UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ – UESC
KÁSSIA SOUZA DOS REIS
A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE
HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
ILHÉUS – BAHIA
2008
KÁSSIA SOUZA DOS REIS
A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE
HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
Dissertação apresentada, para obtenção do grau de
Bacharel em Línguas Estrangeiras Aplicadas às
negociações Internacionais, à Universidade Estadual
de Santa Cruz.
Área de atuação: Turismo e sistema hoteleiro
Orientador: Dr. Eduardo Jorge Costa Mielke
ILHÉUS - BAHIA
2008
KÁSSIA SOUZA DOS REIS
A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE
HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
Monografia apresentada para obtenção do grau de
Bacharel em Línguas Estrangeiras Aplicadas às
Negociações Internacionais.
Ilhéus- Ba , 4 /07/2008
_____________________________________________
Eduardo Jorge Costa Mielke – Ds
(Orientador)
_____________________________________________
Samuel Leandro Oliveira de Mattos – Msc.
(UESC)
______________________________________________
Claudete Rejane Weiss – Msc.
(UESC)
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 HOTEL BRITÂNIA e ILHÉUS HOTEL (2008) - Fonte: Google ........ 27
Figura 2 Mapa da região Sul da Bahia e da Costa do Cacau......................... 28
Figura 3 – Mapa da Bahia e a área de estudo ................................................ 35
Figura 4 Características dos meios de hospedagem consultados.................. 37
Figura 5 Empreendimentos que possuem licença ambiental do município.... 38
Figura 6 Empreendimentos que contam com fontes de energia renovável.... 40
Figura 7 Empreendimentos que utilizam o lixo orgânico ................................ 41
Figura 8 Empreendimentos que aproveitam e reciclam o lixo ........................ 42
Figura 9 Empreendimentos que limpam a área onde estão localizados ........ 42
Figura 10 Empreendimentos que reutilizam a água........................................ 43
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Karla e Elias, por não terem medido esforços para que eu
completasse mais uma etapa da minha vida;
Aos meus irmãos Kleber e Elias Neto, que sempre me deram motivos de alegria e
risos;
Aos meus avós paternos e maternos, por sempre me darem apoio e incentivo,
Dedico.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a DEUS pelo dom da vida.
Ao meu orientador, o professor doutor Eduardo Mielke, que se dispôs a me guiar,
contribuindo para o desenvolvimento desse trabalho.
Ao professor doutor e amigo Clinio Jorge, pela disponibilidade e cooperação.
A todos meus amigos que contribuíram de alguma forma para a realização dessa
pesquisa.
A Secretaria de Turismo do Município de Ilhéus
A Secretaria do Meio Ambiente do Município de Ilhéus.
A Universidade Estadual de Santa Cruz, pela oportunidade da realização do curso.
Ao colegiado do curso LEA.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...................................................................................................10
1 QUESTÃO AMBIENTAL..................................................................................16
1.1 O Sistema de Hospedagem e a Questão Ambiental....................................18
1.1.1 Gestão Ambiental.......................................................................................19
1.1.2 A ISO 14000...............................................................................................20
1.2 Desenvolvimento Sustentável (DS)...............................................................22
1.3 Turismo Sustentável......................................................................................22
2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: UM BREVE HISTÓRICO....................................24
3 HOSPEDAGEM NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS..................................................27
4 OBJETIVO GERAL...........................................................................................35
4.1 Objetivos Específicos.....................................................................................35
5. METODOLOGIA...............................................................................................36
5.1 Caracterização da Área de Estudo.................................................................36
5.2 Procedimentos da Metodologia......................................................................37
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES.......................................................................38
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................45
REFERÊNCIAS.....................................................................................................48
ANEXOS................................................................................................................51
APÊNDICE.............................................................................................................63
A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE
HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
RESUMO
Nos últimos 10 anos o turismo se desenvolveu muito e, com isso, o sistema de
hospedagem também seguiu o mesmo caminho. Este se utiliza da natureza de onde
está localizado para fazer a seu marketing. O problema é que nem sempre essa
exploração é realizada de maneira sustentável e o turismo passa a ser baseado na
exploração natural. A questão ambiental sempre gerou discussões ao longo dos
anos até atingir a atividade turística. O presente trabalho versa sobre a
responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem do município de Ilhéus,
Bahia, do ponto de vista estrutural em relação aos recursos naturais, como eles
trabalham em relação a essa questão e se utilizam de um Sistema de Gestão
Ambiental. Usou-se para tal, uma coleta de dados primários através de questionários
e entrevistas e a utilização do método bibliográfico. Ao longo da pesquisa, e com os
dados encontrados, observou-se que os empreendimentos hospedeiros parecem
não atentar para a responsabilidade ambiental e que a busca para uma melhoria
nesse aspecto não depende apenas dos meios de hospedagem, mas também, uma
atuação do governo municipal.
Palavras-chave: Meio ambiente, Gestão Ambiental, Turismo Sustentável e Meios de
Hospedagem.
A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE
HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
RESUMÉN
En los últimos 10 años el turismo se desarrolló mucho; con eso, el sistema de
hospedaje también he sufrido modificaciones. Ese sistema utilizase de la naturaleza
de donde está localizado para hacer su marketing. El problema es que as veces, esa
exploración no es realizada de manera sostenible e en lugar de tornarse un turismo
sostenible, pasa a ser un turismo embasado en la exploración natural. La cuestión
ambiental siempre he generado discusiones al largo de los años hasta entrar en el
campo del turismo. El presente trabajo versa a cerca de la responsabilidad ambiental
de los medios de hospedaje en el municipio de Ilhéus, Bahia, en ámbito de su
estructura en relación al uso de los recursos naturales, como trabajan en relación a
esa cuestión e se utilizan de un Sistema de Gestión Ambiental. Usando para tal, la
coleta de datos primarios a través de cuestionarios e entrevistas y la utilización del
método bibliográfico. Al largo de la pesquisa e con los datos encontrados se percebe
que los medios de hospedaje parecen no atentar para la responsabilidad ambiental y
que la busca para una mejoría en ese aspecto no depende sólo de los medios de
hospedaje, pero también del gobierno municipal.
Palabras llaves: Medio ambiente , gestión ambiental, turismo sostenible y medios de
hospedaje
INTRODUÇÃO
A questão ambiental é um tema de relevância global que há muitas décadas
vem se tornando uma variável crítica para a análise de determinadas empresas e
organizações. Os primeiros movimentos ambientalistas surgiram na década de
sessenta (Valle, 2000), com o passar dos anos foram se criando novas
regulamentações, surgindo selos ecológicos e um maior desenvolvimento de visão
crítica por parte da sociedade.
É a partir da década de 1990 que o termo “qualidade total” passou a fazer
parte do cotidiano das pessoas (Moura, 2002) e é quando ocorre o Eco 92, encontro
promovido pela CNUMAD, Conferencia das Nações Unidas para o Meio ambiente e
Desenvolvimento, que consolidou a expressão “desenvolvimento sustentável”
baseada na concepção de que se deve atender às necessidades das gerações
futuras (DIAS, 2003).
A partir daí, várias organizações e empresas começaram a demonstrar
compromisso com essa questão, mas pela questão econômica que pela atitude
simples de preservar (RUSCHMAN, 2000).
Foi também na década de noventa que a indústria turística brasileira passou
a mostrar significativo crescimento, e, hoje, essa atividade é a que gera mais renda
no mundo.
De fato, de acordo com a Embratur, Instituto Brasileiro de Turismo, o Brasil é
um dos países da América Latina que mais experimentaram crescimento: no ano de
2000, o país recebeu 5,3 milhões de turistas estrangeiros; em 2002, cerca de 3,8
milhões, em 2005, este numero chegou a 5,4 milhões, em 2006 e 2007 , 5 milhões .
Ainda conforme a Embratur, existem cerca de 300 roteiros com potencial
turístico no Brasil. O país tem cerca de duas mil praias ao longo de mais de 8 mil
quilômetros de litoral. Além disso, abriga 22% da flora, 10% dos anfíbios e
mamíferos e 17% das aves do mundo.
Entendendo que a responsabilidade ambiental não só era necessária, mas
indispensável, a indústria hoteleira também se comprometeu em desenvolver a
gestão ambiental.
Hoje, o conceito de gestão ambiental, que se aplica a uma grande variedade
de iniciativas relativas a qualquer tipo de problema no meio ambiente (Barbiere,
2004), tornou-se imprescindível na busca da qualidade total, que vai desde uma
imagem nacional e internacional até a diminuição de custos.
Visando a questão ambiental como uma oportunidade competitiva, a
empresa tem mais chances de lucrar e sobreviver e é dando ênfase a essa
oportunidade de lucro é que se podem controlar melhor os danos ambientais
causados ao meio (KINLAW, 1997).
Por outro lado, os turistas estão muito mais exigentes, não só requerendo
uma boa comodidade e hospedagem, mas apreciando também o fato de o lugar
onde está hospedado preservar o meio ambiente. Há uma tendência de que os
meios de hospedagem se utilizem em toda sua estrutura de produtos sustentáveis,
ecologicamente corretos. Os estrangeiros preferem hospedar-se em lugares que se
preocupam com o meio ambiente e a garantia dessa preocupação às vezes pode
ser caracterizada nos certificados e selos. Esse tipo de turismo sustentável não é
tido mais como um diferencial, mas como uma necessidade atual, segundo Dias
(2003, p.106):
O turismo sustentável pode ser definido como o que não
compromete a conservação dos recursos naturais sobre os quais se
sustenta, e que, portanto, reconhece explicitamente a necessidade
de proteção do meio ambiente. Busca a manutenção de um equilíbrio
entre os três eixos básicos nos quais se apóia: suportável
ecologicamente, viável economicamente e eqüitativo desde uma
perspectiva ética e social.
As agressões ao meio podem trazer prejuízos muitas vezes irreversíveis á um
núcleo turístico (Petrocchi, 1998); por isso é importante que o turismo seja
embasado na sustentabilidade. Porém, o desenvolvimento do turismo sustentável
nos países emergentes constitui um obstáculo, já que os próprios governos não são
sustentáveis (SWARBROOKE, 2000).
De acordo com Lage e Milone (2004), os impactos são bilaterais quando uma
atividade econômica gera um novo produto e nem sempre os efeitos negativos são
detectados. Em contrapartida a idéia de crescimento local é exagerada quando se
fala de um novo empreendimento hoteleiro.
Entretanto, há um número crescente de empresas hoteleiras que tentam lidar
com os impactos negativos dessa atividade econômica, em sua maioria, ambientais,
e às vezes transformam seu empreendimento turístico em ecoturístico, que, para
Silva e Coutinho (apud Dias, 2003), designa a modalidade do turismo fundada na
proposta do desenvolvimento sustentável.
Tal modalidade de desenvolvimento induz a um espírito de responsabilidade
como processo de mudança na qual a exploração dos recursos materiais, os
investimentos financeiros e as tecnologias devem adquirir sentido harmonioso
(DONAIRE, 1999).
Há uma forte relação entre qualidade total e sustentabilidade, pois um hotel
que aplica a gestão ambiental passa a ter em mãos uma ferramenta que acaba
modificando seu espaço como um todo. Em muitos meios de hospedagem no Brasil
e no exterior, o uso e reuso dos seus recursos, diminuição de gastos com água, gás
e energia em geral não passam de atividades corriqueiras. No Brasil a ISO 14000 é
um certificado que garante essas condições em diversos setores, inclusive na
indústria hoteleira (DONAIRE, 1999).
Um hotel que aplica a gestão ambiental deve treinar seus funcionários de
maneira intensiva, e, se for necessário, envolver até seus hóspedes para que essa
gestão não seja superficial. Além de utilizar de diversas alternativas para a
deposição dos resíduos, sólidos ou não, da reutilização dos produtos e da
reciclagem de materiais, deve adquirir produtos ‘amigos do meio ambiente’, que
amenizam os gastos hídricos e energéticos.
No estado da Bahia, cresce a cada ano novos empreendimentos hoteleiros
que têm a responsabilidade ambiental como cerne de sua estrutura. Como
exemplos, podem ser citados os complexos de resorts na Costa do Sauípe e na
Linha Verde. Esses recebem a cada ano uma grande quantidade de turistas
estrangeiros que passam a ser clientes depois de desfrutar de uma mistura de
comodidade, luxo e preservação ambiental.
A BAHIATURSA, órgão oficial do turismo na Bahia, diz que Sauípe teve
média de ocupação de 52% em 2001 e ainda ampliou a capacidade receptiva em
três mil leitos, gerando cerca de 2.100 empregos diretos.
A Bahia está em terceiro no ranking da EMBRATUR, Instituto Brasileiro de
Turismo, de lugares mais visitados por estrangeiros. Até 2010, a meta é chegar a
7,22 milhões de turistas, crescimento de 8%/ano. Esses visitantes gerariam US$ 1,5
bilhão. Hoje são 4,05 milhões de turistas e US$ 811 milhões em faturamento com o
turismo.
Em Ilhéus, Bahia, local onde se dá a pesquisa, os atributos que geram
uma grande demanda turística são a praias, o sol e a história local conhecida
mundialmente através dos romances de Jorge Amado.
Segundo dados da BAHIATURSA, em 2000, o município recebeu 180 mil
turistas, passando para 200 mil em 2001 e atingiu a marca de 220 mil em 2002,
um crescimento de 10% ao ano. Desses, 92,7% correspondem a turistas
nacionais e 8,3% a estrangeiros da Suíça, Argentina, Itália, EUA, Alemanha,
Cuba, Portugal e França (maiores pólos emissores). Já os anos de 2006 e 2007
foram marcados pelos transatlânticos que aportaram no município nos períodos
de alta estação.
Atualmente as sociedades estão cada vez mais conscientizadas com os
problemas ambientais pelos qual o mundo está passando, esses começaram a partir
da má utilização dos recursos naturais, pois no século passado pensava-se que o
meio-ambiente teria a capacidade de “auto-renovação” ou nem se pensava nessa
questão, surge daí a idéia de preservação onde não mais se pode adotar uma
política extrativista considerando o meio ambiente como uma fonte inesgotável de
matéria prima e por isso dá-se a importância de evitar o desperdício de água,
energia, combustível, alimentos e ainda outros recursos, além de incentivar a
redução de lixo, o reaproveitamento, a coleta seletiva e o consumo responsável.
O turismo é a atividade que mais cresce na atualidade, já tendo atingido o
status de principal atividade econômica do mundo. (Dias, 2003). No entanto, o
desenvolvimento tradicional de um destino turístico leva ao esgotamento dos
recursos naturais, e gerando consequentemente um abandono pelos turistas. Por
isso os investimentos em marketing e infra-estrutura devem ser avaliados dentro de
novos parâmetros, os turistas estão cada vez mais exigentes e buscam um serviço
de qualidade total, que seria além do básico, a preocupação com o meio ambiente e
a promoção de continua viabilidade econômica.
Nesse contexto, os hotéis hoje estão procurando se organizar de acordo com
esse novo conceito de gestão ambiental, para poderem obter selos de certificação.
Com essa postura, contribuem para a conservação da biodiversidade, auxiliam na
manutenção da qualidade ambiental dos atrativos turísticos e na proteção de
espécies ameaçadas. Por outro lado, acabam tendo vantagens econômicas, pois
essa gestão proporciona um diferencial de marketing, que gera vantagens
competitivas, facilitando o acesso a novos mercados, principalmente o internacional.
Baseando-se nessa abordagem inicial, surge uma questão que permeia a
discussão em torno da Gestão Ambiental no âmbito dos meios de hospedagem da
cidade de Ilhéus. Será que esses empreendimentos atuam de maneira responsável
quanto à questão ambiental?
No município de Ilhéus, é inquestionável o fato de cada hotel usar os recursos
naturais de onde está implantado para construir sua imagem no cenário nacional e
internacional. Em virtude dos problemas ambientais e da necessidade de ação por
parte dessa indústria que utiliza a natureza, direta e indiretamente como forma de
beneficio econômico é que surge a necessidade de um estudo que possibilite uma
maior compreensão do problema ambiental sob o ponto de vista da responsabilidade
hoteleira.
A estrutura do trabalho está dividida em seis capítulos além da introdução e
das considerações finais.
O primeiro apresenta os meios de hospedagem como um todo, do ponto de
vista teórico em âmbito nacional e internacional, apresentando aspectos históricos e
dados estatísticos nessa área.
O segundo capitulo versa sobre a historia dos meios de hospedagem no
município de Ilhéus, Bahia. Apresentando os mesmos, apresentando dados
estatísticos e citando todos os empreendimentos dessa área.
O terceiro capítulo trata da Questão Ambiental de um modo geral,
acontecimentos marcantes. Esse capítulo apresenta a relação ambiental com os
meios de hospedagem e também discursa sobre gestão ambiental e a ISO 14000;
além de abordar o desenvolvimento sustentável e o turismo sustentável.
Já o quarto capítulo será destinado à apresentação dos objetivos gerais e
específicos do trabalho. O quinto, apresentará a metodologia. Nele, será abordada a
caracterização da área de estudo, os métodos utilizados e as limitações
encontradas.
Em seguida, o sexto indicará os resultados baseados em gráficos e
discussões. Por fim, as considerações finais constituirão de uma reflexão sobre o
tema central do trabalho, estabelecendo relações entre os tópicos abordados e os
resultados obtidos.
1 A QUESTÃO AMBIENTAL
Ao longo da história o homem sempre utilizou os recursos naturais e gerou
resíduos com baixíssimo nível de preocupação (Moura, 2002). Logo após a
Revolução Industrial o crescimento econômico deu-se de forma desordenada, eram
utilizadas grandes quantidades de energia e recursos naturais (Dias, 2003). Os
problemas ambientais provocados pelos seres humanos existiam a partir da crença
de que a natureza existe para servir o homem (BARBIERE, 2004).
A partir da década de 1960 começou a mudar a situação de descaso (Moura,
2002), pois houve uma intensificação do crescimento econômico mundial, os
problemas aumentaram e passaram a ter maior visibilidade (Dias, 2003). Nessa
mesma década, profissionais de diferentes países se reuniram em Roma para
prevenir e analisar os riscos de um crescimento contínuo, baseados nos recursos
naturais esgotáveis (Valle, 2000). Constataram que a sustentabilidade do planeta
estava gravemente abalada. Ainda nessa época houve o surgimento dos primeiros
movimentos ambientalistas motivados pela contaminação das águas nos países
industrializados e a publicação do livro “Silent Spring” por Rachel Carson, que gerou
uma enorme repercussão na opinião pública (Dias, 2003). Tal obra foi escrita com o
objetivo de alertar o público e incentivar as pessoas a reagir contra o abuso de
pesticidas químicos.
Nas décadas seguintes ocorreram contaminações ambientais com sérias
repercussões (Moura, 2002). Medidas foram tomadas e a época de 70 foi conhecida
como a década da regulamentação e do controle ambiental (VALLE, 2000).
Em 1972, a Assembléia das Nações Unidas realizou em Estocolmo, Suíça,
uma Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano (Dias, 2003), na qual
evidenciou-se a diferença entre países ricos e pobres na visão do problema
ambiental, pois os pobres, inclusive o Brasil, achavam que os controles
internacionais iriam frear o crescimento deles (MOURA, 2002).
No final da década de 1980, começa a mudar a visão das empresas que
analisavam a proteção ambiental por um ângulo defensivo, estimulando apenas
soluções corretivas. Assim, elas passam a analisá-la como uma necessidade,
relacionando-a à redução de desperdícios e a uma boa imagem. Ainda nessa
década, entram em vigor as legislações específicas, leis regulamentadoras da
atividade industrial no tocante à poluição (MOURA ,2002).
Na década de 1990, o termo “qualidade ambiental” começa a fazer parte do
cotidiano das pessoas (Moura, 2002). Muitas empresas passam a se preocupar com
a racionalização do uso da energia, matérias-primas e reciclagem. Em 1992, a
CNUMAD, Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
realizou no Brasil o Eco 92, Rio 92 ou Cúpula da Terra e mostrou que a questão
ambiental ultrapassara os limites das ações isoladas e localizadas para se constituir
em um problema para toda a humanidade (VALLE, 2000).
Conforme Barbiere (2004), os documentos produzidos a partir dessa cúpula
foram a “Agenda 21”, programa que apresenta recomendações específicas para os
diferentes níveis de atuação e versa sobre todos os assuntos relacionados ao meio
ambiente. No Brasil, esse documento foi reformulado e concluído em 2002, baseado
na realidade da população brasileira. Outro documento foi a Declaração do Rio
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Apresenta 27 princípios que orientam
as ações de governo para procedimentos recomendáveis à preservação do meio
ambiente (MOURA ,2002).
É evidente que a construção de uma nova ordem ambiental, para ser
eqüitativa, deve basear-se no equilíbrio das opções de transformação produtiva. Há
países que, por seu avanço tecnológico, desfrutam de maiores níveis de bem-estar e
podem designar maiores recursos para a proteção do meio ambiente, e não deveria
fazê-lo em prejuízo dos que se encontram na mudança da retaguarda tecnológica e
apresentam altos níveis de pobreza (ALAVERA apud DIAS, 2003, p. 42).
Mas para que haja uma participação ativa de toda a sociedade para formação
dessa nova ordem ambiental, é necessário que as indústrias, entre as quais a
hoteleira percebam que fazem parte diretamente do meio ambiente, com ele
devendo interagir, e, para tal, preservá-lo.
1.1 Os Sistemas de Hospedagens e a Questão Ambiental
A hotelaria é uma indústria de serviços, e como qualquer outra afeta e
modifica o espaço em que está inserida, seja de maneira negativa ou positiva. Essa
afetação negativa ocorre no meio ambiente e é por esse motivo que aumenta a
necessidade de determinar certas mudanças no estabelecimento hospedeiro.
Porém, ainda são poucos os que agem de maneira preventiva, evitando ou pelo
menos, tentando evitar tais impactos.
Segundo Kilaw (1997), a competição do mercado força a empresa a aderir à
prática cotidiana de desempenho sustentável. Seus principais problemas dizem
respeito ao consumo inadequado e exacerbado da água, à má utilização da energia,
à reciclagem de materiais e ao descarte de resíduos. O maior problema dos meios
de hospedagem se deve aos materiais industrializados que dão suporte à sua
atividade (BARBIERE, 2004).
A água potável é um dos recursos mais atingidos (Dias, 2003), e, em sua
maioria, não há uma reutilização desse recurso. Outro grave problema é a
deposição de resíduos e lançamento indevido, que chega a ser a principal causa de
poluição em determinados ambientes.
No Brasil, atualmente, muitos sistemas de hospedagem vêm abraçando a
sustentabilidade como meio de praticar uma hotelaria ambientalmente adequada e
com isso, lucrando com a iniciativa; no entanto, uma mudança de gestão ainda é um
desafio porque há um alto grau de informalidade da atividade turística, muita falta de
educação ambiental e um sistemático descumprimento das normas e legislações
elaboradas pelo governo, por sinal, tidas como das mais modernas e avançadas do
mundo. O capítulo VI do Título VII (da Ordem Social) da atual Constituição diz que o
meio ambiente deve ser preservado acima dos interesses de privilégios imediatos e
individualistas e isso cabe ao poder público e à coletividade.
As próprias áreas passíveis de exploração turística, no caso, a área onde está
localizado o empreendimento hospedeiro pode se transformar num agente do
processo de educação conservacionista se utilizar da gestão ambiental em sua
administração, além de melhorar seu marketing, demonstrando no exterior a
preocupação do país com o bem-estar do turista, aliada à preservação dos recursos
ambientais (RUSCHMAN, 2000).
Foi com esse objetivo que a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis,
ABIH, assumiu a responsabilidade de desenvolver a gestão ambiental e, no ano de
2001 adquiriu os direitos de tradução e adaptação de um manual prático de
adequação ambiental, produzido pela International Hotel Environment initiative, IHEI,
e assim foi criado o programa de responsabilidade ambiental HÓSPEDES DA
NATUREZA.
Em 2002, a ABIH reformulou a estrutura do programa, adequando-o à
realidade brasileira e firmou contrato com o Instituto Brasileiro de Qualidade e
Produtividade. As metas desse programa é a adequação ambiental como ferramenta
de marketing, a capacitação da mão-de-obra, a promoção do turismo sustentável e a
redução do custo operacional por meio da gestão ambiental.
1.1.1 Gestão Ambiental
Para que um empreendimento hoteleiro se torne responsável pelo meio
ambiente, deve ter, no mínimo, consciência de que deve minimizar os impactos
ambientais. Mas para que isso aconteça, deve-se adotar normas de Gestão
Ambiental, que pode ser definida como um conjunto de políticas e práticas
administrativas que visam a uma qualidade total dos serviços e no ambiente de
trabalho. A Gestão Ambiental não passou a se destacar somente pela contribuição
positiva que agrega à imagem da empresa, mas também para evitar os efeitos
danosos que um mau desempenho ambiental pode causar à imagem (VALLE,
2000).
Para Donaire (1999), o planejamento estratégico e operacional deve ser
incorporado ao programa de Gestão Ambiental a fim de que os objetivos ambientais
sejam compatíveis com os demais objetivos da empresa. Para que esses objetivos
sejam alcançados, o Sistema de Gestão Ambiental deve estar em consonância com
a política ambiental estabelecida em cada município.
Nesta linha, Moura (2002) diz que a implantação de um Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) é uma das melhores formas para conseguir obter um melhor
desempenho ambiental em uma organização. Os principais fundamentos que
justificam a adoção e prática de um SGA é a redução de custos e minimização de
futuros ônus ambientais. Além disso, a legislação está cada vez mais exigente e as
instituições financeiras dão mais privilégios às empresas ambientalmente corretas.
Para Barbiere (2004), a adoção de um modelo de SGA é fundamental e cada
empresa pode criar o seu ou adotar modelos de instituições internacionais ou
nacionais. Porém não deve ser hermético e inflexível (MOURA,2000).
O SGA constitui o primeiro passo para a certificação do empreendimento nas
normas da série ISO 14000 (VALLE, 2000).
Princípio 1
Uma organização deve focalizar aquilo que
precisa ser feito - deve assegurar comprometimento
ao SGA e definir sua política.
Princípio 2
Uma organização deve formular um plano
para cumprir com sua política ambiental.
Princípio 3
Para
uma
efetiva
implantação,
uma
organização deve desenvolver as capacidades e
apoiar os mecanismos necessários para o alcance
de suas políticas, objetivos e metas.
Princípio 4
Uma organização deve medir, monitorar e
avaliar sua performance ambiental.
Princípio 5
Uma
organização
deve
rever
e
continuamente aperfeiçoar seu sistema de gestão
ambiental,
com
o
objetivo
de
aprimorar
desempenho ambiental geral.
Quadro 1 Princípios e Elementos de um Sistema de Gestão Ambiental
Fonte: Ambiente Brasil (2008)
seu
A ISO 14000
A International Organization for Standardization (ISO) é um organismo
mundial constituído em 1947 e que tem a ABNT, Associação Brasileira de Normas
Técnicas, como um dos seus membros fundadores.
A família de normas NBR ISO 14000 trata da questão ambiental e essa série
é concebida apenas como um sistema orientador para melhorar o desempenho
ambiental da organização através da melhoria continua do seu sistema de Gestão
(Valle,2000) e pode ser aplicada em qualquer tipo de organização, independente de
seu porte ou setor de atuação (Barbiere,2004). De acordo com Valle (2000), uma
organização deve cumprir três exigências básicas expressas na norma ISO 14001
(norma certificadora da série) que é a implantação do SGA, o cumprimento da
legislação ambiental aplicada ao local da instalação e o comprometimento com a
melhoria continua de seu desenvolvimento ambiental.
NBR
ISO/14001
NBR
ISO/14004
NBR
ISO/14015
NBR
ISO/19011
NBR
ISO/14020
NBR
ISO/14021
NBR
ISO/14024
NBR
ISO/14031
NBR
ISO/14040
NBR
ISO/14041
NBR
ISO/14042
NBR
ISO/14050
Sistemas de Gestão Ambiental – Especificações e Diretrizes para uso
Sistema de Gestão Ambiental – Diretrizes gerais sobre princípios e
técnicas de apoio
Gestão Ambiental – Avaliação ambiental de locais e organizações
Diretrizes para auditorias de sistemas de gestão de qualidade e/ou
ambiental
Rótulos e declarações ambientais – princípios gerais
Rótulos e declarações ambientais – Auto declarações ambientais
(Rotulagem Ambiental – Tipo II)
Rótulos e declarações ambientais – Rotulagem ambiental - Tipo I –
princípios e procedimentos
Gestão Ambiental – Avaliação de desempenho ambiental – diretrizes
Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura
Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Definição de objetivo,
escopo e análise de inventário
Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – avaliação do impacto do
ciclo de vida
Gestão Ambiental – Vocabulário
Observa-se na tabela acima a apresentação do modelo de SGA da família
ISO 14000, tendo como ponto de partida o comprometimento da alta administração
e a formulação de uma política ambiental.
1. 2 Desenvolvimento Sustentável (DS)
O conceito mais empregado de desenvolvimento sustentável surgiu no
relatório de Brundtland em 1987, “nosso futuro comum” da Comissão Mundial sobre
Meio Ambiente (CMAD). Ele diz que o DS é o desenvolvimento que vai ao encontro
das necessidades do presente sem impedir as futuras gerações de satisfazerem
suas necessidades.
Esse relatório serviu para consolidar o conceito de DS e estabeleceu
diretrizes para o tratamento do tema nos anos seguintes por meio da cooperação
dos países (DIAS, 2003).
O conceito de DS tem três vertentes principais: crescimento econômico,
eqüidade social e equilíbrio ecológico (DONAIRE, 1999).
Em 1992 foi criada uma Comissão para o Desenvolvimento Sustentável
(CDS) como apoio às propostas da Rio 92 e, em 2002, essa comissão organizou a
Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio + 10 (DIAS,
2003).
Segundo o IBGE, em 2004, existiam 59 indicadores de DS no Brasil, entre os
quais o consumo de CFC que caiu mais de duas toneladas e manteve o Brasil à
frente de alguns signatários da Agenda 21.
1.3 Turismo Sustentável
Paralelamente ao crescimento da consciência ambiental, o turismo se
desenvolveu de uma forma rápida (Dias, 2003). Em 1982, a Organização Mundial do
Turismo (OMT, 1982: 54) divulgou a Declaração sobre Turismo e Meio Ambiente que
diz:
O desenvolvimento da atividade de férias e tempo livre e uma
saudável gestão do meio ambiente são dois elementos essenciais e
interdependentes de um rico processo de desenvolvimento [...] a
única forma de turismo aceitável é a que melhora, protege e
salvaguarda o meio ambiente.
De acordo com o relatório de Brundtland, a OMT definiu o desenvolvimento
sustentável turístico como aquele que atende às necessidades dos turistas atuais e
das regiões receptoras e, ao mesmo tempo, protege e fomenta as oportunidades
para o turismo futuro.
Conforme Dias (2003, p. 22), para se atingir a sustentabilidade no turismo, é
imprescindível a participação do Estado e da existência de planejamento. Além da
educação:
[...] a relação turismo e meio ambiente deve ser imediata por
um trabalho intenso de educação ambiental, para que não se repitam
os erros do passado, quando os recursos podiam ficar cada vez mais
disponíveis para usufruto imediato, sem preocupação com sua
manutenção.
Ruschman (2000) diz que se deve estimular o desenvolvimento harmonioso e
coordenado do turismo, já que, se não houver o equilíbrio com o meio ambiente, a
atividade turística comprometerá sua própria existência.
2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: UM BREVE HISTÓRICO
As primeiras acomodações eram partes de residências privadas e os
viajantes eram hospedados como se fossem membros da família (GOELDER, 2002).
Segundo Duarte (2005), a primeira notícia sobre a criação de um espaço
destinado especificamente à hospedagem vem de alguns séculos antes de Cristo.
Já as leis que regulamentavam esses estabelecimentos foram criadas na França no
século XIII.
Vários fatores foram determinantes para que o sistema de hospedagem
experimentasse significativas mudanças estruturais e organizacionais. As novas
adequações nas hospedagens refletem-se na criaççao de novas normas e padrões
para direcionar suas atividades e diferenciar suas categorias.
Como esse sistema data de muito tempo, desde o surgimento da sociedade
antiga, seria inevitável sofrer grandes transformações, à medida que as mudanças
sociais, políticas e econômicas iam se sucedendo.
Passadas algumas décadas, a indústria hoteleira começa a apresentar um
crescimento razoável devido ao aumento do número de viagens, facilitado pelo
desenvolvimento dos meios de transporte (CASTELLI, 1999).
Como qualquer indústria, as mudanças interferiram na mão-de-obra, que
passou de familiar, barata e desqualificada, para a profissionalização (COOPER,
2000).
O desejo de viajar foi incentivado no século XIX. Hoje a sociedade
contemporânea vive a era do lazer, na qual as viagens são uma das atividades mais
apreciadas (CASTELLI, 1999).
Já no final do século XX a atividade hoteleira passou a se expandir e novos
empreendimentos foram implantados.
A década de 40 destaca-se pelos hotéis imponentes e a de 70, pela chegada
de cadeias internacionais, o que rrepresentou uma mudança no sentido de a
hotelaria brasileira passar a ter uma administração profissionalizada.
Na década de 90, o Brasil começa a receber investimentos de capital
estrangeiro e, no final do século XX, surgem os resorts, que já vinham se
expandindo desde o início, pois os empresários já buscavam um empreendimento
que aliasse a comodidade de serviços às belezas naturais.
A origem deles pode ser marcada pela construção do TRANSAMÉRICA da
Ilha de Comandatuba, o CLUB MED e o PRAIA do FORT-ECO RESORT, todos
localizados na Bahia.
No final dos anos 90, surge um novo destino turístico, a COSTA DO SAUIPE
RESORT, com cinco hotéis de luxo, que além de aumentar significativamente a taxa
de disponibilidade, revelava claramente a intenção de grupos internacionais
investirem forte no litoral baiano.
Em 2007, o parque hoteleiro nacional contava com 5.700 meios de
hospedagem no Brasil, dos quais aproximadamente 18.000 hotéis e pousadas.
Havia, ainda, outros 7.500 meios de hospedagem, tais como residenciais, flats,
alojamentos, albergues, clubes, representando uma oferta de 1,1 milhões de
apartamentos – unidades hoteleiras (UHS) – e gerando cerca de 500 mil empregos
diretos e mais de 1.500 indiretos.
Entre os associados da ABIH, Associação Brasileira de Indústria Hoteleira,
estão cerca de 2.000 empreendimentos.
Como se observa no quadro abaixo, a Bahia se encontra na segunda posição
em relação ao número de empreendimentos instalados no interior; na terceira
quanto ao número de hotéis instalados nas capitais e número de associados da
ABIH. Finalmente está na quarta colocação em relação ao número de
empreendimentos em municípios.
Pode-se notar também que alguns Estados possuem um número irrisório de
instalações hospedeiras nos municípios e interior, e a maior concentração destes se
dá nas capitais, ao contrário dos Estados que estão no ranking das categorias
mencionadas acima, exceto Rio de Janeiro. Porém, o Rio de Janeiro apresenta 90%
dos seus hotéis associados, enquanto a Bahia e Santa Catarina possuem 85% e
83% respectivamente.
Nº DE HOTÉIS Nº DE HOTÉIS
Nº DE
NAS CAPITAIS NO INTERIOR MUNICÍPIOS
ESTADOS
TOTAL DE
ASSOCIADOS
ACRE
10
3
1
13
ALAGOAS
40
12
7
55
AMAZONAS
30
AMAPÁ
12
34
10
46
BAHIA
64
89
27
153
CEARÁ
56
9
4
65
DISTRITO FEDERAL
35
9
6
44
ESP. SANTO
11
10
4
21
GOIÁS
34
17
6
51
MARANHÃO
17
1
1
18
MINAS GERAIS
37
44
30
81
MATO GROSSO
8
2
1
10
MT. GROSSO DO SUL
34
26
10
60
PARÁ
19
17
8
36
PARAIBA
30
1
1
31
30
Nº DE HOTÉIS Nº DE HOTÉIS
Nº DE
NAS CAPITAIS NO INTERIOR MUNICÍPIOS
ESTADOS
TOTAL DE
ASSOCIADOS
PIAUÍ
7
1
1
8
PARANÁ
58
45
12
103
RIO DE JANEIRO
114
73
20
187
RIO GDE. DO NORTE
56
15
5
71
RORAIMA
15
RIO GDE. DO SUL
29
71
41
100
ST. CATARINA
85
250
57
335
SERGIPE
20
1
1
21
SÃO PAULO
43
67
41
110
TOCANTINS
9
16
10
25
905
835
312
1.740
TOTAL
15
Quadro 3 Número de Meios de Hospedagem brasileiros
Fonte: ABIH (2008)
3 HOSPEDAGEM NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS
No município de Ilhéus, as primeiras hospedagens localizavam-se no centro,
estrategicamente ao lado do porto (que tinha grande movimentação na época,
devido às exportações de cacau, produto cultivado e gerador de renda na economia
regional) e eram normalmente casas de família.
Em 1930 foi construído no município o primeiro prédio do interior do Norte e
Nordeste do país, o ILHÉUS HOTEL, que foi também o primeiro da Bahia a
implantar um elevador (ALVES, 2000).
Esse hotel foi fruto da visão empreendedora e espírito pioneiro do Coronel
Misael Tavares, que era o maior produtor individual de cacau do mundo, na sua
época. Queria dotar a cidade de Ilhéus de um equipamento hoteleiro de alto nível,
como nas grandes cidades.
Para sua construção e funcionamento quase tudo foi importado da Europa,
principalmente da Inglaterra, França e Alemanha. O prédio teve o primeiro elevador
do interior da Bahia, com gerador próprio, necessário para suprir o precário
fornecimento de energia elétrica da cidade. Água encanada nos apartamentos,
telefone e sanitários completos para damas, cavalheiros, foram novidades.
Em 1960, o HOTEL BRITÂNIA passou a destacar-se e dividir a demanda de
hóspedes com o ILHÉUS HOTEL. Hoje, ainda estão em funcionamento estes dois
empreendimentos que fizeram parte da história do município.
Figura 1 HOTEL BRITÂNIA e ILHÉUS HOTEL (2008) - Fonte: Google
Em 1975 surgiram o ILHÉUS PRAIA HOTEL e o PONTAL PRAIA HOTEL. Na
década de 80 um grupo de suíços investiu em um empreendimento hoteleiro, o
HOTEL JARDIM ATLÂNTICO, que, segundo a Embratur na época, caracterizou-o
como empreendimento voltado ao turista internacional (MENDONÇA, 2000).
Em 1986 houve um crescimento do parque hospedeiro com a construção de
grandes hotéis, destacando-se
os resorts TOROROMBA
ECORESORT E
CANABRAVA RESORT.
Hoje, no município de Ilhéus existem 80 empreendimentos de hospedagem,
divididos em pousadas (maioria), hotéis e resorts (minoria). Desses, apenas 52
empreendimentos hoteleiros que estão associados à Associação de Turismo de
Ilhéus (ATIL) e somente quatro, à ABIH – Bahia. Como se pode ver no mapa a
seguir, a região pontilhada corresponde a todos os meios de hospedagem do
município. Grande parte dos estabelecimentos está localizada na região sul e na
Rodovia Ilhéus/Olivença (estância hidromineral do município); algumas na Rodovia
Norte Ilhéus / Itacaré (rodovia que liga o município a cidade de Itacaré (distância de
70km) e apenas seis no centro da cidade.
Figura 2 Mapa da região Sul da Bahia e da Costa do Cacau com modificações
Fonte: Google
Pode-se dizer que os empreendimentos voltados à hospedagem se
desenvolveram paralelamente ao desenvolvimento do turismo na região, que teve
início logo após o declínio do cacau.
Por essa razão, uma grande quantidade de pousadas, em sua maioria, eram
casas de família, que viram no turismo outra forma de se sustentarem.
De fato, com o passar dos tempos foram chegando inúmeras pessoas das
regiões Sul e Sudeste, além de estrangeiros suíços, alemães, italianos e espanhóis,
que viram na região um alto potencial. No quadro seguinte, estão listados todos os
empreendimentos de hospedagem localizados no município de Ilhéus.
NOME DO
ENDEREÇO
CONTATO
ACAMPAMENTO
Rodovia Ilhéus/Itacaré
(73)3656-7066
BATISTA
Km10 / Marisol
(73)3656-3012
EMPREENDIMENTO
www.igrejateosopolis.com
POUSADA SOL DO
Pontal/ Av.Lomanto
(73)3632-8059
ATLÂNTICO
Junior n°1450
www.pousadasoldoatlantico.com
CENTRO CRISTÃO DE
Rodovia Ilhéus/Uma
(73)3269-7144
RECREAÇÃO
Km29 / Acuípe
(73)3269-1000
www.centrocristao.com.br
CHALÉS COSTA BRAVA
Rodovia Ilhéus/ Uma
(73)3269-1299
Km20 /Jarí
(73)3269-1037
POUSADA E CHALÉS
Rodovia
(73)3269-1294
SONHO MEU
Ilhéus/Olivença Km09
www.chalesonhomeu.com.br
POUSADA VITÓRIA
Rodovia
(73)3632-4997
Ilhéus/Olivença Km01
(73)3632-8007
www.pousadavitoria.com.br
POUSADA 13 DE MAIO
POUSADA ACONCHEGO
POUSADA ALDEIA MAR
Pontal/ Rua 13 de maio
(73)3632-3133
n°202
(73)8117-9914
Rodovia
Ilhéus/Olivença Km0
(73)3632-1133
Rodovia
(73)3269-1110
Ilhéus/Olivença Km10
(73)3269-1633
POUSADA ARCO ÍRIS
Rodovia
(73)3269-1540
Ilhéus/Olivença Km08
www.arcoirisilheus.com.br
POUSADA BALLY
Rodovia Ilhéus/Itacaré
(73)3656-9091
NAHINCH
Km16
(73)99613519
POUSADA BARRA
Avenida Litorânea
(73)3639-6390
NORTE
Norte s/n° São Miguel
www.pousadabarranorte.com.br
POUSADA BRISA DO
Centro /Avenida 2 de
(73)3231-2644
MAR
Julho, n°138
POUSADA
Centro/ Avenida
(73)3634/3231 - 7461
CASABRANCA
Bahia, n°291
www.casabranca.tur.br
POUSADA CASARÃO
Centro/ Praça Coronel
Pessoa, n°38.
CHRIST’S POUSADA
(73)3231-5031
Rodovia Ilhéus
Olivença Km 02
(73)3632-3953
Jardim Atlantico
www.christspousda.com.br
Rodovia Ilhéu/Olivença
(73)3269-1600
Km08 /Cururupe
(73)9961-3061
Rodovia Ilhéu/Olivença
(73)3632-2561
km6.1 /Cururupe
www.pousadadomar.com.br
Pontal /Rua Hermínio
(73)3231-4650
Ramos,n°396
(73)3231-1527
POUSADA DOS
Rodovia
(73)3632-1080
HIBISCUS
Ilhéus/Olivença km02
(73)3632-1081
POUSADA CURURUPE
POUSADA DO MAR
POUSADA DO SUL
www.pousadadoshibiscus.com.br
POUSADA ECOLOGICA
Rodovia
(73)3269-1010
Ilhéus/Olivença Km09
(73)8832-3141
www.pousadaecologica.com.br
POUSADA ESTÂNCIA
Rodovia
(73)3269-2000
DAS ÁGUAS
Ilhéus/Olivença Km10
www.estanciadasaguas.com.br
POUSADA GIRASSOL
Centro/ Praça
(73)3634-3400
Florêncio Gomes,
(73)9981-6085
n°460
www.pousadagirassol.com.br
POUSADA GOLFO
Rodovia
(73)3632-2737
PARADISO
Ilhéus/Olivença Km03
www.golfoparadiso.com.br
POUSADA ILHÉUS
POUSADA KASARÃO
Pontal/ Rua 13 de
(73)3632-6866
maio, n°271
www.pousadailheus.com.br
Centro/ Ladeira da
(73)3231-5031
vitória,n°38
POUSADA LA BELLLA
Rodovia Ilhéu/Itacaré
(73)3081-0147
ALDEIA
Km30
www.labellaaldeia.com.br
Vila do Sargi
LUA E MAR POUSADA
Rodovia
(73)3632-5341
Ilhéus/Olivença Jardim
www.luaemar.com.br
Atlântico
POUSADA LUAR DO
Pontal/ Avenida
(73)3231-8760
PONTAL
Lomanto Junior,n°630
(73)3231-7027
POUSADA MAGIA DO
Rodovia
(73)3632-2836
MAR
Ilhéus/Olivença
www.pousadamagiadomar.com.br
Loteamento Perola do
Mar
POUSADA MALIBÚ
Rodovia
Ilhéus/Olivença
(73)3269-1005
Km09 Cururupe
POUSADA MARES DO
Rodovia
SUL
Ilhéus/Olivença
(73)3632-4257
Km01
POUSADA MISSISSIPE
Rodovia
(73)3632-2777
Ilhéus/Olivença
www.pousadamississipe.com.
Km02
br
POUSADA MORRO DOS
Rodovia
(73)3632-5613
NAVEGANTES
Ilhéus/Olivença
www.pousadamorrodosnavegantes.co
Km06
m.br
POUSADA PARQUE
Rodovia
(73)3269-1214
DOS ORIXÁS
Ilhéus/Olivença
www.pousadaorixas.com.br
Km12
POUSADA PEROLA DO
Rodovia
(73)3632-5280
MAR
Ilhéus/Olivença
www.peroladomar.com.br
Km04
POUSADA ILHÉUS
Rodovia
(73)3632-7214
TROPICAL
Ilhéus/Olivença Jardim
(73)3632-7104
Atlântico
www.ilheustropical.com.br
POUSADA PORTO DA
Rodovia
LANCHA
Ilhéus/Olivença
(73)3269-1173
Km12
POUSADA PORTO DE
Rodovia
MINAS
Ilhéus/Olivença
(73)3632-1715
Km1,5 Jardim Atlântico
Rodovia Ilhéus/Itacaré
POUSADA PORTO DO
Km18
(73)3656-9336
SOL
Ponta da Tulha
POUSADA PRAIA BELA
Rodovia
(73)3632-7022
Ilhéus/Olivença
www.praiabela.com.br
Km2,5
POUSADA PRAIA DOS
Pontal/ Avenida
(73)3269-1140
MILAGRES
Lomanto Junior,n°456
www.uol.com.br/pmilagres
POUSADA RAIO DO SOL
Pontal/ Avenida
(73)3231-4520
Lomanto Junior,
n°1408
POUSADA RIO MAR
POUSADA SAVÓIA
Pontal/ Avenida
(73)3632-6002
Lomanto Junior, n°349
www.pousadariomar.net
Jardim savoia/ Avenida
(73)3639-1371
Proclamação,n°608
www.pousadasavoia.com.br
POUSADA SOL DE
Rodovia
ILHÉUS
Ilhéus/Olivença
(73)3632-7785
Km01/ Loteamento
Gabriela
POUSADA VENEZA
Rodovia
(73)3632-2722
Ilhéus/Olivença
www.pousadaveneza.com.br
Loteamento Paraíso
COSTA DO ACUÍPE
Rodovia
PRAIA HOTEL
Ilhéus/Canavieiras
(73)3269-1296
Km28
POUSADA TERRAS DO
Rodovia
SEM FIM
Ilhéus/Olivença km 11
(73)32691210
PONTAL PRAIA HOTEL
ILHÉUS NORTH HOTEL
Pontal/ Avenida
Lomanto Junior,n°1358
(73)3231-3083
Rodovia Ilhéus/Itacaré
(73)3239-6125
Km31
STELLA MARES
Rodovia Ilhéus/Itacaré
(73) 3634-9999
CANA BRAVA RESORT
Rodovia
(73)3269-8000
HOTEL
Ilhéus/Canavieiras
www.canabrava.com.br
VILLAGE
Km21
ECO RESORT
Rodovia
(73)3234-1400
TOROROMBA
Ilhéus/Canavieiras
www.tororomba.com.br
Km21
HOTEL MOMOAM
Rodovia Ilhéu/Itacaré
(73)3657-6050
Km22
ILHÉUS PRAIA HOTEL
Centro
(73)3634-2533
BARRAVENTO PRAIA
Malhado
(73)3634-3223
Rodovia
(73)3234-1212
HOTEL
HOTEL LA DOLCE VITA
Ilhéus/Olivença
POUSADA CASA DA
Rodovia
PRAIA
Ilhéus/Olivença
HOTEL JARDIM
Rodovia
ATLÂNTICO
Ilhéus/Olivença
OPABA PRAIA HOTEL
Pontal
(73)3632-7005
(73)3632-4711
www.jardimatlantico.com.br
(73)3234-8810
www.opaba.com.br
POUSADA MORENA DO
Rodovia
SUL
Ilhéus/Olivença
ÉDEN VILLAGE
Rodovia Ilhéus/Itacaré
73)3639-7004
HOTEL BRITÂNIA
Centro
(73)3634-1722
HOTEL ALDEIA DA
Rodovia
(73)3234-8000
PRAIA
Ilhéus/Olivença
VILLAGE BACKDOOR
Rodovia
Ilhéus/Olivença
(73)3632-8471
(73)3269-1134
ECO VILLAGE IDAIÁ
Rodovia Ilhéus/ Itacaré
(73)3631-1197
HOTEL MANAKÁ
Rodovia
(73)3269-1136
Ilhéus/Olivença
POUSADA PONTAL
Pontal/ Rua Coronel
Pessoa,n°70
(73)3086-1556
(73)9962-2007
www.kidsilveira.com.br
POUSADA TERRA DO
Malhado/ Avenida
SOL
Litoral Norte,n°583
POUSADA VILLA VERDE
Rodovia
(73)3231-6299
(73)3269-1211
Ilhéus/Olivença
Rodovia Ilhéus/Itacaré
POUSADA MAISHA
Km17,4
POUSADA COSTA DO
Rodovia Ilhéus
(73) 3269-1596
SOL
Olivença Km12
www.cotedusolei.com.br
Rodovia
(73)3632-2200
Ilhéus/Olivença
(73)3632-2877
Km02
www.marinaspousada.com.br
Rodovia Ilhéus/Itacaré
(73)3086-1888
Km30
(73)3617-1888
Sargi
www.sargimar.com.br
VILLAGE TROPICAL
Rodovia
(73)3211-5327
VIVA MAR
Ilhéus/Olivença
POUSADA DE
Rodovia
(73)3632-2284
MARCHESI
Ilhéus/Olivença
www.marchesi.com.br
MARINAS POUSADAS
POUSADA SARGIMAR
Quadro 4 Meios de Hospedagem No Município de Ilhéus
4. OBJETIVO GERAL
Avaliar a responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem localizados
no município de Ilhéus, Bahia, no que diz respeito ao uso dos recursos ambientais
em sua estrutura operacional.
4.1 Objetivos Específicos
Verificar se os empreendimentos hospedeiros possuem licença
ambiental do município.
Verificar se possui algum selo ou certificado ambiental.
Verificar se os empreendimentos possuem algum projeto voltado para
a questão ambiental
Examinar se os empreendimentos utilizam alguma fonte de energia
renovável.
Registrar se os empreendimentos utilizam algum tipo de Sistema de
Gestão Ambiental.
Verificar se a água é reutilizada.
Verificar se utiliza o lixo orgânico.
Verificar se realiza algum curso de educação ambiental voltado para o
funcionário.
Examinar se limpa o local onde estão localizados e o que fazem com o
lixo produzido.
5 METODOLOGIA
5.1 Caracterização da Área de Estudo
Figura 3 – Mapa da Bahia e a área de estudo
O estudo realizado abrange os meios de hospedagem de Ilhéus. Esse município
localiza-se na zona cacaueira, Sul do Estado da Bahia, na foz dos rios Cachoeira e Almada,
principais bacias regionais (SOUB, 2005).
Segundo dados do IBGE¹, em 2000, a população de Ilhéus era de 221.883 habitantes,
sendo destes, 161.898, encontrados no meio urbano. A densidade é de 120,54 hab/km² em
uma área de 1841,032 1km².
O clima de Ilhéus é quente e úmido, com a temperatura média anual de 24°C (SOUB,
2005). O litoral é muito variado, apresentando baías, pontas, restingas, recifes, ilhas,
tômbolos, bancos de areia e dunas (ANDRADE, 2003).
1
Disponível em:<http//www.ilheusvirtual.com.br>. Acesso em 25/04/2008
A cidade tem seis áreas de preservação ambiental: Reserva Ecológica de
Ilhéus; Reserva Ecológica do Morro do Cururupe; Jardim Botânico de Ilhéus e a
Reserva particular do patrimônio natural da Fazenda Verde.
O município é envolvido por uma paisagem de rara beleza, constituindo um
cenário singular para o desenvolvimento do turismo no Estado da Bahia, contando
com um grande número de hotéis, pousadas e resorts.
5.2 Procedimentos da Metodologia
O procedimento de análise utilizado na pesquisa foi o método bibliográfico,
baseado na contribuição de diversos autores que já abordaram a questão
(NASCIMENTO, 2002).
O método de pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de
referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos, materiais
elaborados com a finalidade de serem lidos, em sua maioria, livros e artigos
científicos (GIL, 2002).
A coleta de dados primários foi realizada por meio de questionário, uma
técnica razoavelmente barata e relativamente confiável, entregue aos gerentes dos
estabelecimentos hospedeiros. Esse questionário contém treze perguntas referentes
ao tema em estudo. Dos 80 empreendimentos visitados, somente 60 se
disponibilizaram para respondê-lo, os outros estavam quase sem funcionamento,
devido à baixa estação os gerentes não permaneciam no local.
Foram também realizadas entrevistas informais nas secretarias de meio
ambiente e de turismo do município.
6 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os dados apresentados neste capítulo foram obtidos por meio de um
questionário entregue aos gerentes dos empreendimentos hospedeiros consultados.
Na primeira figura observam-se as características da estrutura dos meios de
hospedagem (piscina, área verde, sauna e lavanderia).
Essas quatro características são fundamentais para que haja uma fiscalização
ambiental, pois, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente do
Município de Ilhéus, a fiscalização é muito rigorosa para ser aplicada em
empreendimentos que não possuam as quatro características.
Sauna
Lavanderia
Area verde
Piscina
0,00%
10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00%
100,00
%
Figura3 Características dos meios de hospedagem consultados
Foi observado que 71,87% possuem área verde; 87,5%, piscina; 56,25%,
lavanderia e apenas 10%, sauna.
Sendo assim, apenas 46,87% dos consultados conseguiram licença ambiental
do município.
Quanto a alvarás e fiscalização sanitária, todos os estabelecimentos
pesquisados possuem.
46,87%
53,13%
Sim
Não
Figura 4 Número de empreendimentos que possuem licença ambiental do município
A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, pode
conceder um certificado de licença ambiental, amparada em resolução do
COMDEMA, Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, que é parte
integrante da estrutura organizacional do Sistema Municipal de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável - SISMAD.
Trata-se de um órgão deliberativo com atribuições de licenciar, normatizar,
assessorar, estudar e propor diretrizes relacionadas ao desenvolvimento sustentável
do Município.
Com a aprovação, o estabelecimento poderá funcionar, tendo um prazo com
validade de no máximo três anos, quando deverá ocorrer um pedido de renovação e,
além disso, durante esse período, devem obedecer a algumas condicionantes
especificadas no documento que serão fiscalizadas pela Secretaria do município.
Tal órgão diz estar se estruturando para adquirir um maior controle, já que,
pode-se dizer que este tipo de trabalho nunca tinha acontecido antes, e, por esse
motivo, existem empreendimentos que não têm a mínima noção de que exista uma
fiscalização de âmbito ambiental no município. Trata-se, na verdade, de
estabelecimentos pequenos e antigos que, em sua maioria, eram casas familiares
que acabaram se tornando pousadas.
Mas há também empreendimentos em áreas que deveriam ser preservadas, e
isso acontece, na maior parte das vezes, por falta de fiscalização (ou um certo
“afrouxamento” das obrigações), ou por favores políticos, muito comuns na região.
A própria Secretaria menciona alguns casos. O descaso da região é
reconhecido, quando se nota que a criação de uma secretaria voltada
exclusivamente para o meio ambiente deu-se apenas em 2000.
Quanto à questão da Gestão Ambiental, pode-se dizer que nenhum
empreendimento consultado a conhece ou pratica, nem tampouco possuem selos de
certificação ambiental, ou utilizam de algum SGA.
Embora a certificação não seja compulsória, sua obtenção dá destaque à
empresa, e a posiciona favoravelmente diante de seus concorrentes (Valle, 2000).
Porém, a forma mais segura para se preparar a empresa para conseguir os
parâmetros capazes de satisfazer às exigências dessas normas é começar do
básico, conscientizando todos os funcionários e definindo uma política ambiental.
Nenhum dos estabelecimentos tem algum curso de educação
ambiental para os funcionários, o que seria o mínimo, já que esses meios de
hospedagem não possuem um SGA. Segundo Barbiere (2004) a meta de educação
ambiental é desenvolver uma população mundial consciente e preocupada com o
meio, para atuar em busca de soluções para os problemas atuais e para a
prevenção dos problemas futuros. E diante dos resultados, observa-se que o
desenvolvimento de uma política ambiental está longe de ser uma prioridade no
município de Ilhéus.
A empresa não pode se mostrar como não é. Não adianta dizer que preserva
o meio ambiente se não age nesse sentido. Para Valle (2000), a forma mais eficaz
de mostrar essa postura de empresa comprometida com a qualidade de vida da
comunidade e com o meio ambiente é promover a certificação de suas instalações
em conformidade com a ISO 14000.
Se o empreendimento não tem um certificado que comprove seu
comprometimento com essa questão, não adianta dizer que se compromete, é como
se ele só dissesse que possui alvará e fiscalização sanitária, mas não tivesse nada
para comprovar isso. Ora, isso não é o que acontece nesse caso, visto que tais
documentos ficam à exposição para que o cliente os veja, o que comprova mais
ainda a idéia de que não há uma conscientização nesse aspecto. Se houvesse,
esses estabelecimentos, com certeza, estariam buscando obter um certificado de
qualidade no âmbito ambiental.
Essa mudança deve partir do mais alto nível hierárquico, para que haja uma
mudança em todos os outros níveis funcionais (Valle, 2000). Há que se adotar
realmente esse novo conceito mediante uma nova postura. Mas para que haja essa
mudança na cultura da empresa, é necessária uma comunicação eficiente por
intermédio de um programa de educação ambiental que mobilize todos os seus
integrantes.
Algumas medidas são tomadas, mas observa-se que não acontece pelo
motivo de se querer preservar o meio e conseqüentemente a vida de seu
empreendimento, mas sim pelo simples fato de se conseguir alguma vantagem
econômica, que deveria ser apenas uma conseqüência e não a causa.
Porém, é Importante lembrar, que a realização de ações ambientais
episódicas, pontuais ou isoladas não configura um SGA propriamente dito
(BARBIERE,2004).
Nos empreendimentos consultados, apenas 25% utilizam uma fonte de
energia renovável, a solar. Muitos ainda pensam em utilizá-la, porém, como a eólica,
seu custo ainda não é tão acessível aos pequenos empreendimentos.
25% energia solar
Energia elétrica 75%
Figura 5 Número de empreendimentos que contam com fontes de energia renovável
Um grande exemplo dessas medidas isoladas é a questão da energia, cuja
utilização está associada diretamente à qualidade de vida de um povo. Sua relação
com o meio ambiente é muito intensa (MOURA ,2002). A energia deve ser usada de
maneira racional, o que, segundo Moura (2002), não significa deixar de usá-la, mas
sim, modificar processos para evitar desperdício. Muitos empreendimentos utilizam
da iluminação natural devido à sua estrutura arquitetônica e todos utilizam marcas
de eletrodomésticos com selos que garantem a diminuição de energia.
Outro programa interessante é a substituição das lâmpadas por modelos mais
eficientes e de grande durabilidade, as fluorescentes, que foram encontradas em
todos os empreendimentos.
Isto gera outra questão, muito importante: o lixo. Todos os empreendimentos
apenas descartam essa lâmpada, que, apesar de econômica, apresenta metais
pesados que prejudicam o meio ambiente. O lixo produzido é colocado nos lixões,
que, segundo Barbiere (2004), é uma forma precária de disposição final do lixo, sem
nenhum cuidado para impermeabilizar o solo e controlar as emissões, causando,
com isso, degradação ambiental.
Ainda existem os que, de alguma forma, reutilizam e reciclam o lixo. A
reutilização acontece de forma direta e só em relação aos restos de frutas e
verduras utilizados como adubo (43,75%), pois a compostagem, que consiste em
proporcionar condições para que os organismos decompositores atuem sobre a
matéria orgânica, é utilizada em apenas 1,5% do lixo orgânico no Brasil
(MOURA,2002).
56,25% descartam
43,75% usam como adubo
A reciclagem acontece de forma indireta. Os que a fazem (15,63%) vendem
ou doam aos catadores de lixo (PET, alumínio e papel). Estes vendem e ganham o
seu sustento. De acordo com Moura (2002), a reciclagem prolonga a vida de bens
ambientais esgotáveis e proporciona significativa redução de volumes de resíduos
urbanos, permitindo a geração intensiva de empregos nos níveis mais baixos de
qualificação de pessoal, dando-lhes condições de sobrevivência. Porém, no
município não existe um sistema de coleta seletiva, o que dificulta mais ainda a
questão do descarte do lixo, além de prejudicar as tomadas de decisão acerca do
lixo produzido por esses empreendimentos, pois não adianta separar o lixo, se, no
final do processo, vai tudo para o mesmo lugar: materiais químicos, metais, baterias,
eletrônicos, papéis, plásticos, vidros e materiais orgânicos.
15,63%
reaproveitam e reciclam
84,37%
apenas descartam
Figura 7 Quantidade de empreendimentos que aproveitam e reciclam o lixo
Verifica-se que o problema existente em relação ao lixo, além de ser de
competência do governo municipal, que não proporciona condições mínimas para
que a reciclagem seja possível, é também devido à falta de conscientização dos
empreendimentos que atuam somente dentro do “seu mundo”. Um bom exemplo
disso é o fato de ainda existirem 15,63% dos meios de hospedagem que não limpam
a área onde estão localizados, entendendo ser essa uma responsabilidade apenas
da Prefeitura Municipal.
15,63%
não limpam
84,37%
limpam
Figura 8 Quantidade de empreendimentos que limpam a área onde estão localizados
Quanto à questão da água, Valle (2000) diz que sua utilização requer
racionalidade e parcimônia. Apenas 37,2% dos empreendimentos a reutilizam. Essa
reutilização se dá via aproveitamento da água da chuva e da piscina. Segundo Valle
(2000), a reutilização do uso da água representa significativa economia, porque ela
pode ser utilizada várias vezes antes de ser definitivamente descartada.
37,2%reutilizam agua
62,8%
Figura 9 Quantidade de empreendimentos que reutilizam a água
A água está relacionada ao problema do lixo, que contamina os rios e lagos,
comprometendo mananciais. Outro problema é o seu desperdício (Moura,2002). É
por isso que a reutilização é bastante importante e muitas hospedagens estão
buscando utilizar de tecnologias limpas, no caso, quanto aos equipamentos de
banheiro e cozinha, onde o uso da água é mais intenso. Porém, essas tecnologias
ainda são inexistentes nos estabelecimentos hospedeiros do município de Ilhéus.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A questão ambiental é um tema que há muito vem se fundamentando e
atingindo a população mundial. As pessoas aos poucos foram se dando conta que a
poluição em geral poderia causar danos irreversíveis, já que os recursos naturais
foram claramente entendidos como não perenes.
A partir dessa situação, surgiram enumeras assembléias e reuniões de
caráter mundial onde foram debatida a questão ambiental, criadas regulamentações
e leis que abrangiam todos os continentes e por fim, com a globalização, é que essa
questão passou a ser parte integrante da vida social.
Porem, hoje ainda, são muitos os que acreditam que suas ações preventivas
não interferem no sistema, e acabam não as realizando, dificultando mais o
processo de preservação.Uma grande influencia nesse processo é a educação
ambiental.
Para que as pessoas passassem a lavar as mãos antes de se alimentar e
escovassem os dentes após as refeições foi feito uma intervenção por outra pessoa,
no caso, houve um processo de aprendizagem antes de determinadas ações se
transformassem em hábitos. Isso deveria ocorrer com a questão aqui referida, mas
como as conseqüências da não preservação do meio ambiente não são diretas e
não afetam só a um só indivíduo, a idéia passa a ser esquecida e não difundida.
È certo que atualmente as crianças, cidadãos do amanhã, já aprendem na
escola a importância de preservar, no entanto, torna-se difícil colocar em prática se
não faz parte do costume da família, e acabam esquecendo. È por isso que a
educação ambiental deve ser propagada nas empresas e o próprio município deve
atuar como fiscalizador e propagador, pois se o governo age paralelamente, torna-se
mais fácil toda a população cooperar.
Muitas agem de maneira responsável, e a participação governamental é o
complemento da participação cívica, isso porque existem determinadas ações que
competem ao próprio governo municipal. Um exemplo mostrado na pesquisa foi a
questão da coleta seletiva que não ocorre no município, o que prejudica qualquer
tipo de ação por parte da empresa em relação ao destino do seu lixo produzido, o
outro exemplo é a questão da rara fiscalização ambiental.
A responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem além de ser
caracterizada como um ato consciente ajuda no marketing local. No entanto,
detectou-se
também
que
há
uma
notável
falta
de
conscientização
dos
empreendimentos hospedeiros, e observou-se que era uma conseqüência de uma
falta de educação voltada para esse lado. A não projeção dessa questão leva a
diminuição do numero de turistas que tem o meio ambiente como atrativo, pois o
entorno do ambiente onde está localizado a hospedagem também é um chamariz.
Já que a própria associação brasileira da indústria de hotéis possui um
programa de gestão ambiental (Hospedes da natureza), fica mais fácil para o
estabelecimento se adequar a essas normas ambientais, porém, no município, esse
programa não é utilizado nem pelos quatro empreendimentos associados, o que não
deveria ocorrer.
Deve-se haver uma interação da secretaria do turismo com a secretaria do
meio ambiente. No município, não há nenhum projeto voltado para isso, se vê que
não se faz uma ligação do turismo com o meio ambiente. O próprio empreendimento
hospedeiro é um exemplo disso, já que a relação do turismo com o meio ambiente é
de mutualismo e o sistema hospedeiro mantém uma ligação direta com o turismo.
Por fim, diante dos resultados obtidos e as discussões anteriores, entende-se
que os meios de hospedagem do município de Ilhéus parecem não atentar
devidamente para a responsabilidade ambiental.
Se for analisado o fato de que quase metade dos empreendimentos possui
licença ambiental, torna-se um pouco incoerente afirmar que estes não são
ambientalmente responsáveis, porém, deve ser observado, que apesar disso, ainda
são poucos os que utilizam uma fonte de energia renovável, que reutilizam a água e
ainda existem os que não fazem a própria limpeza em seu entorno. Além de que se
não há uma fiscalização correta e rigorosa, essa licença passa a ser mais um tipo de
documento burocrático, e não uma ponte para a sustentabilidade.
Um exemplo disso, é que uma das condicionantes para se obter licença
ambiental é a contratação de um biólogo, principalmente nas áreas mais próximas à
Mata Atlântica. Dos empreendimentos visitados não houve nenhuma contratação, ou
seja, dos poucos que possuem licença, nenhum segue as condicionantes propostas.
Percebe-se também que um grande entrave para que não haja uma atuação
responsável é certamente a falta de educação ambiental, inexistente em todos os
setores dos empreendimentos hospedeiros consultados, além da falta de interação
entre eles próprios e entre o governo municipal. Quando houver mudança nesse
sentido, é que os meios de hospedagem do município de Ilhéus poderão se
desenvolver de maneira sustentável tornando-se ambientalmente responsáveis.
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Paulo: Pioneira, 2000.
ANEXO I
Resumo do Programa ABIH de
Meio Ambiente
"HÓSPEDES DA NATUREZA"
JUSTIFICATIVA
Há pelo menos quatro décadas, com especial destaque para os anos 90, a
Indústria Turística Brasileira vem demonstrando um significativo crescimento, porém
de uma forma desordenada e não planejada, adaptando-se da forma possível à
demanda de mercado, o que tem atingido significativamente seu maior atrativo
turístico, o Patrimônio Natural.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, como principal
representante de um segmento que é um dos maiores geradores de empregos do
país e tem mais de 70 bilhões de reais em investimentos fixos, assumiu a
responsabilidade de fomentar a gestão ambiental na área privada do turismo, por
entender que esta ação começa necessariamente pela hotelaria, pois é ela que
interage de forma contínua e permanente com a comunidade, parceiros,
fornecedores, funcionários e hóspedes, tornando-se assim um perfeito agente
multiplicador.
A decisão da ABIH, que mantém coerência com a política publicada pelo do
governo brasileiro para a área de meio ambiente e para o desenvolvimento
sustentável do turismo, está perfeitamente alinhada as modernas ações
internacionais, como as que vêm sendo promovidas pelo Programa Ambiental das
Nações Unidas - UNEP, pelo Word Travel Tourism Council - WTTC e IHEI International Hotel Environment Initiative, entre outras.
Estas ações e iniciativas são decorrentes em grande parte do compromisso
assinado em 1992 por 182 países, entre eles o Brasil, e por organizações que
representam diversos setores da atividade econômica denominado Agenda 21, que
especificamente para o segmento de Viagens e Turismo por exemplo, testifica do
interesse direto que tem o setor em proteger os recursos naturais e culturais do
Planeta que são a matéria prima do seu negócio. Sendo hoje a atividade que mais
gera renda no mundo, certamente que o setor de Viagens e Turismo tem meios
também para assegurar a sustentabilidade de largo prazo de seu próprio negócio.
Conscientes de que é uma questão de bom senso empresarial investir na
conservação do meio ambiente e que a medida que avançamos em direção a um
mundo mais populoso, mais consumista e mais ameaçado pela poluição e pela
degradação ambiental este tema vai se tornando mais presente na vida de cada
cidadão, os hoteleiros assumem uma postura de vanguarda e de coerência ao
propor seu próprio programa de Responsabilidade Ambiental.
OBJETIVOS
I)
Os objetivos quantitativos do Programa ABIH de Responsabilidade Ambiental
pretende nos 24 meses seguintes a seu lançamento atingir em todo o Brasil
os seguintes resultados:
a) integração de 1.500 meios de hospedagem, em uma estimativa de 75.000
unidades habitacionais
b) realização de 15 seminários de sensibilização empresarial e comunitária,
envolvendo diretamente um público de aproximadamente 1200 pessoas;
c) criação de 25 comitês comunitários de gestão ambiental
d) capacitar 200 consultores/auditores ambientais para o turismo
e) envolver diretamente no programa 3000 funcionários de hotéis
f) produzir economia de água e energia na ordem de 30 % que equivalem a média
mundial em programas similares.
g) sensibilizar e envolver no programa 5,5 milhões de hospedes da rede hoteleira
participante.
II)
Qualitativamente o Programa ABIH de Responsabilidade Ambiental pretende:
a) Desenvolver a consciência crítica do empresário hoteleiro de que seu
negócio está intimamente ligado e dependente da qualidade ambiental,
que o patrimônio natural é o principal produto turístico do país, e que a
hotelaria deve assumir seu papel na gestão responsável do meio ambiente
b) Contribuir positivamente para a mudança da imagem internacional do
destino turístico brasileiro.
c) Provocar o envolvimento de fornecedores e o trade turístico no processo
de adoção e consolidação de princípios e atitudes de responsabilidade
ambiental com o patrimônio natural brasileiro
d) Contribuir com o governo brasileiro para o atingir a meta para o turismo
proposta pelo Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade
especificamente voltada para a limpeza urbana e despoluição das praias e
atrativos turísticos.
e) Produzir resultados positivos para os hoteleiros pelos investimentos
realizados na gestão ambiental e redução de custos operacionais.
f) Desenvolver na opinião pública uma imagem favorável à iniciativa da
hotelaria brasileira
PLANO OPERACIONAL
Para dar cumprimento às metas e objetivos do programa a ABIH
desenvolveu um plano operacional composto de 4 fases de crescimento
gradual, e várias estratégias de ação
Fase 1 – Sensibilização e Adesão
Com o intuito de provocar o interesse e adesão do empresariado, bem
como colher apoio da opinião pública à iniciativa, nesta fase serão
realizadas uma série de reuniões com representantes e autoridades
dos poderes públicos constituídos, solenidades e seminários de
lançamento de abrangência nacional e regional envolvendo o poder
público e o empresariado, desenvolvimento uma planejada campanha
de mídia dirigida, e criados diversos canais de comunicação interativa
com empresariado da hotelaria, do trade turístico, poder público e a
população em geral.
Ainda nesta fase será constituído um Comitê Nacional de Gestão do
Programa composto por representantes do principais parceiros na
iniciativa, bem como os Comitês Regionais de Gestão compostos por
representantes da hotelaria, poder público, ONG’s e escolas, que além
de buscarem assegurar os resultados do programa se constituirão em
agentes multiplicadores dos princípios da proposta, envolvendo a
cadeia produtiva que gravita em torno da hotelaria e as comunidades
onde os empreendimentos estão estabelecidos.
Fase 2 – Capacitação do Empreendedor e de seus Funcionários
Tendo em vista a pouca tradição técnica e cultural do Brasil no trabalho
e investimento em políticas e programas de responsabilidade
ambiental, será desenvolvido um amplo trabalho de capacitação
através de seminários, cursos e workshops, que buscará formar e
qualificar a mão-de-obra necessária para garantir a resolutividade do
programa. Nesta fase serão formados Consultores e Auditores
Ambientais no padrão preconizado programa, e capacitados agentes
multiplicadores do parque hoteleiro para o desenvolvimento de ações
práticas, composto de empresários e funcionários, com base nas
premissas e conceitos do “Manual de Programas Ambientais para
Hotelaria – ações práticas para beneficiar o seu hotel e o meio
ambiente”, que é um instrumento
técnico-didático adaptado à cultura e realidade brasileira do
“Environmental Action Pack”, desenvolvido pela International Hotel
Environment Iniciative – IHEI, e que será distribuído a todos os hotéis
que aderirem ao programa.
Fase 3 – Desenvolvimento de Programas Ambientais
Para os hotéis que aderirem à esta fase, que deverá durar
aproximadamente 6 meses, será oferecida consultoria especializada
para diagnóstico da situação ambiental, priorização do plano de
investimento e definição do cronograma de ações a serem
implementadas. Durante a implantação dos programas ambientais
básicos, constituído de ações pontuais, acompanhamento, assessoria
e supervisão de técnicos especializados, tanto “in loco” como por
suporte via internet. Para aqueles empreendimentos necessitarem ou
que acharem necessário, a ABIH intermediará acesso a linhas de
crédito, subsídios e incentivos fiscais para viabilizar a consecução do
plano de investimentos no programa. Na home page do programa
haverá um atualizado banco de dados sobre fornecedores de materiais
e serviços ecologicamente responsáveis. A coordenação do programa
em conjunto com o Comitê Nacional e os Comitês Regionais farão um
acompanhamento dos resultados através dos relatórios técnicos e
informações objetivas produzidas pelos consultores e pelos próprios
estabelecimentos e que forma o banco de dados do Programa. Os
melhores “cases” serão selecionados para compor um vídeo
institucional que será distribuído a todos hotéis participantes, outras
empresas interessadas, autoridades e veículos de comunicação.
Também nesta fase, os Comitês Regionais farão contatos com as
autoridades públicas locais para buscar alternativas de solução para os
problemas infra-estruturais levantados no trabalho de diagnóstico e
pelo próprio desenvolvimento das ações pontuais. Os estabelecimentos
que alcançarem resultados que atendam pré-requisitos mínimos
receberam o Selo de Responsabilidade Ambiental.
Fase 4 – Implantação de Gestão Ambiental – Certificação
Para os hotéis que aderirem à esta fase, que deverá durar entre 12 e
18 meses, além da manutenção de todos os serviços e benefícios
existentes na Fase 3, será disponibilizada consultoria especializada
para a implantação de um sistema internacionalmente reconhecido de
Gestão Ambiental de Hotéis.. Comprovado por meio de auditoria
técnica que o padrão exigido foi atingido, será emitido para o Hotel o
Certificado de Responsabilidade Ambiental, e que será amplamente
divulgado nacional e internacionalmente.
ANEXO II
PROGRAMA ABIH DE RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
HÓSPEDES DA NATUREZA
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Estudos técnicos e a realidade de mercado apontam que a médio e
longo prazo, a sobrevivência da hotelaria estará intrinsecamente ligada
a atratividade exercida pelo destino turístico onde está localizado o
hotel e as características do próprio estabelecimento.
No Brasil esta realidade não é diferente, e talvez ainda mais potencializada, tendo
em vista que o maior atrativo turístico do país é o patrimônio natural.
Hotéis e empresas da indústria do turismo no mundo inteiro, grandes ou pequenas,
estão trazendo o gerenciamento ambiental para o dia-a-dia de seus negócios, pois
eles também usam recursos naturais - energia, água outros materiais - que estão
sob ameaça crescente.
A ABIH como principal representante de um segmento que é um dos maiores
geradores de empregos do país e tem mais de 70 bilhões de reais em investimentos
fixos no País, busca se integrar de forma planejada a este movimento, não apenas
como forma de ação conservacionista, mas acima de tudo se adaptando a um
enfoque moderno na área de política pública que deverá contribuir para o
ordenamento de uma nova indústria, e o desenvolvimento do turismo sustentável
nacional.
A ABIH assumiu a responsabilidade de fomentar a gestão ambiental na área privada
do turismo, por entender que esta ação começa necessariamente pela hotelaria,
pois é ela que interage de forma contínua e permanente com a comunidade,
parceiros, fornecedores, funcionários e hóspedes, tornando-se assim um perfeito
agente multiplicador.
Conscientes de que é uma questão de bom senso empresarial investir na
conservação do meio ambiente e que à medida que avançamos em direção a um
mundo mais populoso, mais consumista e mais ameaçado pela poluição e pela
degradação ambiental este tema vai se tornando mais presente na vida de cada
cidadão, os hoteleiros assumem uma postura de vanguarda e de coerência ao
propor seu próprio programa de responsabilidade Ambiental, denominado de
Hóspedes da Natureza.
Por que ter compromisso ambiental?
Você já pensou nos benefícios que sua empresa pode ter usando o gerenciamento
ambiental?
Consumo Reduzido = Custos Reduzidos
Muitas das metas ambientais propostas por este programa visam a redução do
consumo (energia, água, gás, outros materiais) que conseqüentemente também irão
contribuir na redução dos custos operacionais de sua empresa. Experiências
internacionais de gerenciamento ambiental em hotéis chegaram a demonstrar os
seguintes resultados:
Economia de até 30% de Energia Elétrica;
Redução de até 20% no Consumo de Água;
Redução de até 25% de Resíduos Sólidos;
Redução de até 15% no Consumo de Gás;
Clientela Fiel e Melhoria da Imagem Corporativa
Hóspedes de hotéis estão se interessando cada vez mais pela questão do meio
ambiente. Mostrando que você se preocupa com o meio ambiente tanto como com o
conforto de seus hóspedes, você ganhará o respeito e a fidelidade deles, que
também transmitirão uma imagem positiva de seus hotel.
Um hotel, administrado e divulgado como "amigo do meio ambiente", viu seu
negócio crescer em 30% enquanto seus concorrentes entravam em recessão.
Atraindo e mantendo funcionários dedicados
Se os funcionários perceberem que você se preocupa com o meio ambiente, sem
prejudicar o sucesso do seu empreendimento, vão se sentir parte de uma
organização comercial séria, respeitada e ecologicamente preocupada. Isto tende a
aumentar a motivação, a fidelidade e o desempenho, gerando estabilidade no
quadro de funcionários. As ações ambientais podem se constituir em uma poderosa
ferramenta para o gerenciamento de recursos humanos, por exemplo através da
distribuição de parte dos resultados obtidos com a economia gerada.
Benefícios de longo prazo para o seu negócio
Através do trabalho em conjunto no seu setor e da boa operação de seu negócio,
você estará ajudando a proteger o meio ambiente local, que é essencial para o
futuro de sua empresa.
E se você não fizer nada pelo meio ambiente?
Seus concorrentes poderão estar fazendo.
A cada dia, mais e mais hóspedes estão se tornando ambientalmente
conscientes.
Operadoras internacionais de turismo estão assumindo compromissos com a
ONU para trabalharem de forma ambientalmente ativa.
A falta de cuidados com o meio ambiente poderá prejudicar a indústria turística
local, e conseqüentemente inviabilizar o seu negócio.
A exaustão dos recursos naturais tem motivado as autoridades públicas a tornar
as legislações e fiscalizações ambientais mais rígidas e exigentes
Conceitos do Programa
O programa de gestão responsável de meio ambiente da ABIH - Hóspedes da
Natureza - adota três princípios básicos que orientam a composição do programa. AO primeiro que identifica ,adapta e aplica à realidade brasileira
conceitos,tecnologias, produtos e serviços já mundialmente consagrados
desenvolvidos principalmente pelo IHEI - International Hotel Environment Initiative.
Quais são os objetivos?
A -são reduzir o custo operacional do projeto viabilizando sua execução e incluir o
Brasil na rede de informação internacional que promove o tema ambiente e
turismo, utilizando-a como ferramenta de marketing na divulgação do nosso destino
B- O segundo desenvolve o programa como irradiador e difusor dos conceitos
práticos da responsabilidade ambiental, promovendo ações que envolvam
empresários, comunidade, poder público, fornecedores ,funcionários e hóspedes. O
objetivo é estimular e viabilizar projetos de produção limpa
fornecendo aos
governantes em suas várias esferas dados sobre a infra-estrutura que facilitará
ações futuras, estimular a relação com os fornecedores para o desenvolvimento de
embalagens e produtos compatíveis à gestão ambiental , estimular a função de
agente multiplicador da hotelaria através da divulgação da gestão ambiental entre
seus hóspedes, funcionários e a comunidade do entorno.
C- O terceiro aplica os fundamentos das técnicas de qualidade ao desenvolvimento
continuo, progressivo e tecnicamente coordenado do programa propiciando que as
ações simples e pontuais da adequação ambiental, se integrem ao sistema de
gestão do meio de hospedagem, consolidando os resultados alcançados através do
monitoramento constante.
O que o programa oferece?
Consultoria Especializada em Gestão Ambiental;
O programa hóspedes da natureza seleciona e capacita experientes consultores em
gerenciamento ambiental, para o atendimento personalizado aos hotéis que
aderirem ao programa. Estes consultores realizarão um diagnóstico da situação de
gerenciamento ambiental em seu empreendimento, produzindo um relatório analítico
e sugestivo que o orientará no planejamento das ações a serem desenvolvidas para
adequação ambiental do empreendimento. O relatório produzido pelos consultores,
vem ilustrado com fotografias, explicações pontuais e apresentando alternativas de
solução, o que auxilia a visualização das situações problema, no envolvimento da
equipe profissional e na definição das ações a serem colocadas em prática. Além
desta consultoria personalizada, também poderão ser realizadas consultas pontuais
via e-mail pela internet. Caso sua empresa sinta necessidade de mais horas de
consultoria, ou mesmo a designação de consultoria especializada em alguns
aspectos específicos, o programa terá condição de oferecer este serviço
suplementar. Mas de forma geral, pela simplicidade com que foi montado o
programa, você e sua equipe profissional poderão perfeitamente promover as ações
de adequação necessárias.
Manual Prático de Adequação Ambiental
A ABIH adquiriu junto à International Hotel Environment Initiative - IHEI, os direitos
de tradução e adaptação à realidade brasileira do Environmental Action Pack, que
constitui-se em um manual prático de adequação ambiental produzido pela IHEI em
parceria com a Associação Internacional de Hotéis e Restaurantes - IH&RA e com o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - UNEP. Este manual escrito
em linguagem simples e direta, é de fácil entendimento podendo ser utilizado por
funcionários de qualquer nível de qualificação. O manual traz dicas e sugestões
sobre o que fazer para melhorar o nível de desempenho ambiental em cada um dos
principais departamentos dos Hotéis - Recepção, Governança, Copa, Manutenção.
Além do mais o manual traz modelos de planilhas simples que permitem o registro,
acompanhamento e mensuração de resultados da evolução do trabalho de
adequação ambiental. Estas planilhas comumente chamadas de chek list, permitem
distribuir tarefas aos funcionários dos diversos setores de trabalho dos hotéis, e
verificar o desempenho de adequação nas áreas de gerenciamento de energia,
água, efluentes e emissões, resíduos sólidos, prestadores de serviço e fornecedores
e de aspectos empresariais ligados ao desenvolvimento do programa ambiental.
Capacitação de Recursos Humanos
Para auxiliar os empresários e administradores no processo de adequação do
gerenciamento ambiental em hotéis, que ainda é um tema e uma prática
relativamente novos no Brasil, o programa Hóspedes da Natureza desenvolveu um
programa de capacitação de Recursos Humanos para preparar profissionais
vinculados aos hotéis, de forma a auxiliarem decisivamente nas ações a serem
desempenhadas. Este programa de capacitação visa formar os chamados RQA's Responsáveis da Qualidade Ambiental - que devem ser escolhidos entre os
membros da equipe profissional, não importando o grau de formação ou cargos que
ocupem na estrutura administrativa, mas que dentro do programa deverão assumir a
responsabilidade de executar as ações indicados no diagnóstico e planejamento
definidos.
Obviamente os RQA's não assumirão individualmente todo o processo de
adequação, que na verdade é responsabilidade de todos, mas ficarão responsáveis
em liderar o processo. Quem indica as pessoas que farão o curso de RQA, são os
administradores dos hotéis, mas nossa equipe de consultores auxiliará no processo
de escolha apresentando os perfis desejados. O público alvo desejado para estes
cursos, são os próprios empresários, as gerências, chefias, e encarregados de
departamento. No pacote oferecido pelo Programa Hóspedes da Natureza, há um
dimensionamento de número mínimo de profissionais que deveriam fazer o curso de
RQA, em função do porte e complexidade do Hotel, porém é aberta a possibilidade,
desde que assim deseje o empresário, de serem inscritos quantas pessoas
entender necessários ou adequado.
Cadastro de Fornecedores
Tendo em vista que a prática de gerenciamento e adequação ambiental pelas
empresas não é tão comum no Brasil, não só na hotelaria como em outros
segmentos econômicos, é muito comum surgirem questionamentos sobre onde
encontrar fornecedores de produtos, equipamentos e serviços ambientalmente
responsáveis ou que causem menos impactos no meio ambiente. Atento a esta
realidade o Programa Hóspedes da Natureza manterá permanentemente disponível
uma relação de fornecedores que ofertem tais produtos, equipamentos e serviços,
para auxiliar os hotéis na identificação de suas necessidades. É importante ressaltar
que o Programa Hóspedes da Natureza, apesar de bastante criterioso, não certifica
ou recomenda fornecedores ambientalmente responsáveis, mas cadastra e divulga
aquelas empresas que declaram em seus portfólios materiais, produtos e
equipamentos que contribuam para a redução de impactos ambientais.
informações e endereços estarão disponíveis na Home Page do programa.
Estas
Selo e Certificado Ambiental
O Programa Hóspedes da Natureza desenvolveu uma metodologia própria para
avaliar o grau de adequação ambiental dos hotéis. Esta metodologia não tem
qualquer vinculação aos mecanismos tradicionais e formais de auditorias, tendo sido
desenvolvida para avaliar o desempenho de adequação dos hotéis baseado nas
premissas e orientações contidas no Manual de Práticas Ambientais. Este processo
de avaliação foi dividido em dois níveis de exigência. Na primeira avaliação, que
será feita entre 90 e 180 dias após a realização do diagnóstico pelos consultores,
apesar de ser feita uma avaliação completa, será especialmente observado o grau
de evolução nos itens propostos pelo programa que não dependam ou exijam
apenas poucos investimentos, ou seja, itens mais ligados aos aspectos de
conscientização e educação ambiental, e adaptações de processos de trabalho.
Alcançando a pontuação mínima estabelecida, o Hotel receberá do programa um
Selo de Compromisso Ambiental, que é um reconhecimento pelos esforços que
começam a ser feitos em prol do meio ambiente. Este selo é de uso exclusivamente
interno do Hotel, e terá validade de 1 ano.
Na segunda avaliação, que será feita 12 meses após a primeira, o Hotel que
alcançar a pontuação estabelecida, agora em grau superior de exigência, receberá o
Selo de Responsabilidade Ambiental Hóspedes da Natureza, que poderá ser
livremente utilizado em publicidade e propaganda institucional. Este selo que
substitui o primeiro, será revalidado anualmente através de novas avaliações.
Acesso a Mercados e Incentivos
O programa Hóspedes da Natureza, realizará um trabalho institucional e
promocional para agregar valor aos Selos de Compromisso e Responsabilidade
Ambiental, além dos benefícios diretos gerados com a diminuição dos custos
operacionais dos hotéis pelos investimentos feitos no programa.
Esta valoração dos Selos se dará pela consolidação da marca como um diferencial
de mercado para os Hotéis, onde o Programa estimulará corporações e operadoras
de turismo comprometidas com a questão ambiental a privilegiarem de forma
especial os Hotéis que possuam o selo. Além deste trabalho direcionado, o
programa fará a divulgação dos hotéis envolvidos no programa através da Home
Page e de outros mecanismos disponíveis, contando inclusive com o apoio de sua
parceiras internacionais IHEI, UNEP e IH&RA. Estão programadas também
campanhas publicitárias voltadas para o público usuário da hotelaria, divulgando o
programa e incentivando a opção de escolha por hotéis responsáveis
ambientalmente.Outra ação institucional de valorização da marca que será
desenvolvida pelo programa será junto ao poder público nas esferas federal,
estaduais e municipais, buscando o estabelecimento de incentivos, benefícios e
financiamentos para as empresas detentoras dos selos, o que te antemão vem
encontrando receptividade positiva. Estão sendo identificados hoje mecanismos
disponíveis de financiamento e subsídios para os hotéis que desejarem promover a
adequação ambiental, e que serão oportunamente divulgados para os
empreendimentos que aderirem ao programa.
PASSO A PASSO DO FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA
Termo de Interesse de Adesão
Os estabelecimentos
interessados em se integrarem ao programa deverão
preencher um Termo de Interesse de Adesão, que apresenta informações sobre o
estabelecimento e que possibilitará à coordenação do programa a apresentação da
proposta técnica e financeira para desenvolvimento das atividades.
Estabelecimento de Compromisso
Tendo aceitado a proposta apresentada, o Hotel e a ABIH assinarão um contrato
onde serão estabelecidas direitos e responsabilidades de cada parte, que certifica a
entrada do hotel ao programa. O valor e o volume de serviços estabelecidos no
contrato variam em função do porte e complexidade do empreendimento, mas
estipulam em cada caso o seguinte conjunto de serviços:
Cópia (s) do Manual "Programa de Ações Ambientais para Hotéis"
Horas de consultoria para diagnóstico ambiental, e respectivo relatório
Capacitação de Recursos Humanos, através do curso de formação de
RQA's
Avaliação externa de acompanhamento
Selo de compromisso ambiental (desde que obtido desempenho
satisfatório na avaliação de acompanhamento)
Acesso a informações complementares em gestão ambiental
produzidas ou identificadas pelo programa
Integrar a rede de hotéis envolvida no programa
Beneficiar-se das campanhas promocionais contidas no programa
Base de Dados
A primeira atividade a ser desenvolvida pelo hotel após assinatura do contrato será
preencher o Questionário Inicial, que é um conjunto de informações sobre a situação
da gestão ambiental no Hotel. Este questionário tem duas funções básicas. A
primeira é de servir de subsídio para que os consultores responsáveis pelo
diagnóstico, planejem o trabalho de uma forma mais eficiente, e com o maior
aproveitamento possível da visita pessoal. Outra função fundamental deste
questionário é servir para a montagem da base de dados inicial que permitirá
estabelecer os parâmetros para acompanhamento mensurável dos resultados da
evolução do trabalho.
Agendamento Personalizado
A coordenação do programa Hóspedes da Natureza agendará com os
administradores do Hotel a data mais adequada para realização da visita do
consultor para realização do diagnóstico, indicando um roteiro preliminar a ser
cumprido, que será definido a partir das informações do Questionário Inicial. Esta
forma de atuar permitirá que o hotel se prepare adequadamente para o diagnóstico,
de forma a não promover interferências que possam atrapalhar a rotina cotidiana de
atividades.
Diagnóstico
A avaliação diagnóstica será feita pelo consultor previamente designado e
qualificado, utilizando de um Check List desenvolvido pelo programa. O consultor
percorrerá todos os setores do hotel, sempre acompanhado de pessoa do próprio
hotel a ser designado pelos administradores. Os setores a serem percorridos serão
a recepção, a cozinha, restaurante, corredores, lavanderia, áreas de lazer, salas e
salões, escritórios, áreas e equipamentos externos e os apartamentos, porém neste
caso em uma amostragem aleatória.
O que é levantado no diagnóstico
De acordo com a peculiaridade, e se aplicável a cada setor os consultores estarão
atentos e checando aspectos da gestão ambiental nos seguintes pontos:
Existência de Política Gestão Ambiental do Empreendimento e
procedimentos administrativos implantados
Nível de consciência e preocupação do corpo funcional na
racionalização no uso dos recursos como água, energia, poluentes
Produção e destinação de Resíduos Sólidos, com especial atenção
aos 3R's Reutilização, Reciclagem e Redução
Eficiência no consumo de água e energia, verificando produtos,
materiais e equipamentos utilizados, sistema de controles,
racionalização e gerenciamento
Gerenciamento das reservas e fontes naturais de água
Política de relacionamento com fornecedores, com especial atenção na
qualificação daqueles que ofertem produtos ambientalmente
responsáveis, e que mantenham preocupação com a questão
ambiental
Procedimentos para manipulação, aplicação e armazenamento de
substâncias perigosas ao meio ambiente
Uso do solo
Arquitetura e Design dos espaços físicos
Controle e administração de consumo
Soluções
Após a realização do levantamento diagnóstico, e preenchimento do check list, para
cada item considerado inadequado, sempre que possível registrado por meio de
fotografia, o consultor apresentará por meio de relatório um conjunto de alternativas
de solução, que permitirá de forma prática que os administradores do hotel possam
planejar e avaliar com bastante precisão as ações que precisarão ser desenvolvidas.
Treinamento
Já com bastante clareza sobre o trabalho que precisará ser desenvolvido, os
administradores do Hotel, indicará os membros de sua equipe que participação do
curso de Capacitação de RQA's, e que ficarão responsáveis pela implantação das
ações planejadas.
Implantando as Adequações
Com o pessoal qualificado, planejamento em mãos, o relatório diagnóstico para
servir de base e utilizando as ferramentas de desenvolvimento e acompanhamento
oferecidas pelo manual "Programa de Ações Ambientais para Hotéis", é o momento
de fazer acontecer as ações práticas de adequação ambiental.
O programa sugere que este processo seja iniciado pelas ações sem custos e com
baixo investimento, mas que mantém a condição de produzir resultados em curto
espaço de tempo, e que parte ou a totalidade dos resultados financeiros produzidos
a partir da implantação das ações, sejam reinvestidos no próprio programa como
forma de garantir sua continuidade e desenvolvimento. É sugerido também que o
Hotel inclua em seu planejamento financeiro de custeio e investimentos as ações
necessárias de adequação ambiental, principalmente nas previsões de reforma,
manutenção e atualização. Uma ferramenta motivacional bastante positiva também
sugerida é distribuição para o corpo funcional na forma de prêmios, bônus ou
qualquer outra modalidade, parte dos resultados financeiros gerados pelo programa.
Solicitando o Selo
A partir das avaliações internas de evolução do programa, e entendo ter alcançado
os níveis adequados para a primeira fase do programa, é chegado o momento do
hotel solicitar a presença de um avaliador credenciado pelo programa para a
aplicação de um novo check list. Sendo alcançada a pontuação estipulada, o
Programa Hóspedes da Natureza emite o Selo de Reconhecimento de Compromisso
Ambiental. É importante lembrar que este selo tem um prazo máximo de validade de
um ano, quando então deverá ser solicitada nova avaliação, agora mais exigente, e
que deverá ser realizada após uma fase de desenvolvimento e adequações
superiores.
Ajuda no Meio do Caminho
Durante todo o processo o Programa Hóspedes da Natureza estará dando suporte e
auxiliando o Hotel para o alcance dos objetivos, mantendo corpo de consultoria para
dirimir dúvidas e dar o suporte necessário, disponibilizando permanentemente
informações sobre materiais, produtos, serviços relacionados com o programa,
divulgando alternativas e experiências positivas de outros hotéis envolvidos no
programa.
APÊNDICE A
Questionário destinado aos meios de hospedagem de Ilhéus para obtenção de
dados fundamentais para a pesquisa monográfica e exclusivamente usados para tal.
1. Nome do empreendimento: ____________________________________
Possui em sua estrutura:
Área verde
Piscina
Sauna
Lavanderia
2. Possui licença ambiental do Município de Ilhéus?
Sim
não
3. Possui algum selo ou certificado ambiental?
Sim
não
4. Utiliza de um Sistema de gestão ambiental?
Sim
não
5. Possui algum projeto voltado para a questão ambiental?
6. Utiliza de alguma fonte de energia renovável?
Sim
Sim
não
não
Qual?______________________________________________________
7. Reutiliza a água de alguma forma?
Sim
não
Como?_______________________________________________________
8. Utiliza o lixo orgânico ( cascas de vegetais e frutas) como adubo?
Sim
não
9. Utiliza lâmpadas 1. fluorescentes ou 2. incandescentes?
1
2
as duas
10. Utiliza somente aparelhos eletroeletrônicos com o selo Procel ( diminuição de
energia?)
Sim
não
11. Limpa a praia / local onde está localizado?
Sim
não
12. Realiza algum curso de educação ambiental para seus funcionários?
Sim
não
13. O que faz com o lixo?
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
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