IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ PROPOSTA DE PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL ORIENTADO PARA OS VISITANTES DO PARQUE NACIONAL DO IGUAÇU – PR Fabiana Faxina (UESC) Bel. Turismo, Esp. Educação e Gestão Ambiental, Mestranda em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, bolsista DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico [email protected] Chiara Ferracini Campos Bel. Turismo, Esp. Educação e Gestão Ambiental [email protected] Resumo Em resumo apresenta-se o trabalho cuja proposta é um Programa de Educação Ambiental orientado aos visitantes do Parque Nacional do Iguaçu, no município de Foz do Iguaçu, estado do Paraná. Para isso, trabalha com conceitos de educação ambiental e seu contexo histórico, bem como com conceitos de impacto ambiental negativo e o impacto causado pela atividade turística, sendo que este pode ter suas possibilidades de ocorrências minimizadas por meio da educação ambiental orientada aos visitantes de determinado atrativo, no caso do trabalho em questão, dos Parques Nacionais. Contextualiza o significado de uma Unidade de Conservação (UC) e sua evolução cronológica. Paralelo a esta apresentação, envolve a prática da atividade turística e da educação ambiental como co-parceiras destas áreas protegidas. Especifica-se a UC em discussão: o Parque Nacional. Seguidamente discorre sobre o Parque Nacional do Iguaçu, seu modo atual de visitação e o que desenvolve a respeito de educação ambiental. Abordados estes assuntos, procura, por meio da pesquisa primária, aplicada aos visitantes, conhecer gradualmente o que estes entendiam sobre alguns aspectos referentes a assuntos ambientais, a fim de melhor orientar o proposto. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ 1 Introdução O trabalho a seguir apresentado trata-se da versão sintetizada da monografia elaborada para conclusão do curso de pós graduação latu sensu em Educação e Gestão Ambiental, pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana – PR, no ano de 2005. Tem como objetivo propor um Programa de Educação Ambiental voltado para os visitantes do Parque Nacional do Iguaçu (PNI), na região que compreende o município de Foz do Iguaçu, Estado do Paraná. O Parque Nacional do Iguaçu foi criado em 10 de janeiro de 1939. Em 1986 recebeu o título, concedido pela UNESCO, de Patrimônio Natural da Humanidade. Em sua área encontra-se integralmente a bacia do Rio Floriano, um dos afluentes do Rio Iguaçu. Apresenta um rico patrimônio genético, protegendo uma grande parte da Floresta Estacional Semidecidual, sendo que nas porções altas, a mais de 600 metros do nível do mar, pode ser encontrada a Floresta Ombrófila Mista, ou Mata de Araucária. Em relação à fauna existem registros de 257 espécies de borboleta, porém a estimativa aponta para aproximadamente 800; 200 espécies de aves catalogadas; 45 de mamíferos, 41 de serpentes, 18 de peixes, 12 de anfíbios e oito de lagartos, conforme informações do Plano de Manejo. O PNI localiza-se na confluência entre Brasil, Argentina e Paraguai, conforme pode ser observado na Figura 1. Atinge os municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Matelândia, Céu Azul, Santa Teresa do Oeste, Lindoeste, Capitão Leônicas Marques, Serranópolis do Iguaçu e Capanema, todos no Estado do Paraná (Figura 2). Possui área total de 185.262,5 hectares e um perímetro de 420 quilômetros. Limita-se ao norte com a BR-277, a Leste com o Rio Gonçalves Dias, ao Sul com o Rio Iguaçu e a Oeste com o Rio São João e a Estrada Velha de Guarapuava. Abriga o único e último registro ecologicamente viável da Floresta Estacional Semidecídua remanescente da região Oeste do Paraná, maior contínuo florestal da região Sul. Segundo o Plano de Manejo do PNI de 1999 e o Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC), esta unidade tem como um dos seus objetivos específicos: “Ofertar, ampliar e diversificar as possibilidades de uso público e educação ambiental, levando o visitante e a população lindeira a compreender e a respeitar o valor do Parque como uma área protegida e o valor da conservação ambiental.” IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Figura 1 – Mapa de distâncias. Fonte: site da Concessionária Cataratas do Iguaçu S.A. Figura 2 – Municípios vizinhos. Fonte: site da Concessionária Cataratas S.A. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ As Cataratas do Iguaçu (Figura 3) são hoje uma das maiores belezas naturais do mundo e o principal atrativo deste Parque. Paralelo à visita de turistas, o PNI promove educação ambiental, por meio da Escola Parque, que faz parte da Área de Conservação e Manejo, atendendo a comunidade do seu entorno. Figura 3 – Carataratas do Iguaçu. Fonte: Dados da pesquisa. E por tratar de Educação Ambiental, Sorrentino (1995), apresenta que seu objetivo é “contribuir para a conservação da biodiversidade, para a auto-realização individual e comunitária e para a autogestão política e econômica, através de processos educativos que promovam a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida.” Minini (2000), a apresenta como um processo que consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa a respeito das questões relacionadas à conservação e adequada utilização dos recursos naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. Complementando com Dias (2003), IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ considera um processo por meio do qual as pessoas possam apreender como funciona o ambiente, como se depende dele, como o afetamos e como o promovemos para a sua sustentabilidade. A Escola de Educação Ambiental do Parque Nacional do Iguaçu foi inaugurada pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em 26 de janeiro de 2000. Por meio de ações pontuais, objetiva a conservação do meio ambiente e a redução dos impactos causados pela população do entorno. Faz da educação ambiental o instrumento para informar e sensibilizar para a conservação da biodiversidade deste Parque assim como envolver a população do entorno em suas ações de conservação. No início do ano de 2005 houve a descentralização da Escola Parque, estendendo sua base às cidades de Capanema e Matelândia, também lindeiras, no intuito de otimizar a participação e envolvimento da comunidade. Os projetos desenvolvidos são: Curso/laboratório de Educação Ambiental, destinados aos professores dos municípios do entorno; Mostra Anual de Educação Ambiental, onde são apresentados os trabalhos desenvolvidos pela Escola Parque durante o ano; Conhecendo o Parque Nacional do Iguaçu e Visitas Técnicas, que são atividades realizadas com a visita ao PNI. Alguns destes projetos são realizados com alunos do ensino fundamental das escolas municipais locais e dos municípios do entorno. Este trabalho acontece desde a inauguração da Escola Parque, onde os grupos interessados agendam a sua visita no ParNa Iguaçu. Estes grupos são compostos de estudantes, professores, associações, entre outros interessados. Não é uma simples visita às Cataratas. De início, é realizada uma programação envolvendo palestras, dinâmicas e atividades lúdicas acerca das questões ambientais e também referentes ao local que os participantes estão visitando, que se trata de uma Unidade de Conservação (UC). Estas atividades são desenvolvidas e acompanhadas por monitores ambientais que envolvem todo o grupo neste programa de Educação Ambiental. Depois de desenvolvidas estas atividades o grupo é direcionado para conhecer in loco o que acabaram de ver e participar na Escola Parque, através das trilhas de reconhecimento, realizando no percurso um trabalho de contato e interpretação da natureza. Existindo a prática da visitação a áreas naturais, seja ela de conservação permanente ou não, devese haver um planejamento consciente. Segundo Ansarah (2001), o planejamento “consiste em um conjunto de atividades que envolvem a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ objetivos propostos. Ele tem como objetivo o aprisionamento de facilidades e serviços para que uma comunidade atenda seus desejos e necessidades.” É por meio dos moldes do planejamento sustentável que a Educação Ambiental pode ser inserida como um processo dinâmico enquanto o visitante permanece numa Unidade de Conservação, num Parque Nacional, que por este se tratar de um atrativo, a Educação Ambiental é apresentada como incremento da atividade turística ofertada neste local. Considerando a atividade turística em áreas protegidas, não pode deixar de citar que toda forma de empreendimento turístico acarreta impactos sobre o ambiente no qual ele se insere. Como os turistas precisam se deslocar ao local de consumo do ‘produto turístico’, é inevitável que a atividade esteja associada a impactos ambientais. À medida que o turismo avança pelo século XXI, os empreendimentos terão que fazer do meio ambiente uma prioridade. Com isso, percebe-se no decorrer dos acontecimentos ambientais globais, que a necessidade de seguir um padrão de desenvolvimento turístico ambientalmente menos impactante existe. Os projetos podem se apresentar como economicamente viáveis, mas somente isso não é necessário, também devem ser ambientalmente desejáveis. Segundo Cooper et. al. (2001), “O ambiente, seja ele natural ou artificial, é o ingrediente mais fundamental do produto turístico”. Porém, quando a atividade turística acontece, inevitavelmente, o ambiente é modificado. Seja anteriormente, com o objetivo de facilitar o processo ou mesmo durante o processo turístico. No que concerne os diferentes tipos de impacto, segundo Goeldner et. al. (2002), “o meio ambiente é o núcleo do produto turístico. A lucratividade no setor depende da manutenção da atratividade de uma destinação que as pessoas querem ver ou conhecer.” O turismo tanto tem o grande potencial para aprimorar o meio ambiente, prover fundos para conservação, preservar cultura e história, estabelecer limites sustentáveis de utilização e proteger atrações naturais, como também tem o poder de destruir. Ou seja, os impactos podem ser positivos ou negativos. Contextualizando o estudo em questão, o Parque Nacional do Iguaçu é exemplo de ser grande auferidor de benefícios advindos da prática da atividade de visitação pública em áreas protegidas, principalmente no que se refere à arrecadação em função do grande número de visitantes que recebe diariamente. É com a preocupação voltada aos possíveis impactos que esse fluxo de visitantes pode causar ao PNI, que este trabalho vem propor o programa de educação ambiental voltado para este público. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ 2 Metodologia O presente estudo foi realizado de modo exploratório, em relação a seus objetivos. Os dados de fontes primárias foram obtidos por meio de amostragem probabilística, através da escolha aleatória simples. O instrumento utilizado para coleta de dados foi o questionário quanti-qualitativo, sendo este elaborado nos idiomas português, espanhol e inglês, composto por questões abertas e fechadas. Os dados da pesquisa primária foram tratados por meio da distribuição de freqüência (%) e posteriormente, feita sua descrição, análise e interpretação. Este levantamento dos dados consistiu na aplicação de 136 questionários nos dias 25 e 26 de maio de 2005, direcionados aos visitantes do PNI. Inicialmente procurou traçar alguns quesitos relacionados ao perfil do visitante no que se refere à idade, grau de instrução, escolaridade e procedência, destacando apenas brasileiro ou estrangeiro, sendo estas questões objetivas. Delimitados estes dados, procurou-se aprofundar, por meio de questões subjetivas, na experiência que o visitante apresentava em relação a um Parque Nacional, questionando-lhes se já haviam visitado algum outro que não fosse o Iguaçu bem como traçando a visão que tinham sobre a função de um ParNa e os seus benefícios. Objetivando mensurar a relação que os entrevistados faziam com a educação ambiental, questionoulhes sobre o entendimento que tinham a respeito. Em seguida, procurou-se saber qual era o interesse do grupo entrevistado em participar de alguma atividade referente à educação ambiental. Não só bastaria identificar estas indagações, mas também captar, por meio da percepção do visitante, o conhecimento sobre impacto ambiental, se este seria ou não capaz de avaliar o que sua visita poderia causar ao Parque. Finalizando o questionário, procurou-se saber se o entrevistado havia aprendido algo com a visita e, em caso afirmativo, que justificasse essa percepção. A pesquisa bibliográfica deu-se a partir de livros técnicos e científicos, documentos do Parque Nacional do Iguaçu e da concessionária Cataratas do Iguaçu S.A., dados do Ministério do Meio Ambiente, IBAMA e sites da Internet. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ 3 Análises da pesquisa A busca primeira foi identificar se o visitante era nacional ou estrangeiro, resultando num total de 53,68% de brasileiros. Em relação à idade dos entrevistados, observou-se que grande parte do público foi composta por jovens e adultos, concentrando 29,41% na faixa etária que compreende dos 20 aos 29 anos, seguido por 19,85% no intervalo de 30 a 39 anos de idade. A terceira faixa etária que se destacou foi a situada a partir dos 60 anos, com 16,91% de participação. A identificação da idade é muito importante quando se pretende apresentar algo novo aos visitantes, seja ele por meio de produtos ou serviços, a fim de permitir um melhor direcionamento do que se pretende propor, identificando o público que se trabalhará. No que se refere ao grau de escolaridade aproximadamente 33,09% dos questionados possuíam nível superior completo, seguido de 24,26% que concluíram o ensino médio. Os que possuíam pósgraduação representou 13,24% do total entrevistado, seguido de 11,03% que ainda não haviam concluído a graduação. O percentual dos que não respondeu a esta questão foi de 1,47%. Fez-se uso de uma classificação padrão utilizada nas pesquisas realizadas pela Paraná Turismo1 no que se refere às formas de ocupação assumidas pela população, como se observa na Tabela 1. Foi escolhido este padrão, devido à experiência que este órgão tem em aplicação de pesquisas que identificam o perfil da demanda turística em alguns municípios do estado do Paraná. Do universo entrevistado com 19,12% das respostas, encontram-se os estudantes, seguidos de 13,24% de profissionais liberais. Com 11,03% observam-se as atividades de comércio e/ou venda e 5,88% são aposentados, sendo as ocupações de maior representatividae. Na questão referente à visitação a outros ParNas, 58,82% afirmaram já ter visitado algum outro (como, por exemplo, Parque Nacional do Itatiaia, Tijuca, Serra Geral, das Emas, Chapada do Veadeiros, Serra da Canastra, de Yellowstone, Aparados da Serra), dentre estes, 55% eram visitantes estrangeiros, ou seja, aproximadamente 70% dos estrangeiros entrevistados já conheciam outros ParNas, enquanto apenas a metade dos brasileiros já havia o feito. Porém, é importante ressaltar que foi observado que em alguns casos houve demasiada confusão em relação a parques urbanos municipais, estaduais e até zoológicos, que por algumas pessoas foram considerados como parques nacionais. Exemplo disto pode ser citado o Parque Barigüi, em Curitiba, o zoológico Bosque 1 Paraná Turismo: Órgão estadual responsável pelo planejamento e a execução da Política Estadual de Turismo. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Guarani e o Parque das Aves, sendo estes últimos localizados em Foz do Iguaçu. Em contrapartida, aproximadamente 41,18% relataram convictamente que não haviam visitado nenhum Parque Nacional até então. Tabela 1 – Ocupação. Ocupação Freqüência Aposentado 5,88% Área médica/biológica 8,09% Comércio/Venda 11,03% Engenharia 5,15% Funcionário público 4,41% Gerência administrativa/industrial 5,15% Nível secundário 11,76% Prendas do lar 3,68% Professor 7,35% Profissionais liberais 13,24% Profissões técnicas/científicas 3,68% Estudante 19,12% Desempregado 0,74% Não responderam 0,74% Total 100% Fonte: Dados da pesquisa. Tratando-se de visita a um Parque Nacional sentiu-se a necessidade de levantar a questão sobre a idéia que o visitante fazia em relação à função deste. Constatou-se uma vasta diversidade quanto à atribuição de função por parte dos entrevistados, como se pode observar na Tabela 2. Em uma visão abrangente das respostas, sua maioria poderia ser enquadrada aos aspectos diretos ou indiretos a conceitos conservacionistas em relação à natureza. Optou-se intencionalmente em fazer esta IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ questão de forma aberta, a fim de colher informações exclusivas, sem influências direcionadas, mas com objetivo de delimitação de conceitos para que estes pudessem ser delineados e melhor trabalhados posteriormente. Sendo assim, obteve-se 61,76% das respostas relacionadas à preservação, proteção e conservação da natureza. Em relação ao índice de respostas ligadas à contemplação e interação consciente do homem com a natureza, o volume concentrou 23,53% das respostas, seguida de 13,24% das relacionadas à conscientização e educação. Outras respostas que se pode destacar são as referentes às atividades turísticas e recreativas, com índice de 16,18%. As intenções de respostas são positivas, porém é importantíssimo mencionar que muitas vezes estão longe de serem integradas com a verdadeira função de um Parque Nacional. Chama-se atenção, neste caso, à legenda das respostas classificadas em “Diversas” por serem muito abrangentes ou não convincentes ao real propósito de um ParNa. Neste índice de aproximadamente 10% estão as que se referem à: “Exploração Econômica”, “Explorar a natureza”, “Para a humanidade”, “Valorizar a cultura e cuidar do nosso patrimônio”, “Muito preciso para a natureza e para o ser humano”, “Alegrar os olhos”, “Conhecer melhor as coisas”2 entre outras. Tabela 2 – Opinião do visitante quanto à função de um Parque Nacional. Classes Freqüência Preservação/ Proteção/ Conservação 61,76% Conscientização/ Educação 13,24% Desenvolvimento Sustentável 5,15% Contemplação e interação consciente do homem com a natureza 23,53% Manter área de mata protegida por lei 0,74% Turística/ Recreação 16,18% Pesquisa científica 0,74% Diversos 10,29% Não responderam 1,47% Total entrevistado 136 Total de respostas obtidas 181 Fonte: Dados da pesquisa. 2 Estas expressões foram utilizadas entre aspas por serem transcritas devidamente como foram mencionadas pelos entrevistados, lembrando se tratar de uma questão aberta. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Pode-se observar também que entre os que responderam de forma a enquadrar sua resposta em “Diversos”, 86% deles participariam de atividades voltadas à Educação Ambiental, durante a visita ao ParNa, o mesmo percentual acredita que a existência do ParNa lhe traz benefícios e que também a sua visita não causa nenhum tipo de impacto. Na seqüência os visitantes foram questionados sobre os benefícios individuais advindos da existência de um Parque Nacional. Apesar da multiplicidade de respostas em relação à pergunta anterior, constatou-se que mesmo com certa dificuldade conceitual dos entrevistados, ao que representa um Parque Nacional, a grande maioria, 97,79%, acredita que a existência destas unidades traga benefícios próprios. Quando questionado sobre o entendimento que tinham a respeito de Educação Ambiental, observouse que, conforme a Tabela 3, aproximadamente 40% fazia alguma relação com os conceitos de preservação, conservação e/ou valorização da natureza. Outros 23,53% relacionavam com conscientização e/ou educação para a preservação da natureza. Pode-se observar que 15,44% foram os visitantes entrevistados que afirmaram não ter nenhuma opinião a respeito do que se trata a Educação Ambiental. Analisando esta parcela, 43% de sua composição se encaixam na segunda faixa etária admitida para classificação neste trabalho (de 15 a 19 anos de idade). Este dado é bem acima do apresentado pela amostra geral, cuja participação da faixa etária citada representa 7,35% do total. Isto se torna passível de admitir que o público que apresentou mais necessidade em ser trabalhado é o que se concentra nesta faixa etária. Desta forma, algumas das ações propostas podem ser orientadas para o público jovem. Ainda se tratando deste mesmo público, pois a análise mais instigada torna-se interessante uma vez afirmado desconhecer sobre a Educação Ambiental, uma representatividade de 43% afirmou não aprender nada com a visita. Outros 86% afirmaram não causar impacto com a visita. Percebe-se que a falta de orientação em relação aos conceitos ambientais reflete nas diversas investigações que envolvam o assunto. No que compete a outros, com somatória de 13,24% do volume entrevistado, enquadram-se respostas como: “jogue lixo no lixo”, “medicina alternativa”, “conscientização social”, “simbolizar o estado do Paraná”, “obedecer às indicações” entre outras registradas que não se enquadravam nas séries obtidas com a maioria das respostas. Dos que responderam de forma diversificada, como apontado, cerda de 95% explicitou interesse em participar das atividades relacionadas à Educação Ambiental, constatando que mesmo o visitante não apresentando muito conhecimento em relação à IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ base conceitual que se situa a Educação Ambiental, o mesmo ainda dispõe de uma vontade própria de estar envolvido, participar das atividades correlacionadas ao assunto. Tabela 3 – Entendimento sobre Educação Ambiental. Classes Freqüência Preservação/ Conservação/ Valorização 37,50% Conscientização e Educação para preservação 23,53% Conhecimento da natureza 2,21% Envolvimento da comunidade para a preservação 1,47% Equilíbrio entre natureza e homem 4,41% Maneira de minimizar impactos ambientais 2,21% Economia dos recursos/ Redução do desperdício 3,68% Não tenho opinião formada 15,44% Outros 13,24% Total de entrevistados 136 Total de respostas obtidas 141 Fonte: Dados da pesquisa. Observou-se que as respostas em relação à Educação Ambiental eram diversificadas e ao mesmo tempo abrangentes, o que foi possível perceber o desconhecimento relacionado a tal conceito e o quão restritos são os pontos de vista. Foi proposta aos visitantes a possibilidade de participarem de um programa de atividades em Educação Ambiental durante a visita, caso existisse no Parque Nacional do Iguaçu. Mesmo não obtendo resultados satisfatórios quanto ao entendimento sobre a Educação Ambiental, percebeu-se que a grande maioria, 81,62%, optou por participar. Enquanto outros 11,03% não demonstraram interesse. Dos que participariam, aproximadamente 58% eram brasileiros, o que representou 88% dos brasileiros entrevistados. Uma parcela de 79% dos entrevistados que não demonstraram participar, afirmaram não causar impacto negativo com a visita ao ParNa. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Este interesse demonstrado pela maioria afirma a necessidade de implantação de um Programa de Educação Ambiental voltado para os visitantes do Parque Nacional do Iguaçu, fundamentado na necessidade comprovada com a questão que se referiu ao entendimento sobre a Educação Ambiental, apontado na Tabela 3. Não só afirma como o torna viável, se tomar como base o percentual de interessados em participar das atividades sugeridas. Consegue-se observar ainda mais esta necessidade quando se conseguiu obter como opinião dos visitantes que 73,53% acreditam não causar nenhum impacto negativo com a visita. Aos 26,47% que responderam de forma afirmativa, foi-lhes questionado qual seria o impacto. Porém, temos justificativas por parte dos que disseram causar impacto, sendo respondido por 80% deles, assim como justificativas por parte dos que disseram não causar impacto, com participação de 22%. Dos que afirmaram causar impacto, 44,83% atribuíram que somente o fato de estarem fazendo a visita já estariam causando impacto. Com participação de 20,69%, são os que apenas citaram que o impacto negativo seria a agressão ou dano à natureza, porém não especificando de qual forma, sendo este o objetivo da questão. Outros 10,34% atribuíram especificamente à poluição a causa do impacto. Temos também que 3,45% disseram que este impacto seria o fato de ter alimentado animais. Sendo esta uma prática muito constante por parte dos visitantes, uma vez que, principalmente, quatis são encontrados com muita facilidade no decorrer da trilha assim como nos mirantes, Espaço Naipi e Porto Canoas. Não é somente a sinalização gráfica que será capaz de sensibilizar o visitante de todas as conseqüências decorrentes da prática de alimentar os animais dentro do ParNa. Um dado interessante é o de que 59,09% dos que disseram que a visita não causa impacto, justificam este fato através do próprio comportamento e dos demais visitantes, acreditando não causar impacto quando permanecem na estrutura física e cumprem as normas do ParNa durante a visitação. Também houve os que apontaram que causam impactos somente de forma positiva, com participação de 18,18%. Obtiveram-se conclusões dos que afirmaram que somente a grande quantidade de visitantes, ou seja, o turismo massivo, é que causa impacto, sendo uma parcela de 13,64% da maioria que afirmaram não causar impacto. Novamente, com estes dados, sobressai a necessidade da Educação Ambiental direcionada aos visitantes, a partir do momento em que se observa a abstração do indivíduo do todo ao qual pertence. Isto pode ser observado quando estes visitantes apontam que só a massa causa impacto. Não faria ele parte da massa? Ele não estaria contribuindo para aumentar o fluxo de visitantes? IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Depois de identificados os possíveis impactos negativos apontados pelos visitantes, foi-lhes questionado o que eles poderiam fazer no intuito de minimizar os impactos ora apontados. Obteve-se uma participação de 63,97% dos que não responderam à questão. Uma parcela de 11,03% respondeu que a minimização aconteceria a partir do momento em que as normas do ParNa fossem respeitadas. Outros 5,88% apontaram a prática de jogar lixo no lixo como maneira de minimizar os impactos. Teriam estes visitantes jogado lixo fora das lixeiras? Se sim, por falta de locais apropriados ou por falta de sensibilização? Nesta mesma questão aparece novamente o fato relacionado à alimentação por parte dos visitantes aos animais, sendo que 1,47% acredita que a redução dos impactos por eles causados ocorreria através do não fornecimento de alimentos aos animais. Para finalizar o questionário, objetivou-se extrair dos entrevistados o que haviam aprendido com a visita. Aproximadamente 77,94% das respostas afirmavam ter aprendido algo. Dentre elas, não diferente às outras questões abertas, obteve-se uma quantidade extremamente diversificada e abrangente de respostas, no que se referiu especificamente ao que haviam aprendido. Organizadas em tópicos orientados a assuntos correspondentes, obteve-se um volume de 25% de respostas relacionadas à preservação, conservação e valorização da natureza, 16,18% tiveram respostas de cunho emocional sobre a beleza da natureza e do Parque como, por exemplo: “que Deus existe”, “que o Brasil é mais lindo do que imaginava”, “que a natureza é perfeita”, “energia positiva”3 entre outras. Respostas relacionadas ao aprendizado sobre a fauna, flora e/ou recursos hídricos existente no PNI apresentaram índice de 11,76%. Observou-se ainda, que grande parte das respostas nesta última pergunta do questionário, como se observa na Tabela 4, teve diretamente influência de informações obtidas no próprio Parque (por sinalização ou atendimento direto dos colaboradores das concessionárias) em algum ponto durante a visitação. Um total de 8,09% das respostas foi relacionado a informações sobre a formação das Cataratas, outros 2,94% concerniam à participação de Santos Dumont no processo de tornar público o PNI. A legenda “Não alimentar os animais” obteve 2,94% das respostas. Ainda 2,21% dos questionados relataram informações obtidas através da sinalização, mas que não foram especificadas. Respostas isoladas e muito dissonantes ao tema central da pergunta foram consideradas como “Diversos” e, entre elas, “respeitar horários e ajudar as pessoas do grupo”, “nada específico”, “nada concreto, mas subjetivo” entre outras. Ainda faz-se necessário ressaltar que 18,38% dos entrevistados, apesar de afirmarem que haviam aprendido algo com a visita, desconsideraram a pergunta específica sobre o que haviam aprendido e não responderam. 3 Transcritas como mencionadas. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Tabela 4 – Assuntos apontados pelos visitantes como aprendizado obtido com a visita ao PNI. Classes Freqüência Preservação, conservação e valorização da natureza 25,00% Sobre a fauna, flora e/ou recursos hídricos existente no PNI 11,76% Participação de Santos Dumont na “desprivatização” do PNI 2,94% Formação das Cataratas 8,09% Integração do homem com a natureza 1,47% Não alimentar os animais 2,94% Informações obtidas através da sinalização e que não foram especificadas 2,21% Respostas de cunho emocional sobre a beleza da natureza/Parque 16,18% Nada 3,68% Diversos 13,24% Não responderam 18,38% Total de entrevistados 136 Total de respostas obtidas 144 Fonte: Dados da pesquisa. Vale lembrar ainda que as questões específicas, voltadas para as proposições do trabalho, se deram de forma subjetiva com a finalidade de que o visitante externasse sinceramente o que pensava a respeito, desta forma transparecendo o real conhecimento em relação à questão ora levantada. Em decorrência desta preocupação é que se observaram muitas respostas praticamente desvinculadas com o objetivo da questão. Isto culminou numa significância essencial, uma vez que se pode comprovar a falta de esclarecimento da população, podendo considerar os visitantes, no que se refere às questões ambientais assim como a banalização dos conceitos empregados. Examinando a participação dos brasileiros e estrangeiros nas questões específicas, notou-se que os dados equiparavam-se a todo momento com o percentual obtido com o resultado geral da pesquisa. Esta análise mais crítica foi possível por meio dos cruzamentos dos dados obtidos. Os mais relevantes foram apontados durante a análise. Desta forma, a estratificação de algumas questões IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ desmistifica-se gradativamente a visão (que muitos têm e que nem sempre saem do senso comum) de que o conhecimento dos estrangeiros é superior, porém nem sempre se aplica ao conhecimento concernente às questões de condutas, conceitos e comportamentos ambientais. Assim, revisada a bibliografia, orientando os conceitos admitidos e o objeto de estudo, a pesquisa primária foi capaz de dimensionar a percepção do visitante em relação aos assuntos abordados, assim como verificar o seu interesse quanto ao propósito deste trabalho. Aproximando as idéias apresentadas e o resultado obtido na pesquisa, as proposições do trabalho em questão fundamentam-se de forma pertinente. A começar pelos documentos (do Parque e também o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC) existentes que citam a Educação Ambiental como necessária ao visitante e, de fundamental importância, a pesquisa primária foi capaz de traduzir aspectos relevantes relacionados aos visitantes e seu comportamento, mesmo que em uma amostragem de todo o volume de visitantes, apontando a real necessidade da implementação de um Programa de Educação Ambiental. 4 Considerações finais Ao se passar pelos capítulos deste trabalho é de nítida percepção que a Educação Ambiental deve ser encarada como intrínseca a uma Unidade de Conservação. Os resultados esperados com esta prática vão além de quantificar a fauna e a flora do ecossistema que se apresenta. O fator que mais contribui para a especificidade da Educação Ambiental é a ênfase na resolução de problemas práticos que afetam o meio ambiente humano. Disso deriva sua característica fundamental – a abordagem interdisciplinar – que considera a complexidade dos problemas ambientais e a multiplicidade de fatores ligados a eles (CARDOSO, 1992). A Educação Ambiental deve ser indicativa e buscar o bem comum, resgatando a compreensão das organizações da sociedade no que relaciona homem e natureza, ou seja, o homem como parte da natureza e não como algo alheio a ela. A função desta educação não se restringe apenas à incorporação da dimensão ambiental enquanto mais um tópico do processo educacional, porém enquadra-se em toda a esfera social. É inconcebível, perante os avanços das preocupações ambientais globais e ainda a magnitude com que o mundo “cresce” (em termos de riqueza e desigualdade social, consumo e destruição), que um IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ Parque Nacional continue admitindo a passividade no cumprimento de alguns de seus objetivos definidos na legislação regulamentadora, o Sistema Nacional de Unidade de Conservação, quanto à Educação Ambiental. Porém é reconhecida a dificuldade enfrentada pelos órgãos públicos, principalmente devido a processos burocráticos e à escassez de recursos financeiros. Contudo é imprescindível que seja viabilizada a Educação Ambiental com os visitantes deste Parque, pois se acredita que é por meio das pequenas ações que os grandes objetivos serão alcançados. Desta forma, faz-se necessária a implantação do Programa a iniciar pelas etapas mais simples, dando continuidade à busca de melhorias no que se refere à interação do homem com a natureza, fazendo com que este se reconheça como integrante dela e não simplesmente alheio. 5 Referencias bibliográficas ANSARAH, M. G. dos R. (Org.). Turismo. Como aprender, como ensinar. São Paulo: Editora SENAC, 2001. BRASIL. Lei no. 9985 de 18 de julho de 2000; Decreto º 4340, de 22 de agosto de 2002. Regulamenta o art. 225, §1º., incisos I, II, II e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. 5. ed . Brasília: MMA/SBF, 2004. CARDOSO, Otomar Lopes (Org.) Constituições Estaduais: capítulo do Meio Ambiente. Rio de Janeiro: Petrobras/Sercom, 1992. COOPER, C. et al. Turismo, princípios e prática; trad. Roberto Cataldo Costa – 2.ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 8. ed. - São Paulo : Gaia, 2003. IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil _______________________________________________________ FRANCO, M. de A. R. Planejamento ambiental para a cidade sustentável. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2001. GOELDNER, C.; RITCHIE, J.R.B.; MCINTOSH, R. Turismo: princípios, práticas e filosofias: trad. Roberto Cataldo Costa. – 8.ed. – Porto Alegre: Bookman, 2002. IBAMA. Parques Nacionais. Disponível em: <www.ibama.gov.br>. Acesso em: 07 jan 2005. IBAMA. Parque Nacional do Iguaçu. Disponível em: <www.ibama.gov.br/parna_iguacu>. Acesso em 05 maio de 2005. MININI, N. A formação dos professores em educação ambiental. In: Textos sobre capacitação em Educação Ambiental. Oficina Panorama da educação Ambiental, MEC-SEF-DPEF-Coordenação de Educação Ambiental, Brasília, 2000. SORRENTINO, M. Educação ambiental e universidade: um estudo de caso. São Paulo: USP. Faculdade de Educação, 1995. (Tese de Doutorado).