O CURSO DE EDUCAÇÃO INTEGRAL E INTEGRADA E SUA CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DOCENTE Iolene Mesquita Lobato, UFG [email protected] Rosana Beatriz Garrasini Sellanes, UFG [email protected] RESUMO Neste artigo, busca-se, simultaneamente, apresentar o Curso de Educação Integral e Integrada (EII) e refletir acerca de suas contribuições na formação docente. Neste sentido descrevem-se, sucintamente, a configuração e funcionamento do curso, as propostas desenvolvidas com os alunos, bem como alguns resultados na formação teórica, crítica e reflexiva do educador da escola de tempo integral. Os dados produzidos neste trabalho são oriundos das atividades de campo realizadas nos polos de ensino, pelos alunos da primeira turma do referido curso, num total de quatrocentos discentes que contribuíram com informações valiosas e de forma significativa com o mapeamento das escolas de tempo integral no estado de Goiás. Palavras-chave: Formação docente, Educação Integral em Goiás. ABSTRACT This article aims to show the Full-time and Integrated Education Course (FIE) and reflect about its contribution on the teacher training. At this way, it is briefly described the configuration and operation of the course, the proposals that were developed with the students, and some results on the theoretical, critical and reflective training of the educator on a full-time school. The data produced on this work are from the activities that were developed on the poles teaching by the students of the first group of the course, with a total of four hundred students that helped with valuable information and contributed significantly to the mapping of the full-time schools at Goiás State. Keywords: Teacher Training, Full-time Education in Goiás. INTRODUÇÃO Em primeiro lugar, faz-se necessário resgatar, historicamente, a discussão da escola de tempo integral no Brasil marcada pelo movimento conhecido como Escola Nova, este contrariava os princípios e métodos da escola tradicional. Um dos mentores intelectuais do Manifesto dos Pioneiros da 2 Escola Nova, Anísio Teixeira, defendia uma educação pública, gratuita e com qualidade, adaptada as características regionais, e que estabelecesse um permanente diálogo com a sociedade. Para Anísio Teixeira (1961), a escola não poderia ser vista como uma instituição isolada e, ainda, deveria oferecer as mínimas condições de saúde, alimentação, acesso ao lazer, esporte e cultura. Assim, para atingir os objetivos era necessário que funcionasse em tempo integral. Em 1950, Anísio Teixeira criou o Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro – Escola-Parque, no Bairro da Liberdade, no Rio de Janeiro. Nesta instituição projetava-se a perspectiva de uma educação integral que não se limita apenas ao aumento da jornada na escola, mas que oferece, aos alunos, uma preparação para o trabalho e para a cidadania. A escola de tempo integral idealizada por Anísio Teixeira foi resgatada sob outros pilares no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2008. A partir desta data tornou-se um dos grandes desafios das escolas brasileiras, na tentativa de desenvolver e ajustar-se a um modelo de educação integral que atenda às necessidades dos estudantes. Paralelamente à implantação das escolas de tempo integral, inúmeras indagações surgiram na comunidade escolar: o que fazer? E como fazer? Como desenvolver ações que contemplem uma educação integral e as múltiplas dimensões (afetiva, ética, estética, social, cultural, política e cognitiva) que constituem a formação do sujeito e, ainda, supere as dificuldades estruturais e aquelas voltadas para a formação docente. Neste contexto, o Curso de Extensão em Educação Integral e Integrada ofertado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) tem como principal objetivo estimular a reflexão e ampliar a formação de profissionais da educação que atuam nas escolas de tempo integral. Em outubro de 2009, o Curso de Extensão em Educação Integral e Integrada foi oferecido na modalidade a distância pelo Centro de Ensino e Pesquisa Aplicado à Educação (Cepae), com o apoio da Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Este iniciou suas atividades ofertando um total de 500 vagas, em dez municípios do 3 estado de Goiás, chamados de pólos, são eles: Anápolis, Catalão, Formosa, Goianésia, Inhumas, Iporá, Mineiros, Morrinhos, Posse e Rio Verde. O curso desenvolveu-se com dois encontros presenciais que aconteceram semestralmente, estes foram momentos voltados para discussões e para a realização de atividades relacionadas ao conteúdo, discutidos no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). O curso teve duração de doze meses, totalizando duzentas e sessenta horas, estruturadas em dez módulos, assim denominados de: Módulo 1: Plataforma Moodle, Educação a Distância e Inclusão Social; Módulo 2: Desenvolvimento da Educação Integral no Brasil; Módulo 3: Educação Integral e Integrada: Reflexões e Apontamentos; Módulo 4: Políticas Pedagógicas; Módulo 5: Políticas Públicas; Módulo 6: Fundamentos da Educação Integral; Módulo 7: A Escola e a Cidade; Módulo 8: Educação Integral como Arranjo Educativo Local; Módulo 9: Práticas Pedagógicas Enquanto Práticas Sociais; Módulo 10: Projeto de Intervenção Pedagógica. O primeiro módulo visa direcionar o educando à exploração do AVA e ao uso das ferramentas do Moodle, a um conhecimento sistematizado da Educação a Distancia (EaD) no Brasil e direcioná-los as discussões que envolvem a inclusão social na escola. O segundo, terceiro, sexto e sétimo módulos introduzem uma reflexão em torno da educação integral, desde a sua contextualização histórica, até a possibilidade de articulá-la como um arranjo educativo local. O quarto módulo contempla a perspectiva da Mandala dos saberes como instrumento pedagógico para a Educação Integral e o quinto módulo versa sobre a educação como política pública. Cada polo de ensino possui uma sala no AVA chamada de Moodle, onde se estabelece a relação entre professor/aluno, a interação e a mediação dos estudos. Essas salas virtuais de aprendizagem são atualmente construídas pela equipe do Cepae e podem ser acessadas pela página http://ead.cepae.ufg.br, local onde o aluno faz o login e tem acesso ao seu curso e ao conteúdo de cada módulo e, ainda, participa das atividades propostas (fórum, chat, produção de texto, wiki e outras) que serão realizadas e postadas com prazos determinados pela figura do Orientador acadêmico. Todos os profissionais envolvidos no curso, assim como, as funções que desempenham 4 passam por processo de formação e são apresentadas aos alunos no início do curso e constam do material didático oferecido. Em relação à seleção e ao público alvo, o Curso de Extensão em Educação Integral e Integrada, a distância, destina-se aos profissionais de ensino portadores de diploma do ensino médio ou superior. Para se inscrever o candidato deve: a) possuir CPF e e-mail próprio; b) documentação comprobatória de conclusão do ensino médio ou superior ou da possibilidade de sua conclusão até o início do curso; c) realizar inscrição on-line no sítio www.ciar.ufg.br para um dos polos oferecidos e, d) entregar na secretaria do Curso, no polo de ensino, a cópia do comprovante que confirme a respectiva inscrição. Para ingressar o candidato passará por um processo seletivo que consta na: a) análise das informações da ficha de inscrição que o candidato preencheu; b) análise da produção escrita (na mesma ficha) que consta da avaliação da capacidade de expressão do candidato no texto escrito e uso adequado da linguagem padrão (classificatório com nota de zero a dez). Após este processo seletivo o resultado é divulgado no(s) quadro(s) de aviso da secretaria e por meio eletrônico no sítio www.ciar.ufg.br. A seguir, o candidato selecionado deve realizar a matrícula no polo de ensino. e apresentar os seguintes documentos: a) requerimento em formulário próprio; b) carteira de identidade e CPF (fotocópias) c) uma foto 3x4, recente; d) cópia da Certidão de casamento, caso haja alteração no nome do candidato; e) diploma e histórico escolar, devidamente reconhecidos pelo MEC (fotocópia). Todos estes procedimentos, assim como, outras informações pertinentes ao curso constam do Edital. A primeira turma com quinhentos alunos matriculados e distribuídos nos dez polos de ensino iniciou as atividades no ano de 2010, com a “Semana no Polo” que se caracterizou como o primeiro encontro presencial, no qual o aluno teve a oportunidade de conhecer o Tutor de polo, as dependências do local, o acesso ao AVA e às ferramentas do Moodle. Neste momento foi entregue, aos cursistas, o livro didático do Curso, que foi produzido por um consórcio de instituições a Universidade Estadual de Montes Claros/MG (UNIMONTES), Centro Federal de Tecnologia do Pará (CEFETPA), 5 Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de Goiás (UFG). Cada uma dessas Instituições de Ensino Superior (IES) foi responsável pela produção de dois módulos, o que possibilitou um diálogo com outros educadores e o compartilhar das diferentes percepções e olhares em torno da temática da educação integral. Além do livro didático o cursista recebe um CD com orientações básicas sobre a construção do Projeto de Intervenção a ser desenvolvido no último módulo do curso, além do Manual do Aluno que sintetiza informações importantes como: acessar diariamente o ambiente, realizar as atividades nas datas indicadas, a participação efetiva, as notas e ressalta a importância de ter disponibilidade de oito horas semanais para realizar o curso. Para o bom andamento e funcionalidade do curso, o Cepae conta com uma equipe de docentes composta por Professor autor, Professor formador, Professor orientador e Tutor de polo, além dos coordenadores do curso que juntos são responsáveis pela gestão do curso a distância de EII. O Professor autor é o responsável pelo conteúdo de cada disciplina, desenvolve todo o material levando em conta o público alvo, as formas de mediação e o projeto político-pedagógico (PPP) do curso. Além disso, toma em consideração algumas características imprescindíveis em EaD como a interatividade, a interação, a comunicação e a mediação. Enfim, o Professor autor é aquele que realiza a pesquisa, explora e seleciona o material para produção, desenvolve o conteúdo, organiza e propõe dinâmicas, recursos pedagógicos e sugere as atividades a serem desenvolvidas durante o curso. A equipe de Professores formadores é constituída, basicamente, de professores mestres e doutores do Cepae e por professores de outras unidades acadêmicas da UFG, como a Faculdade de Educação e a Faculdade de Comunicação. Esses formadores são os responsáveis pelo planejamento e pelas atividades a serem desenvolvidas no decorrer de cada módulo e pelo suporte dado aos Professores orientadores que, por sua vez, desenvolvem os conteúdos programáticos diretamente com os alunos. Assim, os Professores orientadores oriundos das áreas da Pedagogia, Letras, História e Ciências Sociais têm sob sua responsabilidade uma turma 6 com cinquenta alunos e uma carga horária semanal de trabalho de vinte horas on-line. Este profissional é responsável pelas interações estabelecidas no AVA, pela postagem de todo material e pelas atividades no ambiente, pelo feedback ao aluno e, principalmente, pelo processo de mediação. Finalmente, o Tutor de polo atua de forma presencial nos polos e a sua função é auxiliar o aluno no uso das ferramentas do Moodle e no desenvolvimento das atividades, assim como, o apoio no planejamento dos encontros presenciais e na observação da frequência dos alunos. Todos os profissionais envolvidos no Projeto da UAB recebem uma bolsa via Fundo Nacional de Educação (FNDE) e Ministério da Educação e Cultura (MEC), sem nenhum vínculo empregatício com a instituição Cepae/UFG. Os Orientadores acadêmicos e Tutores de polo passam por um processo seletivo, divulgado por meio de Edital e por um curso de formação com um período de dois meses. Atuar como Professor orientador no Curso EII requer um compromisso não apenas com o curso em si, mas com o trabalhar em equipe, ter disponibilidade para participar de reuniões com os Professores formadores, criatividade no exercício de sua função, estabelecer interação entre todos os envolvidos no projeto e, sobretudo, mediar o aluno a distância. Para Belloni (2003), mediatizar o ensino não é uma coisa nova, O que é novo é o grande elenco de mídias cada vez mais “performantes” disponíveis hoje no mercado e já sendo utilizadas por muitos dos aprendentes fora da escola, o que acarreta uma crescente exigência de qualidade técnica da parte dos estudantes. (p. 62) No EaD, essa mediatização se diferencia da presencial, em função da distância física e temporal, e para que ocorra é necessária a combinação de suportes técnicos de comunicação. A ação do professor não se dá diretamente com o estudante, pelo contrário, estão separados pelo tempo e pelo espaço, e por isso o professor no EaD deve estimular, ser criativo, utilizar diferentes estratégias para a comunicação, intervindo como facilitador da comunicação entre todos os envolvidos no processo (aluno, professor, tutor e outros). METODOLOGIA 7 Os dados apresentados neste trabalho foram oriundos das atividades de campo realizadas pelos alunos, da primeira turma do curso de EII, num total efetivo de quatrocentos discentes que ajudaram a mapear a escola de tempo integral no Estado de Goiás. Realizou-se uma pesquisa de campo que acompanhou o funcionamento das Oficinas Curriculares da Escola de Tempo Integral, em escolas públicas nas cidades de Anápolis, Catalão, Formosa, Goianésia, Iporá, Mineiros, Morrinhos, Posse e Rio Verde, no Estado de Goiás. Os instrumentos utilizados na coleta de dados foram a análise documental, como fonte de informação para contextualizar o antes e o depois da escola em estudo; a observação do cotidiano escolar, com o foco no desempenho das atividades docentes, nas condições para desenvolver as oficinas e no processo ensinoaprendizagem; e entrevistas semi-estruturadas realizadas com professores, coordenadores, diretores e profissionais envolvidos com a implantação do projeto da escola de tempo integral. As atividades desenvolvidas pelos alunos do curso de EII foram elaboradas de forma bastante diversificada, a leitura foi o suporte para direcionar e embasar as discussões no AVA. Havia, no entanto, a necessidade de conhecer a realidade das escolas de tempo integral em Goiás. E, assim, a partir de cada visita realizada ao local seria possível estabelecer parâmetros para direcionar as ações educativas no curso. Por este viés foram propostas atividades que ajudem de fato, o professor, no desenvolvimento de atividades que contemplem a formação integral do aluno e sejam capazes de ofertar, a estes discentes, ações que instiguem o interesse e a sua participação na escola. Neste sentido, o professor da escola de tempo integral deve ser “[...] capaz de compreender a escola na sua dimensão pública, como um fórum de distintas vozes e discursos” (COELHO, 2009, p. 37). Em outras palavras, o educador deve ter competência de resgatar o diálogo entre pais, professores e alunos, não como “dono da verdade”, mas como mediador do processo ensinoaprendizagem. 8 Paralelamente às leituras, trabalhou-se na perspectiva de pensar a educação de uma maneira global, sob novos horizontes, e que o professor, neste caso aluno do curso de EII, sinta-se preparado para viver novas experiências, seja no manejo das novas tecnologias, como na participação de oficinas que a sua escola venha a oferecer. Assim, ele visualizará como meta, não apenas o seu o desenvolvimento integral, mas o de seus alunos. Como afirma Yus (2009) “É difícil educar em uma escola integral se ele próprio, o professor ou a professora, não pensa a educação de uma maneira global e não põe em questão sua própria formação distorcida” (p. 22). Isso significa que o professor deve, em primeiro lugar, acreditar nessa proposta, capacitar-se, entender e compreender que o importante é a formação integral de seus alunos. Por esse motivo, os alunos eram direcionados a vislumbrar outros olhares para a cidade em que vivem, pois esta se configura como um território da educação escolar, que oferece um conjunto de possibilidades, saberes locais e espaços esportivos, como afirma Moll (2009, p. 15), “[...] é preciso associar a escola ao conceito de cidade educadora, [...] a cidade, no seu conjunto, oferecerá intencionalmente às novas gerações experiências contínuas e significativas em todas as esferas e temas da vida”. Para tal, propuseram-se várias atividades que mostravam aos discentes outras formas e possibilidades de ensinar, de sair da rotina que muitas vezes acompanham o educador em sala de aula. O objetivo primordial foi o de proporcionar, ao aluno, um curso diferenciado, capaz de direcionar a sua atuação e prática pedagógica no âmbito de uma escola de tempo integral. Não era objetivo, do curso de EII, que toda a discussão fosse direcionada somente ao conteúdo programático, mas que possibilitasse ao discente, na verdade um educador, novas formas de ensinar, que a criatividade fosse uma de suas ferramentas e que ele pudesse orientar a instituição onde atua a lidar com a rotina, com o desenvolvimento de projetos, de oficinas dentro de uma perspectiva de educação integral. Para que tal objetivo fosse alcançado era imprescindível conhecer a realidade da escola onde cada um atua. Assim, se propôs, inicialmente, uma atividade de campo na qual cada aluno do curso de EII, deveria apresentar o 9 perfil de uma escola de tempo integral, de sua região. Nessa atividade, desenvolvida em grupo, solicitou-se informações referentes ao número de alunos, dificuldades enfrentadas pela instituição, bem como as conquistas alcançadas. Dessa maneira, os alunos foram a campo, visitaram as escolas de sua região, registraram e acompanharam as oficinas, entrevistaram os coordenadores pedagógicos, os professores e oficineiros. Como atividade final disponibilizaram no ambiente, com o uso de slides em PowerPoint, as informações obtidas que ajudaram a visualizar a realidade da escola de tempo integral em Goiás. A segunda atividade proposta aos alunos do curso de EII foi o “Portfólio Cidade Educadora” foi desenvolvida em grupo e contemplou o registro de possíveis espaços educativos na cidade onde moravam. O objetivo foi estabelecer um diálogo entre a escola e a cidade. Portanto, solicitou-se aos alunos que registrassem pontos turísticos, históricos de sua cidade que pudessem ajudar na sua prática pedagógica em sala de aula. RESULTADOS Dentre os dez municípios pesquisados, ou seja, os pólos de ensino, apenas o de Inhumas, não fez parte dos dados, pois devido à pouca distância com a cidade de Goiânia percebeu-se que todos os alunos inscritos para aquele polo, na verdade residiam na cidade de Goiânia e esta não fazia parte da proposta de estudo. Assim, as informações obtidas foram sintetizadas e apresentadas em gráficos para uma melhor visualização dos resultados. O gráfico 01 demonstra a quantidade de escolas que atuam em tempo integral em cada município, com destaque para as cidades de Anápolis e Formosa. O horário de atendimentos das escolas de tempo integral, em todos os municípios é das 7h às 16h, as atividades e oficinas são desenvolvidas em outro turno, diferente do horário regular das aulas. O primeiro turno é dedicado às disciplinas do currículo, e o segundo (contra turno) para as oficinas. 10 Gráfico 01- Números de escolas de tempo integral em cada município. As oficinas são variadas, oferece-se a prática do judô e da capoeira, a dança, o tênis de mesa, o xadrez e outras. Estas atividades constituem o diferencial para que os discentes permaneçam na escola no período integral e, ainda, podem optar por até três oficinas. Paralelamente às oficinas, no contra turno, oferece-se aulas de reforço de letramento e matemática. E, é importante salientar que na grande parte das escolas visitadas, as propostas desenvolvidas nas oficinas estão articuladas com o conteúdo trabalhado em sala de aula. Alguns educadores argumentam que esta estratégia tem dado certo, porque muitos alunos com dificuldades em desenvolver problemas matemáticos estão recebendo orientações por meio das oficinas de xadrez e os resultados têm refletido nas atividades em sala. Essa parceria, segundo eles, tem contribuído para o processo de ensinoaprendizagem. Outro dado que merece destaque nesta pesquisa diz respeito aos problemas enfrentados, diariamente, pelas escolas visitadas. Os mais recorrentes são apresentados no gráfico 02 e encontram-se relacionados à estrutura física da escola como banheiros inadequados, refeitório improvisado, quadra sem cobertura e à capacitação ou formação de professores para atuar mais tempo na escola. No gráfico 02 mostra-se cada um dos problemas e a sua porcentagem em relação ao total de escolas visitadas e não em cada uma delas, portanto, obteve-se uma média geral de todas as escolas. Assim, é possível observar que quase na metade das escolas o principal problema enfrentado diz respeito à formação de docentes, ou seja, a falta de capacitação 11 desses profissionais da educação, para atuar em uma proposta de escola de tempo integral. Gráfico 02 - Problemas enfrentados Na segunda atividade proposta aos alunos, o “Portfólio Cidade Educador”, além das riquezas das informações, percebemos que os alunos do curso de EII foram criativos ao intitularem as suas pesquisas. Uma delas chamou a atenção, com o nome de “Chega de mascarar seus alunos: estudar vai além dos livros” foi realizada pelo grupo do polo de Rio Verde. Este grupo registrou inúmeros espaços, dentre eles, o Sobrado Major Frederico Gonzaga Jayme criado em 1912, sua parte externa e interna, apresentando a primeira turma de magistério da cidade de Rio Verde/GO, os objetos e materiais rústicos que faziam parte dos interiores da casa da região, falaram das atividades culturais que acontecem nesse espaço, como apresentação de balé, teatro, e outros. Registram ainda, praças que podem contemplar e desenvolver ações educativas, desde que planejadas e articuladas com o conteúdo proposto, um delas foi a praça dos skatistas. Foram vários relatos que os grupos manifestaram sobre essa atividade, em especial sobre a descoberta dos espaços como, praças, igrejas que passaram despercebidos, durante tantos anos e agora foram reavivados e poderão ser usados e visitados pela escola. Para concluir, os alunos foram convidados a realizar uma exposição o “1º Itinerário do Curso de Educação Integral e Integrada”, e produziram um total de 15 pôsteres, em forma de banners. A exposição aconteceu no Hall do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicado à Educação (Cepae) entre os dias 15 e 12 30 de novembro de 2010, e na Biblioteca Central da UFG entre os dias 03 e 20 de Dezembro de 2010, foi um momento importante em que os alunos do curso socializaram suas experiências e saberes. CONSIDERAÇÕES Alguns alunos se “assustaram”, no inicio do curso de EII, com a carga de leitura e as atividades propostas. Talvez, em função da crença que estudar a distância é estudar de qualquer jeito e sem grandes sacrifícios. No entanto, no decorrer do curso, os alunos perceberam que a dedicação, o comprometimento, as leituras e a realização das atividades são fundamentais para que se alcancem os objetivos, de forma dinâmica, sistematizada e criativa. Não foi tarefa fácil articular e propor esses direcionamentos. Mas, acredita-se que os resultados foram positivos, pois no término do curso, com a apresentação dos Projetos de Intervenção, propostos no último módulo, verificou-se que a concepção em torno da escola de tempo integral e da educação integral foi modificada. A Escola em tempo integral agrega um novo elemento no processo educacional, o aumento do tempo de permanência dos alunos na escola. Essa ampliação requer envolvimento, empenho e criatividade dos educadores e do grupo gestor escolar. Assim, a concepção de educação integral não se restringe apenas ao aumento do tempo do aluno na escola, mas contempla outros horizontes, dentre eles, as múltiplas possibilidades que a cidade, enquanto espaço educativo oferece e, mais, que os envolvidos nesta proposta tenham experiência e direcionem o seu pensar para ações pedagógicas, tendo conhecimento específico acerca das atividades exploradas e que o aumento do tempo na escola seja pensado qualitativamente, redimensionando novas formas de aprendizagem na instituição e fora dela, construindo vivencias significativas e democratizando as relações existentes nesta unidade escolar e em interação com os espaços comunitários. Acredita-se, portanto, que as discussões e as atividades propostas, durante o curso de Educação Integral e Integrada, contribuíram significativamente, para uma reflexão-crítica e para a formação destes 13 docentes. Pretende-se futuramente, em uma próxima turma, dar sequência ao desenvolvimento das ações aqui iniciadas e, assim, propor novos enfrentamentos. REFERÊNCIAS BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas, SP: Autores Associados, 2003. COELHO, Lígia Martha Coimbra da Costa. Apenas o professor pode atuar na educação integral? Revista pedagógica Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 34-37, ago./out., 2009. MOOL, Jacqueline. Um paradigma contemporâneo para a educação integral. Revista pedagógica Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 12-15, ago./out., 2009. TEIXEIRA, Anísio. Plano de Construções Escolares de Brasília. In: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v. 35, n. 81, p. 195-199, jan./mar., 1961. TEIXEIRA, Anísio. Introdução. In: DEWEY, John. Vida e Educação. 5 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1961. YUS, Rafael. Um paradigma holístico para a educação. Revista pedagógica Pátio. Porto Alegre, n. 51, p. 20-22, ago./out., 2009.