Projeto Análise do Mapeamento e das Políticas para Arranjos Produtivos Locais no Norte, Nordeste e Mato Grosso e dos Impactos dos Grandes Projetos Federais no Nordeste Nota Técnica 04 Análise do Balanço de Pagamentos do estado e a importância dos APLs no Fluxo de Comércio Paraíba www.redesist.ie.ufrj.br www.politicaapls.redesist.ie.ufrj.br 2 Projeto Análise do Mapeamento e das Políticas para Arranjos Produtivos Locais no Norte, Nordeste e Mato Grosso e dos Impactos dos Grandes Projetos Federais no Nordeste Nota Técnica 04 ANÁLISE DO BALANÇO DE PAGAMENTOS DO ESTADO E A IMPORTÂNCIA DOS APLS NO FLUXO DE COMÉRCIO Paraíba Equipe Estadual Coordenadora: Valdênia Apolinário Pesquisadores: Araci Farias Silva Águida Cristina Santos Almeida Márcia de Lima Pereira Avani Terezinha Gonçalves Torres Mayra Rodrigues Bezerra Luísa Dantas de Souza Lima Estagiários: Maria do Carmo Maracajá Alves Anderson Rodrigues de Farias Letícia de Carvalho Santos Marília Medeiros de Araújo Equipe de Coordenação do Projeto / RedeSist Coordenadora: Valdênia Apolinário Maria Lussieu da Silva Thaís de Miranda Moreira 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7 1 – ESTRUTURA ECONÔMICA ESTADUAL E IMPORTÂNCIA DOS APLS ... 8 1.1 Distribuição geográfica ........................................................................................................................ 8 1.2 PIB estadual e municipais .................................................................................................................. 16 1.3 Descrição dos APLs..............................................................................................................................18 1.3.1Formação da Indústria Coureiro-Calçadista na Paraíba ................................................................. 22 1.3.2 Os APLs de Confecções na Paraíba .............................................................................................. 28 2. A BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DA PARAÍBA .................................. 46 2.1- Relações comerciais interestaduais ............................................................................................. 48 2.1.1- Fluxos de comércio interestaduais ............................................................................................... 48 2.1.2. Fluxos de comércio interestaduais por atividades econômicas .................................................... 62 2.2. Fluxo de Comércio Internacional do Estado ............................................................................... 64 2.2.3. Fluxo de comércio internacional .................................................................................................. 67 2.3. Fluxo de Comércio Total ............................................................................................................. 70 3. A IMPORTÂNCIA DOS APLS NO FLUXO DE COMÉRCIO DO ESTADO DA PARAÍBA ................................................................................................................................ 71 3.1. APLS COM ATIVIDADES FORMALIZADAS ......................................................................... 72 3.1.1 APLS DE APICULTURA ............................................................................................................ 74 3.1.2 APLS de couro e calçados ............................................................................................................ 75 3.1.3 APLs de base de transformação de produtos minerais................................................................. 78 3.1.4 APLS de confecção....................................................................................................................... 80 3.1.5 APL de leite e derivados ............................................................................................................... 81 3.1.6 APLS de avicultura ....................................................................................................................... 82 3.1.7 APLS de fruticultura ..................................................................................................................... 85 3.1.8 APLS de Ovinocaprinocultura ...................................................................................................... 86 3.1.9 APLS de floricultura .................................................................................................................... 88 3.1.10 APL de aqüicultura .................................................................................................................... 90 4- CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... 91 4 LlSTA DE GRÁFICOS Gráfico 01: Composição do Valor Adicionado do estado da Paraíba .................................................... 19 Gráfico 02: Paraíba: Evolução do Emprego na Produção de Abacaxi no Período 1990 a 2004 ............ 34 Gráfico 03: Paraíba: Evolução do Emprego na Produção de Abacaxi no Período 1990 a 2004 ............ 34 Gráfico 04: Paraíba: Evolução do Emprego Total na Fruticultura de 1990 a 2004 ............................... 35 Gráfico 05a: Participação relativa das compras paraibanas, por região- 2006..................................... 48 Gráfico 05b: Participação relativa das vendas paraibanas, por região-2006 .......................................... 49 Gráfico 06: Entradas e saídas por região- Participação em 2006........................................................... 50 Gráfico 07: Participação relativa de cada região no déficit comercial interestadual da Paraíba-2006... 50 Gráfico 08: Participação % da região Nordeste- Entradas e saídas-2006 .............................................. 51 Gráfico 09a: Estados nordestinos com os quais a Paraíba possui superávit comercial-2006 ................ 52 Gráfico 09b: Peso relativo do superávit dentre os estados com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006................................................................................................................................. 52 Gráfico 10: Estados nordestinos com os quais a Paraíba possui déficit comercial-2006 ....................... 53 Gráfico 11: Peso relativo do déficit dentre os estados com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 ................................................................................................................................. 53 Gráfico 12: Participação % da região sudeste- entradas e saídas-2006 ................................................. 54 Gráfico 13: Peso relativo do superávit dentre os estados do Sudeste com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 .................................................................................................................. 55 Gráfico 14: Peso relativo do déficit dentre os estados do Sudeste com os quais a Paraíba possui déficit interestadual ........................................................................................................................................... 55 Gráfico 15: Participação % da região sul- Entradas e saídas-2006 ........................................................ 56 Gráfico 16: Peso relativo do superávit dentre os estados do Norte com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 .................................................................................................................. 57 Gráfico 17: Participação % da região norte-Entradas e saídas-2006 ..................................................... 57 Gráfico 18a: Peso relativo do superávit dentre os estados do Norte com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006.....................................................................................................................57 Gráfico 18b: Peso relativo do déficit dentre os estados do Norte com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 ................................................................................................................................. 58 Gráfico 19: Participação % da região Centro-Oeste- Entradas e saídas-2006 ....................................... 59 Gráfico 20: Peso relativo do superávit dentre os estados do Centro-Oeste com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 ....................................................................................................... 59 Gráfico 21: Peso relativo do déficit dentre os estados do Centro-Oeste com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 ...................................................................................................................... 60 Gráfico 22: Entradas em %-2006........................................................................................................... 60 Gráfico 23: Saídas em %-2006 .............................................................................................................. 61 Gráfico 24: Participação por atividade no total de entradas em 2006 .................................................... 63 Gráfico 25: Participação por atividade no total de saídas em 2006 ....................................................... 64 Gráfico 26: Participação da Paraíba nas exportações: 2006. ................................................................. 65 Gráfico 27: Participação da Paraíba das importações brasileiras........................................................... 66 Gráfico 28: Participação do estado da Paraíba no saldo comercial brasileiro........................................ 66 Gráfico 29: Saldo comercial por seção CNAE: 2006. ........................................................................... 67 Gráfico 30: Exportações e importações da Paraíba, por seção CNAE a 2 dígitos: 2006. ...................... 68 Gráfico 31: Participação das principais atividades econômicas no Saldo da Balança Comercial da Paraíba. CNAE: 2006. ........................................................................................................................... 69 Gráfico 32: Distribuição das exportações paraibanas por seção CNAE: 2006 ...................................... 69 Gráfico 33: Distribuição das importações paraibanas por seção CNAE: 2006...................................... 71 Gráfico 34: Participação relativa dos APLS nas saídas do estado no ano de 2006 ................................ 73 Gráfico 35: Transações entre a Paraíba e os Estados com os APLs - Saídas ......................................... 74 Gráfico 36: Participação % por produto nas vendas dos APLs de calçados em 2006 ........................... 76 Gráfico 37: Participação relativa dos estados nas vendas dos APLs de couro e calçados em 2006 ...... 77 Gráfico 38: Participação % por estado nas compras dos APL´s de couro e calçados na Paraíba em 2006 ............................................................................................................................................................... 77 Gráfico 39: Participação % dos estados nas vendas dos APLs de Minerais não Metálicos em 2006 .... 78 Gráfico 40: Participação % dos estados na venda de cimento dos APLS da Paraíba ............................ 79 Gráfico 41: Participação % por Produto nas Compras dos APLs de Minerais não Metálicos em 2006 80 Gráfico 42: Participação % nas vendas dos APL´s de confecção com outros Estados em 2006 ........... 81 Gráfico 43: Principais estados compradores de produtos dos APL´s de bovinocultura em 2006 .......... 82 Gráfico 44: Participação dos estados nas compras dos produtos avícolas da PB em 2006.................... 84 Gráfico 45: Participação dos APL´s de fruticultura por estado nas vendas em 2006 ............................ 86 5 Gráfico 46: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de caprinocultura com outros estados em 2006 ....................................................................................................................................................... 87 Gráfico 47: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de floricultura com outros estados em 2006 ....................................................................................................................................................... 89 Gráfico 48: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de aquicultura com outros estados em 2006 ....................................................................................................................................................... 90 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Localização do estado da Paraíba no Nordeste e no Brasil .................................................... 8 Figura 02- Paraíba - Principais bacias hidrográficas ............................................................................. 11 Figura 03 : Paraíba - Principais Municípios. ......................................................................................... 15 Figura 04:Localização da produção calçadista sertaneja dispersa ......................................................... 27 Figura 05: Mapa dos APL´s identificados e apoiados por instituições no Estado da Paraíba................ 72 Figura 06: Mapa dos APLS identificados e apoiados da apicultura da Paraíba ..................................... 75 Figura 07: Mapa dos APL´s de couro e calçados da Paraíba identificados e apoiados por instituições76 Figura 08: Mapa dos APL´s de moda, confecção e vestuário da Paraíba .............................................. 80 Figura 09: Mapa dos APLs de avicultura da Paraíba ............................................................................ 84 Figura 10: Mapa dos APL´s de fruticultura da Paraíba ......................................................................... 85 Figura 11: Mapa dos APL´s de ovinocaprinocultura da Paraíba ........................................................... 88 Figura 12: Mapa dos APL´s de floricultura da Paraíba apoiados por instituições ................................. 89 Figura 13: Mapa dos APL´s de aqüicultura da Paraíba apoiados por instituições ................................. 91 6 LISTA DE QUADROS Quadro 01: Composição do Valor Adicionado do estado da Paraíba .................................................... 18 Quadro 02: Arranjo produtivo de Campina Grande: emprego, produção e mercado ............................ 25 Quadro 03:Indicadores da Produção Calçadista sertaneja espacialmente dispersa ................................ 27 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Paraíba: Distribuição da população e densidade por micro-regiões - 2003 ......................... 13 Tabela 02 Paraíba: População, urbanização e densidade demográfica .................................................. 15 Tabela 03:Arranjos e empregos ............................................................................................................. 20 Tabela 04: Arranjo produtivo de calçados de Patos: emprego, produção e mercado............................ 26 Tabela 05: Paraíba: Área Colhida na Fruticultura (Hectare) de 1990 - 2004 ........................................ 32 Tabela 06: Estado da Paraíba - Arrecadação do ICMS da Agroindústria Canavieira - Setor Secundário: transformação 1990-2000 (valores em R$ de 2000) .............................................................................. 37 Tabela 07: Estado da Paraíba: Arrecadação do ICMS da Agroindústria Canavieira - Setor Terciário 1990-2000 (valores em R$ de 2000)...................................................................................................... 37 Tabela 08: Estado da Paraíba: Arrecadação da Agroindústria Canavieira por Setores de Atividade Econômica: 1990-2000 (Valores em R$ de 2000) ................................................................................. 38 Tabela 09: Estado da Paraíba- Arrecadação do Estado por Setores de Atividade Econômica 1990-2000 (Valores em R$ de 2000). ...................................................................................................................... 39 Tabela 10- Fluxo de comércio do estado da Paraíba: Entradas, saídas e saldo – 2006 .......................... 47 Tabela 11: Fluxos de comércio interestaduais por atividade econômica - 2006 .................................... 62 Tabela 12: Participação relativa por produto no total de saídas da avicultura no ano 2006. ................. 83 7 Introdução Há uma suposição comum na literatura econômica (e que não é desprovida de algum fundamento) de que a balança comercial de um país, em um dado momento do tempo, refletiria seu padrão de especialização produtiva, sendo este último determinado por suas dotações de fatores produtivos. Desta forma, o país tenderia a exportar majoritariamente as mercadorias que sua estrutura produtiva estivesse “vocacionada” a produzir, vis-à-vis a dos demais países no comércio internacional. Esta suposição, encontrada nas teorias “clássica” e neoclássica do comércio internacional, mostra-se falaciosa ao escapar-se dos pressupostos de análise estática e da livre concorrência. A literatura econômica heterodoxa (de matizes marxista, schumpeteriana e keynesiana), diferentemente da ortodoxa, diverge frontalmente destes pressupostos e constrói sua análise considerando que, de um lado, não há livre acesso às melhores tecnologias, e que, dinamicamente, o progresso tecnológico é resultado de um esforço sistemático (no sentido de planejado e permanente) e sistêmico (no sentido de coletivo e articulado) de geração de conhecimentos através do aprendizado, e, de outro lado, que a concorrência não é “livre”, mas sim o vetor resultante da combinação entre as estratégias competitivas, implantadas por grandes empresas em mercados oligopolizados, e as Políticas Públicas e os marcos regulatórios, em escala nacional e internacional. Nesta visão, portanto, percebe-se que o padrão de especialização é fruto de um processo histórico e deliberado, que deve ser ponderado pelo grau de eficiência/produtividade da estrutura produtiva e pelo arcabouço institucional, específicos a cada economia, os quais determinarão o grau de sua competitividade internacional. A partir da visão acima, torna-se compreensível que países possam apresentar resultados de balança comercial que aparentemente não correspondem à sua “vocação”, seja exportando bens para os quais não possui (ainda) as melhores tecnologias (caso de boa parte dos países asiáticos), seja importando o que sua economia seria capaz de produzir com melhor qualidade ou menor preço (no caso de várias economias latino-americanas). Aplicando-se a análise dinâmica heterodoxa ao caso da Balança Comercial do estado da Paraíba, torna-se possível compreender que uma das economias mais pobres do país, localizada em uma região de baixo grau de industrialização, tendo uma elevada proporção de sua população ainda localizada na zona rural e com a indústria de transformação representando apenas 10% do valor adicionado e cerca de 22,2% do PIB estadual, possa exibir um padrão de comércio baseado majoritariamente em bens industrializados, seja nas suas transações interestaduais (53,7%), seja no comércio internacional (92%). 8 O presente relatório inicia com uma descrição das características econômicas gerais do estado da Paraíba, bem como aspectos histórico-geográficos, e seus principais APLs identificados. Em seguida o estudo demonstrará as atividades econômicas que determinam estes resultados, os principais destinos da produção estadual, bem como a origem majoritária de suas compras, realizando, também, um esforço no sentido de associar estes movimentos comerciais aos APLs identificados no estado, bem como, apontando outros que não tem sido objeto de Políticas explícitas, mas que demonstram relevância a partir do seu desempenho na Balança Comercial. Também serão relatadas as principais medidas estaduais no campo fiscal que possam explicar parte do desempenho comercial de algumas das atividades econômicas da Paraíba. 1 – Estrutura econômica estadual e importância dos APLs 1.1 Distribuição geográfica A Paraíba possui uma área total de 58.584,6 km2 (Sudene-CPE/INE/ESSE), 100% dos quais estão inseridos no chamado “Polígono das Secas”, e 86,2% (48.788,9 km2) é região do semi-árido, percentuais bastante superiores às médias da região, respectivamente 61,6% e 51,5% dos 1.561.177,8 km2 do território do Nordeste. Este aspecto, isoladamente, já permitiria classificar a estrutura sócio-econômica paraibana como criticamente frágil diante do fenômeno climático das secas, relativamente aos demais estados nordestinos. Figura 01: Localização do estado da Paraíba no Nordeste e no Brasil Fonte: elaborado com base em mapa do IBGE. 9 A Paraíba estende-se na direção leste-oeste por 443 quilômetros, enquanto que na direção norte-sul nunca ultrapassa 263 quilômetros.1 Está dividida, de acordo com critérios político-sócio-econômicos, em três áreas em que se distribuem os quatro principais ecossistemas naturais do estado (planícies litorâneas, florestas, áreas em transição e caatinga): Zona Litoral-Mata – correspondente à Mesorregião da Mata Paraibana, composta pelas microrregiões do Litoral Norte, Sapé, João Pessoa e Litoral Sul, que englobam 13,45% do total dos municípios e 9,3% do território paraibano. Possui superfície de 5.242 km², e população de 1.196.594 habitantes (2000). É coberta por dois ecossistemas: as planícies litorâneas e as florestas. O potencial hídrico é de ótima qualidade, contando com dois rios de grande porte, o Paraíba e o Mamanguape e oito rios menores, todos desaguando diretamente no Oceano Atlântico. A área é constituída na sua totalidade por terrenos sedimentares, apresentando relevo moderado com altitude média de 100m. Durante toda a década de 1970 e até meados da década de 1980, o cultivo da cana-de-açúcar expandiu-se de forma extremamente elevada, devido ao incentivo do Proalcool, ampliando a área plantada de 19.996 hectares, em 1970, para 142.535 hectares, em 1985. Isto motivou profundas transformações nos perfis produtivos (redução da policultura), empresariais (ampliação do número de grandes usinas de açúcar), relações de trabalho (crescimento do assalariamento) e na concentração fundiária, como decorrente êxodo rural ara zonas urbanas. O declínio da atividade açucareira nos últimos dez anos fez ressurgir culturas frutíferas e outras atividades agropecuárias. Zona do Agreste-Brejo – Compreendendo a área de transição entre ecossistemas, é composta pelas Microrregiões de Esperança, Brejo Paraibano, Guarabira, Campina Grande, Itabaiana e Umbuzeiro, compondo 21,5% do total dos municípios paraibanos e 15,6% do território, em uma área de 7.684 km², e uma população de 950.494 habitantes em 2000 (IDEME, 2001). Historicamente a região vivenciou vários ciclos de predomínio de variadas atividades econômicas, como do fumo, do café, do sisal e também da cana-de-açúcar. 1 Fonte: www.bnb.gov.br/neon/perfil/estados/pb-2a.html 10 Entretanto, a expansão das atividades açucareira e pecuária, a partir das décadas de 1970-80, determinou profundas modificações na organização deste espaço, em especial a retração da policultura alimentar, transformações na relação de trabalho (declínio do sistema morador e da parceria e do avanço do trabalho assalariado), na concentração da riqueza (concentração fundiária) e na dinâmica populacional (êxodo rural). Zona Semi-Árida – possui uma área de 43.513,65 km², representando 77,1% do total do estado, sendo a zona de maior número absoluto de habitantes (1.296.737 pessoas em 2000), entretanto com menor densidade demográfica. Sua vegetação típica é a caatinga, compreendendo as regiões: Mesorregião do Sertão Paraibano; Mesorregião da Borborema; e as terras do Planalto da Borborema, representadas pelas Microrregiões do Curimataú Ocidental e do Curimataú Oriental. Embora os estados do Piauí (92,6% e 50%), Ceará (96,6% e 55,1%), Rio Grande do Norte (96,3% e 90%) e Pernambuco (91,5% e 86,9%) possuam percentuais próximos aos da Paraíba, em termos de dependência climática faz “toda a diferença do mundo” possuir uma proporção (mesmo que reduzida) do seu território mais sujeita à ausência e irregularidade das chuvas. Apesar de sua área de semi-árido ser bastante elevada, a Paraíba possui uma desigual distribuição de suas reservas hídricas entre as mesorregiões que formam o Estado. A situação do sertão paraibano é bem mais favorável que seu correspondente pernambucano, pois as Áreas de Elevado Risco Hídrico (AERHs)2, definidas pelo ATLAS do Nordeste (2006), não incluem esta mesorregião da Paraíba, apenas sua área agrestina e a região do Brejo, enquanto alcança quase todo o estado de Pernambuco, com exceção da zona-da-mata e região metropolitana do Recife (RMR). Esta distinção, entre Pernambuco e Paraíba também esta representada em termos de suas distintas bacias hidrográficas, pois, enquanto o sertão pernambucano pertence à bacia do São Francisco (juntamente com o oeste da Bahia e de Alagoas e todo o estado de Sergipe), suas regiões agreste e da mata compõem com o estado paraibano a bacia do Atlântico Nordeste Oriental (juntamente com o Rio Grande do Norte, Ceará e litoral alagoano). Em termos das subdivisões contidas no território paraibano, a bacia do Atlântico está divida em 11 bacias hidrográficas quais sejam: bacia do rio Gramame; bacia do rio Miriri; bacia do rio Mamanguape; bacia do rio Camaratuba; bacia do rio 2 Uma AERH possui menos de 700 mm, índice de aridez inferior a 0,35, ausência de sistemas aqüíferos sedimentares e ausência de rios perenes de grande porte e capilaridade. 11 Guaju; bacia do rio Piranhas; bacia do rio Curimataú; bacia do rio Jacu; e bacia do rio Trairi. As cinco últimas são bacias de domínio federal. Figura 02- Paraíba - Principais bacias hidrográficas Dos 223 municípios paraibanos, 44 possuíam açudes, sendo que 3 destes, localizados na mesorregião do Sertão (Patos, Cajazeiras e Belém do Brejo do Cruz), contavam com 2 unidades, cada. Ainda nesta região localizam-se 5 dos 6 maiores açudes (Coremas, Boqueirão, dois em Cajazeiras e Nova Olinda), apenas o de Itatuba (com capacidade para 253 milhões de m3 de água) localiza-se na mesorregião da Borborema, mais próxima do litoral. A vazão média destes reservatórios é de cerca de 21 m3/s. Em todo o estado, o uso dos recursos naturais vem sendo feito de forma não sustentável, já apresentando sinais de desgastes e danos irreparáveis. Nas Zonas Litoral– Mata e do Agreste–Brejo, a pressão sobre a flora levou 25 espécies de animais a serem ameaçadas de extinção, dentre a lista das 46 em extinção no estado (SUDEMA), decorrente da devastação da cobertura vegetal natural. Na área da caatinga, onde os índices pluviométricos são inferiores a 500 mm/ano, a exemplo das microrregiões do Curimataú Ocidental, Cariri Oriental e Cariri Ocidental, bem como do Seridó, o processo de desertificação já se mostra bastante acentuado. E é decorrência de práticas inadequadas na mineração e na agropecuária, onde não há um manejo racional da caatinga, havendo desmatamento ilimitado e irracional, cuja reversão, se não impossível, é bastante onerosa (PERH). 12 Na Mesorregião da Borborema, rica em recursos minerais metálicos e não metálicos, verificam-se graves problemas de poluição (do ar, na deposição dos resíduos da mineração), bem como na destruição da flora nativa (com repercussão na fauna) para fornecimento de lenha para calcinação do calcário e no beneficiamento da betonita. Nas Mesorregiões do Agreste, da Borborema e do Sertão, a erosão dos solos dos açudes têm efeitos prejudiciais sobre os rios e reservatórios do semi-árido, agravados pela insuficiente e inadequada drenagem nos solos irrigados, o que vem causando danos, em alguns casos irreparáveis, e comprometendo o potencial de terras irrigáveis e dos recursos hídricos do semi-árido (PERH). Não há nenhum programa específico no Estado da Paraíba para fornecimento de água bruta para área rural, o que se soma às limitações das administrações municipais para oferecer estes serviços, constituindo-se um quadro crítico para vários contingentes populacionais no interior do estado. Na tabela 01 pode-se averiguar a população e sua densidade por área vinculadas às várias bacias hidrográficas da Paraíba. De acordo com o PERH, a população da zona rural se auto-abastece através de cacimbas e poços escavados nos leitos dos rios, de poços tubulares equipados com bombas elétricas ou cataventos, bem como de pequenos açudes ou outros mananciais próximos do ponto de consumo. Nestes casos, a água não passa por qualquer controle de qualidade, e as fontes não oferecem garantia de atendimento contínuo. 13 Tabela 01: Paraíba: Distribuição da população e densidade por micro-regiões - 2003 Densidade Bacia População Estimada Populacional (habitantes) (hab./Km²) Região do Alto Curso do rio Piranhas 50.551 20 Região do Médio Curso do Rio Piranhas 134.790 30 Rio do Peixe 219.233 64 Rio Piancó 217.255 29 Sub-bacia do rio Espinharas 140.946 49 76.034 22 Sub-bacia do rio Taperoá 131.666 23 Alto Curso do rio Paraíba 83.624 12,45 Médio Curso do rio Paraíba 506.734 135 Baixo Curso do rio Paraíba 1.170.915 298 36.055 37 133.633 40 Gramame 44.514 76 Miriri 14.711 34 Abiaí 51.857 89 452.656 128 21.701 34 Sub-bacia do rio Seridó Rio Jacu Rio Curimataú Mamanguape Camaratuba Fonte: PERH – PB A produção agro-exportadora era rural e, assim, as cidades não se caracterizavam como lugares de produção e sim como o espaço para os negócios (transporte, armazenagem, distribuição, comercialização). Este fenômeno foi marcante para o adensamento populacional na zona rural nordestina, o maior entre as Grandes Regiões brasileiras. A despeito deste elevado contingente demográfico localizado no interior, a ligação mercantil do Nordeste aos centros econômicos, nacionais e internacionais, se dava através dos centros urbanos litorâneos, que concentravam riqueza e poder político, atraindo para si os investimentos em infra-estrutura necessários aos negócios, tais como: transportes, comunicações, energia, distribuição de água, etc. 14 Reflexo deste processo é o desenvolvimento de três grandes metrópoles na Região (Recife, Salvador e Fortaleza), concentrando a população urbana do Nordeste em uma porção ínfima de seu território, enquanto seu povoamento rural se dá de forma descentralizada, espalhando-se por todo o território. No caso particular do estado da Paraíba, as raízes históricas deste grande contingente populacional sertanejo encontram-se ainda na época do II império quando, a partir de 1850 o crescimento da produção algodoeira exige o desenvolvimento das vias de comunicação com o litoral para exportação da produção em direção aos mercados mundiais, particularmente a Inglaterra. Como a cidade do Recife centralizava a dinâmica econômica regional, possuindo porto e negócios em escala adequada para escoar e comercializar a produção sertaneja paraibana, foi natural que os capitais ingleses implantassem uma ferrovia ligando Campina Grande ao Recife (CAVALCANTI FILHO et al. 2006). A localização privilegiada de Campina Grande, entre os “Brejos” e os “Sertões”, permitiu o surgimento do comércio interno e deu origem à “feira de gado”, impulsionando a abertura de estradas ligando o litoral ao interior. Com a melhoria dos transportes e o crescimento da renda proveniente do algodão, o comércio e as atividades fabris e de serviços multiplicam-se, atraindo migrantes e propiciando meios para sua fixação no local. Logo surgem vilas, que posteriormente dão origem a cidades e municípios, de tal forma que ao final do império já havia 18 nas regiões semi-áridas do Sertão e da Borborema, nove no agreste e apenas 3 no litoral (incluindo a capital, João Pessoa). A estagnação litorânea estimula o povoamento do Agreste e do Brejo paraibano, na medida em que crescem as necessidades de consumo de alimentos e aguardente do Sertão, os quais são providos pelos povoamentos que vão surgindo nestas regiões (Bananeiras, Pilões, Alagoa Nova e Areia3). A mais forte reestruturação da rede municipal do estado da Paraíba ocorreu nas últimas quatro décadas, no período que se inicia com a criação da SUDENE e surgimento de Políticas voltadas para as desigualdades regionais. Em meados do século passado, os cinco maiores municípios não litorâneos localizados ao longo da BR 230 (Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras) congregavam cerca de 16% da população estadual, contra 14% da Grande João Pessoa. No Censo de 2000, esses 3 Almeida 1994:p.21-22 apud MOREIRA e TARGINO 15 números mudaram para 17% e 25% respectivamente, o que pode dar uma nítida idéia do crescimento da população litorânea.4 Em duas décadas, o número de municípios passa de 41 para 171, assim distribuídos: 55 localizados no Sertão, 39 na mesorregião do Agreste, 16 na mesorregião da Mata Paraibana e 20 na mesorregião da Borborema (figura 3). Figura 03 : Paraíba - Principais Municípios. Fonte: elaborado com base em mapa do IBGE. Entre 1970 e 1996, período de forte crise na principal base econômica e social dos novos municípios (setor primário), a população cresce aproximadamente em um milhão de habitantes, fortemente concentrado nas maiores cidades (Tabela 02). Tabela 02 Paraíba: População, urbanização e densidade demográfica População 1991 2000 2003 Total 3.201.114 3.439.344 3.540.874 Urbana 2.052.066 2.443.617 2.530.651 Rural 1.149.048 995.727 1.010.223 64,1 71,05 71,47 56,82 61,05 62,73 Grau de urbanização Densidade demográfica Fonte: PERH – PB 4 Houve desdobramento de municípios durante o período. Entretanto, esse desdobramento praticamente não altera a representatividade dos dados na indicação de um intenso processo de concentração da população no litoral, durante o período em análise. 16 Estas aglomerações populacionais desenvolveram-se em direção à formação de cidades de tamanhos variados e com especializações variadas exercendo funções que consistem na produção e na distribuição de mercadorias (bens e serviços) a um hinterland para o qual algum centro urbano ocupa uma posição polarizadora de forças centrífugas e centrípetas. 1.2 PIB estadual e municipais O estado da Paraíba contava com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 19,953 bilhões em 2006, concentrado nos maiores municípios paraibanos, João Pessoa (no litoral), com R$ 6 bilhões, e Campina Grande (no agreste), com R$ 2,7 bilhões, os quais representavam 43,6% da renda estadual. Apesar desta concentração em área geográfica tão reduzida, a Paraíba é um exemplo para os demais estados nordestinos em termos de distribuição espacial da renda, pois a sua história de crescimento “a partir dos sertões” impediu o processo típico na região, da capital concentrar, em seu entorno, algo como metade do PIB estadual (a exemplo do Recife, em Pernambuco). Esta característica, entretanto, vem sendo perdida nas últimas décadas, pela relativa estagnação de Campina Grande e pelo efeito dos incentivos estaduais na atração de investimentos industriais para João Pessoa e municípios vizinhos, de tal forma que Cabedelo já ocupa o terceiro lugar entre os PIBs municipais, com R$ 1,5 bilhões e Santa Rita alcançou R$ 739 milhões. Os três maiores PIBs representam cerca de 51% do PIB estadual de 2006, enquanto esta somava alcançava apenas 45% em 2002. Os sete municípios seguintes de maior PIB representam, somados, R$ 2,7 bilhões, ou seja, equivalente ao PIB de Campina Grande, e concentram cerca de 14% da renda estadual. Desta forma, os demais 213 municípios da Paraíba contribuem com aproximadamente 35% do PIB estadual, sendo o menor deles o de Quixaba, com apenas R$ 5043 milhões. Pequenos municípios, em termos populacionais, podem contabilizar uma elevada renda per capita devido à presença de grandes unidades industriais instaladas em seus territórios. Exemplos deste tipo podem ser observados na tabela abaixo, onde se verifica que os municípios de maior renda per capita no estado são Cabedelo (R$ 28,8 mil) Caaporã (R$ 14,8 mil) e Boa Vista (R$ 10,8 mil). Além destes, apenas outros oito municípios superam a renda per capita estadual de R$ 5.507 mil,enquanto todos os 17 demais 215 municípios estão abaixo desta média, sendo a menor renda per capita a de Vieirópolis, com R$ 2.319 mil. Em termos da participação dos setores de atividades econômicas no PIB estadual, percebe-se que, representando 12,7 % do produto total da Paraíba em 2000, a agropecuária reduz sua participação para apenas 7,2% em 2006, mas contribuía apenas com 1,1% das vendas da Paraíba para o resto do Brasil, neste mesmo ano. Este último dado demonstra a relevância de dois aspectos desta atividade no estado: i) a importância da agricultura familiar, e sua associação ao consumo interno em feiras, restaurantes e mini-mercados locais. ii) a baixa competitividade da agropecuária paraibana, o que limita seu potencial de vendas externas. Agrava-se esta fragilidade da economia paraibana, quando se considera que parte importante dos 22,2 % de participação industrial no PIB estadual é dependente da agroindústria do açúcar e do álcool e, portanto, também afetada pelos fenômenos climáticos, embora em menor intensidade, pela sua localização nas mesorregiões da Mata e do Brejo paraibanos. Sabendo-se que cerca de 86% do território paraibano se encontra no semi-árido, indicando a fragilidade da economia paraibana aos períodos de estiagem que atingem a Região Nordeste. A indústria é responsável por 56% das vendas estaduais para os demais estados brasileiros, o que poderia denotar tratar-se de uma atividade estadual extremamente competitiva, mas, de fato, deve-se mais ao fato de ser dominada por um conjunto pequeno de grandes empresas de capital não-paraibano, intensivas em mão-de-obra barata e/ou em incentivos fiscais estaduais, principalmente nos setores de calçados, têxtil e minerais não-metálicos.Isto fica claro quando se verifica que o peso de toda a indústria no valor adicionado alcança apenas 15,7% do PIB paraibano, cerca de metade do peso da administração, saúde e educação públicas (quadro 01 e gráfico 01) 18 Quadro 01: Composição do Valor Adicionado do estado da Paraíba VALOR ADICIONADO UNIDADE DA FEDERAÇÃO: PARAÍBA ATIVIDADE ADMINISTRAÇAO, SAÚDE E EDUCAÇÃO PÚBLICAS COMÉRCIO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS E ALUGUEL PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ELETRICIDADE E GÁS, ÁGUA, ESGOTO E LIMPEZA URBANA AGRICULTURA, SILVICULTURA E EXPLORAÇÃO FLORESTAL CONSTRUÇÃO CIVIL INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA, SEGUROS E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR TRANSPORTES, ARMAZENAGEM E CORREIO SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS ÀS EMPRESAS SERVIÇOS DE ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO SERVIÇOS DOMÉSTICOS PECUARIA E PESCA SERVIÇOS PRESTADOS ÀS FAMÍLIAS E ASSOCIATIVOS SAÚDE E EDUCAÇÃO MERCANTIS INDÚSTRIA EXTRATIVA MINERAL VALOR ADICIONADO TOTAL Fonte: IBGE/DCN/2008 VA 5,476 2,175 1,793 1,463 1,132 943 918 674 568 535 455 364 349 343 310 288 91 17,877 PART. %VA TOTAL 30.632% 12.166% 10.029% 8.182% 6.330% 5.277% 5.134% 3.770% 3.179% 2.995% 2.546% 2.038% 1.953% 1.917% 1.733% 1.611% 0.506% 100% 19 Gráfico 01: Composição do Valor Adicionado do estado da Paraíba Elaborado com base na tabela 1.1 construída a partir de dados do IBGE (2008) Segundo dados da FIEP (2006), em 2004 havia 716.947 pessoas ocupadas em atividades produtivas na Paraíba, dos quais: i) 235.968 com carteira de trabalho assinada e rendimento médio mensal de R$ 522,005; ii)122.506 militares e estatutários, com rendimento médio mensal de R$ 997,00; iii) 359.473 em outras categorias de trabalho, recebendo R$243,00, em média, por mês. 1.3 Descrição dos APLs A partir do mais amplo estudo já realizado sobre a atividade coureiro-calçadista paraibana (KEHRLE et al., 2006) foram identificados três APLs no estado, localizados nos municípios de Patos, Campina Grande e João Pessoa, além de empresas isoladas operando em vários municípios do estado (Tabela 03): 5 Em valores correntes de 2004. 20 Tabela 03:Arranjos e empregos Arranjos Arranjo litorâneo Nº de empregos % 5.214 52,6 5.016 96,2 Outras 198 3,8 Arranjo campinense 3.441 34,7 Grande empresa (2) 2.380 69,2 Formal 760 22,1 Informal 301 8,7 Arranjo patoense 1.034 10,4 Formal 411 39,7 Informal 623 60,3 Empresas dispersas 217 2,2 Total 9.906 100,0 Grandes (1) Fonte: Kehrle et all (2006) Pode-se caracterizar o APL calçadista da Grande João Pessoa pelos seguintes aspectos: i) em termos espaciais, abrange a capital do Estado e sua área “metropolitana”, o que, teoricamente, permite usufruir das vantagens locacionais (relativamente às demais regiões do Estado) decorrentes da proximidade com uma melhor e mais bem desenvolvida rede de bens e serviços públicos (comunicações e transporte, energia, água e esgoto, educação, saúde, segurança, órgãos públicos e lazer), bem como bens e serviços de natureza privada (comércio de bens de consumo pessoal e industrial, serviços de natureza técnica, educação e saúde, segurança pessoal e patrimonial, serviços jurídicos, etc.); ii) no aspecto histórico, as empresas do setor, à época do estudo (2002) não possuíam, em média, uma trajetória no Estado da Paraíba muito mais extensa que uma década, pois mesmo quando se tratavam de empresas tradicionais no setor, estas, como regra, constituíam-se em filiais ou representantes de matrizes instaladas em outras regiões do país. Estas filiais de grandes empresas possuíam uma idade média ligeiramente superior a seis anos6. O APL da Grande João 6 Se as mesmas empresas estiverem presentes atualmente, terão alcançado treze anos de operações, em média. 21 Pessoa, portanto, é recente e sua origem não corresponde ao típico caso de formação natural, a partir de eventos históricos não-planejados7. Na verdade, este se constituiu no resultado deliberado de ações político-financeiro-legais, planejadas e implementadas pelos governos estadual e federal, seja com o objetivo de atrair grandes empresas de outras regiões do país para a região, seja pelos esforços na capacitação e treinamento de novos e pequenos empresáriosprodutores para o setor; iii) no aspecto tecnológico, as empresas do setor repetiam o padrão espacial e histórico, ou seja, as ‘grandes’ empresas desenvolviam internamente (100%) ou compravam novas tecnologias nos mercados nacional e internacional (60%), com “leve” esforço de desenvolvimento interno. As ‘grandes’ empresas utilizam técnicas gerenciais modernas, critérios de qualidade e flexibilidade na escolha de fornecedores de matérias-primas e componentes, operam tecnologias de produção atualizadas e competitivas no mercado nacional e internacional, em escalas produtivas que alcançam em torno de 200 vezes aquelas alcançadas pelas micro e pequenas empresas do mesmo arranjo. As três maiores calçadistas, por exemplo, produziam uma média 2,92 milhões de pares de calçados. As MPEs, em geral, empregavam no intervalo de 2 a 15 trabalhadores, além do proprietário-gerente que, em alguns, casos atua diretamente na produção. Em adição, essas empresas utilizavam o baixo custo como critério único de escolha de seus fornecedores, e, sintomaticamente, buscavam atender mercados sem sofisticação no padrão de consumo, onde o preço final é também o único critério significativo. A “troca de idéias” e a cooperação não eram atividades valorizadas entre as grandes empresas, pois estas mantinham relações patrimoniais com suas satélites. As outras empresas, em geral MPEs, apesar de valorizarem estas atividades, não as desenvolviam por considerarem que havia extrema rivalidade entre os empresários do setor. iv) de forma coerente com os aspectos anteriores, as empresas caracterizavam-se pela heterogeneidade no que se refere à natureza espacial, histórica e tecnológica da origem patrimonial, i.e., conviviam, lado a lado, grandes 7 Como é característico de alguns arranjos coureiro-calçadistas bem sucedidos, como é o caso de Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, por exemplo. 22 empresas com longa presença no setor e recém-chegadas de regiões tradicionalmente vocacionadas para a produção calçadista (São Paulo e Rio Grande do Sul), com MPEs de origem local e com menos de 15 anos de existência, à época. As primeiras comandadas por gerentes profissionais com treino e experiência adquiridos, ao longo de vários anos, em suas regiões de origem; enquanto as últimas eram dirigidas por proprietários-gerentes, em regra, nascidos no Estado da Paraíba, onde obtiveram formação técnica e prática inicial e cuja experiência se limita àquela obtida na direção de suas empresas. As exportações estaduais incluíam, também, dados de exportação de sandálias produzidas em Campina Grande (cerca de 3% do valor exportado), mas a maior parte do valor obtido com as exportações de calçados estaduais provém da Grande João Pessoa, especialmente de sapatos de couro. Os principais produtos exportados em 2002 eram calçados de couro natural, calçados impermeáveis de borracha ou plástico e sandálias. Como se verá, mais adiante, este perfil pouco se alterou nos quatro anos seguintes. 1.3.1Formação da Indústria Coureiro-Calçadista na Paraíba A atividade dos artesãos de calçados no Brasil é muito antiga, uma vez, que desde o Brasil colônia há registros da produção artesanal de calçados colônia nas principais cidades brasileiras.Atrelado a esse costume, foi verificado, que também se desenvolveu de maneira muito significativa a produção artesanal com o uso do couro nos sertões. Uma verdadeira cultura do couro marcou o perfil dos homens que começaram a povoar tal região. O uso desta matéria-prima evoluiu na proporção que os sertões cresceram, e hoje, tem uma presença significativa na indústria dos couros curtidos e dos calçados que tem tido recentemente uma considerável evolução. Campina Grande Em relação ao desenvolvimento dessa cultura do couro em Campina Grande remete-se, então, ao ano de 1923.Tomando-se como ponto de partida essa data, salientando que a industrialização começou aqui de maneira incipiente, mas, que com o tempo irá galgar o seu desenvolvimento. Tal data, foi caracterizada pela implantação de um curtume por um integrante da família Motta, que recebe destaque por ter sido pioneira na produção e comercialização do setor de couros na Paraíba(PEREIRA, s/data). 23 No entanto, essa indústria, não teve uma continuidade. O que se pode encontrar de informação é de que, em Campina Grande, desde a Segunda Guerra até o final dos anos cinquenta, a atividade coureira ali se desenvolveu, marcantemente em conseqüência do aumento das exportações e a partir de então, até recentemente, a cidade liderou essa atividade no Estado. Nos anos sessenta iniciou-se o declínio do setor naquele município, mas mesmo assim, em 1972, quando o Núcleo de Assistência Industrial da Paraíba-NAI/PB, antecessor do SEBRAE, realizou um diagnóstico da indústria de couros e calçados no Estado da Paraíba, dos cinco curtumes industriais do Estado, quatro situavam-se em Campina Grande e somente um em João Pessoa e este em uma posição muito inferior à média dos curtumes campinenses. Em meados da década de 70 incia-se o processo de desaparecimento dessa indústria local, que ficou reduzida a pequenos curtumes agregados à fábricas de equipamentos de proteção, tais como luvas, botas e perneiras. Entre as razões para a derrocada dessa indústria, podemos listar alguns: avanço tecnologico na indústria nacional e mundial, que em parte não conseguiu ser acompanhado pelas empresas locais, e pelas mudanças no sistema de abate do gado e comercialização do couro, além de aspectos locais ligados a grupo tradicionais que então controlavam à indústria coureira do município. Dos anos em que a cidade se caracterizou como o principal pólo coureiro do Estado, com relevo em toda a região Nordeste, restou uma mão-de-obra qualificada, que ajuda a difundir tecnologia de curtimento através do Centro de Tecnologia do Couro e do Calçado Albano Franco (CTCC), ligado ao SENAI, que aproveitou parte da mão-deobra antes ligada aos curtumes privados. Patos Em Patos a atividade, muito provavelmente, foi desenvolvida depois de Campina Grande. De acordo com dados colhidos por meio do registro de relatos de extrabalhadores, pode-se colocar os anos 1930 como ponto inicial das atividades coureiras de Patos. Assim como foi citado acima, foi verificado que neste município a atividade teve o seu surgimento objetivando atender a demanda local por calçados e serviços de conserto, e portanto, começou com uma produção também artesanal. Atualmente, mesmo conservando traços artesanais, já está inserido fortemente no mercado. 24 O Arranjo Campinense O arranjo produtivo de Campina Grande é marcado pela presença de uma grande empresa produtora de sandálias do tipo havaianas. Sozinha, esta empresa gerava, em 2002 (KEHRLE et al, 2006) um número de empregos mais de duas vezes maior do que o criado por um conjunto de 88 empresas calçadistas locais. Se considerada uma empresa satélite sua, também fabricante de sandálias, localizada em Alagoa Nova, o emprego gerado suplantava em 124% o gerado pelas demais empresas. O arranjo campinense é o de formação mais antiga no Estado. É caracteristicamente path dependent e possui forte territorialidade, solidamente enraizado na história econômica e social da cidade. Campina Grande teve na indústria do couro um elemento decisivo de dinamização de sua economia e, no entorno da metade do século passado, constituiu o mais importante pólo econômico do Estado, talvez mesmo de todo o interior nordestino. Há na indústria de calçados local um forte componente informal, mas o arranjo tem na produção formal seu mais importante componente, gerando ali mais de dois terços dos empregos na indústria calçadista, em 2002. Existe, na cidade, uma mão-de-obra treinada na produção de alta qualidade, tradição herdada de um período recentemente findo, quando a cidade se distinguia como renomado fabricante de vaquetas. Além da grande empresa produtora de sandálias, a pesquisa de campo realizada em 2002 por Kehrle et al (2006) levantou 35 empresas formais fabricantes de calçados e 53 informais, sendo que as formais possuíam maior porte e empregavam mais que o dobro de trabalhadores do setor informal. A cidade se distingue como fabricante de equipamento de segurança do trabalho, que inclui botas, luvas, aventais, etc. A produção de equipamentos de segurança é um caso típico do pioneirismo campinense. Trata-se de uma indústria com seu principal pólo em São Paulo, mas, em toda a Região Norte e Nordeste, não há um centro produtor de porte igual ao campinense, que também se distingue como centro irradiador da tecnologia dessa produção. Outra marcante característica da cidade é uma forte presença de agentes de coordenação, públicos e privados, que desenvolvem atividades ligadas à indústria de calçados. A infra-estrutura de treinamento não tem equivalente em toda a região e constituiu um recurso ainda não totalmente utilizado. 25 O quadro 02, retirado do estudo de Kehrle et al (2006), resume informações sobre o arranjo campinense. Pode-se ali verificar a importância da grande empresa local em termos de geração de emprego e da quantidade produzida. Note-se que esta fábrica abastece todo o mercado nacional e uma pequena parte de sua produção vai para o mercado internacional. A indústria formal da cidade produz calçados de boa qualidade que são vendidos em shopping centers das capitais e nas maiores cidades da região, mantendo uma tradição na fabricação de produtos finos que a cidade há muito carrega, mas que nunca se desenvolveu a ponto de tornar-se referência no mercado regional, como no passado foi sua indústria coureira. O capital social acumulado neste arranjo constitui seu elemento diferenciador. A tradição de industrialismo peculiar à área, constitui uma dotação relevante que não pode ser deixada à margem na análise das possibilidades de desenvolvimento de seu arranjo calçadista. Quadro 02: Arranjo produtivo de Campina Grande: emprego, produção e mercado Tipo Nº empres. Grande empresa Empreg. gerados Mercado (%) Prod. anual (pares) Loc. Reg. Nac. 95 (3) Ext. 1 2.380 128.400.000 – – 5 35 760 3.470.320 20,7 66,7 11,8 0,9 – – – (1) Emp. formais Emp. informais 53 301 1.039.680 (2) Total 59 3.441 132.910.000 – Fonte: Kehrle et al (2006). Notas: (1) Inclui dados da empresa satélite de Alagoa Nova; (2) Informação não levantada na pesquisa; (3) Já incluídos os mercados regional e local. O Arranjo Patoense Talvez a mais importante característica do arranjo produtivo de calçados de Patos seja a presença de uma produção informal que sobrepuja a formal. No estudo de Kehrle et al (2006) foram identificadas 86 empresas informais e 14 formais, o que dá uma idéia do peso relativo das primeiras no arranjo. A presença da produção informal é de tal porte que dos 1.034 empregados na produção de calçados 623 estavam ligados à empresas informais, como se vê na tabela 04. 26 Tabela 04: Arranjo produtivo de calçados de Patos: emprego, produção e mercado Tipo Emp. Mercado Prod. Nº Empreg. empres. gerados 14 411 1.653.040 2,9% 84,2% 86 623 2.947.440 100 1.034 4.600.480 anual Loc (pares) al Reg. Nac. Ext. 12,9% – formais Emp. (1) informais Total Fonte: Kehrle et al. (2006). Nota: (1) Informação não levantada na pesquisa. Outra característica distintiva desse arranjo é a inexistência de grandes empresas. No arranjo litorâneo, elas praticamente o definem. No de Campina Grande, uma grande empresa forma praticamente um enclave dentro do arranjo. Em Patos, o arranjo é composto exclusivamente de pequenas e micro-empresas. Além dessa característica marcante, o arranjo tem um financiamento da produção singular, baseada em intermediários financeiros informais, o que representa um alto custo para a produção local e certamente um projeto que pretenda desenvolvê-la deve compreender claramente essa dinâmica financeira. A despeito de algumas características que lhe são únicas, o arranjo patoense tem muitas semelhanças em relação ao campinense, contrapondo-se, por sua vez, ao arranjo litorâneo, que se refere ao arranjo produtivo da Grande João Pessoa acrescido das empresas satélites. As semelhanças dos arranjos de Patos e Campina Grande estão centradas em aspectos de sua formação histórica, forte territorialidade e modo de governança, entre outros. Produção Sertaneja Espacialmente Dispersa Na área sertaneja, a oeste de Patos, registrou-se na pesquisa de campo realizada por Kehrle et al. (2006) a existência de uma produção de calçados dispersa, no sentido que não chegam a constituir arranjos produtivos. Tratava-se de uma atividade recente, à época, em uma área de pequena tradição no setor e que só possuía certa relevância na cidade de Catolé do Rocha, como se vê no quadro 03. A localização das cidades onde 27 registrou-se produção, bem como sua posição relativamente a Patos, podem ser vistas na figura 04 adiante. Quadro 03:Indicadores da Produção Calçadista sertaneja espacialmente dispersa Cidade Indicadores Apareci da Distância Patos Catolé do Pombal Souza Total Rocha 92 132 72 130 – N. empresas 1 3 2 1 7 Empregos 24 159 20 14 217 (km) (1) Mercado Regional Loc./Re Loc./Re g. g. Loc./Re Loc./reg. g. Fontes: (1) DER-PB; Demais dados pesquisa direta. Figura 04:Localização da produção calçadista sertaneja dispersa Catolé do Rocha Sousa Pombal Aparecida Patos Fonte: elaboração própria. Na cidade de Pombal, distante 64 km de Patos, por várias vezes iniciou-se a fabricação de calçados em escala relevante mas, ao final de 2002, sua produção praticamente estava restrita à duas pequenas fábricas de solados plásticos. Em Aparecida e Sousa, distantes respectivamente 92 e 132 km de Patos, havia, em 2002, somente o início de uma indústria calçadista, em uma área com pouca tradição nesta atividade. Na produção dispersa, destacava-se a cidade de Catolé do Rocha, que à época 28 da pesquisa, tinha instaladas três indústrias de calçados, mas ainda longe de constituir um pólo calçadista. 1.3.2 Os APLs de Confecções na Paraíba O APL de Confecções em Campina Grande A trajetória do arranjo produtivo local (APL) de confecções de Campina Grande (CG) pode ser sistematizada em quatro fases: a) Década do pioneirismo empresarial (1981-1990): O APL beneficiou-se da parceria entre empresários locais e agentes institucionais – Sebrae-CG e Senai-RN –, mas sua expansão, em número de estabelecimentos e no porte empresarial, deu-se independentemente da existência de políticas e programas específicos, bem como, sem possuir articulação com as instâncias de poder político municipal ou estadual. Seu acelerado desenvolvimento inicial deveu-se à capacidade empresarial – iniciativa e engenhosidade típicas da cultura local –, e, apenas após a demonstração de vigor e dinamismo econômico, surgiram ações públicas que buscavam consolidar a expansão observada: a construção (1984-1990) do Centro Comercial Luiza Motta (CCLM), concluído após uma década da formação original do APL. b) A expansão e consolidação como atividade econômica relevante (1991-1996): A primeira metade da década de 1990 correspondeu ao auge do APL campinense, tendo alcançado a marca de 142 empresas registradas no Sindicato das Indústrias de Vestuário da Paraíba (SINDVEST) (1992). Neste período, não apenas houve a entrada de novas empresas, como também o porte médio cresceu, havendo diversificação dos segmentos de produto e conquista de novos mercados. O CCLM é a principal vitrine do APL, atraindo caravanas de vários estados do Nordeste, superando os produtores de Pernambuco com um produto de maior sofisticação e tornando CG uma ameaça real aos produtores cearenses. É a época em que os agentes institucionais, em particular o Sebrae-PB, atuam de forma mais articulada e efetiva, uma vez que o CCLM, principal canal de comercialização e divulgação do APL, foi inaugurado e administrado por um agente não-empresarial, o Sebrae-PB. c) A reestruturação regressiva empresarial e industrial (1997- 2003): O final do período expansivo já indicava que o APL estava passando por um possível processo de 29 ajuste, uma vez que o número de empresas formais apresentava redução significativa pela primeira vez na história, com a perda líquida de 44 empresas. A fase recessiva iniciada em 1997 foi marcada por vários fatores negativos no ambiente econômico: pela forte pressão competitiva dos produtos importados (de origem asiática) e da produção originada no Sudeste do País; pela recessão nacional provocando contração no mercado de confecções (pela sensibilidade à evolução da massa salarial); pela elevação nas restrições ao crédito (maiores taxas de juros e menor disponibilidade de recursos); pela desarticulação e perda de eficácia das ações institucionais. d) A reestruturação progressiva do arranjo (2004-2006). A retomada do crescimento elevado da economia nacional, a partir de 2004, poderia ter permitido ao APL vivenciar uma nova trajetória evolutiva, se as mudanças na estrutura institucional, na cultura empresarial e na forma de governança do APL houvessem propiciado, efetivamente, uma dinamização na formulação de estratégias empresariais e das políticas de apoio ao mesmo, o que não parece ter ocorrido. Em 1997, formou-se em CG um consórcio de empresas de confecções que, diante da retração econômica durante o segundo Governo de Fernando Henrique Cardoso, enfrentavam dificuldades para permanecer no mercado e, para evitar o encerramento de suas atividades, estabeleceram uma estratégia cooperativa: criar um consórcio de empresas para obter ganhos de escala na compra coletiva de matériaprima, a preços mais vantajosos e facilidade de financiamentos em instituições bancárias, tendo como avalistas empresas do próprio consórcio, superando a barreira da inadimplência individual no Serasa. A partir do surgimento da alternativa do algodão colorido, o consórcio evoluiu para a criação, em 2000, de um consórcio de exportação de confecções, contando com o apoio da APEX, tendo o conceito de produto natural como diferencial competitivo, e o algodão colorido como matéria-prima-chave. A APEX apoiou o desenvolvimento do produto, a criação e promoção das coleções no exterior. No primeiro ano de sua fundação, ele exibiu grande impulso, pois o algodão – colorido, antialérgico e cultivado no próprio Estado – tornou-se notícia no País inteiro. Essa associação de empresas utilizou a denominação Natural Fashion para caracterizar-se e tinha o apoio e a cooperação da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, FIEP, Senai e Sebrae. A criação da associação baseou-se na convicção de que existe para o produto um grande mercado potencial no exterior, principalmente na Europa, onde é crescente o mercado para produtos “ecologicamente corretos”. 30 As articulações dos grupos econômicos e as instituições foram formalizadas através da criação do Instituto Casaco de Couro (ICC), composto pelo Sindvest, Senai, BNB, Embrapa, Sebrae, governo do Estado. O ICC possuía estatuto próprio e sede na FIEP, tendo iniciado suas atividades em abril de 2002. Em 2003 a coordenadora do ICC acumulava também as funções de Coordenadora de Desenvolvimento Local da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e presidente do Sindvest. A cadeia produtiva do algodão colorido inicia com o plantio no Estado e seguem-se o descaroçamento no Município de Patos/PB, a fiação em Campina Grande e a tecelagem em Sergipe. A presença de um agente externo ao APL se, por um lado, permitiu obter fontes externas de informação, também reduziu os ganhos de cooperação e aprendizado local, além de servir como canal de difusão de conhecimento e informações sobre a estratégia do Natural Fashion. É evidente que o produto principal do consórcio não era (e permanece não sendo) a atividade de “confecção”, mas sim o conceito de “produto natural”. Como indicador da coerência nesta percepção, já em sua origem o consórcio planejava introduzir a produção orgânica do algodão utilizado na fabricação dos seus produtos, isto é, sua produção agrícola livre de produtos químicos. Esta certificação já está sendo solicitada. As principais cooperativas de artesanato, localizadas em bairros de CG ou em municípios vizinhos, estão envolvidas em uma parceria com o consórcio. O desenvolvimento do consórcio Natural Fashion em direção à formação da cooperativa do algodão colorido, a Coopnatural, merece destaque. Envolvendo 26 empresários confeccionistas, além de lojas de varejo, parceiras na comercialização das confecções com a marca Natural Fashion, espalhados pelo País, a cooperativa reúne também os produtores agrícolas do algodão naturalmente colorido. A cooperativa procura, portanto, articular toda a cadeia produtiva, a partir do final para o início da cadeia, na comercialização das confecções, até a “encomenda” do plantio do volume de algodão requerido para a produção planejada. O APL de fabricação de artefatos têxteis: as redes de São Bento Este arranjo originou-se no município São Bento, sertão da Paraíba, em meados de 1958. Naquela década, a atividade se disseminou em pelo estado da Paraíba, em: Santa Rita, Itabaiana, Esperança, Sapé, Caiçara, entre outros municípios. No entanto, a 31 experiência e evolução da atividade em São Bento é singular, considerando que experimentou a substituição da atividade agrícola pela industrial. A manufatura de redes desempenha um papel fundamental de amortecedor dos efeitos sócio-econômicos perversos originários das características climáticas de uma área que abriga 26.748 habitantes, dos quais se acredita que 80% produzem e comercializam redes e mantas. Adicionalmente, parte da população atua na produção de punhos de rede, acabamentos e varandas, franjas de macramê e crochê nos municípios vizinhos e, se estende pelo estado vizinho do Rio Grande do Norte. As unidades produtivas de redes de dormir absorveram progressivamente ao longo de sua existência a força de trabalho com vínculo formal e mão de obra informal. Relativamente aos primeiros, através dos dados da RAIS-(2003), estima-se que a atividade gera 935 empregos na Paraíba e Rio Grande no Norte. Vale salientar que, segundo o SEBRAE – PB, atualmente, as empresas formais não representam a maioria das unidades produtoras, pois, aproximadamente 87% são informais, mais precisamente, produtores de “fundo de quintal”, também denominadas ”empresa familiar”. As redes de São Bento8 são conhecidas em todo o território nacional e são exportadas para vários países da Europa e da América do Sul. Em geral são comercializadas em mercados de artesanato e em áreas turísticas, principalmente por ambulantes da orla marítima. 1.3.4 A agricultura paraibana a partir dos anos 90 A Paraíba colheu 444.789 t de produtos agrícolas de lavouras permanentes, no ano de 2004, em uma área de 59.257 ha, sendo 16.542 dedicados à banana (8,8% do NE), 12.136 ao coco-da-baía (5,1% do NE), 9.265 ao sisal (3,8% do NE e do Brasil), 7.956 à castanha de caju (1,1% do NE), 5.390 ao algodão arbóreo (75% do Brasil e do Nordeste), 2.762 à manga (6% do NE), 1.458 à semente do urucum (41% do NE e 12% do Brasil) (FIEP, 2006). Na lavoura temporária a produção foi bastante superior, alcançando 7,15 milhões de toneladas em 2004, em uma área colhida de 563.916 ha (tendo sido plantados 624.985 ha). Isto corresponde a aproximadamente 6% da área plantada do Nordeste e a 8,2% da quantidade colhida. São 215.378 ha de feijão (7,7% do total 8 Segundo informação do SEBRAE – PB, o setor exportou em 2003 US$ 961.542, sendo US$ 891.155 do Nordeste e US$ 11 657 da Paraíba. 32 colhido no Nordeste), 194.527 ha de milho (2,5% da produção do NE), 116.671 ha de cana-de-açúcar (9,7% do NE), 28.957 ha de mandioca (2,9% do NE), 19.810 ha de fava (71,2%), 8.931 ha de abacaxi (45% do NE), 6.641 ha de batata-doce (31% do NE). A seguir são detalhadas as principais atividades agrícolas no estado. A Fruticultura Estudos (SEBRAE, 2005) demonstram que a fruticultura paraibana possui o potencial de representar uma alternativa de emprego e renda para pequenos produtores agrícolas. A Paraíba possui 2000 produtores utilizando uma área plantada com mais de 30.000 hectares dedicados à fruticultura, em cerca de metade dos seus municípios (114), (CODEVASF, 2001), com predominância de 25 espécies de frutas, entre as quais se destaca como maior produtor nacional de abacaxi, sendo a terceira maior fruticultura empregadora de mão-de-obra no Estado e alcançando os mercados das regiões sudestina, sulista e também a Região Centro-Oeste. Além do abacaxi, a Paraíba também produz um volume significativo de outras frutas como banana, coco-da-baía, manga, maracujá e tangerina (Tabela 05). Tabela 05: Paraíba: Área Colhida na Fruticultura (Hectare) de 1990 - 2004 Ano Abacaxi Banana Coco Laranja Manga 1990 9.356 18.498 10.559 1.644 1.856 1991 10.672 18.617 10.600 1.637 1.884 1992 10.420 22.128 10.386 1.644 1.734 1993 10.038 21.030 10.178 1.577 1.579 1994 8.355 22.232 8.261 1.094 1.990 1995 8.297 25.574 9.279 1.069 2.622 1996 4.409 15.066 5.771 1.347 2.641 1997 4.932 15.869 5.619 1.109 2.880 1998 6.445 17.664 8.684 927 3.170 1999 8.159 15.147 9.777 852 2.779 2000 9.128 16.394 10.030 905 2.736 2001 10.444 15.221 10.568 805 2.618 2002 9.344 16.937 11.595 751 2.370 2003 9.051 16.300 11.857 770 2456 2004 8.931 16.542 12.136 776 2.764 Fonte: IBGE, Produção Agrícola Municipal, vários anos. 33 O abacaxi, sendo uma lavoura temporária, necessita do replantio a cada dois anos, período ao longo do qual gera duas safras, concentradas entre os meses de outubro e janeiro. No período 1990-2004, a produção estadual de abacaxi gerou uma média de 6.686 empregos/ano. Tendo a maior parte da produção localizada na mesorregião da Mata Paraibana, o estado apresenta características edafoclimáticas que propiciam uma vantagem competitiva natural. Entretanto, segundo dados da CODEVASF (2001) apenas 13% da área plantada recebiam algum tipo de irrigação (por aspersão ou pivô central), o que demonstra; i) de um lado, o potencial para expansão desta atividade no estado, seja na forma extensiva, agregando novas áreas, seja na forma intensiva, pela regularização da produção, protegendo-a da instabilidade climática decorrente do fenômeno das secas; ii) de outro lado, sabendo-se do freqüente desperdício de água (comprometendo as reservas aqüíferas) e da má utilização das técnicas de irrigação, com prejuízos graves à qualidade dos solos (como a salinização, por exemplo), há uma potencial ameaça ao futuro da atividade no estado se não houver a adequada capacitação técnica e tecnológica para a aplicação da irrigação. Observa-se uma redução de 52,87% no emprego na cultura do abacaxi na primeira metade dos anos ‘90 (entre os anos de 1990 e 1996). Diferentemente da retração no emprego urbano, segundo Lopes (2006), a causa desta queda na ocupação na cultura do abacaxi deveu-se à cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na venda do abacaxi para o mercado nacional, que reduziu a rentabilidade da atividade, desestimulando sua produção e provocando a redução na área colhida e a perda da liderança nacional para o estado de Minas Gerais (em 1994). O fim desta cobrança foi acompanhado não apenas pela recuperação do emprego após 1996, mas seus efeitos parecem ter sido em nível suficiente para provocar uma nova tendência expansiva até o ano de 2001, seguida de uma estabilização no período de 2002 a 2004, que não impediu a retomada da liderança na produção nacional, neste último ano (gráfico 02). 34 Gráfico 02: Paraíba: Evolução do Emprego na Produção de Abacaxi no Período 1990 a 2004 Fonte: LOPES (2006). Dados do BNB e IBGE. Lavoura permanente, a banana é colhida duas vezes por ano e, embora a Paraíba não apresente o mesmo destaque nacional, é a principal responsável pelo emprego frutícola no estado, gerando, em média, cinco vezes mais emprego (31.671/ano) que o abacaxi (6.686/ano) e chegando a empregar cerca de 45 mil trabalhadores, uma vez que possui a maior área colhida nesta atividade agrícola (LOPES, 2006). A trajetória do emprego, no período de 1990 a 2004 (gráfico 03) não se assemelha a do abacaxi, pois, após uma tendência expansiva inicial (1990-1995), há uma brusca contração de 41% no ano de 1996 (com perda de cerca de 20 mil empregos), seguida de uma estabilização deste menor nível de emprego até o ano de 2004 (28.763 empregos), ou seja, não se verifica os mesmos efeitos da cobrança do ICMS (reversão da tendência). Nº Empregos Gráfico 03: Paraíba: Evolução do Emprego na Produção de Abacaxi no Período 1990 a 2004 50,000 45,000 40,000 35,000 30,000 25,000 20,000 15,000 10,000 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 NPO Linha de Tendência Fonte: LOPES (2006) É interessante perceber que o ponto de mínimo emprego nas atividade frutículas e no emprego urbano não são os mesmos. Enquanto o ano de pior nível de emprego na 35 capital paraibana foi 1994, este ponto crítico ocorre dois anos após na produção frutícula. Claramente, as dinâmicas agrícola-rural e urbana possuem alguns determinantes distintos. Segundo Lopes (2006), dada a adaptabilidade da bananeira ao clima quente, os efeitos da seca de 1993 só se fizeram sentir na época do replantio da banana, no final de 2004, afetando o emprego apenas a partir do início de 1995. De acordo com Lopes (2006), a tendência de geração de empregos na fruticultura paraibana é declinante, havendo uma queda estimada em 2,70% entre 1990 e 2004, principalmente devido à redução da área colhida da banana, abacaxi e laranja (Gráfico 04). Nº Empregos Gráfico 04: Paraíba: Evolução do Emprego Total na Fruticultura de 1990 a 2004 75000 70000 65000 60000 55000 50000 45000 40000 35000 30000 25000 20000 Total Linha de Tendência Fonte: LOPES (2006) a partir de dados do BNB e IBGE A Atividade Canavieira na Paraíba9 A área canavieira da Paraíba ocupava aproximadamente 13% da área do estado, e é desenvolvida em trinta e cinco municípios das Mesorregiões da Mata Paraibana10 e Agreste Paraibano11. (SUDENE, citado por ESTADO DA PARAÍBA, 1999). A cana-de-açúcar é cultivada nas regiões dos Tabuleiros Costeiros, que concentra 95% de toda a produção, e na região do Brejo, onde predomina um número grande de pequenos produtores (ASPLAN, [199-]). Quanto à topografia, a região dos Tabuleiros Costeiros é caracterizada por uma topografia plana, porém com solos pobres. 9 Esta seção sobre atividade canavieira está baseada ou foi extraída do trabalho de SOUTO (2004) e SOUTO e CAVALCANTI (2005). 10 Microrregiões de João Pessoa, Litoral Norte, Litoral Sul, e Sapé. 11 microrregiões do Brejo Paraibano, Guarabira e Itabaiana 36 Na região do Brejo os solos são mais férteis, contudo, possui uma topografia acidentada, limitando a mecanização, daí a preponderância da pequena exploração. A produção de cana tem importância significativa, alcançando 32,1% do valor bruto da produção agrícola Estadual, 50,2% do valor das culturas temporárias e 44,3% das lavouras temporárias e permanentes. (ASPLAN, [199-]). A base da economia, nestas mesorregiões, está fortemente correlacionada com a atividade sucroalcooleira garantindo a manutenção de uma grande quantidade de empregos, diretos e indiretos, e conseqüentemente da renda destas populações. A crise na agroindústria canavieira atingiu este setor por toda a década de 1990 provocou perdas significativas para diferentes classes da sociedade, desde os trabalhadores até os produtores rurais e empresários do setor, bem como, para o Estado. A importância da cultura da cana-de-açúcar é reconhecida pela quantidade de empregos que gera no Estado, mesmo em período de reduzido desempenho da produção. (ESTADO DA PARAÍBA, 1999). A crise que atingiu o setor provocou o encerramento das atividades de várias unidades industriais, produzindo um intenso declínio na absorção de mão-de-obra. (CAMPOS, 2001). A Tab. 1 apresenta a quantidade de pessoas empregadas na agroindústria canavieira e o número de unidades industriais, usinas e destilarias, de 1990 a 2000. Nos setores secundário e terciário a alíquota incide principalmente sobre o álcool, o açúcar e a rapadura. Neste caso como se trata de produtos industrializados e bens finais de consumo, cujos produtores podem estocar de um período para outro, ou buscar matéria-prima de outras regiões para manter a produção, o efeito da crise pode não ser tão imediato como no setor primário. As Tabelas 06 e 07 mostram a arrecadação por setores. 37 Tabela 06: Estado da Paraíba - Arrecadação do ICMS da Agroindústria Canavieira - Setor Secundário: transformação 1990-2000 (valores em R$ de 2000) PRODUTOS Açúcares e Bebidas líquidas ANO cereais 1990 - - 1991 2.061.701,35 1992 Moagem de cana- Rapadura alcoólicos e vinagres de-açúcar TOTAL 11.436.431,79 - 11.436.431,79 35.151,53 34.368.887,91 - 36.465.740,79 2.804.410,53 145,50 14.024.341,34 - 16.828.897,37 1993 656.836,04 10,23 19.305.191,17 - 19.962.037,44 1994 817.913,61 23,77 28.680.050,28 - 29.497.987,66 1995 195.510,86 1.563,17 27.663.430,80 1.430.706,76 29.291.211,59 1996 315.568,98 1.046,42 27.719.251,99 2.220.422,47 30.256.289,86 1997 199.895,00 947,33 662.632,18 1.533.936,61 2.397.411,12 1998 899,21 3.717,17 1.248.783,95 918.182,26 2.171.582,59 1999 425,51 5.388,23 1.129.323,26 936.542,74 2.071.679,74 2000 20.217,00 2.832,00 2.850.822,00 1.703.541,00 4.577.412,00 Fonte: SOUTO (2004) Tabela 07: Estado da Paraíba: Arrecadação do ICMS da Agroindústria Canavieira - Setor Terciário 19902000 (valores em R$ de 2000) ATACADISTA VAREJISTA PRODUTOS ANO Açúcares e Rapad. Beb. Líqu. PRODUTOS TOTAL Total Beb. Líqu. Total Vinag. 1 Alcoólic.e Vinag. 2 1+2 Alcoólic.e derivados 1990 - - 407.963,87 407.963,87 - - 407.963,87 1991 468.901,68 3.019,58 550.709,16 1.022.630,42 - - 1.022.630,42 1992 448.344,29 6.562,25 631.417,77 1.086.324,31 - - 1.086.324,31 1993 223.173,59 6.308,04 1.706.040,80 1.935.522,43 - - 1.935.522,43 1994 314.316,42 7.119,23 3.047.535,49 3.368.971,14 - - 3.368.971,14 1995 29.754,42 - 296.355,15 326.109,57 100.964,49 100.964,49 427.074,06 1996 37.980,50 - 835.374,15 873.354,65 199.029,32 199.029,32 1.072.383,97 1997 30.079,18 - 501.063,15 531.142,33 216.497,26 216.497,26 747.639,59 1998 51.102,88 - 3.814.167,67 3.865.270,55 129.320,45 129.320,45 3.994.591,00 1999 58.115,16 - 4.585.091,64 4.643.206,80 181.401,21 181.401,21 4.824.608,01 2000 20.849,62 - 4.509.563,36 4.530.412,98 105.401,21 105.401,21 4.635.814,19 Fonte: SOUTO (2004) 38 Os resultados mostram que, de 1990 a 2000, a arrecadação no setor secundário não teve um comportamento constante, variando entre queda e elevação. Para o setor terciário a variação no volume arrecadado também não apresentou queda para a maior parte do período, caindo apenas em 95, 97, 2000. A maior redução ocorreu entre 94 e 95 (12,7%). A taxa de crescimento geométrico de 1990 a 2000 foi positiva com uma elevação de 24,6% a.a. Pela análise feita dos dados anteriores, percebe-se que a queda na arrecadação tributária do Estado ocorre principalmente, pela redução no volume arrecadado no setor primário da agroindústria canavieira. Para se ter uma idéia da importância do setor da agroindústria canavieira principalmente dos setores primário e secundário - na arrecadação estadual - em 1990 o setor primário canavieiro gerou uma arrecadação de R$ 6.102.595,30, uma contribuição de 22,0% na arrecadação total em todo o setor primário estadual que foi de R$ 27.664.990,29. No ano de 2000, este percentual caiu para 0,5% (R$ 19.427,27) do total arrecadado pelo Estado que foi R$ 4.089.859,00 (tabelas 08 e 09). Tabela 08: Estado da Paraíba: Arrecadação da Agroindústria Canavieira por Setores de Atividade Econômica: 1990-2000 (Valores em R$ de 2000) DISCRIMINAÇÃO ANO Set.Prim. Set. Sec. Set.Terc. TOTAL 1990 6.102.595,30 11.436.431,79 407.963,87 17.946.990,96 1991 5.124.734,59 36.465.740,79 1.022.630,42 42.613.105,80 1992 2.771.053,35 16.828.897,37 1.086.324,31 20.686.275,03 1993 1.856.734,30 19.962.037,44 1.935.522,43 23.754.294,17 1994 1.841.311,76 29.497.987,66 3.368.971,14 34.708.270,56 1995 160.524,39 29.291.211,59 427.074,06 29.878.810,04 1996 180.957,27 30.256.289,86 1.072.383,97 31.509.631,10 1997 158.503,54 2.397.411,12 747.639,59 3.303.554,25 1998 1.929,20 2.171.582,59 3.994.591,00 6.168.102,79 1999 28.048,34 2.071.679,74 4.824.608,01 6.924.336,09 2000 19.427,27 4.577.412,00 4.635.814,19 9.232.653,46 Fonte: SOUTO (2004) 39 Tabela 09: Estado da Paraíba- Arrecadação do Estado por Setores de Atividade Econômica 1990-2000 (Valores em R$ de 2000). DISCRIMINAÇÃO Set.Prim. Set. Sec. TOTAL Set.Terc. (ICMS 100%) 1990 27.664.990,29 102.311.486,35 287.360.852,14 417.337.328,78 1991 28.965.251,37 109.761.360,30 316.568.919,27 455.295.530,95 1992 20.090.553,89 93.950.784,78 283.825.861,69 397.867.200,36 1993 13.475.397,66 80.236.563,40 256.702.146,80 350.414.107,86 1994 17.505.371,94 115.082.988,65 314.366.938,49 446.955.299,08 1995 12.692.541,41 211.050.364,50 244.251.949,54 467.994.855,45 1996 12.493.294,84 215.566.566,28 293.052.332,61 521.112.193,73 1997 7.936.371,11 187.867.300,78 299.646.707,05 495.450.378,94 1998 4.622.801,71 186.661.194,02 287.933.507,69 479.217.503,42 1999 4.411.800,46 186.733.653,11 289.559.463,87 480.704.917,45 2000 4.089.859,00 206.125.371,00 297.604.311,00 507.819.541,00 Fonte: SOUTO (2004) O setor secundário em 1990 contribuiu com 11,2% (R$ 11.436.431,79) do total arrecadado pelo Estado (R$ 102.311.486,35) e em 2000 a contribuição caiu para R$ 4.577.412,00, representando 2,1% do total estadual que foi R$206.125.371,00. Já no setor terciário o percentual de contribuição se elevou no período de 1990 a 2000. No ano de 90 o setor terciário contribuiu com R$ 407.963,87, sendo 0,13% do total arrecadado pelo Estado (R$ 287.360.852.14) e em 2000 com 1,56%.Estes dados se encontram nas Tab. 17 e 18, que apresentam respectivamente, a arrecadação por setores de atividade econômica na agroindústria canavieira e em todo o Estado. Entre as graves conseqüências do desemprego nesta atividade está em que a grande maioria dos trabalhadores que saem da agroindústria canavieira possui um baixo nível de instrução, o que, no contexto atual, reduz ainda mais as chances de conseguir um novo emprego em outra atividade. Além disso, as conseqüências do aumento do desemprego para a Paraíba são maiores devido à pouca diversificação de sua estrutura econômica, que não apresenta grandes setores capazes de gerar empregos suficientes para absorver toda a mão-de-obra disponível. (ASPLAN, 1998). 40 1.3.5 Perspectivas econômicas por mesorregião De acordo com estudos do Escritório Técnico-Econômico do NordesteETENE/BNB, as principais atividades com potencial de crescimento no estado da Paraíba seriam: a) no setor de serviços: o artesanato, o turismo, o comércio varejista e a produção de software; b) no setor agrícola: a caprinovinocultura e a fruticultura irrigada; c) no setor industrial: a indústria calçadista, têxtil-confecções, construção civil, madeira e móveis; Por mesoregião, estas oportunidades estão assim distribuídas. Sertão Pólo de Desenvolvimento do Alto Piranhas Atendidos pela bacia dos rios Piranhas e do Peixe, os municípios de Aparecida, Cajazeiras, Cajazeirinhas, Condado, Marizópolis, Pombal, São Bentinho, São Domingos, São Francisco, São João do Rio do Peixe, Sousa e Vieirópolis formam as chamadas “Várzeas de Sousa”, e possuem terras irrigáveis de boa qualidade (solos profundos e de topografia plana) e com clima propício para a agricultura (elevada insolação, baixa umidade atmosférica e ausência de fortes ventos). Já há algumas agroindústrias instaladas na região, beneficiando-se da exploração de frutícolas (mamão, banana, manga, uva, pinha, acerola, graviola e coco), bem como também se desenvolve a produção de hortaliças e grãos. A infra-estrutura rodoviária conta com estradas pavimentadas e linha férrea, ligando a região a Fortaleza, Campina Grande e ao Porto de Cabedelo, mas o desenvolvimento do Pólo exigirá ampliação e manutenção permanente das rodovias, bem como a melhoria do transporte ferroviário. Desta forma, se viabilizariam investimentos em atividades industriais e comerciais, tais como a produção e revenda de insumos, máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, packing houses, indústria de embalagens em geral (caixas de papelão e plástico), agroindústria de suco, frutas e doces, empresas de transporte, entre outras. 41 Destaca-se, também, como atividade complementar, o turismo no Vale dos Dinossauros, onde se encontram vestígios arqueológicos (especialmente marcas das patas de dinossauros). Seu crescimento abrirá oportunidades para o segmento de hotelaria e comercialização de alimentos, lazer e hospitalar. Borborema12 Esta mesorregião apresenta os mais baixos índices pluviométricos da Paraíba (500 mm), os solos salinos, rasos e pedregosos, com capacidade de retenção de água disponível de média a baixa, tornam imprescindível seu manejo eficiente para uso agrícola, dificultando o desenvolvimento desta atividade. Apesar destas restrições, a atividade algodoeira (e sisaleira) floresceu e se desenvolveu nesta região, em associação à pecuária, até a crise destas culturas na década de 1980. Desde então, a caprinovinocultura partilha a terra com culturas forrageiras, como a palma e o capim, e a expansão recente do consumo desta carne nos estados da porção oriental da Região Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco) indicam ser esta a atividade de maior potencial para esta mesorregião, ao lado da exploração mineral (columbita, caulim e sheelita), no Seridó Oriental e Ocidental. De fato, os maiores rebanhos de caprinos13 e ovinos14 na Paraíba estão localizados na Borborema, com efetivos de 319.113 e 144.158 animais, respectivamente. Em 2001 a mesorregião da Borborema (microrregiões do Cariri Ocidental e Cariri Oriental) e do Agreste Paraibano (Curimataú Ocidental) concentravam 57% do rebanho caprino e 41% do rebanho ovino. A microrregião do Cariri Ocidental, que possui a maior densidade de animais, se destaca nacionalmente como área vocacionada para a capriovinocultura15. Desta forma, a caprinovinocultura apresenta-se como alternativa de geração de emprego e renda para os produtores rurais, uma vez que se desenvolvam atividades econômicas, em escala e qualidade, em torno dos diversos produtos que esta atividade gera, tais como: esterco, lã, carne, leite, queijo, patê e couro dentre outros. Tanto a atividade pecuária do Cariri, e as culturas a esta associadas (como a palma e o capim), quanto a atividade mineradora do Seridó, possuem um potencial degradador do ambiente que não deve ser desconsiderado uma vez que estas atividades sejam 12 Informações obtidas em www.emepa.org.br/redes_refer_borborema.php. As raças predominantes são Anglo Nubiano, Alpina Britânica, Pardo Alemã, Canindé Leiteira e Savanna. 14 As raças predominantes são Dâmara, Dorper e Santa Inês. 15 Documento de referência do Projeto Nucleador de CT&I, 2003. 13 42 incentivadas como alternativas rentáveis de uso do solo. A maior parte da vegetação da Caatinga nestas regiões já se encontra substituída pelas culturas de forragens ou foi extraída para servir como fonte energética (carvão e lenha). Desta forma, o manejo adequado da Caatinga, associado ao desenvolvimento sócio-econômico da região, deve incorporar o replantio de espécies nativas ameaçadas de extinção, a preservação e recuperação das matas ciliares da microbacia e a introdução de espécies de forragens mais propícias para a exploração econômica e suprimento alimentar da região. Para tal, investimentos devem ser realizados de forma a viabilizar as seguintes linhas de ação: i) melhoramento genético das raças, de forma a adaptá-las ao ambiente do semi-árido, aumentando a produtividade e a qualidade dos produtos; ii) capacitação para melhorias na sanidade e nutrição dos animais, com efeitos sobre a qualidade dos derivados, bem como na sua reprodução; iii) desenvolvimento de infra-estrutura para apoio às atividades de processamento de leite, carne e couro; iv) ampliação e desenvolvimento do cultivo da palma, manejo da Caatinga e da microbacia. Agreste Na Mesorregião do Agreste Paraibano há presença de uma mata úmida parecida com a mata atlântica e conhecida como mata de brejo, pois, em grande parte, este território se assemelha à condição climática da Mesorregião Mata Paraibana, isto é, quente e úmida, com chuvas de outono/inverno. Mas a sua porção mais ocidental, em direção ao interior do estado, apresenta decréscimo significativo nas precipitações, atingindo médias anuais na faixa de 800 a 1000 mm. O período chuvoso compreende os meses de fevereiro a agosto, enquanto a estação seca ocupa o resto do ano, com amplitude térmica de 15 a 22°C, com umidade relativa do ar em torno de 80%. Seus solos são formados por material com argila, de profundidade variável (de profundos a muito profundos), são forte a imperfeitamente drenados, de cores avermelhadas ou amareladas e mais raramente brunadas ou acinzentadas. A textura varia de arenosa a muito argilosa, o que viabiliza o cultivo intensivo de fruticultura ou 43 de culturas de subsistência, desde que sejam adotadas práticas de conservação de solo, para evitar sua degradação. Atualmente, cerca de 1/3 das terras é utilizada com culturas temporárias (abacaxi, batatinha, batata-doce, mamão, mandioca, milho e feijão), com a produção destinada tanto à subsistência quanto à comercialização, inclusive fora da Região Nordeste. Segundo o Governo estadual16, a fruticultura do Agreste mostrava-se como a mais dinâmica da Paraíba, ocupando, em 2001, 85% da área cultivada de banana, 65,4% da manga, 52,4% do caju e 46,3% da área plantada de maracujá. Além da fruticultura, a pecuária também se mostra uma atividade propícia nas microrregiões do Curimataú Oriental e Curimataú Ocidental, as quais concentram 23,4% do rebanho caprino do Estado da Paraíba e 23,9% do efetivo ovino. A agricultura de subsistência e para fornecimento alimentar à população residente mostra-se uma atividade necessária, no aspecto social, e importante no que tange às alternativas de geração de renda local. As condições edafoclimáticas são favoráveis à exploração econômica de raízes e tubérculos por pequenos e médios produtores, como a mandioca, que ocupava, em 2001, 63,9% da área plantada do Estado, e a batatinha, que era integralmente plantada neste território(IBGE, 2001 apud Governo estadual). Estas atividades podem ser transformadas em sistemas econômicos de maior dinamismo, estimulando-se a instalação de fábricas de féculas para processamento da mandioca, a exemplo do Vale do Ivenhema, no Mato Grosso do Sul, que atraiu fecularias originárias do Paraná e de Santa Catarina para atender ao mercado consumidor formado por indústrias Paulistas. Nesta localidade (Le Bourlegat, 2006) conviviam oito unidades industriais de fécula e 3.200 produtores agrícolas. O amido tem se constituído em matéria-prima crescentemente valorizada no mercado internacional, por ser renovável, biodegradável e sem toxicidade, sendo utilizada tradicionalmente nas indústrias alimentícias, mas também na farmacêutica, têxtil, resinas naturais e termoplásticos degradáveis, bem como álcool fino e carburante. O Nordeste é o maior produtor e consumidor de mandioca (40% do mercado nacional), mas o produto é consumido in natura ou sob as formas de farinha, polvilho ou goma, de baixo valor agregado. São os produtores do centro-sul que, devido a sua altíssima produtividade, se dedicaram a produzir a fécula para o uso industrial, de maior rentabilidade. 16 Citando dados do IBGE-Produção Agrícola Municipal – 2001. 44 Devido a sua elevada perecibilidade (apenas 48 horas após a colheita), não é possível formar estoques reguladores e as fecularias precisam situar-se proximamente aos produtores agrícolas e desenvolver tecnologias que maximizem a quantidade de fécula por raiz. Segundo Le Bourlegat (2006), as fecularias do Mato Grosso do Sul receberam incentivos fiscais e financeiros dos Governos estadual e municipais, mas cerca de 80% dos recursos foram provenientes de capital próprio. A América Latina, juntamente com a África, é grande produtora e consumidora de mandioca, entretanto, o mercado internacional da fécula da mandioca (amido) é dominado pela Ásia, que fornece 90% do volume comercializado no mundo, enquanto a AL contribui com apenas 5% deste total. O “negócio da fécula” está sob controle de onze grandes empresas internacionais, sete delas norte-americanas e as demais européias (Le Bourlegat, 2003, apud Silva et al.2000). Mata paraibana A Mesorregião Mata Paraibana apresenta condições climáticas propícias a atividades agropecuárias. Seu clima é quente e úmido, com estação de chuvas entre fevereiro e agosto e precipitações médias anuais na faixa de 1600 mm (menores nas áreas interioranas), amplitude térmica entre 22 e 26°C e umidade relativa do ar média de 80%. Seus solos são argila-arenosos, de profundos a muito profundos, e de bem a moderadamente drenados, friáveis, o que permite a exploração intensiva de frutícolas como o abacaxi (de altíssima produtividade), o coco, caju, maracujá, cajá, graviola e mamão, bem como culturas alimentares como inhame e mandioca, desde que seja corrigida sua acidez e sofra processo de adubação para melhora de sua baixa fertilidade natural. A fertirrigação e o adequado manejo do solo são áreas cruciais de desenvolvimento para o futuro da região. Atualmente, cerca de 1/3 das terras é utilizada com culturas temporárias, tais como abacaxi, batata-doce, inhame, mamão, mandioca e feijão-verde. O crescimento populacional observado nesta mesorregião é uma fonte de pressão sobre a oferta de alimentos, o que abre oportunidades lucrativas para a produção agropecuária local. Uma vez que as condições edafoclimáticas se apresentam favoráveis à produção de tubérculos e raízes, a produção de culturas como a do inhame, mandioca e batata-doce, 45 que já são presentes neste território, mostra-se indicada como fonte sustentável de renda para os agricultores locais, com benefícios adicionais ao contribuir para a fixação do contingente populacional no meio rural. De fato, a Paraíba já era, em 2001, o maior produtor brasileiro de inhame17, seguido por Pernambuco, comercializado em todo o Brasil e mesmo exportado, principalmente para a Europa, por suas propriedades ricas em nutrientes e fonte energética. Entretanto, a tendência verificada a partir da análise do período 1987-2001 é de redução na área plantada, na produção e na produtividade desta cultura, devido a fatores como o elevado preço e indisponibilidade de túberas-semente de alto padrão de qualidade (induzindo ao uso de sementes de má-qualidade), a insuficiência de crédito agrícola em condições adequadas e a descapitalização dos produtores rurais (SANTOS & MACEDO, 2002)18, inclusive os assentados pela reforma agrária (ILHA, 2007). Destaca-se, também, a produção da cana-de-açúcar associada à pecuária extensiva. Entretanto, estas atividades tem contribuído para a devastação da mata atlântica característica desta mesorregião. Apenas 3,2% desta mata ainda se preserva neste território, mas sob ameaça constante de extinção pela ampliação das culturas, para pasto do gado ou para fornecimento de lenha e madeira. Sua completa exaustão comprometerá a principal característica desta região, sua ótima oferta hídrica através das bacias dos rios Camaratuba, Mamanguape, Gramame e Mamuaba, uma vez que a sustentabilidade dos solos nas áreas ribeirinhas depende das matas ciliares, evitando-se a erosão e o assoreamento dos rios. O desenvolvimento de sistemas agroflorestais (como as espécies nativas do cajá e da mangaba) e o adequado manejo destas microbacias são estritamente necessários para a sustentabilidade ambiental, populacional e econômica das atividades agrícolas e pecuárias nesta mesorregião e para todo o estado da Paraíba. Pólo de Turismo Litorâneo Formado por 12 dos 30 municípios da Mata Paraibana, esta região se estende por uma área de 2.503 km², com população residente de cerca de 964 mil pessoas (BNB, 2007), distribuída ao longo do litoral, com excelente balneabilidade, pelos ecossistemas 17 5 mil hectares cultivados e uma produção de 47.820 t - IBGE,2001. 18 Informações obtidas no endereço www.emepa.org.br/inhame_tendencias.php 46 costeiros (estuários de rios, mangues, dunas, falésias e cordões marinhos) e pela beleza cênica. Entre seus atrativos estão ilhas como Areia Vermelha (Cabedelo) e Picãozinho (João Pessoa) – com suas piscinas de corais – , a praia de naturismo Tambaba (Conde), uma das poucas existentes no Nordeste. Destacam-se ainda as praias fluviais e outros atrativos naturais. Em área de Preservação Ambiental encontra-se a praia da Barra do Rio Mamanguape, onde se localiza o Centro do Peixe-Boi Marinho. Na Baía da Traição, o último reduto indígena remanescente da Tribo Potiguara na Paraíba, coexistem as culturas dos antigos pescadores e os costumes da cultura indígena. Todas estas oportunidades, entretanto, necessitam de um adequado e permanente monitoramento para proteção ao meio-ambiente, pois sua exploração indiscriminada poderá exterminar vegetações (como os manguezais), comprometer os estuários de rios e afetar a vida animal, marinha e terrestre, com conseqüências sócio-econômicas, além das ambientais, para as populações ribeirinhas, colônias de pescadores e mesmo para aqueles que usufruiriam deste lazer turístico (empreendimentos e turistas). 2. A balança comercial do estado da Paraíba Em termos formais, a Balança Comercial será calculada a partir das seguintes equações: ET = EOE + MRM ST = VOE + XRM SBCE = ST – ET = (VOE – EOE) + (XRM – MRM) Onde: ET = Entradas Totais, correspondente à soma das compras de Bens e Serviços de outros estados (EOE) e às importações do resto do mundo (MRM); ST = Saídas Totais, correspondente à soma das vendas de Bens e Serviços para outros estados (VOE) e às exportações para o resto do mundo (XRM). SBCE = Saldo da balança comercial do Estado Estas variáveis podem ser desagregadas de várias formas, para buscar refletir com maior precisão quais as atividades que geram os principais fluxos comerciais do estado, bem como sua localização espacial. Assim, a forma mais tradicional e simples de realizar esta desagregação está em utilizar as unidades da Federação (estados e o Distrito Federal) como critério geográfico e a classificação nacional de atividades econômicas (CNAE), como critério econômico, para desmembrar os dados de entradas e saídas do estado. A Tabela 10 exibe as Entradas e Saídas, em valores e participação percentual, bem como o mesmo para o saldo, por estado da 47 Federação. Realizando esta desagregação para as seções e classes da CNAE têm-se resultados mais detalhados para a importância das atividades econômicas, e, para as subclasses da CNAE realizou-se um esforço na busca de tentar associar os APLs estaduais aos fluxos comerciais. Tabela 10- Fluxo de comércio do estado da Paraíba: Entradas, saídas e saldo – 2006 Fluxo de comércio do estado da Paraíba – 2006 ESTADOS ENTRADAS R$ PART. NO SAÍDAS - R$ PART. NO SALDO - R$ PART. NO E TOTAL ENTRADAS S TOTAL SAÍDAS (S-E) SALDO TOTAL NORTE RO 2,297,283.37 0.02 12,055,478.16 0.14 9,758,194.79 -0.31 AC 472,948.97 0.00 4,550,372.41 0.05 4,077,423.44 -0.13 AM 394,973,534.27 3.41 46,727,699.62 0.56 -348,245,834.65 10.93 RR 53,666.26 0.00 4,371,068.89 0.05 4,317,402.63 -0.14 PA 77,557,795.24 0.67 121,399,770.18 1.44 43,841,974.94 -1.38 AP 151,565.70 0.00 14,589,008.02 0.17 14,437,442.32 -0.45 TO 27,935,794.87 0.24 5,006,912.96 0.06 -22,928,881.91 0.72 503,442,588.68 4.34 208,700,310.24 2.48 -294,742,278.44 9.25 MA 384,363,961.66 3.31 464,304,372.43 5.52 79,940,410.77 -2.51 PI 34,724,658.35 0.30 109,263,125.95 1.30 74,538,467.60 -2.34 CE 551,104,077.09 4.75 872,633,319.33 10.38 321,529,242.24 -10.09 PE 3,074,684,205.75 26.52 2,332,175,014.21 27.74 -742,509,191.54 23.30 AL 778,207,857.75 6.71 178,920,188.00 2.13 -599,287,669.75 18.80 SE 54,496,085.86 0.47 144,819,733.56 1.72 90,323,647.70 -2.83 RN 448,385,245.86 3.87 1,005,785,192.83 11.96 557,399,946.97 -17.49 BA 824,317,834.64 7.11 410,491,268.15 4.88 -413,826,566.49 12.99 6,150,283,926.96 53.04 5,518,392,214.46 65.63 -631,891,712.50 19.83 MG 426,534,791.03 3.68 458,433,260.92 5.45 31,898,469.89 -1.00 ES 86,045,751.45 0.74 89,638,094.95 1.07 3,592,343.50 -0.11 TOTAL NORTE NORDESTE TOTAL NORDESTE SUDESTE RJ 560,595,586.80 4.83 207,615,623.87 2.47 -352,979,962.93 11.08 SP 2,626,339,105.07 22.65 1,230,559,060.69 14.63 -1,395,780,044.38 43.80 TOTAL SUDESTE 3,699,515,234.35 31.91 1,986,246,040.43 23.62 -1,713,269,193.92 53.76 PR 345,921,215.01 2.98 129,242,746.51 1.54 -216,678,468.50 6.80 SC 264,856,678.58 2.28 308,395,629.97 3.67 43,538,951.39 -1.37 RS 329,850,593.69 2.84 129,424,489.87 1.54 -200,426,103.82 6.29 940,628,487.28 8.11 567,062,866.35 6.74 -373,565,620.93 11.72 MS 14,086,644.36 0.12 15,640,130.36 0.19 1,553,486.00 -0.05 MT 59,269,049.04 0.51 22,157,387.72 0.26 -37,111,661.32 1.16 GO 199,811,259.98 1.72 52,770,625.62 0.63 -147,040,634.36 4.61 DF 28,332,247.96 0.24 37,541,934.71 0.45 9,209,686.75 -0.29 301,499,201.34 2.60 128,110,078.41 1.52 -173,389,122.93 5.44 SUL TOTAL SUL CENTRO-OESTE TOTAL CENTRO-OESTE 48 BRASIL 11,595,369,438.61 100.00 8,408,511,509.89 100.00 -3,186,857,928.72 100.00 Elaborada a partir das tabelas de entradas e saídas interestaduais da Paraíba fornecidas pela Secretaria de Receita Estadual 2.1- Relações comerciais interestaduais 2.1.1- Fluxos de comércio interestaduais A presente seção tem por objetivo detalhar o fluxo de comércio do Estado da Paraíba com os demais estados brasileiros, isto é, a participação relativa de cada estado nas compras e vendas da Paraíba. O Quadro acima apresentou as entradas totais, saídas totais e o saldo comercial da Paraíba com todos os demais estados e o Distrito Federal, para o ano de 2006, a partir da base de dados disponibilizada pela Secretaria da Receita Estadual. Verifica-se que as vendas totais do estado da Paraíba para os demais estados do país alcançaram a cifra de R$ 8,4 bilhões, em 2006, correspondente a 42,1% do PIB estadual naquele mesmo ano. Ao mesmo tempo, as compras totais do resto do país, realizadas por residentes na Paraíba, alcançaram o valor de R$ 11,6 bilhões, ou seja, 58,1% do PIB do estado. Disto resulta um déficit comercial de cerca de R$ 3,2 bilhões, correspondente a quase 16% do produto total da Paraíba. Através de Políticas Públicas, com um esforço gradual de redução deste déficit, por exemplo, da ordem de dois pontos percentuais ao ano, seja pela expansão das vendas estaduais, seja pela substituição das mercadorias compradas por bens e serviços produzidos no próprio estado, poder-se-ia acelerar a taxa de crescimento estadual nesta mesma magnitude ao longo dos próximos oito anos. Conforme demonstra o gráfico 05a, a maior parte das compras do Estado da Paraíba é proveniente da região Nordeste (53%), da qual ele faz parte. Em seguida, tem-se o Sudeste, com 32% e os 15% restantes se distribuem entre as demais regiões: Sul, Norte e Centro-Oeste. Gráfico 05a: Participação relativa das compras paraibanas, por região- 2006 49 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba No gráfico 05b, tem-se a participação relativa das vendas paraibanas, por região. É interessante observar que o peso relativo de cada região nas vendas é similar ao verificado nas compras, com a diferença de que no caso das vendas a concentração é maior. Enquanto os estados do Nordeste contribuem com 53% das compras da Paraíba, nas vendas este percentual sobe para 66%. Em seguida, tem-se o Sudeste, com 24% e, os demais 10% são distribuídos entres as regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, respectivamente. Vê-se que a distribuição das compras e vendas paraibanas entre as regiões segue uma distribuição praticamente homogênea em termos relativos, por região. Gráfico 05b: Participação relativa das vendas paraibanas, por região-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba O expressivo peso da região Sudeste não causa nenhuma surpresa, tendo em vista que mais da metade do PIB brasileiro é criado nesta região. Contudo, chama atenção a maior parte das transações do estado da Paraíba serem feitas com estados de base tecnológica similar a sua, ou seja, os estados nordestinos. O gráfico 06 evidencia que a Paraíba possui déficit comercial com todas as regiões do país, inclusive o Nordeste. Vejamos a seguir o peso relativo de cada região neste déficit. 50 Gráfico 06: Entradas e saídas por região- Participação em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba Analisando o gráfico 07, nota-se que mais da metade do déficit paraibano interestadual ocorre com a região Sudeste. Em seguida tem-se a região Nordeste com participação de 20% e os demais 26%, distribuem-se entre as regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, respectivamente. Gráfico 07: Participação relativa de cada região no déficit comercial interestadual da Paraíba-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 51 Conhecido o perfil geral das transações (compras e vendas) paraibanas entre as regiões brasileiras, vejamos a distribuição destas dentre os estados constantes em cada uma das regiões. Comecemos pelos estados das regiões mais relevantes, isto é, com maior participação nas transações da Paraíba, os estados das regiões Nordeste e Sudeste. O gráfico 08 denota que apenas alguns estados da região Nordeste são responsáveis pelo déficit paraibano com esta região. Os gráficos seguintes separam os estados nordestinos com os quais a Paraíba possui déficit daqueles que registram superávit comercial. Gráfico 08: Participação % da região Nordeste- Entradas e saídas-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. O gráfico 09a, denota que as transações da Paraíba com os estados no Maranhão, Piaui, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte resultam em superávit, tendo em vista que as vendas da Paraíba para estes estados superam as compras. Abaixo vejamos o peso relativo de cada um destes estados no superávit total. 52 Gráfico 09a: Estados nordestinos com os quais a Paraíba possui superávit comercial-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Vê-se, pelo gráfico 09b, que o estado do Rio Grande do Norte é responsável por praticamente metade do superávit paraibano dentre os estados superavitários. Em seguida e, com participação também expressiva segue o estado do Ceará. Com menores participações seguem os estados do Sergipe, Maranhão e Piauí. Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. 53 Por sua vez, as transações com os estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia, resultam em déficit interestadual para a Paraíba, em função das compras a estes estados serem maiores que as vendas. O Gráfico 10, abaixo, mostra o peso relativo de cada estado, no total do déficit. Gráfico 10: Estados nordestinos com os quais a Paraíba possui déficit comercial-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. O déficit mais expressivo ocorre com o estado de Pernambuco, 42%; em seguida tem-se o estado de Alagoas, responsável também por parcela significativa do déficit, 34% e, por último o estado da Bahia, de 24% (Gráfico 11). Gráfico 11: Peso relativo do déficit dentre os estados com os quais a Paraíba possui déficit interestadual2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. 54 Contudo, é válido destacar que o resultado líquido das transações paraibanas com o Nordeste é negativo, tendo em vista que o resultado com os estados superavitários é inferior ao resultado obtido com os estados deficitários. O déficit líquido é de R$ 631.891.712,50 (R$ 1.123.731.715,28 – R$ 1.755.623.427,78). A segunda região de maior dinamismo nas transações interestaduais do estado da Paraíba é a região Sudeste. Veja-se, no Gráfico 12, a participação de cada estado desta região no fluxo de comércio da Paraíba. Gráfico 12: Participação % da região sudeste- entradas e saídas-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Dos quatro estados que compõe a região Sudeste, a Paraíba possui um pequeno superávit com dois deles, que são Espírito Santo e Minas e Gerais e déficit, com Rio de Janeiro e São Paulo, com destaque para este último. O superávit com os dois estados do Sudeste é pouco significativo, principalmente com o Espírito Santo. Por sua vez, o déficit é elevado, principalmente com o estado de São Paulo. Isto resulta num déficit líquido de R$ -1.713.269.193,92 (35.490.813,39 – 1.748.760.007,31). O peso relativo dos estados superavitários, no ínfimo superávit, bem como o peso relativo dos estados deficitários, no déficit total, encontram-se nos gráficos abaixo. O gráfico 13, permite mostrar que do inexpressivo superávit que a Paraíba possui com os Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, este último é responsável por 90%. 55 Em contrapartida, no gráfico 14 tem-se que do déficit obtido com os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, este último contribui com 80% do resultado negativo. Gráfico 13: Peso relativo do superávit dentre os estados do Sudeste com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Gráfico 14: Peso relativo do déficit dentre os estados do Sudeste com os quais a Paraíba possui déficit interestadual Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Com relação à região Sul (gráfico 15), dos três estados que a compõe, a Paraíba registra superávit interestadual com apenas um, o estado de Santa Catarina. Mas, o superávit com este estado é inferior ao déficit com os demais estados desta região, de modo que em termos líquidos a Paraíba mais uma vez possui déficit de R$ 373.565.620,93 (R$ 43.538.951,39 – R$ 417.104.572,32). 56 Gráfico 15: Participação % da região sul- Entradas e saídas-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. O peso relativo de cada um dos dois estados no déficit paraibano com a região Sul é praticamente o mesmo, conforme evidencia o gráfico 16. Gráfico 16: Peso relativo do déficit dentre os estados do Sul com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. No tocante à região Norte, Gráfico 17,quarta colocada em valores transacionados com o Estado da Paraíba, o resultado líquido também é negativo, tendo em vista que os superávits interestaduais obtidos com os estados de Roraima, Acre, Amapá, Pará e Rondônia são inferiores aos déficits interestaduais obtidos com os estados do Tocantins e Amazônia, principalmente com este último e, provavelmente por causa da existência 57 da Zona Franca de Manaus neste estado. O déficit líquido é de R$ - 294.742.278,44 (R$ 76.432.438,12 – R$ 371.174.716,56). Gráfico 17: Participação % da região norte-Entradas e saídas-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. O peso relativo dos estados superavitários e deficitários, no resultado bruto encontra-se nos gráficos 18a. Vê-se que dos estados do Norte que geram superávit para a Paraíba, o mais importante é o Pará, seguindo-se de Amapá e Rondônia. Gráfico 18a: Peso relativo do superávit dentre os estados do Norte com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. 58 Quanto aos estados do Norte com os quais a Paraíba registra déficit, nota-se que praticamente todo o resultado negativo deve-se ao estado do Amazônia, com participação de 96%; os 4% restantes cabem ao estado de Tocantins (Gráfico 18b). Gráfico 18b: Peso relativo do déficit dentre os estados do Norte com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Por último, quanto à região Centro-Oeste observa-se, Gráfico 19, que, mantendo à tendência ao déficit líquido, com este estado a Paraíba registra um resultado líquido negativo de R$ -173.389.122,93 (R$ 10.763.172,75 – R$ 184.152.295,68). Os estados responsáveis pelo pífio superávit são Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. No tocante ao déficit, os estados responsáveis são Mato Grosso e Goiás, com destaque para este último. 59 Gráfico 19: Participação % da região Centro-Oeste- Entradas e saídas-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. A participação relativa do Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal no superávit, bem como do Mato Grosso e de Goiás no déficit, são discriminadas abaixo, nos gráficos 20 e 21. Do pequeno superávit registrado com a região Norte, o estado do Mato Grosso do Sul é responsável por 86% do total, conforme denota o gráfico 24, abaixo. Gráfico 20: Peso relativo do superávit dentre os estados do Centro-Oeste com os quais a Paraíba possui superávit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Por outro lado, do déficit total, o estado de Goiás representa 80%, sendo os restantes 20% referentes ao Mato Grosso. Conforme já foi dito anteriormente, o resultado líquido é deficitário. 60 Gráfico 21: Peso relativo do déficit dentre os estados do Centro-Oeste com os quais a Paraíba possui déficit interestadual-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Das análises feitas anteriormente pode-se concluir que os estados com os quais a Paraíba realiza o maior montante de compras são: Pernambuco, São Paulo e Bahia, respectivamente, representando conjuntamente 56,28% das compras interestaduais da Paraíba (Gráfico 22). Gráfico 22: Entradas em %-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. No que se refere às vendas paraibanas para os demais estados brasileiros, destacase os estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e São Paulo, que juntamente correspondem por 64,71% das vendas da Paraíba (gráfico 23). 61 Gráfico 23: Saídas em %-2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.1.1 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. A partir das análises feitas ao longo do texto nota-se que: a região Sudeste responde por 54% do déficit interestadual da Paraíba, sendo o estado de São Paulo o principal responsável. A região Nordeste vem em seguida, com peso de 20%. Neste caso, cabe aos estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia a responsabilidade no déficit interestadual paraibano, com uma maior participação de Pernambuco. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os déficits interestaduais são respectivamente e preponderantemente atribuídos aos seguintes estados de cada uma destas regiões: Amazônia e Goiás. No caso da região Sul, Rio Grande do Sul e Paraná possuem participação praticamente similar no déficit paraibano com esta região. 62 2.1.2. Fluxos de comércio interestaduais por atividades econômicas A Tabela 11 demonstra os fluxos de comércio interestaduais, por atividade econômica, em termos de entradas e saídas, em valores e percentuais, bem como o mesmo para o saldo. Tabela 11: Fluxos de comércio interestaduais por atividade econômica - 2006 SETORES E ATIVIDADES AGRICULTURA, PECUÁRIA, PRUDUÇÃO FLORESTAL, PESCA E AQUICULTURA INDÚSTRIAS EXTRATIVAS INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO ELETRICIDADE E GÁS ÁGUA, ESGOTO, ATIVIDADES DE GESTÃO DE RESÍDUOS E DESCONTAMINAÇÃO CONSTRUÇÃO COMÉRCIO;REPARAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E CORREIO ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO ATIVIDADES FINANCEIRAS, DE SEGUROS E SERVIÇOS RELACIONADOS ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS, CIENTÍFICAS E TÉCNICAS ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS E SERVIÇOS COMPLEMENTARES ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SECURIDADE SOCIAL EDUCAÇÃO SAÚDE HUMANA E SERVIÇOS SOCIAIS ARTE, CULTURA, ESPORTE E RECREAÇÃO OUTRAS ATIVIDADES DE SERVIÇOS TOTAL ENTRADAS (R$) PART. TOTAL ENTRADAS % SAÍDAS (R$) PART. TOTAL SAÍDAS % SALDO (R$) PART. SALDO TOTAL % 157.945.303 1,35% 93.745.847 1,11% 64.199.456 -0,36% 33.011.567 0,28% 138.712.624 1,65% (105.701.057) 0,60% 2.950.642.412 25,20% 4.514.514.163 53,69% (1.563.871.751) 8,89% 273.621.364 2,34% 6.462.144 0,08% 267.159.221 -1,52% 30.833.247 0,26% 50.258.914 0,60% (19.425.667) 0,11% 97.552.397 0,83% 9.491.906 0,11% 88.060.492 -0,50% 7.544.817.862 64,43% 2.678.291.357 31,85% 4.866.526.505 -27,67% 384.453.124 3,28% 742.214.772 8,83% (357.761.648) 2,03% 23.081.290 0,20% 1.345.002 0,02% 21.736.288 -0,12% 191.657.323 1,64% 161.972.801 1,93% 29.684.522 -0,17% 265.030 0,00% 0,00% 265.030 0,00% 328.628 0,00% 0,00% 328.628 0,00% 4.326.468 0,04% 652.304 0,01% 3.674.164 -0,02% 3.469.523 0,03% 252.085 0,00% 3.217.437 -0,02% 728.532 0,01% 15.972 0,00% 712.560 0,00% 341.580 0,00% 15.667 0,00% 325.913 0,00% 1.012.097 0,01% 88.385 0,00% 923.712 -0,01% 128.384 0,00% 17.053 0,00% 111.331 0,00% 12.334.856 0,11% 10.460.514 0,12% 1.874.342 -0,01% 11.710.550.987 100,00% 8.408.511.510 100,00% (17.590.505.193) 100,00% Fonte: SEFAZ - Paraíba/2006 Os gráficos abaixo mostram a importância relativa das atividades ou setores nas entradas e saídas interestaduais da Paraíba. Nota-se que, em relação às entradas (Gráfico 24) a compra e manutenção de veículos automotores e peças respondem por mais de 60% das compras interestaduais paraibanas. Em seguida, as compras paraibanas da indústria de transformação dos demais estados respondem por aproximadamente 25% 63 das compras. Deste modo, uma única atividade mais a indústria de transformação são responsáveis por quase 90% das compras da Paraíba. No tocante as vendas (Gráfico 25), o resultado se repete, com a mudança apenas do tamanho do peso relativo. Neste caso, é a indústria de transformação que lidera, sendo responsável por 53,69% das vendas interestaduais paraibanas. Em seguida, a atividade de comercialização e manutenção de veículos e peças de veículos automotores corresponde a 31,89% das vendas do estado aos demais estados. Assim, o somatório das vendas desta última atividade com as vendas da indústria de transformação equivalem a 85,58% das vendas interestaduais totais do estado. Gráfico 24: Participação por atividade no total de entradas em 2006 PARTICIPAÇÃO POR ATIVIDADE NO TOTAL DE ENTRADAS EM 2006 8.000.000.000,00 70,0 64,9 7.000.000.000,00 60,0 6.000.000.000,00 50,0 5.000.000.000,00 R$ 40,0 % 4.000.000.000,00 30,0 3.000.000.000,00 24,6 20,0 2.000.000.000,00 10,0 1.000.000.000,00 ATIVIDADES PARTICIPAÇÃO NO TOTAL DAS ENTRADAS 1,7 1,8 1,4 DEMAIS ATIVIDADES ELETRICIDADE E GÁS TRANSPORTE, ARMAZENAGEM E CORREIO INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO COMÉRCIO;REPARAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E MOTOCICLETAS - AGRICULTURA, PECUÁRIA, PRUDUÇÃO FLORESTAL, PESCA E AQUICULTURA 2,4 INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 3,3 PERCENTUAL POR ATIVIDADE Elaborado com base na Tabela 10, construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. 0,0 64 Gráfico 25: Participação por atividade no total de saídas em 2006 PARTICIPAÇÃO POR ATIVIDADE NO TOTAL DE SAÍDAS EM 2006 5.000.000.000,00 4.500.000.000,00 60,0 53,7 50,0 4.000.000.000,00 3.500.000.000,00 40,0 2.500.000.000,00 31,9 % R$ 3.000.000.000,00 30,0 2.000.000.000,00 20,0 1.500.000.000,00 10,0 8,8 IN DÚ ST RI CO A M DE ÉR TR CI O AN ;R SF EP O AR RM AÇ AÇ ÃO ÃO DE VE ÍC UL O S AU TR TO AN M SP O T. O RT .. E, AR M AZ EN AG EM E CO RR EI IN O FO RM AÇ ÃO E CO M UN IC AÇ ÃO AG IN D RI ÚS CU TR LT IA UR S A, EX PE TR CU AT IV ÁR AS IA ,P RU DU ÇÃ O FL O RE ST AL ... 1,6 1,1 0,9 0,0 ES 1,9 - AT IV ID AD 500.000.000,00 DE M AI S 1.000.000.000,00 ATIVIDADES PARTICIPAÇÃO NO TOTAL DE SAÍDAS PERCENTUAL POR ATIVIDADE Elaborado com base na Tabela 10, construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. 2.2. Fluxo de Comércio Internacional do Estado 2.2.1. Introdução Esta seção tem como um dos objetivos iniciais demonstrar as relações comerciais internacionais do Estado da Paraíba para o ano de 2006, dando ênfase na sua participação no saldo da balança comercial do país. Entretanto, o objetivo central consiste em estabelecer uma possível relação entre as principais atividades que compõem a pauta comercial e aquelas nas quais os APLs têm importância mais relevante. Por fim, cabe acrescentar que nesta buscar-se-á considerar na análise dos resultados eventuais efeitos conjunturais que porventura tenham influenciado no fluxo de exportações e importações do estado no ano de 2006. 65 2.2.2. Participação da Paraíba na balança comercial brasileira O Gráfico 26 mostra a participação dos estados no volume de exportações do país para o ano de 2006. Através deste pode-se observar que num ranking entre os Estados, a Paraíba ocupa a 20ª posição, correspondendo a uma participação de apenas 0,15% no volume total das exportações. Gráfico 26: Participação da Paraíba nas exportações: 2006. Fonte: Elaboração a partir de dados da Secretaria de comércio exterior dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (disponível em www.desenvolvimento.gov.br) No que se refere à participação do Estado da Paraíba no volume total de importações, conforme expõe o Gráfico 27, verifica-se que o mesmo ocupa a 18ª posição entre os estados do país, o que corresponde a apenas 0,20%. Cabe ainda destacar que a Paraíba importou mais no período do que estados como Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí em termos de Estados nordestinos. 66 Gráfico 27: Participação da Paraíba das importações brasileiras Fonte: Elaboração a partir de dados da Secretaria de comércio exterior dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (disponível em www.desenvolvimento.gov.br). O gráfico 28 apresenta a participação do Estado na composição do saldo comercial brasileiro, através do qual é possivel verificar que a Paraíba contribue para o saldo positivo da balança comercial no ano corrente de maneira pouco significante (cerca de 0,09% apenas), sobretudo se comparado a região de Minas Gerais que teve a mais expressiva participação no saldo da balança comercial para o ano de 2006, de cerca de 26,9%. Gráfico 28: Participação do estado da Paraíba no saldo comercial brasileiro Fonte: Elaboração a partir de dados da Secretaria de comércio exterior dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (disponível em www.desenvolvimento.gov.br). 67 2.2.3. Fluxo de comércio internacional Analisando especificamente os dados da Paraíba, a partir dos dados fornecidos pela Secretaria da Receita Estadual, cabe ressaltar que a relação cambial estabelecida para conversão do valor das exportações em reais se deu a partir da cotação média do ano e no que se refere as importações os valores fornecidos encontram-se convertidos de acordo com a cotação diária das transações comercais efetuadas19. A balança comercial da Paraíba apresentou no ano de 2006 um saldo positivo da ordem de R$ 11.753.460,29 de reais. Através do gráfico 29 é possível observar que o setor que alavancou um saldo favorável das relações comerciais paraibanas foi o da industrial de transformação, com cerca de R$160.932.124,74, exceto agricultura, os demais ficaram com saldos negativos, merecendo destaque neste segmento o comércio com um déficit comercial de R$ 129.950.737,37. Gráfico 29: Saldo comercial por seção CNAE: 2006 Fonte: Elaboração a partir dos dados da Tabela 2.6 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba No gráfico 30 que apresenta o volume de exportações e importações por seção CNAE a dois dígitos é possível observar que a agricultura tem relativamente pequena participação comercial, apresentando um superávit da ordem de R$ 2.201.207,32, cujos 19 Essa conversão cambial foi estabelecida pela receita estadual. 68 principais responsáveis referem-se a exportação de frutas e pesca de peixe em água salgada. No que diz respeito à indústria extrativa o saldo comercial negativo (R$ 15.920.466,76) é, em grande medida ocasionado pelo volume de importações de carvão mineral, que corresponde a um montante de R$ 36.881.851,01, utilizado em grande medida pelo apls inseridos na indústria de transformação. Conforme já explicitado anteriormente, a indústria de transformação, dentre os setores produtivos, é o maior responsável pelo superávit na balança comercial do estado da Paraíba para o ano de 2006. Neste setor, o volume de exportações supera as importações em um montante de R$ 160.932.124,74. Nos segmentos comércio e serviços, verificam-se déficits comerciais, todavia, é neste primeiro segmento que o déficit apresenta-se mais acentuado em toda a balança comercial, de cerca de R$ 129.950.737,37. Gráfico 30: Exportações e importações da Paraíba, por seção CNAE a 2 dígitos: 2006 Fonte: Elaboração a partir dos dados da Tabela 2.6 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. O gráfico 31 apresenta uma distribuição das exportações por seção de classificação do CNAE e confirma informações já apresentadas, como a pouca representatividade que tem o comércio na pauta comercial paraibana, em contraste com a indústria de transformação, responsável por 93% das exportações. 69 Gráfico 31: Distribuição das exportações paraibanas por seção CNAE: 2006. Fonte: Elaboração a partir dos dados da Tabela 2.6 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba. Já no que se refere às importações paraibanas segmentadas por seção, conforme gráfico 32, tem-se assim como para as exportações, maior participação de produtos oriundos da indústria de transformação (67%). Adicionalmente, cabe destacar a participação do segmento comércio com uma participação de cerca de 25% na composição total de importações, diferentemente do que se verificava nas exportações. Gráfico 32: Distribuição das importações paraibanas por seção CNAE: 2006 Fonte: Elaboração a partir dos dados da Tabela 2.6 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 70 É importante salientar que no que se refere às exportações, é possível verificar na Tabela 2.6 (anexo) que os principais segmentos das atividades do setor agrícola, verifica-se que a grande maioria das vendas ao exterior concentram-se na pesca de peixes em água salgada, o que demonstra uma relação com o apl de aqüicultura, apoiado por instituições como por exemplo o parque tecnológico da Paraíba. Na indústria de transformação, tem-se que cerca de 44,20% da totalidade de produtos exportados pelo estado referem-se a produtos têxteis. Em seguida, verifica-se uma participação percentual considerável no saldo total do cimento (16,60%) e calçados (14,00%). Em termos de importações, um aspecto curioso diz respeito a uma maior participação nestas para basicamente os mesmos apls, a saber: produtos têxteis (45%), calçados (18%) e cimento (16%). Dentre as exportações pertencentes à indústria extrativa merece destaca-se a indústria de minerais não metálicos (cerca de 55%), ao passo que dentre os elementos importados o carvão mineral conforme citado anteriormente, destaca-se com um volume de importações em torno de 97% do volume total do estado. Por fim, no que se refere ao segmento de comércio e de serviços, merece destaque dentre as importações deste primeiro o comércio de peças e de equipamentos hospitalares e telefonia sem fio para este ultimo, responsável pela quase totalidade nas suas relações de importação. 2.3. Fluxo de Comércio Total Através dos dados obtidos no fluxo comercial interestadual e internacional, temse através na tabela 2.7 (anexo), a balança comercial total das transações realizadas no Estado da Paraíba em 2006, de acordo com a classificação CNAE a dois e a cinco dígitos na apresentação das principais atividades econômicas. Um elemento a ser destacado refere-se ao fato de que para o ano de 2006, considerando o fluxo comercial entre os estados e a nível internacional, o saldo da balança comercial apresentou um saldo negativo de R$ -2.065.363.362,95, o qual, conforme apresenta o gráfico 33, tem na atividade comércio o responsável pelo resultado negativo, com um déficit de R$ - 4.621.306.383,58. Conforme já ressaltado na análise feita na seção anterior a indústria apresenta o melhor desempenho comercial dentre os segmentos 2.293.813.484,62. apresentados, com um superávit comercial de R$ 71 Gráfico 33: Participação das principais atividades econômicas no Saldo da Balança Comercial da Paraíba. CNAE: 2006 Fonte: Elaboração a partir dos dados da Tabela 2.7 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 3. A Importância dos APLs no fluxo de comércio do estado da Paraíba Os APLs em geral, exercem papel de organizador do espaço produtivo, estabelecendo relações que ultrapassam fronteiras territoriais e desenham uma nova geografia econômica, inclusive articulando APLs afins em uma rede. Várias pesquisas que buscam entender o desempenho dos APLs Paraibanos já mostraram a importância desta forma de análise das organizações produtivas para entendimento do desempenho da economia local. Através do estudo dos fluxos comerciais com os demais estados e relacionando essas atividades produtivas ao APLS, identificados e/ou apontados como possíveis arranjos por instituições e conhecimento tácito dos pesquisadores, foi possível reafirmar a importância de alguns APLS, como o de calçados e têxtil-confecções, ou, por outras, compreender a inexpressiva visibilidade de alguns APLs importantes pela ótica social e/ou ambiental, perceptíveis quando pesquisados em loco, porém, praticamente invisíveis nas contas estaduais. Porém, quando se relacionam os fluxos comerciais da Paraíba aos APLs e suas atividades bases, torna-se difícil avaliar os verdadeiros impactos. Alguns APLs de grande relevância produtiva e social se tornam imperceptíveis pela ótica dos fluxos 72 comerciais, já que as bases de dados utilizadas, originárias do fisco estadual, não possuem informações relevantes a respeito dos produtos agropecuários. Isso se justifica pelo fato que, na Paraíba, o produtor rural não tem a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal e, por conseguinte, a entrega da Guia de Informações Mensais/GIM. 3.1. APLS COM ATIVIDADES FORMALIZADAS Os APLs reconhecidos formalmente pelas instituições e apoiados com suporte técnico ou financeiro são: Apis no Curimataú e Seridó; Apis no Semi-Árido; Minerais no Seridó, de Móveis e esquadrias; APRISCO no Cariri, APRISCO no Curimataú/Seridó, APRISCO Sertão; serviços de informática; FAROL DIGITAL; Floricultura na Mata e Brejo; Cachaça e alambique no Brejo, Redes de dormir, Confecções, Couro e Calçados, Comércio de NORDESTE DE MOVEIS, MODA E ESTILO, VESTUÁRIO, BELEZA, MINIMERCADO e ALIMENTACAO. A distribuição espacial desses APLS identificados e apoiados pode ser visualizada no mapa a seguir. Figura 05: Mapa dos APL´s identificados e apoiados por instituições no Estado da Paraíba Os APLS formalizados de maior relevância no PIB paraibano são os mesmos já indicados quando se analisou a totalidade destes, ou seja, os de base industrial, sobretudo de transformação, com destaque de vendas para: Artigos de couro e calçados 73 com 31,56%; têxtil que comercializaram 27,82%; os segmentos voltados para o processamento de minerais não metálicos com 19,15%, particularmente cimento e produção de cerâmica; a produção de bebidas com 8,74% e os APLs de cachaça e alambique com 4,75% do total das saídas de produtos paraibanos no ano de 2006. Por outro lado, a bovinocultura, caprinocultura, floricultura, atividades historicamente enraizadas na cultura produtiva Paraibana, não apresentam nenhuma expressão contábil. Na agropecuária as atividades que podem ser percebidas nos fluxos comerciais de saída são dos APLS de algodão com 5,20% e a avicultura com participação de 1,51% nos fluxos comerciais de saídas (gráfico 34). Gráfico 34: Participação relativa dos APLS nas saídas do estado no ano de 2006 Participação % nas vendas da Paraíba com os APLS em 2006 31,56% 35,00% 1.400.000.000,00 1.200.000.000,00 30,00% 1.000.000.000,00 25,00% 19,15% 20,22% 800.000.000,00 20,00% R$ 600.000.000,00 15,00% % 400.000.000,00 7,60% 8,74% 10,00% COURO E CALÇADOS TEXTIL MINERAIS NÃO METÁLICOS BEBIDAS CONFECÇÃO ALGODÃO 5,00% CACHAÇA E ALAMBIQUE AVICULTURA FRUTICULTURA BOVINOCULTURA LEITE E DERIVADOS AQUICULTURA SAÚDE ALIMENTAÇÃO BOLVINOCULTURA 1,51% 0,00% 0,00% 0,02% 0,04% 0,07% 0,10% 0,37% 0,57% FLORICULTURA - CAPRINOVINOCULTURA 200.000.000,00 4,85% 5,20% 0,00% Fonte: SEFAZ. Elaboração própria baseada na tabela 2.4. Determinados APLS de base agropecuária, apesar de ter um alto impacto social20, em geral, não indicam atividades formais com outros estados da federação. Dessa forma, na análise, esses APLS ficam imperceptíveis porque o decreto Decreto nº 18.930/1997, que determina quais as obrigações acessórias do contribuinte do imposto deverá apresentar à Secretaria de Estado da Receita, afirma que o produtor rural não tem obrigação de recolher a GIM. Portanto, a participação dos APLs das atividades produtivas agropecuárias não pode ser significativa se comparada aos demais APLS de base da indústria de transformação que possuem a obrigatoriedade de emitir a nota fiscal para circulação da mercadoria e emissão do GIM. Ao verificar qual a distribuição espacial das saídas de produtos paraibanos, o estado de Pernambuco foi o maior comprador com 24% do total comercializado no ano de 2006. O estado de São Paulo ocupa o segundo lugar já que adquiriu 15 % das vendas de produtos paraibanos. Agregando os valores comercializados com o estado de Minas 20 Estratégicos pela geração e/ou ampliação de renda e emprego, segurança alimentar e em alguns casos de benefícios ambientais. 74 Gerais (9%), totalizam aproximadamente metade das transações comerciais realizada nesse ano (gráfico 35). Vale destacar que esses percentuais são relativos às contas que assumem características correlacionadas com atividades dos APLs. Contas, cujo resultado é um produto destinado a vários segmentos produtivos, foram desconsideradas, por exemplo, uma conta a sete dígitos no CNAE de compra ou venda de ração animal, não pode ser tabulada especificamente para a caprinocultura ou para a bovinocultura. Gráfico 35: Transações entre a Paraíba e os Estados com os APLs - Saídas Fonte: SEFAZ. Elaboração própria baseada na tabela 2.4. Nas entradas de produtos adquiridos os APLS que mais adquirem produtos são...... A partir dessas considerações iniciais, pode-se, então, verificar o desempenho de cada uma das atividades de destaque na pauta dos fluxos comerciais, e relacioná-las com os APLs apontados por instituições ou identificados nessa pesquisa. 3.1.1 APLS DE APICULTURA No ano de 2006, os APLs de apicultura que ficam localizados em municípios no Seridó e do Sertão, e adotam o modelo APIS (Apicultura Integrada Sustentável), (Figura 06), não apresentaram saídas para os demais estados. A apicultura é um claro exemplo desse fenômeno de ser “invisível” pela ótica fiscal, pois os APLS possuem redes APIS organizados em associações e cooperativas, articuladas com entrepostos de manipulação através de Condomínios dos Apicultores (por exemplo, o Condomínio dos 75 Apicultores do Estado da Paraíba – CASAMEL), com tecnologia e manipulação apropriada, casa de mel, etc., mas navegam na informalidade. Uma pesquisa realizada pelo Parque Tecnológico da Paraíba em parceria com o Sebrae (2006)21, constatou que 41% das lojas varejistas, num universo de 601 empresas, trabalham com produtos derivados de mel. Os maiores canais de distribuição são supermercados regionais, locais, farmácias e mercadinhos. Essa mesma pesquisa aponta o município de Campina Grande com o maior índice de comercialização dos produtos de mel, 56,9%, comparada com as outras cidades. Figura 06: Mapa dos APLS identificados e apoiados da apicultura da Paraíba 3.1.2 APLS de couro e calçados Como foi visto no gráfico 34 (acima) os APLS de couro e calçado são os de maior relevância, pois representam 31,56% das saídas estaduais. Espacialmente eles estão localizados em João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Campina Grande, Cabaceiras e Patos (Figura07). 21 Disponível em: ASN - Agência Sebrae de Notícias – DF - http://www.sebraepb.com.br/noticias.jsp?pagina=noticia&idNoticia=956&idCategoria=2. 76 Figura 07: Mapa dos APL´s de couro e calçados da Paraíba identificados e apoiados por instituições O destaque de vendas nos APLs de calçados com 66,5% do total comercializado com os demais estados é a fabricação de calçados de couro. Se somados aos totais de saídas de calçados não especificados, esses totalizam 92,76% (gráfico 36). Gráfico 36: Participação % por produto nas vendas dos APLs de calçados em 2006 Fonte: SEFAZ. Elaboração própria baseada na tabela 2.4 77 Os principais compradores dos calçados de couro são os estados de São Paulo com 25,36%, Minas Gerais com 19,9% e Rio de Janeiro 6,17%. Esses estados são responsáveis por 50,70% dos totais das saídas dos APLs de calçados (gráfico 37). Gráfico 37: Participação relativa dos estados nas vendas dos APLs de couro e calçados em 2006 Participação % nas vendas da Paraíba dos APLS de Couro e Calçados com outros Estados em 2006 11,94% G M AD O S RJ R$ % DE M AI S ES T SC PR RS PE RN BA CE ES M PA 4,17% 4,41% 4,44% 5,30% 5,49% 6,17% 1,82% 2,07% 2,90% 3,36% 3,38% 25,36% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% SP 19,19% A 350.000.000,00 300.000.000,00 250.000.000,00 200.000.000,00 150.000.000,00 100.000.000,00 50.000.000,00 - Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba No gráfico 38 pode-se verificar os produtos adquiridos pelos APLS de couros e calçados que compram essencialmente: Calçados de couro com 66% do total; e , fabricação de calçados de materiais não especificados, com 26% do total para o ano de 2006 . Gráfico 38: Participação % por estado nas compras dos APL´s de couro e calçados na Paraíba em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.3 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 78 3.1.3 APLs de base de transformação de produtos minerais Os APLs de minerais não-metálicos que estão sendo considerados incluem atividades baseadas na extração de clinker (na cadeia produtiva do cimento) e argila, quartzo e caulim (na cadeia produtiva da cerâmica) representam 16% do total de saídas do estado. Além de cadeias produtivas distintas, o estado possui unidades produtivas destas atividades em distintas localidades, configurando mais de um APL de base mineral: O cimento na Mata, no Curimataú os APLs de Caulim em Campina Grande. O conjunto de APLs de base mineral não metálico tem como principal comprador o estado de Pernambuco, que representa 40,07 % dos totais das vendas. O segundo maior comprador é o estado de São Paulo, com participação relativa de 16.83%, seguido pelos estados do Rio Grande do Norte com 14,33% e o estado do Ceará com 13,51% (gráfico 39). Gráfico 39: Participação % dos estados nas vendas dos APLs de Minerais não Metálicos em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba Nos APL de Minerais não-metálicos o principal produto comercializado com os demais estados é o cimento Portland. Segundo dados da SEPLAG22 a Paraíba é o principal exportador líquido com os demais estados. As transações dos APLs minerais não-metálicos da Paraíba com os demais estados da federação movimentaram no ano de 2006 o montante de R$ 768.272.590,50 22 Plano Plurianual 2008-2011 disponível em: http://seplag.pb.gov.br/loappa20082011/PPA/PPA%202008%202011%20DOC%202.%20ANALISE%20SOCIOECONOMICA%20E%20CENARIOS.pdf 79 (valores nominais). A atividade com maior participação foi a fabricação de cimento com 38,65% do valor total comercializado totalizando R$ 297.008.303,42 (valores nominais). Se contabilizado todos os produtos derivados do clinker, inclusive os que se derivam do cimento, estes representaram 39,2 % do montante dos APL de base Mineral, o que permite uma constatação e uma conclusão preliminar: o estado possui a base técnica e produtiva para a produção de produtos mais elaborados e de maior valor agregado (pois há produção e vendas para fora do estado), mas desperdiça estas oportunidades ao comercializar o produto industrial primário (o cimento). Se faz necessário investigar quais os fatores que têm impedido o desenvolvimento e expansão destas atividades de maior conteúdo tecnológico. O Estado de Pernambuco é o maior comprador de cimento da Paraíba com 51% do total, seguido por Rio Grande do Norte com 16% e o Ceará com 13 %, ou seja, esses três estados representam 79% do total comercializado, que em valores monetários corresponderam a R$ 234.824.768.17 no ano de 2006. O cimento comercializado para esses três estados são responsáveis por 30,56% do total de vendas dos APLs de base mineral (gráfico 40). Gráfico 40: Participação % dos estados na venda de cimento dos APLS da Paraíba Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba As compras realizadas no ano de 2006 pelos APLs Minerais não metálicos tiveram participação bastante significativa da fabricação de produtos minerais não metálicos não especificados anteriormente com 72% do total comprado. O segundo produto mais comprado pelos APLS é a extração de outros minerais não metálicos não especificados anteriormente com 12% (Gráfico 41). 80 Gráfico 41: Participação % por Produto nas Compras dos APLs de Minerais não Metálicos em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 3.1.4 APLS de confecção Os APLS de confecção da Paraíba estão situados nos municípios de João Pessoa, Campina Grande, Boqueirão, Alagoa Grande, Santa Rita, Sapé, Aracagi, Bayeux (Figura 08). Figura 08: Mapa dos APL´s de moda, confecção e vestuário da Paraíba 81 Os APLS de confecções da Paraíba, no ano de 2006, comercializaram seus produtos principalmente para os estados de Roraima com 26,45%, Paraná que adquiriu 23,30% e Santa Catarina que comprou 12,67% . Esses APLS posuem caracteristicas diferentes da maioria dos APLS que concentram grande parte das vendas para poucos estados da federação. Como pode se perceber no grafico 55 mais de 25% do total comercializado foi destinado para vinte estados (Gráfico 42). Gráfico 42: Participação % nas vendas dos APL´s de confecção com outros Estados em 2006 Participação % nas vendas da Paraíba dos APLS de Confecção com outros Estados em 2006 80.000.000,00 26,45% 70.000.000,00 23,30% 30,00% 25,00% 60.000.000,00 20,00% 50.000.000,00 12,50% 40.000.000,00 30.000.000,00 20.000.000,00 6,87% 6,92% 12,67% 15,00% R$ % 10,00% 6,94% 4,33% 5,00% 10.000.000,00 - 0,00% PE RJ SE SP SC PR RR DEMAIS ESTADOS Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 3.1.5 APL de leite e derivados Os APLs do Leite e seus derivados se destacaram nos últimos anos, principalmente pelo incremento das vendas ao Programa do Leite da Paraíba, que possibilitou ao produtor a ampliação da produção e oferta do leite com garantia de compra lastreada pelo governo do estado que adquiria o produto para distribuição em programas sociais. Segundo a Seplag23·, no período de 1999 a 2006 o setor leiteiro ampliou a produção em 48%, porém deve-se destacar que no período de 1997/98 ocorreu uma queda brusca da produção devido à seca intensa. O estado do Ceará compra 51,56% do total de leite e derivados comercializados com os demais estados. O segundo maior comprador é o estado de Pernambuco com participação relativa de 21,46%%. O Rio Grande do Norte assume a 3ª colocação com 17,80% do total (gráfico 43). 23 Plano Plurianual 2008-2011 disponível em: http://seplag.pb.gov.br/loappa20082011/PPA/PPA%202008%202011%20DOC%202.%20ANALISE%20SOCIOECONOMICA%20E%20CENARIOS.pdf 82 Gráfico 43: Principais estados compradores de produtos dos APL´s de bovinocultura em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 3.1.6 APLS de avicultura Nos APLs de avicultura são consideradas, basicamente, quatro atividades que são: a criação de frangos para corte; produção de ovos; produção de pintos e criação de aves não citadas anteriormente. A atividade de criação de frango participou com 64.60% do total comercializado no ano de 2006 que foi de R$ 34.561.396.07. A segunda atividade com expressão foi a venda de ovos, cuja participação foi de R$ 18.838.118.77 que correspondem a 35,21% dos montantes comercializados. Essas duas atividades são responsáveis 99,81% comercializado por esses APLs no ano de 2006 (Tabela 12). 83 Tabela 12: Participação relativa por produto no total de saídas da avicultura no ano 2006. ESTADOS OUTROS CRIACAO DE FRANGOS PARA CORTE PRODUCAO DE PINTOS DE UM DIA PRODUCAO DE OVOS 145.054 SP RS 5.200 507.482 AL 631.889 2.527.093 PR 362.142 BA PE 3.217.904 7.222.796 78.228 8.552.643 10.500 6.019.955 23.969.925 RN 34.561.396.07 SUBTOTAL 102.050 18.838.119 64.60% 0.19% 35.21% ATIVIDADE % Fonte: SEFAZ. Elaboração própria baseada na tabela 2.4 É importante destacar que os APLs de avicultura, entre as atividades do setor agrícola, foram os que mais contribuíram para o desempenho do setor já que foram responsáveis por 59,7% do total comercializado. Outro destaque está na visibilidade e reconhecimento dos APLS dessa atividade pelos órgãos de apoio e fomento, pois apenas o BNB apóia a atividade, particularmente nas cidades de Guarabira e Campina Grande (figura 09), porém a política e o financiamento dos investimentos são para fomento da cadeia produtiva. Outra instituição que aponta APLS denominados “granjeiros” 24 é o SENAR, que aponta possíveis APLs de criação de galinha de capoeira no agreste e sertão paraibano. 24 As empresas de criação de aves na Paraíba culturalmente são denominas de granjas. 84 Figura 09: Mapa dos APLs de avicultura da Paraíba O maior comprador dos APLs de avicultura no ano de 2006 foi o estado do Rio Grande do Norte que adquiriu R$ 30.000.379.42 correspondendo a 56,07% do total, o segundo maior comprador é o estado de Pernambuco com R$ 15.853.667.68, em termos percentuais representam 29,63%. Os dois estados representam 85,70% do total comercializado (Ver gráfico 44). Gráfico 44: Participação dos estados nas compras dos produtos avícolas da PB em 2006. Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4(em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 85 A localização geográfica dos APLs de avicultura, entre os dois maiores compradores, Rio Grande do Norte e Pernambuco, provavelmente justifique a liderança no ranking dos compradores, já que menores distâncias representam menores custos. O estado do Paraná, quarto colocado no ranking, aponta um comportamento que pode ser observado em outros APLs de atividades distintas, a participação nas compras de seus produtos por unidades da federação que possuem APLs de mesma base. Nesse caso especificamente, sabe-se, através de pesquisas anteriores de outros autores, que o Paraná possui toda a cadeia avícola, com grandes empresas reconhecidas historicamente. 3.1.7 APLS de fruticultura Os APLS de fruticultura do estado da Paraíba (Figura 10) estão ligados principalmente ao cultivo do abacaxi (Guarabira, João Pessoa, Sapé), banana (Campina Grande), laranja (Matinhas e Campina Grande) e uva (Campina Grande). Figura 10: Mapa dos APL´s de fruticultura da Paraíba Considerando o total de vendas dos APLS de fruticultura da Paraíba, tem-se como maior comprador o estado de Pernambuco, que adquiriu 30,84% do total. O 86 estado de São Paulo comprou 17,26% do total produzido e a Bahia é o terceiro no ranking com a participação 15,62% nas vendas de frutas da Paraíba. Pernambuco provavelmente é responsável por aproximadamente por 1/3 do total pela proximidade, por outro lado, o extremo sul da Bahia possui APLS de fruticultura. Pode-se perceber nesse caso o mesmo comportamento encontrado em outros APLS da Paraíba que comercializam os produtos de suas atividades para APLS de outros estados de mesmo fim. Gráfico 45: Participação dos APL´s de fruticultura por estado nas vendas em 2006 Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 3.1.8 APLS de Ovinocaprinocultura A metodologia de visualizar através do balanço de pagamentos os APLS tornase bastante eficiente para atividades formais que emitem notas ficais ao comercializarem seus produtos. Porém, no caso de produtos agropecuários, em particular da caprinocultura, atividade de proeminência ímpar para a economia paraibana e vital para a sobrevivência de centenas de famílias do Cariri e Sertão paraibano, fica evidente que a metodologia incorre na possibilidade de erro, caso o pesquisador não possua conhecimento tácito. Para melhor ilustrar, verificou-se que para esse ano existiram apenas duas operações formais de comercialização da caprinocultura. O gráfico 59 demonstra que os APLS de caprinocultura no ano de 2006 na Paraíba, tiveram sua renda “visível” na comercialização desse produto apenas com os estados de Minas Gerais e Pernambuco, 87 onde a maior representatividade percentual da venda se deu com o estado de Pernambuco, que somou um total percentual de 99,55%% (o total em Reais foi irrisório, em torno de 2.000,00 reais), já o estado de Minas Gerais teve uma pequena participação sendo responsável na comercialização por 0,45% total (gráfico 46). Gráfico 46: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de caprinocultura com outros estados em 2006 Participação % nas vendas da Paraíba dos APLS de Caprinocultura com outros Estados em 2006 2.500,00 120,00% 99,55% 100,00% 2.000,00 80,00% 1.500,00 60,00% 1.000,00 R$ % 40,00% 500,00 20,00% 0,45% - 0,00% MG PE Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba Como foi ilustrado acima, os números apresentados nos fluxos de saídas dos APLS de caprinocultura não expressam a intensa atividade desse setor no estado da Paraíba. A Bahia é o grande estado produtor de caprinos no Brasil, em 2006 era responsável por 30,09% do efetivo nacional, já o estado da Paraíba possuía 6,46% do total de rebanho do Brasil o que lhe dava a quinta colocação no mesmo ano25. Na distribuição espacial os APLS de caprinocultura situam-se principalmente no Cariri oriental, ocidental e no Curimataú. No mapa a seguir (Figura 11) foram considerados todos os APLS de ovinocaprinocultura inclusive os elencados por instituições como APLS não apoiados. 25 Segundo o censo agropecuário de 2006 88 Figura 11: Mapa dos APL´s de ovinocaprinocultura da Paraíba 3.1.9 APLS de Floricultura Os APLS de floricultura da Paraíba estão situados nos municípios de João Pessoa, Bananeiras, Areia e Mari. Exceto o município de João Pessoa, todos os APLS estão situados no Brejo Paraibano conforme pode ser visto no mapa a seguir (Figura 12). 89 Figura 12: Mapa dos APL´s de floricultura da Paraíba apoiados por instituições Os APLS de floricultura na Paraíba, para o ano de 2006, tiveram sua receita baseada na comercialização com os estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Pernambuco, com o percentual de comercialização se dando na seguinte ordem: estado de Pernambuco, que de forma majoritária foi responsável pelo percentual de 90,26%, já o segundo lugar na comercialização coube ao Rio Grande do Sul com 3,44% seguido de Santa Catarina e Rio Grande do Norte, ambos com 2,98%, e por fim São Paulo apresentou o menor percentual: 0,35% do total (Gráfico 47). Gráfico 47: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de floricultura com outros estados em 2006 Participação % nas vendas da Paraíba dos APLS de Floricultura com outros Estados em 2006 25.000,00 90,26% 100,00% 90,00% 20.000,00 80,00% 70,00% 15.000,00 60,00% 50,00% 10.000,00 40,00% R$ % 30,00% 5.000,00 20,00% 0,35% 2,98% 2,98% 3,44% SP SC RN RS 10,00% - 0,00% PE Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 90 Pode-se notar, mais uma vez, o fenômeno apresentado por determinados APLS paraibanos de comercializam um volume expressivo de produtos para um único estado, em geral estado possuidor de APLS de mesma base. Tradicionalmente o estado de Pernambuco possui APLS de floricultura com toda a estrutura e logística preparada inclusive para exportação. É possível que os montantes comercializados pelo estado absorvam quase toda a produção dos APLS paraibanos. 3.1.10 APL de aqüicultura Para os APL’s de aquicultura, o estado da Paraíba no ano de 2006 apresentou relações comerciais com os estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte. O estado de Pernambuco apresentou o valor de 66,66% do total, o Rio de Janeiro com 22,70%, seguido da Bahia com 6,04%, o estado do Rio Grande do Norte com um percentual de 1,09% do total comercializado e por fim os demais estados nesse cenário apresentou 3,50%. Sabe-se que o estado do Rio grande do norte possuí APLS de aquícultura, em particular de carcinocultura tradicionalmente reconhecido como um dos primeiros do país. Porém, Pernambuco compra dos APLS de aquicultura da Paraíba produtos de relevância para a economia norte rio grandense, aquícultura e fruticutura, que em teses poderiam prejudicar as relações dos APLS de mesma base paraibanos, talvez a justificativa seja eminentemente relacionada aos menores custos de transporte (gráfico 48). Gráfico 48: Participação % nas vendas da Paraíba dos APL´s de aquicultura com outros estados em 2006 2.500.000,00 Participação % nas vendas da Paraíba dos APLS de Aquicultura com outros Estados em 2006 66,66% 70,00% 60,00% 2.000.000,00 50,00% 1.500.000,00 22,70% 1.000.000,00 40,00% R$ 30,00% % 20,00% 500.000,00 3,50% 6,04% 1,09% RN DEMAIS ESTADOS BA 10,00% - 0,00% RJ PE Elaborado a partir dos dados da Tabela 2.4 (em anexo), construída a partir das informações fornecidas pela Secretaria da Receita Estadual da Paraíba 91 Os APLS de aqüicultura da Paraíba reconhecidos por instituições situam-se em quatro municípios: Cabedelo; Conceição e Picuí (apoiados pelo BB) e Catolé do Rocha apoiado pelo Banco do Nordeste mas com políticas direcionados para o setor e não especificamente para APLS (Figura 13). Figura 13: Mapa dos APL´s de aqüicultura da Paraíba apoiados por instituições 4- Considerações finais Do estudo realizado é possível retirar duas conclusões principais, uma quanto à especialização produtiva e outra quanto à distribuição espacial das relações comerciais paraibanas, ambas denotando a baixa diversificação produtiva e geográfica da economia estadual . A indústria de transformação representa apenas 10% do valor adicionado e cerca de 22,2% do PIB estadual, mas alcança 53,7% das transações interestaduais e 92% das exportações paraibanas. Este é um resultado que decorre de um conjunto definido de fatores: a) a presença de poucas, mas grandes, unidades produtivas industriais, de capital nãoparaibano, instaladas no estado por motivações estratégias (pressão concorrencial internacional, logística, fraca organização sindical e baixos custos salariais) e por efeito de Políticas Públicas (incentivos fiscais federais e estaduais). Este aspecto explica, em parte, o peso elevado da indústria de transformação nas compras paraibanas interestaduais, da ordem de 25%, pois estas empresas adquirem parte significativa de suas compras (matérias-primas, peças, máquinas e 92 equipamentos) dos estados e de suas regiões de origem, majoritariamente no Sul-Sudeste. Mais grave, contudo, é o peso de 77% da indústria de transformação entre as atividades que apresentam déficit comercial internacional. b) a elevada informalidade das atividades de serviços e agropecuárias, especialmente da agricultura familiar, e da Política de isenção tributária para gêneros agrícolas alimentares, eliminando-os da base de recolhimento de ICMS e, logo, da base de dados disponibilizada pela Receita Estadual; c) a baixa competitividade da agropecuária paraibana; d) o fato das atividades administrativas, educacionais e de saúde não serem “transacionáveis” para fora do estado, especialmente a administração pública, mas representarem 30,6% do valor adicionado do estado. Entretanto, mesmo desconsiderando-se estas atividades do cálculo do valor adicionado, o peso da indústria de transformação cresceria apenas de 10 para 14,5%. A indústria paraibana apresenta homogeneidade em suas características, entretanto, quando são analisados os setores que concentram a maior parte do PIB, das vendas interestaduais e do comércio exterior. Os sistemas produtivos da indústria de Calçados (24%), Têxtil (21%), de minerais não metálicos (16%), Bebidas (11%) e Alimentos Vegetais (9%) representam 81% das vendas da indústria de transformação paraibana para o resto do país, e 77,3% das exportações totais da indústria (84% do total exportado e 80,5% do total importado pela Paraíba). O estado da Paraíba, historicamente, sempre possuiu fortes laços políticos, econômicos, culturais e geográficos com o vizinho estado de Pernambuco. Os dados analisados neste relatório demonstram, de forma precisa e inquestionável, que estes laços são extremamente significativos no âmbito das relações comerciais. Pernambuco representa, para a economia paraibana, 27,7% de todas as suas vendas e, de forma similar, 26,5% de tudo que a economia paraibana adquire é proveniente do estado vizinho. Desagregando-se por grandes setores, verifica-se que 39% de suas vendas agropecuárias e 19,8% dos mercados da indústria paraibana têm como destino o estado de Pernambuco. O extremo grau de concentração regional da produção é uma das características marcantes da economia brasileira, e o estado de São Paulo permanece o principal beneficiário deste grave desequilíbrio federativo do país. O peso da economia paulista surge, portanto, como outro componente esperado da análise da Balança Comercial estadual, mas, surpreendentemente, à primeira vista, São Paulo aparece subdimensionado como origem das compras paraibanas, com apenas 22,6% do total. Por outro lado, a economia paulista é o destino de 14,6% de todas as vendas do estado da Paraíba. Assim, as empresas dos dois estados supracitados, reunidas, representam 49,2% de todo o valor das compras originadas no estado da Paraíba e, ao mesmo tempo, 42,3% do valor de todas as vendas paraibanas se destina aos estados de São Paulo e Pernambuco. Se adicionar-se o 93 Rio Grande do Norte (12%) e o Ceará (10,3%) aos destinos das vendas paraibanas, totaliza-se 64,6% do valor das vendas paraibanas, o que demonstra uma extremamente elevada concentração em poucos mercados finais. Do outro lado da Balança Comercial, os residentes na Paraíba adquirem 63% do valor de suas compras também de apenas estados, agregando-se as compras da Bahia (7,1%) e de Alagoas (6,7%) àquelas dos estados de Pernambuco e São Paulo. Quando a análise é refinada para as relações comerciais dos APLs, percebe-se que os estados mudam de posição na hierarquia de importância, excetuando-se os líderes Pernambuco e São Paulo. O maior comprador dos produtos dos APLS paraibanos “formalizados” é o estado de São Paulo, que participa com 17,29% . Esse estado adquire principalmente dos APLS de: algodão; confecção; textil; couros e calçados. Na fruticultura São Paulo compra abacaxí, manga e outras frutas de lavouras permanentes não especificadas. Nos APLS de minerais não metálicos: ardósia, gesso e caulin, pedras para construção, gemas, artefatos de concreto e cerâmica. Como se pode perceber, para os produtos negociados com o estado de maior PIB do País, os valores mais representativos estão localizados nos APLS de maior participação no PIB paraibano (couro e calçados, confecção, textil). Muda também o grau de concentração, pois são necessários seis estados para que se alcance 64% das vendas paraibanas originadas de APLs formalizados, o que permite levantar a hipótese que os APLs informais possuem destino da produção mais concentrado e direcionado ao estado que perde com a formalização: Pernambuco. Pernambuco vê reduzida sua participação, com 17% do total das vendas e representa, na maioria dos APLS, percentuais elevados. Os compras pernambucanas são realizadas dos seguintes APLS: Caprinocultura (99,55%)26, floricultura (90,26%), bovinocultura (73,52%),aquicultura (66,66%), fruticultura (30,84%), avicultura (28,31%), cachaça e alambique (45,78%), bebidas (40,81%), minerais não metálicos 30,57%, têxtil (25,23%),saúde (25,45%), alimentação (19,92%). Percebe-se, então, a estratégica relação dos APLS da Paraíba com a economia Pernambucana. Outro comportamento observado é das relações de APLS da Paraíba com APLS de mesma base em outros estados. Pode-se notar isso nas vendas dos APLS de floricultura com Pernambuco (que é um dos maiores produtores do Nordeste), avicultura com o 26 Mas sem significância em valor 94 Paraná (apesar de RN comprar mais de 50% do total produzido), a fruticultura com a Bahia. Duas possíveis explicações para este comportamento podem decorrer: a) de uma estratégia competitiva destes APLS de outros estados, que conquistam mercados e encomendas que superam sua capacidade própria de produção, mas que se articulam com os APLS paraibanos, subcontratando a produção destes para atender os pedidos. Em sendo correta esta hipótese, os produtores paraibanos poderiam desenvolver suas habilidades comerciais para procurar atender diretamente estes mercados, obtendo um maior valor para sua produção. b) Os APLs paraibanos e pernambucanos articulam-se comercialmente, e este fenômeno pode decorrer ou estar associado a outras formas de relação: patrimonial, financeira, tecnológica, logísticaNeste caso, pode-se levantar a hipótese de constituirem um mesmo arranjo produtivo, supraestadual. Desta forma, como conclusão geral deste estudo, identifica-se que a economia paraibana é fortemente dependente de poucos (e dos mesmos) APLs (principalmente calçados, têxtil, bebidas e alimentos vegetais e minerais não metálicos) para suas atividades comerciais, interestaduais e internacionais, com o agravante que o destino e a origem de suas transações comerciais interestaduais estão associados a um subconjunto extremamente reduzido de estados (principalmente Pernambuco e São Paulo). Desta forma, qualquer problema que atinja estes estados, em suas relações comerciais, ou estas indústrias, provocará graves impactos na economia paraibana. Este resultado poderia exibir comportamento simétrico na direção oposta, ou seja, impulsionar a economia local em caso de um crescimento súbito destes estados ou indústrias. Entretanto, dado o baixo dinamismo inovativo das atividades listadas e o caráter similar do perfil produtivo e comercial entre a Paraíba e os estados nordestinos com quem apresenta os maiores volumes de comércio, o efeito benéfico tende a ser reduzido (pelo baixo dinamismo) ou improvável (pela concorrência interestadual). 95 ANEXO Tabela 2.6. Balança comercial internacional das transações do Estado da Paraíba segundo suas principais atividades econômicas - 2006 SEÇÕES/GRUPOS E ATIVIDADES/ESTADOS AGRICULTURA, PECUÁRIA, PRODUÇÃO FLORESTAL, PESCA E AQUICULTURA EXPORTAÇÕE S (Em R$) 4.619.725 Cultivo de cana-de-açúcar Cultivo de frutas de lavoura permanente, exceto laranja e uva 1.386.170 Criação de aves Pesca de peixes em água salgada INDÚSTRIAS EXTRATIVAS 3.233.555 Extração de pedra, areia e argila Extração de minerais nãometálicos não especificados anteriormente INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO Preservação do pescado e fabricação de produtos do pescado Fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes Fabricação de açúcar em bruto Torrefação e moagem de café PART. IMP. (%) 2.201.207 0,79% 2.418.518 0,42% 0,00% 1.569.072 0,27% (1.569.072) -13,35% 0,24% 0,00% 1.386.170 11,79% 0,00% 266.043 0,05% (266.043) -2,26% 0,55% 0,10% 2.650.152 583.403 18,73% 22,55% - 3,77% 38.000.453 6,62% (15.920.467) 0,00% 36.881.851 6,43% (36.881.851) 7.438.740 1,27% 305.250 0,05% 7.133.491 2.328.588 0,40% 533.212 0,09% 1.795.375 0,05% 12.032.518 543.648.494 2,10% 280.139 92,83 % 382.716.369 66,69% 160.932.125 230.822 0,04% 0,00% 230.822 1.137.040 0,19% 0,00% 1.137.040 0,00% 22.040.958 3,84% (22.040.958) 86.693 0,01% 272.719 0,05% (186.026) 12.654.263 2,16% 99.683 0,02% 12.554.581 161.519 0,03% 858.056 0,15% (696.537) -5,93% 0,00% 690.075 0,12% (690.075) -5,87% 22.079.986 12.312.658 Fabricação de massas alimentícias Fabricação de produtos alimentícios não especificados anteriormente 221.063 0,04% 692.823 0,12% (471.760) Fabricação de aguardentes e outras bebidas destiladas 28.728.213 4,91% 2.725.244 0,47% 26.002.969 0,00% 0,01% (31.995) Fabricação de malte, cervejas e chopes Preparação e fiação de fibras têxteis naturais, exceto algodão PART. SALDO (%) SALDO (R$) 0,00% Moagem de trigo e fabricação de derivados Fabricação de farinha de milho e derivados, exceto óleos de milho IMPORTAÇÕE S (R$) 0,00% Extração de carvão mineral Extração de minerais metálicos não-ferrosos não especificados anteriormente PART. EXP. (%) 31.995 0,00% 135,45% 313,80% 60,69% 15,28% 102,37% 1369,23 % 1,96% 9,67% 187,53% -1,58% 106,82% -4,01% 221,24% -0,27% 14.315.736 2,44% 1.515.248 0,26% 12.800.488 108,91% 16.838.336 2,88% 3.074.520 0,54% 13.763.815 117,10% Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais, exceto algodão 31.216.474 5,33% 0,00% 31.216.474 265,59% Tecelagem de fios de fibras artificiais e sintéticas 6.237.024 1,06% 2.130.519 0,37% 4.106.505 34,94% Tecelagem de fios de algodão 96 Fabricação de tecidos de malha 395.408 0,07% 833.346 0,15% (437.939) -3,73% Acabamentos em fios, tecidos e artefatos têxteis 342.929 0,06% 292.002 0,05% 50.927 0,43% Fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico 179.114.927 19,73% 65.872.993 Fabricação de artefatos de cordoaria Fabricação de artefatos de cordoaria Confecção de roupas íntimas 0,00% 20.096.574 3,50% (20.089.727) 36.265.772 6,19% 52.708.218 9,18% (16.442.446) 241 0,00% 0,00% 241 0,00% 111.760 0,02% 0,00% 111.760 0,95% 25.548 0,00% 0,00% 25.548 0,00% 0,00% 1.229 0,00% 455 85.216.979 0,00% 14,55 % 9.186.574 1,60% 76.030.405 646,88% 6.080.640 1,04% 1.956.791 0,34% 4.123.849 35,09% 283.573 0,05% 0,00% 283.573 2,41% 5.882.981 1,00% 54.504.893 9,50% (48.621.912) 0,00% 9.904 0,00% (9.904) 111.415 0,02% 2.237.421 0,39% 145 0,00% 0,00% 145 25.999.297 Fabricação de acessórios do vestuário, exceto para segurança e proteção Fabricação de artigos para viagem, bolsas e semelhantes de qualquer material 1.229 Fabricação de calçados de couro Fabricação de tênis de qualquer material Fabricação de calçados de material sintético Fabricação de calçados de materiais não especificados anteriormente Fabricação de cartolina e papelcartão Fabricação de produtos de papel, cartolina, papel-cartão e papelão ondulado para uso comercial e de escritório Impressão de materiais para outros usos Fabricação de álcool 560,46% 170,93% 139,89% 6.847 Confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas Fabricação de artefatos de couro não especificados anteriormente 30,58 % 113.241.934 455 0,22% 0,01% 0,00% 413,68% -0,08% (2.126.006) -18,09% 0,00% 4,44% 0,00% 25.999.297 221,21% Fabricação de adesivos e selantes 0,00% 1.689.559 0,29% (1.689.559) -14,37% Fabricação de produtos químicos não especificados anteriormente 0,00% 3.514.186 0,61% (3.514.186) -29,90% Fabricação de laminados planos e tubulares de material plástico 583.301 0,10% 9.500.466 1,66% (8.917.164) -75,87% Fabricação de embalagens de material plástico 766.976 1,30% (6.687.755) -56,90% 84.356.399 0,13% 7.454.732 14,40 47.120.579 % 8,21% 37.235.820 316,81% 4.801.272 0,82% 2,86% (11.623.294) 55 0,00% 0,00% 55 24.577 0,00% 0,26% (1.442.345) 18.388 0,00% 0,00% 18.388 0,16% 721.006 0,12% 875.910 0,15% (154.904) -1,32% 0,00% 1.568.522 0,27% (1.568.522) -13,35% Fabricação de cimento Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários para uso estrutural na construção Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários não especificados anteriormente Fabricação de produtos de minerais não-metálicos não especificados anteriormente Fabricação de produtos de metal não especificados anteriormente Fabricação de componentes eletrônicos Fabricação de equipamentos de informática 16.424.566 1.466.922 -98,89% 0,00% -12,27% 97 Fabricação de periféricos para equipamentos de informática 313.389 0,05% 138.869 0,02% 174.520 (1.499.131) Fabricação de equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos 14.557 Fabricação de instrumentos e materiais para uso médico e odontológico e de artigos ópticos 116.537 0,00% 1.513.688 0,26% 0,02% 260.380 0,05% Fabricação de produtos diversos não especificados anteriormente 0,00% 1.988.494 0,35% (1.988.494) Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos da indústria mecânica 1,48% -12,75% (143.843) -1,22% -16,92% 5.460 0,00% 0,00% 5.460 259.247 0,04% 0,00% 259.247 COMÉRCIO 14.859.590 2,54% 144.810.327 25,23% Comércio de peças e acessórios para veículos automotores 61.194 0,01% 35.979.242 6,27% 3.198 0,00% 55.273 0,01% Comércio atacadista de hortifrutigranjeiros 435.157 0,07% 0,00% 435.157 3,70% Comércio atacadista de carnes, produtos da carne e pescado 5.477.691 0,94% 217.358 0,04% 5.260.333 44,76% 1.260 0,00% 0,83% (4.753.301) -40,44% 538 0,00% 0,00% 538 0,00% 1.535.836 0,27% 0,00% 66.611.896 11,61% 1.280 0,00% 14.882.680 2,59% 37 0,00% 0,00% 15.927 0,00% 0,00% 0,00% 403.650 0,07% 0,00% 13.944.248 2,43% Comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos não especificados anteriormente; partes e peças 0,00% 14.913 0,00% Comércio atacadista de ferragens e ferramentas 0,00% 42.332 0,01% Construção de edifícios (129.950.737) Comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados, farinhas, amidos e féculas Comércio atacadista de bebidas Comércio atacadista de produtos do fumo Comércio atacadista especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente Comércio atacadista de tecidos, artefatos de tecidos e de armarinho Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, ortopédico e odontológico Comércio atacadista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal Comércio atacadista de equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico não especificados anteriormente Comércio atacadista de computadores, periféricos e suprimentos de informática Comércio atacadista de máquinas e equipamentos para uso comercial; partes e peças 2,21% 1105,64 % 305,60% (52.075) 4.754.561 -0,44% 0,00% (1.535.836) -13,07% (66.611.896) (14.881.400) 37 566,74% 126,61% 0,00% 15.927 0,14% (403.650) (13.940.474) 3.774 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente e de materiais de construção em geral (35.918.048) 0,05% -3,43% 118,61% (14.913) -0,13% (42.332) -0,36% 223.612 314.933 0,05% 91.320 0,02% 1,90% 98 Comércio atacadista de combustíveis sólidos, líquidos e gasosos, exceto gás natural e GLP Comércio atacadista de produtos químicos e petroquímicos, exceto agroquímicos Comércio atacadista especializado de outros produtos intermediários não especificados anteriormente Comércio atacadista de mercadorias em geral, sem predominância de alimentos ou de insumos agropecuários Comércio varejista de combustíveis para veículos automotores Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática Comércio varejista especializado de móveis, colchoaria e artigos de iluminação Comércio varejista de artigos de uso doméstico não especificados anteriormente 2.956.867 2.956.867 0,50% 0,00% 25,16% 0,00% 3.776.824 0,66% (3.776.824) -32,13% 2.318.380 4.818.574 0,82% 2.500.194 0,44% 76.389 0,01% 0,00% 4.392 0,00% 0,00% 4.392 3.900 0,00% 0,00% 3.900 660.690 0,11% 0,00% 660.690 203 0,00% 0,00% 203 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 21.275 0,00% 0,00% 21.275 0,18% Comércio varejista de jóias e relógios 2.311 0,00% 0,00% 2.311 0,02% SERVIÇOS 1.139.677 0,19% 169.711 0,03% 0,00% 169.711 1,44% 286.183 0,05% 0,00% 286.183 2,43% 682.128 0,12% 682.128 0,12% 1.363 0,00% 3.343 0,00% (1.981) -0,02% 0,00% 5.280.745 0,92% (5.280.745) -44,93% Transporte ferroviário de carga Transporte rodoviário de carga Edição integrada à impressão de jornais Telecomunicações por fio 76.389 Telecomunicações sem fio 5.966.217 1,04% Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não-customizáveis 0,65% 0,04% 0,03% 5,62% 0,00% (4.826.540) - -41,06% 0,00% 293 293 TOTAL Fonte: MDIC. Elaboração própria 19,73% 585.665.343 0,00% 100,00 % 573.911.883 0,00% 100,00 % 0,00% 11.753.460 100,00% 99 100 101 102 103