A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
A DETERMINAÇÃO DE RISCO POR MEIO DE MATRIZ QUALITATIVA:
ADAPTAÇÃO PARA APLICAÇÃO EM ESCALA MUNICIPAL
BRUNO ZUCHERATO1
LÚCIO CUNHA2
MARIA ISABEL CASTREGHINI DE FREITAS3
Resumo: O estudo proposto por essa pesquisa busca realizar uma revisão
bibliográfica de duas diferentes metodologias de determinação de risco por meio da
análise de matriz desenvolvidos pela Agência Nacional de Protecção Civil
portuguesa (ANPC) e a Emergency Management Austrália (EMA) realizando uma
adaptação de sua aplicação para áreas de estudo em escala municipal. Como
resultado, a metodologia adaptada leva em consideração dois diferentes fatores em
sua análise: a Probabilidade de ocorrência determinada pelo método hemerográfico
e a Gravidade determinada por questionários a agentes gestores de risco e
trabalhos de campo. Como próxima etapa da pesquisa a metodologia adaptada será
aplicada em diferentes áreas de estudo para validação.
Palavras-chave: Matriz de risco; Vulnerabilidade socioambiental; Metodologia de risco
Abstract: The study proposed by this research seeks to conduct a literature review
of two different methodologies for determining risk through analysis matrix developed
by the National Agency of Portuguese Civil Protection (ANPC) and the Emergency
Management Australia (EMA) performing an adaptation of your application to study
areas at the municipal level. As a result, the adapted methodology takes into account
two different factors in their analysis: the occurrence Probability determined by
hemerographic method and Gravity determined by questionnaires to risk managers
and stakeholders. As the next stage of the research the adapted methodology will be
applied in different fields of study for validation.
Key-words: Risk Matrix; Enviromental Vulnerability; Risk Methodology
1 – Introdução
À medida que a sociedade avança, intensificam-se os meios de produção e
os avanços técnológicos, aumentando também os processos produtores e
1
- Acadêmico do Programa de Pós Graduação em Geografia pela Faculdade de Letras da Universidade
de Coimbra (FLUC) – Bolsista da CAPES proc. nºBEX 9537/13-9. E-mail do contato:
[email protected]
2
- Docente do Curso de Graduação e Pós Graduação em Geografia pelo Departamento de Geografia na
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). E-mail do contato: [email protected]
3
- Docente do Curso de Graduação e Pós Graduação em Geografia pelo Departamento de Planejamento
Territorial e Geoprocessamento pela Universidade Estadual Paulista campus Rio Claro (DEPLAN –
IGCE/UNESP Rio Claro). E-mail do contato: [email protected]
5802
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
agravadores de incertezas associadas a intervenções humanas na forma dos
desastres. Isso significa que cada vez mais, nossa sociedade se torna mais exposta
aos riscos, sejam eles naturais, tecnológicos e mistos.
De acordo com essa perspectiva, para dar conta do aumento desses
processos são frequentes os estudos que se dedicam a determinação do risco, em
diferentes escalas geográficas.
Existem diferentes metodologias de análise e determinação de risco que
levam em consideração diferentes abordagens e fatores que variam com os
referências teórico-metodológicos de seus elaboradores, cujo produto final podem
por conseguinte apresentar diferentes panoramas da situação de risco.
Entre essas diferentes metodologias, a determinação do risco por meio da
Matriz Qualitativa se apresenta como um meio simples e amplamente utilizado por
diferentes organizações internacionais como a Agência Nacional de Protecção Civil
(ANPC – Portugal), o Emergency Management Australia (EMA – Austrália) entre
outras.
O presente estudo busca realizar uma revisão bibliográfica de duas diferentes
metodologias de determinação de risco por meio da aplicação da Matriz Qualitativa
aplicados á escala municipal, buscando identificar seus aspectos em comum, suas
potencialidades e a sua adaptação para aplicação em um estudo de risco para o
níevl municipal.
As metodologias abordadas: ANPC (2009) e EMA (2004) apresentam
aspectos em comum, assim como certas particularidades para a aplicação em cada
localidade que consiste na consideração da realidade da manifestação do risco em
cada local.
2 – Materiais e Métodos
Os estudos de determinação de Risco por meio da Matriz Qualitativa
procuram aumentar os conhecimentos acerca dos fatores de risco que afetam um
território, buscando identificar a sua localização, sua gravidade e a probabilidade de
ocorrência, como fatores cruciais para a determinação do risco. Essa consideração,
permite encontrar a prioridade no que concerne a intervenção (população, bens e
5803
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
ambientes), servindo como importante ferramenta na gestão, identificação e
mitigação do risco (ANPC, 2009).
A Probabilidade se refere ao potencial e frequência de ocorrências com
consequências negativas para a população, enquanto a Gravidade consiste nas
consequências de um evento expressa em termos de escala de intensidade das
consequências negativas para a população, ambiente e socioeconomia (ANPC,
2009; EMA, 2004).
Entre os tipos de risco considerados nesse tipo de análise, estão sobretudo
os riscos naturais e os riscos tecnológicos ou de causas humanas (FEMA, 2010)
com algum impacto nas áreas de estudo abordadas, sendo a escala geográfica, de
aplicação variável de acordo com a disponibilidade de informações e dados.
Em termos gerais, a Matriz consiste na conjugação de uma escala dos fatores
referentes a probabilidade do risco ocorrer e sua frequência, assim como a
gravidade e as consequências de sua ocorrência variando de um (menor valor, valor
residual ou baixo) a cinco (maior valor, Crítico ou Elevado), cujo cruzamento irá ser
determinado em uma escala de risco.
Para determinar os fatores utilizados na análise do risco, bem como um
melhor conhecimento e localização dos eventos e desastres incidentes na área de
estudo escolhida, as metodologias abordadas apresentam algumas diferenças
significativas em sua determinação, sendo suas principais abordagens apresentadas
separadamente a seguir:
Emergency Management Australia (EMA – Australia)
A determinação de Risco por meio da Matriz Qualitativa desenvolvida pelo
EMA, leva em consideração dois diferentes fatores, determinados pela metodologia
como Escala de Consequências; e Escala de Probabilidade.
Nessa abordagem a Escala de Consequências consiste na medida qualitativa
para as consequências que possuem a capacidade de refletir aspectos de caráter
específico do gerenciamento de emergências e risco, variando em cinco níveis,
entre as consequências insignificantes e as consequências catastróficas (EMA,
2004).
5804
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
Para a sua determinação é necessária a realização de um enquadramento da
situação no momento do desastre, sendo essas características observadas no
Quadro 1:
- Não há feridos ou vítimas fatais;
- Não há necessidade de deslocamento de pessoas,por um curto período de tempo;
Consequências
- Não há necessidade de apoio de pessoas ou bens materiais às vítimas;
Insignificantes
- Não há grandes danos no meio ambiente ou perdas financeiras;
- Nenhuma interrupção do cotidiano da comunidade.
- Pequeno número de feridos. Sem vítimas fatais;
- Necessidade de tratamento de primeiros socorros ás vítimas;
Consequências
- Necessidadede desalojamento dos habitantes por menos de 24h;
Baixas
- Pequena perturbação no cotidiano da comunidade, por período de tempo inferior a 24h;
- Pequenos impactos no ambiente e pequenas perdas financeiras.
- Necessidade de tratamento médico. Sem vítimas fatais;
- Algumas hospitalizações;
Consequências
- Necessidade de apoio de pessoas em nível local;
Moderadas
- Perturbações em localidades específicas na rotina da comunidade local;
- Impactos no meio ambiente sem efeitos a longo prazo e perdas financeiras significativas.
- Grande número de feridos com número significativo de hospitalizações;
- Necessidade de desalojamento de pessoas por mais de 24 horas;
Consequências
- Necessidade de apoio e recursos financeiros externos para apoio de pessoal;
Altas
- Impactos sobre o meio ambiente com efeito significativo
- Perdas financeiras altas com necessidade de apoio externo.
- Grande número de vítimas graves e fatais com hospitalizações;
Consequências - Desalojamento da população generalizado e por tempo indeterminado;
Catastróficas - Interrupção do funcionamento da comunidade sem ajuda externa;
- Grandes impactos permanentes no meio ambiente com grandes perdas financeiras.
Quadro 1: Escala do nível de Consequências apresentado pela metodologia do EMA
Fonte: EMA (2004) adaptado.
Para o estabelecimento da Escala de Probabilidades, faz-se necessário um
resgate histórico dos registros de desastres já observados na área de estudo, sendo
a probabilidade definida como a decorrência no tempo dos eventos indesejados com
vistas a frequência e o padrão das ocorrências dos desastres (EMA, 2004).
Assim como na determinação das consequências, a determinação da Escala
de probabilidade segue um enquadramento de ocorrências como pode ser
observado no Quadro 2.
5805
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
Probabilidade - Pode ocorrer somente em circunstâncias excepcionais;
Rara
- Pode ser que ocorra uma vez a cada 500 anos ou mais.
- Não é esperado que possa ocorrer;
Probabilidade
- Não existem evidências ou incidentes dessa natureza registrados;
Improvável
- Pode ocorrer uma vez a cada 100 anos mais ou menos.
- É esperado que possa ocorrer alguma vez;
Probabilidade
- Existem registros de poucas ocorrências incidentais de fenômenos dessa natureza;
Possível
- É esperado que ocorra uma vez a cada 20 anos.
- Pode ocorrer na maioria das circunstâncias;
Probabilidade
- Existem registros regulares desse tipo de incidente;
Provável
- É esperado que ocorra uma vez a cada 5 anos.
- Ocorre na maioria das circunstâncias;
Probabilidade
- Existe um número elevado de ocorrências registradas;
Quase certa
- É esperado que ocorra uma vez a cada ano ou mais.
Quadro 2: Escala do nível de Probabilidades apresentado pela metodologia do EMA
Fonte: EMA (2004) adaptado.
De acordo com essa metodologia o nível do risco, consiste no cruzamento
dessas duas escalas de razões as quais resultará na Matriz de Risco, que pode ser
observada no Quadro 3.
Consequências
Probabilidade
Insignificante
Baixa
Moderada
Alta
Catastrófica
Rara
Baixo
Baixo
Moderado
Alto
Alto
Improvável
Baixo
Baixo
Moderado
Alto
Extremo
Possível
Baixo
Moderado
Alto
Extremo
Extremo
Provável
Moderado
Alto
Alto
Extremo
Extremo
Quase Certa
Alto
Alto
Extremo
Extremo
Extremo
Grau do Risco
Quadro 3: Apresentação Geral do cálculo pela Matriz de Risco – Metodologia EMA.
Fonte: EMA (2004) adaptado.
Como resultado, o risco é enquadrado em uma escala que varia, desde o
Risco Baixo, passando para o Risco Moderado, Alto, e Extremo, sendo assim
determinado para a área de análise.
Dentre os pontos fortes dessa metodologia estão a sua simplicidade de
cálculo e determinação e a praticidade de sua aplicação, sobretudo por
organizações de gestão de risco que possuem um alto conhecimento prático das
situações de desastre.
No
entanto, a aplicação
dessa metodologia
fica
comprometida quando a sua elaboração não envolve agentes diretamente ligados a
5806
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
gestão do risco ou que não possuem um conhecimento aprofundado do território
analisado.
Agência Nacional de Protecção Civil (ANPC – Portugal)
A metodologia desenvolvida pela ANPC, busca estabelecer o grau de risco de
acordo com uma série de etapas, que podem servir como referência para entidades
que buscam uma caracterização do risco, podendo ainda ser adaptada de acordo
com diferentes contextos de aplicação assim como, diferentes escalas de análise
espacial (ANPC, 2009).
Para ilustrar melhor as suas diferentes etapas, a Figura 1, apresenta um
organograma da estruturação da caracterização do risco estabelecido pela
metodologia da ANPC.
Figura 1: Organograma da Caracterização de Risco pela metodologia da ANPC
Fonte: ANPC (2009) adaptado.
5807
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
Entre essas diferentes etapas, àquelas que se referem a identificação do risco
(etapa 2) e análise do risco (etapa 3) são as que merecem uma atenção especial,
pois tratam diretamente do foco da pesquisa proposta. Sendo as demais referentes
ao levantamento territorial e a mitigação do risco etapas que fogem ao escopo da
proposta aqui apresentada.
A identificação do risco, consiste em uma etapa de levantamento dos
possíveis desastres que podem ocorrer na unidade de estudo em análise, levando
em consideração tanto os riscos naturais quanto os riscos tecnológicos e aqueles de
natureza mista.
Nesta etapa, deverão ser listadas os riscos potenciais recorrendo a
levantamentos de dados de campo, registros históricos e estudos científicos, esse
levantamento deve abarcar o máximo de dados possíveis buscando estabelecer
fontes confiáveis e um acervo vasto o suficiente para que se possa ter um
conhecimento aprofundado sobre a ocorrência de eventos perigosos na unidade
espacial de análise (ANPC, 2009), sendo o seu resultado apresentado na forma de
uma lista de riscos potenciais possíveis.
Identificados os possíveis riscos da unidade de estudo, deve ser realizada a
análise do risco. Essa etapa busca organizar os possíveis riscos identificados na
etapa anterior, estabelecendo quais deles são mais significativos.
Para realizar a análise do risco é necessário estabelecer um cenário de
acidente associado a cada risco identificado e em seguida aplicar uma matriz de
risco com base na estimativa do grau de gravidade e nos danos potenciais de
ocorrência do risco (ANPC, 2009).
Dessa maneira, o cenário é estabelecido como:
Uma representação simplificada da realidade com a função de ajudar
a compreender os problemas e a gravidade dos mesmos. Num plano
de emergência os cenários destinam-se a descrever a progressão
hipotética das circunstâncias e dos eventos, visando ilustrar as
consequências dos impactos, mas especialmente a concepção das
decisões e das operações de emergência (ANPC, 2009).
Estabelecidos os cenários, são calculados os risco potencial com base na
Matriz de Risco, onde os fatores levados em consideração são a Gravidade e a
5808
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
Probabilidade. Para cada um desses fatores são estabelecidos diferentes graus em
consideração.
Para a determinação da Gravidade, é atribuído uma escala que varia de
residual (menor valor) a crítica (maior valor) para os impactos do possível desastre
nos aspectos que se referem a População, Ambiente e Socioeconomia.
Os impactos para a população se referem ao número de vítimas, assim como
hospitalizações, desalojamento de pessoas e necessidade de apoio financeiro e de
pessoal técnico. Para o fator ambiente, são levados em consideração, os impactos e
danos que o desastre pode causar no meio ambiente e a socioeconomia leva em
consideração os impactos e prejuízos financeiros causados pelo cenário
estabelecido.
Para o estabelecimento da Probabilidade é também atribuído uma escala que
varia de Rara (menor valor) a Quase certa (maior valor) tendo em consideração o
número de ocorrências registradas e o tempo de retorno médio em anos do risco.
Determinados a Gravidade a Probabilidade, esses fatores são incluídos na
matriz e o cruzamento das escalas estabelecidas apresenta o resultado do risco
analisado, que podem ser observados no Quadro 4.
Gravidade
Probabilidade
Re
Reduzida
Moderada
Acentuada
Crítica
Baixa
Baixo
Baixo
Moderado
Moderado
Elevado
Média-Baixa
Baixo
baixo
Moderado
Elevado
Extremo
Média
Baixo
Moderado
Moderado
Elevado
Extremo
Média-Alta
Baixo
Moderado
Elevado
Elevado
Extremo
Elevada
Baixo
Moderado
Elevado
Extremo
Extremo
Grau do Risco
Quadro 4: Apresentação Geral do cálculo pela Matriz de Risco.
Fonte: ANPC (2009) adaptado.
Assim, para cada cenário e risco considerado são atribuídos graus de risco de
Baixo (menor valor) a Extremo (maior valor), para que se possa serem determinadas
as medidas de mitigação e prevenção de risco em etapa posterior.
Entre as vantagens da utilização dessa metodologia, destacam-se a sua
capacidade de aplicação e adaptação para diferentes contextos e escalas
5809
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
geográficas, assim como o estabelecimento de uma etapa de reconhecimento do
território o que aproxima os agentes que estão aplicando a metodologia à realidade
da área de estudo onde esta é aplicada. Cabe destacar que entre as desvantagens
da aplicação dessa metodologia estão a necessidade de dados e registros sobre a
ocorrência de desastres que muitas vezes não são recorrentes em todos os níveis
territoriais de estudo possíveis sobretudo naqueles de escala mais local.
Adaptação das metodologias para aplicação em escala municipal
Com base nas duas metodologias de determinação de risco apresentadas e
tendo em consideração, outras organizações como o Federal Emergency
Management Agency – EUA (FEMA, 2010), o Departament of Evironmental Affairs
and Tourism – Africa do Sul (DEAT, 2004), o Federal Office of Civil Protection and
Disaster
Assistency
–
Alemanha
(Bunsamt
Für
Bevölkerungsschutz
und
Katastrophenhlife – BBK) (BBK, 2011), foi realizada uma adaptação e organização
para a análise do risco por meio da Matriz Qualitativa a ser aplicada em um contexto
local no nível municipal de análise.
O estabelecimento do risco, por meio dessas metodologias adaptadas,
consiste na realização de um estudo por meio de três etapas que consistem na:
Caracterização da área de estudo; Identificação do Risco e Análise do Risco,
conforme pode ser observado no organograma da figura 2.
5810
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
Figura 2: Etapas envolvidas na adaptação da metodologia da Matriz de Risco.
Fonte: Elaborado pelo autor.
A etapa de caracterização da área de estudo, consiste no reconhecimento da
área a qual se pretende determinar o risco, sendo importante, um levantamento espacial de
dados socioeconomicos, como estrutura etária da população, renda, escolaridade, gênero,
densidade demográfica, índices sociais e econômicos, entre outros que se julgarem
pertinentes, assim como uma caracterização física da unidade de análise como a
declividade, a estrutura geológica o regime hídrico, hidrografia, índice pluviométrico, entre
outros que possam servir de base para a identificação de locais mais e menos propensos a
determinados tipos de desastres associados.
A próxima etapa, consiste na Identificação do Risco, pela determinação das duas
componentes da Matriz de Risco: a Probabilidade das ocorrências e a Gravidade das
ocorrências.
Para o estabelecimento da Probabilidade das Ocorrências, deve ser realizado um
resgate histórico pela técnica hemerográfica por no mínimo 10 anos, realizando um
levantamento dos desastres noticiados (FORTES, 2003), bem como a consulta a bancos de
dados de órgãos governamentais de gestão de desastres, criando-se assim uma lista com
os eventos que mais ocorreram na área pelo período analisado.
A Gravidade por sua vez, deve ser determinada por meio de duas sub-etapas: uma
delas consiste na aplicação de questionários para determinação das consequências
5811
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
submetidos a agentes decisores de gestão do risco na área de estudo como defesa civil,
corpo de bombeiros, câmara municipal entre outros levando em consideração seus impactos
na população afetada, no meio ambiente e em prejuízos socioeconômicos e outra que
consiste na realização de um trabalho de campo para o reconhecimento dos possíveis
impactos dos desastres identificados na localidade.
Após a realização da caracterização da área de estudo e a identificação dos riscos
por meio das sub-etapas dos levantamentos da Probabilidade e da Gravidade, a etapa final
proposta pela metodologia consiste na análise do risco por meio da matriz. Os valores das
escalas atribuídos nas etapas anteriores são cruzados e a partir desse processo são
determinados o nível de risco de cada tipo de desastre identificado para a área de estudo
determinada.
Os valores e resultados obtidos por meio da elaboração da Matriz de Risco adaptada
pode ser observados no Quadro 5.
Gravidade
Probabilidade
Residual
Reduzida
Moderada
Acentuada
Crítica
Rara
Muito Baixo
Muito Baixo
Baixo
Baixo
Médio
Improvável
Muito Baixo
Baixo
Baixo
Médio
Muito Alto
Possível
Muito Baixo
Baixo
Médio
Alto
Muito Alto
Provável
Muito Baixo
Médio
Alto
Alto
Muito Alto
Quase Certa
Médio
Alto
Alto
Muito Alto
Muito Alto
Grau do Risco
Quadro 4: Apresentação Geral do cálculo pela Matriz de Risco adaptada.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Como resultado são atribuídos os valores finais do risco em uma escala entre
o risco muito baixo (menor valor) e o risco muito alto (maior valor). A adaptação das
metodologias da Matriz de Risco busca estabelecer o nível de risco de uma área de
maneira a considerar tanto os registros históricos, sejam eles já organizados ou não
como no caso da necessidade de uma pesquisa hemerográfica, assim como o
conhecimento empírico de órgãos de gestão de risco em atuação na localidade
estudada por meio da aplicação de questionários e o levantamento de informações
com base no reconhecimento do território por meio do trabalho de campo,
5812
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
procurando uma consideração ampla e uma análise simples da ocorrência de
desastres na área de estudo.
3 – Considerações Finais
Com base na análise das metodologias apresentadas, e tendo em
consideração a sua adaptação para aplicação da Matriz de Risco para estudos em
escala municipal, é possível realizar algumas considerações a cerca da utilização
desse ferramental teórico na determinação de risco em diferentes áreas de análise.
A técnica da matriz é amplamente utilizada para estudos de risco,
principalmente em escalas mais locais em diferentes partes do mundo pelos
principais órgãos federais de gestão de desastres, tendo a sua aplicação um meio
consolidado de análise de risco ambiental e tecnológico.
A adaptação desse tipo de metodologia à realidade brasileira, consiste em um
importante meio no auxílio a diferentes organizações civis e acadêmicas que
buscam estabelecer uma escala de risco com base na frequência da ocorrência de
desastres assim como nas consequências e gravidade de seus danos, buscando um
meio prático de sua aplicação.
Posteriormente a adaptação das metodologias de determinação de risco por
meio da matriz, pretende-se realizar a sua aplicação em contextos municipais
diferenciados a saber: um município localizado em Portugal e outro no Brasil para
que possa ser verificada sua aplicabilidade, buscando um meio de comparação dos
níveis de risco em escala municipal de países diferentes.
4 – Referências
ANPC (Agência Nacional de Protecção Civil); Cadernos Técnicos PROCIV 9: Guia
para a caracterização de Risco no âmbito da elaboração de planos de emergência
de protecção civil, Oeiras: ANPC, 2009;
BKK (Bunsamt Für Bevölkerungsschutz und Katastrophenhlife)[Federal Office of Civil
Protection and Disaster Assistance]; Method of Risk Analisys for Civil Protection
v.8: English version, Bonn: BBK, 2011;
DEAT (Departament of Enviromental Affairs and Tourism); Risk Management,
Integrated Environmental Management Information Series 23, Pretoria: DEAT,
2006;
5813
A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
EMA (Emergency Management Australia); Emergency
Aplications Guide: Manual 05, Camberra: EMA, 2004;
Risk
Management
FEMA (Federal Emergency Management Agency); Developing and Maintaining
Emergency Operations Plans: Comprehensive Preparedness Guide (CPG) 101,
Washington DC: U.S. Departament of Homeland Security, 2010;
FORTES, W.G.; Relações Públicas:
Estratégias, São Paulo: Summus, 2003;
Processos,
Funções,
Tecnologias
5814
e
Download

A DETERMINAÇÃO DE RISCO POR MEIO DE MATRIZ QUALITATIVA