fazer caso se sinta prejudicado, por exemplo. No que concerne ao método de avaliação, a Secretaria de Administração utiliza a Lista de Verificação, que consiste em definir, previamente, critérios que são pontuados pelos avaliadores. Segundo Chiavenato (1999, p. 200) “a lista de verificação funciona como uma espécie de lembrete para o gerente avaliar todas as características principais de um funcionário”. No estágio Probatório, para avaliar o desempenho do servidor público estadual, foram utilizados critérios que foram distribuídos em cinco blocos, quais sejam: I – Assiduidade e urbanidade; II – Pontualidade e disciplina; III – Iniciativa e cooperação; IV – Produtividade e qualidade e V – Responsabilidade. O bloco Assiduidade e Urbanidade tem como objetivo identificar a presença do servidor no seu local de trabalho, bem como o grau de relacionamento com os colegas de trabalho e as partes. No bloco Pontualidade e Disciplina, a preocupação está em identificar o cumprimento do horário de trabalho, observância da hierarquia e respeito às normas legais e regulamentares. No bloco Iniciativa e Cooperação, o funcionário deve provar que possui capacidade de visualizar situações e agir prontamente, assim como a de apresentar 62 sugestões ou ideias tendentes ao aperfeiçoamento do serviço, bem como contribuição espontânea ao trabalho de equipe para atingir o objetivo. O bloco Produtividade e Qualidade aponta para a capacidade de desempenhar as tarefas com cuidado, exatidão e precisão. Volume de trabalho produzido, levando-se em conta a complexidade, a capacidade de aprendizagem e o tempo de execução, sem prejuízo da qualidade. O bloco Responsabilidade tem como objetivo medir o compromisso com o trabalho. Cada item nos blocos correspondem a 20 pontos, totalizando 100 pontos, que seria a média máxima que o servidor poderá obter. Em cada item, se o total de pontos for o máximo (vinte) ou o mínimo (zero), torna-se necessária a justificativa do avaliador. No estágio probatório, a avaliação é realizada uma vez ao ano, durante três anos, necessitando para aprovação que o servidor obtenha 70 pontos em cada ano, não podendo, ainda, ter faltas injustificadas ou qualquer tipo de reclamação sobre suas atividades. Concluídas as três avaliações, a Secretaria de Administração tira uma média das três fichas para a obtenção da média final de estágio probatório do servidor. São os mesmos critérios para todos os níveis profissionais (básico, médios e superiores) e para todas as secretarias, independente da especificidade de cada uma, o que leva aos servidores com realidades totalmente diferentes serem avaliados da mesma maneira. Cargos de gerência, secretários de governo que fazem parte do primeiro escalão e que possuem maior responsabilidade, são avaliados sob os mesmos critérios que os servidores de áreas operacionais, com menor formação e responsabilidade. A Ficha de Avaliação de Desempenho – Estágio Probatório20 apresenta a explicação de cada critério, buscando facilitar a compreensão do avaliador: I – ASSIDUIDADE E URBANIDADE: a) presença permanente no local de trabalho; 20 Ficha de Avaliação de Desempenho-Estágio Probatório, anexo do Decreto nº 0316 de 23 de fevereiro de 1994. 63 b) bom relacionamento com colegas e chefes; c) ausenta-se do local de trabalho somente com conhecimento e autorização da chefia imediata; d) só falta ao trabalho por motivo justificado; e) educação e polidez no atendimento ao público. II – PONTUALIDADE E DISCIPLINA: a) cumpre horário estabelecido; b) respeita as normas legais e regulamentos do órgão; c) as eventuais chegadas com atraso ou saídas antecipadas realizam-se dentro dos limites de tolerância estabelecidos pelo órgão; d) conhece e observa a hierarquia funcional, cumprindo com presteza as ordens recebidas; e) conhece as atribuições da sua função e não se nega a executá-lo sob alegação de que são incompatíveis com seu grau de conhecimento. III – INICIATIVA E COOPERAÇÃO: a) é capaz de tomar decisões em situações habituais e se adapta facilmente às inovações no trabalho; b) sabe o que deve fazer no trabalho, mesmo sem orientação; c) procura contornar situações difíceis surgidas no trabalho quando tem oportunidade; d) troca experiências com outros colegas e com auxiliares, buscando soluções para problemas de trabalho; e) contribuição espontânea ao trabalho em equipe, a fim de atingir o objetivo. I V - PRODUTIVIDADE E QUALIDADE: a) conhece a unidade em que trabalha; b) conhece o serviço que executa e seu trabalho é regularmente correto e limpo; c) o nível de atuação que dispensa à execução de seu trabalho é suficiente para levar a um resultado de boa qualidade; d) assimila com facilidade e rapidez as tarefas que lhe são transmitidas, mesmo aquelas que fogem a sua rotina; e) o volume de trabalho produzido é proporcional a sua complexidade e executa regularmente seu trabalho sem necessidade de ordens de orientações constantes. 64 V – RESPONSABILIDADE: a) executa todas as tarefas que estão sob sua responsabilidade, bem como revê e aperfeiçoa o trabalho que executa; b) cumpre os compromissos de trabalho dentro dos prazos estabelecidos e corresponde a confiança que lhe é dada; c) assume as consequências de suas próprias atitudes e fatos de interesse da administração; d) a seriedade com que encara seu trabalho é compatível com o cargo que ocupa; e) zela e usa corretamente os instrumentos e materiais de trabalho. Na avaliação para progressão o critério Responsabilidade é substituído pelo critério Antiguidade levando a variação da pontuação, que pode ultrapassar 100 pontos. Para o critério antiguidade, o avaliador pode atribuir 01 (um) ponto para cada ano de efetivo exercício, não podendo ultrapassar 30 pontos. Tanto no estágio probatório quanto no período de progressão, cada comportamento deve ser avaliado levando-se em consideração o desempenho do servidor, exclusivamente, no espaço de tempo que foi estipulado, sendo que a tarefa do avaliador consiste em dizer em que grau corresponde o desempenho funcional do servidor que está sendo avaliado, no período definido. Em 2004, o Governo do Estado do Amapá criou a Escola de Administração Pública do Amapá (EAP)21, uma autarquia dotada de personalidade jurídica de direito público, com patrimônios e receita próprios, autonomia administrativa e financeira, vinculada a Secretaria de Estado da Administração, com a finalidade de formular, implementar e gerir a política de formação e desenvolvimento do servidor público do Amapá, visando a excelência dos serviços prestados à população. A criação da EAP veio ao encontro dos anseios do atual governo do Estado em elaborar uma política de valorização do servidor, que contemplasse o desenvolvimento de competências, habilidades e desenvolvimento pessoal do servidor, além de ações de modernização dos métodos operacionais, processos 21 A Escola de Administração Pública foi criada através da Lei nº 0811, de 20 de fevereiro de 2004. 65 administrativos e de gestão de pessoas das secretarias de governo, pesquisa e implementação de novas tecnologias, formação e desenvolvimento de gestores e especialização de servidores nas diversas áreas de desenvolvimento do Estado. Diante disso, a EAP definiu um novo perfil para o servidor público, que passou a ser denominado servidor empreendedor e se constitui de um conjunto de atitudes que credenciam, qualificam e destacam o servidor no âmbito do desempenho de suas atividades no seu órgão de atuação, são elas: Capacidade Criativa: atuar de forma estratégica a partir de uma visão sistêmica e inovadora para transformar ideias em projetos consistentes, realizar melhorias e alcançar soluções de problemas. Capacidade de Aprendizado: absorver conhecimentos que proporcionem mudanças de comportamento pessoal, técnico e social e transmita informações necessárias ao bom desenvolvimento dos trabalhos. Trabalho em Equipe: trabalhar cooperativamente, compartilhando recursos, experiências e ideias, visando atingir as metas da equipe de trabalho. Orientado para Resultados: estabelecer metas, reavaliando sistematicamente os processos de trabalho juntamente com sua equipe, buscando atingir o resultado definido. Comprometido com o Autodesenvolvimento: assumir a iniciativa e a responsabilidade pelo desenvolvimento do patrimônio pessoal. Capacidade Analítica: detecta e analisa problemas no seu ambiente de trabalho e propõe soluções alternativas para superá-los. Visão Estratégica: analisa continuamente os ambientes interno e externo do Estado, a partir de uma visão global, priorizando a aplicação de soluções de curto e longo prazo para atingir os resultados definidos (EAP, 2006, p. 15-16). Os critérios estabelecidos para designar o servidor empreendedor, direcionado para o modelo de gestão do atual governo, não interferiu no modelo de avaliação que estava sendo utilizado. A Secretaria de Administração permaneceu com o modelo estabelecido em 1993 quando da criação da Lei 0066. Apesar de citar a Secretaria de Administração como parceira, o Projeto Político Pedagógico e o Programa de Desenvolvimento do Servidor, elaborados pela Escola de Administração Pública, não citam o processo de avaliação de desempenho dos servidores como fonte de pesquisa para definição das ações de desenvolvimento do servidor. 4.1.2 Entrevistas Foram realizadas quatro entrevistas semi-estruturadas direcionadas a coordenadora de recursos humanos da SEAD (E1), ao chefe de avaliação do 66 estágio probatório (E2), ao chefe da avaliação de progressão (E3) e a coordenadora de planejamento da Escola de Administração Pública do Amapá (E4). O conteúdo das entrevistas foi analisado considerando seis indagações: 1) se ocorreu modificação no comportamento do servidor após a avaliação de seu desempenho; 2) como o entrevistado analisa o processo de avaliação utilizado? 3) se os critérios utilizados na avaliação para identificar o desempenho desses servidores contribuíram para que o governo atual alcançasse o seu objetivo, ou seja, se estava alinhado ao modelo de gestão empregado; 4) se o perfil do servidor empreendedor criado pela Escola de Administração pública estava sendo retratado na avaliação de desempenho utilizada; 5) se o resultado da avaliação foi utilizado para embasar a Política de Desenvolvimento do Servidor; 6) se o método utilizado para realização da avaliação é adequado. No que concerne à indagação “modificação no comportamento do servidor”, os entrevistados E1, E2, E3 e E4 informaram não perceberem modificações no comportamento dos servidores após a avaliação. Tal fato, segundo informam, dá-se em decorrência de falta de instrumento de acompanhamento do servidor pela Secretaria de Administração, critérios ultrapassados e o fato de que quem coordena o processo de avaliação não tem contado direto com o servidor, que é avaliado pelo chefe imediato, que passa a deter informações sobre sua conduta profissional, conforme observado no trecho abaixo: “como eu vou perceber o comportamento se a gente não trabalha diretamente com eles, quem deve perceber é a pessoa onde ele está lotado; o chefe imediato deles que avalia eles, eram eles que teriam que ter condição de dar esse feedback” (E2). “Nenhuma, até porque antes da avaliação a administração não se preocupa em fazer o preparo do servidor e os requisitos que são avaliados já são ultrapassados” (E1). “Sobre Avaliação de desempenho eu não percebo, por exemplo, se o servidor é avaliado na pontualidade dele e recebe uma nota baixa, como não há nenhuma punição, ele continua chegando atrasado, ele espera que na próxima o chefe dele dê uma nota maior, mas normalmente isso não interfere no comportamento dele” (E4). A correção do comportamento inadequado e o fortalecimento no comportamento satisfatório é um objetivo ao se avaliar desempenho. Com o estabelecimento de feedback, o servidor tem um retorno em relação ao seu desempenho tendo, portanto, a oportunidade de buscar melhorias, de se aprimorar. 67 Outro ponto de insatisfação dos executores do processo de avaliação está no fato de que as fichas de avaliação são encaminhadas às demais secretarias de governo para preenchimento pelo chefe imediato do servidor e nem sempre retornam corretamente. As fichas de avaliação nem sempre são preenchidas adequadamente, são perdidas, retornam a SEAD com atraso, bem como em muitos casos não são nem preenchidas, o que prejudica o servidor e leva os responsáveis pela avaliação na SEAD a estarem acionando os demais órgãos ao cumprimento da tarefa. A ausência de eficiência nesses casos dificulta a homologação das avaliações e provoca perdas ao servidor: “eu acho que demora muito porque tem servidor que já fechou o período e as fichas não chegaram, o servidor fica prejudicado por causa disso, então pra mim devia ser on line, seria mais fácil” (E2). O objetivo da avaliação é proporcionar um momento de pactuação de metas, atividades, tarefas, comportamentos, enfim do desempenho do servidor, identificandose os elementos facilitadores e dificultadores desse desempenho para a realização do seu trabalho, bem como para dar um feedback acerca de sua atuação, fato esse comprometido no processo de avaliação segundo os entrevistados: “eu acho que essa forma de mandar para o chefe avaliar tem inúmeras falhas, porque muitas vezes o próprio chefe não conhece o servidor, o comportamento, o desempenho do servidor, dependendo do chefe, porque tem chefe que não gosta e faz retaliação contra o servidor e tem chefe que tem dois pesos e duas medidas, os peixes dele, ele dá nota boa de desempenho, porque é amigo e os que não são peixes dele, ele dá nota média ou ruim, mas normalmente a avaliação dele não é feita com critério, baseado no comportamento real do servidor, baseado nos critérios que são avaliados lá. Deveria ter, eu acho, primeiro um comprometimento das partes de fazer e o processo também deveria ser reavaliado, porque ele está bem ultrapassado” (E4). “É uma análise bastante precária, porque o servidor é avaliado por um chefe imediato que não tem a mesma qualificação dele, as vezes tem formação inferior ao avaliado e não exige essa qualificação porque não tem visão de administração, de eficiência” (E1). Quanto à indagação se os critérios utilizados na avaliação para identificar se os desempenhos desses servidores contribuíram para que o governo atual alcançasse o seu objetivo, ou seja, se estava alinhado ao modelo de gestão empregado, verificou-se o desconhecimento do responsável pela avaliação do estágio probatório na SEAD da proposta do atual governo para o servidor estadual, bem como a falta de adaptação do processo de avaliação às metas e objetivos desse governo. Apesar de ter criado um perfil do servidor voltado para o “Novo 68 Modelo de Gestão”, o governo do período de 2003 a 2009, não se preocupou em medir se o servidor estava preparado para executar a nova proposta. “Eu não sei sobre essa proposta” (E2). “Não, porque ela é bem antiga, é do tempo do primeiro governador, falta modificar algumas coisas dela” (E3). “Não, a avaliação de desempenho ainda não está na linha de desdobramento dessa política. A gente percebe que o trabalho de gestão, as políticas públicas que o governo Waldez desenvolve para o servidor, a organização de carreiras, plano de cargos ainda não chegou na base. O Amapá é um Estado que tem bons salários, mas não consegue, ainda, ter um resultado satisfatório com relação a eficiência na administração pública. O governo trabalhou essa política, mas ainda não conseguiu refletir na sociedade” (E1). “Não está alinhada a esse novo modelo de gestão. Inclusive, eu acho que de acordo com a categoria poderia ser feito um tipo de avaliação. Por exemplo, os coordenadores, os gerentes deveriam ser avaliados de uma certa forma e os subordinados, liderados, deveriam ter outra forma de avaliação [...]” (E4). No que concerne à indagação se o perfil do servidor empreendedor criado pela Escola de Administração pública estava sendo retratado na avaliação de desempenho utilizada, observou-se pelos relatos abaixo, a incongruência entre o perfil proposto e o perfil avaliado: “existe uma disparidade entre o perfil que a EAP criou e os critérios em que o servidor é avaliado. Não há compatibilidade nenhuma. A própria Escola de administração Pública ainda não trabalhou dentro dos órgãos este perfil, o que seria essencial para que o servidor começasse a desenvolver esse perfil ideal. O governo atual criou um novo perfil para o servidor, mas na hora de avaliar, ele avalia outro perfil, um perfil obsoleto” (E1). “Olha, não, não é levado em consideração. O perfil tem vários itens que seriam bem interessantes se o servidor fosse avaliado, mas a avaliação de desempenho que hoje existe não é baseada nesse perfil, ela não é baseada no perfil do servidor empreendedor. Até o próprio projeto do servidor empreendedor é complicado a gente avaliar se o servidor que recebe o título tem realmente aquele perfil. Ele tem, geralmente, parte daquele perfil, ninguém é 100% e aquele perfil é extenso, se o servidor chegar a ter todo aquele perfil, é bem legal, pois é um perfil amplo, mas o que a gente verifica, por exemplo, quando é feito o servidor empreendedor, em alguns aspectos aquele servidor tem características do perfil, em outros não, ele não é 100%, completamente. Por exemplo, ele pode ser criativo, mas não ser focado em resultado [...] o ideal seria que os servidores premiados no servidor empreendedor tivessem esse perfil ideal, mas a avaliação de desempenho que hoje é feita no Estado não tem nada a ver com esse perfil, são avaliados outros critérios, é um outro perfil totalmente diferente” (E4). Ambos os relatos parecem apontar para a importância que é definir e desenvolver um perfil adequado ao servidor público do Estado do Amapá. Perfil esse que deveria ser divulgado e traçadas as estratégias para o seu desenvolvimento junto ao servidor, afim de que pudessem internalizar em suas condutas diárias. 69 Segundo o próprio relato da coordenadora do setor de RH da SEAD, a Escola de Administração Pública definiu, porém não trabalhou dentro dos órgãos o novo perfil do servidor, que de acordo com a coordenadora de planejamento da própria EAP é extenso e de difícil avaliação. Considerada como estratégia política, a criação desta Escola de Governo se apresenta estritamente relacionada às mudanças que o atual governo se propôs a implantar no Estado. Para isso, o desempenho do servidor é fundamental, visto que os parâmetros do trabalho no setor público vêm mudando e o novo servidor deve estar ciente de que o serviço público passou a adotar uma postura menos morosa e burocrática e mais pró-ativa. É importante lembrar que cabe a Secretaria de Administração do Estado, especificamente ao setor de RH, em parceria com a Escola de Administração Pública, especificamente a coordenadoria de planejamento, definir os rumos da política de desenvolvimento do servidor, que passa por definir e avaliar as competências e habilidades necessárias ao servidor para o alcance dos objetivos e metas dos governos. As entrevistadas E1 e E4 são as coordenadoras dos respectivos setores. O entrevistado E3 afirmou que a Secretaria de Administração avalia o mesmo perfil de servidor criado pela EAP, porém ao ser perguntado se conhecia esse perfil, respondeu que não. Quanto a indagação se o resultado da avaliação foi utilizado para embasar a Política de Desenvolvimento do Servidor, foi apontada por um dos entrevistados, a necessidade de se trabalhar com políticas integradas na gestão de recursos humanos do Estado, o que não vem ocorrendo, existe uma secretaria que planeja e executa ações para o desenvolvimento do servidor e uma outra que avalia o desempenho deste mesmo servidor, porém não existe trabalho integrado entre elas, conforme o relato: “a gente vê o servidor desmotivado, fazendo curso, se capacitando e não aproveitando isso na sua atividade do dia-a-dia. Nós desenvolvemos um software, um trabalho muito legal com relação a tecnologia de informação dentro da SEAD. Nós temos um sistema unificado de recursos humanos, temos um programa de folha de pagamento e controle de pessoal, mas infelizmente não participamos da elaboração da política de desenvolvimento do servidor [...] dentro das secretarias de governo existem situações que não são pesquisadas e essa política de 70 valorização do servidor, devido a própria ineficiência da administração, não trabalha essa realidade. Os problemas que o servidor enfrenta como alcoolismo, vício por jogo, uso de drogas, dependência química, em geral, não é trabalhado dentro da política de valorização do servidor e a avaliação de desempenho não tem nenhum critério que identifique isso” (E1). “Não, a EAP quando elaborou a Política de Desenvolvimento do Servidor do governo Waldez não levou em consideração nenhum resultado de avaliação de desempenho. As ações de desenvolvimento foram elaboradas a partir do que as secretarias solicitavam, o que não, necessariamente, condiziam com a realidade, pois os gestores não são pessoas capacitadas para identificar as necessidades de treinamento para suas equipes. Por outro lado a EAP e a SEAD nunca trabalharam juntas no sentido de avaliar o servidor e em seguida definir que tipo de atividade ele precisaria para se desenvolver. A SEAD avalia o servidor e não se sabe o resultado dessa avaliação e a EAP define seus cursos de capacitação utilizando outros critérios que não este resultado” (E4). Estes trechos mostram que as ações entre as secretarias afins (SEAD e EAP) são desconcentradas e realizadas independentemente, que não existe comunicação entre os órgãos designados para trabalhar a política de desenvolvimento do servidor. Apesar da importância que as duas secretarias dão a qualificação e ao processo de avaliação do servidor, não se observa nenhum movimento em favor do desenvolvimento de ação integrada que possibilite mudanças nos parâmetros dos serviços prestados aos cidadãos. A gestão integrada de RH nestas secretarias parece ainda um caminho longo a ser percorrido. Dentre os relatos percebeu-se, ainda, um descompasso do discurso e das práticas, o que dificulta muito a condução de uma gestão integrada. Quanto a indagação se o método utilizado para realização da avaliação é adequado, somente o entrevistado E3 relatou que sim, porém quando questionado se conhecia o programa de governo atual, informou que não conhecia. No relato dos demais, pode-se observar a insatisfação com o processo de avaliação, apontando para a necessidade de se rever todo o processo e de se trabalhar com uma avaliação em que todos são avaliados e, sem atitudes passionais, conforme os textos que seguem: “não, eu não acho adequado, como já falei, teria que ser revisto todo o processo de avaliação. Os critérios, as categorias, eu acho que deveria ter uma diferenciação por categoria, eu vejo isso. As mesmas perguntas deveriam ser diferentes, porque as responsabilidades são diferentes. Eu proponho uma avaliação 360º, para que também o chefe fosse avaliado, o colega, o próprio usuário avaliasse, o subordinado avaliasse o chefe [...] os critérios não deveriam ser os mesmos, os líderes, os gerentes, os coordenadores têm muito mais pressão sobre eles, eu acho que a avaliação deveria ser um pouquinho mais extensa pra eles e os critérios, as perguntas deveriam ser mais bem elaboradas” (E4). 71 “Não está adequado até porque, como eu te disse, os critérios que são utilizados estão totalmente ultrapassados, não condizem nem com a própria mudança que houve com relação a essa questão da eficiência dentro da administração pública” (E1). “Mais na questão profissional, justamente, porque não tem nada a ver uma coisa com a outra, tem que avaliar profissionalmente, não pelo pessoal, só porque eu não gosto da pessoa vou prejudicar essa pessoa, acho que não deveria ir por aí” (E2). É possível observar nas entrevistas, que o processo de avaliação de desempenho do servidor do Estado do Amapá não é realizado de forma objetiva, criteriosa, imparcial e com a presença de mecanismos que assegurem a veracidade das informações. A falta de credibilidade dos servidores que atuam diretamente para a execução do processo, merece destaque. Apesar de acreditarem que a avaliação de desempenho é inadequada, que serve apenas para homologação de estabilidade e de progressão funcional, não estão buscando solução conjunta para o problema, talvez pela falta de conhecimento sobre esse instituto, limitando-se apenas a encaminhar e receber as fichas de avaliação. 4.1.3 Resultado da pesquisa realizada nas fichas de avaliação do estágio probatório e fichas de avaliação para progressão Considerando um universo de 15.450 servidores, utilizou-se como amostra 336 servidores, que para serem aprovados no estágio probatório ou receberem progressão funcional deveriam obter 70% dos pontos distribuídos nos critérios. O quantitativo dos pesquisados, por sexo, ocorreu de forma aleatória, tendo sido pesquisado 36% do sexo masculino e 64% do sexo feminino, conforme Tabela 2 e Gráfico 1 a seguir: TABELA 2 – Sexo dos servidores avaliados SEXO FREQUÊNCIA PERCENTUAL Masculino 120 35,7 Feminino 216 64,3 Total 336 100,0 Fonte: Pesquisa direta. 72 36% 64% Masculino Feminino GRÁFICO 1 – Sexo dos servidores avaliados Fonte: Pesquisa direta. 4.1.3.1 Resultado da pesquisa realizada nas avaliações do estágio probatório As Fichas de Avaliação de Desempenho do Estágio Probatório são compostas por cinco critérios, quais sejam: assiduidade e urbanidade, pontualidade e disciplina, iniciativa e cooperação, produtividade e qualidade, responsabilidade. As fichas trazem instruções para o avaliador de como deve proceder e o que deve considerar quando estiver avaliando, tais como: que o comportamento deve ser avaliado, levando-se em consideração o desempenho do servidor no espaço de tempo estipulado; que a tarefa do avaliador corresponde em dizer em que grau está o desempenho, bem como que sempre que o total de ponto em qualquer critério for o máximo ou o mínimo, torna-se necessário a justificativa do avaliador. As fichas trazem também algumas recomendações, quais sejam: que a avaliação de desempenho é confidencial; que deve estar baseada em fatos reais da vida funcional do servidor e não em impressões pessoais; que o avaliador não deve se deixar impressionar por avaliações anteriores e nem fazer previsões futuras. Os critérios que compõem as fichas de avaliação foram analisados individualmente e foi realizada também análise entre a pontuação conquistada pelos 73 pesquisados e o significado de cada critério, com o objetivo de se observar um parâmetro entre o resultado da avaliação e a realidade. Posteriormente, essa informação poderia ser comparada com a resposta dos entrevistados sobre o processo de avaliação. No período de estágio probatório a pontuação máxima é de vinte pontos, tendo o avaliador que justificar quando utilizar pontuação máxima ou mínima ao avaliar o servidor. A seguir serão apresentados os resultados da pesquisa nas fichas de avaliação dos servidores do estágio probatório em cada critério. A Tabela a seguir representa o critério assiduidade e urbanidade. TABELA 3 – Percentual dos pontos obtidos pelos servidores no critério assiduidade e urbanidade no período de estágio probatório CONCEITO FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 7 1 0,3 0,3 11 1 0,3 0,6 12 3 0,9 0,9 14 6 1,8 2,7 15 8 2,4 2,4 16 17 5,1 7,4 17 21 6,3 6,3 18 83 24,7 31,0 19 87 25,9 25,9 20 109 32,4 58,3 TOTAL 336 100,0 Fonte: Pesquisa direta. De um total de 336 servidores pesquisados, verifica-se que 82,8% possuem conceito entre 18 a 20 pontos em assiduidade e urbanidade, no período de estágio probatório, o que significa que estão permanentemente no seu local de trabalho e tratam a população com educação e polidez. 74 Gráfico 2 - Percetual dos Pontos Obtidos em Assiduidade e Urbanidade Pelos Servidores Durante o estágio Probatório 35,0 30,0 32,4 25,0 25,9 24,7 20,0 15,0 10,0 5,0 0,3 0,3 0,9 1,8 12 14 2,4 5,1 6,3 0,0 7 11 15 16 17 18 19 20 GRÁFICO 2 – Percentual dos pontos obtidos em assiduidade e urbanidade pelos servidores durante o estágio probatório Fonte: Pesquisa direta. A Tabela 4 a seguir representa o comportamento do servidor segundo o critério pontualidade e disciplina. TABELA 4 – Percentual dos pontos obtidos pelos servidores no critério pontualidade e disciplina no período de estágio probatório CONCEITO 10 11 12 14 15 16 17 18 19 20 Missing Total FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 1 0,3 0,3 2 1 3 10 16 16 72 106 106 3 336 0,6 0,3 0,9 3,0 4,8 4,8 21,4 31,5 31,5 0,9 100,0 0,9 1,2 2,1 5,1 9,8 14,6 36,0 67,6 99,1 100,0 Fonte: Pesquisa direta. Verifica-se que 84,4% dos pesquisados cumpre o horário estabelecido para o trabalho, respeita a hierarquia e conhece as atribuições de seu cargo. 75 Gráfico 3 - Percentual de Pontos Obtidos em Pontualidade e Disciplina Durante o Estágio Probatório 35,0 30,0 31,5 25,0 20,0 31,5 21,4 15,0 10,0 5,0 0,3 0,6 10 11 0,3 0,9 3,0 4,8 4,8 0,9 0,0 12 14 15 16 17 18 19 20 Missing GRÁFICO 3 – Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina durante o estágio probatório Fonte: dados da pesquisa No critério iniciativa e cooperação pode ser observado que 73,8% dos servidores estão com pontuação entre 18 a 20 pontos, demonstrando estarem aptos para tomada de decisão, para realização de tarefas sem orientação constante, bem como contribuir, espontaneamente, com o trabalho em equipe. TABELA 5 – Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação durante o estágio probatório CONCEITO 9 10 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 2 0,6 0,6 4 1,2 1,8 2 0,6 2,4 3 0,9 3,3 4 1,2 4,5 13 3,9 8,3 29 8,6 17,0 27 8,0 25,0 72 21,4 46,4 76 22,6 69,0 100 29,8 98,8 4 1,2 100,0 336 100 76 Gráfico 4 - Percentual de Pontos Obtidos em Iniciativa e Cooperação Durante o Estágio Probatório 30,0 29,8 25,0 21,4 20,0 22,6 15,0 10,0 3,9 5,0 1,2 0,6 0,6 0,9 1,2 8,0 8,6 1,2 0,0 9 10 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Missing GRÁFICO 4 – Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação durante o estágio probatório Fonte: Pesquisa direta. O critério produtividade e qualidade busca identificar se a quantidade de trabalho produzido pelo servidor vem acompanhado de qualidade. Na Tabela 6 e Gráfico 4 desse critério, verifica-se que 78,6% dos servidores produzem o suficiente e com qualidade, conhecem e executam o serviço sem necessidade de ordens e orientações constantes. TABELA 6 – Percentual de pontos obtidos em produtividade e qualidade durante o estágio probatório CONCEITO 10 11 12 14 15 16 17 18 19 20 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. FREQUENCIA 2 2 2 4 6 21 34 65 95 104 1 336 PERCENTUAL 0,6 0,6 0,6 1,2 1,8 6,3 10,1 19,3 28,3 31,0 0,3 100,0 % ACUMULADO 0,6 1,2 1,8 3,0 4,8 11,0 21,1 40,5 68,8 99,7 100,0 77 Gráfico 5- Percentual de Pontos Obtidos em Produtividade e Qualidade Durante o Estágio Probatório 35,0 30,0 28,3 25,0 20,0 31,0 19,3 15,0 6,3 10,0 5,0 0,6 0,6 0,6 1,2 1,8 12 14 15 10,1 0,3 0,0 10 11 16 17 18 19 20 Missing GRÁFICO 5 – percentual de pontos obtidos em produtividade e qualidade durante o estágio probatório Fonte: Pesquisa direta. No que concerne a responsabilidade, verifica-se que 84,6% dos servidores públicos apresentam responsabilidade na execução de suas tarefas, cumprindo compromissos de trabalho no prazo estabelecido e assumindo as consequências de seus atos, fazendo uso corretamente de seus instrumentos de trabalho. TABELA 7 – Percentual de pontos obtidos em responsabilidade durante o estágio probatório CONCEITO 9 10 13 14 15 16 17 18 19 20 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 1 4 2 2 12 11 14 56 97 131 6 336 0,3 1,2 0,6 0,6 3,6 3,3 4,2 16,7 28,9 39,0 1,8 100,0 0,3 1,5 2,1 2,7 6,3 9,5 13,7 30,4 59,2 98,2 100,0 78 GRÁFICO 6 – Percentual de pontos obtidos em responsabilidade durante o estágio probatório Fonte: Pesquisa direta. Na avaliação de desempenho no período de estágio probatório dos 336 servidores pesquisados, conforme a Tabela 8, 90,5% está acima dos setenta pontos necessários para aprovação. Obedecendo aos critérios estabelecidos pelo processo de avaliação, esses servidores estão aptos a continuarem no serviço público, pois apresentam a competência que a avaliação de desempenho está medindo. TABELA 8 – Conceito total obtido pelos servidores no período de estágio probatório CONCEITO TOTAL FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO Menor ou igual 50 2 0,6 0,6 51 A 60 4 1,2 1,8 61 A 70 6 1,8 3,6 71 A 80 21 6,3 9,8 81 A 90 77 22,9 32,7 91 A 100 226 67,3 100,0 Total 336 100,0 Fonte: Pesquisa direta. 79 4.1.3.2 Resultado da pesquisa nas avaliações para progressão Na avaliação de desempenho para progressão são utilizados os mesmos critérios do estágio probatório, exceção ao critério responsabilidade, que foi substituído pelo tempo de serviço. Também nesse caso, os critérios foram analisados individualmente. A ficha de avaliação para progressão não traz nenhuma explicação de preenchimento que possa orientar o avaliador como proceder. Cada critério vem seguido de seu conceito, o que possibilita ao avaliador um direcionamento do que está avaliando, evitando que faça conjecturas ou tenha livre interpretação. A pontuação dos critérios é acrescida do tempo de serviço do servidor, tendo sido definido um ponto para cada ano de serviço, não podendo ultrapassar trinta pontos. Há variação na pontuação máxima de cada critério. A seguir serão apresentados os critérios que compõem a avaliação para progressão dos servidores do Governo do Estado do Amapá. No critério Quantidade e Qualidade no Trabalho, a pontuação mínima é 5 e a máxima é de 40 pontos. Observa-se, portanto, que 74,1% dos pesquisados obteve a pontuação máxima. TABELA 9 – Percentual de pontos obtidos em quantidade e qualidade do trabalho para progressão CONCEITO FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 5 1 0,3 0,3 10 1 0,3 0,6 20 3 0,9 1,5 30 79 23,5 25,0 40 249 74,1 99,1 3 0,9 100,0 336 100,0 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. 80 Gráfico 7 - Percentual por Qualidade e Quantidade do Trabalho 80,0 70,0 74,1 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,3 0,3 23,5 0,9 0,9 0,0 5 10 20 30 40 Missing GRÁFICO 7 – Percentual de pontos obtidos em qualidade e quantidade para progressão Fonte: Pesquisa direta Considerando a orientação fornecida na ficha de avaliação para progressão, significa que esses servidores desempenharam suas atividades com cuidado, exatidão e precisão, sem perder a qualidade. No critério Iniciativa e Cooperação, considerando o Quadro 10 e o Gráfico 8, verifica-se que a pontuação mínima é 5 e a máxima é de 20 pontos, logo 81,3% dos servidores obteve o conceito máximo. Portanto, esses servidores, segundo a orientação do critério, possuem proatividade, capacidade de tomada de decisão imediata e de propor melhorias nos serviços, bem como capacidade para trabalhar em equipe. TABELA 10 – Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação para progressão CONCEITO 5 10 15 FREQUÊNCIA 1 4 56 PERCENTUAL 0,3 1,2 16,7 % ACUMULADO 0,3 1,5 18,2 20 273 81,3 99,4 2 0,6 100,0 336 100,0 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. 81 Gráfico 8 - Percentual por Incentivo e Cooperação 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 81,3 16,7 0,3 5 0,6 1,2 10 15 20 Missing GRÁFICO 8 – Percentual de pontos obtidos em iniciativa e cooperação para progressão Fonte: Pesquisa direta. O critério assiduidade e urbanidade tem pontuação mínima de 5 pontos e a máxima de 15 pontos. A Tabela 11 e o Gráfico 9 indicam que 79,2% dos pesquisados com pontuação máxima, o que significa que o servidor se encontra, permanentemente, no seu local de trabalho e possui excelente relacionamento com os colegas de trabalho e com o público atendido pelo serviço que presta. TABELA 11 – Percentual de pontos obtidos em assiduidade e urbanidade para progressão CONCEITO FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 5 3 0,9 0,9 10 64 19,0 19,9 15 266 79,2 99,1 3 0,9 100,0 336 100,0 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. 82 Gráfico 9 - Percentual por Assiduidade e Urbanidade 80,0 79,2 70,0 60,0 50,0 40,0 19,0 30,0 20,0 0,9 0,9 10,0 0,0 5 10 15 Missing GRÁFICO 9 – Percentual de pontos obtidos em assiduidade e urbanidade para progressão Fonte: Pesquisa direta. No critério Pontualidade e Disciplina, a pontuação mínima é de 5 pontos e a máxima de 15 pontos. Pode-se observar que somente 0,3% dos servidores obtiveram pontuação mínima, enquanto que 78,9% obtiveram a pontuação máxima. Pelo critério, os servidores cumprem o horário de trabalho e tem respeito às normas e hierarquias institucionais. TABELA 12 – Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina para progressão CONCEITO FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO 5 1 0,3 0,3 10 68 20,2 20,5 15 265 78,9 99,4 2 0,6 100,0 336 100,0 Missing Total Fonte: Pesquisa direta. 83 Gráfico 10 - Percentual Pontualidade e Disciplina 80,0 78,9 70,0 60,0 50,0 40,0 20,2 30,0 20,0 0,6 0,3 10,0 0,0 5 10 15 Missing GRÁFICO 10 – Percentual de pontos obtidos em pontualidade e disciplina para progressão Fonte: Pesquisa direta. As Tabelas 13 e 14 são umas sínteses das demais tabelas, em que o pesquisador deseja chamar a atenção para a pontuação máxima atribuída aos servidores nos critérios. TABELA 13 – Conceitos atribuídos aos servidores em cada critério no período de progressão AVALIAÇÃO CONCEITO 15 20 3 Qualidade e Quantidade do trabalho 5 1 10 1 30 79 40 249 Iniciativa e cooperação 1 4 56 273 - - Assiduidade e Urbanidade 3 64 266 - - - Pontualidade e disciplina 1 68 265 - - - Fonte: Pesquisa direta. TABELA 14 – Percentual dos conceitos atribuídos aos servidores em cada critério no período de progressão AVALIAÇÃO CONCEITO 15 20 5 10 Qualidade e Quantidade do trabalho 0,3 0,3 - Iniciativa e cooperação 0,3 1,2 Assiduidade e Urbanidade 0,9 Pontualidade e disciplina 0,3 Fonte: Pesquisa direta. 30 40 0,9 23,5 74,1 16,7 81,3 - - 19,0 79,2 - - - 20,2 78,9 - - - 84 Na Tabela 15 e Gráfico 11 pode ser observado que 97,4% dos servidores apresentaram nota superior a necessária para a aprovação. TABELA 15 – Conceito total obtido pelos servidores no período de progressão CONCEITO TOTAL FREQUÊNCIA PERCENTUAL % ACUMULADO Menor ou igual 50 4 1,2 1,2 51 a 60 1 0,3 1,5 61 a 70 4 1,2 2,7 71 a 80 14 4,2 6,8 81 a 90 54 16,1 22,9 91 a 100 161 47,9 70,8 101 a 110 96 28,6 99,4 111 a 120 2 0,6 100,0 336 100,0 Total Fonte: Pesquisa direta. Gráfico 11 - Percentual de Sevidor por Conceito Obtido 50,0 47,9 40,0 30,0 28,6 20,0 10,0 1,2 0,3 Menor ou igual 50 51 A 60 1,2 4,2 16,1 0,6 0,0 61 A 70 71 A 80 81 A 90 91 A 100 101 A 110 111 A 120 GRÁFICO 11 – Percentual de servidor por conceito obtido Fonte: Pesquisa direta. Para a análise das fichas de avaliação de desempenho a pesquisa considerou: os itens que definem o perfil do servidor empreendedor são os mesmos que compõem a avaliação atual? Existe progressão no conceito do servidor da avaliação do estágio probatório para a avaliação de progressão? O resultado da avaliação de desempenho do servidor é utilizado como norteador do Programa de Desenvolvimento do Servidor? 85 No que se refere ao primeiro questionamento a resposta é não. O Governo do Estado do Amapá definiu para o perfil do servidor os critérios: capacidade criativa, capacidade de aprendizado, capacidade analítica, trabalho em equipe, orientado para resultado, comprometido com o autodesenvolvimento, visão estratégica e avalia os critérios: assiduidade e urbanidade, pontualidade e disciplina, iniciativa e cooperação, produtividade e qualidade, responsabilidade. Quanto ao segundo questionamento, verifica-se nas Tabelas (Quadros) 8 e 15 que no período de estágio probatório, os servidores apresentam conceitos superiores aos do período de progressão. Portanto, a avaliação não está contribuindo para o desenvolvimento do servidor. Considerando que as fichas de avaliação de desempenho quando retornam para a Secretaria de Administração são, imediatamente, arquivadas nas pastas desses servidores e não se emite relatório do resultado da avaliação, podese afirmar que o resultado da avaliação de desempenho dos servidores não é utilizado como norteador do Programa de Desenvolvimento do Servidor, executado pela Escola de Administração Pública do Amapá. 86 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Há um consenso de que a Avaliação de Desempenho deve ser utilizada na Administração Pública como ferramenta de desenvolvimento de gestão para se atingir a melhoria e qualidade dos serviços prestados. No Amapá, o atual modelo de Avaliação de Desempenho do servidor público estadual não é garantia de qualidade e não contribui para a melhoria da gestão. Isto ocorre porque a Avaliação de Desempenho vem sendo realizada de forma passional, em que se considera o grau de simpatia e amizade entre o avaliador e o avaliado, além disso, vem sendo utilizada somente para a estabilidade no emprego e promoção de referência dentro do mesmo cargo. Para que a Avaliação de Desempenho atinja o resultado esperado deve ser focada no indivíduo no cargo e não em percepções oriundas de relações passionais. No caso do Amapá, a aplicação da avaliação aos servidores do Estado não teve um planejamento concreto, ocorreu desde o início sem a formulação de um programa ou projeto, transcreveu-se, simplesmente, os critérios da Lei Federal para o Estado, com as devidas adequações sem, porém, que fosse levada em consideração a cultura local. O formulário utilizado no estágio probatório é o mesmo utilizado para progressão funcional, o que caracteriza falta de dinamicidade no processo e a percepção de que pouca importância está sendo dada ao desenvolvimento do servidor. Além disso, foi identificado que os atuais responsáveis pelo processo de avaliação dentro da Secretaria de Administração não detém conhecimento técnico sobre o assunto, o que dificulta a compreensão sobre a importância do tema para a administração pública, além de impedir a formulação de proposta de implementação mais adequada à realidade local. Existem desvantagens na aplicação do método no que se refere a falta de flexibilidade na aplicação, o avaliador deve se ajustar à redação da ficha de avaliação na aplicação, a preocupação do método é com o passado, obrigando o chefe a desempenhar o papel de juiz, e às pessoas de sua equipe, o papel de réus. O processo de comunicação entre o chefe (avaliador) e sua equipe de trabalho (avaliados), por ocasião do feedback do resultado, é delicado, visto que não ocorreu 87 a preparação dos participantes para o ato de avaliar conjuntamente, o que possibilita a inexistência da tarefa ser executada de forma conjunta. Não existe integração do resultado da avaliação de desempenho do servidor com a Política de Desenvolvimento dos Servidores, coordenado pela Escola de Administração Pública. Os critérios definidos para o novo perfil do servidor público do Amapá não foi, até então, utilizado nas fichas de avaliação do estágio probatório e progressão. A avaliação de desempenho mede critérios que não são considerados no programa de desenvolvimento definido pela EAP, que por sua vez define as ações de formação e desenvolvimento sem utilizar os resultados das avaliações dos servidores. O Estado definiu um perfil para o servidor, mas avalia um outro perfil. Verificou-se, portanto, que a única função da avaliação é a progressão funcional do servidor, não há relação entre a avaliação de desempenho e a Política de Recursos Humanos do Estado. A subutilização dos resultados da avaliação desfavorece o desenvolvimento profissional do servidor e, consequentemente o desenvolvimento organizacional. De acordo com Grillo (1981) a avaliação de desempenho “fornece elementos capazes de informar sobre a correção do instrumento seletivo, bem como situar as áreas mais carentes de treinamento.” Sobre isso pondera Gil (2009, p. 149), A avaliação de desempenho constitui, pois, um meio para desenvolver os recursos humanos da organização. Graças a ela, torna-se possível: [...] identificar em que medida os programas de treinamento têm contribuído para a melhoria do desempenho dos empregados; promover o autoconhecimento e auto-desenvolvimento dos empregados; obter subsídios para redefinir o perfil requerido dos ocupantes dos cargos; obter subsídios para elaboração de planos de ação para desempenhos insatisfatórios. O avaliador é o chefe imediato, nomeado no cargo, geralmente, por indicação política. A avaliação é unilateral, ou seja, o avaliador avalia, porém não é avaliado pelo subordinado. Na maioria das vezes, este avaliador não detém competência para avaliar pessoas e nem recebe, por parte do governo, qualquer tipo de treinamento para desempenhar esta função. Este fato restringe a percepção 88 sobre as competências do avaliado, uma vez que cabe a uma única pessoa emitir parecer sobre a atuação de uma outra. Em favor da postura de que o chefe imediato é quem deve avaliar, é alegado que essa forma de avaliação é válida, pois quem convive com o servidor no dia-a-dia é o seu chefe imediato, logo ele deveria conhecer a capacidade de cada pessoa que trabalha com ele. Por outro lado, devido às relações que se estabelecem, pode ocorrer uma disfunção perceptiva e a avaliação não representar a realidade. A falta de preparação dos avaliadores para o desempenho da função de avaliar pode gerar subjetivismo na avaliação. O critério utilizado pela Secretaria de Administração para definir quem será o avaliador, é o cargo de chefia que a pessoa ocupa. Neste caso a qualidade relacional entre avaliador e avaliado influencia o resultado da avaliação. Avaliar o desempenho das pessoas ainda causa muita ansiedade, tanto para o avaliador quanto para o avaliado, assim como todo o contexto da avaliação de desempenho é cercada de subjetivismo, por isso deve a necessidade de preparar as pessoas para as etapas da avaliação. Não está previsto no processo de avaliação um momento de feedback entre avaliador e avaliado. O resultado da avaliação não retorna ao interessado de forma comprometida, visando o seu desenvolvimento. A avaliação é feita apenas para o cumprimento da lei, sem maiores preocupações com o desempenho atual e futuro do funcionário. O feedback é desconsiderado nesta avaliação, o que contraria um dos objetivos de uma avaliação que é a retroalimentação da pessoa com informações sobre sua conduta e de como esta conduta está influenciando o ambiente. Os indicadores utilizados na avaliação tiveram como referência a Lei Federal. Não foi realizado nenhum estudo ou análise por técnicos da área que respaldasse a decisão, embasada em conhecimento sobre avaliação, comportamento, gestão de pessoas etc., que identificasse se esses critérios estavam de acordo com a realidade local. 89 Foram utilizados os mesmos indicadores para todos os cargos, ou seja, servidores com cargos operacionais foram avaliados com os mesmos critérios que os servidores de cargos gerenciais. Sabe-se que as responsabilidades são diferentes, portanto são exigidos conhecimentos, habilidades e atitudes diferentes, portanto, constituiu-se em erro grave avaliar todos os servidores seguindo o mesmo parâmetro. Tanto na avaliação para o Estágio Probatório, quanto na avaliação para Progressão Funcional, verifica-se o caráter punitivo, disciplinar, em detrimento do desenvolvimento, aprimoramento de competências do servidor. Há uma deturpação do objetivo de se avaliar. Deve-se considerar que a avaliação é um processo didático, educativo e só se justifica quando contribui para a criação de valores positivos e para o desenvolvimento técnico e pessoal do servidor, o que contribuiria para a qualidade do serviço público. Um dos objetivos da avaliação de desempenho é ser um instrumento para agregar as metas individuais com as metas institucionais e com a agenda estratégica do governo. Percebeu-se, porém, que apesar do atual governo ter adotado a metodologia de Gestão Por Resultado, que utiliza intensamente os procedimentos de monitoramento e avaliação, não houve compromisso em fazer uso dos resultados dessa avaliação, se assim o fizesse, já teria sido percebida essa lacuna administrativa. Conforme enfatizado, anteriormente, o governo definiu o perfil do servidor “ideal” para o alcance dos seus objetivos e metas, porém não monitora nem avalia se esse servidor está contribuindo para o alcance desses objetivos. Considerando a falta desse monitoramento, fica difícil afirmar se ocorreram ou não mudanças no comportamento do servidor entre o período do estágio probatório e o de progressão. O que se percebeu foi a fragilidade no processo de gestão de pessoas do Estado, que apesar de destinar verbas específicas para programas de valorização do servidor (Tabela 1) não há monitoramento da eficiência desses programas no comportamento do servidor. Existe, portanto, a necessidade de se rever todo o processo de avaliação do servidor estadual do Amapá, alinhar não especificamente a um governo, mas ao desenvolvimento do Estado, pois as áreas de atuação do servidor (saúde, educação, infra-estrutura etc.) existem independentemente do governo que assumir a gestão. 90 Para a eficiência do processo, recomendam-se algumas regras básicas para a construção da avaliação de desempenho dos servidores estaduais do Amapá, quais sejam: oficializar o perfil do servidor empreendedor ou definir as competências e habilidades que o servidor público deve possuir para a contribuição do desenvolvimento do Estado e divulgar entre os servidores; definir um período entre a formalização e divulgação do perfil e o início da avaliação, que pode ser de um ano. Isso possibilitará ao servidor buscar esse perfil; escolher o método mais adequado e a forma de implantação do serviço, deixando claro como ocorrerá a avaliação, além de priorizar a preparação do servidor para o papel de avaliador e, apresentar o resultado ao avaliado. No que concerne ao método e a forma de implantação, é preciso considerar que um processo de avaliação de desempenho só é consistente e democrático quando é feito com a participação de todos, por exemplo, quando chefe e subordinado se avaliam mutuamente. Além disso, é preciso considerar na etapa de implantação a divulgação junto aos servidores e da própria sociedade, visto que o processo de avaliação de desempenho deve ser transparente, não pode ser considerado uma caixa preta na qual os principais interessados não tem acesso. Recomenda-se a adoção da avaliação de desempenho com foco em competência, que avalia o passado, porém focada no futuro. Seus resultados darão condições às instituições de potencializar o desenvolvimento do servidor, aumentando a qualificação do quadro funcional e utilizar em favor do Estado. A avaliação de desempenho com foco em competências pode ser tanto utilizada para encarreiramento quanto para a criação de um Plano de Desenvolvimento para o Servidor e o mapeamento das competências, tendo como foco o potencial de desenvolvimento do Estado, pode ser utilizado tanto para alocar o servidor de acordo com suas competências quanto para aplicar outras ferramentas da Gestão por Competências. Diante da investigação realizada, pode-se afirmar que a revisão bibliográfica e questionamentos o estudo da empírico pesquisa, foram congruentes possibilitando aos ao gestores responder e aos profissionais responsáveis pela gestão de pessoas do Estado um direcionamento para a 91 formulação de políticas de valorização do servidor, o que trará resultados positivos para a efetivação das políticas públicas executadas por esses servidores. Por fim, espera-se que esta dissertação sirva de estímulo ao estudo da gestão de pessoas no serviço público, uma vez que as políticas públicas são executadas por esses servidores. 92 REFERÊNCIAS AMAPÁ. Governo do Estado. Amapá, um modelo de desenvolvimento sustentável. Disponível em: <http:///www.amapa.gov.br>. Acesso em: 15 abr. 2010. ______. Governo do Estado. Plano plurianual-PPA 2008-2011. Macapá, 2007. ______. Governo do Estado. Plano plurianual-PPA 2004-2007. Macapá, 2003. ______. Referente ao Projeto de Lei nº. 0007/93-GEA. 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A avaliação do servidor reflete a realidade do serviço público? 4. O perfil do servidor criado pela Escola de Administração Pública é levado em consideração para se avaliar o servidor do Estado? 5. A avaliação do servidor público contribui para identificar como esse servidor está reagindo às demandas sociais? 6. O resultado da avaliação de desempenho serve para embasar a Política de Desenvolvimento do Servidor? 7. A avaliação de desempenho atual está alinhada ao modelo de gestão e as metas do atual governo? 8. O método de avaliação utilizado pelo GEA para medir o desempenho de seus servidores é adequado a realidade do serviço público? 99 ANEXOS 100 ANEXO A – FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – ESTÁGIO PROBATÓRIO GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – ESTÁGIO PROBATÓRIO NOME DO SERVIDOR: CATEGORIA FUNCIONAL: ORGÃO DE EXERCÍCIO: PERÍODO DE AVALIAÇÃO: I – ASSIDUIDADE E URBANIDADE ( ) Presença permanentemente no local de trabalho. ( ) Bom relacionamento com os colegas de trabalho. ( ) Só se ausenta do local de trabalho com conhecimento e autorização da chefia imediata. ( ) Só falta ao trabalho por motivo justificado ( ) Educação e polidez no atendimento ao público TOTAL DE PONTOS ( ) II – PONTUALIDADE E DISCIPLINA ( ) Cumpre o horário estabelecido. ( ) Respeita as normas e regulamento do órgão. ( ) As eventuais chegadas e atrasos ou saídas antecipadas realizam-se dentro dos limites de tolerância estabelecidos pelo órgão. ( ) Conhece e observa a hierarquia funcional, cumprindo com presteza as ordens recebidas. ( ) Conhece as atribuições do seu cargo e não se nega a executá-lo sob alegação de que são incompatíveis com o seu conhecimento. TOTAL DE PONTOS ( ) 101 III – INICIATIVA E COOPERAÇÃO ( ) É capaz de tomar decisões em situações habituais e adapta-se, facilmente, a inovações no trabalho. ( ) Sabe o que deve fazer no trabalho, mesmo sem receber orientações. ( ) Procura contornar situações difíceis surgidas no trabalho, quando tem oportunidade. ( ) Troca experiência com outros colegas e os auxilia na busca de soluções relativas a problemas de trabalho. ( ) Contribui, espontaneamente, ao trabalho de equipe para atingir o objetivo. TOTAL DE PONTOS ( ) IV – PRODUTIVIDADE E QUALIDADE ( ) Conhece a unidade em que trabalha. ( ) Conhece o serviço que executa e seu trabalho é regularmente correto e limpo. ( ) O nível de atuação que dispensa ao seu trabalho é suficiente para levar a um resultado de boa qualidade. ( ) Assimila com facilidade e rapidez as tarefas que lhes são transmitidas, mesmo aquelas que fogem a sua rotina. ( ) O volume de trabalho produzido é proporcional a sua complexidade e executa regularmente seu trabalho sem necessidade de ordens e orientações constantes. TOTAL DE PONTOS ( ) V – RESPONSABILIDADE ( ) Executa todas as tarefas que estão sob sua responsabilidade, bem como revê e aperfeiçoa o trabalho que executa. ( ) Cumpre os compromissos de trabalho dentro dos prazos estabelecidos e corresponde a confiança que lhe é dada. ( ) Assume as consequências de sua próprias atitudes e fatos de interesse da administração. ( ) A serenidade com que encara seu trabalho é compatível com o cargo que ocupa ( ) Zela e usa corretamente os instrumentos e material de trabalho. TOTAL DE PONTOS ( ) 102 GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA JUSTIFICATIVA RATIFICO EM, ___/______/_______ ASSINATURA AVALIADOR EM, ___/______/_______ ASSINATURA SOMATÓRIO DOS PONTOS ATRIBUÍDOS (I + II + III + IV + V) = ( ) CIENTE: EM, ___/______/_______ ASSINATURA DO SERVIDOR INSTRUÇÕES 1. Ficha compõem-se de 05 (cinco) itens: Assiduidade e urbanidade; Pontualidade e Disciplina; Iniciativa e Cooperação; Produtividade e Qualidade; Responsabilidade. 2. Cada item está definido afim de delimitar os aspectos que serão considerados na avaliação. 3. Cada item corresponde até vinte pontos. 4. O comportamento deve se avaliado levando-se em consideração o desempenho do servidor, respectivamente, no espaço de tempo acima estipulado. 5. A tarefa do avaliador corresponde em dizer em que grau corresponde o desempenho funcional do servidor que está sendo avaliado. 6. No retângulo que precede o subitem será colocado o número de pontos atribuídos ao servidor, ou seja de (0 a 4). 7. Sempre que o total de pontos for o máximo ou o mínimo, torna-se necessário a justificativa do avaliador. RECOMENDAÇÕES 1. A ficha de avaliação de desempenho é confidencial. 2. Cada comportamento deve ser avaliado levando-se em consideração o desempenho do servidor, respectivamente, no espaço de tempo acima estipulado. 3. A avaliação deve basear-se em fatos reais da vida funcional do servidor e não em impressões pessoais. 4. O avaliador não deve deixar-se impressionar por avaliações anteriores, nem fazer previsões futuras. 103 ANEXO B – FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – PROGRESSÃO GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ ANEXO DA PORTARIA Nº 237/2003 – SEAD FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – PROGRESSÃO NOME DO SERVIDOR:................................................................................................. PERÍODO DE AVALIAÇÃO................................... CARGO EFETIVO:................................................................... de ....../........../............. PADRÃO:.................................................................................. a ....../........./.............. ÓRGÃO DE EXERCÍCIO:............................................................................................. 1. QUALIDADE E QUANTIDADE DE TRABALHO: ( ) 05 pontos Capacidade de desempenhar as tarefas com cuidado. ( ) 10 pontos Ponto exatidão e precisão. Volume de trabalho produzido, levando-se em conta a ( ) 20 pontos complexidade, a capacidade de aprendizagem e o tempo ( ) 30 pontos de execução, sem prejuízo da qualidade. ( ) 40 pontos 2. INICIATIVA E COOPERAÇÃO: ( ) 05 pontos Capacidade de visualizar situações e agir prontamente, assim como a de apresentar sugestões ou ideias tendentes ao aperfeiçoamento do serviço. Contribuição espontânea ao trabalho de equipe para atingir o objetivo. 3. ASSIDUIDADE E URBANIDADE: ( ) 10 pontos Presença permanentemente no local de trabalho. Relacionamento com os colegas e as partes. ( ) 10 pontos 4. PONTUALIDADE E DISCIPLINA: ( ) 05 pontos ( ) 15 pontos ( ) 20 pontos ( ) 05 pontos ( ) 15 pontos Cumprimento do horário estabelecido. ( ) 10 pontos Observância da hierarquia e respeito às normas legais e ( ) 15 pontos regulamentares. 104 5. ANTIGUIDADE: ( ) até 30 pontos Tempo de serviço público: 01 (hum) ponto para cada ano de efetivo exercício, até 30 pontos. 6. SOMATÓRIO DOS PONTOS ATRIBUÍDOS AO ( ) total de pontos SERVIDOR: Em:......../......../............ Assinatura do Chefe............................................................. Ciente em:........./........../.......... Assinatura do Servidor............................................. Obs.: No “somatório de pontos atribuídos ao servidor” serão incluídos os relativos à antiguidade, consignados pelos órgãos de pessoal, previamente à avaliação.