B
E
O
S
L
T
E
U
T
D
I
O
M
S
D
A
T
I
É
N
C
D
N
Ú
I
S
C
T
O
R
S
I
A
SECA E CRÉDITO AGRÍCOLA:
Uma análise sobre os impactos do
crédito na recuperação dos efeitos da
seca sobre o Rio Grande do Sul
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS | SISTEMA FIERGS
SUMÁRIO
A estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul no início do ano de 2005 deixou
marcas profundas em toda a economia do Estado. Vale ressaltar que esse cenário foi
particularmente negativo no segmento industrial, atingindo toda a cadeia produtiva. Dos
496 municípios gaúchos, apenas 49 não declararam situação de emergência em
decorrência da seca, sendo que as regiões mais dependentes das culturas de soja e
milho foram as mais prejudicadas. Vale ressaltar que nessas culturas a queda da
produção chegou a 58,3% e 52,3%, respectivamente, em relação à safra anterior. Já
em relação à safra esperada, as perdas foram ainda maiores: soja (-72,2%) e milho (64,28%). A safra a menor apresentou reflexos diretos sobre setores importantes da
economia gaúcha.
Nesse trabalho, nossa intenção era avaliar a intensidade da seca e captar a
perspectiva regionalizada1 das perdas decorrentes da estiagem que afetaram as
colheitas das safras de grãos de verão: arroz, feijão, milho e soja. Além disso, tratamos
de estudar também a capacidade do crédito em promover a recuperação do nível de
atividade agrícola nas regiões mais afetadas do Rio Grande do Sul. Os resultados
encontrados evidenciaram que as Regiões de Ijuí, Erechim, Passo Fundo e Santa Rosa
foram as que apresentaram as mais significativas perdas decorrentes da estiagem,
tanto quando se analisa pelo montante perdido quanto pela ótica da importância relativa
da agropecuária para o PIB regional.
A partir da análise da evolução do crédito para custeio e investimento na
agricultura, verificou-se que, apesar de se verificar nos últimos meses um crescimento
do crédito nas Regiões do Estado mais atingidas pela seca, dada a estimativa de safra
para 2005/2006, o incremento de crédito parece não estar sendo o suficiente para repor
as perdas verificadas.
1
Regiões da Emater.
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2
ÍNDICE
1.INTRODUÇÃO ..............................................................................................................4
2. A INTENSIDADE DA SECA .........................................................................................8
3. A IMPORTÂNCIA DA AGROPECUÁRIA NO PIB DOS MUNICÍPIOS GAÚCHOS E A
SAFRA 2004/2005 .........................................................................................................11
4. METODOLOGIA.........................................................................................................17
5. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO AGRÍCOLA E A PRODUÇÃO ........................................19
6. CONCLUSÃO.............................................................................................................27
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3
1. INTRODUÇÃO
O setor agropecuário é responsável por 14,8% do PIB do Rio Grande do Sul.
Entretanto, a distribuição dessa participação entre os 496 municípios do Estado não
ocorre de forma normal, isto é, não é gaussiana. Para se ter uma idéia dessa
heterogeneidade, o gráfico 1 apresenta a distribuição da participação da agropecuária
na composição do PIB dos municípios. É interessante ressaltar que em 238 municípios
do Estado, a agropecuária é responsável por mais de 50% do PIB do município.
Gráfico 1. Distribuição da participação da Agropecuária no PIB do município
60
Número de Municípios
50
40
30
20
10
Mais
82%
78%
74%
70%
66%
62%
58%
54%
51%
47%
43%
39%
35%
31%
27%
23%
19%
16%
8%
12%
4%
0%
0
Agropecuária/ PIB
Fonte: IBGE Elaboração: Unidade de Estudos Econômicos / FIERGS
Essa distribuição nos leva a inferir que a importância da agropecuária se dá em
nível local. Isso significa que apesar da indústria e dos serviços representarem a maior
parte do PIB do Estado, a agropecuária tem uma significância muito grande para a
economia de parte dos municípios gaúchos que, muitas vezes, desprovidos de indústria
e de um setor de serviços estruturado têm na agropecuária a sua principal fonte de
geração de valor e emprego.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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4
Dessa forma, quando se analisa o desempenho da agropecuária no Rio Grande
do Sul é importante ter em mente como esse pode ocorrer de forma heterogênea nas
economias locais. Assim, tanto as perdas de safra como os ganhos de colheita sofridos
pelo Estado são mais sentidos por alguns municípios relativamente a outros.
Analisando-se a evolução da agropecuária no Estado é possível verificar que
depois de um excelente desempenho em 2002 (crescimento de 21,1% sobre o ano
anterior), essa sofreu fortes reveses em virtude da estiagem. Assim, apesar do bom
desempenho da pecuária, as lavouras têm sido as responsáveis pelas perdas
registradas na agropecuária. Em 2004, os resultados positivos do fumo, da uva e do
arroz não foram tão intensos quanto as perdas que abateram as lavouras de soja e
milho. Com isso, o resultado em 2004 foi uma variação de -2,1% nas lavouras, em
relação a 2003, e uma queda real do PIB agropecuário em 1,3% na comparação com o
ano anterior.
Tabela 1. Produção e variação anual da lavoura e de seus principais produtos no RS
Tipo de Lavoura
2002
Produção (t)
2003
Variação %
2004
Fumo
339.832
322.064
482.951
2003/2002
-5,2%
2004/2003
50,0%
Uva
570.181
489.015
696.557
-14,2%
42,4%
Arroz
5.486.333
4.697.151
6.338.117
-14,4%
34,9%
Cebola
162.344
123.325
158.086
-24,0%
28,2%
Maçã
346.799
329.461
353.140
-5,0%
7,2%
Laranja
346.042
354.700
349.668
2,5%
-1,4%
Feijão
146.063
137.865
133.688
-5,6%
-3,0%
Trigo
1.126.524
2.395.557
2.258.240
112,7%
-5,7%
384.115
313.157
294.913
-18,5%
-5,8%
Mandioca
1.275.913
1.315.223
1.232.927
3,1%
-6,3%
Cana-de-açúcar
Banana
1.075.300
115.262
1.136.114
114.685
999.210
94.916
5,7%
-0,5%
-12,1%
-17,2%
Milho
3.901.171
5.426.124
3.371.277
39,1%
-37,9%
Soja
5.610.518
9.579.297
5.541.706
70,7%
-42,1%
27,8%
-2,1%
Batata inglesa
Total da Lavoura
Fonte: FEE
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5
Se o resultado de 2004 não foi bom para o setor agropecuário gaúcho, as
perspectivas2 para 2005 também são desanimadoras. A safra 2004/2005 foi altamente
afetada pelo fenômeno da seca que abateu , praticamente, todo o Rio Grande do Sul.
As perdas das culturas de grãos de verão - arroz, feijão, milho e soja - foram enormes e
essas perdas podem corroborar para que a agropecuária venha a apresentar um dos
piores resultados na série histórica.
Segundo a EMATER, os dados relativos à expectativa final da safra dos grãos de
verão apresentam de maneira clara a intensidade da seca e dimensionam parte dos
prejuízos causados por ela. A tabela 2 apresenta as expectativas inicial e final de safra
e as respectivas variações. Entende-se por expectativa inicial aquilo que se esperava
colher a partir da área que foi plantada. Já a expectativa final é o quanto se espera
colher dado os reflexos das intempéries da natureza (secas, excesso de chuvas,
pragas...). Dessa forma serão possíveis duas avaliações de desempenho:
i) em relação à expectativa inicial;
ii) em relação à safra do ano anterior.
Enquanto a primeira reflete de maneira mais realística as perdas sofridas pelos
produtores, a segunda proporciona uma idéia relativa ao desempenho da safra
considerando o ano anterior, importante na definição da taxa de crescimento do PIB
agropecuário e, portanto, de toda a economia.
Tabela 2: Expectativas de Safra 2004/2005 – Grãos de Verão
Expectativa
Inicial (t)
Arroz
Expectativa
Final (t)
Variação
Absoluta
%
5.784.270
5.638.957
(145.313)
-2,5%
Feijão (1º safra)
105.627
66.498
(39.129)
-37,0%
Feijão (2º safra)
14.672
5.844
(8.828)
-60,2%
Milho
4.505.406
1.609.440
(2.895.966)
-64,3%
Soja
8.299.714
2.311.679
(5.988.035)
-72,1%
18.709.689
9.632.418
(9.077.271)
-48,5%
SUBTOTAL
Fonte: EMATER
2
Aqui é citado “perspectivas” pois os números da safra 2004/2005 ainda não foram completamente
fechados.
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6
Como se pode perceber, as quatro lavouras de grãos de verão analisadas pela
EMATER
sofrerão
perdas,
entretanto
as
culturas
de
milho
e
soja
serão,
destacadamente, as mais afetadas tanto em termos absolutos quanto relativos.
Dado o potencial de perda provocada pela seca, esse trabalho tem por objetivo
verificar os impactos do crédito sobre a recuperação de tais prejuízos, em especial nos
municípios mais atingidos. Sabe-se que o crédito tem uma importância muito grande na
definição da produção futura e, conseqüentemente, na definição do PIB agropecuário
do próximo ano. Além disso, o crédito apresenta a qualidade fundamental de ser um
dinamizador da economia local, provedor de renda e gerador de empregos. No caso da
agricultura, identificar a magnitude e as regiões que foram afetadas pela seca e
combinar essas informações com o volume de crédito capturado pelas regiões mais
afetadas se mostra uma questão fundamental para identificar o potencial de
recuperação das economias locais.
Para alcançar tal objetivo, esse estudo está dividido em seis partes. A primeira é
essa introdução. A segunda diz respeito especificamente da intensidade da seca nas
várias
regiões
do
estado,
analisando-se
questões
relativas
a
precipitações
pluviométricas e temperatura. A terceira trata da importância da agropecuária para cada
município e de sua contribuição para o PIB agropecuário do RS, além de apresentar o
comportamento da safra 2004/2005 para os grãos de verão. A quarta explica a
metodologia de corte da amostra de municípios a ser analisada. A quinta seção trata de
estimar o impacto do crédito na recuperação dos prejuízos causados pela seca. Por fim,
são apresentadas as principais conclusões.
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7
2. A INTENSIDADE DA SECA
Já é um lugar comum entre os meteorologistas que a natureza está respondendo
às inúmeras ofensivas em termos de poluição, desmatamento e degradação em geral
que a humanidade lhe impôs durante anos. A resposta tem sido desastres naturais com
conseqüências graves para a sociedade e para economia. Os furacões Katrina e Rita
são exemplos recentes, mas o Brasil, em especial a Região Sul, também sofreu a ação
de um “Ciclone Extra-Tropical” no início de 2004. Neste caso, já não se pode afirmar
que o Brasil, tal como consta em alguns livros de meteorologia, seja apontado como um
país em que não haveria riscos de fenômenos desse tipo.
É importante ressaltar que o aquecimento contínuo da Terra tem sido o grande
responsável por tais modificações. Com a temperatura mais alta, ciclones como que
atingiu o Brasil no ano passado passam a ser entendidos e justificados. O aquecimento
da Terra também explica a maior intensidade e duração da seca em locais em que tal
situação não seria esperada.
Com base nos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) foi possível identificar as anomalias de temperatura e precipitação que
atingiram o Rio Grande do Sul de forma a ilustrar a magnitude da estiagem. A seguir, a
análise se baseia no primeiro trimestre de 2005.
O mapa 1 mostra a distribuição regional das temperaturas máxima que
ocorreram no primeiro trimestre do ano, em que as cores mais claras representam
temperaturas máximas mais amenas. Assim, quanto maiores as temperaturas máximas
registradas, mais escura será a área no gráfico. Já o mapa 2 é o mais interessante do
ponto de vista da análise da seca. Esse registra as anomalias de temperatura máxima
que foram registradas no primeiro trimestre de 2005.
A anomalia significa o desvio registrado entre a temperatura máxima verificada e
a temperatura máxima registrada pela média histórica. No mapa 2, a escala de azul
representa temperaturas máximas menores que a temperatura máxima registrada pela
média histórica, e a escala de amarelo representa temperaturas máximas maiores que
a temperatura máxima registrada pela média histórica.
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8
Mapa 1. Temperatura Máxima
(Jan-Mar/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
Mapa 3. Anomalia de Precipitação (mm)
(Jan-Mar/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
Mapa 2. Anomalia de Temperatura Máxima
(Jan-Mar/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
Mapa 4. Precipitação Pluviométrica (mm)
(Jan-Mar/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
É interessante notar que, apesar das zonas de temperaturas máximas se
distribuírem quase que homogeneamente em toda a Região Sul como aponta o mapa
1, o mapa 2 evidencia que, enquanto apenas parte de cada Estado é afligida por
anomalias de temperatura, praticamente, todo o Rio Grande do Sul é atingido. Se
fossem demarcadas no mapa, poderia ser visualizado que as regiões de Caxias do Sul,
Erechim, Estrela, Passo Fundo e parte de Santa Rosa e Santa Maria seriam as mais
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9
atingidas. Além dessas ilustrações, a partir dos mapas 3 e 4, é possível observar como
se comportaram as precipitações no período de janeiro a março de 2005 e as
anomalias que se fizeram presentes. Sabe-se que as precipitações não ocorrem de
maneira homogênea em todo o Estado (mapa 4), por isso os mapas de anomalia são
tão importantes.
É possível perceber, através da legenda do mapa 3, que a maior parte do Estado
sofreu de uma anomalia de precipitação entre 200mm e 300mm a menos do que seria
esperado para o período. É interessante também comparar o estado do Rio Grande do
Sul com os demais da Região Sul que também aparecem no gráfico. Note que,
enquanto os demais estados apenas apresentam focos de forte anomalia, no caso do
Rio Grande do Sul a anomalia forte se estende pela maior parte do território.
Mapa 5. Anomalia de Precipitação (mm)
(Dezembro/2004)
Fonte: CPTEC/INPE
Mapa 6. Anomalia de Precipitação (mm)
(Janeiro/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
Como se pode perceber nos mapas de 5 à 8, que trazem o registro das
anomalias mensais entre os meses de dezembro de 2004 e março de 2005, grande
parte da anomalia de precipitação se deu em nível inferior à média. Assim, caracterizouse um longo período de seca no rio Grande do Sul. Pode-se perceber também que as
Regiões de Santa Rosa, Ijuí, Passo Fundo, Erechim e Bagé aparecem como as regiões
mais afetadas pela seca durante todo o período analisado.
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Mapa 7. Anomalia de Precipitação (mm)
(Fevereiro/ 2005)
Fonte: CPTEC/INPE
Mapa 8. Anomalia de Precipitação (mm)
(Março/2005)
Fonte: CPTEC/INPE
3. A IMPORTÂNCIA DA AGROPECUÁRIA NO PIB DOS MUNICÍPIOS GAÚCHOS E A
SAFRA 2004/2005
Segundo os dados divulgados pelo IBGE em 2003, 238 municípios gaúchos têm
50% ou mais de seu PIB derivado da atividade agropecuária. Esses municípios
representam, aproximadamente, 37,39% de todo o valor adicionado pela atividade
agropecuária do Estado e abrigam 10,5% de toda a população.
Entretanto, visualiza-se de maneira mais explícita a importância da agropecuária
para o Estado quando se estuda regionalmente a relação valor adicionado do setor
agropecuário sobre o PIB. Nesse sentido, fica claro porque os efeitos da seca podem
ser mais ou menos danosos a uma região que à outra.
Para se proceder ao estudo regionalizado, adotou-se a divisão das Regionais da
EMATER, uma vez que os dados sobre a safra são apresentados segundo essa
metodologia. A EMATER conta com dez Regionais no Rio Grande do Sul, de tamanho
variável. O mapa 9 auxilia no reconhecimento da localização geográfica de cada uma
das regiões elencadas.
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11
Mapa 9. Regionais da EMATER3
Legenda
4
1
2
1. Santa Rosa
3
5
3. Passo Fundo
6
7
2. Ijuí
4. Erechim
8
9
5. Caxias do Sul
6. Estrela
7. Santa Maria
10
8. Porto Alegre
9. Bagé
10. Pelotas
Fonte: EMATER
Tabela 3. A importância da Agropecuária Regional
Ijuí
Santa Maria
Erechim
Bagé
Santa Rosa
Passo Fundo
Estrela
Pelotas
Caxias do Sul
Porto Alegre
Agro/PIB da Região
33,5%
33,4%
33,2%
33,1%
28,4%
26,4%
17,8%
16,0%
15,1%
2,5%
Agro/ AgroRS
9,0%
14,9%
6,4%
10,0%
8,0%
12,0%
10,6%
6,8%
14,5%
7,8%
Fonte: IBGE
A dependência da atividade agropecuária para cada Região e sua contribuição
para o PIB agropecuário do Estado podem ser visualizados na tabela 3. É importante
atentar para o fato de que regiões como a de Caxias do Sul tem uma grande
participação no PIB agropecuário do Estado, mesmo essa representando pouco para a
economia da Região. Isso decorre do fato da intensa atividade industrial presente
naquela área.
3
A divisão das regiões é de acordo com a EMATER porém, a numeração das mesmas foi elaborada pela
Unidade de Estudos Econômicos com o intuito de facilitar a interpretação das que mais foram atingidas
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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12
Para as Regiões de Ijuí, Santa Maria, Erechim, Bagé, Santa Rosa e Passo
Fundo, a agropecuária assume uma importância muito grande na determinação do PIB
da Região. Entretanto, quando se analisa a contribuição do seu PIB agropecuário para
o PIB agropecuário gaúcho, percebe-se que, à exceção de Santa Maria e Passo Fundo,
a contribuição das demais regiões é relativamente pequena.
Tabela 4. Expectativa de Safra de Arroz 2004/2005 (mil toneladas)4
Bagé
Variação
Esperada
Inicial
Esperada
08/06/05
Absoluta
%
1974
1947
(27)
-1,4%
Caxias do Sul
0
0
0
0,0%
Erechim
0
0
0
0,0%
Estrela
62
49
(13)
-21,0%
Ijuí
0
0
0
0,0%
Passo Fundo
0
0
0
0,0%
976
890
(86)
-8,8%
Pelotas
Porto Alegre
979
890
(89)
-9,1%
Santa Maria
1702
1720
18
1,1%
Santa Rosa
20
23
3
15,0%
Fonte: EMATER
Avaliando-se as culturas dos quatro grãos de verão (arroz, feijão, milho e soja)
percebe-se o impacto local da seca através da avaliação da perda absoluta e relativa
de cada Região na safra 2004/2005. Na cultura de arroz, as perdas (absolutas e
relativas) foram as mais amenas. Apesar da queda da área plantada total ser de 3,34%,
a produção caiu em relação à safra anterior, 10,8%, finalizando em 5,6 milhões de
toneladas. Em relação às expectativas iniciais, as perdas foram equivalentes a 2,5%
(tabela 2). As maiores quebras absolutas foram registradas nas Regiões de Pelotas e
Porto Alegre que contribuem, cada uma, com 16,1% da safra de arroz. Cada uma das
regiões perdeu, aproximadamente, 88 mil toneladas, o equivalente a 8,8% de sua safra
do grão. Por seu turno, apesar da seca, a região de Santa Maria cresceu em 1,1% sua
produção.
A safra de feijão é pequena no Estado, caso comparada com as demais culturas.
Entretanto também foi vitimada pela seca. Nas duas safras de 2003/2004, a produção
pela seca, e difere da utilizada pela EMATER.
4
A data apresentada na produção esperada final refere-se à data do levantamento da EMATER.
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13
total de feijão foi de 133,6 mil toneladas. Nas safras de 2004/2005, a colheita de feijão
totalizou 72,3 mil toneladas, uma perda de 44,9% em relação à safra anterior e 39,9%
em relação à safra esperada. Nesse caso, a Região de Erechim foi a que sofreu as
maiores perdas tanto em termos percentuais quanto absolutos.
Tabela 5. Expectativa de Safra de Milho 2004/2005 (mil toneladas)
Esperada
Inicial
Esperada
08/06/05
Variação
Absoluta
%
Bagé
82
32
(50)
-61,0%
Caxias do Sul
648
104
(544)
-84,0%
Erechim
854
258
(596)
-69,8%
Estrela
463
117
(346)
-74,7%
Ijuí
404
233
(171)
-42,3%
Passo Fundo
940
340
(600)
-63,8%
Pelotas
249
73
(176)
-70,7%
Porto Alegre
94
27
(67)
-71,3%
Santa Maria
398
153
(245)
-61,6%
Santa Rosa
312
176
(136)
-43,6%
Fonte: EMATER
A cultura de milho, por sua vez, destaca-se como fortemente afetada pela seca.
A safra de 2004/2005 foi 52,3% menor que a verificada anteriormente, porém 64,3%
menor que a esperada5. Com base na tabela 5, pode-se perceber que essa cultura foi
mais impactada na Região de Passo Fundo, apresentando as maiores perdas absolutas
com a quebra da safra (cerca de 600 mil toneladas), o que representaria nada menos
que uma perda de 63,8% da colheita. Outras regiões muito importantes nessa cultura
como Caxias do Sul e Erechim foram igualmente afetadas com perdas relativas de 84%
e 79,8% respectivamente.
Nenhuma cultura, entretanto, sofreu tão grandes perdas como as apresentadas
pela safra de soja. No Estado, as perdas relativas à estimativa inicial devem girar em
torno de 5,9 milhões de toneladas, ou seja, o Estado deverá colher em 2005 o
equivalente a 71% do que se esperava. Em 2005, o Rio Grande do Sul contará com
uma produção 58,29% menor que a verificada em 2004. As Regiões de Ijuí, Passo
5
Essa estimativa está na tabela 2.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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14
Fundo, Santa Rosa e Santa Maria foram as que apresentaram as maiores perdas tanto
absolutas quanto relativas nesse tipo de lavoura.
Tabela 6. Expectativa de Safra de Soja 2004/2005 (mil toneladas)
Esperada
Inicial
Variação
Esperada
08/06/05
Absoluta
%
Bagé
391
200
(191)
-48,8%
Caxias do Sul
398
124
(274)
-68,8%
Erechim
759
244
(515)
-67,9%
Estrela
31
12
(19)
-61,3%
Ijuí
2570
591
(1979)
-77,0%
Passo Fundo
1799
471
(1328)
-73,8%
Pelotas
129
87
(42)
-32,6%
Porto Alegre
nd
nd
nd
nd
Santa Maria
1291
544
(747)
-57,9%
Santa Rosa
1009
183
(826)
-81,9%
Fonte: EMATER
Quando se agrega as quatro culturas de grãos de verão, segundo os dados
disponibilizados pela EMATER, verifica-se que as Regiões de Caxias do Sul, Erechim,
Estrela, Ijuí, Passo Fundo e Santa Rosa tiveram perdas equivalentes ou superiores a
68% de sua safra. Entretanto, devido à participação que a agropecuária representa em
cada uma dessas áreas, os impactos decorrentes da seca serão bastante
diferenciados.
E, nesse sentido, a ordenação dos mesmos seria algo bastante
importante.
A Região de Ijuí, que apresenta 33,5% de seu PIB decorrente da agropecuária,
teve uma queda de produção de, aproximadamente, 72% na sua safra de grãos de
verão. Dada a importância relativa dessas culturas para o PIB agropecuário da Região,
pode-se esperar que essa área seja a mais afetada no Estado pelas conseqüências da
seca.
As Regiões de Erechim e Passo Fundo poderiam ser classificadas como as
segundas mais afetadas, nesta escala, pelas perdas geradas com a estiagem. No caso
de Erechim, a grande dependência da Região com relação ao PIB agropecuário
magnifica os prejuízos, já grandes (em torno de 69%), das safras de grãos de verão. A
Região de Passo Fundo por sua vez, também será altamente afetada devido às
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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15
mesmas razões. Vale salientar, todavia, que, talvez provenha da Região de Passo
Fundo os maiores efeitos sobre a queda do PIB agropecuário do Estado. Isso se
justifica por dois fatores em específico:
i) as perdas foram significativas não apenas em termos relativos como também
em termos absolutos;
ii) a Região contribui com 12,5% do PIB agropecuário do Estado.
A Região de Santa Rosa pode ser considerada no ranking de prejuízos
decorrentes da seca como a terceira Região mais afetada. A Região que tem 28,4% de
seu PIB proveniente da atividade agropecuária, teve perdas equivalentes a 71,5% da
sua produção de grãos de verão.
Tabela 7. Expectativa de Safra de Grãos de Verão 2004/2005 (mil toneladas)
Variação
Esperada
Inicial
Esperada
08/06/05
Absoluta
%
Bagé
2447
2179
(268)
-11,0%
Caxias do Sul
1054
233
(822)
-77,9%
Erechim
1645
515
(1130)
-68,7%
Estrela
564
182
(381)
-67,6%
Ijuí
2981
828
(2153)
-72,2%
Passo Fundo
2761
826
(1935)
-70,1%
Pelotas
1368
1056
(312)
-22,8%
Porto Alegre
1077
920
(157)
-14,6%
Santa Maria
3415
2437
(978)
-28,6%
Santa Rosa
1341
382
(959)
-71,5%
Fonte: EMATER.
Grão de Verão: soja, milho, feijão (1º e 2º safra) e arroz.
Por outro lado, a Região de Caxias do Sul, apesar de ser a segunda mais
importante na definição do PIB agropecuário do Estado e ter tido a maior perda relativa
nas safras de grãos de verão, por ter apenas 15,1% do seu PIB derivado da atividade
agropecuária e apresentar uma grande diversificação na produção agrícola, não deverá
ser fortemente afetada pelos impactos da seca. As Regiões de Bagé, Pelotas e Porto
Alegre tiveram perdas pequenas tanto em termos relativos quanto absolutos. Ao mesmo
tempo que no caso de Pelotas e, especialmente, Porto Alegre, a agropecuária
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16
representa muito pouco do PIB dessas regiões. No caso de Santa Maria, as perdas
foram relativamente menores. Em Estrela, apesar da grande quebra relativa, em termos
absolutos, as quantidades plantadas são significativamente menores que nas demais
Regiões.
Assim, pode-se identificar as Regiões de Ijuí, Erechim, Passo Fundo e Santa
Rosa como as localidades mais potencialmente afetadas pela seca no ano de 2005.
Nesse contexto, para haver o restabelecimento do equilíbrio local seria necessário uma
ação conjunta de diversos agentes que, necessariamente, passam pela determinação
não apenas da disponibilidade de recursos para o investimento na produção no setor,
mas, também, da sua utilização por parte do produtor. Dessa forma, um bom indicador
de recuperação da atividade local é um volume de crédito por hectare superior ao
verificado nas demais regiões e superior ao utilizado em períodos anteriores.
4. METODOLOGIA
Como todas as regiões foram atingidas pela estiagem, uma maneira razoável de
se estudar o impacto do crédito sobre a recuperação econômica das áreas atingidas
seria avaliar a disponibilidade de crédito para os municípios mais importantes. O critério
para a escolha dos municípios a serem estudados foi bastante simples.
Em primeiro lugar, identificou-se as regiões potencialmente afetadas conforme a
relação perda e participação do PIB agropecuário no PIB do município. Nesse sentido,
as Regiões de Ijuí, Erechim, Passo Fundo e Santa Rosa foram identificadas como as
localidades mais potencialmente afetadas pela seca. Nessas regiões, conforme o mapa
de dispersão a seguir, selecionou-se os municípios que apresentaram participação do
PIB agropecuário do Município no PIB agropecuário da Região acima de 2%6. Assim,
foram eleitos 72 municípios, todos produtores de pelo menos três das quatro culturas
vitimadas pela seca.
O gráfico 2 mostra a relação que se estabelece entre a participação da
agropecuária do município no PIB agropecuário da Região (eixo y) e a participação da
agropecuária no PIB do município (eixo x). Note que, para a grande maioria dos
6
Esse critério foi feito de forma ad-hoc.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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17
municípios, apesar da agropecuária representar muito para a economia do município, a
importância de sua agropecuária para a o PIB agropecuário de sua respectiva região é
bastante pequena.
Uma razão para tal deve estar relacionada à presença de uma indústria e um
setor de serviços incipiente no município, o que magnifica a importância da
agropecuária para a economia local, mesmo essa sendo bastante pequena em termos
regionais. A lista dos municípios a ser analisados encontra-se no Anexo 1.
Gráfico 2. Importância da Agropecuária para o Município e a Região
Participação da Agropecuária do Município no PIB
Agropecuário da Região
8%
Municípios
Selecionados
7%
6%
5%
4%
3%
2%
1%
0%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Participação da Agropecuária no PIB do m unicípio
Fonte: IBGE
Nesses municípios, as quatro culturas representam entre 55% e 99% das
lavouras produzidas por esses, o que, mais uma vez, legitima a escolha dos mesmos. O
gráfico 3 mostra como se distribuíram em termos de freqüência a participação das
quatro culturas nas lavouras analisadas. É importante notar que a maioria dos
municípios analisados apresenta mais de 70% de suas lavouras concentradas nos
quatro grãos avaliados.
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18
Gráfico 3. Distribuição da participação dos Grãos de Verão no total das lavouras dos municípios
selecionados
20
18
Número de Municípios
16
14
12
10
8
6
4
2
0
56%
61%
66%
72%
77%
83%
88%
94%
Mais
Participação dos grãos de verão no total das lavouras
Fonte: IBGE
5. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO AGRÍCOLA E A PRODUÇÃO
Após a identificação dos municípios com potencial de impactos negativos da
seca sobre o PIB da região, o passo seguinte é a determinação da capacidade de
recuperação dos mesmos frente a este cenário de perda de renda e de emprego no ano
safra 2004/2005. Dado que as culturas em questão são de verão (lavouras
temporárias), as mesmas devem envolver um processo de financiamento ao custeio e
plantio no terceiro trimestre de cada ano.
Na ausência de informações detalhadas, por município, sobre as intenções de
plantio no que diz respeito à área para o calendário da safra 2005/20067, um bom
indicativo é analisar a expectativa de área plantada e de produção esperada para o
Estado, e também como têm se comportado a evolução do crédito ao custeio nos
municípios selecionados na seção anterior.
7
Esse documento foi feito entre outubro e primeira quinzena de novembro de 2005, quando então não
estavam disponíveis os respectivos dados para o Rio Grande do Sul.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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19
No primeiro caso, recorre-se aos dados da Emater, do Relatório de
acompanhamento da safra2005/2006, enquanto que as informações sobre a evolução
dos créditos foram coletadas no Sisbacen e, estão disponíveis para um conjunto de 51
municípios dos 72 aqui selecionados8.
O primeiro levantamento das intenções de produção no Rio Grande do Sul,
indica que, à exceção do milho, deve ocorrer uma redução da área plantada nas outras
três culturas de verão aqui analisadas. Em especial, destaque para a expectativa de
queda da área destinada ao plantio de arroz, que deverá cair 4,19%..
Tabela 8. Área Plantada (ha)
Safra
2004/2005
Safra
2005/2006
Crescimento
(%)
1.044.609
1.000.875
-4,19
92.934
91.975
-1,03
Milho
1.206.119
1.391.304
15,35
Soja
Fonte: Emater
4.179.272
4.020.806
-3,79
Arroz
Feijão (1º safra)
Tabela 9. Produção de Grãos de Verão (mil toneladas)
Safra 2004/2005
Expectativa
Inicial (A)
Arroz
5.784
Feijão (1º safra)
106
Milho
4.505
Soja
8.300
Fonte: Emater * Dados do IBGE.
Produção
Efetivada (B)
Expectativa Inicial
2005/2006 (C)
B/A
%
C/A
%
5.873
83
4.197
7.644
-5,15
53,62
203,37
239,19
1,54
-21,70
-6,84
-7,90
6.098
69
1.485
2.447
Outra estatística importante diz respeito à quantidade produzida. No mesmo
levantamento é possível constatar que, à exceção do arroz, espera-se um aumento da
produção tanto de feijão e milho quanto de soja. Em destaque, o aumento significativo
esperado para a quantidade produzida de soja que, conjugado com a redução de área
plantada, representa um substancial aumento da produtividade.
Para dar suporte a esta estimativa de produção nestas regiões, também é
verificado como tem se comportado o crédito agrícola nos municípios. Como salientado
anteriormente, o Sisbacen não disponibiliza os dados abertos para todos os municípios,
8
Há municípios cujas contas não aparecem os valores de crédito.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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20
tendo sido possível observar apenas 51 destes. Mesmo assim, vale destacar que estes
municípios considerados ainda são representativos do PIB agropecuário de cada
região.
Tabela 10 . Empréstimos Agrícolas no RS (R$ constantes - Set./2005)
Município
ago03/jul04
ago04/jul05
Ipiranga do Sul
1.732.049
4.927.484
Entre-Ijuís
7.574.861
15.506.492
Giruá
10.089.251
15.943.226
Var. (%)
Município
ago03/jul04
ago04/jul05
11.534.726
14.236.869
6.838.469
8.427.139
23,23%
58,02% Ibirubá
77.215.469
94.623.927
22,55%
20,99%
184,49% Casca
104,71% Roque Gonzales
Var. (%)
23,43%
Catuípe
14.636.404
21.410.363
46,28% Sananduva
37.006.009
44.774.103
Condor
8.487.067
12.037.706
41,84% Três Passos
11.204.078
13.273.898
18,47%
Planalto
9.191.650
12.485.462
35,83% Chapada
31.963.793
37.794.083
18,24%
Santo Augusto
28.421.317
38.520.540
35,53% Augusto Pestana
23.542.934
27.815.172
18,15%
São Luiz Gonzaga
23.336.937
31.103.791
33,28% Horizontina
15.530.903
18.140.675
16,80%
17.627.638
20.396.314
15,71%
9.172.071
10.541.379
14,93%
Aratiba
3.995.495
5.323.921
33,25% Campinas do Sul
Crissiumal
7.042.553
9.315.093
32,27% Pejuçara
Carazinho
44.075.904
57.944.636
31,47% Barracão
5.782.614
7.550.732
Santo Cristo
6.740.176
Independência
5.775.347
Marcelino Ramos
Sertão
Passo Fundo
São José do Ouro
9.116.644
10.358.266
13,62%
30,58% Ijuí
35.491.474
40.228.375
13,35%
8.799.385
30,55% Palmeira das Missões
57.092.858
64.128.860
12,32%
7.475.466
29,44% Machadinho
3.434.373
3.818.190
11,18%
12.701.937
16.420.051
29,27% Ronda Alta
23.319.520
25.698.785
10,20%
104.014.676
134.319.055
29,13% Fortaleza dos Valos
23.762.740
25.771.056
8,45%
19.770.077
25.326.550
28,11% Frederico Westphalen
15.816.619
17.030.980
7,68%
7.777.429
9.948.263
27,91% Marau
48.681.654
51.648.177
6,09%
Santo Ângelo
44.651.980
56.601.221
26,76% Nonoai
18.143.379
19.233.860
6,01%
Seberi
20.824.849
26.358.173
26,57% Severiano de Almeida
2.438.529
2.542.357
4,26%
9.130.631
11.546.301
26,46% Santa Bárbara do Sul
31.515.036
32.777.962
4,01%
Doutor Maurício Cardos
Colorado
Panambi
23.540.373
29.696.990
26,15% Três de Maio
34.324.549
35.260.074
2,73%
Cruz Alta
64.984.380
81.530.319
25,46% Espumoso
37.168.748
37.372.811
0,55%
Cerro Largo
10.673.941
13.311.661
24,71% Gaurama
12.368.458
12.295.514
-0,59%
Santa Rosa
22.383.080
27.773.033
24,08% Erechim
43.039.997
42.684.486
-0,83%
29.697.467
28.331.411
-4,60%
Getúlio Vargas
Fonte: Sisbacen
Como pode ser observado pela tabela 10, foi analisado a conta de número 163,
que representa as operações de crédito para financiamento rural para a agricultura, na
modalidade custeio e investimento. A tabela mostra o valor do crédito concedido nessa
modalidade. Como pode ser visto, todos os municípios, à exceção de Erechim,
Gaurama e Getúlio Vargas, têm apresentado uma evolução do crédito para o período
aqui analisado. Vale destacar que este período compreende os meses de agosto a
julho do ano corrente, e o deflator utilizado foi o IGP-DI.
No caso da região 1, Santa Rosa, foram utilizados os dados de 12 municípios
que representam cerca de 44% do PIB agropecuário desta Região. Na Região 2, Ijuí,
são utilizados 15 municípios que abrangem um total de 54,66% do PIB agropecuário da
Região. Na região 3, Passo Fundo, foram utilizados 9 municípios que correspondem a
31,12% do PIB agropecuário e, por fim, na Região 4, Erechim, são analisados 15
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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21
municípios que perfazem cerca de 45% do PIB agropecuário. Vale ressaltar que, no
agregado, estes 51 municípios participam com 44,76% de todo o PIB agropecuário
destas quatro regiões.
Gráfico 4. Distribuição do crescimento do crédito por município
30
25
Número de Municípios
25
22
20
15
10
5
1
1
1
0
1
0
0
-5%
22%
49%
76%
103%
130%
157%
Mais
Fonte: Sisbacen
O gráfico 4 mostra a distribuição do crédito, a partir do cálculo da taxa de
crescimento percentual do mesmo acumulada em 12 meses, em relação ao número de
municípios. Pode-se notar também que o aumento do crédito ocorre em sua maioria a
uma taxa entre 22% e 49%.
Tabela 11. Empréstimos Agrícolas dos Municípios Selecionados
Região
ago03/jul04 R$ ago04/jul05
Santa Rosa
Ijuí
Passo Fundo
Erechim
Total
milhões
195,70
405,32
357,32
226,05
1.184,38
R$ milhões
Var. (%)
248,29
486,46
429,16
256,47
1.420,38
26,9%
20,0%
20,1%
13,5%
19,9%
Nº de
munic.
12
15
9
15
51
Part. no PIB
Agr.da Região
44,34%
54,66%
31,12%
45,12%
44,76%
Fonte: Sisbacen, IBGE
De uma forma geral, podemos notar que, apesar da seca ter sido intensa nestas
regiões e contribuído para uma redução significativa da renda e do emprego no ano
safra 2004/2005, o fluxo de crédito para o custeio da agropecuária tem-se mantido
positivo, apresentando, inclusive, um crescimento.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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22
No agregado dos municípios aqui considerados esse crescimento é da ordem de
18,6%, ou seja, cerca de R$ 240 milhões adicionais sobre o último ano safra, sendo
maior na região de Ijuí e de Passo Fundo.
Analisando-se a evolução do crédito para a agricultura, pode-se perceber que o
incremento do crédito, em princípio não vai no sentido de que Regiões mais afetadas
sejam as que mais percebam financiamento. Nesse sentido, apesar do aumento geral
do crédito nas Regiões evidenciar um incentivo à produção, a recuperação do PIB
regional não será homogênea.
Na ordenação de perdas, a Região de Ijuí aparecia em primeiro lugar, dada tanto
a importância relativa da agropecuária para o seu PIB quanto por suas perdas. No
entanto, apesar de ser a Região que conta com a maior representatividade dos
municípios na amostra, apresenta um incremento percentual muito inferior ao verificado
em Santa Rosa, quarto lugar na ordem de perdas. Já Passo Fundo que aparecia em
segundo lugar, empatada com Erechim, nessa mesma ordem, apresenta uma diferença
considerável na expansão do crédito.
A seguir, analisa-se a evolução das safras de milho e soja para as Regiões
delimitadas como as afetadas pela estiagem, dado que as mesmas não são produtoras
de arroz. Já a primeira safra de feijão não assume posição de destaque na produção
de grãos de verão das regiões analisadas, sendo estatisticamente insignificante.
A tabela 129 apresenta a variação na safra de grãos de verão para cada Região
em particular, desconsiderando a segunda safra de feijão para os anos safra 2004/2005
e 2005/2006, dado que a Emater não divulgou estimativa da mesma.
9
É importante salientar, todavia, que a tabela 12 apresenta as variações totais, isto é, considerando o
conjunto da produção. Ao longo do texto , as referências se dão em relação às produções específicas de
cada grão analisado.
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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23
Tabela 12 . Comparativo de Safra (mil toneladas)*
Bagé
Caxias do Sul
Erechim
Estrela
Ijuí
Passo Fundo
Pelotas
Porto Alegre
Santa Maria
Santa Rosa
Safra 2004/2005
Expectativa
Produção
Inicial (A)
Efetivada (B)
2.447
2.179
1.053
232
1.638
514
563
182
2.979
827
2.758
825
1.368
1.056
1.076
919
3.413
2.436
1.341
382
Expectativa
Inicial
2005/2006 (C)
2.646
515
1.554
556
2.509
2.052
1.128
957
4.280
1.544
B/A
%
C/A
%
-11,0%
-78,0%
-68,6%
-67,7%
-72,2%
-70,1%
-22,8%
-14,6%
-28,6%
-71,5%
21%
122%
202%
206%
203%
149%
7%
4%
76%
304%
Fonte: Emater
* Exclui a segunda safra de feijão.
• Região de Santa Rosa
Se o incremento de crédito reverter em produção, isto é, se não houver nova
estiagem ou problemas graves que afetem a safra, pode-se inferir que a recuperação
da Região de Santa Rosa será maior que a verificada nas demais regiões. Os dados
preliminares da safra dos grãos de verão da Emater comprovam isso. A colheita de
milho deve apresentar uma expansão em torno de 47,11% sobre a estimativa inicial da
última safra. Em relação à produção verificada, estima-se que o incremento seja de
160,80%. No caso da safra de soja, apesar de não haver uma expansão significativa
em relação à estimativa inicial da safra 2004/2005, mantida a produtividade esperada,
estima-se um incremento de 491,8% da produção de soja na Região. Nesse sentido,
percebe-se a importância do crédito, em especial nesse momento, para a recuperação
da economia da Região.
• Região de Ijuí
No caso de Ijuí, em que se registraram as maiores perdas, a expansão do crédito
parece não estar ocorrendo na proporção suficiente para recolocar a Região no
patamar produtivo que se verificava anteriormente à estiagem. Quanto à safra de milho,
2005 | ESTUDOS TÉCNICOS | UNIDADE DE ESTUDOS ECONÔMICOS
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24
praticamente será repetida a expectativa de colheita que se possuía para a safra
2004/2005, entretanto há uma queda de 18,29% na safra esperada para 2005/2006 em
relação à esperada para a safra 2004/2005. Nesse sentido, apesar da produção de
grão na Região crescer em virtude da baixa base de comparação, considerando todos
os demais fatores constantes, a Região de Ijuí deverá terminar o ano de 2006 mais
pobre que terminaria 2005, caso não fosse a seca. Assim, o implemento de crédito não
parece ter sido o suficiente para realinhar a economia Regional a uma taxa de
crescimento compatível com a recuperação das perdas provocadas pela estiagem.
• Região de Passo Fundo
Na Região de Passo Fundo, a situação se repete, porém ainda em maior escala.
A colheita de soja deve ser 33,24% menor que a estimada para a safra 2004/2005 e a
de milho, porém, há aumento em relação à produção efetivada na safra 2004/2005:
milho (147,35%) e soja (154,99%).
• Região de Erechim
Por fim, analisando-se a situação de Erechim, percebe-se uma conformação
bastante semelhante à verificada na Região de Ijuí e Passo Fundo. Tanto a produção
de soja quanto a produção de milho apresentarão redução referente à produção
estimada para a safra 2004/2005 (caso não houvesse a estiagem). A produção de soja
será 7,91% menor que seria a safra 2004/2005 e a de milho 1,99%. Nesse sentido,
novamente o crédito parece não estar sendo o suficiente para recuperar as produções
de soja e milho na Região. Obviamente, dadas as grandes perdas que houveram, a
produção de soja está estimada em superar em 186,48% a produção de 2004/2005 e a
produção de milho em 224,42%.
É importante destacar que apesar de se levantar que as quatros regiões, Santa
Rosa, Ijuí, Passo Fundo e Erechim, sofreram as maiores perdas com os impactos da
seca, essas se alastraram por todo o Estado e também para todas as demais atividades
econômicas.
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A indústria de transformação, em especial a relacionada ao agronegócio, como
por exemplo, a produção de máquinas e implementos agrícolas, fertilizantes, extrativa
mineral (calcário) e toda a cadeia produtiva a essas ligadas, como a metalurgia,
borracha e material elétrico e eletrônico, sentiram de forma direta a redução da
produção e renda no campo.
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6. CONCLUSÃO
A motivação desse trabalho foi identificar em que medida as regiões do Estado
foram afetadas pela seca do ano safra 2004/2005, e analisar a evolução do crédito para
o período, procurando identificar se este pode estar contribuindo na recuperação das
perdas provocadas pela estiagem. Apesar do aumento da contratação de crédito
verificado nos municípios analisados, pode-se perceber que esse aumento não está
sendo suficiente para recuperar a totalidade das perdas da produção das culturas de
soja e milho para as regiões analisadas. Uma série de fatores concorrem para essa
situação:
1) as diferenças nas condições de conjuntura na temporada de plantio da safra
2004/2005 e da safra 2005/2006:
A produção agrícola é extremamente vinculada aos movimentos nos preços das
commodities e pelas expectativas sobre os movimentos do câmbio. Na temporada de
plantio da safra 2004/2005, tanto os preços como as expectativas de câmbio eram
favoráveis (estimulantes) a incrementos de produção. Isso manteve a mesma tendência
verificada nos anos agrícolas de 2001/2002, 2002/2003 e 2003/004, quando houve um
incremento significativo na aquisição de insumos e máquinas agrícolas. No entanto, o
que se percebe nesse ano de 2005, além de uma persistente queda no preço das
commodities, é a manutenção deste nível em patamares muito inferiores aos verificados
no plantio do ano agrícola anterior depois de ter atingido patamares historicamente
elevados. Outro fator negativo para o produtor é a intensa valorização cambial ocorrida
no período, que deprime ainda mais a rentabilidade dos exportadores. Nesse sentido, a
agricultura, principalmente de commodities (destinadas à exportação), sofre um
processo de desaquecimento.
2) a diversificação das culturas:
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Uma outra explicação é que os produtores estejam diversificando sua produção,
destinando os recursos a outros tipos de atividade agrícola que não a produção de soja
e milho.
3) o uso dos recursos para liquidação de dívidas passadas:
Deve ter ficado claro que além da seca que afligiu o Sul do País, o agricultor
também contou com preços menos favoráveis e taxas de câmbio mais valorizadas.
Isso, sem dúvida, prejudicou a rentabilidade do agricultor, e, dada a proporção das
perdas, deve ter levado ao endividamento uma grande quantidade destes. Nesse
sentido, parte do financiamento também pode estar sendo alocada no sentido de
liquidar dívidas da última safra.
Sendo assim, pode-se afirmar que os volumes de crédito rural contratados não foram
suficientes para recuperar as perdas da produção diante da conjuntura agrícola que se
apresenta para a safra 2005/206.
Diante do exposto, a medida mais consistente para aliviar os impactos negativos que
a seca produziu, especialmente nas regiões de Ijuí, Erechim, Passo Fundo e Santa
Rosa, seria uma política de crédito mais agressiva, que contemplasse não apenas a
facilitação do acesso dos produtores ao mesmo, como a menor exigência de garantias
e desburocratização para a compra de Máquinas e equipamentos, junto com taxas de
juros menores.
Somente uma ação articulada entre os governos municipais, estadual e federal, e os
produtores, cooperativas e sistema financeiro pode evitar que a estiagem de 2005 ainda
continue a produzir perdas nos próximos anos, retirando a economia gaúcha, em geral,
desse cenário negativo.
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DIRETORIA FIERGS
GESTÃO 2005/2008
Presidente
PAULO GILBERTO FERNANDES TIGRE
Vice-presidente
Ademar De Gasperi
Bolivar Baldisserotto Moura
Enio Lucio Schein
Gilberto Porcello Petry
Humberto César Busnello
José Antonio Fernandes Martins
Diretores
André Meyer da Silva
Antônio Agostinho Salton
Antônio Cristóvão Kipper
Arildo Bennech Oliveira
Aristides Inácio Vogt
Ayrton Luiz Giovannini
Carlos Evandro Alves da Silva
Claudio Laureno Henn
Dirceu Gilmar Pezzin
Élio Jorge Coradini
Frederico Martin Gunnar Dürr
Geraldo Pinto Rodrigues da Fonseca
Heitor Vanderlei Linden
Hugo Luis Santana da Rosa
Hugo Luiz Doormann
Hugo Scipião Ferreira Júnior
Jandir Antonio Cantele
João Claudio Pante
José Cesa Neto
Marcos Odorico Oderich
Mário Luís Renner
Mauro Dante Aymone Lopez
Murilo Lima Trindade
Nelson Brochmann
Nilso Fortunato Guidolin
Nilvo Valdir Fritsch
Orlando Antônio Marin
Paulo Roberto Schefer
Pedro Alberto Tedesco Silber
Raul Heller
Ricardo Coelho Michelon
Serafim Gabriel Quissini
Thômaz Nunnenkamp
Torquato Ribeiro Pontes Netto
Torvaldo Antonio Marzolla Filho
Walter Rudi Christmann
Werner Arthur Müller
Zenon Leite Neto
Conselho Fiscal
Adolfo Erwin Gerhard Goldberg
Antônio José de Mello Widholzer
Joni Alberto Matte
Irineu Boff
Josoé de Almeida Rostirolla
Lino Vilson Hermann
Delegados representantes junto à CNI
Paulo Gilberto Fernandes Tigre
Francisco Renan Oronoz Proença
Bolivar Baldisserotto Moura
Ademar De Gasperi
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DIRETORIA CIERGS
GESTÃO 2005/2008
Presidente
PAULO GILBERTO FERNANDES TIGRE
Vice-presidentes
Astor Milton Schmitt
Attilio Bilibio
Claudio Affonso Amoretti Bier
Érico da Silva Ribeiro
Heitor José Müller
Oscar Alberto Raabe
Vice-presidentes regionais
Antônio Roso
Bruno Artur Fockink
César Rangel Codorniz
Egon Édio Hoerlle
Emerson Vontobel
Flavio Haas
João Paulo Reginatto
Luiz Augusto Fuhrmann Schneider
Pedro Antônio Garcia Leivas Leite
Valdir Turra Carpenedo
Diretores
Adriano Alvim de Oliveira
André Loiferman
Alexandrino de Salles Ramos de Alencar
André Vanoni de Godoy
Carlos Alexandre Geyer
Carlos Batista da Silva
Carlos Bertuol
Carlos Roberto Pires Pôrto
Carlos Weinschenck de Faria
Cezar Luiz Müller
Cláudio Mattos Zambrano
Eduardo Silva Logemann
Fernando José Ruschel Justo
Geraldo Ribeiro
Gilberto Soares Machado
Gilberto Zago
Idir Paludo
Israel Marins Tevah
Ivanor Scotton
João Vieira de Macedo Júnior
Jorge Luis Vargas Cardoso
Jorge Luiz Buneder
José Alfredo Laborda Knorr
José Luiz Bozzetto
Luiz Felipe Schiavon
Luiz Moan Yabiku Júnior
Manfredo Frederico Koehler
Marco Aurélio Vieira Paradeda
Oswaldo Sergio Ferreira Beck
Ricardo Fontana
Ricardo Lins Portella Nunes
Ricardo Menna Barreto Felizzola
Rogério Joaquim Tondo
Conselho Fiscal
Claudino João José Simon
Renato Kunst
Valdir Agostinho Bedin
Helvio Jobim Filho
José Guilherme Rizzo Fichtner
Jairo Alberto Zandoná
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ESTUDOS
TÉCNICOS
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Fonte:
Unidade de Estudos Econômicos - FIERGS
Equipe Técnica:
Coordenador:
Igor Alexandre Clemente de Morais
Consultora:
Patrícia Ullmann Palermo
Núcleo Estatístico - NEST
Ricardo Nogueira
Vanessa Frainer
Rodrigo Dall´Agnese
Vanice Miorelli
Tanise Weiner
As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e
inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo,
necessariamente, o ponto de vista desta Federação. É
permitida a reprodução deste texto e dos dados contidos,
desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais
são proibidas.
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