1 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE DEBORAH DELPHINO CONCEITUAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA PARQUE EM BRASÍLIA, RIO DE JANEIRO, SALVADOR E SÃO PAULO. DE 1931 A 2013 SÃO PAULO 2013 2 DEBORAH DELPHINO CONCEITUAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA PARQUE EM BRASÍLIA, RIO DE JANEIRO, SALVADOR E SÃO PAULO. DE 1931 A 2013 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito para obtenção do titulo de mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Prof. Dr. Roberto Righi Com apoio do Mackpesquisa. SÃO PAULO 2013 3 4 DEBORAH DELPHINO CONCEITUAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA PARQUE EM BRASÍLIA, RIO DE JANEIRO, SALVADOR E SÃO PAULO. DE 1931 A 2013 Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito para obtenção do titulo de mestre em Arquitetura e Urbanismo. Aprovado em BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Roberto Righi Universidade Prebisteriana Mackenzie Profa. Dra. Gilda Collet Bruna Universidade Prebisteriana Mackenzie Prof.Dr. Alexandre Delijaicov Universidade de São Paulo 5 Dedico àqueles que querem desenvolver as condições para um ensino fundamental de melhor qualidade. E aos adultos que sofrem as consequências deste ensino precário brasileiro. 6 AGRADECIMENTOS A Deus por estar presente em todo percurso desta caminhada. A minha famlia, em especial a Regis, meu marido, por ter me apresentado a data de inscrição e me incentivado a fazer o mestrado e depois as revisões necessárias; aos meus filhotes, Marcos e Heloisa que compreenderam quando não podia dar-lhes a atenção devida, e foram auxiliados pela avó Neuza Leme; aos meus pais, Sergio ( in memorium) e Maria Eugênia pelo que sou e por insistirem na minha formação academica, aos meus irmãos: Katia, Martha, Sergio que não esqueceram de me fortalecer nas dificuldades e em especial minha irmã Jussara que me auxiliou nas correções. Ao Prof. Roberto Righi, eterna gratidão, por ser orientador persistente, com diretrizes seguras, paciência constante e incentivo no desenvolvimento deste trabalho. A Profª Gilda Collet Bruna pela leitura atenciosa do trabalho e contribuições. Ao Prof. Alexandre Delijaicov pelos comentários e sugestões apontadas no decorrer do trabalho e a André Takiya pelas utéis informações. Ao diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Dr. Walter Caldana, a Coordenação da Pós-Graduação Dra Angélica Alvim e a Dra Eunice Abascal que foram muito atenciosos as minhas dificuldades; agradeço aos Professores da Pós-Graduação por transmitirem seus conhecimentos. Aos diretores, vice-diretores, coordenadores e professores das Escolas Parques visitadas em Salvador, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, em especial: J.F.Barros, Ariane, Cleber, Ivonilde, Elton, Everaldo, Andrea, Marcia, Esmeralda, Nejela, Gisela e Dirceu por terem concordado em me receber para desenvolvimento desta pesquisa. Agradecimento especial ao Toninho do Bookstore que me indicou algumas leituras de grande valia para o mestrado. Ao apoio do Mackpesquisa que tornou possível a realização das viagens investigativas. A todos que colaboraram com meu trabalho de pesquisa, aos colegas de turma Andre e Aline que me emprestarm algum conhecimento,meu muito obrigada. 7 Não me consolo de constatar todo dia que o Brasil não deu certo. Ainda não deu certo. Não por culpa da terra, que é boa, nem do povo, que é ótimo. Mas por culpa das nossas classes dirigentes, tão tenazmente tacanhas que só sabem gastar gente a fim de lucrar e enricar. (...) Ponha o ombro no andar, companheiro, faça força você também. Se não cuidarmos deste país que é nosso, os gerentes das multi e seus servidores e sagazes civis continuarão forçando o Brasil a existir para eles. Darcy Ribeiro 8 RESUMO Este trabalho investiga sete modelos de escolas públicas brasileiras construídas com a orientação filosófica de Anísio Teixeira (1900-1971), caracterizada por uma escola de período integral onde a criança pudesse experimentar, raciocinar, pensar, formar hábitos e valores democráticos As escolas estudadas e visitadas possuem proposta arquitetônica que reflete um programa funcional diferenciado, com espaços como: auditório, ateliê, estúdio, biblioteca e áreas de convivência A primeira escola brasileira idealizada com este novo conceito foi a Escola Platoon, em 1931, situada na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, projetada pelo arquiteto Enéas Silva. Em 1949, em Salvador, os arquitetos Diógenes Rebouças, Hélio Duarte e Paulo Antunes Ribeiro projetaram o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, composto por uma Escola-Parque e quatro Escolas-Classes. Em 1957, o arquiteto José Reis construía na nova capital federal, Brasília, o Centro Educacional Elementar. Saliente-se que Anísio Teixeira orientou diretamente o programa arquitetônico destas três escolas. Outras escolas se implantaram partindo de seu legado; em 1949 foi formalizada uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura da Capital, da qual resultou a construção de 52 Escolas Parques sob o comando do arquiteto Hélio Duarte. A partir de 1983, foram construídos no Estado do Rio de Janeiro, 502 Centros Integrados de Educação Pública. Em 1991, em Brasília, foi criado o Centro de Atenção Integral a Criança. Finalmente, no ano de 2001, foi proposto o Centro de Educação Unificado, em São Paulo. Observou-se que, com o passar dos anos, apesar de terem sido mantidas as construções originais das Escolas Parques, foram alteradas algumas formas de ocupação e utilização dos espaços arquitetônicos, a fim de elevar a capacidade de atendimento do número de alunos, o que descaracterizou parcialmente o projeto original de Anísio Teixeira. Palavra Chave: Escola Parque, Centro Educacional Carneiro Ribeiro, Centro Educacional Elementar, Centro Integral de Educação Pública, Centro de Atenção Integral a Criança, Centro Educacional Unificado e Anísio Teixeira. 9 ABSTRACT: This paper investigates seven models of Brazilian public schools built with the philosophical orientation of Anísio Teixeira (1900-1971), characterized by a full-time school where the child could experience, reasoning, thinking, habits and form democratic values and visited schools studied have architectural proposal that reflects a differential functional program, with spaces such as the auditorium, studio, studio, library and living areas. The first Brazilian school designed with this new concept was the Platoon school in 1931, located in the city of Rio de Janeiro, then the Federal District, designed by architect Enéas Silva. In 1949, in Salvador, architects Diogenes Rebouças, Hélio Duarte Paulo Antunes Ribeiro designed the Centro Educacional Carneiro Ribeiro, composed of a School Park and four Class Schools. In 1957, the architect José Reis built in the new capital, Brasília, the Centro Educacional Elementar. It should be noted that Teixeira directly guided architectural program of these three schools. Other schools have implemented starting with his legacy, in 1949 was formalized a partnership between the State Government and the Municipality of São Paulo Capital, which resulted in the construction of 52 schools under the command of architect Hélio Duarte. From 1983, were built in the State of Rio de Janeiro, 502 Centros Integrados de Educação Pública. In 1991, in Brasília, was created the Centro de Atenção Integral a Criança. Finally, in 2001, was proposed Centro de Educação Unificado, in São Paulo. It was observed that, over the years, despite being held the original buildings of Schools Parks, have changed some forms of occupation and use of architectural spaces in order to increase the service capacity of the number of students, which partially misread the original design of Anísio Teixeira. Keyword: Park School, Centro Educacional Carneiro Ribeiro, Centro Educacional Elementar, Centro Integral de Educação Pública, Centro de Atenção Integral a Criança, Centro Educacional Unificado e Anísio Teixeira. 10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES: Fig. 01- Escola Modelo da Luz em São Paulo, 1930.............................................................24 Fig. 02- Escola Estadual Prudente de Moraes em São Paulo, 1950.....................................25 Fig. 03- Brady School em Detroit ..........................................................................................40 Fig. 04- Escola Municipal Estados Unidos no Rio de Janeiro................................................41 Fig. 05- Escola Municipal República Argentina no Rio de Janeiro.........................................53 Fig. 06- Mapa de localização do Centro Educacional Carneiro Ribeiro em Salvador..........58 Fig. 07- Fotos interna da Escola Parque- corredores-............................................................59 Fig. 08- Implantação da Escola-Parque no Bairro da Liberdade em Salvador.....................60 Fig. 09- Pátio Central da Escola Parque................................................................................60 Fig. 10-Vista área da Escola-Parque em 1953.......................................................................61 Fig. 11-Pavilhhão do Trabalho em 1973 e em 2012..............................................................63 Fig. 12-Fachada Pavilhão do Trabalho..................................................................................65 Fig. 13-Pavilhão Esportivo e Recreativo.- Pav. Térreo..........................................................66 Fig. 14-Fotos internas Pavilhão Esportivo e Recreativo -Pav. Inferior..................................66 Fig. 15-Pavilhão Socializante................................................................................................67 Fig. 16-Pavilhão Administrativo.............................................................................................67 Fig. 17-Pavilhão da Cantina..................................................................................................68 Fig. 18-Teatro.......................................................................................................................69 Fig. 19-Arena........................................................................................................................69 Fig. 20-Biblioteca..................................................................................................................70 Fig. 21-Escola-Classe IV......................................................................................................73 Fig. 22-Escola-Classe III.......................................................................................................73 Fig. 23-Escola ClasseII.........................................................................................................74 Fig. 24-Escola-Classe I ........................................................................................................75 Fig. 25-Implantação da Escola Estadual Doutor Octavio Mendes.......................................82 Fig. 26-Área piscina da E Doutor Octavio Mendes em 1950 e 2012...................................82 Fig. 27-Biblioteca da E Doutor Octavio Mendes em 1950 e 2012........................................83 Fig. 28-Escola-Parque SQ307/308 Sul em Brasília em 1959...............................................87 Fig. 29-Escola-Parque Salas ateliês vista externa e interna ................................................87 Fig. 30-Auditório Escola-Parque 307/308 Sul.......................................................................88 Fig. 31-Pavilhão das Oficinas e Quadra...............................................................................88 Fig. 32- Área externa com vista da piscina 307/308.............................................................89 Fig. 33- Entrada Escola-Classe da SQS 308 .....................................................................89 Fig. 34- Escola-Classe da SQ 308 Sul................................................................................90 Fig. 35-Vista da entrada Escola-Parque da SQ 303/304 Norte...........................................90 Fig. 36-Comparativo das Escolas Parques...........................................................................91 Fig. 37-Vista interna da Escola-Parque da SQN 303/304 ....................................................91 Fig. 38-Vista da Escola-Parque da SQ 303/304 Vista da Piscina........................................92 Fig. 39-Vista do jardim de Infância SQ304 Norte e Escola Classes SQ304 Norte.............92 2 Fig. 40-Implantação e Vistas do CIEP Tancredo Neves........................................................98 Fig. 41-Croquis de Oscar Niemeyer para o Sambódromo com a escola.............................101 Fig. 42-CIEP Avenida dos Desfiles.......................................................................................102 Fig. 43-Implantação CAIC Planaltina -Assis Chateaubriand................................................107 Fig. 44- CAIC Planaltina -Assis Chateaubriand, refeitório e play ground............................107 Fig. 45- CAIC Planaltina -Assis Chateaubriand sala de aula e pátio coberto......................108 Fig. 46-Implantação do CAIC na cidade de Pirassununga...................................................108 Fig. 47-Implantação de CAIC diversos.................................................................................109 Fig. 48-Croqui de Alexandre Delijaicov para o CEU Butantã em 2001................................115 Fig. 49- Vista total do Conjunto Edificado do CEU Butantã construído................................116 Fig. 50-Fotos do Bloco Didático, Cultural e Esportivo..........................................................117 11 Fig. 51-CEU Agua Azul - Vista geral da Escola...................................................................118 Fig. 52- Implantações que comparam o CEUs....................................................................119 Fig. 53- CEU Celso Augusto Daniel São Bernardo do Campo............................................121 Fig. 54- CEU Celso Augusto Daniel São Bernardo do Campo............................................121 Fig. 55- Painel Mario Cravo com o titulo: ‘O homem e a maquina’.....................................144 Fig. 56-Painel de Carybé ‘ A energia’.................................................................................145 Fig. 57-Painel de Maria Célia de Mendonça em ‘ A transformação da matéria’................146 Fig. 58-Afresco de Carlos Mangano a 'Evolução Humana'.................................................146 Fig. 59-Afresco de Jenner Augusto a 'Evolução Humana'...................................................147 Fig.60- Painéis na entrada dos alunos das Escolas Classes I e II......................................148 12 LISTA DE QUADROS E ORGANOGRAMA Quadro 01 As fases evolutivas do sistema educacional americano:......................................39 Quadro 02 Quadro Resumo das Escolas Parques Pesquisadas:...........................................45 Quadro 03 Localização dos Cieps – Total Construídos: 502.................................................96 Quadro 04 1ª Fase de implantação dos Centros Educacionais Unificados (2001-2003)......111 Quadro 05 2ª fase de implantação dos Centros Educacionais Unificados após 2004..........112 Quadro 06 Quadro comparativo cronológico da Construção das escolas de Salvador e São Paulo no final da década de 1940...................................................................... 130 Quadro 07 As Escolas propostas por Anísio Teixeira..........................................................132 Quadro 07 Legado das escolas que Anísio Teixeira influenciou filosoficamente................133 Quadro 09 Cronologia dos Fatos Marcantes na época de implantação das Escolas Parques................................................................................................................138 Organograma 01 As ligações dos arquitetos que projetaram as Escolas Parques.......126 Organograma 02 Fatos importantes para formação das Escolas Parques...................141 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................16 2 DA ESCOLA-CLASSE A ESCOLA PARQUE............................20 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 COMO ERA A ESCOLA CLASSE................................................................21 As primeiras Escolas Classes antes da República.................................21 A Escola-Classe com a Proclamação da República................................22 A proposta inovadora da Escola Parque..................................................28 2.2 2.2.1 2.2.2 SOBRE ANÍSIO TEIXEIRA...........................................................................30 A Trajetória..................................................................................................30 A Filosofia da Escola Nova........................................................................31 2.3 A FORMAÇÃO DAS ESCOLAS PARQUES AMERICANAS........................35 2.4 PROGRAMA DA ESCOLA-PARQUE DE DETROIT....................................38 2.5 2.5.1 2.5.2 A MUDANÇA DE RUMO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA.............................41 O Manifesto dos Pioneiros da Educação em 1932: ...............................41 Os sete casos estudados...........................................................................44 3 OS PROGRAMAS E OS PROJETOS DAS ESCOLAS PARQUES.....................................................................................46 3.1 3.1.1 3.1.2 A PRIMEIRA ESCOLA PARQUE NO RIO DE JANEIRO (1931-1935)........47 A primeira escola idealizada por Anísio Teixeira ....................................47 A Escola Municipal República Argentina tipo Platoon............................51 3.2 CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO ( CECR) EM SALVADOR (1949-1963)...................................................................................................54 A formação da Escola Parque e Escola Classe em Salvador.................54 A Escola Parque no Bairro da Liberdade..................................................58 As Escolas Classes do Centro Educacional Carneiro Ribeiro................71 3.2.1 3.2.2 3.2.3 ESCOLA NOVA EM SÃO PAULO – 2º CONVÊNIO ESCOLAR (19491952)...............................................................................................................76 3.3.1 A iniciativa de São Paulo para construção de escolas públicas no final da década de 1940.........................................................................................76 3.3.2 A Escola de Hélio Duarte e sua equipe......................................................78 3.3.3 A Escola Estadual Doutor Octavio Mendes...............................................80 3.3 3.4 CENTRO DE EDUCAÇÃO ELEMENTAR EM BRASÍLIA (1957-1963)..........83 3.4.1 A Escola idealizada por Anísio Teixeira para a Capital Federal, Brasília............................................................................................................83 3.4.2 A Escola Parque e Escola Classe na Super Quadra 307 e 308 ASA Sul..86 3.4.3 A Escola Parque pré-moldada na Super Quadra 303 e 304 ASA Norte....90 14 3.5 CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PÚBLICA (CIEP) NO RIO DE JANEIRO ( 1983-1987 e 1991-1994).............................................................93 3.5.1 A revitalização da Escola Parque na década de 1980..............................93 3.5.2 O primeiro Centro Integral de Educação Pública.....................................97 3.5.3 O CIEP de Brizola para a Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro, (Sambódromo).............................................................................................100 3.6 CENTRO INTEGRAL DE APOIO A CRIANÇA (CIAC) EM BRASÍLIA CRIADO EM 1990.......................................................................................................103 3.6.1 Como o CIAC se transforma em CAIC......................................................103 3.6.2 O Centro de Atenção Integral a Criança localizado em Planaltina.........106 3.6.3 Implantações atuais dos Centros de Atenção Integral a Criança..........108 3.7 3.7.1 3.7.2 3.7.3 3.7.4 CENTRO EDUCACIONAL UNIFICADO (CEU) EM SÃO PAULO PROPOSTO EM 2001.......................................................................................................109 A releitura da Escola Parque em São Paulo............................................109 O CEU Butantã............................................................................................115 Os Centros Educacionais Unificados após 2004....................................117 Construção do CEU em São Bernardo do Campo em 2012...................119 4 AS LIGAÇÕES PROJETUAIS E CAUSAIS DOS ARQUITETOS DAS ESCOLAS PARQUES...............................123 4.1 LIGAÇÕES ATEMPORAIS...........................................................................124 4.2 SOBRE OS ARQUITETOS DA ESCOLA PARQUE DE SALVADOR COM DESTAQUE PARA O ARQUITETO HÉLIO DUARTE.................................126 4.2.1 Diógenes Rebouças...................................................................................126 4.2.2 Paulo Antunes Ribeiro...............................................................................127 4.2.3 Hélio Duarte o arquiteto que projetou a Escola Parque em São Paulo e Salvador...................................................................................................... 128 5 OS SETE MODELOS DE ESCOLAS PARQUES ......................132 5.1 TESTEMUNHO DAS ESCOLAS QUE ANÍSIO TEIXEIRA DIRETAMENTE DIRIGIU.........................................................................................................133 5.2 LEGADO DAS ESCOLAS QUE ANÍSIO TEIXEIRA INFLUENCIOU FILOSOFICAMENTE....................................................................................133 5.3 ANALISE DOS PROJETOS ESTUDADOS...................................................134 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................135 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................149 15 APÊNDICE A - O QUE SE PASSAVA NO MUNDO E NO BRASIL NO PERÍODO DE CONSTRUÇÃO DAS ESCOLAS PARQUE....................................................................138 APÊNDICE B- A IMPORTÂNCIA DOS MURAIS NO CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO EM SALVADOR...............................................................142 ANEXO A - DECLARAÇÃO DAS ESCOLAS VISITADAS................................................................154 16 1 INTRODUÇÃO A qualidade da educação revela o padrão de desenvolvimento de um país. Pelo levantamento do Censo Escolar da Educação Básica 2010, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP existe no Brasil 194.939 estabelecimentos de educação básica por todo o país, estão matriculados 51.549.889 alunos, sendo que 43.989.507 (85,4%) estão em escolas públicas e 7.560.382 (14,6%) em escolas da rede privada. Deste total, 31.005.341 estão matriculadas no Ensino Fundamental (crianças de 7 a 14 anos) em diversas dependências administrativas, sendo a participação das redes municipais corresponde a 54,6% das matrículas, cabendo às redes estaduais 32,6%, enquanto as escolas privadas atendem 12,7%, restando à rede federal 0,1% do atendimento nessa etapa de ensino1. Este contingente de crianças demonstra a importância em oferecer ensino público de qualidade para formação de uma nação voltada para o desenvolvimento humano e tecnológico. A busca por um ensino público de qualidade não é recente. Os estudos demostram que já na década de 19302, intelectuais e estudiosos acreditavam que só com uma educação preparada para o futuro se conseguiria atingir o patamar almejado de desenvolvimento humano, cientifico e tecnológico. Passados 80 anos ainda não resolvemos os problemas educacionais que comprometem a evolução do ensino no país, não só pedagogicamente, mas em relação aos espaços planejados e construídos. No final da década de 1920, o educador Anísio Teixeira (1900-1971), conheceu interessante sistema pedagógico americano denominado "Platoon" implantado em 1890, na Brady School, situada na cidade de Detroit - USA. Este sistema se caracterizava pela formação de grupos (pelotões) de alunos para 1 Fonte: Ministério da Educação (MEC) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP)- Censo Escolar 2010-Visão geral dos principais resultados - Brasília 20 de dezembro de 2010. 2 Em 1932 Intelectuais brasileiros preocupados com a educação publica fizeram um Manifesto dos Pioneiros da Educação, que vai ser abordado no item 1.5.1, pg. 37 deste trabalho. 17 frequentar diversos tipos de disciplinas em horários alternados, ministradas em diferenciados espaços arquitetônicos, uma escola de período integral1. Trazia o conceito de Escola-Parque, onde as crianças poderiam passar o dia na escola, num ambiente agradável, com áreas verdes, salas com janelas voltadas para o exterior, onde as crianças tivessem uma educação completa, com aulas de matérias fundamentais (português, matemática, história, ciências), mas também completassem o ensino com matérias especiais como esportes, artes e cultura. Fascinado pelo resultado desta escola, Anísio Teixeira tentou implantar o mesmo sistema no Brasil. Realizou três tentativas diretas (1931, no Rio de Janeiro, 1949 em Salvador e 1957 em Brasília), e indiretamente, aqui em São Paulo, na década de 1950, quando o arquiteto Hélio Duarte que havia trabalhado com Anísio Teixeira na Escola de Salvador, captou sua ideologia de escola de período integral, e projetou 52 escolas-parques. Depois, tentativas esparsas e pontuais como o conceito de Escola-Parque são retomadas, por Darcy Ribeiro, no governo de Leonel Brizola, na década de 1980, que trabalhou com Anísio Teixeira na Universidade de Brasília, e utilizou os conhecimentos adquiridos pela convivência com o mestre, para implantação no Rio de Janeiro, do Centro Integral de Educação Pública (CIEP); na década de 1990, houve outra tentava quando o presidente Fernando Collor de Mello tentou implantar por todo o Brasil, escolas de ensino integral denominado Centro Integral de Apoio a Criança (CIAC), posteriormente denominado de Centro de Atenção Integral a Criança (CAIC). Por fim, como forma de suprir o déficit de escolas nas periferias da cidade de São Paulo, a Prefeita Martha Suplicy, criou o Centro de Educação Unificado (CEU) em 2001. Para se conhecer estas experiências escolares algumas indagações são pertinentes: Como estas escolas se formaram? Como foram projetadas? Que quantidades de alunos atingiram? Como se encontram atualmente? Questões que foram respondidas através de: consultas em livros, artigos da época e principalmente visitas às escolas (um modelo em cada caso estudado); outras fontes como: levantamentos fotográficos e depoimentos de funcionários das escolas. 1 TEIXEIRA, Anísio. Aspectos americanos de educação. [Salvador]: Diretoria Geral de Instrução, de São Francisco: 1928 (Relatório de viagem na América do Norte). http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/artigos/aspameri educacao/indice.htm acesso em 11-12-2011. 18 Este trabalho resgata a história da implantação da Escola Parque, que é a principal experiência de renovação do sistema educacional público, tendo sido escolhido sete casos por estarem nas capitais mais populosas do Brasil1. Conforme citado, a partir da década de 1930, Anísio Teixeira idealizou e construiu para os poderes políticos, três tipos de escolas referências nas seguintes cidades: 1º caso: Escola Platoon, no Rio de Janeiro (1931). 2º caso: Escola Parque e Escola Classe (Centro Educacional Carneiro Ribeiro) em Salvador (1949). 3º caso: Centro Educacional Elementar em Brasília (1957). Dada a sua importância, o mestre influenciou arquitetos e governos, que realizaram outras quatro obras que são objeto deste estudo, nas capitais dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. 4º caso: Escola Nova, coordenado pelo o arquiteto Hélio Duarte em São Paulo, da década de 1950. 5º caso: Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), coordenado por Darcy Ribeiro da década de 1980, e projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. 6º caso: Centro Integral de Apoio a Criança (CIAC), idealizado por Fernando Collor da década de 90, em Brasília, com o arquiteto João Figueira Lima. 7° caso: Centro Educacional Unificado (CEU), idealizado pela prefeita Marta Suplicy, da década de 2000 em São Paulo, com projeto do departamento de arquitetos do Município (EDIF). Este estudo mostra que no Brasil, lamentavelmente, as aplicações da conceituação pedagógica e espacial são pontuais e sem continuidade, o que ocorre de forma crônica em quase todos os setores da sociedade. Apesar disto, os projetos em analise foram de extrema importância para o país, pois trouxeram bagagem ideológica e aceleraram o progresso do serviço educacional. Contudo, por razões políticas, foram esquecidos ou ainda modificados sem explicação adequada. No Brasil sempre houve pensadores e intelectuais preocupados com o futuro da nação, que consideram a educação como grande impulsor da verdadeira democracia e ferramenta para elevar o grau de desenvolvimento humano, político e 1 População Municipal pelo censo de 2010 (fonte IBGE): São Paulo (SP) - 11 300.000 habitantes; Rio de Janeiro(RJ) -6.400.000 habitantes; Salvador(BA) - 2.700.000 habitantes; Brasília(DF)- 2.600.000 habitantes 19 econômico. No início do século XX esta preocupação estava intimamente relacionada ao ideal republicano. Uma mostra desta preocupação está relatada na carta escrita 1 em 1927 por Monteiro Lobato (1882-1948), enviada à Fernando Azevedo (1894-1974),que era na época líder do movimento da renovação educacional no Brasil e dirigia o ensino no Distrito Federal (RJ). Esta carta apresentava Anísio Teixeira a Fernando de Azevedo como mensageiro das ideias conceituais da Escola Nova Americana. Monteiro Lobato era Adido Comercial do Brasil nos EUA e lá se encontrou com Anísio, que era estudante do departamento de educação da Universidade de Colúmbia, USA, e se tornaram amigos. Escolha correta, pois Anísio Teixeira tentou mudar os rumos da educação, superando muitos obstáculos e incompreensões. Seus ensinamentos continuam a influenciar as gerações subsequentes. Conhecendo o passado pode-se construir o presente e ajudar a tornar o futuro melhor. Ele nos deixa uma lição, num discurso visionário de 1930 que diz: O estudo do passado é um grande recurso para a imaginação, acrescenta uma nova dimensão á vida, mas com a condição de que seja compreendido como o passado do presente e não como outro mundo formoso e isolado. Em vez de fugir das cruezas do presente para os refinamentos do passado, o estudante deve utilizar o passado para amadurecer e refinar o presente (TEIXEIRA, 1930, p. 28). 1 Carta de Monteiro Lobato a Fernando Azevedo: “Fernando”. Ao receber esta, para! Bota pra fora qualquer senador que esteja aporrinhando. Solta o pessoal da sala e atende o apresentado, pois ele é o nosso grande Anísio Teixeira, a inteligência mais brilhante e o maior coração que já encontrei nestes últimos anos de minha vida. O Anísio viu, sentiu e compreendeu a América e ali te dirá o que realmente significa esse phenômeno novo no mundo. Ouve-o, adora-o como todos os que conhecemos o adoramos e torna-te amigo dele como me tornei como nos tornamos eu e você. Bem sabes que há certa irmandade no mundo e que é desses irmãos, quando se encontram, reconhecerem-se. Adeus. Estou escrevendo a galope, a bordo do Navio que vai levando uma grande coisa para o Brasil: Anísio lapidado pela América. LOBATO 20 2 DA ESCOLA-CLASSE A ESCOLA PARQUE 21 2.1 COMO ERA A ESCOLA CLASSE 2.1.1 As primeiras Escolas Classes antes da República. Pelos levantamentos do arquivo do Estado de São Paulo, em 1857 foram feitas Normas para a Instrução Provincial que dividia a educação em primária, média e secundária, podendo ser pública, particular e doméstica, onde a educação pública era dada nas escolas, internatos, institutos sustentados ou meramente subsidiados pela Província. A instrução particular era definida como aquela fornecida em qualquer estabelecimento que não fosse criado, regulado ou sustentado pelo Governo Imperial ou pela Província. E a instrução doméstica era aquela ensinada pelos pais ou avós a seus filhos ou netos, ou por estranhos a alunos individualmente dentro das casas, no seio das respectivas famílias destes. Era terminantemente proibido o ensino ‘promíscuo de ambos os sexos’. Havia escolas para meninos e outras para as meninas (http://www.arquivoestado.sp.gov.br/educacao/publicacoes .php- acesso em 21- 08 - 2012). O ensino era obrigatório para todos os menores de 7 a 15 anos, que residiam dentro do raio de um quarto de légua da povoação onde houvesse escola pública ou particular subsidiada. (Artigo 51 do Cap.II. 1857). Quanto aos locais de ensino, o Governo fornecia uma casa "em um dos locais mais silenciosos, e centrais da Cidade, Vila ou Freguesia, suficientemente espaçosa e salubre" (artigo 148. Cap. IX. 1857). Onde não houvesse edifício público ou convento, o Governo alugava uma casa particular, até que o Subinspector promovesse a construção de um edifício próprio com o auxílio do ‘Cofre Provincial’. O Governo também fornecia os móveis necessários para cada escola, segundo o número de alunos; e os professores seriam responsáveis por eles. No artigo 152 do capítulo IX fala que: "a casa, móveis e utensílios das escolas não podem ser aplicados a usos diferentes do ensino, sendo que o Diretor Geral pode permitir ao professor a residência na casa da escola, devendo para esse fim ser preferido o que fosse casado" (artigo,152 do Capitulo IX, 1857). As escolas ofereciam disciplinas do ensino primário: a leitura, a escrita, as noções elementares de gramática nacional, as primeiras operações práticas da 22 aritmética, o sistema de pesos e medidas da Província, e ainda, instrução moral e religiosa; e para as meninas, além destas matérias era ensinado bordado e trabalho com agulha. Este panorama revela o grau e limite de conhecimento que o Governo, na época do Império, tentava impor a população da Província. As estatísticas referentes à instrução primária evidenciam a distância que diferenciava a elite e o povo, os poucos letrados e eruditos e o enorme contingente de analfabetos existentes na Província. Em 1867 estavam matriculados no ensino primário cerca de 107.500 alunos em todas as províncias, para uma população livre de 8.830.000, sendo que 1.200.000 indivíduos estavam em idade escolar. Todavia, somente 120.000 recebiam instrução primária, ou seja, a décima parte da população, o que corresponde a indivíduo a cada 80 habitantes (AZEVEDO, 1958, p. 82). Em 1889, para uma população de quase 14.000.000, foram oferecidas aproximadamente 250.000 vagas nas escolas primárias. O número de inscritos não chegava a 300.000, que significa que apenas a sétima parte da população em idade escolar estava matriculada nas escolas dos diversos tipos e graus existentes no país (AZEVEDO, 1958, p. 111). 2.1.2 A Escola-Classe com a Proclamação da República A instrução pública foi implantada no Brasil como parte do projeto das elites letradas que pretendiam criar uma nova sociedade. A população, alfabetizada e instruída, abandonaria as tradições arcaicas e adotaria princípios e comportamentos científico-racionais. Dessa maneira, supostamente, o Brasil se transformaria numa nação próspera e civilizada, tanto material quanto espiritualmente. (SILVA 2006, p.41) Após a Proclamação da República (1889), em São Paulo1, os grupos escolares começaram a organizar-se exigindo uma nova forma do espaço escolar. No final do século XIX, educadores, políticos republicanos e elites intelectuais mostraram a necessidade de espaços especialmente construídos para comportar 1 Trata-se do Estado de São Paulo, pois cada Estado brasileiro após a proclamação da República adequou seu sistema educacional segundo as condições pertinentes a realidade do local. 23 estabelecimentos de ensino, como os vistos na Europa. "Eram necessários prédios grandes, arejados e bonitos componentes da paisagem urbana, servindo para testemunhar a importância dada pelos setores governamentais à educação" (BUFFA, 2002, p.32). De acordo com este critério, o planejamento dos grupos escolares compreendia múltiplas salas, diversas classes de alunos e um professor para cada uma delas (BUFFA, 2002). O primeiro edifício projetado no intuito de abrigar uma escola primária foi a Escola Modelo da Luz, na Av. Tiradentes- São Paulo-SP, em 1893, época em que o Departamento de Obras Públicas (DOP) estava encarregado da construção dos prédios escolares no Estado de São Paulo. Consultando os arquivos da Fundação para Desenvolvimento Escolar (FDE), sabe-se que em 28 de setembro de 1893, foi lançada, por Cesário Motta, a pedra fundamental do prédio onde funcionou esse grupo escolar da Escola Modelo da Luz. Junto com outros edifícios importantes que se erguiam no bairro da Luz, o governo de São Paulo escolheu a Av. Tiradentes, 273 para ali instalar o primeiro edifício projetado para essa escola primária na capital do Estado de São Paulo. Com projeto de Ramos de Azevedo, o prédio foi construído ao lado do jardim público da cidade. A construção teve início em 1893, mas só em 1 º de fevereiro de 1895 foi publicado pelo Conselho Superior de Instrução Pública o decreto n º 280, criando a Escola Modelo da Luz, denominada mais tarde Grupo Escolar Prudente de Moraes (MELLO M,1991). Do projeto original, existem alguns desenhos recopiados ou reproduzidos através de levantamento no local, efetuado entre 1930 e 1933 pela Diretoria de Obras Públicas, que relatam que no porão funcionavam três salas de aula, além de oficinas de marceneiro e torneiro, de modelagem em gesso e arrecadação do batalhão escolar. Isto demonstra a preocupação de oferecer ensino profissionalizante para uma época de crescimento industrial. A inauguração oficial foi em 17 de agosto de 1895, quando Bernardino de Campos era Governador do Estado, e Alfredo Pujol o Secretário do Interior. Pelo decreto n º 427, de 6 de fevereiro de 1897, assinado por Campos Sales, Presidente do Estado, e por Antônio Dino da Costa Bueno, Secretário do Interior, criou-se a Escola Complementar, anexa a esse grupo, que funcionou durante nove anos e diplomou 291 professores em seis turmas. Em dezembro de 1902, a Escola Complementar foi transferida para Guaratinguetá (MELLO M,1991). 24 Durante a Revolução de 1924, o prédio da escola foi requisitado para servir de Quartel da Força Pública. No início da década de 1930, ainda como quartel, teve suas instalações completamente destruídas por um incêndio, conforme evidenciado na figura 01. Figura 01- Fachada da Escola Modelo da Luz destruída pelo incêndio em 1930 Fonte: Foto do mural histórico da Escola Prudente de Moraes copiado por Deborah Delphino.(julho de 2012) Nos anos seguintes foram feitos alguns estudos para a construção de um novo edifício, o que efetivamente não ocorreu. Somente em 1950, depois de duas décadas, foi edificada pela prefeitura uma nova escola naquele local e entregue ao Estado para administrá-la. Esta nova escola foi projetada por Hélio Duarte, seguindo o programa funcional da Escola-Parque, filosofia que assimilou trabalhando ao lado de Anísio Teixeira nos projetos em Salvador. O desenho da escola é marcado por linhas retas, espaço reservado para recreação e convívio entre meninos e meninas. Atualmente, esta escola oferece ensino Fundamental (1ª a 4ª série) e atende um número reduzido de alunos, e possivelmente pode ser desativada para dar lugar a um Anexo da Pinacoteca do Estado (informação da diretora da escola), como mostrada na figura 02. 25 Figura 02 - Escola Prudente de Moraes projetada por Hélio Duarte, em 1950 no local da Escola Modelo da Luz, Av. Tiradentes, 273. Fonte: Foto do Mural Histórico da escola Prudente de Moraes copiado por Deborah Delphino (julho 2012) Para continuar as construções de Grupos Escolares do modelo Republicano e para atender a crescente demanda de alunos, no Estado de São Paulo foram contratados diversos arquitetos, dentre eles: Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Victor Dubugras, Hipólito Pujol e Carlos Eckmann, este último pelo projeto da Escola de Comercio Álvares Penteado, de propriedade privada (MELLO M,1991). A arquitetura utilizada na edificação dos grupos escolares, devido à urgência em construir um grande número de edifícios com prazos reduzidos e baixo custo, foi o decorrente do uso do projeto-tipo na construção, caracterizado como genérico. Um aspecto importante do projeto-tipo é que devido ao uso de porões, esses edifícios poderiam ser implantados em diversas situações topográficas. Vários critérios eram utilizados para identificar o tipo da escola: 1) Número de salas de aula. 2) Planejamento da circulação separando alas masculinas das femininas. 3) Alguns ambientes administrativos. 4) Recreio coberto com sanitários anexos. 5) Fachada específica. Como características destes edifícios se sobressaiam às paredes de tijolos autoportantes, os porões altos, os grandes pés-direitos, as coberturas de telhas de 26 barro, guarnecidas por platibandas, o forro de madeira, as janelas estreitas, os pisos em madeira nas áreas secas e em ladrilho hidráulico nas áreas molhadas. Os projetos espaciais constituíam-se basicamente de edifícios de dois ou três pavimentos, divididos em duas alas, uma para meninos e outra para meninas, segundo exigências do regimento dos grupos escolares, com entradas independentes para ambos e muros que se prolongavam até o fundo do lote, proporcionando separação entre os recreios. Em escolas de dois andares, a divisão dos alunos por sexo era feita por pavimentos. As edificações eram simétricas, compostas geralmente por oito salas de aula, quatro para cada sexo e um número reduzidos de ambientes administrativos. O galpão coberto era construído isoladamente no fundo ou nas laterais do terreno, ligados por passadiços cobertos ao prédio principal, destinados ao recreio, à ginástica e às festas cívicas. Os sanitários ligados ao galpão eram instalados isolados do prédio principal (BUFFA, 2002). Como curiosidade, outra proposta de escola foi criada na época pelo médico Dr. B. Vieira de Mello, e remetido ao Secretário do Interior, encontrado no Arquivo Histórico Público de São Paulo num estudo elaborado em 1917 no qual propunha: 'Escolas ao Ar Livre e Colônias de Férias'. Ele descreve a experiência das escolas em tempo integral na Alemanha, Itália, França e nos Estados Unidos, como sendo escolas que se utilizavam de grandes áreas verdes próximos às edificações para favorecer a saúde e bem estar dos alunos. A seguir, ele sugere algumas medidas para que algumas crianças paulistas que tivessem algum tipo de enfermidade como obesidade, raquitismo, tuberculose ou debilidade mental, pudessem usufruir deste novo tipo de escola. Deu como possiblidade a construção de um galpão que seria na periferia da cidade de São Paulo, no bairro da Lapa. Para tanto, cita: Onde poderiam ser abertas alamedas ou clareiras para os jogos desportivos, permanecendo os colegiais debaixo das árvores, durante as horas de mais intensa irradiação solar. E quanto ao mau tempo deveriam ser construídos galpões de madeira de nove metros de comprimento por seis metros de largura, com grandes janelas nas laterais, fechado na frente e atrás com uma grande porta de correr. Caberiam 45 alunos em sua lotação máxima por sala de aula. Haveria um refeitório, vestiários, salas administrativas e consultório médico. (MELLO V,1917. p.6) 27 Caso concretizada a proposta, poderia ter surgido nesta época, em São Paulo, a inovadora Escola Parque. Como isto não ocorreu, restou a prova da dificuldade de trazer novas ideias ao Brasil. Neste mesmo ano era feita a Lei n. 1579, de 19 de Dezembro de 1917, que estabelecia diversas disposições sobre a Instrução Pública do Estado de São Paulo, as chamadas Escolas Isoladas Primárias eram classificadas em: escolas rurais, distritais e urbanas. As escolas rurais se localizavam nas propriedades agrícolas, nos núcleos coloniais e nos centros fabris distantes da sede do município, e ofereciam curso de dois anos. Escolas distritais eram as situadas em bairro ou sede de distrito de paz, com curso de três anos. Já as Escolas urbanas se encontram na sede de município, com curso de duração de quatro anos (http://www.arquivoestado.sp.gov.br acesso em 21-08-2012). Ocorria também, que em todos os tipos de escolas, a distribuição dos alunos em classes era feita de acordo com o desenvolvimento mental e adiantamento dos mesmos, não importando a faixa etária. Ao término do curso normal primário era feito um exame de admissão para ingressar no Curso Complementar de dois anos, onde a criança deveria ter no mínimo 11 anos e no máximo 16, que na atualidade corresponderia ao 2º ciclo do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). Este processo causou, naquela época, uma grande evasão escolar. Neste mesmo Decreto de 19 de Dezembro de 1917, do artigo 74 ao artigo 84 foram descritas as normas estaduais para construção de escolas: 1) As escadas devem ser retas ou quebradas em ângulos retos, e seus degraus não ter mais de 15 cm de altura e 30 cm de largura, evitando se possível o corrimão isolado. 2) As dimensões das salas de aula serão proporcionais ao número de alunos, que deverão ser de 40, no máximo dispondo cada um de 1 m² de superfície. 3) A altura mínima da sala de classe deve ser de 3 metros. 4) As janelas das salas de classes deverão ser abertas na altura de 1 m sobre o assoalho e se aproximarem do teto tanto quanto possível. As superfícies úteis das janelas das classes deve ser pelo menos, igual à sexta parte da superfície do pavimento. 5) A forma das salas de classes devem ser, de preferência, a retangular e a largura do retângulo deverá ser calculada de modo que esta não exceda de dois terços o comprimento. 6) O interior das escolas , sempre que possível, deve ser revestido com material que permita lavagens frequentes, sendo adaptadas as meias cores amarelo-creme, cinzenta, azulada ou esverdeada. 28 7) O número de latrinas e lavabos será no mínimo de um para a frequência de trinta alunos, nas secções masculinas, e de um para cada vinte, nas secções femininas. 8) Os assentos nas latrinas serão de preferência em forma de ferradura aberta na frente e não circular. (http://www.arquivoestado.sp.gov.br/educacao/ publicacoes.php acesso. 21-08-2012). Segundo Júlio Katinsky (2006), a primeira República, do ponto de vista dos edifícios escolares, encerra-se com a Revolução de 1930, introduzindo o conceito da New School (Escola Nova) americano e da Escola Parque. 2.1.3 A proposta Inovadora da Escola Parque. A Escola-Parque permite às crianças viverem em escolas agradáveis, em meio a jardins, em edifícios claros devidos ao ar e a luz que entram livremente, isto significa cumprir a primeira função da escola: educar o espírito a viver no meio de arquitetura adequada e que corresponda à época, desperta no espírito dos jovens, ideias simples e otimistas, preparando-os para atitudes francas e abertas. (Revista Habitat.1952, n° 9 p.4). O conceito de Escola-Parque que Anísio Teixeira idealizou para as escolas brasileiras, tem como base os preceitos americanos da Escola Nova (New School), Ela consiste em trazer condições científicas à atividade educacional, nos três aspectos fundamentais: 1) Seleção de material para o ensino. 2) Método e disciplina. 3) Organização e administração das escolas. Segundo Anísio Teixeira (1954) trata-se de levar a educação para o campo das grandes artes já cientificas - como a engenharia e a medicina, e trazer nos seus métodos, processos e materiais, a segurança inteligente, a eficácia controlada e a capacidade de progresso. A escola passa a desempenhar um papel social no ambiente da cidade, com as conquistas pedagógicas e arquitetônicas, incorpora novos ambientes em seu 29 programa como: os anfiteatros, a biblioteca, o refeitório, os ateliês, as oficinas, os jardins e as ‘áreas livres’. Desta forma, a Escola-Parque deve seguir o Programa Funcional assim estabelecido: 1) É para criança que a escola é projetada. 2) A primeira questão a ser resolvida passa pela quantidade de edifícios a serem construídos, assim como as definições de projeto que devem passar necessariamente pelas questões econômicas. 3) A natureza deve fazer parte do desenho das escolas, de maneira a integrar-se aos ambientes construídos para a criança. 4) Os funcionários da escola também devem ser considerados no dimensionamento dos espaços. 5) Os espaços devem ser desenhados, considerando-se a mobília infantil, seus passos, acessos verticais, distâncias a serem percorridas, e integração entre os espaços livres e construídos. 6) A iluminação da sala de aula deve estar voltada para a face norte, a fim de obter o máximo de iluminação natural. 7) A ventilação cruzada é recomendada para que haja uma renovação de ar na sala de aula. O caixilho basculante, com abertura na parte inferior para tomada de ar frio e saída de ar quente a partir de seu basculante superior. 8) A circulação vertical deve obedecer ao passo da criança de 45 cm e ter sua pisada e espelho respectivamente de 17 cm para 12,5 cm e de 30 cm para 20 cm. 9) As salas de aula devem ter área mínima de 40 m² (padrão anteriormente já utilizado) 10) Atender e prover assistência educacional a toda criança no Brasil em um curto período de tempo. Resumidamente a Escola Parque deve conter: bom terreno, boa iluminação, boa ventilação e acústica, equipamento funcional apropriado e bom acabamento na arquitetura. Ao longo da dissertação as características dos projetos das Escolas Parques, serão avaliadas em sete casos referenciais, todas elas influenciadas pelas ideais de Anísio Teixeira, que trouxe dos Estados Unidos a filosofia da Escola Nova (New 30 School), metodologia e pedagogia que já era aplicada nas escolas americanas desde o final do século XIX e será visto com detalhe no decorrer do texto. 2.2 SOBRE ANÍSIO TEIXEIRA. 2.2.1 A Trajetória: Anísio Teixeira nasceu na cidade de Caetité na Bahia em 12 de julho 1900, em família de fazendeiros. Após estudar em colégio jesuíta em sua cidade natal, em 1922 formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, voltou à Salvador e foi nomeado Inspetor Geral de Ensino do Estado da Bahia. Interessado pelo tema pedagógico foi estudar mestrado nos Estados Unidos, na Universidade de Columbia, onde conheceu John Dewey (1859-1952) e a teoria New School. Em 1927 voltou dos Estados Unidos. Passados quatro anos, em 1931, foi convidado a assumir o cargo de Secretário da Educação do Estado do Rio de Janeiro, então Capital Federal, no governo Getúlio Vargas, onde se dedicou a criar uma rede municipal de ensino. Em 1932, com um grupo de intelectuais, lançou o ‘Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova’, defendendo a universalização da escola pública, laica e gratuita, com o pedagogo Lourenço Filho (1897-1970) e Fernando Azevedo (1894-1974), Secretário da Educação do Distrito Federal. Em 1935, Anísio Teixeira foi destituído do cargo de Secretário da Educação do Rio de Janeiro e perseguido pelo governo de Getúlio Vargas. Na ocasião, voltou para sua cidade natal, onde permaneceu até 1945. Passado um ano, em 1946, assumiu o cargo de Conselheiro da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Com o fim do Estado Novo, em 1947, voltou à Bahia, e assumiu a Secretaria da Educação do Estado, quando pode, em 1949, idealizar o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque- Escola Classe). Em 1951 assumiu o cargo de secretário-geral da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES). No ano de 1952 ocupou o 31 cargo de diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), onde ficou até 1964. Em 1963 tornou-se reitor da Universidade de Brasília, tendo com discípulo Darcy Ribeiro, antropólogo. Com o golpe militar em 1964, Anísio Teixeira deixou o país e foi lecionar na Universidade de Columbia, Estados Unidos. Somente em 1965 retornou ao Brasil e continuou suas atividades pedagógicas e literárias. Em 1971, de forma misteriosa e trágica, foi encontrado morto no fosso do elevador do edifício em que morava Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no Rio de Janeiro. 2.2.2 A Filosofia da Escola Nova: Para conhecer o pensamento de Anísio Teixeira adota-se a leitura de duas obras de sua autoria, Vida e Educação publicada em 1954, que traduz as ideias de John Dewey, filósofo americano; e o livro: Educação e o Mundo Moderno, de 1969, que analisa os primeiros filósofos clássicos que procuraram reformular os valores da sociedade, que na realidade é a base para a reforma da educação. Conclui que a educação é um processo de perpetuação da cultura, um meio de transmitir a visão do mundo e do homem. Considera que os sofistas foram os primeiros educadores da civilização ocidental, transformando os estudos filosóficos formais em estudos da educação. Filosofia e educação se fazem campos correlatos de estudo e prática, primeiro quanto à função da educação na formação e distribuição dos indivíduos pela sociedade e, em segundo lugar quanto ao reconhecimento de que a sociedade ordenada e feliz será aquela em que o individuo esteja a fazer aquilo a que o destinou a natureza. (TEIXEIRA, 1969, p. 12) Anísio declara que o homem alcança o seu destino na medida em que se liberta das ilusões e aparências e depara com o mundo das realidades ou das formas, que vem a conhecer pela atividade intelectual e pela apreciação da beleza e harmonia. Com a volta da observação, que as concepções platônicas havia tornado possível interromper, religa o espírito científico aos períodos anteriores à época de Platão e de Aristóteles, restaurando a cosmologia e criando, com o método 32 experimental, uma nova linha física e nova ciência da natureza, considera que a educação é o processo pelos quais os indivíduos desvendam suas potencialidades e se distribuem pelas diferentes classes, formulando a filosofia grega a mais perfeita teoria das funções do processo educativo. Até nos tipos de escolas encontram-se a hierarquia platônica, assegurando as formas contemplativas do saber, depois as do conhecimento cientifico experimental e por último ao ensino prático ou técnico, como último estágio da ordem educacional (TEIXEIRA, 1969). Finalmente, elabora uma teoria geral do conhecimento fundada no método do conhecimento científico, adaptada aos novos meios de trabalho industrial, criados pela ciência e uma nova teoria política da democracia. E salienta a contribuição de John Dewey ao integrar os estudos filosóficos no campo dos estudos de natureza cientifica fundada na observação e na experiência, na hipótese, na verificação e na revisão constante das conclusões. Trouxe a formulação do método da ‘inteligência’, como prefere chamá-lo, revisando o conceito de razão e experiência. Conclui que Dewey negou-se a formular toda uma filosofia da educação destinada a conciliar os velhos dualismos e a dirigir o processo educativo com o espírito de continuidade, num permanente movimento de revisão e reconstrução, em busca da unidade básica da personalidade em desenvolvimento, mas a buscar conceitos que resultam na percepção das conexões e coordenação dos elementos constitutivos dos processos de experiência e constituem normas de ação ou padrões de julgamento. ( TEIXEIRA,1954) Anísio Teixeira (1954) compara Dewey a Platão quando versa sobre os aspectos em que une conhecimento e virtude dizendo que o comportamento moral é aquele que leva o indivíduo a crescer, e crescer é realizar-se em suas potencialidades. Como tais potencialidades somente se desenvolvem em sociedade, o individuo cresce tanto mais quando todos os membros da sociedade crescem, não podendo o seu comportamento prejudicar o dos demais, porque, com isto, o seu crescimento se prejudica; formando-se assim a Democracia. Sociedade democrática é definida como aquela em que há o máximo de participação dos indivíduos entre si e entre os diferentes grupos sociais, em que se subdivide a sociedade complexa, diversificada e múltipla, transformando a associação humana. Então o grande problema contemporâneo, para Anísio, é como se dá a organização da sociedade democrática, com uma filosofia adequada, em face dos novos conhecimentos 33 científicos, das novas teorias do conhecimento, da natureza, do homem e da própria sociedade. A educação institucionalizada em escolas resiste à ação das novas ideias e novas teorias, e só lentamente se transformara, até chegar a constituir a verdadeira aplicação da nova filosofia democrática da sociedade moderna: O caso da sociedade moderna é sob muitos aspectos o oposto da sociedade grega e mesmo da medieval. Estamos, desde o aparecimento da ciência, como é ela concebida hoje, a tentar uma organização social em que todos os homens tenham oportunidades iguais para se desenvolverem segundo as suas aptidões individuais a viverem aqui e agora uma vida decente e de progressivo bem-estar, fundada no trabalho e em uma organização social justa. (TEIXEIRA, 1969, p.31) Anísio declara que o que caracteriza a sociedade moderna é o trabalho. E ainda, que o trabalho para produzir coisas e conhecimentos científicos, são idênticos. Um e outro são equivalentes com simples diferencial de ênfase e refinamento quanto aos alvos e à planificação, aliás, conectados em interação e interdependência constantes. (TEIXEIRA, 1969) Não se trata de criar uma ciência da educação, mas de dar condições científicas à atividade educacional, nos seus três aspectos fundamentais: de seleção de material para o ensino, de método e disciplina e de organização e administração das escolas. Segundo Anísio trata-se de levar a educação para o campo das grandes artes já científicas, como a engenharia e a medicina e de dar nos seus métodos, processos e materiais a segurança inteligente, a eficácia controlada e a capacidade de progresso. O mesmo é o que há de ocorrer no domínio da educação, da arte de educar, onde utilizam ateliês, laboratórios ou oficinas, é a sala de aula, onde oficiam os mestres, eles próprios também investigadores, desde o jardim de infância até a universidade. E diz: “São as escolas o campo de ação dos educadores, como os hospitais e as clínicas são os dos médicos.” (TEIXEIRA 1969). Compreende-se que ‘aprender’ é algo muito mais complexo do que se poderia supor e francamente uma atividade prática a ser governada, se possível por uma psicotécnica amadurecida e não pela psicologia, que estuda problemas de uma especialidade; mas original, com os profissionais estudando para ‘praticas educacionais’. O educador terá de levar em conta que o aluno não aprende nunca uma habilidade isolada; que simultaneamente esta aprendendo outras coisas no 34 gênero de gosto, aversões, desejos, inibições, inabilidades, enfim que toda a situação é um complexo de ‘radiações, expansões e contrações’, na linguagem de Dewey, não permitindo nem comportamento uniforme, nem rígido, mas no sentido de coordená-la e articulá-la com o outro mundo de fatores que entram na situação educativa, caracterizando como próprio crescimento do indivíduo, entendido este crescimento como um desenvolvimento, um refinamento ou uma modificação no comportamento como ser humano. E assim descreve toda a teoria de Dewey na arte de educar: A capacidade humana de transformação simbólica da experiência, só amadurece e se faz adulta e objetivamente eficaz quando o homem a desenvolve até o ponto de poder unir a sua percepção dos dados da experiência, como sinais à percepção deles, como símbolos, retificando nestes toda parte metafórica e fazendo com que o pensamento simbólico se faça ele próprio realístico. (TEIXEIRA, 1969, p.95). A realidade é que a ciência somente pode surgir com a vitória dos métodos de observação sobre os métodos de especulação, de que se faz símbolo a famosa e legendária experiência de Galileu na torre de Pisa, criando o ‘critério de experimentação’, para guiar a nossa observação e rever as nossas intuições, conceitos, ideias e julgamentos. Desta forma a teoria de evolução, no séc. XIX e da relatividade no séc. XX dá a ideia moderna de hoje, pelas quais se passa a compreender o universo e o homem como processo dinâmico de criação permanente, em que natureza e homem não se distinguem, mas são partes do mesmo processo. Nesse processo, há começo, continuidades, repetições, terminações constantes e variáveis que permite plano e previsão. (TEIXEIRA, 1969). Anísio Teixeira (1969) faz uma observação interessante quando relata que a inteligência humana passa por um período de liberdade, ausência de controle imposto e externo ao seu desenvolvimento, "a mente humana explode em riquezas de imaginação e observação, que abrem novos horizontes à sua suprema aventura" ( TEIXEIRA,1969, p.150). Foi assim entre os gregos, no seu período áureo, e assim com o Renascimento, com o Humanismo e a Reforma, e foi assim no séc. XVI que se estendeu até o séc. XIX. No séc. XX (quando escreveu) se reacende a necessidade dessa liberdade para tomada de consciência e uma nova superação. Não crê que se tenha conseguido oferecer uma educação a altura do desafio dos nossos tempos. O que os tempos modernos pedem é uma forte educação intelectual para o jovem, a 35 despeito dos diferentes interesses que se revelam e das diferentes carreiras a que se destina. Segundo Anísio Teixeira é uma educação comum que dilui o conteúdo dos diferentes programas, causando degradação na difusão do conhecimento, semelhante ao que se observa hoje com a utilização dos meios de comunicação em massa. Cada meio de comunicação alarga o espaço dentro do qual vive o homem e torna impessoal a comunicação, exigindo, em rigor do cérebro humano compreensão mais delicada do valor, do significado e das circunstâncias em que a nova comunicação lhe é feita. (TEIXEIRA, 1969, p.151) Anísio Teixeira conclui que educação para este período da civilização ainda está para ser concebida e planejada e, depois disto, para executá-la, será preciso verdadeiramente um novo mestre, dotado de grau de cultura e treino que apenas começa a imaginar. Sugere que a escola de amanhã lembrará muito mais um laboratório, uma oficina, uma estação de televisão do que a escola de ontem e ainda hoje. Entre as coisas mais antigas lembrará muito mais uma biblioteca e um museu do que o tradicional edifício de salas de aulas. E como intelectual, o mestre de amanhã lembrará muito mais um bibliotecário apaixonado pela sua biblioteca, do que o antigo mestre-escola a repetir nas classes um saber superado. É profética esta sua perspectiva, quando hoje se pensa no ensino baseado nas novas técnicas de informação, como a internet, a fonte mais universal e completa já alcançada. Assim com os conceitos trazidos da Escola Nova norte-americana, Anísio transmite os conhecimentos adquiridos e implanta no Brasil ideias modernas e valores renovados para a educação. Na sequência de seu trabalho há diversas outras iniciativas que confirmam a correlação de suas ideias, motivo desta dissertação de mestrado. 2.3 A FORMAÇÃO DAS ESCOLAS PARQUES AMERICANAS. A ideia de Escola Nova ( New School) foi proposta por John Dewey (18591952), professor da Universidade de Columbia, USA, como filosofia pedagógica inovadora através de vários livros, foram eles: “Psychology of number” (1895),“Interest as related to will” (1895), “Ethical principles underlying education” 36 (1897), “My pedagogic creed” (1897),“The school and the Society” (1900), “Psychology and social practices” (1901),“The child and the curriculum” (1902), “The educational situation” (1902), “Relation of theory to practice in the training of teachers” (1904), “The school and the child” (1906), “Educational Essays” (1910), “How we think” (1910),“The schools of tomorrow” (1913), “Democracy and Education” (1916), e “Human nature and conduct” (1921). Os livros foram traduzidos em: francês, alemão, espanhol, búlgaro, grego, turco, russo, húngaro, japonês, chinês e árabe; mostrando a importância mundial desta filosofia, e a difusão de destes conceitos. Em português foi traduzido pela primeira vez em 1930, num pequeno folheto da União Pan-Americana. Somente anos mais tarde Lourenço Filho1(1897-1970), então solicita a Anísio Teixeira, em 1954, que traduzisse a obra de Dewey e escrevesse o prefácio do livro com o título: Dewey e a Pedagogia Americana: ( Esboço da teoria de educação de John Dewey). No prefácio Anísio Teixeira escreve resumidamente este pensamento em duas partes: 1ª parte - Educação como Reconstrução da Experiência: Explica qual a natureza do processo da experiência, que ocorre através de dois fatores: o agente e a situação, levando a perceber, analisar e pesquisar a aquisição do conhecimento; a percepção das relações entre as coisas leva a aprendizagem de algum novo aspecto para cultura e educação. A vida social se perpetua por intermédio da transmissão de valores e em comunicação destes valores. Educa-se para participar gradualmente na vida social. Declara que um dos grandes méritos da teoria de Dewey foi o de restaurar o equilíbrio entre educação tácita e não formal recebida diretamente da vida, e a educação direta e expressa das escolas, integrando a aprendizagem obtida através de um exercício específico a isto destinado (escola), com aprendizagem diretamente absorvida nas experiências sociais (vida). 1 Em 1922, a convite do governo cearense, assume o cargo de Diretor da Instrução Pública e leciona na Escola Normal de Fortaleza. As reformas por ele empreendidas no Ceará podem ser entendidas como germe dos conhecidos movimentos nacionais de renovação pedagógica das primeiras décadas do século.Sua participação política também merece destaque: presente nas Conferências Nacionais de Educação de 1927 e 1928, respectivamente em Curitiba e Belo Horizonte, apresenta suas ideias quanto ao ensino primário e à liberdade dos programas de ensino. Se não autor, é certamente um dos atores mais importantes do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932. 37 2ª parte - A escola e a Reconstrução da Experiência: Afirma que se vive aprendendo, e o que se aprende leva-nos a viver melhor. Todo o interesse humano pela educação e pela escola é, fundamentalmente, uma questão de tornar a vida melhor, mais rica e mais bela. Para tanto diz que só se aprende o que se pratica, aprende-se através da reconstrução consciente da experiência e que não se aprende nunca uma coisa só, mas várias coisas são simultaneamente aprendidas, tudo deve ser ensinado, tendo em vista o seu uso e função na vida. O professor é elemento essencial da situação , segundo relata Anísio, e sua função é a de orientar, guiar e estimular a atividade através dos caminhos conquistados pelo saber e experiência do adulto . Finaliza o prefácio dizendo que as experiências realizadas com escolas com esta filosofia nova já vão bem adiantadas no mundo, escolas em que o curriculum não é organizado por matérias, mas como um processo de vida, uma sucessão de experiências, em que cada uma se desenvolve da anterior, permitindo uma continua e frutuosa reconstrução da experiência. E completa: "para Dewey, o fim da educação não é a vida completa, mas a vida progressiva, vida em constante ampliação e em constante ascensão, e tanto melhor quanto mais alargamos nossas atividades, colocando em exercício todas as nossas capacidades" (TEIXEIRA,1954P p.28). É importante conhecer quem foi John Dewey e sua biografia, Dewey nasceu em 20 de outubro de 1859 em Burlington, Vermont, USA. Fez seus estudos na Universidade de John Hopkins, graduando-se em filosofia em 1884. Nomeado assistente da Universidade de Michigan, no mesmo ano, passou a professor catedrático, cargo que ocupou até 1894. Chamado para reger o ensino de filosofia e pedagogia da Universidade de Chicago, teve ocasião de fundar e dirigir a University Elementary School, primeira tentativa do gênero, pondo em experiência as teorias de educação renovada. Em 1904, foi chamado pela Universidade de Columbia, em Nova York, como professor de filosofia, cargo que ocupou por quase trinta anos. Faleceu em 2 de junho de 1952. Anísio Teixeira conheceu John Dewey (1859-1952) durante a Pós-Graduação realizada na Universidade de Columbia, nos EUA em 1927. Dewey transmitiu a ele os ensinamentos da New School, teoria difundida para vários países e que Anísio 38 assimilou e trouxe ao Brasil. Em 1954, Teixeira traduziu o livro: Vida e Educação1 de John Dewey (prof. Emérito da Universidade de Colúmbia, Nova York) ,que possui os seguintes capítulos: I- A criança e o programa escolar. II- Interesse e esforço: 1ª parte: Atividade integrada x atividade dissociada. 2ª parte: Interesse direto e interesse indireto. 3ª parte: Esforço, atividade mental e motivação. 4ª parte: Tipos de interesse educativo. 5ª parte: Papel do interesse na educação. Assim, aprofunda a teoria que tinha como proposta a educação como processo permanente pelo qual se reconstroem a experiência e perpetuamente ajusta-se ao meio essencialmente móvel e dinâmico da vida humana. Acredita que a estabilidade da educação, como a estabilidade da vida moderna, se mantém pelo constante movimento. Desta forma, na teoria da educação americana, pensar é o método do ensino inteligente. As crianças devem ser postas em contato com a real situação de experiência, em cujo desenvolvimento lhe seja necessário pensar, refletir, raciocinar e por esse modo adquirir o conhecimento. Desta atitude nasceu a filosofia do New School chamada Escola Nova que transformou consequentemente os espaços físicos e programas das escolas em todo mundo. 2.4 PROGRAMA DA ESCOLA-PARQUE DE DETROIT O programa americano de educação passou por evolução no decorrer da segunda metade do século XIX, como explica Anísio Teixeira através de seu Relatório de viagem a América do Norte em 1928, demonstrada pela descrição resumida do Quadro 1 abaixo: 1 Tradução de The Child and The Curriculum, edição de The University of Chicago Press (University of Chicago Contributions to Educations) livro escrito em 1902. 39 Quadro 1 : As fases evolutivas do sistema educacional americano: Fonte: dados do Relatório de Viagem de Anísio Teixeira a Detroit em 1928. Neste Relatório Anísio Teixeira anota sete pontos importantes da escola americana, que estavam presentes no Programa da Escola Platoon de Detroit – Brady School, visitada por ele em 1928, e que aplicava a filosofia da New School desde 1890. Este se constitui em: 1) Fundamentos: As matérias básicas do ensino primário são desenvolvidas durante três horas por dia, em aritmética, ortografia e leitura. 2) Aulas Especiais: Sala de música – onde cada criança tem dois períodos de 30 minutos por semana; Estúdio – é a sala para trabalho artístico e a Sala de Literatura – é a sala destinada a desenvolver a apreciação literária. 3) Saúde: Ginásio – onde são realizados todos os exercícios, jogos e danças aconselhadas para a educação das crianças; Recreio - além da meia hora de trabalho de saúde, o programa determina meia hora de jogo ao ar livre, geralmente, esse campo de recreio esta no teto do edifício. 4) Socialização das atividades escolares: Auditório - as atividades dão às crianças sentido de responsabilidade e de consciência social. 5) Atividades vocacionais: As salas de trabalho manual, de costura e de cozinha, constituem as atividades do ensino vocacional. 6) Ciências: A sala de ciência é aparelhada para o ensino de historia natural e de geografia. A sala tem herbário e aquário e outros detalhes que permitem estudo da natureza. 7) Atividades especiais: na Biblioteca está a cargo de um professor bibliotecário; no Refeitório da escola tem serviço de almoço; na Clínica o médico e a enfermeira atendem diariamente na escola a qualquer emergência, ao mesmo tempo em que exercem larga vigilância sobre as condições gerais de saúde. Também muito importante é o plano de organização diferenciado para acomodar todas as aulas proposta pelo novo conceito, assim descrito: 40 O dia escolar é de seis horas, em duas sessões de três horas; das 8:30h às 11: 30h e das 12:30h ás 3:30h. Para a concretização deste processo os alunos são divididos em dois grupos ou ‘platoons’(pelotões). A Grade escolar é dividida em dois blocos de matérias, a saber: • Matérias fundamentais (ou home-room-subjects), formados por: leitura, escrita, ortografia, aritmética e língua. (2 períodos de 90 minutos - 3 horas) • Matérias especiais, que constituíam as demais matérias que enriqueciam o currículo: arte, música, desenho, trabalho manual, ciência, etc. (6 períodos de 30 minutos - 3 horas). A escola visitada na época por Anísio Teixeira ainda esta funcionando e pode ser acessada pela internet, como apresenta a figura 03. Figura 03 – Brady School em Detroit. Implantação e Vista frontal da Fachada. Fonte: http://maps.google.com.br/maps/place?pq=escola+americana+sistema+platoon+de+detroit&hl em 07-02-2012. acesso Por outro lado, na mesma época, no Brasil, em 1893, surgiu a ideias de Grupo Escolar, inicialmente no Distrito Federal no Estado do Rio de Janeiro, onde cada Grupo continha: ginásio, biblioteca e museu escolar. Em 1914, iniciou-se a reforma Azevediana no Distrito Federal, proposta por Fernando de Azevedo 1. Já era a 4ª reforma de ensino, onde as escolas começavam a prestar assistência médica, imprimir noções de higiene e ensinar as disciplinas de trabalhos manuais, ginástica, moral e cívica e ciências. Porém, as Escolas construídas apresentavam uma linguagem arquitetônica neocolonial. São exemplos 1 Fernando Azevedo era Secretário da Educação do Rio de Janeiro (Distrito Federal até 1931) e era adepto as transformações da Escola com a filosofia da New School. Em 1927 conhece Anísio Teixeira que lhe foi apresentado por Monteiro Lobato. 41 desta fase a Escola Municipal Estados Unidos inaugurada em 1929. (TAVARES FILHO.2005), mostrado na figura 04. Figura 04- Fachada principal e pátio central da Escola Municipal Estados Unido no Rio de Janeiro, na Rua Itapuru. Fonte: Fotos da dissertação de mestrado Arthur Tavares Filho tirada pelo autor 12-11-2004 2.5 A MUDANÇA DE RUMO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. 2.5.1 O Manifesto dos Pioneiros da Educação em 1932: A elite Letrada brasileira fez um protesto para melhoria do ensino público, que ocorreu depois de 43 anos da Proclamação da República e infelizmente depois de 80 anos de sua publicação (2012), encontramo-nos nos mesmos dilemas, plenamente atuais às necessidades educacionais. Seguem alguns pontos do discurso que foram extraídos da Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Pedagógica Anísio Teixeira (INEP) que ao comemorar 40 anos de circulação, em 1972, traz questões educacionais que perduram com o passar dos anos. Teve o objetivo de suscitar a reflexão sobre a influência das ideias e propostas contidas no documento sobre o processo educacional brasileiro. Foram publicadas na íntegra as ideias dos pioneiros da educação nova. No final do discurso seguiram os nomes dos que apoiaram e aprovaram o Manifesto: Fernando de Azevedo; Afranio Peixoto; A. de Sampaio Doria; Anísio Spinola Teixeira; M. Bergstrom Lourenço Filho; Roquette 42 Pinto; J. G. Frota Pessoa; Júlio de Mesquita Filho; Raul Briquet; Mario Casasanta; C. Delgado de Carvalho; A. Ferreira de Almeida Jr; J.P. Fontenelle; Roldão Lopes de Barros; Noemy M. da Silveira; Hermes Lima; Attílio Vivacqua; Francisco Venâncio Filho; Paulo Maranhão; Cecília Meirelles; Edgar Sussekind de Mendonça; Armanda Álvaro Alberto; Garcia de Rezende; Nobrega da Cunha; Pascoal Lemme; Raul Gomes. Foram vinte e seis os educadores que participaram da edição do documento em 1932, que em linhas gerais propunha: A reconstrução educacional no Brasil- ao povo e ao governodizia que na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação [...] A situação atual, criada pela sucessão periódica de reformas parciais e frequentemente arbitrárias, lançadas sem solidez econômica e sem uma visão global do problema, em todos os seus aspectos, nos deixa antes a impressão desoladora de construções isoladas, algumas em ruinas, outras abandonadas em seus alicerces, e as melhores, ainda não em termo de serem despojadas de seus andaimes [....] (Manifesto dos Pioneiros da Educação 1932) Impressionante como o conteúdo do discurso se repete hoje, não há meios de aprender com o passado, mostrando a nossa incapacidade de construir um futuro autêntico e desenvolvido. A reflexão nos faz pensar que país seria o Brasil se tivesse cumprido o proposto por este documento sem interrupções. O discurso dos Pioneiros da Educação falava que a Escola Nova1, certamente pragmática, se propunha ao fim de servir não aos interesses de classes, mas aos interesses do indivíduo, e que se fundamenta sobre o princípio da vinculação da escola com o meio social, tinha o seu ideal condicionado pela vida social atual, profundamente humano, de solidariedade, de serviço social e cooperação. Comparava a escola tradicional como instalada para concepção burguesa, vinha mantendo o indivíduo na sua autonomia isolada e estéril, resultante da doutrina do individualismo libertário. Retoma os conceitos da Escola Nova quando diz que: "a escola socializada, reconstituída sobre a base da atividade e da produção, em que se considera o trabalho como a melhor maneira de estudar a realidade em geral (aquisição ativa da cultura) como fundamento da sociedade humana". E conclui: " é certo que é preciso fazer homens, antes de fazer instrumen - tos de produção [....]. Se se quer servir à humanidade, é preciso estar em comunhão com ela" (MANIFESTO,1932 apud. 1 A Educação Nova ou New School foi proposta por John Dewey e difundida com mais veemência por Anísio Teixeira no Brasil. 43 Revista Brasileira dos Estudos Pedagógicos, Brasília, 65(150); pag. 407-425,maio/ago. 1984). O Manifesto tinha como pontos essenciais os seguintes itens: a) A educação é uma função essencialmente pública- neste item aceita a escola particular uma vez que o Estado não consegue gerir tantas escolas, mas desde que fosse monitorada e seu programa seguisse o mesmo da escola pública. b) A questão da existência da escola única- com a proposta de escola para todos, em que todas as crianças de 7 a 15 anos fossem confiadas à escola pública, tivessem uma educação comum. c) A laicidade, gratuidade, obrigatoriedade e coeducação - que coloca o ensino escolar acima de crenças e disputas religiosas, gratuita extensiva a todas as instituições oficiais de educação, é um principio igualitário, que tornava a educação acessível não a uma minoria, por privilégio econômico, mas a todos os cidadãos que tivessem vontade e estivessem em condição de recebê-la. E o Estado não pode torná-lo obrigatório, sem torná-lo gratuito. A escola unificada não permite ainda, entre alunos de um e outro sexo outras separações que não fossem as que aconselham as suas aptidões psicológicas e profissionais, estabelecendo a educação em comum ou coeducação. E concluem: De mais, se o problema de educação deve ser resolvido de maneira cientifica, e se a ciência não tem pátria, nem varia, nos seus princípios, com os climas e as latitudes, a obra de educação deve ter, em toda parte uma unidade fundamental, dentro da variedade de sistemas resultantes da adaptação a novos ambientes dessas ideias e aspirações que, sendo estruturalmente cientificas e humanas, tem um caráter universal. (...) Mas, de todos os deveres que incumbem ao Estado, o que exige maior capacidade de dedicação e justifica maior soma de sacrifícios; aquele com que não é possível transigir sem a perda irreparável de algumas gerações; aquele em cujo cumprimento os erros praticados se projetam mais longe nas suas consequências, agravando-se à medida que recuam no tempo; o dever mais alto, mais penoso e mais grave é, de certo, o da educação que, dando ao povo a consciência de si mesmo e de seus destinos e a força afirmar-se e realizalo, entretém, cultiva e perpetua a identidade da consciência nacional, na sua comunhão intima com a consciência humana. (MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA. 1932) apud. Revista Brasileira dos Estudos Pedagógicos, Brasília, 65(150); pag. 407-425,maio/ago. 1984). 44 A indignação manifestada pelos educadores de 1932 continua sendo o repertório da atualidade, ressuscitando e morrendo a cada época, sem firmar como ponto fundamental para o desenvolvimento da Nação. Anísio Teixeira, patriota ao extremo, lutou para transformar os princípios educacionais. Como promotores desta mudança são estudados os três principais casos em que teve a influência direta na construção de uma nova escola, e os quatro principais casos que influenciou indiretamente com sua teoria transmitida aos idealizadores das outras escolas. 2.5.2 Os sete casos estudados: O critério para escolha de estudo dos sete casos de Escola Parque foram os seguintes: 1) As escolas estão nas Capitais dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal, capitais mais populosas do Brasil. 2) As escolas propostas segundo Anísio Teixeira na sua concepção e programa. 3) As escolas que os idealizadores seguiram Anísio Teixeira na conceituação da Escola Parque. 4) As escolas que tem como filosofia o período integral para os alunos, na sua idealização, e como período integral entende-se um turno de pelo menos 7 horas na escola diariamente. 5) Escolas que valorizam terrenos grandes e possuem infraestrutura para atividades esportivas, recreativas e socializantes. Os sete casos estudados são demonstrados no Quadro 2 constando: época de inicio de cada construção de Escola-Parque nas diferentes capitais do Brasil, arquiteto que projeta a escola selecionada, político que empreende a iniciativa de implantação da Escola e quantidade de alunos que comportam. 45 Quadro 2 : Resumo das Escolas Parques Pesquisadas: Fonte: Quadro proposto pela autora em junho 2011. 46 3 OS PROGRAMAS E OS PROJETOS DAS ESCOLAS PARQUES 47 3.1 A PRIMEIRA ESCOLA PARQUE NO RIO DE JANEIRO (1931- 1935). 3.1.1 A primeira escola idealizada por Anísio Teixeira: Em outubro de 1931, Anísio Teixeira assumiu a Diretoria Geral de Instrução Pública do Distrito Federal, "onde encontrou um cenário pouco favorável à educação pública na capital do país, e o seu ‘objetivo era dotar a capital de um verdadeiro sistema educacional que pudesse servir de exemplo a todo país" (OLIVEIRA,1991, p.169). Ao iniciar o Relatório do primeiro ano de sua administração ele observou que para uma população escolar mínima – crianças de 6 a 12 anos – de 196.000 indivíduos, só existiam escolas para 45% das crianças. Considerava que mais grave do que a negligência em abrir escolas, era julgar que o programa escolar se limitasse à simples 'alfabetização'. A escola deveria ensinar à criança a 'viver melhor', proporcionando padrões mais razoáveis de vida familiar e social, promovendo o progresso individual e criando hábitos de leitura, estudo e meditação (TEIXEIRA, 1930, p.4). O Serviço de Prédios e Aparelhamentos Escolares do Departamento de Educação realizou inquéritos e levantamentos dos prédios existentes, tanto os públicos como alugados, e identificou que a maioria deles se constituía de residências particulares adquiridas pela Prefeitura, impróprios ou inadequados ao funcionamento escolar. Até as salas de aula, unidades primordiais do edifício escolar, em sua grande maioria, não tinham a área mínima de 40m², além dos problemas de localização do prédio, da forma, da iluminação, da aeração, e dos equipamentos (DÓREA, 2000). Com base nesses levantamentos, os prédios escolares foram classificados de acordo com suas condições de uso. Dos 79 prédios próprios existentes em 1932, apenas 12 deveriam ser conservados; 32 adaptados, reformados, ampliados ou totalmente reconstruídos, e 35 condenados, podendo ser utilizados para qualquer outra coisa, menos para escolas. Diante dessa situação o Departamento de Educação avaliou a necessidade de construção de 74 prédios novos, para abrigar uma população escolar de 156.480 alunos, ainda assim, inferior à população atual (TEIXEIRA, 1935 apud DOREA, 2000). 48 Considerando-se um plano de atuação, a ser desenvolvido no período de 10 anos, projetou-se uma população escolar de 320.000 alunos para o ano de 1942, o que exigia a construção de mais 82 novos prédios. Dado a extensão do problema e a impossibilidade de resolvê-lo em um só período administrativo, adotou-se uma solução progressiva e gradual: a construção de um plano geral diretor das edificações escolares e um programa anual de construções (DOREA, 2000). O programa anual de construções dos edifícios escolares para o Distrito Federal proposto por Anísio Teixeira foi dividido em dois períodos de 5 anos. No primeiro período, o plano mínimo de construção, a ser realizado até o ano de 1938, compreendia as seguintes etapas: 16 ampliações de prédios municipais existentes, que ficariam com 306 salas de aula; 74 edificações novas, com o tipo médio de 25 classes, que ficariam com 1.431 salas de aula; 25 prédios que poderiam ser aproveitados, com 219 salas de aula. Assim, se cumprido dentro de cinco anos, seriam 1.956 salas de aula que, funcionando em dois turnos, comportariam 156.480 alunos, isto é, aproximadamente 80% das crianças que, no ano de 1932, estavam em idade escolar (TEIXEIRA, 1935, apud. DÓREA, 2000). Anísio Teixeira tinha clareza de que era necessário prover um orçamento específico para o financiamento da educação pública, e que era necessário constituir fundos, independentemente das oscilações de critério político dos administradores. Ele entendia que as instituições educativas, por sua própria natureza, eram instituições materiais que envolviam despesas de construção e instalação, que não podiam ser esquecidas nas verbas regulares de sua manutenção. Para resolver o problema da escassez de prédios escolares era necessário, também, levar em consideração as dificuldades encontradas em relação ao terreno, a localização, as condições o prédio, a economia ou ao programa educacional, principalmente quanto às grandes concentrações escolares. Era preciso encontrar soluções que se contrabalançassem as deficiências de cada um desses elementos, sem diminuir, entretanto, as condições recomendáveis para a escola (DOREA, 2000). Dessa forma, no período que foi diretor da Instrução Pública (1931-1935), Anísio Teixeira concebeu uma proposta baseada nos estudos que realizou nos Estados Unidos, para as edificações escolares, um sistema escolar que conciliava a falta de salas de aulas e melhoria na qualidade de ensino, permitindo as crianças passar mais tempo na escola, propôs edificações de duas naturezas: as escolas nucleares, ou escolas classe e os parques escolares, onde cada criança devia 49 frequentar regularmente as duas instalações, em dois turnos diários. No primeiro turno, a criança receberia num prédio adequado e econômico, contendo salas de aula para o ensino propriamente dito (escola-classe); no segundo turno, receberia, em um parque escolar aparelhado e desenvolvido, a sua educação propriamente social, a educação física, a educação musical, a educação sanitária, a assistência alimentar e o uso da leitura. Utilizaria os conhecimentos apreendidos na escola platoon em Detroit, adaptado a realidade brasileira. Com o plano educacional traçado, esperava resolver os problemas emergentes de: Terrenos seriam necessários somente 25% de terrenos de grande área (10.000m2 em média), uma vez que cada parque escolar serviria a quatro escolas-classe; e os demais terrenos poderiam ter uma área equivalente a um lote de casa particular (13 m x 40 m); Economia, cada escola possuiria somente o que fosse estritamente indispensável para o ensino em classe, reduzindo os custos de construção; Programa, nenhum dos objetivos da escola deixaria de ser atendido; a escola seria educativa, sem a diminuição das suas funções instrutivas; Localização, as crianças teriam escolas mais próximas de casa, e os terrenos menores seriam mais fáceis de serem encontrados nos locais necessários; e finalmente, Prédio, divididas as funções da escola entre o parque escolar e a escola classe, tornava mais fácil atender às condições adequadas de instalação (TEIXEIRA, 1935, apud DOREA,2000). Anísio Teixeira pela primeira vez conseguiu concretizar seu projeto de ensino, com apoio de Pedro Ernesto, então Prefeito do Distrito Federal (1931-1935), contratando os arquitetos da equipe da Divisão de Prédios e Aparelhamento Escolares do Departamento de Educação do Distrito Federal, que tinha como chefe o arquiteto Enéas Silva que projetou com sua equipe1 25 edifícios, dos 82 idealizados, no período de cinco anos. As escolas são construções em estrutura de concreto armado e fechamento de alvenaria, cobertura em terraço-jardim, circulações e ventilações cuidadosamente concebidas 1 em função de um programa pedagógico com acabamentos Trabalhavam com Enéas Silva na equipe da Divisão de Prédios e Aparelhamento Escolares de educação no Distrito federal os arquitetos formados pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, na década de 1930, Wladimir Alves de Souza, Paulo Camargo de Almeida e Affonso Reidy. 50 padronizados. Compunham-se de cinco tipos, descritos por Célia Rosangela Dantas Dorea1(2000) descritos: a) Escola Tipo Mínimo, com duas salas de aula e uma sala de oficinas, destinavase a região de reduzida população escolar; b) Escola Tipo Nuclear ou escola-classe constituída de 12 salas de aula, além de locais apropriados para administração, secretaria, biblioteca e sala de professores, e complementada com o parque escolar; c) Escola Platoon 12 classes (6 salas comuns e 6 salas especiais); d) Escola Platoon 16 classes (12 salas comuns e 4 salas especiais); e) Escola Platoon 25 classes (12 salas comuns, 12 salas especiais e o ginásio). É importante destacar que os últimos três tipos receberam este nome porque obedecia ao sistema administrativo Platoon, de origem americana. Este sistema era constituído de salas de aula comuns e salas especiais para auditório, música, recreação e jogos, leitura e literatura, ciências, desenho e artes industriais. Seu funcionamento dava-se pelo deslocamento dos alunos, através de pelotões, pelas diversas salas, conforme horários pré-estabelecidos. Era a primeira iniciativa de se construção de uma Escola-Parque no Brasil. No final de 1935, época da demissão de Anísio Teixeira da Diretoria de Instrução Pública do distrito Federal (RJ), foram construídos 25 novos prédios escolares em conformidade com o plano diretor. Esses prédios estavam distribuídos, de acordo com o tipo arquitetônico adotado: 02 Escolas Tipo Mínimo de três classes, 11 Escolas Tipo Nuclear de doze classes, 05 Escolas Platoon de doze classes, 02 Escolas Platoon de dezesseis classes, 03 Escolas Platoon de vinte e cinco classes, 01 Escolas Tipo Especial de seis classes e 01 Acréscimo de doze classes. (DÓREA, 2000). É importante ressaltar que, embora o Relatório Administrativo de 1935, do próprio Departamento de Educação, faça referência ao parque escolar ou escola-parque, como complemento aos demais tipos de escola; bem como as onze escolas nucleares ou escolas-classe, construídas dentro dessa nova proposta, pelos 1 DÓREA, Célia Rosângela Dantas. Anísio Teixeira e a arquitetura escolar: planejando escolas, construindo sonhos. Revista da FAEEBA. Salvador, n.13, jan./jun. 2000, p.151-160. 51 depoimentos elas funcionavam nos antigos moldes, impossibilitando dessa maneira, a permanência da criança na escola durante os dois turnos, como havia sido previsto inicialmente. Como se pode observar, a proposta de educação integral idealizada por Anísio Teixeira, para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, na prática não se efetivou. 3.1.2 A Escola Municipal República Argentina tipo Platoon: A Escola Municipal República Argentina está localizada no bairro de Vila Isabel, no endereço: Boulevard 28 de Setembro nº 125 foi projetada pelo arquiteto Enéas Silva da Divisão de Aparelhamento do Estado e inaugurada em 1935. Originalmente foi designada pela classificação Platoon de 25 classes, dimensionada para atender um total de 2000 alunos, dispondo de 12 salas de aula comuns, destinadas a abrigar turmas de 40 alunos cada, mais 13 salas especiais de laboratórios e ateliês. Fazia parte do plano idealizado por Anísio Teixeira como das Escolas norte americanas, onde os alunos para irem às aulas especiais se deslocavam através de pelotões, em turma de uma forma ordenada. Atualmente isto não é mais necessário, pois as turmas são reduzidas e há sobra de salas de aula, pelos dados da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro1, hoje (dado coletado em 02/10/2012) a Escola atende de 788 alunos, da Educação Infantil ao 9º ano do Ensino Fundamental, tendo horário parcial em dois turnos e utiliza 30 salas de aula para o 1º e 2º turno (15 em cada turno). A importância história da pedagogia e do projeto arquitetônico inovador para época, fez com que a escola fosse tombada em fevereiro de 2012, pelo Projeto de Lei Nº 1284/2012, do Vereador Rubens Andrade encaminhado a Câmara Municipal do Rio De Janeiro. A justificativa para este ato é feita no final da carta de tombamento assim descrita: O presente Projeto é justificável mediante a preocupação para com o patrimônio histórico da cidade. Afinal, o imóvel em questão representa parte do acervo arquitetônico da cidade do Rio de Janeiro. Na arquitetura prevalecia o estilo do 1 http://webapp.sme.rio.rj.gov.br/jcartela/publico/pesquisa.do?cmd=load&idSetro=10876 acesso02/10/2012 52 Modernismo Republicano, com um projeto arquitetônico voltado para os modelos europeus, embora contemporâneos, com influência do art déco protomoderno. Tendo como principais características, a articulação de volumes geometrizados e simplificados; a sucessão de superfícies curvas; a composição com linhas e planos verticais e horizontais, fortemente definidos e contrastados; a estrutura em concreto armado; o uso de materiais nobres e as janelas em basculantes de ferro. Há de se averbar que com a proposta em questão há evidente demonstração pela sociedade com um todo de interesse pela evolução da nossa arquitetura, acrescenta-se a possibilidade de observar a relação entre a concepção da educação pública nos diferentes governos e a sua influência na definição dos espaços destinados às realizações das práticas pedagógicas e de sociabilidade escolar. (15 de fevereiro de 2012). Fica evidente o desconhecimento do vereador da proposta pedagógica de Anísio Teixeira, pois não faz menção ao conceito da filosofia da Escola Nova ou do Sistema Platoon. Atenta-se basicamente ao projeto arquitetônico. O programa arquitetônico da escola voltado a nova prática pedagógica é dividido em: 1) Conjunto pedagógico, onde ocorre o desenvolvimento das atividades de ensino e aprendizagem propriamente ditas, estão às funções essenciais do edifício escolar. 2) Conjunto de vivência e assistência, onde estão as atividades recreativas e esportivas, e as de assistência a saúde da criança, consultório dentário e médico. 3) Conjunto administrativo e apoio técnico-pedagógico, acomodando os ambientes da administração da unidade escolar, assim como os ambientes responsáveis pelas relações diretas com a comunidade, essenciais para o funcionamento regular da escola. 4) Conjunto funcional dos Serviços Gerais compreendendo os serviços de infraestrutura do prédio, como: limpeza, manutenção, armazenamento de materiais de consumo geral e limpeza, guarda e preparo de alimentos e também controle da entrada e saída de pessoas. 5) Conjunto artístico onde esta localizada o auditório, que pode ser utilizado para realização de palestras e aulas especiais, como também na apresentação de peças teatrais ou de festivais. O material utilizado em larga escala é o concreto armado, nas coberturas, varandas e marquises; notória volumetria, com a caracterização do estilo da época do protomodernismo, como mostra a figura 05. 53 Figura 05: Implantação da Escola Municipal República Argentina e fotos diversas, modelo de Escola Platoon de 25 classes. Fonte: Imagens retiradas do Google maps http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q= - acesso 04-11-2012 e fotos de Deborah Delphino - junho 2012. Conclusão Parcial: Quando Anísio Teixeira assumiu a Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal na década de 1930, seu antecessor Fernando de Azevedo já havia feito quatro reformas educacionais na década de 1920, já compartilhava a ideia da Escola Parque, como mostra o mestrado de Arthur Campos Tavares Filho (2005), quando faz um estudo comparativo entre duas escolas cariocas, a Escola Municipal Estados Unidos de 1929 (reforma Azevediana) e a Escola Municipal República Argentina de 1935 (reforma de Teixeira). Ambas diferenciam-se no estilo arquitetônico, a primeira neocolonial e a segunda com o protomodernismo, possuíam o mesmo programa funcional de espaços físicos, porém o diferencial estava quando Anísio Teixeira tentou implantar a ideia do horário integral para os alunos e o deslocamento para aulas especiais e fundamentais através dos pelotões. Anísio Teixeira conseguiu fazer uma segunda tentativa de adequar os conhecimentos aprendidos da escola americana em Salvador (BA) no final da 54 década de 1940 com o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR), que será estudado a seguir. 3.2 CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO (CECR) EM SALVADOR CAPITAL BAIANA (1949-1963): 3.2.1 A formação da Escola Parque e Escola Classe em Salvador: Em 1947, a convite do governador Otávio Mangabeira, Anísio Teixeira, recémchegado de um trabalho de educação na UNESCO, assumiu a Secretaria de Educação e Saúde do Estado da Bahia (1947-1951),e retomou a luta pela causa da educação pública em sua terra natal. No Relatório datado de 1949, Anísio Teixeira apresentou ao Governador da Bahia um balanço da situação em que se encontravam os serviços educacionais e elaborou um plano de atuação específico para o interior e para a capital. Para o interior do Estado, além do sistema de educação elementar, prevendo atendimento para a zona rural, planejou um sistema de ensino médio ou secundário, com a previsão de construção de Centros Regionais de Educação, a serem localizados em 10 regiões administrativas, e que deveriam compreender: Jardim de Infância, Escola Elementar Modelo, Escola Normal, Escola Secundária, Parque Escolar, Centro Social e de Cultura, além dos Internatos para crianças órfãs. Para capital, Salvador, o plano escolar compreendia um Sistema de Escolas Elementares, seguido de um conjunto de Escolas Secundárias, de Cultura Geral e Técnica, além de uma escola para Formação de Professores em nível de Ensino Superior. Segundo Anísio Teixeira, as Escolas Elementares teriam uma organização especial, constituindo os Centros de Educação Popular, localizados na periferia da cidade de Salvador, que funcionariam como um núcleo de articulação do bairro, e onde as funções tradicionais da escola seriam preenchidas em determinados prédios equidistantes da Escola destinada às atividades de educação física, atividade social, artística e industrial, que ficariam em outro terreno, muito maior, que pudesse acomodar as construções destinadas às atividades extracurriculares, o conjunto 55 compreenderia assim a chamada Escola Parque, já as escolas menores para aulas fundamentais, com matéria especifica e curriculares seriam as chamadas EscolasClasses, e o conjunto de uma Escola-Parque atenderia até quatro Escolas-Classe, formando assim o Centro Popular Educacional a ser implantado (DÓREA, 2000). Foram planejados por Anísio Teixeira dez Centros Populares na periferia da cidade de Salvador, segundo seu discurso de inauguração parcial do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR) em 21 de outubro de 1950; mas pela citação no livro de Hélio Duarte (que participou da elaboração dos CECR), sobre a Escola Parque e Escola Classe (1973), foram planejados sete Centros Populares, nos seguintes bairros: Itapagipe, Liberdade (local do atual CECR), Brotas, Santo Amaro, Barris, Barra e Rio- Vermelho, em locais carentes de infraestrutura educacional. Inicialmente, porém só foi possível a construção de um deles: o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, que constitui uma Escola Parque situada no bairro da Liberdade, próximo a Caixa D’agua, na região oeste da cidade, em Salvador, à Rua Saldanha Marinho nº 134. E quatro Escolas-Classes, construções distintas, próximas umas das outras e da Escola-Parque. O conjunto destas escolas é denominado Centro Educacional Carneiro Ribeiro e se transformou numa obra referencial de seu idealizador. Uma escola que é marcadamente caracterizada por sua organização espacial e que se notabilizou pela adoção de uma proposta pedagógica inovadora, como experiência pioneira de escola pública de educação integral em meados do século XX (DÓREA, 2000, p.155). A Escola-Parque do Centro Educacional Carneiro Ribeiro foi construída em duas etapas: de 1949 a 1956 e concluída em 1963, numa área de 42 293m², com terreno de pouca declividade, que possibilitou adoção de um plano geral semelhante a uma grande praça; segundo Valdinei Nascimento (1998), remete a lembrança das aldeias e praças jesuíticas, origem de grande número de cidades brasileiras. A área é composta por exuberantes plantas e árvores, que foram mantidas ao máximo pelo projeto, o terreno tem com boa ventilação e suficiente insolação o dia todo; o que torna um lugar saudável e acessível a toda vizinhança (NASCIMENTO,1998). Os projetos do CECR foram encomendados a três arquitetos, o projeto arquitetônico ficou a cargo do arquiteto Diógenes Rebouças (19914-1994), que trabalhava no estado da Bahia, e projetou os sete pavilhões da Escola Parque e a Escola Classe 3 e 4, ao arquiteto Hélio Duarte (1906-1989) que havia trabalhado em 56 Salvador e na época desenvolvia também em São Paulo projetos escolares, ele projetou as Escolas-Classes 1 e 2, e o outro arquiteto contratado foi Paulo Antunes Ribeiro, que possui escritório de arquitetura no Rio de Janeiro, que ficou responsável pelos desenhos burocráticos (NASCIMENTO,1998). O CECR foi planejado para atender um grupo de 4.000 alunos, em sua capacidade máxima. O conjunto seria constituído por outras quatro escolas, chamadas de Escola Classe, compostas tão somente de salas de aula e dependências para o professor, para atender a 1.000 alunos cada uma, em dois turnos de 500 alunos; além de uma Escola-Parque para 2.000 alunos em cada turno, totalizando 4000 alunos; compreendendo salas de música, dança teatro, educação artística e social, salas de desenho e artes industriais, ginásio de educação física, biblioteca, restaurante, serviços gerais, além de residência ou internato para as chamadas crianças abandonadas que infelizmente não foi construído. A conclusão desse Centro só foi possível graças ao empenho do próprio Anísio Teixeira que ao ser nomeado diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) em 1952, viabilizou um convênio de colaboração e assistência técnica com a Secretaria de Educação da Bahia, possibilitando o prosseguimento e a conclusão da obra da Escola Parque. Em 1964, com o término da construção da Escola-Classe IV, o Centro foi dado por concluído, mas, ainda assim, sem a construção do orfanato. No discurso de inauguração parcial do CECR em 1950, Anísio Teixeira falou do marco que era implantado na cidade, relatando que com a deterioração do ensino desde o ano de 1925, quando foram criadas as escolas de meios períodos, reduzindo a educação primária não só aos três anos escolares de Washington Luís, mas aos três anos de meios-dias. "Ao lado desta simplificação de quantidade, seguiram-se todas as demais simplificações de qualidade [...] Foi contra essa tendência à simplificação destrutiva que se construiu este Centro Popular de Educação" (TEIXEIRA, 1950, apud EBOLI, 1969. p.14). Continuou seu discurso proferindo que desejava dar à escola primária, seu dia letivo completo, com: leitura, aritmética e escrita, ciências físicas e sociais, artes industriais, desenho, música, dança e educação física. Que, além disso, a escola deveria educar formar hábitos, formar atitudes, cultivar aspirações, preparar a criança para a civilização técnica e industrial, e ainda mais complexa, por estar em mutação permanente. E conclui que "a escola deveria fornecer saúde e alimento à criança, 57 visto não ser possível educa-la no grau de desnutrição e abandono em que viviam" (EBOLI, 1969. p.14). Anísio Teixeira neste mesmo discurso descreveu o funcionamento do Centro Popular de Educação idealizado como uma escola dividida em dois setores, o da Instrução, ou seja, escola de letras que constituía o ensino de leitura, escrita e aritmética e mais ciências físicas e sociais e o da educação, como escola ativa com atividades socializantes, educação artística, trabalho manual, as artes industriais e a educação física. Assim divididos no espaço físico, para cada quatro Escolas Classe, para a instrução das letras, seria necessário uma Escola Parque, para a instrução ativa, para este sistema o horário da escola seria dividido em dois turnos, sendo um turno na Escola-Classe e o segundo turno na Escola Parque. O Centro funcionaria como um semi-internato, recebendo os alunos às 7h30 da manhã o e devolvendo-os às famílias às 4h30 da tarde. (DUARTE. 1973, p.121). São adotados princípios como norma no CECR para desenvolvimento das crianças, descritos no livro de Hélio Duarte (1973): - estabelecer a promoção automática; - colocar o aluno no grupo etário que lhe for próprio; - possibilitar a frequência à escola durante 7 anos, independente do aproveitamento; - desenvolver programas variados para um ensino diversificado; - estimular, por todos os meios, a participação e a criatividade da criança; - estimular o funcionamento dos grupos de interesse e das unidades de trabalho; - inculcar os princípios democráticos e incentivar o respeito pelo próximo. O CECR, em Salvador, é na opinião de Anísio Teixeira, "a primeira demonstração do modelo que tem a oferecer a passagem da escola de poucos para a escola de todos e completa, com que poderá se criar a igualdade e oportunidade, que é a essência do regime democrático" (TEIXEIRA, 1950, apud DUARTE, 1973, p. 121). Na figura 06 é expressa espacialmente a proposta de Anísio Teixeira para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro. 58 Figura 06 - Implantação da Escola-Parque com a localização das 4 Escolas Classe no Bairro da LiberdadeSalvador- definindo o Centro Educacional Carneiro Ribeiro Fonte: http://maps.google.com.br/maps acesso 30-10-2012 - Foto de Satélite A Escola-Parque fica a uma distância variável de 100m a 1,5 km das Escolas Classes, sendo a mais próxima a Escola-Classe IV e a mais distante a Escola Classe I. Atualmente as distâncias são percorridas a pé ou com transporte público, acompanhados do responsável familiar até a Escola Parque, o que anteriormente era feito com funcionários da própria escola organizados através dos pelotões. Hoje também fazem parte do Centro Educacional Carneiro Ribeiro mais três escolas públicas, que utilizam o espaço físico da Escola-Parque para suas atividades extracurriculares. 3.2.2 A Escola Parque no Bairro da Liberdade: A Escola-Parque tem 6.203m² de área construída é formada por sete pavilhões assim distribuídos de forma concêntrica num terreno de 42 292m². 1) Pavilhão de trabalho. 2) Pavilhão recreativo e esportivo. 59 3) Pavilhão socializante. 4) Pavilhão administrativo. 5) Pavilhão assistência alimentar. 6) Pavilhão artístico (Teatro). 7) Pavilhão da Biblioteca A entrada principal da Escola-Parque faz-se por um corredor coberto que dá acesso ao Pavilhão administrativo de um lado e ao Pavilhão Socializante do outro, Seguindo um corredor que acessa as salas de professores, diretoria, sanitários para funcionários e Secretaria, é possível chegar ao refeitório feito para acomodar 4000 crianças, em vários turnos. A circulação aos outros Pavilhões é feita em área coberta, percurso mostrado pela figura 07 e o conjunto na figura 08. Figura 07- Imagens do caminho percorrido até chegar ao refeitório. Fonte: Fotos tiradas por Deborah Delphino em abril 2012 60 Figura 08- Implantação da Escola Parque, Rua Saldanha Marinho nº134 - Liberdade. Fonte: Foto de satélite através do www.googlemaps.com.br – acesso outubro de 2012. Da porta de distribuição da recepção é possível avistar um grande pátio, que inicialmente foi um campo de futebol, mas com as várias reformas, tornou-se estacionamento e área de praça. Neste retângulo se faz a distribuição dos outros pavilhões, expresso na figura 09. Figura 09 - Pátio Central da Escola-Parque Fonte: Foto tirada por Deborah Delphino em abril 2012. 61 Em 1950 foi feita uma inauguração parcial do CECR, o interior da praça funcionava duplamente como campo de futebol e esplanada, de onde todo o conjunto podia ser visto. Os três primeiros pavilhões construídos foram: Pavilhão Socializante e Administrativo, o Pavilhão Recreativo e Esportivo e o Pavilhão de Trabalho, mostrado na figura 10. No primeiro plano esta o Pavilhão do Setor de Trabalho, na lateral direita o Pavilhão Administrativo com o Refeitório e na lateral esquerda o Pavilhão Esportivo e Recreativo. Na data da foto, a Biblioteca e o Teatro ainda não tinham sido construídos, o que aconteceu em 1963. Pelos depoimentos de Terezinha Eboli o uso efetivo dos pavilhões de trabalho, recreativo e esportivo, refeitório e administrativo foi formalizado em 1955 (EBOLI,1969, p.11-12). Figura 10- Vista aérea em 1953 Fonte: Foto do acervo da Escola-Parque – fotografada por Deborah Delphino em abril 2012. Marcam as volumetrias as coberturas em abobadas, como suporte de criação do espaço arquitetônico, amplamente utilizado por Hélio Duarte nos projetos das escolas paulistas em 1950. Segue a descrição dos Pavilhões: 1)- Pavilhão de Trabalho: tem uma área coberta de 4000m², envidraçada, semelhante a um hangar de avião (Eboli,1969, p.39), que possui 100 metros de comprimento por 40 metros de largura. É nesta área que os alunos desenvolvem as atividades de artes aplicadas, indústrias e plásticas. Nele os alunos, na década de 1960 e 1970 aprendiam os ofícios de alfaiate, sapateiro, marceneiro, tecelão, pintor, 62 artesão, manipulador de sisal, o couro e tudo o mais para torna-los conhecedores de uma profissão. A entrada ao Pavilhão de Trabalho é feito através de uma rampa, aonde se chega ao primeiro pavimento, que é uma ampla área central destinada à administração do setor, com armários e arquivos. Este mezanino central é protegido por guarda corpo que permite a visão total das duas alas do pavilhão. Anteriormente a ala da direita era reservada às técnicas de interesse das meninas e da esquerda para os meninos. Frequentava o Setor de Trabalho alunos de 9 a 14 anos, que escolhiam as técnicas de seu interesse, no ato da inscrição da turma. Anteriormente o desenho era atividade que todo aluno realizava, pois era de fundamental importância para as outras técnicas. Na época de formação do Centro Popular de Educação, possivelmente Anísio Teixeira tinha conhecimento do livro: Educação pela Arte de Herbert Read (18931968) escrito em 1941-42, que para entender sobre ensino Read recorreu às teorias de John Dewey; Anísio Teixeira para implantar o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em especial o Pavilhão do Trabalho, sabia da importância da educação artística para o aprendizado das crianças; por isto tanto valor e cuidado espacial foi dado a este Pavilhão. Herbert Read tem a intenção de mostrar que a função mais importante da educação é a educação da sensibilidade estética, não só para a educação visual ou plástica, mas compreende todos os modos de autoexpressão, literária e poética, bem como musical e constituem uma abordagem integral da realidade. A educação dos sentidos nos quais a consciência, a inteligência e o julgamento do indivíduo humano estão baseados. É só quando esses sentidos são levados a uma relação harmoniosa e habitual com o mundo externo que se constitui uma personalidade integrada. (READ, 1942. p.8). Para cada técnica utilizada havia no passado, até meados da década de 1970 um objetivo claro que era defendido pelos coordenadores e professores , assim definidos no livro de Terezinha Epoli, no desenho o objetivo geral era o desenvolvimento da imaginação, da sensibilidade, da capacidade artística e do espírito de observação, familiarização do aluno com os diversos materiais utilizados e conhecimento dos diversos processos adotados no desenho. Quanto aos objetivos específicos deviam provovar experiências através do desenho, desenvolver a sensibilidade e a imaginação para a composição da arte, obtenção de um desenho 63 bem integrado nas superfícies, aguçar e levar a sentir o efeito da aplicação de variadas cores e a distribuição das formas, ajudando-a desse modo no domínio das artes gráficas e decorativas (EBOLI, 1969). As técnicas que se ocupavam os alunos eram as seguintes: cartonagem, encadernação, artefatos de couro, de metal, de madeira, modelagem, cerâmica, cestaria, alfaiataria, corte e costura bordados diversos, confecção de bonecas e bichos, tapeçaria e tecelagem. (EBOLI, 1969. P. 39). Este setor da Escola-Parque visava principalmente educar o aluno pelo trabalho e para o trabalho, levando-o a adquirir atitudes, hábitos e ideais relativos ao trabalho. Era entendido que pelo trabalho, o mais simples artesão estava sabiamente ensinando os alunos a pensar, a prever, a ter paciência e tenacidade, a ser responsável e exato. Este era o conceito esclarecido por Terezinha Eboli no livro: Uma experiência de Educação Integral onde relata que: "não existe a preocupação de se ensinar determinado trabalho, mas, fundamentalmente, de oferecer oportunidade para se aprender a trabalhar" (EBOLI,1969, p.41). A amplitude e transformação de uso do Pavilhão do Trabalho evidenciam-se na figura 11. Figura 11 - Fotos Comparativas do Pavilhão de Trabalho: em 1973 e em 2012 Fonte: primeira foto retirada do livro Terezinha Eboli p. 41 e segunda foto de Deborah Delphino abril de 2012 Para a técnica da Modelagem e Cerâmica o objetivo era desenvolver a habilidade manual; formar hábitos de higiene, dar conhecimento as formas, dimensões dos objetos; desenvolver a observação e concorrer para o equilibrio emocional. Na técnica de Cartonagem e encadernação o objetivo era dar aos alunos noção prática de medidas e métricas, com o desenvolvimento do senso de exatidão; tendo como meta exercitar a criança no uso dos instrumentos para obtenção de 64 trabalhos perfeitos com medidas determinadas e despertar o senso de responsabilidade e zelo pelo material da técnica nas diversas etapas do trabalho. Terezinha Eboli (1969) relata que com a prática desta técnica houve a recuperação de livros usados para as bibliotecas municipais. Trabalhavam com outras matérias primas como Metal, Couro e Madeira, na confecção de armação de metal, cinzeiros, cantoneiras e figuras decorativas, quando manuzeavam vergalhões de ferro, folhas de zinco, cobre, arame e lata. Quando trabalhavam com o couro produzia-se bolsas, sacolas, pastas, porta revistas, capas para livros, carteiras, cintos e pulseiras. Também desenvolvia a técnica de sapataria, pelos meninos, que constituiam grupo à parte na ala masculina, na confecção de variados tipos de sapatos, desde sandálias abertas até o sapato escolar fechado. Quando o material era madeira fazia miniatura de mobiliário, caminhão, carro e casas de brinquedo, porta-jóia, além de cadeiras, tambores e algumas vezes reparava o próprio móvel da escola. Para tanto o material empregado consisitia de compensado de 4 a 6 mm, tábuas de pinho de ½", de ¾" e de 1”; cola, tinta, veniz, pregos e lixas , com ferramentas e instrumentos próprios para manuzear a madeira ( EBOLI, 1969, p.47). Outras habilidades ensinadas aos alunos eram: Alfaiataria para os meninos e Corte e Costura para as meninas. Bordados diversos, confecção de brinquedos flexíveis como bonecas de pano e outros animais de tecido; tapeçaria; tecelagem e cestaria; bijuteria; flores em plástico ou tecido que era bastante apreciado pelas meninas. Agora o mais interessante deste Setor é que todo material confeccionado pelos alunos era vendido numa lojinha dentro da própria escola, dirigida pelos próprios alunos, no Setor Socializante. Terezinha Eboli descreve como esta lojinha funcionava, no final de cada ano, a volumosa produção de trabalhos era vendida na exposição geral e o lucro era depositado nas cadernetas individuais dos alunos, do “Banco Economico” do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR), de acordo com a venda de seus trabalhos. Este procedimento era resultado da situação educativa, e o que importava, o aluno orientado pelo mestre para que conseguisse sugerir e aceitar projetos de trabalho e participasse de sua elaboração; realizasse com exatidão todas as fases, mantendo-se em atividade; julgasse o resultado obtido e o mais importante que aprendesse real e integralmente os conhecimentos, habilidades 65 e atitudes necessários à vida em sociedade. Estando neste Setor realmente o espirito do CECR (1969, p.51). Para completar a magnitude deste Pavilhão encontram- se na parede frontal de entrada um afresco da artista plástica Maria Célia Amado, e depois de cada lado do setor masculino e do feminino estão dois imensos painéis de Mário Cravo e do outro lado de Caribé. Quando se desce a escada de aceso ao setor de trabalho existe em toda extensão das paredes de um lado um afresco de Carlos Magano e de outro um afresco de Jenner Augusto. Esses painéis representam patrimônio artístico de valor incalculável, detalhados no Apêndice B. Visitado em abril 2012, o Pavilhão encontra-se hoje deteriorado e desvirtuado com atividades de alunos em pequenos grupos e sem a divisão de alas masculina e feminina; as atividades não são mais obrigatórias, mas extracurriculares duas vezes por semana, expresso pela figura 12. Figura 12- Pavilhão do Trabalho- Vista externa e Vistas Interna. Fonte: Foto de Deborah Delphino abril de 2012. . As grandes janelas permitem iluminação natural o dia todo no Pavilhão, e contribuem para uma ventilação cruzada, tornando o ambiente de trabalho agradável a qualquer hora do dia. Este espaço inovador demonstra a grandiosidade do projeto educativo de Anísio Teixeira. 2) O Pavilhão Recreativo e Esportivo: possui dois andares, aproveitando o desnível do terreno. Tem uma área coberta de 2 775 m², sendo o pavimento superior para quadras cobertas de voleibol, basquete ou futebol, e no pavimento inferior estão 66 os vestiários com 130 duchas, pequena cantina, quatro salas para ginásticas, depósito e sala de reunião para coordenação. A preocupação do projeto com a ventilação e iluminação do pavilhão está presente, à medida que coloca grandes janelas nas laterais e aberturas frontais e zenitais, fazendo com que a troca de ar seja constante num ambiente que requer muito esforço físico e atividades recreativas e as temperaturas do local são elevadas, aclarado pela figura 13 e 14. Figura 13 - Pavilhão Esportivo e Recreativo–Vista externa e interna- Pavimento Térreo. Fonte : Foto de Deborah Delphino- abril de 2012 Figura 14- Pavilhão Esportivo e Recreativo-; Vista da Salas de Ginástica Olímpica e Balé: Vista do Vestiário com as duchas. Pavimento Inferior. Fonte: Foto de Deborah Delphino- abril de 2012. 3) Setor Socializante: abrangia pelo depoimento de Terezinha Eboli (1969), o Banco Comércio e Indústria, o Jornal, a Rádio, o Grêmio e a Loja, que eram instituições inteiramente dirigidas pelos alunos da 5ª e 6ª série. Hoje o Banco não existe mais e algumas salas são de Informática, como mostra a figura 15. As atividades neste setor têm como objetivo geral dar aos alunos oportunidade de maior interação na comunidade escolar, ao realizar atividades que 67 levam à comunicação com todos os colegas ou a maioria deles; preparar para atuar na comunidade, consciente de seus direitos e deveres, como agentes do processo social e econômico; desenvolvendo lhes a autonomia, a iniciativa, a responsabilidade, a cooperação, a honestidade, o respeito a si e aos outros (EBOLI,1969, P.69). Figura 15 - Pavilhão Socializante – Vista externa e interna. Fonte: Foto de Deborah Delphino março de 2012. 4) Direção e Administração Geral: incluindo assistência médico- odontológico aos alunos; funciona na Escola-Parque o gabinete médico com atendimento diário para todos os alunos do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR), e quatro gabinetes dentários que contam com pessoal designado pela Secretária de Saúde do Estado. Este prédio é bem iluminado e ventilado devido à presença de combogos em toda lateral do prédio e aberturas vedadas com vidro fixo de 1x1m em intervalos determinados, visto na figura 16. Figura 16- Pavilhão Administrativo- Secretaria, Direção, Coordenação e Sala Professores. Vista externa. Fonte: Foto de DeborahDelphino abril de 2012 68 5) Pavilhão Assistência alimentar: O refeitório se liga ao pavilhão administrativo através de uma circulação coberta que permite chegar a este espaço. O Pavilhão Assistência Alimentar tem área coberta de 1 200m², uma cantina completa, com capacidade para atender 4 000 crianças e todo o grupo de professores, estagiários ou bolsistas, funcionários, visitantes, não apenas com leite e farinha, mas uma refeição completa de legumes, carne e pães. Mostrada na figura 17. Teve seu funcionamento nos padrões almejados até meados de 1965, quando parou de receber recursos públicos, ficando a cargo das agências estrangeiras o fornecimento de leite em pó ( EBOLI ,1969, p.39). Atualmente é servida uma refeição aos alunos que se matriculam nos cursos extras e, portanto almoçam em pelo menos dois dias da semana na Escola Parque. O lugar apresenta limpeza e asseio dos funcionários. No final da tarde a padaria, que também ensina os alunos que se interessam pela profissão, faz receitas de pão caseiro, deixando o ambiente com aroma agradável. Figura 17 - Pavilhão da Cantina –Vista frontal e interna do refeitório. Fonte: Fotos de Deborah Delphino em abril de 2012 . 6) Pavilhão Artístico: foi inaugurado em 1963. É composto por um Teatro tipo italiano com palco giratório, para atender um público de 500 pessoas aproximadamente; uma Arena ao lado do teatro que atende aproximadamente 5000 pessoas para eventos de música instrumental, canto, dança e peças teatrais, evidenciadas nas figuras 18 e 19. Como explica Terezinha Eboli todas as atividades de teatro da Escola-Parque constam de pesquisa, preparo das peças, desenhos de vestimentas e cenário, exercício de dicção, improvisação, canto e dança. Favorecem no educando a atitude de observação, a desinibição e o espírito criador. O ensino de música tem como objetivo oferecer ao aluno o aprendizado, desenvolver a sensibilidade rítmica, a 69 capacidade de ouvir tanto música erudita como popular, favorecendo ainda o senso crítico, enfim colaborar no desenvolvimento total da personalidade da criança ( EBOLI,1969, p.63). Figura 18- Teatro – Foto frontal da plateia e Entrada, sendo uma escultura em primeiro plano. A entrada do teatro se faz por duas portas laterais que dão acesso a plateia. Fonte: Foto de Deborah Delphino março de 2012. Figura 19- Arena- vista parcial do palco e das arquibancadas. Fonte: Foto de Deborah Delphino março de 2012. O Teatro esta em perfeito estado de conservação possui camarins para meninos e meninas, nos andares superiores existem salas para música, canto, curso de teatro, e estava sendo totalmente utilizado quando da visita (abril 2012). 7) Pavilhão da Biblioteca: o prédio foi um dos últimos a ser inaugurado, com linhas modernas, redondo e envidraçado. Há luz por todos os lados no seu interior. Um balcão central circular separa os arquivos, fichários, mesas de professores e armários, da área de recantos de leitura e descontração, visto na figura 20. 70 Pelos depoimentos do livro: Uma experiência de Educação Integral. Centro Educacional Carneiro Ribeiro de Terezinha Eboli (1969), a biblioteca funcionava com as seguintes atividades: leitura; estudo livre ou dirigido; pesquisa; hora do conto, criada para alunos menores; jornal mural; exposições e o teatro de sombra e fantoche. Pelos dados de 1968 havia 10.934 livros na Biblioteca da Escola Parque, "o que era pouco, observado a demanda de alunos interessados em leitura e conhecimento" (EBOLI, 1969, p.66). Figura 20 - Biblioteca- Vista externa e interna da recepção Fonte: Fotos tiradas por Deborah Delphino- abril 2012 Consideração parcial: Hoje os alunos não são obrigados a frequentar a Escola-Parque em todas as atividades como era proposto no inicio do projeto. Percebe-se a participação da comunidade em geral inclusive da 3ª idade, como nas aulas de dança e ginástica. Muitos locais ficam sem utilização em boa parte do tempo. Os alunos desenvolvem apenas uma atividade extracurricular por bimestre que não representa nota para aprovação do ano letivo. Todos os Pavilhões visitados no dia (abril 2012) realizavam algum tipo de atividade, demonstrando a importância da Escola-Parque para a comunidade, como polo gerador de cultura e lazer dirigido para o aprendizado. Fiquei emocionada ao 71 saber que o guia que me conduziu para o conhecimento das Escolas Classe, foi aluno do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, já ingressara da Faculdade e cursava o 2º ano de Direito. Atualmente matricula-se na Escola Parque no inicio do bimestre, e ao escolher a grade das atividades oferecidas pelas oficinas, atividades esportivas e culturais, pode fazer os cursos duas ou ate quatro vezes por semana, no período da manhã das 8h às 11:30h , ou a tarde das 13:30h às 17h, respectivamente para os alunos que estudam a tarde ou pela manhã nas Escolas-Classes. Os que fazem atividades pela manhã na Escola Parque depois das atividades tomam banho e almoçam no Refeitório para seguir a Escola Classe, e os que chegam para as atividades à tarde, almoçam e depois fazem suas atividades na Escola Parque, porém as atividades desenvolvidas pelo aluno são feitas em apenas um Pavilhão por dia. Exemplo: um dia esta no Pavilhão de Trabalho, faz atividades por lá no período completo. No dia seguinte faz atividades oferecidas no Pavilhão Esportivo, se optou ficar um terceiro dia na Escola-Parque faz atividades no Pavilhão Socializante por todo o período e o 4º dia que ficar na Escola-Parque deve ser dedicado a Biblioteca. As abstenções são raras, uma vez que é o aluno que escolhe o que quer fazer, mediante a grade de opções apresentadas no programa bimestral e quantos dias da semana vai participar das atividades, isto é se no mínimo duas ou os outros dias da semana. A escola acolhe alunos do ensino fundamental e médio, que frequentam as Escolas Classes do Centro Educacional e também a comunidade de terceira Idade. É possível perceber que apesar do desvirtuamento do projeto original, algumas sementes frutificam até hoje. 3.2.3 As Escolas Classes do Centro Educacional Carneiro Ribeiro. As Escolas Classes são prédios, frequentados atualmente por 3.770 alunos, localizadas, respectivamente: Escola-Classe I na Rua Liberdade; Escola-Classe II na Rua Pero Vaz; Escola-Classe III na Rua Marquês de Maricá; e Escola-Classe IV na Rua Saldanha Marinho, muito próxima a Escola Parque. Nesta última, em 1964, passou a funcionar o Ensino Médio. 72 Anteriormente, até a década de 1970 a utilização das Escolas Classes se fazia com os alunos permanecendo quatro horas em aprendizagem escolar das chamadas matérias de ensino: linguagem, aritmética, ciências e estudos sociais. Após o horário de classe, os alunos da manhã encaminham-se para a Escola Parque (e desta para as classes, no horário desencontrado) onde permaneciam mais quatro horas, completando seu tempo integral de educação com as atividades dos diversos setores. A diretoria, vice-diretora, professores e serventuários destas escolas eram designados e mantidos pelo Estado, e contava originalmente com gratificação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos Anísio Teixeira (INEP). Inicialmente foi proposto às Escolas Classes serem dedicadas a educação intelectual sistemática de menores, nas idades de 7 a 14 anos no curso completo de oito anos e somente depois em meados da década de 1960, aprovou-se a utilização da Escola Classe IV para ensino noturno do curso médio, jovens de 16 a 18 anos. Através do levantamento in loco pode-se constatar como as Escolas Classes se encontravam, tendo sido feito em abril de 2012. A primeira escola a ser visitada foi a Escola Classe IV que está localizada à Rua Saldanha Marinho, 194- Bairro da Caixa D’Agua- Salvador - BA. É a mais próxima da Escola Parque, praticamente fazendo divisa com o muro da escola, possui um portão de comunicação para facilitar a passagem dos alunos para as aulas extras. Atende ensino fundamental do 6º ao 9º ano, onde estudam aproximadamente 500 alunos no período da manhã e 500 alunos no período da tarde. No período noturno atende o ensino médio com aproximadamente 400 alunos. A Escola Classe IV tem 17 salas de aulas de tamanhos regulares de 7 x 8 metros, totalizando 56 m², uma classe um pouco maior com 59 m² e uma sala pequena de 48 m². A média por alunos é de 38 a 40 alunos por sala de aula. As outras dependências são: biblioteca, diretoria, secretaria, arquivo, sanitários para professores e funcionários, coordenadoria, vice-diretora, sala dos professores, despensa e sanitários para alunos, depósitos, cozinha, cantina e um pequeno refeitório para lanche dos funcionários. Área total do terreno 2900 m², mostrada na figura 21. 73 Figura 21: fachada Principal, Circulação para as salas de aula, vista lateral dos dois Pavimentos e Interior da Sala de Aula da Escola-Classe VI. Fonte: Foto de Deborah Delphino- abril 2012 A Escola-Classe IV foi reformada recentemente, apresentando bom estado de conservação. Projetada pelo arquiteto Diógenes Rebouças, que aproveitou o desnível do terreno com dois pavimentos, sendo bem iluminada pelos vãos de janela que estão na lateral das salas de aulas. O inconveniente da escola é ter a telha aparente tipo ondulado de fibrocimento o que gera nos dias de calor muito aquecimento na sala de aula e no frio, esfriamento do local. Atualmente (abril de 2012) as crianças passam meio período na escola e no mínimo duas vezes por semana se dirigem a Escola-Parque para fazer atividades de educação física e artes. Não possui quadras esportivas e tem um espaço reduzido para recreio dos alunos. A Escola-Classe III está localizada à Rua Marquês de Maricá a aproximadamente 500 metros da Escola-Parque. Segue o mesmo esquema de alunos da Escola-Classe IV; as crianças passam meio período na escola e duas vezes por semana se dirigem a Escola-Parque para fazer atividades de educação física e artes. Não possui quadras esportivas e tem um espaço reduzido para recreio dos alunos, conforme figura 22. Figura 22 - Escola-Classe III- Fachada Principal, interior da Sala de Aula, Circulação dos alunos e pátio coberto para recreio. Fonte: Foto de Deborah Delphino em abril 2012. 74 Esta escola apresenta a fachada bem elaborada, e internamente demonstra boa distribuição espacial, projetada pelo arquiteto Diógenes Rebouças, possui laje em todos os espaços, e as salas de aulas apresentam litocerãmico, bem como a área de circulação dos alunos com barra impermeável até 2 metros. A Escola-Classe II que foi visitada está localizada na Rua Pero Vaz s/n, fica a aproximadamente 1 km da Escola Parque; passa por uma pequena reforma nas instalações elétricas e pintura. Apresenta espaços agradáveis e próprios para formação dos alunos, como expressa a figura 23. A escola foi projetada pelo arquiteto Hélio Duarte quando esteve trabalhando em Salvador no final década de 1940. As salas de aula estão bem distribuídas em dois pavimentos e possui uma área de recreio externa com quadra poliesportiva. Funciona da mesma maneira que as Escolas Classes III e IV, tendo 12 salas de aulas em cada pavimento, as crianças passam meio período na escola e duas vezes por semana se dirigem a Escola Parque para fazer atividades de educação física e artes. Figura 23- Escola Classe II- Fachada Principal, interior da Sala de Aula, Circulação dos alunos e pátio descoberto para recreio dos alunos. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em abril de 2012. Por ter sido uma das primeiras Escola Classe a ser construída, teve-se um cuidado decorativo maior, pois na parede de frente a secretária há um grande painel pintado na parede, de autoria desconhecida, que infelizmente está em péssimo estado de conservação, o que comprova a preocupação com a arte e seu convívio naquela época. E será mais bem discutido no Apêndice B desta dissertação. A Escola Classe I- foi a última visitada por estar mais distante da Escola Parque, aproximadamente 1,5 Km, pois a percurso até a escola foi feito de transporte público. Está localizada na Rua Liberdade s/n, a entrada é recuada e foi 75 feito um muro na divisa do terreno que esconde a fachada principal da Escola Classe I está em bom estado de conservação e uma novidade para a época é ter sido projetada com a circulação vertical feita através de rampas com declividade agradável. Projetada pelo arquiteto Hélio Duarte sua situação está na foto 24. FORO Figura 24- Escola-Classe I- Fachada Principal, interior da Sala de Aula, Circulação dos alunos e pátio descoberto para recreio dos alunos. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em abril 2012. As salas de aula possuem lajes e mantém as características da época com litocerâmica vermelha no piso e combogós para ventilação e iluminação natural, as paredes possuem barramento impermeável até 1,50 metros. Na entrada dos alunos se encontra um belíssimo painel na parede, que infelizmente encontra-se em péssimo estado de conservação. (ver Apêndice B). Consideração Parcial: O Centro Educacional Carneiro Ribeiro é único na concepção do programa funcional e arquitetônico original proposto por Anísio Teixeira que se concretizou efetivamente. A grande área que ocupa a Escola Parque com a construção dos sete pavilhões distribuídos lateralmente no terreno, permitiu que o centro do terreno continuasse desocupado possibilitando a reunião de todos os alunos nas festividades e encontros cívicos, e de se transformar numa enorme praça de equipamentos para servir a população local periférica, carente de infraestrutura urbana e que desde o final da década de 1950 se utiliza destes equipamentos. 76 O diferencial desta escola esta no Pavilhão de Trabalho, um enorme espaço, bem iluminado e com uma riqueza de detalhes, especialmente nos grandes painéis pintados por artistas renomados da época e que demonstraram a filosofia requerida para Escola Parque. Quando São Paulo começa a construções de escolas apoiada na filosofia trazida por Hélio Duarte a partir da convivência com Anísio Teixeira, ele tenta construir escolas para atender os anseios Industriais e modernos, trabalha em áreas grandes, procura um diferencial quando instala piscinas nas escolas públicas, para os alunos terem um conhecimento de outro esporte, mas não consegue implantar nenhum Pavilhão que se compare ao do Pavilhão Trabalho do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR). 3.3 ESCOLA NOVA EM SÃO PAULO – 2º CONVÊNIO ESCOLAR (1949-1952). 3.3.1 A iniciativa de São Paulo para construção de escolas públicas no final da década de 1940. O 2° Convênio Escolar do Estado de São Paulo foi assinado em 28 de dezembro de 1949. Formou-se a partir da Constituição de 1934, onde se estabelecia cota da arrecadação para aplicação nos sistemas de ensino equivalente ao recolhimento de 20% dos impostos arrecadados pelos Estados e de 15% dos impostos arrecadados pelos Municípios com a finalidade de desenvolvimento e manutenção dos sistemas educativos. São Paulo era um polo industrial, com crescimento vertiginoso populacional, e com grande carência de escola para crianças. Constatava-se um déficit de 1200 salas de aula, para população, para uma população de 48.000 crianças, na idade escolar na cidade de São Paulo. A comissão do 2º Convênio, então, dimensiona cada classe com 40 alunos para escola com no máximo 12 salas de aula. Portanto seria necessário a construção de 100 novas escolas, no período de cinco anos, para zerar o déficit de salas de aula até o ano de 1954, em comemoração ao IV Centenário de Fundação da Cidade de São Paulo, onde previam a construção de 20 escolas por ano, mais 2 bibliotecas 77 infantis, e parques infantis. Assim, fez-se o acordo que o Estado arcaria com a administração da escola, com a formação dos professores e o Município ficaria responsável pela construção das escolas. (ABREU, 2007). Foram projetadas e construídas 52 escolas pelo 2º Convênio Escolar1, metade do previsto, com a supervisão do arquiteto Hélio Duarte na equipe do Departamento de Projetos da Prefeitura de São Paulo, até seu desligamento da chefia da subcomissão de planejamento, que ocorreu em 1954. O 2° Convênio Escolar caracterizou-se pela construção de edifícios de menor porte com na maioria 12 salas de aula. Este critério adotado substituiu o anterior de construir grandes edifícios, reflexo da carência de escolas que se generalizava por toda a cidade, com falta de salas de aula. O novo projeto integrava as janelas e a luz natural, incorporando a vegetação ao interior do prédio. A cada função correspondia espaço determinado, ou seja, o lugar de lazer e o lugar de estudo, como já ocorriam nas escolas anteriores, embora o programa do 2º Convênio, proposto pelo arquiteto Hélio Duarte, agregasse outros espaços para diversas atividades, como música, teatro, esporte, etc., adequados às diferentes faixas etárias. A Escola Nova, por apresentar um novo programa arquitetônico, procurava formar hábitos de vida, de comportamento, de trabalho e de julgamento moral e intelectual em todos os brasileiros, sem selecionar ou excluir, valorizando sempre o processo de aprendizagem, a relação entre idade da criança e a classe à qual deveriam pertencer. (ABREU, 2007) O programa constitui num conjunto de três Blocos Funcionais, assim especificados: a) Bloco de ensino: contém 12 salas de aula (com 48m²), circulação (1m para 100 alunos), sanitários (1 bacia e mictório por sala masculina e 1,5 bacia por sala feminina), museu escolar, biblioteca infantil e área para ginástica programadas. b) Bloco de recreação: com pátio coberto com área de 0,9m²/aluno ou 300m², contemplando cinema recreativo com palco para apresentações, vestiários e sanitários (repete critério já exposto). 1 Foram firmados três Convênios entre a Prefeitura de São Paulo e o governo do estado de São Paulo, o 1º acordado em 1943 e finalizado em 1948, com a construção de três edifícios escolares. Trataremos do 2º Convênio, onde se propunha os conhecimentos adquiridos por Hélio Duarte da Escola Nova na convivência com Anísio Teixeira e da ideia da escola em período integral, também influenciado pela escola americana. No 3º Convênio Escolar houve a construção de 17 escolas, no período de 5 anos(1954-1959). 78 c) Bloco administrativo: composto por três subáreas: área de administração propriamente dita, com salas para diretoria (10m²), secretária (16m²), arquivo, material escolar (6m²), sala de professores com biblioteca didática (20 m²), almoxarifado e cômodo dos serventes; área de assistência escolar, abrangendo as especialidades de atendimento médico (10m²), atendimento dentário (10m²), atendimento social e de nutrição (nutricionista, cozinha e distribuição de alimentos); zeladoria com apartamento próprio para o(a) zelador(a). Consideração parcial: Praticamente o modelo proposto pela equipe de Hélio Duarte, que tinha convivido em Salvador com o programa de Anísio Teixeira, se transforma no conjunto completo de ensino, onde a Escola-Parque e a Escola-Classe fazem parte do mesmo terreno, todas as aulas eram oferecidas num mesmo espaço físico, parecidas com as escolas americanas. Observa-se a influência de arquitetos estrangeiros como de Richard Neutra1 nos trabalhos de Hélio Duarte, como conta em depoimento dos arquitetos do Departamento de Projetos da Prefeitura, que que realizavam consultas em revistas estrangeiras ( DUARTE, 1973). 3.3.2 A Escola de Hélio Duarte e sua equipe. Portanto o desafio enfrentado por Hélio Duarte era propor um programa arquitetônico que criasse classes com o conforto necessário. A iluminação, a ventilação, a dimensão das carteiras, a sala dos professores, do médico, do dentista, a biblioteca e o galpão para o ginásio de esportes deveriam responder às necessidades de cada faixa etária. O detalhamento interno do prédio era importante, pois as funções de cada um dos espaços construídos deveriam ser previstos no projeto. (SILVA, 2006, p. 54). 1 A influência da arquitetura dos edifícios públicos de Richard Neutra (1892-1970), arquiteto austríaco do pósguerra, deu-se sobretudo nos projetos escolares da Califórnia, nos Estados Unidos, e dos projetos de arquitetura social para Porto Rico, que foram estudados pela equipe do 2º Convênio Escolar chefiados por Hélio Duarte (TAKIYA, 2009) 79 O bloco de ensino era construído, na maioria das vezes, por dois pavimentos e salas de aula para 40 alunos cada ( 1,20 m² por aluno), formando um retângulo de 6x8 metros já tradicionalmente encontrado nas escolas públicas desde os primeiros edifícios escolares construídos no século XX, totalizando 48 m² por sala ( as quatro salas das pontas eram maiores para proporcionar arranjos espaciais diferentes da organização tradicional da sala de aula). O bloco de recreação era composto por recreio coberto em abobada estruturada através de elementos pré-moldados de concreto ou madeira, contendo um palco (podendo ser móvel), vestiário e cabines de projeção. O bloco administrativo era térreo, na maioria das escolas, apresentava pequenas aberturas, uma vez que, por principio econômico e de conforto da criança, as grandes aberturas deveriam estar nas salas de aula. A premissa que orientava a construção das escolas como equipamento da comunidade e do bairro onde implantada, era de que elas abrangessem um raio máximo de 1,5 km de forma a se tornarem acessíveis a todas as crianças desse entorno. Hélio Duarte opta por projetos simples e pelo uso de materiais em acordo com a arquitetura moderna, como o concreto armado, o que permite que o edifício fosse concebido a partir de uma linha horizontal, e ficasse inserido com muita leveza na paisagem, exemplo é a Escola no Alto da Mooca, a do bairro do Limão e do Jabaquara. O partido arquitetônico de Duarte propõe formas generosas e luminosas, que incorporam os jardins, como meio de estimular o desenvolvimento intelectual e físico da criança. O edifício escolar é pensado como o equipamento urbano aglutinador da comunidade local, ao mesmo tempo em que é o polo irradiador de experiências. A separação dos programas de ensino e administração em dois blocos conectados por circulação externa, a utilização de elementos recorrentes - como pérgulas e marquises apoiadas em pilares de ferro em V, telhas de fibrocimento cobrindo os volumes com telhados em asa de borboleta, a forma abobadada do galpão de recreação infantil, obtida com arcos de concreto armado pré-moldados. Esta solução usada na maioria dos projetos aparece na E.E. Pandiá Calógeras, 1949 e na E.E. Visconde de Taunay, 1949, de sua autoria. Ela ajuda a dar mais graça e leveza aos projetos bem como torná-los reconhecíveis na paisagem. 80 Um bom exemplo de Escola Parque é a que foi feita em parceria com Ernest Mange, seu sócio e amigo, que além dos trabalhos do departamento de projetos na prefeitura desenvolveram projetos do SENAI. Ernest Robert de Carvalho Mange (1922-2004) teve importância para cidade de São Paulo, onde nasceu, filho de pai suíço, engenheiro e professor da Escola Politécnica, e de mãe professora. Ingressou no Jardim da Infância da Escola Modelo Caetano de Campos em 1927, onde cursou também o primário. Como arquiteto e urbanista participou da construção de várias escolas públicas nos anos 50. Foi professor na Universidade de São Paulo. Como presidente da Emurb, Empresa Municipal de Urbanização, defendeu a preservação do prédio da Escola Caetano de Campos, ameaçada de demolição pelas obras do Metrô paulistano. Foi primeiro diretor superintendente e responsável pela elaboração da política cultural do Instituto Cultural Itaú. Foi também artista plástico. Em parceria com Hélio Duarte projetou a escola no bairro de Santana, São Paulo, na Rua Voluntária da Pátria 3.422, chamada atualmente Escola Estatual Dr. Octavio Mendes, excelente exemplo de Escola-Parque por ter as principais características: bom terreno, jardins, salas que dão para o exterior, quadras, teatro, piscina. 3.3.3 A Escola Estadual Doutor Octavio Mendes. Foi projetada em 1952 pelo arquiteto Ernest Mange em parceria com arquiteto Hélio Duarte, num terreno de aproximadamente 10 000m² e área construída de 3 500m². São três blocos de construção, todos eles interligados num formato de 'U', o primeiro bloco, visto da fachada principal, esta localizada a área administrativa da escola e a biblioteca. O segundo bloco estão as salas de aula, em dois pavimentos, com 8 salas em cada andar, totalizando 16 salas de aula, com janelas que dão para a lateral do terreno; o último e terceiro bloco está o recreio coberto dos alunos e no pavimento superior estão localizadas mais 3 salas de aula, e um laboratório de biologia (anteriormente nestas 3 salas de aula, eram utilizadas para outros dois laboratórios de química e física e a outra sala maior era um multiuso). Esta escola contém um número de salas maior que em geral tem as escolas do 2º Convênio, devido a carência de escolas na região e o terreno favorecer esta disposição. Conectado a este terceiro bloco no térreo tem a cantina e o refeitório que servem 81 aproximadamente 300 refeições por dia para os alunos, nos três turnos, e para os funcionários da escola. A figura 25 ilustra todos os aspectos salientados. A área de recreação é composta por uma piscina medindo 8x 25 metros, uma quadra de futebol coberta, uma quadra poliesportiva, com arquibancadas nas laterais e uma pequena área nos fundos com jardim e árvores. Entre o Bloco de ensino e a quadra coberta está o auditório para 280 pessoas, com palco tipo italiano, todo revestido em madeira para favorecer a acústica. Uma escola construída nos moldes das Escolas Platoon Americanas, uma escola notadamente completa, mas que infelizmente perdeu a filosofia no decorrer do tempo. Atualmente funcionam três períodos, com ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano) a tarde, e ensino médio (1º ao 3º colegial) de manhã e a noite. A piscina é utilizada pelos alunos apenas no final do ano, para comemorar o encerramento das aulas. Como aula extracurricular possui apenas ensino de teatro. A utilização do auditório é feita somente pela escola, não se estende a comunidade. A Escola não participa do programa federal 'Mais Educação', proposto em 2010, que visa transformar em período integral para os alunos de ensino fundamental. Hoje estão matriculados na escola, (números fornecidos pela diretora) 1300 alunos nos três turnos que começam as 7:00h às 12:30h ( ensino médio), a tarde das 13:00h às 17:20 h (ensino fundamental 2) e a noite das 19:00h às 23:00h ( ensino médio) 82 Figura 25 - Implantação da E Doutor Octavio Mendes, Vistas externa e Interna. Fonte: http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&tab=wl acesso 09-11-2012- e tiradas em nov.2012. fotos de Deborah Delphino Comparativamente, quando foi inaugurada e atualmente algumas alterações ocorreram como: os jardins já não existem mais, nem o trampolim da piscina, como mostra a figura 26. Figura 26- Foto da década de 1950( da esquerda) e foto atual (da direita) da piscina e bloco administrativo. Fonte: Foto do arquivo da E Dr. Octávio Mendes e foto de Deborah Delphino tirada em novembro 2012. A escola projetada na década de 1950 por Ernest Mange, sócio de Hélio Duarte, trazia os conceitos da Escola Parque, com áreas verdes, infraestrutura cultural e esportiva completa. Pela analise das fotos antigas é possível perceber que 83 as diversas reformas não foram respeitadas, as características do projeto original, pois foi retirado o trampolim e pedestal de salto, bem como o jardim que existia ao redor da piscina. Quanto à biblioteca, também é possível constatar o abandono do acervo e livros, bem como a inexistência de um bibliotecário em período integral de vital importância. Hoje além de estar sobrecarregada de livros, ainda tenta aproveitar um espaço colocando um equipamento de Multimídia, o que descaracterizou o ambiente da biblioteca que deveria ser reservado à leitura e deveres de casa, evidente na figura 27. Figura 27- Foto da Biblioteca na década de 50 e foto atual, novembro de 2012. Fonte: Foto do acervo da E Dr. Octavio Mendes e foto de Deborah Delphino em novembro de 2012. 3.4 CENTRO DE EDUCAÇÃO ELEMENTAR EM BRASÍLIA ( 1957-1963) 3.4.1 A Escola idealizada por Anísio Teixeira para a Capital Federal, Brasília. No contexto do desenvolvimentismo configurado no governo do Presidente Juscelino Kubitscheck, a construção da nova capital também devia implicar mudanças significativas na instituição escolar. Na época Anísio Teixeira era diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Pedagógicos Anísio Teixeira (INEP), e tinha como bagagem a implantação do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (CECR) em Salvador, com uma proposta de ensino integral que poderia atender os objetivos demandados pela civilização moderna da capital planejada. Então Anísio Teixeira propõe um plano educacional para Brasília, do ensino infantil, fundamental, médio até o ensino superior. 84 Com perspectiva de escola básica, para crianças de 6 a 14 anos é planejado o Centro de Educação Elementar que compreendia pavilhão de jardim de infância, de escola-classe, de artes industriais, de educação física, de atividades sociais, de bibliotecas escolares e de serviços gerais. (Modulo 20.1960. v.4.p.2) O Projeto educacional foi concebido seguindo o ordenamento urbanístico do Plano Piloto, proposto por Lúcio Costa, que consistia no princípio básico da organização da cidade como ‘Unidade de Vizinhança’1·.Na Unidade de Vizinhança, a escola primária devia ser colocada, aproximadamente , no centro da área de modo que a distância dos pontos mais afastados não excedessem 800 a 1000 metros, que para a criança representasse 15 minutos de caminhada a pé (ideal), sendo que poderia ser distante até 2 Km no máximo. Outro ponto importante da Unidade de Vizinhança é que ela não devia ser atravessada por nenhuma via de transito de passagem, para evitar que as crianças ao se dirigirem a escola corressem perigo ao atravessá-la, protegendo a criança dentro de suas possibilidades físicas e mentais restritas. (FERRARI,1973, p.14). Brasília foi formada pelo agrupamento de superquadras, que abrangiam uma área aproximada de 65 mil metros quadrados, dos quais 11 mil metros quadrados foram construídos com edifícios de seis pavimentos e o restante para áreas arborizadas, jardins, piscinas, passeios e entre os edifícios, outros espaços públicos. Compreendiam além dos blocos residenciais, todos os equipamentos necessários: o comércio local, a igreja, o clube, o cinema, a biblioteca, o posto de saúde, a delegacia de polícia, correios, a Escola e outras facilidades. No interior de cada quadra, portanto se localizava o jardim de infância, a Escola-Classe e a EscolaParque que ficava na Entrequadra, compondo o complexo educacional local, levando em conta uma população variável escolarizável de 2500 a 3000 habitantes em cada quadra (HOLSTON, 1993). 1 Considera-se que o conceito de Unidade de Vizinhança (UV) foi formulado originalmente por Clarence Arthur Perry no contexto do plano de Nova York de 1929. Em uma das monografias que integra o plano (The Neighborhood Unit), Perry definia a UV:1. "Tamanho. Uma unidade de vizinhança deve prover habitações para aquela população a qual a escola elementar é comumente requerida, sua área depende da densidade populacional. 2. Limites. A unidade de vizinhança deve ser limitada por todos os lados por ruas suficientemente largas para facilitar o tráfego, ao invés de ser penetrada pelo tráfego de passagem.3. Espaços Públicos. 4. Áreas Institucionais. 5. Comércio Local. 6. Sistema Interno de Ruas. 85 Assim, as escolas primárias foram edificadas no interior das quadras de modo que as crianças não tivessem que se deslocar por longo trajeto para atingir suas respectivas escolas. Com isso, após o período de iniciação escolar no Jardim de Infância, para crianças de 4 a 6 anos, os alunos ingressavam na Escola Classe, destinada à educação intelectual sistemática de menores de 7 a 14 anos. Paralelamente, os alunos complementavam a sua formação na Escola Parque, mediante participação em atividades diversificadas, desenvolvimento artístico, físico e recreativo, bem como iniciação ao trabalho, perfazendo uma jornada escolar de oito horas diárias. O desafio para pôr em prática essa proposta foi envolver a própria arquitetura escolar, bastante complexa, já que não se tratava apenas de uma escola e salas de aula, mas de um conjunto de locais diversificados, combinando aspectos da ‘escola tradicional’ com a ‘oficina’, o ‘clube’ de esportes e recreio, da ‘casa’, do ‘comércio’, do ‘restaurante’ e do ‘teatro’ (DUARTE, 1973. p.139). O conjunto arquitetônico, que se manteve preservado e é possível se perceber a concepção original do projeto compreende as quadras 307/308 e 107/108 Asa Sul do Plano Piloto, o qual foi formado por: a) Dois Jardins de Infância - destinados à educação das crianças nas idades de 4, 5 e 6 anos, para atender 160 crianças em dois turnos (4 salas em cada escola). b) Quatro Escolas Classe - para educação intelectual sistemática de menores, nas idades de 7 a 14 anos, curso completo de 8 anos ou séries escolares, para atender 480 crianças em dois turnos em cada Escola com 8 salas de aula. c) Uma Escola Parque – com uma área de 20.544 m² em um conjunto arquitetônico de três edificações: o bloco principal, conhecido como o Pavilhão de Salas de Aula, o bloco do Auditório e o das Oficinas destinadas a completar a tarefa das escolasclasse, além de uma piscina e várias quadras esportivas, para o desenvolvimento físico, artístico, recreativo das crianças e sua iniciação no trabalho, mediante rede de instituições ligadas entre si, dentro da mesma área e assim constituídas para atender 2000 crianças em dois turnos. O programa era composto por: 1) Biblioteca infantil e museu. 2) Pavilhão para atividades de artes industriais. 3) Conjunto para atividades de recreação. 86 4) Conjunto para atividades sociais (música, dança, teatro, clubes, exposições). 5) Dependência para refeitórios e administração. Deveriam também ser construídos pequeninos conjuntos residenciais para menores de 7 a 14 anos, sem família, sujeito às mesmas atividades educacionais que os alunos externos, mas que nunca foi construído. ( Modulo 20.1960.p.4) Tendo em vista o desenvolvimento desse programa abrangente, o plano educacional estabelecia que os alunos frequentassem diariamente a Escola-Parque e a Escola Classe em turnos diferentes, passando quatro horas nas classes de educação intelectual e outras quatro nas atividades da Escola Parque, com intervalo de almoço. Com isso o horário escolar se estenderia por oito horas, divididas entre atividades de estudo e as de trabalho, de arte e de convivência social. Cabe ressaltar que dos vinte e oito Centros Educacionais Elementares previstos no plano da cidade para 500 mil habitantes, apenas cinco foram construídos, nas Super Quadras: 308/307 Sul; 210/211 Sul; 313/314 Sul; 303/304 Norte e 210/211 Norte, que atendem atualmente a quase totalidade do universo das escolas públicas do plano Piloto como das cidades satélites. Cada uma destas escolas recebem em média, alunos de sete escolas classes, uma ou duas vezes por semana, e desde 1962 o plano de escola em período integral se desfez, reduzindo o período de permanência dos alunos, na escola, para uma jornada de seis horas. Desfigurando o plano inicial de Anísio que ao se pronunciar foi taxativo: "mais uma vez o critério de quantidade prevaleceu sobre o da qualidade" (TEIXEIRA,1967, p.135). 3.4.2 A Escola Parque e Escola Classe na Super Quadra 307 e 308 ASA Sul A Escola Parque formada nesta Super Quadra 307 e 308 Asa Sul localiza-se numa terreno de 80 x 160 metros, totalizando 12.800m². Foi tombada pelo Patrimônio Histórico da Cidade em 1988 e é composta por um conjunto arquitetônico de três edificações, projetado por José de Souza Reis, são eles: 1) o bloco principal é conhecido como o Pavilhão de Salas de Aula. 2) o bloco de auditório. 3) o bloco das oficinas.. 87 Os edifícios são mostrados pela figura 28 e 29, apresenta as seguintes características: o Pavilhão de Salas de Aula destaca-se por características próprias do Modernismo, deixando o pavimento térreo livre para circulação e atividades diversas, através dos pilotis e grandes vãos, utilizado como pátio coberto. Ocupa uma área de 2500m² de projeção ( 50 x 50 metros), e abriga a administração da escola, os módulos principais de banheiro e um grande refeitório. O pavimento superior é composto por salas, ateliês para artes plásticas, música e outras atividades, além da biblioteca. Figura 28- Vista do Pavilhão Salas e Auditório ao fundo, na construção 1959 e implantação da Escola-Parque. Fonte: Foto retirada da revista: MODULO 20, Revista de Arq. e Artes Visuais do Brasil , Rio de Janeiro, outubro de 1960 vol. 4, p.4. e http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&tab=wl acesso 06-12-2012 Figura 29- Vista atual do Edifício das Salas de Aula e Oficinas. Fonte; foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. 88 O bloco de Auditório e o da Oficina, evidenciados peas figuras 30 e 31, completam o conjunto, com edificações térreas, de linhas retas, com caracterísitcas modernistas, próprio da época. O bloco das Oficinas ocupa uma área de 765m², contém dois grandes salões destinados a oficinas, laboratórios e depósito. Já o bloco do Auditório mede 1000m² e possui foyer ajardinado, palco, coxias e serviços complementares. Figura 30- Auditório – Vista externa e internaFonte; Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. Figura 31- Pavilhão das Oficinas e Quadras Cobertas - Vista externa e interna Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. Do lado oposto ao Pavilhão das Oficinas totalmente ajardinada, encontra-se a área esportiva, com piscina e quadra de esportes, mostrados na figura 32. Há ainda, próximo a piscina um pequeno bloco semi-enterrado com 220 m² para vestiário, lavanderia e casa de máquinas da piscina. 89 Figura 32- Área externa com vista da piscina e quadras descobertas. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio de 2012. A Escola da Super Quadra 307/308 Sul foi a primeira a ser implementada e é a maior das cinco. Atualmente atende alunos de dez escolas. São 3300 crianças de 1ª ao 6º ano, com idade entre 7 e 12 anos, que tem aulas durante um turno num único dia da semana. Conforme mostram as figuras 33 e 34. Figura 33- Entrada Escola-Classe da SQS 308 vista da entrada dos alunos e do pátio interno que leva as salas de aula. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. A Escola Classe foi inaugurada em 1959. É térrea com dois blocos de construção, um para área administrativa e de funcionários e o outro para salas de aulas. São oito salas com grandes janelas para o exterior e cantina para lanche, localizada no pátio coberto que levam ás salas de aula. Atende crianças de 1º a 5º ano (de 7 a 11 anos) em dois turnos, acomodando aproximadamente 160 alunos por turno, sendo partes de inclusão de alunos especiais. Está localizada no meio das praças e áreas arborizadas existentes no interior das Super Quadras. Anteriormente não existiam grades ao redor da escola 90 Figura 34- Escola Classe da Super Quadra 308 ASA Sul – Fachada na praça e Vista sala de aula. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. 3.4.3 A Escola Parque pré-moldada na Super Quadra 303 e 304 ASA Norte. A Escola Parque existente nas Super Quadras 303 e 304 ASA Norte tem arquitetura completamente diferenciada da Escola-Parque das Super Quadras 307 e 308 ASA Sul. Começa por estar encravada no terreno. Toda estrutura escolar está abaixo do nível do terreo dos edifícios, mostrando quando se chega ao local da escola apenas o telhado de calhas pre- moldadas, como pode ser observado na figura 35: Figura 35 -Vista da entrada Escola Parque da SQ 303/304 Norte e Vista da Cobertura do telhado pre-moldado. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. Internamente é feita toda em material pré-moldado. Não foi possível conhecer a autoria do projeto, mas tem como características projetuais as mesmas dos Centros de Atenção Integral à Criança (CAIC) projetado na década de 1990, pelo arquiteto João Filgueira Lima (será tratado nos capítulos seguintes). Levando em 91 consideração ser o CAIC um projeto com área muito maior que a Escola Parque, construída em Brasília, evidenciado pela figura 36. Figura 36- Comparativo das Escolas Parques, uma década 1960 e outra foto do CAIC de 1990. Fonte: Escola Parque na Super Quadra 304 e segunda foto do Centro Atenção Integral à Criança (CAIC), Fotos de Deborah Delphino tiradas em maio 2012. O projeto da Escola Parque da Super Quadra 303 e 304 Norte, segundo depoimento de funcionários, apresenta alguns problemas como projeto escolar: a iluminação natural é fraca, causando a utilização constante de iluminação artificial e por ter sido construído com material pré-moldado, nos pilares, vigas e cobertura, sem nenhuma isolação interna as salas de aulas são abafadas no verão e geladas no inverno. A Escola foi toda construída em um único bloco, e consequentemente com uma única cobertura, tornando necessário para a circulação dos alunos a implantação de uma comunicação visual clara, com uso de cores diferenciadas nas paredes e painéis descritivos, mostrados na figura 37. Figura 37- Vista interna da Escola Parque da Super Quadra 303/304 ASA Norte, nos três setores. Fonte: Foto de Deborah Delphino em maio de 2012. O Setor de educação física é todo descoberto e por falta de manutenção a piscina está abandonada há um bom tempo, mostrada na figura 38. 92 Figura 38- Vista da Escola Parque da SQ 303/304 Vista da piscina em manutenção e das quadras. Fonte: Foto de deborah Delphino tirada em maio 2012. O conjunto do Centro de Educação Elementar desta Super Quadra possui a Escola Classe e Jardim de Infância. Demonstram que não houve um padrão arquitetônico estabelecido, as escolas são diferentes das instaladas nas SQ 308 Sul, ambas estão localizadas no meio da praça com arvores e gramado, conforme figura 39. Figura 39- Vista do jardim de Infância SQ304 Norte e Escola Classes Super Quadra 304 Norte. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. 93 3.5 CENTRO INTEGRADO DE EDUCAÇÃO PÚBLICA (CIEP) NO RIO DE JANEIRO ( 1983-1987 e 1991-1994). 3.5.1 A revitalização da Escola Parque na década de 1980. Os CIEPs exercem adicionalmente a função de autênticos centros culturais e recreativos numa perspectiva de integração efetiva com a sociedade (RIBEIRO, 1986, p.43). Leonel Brizola (1922-2004) foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1983 (governou por dois períodos 1983-1986 e 1991-1994), quando propôs mudar a história da educação, com 14 milhões de habitantes e cerca de 2,5 milhões de crianças. Assumiu o compromisso da educação popular como sua meta prioritária. Criou, para isso, uma comissão Coordenadora, a cargo do Vice-Governador Darcy Ribeiro1 (1922-1997), armando-a de poderes para elaborar um Plano Especial de Educação e dotando-a de recursos que ultrapassavam US$400 milhões para custear sua execução. As primeiras atitudes de seu governo foram a elaborar metas e planos para a reconstrução da rede escolar, que se encontrava em estado precaríssimo, a transformação da merenda escolar de forma a assegurar diariamente 2 milhões de refeições completas às crianças das escolas públicas; e ainda, o transporte gratuito de alunos que vestissem o traje escolar. Também elaborou o Programa Especial de Educação com a participação de todo o professorado do Rio de Janeiro contribuindo diretamente deste debate cerca de 50 mil professores (encontro realizado no município de Mendes), que resultou na escolha de 100 professores para discutir a redação final das bases do programa e a ação educativa no Estado do Rio de Janeiro (RIBEIRO, 1986). Leonel Brizola Instituiu outra meta fundamental do Programa Especial de Educação para uma nova rede de escolas de período integral, os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP), que o povo passou a chamar de Brizolões, foram 1 Darcy Ribeiro, etnólogo, antropólogo, professor, educador, ensaísta e romancista trabalhou com Anísio Teixeira na formação do programa educacional para Brasília no final da década de 1950. 94 implantados nas áreas de maior densidade populacional e de maior pobreza1. Os centros educacionais foram projetados por Oscar Niemeyer e compreendiam: 1) Edifício principal de administração, sala de aula, de estudo dirigido, cozinha, refeitório e um centro de assistência médica e dentária. 2) Edifício com ginásio coberto que funciona também como auditório e abriga banheiros. 3) Edifício destinado a biblioteca pública que serve tanto à escola como à população vizinha. 4) Integram-se também nas instalações edifícios apropriados para abrigar 24 alunos para residirem na escola, alunos que estivessem ameaçados de cair na delinquência. Estes conjuntos educacionais atendiam 1000 crianças da 1ª a 4ª série ou de 5ª a 8ª série, separadamente. A aula começava às 8 da manhã até 5 horas da tarde, e assim recebiam, além das aulas normais, aula de recreação e ginástica, mais três refeições e um banho diário. À noite, os Centros de Educação se abririam para atender 400 jovens de 14 a 20 anos, analfabetos ou insuficientemente instruídos. O plano de Educação tinha como meta: “criar uma escola pública honesta, capaz de oferecer um ensino de melhor qualidade, adaptada as condições e as necessidades do alunado popular” (RIBEIRO, 1986, p. 17). Os Centros Integrados de Educação Pública ocuparam, com suas estruturas pré-moldadas idealizadas por Oscar Niemeyer, a capital e o interior do Estado do Rio de Janeiro. Em maio de 1985 inaugurou-se na capital o primeiro CIEP e foram construídos e postos em funcionamento 502 no decorrer dos dois mandatos de Brizola, cuja localização encontra-se no Quadro 03. O projeto padrão do CIEP é composto de 7.000 m², numa configuração que demandava terrenos maiores de 10.000m². A quase inexistência de grandes terrenos nas áreas mais densas levou a uma solução mais compacta com a quadra esportiva na cobertura do edifício escolar. 1 Chegou a ser cogitada de construir no Estado do Rio de Janeiro diversas Escolas Parques semelhante às que Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro implantaram em Brasília e que promoviam uma integração entre os estudos curriculares, atividades recreativas e artísticas, mas a prática recomendou a superação dessas proposições iniciais, porque os Centros Culturais Comunitários ou as Escolas Parques acabariam privilegiando as crianças já privilegiadas nas áreas de maior poder aquisitivo (RIBEIRO, 1986, p.42). 95 O Programa Especial da Educação do Governo Leonel Brizola, implantado em 1984, tinha como pontos principais (RIBEIRO, 1986): 1) Acabar com o terceiro turno, com permanência da criança pelo menos 5 horas diárias na escola; 2) Dar ao professor através de cursos de reciclagem, a ajuda para o pleno cumprimento de suas funções; 3) Rever o material didático; 4) Garantir no mínimo uma refeição completa a cada criança da Escola Pública; 5) Promover através da escola pública, assistência médica- odontológica às crianças, criando desta forma centros de atenção preventiva de defesa da saúde dos alunos e das crianças das redondezas; 6) Implantar 150 Casas da Criança, em comunidades periféricas, destinadas a abrigar crianças de 4 a 7 anos assegurando-lhes banho, merenda, assistência médica, banho, merenda e atividades pré-escolares, de modo a habilitá-las a alcançar êxito nos cursos de alfabetização; 7) Construir até março de 1987, 500 CIEPs- Centros Integrados de Educação Pública, nas áreas de baixa renda e alta densidade demográfica; 8) Concretizar no horário noturno dos CIEPs, um Programa de Educação Juvenil, para trazer de volta jovens de 15 a 20 anos que não frequentaram ou dela se afastaram sem domínio da leitura. 9) Criar Escolas de Demonstração, como locais onde se fariam o acompanhamento e avaliação da proposta pedagógica em execução; 10)Dentro de uma politica de valorização dos profissionais da educação, conduzir um processo de discussão, com participação dos professores e de suas entidades representativas; 11)Estabelecer os requisitos de formação pedagógica e experiência docente indispensável para o desempenho do cargo de direção das escolas. 96 MUNICÍPIOS Rio de Janeiro Nova Iguaçu São Gonçalo Duque de Caxias São João do Meril Campos Niterói Volta Redonda Magé Itaboraí Itaguaí Rio das Flores Paraíba do Sul Vassouras Rio Bonito Silva jardim Sumidouro Cordeiro S.Sebst. do Alto Conceição Macau B Jesus Itabapoana Cambuci QUANT. 134 87 44 45 27 16 10 09 08 07 07 01 01 02 01 01 01 01 01 01 01 01 MUNICÍPIOS Petrópolis Nilópolis Barra Mansa Resende Teresópolis Nova Friburgo Macaé Angra dos Reis Piraí Três Rios Paracambi Miguel Pereira Paulo Fondim Mendes Araruama Sapucaia Duas Barras Bom Jardim Sta. M. Madalena Porciúncuia Laje de Muriaé João da Barra QUANT. 06 03 06 06 04 05 04 03 02 04 03 01 01 01 02 01 01 01 01 01 01 02 MUNICÍPIOS Barra do Piraí Valença São Pedro 'Aldeia Cabo Frio Casimiro de Abreu Itaperuna Sto. Antônio Pádua São Fidelis Parati Rio Claro Mangaratiba Cachoe.de Macau Maricá Saquarema Arraial do Cabo Carmo Cantagalo Itaocara Trajano Morais Natividade Miracema Pati do Alferes QUANT. 05 02 04 02 02 03 02 02 01 01 01 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 Quadro 03 - Localização dos Cieps – Total Construídos: 502 Fonte: dados do livro: O livro dos CIEP de Darcy Ribeiro p.45 -1986. Para implantar no Estado do Rio de Janeiro um grande número de CIEP foi solicitado que a arquitetura fosse economicamente viável e permitisse velocidade na construção, conciliando beleza, custo e rapidez de execução. O arquiteto contratado foi Oscar Niemeyer e sua equipe, que partiu da ideia de utilizar a técnica de concreto pré-moldado, para agilizar a montagem de cada CIEP como um jogo de armar, em um prazo de apenas quatro meses, fazendo a concretagem no próprio local da construção, conseguindo este feito com a ajuda do engenheiro calculista José Carlos Sussekind, aperfeiçoar a obra e integrar arquitetura com engenharia (RIBEIRO.1986). 97 3.5.2 O primeiro Centro Integral de Educação Pública: O primeiro CIEP inaugurado é localizado na Rua do Catete 77 – no CateteRio de Janeiro, num terreno que possui uma área aproximada de 7.500m², foi batizado com o nome de Tancredo Neves, para agilizar e baratear a obra usou-se a construção de pré-moldado de concreto armado, o "próprio Governador Leonel Brizola comparou os custos da construção civil, projeto de Oscar Niemeyer, e chegou a um valor de obra 30% mais barato do que se utilizasse a construção normal de concreto e alvenaria armada" (RIBEIRO,1986. p.108). O prédio principal possui três pavimentos ligados por uma rampa central. No pavimento térreo localiza-se o refeitório com capacidade para 200 pessoas e uma cozinha dimensionada para preparar o desjejum, almoço e lanche para até 1000 crianças. No outro extremo do pavimento térreo fica o centro médico e entre o refeitório, um amplo recreio coberto. Nos dois pavimentos superiores estão localizadas as salas de aulas, um auditório, salas especiais (estudo dirigido e outas atividades) e instalações administrativas. Finalmente o terraço, uma área reservada para atividades de lazer e dois reservatórios de água. A segunda construção é o Salão Polivalente, um ginásio desportivo coberto, dotado de arquibancada, vestiário e depósito para guarda de materiais. A terceira construção é a Biblioteca, idealizada para atender os alunos tanto para consultas individuais como em grupos supervisionados, estando sempre à disposição da comunidade. Sobre a Biblioteca, existe uma verdadeira residência, para alojamento de doze meninos e doze meninas, que podem morar na escola em caso de necessidade, sob os cuidados de um casal, dispõe na casa de quarto próprio, sala comum, sanitário exclusivo e cozinha. Para os terrenos onde não é possível instalar todas as três construções que integram o projeto padrão, foi elaborado uma alternativa denominada CIEP compacto, composto apenas do prédio principal, ficando no terraço: quadra coberta, vestiários, biblioteca e caixas-d ’águas. A relação das áreas dos CIEPs Padrão tem como principais características: Prédio Principal com 5400m²; Biblioteca/ Alojamento para crianças com 320 m² e Ginásio com área de 1080 m². Totalizando uma área total construída de 6.800m², considerada elevada para o padrão das escolas até então. 98 Com o apoio do governo municipal, o Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) Tancredo Neves é um dos poucos CIEPs no Rio de Janeiro que ainda tem uma proposta próxima à do projeto original, com aulas do ciclo básico pela manhã e atividades extracurriculares à tarde, cuja imagem é mostrada na figura 40. A escola possui, inclusive, dormitório e pais sociais, que são responsáveis por cuidar das crianças com problemas de família ou moradia abrigados pela escola. Os governos que sucederam aos de Brizola, no entanto, não deram continuidade administrativa ao projeto e os alguns CIEPs foram municipalizados. Outros continuam sob a tutela do governo estadual; e há ainda os que são compartilhados pelas duas administrações. Figura 40- Implantação e Vistas do CIEP Tancredo Neves. Fonte: http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=ciep%20tancredo%20neves%20- Acesso 04-11-2012 e fotos de Deborah Delphino ( junho de 2012). Houve na história dos CIEPs dois períodos onde desenvolveram os programas de educação integral, o primeiro foi de 1983 a 1987 e o segundo, entre 1991 e 1994, onde as crianças estudavam de 8h às 17h. Nessa época, existia o centro médico, em parceria com o Defeso Civil, com dentistas, psicólogos, e alunos residentes, que moravam na escola com os pais sociais. Porém como não houve 99 continuidade da política pública, o projeto foi se perdendo ao longo do tempo. Hoje, há aproximadamente 200 escolas nos moldes do CIEP. O Estado apoia o ensino em horário integral. Têm-se vários programas. A mais nova estratégia é através do programa federal 'Mais Educação' criado em 2010, como explica Cláudia Raybolt, superintendente pedagógica da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro em 2011: O 'Mais Educação' é um programa do Governo Federal, que faz o resgate do horário integral. Como o Rio de Janeiro foi pioneiro nisso, foi uma estratégia da secretaria de Educação experimentar uma linha diferente. Todos os CIEPs tinham um projeto pedagógico único. No 'Mais Educação', cada escola traça o perfil do seu público e escolhe as atividades a oferecer no contra turno. Além do ciclo básico, é obrigatório aplicar mais quatro horas de português e duas de matemática e o resto é preenchido com artes, música, fotografia, dança, esportes, etc. (http://redeglobo. globo.com/globoeducacao/noticia/2011/06/ governo- investe- em-ensino-integral-seguindo-o-modelo-doscieps.html -acesso 01-11-2012). Os CIEPs foram construídos por firmas privadas de engenharia sob a coordenação do Dr. João Goulart Brizola e não pela Fabrica de Escolas que funcionava em plena Av. Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro sob o comando do arquiteto João Filgueira Lima. Esta Fabrica de Escolas tinha a função de preparar os módulos de argamassa armada que entravam na construção das Casas da Criança e das Escolas Isoladas que complementavam o Programa Especial de Educação. Para eliminar a corrupção que costumava cercar as obras públicas, a construção dos CIEPs foi confiada a firmas ganhadoras de concorrência pública (RIBEIRO,1986). A capacidade de produção dos CIEPs era de 1,5 escolas por semana, pelas próprias palavras do engenheiro que acompanhou toda a obra José Carlos Sussekind: "A meta de atingir a construção de 500 CIEPs até março de 1987", comum total de área construída de 3.500.000 m², obras inteiramente pré-fabricadas em concreto armado, inclusive pilares, lajes e fachadas. Cada obra tinha seu canteiro, onde moldavam pilares com 10 metros de comprimento e lajes até 20 m² para o Prédio Principal de cada CIEP, além de vigas de 23 m de extensão que cobriam o Ginásio, com eficiência e competência de toda equipe formada para construção das escolas (RIBEIRO,1986. p.113). Sobre as bibliotecas, ficavam separadas do prédio principal, estando disposição também da comunidade para empréstimo de livros e o espaço arquitetônico permitia abrigar até 10 mil livros. 100 Todo CIEP possuía um ginásio coberto, dotado de arquibancada em um dos lados, e atrás do qual eram construídos vestiários para ambos os sexos. Era nele que os alunos recebiam Educação Física e praticavam desportos, era nele também que ocorriam os espetáculos teatrais, os shows de música, a roda de capoeira ou as festas promovidas pela Associação de moradores, e por isso recebeu o nome de Salão Polivalente, onde se fazia a integração do CIEP com a comunidade. Media 16mx 36m, com a quadra de esportes coberta que podia ser adaptado para a prática de futebol de salão, vôlei, basquete ou realização de ginastica (RIBEIRO,1986, p.129). Também tinha o objetivo de estimular as atividades quando utilizavam modulares desmontáveis, que podiam ser armazenados no depósito. Consideração parcial: O projeto de Oscar Niemeyer é grandioso e marca o espaço da escola na paisagem dos municípios onde são implantados, são pontos focais para a comunidade, mas faltam espaços e equipamentos que completassem o convívio cultural da comunidade, como o teatro e os espaços reservados às práticas esportivas, como a piscina; por outro lado, considerando as praias como ponto de encontro da comunidade, a piscina não era de vital importância. 3.5.3 O CIEP de Brizola para a Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro, (Sambódromo): A Passarela Professor Darcy Ribeiro, popularmente chamado Sambódromo, é localizado na Avenida Marquês de Sapucaí, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Foi projetada e construída no período 1983-1984. Foi idealizada por Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro (1983-1987), juntamente com o ViceGovernador Darcy Ribeiro (1922-1997) e projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), feita para economizar aos cofres públicos 75 milhões por ano com a montagem de arquibancada provisória ( UNDEWOOD, 2002, p.120) É importante 101 destacar que os três lideres estavam envolvidos com a construção dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), portanto justificam em parte a construção do Sambódromo quando implantam uma escola pública para ocupar a área ociosa durante o resto do ano, resolvendo assim, em parte o déficit de escolas na cidade, passando a se chamar: CIEP Avenida dos Desfiles, esquematizados pelos croquis mostrados na figura 41. Darcy Ribeiro idealizou para que no interior das arquibancadas da Passarela dos Desfiles fossem construídas 160 salas de aula e 43 salas administrativas, que, durante o carnaval funcionavam como escritórios de apoio ao evento, e após este, como o Centro Integrado de Educação Pública (CIEP). No espaço existiam atividades pré-escolares para crianças de 3 a 6 anos, um CIEP de ensino fundamental, uma escola ensino médio, um centro de artes, aulas de recuperação educativa para jovens de 14 a 20 anos e uma biblioteca. O complexo poderia acomodar até 16 mil alunos. Figura 41 - Croquis de Oscar Niemeyer para o Sambódromo, Passarela Professor Darcy Ribeiro, funcionar com escola. Fonte : fotocopia do livro de Darcy Ribeiro: O LIVRO DOS CIEPs p. 93 O complexo foi construído num prazo excepcional de quatro meses e inaugurado no Carnaval de 1984. Possui estrutura pré-moldada de concreto e apresenta 700 m de extensão, dividido em blocos de arquibancadas, cada um com 60 m, feitos sobre pilotis, que está a 3m do piso, separado por 30 m para dar passagem ao desfile, "em toda extensão da pista o povo pode de pé, como antes, ver a passagem das escolas de samba" (RIBEIRO,1986, p.94). A arquibancada inicialmente com capacidade para 60.000 pessoas foi aumentada com a reforma de 2011, para atender a demanda e prepará-la para Olimpíadas de 2016. Para tanto foi 102 feita a demolição da antiga fábrica da Brahma, e construídos mais quatro blocos de arquibancada no setor 2, com capacidade elevada para 78.000 pessoas, como mostra a figura 42. Figura 42 - Vista entrada Principal; Vista posterior; Circulação interna e área externa do CIEP Avenida dos Desfiles. Fonte: Fotos de Deborah Delphino tiradas em junho 2012. Atualmente o CIEP Avenida dos Desfiles possui: jardim da infância, ensino fundamental, ensino médio e Educação para Jovens e Adultos para alfabetização tardia (EJA). Há também um centro cultural, que atende crianças no período estendido, com aula de teatro, dança, música, artes visuais, vídeo e fotografia. Consideração parcial: A iniciativa de utilizar num mesmo espaço duas ocupações tão diferentes, escola de ensino fundamental e passarela para desfiles, pode causar estranheza, pois são atividades completamente dispares. O espaço ocioso embaixo das arquibancadas foi criativamente adaptado e pode acomodar um grande número de alunos, existe também um centro cultural com ateliês para atividades extracurriculares, como aulas de música, dança, artes manuais, e atividades esportivas, caracteriza-se como espaço público inédito e serve realmente a comunidade. 103 3.6 CENTRO INTEGRAL DE APOIO A CRIANÇA (CIAC) EM BRASÍLIA CRIADO EM 1990. 3.6.1 Como o CIAC se transformou em CAIC: Em 1990, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD/IBGE)1, o país contava com uma população de 60 milhões de crianças e adolescentes na faixa etária de zero a 17 anos, que representava 41% do total de habitantes. Desse total, 15 milhões encontravam-se na faixa de indigência, disseminados por todo o território nacional; no Nordeste, na área rural, concentravase um terço de todas as crianças e adolescentes que viviam em situação de extrema pobreza. Dentro desse contexto, e como resposta aos compromissos assumidos, o governo federal criou, em 14 de maio de 1991, representado pelo presidente Fernando Collor de Mello como parte do 'Projeto Minha Gente', o Centro Integral de Atenção à Criança (CIAC). Estes Centros foram inspirados no modelo dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), do Rio de Janeiro, implantados na gestão de Leonel Brizola. O objetivo deles era prover a atenção à criança e ao adolescente, envolvendo a educação fundamental em tempo integral, programas de assistência à saúde, lazer e iniciação ao trabalho, nos moldes das Escolas-Parques. Este Centro previa o atendimento em creche, pré-escola e ensino de primeiro grau; saúde e cuidados básicos; convivência comunitária e desportiva. Posteriormente, na gestão do presidente Itamar Franco, a denominação dessas escolas foi alterada, o Centro Integral de Apoio a Criança (CIAC) passou a se chamar Centros de Atenção Integral à Criança (CAIC). Isto indicava mudanças no rumo do programa, pois a educação integral não mais se realizaria exclusivamente em prédios especiais, seriam construídas num mesmo espaço escolas completas com a Escola Parque e a Escola Classe no mesmo terreno. O programa previa viabilizar a defesa da criança e do adolescente, a promoção à saúde, construção de creche, pré-escola e educação escolar, esporte e lazer, difusão cultural, educação para o trabalho, alimentação e teleducação. 1 http://desafios2.ipea.gov.br/pub/td/1995/td_0363.pd acesso 17-12-2011 104 Dos cinco mil CAICs previstos para serem implantados nos 600 maiores aglomerados urbanos, proposta do plano de governo pelo 'Projeto Minha Gente' em 1991, o MEC assumiu como meta de curto prazo, para o período 1993/1994, apenas a construção de 423 CAIC's em diversas regiões do país. Reconhece-se a construção de 359 CAICs em diferentes estágios de implantação1 (SOBRINHO, 1995). O programa estava subdividido em subprogramas que integravam ações de natureza finalística e instrumental. Os subprogramas de natureza finalística eram: Proteção Especial à Criança e à Família; Promoção da Saúde da Criança e do Adolescente; Educação Infantil (creche e pré-escola); Educação Escolar; Esportes; Cultura; Educação para o Trabalho; Alimentação. Os subprogramas de natureza instrumental, que perpassam todos os demais programas, eram: suporte tecnológico; gestão e mobilização. O desenvolvimento das ações de cada subprograma esteve pautado nas seguintes orientações: a) o atendimento à criança e ao adolescente era prioritário, sendo admitida a extensão ao núcleo familiar a que pertenciam e ao grupo social como um todo; b) os subprogramas desenvolveram-se de forma integrada, sem prevalência de um sobre o outro, com a utilização de todos os meios e recursos disponíveis; c) a ação integrada supunha a articulação entre os diversos subprogramas e ações, assim como a articulação das agências empenhadas no processo — família, sociedade e Estado — entre as três esferas do poder pública — União, Estados e Municípios — e entre os diversos setores sociais envolvidos, tais como educação, saúde, assistência social, trabalho, justiça, cultura e esporte. Através de um debate com o Ministro da Saúde e Criança, na TV Cultura no Programa Roda Viva (21/10/1991), o médico pediatra Dr. Alceni Guerra2(1945), esclareceu a política pública de Fernando Collor resumidamente falando que: no Brasil ser contra o CIAC era tentar torpedear a única tentativa séria dos últimos anos de se cobrir esse fosso, de se ultrapassar essa barreira. Eram sete milhões de crianças fora da sala de aula, três milhões que nasciam todos os anos. A rede da época não tinha condições de absorvê-los e existe um artigo da Constituição, o artigo 1 Na biografia pesquisa, não foi encontrado o quadro de localização dos CAICs, isto é, em quais municípios foram implantados e propostos a construção dos Centros de Atenção Integral a Criança. 2 Alceni Guerra foi Ministro da Saúde no governo de Fernando Collor de Mello de 1990 a 1992. 105 227 1, justificando que se o governo não fizesse os CIACs, estaria infringindo a Constituição. Como se tratava de um conjunto de ações desenvolvidas de forma integrada e a partir de pedagogia própria, todos os profissionais eram treinados, desde o professor ao auxiliar administrativo, passando pelo médico, o psicólogo, o assistente social, o nutricionista e o cozinheiro, para que as diretrizes de integração e qualidade dos serviços pudessem ser alcançadas (http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/218/ entrevistados/alceni_guerra_1991.htm ). A capacidade de atendimento de todos os CAIC em construção nesta etapa do programa era de 864 alunos em dois turnos no ensino fundamental, 234 alunos em dois turnos na pré-escola e 30 crianças na creche em tempo integral, o que perfaz um total de 1.128 pessoas atendidas. Se o MEC continuasse mantendo este padrão de construção — CAIC com 12 salas — quando as 423 unidades de serviço estivessem em funcionamento seriam atendidos cerca de 480 mil alunos (SOBRINHO, 1995, p.21). Consideração parcial: Pelo relatório feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 1995, conclui-se que o percentual de crianças que seriam beneficiadas quando todos os CAIC's em processo de implantação estivessem concluídos e funcionassem com os subprogramas previstos era bastante reduzido face aos 27 milhões de crianças que frequentavam escolas públicas, aos 60 milhões de crianças objeto de atenção do Estatuto da Criança e do Adolescente e aos 15 milhões de crianças economicamente marginalizadas. Se os recursos gastos nos CAIC's fossem utilizados para dotar as escolas já existentes de condições adequadas e dignas de funcionamento, a clientela beneficiada seria muito maior, e os efeitos para o sistema educacional, mais permanente e significativo. 1 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010) 106 3.6.2 O Centro de Atenção Integral a Criança localizado em Planaltina: O CAIC Assis Chateaubriand, está localizado a 15 km de Brasília e atende a cidade Satélite de Planaltina. O projeto da escola visitada é padrão e obedecem às características espaciais são compostos por três grandes áreas: de Educação Escolar, de Saúde e de Ação Comunitária. O projeto dispõe de 15 salas para o ensino fundamental e seis para a pré-escola, além de salas de vídeo, de leitura, de apoio pedagógico, artes, informática e biblioteca. Possui ainda oficina, teatro, dois refeitórios, cozinha, ginásio de esportes, dois playgrounds e uma área de saúde composta de um gabinete dentário, quatro consultórios médicos, uma sala de vacinas, e uma sala de procedimentos de enfermagem. Atende 1.500 alunos distribuídos em dois turnos de 750 cada um deles, desde a educação infantil ( 4 aos 7 anos) ao ensino fundamental ( 7 aos 14 anos). A equipe de trabalho da escola é composta por 163 funcionários e professores da rede municipal, 1 diretora, 1 vicediretora e 1 coordenadora pedagógica. Suas principais características são ilustradas nas figuras 43, 44 e 45. Projetado pelo arquiteto João Filgueira Lima, apelidado de LeLé ( 1932), tem como padrão construções pré-moldadas em argamassa armada. 107 Figura 43- Implantação CAIC Planaltina -Assis Chateaubriand e fotos. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012 e BR&safe=active&q=caic+sert%C3%A3ozinho&bav acesso 11-11-2012. Figura 44 - Refeitório e Vista externa do play ground. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012 http://maps.google.com.br/maps?hl=pt- 108 Figura 45- Vista interna Sala de Aula, com janelas bivotantes e Pátio entre salas Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em maio 2012. 3.6.3 Implantações atuais dos Centros de Atenção Integral a Criança: Pela diversidade de terrenos e características próprias de cada cidade que vai ser implantada a escola, os projetos são diferenciados. Tem como ponto comum o pavilhão esportivo coberto que identificam os Centros de Atenção Integral a Criança ( CAIC). Demonstrados nas figuras 46 e 47. Figura 46- Implantação do CAIC na cidade de Pirassununga, Estado de São Paulo. Fonte: Google mapas -acesso em novembra 2012 109 Figura 47- Implantação de CAIC diversos. Fonte: Google mapas acesso em novembra 2012. Consideração Parcial: Percebe-se que não existe preocupação com o paisagismo dos Centros de Atenção Integral a Criança (CAICs), os terrenos são grandes, há pouca área pavimentada e a existência de árvores é rara, apenas vegetação rasteira, o que desfavorece o conceito de parque escola, ajardinada e agradável. 3.7 CENTRO EDUCACIONAL UNIFICADO (CEU) EM SÃO PAULO PROPOSTO EM 2001. 3.7.1 A releitura da Escola Parque em São Paulo: Seguindo a experiência brasileira de equipamentos escolares como ponta de ação do Estado em regiões carentes, a arquitetura dos CEUs procura gerar uma nova urbanidade onde forma e programa se encontram em um projeto de sociabilidade. (ANELLI, 2004) 110 A intervenção da Prefeitura, promovida inicialmente pela prefeita Martha Suplicy (2000-2004) na cidade de São Paulo, nos bairros periféricos constituiu ação para reverter o quadro da desigualdade social, onde entram em cena os preceitos do educador Anísio Teixeira (1900-1971). Como princípio desta iniciativa tem-se: 1°- A escola deve simplificar o ambiente complexo para que a criança, gradualmente, conheça os segredos e nela participe. 2°- A escola deve organizar meio ambiente purificado, isto é, onde se eliminam certos aspectos, reconhecidamente, maléficos do ambiente social. 3°- Deve prover ambiente de integração social, de harmonização de tendências em conflito, de larga tolerância, inteligente e hospitaleira. A escola deve ser a casa da confraternização de todas essas influências, coordenando-as, harmonizando-as, consolidando-as para formação de inteligências claras, tolerantes e compreensivas (TAKIYA, 2009). Ainda compactuando com a visão humanista e social de Anísio Teixeira que defendia que não era a sala de aula que formava o aluno e sim a escola por completo e o ambiente em que se vive, é que formam o cidadão. Baseado nesse pensamento, é que se desenvolve o projeto do Centro Educacional Unificado (CEU) pela Divisão de Projetos do Departamento de Edificações da Prefeitura de São Paulo (EDIF), sob comando dos arquitetos Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza, que coordenaram a execução dos projetos executivos. Nasceu como uma praça de equipamento social com o objetivo de atender a comunidade periférica do município de São Paulo, carente de infraestrutura de lazer e cultura, contribui através da construção de um Auditório, de quadras poliesportivas e de uma biblioteca. Os arquitetos da prefeitura formularam os projetos básicos que foram implantados na periferia da cidade. Determinaram a construção de 45 Centros Educacionais onde existia uma carência educacional e uma grande vulnerabilidade juvenil. A escolha das 45 áreas pela declaração de André Takiya foi fruto de exaustivas visitas a aproximadamente 200 lugares carentes da cidade, juntamente com técnicos da educação, arquitetos e assessores do gabinete da Prefeitura seguindo critérios arquitetônicos, urbanísticos, sociais, pedagógicos e políticos com potencial para receber os equipamentos públicos que dariam mais dignidade e urbanidade aos locais mais carentes e violentos, desprovidos de infraestrutura e 111 esquecidos pela administração pública, explicando assim a localização de cada Centro Educacional Unificado (Takiya, 2009). Dividiram o projeto em duas fases, sendo a primeira fase (2001 a 2003) com a construção de 21 unidades e a segunda fase com 24 unidades após 2004, nos mandatos posteriores. Dividiram a construção em 6 Lotes, dos quais 3 Lotes estão localizados na região Leste, 1 lote na região norte, 1 lote na região sul e 1 lote na região sudeste. Assim visualizados comparecem nos Quadros 4 e 5 (TAKIYA,2009). LOTES CENTROS EDUCACIONAIS UNIFICADOS (CEU) 1- Norte Jaraguá, Perus, Paz e Pêra Marmelo 2- Leste Vila Curuçá, Jambeiro, Parque Verdas, Parque São Carlos. 3- Sul Cidade Dutra, Três lagos, Pedreira-Alvarenga, Grajaú-Navegante. 4- Leste Aricanduva, Meninos, Rosa da China. 5- Leste São Mateus, São Rafael, Inácio Monteiro. 6- Sudoeste Butantã, Casablanca-Monte Azul, Campo Limpo. Quadro 4: 1ª Fase de implantação dos Centros Educacionais Unificados (2001-2003) Fonte: dissertação mestrado André Takiya. 2009 LOTES CENTROS EDUCACIONAIS UNIFICADOS (CEU) 1- Tremembé. Tiquatira. Quinta do Sol 2- Três Pontes, Lajeado, Azul da Cor do Mar. 3- Agua Azul, Limoeiro, Sapopemba. 4- Formosa, Caminho do Mar, Cidade do Sol. 5- Vila Rubi, Parelheiros, Vila do Sol. 6- Três Marias, Guarapiranga, Feitiço da Vila. 7- Paraisópolis, Cantos do Amanhecer, Estrelão. 8- Jaguaré, Jardim Britânia, Quadro 5 : 2ª fase de implantação dos Centros Educacionais Unificados após 2004 Fonte: dissertação mestrado André Takiya. 2009 112 Percebe-se pela descrição das obras dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) concluídas no período de 2001-2004 que os terrenos têm área entre 10.000m² e 70.000 m². Assim o terreno da CEU Vila Curuçá é o menor deles, aproximadamente 10.000m² e o maior terreno para construção é o do CEU PedreiroAlvarenga, com área de quase 70.000m². E a área construída independente do tipo de terreno, é sempre de 12.800m². O programa arquitetônico se divide em cinco edificações padrão que podem ser dispostas da melhor maneira no terreno. São elas: 1) Bloco Didático: possui 140m de comprimento por 22 m de largura, que abrange 2 pavimentos mais o pavimento térreo, e contém: oito salas para creche, salas para administração, mais dez salas para o ensino infantil e salas para administração e serviços; mais dezesseis salas de aula para ensino fundamental, além da biblioteca, uma cozinha padaria, os vestiários e sanitários. 2) Bloco da Creche: é um edifício cilíndrico, com 22 m de diâmetro e um pavimento que complementa o bloco didático com uma passarela, que possui seis salas ambientes e sanitários. 3)Bloco Cultural e Esportivo: um edifício paralelepípedo com 45m de comprimento por 22 m de largura, que possui quatro pavimentos, abriga teatro para aproximadamente 300 pessoas, camarins, sala multiuso, ateliês de artes plásticas, três salas de música, rádio e gravação, laboratório de fotografia, e salas para o conselho Gestor. Possui também quadra poliesportiva com vestiários e o salão de danças e ginástica. 4) Balneário: Um conjunto de três piscinas com 25 m de comprimento por 12 m de largura, com 1,40 m de profundidade. Outra piscina quadrada com 12,50m de comprimento por 12,50m de largura com 70 cm de profundidade e a ultima piscina com 7,50 m de comprimento por 12,50 m de largura com 40 cm de profundidade. As três piscinas são projetadas para servir a treino, a mais profunda; recreação, a intermediária e infantil a mais rasa. 5) Duas Torres d'água completam o conjunto para servir de símbolo e marcar a presença da escola no bairro. Além da creche, da Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) e da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), cada Centro Educacional Unificado abriga uma Escola para Jovens e Adultos (EJA), telecentro, padaria, centro comunitário, teatro, biblioteca, salas de música e dança, duas orquestras, rádio 113 comunitária, estúdios de produção e gravação multimídia, escola de iniciação artística, ginásio coberto, quadras, pista de skate e piscinas. Cada unidade foi pensada para atrair não só os seus quase 2.400 alunos, mas toda a família e a comunidade, que tem acesso nos finais de semana. Quanto ao partido arquitetônico André Takiya explica na sua dissertação de mestrado (2009), que o sistema adotado para construção foi um misto de industrializado com convencional, usando as estruturas pré-fabricadas de concreto e um pré-fabricado em aço e os fechamentos em material convencional. Explica também que todos os ambientes tem uma relação numérica entre si, uma modulação. No plano horizontal o modulo linear é de 1,25 m e o módulo ambiente é 7,50m por 7,50 m, que é o tamanho da sala de aula. No plano vertical, o módulo mínimo é 17 cm, que é a altura do espelho da escada, e a altura do piso a piso entre pavimentos é de 3,40 m. São também padronizadas as cores para melhor destaque e visualização dos espaços como: no bloco didático, no pavimento térreo, o centro possui uma escada de acesso ao piso superior, sanitários, vestiários, consultório médico e dentário, todos são pintados na cor azul; a ala com cor amarela faz parte da creche e a cor laranja pintada para demarcar a biblioteca, um telecentro e uma cozinha padaria escola experimental. A cor vermelha é usada nas escadas e peitoris metálicos e em todas as caixilharias dos blocos. A prefeitura de São Paulo no período de 2003 e 2004 inaugurou 21 Centros Educacionais Unificados (CEUs), sendo que os outros 24, com os projetos executivos e com as obras licitadas seriam construídos nos anos seguintes, porém surgiu o problema que o prefeito eleito não foi do mesmo partido da eleição anterior e nem compactuou da mesma filosofia da prefeitura anterior, do programa de governo, ocasionando mudanças consideráveis no projeto padrão, que vai ser descrito posteriormente. O modelo escolhido para ser mostrado é o CEU Butantã, por ter um acesso fácil, estar próximo a Rodovia Raposo Tavares; por ter um partido arquitetônico interessante, porque aproveitando a topografia do terreno e uma nascente de rio existente, os arquitetos propunham a construção também de um parque fluvial, o que infelizmente não ocorreu; outro item de escolha é ter uma grande área de terreno para execução do centro unificado, de aproximadamente 50.000m². 114 Consideração Parcial: O programa completo do Centro Educacional Unificado (CEU) supera em qualidade todas as outras Escolas Parques que foram visitadas. É o que mais se assemelha a Escola Parque em Salvador, com os ateliês, a biblioteca, o teatro, e a área esportiva, tendo como complemento o balneário, que pode ser explicado pela carência de lazer aquático na cidade, não há a praia como Salvador e Rio de Janeiro. O que o diferencia do Centro Educacional Carneiro Ribeiro em Salvador é ter a Escola Parque separada da Escola Classe, onde acontecem as aulas fundamentais, no Centro Educacional Unificado o conjunto de equipamentos educacionais, culturais e esportivos estão no mesmo espaço geográfico das salas de aulas, portanto o deslocamento de alunos proposto por Anísio Teixeira através dos pelotões, que saiam das Escolas Classes afastadas da Escola Parque, se faz em menor tempo, rapidamente. Outra observação é que a filosofia trazida pela Divisão de Projetos de Edificação da Prefeitura de São Paulo no 2º Convênio, por Hélio Duarte se repetia na mesma Divisão de Projetos da Prefeitura, depois de 50 anos, mais aprimorado para construção das escolas. Para André Takiya (2009) a outra inovação dos CEUs é a sua distribuição na cidade, pois implantou os equipamentos nas bordas periféricas do município de São Paulo, nas regiões mais carentes e forneceu para esta comunidade uma Praça de Equipamentos Sociais, permitindo a utilização dos espaços culturais e esportivos da escola e deixando que se fizesse parte da melhoria do bairro e não somente para a escola. 115 3.7.2 O CEU Butantã: Localizado no Butantã, próximo a Rodovia Raposo Tavares, na avenida Engenheiro Heitos Antônio Eiras Garcia, 1870. Possui uma área de terreno de 50.000 m² e área construída de 12 800 m². Seu conceito inicial está na figura 48. Neste trecho de terreno está um vale onde se encontram várias nascentes, então aproveitando o curso de água a implantação das edificações se deu no sentido longitudinal a nascente. No projeto original o partido adotado seria o de seguir ao curso d'água aflorada e estes alimentariam as piscinas que seriam de água corrente e que desembocariam num lago artificial. Se o projeto fosse implantado na integra daria origem a um futuro parque fluvial. ( TAKIYA, 2009.p.51) Figura 48- Croqui de Alexandre Delijaicov para o CEU Butantã em 2001 Fonte: Dissertação de Andrè Takiya (2009) p.109 Algumas modificações foram feitas no diferenciado projeto, por motivos técnicos foi resolvido diminuir o Parque Náutico e transforma-lo num pequeno lago para contemplação, visto na figura 49. 116 Figura 49- Vista total do Conjunto Edificado do CEU Butantã construído. Fonte: Foto do Centros Educacionais Unificados: arquitetura e educação em São Paulo texto: Renato Luiz Sobral Anelli . Vitruvius 05, dez 2004 Sobre o Bloco Didático, Alexandre Delajaicov falou em uma entrevista ao jornalista Adilson Melendez publicada originalmente em Projetodesign Edição 284 Outubro de 2003 , disse que as classes, com grandes vidraças, são voltadas para corredores de circulação dispostos nas laterais, o que permite ampla visão do exterior. O pavilhão lembra um grande navio. O desenho das fachadas, no entanto, é uma interpretação livre de quadras residenciais existentes em bairros tradicionais de São Paulo, como o Brás e a Mooca. Coberta com telhas metálicas, a edificação tem escadas também de metal e piso de granilite. O Bloco Cultural e Esportivo (BEC) possui algumas caracteristicas que devem ser mencionadas. No projeto os arquitetos desenharam um prédio de forma retangular, fechado por alvenaria. O teatro, situado no primeiro pavimento, pode transformar-se em cinema. Em cima fica a quadra esportiva dotada de piso flutuante 117 que evita os ruídos provenientes da prática de esportes cheguem no auditório. A cobertura de telhas metálicas tem detalhes que permitem a entrada de luz natural por isso, durante o dia, não é necessário que todas as luzes fiquem acesas. O 'disco' - denominação adotada pelos autores - é destinado à creche. A construção, que mescla estrutura metálica e concreto, tem acesso central. No núcleo do bloco tem um pequeno lobby para facilitar circulação para os funcionários. A laje de cobertura foi impermeabilizada e recebeu uma camada de seixos que funciona como proteção à impermeabilização e como isolante térmico. À semelhança do pavilhão didático é que as salas da creche também permitem enxergar o exterior. O conjunto é visto na figura 50. . Figura 50- Fotos do Bloco Didático, Bloco Cultural e Esportivo e do Lago com a Creche ao fundo Fonte: Fotos de Deborah Delphino tiradas em novembro 2011. As fotos servem para identificar as dimensões dos equipamentos e perceber que a população utiliza os espaços da escola como equipamento da cidade, como: o teatro, as quadras e as pistas de skate. O local chama atenção pela grandeza arquitetônica e a harmonia visual. 3.7.3 O Centro Educacional Unificado após 2004: O CEU Água Azul é destinado a população da Cidade Tiradentes, situado na Av. dos Metalúrgicos nº 1262, uma das principais da região; atende a comunidade local oferecendo um espaço público de 35 mil metros de uso coletivo e comunitário projetado pelo arquiteto e urbanista Walter Makhohl em 2005. 118 No mestrado de Debora Machado (2009) que fala das áreas públicas das escolas, conclui-se o objetivo de ser um espaço público dentro do bairro. A proposta do Centro Educacional Unificado (CEU) Agua Azul foi modificado arquitetonicamente, percebe-se que o programa é parecido, porém a distribuição dos usos e a forma dos espaços modificaram-se, passaram para um desenho horizontal oferecendo muito mais um caráter voltado para escola infantil. É notória a diferença entre a primeira e a segunda proposta, a primeira proposta feita pelo EDIF em 2001, quando os equipamentos de uso do CEU se associam à Escola Parque, já o novo CEU de 2004, traz em seu desenho, uma arquitetura com uma linguagem prática e não poética, como mostram as figuras 51 e 52. Figura 51- CEU Agua Azul - Vista geral da Escola Fonte: Dissertação de mestrado de Debora Machado (2009). 119 Figura 52- Implantações que comparam o CEU Btantã da 1º fase (foto grande) com os dois CEUS Emef Agua Azul, e Sapobemba respectivamnete da 2º fase. Fonte; Google Mapas - acesso nov. 2012. Torna-se visivel as alterações e mudanças de partido arquitetônico, deixando o terreno praticamente todo edificado. E a mudança do Bloco da Creche , redondo, que passa a ser biblioteca, na segunda fase de implantação dos CEUs na cidade de São Paulo, depois de 2004. 3.7.4 Construção do CEU em São Bernardo do Campo em 2012: O Centro Educacional Unificado (CEU) Três Marias em São Bernardo do Campo, inaugurado em julho de 2012, recebe o nome de Celso Augusto Daniel, em homenagem ao ex-prefeito de Santo André assassinado em 2002, e está localizado no Bairro Cooperativo, à Estrada Eiji KIkuti s/n, com investimentos de R$ 26,8 milhões da própria administração municipal. A proposta do prefeito era entregar sete Centros Educacionais Unificados a População até o final do Mandato, mas só dois foi inaugurado. Pretendia aplicar um total de recursos públicos na ordem de R$ 108,6 milhões que resultaria em 8.824 vagas para crianças entre 6 meses e 10 120 anos, o que, segundo a administração, zeraria o déficit na cidade. (www.encontrasaobernardo.com.br/sao-bernardo/ceu-centro- acesso 04-07-2012) O CEU de São Bernardo do Campo, Celso Augusto Daniel, visitado tem 28 salas de aula para o atendimento de 1.292 alunos na faixa etária de 0 a 10 anos, do berçário ao fundamental. Além das salas, o complexo educacional compreende um ginásio de esportes com capacidade para 800 lugares, um espaço para a comunidade que é atendida pelo Programa Municipal de Alfabetização e Cidadania (Promac), além da Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma Biblioteca aberta à comunidade, também possui o teatro e cinema com capacidade para 376 lugares com uma praça de convivência. Como mostram as figuras 53 e 54. Os espaços são abertos nos finais de semana com o intuito de beneficiar tanto crianças e adolescentes como a comunidade do entorno de baixa renda, com uma programação variada para todas as idades. O CEU Celso Augusto Daniel garante aos moradores do bairro acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento da comunidade local. O acompanhamento e a avaliação do processo de implantação do CEU, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), mostrou indicadores de satisfação das comunidades acima de 90%. ( Comentário do diretor do CEU Celso Augusto Daniel, Sr. Dirceu P. Sena). O programa tem três objetivos fundamentais: 1) Desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. 2) Polo de desenvolvimento da comunidade. 3) Polo de inovação de experiências educacionais. O princípio educacional que norteia o projeto do CEU em São Bernardo é o de prover um tipo de educação que possibilite o desenvolvimento integral para crianças, adolescentes, jovens e adultos, que incluí a educação formal, não formal, e as atividades socioculturais, esportivas e recreativas como formas de aprendizagem. Sua proposta reúne todas as ações educativas da Prefeitura em um único polo, juntando a Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) e a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) em um só conjunto, dando um uso mais eficiente a equipamentos e serviços municipais. 121 Figura 53- Vista frontal do Centro Educacional Unificado Celso Augusto Daniel. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em novembro 2012. Figuras 54- Espaços do CEU Celso Augusto Daniel, Fachada Principal; Bloco de Salas de Aula e Administração; Vista do Pátio Central. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em novembro de 2012. Pela entrevista com o diretor da Escola Dirceu Sena, a escola funciona, período integral para Creche (0 a 3), e meios períodos para o ensino infantil (4 a 5) e o fundamental (6 a 10 anos) , porém existe a possibilidade da criança passar o período integral, desenvolvendo atividades que chama de Contra Turno, isto é, pode ficar o horário integral na escola, desenvolvendo atividades como: oficina de teatro, capoeira, aulas de música ou esportes, através do programa: ' Tempo de Escola' do Município e do programa federal: 'Mais Educação', não há obrigatoriedade e a inscrição para os cursos é de 30% a 40% dos alunos matriculados. 122 Consideração parcial: Não existe semelhança no projeto arquitetônico do CEU proposto na prefeitura de São Paulo, do mandato da prefeita Marta Suplicy (2000-2004), projetado pelo EDIF, com o partido implantado pela Prefeitura de São Bernardo. Indagando o diretor da escola, por que se adotou a denominação do CEU, quando poderia receber outra designação, para sinalizar o feito político do atual prefeito, explicou que a ideia não é do Município, mas do Programa de Governo, do Partido dos Trabalhadores. Então fica apenas no nome 'CEU' e não a concepção de EscolaParque de tempo integral. Perde-se a história e a filosofia trazida da Nova Escola e se torna apenas um nome, um símbolo partidário. 123 4 AS LIGAÇÕES PROJETUAIS E CAUSAIS DOS ARQUITETOS DAS ESCOLAS PARQUES. 124 4.1 LIGAÇÕES ATEMPORAIS. As primeiras Escolas-Parque (Escola Platoon) propostas por Anísio Teixeira no Distrito Federal - RJ, em 1931, foram projetadas pela equipe de arquitetos que formaram a Divisão de Prédios e Aparelhamento Escolares do Departamento de Educação do Distrito Federal, todos recém-formados da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro: Enéas Tringueira Silva (1905-1984 ), Raul Penna Firme (1900-1974), Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) e Rosthan de Farias ( 1909-1969). Eles pertenciam a mesma geração de formação profissional, preocupados em planejar e materializar os ideais de uma sociedade. Cada um deles traz para o exercício da arquitetura uma contribuição própria. Enéas Silva leva a autoria do projeto das Escolas, comandando uma equipe, que Anísio Teixeira programou quando estava a frente na direção do Secretário Educação do Distrito Federal em 1931 a 1935. Quando Anísio Teixeira assumiu a Secretária Educação da Bahia, chamou Diógenes Rebouças que trabalhava no Plano Diretor de Salvador, com uma equipe multidisciplinar, que ficaria conhecida como Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador (EPUCS), isto iria transformá-lo no urbanista baiano mais importante por muito tempo, portanto trabalhava para a cidade, pois Salvador ainda não possuía um departamento de projetos como o então Distrito Federal (Rio de Janeiro). Pelos dados bibliográficos e históricos, Diógenes Rebouças era alinhado com arquitetos da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e partilhava dos mesmos ideais modernistas. Hélio Duarte formou-se no Rio Janeiro na Faculdade de Belas Artes, em 1926 , depois deu aulas na Faculdade de Arquitetura de Salvador conheceu Anísio Teixeira e por ele tinha admiração e apreço, quando veio trabalhar em São Paulo veio com a bagagem dos conhecimentos do programa da Escola-Parque de Salvador e ao ser convidado a trabalhar no departamento de Projetos do Município de São Paulo, formou a Divisão de Projetos Edificados do Município, que para projetar as Escolas do 2º Convênio Escolar baseou-se nos princípios do Centro Educacional Carneiro Ribeiro de Salvador. A mesma Divisão de Projetos do Município de São Paulo (EDIF) depois de 50 anos, quando projetou os Centros Educacionais Unificados resgatou a filosofia original de Hélio Duarte. 125 No caso da formação da nova capital do Brasil, a construção e planejamento da cidade demandavam esforços de uma equipe de arquitetos e engenheiros da mais alta qualificação, pois a construção requeria agilidade para se concretizar como Distrito Federal, então José Reis foi convidado a projetar a Escola-Parque e Escola Classe, trabalhava na equipe de Oscar Niemeyer nos projeto dos edifícios da cidade, Anísio Teixeira propôs um programa educacional para Brasília que se baseava no programa da Escola Parque e Escola Classe de Salvador, integrava a equipe de educadores que planejaram o sistema de ensino de Brasília Darcy Ribeiro que depois de 20 anos tornou-se vice-governador do governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, que como campanha politica propunha resolver o problema de educação no Estado e implanta o Centro Integral de Educação Pública com o arquiteto Oscar Niemeyer projetando as escolas de tempo integral. Em nenhuma época da história brasileira se conseguiu produzir tantas escolas, com um projeto padrão, industrializado e altamente eficiente como na década de 1980. Construiu-se escola para a criança de tempo integral, tentando sanar o déficit de escolas e transformar o Brasil com base na educação, proposta de Anísio Teixeira desde a década de 1930 que Darcy Ribeiro absorveu quando idealizou o Centro Integral de Educação Pública. João Filgueira Lima, o arquiteto Lelé, participou desta empreitada na década de 1980 quando abriu uma fabrica de argamassa armada no Rio de Janeiro para reformar a rede de ensino existente, chamada Fabrica de Escolas. Aprendeu o conceito e o programa proposto por Darcy Ribeiro. Poderia ter projetado também algumas escolas parques de Brasília, pelo livro de Ruth Verde Zein, Brasil: arquitetura após 1950, cita a iniciação do arquiteto João Filgueira Lima da fabricação de pré-moldados de concreto para agilizar algumas construções da nova capital, então poderia ter projetado as Escolas Parque das Super Quadras, devido a semelhança de projetos com os CAIC, de Fernando Collor, presidente eleito na década de 1990, que elegeu o arquiteto João Filgueira Lima para projetar os Centros Educacionais para todo o Brasil, que tinha experiência em construção de argamassa armada e pré-moldado de concreto, para agilizar a construção das escolas de tempo integral. Estava fadado a ter muito sucesso, se não fosse por problemas políticos, seu impedimento de governar, talvez o programa fosse concluído. Para melhor entendimento, segue Organograma 01 das coincidências arquitetônicas citadas: 126 Organograma 1: As ligações dos Arquitetos que projetaram as Escolas Parques com a filosofia de Anísio Teixeira, suas coincidências. Fonte: dados da autora. Os arquitetos que projetaram as Escolas Parque têm todos em comum às influencias diretas ou indiretamente dos conceitos pedagógicos de Anísio Teixeira e do programa arquitetônicos que era preciso para elaboração dos Centros Educacionais. 4.2 SOBRE OS ARQUITETOS DA ESCOLA PARQUE DE SALVADOR COM DESTAQUE PARA O ARQUITETO HÉLIO DUARTE. 4.2.1 Diógenes Rebouças: Diógenes de Almeida Rebouças nasceu em 7 de maio de 1914 na cidade de Amargosa, BA e faleceu em 1994, aos 80 anos, em Salvador, BA. Em 1943 associou-se a Mário Leal, engenheiro, funcionário público que estava na cidade fiscalizando as obras financiadas pela Caixa Econômica Federal. Foi convocado por 127 Mário Leal para fazer o Plano Diretor de Salvador, com uma equipe multidisciplinar, que ficou conhecida como Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador (EPUCS), que o transformou no urbanista baiano mais importante do Estado baiano. Diógenes Rebouças foi ao longo de sua vida profissional, sobretudo entre 1950 e 1965, o arquiteto que mais produziu na Bahia e marca definitivamente a implantação e sedimentação da arquitetura e urbanismo modernos no Estado. Seus projetos: o Hotel da Bahia; a Penitenciária Lemos de Brito; o Hotel de Paulo Afonso e os sete pavilhões da Escola-Parque no bairro da Liberdade- Salvador-BA. 4.2.2 Paulo Antunes Ribeiro: Paulo Antunes Ribeiro nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1905 e faleceu em 1973, então com 68 anos. Arquiteto, urbanista, formou-se na Escola Nacional de Belas Artes - ENBA, em 1926. Recebeu a medalha de ouro e o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Belas Artes - SNBA estudou no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris entre 1928 e 1929. Presidiu o Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB de 1953 a 1956, e como membro da instituição participou do júri do concurso público nacional de Brasília, em 1956. Ele discordou dos encaminhamentos e critérios de seleção adotados pelos arquitetos André Sive, Conselheiro do Ministério da Reconstrução Francesa, William Holford, um dos responsáveis pelo Plano Regulador de Londres, Oscar Niemeyer e Stamo Papadaki, Professor da Universidade de Nova York, da comissão julgadora, ele criticou o concurso sugerindo que as dez equipes selecionadas pela comissão julgadora, mais uma por ele indicada, recebessem o prêmio em conjunto, formando uma comissão para o desenvolvimento do plano de Brasília. Sua produção como arquiteto e urbanista englobou projetos de hotéis, escritórios, hospitais, residências, bancos, clubes, planos urbanos e de refinarias pelo país. Entre eles destacam-se os edifícios CA RA M UR U , 1946, em Salvador - menção do júri da Exposição Internacional de Arquitetura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, 1951, o H O TE L A M A Z O NA S , 1947, e o H OT E L DA B A H I A , 1951, realizado com o arquiteto Diógenes Rebouças. Esses trabalhos estão publicados na revista francesa L'A R C H I TE C TU RE D'A UJ O UR D 'H U I , uma das principais 128 divulgadoras da arquitetura moderna brasileira nos anos 1950, e no livro M ODE R N A RC HI TE C TU R E 4.2.3 IN B R A Z I L , 1956, de Henrique Mindlin. Hélio Duarte o arquiteto que projetou a Escola Parque em São Paulo e Salvador: Hélio Duarte nasceu no Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1906 e morreu em São Paulo em 1989, com 83 anos. Estudou arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes de 1925 a 1930. De 1945 a 1947, foi sócio de Zenon Lotufo (1911-1986) e Abelardo de Souza (1908 -1981). Assumiu a direção da Comissão Executiva do Convênio Escolar da Prefeitura de São Paulo, entre 1948 e 1952, coordenando a reorganização do sistema escolar com planejamento e execução de uma rede de escolas e equipamentos conexos, inspirados nos ensinamentos do educador baiano Anísio Teixeira (1900 - 1971), com quem trabalhou em Salvador. Ingressou como docente, em 1949, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, onde foi um dos primeiros titulares, com livre-docência defendida pela Faculdade Nacional de Arquitetura - FNA do Rio de Janeiro, em 1957, com a tese Espaços Flexíveis, uma Tendência em Arquitetura. Entre 1950 e 1955, associou-se a Ernst Robert de Carvalho Mange (1922 2005). Foi professor na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo - EESC/USP, entre 1953 e 1955. Chefiou o Escritório de Engenharia e Arquitetura da Comissão da Cidade Universitária de São Paulo, de 1955 a 1959, e estabeleceu, entre 1961 e 1966, sociedade com José Roberto Goulart Tibau (1924 2003), Lucio Grinover (1936) e Marlene Picarelli (1935). Presidiu a Comissão Organizadora da Escola de Arquitetura da Universidade Federal do Ceará - UFCE, em 1965, e lecionou na Universidade de Brasília - UnB, em 1967. A partir de 1969 dedicou-se integralmente à FAU/USP, organizou, em 1970, o primeiro programa de pós-graduação em arquitetura do Brasil, e criou no ano seguinte, o Trabalho de Graduação Interdisciplinar - TGI, requisito obrigatório para a conclusão do curso de arquitetura na FAU/USP. Convidado em 1948 a participar da elaboração do plano para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro em Salvador, ao lado do educador Anísio Teixeira, que 129 em 1947 se tornou Secretário da Educação e Cultura do Estado da Bahia, ao lado de Diógenes Rebouças e Paulo Ribeiro. Após conhecer Anísio Teixeira, Hélio Duarte colocou a Educação como um dos pontos principais para sua atuação como arquiteto. Segundo Hugo Segawa (2009), "Hélio Duarte se distinguiu contemporâneo por perseguir outra utopia: a da educação. Foi dos poucos a abraçar dedicada carreira acadêmica paralela à sua atuação de prancheta" (SEGAWA, 2009, p.36). Segundo André Takiya (2009) as influências modernas de Hélio Duarte devem-se a cinco fatores principais: 1º. Sua formação proporcionada pela Escola de Belas Artes, com professores como: Affonso Reidy, Oscar Niemeyer e colegas como: Eduardo Corona, Roberto Tibau e outros. 2º. A influência dos politécnicos paulistas com a modulação estrutural e a racionalização na construção, quando se associou com Ernest Mange. 3º. Influência da arquitetura dos edifícios públicos de Richard Neutra do pós-guerra, sobretudo nos projetos escolares na Califórnia, nos Estados Unidos, e dos projetos de arquitetura social para Porto Rico. 4º. Presença nos conceitos teóricos do filósofo Anísio Teixeira sobre educação visando transformar o país em nação onde não houvesse analfabetismo e desigualdades sociais. 5º. Por ultimo a contribuição programática de Hélio Duarte para os projetos do edifício escolar, como o galpão ou pátio coberto e o prédio na escala adequada ao usuário, ou seja, a criança. A escola de Anísio queria educar a criança para que a periferia deixasse de ser atrasada e se transformasse numa periferia com infraestrutura adequada à vida da população, lugar que poderia garantir ascensão social. O que dá sentido a essa escola é a reprodução de um modelo político e econômico, que visasse formar mãode-obra qualificada para uma sociedade urbana e tecnológica. Uma importante consideração levantada é que enquanto na Bahia as mudanças na concepção das novas escolas passaram por uma revolução no sistema de ensino, Escola Parque e Escola Classe, (Centro Educacional Carneiro Ribeiro). Em São Paulo as mudanças deram-se no modo de produzir o projeto arquitetônico da escola e no papel que desempenhava nos bairros em que eram implantadas. 130 Na Bahia, com a solicitação do governador Otávio Mangabeira, após a deposição da ditadura de Getúlio Vargas, Anísio Teixeira cria uma comissão para executar o projeto da chamada escola modelo da qual fazia parte os arquitetos: Hélio Duarte, Diógenes Rebouças e Paulo Antunes Ribeiro. Pelos dados levantados na época (ver Quadro 6 abaixo) deduz-se que ele chamou Hélio Duarte porque já estava trabalhando em São Paulo com o Convênio Escolar e havia desenvolvido programas para as escolas paulistas. Diógenes Rebouças, porque era arquiteto de renome na Bahia, envolvido naquele momento, no planejamento urbano da cidade; e Paulo Ribeiro, arquiteto carioca, com escritório formado, para cuidar da aprovação de projetos e do detalhamento da obra. Estava assim formada a equipe técnica que idealizou a escola almejada de Anísio Teixeira, em Salvador. Através deste quadro comparativo, pode-se visualizar a ocorrência e simultaneidade dos fatos, e como Hélio Duarte contribuiu para o Projeto das Escolas de Salvador e São Paulo: PERIODO ESCOLA BAHIA(Escola Parque-Escola Classe ) 1947 Anísio Teixeira foi nomeado Secretário de Educação e Cultura da Bahia pelo Governador Otávio Mangabeira. 1948 Contratados os arquitetos Hélio Duarte (que já estava trabalhando em São Paulo), Diógenes Rebouças(que ainda não tinha o diploma de arquiteto, mas já desenvolvia vários trabalhos em Salvador, e o arquiteto Paulo Antunes Ribeiro, que tinha escritório no Rio de Janeiro e trabalhava com Rebouças nos projetos). Hélio Duarte se desligava da Companhia Imobiliária Brasileira e passou a dedicarse ao programa do Convênio Escolar da Prefeitura de São Paulo. 1949 Desenvolvimento de 3 projetos da Escola-Classe , sendo dois de autoria de Hélio Duarte e um de Diógenes Rebouças. Nomeado o arquiteto Hélio de Queiroz Duarte diretor da Subcomissão de Planejamento do 2° Convênio Escolar. 1950 Inauguradas em setembro 3 Escolas Classe, Anísio Teixeira proferiu discurso no qual estão expostos os princípios de seus projetos pedagógicos. Inaugurou-se neste período pelo menos oito escolas projetadas por Hélio Duarte. 1954 ESCOLA SÃO PAULO (Escola Nova-2° Convênio) Participou com o arquiteto Eduardo Kneese de Mello do projeto para o Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários ( IAPC), tendo projetado os edifícios da creche, o jardim da infância, a escola primária, grupo social, maternidade e ambulatório dentro do complexo. Com esta obra Duarte compartilhou a Medalha de Prata na premiação do Congresso Pan-americano de Arquitetura realizado em Lima (1947). Foi desligado da direção do 2° Convênio Escolar. Com a comissão do 2° Convênio escolar, formada por outros arquitetos como: Roberto Tibau, Eduardo Corona, Ernest Mange, Oswaldo Correa, Juvenal Watege, Aluísio Leão. Foram 131 1955 1960 Foi inaugurada a primeira edificação que comportava o conjunto da Escola-Parque o Setor de Trabalho. Somente depois foram realizadas nesta ordem. -Pavilhão de Educação Física, Jogos e Recreação. -Teatro de Arena. -Setor Administrativo Geral e Almoxarifado - Refeitório -Setor Socializante. A Biblioteca foi concluída 1962 Foi inaugurada a ultima edificação que deu o aspecto final da Escola-Parque, o Teatro. 1964 Deu-se a conclusão na Escola Parque formando o Centro Educacional Carneiro Ribeiro ( CECR). concluídas 52 escolas, mais teatros, parques infantis, bibliotecas, e centros esportivos na cidade de São Paulo. Encerrou-se o período do 2° Convênio, deixando um legado razoável. Iniciou-se o 3° Convênio Encerrou-se o 3° Convênio Escolar, que produziu o montante de 17 escolas no período de aproximadamente 5 anos. Quadro 6 : Quadro comparativo cronológico da Construção das escolas de Salvador e São Paulo no final da década de 1940 . Fonte: dados das dissertações de mestrado de: VALDINEI LOPES NASCIMENTO(Salvador na Rota da Modernidade,1998) E IVANIR REIS NEVES ABREU ( Convênio Escolar,2007) Hélio Duarte em 1948, desligado da Companhia Imobiliária Brasileira passou a dedicar-se ao programa do Convênio Escolar da Prefeitura de São Paulo como diretor da Subcomissão de Planejamento. O 2° Convênio Escolar foi assinado em 28 de dezembro de 1949. Afastou-se do programa em 1954, por razões políticas. Em sua gestão foram construídos 52 edifícios escolares. 132 5 OS SETE MODELOS DE ESCOLAS PARQUES 133 5.1 TESTEMUNHO DAS ESCOLAS QUE ANÍSIO TEIXEIRA DIRETAMENTE DIRIGIU Escola Platoon Rio de Janeiro CE Carn. Ribeiro Salvador CE Elementar Brasília Inicio e termino da construção DÉCADA 1930 5 ANOS DÉC.1940-60 15 ANOS DÉC.1950-60 4 ANOS Quantidade de Unidades construídas (EC + EP) 25 unidades 5 unidades (1 Escola Parque 4 Escola Classe) 25 unidades (5 Escola Parque 20EscolasClasse) Cargo que Anísio Teixeira ocupava Sec. Educação do Estado RJ Sec., Educação do Estado BA depois diretor do INEP Diretor do INEP Metragem do terreno Escola Parque Vários tamanhos 42 500m² EP Até 10 000m² EC de 12000m² 20500m² Alunos favorecidos 26 000 4 000 aprox. 10 000 Arquitetos Diferencial construção Arq.da Prefeitura Auditório serve a comunidade Três arquitetos Auditório serve a comunidade. Pavilhão de Trabalho. José Reis e outros Auditório serve comunidade. Possui piscina na a a Quadro 8 - As Escolas propostas por Anísio Teixeira Fonte: dados da autora 5.2 LEGADO DAS ESCOLAS FILOSOFICAMENTE Legado das escolas que Anísio Teixeira influenciou filosoficamente Inicio e termino da construção Quantidade de Unidades construídas Metragem do terreno Escola Parque Alunos favorecidos Arquitetos QUE ANÍSIO TEIXEIRA INFLUENCIOU 2º Convênio EscolarSão Paulo CIEP Rio de Janeiro CAIC Brasília CEU São Paulo DEC.. 1940-50 6 ANOS DÉC-1980-90 8 ANOS DEC. 1990 5 ANOS DÉC.2001 5 ANOS 52 502 378 21 (1º fase) Aprox. 10000 m² Até 10 000m² Mais de 10 000m² Mais de 10 000m² 26 000 Arq. da Prefeitura Auditório servindo a Comunidade. Poucos com Piscina. 500 000 Oscar Niemeyer Biblioteca servindo a Comunidade 400 500 João Filgueira Lima Diferencial Quadra multiuso na construção marca a construção. Não possui auditório Quadro 8:. Legado das escolas que Anísio Teixeira influenciou filosoficamente. Fonte: dados da autora 50400(1º fase) Arq. da Prefeitura- EDIF Auditório servindo a Comunidade. Piscina. Praça de Equipamento Social 134 5.3 ANÁLISE DOS PROJETOS ESTUDADOS Os sete casos de Escolas-Parque estudados, possuem as seguintes características de programa em comum: 1º) Todas atendem a um grande números de crianças, se fossem colocados em prática todos os programa, o único concluído foi os dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEP). 2º) Carência de escolas na rede pública. 3º) O número de salas de aula varia de 8 a 24 por unidade. 4º) Foram projetados espaços reservados a administração e funcionários, como sala para Professores e Secretaria bem resolvidos. 5º) Todas as Escolas Parques tem biblioteca, como ponto importante. 6º) Apresentam salas, ateliês e oficinas para atender cursos extras em período integral. 7º) Possuem espaço amplo para quadras poliesportivas. 8º) Estão localizadas em grandes áreas públicas, ou perto de parques públicos. 135 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo demostra que as experiências citadas, apesar do caráter inovador e da excelência de seus projetos, tiveram suas instalações abandonadas ou utilizadas para outros fins, para José Amaral Sobrinho, no artigo: CAIC: Solução ou problema (1995) diz que: "A principal razão para a descontinuidade dessas inovações foi que ficaram restritas a um pequeno percentual da rede de estabelecimentos, bem como da clientela à qual se destinavam" [....] "e portanto tornavam-se exceção, e não a regra "(SOBRINHO,1995). Os projetos das Escolas-Parque foram importantes, trouxeram bagagem ideológica e aceleraram o desenvolvimento dos locais que foram implantadas por determinado tempo, mas por razões políticas foram esquecidos ou modificados sem explicação adequada, como relato abaixo: No Inicio na década de 1930 (depois de 100 anos em que a educação pública nos Estados Unidos já era eficiente) Anísio Teixeira propôs 82 novos centros educacionais (escola de tempo integral) no então Distrito Federal - RJ, com um plano de atuação para 10 anos, pretendia atender 320 000 crianças em todo Distrito. Apenas 25 foram construídas, atendendo 26 000 alunos, num período de 4 anos, durante o tempo que permaneceu com Secretário de Educação do Rio de Janeiro. Na década de 1950, portanto depois de aproximadamente 20 anos de Anísio Teixeira ter proposto as Escolas no Rio de Janeiro, na Bahia, se construiu o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, planejado para servir de modelo para 10 outros Centros. Apenas um foi concluído e só conseguiu ser finalizado com a ação direta de Anísio, então diretor no INEP, que a principio chamava Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, e depois no ano de 1971 foi modificado Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Pedagógicos Anísio Teixeira, coincidentemente no mesmo ano de sua morte. Neste mesmo período, na década de 1950 em São Paulo, formou-se o 2º Convênio Escolar, quando foram construídas 52 escolas na cidade, num plano de se construir 100 novas escolas para comemorar o IV Centenário da cidade de São Paulo, mesmo com metade do contingente de escolas construído não se previu a falta de professores para suprir a rede escolar. 136 Na década de 1960, em Brasília, Capital Federal do Brasil, planejada por Lúcio Costa para ser modelo de cidade moderna, conseguiu-se implantar cinco Centros de Educação Elementar, nas Super Quadra 308/307 Sul; 210/211 Sul; 313/314 Sul; 303/304 Norte e 210/211 Norte; das 29 previstas e projetadas para a cidade ideal para uma população ideal. Na década de 1980 e 90 com os CIEPs (Centro Integral de Educação Pública), no Rio de Janeiro, foram implantados 502 em todo Estado, mas por falta de capacitação de professores para atender a demanda. Situação semelhante já ocorrida na década de 1950, quando o ideal de escola de excelência não se concretizou e o período integral só é aplicado em alguns Centros Educacionais. Na década de 1990 foram propostos 5.000 Centros de Atenção Integral a Criança (CAIC), por todo o Brasil, mas apenas 358 efetivamente construídos. Atualmente sofrem abandono dos órgãos públicos. Pelo relatório do IPEA, o CAIC em seu programa pareceu desconsiderar, na sua prática, a existência de estruturas físicas e organizacionais instaladas, extremamente grandes e com isso necessitavam de melhores condições para o seu funcionamento e manutenção. No Inicio da década de 2000 o Centro Educacional Unificado (CEU) desenvolveu programa e projeto arquitetônico de qualidade para os primeiros 21 Centros Educacionais. Depois, que em 2004 se mudou o governo municipal, por motivos políticos os outros Centros foram desfigurados, além da demora na conclusão das obras licitadas, não conseguiram implantar a escola de tempo integral. Enfim compreende-se que se as políticas públicas dessem continuidade aos programas educacionais propostos para a educação fundamental no Brasil (crianças de 7 a 14 anos), talvez hoje não fosse preciso investir tanto em Presídios, Centros de Reabilitação de Dependentes Químicos, Policiamento Ostensivo, Fóruns, etc... Tem-se alguns exemplos que a educação é de vital importância para se desenvolver e diminuir as desigualdades sociais de um país, como exemplo os Chineses que buscam através do ensino tornar-se nova potência Mundial (Veja 2112-2011 “ARMA SECRETA DA CHINA”), lá investimentos na capacitação e valorização dos professores e mais que isto, a continuidade dos programas de governo e controle das autoridades ligadas a educação que prestam contas aos dirigentes, como faziam os Inspetores no início do século XX, além do respeito de se 137 andar uniformizado e saber que a formação da criança começa pela dedicação e compromisso. Sobre um artigo que José Pastore escreveu para o jornal Estado de São Paulo (24 de abril de 2012), na Secção de Economia (B2) Opinião: Sem educação não há salvação, afirma que em tempos de crise como a de 1929, os Estados Unidos só se levantou da crise devido ao incentivo da educação, ocupando os desempregados com leituras nas novas bibliotecas construídas nesta época, que o Japão, após a 2º Guerra se levantou com base no preparo de sua gente. Que a Coréia do Sul, ressurgiu das cinzas após o conflito dos anos 50 e renasceu novamente depois da crise de 1998. Nos dois casos, com base na educação de seu povo, e relata uma matéria que leu na revista The Economist (10-03-2012) que em meio à recessão nos Estados Unidos 60% dos jovens americanos estão matriculados nas Universidades, um recorde histórico. Sabem que quando a crise passar sairá com mais capital humano. O Brasil por sua vez, desperdiça a oportunidade dos bons ventos da economia, menos de 15% dos jovens estão cursando as escolas de nível superior. O pior é que este quadro precisa mudar não apenas no aspecto quantitativo, mas, sobretudo no qualitativo, pois as escolas são em geral sofríveis. José Pastore finaliza: A melhoria da educação, além dos visíveis impactos nos campos da cidadania e da democracia, é crucial para elevar a produtividade do trabalho e a competividade das empresas e da economia como um todo. Para os trabalhadores, é essencial para elevação da renda e o progresso na carreira. No mundo competitivo, sem educação não há salvação (jornal o Estado de São Paulo-B2- 24-04-2012). Finalizo esta dissertação com duas frases de Anísio Teixeira: "Precisamos preparar o homem para indagar e resolver por si os seus problemas" e "Temos que construir a nossa escola, não como preparação para um futuro conhecido, mas para um futuro rigorosamente imprevisível" (TEIXEIRA, 1930), consequentemente precisamos projetar escolas ou reforma-las arquitetonicamente para enfrentar estes desafios. 138 APÊNDICE A - O QUE SE PASSAVA NO MUNDO E NO BRASIL NO PERÍODO DE CONSTRUÇÃO DAS ESCOLAS PARQUE Através de um quadro temporal e setorial de como estava o Brasil e o Mundo nas datas propostas para construção das Escolas Parques, foco deste trabalho. Foi possível fazer uma cronologia resumida de fatos marcantes das determinadas épocas de planejamento e construção das mesmas. O quadro levou em consideração cinco pontos importantes para se compreender a educação brasileira: 1º) Quem governa o Brasil nas datas propostas para a formação das escolas. 2º) Qual a população nestes anos, a contar a partir de 1930, quando se iniciou a preocupação com a educação em massa. 3º) Quais foram os acontecimentos importantes no Mundo. 4º) O que o Brasil estava fazendo, produzindo, criando e construindo. 5º) Qual foi a produção literária do momento brasileiro. Para melhor visualização segue Quadro 09 esquemático das décadas descritas: DATA PRESIDENTE POPULAÇÃO MUNDO BRASIL LETRAS Déc. 1930 37,6 milhões crise de 1929 Voo do Zeppellin, construção do Cristo Redentor e a Casa Modernista. Algumas Poesias Carlos Drummond Coleção Brasilianas. 1930 Deposição de Washington Luís, assume Getúlio Vargas 1931 Getúlio Vargas Japão invade a Manchuria. O Empire State Building é inaugurado. Crise Nacional do Café, Ensino Religioso, cria-se o Ministério Trabalho e Min. Educ. e Saúde País do Carnaval de Jorge Amado. 1935 Getúlio Vargas Itália conquista a Etiópia Radio Nacional. Aliança Nacional Libertadora. Voz do Brasil Dec. 1940 E. Gaspar Dutra Israel se instala na Palestina. Plano Marshall para a Europa . A ONU proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Revolução Comunista Chinesa Conjunto Proletário de Reidy,no Pedregulho. Sistema Brasileiro Público de Comunicação e Teatro Brasileiro de Comédia. Escolinha de Arte 1948 MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO Os Ratos de Dionélio Machado. . Raízes do Brasil com Sergio Buarque de Holanda. Lady Godiva de Guilherme Figueiredo. Coronelismo, Enxada e Voto de Victor Nunes Leal. 139 1949 E. Gaspar Dutra Déc. 1950 Suicídio de Getúlio Vargas, assume Café Filho 52 milhões 1954 1957 Juscelino Kubitschek Déc. 1960 Depois da renuncia de Jânio Quadros em 61 assume João Goulart João Figueiredo 1962 Déc. 1980 José Sarney Déc. 1990 Fernando Collor 1990 Escola Superior de Guerra , CBPF, Fábrica Nacional de Motores. Nasser Presidente do Egito. Guerra da França contra o Vietnã Manifesto dos Coronéis. Parque do Ibirapuera. 100% do salário mínimo Supermercados – CBPE. Frente parlamentar Nacionalista. Escândalo Shell e Esso. Guerra da França contra Argélia. Lançado o Sputnik (satélite artificial russo) O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo . Organização Social do Tupinambá de Florestan Fernandes História da minha infância de Gilberto Amado e O Caráter Nacional Brasileiro de D. Moreira Leite Educação não é Privilégio de Anísio Teixeira e O Diabo na livraria do Cônego de Eduardo Frieiro. 71 milhões Guerra Colonial dos portugueses na África Negra Eletrobrás- Reforma de Base Estado do Acre. Plano Nacional de Educação. 119 milhões Os Estados Unidos se lançaram a política “Guerra na Estrelas” de Reagan. Ataques de homens-bomba em Beirute. Acontecia em São Paulo o primeiro Comício por Eleições Diretas no Brasil. Em 5 de janeiro de 83 houve o início da participação do Brasil na exploração científica da Antártica. A Perestroika de Gorbachev. A milícia chií Amal e os guerrilheiros palestinos concordaram em terminar a guerra dos campos libaneses, que custou 3,5 mil mortes durante três anos. Uma cápsula de césio, retirada do Instituto Goiano de Radioterapia, foi vendida a um ferrovelho. Em outubro, ela causaram uma das maiores contaminações por radiação no país. São lançados os livros "Crime na Calle Relator", de João Cabral de Melo Neto; "Império", de Gore Vidal. No cinema os filmes de mais sucesso são: "O Último Imperador", de Bernardo Bertolucci; "Os Intocáveis", de Brian de Palma; "A Dama do Cine Shangai", de Guilherme de Almeida Prado. Na música os discos de "Eu sou Neguinha", de Caetano Veloso Libertação de Nelson Mandela. Europa e Estados Unidos unem forças para lançar o telescópio espacial Hubble. O Iraque invadiu o Kuwait. E o fim da Guerra Fria. Plano Collor I Medidas Econômicas anunciadas em 16 de março de 1990, incluíram o congelamento de 80% de todos os depósitos do overnight, confisco das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil Renúncia do Presidente Fernando Collor de Mello. .Movimento pela Ética na Política Milton Hatoum ganha o prêmio Jabuti de literatura romance no livro Relato de um certo Oriente. Por Malthus, Diogo Mainardi ganhou o Prêmio Jabuti em 1990, como cronicas e contos. Operação do Exército Brasileiro no Rio de Janeiro ocupou várias favelas da cidade. Clarice Lispector lançou o livro: Perto do coração selvagem. . 1983 1987 Independência do Vietnã. Nasce a República Popular da China. 146 milhões 1992 Itamar Franco Fim da União Soviética. Colapso na Iugoslávia, 1995 Fernando Henrique Cardoso Atentado no metro em Tóquio. Atentado em Oklahoma. Desemprego do poeta de Affonso Romano de Sant’Anna e 3 Livros Revolucionários de Guilherme Bandeira “1983: O Ano dos Videogames no Brasil” de Marcus Garret "A Grande Arte", de Rubem Fonseca; "O Elefante", de Carlos Drummond de Andrade; "Caprichos e Relaxos", de Paulo Leminsky. Estorvo é o primeiro romance de Chico Buarque, e recebe o Prêmio Jabuti de melhor romance em 1992. 140 Massacre de Muçulmanos em Srebrenica. Déc. 2000 Fernando Henrique Cardoso 169 milhões 2001 2004 Luiz Inácio Lula da Silva 2011 Dilma Rosset 190.milhões Concluído o esboço do genoma humano. George Bush ganhou as eleições americana. Ataque terrorista às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington. Bomba em Madri. Massacre na Chechênia. Tsunami na Costa da indonésia. Descoberta de que Marte já teve água em abundância Osama bin Laden, líder organização terrorista Al-Qaeda e mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 foi morto por uma ação das Forças americanas . Captura e morte de Muamar Kadafi, líder da Líbia. Lançado, pela Microsoft, o sistema operacional Windows 95. Mário Covas. o governador paulista, morreu em 6 de março de 2001, Liberação da safra de soja transgênica. Projeto de transposição do Rio São Francisco. Retomada do programa nuclear. Nova Lei de Biossegurança. Dilma aprova aumento de salário mínimo para R$ 545,00. Um homem invadiu a Escola Municipal Tasso de Silveira do Rio de Janeiro e fez um massacre com crianças e adolescentes, onde morrem 12 pessoas, e depois se suicidou, uma tragédia que aterrorizou o mundo inteiro. Protesto contra a corrupção em Brasília acumulou mais de 30 mil pessoas. A mostra do escultor francês Auguste Rodin atraiu à Pinacoteca do Estado de São Paulo mais de 270 mil visitantes o livro O fantasma de Luís Buñuel se conjugou como marco diferencial, colocando sua autoria e referência, a premiada escritora Maria Silveira, entre as vozes reveladora da literatura regional de Goiânia Ferreira Gullar foi o vencedor do Prêmio Jabuti na categoria ficção com o livro de poemas Em Alguma Parte Alguma.. Ana Maria Machado assumiu a presidência da Academia Brasileira de Letras. Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector ganharam datas comemorativas neste ano Quadro 09 Cronologia dos Fatos Marcantes na época de implantação das Escolas Parques Fontes: Aos Trancos e Barrancos de Darcy Ribeiro; 1001 Dias que Abalaram o Mundo de Peter Furtado; http://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia_do_Brasil acesso- março 2012; http://www.brasilblogado.com/fatosmarcantes-de-2011-no-brasil-e-no-mundo/ acesso em nov. 2012; http://www.senac.br/INFORMATIVO/educambiental/EA_032004/editorial.pdf - acess0 nov-2012 http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/43/o-historico-brasileiro-em-o-fantasma-de-luis-bunuel-264345-1.asp acesso nov.- 2012 http://noticias.terra.com.br/interna/0,,OI111840-EI1411,00-Fatos+historicos+do+dia+de+setembro.html acesso nov. 2012. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmio_Jabuti_de_Literatura - acesso nov. 2012. Com este conhecimento foi possível traçar um organograma resumo para melhor entendimento do surgimento das Escolas Parques no Brasil. Percebe-se no Organograma 02 a falta de continuidade dos programas e projetos, eles se iniciam com entusiasmo e depois de um determinado tempo são suprimidos ou modificados, nota-se que passados mais de 10 anos da ultima 141 iniciativa ainda estamos buscando um novo modelo para uma escola pública de qualidade. Organograma 02 - Resumo dos fatos importantes e implantação das Escolas. Fonte: dados levantados pela autora Nota-se com este Organograma que foi no final da década de 1940 até 1960 que surgiram três iniciativas de Escolas Parques, marcando um período de crescimento desenvolvimentista do Brasil, e depois foi retomado após 20 anos, na década de 1980 e 1990, com a volta da vontade democrática dois grandes projetos políticos para educação, foram propostos para atender um grande contingente de crianças de 7 a 14 anos. E assim pontualmente os planos são traçados e postos em pratica, modificados por vontades políticas e novos programas educacionais surgem para resolver o mesmo dilema. 142 APÊNDICE B- OS PAINÉIS ARTÍSTICOS DO CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO EM SALVADOR. Quando Anísio Teixeira em 1949 propôs a construção do Centro Educacional Carneiro Ribeiro em Salvador contratou artistas plásticos para decorar paredes da Escola Classe I e II e paredes no Pavilhão de Trabalho da Escola Parque, pois era consciente da importância visual da arte para formação da criança, possivelmente o conhecimento do livro: Educação pela Arte de Herbert Read (1893-1968) publicado em 1942 tenha formalizado a ideia de Anísio Teixeira de contratar artistas para trazer arte a escola. Herbert Read tinha a intenção de mostrar que a função mais importante da educação é a educação da sensibilidade estética, não só para a educação visual ou plástica, mas compreende todos os modos de autoexpressão, literária e poética, bem como musical ou auricular e constituem uma abordagem integral da realidade. (...) a educação dos sentidos nos quais a consciência, a inteligência e o julgamento do indivíduo humano estão baseados. É só quando esses sentidos são levados a uma relação harmoniosa e habitual com o mundo externo que se constitui uma personalidade integrada (READ, 1942, p.8). Considerava que o ajustamento desta educação estética deveria considerar além das experiências empíricas, outras duas capacidades que existem dentro do indivíduo: uma delas é o armazenamento de imagens que não derivam da percepção externa, mas das tensões musculares e nervosas de origem interna, sensibilidade 'háptica' e a outra são os níveis da personalidade mental subconsciente, que entram em primeiro plano da consciência sob a forma de imagem e depois através de um estado de sonolência, hipnose ou de sonhos normais, as imagens assumem uma forma de expressão, uma linguagem, que pode ser 'educada'. (READ, 1942, p.7) Ele trata como uma forma fundamental de toda atividade artística, mas coloca em xeque até que ponto essa atividade imaginativa pode ser incentivada pelos métodos educativos, quando pressupõe que o objetivo da educação é: "propiciar o crescimento do que é o individual em cada ser humano, ao mesmo tempo em que 143 harmoniza a individualidade assim desenvolvida com a unidade orgânica do grupo social ao qual o indivíduo pertence” (READ, 1942, p.9). Por Herbert Read a educação estética tem como objetivo: 1) A preservação da intensidade natural de todos os modos de percepção e sensação; 2) A coordenação dos vários modos de percepção e sensação entre si e em relação ao meio ambiente; 3) A expressão do sentimento na forma comunicável; 4) A expressão sob a forma comunicável dos modos de experiência mental que, de outra forma, permaneceriam parcial ou completamente inexistente; 5) A expressão do pensamento na forma requerida. E coloca três pontos importantes para o ambiente escolar: 6) O meio ambiente oferecido pela escola não deve ser artificial, mas tentar fazer com que o lar entre em harmonia com a escola, satisfazendo as exigências cientificas de saneamento, ventilação e higiene. Mas a estética também é uma ciência, e deveria ser natural que a escola atendesse às leis simples que governam as boas proporções e as cores harmoniosas. A escola, em sua estrutura e aparência, deveria ser um agente, ainda que inconsciente em sua aplicação, da educação estética. A arquitetura das escolas é de fundamental importância (READ, 1942, p.330). 7) O mobiliário e o complemento de uma escola deveriam ficar ao encargo de um arquiteto, não devendo ser produzido em massa sem qualquer consideração pelo ambiente em que serão distribuídos. é por este meio que as escolas revelam a sua individualidade, e por esse motivo as crianças sempre deveriam cooperar na criação de seu próprio ambiente. Os melhores quadros para decorar uma escola são as pinturas das próprias crianças, mas só se essas pinturas forem tratadas com respeito, devidamente montadas e decentemente emolduradas. As crianças deveriam, é claro entrar em contato com as obras de artistas maduros, tanto do passado quanto do presente (e de preferência, não por meio de reproduções), mas estas também deveriam ser tratadas com respeito e exibidas num local adequado. Deve-se sempre lembrar que a escola é uma oficina, e não um museu, um centro de atividade criativa, e não uma academia de aprendizagem. A apreciação não é adquirida pela contemplação passiva: só apreciamos a beleza com base em nossas próprias aspirações criativas (READ, 1942, p. 331). 144 8) O ambiente deve garantir a liberdade, no sentido mais amplo, liberdade de movimento, de caminhar. "Os sentidos das crianças só podem ser educados pela ação, e a ação exige espaço- não o espaço restrito de uma sala ou de um ginásio, mas o espaço da natureza" (READ, 1942, p.332). Estava formado o conceito da Escola que Anísio Teixeira planejava e a Escola Parque de Salvador foi o único modelo que conseguiu reproduzir, principalmente o Pavilhão de Trabalho onde se encontram 5 grandes painéis pintados por artistas renomados da época, como: Jenner Augusto em ‘A Evolução Humana’; Mário Cravo na obra ‘ O Homem e a Maquina’, Carybé em ‘A Energia’ , Carlos Mangano no afresco ‘A Evolução Humana’ e artista Maria Célia Mendonça na obra ‘Transformação da Matéria’. Os cinco trabalhos foram encomendados por Anísio Teixeira que sabia da importância da arte para a formação da criança. Figura 55- Mario Cravo com o titulo: ‘O homem e a maquina’ – técnica de tempera sobre compensado. Painel medindo 20x 12 m. Fonte: foto de Deborah Delphino tirada em abril de 2012. Este painel no Pavilhão do Trabalho mostra o grau de destruição irreparável de nossa cultura e descaso do poder público. Em foto tirada em abril de 2012, 145 algumas placas foram perdidas pois anteriormente ocupava toda extensão da parede, deixando as marcas das placas de compensado. Como mostra a figura 55. Do outro lado há o painel nas mesmas dimensões de Carybé, felizmente com grau menor de destruição, mostrado na figura 56. Figura 56 - Painel de Carybé ‘ A energia’ técnica têmpera sobre compensado, medindo 20 x 12 m. Fonte: foto de Deborah Delphino tirada em abril de 2012. No mezanino do Pavilhão do Trabalho, em frente à porta de entrada é possível ver o painel de Maria Célia de Mendonça, conforme figura 57. Está em bom estado de conservação, e demonstra toda força da mensagem Muralista da época. 146 Figura 57- painel de Maria Célia de Mendonça em ‘ A transformação da matéria’ com a técnica de tinta a óleo sobre compensado. Fonte : foto de Deborah Delphino tirada em abril 2012. Descendo as escadas, antes de entrar nas alas propriamente ditas estão duas obras pintadas diretamente na parede, mostrados na figura 58 e 59 os afrescos de Carlos Mangano a ‘Evolução Humana’ e do outro lado Jenner Augusto também com o mesmo título, com dimensões aproximadas de 10m x 3 m cada um. São impressionantes pela força artística e caráter atual. Figura 58- Afresco de Carlos Mangano a 'Evolução Humana'. Fonte: Fotos de Deborah Delphino tirada em abril de 2012 147 Figura 59- Afresco de Jenner Augusto a 'Evolução Humana'. Fonte: Fotos de Deborah Delphino tirada em abril de 2012. As Escolas Classe I e II, também possuem afrescos nas suas paredes de entrada principal dos alunos. Estão em péssimo estado de conservação e pouco se sabe como identificar os mesmos. Possivelmente encomendados para inauguração das escolas na década de 1950. A figura 60 mostra o que resta destas duas obras. Figura 60 : Na Escola Classe I e II são feito painéis com aproximadamente 3m x 1,5m de altura, ambos estão deteriorados pelo tempo. Fonte: Foto de Deborah Delphino tirada em abril de 2012. No final da década de 1940 a Bahia foi descoberta nos seus aspectos de mistura racial e intercambio cultural. Neste período chegaram muitos artistas estrangeiros curiosos por essa cultura miscigenada, eram eles: Pancetti, Caribé, Adam Firnekaes, Karl Hausen, Lenio Brada, Aldo Bonadei, Iberê Camargo, Jenner Augusto, Agnaldo Manoel dos Santos, Mário Cravo e Pierre Verger, o que 148 possibilitou Anísio Teixeira a escolha de artistas renomados para criar os painéis do CECR. Diógenes Rebouças, o arquiteto baiano que projetou os edifícios da EscolaParque, também era dedicado às artes plásticas, pois pintava e expunha seus trabalhos nas Bienais de arte de Salvador, demonstrando seu apreço artístico, portanto deve ter aprovado os locais em que as obras de arte foram pintadas, infelizmente, este legado artístico de valor incalculável, está desprezado pelos poderes públicos devido o estado de deterioração em que se encontram. É importante destacar a relevância do muralismo na arte latina americana, especialmente mexicana, da época. Também possui relevância o desenvolvimento do muralismo nos Estados Unidos nos anos de 1940, que resultou no abstracionismo expressionista do artista como Jackson Pollock. 149 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Ivanir Reis Neve. Convênio Escolar: Utopia Construída. 2007. Dissertação Mestrado em Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007. 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