Boletim Iniciativa Amapá Sobre a Iniciativa Amapá Edição 01 | Dez.2013 O Boletim Iniciativa Amapá é um espaço de diálogo e disseminação de experiências das diversas organizações que atuam no Estado. Com os objetivos de divulgar, integrar e valorizar as ações transformadoras em prol do desenvolvimento sustentável do estado do Amapá, o boletim traz informações e iniciativas que podem ser multiplicadas, além das fronteiras do Estado. Lançada na Rio+20, em 2012, a Iniciativa Amapá é fruto de uma parceria entre o Governo do Amapá, a Conservação Internacional do Brasil (CI Brasil) e o Fundo Vale. A proposta é desenvolver um trabalho integrado com a sociedade amapaense voltado para a promoção de uma economia baseada na sustentabilidade. Haroldo Castro / FRM Projeto Florestabilidade é implementado no Amapá Criado para propagar a importância do manejo florestal, o projeto Florestabilidade chegou ao estado do Amapá em janeiro de 2013. Criado pela Fundação Roberto Marinho e pelo Fundo Vale, conta com a parceria do Serviço Florestal Brasileiro e, no estado, com o Governo do Estado do Amapá, por meio da Secretaria de Educação (SE-ED-AP). Usando a metodologia de telessalas, contribui para o acesso das comunidades ao conhecimento e estimula o uso de boas práticas para a produção florestal. Além disso, o projeto estimula a formação de profissionais qualificados nesta área, mostrando que existe um leque de oportunidades de carreiras em uma das maiores riquezas do Estado: a Floresta. Nesse território, que tem 75% de sua área coberta por florestas, despertar o interesse dos jovens amapaenses pelo manejo e gestão das florestas é essencial para o desenvolvimento sustentável no Estado. A gerente de Meio Ambiente da Fundação Roberto Marinho, Andrea Margit, esclarece que o projeto nasceu da necessidade de propagar os valores econômicos, sociais e ambientais do manejo florestal. “O escopo do programa aborda três principais utilizações da floresta: como meio de vida, bem de produção e serviço ambiental”, aponta. O projeto está presente em 11 municípios e seis cidades polo no Estado. citando um total de 1.029 educadores, de 224 escolas (em sua maioria da rede pública), localizadas em 18 municípios. Os polos de formação foram Laranjal do Jari, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Macapá e Oiapoque. Após o treinamento com os professores, a equipe do projeto visitou 34 escolas no Estado e verificou que 22 já estão aplicando o Florestabilidade em suas salas de aula, envolvendo um total de mais de cinco mil estudantes. O conteúdo do material, utilizado pelos professores nos últimos anos do Ensino Fundamental e Ensino Médio, trata do manejo de produtos madeireiros, não madeireiros (entre eles as principais cadeias de valores do Amapá como açaí, castanha, cipó-titica, entre outras), além do manejo de uso múltiplo da floresta. De fevereiro a março deste ano, foram realizadas 28 oficinas de formação de professores no Amapá, capa- Todo o material produzido pelo Florestabilidade está disponível na internet, e pode ser acessado por professores que queiram trabalhar em sua escola com os conceitos de manejo florestal e uso sustentável da floresta. Visite www.florestabilidade.org.br. 1 Boletim Iniciativa Amapá ENTREVISTA GTA desenvolve trabalho inédito sobre protocolos comunitários E quais são os benefícios para as comunidades? ROBERTA RAMOS | GTA Dentre vários benefícios, os protocolos comunitários podem ajudar as comunidades a defender seus direitos tradicionais, negociar acesso aos recursos naturais tradicionalmente utilizados pela comunidade (como, por exemplo, a coleta de plantas importantes para alimentação e para a medicina), minimizar conflitos com e entre as comunidades, ajudar a construir parcerias de longo prazo, oferecendo segurança jurídica para os negócios com a biodiversidade. Com a necessidade cada vez maior de empoderar os povos e as comunidades tradicionais do Brasil para lidar com o acesso ao patrimônio genético, conhecimento tradicional e repartição de benefícios, a Rede ‘Grupo de Trabalho Amazônico’ (GTA) está implementando um projeto de construção de protocolos comunitários no Bailique, em parceria com o Fundo Vale. Os protocolos estão sendo desenvolvidos com base em alguma legislação internacional? ROBERTA RAMOS | GTA Sim. A criação dos protocolos tem como base acordos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e o Protocolo de Nagoia, ambos discutem a necessidade de aumentar a participação das comunidades tradicionais no processo de acesso aos recursos genéticos. Além disso, os protocolos utilizarão as experiências nacionais de projetos comunitários, como a adaptação da metodologia do processo de certificação socioparticipativa. Localizado a 200km de Macapá, no Estado do Amapá, o arquipélago possui 8 ilhas, 45 comunidades, com mais de 7.000 habitantes que vivem, principalmente, do agroextrativismo, sendo que a pesca e o açaí são as principais atividades na geração de renda local. “Repartir benefícios” significa dividir com as comunidades que detém o conhecimento tradicional, os benefícios (econômicos ou não) gerados pelo uso comercial deste conhecimento. O projeto conta ainda com a parceria do Instituto Estadual de Florestas do Amapá (IEF), Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá (SEMA AP), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e Conselho Comunitário do Bailique (CCB). Quais ações já foram desenvolvidas no Bailique? ROBERTA RAMOS | GTA Em maio, realizamos uma oficina para capacitar lideranças locais sobre acesso ao patrimônio genético, conhecimento tradicional e divisão de benefícios. A partir disso, foi proposto às lideranças o projeto de criação de um protocolo comunitário no Arquipélago, aprovado por unanimidade pelas 41 lideranças presentes. Em entrevista ao Boletim Iniciativa Amapá, Roberta Ramos, consultora do GTA, esclareceu os principais pontos da criação dos protocolos no Bailique: Qual é a importância dos protocolos comunitários? Quais serão os próximos passos? ROBERTA RAMOS | GTA Os protocolos servirão como instrumento para empoderar as comunidades na participação e para a tomada de decisão sobre processos de acesso ao recursos genéticos e conhecimento tradicional de agentes externos às comunidades. Os protocolos comunitários podem ser definidos como convenção de regras e responsabilidades estabelecidas pelas próprias comunidades para representar seus direitos tradicionais aos recursos naturais e ao uso da terra. ROBERTA RAMOS | GTA Serão feitas oficinas individuais para as cinco regiões, no total serão 20 oficinas durante ao longo do ano, além de dois encontros gerais com lideranças de todas as comunidades. Temos uma previsão de publicar um documento coletivo formalizando o conhecimento tradicional associado ao protocolo. Nossa previsão é que o protocolo comunitário do Bailique seja finalizado até agosto de 2014. 2 Parceiros da Iniciativa Amapá promovem encontro Nos dias 15 e 16 de outubro, mais de 30 representantes de organizações que aderiram à Iniciativa Amapá se reuniram para trocar ideias sobre os avanços das ações. As organizações também revisaram o plano de trabalho e conheceram o projeto do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) sobre protocolos comunitários (ver entrevista acima), apresentado pelo presidente do GTA, Rubens Gomes. A reunião da Iniciativa Amapá acontece a cada três meses e tem por objetivo discutir temas estratégicos e apresentar a evolução das atividades. Programa estimula o fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade do Amapá Até 2014, duas mil famílias deverão ser contempladas com recursos de R$ 3.25 milhões. A área efetiva de florestas comunitárias manejadas abrangidas pelo projeto será de 28.000 hectares, com uma expectativa de redução de emissões evitadas de 17.444,00 toneladas de CO2. A preservação das florestas e o aumento da participação dos povos é uma realidade cada vez maior no Amapá. O Programa de Desenvolvimento da Produção Extrativista do Estado, o Proextrativismo, visa o uso racional da diversidade d e recursos florestais aliados à melhoria da produtividade das atividades extrativistas e, consequentemente, aumentar a renda dos agricultores, ribeirinhos e populações tradicionais no Amapá. O programa reconhece a importância do extrativismo e visa, acima de tudo, criar condições para o fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade do Amapá. Entre elas, o açaí, castanha, cipó-titica e madeira são os primeiros produtos a serem apoiados pelo programa. Segundo a diretora- presidente do Instituto Estadual de Florestas do Amapá (IEF), Ana Euler, o extrativismo é uma das formas mais inteligentes de aproveitar os recursos naturais que a floresta tem a oferecer. “O programa vai fortalecer as atividades produtivas familiares, propiciar o aumento quantitativo e qualitativo da produção, e a inserção competitiva desses produtos da sociobiodiversidade no cenário local, regional e nacional.”, esclarece Ana Euler. Plano de desenvolvimento Município Número de Beneficiários Valor de incentivo (R$) Proaçaí 8 1.200 1.950.000,00 Procastanha 3 500 750.000,00 Procipó 4 200 200.000,00 Promadeira 4 100 350.000,00 Total 19 municípios 2.000 benefícios 3.250.000,00 A segunda fase do programa compreende linhas de crédito específicas para os beneficiados que cumprirem com a primeira etapa. Essas linhas de crédito são destinadas ao pagamento por serviços ambientais, que serão amortizadas. O Proextrativismo remunera a conservação da floresta, mas com um olhar especial focado na potencialização das atividades que contribuem para a manutenção. Amapá prepara o primeiro edital de concessão florestal estadual Com o objetivo de fortalecer a gestão de florestas públicas no estado, o Governo do Amapá prepara para a primeira quinzena de novembro o lançamento do primeiro edital de concessões florestais, que vai permitir a exploração madeireira na Floresta Estadual do Amapá (Flota), a área corresponde a 16% do território amapaense. SAIBA MAIS Concessão Florestal A concessão florestal é regulamentada pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.284/06), marco legal que considera o importante papel econômico, social e ambiental que as florestas desempenham, seja em nível estadual, municipal ou federal. Considerando o grande potencial de uso sustentável de florestas ainda preservadas, aliado ao combate à grilagem e exploração ilegal de madeira, o foco inicial das concessões foi a Amazônia. Empresas nacionais ou pessoa jurídica, em consórcio ou não, podem concorrer às licitações para gestão destas florestas e devem pagar pelo uso de seus produtos e serviços, sempre se utilizando de manejo florestal sustentável, por períodos estabelecidos em contrato (que podem durar até 40 anos). A concessão, ao contrário que muitos pensam, não é um modelo de privatização porque a titularidade da terra continua sendo do governo. O concessionário apenas recebe o direito de realizar o manejo florestal na área durante determinado período. A Comissão Estadual de Florestas Públicas, responsável por formular as normas de regulamentação dos editais de concessão que estão sendo construídos, é composta por representantes de órgão dos setores econômico e de meio ambiente do governo, além de membros do setor madeireiro e moveleiro e da sociedade civil organizada. De acordo com a diretora-presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Ana Euler, que preside a Comissão Estadual de Florestas Públicas, as concessões garantem empregos com baixo impacto ambiental. Segundo ela, a ideia inicial é estabelecer as regras para um edital de licitação para o uso sustentável dos recursos naturais. 3 NOTAS ALÉM DA INICIATIVA AMAPÁ Em outubro, cerca de 100 representantes de entidades ligadas ao apoio, consolidação e gestão de Áreas Protegidas, comunidades tradicionais e indígenas do Pará e Amapá, reuniram-se na Ilha do Mosqueiro (PA) para a realização do I Seminário de Áreas Protegidas do Escudo das Guianas - Pará e Amapá (SAPEG): governança e comunicação para a gestão territorial. O evento foi realizado pela Conservação Internacional do Brasil (CI Brasil), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e contou com o apoio do Fundo Vale, Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) entre outros. O seminário funcionou como um importante espaço de troca de conhecimento e discussões de temas como instrumentos para gestão de terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação. Como encaminhamentos do evento, será feita uma plataforma na web sobre o tema e um plano estratégico para a gestão das áreas protegidas do Escudo das Guianas. Curuçá Peabiru lança manual ilustrado para produção de mel de abelhas sem ferrão O Instituto Peabiru lançou o Manual de Meliponicultura, produção de mel de abelhas sem ferrão. O documento traz de maneira ilustrada, simples e resumida informações sobre como criar abelhas nativas sem ferrão, produzir mel e contribuir para a conservação da biodiversidade da região. Por mais de seis anos, a o instituto capacitou em meliponicultura cerca de 350 famílias de comunidades tradicionais da Amazônia, no Pará e no Amapá, e desenvolveu uma série de estudos que levaram a construção deste manual. Povos da Floresta Um dos destaques do I SAPEG foi o lançamento do documentário “Eu moro aqui - história dos povos das florestas do Norte do Brasil”, de Fernando Segtowick e Pedro Afonso, filme que mostra a visão, a rotina e os desafios dos moradores do maior bloco de floresta tropical do planeta. Assista aqui http://www.youtube.com/watch?v=ZM493Jm7xSQ Os resultados do trabalho, coordenado pelo biólogo Richardson Frazão, autor do manual, demonstraram o potencial da produção de mel de abelhas sem ferrão como cadeia de valor sustentável que incrementa a renda familiar de agricultores e inclui mulheres e jovens de comunidades tradicionais na economia local. Além disso, as áreas manejadas para criação das abelhas resultam em diminuição de desmatamento e queimadas na zona rural, contribuindo para o combate a mudanças climáticas. Para fazer acessar o Manual de Meliponicultura, visite o site: http://peabiru.org.br/ Bacia do Rio Araguari Bacia do Rio Araguari A Conservação Internacional do Brasil (CI Brasil), em parceria com a Universidade Federal Amapá (Unifap), começou recentemente estudo na Bacia do rio Araguari com o objetivo de obter subsídios para a formulação de estratégias para promover a gestão territorial, a conservação de recursos naturais e a valoração de serviços ambientais (com enfoque no tema água) desta importante região do Estado. Em outubro promoveu um mini-worshop na Unifap para apresentar e discutir este estudo, assim como levantar informações atualizadas sobre os trabalhos e atividades técnico-científicas que foram e vem sendo desenvolvidos na bacia. EXPEDIENTE: Boletim informativo bimestral produzido pela Coordenação Executiva da Iniciativa Amapá, formada pelas seguintes organizações: Instituto Estadual de Florestas do Amapá (IEF-AP), Conservação Internacional do Brasil (CI Brasil) e Fundo Vale. Mais informações nos sites www.ief.ap.gov.br www.conservacao.org.br www.fundovale.org Cadeia produtiva do açaí O Amapá é o terceiro maior produtor de açaí do Brasil, com grande importância e potencial para a economia e população amapaense. A Conservação Internacional do Brasil (CI Brasil) iniciou um estudo para compreender a cadeia produtiva do açaí e definir estratégias junto com parceiros locais para organizar e fomentar o seu manejo e produção sustentável na região. 4 Projeto gráfico, diagramação e conteúdo FSB Comunicações www.fsb.com.br Rafael Araujo Áreas Protegidas