1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS HABILITAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA FABIANO GOMES MONTEIRO A LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL II: Há o ensino conforme os PCN e a LDB? Orientadora: Profª. Drª DANIELA MARIA SEGABINAZI JOÃO PESSOA-PB MARÇO/2014 2 FABIANO GOMES MONTEIRO A LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL II: Há o ensino conforme os PCN e a LDB? Trabalho apresentado ao curso de Licenciatura Plena em Letras com habilitação em Língua Portuguesa para obtenção parcial de conclusão de curso. Orientadora: Profª. Drª. DANIELA MARIA SEGABINAZI JOÃO PESSOA-PB MARÇO/2014 3 Catalogação da Publicação na Fonte. Universidade Federal da Paraíba. Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA). Monteiro, Fabiano Gomes. A literatura no ensino fundamental II: há o ensino conforme os PCN e a LDB? / Fabiano Gomes Monteiro. - João Pessoa, 2014. 49f. Monografia (Graduação em Letras) – Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Orientadora: Profª Drª. Daniela Maria Segabinazi. 1. Ensino . 2.Literatura. 3. Parâmetros curriculares nacionais PCN.4. Lei de diretrizes e bases – LDB. Título. BSE-CCHLA CDU 821 4 FABIANO GOMES MONTEIRO A LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL II: Há o ensino conforme os PCN e a LDB? Aprovado em: ___ / ___ / ___ Banca Examinadora ________________________________________________________ Profª. Drª. Daniela Maria Segabinazi. DLCV/UFPB Orientador ________________________________________________________ Prof. Dr. Hermano de França Rodrigues. DLCV/UFPB Examinador ________________________________________________________ Profª. Drª. Josete Marinho de Lucena. DLCV/UFPB Examinador 5 AGRADECIMENTOS Deus, obrigado por ter me dado forças e perseverança ao longo do curso para enfim chegar a essa fase de conclusão, pois o Senhor sabe das minhas limitações e dificuldades que tive que superar nessa jornada. Agradeço aos meus pais, Genival Gomes (in memorian) e Maria das Neves Gomes, pois de tudo fizeram para criar cinco filhos. Aos meus irmãos, Genilda, Lúcio, Josenildo e Fátima que acreditaram e me apoiaram nesta caminhada. Ao Amigo Vitor por me incentivar durante o período da graduação e me fazer acreditar que conseguiria finalizar com êxito esse momento importante da minha vida. Agradeço a Tatiana, companheira de curso e de atividades acadêmicas, que sofreu, batalhou e venceu junto comigo. Aos demais amigos e colegas pelo carinho recebido que me ajudaram a não desistir nos momentos de cansaço. Aos professores do curso de Letras. Agradeço a minha orientadora Profª. Drª. Daniela Maria Segabinazi por ter me feito enxergar a Literatura com outros olhos, pelos direcionamentos dados com clareza, pela paciência e responsabilidade na sua função de ser e estar professor. 6 RESUMO Este trabalho consiste em responder um questionamento sobre o ensino de Literatura no ensino fundamental II, de acordo com os documentos oficiais elaborados pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC, a saber, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e Leis de Diretrizes e Bases (LDB). Empiricamente, sabe-se que alguns estudantes não se filiam ao gosto pela leitura e em menor escala a literária. Uma possibilidade de explicação para essa falta de sintonia com a leitura literária pode ser respondida pela conduta adotada pelo professor quando ministra aulas de literaturas no ensino fundamental II. Sendo assim, para responder esse questionamento de forma científica, será realizada uma pesquisa através de um questionário objetivo, com professores do ensino fundamental II, em quatro (04) escolas da rede oficial de ensino de João Pessoa. O questionário contém sete (07) perguntas e será analisado à luz dos documentos norteadores do ensino de Língua Portuguesa para o ensino fundamental (3º e 4º ciclo), o qual dedica parte do seu conteúdo na orientação e direcionamento do ensino de referida área de conhecimento. Foi feita uma discussão sobre as respostas dadas pelos docentes em confronto com o que rege os PCN bem como a LDB. Por fim, uma conclusão sobre o ensino de Literatura no ensino fundamental II a respeito da principal função do ensino de Literatura, que é a formação do leitor e a formação da pessoa cidadã crítica, capaz de desenvolver seus pensamentos sobre os aspectos que envolvem os humanos na sociedade. Palavras-chave: Ensino. Literatura. Ensino Fundamental. PCN. 7 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais LDB – Leis de Diretrizes e Bases MESP – Ministério da Educação e Saúde Pública MEC – Ministério da Educação e Cultura 8 LEGENDA P1 – Professor 1 P2 – Professor 2 P3 – Professor 3 P4 – Professor 4 9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................................................10 1. LITERATURA E ENSINO..........................................................................................13 1.1. A influência do currículo norte-americano na educação brasileira.......................13 1.2 A importância da leitura literária no ensino fundamental.......................................16 1.3 A Literatura nos parâmetros curriculares nacionais................................................20 2. LITERATURA E A FORMAÇÃO DO LEITOR.....................................................25 3. A LEITURA LITERÁRIA EM SALA DE AULA....................................................31 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................40 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................43 6. ANEXOS.......................................................................................................................44 10 INTRODUÇÃO Quando falamos sobre a disciplina de Literatura com alguns alunos, tanto os do Ensino Médio quanto os do Ensino Fundamental II, muito facilmente ouviremos desses alunos que literatura não tem muito a ver com a vida deles ou que é apenas uma aula que serve para a realização de leituras. Excetuando alguns alunos, ouviremos que gostam da leitura literária, que leram alguns livros (romances) e, inclusive estão fazendo novas leituras no momento. Observando os grupos de estudantes que gostam de literatura em relação aos que não gostam, tentaremos descobrir o motivo pelo o qual acontece essa diversificação e uma possível falta de identificação com a disciplina. Tomaremos o professor como fonte de análise, pois o docente é o responsável pela apresentação da disciplina e estimulador do aluno para o gosto pela leitura e, posteriormente, a literária. O trabalho está centrado na prática da sala de aula do professor, bem como o seu direcionamento no momento das aulas de literatura, uma vez que, o Ministério da Educação e Cultura, através da Secretaria de Educação Fundamental, desenvolveu os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental, de Língua Portuguesa. Os PCN é um documento oficial, criado em 1988 e tem por intenção ampliar e aprofundar questões educacionais, envolvendo governo e sociedade, na pretensão de gerar condições nas escolas para que, os jovens tenham contato com o leque de conhecimentos pertinentes à sociedade e ao colocá-los em prática favoreça a formação da pessoa cidadã. O documento orienta o trabalho docente no planejamento de aulas, de análise e seleção de material a ser utilizado na prática docente, de modo a contribuir na reflexão e formação do profissional da educação. Ao ter conhecimento da proposta oferecida pelo documento acima mencionado e a tratamento dado por ele à Literatura é que esse trabalho ganha corpo como pesquisa qualitativa na tentativa de responder a seguinte pergunta: Será que se ensina literatura no Ensino Fundamental II com o objetivo de formar leitores e cidadãos? Ao fazer uma “viagem” no tempo, tempo esse em que fui aluno do ensino fundamental, na tentativa de resgatar a forma em que a Literatura estava presente nas aulas de língua portuguesa, percebi a sua inexistência. O professor com muita clareza primava pela estética da escrita da língua, isto é, valorizava as regras gramaticais para “o bem 11 escrever”, sem levar em consideração a relevância do conteúdo na vida prática do aluno. Esse período datava-se entre os anos de 1985 e 1988, período que ainda não existia os PCN, que pode justificar a não utilização de obras literárias nas aulas de Língua Portuguesa ou como era chamada, na oportunidade, Comunicação & Expressão. Atualmente, na graduação (2012), surge a oportunidade, através dos estágios curriculares, vivenciar de forma específica a disciplina de Literatura e com isso a experiência da sala de aula, desta vez, como professor. Foram alguns dias de observações de aulas de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II e mais uma vez a percepção do apagamento do conteúdo que, timidamente se apresenta nos PCN do ensino fundamental. É nesse contexto que, enquanto aluno de Letras e futuro professor de Língua Portuguesa, área que contempla a Língua e a Literatura, entendi que não se ensina literatura no Ensino Fundamental II em alguns estabelecimentos de ensino, com os desenhos e direcionamento abordados pelos PCN, sobretudo na preparação do estudante para se tornar um leitor efetivo e capaz de se tornar crítico a respeito do que lê. É de acordo com o pensamento de não contemplação do ensino de Literatura no Ensino Fundamental II, que este trabalho busca perceber se de fato os professores se utilizam da literatura enquanto disciplina para formar leitores na preparação de proficientes literários; e, por conseguinte, se preparam alunos para exercer a cidadania e o bom relacionamento no convívio social em meio a uma sociedade multiculturalista e pluralista que se modifica a cada dia. Os PCN e as Leis de Diretrizes e Bases (LDB) vigentes apontam para uma concepção do ensino de Literatura para o Ensino Fundamental II pautada na formação do leitor e do cidadão. O que se espera na sala de aula, nas aulas de literatura é que o professor conduza seus alunos para a formação apresentada, ou que pelo menos haja uma tentativa de se alcançar os objetivos pretendidos pelos documentos, pois além de preparar alunos como pessoa crítica também estará formando o cidadão conforme determina a Constituição Federal Brasileira. Perceberemos a influência da educação norte-americana na educação brasileira através dos estudos do currículo e suas propostas. O marco inicial da análise se dá na década de 1949, passando pela formulação e reformulação de documentos que norteiam a 12 campo do currículo, de modo a contemplar o ensino de literatura e suas especificidades no ensino fundamental II nos tempos atuais, na perspectiva do leitor em formação crítica de leitura. Para tanto, adentraremos o ambiente escolar para percebermos, através de um questionário, a conduta dos professores de língua portuguesa no planejamento de aulas, seleção de conteúdos e objetivos propostos para as aulas de literatura, tomando como fonte de orientação os PCN e a LDB e assim percebermos como se ensina literatura no ensino fundamental II. 13 1. LITERATURA E ENSINO 1.1 A influência do currículo norte-americano na educação brasileira Desde a história da educação ocidental moderna existe uma preocupação com as questões relacionadas ao que ensinar nas escolas e a organização de atividades relativas à educação. É nos Estados Unidos, através do estudo do currículo, que surgirá uma discussão acerca das condições ligadas a implantação da educação massificada, a qual influenciará vários países, dentre eles o Brasil na década de 1949. Entre essas condições, estão: “a formação de uma burocracia estatal encarregada dos negócios ligados à educação; [...] o processo de crescente industrialização e urbanização” (SILVA, 1999, p.22). Em 1918, a educação dos Estados Unidos vive um momento em que a cultura, a política e a economia procuravam organizar objetivos e meios para a educação de massa, objetivando responder questões como: “formar o trabalhador especializado ou proporcionar uma educação geral, acadêmica, à população? É nesse ano que Bobbit escreve The curriculum, o livro que será considerado marco do currículo como campo especializado de estudo”. (SILVA, 1999, p. 22). O livro de Bobbit objetivava uma transformação no sistema educacional estadunidense da época e propunha o funcionamento da escola aos moldes de uma empresa comercial/industrial, ou seja, um sistema de educação voltado para a economia tendo o termo eficiência como base principal da proposta. Nessa perspectiva, a educação assumiria formas administrativas científicas e semelhantes às propostas por Taylor, refletindo de forma direta na formulação do currículo, o qual assume uma forma padronizada. (SILVA, 1999, p.23). Em 1902, antes de Bobbit, Dewey tinha escrito The Child and the curriculum, o qual apresentava sua preocupação com a construção da democracia e não com a economia, pois ele considerava importante no planejamento do currículo a relação entre os interesses e as experiências das crianças e jovens, mas diferentemente das propostas de Bobbit, seu trabalho pouco influenciou concretamente na formulação do currículo. (SILVA, 1999, p. 23). 14 A consolidação do modelo curricular de Bobbit se dá nos Estados Unidos em 1949, com o livro de Ralph Tyler. Tyler estabelece o paradigma centrado na organização e desenvolvimento que dominará o campo do currículo, influenciando vários países, dos quais o Brasil, por aproximadamente quatro décadas. No livro, embora seja dado o reconhecimento à filosofia e à sociedade na formulação do currículo, sua essência não se diferenciará às de Bobbit, pois, ainda, prima pela organização e o desenvolvimento de forma técnica e busca responder algumas questões específicas. (SILVA, 1999, p.25) A organização e o desenvolvimento do currículo deve buscar responder, de acordo com Tyler, quatro questões básicas: “I. que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir?; 2. Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos?; 3. Como organizar eficientemente essas experiências educacionais?; 4. Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados?” As quatro perguntas de Tyler correspondem à divisão tradicional da atividade educacional: “currículo” (I), “ensino e instrução” (2,3) e “avaliação (4).” (SILVA, 1999, p.25). Embora Tyler tenha implementado alguns elementos para pensar o currículo, pouco se modificou em relação ao de Bobbit, de modo que os dois educadores expressam o modelo de currículo técnico, o qual recebeu o nome de tecnocrata. O pensamento deles girava em torno de resultados voltados para a economia. Dewey com uma visão mais progressista visualizava a democracia, porém sua forma de pensar a formulação do currículo nada influenciou nos estudos da área curricular. (SILVA, 1999, p.26). Tanto o modelo tecnocrata (Bobbit e Tyler), quanto o progressista de Dewey, dominantes na educação secundária, surgiram nos Estados Unidos no início do século XX. Ambos constituíam um confronto ao currículo clássico, humanista. Esse confronto girava em torno da suposta falta de função para a vida e atividades laborais do homem da vida moderna. O currículo clássico humanista, herdado da antiguidade clássica, era contemplado na educação universitária da Idade Média e do Renascimento. O modelo clássico humanista primava pelo contato dos alunos com grandes obras literárias e artísticas, de origem grega e também latina, bem como o domínio de seu respectivo sistema linguístico. (SILVA, 1999, p.26) No Brasil, o marco da organização curricular acontece na década de 1930, com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP), que objetivava sistematizar e organizar a educação. O MESP conseguiu alcançar os objetivos iniciais e no transcorrer 15 dos tempos sofreram reformulações importantes que culminaram na criação da LDB em 1961. Embora tenham sido tomadas como empréstimo as propostas do modelo curricular de Bobbit (os aspectos mais negativos do modelo tecnocrata), foi esse modelo que serviu inicialmente como instrumento orientador na educação brasileira. Alguns dos aspectos do modelo de Bobbit foram: a menor duração de tempo de aula e avaliações com questões objetivas que não permitiam reflexão e o exercício de crítica dos alunos. Diante das mudanças transcorridas ao longo dos anos sobre ensino e conteúdo nas escolas brasileiras, passando pela promulgação da LDB de 1971 e, definitivamente, pela atual LDB de 1996, o MEC criou e publicou os PCN, um documento que orienta o professor e o possibilita a desenvolver atividades que possam capacitar e habilitar os alunos para seu desenvolvimento educacional e pessoal. Desse modo, no século XXI, a questão sobre conteúdos abre espaço para uma ampla discussão sobre conteúdos e metodologias de ensino na escola brasileira. No caso da literatura surgem os questionamentos sobre sua função e importância na educação básica, sendo este o momento introdutório do aluno no universo das letras; Letras essas interpretadas como o espaço de leitura e momento importante na formação do leitor. Nessa etapa de vida do aluno o objetivo é despertar nele o interesse pela leitura, em especial a literária, e prepará-lo para que o mesmo tenha condições de se posicionar, comentar, debater e se pronunciar acerca de vários temas que fazem parte do seu cotidiano. Neste sentido, não podemos deixar de destacar a grande contribuição que a literatura pode auxiliar no processo de formação do aluno enquanto leitor e na sua formação humana. Esse é um dos momentos em que o aluno entrará em contato com a diversidade de gêneros textuais, obras e temas e obter ganhos na qualidade de leitura e assim ampliar seu conhecimento acerca da realidade cotidiana. Com isso, podemos pensar que um novo currículo esteja se redesenhando em contraponto ao modelo tecnocrata ainda vigente nas escolas brasileiras. 16 1.2 A importância da leitura literária no ensino fundamental Ao falarmos em leitura, verbal e materializada através da escrita, faz-se necessário pensar a respeito do seu conceito, pois o primeiro pensamento se volta para o ato de identificação do código escrito da língua e a utilização desta no processo de aprendizagem. Esse pensamento remete a um passado (não muito distante), em que a leitura seria sinônima de fluência na decodificação de letras que se utilizara de técnicas e regras, por meio da qual o aluno se dedicava mais ao texto enquanto estrutura gramatical do que em perceber que a linguagem escrita é uma forma de interação social e contextualizada. (LOIS, 2010, p. 17,18). Um conceito melhorado para definir leitura é a concepção do ato de ler que ultrapassa limites superficiais, de modo que o leitor faz uso do reconhecimento das letras, que geram os fonemas que se reúnem em palavras e frases, mas transcendem para um momento participativo, ativo e reflexivo acerca do conteúdo lido. (BORDINI e AGUIAR, 1993, p. 16). A leitura pressupõe a participação do leitor na constituição dos sentidos linguísticos. Embora as palavras sejam explicadas no dicionário, nunca exprimem um único sentido quando integram uma frase em determinado texto, de modo que, trabalhar a leitura consiste em escolher o significado mais apropriado para as palavras num conjunto ilimitado de ideias. No processo de leitura é importante ressaltar a seleção do que se ler. Podem-se incluir obras de não ficção, uma vez que essas obras podem despertar interesses específicos de uma área determinada e permitir que o leitor estabeleça relações de sentidos com outras áreas. Para inclusão de obras não ficcionais há um cuidado a ser tomado, pois a escolha pode acarretar um conhecimento superficial e não passar de um interesse fútil. (BAMBERGER, 1985, p.14). Na leitura literária, a perspectiva pluralista de sentido é o diferencial no processo de leitura, já que oportuniza o aluno enxergar a multiplicidade de sentido acerca do texto. O aluno acionará registros de leituras anteriores, correlacionará o velho com o novo ao ponto de concordar e discordar, além de se posicionar criticamente diante do objeto de leitura. Permite, ainda, a transposição do imaginário para uma realidade ficcional, porém real e 17 cotidiana de sociedades culturalmente diversificada e existente, desconfigurando os pressupostos de que a leitura literária é uma divagação, ilusão e desconexa de realidades sociais e culturais. Ao se trabalhar a leitura literária é relevante pensar o local e o momento de iniciação deste trabalho, neste caso, um desses fatores levados em consideração é o ambiente/espaço de leitura. O ambiente de referência adequado para iniciar o trabalho de leitura literária é a escola, embora a família seja um grande aliado no processo de formação de leitores; por isso, é a partir das práticas pedagógicas e conscientes do professor que o aluno poderá despertar seu interesse e prazer pela literatura. Esse ambiente não elimina outros, mas é na escola que o professor direcionará o aluno para leituras que possam construir sua identidade literária, humana e social; mesmo porque para a grande maioria das crianças brasileiras o primeiro contato com o livro acontece na escola. O ambiente citado como referência remonta ao conhecimento que o professor deve possuir enquanto mediador dos objetos de ensino e aprendizagem de leitura, pois esse conhecimento possibilita a articulação entre a proficiência e o mundo apresentado através da linguagem. Os conhecimentos necessários referem-se aos aspectos de adequação da faixa etária, gêneros textuais, objetivos, aspectos literários, situações da vida cotidiana como ponto de aproximação entre o texto e leitor. O interesse maior pela leitura pode ser despertado nos alunos a partir do direcionamento dado pelo docente, de modo que o estudante não priorize, nem valorize apenas leituras do bel prazer, prazer este obtido em textos que lhes pareçam mais agradáveis. Para o aprimoramento da leitura e o êxito da mesma deve ser levado em conta às concepções sobre leitura e, assim, proporcionar condições para que o aluno consiga chegar a um estágio que se refere à leitura crítica e apreciativa. Dentre as várias concepções de leituras há a de fruição, esta fazendo parte do universo literário, a qual desencadeia no leitor o prazer pelo que está sendo lido. O prazer significando interesse, desejo em descobrir e redescobrir o que está por de trás da primeira visão das palavras apresentadas no texto. 18 No ensino fundamental, a leitura de textos mais básicos, construídos com palavras mais comuns ao conhecimento dos alunos é tida como “agradável”, uma vez que o leitor (aluno) imediatamente identifica e captura a ideia principal do texto, não questiona e aceita a “verdade” apresentada na decodificação do signo linguístico verbal escrito. É a essa leitura que se deve ter grande atenção e cuidado ao indicar aos estudantes, uma vez que ela tem seu momento apropriado para inserção nas aulas de leitura. É importante apresentar novas possibilidades e perspectivas para os alunos, levando em consideração aspectos linguísticos e formais da língua e, assim, preparar o aluno para a formação do leitor crítico e apto a perceber as entrelinhas e outras informações que transcendem as do primeiro momento de leitura. Desta forma, será dado um passo importante para que, ao se deparar com a polissemia inserida em obras de maior complexidade, tenha condições de descobrir o belo a partir da visão que vem se construindo, ampliando e aprimorando na conclusão de cada página lida. Quando se fala em Literatura, sobretudo do ensino desta, uma parte dos professores, inclusive os de língua portuguesa, equivocadamente, tomam como ponto de referência o modelo tradicional de ensino. O tradicional visto a partir de uma historicidade, marco determinado pela periodização de cada estilo de escolas literárias, autores principais dos movimentos e suas obras de maior referência. Essa forma tradicional advém do modelo humanista de educação, trazido pelos jesuítas que preferiam uma cultura geral a partir de disciplinas ligada as artes, aos gregos, retórica e poética e também o latim. Em tempos atuais ainda percebemos a forma estruturalista de ensino da literatura, ainda de forma tradicional privilegiando características de escolas literárias e a análise intrínseca do texto. No ensino fundamental, esse panorama praticamente não existe, pois o professor nessa fase de ensino privilegia a estrutura gramatical e a decodificação exata dos símbolos linguísticos. A literatura praticamente não é abordada com as características humanizadoras e nem como possibilidade para a formação de leitores críticos para o mundo. Segundo Todorov (2009), as obras literárias devem ser estudadas em sua totalidade, analisadas, e, de fato, utilizadas como momento de conciliação entre o imaginário e o real, de modo a praticar o equilíbrio entre os aspectos internos e externos da literatura. 19 Conforme Todorov, a literatura tem poder de transformar o ser humano, não é vazia, tem um papel a cumprir. A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cerca, nos fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver. Não que ela seja, antes de tudo, uma técnica de cuidados para com alma; porém, revelação do mundo, ela pode também, em seu percurso, nos transformar a cada um de nós a partir de dentro. A literatura tem um papel vital a cumprir; mas por isso é preciso tomá-la no sentido amplo e intenso que prevaleceu na Europa até fins do século XIX e que hoje é marginalizado, quando triunfa uma concepção absurdamente reduzida do literário. (TODOROV, 2009, p. 76). O poder que a literatura tem apresentado, de acordo com Todorov (2009), permite o professor de português pensar e repensar sobre o ensino de literatura, afinal é necessário uma revisão sobre as concepções do ensino de língua portuguesa no ensino fundamental, incluindo a leitura literária. Ainda, é necessário que nessa reflexão os professores compreendam que o leitor ao concluir a leitura de uma obra jamais será o mesmo do início, pois essa leitura acionará a interpretação simbólica e acionará também a capacidade de associação entre os mundos de uma sociedade multiculturalista. O redimensionamento do olhar, perceber e estudar uma obra literária no ensino fundamental também está descrito nos parâmetros curriculares em vigência e, por isso, na perspectiva de encontrar subsídios e amparo que orientam uma proposta mais sólida para o ensino de literatura é que vamos apresentar e discutir o que esses documentos propõem para o currículo de língua portuguesa no ensino fundamental. 20 1.3 A Literatura nos parâmetros curriculares nacionais O terceiro e quarto ciclos dos PCN fazem referência ao ensino de Língua Portuguesa no ensino fundamental II. São referenciais norteadores e orientadores para o ensino da 5ª a 8ª séries (atual 6° a 9° anos). O documento apresenta onze objetivos que este nível de ensino espera que os alunos obtenham, e, para alcançar os objetivos esperados, o professor será o intermediador e facilitador do processo educacional. É importante ressaltar que o documento elaborado pelo MEC tem por objetivo eliminar defasagens no ensino e, consequentemente, melhorar a aprendizagem para educação básica nacional. Os PCN apresentam a área de Língua Portuguesa e introduzem as discussões que motivaram as necessidades de reorganização do ensino fundamental do Brasil. A discussão é centrada principalmente no índice de repetência das primeiras e quintas séries que tem como fator responsável da repetência a falta do domínio da leitura e da escrita. Dentre os objetivos delineados pelos PCN para o ensino fundamental destacaremos cinco, os quais consideramos de maior relevância para o ensino de Língua Portuguesa. São Eles: 1. Compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de diretos e deveres políticos, civis, e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repudio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; 2. Posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas; [...]; 5. Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 7-8). De forma mais específica para a Língua Portuguesa, os PCN trazem objetivos como forma de ampliação e domínio ativo do dizer em diversas situações de comunicação, de forma a possibilitar o ingresso dos alunos no mundo efetivo da escrita, abrangendo sua participação na sociedade de modo que possam exercer com propriedade a cidadania. A possibilidade de apresentar aos leitores leituras em gêneros variados, com temáticas específicas abre-se a um leque de possibilidade de mostrá-los o comportamento social em relação a situações cotidianas. Nesse aspecto, podem oportunizar leituras em que 21 o leitor passe a conhecer assuntos que ainda não lhe sejam familiar e o permita lidar com o assunto sem estranhamento, com naturalidade e harmonia na situação real. Em acréscimo, mesmo lidando com temas de conhecimento cotidiano, possam analisar os eventos de forma não linear, mas, sobretudo construindo novo pensamento, nova análise e posicionamento crítico culminando na construção do pensamento e ação cidadã. O professor deve realizar um trabalho criativo, primando pela diversidade da linguagem de modo a atender anseios dos leitores na tentativa de conciliar aspectos das experiências dos jovens e assim envolvê-los no universo literário. Nesse momento o trabalho vai sendo orientado para formação do leitor de modo a desenvolver competências específicas capazes de desenvolver aspectos lexicais e ampliação do conhecimento cognitivo. Utilizar a linguagem na escuta e produção de textos orais e na leitura e produção de textos escritos de modo a atender a múltiplas demandas sociais, responder a diferentes propósitos comunicativos e expressivos, e considerar as diferentes condições de produção do discurso; [...]; Sabendo como proceder para ter acesso, compreender e fazer uso de informações contidas nos textos, reconstruindo o modo pelo qual se organizam em sistemas coerentes; [...]; Analisar criticamente os diferentes discursos, inclusive o próprio, desenvolvendo a capacidade de avaliação dos textos; [...]; Inferindo as possíveis intenções do autor marcadas no texto; Reafirmando sua identidade pessoal e social;. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 32-33). Nos objetivos específicos de língua Portuguesa, podemos identificar a contribuição que o documento aponta para o ensino de literatura, embora não apresentem uma área mais específica como existe para o ensino médio. Podemos dizer que o documento ao apresentar a perspectiva da identificação e respeito de juízo de valor de uma sociedade, no ambiente histórico-cultural, aonde língua e linguagem se ligam, talvez tenha apontado para algumas condições de trabalho com textos literários, de aspectos próximos ao cotidiano da sociedade, onde esses textos despertam o sentido de reflexão dos leitores. A contemplação da literatura, embora limitada, apresenta objetivos que possam formar o aluno num leitor atento para além do texto. Para ampliar os modos de ler, o trabalho com a literatura deve permitir que progressivamente ocorra a passagem gradual da leitura esporádica de títulos de um determinado gênero, época, autor para a leitura mais extensiva, de modo que o aluno possa estabelecer vínculos cada vez mais estreitos entre o texto e outros textos, construindo referências sobre o funcionamento da literatura e entre esta o conjunto cultural; [...]; da leitura mais ingênua que trate do texto como mera transposição do mundo 22 natural para a leitura mais cultural e estética, que reconhece o caráter ficcional e a natureza cultural da literatura (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p.71). Mesmo com a possibilidade desse trabalho, a literatura merecia nos PCN uma especificidade melhor elaborada, pois enquanto a noção sobre a língua é bem difundida a literatura é apresentada de forma tímida e diluída, apenas mencionada na seção onde aborda as leituras de textos escritos, direcionados ao quarto ciclo atendendo as sétimas e oitavas séries. O documento permite a interpretação de quase inexistência do ensino de literatura, principalmente se compararmos ao tratamento dado no ensino médio, em que há um capítulo específico para tratar do ensino de literatura. Da forma a qual está posta, a área de literatura, no ensino fundamental II, muito facilmente pode ser confundida como a apresentação de mais um gênero textual, e, consequentemente, anulada do repertório de leituras do aluno. Uma possibilidade de mudança, do sentimento de inexistência do ensino de Literatura no ensino fundamental II, seria a maior abrangência dos aspectos literários nesse nível de ensino, por meio dos quais apresentassem possíveis ganhos na qualidade da leitura e desenvolvimento da formação crítica e pessoal dos alunos leitores. Todavia, isso só pode ocorrer se um trabalho de formação continuada desperte no professor a reflexão de que os textos literários fazem parte da área de Língua Portuguesa e que, inclusive, estão sendo apresentados ao aluno a partir do estudo dos livros didáticos; ou, quando cada professor, individualmente, pela sua formação e crenças pessoais o levarem a abordar uma prática que privilegia a leitura e o estudo de obras de forma a abarcar a fruição e o letramento literário na sala de aula. Outro ponto importante para auxiliar na formação de leitores e que se encontra discutidos nos PCN do ensino fundamental, é a tríade aluno, o objeto de conhecimento e a prática pedagógica do professor, assim descritos: O primeiro elemento dessa tríade – o aluno – é o sujeito da ação de aprender, aquele que age com e sobre o objeto de conhecimento. O Segundo elemento – o objeto de conhecimento – são os conhecimentos discursivo e linguístico implicados nas práticas sociais de linguagem. O terceiro elemento da tríade é a prática educacional do professor e da escola que organiza a mediação entre 23 o sujeito e objeto do conhecimento. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 22). O aluno como primeiro elemento da tríade é o objeto inicial do trabalho a ser realizado com literatura, pois nele será possível perceber os efeitos que a leitura pode apresentar. Em seguida, deve-se estabelecer que o texto e a diversidade de gêneros textuais são fundamentais na atividade de ensino e aprendizagem e, ainda, reconhecer a relevância social deles na vida do aluno bem como que sua organização é disposta de diferentes formas com diferentes intenções. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 23). O tratamento dado ao texto literário, tanto escritos como orais, nos PCN, demonstram a importância da leitura literária como forma de elevar o nível de conhecimento acerca do mundo e uma forma de transgredir padrões e modos de ver a realidade, dando novas possibilidades aos leitores para reinterpretar o mundo atual e os mundos possíveis num jogo de aproximação e afastamento das citações do cotidiano. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 26-27). Os PCN do ensino fundamental em determinados fragmentos do seu texto permite a interpretação da necessidade de uma reformulação, adequação e organização objetiva do seu conteúdo a respeito da literatura. Em outros fragmentos abre espaço para a literatura com citações e menção da própria palavra literatura, porém com necessidade de um olhar mais atento e direcionado para a especificidade da área. A falta de um direcionamento pode acarretar momentos de confusão para o professor, uma vez que nessa fase a língua tende a ser preterida por alguns professores. Para o professor comprometido com seu trabalho, sensível e atento às questões a respeito de seu objeto de estudo, aqui em particular a literatura, não se deve desconsiderar por menor que seja a relevância sobre o assunto. Seleção de procedimentos de leitura em função de diferentes objetivos e interesses do sujeito (estudo, formação pessoal, entretenimento, realizações de tarefa), e das características do gênero e suporte; [...] emprego de estratégias não-lineares durante o processamento de leitura; formular hipóteses a respeito do conteúdo do texto, antes ou durante a leitura; validar ou reformular as hipóteses levantadas a partir das novas informações obtidas durante o processo de leitura; [...] articulação entre conhecimentos prévios e informações textuais, inclusive as que dependem de pressuposições e inferências (semânticas, pragmáticas) autorizadas pelo texto, para dar conta de ambiguidades, ironias e 24 expressões figuradas, opiniões e valores implícitos, bem como das interpretações do autor. (PCN, 3º e 4º ciclos, 1998, p. 55-56). Desta forma, percebemos que, de forma muito tímida, os PCN abordam habilidades e competências esperadas na literatura, pois através da leitura de textos escritos o professor terá liberdade para utilizar métodos que podem ser desenvolvidos a partir da leitura literária e assim colocar em prática efetiva uma das funções da literatura, que é a formação do leitor. 25 2. LITERATURA E A FORMAÇÃO DO LEITOR Quando se ouve falar em formação de leitores, inicialmente, para algumas pessoas, especificamente pessoas que não são da área, logo remeterá seu pensamento e suas ideias ao ato de ler; aquele processo de junção de letras na formação de palavras e posteriormente a ligação das palavras encadeadas formando frases. Não é apenas esse processo que aqui vamos nos preocupar. A proposta será centrada no processo em que é despertado no aluno alfabetizado, apresentando a formação de um leitor específico, o que questiona leituras, por vezes aceita, por vezes não aceita posicionamentos expostos pelo escritor, discorda de pensamentos apresentados no texto, culminando na formação de opinião a cerca de tudo que está sendo lido. Assim, teremos a literatura como protagonista no processo de formação do leitor, uma vez que a linguagem literária permite a extração de situações históricas, políticas e sociais nela representada para uma visão que se configura no cotidiano e no pensamento humano em tempos e lugares diversos. Além disso, é o texto literário que tem a capacidade de romper traços figurativos da realidade sem perdas na compreensão lógica da composição textual; isso porque nele se faz uso da coerência interna entre os elementos que encadeiam o texto. A estruturação utilizada na obra literária o torna suficientemente autônomo, de ambientes específicos, com regras próprias e possibilidades de significação. A permissão do uso da polissemia é característica inesgotável do texto literário, uma vez que ela liberta a fruição do pensamento sem a obrigação de determinar fatos cotidianos do mundo real. Liberdade esta percebida como permissão do pensamento a cerca do objeto de leitura associado ao contexto no texto apresentado e associado ao que vem sendo proposto na trama, não vista como um pensamento aleatório ou desconexo as informações que no texto apresentam ligações. Conforme Aguiar (1993), os sentidos não se limitam ao significado apresentados nos dicionários e fazem parte da cultura do leitor. A seleção dos significados se opera por força de um contexto que os justifica. Esse contexto é o da experiência humana, que confere valor a um sinal que em princípio é vazio e só passa a portar significado por um ato de convenção eminentemente social. Convenciona-se que algo é significante, quando corresponde a um valor previamente estabelecido. O conjunto de valores convencionados é chamado cultura e por isso 26 perfeitamente legível porque criado pelos homens. (AGUIAR, 1993, p. 16). A produção de sentido dada pelo leitor faz parte do conhecimento de mundo que este detém ao longo de sua vida, de modo que o trabalho a ser realizado com alunos no processo de formação do leitor deve acontecer com sabedoria e cautela, visto que a faixa etária dos alunos pode não acompanhar certos textos literários. Nesse aspecto, devem ser trabalhados com bastante atenção para que a leitura realizada pelos estudantes não se torne apenas uma leitura obrigatória e exigida pelo professor, mas uma leitura que o transmita gosto e prazer. O despertar do hábito e prazer pela leitura transcorre num caminho a ser percorrido pelo professor e o estudante como um acordo, um contrato de leitura. O professor deve intermediar o contato entre leitor e objeto de leitura com sabedoria, baseado no conhecimento que esse detém de obras literárias levando em consideração aspectos fundamentais, a exemplo da linguagem, ambiente, caracteres dos personagens, faixa etária, assuntos que permeiam a realidade do leitor e, ainda, o atendimento de uma possível necessidade deste leitor, que pode ser de cunho informativo e até mesmo recreativo, mas não esquecendo de pensar o sujeito leitor como um ser diferenciado, partindo do pressuposto que se há pessoas diferentes, há interesses diferentes também. Aguiar (1993), apud Richard Bamberger (1997) apresenta cinco fases no processo de leitura, cada uma associada aos interesses, à faixa etária e o período de vida humana dos leitores. Essas fases são apresentadas da seguinte forma: Fase I: De 2 a 5 anos – Fase do egocentrismo onde há o interesse por cenas individuais e atende a necessidade infantil que se estabelece os espaços do “eu” e do mundo através dos livros de gravuras e de versos infantis. Fase II: De 5 a 9 anos - Fase que o leitor se adapta melhor ao mundo e através da fantasia e resolve seus conflitos. Tem como ponto de partida os contos de fadas, lendas, mitos e fábulas. Fase III: De 9 a 12 anos – Fase intermediária. Leitura factual, onde o leitor escolhe histórias que tratam do mundo real, mas ainda mantém vestígios da fase anterior, o que permite perceber a realidade sem a ruptura com a fantasia. 27 Fase IV: De 12 a 14 anos – Período da pré-adolescência. Leituras que tratam das sensações em que o conhecimento de sua personalidade ativa o convívio social e a formação de grupos. Fase V- de 14 a 17 anos – Descoberta do mundo interior e os valores do mundo. Fase de maturidade em que leituras de conteúdo intelectual, viagens, romances históricos e biográficos, histórias de amor, literatura engajada e temas que relacionam interesses vocacionais os quais ajudarão e orientarão na estruturação como adulto. Diante das fases apresentadas percebe-se a importância de cada etapa para formação do leitor. Nota-se que, até a quarta fase, são agregados conhecimentos e valores que ultrapassam os limites da decodificação linguística, dando condições do leitor alcançar a quinta fase; fase em que o leitor colocará em prática efetiva sua postura crítica. Segundo Gregorin (2007), antes do século XVIII não havia uma divisão de fases no processo de leitura, mas percebia-se uma divisão expressiva dos públicos, especificamente o infantil. O público pertencente às classes sociais mais elevadas tinha acesso à leitura de grandes clássicos literários, uma vez que herdavam dos pais; ao passo que o grupo de crianças pertencentes às classes menos favorecidas, economicamente, não tinham acesso à escrita e à leitura, seu contato com a literatura se dava pela oralidade, mas de forma igual ambos tinham contato através de adultos. A criança era vista como um adulto de tamanho reduzido e a infância não tinha visibilidade como uma fase de formação do indivíduo. A infância era vista como uma fase a ser transposta de forma rápida, culminando no ser produtivo de modo a contribuir de forma “efetiva” para a comunidade. Embora ainda sem uma concepção delineada do universo infantil, com uma abordagem para os interesses por faixa etária específica, autores como Perrault e a Condessa de Ségur tinham a preocupação em transmitir valores morais nos seus escritos o que mais tarde, na segunda metade do século XIX, houve um salto importante e decisivo nos estudos da literatura destinada as crianças e jovens. 28 Atualmente, a percepção nítida do universo infantil e juvenil e os avanços nos estudos destinados a esses leitores, o enunciador do dizer estabelece uma faixa etária de leitor, une o aspecto verbal, visual e as vezes sonoro e tátil com a finalidade de adequação a realidade etária deste leitor, porém os valores construídos em sociedade não tem idade específica, mas sim aspectos humanos e, portanto, atemporais. Tomando como referência o segundo ciclo do ensino fundamental II, os alunos que regularmente avançaram nos estágios escolares sem reprovação ou alguma outra condição que permitiram a regularidade entre faixa etária e série, o estudante se encontrará na fase de leitura crítica, ou seja, na quinta fase. Essa fase deve ser bem trabalhada pelos professores, sobretudo na utilização de metodologia e abordagem em que favoreça a aprendizagem e bom relacionamento entre leitor e texto. Se, para o bom resultado da leitura falamos no jogo que acontece entre o leitor e o texto, para o bom resultado no processo de leitura crítica é chegado o momento de se criar um pacto entre os envolvidos no processo. Professor e estudante devem se aliar e assumir o papel de responsáveis para conseguirem alcançar o nível de satisfação em leitura literária, ambos dividindo responsabilidade e méritos a partir de suas condutas. É nesse momento que o professor deve intermediar e direcionar leituras que se possam extrair dos alunos, o leitor potencial de cada um. O trabalho não deve ser levado para aspecto obrigatório em que são privilegiadas leituras repetitivas ou redundantes, ou ainda, leituras de gosto preferenciais. Segundo Aguiar (1988), o trabalho do professor terá foco na ampliação do universo cultural do aluno apresentando a natureza do material da leitura e da literatura. Para tanto, o trabalho se inicia com textos mais próximos da realidade dos alunos e aos poucos a inserção de novos na tentativa de transpor conceitos. [...] Partindo das preferências do leitor, o trabalho deve orientar-se, de maneira dinâmica, do próximo para o distante no tempo e no espaço. Isto significa optar, primeiramente, por textos conhecidos de autores atuais, familiares pela temática apresentada, pelos personagens delineados, pelos problemas levantados, pelas soluções propostas. A seguir, gradativamente, vão-se propondo novas obras, menos conhecidas, de autores contemporâneos e/ou do passado, que introduzem inovações em alguns dos aspectos citados. Estes procedimentos, inusitados para o leitor, rompem sua acomodação e exigem uma postura de aceitação ou 29 descrédito, fundada na reflexão crítica, o que promove a expansão de suas vivências culturais e existentes. (AGUIAR, 1988, p. 25). Diante desse trabalho desempenhado pelo professor, tendo alunos como parceiros no processo de formação do leitor, o que se espera é que por meio da leitura literária o estudante obtenha conhecimentos necessários na sua formação humana e se perceba integrante do grupo dos que fazem parte do letramento literário. Regina Zilberman (2009) define letramento literário como o processo de apropriação da literatura enquanto construção literária de sentidos. A autora explicita a concepção do termo processo como um estado permanente e contínuo de transformação que não se limita ao ambiente escolar, ou seja, não tem início na escola e não termina na medida em que se vence uma fase de estudo seriado. Este é um processo de aprendizagem que acompanha o indivíduo em toda sua vida e que se renova à medida que foram e são realizadas novas leituras que produziram e ou produzem significados para esse leitor. Ainda, sobre letramento literário, Zilberman (2009) complementa sua definição como algo que pode ser apropriado, ou seja, o ato de tornar próprio, de somar e, assim, transformar o que se recebe, aqui especificamente, a literatura. Desse modo, há leituras distintas em um mesmo texto, uma vez que o significado será atribuído conforme o que está apresentado verbalmente e os interesses que sustentam essa apropriação. Finalizando, a autora diz “trata-se da apropriação da literatura não apenas como um conjunto de textos, consagrados ou não, mas também como um repertório cultural que proporciona uma forma singular – literária – de construção de sentidos.” (ZILBERMAN, 2009, p. 67,68). A construção de sentidos que os leitores conseguem conceber são frutos de várias outras leituras realizadas durante sua vida. As experiências de leituras anteriores, objetos visuais e imaginários materializados nos textos, que atravessaram os corpos dos leitores fortalecem um conjunto de pensamentos a cerca do outro e assim a literatura permite que o leitor seja esse outro sendo ele mesmo. É pertinente lembrar que o suporte da leitura literária (o texto) permite uma vasta construção de sentidos, mas não se pode deixar levar ao extremo, onde se possa pensar que tudo é permitido e válido. 30 Segundo LOIS (2010), apud ECO, considerar o leitor no aspecto da recepção não significa cancelar o fio condutor expresso e presente no texto, mas sim, sublimar conteúdo e experiências para interpretação e aceitação do dizer de forma ordenada e organizada. A leitura de obras literárias obriga a um exercício de fidelidade e de respeito dentro da liberdade de interpretação. Há uma perigosa heresia crítica, típica dos dias de hoje, segundo a qual é possível fazer qualquer coisa com uma obra literária. Não é verdade. As obras literárias convidam à liberdade de interpretação porque propõem um discurso com muitos planos de leitura, defrontando-se com a ambiguidade da linguagem e de vida. Mas, para poder intervir nesse jogo, em que cada geração lê as obras literárias de um modo diferente, é preciso ter profundo respeito por aquilo que chamo a intenção do texto. (LOIS, apud, ECO, 2010, p.72,73) Percebemos que para harmonizar o paradigma texto/leitor, sentido/significado e a obtenção e êxito no nível de letramento literário e, consequentemente, a formação do leitor, há de ser levado em consideração aspectos que ultrapassam os limites do texto e o de simples achar de um leitor. O amadurecimento do leitor enquanto ser humano, pensante, conflituoso e coerente são alguns dos aspectos que fazem parte do sujeito enquanto leitor, que consequentemente traz esses aspectos para dentro do texto no seu momento de leitura. Amadurecimento esse, que pode ser adquirido com o direcionamento adequado e que muitas vezes é proporcionado pela intermediação do professor engajado no seu papel de estimulador, orientador de cidadãos diversos inseridos numa sociedade diversificada, pluralizada e em constante mutação de pensamentos. 31 3. A LEITURA LITERÁRIA EM SALA DE AULA A formação docente é um fator de grande importância para o desenvolvimento do profissional da educação. A formação na área específica de atuação profissional possibilita condições para o formando desenvolver as atividades pertinentes à sua área com propriedade e segurança, embora a duração do curso, em grande parte deles, não é suficientemente abrangente para que sejam vistos todos os conteúdos necessários à sua completa profissionalização. Em meio às deficiências que surgem durante a formação inicial, ainda assim, o direcionamento da área de formação permite ao profissional obter conhecimentos específicos desta, sobretudo os estágios supervisionados como oportunidade de se lançar no campo de atividade como prática efetiva e real. Outro fator que contribui para o desenvolvimento das atividades profissionais do educador é a experiência em sala de aula. A continuidade das atividades proporcionam ao professor o aprimoramento do conhecimento, qualidade na preparação de aulas, análise do perfil de alunos, metodologia de ensino, bem como a utilização de recursos pedagógicos que darão condições para o professor se sentir seguro para a atividade docente. Os fatores mencionados acima não dão a certeza que todos os profissionais da educação sejam responsáveis e comprometidos com sua atividade de trabalho, haja vista que há vários profissionais que não conseguem se identificar com o que faz e esteja tão somente desenvolvendo a atividade como forma de recompensa financeira em troca do serviço prestado; portanto, para que o trabalho do professor consiga alcançar resultados mais eficientes há de levar em consideração a identificação de ser professor associado à condição de estar professor. A formação dos cursos de Letras, em Língua Portuguesa, normalmente habilita o graduado para a docência na área de linguística e literatura. Ao tratarmos da literatura e esta no ensino fundamental, a área se apresenta menos visível para alguns professores, conforme discussão do capítulo anterior, inclusive percebido assim nos PCN, uma vez que ele não aborda de forma expressiva sua importância no cotidiano dos alunos. 32 Neste momento, o trabalho se dá através de um questionário contendo sete (07) questões subjetivas, com professores de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II – 6º ao 9º anos - em escolas da rede oficial de ensino do município de João Pessoa (em anexo). A quantidade de escolas totaliza em número de cinco (05), sendo que foram considerados apenas quatro (04) questionários, pois um (01) questionário foi respondido por professor de língua inglesa. A pergunta inicial do questionário faz referência à formação do professor e o ano de sua formação. A pergunta tem por objetivo perceber se o professor tem a habilitação (graduação) específica para o ensino de Língua Portuguesa e suas literaturas bem como atualizações de forma continuada na perspectiva de adaptação as novas concepções de ensino demandadas pelo MEC, em consonância com os documentos oficiais expedidos pelo órgão, à exemplo da LDB, PCN, etc. Adotaremos a nomenclatura P1, P2, P3 e P4 para designar os professores e, assim, atender aos requisitos de sigilo de identificação dos colaboradores com a pesquisa. A letra “P” indica “professor” e o numeral “1,2,3,4” para demonstrar a quantidade de professores participantes do processo. Na pergunta número 01, obtivemos unanimidade na formação na área específica, ou seja, todos os professores possuem Licenciatura Plena em Letras, sendo que P1, P2 e P3 com habilitação específica de Língua Portuguesa. P4 não especificou sua habilitação. O P3 tem Especialização em Língua Portuguesa, finalizada em 1988, porém não informou o ano de conclusão da licenciatura; as informações sugerem que seja o professor com maior tempo de formado, uma vez que se especializou dois (02) anos antes de P4, o qual apresentou para esta pergunta o ano de 1986 como data da conclusão de sua licenciatura. Para P1 o ano de conclusão data em 2012 e P2 em 2004. É pertinente ressaltar que os professores P1 e P2 possuem graduação no período em que já estavam em vigor os PCN para o Ensino Fundamental; enquanto que P3 se especializou no ano da publicação do documento e P4 não teve conhecimento do documento no período de estudos da graduação. É de conhecimento de todos os professores a LDB, uma vez que a primeira versão data em 1961, mas não podemos afirmar que tenham a leitura das leis ou, especificamente, a LDB de 1996. 33 A segunda pergunta do questionário se refere aos recursos didáticos que o professor faz uso em sala de aula na oportunidade das aulas de literatura. Todos os professores demonstram uma tentativa de atração dos alunos para as questões relacionadas à literatura. Fazem uso de recursos tradicionais, entendidos como lousa (quadro negro), pincel, giz, livro didático, apostilas, textos (gêneros diversificados – reportagens, entrevistas, músicas), filmes e vídeos. Nesse segundo momento, ao percebermos que os professores se utilizam de livros, pode-se imaginar que há um trabalho voltado para a leitura e uma possibilidade de extensão à leitura literária, assim contemplando-a com indicação de livros de ficção apenas, ou seja, um olhar para a literatura como integrante nas aulas de língua portuguesa. Em tempos de tecnologia, onde todos fazem uso de computador, as escolas também fazem uso desta ferramenta de trabalho que muito auxilia aos professores. É o caso do P2, que de forma específica faz uso do computador, data show e caixa de som. Ao trazer esses recursos para as aulas de literatura, abrem-se grandes possibilidades de apresentação de conteúdos literários como forma de despertar interesses novos para os alunos, sobretudo, a leitura espontânea de romances literários, já que atualmente existe grande variedade de filmes com novas leituras remontando escritos ficcionais. Nas respostas do P3 percebemos uma leve confusão em responder a questão, pois o mesmo diz que faz uso das apresentações de produção de textos elaboradas pelos alunos, questionários voltados ao contexto, debates, semântica de palavras e expressões, oralidade e prática em todas as aulas, procedimentos que remetem a sua metodologia de trabalho. Para P4 a preocupação é com os conhecimentos afins. Nesse momento, o professor tenta demonstrar o cuidado com o aproveitamento do conteúdo para os alunos, talvez abordar temas que sejam relevantes ao cotidiano dos estudantes. Na fala do professor podese perceber que ele também não está atento para os recursos e sim para a metodologia de ensino. Apesar de uma pequena confusão nas respostas de alguns professores quanto aos recursos didáticos, nota-se que os responsáveis por ministrar as aulas de língua portuguesa e literatura não se utilizam de uma variedade de recursos, o que permite entender que fazem uso apenas do conteúdo apresentado no livro didático de forma tradicionalista. 34 Na continuidade do questionário, a pergunta número 03 (três) versa sobre os PCN de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental. A questão pergunta sobre os PCN no seu tratamento sobre o ensino de literatura nesse nível de estudo. Apesar der ser o mais novo formado (2012) na área, ter passado pelo momento de reformulações do ensino de literatura, P1 absteve-se em responder essa questão. O P2, em poucas palavras, mas de forma objetiva, espera que o aluno consiga evoluir no Ensino Fundamental II ao participar das aulas de literatura. O docente P2, expressa em suas palavras que os PCN “evidencia o ensino de literatura como criadora e geradora de significados para o aluno”. O professor ao tratar de criação e geração de significados cria elo com os PCN, uma vez que o documento prima pela formulação e reformulação de conceitos sobre o objeto de leitura. Sob essa perspectiva, é bom retomar que a ficção consegue trazer o leitor para vários ambientes e situações que nem sempre estão diretamente relacionadas com a realidade do leitor específico. A leitura literária favorece ao leitor lidar com situações de maior complexidade e aceitar com mais naturalidade quando vivenciadas no mundo “real” Assim, contempla em sua fala, esse objetivo dos PCN o P3, ao responder sobre o que pretende o documento no ensino de literatura no ensino fundamental II, pois diz: O trabalho com texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas de sala de aula, trabalhar os diversos gêneros para que o aluno saiba ler, escrever e compreender que, só através da linguagem oral e escrita, será capaz de entender o mundo que o cerca. Depreende-se que P3 tem um olhar para leitura literária associada ao mundo real dos alunos e essa leitura seja apresentada em vários suportes (gêneros textuais). Mesmo que pense a leitura literária como possibilidade de enxergar o mundo, sua visão se limita a escrita e a oralidade, deixando de perceber que o visual também faz parte desse universo e também porem ser percebidos através das artes plásticas (pinturas, esculturas, etc). A fala do P4 permite entender que sua visão sobre a literatura nos PCN é tida como uma espécie de gênero “mãe”, que dá condições para o aluno interpretar e reproduzir subgêneros dentro do gênero Literatura, ou seja, o aluno estaria capacitado para interpretar e criar poesias, contos, romances, etc. Nesse aspecto, P4 não desenvolve sua ideia sobre a literatura como meio de formar leitor, formar críticos sobre o que se ler dando ênfase ao entendimento estético que os suportes de leitura apresentam. 35 A pergunta 04 traz a seguinte questão: “Qual(is) o(s) objetivo(s) que você pretende alcançar quando prepara e ministra aulas de literatura?” P1 responde: “Fazer com que os alunos consigam visualizar, perceber o que está nas entrelinhas”. Esperava-se que o docente elencasse mais sobre os objetivos, sobretudo na formação do aluno como leitor crítico, onde esse aluno pudesse ter condição de posicionar-se, tanto a favor quanto na recusa da leitura de textos. Conforme P2, sua resposta traz um conteúdo mais aproximado aos documentos oficiais, pois o mesmo tenta criar uma relação entre aluno e o texto literário, mas de forma associada a outras linguagens, inclusive trazendo para sala de aulas temas que permitam gerar novas possibilidades de interpretação. Oportunizar uma relação do aluno com o texto literário, buscando atrelar os conteúdos (temas geradores) a outras linguagens, tais como: dança, música, cinema e teatro. (P2) Na resposta de P4 há a expressão gênero o que deixa um questionamento sobre a palavra citada, pois não dá para depreender que o mesmo trata a literatura como gênero textual ou se, se refere ao gênero enquanto possibilidade Literária de leitura. Não ministro aulas específicas de literatura, até porque nossos livros didáticos trazem um texto literário esporadicamente e, muitas vezes, os alunos n/se interessam pelo gênero. (P4) Se considerarmos que o professor fez confusão entre a disciplina literatura, que está sendo ofertada em conjunto com a disciplina Língua Portuguesa, e um gênero textual, o mesmo não terá condições de preparar aulas de literatura, tampouco objetivos a serem alcançados. Se a concepção de gênero para o professor for de que os textos trazem uma essência literária pautada na concepção de leitura rebuscada e desprovida de sentidos reais para os alunos, esse parece estar fadado a cometer os erros que há tempos vem sendo cometido por professores desatentos as novas concepções do ensino de literatura e as diretrizes curriculares que auxiliam e norteia o ensino no Brasil. A fala de P3 ainda traz certo “comodismo” ao lidar com a literatura, pois a mesma não ultrapassa os limites demarcados pelo livro didático, ficando assim resumido aos conteúdos sugeridos nos livros. É o final de sua resposta que apresenta a maior falha do docente, pois o professor põe a culpa nos estudantes afirmando que os alunos não gostam do gênero. 36 As colocações feitas por P4 para esta resposta apresenta semelhança na resposta de P3. O professor evidencia um desafio em despertar o hábito pela leitura nos alunos, justificando ser esse o maior desafio para os docentes de Língua Portuguesa. O professor se exime da responsabilidade de formar leitores no Ensino Fundamental, fase que é importante no processo de formação do leitor. A “liberdade” que o professor dá aos alunos em não estarem em contato com a literatura, permite-nos a entender que o professor tem seu olhar, seu direcionamento e suas aulas voltadas para o ensino da língua enquanto sistema linguístico, apenas. Em outra pergunta do questionário, a de número cinco (05), perguntamos sobre a utilização de textos literários na sala de aula ou para serem realizadas em casa. Ainda foi solicitado que os professores citassem alguns exemplos de leituras literárias caso esse trabalho fosse por eles realizados. O P1 disse que sim e citou autores como: Manoel Bandeira, Mário de Quintana, Lygia Fagundes, Clarice Lispector e outros. Nessa resposta o professor não teve atenção para responder a questão, pois se tratava de obras (textos) e não dos autores, dando assim abertura para a interpretação que o docente está mais preocupado com exposição de nomes canônicos da Literatura Brasileira como forma de demonstrar seu conhecimento sobre literatura. Na fala do P2, percebemos seu empenho em lidar com a literatura na sala de aula, já que a escola funciona em dois turnos e as atividades não devem ser direcionadas para casa. Duas aulas semanais são reservadas, ao longo da semana, para intensificar o trabalho com literatura na sala de aula. Por tratar-se de uma escola de tempo integral, não podemos passar atividade para serem realizadas em casa. Exemplos de Livros: Mortos de Fama, Diário de um Banana, Fábulas. (P2) Na oportunidade do recebimento do questionário respondido pelo professor, houve uma breve conversa sobre o ensino de literatura. O docente colocou a dificuldade em se trabalhar a literatura num momento específico e, que em alguns momentos, a literatura acaba sendo tida e vista como pretexto para leitura, pois alguns alunos ainda resistem em se envolver com o termo Literatura. O professor finaliza nossa conversa dizendo que os alunos adoram quando são levados para biblioteca e que os mesmos ficam muito atentos nos momentos de exibição de filmes e que, normalmente, acaba oportunizando a discussão sobre o tema, que em sua maioria versam sobre a realidade dos adolescentes. 37 Para P3, as leituras são feitas em casa e essas são escolhidas pelos próprios alunos. O P3 diz citar ou elencar autores e obras para os alunos e diz que o critério de seleção é a escolha dos estudantes. Na resposta de P3, sentimos a responsabilidade do professor sendo transferida para o aluno. Mesmo que os alunos tenham preferência por alguma leitura, livro ou gênero, o professor deve ser o intermediador nas opções de leituras literárias, haja vista que a Literatura no Ensino Fundamental II pretende formar leitores críticos. O P4 também responde que sim, porém de forma igual ao P1, cita autores literários dando ênfase ao cânone, chamados por ele consagrados, a exemplo Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Morais, mas não cita alguma obra. Na fala do docente há um direcionamento para um gênero textual, a poesia, o que pode nos remeter ao pensamento que, para o professor, se trabalhar poesia, automaticamente está trabalhando literatura. A pergunta de número seis (06) faz referência aos critérios utilizados na seleção dos textos indicados para a leitura dos alunos, e obtivemos unanimidade das respostas pautadas na produção do sentido, de modo a fazer parte do universo dos alunos, no tocante à faixa etária, ao contexto sociocultural e o despertar do gosto pela leitura. Procuro trabalhar textos que geralmente façam parte do cotidiano deles. (P1) Busco selecionar livros adequados a faixa etária dos alunos e o seu contexto sociocultural. (P2) As ideias; várias possibilidades de leitura; [...] Compreensão e interpretação da linguagem/conteúdo; [...]. (P3) Uma linguagem mais acessível e de fácil compreensão, bem como textos que tragam prazer aos alunos e o gosto pela leitura. (P4) A última pergunta do questionário, a de número sete (07), tenta entender qual é a concepção dos professores sobre o que é literatura, bem como sua importância para os alunos do ensino fundamental II. Assim: “7. Para você, o que é Literatura e qual sua importância para os alunos do Ensino Fundamental?”. Para P1, Literatura é: “uma manifestação artística, um exercício da arte [...]. É de suma importância para construção de formação de um indivíduo”. Então, este professor entende que a literatura tem papel fundamental na formação do indivíduo, o que postula nos PCN do Ensino Fundamental. A definição dada pelo docente atende a pergunta em questão, atende também parte de importância que a literatura tem na vida dos estudantes, porém parece não estar em sintonia com o que o professor desenvolve na sala de aula com suas turmas segundo suas respostas dadas nas questões anteriores. Temos a sensação que o professor não contempla no ensino da literatura o outro ponto fundamental da disciplina 38 que é a formação do leitor, a criação de leitores que possam pensar, analisar, ver e rever conceitos que permeiam e envolvem seres humanos em uma sociedade diversificada e atualmente não padronizada. Conforme P2 literatura é uma manifestação cultural e que através dos textos literários os alunos possam associar essa manifestação a outras linguagens. Literatura é a manifestação cultural de um determinado povo. Devido a essa característica, é essencial desenvolver no alunado a habilidade de compreender o textos literários, bem como associar às outras linguagens. (P2) O P2 trata a importância da literatura como meio de desenvolvimento de habilidades de compreensão da linguagem literária que se apresenta nos textos, possivelmente também apresentados nos diversos gêneros textuais. Ele continua sua fala dizendo que a literatura dá suporte para que as pessoas consigam associá-la a outras linguagens. Percebemos que P2 busca dar uma resposta de modo a impressionar o leitor, pois seu texto não traduz de forma clara a importância de forma efetiva que a literatura tem para seus alunos e como ele poderia explorá-la com mais eficiência. De acordo com P3, a Literatura é o trabalho com as palavras onde pensamento e ideias se relacionem, relação essa feita através da seleção de registros de modo a contribuir na formação do aluno para ser um cidadão competente nas suas atitudes. Trabalhar com a palavra, fazendo escolha de registros, que tenham relação com o pensamento e com as ideias a serem apresentadas, para que se torne um cidadão competente em suas ações e valores. (P3) Sentimos na fala de P3 uma atenção quanto ao que a literatura pode ser útil na vida dos alunos, pois ele cita em seu texto cidadão competente, onde essa expressão nos leva ao encontro do que os PCN direcionam que é a formação para a cidadania. P2 não contempla a formação de leitores, como falado em capítulos anteriores sobre os documentos expedidos pelo MEC, como forma de direcionar e orientar professores na preparação de aulas e a colocação dos planos de aulas em prática na sala de aula. De acordo com P4, Literatura expressa sentimentos por meio das palavras e aproximam as pessoas para o mundo real através da ficção, objetivando fazer com que os alunos possam ser formados cidadãos. 39 A literatura sem dúvida é a essência dos sentimentos através da palavra, é trazer-nos um mundo irreal mais próximos da realidade e essa busca faz com que nossos alunos cresçam como pessoas e como cidadãos. (P4) Levando em consideração os PCN, a LDB e a Constituição Federal vigente do país, documentos esses considerados como norteadores da educação e da cidadania nacional, sentimos que P4 consegue perceber a importância da Literatura no ensino fundamental II no tocante a formação cidadã. O docente utiliza a expressão mundo irreal como de fato é empregado na literatura, uma vez que a ficção pode ajudar leitores a interpretar o mundo não ficcional de forma mais suavizada, com menos preconceitos e mais aceitação das diferenças que permeiam os seres sociais. Os professores demonstraram sua sensibilidade quanto ao aspecto literário e importância da literatura para seus alunos. Enfatizaram a formação da pessoa humana, construção da formação de indivíduo e a disciplina como objetivo de arte, capaz de transformar e realizar situações ficcionais em reais ao ponto de conduzir o aluno a reflexão do mundo que o cercam, dando-lhes condições de lidar com situações diversas existentes numa sociedade complexa, diversificada, mas encarada como formas naturais de existência. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo a Constituição Federal do Brasil (1988), “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade”. A educação é garantida pela Constituição Federal de 1988 e contribui no processo de formação do cidadão. Quando pensamos na formação do cidadão, dentre as várias formas de educar, seja ela através dos ensinamentos morais e sociais obtidos pelo compromisso dos pais na criação dos filhos, ou mesmo aprendidos no dia a dia lidando com as dificuldades de sobrevivência que o mundo selvagem oferece aos seus sobreviventes, logo demonstramos certa preocupação com a formação do ser humano em seu sentido mais abrangente e com isso, a forma que esse ser poderá obter parte dessa formação. Não teremos nosso olhar para essa forma de educar e aprender, obtida apenas no lar, não por demérito, mas para poder voltar nossa atenção para o assunto no cerne do ambiente escolar, o ambiente tido como o local com condições de ensinar no diz que respeito a formação da pessoa conhecedora do código linguístico apresentados pelas palavras, números, frases, livros e outros suportes que dão condições para uma criança iniciar seus primeiros passos no mundo das letras. Quando o homem consegue chegar à fase da codificação e decodificação das palavras há de se pensar em aprimorar esse conhecimento e iniciar outra fase na vida do ser humano, fase essa concebida como processo de formação da pessoa humana para que tenha capacidade de realizar o pensamento diferenciado, no sentido de, não apenas aceitar tudo que a sociedade, a política e outros órgãos de controle ideológico apontam como algo que é como certo ou errado, bom ou ruim e ver o universo com os encantamentos possíveis que são utilizados para designar comportamentos com julgamento de valor. Desta forma teremos um cidadão crítico capaz de concordar ou discordar de fatos que lhes apresentam cotidianamente. É para formar pessoas capazes de dar opiniões que a escola realiza atividades diversas e elabora currículos de acordo com as necessidades de uma sociedade. Na educação brasileira temos diversas áreas de formação, porém na de Língua Portuguesa e suas literaturas abre-se um leque de opções para que esse trabalho tenha êxito no seu 41 desenvolvimento, uma vez que a literatura é possibilidade de ampliação de enxergar o universo; segundo Todorov (2009). A literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. [...]. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservadas às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano. (TODOROV, 2009, p. 23,24). Partindo do princípio de ampliação do nosso universo, apresentado por Todorov (2009), o MEC, através dos PCN, oferece aos docentes a ferramenta direcionadora para esse fim. É por ter conhecimento desse documento e ser aluno de Letras, com o olhar voltado para a literatura e ter vivenciado experiência da prática na sala de aula que surge a seguinte pergunta: Os professores estão realizando o trabalho de forma efetiva nas escolas de ensino fundamental II, sobretudo no trabalho com a literatura na formação do leitor e do cidadão? O questionamento pode ser respondido a partir do momento que houver a compreensão de que a literatura deve estar presente nas aulas de Língua Portuguesa do ensino fundamental II com o objetivo principal de formar leitores. Depois, podemos acrescentar os conteúdos e metodologias como a apresentação de opções variadas de tipos de textos, gêneros textuais e até livros literários para que essas leituras possam ampliar o universo de conhecimentos dos estudantes. Essa primeira resposta foi o que fizemos ao longo dos capítulos I e II desta pesquisa, mas ainda assim, percorremos o caminho da pesquisa de campo para verificar se as discussões teóricas e orientações oficiais documentadas estão sendo implantadas na sala de aula, especificamente, no ensino de literatura. Então, realizamos uma pesquisa baseada em entrevista com professores do ensino fundamental II, objetivando responder a pergunta inicial: Se ensina Literatura no ensino fundamental II, sobretudo com o objetivo de formar leitores e cidadãos? O resultado do trabalho se apresentou no último capítulo e, como vimos, conclui que a Literatura está em segundo plano, pois não há uma consistência nas respostas dos professores. As respostas não seguem de forma coerente, dando assim a sensação que há uma tentativa para o direcionamento de ensino de Literatura, porém apenas voltando para a formação da pessoa cidadã e deixando de ser realizado o trabalho direcionado para a formação do leitor. É 42 perceptível que o conteúdo gramatical é evidenciado, inclusive se utilizando da Literatura para a realização do ensino normativo da língua. Ainda, sentimos que os professores ao se depararem com o questionário específico sobre o ensino de Literatura tentam apresentar respostas que mostram o cuidado na formação do aluno para o conhecimento da arte literária. Arte essa entendida em alguns momentos como um gênero textual e em outros momentos configurada apenas pela citação de autores do cânone literário. Entretanto, podemos dizer que o resultado aponta pontos positivos na tentativa do ensino de Literatura, pois os docentes realizam esforços na preparação de aulas de modo que elas possam produzir sentido para os alunos, de modo que os estudantes consigam realizar conexões do objeto de estudo com sua vida cotidiana. Uma interpretação possível para entender o motivo pelo qual os professores de língua portuguesa não debrucem esforço maior na preparação de aulas de literatura e, consequentemente, ministrá-las com maior aproveitamento para os alunos, está no fato de os PCN não direcionar uma seção específica para o ensino de literatura no Ensino Fundamental II, como existem nos PCN do Ensino Médio. O texto contempla mais amplamente o conteúdo linguístico e para entender que a literatura está presente nesse nível de ensino deve haver maior atenção na leitura, compreensão e interpretação do documento. Todavia, mais importante ainda, é o comprometimento do docente com o seu trabalho na sala de aula, contemplando da melhor forma possível o que determina os documentos oficiais orientadores do ensino da disciplina vigentes do país ou ao menos buscando revitalizar suas aulas numa constante atuação como professor pesquisador. 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito de leitura. São Paulo: Cultrix, 1977. BORDINI, Maria da Glória; AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. 2. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília, 1998. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação: Lei nº 9.394/96 – 24 de dez. 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1998. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005. COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006. GREGORIN FILHO, José Nicolau . Literatura Infantil/Juvenil, sociedade e ensino. In: 16o. Congresso de Leitura, 2007, Campinas. Anais do 16o. COLE. Campinas : ABL, 2007. v. único. p. 01-10. JOUVE, Vincent. Por que estudar literatura?. Tradução de Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012. LOIS, Lena. Teoria e prática da formação do leitor: leitura e literatura na sala de aula. Porto Alegre: Artmed, 2010. SEGABINAZI, Daniela Maria. Educação literária e a formação docente: encontros e desencontros do ensino de literatura na escola e na Universidade do Século XXI. Tese (Doutorado) Universidade Federal da Paraíba. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, 2011. SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999. SOUZA, Renata Junqueira (Org.). Caminhos para a formação do leitor. São Paulo: DCL, 2004. TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Trad. Caio Meira. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2010. ZILBERMAN, Regina; Rösing, TANIA M. K. (Org.) Escola e Leitura: velha crise, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009. 44 ANEXOS 45 Questionário para professores de língua portuguesa do ensino fundamental II 1.Qual é a sua formação acadêmica e em que ano concluiu? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 2.Qua(is) recurso(s) didático(s) você utiliza nas aulas de literatura? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 3.O que pretende os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de português para o ensino fundamental II no que se refere à literatura? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 4.Qual(is) o(s) objetivo(s) que você pretende alcançar quando prepara e ministra aulas de literatura? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 5.Você utiliza textos literários na sala de aula ou em leituras para casa? Se sim, cite alguns. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 6.Qual(is) critério(s) você utiliza na seleção de textos para leitura? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 7.Para você, o que é literatura e qual sua importância para os alunos do ensino fundamental II? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 46 P1 47 P2 48 P3 49 P4