Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus Edição 03 N ov/2007 ISSN 1980-6930 OS NOVOS CAMINHOS DO ENSINO TECNOLÓGICO: O PAPEL DA EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NA QUALIFICAÇÃO DO TURISMO NO ESTADO DO AMAZONAS. Aldo Rosa de Freitas Junior1 Lileane Praia Portela de Aguiar2 RESUMO Com essa produção científica poderemos começar a ter uma visão de como é o funcionamento da Educação à Distância no advento da qualificação profissional do turismo, atividade hoje muito difundida em grande parte do país, sendo utilizada como uma ferramenta importante na formação, capacitação e qualificação de muitos alunos e profissionais de áreas a fins, e principalmente como a sua aplicação poderá melhorar a atividade turística no Estado do Amazonas. Abordando também as dificuldades que a educação e a capacitação profissional sofrem no Estado, sua logística, funcionalidade, as novas tecnologias voltadas ao desenvolvimento da região, a tecnologia da informação, as facilidades do ensino à distância e como a introdução da Educação à Distância influenciará e modificará este segmento no Amazonas, sempre buscando ter uma visão ampla dentro dos princípios do desenvolvimento local. Palavras-chaves: Educação à Distância, Qualificação Profissional, Turismo, Desenvolvimento Local. ABSTRACT With this scientific production we will be able to start to have a vision of how is the Education at Distance operation in advent of the professional qualification in tourism, activity today very spread in the country, being used as an important tool in formation, training and qualification many students and professionals, in related areas, and even how it s application will be able to improve the tourist area in the State of Amazonas. Also approaching the difficulties that an education and a professional training suffer in the State, it s logistic, functionality, as new geared technologies to the development of the region, an information technology, like facility does teaching to the distance and as an Education introduction to the Distance will influence and will modify this segment in the Amazonas, always seeking to have a wide vision inside principles does development local. 1 Pós-Graduando em Turismo e Desenvolvimento Local Universidade do Estado do Amazonas; Graduado em Turismo pela Universidade Paulista UNIP, Campus Manaus; [email protected]. 2 Orientadora; Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, Especialista em Psicopedagogia e Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas UFAM; Professora de Turismo, Educação e Cidadania da Especialização em Turismo e Desenvolvimento Local da Universidade do Estado do Amazonas; [email protected]. 2 Key words: Education at Distance, Professional Qualification, Tourism, Development Local. INTRODUÇÃO O mundo vem se transformando constantemente, em conseqüência, especialmente, dos aspectos causados pelo processo de globalização . Essas mudanças ocorridas no âmbito econômico, social, geopolítico, ambiental, cultural e educacional, fizeram com que modificações profundas ocorressem no estilo de vida das pessoas no mundo todo, trazendo impactos positivos e negativos. Com uma evolução maior no espaço da informação, comunicação e tecnologia o homem vem transpondo fronteiras constantemente, e é forçado a desbravar novos caminhos do conhecimento e da tecnologia. Neste sentido a educação se torna uma aliada importante para alcançar os objetivos deste progresso. Com as novas tendências pedagógicas e tecnológicas de ensino, este segmento cresce ininterruptamente, de forma variada, concisa e atualizada, levando informação e conhecimento a seus usuários habituais. Notadamente a educação necessita de ferramentas essenciais para seu crescimento e criação de novos ambientes de ensino, e, neste contexto, a internet, a televisão, além de locais e materiais multimeios tornam-se instrumentos essenciais na ampliação deste ambiente. Sendo assim, a Educação à Distância (EaD) traz toda essa tecnologia da informação ao dispor desta transformação educacional, formando ambientes e comunidades virtuais de estudos diversificados. A EaD pode ser denominada de várias maneiras, mas nenhuma consegue descrevê-la com exatidão. Bem como, é pressuposto como um sistema educacional organizado, que requer a duplicidade de comunicação e a manutenção constante de um processo ininterrupto, através de meios ou multimeios sempre necessários para esta comunicação. Com relação à leitura, Romani (2000, p.3) prescreve que [...] a educação à distância tem como característica principal a separação física de professor e aluno, e, para isso o uso de um canal de comunicação é necessário para mediar à interação . Com todo esse meio tecnológico voltado para a educação, esses ambientes estão fundamentados em procedimentos e abordagens de um processo de aprendizagem, nas quais as ferramentas são utilizadas como recursos educacionais, fomentando o papel do educador e determinando qual metodologia deve ser aplicada ao seu trabalho. O ESTADO DO AMAZONAS 3 O Estado do Amazonas é composto por 62 municípios abrangendo uma área territorial de 1.570.745,680 Km2, considerada a maior federação do Brasil, possui ainda uma população de aproximadamente 3.232.330 (IBGE, 2005). Mas essa descrição não se prenda somente nestes dados, tendo em vista, que o Estado também abriga grande parte da maior floresta equatorial do mundo (Floresta Amazônica) e do maior rio em extensão e volume de água (Rio Amazonas), além do ponto mais elevado do Brasil, a maior diversidade e quantidade de povos indígenas e uma biodiversidade incrível. Neste cenário se destaca a cidade de Manaus (capital política e econômica) comportando cerca de 1.688.524 (IBGE, 2006) da população total do Estado, arrecadando a maior parte do PIB interno e elevando a cidade ao 4º maior PIB do Brasil. Além da industria, outras atividades são exercidas, como o comércio e serviços, possuindo uma infra-estrutura de cidade grande, ou seja, permeada de problemas com, violência, transporte, educação, saneamento básico, saúde, meio ambiente e demais fatores encontrados em cidades com o mesmo perfil de crescimento. A cidade de Itacoatiara é outro ponto importante para o Estado, tem acesso por via terrestre e fluvial, tendo sido considerada um grande pólo madeireiro da região. Hoje esta atividade encontra-se em declínio, forçando a cidade a buscar outras formas de sobrevivência, no setor primário com as culturas temporárias e permanentes, a pecuária, a pesca, a avicultura e o extrativismo vegetal. No setor secundário com indústrias de beneficiamento de diversos produtos como borracha e prensagem de juta e finalmente o setor terciário com seus estabelecimentos comerciais dos tipos mais variados e os serviços de hotéis e agências bancárias. Não deixando de citar a cidade de Manacapuru, considerada a terceira maior cidade em população do Estado do Amazonas, cerca de 100.000 habitantes, fica distante de Manaus 84 km por via terrestre, já por via fluvial são 102 Km. Conhecida como Princesinha do Solimões, tem como traço cultural mais forte a Ciranda, cujo festival é realizado no mês de agosto. Exerce uma atividade comercial interna grande, além de possuir atividades no setor primário de relevante importância para a própria cidade e o Estado, como, a pesca, o cultivo e beneficiamento da juta e malva. Existem, entretanto, localidades com outros tipos de apelos econômicos, como por exemplo, o turismo, onde se sobressaem às cidades de Presidente Figueiredo, Novo Airão, Barcelos, Parintins, Rio Preto da Eva, além de comunidades e pequenas vilas distribuídas pela região, todas com suas especificidades, mas, sempre voltadas para uma atividade cultural e ecológica, que são as principais características do Estado do Amazonas. 4 Outros fatores de relevante interesse são as belezas cênicas e a biodiversidade que a região proporciona, apresentando características únicas no mundo, estas potencialidades podem ser utilizadas de melhor forma em benefício da população local, distribuindo-as de forma concisa nos três setores, porém deve haver um planejamento e um controle destas atividades. O Estado do Amazonas possui uma diversidade muito grande, só basta aproveitar suas potencialidades de modo racional, principalmente quando se trata de turismo e desenvolvimento local, atividades que podem ser exercidas aquecendo o mercado da região. QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Um bom serviço prestado é acidental? As organizações que se preocupam em atender bem seu consumidor fazem disso uma prioridade máxima, utilizando todos os setores institucionais, agregando valores e estratégias convenientes e satisfatórias para execução deste trabalho. Além do mais, buscam no mercado os melhores profissionais para atenderem seus clientes, motivando-os continuamente para prestarem um serviço de excelência. As empresas que se comprometem com serviços direcionados ao consumidor, devem também, adequar uma plataforma de treinamento com objetivo de fortalecer as habilidades certas em funcionários responsáveis pelo atendimento. Para que isso aconteça, os funcionários da linha de frente de atendimento ao cliente precisam ter competências especiais, independentemente do tipo de empresa ou setor de atividade econômica exercida, atentando-se para: 1. Desenvolver a confiança e a fidelidade dos clientes. Atender às necessidades dos clientes progressivamente e fazer o que é mais sensato para preservar a boa vontade deles. 2. Colocar-se no lugar dos clientes. Demonstrar sensibilidade em relação aos problemas dos clientes, preocupar-se genuinamente e mostrar respeito, reconhecendo os diversos tipos de personalidade, para agir adequadamente. 3. Comunicar-se bem. Ser articulados e diplomáticos, fazer perguntas pertinentes e utilizar criteriosamente comunicados por escrito. 4. Dominar a tensão. Permanecer organizado, calmo e construtivo. Demonstrar tolerância e paciência e saber controlar as emoções. 5. Prestar atenção. Não apenas ouvir os clientes, mas captar o significado do que dizem. 6. Estar sempre alertas. Lidar com as informações rapidamente. 5 7. Trabalhar bem em equipe. Cooperar com os outros e manter relacionamentos positivos e produtivos com outros grupos de funcionários, que sejam de áreas como de vendas, cobrança e técnica. 8. Demonstrar confiança e lealdade. Desempenhar-se bem e de forma coerente, mantendo lealdade à empresa, com palavras e atitudes. 9. Demonstrar motivação pessoal. Ser atenciosos, otimistas e prestativos. Mostrar interesse no auto-desenvolvimento, ser autoconfiantes e independentes no trabalho. 10. Resolver problemas. Ser capazes de resolver uma gama variada de problemas dos clientes, coletando e analisando informações para discutir soluções e chegar à mais adequada delas. 11. Manter o profissionalismo. Apresentar-se bem, o que inclui boa aparência na forma de se vestir e uma atitude calma e profissional. 12. Entender a empresa e o setor. Compreender as operações de outros departamentos e funções e as qualidades e limitações dos produtos e serviços da empresa. 13 Conservar a energia. Suportar um alto nível de trabalho e ser eficiente. 14. Aplicar conhecimento e habilidades técnicas. Saber usar equipamento de tecnologia de ponta, ferramentas e quaisquer outros recursos disponíveis. 15. Organizar as atividades de trabalho. Ter um método eficiente e ordenado de cumprir as tarefas, o que inclui a decisão sobre prioridades e a solução simultânea de vários problemas. A qualidade em serviços é um assunto complexo destacado por CWIKLA (2001, p.1): O ponto crítico está em operacionalizá-la no cotidiano da empresa, conjugando os objetivos organizacionais e as necessidades e expectativas dos clientes, simultaneamente com o esforço de cada colaborador, num ambiente que caracteriza-se pela constante mutação. Do ponto de vista de algumas empresas, oferecer um serviço de boa qualidade tange na elevação dos custos, principalmente quando se trata de um serviço de nível diferenciado, parecendo elevar ainda mais estes custos. Porém, é um ponto de vista equivocado que deve ser eliminado das empresas, pois devem esquecer o pensamento de que serviços geram custos, que se utilizados corretamente criarão inúmeras oportunidades, possibilitando vender pacotes de produtos e fazer outros tipos de comercialização com auxílio de parceiros, as chamadas vendas cruzadas. Isto não é diferente na atividade turística, pois a qualificação profissional é um importante agente na execução de atividades que prestam serviços. No caso do turismo é essencial um bom preparo e atualização, atendendo de forma eficiente e concisa o turista, diferenciando os serviços, com o propósito de obter uma vantagem competitiva, pois avaliar 6 somente o fator concorrência com base no produto, no preço ou na qualidade, hoje já não é mais suficiente, e para que esta diferenciação aconteça é necessário atentar-se para todo o processo pelo qual o cliente deve passar, a experiência dos funcionários, as pessoas com as quais o cliente tem contato, os canais de comunicação, os produtos e serviços oferecidos. Diante do exposto, CWIKLA (opcit, p.1), afirma que: É um grande desafio implantar o conceito da qualidade em organizações que pertencem ao segmento de serviços, porque estimular processos de melhoria contínua em serviços tem suas diferenças em relação aos processos em organizações industriais. As diferenças começam na própria missão das organizações de serviços, no que tange ao atendimento ao cliente, e passam pelo alto grau de envolvimento do patrimônio humano, tornando a qualidade desse atendimento um fator de competitividade para essas organizações, determinando a preferência do cliente, sua fidelidade e, principalmente, a indicação deste, para outros clientes em potencial. Contudo, no Estado do Amazonas, esta atividade é pouco divulgada, causada por fatores que prejudicam o desenvolvimento local, principalmente pela ausência de comprometimento com a região e a atividade, levando ao mercado um profissionalismo inadequado e com falhas na administração, planejamento e operação de muitos serviços oferecidos, às vezes de forma amadora. Estas premissas são fatores negativos para desenvolver a qualidade deste setor de serviços, pois poderiam ser realizados investimentos por parte da esfera pública e privada mitigando assim, a carência deste setor. Além do mais, estes serviços turísticos que são prestados de forma irregular e amadora modificam a quantidade de serviços prestados, o que, geralmente reflete-se na qualidade, provocando oscilações que dificilmente serão eliminadas, pois a homogeneidade é praticamente impossível. Desta forma, a demanda pelo produto, no caso do Amazonas, se torna instável e cria uma dificuldade em prever com exatidão a procura por serviços. O TURISMO E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO AMAZONAS Nos últimos anos o setor turístico ganhou destaque na economia mundial, aumentando a procura por destinos internacionais novos e diferenciados, aspectos em que o Brasil vem se destacando, pois a ampla vocação e a importância que o turismo traz para o país fizeram com que a economia fosse incrementada e que a atividade passasse a ser vista como foco para investimentos. Estas tendências provocaram algumas mudanças no cenário interno, já que os turistas buscam novas experiências e o contato com a natureza, fazendo crescer expressivamente os segmentos de turismo de aventura, turismo de natureza, turismo de pesca e ecoturismo, 7 atividades propícias para o Estado do Amazonas, bem como, estes segmentos forçam a uma estruturação adequada, aliando a qualificação e profissionalização para competir no mercado internacional com os demais destinos. Neste cenário o Estado do Amazonas recebe um bom número de turistas anualmente, divididos em dois fluxos, o nacional, provenientes principalmente dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, que são os maiores emissores de turistas para o Amazonas, permanecendo em média 2,5 dias na região. A grande maioria dos turistas que optam pelo destino Amazonas são motivados pela beleza cênica e a diversidade cultural e natural da região. O fluxo estrangeiro que visita o Estado é proveniente dos Estados Unidos, Itália e Portugal, com permanência média de 2,88 dias, tendo como motivo principal das viagens o turismo de natureza, o cultural, o ecoturismo e o turismo de pesca. Esta oferta turística que o Amazonas proporciona está distribuída em áreas protegidas ou propícias para o lazer e contemplação da natureza, espaços culturais, além de festivais que envolvem os mais diferentes tipos de expressão cultural da região, que pode ser observada como um conjunto de recursos, sejam eles naturais ou culturais que, em sua essência, são as matérias-primas da atividade turística desta região, pois comprovadamente são estes recursos que motivam a afluência dos turistas. Sendo assim, devem-se agregar ainda nesta conjuntura as instalações e os serviços que produzem uma consistência ao seu consumo, conciliando elementos que integram a oferta no seu significado total, uma estrutura de mercado, distribuída em oferta, demanda e mercado turístico. Porém, existe uma necessidade de políticas voltadas para uma gestão diária do turismo, abrangendo os muitos aspectos operacionais da atividade. Numa visão bem mais simplista, estas políticas procuram maximizar os benefícios e minimizar possíveis efeitos adversos e, como tal, devem fazer parte de um desenvolvimento planejado da região, em que é necessário criar, desenvolver, conservar e proteger essas atividades turísticas locais. Segundo Beni (2006, p.93): O turismo, no Brasil, ainda não atinge índices de desenvolvimento mais expressivos por causa da falta de uma visão sistêmica e holística e de pensamento estratégico [...] O grande problema do turismo brasileiro, na verdade, é a falta de posicionamento no mercado. Para corrigir essa ausência de visão estratégica é preciso examinar as variáveis que entram na escala de produção do setor, a fim de traçar cenários futuros com planejamento, logística e redução de riscos. 8 Esta visão deve ser mais ampla enfocando suas premissas no mercado, atentando-se a um plano estratégico e específico em turismo, analisando, criando, formatando, fomentando e controlando as atividades desempenhadas, se preocupando ainda com as novas tendências e mudanças que o mercado sofre constantemente. Pois esse posicionamento é reforçado quando Beni (opcit, p.126) afirma que: Há necessidades de se criar políticas que utilizem a potencialidade local ao máximo de aplicação turística, fomentando e fortalecendo a produção de rotas turísticas, resultado de um trabalho de marketing, de forma que se crie um produto turístico heterogêneo pelo circulo ou corredor turístico em sua totalidade, através da utilização de uma temática comum a toda sua extensão. Assim o resultado final consumido pelo turista é constituído por uma seqüência de informações referentes à sua viagem, que é composta por lugares visitados, permanência média e atrativos visitados em cada lugar. Outro ponto importante para concretizar um destino turístico é a participação da população local, de forma organizada, na identificação do problema, no planejamento, no monitoramento e avaliação, assegurando a estas comunidades, em grande parte, uma sustentabilidade. Contudo, o desenvolvimento sustentável não é um estado fixo de harmonia. É, antes, um processo de mudanças em que as alterações na exploração dos recursos, gestão de investimentos, orientação do desenvolvimento a nível institucional, são geridas de um modo coerente com as necessidades futuras e presentes. E para garantir maiores resultados positivos ao destino turístico devemos ter o dever da manutenção, da fiscalização, da limpeza e de preservação, pois é obrigação da população local zelar por estes preceitos, evitando a degradação e posteriormente diminuição na qualidade e no fluxo de visitação. Como foi visto anteriormente o Amazonas recebe uma quantidade numerosa de turistas anualmente. A distribuição do mercado no Estado é muito variada, voltada para uma vocação de contemplação de sua biodiversidade e a cultura local, sendo distribuída em segmentos como, ecoturismo, hotelaria urbana e de selva, eventos, agências de turismo, turismo de natureza, turismo de pesca, turismo cultural, turismo científico e de negócios, havendo espaço para atuar e ainda deixando margem para entrada de novos investidores. Isso se deve à imensidão territorial, à biodiversidade, à diversificação cultural, às belezas cênicas e locais e tendências ainda não exploradas. Todavia ocorrem muitos contratempos, principalmente no que diz respeito à sazonalidade e à saturação dos segmentos, visto que, em alguns momentos, há uma ausência de planejamento e de políticas turísticas voltadas para a área, contando ainda com a perda da identidade local, a qualidade ineficiente, as mudanças mercadológicas, econômicas e 9 políticas. Outro aspecto que deve ser ressaltado é a instabilidade entre alguns componentes do trade turístico local, algo que simplesmente poderia ser mudado em benefício da coletividade, porém gerenciamentos mal articulados desnorteiam a atividade como um todo, forçando estas organizações a atuarem em pequenos grupos ou sozinhas. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EaD A EaD não implica em solucionar todos os problemas relacionados à qualificação profissional do turismo na região, mas poderá exercer um papel importante para mitigar este quadro, tendo em vista que, a busca de melhorias na qualidade do segmento deve ser feita uniformemente e fundamentada nos produtos e serviços oferecidos aos turistas. Isto se deve a diversos panoramas apresentados na região, como, as dimensões continentais do Amazonas, que tornam difícil a logística e o deslocamento de professores para localidades distantes, uma política turística e educacional voltada para uma qualificação que a atividade turística deseja e a visão embaçada em relação a atividade ou simplesmente esquecendo das reais necessidades das comunidades locais e dos turistas. Desta forma, veremos como se comporta a EaD no seu âmbito, para se ter uma pequena idéia de como é seu funcionamento. A característica básica da Educação à Distância (EaD) é uma comunicação de dupla via, onde o formador e aluno não se encontram juntos no mesmo espaço físico, utilizando-se, entretanto, de meios que proporcionem a comunicação entre um e outro, como correspondência postal ou eletrônica, telefone, rádio, televisão, etc. Os ambientes são constituídos por instrumentos organizados em coerência com seu uso, funcionalidade e a fiscalização de acesso em autoria, administração e uso dos alunos. Disponibilizam também para o professor recursos que facilitam o gerenciamento do curso e que possam fornecer informações a respeito do seu andamento, além de ferramentas para comunicação, avaliação automática, pesquisa em glossários, anotações, criação de páginas pessoais e acompanhamento de resultados de avaliações, dentre outros instrumentos destinados aos alunos. A partir dessa visão panorâmica do que é pretendido, o embasamento da organização, estruturação e operacionalização do setor de EaD começará a ser definido. Para tanto, é fundamental observar e gerenciar o desenvolvimento da atividade, além da decomposição das particularidades da EaD, salientando ainda suas vantagens e limitações, utilizando-as na preparação e na melhoria de um sistema de planejamento de projetos ou programas em EaD. Primeiramente pode-se dizer que a utilização da EaD possui uma grande vantagem em relação a sua abertura no acesso, justamente no diz respeito à eliminação ou diminuição de 10 obstáculos causados pela falta de tempo e deslocamento que atrapalham o contato do aluno com o estudo. A flexibilidade é outra característica, pois reduz o rigor quando se fala da ambiência de estudo, e da velocidade de aprendizagem, tornando-se possível a formação em um ambiente profissional, cultural e familiar. E por último, a eficiência do aprendizado, pois na EaD o ritmo de aprendizagem de cada aluno é feito de forma individual, tendo uma probabilidade maior de agregar as informações adquiridas com a prática profissional, adequando seus conhecimentos com uma garantia de materiais didáticos bem elaborados. Desta forma, notaremos a criação de um ambiente de formação constante e específico, onde cada indivíduo terá um ritmo de aprendizagem individualizado, dotando estes ambientes virtuais com plena acessibilidade e com mais desembaraço do que a educação presencial, atendendo uma demanda distinta de grupos sociais e profissionais. Além do mais, outras vantagens são vistas no campo da economia, já que é possível reduzir o preço da criação do material oferecido e a operacionalização as ações programadas. Porém, existem limitações relacionadas a EaD, para as quais, o corpo de planejadores e administradores devem atentar, na tentativa de transpor estas barreiras, pois criticas relacionadas à sociabilização da aprendizagem e da interatividade são direcionadas a EaD, causando contratempos para alcançar os objetivos desejados no processo. Contudo problemas como estes podem ser mitigados com a implantação de atividades educacionais, que serão produzidas em circunstâncias presenciais. E para superar também a possibilidade da falta de interatividade, é necessário produzir malhas de comunicação que possam ser acessadas de forma prática e de fácil interação entre os envolvidos. Outra desvantagem da EaD em efetivar seu objetivos é a complexidade em se alcançar uma atitude dedicada e uma real adaptação em relação aos programas oferecidos. Para se criar um ambiente favorável de EaD não basta somente dotar as instituições educacionais com equipamentos na tentativa de assegurar o seu uso por professores e alunos. É necessário a construção de uma didática adequada de ensino, uma formação que ultrapasse não só o ambiente computacional ou os laboratórios de informática, mas que se dissemine de forma geral, conseguindo obter a atenção e compreensão de administradores, colaboradores, e professores, além de alunos. Devemos também atentar para a importância de um investimento adequado na formação do professor, da mesma forma aos demais educadores e administradores que atuarem com EaD, de maneira que eles possa familiarizar-se com as técnicas e as práticas da Tecnologia da Informação (TI). Desta forma, para as pessoas envolvidas com a TI não se faz suficiente somente que detenham o domínio das ferramentas disponíveis, mas que exista uma 11 aplicação e integração conveniente das práticas da TI com os preceitos da educação. Assim fomentando uma visão profissional agregada com o objetivo de contentar, evoluir e transformar, na qual a TI é utilizada para representar, interagir, compreender e atuar na melhoria de qualidade de seus processos e produções. Leite (2000, p.20) afirma que: A conduta humana é caracterizada pela utilização de signos, instrumentos culturais e artefatos para mediar as relações entre os homens e com o meio ambiente. O ser humano, ao longo de sua evolução, foi desenvolvendo instrumentos que lhe permitiram atuar no ambiente, ampliando o alcance dos seus sentidos e da sua ação. Ele responde às suas necessidades e desenvolve o que é especificamente humano: a capacidade de criar. Ao mesmo tempo, o uso do que ele vai criando interfere nos seus modos de raciocinar, atuar, perceber e de pensar o mundo e a si mesmo. A tecnologia faz parte do desenvolvimento humano, alimentando-se da colaboração constante de sua comunidade, que é influenciada pela dependência social, política e econômica estabelecida em períodos determinados da evolução do homem, sustentando-se por um aspecto instrumental, porém não é avaliada no campo dos valores morais do ser humano e de uma política de procedimento na geração, aperfeiçoamento e no desenvolvimento de novas tecnologias. No campo educacional também existem diversos pontos de vista que contestam uma natureza pertinente aos produtos e processos que envolvem o aprendizado, pois em grande parte estas controvérsias não se deparam com interpretações coerentes sobre a tecnologia educacional e com outros conceitos, que existem presentes em um campo de estudo inerentes e empregados, provocando diferentes lapsos na distinção das nomenclaturas tecnológicas. A EaD, propicia um modelo de educação indireta, que se emprega de ferramentas de comunicação no intermédio da relação professor, aluno e conhecimento, isto é, pode se aplicar da televisão educativa, da internet, do vídeo educativo e de distintos sustentáculos, como rádio e material impresso, que atuam integrados. A implantação de cursos de qualificação e aperfeiçoamento na área de turismo objetivará uma forma não-convencional de ensino que atenderá uma quantidade considerável de pessoas no Estado do Amazonas, principalmente aquelas mais distantes dos grandes centros de ensino. Neste contexto, os cursos devem atender e reparar a deficiência que mercado possui, e não transformando o conhecimento em mera adaptação barata das atividades, que de certa forma, acontece muitas vezes em atividades turísticas no Estado. Desta forma, os cursos devem apresentar um material didático específico, baseados em uma bibliografia indicada. 12 Sendo assim, Landim e Ribeiro (2000 p. 37) destacam aspectos relevantes na EAD: Principalmente na aplicabilidade dos conteúdos à prática dos professoresalunos; a motivação permanente da clientela para os estudos, devido aos contatos freqüentes da tutoria com os participantes, por telefone e por correspondência; o rigor nos controles de inscrição, acompanhamento e avaliação, todos feitos, à época, manualmente, o que favoreceu o desenvolvimento dos cursos nos tempos estabelecidos e o pronto atendimento às solicitações dos alunos; e a importância da definição de uma estratégia de controle e acompanhamento. [...] É importante, também, mencionar que muitas são as dificuldades para o desenvolvimento de cursos de EAD e, preponderantemente quando fatores como: a falta de credenciamento do curso, não proporcionando a ascensão funcional dos professores participantes; a falta de entendimento da proposta do curso por alguns alunos; e a demora no atendimento, por alguns tutores, às solicitações dos alunos e/ou retorno das avaliações, o que gerou desestímulo e, muitas vezes, abandono do curso. Esta disposição tecnológica que é colocada aos alunos deve ter como finalidade apurar as probabilidades de crescimento individual de cada um, através do uso e da prática no espaço de aprendizado, seja ele presencial ou virtual . A docência tem de atender, responder e explicar as questões dos alunos, que chegam a ela por meio de correspondência eletrônica, fazendo um link de comunicação entre ambos. Fechar os olhos para as intervenções tecnológicas, os diversos instrumentos criados e aplicados no campo do ensino diário, é retroceder, visto que, hoje a tecnologia empregada na educação é associada a uma didática direcionada que foca e trabalha a percepção da demanda transformando e facilitando o conhecimento adquirido em prática, reunindo uma linguagem de pensamento, na sua extensão de conhecimento direcionado a informática, além de utilidade social na ampliação do sistema educacional. Neste contexto a UEA Universidade do Estado do Amazonas poderia cumprir este papel, pois notadamente as instituições de ensino superior devem abrir suas portas para a comunidade local, fomentando o ensino e o aprendizado como um todo, e especialmente no que diz respeito a cursos de extensão direcionados ao turismo, tendo em vista, que poucos são oferecidos à população do Estado do Amazonas e isto seria um grande passo para esta instituição (UEA) se consolidar como pioneira na área. CONSIDERAÇÕES FINAIS Toda hora a qualidade de serviço está em constante processo de análise e julgamento, mudando continuamente o ponto de vista desta avaliação, pois a clientela também evoluiu dentro deste processo, transformando-os em pessoas mais exigentes e conscientes, desta 13 forma, o mercado deve se portar de acordo com as necessidades e expectativas de seus clientes, fazendo disto um processo ininterrupto no campo institucional. Os envolvidos na prestação de serviço têm a missão de compreender que tratar o cliente de forma educada, gentil, polida, prestando um atendimento que satisfaça ou ultrapasse as expectativas, soará convenientemente no processo da empresa. Analisando o perfil de seu cliente, de forma estratégica, para manter e somar positivamente à sua prática de atendimento, deixando de lado aquele pensamento de conhecer sem presumir, e não adotando uma postura eventual de interesse específico. Para isto, o uso de vários instrumentos tecnológicos poderá proporcionar uma formação apropriada a estas pessoas, construindo um ambientes de diferentes gêneros e estimulando perspectiva de entendimento, transformando o processo de aprendizagem em uma ação fascinante, através de objetivos educacionais concretos, onde o respeito na relação entre o ensino e a cultura se incluam. Tal adaptação requer discernir quais opiniões e impactos envolvem a atividade tecnológica e a educação, além de relacionar as influências no processo de aprendizagem e ensino. A EaD é um ambiente interativo, onde professores e alunos têm uma relação de aprendizagem constante, criando novos meios de comunicação, tipo de trabalho, uma nova forma de produzir e acessar o conhecimento. Para tanto, a utilização da EaD não significa assegurar melhoria da qualidade dos serviços, contudo pode denotar uma direção, empregando a tecnologia educacional a disposição da sociedade. E neste contexto social a UEA se destaca com o objetivo de oferecer um ensino de qualidade, formando profissionais com domínio pleno de sua profissão, capacitando-os e dotando-os para a construção de uma sociedade mais justa e mais democrática. Fortalecendo as atividades de pesquisa, principalmente com temáticas voltadas para o desenvolvimento econômico, social e cultural da região, além de preocupar-se em desenvolver políticas de extensão, consolidando-se na participação do desenvolvimento regional, ampliando e diversificando as áreas e as modalidades de atuação. Desta forma, a construção de um espaço intelectual de EaD direcionado ao turismo precisa e deriva especificamente da organização e da funcionalidade das ações educacionais, tanto presenciais quanto das realizadas à distância. Para se iniciar qualquer ação educativa é essencial estabelecer uma estrutura que garanta alcançar objetivos desejados, analisando a definição do curso oferecido, o perfil do público-alvo e toda a infra-estrutura necessária para a implantação e o desenvolvimento das atividades. Estabelecendo também, uma administração responsável pela criação, organização, efetivação e consolidação do programa de EaD para o 14 turismo no Amazonas, preocupando-se com o bom desenvolvimento das atividades do processo educacional, utilizando a tecnologia como ferramenta principal. Sabe-se hoje que a tecnologia vem evoluindo constantemente, e na área educacional não é diferente, transformando ambientes virtuais em locais de ensino e aprendizagem, fortalecendo e ajudando a incentivar o desenvolvimento em diferentes lugares. E no estado do Amazonas, especificamente no setor de turismo, a implantação desta atividade de ensino poderá ser um bom aliado no desenvolvimento ou na busca da melhoria da região, pois a atividade se depara com muitos paradigmas, positivos e negativos, e se faz necessária a avaliação deste cenário, visando a melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos, transformando a EaD em um veículo importante para obter resultados satisfatórios, e neste quadro, a UEA possui certa experiência e se destaca na utilização da EaD, pois programas como, o PROFORMAR e o APROVAR vêm auxiliando muitas pessoas em todo o Estado do Amazonas, todavia, na instituição não existe nada desta área de ensino voltada para o turismo, deixando assim, um mercado aberto para atuação neste campo. Mas, para que isso aconteça, devemos atentar para os facilitadores e incentivadores do programa, a adesão do público aos cursos, as metodologias e os equipamentos que serão aplicados, as políticas educacionais e que influências este tipo de educação trará a região, também temos que nos conscientizar de que a EaD é apenas uma de muitas ferramentas que auxiliará o desenvolvimento da região, mas não devemos atrelar-nos somente a isso, sendo primordial sempre buscar novas técnicas e conhecimentos para alcançar uma qualificação profissional de excelência, para que, assim, possamos fortalecer e desenvolver o segmentos turístico no Amazonas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância. 3ª edição, Campinas, SP; Editora Autores Associados, 2003. (Coleção Educação Contemporânea). BENI, Mário Carlos. Políticas e Planejamento de Turismo no Brasil. São Paulo: Aleph, 2006. (Série Turismo). CWIKLA, Liliana Marilene Wespianski. 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