O CURSO DE EDUCAÇÃO INTEGRAL E INTEGRADA E SUA
CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DOCENTE
Iolene Mesquita Lobato, UFG
[email protected]
Rosana Beatriz Garrasini Sellanes, UFG
[email protected]
RESUMO
Neste artigo, busca-se, simultaneamente, apresentar o Curso de Educação
Integral e Integrada (EII) e refletir acerca de suas contribuições na formação
docente. Neste sentido descrevem-se, sucintamente, a configuração e
funcionamento do curso, as propostas desenvolvidas com os alunos, bem
como alguns resultados na formação teórica, crítica e reflexiva do educador da
escola de tempo integral. Os dados produzidos neste trabalho são oriundos das
atividades de campo realizadas nos polos de ensino, pelos alunos da primeira
turma do referido curso, num total de quatrocentos discentes que contribuíram
com informações valiosas e de forma significativa com o mapeamento das
escolas de tempo integral no estado de Goiás.
Palavras-chave: Formação docente, Educação Integral em Goiás.
ABSTRACT
This article aims to show the Full-time and Integrated Education Course (FIE)
and reflect about its contribution on the teacher training. At this way, it is briefly
described the configuration and operation of the course, the proposals that were
developed with the students, and some results on the theoretical, critical and
reflective training of the educator on a full-time school. The data produced on
this work are from the activities that were developed on the poles teaching by
the students of the first group of the course, with a total of four hundred
students that helped with valuable information and contributed significantly to
the mapping of the full-time schools at Goiás State.
Keywords: Teacher Training, Full-time Education in Goiás.
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, faz-se necessário resgatar, historicamente, a
discussão da escola de tempo integral no Brasil marcada pelo movimento
conhecido como Escola Nova, este contrariava os princípios e métodos da
escola tradicional. Um dos mentores intelectuais do Manifesto dos Pioneiros da
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Escola Nova, Anísio Teixeira, defendia uma educação pública, gratuita e com
qualidade, adaptada as características regionais, e que estabelecesse um
permanente diálogo com a sociedade.
Para Anísio Teixeira (1961), a escola não poderia ser vista como uma
instituição isolada e, ainda, deveria oferecer as mínimas condições de saúde,
alimentação, acesso ao lazer, esporte e cultura. Assim, para atingir os objetivos
era necessário que funcionasse em tempo integral.
Em 1950, Anísio Teixeira criou o Centro Popular de Educação Carneiro
Ribeiro – Escola-Parque, no Bairro da Liberdade, no Rio de Janeiro. Nesta
instituição projetava-se a perspectiva de uma educação integral que não se
limita apenas ao aumento da jornada na escola, mas que oferece, aos alunos,
uma preparação para o trabalho e para a cidadania.
A escola de tempo integral idealizada por Anísio Teixeira foi resgatada
sob outros pilares no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2008. A partir
desta data tornou-se um dos grandes desafios das escolas brasileiras, na
tentativa de desenvolver e ajustar-se a um modelo de educação integral que
atenda às necessidades dos estudantes.
Paralelamente à implantação das escolas de tempo integral, inúmeras
indagações surgiram na comunidade escolar: o que fazer? E como fazer?
Como desenvolver ações que contemplem uma educação integral e as
múltiplas dimensões (afetiva, ética, estética, social, cultural, política e cognitiva)
que constituem a formação do sujeito e, ainda, supere as dificuldades
estruturais e aquelas voltadas para a formação docente. Neste contexto, o
Curso de Extensão em Educação Integral e Integrada ofertado pela
Universidade Federal de Goiás (UFG) tem como principal objetivo estimular a
reflexão e ampliar a formação de profissionais da educação que atuam nas
escolas de tempo integral.
Em outubro de 2009, o Curso de Extensão em Educação Integral e
Integrada foi oferecido na modalidade a distância pelo Centro de Ensino e
Pesquisa Aplicado à Educação (Cepae), com o apoio da Universidade Federal
de Goiás (UFG), em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Este
iniciou suas atividades ofertando um total de 500 vagas, em dez municípios do
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estado de Goiás, chamados de pólos, são eles: Anápolis, Catalão, Formosa,
Goianésia, Inhumas, Iporá, Mineiros, Morrinhos, Posse e Rio Verde.
O curso desenvolveu-se com dois encontros presenciais que
aconteceram semestralmente, estes foram momentos voltados para discussões
e para a realização de atividades relacionadas ao conteúdo, discutidos no
ambiente virtual de aprendizagem (AVA).
O curso teve duração de doze
meses, totalizando duzentas e sessenta horas, estruturadas em dez módulos,
assim denominados de: Módulo 1: Plataforma Moodle, Educação a Distância e
Inclusão Social; Módulo 2: Desenvolvimento da Educação Integral no Brasil;
Módulo 3: Educação Integral e Integrada: Reflexões e Apontamentos; Módulo
4: Políticas Pedagógicas; Módulo 5: Políticas Públicas; Módulo 6: Fundamentos
da Educação Integral; Módulo 7: A Escola e a Cidade; Módulo 8: Educação
Integral como Arranjo Educativo Local; Módulo 9: Práticas Pedagógicas
Enquanto Práticas Sociais; Módulo 10: Projeto de Intervenção Pedagógica.
O primeiro módulo visa direcionar o educando à exploração do AVA e
ao uso das ferramentas do Moodle, a um conhecimento sistematizado da
Educação a Distancia (EaD) no Brasil e direcioná-los as discussões que
envolvem a inclusão social na escola. O segundo, terceiro, sexto e sétimo
módulos introduzem uma reflexão em torno da educação integral, desde a sua
contextualização histórica, até a possibilidade de articulá-la como um arranjo
educativo local. O quarto módulo contempla a perspectiva da Mandala dos
saberes como instrumento pedagógico para a Educação Integral e o quinto
módulo versa sobre a educação como política pública.
Cada polo de ensino possui uma sala no AVA chamada de Moodle,
onde se estabelece a relação entre professor/aluno, a interação e a mediação
dos estudos. Essas salas virtuais de aprendizagem são atualmente construídas
pela
equipe
do
Cepae
e
podem
ser
acessadas
pela
página
http://ead.cepae.ufg.br, local onde o aluno faz o login e tem acesso ao seu curso
e ao conteúdo de cada módulo e, ainda, participa das atividades propostas
(fórum, chat, produção de texto, wiki e outras) que serão realizadas e postadas
com prazos determinados pela figura do Orientador acadêmico. Todos os
profissionais envolvidos no curso, assim como, as funções que desempenham
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passam por processo de formação e são apresentadas aos alunos no início do
curso e constam do material didático oferecido.
Em relação à seleção e ao público alvo, o Curso de Extensão em
Educação Integral e Integrada, a distância, destina-se aos profissionais de
ensino portadores de diploma do ensino médio ou superior. Para se inscrever o
candidato deve: a) possuir CPF e e-mail próprio; b) documentação
comprobatória de conclusão do ensino médio ou superior ou da possibilidade
de sua conclusão até o início do curso; c) realizar inscrição on-line no sítio
www.ciar.ufg.br para um dos polos oferecidos e, d) entregar na secretaria do
Curso, no polo de ensino, a cópia do comprovante que confirme a respectiva
inscrição.
Para ingressar o candidato passará por um processo seletivo que
consta na: a) análise das informações da ficha de inscrição que o candidato
preencheu; b) análise da produção escrita (na mesma ficha) que consta da
avaliação da capacidade de expressão do candidato no texto escrito e uso
adequado da linguagem padrão (classificatório com nota de zero a dez).
Após este processo seletivo o resultado é divulgado no(s) quadro(s) de
aviso da secretaria e por meio eletrônico no sítio www.ciar.ufg.br. A seguir, o
candidato selecionado deve realizar a matrícula no polo de ensino. e
apresentar os seguintes documentos: a) requerimento em formulário próprio; b)
carteira de identidade e CPF (fotocópias) c) uma foto 3x4, recente; d) cópia da
Certidão de casamento, caso haja alteração no nome do candidato; e) diploma
e histórico escolar, devidamente reconhecidos pelo MEC (fotocópia). Todos
estes procedimentos, assim como, outras informações pertinentes ao curso
constam do Edital.
A primeira turma com quinhentos alunos matriculados e distribuídos
nos dez polos de ensino iniciou as atividades no ano de 2010, com a “Semana
no Polo” que se caracterizou como o primeiro encontro presencial, no qual o
aluno teve a oportunidade de conhecer o Tutor de polo, as dependências do
local, o acesso ao AVA e às ferramentas do Moodle. Neste momento foi
entregue, aos cursistas, o livro didático do Curso, que foi produzido por um
consórcio de instituições a Universidade Estadual de Montes Claros/MG
(UNIMONTES),
Centro
Federal
de
Tecnologia
do
Pará
(CEFETPA),
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Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal
do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de Goiás (UFG). Cada uma dessas
Instituições de Ensino Superior (IES) foi responsável pela produção de dois
módulos, o que possibilitou um diálogo com outros educadores e o compartilhar
das diferentes percepções e olhares em torno da temática da educação
integral.
Além do livro didático o cursista recebe um CD com orientações
básicas sobre a construção do Projeto de Intervenção a ser desenvolvido no
último módulo do curso, além do Manual do Aluno que sintetiza informações
importantes como: acessar diariamente o ambiente, realizar as atividades nas
datas indicadas, a participação efetiva, as notas e ressalta a importância de ter
disponibilidade de oito horas semanais para realizar o curso.
Para o bom andamento e funcionalidade do curso, o Cepae conta com
uma equipe de docentes composta por Professor autor, Professor formador,
Professor orientador e Tutor de polo, além dos coordenadores do curso que
juntos são responsáveis pela gestão do curso a distância de EII.
O Professor autor é o responsável pelo conteúdo de cada disciplina,
desenvolve todo o material levando em conta o público alvo, as formas de
mediação e o projeto político-pedagógico (PPP) do curso. Além disso, toma em
consideração algumas características imprescindíveis em EaD como a
interatividade, a interação, a comunicação e a mediação. Enfim, o Professor
autor é aquele que realiza a pesquisa, explora e seleciona o material para
produção, desenvolve o conteúdo, organiza e propõe dinâmicas, recursos
pedagógicos e sugere as atividades a serem desenvolvidas durante o curso.
A equipe de Professores formadores é constituída, basicamente, de
professores mestres e doutores do Cepae e por professores de outras
unidades acadêmicas da UFG, como a Faculdade de Educação e a Faculdade
de Comunicação. Esses formadores são os responsáveis pelo planejamento e
pelas atividades a serem desenvolvidas no decorrer de cada módulo e pelo
suporte dado aos Professores orientadores que, por sua vez, desenvolvem os
conteúdos programáticos diretamente com os alunos.
Assim, os Professores orientadores oriundos das áreas da Pedagogia,
Letras, História e Ciências Sociais têm sob sua responsabilidade uma turma
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com cinquenta alunos e uma carga horária semanal de trabalho de vinte horas
on-line. Este profissional é responsável pelas interações estabelecidas no AVA,
pela postagem de todo material e pelas atividades no ambiente, pelo feedback
ao aluno e, principalmente, pelo processo de mediação.
Finalmente, o Tutor de polo atua de forma presencial nos polos e a sua
função é auxiliar o aluno no uso das ferramentas do Moodle e no
desenvolvimento das atividades, assim como, o apoio no planejamento dos
encontros presenciais e na observação da frequência dos alunos.
Todos os profissionais envolvidos no Projeto da UAB recebem uma
bolsa via Fundo Nacional de Educação (FNDE) e Ministério da Educação e
Cultura (MEC), sem nenhum vínculo empregatício com a instituição
Cepae/UFG. Os Orientadores acadêmicos e Tutores de polo passam por um
processo seletivo, divulgado por meio de Edital e por um curso de formação
com um período de dois meses.
Atuar como Professor orientador no Curso EII requer um compromisso
não apenas com o curso em si, mas com o trabalhar em equipe, ter
disponibilidade para participar de reuniões com os Professores formadores,
criatividade no exercício de sua função, estabelecer interação entre todos os
envolvidos no projeto e, sobretudo, mediar o aluno a distância.
Para Belloni (2003), mediatizar o ensino não é uma coisa nova,
O que é novo é o grande elenco de mídias cada vez mais
“performantes” disponíveis hoje no mercado e já sendo utilizadas por
muitos dos aprendentes fora da escola, o que acarreta uma crescente
exigência de qualidade técnica da parte dos estudantes. (p. 62)
No EaD, essa mediatização se diferencia da presencial, em função da
distância física e temporal, e para que ocorra é necessária a combinação de
suportes técnicos de comunicação. A ação do professor não se dá diretamente
com o estudante, pelo contrário, estão separados pelo tempo e pelo espaço, e
por isso o professor no EaD deve estimular, ser criativo, utilizar diferentes
estratégias para a comunicação, intervindo como facilitador da comunicação
entre todos os envolvidos no processo (aluno, professor, tutor e outros).
METODOLOGIA
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Os dados apresentados neste trabalho foram oriundos das atividades
de campo realizadas pelos alunos, da primeira turma do curso de EII, num total
efetivo de quatrocentos discentes que ajudaram a mapear a escola de tempo
integral no Estado de Goiás.
Realizou-se
uma
pesquisa
de
campo
que
acompanhou
o
funcionamento das Oficinas Curriculares da Escola de Tempo Integral, em
escolas públicas nas cidades de Anápolis, Catalão, Formosa, Goianésia, Iporá,
Mineiros, Morrinhos, Posse e Rio Verde, no Estado de Goiás. Os instrumentos
utilizados na coleta de dados foram a análise documental, como fonte de
informação para contextualizar o antes e o depois da escola em estudo; a
observação do cotidiano escolar, com o foco no desempenho das atividades
docentes, nas condições para desenvolver as oficinas e no processo ensinoaprendizagem; e entrevistas semi-estruturadas realizadas com professores,
coordenadores, diretores e profissionais envolvidos com a implantação do
projeto da escola de tempo integral.
As atividades desenvolvidas pelos alunos do curso de EII foram
elaboradas de forma bastante diversificada, a leitura foi o suporte para
direcionar e embasar as discussões no AVA. Havia, no entanto, a necessidade
de conhecer a realidade das escolas de tempo integral em Goiás. E, assim, a
partir de cada visita realizada ao local seria possível estabelecer parâmetros
para direcionar as ações educativas no curso. Por este viés foram propostas
atividades que ajudem de fato, o professor, no desenvolvimento de atividades
que contemplem a formação integral do aluno e sejam capazes de ofertar, a
estes discentes, ações que instiguem o interesse e a sua participação na
escola.
Neste sentido, o professor da escola de tempo integral deve ser “[...]
capaz de compreender a escola na sua dimensão pública, como um fórum de
distintas vozes e discursos” (COELHO, 2009, p. 37). Em outras palavras, o
educador deve ter competência de resgatar o diálogo entre pais, professores e
alunos, não como “dono da verdade”, mas como mediador do processo ensinoaprendizagem.
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Paralelamente às leituras, trabalhou-se na perspectiva de pensar a
educação de uma maneira global, sob novos horizontes, e que o professor,
neste caso aluno do curso de EII, sinta-se preparado para viver novas
experiências, seja no manejo das novas tecnologias, como na participação de
oficinas que a sua escola venha a oferecer. Assim, ele visualizará como meta,
não apenas o seu o desenvolvimento integral, mas o de seus alunos.
Como afirma Yus (2009) “É difícil educar em uma escola integral se ele
próprio, o professor ou a professora, não pensa a educação de uma maneira
global e não põe em questão sua própria formação distorcida” (p. 22). Isso
significa que o professor deve, em primeiro lugar, acreditar nessa proposta,
capacitar-se, entender e compreender que o importante é a formação integral
de seus alunos.
Por esse motivo, os alunos eram direcionados a vislumbrar outros
olhares para a cidade em que vivem, pois esta se configura como um território
da educação escolar, que oferece um conjunto de possibilidades, saberes
locais e espaços esportivos, como afirma Moll (2009, p. 15), “[...] é preciso
associar a escola ao conceito de cidade educadora, [...] a cidade, no seu
conjunto,
oferecerá
intencionalmente
às
novas
gerações
experiências
contínuas e significativas em todas as esferas e temas da vida”.
Para tal, propuseram-se várias atividades que mostravam aos
discentes outras formas e possibilidades de ensinar, de sair da rotina que
muitas vezes acompanham o educador em sala de aula. O objetivo primordial
foi o de proporcionar, ao aluno, um curso diferenciado, capaz de direcionar a
sua atuação e prática pedagógica no âmbito de uma escola de tempo integral.
Não era objetivo, do curso de EII, que toda a discussão fosse
direcionada somente ao conteúdo programático, mas que possibilitasse ao
discente, na verdade um educador, novas formas de ensinar, que a criatividade
fosse uma de suas ferramentas e que ele pudesse orientar a instituição onde
atua a lidar com a rotina, com o desenvolvimento de projetos, de oficinas
dentro de uma perspectiva de educação integral.
Para que tal objetivo fosse alcançado era imprescindível conhecer a
realidade da escola onde cada um atua. Assim, se propôs, inicialmente, uma
atividade de campo na qual cada aluno do curso de EII, deveria apresentar o
9
perfil de uma escola de tempo integral, de sua região. Nessa atividade,
desenvolvida em grupo, solicitou-se informações referentes ao número de
alunos, dificuldades enfrentadas pela instituição, bem como as conquistas
alcançadas.
Dessa maneira, os alunos foram a campo, visitaram as escolas de sua
região,
registraram
e
acompanharam
as
oficinas,
entrevistaram
os
coordenadores pedagógicos, os professores e oficineiros. Como atividade final
disponibilizaram no ambiente, com o uso de slides em PowerPoint, as
informações obtidas que ajudaram a visualizar a realidade da escola de tempo
integral em Goiás.
A segunda atividade proposta aos alunos do curso de EII foi o “Portfólio
Cidade Educadora” foi desenvolvida em grupo e contemplou o registro de
possíveis espaços educativos na cidade onde moravam. O objetivo foi
estabelecer um diálogo entre a escola e a cidade. Portanto, solicitou-se aos
alunos que registrassem pontos turísticos, históricos de sua cidade que
pudessem ajudar na sua prática pedagógica em sala de aula.
RESULTADOS
Dentre os dez municípios pesquisados, ou seja, os pólos de ensino,
apenas o de Inhumas, não fez parte dos dados, pois devido à pouca distância
com a cidade de Goiânia percebeu-se que todos os alunos inscritos para
aquele polo, na verdade residiam na cidade de Goiânia e esta não fazia parte
da proposta de estudo.
Assim, as informações obtidas foram sintetizadas e apresentadas em
gráficos para uma melhor visualização dos resultados. O gráfico 01 demonstra
a quantidade de escolas que atuam em tempo integral em cada município, com
destaque para as cidades de Anápolis e Formosa.
O horário de atendimentos das escolas de tempo integral, em todos os
municípios é das 7h às 16h, as atividades e oficinas são desenvolvidas em
outro turno, diferente do horário regular das aulas. O primeiro turno é dedicado
às disciplinas do currículo, e o segundo (contra turno) para as oficinas.
10
Gráfico 01- Números de escolas de tempo integral em cada município.
As oficinas são variadas, oferece-se a prática do judô e da capoeira, a
dança, o tênis de mesa, o xadrez e outras. Estas atividades constituem o
diferencial para que os discentes permaneçam na escola no período integral e,
ainda, podem optar por até três oficinas.
Paralelamente às oficinas, no contra turno, oferece-se aulas de reforço
de letramento e matemática. E, é importante salientar que na grande parte das
escolas visitadas, as propostas desenvolvidas nas oficinas estão articuladas
com o conteúdo trabalhado em sala de aula. Alguns educadores argumentam
que esta estratégia tem dado certo, porque muitos alunos com dificuldades em
desenvolver problemas matemáticos estão recebendo orientações por meio
das oficinas de xadrez e os resultados têm refletido nas atividades em sala.
Essa parceria, segundo eles, tem contribuído para o processo de ensinoaprendizagem.
Outro dado que merece destaque nesta pesquisa diz respeito aos
problemas enfrentados, diariamente, pelas escolas visitadas. Os mais
recorrentes são apresentados no gráfico 02 e encontram-se relacionados à
estrutura física da escola como banheiros inadequados, refeitório improvisado,
quadra sem cobertura e à capacitação ou formação de professores para atuar
mais tempo na escola. No gráfico 02 mostra-se cada um dos problemas e a
sua porcentagem em relação ao total de escolas visitadas e não em cada uma
delas, portanto, obteve-se uma média geral de todas as escolas. Assim, é
possível observar que quase na metade das escolas o principal problema
enfrentado diz respeito à formação de docentes, ou seja, a falta de capacitação
11
desses profissionais da educação, para atuar em uma proposta de escola de
tempo integral.
Gráfico 02 - Problemas enfrentados
Na segunda atividade proposta aos alunos, o “Portfólio Cidade
Educador”, além das riquezas das informações, percebemos que os alunos do
curso de EII foram criativos ao intitularem as suas pesquisas.
Uma delas
chamou a atenção, com o nome de “Chega de mascarar seus alunos: estudar
vai além dos livros” foi realizada pelo grupo do polo de Rio Verde. Este grupo
registrou inúmeros espaços, dentre eles, o Sobrado Major Frederico Gonzaga
Jayme criado em 1912, sua parte externa e interna, apresentando a primeira
turma de magistério da cidade de Rio Verde/GO, os objetos e materiais rústicos
que faziam parte dos interiores da casa da região, falaram das atividades
culturais que acontecem nesse espaço, como apresentação de balé, teatro, e
outros.
Registram ainda, praças que podem contemplar e desenvolver ações
educativas, desde que planejadas e articuladas com o conteúdo proposto, um
delas foi a praça dos skatistas.
Foram vários relatos que os grupos manifestaram sobre essa atividade,
em especial sobre a descoberta dos espaços como, praças, igrejas que
passaram despercebidos, durante tantos anos e agora foram reavivados e
poderão ser usados e visitados pela escola.
Para concluir, os alunos foram convidados a realizar uma exposição o
“1º Itinerário do Curso de Educação Integral e Integrada”, e produziram um total
de 15 pôsteres, em forma de banners. A exposição aconteceu no Hall do
Centro de Ensino e Pesquisa Aplicado à Educação (Cepae) entre os dias 15 e
12
30 de novembro de 2010, e na Biblioteca Central da UFG entre os dias 03 e 20
de Dezembro de 2010, foi um momento importante em que os alunos do curso
socializaram suas experiências e saberes.
CONSIDERAÇÕES
Alguns alunos se “assustaram”, no inicio do curso de EII, com a carga
de leitura e as atividades propostas. Talvez, em função da crença que estudar
a distância é estudar de qualquer jeito e sem grandes sacrifícios. No entanto,
no decorrer do curso, os alunos perceberam que a dedicação, o
comprometimento, as leituras e a realização das atividades são fundamentais
para que se alcancem os objetivos, de forma dinâmica, sistematizada e criativa.
Não foi tarefa fácil articular e propor esses direcionamentos. Mas,
acredita-se que os resultados foram positivos, pois no término do curso, com a
apresentação dos Projetos de Intervenção, propostos no último módulo,
verificou-se que a concepção em torno da escola de tempo integral e da
educação integral foi modificada. A Escola em tempo integral agrega um novo
elemento no processo educacional, o aumento do tempo de permanência dos
alunos na escola. Essa ampliação requer envolvimento, empenho e criatividade
dos educadores e do grupo gestor escolar.
Assim, a concepção de educação integral não se restringe apenas ao
aumento do tempo do aluno na escola, mas contempla outros horizontes,
dentre eles, as múltiplas possibilidades que a cidade, enquanto espaço
educativo oferece e, mais, que os envolvidos nesta proposta tenham
experiência e direcionem o seu pensar para ações pedagógicas, tendo
conhecimento específico acerca das atividades exploradas e que o aumento do
tempo na escola seja pensado qualitativamente, redimensionando novas
formas de aprendizagem na instituição e fora dela, construindo vivencias
significativas e democratizando as relações existentes nesta unidade escolar e
em interação com os espaços comunitários.
Acredita-se, portanto, que as discussões e as atividades propostas,
durante
o
curso
de
Educação
Integral
e
Integrada,
contribuíram
significativamente, para uma reflexão-crítica e para a formação destes
13
docentes. Pretende-se futuramente, em uma próxima turma, dar sequência ao
desenvolvimento
das
ações
aqui
iniciadas
e,
assim,
propor
novos
enfrentamentos.
REFERÊNCIAS
BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas, SP: Autores
Associados, 2003.
COELHO, Lígia Martha Coimbra da Costa. Apenas o professor pode atuar na
educação integral? Revista pedagógica Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 34-37,
ago./out., 2009.
MOOL, Jacqueline. Um paradigma contemporâneo para a educação integral.
Revista pedagógica Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 12-15, ago./out., 2009.
TEIXEIRA, Anísio. Plano de Construções Escolares de Brasília. In: Revista
Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v. 35, n. 81, p. 195-199,
jan./mar., 1961.
TEIXEIRA, Anísio. Introdução. In: DEWEY, John. Vida e Educação. 5 ed. São
Paulo: Edições Melhoramentos, 1961.
YUS, Rafael. Um paradigma holístico para a educação. Revista pedagógica
Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 20-22, ago./out., 2009.
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