UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
II Curso de Mestrado em Promoção/Educação para a Saúde
ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE:
A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NAS PRÁTICAS DE
PREVENÇÃO DO VIH/SIDA EM MEIO ESCOLAR
Margarida Maria Granja Fernandes
VILA REAL, Dezembro 2006
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
II Curso de Mestrado em Promoção/Educação para a Saúde
ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE:
A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NAS PRÁTICAS DE
PREVENÇÃO DO VIH/SIDA EM MEIO ESCOLAR
Margarida Maria Granja Fernandes
Orientador:
Prof.o Doutor Manuel Jacinto Sarmento
VILA REAL, Dezembro 2006
Dissertação expressamente elaborada para obtenção do
grau de Mestre, de acordo com o Decreto-Lei nº 216/92
de 13 de Outubro.
ii
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer a todos os que permitiram que este trabalho se realizasse.
Em primeiro lugar agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Manuel Jacinto
Sarmento, que com todo o profissionalismo, amizade e paciência me mostrou os
caminhos correctos para a minha investigação e me incentivou a terminar o trabalho
que, a par da minha actividade profissional, me propus realizar.
Quero também agradecer a todas as escolas, aos seus professores e alunos, que me
permitiram recolher a informação que necessitava.
Um agradecimento muito especial ao Conselho Executivo da Escola Secundária Padre
Benjamim Salgado, na pessoa do seu presidente, por me permitir aceder aos seus
espaços de trabalho. Sem esta disponibilidade não teria conseguido realizar esta
investigação.
De igual forma, quero transmitir um agradecimento especial aos professores e alunos
desta escola que, com toda a simpatia, responderam às minhas questões e me
permitiram observar algumas das suas actividades. Também sem eles não teria
conseguido levar a bom termo este trabalho.
Não podia também deixar aqui o meu apreço pelas palavras de incentivo de familiares e
amigos que me deram ânimo para a conclusão deste estudo.
Por último, mas não menos importante, o meu “muito obrigado” especial aos que me
estão mais próximos, Luís, André e Guilherme, por terem suportado as minhas
alterações de humor e a minha indisponibilidade sempre que o trabalho me ocupava
mais, o incentivo e ânimo para que concluísse esta investigação.
iii
Resumo
A formação de cidadãos participativos e conscientes do seu dever de contribuir para a
melhoria do meio onde se inserem pode assentar em diferentes abordagens, o
envolvimento dos alunos em projectos escolares é uma das vias que pode ser utilizada
para promover esta formação. A Escola tem aqui um papel importante ao permitir que
os alunos desenvolvem capacidades que vão de encontro a essa formação pretendida.
Com este estudo pretendemos analisar as práticas que favorecem a participação dos
alunos em projectos, concretamente em projectos de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA, e verificar de que formas se reveste essa participação. Pretendemos também
verificar as concepções de Promoção da Saúde em alunos inseridos em projectos de
Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA e alunos que nunca estiveram neles inseridos.
Além disso propusemo-nos verificar as práticas adoptadas para a Prevenção da Infecção
pelo VIH/SIDA, em meio escolar. Por últimos, apresentamos uma proposta de
modalidade de organização de um projecto de Promoção/Educação para a Saúde
compatível com o envolvimento dos alunos.
Abstract
The formation of citizens who are active participants and are aware of their duty as
contributors for the development of their community depends on different approaches.
Students’ participation in school projects is one device that can be used in the
promotion of this study. School has a crucial role in encouraging students to develop
their skills that will meet the objectives of this formation. The present study will analyze
the practices which favour students´ participation in projects, especially in the projects
of the prevention against HIV/AIDS infection, and verify how this participation takes
place. The purpose of this project is to examine the understanding of health promotion
in relation to the students either involved or not in the project of the prevention against
HIV/AIDS infection. Besides, the practices adopted by the prevention against
HIV/AIDS infection in the school domain will be examined as well. Ultimately, we
present a proposal of an organizational structure for a health project of
promotion/education that will be compatible with the participation of students.
iv
ÍNDICE
1
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................1
2
A ESCOLA E A PROMOÇÃO/EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE ...................................5
3
A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS...............................................................................13
4
METODOLOGIA.............................................................................................................24
4.1
MÉTODO UTILIZADO .......................................................................................................25
4.2
A ESCOLA .......................................................................................................................28
4.3
PLANIFICAÇÃO DO TRABALHO DE CAMPO ......................................................................29
5
CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DO MEIO .......................................................31
5.1
CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA .......................................................................................32
5.1.1
Alunos...................................................................................................................32
5.1.2
Pessoal docente ....................................................................................................33
5.1.3
Pessoal não docente .............................................................................................33
5.1.4
Equipamentos/serviços da Escola ........................................................................34
5.1.5
Ambiente e Actividades desenvolvidas pela Escola..............................................34
5.2
CARACTERIZAÇÃO DO MEIO ...........................................................................................36
5.2.1
Caracterização do Meio Físico ............................................................................36
5.2.2
Caracterização do Meio Económico-Social.........................................................36
5.2.3
Caracterização do Meio Político-Cultural...........................................................37
6
O PROJECTO NA ESCOLA ..........................................................................................38
6.1
GÉNESE DO PROJECTO NA ESCOLA .................................................................................39
6.2
EVOLUÇÃO DO PROJECTO ...............................................................................................40
7
RESULTADOS .................................................................................................................44
7.1
CONCEPÇÕES DE PROMOÇÃO DA SAÚDE.........................................................................46
7.1.1
Saúde....................................................................................................................46
v
7.1.2
Promoção de Saúde..............................................................................................52
7.1.3
Escola Promotora de Saúde .................................................................................57
7.2
PRÁTICAS DE PREVENÇÃO DA INFECÇÃO PELO VIH/SÏ-DA EM MEIO ESCOLAR ..............68
7.3
PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO PROJECTO .....................................................................73
7.3.1
Actividades na Escola ..........................................................................................83
8
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................................86
9
CONCLUSÃO...................................................................................................................93
9.1
PROPOSTA DE PROJECTO DE PREVENÇÃO DO VIH/SIDA EM MEIO ESCOLAR .................99
10
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................102
11
ANEXOS .........................................................................................................................107
11.1
CARTA DE OTTAWA PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE ................................................108
11.2
PROTOCOLO.........................................................................................................113
11.3
QUESTIONÁRIOS ......................................................................................................116
11.3.1
Questionário - alunos no projecto .....................................................................117
11.3.2
Questionário - alunos fora do projecto..............................................................120
11.3.3
Questionário – professores Distrito de Braga ...................................................122
11.4
QUADROS - ANÁLISE DOS QUESTIONÁRIOS ...............................................................126
11.4.1
Quadros - questionários professores Distrito de Braga ....................................127
11.4.2
Quadros - questionários alunos no Projecto .....................................................134
11.4.3
Quadros - questionários alunos fora do Projecto..............................................140
11.5
GUIÃO DAS ENTREVISTAS ........................................................................................143
11.5.1
Entrevista estruturada aos professores..............................................................144
11.5.2
Entrevista estruturada aos alunos......................................................................144
11.5.3
Análise das entrevistas aos professores .............................................................145
11.5.4
Análise das entrevistas aos alunos.....................................................................150
11.6
ANÁLISE E CONTEÚDO DAS ENTREVISTAS ................................................................158
11.6.1
Descrição do quadro de análise.........................................................................159
vi
11.6.2
11.7
Quadro de análise das entrevistas .....................................................................160
ENTREVISTAS AOS PROFESSORES .............................................................................161
11.7.1
1ª entrevista........................................................................................................162
11.7.2
2ª entrevista........................................................................................................166
11.7.3
3ª entrevista........................................................................................................170
11.7.4
4ª entrevista........................................................................................................175
11.7.5
5ª entrevista........................................................................................................180
11.7.6
6ª entrevista........................................................................................................188
11.7.7
7ª entrevista........................................................................................................191
11.8
ENTREVISTAS AOS ALUNOS .....................................................................................193
11.8.1
1ª Entrevista .......................................................................................................194
11.8.2
2ª Entrevista .......................................................................................................197
11.8.3
3ª Entrevista .......................................................................................................199
11.8.4
4ª Entrevista .......................................................................................................201
11.8.5
5ª Entrevista .......................................................................................................204
11.8.6
6ª Entrevista .......................................................................................................207
11.8.7
7ª Entrevista .......................................................................................................210
11.8.8
8ª Entrevista .......................................................................................................212
11.8.9
9ª Entrevista .......................................................................................................215
11.8.10
10ª Entrevista ...................................................................................................219
11.8.11
11ª Entrevista ...................................................................................................222
11.8.12
12ª Entrevista ...................................................................................................225
11.8.13
13ª Entrevista ...................................................................................................228
11.8.14
14ª Entrevista ...................................................................................................230
11.8.15
15ª Entrevista ...................................................................................................233
11.8.16
16ª Entrevista ...................................................................................................235
11.8.17
17ª Entrevista ...................................................................................................237
11.8.18
18ª Entrevista ...................................................................................................240
vii
11.8.19
11.9
19ª Entrevista ...................................................................................................243
OBSERVAÇÃO DE ACTIVIDADES ...............................................................................245
11.9.1
1ª Aula................................................................................................................246
11.9.2
2º aula ................................................................................................................256
11.9.3
Dia S...................................................................................................................267
11.10
PLANIFICAÇÃO DA ÁREA-ESCOLA, POR TURMA .......................................................270
11.10.1
Planificação do 8ºA..........................................................................................271
11.10.2
Planificação do 8ºB..........................................................................................272
11.10.3
Planificação do 8ºC .........................................................................................273
11.11
MATERIAIS PRODUZIDOS PELOS ALUNOS ................................................................274
11.11.1
Os Alunos e a Sida ...........................................................................................275
11.11.2
Quando Tiveres Relações Sexuais Previne-te Com Preservativo ....................277
11.11.3
A Sida É Um Problema Para Todos.................................................................279
viii
Índice de Tabelas
TABELA 1 - PLANIFICAÇÃO DO TRABALHO .............................................................................................................................................................................................................. 29
TABELA 2 - DISTRIBUIÇÃO TURMAS/ANO DE ESCOLARIDADE ................................................................................................................................................................................. 32
TABELA 3 - PESSOAL NÃO DOCENTE / SERVIÇO PRESTADO ...................................................................................................................................................................................... 33
TABELA 4 - CONCEITO DE SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ........................................................................................................................................................ 46
TABELA 5 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ..................................................................................................................... 47
TABELA 6 - CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ................................................................................................................................................. 48
TABELA 7 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ............................................................................................................... 49
TABELA 8 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO........................................................................................................ 50
TABELA 9 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ................................................................................................................................ 52
TABELA 10 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ........................................................................................... 53
TABELA 11 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ...................................................................................................................... 54
TABELA 12 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO .................................................................................... 55
TABELA 13 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO ............................................................................................................... 56
TABELA 14 – CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA .............................................................................................................. 58
TABELA 15 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ........................................................................... 60
TABELA 16 - CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO........................................................................................................ 62
TABELA 17 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO .................................................................... 64
TABELA 18 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO ....................................... 66
ix
TABELA 19 - GRUPO DISCIPLINAR DOS PROFESSORES QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ........................................................................................................................................ 68
TABELA 20 - FORMA COMO OS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA SE ENVOLVEM NA VIDA ESCOLAR ............................................................................................................... 69
TABELA 21 - VISÃO DOS PROFESSORES DAS ESCOLAS DO DISTRITO DE BRAGA SOBRE O AUTOR DA PROPOSTA DO PROJECTO DE PREVENÇÃO DA INFECÇÃO PELO VIH/SIDA. ..... 73
TABELA 22 - VISÃO DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO PROJECTO. ........................................................................................... 74
TABELA 23 - ENVOLVIMENTO DOS ALUNOS NO PROJECTO, VISTO PELOS PRÓPRIOS ................................................................................................................................................. 77
TABELA 24 - ENVOLVIMENTO DOS VÁRIOS GRUPOS NO PROJECTO, VISTO PELOS ALUNOS ....................................................................................................................................... 78
TABELA 25 - AUTORIA DA PLANIFICAÇÃO DO PROJECTO, VISTA PELOS ALUNOS ...................................................................................................................................................... 79
TABELA 26 - CARGOS QUE OS ALUNOS JÁ DESEMPENHARAM NA ESCOLA ................................................................................................................................................................ 81
TABELA 27 - ÁREAS EM QUE OS ALUNOS MAIS PARTICIPAM, NA ESCOLA ................................................................................................................................................................. 82
TABELA 28 - FORMAS DE PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS, NAS VÁRIAS ÁREAS DE ACTIVIDADE ................................................................................................................................. 83
x
Índice de Gráficos
GRÁFICO 1 - ÓBITOS POR VIH/SIDA, POR SEXO...................................................................................................................................................................................................... 10
GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO DAS TURMAS POR ANO DE ESCOLARIDADE .................................................................................................................................................................. 32
GRÁFICO 3 - CONCEITO DE SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ...................................................................................................................................................... 47
GRÁFICO 4 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA .................................................................................................................... 48
GRÁFICO 5 - CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ................................................................................................................................................ 49
GRÁFICO 6 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ............................................................................................................. 50
GRÁFICO 7 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO...................................................................................................... 50
GRÁFICO 8 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA .............................................................................................................................. 52
GRÁFICO 9 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ........................................................................................... 53
GRÁFICO 10 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ..................................................................................................................... 54
GRÁFICO 11- ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO .................................................................................... 55
GRÁFICO 12 - CONCEITO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO .............................................................................................................. 56
GRÁFICO 13 - CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA ............................................................................................................ 59
GRÁFICO 14 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA .......................................................................... 61
GRÁFICO 15 - CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ..................................................................................................... 63
GRÁFICO 16 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE DOS ALUNOS QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO .................................................................... 65
GRÁFICO 17 - ANOS NO PROJECTO / CONCEITO DE CONCEITO DE ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE, DOS ALUNOS QUE NÃO PARTICIPARAM NO PROJECTO ..................................... 67
GRÁFICO 18 - GRUPO DISCIPLINAR DOS PROFESSORES QUE PARTICIPARAM NO PROJECTO ...................................................................................................................................... 68
xi
GRÁFICO 19 - FORMA COMO OS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA SE ENVOLVEM NA VIDA ESCOLAR.............................................................................................................. 70
GRÁFICO 20 - VISÃO DOS PROFESSORES DAS ESCOLAS DO DISTRITO DE BRAGA SOBRE O AUTOR DA PROPOSTA DO PROJECTO DE PREVENÇÃO DA INFECÇÃO PELO VIH/SIDA..... 74
GRÁFICO 21 - VISÃO DOS PROFESSORES DO DISTRITO DE BRAGA SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO PROJECTO........................................................................................... 75
GRÁFICO 22 - ENVOLVIMENTO DOS ALUNOS NO PROJECTO, VISTO PELOS PRÓPRIOS ............................................................................................................................................... 77
GRÁFICO 23 - ENVOLVIMENTO DOS VÁRIOS GRUPOS NO PROJECTO, VISTO PELOS ALUNOS ..................................................................................................................................... 79
GRÁFICO 24 - AUTORIA DA PLANIFICAÇÃO DO PROJECTO, VISTA PELOS ALUNOS .................................................................................................................................................... 80
GRÁFICO 25 - CARGOS QUE OS ALUNOS JÁ DESEMPENHARAM NA ESCOLA .............................................................................................................................................................. 81
GRÁFICO 26 - ÁREAS EM QUE OS ALUNOS MAIS PARTICIPAM, NA ESCOLA ............................................................................................................................................................... 82
GRÁFICO 27 - FORMAS DE PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS, NAS VÁRIAS ÁREAS DE ACTIVIDADE ................................................................................................................................ 83
xii
1 Introdução
1
Os Ministérios da Saúde e da Educação, através de um protocolo de colaboração,
iniciaram, em 1996, um Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA na Comunidade
Escolar, inserido no Programa de Promoção e Educação para a Saúde (PPES). Tendo
inicialmente como alvo aos alunos do 8º ano, alargou-se a toda a população discente que as
escolas consideraram necessário serem objecto de intervenção.
Segundo Catalina Pestana (1994), o PPES sabia que a Escola era determinante e que
devia ensinar a olhar a vida como um conjunto de valores integrados, devia promover
práticas de vida saudáveis, consciencializando os alunos para os múltiplos riscos de
agressão à Saúde e à Vida. A Promoção/Educação para a Saúde é uma aprendizagem para a
autonomia.
Durante muitos anos a luta contra o VIH/SIDA limitava-se à publicidade ao
preservativo e à forma correcta de o colocar. Esta atitude incluía-se em iniciativas
higienistas, onde as escolhas se apresentavam, já seleccionadas, ao sujeito ficando este sem
oportunidade de questionar, de pensar. O interesse principal desta abordagem era evitar
abordar as questões delicadas, tais como, o amor de uma pessoa pela outra, o significado da
relação sexual, o significado de ser normal, a exclusão.
O papel do educador é ajudar o adolescente a procurar as respostas, as suas respostas
uma vez que não há uma só verdade. É um facto que para abordar estas questões
fundamentais em meio escolar, a educação em geral, e a Promoção/Educação para a Saúde
em particular, não se podem contentar com intervenções pontuais e isoladas, aflorando
superficialmente a consciência estudiosa dos alunos. É importante que elas se integrem nas
disciplinas tradicionais, não se trata mais de fazer educação para a saúde, mas de pensar a
educação, de pensar a saúde fazendo um programa, assim o professor será também
educador (Manderscheid, Galichet e Aventurin, 1996).
2
As escolas devem criar as condições que permitam aos indivíduos actuarem como
sujeitos dos seu próprio desenvolvimento. Esta situação só poderá acontecer se for prática
da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado utilização do processo participativo,
consistindo este no direito que o indivíduo tem de
informar e ser informado, ouvir e ser ouvido, tomar parte nas decisões, partilhar a
realização de actividades, partilhar as responsabilidades, colaborar na avaliação,
usufruir dos resultados (Navarro,1995 ).
A participação discente na tomada de decisões na Escola é importante para a
construção da prática da cidadania, permitindo a formação de adultos intervenientes e
responsáveis. A forma como os alunos participam na vida escolar e os mecanismos que são
utilizados para promover esta participação é uma das minhas preocupações enquanto
docente. Os alunos, enquanto elementos da comunidade educativa, são levados a ocupar
cargos que lhes estão destinados pela legislação em vigor, sem que por vezes esta prática
traduza uma assunção plena dos seus direitos e deveres.
A participação dos alunos em projectos escolares é uma das vias que pode ser
utilizada para promover a sua participação. Não existe uma só forma de participação, nem
um só mecanismo para promover essa participação.
Neste estudo propomos analisar quais as condições que favorecem a participação
dos alunos em projectos de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, verificar de que modo
eles se implicam no desenvolvimento destes projectos.
Este estudo poderá permitir que as Escolas repensem as suas práticas de forma a
permitirem o pleno
desenvolvimento das capacidades dos indivíduos e dos grupos (afectivas,
cognitivas, motoras, sensoriais) com vista à aquisição de competências sociais,
para que possam relacionar-se positivamente com o meio (Lesne, 1976, citado em
Navarro,1995)
3
Este estudo tem como finalidade identificar quais as condições favoráveis para que
uma escola permita a efectiva participação dos alunos na tomada de decisões na escola.
Assim, os seus objectivos são:
1. Analisar concepções de Promoção da Saúde.
2. Descrever práticas de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
3. Verificar a participação dos alunos num Projecto de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA em meio escolar.
4. Propor modalidades de organização de um projecto de Promoção/Educação para a
Saúde compatíveis com o envolvimento dos alunos.
4
2 A Escola e a
Promoção/Educação para
a Saúde
5
O conceito de saúde foi sofrendo várias modificações, a definição como “ausência
de doença” foi adoptado durante muito tempo mas, depois dos anos 40, a OMS modificou
este conceito para “um estado completo de bem-estar físico, psíquico e social”. Este último
conceito colocava a Saúde como algo inatingível (completo bem-estar físico) e, por isso, em
1978, em Alma-Ata, o conceito de Saúde sofre nova modificação e passa a ser definido
como
um recurso que deve estar ao alcance de todos para o desenvolvimento progressivo
das comunidades (Navarro, 1995).
Em 1986, em Ottawa, surgem várias recomendações, destinadas a melhorar a saúde
das populações, que ficaram conhecidas através da Carta de Ottawa. A partir daqui passa-se
a lidar com um novo conceito, o de Promoção da Saúde, que é definido como um
processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam (Carta de Ottawa, 1986)
que implica o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e da capacidade
de intervenção dos indivíduos. Não é pois de estranhar que tenha sido identificada a Escola
como o local privilegiado para o desenvolvimento destas competências.
Uma Escola Promotora de Saúde (EPS) deve ter um olhar abrangente de Saúde,
deve encará-la como parte integrante da escola e, por isso, deve colocar em parceria os
profissionais da educação e da saúde por forma a criar um espaço saudável, onde são
respeitados o bem-estar individual e colectivo e onde os projectos e actividades contribuem
para o desenvolvimento da saúde e da educação, criando-se múltiplas oportunidades de
participação dos seus elementos. A participação dos alunos na definição da organização da
escola, assim como na concepção, implementação e avaliação de actividades, deve ser uma
prática corrente. A EPS reconhece a importância dos contributos de outros parceiros, sejam
6
eles os pais ou instituições da comunidade envolvente, como fonte importante de recursos
para a escola.
Green e Kreuter (1991) definiram EPS como
qualquer combinação planeada de experiências de aprendizagem, realizada de
forma a predispor, capacitar e reforçar o comportamento voluntário que promove a
saúde dos indivíduos, grupos e comunidades (cit. In Russel, 1996)
Estes mesmos autores referem-se ao conceito de Promoção da Saúde como qualquer
combinação planeada de suportes educativos, políticos e organizacionais para acções e
condições de vida que conduzem a saúde dos indivíduos, grupos ou comunidades.
Antonovsky (cit in Navarro, 1999) chama a atenção para a distinção entre
orientação patogénica e orientação salutogénica, salientando que é esta última que deve
funcionar como suporte da Promoção da Saúde. A orientação salutogénica tem como
objectivo o desenvolvimento dos factores que activamente promovem a saúde de todas as
pessoas e não de um número restrito da população, tentando que esta desenvolva a sua
capacidade de resiliência, olhando por isso para a saúde das populações e não só para o lado
das doenças. Nas palavras deste autor
A orientação salutogénica como suporte para a promoção da saúde, dirige os
esforços de investigação e de acção a todas as pessoas, seja qual for o ponto de
contínuum onde se encontrem (em fase terminal ou em pleno vigor da
adolescência), tendo como objectivo o desenvolvimento de factores salutogénicos
(Antonovsky, 1995)
Por seu lado, a orientação patogénica tem uma visão mais orientada para as doenças
e as formas de as combater, elegendo grupos alvo para a sua actuação. Ainda nas palavras
de Antonovsky
A orientação patogénica dos que trabalham em medicina preventiva condu-los a
lidar, de cada vez, com uma só categoria patogénica, por exemplo, com as pessoas
em risco de diabetes para atrasar ou evitar o aparecimento da doença, ou com as
pessoas que já têm diabetes para prevenir complicações; não importa que eles
tenham outras patologias...Pelo contrário, os que se interessam em investir em
promoção da saúde, com orientação salutogénica, devem trabalhar com uma
7
comunidade de pessoas de qualquer idade e condição, o que permite concentraremse nas pessoas e não nas suas “doenças”. (Antonovsky, 1995)
No nosso trabalho vamos adoptar a distinção entre Promoção da Saúde e Educação
para a Saúde proposta por Navarro (1999)
A Promoção da Saúde demarca-se da prevenção primária porque se centra nas
pessoas e tem como principal finalidade potenciar os factores protectores do
contexto individual e ambiental seguindo um paradigma salutogénico. Programas
de prevenção e programas de promoção são complementares e potenciam-se
mutuamente. Promoção da Saúde não é Educação para a Saúde porque esta última
tem como objectivo conseguir que as pessoas adoptem comportamentos e aceitem
soluções pré-fabricadas, enquanto a Promoção da Saúde propões às pessoas que
sejam elas a criar as soluções e a escolherem as que desejam adoptar, tendo como
limite não afectar o bem-estar dos outros.
Assim sendo, consideramos que a Promoção da Saúde só se realiza na Escola se
para tal for elaborado um programa onde venha estabelecido: o diagnóstico da realidade, a
definição do problema, objectivos, conteúdos, estratégias, actividades, calendarização das
mesmas e a avaliação. Esta metodologia de trabalho permitirá aos indivíduos adquirir
conhecimento sobre o que os rodeia, tendo assim oportunidade para modificar quer aquilo
que foi diagnosticado como problema(s) quer os seus próprios comportamentos.
A Promoção/Educação Para a Saúde tem que ser considerada como um processo
educativo onde a dimensão participativa das pessoas envolvidas é fundamental
(Reis, 1996).
As decisões que forem tomadas devem ser assumidas por todos aqueles que
estiveram envolvidos em todo este trabalho, pretendendo-se que as tomadas de decisões
sejam conscientes e coerentes quanto à defesa e Promoção da Saúde.
Comummente são apresentados três modelos de intervenção que ajudam a aquisição
de comportamentos saudáveis que, por sua vez, levam ao bem-estar individual e colectivo.
São eles:
-
prevenção primária – que se propõe prevenir a exposição individual ou colectiva a um
agente ou factores que provocam doença;
8
-
protecção da saúde – propõe a mudança de comportamentos e hábitos não saudáveis
por outros mais saudáveis, em relação a um determinado aspecto da saúde;
-
promoção da saúde – encara a saúde de uma forma integral, não se preocupa apenas
com um factor patogénico nem com um determinado grupo de risco, e propõe a procura
de comportamentos saudáveis através de alternativas satisfatórias.
Optando nós por dar mais ênfase ao terceiro modelo, defendemos que quanto mais
precoce for a intervenção junto dos indivíduos, mais certo é que estes, ao longo da vida,
sejam capazes de fazer opções conscientes de defesa da sua saúde e da dos outros.
A Promoção da Saúde em meio escolar não é uma forma de condicionar o
comportamento e as atitudes dos alunos, é antes uma aprendizagem para a autonomia, isto
é, uma aprendizagem para fazer escolhas conscientes e voluntárias. É às próprias pessoas
que compete defender a sua saúde, para tal é necessário que elas estejam cada vez mais
conscientes das opções que fazem quanto aos estilos de vida que adoptam, aos
comportamentos e atitudes que tomam na relação com os outros e com o próprio meio
ambiente, tornando-as mais responsáveis pela própria evolução da sociedade.
Luc Montegnier (cit. In González, 1998), que descobriu um dos vírus da SIDA,
disse
a investigação em SIDA é muita activa, mas é urgente que haja campanhas
educativas em profundidade, que os alunos e adolescentes conheçam os riscos das
suas práticas sociais.
Os primeiros trabalhos realizados, para dar resposta à infecção pelo VIH, basearamse na transmissão de informações sobre como se fazia o contágio e tentavam provocar a
reacção de medo de forma a levar à mudança de comportamentos, esta era uma visão
patogénica de saúde. Acreditava-se que quanto mais informações as pessoas tivessem, mais
conscientes ficavam dos comportamentos correctos a adoptar e passariam a actuar com
9
segurança, evitando assim a contaminação. As práticas de risco continuam, o que comprova
que não basta a informação abundante e correcta para que as pessoas adoptem
comportamentos saudáveis. Conforme afirmou Diaz (s. d.):
Das diversas investigações sobre as condições da exposição individual ao risco,
deduz-se que a informação ainda que correctamente interiorizada, não chega por si
só para evitar esta exposição, no sentido em que conhecer um risco não implica
necessariamente evitar expor-se a ele...fundamentalmente porque uma coisa é
conhecer a existência de um risco, e outra muito diferente é ajustá-lo à situação
pessoal na hora de expor-se a ele...
Gráfico 1 - Óbitos por VIH/SIDA, por sexo
A maior parte dos esforços para evitar o contágio pelo VIH, junto dos alunos,
consistiu em fazer a “promoção do preservativo” e a levar os alunos a utilizá-los. Uma tal
estratégia implica uma intenção higienicista na qual as escolhas não são feitas pelo aluno,
que assim é levado a não se questionar nem a questionar as suas acções.
Dizem os especialistas que não basta conhecer a existência e uso do preservativo,
também tem que se abordar questões como as atitudes para enfrentar a pressão
social negativa ao seu uso, competências para superar as dificuldades de compra,
capacidade de comunicação no que respeita à proposta do uso do mesmo, etc.
(Rodriguez, 1998)
10
Ao trabalharmos com os alunos na prevenção do VIH/SIDA estamos a contribuir
para que clarifiquem as suas atitudes no que respeita ao sexo, ao consumo de drogas,
reflectindo sobre o risco/benefício das suas decisões
A SIDA não é apenas uma doença clínica, mas também uma doença social e
política. Interrogar-se sobre os diferentes aspectos, as diferentes consequências da SIDA faz
com que os alunos se interroguem sobre os problemas fundamentais que dizem respeito ao
homem contemporâneo e à sociedade no qual está inserido.
Felizmente apenas uma pequena percentagem de adolescentes tem SIDA, contudo
os profissionais de saúde pública acreditam que eles têm um alto risco de se infectarem com
o HIV. Nos últimos anos, a nível mundial, o número anual de infecção com o HIV
aumentou entre os jovens. Além disso, devido ao longo período de incubação do HIV, a
maior parte das pessoas a quem lhes foi diagnosticada a SIDA enquanto estavam na casa
dos 20 anos, talvez tenham sido infectadas com o HIV enquanto eram adolescentes.
A infecção pelo HIV não tem sintomas e representa uma ameaça velada. Contudo, o
período de incubação de 10 anos faz com que o HIV seja um risco invísivel para os
adolescentes. Estes, normalmente, centram-se neles próprios e nos seus pares e, na maior
parte dos casos, nem uns nem outros estão doentes devido à SIDA. Consequentemente, para
muitos adolescentes o HIV é um perigo que é facilmente ignorado ou rejeitado porque é
invisível.
O estigma associado às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) impede as
pessoas de as discutir e obter tratamento quando estiverem infectadas. Desta forma os
infectados, com demasiada frequência, transmitem IST aos seus parceiros sexuais, podendo
estes serem adolescentes. Algumas experiências colocam os adolescentes em risco de
HIV/IST. Muitos deles são sexualmente activos e, por vezes, falham no uso consistente e
11
correcto do preservativo. Uma pequena minoria de adolescentes injecta drogas, mas
frequentemente eles referem o uso de drogas não injectáveis (como por exemplo, o álcool)
que podem inibir o seu poder crítico, podem ser sujeitos a experiências de risco sem darem
por isso.
É por isso que a Escola Secundária Padre Benjamim Salgadossume um papel
importante na Promoção da Saúde, pois é um local que acompanha o crescimento dos
indivíduos, onde estes são influenciados nas suas atitudes e valores. Para que este trabalho
seja realizado é necessário uma participação activa dos vários intervenientes neste processo,
a comunidade educativa. Assim sendo, é fundamental reflectir sobre os mecanismos que
levam os alunos a participar em projectos, neste caso, de prevenção do contágio pelo
VIH/SIDA.
12
3 A Participação dos
Alunos
13
A sociedade contemporânea vive num ritmo acelerado de permanente mudança,
onde cada indivíduo é confrontado com vários novos desafios ao longo da vida. A
preparação que os alunos recebem ao longo do seus percurso escolar tem que saber dotá-los
de ferramentas que lhe permitam enfrentar, de uma forma satisfatória, este mundo em
permanente mudança. Estas ferramentas são, basicamente, o desenvolvimento de
competências de autonomia e de exercício da cidadania.
A prática da cidadania não se faz só em certas ocasiões e não surge de repente, ela
exige um treino que deve ser iniciado o mais precocemente possível para que possa ser
assumido com naturalidade. Contudo este treino tem que ser realizado num ambiente onde a
participação é efectiva, onde as decisões não são remetidas para um grupo de especialistas,
assumindo os restantes elementos da organização uma atitude alheia às opções tomadas.
Lícinio Lima (1998) salienta que existem diferentes critérios que definem as várias
dimensões de participação:
-
Critério da Representatividade - a participação admite e favorece, em diferentes graus, a
expressão dos diversos indivíduos, ou seja, pretende garantir que todas as partes
possam estar representadas e tenham acesso à participação na decisão, estão aqui
incluídas a participação directa que garante a todos a possibilidade de expressão e de
influência directa na decisão, através do voto e a participação indirecta em que as
decisões são tomadas por um conjunto de indivíduos eleitos para o efeito;
-
Critério da Regulamentação - a participação carece de regulamentação para ser
legitimada, dele fazem parte a participação formal que se baseia num sistema de regras
formalmente organizado, imposto por outrem ou pela própria organização e a
participação informal em que a regulamentação emerge da própria prática participativa
e dos consensos construídos pelas costumes, tradições, etc.;
14
-
Critério da Forma – o modo como cada actor se posiciona em relação à organização:
participação activa – formas de empenhamento na organização (participação em
reuniões, apresentando propostas, relatórios, etc.) ou não colaboram com a organização
através de formas activas de contestação ou de luta; participação passiva –
comportamentos de desinteresse, absentismo, desinformação;
-
Critério dos Objectivos Fixados pela Organização - os indivíduos podem participar na
procura da realização dos objectivos da organização ou, pelo contrário, procuram
substituí-los por outros que consideram mais adequados, dele fazem parte a
participação convergente em que o tipo de participação que se orienta no sentido de
realizar os objectivos fixados pela organização, é uma participação normativa, orientada
para o consenso e a participação divergente que se orienta num sentido contrário ou
distinto aos objectivos formais da organização, é geralmente associada à criatividade, à
inovação ou ao inconformismo.
Há várias formas de participação, entendendo-se esta como
um processo de partilha de decisões que afecta o próprio e a comunidade onde vive
(Hart, 1992))
Para este autor, existem vários requisitos para que um projecto seja classificado de
participativo: as alunos perceberem as intenções do projecto, eles saberem quem tomou a
decisão referente ao seu envolvimento e porquê, eles têm um papel activo, eles ofereceremse para o projecto depois do projecto ser claro para eles. Este autor distingue modelos de
não participação (as alunos desempenham papéis pré-definidos em projectos inteiramente
desenhados e desenvolvidos por adultos) de modelos de participação verdadeira (os
projectos devem ser desenhados de forma a que possibilitem ao aluno a escolha da forma de
participação para a qual está disponível).
15
Para melhor se compreender as diversas formas de participação, Hart compara a
participação a uma escada, distingindo os degraus da não participação dos degraus da
participação, colocando a partir dos primeiros degraus os níveis de não participação.
Assim, temos no primeiro degrau o exemplo de uma situação em que os alunos são
usados para transmitir uma determinada mensagem que não compreendem e, por isso, se
limitam a reproduzir o que os adultos esperam delas. No segundo degrau, temos outra
situação que ocorre quando os alunos aparentemente tomaram decisões mas, na realidade,
não tiveram nenhum poder de escolha em relação ao assunto tratado nem deram opiniões,
por exemplo, quando os alunos distribuem panfletos informativos sobre a escovagem dos
dentes mas não opinaram sobre esta actividade nem tomaram parte das decisões com ela
relacionada.
A partir do terceiro degrau iniciam-se os níveis de participação. Temos então, no
terceiro degrau, o nível em que os alunos são consultados e informados, o projecto é
desenhado e desenvolvido por adultos mas os alunos percebem o processo e as suas
opiniões são tratadas de uma forma séria. No quarto degrau situa-se o nível onde, apesar de
os projectos serem iniciados por adultos, a decisão tomada é partilhada com os alunos. No
quinto degrau os alunos podem ter iniciativas, conceberem e desenvolverem projectos mas,
em última instância, estes são dirigidos por adultos. No último degrau, o sexto, está o grau
máximo de participação, os alunos podem aproveitar algumas ideias dos adultos mas
adaptam-nas às suas próprias necessidades, são eles a decidirem o que querem fazer,
avaliando o seu próprio desempenho, podendo usufruir do auxílio dos adultos.
Toft e Heatherley (2004) propõem uma alternativa a esta classificação, designando-a
como Trajecto da Participação. Neste trajecto, o trabalho das escolas vai em direcção à
criação de uma cultura na qual os alunos partilham poder e responsabilidade na tomada de
16
decisões, são encorajados a compreender e exercer os seus direitos em todos os aspectos da
vida escolar e são apoiados no seu desenvolvimento emocional e social. Segundo estes
autores, não nos podemos esquecer que insistir em que toda a gente participe vai contra um
sistema de valores em que cada indivíduo é encorajado e lhe é dado responsabilidade para
tomar as suas próprias decisões. Os alunos necessitam de ser apoiados na participação
quando estiverem prontos, capazes e na altura certa para isso.
Os alunos para poderem participar têm que conhecer e perceber as regras de
funcionamento da escola e têm que ser ouvidos para a sua construção, têm que ter
oportunidade de testar várias formas de intervir de forma a defenderem os seus interesses
que podem ser, por vezes, opostos aos dos professores. Esta participação para ser integrada
em algo mais lato, a cultura de participação, deve ser uma prática diária e deve reflectir a
forma de funcionar da escola. Não deve ser encarada como algo que é imposto e que por
isso pode não ser sentida como necessário, deve ser sentida como útil. Entende-se por
cultura de participação
o reconhecimento, por todos os membros da organização e pelos seus dirigentes,
da participação como um valor essencial que deve orientar todas as suas práticas.
(João Barroso, 1996)
A cultura de participação numa escola passa pela maneira como os seus elementos
interagem e como são tomadas as decisões. Para isso é fundamental que todo o trabalho se
desenvolva obedecendo aos princípios dos processos participativos que, segundo Fernanda
Navarro (1996) se traduzem em: o trabalho ser definido a partir das necessidades dos vários
grupos; a negociação ser o processo utilizado para as tomadas de decisões; a acção ser
estruturada a partir das actividades definidas pelos grupos; serem estabelecidas parcerias de
forma a rentabilizar os recursos; o trabalho ser realizado pelos grupos a quem diz respeito,
remetendo-se os especialistas a serem um recurso dinamizador; proporcionar um clima de
17
empatia e descontracção; o trabalho ser avaliado por todos para que haja possibilidade de
ser reorganizado.
O facto de os alunos aprenderem melhor quanto mais rica é a experiência, quando
eles participam activamente, é certamente a base fundamental dos projectos de prevenção
para alunos.
As pesquisas provam igualmente que os projectos para alunos que são
implementados através de uma parceria entre alunos e adultos, são mais eficazes. Ajudam
os alunos a adquirir e reforçar as suas competências e a diminuir os comportamentos de
risco. São os próprios alunos que ajudaram na implementação desses projectos os que mais
lucram com esta participação e também são eles que têm mais impacto sobre os alunos com
quem vão trabalhar.
Contudo, há projectos que mascaram a participação dos alunos, fazem apelo à sua
participação apenas de uma forma puramente formal. Alguns projectos cometem, inclusive,
o erro de envolver os alunos sem lhes dar uma preparação adequada. Estas duas situações
provocam o fracasso de qualquer projecto.
Uma participação autêntica e eficaz dos alunos supõe um verdadeiro interesse por
parte da organização. Os adultos que tencionem promover a participação dos alunos nos
projectos de prevenção deverão examinar a estrutura e a cultura organizacional na qual
trabalham, para identificar e diminuir as barreiras que impedem a participação dos alunos.
Além disso, têm que perceber e aceitar a participação efectiva dos alunos nos projectos de
prevenção, o que supõe, muitas vezes, uma mudança de regras e práticas. Por exemplo,
pode implicar a mudança do horário das reuniões ou as formas de comunicação entre os
adultos e os alunos envolvidos.
18
O envolvimento directo dos alunos acarreta muitas vantagens quer para os alunos,
quer para as organizações que trabalham com eles. Os alunos adquirem confiança e
experiência, mais autodisciplina, melhor conhecimento dos múltiplos papéis dos adultos e
uma visão mais clara do seu futuro enquanto profissionais e mais autoestima.
As organizações vêem com outros olhos a cultura dos alunos e encontram maneiras
mais eficazes de trabalharem com eles. Recebem novas ideias, mais frescas, não marcadas
pela rotina. Ficam com uma nova visão quanto às decisões que devem ser tomadas,
nomeadamente com informações mais válidas sobre as necessidades e os interesses dos
alunos. Além disso, recebem recursos humanos suplementares uma vez que os alunos e os
adultos partilham as responsabilidades. Verificam também uma maior aceitação das
mensagens, serviços e decisões, uma vez que os alunos participam na sua formulação. Passa
também a verificar-se uma maior sinergia uma vez que se aliam a energia e o entusiasmo
dos alunos com as competências profissionais e a experiência dos adultos.
Contudo, tanto uns como outros, devem identificar e articular claramente estas
vantagens se querem que alunos e adultos adoptem plenamente o conceito de participação
dos primeiros. A sua participação é um elemento favorecedor do sucesso dos projectos. O
exemplo disto é um projecto que foi desenvolvido por algumas escolas do nordeste dos
EUA (Minesota) O projecto promoveu a participação dos alunos na planificação e na
desenvolvimento de actividades sociais sem álcool e
pretendia verificar se uma tal
participação seria correlacionada à baixa do consumo de álcool junto dos estudantes. A
avaliação mostrou uma associação positiva entre a participação dos alunos na planificação
das actividades e uma utilização menor do álcool entre os que participaram, comparada com
os outros. Mais, a avaliação constatou uma maior aceitação de actividades sem álcool no
seio da população geral de alunos. O estudo parece ainda mostrar que o facto de envolver os
19
adolescentes na planificação das suas próprias actividades, permitiram prevenir ou diminuir
o consumo de álcool entre os alunos e uma mudança de atitudes entre os não envolvidos.
A própria essência da participação dos alunos é a parceria entre estes e os adultos.
As boas parcerias reconhecem, de forma igual, as contribuições de todos os participantes,
sejam eles adultos sejam eles alunos. Na teoria, este posicionamento é unanimemente aceite
mas, na prática, nem sempre é fácil traduzir essas parcerias. As dinâmicas de poder,
enraizadas geralmente nas normas culturais, correm, por vezes, o risco de criar um malestar entre alunos e adultos.
Vários anos de educação formal nas escolas ensinam os alunos a esperar que os
adultos dêem as respostas, alguns alunos acreditam mesmo que as suas ideias nunca serão
ouvidas pois estão habituados a serem subestimados e a que não aproveitem a sua
criatividade. Frequentemente, também, os adultos tomam decisões sem perguntar a opinião
dos alunos, mesmo quando são estes os destinatários dessas mesmas decisões.
Segundo Klindera e Menderweld (2001) a teoria do espectro das atitudes identifica
três posicionamento dos adultos face à crença destes quanto à possibilidade dos alunos
tomarem boas decisões. Estas atitudes determinam igualmente a forma como os adultos
serão capazes de considerarem os alunos como verdadeiros parceiros ao nível da tomada de
decisões e à concepção, execução e avaliação de projectos. As três atitudes representam a
forma como os adultos vêem os alunos: como objectos, como beneficiários, como parceiros.
Os adultos que vêem os alunos como objectos, acreditam no mito da sabedoria dos
adultos, procuram controlar as situações que dizem respeito aos alunos, pensam que os
alunos não podem contribuir verdadeiramente para a solução de um determinado problema.
Sentem, por vezes, necessidade de proteger os alunos para evitar que sofram as
consequências nefastas dos seus próprios erros. Os adultos que vêem os alunos como
20
objectos permitem unicamente uma participação simbólica por parte destes, não tendo
nenhuma intenção de envolver verdadeiramente o aluno. Esta atitude é exemplificada na
seguinte situação, um adulto escreve uma carta a um representante oficial relativo a uma
questão relacionada com os alunos e utiliza o nome e a assinatura destes para dar mais
poder à carta.
Os adultos que vêem os alunos como beneficiários, pensam que devem ajudar os
alunos a adaptar-se à sociedade dos adultos. Eles permitem que os alunos tomem parte das
decisões caso pensem que a experiência lhes será benéfica, partem do princípio que os
alunos ainda não são “verdadeiras pessoas” e que se devem treinar a “reflectir como
adultos”. Estes adultos geralmente delegam nos alunos responsabilidades e tarefas
insignificantes, das quais os adultos não se querem encarregar. Definem o tipo de
participação que eles esperam dos alunos e exigem a estes últimos que respeitem estas
normas. Um exemplo desta atitude é quando convidam um aluno a juntar-se a uma
assembleia com poderes de decisão, sendo esta inteiramente composta por adultos. Neste
ambiente, o aluno raramente terá voto na matéria, os adultos não estão à espera que o aluno
contribua e o aluno sabe bem que os adultos guardam, deliberadamente, o poder e o
controle das coisas.
Os adultos que vêem os alunos como parceiros pensam que estes podem
efectivamente dar contributos importantes. Encorajam os alunos a envolver-se e acreditam
firmemente que a participação dos alunos tem uma importância enorme para o sucesso do
projecto, aceitam que a opinião deles tem o mesmo valor que a opinião dos adultos e
reconhecem que ambos possuem capacidades e experiências que podem contribuir para o
bem comum. Os adultos que adoptam esta atitude sentem-se igualmente satisfeitos ao
trabalharem quer com alunos quer com os seus pares. Um exemplo desta atitude é quando
21
um aluno é incluído desde o início da elaboração de uma proposta que será apresentada a
uma instituição para financiamento.
Quanto mais os alunos são envolvidos mais os projectos resultam. Frequentemente,
o não empenhamento dos alunos relaciona-se com a não valorização, por parte da escola,
dos seus recursos e competências. Quando, na prática, esta valorização se verifica, surgem
contributos inesperados quer dos professores quer dos próprios alunos.
A abordagem inicial dos professores deve, por isso, preocupar-se em envolver os
alunos o mais cedo possível, a todos os níveis e de formas diferentes, na organização da
intervenção, na formulação dos temas/questões, na definição das formas de comunicação,
etc. É nesta organização inicial que reside o maior potencial de aprendizagem para os
alunos, caso ela permita variadas formas de envolvimento, múltiplas formas de abordagem,
e permita também que os professores possam ver os seus alunos com olhos diferentes.
A investigação mostra que o êxito da participação dos alunos em projectos, assenta
em alguns princípios básicos: os alunos são chamados a tomar decisões importantes, isto é,
identificam as questões, formulam os planos de acção e elaboram propostas de
financiamento e execução; os alunos têm oportunidade de adquirir conhecimentos e novas
competências devido à sua participação; a organização realiza actividades com a finalidade
de dar resposta a questões e necessidades dos alunos e não inventa actividades para que os
alunos possam fazer de adultos; alunos e adultos têm oportunidade de explorar os
contributos de cada um, têm igual ocasião de expressar as suas necessidades e o que
esperam dos outros, reconhecem os contributos de cada um; os alunos e os adultos
estabelecem parcerias autênticas orientadas para um fim comum, nem os alunos nem os
adultos tencionam subordinar o outro; a organização concorda com a participação dos
alunos; os alunos experimentam actividades que conduzem ao sucesso, vêem por eles
22
próprios que podem mudar as coisas e fazer a diferença; os alunos têm, regularmente,
ocasião de reflectir sobre o seu trabalho.
As competências de participação devem ser aprendidas e praticadas, tendo em vista
os custos que o facto de não facilitar a participação impõe à sociedade a médio e a longo
prazo: um mundo de adultos que não sabem como se exprimir, como negociar diferenças,
como se envolver em diálogos construtivos ou assumir responsabilidades por si mesmos,
pela família, pela comunidade e pela sociedade.
Não pode ser esquecida a importância da permanente avaliação e ajustamento da
participação dos alunos, uma vez que é necessário assegurar que todos têm as mesmas
oportunidades para participar e valorizar essa mesma participação. Por vezes, para que isto
se verifique, é necessário que os alunos tenham acesso a uma formação que lhes permita
desenvolver as competências de participação.
Com esta prática de participação espera-se que os alunos aumentem as competências
em como se proteger e desenvolver, promovam relações em que se verifica o respeito
mútuo, aumentem a sua autoconfiança e autoestima, tornem-se cidadãos activos e
conscientes.
23
4 Metodologia
24
4.1
Método utilizado
A metodologia que utilizei foi compósita, de modo a ligar um estudo em extensão
com um estudo em profundidade. O âmbito da investigação foi o distrito de Braga.
A investigação desenvolveu-se em duas fases.
A primeira fase compreendeu a realização de um inquérito por questionário dirigido
ao Conselho Directivo das escolas (do 3º ciclo básico e secundárias) do distrito de Braga
que receberam formação do programa de Promoção e Educação para a Saúde. Pediu-se ao
órgão de gestão de cada uma destas escolas para solicitar a resposta aos inquéritos por parte
dos professores dessa escola que tivessem participado no Projecto de Prevenção do
VIH/SIDA em Meio Escolar, promovido pelo Programa de Promoção e Educação para a
Saúde, do Ministério da Educação. Pretendeu-se nesta fase encontrar algumas linhas
dominantes nas escolas do distrito sobre a mobilização dos estudantes pelas escolas
envolvidas. Esta fase foi predominantemente quantitativo, transversal e retrospectiva.
A segunda fase correspondeu a um Estudo de Caso de uma das escolas envolvidas, a
Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, e pretendeu-se, através do recurso a
metodologias observacionais, à realização de entrevistas semi-estruturadas e à aplicação de
questionários, proceder a uma análise em profundidade dos factores pedagógicos e
organizacionais de mobilização da participação estudantil na prevenção do VIH/SIDA.
Nesta fase, o estudo é predominantemente qualitativo. Foi assinado um protocolo de
colaboração entre a e o Presidente da Comissão Executiva da Escola Secundária Padre
Benjamim Salgado, a escola onde foi efectuado o Estudo de Caso. Foram observadas as
aulas onde uma das turmas, desta escola, envolvida no Projecto de Prevenção do VIH/SIDA
em Meio Escolar, desenvolveu as actividades de preparação do produto final do seu sub-
25
projecto. Foram entrevistados alguns alunos e professores de duas das turmas envolvidas no
projecto, através de um guião estruturado de perguntas, no sentido de se verificar a
percepção que tinham sobre o seu grau de envolvimento neste sub-projecto, a forma como o
sub-projecto estava a ser desenvolvido nessas turmas, a forma como estava a ser trabalhado
na escola em geral, assim como a percepção que tinham do modo de funcionamento da
escola com vista à Promoção da Saúde. O objectivo destas entrevistas era o mesmo das
anteriormente referidas. Foi enviado, a cada professor entrevistado, a transcrição da
entrevista para que tivessem oportunidade de rectificar a mesma. Após um período
previamente acordado, foi dado como correcta a transcrição das entrevistas tendo apenas
uma professora efectuado algumas alterações.
Tal como com os professores que participaram no Projecto de Prevenção do
VIH/SIDA em Meio Escolar, nas escolas do distrito de Braga, também aos alunos da escola
que serviu de base ao Estudo de Caso foram aplicados questionários com o mesmo
objectivo das entrevistas. Foram inquiridos quer alunos que estavam envolvidos no Projecto
de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar, quer alunos que nunca tinham estado
envolvidos neste Projecto, com o objectivo de verificar até que ponto a participação no
projecto influenciava a sua visão sobre Saúde, Promoção de Saúde e Escola Promotora de
Saúde.
Foi também observada a realização da actividade final do Projecto de Prevenção do
VIH/SIDA em Meio Escolar, da escola objecto de Estudo de Caso, no sentido de observar a
forma como os diversos intervenientes se movimentavam e organizavam na mesma.
A população estudada foram os alunos do 3º ciclo de escolaridade, das escolas EB
2,3 e Secundárias do Distrito de Braga que receberam formação do programa de Promoção
26
e Educação para a Saúde, sendo o Estudo de Caso realizado na Escola Secundária Padre
Benjamim Salgado, situada no concelho de Vila Nova de Famalicão.
A validação do suporte de recolha de informação foi feita através da aplicação de
um questionário a professores e alunos de uma escola do concelho de Braga, onde já tinha
sido desenvolvido o Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar, e cujos
participantes no preenchimento deste questionário tinham, eles próprios, participado neste
projecto. As respostas a estes questionários foram analisadas para se poder aferir as
questões incorrectamente formuladas ou cuja informação não se tornava relevante para o
estudo pretendido. Foram feitas as devidas alterações das quais resultou uma nova
elaboração do suporte de recolha de informação.
27
4.2
A Escola
A Escola Secundária Padre Benjamim Salgado pertence à rede de escolas
Promotoras de Saúde e, desde o início da sua adesão ao PPES, desenvolveu trabalho na
comunidade educativa na área da prevenção do contágio pelo VIH/SIDA. Devido às minhas
funções de Professora-Operadora do PPES, acompanhei de perto a forma como este
trabalho era implementado e desde logo me chamou a atenção a forma como se procurava
envolver os alunos nesta forma de prevenção. Além disso, sempre senti da parte dos
elementos da escola, e mais concretamente na pessoa do presidente do Conselho Directivo,
uma abertura para o estabelecimento de parcerias a elementos externos à escola que lhe
pudessem trazer mais-valias assim como a facilidade em facultar todas as informações
necessárias à construção de uma imagem rigorosa sobre a forma como, no terreno, se
contribui para a Promoção da Saúde. Por tudo isto, quando me foi colocada a necessidade
de escolha de uma escola que servisse de base ao meu trabalho de investigação,
naturalmente me surgiu esta comunidade educativa como sendo um objecto de estudo que
com certeza iria contribuir para que levasse a bom termo o meu propósito de investigação.
28
4.3
Planificação do Trabalho de
Campo
A tabela que se segue foi elaborada para espelhar a forma como foi planeado o
trabalho a desenvolver para dar resposta à proposta de estudo apresentado.
De Setembro de 1999 a Julho de 2000, o acesso a uma licença Sabática permitiu a
recolha de informações que implicavam a deslocação a várias escolas do distrito de Braga,
para entrega e recolha de questionários, entrevistas a professores e alunos, observação de
aulas e actividades na escola onde se efectuou o Estudo de Caso e, simultaneamente, a
leitura do suporte teórico deste estudo. Entre Agosto de 2000 a Março de 2001, foi feito o
tratamento de todas as informações recolhidas. A partir de Abril de 2001 e Julho de 2006,
foram elaboradas as conclusões deste estudo, fase que teve várias interrupções devido a
outros afazeres profissionais.
Tabela 1 - Planificação do Trabalho
Setembro de 1999
Outubro – Novembro de 1999
Elaboração de fichas de leitura
Janeiro – Março de 2001
Elaboração dos questionários
Estruturação das entrevistas
Entrega dos questionários às escolas do distrito de
Braga (em mão, para conversa com Conselho
Directivo para esclarecimento adicional dos objectivos do questionário).
Recolha dos questionários.
Realização de entrevistas.
Construção dos quadros de recolha de informação.
Elaboração de fichas de leitura.
Caracterização da escola
Observação de práticas escolares.
Realização de entrevistas
Transcrição das entrevistas e das observações.
Elaboração de fichas de leitura.
Registo dos dados dos questionários.
Abril – Dezembro de 2001
Construção dos quadros com os dados dos
Dezembro de 1999 – Março de 2000
Abril 2000
Maio – Julho de 2000
Agosto – Dezembro 2000
29
Setembro de 1999
Janeiro – Junho 2002
Julho 2002 - Maio 2003
Junho 2003 – Julho 2006
Agosto 2006 – Dezembro 2006
Elaboração de fichas de leitura
questionários, das entrevistas e das observações.
Elaboração de fichas de leitura.
Elaboração dos resultados
Elaboração de fichas de leitura.
Elaboração das conclusões
Conclusão da redacção da dissertação.
30
5 Caracterização da Escola
e do Meio
31
5.1
Caracterização da Escola
5.1.1 Alunos
A escola Secundária Padre Benjamim Salgado, no ano lectivo de 1999/2000, era
frequentada por alunos do 3º ciclo e secundário, incluindo dois cursos de educação e
formação profissional inicial de Electricista de Instalações e de Ajudante de Cabeleireiro,
que dão correspondência ao 9º ano de escolaridade. O total de alunos pouco excedia o
milhar (1004), espalhados por quarenta e cinco turmas e distribuídas da seguinte forma:
Tabela 2 - Distribuição turmas/ano de escolaridade
Ano de escolaridade
Nº de turmas
7º ano
3
8º ano
4
9º ano
14
10º ano
9
11º ano
8
12º ano
7
Gráfico 2 – Distribuição das turmas por ano de escolaridade
Nº de turmas / ano de escolaridade
16
14
12
10
8
6
4
2
0
7º ano
8º ano
9º ano
10º ano
11º ano
12º ano
32
Os alunos eram, na sua maioria, oriundos de treze freguesias pertencentes aos
concelhos de Vila Nova de Famalicão (Joane, Pousada de Saramagos, Mogege, Vermoim,
Castelões e Pedome) e de de Guimarães (Airão Santa Maria, Airão São João, Oleiros,
S.Martinho de Leitões, Vermil, Ronfe e Brito).
5.1.2 Pessoal docente
O corpo docente (109 elementos) era composto, maioritariamente, pelo sexo
feminino, residente num raio superior a 10 km e oriundo dos concelhos de Braga, Porto,
Vila Nova de Famalicão e Guimarães. A média etária situava-se um pouco acima dos 34,5
anos e o percurso escolar e profissional caracterizava-se pela posse de licenciatura (90,3%).
5.1.3 Pessoal não docente
O corpo não docente perfaz um total de quarenta e quatro elementos, distribuídos
pelos seguintes serviços:
Tabela 3 - Pessoal não docente / serviço prestado
Serviço
Serviço Administrativo
Apoio Sócio-Educativo
(Centro de Recursos, Laboratório e Biblioteca) e Manutenção e
Serviços (Segurança, Manutenção e Funcionamento, PBX, Bar,
Cantina, Gimnodesportivo, Polivalente, Portaria, Blocos,
Repografia, Papelaria, etc.)
Nº de elementos
11
31
No que diz respeito ao percurso escolar e profissional do Pessoal Não Docente,
observamos que a maioria frequentou apenas o Ensino Básico, o Ensino Secundário foi
apenas frequentado por sete e um possuía o Bacharelato. A situação profissional dos
33
funcionários era bastante estável pois, com excepção de um elemento, todos pertenciam ao
quadro do pessoal, estando a trabalhar nesta escola há mais de três anos.
5.1.4 Equipamentos/serviços da
Escola
As instalações da Escola possuíam quatro edifícios, dois pavilhões com salas de aula
(vinte e nove ao todo), um pavilhão gimnodesportivo e um pavilhão administrativo.
Distribuido por três dos pavilhões, a escola possui também cinco Laboratórios de
Ciências, três salas de Informática, duas salas de Educação Tecnológica, Biblioteca, Centro
de Recursos Informáticos, Laboratório de Fotografia, Anfiteatro, sala de Desenho,
Repografia, Papelaria, Refeitório, Bufete, sala dos Alunos, sala dos Serviços de
Administração Escolar, sala dos Professores, dois gabinete dos Directores de Turma, sala do
Pessoal não Docente, gabinete da UNIVA (Unidade de Inserção na Vida Activa) e Oficina
de Manutenção.
A Escola possui um Serviço de Psicologia e Orientação (SPO), orientado por uma
psicóloga que desenvolve acções de dinamização e coordenação das actividades dos SEAE
(Serviços Especializados de Apoio Educativo) e promove a articulação entre o SPO, NAE
(Núcleo de Apoio Educativo) e coordenação dos Directores de Turma.
5.1.5 Ambiente e Actividades
desenvolvidas pela Escola
O nível de ocupação da escola é bastante elevado mas não se encontra em situação
de ruptura. As actividades desenvolvidas pela Escola, para além das curriculares, incluem
os Clubes e o Desporto Escolar. Também são desenvolvidas actividades no âmbito dos
34
projectos decorrentes da adesão da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado vários
programas como o PPES, o PROSEPE, o CIÊNCIA VIVA e o SOCRATES.
A Área-Escola, do 3º ciclo do Ensino Básico, centrou-se na Promoção de Educação
para a Saúde, no Ensino Secundário os projectos centram-se no domínio científico dos
respectivos cursos ou na área profissional dos Cursos Tecnológicos.
A grande maioria dos professores desta Escola acumulou, ao longo da sua carreira
profissional, uma série de experiências decorrentes da passagem por diversas organizações
escolares o que tem consequências no empenho ao apoio nas diversas actividades
desenvolvidas, ficando estas mais enriquecidas. As características do Pessoal não Docente
também contribui de uma forma positiva para o funcionamento da Escola pois, como são
maioritariamente oriundos e residentes na zona geográfica da Escola, são conhecedores dos
alunos e dos seus agregados familiares o que lhes facilita a acção pedagógica que exercem.
A Associação de Pais e Encarregados de Educação, assim como a Associação de
Estudantes, encontravam-se legalmente constituídas, possuíam instalações próprias e
encontravam-se em funcionamento.
35
5.2
Caracterização do Meio
5.2.1 Caracterização do Meio
Físico
A Escola Secundária Padre Benjamim Salgado encontra-se situada na Vila de Joane,
concelho de Vila Nova de Famalicão, na confluência de dois eixos importantes –
Braga/Riba d’Ave e Famalicão/Guimarães.
Joane era uma freguesia de carácter rural que repentinamente foi objecto de um
crescimento rápido e desordenado, ao longo das vias existentes, principalmente a EN 206.
Como polo centralizador de alguns equipamentos, Joane ganhou novas proporções e
a densidade de construção aumentou consideravelmente. Apesar da falta de estruturas e de
equipamentos são de realçar: a via intermunicipal Joane/Vizela, as construções Habitorre e
o Centro Social de Joanne, entre outros.
5.2.2 Caracterização do Meio
Económico-Social
Joane faz parte, em termos económicos, de uma zona predominantemente fabril,
designada por Vale do Pele, com um tecido empresarial de médias e grandes empresas,
empregando milhares de trabalhadores, essencialmente na área têxtil. Paralelamente a
agricultura continua a possuir uma grande importância como actividade complementar dos
operários ou associados às empresas fabris.
Nos últimos anos tem-se assistido ao desenvolvimento da construção civil e dos
sectores do comércio e serviços.
36
Pelas características do meio envolvente, predominantemente industrial, os alunos
da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado pertencem, na sua generalidade, a cla sses
sociais de baixos recursos económicos. Por outro lado, a reconversão das actividades
económicas, com destaque para a área dos serviços, perspectiva uma mudança no sentido de
um maior nivelamento social, emergindo a classe média. Apesar destas ciecunstâncias, não
se registam problemas sociais de grande gravidade. O maior problema é o desemprego
ocasional ou o emprego precário. Ao nível da criminalidade, droga ou insegurança,
registam-se algumas ocorrências de menor gravidade e pouca frequência.
5.2.3 Caracterização do Meio
Político-Cultural
Ao nível do poder autárquico, Joane conheceu uma viragem à esquerda desde 1993
até aos nossos dias. A Junta de Freguesia tem sido ocupada, desde então e até à altura do
nosso estudo, pelo Partido Socialista em consonância com a Câmara Municipal de Vila
Nova de Famalicão.
Ao nível das instituições dinamizadoras do convívio social, Joane regista um grande
dinamismo associativo nos âmbitos do apoio social à infância, juventude, terceira idade,
deficientes, assim como recreativo e desportivo. Também ao nível do património histórico
se registam vários exemplares de arquitectura religiosa assim como de casas particulares
que se destacam pelo seu traçado.
37
6 O projecto na escola
38
6.1
Génese do Projecto na Escola
No ano lectivo 1996/97, a Escola Secundária Padre Benjamim Salgado foi
convidada pelo Programa de Promoção e Educação para a Saúde (PPES), para que dois dos
seus professores participassem numa formação no âmbito do Projecto “O Professor como
agente de prevenção da infecção pelo VIH/SIDA”.
Este projecto partiu da identificação das seguintes necessidades:
-
a necessidade de concretizar uma política de educação para a saúde;
-
a necessidade de motivar os protagonistas do Processo Educativo para a participação e
responsabilização da escola na Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA;
-
a necessidade de alterar atitudes e comportamentos face à SIDA;
-
transformar a decisão de cada um na protecção de todos.
Os seus objectivos eram:
-
sensibilizar os protagonistas do Processo Educativo para a SIDA, como problema da
Saúde Pública para o qual a única estratégia era a prevenção;
-
informar e dar a conhecer as vias de transmissão do vírus da SIDA, a doença e as suas
fases de evolução;
-
reflectir sobre medidas de prevenção;
-
Promover a adequada integração dos alunos seropositivos ou portadores do vírus da
SIDA nas escolas do Sistema Educativo.
Os dois professores que receberam a formação, desenharam um projecto para ser
aplicado na sua escola. Comprometiam-se a desenvolvê-lo com alunos do 8º ano de
escolaridade e passariam a apoiar outros professores no desenvolvimento deste projecto.
39
Como a formação foi em Abril, os professores que foram à formação não tiveram
oportunidade de, nesse mesmo ano lectivo, desenvolver o projecto na escola.
No ano lectivo seguinte (1997/98), o Conselho Executivo propôs que se
desenvolvesse o projecto. Um dos professores que tinha recebido formação já não se
encontrava na escola e, por isso, só um professor estava apto para a dinamização da
Prevenção do VIH/SIDA na escola. Esse professor reformulou o projecto inicial e este foi
incluído no trabalho da Área-Escola e aplicado às oito turmas do 8º ano que havia nesse ano
lectivo. Este professor com formação ficou encarregue de coordenar o desenvolvimento do
projecto a nível de escola.
Foram convocados os Directores de Turma (DT) do 8º ano para uma reunião onde
lhes foi proposto que desenvolvessem, com as respectivas turmas onde exerciam o cargo de
direcção, uma série de actividades incluídas no projecto referido. Cada DT escolheu a
actividade de acordo com as características da turma que tinha. A meta final de todo o
trabalho efectuado nessas actividades era a realização do Dia S (Dia da SIDA)
calendarizado para o final do 2º período.
6.2
Evolução do Projecto
Nos anos lectivos seguintes (98/99 e 99/2000) seguiram o mesmo esquema de
desenvolvimento do projecto, apenas alteraram algumas actividades para que não houvesse
repetição das que tinham sido realizadas no ano anterior. Manteve-se o mesmo coordenador
de projecto a nível de escola.
40
No ano lectivo 99/2000 desenvolveram o projecto em três turmas do 8º ano, incluído
no trabalho da Área-Escola. Na escola existiam quatro turmas do 8º ano mas uma delas
tinha um currículo alternativo e, por isso, não desenvolveu o projecto.
Os professores envolvidos no projecto eram professores que mostraram
disponibilidade para trabalhar, com a turma, actividades de prevenção do VIH/SIDA, nem
todas as disciplinas fizeram parte deste projecto. Os únicos que eram obrigados a participar
no projecto eram os Directores de Turmas do 8º ano que ficavam encarregues de coordenar
as intervenções de cada disciplina, a nível da sua turma.
Reuniram no início do ano e depois, conforme fosse necessário (normalmente
coincidindo com as reuniões de Conselho de Turma), para dar conta da forma como iam
desenvolver o projecto, os materiais necessários, a forma como os trabalhos estavam a ser
executados, etc.
O projecto desenvolvido pelas turmas do 8º ano tinha como principais objectivos:
-
sensibilizar os alunos para a problemática da SIDA, através da tomada de consciência
da problemática da infecção do VIH/SIDA, do conhecimento e compreensão dos dados
epidemiológicos pelo VIH/SIDA, do conhecimento dos elementos fundamentais que
intervêm na defesa do nosso organismo face às doenças, do conhecimento das fases de
desenvolvimento do vírus, do conhecimento das vias de transmissão do VIH, da
interiorização do conceito de risco e suas consequências e da aprendizagem da forma
como diminuir ou evitar o risco;
-
organizar um festival de Bandas Escolares através do qual seja possível promover a
existência de uma vida saudável, promover a capacidade de organização e sentido de
iniciativa nos alunos, desenvolver o espírito de entre-ajuda nos alunos, responsabilizar
41
os alunos na realização de tarefas e sensibilizar os alunos, através da música, para o
flagelo da SIDA.
Para conseguir atingir estes objectivos seriam realizadas diversas actividades
durante a aula semanal, com o Director de Turma, nas aulas da disciplina de Ciências da
Natureza (utilizadas apenas para serem resolvidas algumas dúvidas) e durante aulas em
diversas disciplinas e que eram destinadas ao trabalho na Área-Escola. Essas actividades
consistiram em:
-
planificação do projecto;
-
construção de uma Caixa de Perguntas;
-
elaboração de questões que servissem de base a uma investigação;
-
recolha de informações sobre a SIDA (formas de prevenção, consequências do
contágio, investigação científica com o objectivo da descoberta da cura);
-
elaboração/ilustração de uma “História em cadeia”;
-
organização de um concurso para a recolha do desenho a estampar em T-shirt’s
(elaboração do regulamento, divulgação do concurso e escolha do desenho);
-
recolha e realização de Jogos Tradicionais e adaptação destes à temática do VIH/SIDA
(produção de materiais necessários à sua realização);
-
divulgação dos Jogos Tradicionais à comunidade Escolar
-
elaboração de slogans para aplicação em cartazes;
-
criação de desenhos para cartazes;
-
contacto com alunos/bandas musicais de outras escolas;
-
construção de regras para o bom funcionamento do Festival de Bandas Escolares;
42
-
adaptação do Festival de Bandas Escolares à problemática da SIDA (canções
alusivas/adaptadas ao tema)
-
divulgação do festival perante a comunidade escolar;
-
produção de materiais para a realização do Festival de Bandas Escolares;
-
apresentação e animação do Festival de Bandas Escolares;
-
controlo do funcionamento do Festival de Bandas Escolares;
-
avaliação do projecto
Em duas das turmas, todas as disciplinas participaram neste projecto e na terceira
turma o trabalho foi desenvolvido pela disciplina de Ciências da Natureza. O trabalho
desenvolveu-se entre os 1º e o 2º períodos do ano lectivo.
43
7 Resultados
44
Através do tratamento dos dados (inquéritos, entrevistas, observação participante,
planificações da Área-Escola, materiais produzidos pelos alunos), procuramos analisar os
dados tendo sempre presente os três primeiros objectivos desta investigação – analisar
concepções de Promoção da Saúde; descrever práticas de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA em meio escolar; verificar a participação dos alunos num Projecto de Prevenção
da Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
45
7.1
Concepções de Promoção da
Saúde
Os professores do distrito de Braga que foram inquiridos estavam a leccionar em
escolas onde um ou mais docentes tinham frequentado a formação promovida pelo
Programa de Promoção e Educação para a Saúde, no âmbito da Projecto de Prevenção do
VIH/SIDA em Meio Escolar. Foram inquiridos todos os professores que estavam ligados ao
desenvolvimento de algum projecto na sua escola, com ligação à referida formação, mesmo
que eles próprios não tivessem participado nela mas estivessem a usufruir do legado
deixado por quem nela tinha participado.
Ao inquirir os professores da Escola Secundária Benjamim Salgado que também se
encontravam nas condições atrás descritas, pretendeu-se comparar as concepções de Saúde,
Promoção da Saúde e Escola Promotora de Saúde, práticas de Prevenção do VIH/SIDA em
Meio Escolar, assim como as formas de Participação dos alunos no Projecto., entre estes
professores e os professores do distrito de Braga já referidos.
7.1.1 Saúde
Tabela 4 - Conceito de Saúde dos professores do Distrito de Braga
Conceito de Saúde
Ausência de doença e completo bem-estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em
direcção ao bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se
manter saudável.
Total
10
16%
50
82%
1
2%
46
Gráfico 3 - Conceito de Saúde dos professores do Distrito de Braga
90%
Ausência de doença e
completo bem-estar físico
80%
70%
60%
Capacidade de cada
indivíduo para lutar pelo seu
projecto de vida, em
direcção ao bem-estar.
50%
40%
30%
Capacidade de cada
indivíduo para recorrer aos
serviços necessários para
se manter saudável.
20%
10%
0%
Através da análise dos questionários respondidos pelos professores do distrito de
Braga, das escolas da rede do PPES, ficamos a saber que a maioria tem uma visão
salutogénica de Saúde, uma vez que associa o conceito de Saúde à capacidade de cada um
em
Construir e de se construir permanentemente, de crescer na inter-relação com os
outros, de intervir criativamente nos contactos em que se move, de apreciar
plenamente os momentos agradáveis e de superar os desagradáveis (Navarro,
1999).
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos que os
professores estiveram envolvidos no projecto de prevenção do VIH/SIDA, verificou-se que
foram os professores que estiveram três anos envolvidos no projecto, os que escolheram
esta definição.
Tabela 5 - Anos no Projecto / Conceito de Saúde dos professores do Distrito de Braga
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa de
Prevenção do VIH/SIDA
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
Conceito de Saúde
Ausência de doença e completo bem-estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu
projecto de vida, em direcção ao bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos
serviços necessários para se manter saudável.
3
17%
4
22%
0
0%
2
50%
14
78%
14
78%
12
100%
2
50%
1
6%
0
0%
0
0%
0
0%
47
Gráfico 4 - Anos no Projecto / Conceito de Saúde dos professores do Distrito de Braga
Ausência de doença e
completo bem-estar
físico
120%
100%
80%
Capacidade de cada
indivíduo para lutar
pelo seu projecto de
vida, em direcção ao
bem-estar.
60%
40%
20%
0%
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
Nº de anos no Projecto
Capacidade de cada
indivíduo para recorrer
aos serviços
necessários para se
manter saudável.
Nas entrevistas a professores da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado,
verificou-se que os que indicaram uma definição, também dão uma definição que se
aproxima desta mesma visão, referindo que
Saúde é estar bem, física e psicológicamente (professor 1, homem, 33 anos, Língua Portuguesa)
Às vezes a saúde física em si não é se calhar o mais importante (...) anda muito bem
fisicamente e se calhar o resto anda tudo muito mal (professor 4, mulher, 35 anos, Francês)
Se fizeres uma sondagem e eles se sentem bem e gostam... acho que [a escola]] é saudável
(professor 1, homem, 33 anos, Língua Portuguesa)
Nesta mesma escola, a maior parte dos alunos que participaram no projecto de
prevenção do VIH/SIDA, escolheram, através de questionário, a terceira definição de Saúde
Tabela 6 - Conceito de Saúde dos alunos que participaram no Projecto
Conceito de Saúde
Ausência de doença e completo bem-estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao
bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter
saudável.
Total
17
29%
12
21%
29
50%
48
Gráfico 5 - Conceito de Saúde dos alunos que participaram no projecto
60%
Ausência de doença e
completo bem-estar físico
50%
40%
Capacidade de cada
indivíduo para lutar pelo seu
projecto de vida, em
direcção ao bem-estar.
30%
20%
Capacidade de cada
indivíduo para recorrer aos
serviços necessários para
se manter saudável.
10%
0%
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos que os alunos
estiveram envolvidos no projecto de prevenção do VIH/SIDA, verificou-se que foram os
alunos que estiveram um ano envolvidos no projecto, os que escolheram esta definição.
Tabela 7 - Anos no Projecto / Conceito de Saúde dos alunos que participaram no
Projecto
Conceito de Saúde
1 ano
Ausência de doença e completo bem15
estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar
pelo seu projecto de vida, em direcção ao 9
bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para
recorrer aos serviços necessários para se 27
manter saudável.
Total
Anos no Projecto
2 anos
3 anos
4 anos
5 anos
29%
2
33%
0
0%
0
0%
0
0%
18%
2
33%
0
0%
0
0%
0
0%
53%
2
33%
0
0%
0
0%
6 100%
0
0%
0
0%
51 100%
0%
0
0%
49
Gráfico 6 - Anos no Projecto / Conceito de Saúde dos alunos que participaram no
Projecto
Ausência de doença e
completo bem-estar
físico
60%
50%
Capacidade de cada
indivíduo para lutar pelo
seu projecto de vida, em
direcção ao bem-estar.
40%
30%
20%
Capacidade de cada
indivíduo para recorrer
aos serviços
necessários para se
manter saudável.
10%
0%
1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos
Esta mesma definição foi escolhida, também através de questionário, pelos alunos
que não participaram no projecto de prevenção do VIH/SIDA.
Tabela 8 - Anos no Projecto / Conceito de saúde dos alunos que não participaram no
Projecto
Conceito de Saúde
Total
Ausência de doença e completo bem-estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao
bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter
saudável.
11
20%
11
20%
33
60%
Gráfico 7 - Anos no Projecto / Conceito de Saúde dos alunos que não participaram no
Projecto
70%
60%
Ausência de doença e
completo bem-estar físico
50%
40%
30%
20%
10%
Capacidade de cada
indivíduo para lutar pelo
seu projecto de vida, em
direcção ao bem-estar.
Capacidade de cada
indivíduo para recorrer
aos serviços necessários
para se manter saudável.
0%
50
Nas entrevistas efectuadas aos alunos, da Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, que participaram neste mesmo projecto, 75% das respostas dão definições
patogénicas de Saúde, como por exemplo
São doenças, morte (Aluno 4, rapariga, 15 anos)
Doenças que existem (Aluno 9, rapariga, 13 anos)
Faço uma boa alimentação (Aluno 15rapariga, 15 anos)
Estas definições inserem-se no conceito patogénico de Saúde, a Saúde é associada à
ausência de doença e ás formas de combate dessas mesmas doenças (Antonovsky, cit. in
Navarro, 1999).
Nas planificações da Área-Escola da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado,
no âmbito do projecto de prevenção do VIH/SIDA, são traçados objectivos que se encaixam
quer no conceito patogénico de Saúde
Conhecer os elementos e mecanismos fundamentais que intervêm na defesa do nosso
organismo face à doença (planificação da Área-Escola do 8ºA e 8ºB)
Conhecer as fases de desenvolvimento do VIH/SIDA (planificação da Área-Escola do 8ºA e 8ºB)
quer no conceito salutogénico de Saúde
Promover a capacidade de organização e sentido de iniciativa dos alunos (planificação da ÁreaEscola do 8ºA, 8ºB e 8ºC)
Desenvolver o espírito de entre-ajuda dos alunos (planificação da Área-Escola do 8ºA, 8ºB e
8ºC)
Quanto ao material produzido pelos alunos nesta mesma Área-Escola, ele transmite
informações sobre formas de contágio e de prevenção do VIH/SIDA, incluindo-se assim no
conceito patogénico de Saúde.
51
7.1.2 Promoção de Saúde
Quanto ao conceito de Promoção de Saúde, verificamos, através dos questionários
respondidos pelos professores do distrito de Braga, das escolas da rede do PPES, que a
maioria dos professores escolheu a segunda definição, espelhando esta o conceito de
Promoção da Saúde como um
processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam (Carta de Ottawa, 1986)
Tabela 9 - Conceito de Promoção da Saúde dos professores do distrito de Braga
Conceito de Promoção da Saúde
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua
saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada
população.
Total
7
11%
56
89%
0
0%
Gráfico 8 - Conceito de Promoção da Saúde dos professores do distrito de Braga
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não
coloquem a sua saúde em perigo.
100%
90%
80%
70%
Processo que visa criar as condições que permitam aos
indivíduos e aos grupos controlar a sua saúde, a dos grupos onde
se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
60%
50%
40%
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que
servem uma determinada população.
30%
20%
10%
0%
Escolha do conceit o
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos que os
professores estiveram envolvidos no projecto de prevenção do VIH/SIDA, verificou-se que
foram os professores que estiveram dois anos envolvidos no projecto, os que mais
escolheram esta definição.
52
Tabela 10 - Anos no Projecto / Conceito de Promoção da Saúde dos professores do
distrito de Braga
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa
de Prevenção do VIH/SIDA
Conceito de Promoção da Saúde
1 ano
Processo que visa dar as informações para que os
3
indivíduos não coloquem a sua saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos
indivíduos e aos grupos controlar a sua saúde, a dos
16
grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde
0
que servem uma determinada população.
16%
2 anos
3 anos
4 anos
1
5%
2
17%
1
25%
84% 18
95%
10
83%
3
75%
0%
0
0%
0
0%
0%
0
Gráfico 9 - Anos no Projecto / Conceito de Promoção da Saúde dos professores do
Distrito de Braga
Processo que visa dar
as informações para
que os indivíduos não
coloquem a sua saúde
em perigo.
100%
90%
80%
70%
Processo que visa criar
as condições que
permitam aos indivíduos
e aos grupos controlar a
sua saúde, a dos
grupos onde se inserem
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
Aumentar o número de
Hospitais e centros de
Saúde que servem uma
determinada população.
Nas entrevistas aos professores da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, esta
visão de Promoção de Saúde é também visível,
uma Associação de Estudantes (...) se estivesse sensibilizada (...) eles dinamizavam mais os
colegas (...) e as coisas eram diferentes. (...) penso que quando parte de nós eles não se
interessam (professor 4, mulher, 35 anos, Francês)
Contudo, a maior parte das opiniões vão no sentido da Promoção de Saúde ser vista
como um processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua
saúde em perigo, através das seguintes afirmações
53
para mim, em qualquer escola devia haver muito mais informação nesse campo, de doenças,
de droga, sobre tabaco, sobre isso tudo (professor 6, mulher, 36 anos, Inglês)
deveria estar aqui um enfermeiro (...) para cuidados imediatos (professor 1, homem, 33 anos,
Língua Portuguesa)
com esclarecimentos, com médicos, com psicólogos, com psiquiatras (professor 3, homem, 54
anos, Matemática)
Por vezes as duas visões são expressas pelas mesmas pessoas.
A maior parte dos alunos, desta mesma escola, que participaram no Projecto de
Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, escolheram uma definição patogénica de Promoção
de Saúde
Tabela 11 - Conceito de Promoção da Saúde dos alunos que participaram no Projecto
Conceito de Promoção da Saúde
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua saúde
em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar
a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada
população.
Total
10
17%
17
29%
32
54%
Gráfico 10 - Conceito de Promoção da Saúde dos alunos que participaram no Projecto
60%
50%
40%
30%
20%
10%
Processo que visa dar as informações para que
os indivíduos não coloquem a sua saúde em
perigo.
Processo que visa criar as condições que
permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a
sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir
sobre os factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de
Saúde que servem uma determinada população.
0%
54
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos que os alunos
estiveram envolvidos no projecto de prevenção do VIH/SIDA, verificou-se que foram os
alunos que estiveram um ano envolvidos no projecto, os que escolheram esta definição.
Tabela 12 - Anos no Projecto / Conceito de Promoção da Saúde dos alunos que
participaram no Projecto
Anos no Projecto
2 anos
3 anos
4 anos
Conceito de Promoção da Saúde
1 ano
5 anos
Processo que visa dar as informações
para que os indivíduos não coloquem a
sua saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições
que permitam aos indivíduos e aos
grupos controlar a sua saúde, a dos
grupos onde se inserem e agir sobre os
factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e
centros de Saúde que servem uma
determinada população.
7
13%
3
50%
0
0%
0
0%
0
0%
14
26%
3
50%
0
0%
0
0%
0
0%
32
60%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
Total
53
100
%
6
100
%
0
0%
0
0%
0
0%
Gráfico 11- Anos no Projecto / Conceito de Promoção da saúde dos alunos que
participaram no Projecto
Processo que visa dar as
informações para que os
indivíduos não coloquem a
sua saúde em perigo.
120%
100%
80%
Processo que visa criar as
condições que permitam
aos indivíduos e aos
grupos controlar a sua
saúde, a dos grupos onde
se inserem e agir sobre os
60%
40%
20%
0%
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
5 anos
Aumentar o número de
Hospitais e centros de
Saúde que servem uma
determinada população.
55
Na mesma escola, mas desta vez a maioria dos alunos que não participaram no
Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, escolheu esta mesma definição de
Promoção de saúde.
Tabela 13 - Conceito de Promoção da Saúde dos alunos que não participaram no
Projecto
Conceito de Promoção da Saúde
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua saúde em
perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a
sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada
população.
Total
13
23%
19
33%
25
44%
Gráfico 12 - Conceito de Promoção da saúde dos alunos que não participaram no
Projecto
50%
45%
40%
Processo que visa dar as informações para que
os indivíduos não coloquem a sua saúde em
perigo.
35%
30%
25%
20%
Processo que visa criar as condições que
permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a
sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir
sobre os factores que a influenciam.
15%
10%
Aumentar o número de Hospitais e centros de
Saúde que servem uma determinada população.
5%
0%
Nas entrevistas realizadas aos alunos que participaram no Projecto de Prevenção da
Infecção pelo VIH/SIDA, na Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, 81% considera
que a Promoção de Saúde na escola deveria ser realizada através de práticas internas à
Escola
56
Já temos feito muito (...) temos feito concertos (Aluno 1, rapaz, 16 anos)
Nos balneários, acho que deviam mudar algumas coisas (Aluno 2, rapaz, 15 anos)
Pavilhões sempre limpos e termos um polivalente onde podemos ouvir música (Aluno 8, rapaz,
13 anos)
Tentar organizar um grupo que falasse sobre saúde aos alunos (Aluno 15, rapariga, 15 anos)
Organizar mais reuniões com os Encarregados de Educação (Aluno 16, rapaz, 13 anos)
Nestas mesmas entrevistas, 63% dos alunos dão uma visão patogénica de Promoção
de Saúde, como por exemplo
É não fumar (Aluno 3, rapariga, 14 anos)
Pôr um posto médico (Aluno 4, rapariga, 15 anos)
(...) a escola, de mês a mês, havia de pôr aí a fazerem análises, ecografias, para ver se alguém
estava doente (Aluno 8, rapaz, 13 anos)
Através da análise das planificações da Área-Escola da Escola Secundária Padre
Benjamim Salgado, no âmbito do Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA,
verifica-se que a quase totalidade das actividades se inserem em práticas de Promoção de
Saúde internas à escola.
7.1.3 Escola Promotora de Saúde
Através dos questionários respondidos pelos professores do distrito de Braga, das
escolas da rede do PPES, verificamos que a maioria dos professores escolheu a nona
definição de Escola Promotora de Saúde, sendo esta considerada por Navarro como
A Escola que se esforça de forma consciente, empenhada e persistente, por
organizar o seu trabalho de tal modo que todas as actividades favoreçam o
crescente bem-estar da comunidade educativa e o sucesso educativo dos seus
alunos (Navarro, 1996)
57
Tabela 14 – Conceito de Escola Promotora de saúde dos professores do Distrito de
Braga
Total
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem,
estabeleçam, sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e
passem a ser dadas nas ecolas para poderem dar assistência a todos os elementos
da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação
médica sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de
certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os
elementos da comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem,
porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o
seu desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional
de tal modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil
de tomar.
37
13%
2
1%
27
10%
35
13%
44
16%
2
1%
45
16%
5
2%
57
21%
58
Gráfico 13 - Conceito de Escola Promotora de Saúde, dos professores do distrito de Braga
25%
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem dificuldade, a
relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser dadas nas
ecolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade educativa.
20%
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre doenças
infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
15%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
10%
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da comunidade educativa
alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo Centro de
saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
5%
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu desenvolvimento
intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a adopção de comportamentos
saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
0%
1
59
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos
que os professores estiveram envolvidos no projecto de prevenção do
VIH/SIDA, verificou-se que foram os professores que estiveram três anos
envolvidos no projecto, os que mais escolheram esta definição.
Tabela 15 - Anos no Projecto / Conceito de Escola Promotora de Saúde,
dos professores do distrito de Braga
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo de
ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem dificuldade, a
relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser
dadas nos Centros de saúde e passem a ser dadas nas
ecolas para poderem dar assistência a todos os
elementos da sua comunidade educativa.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a
escola está inserida.
Fomentar a que informem realização de actividades os
alunos sobre os perigos de certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que
permitam que os professores informem os Encarregados
de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação
existente entre todos os elementos da comunidade
educativa alargada permita que todos se sintam bem,
porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da
distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo Centro de
saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola,
instalações que permitam não só o seu desenvolvimento
intelectual mas também físico, motor, sensorial e
emocional de tal modo que a adopção de
comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de
tomar.
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa de
Prevenção do VIH/SIDA
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
10
11%
12
15%
6
13%
3
19%
2
2%
0
0%
0
0%
0
0%
12
13%
10
12%
6
13%
3
19%
18
19%
9
11%
8
17%
3
19%
0
0%
1
1%
0
0%
0
0%
12
13%
14
17%
10
21%
2
13%
1
1%
3
4%
0
0%
0
0%
18
19%
17
21%
11
23%
3
19%
60
Gráfico 14 - Anos no Projecto / Conceito de Escola Promotora de Saúde, dos professores do distrito de
Braga
25%
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam,
sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e
passem a ser dadas nas ecolas para poderem dar assistência a todos os elementos da
sua comunidade educativa.
20%
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a que informem realização de actividades os alunos sobre os perigos de certas
doenças.
15%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
10%
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com
as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
5%
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo
que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
0%
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
61
A maioria dos alunos da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, que
participaram no Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, escolheram
também, através de uma questionário, a mesma definição de Escola Promotora de
Saúde.
Tabela 16 - Conceito de Escola Promotora de Saúde dos alunos que
participaram no projecto
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser
dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade
educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre
doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas
doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem
os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as
suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos
pelo Centro de saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a
adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
Total
39
10%
32
8%
51
13%
33
8%
54
13%
46
11%
44
11%
46
11%
58
14%
62
Gráfico 15 - Conceito de Escola Promotora de Saúde, dos alunos que participaram no projecto
16%
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem dificuldade, a relação existente entre os
conteúdos e a vida.
14%
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser dadas nas escolas para poderem dar
assistência a todos os elementos da sua comunidade educativa.
12%
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre doenças infecto-contagiosas.
10%
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
8%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
6%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os Encarregados de Educação sobre os
malefícios do tabaco.
4%
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da comunidade educativa alargada permita que todos se
sintam bem, porque são aceites com as suas diferenças.
2%
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo Centro de saúde, com informações sobre
as características de uma alimentação saudável.
0%
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu desenvolvimento intelectual mas também físico, motor,
sensorial e emocional de tal modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
1
63
Quando se estabeleceu relação entre esta resposta e o número de anos
que estes alunos estiveram envolvidos no projecto de prevenção do VIH/SIDA,
verificou-se que foram os alunos que estiveram um ano envolvidos no projecto,
os que mais escolheram esta definição.
Tabela 17 - Anos no Projecto / Conceito de Escola Promotora de Saúde,
dos alunos que participaram no projecto
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo
de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos
e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de
ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser
dadas nas escolas para poderem dar assistência a
todos os elementos da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação
cada vez maior de informação médica sobre
doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade
onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que
informem os alunos sobre os perigos de certas
doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições
que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do
tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação
existente entre todos os elementos da comunidade
educativa alargada permita que todos se sintam
bem, porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através
da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo
Centro de saúde, com informações sobre as
características de uma alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola,
instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico,
motor, sensorial e emocional de tal modo que a
adopção de comportamentos saudáveis seja a
opção mais fácil de tomar.
Total
1 ano
Anos no Projecto
2 anos
3 anos
4 anos
5 anos
33
9%
3
11%
0
0%
0
0%
1
11%
26
7%
3
11%
0
0%
0
0%
1
11%
44
13%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
28
8%
2
7%
0
0%
0
0%
1
11%
46
13%
5
18%
0
0%
0
0%
1
11%
42
12%
1
4%
0
0%
0
0%
1
11%
39
11%
2
7%
0
0%
0
0%
1
11%
39
11%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
51
15%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
348 100%
28 100% 100% 0$%
0 100%
64
9 100%
Gráfico 16 - Anos no Projecto / Conceito de Escola Promotora de Saúde dos alunos que participaram no projecto
20%
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
18%
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser
dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade
educativa.
16%
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre
doenças infecto-contagiosas.
14%
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
12%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
10%
8%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
6%
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as suas
diferenças.
4%
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo
Centro de saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
2%
0%
1 ano
2 anos 3 anos 4 anos 5 anos
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a
adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
65
Na mesma escola, mas desta vez a maioria dos alunos que não participaram no
Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, escolheu, através de uma
questionário, as seguintes definições de Escola Promotora de Saúde
Tabela 18 - Anos no Projecto / Conceito de Conceito de Escola Promotora de
Saúde dos alunos que não participaram no projecto
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Total
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam,
17
sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e
passem a ser dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da 36
sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica
28
sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas
doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites
com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal
modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
8%
16%
13%
24
11%
35
16%
14
6%
22
10%
26
12%
22
10%
66
Gráfico 17 - Anos no Projecto / Conceito de Conceito de Escola Promotora de Saúde, dos alunos que não participaram no
projecto
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem dificuldade,
a relação existente entre os conteúdos e a vida.
18%
16%
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser dadas
nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade educativa.
14%
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre doenças
infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
12%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
10%
8%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
6%
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da comunidade
educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as suas diferenças.
4%
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo
Centro de saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
2%
0%
1
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu desenvolvimento
intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a adopção de
comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
67
7.2 Práticas de Prevenção
da Infecção pelo VIH/SÏ-DA
em meio escolar
A maioria dos professores, do distrito de Braga, das escolas da rede do
PPES, que participaram no Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA,
são do grupo disciplinar de Biologia/Geologia.
Tabela 19 - Grupo disciplinar dos professores que participaram no
Projecto
Grupo disciplinar
Matemática
Físico-Química
Química-Física
Artes Visuais
Economia
Português/Latim/Grego
Francês/Português
IngLês/Português
História
Biologia/Geologia
Tecnológica
Não respondeu
N.º de elementos
3%
2
6%
4
1
2%
3%
2
2%
1
1
2%
6%
4
5%
3
2
3%
63%
41
2%
1
3
5%
Total
65
100%
Gráfico 18 - Grupo disciplinar dos professores que participaram no
Projecto
70%
60%
50%
Matemática
Físico-Química
Química-Física
Artes Visuais
Economia
40%
Português/Latim/Grego
30%
Francês/Português
IngLês/Português
20%
10%
0%
História
Biologia/Geologia
Tecnológica
Não respondeu
68
Quando questionados sobre a forma como os Professores do distrito de
Braga, das escolas da rede do PPES, que participaram no Projecto, se
envolvem na vida escolar, a grande maioria limita a sua participação a Aulas e
Actividades Lectivas.
Tabela 20 - Forma como os Professores do distrito de Braga se envolvem
na vida escolar
Áreas da Vida
Escolar
Ordem como foram escolhidas
2º
3º
4º
1º
5º
Actividades
Culturais
2
3%
14
4%
11
19%
11
22%
6
11%
Actividades
Desportivas
1
2%
1
2%
3
5%
1
2%
7
13%
Actividades
Recreativas
0
0%
5
0%
4
7%
7
14%
9
17%
Conselho de Turma
7
11%
12
13%
12
21%
13
27%
6
11%
Conselho de
Disciplina
1
2%
8
2%
7
12%
4
8%
6
11%
Aulas e Trabalhos
Lectivos
41
67%
3
73%
2
4%
0
0%
2
4%
Animação de
Espaços Escolares
0
0%
1
0%
5
9%
4
8%
7
13%
Conselho
Pedagógico
0
0%
4
0%
3
5%
2
4%
2
4%
Assembleia de
Escola
0
0%
0
0%
1
2%
2
4%
2
4%
0
0%
1
0%
0
0%
0
0%
0
0%
1
2%
4
2%
8
14%
3
6%
5
9%
5
8%
1
2%
1
2%
1
2%
0
0%
3
5%
2
4%
0
0%
1
2%
1
2%
Conselho de
Escola
Contacto com os
Pais/Enc. De
Educação
Apoio ao Conselho
Executivo
Outras
69
Gráfico 19 - Forma como os Professores do distrito de Braga se envolvem na vida escolar
80%
Actividades Culturais
70%
Actividades Desportivas
Actividades Recreativas
60%
Conselho de Turma
50%
Conselho de Disciplina
40%
Aulas e Trabalhos Lectivos
Animação de Espaços Escolares
30%
Conselho Pedagógico
20%
Assembleia de Escola
10%
Conselho de Escola
Contacto com os Pais/Enc. De Educação
0%
1º
2º
3º
Ordem como foram escolhidas
4º
5º
Apoio ao Conselho Executivo
Outras
70
Os professores (57%), da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado,
referem, nas entrevistas, que o Projecto de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA, foi realizada a nível da Área-Escola:
(...) dentro da Área-Escola havia temas. O oitavo ano, obrigatoriamente, era a
SIDA (Professor 5, mulher, 25 anos, Educação Visual)
Uma parte destes professores (27%) referiu que participou no projecto
porque era Director de Turma, tendo a sua participação sido limitada à
cedência de aulas para os alunos fazerem pesquisa de informação. Os que não
eram Directores de Turma consideraram que participaram pouco, excepto o
caso de uma professora que leccionava a disciplina de Educação Visual, aula
onde os alunos elaboraram os materiais.
Alguns destes professores (57%) têm ideias pouco claras sobre como se
iniciou o Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, na escola:
Não percebi muito bem (Professor 1, homem, 33 anos, Língua Portuguesa)
[A decisão foi tomada]] provavelmente no Pedagógico (Professor 5, mulher, 25
anos, Educação Visual)
Alguns professores (29%) manifestaram inclusive o seu desagrado pelo
desenvolvimento deste projecto:
A SIDA é sempre o mesmo lugar comum: que é perigoso, que é mortal, que é
fatal (...), os miúdos já sabem isso (Professor 1, homem, 33 anos, Língua
Portuguesa)
É o terceiro ano que trabalho com eles e já não aguento mais este tema
(Professor 4, mulher, 35 anos, Francês)
Nas entrevistas realizadas aos alunos que participaram no Projecto de
Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, na Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, 81% considera que a responsabilidade de se iniciar o projecto é dos
professores, 44% considera que é do Conselho Executivo.
71
Quando foram analisadas as planificações da Área-Escola, das três
turmas do 8º ano, verificou-se que em duas dessas planificações aparece a
disciplina de Ciências Naturais como a responsável pela transmissão de
conhecimentos sobre as formas de contágio e de prevenção do VIH, ficando as
restantes disciplinas com a incumbência de promover comportamentos
saudáveis, nos alunos, não estando especificada qual a responsabilidade
concreta de cada uma das disciplinas. Os objectivos e conteúdos estão traçados
de uma forma abrangente.
Apenas numa das turmas, o papel da disciplina de Ciências Naturais
não está evidenciada em relação às outras disciplinas, mantendo, no restante, o
mesmo esquema de organização.
Em nenhuma das planificações é identificada a responsabilidade pela
planificação, execução e avaliação das actividades.
Os materiais analisados, produzidos pelos alunos (desdobráveis), foram
desenvolvidos por eles ao longo do ano lectivo, no âmbito do Projecto de
Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, e contêm informações sobre formas de
contágio e prevenção do VIH.
72
7.3
Participação dos alunos
no projecto
Através das respostas aos questionários dirigidos aos professores das
escolas do distrito de Braga (escolas da rede do PPES), verificou-se que este
grupo considerou que foram os professores quem propuseram, à escola, o
Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA.
Tabela 21 - Visão dos professores das escolas do distrito de Braga sobre o
autor da proposta do Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA.
Quem propôs que o tema fosse abordado
Total
Professores
46
42%
Alunos
18
17%
Auxiliares de Acção Educativa
3
3%
Encarregados de Educação
3
3%
Conselho Executivo
17
16%
Conselho Pedagógico
4
4%
Assembleia de Escola
0
0%
Assembleia de Delegados de Turma
1
1%
Ministério da Educação
10
9%
Outros
7
6%
73
Gráfico 20 - Visão dos professores das escolas do distrito de Braga
sobre o autor da proposta do Projecto de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA.
45%
Professores
40%
Alunos
35%
Auxiliares de Acção Educativa
30%
Encarregados de Educação
25%
Conselho Executivo
20%
Conselho Pedagógico
15%
Assembleia de Escola
10%
Assembleia de Delegados de Turma
5%
Ministério da Educação
0%
1
Outros
Através destes mesmos questionários, os professores consideraram que
os alunos, numa percentagem idêntica à dos professores, foram um dos grupos
que mais contribuíram na planificação e na crítica à ideias apresentadas para a
construção do Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA.
Tabela 22 - Visão dos professores do distrito de Braga sobre a
participação dos alunos no Projecto.
Envolvimento dos vários grupos
Propuseram ideias
Aceitaram as ideias propostas pelos
outros grupos
Colocaram questões às propostas
apresentadas pelos outros grupos e
reformularam-nas
Aceitaram só algumas das propostas
apresentadas pelos outros grupos.
Rejeitaram todas as propostas
apresentadas pelos outros grupos.
Pessoal
Docente
Alunos
Pessoal não Pais/ Encarreg.
Docente
Educação
40
41%
41
42%
6
6%
10
10%
97
100%
21
26%
22
27%
16
20%
22
27%
81
100%
25
48%
25
48%
0
0%
2
4%
52
100%
11
48%
7
30%
1
4%
4
17%
23
100%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
Total
74
Gráfico 21 - Visão dos professores do distrito de Braga sobre a participação dos alunos no Projecto.
60%
Propuseram ideias
50%
40%
Aceitaram as ideias propostas pelos
outros grupos
30%
Colocaram questões às propostas
apresentadas pelos outros grupos e
reformularam-nas
Aceitaram só algumas das propostas
apresentadas pelos outros grupos.
20%
Rejeitaram todas as propostas
apresentadas pelos outros grupos.
10%
0%
Pessoal
Docente
Alunos
Pessoal não
Docente
Pais/ Encarreg.
Educação
75
Alguns professores (57%), da Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, referem, nas entrevistas, que os alunos não reagiram com muito
entusiasmo ao projecto,
inicialmente foi má, a reacção foi negativa, mas depois com o trabalho, com o
passar das aulas, ficaram mais mentalizados, já foram trabalhando (Professor 2,
homem, 32 anos, Ciências Naturais)
não é não gostarem do tema, é a tal coisa, já viram o tema trabalhado pelos
colegas e alguns, como são repetentes, já tinham trabalhado o ano passado
(Professor 6, mulher, 36 anos, Inglês)
acho que eles já estão um bocado fartos do tema (Professor 7, mulher, 32 anos,
Ciências Naturais)
Quanto à forma como os alunos foram envolvidos no projecto, o
sentido majoritário das opiniões dos professores, expressas nas entrevistas, foi
a seguinte:
Tentei convencer os alunos que o tema Sida é interessante e depois ver que com
a Sida até se podiam fazer coisas engraçadas (Professor 2, homem, 32 anos,
Ciências Naturais)
Senti alguma dificuldade [em envolvê-los]] mas prendem-se com a capacidade
de trabalho dos próprios alunos (Professor 2, homem, 32 anos, Ciências Naturais)
Eu acho que eles não percebiam (...) porque para além de não haver
interdisciplinariedade, não houve grande coordenação (Professor 5, mulher, 25
anos, Educação Visual)
Foi um bocado chato, os alunos não ficaram muito entusiasmados com o tema
(...). Acabou por não ser uma escolha (Professor 6, mulher, 36 anos, Inglês)
Os professores, também através das entrevistas, manifestaram as suas
opiniões sobre a forma como os alunos se envolveram no projecto, que não
foram consensuais:
Vi bastante entusiasmo (Professor 1, homem, 33 anos, Língua Portuguesa)
Eu acho que eles aderiram bem (Professor 4, mulher, 35 anos, Francês)
quando se fala em Sida, ouve-se sempre aquela resposta – Oh, outra vez a Sida?
Vamos mudar de tema... (Professor 2, homem, 32 anos, Ciências Naturais)
a participação deles foi um bocado passiva (Professor 7, mulher, 32 anos,
Ciências Naturais)
76
A maior percentagem dos alunos da Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, que participaram no Projecto de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA, referem, através de uma questionário, que o seu envolvimento no
projecto se verificou mais a nível da Realização de Actividades, seguido pela
Discussão de Ideias.
Tabela 23 - Envolvimento dos alunos no Projecto, visto pelos próprios
Envolvimento no projecto
Discussão de ideias
52
33%
Tomada de decisões
37
23%
Realização de
actividades
55
Avaliação de
actividades
34%
16
10%
Gráfico 22 - Envolvimento dos alunos no Projecto, visto pelos próprios
40%
35%
30%
Discussão de ideias
25%
Tomada de decisões
20%
15%
Realização de
actividades
10%
Avaliação de
actividades
5%
0%
Nas entrevistas realizadas a estes mesmos alunos, especificam o tipo de
actividades que realizaram – elaboração de cartazes, organização do trabalho.
Verifica-se ainda que 38% destes alunos valoriza a sua participação como boa.
77
Quando analisamos, através dos resultados de um questionário, a forma
como os mesmos alunos vêem o envolvimento dos vários grupos no projecto,
verifica-se que eles consideram que foram os Professores e os Alunos os que
mais Propuseram ideias, os que mais Aceitaram as ideias propostas pelos
outros grupos foram os Alunos, os que mais Colocaram questões às
propostas apresentadas pelos outros e reformularam-nas foram os Alunos e
os Professores, os que mais Aceitaram só algumas das propostas
apresentadas pelos outros grupos foram os Alunos e os Professores, os que
mais Rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
foram os Alunos e os Encarregados de Educação.
Tabela 24 - Envolvimento dos vários grupos no Projecto, visto pelos alunos
Envolvimento dos vários grupos
Pessoal
docente
Alunos
Pessoal não
docente
Encarregados
de Educação
Total
Propuseram ideias
55
42%
54
41%
11
8%
12
9%
132
100%
Aceitaram as ideias propostas pelos
outros grupos
12
29%
20
49%
4
10%
5
12%
41
100%
Colocaram questões às propostas
apresentadas pelos outros grupos e
reformularam-nas
32
42%
38
49%
3
4%
4
5%
77
100%
Aceitaram só algumas das propostas
apresentadas pelos outros grupos.
31
43%
32
44%
6
8%
3
4%
72
100%
Rejeitaram todas as propostas
apresentadas pelos outros grupos.
2
22%
3
33%
1
11%
3
33%
9
100%
78
Gráfico 23 - Envolvimento dos vários grupos no Projecto, visto pelos
alunos
P ropus eram ideias
60%
50%
A c eitaram as ideias propos tas pelos outros
grupos
40%
C oloc aram ques tões às propos tas
apres entadas pelos outros grupos e
reform ularam -nas
30%
A c eitaram s ó algum as das propos tas
apres entadas pelos outros grupos .
20%
10%
R ejeitaram todas as propos tas
apres entadas pelos outros grupos .
0%
Sobre a autoria da planificação do projecto, estes alunos consideram
que esta foi da responsabilidade dos alunos, seguidos pelos professores.
Tabela 25 - Autoria da planificação do projecto, vista pelos alunos
Quem propôs que o tema fosse abordado
Total
Professores
39
25%
Alunos
12
8%
Auxiliares de Acção Educativa
6
4%
Encarregados de Educação
5
3%
Conselho Executivo
44
28%
Conselho Pedagógico
17
11%
Assembleia de Escola
4
3%
Assembleia de Delegados de Turma
4
3%
Ministério da Educação
27
17%
Outros
0
0%
79
Gráfico 24 - Autoria da planificação do projecto, vista pelos alunos
Professores
30%
Alunos
25%
Auxiliares de Acção Educativa
Encarregados de Educação
20%
Conselho Executivo
15%
Conselho Pedagógico
Assembleia de Escola
10%
Assembleia de Delegados de
Turma
Ministério da Educação
5%
Outros
0%
Nas entrevistas realizadas aos alunos que participaram no Projecto de
Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, na Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, 94% considera se organizaram a nível das turmas para desenvolver o
projecto
Nós trocamos ideias, entre nós, sobre o que íamos fazer e chegamos à conclusão
que íamos fazer cartazes e panfletos (Aluno 1, rapaz, 16 anos)
Nós íamos fazendo projectos e todos tinham que concordar (Aluno 8, rapaz, 13
anos)
Quando os mesmos alunos foram interrogados sobre como se
organizaram, na turma, para desenvolver o projecto, a grande maioria refere
que se dividiram em grupos de trabalho. Nas aulas observadas, da disciplina de
Educação Visual onde os alunos executaram os materiais que serviram de
trabalho final ao Projecto de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA, verificouse que os alunos executaram as tarefas que anteriormente tinham sido decididas
pela professora dessa disciplina. Por vezes a professora colocava a debate
algumas ideias, sobre as quais era necessário tomar decisões (por exemplo, as
80
frases a colocar nos cartazes, a localização destes, etc.), mas acabava sempre
por ser a professora a tomar a decisão final. Os alunos tiveram liberdade de
escolha na decisão da localização das cores nos respectivos cartazes.
Quando se questionaram os alunos da Escola Secundária Padre
Benjamim Salgado, que participaram no Projecto de Prevenção da Infecção
pelo VIH/SIDA, sobre os cargos que já desempenharam na escola, a maioria
indica o cargo de Delegado de Turma.
Tabela 26 - Cargos que os alunos já desempenharam na escola
Cargos que desempenha ou
desempenhou nesta escola
Masculino
Feminino
Total
Delegado de turma
9
69%
5
56%
14
64%
Representante ao Conselho Pedagógico
1
8%
0
0%
1
5%
Representante ao Conselho Directivo.
1
8%
0
0%
1
5%
Representante na Assembleia de Escola
1
8%
2
22%
3
14%
Elemento da Associação de Estudantes
1
8%
1
11%
2
9%
Outros
0
0%
1
11%
1
5%
Total
13
100%
9
100%
22
100%
Gráfico 25 - Cargos que os alunos já desempenharam na escola
Delegado de turma
80%
70%
Representante ao
Conselho Pedagógico
60%
50%
Representante ao
Conselho Directivo.
40%
30%
Representante na
Assembleia de Escola
20%
10%
0%
Masculino
Feminino
Elemento da
Associação de
Estudantes
Outros
Estes mesmos alunos, quando questionados sobre quais as áreas em que
mais participam na vida escolar, referem que é nas Actividades Desportivas,
81
seguidas das Actividades Festivas, aquelas onde a sua participação é mais
efectiva.
Tabela 27 - Áreas em que os alunos mais participam, na escola
Áreas em que mais participa na vida escolar
Actividades culturais
Actividades desportivas
Actividades festivas
Conselho de turma
Aulas e trabalhos lectivos
Animação de espaços escolares
Associação de Estudantes
Outras
Total
Total
10
47
36
9
27
22
3
7
161
6%
29%
22%
6%
17%
14%
2%
4%
100%
Gráfico 26 - Áreas em que os alunos mais participam, na escola
35%
Actividades culturais
30%
Actividades desportivas
25%
Actividades festivas
20%
Conselho de turma
15%
Aulas e trabalhos
lectivos
Animação de espaços
escolares
Associação de
Estudantes
Outras
10%
5%
0%
Quando questionados para especificarem a sua forma de participação
nestas áreas de actividade, referiram que quer nas Actividades Desportivas
quer nas Actividades Festivas, é na Realização de Actividades onde a sua
participação é mais efectiva.
82
Tabela 28 - Formas de Participação dos alunos, nas várias áreas
actividade
Área de Actividade
Discussão de
ideias
67%
4
Actividades culturais
Actividades
desportivas
Actividades Festivas
5
Conselho de turma
Aulas e trabalhos
lectivos
Animação de espaços
escolares
Associação de
estudantes
Outros
14%
Formas de participação
Tomada de
Realização de
Avaliação da
decisões
actividades
actividade
17%
17%
0%
1
1
0
4
11%
22
59%
6
16%
de
Total
6
38
100%
100%
9
21%
11
26%
16
38%
6
14%
43
100%
5
45%
5
45%
0
0%
1
9%
12
100%
11
4
1
4
33%
27%
100%
44%
6
1
0
0
18%
7%
0%
0%
13
7
0
5
39%
47%
0%
56%
3
3
0
0
9%
20%
0%
0%
34
16
2
10
100%
100%
100%
100%
Gráfico 27 - Formas de Participação dos alunos, nas várias áreas de
actividade
120%
Actividades culturais
100%
Actividades desportivas
80%
Actividades Festivas
60%
40%
Conselho de turma
20%
Aulas e trabalhos lectivos
0%
Discussão Tomada de Realização Avaliação
de ideias
decisões
de
da
actividades actividade
Animação de espaços escolares
Associação de estudantes
7.3.1 Actividades na
Escola
Nas sessões de observação participante (duas aulas e a festa de
Comemoração do Dia S) não se verificou a forma como foram tomadas as
83
decisões dominantes do projecto de cada turma: o que cada turma ia fazer,
como se organizariam, calendarização do trabalho, etc.
Apenas numa das turmas houve alunos que verbalizaram a autoria da
tomada de decisões quanto à definição das tarefas.
Pergunto aos alunos quem teve a ideia de fazer aquele trabalho. Dizem-me que
o trabalho foi proposto pela professora e eles executam-no. (Observação de
Actividades, 2ª Aula)
Foi possível verificar que o trabalho desenvolvido na aula era orientado
pela professora, baseando-se em decisões tomadas em sessões anteriores.
A professora iniciou a aula fazendo o ponto da situação sobre o trabalho
desenvolvido até àquele momento. Listou as tarefas que faltavam fazer.
(Observação de Actividades, 1ª Aula)
A professora olha para toda a sala para verificar como está a decorrer o
trabalho. Vai advertindo alguns alunos enquanto se desloca pelo meio deles.
(Observação de Actividades, 1ª Aula)
A professora faz a revisão das ideias principais do trabalho. Mostra-lhes o
protótipo do cartaz, vai dando informações sobre os dados que vão aparecer no
cartaz (Observação de Actividades, 2ª Aula)
Verificou-se que, por várias vezes, a professora apresentou sugestões
que se prendiam com a melhor forma para realizar ou apresentar o trabalho,
que foram prontamente aceites pelos alunos sem estes as terem debatido.
A professora propõe que aqueles cartazes sejam afixados junto um do outro
devido às cores com que foram pintados. Os alunos concordam sem debater a
ideia. (Observação de Actividades, 1ª Aula)
Professora coloca a dúvida sobre se seria melhor juntar um daqueles cartazes
com um dos que tinha sido desenrolado e emparelhado anteriormente pois
combinavam melhor com as respectivas cores. Os alunos concordam sem
debater a ideia. (Observação de Actividades, 1ª Aula)
84
Por vezes os alunos esboçam alguma intenção de tomarem decisões
mas deixam-na cair.
Um aluno lança a proposta dos cartazes serem assinados por todos para que a
escola saiba quem os fez. A ideia é discutida brevemente entre os alunos/alunos
e professora/alunos. (...) O debate sobre a assinatura dos cartazes é esquecido.
(Observação de Actividades, 1ª Aula)
Houve momentos em que os alunos tomaram decisões.
Começam-se a distribuir por grupos ou isoladamente consoante a tarefa.
(Observação de Actividades, 1ª Aula)
Os alunos vão-se organizando nas várias tarefas. (Observação de Actividades, 1ª
Aula)
Os alunos vão saltando de tarefa, conforme as necessidades do trabalho. Quase
todos estão ocupados numa tarefa. (Observação de Actividades, 2ª Aula)
Através da observação da comemoração do Dia S e da análise das
planificações da Área Escola e dos materiais produzidos não foi possível
verificar de que forma se caracterizou a participação dos alunos nestas
actividades.
85
8 Discussão dos
Resultados
86
Através do estudo por nós realizado, podemos verificar que a maior
parte dos professores do distrito de Braga, das escolas da rede do PPES,
envolvidos no Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar
(Projecto), tem noções salutogénicas de Saúde, Promoção da Saúde e Escola
Promotora de Saúde. Todos estes conceitos estão relacionados com uma visão
positiva de Saúde, realçando a importância do indivíduo e da comunidade onde
está inserido, na resolução dos problemas relacionados com o seu bem-estar.
Pressupõe uma postura activa do indíviduo que intervém na sua comunidade de
forma a introduzir modificações que promovam quer a sua Saúde quer a Saúde
da comunidade onde está inserido. Não ficou nítida a relação entre o número de
anos de permanência no projecto e esta visão salutogénica de Saúde.
Nas entrevistas aos professores da Escola Secundária Padre Benjamim
Salgado, verificou-se que também estes têm uma visão salutogénica de Saúde,
mas, contudo, a sua prática nem sempre está de acordo com este conceito. A
postura activa do defensor da visão salutogénica de Saúde não se manifesta na
postura adoptada por estes professores inseridos num projecto de Promoção de
Saúde. A maior parte não percebe porque razão o projecto se desenvolve na sua
escola, atribui este facto a uma tradição que se vai repetindo há vários anos,
não encontrando outra justificação para esta ocorrência. Nunca referem a
importância de se trabalhar, em contexto escolar, a temática do VIH/SIDA
como estratégia de combate ao contágio por este vírus, nem manifestam clareza
em relacionar a Promoção da Saúde com o desenvolvimento do Projecto de
Prevenção da Infecção do VIH/SIDA. Além disso, referem que sentiram
dificuldade em envolver os alunos no projecto pois estes não conseguiam ter
87
ideias claras sobre o que podia ser realizado através deste projecto. A maior
parte destes professores refere, inclusive, que os alunos não reagiram com
entusiasmo quando lhes foi apresentada a decisão de desenvolvimento do
Projecto. Não relacionam o seu pouco esclarecimento sobre a importância do
Projecto e a forma como ele aparece na escola, com a dificuldade que sentiram
no envolvimento dos alunos.
A visão salutogénica de Saúde não tem eco na opinião dos alunos da
Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, face aos conceitos de Saúde e de
Promoção de Saúde. Através dos questionários, verificou-se que tanto os
alunos que participaram no Projecto como os que não participaram têm uma
noção patogénica destes dois conceitos. Consideram que a Saúde é algo
exterior ao indivíduo e ao qual ele é alheio, que a pode obter através da
frequência de um serviço que dará acesso a uma vida saudável. Consideram
ainda que para se promover a Saúde é necessário aumentar o acesso dos
indivíduos aos Hospitais e Centros de Saúde, reforçando, desta forma, a atitude
passiva do indivíduo face à sua Saúde.
Os alunos que participaram no Projecto reafirmam estas opiniões
quando foram entrevistados. Continuaram a associar o conceito de Saúde a
uma visão patogénica da mesma. Quando se expressaram sobre como poderia
ser promovida a Saúde na sua escola, a maioria continuou a referir conceitos
patogénicos de Saúde, associando esta à realização de actos médicos curativos
no próprio recinto escolar.
Não se verificou qualquer influência no número de anos em
permanência no Projecto e os conceitos de Saúde e Promoção da Saúde.
88
O desenvolvimento do Projecto foi feito essencialmente através do
trabalho realizado na disciplina não curricular da Área-Escola. Nas
planificações das actividades
desta disciplina, verifica-se uma intenção dos Conselhos de Turma em
transmitir conhecimentos sobre VIH/SIDA, assim como também debater as
implicações desta pandemia na vida individual e colectiva dos indivíduos.
Através dos questionários respondidos pelos professores do distrito de
Braga, das escolas da rede do PPES, verificou-se que a maioria dos professores
que participaram no Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar
pertence ao grupo de Biologia.
Na Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, não há uma distinção
clara entre os que pertencem a este ou a outros grupos disciplinares. O Projecto
desenvolveu-se a nível da área não disciplinar de Área-Escola, decisão esta que
foi tomada em Conselho Pedagógico, transmitida aos Directores de Turma
através da reunião do seu Conselho. A maior parte dos professores, das turmas
envolvidas no projecto, desconhecia a forma como o Projecto se tinha iniciado.
Alguns manifestaram, inclusive, desagrado no seu desenvolvimento. Coube,
por isso, ao Director de Turma, a responsabilidade da coordenação da
intervenção das várias disciplinas neste trabalho. Como não era obrigatória a
participação de todos os professores, nem todas as áreas disciplinares estavam
representadas, verificou-se que a área de Biologia e Educação Visual eram as
mais requisitadas, a primeira para transmissão de conhecimentos sobre
89
contágio e prevenção do VIH/SIDA e a segunda para a elaboração de materiais
por parte dos alunos.
A forma escolhida para demonstrar este material, foi a realização de três
tipos de iniciativas:
Realização, no final do ano lectivo, de um desfile de moda, em que o cenário
estava decorado com frases alusivas às posturas correctas face ao
VIH/SIDA;
Realização de um concerto de música, em que foi convidado a actuar um
grupo de adolescentes de uma escola vizinha. O cenário era o mesmo do
utilizado no Desfile de Moda;
Realização de um torneio de Jogos Populares, como exemplo de uma vida
saudável, onde foram distribuídos desdobráveis com informações sobre
formas de contágio e prevenção do VIH/SIDA. É interessante verificar que
os alunos não verbalizaram a associação da realização desta última iniciativa
com o combate ao VIH/SIDA, isto é, não associaram a defesa da Saúde
através da promoção de uma vida saudável.
Quanto à autoria de quem propôs que o Projecto se desenvolvesse na
escola, quer os professores do distrito de Braga, das escolas da rede do PPES,
quer os alunos da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, que
participaram no Projecto, referem que foram os professores os responsáveis
pela proposta. Os alunos especificam mesmo que foi o Conselho Executivo
quem teve mais responsabilidade por esta autoria.
90
Os professores da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado referem,
através de entrevista, que não foram os alunos que tiveram poder de decisão
sobre a realização do projecto. Este foi--lhes apresentado e depois debateram,
com eles, a forma como iam trabalhar para apresentar o produto final, este
também decidido pelo Director de Turma. A opinião dos professores divide-se
quanto à forma como eles viram o envolvimento dos alunos neste trabalho. Uns
consideram que os alunos, após a clarificação das tarefas que tinham que
desempenhar, se entusiasmaram com este trabalho e deram ideias sobre como
ele se devia desenvolver, outros consideram que os alunos foram muito
passivos e apenas executaram o que os professores decidiram.
Os alunos, da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado, referem,
através do questionário, que a sua forma de participação no Projecto se
verificou mais a nível da Realização de Actividades e Discussão de Ideias.
Segundo eles, a Avaliação das Actividades contou pouco com a sua
intervenção. Para melhor entendermos a forma como estes alunos se
envolveram no Projecto, tentamos também perceber a forma como eles
participam na vida escolar. A maioria respondeu que já tinha desempenhado o
cargo de Delegado de Turma. Quando questionados sobre quais o tipo de
actividades em que mais participam na escola, a maioria responde que é nas
Actividades Desportivas e Festivas onde a sua participação mais se verifica, e a
forma normalmente adoptada para esta participação é a de Realização de
Actividades, o que está de acordo com o tipo de participação que tiveram no
Projecto.
91
Tentamos também perceber de que forma os Professores do distrito de
Braga, das escolas da rede do PPES, que participaram no Projecto, se
envolvem na vida escolar da escola e verificamos, que a grande maioria limita
a sua participação a Aulas e Actividades Lectivas, mesmo a participação em
Conselhos de Turma foi indicada por uma minoria.
92
9 Conclusão
93
Pelas informações recolhidas na nossa investigação podemos constatar
que o a prática de participação dos alunos, em projectos (neste caso num
projecto de prevenção do VIH/SIDA) está condicionada por uma série de
factores.
Dominam as concepções Patogénicas de Saúde, Promoção da Saúde e
Escola Promotora de Saúde. Talvez por isso a importância dada à Participação
seja tão reduzida uma vez que as soluções dos problemas são vistos como
extrínsecos ao indivíduo, não sendo dado valor aos processos participativos,
promotores do seu próprio bem-estar assim como da comunidade onde está
inserido.
A prática de participação é por vezes encarada como uma exigência
para cumprimento de legislação e não assumida como uma prática regular no
funcionamento da comunidade escolar.
Os professores confinam a sua área de decisão ao espaço de sala de aula
restando muito pouco espaço para outro tipo de actividades. Por vezes, não
identificam quem é responsável pela tomada de decisões na escola e, talvez por
isso, eles próprios não se identificam com essas decisões.
Aos alunos é dada pouca autonomia. A sua margem de liberdade, no
que concerne à participação, é restringida por decisões tomadas por outros
(normalmente pelos professores que por sua vez cumprem decisões tomadas
por outros). Os alunos, na maior parte das vezes, apenas executam tarefas e
tomam poucas decisões, muito menos avaliam as actividades desenvolvidas. A
94
sua participação na escola resume-se às Práticas Desportivas e, mesmo nestas,
apenas realizam tarefas.
O desenvolvimento do Projecto não implica todos os destinatários do
mesmo mas apenas um número reduzido dos seus intervenientes.
A nível dos professores, só um número reduzido toma parte das
decisões, mesmo quando lhes é dada oportunidade para tal (por exemplo, nos
Conselhos de Turma e nas aulas destinadas ao trabalho na Área-Escola).
Talvez esta postura esteja relacionada com o facto de para os professores não
ser clara a origem desta proposta nem se identificarem com ela.
Em relação aos alunos verificaram-se diferenças de postura quanto à
participação no Projecto. Alguns alunos demonstraram uma maior participação
no trabalho desenvolvido comparativamente à postura de alguns dos seus
colegas.. Esta diferença na participação talvez se prenda com o facto de apesar
de a iniciativa não ter partido deles, estes alunos, desde o início, terem
percebido a finalidade da proposta que lhes estava a ser apresentada e, por isso,
mais facilmente encontrarem o caminho para a sua participação e desta forma a
concretizarem.
O Projecto é apresentado, aos alunos e à maior parte dos professores, já
definido e desenhado. O Projecto não aparece como resposta a uma
necessidade sentida pela comunidade escolar mas como algo que é imposto por
alguém exterior à própria escola, esperando-se que esta se organize de forma a
transmitir aos seus elementos aquilo que se espera deles. Acontece que alguns
95
destes elementos (quer sejam alunos, quer sejam professores) não se
identificam com estas decisões e, por vezes, não têm claro qual o seu papel na
realização dos objectivos traçados. A falta de trabalho em equipa e de
comunicação foi apontado, por alguns professores, como um dos entraves à sua
participação. Alguns alunos também manifestaram falta de compreensão em
relação às decisões tomadas, identificando-a como um dos elementos que
dificultaram a sua participação.
Tal como referimos no início do nosso trabalho, a prática de
participação dos indivíduos, ou melhor, a cultura de participação não se
manifesta sem primeiro ter existido um trabalho de preparação, dos indivíduos
e da própria instituição, para esta prática. A forma como, tradicionalmente, a
instituição escola está organizada leva a que os indivíduos (alunos, professores,
pessoal não docente, pais) não se questionem sobre as práticas existentes e
assumam as decisões tomadas por outros como sendo decisões suas que têm
que ser cumpridas, mesmo que não percebam a sua finalidade. Isto leva a que
não as assumam e por isso o seu cumprimento fica hipotecado.
Se uma escola pretende desenvolver um projecto com os alunos, tem
que estar consciente sobre a sua prática em relação à Participação, esta
relacionada não só com os alunos mas também com todos os que vão intervir
neste trabalho. Ninguém se envolve, ou é envolvido, se não forem cumpridas
algumas das regras básicas da participação, se não souber o que se espera dele
e não tiver claro o que pode esperar dos outros. Para Fernanda Navarro (1995)
96
todo este processo traduz-se em: o trabalho ser definido a partir das
necessidades dos vários grupos; a negociação ser o processo utilizado para as
tomadas de decisões; a acção ser estruturada a partir das actividades definidas
pelos grupos; serem estabelecidas parcerias de forma a rentabilizar os recursos;
o trabalho ser realizado pelos grupos a quem diz respeito, remetendo-se os
especialistas a serem um recurso dinamizador; proporcionar um clima de
empatia e descontracção; o trabalho ser avaliado por todos para que haja
possibilidade de ser reorganizado.
Quando uma prática nos é imposta e nós não percebemos o mecanismo
do seu funcionamento, reduzimos a nossa participação è realização de tarefas
que nos são apontadas por outros, e o grau de satisfação final pode não ser
positivo, assim como pode também não ser positiva a aprendizagem que for
feita através deste envolvimento. O objectivo inicialmente traçado pode falhar
completamente somente pelo facto dos indivíduos não perceberem o que estão
a fazer, porque o estão a fazer, o que esperam que ele faça, o que é esperado
que os outros façam. Acontece a situação descrita por Hart, modelos de não
participação em que os alunos desempenham papéis pré-definidos em projectos
inteiramente desenhados e desenvolvidos por adultos.
Por tudo isto, propomos uma modalidade de organização de um
projecto de Promoção/Educação para a Saúde, neste caso visando a prevenção
do VIH/SIDA, compatível com o envolvimento dos alunos. Esta modalidade
terá que ter em conta o envolvimento de toda a comunidade escolar, uma vez
97
que a cultura de participação que se quer implementar na escola só o pode ser
se todos os actores desta comunidade forem chamados a participar na vida
escolar.
98
9.1
MÊS
SEMANA
Julho
2ª semana
1º ano lectivo
Proposta de Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em
Meio Escolar
PROJECTO DA ESCOLA
•
Formação de professores sobre Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar.
•
Formação da Associação de Pais sobre Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar.
•
Formação dos Auxiliares de Acção Educativa sobre Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar.
•
Identificação dos professores que vão desenvolver a Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio
Escolar, no ano lectivo seguinte.
Agosto
todo
•
1º ano lectivo
Elaboração dos horários dos professores que vão desenvolver a Projecto de Prevenção do VIH/SIDA
em Meio Escolar, de forma a que tenham duas horas livres comuns para se poderem reunir.
Setembro
1ª semana
2º ano lectivo
e
2ª semana
•
Identificação das turmas que vão integrar o Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar.
•
Reunião com os professores que se disponibilizaram, em Julho, para participarem no Projecto, para se
realizar a eleição dos 3 professores representantes na Equipa Responsável.
•
Reunião com a Associação de Pais para a eleição de dois representantes na Equipa Responsável.
99
MÊS
SEMANA
PROJECTO DA ESCOLA
•
Reunião com os Auxiliares de Acção Educativa para a eleição de dois elementos representantes na
Equipa responsável.
•
Elaboração dos questionários para construção do Diagnóstico (identificação das necessidades/preocupações da comunidade educativa em relação ao desenho do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em
Meio Escolar)
Setembro
3ª semana
•
2º ano lectivo
Distribuição e recolha dos questionários preenchidos pelas alunos das turmas envolvidas, dos
Professores destas turmas, dos Pais/Encarregados de Educação dos alunos destas turmas, dos
Auxiliares de Acção Educativa, do Centro de Saúde e da Psicóloga da escola.
Outubro
4ª semana
•
Tratamento informático dos questionários.
todo
•
Definição das linhas gerais do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar (Equipa
2º ano lectivo
Responsável)
•
Formação dos alunos das turmas envolvidas no Projecto, por um dos professores da turma, sobre os
conceitos básicos de prevenção e contágio do VIH/SIDA
•
Formação dos Pais/Encarregados de Educação das turmas envolvidas no Projecto, por um dos
professores da turma e um elemento do Centro de Saúde, sobre os conceitos básicos de prevenção e
contágio do VIH/SIDA
100
MÊS
SEMANA
Novembro
Todo
2º ano lectivo
Dezembro
1ª semana
2º ano lectivo
2ª semana
PROJECTO DA ESCOLA
•
Elaboração dos subprojecos de Prevenção do VIH/SIDA das turmas envolvidas (Conselho de Turma)
•
Elaboração de propostas de actividades de âmbito geral para a escola (Equipa Responsável)
•
Síntese dos subprojectos de turma e das propostas de actividades gerais para a escola, a cargo da
Equipa Responsável.
•
Apresentação, pela Equipa Responsável, do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar na
Assembleia de escola, Conselho Pedagógico, Assembleia de Delegados e Assembleia de
Pais/Encarregados de Educação.
2º período
todo
•
2º ano lectivo
3ª período
Desenvolvimento das actividades do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar (a nível
das turmas e da escola em geral)
todo
•
2º ano lectivo
Desenvolvimento das actividades do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar (a nível
das turmas e da escola em geral)
•
Avaliação do Projecto de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar (realizada por todos os que
intervieram no Projecto).
101
10 Bibliografia
(livros citados e consultados para elaboração da dissertação)
102
ANDRADE, Maria Isabel (1995). Educação para a Saúde – Guia para
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106
11 Anexos
107
11.1 Carta de Ottawa para a
Promoção da Saúde
1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde
Ottawa, Canadá, 17-21 Novembro de 1986
Promoção da Saúde
A Promoção da Saúde é o processo que visa aumentar a capacidade dos
indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a
melhorar. Para atingir um estado de completo bem-estar fisico, mental e social,
o indivíduo ou o grupo devem estar aptos a identificar e realizar as suas
aspirações, a satisfazer as suas necessidades e a modificar ou adaptar-se ao
meio. Assim, a Saúde é entendida como um recurso para a vida e não como
uma finalidade de vida.
A Saúde é um conceito positivo, que acentua os recursos sociais e
pessoais, bem como as capacidades físicas. Em consequência, a Promoção da
Saúde não é uma responsabilidade exclusiva do sector da saúde, pois exige
estilos de vida saudáveis para atingir o bem-estar.
Pré-requisitos para a Saúde
As condições e recursos fundamentais para a saúde são:
paz,
abrigo,
educação,
alimentação,
recursos económicos,
ecossistema estável,
recursos sustentáveis,
justiça social e
equidade.
A melhoria da saúde decorre da garantia destas condições básicas.
Advogar
A saúde é um recurso da maior importância para o desenvolvimento
social, económico e pessoal e uma dimensão importante da qualidade de vida.
No seu conjunto, os factores políticos, económicos, sociais, culturais,
ambientais, comportamentais e biológicos podem ser favoráveis ou nocivos à
saúde. A promoção da saúde visa tornar estes factores favoráveis à saúde, por
meio da advocacia da saúde.
Capacitar
A Promoção da Saúde centra-se na procura da equidade em saúde.
108
A Promoção da Saúde pretende reduzir as desigualdades existentes nos
níveis de saúde das populações e assegurar a igualdade de oportunidades e
recursos, com vista a capacitá-las para a completa realização do seu potencial
de saúde. Para atingir este objectivo, torna-se necessária uma sólida
implantação num meio favorável, acesso à informação, estilos de vida e
oportunidades que permitam opções saudáveis. As populações não podem
realizar totalmente o seu potencial de saúde sem que sejam capazes de
controlar os factores que a determinam. Este princípio deve aplicar-se
igualmente às mulheres e aos homens.
Mediar
As condições básicas e as expectativas face à saúde não podem ser
asseguradas unicamente pelo Sector da Saúde. Acima de tudo, promoção da
saúde exige uma acção coordenada de todos os intervenientes: governos,
sectores da saúde, social e económico, organizações não governamentais e de
voluntários, autarquias, empresas, comunicação social. As populações de todos
os meios devem ser envolvidas enquanto indivíduos, famílias e comunidades.
Aos grupos profissionais e sociais e aos profissionais da saúde incumbe
a maior responsabilidade na mediação dos diferentes interesses da sociedade na
prossecução da saúde.
As estratégias e programas de promoção da saúde deverão ser
adaptados às necessidades locais e às possibilidades de cada país e região,
considerados os diferentes sistemas sociais, culturais e económicos.
Intervir em Promoção da Saúde significa:
Construir Políticas Saudáveis
A Promoção da Saúde está para além da prestação de cuidados de
saúde. Inscreve a saúde na agenda dos decisores políticos, em todos os sectores
e atodos os níveis, consciencializando-os da consequências para a saúde das
suas decisões e levando-os a assumir responsabilidades neste campo.
Uma política de promoção da saúde combina diversas abordagens
complementares, incluindo a legislação, as medidas fiscais, os impostos e as
mudanças organizacionais.
A acção coordenada que leva à saúde, ao rendimento e às políticas
sociais, cria maior equidade. A acção conjunta contribui para garantir bens e
serviços mais seguros e saudáveis, instituições públicas mais saudáveis,
ambientes limpos e mais aprazíveis.
Uma política de promoção da saúde exige a identificação de obstáculos
para a adopção de políticas públicas em sectores não estritamente de saúde, e
propostas para os ultrapassar. O objectivo é que as opções saudáveis se tornem
as mais fáceis para os responsáveis políticos.
Criar Ambientes Favoráveis
As nossas sociedades são complexas e inter-relacionadas. Não se pode
isolar a saúde de outros interesses. Os elos indissolúveis entre a população e o
109
seu meio constituem a base para uma abordagem socio-ecológica da saúde. O
princípio orientador a nível mundial, das nações, das regiões e das
comunidades é a necessidade de encorajar os cuidados mútuos – cuidar uns dos
outros, das comunidades e do ambiente natural. É preciso assegurar a
conservação dos recursos naturais do planeta, numa perspectiva de
responsabilidade global. A alteração dos padrões de vida, do trabalho e dos
tempos livres tem tido um impacte significativo na saúde. O trabalho e os
tempos livres deveriam ser uma fonte de saúde para as populações. A maneira
como a sociedade organiza o trabalho deveria ajudar a criar uma sociedade
saudável. A promoção da saúde gera condições de vida e de trabalho seguras,
estimulantes, satisfatórias e agradáveis. É essencial avaliar sistematicamente o
impacte que o ambiente, em rápida evolução, tem na saúde – particularmente
nas áreas da tecnologia, do trabalho, da produção de energia e da urbanização.
Desta avaliação deverão decorrer acções que assegurem benefícios positivos
para a saúde pública. A protecção dos ambientes naturais ou criados pelo
Homem e a conservação dos recursos naturais devem ser tidos em conta em
qualquer estratégia de promoção da saúde.
Reforçar a Acção Comunitária
A promoção da saúde desenvolve-se através da intervenção concreta e
efectiva na comunidade, estabelecendo prioridades, tomando decisões,
planeando estratégias e implementando-as com vista a atingir melhor saúde.
No centro deste processo encontra-se o reforço do poder (empowerment) das
comunidades, para que assumam o controlo dos seus próprios esforços e
destinos. O desenvolvimento das comunidades cria-se a partir dos seus
recursos materiais e humanos, com base na auto-ajuda e no suporte social, no
desenvolvimento de sistemas flexíveis que reforcem a participação pública e
orientem para a resolução dos problemas de saúde. Tudo isto exige um acesso
pleno e contínuo à informação, oportunidades de aprendizagem sobre saúde,
para além de suporte financeiro.
Desenvolver Competências Pessoais
A promoção da saúde pressupõe o desenvolvimento pessoal e social,
através da melhoria da informação, educação para a saúde e reforço das
competências que habilitem para uma vida saudável. Deste modo, as
populações ficam mais habilitadas para controlar a sua saúde e o ambiente e
fazer opções conducentes à saúde.
É fundamental capacitar as pessoas para aprenderem durante toda a
vida, preparando-as para as suas diferentes etapas e para enfrentarem as
doenças crónicas e as incapacidades. Estas intervenções devem ter lugar na
escola, em casa, no trabalho e nas organizações comunitárias e ser realizadas
por organismos educacionais, empresariais e de voluntariado, e dentro das
próprias instituições.
Reorientar os Serviços de Saúde
No que se refere ao sector da saúde, a responsabilidade da promoção da
saúde deve ser partilhada com os indivíduos, grupos comunitários,
110
profissionais e instituições de saúde e com os governos. Todos devem trabalhar
em conjunto pela criação de um sistema de cuidados de saúde que contribua
para a prossecução da saúde. Para além das suas responsabilidades na prestação
de cuidados clínicos e curativos, os serviços de saúde devem orientar-se cada
vez mais para a promoção da saúde. Estes serviços têm de adoptar um amplo
mandato que seja sensível e que respeite as especificidades culturais. Devem
apoiar os indivíduos e as comunidades na satisfação das suas necessidades para
uma vida saudável e abrir canais de comunicação entre o sector da saúde e os
sectores social, político, económico e ambiental. Reorientar os serviços de
saúde exige também que se dedique uma atenção especial à investigação em
saúde e às alterações a introduzir na educação e formação dos profissionais.
Tal perspectiva deve conduzir a uma mudança de atitudes e de organização dos
serviços de saúde, focalizando-os nas necessidades totais do indivíduo,
enquanto pessoa, compreendido na sua globalidade.
Em direcção ao Futuro
A saúde é criada e vivida pelas populações em todos os contextos da
vida quotidiana: nos locais onde se aprende, se trabalha, se brinca e se ama.
Asaúde resulta dos cuidados que cada pessoa dispensa a si própria e aos outros;
do ser capaz de tomar decisões e de assumir o controlo sobre as circunstâncias
da própria vida; do assegurar que a sociedade em que se vive cria condições
para que todos os seus membros possam gozar de boa saúde. Solidariedade,
prestação de cuidados, holismo e ecologia são temas essenciais no
desenvolvimento de estratégias para a promoção da saúde. Em consequência,
quem está envolvido neste processo deve considerar como princípio orientador
que as mulheres e os homens têm de ser tratados como parceiros iguais em
todas as fases de planeamento, implementação e avaliação das actividades de
promoção da saúde.
Compromisso para a Promoção da Saúde
Os participantes nesta Conferência comprometem-se a:
Intervir no domínio das políticas públicas saudáveis e advogar, em
todos os sectores, um claro compromisso político para a saúde e a equidade;
Contrariar as pressões a favor dos produtos nocivos e da deplecção de
recursos, das más condições de vida, dos meios insalubres e da má nutrição; e
centrar a atenção em temas de saúde pública, tais como a poluição, os riscos
ocupacionais, as condições de habitação e os aglomerados populacionais;
Combater as desigualdades em saúde, dentro e entre diferentes grupos
sociais e comunidades;
Reconhecer as pessoas e as populações como o principal recurso de
saúde; apoiá-las e capacitá-las para se manterem saudáveis, através de meios
financeiros ou outros, e aceitar a comunidade como a voz essencial em matéria
de saúde, condições de vida e bem estar;
Reorientar os serviços de saúde e o modo como se organizam no
sentido da promoção da saúde; partilhar o poder com outros sectores, outras
111
disciplinas e, acima de tudo, com as próprias populações e considerar os
diferentes modos de vida numa perspectiva ecológica global.
A Conferência apela a todos os interessados para que se aliem ao seu
compromisso, com vista à criação de uma forte aliança em favor da saúde
pública.
Apelo à Intervenção Internacional
A Conferência apela à Organização Mundial de Saúde e às outras
organizações internacionais que advoguem a promoção da saúde em todos os
fóruns apropriados e apoiem os países no desenvolvimento e implementação de
estratégias e programas de promoção da saúde.
Os participantes na Conferência estão firmemente convictos que, se as
pessoas de todos os meios – as organizações não governamentais e de
voluntariado, os governos, a Organização Mundial de Saúde e todas as outras
instâncias a quem tal diz respeito se unissem e apresentassem estratégias para a
promoção da saúde, em conformidade com os valores morais e sociais que
enformam a presente Carta, a Saúde Para Todos no Ano 2000 tornar-se-ia uma
realidade.
112
11.2 PROTOCOLO
O Ministério da Saúde e da Educação, através de um protocolo
de colaboração, iniciou, em 1996, um Projecto de Prevenção da Infecção
pelo VIH/SIDA na Comunidade Escolar. Tendo inicialmente como alvo os
alunos do 8º ano, actualmente alarga-se a toda a população discente que as
escolas considerem necessário serem objecto de intervenção.
A educação para a saúde é uma aprendizagem para a autonomia.
Durante muitos anos a luta contra o VIH/SIDA limitava-se à publicidade ao
preservativo e à forma correcta de o colocar. Esta atitude incluía-se em
iniciativas higienistas, onde as escolhas se apresentavam, já seleccionadas,
ao sujeito ficando este sem oportunidade de questionar, de pensar. O
interesse principal desta abordagem era evitar abordar as questões delicadas.
As questões fundamentais que se colocam a todos os adolescentes e que por
isso mesmo devem interessar o educador: o amor de um ser pelo o outro, o
sentido e o valor dado à relação sexual, a morte, o sofrimento, o que é ser
normal e em que se baseia a exclusão.
Se concordarmos que Promoção da Saúde é um “processo que visa
criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a sua
saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam” (Carta de Ottawa, 1986), então as escolas devem criar as
condições que permitam aos indivíduos actuarem como sujeitos dos seu
próprio desenvolvimento. Esta situação só poderá acontecer se for prática da
Escola Secundária Padre Benjamim Salgado utilização do processo
participativo, consistindo este no direito que o indivíduo tem de: “informar e
ser informado, ouvir e ser ouvido, tomar parte nas decisões, partilhar a
realização de actividades, partilhar as responsabilidades, colaborar na
avaliação, usufruir dos resultados” (Navarro, 1995: 4).
A participação discente na tomada de decisões na Escola é
extremamente importante para a construção da prática da cidadania,
permitindo a formação de adultos intervenientes e responsáveis.
Neste estudo propomos analisar quais as condições que favorecem a
participação dos alunos em projectos de Prevenção da Infecção pelo
VIH/SIDA, verificar de que modo eles se implicam no desenvolvimento
destes projectos.
Este estudo poderá permitir que as Escolas repensem as suas práticas
de forma a permitirem “o pleno desenvolvimento das capacidades dos
indivíduos e dos grupos (afectivas, cognitivas, motoras, sensoriais) com
vista à aquisição de competências sociais, para que possam relacionar-se
positivamente com o meio” (Lesne, 1976 cit. In Navarro,1995: 4)
113
Este estudo tem como finalidade identificar quais as condições
favoráveis para que uma escola permita a efectiva participação dos alunos
na tomada de decisões na escola.
Assim, os seus objectivos são:
Analisar concepções de Promoção da Saúde.
Verificar a adequação/pertinência dos modelos teóricos sobre
Promoção da Saúde e Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA.
Caracterizar práticas de Promoção da Saúde em meio escolar.
Descrever práticas de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA em
meio escolar.
Verificar a participação dos alunos nos programas de Prevenção da
Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
Propor modalidades de organização de programas de
Promoção/Educação para a Saúde compatíveis com o envolvimento dos
alunos.
A metodologia a utilizar vai ser compósita, de modo a ligar um
estudo em extensão com um estudo em profundidade.
O âmbito da investigação é o distrito de Braga.
A investigação desenvolver-se-á em duas fases. A primeira fase
compreende um estudo predominantemente quantitativo, com a análise de
conteúdo dos relatórios elaborados, com formulário próprio, das escolas
envolvidas nos Programas de Prevenção do VIH/SIDA em Meio Escolar, e
com a realização de um inquérito por questionário dirigido ao Conselho
Directivo das escolas que receberam formação do Programa de Promoção e
Educação para a Saúde. Pretende-se nesta fase encontrar algumas linhas
dominantes nas escolas do distrito sobre a mobilização dos estudantes pelas
escolas envolvidas. Esta fase é predominantemente descritiva, transversal e
retrospectiva.
A segunda fase corresponde a um estudo de caso, de uma das escolas
envolvidas e pretende-se, através do recurso a metodologias observacionais
e à realização de entrevistas semi-estruturadas, proceder a uma análise em
profundidade dos factores pedagógicos e organizacionais de mobilização da
participação estudantil na prevenção do VIH/SIDA. Nesta fase, o estudo é
predominantemente qualitativo, longitudinal e analítico.
A população a ser estudada são os alunos do 3º ciclo de escolaridade
das escolas EB 2,3 do distrito de Braga, sendo o estudo de caso a realizar na
Escola Secundária Padre Benjamim Salgado (Joane, V. N. Famalicão).
Para conseguir realizar este estudo pretendo que a Escola Secundária
Padre Benjamim Salgado me permita:
a observação de actividades relacionadas com o desenvolvimento do
Projecto de Prevenção do VIH/SIDA
entrevistar alguns dos intervenientes no referido projecto
o acesso a documentos relacionados com o Projecto (actas de
reuniões onde o Projecto de Prevenção do VIH/SIDA foi tratado, relatórios
do referido projecto, etc.)
participação em reuniões que respeitem ao Projecto
Por minha vez eu comprometo-me a:
114
conservar o anonimato da Escola caso isso seja expresso pela mesma
entregar, à Escola, o relatório final da investigação
utilizar os dados recolhidos exclusivamente para o efeito desta investigação
entregar uma versão preliminar para apreciação da Escola, com aceitação da
publicação, em anexo, de qualquer comentário crítico
Joane,
de Novembro de 1999
O Presidente da Comissão Executiva da
Escola Secundária Padre Benjamim Salgado
A Investigadora
_____________________________________
____________________________
115
11.3 Questionários
116
11.3.1 Questionário - alunos
no projecto
Este questionário destina-se a um estudo que permita analisar quais as condições que favorecem a
participação dos alunos em projectos de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
Agradecemos desde já a tua colaboração.
Escola : ________________________________________________________
Assinala com um X o quadrado correspondente
Sexo
Masculino (1)
Feminino (2)
Data de Nascimento
Ano: 19____
Mês: ___________ Dia: ____
Já alguma vez ocupaste cargos de:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
Delegado de turma .....................................
1
Para tratamento informático
Representante ao Conselho Pedagógico .....
2
Representante ao Conselho Directivo .........
3
Representante na Assembleia de Escola
4
Elemento da Associação de Estudantes ......
5
Outro (indica qual) ___________________
6
Quais as áreas em que mais participas na vida escolar:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
Actividades culturais ..................................
1
Actividades desportivas ..............................
2
Actividades festivas ....................................
3
Conselho de Turma .....................................
4
Aulas e trabalhos lectivos ...........................
5
Animação de espaços escolares ..................
6
Associação de Estudantes ...........................
7
Outras (especifica) ......................................
8
Escolhe duas (ou mais) das áreas que assinalaste como sendo aquelas onde mais participas e classifica-as
segundo a grelha a seguir apresentada.
Discussão de
Tomada de Realização de Avaliação
ideias
decisões
actividades
da
ÁREA DE ACTIVIDADE
actividade
1
2
3
4
Indica o(s) ano(s) lectivo(s) em que estiveste envolvido no Projecto/Programa de Prevenção da SIDA em
Meio Escolar
1995/96
1
1996/97
2
1997/98
3
1998/99
4
1999/2000
117
5
Indica quem propôs que este tema fosse abordado na tua escola, nos dois últimos anos (ou no último, caso
só tenhas participado um ano) em que participaste no projecto. (Coloca um X à frente da tua escolha,
poderás assinalar mais de uma escolha.)
Professores ...........................................................................
1
Alunos ..................................................................................
2
Auxiliares de Acção Educativa ............................................
3
Encarregados de Educação ..................................................
4
Comissão Executiva Instaladora/Conselho Directivo .........
5
Conselho Pedagógico ..........................................................
6
Assembleia de Escola .........................................................
7
Assembleia de Delegados de Turma ...................................
8
Ministério da Educação .......................................................
9
Outros (indica quem) ...........................................................
10
Classifica o teu envolvimento no Projecto/Programa de Prevenção da SIDA.
(Coloca um X por baixo da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
PARTICIPEI DESDE A ...
Discussão de
Tomada de
Realização de Avaliação da
ideias
decisões
actividades
actividade
1
2
3
4
Indica de que forma se traduziu o envolvimento dos vários grupos intervenientes no Projecto/Programa de
Prevenção da SIDA em 1999/2000.
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
Professores
propuseram ideias
1
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
2
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos e
3
reformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
4
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
5
Alunos
propuseram ideias
6
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
7
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos e8
reformularam--nas
Alunos
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
9
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
10
Auxiliares
propuseram ideias
11
de Acção
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
12
Educativa
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos e13
reformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
14
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
15
Encarregapropuseram ideias
16
dos de
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
17
Educação
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos e18
reformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
19
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
20
118
Indica qual é, para ti, o conceito correcto de Saúde:
(Assinala com um X a tua escolha, apenas podes escolher uma)
Ausência de doença e completo bem estar físico.
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao
bem estar.
Capacidade de cada Homem, Mulher ou Aluno para se manter informado sobre os
serviços a que pode recorrer para se manter saudável.
Indica qual é para ti o conceito correcto de Promoção da Saúde:
(Coloca um X à frente da tua escolha, apenas podes escolher uma)
Processo que visa dar as informações necessárias para que os indivíduos não
coloquem a sua saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e Centros de Saúde que servem uma determinada
população.
Indica quais são para ti os objectivos de uma Escola Promotora de Saúde:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderá assinalar mais de uma escolha.)
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam,
sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de Saúde e
passem a ser dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da
sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da Saúde na circulação cada vez maior de informação
médica sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a Escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de
certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos
da comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são
aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de Saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal
modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
1
2
3
1
2
3
1
2
3
4
5
6
7
8
9
119
11.3.2 Questionário alunos fora do
projecto
Este questionário destina-se a um estudo que permita analisar quais as condições que favorecem a
participação dos alunos em projectos de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
Agradecemos desde já a tua colaboração.
Escola : ________________________________________________________
Assinala com um X o quadrado correspondente
Sexo
Masculino (1)
Feminino (2)
Data de Nascimento
Ano: 19____
Mês: ________________
Dia: ____
Já alguma vez ocupaste cargos de:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
1
Para tratamento informático
Delegado de turma .....................................
Representante ao Conselho Pedagógico .....
2
Representante ao Conselho Directivo .........
3
Representante na Assembleia de Escola
4
Elemento da Associação de Estudantes ......
5
Outro (indica qual) ___________________
6
Quais as áreas em que mais participas na vida escolar:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
Actividades culturais ..................................
1
Actividades desportivas ..............................
2
Actividades festivas ....................................
3
Conselho de Turma .....................................
4
Aulas e trabalhos lectivos ...........................
5
Animação de espaços escolares ..................
6
Associação de Estudantes ...........................
7
Outras (especifica) ......................................
8
Escolhe duas (ou mais) das áreas que assinalaste como sendo aquelas onde mais participas e
classifica-as segundo a grelha a seguir apresentada.
Discussão de
Tomada de Realização de Avaliação
ideias
decisões
actividades
da
ÁREA DE ACTIVIDADE
actividade
1
2
3
4
Indica qual é, para ti, o conceito correcto de Saúde:
(Assinala com um X a tua escolha, apenas podes escolher uma)
Ausência de doença e completo bem estar físico.
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao
bem estar.
Capacidade de cada Homem, Mulher ou Aluno para se manter informado sobre os
serviços a que pode recorrer para se manter saudável.
1
2
3
Indica qual é para ti o conceito correcto de Promoção da Saúde:
(Coloca um X à frente da tua escolha, apenas podes escolher uma)
Processo que visa dar as informações necessárias para que os indivíduos não
coloquem a sua saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e Centros de Saúde que servem uma determinada
população.
1
2
3
Indica quais são para ti os objectivos de uma Escola Promotora de Saúde:
(Coloca um X à frente da tua escolha, poderá assinalar mais de uma escolha.)
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam,
sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de Saúde e
passem a ser dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da
sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da Saúde na circulação cada vez maior de informação
médica sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a Escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de
certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos
da comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são
aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de Saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal
modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
121
11.3.3 Questionário –
professores Distrito
de Braga
Este questionário destina-se a um estudo que permita analisar quais as condições que favorecem a
participação dos alunos em projectos de Prevenção da Infecção pelo VIH/SIDA em meio escolar.
Agradecemos desde já a sua colaboração.
Escola : ________________________________________________________
Assinale com um X o quadrado correspondente
Sexo
Masculino (1)
Feminino (2)
Data de Nascimento
Ano: 19____
Mês: ________________ Dia: ____
Para tratamento informático
Tempo de serviço em 99.09.01 ...........................
1
Tempo de serviço nesta escola .............................
2
Pertence ao quadro de docentes desta escola ? ..
3
Habilitações Académicas:
Ensino Secundário
Curso Complementar de Formação
DESE
Equiparado a Bacharelato
Assinale com um X uma escolha
1
Bacharelato
2
Licenciatura
3
Mestrado
4
Doutoramento
Grupo Disciplinar:
Assinale com um X uma escolha
1º
Matemática
1
8ºA
Port/Latim/Grego
2ºA Mecacnotecnia
2
8ºB
Francês/Portug.
2ºB Eletrotecnia
3
9º
Inglês/Portug.
3º
Construção Civil
4
10ºA
História
4ºA Físico-Química
5
10ºB
Filosofia
4ºB Química-Física
6
11ºA
Geografia
5º
Artes Visuais
7
11ºB
Biologia/Geologia
6º
Contab. e Admin.
8
12ºA
Tecnológica
7º
Economia
9
12ºB
Tecnológica
Assinale com um X a sua opção, pode assinalar mais de uma escolha
Cargos que desempenhou ou Director(a) de Turma
desempenha nesta escola
Director(a) de Instalações
Coordenador(a) de projectos
Coordenador(a) de uma equipa de projecto
Elemento de uma equipa de projecto
Delegado(a)/Representante de Grupo
Delegado(a) de Área Disciplinar
Elemento da Assembleia de Escola
Elemento do Conselho de Escola
Elemento do Conselho Pedagógico
Elemento da Comissão Executiva
Outro(s)
10
11
12
13
14
15
16
17
18
5
6
7
8
12ºC Tecnológica
12ºD Artes dos Tecidos
12ºE Const Civ e Madei
12ºF Artes Gráficas
Educação Física
Informática
Música
Espanhol
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
122
19
20
21
22
23
24
25
26
Indique quais as 5 áreas em que mais participa na vida escolar
(classifique-as por ordem de participação 1 = mais participa ; 5 = menos participa)
Actividades culturais ............................
1
Conselho Pedagógico ....................................
Actividades desportivas .......................
2
Assembleia de Escola ....................................
Actividades recreativas ........................
3
Conselho de Escola .......................................
Conselho de Turma ..............................
4
Contacto com os pais e Encarreg. de Educ.
Conselho de disciplina...........................
5
Apoio à Comissão Executiva ........................
Aulas e trabalhos lectivos ....................
6
Outras (especifique) ......................................
Animação de espaços escolares............
7
8
9
10
11
12
13
Escolha duas (ou mais) das áreas que assinalou como sendo aquelas onde mais participa e classifiqueas segundo a grelha a seguir apresentada.
PARTICIPEI DESDE A ...
ÁREA DE ACTIVIDADE Discussão de Tomada de Realização de Avaliação da
ideias
decisões
actividades
actividade
1
2
3
4
Indique o(s) ano(s) lectivo(s) em que esteve envolvido no Projecto/Programa de Prevenção da SIDA
em Meio Escolar
1995/96
1
1996/97
2
1997/98
3
1998/99
4
1999/2000
Indique quem propôs que este tema fosse abordado na sua escola, nos dois últimos anos (ou no
último, caso só tenha participado um ano) em que participou no projecto.
(Coloque um X à frente da sua escolha, poderá assinalar mais de uma escolha.)
Professores ..........................................................................
1
Alunos .................................................................................
2
Auxiliares de Acção Educativa .........................................
3
Encarregados de Educação ...............................................
4
Comissão Executiva Instaladora/Conselho Directivo .....
5
Conselho Pedagógico .........................................................
6
Assembleia de Escola .........................................................
7
Assembleia de Delegados de Turma .................................
8
Ministério da Educação .....................................................
9
Outros (indica quem) .........................................................
10
Classifique o seu envolvimento no Projecto/Programa de Prevenção da SIDA.
(Coloque um X por baixo da sua escolha, poderá assinalar mais de uma escolha.)
PARTICIPEI DESDE A ...
Discussão de
Tomada de
Realização de Avaliação da
ideias
decisões
actividades
actividade
1
2
3
4
Indique de que forma se traduziu o envolvimento dos vários grupos intervenientes no
Projecto/Programa de Prevenção da SIDA em 1999/2000.
(Coloque um X à frente da sua escolha, poderás assinalar mais de uma escolha.)
Professores
propuseram ideias
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos e
reformularam--nas
1
2
3
123
5
Alunos
Alunos
Auxiliares
de Acção
Educativa
Encarregados de
Educação
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
propuseram ideias
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos ereformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
propuseram ideias
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos ereformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
propuseram ideias
aceitaram todas as ideias propostas pelos outros grupos
colocaram questões às propostas apresentadas pelos outros grupos ereformularam--nas
aceitaram só algumas das propostas apresentadas pelos outros
grupos
rejeitaram todas as propostas apresentadas pelos outros grupos
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Indique qual é, para si, o conceito correcto de Saúde:
(Assinale com um X a sua escolha, apenas pode escolher uma)
Ausência de doença e completo bem estar físico.
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao bem estar.
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter saudável.
Indique qual é para si o conceito correcto de Promoção da Saúde:
(Coloque um X à frente da sua escolha, apenas pode escolher uma)
Processo que visa dar as informações necessárias para que os indivíduos não coloquem a sua
saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a
sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e Centros de Saúde que servem uma determinada
população.
1
2
3
1
2
3
Indique quais são para si os objectivos de uma Escola Promotora de Saúde:
(Coloque um X à frente da sua escolha, poderá assinalar mais de uma escolha.)
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de Saúde e passem a
ser dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade
educativa.
Fundamentar a Promoção da Saúde na circulação cada vez maior de informação médica
sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a Escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas
doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem
os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
1
2
3
4
5
6
124
7
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as
suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de Saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo
que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
Desenvolver uma liderança democrática e estimular o trabalho em equipa.
8
9
10
125
11.4 Quadros - análise dos
questionários
126
11.4.1 Quadros questionários
professores Distrito
de Braga
Quadro 1
Pertence ao quadro da escola
Sim
43
Não
17
Não respondeu
5
Total
65
66%
26%
8%
100%
Quadro 2
Idade
Género
Feminino
Masculino
Total
2
14%
10
20%
12
18%
30 - 40
4
29%
27
53%
31
48%
41 - 50
6
43%
11
22%
17
26%
> 50
2
14%
2
4%
4
6%
Não respondeu
0
0%
1
2%
1
2%
14
100%
51
100%
65
100%
< 30
Total
Quadro 3
Anos de serviço
< 05
06 - 11
12 - 17
18 - 20
> 20
Não respondeu
Total
Masculino
3
21%
3
21%
3
21%
3
21%
2
14%
0
0%
14
100%
Género
Feminino
Total
9
18%
12
15
29%
18
14
27%
17
4
8%
7
4
8%
6
5
10%
5
51 100%
65
18%
28%
26%
11%
9%
8%
100%
Quadro 4
Habilitações Académicas
Bacharelato
4
6%
Licenciatura
58
89%
Mestrado
3
5%
127
Total
65
100%
128
Quadro 5
Grupo disciplinar
Matemática
Físico-Química
Química-Física
Artes Visuais
Economia
Português/Latim/Grego
Francês/Português
IngLês/Português
História
Biologia/Geologia
Tecnológica
Não respondeu
Total
N.º de elementos
2
3%
4
6%
1
2%
2
3%
1
2%
1
2%
4
6%
3
5%
2
3%
41
63%
1
2%
3
5%
65
100%
Quadro 6
Áreas da Vida
Escolar
Ordem como foram escolhidas
2º
3º
4º
1º
5º
Actividades
Culturais
2
3%
14
4%
11
19%
11
22%
6
11%
Actividades
Desportivas
1
2%
1
2%
3
5%
1
2%
7
13%
Actividades
Recreativas
0
0%
5
0%
4
7%
7
14%
9
17%
Conselho de
Turma
7
11%
12
13%
12
21%
13
27%
6
11%
Conselho de
Disciplina
1
2%
8
2%
7
12%
4
8%
6
11%
Aulas e Trabalhos
Lectivos
41
67%
3
73%
2
4%
0
0%
2
4%
Animação de
Espaços Escolares
0
0%
1
0%
5
9%
4
8%
7
13%
Conselho
Pedagógico
0
0%
4
0%
3
5%
2
4%
2
4%
Assembleia de
Escola
0
0%
0
0%
1
2%
2
4%
2
4%
0
0%
1
0%
0
0%
0
0%
0
0%
1
2%
4
2%
8
14%
3
6%
5
9%
5
8%
1
2%
1
2%
1
2%
0
0%
3
5%
2
4%
0
0%
1
2%
1
2%
Conselho de
Escola
Contacto com os
Pais/Enc. De
Educação
Apoio ao
Conselho
Executivo
Outras
Quadro 7
Formas de Participação
Áreas em que participa
Actividades Culturais
Actividades Desportivas
Actividades Recreativas
Conselho de Turma
Conselho de Disciplina
Aulas e Trabalhos Lectivos
Animação de Espaços
Escolares
Conselho Pedagógico
Assembleia de Escola
Conselho de Escola
Contacto com
Pais/Encarregados de
Educação
Apoio ao Conselho Executivo
Outras
Total
Discussão de
Ideias
Tomada de
Decisões
Realização de
Actividades
Avaliação de
Actividades
14
2
7
22
13
34
11%
2%
6%
17%
10%
27%
13
2
7
20
8
28
12%
2%
6%
18%
7%
25%
15
3
10
21
10
33
13%
3%
8%
18%
8%
28%
13
2
6
19
10
31
12%
2%
6%
18%
10%
30%
6
5%
5
5%
6
5%
5
5%
5
4
1
4%
3%
1%
5
4
1
5%
4%
1%
5
3
1
4%
3%
1%
5
3
1
5%
3%
1%
6
5%
5
5%
1
1%
1
1%
3
9
126
2%
7%
100%
3
9
110
3%
8%
100%
2
9
119
2%
8%
100%
1
8
105
1%
8%
100%
Quadro 8
Conceito de Saúde
Total
Ausência de doença e completo bem-estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao bem-estar.
10
16%
50
82%
1
2%
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter saudável.
Quadro 9
Conceito de Saúde
Ausência de doença e completo bem-estar
físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar
pelo seu projecto de vida, em direcção ao
bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para
recorrer aos serviços necessários para se
manter saudável.
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa de Prevenção do
VIH/SIDA
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
3
17%
4
22%
0
0%
2
50%
14
78%
14
78%
12
100%
2
50%
1
6%
0
0%
0
0%
0
0%
Quadro 10
Conceito de Promoção da Saúde
Total
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua
saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos
controlar a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a
influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada
população.
7
11%
56
89%
0
0%
Quadro 11
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa de
Prevenção do VIH/SIDA
Conceito de Promoção da Saúde
Processo que visa dar as informações para que
os indivíduos não coloquem a sua saúde em
perigo.
Processo que visa criar as condições que
permitam aos indivíduos e aos grupos controlar
a sua saúde, a dos grupos onde se inserem e agir
sobre os factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e centros de
Saúde que servem uma determinada população.
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
3
16%
1
5%
2
17%
1
25%
16
84%
18
95%
10
83%
3
75%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
Quadro 12
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem,
estabeleçam, sem dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e
passem a ser dadas nas ecolas para poderem dar assistência a todos os elementos da
sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação
médica sobre doenças infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de
certas doenças.
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores
informem os Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os
elementos da comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem,
porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis,
fornecidos pelo Centro de saúde, com informações sobre as características de uma
alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o
seu desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional
de tal modo que a adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de
tomar.
Total
37
13%
2
1%
27
10%
35
13%
44
16%
2
1%
45
16%
5
2%
57
21%
131
Quadro 13
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem,
estabeleçam, sem dificuldade, a relação
existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas
deixem de ser dadas nos Centros de
saúde e passem a ser dadas nas ecolas
para poderem dar assistência a todos os
elementos da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da Saúde na
circulação cada vez maior de informação
médica sobre doenças infectocontagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da
Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a que informem realização de
actividades os alunos sobre os perigos de
certas doenças.
Basear a intervenção na realização de
exposições que permitam que os
professores informem os Encarregados
de Educação sobre os malefícios do
tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que
a relação existente entre todos os
elementos da comunidade educativa
alargada permita que todos se sintam
bem, porque são aceites com as suas
diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida
saudável através da distribuição de
desdobráveis, fornecidos pelo Centro de
saúde, com informações sobre as
características de uma alimentação
saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a
Escola, instalações que permitam não só
o seu desenvolvimento intelectual mas
também físico, motor, sensorial e
emocional de tal modo que a adopção de
comportamentos saudáveis seja a opção
mais fácil de tomar.
Nº de anos envolvido no Projecto/Programa de Prevenção do
VIH/SIDA
1 ano
2 anos
3 anos
4 anos
10
11%
12
15%
6
13%
3
19%
2
2%
0
0%
0
0%
0
0%
13
14%
7
9%
2
4%
2
13%
12
13%
10
12%
6
13%
3
19%
18
19%
9
11%
8
17%
3
19%
0
0%
1
1%
0
0%
0
0%
12
13%
14
17%
10
21%
2
13%
1
1%
3
4%
0
0%
0
0%
18
19%
17
21%
11
23%
3
19%
132
Quadro 14
Quem propôs que o tema fosse abordado
Total
Professores
46
42%
Alunos
18
17%
Auxiliares de Acção Educativa
3
3%
Encarregados de Educação
3
3%
17
16%
Conselho Pedagógico
4
4%
Assembleia de Escola
0
0%
Assembleia de Delegados de Turma
1
1%
10
9%
7
6%
Conselho Executivo
Ministério da Educação
Outros
Quadro 15
Envolvimento dos
vários grupos
Pessoal não
Docente
Pais/
Encarreg.
Educação
Pessoal
Docente
Alunos
40
41%
41 42%
Aceitaram as ideias
propostas pelos outros
grupos
21
26%
22 27%
Colocaram questões às
propostas apresentadas
pelos outros grupos e
reformularam-nas
25
48%
25 48%
0
0%
2
Aceitaram só algumas
das propostas
apresentadas pelos
outros grupos.
11
48%
7 30%
1
Rejeitaram todas as
propostas apresentadas
pelos outros grupos.
0
0%
0
0
Propuseram ideias
0%
6
Total
6%
10 10%
97
100%
16 20%
22 27%
81
100%
4%
52
100%
4%
4 17%
23
100%
0%
0
0
0%
0%
133
11.4.2 Quadros questionários alunos
no Projecto
Quadro 16
Género
Alunos no projecto
Masculino
40
65%
Feminino
22
35%
Total
62
100%
Quadro 17
Idade
Masculino
Feminino
Total
13
25
63%
12
55%
37
60%
14
5
13%
4
18%
9
15%
15
7
18%
5
23%
12
19%
16
2
5%
1
5%
3
5%
17
1
3%
0
0%
1
2%
40
100%
22
100%
62
100%
Total
Quadro 18
Cargos que
desempenha ou
desempenhou nesta
escola
Masculino
Feminino
Total
Delegado de turma
9
69%
5
56%
14
64%
Representante ao
Conselho Pedagógico
1
8%
0
0%
1
5%
Representante ao
Conselho Directivo.
1
8%
0
0%
1
5%
Representante na
Assembleia de Escola
1
8%
2
22%
3
14%
Elemento da
Associação de
Estudantes
1
8%
1
11%
2
9%
Outros
0
0%
1
11%
1
5%
Total
13
100%
9
100%
22
100%
134
Quadro 19
Áreas em que mais participa na vida escolar
Total
Actividades culturais
Actividades desportivas
Actividades festivas
Conselho de turma
Aulas e trabalhos lectivos
Animação de espaços escolares
Associação de Estudantes
Outras
Total
10
47
36
9
27
22
3
7
161
6%
29%
22%
6%
17%
14%
2%
4%
100%
Quadro 20
Área de Actividade
Discussão de
ideias
67%
4
Actividades culturais
Formas de participação
Tomada de
Realização de Avaliação da
decisões
actividades
actividade
17%
17%
0%
1
1
0
Total
6
100%
Actividades desportivas
5
14%
4
11%
22
59%
6
16%
38
100%
Actividades Festivas
9
21%
11
26%
16
38%
6
14%
43
100%
Conselho de turma
5
45%
5
45%
0
0%
1
9%
12
100%
11
33%
6
18%
13
39%
3
9%
34
100%
Animação de espaços escolares
4
27%
1
7%
7
47%
3
20%
16
100%
Associação de estudantes
1
100%
0
0%
0
0%
0
0%
2
100%
4
44%
0
0%
5
56%
0
0%
10
100%
Aulas e trabalhos lectivos
Outros
Quadro 21
Quem propôs que o tema fosse abordado
Total
Professores
39
25%
Alunos
12
8%
Auxiliares de Acção Educativa
6
4%
Encarregados de Educação
5
3%
Conselho Executivo
44
28%
Conselho Pedagógico
17
11%
Assembleia de Escola
4
3%
Assembleia de Delegados de Turma
4
3%
27
17%
Ministério da Educação
135
Outros
0
0%
Quadro 22
Conceito de Saúde
Total
Ausência de doença e completo bem-estar físico
17
29%
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao bem-estar.
12
21%
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter saudável.
29
50%
Quadro 23
Conceito de Saúde
1 ano
Ausência de doença e completo bem15
estar físico
Capacidade de cada indivíduo para lutar
pelo seu projecto de vida, em direcção
9
ao bem-estar.
Capacidade de cada indivíduo para
recorrer aos serviços necessários para se 27
manter saudável.
Total
51
2 anos
Anos no Projecto
3 anos
4 anos
5 anos
29%
2
33%
0
0%
0
0%
0
0%
18%
2
33%
0
0%
0
0%
0
0%
53%
2
33%
0
0%
0
0%
100%
6
100%
0
0%
0
0%
0%
0
0%
Quadro 24
Conceito de Promoção da Saúde
Total
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua saúde em perigo.
10
17%
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a sua saúde, a
dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
17
29%
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada população.
32
54%
Quadro 25
Conceito de Promoção da Saúde
Processo que visa dar as informações
para que os indivíduos não coloquem a
sua saúde em perigo.
Processo que visa criar as condições
que permitam aos indivíduos e aos
grupos controlar a sua saúde, a dos
grupos onde se inserem e agir sobre os
factores que a influenciam.
Aumentar o número de Hospitais e
centros de Saúde que servem uma
1 ano
2 anos
Anos no Projecto
3 anos
4 anos
5 anos
7
13%
3
50%
0
0%
0
0%
0
0%
14
26%
3
50%
0
0%
0
0%
0
0%
32
60%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
136
determinada população.
Total
53
100%
6
100%
0
0%
0
0%
0
0%
Quadro 26
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Total
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser
dadas nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre
doenças infecto-contagiosas.
39
10%
32
8%
51
13%
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
33
8%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
54
13%
46
11%
44
11%
46
11%
58
14%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da
comunidade educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as suas
diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo
Centro de saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu
desenvolvimento intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a
adopção de comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
Quadro 27
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no
processo de ensino-aprendizagem,
estabeleçam, sem dificuldade, a relação
existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas
deixem de ser dadas nos Centros de
saúde e passem a ser dadas nas escolas
para poderem dar assistência a todos os
elementos da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na
circulação cada vez maior de
informação médica sobre doenças
infecto-contagiosas.
Integrar a vida da Escola na vida da
Comunidade onde a escola está inserida.
Fomentar a realização de actividades
que informem os alunos sobre os
perigos de certas doenças.
Basear a intervenção na realização de
exposições que permitam que os
professores informem os Encarregados
de Educação sobre os malefícios do
tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que
a relação existente entre todos os
1 ano
2 anos
Anos no Projecto
3 anos
4 anos
5 anos
33
9%
3
11%
0
0%
0
0%
1
11%
26
7%
3
11%
0
0%
0
0%
1
11%
44
13%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
28
8%
2
7%
0
0%
0
0%
1
11%
46
13%
5
18%
0
0%
0
0%
1
11%
42
12%
1
4%
0
0%
0
0%
1
11%
39
11%
2
7%
0
0%
0
0%
1
11%
137
Conceito de Escola Promotora de Saúde
1 ano
elementos da comunidade educativa
alargada permita que todos se sintam
bem, porque são aceites com as suas
diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida
saudável através da distribuição de
desdobráveis, fornecidos pelo Centro de
saúde, com informações sobre as
características de uma alimentação
saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a
Escola, instalações que permitam não só
o seu desenvolvimento intelectual mas
também físico, motor, sensorial e
emocional de tal modo que a adopção de
comportamentos saudáveis seja a opção
mais fácil de tomar.
2 anos
4 anos
5 anos
39
11%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
51
15%
4
14%
0
0%
0
0%
1
11%
348 100%
Total
Anos no Projecto
3 anos
28 100% 100% 0$%
0 100%
9 100%
Quadro 28
Envolvimento no projecto
Discussão de
ideias
52
Tomada de
decisões
33%
37
Realização de
actividades
23%
55
Avaliação de
actividades
34%
16
10%
Quadro 29
Envolvimento dos vários
grupos
Pessoal
docente
Alunos
Pessoal não
docente
Encarregados
de Educação
Total
Propuseram ideias
55
42%
54
41%
11
8%
12
9%
132
100%
Aceitaram as ideias
propostas pelos outros
grupos
12
29%
20
49%
4
10%
5
12%
41
100%
Colocaram questões às
propostas apresentadas
pelos outros grupos e
reformularam-nas
32
42%
38
49%
3
4%
4
5%
77
100%
Aceitaram só algumas das
propostas apresentadas
pelos outros grupos.
31
43%
32
44%
6
8%
3
4%
72
100%
138
Rejeitaram todas as
propostas apresentadas
pelos outros grupos.
2
22%
3
33%
1
11%
3
33%
9
100%
139
11.4.3 Quadros questionários alunos
fora do Projecto
Quadro 30
Género
Alunos no projecto
Masculino
44
53%
Feminino
39
47%
Total
83
100%
Quadro 31
Idade
11
12
13
14
15
Total
Masculino
1
3%
26
65%
9
23%
3
8%
1
3%
40
100%
Feminino
0
0%
31
82%
2
5%
3
8%
2
5%
38
100%
Total
1
1%
58
73%
11
14%
6,2
8%
3,1
4%
80
100%
Quadro 32
Cargos que
desempenha ou
desempenhou nesta
escola
Delegado de turma
Masculino
Feminino
Total
7
58%
4
50%
12
55%
Representante ao
Conselho Pedagógico
0
0%
0
0%
0
0%
Representante ao
Conselho Directivo.
0
0%
0
0%
0
0%
Representante na
Assembleia de Escola
1
8%
0
0%
1
5%
Elemento da
Associação de
Estudantes
2
17%
0
0%
2
10%
Assembleia de turma
Sub-delegado de
turma
0
0%
2
25%
2
10%
1
8%
2
25%
3
15%
Secretário
1
8%
0
0%
1
5%
12
100%
8
100%
20
100%
Total
140
Quadro 33
Áreas em que mais participa na vida escolar
Total
Actividades culturais
Actividades desportivas
Actividades festivas
Conselho de turma
Aulas e trabalhos lectivos
Animação de espaços escolares
Associação de Estudantes
Outras
Total
4
41
12
0
31
7
0
0
95
4%
43%
13%
0%
33%
7%
0%
0%
100%
Quadro 34
Formas de participação
Tomada de
Realização de
decisões
actividades
1
3%
3
5%
17
52%
30
50%
1
3%
5
8%
0
0%
0
0%
13
39%
17
28%
1
3%
5
8%
0
0%
0
0%
0
0%
0
0%
33
100%
60
100%
Área de Actividade
Discussão de
ideias
Actividades culturais
1
3%
Actividades desportivas
18
53%
Actividades Festivas
0
0%
Conselho de turma
0
0%
Aulas e trabalhos lectivos
15
44%
Animação de espaços escolares 0
0%
Associação de estudantes
0
0%
Outros
0
0%
34
100%
Total
Avaliação da
actividade
2
6%
21
58%
1
3%
0
0%
12
33%
0
0%
0
0%
0
0%
36
100%
Quadro 35
Actividades culturais
Discussão de
ideias
1
14%
Formas de participação
Tomada de
Realização de Avaliação da
decisões
actividades
actividade
1
14%
3
43%
2
23%
Actividades desportivas
18
21%
17
20%
30
35%
21
Actividades Festivas
0
0%
1
14%
5
71%
Conselho de turma
0
0%
0
0%
0
15
26%
13
23%
Animação de espaços escolares
0
0%
1
Associação de estudantes
0
0%
Outros
0
0%
Área de Actividade
Aulas e trabalhos lectivos
Total
7
100%
24%
86
100%
1
14%
7
100%
0%
0
0%
0
100%
17
30%
12
21%
57
100%
17%
5
83%
0
0%
6
100%
0
0%
0
0%
0
0%
0
100%
0
0%
0
0%
0
0%
0
100%
141
Quadro 36
Conceito de Saúde
Total
Ausência de doença e completo bem-estar físico
11
20%
Capacidade de cada indivíduo para lutar pelo seu projecto de vida, em direcção ao bem-estar.
11
20%
Capacidade de cada indivíduo para recorrer aos serviços necessários para se manter saudável.
33
60%
Quadro 37
Conceito de Promoção da Saúde
Total
Processo que visa dar as informações para que os indivíduos não coloquem a sua saúde em perigo.
13
23%
Processo que visa criar as condições que permitam aos indivíduos e aos grupos controlar a sua saúde, a
dos grupos onde se inserem e agir sobre os factores que a influenciam.
19
33%
Aumentar o número de Hospitais e centros de Saúde que servem uma determinada população.
25
44%
Quadro 38
Conceito de Escola Promotora de Saúde
Conseguir que todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, estabeleçam, sem
dificuldade, a relação existente entre os conteúdos e a vida.
Conseguir que as consultas médicas deixem de ser dadas nos Centros de saúde e passem a ser dadas
nas escolas para poderem dar assistência a todos os elementos da sua comunidade educativa.
Fundamentar a Promoção da saúde na circulação cada vez maior de informação médica sobre doenças
infecto-contagiosas.
Total
17
8%
36
16%
28
13%
Integrar a vida da Escola na vida da Comunidade onde a escola está inserida.
24
11%
Fomentar a realização de actividades que informem os alunos sobre os perigos de certas doenças.
35
16%
14
6%
22
10%
26
12%
22
10%
Basear a intervenção na realização de exposições que permitam que os professores informem os
Encarregados de Educação sobre os malefícios do tabaco.
Potenciar um “Clima de Escola” em que a relação existente entre todos os elementos da comunidade
educativa alargada permita que todos se sintam bem, porque são aceites com as suas diferenças.
Fazer com que se atinja uma vida saudável através da distribuição de desdobráveis, fornecidos pelo
Centro de saúde, com informações sobre as características de uma alimentação saudável.
Oferecer, a todos os que frequentam a Escola, instalações que permitam não só o seu desenvolvimento
intelectual mas também físico, motor, sensorial e emocional de tal modo que a adopção de
comportamentos saudáveis seja a opção mais fácil de tomar.
11.5 Guião das Entrevistas
143
11.5.1 Entrevista estruturada aos
professores
Nome
Idade
Anos de serviço
Há quantos anos está na escola?
Pertence ao quadro da escola?
Como surgiu o Projecto, na escola?
Quem o propôs?
Como foi implementado
Qual a sua participação nele?
Como caracteriza a participação dos alunos, neste Projecto?
Para si, como deve ser feita a Promoção da Saúde na Escola?
11.5.2 Entrevista estruturada aos alunos
Nome
Idade
Ano de escolaridade
Turma
Há quantos anos está na escola?
Como surgiu o Projecto, na escola?
Quem o propôs?
Como foi implementado
Qual a sua participação nele?
Para si, o que poderá ser feito na escola para proteger a Saúde dos que cá
estudam e trabalham?
144
11.5.3 Análise das entrevistas aos professores
1ª Folha
Nome
António Almeida
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
A ideia que eu tenho não é
assim muito concreta
Não percebi muito bem.
A ideia é que ia continuar do
ano passado e agora depois daí
não sei mais nada
Foi o Executivo.
José Carlos Monteiro
Ana Paula Lisboa
Alexandre Garcia
Temas
Moldes em que o projecto
Envolvimento dos professores
se desenvolveu
Foi tema da Área-escola.
Já estavam um bocado fartos.
Quem desenhou o projecto
Director de turma.
Já levava o projecto feito.
As pessoas [os profs]
também deram algumas
sugestões.
Envolvimento pessoal
Trabalhei a expressão de
alguns textos.
Não participei mesmo muito
neste projecto.
Englobámos [o] Projecto
nas diferentes ÁreasEscolas.
(...) convocamos os Directores de Eu e outra colega (...)
Turma do 8º ano, fizemos uma
idealizamos algumas
actividades.
reunião, propusemos a esses
Directores de turma as diferentes
actividades, cada um escolheu a
actividade de acordo com a
turma que tinha (...)
Coordenador do projecto.
Não sabe.
Com as turmas.
----
----
É um tema que está a ser
trabalhado, este é o terceiro
ano, na escola.
O tema já vem definido, do
Ministério, para o 8º ano.
Mas ficou o Director de
Turma responsável pelo
projecto, pelo plano de
cada turma.
Houve no primeiro período,
senão me engano (...) uma
primeira reunião intercalar em
que a primeira parte dessa
reunião era a exposição, explicar
aos professores da turma (...) o
(...) nós reunimo-nos, os
Directores de Turma, e
havia várias hipóteses.
Mas eu penso que já nessa
altura [na reunião intercalar
Iniciou-se o projecto numa
altura em que eu não estava
na escola. (Doença)
Eu fiz muito pouca coisa.
(...) a minha participação foi
principalmente de coordenar
tudo – estabelecer datas,
marcar dias, reservar locais de
trabalho.
145
Nome
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Moldes em que o projecto
se desenvolveu
Ana Paula Lisboa
(continuação)
Susana Pinho
É um projecto que deve ter para
aí uns três ou quatro anos.
Surgiu como tradição (...).
[Decisão tomada]
provavelmente no Pedagógico.
(...) dentro da Área-Escola
havia temas. O oitavo ano,
obrigatoriamente, era a
Sida.
Temas
Envolvimento dos professores
que é que eles [os alunos]
queriam fazer, o que é que
sugeriam.
Havia dias completos em que
eles das 8h30 às 18h30,
consoante o horário, trabalhavam
e nós é que chegávamos às salas
e não lhes era dada mais matéria
nenhuma, só vinham para
aqueles trabalhos. sugeriam.
Havia dias completos em que
eles das 8h30 às 18h30,
consoante o horário, trabalhavam
e nós é que chegávamos às salas
e não lhes era dada mais matéria
nenhuma, só vinham para
aqueles trabalhos.
(...) falamos de várias propostas.
O que é que enciaxa no
programa, o que é que náo
encaixa, o que é que se pode
fazer o que não se pode, etc.
Quanto às ideias algumas ficaram
mais no âmbito da educação
Visual, outras funcionaram só
quase a nível organizativo, mas
todas elas com uma grande parte
de intervenção de Ciências,
porque aí é que davam a parte da
doença, da prevenção.
O que me chateia na Área-escola
Quem desenhou o projecto
Envolvimento pessoal
do 1º período] distribui o
projecto direitinho, que
depois foi alterado em data,
nesta ou naquela actividade,
neste ou naquele material
mas ele já vinha mais ou
menos delienado.
Penso que era um tema que
dependia um bocadinho do
arranque do professor de
Ciências, é um conteúdo do
programa.
Essas coisas passam pelos
Conselhos de Turma,
falamos sobre o que era a
Área-Escola, ver como é
que cada disciplina pode
trabalhar.
Era a professora da disciplins
de Educação Visual, onde eles
fizeram todos os materiais.
146
Nome
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Moldes em que o projecto
se desenvolveu
Helena Rego
Quem desenhou o projecto
Envolvimento pessoal
(...) é exactamente a falta de
comunicação, a tal
interdisciplinariedade que não
funciona, não dá.
Tens um projecto, mas podia ser
um projecto em que todos os
professores se empenhassem, sei
lá, há aqueles que têm só o corpo
presente, não é?
Susana Pinho
(continuação)
Lurdes Rego
Temas
Envolvimento dos professores
Já no ano passado foi o mesmo
projecto, e penso que há dois
anos também.
Foi o Conselho Executivo que
escolheu com o Grupo de
Ciências, acho eu.
Isto já vem decorrendo ao longo
dos últimos anos. No ano
passado também houve na áreaEscola. Penso que é a
continuidade desse trabalho.
Acho que já foi proposto desde
o início do ano, os alunos
aceitaram e os professores
também.
Nós tínhamos que decidir
nas turmas, nas três turmas
do oitavo ano, o que é que
iríamos fazer.
Área-Escola
Nós planificamos, numa das
reuniões de Conselho de Turma,
planificamos as actividades da
Área-escola.
Eu fiquei a coordenar os
trabalhos dos alunos. Eles é
que fizeram o trabalho, mas
eu fiquei a coordenar, a
distribuir as aulas que eram
precisas para trabalhar.
O projecto da Área-escola é (...)só fiz a minha parte do
sempre o Director de Turma trabalho.
quem o coordena. (...) A
planificação deve ser feita
em conjunto e deve ser
proposta pelos alunos. Neste
caso eu não estou tão por
dentro, eu não era Directora
de turma (...)
147
2ª Folha
Nome
Alexandre Garcia
Razões para o envolvi/to
pessoal
Talvez o tema não me
tenha seduzido muito.
É importante a temática,
mas já cansa um bocadinho
estar a fazer trabalhos sobre
isso.
António Almeida
Havia sempre necessidade
de haver alguém a
coordenar.
José Carlos Monteiro
Era Director de Turma de
uma turma do 8º ano.
Concordância com o tema do Projecto.
A Sida é sempre o mesmo lugar comum:
que é perigoso, que é mortal, que é fatal
(...). Os miúdos já sabem isso.
Na minha opinião é bom alertar, é bom
falar, mas também tornar isso uma
obsessão (...).
Não sei até que ponto não se poderia
variar para outra coisa.
Temas
Envolvimento dos alunos no projecto.
Vi bastante entusiasmo.
A maior parte dos alunos estava envolvida no projecto.
Iam fazer coisas, estavam a trabalhar.
Eles estavam activos, tinham tarefas a fazer.
Já são quase 4 anos, na Área-Escola do 8º ano, que se fala no tema Sida e
depois como há muitos repetentes e nos 8º anos, quando se fala em Sida,
ouve-se sempre aquela resposta “Oh, outra vez a Sida? Vamos mudar de
tema!”.
Inicialmente, realmente é difícil.
Depois é evidente que, como não há grande criatividade nalgumas turmas,
eles não conseguiam idealizar um tema mais interessante (...)
Inicialmente foi má, a reacção foi negativa. Mas depois com o trabalho, com
o passar das aulas, ficaram mais mentalizados, já foram trabalhando
Eu sempre... no aspecto da Sida
propriamente dita e no aspecto sexual,
nessas idades, que eu acho muito curiosas
mas muito difíceis, mesmo com projectos
e mesmo no antigamente, tentava abordar
um determinado tipo de assuntos, com
muita seriedade.
Eu aprendi a tratar esses temas com muita seriedade, com muito cuidado e o
melhor possível. Agora eles, alunos, não se empenharam muito. Brincaram
com coisas que eu acho que são sérias.
Não sei quem lhes deu uns preservativos e eles tinham-nos furados, assim
disparates que eu já não tenho paciência para aturar, nem eu nem nenhum
colega meu, com certeza.
148
Nome
Ana Paula Lisboa
Susana Pinho
Razões para o envolvi/to
pessoal
Era Directora de Turma de
uma turma do 8º ano.
Era a professora de EV de
uma turma do 8º ano.
Lurdes Rego
Helena Rego
Era professora de uma
turma do 8º ano.
Concordância com o tema do Projecto.
Temas
Envolvimento dos alunos no projecto.
É o terceiro ano que trabalho com eles e já Eu acho que eles aderiram bem.
não aguento mais este tema.
(...) foi uma coisa diferente.
Tenho tido oitavos anos, nestes três anos,
e é sempre a mesma coisa. Chega a um
ponto que não dá para virar mais, não dá
para fazer mais nada.
(...) os miúdos ainda são muito dependentes em termos de escolhas (...).
Quando têm uma tarefa a fazer ainda têm de ser muito orientados porque
senão sentem-se completamente perdidos (...).
(...) alguns deles não trabalharam praticamente nada.
Não é não gostarem do tema, é a tal coisa, já viram o tema trabalhado pelos
colegas e alguns como são repetentes já tinham trabalhado o ano passado.
Acho que eles já estão um bocado fartos do tema.
Eles gostam de ouvir falar, gostam de ouvir aquelas curiosidades sobre a
origem do vírus, essas coisas gostam. Mas depois quando uma pessoa entra
em partes que eles não acham tão interessantes, eles já mostram mais
aborrecimento.
A participação deles foi um bocado passiva na minha aula, uma vez que foi
basicamente transmissão de conhecimentos.
149
11.5.4 Análise das entrevistas aos alunos
1ª Folha
Nome
Temas
Como foram tomadas as
decisões
Os alunos é que decidiram: a
constituição dos grupos, o
que cada grupo iria fazer.
Roberto Silva (8ºC)
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Conselho Executivo.
Como se organizaram para
desenvolver o Projecto
Nós trocamos ideias entre
nós, sobre o que íamos fazer
e chegamos à conclusão que
íamos fazer cartazes e
panfletos.
Fizemos grupos e cada um
tinha a sua função. Nós
trabalhamos – uns a fazer
panfletos, outros cartazes.
Alberto Tiago (8ºC)
Conselho Executivo
Foi em grupo. Primeiro
Era a “setôra” que escolhia
fizemos grupos e depois
[os desenhos].
estivemos a fazer desenhos
para escolher. Primeiro
fazíamos todos um desenho,
um cada um, o que ficasse
melhor ficava (...).
Muita coisa havia de ser
modificada.
Muitos estão aqui num grupo
e depois passam para outro, e
depois ajudam outro, não
vêm ajudar, e há sempre
aquelas zangas (...).
Mas eu gostava na mesma
Quem desenhou o
projecto
Envolvimento pessoal.
Fiz um cartaz.
Gostei.
Porque havia um bocado de
tudo. (...) no grupo onde estava,
umas vezes trabalhava-mos,
outras vezes falava-mos, outras
mandava-mos umas piadas.
Ao fazermos gostei, agora
depois ao fim isso foi outra
coisa [, não ficou muito bem].
150
Nome
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Alberto Tiago (8ºC)
(continuação)
Rita Martins (8ºC)
Não [sei]. O projecto da
Sida já tem muitos anos,
para aí 4, mais ou menos.
Liliana Sá (8ºC)
Conselho Executivo
Nuno Oliveira (8ºC)
Directora de Turma
Como se organizaram para
desenvolver o Projecto
porque tinha aquelas pessoas
que sabiam ser organizadas e
os outros que não gostavam,
que era mais para a
brincadeira, saíam do grupo.
Começamos a dividir tarefas,
panfletos ou cartazes.
Fizemos os grupos e depois
íamos procurar as coisas
sobre a Sida.
Acho que foi bem
organizado mas alguns
rapazes punham-se na
brincadeira, não conseguiam
fazer sempre as coisas.
Cada um trazia coisas
(informações) de casa,
juntávamos. Púnhamos num
papel e desenhava-mos nós.
Isto vai ficar assim, aqui o
texto, aqui as imagens.
Depois alguém levava para
casa e passava a computador.
Em grupo.
Dar ideias, colaborar (...).
Os grupos é que decidiam
(...) e depois a “setôra” dizia
se estava certo ou errado.
Fizemos grupos, dividimos
as tarefas.
[Acho que o meu grupo
Temas
Como foram tomadas as
decisões
Quem desenhou o
projecto
Envolvimento pessoal.
Às vezes [discutíamos com a
turma] outras vezes era no
grupo e depois chamávamos
a professora a ver se aceitava
a nossa ideia.
Acho que trabalhei bem.
[Gostei] (...) é a primeira vez
que trabalhei na Sida e é uma
coisa diferente. Acho que foi
bom.
[Quem estabeleceu os
grupos] foi a nossa Directora
de Turma.
Simplesmente dava ideias,
colaborava, trabalhava (...).
Agora os professores dizem que
não trabalhei, eu não tenho
culpa.
Trabalhei bem.
[Gostei de trabalhar], é um
trabalho que é bom de fazer.
[Quem estabeleceu os
grupos] foi a nossa Directora
de Turma.
151
Nome
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Nuno Oliveira (8ºC)
(continuação)
Tiago Oliveira (8ºC)
Professores.
Ana Cristina (8ºC)
Conselho Executivo.
Ricardo Azevedo (8ºC)
Directora de Turma
Susana Costa (8ºC)
Conselho Executivo
Helena Ferreira (8ºC)
Já há muitos anos que o
tema era a Sida e nós este
ano continuámos.
Como se organizaram para
desenvolver o Projecto
funcionou bem] porque
estávamos a trabalhar em
cartazes e fazíamos coisas
que eram atractivas (...).
Pusemo-nos em grupo.
Nós não fizemos quase nada.
[Brincamos muito]
[O trabalho era um bocado
difícil].
Começamos por pesquisar
para saber como é que as
pessoas se metiam nessas
coisas (...).
Dividimo-nos em grupos.
Em grupos. Cada grupo tinha
um trabalho destinado.
Nós íamos fazendo projectos
e todos tinham que
concordar.
Formamos grupos e depois
começamos a conversar
sobre o que havíamos de
fazer (...).
[As informações] fomos
retirar á Internet, a livros, a
ver o que era a Sida (...).
Foi em grupos.
Uns faziam panfletos, outros
cartazes.
Temas
Como foram tomadas as
decisões
Cada grupo é que escolhia [o
que queria fazer].
Fomos nós que escolhemos
[os grupos].
Eram os grupos [que
decidiam o que queriam
fazer].
A Directora de turma ajudou
[a dividir por grupos] mas
nós é que escolhemos.
Quem desenhou o
projecto
Envolvimento pessoal.
Fazer coisas para a escola, para
a escola saber o que é.
Eu acho que foi boa.
[Quem organizou os grupos]
Foi a nossa directora de
turma e também nós.
Gostei.
[Quem organizou os grupos]
fomos nós.
Eu acho que foi boa.
Cada um tinha a sua coisa para
fazer e eu fiz o que me
competia.
Cada grupo é que escolheu [o
que queria fazer].
(...) nós fazíamos muito
barulho e aquilo não dava
bem, os cartazes, e achamos
152
Nome
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Como se organizaram para
desenvolver o Projecto
Luís leite (8ºC)
Professores.
Ricardo Silva (8ºA)
Conselho Executivo.
Paula Salgado (8ºA)
Não sabe.
Jaime Salazar (8ºA)
Conselho Executivo.
Em grupos.
(...) cada pessoa tinha que
fazer uma coisa, escrevia e
fazia as partes principais da
escrita a computador, outro
fazia os desdobráveis (...)
Cada aluno tinha uma tarefa
(...).
Divididos por grupos.
(...) nós tínhamos algumas
actividades que já vinham
propostas nuns papéis e
então nós estudávamos
aquilo e víamos. Depois
quem quisesse dar
propostas...
[As propostas] eram jogos
(...). Acho que não tinham
muito a ver [com a Sida]
(...)[Mas] Achamos piada e
fizemos.
Não sei.
Helena Ferreira (8ºC)
(continuação)
Temas
Como foram tomadas as
Quem desenhou o
decisões
projecto
que era melhor os placards.
[Quem decidiu mudar para os
placards] Foram os
professores, nós por nós até
fazíamos os cartazes só que
pronto, nós também achamos
melhor essa ideia dos
placards.
[Quem organizou os grupos]
fomos nós.
Envolvimento pessoal.
Foi boa.
[Quem nos dividiu por
grupos] Foi mesmo o
professor de Ciências.
Acho que foi boa.
Fizemos jogos e eu participei.
153
Nome
Silvia Correia (8ºA)
Conhecimento sobre quem
propôs o Projecto
Professores.
Como se organizaram para
desenvolver o Projecto
Pusemo-nos em grupo.
Organizamos jogos.
Luís Antunes (8ºA)
Professor de Ciências.
Todos em conjunto. Cada um
(grupo) tinha o seu jogo para
organizar.
Temas
Como foram tomadas as
decisões
Os jogos eram do ano
passado e foi o professor
António que deu a ideia.
Nós é que escolhemos os
jogos e ficámos a organizar
tudo.
Quem desenhou o
projecto
Envolvimento pessoal.
Eu é sou a delegada de turma,
tive que organizar a maior
parte.
154
2ª Folha
Nome
Como proteger a saúde na escola
Roberto Silva (8ºC)
Já temos feito muito.
Temos feito concertos. (...) nós falámos lá como nos
protegermos e como não ter [SIDA].
Tem feito muitas coisas.
Sobre a poluição.
(...) quando a escola mais prende as pessoas aqui mais
eles lhes apetece fazer. (...) Assim, por exemplo, a
escola proibiu de fumar. (...) E eles mais fumam que é só
para contrariar a escola. Se a escola deixasse eles talvez
“Isto? Isto já nem dá gosto!”.
Nos balneários. Acho que deviam mudar algumas
coisas.
Acho que devia ter (...) Estrados.
As casas-de-banho (...). Aquilo eu acho que não tem
muita higiene.
É não fumar porque andam a fumar muito,
principalmente aqui atrás dos pavilhões.
[Deviam] pôr funcionários aqui a ver, de vez em
quando.
Pôr um posto médico.
(...) em vez de ir para o hospital, tinha aqui um posto
médico para aconselhar os alunos.
(...) acho que deveríamos ter um curso de música. (...)
uma pessoa que tenha Sida, pode esquecer-se de várias
maneiras, por exemplo, a música.
(...) a Aeróbica. Tem muito a ver com a saúde. Fazer
ginástica faz saudável, não é?
(...) aqui na escola não tem muito a ver coma escola.
Aqui é mais para se trabalhar. Prontos, na cantina ter-se
Alberto Tiago (8ªC)
Rita Martins (8ºC)
Liliana Sá (8ºC)
Nuno Oliveira (8ºC)
Temas
Interesse em trabalhar temas relacionados com a Conceito de saúde.
saúde.
(O que te lembra a palavra saúde?)
[Gosto de participar em trabalhos sobre estes
temas] porque acho engraçado uma pessoa estar a
corrigir erros que uma pessoa não pode ter no
futuro.
Eu acho que podiam variar.
Por exemplo, este ano podia ser o Ambiente, para
o ano a SIDA e depois... continuava sempre a
Sida mas em cada ano trocavam.
Porque a Sida, o pessoal já sabe e depois começa
a ver “Oh, eu já sei isso tudo, vou continuar a ver
outra vez” (...).
Se uma pessoa comer coisas doces que
nos façam mal por dentro.
É bom. Adoro.
Porque conhecemos coisas novas. O que nós
podemos fazer quando temos um colega com
uma situação muito grave, sobre Sida,
conhecemos coisas novas (...). É bom saber estas
coisas. Assim ao menos estamos prevenidos.
São doenças, morte.
É termos problemas de saúde, é
fazermos por não ter, fazendo uma
155
Nome
Como proteger a saúde na escola
Nuno Oliveira (8ºC)
(continuação)
Tiago Ribeiro (8ºC)
Ana Cristina (8ºC)
as devidas precauções, para que não haja nada de mais.
Ricardo Azevedo (8ºC)
Susana Costa (8ºC)
Helena Ferreira (8ºC)
Temas
Interesse em trabalhar temas relacionados com a
saúde.
Conceito de saúde.
(O que te lembra a palavra saúde?)
alimentação correcta (...).
Não sabe.
É muito bom ter uma psicóloga aqui. Os professores
ajudam muito também.
(...) esclarecem qualquer dúvida que a gente tenha, a
gente pergunta e eles falam.
(...) a escola de mês a mês havia de pôr aí a fazerem
análises, ecografias, para ver se alguém estava doente.
Que esta escola está bem boa de equipamentos (...) em
termos de laboratórios, tem telescópios.
Pavilhões sempre limpos e temos um polivalente onde
podemos ouvir música e isso tudo. Também temos um
gimnodesportivo (...).
Doenças.
Eu não sou uma pessoa muito saudável
(...). Mas há aquelas pessoas que são,
gostam de experimentar coisas novas e
vão estragá-la.
Quer dizer que tem saúde, que não está
em risco de nada.
Saudável é uma pessoa que tem alegrias,
que não tem tristezas, que tem tudo (que
se dá bem com ela).
Uma pessoa saudável é uma pessoa que
tem o seu trabalho, uma pessoa bonita,
(...) que tem uma vida boa.
Uma coisa que eu acho que está aqui muito mal é o
tabaco, o fumo.
[A escola devia] Proibir ou pôr vigilantes. Vigiar que
eles já não fumavam, eu acho.
Quando alguém se aleija chamam a ambulância e,
quando é um ferimento menos grave, curam a gente aqui
na escola. Quando estamos mal dispostos mandam-nos
para casa.
[A escola está mal] nos horários, acho que estamos
muito tempo na escola.
Doenças que existem.
Luís leite (8ºC)
Mais desporto.
Ricardo Silva (8ºA)
Acho que aqui na nossa escola já está bem informada de
tudo.
É mente sã em corpo são.
“Corpo são” é que não tem nenhuma
doença, fisicamente.
Psicologicamente sem nada, andamos aí
contentes. Temos que pensar em coisas
mas sem pensar em nada de
preocuopante.
Mente, se está bem de saúde
fisicamente.
É uma pessoa estar bem de saúde. Estar
bem. Não ter problemas.
156
Nome
Ricardo Silva (8ºA)
(continuação9
Paula Salgado (8ºA)
Jaime Salazar (8ºA)
Silvia Correia (8ºA)
Luís Antunes (8ºA)
Como proteger a saúde na escola
Distribuir panfletos [sobre] saúde.
A escola também podia ter um posto médico.
(...) também podia chamar cá os Encarregados de
Educação [para] Discutir a saúde, a Sida, os perigos que
há. (...) as doenças que podemos ganhar aqui na escola,
pode ser contagioso para outro colega nosso, mas a Sida
principalmente porque acho que é assim fundamental.
Proibir de fumar decerto não conseguem.
Os alunos fumam na mesma e ainda gozam por cima.
Tentar organizar um grupo que falasse sobre saúde aos
alunos.
(...) como devemos tomar conta do nosso corpo, o que
nós não devemos ingerir, por exemplo, o tabaco.
A droga. A Sida.
Organizar mais reuniões entre os Encarregados de
Educação, alunos... fazer panfletos. Alguns alunos não
sabem. Algumas doenças que prejudicam a saúde.
Mais centros de saúde.
Temas
Interesse em trabalhar temas relacionados com a
saúde.
Conceito de saúde.
(O que te lembra a palavra saúde?)
Um problema de saúde é também o
alcoolismo, fumar a droga.
Estar doente. Ser saudável.
Não sei.
Saúde para mim é uma coisa importante.
(...) eu já estive mal de saúde e acho
importante que eu me cuide (...).
Faço uma boa alimentação.
Doença.
157
11.6 Análise e conteúdo das
entrevistas
158
11.6.1 Descrição do quadro
de análise
O seguinte quadro foi construído tendo em como base as ideias chaves
que estão presentes na definição dos objectivos do meu estudo: concepções de
Saúde; práticas de Promoção da Saúde; modalidades de participação num
Projecto de Promoção/Educação para a Saúde.
Para analisar as entrevistas que realizei, construi um quadro de
análise onde estão espelhadas, sob a denominação de Dimensões, as ideias
dominantes do meu trabalho. É importante, para o meu estudo, que consiga
perceber qual a concepção que os principais intervenientes no projecto têm de
Saúde (salutogénica ou patogénica) pois decorrente desta está a postura face à
actuação que elegem para a Promoção da Saúde, sendo consequentemente
importante analisar as práticas escolhidas para o desenvolvimento do projecto.
É também pertinente verificar se um dos aspectos fundamentais
da Promoção da Saúde é contemplado, refiro-me aos processos participativos.
Convém analisar de que forma os vários intervenientes actuam e quais os
espaços utilizados para a sua actuação.
159
11.6.2 Quadro de análise
das entrevistas
Dimensões
Concepções de Saúde
Práticas de Promoção da Saúde
Categorias
Patogénica
Salutogénica
Sala de Aula
Escola
Planeamento
Participação no Projecto
Estrutura de
envolvimento
Envolvimento
pessoal
Indicadores
Ausência de doença
Bem-estar físico, psicológico
e social
Uma disciplina
PSA
Várias Disciplinas
Especialistas
PE
Internas às escolas
Autoria
Professores PPP
Não sabe
Autoria
Alunos
PPA
Não sabe
Conselho de turma
Professores PEP
Departamento curricular
Não sabe
Turma
Alunos
PEA
Não sabe
Tipo
Professores PEVP Razões
Interesse
Tipo
Alunos
PEVA
Interesse
CP
CS
CPAS
CSBE
PSAU
PSAV
PEE
PEI
PPPA
PPPNS
PPAA
PPANS
PEPC
PEPD
PEPNS
PEAT
PEANS
PEVPT
PEVPR
PEVPI
PEVAT
PEVAI
160
11.7 Entrevistas aos
Professores
161
11.7.1 1ª entrevista
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Então é assim... dizes-me o nome, se fazes o favor.
...
És do 8º...
Grupo A
Exacto, 8º grupo A, e és da turma do 8ª...
E lecciono o 8º C e B.
Não te importas de me dizer a idade?
Não. Tenho 33.
E anos de serviço?
Para aí uns 8.
E já estás há muitos anos aqui na escola?
Nesta escola fiz aqui o estágio há uns tempos, há uns anos, e agora é o
segundo ano.
Mas pertences ao quadro de professores?
Não, não pertenço ao quadro desta escola.
Podias-me falar sobre qual é a ideia que tu tens sobre quem propôs o
Projecto (Projecto de Prevenção da Sida) aqui na escola?
Se eu tenho alguma ideia sobre quem propôs este projecto?
Sim. Como é que surgiu.
A ideia que eu tenho não é assim muito concreta porque, como te digo,
eu tenho a minha direcção de turma com a qual estou muito preocupado.
Estou sobretudo preocupado com procedimento deles porque é fraco,
dão bastante trabalho. Mas a ideia que eu tenho, na reunião em que eu
estive, foi que o projecto.... até as pessoas mostraram-se um bocado
saturadas porque o projecto já tinha antecedentes, já vinha do ano
passado, e por um bocado de tradição. Nessa reunião foi a ideia que...
não percebi muito bem, mas houve a ideia de continuar com o projecto.
Mas depois as pessoas trabalharam nele e.... e deu resultado, mas a ideia
é que ia continuar do ano passado e agora depois daí não sei mais nada.
Essa reunião que tu falas foi qual, a reunião de conselho de Turma?
Foi, foram as reuniões dos conselhos de turma.
A primeira?
Sim, sim.
A primeira foi quando, antes das aulas começarem...
Antes das aulas começarem.
E foi apresentado como tema da área-escola?
Foi tema da área-escola, praticamente como facto consumado. A
prevenção da Sida...E as pessoas “Outra vez? Bla...bla”
Havia pessoas que já tinham trabalhado?
Sim. Já estavam um bocado fartos. Quase todos disseram isso. Acho que
foi das poucas coisas que... lembro-me disso.
E depois como é que se desenvolveu, a implementação dele aqui na
escola? Houve essa primeira reunião em que o tema foi abordado...
162
− Sim sim.
− E depois?
− Seguiu aqueles rituais que já deves saber, não é? Nas reuniões, no
primeiro período, o projecto estava delineado, foram....
− Foi delineado por quem?
− Pelo Director de Turma, essencialmente pelo que eu sei. Já levava o
projecto feito, a Ana Paula Lisboa. E depois foram distribuídas as
tarefas. As pessoas também deram algumas ideias para complementar o
projecto. Foram distribuídas as tarefas e depois passou-se para a fase de
concretização do projecto em si. E foi isso. Acho que é o habitual, não
é?
− Portanto, já me disseste que a tua participação foi ceder algumas aulas.
− Sim, algumas aulas. Trabalhei a expressão de alguns textos... mas estava
preocupado com...
− Com a tua turma....
− E sobretudo não...não participei mesmo muito neste projecto.
− As pessoas também têm formas diferentes de participação....
− Sim...e sobretudo eu estava a liderar outros. A ideia basicamente é essa.
Talvez também o tema não me tenha seduzido muito, à partida, sou
franco. É importante a temática, mas já cansa um bocadinho estar a fazer
trabalhos sobre isso, na minha opinião. Já cansa. Para Português não é
assim um grande desafio, sabes? A Sida é sempre o mesmo lugar
comum: que é perigoso, que é mortal, que é fatal, aquele picou-se e
depois morreu com Sida e é...pronto. Os miúdos já sabem isso, estás a
perceber? Na minha opinião. Agora estar a bater no monstro, não sei...
Nem sei se será muito bom... estar a... Na minha opinião é bom alertar, é
bom falar, mas também tornar isso uma obsessão, estás a perceber? Não
sei até que ponto não se poderia variar para outras coisas...
− Pois, estar sempre a falar na mesma coisa...
− É que Sida, droga, são uma espécie de monstros, estás a perceber? E não
sei se à partida estão a assustar as pessoas porque a Sida depois...
também estão lá no início da aprendizagem sexual e não sei quê e fazer
disso um monstro é mau. Acho que... pronto, alertar – olha se fizeres
isto pode ser fatal- mas se calhar já chega um bocado, estar a bater...
chega. Agora é preciso... as pessoas também têm que viver. Não sei...
Pronto. É isso, basicamente é isso que eu penso.
− Como é que achas que foi a participação dos alunos no Projecto?
− Por acaso a turma é muito difícil, o 8ºC, estou a falar do 8ºC.
− Sim, pode ser.
− Pois... eu sobretudo vi mais o 8ºB, a participação do 8ºB. Acompanhei
mais porque vi bastante entusiasmo e a turma é difícil, por acaso sim. E
isso é uma coisa positiva. O 8ºC também parece que sim, a maior parte
da turma estava bastante entusiasmada e envolvida no projecto. Mas
principalmente o 8ºB que é uma turma mais difícil, estavam muito
entusiasmados, de facto, a Directora de turma e as pessoas que
trabalharam, conseguiram envolvê-los no projecto. Por acaso foi um
facto, sim...
− E como é que tu vias esse entusiasmo?
163
− No aspecto da animação, iam fazer coisas, estavam a trabalhar.
Provavelmente estariam um bocado para lá a “pastar”... e eles estavam
activos, e tinham tarefas a fazer e isso foi uma coisa positiva que
aconteceu de facto.
− Óptimo. Como é que tu achas que poderia ser feita a Promoção da Saúde
na escola.
− A Promoção da Saúde...
− Sim.
− A que nível? Geral?
− Sim, a nível da escola toda.
− Mas saúde... quê? Os hábitos de...quer dizer...
− Pois... Qual é o conceito que tu tens de saúde? O que é para ti saúde?
− Pois... é um bocado complicado... O que é saúde? Saúde é estar bem,
física e psicologicamente, isso para mim é saúde. Como é que isso
deveria ser desenvolvida na escola? Se a escola for saudável vai haver
saúde, não é?
− Claro.
− Se se respirar aqui um ar saudável isso vai ajudar, pelo menos para a
saúde mental. Acho que a escola... é a grande obrigação dela, não é?
Aqui não há espaço para grandes médicos, nem para grandes coisas.
Deve ter aí o mínimo, não é? E acho que se calhar muitas vezes não tem,
deveria estar aqui um enfermeiro, se calhar a tempo inteiro.
− Achavas que era bom?
− Sim.
− Para quê?
− Para certas coisas. Para cuidados imediatos que podem acontecer.
− Acidentes?
− Acidentes. Certas coisas que se tiverem que ser especializados podem
salvar uma vida. Acho que o enfermeiro devia estar aqui a tempo inteiro.
Deviam estar aqui medicamentos para certas coisas urgentes, e não
estão. Isso era obrigatório. Mas acho que a escola... a escola devia ser
um sítio saudável. Basicamente é isso.
− E como é que tu achas que a escola conseguiria.
− Depende muito de escola para escola. Acho que uma escola ............ se
fizeres uma sondagem e eles se sentem bem e gostam, uma Escola
Secundária Padre Benjamim Salgadocho que é saudável. Claro que é
difícil ver da nossa perspectiva, não é. Mas os miúdos passam aqui se
calhar...sentem mais isto, não é? Eles é que podem dizer se a escola é
saudável ou não. Mas acho que se faz um esforço para se tornar a escola
saudável e agradável. Os computadores, muitos meios. A Escola
Secundária Padre Benjamim Salgadogora está muito mais saudável do
que alguma vez foi, acho eu. Já há muita coisa para fazer. Basicamente é
isso. Nós temos é que tratar da saúde mental deles...
− Passa por aí...
− Pois. Para mim sim.
− Sim porque a maior parte deles, em termos de doenças, felizmente, não
estão em idade de as ter...
164
− Sim e alguns, se têm, têm de tratar noutros sítios, não é? Diabéticos... a
escola não tem grande coisa a fazer aí. Acho que é isso.
− Agradeço-te muito teres-me dado esta entrevista.
165
11.7.2 2ª entrevista
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Não te importas de me dizer o teu nome completo?
...
Idade?
32.
Anos de serviço?
8 ou 9.Há quanto tempo é que estás aqui nesta escola?
Tenho 9 anos de serviço, portanto será há 8.
Vieste para cá logo....
Fiz estágio e depois vim para cá
Eu sei que tu já me disseste isto mas agora como vai ficar gravada na
entrevista, quem é que propôs o Projecto?
Inicial?
Sim.
Foi o Executivo. Foi o Alfredo que há uns anos atrás convidou colegas
do meu grupo para participarem naquela formação do PPES...
Em Ofir?
Em Ofir. Inicialmente para os colegas do 8º ano. A Palmira Maciel que
esteve cá há uns anos atrás. Depois a Palmira foi-se embora, no ano
seguinte continuaram essas reuniões, essas acções, foi eu convidado, eu
e o Fernando. O Fernando foi-se embora e depois fiquei eu sempre cá,
sempre a fazer o projecto. Todos os anos o Alfredo propunha formar
uma equipa e depois eu executava aquilo que combinava-mos. Era só.
Depois da proposta do Projecto como é que ele foi desenvolvido?
Quando fizemos a acção de formação estivemos a... não sei se tu
estiveste numa acção deste género?
Já, já fui.
Fizemos um projecto. Essa acção de formação tinha como objectivo
idealizarmos um projecto para realizar na nossa escola. Nós fizemos o
projecto, eu e o Fernando, e aquilo era para aplicar nesse ano só que nós
fomos à acção de formação em Abril. Abril, já estava quase no final do
ano e praticamente não deu para pôr em prática aquilo que fizemos em
termos do Projecto. No ano seguinte, logo no início do ano, o Alfredo
fez a tal proposta, peguei no projecto, fiz algumas alterações e depois
fizemos o seguinte – englobamos esse projecto nas diferentes áreasescolas. Tínhamos 8 turmas do 8º anos, as 8 turmas do 8º ano
trabalharam no tema da Sida. è evidente que tivemos que fazer as tais
alterações ao projecto porque não estava previsto trabalhar na áreaescola. Portanto, foram essas as principais alterações que tivemos que
fazer. Idealizamos algumas actividades, depois eu e outra colega que era
a Anabela, na altura, idealizamos algumas actividades, convocamos os
Directores de Turma do 8º ano, fizemos um reunião, propusemos a esses
Directores de Turma as diferentes actividades, cada um escolheu a
actividade de acordo com a turma que tinha, porque umas turmas dava
para trabalhar mais e outras dava para trabalhar menos, e cada um fez a
166
−
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−
sua escolha. Todas essas actividades estavam mais ou menos
interligadas para um Dia S que nós idealizamos e que depois todas as
actividades tinham o seu culminar nesse Dia S. Pronto, isso foi no
primeiro ano.
Nos anos seguintes foi a mesma história só que tentando alterar algumas
das actividades, para não ser sempre a mesma coisa.
Claro. Portanto o 1º ano foi em 96/97, se calhar, não?
Sim, talvez. Isso datas eu engano-me muito. Portanto, isso foi há três
anos. Depois trabalhei com a Anabela. Depois no ano seguinte, aí foi
com muitas turmas, foi com 8 turmas, do 8º ano...
No ano passado?
No ano passado foram com 8 turmas que trabalhamos, com duzentos e
tal alunos. Este ano já foi com menos turmas, temos menos turmas do 8º
ano, só temos 4. Mas foi tudo dentro da área-escola, mais ou menos à
volta do mesmo esquema. Era fácil de trabalhar portanto foi assim.
Está bom. E qual foi a tua participação nele? Claro que és o
coordenador, não é?
Havia sempre necessidade de haver alguém a coordenar. Nos primeiros
dois anos era coordenador e tinha que justificar ao Alfredo as
actividades, este ano foi mais por carolice, mas no fundo exerci a mesma
função de coordenar as diferentes actividades de forma a que elas
ficassem todas prontas na mesma altura. Não era nada engraçado termos
diferentes actividades, nas diferentes turmas e em diferentes dias. Ou
seja, era preferível juntar tudo para ter maior impacto, perante a escola.
Ver as necessidades de materiais que todas as turmas tinham, com os
Directores de Turma. Nós reuníamos, de vez em quando, dizíamos quais
eram os materiais que precisávamos, falávamos com o executivo e esses
materiais apareciam. Depois também controlávamos se os trabalhos
estavam a ser executados porque senão depois era a equipa organizadora
que ficava mal perante a escola, não é? Seria mais ou menos isso de
controlar e fazer andar os colegas. É evidente que na nossa direcção de
turma aproveitávamos e fazíamos o mais possível, na maior percepção
possível de forma que depois, aqueles que trabalhassem menos, já
.................... tanto. Isso nos dois primeiros anos. Este ano, foi este o
último ano, trabalhei mais por carolice, entre aspas, porque como estive
a trabalhar nos dois anos senti que devia fazer alguma coisa...
Tu não és Director de Turma este ano?
Sou Director de Turma mas do 8ºD
És Director de turma do 8º ano?
Sou, mas é da turma do 8º ano do currículo alternativo que não tem áreaescola. Apesar de eles não terem área-escola falamos do tema da Sida
nas aulas de ADT (terceira hora de Direcção de Turma em que o
professores está com os alunos) e colaboraram e participaram nas
actividades normais da área-escola dos outros anos. A única coisa que
eu fiz mais foi como não sendo Director de Turma de uma das turmas do
8º ano, colaborei, dei um apoio muito grande ao Zé Carlos, na realização
da área-escola.
Que é do...?
167
− Do 8ºA, claro!
− Como estava mais por dentro fui dando, portanto, a ajuda necessária e o
Zé carlos até me deixou tomara a iniciativa e eu tomei a iniciativa de
dividir a turma de acordo com aquilo que eu tinha previsto.
− Como é que achas que foi a participação dos alunos no projecto?
− Inicialmente o tema Sida... o tema Sida cá na escola já é mais que
falado. Já são quase 4 anos, na área-escola do 8º ano, que se fala no
tema Sida e depois como há muitos repetentes e nos 8º anos, quando se
fala em Sida, ouve-se sempre aquela resposta “Oh, outra vez a Sida?
Vamos mudar de tema!” Inicialmente, realmente, é difícil. Depois é
evidente que, como não há grande criatividade nalgumas turmas, eles
não conseguiam idealizar um tema mais interessante, ou um tema, e
então tentei convencer os alunos que o tema Sida é interessante e depois
ver que com a Sida até se podiam fazer coisas engraçadas e daí surgiu a
hipótese de fazermos os jogos e, a partir daí, eles traziam algumas
ideias e depois até surgiu uma ideia de fazermos o Dia da Sida.
Inicialmente foi má, a reacção foi negativa. Mas depois com o trabalho,
com o passar das aulas, ficaram mais mentalizados, já foram
trabalhando.
− E deram ideias?
− Deram, deram. Mas normalmente as ideias que eles dão são todas que,
para pôr em prática, são bastante difíceis. Nós temos que ver que as
turmas, as dificuldades que existem nas turmas, algumas turmas... por
exemplo, aquela com quem eu trabalhei mais directamente, a minha
turma no fundo...
− Que é o 8ºA?
− O 8º A. Eu tenho outra direcção mas o 8ªA é sempre... porque o Zé
Carlos pediu ajuda na área-escola . Senti algumas dificuldades mas
prendem-se com a capacidade de trabalho dos próprios alunos. Portanto,
eles demonstraram diferente daquilo que nós normalmente nas aulas...
mas mesmo assim não é muito fácil. Tinha certas turmas que, no ano
anterior, para fazer uma determinada actividade eles faziam mas era
preciso controlar o início, o meio e o fim para que... São alunos com
muitas dificuldades mas, pronto, deu para trabalhar, deu para chatear...
deu para algumas coisas.
− E a nível da escola como é que achas que poderia ser feita a Promoção
da Saúde?
− A Promoção da Saúde? Já há aí um projecto, não é, dentro do meu
grupo. Portanto, nós tentamos ter mais higiene alimentar, já há um
projecto. Já se tentou, já se fez aliás, algumas das coisas que estão
dentro desse projecto, é evidente que torna-se difícil, às vezes, criar
algum impacto de forma a que os alunos fiquem alertados, mas nós
aproveitamos muito o programa de Ciências do 8º ano, porque no 8º ano
nós falamos da Sida, mas também falamos da alimentação e também
podemos aproveitar... o grupo de Ciências reserva sempre algumas aulas
para falar um pouco de prevenção e, neste caso, de higiene alimentar
porque depois para criar um projecto muito global torna-se às vezes até
difícil. Há uns dias em que a refeição é diferente, mesmo na elaboração
168
da própria ementa ter em conta determinados factores, mas isso não cria
impacto na escola. Faz-se alguma coisa diferente mas, ter impacto, não
há. É muito difícil criar um projecto que no âmbito da alimentação ou da
prevenção de determinadas doenças, cause impacto que às vezes nós
consigamos até como quando criamos aquele Dia S para a Sida.
− Mais uma vez agradeço a tua disponibilidade para me teres dado esta
entrevista.
169
11.7.3 3ª entrevista
Se não se importa diz-me o nome completo.
...
Tem que idade?
54.
Quantos anos de serviço?
Real, tenho 29 anos.
Já anda há muitos anos nisto! É por isso que já está cansado...
Não... porque foi... É assim, eu abracei esta profissão com um grande
amor, uma grande paixão. Fui, sou, muito crítico de todas as reformas
que foram feitas depois da iniciada por Veiga Simão. Especialmente
pela dele, que foi disparatada quanto a mim. O chamado Curso
Unificado que foi um desastre e, mais uma vez, foi feita nas costas dos
professores. E repare que isto aconteceu muito antes do 25 de Abril. É
claro que após a revolução há um período turbulento. As pessoas
aproveitam, o que é perfeitamente normal. Depois cai na loucura da
incompetência feita por competentes. Eu diria, por exemplo, um grande
homem, que é considerado... que é tido e quem sou eu para dizer o
contrário, o Sr Ministro Roberto Carneiro, um homem de grande valor
mas que esfrangalhou isto tudo. E a parti daí têm sido remendos em
pano usado, com linha já muito estragada e sempre nas costas dos
professores. Legisla-se sem falar antes com os professores que estão no
terreno. Por outro lado há um aspecto que eu tenho vindo a falar há
muitos anos que é...o ensino personalizado. Mas nas turmas pequenas.
Grupos restritos. Fala-se teoricamente, hipocritamente o Ministério não
deixa fazer. Portanto eu atrever-me-ia a dizer isto, com toda a
frontalidade...eu quando digo paixão não tem nada a ver com a do
Marçal Grilo, porque a paixão dele foi uma paixão de adolescente...
bonitas essas paixões mas é uma paixão passageira, muito intensa mas
passageira... mas foi uma paixão sem amor e, se não há amor, sabe o que
é que acontece?
− Desaparece tudo.
− O que acontece aos casais, o que acontece aos colegas. Acho que... na
minha opinião, os pequenos grupos, para se conseguir um ensino
personalizado... porque nós temos 25 ou 30 cabeças pensantes, cada uma
é um caso muito complicado. E aqui entraríamos na massificação das
escolas e na escola de massas, não é? Mas, eles dizem uma coisa, mas
não deixam fazer, ou não dão possibilidade de fazer, isto é uma desgraça
e eu não pactuo com semelhante coisa. E repare que eu não me estou a
referir a esta escola que esta escola é muito boa em relação à maioria.
Mas estou a falar no desencanto, na frustração, no atrevimento como os
nossos governantes tratam os professores, “É um professorzeco que vai
ali”. Depois não há tempo de os colegas conversarem, passamos a vida a
preencher papéis que não servem para nada, que não tem qualquer
utilidade e não há tempo para conversar sobre assuntos que porventura
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170
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são muito mais importantes que esses e que seriam resolvidos de outra
maneira. Portanto, desencanto total, frustração total, acabou a paixão e,
pior que isso, acabou o amor. Com muita mágoa minha porque acabo a
carreira. Se nos transpusermos desde o Marquês de Pombal até ao
Estado Novo, por exemplo, com uma belíssima reforma do Dr. António
Pires de Lima, salvo erro, penso eu que se chamava António Pires de
Lima, que vigorou no nosso tempo... no meu tempo de estudante, é claro
que tem que ser actualizado porque os tempos evoluem, mas fez-se uma
coisa, na educação e em tudo, que foi escangalhar, esfrangalhar, estragar
o que estava feito e continuou a deixar-se estar o que estava mal. Não há
correlação de programas entre as diversas disciplinas. Na minha maneira
de ver são currículos perfeitamente desajustados às necessidades de cada
docente, que acho que são doentes, o “c” caiu. E é muita pena porque
isto é uma profissão nobilíssima.
E não está a ser vista como tal...
Nem vista nem tratada. Portanto, esses senhores que fizeram isso ou que
permitem que quem tem tanto trabalho que não faça melhor, sem tanta
burocracia, sem tantas peias, são autênticos criminosos, isso não é
democracia nenhuma. Eu não acredito em democracias... palavras... mas
em relação à política eu prefiro não...
Pertence ao quadro aqui da escola?
Sim.
Há quantos anos está aqui na escola?
Desde 1985/86.
Lembra-se como é que surgiu este projecto de Prevenção da Sida, aqui
na escola?
Não. Não porque eu... há 18 meses atrás adoeci com um esgotamento,
com um cansaço e com uma revolta muito grande. Fui-me abaixo
digamos, de uma maneira um bocado mais grosseira, e estive de atestado
médico. Iniciou-se o projecto numa altura em que eu não estava na
escola.
E quando é que retomou?
Este ano, no início do ano lectivo.
E este ano como é que as coisas começaram?
Com as turmas, nomeadamente a minha Direcção de Turma que são
todos excelentes rapazes mas precisam de muito cuidado. Eu acho que
só com grupinhos muito pequeninos é que se pode trabalhar. Eles não
sabem literalmente nada, eles não sabem, isto também não é para
parafrasear ninguém porque eu não gosto... começam a utilizar palavras
ou eu utilizo algumas palavras mas eu não quero que sejam conotadas
com os governantes de agora, mas eles não sabem ler, nem escrever nem
contar, a maioria. E dentro dessas turmas há alunos muito bons, cada vez
somos obrigados a estar mais permissivos, menos exigentes, o grau de
conhecimento vai diminuindo. É por isso que daqui a nada vamos ter um
13º, depois um 14º, depois um 14º+ 1 e assim sucessivamente. Portanto,
abriu-se a Escola, era absolutamente necessário, era útil, agora eu
pergunto “O analfabetismo diminuiu?”. Eu digo que não. A minha
opinião é que o grau académico aumentou, o diploma, o certificado de
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frequência, mas os conhecimentos são muito inferiores aos que eram
antigamente. Antigamente era analfabeto aquele que não conhecia uma
letra do tamanho da roda de um carro, não era? Hoje não sabem quanto
são 2 vezes 3, alunos do 9º ano. Não sabem escrever “cujo”. Não sabem
interpretar um pequeno texto, uma pequena introdução a uma questão
simples - “considera a seguinte expressão numérica”, escreve-se a
expressão numérica, “calcula x de maneira que essa expressão numérica
seja igual a 0”, “Ó professor, na primeira linha o que é que respondo?”
Isto é analfabetismo. Agora arranjaram provas muito bonitas. Iliteracia
ou literacia. Isto revolta-me, eu não gosto muito de falar nisto porque eu
fico transtornado.
Vamos voltar ao projecto de prevenção da Sida. Como é que foi a sua
participação?
Muito pequena. Eu sempre... no aspecto da Sida propriamente dita e no
aspecto sexual, nessas idades, que eu acho muito curiosas mas muito
difíceis, mesmo com projectos e mesmo no antigamente, tentava abordar
um determinado tipo de assuntos, com muita seriedade. Porque eu além
de leccionar Matemática, leccionei Físico-Química e Ciências Naturais
durante bastantes anos em dois colégios de grande reputação que foram
o Colégio das Caldinhas e a Escola de Sigesverga. Portanto, além de
pessoas de altíssima craveira como é o Prof. Doutor Archer, alguns dos
Abrantes aqui de Braga, o Roque Cabral da Católica, Dr. Roque de
Cabral, pessoas de uma bagagem intelectual muitíssimo grande. Além
de ser professor eu fui aluno. Fui aluno do colégio das Caldinhas e
depois fui professor, mais tarde. E entretanto passei por Sigesverga que
adorei, no tempo de um Archer que era tio desse Dr. Luís Archer, e do
Frei Hermano da Câmara. Foram pessoas que me marcaram muito e que
a gente conversava muito sobre esses problemas. Porque eram homens
ligados à Biologia, homens ligados à Ciência, e portanto era
extremamente interessante falar na colecção das borboletas, o problema
do pecado e não pecado, agora entrando na questão religiosa
propriamente dita, católica, o problema da sexualidade, o problema em
66 relacionado com a Humanae Vitae, a pílula sim a pílula não,
contraceptivos e agora aparece a Sida. Sempre foi falado. Eu aprendi a
tratar esses temas com muita seriedade, com muito cuidado e o melhor
possível. Agora eles, alunos, não se empenharam muito. Brincaram com
coisas que eu acho que são sérias. Não sei quem lhes deu uns
preservativos e eles tinham-nos furados, assim disparates que eu já não
tenho paciência para aturar, nem eu nem nenhum colega, com certeza.
Portanto, eu fiz muito pouca coisa porque embora abordasse essa
questão nunca ......
Já vi que acha que os alunos não pegaram bem na questão....
Comigo não. Comigo foi muito difícil, nesta turma, estabelecer um
contacto e uma conversa útil e agradável.
Portanto, acha que a participação deles foi negativa?
Não no projecto em conjunto mas comigo.
E em termos do projecto, tem alguma ideia como foi a participação
deles?
172
− Eu acho que foi... embora eles tivessem dito que foi repetitivo, já
andavam a tratar esse assunto há bastante tempo, que era interessante
mas que sabiam muito bem como é que se fazia o contágio, mas não
sabem ainda. É essa a minha opinião. Acho que não foi uma coisa tão
entusiasmante como à partida poderia parecer e, como quando se
iniciou, com certeza foi.
− No fundo a repetição, todos os anos o mesmo tema...
− Não sei se foram muitos anos. Dois anos... ou três. Não sei quanto
tempo foi.
− E em termos da promoção da saúde na escola, como é que acha que
poderá ser feita?
− A promoção da saúde na globalidade?
− Sim, sim.
− Com esclarecimento, com médicos, com psicólogos, com psiquiatras.
Tirar esta ideia, perfeitamente parva e descabida, que os psicólogos e os
psiquiatras são só para doidos. Estar muito atento mas ter possibilidades
de Ter gente. Não é uma psicóloga ou um psicólogo para 1000 alunos,
isso não chega. Porque eu ontem, por exemplo, tive a nítida sensação
que tinha um aluno drogado, dentro da sala. Não tive outra maneira
senão aguentá-lo. Ele estava eufórico, com os olhos vermelhos, não
estava quieto, levantava-se, corria de uma lado para o outro, quer dizer
uma coisa... muito, muito séria. Vou pôr à psicóloga.
− A escola tem psicóloga?
− Tem, tem. Mas uma só não chega. Nesse aspecto, na orientação
profissional, esclarecimento dos cursos e das vocações de cada aluno.
Tentar arranjar tempo para isso. Depois a ajuda de médicos, porque há aí
muita gente, suponho eu, que é doente ou está doente, com doenças de
tipo epilético. Como sabe, grande parte da população portuguesa tem um
pequeno mal de epilepsia. Que não se traduz em convulsões mas é uma
doença que causa muito mais sofrimento, quando é assim, porque é um
mal de ausência. Eles estão mas não estão, não conseguem concentrarse. Não tem crises por isso tudo corre mais ou menos. Indo directamente
à pergunta, era necessário médicos, psicólogos, psiquiatras, professores
que tivessem tempo de tratar disso em vez de andar a preencher
papelada que não serve para nada, na minha opinião. Eu digo isto há
muitos anos, que essa papelada não serve para nada, na minha opinião.
Eu digo isto há muitos anos, que essa papelada não serve para nada, até
me provarem o contrário, que é útil, porque se for útil tudo bem. Há uma
perda de tempo. Eu acho que a existência de médicos, que não há,
também não há médicos porque dificultaram tanto a entrada deles que
agora... Psicólogos e psiquiatras, ou alguém ligado a essas questões , e a
possibilidade de conseguir grupos mais pequenos. Nós caminhamos para
isso? Teoricamente caminha-se. Ou eles querem dar ideia disso. Mas
então são aldrabões. Esses senhores que há 25 anos ou 30 anos andam a
fazer disparates atrás de disparates e a prometer coisas, que venham dar
aulas. Se não forem dar das Matemáticas, ou da Física ou de Inglês, que
vão falar sobre questões... Mas não é só um dia, é uma semana, uma
semaninha ali com eles para a gente aprender a tratar as questões. Eu
173
acho que é um crime, muito sério. Estão a permitir que se desaproveitem
cabeças e pessoas com tanto interesse, porque estão inseridas em turmas
grandes e com pessoas com tanto interesse, porque estão inseridas em
turmas grandes e com pessoas completamente desinteressadas. É um
bocado o analfabetismo de que falávamos à um bocado. Estatisticamente
interessa que não haja analfabetismo, só que eu acho que ele aumentou e
não diminuiu. O grau académico é que aumentou, é essa a minha
opinião.
− Muito obrigado por esta conversa.
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11.7.4 4ª entrevista
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Dizes-me o teu nome completo?
...
Tens que idade?
35.
Quantos anos de serviço?
13.
Há quantos anos estás aqui na escola?
4.
Como surgiu esta proposta do 8º ano se envolver no projecto de
prevenção da Sida?
É um tema que está a ser trabalhado, este é o terceiro ano, na escola. De
certa forma o tema já nos vem delineado, não é, do gabinete que está
dependente do Ministério. Aquilo que nós fazemos aqui com os alunos é
pura e simplesmente... ou os alunos connosco, é sugerir as actividades
que podem ser feitas no âmbito desse tema.
O tema já vem definido, do Ministério, para o 8º ano?
Já vem. É o terceiro ano que trabalho com eles e já não aguento mais
este tema.
Já estás a ficar saturada. Já mais que uma pessoa me afirmou isso.
Tenho tido oitavos anos, nestes três anos, e é sempre a mesma coisa.
Chega a um ponto que não dá para virar mais, não dá para fazer mais
nada. A única coisa que a gente efectivamente escolhe com os miúdos e
ajuda-os, diz-lhes se há hipóteses de concretizar este e aquele plano é só
em função de estratégias diversificadas, mais nada porque o tema está
escolhido. Para o 8º claro.
Como é que foi desenvolvido o projecto?
Em termos de turma, o que é que eles decidiram fazer?
Não. Em termos gerais. Portanto, tu disseste que os oitavos anos todos...
Sim, os três oitavos.
A nível dos professores, como é que vocês decidiram desenvolver isto?
Ora bem, nós reunimo-nos, os Directores de Turma, e havia várias
hipóteses. Tentamos mostrar aos miúdos aquilo que nos anos anteriores
resultou ou não. Para evitar escolher as mesmas actividades ou cair nos
mesmos erros, explicar-lhes que à partida este tema não seria viável por
esta dificuldade ou aquela, eles depois optaram e delinearam o seu plano
de estratégia. Mas ficou o Director de Turma responsável pelo projecto,
pelo plano de cada turma. Houve no primeiro período, senão me engano,
penso eu que foi, uma primeira reunião intercalar em que a primeira
parte dessa reunião era a exposição, explicar aos professores da turma,
além do Director de Turma que esse estava a acompanhar mais o
trabalho que eles tinham feito previamente, explicar aos professores o
que é que eles queriam fazer, o que é que sugeriam. Mas eu penso que já
nessa altura distribui o projecto direitinho, que depois foi alterado em
data, nesta ou naquela actividade, neste ou naquele material mas ele já
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vinha mais ou menos delineado. Penso que nos outros oitavos também
foi feito assim. Nessa reunião intercalar nós, em aulas de ADT e
anteriormente com os miúdos, já tínhamos estabelecido mais ou menos...
Claro íamos aqui (sala dos professores), a título informal, perguntando a
este ou aquele colega. Penso que era um tema que dependia um
bocadinho do arranque do professor de Ciências, é um conteúdo do
programa.
Era o professor de Ciências que trabalhava mais...
Que arrancaria. Dar-lhes a informação para nós depois pormos num
papel ou num placard, onde quer que fosse, mas funcionou assim.
Depois eles funcionavam como tu tiveste oportunidade de ver. Havia
dias completos em que eles das 8h30 às 18h30, consoante o horário,
trabalhavam e nós é que chegávamos às salas e não lhes era dada mais
matéria nenhuma, só vinham para aqueles trabalhos.
Como é que achas que foi a participação dos alunos?
Eu acho que eles aderiram bem.
Sim?
Eu penso que sim. Pelo menos no que diz respeito à minha porque era
uma coisa...
A tua era o 8º B?
Fizeram o concerto e fizeram os cenários. Acho que sim, foi uma coisa
diferente. Depois penso também que tiveram a professora de Educação
Visual por trás que os motivou bastante e lhes propôs coisas novas e eles
aderiram muito bem. Acho que sim, foi diferente. Eu tive a preocupação,
este ano, era deixar o lado científico, se é que se pode dizer assim, do
tema e virar mais para o outro lado, o lado humano. Porque penso eu e
fiz-lhes muitas vezes essa pergunta, porque é muito bonito e inclusive
no nono ano há um tema que é Saúde e fala da Sida, fala de Cancro, fala
da Hepatite B e eles fizeram uma composição “Se tivesses um amigo
com Sida qual seria a tua reacção?”. É muito giro dizer, agora eu queria
ver se o amigo estivesse ao lado, não é? Claro que todos eles disseram
que isso não importava nadinha, que continuavam a ser amigos dele, que
o facto de serem amigos não era um factor de transmissão, que não sei
quê não sei que mais, mas...
Qual foi a tua participação no projecto?
Ora bem a minha participação foi principalmente de coordenar tudo estabelecer datas, marcar dias, reservar locais de trabalho. Pronto, foi
essencialmente isto. Foi de coordenar. Falar para os colegas que neste
dia e naquele eles precisam de ir a tal sítio, precisam de fazer isto,
dispensas estes para irem para ali – foi essencialmente de coordenação.
Porque como eu lhes dou Francês eles não trabalharam textos em
francês, eles fizeram um trabalho basicamente gráfico, que dependia
muito de Educação Visual que foi onde eles trabalharam mais.
Tu és a Directora de Turma do 8º B, por isso é que estavas com a
coordenação?
Sim.
Em termos do conceito de saúde, o que é que achas que a escola poderia
fazer para que houvesse promoção da saúde aqui na escola?
176
− Aqui na escola?
− Ou o que é que a escola faz ou que poderia fazer.
− Olha, já passei por escolas... Bom, depende um bocado do conceito de
saúde. Eu vi, nuns inquéritos que tu passas-te aos meus alunos e a coisa
é muito vasta. Às vezes a saúde física em si não é se calhar o mais
importante, não é? A gente anda muito bem fisicamente e se calhar o
resto anda tudo muito mal. Mas eu penso que em termos de saúde física
eu já estive em escolas que têm, por exemplo, gabinete médico, esta não
tem.
− E achas que era preciso?
− Temos, no pavilhão de Educação Física, primeiros-socorros e essas
coisas assim.
− Mas não há médico?
− Não há. Eu penso que assim porque ás vezes mesmo para coisas
simples, para dúvidas dos miúdos, mesmo até para fazer, ao longo do
ano, um acompanhamento que, da parte dos miúdos, aqui desta zona,
dos miúdos e dos pais, têm a ideia que só se vai ao médico quando se
está doente, não é? E ao longo do ano, se esse acompanhamento fosse
feito a nível de escola, eu penso que também ajudava bastante e
prevenia. E ajudava naqueles problemas complicados, naqueles casos
complicados que a gente pode ou não suspeitar de haver inclusivamente
consumos de coisas menos próprias, haver um bocado...
− Tu pensas que um médico ajudava?
− Eu penso que sim. Se calhar não resolvia mas ajudava. Porque hoje em
dia aparecem cada vez mais casos e nós temos aqui alguns...
− De consumo?
− Pois.
− E já trabalharam a questão da droga? Já foi de alguma forma abordada?
− Eu não sei... ora bem, nós no programa de francês, quando a gente fala
em termos de saúde e essas coisas, são temas que são focados.
− E a nível de escola?
− Não. Que eu me lembre não.
− Portanto, achas que era um tema que era bom ser trabalhado?
− Acho que sim.
− E a nível da saúde em geral? Tu disseste que a parte física não era, por
vezes, o mais importante...
− Não.
− A parte mental... e a esse nível o que é que achas que a escola poderia
fazer?
− Não sei. Não faço a mínima ideia. Não sei.
− Sabes que houve uma aluna que numa entrevista me disse uma coisa que
achei muita piada. Ela achava que devia haver alguma coisa ligada à
música, aqui na escola, o ano todo. Porque ajudava os alunos a relaxar e
a música fazia parte da vida deles...
− Ligada à música como?
− Ela falou em cursos de música. Não sei seria mesmo cursos
profissionais...
177
− Eles já têm a rádio escola. Umas vezes, durante dias inteiros, houve-se
tocar ali no polivalente. Claro que, em termos de instalação sonora, só
está aqui neste bloco. Não está nos pavilhões. Mas eles já têm. Agora
cursos? Talvez... Será que havia alunos? Não sei... Por acaso este ano
assisto a uma coisa, já assisti várias vezes, a uma coisa que havia no
meu tempo de estudante e que nos anos anteriores não vi nesta escola.
Há aqui um grupinho de alunos, não sei de que ano são, não são meus
alunos, estava aqui um grupinho com uma viola, a tocar. No meu tempo
formávamos assim... Eu achei giro porque realmente é uma coisa que se
está a perder, não é? Eles chegam ao intervalo separam-se, procuram, às
vezes colegas de outras turmas, correm para o bar, correm para não sei
quê não sei que mais e, esses bocadinhos de convívio, perdem-se um
bocado. Se calhar não é preciso um curso, é preciso é que eles... Eu acho
que há uma coisa que nem no meu tempo de estudantes havia em
condições que é uma Associação de Estudantes. Nem na Universidade
tive uma Associação em condições. Se se virasse, se estivesse
sensibilizada nesses aspectos, eles dinamizavam mais os colegas –
cantinhos da música, cantinhos disto, cantinhos daquilo, uma salinha
disto ou daquilo – e as coisas eram diferentes. Agora penso que quando
parte de nós eles não se interessam.
− Se partir deles eles aderem bem...
− Claro.
− E a escola tem Associação de Estudantes?
− Tem. É obrigatório em todas as escolas porque agora eles têm acento na
Assembleia de Escola.
− E o que é que a Associação de Estudantes faz?
− O que é que faziam no nosso tempo? Olha, reivindicam que querem
torneios, querem festas, querem... e pronto, não é? Eu lembro-me, foi
anteontem, hoje é Quinta, tenho miúdos que fazem parte da Associação
de Estudantes e eu perguntei-lhes “Olhem lá, que Associação de
Estudantes é a vossa que não anda de faixa preta? Que nem ao portão da
escola está uma faixa preta? Vocês não houvem notícias?” Diz uma “O
quê professora? O que é isso?” e eu estive-lhes a explicar, “Olhe eu sou
da Associação de Estudante e não sabia de nada!” É para tu veres. O que
é o projecto deles? É festas no fim do ano, prometem não sei quê,
prometem distribuição de não sei quê, andam ai a distribuir rebuçados e
chupa-chupas na altura da campanha...
− Eles têm assento no pedagógico, não é?
− No Pedagógico ou na Assembleia de Escola?
− Tu não fazes parte nem de uma coisa nem doutra, é?
− ?!?!?!
− Eu estou-te a perguntar isto que é para ver como é que era a participação
deles lá.
− Mas sabe a Teresa. Dirige-se para uma colega que estava na sala. Ó
Teresinha, anda cá meu anjo. Anda-te incluir aqui. A colega, em vista do
gravador, faz um gesto de se afastar. Não, não tem problema. Só me vais
responder a uma coisa. Os alunos têm assento no Pedagógico? Teresa:
Têm. E na Assembleia de Escola? Teresa: Não sei que eu não faço parte
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da Assembleia de Escola. Que é um elemento... Teresa: Que são dois
elementos. Foram escolhidos? Teresa: São obrigatoriamente do
secundário. Não sei se nas escolas que só têm básico os alunos também
têm assento no Pedagógico. Temos dois representantes dos alunos e dois
representantes dos pais.
E os alunos costumam falar ou não, no Pedagógico?
Teresa: Falam.
Mas ouvem os colegas primeiro?
Teresa: Eu penso que sim, que eles ouvem os delegados. Penso que isso
se faz periodicamente e que parte de uma legislação...
Ana Paula: É, é. Penso que ainda foi esta semana que passou na minha
sala, eu estava a dar aula, e entrou a funcionária com um aviso para
entregar ao delegado de turma uma folha, que continha vários pontos,
sobre as alterações para 2001/2002. Portanto, deveria ser o delegado a
ler e resumir, para depois explicar aos colegas da turma. Portanto isso
passa por reuniões prévias que eles têm entre eles.
E achas que é útil eles estarem lá? Notas alguma diferença?
Teresa: Claro.
Porquê?
Teresa: Para já eles não estão no Pedagógico todo. Há uma parte do
pedagógico que é reservado aos elementos docentes e é quando se trata
questões de avaliação.
Ana Paula: É como se fosse um Conselho de turma em que na avaliação
eles saem, não é?
Teresa: Eles tentam chegar, aos orgãos dirigentes da escola, opiniões.
E já alguma coisa foi modificada porque os alunos sugeriram?
Teresa: Estou a ver se me lembro de alguma coisa... Estou a lembrar-me
que ontem falamos da Área-Escola e que houve os alunos que deram
uma opinião contra a Área-Escola, no secundário, porque têm muito que
estudar...Como aqui no 12º ano o Conselho Pedagógico decidiu que não
se trabalhava a Área-Escola e, pronto, essa foi também a opinião dos
alunos.
Obrigado pela entrevista.
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11.7.5 5ª entrevista
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Podes-me dizer o teu nome completo?
...
Idade.
25.
Anos de serviço?
3.
Há quantos anos estás aqui na escola?
É o primeiro e provavelmente, infelizmente, o último.
Portanto, não pertences ao quadro?
Não.
Lembras-te quem é que propôs, aqui na escola, este projecto de
prevenção da Sida?
É um projecto que já deve ter para aí uns três ou quatro anos. Porque
lembro que a Ana Paula me foi contando e também um professor que
também era interessante estares com ele...
O Toni?
Exacto.
Já falei, já.
Esse é que esteve responsável pelo projecto assim uns tempos seguidos,
este ano foi o único que não esteve e acabou por estar porque o pessoal
andava sempre a recorrer a ele na mesma, não é?
Mas havia alguém mesmo responsável sem ser ele ou não?
Que eu tivesse contacto não. Ele foi responsável mas... que eu tivesse
outra figura a quem recorresse quando precisava de alguma coisa, não
tinha. Mas acho que é uma coisa que já vem de há três anos ou mais.
Pelo menos a ideia com que eu fiquei.
E quem é que trouxe esse projecto para cá?
Isso é que eu não faço ideia.
Portanto este ano também surgiu...
Surgiu como tradição, ou seja, dentro da Área-Escola havia temas. O
oitavo ano, obrigatoriamente, era a Sida. Nonos anos havia...
E essa decisão foi tomado onde, sabes?
Provavelmente no Pedagógico, ou coisa assim no género.
E como é que foi desenvolvido o trabalho?
Essas coisas passam pelos Conselhos de Turma, falamos sobre o que era
a Área-Escola, ver como é que cada disciplina pode trabalhar. E pronto,
depois falamos de várias propostas. O que é que encaixa no programa o
que é que não encaixa, o que é que se pode fazer o que não se pode, etc.
Quanto às ideias algumas ficaram mais no âmbito da Educação Visual,
outras funcionaram só quase a nível organizativo, mas todas elas com
uma grande parte de intervenção de Ciências, porque aí é que davam a
parte da doença, da prevenção...
180
− A ideia que eu tenho ficado da conversa com os miúdos é que eles
trabalharam essencialmente com o professor de Ciências, contigo
(Educação Visual) e na hora de ADT. E as outras disciplinas?
− É assim, no fundo depois dizem que participa toda a gente, sabes como
estas coisas são... É porque dão a hora, se for preciso alguma coisa, mas
depois... O que me chateia na Área-Escola, embora este ano as coisas
funcionassem mais ou menos porque a relação com os miúdos foi
engraçada, é exactamente a falta de comunicação, a tal
interdisciplinariedade que não funciona, não dá... Não dá porque é
assim, marcam-nos um horário que a gente tem que cumprir... Depois
seria muito mais lógico haver, imagina, uma turma que tinha uma
determinada actividade, um projecto, que essa turma se parava umas
aulas e então todas as aulas seria para trabalhar para a Área-Escola. Era
um projecto contínuo. As coisas nunca funcionam assim, a dizerem “Se
tu precisares de aulas e tal...”.
− Sabes que a Ana Paula Lisboa tinha-me falado, exactamente, que ia
haver um dia em que, desde o início do turno até ao final, eles só iriam
trabalhar na Área-Escola. Eles estariam sempre na mesma sala só os
professores é que mudavam. Mas isso não chegou a funcionar, pois não?
− Não, não chegou a funcionar. E isso é que é complicado porque depois
é assim, imagina que... Tens um projecto, mas podia ser um projecto em
que todos os professores se empenhassem, sei lá, há aqueles que têm só
o corpo presente, não é? É um bocado assim. Comigo depois acaba por
funcionar mal porque os miúdos ainda são muito dependentes em termos
de escolhas, não é? Quando têm uma tarefa a fazer ainda têm de ser
muito orientados porque senão sentem-se completamente perdidos , por
isso, é muito complicado para mim, também, deixá-los ir para outras
horas que eu sei que eles não se vão desenrascar. Ou então acontecemme coisas que eu vou-te contar! Este ano... o que me
aconteceu...incrível! No início, com esses do 8ºC, os que chegaram a
fazer o livrinho e que agora vai fazer umas placas já com outras
imagens, que estão a pintar. São para aí umas placas de 40 por 40, estão
a pintar, e que depois vai ficar no pavilhão da parte de dentro. Com um
sistema das letras que estão a vermelho é sinal que é perigoso, o que está
letras a verde quer dizer que se pode fazer. Até eu conseguir chegar a
essa fase... no início eu estava convencida que se calhar ia fazer
panfletos com eles, ok, tudo bem. Trouxe uns panfletos que fiz no ano
passado sobre outro tema qualquer mas, o que interessava ali, era para
eles perceberem como era a estrutura, como é que pode ser eficaz, etc.
Trabalhei isso com eles e depois comecei a pedir-lhes para cada um
fazer esboços já com a matéria toda que sabiam de Ciências, porque
eram esses dados que iam lá pôr. Começam a aparecer assim umas
coisas escabrosas... umas coisas mesmo terríveis. Depois há alunos que
dizem que têm que fazer panfletos e outros cartazes. Lá estive a
trabalhar com eles, assim com umas coisas horrorosas...
− Com umas mensagens...
− Mas que mensagens? Eu, palavra, eu acho que eles não me percebiam,
sabes? Porque cheguei a um ponto de eu própria também não perceber...
Porque aqui além de não haver interdisciplinariedade, não é, não houve
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grande coordenação pela Directora de Turma. Mas na da Paula já houve
(8º B), nós fomos falando sempre como é que as coisas iam. Nesta
(8ºC), como começamos a trabalhar logo muito no início, o que é que
aconteceu, eu sabia o que tinha que fazer pelo que os miúdos nos
diziam. Em vez de eles pensarem em imagens, fazerem recortes,
fazerem esse tipo de coisas, só queriam copiar imagens de coisas... de
livros, essas coisas. Como dar a volta? E depois tinham livros!!! Olha,
com todas as posições e mais algumas... A sério. Eu era assim... eu
quando dei por mim... Eu depois falei com o professor de Ciências mas
eu acho que não era esse livro que ele lhes tinha dado, que era outro. Eu
a fazer-me de... ok... muito experiente, muito sabida! Tinha umas
imagens que eu... a passar, assim... “Ok, ok, ok”. Eram umas imagens
que para eles era mais fácil copiar. Desde quando é que eles iam
conseguir dar tonalidades... “Então vamos fazer figuras de fundo”, que é
uma das matérias do 7º ano e que se continua a aplicar. Faz-se a silhueta
e vamos ver qual é a imagem que se adapta melhor a isso. Eles
começaram a escolher e depois mandei-os á Reprografia tirar uma
fotocópia ampliada. Porque, é assim, eles depois fazem só o contorno.
De tal maneira foi que, o senhor da Reprografia, deve ter achado que
eles estavam a mentir quando disseram que era para mim e obrigou-os a
pagar a fotocópia. Outra coisa, umas meninas já tinham feito uns
panfletos, sabes, estive a orientá-las e tal, tudo com imagens do
computador mas, pelo menos, a parte gráfica e a ligação com a parte
escrita consegui orientar um bocadinho. Depois como não tinha nada
que fazer... ainda assim tinham imensa pesquisa, sabes, mesmo muita
pesquisa, por acaso era um grupo de meninas muito trabalhador e elas
disseram “Ó setora, sabe uma coisa que podia-mos fazer, estávamos a
pensar fazer Banda Desenhada”. E eu “Ui, Banda Desenhada não!”,
“Também temos aqui um abecedário sobre a Sida” e eu disse “Está bem,
boa ideia. Então pronto, vamos começar com o abecedário”. Tínhamos
uma imagem que iria ser a parte formal do conteúdo. Bem... do género,
aparecia lá “Cunilingus”... E elas “Ò setora, como é que se desenha
isso?” E eu era assim “Deixa ver o que é que é que eu também não
conheço. Se calhar conheço pelo calão, mas assim não conheço.” Depois
tinha outra que era um nome estranho, também, essa não fixei, era
aquilo que, entre aspas, em calão, era o “enrabar”. E eu... era tão grave,
se é que havia gravidade nisso, o facto de elas terem aquele tipo de
informação assim tão nu e cru, como estar a desenhar isso. Eu sei lá o
que estava a ser feito com eles, porque não havia nenhuma tipo de
ligação. Tudo o que eu fazia eram eles que me diziam. É claro que eles
foram deturpando as coisas.
E onde é que elas arranjaram o abecedário?
Também não sei, mas sei que elas tinham aquilo tudo escritinho. Elas
andavam muito na Internet... Houve uma aula em que elas me disseram
“Ó professora parece que não vamos poder continuar com o
abecedário...”
Porquê?
Porque o professor de Ciências tinha visto e tinha dito que não. Aí eu fui
aos arames... quer dizer, não dizem nada o que é que é para fazer e
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depois agora... Eu achava que era tão grave elas terem aquilo sem
orientação nenhuma como... Eu fui falar com o Toni e ele “Ai és tu???”
Eu assim “Ó pá, eu não sei...” E então depois lá estivemos a conversar e
a traçar um bocado as linhas, não é? Não tinha havido coordenação
mesmo. E então comecei a trabalhar mais com ele no sentido de, todos
os objectivos desta Área-Escola, já não era tanto obter o conhecimento
das prevenções, do que é que provoca, seria em termos de
relacionamento social. Aí eu disse “Ok, pronto”, aí eu já sabia o que é
que podia fazer, porque estava assim completamente perdida. As coisas
aí já endireitaram. Endireitaram mas não ao ponto de endireitarem
completamente, por isso é que houve miúdos que ficaram de fora.
Porque eu estive a explicar-lhes que era a questão humana que estava
em causa, que qualquer colega da turma podia ter e isso não impedia que
ele pudesse andar aqui na escola, mas que havia que ter atenção a alguns
cuidados. E depois pedi a todos que escrevessem um textinho para uma
situação, ou seja, escreviam o que é que acontecia e como é que
reagiam. A lidar com personagens fictícias, ainda por cima, era mais
fácil eles gerirem aquilo, não é? Alguns escreveram coisas... escabrosas!
A sério... Eles não estavam a perceber nada...
Como se nunca tivessem ouvido falar de...
Como se soubessem de cor e salteado o que é que se pode fazer e o que
não se pode fazer, mas no fundo como se não houvesse uma assimilação
disso. Do género uma personagem (que tinha Sida) pedia uma caneta ao
Gabriel, então o Gabriel emprestou-lhe a caneta e, no final da aula a
caneta é-lhe devolvida e ele põe-na no lixo.
Quer dizer, não entenderam nada.
Outro. Estava um miúdo que andava assim num jardim e depois andava
também lá um cão. Entretanto o cão mordeu o miúdo. O miúdo tinha
Sida. E depois diz: “Ele mordeu-o, depois foi para o Hospital, ficou
curado...” Imagina, como se se curasse depois. É assim, o miúdo ficou
bem e o cão é que ficou com Sida. Acho mesmo que só alguns é que
conseguiram chegar lá. Eu acho que acabava por se aperceberem mais
no 8ºB, quando se falava do que é que se pode fazer, lembras-te daquela
lista dos verbos, acho que ai eu acabava por focar sempre com eles a
questão da prevenção, não prevenção, o que é que se pode fazer o que é
que não pode.
E porque é que tu achas que com o 8º C se passou isso?
Eu acho que é uma questão de sensibilidade deles. Sempre no sentido de
que eles são os machões, normalmente eram rapazes que respondiam
assim, e também acabam por ser um bocado brutas. Mesmo na prática, o
ambiente familiar não deve ser de grandes conversas. Porque a relação
que eles têm naquela turma, é uma turma que se trata mal uns aos
outros. São violentos. Eles acham que não são nada disso. Não têm a
noção de que são assim, mas são grosseiros, agressivos, enfim, são
incapazes de passarem no corredor sem se baterem uns aos outros.
Mas no 8º B não, pois não?
Com essa turma deu gozo trabalhar. Com essa turma é assim, fui tudo
muito seleccionado. Eu percebia que eles tinham encaixado bem as
coisas, com esses dava para trabalhar, estávamos a falar da mesma coisa.
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Com os outros não conseguia fazer nada. Por isso com esses fiz um
trabalho mais académico, as aulinhas, os testinhos e com os outros fui
trabalhando na Área-Escola. Mas essa turma foi assim mais
problemática, eu própria reconheço. Com o 8º A quase não trabalhei
com eles, já não sei se tinha que fazer com eles uma espécie de
panfletos, ou uma coisa assim do género. Eu tentei e só me saíram
projectos do género – um homem tipo polícia, a marchar atrás do que
tinha a Sida e dizia Dia Mundial da Sida. Ou então era assim aquele tipo
de logotipos em que aparecem aqueles ursos muito felpudinhos, que elas
copiam das histórias, a dizer “Sida 2000”. É que não havia ponta por
onde lhe pegar. Depois apareceu um miúdo que queria, não conseguia
em termos formais resolver isso, mas queria fazer muita gente de uma
lado e estava uma pessoa sozinha do outro, para mostrar que havia a
questão da discriminação. E então eu peguei nessa, mas em termos
gráficos tive que ser eu a executar. Com aquela turma também...
Eu falei hoje com o Director de Turma e ele também disse que são
muito bons rapazes em pequenos grupos, mas incluídos naquela turma é
complicado.
E não querem saber. Depois é do género, agora estou a fazer... uma
coisa que já não tem nada a ver com a Sida, mas já agora... não tem a ver
com a Sida e tem a ver... É assim, eles são todos muito... é a tal
grosseria, sabes... a tal falta de educação que eles não se dão conta que
estão a fazer, então o que é que eu pensei? Pintar um cartaz, mas agora
uma coisa extremamente simples, em que o tema vai ser conceitos que
eles têm de ética, ou de boa educação, ou de bom comportamento, bom
ou mau, aquelas coisas assim. Aparecem-me com a Sida agora!
Agora é que se fez um clik na cabeça deles!
Aparecem-me com a Sida! Eu disse-lhes “Esperem lá! Isto já não é
Área-Escola...”. É para tu veres, ou é a turma muito lenta, ou então,
realmente, só apanham metade das coisas no ar. Porque eles escreveram
num textinho qual era a proposta do cartaz: a quem se destinava, a
adolescentes como eles, por uma questão visual, em termos de palavras,
de slogans e essas coisas. Fiz um textinho para eles saberem
exactamente. Proposta de trabalho, o que é que tinham que cumprir ali.
Mandei-os ler na aula, alguns duas vezes, alto. E ainda me chegavam
com umas marcas, a fazer publicidade e eu disse-lhes “Pagam-te
muito?”. Mas com esta turma não deu para... nem sei, nem me apercebi
muito bem da sensibilidade que eles têm ou não de... Turmas que eu me
apercebi...
Em relação à Sida?
Em relação à Sida, foram a B e a C. A A tem que ser assim... eles
funcionam bem se nós mandar-mos escrever... se formos assim,
implacáveis. Começa-se a brincar um bocadinho, começa-se a tentar
puxar por eles e isso não resulta.
Também foi a turma cujo trabalho da Área-Escola, se calhar, menos
ligação, pelo menos aparente, tinha à Sida. Eram Jogos Tradicionais e
eles não conseguiam, depois perguntei-lhes...como é que eles faziam a
ligação à problemática da Sida e eles não conseguiram chegar lá. Claro
que eu acho que tem, é a questão do manter-se saudável,
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psicologicamente, a alegria, o convívio. Claro que isso tem a ver com a
Saúde e a Sida pode estar ligada à questão da Saúde. Mas eles não
chegaram lá. Disseram “Realmente não tem nada a ver, mas nós
gostamos!”.
Até podia ter pela questão do convívio.
Claro, claro.
(Há duas professoras que se aproximam e fazem um ar admirado porque
se apercebem que a Susana está a ser entrevistada. Rimo-nos todas e a
conversa é interrompida durante uns momentos.)
Mais perguntas?
Agora é a última que é: o que é que tu achas que podia ser feito na
escola em termos de promoção da Saúde?
Da saúde deles ou da nossa? (Risos) É que sabes, são áreas diferentes...
Claro...
O que é que se pode fazer... É assim, há miúdos que começam com o
tabaco e acho que isso tem a ver com uma questão de postura, uns em
relação aos outros. Os crescidinhos... Eu tenho alunos que cheiram a
tabaco, uma coisa impressionante, e eu só tenho alunos até ao 9º ano, o
que quer dizer que eles já começam muito cedo. E já começam a não
esconder. Não estou a dizer que esconder seja bom, mas... Andam aí na
maior. Aí acho que podia ser feita alguma coisa. Do género “Ok, quando
fores grande e souberes decidir fazes o que quiseres. Para já toma algum
cuidado.” Dar-lhes umas noções. Depois, em termos de alimentação eu
acho que a escola também... é assim, não há aula nenhuma que eu tenha
que não me apareçam gomas, rebuçados, chupa-chupas, chicletes... E
depois é do género, já estão fartos de saber que entram para a aula e não
podem comer chicletes, não vamos estar a falar... é que não sabem
comer chicletes discretamente, fazem bolas e aquelas coisas, então eu
preveni que não têm chicletes na aula. Se eles fizessem discretamente,
nada contra, não é? Mas estão mhm,mhm,mhm e eu olho para eles e
“Apanhei-te! Chiclete fora.” E eles “Ó professora, ainda agora a pus!!”
... que desperdício. E eu “Olha, azar teu. Já sabias que vinhas para cá por
isso não precisavas de ter posto”. Mas gastam imenso dinheiro nisso
porque andam com aquelas gominhas com todos os feitios, sabes, têm
ursinhos, têm monstrinhos, etc. Compram aí nas pastelarias e nessas
coisas à volta da escola e eu acho que, aí, devia haver uma atitude
importante porque eles ingerem imensos corantes, imenso açúcar, e
gastam muito dinheiro. E depois também lhes digo “Meninos é preciso
trazerem este ,material na próxima aula.” “Ei professora, umas
fotocópias! Pagar umas fotocópias! Não pense nisso! Já não há
dinheiro...” Se há dinheiro para umas coisas depois já não há dinheiro
para as outras? Eu acho que nisso também tinha haver um controle
melhor, provavelmente uma ligação maior com os pais, e ver
exactamente que tipo de coisas eles consomem, ou haver uma legislação
qualquer, não sei... Porque depois o problema são estas coisinhas que há
aqui à volta da escola. Acabam sempre por sair e comprar. Do género de
uma aluna minha, uma vez, ter comprado umas onze chicletes ou mais, e
devia ser para aquele dia. Ficou furiosa quando uns lhe mexeram na
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pasta e lhe tiraram uma, ela foi lá contar ver quantas tinha... É assim, em
quantidades industriais.
(Outra colega) No caminho da nossa escola para o ciclo, há ali um
quiosque.
Deve ser esse que hoje um dos alunos me falou que vende, inclusive,
cerveja.
(Outra colega): Ai isso já não sei.
Ele disse-me que havia miúdos que traziam aqui para dentro, para a
escola, e que depois bebiam. E eu perguntei-lhe “Mas aqui, dentro da
escola?” “Não compram cá. Mas compram aí num quiosque” E eu
perguntei “E o quiosque tem?” “Tem, tem latas de cerveja”.
Aí era uma fiscalização que devia haver aí para... não é?...
Mais coisas em relação à saúde?
Alguns tomarem banhinho, todos os dias. Aqui por acaso nem é assim
muito grave, há sítios que é pior. Cortarem as unhas. Às vezes mete-me
muita impressão quando eles vêm com aquelas unhas... Mais coisas de
saúde... Olha, há uma coisa que eu também não fiz que é fazer a vacina
contra a Hepatite B. Nós somos grupo de risco.
A escola tem algum processo de controlar a vacinação dos miúdos?
(Outra colega): Na altura das matriculas. O Director de Turma só aceita
a matricula caso o boletim de vacinas esteja actualizado. Senão o aluno
tem que ir tomar a vacina e depois vem á secretaria comprovar que a
tomou. É obrigatório.
Eu passo bastante os intervalos nas salas de aula porque, ás vezes...
arruma capa, não arruma capa e tal, já está a tocar, já está outra turma à
porta e acabo por não poder sair e, geralmente, ficam sempre lá meia
dúzia de gatos pingados que querem falar. Eles gostam de ficar o
intervalo na sala porque gostam de conversar. E depois vêm contar dos
namoricos, disto e daquilo. E nós não temos grandes espaços para isto.
Até porque no polivalente, quer dizer... como é que a gente... É quase
tipo extraterrestre que lá chega! A gente chega lá e senta-se ali no meio e
ficam todos... eh! Não é uma coisa que aconteça naturalmente. Acaba
por ser muito forçado. Aí estamos nós a entrar, deliberadamente, no
espaço deles.
Mas eu quando estive no 8º B, estive numa aula de duas horas, e muitos
deles não vieram ao intervalo, ficaram por ali.
Eles ficam. A não ser que eu tenha que vir cá abaixo e aí “Meninos,
todos lá para fora!” Porque senão ficam sempre na sala. E depois fazem
coisas fantásticas, não é? Põem-se a dançar...
Isso é que é bom, não é?
Eu não sei se tu chegas-te a ver. Houve uma aula qualquer que foi
fantástica, da Área-Escola, também... Tu havias de ver...
Alguns começaram a dançar? Claro.
Eram dois rapazes. Porque não eram as raparigas que começavam, eram
eles! E davam a mão, e a puxar, e a dar voltinhas! A sério... É, mas essa
turma tem assim um ar mais saudável, os próprios miúdos, no
relacionamento, não se notam tanta tricas. Embora as haja mas
conseguem ultrapassar. Nas outras turmas nota-se mais, há uma
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separação maior, não se relacionam tão bem. O que também nos
dificulta mais o trabalho, não é? Porque depois aquilo funciona por
amiguinhos e se nós estamos a dar muita importância a um grupinnho o
outro grupinho acha que só gostamos daquele grupinho. A partir daí já
nem há qualquer tentativa de aproximação. Sabes, o ano passado, na
escola onde estava, as salas era só rés-do-chão. Nós saíamos da sala para
o exterior e nos intervalos passava-os com os miúdos. Mas passava-os
no exterior com eles, o que era diferente, porque a relação ali, com a sala
de aula, era muito mais próxima. Tínhamos um largozinho à frente da
porta da sala, que era quase como o nosso espaço, onde o pessoal se
sentava lá, conversava e havia sempre uma bolinha, não é? Lá aparecia
uma bolinha...
Ana Paula Lisboa: Era uma EB, não era?
Era, era uma EB.
Ana Paula Lisboa: A própria disposição, a própria construção da escola
já permite isso. Aqui não permite isso.
Pois, mas eu notava que conseguia estar muito mais à vontade... não me
sentia tão estranha no recreio como me sinto agora. Por exemplo, eu
agora nunca vou aquela zona das bancadas. Estão lá montes de miúdos,
passam lá montes de intervalos e, se eu quiser estar com eles, sei que os
ia encontrar ali, muitas vezes. Mas sinto-me deslocada, enquanto que no
outro não, no outro qualquer sítio em que eu estivesse estava lá um
grupo de alunos, sentava-me à beira deles, era absolutamente normal. Eu
acho que os grandes precisam tanto de conversar como os mais
pequenos, se calhar até mais. E tentam saber imensos pormenores da
nossa vida.
Obrigado pela entrevista.
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11.7.6 6ª entrevista
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Podes-me dizer o teu nome completo?
...
Idade?
36.
Quantos anos de serviço?
11.
Há quantos anos estás aqui na escola?
Eu acho que é 4 ou 5. Eu estive a dar aulas fora, estive a dar aulas em
Londres. Mas a dar aulas mesmo, este é o primeiro ano.
Já pertences ao quadro da escola?
Já.
Lembras-te quem é que propôs este projecto da prevenção da Sida, para
o oitavo ano?
Eu penso que isto... Já no ano passado foi o mesmo projecto, e penso
que há dois anos também. Penso que foi o Conselho Executivo. Não
tenho a certeza. Porque isto foi-nos dito “Olhem é esta a Área-escola
para o oitavo ano”. Foi o Conselho Executivo que escolheu com o grupo
de Ciências, acho eu.
Como é que foi desenvolvido o projecto?
Nós tínhamos que decidir nas turmas, nas três turmas do oitavo ano, o
que é que iríamos fazer. Mas como no ano passado já foi tratado o tema
aqui na escola, disseram-nos que não podíamos fazer certas coisas que já
tinham sido feitas. Aliás, os alunos tinham conhecimento. Foi um
bocado chato, os alunos não ficaram muito entusiasmados com o tema
porque, como já tinha sido tratado aqui na escola, eles já tinham visto
tratado pelos outros alunos e eles não gostaram muito do tema, queriam
fazer outro tema. Então vimos as hipóteses de trabalhar. Os meus
acabaram de ficar com os panfletos e os cartazes, que acabaram por não
fazer, fizeram o tal livrinho, mas a vontade deles não era muita.
É engraçado estares-me a dizer isso porque, mesmo a nível dos
professores, nas entrevistas já vários me têm dito isso, que estavam a
ficar cheios do tema.
Porque eu acho, não tenho a certeza, que este ano já foi o terceiro ano.
Realmente eu acho que acaba por se fazer sempre a mesma coisa e os
alunos vêm que já foi tratado, já não têm vontade. Eles queriam tratar
um tema da área escola, da escola. Mas... eles disseram “Ó professora,
vamos fazer isto” e uns “Não que já foi feito”, “Então, vamos fazer
aquilo” “Não que já foi feito”. E depois disseram-me “Vamos fazer isto
assim, assim. A tua turma fica com os panfletos” e os miúdos “Oh,
panfletos.... Mas isso já foi feito!” “Está bem, fazemos diferentes”.
Deixa-me recapitular, estavas tu a dizer que os alunos já estão a ficar
fartos do tema...
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− Aliás, alguns deles não trabalharam praticamente nada. Aliás, a turma
este ano é uma turma um bocado problemática. Aqueles alunos mais
problemáticos, parece-me, não fizeram.
− Vocês quando propunham o tema à turma... propunham, isto é, diziam à
turma que iam trabalhar o tema, já levavam algumas actividades para
lhes propor para eles fazerem ou como é que era? Decidiram vocês em
Conselho de Turma?
− Olha, eu disse primeiro. Disseram-me que era esse tema e eu disse, mas
depois, acho que foi o Toni que me disse assim “Podias ficar com os
panfletos” e eu disse à turma “Afinal a nossa turma vai ter que ficar com
os panfletos”. Porque eles queriam organizar os Jogos Tradicionais e o
Concerto. Quer dizer distribuíram e... acho que... quer dizer ou é uma
escolha ou não é uma escolha. Acabou por não ser uma escolha. Mas
depois eles trabalharam.
− Os miúdos também têm essa ideia, que não tiveram...
− Eles falaram “Oh, outra vez a Sida! Oh, já foi feito!” Quer dizer, eles
preferiam trabalhar qualquer coisa diferente.
− Claro, claro.
− Aqueles que trabalham, empenharam-se e até fizeram algumas coisas
jeitosas. Agora aqueles que não se empenham já... como não estavam
muito... Não é não gostarem do tema, é a tal coisa, já viram o tema
trabalhado pelos colegas e alguns como são repetentes já tinham
trabalhado o ano passado.
− Entendes-te porque é que já é o terceiro ano que trabalham a Sida?
Porque é que no oitavo ano não é outro tema qualquer?
− Penso que é porque dão isso a nível de Ciências Naturais, não é?
− Como é que foi a tua participação no projecto? Eras a Directora de
Turma do 8º B, não é?
− Eu fiquei a coordenar o trabalho com os alunos. Eles é que fizeram o
trabalho, mas eu fiquei a coordenar, a distribuir as aulas que era precisas
para trabalhar. Depois, com a Educação Visual, a Susana é que teve a
ideia de fazer o livro e, pronto, ela aí começa tudo ela. Ela disse-me e eu
disse que tudo bem comigo. O resto dos panfletos eu coordenei.
Praticamente só fiz nas aulas de ADT e nas aulas de Inglês, nas aulas de
Francês também.
− Em aulas de Inglês e Francês eles trabalharam na Área-escola e, depois,
em aulas de Educação Visual...
− Fizeram a Área-escola mas a parte do livro.
− Como é que achas que foi a participação dos alunos neste projecto?
− No início houve aqueles que disseram que não queriam fazer. Houve
alguns que de facto não fizeram quase nada, que são os alunos que têm
dado mais problemas ao longo do ano, os mais preguiçosos. Aqueles, os
empenhados, empenharam-se e até fizeram um trabalho engraçado. E no
Dia D, o dia da Sida, andaram a distribuir os panfletos. Foram
praticamente os miúdos que fizeram os panfletos, os outros não
quiseram saber. Houve lá um grupinho de meninos que não quiseram
mesmo saber e eles foram avaliados por isso também.
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− Sabes que eu achei piada que, uma das miúdas da tua turma que tinha
estado com os panfletos, disse-me assim, com um ar um bocado triste,
que na festa muitos deitaram os panfletos para o lixo. Eles a darem e os
outros a deitarem-nos para o lixo.
− Não é muito motivador! Aliás eles já estavam a dizer “Ó professora, isto
vai acabar tudo no chão, no lixo” e eu disse-lhes “Esta é a nossa parte e
nós também, se não tentarmos... Nós distribuímos”. Também andei a
distribuir alguns, ali no polivalente, nesse dia de manhã. Eu acho que
cansou já o tema aqui na escola e papeis as pessoas nem se dão ao
trabalho de ler, a verdade é essa.
− Como é que tu achas que poderá ser feita a promoção da saúde aqui na
escola?
− Talvez através do gabinete de psicologia, de orientação. Quer dizer, está
ligado a isto. Mas eu acho que deveria haver porque, mesmo assim, há
alunos que não estão muito a par... Aliás, eu acho que eles têm
necessidade de ser informados de muita coisa. Através das aulas, não só
das aulas de Ciências. Um pouquinho por todas as aulas. O Conselho
Executivo, também se empenhar um bocadinho mais.
− Como é que eles obtiveram informação sobre as formas de prevenção e
de contágio da Sida?
− Eles souberam alguma coisa nas aulas de Ciências. Algum material eles
é que pesquisaram, foram buscar eles o material. Foram ao Centro de
Saúde, também cheguei a trazer uns panfletos, foram à Biblioteca buscar
livros. Mas eu acho que... Para mim, em qualquer escola, devia haver
muito mais informação nesse campo, de doenças, de droga, sobre
tabaco, sobre isso tudo. Os miúdos, a idade aproxima, querem saber,
querem experimentar, mas às vezes não sabem... Porque se somos nós,
às vezes, a dizer é chato porque é a professora que está a falar com eles.
− Sabes que alguns também me falaram, exactamente, da questão quer do
tabaco quer da toxicodependência.
− A Sida está ligada a isso tudo, sobretudo à droga, e até sobre Sida já vão
sabendo algumas coisas mas o Tabaco, vejo muitos miúdos que estão
mesmo naquela fase em estão a experimentar, vêm para as aulas e
cheiram, e às vezes nem sabem. Acham que... pronto, estão naquela fase
da parvalheira, na idade deles também passei por isso, todos passamos,
não é? De pegar no cigarro só para nos exibirmos. E a questão de droga,
eu acho que agora até é muito mais importante. Porque é assim um
meio...
− Muito obrigado pela entrevista.
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11.7.7 7ª entrevista
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Pode-me dizer o seu nome completo?
...
Idade?
32 anos.
Quantos anos de serviço?
8.
Já está efectiva aqui na escola?
Já.
Há quantos anos?
4.
Lembra-se como surgiu a proposta de desenvolvimento, aqui na escola,
do projecto de Prevenção da Sida?
Isto já vem decorrendo ao longo dos últimos anos. No ano passado
também houve, na Área-escola. Penso eu que é na continuidade desse
trabalho.
Portanto, propriamente não foi escolhido, é um tema que já está...
Foi proposto. Acho que já foi proposto desde o início do ano, os alunos
aceitaram e os professores também.
Como é que o projecto foi desenvolvido?
O projecto da Área-escola é sempre o Director de Turma quem o
coordena. Cada disciplina intervém, umas mais que outras, mas é ao
Director de Turma a quem cabe a coordenação das actividades. A
planificação deve ser feita em conjunto e deve ser proposta pelos alunos.
Neste caso não estou assim tão por dentro, eu não era a Directora de
Turma, eu só fiz a minha parte do trabalho.
Quem é que lhe disse que era isso que tinha que fazer?
Nós planificamos numa das reuniões, de Conselho de Turma,
planificamos as actividades da Área-escola. Ficou decidido, uma vez
que eu sou de Ciências e faz parte do programa de Ciências o estudo do
sangue, a Sida entrega-se nesse programa. O sistema imunitário,
também é estudado. E foi por aí que a minha parte de Ciências iria
transmitir conhecimentos básicos aos alunos sobre o que é a Sida, como
se transmite, quais são os factos da doença, a evolução da doença,
basicamente foi isso que eu fiz.
Como é que acha que foi a participação dos alunos, como é que a
caracteriza?
Acho que eles já estão um bocado fartos do tema.
Trabalhou com a turma do 8º B, não foi?
Sim. Eles gostam de ouvir falar, gostam de ouvir aquelas curiosidades
sobre a origem do vírus, essas coisas gostam. Mas depois quando uma
pessoa entra em partes que eles não acham tão interessantes, eles já
mostram mais aborrecimento.
E que partes é que eles acham mais aborrecidas?
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− Tudo aquilo que tenha a ver com nomes muito diferentes, decorar. Por
exemplo, eu falei-lhes no historial da doença, nos anos 80 em que
surgiu, os investigadores envolvidos, há uma investigadora portuguesa.
Já não estão muito interessados.
− E quais são as partes que eles acham mais piada?
− Acham piada à origem do vírus, às duas teorias, através do macaco e
através de manipulações genéticas, através de experiências. Acham
interessante isso. Gostam de ouvir falar dos sintomas, da fase de
evolução do doença, as três fases: a fase de contágio, em que não há
sintomas, a fase de pré-Sida até à Sida em si. Gostam de saber quais são
os sintomas e porque é que as pessoas morrem. Eles acham interessante
verificar que não é a Sida em si que mata, mas as doenças oportunistas.
− Como é que eles participaram?
− A participação deles foi um bocado passiva na minha aula, uma vez que
foi basicamente transmissão de conhecimentos, eles podiam tirar
dúvidas. Realmente agora estou a lembrar-me, eles mostravam dúvidas e
algumas perguntas eles colocavam na aula, mas foi basicamente isso.
Portanto, eu transmiti conhecimentos e depois alguns debates.
− E a participação nas outras disciplinas, tem alguma ideia como é que
eles participaram?
− Tenho ideia, mas não estive envolvida directamente. Eles fizeram
cartazes, pinturas, relacionadas com o tema.
− Como é que acha que poderia ser feita a promoção da saúde, na escola?
− Há uma área curricular nova que é Educação para a Cidadania, na qual
pode ser feita a Promoção da Saúde. Mas também, em projecto
interdisciplinar, num tema que se enquadrasse, no fundo o projecto vem
substituir a Área-escola. Acho que por aí pode ser feita, nessas áreas.
Depois existe a disciplina de Ciências, também, em que se fala de... à
medida em que se fala de cada sistema – sistema digestivo,.. – também
se vai falando em medidas de prevenção.
− Obrigado pela entrevista.
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11.8 Entrevistas aos Alunos
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11.8.1 1ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Tiago Ricardo Ribeiro da Silva.
Idade?
15.
Estás no 8º ª Há quanto tempo estás aqui na escola?
Nesta?
Sim.
Três anos, este é o terceiro.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar este
projecto de prevenção da Sida?
No ciclo cada turma escolhe o seu tema da área-escola. Aqui não, aqui
na escola cada ano tem o seu tema. Já no ano passado, eu chumbei este
ano, tivemos o tema da Sida e este ano foi igual. O ano passado fizemos
peças de teatro, este ano foi ao contrário – actividades ao ar livre.
Vocês fizeram o quê? Jogos tradicionais?
Foi.
Quem é que achas que decidiu isso, que o 8º ano ia trabalhar a Sida?
Foi o Conselho Executivo, acho eu.
Achas. Não tens a certeza?
Acho que sim.
E quem é que vos falou a vocês, na turma?
Foi o Director de Turma e depois quem organizou foi o professor de
Ciências.
O Director de Turma é que vos disse que a vossa turma ia trabalhar esse
tema mas depois quem trabalhou mais com vocês foi o professor de
Ciências. Como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Cada aluno tinha uma tarefa para trazer para os jogos, por exemplo,
sacos, farinha, rebuçados, sacos para fazer... muitas coisas. Cada aluno
teve a sua tarefa.
Portanto, a vossa turma esteve encarregue de organizar os jogos
tradicionais, é isso?
Sim. Cada um trazia as suas coisas. Mas como é que vocês dividiram
essas tarefas?
Era por Jogo. Cada jogo tinha uns elementos e esses elementos faziam
parte da equipa para organizar o jogo nesse dia e trazer as coisas. Depois
outros alunos tinham outro jogo e encadeamos isso.
Quem é que vos dividiu por jogo?
Foi mesmo o professor de Ciências. E foi na aula.
Ele é que disse “Tu, tu e tu vão trabalhar este jogo”, vocês não se
propuseram?
Alguns escolheram e depois trocamos.
Portanto, primeiro o professor deu a indicação mas depois vocês
organizaram os grupos como queriam?
194
− Foi.
− Como é que foi a tua participação no projecto?
− Eu não estava aí porque eu estava a fazer... havia uns jogos de desporto
radical que era Escala e eu não estive lá muito tempo, mas depois vim
para lá por causa dos jogos mesmo. Estive lá a ajudar no jogo dos cones.
− Mas também estiveste na organização do Jogo? A arranjar material, a
ver como é que iam fazer?
− Não porque eu tive de... Não sei se lembra de um desenho que está lá em
baixo no pavilhão, com tinta azul, verde e amarela...
− Com umas frases?
− Sim.
− Sei, é enorme.
− Fui eu. Fui eu e outro moço, mais alguns elementos da turma, a pintar,
porque aquilo não dava muito jeito a pintar dos três lados. E eu andava à
beira para fazermos aquilo, mais nada.
− Então tu além dos jogos tradicionais estiveste a pintar o cartaz?
− Sim.
− Mas na turma, quando vocês estavam a desenvolver o projecto e
estavam divididos por grupos, por jogos, tu fazias parte de algum desses
grupos ou não?
− Fazia.
− Só que depois no próprio dia não estiveste com eles?
− No próprio dia não pude estar presente.
− O que é que fizeste quando estavas na turma a trabalhar?
− Eu, em principio, foi só para arranjar aquilo lá para pintar. Porque cada
grupo escolhia uma coisa para fazer e eu não tinha tarefa para fazer e
arranjei aquilo. Falei com o professor, ele concordou, fizemos a proposta
ao Conselho Executivo, eles aceitaram e tive que ir falar com eles para
vir ai pintar.
− Pintar o quê?
− O desenho que está lá em baixo. Que era o desenho das T´shirts que nós
tínhamos.
− Ficaram muito bonitas. Quando uma pessoa fala na palavra saúde o que
é que te vem à cabeça?
− É uma pessoa estar bem de saúde. Estar bem. Não Ter problemas.
− Não ter problemas a que nível?
− Não ter problemas, por exemplo estar em qualquer lado e não ter um
ataque cardíaco.
− Problemas físicos, é?
− Sim.
− Não ter problemas físicos é ter saúde?
− Sim... e outras coisas.
− Que outras coisas?
− Por exemplo, também não... Um problema de saúde é também o
alcoolismo, fumar, a droga.
− Portanto, não fumar, não beber, não consumir drogas. Isso contribui para
a nossa saúde, é?
195
− Exacto.
− O que é que achas que poderia ser feito na escola para proteger a saúde
dos que estão cá?
− Acho que aqui na nossa escola já está bem informada de tudo.
− Sim? Informada sobre quê?
− Sobre os temas da Sida
− Agradeço-te muito a entrevista que me deste...
196
11.8.2 2ª Entrevista
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Não te importas de me dizer o teu nome completo?
Paula Cristina Marques Salgado.
Idade?
14.
Estás no 8º A. Há quanto tempo estás aqui na escola?
Vim para cá este ano.
Este é o teu primeiro ano. No 7º ano onde estiveste?
No ciclo.
Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa turma integrar o
Projecto de prevenção da Sida?
Quando eu vim para esta turma já tinham o projecto, na área-escola foi o
“setor” que nos deu o projecto. Pelo menos que eu saiba. Eu vim para
aqui este ano e não faço a mínima ideia.
Mas tu estás aqui desde o início das aulas?
Sim.
E como é que tu achas que a turma já tinha o projecto, antes tu vires para
cá?
Se calhar já tinham a ideia desde o ano passado.
Portanto foi o vosso Director de Turma que falou com vocês e...
Não, foi o nosso “setor” de Ciências.
Que vos disse que esta ía ser a vossa área-escola?
Sim.
E como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Foi assim, nós tínhamos algumas actividades que já vinham propostas
nums papéis e então nós estudávamos aquilo e víamos. Depois quem
quisesse dar propostas... Em cada actividade tinham que estar
representantes, então quem quisesse podia ir. E então eu também
participei nisso e fui. Também estava a representar.
Portanto, estavas a dizer que o teu professor já tinha as actividades
escritas num papel?
Sim.
E quem é que fez essa proposta?
Acho que já era dos outros anos que fizeram estas actividades.
Todas as pessoas tinham que se inscrever?
Não era toda a gente que tinha que se inscrever. Ele punha ali os jogos e
depois ele dizia que eram precisas pessoas para estar ali. Então cada um
via onde queria estar.
E todos se distribuíram pelos vários jogos, não ficou ninguém de fora?
Alguns acho que ficaram.
Nem todos puderam integrar as actividades da área-escola, foi?
Sim.
197
− E as actividades consistiram em fazer o quê?
− Eram jogos que eram: rebentar balões, puxar as cordas, correr com os
sacos.
− E como é que vocês ligavam isso à prevenção da Sida?
− Acho que não tinha assim muito a ver, não é? Os jogos não têm assim
muito a ver com a Sida mas...
− Vocês acharam piada à proposta?
− Achamos piada e fizemos.
− E depois, quando estiveram a fazer os jogos, gostaram? Correu bem?
− Gostamos. A princípio, quando nós andamos pelas salas para eles se
inscreverem, inscreviam-se. Mas depois, havia outras actividades ao
mesmo tempo que a nossa e então alguns preferiam ir para essas
actividades e então tivemos que arranjar... eles é que tiveram que
arranjar pessoal para os substituir porque eles diziam “Eu não vou mas
vou arranjar quem que vá no meu lugar”.
− E como é que foi a tua participação?
− Também estive no jogo de puxar as cordas, com outra colega minha. E
depois , na entrega de prémios, também fui eu e outra colega minha que
fomos entregar os prémios.
− E foram vocês que organizaram, que trataram de tudo sobre esse jogo?
− Trouxeram o material e nós apenas tínhamos que estar lá e ver as turmas
que participavam, contar o tempo, ver quem é que fazia menos tempo.
− Quando se fala na palavra “saúde” o que é que te vem à cabeça?
− Estar doente, sei lá, ser saudável.
− E o que é isso de ser saudável?
− Não estar doente. Não ter nada que nos prejudique a saúde, não é?
− E o que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que estão cá?
− Sei lá, distribuir panfletos?
− Sobre...?
− A saúde. Nós também tivemos uma turma que distribuiu panfletos sobre
a Sida. A Escola também podia ter um posto médico.
− Que desse informações sobre como uma pessoa se podia manter
saudável?
− Sim. E depois também podia chamar cá os Encarregados de Educação e
fazer.
− Chamar cá os encarregados de Educação para...?
− Discutir a saúde, a Sida, os perigos que há. Acho que é mais ou menos
isso.
− E além da Sida, achas que havia assim mais algum tema relacionada
com a saúde?
− Acho que deviam informar os Encarregados de Educação sobre as
doenças que podemos ganhar aqui na escola, pode ser contagioso para
outro colega nosso, mas a Sida principalmente porque acho que é assim
fundamental.
− Agradeço-te muito a entrevista que me deste...
198
11.8.3 3ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Jaime Alberto Silva Salazar.
Idade?
14.
Estás no 8º A. Há quanto tempo é que estás aqui na escola?
Há 3.
Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa turma integrar este
projecto de prevenção da Sida?
Foi o Conselho Directivo que propôs.
E quem é que vos falou nisso?
Foi o Director de Turma.
Como é que vocês se organizaram para fazer este trabalho?
Não sei. Já não me lembro.
Não terá sido o professor que vos indicou o que é que vocês deveriam
fazer?
Sim. Mas mais o professor de Ciências.
Vocês, em termos de disciplinas, só trabalharam com a disciplina de
Ciências?
Sim.
As outras disciplinas não contribuíram?
Contribuiu a de Visual para fazer o logotipo das camisolas.
Portanto, trabalharam com o professor de Ciências e a Professora de
Visual. EEE as outras disciplinas não?
Não.
Como é que foi a tua participação no projecto?
Acho que foi boa.
Mas o que é que fizeste?
Fizemos jogos e eu participei.
Estiveste a fazer os jogos mas não estiveste na organização, é assim?
Não.
Que jogos é que estiveste a fazer?
O jogo das chaves....
E como é que se ligam os jogos à questão da Sida?
Não sei.
Quando se fala na palavra “saúde” o que é que te vem à cabeça?
........
Se eu te perguntasse se tens saúde o que é que tu me respondias?
Eu acho que sim.
Porquê?
Não sei.
199
− O que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que estão cá?
− Proibir de fumar decerto não conseguem.
− Achas que a proibição de fumar não adianta nada?
− Não.
− Porquê?
− Os alunos fumam na mesma. E ainda gozam por cima.
− Pensas que a escola poderia fazer outro tipo de coisas para as pessoas
não fumarem?
− .....
− Ou pensas que não haverá grande problema as pessoas fumarem?
− Há médicos que também fumam, por isso....
− Portanto pensas que não é assim muito prejudicial e a escola podia era
deixar os alunos fumarem?
− Acho que não.
− E mais alguma coisa além do tabaco?
− Acho que não. Não há coisa mais importante nesta escola.
− Achas que de resto está tudo bem?
− Acho que sim. Pelo menos comigo está, agora com os outros alunos não
sei.
− Mas de uma forma geral, não só contigo.
− Acho que não.
− Agradeço-te muito a entrevista que me deste...
200
11.8.4 4ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Silvia Cristina Pimenta Correia.
Idade.
15.
Estás no 8º A . Há quantos anos estás aqui na escola?
3.
Qual foi o ano em que reprovas-te?
Foi no 7º.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar este
projecto?
Bem, a nossa turma iniciou este ano. Mas nós não tivemos nada a ver, os
professores é que... Nós estávamos para decidir qual era a nossa áreaescola e então os professores disseram que ia ser a Sida. Nos oitavos
anos, todos os anos parece que é a Sida, e então nós tivemos que
concordar.
Mas não era esse tema que vocês queriam trabalhar?
Ao princípio não, mas depois, não sei... achamos mais importante para
ficarmos a saber mais sobre a Sida. Eu até achei importante a Sida.
Portanto, foram os professores que propuseram. E quem é que falou
com vocês?
O professor António Almeida.
Que é o professor de Ciências. Como é que vocês se organizaram para
desenvolver o trabalho?
Pusemo-nos em grupos. Organizamos jogos. Jogos Tradicionais.
A vossa turma organizou Jogos Tradicionais e as outras turmas, fizeram
outras coisas?
Fizeram cartazes. Fizemos tudo. Tivemos ideias, falamos com o “setor”
António Almeida. Organizamos tudo direitinho e acho que correu bem.
Portanto vocês é que propuseram os jogos que iam fazer?
Não. Os jogos eram os mesmos do ano passado e foi o professor
António Almeida que deu a ideia.
Vocês depois distribuíram-se consoante os jogos?
É.
E foi o professor que vos distribuiu pelos Jogos?
Nós é que escolhemos os jogos e ficámos a organizar. Tudinho. Fomos
nós mesmos.
E como é que vocês prepararam os jogos?
Tínhamos que arranjar o material necessário.
Em que jogo é que estiveste?
Estive no jogo das cadeiras.
E então o que é que tiveram que fazer?
201
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Apenas tivemos que pôr as cadeiras direitas, não é?
E onde é que foram buscar as cadeiras?
Às salas, pedimos autorização.
Foram vocês que pediram autorização para ir buscar as cadeiras ou foi o
professor que pediu?
Foi o professor. Nós já tínhamos a autorização e então viemos buscar as
cadeiras. Pusemos as cadeiras. Tínhamos a música e arranjamos as
pessoas que iam lá andar. Púnhamos a música, parávamos e eles
começavam andar outra vez. Foi divertido, pronto.
E houve muitos alunos a participarem?
Houve muitos alunos a participarem.
Qual foi a tua participação?
Eu como sou a delegada de turma tive que organizar a maior parte. Eu é
que andava de um lado para o outro, tinha que tomar conta a ver se
estava tudo em ordem, era eu e o “setor” António Almeida.
E porquê? Ele pediu-te que tu, como delegada, estivesses atenta?
Sim. Eu é que fazia as pontuações, eu é que apontava tudo e depois, com
os outros jogos, cansei-me com o barulho todo e umas colegas minhas
apontaram também mas... foi divertido, por acaso.
Quando se fala na palavra “saúde” o que é que te vem à cabeça?
Saúde...
O que é para ti “saúde”?
Saúde para mim é uma coisa importante, não é? Porque eu também já
estive mal de saúde e acho importante que eu me cuide e assim... Se eu
tiver algum problema, se eu tiver uma dorzinha de cabeça, tenho que ir
logo ao médico. Não gosto de estar ali a imaginar coisas que me podem
acontecer, gosto de ter cuidado comigo.
E o que é que fazes para ter esses cuidados?
Faço uma boa alimentação. Como o que devo comer. Não aquelas
asneiras. Acho que é tudo.
O que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
Não sei... tentar organizar um grupo que falasse sobre a saúde aos
alunos.
Um grupo constituído por quem?
Não sei, por pessoas que entendessem disso, da saúde, e que
explicassem aos alunos mais novos, por exemplo, e até aos mais velhos
que às vezes não entendem e não se preocupam com eles próprios. Eu
acho que deviam... acho que a escola devia ter isso.
Seriam pessoas da escola ou achas que teriam que vir pessoas de fora da
escola para falar sobre isso?
Não sei... pessoas da escola, não sei... acho que não têm assim grande
possibilidade a não ser os professores de Ciências que eles entendem
disso. Mas acho que pessoas de fora também convinha.
Porquê? Achas que estariam melhor preparados?
Acho que explicariam melhor aos alunos.
202
− Estás-te a lembrar de alguns temas que achasses importantes para serem
tratados nesses encontros?
− ..... Não sei.
− Eles iriam falar sobre quê?
− Sobre... como devemos tomar conta do nosso corpo, o que nós não
devemos ingerir, por exemplo, o tabaco. Os meus colegas, alguns
fumam e digo-lhes “Porque é que não deixas isso? Isso faz-te muito
mal... e não sei quê”. Mas não vale a pena, eles é que sabem da sua vida,
não é? Acho...
− E além do tabaco, estás-te a lembrar de mais algum tema?
− A droga. Num gosto de falar disso. Num gosto disso... arrepia-me só de
falar disso. Vejo muitas pessoas assim... e às vezes algumas até morrem
por causa disso, não gosto.
− Achas que a droga era um tema importante?
− Sim.
− E além da droga?
− A Sida também. Acho que é um tema muito importante.
− Além dos jogos, alguém esteve a conversar com vocês sobre a Sida?
− Sim, o Director de Turma e o professor António Almeida.
− E o que é que vocês aprenderam sobre isso?
− Que devemos ter cuidado. Por exemplo... se nós tivermos relações
sexuais termos cuidado, se usámos preservativo ou não, não vá a outra
pessoa ter a Sida e nos contagiar com a mesma doença. Isso... já não me
lembro, já foi há tanto tempo.
− Antes de vocês fazerem os Jogos Tradicionais os professores tiveram
essas conversas?
− Sim, tiveram.
− Obrigado pela entrevista...
203
11.8.5 5ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Silvia Cristina Pimenta Correia.
Idade.
15.
Estás no 8º A . Há quantos anos estás aqui na escola?
3.
Qual foi o ano em que reprovas-te?
Foi no 7º.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar este
projecto?
Bem, a nossa turma iniciou este ano. Mas nós não tivemos nada a ver, os
professores é que... Nós estávamos para decidir qual era a nossa áreaescola e então os professores disseram que ia ser a Sida. Nos oitavos
anos, todos os anos parece que é a Sida, e então nós tivemos que
concordar.
Mas não era esse tema que vocês queriam trabalhar?
Ao princípio não, mas depois, não sei... achamos mais importante para
ficarmos a saber mais sobre a Sida. Eu até achei importante a Sida.
Portanto, foram os professores que propuseram. E quem é que falou
com vocês?
O professor António Almeida.
Que é o professor de Ciências. Como é que vocês se organizaram para
desenvolver o trabalho?
Pusemo-nos em grupos. Organizamos jogos. Jogos Tradicionais.
A vossa turma organizou Jogos Tradicionais e as outras turmas, fizeram
outras coisas?
Fizeram cartazes. Fizemos tudo. Tivemos ideias, falamos com o “setor”
António Almeida. Organizamos tudo direitinho e acho que correu bem.
Portanto vocês é que propuseram os jogos que iam fazer?
Não. Os jogos eram os mesmos do ano passado e foi o professor
António Almeida que deu a ideia.
Vocês depois distribuíram-se consoante os jogos?
É.
E foi o professor que vos distribuiu pelos Jogos?
Nós é que escolhemos os jogos e ficámos a organizar. Tudinho. Fomos
nós mesmos.
E como é que vocês prepararam os jogos?
Tínhamos que arranjar o material necessário.
Em que jogo é que estiveste?
Estive no jogo das cadeiras.
204
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E então o que é que tiveram que fazer?
Apenas tivemos que pôr as cadeiras direitas, não é?
E onde é que foram buscar as cadeiras?
Às salas, pedimos autorização.
Foram vocês que pediram autorização para ir buscar as cadeiras ou foi o
professor que pediu?
Foi o professor. Nós já tínhamos a autorização e então viemos buscar as
cadeiras. Pusemos as cadeiras. Tínhamos a música e arranjamos as
pessoas que iam lá andar. Púnhamos a música, parávamos e eles
começavam andar outra vez. Foi divertido, pronto.
E houve muitos alunos a participarem?
Houve muitos alunos a participarem.
Qual foi a tua participação?
Eu como sou a delegada de turma tive que organizar a maior parte. Eu é
que andava de um lado para o outro, tinha que tomar conta a ver se
estava tudo em ordem, era eu e o “setor” António Almeida.
E porquê? Ele pediu-te que tu, como delegada, estivesses atenta?
Sim. Eu é que fazia as pontuações, eu é que apontava tudo e depois, com
os outros jogos, cansei-me com o barulho todo e umas colegas minhas
apontaram também mas... foi divertido, por acaso.
Quando se fala na palavra “saúde” o que é que te vem à cabeça?
Saúde...
O que é para ti “saúde”?
Saúde para mim é uma coisa importante, não é? Porque eu também já
estive mal de saúde e acho importante que eu me cuide e assim... Se eu
tiver algum problema, se eu tiver uma dorzinha de cabeça, tenho que ir
logo ao médico. Não gosto de estar ali a imaginar coisas que me podem
acontecer, gosto de ter cuidado comigo.
E o que é que fazes para ter esses cuidados?
Faço uma boa alimentação. Como o que devo comer. Não aquelas
asneiras. Acho que é tudo.
O que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
Não sei... tentar organizar um grupo que falasse sobre a saúde aos
alunos.
Um grupo constituído por quem?
Não sei, por pessoas que entendessem disso, da saúde, e que
explicassem aos alunos mais novos, por exemplo, e até aos mais velhos
que às vezes não entendem e não se preocupam com eles próprios. Eu
acho que deviam... acho que a escola devia ter isso.
Seriam pessoas da escola ou achas que teriam que vir pessoas de fora da
escola para falar sobre isso?
Não sei... pessoas da escola, não sei... acho que não têm assim grande
possibilidade a não ser os professores de Ciências que eles entendem
disso. Mas acho que pessoas de fora também convinha.
Porquê? Achas que estariam melhor preparados?
Acho que explicariam melhor aos alunos.
205
− Estás-te a lembrar de alguns temas que achasses importantes para serem
tratados nesses encontros?
− ..... Não sei.
− Eles iriam falar sobre quê?
− Sobre... como devemos tomar conta do nosso corpo, o que nós não
devemos ingerir, por exemplo, o tabaco. Os meus colegas, alguns
fumam e digo-lhes “Porque é que não deixas isso? Isso faz-te muito
mal... e não sei quê”. Mas não vale a pena, eles é que sabem da sua vida,
não é? Acho...
− E além do tabaco, estás-te a lembrar de mais algum tema?
− A droga. Num gosto de falar disso. Num gosto disso... arrepia-me só de
falar disso. Vejo muitas pessoas assim... e às vezes algumas até morrem
por causa disso, não gosto.
− Achas que a droga era um tema importante?
− Sim.
− E além da droga?
− A Sida também. Acho que é um tema muito importante.
− Além dos jogos, alguém esteve a conversar com vocês sobre a Sida?
− Sim, o Director de Turma e o professor António Almeida.
− E o que é que vocês aprenderam sobre isso?
− Que devemos ter cuidado. Por exemplo... se nós tivermos relações
sexuais termos cuidado, se usámos preservativo ou não, não vá a outra
pessoa ter a Sida e nos contagiar com a mesma doença. Isso... já não me
lembro, já foi há tanto tempo.
− Antes de vocês fazerem os Jogos Tradicionais os professores tiveram
essas conversas?
− Sim, tiveram.
− Obrigado pela entrevista...
206
11.8.6 6ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Silvia Cristina Pimenta Correia.
Idade.
15.
Estás no 8º A . Há quantos anos estás aqui na escola?
3.
Qual foi o ano em que reprovas-te?
Foi no 7º.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar este
projecto?
Bem, a nossa turma iniciou este ano. Mas nós não tivemos nada a ver, os
professores é que... Nós estávamos para decidir qual era a nossa áreaescola e então os professores disseram que ia ser a Sida. Nos oitavos
anos, todos os anos parece que é a Sida, e então nós tivemos que
concordar.
Mas não era esse tema que vocês queriam trabalhar?
Ao princípio não, mas depois, não sei... achamos mais importante para
ficarmos a saber mais sobre a Sida. Eu até achei importante a Sida.
Portanto, foram os professores que propuseram. E quem é que falou
com vocês?
O professor António Almeida.
Que é o professor de Ciências. Como é que vocês se organizaram para
desenvolver o trabalho?
Pusemo-nos em grupos. Organizamos jogos. Jogos Tradicionais.
A vossa turma organizou Jogos Tradicionais e as outras turmas, fizeram
outras coisas?
Fizeram cartazes. Fizemos tudo. Tivemos ideias, falamos com o “setor”
António Almeida. Organizamos tudo direitinho e acho que correu bem.
Portanto vocês é que propuseram os jogos que iam fazer?
Não. Os jogos eram os mesmos do ano passado e foi o professor
António Almeida que deu a ideia.
Vocês depois distribuíram-se consoante os jogos?
É.
E foi o professor que vos distribuiu pelos Jogos?
Nós é que escolhemos os jogos e ficámos a organizar. Tudinho. Fomos
nós mesmos.
E como é que vocês prepararam os jogos?
Tínhamos que arranjar o material necessário.
Em que jogo é que estiveste?
Estive no jogo das cadeiras.
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E então o que é que tiveram que fazer?
Apenas tivemos que pôr as cadeiras direitas, não é?
E onde é que foram buscar as cadeiras?
Às salas, pedimos autorização.
Foram vocês que pediram autorização para ir buscar as cadeiras ou foi o
professor que pediu?
Foi o professor. Nós já tínhamos a autorização e então viemos buscar as
cadeiras. Pusemos as cadeiras. Tínhamos a música e arranjamos as
pessoas que iam lá andar. Púnhamos a música, parávamos e eles
começavam andar outra vez. Foi divertido, pronto.
E houve muitos alunos a participarem?
Houve muitos alunos a participarem.
Qual foi a tua participação?
Eu como sou a delegada de turma tive que organizar a maior parte. Eu é
que andava de um lado para o outro, tinha que tomar conta a ver se
estava tudo em ordem, era eu e o “setor” António Almeida.
E porquê? Ele pediu-te que tu, como delegada, estivesses atenta?
Sim. Eu é que fazia as pontuações, eu é que apontava tudo e depois, com
os outros jogos, cansei-me com o barulho todo e umas colegas minhas
apontaram também mas... foi divertido, por acaso.
Quando se fala na palavra “saúde” o que é que te vem à cabeça?
Saúde...
O que é para ti “saúde”?
Saúde para mim é uma coisa importante, não é? Porque eu também já
estive mal de saúde e acho importante que eu me cuide e assim... Se eu
tiver algum problema, se eu tiver uma dorzinha de cabeça, tenho que ir
logo ao médico. Não gosto de estar ali a imaginar coisas que me podem
acontecer, gosto de ter cuidado comigo.
E o que é que fazes para ter esses cuidados?
Faço uma boa alimentação. Como o que devo comer. Não aquelas
asneiras. Acho que é tudo.
O que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
Não sei... tentar organizar um grupo que falasse sobre a saúde aos
alunos.
Um grupo constituído por quem?
Não sei, por pessoas que entendessem disso, da saúde, e que
explicassem aos alunos mais novos, por exemplo, e até aos mais velhos
que às vezes não entendem e não se preocupam com eles próprios. Eu
acho que deviam... acho que a escola devia ter isso.
Seriam pessoas da escola ou achas que teriam que vir pessoas de fora da
escola para falar sobre isso?
Não sei... pessoas da escola, não sei... acho que não têm assim grande
possibilidade a não ser os professores de Ciências que eles entendem
disso. Mas acho que pessoas de fora também convinha.
Porquê? Achas que estariam melhor preparados?
Acho que explicariam melhor aos alunos.
208
− Estás-te a lembrar de alguns temas que achasses importantes para serem
tratados nesses encontros?
− ..... Não sei.
− Eles iriam falar sobre quê?
− Sobre... como devemos tomar conta do nosso corpo, o que nós não
devemos ingerir, por exemplo, o tabaco. Os meus colegas, alguns
fumam e digo-lhes “Porque é que não deixas isso? Isso faz-te muito
mal... e não sei quê”. Mas não vale a pena, eles é que sabem da sua vida,
não é? Acho...
− E além do tabaco, estás-te a lembrar de mais algum tema?
− A droga. Num gosto de falar disso. Num gosto disso... arrepia-me só de
falar disso. Vejo muitas pessoas assim... e às vezes algumas até morrem
por causa disso, não gosto.
− Achas que a droga era um tema importante?
− Sim.
− E além da droga?
− A Sida também. Acho que é um tema muito importante.
− Além dos jogos, alguém esteve a conversar com vocês sobre a Sida?
− Sim, o Director de Turma e o professor António Almeida.
− E o que é que vocês aprenderam sobre isso?
− Que devemos ter cuidado. Por exemplo... se nós tivermos relações
sexuais termos cuidado, se usámos preservativo ou não, não vá a outra
pessoa ter a Sida e nos contagiar com a mesma doença. Isso... já não me
lembro, já foi há tanto tempo.
− Antes de vocês fazerem os Jogos Tradicionais os professores tiveram
essas conversas?
− Sim, tiveram.
− Obrigado pela entrevista...
209
11.8.7 7ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Luís Filipe M. Antunes.
Idade?
13.
Há quanto tempo estás aqui na escola?
2 anos.
Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa turma integrar o
projecto de prevenção da Sida?
Foi para alertar todos os alunos, para saberem o que é a Sida.
Mas quem é que vos propôs isso?
Foi o nosso professor de Ciências e a reunião de todos os alunos.
Decidimos todos... Já vinha de outros anos anteriores.
Portanto, o vosso professor sugeriu, vocês conversaram e aceitaram, foi
isso?
Foi.
Como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Todos em conjunto. Todos tinham o seu trabalho, os professores
ajudavam-nos também.
“Todos em conjunto”, o que é que queres dizer com isso? Que a turma
toda discutiu o que é que ia fazer?
Sim.
E decidiram fazer o quê?
Decidimos fazer o projecto da Sida.
Que era concretamente o quê?
Eram os jogos tradicionais, assim com... a falar sobre a Sida... painéis
sobre a Sida. Depois outra turma, do 9º, fez um concerto, assim... várias
coisas.
A vossa turma ficou encarregue de fazer os jogos tradicionais, não foi?
Sim.
Portanto, vocês dividiram-se em grupo?
Em grupo. Cada um tinha o seu jogo, para organizar e depois o
Conselho Executivo deu os prémios.
Como foi a tua participação? O que é que fizeste?
Eu colaborei no jogo.
Como concorrente?
Como concorrente. E depois... não consegui tirar nenhum prémio.
Não?
Não. Tiraram os outros. Como nós éramos da turma alguns acharam que
era para os outros.
E na organização dos jogos, estiveste nalguma?
210
− Estive. No jogo dos balões.
− O que é que fizeram para organizar esse jogo?
− Fizemos grupos de três onde todos os concorrentes iam ajudar outro que
ia rebentar balões.
− E vocês é que arranjaram os balões?
− Sim. Estivemos no Conselho Executivo, eles deram-nos dinheiro e
fizemos esses Jogos Tradicionais.
− Compraram vocês os balões?
− Compramos os balões.
− Quando se fala em saúde o que é que te vem à cabeça?
− Saúde?
− Sim. De que é que te lembras logo?
− Doença.
− E mais?
− Mau estar da pessoa. Estar doente, não conseguir fazer nada, dores de
cabeça.
− O que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos que
estão cá?
− Organizar mais reuniões entre os Encarregados de Educação, alunos...
alertar, fazer panfletos. A maior parte dos alunos não sabe. Fotografias.
Algumas doenças que prejudicam a saúde.
− Além da Sida, que outros temas é que achas que poderiam ser
abordados?
− Também poderia ser sobre... a Gripe, não andar assim muito ao frio em
Educação Física e isso tudo.
− E além desses encontros não achas que a escola teria que fazer mais
alguma coisa para proteger a saúde dos que cá estão?
− Não. Depois era só falar com o Ministério.
− Sim? O que é que achas que o Ministério poderia fazer?
− Mais Centros de Saúde.
− Obrigado pela entrevista........
211
11.8.8 8ª Entrevista
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Dizes-me o teu nome, se faz favor?
Roberto.
Roberto quê?
Joaquim Azevedo da Silva.
Do 8º...
C.
Isso mesmo. Que idade é que tens?
16.
Há quanto tempo é que estás aqui na escola?
Nesta?
Sim.
3.
Portanto, vieste para cá no 7º. Qual foi o ano em que reprovas-te?
No 8º.
Sabes como é que surgiu este projecto de prevenção da sida? Quem é
que propôs o tema?
Não.
Não?
Aqui na Escola?
Sim.
Foi o Executivo.
Ai foi o Executivo? E como é que tens essa informação?
Porque dizem.
E quem é que vos disse?
Foi o que ouvi dizer.
Mas... foi a vossa Directora de Turma que vos falou deste projecto ou
foram vários professores?
Alguns “setores” também, mas principalmente era a Directora de turma.
Que vos disse o que o Executivo tinha decidido que a vossa turma ia
estar integrada neste Projecto, é?
Hum...hum.
E depois, como é que ele se desenvolveu? Portanto, a directora de turma
falou-vos disso, do tema, e depois?
Nós trocamos ideias, entre nós, sobre o que é que íamos fazer e
chegamos à conclusão que íamos fazer cartazes e panfletos.
Ai vocês também fizeram cartazes?
Sim.
Eu pensei que tinha sido só o 8ºB. Vocês também fizeram. Eu acho que
não vi os vossos cartazes, ainda tenho que ver. Fizeram panfletos? E
chegaram a ser distribuídos, ou não?
212
− Chegaram. No dia da festa.
− Tenho que os pedir, também não vi nenhum. E como é que vocês se
organizaram para fazer esse trabalho?
− Fizemos grupos e cada um tinha a sua função. Nós trabalhamos uns a
fazer panfletos, outros cartazes. Foi assim.
− E quem é que decidiu como é que era a constituição dos grupos?
− Fomos nós.
− Vocês é que escolheram com quem é que queriam ficar?
− Sim.
− E o que tinham que fazer, também foram vocês que escolheram ou....
− Foi a turma toda. Decidimos...
− As várias tarefas a fazer?
− Hum...hum.
− E depois cada grupo escolheu o que queria fazer?
− Sim.
− Achas que foi bom, tudo correu bem?
− Acho que sim.
− Gostaram de estar a trabalhar nisso?
− Sim.
− Sabes que eu estive cá no dia da festa e achei que aquilo correu muito
bem. E concretamente tu, a tua participação neste projecto, como é que
foi?
− Fiz um cartaz.
− Fizeste um cartaz, com o teu grupo?
− Não. Eu por acaso fiz um sozinho. Cada um fazia o seu e eu fiz um
cartaz em folha A3, mais pequenino.
− Cada um, dentro do grupo, fazia um cartaz?
− Um cartaz, pois era.
− E nos outros grupos, cada um também tinha a sua tarefa?
− Depois era por grupos que nós podíamos fazer à nossa maneira.
− Houve outros grupos que fizeram o quê?
− Cartazes individuais. Um cartaz por eles todos.
− O grupo fez um cartaz, maior não é?
− Sim.
− O tema do trabalho era?
− A Sida.
− O que é que tu achas que deveria ser feito na escola para salvaguardar
ou proteger a saúde dos que aqui estão?
− Já temos feito muito.
− Ah, então conta lá.
− Temos feito concertos. No ano passado a minha turma, fizemos um
concerto.
− E em que é que tu achas que ajuda a proteger a saúde das pessoas?
− Porque nós falamos lá como nos protegermos e como não ter. E também
como é que se prevenia.
213
− Como não ter a Sida e como é que se prevenia a Sida. E mais, a escola
tem feito mais alguma coisa, ou achas que poderia fazer mais alguma
coisa?
− Tem feito muitas coisas.
− Desde que tu estás cá?
− Desde que eu estou cá.
− Mas sempre relacionadas com a Sida, ou não?
− Só no 8º.
− E sem ser relacionado com a Sida?
− Sobre a poluição.
− Achas piada participar nesses trabalhos?
− Acho.
− Porquê?
− Porque acho engraçado uma pessoa estar a corrigir erros que uma
pessoa não pode ter no futuro.
− Comportamentos de risco, não é?. Obrigado pela tua colaboração.
214
11.8.9 9ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome?
Todo?
Sim.
Alberto Tiago.
Que idade é que tens?
Tenho 15.
És do 8º C?
Sim.
Há quantos anos é que estás aqui na escola?
No liceu?
Sim.
Há 3.
Portanto reprovas-te algum ano. No 8º?
Sim.
Sabes como é que surgiu o projecto em que a tua turma esteve
integrada? Quem é que propôs o tema?
Isso aí acho que foi o Conselho Directivo?
Quem é que vos disse isso?
Eu ouvi já no 7º ano, não no 8º, o ano passado.
O ano passado também já trabalharam este tema?
Sim.
E este ano quem é que vos disse que esta ia ser esta a vossa área-escola?
Mas isto foi a... Já sabíamos que ia ser sempre.
Que no 8º ano iam sempre trabalhar este tema.
Sim.
Portanto, este ano vocês já estavam a contar com isso.
Sim. Eu pelo menos estava.
A nível dos professores quem é que esteve assim mais implicado a
trabalhar com vocês?
Nós trabalhava-mos mais em ADT (terceira hora de DT em que o
director de turma está com os alunos) e Educação Visual.
Mas as outras disciplinas não cediam horas, do tempo lectivo delas, para
vocês trabalharem?
A de Visual acho que disse que... só às segundas feiras.
Mas foi a disciplina onde mais trabalharam isto, ou não?
Foi, foi.
E os outros professores não cederam aulas deles para vocês continuarem
este trabalho?
Acho que não.
E como é que vocês se organizaram para desenvolver o projecto?
215
− Foi em grupo. Primeiro fizemos grupos e depois estivemos a fazer
desenhos para escolher. Primeiro fazíamos todos um desenho, um cada
um, o que ficasse melhor ficava e aos que não fossem escolhidos...
− Todos os grupos faziam desenhos e depois era a turma toda que
escolhia.
− Sim. Era a “setora” que escolhia. A “setora” de educação Visual.
− E eram esses desenhos que ficavam para depois se fazer o quê com eles?
− Para depois... para...para...
− Fizeram o quê com eles? Cartazes, panfletos?
− Fizemos de tudo- cartazes... É um grupo faz cartazes, outro faz
panfletos, mas isso era ao início. Agora já estamos a trabalhar mais a
sério, agora uns até fazem cartazes, outros panfletos, outros... várias
coisas.
− De início, então, fizeram os desenhos, a professora escolheu e depois
foram esses desenhos que foram aplicados nos cartazes, ou não, fizeram
outros?
− Depois fizemos outros, depois quando começamos a trabalhar a sério.
No início foi mais assim para ver.
− E como é que achas que foi a tua participação neste projecto?
− Gostei.
− E gostas-te porquê?
− Porque havia um bocado de tudo. Havia... no grupo onde estava umas
vezes trabalhava-mos, outras vezes falava-mos, mandava-mos umas
piadas. Para não estar sempre ali a.... Acho que gostei?
− E gostas-te de ver o produto final?
− O produto final... Aquilo ficou um bocado....
− Não gostas-te muito. Porquê?
− Não gostei muito. Ao fazermos gostei, agora depois ao fim isso foi outra
coisa.
− Achas-te que não ficou muito bem, foi?
− Foi.
− E para o ano gostavas de continuar com este tema ou achas que já se
devia mudar?
− Eu acho que podiam variar. Assim, um ano um... Por exemplo, este ano
podia ser o Ambiente, para o ano a Sida e depois... continuava sempre a
Sida mas em cada ano trocavam. Este ano era a Sida, amanhã era o
Ambiente, depois era a Sida, depois era outro diferente.
− Porque é que achas que assim funcionava melhor?
− Porque a Sida começa a.... o pessoal já sabe e depois começa a ver “Oh,
eu já sei isso tudo vou continuar a ver outra vez” e não sei quê...
− E a forma como vocês se organizaram para o trabalho, agradou-te?
Achas que alguma coisa devia ser modificada?
− Muita coisa havia de ser modificada.
− Ora conta lá.
− Muitos estão aqui num grupo e depois passam para outro, e depois
ajudam outro, não vêm ajudar...e há sempre aquelas zangas e não sei
quê. Haviam de ficar todos a ajudar uns aos outros.
216
− Mas porquê? Havia quem trocasse de grupo era?
− É. Não gostava, via assim... começava... não faziam o que ele queria...
mudava para outro! E depois vinha outro para o nosso. Não gostava e ia
para outro. Era sempre assim e às vezes não funcionava muito bem. Mas
eu gostava na mesma porque... tinha aquelas pessoas que sabiam ser
organizadas e os outros que não gostavam, que era mais para a
brincadeira, saíam do grupo.
− Portanto, já disseste que já é o 2º ano que estás a trabalhar a Sida. E
agora o que eu te queria perguntar é – a nível da escola toda, o que é que
achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde das pessoas que
cá estão?
− Neste caso, quanto a escola mais prende as pessoas aqui mais eles lhes
apetece fazer.
− Apetece fazer o quê?
− Assim, por exemplo, a escola proibiu de fumar.
− E tu achas que mais lhes apetece fumar?
− E eles mais fumam que é só para contrariar a escola. Se a escola
deixasse eles talvez “Isto? Isto já nem dá gosto!”. Eles podiam deixar
porque já ouvi alguém dizer “o fruto proibido é o mais apetecido” e eles
continuam a fumar e depois veem os outros...
− E além da questão do tabaco que outras coisas é que achas que poderia
ser feito?
− Nos balneários. Acho que deviam mudar algumas coisas. Por exemplo,
onde se toma banho acho que devia ter... muitos não querem usar
chinelos e vão lá descalços, assim... Acho que devia ter assim... como
tem onde se vestem...
− Aqueles estrados de madeira?
− Estrados. Acho que também devia ter nos balneários, uma pessoa
andava lá e aquilo passava por baixo, não ficava em cima.
− Não tinha água, não é?
− Pois. E outras coisas mais. As casas-de-banho, também. Aquilo eu acho
que não tem muita higiene. Assim quando uma pessoa vai fazer...
− Vai utilizar a casa-de-banho?
− Sim. Acho que... Não é a parte da casa-de-banho, a parte da sanita, é
mesmo no lavatório. Aí uma pessoa... É tipo como uma pessoa quando
vai mijar, não é, aí nessa parte isso está tudo aberto e ás vezes acho que
não tem higiene. Para mim aquilo não tem higiene e é isso.
− E mais alguma coisa que te lembres que a escola pudesse...
− Agora assim não me vem à ideia. Uma pessoa quando está lá fora vê
tudo e mais alguma coisa agora aqui dentro...
− Como é que achas que a escola deveria resolver esses dois problemas? O
tabaco já me disseste como é que a escola deveria fazer. E quanto às
casa-de-banho?
− Assim aí... não sei quais as condições da escola. Se pode gastar...
− Se tem dinheiro?
− Hum...hum
217
− Agradeço muito a tua colaboração, foi óptima, e se não te importas
chamas outro colega.
− Adeus.
218
11.8.10 10ª Entrevista
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Não te importas de dizer o teu nome completo?
Rita Maria Martins Leite
Idade.
14.
Estás no 8º C. Há quantos anos é que estás aqui na escola?
Há 2. 7º e 8º.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar este
projecto de prevenção?
Não. O projecto da Sida já tem muitos anos, para aí 4 anos, mais ou
menos.
Que funciona aqui na escola?
Não sei se é assim que funciona, mas já tem muitos anos este tema, não
foi agora escolhido.
E como é que tu sabes isso?
Porque conheço outras pessoas que andaram o ano passado e há mais,
que disseram.
Mas concretamente este ano, quem é que vos falou, pela primeira vez,
que iam trabalhar este tema?
Acho que foi a Directora de Turma.
E como é que vocês se organizaram para desenvolver o projecto?
Começamos a dividir tarefas, panfletos ou cartazes. Fizemos os grupos e
depois íamos procurar as coisas sobre a Sida.
E vocês discutiam as ideias, discutiam com o grupo ou discutiam com a
turma toda, como é que era?
Às vezes era com turma outras vezes era no grupo e depois chamavamos a professora a ver se aceitava a nossa ideia.
E portanto, estiveste a fazer...?
Panfletos.
Estiveste no grupo dos panfletos. Havia mais que um grupo?
Havia.
Como é que achas que foi a tua participação neste trabalho?
Acho que foi boa. A “setora” disse. A “setora” de Visual dividiu as
pessoas que trabalharam mais e menos, para agora trabalharem nas aulas
de ADT (terceira hora de Dt em que o Director de turma está com os
alunos). E eu vou trabalhar. Acho que trabalhei bem.
E gostas-te?
Sim.
Porquê?
Sei lá, é a primeira vez que trabalhei na Sida e é uma coisa diferente.
È um tema diferente.
219
− O ano passado eram os Dinossauros, não tinha nada a ver.
− E quanto à forma como vocês se organizaram, como se envolveram no
projecto, o que é que achas que esteve bem e o que não esteve tão bem?
− Acho que foi bem organizado mas alguns rapazes punham-se na
brincadeira, não conseguiam fazer sempre as coisas. Só que depois em
vez dos cartazes que era assim um bocado complicado, foram para uns
panos assim a dizer...
− Eram umas faixas.
− Sim. Não sei bem.
− Portanto, saíram do teu grupo e foram trabalhar para isso, foi?
− Não, o grupo dos cartazes, que estavam a trabalhar em cartazes, é que
deixaram e foram para outra coisa.
− E do teu grupo saiu alguém?
− Não. Éramos 5.
− Funcionou bem?
− Funcionou. Fizemos 3 panfletos, sobre os preservativos, os alunos e a
Sida... eram dois dos alunos e a Sida só que transmitir e não transmitir,
coisas diferentes.
− Conta-me uma sessão do vosso trabalho. Chegavam à sala e depois?
− Cada um trazia as coisas de casa, juntavamos...
− As coisas, o quê? Informações?
− Sim. Punhamos num papel e desenhava-mos nós. Isto vai ficar assim,
aqui o texto, aqui as imagens. Depois alguém levava para casa e passava
a computador.
− A nível da escola toda o que achas que deveria ser feito para proteger a
saúde das pessoas que cá estão?
− É não fumar porque andam a fumar muito, principalmente aqui atrás dos
pavilhões.
− O que é que a escola poderia fazer quanto a isso?
− Pôr funcionários aqui a ver, de vez em quando.
− A vigiar?
− Sim.
− Mais alguma coisa?
− De saúde?
− Sim.
− ...
− O que é para ti saúde?
− ...
− Que pergunta esquisita, não é?
− É.
− Mas quando te lembras da palavra saúde, o que é que te vem à cabeça?
− Sei lá. Se uma pessoa comer coisas doces que nos façam mal por dentro.
− Portanto é ter comportamentos que não prejudiquem a nossa parte física,
não é?
− Sim.
− E tu achas que na escola é só a questão do tabaco...
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É mais.
De resto está tudo bem?
Sim.
Obrigadíssimo pela tua colaboração.
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11.8.11 11ª Entrevista
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Diz-me, se faz favor, o teu nome completo.
Liliana Patrícia Fernandes de Sá.
Que idade é que tens?
Tenho 15 anos.
Andas no 8º C. Há quantos anos estás aqui na escola?
Na escola estou desde o 7º. Há dois anos.
Portanto reprovas-te no...?
Na segunda classe.
Lembras-te quem propôs que a vossa turma integrasse este projecto de
prevenção da Sida?
Acho que foi o Conselho Executivo.
E quem vos comunicou?
Foi a Directora de Turma. Todos os anos eu acho que o 8º ano, não é, o
tema da área-escola sempre foi a Sida.
Portanto já sabias...
Já sabia.
Já o ano passado sabias que este ano ias trabalhar a Sida.
É.
E agrada-te trabalhar este tema?
É bom, adoro.
O ano passado achavas que era uma boa coisa este ano trabalhar assim?
Sim. O ano passado trabalhámos na área-escola mas foi nos
Dinossauros.
O que é que te atrai no tema da Sida?
Porque conhecemos coisas novas. O que nós podemos fazer quando
temos um colega com uma situação muito grave, sobre a Sida,
conhecemos assim coisas novas, não é? É bom saber estas coisas. Assim
aos menos estamos prevenidos.
Como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Em Grupo.
Quem estabeleceu os grupos?
Foi a nossa Directora de Turma.
Vocês não escolheram o grupo em que queriam ficar, foi ela que disse?
Agora não me estou a lembrar muito bem. Não sei se fomos nós que
ajudamos a “setora” a fazer os grupos.
E como é que vocês se organizaram para trabalhar?
Dar ideias, colaborar...
E nessa parte de dar ideias foi com a turma toda ou foi só em grupo?
Nós, por exemplo, o nosso grupo, nós estávamos a dar uma ideia à
“Setora”, para propor no Conselho Executivo, que era para fazer umas
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camisolas todas pintadas, loucas, a falar sobre a Sida mas a “setora”
falou com o Conselho Executivo e não resultou nada porque já estava
outra turma a fazer sobre isso. Depois nós resolvemos fazer cartazes só.
Portanto, quem decidia o que cada grupo fazia?
Eram os grupos.
Os grupos é que decidiam “nós vamos fazer isto, aquilo...”
E depois a “setora” dizia se estava certo ou errado.
E não houve casos de haver mais que um grupo a querer fazer a mesma
coisa?
Não, não. Não houve confusões em grupos.
Todos os grupos escolheram coisas diferentes ou havia grupos que
estavam a trabalhar a mesma coisa?
Não... Sim, às vezes havia assim uma confusão mas tudo se resolvia
porque a nossa Directora de Turma metia lá respeito. Só o nosso grupo é
que fez cartazes, os outros não. Foi assim uns papeis pequeninos para
pôr na pasta. E agora estamos a acabar de fazer, com a “setora” de
Visual, o nosso trabalho da área-escola.
Então havia um grupo a fazer cartazes, o vosso a fazer panfletos...e
mais? O que é que os outros faziam?
Os outros...é só isso, não é? Só que em Visual estamos a trabalhar outra
vez na área-escola. Estamos a pintar. Estamos a fazer um livrinho que
fala sobre a Sida.
Eu já vi. Está girissimo esse livro. Como é que achas que foi a tua
participação neste trabalho?
Bem...eu por mim acho trabalhei, esforcei-me e dei ideias, não é? Só que
para os professores, o que estava naquele papel que veio, se eu trabalhei
na área-escola, dizia lá muito pouco.
Porque é que achas que estava lá isso?
Eu não sei... Simplesmente dava ideias, colaborava, trabalhava, não é?
Só que, prontos, no grupo é que devem saber quem trabalha e quem não
trabalha. Agora os professores dizem que eu não trabalhei, eu não tenho
culpa.
E achas que o teu grupo funcionou bem?
Funcionou bem.
E então porquê? Conta lá.
Porque nós tínhamos ideias espectaculares, não é, colaborávamos todos,
não havia zangas nem nada.
Portanto iam dando ideias, iam fazendo...
Sim.
Agora a nível da escola toda, o que é que achas que a escola poderia
fazer para proteger a saúde das pessoas que cá estão? Para já, primeiro, o
que é que é para ti saúde? O conceito de saúde.
Bem, eu não sou muito bem disso, não é? Porque eu às vezes não faço
bem o que se deve fazer por uma boa alimentação, mas... O que eu acho
da saúde?
O que é para ti saúde. Quando te lembras da palavra saúde o que é que te
vem à cabeça?
223
− São doenças, morte. O que me vem mais à cabeça é morte, mais nada.
Se tiver alguma doença fico logo preocupada porque pode provocar
morte. Acho que é só.
− E o que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que estão cá?
− Pôr um posto médico.
− Achas que era importante?
− Eu acho que sim, porque, por exemplo, em vez de ir para o hospital,
tinha aqui um posto médico para aconselhar os alunos.
− Em que situação?
− Situações graves, não é?
− Acidentes?
− Sim.
− Mais alguma coisa que achas que a escola poderia fazer?
− Por exemplo, nós temos aqui vários cursos, não é, e eu acho que
deveríamos ter um curso de música.
− E então porquê? Como é que tu ligas isso à questão da saúde?
− Eu acho que música tem a ver com a nossa idade, não é? Qualquer aluno
de qualquer idade gosta de música. Eu acho que a escola, como tem
assim várias oportunidades, devia ter música. Um curso de música.
− Como é que ligas isso à questão da pessoa ser saudável?
− Sei lá, diverte-se mais. Por exemplo, uma pessoa que tenha a Sida, podese esquecer de várias maneiras, por exemplo, a música.
− E aqueles que não têm Sida, achas que também podem.
− Sim.
− Para ti, para te manteres saudável, achas que era importante haver
alguma coisa ligada á música aqui na escola?
− Por exemplo a Aeróbica. Tem muito a ver com a saúde. Fazer ginástica
faz saudável, não é? A Aeróbica é a mesma coisa que ginástica. Eu acho
que faz bem a música. Eu acho que a música tem muito a ver com a
Sida. Como por exemplo, na maré dos testes se alguém quer relaxar a
cabeça, não é?
− Tu gostas de estar aqui na escola.
− Eu adoro andar na escola.
− Então conta lá porquê?
− Porquê? Prontos, eu sem a escola não sou ninguém. Como por exemplo,
eu sou escuteira, eu sem os escuteiros eu sou uma rapariga que anda
para aí, eu não sou ninguém. Tenho vários aspectos, a escola e os
escuteiros. Porque faço novos amigos nos escuteiros, e muitos amigos
aqui na escola. Conheço, dou-me bem com todos, porque, sei lá. Para
mim eles trazem-me alegria, e não só os amigos, como por exemplo
conhecer coisas novas.
− Gostei muito de estar a conversar contigo. Obrigado pela tua
colaboração.
224
11.8.12 12ª Entrevista
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Dizes-me o teu nome completo, se fazes o favor?
Nuno Alexandre Oliveira
Tens que idade?
14.
Estás no 8º C. Há quantos anos é que estás aqui na escola?
2.
Lembras-te como é que surgiu a proposta de a vossa turma integrar este
projecto de Prevenção da Sida?
Acho que foi a nossa Directora de Turma.
Como é que vocês se organizaram para fazer o projecto?
Fizemos grupos, dividimos as tarefas, a ver quem é que ia fazer cartazes
e...assim.
Quem é que organizou os grupos?
Acho que foi a professora
E tu ficas-te com que querias?
É tudo para trabalhar, portanto...
Cada grupo é que disse o que queria fazer ou como é que foi?
Dividimos. Dividimos mais ou menos. Uns queriam fazer cartazes...
Fomos dividindo. Para dar mais ou menos equilibrado.
Foi escolhido discutido na turma toda?
Sim, sim. Cada grupo é que escolhia.
Não havia repetições?
Sim, havia, por exemplo, dois grupos a fazer cartazes, três a fazer
panfletos.
E não havia problema?
Não, não havia problema. Cada um fazia à sua maneira.
E o teu grupo, achas que funcionou bem?
Sim, acho que sim. Estávamos a fazer o trabalho...
E achas que trabalhou bem, porquê? Como é que vocês faziam para
funcionar bem?
Porque... nós estávamos a trabalhar em cartazes e fazíamos coisas que
eram atractivas , com a ajuda da professora de Educação Visual, ajudava
a fazer isso, e então fazíamos isso.
Entusiasmavam-se com o que estavam a fazer?
Sim.
Trabalhavam só aqui nas aulas ou havia coisas que tinham que levar
para casa?
Não, foi mais nas aulas. Para casa acho que não, não houve.
Como é que achas que foi a tua participação?
Trabalhei bem.
225
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Mas gostas-te de trabalhar?
Gostei.
E porquê?
É chamativo. É um trabalho que é bom de fazer. Fazer coisas para a
escola, para a escola saber o que é.
Mas o que é que te motiva mais- é o tema ou a forma como
trabalhavam?
As duas coisas.
E gostas-te do resultado final?
Ainda vamos fazer mais qualquer coisa.
Ainda não acabaram?
Não acabamos.
Vocês naquela festa do Dia S, qual foi a vossa colaboração?
Não me lembro.
Mas não distribuíram panfletos?
Distribuímos, acho que foi isso.
Pois, eu isso é que ainda não tenho. Tenho que ver se arranjo, os
panfletos.
Já vaio ser difícil.
Se calhar já não há, não é? Se calhar tenho que pedir à tua professora
para ver se ela me desencanta algum. Eu cheguei a ver um livro que
penso que a vossa turma é que estava a fazer. Um livrinho sobre a Sida.
É. Tinha assim imagens...
Tinha.
De vários casos?
Tinha, tinha. Estava muito bonito.
Por acaso também participei nisso. Por acaso também fiz com a
professora Susana.
Vocês trabalharam mais com ela?
Foi.
Houve mais algum professor?
Tinha mais a ver com o desenho e outras coisas, portanto foi mais com
a professora de Educação Visual.
E houve mais alguma disciplina a colaborar?
Acho que trabalhamos um pouco também em ADT (terceira hora de DT
em que o Director de Turma está com os alunos) e... foi só aí e em
Visual.
Consegues-me dizer o que é para ti saúde? Quando se fala em saúde o
que é que te vem á cabeça?
Saúde?
Sim.
É termos problemas de saúde, é fazermos por não ter, fazendo uma
alimentação correcta e isso tudo, tomarmos as devidas precauções.
Manteres-te saudável, não é?
Manter-me saudável. Fazer o possível para estar sempre bem.
226
− O que é que achas que se poderia fazer na escola para proteger a saúde
dos que cá estão?
− É uma pergunta delicada.
− Porquê?
− Não sei, aqui na escola não tem muito a ver com a escola.
− Achas que não?
− Acho. Aqui é mais para se trabalhar. Prontos, na cantina ter-se as devida
precauções, para que não haja nada de mais. De resto, acho que é só.
− Obrigado pela tua colaboração....
227
11.8.13 13ª Entrevista
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Podes dizer o teu nome completo, se fazes o favor?
Tiago Gonçalo Ribeiro.
Idade.
13.
Estás há quantos anos aqui na escola?
Há 2.
És do 8º C. Lembras-te quem é que propôs que a vossa turma integra-se
este projecto de prevenção da Sida?
Foram os professores.
Mas quem é que falou com vocês, pela primeira vez, sobre isto?
Foram os professores.
Mas qual deles?
Foi a Directora de Turma.
Como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Pusemo-nos em grupos.
Quem é que constituiu os grupos?
Fomos nós que escolhemos.
Vocês é que escolheram com quem é que queriam trabalhar?
Sim. Uns faziam em cartazes e outros em panfletos.
E quem é que escolheu fazer isso? Eram os grupos ou era a professora
que decidia?
Eram os grupos.
Tu em grupo é que estives-te? Cartazes ou panfletos?
Cartazes.
Como é que se organizaram para fazer os cartazes?
Nós não fizemos quase nada.
Não? Porquê?
...
Brincaram muito, foi?
Foi.
Ia-te perguntar qual é que tinha sido a tua participação no projecto, o
que é que tu achas?
...
Porque é que o vosso grupo não conseguiu funcionar?
Não sei.
Não?
...
Se estivesses com outros elementos terias conseguido trabalhar?
Não sei.
Mas já tiveste alguma experiência de trabalhar em grupo?
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Já.
E correu bem essa experiência?
Sim.
O que é que fizeste?
Trabalhos para a escola.
E porque é que achas que dessa vez correu bem e nesta não?
Não sei. Podia ser mais fácil fazer o trabalho.
A vossa tarefa era um bocado difícil?
Era.
E não podiam escolher outra?
Outra para a área-escola?
Outra tarefa. Dentro do mesmo tema mas outra tarefa.
Não sei.
Não chegaram a propor isso?
...
Quem é que optou pelos cartazes? Foram vocês?
Sim.
Mas alguns tiveram dificuldades, não foi?
Sim.
O que é que tu achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde
dos que cá estão? Primeiro, o que é para ti saúde? Quando se fala em
saúde o que é que te vem à cabeça?
Doenças.
O que é que tu achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde?
Eu acho que a escola está bem.
Está? Não achas que poderia fazer mais nada?
Não. Então o que tu achas que ela faz que protege a saúde dos que estão
cá?
.....
Não estás a lembrar de nada?
Não.
Obrigado pela tua colaboração.
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11.8.14 14ª Entrevista
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Não te importas de me dizer o teu nome completo?
Ângela Cristina Oliveira Camacho.
Idade?
16.
Estás no 8º C. Há quanto tempo é que estás aqui na escola?
Há 3.
Portanto, reprovas-te no 7º. Lembras-te como é que surgiu esta proposta
da vossa turma integrar o projecto de prevenção da Sida?
Não.
Não te lembras quem é que vos falou neste projecto?
Ora bem, os professores é que organizaram. Nós não sabíamos de nada.
Todos os anos, já há muito tempo, tinha sido o programa da Sida. Uma
pessoa já estava a calcular que este ano ia ser também.
E quem é que vos deu essa informação?
Acho que foi o nosso “setor” de Ciências.
Como é que desenvolveram o trabalho?
Ora bem, tiramos opiniões entre os colegas, onde a professor anotava o
que queríamos fazer, a Directora de Turma. Íamos fazer cartazes,
panfletos...
Como é que se organizaram para fazer esses cartazes e os panfletos?
Por grupos.
Quem é que formou os grupos?
Foi a “setora” de Inglês, a nossa Directora de Turma.
Não foram vocês que escolheram com quem queriam ficar?
Não.
Como é que os grupos trabalharam?
A professora perguntava o que é que nós queríamos fazer – panfletos ou
cartazes -, as pessoas diziam o que queriam e cada um trabalhava no que
tinha dito, no que tinha escolhido.
E depois dentro do grupo, o que é que estiveste a fazer?
Nós estivemos a tirar assim coisas sobre a Sida, informações sobre a
Sida, e depois fizemos um panfleto tipo um mapa, era as informações
que havia no mundo.
E onde é que foram buscar essas informações?
A livros.
E alguém vos indicou esses livros ou vocês é que trouxeram?
Nós é que trouxemos.
Aqui da escola?
Sim.
Da biblioteca?
230
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Sim.
Então a escola tem bastante material?
Tem, tem.
E depois para fazer esse mapa como é que o grupo se organizou?
É assim, a professora de Visual também nos ajudou a fazer os desenhos.
Ela disse logo que nós íamos fazer o mapa que era para mostrar as
evoluções todas do mundo, para nós pormos ali. Nós escolhemos o
mapa. Primeiro nós tínhamos feito outras opções, mas depois o mapa foi
o que ficou, foi o que nós achamos mais bonito.
Quantos elementos é que tinha o teu grupo?
6.
E como é que vocês dividiram as tarefas?
Cada um pesquisava as coisas que tinha, cada um escolhia, e depois
trazíamos todos para as aulas e depois... dividíamos assim.
E correu bem o trabalho?
Correu.
Gostas-te?
Muito.
Porquê?
Sei lá, fiquei assim a saber mais coisas sobre a Sida. Muitas coisas não
sabia e fiquei a saber coisas melhores.
Gostas-te de ter trabalhado esse tema e da forma como trabalharam,
também gostas-te?
Também gostei.
Porquê?
Sei lá, as pessoas trabalhando em grupo sentem-se bem, cada um faz a
sua coisa, tiram conclusões, dificuldades e assim outras coisas.
Ajudam-se mutuamente. Já tinhas trabalhado, com os teus colegas, em
grupo?
Já. Muitas vezes.
Como é que tu caracterizas a tua participação no grupo? Sentiste-te
bem?
Senti.
Porquê?
Sei lá, cada um tinha o seu trabalho e cada um fazia à sua vontade.
Ninguém tinha nada que... depois via-se. Mostrava-se aos professores e
os professores concordavam ou não. Nós também fizemos lá uns
desenhos que não devíamos Ter feito e o Conselho Directivo não
autorizou e tivemos que fazer outros.
E foi aí que fizeram o mapa?
Foi.
Quando se fala na palavra saúde o que é que te vem á cabeça?
Sei lá, muitas coisas. Uma pessoa tem que ter cuidados, muita coisa.
Não fumar que faz muito mal à saúde. Quando tiver relações ou assim.
Sei lá, muita coisa.
231
− No fundo é evitar comportamentos de risco que prejudiquem o nosso
bem estar físico, é?
− Pois.
− E a nível da escola o que é que achas que poderia ser feito para proteger
a saúde dos que cá estão?
− Não sei.
− A escola já faz alguma coisa?
− Já.
− O que é que faz?
− Ora bem, se uma pessoa estiver doente, ou assim, eles tentam ajudar.
Chamam ambulâncias, mandam-nos para o hospital e uma pessoa... eles
depois lá entendem-se. Mas vai sempre uma funcionária connosco.
Portanto, já nos ajudam muito se uma pessoa tiver alguma coisa, se
rachar a cabeça...
− E achas que a saúde tem só a ver com o nosso bem-estar físico ou
implica com outras coisas?
− Não sei, mas acho que é só o bem-estar físico.
− Muito obrigado pela entrevista.
232
11.8.15 15ª Entrevista
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Não te importas de dizer o nome completo?
Ana Cristina.........
Que idade é que tens?
14.
Estás no 8º C. Há quanto tempo é que estás aqui na escola?
Desde o 7º.
Portanto há dois anos. Lembras-te como é que surgiu a proposta da
vossa turma integrar este projecto de prevenção da Sida?
O Conselho Executivo fez todos os anos com o 8º ano, porque achava
que era nesta idade que devíamos estar mais a par do assunto. Todos os
oitavos anos, o projecto cá na escola é a Sida.
E quem é que falou com vocês sobre isso?
A nossa Directora de Turma.
Como é que vocês se organizaram para desenvolver o projecto?
Começamos por pesquisar para saber como é que as pessoas se metiam
nessas coisas, porque estavam com problemas e depois começavam,
essas coisas assim.
Na Sida?
Sim, na Sida. Antes da Sida, claro, metem-se em drogas, fumadas e
injectadas, essas coisas assim. Pesquisamos e depois começamos a fazer
os trabalhos.
Toda a turma fazia o mesmo trabalho? Como é que foi?
Não, dividíamo-nos em grupos. Cada grupo tinha um trabalho,
dividíamos pelos colegas e cada um fazia a sua tarefa.
E quem é que vos dividiu em grupos?
A Directora de Turma ajudou mas nós é que escolhemos, porque
sentíamo-nos sempre melhor com alguns. Portanto nós é que
escolhemos o nosso grupo.
Gostas-te da forma como o teu grupo funcionou?
O meu? Funcionou muito bem.
Quantos elementos é que tinha?
5.
Como é que achas que foi a tua participação, no trabalho de grupo?
Eu acho que foi boa. Pesquisei aquilo que eu podia, aquilo que eu sabia,
ajudei.
Onde é que pesquisas-te? Onde é que foste buscar a informação?
Na Internet, em livros e também, na altura, andava numa psicóloga aqui
na escola e falei com ela e ela ajudou-me.
Gostas-te do resultado final?
Gostei.
233
− Quando se fala em saúde o que é que te vem à cabeça?
− Eu não sou uma pessoa muito saudável, não é? Mas há aquelas pessoas
que são, gostam de experimentar coisas novas e vão estragá-la. Vão
estragá-la porque fazem mal, porque não sabem o que é estar doente. Se
soubessem num...
− Não experimentavam?
− Não experimentavam.
− E tu achas que não és saudável, porquê?
− Já tive princípios de diabetes, tenho anemia, tenho muita coisa.
− Mas quem olha para ti ninguém diz que és doente. Porquê? Vais
conseguindo ultrapassar bem?
− Vou. Já estive pior.
− E tu achas que a saúde é só saúde física ou também há outro tipo de
saúde?
− Saúde psicológica.
− Também é importante, não é?
− É, e eu que o diga.
− O que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
− No meu caso, por exemplo, que não andava bem, ajudaram-me.
Deixaram-me ir à psicóloga que me fez bem. Acho que foi uma grande
ajuda na escola, para mim. É muito bom ter uma psicóloga aqui. Os
professores ajudam muito, também. São os nossos segundos pais, a
nossa vida é aqui e em casa. Falamos sobre isso, nesta Área-Escola
falamos sobre isso e eles ajudam, esclarecem qualquer dúvida que a
gente tenha, a gente pergunta e eles falam.
− Falam sobre quê? Desculpa que eu não percebi.
− Falam se uma pessoa fica na dúvida de alguma doença ou de alguma
coisa que sinta, principalmente ao professor de Ciências porque é o
professor que está mais a par, se uma pessoa perguntar ele fala sobre
isso. Às vezes deixa de dar a aula para falar sobre isso.
− E achas que a escola poderia fazer mais alguma coisa?
− Não.
− Muito obrigado pela entrevista.
234
11.8.16 16ª Entrevista
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Dizes-me o teu nome completo?
Ricardo Manuel Gonçalves Silva Azevedo.
Que idade tens?
Tenho 13.
Há quantos anos estás aqui na escola?
Há 2.
Estás no 8º C. Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa turma
integrar o projecto de prevenção da Sida?
A nossa turma foi assim, na aula da “stora” Lurdes, que é a nossa
Directora de Turma, já os outros oitavos anos já tinham feito o projecto
da Sida e nós, prontos, os oitavos anos que vem de trás é todos assim,
fazem todos as coisas que os outros de trás fizeram.
Portanto, todos os oitavos anos trabalham a Sida?
Pois. Agora os próximos oitavos que vierem também vão trabalhar a
Sida.
E quem vos informou, sobre vocês trabalharem sobre a Sida, foi a vossa
Directora de Turma?
Foi.
Como é que vocês se organizaram para desenvolver o trabalho?
Em grupos. Cada grupo tinha um trabalho destinado.
Quem é que organizou os grupos?
Foi pela nossa Directora e Turma e também por nós. A nossa Directora
de turma às vezes dizia “Aí está tudo bem e aí está tudo mal” e então
nós trocavamos.
E como é que vocês se organizaram dentro do grupo?
Nós íamos fazendo projectos e todos tinham que concordar. Podiam
concordar quase todos menos um, se um não concordasse tínhamos que
fazer outro projecto. Depois chegamos a um acordo, todos tínhamos um
projecto e nós fizemos o projecto, a computador, tirar fotografias de
revistas e assim.
Qual era a finalidade desse vosso trabalho?
Fazermos panfletos, desdobráveis, que dizia lá as prevenções, o que é
que se devia fazer quando se tivesse Sida e tudo.
Como é que foi a tua participação no grupo? Gostas-te?
Gostei.
Porquê?
Trabalhamos todos. Não havia zangas, não havia nada. Todos
trabalhávamos, enquanto que... prontos, podia ser como noutros grupos
em que um trabalhava e os outros estavam a olhar sem fazer nada.
E no vosso grupo isso não aconteceu?
235
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Não, no nosso grupo trabalhávamos todos, todos dávamos ideias, tudo.
Gostas-te do resultado final?
Gostei.
Achas que ficou bonito?
Ficou, até ficou. Os outros oitavos também fizeram um projecto, fizeram
outras coisas, nós fizemos panfletos e cartazes, outros organizaram o
concerto e tudo, foi assim...
Os vossos panfletos foram distribuídos no dia da festa?
Foram. Forram distribuídos no dia da festa. Foi porque... prontos, nós
queríamos... quando as pessoas vieram para distribuir... prontos, era uma
festa e nós... também... queríamos mostrar.
Quando se fala na palavra saúde o que é que te vem à cabeça?
Saúde? Quer dizer que tem saúde, que não está em risco, que não está
em risco de nada? É isso?
Eu é que te estou a perguntar. É isso que tu achas?
È, é isso que eu acho, que não está em risco de nada. Às vezes até se diz
que “aquela pessoa até vende saúde”.
E a saúde para ti é só o aspecto físico ou terá mais alguma coisa?
Para mim a saúde é o aspecto físico, é também não ter nada que nos
contraia. Para mim a saúde é a coisa mais importante que há na vida.
O que é para ti uma pessoa saudável?
Saudável é uma pessoa que tem alegrias que não tem tristezas, que tem
tudo.
O que é “tudo”?
“Tudo” quer dizer que se dá bem com aquela, que não há zangas nem
nada. É uma pessoa que num... Há aí muitas pessoas que até se vê que
trabalham aí no duro, às vezes até nem comem para ganhar dinheiro para
manter os filhos. Uma pessoa saudável é uma pessoa que tem o seu
trabalho e isso, é uma pessoa bonita, saudável que tem uma vida boa.
O que é que achas que a escola poderia fazer para manter a saúde dos
que estão cá?
A escola poderia fazer, se tivesse meios que pudesse, assim... a escola de
mês a mês havia de pôr aí a fazerem análises, a fazerem... num sei...
análises, ecografias para ver se alguém estava doente, se tinha algum
problema. Que até esta escola está bem boa de equipamentos até tem
muitas coisas que as outras escolas não têm.
O que é que ela tem que as outras escolas não têm?
Tem assim, em termos de laboratórios, tem telescópios... e muitas
escolas não têm. Pavilhões... sempre limpos e temos um polivalente
onde podemos ouvir música e isso tudo. Também temos um
gimnodesportivo, muitas escolas os alunos fazem física cá fora e quando
está a chover nem fazem e assim nós temos um bom gimnodesportivo
que... podemos fazer quando está chuva e... quando o tema o permite.
Esta Escola Secundária Padre Benjamim Salgadoté é boa em termos de
tudo.
Muito obrigado pela entrevista.
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11.8.17 17ª Entrevista
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Dizes-me o teu nome completo?
Susana Marisa Lemos Costa
Que idade é que tens?
13.
Há quanto tempo estás aqui na escola?
Há dois anos.
Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa turma integrar o
projecto de prevenção da Sida?
Já há vários anos que aqui na escola, os oitavos anos, é sempre a Sida.
E quem é que vos disse isso?
Foi o Conselho Directivo.
E quem é que vos deu essa informação?
Foi a nossa Directora de Turma.
Como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
Formamos grupos e depois começamos a conversar sobre o que é que
havíamos de fazer, se havíamos de fazer um filme ou assim e tínhamos
que fazer cartazes e panfletos.
Quem é que formou os grupos?
Fomos nós.
O teu grupo tinha uma ideia de fazer um filme, era?
Era.
E porque é que não foi para a frente?
Porque não dava. A professora achava que ia ser confuso, que nós todos
não íamos trabalhar e era um bocado chato.
E então depois mudaram para...? O que é que fizeram?
Panfletos.
E quem é que teve essa ideia?
Fomos nós.
Como é que o grupo se organizou para fazer panfletos?
Fomos procurar nos jornais, na Internet, procuramos notícias.
Quantos elementos tinha o teu grupo?
5.
Funcionou bem, o teu grupo?
Sim.
Porquê?
Porque colaborámos todos, não houve ninguém que não trabalhasse nem
alguém que trabalhasse. Todos colaborámos.
Como é que foi a tua participação no grupo?
Eu acho que foi boa.
Porquê?
237
− Porque fiz o que todos fizeram, não é? Cada um tinha a sua coisa para
fazer e eu fiz o que me competia.
− Como é que chegaram a um acordo sobre a questão do panfleto?
− Começamos a ler mas nunca lemos tudo a pormenor (riso). Foi mais
assim ver imagens... nunca fizemos assim coisas a pormenor.
− E quem é que construiu o texto do panfleto?
− Foi a nossa “setora” de Visual que nos ajudou.
− E a mensagem que vinha lá, também foi ela?
− Sim. Porque tinha muitas coisas escritas e ela disse que um panfleto não
podia ter assim muitas coisa, senão não ia chamar a atenção e, mesmo
assim, a gente deu na escola e eles rasgaram logo. Havia no caixote do
lixo...
− É uma pena, não é?
− Deitaram tudo fora. Mas nós ficámos com os originais que estavam a
cores...
− Pois, eu já pedi à tua professora para me arranjar uns porque eu não
cheguei a ver.
− Eu tenho ali. Ando no meio da agenda com uns panfletos, nunca os tirei,
tenho ali.
− Mas tens mais que um exemplar?
− Tenho.
− Então podias-me arranjar um. Sabes porquê? Porque a tua professora só
tem um exemplar e tem que tirar fotocópias, se tu não te importasses...
− Não.
− Quais foram as disciplinas que trabalharam com vocês?
− Foi mais em ADT, com a directora de Turma, e em Visual fomos ajudar
a fazer os desenhos e assim. E depois trabalhamos algumas vezes em
Português e em Francês, mas isso era só por brincadeira... Não havia
muita coisa para fazer. A gente trabalhava mais era só na escola e em
casa.
− E quem é que vos deu essas informações sobre a prevenção e sobre as
formas das pessoas se protegerem?
− Fomos nós que fomos retirar à Internet, a livros, a ver o que era a Sida,
pegamos noutros panfletos que às vezes distribuem nas farmácias,
imagens, tudo sobre a Sida.
− Quando se fala em saúde o que é que te passa logo pela cabeça?
− Sei lá, tem a ver com problemas que uma pessoa tenha.
− Tais como?
− Doenças que existem.
− Portanto, estás a ligar isso à parte física. Ou saúde poderá ser mais do
que isso?
− Sim, também pode ser psicológico. Também há pessoas doentes da
cabeça. Mas acho que ligo mais à parte de quando a gente está doente,
assim qualquer coisinha que vai logo ao médico, fala-se logo em saúde.
É mais isso.
− O que é que achas que a escola poderá fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
238
− Uma coisa que eu acho que está aqui muito mal é o tabaco, o fumo.
− Fumam aqui na escola?
− Fumam e não é pouco. Atrás dos pavilhões é só fumar e isso eu acho
que prejudica muito. De resto acho que está bem. Mesmo em casos de
higiene e tudo acho que está bem.
− Como é que achas que a escola poderia resolver essa questão do tabaco?
− Proibir ou pôr vigilantes. Vigiar que eles já não fumavam, eu acho.
− Achas que isso resolveria?
− Eu acho.
− Muito obrigado pela entrevista.
239
11.8.18 18ª Entrevista
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Dizes-me o teu nome completo?
Helena Alexandra da Silva Ferreira
Que idade é que tens?
14.
Há quanto tempo estás aqui na escola?
É o segundo ano.
Lembras-te como é que surgiu esta proposta da vossa turma integrar o
projecto de prevenção da Sida?
Foi no início do ano, no primeiro período. Já há muitos anos que o tema
era a Sida e nós este ano continuámos. Nós não queríamos que fosse
este, não é.
Qual era o tema que vocês queriam?
Há quem quisesse desporto e outras coisas, música...
Vocês já tinham discutido isso entre vocês?
Sim, algumas pessoas, mas acabamos por concordar com os professores.
Foi imposto, não é?
Sim.
Quem é que vos falou disso?
Foi a professora, acho que o que me lembro foi a professora.
A Directora de Turma?
Sim... que nos disse que era esse tema.
E como é que vocês se organizaram para fazer o projecto?
Foi em grupos. Uns faziam panfletos, outros faziam cartazes. Os
panfletos já foram distribuídos, quando fizemos. Os cartazes, agora
estamos a fazer placards com desenhos e, por exemplo, numa parte
pomos as coisas que não transmitem e na outra as coisas que
transmitem.
E quem é que organizou tudo?
Fomos nós, acho eu... acho que foi a professora, que pôs no quadro... já
não me lembro.
Já não te lembras?
Acho que foi a professora que pôs no quadro.
O cada grupo ia fazendo foi o grupo que escolheu ou foi a professora
que disse?
Fomos nós que escolhemos, cada grupo é que escolheu o que ia fazer.
E o teu grupo estava a fazer panfletos, não ‘e?
Não, o meu grupo estava a fazer cartazes. Ainda estamos a fazer, ainda
estamos a pintar. Nós ainda estamos a acabar.
Como é que o grupo se organizou para fazer os cartazes?
240
− Os cartazes? Bom, nós íamos começar a fazer, tivemos uma aula,
tivemos algumas aulas para fazer, só que não deu resultado. E então a
professora, de Visual, deu a ideia de fazermos placards e ela começou a
fazer, pintou, e agora nós estamos a pintar os bonecos, fizemos uns
desenhos e vamos fazer um livrinho com aquilo.
− E porque é que não deu resultado, no início, aquilo que vocês estavam a
fazer?
− Porque nós fazíamos muito barulho e aquilo não dava bem, os cartazes,
e achamos que era melhor os placards. Pelo menos não precisava de
andar ali com a régua e aquelas coisas, assim é só pintar e fazer o
desenho, é mais fácil.
− Quem é que decidiu mudar?
− Foram os professores, nós por nós até fazíamos os cartazes só que,
pronto, nós também achamos melhor essa ideia dos placards.
− E em que disciplinas é que vocês trabalharam?
− Em ADT, em Visual e houve umas quintas feiras em que fizemos à
tarde, mas foram duas ou três, e agora vamos continuar em Visual, com
os placards.
− Onde é que vocês foram buscar a informação sobre prevenção....
− Livros, Internet, Enciclopédias...
− E nunca debateram isso com os professores?
− Com o nosso professor de Ciências, é o que fala connosco sobre isso.
− Quando se fala em Saúde o que é que te passa pela cabeça?
− É mente sã em corpo são.
− E o que é que isso quer dizer?
− “Corpo são” é que não tem nenhuma doença, fisicamente.
Psicologicamente sem nada, andamos aí contentes. Temos que pensar
em coisas mas sem pensar em nada de preocupante.
− E o que é que achas que a escola poderia fazer para proteger a saúde dos
que cá estão?
− Não sei, eu acho que eles já estão a fazer o que devem fazer, não acho
que tenham mais alguma coisa para fazer.
− E o que é que eles estão a fazer?
− Quando alguém se aleija, chamam a ambulância e, quando é um
ferimento menos grave, curam a gente aqui na escola. Quando estamos
mal dispostos mandam-nos para casa.
− Estás-te a referir à parte física. E a parte da mente?
− Nós não queremos violência aqui na escola e há muita gente que vem do
ciclo e dizem que... não aconselham a vir para esta escola por causa das
pessoas que fumam e eu acho que... eu vim para aqui no 7º ano e não me
chocou nada mas pode haver alunos que...
− Portanto, achas que a escola está bem...
− Nesse sentido está...
− Então em que sentido é que está mal?
− Eu sei lá... Nos horários, acho que estamos muito tempo na escola. Às
vezes há dias que passo das oito e meia às seis e meia, podiam repartir
isso pelos outros dias porque nós temos Terça e Quarta feira sem aulas
241
de tarde. Repartiam as horas todos os dias por igual. Eu acho que era
melhor que estar aí... Há Quarta feira temos uma aula às nove e meia,
temos logo Física e vamos outra vez para a mesma sala, temos que andar
de sacola....
− E além dos horários há mais alguma coisa?
− Não, acho que a escola está bem. Ensino e tudo, tenho tido professores
bons, pelo menos não tenho queixa de ninguém.
− Muito obrigado pela entrevista.
242
11.8.19 19ª Entrevista
− Dizes-me o teu nome completo?
− Luís Carlos M Leite.
− Acho que já vi uma fotografia contigo, lá em baixo, dos jogos
tradicionais.
− Estou.
− Que idade é que tens?
− 12... não, 12 não, 14.
− Estás a tirar una anitos... Há quanto tempo é que estás aqui na escola?
− 3 anos.
− Reprovas-te no 7º. Lembras-te como é que surgiu a proposta da vossa
turma integrar o projecto de prevenção da Sida?
− Não, não me lembro... Sei que... Acho que foram os “setores” que
escolheram essa ideia. Não sei mais.
− E propuseram à vossa turma?
− Sim.
− Quem é que falou com vocês?
− Foi a nossa Directora de Turma que disse que a nossa Área-escola ia ser
sobre a Sida.
− E como é que vocês se organizaram para fazer o trabalho?
− Em grupos. Fazer desdobráveis ou cartazes. O nosso grupo foi
desdobráveis.
− Quem é que organizou os grupos?
− Foi na aula de ADT que organizamos os grupos. Vocês é que escolhiam
com quem queriam ficar?
− Sim. Alguns. Fazíamos assim, os grupo que tinha o número exacto
ficava, aqueles que passavam, juntaram-se.
− E quem é que os mudava?
− A Directora de Turma. Às vezes faltava dois... nós dividíamos os
grupos.
− Tu estavas no grupo dos...?
− Desdobráveis.
− Quantos elementos é que tinha o teu grupo?
− 4.
− Foram vocês que escolheram fazer os desdobráveis?
− Sim
− E como é que o grupo se organizou para fazer o trabalho?
− Nós éramos assim... cada pessoas tinha que fazer uma coisa, escrevia e
fazia as partes principais da escrita a computador, outro fazia os
desdobrável, o feitio do desdobrável, e outro tinha que dar ideias, como
é que queria.
243
−
−
−
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−
−
−
−
E o grupo funcionou bem?
Funcionou, fomos os primeiros a acabar.
E como é que foi a tua participação no grupo?
Foi boa.
Porquê?
Foi eu que fiz o modelo do desdobrável. Foi eu que dobrei em casa. Fui
eu que o cortei também, em casa, eu e o grupo.
Porque é que tu dizes que o grupo funcionou bem?
Porque todos tinham ideias para fazer o desdobrável.
Quando se fala na palavra saúde o que é que te passa pela cabeça?
Mente, se está bem de saúde fisicamente.
Portanto, ligas a saúde quer à parte física quer à parte psicológica. O que
é que achas que a escola poderia fazer para proteger a Saúde dos que cá
estão?
Mais desporto...
Não te estás a lembrar de mais nada?
Não.
Muito obrigado pela entrevista.
244
11.9 Observação de
actividades
245
11.9.1 1ª Aula
Chego à escola 30 minutos antes da hora combinada para me encontrar
com a Directora da turma que vou observar.
Dirijo-me ao Conselho Executivo.
Sempre que me dirijo à escola vou ao gabinete do Conselho Executivo
para saberem que eu me encontro na escola.
Junto à porta do Conselho Executivo estão duas professoras que me
olham com alguma curiosidade devido ao crachá que tenho na lapela a indicar
que sou visitante. Pergunto-lhes se estão à espera de ser atendidas pelo
presidente do Conselho Executivo ao que me respondem afirmativamente. Elas
continuam a conversar, eu mantenho-me ligeiramente afastada delas. Quando a
porta se abre o presidente do Conselho Executivo vem a acompanhar um
professor (penso que seja professor) enquanto acaba de combinar algo com ele.
Quando me vê e às duas professoras convida-nos a entrar. Eu digo-lhe que
prefiro esperar cá fora.
Tenho sempre alguma relutância em ter comportamentos que penso que
irão interferir com a privacidade dos elementos da escola. Se calhar agora
exagerei pois foi o próprio presidente do Conselho Executivo que me convidou
a entrar, mas eu pensei que ele se tivesse sentido na obrigação de o fazer e por
isso declinei o convite. Também fiquei com dúvidas sobre qual teria sido a
interpretação que deram à minha atitude, provavelmente pensaram que eu tinha
algo de confidencial a tratar.
Uma das colegas que tinha entrado, sai e diz-me que já posso entrar. A
outra colega sai também. Quando entro está uma professora sentada a uma das
246
secretárias. Olha-me com alguma curiosidade. Penso que seja um dos
elementos do Conselho Executivo.
Nalgumas vezes que fui ao gabinete do Conselho Executivo estavam
presentes outras pessoas que eu presumi que também fizessem parte do CE,
mas o presidente do Conselho Executivo nunca as apresentou nem lhes disse o
que eu estava a fazer na escola (pelo menos à minha frente).
O presidente do Conselho Executivo está a dar informações a uma
pessoa. Aguardo, de pé junto à entrada, que ele se dirija a mim. Quando o faz,
cumprimenta-me com um sorriso e dá-me um beijo. Pergunta se está tudo bem,
eu digo em tom de brincadeira que lá os venho atrapalhar novamente. O
presidente do Conselho Executivo diz-me que não, que eu devo estar à vontade
pois sou sempre bem-vinda na escola. Informo-o sobre o que venho fazer à
escola (assistir a uma aula). Ele parece que já sabia que eu iria lá com aquele
objectivo. Não me lembro se fui eu que o informei sobre esse propósito ou se o
soube através da Directora de Turma.
Das primeiras vezes que fui à escola falar com o presidente do
Conselho Executivo, com o responsável pela coordenação dos projectos das
três turmas do 8º ano, ou com a Directora de Turma, nunca tomei notas sobre a
forma como decorriam estes contactos. Apenas registei as informações que
obtive nesses encontros. Nessa altura ainda pensava que a observação
participante se referisse apenas à situação de observar os alunos a trabalhar.
Aproveito para combinar qual a forma mais prática para recolher alguns
dados sobre a caracterização socio-economica da escola e o ambiente que a
rodeia. O presidente do Conselho Executivo pede-me para esperar até Maio
247
pois nessa altura já terá prontos os dados para o Projecto Educativo, que
poderei consultar para retirar as informações que precisar. O presidente do
Conselho Executivo aproveita estar a falar comigo, sobre aquele assunto, e
refere que está com dificuldades em recolher informações para o Projecto
Educativo da escola pois os professores, mais concretamente os Directores de
Turma, não estão a colaborar. Demonstro alguma compreensão.
Nota-se algum cansaço no que ele diz. Ele parece que estava à espera
que os professores respondessem mais positivamente ao que ele lhes tinha
pedido. Através das palavras ele deixa transparecer a falta de apoio, por parte
dos professores, ao trabalho que desenvolve. Em conversas que anteriormente
tive com o responsável pela coordenação dos projectos das três turmas do 8º
ano, este foi-me transmitindo a ideia que o presidente do Conselho Executivo
decidia alguns objectivos do trabalho da escola sem os discutir primeiro com os
restantes elementos da mesma. Ele decidia sozinho.
Despeço-me e além de lhe agradecer, mais uma vez, toda a
disponibilidade demonstrada para a realização do meu trabalho, elogio a
disponibilidade dos professores com quem tenho contactado. Ele refere que eu
tive a sorte de “apanhar” os professores mais trabalhadores da escola. Quando
eu lhe lembro que por vezes os professores não gostam que o seu trabalho seja
observado, ele responde que os professores que trabalham não têm nada a
esconder, os que não trabalham é que por vezes gostam de esconder esse facto.
Dirijo-me para a sala dos professores onde aguardo pela Directora da
Turma que vou observar. Sou olhada com alguma curiosidade pois carrego
com uma pasta mas tenho na lapela o cartão a indicar que sou visitante da
248
escola. Lê-se, no olhar dos poucos professores presentes na sala, a interrogação
sobre o que estarei ali a fazer.
Cumprimento, de uma forma geral, os professores presentes e sento-me,
a meio da sala, aproveitando para ler um livro com material para a Tese.
Há professores a entrar e a sair e eu vou interrompendo a minha leitura
para observar o que se vai passando. Os professores presentes variam as suas
idades entre os 20 e muitos e os 30 e muitos anos. O ambiente é descontraído
apesar de se notar nitidamente a separação entre um par de professores, do sexo
masculino, que está sentado numa ponta da sala e um grupo de professoras que
está sentado no lado oposto. Penso que esta situação é puramente casual.
Chega a Directora de Turma que, quando dá pela minha presença, faz
um ar risonho. Vai falando comigo enquanto arruma uns testes e tira outros da
pasta. Nota-se que está muito atarefada devido ao final do 2º período lectivo.
Como a mesa onde ela está a preparar este material é um pouco distanciado do
sítio onde eu estou, vamos falando de forma a que todos os presentes podem
ouvir. Falamos de coisas banais: a confusão que é o final dos períodos.
Entretanto pergunto-lhe pelas filhas, já ela tinha acabado o que estava a fazer,
ela aproxima-se e vai-me dando informações sobre a idade delas e algumas das
suas características.
Como já se está a aproximar a hora do toque de entrada para as aulas,
informa-me sobre o que tinha combinado com a professora que vai estar com a
turma, disciplina de Educação Visual, e resume-me rapidamente o que já foi
feito nas outras turmas, do 8º ano, que estão a trabalhar neste projecto.
249
Toca para entrar e a Directora de Turma vai consultar o Livro de Ponto
do 8ºB para verificar qual a sala onde vão ter aulas. Dirigimo-nos para o
pavilhão e respectiva sala de aula. Sou apresentada à professora. Ainda não
deve ter trinta anos. É baixinha (confunde-se no meio dos alunos), usa óculos e
cabelo curto. Está vestida com uma bata aos quadradinhos cheia de marcas de
pinceladas de várias cores. Pede para eu me dirigir para a sala onde vai ter a
aula. Os alunos do 8ºB entretanto tinham visto a professora e já se tinham
aproximado. Fazem um ar de estranheza perante a minha presença e não
percebem quem eu sou. A professora pede-lhes para se irem dirigindo para a
sala e diz-me que já vai ter comigo.
Eu aguardo que os alunos se afastem e dirijo-me lentamente para a sala.
Quando lá chego verifico que os alunos já estão dentro e há uma funcionária a
tomar conta deles, à porta da sala. A funcionária vai-se dirigindo a alguns
alunos que estão dentro da sala, dizendo os seus nomes, e chamando a atenção
para o barulho que estão a fazer e que será do desagrado dos outros professores
que estão a dar aulas naquele piso. A certa altura ela diz: “Ó ....... não tens
perfil para ser delegado de turma. Tu não te impões!” Aguardo fora da sala,
não estou ao alcance da visão dos alunos.
A professora chega com um ar apressado. Há um grupo de alunas (4)
que são de outra turma e aguardam, fora da sala, para lhe pedir para assistir à
aula. A professora faz um ar de espanto e pergunta-lhes várias vezes qual o
interesse de assistirem à aula. Elas titubeiam umas explicações que a professora
não entende. De repente, esta, faz um ar como se já tivesse percebido o
interesse delas e convida-as a entrar (pelos vistos o interesse prendia-se com
250
razões do coração). Há um momento de indecisão e a professora diz, com um
ar meio divertido, que não tempo para estar à espera e diz-lhes que assistam à
aula noutra altura. Fecha a porta e dirige-se para a secretária. Entretanto eu
assisti a toda esta cena já dentro da sala, mas junto à entrada. Os alunos (já
sentados nos seus lugares) dividiam o interesse deles entre a cena que se
desenrolava à porta da sala e a minha presença ali.
A aula a que venho assistir é uma aula de 1 tempo (50 minutos). Os
alunos estão sentados em mesas individuais, em filas paralelas, voltados na
direcção do quadro e da secretária da professora, que está colocada à frente dos
alunos, junto às janelas.
A professora olha para mim, do lado oposto àquele onde eu estou, e fica
indecisa. Proponho ser eu a fazer a minha própria apresentação ao que a
professora me pede para me dirigir para a zona onde ela está (supostamente a
parte da frente da sala de aula). Enquanto me dirijo para essa zona, vou falando
e vou-me apresentando. Digo o meu nome (primeiro e último), a minha
profissão e qual o objectivo da minha presença ali (estou a fazer um trabalho de
investigação sobre a participação dos alunos em projectos de prevenção do
VIH na escola e, por isso, pedi ao Conselho Executivo e aos professores deles
para assistir às aulas onde esse trabalho fosse efectuado, mais concretamente
pedi à professora deles, ali presente, para assistir às sessões de trabalho e,
agora, pedia-lhes a eles para poder assistir à forma como eles se organizavam
para trabalhar). Os alunos ouvem-me atentamente e alguns esboçam um sorriso
enquanto falo. No final da minha apresentação alguns fazem sinal de
251
consentimento e um diz-me, em tom de brincadeira, que primeiro terei que
contactar com o seu secretário.
Após a minha apresentação a professora indica-me a sua secretária para
eu me sentar, eu faço um gesto de indecisão (penso que naquele lugar estarei
muito exposta aos olhares dos alunos e que isso poderá prejudicar a minha
observação) e a professora interpreta-o como eu não querendo invadir o espaço
dela e, por isso, insiste novamente dizendo que vai passar a aula a circular e
por isso não vai ter oportunidade de se sentar na secretária. Penso ser melhor
não explicar o motivo da minha indecisão e sento-me no lugar indicado.
A professora iniciou a aula fazendo o ponto da situação sobre o trabalho
desenvolvido até àquele momento. Listou as tarefas que faltavam fazer. Os
alunos quando precisavam de algum esclarecimento punham o dedo no ar. A
professora lança algumas ideias para debater com os alunos, estes estão
atentos. Ficam no ar estas ideias.
Surge a necessidade de escolher vários alunos para irem buscar
material. Alguns colocam o dedo no ar e a professora escolhe quem vai com
ela.
Enquanto a professora sai com alguns alunos para irem buscar material,
ouvem--se algumas frases cruzadas mas sem grande confusão.
Os alunos chegam com vários rolos de papel, a professora também traz
material.
Um aluno lança a proposta dos cartazes serem assinados por todos para
que a escola saiba quem os fez. A ideia é discutida brevemente entre os
alunos/alunos e professora/alunos. A professora aproveita para relembrar a
252
mensagem que deve ser transmitida pelos cartazes (formas de transmissão e
prevenção do VIH e a não discriminação). O debate sobre a assinatura dos
cartazes é esquecido.
São desenrolados dois cartazes que já tinham sido iniciados em aulas
anteriores. A professora propõe que aqueles cartazes sejam afixados junto um
do outro devido às cores com que foram pintados. Os alunos concordam sem
debater a ideia.
Mais dois cartazes são desenrolados pelos alunos. Professora coloca a
dúvida sobre se seria melhor juntar um daqueles cartazes com um dos que tinha
sido desenrolado e emparelhado anteriormente pois combinavam melhor com
as respectivas cores. Os alunos concordam sem debater a ideia.
Os alunos estão todos, de pé, junto do local onde os cartazes estão a ser
desenrolados. Oferecem-se prontamente para desenrolar e enrolar os cartazes.
De vez em quando um ou outro diz umas piadas e brinca mas rapidamente
voltam ao trabalho.
Começam-se a distribuir por grupos ou isoladamente consoante a tarefa.
A professora vai alertando para determinados pormenores: “Ó pessoal dos
modelos...” “Não te esqueças que tens de fazer a parte de trás das calças”.
A professora está a conversar com 3 alunos. Formam-se pequenos
grupos dispersos pela sala a conversarem enquanto esperam pelo desenrolar do
trabalho. A professora sai novamente da sala.
Oito alunos concentram-se junto ao quadro a desenhar e discutir os
modelos e respectivas cores. Os restantes alunos estão dispersos pela sala a
conversarem.
253
A professora chega à sala com mais material. Parte dos alunos reúnemse logo à sua volta para ver o que trouxe. Rapidamente a professora distribui
tarefas.
Há um aluno que está isolado, muito vermelho. 3 alunos aproximam-se
dele e a professora também. Houve-se alguém dizer “Está triste, professora”.
Pouco depois a professora afasta-se e continua a organizar o trabalho. Chama
alguns alunos para irem buscar mais material (são 18h05).
A professora pergunta a uma aluna porque não está a trabalhar no seu
modelo. A aluna responde que o modelo está dentro do armário. A professora
faz um ar de quem se lembrou que não tem a chave (pelos vistos a professora já
tinha conversado sobre isto com a aluna mas tinha-se esquecido). A aluna está
a ajudar outra colega numa tarefa.
A professora repreende uma aluno por este estar a afirmar, em voz alta,
que o aluno isolado está com lágrimas e pergunta-lhe “Não tens olhinhos na
cara? Pelo menos falta-te sensibilidade” e afasta-se.
Há alunos que continuam sem tarefas para fazer. Um aluno pergunta
“Professora, o que é para fazer?”, a professora responde “É para pensar no
cartaz!” O tom de voz da professora faz pensar que já tinha dado esta
informação ao aluno.
Um aluno mostra à professora um caderno com vários desenhos de
modelos de fatos e diz “Já viu professora? A professora é que não liga a isto!”
O tom é de brincadeira. A professora vê os vários desenhos com alguma
atenção e pergunta em tom crítico “Mas quem é que tem as pernas tão
abertas?” . O aluno responde “A professora não está a ver bem! Leia a
254
legenda...” (Não consigo ler o que lá diz mas parece-me que é uma
malandrice). A professora faz um ar de enfado (brincalhão), fecha-lhe o
caderno e afasta-se.
Os alunos vão-se organizando nas várias tarefas. A professora olha para
toda a sala para verificar como está a decorrer o trabalho. Vai advertindo
alguns alunos enquanto se desloca pelo meio deles. O ambiente é de
descontracção e interesse pelo trabalho. Alguns alunos vão fazendo vários
esboços no caderno, por vezes mostram um ar de quem falhou e tentam
novamente.
18h15, toda a sala está a trabalhar num tom de ruído baixo.
Sempre que eu olho para o relógio há algum aluno que repara e
comenta. Alguns segundos depois “São dezoito horas e quatro minutos”, “Já
está quase a tocar”.
Dá o toque de saída. Ouve-se um comentário “Já?”
Quando os alunos saem da aula converso um pouco com a professora
para saber quando é a próxima sessão de trabalho para poder assistir. Estou a
tratá-la na 3º pessoa e ela pede-me para nos tratarmos por “tu” ao que acendo
prontamente (com algum alívio). Aproveito para lhe dizer que a turma é
simpática, ela faz um ar admirado mas acaba por concordar que eles são
engraçados mas que, segundo ela, “às vezes a tiram do sério”. Despeço-me e
ela fica a arrumar o material.
255
11.9.2 2º aula
Chego à escola e nota alguma agitação. Pergunto ao porteiro, depois de
lhe dizer bom-dia, o que se passa. Houve uma simulação de incêndio e já estão
na fase de “rescaldo”.
Pergunta-me “É para falar com o presidente do Conselho Executivo,
não é?” Eu confirmo e ele telefona para o gabinete da gestão. Enquanto ele
marca o número, peço-lhe para apenas avisar o presidente que eu estou na
escola e que me vou já dirigir para a sala da professora de Educação Visual (a
professora que está a desenvolver o trabalho com os alunos). Após a
comunicação telefónica o porteiro diz-me “Nem é preciso levar o papel do
costume (onde a pessoa que eu indiquei tem que assinar para confirmar que eu
estive com ela), basta levar o crachá.”
As minhas idas frequentes à escola já me estão a facilitar a entrada na
escola. As medidas de segurança, adoptadas para controlar a entrada de
estranhos, comigo estão a ser abrandadas. Hoje vou assistir a uma aula de outra
das turmas que participam no projecto.
Dirijo-me para a sala de aula mas verifico que ainda estão muitos
alunos na parte exterior dos edifícios. Pergunto a uma aluna se já tocou para
dentro. Responde que não. Resolvo ir para a sala dos professores enquanto não
toca para dentro. Quando entro
cumprimento de uma forma geral as
professores que se encontram lá. Estão a conversar sobre o ponto da matéria
que estão a leccionar. Continuam a conversa apesar de terem olhado para mim
com curiosidade. Olho, pela janela, para o recreio e noto ainda alguma agitação
256
numa parte superior do recreio da escola. Toca para dentro e eu dirijo-me
imediatamente para a sala de aula.
Quando chego à sala a professora ainda não está lá. Calculo que esteja
ainda na sala da aula anterior, a acabar algum trabalho, tal como tinha
acontecido na vez anterior em que eu fui assistir à aula. Espero junto à sala,
encostada ao gradeamento (a sala é no 2º piso) e olho para o rés-do-chão. Há
alunos a irem buscar livros e cadernos aos respectivos cacifos. Reparo que há
uma série de cacifos colocados ao longo de uma parede, todos com aloquete e
em bom estado. Há uma aluna da turma do 8ºB que se aproxima de mim e
começamos a conversar sobre o trabalho que estavam a realizar (a sua
qualidade) e eu pergunto-lhe se sabe quando é a próxima sessão de trabalho. A
aluna não sabe. Ficamos caladas a ver o movimento dos alunos. Passado algum
tempo a aluna despede-se e vai para junto dos colegas.
A professora sai a correr da sala onde esteve a dar a aula anterior. Pára,
muito perto de mim mas não me vê, e fala com um aluno que está sentado no
chão encostado à parede. Diz-lhe qualquer coisa, que eu não consigo ouvir, e
apressa-se a abrir a porta da sala de aula. Os alunos entram na sala e eu vou
atrás deles. Paro ao fundo da sala, perto da porta de entrada, mas a professora
continua sem dar pela minha presença. Ela vai falando com alguns alunos.
Aproximo-me do sítio onde ela está e, finalmente, repara que eu estou ali.
Digo-lhe “Já não te lembravas que eu vinha.” Ela responde, com um sorriso,
que sim, que se lembrava e oferece-me o seu lugar na secretária. Confesso-lhe
que tenho que receio que, se me sentar naquele lugar, fico muito exposta aos
olhares dos alunos e, que, por isso, posso perturbar de alguma forma o seu
257
comportamento. Ela diz, com muita convicção que não perturba nada e volta a
insistir para que ocupe aquela lugar. Sento-me.
A professora ausenta-se da sala para ir buscar material. Um aluno
começa a uivar e a abanar convulsivamente a cabeça. Prontamente, outros
colegas chamam-lhe a tenção para se calar. Ouve-se conversa dispersa entre os
alunos.
Alunos e professora entram com material. A professora começa a falar e
toda a turma se cala. A professora. começa a conversar com os alunos para
poderem combinar como se vão distribuir as tarefas. 5 alunos debatem com a
professora as cores a aplicar num cartaz. Parte dos alunos presta-lhes atenção e
os outros vão conversando em surdina.
Parte da turma não fez teste pois foi ao funeral de um colega da escola.
A professora propõe ficar na sala com os alunos que fizeram o teste, para
fazerem a correcção do mesmo, enquanto os outros vão para fora da sala
continuar a pintar um cartaz. Os alunos que não fizeram teste perguntam
“Então, quando é que nós vamos fazer teste?” A professora responde que os
dispensa. Verifica-se alguma agitação na sala, com manifestações de algum
alívio por parte de alguns alunos. Os alunos começam-se a dirigir para fora da
sala enquanto a professora vai à pasta buscar os testes colocando-os em cima
de uma mesa que está na parte da frente da sala.
A professora sai da sala para acompanhar os alunos que vão pintar o
cartaz. Enquanto a professora está fora da sala os alunos que ficaram começam
a tentar adivinhar a nota, de cada um deles, no teste. Há um aluno que vem
junto aos testes e começa a mexer-lhes para procurar a sua nota. O aluno, em
258
cuja mesa estão pousados os testes, começa a chamar-lhe atenção para a
infracção que ele está a cometer. Há outros alunos que apoiam este último. O
primeiro aluno desiste da sua intenção e dirige-se para o lugar. O aluno que o
advertiu pousa um capa da professora em cima dos testes dizendo “Assim
ninguém mais vê nada.”
A professora entra na sala e prepara-se para começar a fazer a correcção
do teste. Eu peço-lhe atenção e pergunto-lhe o que vai ser feito. Perante a
resposta dela eu proponho ir para junto dos alunos que estão a trabalhar fora da
sala pois interessa-me mais observar esse grupo. A professora concorda e eu
dirijo-me para fora da sala.
Quando chego junto ao grupo que vai pintar o cartaz, procuro um sítio
onde me instalar para poder tomar notas. Sento-me em cima de uma secretária
que está encostada a uma parede, junto do sítio onde os alunos vão pintar o
cartaz. Os alunos começam-se a organizar sobre a forma como vão fazer o
trabalho. O cartaz está no chão e, por isso, eles vão ter que se ajoelhar para o
pintar. Vão dando sugestões uns aos outros:
“Vem pintar para aqui que dá mais jeito.”
“É para começar aqui?”
“Eu precisava de um pincel mais fino!”
“Vai buscar. Tem lá muitos pincéis.”
“Olha! Estão a bater palmas”
“Grande teste que eles tiveram.”
“Eu agora vou lá e eles também me vão bater palmas.”
“Deixei o meu casaco no bar”.
259
“Estava lá ainda?”
“Há-de estar! Eu pedi às empregadas para mo guardarem. Estava calor.”
“A professora disse que queria só uma parte pintada até baixo.”
“Deve ser a dos pés.”
“A professora disse para nós escolhermos, tanto vale.”
“Para a próxima vou trazer uma almofada.”
“Quanto é que vais tirar a Visual?”
“Não sei.”
“Fogo, aquilo lá dentro está uma festa do carago.”
“Com palmas!”
“Quem conseguir bater palmas mais alto tem uma nota maior.”
“Paulo, espalha isso bem.”
“Isto está pingado.”
“Deve estar furado!”
“Aqui está uma pinta azul!”
“Foi a .......... que esteve a chorar.”
Dou-me conta que a correcção do teste já chegou ao fim e por isso
dirijo-me novamente para dentro da sala. Desta vez sento-me numa mesa livre,
a meio da sala.
A professora pôs música na sala, enquanto eles trabalhavam. Dá-me a
impressão que este é um procedimento habitual.
5 alunos estão a pintar o vestuário, 5 estão com a professora a pintar um
bocado de esferovite, uma aluna está a recortar um molde em papel. Há alunos
260
a irem buscar as tintas, outros a lavar as mãos. Uma aluna está isolada do resto
do grupo, com a cabeça apoiada nos braços.
Pergunto aos alunos quem teve a ideia de fazer aquele trabalho. Dizemme que o trabalho foi proposto pela professora e eles executam-no.
Um aluno virou tinta nas calças e logo outros se lhe juntam para o
ajudar a tirar a tinta. Há alunas que quando acabam uma tarefa mudam logo
para outra para ajudar os colegas.
Toca para fora, uma aluna larga o pincel e logo outro o agarra..
Uma aluno pega nas calças feitas em esferovite, empunha-as como se
fossem uma metralhadora e vira-se para um colega a fazer de conta que o mata.
O outro vai estremecendo como se estivesse a ser cravejado de balas. Enquanto
isto, outro aluno senta-se na secretária da professora para mexer no rádio de
forma a poder trocar o CD de música que está a ser utilizado.
Chegam novos cartazes.
“Professora, podemos agora pôr o meu CD?”
“Todo o ano andei a ouvir músicas vossas, por isso agora...”
“Tenho táctica melhor...” O aluno pega no seu leitor de CD portátil e
coloca os headphones.
Duas alunas começam a recortar os cartazes que chegaram. De vez em
quando há alunos a balançar ao som da música. O ambiente é descontraído,
parece-me que estão a trabalhar com prazer, vão realizando as tarefas enquanto
vão conversando.
De vez em quando passam pelo local onde estou sentada e deitam uma
olhadela para o papel onde tomo notas mas não conseguem lê-lo (espero eu!).
261
O aluno que na aula anterior estava a chorar, agora está com uma
disposição diferente. Já graceja, anda pelas várias mesas a observar e
conversar. Ainda não o vi trabalhar.
A aluna que estava isolada agora está com duas colegas que, pela
postura, parece que a estão a confortar de alguma coisa. A professora interpela
uma das alunas para ela executar uma tarefa e todas se dirigem para trabalhar
num cartaz.
Vi agora o aluno, que tinha chorado na aula anterior, pegar numa lata de
tinta e começar a pintar.
Apesar de ter tocado para fora, os alunos mantêm-se na sala. De vez em
quando vêem-se alunos sentados descontraídamente enquanto conversam.
A professora está a cortar esferovite. Há alunos em seu redor, uns a
ajudar outros a ver.
Professora vê os alunos que estão agrupados a conversar e diz com um
tom irónico:
“Eu é que gosto de vos ver assim!”.
Os alunos respondem:
“Nós já estivemos a trabalhar!”.
Um aluno pergunta:
“Ó professora, de que cor é a camisola?”.
A professora responde alguma coisa que não consigo ouvir. O aluno
dirige-se a outro:
“Escolhe tu”.
262
Há um aluno que anda com uma bengala feita em esferovite que parece
um ponto de interrogação. Vai entrevistando os colegas, como se aquilo fosse
um microfone e diz:
“Desculpe, isto é para a Televisão Ponto de Interrogação. O que acha
deste trabalho?”.
Os colegas vão-lhe respondendo também na brincadeira. Ele dirige-se a
mim e faz-me a mesma pergunta. Eu respondo-lhe que o trabalho está muito
bonito..
Uma das alunas que está a recortar um molde, corta, sem querer, uma
manga do molde. A colega responsável pelo desenho faz de conta que ficou
desesperada com este acidente. Risota geral, inclusive da professora que
acrescenta que o problema é fácil de remediar.
Os alunos vão conversando enquanto trabalham. Há um aluno que
entretanto arranjou um sumo e está a bebê-lo junto dos colegas que estão a
trabalhar.
Os alunos vão saltando de tarefa, conforme as necessidades do trabalho.
Quase todos estão ocupados numa tarefa. Entrou um professor para combinar
algo com a professora mas o facto não perturbou o andamento dos trabalhos.
Os alunos continuam a tentar ver o que eu escrevo.
O aluno-triste está novamente sem ocupação e vagueia pela sala. A
aluna-triste está fora da sala, não sei se estará a trabalhar.
A professora diz:
“Ricardo, faz-me um favor.”
Aluno, do fundo da sala:
263
“Ou!”
Outro aluno:
“Professora, está a ser chamada lá fora!”
Há alunos a trabalhar fora da sala.
Há três alunos num canto de uma mesa a ouvir música através de um
leitor de CD´s portátil e a conversarem sobre música. Eles estão preocupados
com o toque de saída que está próximo.
Um aluno pergunta:
“O que é que as raparigas da nossa turma têm de boas?”
A professora faz uma cara de má (brincalhona) e o aluno acrescenta:
“O que têm de coisas boas. Ó professora, não leve para a malícia!”
“Ai eu é que levo para a malícia!!”
Outro aluno pergunta:
“Ó professora, a cassete acabou?”
O rádio recomeça a funcionar. Alguém faz reparos sobre a música de
preferência da professora. Logo outros a desculpam e defendem a professora.
Alguns alunos começam a balançar ao ritmo da música, enquanto trabalham.
Há alunos que estavam parados e agora estão novamente a trabalhar.
Alguns alunos estão com vassouras e varrem a sala (são 18h05). Outros alunos
começam a arrumar o material enquanto outros continuam a pintar os cartazes.
Ouvem-se comentários sobre a música que se está a ouvir na sala e que
aparece num programa da TV, os comentários são feitos em voz baixa:
“Ai sabes que esta música dá nesse programa? Andas a ver coisas que
não deves!”
264
“Eu não tenho culpa, aquilo dá cedo!”
“Ai dá, muito cedo!”
Uma aluna aponta um bocado de esferovite à professora, fazendo de
conta que é uma arma e diz:
“Ó professora, se a esferovite matasse já estava morta!”
A professora simula que cai morta.
Outra aluna comenta:
“Nós tínhamos sorte é se fosse a professora a ter ido na simulação,
dava-nos cá um jeitaço!” (antes da aula tinha havido uma simulação de
incêndio).
O material continua a ser arrumado. Há um aluno que passa por mim e
diz:
“Veja se não escreve muito mal de mim.”
Eu respondo:
“Mas eu nem sei o teu nome!”.
A certa altura a professora pediu a um aluno que fosse ver se havia
aulas naquele piso. O aluno regressou e disse que não. O rádio foi colocado
num som mais alto. Está a ouvir-se uma música muito conhecida e há um
grupo de alunos que começa a dançar. Os alunos vão arrumando a sala
enquanto dançam.
A professora desliga o rádio e pede-lhes para se sentarem. Eles vão-se
acalmando. A professora faz a revisão das ideias principais do trabalho.
Mostra-lhes o protótipo do cartaz, vai dando informações sobre os dados que
265
vão aparecer no cartaz (nome dos grupos musicais que vão actuar, turma
responsável pelo desfila de moda, etc).
A professora pede para irem dizendo coisas que podem fazer com uma
pessoa seropositiva. Os alunos, confusamente e na brincadeira, vão dando
ideias. A confusão continua e a professora zanga-se. Eles acalmam-se e o
trabalho continua. Vão descrevendo atitudes para com uma pessoa
seropositiva. Muitas destas atitudes descritas são totalmente contrárias àquelas
que seriam as correctas. A professora vai apontando e vai corrigindo as ideias
erradas. A professora vai apontando e vai corrigindo as ideias erradas. Toca
para fora e a professora pergunta quem não tem que apanhar a camioneta.
Alguns alunos levantam o dedo e pouco depois vão embora. A professora pede
aos restantes alunos para ficarem mais um bocado na sala, eles concordam e
rodeiam a professora enquanto continuam a lançar ideias. Há brincadeira
enquanto as ideias são exprimidas e a professora alinha.
266
11.9.3 Dia S
Dirigi-me à escola para assistir à festa organizada pelos alunos do 8º
ano e a que deram o nome de Dia S (dia da Sida).
A festa já estava a decorrer no polivalente. A decoração do recinto
fazia-se à base de luzes psicadélicas. No palco estava a actuar uma banda
musical composta por cinco adolescentes. Os alunos formavam um grupo
compacto concentrado à frente e ao longo do palco. Conforme a distância do
palco vai sendo maior o grupo de alunos é mais disperso. Vêem-se pares de
namorados que se vão beijando enquanto ouvem a música tocada pelo grupo
que está no palco.
Não consigo ver professores no recinto, excepto um ou outro que passa
ou está nas escadas que dão acesso à sala dos professores.
No palco vê-se o trabalho feito pelo 8ºB – cartazes com contornos de
corpos que parecem dançar. Na parte exterior do palco vê-se um enorme cartaz
com duas figuras expostas mas que se tocam nas extremidades dos corpos (pés
e mãos), uma das figuras está invertida. O cartaz tem as seguintes palavras:
“CONTRA A SIDA – Acariciar, Beijar, Compreender, Amar, Fazer Desporto,
Conviver, Mimar, Trabalhar, Pinchar, Dormir, Divertir, Navegar na Internet,
Nadar, Estudar, Ser Fiel, Dançar”.
O vestuário dos alunos é composto por peças que fácilmente são
identificadas com a adolescência: vestuário largo, desalinhado, aparentemente
sem condizer umas peças com as outras, calçado básicamente composto por
267
sapatilhas, etc. Há contudo alunos que estão “compostinhos” – camisa por
dentro das calças, camisola por fora da camisa, bem colocada, calças não muito
largas nem demasiado compridas.
Os alunos saltam, gritam, dançam ao som da música. O grupo toca
músicas que os levam ao rubro.
Há moldes de roupa, feitos pelo 8ºB, pendurados junto ao palco, no
tecto.
Como terá sido a manhã? Penso que houve competições desportivas e
jogos tradicionais.
Não
vejo
desdobráveis
a
serem
distribuídos.
Provavelmente
distribuíram-nos antes de eu chegar (cheguei às 14h50) ou então só da parte da
manhã.
Há um adulto (professor ou funcionário?) que cruza de vez em quando
o polivalente. A Directora de uma das Turmas passa apressada para a sala dos
professores. Passado algum tempo sai de lá com o responsável pela
coordenação dos projectos das três turmas do 8º ano, carregados de sacos.
Provavelmente vai-se dar início à entrega dos prémios.
A banda musical acaba a música que estava a tocar, o pano do palco é
fechado. Os alunos começam a apupar e a pedir – “Só mais uma! Só mais
uma!”. O grupo regressa e é o delírio. A maior parte dos alunos canta a canção
que a banda está a tocar.
Hoje os alunos passam por mim mas não mostram curiosidade. Neste
momento estou sentada em cima de uma mesa que está encostada a uma das
paredes do polivalente. Aqui também estão sentadas quatro alunas e mais duas
268
estão encostadas a elas. Nenhuma demonstra estranheza por eu estar ali a tirar
notas. Não me ligam nenhuma.
O grupo acaba de tocar e começa a haver dispersão dos alunos. Mas
ainda há muitos alunos no polivalente, principalmente junto ao palco.
O pano do palco volta a abrir-se é anunciado o que se vai apresentar de
seguida. Começa um desfile de moda apresentada por duas alunas. Os
manequins são alunos e alunas da escola que, entre um ar envergonhado e
orgulhoso, vão desfilando no meio das palmas e assobios dos colegas.
Por fim são entregues os prémios aos vencedores dos jogos e
competições que decorreram de manhã. A festa está a acabar e eu abandono o
recinto e a escola pois a hora já vai avançada.
269
11.10 Planificação da ÁreaEscola, por turma
270
11.10.1 Planificação do 8ºA
Disciplinas
Ciências
Naturais
Todas
Conteúdos/Objectivos Calendarização
Consciencializar os alunos
para a problemática da Sida
Compreender a importância
de se conhecerem os dados
epidemiológicos pelo
VIH/SIDA
Conhecer os elementos e
mecanismos fundamentais
que intervêm na defesa do
nosso organismo face à
doença
Conhecer as fases de
desenvolvimento do
VIH/SIDA
Interiorizar o conceito de
risco e suas consequências
Aprender a diminuir ou
evitar o risco
Sensibilizar os alunos para a
problemática da SIDA
Promover a capacidade de
organização e sentido de
iniciativa dos alunos
Desenvolver o espírito de
entre-ajuda nos alunos
Responsabilizar os alunos na
realização de tarefas
Estratégias/Actividades
Recursos
Fevereiro
Caixa de questões
Elaboração, ilustração e
discussão de uma história em
cadeia
Caixa
Folhas
Revistas
Diapositivos
Filme
2º Período
Organização de um concurso
para a recolha do desenho a
estampar nas T-shirts
Elaboração do regulamento
Divulgação do concurso
Escolha do desenho
Papel
Cartolinas
Marcadores
T-shirts
Recolha de Jogos Tradicionais
Adaptação destes ao tema
Produção de materiais
necessários à realização de
jogos
Divulgação dos Jogos
Tradicionais à comunidade
escolar
Realização dos Jogos
Livros
Cartolinas
Cola
Tinta
Papel de
Cenário
Fotocópia
Caixas
271
11.10.2 Planificação do 8ºB
Disciplinas
Ciências
Naturais
Conteúdos/Objectivos Calendarização
Sensibilizar os alunos para a
problemática da SIDA
Tomar consciência da
problemática da infecção
VIH/SIDA
Compreender os dados
epidemiológicos pelo
VIH/SIDA
Conhecer os mecanismos
fundamentais que intervêm
na defesa do nosso
organismo face às doenças
Conhecer as fases de
desenvolvimento do
VIH/SIDA
Conhecer as vias de
transmissão do VIH
Interiorizar o conceito de
risco e suas consequências
Aprender a Diminuir ou
evitar o risco
Não há possiOrganizar um festival de
bilidade de par- Bandas Escolares
ticiparem outras Promover a existência de
disciplinas
uma vida saudável
Promover a capacidade de
organização e sentido de
iniciativa nos alunos
Desenvolver o espírito de
entre-ajuda nos alunos
Responsabilizar os alunos na
realização de tarefas
Sensibilizar os alunos,
através da música, para o
flagelo da SIDA
Estratégias/Actividades
Recursos
Janeiro/Fevereiro
Diálogo
(Aluno-Aluno
Aluno-Professor)
Elaboração de questões e
pesquisa para encontrar as
respostas
Elaboração/ilustração e
discussão de uma história em
cadeia
Alunos
Professor(es)
Papel
Cola
Revistas
Jornais
Livros
Filme
Diapositivos
Jogos
Computador
(Internet)
2º Período (final)
Contacto com alunos/bandas de
outras escolas
Criação de regras para o bom
funcionamento do Festival
Adaptação do Festival à
problemática da Sida
(canções alusivas/adaptadas ao
tema)
Divulgação do Festival perante
a comunidade
Papel de
Cenário
Cartazes
Cola
Tinta
Fotocópias
Cartolina
Panfletos
Palco
Aparelhagem
sonora
Mesa de som
Técnicos de som
Público/espectadores
escolar
Produção de materiais para a
realização do Festival
Apresentação e animação do
Festival
Controle do (bom)
funcionamento do certame
272
11.10.3 Planificação do 8ºC
Disciplinas
Todas
Conteúdos/Objectivos Calendarização
Fomentar o trabalho de
equipa e entre-ajuda mútua
Alargar os conhecimentos
gerais sobre SIDA
Ficar sensibilizado para a
necessidade de prevenção da
SIDA
Identificar comportamentos
de risco ligados às diferentes
vias de transmissão do vírus
Promover o espírito de
iniciativa e gosto pela
investigação
Criar cartazes informativos
relacionados com a SIDA
1º e 2º períodos
Final do 2º período
Estratégias/Actividades
Planificação do projecto
(durante as aulas de ADT)
Recolha de informações sobre a
SIDA (como prevenir a SIDA,
as consequências, o que
provoca a SIDA, a vontade de
curar, etc.)
Elaboração dos slogans para os
cartazes
Criação de desenhos para os
cartazes
Avaliação do projecto
Recursos
Livros
Revistas
Cartolinas
Cores
Tesoura
Cola
Fotocópias
273
11.11 Materiais Produzidos
pelos Alunos
274
11.11.1 Os Alunos e a Sida
275
276
11.11.2 Quando Tiveres
Relações Sexuais
Previne-te Com
Preservativo
277
278
11.11.3 A Sida É Um
Problema Para
Todos
279
Download

ESCOLA PROMOTORA DE SAÚDE: A PARTICIPAÇÃO DOS