UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ – UESC KÁSSIA SOUZA DOS REIS A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS ILHÉUS – BAHIA 2008 KÁSSIA SOUZA DOS REIS A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS Dissertação apresentada, para obtenção do grau de Bacharel em Línguas Estrangeiras Aplicadas às negociações Internacionais, à Universidade Estadual de Santa Cruz. Área de atuação: Turismo e sistema hoteleiro Orientador: Dr. Eduardo Jorge Costa Mielke ILHÉUS - BAHIA 2008 KÁSSIA SOUZA DOS REIS A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS Monografia apresentada para obtenção do grau de Bacharel em Línguas Estrangeiras Aplicadas às Negociações Internacionais. Ilhéus- Ba , 4 /07/2008 _____________________________________________ Eduardo Jorge Costa Mielke – Ds (Orientador) _____________________________________________ Samuel Leandro Oliveira de Mattos – Msc. (UESC) ______________________________________________ Claudete Rejane Weiss – Msc. (UESC) LISTA DE FIGURAS Figura 1 HOTEL BRITÂNIA e ILHÉUS HOTEL (2008) - Fonte: Google ........ 27 Figura 2 Mapa da região Sul da Bahia e da Costa do Cacau......................... 28 Figura 3 – Mapa da Bahia e a área de estudo ................................................ 35 Figura 4 Características dos meios de hospedagem consultados.................. 37 Figura 5 Empreendimentos que possuem licença ambiental do município.... 38 Figura 6 Empreendimentos que contam com fontes de energia renovável.... 40 Figura 7 Empreendimentos que utilizam o lixo orgânico ................................ 41 Figura 8 Empreendimentos que aproveitam e reciclam o lixo ........................ 42 Figura 9 Empreendimentos que limpam a área onde estão localizados ........ 42 Figura 10 Empreendimentos que reutilizam a água........................................ 43 DEDICATÓRIA Aos meus pais, Karla e Elias, por não terem medido esforços para que eu completasse mais uma etapa da minha vida; Aos meus irmãos Kleber e Elias Neto, que sempre me deram motivos de alegria e risos; Aos meus avós paternos e maternos, por sempre me darem apoio e incentivo, Dedico. AGRADECIMENTOS Agradeço a DEUS pelo dom da vida. Ao meu orientador, o professor doutor Eduardo Mielke, que se dispôs a me guiar, contribuindo para o desenvolvimento desse trabalho. Ao professor doutor e amigo Clinio Jorge, pela disponibilidade e cooperação. A todos meus amigos que contribuíram de alguma forma para a realização dessa pesquisa. A Secretaria de Turismo do Município de Ilhéus A Secretaria do Meio Ambiente do Município de Ilhéus. A Universidade Estadual de Santa Cruz, pela oportunidade da realização do curso. Ao colegiado do curso LEA. SUMÁRIO INTRODUÇÃO...................................................................................................10 1 QUESTÃO AMBIENTAL..................................................................................16 1.1 O Sistema de Hospedagem e a Questão Ambiental....................................18 1.1.1 Gestão Ambiental.......................................................................................19 1.1.2 A ISO 14000...............................................................................................20 1.2 Desenvolvimento Sustentável (DS)...............................................................22 1.3 Turismo Sustentável......................................................................................22 2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: UM BREVE HISTÓRICO....................................24 3 HOSPEDAGEM NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS..................................................27 4 OBJETIVO GERAL...........................................................................................35 4.1 Objetivos Específicos.....................................................................................35 5. METODOLOGIA...............................................................................................36 5.1 Caracterização da Área de Estudo.................................................................36 5.2 Procedimentos da Metodologia......................................................................37 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES.......................................................................38 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................45 REFERÊNCIAS.....................................................................................................48 ANEXOS................................................................................................................51 APÊNDICE.............................................................................................................63 A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS RESUMO Nos últimos 10 anos o turismo se desenvolveu muito e, com isso, o sistema de hospedagem também seguiu o mesmo caminho. Este se utiliza da natureza de onde está localizado para fazer a seu marketing. O problema é que nem sempre essa exploração é realizada de maneira sustentável e o turismo passa a ser baseado na exploração natural. A questão ambiental sempre gerou discussões ao longo dos anos até atingir a atividade turística. O presente trabalho versa sobre a responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem do município de Ilhéus, Bahia, do ponto de vista estrutural em relação aos recursos naturais, como eles trabalham em relação a essa questão e se utilizam de um Sistema de Gestão Ambiental. Usou-se para tal, uma coleta de dados primários através de questionários e entrevistas e a utilização do método bibliográfico. Ao longo da pesquisa, e com os dados encontrados, observou-se que os empreendimentos hospedeiros parecem não atentar para a responsabilidade ambiental e que a busca para uma melhoria nesse aspecto não depende apenas dos meios de hospedagem, mas também, uma atuação do governo municipal. Palavras-chave: Meio ambiente, Gestão Ambiental, Turismo Sustentável e Meios de Hospedagem. A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS RESUMÉN En los últimos 10 años el turismo se desarrolló mucho; con eso, el sistema de hospedaje también he sufrido modificaciones. Ese sistema utilizase de la naturaleza de donde está localizado para hacer su marketing. El problema es que as veces, esa exploración no es realizada de manera sostenible e en lugar de tornarse un turismo sostenible, pasa a ser un turismo embasado en la exploración natural. La cuestión ambiental siempre he generado discusiones al largo de los años hasta entrar en el campo del turismo. El presente trabajo versa a cerca de la responsabilidad ambiental de los medios de hospedaje en el municipio de Ilhéus, Bahia, en ámbito de su estructura en relación al uso de los recursos naturales, como trabajan en relación a esa cuestión e se utilizan de un Sistema de Gestión Ambiental. Usando para tal, la coleta de datos primarios a través de cuestionarios e entrevistas y la utilización del método bibliográfico. Al largo de la pesquisa e con los datos encontrados se percebe que los medios de hospedaje parecen no atentar para la responsabilidad ambiental y que la busca para una mejoría en ese aspecto no depende sólo de los medios de hospedaje, pero también del gobierno municipal. Palabras llaves: Medio ambiente , gestión ambiental, turismo sostenible y medios de hospedaje INTRODUÇÃO A questão ambiental é um tema de relevância global que há muitas décadas vem se tornando uma variável crítica para a análise de determinadas empresas e organizações. Os primeiros movimentos ambientalistas surgiram na década de sessenta (Valle, 2000), com o passar dos anos foram se criando novas regulamentações, surgindo selos ecológicos e um maior desenvolvimento de visão crítica por parte da sociedade. É a partir da década de 1990 que o termo “qualidade total” passou a fazer parte do cotidiano das pessoas (Moura, 2002) e é quando ocorre o Eco 92, encontro promovido pela CNUMAD, Conferencia das Nações Unidas para o Meio ambiente e Desenvolvimento, que consolidou a expressão “desenvolvimento sustentável” baseada na concepção de que se deve atender às necessidades das gerações futuras (DIAS, 2003). A partir daí, várias organizações e empresas começaram a demonstrar compromisso com essa questão, mas pela questão econômica que pela atitude simples de preservar (RUSCHMAN, 2000). Foi também na década de noventa que a indústria turística brasileira passou a mostrar significativo crescimento, e, hoje, essa atividade é a que gera mais renda no mundo. De fato, de acordo com a Embratur, Instituto Brasileiro de Turismo, o Brasil é um dos países da América Latina que mais experimentaram crescimento: no ano de 2000, o país recebeu 5,3 milhões de turistas estrangeiros; em 2002, cerca de 3,8 milhões, em 2005, este numero chegou a 5,4 milhões, em 2006 e 2007 , 5 milhões . Ainda conforme a Embratur, existem cerca de 300 roteiros com potencial turístico no Brasil. O país tem cerca de duas mil praias ao longo de mais de 8 mil quilômetros de litoral. Além disso, abriga 22% da flora, 10% dos anfíbios e mamíferos e 17% das aves do mundo. Entendendo que a responsabilidade ambiental não só era necessária, mas indispensável, a indústria hoteleira também se comprometeu em desenvolver a gestão ambiental. Hoje, o conceito de gestão ambiental, que se aplica a uma grande variedade de iniciativas relativas a qualquer tipo de problema no meio ambiente (Barbiere, 2004), tornou-se imprescindível na busca da qualidade total, que vai desde uma imagem nacional e internacional até a diminuição de custos. Visando a questão ambiental como uma oportunidade competitiva, a empresa tem mais chances de lucrar e sobreviver e é dando ênfase a essa oportunidade de lucro é que se podem controlar melhor os danos ambientais causados ao meio (KINLAW, 1997). Por outro lado, os turistas estão muito mais exigentes, não só requerendo uma boa comodidade e hospedagem, mas apreciando também o fato de o lugar onde está hospedado preservar o meio ambiente. Há uma tendência de que os meios de hospedagem se utilizem em toda sua estrutura de produtos sustentáveis, ecologicamente corretos. Os estrangeiros preferem hospedar-se em lugares que se preocupam com o meio ambiente e a garantia dessa preocupação às vezes pode ser caracterizada nos certificados e selos. Esse tipo de turismo sustentável não é tido mais como um diferencial, mas como uma necessidade atual, segundo Dias (2003, p.106): O turismo sustentável pode ser definido como o que não compromete a conservação dos recursos naturais sobre os quais se sustenta, e que, portanto, reconhece explicitamente a necessidade de proteção do meio ambiente. Busca a manutenção de um equilíbrio entre os três eixos básicos nos quais se apóia: suportável ecologicamente, viável economicamente e eqüitativo desde uma perspectiva ética e social. As agressões ao meio podem trazer prejuízos muitas vezes irreversíveis á um núcleo turístico (Petrocchi, 1998); por isso é importante que o turismo seja embasado na sustentabilidade. Porém, o desenvolvimento do turismo sustentável nos países emergentes constitui um obstáculo, já que os próprios governos não são sustentáveis (SWARBROOKE, 2000). De acordo com Lage e Milone (2004), os impactos são bilaterais quando uma atividade econômica gera um novo produto e nem sempre os efeitos negativos são detectados. Em contrapartida a idéia de crescimento local é exagerada quando se fala de um novo empreendimento hoteleiro. Entretanto, há um número crescente de empresas hoteleiras que tentam lidar com os impactos negativos dessa atividade econômica, em sua maioria, ambientais, e às vezes transformam seu empreendimento turístico em ecoturístico, que, para Silva e Coutinho (apud Dias, 2003), designa a modalidade do turismo fundada na proposta do desenvolvimento sustentável. Tal modalidade de desenvolvimento induz a um espírito de responsabilidade como processo de mudança na qual a exploração dos recursos materiais, os investimentos financeiros e as tecnologias devem adquirir sentido harmonioso (DONAIRE, 1999). Há uma forte relação entre qualidade total e sustentabilidade, pois um hotel que aplica a gestão ambiental passa a ter em mãos uma ferramenta que acaba modificando seu espaço como um todo. Em muitos meios de hospedagem no Brasil e no exterior, o uso e reuso dos seus recursos, diminuição de gastos com água, gás e energia em geral não passam de atividades corriqueiras. No Brasil a ISO 14000 é um certificado que garante essas condições em diversos setores, inclusive na indústria hoteleira (DONAIRE, 1999). Um hotel que aplica a gestão ambiental deve treinar seus funcionários de maneira intensiva, e, se for necessário, envolver até seus hóspedes para que essa gestão não seja superficial. Além de utilizar de diversas alternativas para a deposição dos resíduos, sólidos ou não, da reutilização dos produtos e da reciclagem de materiais, deve adquirir produtos ‘amigos do meio ambiente’, que amenizam os gastos hídricos e energéticos. No estado da Bahia, cresce a cada ano novos empreendimentos hoteleiros que têm a responsabilidade ambiental como cerne de sua estrutura. Como exemplos, podem ser citados os complexos de resorts na Costa do Sauípe e na Linha Verde. Esses recebem a cada ano uma grande quantidade de turistas estrangeiros que passam a ser clientes depois de desfrutar de uma mistura de comodidade, luxo e preservação ambiental. A BAHIATURSA, órgão oficial do turismo na Bahia, diz que Sauípe teve média de ocupação de 52% em 2001 e ainda ampliou a capacidade receptiva em três mil leitos, gerando cerca de 2.100 empregos diretos. A Bahia está em terceiro no ranking da EMBRATUR, Instituto Brasileiro de Turismo, de lugares mais visitados por estrangeiros. Até 2010, a meta é chegar a 7,22 milhões de turistas, crescimento de 8%/ano. Esses visitantes gerariam US$ 1,5 bilhão. Hoje são 4,05 milhões de turistas e US$ 811 milhões em faturamento com o turismo. Em Ilhéus, Bahia, local onde se dá a pesquisa, os atributos que geram uma grande demanda turística são a praias, o sol e a história local conhecida mundialmente através dos romances de Jorge Amado. Segundo dados da BAHIATURSA, em 2000, o município recebeu 180 mil turistas, passando para 200 mil em 2001 e atingiu a marca de 220 mil em 2002, um crescimento de 10% ao ano. Desses, 92,7% correspondem a turistas nacionais e 8,3% a estrangeiros da Suíça, Argentina, Itália, EUA, Alemanha, Cuba, Portugal e França (maiores pólos emissores). Já os anos de 2006 e 2007 foram marcados pelos transatlânticos que aportaram no município nos períodos de alta estação. Atualmente as sociedades estão cada vez mais conscientizadas com os problemas ambientais pelos qual o mundo está passando, esses começaram a partir da má utilização dos recursos naturais, pois no século passado pensava-se que o meio-ambiente teria a capacidade de “auto-renovação” ou nem se pensava nessa questão, surge daí a idéia de preservação onde não mais se pode adotar uma política extrativista considerando o meio ambiente como uma fonte inesgotável de matéria prima e por isso dá-se a importância de evitar o desperdício de água, energia, combustível, alimentos e ainda outros recursos, além de incentivar a redução de lixo, o reaproveitamento, a coleta seletiva e o consumo responsável. O turismo é a atividade que mais cresce na atualidade, já tendo atingido o status de principal atividade econômica do mundo. (Dias, 2003). No entanto, o desenvolvimento tradicional de um destino turístico leva ao esgotamento dos recursos naturais, e gerando consequentemente um abandono pelos turistas. Por isso os investimentos em marketing e infra-estrutura devem ser avaliados dentro de novos parâmetros, os turistas estão cada vez mais exigentes e buscam um serviço de qualidade total, que seria além do básico, a preocupação com o meio ambiente e a promoção de continua viabilidade econômica. Nesse contexto, os hotéis hoje estão procurando se organizar de acordo com esse novo conceito de gestão ambiental, para poderem obter selos de certificação. Com essa postura, contribuem para a conservação da biodiversidade, auxiliam na manutenção da qualidade ambiental dos atrativos turísticos e na proteção de espécies ameaçadas. Por outro lado, acabam tendo vantagens econômicas, pois essa gestão proporciona um diferencial de marketing, que gera vantagens competitivas, facilitando o acesso a novos mercados, principalmente o internacional. Baseando-se nessa abordagem inicial, surge uma questão que permeia a discussão em torno da Gestão Ambiental no âmbito dos meios de hospedagem da cidade de Ilhéus. Será que esses empreendimentos atuam de maneira responsável quanto à questão ambiental? No município de Ilhéus, é inquestionável o fato de cada hotel usar os recursos naturais de onde está implantado para construir sua imagem no cenário nacional e internacional. Em virtude dos problemas ambientais e da necessidade de ação por parte dessa indústria que utiliza a natureza, direta e indiretamente como forma de beneficio econômico é que surge a necessidade de um estudo que possibilite uma maior compreensão do problema ambiental sob o ponto de vista da responsabilidade hoteleira. A estrutura do trabalho está dividida em seis capítulos além da introdução e das considerações finais. O primeiro apresenta os meios de hospedagem como um todo, do ponto de vista teórico em âmbito nacional e internacional, apresentando aspectos históricos e dados estatísticos nessa área. O segundo capitulo versa sobre a historia dos meios de hospedagem no município de Ilhéus, Bahia. Apresentando os mesmos, apresentando dados estatísticos e citando todos os empreendimentos dessa área. O terceiro capítulo trata da Questão Ambiental de um modo geral, acontecimentos marcantes. Esse capítulo apresenta a relação ambiental com os meios de hospedagem e também discursa sobre gestão ambiental e a ISO 14000; além de abordar o desenvolvimento sustentável e o turismo sustentável. Já o quarto capítulo será destinado à apresentação dos objetivos gerais e específicos do trabalho. O quinto, apresentará a metodologia. Nele, será abordada a caracterização da área de estudo, os métodos utilizados e as limitações encontradas. Em seguida, o sexto indicará os resultados baseados em gráficos e discussões. Por fim, as considerações finais constituirão de uma reflexão sobre o tema central do trabalho, estabelecendo relações entre os tópicos abordados e os resultados obtidos. 1 A QUESTÃO AMBIENTAL Ao longo da história o homem sempre utilizou os recursos naturais e gerou resíduos com baixíssimo nível de preocupação (Moura, 2002). Logo após a Revolução Industrial o crescimento econômico deu-se de forma desordenada, eram utilizadas grandes quantidades de energia e recursos naturais (Dias, 2003). Os problemas ambientais provocados pelos seres humanos existiam a partir da crença de que a natureza existe para servir o homem (BARBIERE, 2004). A partir da década de 1960 começou a mudar a situação de descaso (Moura, 2002), pois houve uma intensificação do crescimento econômico mundial, os problemas aumentaram e passaram a ter maior visibilidade (Dias, 2003). Nessa mesma década, profissionais de diferentes países se reuniram em Roma para prevenir e analisar os riscos de um crescimento contínuo, baseados nos recursos naturais esgotáveis (Valle, 2000). Constataram que a sustentabilidade do planeta estava gravemente abalada. Ainda nessa época houve o surgimento dos primeiros movimentos ambientalistas motivados pela contaminação das águas nos países industrializados e a publicação do livro “Silent Spring” por Rachel Carson, que gerou uma enorme repercussão na opinião pública (Dias, 2003). Tal obra foi escrita com o objetivo de alertar o público e incentivar as pessoas a reagir contra o abuso de pesticidas químicos. Nas décadas seguintes ocorreram contaminações ambientais com sérias repercussões (Moura, 2002). Medidas foram tomadas e a época de 70 foi conhecida como a década da regulamentação e do controle ambiental (VALLE, 2000). Em 1972, a Assembléia das Nações Unidas realizou em Estocolmo, Suíça, uma Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano (Dias, 2003), na qual evidenciou-se a diferença entre países ricos e pobres na visão do problema ambiental, pois os pobres, inclusive o Brasil, achavam que os controles internacionais iriam frear o crescimento deles (MOURA, 2002). No final da década de 1980, começa a mudar a visão das empresas que analisavam a proteção ambiental por um ângulo defensivo, estimulando apenas soluções corretivas. Assim, elas passam a analisá-la como uma necessidade, relacionando-a à redução de desperdícios e a uma boa imagem. Ainda nessa década, entram em vigor as legislações específicas, leis regulamentadoras da atividade industrial no tocante à poluição (MOURA ,2002). Na década de 1990, o termo “qualidade ambiental” começa a fazer parte do cotidiano das pessoas (Moura, 2002). Muitas empresas passam a se preocupar com a racionalização do uso da energia, matérias-primas e reciclagem. Em 1992, a CNUMAD, Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizou no Brasil o Eco 92, Rio 92 ou Cúpula da Terra e mostrou que a questão ambiental ultrapassara os limites das ações isoladas e localizadas para se constituir em um problema para toda a humanidade (VALLE, 2000). Conforme Barbiere (2004), os documentos produzidos a partir dessa cúpula foram a “Agenda 21”, programa que apresenta recomendações específicas para os diferentes níveis de atuação e versa sobre todos os assuntos relacionados ao meio ambiente. No Brasil, esse documento foi reformulado e concluído em 2002, baseado na realidade da população brasileira. Outro documento foi a Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Apresenta 27 princípios que orientam as ações de governo para procedimentos recomendáveis à preservação do meio ambiente (MOURA ,2002). É evidente que a construção de uma nova ordem ambiental, para ser eqüitativa, deve basear-se no equilíbrio das opções de transformação produtiva. Há países que, por seu avanço tecnológico, desfrutam de maiores níveis de bem-estar e podem designar maiores recursos para a proteção do meio ambiente, e não deveria fazê-lo em prejuízo dos que se encontram na mudança da retaguarda tecnológica e apresentam altos níveis de pobreza (ALAVERA apud DIAS, 2003, p. 42). Mas para que haja uma participação ativa de toda a sociedade para formação dessa nova ordem ambiental, é necessário que as indústrias, entre as quais a hoteleira percebam que fazem parte diretamente do meio ambiente, com ele devendo interagir, e, para tal, preservá-lo. 1.1 Os Sistemas de Hospedagens e a Questão Ambiental A hotelaria é uma indústria de serviços, e como qualquer outra afeta e modifica o espaço em que está inserida, seja de maneira negativa ou positiva. Essa afetação negativa ocorre no meio ambiente e é por esse motivo que aumenta a necessidade de determinar certas mudanças no estabelecimento hospedeiro. Porém, ainda são poucos os que agem de maneira preventiva, evitando ou pelo menos, tentando evitar tais impactos. Segundo Kilaw (1997), a competição do mercado força a empresa a aderir à prática cotidiana de desempenho sustentável. Seus principais problemas dizem respeito ao consumo inadequado e exacerbado da água, à má utilização da energia, à reciclagem de materiais e ao descarte de resíduos. O maior problema dos meios de hospedagem se deve aos materiais industrializados que dão suporte à sua atividade (BARBIERE, 2004). A água potável é um dos recursos mais atingidos (Dias, 2003), e, em sua maioria, não há uma reutilização desse recurso. Outro grave problema é a deposição de resíduos e lançamento indevido, que chega a ser a principal causa de poluição em determinados ambientes. No Brasil, atualmente, muitos sistemas de hospedagem vêm abraçando a sustentabilidade como meio de praticar uma hotelaria ambientalmente adequada e com isso, lucrando com a iniciativa; no entanto, uma mudança de gestão ainda é um desafio porque há um alto grau de informalidade da atividade turística, muita falta de educação ambiental e um sistemático descumprimento das normas e legislações elaboradas pelo governo, por sinal, tidas como das mais modernas e avançadas do mundo. O capítulo VI do Título VII (da Ordem Social) da atual Constituição diz que o meio ambiente deve ser preservado acima dos interesses de privilégios imediatos e individualistas e isso cabe ao poder público e à coletividade. As próprias áreas passíveis de exploração turística, no caso, a área onde está localizado o empreendimento hospedeiro pode se transformar num agente do processo de educação conservacionista se utilizar da gestão ambiental em sua administração, além de melhorar seu marketing, demonstrando no exterior a preocupação do país com o bem-estar do turista, aliada à preservação dos recursos ambientais (RUSCHMAN, 2000). Foi com esse objetivo que a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis, ABIH, assumiu a responsabilidade de desenvolver a gestão ambiental e, no ano de 2001 adquiriu os direitos de tradução e adaptação de um manual prático de adequação ambiental, produzido pela International Hotel Environment initiative, IHEI, e assim foi criado o programa de responsabilidade ambiental HÓSPEDES DA NATUREZA. Em 2002, a ABIH reformulou a estrutura do programa, adequando-o à realidade brasileira e firmou contrato com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade. As metas desse programa é a adequação ambiental como ferramenta de marketing, a capacitação da mão-de-obra, a promoção do turismo sustentável e a redução do custo operacional por meio da gestão ambiental. 1.1.1 Gestão Ambiental Para que um empreendimento hoteleiro se torne responsável pelo meio ambiente, deve ter, no mínimo, consciência de que deve minimizar os impactos ambientais. Mas para que isso aconteça, deve-se adotar normas de Gestão Ambiental, que pode ser definida como um conjunto de políticas e práticas administrativas que visam a uma qualidade total dos serviços e no ambiente de trabalho. A Gestão Ambiental não passou a se destacar somente pela contribuição positiva que agrega à imagem da empresa, mas também para evitar os efeitos danosos que um mau desempenho ambiental pode causar à imagem (VALLE, 2000). Para Donaire (1999), o planejamento estratégico e operacional deve ser incorporado ao programa de Gestão Ambiental a fim de que os objetivos ambientais sejam compatíveis com os demais objetivos da empresa. Para que esses objetivos sejam alcançados, o Sistema de Gestão Ambiental deve estar em consonância com a política ambiental estabelecida em cada município. Nesta linha, Moura (2002) diz que a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é uma das melhores formas para conseguir obter um melhor desempenho ambiental em uma organização. Os principais fundamentos que justificam a adoção e prática de um SGA é a redução de custos e minimização de futuros ônus ambientais. Além disso, a legislação está cada vez mais exigente e as instituições financeiras dão mais privilégios às empresas ambientalmente corretas. Para Barbiere (2004), a adoção de um modelo de SGA é fundamental e cada empresa pode criar o seu ou adotar modelos de instituições internacionais ou nacionais. Porém não deve ser hermético e inflexível (MOURA,2000). O SGA constitui o primeiro passo para a certificação do empreendimento nas normas da série ISO 14000 (VALLE, 2000). Princípio 1 Uma organização deve focalizar aquilo que precisa ser feito - deve assegurar comprometimento ao SGA e definir sua política. Princípio 2 Uma organização deve formular um plano para cumprir com sua política ambiental. Princípio 3 Para uma efetiva implantação, uma organização deve desenvolver as capacidades e apoiar os mecanismos necessários para o alcance de suas políticas, objetivos e metas. Princípio 4 Uma organização deve medir, monitorar e avaliar sua performance ambiental. Princípio 5 Uma organização deve rever e continuamente aperfeiçoar seu sistema de gestão ambiental, com o objetivo de aprimorar desempenho ambiental geral. Quadro 1 Princípios e Elementos de um Sistema de Gestão Ambiental Fonte: Ambiente Brasil (2008) seu A ISO 14000 A International Organization for Standardization (ISO) é um organismo mundial constituído em 1947 e que tem a ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, como um dos seus membros fundadores. A família de normas NBR ISO 14000 trata da questão ambiental e essa série é concebida apenas como um sistema orientador para melhorar o desempenho ambiental da organização através da melhoria continua do seu sistema de Gestão (Valle,2000) e pode ser aplicada em qualquer tipo de organização, independente de seu porte ou setor de atuação (Barbiere,2004). De acordo com Valle (2000), uma organização deve cumprir três exigências básicas expressas na norma ISO 14001 (norma certificadora da série) que é a implantação do SGA, o cumprimento da legislação ambiental aplicada ao local da instalação e o comprometimento com a melhoria continua de seu desenvolvimento ambiental. NBR ISO/14001 NBR ISO/14004 NBR ISO/14015 NBR ISO/19011 NBR ISO/14020 NBR ISO/14021 NBR ISO/14024 NBR ISO/14031 NBR ISO/14040 NBR ISO/14041 NBR ISO/14042 NBR ISO/14050 Sistemas de Gestão Ambiental – Especificações e Diretrizes para uso Sistema de Gestão Ambiental – Diretrizes gerais sobre princípios e técnicas de apoio Gestão Ambiental – Avaliação ambiental de locais e organizações Diretrizes para auditorias de sistemas de gestão de qualidade e/ou ambiental Rótulos e declarações ambientais – princípios gerais Rótulos e declarações ambientais – Auto declarações ambientais (Rotulagem Ambiental – Tipo II) Rótulos e declarações ambientais – Rotulagem ambiental - Tipo I – princípios e procedimentos Gestão Ambiental – Avaliação de desempenho ambiental – diretrizes Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Definição de objetivo, escopo e análise de inventário Gestão Ambiental – Avaliação do ciclo de vida – avaliação do impacto do ciclo de vida Gestão Ambiental – Vocabulário Observa-se na tabela acima a apresentação do modelo de SGA da família ISO 14000, tendo como ponto de partida o comprometimento da alta administração e a formulação de uma política ambiental. 1. 2 Desenvolvimento Sustentável (DS) O conceito mais empregado de desenvolvimento sustentável surgiu no relatório de Brundtland em 1987, “nosso futuro comum” da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente (CMAD). Ele diz que o DS é o desenvolvimento que vai ao encontro das necessidades do presente sem impedir as futuras gerações de satisfazerem suas necessidades. Esse relatório serviu para consolidar o conceito de DS e estabeleceu diretrizes para o tratamento do tema nos anos seguintes por meio da cooperação dos países (DIAS, 2003). O conceito de DS tem três vertentes principais: crescimento econômico, eqüidade social e equilíbrio ecológico (DONAIRE, 1999). Em 1992 foi criada uma Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS) como apoio às propostas da Rio 92 e, em 2002, essa comissão organizou a Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio + 10 (DIAS, 2003). Segundo o IBGE, em 2004, existiam 59 indicadores de DS no Brasil, entre os quais o consumo de CFC que caiu mais de duas toneladas e manteve o Brasil à frente de alguns signatários da Agenda 21. 1.3 Turismo Sustentável Paralelamente ao crescimento da consciência ambiental, o turismo se desenvolveu de uma forma rápida (Dias, 2003). Em 1982, a Organização Mundial do Turismo (OMT, 1982: 54) divulgou a Declaração sobre Turismo e Meio Ambiente que diz: O desenvolvimento da atividade de férias e tempo livre e uma saudável gestão do meio ambiente são dois elementos essenciais e interdependentes de um rico processo de desenvolvimento [...] a única forma de turismo aceitável é a que melhora, protege e salvaguarda o meio ambiente. De acordo com o relatório de Brundtland, a OMT definiu o desenvolvimento sustentável turístico como aquele que atende às necessidades dos turistas atuais e das regiões receptoras e, ao mesmo tempo, protege e fomenta as oportunidades para o turismo futuro. Conforme Dias (2003, p. 22), para se atingir a sustentabilidade no turismo, é imprescindível a participação do Estado e da existência de planejamento. Além da educação: [...] a relação turismo e meio ambiente deve ser imediata por um trabalho intenso de educação ambiental, para que não se repitam os erros do passado, quando os recursos podiam ficar cada vez mais disponíveis para usufruto imediato, sem preocupação com sua manutenção. Ruschman (2000) diz que se deve estimular o desenvolvimento harmonioso e coordenado do turismo, já que, se não houver o equilíbrio com o meio ambiente, a atividade turística comprometerá sua própria existência. 2 MEIOS DE HOSPEDAGEM: UM BREVE HISTÓRICO As primeiras acomodações eram partes de residências privadas e os viajantes eram hospedados como se fossem membros da família (GOELDER, 2002). Segundo Duarte (2005), a primeira notícia sobre a criação de um espaço destinado especificamente à hospedagem vem de alguns séculos antes de Cristo. Já as leis que regulamentavam esses estabelecimentos foram criadas na França no século XIII. Vários fatores foram determinantes para que o sistema de hospedagem experimentasse significativas mudanças estruturais e organizacionais. As novas adequações nas hospedagens refletem-se na criaççao de novas normas e padrões para direcionar suas atividades e diferenciar suas categorias. Como esse sistema data de muito tempo, desde o surgimento da sociedade antiga, seria inevitável sofrer grandes transformações, à medida que as mudanças sociais, políticas e econômicas iam se sucedendo. Passadas algumas décadas, a indústria hoteleira começa a apresentar um crescimento razoável devido ao aumento do número de viagens, facilitado pelo desenvolvimento dos meios de transporte (CASTELLI, 1999). Como qualquer indústria, as mudanças interferiram na mão-de-obra, que passou de familiar, barata e desqualificada, para a profissionalização (COOPER, 2000). O desejo de viajar foi incentivado no século XIX. Hoje a sociedade contemporânea vive a era do lazer, na qual as viagens são uma das atividades mais apreciadas (CASTELLI, 1999). Já no final do século XX a atividade hoteleira passou a se expandir e novos empreendimentos foram implantados. A década de 40 destaca-se pelos hotéis imponentes e a de 70, pela chegada de cadeias internacionais, o que rrepresentou uma mudança no sentido de a hotelaria brasileira passar a ter uma administração profissionalizada. Na década de 90, o Brasil começa a receber investimentos de capital estrangeiro e, no final do século XX, surgem os resorts, que já vinham se expandindo desde o início, pois os empresários já buscavam um empreendimento que aliasse a comodidade de serviços às belezas naturais. A origem deles pode ser marcada pela construção do TRANSAMÉRICA da Ilha de Comandatuba, o CLUB MED e o PRAIA do FORT-ECO RESORT, todos localizados na Bahia. No final dos anos 90, surge um novo destino turístico, a COSTA DO SAUIPE RESORT, com cinco hotéis de luxo, que além de aumentar significativamente a taxa de disponibilidade, revelava claramente a intenção de grupos internacionais investirem forte no litoral baiano. Em 2007, o parque hoteleiro nacional contava com 5.700 meios de hospedagem no Brasil, dos quais aproximadamente 18.000 hotéis e pousadas. Havia, ainda, outros 7.500 meios de hospedagem, tais como residenciais, flats, alojamentos, albergues, clubes, representando uma oferta de 1,1 milhões de apartamentos – unidades hoteleiras (UHS) – e gerando cerca de 500 mil empregos diretos e mais de 1.500 indiretos. Entre os associados da ABIH, Associação Brasileira de Indústria Hoteleira, estão cerca de 2.000 empreendimentos. Como se observa no quadro abaixo, a Bahia se encontra na segunda posição em relação ao número de empreendimentos instalados no interior; na terceira quanto ao número de hotéis instalados nas capitais e número de associados da ABIH. Finalmente está na quarta colocação em relação ao número de empreendimentos em municípios. Pode-se notar também que alguns Estados possuem um número irrisório de instalações hospedeiras nos municípios e interior, e a maior concentração destes se dá nas capitais, ao contrário dos Estados que estão no ranking das categorias mencionadas acima, exceto Rio de Janeiro. Porém, o Rio de Janeiro apresenta 90% dos seus hotéis associados, enquanto a Bahia e Santa Catarina possuem 85% e 83% respectivamente. Nº DE HOTÉIS Nº DE HOTÉIS Nº DE NAS CAPITAIS NO INTERIOR MUNICÍPIOS ESTADOS TOTAL DE ASSOCIADOS ACRE 10 3 1 13 ALAGOAS 40 12 7 55 AMAZONAS 30 AMAPÁ 12 34 10 46 BAHIA 64 89 27 153 CEARÁ 56 9 4 65 DISTRITO FEDERAL 35 9 6 44 ESP. SANTO 11 10 4 21 GOIÁS 34 17 6 51 MARANHÃO 17 1 1 18 MINAS GERAIS 37 44 30 81 MATO GROSSO 8 2 1 10 MT. GROSSO DO SUL 34 26 10 60 PARÁ 19 17 8 36 PARAIBA 30 1 1 31 30 Nº DE HOTÉIS Nº DE HOTÉIS Nº DE NAS CAPITAIS NO INTERIOR MUNICÍPIOS ESTADOS TOTAL DE ASSOCIADOS PIAUÍ 7 1 1 8 PARANÁ 58 45 12 103 RIO DE JANEIRO 114 73 20 187 RIO GDE. DO NORTE 56 15 5 71 RORAIMA 15 RIO GDE. DO SUL 29 71 41 100 ST. CATARINA 85 250 57 335 SERGIPE 20 1 1 21 SÃO PAULO 43 67 41 110 TOCANTINS 9 16 10 25 905 835 312 1.740 TOTAL 15 Quadro 3 Número de Meios de Hospedagem brasileiros Fonte: ABIH (2008) 3 HOSPEDAGEM NO MUNICÍPIO DE ILHÉUS No município de Ilhéus, as primeiras hospedagens localizavam-se no centro, estrategicamente ao lado do porto (que tinha grande movimentação na época, devido às exportações de cacau, produto cultivado e gerador de renda na economia regional) e eram normalmente casas de família. Em 1930 foi construído no município o primeiro prédio do interior do Norte e Nordeste do país, o ILHÉUS HOTEL, que foi também o primeiro da Bahia a implantar um elevador (ALVES, 2000). Esse hotel foi fruto da visão empreendedora e espírito pioneiro do Coronel Misael Tavares, que era o maior produtor individual de cacau do mundo, na sua época. Queria dotar a cidade de Ilhéus de um equipamento hoteleiro de alto nível, como nas grandes cidades. Para sua construção e funcionamento quase tudo foi importado da Europa, principalmente da Inglaterra, França e Alemanha. O prédio teve o primeiro elevador do interior da Bahia, com gerador próprio, necessário para suprir o precário fornecimento de energia elétrica da cidade. Água encanada nos apartamentos, telefone e sanitários completos para damas, cavalheiros, foram novidades. Em 1960, o HOTEL BRITÂNIA passou a destacar-se e dividir a demanda de hóspedes com o ILHÉUS HOTEL. Hoje, ainda estão em funcionamento estes dois empreendimentos que fizeram parte da história do município. Figura 1 HOTEL BRITÂNIA e ILHÉUS HOTEL (2008) - Fonte: Google Em 1975 surgiram o ILHÉUS PRAIA HOTEL e o PONTAL PRAIA HOTEL. Na década de 80 um grupo de suíços investiu em um empreendimento hoteleiro, o HOTEL JARDIM ATLÂNTICO, que, segundo a Embratur na época, caracterizou-o como empreendimento voltado ao turista internacional (MENDONÇA, 2000). Em 1986 houve um crescimento do parque hospedeiro com a construção de grandes hotéis, destacando-se os resorts TOROROMBA ECORESORT E CANABRAVA RESORT. Hoje, no município de Ilhéus existem 80 empreendimentos de hospedagem, divididos em pousadas (maioria), hotéis e resorts (minoria). Desses, apenas 52 empreendimentos hoteleiros que estão associados à Associação de Turismo de Ilhéus (ATIL) e somente quatro, à ABIH – Bahia. Como se pode ver no mapa a seguir, a região pontilhada corresponde a todos os meios de hospedagem do município. Grande parte dos estabelecimentos está localizada na região sul e na Rodovia Ilhéus/Olivença (estância hidromineral do município); algumas na Rodovia Norte Ilhéus / Itacaré (rodovia que liga o município a cidade de Itacaré (distância de 70km) e apenas seis no centro da cidade. Figura 2 Mapa da região Sul da Bahia e da Costa do Cacau com modificações Fonte: Google Pode-se dizer que os empreendimentos voltados à hospedagem se desenvolveram paralelamente ao desenvolvimento do turismo na região, que teve início logo após o declínio do cacau. Por essa razão, uma grande quantidade de pousadas, em sua maioria, eram casas de família, que viram no turismo outra forma de se sustentarem. De fato, com o passar dos tempos foram chegando inúmeras pessoas das regiões Sul e Sudeste, além de estrangeiros suíços, alemães, italianos e espanhóis, que viram na região um alto potencial. No quadro seguinte, estão listados todos os empreendimentos de hospedagem localizados no município de Ilhéus. NOME DO ENDEREÇO CONTATO ACAMPAMENTO Rodovia Ilhéus/Itacaré (73)3656-7066 BATISTA Km10 / Marisol (73)3656-3012 EMPREENDIMENTO www.igrejateosopolis.com POUSADA SOL DO Pontal/ Av.Lomanto (73)3632-8059 ATLÂNTICO Junior n°1450 www.pousadasoldoatlantico.com CENTRO CRISTÃO DE Rodovia Ilhéus/Uma (73)3269-7144 RECREAÇÃO Km29 / Acuípe (73)3269-1000 www.centrocristao.com.br CHALÉS COSTA BRAVA Rodovia Ilhéus/ Uma (73)3269-1299 Km20 /Jarí (73)3269-1037 POUSADA E CHALÉS Rodovia (73)3269-1294 SONHO MEU Ilhéus/Olivença Km09 www.chalesonhomeu.com.br POUSADA VITÓRIA Rodovia (73)3632-4997 Ilhéus/Olivença Km01 (73)3632-8007 www.pousadavitoria.com.br POUSADA 13 DE MAIO POUSADA ACONCHEGO POUSADA ALDEIA MAR Pontal/ Rua 13 de maio (73)3632-3133 n°202 (73)8117-9914 Rodovia Ilhéus/Olivença Km0 (73)3632-1133 Rodovia (73)3269-1110 Ilhéus/Olivença Km10 (73)3269-1633 POUSADA ARCO ÍRIS Rodovia (73)3269-1540 Ilhéus/Olivença Km08 www.arcoirisilheus.com.br POUSADA BALLY Rodovia Ilhéus/Itacaré (73)3656-9091 NAHINCH Km16 (73)99613519 POUSADA BARRA Avenida Litorânea (73)3639-6390 NORTE Norte s/n° São Miguel www.pousadabarranorte.com.br POUSADA BRISA DO Centro /Avenida 2 de (73)3231-2644 MAR Julho, n°138 POUSADA Centro/ Avenida (73)3634/3231 - 7461 CASABRANCA Bahia, n°291 www.casabranca.tur.br POUSADA CASARÃO Centro/ Praça Coronel Pessoa, n°38. CHRIST’S POUSADA (73)3231-5031 Rodovia Ilhéus Olivença Km 02 (73)3632-3953 Jardim Atlantico www.christspousda.com.br Rodovia Ilhéu/Olivença (73)3269-1600 Km08 /Cururupe (73)9961-3061 Rodovia Ilhéu/Olivença (73)3632-2561 km6.1 /Cururupe www.pousadadomar.com.br Pontal /Rua Hermínio (73)3231-4650 Ramos,n°396 (73)3231-1527 POUSADA DOS Rodovia (73)3632-1080 HIBISCUS Ilhéus/Olivença km02 (73)3632-1081 POUSADA CURURUPE POUSADA DO MAR POUSADA DO SUL www.pousadadoshibiscus.com.br POUSADA ECOLOGICA Rodovia (73)3269-1010 Ilhéus/Olivença Km09 (73)8832-3141 www.pousadaecologica.com.br POUSADA ESTÂNCIA Rodovia (73)3269-2000 DAS ÁGUAS Ilhéus/Olivença Km10 www.estanciadasaguas.com.br POUSADA GIRASSOL Centro/ Praça (73)3634-3400 Florêncio Gomes, (73)9981-6085 n°460 www.pousadagirassol.com.br POUSADA GOLFO Rodovia (73)3632-2737 PARADISO Ilhéus/Olivença Km03 www.golfoparadiso.com.br POUSADA ILHÉUS POUSADA KASARÃO Pontal/ Rua 13 de (73)3632-6866 maio, n°271 www.pousadailheus.com.br Centro/ Ladeira da (73)3231-5031 vitória,n°38 POUSADA LA BELLLA Rodovia Ilhéu/Itacaré (73)3081-0147 ALDEIA Km30 www.labellaaldeia.com.br Vila do Sargi LUA E MAR POUSADA Rodovia (73)3632-5341 Ilhéus/Olivença Jardim www.luaemar.com.br Atlântico POUSADA LUAR DO Pontal/ Avenida (73)3231-8760 PONTAL Lomanto Junior,n°630 (73)3231-7027 POUSADA MAGIA DO Rodovia (73)3632-2836 MAR Ilhéus/Olivença www.pousadamagiadomar.com.br Loteamento Perola do Mar POUSADA MALIBÚ Rodovia Ilhéus/Olivença (73)3269-1005 Km09 Cururupe POUSADA MARES DO Rodovia SUL Ilhéus/Olivença (73)3632-4257 Km01 POUSADA MISSISSIPE Rodovia (73)3632-2777 Ilhéus/Olivença www.pousadamississipe.com. Km02 br POUSADA MORRO DOS Rodovia (73)3632-5613 NAVEGANTES Ilhéus/Olivença www.pousadamorrodosnavegantes.co Km06 m.br POUSADA PARQUE Rodovia (73)3269-1214 DOS ORIXÁS Ilhéus/Olivença www.pousadaorixas.com.br Km12 POUSADA PEROLA DO Rodovia (73)3632-5280 MAR Ilhéus/Olivença www.peroladomar.com.br Km04 POUSADA ILHÉUS Rodovia (73)3632-7214 TROPICAL Ilhéus/Olivença Jardim (73)3632-7104 Atlântico www.ilheustropical.com.br POUSADA PORTO DA Rodovia LANCHA Ilhéus/Olivença (73)3269-1173 Km12 POUSADA PORTO DE Rodovia MINAS Ilhéus/Olivença (73)3632-1715 Km1,5 Jardim Atlântico Rodovia Ilhéus/Itacaré POUSADA PORTO DO Km18 (73)3656-9336 SOL Ponta da Tulha POUSADA PRAIA BELA Rodovia (73)3632-7022 Ilhéus/Olivença www.praiabela.com.br Km2,5 POUSADA PRAIA DOS Pontal/ Avenida (73)3269-1140 MILAGRES Lomanto Junior,n°456 www.uol.com.br/pmilagres POUSADA RAIO DO SOL Pontal/ Avenida (73)3231-4520 Lomanto Junior, n°1408 POUSADA RIO MAR POUSADA SAVÓIA Pontal/ Avenida (73)3632-6002 Lomanto Junior, n°349 www.pousadariomar.net Jardim savoia/ Avenida (73)3639-1371 Proclamação,n°608 www.pousadasavoia.com.br POUSADA SOL DE Rodovia ILHÉUS Ilhéus/Olivença (73)3632-7785 Km01/ Loteamento Gabriela POUSADA VENEZA Rodovia (73)3632-2722 Ilhéus/Olivença www.pousadaveneza.com.br Loteamento Paraíso COSTA DO ACUÍPE Rodovia PRAIA HOTEL Ilhéus/Canavieiras (73)3269-1296 Km28 POUSADA TERRAS DO Rodovia SEM FIM Ilhéus/Olivença km 11 (73)32691210 PONTAL PRAIA HOTEL ILHÉUS NORTH HOTEL Pontal/ Avenida Lomanto Junior,n°1358 (73)3231-3083 Rodovia Ilhéus/Itacaré (73)3239-6125 Km31 STELLA MARES Rodovia Ilhéus/Itacaré (73) 3634-9999 CANA BRAVA RESORT Rodovia (73)3269-8000 HOTEL Ilhéus/Canavieiras www.canabrava.com.br VILLAGE Km21 ECO RESORT Rodovia (73)3234-1400 TOROROMBA Ilhéus/Canavieiras www.tororomba.com.br Km21 HOTEL MOMOAM Rodovia Ilhéu/Itacaré (73)3657-6050 Km22 ILHÉUS PRAIA HOTEL Centro (73)3634-2533 BARRAVENTO PRAIA Malhado (73)3634-3223 Rodovia (73)3234-1212 HOTEL HOTEL LA DOLCE VITA Ilhéus/Olivença POUSADA CASA DA Rodovia PRAIA Ilhéus/Olivença HOTEL JARDIM Rodovia ATLÂNTICO Ilhéus/Olivença OPABA PRAIA HOTEL Pontal (73)3632-7005 (73)3632-4711 www.jardimatlantico.com.br (73)3234-8810 www.opaba.com.br POUSADA MORENA DO Rodovia SUL Ilhéus/Olivença ÉDEN VILLAGE Rodovia Ilhéus/Itacaré 73)3639-7004 HOTEL BRITÂNIA Centro (73)3634-1722 HOTEL ALDEIA DA Rodovia (73)3234-8000 PRAIA Ilhéus/Olivença VILLAGE BACKDOOR Rodovia Ilhéus/Olivença (73)3632-8471 (73)3269-1134 ECO VILLAGE IDAIÁ Rodovia Ilhéus/ Itacaré (73)3631-1197 HOTEL MANAKÁ Rodovia (73)3269-1136 Ilhéus/Olivença POUSADA PONTAL Pontal/ Rua Coronel Pessoa,n°70 (73)3086-1556 (73)9962-2007 www.kidsilveira.com.br POUSADA TERRA DO Malhado/ Avenida SOL Litoral Norte,n°583 POUSADA VILLA VERDE Rodovia (73)3231-6299 (73)3269-1211 Ilhéus/Olivença Rodovia Ilhéus/Itacaré POUSADA MAISHA Km17,4 POUSADA COSTA DO Rodovia Ilhéus (73) 3269-1596 SOL Olivença Km12 www.cotedusolei.com.br Rodovia (73)3632-2200 Ilhéus/Olivença (73)3632-2877 Km02 www.marinaspousada.com.br Rodovia Ilhéus/Itacaré (73)3086-1888 Km30 (73)3617-1888 Sargi www.sargimar.com.br VILLAGE TROPICAL Rodovia (73)3211-5327 VIVA MAR Ilhéus/Olivença POUSADA DE Rodovia (73)3632-2284 MARCHESI Ilhéus/Olivença www.marchesi.com.br MARINAS POUSADAS POUSADA SARGIMAR Quadro 4 Meios de Hospedagem No Município de Ilhéus 4. OBJETIVO GERAL Avaliar a responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem localizados no município de Ilhéus, Bahia, no que diz respeito ao uso dos recursos ambientais em sua estrutura operacional. 4.1 Objetivos Específicos Verificar se os empreendimentos hospedeiros possuem licença ambiental do município. Verificar se possui algum selo ou certificado ambiental. Verificar se os empreendimentos possuem algum projeto voltado para a questão ambiental Examinar se os empreendimentos utilizam alguma fonte de energia renovável. Registrar se os empreendimentos utilizam algum tipo de Sistema de Gestão Ambiental. Verificar se a água é reutilizada. Verificar se utiliza o lixo orgânico. Verificar se realiza algum curso de educação ambiental voltado para o funcionário. Examinar se limpa o local onde estão localizados e o que fazem com o lixo produzido. 5 METODOLOGIA 5.1 Caracterização da Área de Estudo Figura 3 – Mapa da Bahia e a área de estudo O estudo realizado abrange os meios de hospedagem de Ilhéus. Esse município localiza-se na zona cacaueira, Sul do Estado da Bahia, na foz dos rios Cachoeira e Almada, principais bacias regionais (SOUB, 2005). Segundo dados do IBGE¹, em 2000, a população de Ilhéus era de 221.883 habitantes, sendo destes, 161.898, encontrados no meio urbano. A densidade é de 120,54 hab/km² em uma área de 1841,032 1km². O clima de Ilhéus é quente e úmido, com a temperatura média anual de 24°C (SOUB, 2005). O litoral é muito variado, apresentando baías, pontas, restingas, recifes, ilhas, tômbolos, bancos de areia e dunas (ANDRADE, 2003). 1 Disponível em:<http//www.ilheusvirtual.com.br>. Acesso em 25/04/2008 A cidade tem seis áreas de preservação ambiental: Reserva Ecológica de Ilhéus; Reserva Ecológica do Morro do Cururupe; Jardim Botânico de Ilhéus e a Reserva particular do patrimônio natural da Fazenda Verde. O município é envolvido por uma paisagem de rara beleza, constituindo um cenário singular para o desenvolvimento do turismo no Estado da Bahia, contando com um grande número de hotéis, pousadas e resorts. 5.2 Procedimentos da Metodologia O procedimento de análise utilizado na pesquisa foi o método bibliográfico, baseado na contribuição de diversos autores que já abordaram a questão (NASCIMENTO, 2002). O método de pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos, materiais elaborados com a finalidade de serem lidos, em sua maioria, livros e artigos científicos (GIL, 2002). A coleta de dados primários foi realizada por meio de questionário, uma técnica razoavelmente barata e relativamente confiável, entregue aos gerentes dos estabelecimentos hospedeiros. Esse questionário contém treze perguntas referentes ao tema em estudo. Dos 80 empreendimentos visitados, somente 60 se disponibilizaram para respondê-lo, os outros estavam quase sem funcionamento, devido à baixa estação os gerentes não permaneciam no local. Foram também realizadas entrevistas informais nas secretarias de meio ambiente e de turismo do município. 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES Os dados apresentados neste capítulo foram obtidos por meio de um questionário entregue aos gerentes dos empreendimentos hospedeiros consultados. Na primeira figura observam-se as características da estrutura dos meios de hospedagem (piscina, área verde, sauna e lavanderia). Essas quatro características são fundamentais para que haja uma fiscalização ambiental, pois, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente do Município de Ilhéus, a fiscalização é muito rigorosa para ser aplicada em empreendimentos que não possuam as quatro características. Sauna Lavanderia Area verde Piscina 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00 % Figura3 Características dos meios de hospedagem consultados Foi observado que 71,87% possuem área verde; 87,5%, piscina; 56,25%, lavanderia e apenas 10%, sauna. Sendo assim, apenas 46,87% dos consultados conseguiram licença ambiental do município. Quanto a alvarás e fiscalização sanitária, todos os estabelecimentos pesquisados possuem. 46,87% 53,13% Sim Não Figura 4 Número de empreendimentos que possuem licença ambiental do município A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, pode conceder um certificado de licença ambiental, amparada em resolução do COMDEMA, Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, que é parte integrante da estrutura organizacional do Sistema Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SISMAD. Trata-se de um órgão deliberativo com atribuições de licenciar, normatizar, assessorar, estudar e propor diretrizes relacionadas ao desenvolvimento sustentável do Município. Com a aprovação, o estabelecimento poderá funcionar, tendo um prazo com validade de no máximo três anos, quando deverá ocorrer um pedido de renovação e, além disso, durante esse período, devem obedecer a algumas condicionantes especificadas no documento que serão fiscalizadas pela Secretaria do município. Tal órgão diz estar se estruturando para adquirir um maior controle, já que, pode-se dizer que este tipo de trabalho nunca tinha acontecido antes, e, por esse motivo, existem empreendimentos que não têm a mínima noção de que exista uma fiscalização de âmbito ambiental no município. Trata-se, na verdade, de estabelecimentos pequenos e antigos que, em sua maioria, eram casas familiares que acabaram se tornando pousadas. Mas há também empreendimentos em áreas que deveriam ser preservadas, e isso acontece, na maior parte das vezes, por falta de fiscalização (ou um certo “afrouxamento” das obrigações), ou por favores políticos, muito comuns na região. A própria Secretaria menciona alguns casos. O descaso da região é reconhecido, quando se nota que a criação de uma secretaria voltada exclusivamente para o meio ambiente deu-se apenas em 2000. Quanto à questão da Gestão Ambiental, pode-se dizer que nenhum empreendimento consultado a conhece ou pratica, nem tampouco possuem selos de certificação ambiental, ou utilizam de algum SGA. Embora a certificação não seja compulsória, sua obtenção dá destaque à empresa, e a posiciona favoravelmente diante de seus concorrentes (Valle, 2000). Porém, a forma mais segura para se preparar a empresa para conseguir os parâmetros capazes de satisfazer às exigências dessas normas é começar do básico, conscientizando todos os funcionários e definindo uma política ambiental. Nenhum dos estabelecimentos tem algum curso de educação ambiental para os funcionários, o que seria o mínimo, já que esses meios de hospedagem não possuem um SGA. Segundo Barbiere (2004) a meta de educação ambiental é desenvolver uma população mundial consciente e preocupada com o meio, para atuar em busca de soluções para os problemas atuais e para a prevenção dos problemas futuros. E diante dos resultados, observa-se que o desenvolvimento de uma política ambiental está longe de ser uma prioridade no município de Ilhéus. A empresa não pode se mostrar como não é. Não adianta dizer que preserva o meio ambiente se não age nesse sentido. Para Valle (2000), a forma mais eficaz de mostrar essa postura de empresa comprometida com a qualidade de vida da comunidade e com o meio ambiente é promover a certificação de suas instalações em conformidade com a ISO 14000. Se o empreendimento não tem um certificado que comprove seu comprometimento com essa questão, não adianta dizer que se compromete, é como se ele só dissesse que possui alvará e fiscalização sanitária, mas não tivesse nada para comprovar isso. Ora, isso não é o que acontece nesse caso, visto que tais documentos ficam à exposição para que o cliente os veja, o que comprova mais ainda a idéia de que não há uma conscientização nesse aspecto. Se houvesse, esses estabelecimentos, com certeza, estariam buscando obter um certificado de qualidade no âmbito ambiental. Essa mudança deve partir do mais alto nível hierárquico, para que haja uma mudança em todos os outros níveis funcionais (Valle, 2000). Há que se adotar realmente esse novo conceito mediante uma nova postura. Mas para que haja essa mudança na cultura da empresa, é necessária uma comunicação eficiente por intermédio de um programa de educação ambiental que mobilize todos os seus integrantes. Algumas medidas são tomadas, mas observa-se que não acontece pelo motivo de se querer preservar o meio e conseqüentemente a vida de seu empreendimento, mas sim pelo simples fato de se conseguir alguma vantagem econômica, que deveria ser apenas uma conseqüência e não a causa. Porém, é Importante lembrar, que a realização de ações ambientais episódicas, pontuais ou isoladas não configura um SGA propriamente dito (BARBIERE,2004). Nos empreendimentos consultados, apenas 25% utilizam uma fonte de energia renovável, a solar. Muitos ainda pensam em utilizá-la, porém, como a eólica, seu custo ainda não é tão acessível aos pequenos empreendimentos. 25% energia solar Energia elétrica 75% Figura 5 Número de empreendimentos que contam com fontes de energia renovável Um grande exemplo dessas medidas isoladas é a questão da energia, cuja utilização está associada diretamente à qualidade de vida de um povo. Sua relação com o meio ambiente é muito intensa (MOURA ,2002). A energia deve ser usada de maneira racional, o que, segundo Moura (2002), não significa deixar de usá-la, mas sim, modificar processos para evitar desperdício. Muitos empreendimentos utilizam da iluminação natural devido à sua estrutura arquitetônica e todos utilizam marcas de eletrodomésticos com selos que garantem a diminuição de energia. Outro programa interessante é a substituição das lâmpadas por modelos mais eficientes e de grande durabilidade, as fluorescentes, que foram encontradas em todos os empreendimentos. Isto gera outra questão, muito importante: o lixo. Todos os empreendimentos apenas descartam essa lâmpada, que, apesar de econômica, apresenta metais pesados que prejudicam o meio ambiente. O lixo produzido é colocado nos lixões, que, segundo Barbiere (2004), é uma forma precária de disposição final do lixo, sem nenhum cuidado para impermeabilizar o solo e controlar as emissões, causando, com isso, degradação ambiental. Ainda existem os que, de alguma forma, reutilizam e reciclam o lixo. A reutilização acontece de forma direta e só em relação aos restos de frutas e verduras utilizados como adubo (43,75%), pois a compostagem, que consiste em proporcionar condições para que os organismos decompositores atuem sobre a matéria orgânica, é utilizada em apenas 1,5% do lixo orgânico no Brasil (MOURA,2002). 56,25% descartam 43,75% usam como adubo A reciclagem acontece de forma indireta. Os que a fazem (15,63%) vendem ou doam aos catadores de lixo (PET, alumínio e papel). Estes vendem e ganham o seu sustento. De acordo com Moura (2002), a reciclagem prolonga a vida de bens ambientais esgotáveis e proporciona significativa redução de volumes de resíduos urbanos, permitindo a geração intensiva de empregos nos níveis mais baixos de qualificação de pessoal, dando-lhes condições de sobrevivência. Porém, no município não existe um sistema de coleta seletiva, o que dificulta mais ainda a questão do descarte do lixo, além de prejudicar as tomadas de decisão acerca do lixo produzido por esses empreendimentos, pois não adianta separar o lixo, se, no final do processo, vai tudo para o mesmo lugar: materiais químicos, metais, baterias, eletrônicos, papéis, plásticos, vidros e materiais orgânicos. 15,63% reaproveitam e reciclam 84,37% apenas descartam Figura 7 Quantidade de empreendimentos que aproveitam e reciclam o lixo Verifica-se que o problema existente em relação ao lixo, além de ser de competência do governo municipal, que não proporciona condições mínimas para que a reciclagem seja possível, é também devido à falta de conscientização dos empreendimentos que atuam somente dentro do “seu mundo”. Um bom exemplo disso é o fato de ainda existirem 15,63% dos meios de hospedagem que não limpam a área onde estão localizados, entendendo ser essa uma responsabilidade apenas da Prefeitura Municipal. 15,63% não limpam 84,37% limpam Figura 8 Quantidade de empreendimentos que limpam a área onde estão localizados Quanto à questão da água, Valle (2000) diz que sua utilização requer racionalidade e parcimônia. Apenas 37,2% dos empreendimentos a reutilizam. Essa reutilização se dá via aproveitamento da água da chuva e da piscina. Segundo Valle (2000), a reutilização do uso da água representa significativa economia, porque ela pode ser utilizada várias vezes antes de ser definitivamente descartada. 37,2%reutilizam agua 62,8% Figura 9 Quantidade de empreendimentos que reutilizam a água A água está relacionada ao problema do lixo, que contamina os rios e lagos, comprometendo mananciais. Outro problema é o seu desperdício (Moura,2002). É por isso que a reutilização é bastante importante e muitas hospedagens estão buscando utilizar de tecnologias limpas, no caso, quanto aos equipamentos de banheiro e cozinha, onde o uso da água é mais intenso. Porém, essas tecnologias ainda são inexistentes nos estabelecimentos hospedeiros do município de Ilhéus. CONSIDERAÇÕES FINAIS A questão ambiental é um tema que há muito vem se fundamentando e atingindo a população mundial. As pessoas aos poucos foram se dando conta que a poluição em geral poderia causar danos irreversíveis, já que os recursos naturais foram claramente entendidos como não perenes. A partir dessa situação, surgiram enumeras assembléias e reuniões de caráter mundial onde foram debatida a questão ambiental, criadas regulamentações e leis que abrangiam todos os continentes e por fim, com a globalização, é que essa questão passou a ser parte integrante da vida social. Porem, hoje ainda, são muitos os que acreditam que suas ações preventivas não interferem no sistema, e acabam não as realizando, dificultando mais o processo de preservação.Uma grande influencia nesse processo é a educação ambiental. Para que as pessoas passassem a lavar as mãos antes de se alimentar e escovassem os dentes após as refeições foi feito uma intervenção por outra pessoa, no caso, houve um processo de aprendizagem antes de determinadas ações se transformassem em hábitos. Isso deveria ocorrer com a questão aqui referida, mas como as conseqüências da não preservação do meio ambiente não são diretas e não afetam só a um só indivíduo, a idéia passa a ser esquecida e não difundida. È certo que atualmente as crianças, cidadãos do amanhã, já aprendem na escola a importância de preservar, no entanto, torna-se difícil colocar em prática se não faz parte do costume da família, e acabam esquecendo. È por isso que a educação ambiental deve ser propagada nas empresas e o próprio município deve atuar como fiscalizador e propagador, pois se o governo age paralelamente, torna-se mais fácil toda a população cooperar. Muitas agem de maneira responsável, e a participação governamental é o complemento da participação cívica, isso porque existem determinadas ações que competem ao próprio governo municipal. Um exemplo mostrado na pesquisa foi a questão da coleta seletiva que não ocorre no município, o que prejudica qualquer tipo de ação por parte da empresa em relação ao destino do seu lixo produzido, o outro exemplo é a questão da rara fiscalização ambiental. A responsabilidade ambiental dos meios de hospedagem além de ser caracterizada como um ato consciente ajuda no marketing local. No entanto, detectou-se também que há uma notável falta de conscientização dos empreendimentos hospedeiros, e observou-se que era uma conseqüência de uma falta de educação voltada para esse lado. A não projeção dessa questão leva a diminuição do numero de turistas que tem o meio ambiente como atrativo, pois o entorno do ambiente onde está localizado a hospedagem também é um chamariz. Já que a própria associação brasileira da indústria de hotéis possui um programa de gestão ambiental (Hospedes da natureza), fica mais fácil para o estabelecimento se adequar a essas normas ambientais, porém, no município, esse programa não é utilizado nem pelos quatro empreendimentos associados, o que não deveria ocorrer. Deve-se haver uma interação da secretaria do turismo com a secretaria do meio ambiente. No município, não há nenhum projeto voltado para isso, se vê que não se faz uma ligação do turismo com o meio ambiente. O próprio empreendimento hospedeiro é um exemplo disso, já que a relação do turismo com o meio ambiente é de mutualismo e o sistema hospedeiro mantém uma ligação direta com o turismo. Por fim, diante dos resultados obtidos e as discussões anteriores, entende-se que os meios de hospedagem do município de Ilhéus parecem não atentar devidamente para a responsabilidade ambiental. Se for analisado o fato de que quase metade dos empreendimentos possui licença ambiental, torna-se um pouco incoerente afirmar que estes não são ambientalmente responsáveis, porém, deve ser observado, que apesar disso, ainda são poucos os que utilizam uma fonte de energia renovável, que reutilizam a água e ainda existem os que não fazem a própria limpeza em seu entorno. Além de que se não há uma fiscalização correta e rigorosa, essa licença passa a ser mais um tipo de documento burocrático, e não uma ponte para a sustentabilidade. Um exemplo disso, é que uma das condicionantes para se obter licença ambiental é a contratação de um biólogo, principalmente nas áreas mais próximas à Mata Atlântica. Dos empreendimentos visitados não houve nenhuma contratação, ou seja, dos poucos que possuem licença, nenhum segue as condicionantes propostas. Percebe-se também que um grande entrave para que não haja uma atuação responsável é certamente a falta de educação ambiental, inexistente em todos os setores dos empreendimentos hospedeiros consultados, além da falta de interação entre eles próprios e entre o governo municipal. Quando houver mudança nesse sentido, é que os meios de hospedagem do município de Ilhéus poderão se desenvolver de maneira sustentável tornando-se ambientalmente responsáveis. REFERÊNCIAS ABIH. Hotelaria Brasileira. Disponível em: <http//www.abih.com.br>. Acesso em: 02 maio. 2008. ABNT. CB38, Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental. Disponível em: < http// www.abnt.com.br> . Acesso em 12 maio. 2008. ANDRADE, M. P. Ilhéus: Passado e presente. 2 ed. rev. e ampl. – Ilhéus, Bahia: Editus, 2003. ________.Agenda 21 brasileira. 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ANEXO I Resumo do Programa ABIH de Meio Ambiente "HÓSPEDES DA NATUREZA" JUSTIFICATIVA Há pelo menos quatro décadas, com especial destaque para os anos 90, a Indústria Turística Brasileira vem demonstrando um significativo crescimento, porém de uma forma desordenada e não planejada, adaptando-se da forma possível à demanda de mercado, o que tem atingido significativamente seu maior atrativo turístico, o Patrimônio Natural. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, como principal representante de um segmento que é um dos maiores geradores de empregos do país e tem mais de 70 bilhões de reais em investimentos fixos, assumiu a responsabilidade de fomentar a gestão ambiental na área privada do turismo, por entender que esta ação começa necessariamente pela hotelaria, pois é ela que interage de forma contínua e permanente com a comunidade, parceiros, fornecedores, funcionários e hóspedes, tornando-se assim um perfeito agente multiplicador. A decisão da ABIH, que mantém coerência com a política publicada pelo do governo brasileiro para a área de meio ambiente e para o desenvolvimento sustentável do turismo, está perfeitamente alinhada as modernas ações internacionais, como as que vêm sendo promovidas pelo Programa Ambiental das Nações Unidas - UNEP, pelo Word Travel Tourism Council - WTTC e IHEI International Hotel Environment Initiative, entre outras. Estas ações e iniciativas são decorrentes em grande parte do compromisso assinado em 1992 por 182 países, entre eles o Brasil, e por organizações que representam diversos setores da atividade econômica denominado Agenda 21, que especificamente para o segmento de Viagens e Turismo por exemplo, testifica do interesse direto que tem o setor em proteger os recursos naturais e culturais do Planeta que são a matéria prima do seu negócio. Sendo hoje a atividade que mais gera renda no mundo, certamente que o setor de Viagens e Turismo tem meios também para assegurar a sustentabilidade de largo prazo de seu próprio negócio. Conscientes de que é uma questão de bom senso empresarial investir na conservação do meio ambiente e que a medida que avançamos em direção a um mundo mais populoso, mais consumista e mais ameaçado pela poluição e pela degradação ambiental este tema vai se tornando mais presente na vida de cada cidadão, os hoteleiros assumem uma postura de vanguarda e de coerência ao propor seu próprio programa de Responsabilidade Ambiental. OBJETIVOS I) Os objetivos quantitativos do Programa ABIH de Responsabilidade Ambiental pretende nos 24 meses seguintes a seu lançamento atingir em todo o Brasil os seguintes resultados: a) integração de 1.500 meios de hospedagem, em uma estimativa de 75.000 unidades habitacionais b) realização de 15 seminários de sensibilização empresarial e comunitária, envolvendo diretamente um público de aproximadamente 1200 pessoas; c) criação de 25 comitês comunitários de gestão ambiental d) capacitar 200 consultores/auditores ambientais para o turismo e) envolver diretamente no programa 3000 funcionários de hotéis f) produzir economia de água e energia na ordem de 30 % que equivalem a média mundial em programas similares. g) sensibilizar e envolver no programa 5,5 milhões de hospedes da rede hoteleira participante. II) Qualitativamente o Programa ABIH de Responsabilidade Ambiental pretende: a) Desenvolver a consciência crítica do empresário hoteleiro de que seu negócio está intimamente ligado e dependente da qualidade ambiental, que o patrimônio natural é o principal produto turístico do país, e que a hotelaria deve assumir seu papel na gestão responsável do meio ambiente b) Contribuir positivamente para a mudança da imagem internacional do destino turístico brasileiro. c) Provocar o envolvimento de fornecedores e o trade turístico no processo de adoção e consolidação de princípios e atitudes de responsabilidade ambiental com o patrimônio natural brasileiro d) Contribuir com o governo brasileiro para o atingir a meta para o turismo proposta pelo Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade especificamente voltada para a limpeza urbana e despoluição das praias e atrativos turísticos. e) Produzir resultados positivos para os hoteleiros pelos investimentos realizados na gestão ambiental e redução de custos operacionais. f) Desenvolver na opinião pública uma imagem favorável à iniciativa da hotelaria brasileira PLANO OPERACIONAL Para dar cumprimento às metas e objetivos do programa a ABIH desenvolveu um plano operacional composto de 4 fases de crescimento gradual, e várias estratégias de ação Fase 1 – Sensibilização e Adesão Com o intuito de provocar o interesse e adesão do empresariado, bem como colher apoio da opinião pública à iniciativa, nesta fase serão realizadas uma série de reuniões com representantes e autoridades dos poderes públicos constituídos, solenidades e seminários de lançamento de abrangência nacional e regional envolvendo o poder público e o empresariado, desenvolvimento uma planejada campanha de mídia dirigida, e criados diversos canais de comunicação interativa com empresariado da hotelaria, do trade turístico, poder público e a população em geral. Ainda nesta fase será constituído um Comitê Nacional de Gestão do Programa composto por representantes do principais parceiros na iniciativa, bem como os Comitês Regionais de Gestão compostos por representantes da hotelaria, poder público, ONG’s e escolas, que além de buscarem assegurar os resultados do programa se constituirão em agentes multiplicadores dos princípios da proposta, envolvendo a cadeia produtiva que gravita em torno da hotelaria e as comunidades onde os empreendimentos estão estabelecidos. Fase 2 – Capacitação do Empreendedor e de seus Funcionários Tendo em vista a pouca tradição técnica e cultural do Brasil no trabalho e investimento em políticas e programas de responsabilidade ambiental, será desenvolvido um amplo trabalho de capacitação através de seminários, cursos e workshops, que buscará formar e qualificar a mão-de-obra necessária para garantir a resolutividade do programa. Nesta fase serão formados Consultores e Auditores Ambientais no padrão preconizado programa, e capacitados agentes multiplicadores do parque hoteleiro para o desenvolvimento de ações práticas, composto de empresários e funcionários, com base nas premissas e conceitos do “Manual de Programas Ambientais para Hotelaria – ações práticas para beneficiar o seu hotel e o meio ambiente”, que é um instrumento técnico-didático adaptado à cultura e realidade brasileira do “Environmental Action Pack”, desenvolvido pela International Hotel Environment Iniciative – IHEI, e que será distribuído a todos os hotéis que aderirem ao programa. Fase 3 – Desenvolvimento de Programas Ambientais Para os hotéis que aderirem à esta fase, que deverá durar aproximadamente 6 meses, será oferecida consultoria especializada para diagnóstico da situação ambiental, priorização do plano de investimento e definição do cronograma de ações a serem implementadas. Durante a implantação dos programas ambientais básicos, constituído de ações pontuais, acompanhamento, assessoria e supervisão de técnicos especializados, tanto “in loco” como por suporte via internet. Para aqueles empreendimentos necessitarem ou que acharem necessário, a ABIH intermediará acesso a linhas de crédito, subsídios e incentivos fiscais para viabilizar a consecução do plano de investimentos no programa. Na home page do programa haverá um atualizado banco de dados sobre fornecedores de materiais e serviços ecologicamente responsáveis. A coordenação do programa em conjunto com o Comitê Nacional e os Comitês Regionais farão um acompanhamento dos resultados através dos relatórios técnicos e informações objetivas produzidas pelos consultores e pelos próprios estabelecimentos e que forma o banco de dados do Programa. Os melhores “cases” serão selecionados para compor um vídeo institucional que será distribuído a todos hotéis participantes, outras empresas interessadas, autoridades e veículos de comunicação. Também nesta fase, os Comitês Regionais farão contatos com as autoridades públicas locais para buscar alternativas de solução para os problemas infra-estruturais levantados no trabalho de diagnóstico e pelo próprio desenvolvimento das ações pontuais. Os estabelecimentos que alcançarem resultados que atendam pré-requisitos mínimos receberam o Selo de Responsabilidade Ambiental. Fase 4 – Implantação de Gestão Ambiental – Certificação Para os hotéis que aderirem à esta fase, que deverá durar entre 12 e 18 meses, além da manutenção de todos os serviços e benefícios existentes na Fase 3, será disponibilizada consultoria especializada para a implantação de um sistema internacionalmente reconhecido de Gestão Ambiental de Hotéis.. Comprovado por meio de auditoria técnica que o padrão exigido foi atingido, será emitido para o Hotel o Certificado de Responsabilidade Ambiental, e que será amplamente divulgado nacional e internacionalmente. ANEXO II PROGRAMA ABIH DE RESPONSABILIDADE AMBIENTAL HÓSPEDES DA NATUREZA CONSIDERAÇÕES GERAIS Estudos técnicos e a realidade de mercado apontam que a médio e longo prazo, a sobrevivência da hotelaria estará intrinsecamente ligada a atratividade exercida pelo destino turístico onde está localizado o hotel e as características do próprio estabelecimento. No Brasil esta realidade não é diferente, e talvez ainda mais potencializada, tendo em vista que o maior atrativo turístico do país é o patrimônio natural. Hotéis e empresas da indústria do turismo no mundo inteiro, grandes ou pequenas, estão trazendo o gerenciamento ambiental para o dia-a-dia de seus negócios, pois eles também usam recursos naturais - energia, água outros materiais - que estão sob ameaça crescente. A ABIH como principal representante de um segmento que é um dos maiores geradores de empregos do país e tem mais de 70 bilhões de reais em investimentos fixos no País, busca se integrar de forma planejada a este movimento, não apenas como forma de ação conservacionista, mas acima de tudo se adaptando a um enfoque moderno na área de política pública que deverá contribuir para o ordenamento de uma nova indústria, e o desenvolvimento do turismo sustentável nacional. A ABIH assumiu a responsabilidade de fomentar a gestão ambiental na área privada do turismo, por entender que esta ação começa necessariamente pela hotelaria, pois é ela que interage de forma contínua e permanente com a comunidade, parceiros, fornecedores, funcionários e hóspedes, tornando-se assim um perfeito agente multiplicador. Conscientes de que é uma questão de bom senso empresarial investir na conservação do meio ambiente e que à medida que avançamos em direção a um mundo mais populoso, mais consumista e mais ameaçado pela poluição e pela degradação ambiental este tema vai se tornando mais presente na vida de cada cidadão, os hoteleiros assumem uma postura de vanguarda e de coerência ao propor seu próprio programa de responsabilidade Ambiental, denominado de Hóspedes da Natureza. Por que ter compromisso ambiental? Você já pensou nos benefícios que sua empresa pode ter usando o gerenciamento ambiental? Consumo Reduzido = Custos Reduzidos Muitas das metas ambientais propostas por este programa visam a redução do consumo (energia, água, gás, outros materiais) que conseqüentemente também irão contribuir na redução dos custos operacionais de sua empresa. Experiências internacionais de gerenciamento ambiental em hotéis chegaram a demonstrar os seguintes resultados: Economia de até 30% de Energia Elétrica; Redução de até 20% no Consumo de Água; Redução de até 25% de Resíduos Sólidos; Redução de até 15% no Consumo de Gás; Clientela Fiel e Melhoria da Imagem Corporativa Hóspedes de hotéis estão se interessando cada vez mais pela questão do meio ambiente. Mostrando que você se preocupa com o meio ambiente tanto como com o conforto de seus hóspedes, você ganhará o respeito e a fidelidade deles, que também transmitirão uma imagem positiva de seus hotel. Um hotel, administrado e divulgado como "amigo do meio ambiente", viu seu negócio crescer em 30% enquanto seus concorrentes entravam em recessão. Atraindo e mantendo funcionários dedicados Se os funcionários perceberem que você se preocupa com o meio ambiente, sem prejudicar o sucesso do seu empreendimento, vão se sentir parte de uma organização comercial séria, respeitada e ecologicamente preocupada. Isto tende a aumentar a motivação, a fidelidade e o desempenho, gerando estabilidade no quadro de funcionários. As ações ambientais podem se constituir em uma poderosa ferramenta para o gerenciamento de recursos humanos, por exemplo através da distribuição de parte dos resultados obtidos com a economia gerada. Benefícios de longo prazo para o seu negócio Através do trabalho em conjunto no seu setor e da boa operação de seu negócio, você estará ajudando a proteger o meio ambiente local, que é essencial para o futuro de sua empresa. E se você não fizer nada pelo meio ambiente? Seus concorrentes poderão estar fazendo. A cada dia, mais e mais hóspedes estão se tornando ambientalmente conscientes. Operadoras internacionais de turismo estão assumindo compromissos com a ONU para trabalharem de forma ambientalmente ativa. A falta de cuidados com o meio ambiente poderá prejudicar a indústria turística local, e conseqüentemente inviabilizar o seu negócio. A exaustão dos recursos naturais tem motivado as autoridades públicas a tornar as legislações e fiscalizações ambientais mais rígidas e exigentes Conceitos do Programa O programa de gestão responsável de meio ambiente da ABIH - Hóspedes da Natureza - adota três princípios básicos que orientam a composição do programa. AO primeiro que identifica ,adapta e aplica à realidade brasileira conceitos,tecnologias, produtos e serviços já mundialmente consagrados desenvolvidos principalmente pelo IHEI - International Hotel Environment Initiative. Quais são os objetivos? A -são reduzir o custo operacional do projeto viabilizando sua execução e incluir o Brasil na rede de informação internacional que promove o tema ambiente e turismo, utilizando-a como ferramenta de marketing na divulgação do nosso destino B- O segundo desenvolve o programa como irradiador e difusor dos conceitos práticos da responsabilidade ambiental, promovendo ações que envolvam empresários, comunidade, poder público, fornecedores ,funcionários e hóspedes. O objetivo é estimular e viabilizar projetos de produção limpa fornecendo aos governantes em suas várias esferas dados sobre a infra-estrutura que facilitará ações futuras, estimular a relação com os fornecedores para o desenvolvimento de embalagens e produtos compatíveis à gestão ambiental , estimular a função de agente multiplicador da hotelaria através da divulgação da gestão ambiental entre seus hóspedes, funcionários e a comunidade do entorno. C- O terceiro aplica os fundamentos das técnicas de qualidade ao desenvolvimento continuo, progressivo e tecnicamente coordenado do programa propiciando que as ações simples e pontuais da adequação ambiental, se integrem ao sistema de gestão do meio de hospedagem, consolidando os resultados alcançados através do monitoramento constante. O que o programa oferece? Consultoria Especializada em Gestão Ambiental; O programa hóspedes da natureza seleciona e capacita experientes consultores em gerenciamento ambiental, para o atendimento personalizado aos hotéis que aderirem ao programa. Estes consultores realizarão um diagnóstico da situação de gerenciamento ambiental em seu empreendimento, produzindo um relatório analítico e sugestivo que o orientará no planejamento das ações a serem desenvolvidas para adequação ambiental do empreendimento. O relatório produzido pelos consultores, vem ilustrado com fotografias, explicações pontuais e apresentando alternativas de solução, o que auxilia a visualização das situações problema, no envolvimento da equipe profissional e na definição das ações a serem colocadas em prática. Além desta consultoria personalizada, também poderão ser realizadas consultas pontuais via e-mail pela internet. Caso sua empresa sinta necessidade de mais horas de consultoria, ou mesmo a designação de consultoria especializada em alguns aspectos específicos, o programa terá condição de oferecer este serviço suplementar. Mas de forma geral, pela simplicidade com que foi montado o programa, você e sua equipe profissional poderão perfeitamente promover as ações de adequação necessárias. Manual Prático de Adequação Ambiental A ABIH adquiriu junto à International Hotel Environment Initiative - IHEI, os direitos de tradução e adaptação à realidade brasileira do Environmental Action Pack, que constitui-se em um manual prático de adequação ambiental produzido pela IHEI em parceria com a Associação Internacional de Hotéis e Restaurantes - IH&RA e com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - UNEP. Este manual escrito em linguagem simples e direta, é de fácil entendimento podendo ser utilizado por funcionários de qualquer nível de qualificação. O manual traz dicas e sugestões sobre o que fazer para melhorar o nível de desempenho ambiental em cada um dos principais departamentos dos Hotéis - Recepção, Governança, Copa, Manutenção. Além do mais o manual traz modelos de planilhas simples que permitem o registro, acompanhamento e mensuração de resultados da evolução do trabalho de adequação ambiental. Estas planilhas comumente chamadas de chek list, permitem distribuir tarefas aos funcionários dos diversos setores de trabalho dos hotéis, e verificar o desempenho de adequação nas áreas de gerenciamento de energia, água, efluentes e emissões, resíduos sólidos, prestadores de serviço e fornecedores e de aspectos empresariais ligados ao desenvolvimento do programa ambiental. Capacitação de Recursos Humanos Para auxiliar os empresários e administradores no processo de adequação do gerenciamento ambiental em hotéis, que ainda é um tema e uma prática relativamente novos no Brasil, o programa Hóspedes da Natureza desenvolveu um programa de capacitação de Recursos Humanos para preparar profissionais vinculados aos hotéis, de forma a auxiliarem decisivamente nas ações a serem desempenhadas. Este programa de capacitação visa formar os chamados RQA's Responsáveis da Qualidade Ambiental - que devem ser escolhidos entre os membros da equipe profissional, não importando o grau de formação ou cargos que ocupem na estrutura administrativa, mas que dentro do programa deverão assumir a responsabilidade de executar as ações indicados no diagnóstico e planejamento definidos. Obviamente os RQA's não assumirão individualmente todo o processo de adequação, que na verdade é responsabilidade de todos, mas ficarão responsáveis em liderar o processo. Quem indica as pessoas que farão o curso de RQA, são os administradores dos hotéis, mas nossa equipe de consultores auxiliará no processo de escolha apresentando os perfis desejados. O público alvo desejado para estes cursos, são os próprios empresários, as gerências, chefias, e encarregados de departamento. No pacote oferecido pelo Programa Hóspedes da Natureza, há um dimensionamento de número mínimo de profissionais que deveriam fazer o curso de RQA, em função do porte e complexidade do Hotel, porém é aberta a possibilidade, desde que assim deseje o empresário, de serem inscritos quantas pessoas entender necessários ou adequado. Cadastro de Fornecedores Tendo em vista que a prática de gerenciamento e adequação ambiental pelas empresas não é tão comum no Brasil, não só na hotelaria como em outros segmentos econômicos, é muito comum surgirem questionamentos sobre onde encontrar fornecedores de produtos, equipamentos e serviços ambientalmente responsáveis ou que causem menos impactos no meio ambiente. Atento a esta realidade o Programa Hóspedes da Natureza manterá permanentemente disponível uma relação de fornecedores que ofertem tais produtos, equipamentos e serviços, para auxiliar os hotéis na identificação de suas necessidades. É importante ressaltar que o Programa Hóspedes da Natureza, apesar de bastante criterioso, não certifica ou recomenda fornecedores ambientalmente responsáveis, mas cadastra e divulga aquelas empresas que declaram em seus portfólios materiais, produtos e equipamentos que contribuam para a redução de impactos ambientais. informações e endereços estarão disponíveis na Home Page do programa. Estas Selo e Certificado Ambiental O Programa Hóspedes da Natureza desenvolveu uma metodologia própria para avaliar o grau de adequação ambiental dos hotéis. Esta metodologia não tem qualquer vinculação aos mecanismos tradicionais e formais de auditorias, tendo sido desenvolvida para avaliar o desempenho de adequação dos hotéis baseado nas premissas e orientações contidas no Manual de Práticas Ambientais. Este processo de avaliação foi dividido em dois níveis de exigência. Na primeira avaliação, que será feita entre 90 e 180 dias após a realização do diagnóstico pelos consultores, apesar de ser feita uma avaliação completa, será especialmente observado o grau de evolução nos itens propostos pelo programa que não dependam ou exijam apenas poucos investimentos, ou seja, itens mais ligados aos aspectos de conscientização e educação ambiental, e adaptações de processos de trabalho. Alcançando a pontuação mínima estabelecida, o Hotel receberá do programa um Selo de Compromisso Ambiental, que é um reconhecimento pelos esforços que começam a ser feitos em prol do meio ambiente. Este selo é de uso exclusivamente interno do Hotel, e terá validade de 1 ano. Na segunda avaliação, que será feita 12 meses após a primeira, o Hotel que alcançar a pontuação estabelecida, agora em grau superior de exigência, receberá o Selo de Responsabilidade Ambiental Hóspedes da Natureza, que poderá ser livremente utilizado em publicidade e propaganda institucional. Este selo que substitui o primeiro, será revalidado anualmente através de novas avaliações. Acesso a Mercados e Incentivos O programa Hóspedes da Natureza, realizará um trabalho institucional e promocional para agregar valor aos Selos de Compromisso e Responsabilidade Ambiental, além dos benefícios diretos gerados com a diminuição dos custos operacionais dos hotéis pelos investimentos feitos no programa. Esta valoração dos Selos se dará pela consolidação da marca como um diferencial de mercado para os Hotéis, onde o Programa estimulará corporações e operadoras de turismo comprometidas com a questão ambiental a privilegiarem de forma especial os Hotéis que possuam o selo. Além deste trabalho direcionado, o programa fará a divulgação dos hotéis envolvidos no programa através da Home Page e de outros mecanismos disponíveis, contando inclusive com o apoio de sua parceiras internacionais IHEI, UNEP e IH&RA. Estão programadas também campanhas publicitárias voltadas para o público usuário da hotelaria, divulgando o programa e incentivando a opção de escolha por hotéis responsáveis ambientalmente.Outra ação institucional de valorização da marca que será desenvolvida pelo programa será junto ao poder público nas esferas federal, estaduais e municipais, buscando o estabelecimento de incentivos, benefícios e financiamentos para as empresas detentoras dos selos, o que te antemão vem encontrando receptividade positiva. Estão sendo identificados hoje mecanismos disponíveis de financiamento e subsídios para os hotéis que desejarem promover a adequação ambiental, e que serão oportunamente divulgados para os empreendimentos que aderirem ao programa. PASSO A PASSO DO FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA Termo de Interesse de Adesão Os estabelecimentos interessados em se integrarem ao programa deverão preencher um Termo de Interesse de Adesão, que apresenta informações sobre o estabelecimento e que possibilitará à coordenação do programa a apresentação da proposta técnica e financeira para desenvolvimento das atividades. Estabelecimento de Compromisso Tendo aceitado a proposta apresentada, o Hotel e a ABIH assinarão um contrato onde serão estabelecidas direitos e responsabilidades de cada parte, que certifica a entrada do hotel ao programa. O valor e o volume de serviços estabelecidos no contrato variam em função do porte e complexidade do empreendimento, mas estipulam em cada caso o seguinte conjunto de serviços: Cópia (s) do Manual "Programa de Ações Ambientais para Hotéis" Horas de consultoria para diagnóstico ambiental, e respectivo relatório Capacitação de Recursos Humanos, através do curso de formação de RQA's Avaliação externa de acompanhamento Selo de compromisso ambiental (desde que obtido desempenho satisfatório na avaliação de acompanhamento) Acesso a informações complementares em gestão ambiental produzidas ou identificadas pelo programa Integrar a rede de hotéis envolvida no programa Beneficiar-se das campanhas promocionais contidas no programa Base de Dados A primeira atividade a ser desenvolvida pelo hotel após assinatura do contrato será preencher o Questionário Inicial, que é um conjunto de informações sobre a situação da gestão ambiental no Hotel. Este questionário tem duas funções básicas. A primeira é de servir de subsídio para que os consultores responsáveis pelo diagnóstico, planejem o trabalho de uma forma mais eficiente, e com o maior aproveitamento possível da visita pessoal. Outra função fundamental deste questionário é servir para a montagem da base de dados inicial que permitirá estabelecer os parâmetros para acompanhamento mensurável dos resultados da evolução do trabalho. Agendamento Personalizado A coordenação do programa Hóspedes da Natureza agendará com os administradores do Hotel a data mais adequada para realização da visita do consultor para realização do diagnóstico, indicando um roteiro preliminar a ser cumprido, que será definido a partir das informações do Questionário Inicial. Esta forma de atuar permitirá que o hotel se prepare adequadamente para o diagnóstico, de forma a não promover interferências que possam atrapalhar a rotina cotidiana de atividades. Diagnóstico A avaliação diagnóstica será feita pelo consultor previamente designado e qualificado, utilizando de um Check List desenvolvido pelo programa. O consultor percorrerá todos os setores do hotel, sempre acompanhado de pessoa do próprio hotel a ser designado pelos administradores. Os setores a serem percorridos serão a recepção, a cozinha, restaurante, corredores, lavanderia, áreas de lazer, salas e salões, escritórios, áreas e equipamentos externos e os apartamentos, porém neste caso em uma amostragem aleatória. O que é levantado no diagnóstico De acordo com a peculiaridade, e se aplicável a cada setor os consultores estarão atentos e checando aspectos da gestão ambiental nos seguintes pontos: Existência de Política Gestão Ambiental do Empreendimento e procedimentos administrativos implantados Nível de consciência e preocupação do corpo funcional na racionalização no uso dos recursos como água, energia, poluentes Produção e destinação de Resíduos Sólidos, com especial atenção aos 3R's Reutilização, Reciclagem e Redução Eficiência no consumo de água e energia, verificando produtos, materiais e equipamentos utilizados, sistema de controles, racionalização e gerenciamento Gerenciamento das reservas e fontes naturais de água Política de relacionamento com fornecedores, com especial atenção na qualificação daqueles que ofertem produtos ambientalmente responsáveis, e que mantenham preocupação com a questão ambiental Procedimentos para manipulação, aplicação e armazenamento de substâncias perigosas ao meio ambiente Uso do solo Arquitetura e Design dos espaços físicos Controle e administração de consumo Soluções Após a realização do levantamento diagnóstico, e preenchimento do check list, para cada item considerado inadequado, sempre que possível registrado por meio de fotografia, o consultor apresentará por meio de relatório um conjunto de alternativas de solução, que permitirá de forma prática que os administradores do hotel possam planejar e avaliar com bastante precisão as ações que precisarão ser desenvolvidas. Treinamento Já com bastante clareza sobre o trabalho que precisará ser desenvolvido, os administradores do Hotel, indicará os membros de sua equipe que participação do curso de Capacitação de RQA's, e que ficarão responsáveis pela implantação das ações planejadas. Implantando as Adequações Com o pessoal qualificado, planejamento em mãos, o relatório diagnóstico para servir de base e utilizando as ferramentas de desenvolvimento e acompanhamento oferecidas pelo manual "Programa de Ações Ambientais para Hotéis", é o momento de fazer acontecer as ações práticas de adequação ambiental. O programa sugere que este processo seja iniciado pelas ações sem custos e com baixo investimento, mas que mantém a condição de produzir resultados em curto espaço de tempo, e que parte ou a totalidade dos resultados financeiros produzidos a partir da implantação das ações, sejam reinvestidos no próprio programa como forma de garantir sua continuidade e desenvolvimento. É sugerido também que o Hotel inclua em seu planejamento financeiro de custeio e investimentos as ações necessárias de adequação ambiental, principalmente nas previsões de reforma, manutenção e atualização. Uma ferramenta motivacional bastante positiva também sugerida é distribuição para o corpo funcional na forma de prêmios, bônus ou qualquer outra modalidade, parte dos resultados financeiros gerados pelo programa. Solicitando o Selo A partir das avaliações internas de evolução do programa, e entendo ter alcançado os níveis adequados para a primeira fase do programa, é chegado o momento do hotel solicitar a presença de um avaliador credenciado pelo programa para a aplicação de um novo check list. Sendo alcançada a pontuação estipulada, o Programa Hóspedes da Natureza emite o Selo de Reconhecimento de Compromisso Ambiental. É importante lembrar que este selo tem um prazo máximo de validade de um ano, quando então deverá ser solicitada nova avaliação, agora mais exigente, e que deverá ser realizada após uma fase de desenvolvimento e adequações superiores. Ajuda no Meio do Caminho Durante todo o processo o Programa Hóspedes da Natureza estará dando suporte e auxiliando o Hotel para o alcance dos objetivos, mantendo corpo de consultoria para dirimir dúvidas e dar o suporte necessário, disponibilizando permanentemente informações sobre materiais, produtos, serviços relacionados com o programa, divulgando alternativas e experiências positivas de outros hotéis envolvidos no programa. APÊNDICE A Questionário destinado aos meios de hospedagem de Ilhéus para obtenção de dados fundamentais para a pesquisa monográfica e exclusivamente usados para tal. 1. Nome do empreendimento: ____________________________________ Possui em sua estrutura: Área verde Piscina Sauna Lavanderia 2. Possui licença ambiental do Município de Ilhéus? Sim não 3. Possui algum selo ou certificado ambiental? Sim não 4. Utiliza de um Sistema de gestão ambiental? Sim não 5. Possui algum projeto voltado para a questão ambiental? 6. Utiliza de alguma fonte de energia renovável? Sim Sim não não Qual?______________________________________________________ 7. Reutiliza a água de alguma forma? Sim não Como?_______________________________________________________ 8. Utiliza o lixo orgânico ( cascas de vegetais e frutas) como adubo? Sim não 9. Utiliza lâmpadas 1. fluorescentes ou 2. incandescentes? 1 2 as duas 10. Utiliza somente aparelhos eletroeletrônicos com o selo Procel ( diminuição de energia?) Sim não 11. Limpa a praia / local onde está localizado? Sim não 12. Realiza algum curso de educação ambiental para seus funcionários? Sim não 13. O que faz com o lixo? _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ This document was created with Win2PDF available at http://www.win2pdf.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only. This page will not be added after purchasing Win2PDF.