UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE GÁS NATURAL IMPACTOS DA CRISE NUCLEAR NO MERCADO DE GÁS NATURAL DO JAPÃO. Autor: Rafael Leite Barbosa Cajazeira Orientador: Prof. Dr. Georges Souto Rocha Salvador- BA, Março 2012. UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE GÁS NATURAL IMPACTOS DA CRISE NUCLEAR NO MERCADO DE GÁS NATURAL DO JAPÃO Autor: Rafael Leite Barbosa Cajazeira Orientador: Prof. Dr. Georges Souto Rocha Curso: Especialização em Engenharia de Gás natural Área de Concentração: Gás natural Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Engenharia de Gás natural, como requisito para a obtenção do título de Especialista. Salvador, Março 2012. BA- Brasil Cajazeira, Rafael Leite Barbosa Impactos da crise nuclear no mercado de gás natural do Japão. / Rafael Leite Barbosa Cajazeira. – Salvador, 2012. 94 f. : il. color. Orientador: Prof. Dr. Georges Souto Rocha. Monografia ( Especialização) – Universidade Federal da Bahia. Escola Politécnica, 2012. 1. Gás Natural. 2. Japão. 3. Crise Nuclear. I. Universidade Federal da Bahia. II. Título DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a minha companheira, noiva e futura esposa Priscila Setsuko Tazawa. Ela foi incentivadora, me ajudou em todos os momentos que eu precisei e esteve ao meu lado, me trazendo energia positiva e astral. Não poupou esforços de me ajudar em todos os instantes, a quem dedico grande parte desse trabalho. Não poderei jamais esquecer meus queridos pais, Valter Cajazeira e Shirley Cajazeira que me proporcionaram a possibilidade de fazer o curso de Gás natural e que estão sempre ao meu lado em tudo. À Deus, que se não fosse pelo nosso Senhor, não teria jamais terminado esse trabalho. AGRADECIMENTOS Eu agradeço, a Deus, por tudo que foi construído em minha vida, a finalização do curso, agradeço a minha família por tudo, agradeço a minha companheira Priscila. Agradeço ao Dr. Georges Rocha, por essa oportunidade, por ter me aceitado, a sua atenção e paciência obrigado. “ACASO Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso. " Antoine de Saint-Exupéry LISTA DE GRÁFICOS, TABELAS, FIGURAS E FOTOS. CAPÍTULO 2 – A ENERGIA, UM SIGNIFICATIVO HISTÓRICO. Tabela 1 – Consumo de petróleo no mundo 17 Gráfico 1 – Consumo do carvão por região (Toneladas) 18 Tabela 2 – Consumo de carvão por região 19 Tabela 3 – Consumo de energia nuclear por região 19 Tabela 4 – Consumo de energia hidrelétrica por região 19 Tabela 5 – Geração de eletricidade por região 20 Gráfico 2 – Consumo per capita de gás natural por região 21 Tabela 6 – Consumo de gás natural por região 21 CAPÍTULO 3 – GÁS NATURAL Tabela 7 – Hidrocarbonetos do gás natural 29 Tabela 8 – Não – Hidrocarbonetos 31 Gráfico 3 – Reservas e produção (R/P) por região 34 Gráfico 4 – Reservas de gás natural provadas por região- 1980 a 2010 35 Gráfico 5 – Distribuição das reservas provadas nos anos de 1990, 2000 e 2010 em porcentagem 36 Tabela 09 – Reservas provadas e relação R/P do gás natural nos últimos 20 anos 1990; 2000 e 2010 36 Tabela 10 – Produção de gás natural 37 Gráfico 6 – Produção por região 38 Foto 1 – Um exemplo do transporte de GNC (Gás Natural Comprimido) 40 Foto 2 – Transporte de GNL (Gás Natural Liquefeito) 40 Gráfico 7 – O mercado mundial de GNL 43 Tabela 11 – Consumo de gás natural 44 Gráfico 8 – O consumo de GNL 45 Tabela 12 – Maiores importadores de gás natural, 2010 46 Gráfico 09 – Os preços do GNL 47 Tabela 13 – Evolução nos preços de GNL no Japão de 1984 até 2011 48 Gráfico 10 – Evolução nos preços de GNL no Japão de 1984- 2010 49 Gráfico 11 – Evolução nos preços de GNL no Japão de 2006- 2011 50 Gráfico 12 – A distribuição de reservas provadas de gás natural no continente asiático (2010) 51 Gráfico13 – Maiores importadores de GNL em bilhões de metros cúbicos 52 Gráfico 14 – Os maiores importadores de GNL Mundiais por região 53 CAPÍTULO 4 – SETOR ENERGETICO DO JAPÃO Gráfico 15 – Fornecedores de GNL do Japão, 2010 58 Gráfico 16 – Terminais de importação GNL no Japão 59 Figura 1 – Mapa do território japonês 60 Figura 2 – O terremoto no Japão e suas dimensões 61 Gráfico 17 – Proporções de vendas de gás do Japão 63 Gráfico 18 – Tendência e as perspectivas de oferta de energia primária até 2030. Aumento do Gás natural como principal fonte de energia do Japão 64 Gráfico 19 – Importações de GNL pelo Japão 65 Gráfico 20 – As vendas de gás para fins comerciais no Japão 66 Gráfico 21 – Terminais de importações do GNL no país japonês, 2011 67 Tabela 14 – Locais e empresas gerenciadoras dos terminais de importações do GNL do Japão 68 Foto 3 - Terminal de importação de GNL Chita, Japão 70 Foto 4 – Navio transportador de GNL até os terminais de importação do Japão 70 Gráfico 22 – Trajetos do transporte de GNL para Japão, 2011 71 Tabela 15 – Países com plantas de liquefação e fornecedores de GNL do Japão, 2012 72 Figura 3 – A cadeia de processos de GNL de extração, processamento e transporte de consumo 73 Figura 4 – Fluxograma de produção, transporte, estocagem e distribuição do Gás natural 74 Figura 5 – Gás sistema de equipamentos de segurança 75 Figura 6 – Medidas de recuperação utilizadas no Japão 76 Figura 7 - Sistema residencial 77 Figura 8 – GNL em cozinhas industriais 78 Figura 9 – Esquema do uso do GNV 79 Gráfico 23 – Veículos a gás natural no Japão, histórico 80 CAPÍTULO 5 – PERSPECTIVAS DO MERCADO DE GNL Gráfico 24 – População em 2030 82 Gráfico 25 – Demanda por setor e região para 2030 83 Gráfico 26 – Demanda de GNL para 2030 84 Gráfico 27 – Importações após o desastre no Japão 85 Figura 10 – Plantas de usinas nucleares no Japão 86 CAPÍTULO 6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Tabela 16 – Produção de eletricidade no Japão 88 SUMÁRIO LISTA DE GRÁFICOS, TABELAS, FIGURAS E FOTOS 5 RESUMO 9 ABSTRACT 10 CAPÍTULO 1- INTRODUÇÃO 11 CAPÍTULO 2 – UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A ENERGIA 14 2.1 A Evolução do Uso da Energia pelo Homem 14 2.2 Tipos de Energia 15 2.3 Consumo Energético Mundial 16 2.4 A Energia na Indústria 21 2.5 As Crises do Petróleo 22 CAPÍTULO 3 - GÁS NATURAL 28 3.1Definição e composição 28 3.2 Histórico do gás natural 31 3.3 As reservas de gás natural no mundo e uma evolução de seu mercado 32 3.4 As formas de transporte e uso do gás natural 38 3.5 O mercado mundial de gás natural Liquefeito - GNL 41 3.6 O preço do GNL 46 3.7 A importância do Japão no mercado de GNL 50 CAPÍTULO 4 - SETOR ENERGÉTICO DO JAPÃO 54 4.1 A matriz energética do Japão 54 4.2 A crise no Japão 59 4.3 A demanda do GNL no mercado Japonês 62 CAPÍTULO 5 - PERSPECTIVAS DO MERCADO DE GNL 81 5.1 O mercado para 2030 81 5.2 As mudanças após o desastre no Japão 84 CAPÍTULO 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 87 REFERÊNCIAS 89 RESUMO CAJAZEIRA, Rafael Leite Barbosa. Impactos da Crise Nuclear no Mercado de Gás natural do Japão. 2011. Monografia (Especialização em Engenharia de Gás natural) - Universidade Federal da Bahia, Escola Politécnica, Departamento de Engenharia Química, Salvador, 2012. O mercado de gás natural vem se transformando de forma significativa em todo o mundo. A decorrência desse novo aspecto mercadológico do gás natural se deve a razões ambientais, econômicas ou estritamente estratégicas. Um novo mercado que surgiu nesse contexto é o da Ásia-Pacífico. Promissor e em processo de expansão, nesses últimos anos em especial, o mercado de gás natural do Japão vem se destacando. Esse energético tem aumentado seu papel estratégico como fonte de energia para o mundo, principalmente em razão de seu menor impacto ambiental em comparação com as demais fontes fósseis. No Japão, país bem sucedido economicamente, e atual maior importador de GNL (Gás natural liquefeito), o consumo atingiu 94,5 bilhões m³ no ano de 2010. Após o grande terremoto no Japão e a crise nuclear em Fukushima, houve um aumento da demanda global de gás natural, para substituir a energia nuclear na produção de eletricidade. O GNL é considerado o gás de melhor alternativa de curto e médio prazo para se restabelecer o fornecimento de energia elétrica no Japão. A partir do desastre nuclear, o mercado de gás natural do país vem se apoiando nas importações de GNL. Desta maneira, este trabalho realiza uma pesquisa sobre esse atual cenário energético no Japão, e a relevância do segmento do gás natural para superação da crise vivida por aquele país bem como, as perspectivas para este energético na região. PALAVRAS-CHAVE: gás natural; Japão; crise nuclear ABSTRACT CAJAZEIRA, Rafael Leite Barbosa. Impacts of the nuclear crisis in the Market for Natural Gas in Japan.2011. Monograph (Specialization in Engineering of Natural Gas) – Universidade Federal da Bahia, Escola Politécnica, Departamento de Engenharia Química,Salvador, 2011. The current environment of Natural Gas increased significantly worldwide. The result of this new aspect of marketing of Natural Gas is due to environmental reasons, economic or strictly strategic. A new market emerged in this context is the Asia-Pacific. Promising and in the process of expansion in recent year in particular the natural gas market in Japan has been increasing. This energy has increased its strategic role as an energy source for the world, mainly because of its lower environmental impact compared with other fossil fuels. In Japan, a country economically successful, and now largest importer of LNG (Liquefied Natural Gas) consumption reached 94,5 billion cubic meters in 2010. After the great earthquake in Japan and in Fukushima nuclear crisis, there was an increase in global demand for Natural Gas to replace nuclear energy in electricity production. LNG is considered the best alternative gas for short and medium term to restore the energy supply in Japan. From the nuclear disaster, the natural gas market in the country has been relying on LNG imports. Thus, this work conducts a survey on the current energy scene in Japan, and the relevance of natural gas to overcome the crisis experienced by this country as well as the outlook for energy in this region. KEYWORDS: natural gas; Japan 11 CAPÍTULO 1 1. INTRODUÇÃO A crise energética, em particular a crise nuclear Japonesa após o grande terremoto do dia 11 de Março de 2011, tenderá a beneficiar o mercado internacional de gás natural. A dimensão e as conseqüências do acidente ambiental sobre as atividades econômicas japonesas alteraram o rumo do setor energético no país e aumentaram as importações do gás natural liquefeito (GNL), favorecendo um novo patamar desse setor energético mundial. A dimensão e as conseqüências do acidente nuclear sobre o meio ambiente, atividades econômicas e sociedade japonesa ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, já é possível inferir que a crise nuclear definirá novos parâmetros para o cenário energético mundial como um todo, em especial para os países mais desenvolvidos e emergentes com a maior escala econômica. Focando, no setor elétrico, os impactos sobre a política e planejamento são e serão diretos, impondo uma revisão das ações e estratégias, e definindo novos cenários de médio e longo prazo (CASTRO; DANTAS; BRANDÃO, 2011; COLOMER & ALMEIDA, 2011). Como citado anteriormente, esse energético tem aumentado seu papel estratégico como fonte de energia para o mundo, principalmente em razão de seu menor impacto ambiental em comparação com as demais fontes fósseis. O GNL é considerado o gás de melhor alternativa de curto e médio prazo para se estabelecer o fornecimento de energia elétrica no Japão (PRATES; COSTA; PASTORIZA, 2005). Na articulação internacional, os esforços na direção da ampliação da participação de energias menos agressivas ao meio ambiente como o gás natural, hoje é objeto de imenso debate. Em relação à geração de eletricidade, o uso de gás natural para sua geração, tem se tornado uma fonte que vem sendo utilizada em escala cada vez maior em vários países. Por outro lado, há ainda necessidade de investimentos vultosos para a exploração, produção e infraestrutura de transporte e distribuição do gás natural (COLOMER &ALMEIDA, 2011). O debate contínuo, sobre os impactos causados pela dependência de combustíveis fósseis, contribui decisivamente para o interesse mundial por soluções sustentáveis por meio de geração de energia oriunda de fontes limpa e ambientalmente corretas. Ainda a respeito do Japão, no seu planejamento de longo prazo, haverá uma revisão necessária das suas metas relativas à atual situação e à expansão de sua matriz elétrica. A 12 estratégia é seqüenciar quais fontes de energia deverão e poderão ser priorizadas em substituição à energia nuclear. Como o país nipônico é sujeito a abalos sísmicos, houve uma necessidade da substituição da energia nuclear para outra fonte energética mais limpa (BAHIAGÁS, 2005). O desafio de expandir a oferta de energia elétrica para atender o aumento da demanda, considerando ao mesmo tempo os eventuais impactos sísmicos e climáticos, se tornará cada vez mais difícil. A energia nuclear vinha sendo apontada, desde o ano de 2003, como uma alternativa relativamente segura para os países desenvolvidos, pois contribui para o combate ao aquecimento global na medida em que não emite gases de efeito estufa. O planeta começa a apresentar sinais de que não suporta o uso desenfreado dos recursos energéticos geradores de aumento dos gases de efeito estufa. Com a utilização do gás natural como fonte energética, devido suas características químicas, geram-se menos emissões de CO 2 que outras fontes de energia. A questão a ser discutida é ainda mais complexa ao se constatar que não se trata somente de suprir a expansão da demanda de energia elétrica, mas também substituir a geração nuclear de usinas próximas do fim de sua vida útil, que em muitos casos possuem padrões de segurança obsoletos, e que com o desastre nuclear japonês devem ser rapidamente desativadas. O equacionamento deste desafio requererá expressivos investimentos tanto em fontes de geração de energia elétrica fóssil como em renováveis. Então o que se prevê é a compatibilização da segurança do suprimento com a sustentabilidade ambiental no setor elétrico, que com o desastre de Fukushima, comprometeu o setor Eletronuclear criando a necessidade da busca de alternativas para a geração energética. Isso exigirá investimentos expressivos em fontes não renováveis e renováveis de geração de eletricidade. Uma hipótese consistente é supor que somente fontes renováveis de energia serão capazes de atender à crescente demanda mundial por energia elétrica. Um pressuposto mais sólido é que mesmo em um cenário de investimentos crescentes em energias renováveis serão também canalizados investimentos para plantas de geração movidas a gás natural, ou seja, a geração de energia elétrica a partir do gás natural apresenta uma característica importante, o fato de ser uma fonte mais facilmente controlável e segura. Em relação ao custo, o preço do gás natural é na sua maior parte indexado internacionalmente ao preço do petróleo, o que mantém a dependência energética do Japão a uma exposição à volatilidade do preço do petróleo. Os estudos em novas tecnologias de refinamento de poluentes do gás natural permitem diminuir as emissões, porém o mesmo pode encarecer os custos de seu uso. A opção ainda é uma fonte mais limpa, se não houver essa medida em caráter de urgência, isso pode 13 representar uma grande ameaça ambiental em grandes escalas. Os custos de tratamento de poluentes podem ser aceitos quando se trata de questões ambientais (EIA, 2011). Com isso, conclui-se que o acidente nuclear japonês determinou uma importante mudança no cenário energético global, em especial para os países desenvolvidos e economicamente mais expressivos e que têm ou planejam desenvolver/expandir a indústria nuclear. Um processo de aumento dos custos finais da energia elétrica foi deflagrado, com tendência de comportamento ascendente, nitidamente superior ao que se estimava antes do terremoto e do tsunami no Japão. O objetivo central desta monografia é analisar os impactos de curto e longo prazo do acidente nuclear de Fukushima na composição da matriz energética japonesa. No decorrer da pesquisa, serão abordados temas como tipo de fontes energéticas, a crise do petróleo, a importância do uso do gás natural como meio alternativo mundial e na recuperação do Japão após o desastre e a perspectiva do GNL no mercado de gás natural japonês. 14 CAPÍTULO 2 2. UM BREVE HISTÓRICO SOBRE A ENERGIA. 2.1 A Evolução do Uso da Energia pelo Homem. Desde os primórdios, o homem sempre explorou a energia como fonte de sobrevivência. No momento em que o homem passou a usar ferramentas, caçar e buscar sua vida nômade intensificou-se a necessidade de se utilizar a energia na sua vida. A energia na vida do homem veio como facilitador, demonstrando sua essência na Pré historia. O início de tudo começou com o fogo, a primeira fonte de energia. É sabido que o homem neolítico utilizava-o para fabricar utensílios e preparar alimentos. Depois veio a descoberta do carvão, logo utilizado pelo homem como uma energia rápida. A necessidade crescente de maiores quantidades de combustível conduziu o homem a utilizar energias não renováveis da terra, como carvão e petróleo, que tinham sido estocadas por milhões de anos no subsolo e que durante muito tempo, foram consideradas inesgotáveis. O uso de moinhos no século XV proporcionou ao homem a utilização da energia eólica como fonte energética (TOMÉ; DAVID; CASACA; CRAVO, 2006). Com o passar do tempo, chegando aos dias atuais, sucederam-se novos inventos. Pode-se citar a descoberta da eletricidade, a referida energia nuclear e a capacidade de transformar energia solar em energia elétrica. A exploração do petróleo trouxe grandes avanços no uso energético e a oportunidade da descoberta, e uso do gás natural como fonte energética. A necessidade de novos usos de energia veio com o passar do tempo, e com percepção de fontes mais “limpas” veio um direcionamento para a produção e o uso de novas fontes de energia. O aumento da população, os desdobramentos econômicos e a crescente quantidade consumida de energia se constituíram em argumentos para usos de energias renováveis. Inevitavelmente, terão que ser dados passos gigantescos em direção às novas tecnologias energéticas para podermos viver sem a dependência, que temos hoje, das fontes de energia não-renováveis. O desenvolvimento de novas tecnologias para produção e transformação de energia são algumas das exigências das indústrias que passaram a desenvolver novo conhecimento científico nestas áreas tais como as construções de protótipos simples como fogão solar, painel solar, transformadores em plantas de processos (trocadores de calor), sejam para aquecimento de águas ou resfriamento. 15 Como descrito anteriormente, a geração de fontes de energia englobam estudos científicos capazes de descrever novas técnicas e descobertas para o uso de energia tanto na produção industrial quanto no uso doméstico. Neste contexto, o setor de transporte destaca–se como grande demandador de energia, o que explica o fato de o setor automobilístico apresentar bastante interesse no desenvolvimento de novas formas de aplicação da energia. Da mesma maneira, o uso crescente de placas fotovoltaicas em residências demonstra esse fato. A energia sempre fez parte da história da humanidade para desenvolver suas atividades e manter a sua sobrevivência. De início era a “força” dos braços, depois o homem aprendeu a utilizar os animais e inventou a roda. Aprendeu igualmente a dominar o fogo e a utilizar o vento como forma de propulsão de barcos e moinhos. Essas fontes de energia utilizadas pelo homem evoluíram para o que existe hoje em muitos processos usuais, como veremos a seguir a respeito de algumas delas (TOMÉ; DAVID; CASACA; CRAVO, 2006). 2.2 Tipos de Energia. No Período Neolítico até as Civilizações Antigas, o homem viveu em longos períodos no estado nômade, onde a energia que utilizava era proveniente da força muscular. O uso do fogo, iniciado a algumas centenas de milhares de anos – homem de Pequim há 400 mil anos, foi o primeiro avanço tecnológico, bem como os utensílios para caça e pesca. A primeira fonte de energia que homem utilizou foi o fogo, contudo, o mesmo não era tão facilmente gerado, e o seu uso generalizado ocorre após um longo período da existência humana sob a Terra. Com o uso de ferramentas, o homem descobriu que podia fazer fogo, usando ferramentas rudimentares, e por meio da combustão fabricar o fogo. Sua utilidade era essencial, para sua sobrevivência, na fabricação de alimentos e até como meio de defesa (TOMÉ; DAVID; CASACA; CRAVO, 2006). Os ventos na navegação à vela foram um aproveitamento energético importante que atingiu o seu ápice com o povo fenício no segundo milênio antes de Cristo. O Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico constituíram importantes rotas para o transporte marítimo de cargas na Antiguidade, transporte este associado à navegação marítima fluvial, por meio de cavalos e mulas no sudeste da Europa, dromedários e camelos em zonas áridas. Há cerca de 5000 anos, os egípcios fizeram as primeiras velas e desde então quase todos os transportes marítimos dependiam da força direta do vento: os barcos apenas podiam navegar a favor do vento. Em terra, a invenção do moinho de vento, foi uma nova forma de transformar o vento em energia. 16 O carvão mineral, uma fonte não renovável de energia, constituiu-se inicialmente em jazidas de pequena importância e de fraca qualidade. Contudo, passou a ser requerido crescentemente como lenha - o carvão é um combustível de origem fóssil, formado basicamente da fossilização de materiais orgânicos, principalmente a madeira, localizando-se geralmente em jazidas no subsolo terrestre. Atualmente, o carvão mineral é muito utilizado em usinas termoelétricas para geração de energia elétrica (TOMÉ; DAVID; CASACA; CRAVO, 2006). Uma das mais significativas fontes de energia mundiais é o petróleo. Derivado de fontes fósseis apresenta como característica uma coloração negra brilhante e composto de hidrocarbonetos. O petróleo foi um dos primeiros recursos naturais que nossos antepassados aprenderam a usar. Hoje seu processamento se divide em separação e refino, onde podemos extrair derivados, tais como gasolina, álcool, querosene entre outros produtos utilizados em veículos, termoelétricos e em diversas outras aplicações domésticas e industriais. Já o gás natural, teve sua primeira utilização no mundo, há cerca de 3000 anos, na China, onde um vazamento natural de gás na superfície, permitiu a sua coleta e transporte, através de tubulação de bambu, para ser inflamado e usado para evaporar água salgada, no sentido de se obter sal. A utilização moderna do gás começou no inicio do século XVII, na Europa, onde o gás obtido através da madeira e do carvão era utilizado para iluminação, segundo Corrêa (2003, p.13). 2.3 Consumo Energético Mundial. Atualmente, o consumo energético no mundo difere de país a país, no entanto, será dada maior ênfase ao gás natural, o objetivo de pesquisa. Nesta seção, apresentam-se cada um dos setores listados, com uma visão geral dos dados apresentados na revisão, juntamente com as tabelas, mapas e gráficos relativos à produção, as reservas provadas e ao consumo de cada tipo de combustível de acordo com o site da British Petroleum – BP (BP, 2011). O óleo é um combustível que em seu consumo mundial, obteve um significativo aumento em seu consumo de 3.908,7 milhões de toneladas em 2009 para 4.028,1 milhões de toneladas em 2010, um crescimento de 3,1%. Esse crescimento se manteve vigoroso na China e na Rússia. Houve um aumento do consumo chinês de petróleo de 388,2 milhões de toneladas em 2009 para 428,6 milhões de toneladas em 2010, ou seja, uma variação de 10,4%, conforme a TABELA 1. 17 TABELA 1 - CONSUMO DE PETRÓLEO NO MUNDO EM MILHÕES DE TONELADAS Consumo de petróleo no mundo Milhões de Toneladas Região América do Norte 2009 2010 Oriente Médio 344,3 360,2 4,6% África Ásia-Pacífico 150,9 155,5 3,0% 5,3% América Central e Sul Europa Ex-União Soviética China Alteração (%) 2,1% 1018,8 1039,7 5,0% 268,6 282,0 0,1% 922,2 922,9 9,2% 135,2 147,6 1203,8 1267,8 388,2 Japão 198,7 Fonte: British Petroleum- BP, 2011 428,6 201,6 10,4% 1,5% Segundo o British Petroleum (2011), os dados de consumo de petróleo incluem o setor de aviação, setor marítimo e derivado de petróleo consumido no processo de refino. Consumos de etanol combustível e do biodiesel também estão incluídos. Alterações anuais e partes do total são calculadas usando milhões de toneladas por ano. O carvão é um combustível de origem fóssil (mineral), também temos o carvão vegetal que é obtido a partir da queima de madeira e biomassa. Segundo o British Petroleum, o carvão mineral, ou seja, hulha como é conhecido, tem suas reservas provadas através de informações geológicas e de engenharia. Essas informações indicam depósitos conhecidos sob condições econômicas e operacionais. De acordo com British Petroleum (2011), a produção de carvão cresceu robustamente nos EUA e na Ásia, mas caiu na União Européia. Já o consumo global do carvão subiu em 7,6% milhões de toneladas, o mais rápido crescimento mundial desde 2003 (BP, 2011). O consumo de carvão incluído abaixo no GRÁFICO 1 e TABELA 2 contêm a categoria de carvão betuminoso e antracite, além do carvão sub-betuminoso, carvão marrom e lignite. 18 GRÁFICO 1 - CONSUMO DE CARVÃO POR REGIÃO (Toneladas) Fonte: British Petroleum- BP, 2011 TABELA 2 - CONSUMO DO CARVÃO POR REGIÃO Carvão: o consumo Regional Milhões de toneladas equivalentes de petróleo Região 2009 2010 Alteração (%) América do Norte 528 556,3 5,3% América Central e Sul 22,9 23,79 3,9% Europa 466,4 486,8 4,4% Oriente Médio 9,0 9,0 0,1% África 94,09 95,33 1,3% Ásia-Pacífico 2185 2385 Fonte: British Petroleum- BP, 2011 9,1% Antes de o acidente nuclear japonês ocorrer em Fukushima, houve um aumento na produção mundial de energia nuclear de 2% no ano de 2010. O valor de energia primária de geração de energia nuclear foi obtido a partir do cálculo da quantidade equivalente de combustível fóssil necessária para gerar o mesmo volume de eletricidade em uma central térmica. Isto assume uma eficiência de conversão de 38%, a média da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) para a geração de energia térmica. A TABELA 3 define com mais atenção. 19 TABELA 3 - CONSUMO DE ENERGIA NUCLEAR POR REGIÃO Energia Nuclear: o consumo Regional Milhões de toneladas equivalentes de petróleo Região 2009 2010 Alteração (%) América do Norte 212,9 213,8 0,4% América Central e Sul 4,7 4,9 2,9% Europa 265,1 272,8 2,9% África 3,1 3,1 -1,5% Ásia-Pacífico 128,2 131,6 2,7% Fonte: British Petroleum- BP, 2011 Já no setor de hidroeletricidade, tem se mostrado em sete anos consecutivos com crescimento global, chegando a 776 milhões de toneladas equivalentes de petróleo no ano de 2010. China foi responsável por mais de 60% do crescimento global, devido a uma combinação de novas capacidades e tempo chuvoso. Na TABELA 4, verificam-se os dados em terawatt-hora (TWH). TABELA 4 - CONSUMO DE ENERGIA HIDRELÉTRICA POR REGIÃO Hidreletricidade: o consumo Regional Terawatt-hora (Twh) Região América do Norte 2009 672,0 2010 662,7 Alteração (%) -1,4% America Central e Sul 697,6 694,7 -0,4% Europa 813,3 865,8 6,4% Oriente Médio 9,5 13,3 40,5% Ásia-Pacífico 963,4 1088,8 13,0% África 98,0 Fonte: British Petroleum- BP, 2011 102,4 4,5% Os dados da geração de eletricidade fornecidos podem cobrir todas as fontes de energia e dizem respeito à geração bruta e tanto quanto possível, incluir autoprodutores, bem como serviços de utilidade pública. Dados de geração de eletricidade são em terawatt-hora (TWh) (TABELA 5). 20 TABELA 5 - GERAÇÃO DE ELETRICIDADE POR REGIÃO Geração de eletricidade terawatt-hora (TWh) Região América do Norte 2009 5041,7 2010 5225,8 Alteração (%) 3,7% America Central e Sul 1067,4 1104,5 3,5% Europa 5110,7 5311,7 3,9% Oriente Médio 778,9 814,2 4,5% África 617,0 664,2 7,7% Ásia-Pacífico 7519,8 Fonte:British Petroleum- BP, 2011 8204,6 9,1% O consumo mundial de gás natural cresceu 7,4%, o aumento mais rápido desde 1984 e maior ganho volumétrico nos registros da British Petroleum a partir de 1965. O crescimento foi acima da média em todas as regiões, maior ainda na Ásia-Pacifico com um total de 12,6%, ou seja, o crescimento comparado ao ano de 2009 para 2010. Os EUA apresentaram o maior aumento do mundo em consumo (em termos volumétricos),5,6%, estabelecendo um novo recorde. Os dados fornecidos do consumo logo abaixo, estão em bilhões de metros cúbicos por dia (bm³/dia). Com esse aumento, contata-se que o crescimento do gás é apenas uma resposta a crise atual e a necessidade de uma energia limpa (GRÁFICO 2 e TABELA 6). No GRÁFICO 2, tem uma representação do consumo per capita do gás natural em toneladas equivalentes de petróleo. 21 GRÁFICO 2 – CONSUMO PER CAPITA DE GÁS NATURAL POR REGIÃO EM TONELADAS EQUIVALENTES DE PETRÓLEO Fonte: British Petroleum- BP, 2010 TABELA 6 - CONSUMO DE GÁS NATURAL POR REGIÃO Gás natural: o consumo Regional Bilhões de Metros Cúbicos (bm3) Região América do Norte 2009 807,7 2010 846,1 Alteração (%) 4,7% América Central e Sul 135,1 147,7 9,3% Europa 1060,5 1137,2 7,2% Oriente Médio 344,1 365,5 6,2% África 98,9 105,0 6,1% Ásia-Pacífico 503,9 Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 567,6 12,6% 2.4 A Energia na Indústria. As empresas privadas buscaram maneiras mais eficientes de garantir o ritmo de crescimento econômico em suas produções. No século XIX, com a Revolução Industrial, o consumo energético disparou em grande parte do continente Europeu e nos Estados Unidos. As fontes energéticas principais eram a lenha, o carvão mineral e posteriormente a eletricidade no final do século XIX. O petróleo foi usado com maior escala no século XX. 22 Houve, em conjunto na Revolução Industrial, uma grande concentração da população nos centros urbanos que adquiriu um ritmo de crescimento populacional sem precedentes. Em 1800, a população do mundo era de 1 bilhão de habitantes e apenas 2,5 % vivendo no meio urbano. Em 1900, apenas 11 cidades do globo excediam a população de 1 milhão de habitantes. Em 1950, este número passou para 75, em 1978 para 191 e em 1985 passaram a existir 273 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, quase todas localizadas no terceiro mundo (TESSMER, 2011). Esse fato proporcionou o aumento da atividade industrial e aumento do consumo de energia pelas indústrias. A produção passou a ser em massa para atender a expansão populacional e a demanda de energia deu um salto significativo em um ritmo sem precedentes. Isso prova que ao longo dos anos várias formas de energia têm provido das nossas necessidades, mais no decorrer dos séculos, a energia sofreu muitas variações, e uma das mais importantes ocorreu com o advento da indústria do Petróleo. 2.5 As Crises do petróleo O petróleo foi descoberto no século XIX, tornando-se, posteriormente, fundamental e presente ativamente na vida da sociedade. Este produto precioso passou a ser chamado de “ouro negro”, já que os felizardos por descobrir poços de petróleo enriqueceram-se rapidamente, tamanho o mercado consumidor que se estruturou em torno do recurso natural. O desenvolvimento da sociedade industrial e de consumo ampliou mais ainda os lucros obtidos com o petróleo. No Golfo Pérsico, o petróleo foi descoberto em 1908 no Irã e devido ao forte atrativo pelo “ouro negro” e pela grande reserva descoberta, a região passou a ser explorada e visada estrategicamente por países do mundo todo. No ano de 1960, aconteceu um encontro em Bagdá reunindo os cinco principais países produtores de petróleo do mundo, dos quais quatro eram da região do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Iraque, Irã, Kuwait e Venezuela. Apenas este último país representava a América do Sul. No encontro, os participantes acordaram pela criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a intenção era de protestar contra o achatamento do preço do barril de petróleo praticado por um grupo de empresas petroleiras ocidentais, chamado de “sete irmãs”. Este grupo envolvia as empresas Standart Oil, Royal Dutch Shell, Móbil, Gulf, BP, Standart Oil da Califórnia e Texaco (TESSMER, 2011). 23 Os membros da OPEP são os maiores produtores de petróleo do mundo, juntos somavam 27,13% da produção mundial 1960. Esta tamanha representação fez com que se unissem para desfrutar dos maiores lucros possíveis com o produto que vendiam. No ano seguinte à criação, em 1961, foi realizada uma conferência em Caracas onde foram definidos três objetivos para a OPEP: o aumento da receita dos países membros visando o desenvolvimento de cada um deles; promover um aumento gradativo do controle sobre a produção de petróleo, para desbancar as multinacionais e unificar as políticas de produção. A primeira medida prática tomada pela OPEP foi aumentar o valor dos royalties pagos pelas empresas transnacionais e as onerar com um imposto (TESSMER, 2011). A primeira crise do petróleo teve início quando se descobriu na década de 1970 que o recurso natural não é renovável. Em decorrência disto ou utilizando o fato como pretexto, o preço do petróleo sofreu muitas variações a partir de tal década, marcando efetivamente cinco momentos de crise do produto. Tal descoberta fez o preço do produto se alterar, fazendo-o triplicar no final de 1977 (HERMANN, 2005). Com essa crise, os preços do barril de petróleo atingiram valores altíssimos, chegando a aumentar até 400% em cinco meses (17 de outubro de 1973 – 18 de março 1974), o que provocou prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa e desestabilizou a economia mundial. É justamente neste momento que coincide com o fim do milagre econômico ocorrido na ditadura militar no Brasil. A crise do petróleo que barrou os altos índices de crescimento do Brasil foram fundamentais para a população começar a se rebelar contra o regime militar no país, fazendo aumentar as críticas e transparecer os abusos que o governo encobria ao longo dos anos com a máscara do crescimento nacional. Mas antes dessa crise houvera outra. São identificados cinco momentos na história mundial de crise do petróleo (HERMANN, 2005; LUCON & GOLDEMBERG, 2009). O primeiro deles ocorreu em 1956 quando o presidente do Egito nacionalizou o Canal de Suez que era de propriedade de uma empresa Anglo-Francesa. A medida fez com que o abastecimento de produtos nos países ocidentais fosse interrompido, o que causou aumento no preço do recurso natural. O segundo momento foi o relatado acima, de 1973, como via de protesto ao apoio que os Estados Unidos davam a Israel durante a Guerra do Yom Kipur. No qual os países membros da OPEP supervalorizaram o preço do petróleo. O terceiro ocorreu durante a crise política no Irã que desorganizou o setor de produção no país. Logo em seguida à Revolução do Irã, travou-se uma guerra entre o mesmo país e o Iraque que reduziram a produção de petróleo e causaram o aumento do preço do produto no 24 mundo, já que os dois eram os maiores produtores e a oferta do petróleo ficou reduzida no mercado mundial. Em 1991, teve início a Guerra do Golfo que gerou um novo momento de crise. O Iraque foi invadido pelo Kuwait, os Estados Unidos intervieram no conflito e expulsaram os iraquianos do Kuwait, que antes de sair incendiaram poços de petróleo de tal país causando uma crise econômica e ecológica (THOMAS, 2001; HERMANN, 2005). O quinto momento de crise é muito recente, em 2008, movimentos especulativos de escala global fizeram com que o preço do produto subisse 100% entre os seis primeiros meses do ano (LUCON & GOLDEMBERG, 2009). A explicação da alta dos preços e seus impactos na economia mundial se fundamentam em dois fatores. Primeiro, a entrada no mercado da China e da Índia, grandes consumidores e importadores, devido às altas taxas de crescimento de suas economias. A pouca elasticidade da oferta – a perfuração de novos poços e as descobertas de novos campos de exploração não consegue acompanhar o ritmo de expansão da demanda global – explica em parte o salto do preço do barril até US$ 140.00 (um barril equivale a 160 litros) (JAFELICE, 2000). O outro fator, não menos importante, é o aumento da especulação no mercado de futuros, impactando no cenário internacional. Os atores nesses mercados de futuros são os grandes grupos financeiros que movimentam livremente, sem fiscalização ou controle das autoridades fazendárias e fiscais dos respectivos estados nacionais, imensos volumes de recursos via a rede virtual. O volume de recursos financeiros que circula nessa ciranda é maior que o valor gerado pela economia real (mais de 40 trilhões de dólares) e está concentrado nas mãos de uma parcela ínfima da população mundial. Vivemos no mundo de financeirização da economia e da autonomia dos mercados financeiros que transforma a informação e comunicação, frente aos qual a capacidade de gestão e regulamentação do poder público – o Estado – se revela impotente (JAFELICE, 2000). Acrescenta-se a presença do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que controla 78% das reservas mundiais e responde por 40% da produção e 60% das exportações, ficam patentes à cilada em que se encontra a imensa maioria dos países e da população mundial. Criado em 1960, para conseguir melhores preços para seu produto, a associação dos membros do cartel conta com 14 países membros. Na África são Argélia, Nigéria, Angola e Líbia; na América Latina, Venezuela e Equador; no sudeste asiático, a Indonésia e no Oriente Médio, a Arábia Saudita, os Emirados do golfo pérsico, o Irã, Iraque, Kuwait e Quatar (LUCON & GOLDEMBERG, 2009). 25 Entre os grandes produtores que ficaram fora do cartel encontram-se os Estados Unidos, México, Grã-Bretanha, Noruega e Rússia. Os países da OPEP mantêm as maiores reservas do mundo em petróleo e conseguem controlar seus preços, por exercer uma administração centralizada dos volumes de produção e exportação. Criada em 1960 com o objetivo de se opor às pressões das grandes empresas compradoras - Exxon, Aramco, Shell, British Petroleum, ENI (italiana), Total (francesa) e Repsol (espanhola), a associação cindiuse após a guerra de 1967 entre Israel e os países árabes que formaram uma organização própria para controlar as exportações, sem deixar de aderir à OPEP, com sede em Viena (LUCON & GOLDEMBERG, 2009).. Estima-se que o total da produção mundial, neste começo de século XXI, se eleva a 24 bilhões de barris por ano, dos quais 23 bilhões são consumidos e um bilhão é retido para formar estoques. As reservas globais de petróleo são estimadas em um trilhão de barris, sendo que 67% encontram-se no Oriente Médio. Em várias partes do mundo, as reservas de gás e de petróleo estariam diminuindo (México, Mar do Norte), o que tem intensificado a pesquisa e o desenvolvimento de fontes energéticas alternativas. As respostas a esse dilema que afetará a todas as sociedades, mais cedo ou mais tarde, são complexas e intrincadas (CORRÊA, 2003). Mesmo com a descoberta de novos campos como o é o caso da bacia de Santos no Brasil, a instalação de torres de perfuração e de plataformas de exploração é de alto custo e exige, além de grandes investimentos, anos de trabalho para começar a produção e comercialização. A construção de plataformas leva anos e os resultados das perfurações, sobretudo nas áreas marítimas de grande profundidade, são incertas. Outro fato relevante neste contexto é o aumento contínuo da frota de veículos movidos à gasolina e/ou óleo diesel, subprodutos de refino de petróleo cru. As refinarias exige tempo, investimentos e, sobretudo, precauções quanto aos possíveis impactos negativos no meio ambiente (LUCON & GOLDEMBERG, 2009). Como equacionar este problema da demanda por combustível de quase um bilhão de veículos em uso no mundo, aos quais são acrescentados anualmente quase 100 milhões de novos, incluindo carros, caminhões, ônibus, motocicletas que devoram quantidades enormes de combustível líquido e impactam negativamente no meio ambiente, pelas emissões de gases causadores do “efeito estufa” e do aquecimento global terrestre? O dilema vislumbrado por governos e empresas tem inspirado o renovado interesse pela energia nuclear e outras fontes de energia. Quanto à energia nuclear, alega-se que, além de ser mais “limpa” e de custo competitivo, sua fonte de matéria – prima, o urânio, está localizados em países politicamente estáveis e aliados (Austrália e Canadá), ao contrário de 26 petróleo controlado por governos hostis ou autoritários, como o Irã, a Venezuela e todo o Oriente Médio. Não é por acaso que as encomendas por novos projetos de reatores têm aumentado significativamente nos países ricos – EUA, França, Grã Bretanha, Finlândia, sem falar dos países “emergentes” como a China, Índia, Rússia e Brasil. Mas, se o tempo necessário para a construção de plataformas em águas profundas e de novas refinarias é demorado, sempre dependendo de um longo e controvertido processo de licenciamento ambiental, o prazo para a construção de reatores nucleares é ainda maior e a resistência das populações à sua instalação é dificilmente superada (LUCON & GOLDEMBERG, 2009). Por outro lado, as pressões sobre os países produtores de petróleo, para aumentarem sua produção, não têm surtido efeito. A oferta de petróleo ficou praticamente estagnada e não foi capaz de atender a demanda crescente, sobretudo dos países “emergentes”. Estima-se que somente a Arábia Saudita e os Emirados do Golfo estariam em condições de elevar sua produção, situação que pressiona os preços, dado o desequilíbrio entre demanda e oferta. Também, pequenos acidentes como a sabotagem por guerrilheiros dos oleodutos na Nigéria, tempestades no Golfo do México ou a ameaça constante de eclosão de novos conflitos nos Oriente Médio, pressionam os preços para alta. Outro fator de instabilidade do mercado é representado pelos diferentes tipos de petróleo e sua viscosidade que deve ser processado pelas refinarias. O petróleo “leve”, de menor viscosidade, produz a gasolina e o óleo diesel enquanto o “pesado” serve para combustível de calefação. Na crise atual, ocorre um excesso de óleo combustível “pesado” e a falta de gasolina, o que reduz a rentabilidade das operações das refinarias. Estas, para poderem processar diesel com oleo de variedade “pesada” necessitam de investimentos adicionais para transformar suas instalações, um processo lento e caro. Empresas de consultoria calculam que os custos para a construção de refinarias e da instalação de plantas petroquímicas têm aumentado em mais de 70% desde o ano 2000. O mesmo raciocínio vale para o desenvolvimento de novas jazidas de petróleo cujo custo tem subido em mais de 100% no mesmo período (LUCON & GOLDEMBERG, 2009). A postura nacionalista de certos governos – Rússia e Oriente Médio – tem desencorajado novos investimentos privados. As novas áreas de exploração no Brasil e na região ártica apresentam dificuldades técnicas além de políticas, o que tende a aumentar os preços finais do produto. Face à esta situação, os países ricos da OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – avaliam seriamente a redução do consumo de 27 petróleo e sua substituição por fontes energéticas alternativas, tais como o etanol, veículos elétricos, plantas eólicas e usinas nucleares. Em curto prazo, nem a oferta nem a demanda de petróleo são “elásticas” (na linguagem dos economistas), ou seja, reagem a alterações de preços no mercado. O desenvolvimento de um novo campo após sua descoberta pode levar até 10 anos, posto que as empresas consigam captar os capitais no mercado financeiro, hoje extremamente volátil e sujeito a especulação desenfreada. Em resumo, parece que nossa civilização encontra-se em um beco sem saída: as pressões representadas por um bilhão de veículos a motor que não para de expandir, sobretudo com a construção de novas fábricas para veículos populares na China e na Índia. Os impactos dessa corrida irracional atrás do “desenvolvimento” estão sendo sentidos em todos os setores da economia, impulsionando a demanda por mais aço, alumínio, plásticos, vidros e os materiais para a construção de novas plantas. Acrescenta-se a demanda por materiais para expandir a infraestrutura – rodovias, pontes, túneis e espaços para o estacionamento – fica patente que o planeta não é capaz de sustentar essas sociedades baseadas no consumo de desperdício, na opção individualista por um sistema de transporte e no estilo de morar em grandes aglomerações metropolitanas, devoradoras de enormes quantidades de energia no verão (ar condicionado) e no inverno (calefação). A crise de petróleo tem o mérito de alertar os governos e as populações para o perigo de um colapso e a necessidade de se investir seriamente em pesquisa e desenvolvimento de soluções alternativas e sistêmicas, que abranjam o conjunto das atividades humanas, enfim, um novo paradigma civilizatório. Com isso, é provável que as novas fontes energéticas como o gás natural sejam uma resposta a esse atual cenário, com uma energia relativamente limpa, possuindo as características necessárias para ser a fonte energética do futuro. Todos os cenários apontam para uma crise energética ao longo deste século, motivada pela exaustão das reservas fosseis de energia, potencializadas pelas restrições aos gases do efeito estufa. Muitos países consideram em seus modelos de desenvolvimento econômico e sustentável o uso do gás natural como um importante supridor de energia, estando seu uso futuro dependente do desenvolvimento tecnológico em diversas áreas, tais como produção, condicionamento, processamento, transporte, distribuição, combustão, sequestro de carbono, geração distribuída e desenvolvimento de equipamentos comerciais de alta eficiência energética, tais como célula a combustível e microturbinas. 28 CAPÍTULO 3 3. GÁS NATURAL. 3.1 Definição e composição. O gás natural (GN) é definido como uma mistura de gases localizada em acumulações subterrâneas, composta principalmente de hidrocarbonetos, que contém somente hidrogênio e carbono. Segundo THOMAS (2001, p. 260), o Gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos gasosos cuja composição abrange do metano (CH 4 ) ao hexano (C 6 H 14 ), sendo o metano o principal componente. Ainda a respeito da sua composição, o GN é uma mistura de hidrocarbonetos leves que, em condições normais de temperatura e pressão, se encontra em estado gasoso. De acordo com BAHIAGÁS (2005), o gás natural é inodoro, incolor e não tóxico. Na natureza, é encontrado em acumulações de rochas porosas (terrestre ou marinha), acompanhado de petróleo ou não. A rigor, a denominação gás natural abrangeria outras substâncias que, da mesma forma, aparecem naturalmente na forma gasosa em condições normais de temperatura e pressão como os constituintes do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o propano e o butano. Contudo, a designação como Gás natural difundida e largamente aceita, compreende apenas as misturas gasosas de hidrocarbonetos em que haja grande predominância do gás metano NEAMA (2006 p.52-69). Ainda a respeito de sua constituição, é sabido que tanto petróleo quanto gás natural possuem hidrocarbonetos e não hidrocarbonetos, contaminantes orgânicos e inorgânicos. Para ser mais conciso, temos uma definição do hidrocarboneto de acordo com VAZ; MAIA; SANTOS (2008, p. 17), os hidrocarbonetos são compostos orgânicos constituídos por átomos de carbono e hidrogênio, e, de acordo com suas características, são agrupados em séries. Normalmente, os hidrocarbonetos encontrados no petróleo pertencem às series dos alcanos lineares (parafinas), dos alcanos cíclicos (naftalênicos e dos aromáticos). No petróleo, encontram-se hidrocarbonetos com até mais de 60 átomos de carbono, enquanto no Gás natural, hidrocarbonetos com 1 a 12 átomos de carbono – TABELA 7. O gás natural apresenta em seus hidrocarbonetos características comuns as quais evidenciam os aspectos incolor, inodoro e inflamável. A respeito disso, podemos afirmar que em suas constituintes o metano, quando adicionado ao ar, se transforma em mistura alto teor explosivo, sendo o mais simples dos hidrocarbonetos, o metano é usado principalmente como combustível e na fabricação de metanol e uréia. O etano é um composto de importância 29 industrial, isso pelo fato de sua conversão em etileno, insumo de muita utilidade nas indústrias petroquímicas para a fabricação de plásticos, ou seja, polietilenos. Além de ser o mais simples hidrocarboneto saturado, contendo mais de um átomo de carbono. O propano é comercializado como combustível residencial (fogões) e industrial. O mesmo e pode ser considerado como um dos componentes do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Também usado como propulsor nos sprays aerossóis, muito importante após a eliminação do uso dos CFCs. Também é uma matéria prima de bastante relevância nas indústrias de plásticos petroquímicas (polipropileno). O Butano é um dos componentes do GLP utilizado com freqüências nas indústrias como borrachas sintéticas. Os pentanos, hexanos, heptanos e octanos são componentes encontrados na gasolina e na nafta (TABELA 7). TABELA 7 – HIDROCARBONETOS DO GÁS NATURAL FÓRMULA QUÍMICA ABREVIATURA NOME CH 4 (C 1 ) metano C2H6 (C 2 ) etano C3H8 (C 3 ) (iC 4 ) (nc 4 ) (ic 5 ) (neo C 5 ) (nC 5 ) (C 6 ) (C 7 ) (C 8 ) (C 9 ) (C 10 ) (C 11 ) (C 12 ) propano isobutano ou 2-metilpropano normal butano isopentano ou metil butano neopentano ou dimetilpropano normal pentano hexanos heptanos octanos nonanos decanos undecanos dodecanos C 4 H 10 C 5 H 12 C 6 H 14 C7H16 C8H18 C9H20 C10H22 C11H24 C12H26 Fonte: VAZ; MAIA; SANTOS, 2008, p. 21 30 Da mesma forma que ocorre no petróleo e como citado anteriormente, também se encontra a presença de componentes não hidrocarbonetos na composição química do gás natural. Na TABELA 8, pode-se verificar que alguns desses componentes são classificados como “contaminantes” exigindo processos para eliminar tais substâncias. Entre as a principais aplicações previstas destacam-se: O Nitrogênio (N 2 ) conhecido usualmente como gás inerte, pois, não possui reatividade química e não apresentar valor energético algum. Esse gás, quando presente, contribui para uma redução significativa do poder calorífico da mistura gasosa. O Dióxido de Carbono (CO 2 ) também não apresenta valor energético quando presente em alto teor e pode acarretar redução significativa do poder calorífico da mistura gasosa. Em suas constituintes, o referido gás causador do efeito estufa, tem aplicação em método não convencional de recuperação de petróleo como reservatório geológico (óleo/gás) e na produção de fertilizantes, entre outras aplicações. Na presença de água, torna-se ácido em forma de solução ácida corrosiva, o que pode provocar danos a conexões tubulares e em equipamentos. A Água livre (H 2 O) apresenta grande preocupação, a mesma além de formar um meio líquido corrosivo com gases ácidos (CO 2 e H 2 S), pode acarretar nas transformações de hidratos. Sua presença também pode prejudicar a combustão do gás em equipamentos térmicos como fornos, caldeiras, e em motores de veículos automotivos. O Gás Sulfídrico (H 2 S) é componente de alta toxicidade. Esse gás pode ter aplicação em processo de recuperação de enxofre, que em seguida é usado na fabricação do acido sulfídrico (indústria química). Esse componente é da mesma forma que o CO2, quando na presença de água forma uma solução acida corrosiva. 31 TABELA 8 – NÃO – HIDROCARBONETOS PRESENTES NO GN N2 Nitrogênio CO 2 Dióxido de carbono (gás carbônico) H2O Água H2S Gás Sulfídrico COS Sulfeto de carbonila CS 2 R-SH Dissulfeto de carbono Mercaptans Hg Mercúrio He Hélio Ar Argônio O2 Oxigênio H2 Hidrogênio Fonte: VAZ; MAIA; SANTOS, 2008, p. 22 O Sulfeto de carbonila (COS), dissulfeto de carbono (CS 2 ) e as mercaptans (R – SH), são compostos oriundos do enxofre, que após a queima geram o SO 2 provocando poluição ambiental. O mercúrio (Hg) é um componente de alta toxicidade em suas características e seu limite de exposição no ar é de 50 µg/m3. O mercúrio não é comum na composição do Gás natural, mais quando o mesmo se encontra presente, pode formar amálgama de metais. Entre os problemas ocasionados pela sua presença destaca-se a fragilização de materiais (alumínio, liga cobre-níquel, etc), assim como a contaminação de catalisadores usados em processos no setor do refino. O Helio (He) e o argônio (Ar) são gases nobres que quando presentes podem ser extraídos comercialmente. O oxigênio (O 2 ) e o Hidrogênio (H 2 ) não são comuns na composição do Gás natural. 3.2 Histórico do gás natural. O uso do gás natural não é uma novidade, existem muitos mitos e histórias envolvendo o gás natural. Na Grécia Antiga - no Monte Parnaso - em 1000 a.C, um pastor de cabras avistou uma chama crescente numa fenda de rocha como queima da primavera, logo os gregos acreditaram ser a origem da vida divina. Construíram um templo sobre a chama, que ficou conhecido por abrigar uma sacerdotisa conhecida como o Oráculo de Delfos. Neste local eram feitas profecias nas quais todas eram inspiradas pela chama. 32 Segundo o NaturalGas.org – NG (NG, 2011), aproximadamente em 500 a.C. os chineses descobriram a vantagem da utilização destes incêndios. Eles transportavam o gás nos brotos de bambu como gasodutos brutos para ferver a água do mar, como o objetivo de se obter a água potável. Já em outros registros, a Grã-Bretanha foi o primeiro país a comercializar o gás natural, por volta de 1785, quando era produzido a partir do carvão, foi usado para faróis como iluminação pública. É importante frisar que o gás natural manufaturado era muito menos eficiente e mais poluente que o gás natural usado atualmente, isto devido ao uso de novas tecnologias energéticas mais limpas e a utilização do refinamento do gás. No século XVII, o gás natural foi encontrado na América, na época os exploradores franceses observaram que os nativos inflamavam gases ao longo do lago Erie. Nos Estados Unidos, em 1816, o gás natural foi usado para iluminar as ruas de Baltimore, Maryland. Contudo, o início da indústria do gás deu-se m 1859, quando o coronel Edwin Drake cavou o primeiro poço e extraiu petróleo com uma capa de Gás natural com o tamanho de 21,03 metros abaixo da superfície da Terra. De acordo com o NaturalGas.org – NG (NG, 2011), em 1821, o primeiro poço especificamente destinado a obter o gás natural foi escavado em Fredonia, Nova Iorque por William Hart. Após notar bolhas de gás subindo à superfície de um córrego, Hart cavou aproximadamente 8.2 metros para tentar obter um maior fluxo de gás para a superfície. Hart é considerado por muitos como o "pai do gás natural" na América. A partir deste trabalho, a companhia Fredonia Gas Light foi finalmente formada, tornando-se ser a primeira companhia de gás natural. No decorrer do século 19, o gás natural foi utilizado exclusivamente como fonte de luz. Com uma infraestrutura de gasoduto precária o gás natural era difícil de ser transportado à longa distância, sem mencionar a sua distribuição em casas (era utilizado como aquecimento e cozinhar). A maioria do gás natural foi produzida nesta época com a fabricação do carvão, diferentemente do que acontece hoje, transportado a partir de poços. Com a finalização do século 19, o surgimento da eletricidade, as luzes do gás natural foram convertidas para luzes elétricas, o que levou os produtores de gás natural a procurarem novas maneiras de usar o produto (NG, 2011). 3.3 As reservas de gás natural no mundo e uma evolução de seu mercado. Devido ao aumento do consumo do gás natural em todo o mundo, seja por consequências ambientais, econômicas ou especificamente estratégicas, novas reservas vem sendo descobertas em função de mercados já consolidados, norte-americano e europeu, e os 33 mercados que vem sendo estruturados. Dentre esses, o que vem se destacando é o mercado da Ásia-Pacífico. Como citado anteriormente, um dos mais promissores mercados em desenvolvimento nos últimos anos é o mercado do Japão. As reservas de mundiais de gás natural em 2009 eram de 186,6 trilhões de metros cúbicos, no ano seguinte 2010 cresceu para 187,1 trilhões de metros cúbicos, ou seja, houve um crescimento em 0,3%, segundo a British Petroleum (BP, 2011). A região com maior reserva é o Oriente Médio, que liderou o ranking mundial com 75,8 trilhões de metros cúbicos em 2010, enquanto que a Ásia – Pacifico ficaram com 16,2 trilhões de metros cúbicos em 2010. São chamadas reservas provadas aquelas tidas como quantidades de informações geológicas e de engenharia indicadas como reservatório com certeza de serem explorados comercialmente. De acordo com algumas figuras do BP Statiscal Review of World Energy, podemos ter uma noção das principais reservas, produções e a relação (R/P) de varias regiões do mundo (GRÁFICO 3). Uma definição mais específica a respeito da relação R/P é que a mesma bastante usada na literatura como um índice muito especializado, Reserva/Produção (R/P) Relações, que deve ser relativizado quanto a sua aplicação e importância. Ele não pode ser usado, por exemplo, para calcular quanto o reservatório produzirá, assim como não é um índice do tempo de vida do depósito. Simplesmente mede a taxa de declínio do reservatório no caso de estar ausente qualquer investimento, inclusive tecnológico. Isto é, R/P depende basicamente da relação entre preços e custos de produção atuais. 34 GRÁFICO 3 - RESERVA E PRODUÇÃO (R/P) POR REGIÃO NO MUNDO Fonte: British Petroleum- BP, 2011. As reservas mundiais de gás natural provadas em 2010 foram suficientes para atender 58,6 anos da produção global. As proporções declinaram para cada região, ocasionadas pelas crescentes produções mundiais. O Oriente Médio mais uma vez teve a maior relação R / P regional, enquanto no Oriente Médio e ex-União Soviética detêm em conjunto 72% das reservas mundiais de gás. Os dados das reservas provadas se enquadram em definições, diretrizes e praticas utilizada para determinar as mesmas. Existe uma contabilização tanto para a exploração de petróleo quanto para o gás. Conforme publicadas pelo BP (2011), o desenvolvimento, produção e outras atividades de exploração representaram as reservas provadas dos países em questões. A série de dados foi compilada usando uma combinação de fontes primárias oficiais e dados de terceiros. A razão R/P representa um índice entre o período de tempo que as reservas remanescentes durariam se a produção continuar na mesma taxa do ano anterior. É calculado dividindo-se reservas remanescentes no fim do ano pela produção nesse ano. As razões de reserva para produção (R/P) estão disponíveis por país e são apresentadas na tabela abaixo. 35 A relação de reservas provadas em anos é apresentada abaixo na forma de um breve histórico, começando de 1980 até 2010, pode ser observado no GRÁFICO 4. GRÁFICO 4 – RESERVAS DE GÁS NATURAL PROVADAS POR REGIÃO – 1980/2010 Fonte: British Petroleum- BP, 2011. Analisando-se a distribuição das reservas provadas, contata-se que a Rússia detém 72% das reservas mundiais. No GRÁFICO 5 e TABELA 9 abaixo, pode-se observar as reservas provadas de gás natural nos anos de 1990; 2000 e 2010. 36 GRÁFICO 5 – DISTRIBUIÇÃO DAS RESERVAS PROVADAS NOS ANOS DE 1990, 2000 E 2010 EM PORCENTAGEM. Fonte: British Petroleum- BP, 2011 TABELA 9 - RESERVAS PROVADAS E PRODUÇÃO E RELAÇÃO R/P DO GÁS NATURAL NOS ULTIMOS 20 ANOS 1990; 2000 E 2010. Região Geográfica Reservas Provadas Produção Trilhões de metros cúbicos – anos 1990 2000 2010 Bilhões de metros cúbicos anos 1990 2000 2010 América do 9,5 7,5 Norte America Central 5,2 6,9 e Sul Europa 54,5 55,9 Oriente Médio 38,0 59,1 África 8,6 12,5 Ásia-Pacífico 9,9 12,3 Fonte: British Petroleum- BP, 2011. R/P Anos (%) 1990 2000 2010 9,9 640,0 763,7 826,1 1,5 1,0 1,2 7,4 58,1 100,2 161,2 8,9 6,9 4,6 63,1 75,8 14,7 16,2 961,2 101,3 68,8 150,9 938,9 208,1 130,3 272,1 1043,1 460,7 209,0 493,2 5,7 37,5 12,4 6,5 6,0 28,4 9,6 4,5 6,0 16,5 7,0 3,3 O gás natural teve certa evolução na sua utilização devido ao surgimento de novas tecnologias e a necessidade de serem utilizadas energias mais limpas. 37 A produção global de gás natural cresceu 7,3% em volumes, ou seja, 217 Bilhões de metros Cúbicos, essa produção ultrapassou dez anos a taxa média de crescimento em todas as regiões, segundo o BP Statistical Review World Energy, 2011. A produção cresceu rapidamente na Rússia (11,6%, significando maior aumento do mundo em base volumétrica), enquanto os EUA continuaram a ser o maior produtor por um segundo ano consecutivo, e o fornecimento de gás não convencional (o gás que pode ser extraído de grandes profundidades, das rochas xistosas, das areias de baixa permeabilidade ou compactas, do metano das camadas de carvão e dos hidratos de metano, sendo este provavelmente de elevado impacto ambiental, dado existir, sobretudo, nas camadas árticas) continua a crescer. A respeito da Europa, a produção reverteu quedas anteriores e foi o maior desde 2008. A TABELA 10 a produção mundial de Gás natural em 2008, 2009 e 2010. TABELA 10 - PRODUÇÃO DE GÁS NATURAL (BILHÕES DE METROS CÚBICOS) Produção de gás natural em Bilhões de metros cúbicos. Alteração (%) Região 2008 2009 2010 2009 para 2010 América do Norte 801,5 801,6 826,1 3,0% Participação mundial (%) 26,0% América do Sul e Central 157,6 151,9 161,2 6,2% 5,0% Europa 1086,5 969,8 1043,1 7,6% 32,6% Oriente Médio 384,3 407,1 460,7 13,2% 14,4% África 211,5 199,2 209,0 4,9% 6,5% Ásia-Pacífico 420,7 446,4 493,2 Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 10,5% 15,4% 38 GRÁFICO 6 – PRODUÇÃO POR REGIÃO. Fonte: British Petroleum- BP, 2011. Como mencionado acima, o volume de produção de gás natural aumentou em 7,3%. (GRÁFICO 6). 3.4 As formas de transporte e uso do gás natural. Segundo o NEAMA (2006, p.57), a forma mais usual de transporte do gás natural é através de dutos. Outras formas, em geral mais onerosas, utilizam cilindros de alta pressão de gás natural comprimido (GNC) ou no estado liquefeito (gás natural liquefeito – GNL); neste caso o produto é transportado por navios, caminhões e trens – criogênicos a uma temperatura de -160 ºC. No transporte do gás natural por meio de gasodutos, os mesmos devem dispor de alta pressão, com o escoamento realizado na fase gasosa e com a utilização de estações de compressão para o fornecimento de energia necessária ao gás para sua movimentação. Segundo VAZ; MAIA; SANTOS (2008, p. 89), em casos específicos o gás natural pode ser transportados em cilindros de alta pressão. Esse sistema é chamado de transporte de gás natural comprimido (GNC) e se aplica a pequenos volumes movimentados a curtas distancias (por meio de caminhões – feixe) ou volumes maiores com a utilização de cilindros embarcados em barcaças ou navios especiais (FOTO 1). 39 Para aplicações de movimentação de grandes volumes em grandes distancias entre produtores e consumidores existem também a possibilidade de transporte marítimo de gás natural na fase liquida. No estado liquido (Gás natural Liquefeito – GNL), o gás tem o seu volume reduzido em cerca de 600 vezes, podendo ser transportado mais facilmente por meio de navios, barcaças ou caminhões criogênicos, a uma temperatura de – 160 ºC (FOTO 2). Nesse caso, após o transporte, para ser utilizado o gás deve ser novamente vaporizado em equipamentos apropriados. 40 FOTO 1 – UM EXEMPLO DO TRANSPORTE DE GNC (GÁS NATURAL COMPRIMIDO) Fonte: Neo Gás, 2011 FOTO 2 – UM EXEMPLO DO TRANSPORTE DE GNL (GÁS NATURAL LIQUEFEITO) Fonte: Brasil escola, 2011 41 3.5 O mercado mundial de gás natural liquefeito – GNL. O Gás natural Liquefeito – GNL é um produto gasoso, inflamável, inodoro e asfixiante quando aspirado em altas concentrações. No processo de resfriamento criogênico, o GNL atinge a uma temperatura de -160º Celsius, onde ele se apresenta na forma liquida. Com essa técnica, ele se ajusta ao armazenamento como combustível energético. O transporte do GNL é feito de forma engarrafada em vasilhames. Para que os vazamentos de gás sejam facilmente identificados, compostos a base de enxofre são adicionados, apenas para lhe dar um odor característico, sem lhe atribuir características corrosivas (VAZ; MAIA; SANTOS, 2008). O GNL tem as mesmas aplicações do gasoduto, ou seja, pode ser usado como combustível para gerar calor, eletricidade e força para indústrias de diversos segmentos, residências e lojas. O GNL apresenta vários benefícios como fonte energética, tais como segurança e qualidade nos processos industriais que o utilizam; preços competitivos em relação a outros combustíveis e combustão com baixa emissão de poluentes (NEAMA, 2006). Segundo VAZ; MAIA; SANTOS (2008, p. 328), a qualidade do GNL é definitivamente superior ao gasoduto, devido a sua pureza (tem mais metano, bem como conteúdo de outras energias) decorrente a estabilidade química na sua composição. Além disso, o seu estado físico liquefeito (- 160º Celsius) permite o armazenamento de maior quantidade de GNL, atendendo maior demanda do mercado consumidor. O desenvolvimento tecnológico no segmento tem proporcionado redução de custos da liquefação do gás e também contribuído para o uso crescente do GNL no mundo. Estimulado por novas oportunidades tecnológicas e comerciais, o setor de gás natural liquefeito (GNL) entrou em uma nova fase de crescimento nos últimos anos. Há uma projeção de que 26 novos projetos de liquefação irão aumentar a capacidade mundial em 60% até 2020. O comércio mundial de GNL está pronto para uma rápida expansão a longo prazo e, segundo as estimativas, subiu cerca de 10% em 2011, parcialmente por causa das faltas de eletricidade no Japão, depois do acidente em Fukushima. Em consequência, o excesso de GNL se dissipou (CEDIGAZ, 2012). Outro fator relevante é a verificação da legislação em vigor e das exigências do processo de licenciamento ambiental, que muitas vezes pode indicar restrições para instalação de sistemas de transportes utilizando redes de gasodutos. De acordo com VAZ; MAIA; SANTOS (2008, p. 329), o mercado de GNL está estruturado em três pólos regionais distintos: Estados Unidos, Europa e Ásia. 42 Estados Unidos – maior consumidor de gás natural, vêm intensificando os projetos de importação de gás de outras regiões (Canadá, México, etc.). Europa – caracterizada por ampla rede de gasodutos que interligam vários países europeus, com importação do gás proveniente da Rússia. Ásia – mercado fortemente dependente do GNL, tendo o Japão como maior consumidor (no ano de 2010 as importações de GNL ficaram em 93,48 bilhões de metros cúbicos segundo o BP Statistical Review World Energy, 2011). Entre as principais rotas de GNL no mundo, tem-se: Brunei para o Japão Indonésia para o Japão/Coréia Malásia para o Japão/Coréia Abu Dhabi para Japão Quatar para Japão/Coréia Trinidad para Europa/EUA Para melhor visualização dessas rotas e outras existentes no mundo, a seguir apresenta-se o GRAFICO 7 que também representa os fluxos de comercio mundial em bilhões de metros cúbicos: 43 GRÁFICO 7 – O MERCADO MUNDIAL DE GNL Fonte: British Petroleum- BP, 2010 Em 2010, segundo o BP Statistical Review of World Energy,2011, as importações de GNL foram aproximadamente 975,22 bilhões de metros cúbicos contra 297,63 bilhões de metros cúbicos exportados. As exportações de GNL são dominadas pela região do Oriente Médio; Qatar (a maior fornecedora mundial de GNL) viu suas exportações crescer 53,2%. O GNL responde agora por 30,5% do comércio global do gas natural. Contudo, o crescimento mundial do comércio de gás natural é liderado pela Rússia utilizando gasodutos. Com um crescimento de 5,4%, o volume transportado foi suficiente para que a Europa e a Eurásia respondessem por cerca de dois terços do comercio global de gás natural por gasoduto segundo os dados do Statistical Review of World Energy, 2011. A produção global de gás natural cresceu em todo o mundo no ano de 2010 para 3193,3 bilhões de metros cúbicos, uma mudança em relação a 2009 de 7,3%. Isso reforça o crescimento nas importações e exportação de gás natural. 44 O consumo mundial de gás natural cresceu em 2010 para 3169,0 bilhões de metros cúbicos em todo o mundo, um crescimento em relação a 2009 de 7,4% segundo o BP Statistical Review of World Energy, 2011. O aumento registrado foi o maior desde 1984 e com os ganhos volumétricos mais fortes desde a década de 60. Os EUA também tiveram crescimento em consumo (em termos volumétricos) de 5,6% em 2010, considerado um novo recorde nos país. A seguir, apresentam-se os dados de consumo abaixo nos anos de 2009 e 2010 e sua alteração em % na TABELA 11: TABELA 11 – CONSUMO DE GÁS NATURAL EM BILHÕES DE METROS CÚBICOS Consumo de gás natural em Bilhões de metros cúbico Alteração (%) Região 2009 2010 2009 para Participação mundial 2010 America do Norte 807,7 846,1 4,7% 26,9% America do Sul e Central 135,1 147,7 9,3% 4,7% 1060,5 1137,2 7,2% 35,8% Oriente Médio 344,1 365,5 6,2% 11,5% África 98,9 105,0 6,1% 3,3% 503,9 567,6 12,6% 17,9% Europa Ásia-Pacífico Fonte: British Petroleum- BP, 2011 Com o GRÁFICO 8, na próxima página, podemos ter uma melhor noção do consumo de GNL no mundo: 45 GRÁFICO 8 – O CONSUMO DE GNL 1985 - 2010. Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 46 3.6 O preço do GNL. Com os dados do consumo, em bilhões de metros cúbicos, os preços anuais de GNL referente às importações foram referencias nos EUA, Canadá e Reino Unido. Essa commodity foi considerada uma representação pelas altas importações no Japão. Os preços do GNL e das fronteiras européias são calculados como preços CIF, onde CIF = custo + seguro + frete (preços de frete médio) em dólares dos EUA por milhão de unidades térmicas britânicas (Btu). Podemos ter uma noção do comércio do GNL com os países que mais importam o gás, na tabela abaixo: TABELA 12– MAIORES IMPORTADORES DE GÁS NATURAL, 2010. PAÍS Importações em bilhões de metros cúbicos Japão 93,5 Coréia do Sul 44,4 Espanha 27,5 Reino Unido 18,7 Taiwan 14,9 França 13,9 China 12,8 Estados Unidos 12,2 Índia 12,2 Itália Total Mundial Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 9,1 297,6 Como é confirmado acima, o Japão é o país que mais importa, ou seja, o que mais consome Gás natural Liquefeito – GNL no mundo. Além disso, mundialmente o consumo de GNL tende a crescer, sobretudo, devido ao episódio de Fukushima a demanda de gás pelo Japão deve aumentar ainda mais. A seguir, apresenta-se uma representação mundial dos preços do GNL no GRÁFICO 9 47 . GRÁFICO 9 – OS PREÇOS DO GNL 1993 - 2010 Fonte: British Petroleum- BP, 2011. Os preços anuais são dados baseados na Referência Hubs (definida pela Central European Gas Hub – CEGH, uma plataforma de comércio de gás natural, que serve de referência na promoção dos principais preços do GN) de gás natural em conjunto com gasodutos contratados e importações de GNL, Cegh Otc Market, 2012. Os preços dos contratos são representados por importações de GNL para o Japão. Os preços do GNL e das fronteiras européias são calculados como preços CIF, onde CIF = custo + seguro + frete (preços de frete média) em dólares dos EUA por milhão de unidades térmicas britânicas (Btu) (MONGABAY, 2012; BP, 2011). A seguir representam-se na TABELA 13, GRÁFICO 10 e GRÁFICO 11. 48 TABELA 13 – EVOLUÇÃO NOS PREÇOS DE GNL NO JAPÃO DE 1984 ATÉ 2011. GNL preços CIF em Dólares dos EUA por milhão de unidades térmicas britânicas (Btu). Anos Preço (dólar) 1984 5,10 1985 5,23 1986 4,10 1987 3,35 1988 3,34 1989 3,28 1990 3,64 1991 3,99 1992 3,62 1993 3,52 1994 3,18 1995 3,46 1996 3,66 1997 3,91 1998 3,05 1999 3,14 2000 4,72 2001 4,64 2002 4,27 2003 4,77 2004 5,18 2005 6,05 2006 7,14 2007 7,73 2008 12,55 2009 2010 2011 9,06 10,91 16,80 Fonte: Mongabay, 2012; British Petroleum- BP, 2011 49 GRÁFICO 10 – EVOLUÇÃO NOS PREÇOS DE GNL NO JAPÃO DE 1984 - 2010. Fonte: BP Statistical Review of World Energy, 2011 50 GRÁFICO 11- EVOLUÇÃO NOS PREÇOS DE GNL NO JAPÃO DE 2006 - 2011 ($/mmBtu) Fonte: Mongabay, 2012 3.7 A importância do Japão no mercado de GNL. O Japão tem um importante papel no consumo do gás natural no mundo. No ano de 2010, o consumo de gás natural chegou a 94,5 bilhões de metros cúbicos, segundo a BP Statistical Review of Word Energy, 2011. Com o advento da crise que assolou o país em Fukushima, as expectativas das importações para reestruturação dos nipônicos devem aumentar. O Japão tem aumentado seu consumo do GNL por razões ambientais, econômicas ou especificamente estratégicas, devendo acentuar o consumo deste energético a partir do desastre de Fukushima. Novas reservas de gás natural vêm sendo descobertas e esse fato tem criado novos fornecedores e viabilizando novos mercados de gás natural. Contudo, o destaque ainda é o mercado de gás natural da Ásia-Pacífico. Neste contexto, o Japão ainda é um dos mais promissores mercados em desenvolvimento nos últimos anos. O rompimento de um potencial fornecedor para o Japão pode ser considerado como um verdadeiro desastre, pois a capacidade de fornecimento ainda é inferior ao que o país necessita. A partir do desastre ambiental o suprimento de gás natural tornar-se fundamental para a reestruturação do país. 51 A Terra do Sol Nascente não possui registros de possíveis reservas de gás natural, sendo então necessária a sua importação em grande parte, segundo a BP Statistical Review of World Energy, 2011, realmente não existe nenhum dado que comprove reservas no Japão de gás natural. Com as reservas mundiais de gás natural aumentando, de 2009 para 2010, 0,3% segundo a BP Statiscal Review of World Energy, atingiu 187,1 trilhões de metros cúbicos no ano de 2010. A capacidade de suprir outros países importadores dessa commodity se tornou possível com novas tecnologias desenvolvidas pelos engenheiros. O gráfico abaixo GRÁFICO 12 nos fornece um panorama da distribuição mundial das reservas provadas de gás natural. Neste gráfico, representa-se um dado curioso: as reservas provadas de gás natural na Ásia-Pacifico representaram em 2010 cerca de 8,7% no mundo, ficando em terceiro lugar entre as demais regiões de planeta. Com essas reservas ainda não foi possível suprir as necessidades de gás natural dos países asiáticos. GRÁFICO 12 – A DISTRIBUIÇÃO DE RESERVAS PROVADAS DE GÁS NATURAL NO CONTINENTE ASIÁTICO (2010). Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 52 O Japão é relativamente um país pequeno, mas a produção e população são muito concentradas, sendo então o GNL fundamental para sua economia. O consumo de GNL do país pode ser mais bem verificado no GRÁFICO 13 abaixo extraídos dos últimos dados do BP Statiscal Review of World Energy, 2011 maiores importadores mundiais de GNL em Bilhões de metros cúbicos. GRÁFICO 13 – MAIORES IMPORTADORES DE GNL EM BILHÕES DE METROS CÚBICOS, 2010. Fonte: BP Statistical Review of Word Energy, 2011 Com esses dados acima mostrados, podemos então ter uma comprovação de que o Japão é um importante importador de GNL, isso também pode ser comprovado segundo o BP Statiscal Review of World Energy, 2011 que nos fornece um gráfico a respeito de suas importações por região de GNL – vide GRÁFICO 14. 53 GRÁFICO 14 – OS MAIORES IMPORTADORES DE GNL MUNDIAIS POR REGIÃO. Fonte: British Petroleum- BP, 2011. 54 CAPÍTULO 4 4. SETOR ENERGÉTICO DO JAPÃO. 4.1 A matriz energética do Japão. Entre as medidas de segurança energética que o Japão tem adotado, constam o volume de GNL importado para suprir as necessidades de energia do país. Com o desastre de Fukushima, a dependência e vulnerabilidade se tornaram cruciais implicando aumentar as importações de GNL para geração de energia termoelétrica. Desta forma, o país necessita suprir a expansão da demanda de gás natural para geração de energia elétrica em virtude da diminuição da geração produzida em usinas nucleares após o desastre japonês, pois, algumas destas usinas foram desativadas. A crise de energia que o Japão é caracterizado, entre outros aspectos, por interrupções frequentes de suprimento de energia elétrica. Contudo muitos fatores são relevantes nas referidas avaliações de segurança energética do país em relação ao gás natural, tais como: • não existem reservas de gás natural no Japão. • dependência da capacidade (o que o Japão importa ainda não supre a capacidade requerida pelos números alarmantes da tragédia de Fukushima). • grau de importações e suprimentos disponíveis de Gás natural Liquefeito GNL • a respeito da crise nuclear em Fukushima, acelerou a demanda por gás natural Liquefeito, para substituir a energia nuclear na produção de eletricidade (e isso ocorreu em curto prazo). Isto é, devido ao fato de que 11 reatores nucleares do Japão terem sido paralisados, comprometeu-se a geração de energia elétrica. • é sabido que o país oriental é, no mundo, o maior importador de GNL, isso é de fato uma consequência pelo país possuir poucos recursos energéticos nacionais. Além disso, observa-se que o Japão apresenta uma grande produção/consumo de energia nuclear, ficando em terceiro lugar em todo o mundo. • a matriz energética do Japão conta com diversas fontes de energia, podemos citar: 55 Óleo – O Japão conta com óleo nas suas importações para atender 45% de sua energia em 2009. Já em 2010 o Japão importou 184,8 milhões de toneladas de óleo, um aumento em 4,7% em relação a 2009 que era 176,5 milhões de toneladas de óleo. O país tem reservas limitadas, totalizando 44 milhões de barris a partir de Janeiro de 2011, de acordo com o Oil and Gas Journal (OGJ), 2011. Atualmente ocorre uma mudança significativa para o uso do gás natural no setor industrial e a substituição da demanda de querosene no aquecimento doméstico. Eletricidade – No ano de 2008, o Japão tinha 281 GW de capacidade instalada de geração total de eletricidade, de acordo com o (EIA, 2011). Já no ano de 2010 a geração de energia elétrica passou para 1145,3 TWh segundo a BP Statiscal Review of World Energy, 2011. No Japão no ano de 2008 foi registrado que 63% da energia elétrica vieram de termoelétricas (gás natural). A indústria japonesas de eletricidade é dominada por empresas privadas representando cerca de 85% no ano de 2008 do total país instalado. Segundo o Wikipédia (2011), as políticas do Japão de eletricidade são gerenciadas por 10 grandes empresas, todas com poder regulamentador; dessas empresas, podemos citar atualmente a maior delas a TEPCO – Tokyo Eletric Power Company. Em decorrência dos danos causados pelo terremoto, nas indústrias houve uma diminuição da demanda de energia elétrica do Japão, e diante da situação, os esforços de reconstrução começam a acontecer. Termoeletricidade – Em 2008, o Japão tinha cerca de 179 GW de capacidade instalada de geração térmica convencional elétrica segundo o (COUNTRY ANALYSIS BRIEFS, 2011). Em 2011, houve um aumento da produção em suas centrais térmicas (48,91 milhões de quilowatts) para compensar a escassez energética decorrente do desastre. No país do sol nascente, existem atualmente cerca de 60 usinas de energia térmica, e 17 usinas operando com GNL e três usando carvão para geração. Ainda no Japão, a maioria das usinas é nuclear, número que deve cair com o desastre. De acordo com especialistas, haverá um rápido aumento do uso de GNL em especial das importações, como fonte energética, atingindo cerca de 27% da produção de eletricidade no Japão em 2035. 56 Hidrelétrica – Segundo o (EIA, 2011) o Japão tinha uma capacidade instalada de geração hidrelétrica de 22 GW em 2008, respondendo por cerca de 8% da capacidade total. Com esses dados o governo japonês vem estimulando pequenas centrais hidrelétricas (potência superior a 1.000 kW e ≤30.000kW), pois atendem as necessidades de pequenos centros rurais e regiões, além de serem agentes complementadores do sistema energético interligado. . No Japão não existem tantos rios, a forma mais fácil de gerar energia seria as usinas Nucleares, mas com o advento de Fukushima tornou-se perigosa estas operações, então, ganha importância a opção por usinas termoelétricas a GNL – gás natural liquefeito. Energia Nuclear – De acordo com o EIA (2011), o Japão tem atualmente 54 reatores nucleares em funcionamento e a capacidade instalada total de geração é cerca de 49 GW, o que torna o terceiro maior gerador de energia nuclear no mundo atrás dos EUA e de França. A energia nuclear no Japão gerou 266 kW/h de eletricidade em 2009, e, em 2010, chegou a 66,2 milhões de toneladas de óleo equivalente segundo BP Statiscal Review of World Energy, 2011 (os dados devem estar na mesma unidade para que se possa comparar). O governo do país havia declarado que iria aumentar a sua participação nuclear do total de geração de eletricidade até 2017 para 40% e em 2030 para 50% de acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Com o evento desastroso de 11 de março, esta programação de crescimento da energia nuclear deve ser revista, pelo menos nos curto e médio prazo. Segundo o EIA (2011), mais de 12.000 MW da capacidade nuclear nas instalações de Fukushima, Onagawa e Tokai encerraram suas operações após o terremoto e tsunami, e alguns dos reatores podem ter sido permanentemente danificados após o bombardeamento urgente de água do mar para se evitar o agravamento do acidente. O país tem promovido a eletricidade nuclear ao longo dos anos como um meio de diversificar as suas fontes de energias e reduzir as emissões de carbono, enfatizando a segurança e confiabilidade. Gás natural – Segundo o The Oil and Gas Journal (OGJ), o Japão tinha 21 bilhões de metros cúbicos (m3) de reservas provadas de gás natural em 2011. Contudo as reservas provadas de gás natural têm diminuído desde 2007. Os campos de gás natural estão localizados ao longo da costa ocidental. 57 O Japão depende de GNL nas importações para praticamente todas suas necessidades. O gás natural compreende na participação combinada em cerca de 75% do mercado de varejo japonês, ou seja, a partir da antiga companhia de Petróleo Nacional do Japão, o setor de gás natural ganhou destaque, junto com Mitsubishi, Mitsui e várias outras empresa japonesas que estão ativamente envolvidas em exploração de gás doméstico, bem como de produção. Devido a sua geografia, o sistema de dutos de gás natural do país não atende todo o seu mercado consumidor. Por causa de seus limitados recursos de gás natural, o Japão depende de importações para atender suas necessidades. O GNL – Gás natural Liquefeito importado pelo Japão respondeu por cerca de 36% das importações globais de GNL do mundo em 2009 de acordo com (COUNTRY ANALYSIS BRIEFS, 2011). Em 2010 as importações globais de GNL subiram para aproximadamente 93,48 bilhões de metros cúbicos. Como resultado do terremoto de 11 de março em Fukushima, o país do Sol Nascente é fortemente direcionado a importar mais GNL. Semelhante como ocorreu no último terremoto em 2007, danificando as instalações da usina nuclear de Kashiwaki-Kariwa em 2007, serão necessários outros combustíveis para cobrir o déficit de energia nuclear. De acordo com o ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION (EIA), no Japão existem mais de 40 terminais de operação de importação de GNL com uma capacidade total bem superior à demanda, a fim de garantir a flexibilidade. A maioria dos terminais de GNL está localizada nos principais centros populacionais de Tóquio, Osaka, Nagoya e perto de grandes centros urbanos e centros de fabricação, e são propriedades de empresas de energia local, sozinho ou em parceria com empresas de gás. Estas mesmas organizações em grande parte do Japão gerenciam a frota de petroleiros de GNL. O GRÁFICO15 mostra os países dos quais o Japão importa o GNL (EIA, 2011). Podemos visualizar também o GRÁFICO 16, onde temos os terminais de importação de GNL. Em preto, temos os terminais de importação para os navios oceânicos e em azul temos os terminais de importação para os navios costeiros. 58 GRÁFICO 15 – FORNECEDORES DE GNL DO JAPÃO, 2010 Fonte: Energy Information Administration - EIA, 2011 59 GRÁFICO 16 – TERMINAIS DE IMPORTAÇÃO GNL NO JAPÃO. Fonte: The Japanese Fuel Crisis – Business Insider, 2011 4.2 A crise no Japão. O que ocorreu no Japão no dia 11 de março de 2011 é o chamado tsunami que foi acarretado por um terremoto registrado em 9 graus na escala Richter. O referido tsunami alcançou à costa nordeste do território japonês (a maior intensidade foi captada em Fukushima Daichi, atingindo também, a costa Sendai e Onogawa), nas FIGURAS 1 e 2, o terremoto japonês está mais bem representado. De acordo com as autoridades japonesas, mais de 15 mil pessoas foram mortas e milhares desapareceram. Segundo o GEONET (maior empresa de geolocalização do mundo), o terremoto deslocou o Japão para o Leste. Considerado o quarto maior da história, o terremoto provocou uma alteração de 16,9 centímetros no eixo da Terra, além de acelerar em 1,8 milionésimo de segundo o movimento de rotação do planeta. O desastre ainda destruiu estradas, ferrovias, provocou falta de água potável, comida, combustível e energia elétrica. Além disso, o país atravessou uma grave crise nuclear, devido ao fato do terremoto e tsunami terem atingido 11 reatores nucleares, com esses reatores atingidos, tendo provocado a redução do suprimento energético no país. 60 Os japoneses tentaram conter os danos nas usinas nucleares atômicas, a despeito dos riscos impostos à sua própria sobrevivência. Famílias inteiras no Japão se refugiaram diante da ameaça da contaminação nuclear, falta de comida, água, combustível e energia. Com o tsunami, houve um desligamento de 6.800 MW de capacidade de geração elétrica nas quatro usinas nucleares, que tem a capacidade total de 12.000 MW. Algumas plantas estão paradas para manutenção depois do ocorrido, e outras foram praticamente perdidas pelo alto teor de contaminação radiativa. A infraestrutura de energia elétrica, refinarias, unidades gás e de óleo também foram fortemente afetados pelo terremoto no Japão. Devido a este quadro, o país passou a importar maiores quantidades de gás natural para garantir o suprimento de eletricidade. Para reconstrução do país, que teve 0,8% de seu PIB diminuído, é necessário ser garantido o fornecimento de energia (EIA, 2011). Em relação à tragédia, abaixo temos duas figuras representativas do mapa do Japão, e a outra relativa ao desastre e suas dimensões: FIGURA 1 – MAPA DO TERRITÓRIO JAPONÊS. Fonte: Energy Information Administration - EIA, 2011. 61 FIGURA 2 – O TERREMOTO NO JAPÃO E SUAS DIMENSÕES. Fonte: Energy Information Administration - EIA, 2011 62 4.3 A demanda do GNL no mercado Japonês. O mercado japonês para se erguer vai precisar de mais energia, e com o advento do terremoto em Fukushima, sua sobrevivência vai depender de grandes volumes de GNL importado em sua matriz. A seguir, mostram-se alguns dos usos do GNL na matriz energética do Japão. O volume de vendas do gás no final do ano de 2009 no Japão foi de 33,8 bilhões de m3, um significativo aumento de 1,4 vezes em 10 anos; no ano de 2011, segundo o Mongay, 2012, o GNL estava custando 16,80 por dólares por milhões de BTU (ver os dados de 2010). Na indústria, sua demanda vem cada vez mais crescendo em um ritmo particularmente rápido. As vantagens ambientais do gás natural são muito apreciadas e suas aplicações são diversificadas em muitos campos na indústria, e estão fortemente se expandindo. Em todo o Japão, o gás natural vem respondendo à demanda continuamente crescente e as necessidades de clientes diferentes, enquanto ao mesmo tempo, ajuda na criação de um ambiente agradável e confortável. No GRÁFICO 17, mostrado a seguir, podem-se verificar os diversos usos do gás natural no Japão. 63 GRÁFICO 17 - PROPORÇÕES DE VENDAS DE GÁS DO JAPÃO. [Unidade: Milhão m3(41.8605 MJ/m3)] Fonte: Gas Facts in Japan, 2011. O GNL corresponde a mais de 90% do gás usado no Japão e o início do uso dessa forma do energético foi em 1969 com a finalidade de ser garantido o abastecimento em longo prazo de matérias-primas e promover uma fonte de energia alternativa ao petróleo. Há oferta abundante de gás natural em todo o mundo, estima-se que o suficiente para durar mais de 60 anos. No GRÁFICO 18, verificam-se suas tendências e no GRÁFICO 19, as importações de GNL em milhões de toneladas. Tem-se uma amostra de seu uso comercial, que é considerado um setor muito usual no Japão, GRÁFICO 20. 64 GRÁFICO 18 - TENDÊNCIA E AS PERSPECTIVAS DE OFERTA DE ENERGIA PRIMÁRIA ATÉ 2030. AUMENTO DO GÁS NATURAL COMO PRINCIPAL FONTE DE ENERGIA NO JAPÃO. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 65 GRÁFICO 19 - IMPORTAÇÕES DE GNL PELO JAPÃO. [Unidade: Milhões de toneladas] Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 66 GRÁFICO 20 – AS VENDAS DE GÁS PARA FINS COMERCIAIS NO JAPÃO. [Unidade: Milhão m3(41.8605 MJ/m3)] Fonte: Gas Facts in Japan, 2011. No capítulo 3, apresentamos uma prévia a respeito dos terminais de importação do gás natural Liquefeito – GNL. É sabido que no país do Sol Nascente, temos mais de 40 terminais de operação de importação de GNL. No GRÁFICO 21 é possível verificar 30 terminais em destaque. Além de acompanhar no mesmo a proporção causada pelo impacto do terremoto de 11 de Março de 2011. As estrelas de cor verde representam os que estão em plena operação, as de vermelho, iniciaram as atividades em 2011 e as de azul representa o que entrará em operação no ano de 2014 já decididos seu fornecedor/gerenciador. 67 GRÁFICO 21 – TERMINAIS DE IMPORTAÇÃO DO GNL NO PAÍS JAPONÊS, 2011. Fonte: PETROLEUM ECONOMIST – THE AUTHORITY ON ENERGY, 2011 Como citado anteriormente vemos que o GNL é transportado para o Japão através de terminais de importação, ou cisternas, a respeito desses terminais, temos uma empresa gerenciadora. Na TABELA 14 podemos verificar o nome das empresas operadoras do terminal, seu fornecedor (País fornecedor do GNL) e o inicio de sua operação. 68 TABELA 14 – LOCAIS E EMPRESAS GERENCIADORAS DOS TERMINAIS DE IMPORTAÇÃO DE GNL DO JAPÃO. Terminal (local) Negishi HigashiOhgishima Tokyo Eletric Power Inicio das atividades 1969 Alaska, Brunei, Malásia. Tokyo Eletric Power 1984 Indonésia, Malásia, Qatar. Futtsu Tokyo Eletric Power 1985 Ohgishima Senboku I Tokyo Gas Osaka Gas 1998 1972 Senboku II Osaka Gas 1977 Sodegaura Tokyo Gas 1973 Operadora (Empresa) Fonte (Recebe) Brunei, Indonésia, Malásia, Qatar. Malásia, Qatar Brunei, malvasia Austrália, Indonésia, Oman, Qatar. Alaska, Austrália, Brunei, Indonésia, Malásia, Qatar. Tobata Chita LNG (Chubu Eletric Power, Toho Gas) Chita LNG (Chubu Eletric Power, Toho Gas) Kitakyushu Himeji Kansai Eletric Power Himeji II HigashiNiigata yokkaichi (LNG Centre) Yokkaichi (works) Shin Oita Yanai Fukuoka Hatsukaichi Kagoshima Sodeshi/Shimiz u Kawgoe Shin-Minato ChitaMidorihama Mizushima Sakai Wakayama Osaka Gas 1977 1978 (melhoram ento em 1984) 1984 Nihonkai LGN 1984 Malásia, Qatar Chita LNG (Chubu Eletric Power, Toho Gas) 1987 Austrália, Indonésia, Qatar. Toho Gas 1991 Austrália Indonésia, Qatar. Oita LNG Chugoko Eletric Power Saibu Gas Hiroshima Gas Nippon Gas Shimizu LGN (Shizuoka Gas, Tonem General Petroleum) Chubu Eletric Power Sendai City Gas Bureau 1990 1990 1993 1995 1996 Austrália, Qatar Austrália, Qatar Malásia Indonésia Indonésia 1996 Malásia 1997 1997 Toho Gas 2001 Chugoku Eletric Power Sakai LNG Kansai Eletric Power Sakaide LNG (Cosmo oil, Shikoku Gas, Shikoku Eletric Power 2006 2007 2011 Austrália, Indonésia, Qatar. Malásia Austrália, Indonésia, Malásia, Qatar. Em decisão Em decisão Em decisão 2011 Malásia Chita (kyodo) Chita Sakaide LNG 1977 Malásia, Qatar 1983 Malásia, Qatar Indonésia Austrália, Indonésia, Malásia. Malásia, Qatar Hachinohe, Nippon Oil 2014 Não especificado Aomori Joetsu Inpex (Teikoku Oil) 2014 Ichthys (Austrália) Fonte: PETROLEUM ECONOMIST – THE AUTHORITY ON ENERGY, 2011 69 O gás natural liquefeito é transportado para o Japão através de navios. Como citado anteriormente, esses navios podem ser oceânicos ou costeiros. As medidas de segurança tomadas para o transporte de GNL nesses modais marítimos se dão pelo refrigeramento do GNL em um líquido criogênico para que possa ser enviado por longas distâncias. O GNL chega a um terminal de recepção, o mesmo é descarregado e armazenado em grandes tanques até que seja canalizado para a rede de distribuição de GNL. Destacamos um terminal de recebimento de GNL no Japão, Chita terminal GNL, falaremos mais a seu respeito. O terminal de GNL, Chita recebeu um total de 3000 tanques de GNL, segundo o Chubu Eletric Power Co, 2011 no ano de 2011. A Chubu Eletric Power Co, opera no terminal de Chita GNL, que recebe e armazena e regaseifica as importações de GNL. De acordo o Chubu Eletric Power Co, 2011, o terminal Chita recebe GNL há 34 anos importados da Indonésia. Através dos anos o terminal Chita GNL opera sem acidentes (não existe registros de acidentes). A quantidade de GNL descarregado no terminal em 2011 chegou a cerca de 172 milhões de toneladas. A parceira da operadora Chubu Eletric Power é a Toho Gas, que importa do Qatar e Indonésia para usar como combustível para geração de energia e como material para Gás residencial, garantindo um fornecimento estável de eletricidade. No ano de 2010 a Chita terminal GNL recebeu cerca de 8,6 milhões de toneladas de GNL (140 navios), segundo o Chubo Eletric Power Co, 2011. Um dos maiores terminais de GNL do Japão é também uma base de energia indispensável para a região de Chubu, fornecendo 60% das necessidades Chubu Eletric Power e 80% das necessidades Toho Gas de GNL a cada ano, segundo a Chubo Eletric Power Co, 2011. A Chita GNL terminal é composto por: Chita Terminal de GNL, construído pela Chubu Electric Power and Gas Toho em 1977. O terminal Chita foi inaugurado em 1983 e a Chita Midorihama realiza obras da Toho Gas, inaugurado em Novembro de 2001. Estas três entidades trabalham em estreita colaboração, uns com os outros para garantir uma operação eficiente, por exemplo, ajustando o GNL recebido. Na FOTO 3 vemos o terminal de importação de GNL Chita. Na FOTO 4 vemos o navio usado para transportar o GNL a altas pressões o “Al Guarrafa”. 70 FOTO 3 – TERMINAL DE IMPORTAÇÃO DE GNL CHITA, JAPÃO. Fonte: Chubu Eletric Power Co, 2011. FOTO 4 – NAVIO TRANSPORTADOR DE GNL ATÉ OS TERMINAIS DE IMPORTAÇÃO DO JAPÃO. Fonte: Chubu Eletric Power Co, 2011. No Japão existe uma divisão de Transporte mais conhecida como Tanker (GNL Transportes), tem crescido em conjunto com o Gás do Japão e as empresas que encomendam 71 o GNL para o Japão. A demanda por GNL está em constante expansão em escala global, incluindo não só apenas as grandes remessas para o país nipônico. De acordo com o NYK Line, 2011, uma das características do negócio de transporte de GNL, inclui contratos de longo prazo com os clientes, normalmente 20-25 anos. Os negócios de transporte compreendem as flutuações do mercado em geral, representam um risco de instabilidade considerável no desempenho financeiro. Os volumes de transporte de GNL tem crescido devido ao desastre de Fukushima, isso tem aumentado as receitas nas áreas de transporte. No GRAFICO 22, temos uma visão geral dos trajetos do transporte de gás natural Liquefeito – GNL para o Japão. GRÁFICO 22 – TRAJETOS DO TRANSPORTE DE GNL PARA O JAPÃO, 2011. Fonte: NYK Line, 2011. O GNL é entregue no terminal onde é armazenado antes de ser submetido à regaseificação, que converte o GNL para sua forma gasosa. A cadeia de processos de GNL no Japão não é diferente do que é realizado em outros países. Segundo o The LNG Process Chain, 2006, desde 1964, os processamentos de importação de GNL têm seguido uma sequência semelhante. A extração do gás natural da superfície da Terra é o primeiro passo ao longo da cadeia de processos. É sabido que a maioria da oferta mundial de GNL é exportada de países com grandes reservas de gás natural. Segundo o The LNG Process Chain, 2006, 15 países 72 contêm um total de 22 plantas de liquefação de gás natural no início de 2008. Desses países, alguns são fornecedores de GNL do Japão. Na TABELA 15 apresentam-se esses países: TABELA 15 - PAÍSES COM PLANTAS DE LIQUEFAÇÃO E FORNECEDORES DE GNL DO JAPÃO, 2012. País Argélia Fornecedora do Japão Não Austrália Sim Brunei Sim Egito Não Emirados Árabes Não Iêmen Não Indonésia Sim Malásia Sim Nigéria Não Noruega Não Qatar Sim Rússia Trinidad Não Não Fonte: Própria, 2012. O gás natural que é extraído do solo é chamado “feed” de gás. Já na planta de liquefação temos o segundo passo da cadeia de processo. A retirada de alguns contaminantes de gás natural é necessária e a mesma é realizada na planta de liquefação. Segundo o The LNG Process Chain, 2006, um dos principais propósitos da planta de liquefação é fornecer uma composição consistente e de combustão através da refrigeração e a condensação de gás natural. Com esse feito é possível carregar o GNL nos navios tanques. Terceiro passo no processamento do GNL como descrito anteriormente, se consiste no transporte para o país de destino através de navios tanques. O quarto passo do processo é o recebimento de GNL nos terminais de importação. Nas instalações o GNL é armazenado antes de ser submetido à regaseificação, que converte o GNL para sua forma gasosa. No quarto passo pode ser descrito, segundo o The LNG Process Chain, 2006, como o armazenamento nos tanques e enviados para vaporizadores que aquece e regaseifica o GNL armazenado. Após todos esses passos, ele é distribuído para indústrias e residências para o consumo. No Japão, é necessário se transportar em containers e caminhões. 73 Podemos exemplificar o processo geral da cadeia do gás natural liquefeito – GNL na FIGURA 3. Onde temos evidenciado as várias etapas ao longo da cadeia de processos, que são a de extração, processamento e transporte de consumo. FIGURA 3 – A CADEIA DE PROCESSOS DE GNL - DE EXTRAÇÃO, PROCESSAMENTO E TRANSPORTE DE CONSUMO. Fonte: The LNG Process Chain, 2006 (BV, 2009). O Japão utiliza novas tecnologias para facilitar os processos de produção e estabelecer os sistemas de abastecimentos. Garantir um fornecimento seguro e estável de GNL. Segundo o Gas Facts in Japan, 2011, a eficiência de gaseificação de gás natural liquefeito (GNL), é um componente principal do Gás no Japão. Os 100% da quantidade de calor fornecida pela planta de liquefação, é o dobro do Gás manufaturado, ou seja, o processamento de regaseificação como foi relatado anteriormente. Portanto o GNL dobra o desempenho nas tubulações e efetivamente reduz o investimento com qualidade. Na FIGURA 4, podemos observar o fluxograma de produção de GNL. Podemos observar que o terminal de importação de GNL recebe em duas partes. Os navios oceânicos entregam no terminal de importação oceânica, terminal primário. Alguns caminhões tanques aguardam pelo GNL. O GNL é transportado por dutos que chegam a um medidor de pressão, que transfere para as plantas industriais. O navio doméstico é recepcionado pelo terminal de navio doméstico, o terminal secundário. Sabendo que alguns container e caminhões tanques aguardam pelo GNL. O Gás 74 Nacional é armazenado em uma estação a “piscina de Gás” como é descrito no fluxograma para assim ser transportado por tubulações, passando por uma emede que liga as áreas comerciais e residenciais. Já os modais rodoviários (caminhões) eles levam até um terminal satélite aonde abastece e é enviado a tubulações para as residências e casas comerciais. FIGURA 4 - FLUXOGRAMA DE PRODUÇÃO, TRANSPORTE, ESTOCAGEM E DISTRIBUIÇÃO DO GÁS NATURAL. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011. Para garantir que os japoneses pudessem utilizar o gás natural com segurança, os órgãos públicos criaram uma solução abrangente, um sistema de segurança que funcionam 24 horas e que monitora todas as partes da cadeia de suprimentos a partir da planta de gás da cidade até as residências – ver a FIGURA 5. Desta forma, são evitados acidentes no sistema de suprimento do usuário. 75 FIGURA 5 – GÁS SISTEMA DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 Na FIGURA 6, apresentam-se medidas de emergência a fim de prevenir desastres secundários quando um grande terremoto ocorre, o fornecimento de Gás pode ser interrompido, dependendo da situação em cada um dos blocos que compõem a área de abastecimento. Sismógrafos foram instalados em cada bloco e são utilizados como referência para fechar o fornecimento de gás. Um medidor de Gás inteligente que é instalado em cada casa também desliga automaticamente o fornecimento de Gás, e alguns modelos de equipamentos a Gás são fornecidos com um sensor de terremoto, ou seja, um dispositivo de corte. 76 FIGURA 6 – MEDIDAS DE RECUPERAÇÃO UTILIZADAS NO JAPÃO. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 Já no uso residencial o GNL, FIGURA 7 está presente em 27,1 milhões de domicílios em todo o Japão, para cocção, a água quente, sistema de aquecimento / secador, um sistema de aquecedor de água quente que aquece o piso dos quartos; e um poderoso sistema de ar condicionado a Gás. 77 FIGURA 7 – SISTEMA RESIDENCIAL. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011. 78 No uso comercial e industrial, o GNL apresenta excelente combustão e alta confiabilidade nos sistemas de controle e distribuição. O gás natural é utilizado em vários segmentos, tais como fábricas e instalações comerciais e médicas, e está contribuindo para a preservação ambiental e economia de energia por meio da geração de ar condicionado a gás e cogeração a gás – vide FIGURA 8. Para atender às necessidades variadas dos clientes, as concessionárias de gás das cidades do Japão estão desenvolvendo equipamentos de combustão altamente eficiente e sistemas para uma ampla variedade de aplicações. FIGURA 8 – GNL EM COZINHAS INDUSTRIAIS. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 Veículos a gás natural (GNV) não emitem SO 2 (óxidos de enxofre), fuligem ou outras partículas, e em comparação com a gasolina e o diesel, as suas emissões de NO (óxidos de nitrogênio) e CO 2 (dióxido de carbono) são relativamente baixas. O GNV pode ser usado em uma variedade de tipos, de carros de pequeno porte para (mais comumente) caminhões e ônibus - uma característica que os diferencia de outros veículos de baixa emissão, FIGURA 9. 79 O número de veículos a GNV nas estradas do Japão passaram de 10 mil em novembro de 2001 para 30 mil em Dezembro de 2006, e chegou a 40 mil em Março de 2011. Esforços nacionais continuarão a ser feitos para promover a difusão de automóveis a GNV. Podemos observar no GRÁFICO 23 um histórico dos veículos a gás natural no Japão. FIGURA 9 – ESQUEMA DO USO DO GNV. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 80 GRÁFICO 23 – VEÍCULOS A GÁS NATURAL NO JAPÃO, HISTÓRICO. Fonte: Gas Facts in Japan, 2011 81 CAPÍTULO 5 5. PERSPECTIVAS DO MERCADO DE GNL. 5.1 O mercado para 2030 A discussão sobre o comportamento do mercado de GLN exige um debate mais amplo das questões globais de energia. As projeções para o mercado de 2030 e suas tendências se mostram promissoras, mesmo depois de um desastre no Japão que ganhou projeções gigantescas. Os japoneses, atualmente, tentam se erguer e as previsões de estudiosos afirmam que sua recuperação será rápida, relacionando-se ao crescimento das importações de gás natural liquefeito – GNL para o seu país. No longo prazo, são identificadas mais reservas de gás natural com previsão de duração de mais de 60 anos. Com essas projeções, o mercado se aquece, ancorado na evolução das novas tecnologias e potencializando a economia mundial. Segundo o BP Statiscal Review of World Energy, 2011, após o desastre de Fukushima, a contribuição da energia nuclear para a matriz energética daquele país tende a ser menor do que anteriormente previsto. O papel atual dos mercados é responder ao desafio de atender as necessidades de energia de bilhões de pessoas que anseiam por um estilo de vida melhor, de maneira sustentável e segura. A tragédia vivida pelo Japão com o terremoto e tsunami em 11 de Março de 2011, seguido por um grande acidente nuclear, também tem implicações para o setor de energia global. Olhando para o médio prazo, os efeitos sobre a indústria nuclear, as repercussões nos mercados de petróleo e gás também podem ser esperadas para estes próximos 20 anos. De acordo com as tendências mundiais, o mundo terá uma população de 8 bilhões de habitantes até o final de 2030. Segundo o British Petroleum – BP (BP, 2011), nos últimos 20 anos, a população mundial aumentou em 1,6 bilhões de pessoas, esses dados mostram que a procura por energia culmina em um crescimento significativo. Isso evidencia que a população e a renda continuam a serem os principais impulsionadores da procura de energia. O julgamento do caminho provável de mercados globais de energia pode ser visto no GRÁFICO 24, destacando-se o crescimento da população até 2030. 82 GRÁFICO 24 – POPULAÇÃO EM 2030. Fonte: British Petroleum- BP, 2011. Segundo a BP Statiscal Review of World Energy, 2011, o crescimento populacional e de renda são as duas forças mais poderosas por trás da demanda por energia. Desde 1900, a população mundial mais que quadruplicou, o rendimento real cresceu por um fator de 25, e consumo de energia primária por um fator de 22,5. Nos próximos 20 anos, é provável que assistamos a integração global que continua rápida com o crescimento das economias de renda baixa e média. O crescimento da população está tendendo para baixo, mas o crescimento da renda está tendendo para cima. Nos últimos 20 anos, a população mundial aumentou em 1,6 bilhão de pessoas, e é projetada para crescer de 1,4 bilhões nos próximos 20 anos. A renda real do mundo aumentou 87% nos últimos 20 anos e é provável um aumento de 100% nos próximos 20 anos. No nível global, a relação fundamental na economia da energia permanece robusta – mais pessoas com mais renda significa que a produção e o consumo de energia vão subir. De acordo com o site da British Petroleum – BP (BP, 2011), o gás natural seria uma oportunidade para uma opção sustentável que está sendo implantado em grande escala. Como citado anteriormente, o gás natural comparado ao carvão gera menos da metade das emissões de carvão quando queimado. Segundo o BP Statiscal Review of World Energy, 2011 o gás natural é projetado para ser o combustível fóssil que mais crescerá a nível global até 2030. 83 No GRÁFICO 25 temos uma representação da demanda de energia por setor, até o ano de 2030. No lado esquerdo podemos notar que a demanda na região da Ásia-Pacífico crescerá aproximadamente em 250 bilhões de pés cúbicos por dia até 2030. No lado direito, observamos que a área de transportes ficará na liderança até 2030. GRÁFICO 25 – DEMANDA POR SETOR E REGIÃO PARA 2030. Fonte: British Petroleum- BP, 2011. O crescimento da demanda de gás natural liquefeito – GNL irá desempenhar um papel fundamental na crescente oferta de combustíveis. De acordo com o site da British Petroleum – BP (BP, 2011), o GN é o combustível fóssil que mais rápido cresce a nível mundial. A demanda global de GNL crescerá numa média de 2,9% ao ano até 2030. Na Ásia-Pacifico temos uma média de 4,6% ao ano, o que representa o seu nível de utilização de GNL até 2030. O GNL representa uma parcela crescente do fornecimento de Gás global projetado para crescer anualmente 4,5% até em 2030, significando um crescimento mais de duas vezes mais rápido em relação ao total da produção de Gás Global, que segundo a British Petroleum 84 – BP (BP, 2011) crescera a uma taxa de 2,1% ao ano. O GNL contribuirá com 25% do crescimento da oferta global de 2010-30 em comparação com 19% para 1990-2010, British Petroleum – BP (BP, 2011). O GRÁFICO 26 podemos visualizar a demanda de GNL para 2030. GRÁFICO 26 – DEMANDA DE GNL PARA 2030. Fonte: British Petroleum- BP, 2010 5.2 As mudanças após o desastre no Japão. Possivelmente, em face das dificuldades nucleares, a capacidade de geração de energia do Japão será mais difícil de ser recuperada na sua totalidade. O referido desastre/terremoto no Japão ofereceram opções complicadas para a estratégia energética do Japão. A energia nuclear, embora ainda em uso no Japão, é mais do que provável que enfrentará um futuro difícil de curto e médio prazo, reforçado pelo estado de alerta de contaminação nuclear. As energias renováveis, juntamente com a conservação, são prováveis pilares da política energética japonesa. A maioria dos novos equipamentos com capacidade para geração elétrica e em condições de entrar em funcionamento nos últimos quatro meses após o desastre do Tsunami foi térmica movida a GNL. 85 O Japão, que importa a maior parte das suas necessidades energéticas, sempre confiou em energia térmica, embora antes de 11 de Março de 2011, estrategistas de energia procuraram aumentar a dependência energética nuclear de 30% para 50% nos próximos 40 anos. Com gás natural, o declínio dos campos produtores convencionais, as necessidades de importação tendem a crescer até 2030. As importações de GNL, em particular, vem crescendo. No GRÁFICO 27 abaixo, é possível verificar as importações de GNL após o desastre de 11 de março de 2011 no Japão: GRÁFICO 27 – IMPORTAÇÕES DE GNL APÓS O DESASTRE NO JAPÃO. Fonte: Thomson Ruters, 2011 O desastre do Japão irá atrasar a construção de novas usinas nucleares ao redor do mundo. A parcela nuclear dos EUA de geração de energia vai diminuir gradualmente de seus atuais 20%. Os preços do gás natural são mais propensos a aumentar como resultado do desastre nuclear japonês. 86 Os efeitos do desastre nuclear do Japão serão sentidos nos mercados globais de energia nos próximos anos. A magnitude vai variar dependendo de quanto cada país depende de energia nuclear, e como cada um reage ao incidente na usina Fukushima e o desempenho global das economias industrializadas e das economias emergentes. De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, 29 países operam usinas de energia nuclear. A quota de electricidade nacionais que fornecem varia de 76% na França para 2% na Índia e na China. No entanto, como mostra a FIGURA 10 abaixo, várias usinas nucleares no Japão estão paradas e algumas em manutenção e, apesar disso, o Japão necessita de muita energia para se restabelecer. FIGURA 10 – PLANTAS DE USINAS NUCLEARES NO JAPÃO. Fonte: Thomson Reuters, 2011 87 CAPÍTULO 6 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS. O terremoto no Japão e a crise nuclear em Fukushima irão acelerar a demanda global de gás natural liquefeito – GNL e carvão para substituir a energia nuclear na produção de eletricidade (automaticamente no curto prazo devido à parada dos 11 reatores nucleares no Japão, e por causa da provável redução dos programas nucleares no futuro). As consequências do desastre no Japão impactaram nos métodos de produção de electricidade, e irão, segundo os especialistas, provocar um aumento mais rápido do que o esperado do uso de gás natural em especial das importações do GNL. A eletricidade, que é produzida atualmente no Japão através de reatores nucleares, deverá ser gerada cada vez mais com outros meios energéticos, sobretudo o GNL. Hoje, a capacidade nuclear instalada no Japão representa 28% da produção de electricidade no país e 14% em todo o mundo. Apesar de o Japão utilizar ainda a energia nuclear como fonte principal de energia, a TABELA 16 demonstra que o gás natural está ganhando cada vez mais espaço, e que ao longo dos anos a estimativa é de ultrapassar o carvão. Ficando até o ano de 2030 como a segunda fonte energética mais utilizada depois da energia nuclear. Contudo, temos que observar que esses dados podem ser alterados em novas estimativas. O Japão, atualmente, está com muitos projetos de construção de mais terminais importadores de GNL. O perigo eminente de contaminação nuclear é um dos fatores que podem culminar na mudança do gás natural como principal fonte energética para o ano de 2030. 88 TABELA 16 – FONTES PREVISTAS PARA PRODUÇÃO DE ELETRICIDADE NO JAPÃO, 2010 - 2035 (%) JAPÃO 2010 2015 2020 2025 2030 2035 Óleo 9,0 7,6 6,9 6,4 5,9 5,4 Gás natural 25,6 25,3 25,1 27,1 27,2 26,9 Carvão 28,0 28,6 26,3 24,7 23,5 22,8 Hidráulica 7,5 7,1 7,9 7,8 7,8 7,8 Nuclear 27,7 29 30,4 30,8 32,3 33,7 2,2 2,4 3,4 3,3 3,2 3,3 Biomassa Energias renováveis Fonte: Natixis, 2011 Dos 55 reatores nucleares existentes no Japão, 11 estão parados em Fukushima e isto levará a um aumento na procura de GNL. Ao médio prazo, o acidente nuclear no Japão provavelmente irá levar a uma redução do uso de energia nuclear no país do Sol nascente. A crise mundial desencadeou uma nova era na indústria energética do Japão. Este desastre despertou a necessidade e a busca dessa nova fonte que é o gás natural. 89 REFERÊNCIAS BAHIAGÁS. COMPANHIA DE GÁS DA BAHIA- BAHIAGÁS. gás natural: Benefícios ambientais no Estado da Bahia. Solisluna Design e Editora, Salvador, p.1-132, 2005. BRASIL ESCOLA. Disponível em: <http://www.brasilescola.com>. Acesso em 03 de Julho de 2011. BRITISH PETROLEUM- BP. Statiscal review of world energy 2011. Disponível em: <http://www.bp.com/sectionbodycopy.do?categoryId=7500&contentId=7068481> Acesso em 05 de Julho de 2011. BRITISH PETROLEUM- BP. Statiscal review of world energy June 2010. Disponível em: < http://www.bp.com/liveassets/bp_internet/globalbp/globalbp_uk_english/reports_and_publica tions/statistical_energy_review_2008/STAGING/local_assets/2010_downloads/statistical_rev iew_of_world_energy_full_report_2010.pdf >Acesso em 05 de Julho de 2011. CASTRO, N. J.; DANTAS, G.; BRANDÃO, R. Crise Nuclear Japonesa e o advento de um novo cenário energético. Agência Canal/Energia, Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2011. 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