RESENHAS
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Resenhas
SE OS HOMENS PUDESSEM OUVIR
Elizabeth de Fontenay, Le silence des
bêtes. La philosophie à l’epreuve de
l’animalité. Paris, Fayard, 1998, 784 p.;
Boris Cyrulnik. Si les lions pouvaient
parler. Essais sur la condition animale, Paris,
Gallimard/Quarto, 1998, 1571 p.
EDGARD DE ASSIS CARVALHO
Até quando o conhecimento continuará a não reconhecer que a distinção entre
animalidade e humanidade precisa ser
superada? Os animais pensam? Possuem
razão? Possuem cultura? Desenvolvem
sensibilidades? Esses questionamentos são
problematizados de modo superlativo nesses dois volumosos livros organizados por
Fontenay e Cyrulnik, sem tradução prevista no Brasil.
Nos limites de uma resenha cabe, de
início, referenciar as intenções dos autores
na organização dos dois textos. Para diri-
mir qualquer tipo de pieguice ou ressentimento, Elizabeth de Fontenay enfatiza que
o amor e o respeito pelos animais não conduz à misantropia, ao racismo ou à barbárie. Se a industrialização da vida fez com
que a domesticação dos animais fosse necessária para garantir a sobrevivência dos
humanos, hoje esses “campos de concentração” viram as costas para qualquer tipo
de precaução que possa ser tomada para
com o sofrimento alheio! Adeus qualquer
resquício de humanismo! O que importa
agora é a metafísica predadora que acomete animais e homens. O terreno é minado e
movediço. O que Elizabeth pretende é escrever uma outra história da filosofia, ocidental é claro, que reconhece e admite que
a animalidade constitui um enigma cuja
decifração é complexa, incompleta e
inconclusiva.
Boris Cyrulnik, em seu longo ensaio
introdutório, é mais explícito. A Filosofia,
mesmo quando fala da animalidade, não
nos ensina nada sobre ela. E isso porque
há um déficit de conceitos para tal. Para a
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vã Filosofia, criaturas animais são nãohomens, não-humanidade, não-vida. Para
superar esse estado de coisas, há pontos
de partida inquestionáveis. Um deles diz
respeito à derrocada do antropocentrismo,
e isso porque o homem não é o centro do
Universo, nem o centro do mundo vivo, e
muito menos o centro dele mesmo. Os animais nos são úteis para corroborar essa
controvertida hipótese, ainda não assimilada nos frios corredores da fragmentação
dos saberes. Será a identificação continuada dos estados animais que tornará possível à condição humana pensar e refletir
sobre ela mesma.
Se os animais servem para alimentar
nossas projeções psíquicas, ao afirmarmos
por exemplo, fulano é um asno, beltrano é
astuto como uma raposa, como será que
eles nos vêem? Se é impossível responder
a essa pergunta porque a animalidade é
destituída de linguagem articulada, é forçoso reconhecer que os animais sempre
compartilharam da vida dos humanos,
mesmo depois que a domesticação e as experimentações laboratoriais impuseramlhes sofrimentos descabidos. Para
Cyrulnik, o nascimento de uma Antropologia naturalista será o indicador de uma
nova atitude do Homem ante a linguagem
e os demais seres vivos.
Os dois livros têm estrutura diferenciada. Precedidos de epígrafes retiradas do
fabuloso livro de Elias Canetti, O território
do homem, os vinte blocos de O silêncio dos
animais constituem metatemas — Intercessões, Humanismos contrários, Tempos dos
sacrifícios, Delírios e Sonhos, a Refundação, A experiência do semelhante, O
coração pesado — em torno dos quais são
reunidos pensadores que abrangem um
leque multivariado e complexo de idéias,
dúvidas, provocações. Marcel Mauss,
Georges Bataille, David Hume, Maurice
Merleau-Ponty, Primo Levi, Claude Lévi-
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Strauss, Gilles Deleuze, Gustave Flaubert
são alguns nomes que permitem a
Fontenay dar consistência filosófica e
epistemológica a esse enigma do Ocidente
que acabou por classificar os animais como
“o mais outro dos outros”.
Nos dezenove blocos de Se os leões pudessem falar — Os animais humanizados,
A vergonha das origens, Os animais podem enlouquecer, O animal, figura do Outro constituem alguns títulos — Cyrulnik
prefere ceder a palavra aos próprios pensadores, permitindo ao leitor usufruir da
inteireza das formulações. Defrontamonos com fragmentos de Jacques Lacan,
Serge Moscovici, Aristóteles, La Fontaine,
René Thom, Michel Foucault, René Descartes, Colette, Ye Ziqi, dentre tantos outros. Mergulhamos em sacríficos, rejeições,
cultos, bruxarias, ódios, demônios, mistérios da imortalidade, como se nos defrontássemos com nossas próprias origens,
angústias e dilemas.
Após percorrrer 784 páginas do Silêncio e 1.571 do Se os leões não esperemos receitas, soluções ou propostas mirabolantes. Aliás, não foi esse o propósito dos dois
autores. O que sentimos é a sensação de
um grande desconforto, pois reconhecemos explicitamente o teatro de crueldades
e a guerra perpétua em que se converteu a
relação homem-animal. Por outro lado,
somos levados a recuperar para os dias
correntes uma história muito antiga. Nela
um homem que vagava pelo deserto deparou-se com um cão sedento que se encontrava à beira da morte. O homem acercouse de um poço d’água, saciou sua sede e a
do cão. Após esse ato, Deus concedeu-lhe
o perdão para todas as suas faltas.
Desafio de nosso tempo, a superação
dessa guerra perpétua de todos contra todos permitirá ultrapassar os desmandos e
a intolerâncias da idade de ferro planetária e lutar por uma identidade futura
RESENHAS
baseada na sinergia entre plantas, animais
e homens. Se seremos perdoados por todos os horrores que cometemos contra nós
mesmos é assunto para outros livros, que
talvez venham a ser organizados por
Elizabeth de Fontenay e Boris Cyrulnik.
Edgard de Assis Carvalho, professor do
Departamento de Antropologia da PUC-SP.
E-mail: [email protected]
EXISTÊNCIAS, PENSAMENTOS
E INCÔMODOS
J. M. Coetzee, A vida dos animais, São
Paulo, Companhia das Letras, 2002,
148p.
MARCOS BERNARDINO DE CARVALHO
A capa: no centro de um papel-cartão
branco, liso e brilhante, um pedaço de carne, crua, vermelha e áspera, que inevitavelmente atrai nosso toque. Impossível não
ficar comparando a sensação de aspereza
oferecida pela imagem da carne com a
suavidade do branco que a contorna.
É difícil simplesmente abrir a edição
brasileira do livro do escritor sul-africano
J. M. Coetzee sem tocar na imagem do pedaço de carne vermelha colocado no centro de sua capa. A sensação tátil da aspereza e o ruído pulverulento que seu toque
produz nos acompanharão por toda a leitura do livro, a cada página virada.
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Definitivamente, o artista responsável
por essa capa — Angelo Venosa — parece
querer colaborar com o incômodo provocado pelo texto de Coetzee. Às reflexões
sobre as componentes de arrogância e
crueldade que caracterizam a condição humana, especialmente na sua relação com
os outros animais e “outros seres desprovidos de razão”, a capa de Venosa adiciona a lembrança automática, a cada página
virada, daquele pedaço de carne vermelha
colocado no centro da capa do livro. E esse
pedaço de carne, à medida que avançamos
na leitura das reflexões de Coetzee, parece
lembrar um dos principais e mais chocantes produtos dessa condição humana sobre a qual o escritor sul-africano nos convida a refletir: a redução de muitas existências a nacos de carne sem vida e prontas para o consumo.
Mas, vamos ao enredo.
J. M. Coetzee, convidado a proferir palestras na Universidade de Princeton, sobre tema de sua livre escolha, que contribua para a reflexão de questões relevantes
no campo da ética, surpreendentemente,
em vez de um ensaio acadêmico-filosófico,
apresenta dois textos ficcionais — Os filósofos e os animais e Os poetas e os animais —,
em que narra os episódios de duas palestras proferidas pela personagem principal
dessas suas histórias, a romancista australiana Elisabeth Costello, em Appleton
College, localizado na cidade de Waltham,
Estados Unidos.
Na ficção de Coetzee, também para Elisabeth se concede a liberdade da escolha
do tema das palestras, que igualmente surpreendem os anfitriões. Dela, de quem se
esperaria algo relacionado à literatura, obtêm-se sessões mais ou menos tradicionais,
na forma mas não no conteúdo, sobre os
abusos e as crueldades humanas no trato
com os animais.
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Essas inversões que surpreendem as
expectativas das formas realizam a nãoficção por meio ficcional e, conseqüentemente, enfraquecem qualquer possibilidade de absolutização dos argumentos e
reflexões apresentados, independentemente das ênfases e dos lastros em que se
apóiam, e da veracidade ou da irrealidade
dos personagens que os veiculam. Assim,
as certezas e as incertezas das pregações e
convicções alternam-se sem hierarquias
valorativas. Da mesma forma, os veículos
que as conduzem deixam de ser mais, ou
menos, valorizados apenas porque ou se
apóiam nas ciências, ou nas não-ciências,
ou nas artes, ou nas literaturas.
Quanto às “palestras”, propriamente
ditas, Coetzee as emoldura com a chegada
e a partida de Elisabeth Costello. A frieza
da recepção e da despedida de seu filho
John, professor em Appleton, as hostilidades e os conflitos entre Elisabeth e Norma,
mulher de John, contribuem para produzir
um certo mal-estar, agravado pela tensão
das relações familiares, que acompanhará
os três dias de permanência da velha romancista australiana em Waltham, incluindo tanto os momentos de hospedagem
na casa de seu filho e de sua nora, como
também os momentos das palestras ou das
homenagens e recepções que a elas se seguem.
Os conteúdos e as falas desenvolvidas por Elisabeth, nas sessões das conferências e debates, não aliviam o mal-estar.
Pelo contrário. Incomodam suas comparações entre a forma como os nazistas trataram os judeus e a forma como sempre
tratamos os animais. Incomodam seus
questionamentos à primazia de uma razão que se pretende única, e à negação ao
direito das existências que, por não pensarem como nós pensamos, logicamente
deixam de existir, conforme costumam decretar os adeptos da pena capital do cogito cartesiano.
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Na primeira palestra — O filósofos e os
animais —, o tema parece ser de fato a vida
dos animais, o absurdo e a crueldade das
atitudes humanas com relação a esses outros seres.
Na introdução de sua conferência e
indicando, sem meias medidas, a que veio,
Elisabeth Costello é radical na denúncia:
“Estamos cercados por uma empresa de
degradação, crueldade e morte que rivaliza com qualquer coisa que o Terceiro
Reich tenha sido capaz de fazer, que na
verdade supera o que ele fez, porque em
nosso caso trata-se de uma empresa interminável, que se auto-reproduz, trazendo
incessantemente ao mundo coelhos, ratos,
aves e gado com o propósito de matá-los”
(pp. 26-27).
Em ataque direto às velhas argumentações dos filósofos que invocam o mundo da razão para distinguir “autômatos
biológicos” de seres racionais, feitos à
imagem e semelhança de Deus, a romancista alerta: “A razão não é a essência do
universo, nem a essência de Deus... A razão parece ser a essência do pensamento
humano; pior ainda, a essência de apenas uma tendência do pensamento humano” (p. 29).
Tais contra-argumentos oferecem o
adequado suporte para que percebamos a
densidade contida em inúmeras indagações com as quais Elisabeth vai costurando sua palestra e que, à primeira vista, surpreendem pela simplicidade. Em certo momento, por exemplo, a romancista indaga:
“se somos capazes de pensar nossa própria morte, por que diabos não somos capazes de pensar a vida de um morcego?”
(p. 40); e, em outro, arremata exortando:
“Não há limites para a imaginação simpatizante” (p. 43).
Essa ausência de limites, no entanto,
depende, na opinião de Elisabeth, da recusa a qualquer tipo de concessão nas atitu-
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des em relação ao tema. Para ela, são “graus
de obscenidade” (p. 54), por exemplo, o que
diferencia o ato de comer carne do de usar
sapatos de couro.
Na segunda palestra — Os poetas e os
animais —, o debate se abre e as possibilidades de interpretações menos literais
também. O tema, “a vida dos animais”, evidentemente, não é abandonado, porém as
inúmeras referências metalingüísticas nos
levam a refletir sobre o próprio discurso,
sobre as formas de construção do discurso
e ampliam as considerações para as relações estabelecidas, não só entre nós e os
animais, mas entre os próprios seres humanos, uns com os outros.
Afirmações como “os escritores nos
ensinam mais do que sabem” (p. 63) ou
manifestações de incerteza quanto ao poder das aulas de poesia — “podem fechar
matadouros?” (p. 69) — ilustram e indicam parte da ampliação a que nos referimos.
Outra parte dessa ampliação se alcança pelas menções a diversos escritores
(Camus, Rilke, Hughes, Swift...) e ao poder
de intervenção de seus escritos, que são
feitas tanto por Elisabeth Costello como por
outros personagens que com ela dialogam
nessa segunda sessão.
Mas as indicações de que Coetzee está
realmente interessado em nos conduzir
para uma leitura menos literal atingem seu
ápice exatamente no final dos episódios
narrados. Aí, enquanto era levada por seu
filho John de volta para o aeroporto, a velha romancista fala de seus medos e receios. Entre eles a apavora a cumplicidade
silenciosa com que muitos participam de
crimes inimagináveis, como os que foram
perpetrados nos campos de concentração
nazista. Nesse sentido, Elisabeth chega a
manifestar sua exasperação diante da mínima possibilidade de que se incorpore à
normalidade dos ambientes familiares
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abajures feitos de “pele judaico-polonesa”,
sabonetes marca “Treblinka — 100% estearato humano” ou similares (“os fragmentos de corpos que mantemos em nossas geladeiras?”). Diante da manifestação
de desespero de sua velha mãe, John a abraça e ambiguamente a consola dizendo apenas: “Calma, calma, já está quase no fim”
(p. 83).
É, portanto, de sofrimento humano que
o livro de Coetzee também trata.
Mas o fim das histórias de Coetzee não
encerra o livro. Às narrações sobre as aventuras de Elisabeth Costello em terras norte-americanas adiciona-se uma segunda
parte, tão rica quanto a primeira, composta pelas reflexões de quatro eminentes figuras, convidadas especialmente para comentar as palestras de Coetzee: Marjorie
Garber, teórica da literatura e professora
de inglês em Princeton; Peter Singer, filósofo e professor de bioética nas Universidades Monash e Princeton; Wendy
Doniger, professora de história das religiões na Universidade de Chicago, e
Barbara Smuts, primatologista e professora de psicologia e antropologia na Universidade de Michigan.
Os comentários de cada uma das personalidades, breves e densos, prolongam
o prazer da leitura e da reflexão proporcionados pelas palestras de Coetzee.
A reunião das considerações de profissionais de distintas áreas, da crítica literária à biologia, reflete, como nos anuncia
Marjorie Garber no início do seu comentário, “a especial atenção para a divisão disciplinar e o descontetamento que isso suscita” (p. 86).
Das interpretações mais literais às
metafóricas, os textos dos comentadores se
alternam iluminando os diferentes e relevantes aspectos das palestras de Coetzee/
Costello. Também são variáveis na forma
de abordagem, alternando entre o estilo
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acadêmico-ensaístico e narrativas semelhantes às produzidas por Coetzee.
Marjorie Garber, por exemplo, em belo
ensaio, prefere reforçar um dos sentidos
metafóricos que se pode emprestar às narrativas de Coetzee e cogita a possibilidade
de que o escritor sul-africano, no fundo, “o
tempo todo estivesse perguntando: Qual o
valor da literatura?”(p. 101).
Peter Singer prefere narrar um episódio familiar em que ele próprio e sua filha,
Naomi, dialogam em torno dos textos de
Coetzee e das dificuldades em responder a
uma palestra “que não é palestra nenhuma” (p. 102), mas uma ficção. Dessa maneira, Singer acaba por chamar a atenção
para as vantagens da forma de comunicação escolhida por Coetzee para abordar um
tema que lhe é dos mais caros, a zooética, e
homenageia esse caminho, que “desfaz a
fronteira entre representação e realidade”
(p. 103), construindo, no mesmo estilo narrativo (ficcional?), um comentário que, por
sua forma, enaltece o conteúdo e a radicalidade das considerações de Coetzee e chama a atenção para a sintonia integral que
entre eles, Singer Coetzee, estabeleceu-se.
Wendy Doniger e Barbara Smuts, por
fim, apesar de admitirem as várias possibilidades de interpretação para as palestras de Coetzee, preferem aprofundar
aspectos que se atêm ao que consideram o
tema central das palestras, ou seja, “os
animais e nossas relações com eles”
(p. 129). Doniger reflete sobre a possibilidade de existência de alternativas para
as relações entre os seres humanos e outros animais, que não sejam fundadas nas
atitudes unilaterais que ou pregam a ausência de qualquer relação, ou se pautam
na crueldade, na restrição de movimentos e na violentação de identidades. Há,
acredita Doniger, “alternativas civilizadas para os dois extremos naturais da
carne crua e grama” (p. 115).
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Barbara Smuts, por sua vez, dedica
suas considerações a um único tema: provar que é possível a amizade entre seres
humanos e animais. Ou seja, dedica-se a
demonstrar que, de fato, como afirmou
Elisabeth Costello em uma de suas palestras, “não há limites para a imaginação
simpatizante”. O recurso utilizado por
Smuts para comprovar e argumentar favoravelmente a essa “tese” é o de um impressionante relato da sua convivência de
pesquisadora com bandos de babuínos do
Quênia e a aplicação do aprendizado adquirido nessa convivência na relação com
sua cachorra Safi, uma “vira-lata, sem
coleira, nem história”, resgatada, já aos
oito meses de idade, de um abrigo para
animais.
Com os babuínos e com Safi, Barbara
Smuts nos relata o prazer de experimentar a “alegre intersubjetividade que transcende as fronteiras entre as espécies”
(p. 137). Mas, ao demonstrar a possibilidade da amizade entre indivíduos de diferentes espécies, a primatóloga, mesmo
afirmando não ser essa sua intenção, levanos a refletir sobre quão infinitas seriam
as possibilidades de afeição entre os indivíduos situados em um mesmo lado dessas fronteiras, como entre os seres humanos, por exemplo.
Esse último comentário nos remete,
portanto, a pensar novamente nas inúmeras e possíveis leituras das palestras de
Coetzee/Costello e talvez em uma óbvia
conclusão: estamos diante de uma dessas
raras obras que, tanto leituras mais literais, como as menos, produzem iguais, incômodos e positivos efeitos.
Marcos Bernardino de Carvalho, professor
do Departamento de Geografia da PUC-SP.
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