IDA EM FUNCIONAMENTO Moçambique: Da Recuperação de Pós Conflito ao Crescimento Elevado M oçambique emergiu de décadas de guerra para se tornar uma das economias africanas com melhor desempenho. Um dos países mais pobres do Mundo na altura da Independência, a economia de Moçambique cresceu a mais de 8% ao ano ao longo dos últimos 10 anos, a taxa de crescimento mais alta entre os países africanos importadores de petróleo. Entre 1997 e 2003, três milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, sobretudo nas áreas rurais. A mortalidade infantil baixou e as matrículas escolares subiram. Moçambique é um dos maiores beneficiários de recursos tanto da Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), o fundo do Banco Mundial para os países mais pobres do mundo, como de outros dadores activos em África. A par do apoio financeiro, os conhecimentos técnicos, experiência global e capacidade da IDA para explorar a totalidade do espectro do trabalho de desenvolvimento contribuíram todos para os sucessos de Moçambique. Indicadores do País 1990/92 2005/06 PIB per capita (USD) 150 310 Inflação média (%) 39 9.7 Dívida externa (% do PIB) 286 81 Incidência da Pobreza (%) 69 (1997) 54 (2003) Taxa bruta de inscrição no ensino primário (%) 43 71 Mortalidade infantil de crianças com menos de 5 anos (por 1 000) 235 152 População (milhões) 16.5 20.1 Fontes: Instituto Nacional de Estatísticas (INE), Governo de Moçambique, Banco de Moçambique e FMI; Inquéritos Nacionais aos Agregados Familiares; Ministério da Educação; Levantamentos Demográficos e da Saúde. ÊXITOS DO PAÍS Desde que emergiu de três décadas de conflito, Moçambique alcançou progresso económico e social. Treze anos de guerra anticolonial esporádica levou a Independência em 1975 e uma guerra civil de 16 anos, que matou cerca de 1 milhão de moçambicanos e forçou vários milhões a fugirem das suas terras. Desde a restauração da paz, com os Acordos de Roma de 1992, uma nova constituição assegurou um sistema político multipartidário, uma economia de mercado e eleições livres. Crescimento e redução da pobreza. O crescimento tem sido da ordem dos 8% ao ano, durante a última década, impulsionado pelo bom desempenho dos sectores dos transportes, comunicações e construção e a recuperação na agricultura. A implementação consistente de reformas fundamentais conduziu a aumentos consideráveis do investimento directo estrangeiro no alumínio, gás natural e titânio. A pobreza registou um decréscimo de aproximadamente 15% entre 1997 e 2003, o que tirou quase 3 milhões de pessoas da pobreza extrema em seis anos. A pobreza caiu mais nas zonas rurais (de 71% para 55%) do que nas regiões urbanas (62% para 52%) e Moçambique é o segundo país do mundo que conseguiu este feito, a seguir ao Vietname. Graças às iniciativas para alívio da dívida, o valor líquido actual da dívida externa ficou reduzido a metade, tendo passado de 25% do PIB em 2003 e 2004 para 12% do PIB em 2006. Estes sucessos são fruto da estabilidade macroeconómica global, reforma de políticas, despesas públicas que beneficiam os pobres e forte apoio dos dadores, que produziram um crescimento sólido na maior parte dos sectores económicos. Nas principais conquistas contam-se: • Liberalização do comércio: exportações cresceram a 20% ao ano durante os últimos 10 anos, tornando Moçambique um dos poucos países africanos cuja quota de exportações mundiais registou uma subida. • Uma retoma da agricultura: o crescimento da produção foi da ordem de 5,6% a partir de 1992, em que metade é devido à expansão da área e o restante ao crescimento da força de trabalho e melhorias nos rendimentos agrícolas. A percentagem de agregados familiares agrícolas rurais, que adoptaram técnicas recomendadas pelos agentes agrícolas externos, subiu de 2,4% em 2000 para 13% em 2004. • Um clima de investimento liberal para “mega projectos”, incluindo investimento em fundição de alumínio, gás e minerais que todos os anos somam 1,5% ao crescimento do PIB. • Gestão eficaz de desastres: Moçambique respondeu correctamente às graves inundações e ao ciclone de 2007, comprovando assim que aumentou a sua capacidade para gerir desastres naturais. • Reforma do sector financeiro, incluindo a criação de um Banco Central separado e a introdução de concorrência no sector da banca comercial. Entre os sucessos recentes incluem-se uma estratégia acordada, que impõe a todos os bancos moçambicanos a obrigação de elaboração de relatórios, segundo práticas internacionais, até 2007. coerentes e bem sedimentadas; e uma boa coordenação de grandes volumes de assistência dos dadores. • Melhorias na educação: a partir de 1991, as matrículas líquidas no ensino primário aumentaram 65 pontos percentuais e a taxa de conclusão do ensino primário alargado duplicou para 40 pontos percentuais, em 2003. Desde o fim da guerra civil que a IDA comprometeu mais de USD 2 300 milhões destinados a apoiar 55 projectos e concluiu mais de 30 relatórios analíticos formais aprofundados sobre Moçambique. Moçambique tornou-se um elemento principal dos portfolios africanos de outras instituições do Grupo Banco Mundial – Sociedade Financeira Internacional (IFC) e Agência Multilateral para a Garantia do Investimento (MIGA) – incluindo financiamento e garantias para a fundição de alumínio Mozal. • Níveis da Saúde em ascensão: tanto a mortalidade infantil como a mortalidade de crianças com menos de 5 anos registaram uma quebra de 35 pontos percentuais, a partir de 1990. • Reduções nos custos dos transportes: as estradas classificadas em boas condições ou em condições regulares septuplicaram, passando para 70%, e as estradas intransitáveis baixaram 10 vezes, representando apenas 5%. As reformas institucionais melhoraram a sustentabilidade dos investimentos. • Melhorias na existência de água: o acesso à água segura mais que duplicou, tendo passado para 27% nas áreas rurais entre 1996/7 e 2002/3. Os investimentos em infra-estruturas e reformas institucionais na gestão de serviços produziram uma melhor qualidade, fiabilidade e sustentabilidade dos serviços de abastecimento de água nas áreas urbanas e é bem provável que a Meta de Desenvolvimento do Milénio de 70% de cobertura sustentável nas áreas urbanas seja cumprida. Estes sucessos assentam em três pilares que a IDA ajudou a consolidar: um sólido controlo do governo do programa de reformas; reformas CONTRIBUIÇÕES DA IDA A contribuição da IDA para a recuperação de Moçambique começou mesmo antes de se ter assinado um tratado formal de paz em Outubro de 1992. A IDA prestou assistência ao governo no trabalho desenvolvido com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e uma vasta gama de dadores com vista a criar um pacote de financiamento inovador que atendesse às necessidades de uma economia apta a absorver rapidamente fluxos invulgarmente elevados de ajuda. Este financiamento permitiu a Moçambique lançar reformas estruturais e afastar-se gradualmente da situação de beneficiário de ajuda humanitária para fins de assistência ao desenvolvimento. Um primeiro crédito da IDA para recuperação económica, em 1992, apoiou uma ampla estratégia pós-guerra, incluindo a redistribuição das despesas públicas em favor de sectores sociais chave e da agricultura minifundiária, liberalização e privatização na indústria e agricultura e reforma do sector financeiro. Apoio a um programa conduzido pelo governo. Oferecer conhecimentos técnicos e uma experiência mundial. O governo tem seguido um conjunto claro de políticas prioritárias que reflectem a direcção pretendida para Moçambique. Com vista a reforçar o seu controlo da agenda de desenvolvimento e reduzir os custos de transacção, o governo tem dado destaque aos benefícios de uma melhor harmonização e integrou a assistência dos dadores no orçamento e de acordo com o ciclo orçamental do governo. O sucesso de Moçambique do pós-guerra foi conquistado com base numa série de reformas que resultaram porque se fundamentavam num conhecimento e análise sólidos, porque beneficiaram da experiência de outros países e porque formaram um todo consistente. Os conhecimentos técnicos da IDA, a sua experiência universal e a aptidão para integrar conhecimento da totalidade do espectro do trabalho de desenvolvimento foram elementos essenciais. Um grupo de 18 dadores1, que presta apoio orçamental directo a Moçambique, baseia os seus programas num enquadramento único de avaliação do desempenho constituído inteiramente com base na estratégia de redução da pobreza do governo, conhecida por PARPA. Nomeia-se um dador designado para cada um dos sectores, com vista a assegurar um diálogo coerente e unificado com o governo relativamente às prioridades sectoriais. Os estudos analíticos da IDA, que cobriram uma série de áreas, foram fulcrais para a criação da estrutura deste enquadramento, ao ajudar a definir a prioridade das acções e os indicadores em todos os sectores. Da assistência a projectos, a IDA passou cada vez mais a utilizar uma abordagem sectorial e programática. A partir de 2004, colaborou com outros dadores para formar um grupo coerente que apoia um programa governamental único, em vez de um conjunto fragmentado e potencialmente incoerente de projectos separados dos dadores. 1. Para além de serem membros da IDA, também fazem parte do “Grupo dos 18”: Banco Africano de Desenvolvimento, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Comissão Europeia, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Irlanda, Itália, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Por exemplo: a liberalização bem sucedida do sector das telecomunicações surgiu de uma discussão sobre a experiência de Madagáscar com a liberalização do sistema de telefones móveis. O conhecimento da IDA sobre a experiência de outros países com o licenciamento de operadores privados de telemóveis despoletou o interesse do governo. Num curto espaço de tempo, a IDA conseguiu produzir uma síntese de modelos de boas práticas em África e noutros continentes e realçar o seu impacto profundo na conectividade. Isto ajudou o governo a liberalizar rapidamente o mercado de operadores de telemóveis e os utentes aumentaram de 51000 em 2001 para 1,3 milhões em 2005. A revolução dos telemóveis O custo das telecomunicações móveis baixou consideravelmente com a adopção da concorrência e a entrada no mercado, em 2003, de um segundo operador. A tele-densidade total passou de 8 assinantes por 1000 habitantes em 2004 para 55 por 1000 no ano seguinte. A IDA ajudou a redigir uma nova lei das telecomunicações em 2004, abrindo assim caminho para a completa liberalização do sector, até Dezembro de 2007. A enorme capacidade da IDA no domínio de estudos analíticos permitiu-lhe desempenhar um papel fulcral na formulação da estratégia para redução da pobreza de Moçambique. A avaliação da pobreza no país, feita pela IDA, a par de levantamentos da agricultura, saúde e educação, também orientaram e tranquilizaram os formuladores de políticas, ao demonstrarlhes o sucesso de esforços anteriores destinados a reduzir a pobreza. Fornecer e potenciar grandes volumes de ajuda e de financiamento privado. Outras análises de países (por exemplo, um Memorando Económico de País bem como estudos sobre desenvolvimento rural e turismo) proporcionaram recomendações sobre a utilização óptima dos recursos naturais de Moçambique – terra, florestas, pescas, mineração e água – e a integração da sua gestão na estratégia global de crescimento do país. O Grupo Banco Mundial desempenhou um papel chave na potenciação das entradas de capital do sector privado, ao apoiar a criação de um clima propício ao investimento económico e fornecer garantias a um número de investimentos de grande monta. As análises e apreciações das despesas públicas (especialmente nos sectores sociais), a responsabilização financeira, o sistema de concursos públicos, o sector financeiro, o clima de investimento e os sectores legal e judicial, todos eles constituíram a base para reformas bem sedimentadas. Grandes volumes de ajuda e de fluxos do sector privado ajudaram a financiar os programas de investimento ambiciosos e bem sucedidos de Moçambique. A IDA apoiou estes programas através da integração dos estudos analíticos, edificação institucional e assistência de dadores múltiplos. A IDA também ajudou a fomentar o investimento do sector privado através de serviços de aconselhamento, formação profissional e projectos associados com mega projectos. Através de créditos para a redução da pobreza, apoiou esforços destinados a reformar o código comercial, lei do turismo, regulamentação do investimento e registo de actividades económicas. Apoio do Grupo Banco Mundial aos Mega Projectos • A MIGA prestou garantias aos investimentos na fundição de alumínio Mozal e SASOL, no valor de USD 2 000 milhões e USD 1 200 milhões, respectivamente. Para além disso, a IFC investiu USD 145 milhões na fábrica de alumínio Mozal e a IDA criou um projecto para ajudar as pequenas e médias empresas a beneficiarem de contratos com a Mozal. • IDA colaborou com o FMI e a MIGA para providenciar aconselhamento ao governo quanto à forma de optimizar os termos de um empréstimo de USD 950 milhões que tinha por objectivo efectuar a transferência para Moçambique da maioria portuguesa no capital da hidroeléctrica, projecto que poderia abrir novas oportunidades hidroeléctricas na Bacia do Zambeze em Moçambique. • A IDA também está a actuar no sentido de assegurar benefícios de desenvolvimento máximos decorrentes de mega projectos futuros, tais como o investimento externo planeado de USD 1 500 milhões no projecto de carvão de Moatize. O apoio da IDA no domínio institucional, de políticas e investimento ajudou Moçambique a fazer melhorias nas estradas, água e educação. Estradas. A IDA foi o grande patrocinador da rede de estradas nos últimos quinze anos, quer através de financiamento (USD 400 milhões para dois programas) quer através de serviços de consultoria. Com base nos estudos analíticos efectuados ainda durante o período de guerra, a IDA apoiou o governo no desenvolvimento e obtenção de financiamento para um programa de alta prioridade e a longo prazo do sector das estradas, que integrava trabalhos de reabilitação e manutenção, obras públicas e desenvolvimento institucional. As prioridades iniciais da reabilitação tinham por base as prioridades agrícolas (utilizando o conhecimento ganho com a participação da IDA nesse sector) e a necessidade de se fornecer acesso aos refugiados retornados. Através do seu estreito envolvimento no programa global do governo de recuperação de emergência, a IDA ajudou a mobilizar financiamento considerável dos dadores e assistiu o governo a gerir as compensações que isto implicava para os outros sectores. Tratouse de um dos primeiros exemplos de uma abordagem extensiva à totalidade do sector. O programa de construção de estradas foi complementado por um programa de criação de capacidade institucional, incluindo a criação de um fundo de estradas independente destinado a pagar a parte da manutenção que compete ao governo, através da cobrança de taxas de utilização de combustível. A IDA também apoiou a criação de um programa inovador de bolsas para reter os funcionários depois da sua formação profissional e para o desenvolvimento de empresas privadas de camionagem e obras públicas. Via para a Recuperação • Dois projectos de estradas e de navegação costeira, financiados pela IDA, ajudaram a reabilitar mais de 6 600 km de estradas rurais entre 1992 e 2000. • A percentagem de estradas da rede nacional em bom estado ou em estado regular aumentou para 56%, face a 10% antes do início do primeiro Projecto de Estradas e de Navegação Costeira, em 1992. • A execução da manutenção de rotina melhorou contínua e substancialmente. • As obras públicas em estradas primárias e secundárias levaram a reduções no tempo de viagem que chegaram a 50%. • Custos unitários de transportes mais baixos conduziram a um aumento significativo do volume de tráfico e a um aumento do cabaz de bens e serviços disponíveis nas áreas rurais. Água. As reformas institucionais no sector da água começaram em 1995, com a formulação de uma política nacional de água, apoiada pela IDA. Desde então, o sector da água urbana registou consideráveis progressos na introdução de uma política de delegação de gestão – segundo a qual os activos eram detidos pelo governo e as operações dirigidas pelo sector privado. A IDA apoiou a constituição, em 1998, de uma empresa holding e de um quadro regulador que estabeleceu as condições para a melhoria dos níveis dos serviços e atracção de investimento. A abordagem de Moçambique de gestão delegada no sector privado captou mais de USD 350 milhões de investimentos para água urbana ao longo dos últimos seis anos. Cerca de 70% da população urbana de Moçambique beneficiou da melhoria na produção e de um abastecimento de água mais fiável. O nível de serviço nas cidades servidas pela empresa holding melhorou continuamente ao longo dos últimos três anos, com as horas de abastecimento aumentando de 9 para 24 horas diárias nas cidades de Beira, Quelimane, Nampula e Pemba. Educação. As reformas apoiadas pela IDA no sector da educação resultaram num novo curriculum para o ensino primário, lançado em 2004 em todo o país, que se espera tenha um impacto directo na qualidade do ensino. Outras conquistas apoiadas pela IDA compreendem: um programa nacional expandido de apoio directo às escolas e iniciativas importantes sobre saúde escolar e prevenção de VIH/SIDA; uma nova estratégia e modalidade de formação para os professores do ensino primário destinada a acelerar a oferta de professores qualificados e a melhorar as práticas de afectação; eliminação de propinas para o ensino primário; e um aumento do orçamento para o ensino primário e pós primário. Em consequência, o número de escolas subiu de 2 800 em 1992 para 8 000 em 2003, representando a maior expansão de sempre no acesso ao ensino, havendo 3 milhões de alunos do ensino primário a serem ensinados por 48 000 professores, em 2004. DESAFIOS FUTUROS O governo depara-se com três desafios principais: garantir a criação de mais empregos; sustentar o crescimento dos rendimentos rurais; e ter mais sucesso na redução da incidência de VIH/SIDA. O acesso a um nível mais elevado de financiamento externo nos próximos anos, se combinado com a continuação da implementação vigorosa das reformas, podia apressar o crescimento real anual, ajudar o país a acelerar o progresso com vista à consecução das Metas de Desenvolvimento do Milénio e cumprir alguns destes desafios. A criação de emprego vai exigir uma concentração muito maior na melhoria do clima de negócios. Moçambique tem estado no decil mais baixo na maioria dos levantamentos sobre eficiência da actividade económica, em que a corrupção, burocracia, mercados laborais inflexíveis e estrangulamentos das infra-estruturas são considerados como os principais problemas para as actividades económicas estrangeiras e também locais. Embora o governo tenha tido êxito em atrair “mega projectos”, em parte através de incentivos tributários generosos, ainda há falta de investimentos em pequenas e médias empresas que gerem empregos. Recentemente, registou-se um progresso considerável na redução do tempo para licenciamento e outros estrangulamentos administrativos, mas o clima de negócios subjacente ainda não é favorável. Para se sustentar o crescimento nos rendimentos rurais vai ser preciso dar mais atenção ao incremento da produtividade agrícola. O crescimento na agricultura começou a estacionar depois da reacção positiva no período de pós-conflito e é necessário que se centre mais nos métodos de aumento da produtividade. Vão ter que incluir: uma pesquisa melhorada que seja relevante para os agricultores; disseminação mais ampla de variedades de cultivos que sejam resistentes à seca; promoção de acordos entre os pequenos agricultores; exploração de novos modelos para acesso dos pequenos agricultores aos mercados financeiros; facilitação de investimento em propriedades agrícolas de média e larga escala; e modernização da infra-estrutura rural, incluindo irrigação e estradas. Valeria a pena investir em irrigação. Cerca de um décimo dos 36 milhões de hectares de terra arável é adequado para irrigação, mas menos de 1% desta área é irrigado, o que representa o valor mais baixo na região. Os benefícios da irrigação de pequena escala são elevados: um investimento de USD 20 milhões ao ano, ao longo de 15 anos, aumentaria o total do valor acrescentado agrícola em cerca de USD 250 milhões em 2020. A falta de armazenagem de água é um factor fundamental que impede a expansão da irrigação. A capacidade útil das barragens do país representa apenas 5% da média anual do caudal dos rios, excluindo o Zambeze, pelo que seria altamente vantajoso um aumento da capacidade de armazenamento. Mas a malária e a tuberculose também continuam a ser problemas expressivos: a malária é a principal causa de morte das crianças, com cerca de 25 000 a 50 000 crianças a morrerem anualmente. Melhorar a Saúde. Moçambique depara-se com grandes desafios na saúde, incluindo taxas de mortalidade de bebés e crianças que ainda são elevadas segundo os padrões mundiais. A prevalência de VIH – cerca do dobro da média da África Subsariana – constitui uma forte preocupação. Energia. A falta de electricidade fiável (ou, na maior parte dos casos, a falta de electricidade) representa uma grave limitação ao desenvolvimento em Moçambique. Cerca de 64% de empresas transformadoras consideram que a electricidade é o problema mais grave nas infra-estruturas e, com as taxas correntes de electrificação, os 80% mais pobres dos agregados familiares não irão ter electricidade durante décadas. O financiamento adicional da IDA iria permitir uma expansão mais rápida da rede de electrificação rural em favor das populações rurais e um aumento da fiabilidade nas áreas rurais, como um todo. O VIH/SIDA é um problema da maior gravidade. Com a actual taxa de prevalência de 16%, prevê-se que a expectativa de vida à nascença baixe de 43 para 36 anos até 2010, em vez de aumentar para 50 anos, o que aconteceria se não existisse VIH/SIDA. Apesar do renovado compromisso político e aumento do financiamento, a resposta nacional está prejudicada pela falta de recursos humanos. (Em 2006, segundo a ONUSIDA, existiam 1,6 milhões de adultos infectados com VIH e apenas 4 468 médicos e enfermeiros no país) Também é necessário melhorar a monitorização e estão em curso esforços para se desenvolver um sistema compreensivo de detecção financeira para as afectações e despesas com VIH/SIDA. Seria de esperar reduções consideráveis na mortalidade e morbilidade, caso se aumentassem as despesas com mecanismos de divulgação de serviços preventivos, expansão dos cuidados de base comunitária, melhoria dos cuidados prestados nas instalações e uma estratégia de grande raio de acção para cuidados curativos primários. O incremento dos investimentos seria viável e desejável numa série de outras áreas: Estradas e pontes. A reabilitação da rede de estradas foi um factor importante no forte crescimento económico ao longo dos últimos 10 anos. Não obstante, Moçambique ainda possui uma das redes de estradas menos desenvolvida da região da África Austral e, para o crescimento sustentado, vai ser precisa uma reabilitação rápida continuada e a construção de novas estradas. Recursos adicionais iriam permitir uma expansão considerável da rede de estradas rurais e secundárias, especialmente em áreas com um forte potencial de crescimento e possibilitar melhorias nas condições estradas secundárias e terciárias. das Tirar lições da experiência da IDA em Moçambique. Em 2006, o Grupo Independente de Avaliações (IEG) do Banco Mundial atribuiu aos empréstimos da IDA em Moçambique um grau de satisfação de 93%. Considerou-se que 70% dos projectos produziram um impacto de desenvolvimento substancial e que 90% tinham probabilidade de ser sustentados. Não houve uma avaliação global recente do IEG sobre a assistência a Moçambique. No entanto, podem extrair-se várias lições das avaliações de projectos do IEG, assim como das experiências que nos foram narradas. Uma forte liderança governamental através do PARPA mudou profundamente a dinâmica dos papéis respectivos do governo e dos dadores, com os dadores da IDA a alinharem o seu programa com as metas do PARPA e medindo o sucesso muito mais em termos de “produtos” (resultados) do que em termos de “contributos” (créditos). A experiência das reformas do sector financeiro e do comércio realçou a importância de sensibilidade à economia política da reforma de políticas. As recomendações da IDA sobre liberalização da exportação de cajus não transformados foram muito controversas por causa do seu impacto na indústria transformadora doméstica. Parte do problema estava em que a liberalização era, ao contrário de outros elementos do programa de reforma de Moçambique, vista como uma imposição do Banco, o que contribuiu para a falta de credibilidade internamente. Foi ainda agravada pela insuficiência de estudos analíticos da IDA sobre as complexas cadeias de valor global na indústria do caju e pela provável falta de resposta do abastecimento por parte dos produtores nacionais. Foi fundamental a flexibilidade de adaptação às fases de desenvolvimento evolutivas e aos desafios específicos de Moçambique. O enfoque das intervenções desviou-se da reconstrução imediata de emergência no pós-conflito para reformas que apoiam a sustentabilidade institucional e financeira dos investimentos em infra-estruturas e sector social, para reformas de segunda geração, incluindo o clima de negócios e a governação. Por exemplo, antes de 1992, Moçambique tinha um banco público, o Banco de Moçambique, que funcionava simultaneamente como Banco Central e banco comercial principal. Num momento crítico da transição de Moçambique para uma economia de mercado, a IDA apoiou rapidamente a criação de um Banco Central separado e de um sector privado de banca comercial. Posteriormente, a IDA e uma equipa de parceiros de desenvolvimento (incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento, Reino Unido e Alemanha) encetaram um diálogo construtivo com o governo que está a ajudar a desenvolver um sector bancário significativamente mais competitivo e eficiente. A receptividade também foi crucial para se coordenar a resposta às cheias de 2000 e 2002, quando o Banco utilizou uma vasta gama de instrumentos para criar uma resposta abrangente em estreita coordenação com o governo e parceiros de desenvolvimento internacionais e locais. O Banco está ainda envolvido em esforços de reconstrução, na sequência das cheias e ciclones de 2007 – orientado por uma resposta muito eficaz do Governo a estas crises. Abril de 2007. http://www.worldbank.org/ida