E TECNOLOGIA: O USO DE FERRAMENTAS
COMPUTACIONAIS NO ENSINO DO DESENHO NA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
Rafael F. Gomes¹ – [email protected]
Elton Luan S. Silva¹ – [email protected]
Raissa S. Silva² – [email protected]
Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Tecnologia
Av. Transnordestina S/N, Campus universitário, Módulo 3, Novo Horizonte
44.036-900 – Feira de Santana - Bahia
Resumo: Este artigo propõe uma reflexão a respeito do uso de ferramentas
computacionais de desenho, como programas CAD, nas disciplinas de desenho do
curso de Engenharia Civil. Apresentam-se dados de uma pesquisa exploratória
realizada na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, onde a utilização
de softwares no ensino de desenho é bastante reduzida, embora a ementa da maioria
das disciplinas de desenho da oferta regular obrigatória do curso apresente a
utilização destes recursos na proposta metodológica. Os dados levantados, através de
questionário eletrônico,indicaram que os estudantes reconhecem a importância do
método tradicional (prancheta) para a sua formação, mas acreditam que para estarem
aptos ao mercado de trabalho é necessário também o conhecimento da utilização de
ferramentas gráficas computacionais, e por isso este deve ser implementado
efetivamente no ensino das disciplinas de desenho.
Palavras-chave:Desenho Técnico, Engenharia Civil, Educação, Softwares de desenho.
1.
INTRODUÇÃO
O desenho se constitui como conhecimento essencial no desenvolvimento de
atividades relacionadas às engenharias e por isso sempre foi grande aliado dos
estudantes e profissionais da Engenharia Civil, especialmente na composição e
execução de projetos, e se destaca enquanto potencializador de habilidades específicas
desta área de formação, como a capacidade de visualização e abstração de espaços e
formas, essas imprescindíveis para a formação do engenheiro civil.
Nas últimas décadas, com a evolução da Informática e o acesso cada vez maior aos
computadores, observa-se a difusão do conhecimento e da utilização de softwares de
desenho empregados principalmente no desenvolvimento de projetos de Engenharia
Civil e de outras áreas, entre elas a Arquitetura, o Design e outras engenharias.
1
Bolsistas da FAPESB (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia) e Integrantes do projeto de pesquisa
Desenho e Desenvolvimento Tecnológico, reconhecido pelo CNPq.
²Bolsista Voluntário e Integrante do projeto Desenho e Desenvolvimento Tecnológico.
Atualmente, para a formação e capacitação profissional do engenheiro civil faz-se
necessária a utilização de novas ferramentas relativas ao desenho, estas aliadas aos
métodos de ensino tradicional para que o mesmo possa atender a uma nova realidade
que pode ser sintetizada como de um mercado de trabalho cada vez mais especializado,
dinâmico e exigente. Um dos aspectos que circundam essas novas necessidades se dá
como surgimento e a popularização de ferramentas computacionais, sendo o desenho
assistido por computador ou Sistemas CAD1 (Computer Aided Design) o de maior
relevo para as engenharias.
A partir desta alteração no ambiente profissional, espera-se que durante as etapas de
formação do engenheiro civil, especialmente no ensino superior, os estudantes tenham
acesso a essas ferramentas de modo a capacitá-los de forma mais apropriada, como já
destacavam Santos e Martinez, no ano 2000.
O ensino de Desenho Técnico e de Geometria ganhou no computador uma importante
ferramenta. A informática disponibiliza hoje recursos que permitem a vivência de
experiências de aprendizado que antes eram impossíveis. Tal fato ocorre naturalmente,
não só na área de Desenho, mas em todas as demais. No entanto, pela sua característica
eminentemente gráfica, o benefício trazido à didática do Desenho pelas novas interfaces
e dispositivos gráficos, se sobressai. (SANTOS & MARTINEZ, 2000, p.2)
Entretanto, enquanto estudantes do terceiro semestre do Curso de Engenharia
Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, e cursando a terceira
disciplina obrigatória de Desenho das quatro que integram a grade curricular do curso,
percebemos que estas são ministradas quase unicamente através do método tradicional,
ou seja, desenvolvidas nas pranchetas, verificação também comprovada através de
informações de colegas de semestres mais avançados. Outro aspecto que nos chamou
atenção foi o fato de nossos colegas procurarem complementar a sua formação em
espaço extra universitário, através de cursos de CAD oferecidos, especialmente, em
estabelecimentos da rede privada.
Para melhor conhecermos esta realidade, realizamos uma pesquisa exploratória
com estudantes do Curso de Engenharia Civil, regularmente matriculados na
Universidade Estadual de Feira de Santana, a partir de questionário eletrônico
disponibilizado apenas para membros da comunidade virtual dos estudantes do curso no
Facebook, enfocando aspectos relacionados à percepção dos estudantes no que tange a
utilização do computador e programas gráficos nas disciplinas de Desenho oferecidas
no currículo do Curso de Engenharia Civil da UEFS.
Deste modo, este trabalho tem como objetivo promover uma reflexão a respeito da
importância que os discentes atribuem à introdução de ferramentas computacionais no
ensino de desenho para o curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira
de Santana, e propor caminhos que possam auxiliar no encaminhamento de discussões
acerca de possíveis alterações na proposta pedagógica do curso. É importante salientar
que este trabalho não tenciona apontar as causas da não utilização dos softwares na
UEFS, nem apresentar soluções prontas, trata-se essencialmente de expor um fato
observado, e a opinião dos envolvidos, no caso, os estudantes, aqui denominados por
sujeitos da pesquisa.
2
1
De acordo com Cunha (2004), “CADD é o acrónico inglês de Computer Aided Design andDrafting”(p.30), que é
usualmente substituído em Portugal e também no Brasil, pelo acrónico CAD (Computer Aided Design).
2
O Curso Engenharia Civil da UEFS tem sua origem no Bacharelado em Engenharia de Operações – Modalidade
Construção Civil, implantado em 1976, ano de fundação da Universidade, passando a Bacharelado em Engenharia
Civil no ano de 1980.
2.
CAD E PLATAFORMA BIM E A SUA IMPORTÂNCIA
Com o advento da computação, a partir da década de 50, dá-se início a pesquisas
para o desenvolvimento do desenho técnico auxiliado pelo computador – CAD, sigla do
inglês para Computer Aided Design. Com o CAD o usuário passa a realizar juntamente
com o computador desenhos que envolvem um alto grau de complexidade e,
consequentemente desenhos bem mais elaborados que os anteriormente feitos apenas
através do método tradicional realizado na prancheta.
Como afirma Cunha (2004), dentre as diversas vantagens apresentadas pelos
desenhos feitos no CAD estão:
- Praticidade no desenvolvimento e na apresentação;
- Facilidade de modificação;
- Possibilidade de serem impressos em diversos tamanhos.
A partir da década de 60, com o advento da computação interativa, muitas
companhias passam desenvolver seus próprios softwares de CAD, o que torna baixa a
vulnerabilidade de seus processos e produtos, tornando tais organizações mais
competitivas, sendo as indústrias automobilísticas, aeroespaciais e agências
governamentais as pioneiras no uso dessa plataforma (VALENTIM & CORREIA,
2002).
Inicialmente, a ferramenta CAD era voltada apenas às grandes organizações, como
dito acima, pois a plataforma exigia computadores extremamente robustos, possuindo
alta velocidade de processamento e armazenamento. Com a popularização dos
computadores pessoais, essa ferramenta passou a ser mais acessível, alcançando as
médias e pequenas empresas e usuários comuns, sendo a AutoDesk hoje, uma das
principais empresas a desenvolver softwares neste segmento.
Além dos modelos tradicionais de CAD (2D e 3D) existem modelos específicos que
simulam condições de fabricação. Onde as ferramentas utilizadas no desenho são as
mesmas disponíveis nas indústrias. Esse sistema é conhecido como CAM, do inglês
Computer Aided Manufacturing.
Ao sistema integrado de desenho e projeto, com passagem direta para o fabrico, dá-se o
nome de CAD-CAM. Este sistema importa os desenhos do CAD para programas CAM,
automatizando todo o processo de fabrico. Assim, um engenheiro pode desenhar no seu
computador uma peça utilizando um programa CAD. Este programa poderá passar em
seguida para um programa de Análise Estrutural, e depois de analisado por este, para
um sistema CAD-CAM. Este sistema irá, então, comandar uma máquina de comando
numérico. (CUNHA, 2004, p. 32-33)
Na Engenharia Civil o uso da tecnologia CAD tem sido adaptado às necessidades
do setor, como se pode verificar com a introdução de ferramentas que auxiliam também
no “desenvolvimento e gestão do projeto em ambientes parametrizados baseados no
conceito BIM (BuildingInformationModeling), de tecnologias baseadas na „argumented
reality‟, na prototipagem rápida”, como ressalta Barki (2011, p.13). O BIM é
direcionado à construção civil que abrange um conjunto de informações que ajudam a
gerenciar obras nos seus mínimos detalhes, dando suporte durante toda a vida útil da
construção. Além de permitir a visualização em escala real, a plataforma BIM permite
simulações que podem vir a corrigir erros no projeto, evitando assim posteriores
problemas. Entretanto, Kós (2011) avalia que o uso da tecnologia BIM no Brasil
apresenta dificuldades acrescidas para a sua efetiva implementação, pois a indústria da
construção civil brasileira ainda baseia-se principalmente em técnicas tradicionais.
3.
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
O curso de Engenharia Civil da UEFS é composto por dez semestres distribuídos
em três módulos de formação, sendo o primeiro designado por “módulo de formação
básica”, que inclui os três primeiros semestres; seguido pelo “módulo de formação
geral” (4º, 5º e 6º semestres), e o “módulo de Formação profissional”, que abrange os
quatro últimos semestres, perfazendo um total de 4.045 horas. Para a realização da
pesquisa, inicialmente foram analisadas as ementas dos quatro componentes curriculares
de desenho que fazem parte da oferta obrigatória do Curso de Engenharia Civil da
UEFS, sendo Desenho Básico-E (Código LET 610) oferecido no 1º semestre,
Geometria Descritiva-E (Código LET 615)no segundo semestre, Desenho
Arquitetônico-E (Código LET616 no quarto semestre, e Desenho Técnico-E (Código
LET 617) no quinto semestre do curso. A partir desta análise, constatamos que, com
exceção da primeira disciplina, as ementas de todos os componentes curriculares de
desenho indicam o uso de ferramentas computacionais aliado aos métodos tradicionais
de desenho.
Com base nesta constatação e tendo em vista a inquietação gerada pela constante
afirmação dos colegas de não terem utilizado ferramentas gráficas no desenvolvimento
das disciplinas de desenho, elaboramos o questionário eletrônico que foi disponibilizado
na comunidade virtual dos estudantes do curso no Facebook, esta de acesso restrito aos
demais usuários. O questionário eletrônico foi composto por quatro perguntas de
múltipla escolha, sendo a primeira destinada a identificar o semestre que os estudantes
estão cursando; a segunda para conhecer a metodologia de ensino que foi utilizada no
desenvolvimento das disciplinas de desenho que cada estudante cursou na UEFS; a
terceira para levantar o domínio de ferramentas computacionais relativas ao desenho
que os estudantes possuem e onde eles adquiriram este conhecimento; e a quarta para
distinguir a percepção dos estudantes acerca da inserção de ferramentas gráficas no
desenvolvimento das disciplinas de Desenho do curso.
Os dados que passamos a apresentar resultam da aplicação do questionário num
período de dez dias, da qual participaram 52 (cinquenta e dois) estudantes pertencentes
a todos os semestres do curso.
3.1. Semestre de curso dos sujeitos da pesquisa
Conforme indicado na “Figura 1”, dos 52 estudantes que participaram da pesquisa,
a grande maioria se constitui de discentes dos semestres iniciais do curso, ou seja,
alunos que estão cursando o módulo de formação básica. Ainda assim, como também
pode ser observado, houve um número considerável de respostas vindas de estudantes
dos demais períodos do curso, possibilitando, deste modo, uma análise abrangente da
opinião geral dos estudantes do curso de Engenharia Civil da UEFS, acerca do uso de
ferramentas computacionais no ensino do desenho.
13 (25%)
24 (46%)
Do 1º ao 3º semestre
Do 4º ao 6º semestre
Do 7º ao 10º semestre
15 (29%)
Figura 1: Semestre de curso dos sujeitos da pesquisa
Se considerarmos que as disciplinas obrigatórias de desenho são cursadas até o 5º
semestre, podemos afirmar que 54% dos sujeitos da pesquisa concluíram todas as
disciplinas em análise, o que aponta para indicações mais precisas acerca das perguntas
seguintes.
3.2. Metodologia utilizada nos componentes curriculares de desenho
Sobre os métodos adotados em sala de aula durante o andamento das disciplinas de
desenho que fazem parte da oferta obrigatória do curso, as respostas apresentadas
através da “Figura 2” indicam que o método de maior frequência é o método tradicional,
ou seja, o desenho realizado na prancheta, com 79% das respostas.
1 (2%)
Apenas o método tradicional
(prancheta)
10 (19%)
41 (79%)
Método tradicional (prancheta) e
ferramentas computacionais de
desenho
Apenas ferramentas
computacionais de desenho
Figura 2: Métodos adotados nas aulas de desenho da UEFS, no curso de Engenharia
Civil
O único aluno que apontou ter estudado as disciplinas desenho com a utilização
“apenas de ferramentas computacionais de desenho” está cursando o módulo de
formação profissional que engloba os últimos semestres (do 7º ao 10º semestre), como
antes mencionado. Dos demais sujeitos de mesmo período de curso (12 estudantes), 7
afirmaram ter sido utilizado apenas o método tradicional (prancheta) e 5 assinalaram a
alternativa “método tradicional (prancheta) e ferramentas computacionais de desenho”.
Ainda para esta alternativa, dos estudantes que estão no módulo de formação geral (do
4º ao 6º semestre), apenas um optou por esta alternativa, e os demais (14 sujeitos)
indicaram o uso exclusivo do método tradicional.
3.3. Domínio de ferramentas computacionais de desenho
Para pergunta “Você domina alguma ferramenta computacional como o AutoCAd,
Sketchup? Em caso afirmativo, onde você aprendeu?”, a maior parte dos sujeitos
afirmou não dominar qualquer ferramenta computacional de desenho.Consideramos que
este dado se justifica especialmente pelo fato de termos a maioria dos sujeitos da
pesquisa nos três semestres iniciais do curso (Módulo de formação básica), um total de
23 sujeitos, e por isso ainda não cursaram todas as disciplinas de desenho da oferta
obrigatória da matriz curricular. Entretanto, os sujeitos que consideram ter domínio
sobre as ferramentas em questão afirmaram ter aprendido a utilizá-las fora da
instituição, como se confirma na “Figura 3”.
1 (2%)
Não domino
Sim, aprendi a utilizá-la sozinho
16 (31%)
26 (56%)
1 (2%)
5 (9%)
Sim, aprendi com amigos e/ou
familiares
Sim, aprendi em curso que
realizei fora da universidade
Não respondeu
Figura 3: Domínio de ferramentas gráficas computacionais
Vale ressaltar, ainda, que os sujeitos que consideram ter domínio sobre o uso de
algum tipo de ferramenta gráfica computacional informaram ter aprendido em cursos
realizados fora da universidade, sozinhos ou com ajuda de amigos e/ou familiares, o que
indica a percepção dos sujeitos acerca da necessidade deste conhecimento para o
exercício da Engenharia Civil, e por isso acabam recorrendo a instituições fora do
ambiente acadêmico para que possam aprender a usar os softwares gráficos. Dos
sujeitos que recorreram aos cursos fora da UEFS, 9 estão cursando o módulo de
formação geral (4º ao 6º semestre), 6 pertencem aos semestres finais do curso (7º ao 10º
semestre) e apenas um estudante está no início do curso.
3.4. Opinião dos sujeitos acerca da presença/inserção de ferramentas gráficas nas
disciplinas de desenho do curso de Engenharia Civil da UEFS
Sobre o questionamento acerca da opinião dos estudantes que participaram da
pesquisa, no que respeita a presença e/ou inserção de ferramentas gráficas
computacionais nas disciplinas de desenho do curso de Engenharia Civil da UEFS, para
94% dos sujeitos, a inserção dessas ferramentas é necessária e apenas 3 estudantes não
consideram necessária a inclusão, como se pode verificar na “Figura 4”.
3 (6%)
20 (38%)
29 (56%)
Considero necessário, mas essas ferramentas
devem ser trabalhadas nas disciplinas já
existentes, complementando as atividades
desenvolvidas na prancheta
Considero necessário, mas deveriam ser
criadas outras disciplinas para a utilização
dessas ferramentas
Não considero necessário
Figura 4: Opinião dos sujeitos da pesquisa sobre a presença/inserção de
ferramentas gráficas computacionais nas disciplinas do Curso de Engenharia
Civil da UEFS
Como mostra o gráfico da “Figura 4”, 56% dos sujeitos da pesquisa consideram que
essas ferramentas devem ser trabalhadas nas disciplinas que já existem no curso, de
modo a complementar as atividades realizadas na prancheta. Para 38% dos sujeitos, a
atual abordagem das disciplinas obrigatórias deve continuar a ser ministrada da mesma
forma, mas consideram importante a criação de outras disciplinas para o ensino
exclusivo dessas ferramentas. Estes dados indicam que os estudantes não descartam o
aprendizado do desenho através do método tradicional realizado na prancheta, mas fica
evidenciado a necessidade da inclusão as ferramentas gráficas computacionais.
Ao retomarmos a matriz curricular do curso de Engenharia Civil da UEFS,
observamos que no rol de “componentes optativos”, existe Computação Gráfica em
Projeto de Engenharia (LET 618), que tem como pré-requisito o componente curricular
obrigatório Introdução à Ciência da Computação (EXA 170), este último oferecido no
1º semestre do curso. Contudo, pela oferta regular do curso que acompanhamos pelo
menos há três semestres, esta não vem sendo oferecida com regularidade, deixando
patente a lacuna ocasionada na formação dos estudantes, como foi indicada através dos
dados apresentados.
A estratégia de se utilizar ferramentas computacionais aliadas aos métodos
tradicionais no ensino do Desenho, defendida por 94% dos estudantes do curso de
Engenharia Civil da UEFS, já é empregada em algumas universidades brasileiras é
defendida por diversos pesquisadores como, por exemplo, o professor Camilo Michalka
Júnior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, que em 2000 apresentou no
seu artigo “O ensino de Desenho para Engenharia na UFRJ”, mudanças ocorridas nas
disciplinas de Desenho dos cursos de Engenharia para implementação de ferramentas
computacionais. O autor ressalta a importância dessas ferramentas nas disciplinas das
engenharias, ao afirmar que,
A modelagem sólida tridimensional tornou possível o surgimento de novos processos de
projeto. Passou a haver a integração, tanto entre o objeto modelado pelos programas de
desenho auxiliado por computador (Computer Aided Design – CAD) e os programas de
dimensionamento quanto entre estes últimos e os programas CAD, assim como com os
processos de execução. (Michalka Jr., 2000)
Roberto Ferraris (2011) destaca que o professor deve estar atento às exigências do
mercado ao afirmar que,
Como formadores de futuros arquitectos y diseñadores es nuestro deber instrumentar a
los estudiantes en las dos prácticas, como manera de dotarlos para un desempeño futuro
sin limitaciones en su capacidad de comunicación. No resulta tarea sencilla mantener
una adecuada actualización de los programas y sistemas informáticos que permanente se
vuelcan al mercado.¹
Entendemos, porém, que as dificuldades na implementação desses novos métodos
de ensino podem estar relacionadas a problemas muitas vezes pouco discutidos no
ambiente acadêmico, como também podem estar condicionados ao contexto de
formação dos professores responsáveis por ministrar as disciplinas de desenho. Neste
sentido, Ferraris (2011) recorda que,
[…]para aquellos profesionales formados con los planes curriculares de mediados del
siglo XX, donde el dibujo se enseñaba de manera tradicional, a partir de la ejercitación
minuciosa y perseverante de la “caligrafía gráfica”, conviven por un lado la necesidad
de aggiornamento en técnicas informáticas con una comprensible resistencia al cambio.²
4.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados levantados demonstram que a inquietação que nos motivou a realizar
este trabalho de pesquisa possuem fundamento, pois ao nosso ver, fica revelado através
das respostas dadas às questões postas no questionário eletrônico, que há insatisfação
dos estudantes do curso de Engenharia Civil no que tange a metodologia adotada na
Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS, para o desenvolvimento dos
componentes curriculares de Desenho, especialmente os que integram a oferta regular
obrigatória.
__________________________________
¹ Como educadores dos futuros arquitetos e designers é o nosso dever de instruir os alunos em ambas as práticas,
como forma de prepará-los para um desempenho futuro sem limitações na sua capacidade de se comunicar. Não é
tarefa fácil manter uma atualização adequada dos softwares e sistemas que estão transformando o mercado de forma
permanente.
² [...] Para os profissionais formados com os planos currículares de meados do século XX, onde o desenho foi
ensinado de uma forma tradicional, a partir de minucioso e perseverante exercício de "caligrafia gráfica", convivem
de um lado com a necessidade de atualização de conhecimentos de informática e por outro, com uma compreensível
resistência à mudança.
A carência que resulta dessa formação impele os estudantes a procurarem formação
complementar fora do ambiente acadêmico, formação esta que impõe uma condição
econômica que nem todos os discentes dispõem, pois os cursos de AutoCAd eSketchup,
entre outros, são pagos. Entretanto, ficou também visível que os estudantes reconhecem
a necessidade e importância do método tradicional do ensino do desenho para a sua
formação.
Deste modo, a partir da análise conduzida à luz de estudos que destacam a
importância do uso de ferramentas computacionais no ensino do desenho nos cursos que
possuem ligação primeira com o Desenho, como as Engenharias e, neste artigo, em
especial a Engenharia Civil, compreendemos que na área de desenho a opção mais
favorável para que a formação do engenheiro civil seja mais adequada à realidade
imposta pelo mercado de trabalho é a metodologia híbrida, expressão que tomamos de
empréstimo de Ferraris (2011) ao aproximarmos da expressão representación híbrida,
usada pelo autor ao fazer referência a utilização do desenho tradicional e do digital em
trabalhos realizados por arquitetos renomados.
Agradecimentos
Agradecemos à nossa orientadora, Professora Ana Rita Sulz, por seu empenho em
nos ajudar na realização deste trabalho. Agradecemos também aos estudantes do curso
de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Feira de Santana, pela disposição em
responder ao questionário proposto.
REFERÊNCIAS
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(coord.)Caderno de Resumos do XX Simpósio Nacional de Geometria Descritiva e
Desenho Técnico, IX International Conferenceon Graphics Enginering for Artsand
Design “Expressão Gráfica: conexões entre Ciência, Arte e Tecnologia”. Rio de Janeiro:
UFRJ, 2011.
CUNHA, Luis Veiga da.Desenho Técnico. (13ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2004.
FERRARIS, Roberto. Tecnología Digital y Gráfica Analógica: um equilíbrio
necessário. In: Graphica 2011: XX Simpósio Nacional de Geometria Descritiva e
Desenho Técnico e IX Internationa lConferenceon Graphics Engineering for Artsand
Design, 2011, Rio de Janeiro, RJ. Anais do Graphica 2011. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011,
p. 1-3.
KÓS, José Ripper. A colaboração nos projetos de edificações mais sustentáveis. In:
Graphica 2000: XX Simpósio Nacional de Geometria Descritiva e Desenho Técnico e
IX International Conferenceon Graphics Engineering for Artsand Design, 2011, Rio de
Janeiro, RJ. Anais do Graphica 2011. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011.
MICHALKA JR., Camilo. O ensino de desenho para engenharia na UFRJ. In: Graphica
2011: 14º Simpósio Nacional de Geometria Descritiva e Desenho Técnico e III
Internationa lConferenceon Graphics Engineering for Artsand Design, 2000, Ouro
Preto, MG. Anais do Graphica 2000 (CD-Room). Ouro Preto: UFOP, 2000.
SANTOS, Eduardo Toledo; MARTINEZ, Maria Laura. Software para ensino de
Geometria e Desenho Técnico. In: Graphica 2011: 14º Simpósio Nacional de Geometria
Descritiva e Desenho Técnico e III International Conferenceon Graphics Engineering
for Artsand Design, 2000, Ouro Preto, MG. Anais do Graphica 2000 (CD-Room). Ouro
Preto: UFOP, 2000.
VALENTIM, Héberson Ricardo; CORREIA, Ricardo Queiroz. Sistema CAD: evolução
e tendências. Monografia de Pós-graduação Lato Sensu (Especialização) em Análise de
Sistema, Centro Universitário de Belo Horizonte, Minas Gerais, 2002.
DESIGN AND TECNOLOGY: THE USE OF COMPUTATIONAL
TOOLS IN TEACHING DESIGN AT THE STATE UNIVERSITY OF
FEIRA DE SANTANA
Abstract: This article’s purpose is to offer a reflection about the use of computational
tools for design/drawing, as well as CAD programs, in the disciplines of design from
the Civil Engineering course. Some data from an exploratory research are presented.
The research was conducted on the Estate University of Feira de Santana, in Bahia,
where utilization of design software is rather low, though most of the obligatory design
disciplines includes the use of this means on their methodological proposal. The
collected data, through an electronic survey, showed that students acknowledge the
importance of traditional method (drawing board) for their training, but believe that in
order to being able to get in the job market is also necessary knowing how to work with
graphic computational tools and, therefore, these tools must be effectively implemented
on the teaching of design disciplines.
Key-words: Technical Design, Civil Engineering, Education, Design Softwares.
Download

instruções para a preparação e submissão de trabalhos