MINI-GUIA TU BISHVAT “TU” é a sigla formada, em hebraico, pelas letras “Tet” (corresponde ao nº.9) e “Vav” (corresponde ao nº.6). Como, pela tradição mística, cada letra hebraica possui um valor numérico, a combinação destas duas letras totaliza o número “15”. “Shevat” é o nome do mês que, pelo calendário judaico, ocorre no fim do inverno. “Tu B’Shevat”, então, refere-se ao 15º. dia do mês de Shevat. Neste ano, Tu Bishvat se comemora na noite de 03/02/2015 (terça-freira) até o fim do dia 04/02/2015. Este dia é significante porque nesta época, as chuvas de inverno já caíram na Terra de Israel, vislumbrando uma época mais calorosa, com o surgimento de frutas deliciosas que lá nascem. Por esta razão, Tu Bishvat é também considerada como o Rosh Hashaná (Ano Novo) para as árvores frutíferas, ou seja, como um ano novo e um dia de julgamento. De acordo com esta tradição, em Tu Bishvat, o Eterno decide quão frutíferas as árvores serão no ano vindouro. . A Torah faz a conexão do homem à terra, conforme escrito na parashá Shofetim do livro Devarim (Deuteronômio), Cap.20 Vers.19 “o homem é como árvore do campo”. O homem é como uma árvore cuja cabeça está “enraizada” no Paraíso, abrigado nos “solos” espirituais do Eterno, e “alimentado” por sua conexão com o Criador. Seus braços e pernas são como galhos, através dos quais ele provê bons compromissos, e sobre os quais os “frutos” do seu trabalho ficam carregados (ver Pirkei Avot Cap.3 Vers.18). Portanto, em Tu Bishvat, devemos revitalizar nossas conexões com o Criador, e rejuvenescer nossos compromissos de manter as “Mitzvot”. É costume, em Tu Bishvat, comermos das sete espécies com as quais Deus louvou a terra de Israel, conforme se encontra na parashá Ekev, Cap. 8 Vers. 8, do livro Devarim (Deuteronômio) “terra de trigo e de cevada, de parreira (uva), de figueiras e de romeira, uma terra de oliveira (que dá azeite), e de mel (tamareira)”. É importante notar que o mel a que se refere este versículo, segundo os estudiosos, é de mel das tâmaras, e não de abelhas. De acordo com os cabalistas, o costume é de se comer 15 espécies diferentes de frutos, correspondentes ao número 15, de 15 de Shevat. O místico cabalista rabino Isac Luria, de Safed, junto com seus discípulos, criaram, no século XVI, um seder de Tu Bishvat, baseados no seder de Pessach, no qual foram dados significados simbólicos às frutas e árvores de Israel. Neste seder, bebiam-se quatro copos de vinho (como no seder de Pessach), e comiam-se várias frutas diferentes, enquanto se recitava os versículos apropriados da Torah, do Talmud e do Zohar. Os vinhos e as frutas significam os quatro mundos ou níveis de criação e da alma, muitas vezes designados como: físico (Assiah), emocional (Yetzirah), intelectual (Briah) e espiritual (Atzilut). O primeiro copo é de vinho branco, simbolizando a palidez do inverno. O segundo copo, adiciona-se vinho vermelho ao branco, simbolizando o movimento para a Criação a partir da palidez do inverno. O terceiro copo, que possui mais vinho vermelho do que branco, representando o aquecimento proporcionado pela primavera. O quarto copo é completamente vermelho, representando a força do calor do sol do verão que ocorrerá em seguida. As forças da natureza, frio e calor, inverno e verão, lutam uma contra a outra, até que o vermelho triunfa e o reino da primavera desce sobre o mundo. A nível pessoal, isto expressa nosso desejo de reacender nossa espiritualidade. Isto representa, também, a transição entre este mundo, de relativa escuridão espiritual, e o mundo vindouro, de grande luz espiritual. E as frutas são divididas em categorias representando os três mundos: Assiah, Yetzirah e Briah. O quarto mundo, Atzilut , não tem frutas representativas, porque é puro espírito, e não pode ser representado fisicamente. Vejamos como são estas categorias de frutas. 1) Assiah Lado externo não comestível e interno comestível. Ex.: laranja, banana, nozes, amêndoa, romã, etc. 2) Yetzirah Lado externo comestível e interno não comestível. Ex.: ameixa, pêssego, tâmara, azeitona, damasco, etc. 3) Briah Lado externo e interno comestíveis. Ex.: Morango, figo, etc. No século XX, com o crescimento do Sionismo e com a fundação do Estado de Israel, a associação de Tu Bishvat para a terra de Israel ganhou ainda mais significado. Em Israel, o dia é celebrado com cerimônias de plantio de árvores feitas pelas crianças das escolas. Na Diáspora, tanto as crianças e quanto os adultos, têm o costume de doar dinheiro ao Fundo Nacional Judaico para que sejam plantadas árvores em Israel. Um outro costume em Israel, além do plantio de árvores, é manter os caroços do etrog, que foram usados em Sucot, no freezer, até uma semana antes de Tu Bishvat, quando, então, eles devem ser colocados num algodão molhado para começarem a crescer.