Governador Eduardo Henrique Accioly Campos Vice-Governador João Soares Lyra Neto Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos - SRHE João Bosco de Almeida Secretário Executivo de Recursos Hídricos - SRHE José Almir Cirilo Secretário Executivo de Energia - SRHE Eduardo Azevedo Rodrigues Gerência Geral de Recursos Hídricos - SRHE Carlos Marcelo Sá Gerência de Infraestrutura Hídrica - SRHE Maria Lorenzza Pinheiro Leite Presidente da Agência Pernambucana de Àguas e Clima – APAC Marcelo Cauás Asfora Gerente de Revitalização de Bacias - APAC Terezinha Matilde Menezes Uchôa Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP-OS) Diretor Presidente Frederico Cavalcanti Montenegro Diretor Técnico Pedro Sérgio Cunha 1 DiretoraAdministrativa Financeira Fabiana Freitas Superintendente de Inovação Tecnológica Márcia Maria Pereira Lira Coodenador da UGP Barragens Ivan Dornelas Falcone de Melo Unidade Gestora do Projeto de Barragens da Mata Sul do Estado de Pernambuco UGPBarragens Equipe Técnica Meio Físico Dra. Margareth Mascarenhas Alheiros Geóloga Ana Mônica Correia, MSc Geografa Meio Biótico Dr. Marcondes Albuquerque Oliveira Biólogo Dra. Maristela Casé Costa Cunha Bióloga WbaneideMartins de Andrade, MSc Bióloga Dra. Maria Adélia Oliveira Monteiro da Cruz Bióloga Meio Socioeconômico Lucia Soares Escorel Arquiteta e Urbanista Osmil Torres Galindo Filho Economista Dr. Luis Henrique Romani de Campos Economista Dr. Marcos Antônio Gomes de Mattos de Albuquerque Arqueólogo Geoinformação 2 Aramis Leite de Lima, MSc Engº. Cartógrafo Flávio Porfírio Alves, MSc Engº. Cartógrafo Felipe José Alves Geografo Apoio Administrativo Solange Carneiro da Costa e Silva Advogada 3 SUMÁRIO EXECUTIVO O presente documento vem apresentar à Agência Estadual de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco – CPRH – um resumo dos principais aspectos abordados e apresentados no Estudo de Impacto Ambiental – EIA - para a obtenção de Licença Prévia – LP, para a implantação de duas das quatro barragens de contenção do sistema de controle de enchentes da Bacia Hidrográfica do Rio Una: Panelas II e Gatos. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDIMENTO: Empreendimento Barragens de contenção Panelas II e Gatos Sistema de contenção de enchentes da bacia hidrográfica do Projeto rio Una Localização/Municípios Cupira e Lagoa dos Gatos IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR: Razão social: SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS E ENERGÉTICOS CNPJ: 08.662.837/0001-08 Endereço: Av. Cruz Cabugá, 1.111 – CEP: 5040-000 – Santo Amaro – Recife/PE Responsável: João Bosco de Almeida Telefone: (081) - 31842518 e-mail: [email protected] EMPRESA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DO EIA/RIMA: Razão social: LENC - Laboratório de Engenharia e Consultoria Ltda. CNPJ: 44.239.135/0002-60 Endereço: Rua Catequese, 78 - São Paulo Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 1 REV0 Responsável: Ricardo Novaes Serra Telefone: (11) 2134-7577 e-mail: [email protected] EQUIPE TÉCNICA DE ELABORAÇÃO: Responsabilidade Técnica – Eng. Civil Alexandre Zuppolini Neto Gerência – Cientista Social Ricardo Novaes Serra Supervisão Geral - Bióloga Msc. Laura Naxara Coordenação Técnica – Cartógrafa Dra. Márcia Cristina de Souza Carneiro Meio Físico Coordenação: Geólogo Dr. José Luís Ridente Júnior Profissional Especialidade Eng. Civil Roberta Laredo Clima/Resíduos Sólidos Eng. Civil Dr. Selmo Chapira Kuperman Caracterização do Alternativas tecnológicas Geólogo Dr. José Luís Ridente Júnior Pedologia Geólogo Dr. Gelson Luiz Fambrini Geologia / Geomorfologia / Geotecnia empreendimento/ Geóloga Msc. Soraia Maria Carlos Maia Hidrogeologia Fambrini Graduando em Geologia Bezerra Menezes Filho José Acioli Geologia Graduando em Geologia Otávio Leite Geologia Chaves Eng. Hidráulica Gisela Coelho Recursos Hídricos Biólogo Murilo Damato Qualidade da Água Superficial Tecnóloga Andressa Endo Spinelli Caracterização do Passivos Ambientais empreendimento Meio Biótico Profissional Especialidade Eng. Florestal André Luis Novaes Keppe Bióloga Dra. Elcida de Lima Araújo Vegetação Bióloga Dra. Elba Ferraz Bióloga Msc. Yumma B. M. Valle Diagnóstico Mastofauna Bióloga Msc. Roberta Rodrigues Bióloga Santos Dra. Ednilza Julho/2011 Maranhão Fauna dos Diagnóstico Avifauna Diagnóstico Herpetofauna Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 2 REV0 / Bióloga Msc. Fabiana Amorim Fauna Diagnóstico Herpetofauna Biólogo Dr. Luiz Augustinho Menezes da Silva Diagnóstico Quirópterofauna Bióloga Dra. Silvia Schwamborn Diagnóstico Ictiofauna Biólogo Dr. Murilo Damato Fitoplâncton / Macrófitas Biólogo Msc. Rafael Guerra Pimentel Unidades de Conservação Meio Socioeconômico Coordenação: Economista Msc. Henrique Fernando S. Deporte Profissional Especialidade Economista Msc. Henrique Fernando S. Deporte; Cientista Social Fabricio Andreto Rodrigues; Arquiteto Ricardo Buso; Graduanda em História Fabiana Marchetti Histórico de Ocupação/ Perfil Socioeconômico da População/ Atividade Econômica e Análise da Dinâmica Econômica; Perfil Demográfico; Indicadores de Qualidade de Vida; Infra-estrutura social; Estrutura Urbana; Organização Social Geógrafa Dra. Edvânia Tôrres Aguiar Gomes; Geógrafa Dra. Mariana Zerbone Uso e Ocupação do solo Alves de Albuquerque Patrimônio Histórico e Arqueológico Coordenação: Msc. Lúcia Juliani Profissional Especialidade Arqueóloga Msc. Lúcia Juliani Patrimônio Histórico e Arqueológico Arqueólogo José Eduardo Abrahão Patrimônio Histórico e Arqueológico Arqueóloga Daniella Magri Amaral Patrimônio Histórico e Arqueológico Legislação Advogada Camila Sabella Cartografia Profissional Especialidade Cartógrafa Msc. Ana Carolina Schuler Correia Cartografia/SIG Eng. Florestal Thais Olitta Basso SIG RIMA Jornalista Juliana Arini Equipe de Apoio Bióloga Msc.Camila de Barros Projetista César Coelho Biancardi Estagiária Giovanna Marchetti Estagiária Maria Carolina Carneiro Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 3 REV0 OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA A construção das Barragens de Panelas II e Gatos, na bacia do Rio Una, estado de Pernambuco, integra um conjunto de políticas adotadas pelo Governo do Estado com vistas a equacionar os problemas relativos às recorrentes enchentes ocorridas nos últimos anos nessa bacia. O nordeste brasileiro apresenta ao longo da sua história uma gestão inadequada dos recursos hídricos e atualmente vem enfrentado busca de soluções que propiciem usos adequados respeitando as especificidades físico-naturais, sócio-econômicas e culturais. A promulgação da Lei federal no 9433/1997 que estabelece a política nacional de gerenciamento dos recursos hídricos, juntamente com a criação da Agência Nacional das Águas –ANA, vêm propiciar o arcabouço jurídico necessário para reverter esse quadro, estabelecendo uma forma mais racional de uso dos recursos hídricos. Recentemente o estado de Pernambuco criou a APAC – Agência Pernambucana de Água e Clima que vem ao encontro dessa questão ao lado das atividades anteriormente encetadas pela CPRH – Companhia Estadual de Controle da Poluição e Administração de Recursos Hídricos. Visando, especificamente, a controlar a vazão dos cursos d´água e, consequentemente, a erradicar as condições críticas e danos geradas pelas enchentes na bacia do Rio Una, foi concebido o Sistema de Controle de Enchentes da Bacia do Rio Una. O volume de chuvas concentrado, fenômeno típico da região do agreste do nordeste brasileiro, deixou estragos profundos no ano de 2010 e início deste ano, no Estado de Pernambuco, em especial, em diversos municípios da Mata Sul do Estado. Dentre os diferentes municípios afetados, destacam-se: Belém de Maria, Catende, Palmares, Água Preta e Barreiros. Foi registrada uma situação crítica em 68 municípios pernambucanos, deixando 09 deles em Estado de Calamidade Pública (Decretos 35.192 de 21/06/2010 e 35.231 de 27/06/2010), 33 em Situação de Emergência (Decretos nº 35.191 de 21/06/2010 e 35.312, de 15/07/2010), 14.136 casas destruídas ou danificadas, 20 mortos, 26.966 desabrigados e 55.643 desalojados1. A rede escolar também foi bastante atingida, sendo, ao todo, 533 escolas prejudicadas por conta das chuvas. As fotos 1 e 2 registram as enchentes de 2010 na bacia do Rio Una. 1 GOVERNO DE PERNAMBUCO. Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco - ITEP/OS. Repactuação das Metas do Contrato de Gestão 2010 – 2011 Anexo do Segundo Termo Aditivo. 02 de janeiro de 2010 – 02 de julho de 2014. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 4 REV0 FOTO 1 - Enchente em Palmares, junho de 2010 (Fonte: mundonacabeca.blogspot.com) FOTO 2 - Enchente em Palmares, junho de 2010 (Fonte: nequidnimis.wordpress.com) O município de Palmares foi um dos mais atingidos pelas chuvas de 2010, sendo parcialmente destruído em decorrência delas. Pelo município de Palmares passam o rio Pirangi e o rio Una, ambos localizados na unidade de planejamento UP 5 - bacia hidrográfica do rio Una. Nessa época, a Bacia do Una recebeu mais de 150 mm3 de chuvas em um único dia e mais de 400 mm3 em 4 dias, o que causou uma catástrofe de grandes dimensões, levando a mortes e destruição que tiveram repercussão nacional e internacional. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 5 REV0 As enchentes representam, além de grande dano e sofrimento às pessoas afetadas, um enorme prejuízo à economia local, causando perdas muito significativas ao poder público, empresas privadas e pessoas que habitam e produzem na região. Apenas no município de Palmares, os prejuízos estimados pela Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) foram de R$ 300 milhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu mais de R$ 150 milhões em préstimos em 2.905 operações contratadas ou aprovadas até novembro de 2010. De forma a solucionar a questão das enchentes na bacia do rio Una, o governo do Estado de Pernambuco está viabilizando a implementação de um sistema de contenção de enchentes na bacia deste rio, que consiste na construção de quatro barragens que deverão resolver definitivamente o problema cíclico das enchentes da Mata Sul: 1) Barragem de Panelas II (Rio Panelas – município de Cupira); 2) Barragem Gatos (Riacho dos Gatos – município de Lagoa dos Gatos), 3) Barragem de Igarapeba (rio Pirangi – município de São Benedito do Sul) e; 4) Barragem de Serro Azul (rio Una – municípios de Catende, Bonito e Palmares). A previsão é que essas barragens possam acumular até 180 milhões de m3 de água. É importante destacar que a área afetada pela construção das barragens se encontra localizada em duas diferentes mesorregiões do estado de Pernambuco, na Zona da Mata Pernambucana e no Agreste Pernambucano, onde é possível encontrar características diferenciadas referentes ao clima, principalmente em relação ao regime de chuvas o que irá interferir no regime hídrico, em relação ao solo e vegetação, e também nos aspectos geomorfológicos, necessitando-se assim de uma gestão diferenciada para as respectivas áreas. Ainda no que diz respeito à regionalização, é relevante destacar que a área impactada corresponde a duas diferentes áreas de desenvolvimento regional do estado, como a Região de desenvolvimento do Agreste Central, e a Região de Desenvolvimento da Mata Sul, que compreendem diferentes projetos e planos de intervenção elaborados pelas as agências de desenvolvimento estadual. Nesse sentido, deve-se buscar compreender as peculiaridades das áreas, contudo, a gestão necessita ser articulada, para que seja eficaz. Das quatro barragens propostas, duas terão seus projetos iniciados numa primeira fase por terem os projetos básicos de engenharia concluídos: Panelas II e Gatos. Assim, a implantação das Barragens de Panelas II e Gatos representam um importante passo na viabilização do Sistema de Controle de Enchentes na Bacia do Rio Una, contribuindo para evitar que outras catástrofes voltem a ocorrer na região. Ao mesmo tempo, os investimentos de cerca de R$ 50 milhões deverão impactar positivamente a economia local, gerando emprego e renda nas localidades afetadas. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 6 REV0 O EMPREENDIMENTO As barragens em licenciamento estão localizadas no Estado de Pernambuco, município de Cupira (barragem de Panelas II) e município de Lagoa dos Gatos (barragem Gatos). O eixo barrável de Panelas II dista 6,30 km do centro urbano de Cupira, enquanto o eixo barrável de Gatos dista 6,5 km de centro urbano de Lagoa dos Gatos. O acesso aos municípios de Cupira e Lagoa dos Gatos se dá pela BR 232, BR 104 e PE 123, conforme ilustra a Figura abaixo. Em relação às distâncias de grandes centros regionais do Estado, os municípios de Cupira e Lagoa dos Gatos localizam-se a cerca de 120 km da região metropolitana de Recife e a 50 km do município Caruaru. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 7 REV0 Características técnicas de cada barragem. Barragem Principal: Panelas II Coordenadas UTM dos marcos 0 e 1: Coordenadas UTM Marco Estacas Cota (m) Este Norte M0 0 380,00 181.722,00 9.047.621,00 M1 14+7,00 380,00 181.479,00 9.047.557,00 Rio barrado Rio Panelas Área da bacia hidrográfica 297,00 km² Bacia geral Rio Una Capacidade de armazenamento (cota 378,00)........................... .16.886.760,00 m³ Área inundada (cota 378,00).................................. ...125,30 ha Tipo de barragem: gravidade em CCR, com vertedouro central e abraços Altura máxima 48,20 m Vazão da cheia de projeto 870,00 m³/s Capacidade máxima do vertedouro: (milenar) 1154,00 m³/s Extensão do 1º vertedouro 5,00 m Extensão do 2º vertedouro 100,00 m Lâmina vertente de projeto 5,58 m Folga normal (free board) (cheia de 100 anos) 1,26 m Tomada D’água: Torre de Comando Fechada com 04 Entradas Vazão regularizada: com 97,35% de garantia 98,76 l/s Vazão regularizada: com 94,44% de garantia 126,93 l/s Volume escavações 146.556,00 m³ Volume de concretos 190.076,00 m³ Volume de aterros 61.025,00 m³ Estimativa de custo R$ 19.682.066,45 Fonte: Projeto Básico - COTEC Consultoria Técnica Ltda., julho/2003. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 8 REV0 Barragem Auxiliar: Gatos Coordenadas UTM dos marcos M-0 e M-1: Coordenadas UTM Marco Estacas Cota (m) Este Norte M0 0 262,00 185.288,00 9.045.857,00 M1 5+7,00 262,00 185.362,93 9.145.985,00 Rio barrado Riacho dos Gatos Área da bacia hidrográfica 70,00 km² Bacia geral Rio Una Capacidade de armazenamento Área inundada (cota 255,00)............................6.233.250,00 m³ (cota 255,00).....................................75,25 ha Tipo de barragem: gravidade em CCR, com vertedouro central Altura máxima 29,50 m Vazão da cheia de projeto 72,00 m³/s Capacidade máxima do vertedouro: 220,00 m³/s Extensão do 1º vertedouro 3,00 m Extensão do 2º vertedouro 70,00 m Lâmina vertente de projeto 2,50 m Folga normal (free board) (cheia de 100 anos) 1,28 m Tomada D’água: Torre de Comando Fechada com 04 Entradas Vazão regularizada: com 96,43% de garantia 150 l/s Volume escavações 42.982,39,00 m³ Volume de concretos 35.070,00 m³ Volume de aterros 15.621,00 m³ Estimativa de custo R$ 4.904.931,63 Fonte: Projeto Básico - COTEC Consultoria Técnica Ltda., julho/2003. Os reservatórios de acumulação estão sujeitos a perdas d’água, principalmente por evaporação e sangria. As condições climáticas e topográficas da bacia hidráulica, devido ao forte relevo da Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 9 REV0 região onde estão inseridos os açudes, exercem um condicionamento no comportamento dessas obras, principalmente, através dos seguintes elementos: Precipitação média anual no local da barragem no entorno de 700 mm para o rio Panelas e 1100 mm para o riacho dos Gatos; Evaporação média anual na ordem de 1500 mm. Tendo em vista a necessidade de proteção das cidades, a jusante, e de garantir a segurança das obras, nas enchentes excepcionais, foram determinadas as descargas de projeto para os períodos de recorrência de 50, 100, e 1000 anos, cujos valores encontrados para a barragem Panelas II foram, respectivamente, 370 m³/s, 485 m³/s e 1154 m³/s e para o eixo de Gatos foram: 72 m³/s, 93 m³/s e 220 m³/s. Para o controle das enchentes para proteção das cidades do sistema do rio Una, foram utilizadas as enchentes de 50 anos de recorrência e enchentes de 1000 anos para a segurança da obra. O arranjo das obras foi definido visando o amortecimento das enchentes com tempo de retorno de 50 anos. Foi concebido um primeiro sangradouro, estrangulado, onde a cheia efluente com tempo de retorno de 50 anos, escoasse de forma controlada dentro de valores pré-fixados e, um segundo sangradouro, com soleira em cota mais elevada, onde houvesse espaço para o escoamento das enchentes maiores. ÁREAS DE INFLUÊNCIA Como Áreas de Influência para a realização do diagnóstico ambiental e conseqüente prognóstico ambiental foram consideradas as particularidades para cada meio como segue: Meio Físico Área de Influência Indireta (AII) - A AII para o meio físico foi definida pela delimitação da sub-bacia do rio Pirangi até sua confluência com o rio Una, visto que o rio Panelas e seu afluente riacho dos Gatos (onde serão construídas as barragens Panelas II e Gatos, respectivamente) são afluentes diretos do rio Pirangi, antes de sua confluência com o rio Una. Área de Influência Direta (AID) - Utilizando o mesmo critério que para a AII, porém em escala reduzida, a AID para o meio físico foi definida pela micro-bacia de contribuição do rio Panelas, no entanto, delimitada a partir das barragens à montante. A delimitação da micro-bacia a partir das barragens à montante foi estabelecida pelo fato de que as barragens irão receber e conter a contribuição pluvial e fluvial dos afluentes localizados à montante das barragens. A jusante será Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 10 REV0 considerada como Área de Influência Direta o espelho d’água do rio Panelas até sua confluência com o rio Pirangi, a partir de onde passa a receber a contribuição desse rio de maior porte. Área Diretamente Afetada (ADA) A ADA corresponde às áreas de inundação de cada uma das barragens (Panelas II - 324,96 ha e Gatos - 241,53 ha), somada a Área de Preservação Permanente, também para cada uma das barragens que é de 100 metros conforme estabelece a Resolução CONAMA nº 302 de 2002. Serão ainda considerados 500 metros à jusante das barragens, incluindo o espelho d’água e a Área de Preservação Permanente de 30 metros para cada lado do rio, por conta da erosão de margens. Meio Biótico Área de Influência Indireta – AII - Da mesma forma que para o meio físico a AII para o meio biótico foi definida pela delimitação da sub-bacia do rio Pirangi até sua confluência com o rio Una, visto que o rio Panelas e seu afluente riacho dos Gatos (onde serão construídas as barragens Panelas II e Gatos, respectivamente) são afluentes diretos do rio Pirangi. Área de Influência Direta (AID) - Utilizando o mesmo critério que para a AII, porém em escala reduzida, a AID para o meio biótico foi definida a partir da micro-bacia de contribuição do rio Panelas, no entanto, delimitada a partir das barragens à montante. A delimitação da bacia a partir das barragens à montante foi estabelecida pelo fato de que as barragens irão receber e conter a contribuição pluvial e fluvial dos afluentes localizados à montante das barragens. A jusante será considerada como Área de Influência Direta o corpo d’água do rio Panelas até sua confluência com o rio Pirangi, a partir de onde passa a receber a contribuição desse rio de maior porte. Dessa forma, está sendo considerada a influência que a barragem exerce na biota aquática. A partir da delimitação da bacia do rio Panelas, foi ainda incorporada toda a extensão dos remanescentes florestais, nos casos em que esses remanescentes apresentaram parte de sua área dentro da micro-bacia do rio Panelas ou que estavam muito próximos e conectados estruturalmente. Tal condição foi estabelecida pelo fato de que esses remanescentes florestais podem ser considerados, em toda sua extensão, como unidades funcionais para as comunidades de fauna e flora. Área Diretamente Afetada (ADA) - A ADA para o meio biótico corresponde às áreas de inundação de cada uma das barragens (Panelas II - 324,96 ha e Gatos - 241,53 ha), somada a Área de Preservação Permanente, também para cada uma das barragens que é de 100 metros conforme Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 11 REV0 estabelece a Resolução CONAMA nº 302 de 2002. Serão ainda considerados 500 metros à jusante das barragens, incluindo o espelho d’água e a Área de Preservação Permanente de 30 metros para cada lado do rio, por conta da influência da barragem sobre as comunidades aquáticas. Meio Socioeconômico Área de Influência Indireta – AII - Para os estudos do meio socioeconômico, foram considerados como Área de Influência Indireta os municípios constantes na área da sub-bacia de contribuição dos rios afetados, sub-bacia do Pirangi, e que são as áreas de abrangência dos meios físico e biótico. Assim, temos: Canhotinho, Jurema, Quipapá, Panelas, São Benedito do Sul, Jaqueira, Belém de Maria, Maraial, Catende, Palmares, Lagoa dos Gatos e Cupira. Como existem poucos dados que demonstrem o dinamismo econômico integrado entre os municípios da região, por se tratarem de municípios pobres, com baixo índice de urbanização e deficientes de infra-estrutura de integração interna, selecionou-se os municípios da AII pelo limite físico-natural - a sub-bacia do Pirangi - onde os impactos dos meios físico e biótico poderão acarretar em impactos socioeconômicos. Área de Influência Direta (AID) - A delimitação territorial da AID considera o conjunto dos territórios municipais que terão terras afetadas pela área de alagamento das barragens, além daqueles que, de acordo com o Termo de Referência, localizam-se à jusante das barragens ao longo dos cursos d'água afetados pelos empreendimento. Ou seja, Cupira, Lagoa dos Gatos, Belém de Maria, Catende e Palmares. Área Diretamente Afetada (ADA) - A ADA para os estudos do meio socioeconômico irá contemplar o reservatório em sua cota máxima de operação, encerrando área de alagamento de 324,96 ha para Panelas II e de 241,53 ha para Gatos, acrescida da faixa de preservação permanente de 100 m em torno da área de alagamento, considerando-se ainda uma faixa de 500 metros envoltória do reservatório e à jusante da barragem. Patrimônio Cultural, Histórico E Arqueológico Área de Influência Indireta – AII - A AII para os estudos do patrimônio histórico e arqueológico segue o estabelecido para os meios físico e biótico (sub-bacia do rio Pirangi) levando também em conta os limites municipais que abrangem a bacia. A sub-bacia do Pirangi integra as conformações de relevo e drenagem fazendo com que tantos os resquícios arqueológicos, como todo o patrimônio histórico e cultural, se concentrem nas proximidades dos rios e riachos por conta: 1) do carregamento desses resquícios pelas chuvas e Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 12 REV0 cheias e; 2) pelo próprio histórico de estabelecimento das comunidades em torno desses corpos d’água. Dessa forma, a delimitação da AII para os estudos do patrimônio histórico e arqueológico incorporou tanto a delimitação da sub-bacia do Pirangi, como os limites municipais dos municípios que compõem a sub-bacia. Área de Influência Direta (AID) - Utilizando o mesmo critério que para a AII, porém em escala reduzida, a AID para os estudos do patrimônio histórico e arqueológico foi definida pela microbacia de contribuição do rio Panelas, no entanto, delimitada a partir das barragens à montante, considerando também os limites municipais inseridos nessa micro-bacia, além do município de Belém Maria. Área Diretamente Afetada (ADA) - A ADA para os estudos do patrimônio histórico e arqueológico irá contemplar o reservatório em sua cota máxima de operação (área de inundação) sendo: 324,96 ha para Panelas II e 241,53 ha para Gatos, acrescida da faixa de preservação permanente de 100 m em torno da área de alagamento, considerando-se ainda uma faixa de 500 metros envoltória do reservatório e à jusante da barragem. Na Área de Influência do empreendimento foram identificados planos e projetos colocalizados como 13 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), além de Programas como o PROMATA e o Programa Territórios da cidadania. IMPACTOS Considerando todos os fatores ambientais influenciados pela instalação e operação das barragens de Panelas II e Gatos, foram identificados 37 impactos, sendo 11 impactos para os fatores do meio físico, 12 para o meio biótico, 12 para o meio socioeconômico e dois impactos sobre o patrimônio cultural, histórico e arqueológico. Apenas para o meio biótico todos os impactos identificados são de natureza negativa. Segue no Gráfico abaixo a proporção entre impactos negativos e positivos identificados para todas as fases do empreendimento por meio. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 13 REV0 Quando observadas as diferentes fases do empreendimento nota-se que um impacto foi levantado para a fase de planejamento, 30 impactos foram levantados para a fase de instalação e 17 impactos para a fase de operação (gráfico abaixo). A somatória dos impactos para cada uma das fases do empreendimento é maior do que o número de impactos levantados (37), pelo fato de que alguns impactos são desencadeados durante a fase de obras e permanecem até a fase de operação do empreendimento e, nesses casos, o mesmo impacto está sendo considerado para as duas fases. Para o meio físico foram levantados nove impactos para a fase de instalação e cinco impactos para a fase de operação. Para o meio biótico foram levantados nove impactos para a fase de instalação e seis impactos para a fase de operação. Para o meio socioeconômico foi levantado um impacto para a fase de planejamento, 11 impactos para a fase de instalação e cinco impactos para a fase de operação, enquanto que para o patrimonio cultural, histórico e arqueológico foi levantado apenas um impacto para a fase de instalação e um impacto para a fase de operação do empreendimento. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 14 REV0 . A partir de análise do Grafico acima, nota-se que os impactos concentram-se em maior parte na fase de instalação do empreendimento. Tal situação se dá pelo fato de que diversos impactos para os dois meios são desencadeados na primeira fase do empreendimento, a fase de obra, quando acontecerá as maiores interferências no ambiente. Dentro do contexto da análise de impactos para o presente empreendimento, cabe ressaltar a quantidade e efetividade de medidas mitigadoras e compensatórias, que tem a capacidade de atenuar ou até mesmo eliminar diversos impactos identificados. Para os impactos levantados para o meio físico, grande parte está relacionada a fatores de impacto inerentes a qualquer empreendimento de grande porte, como a possibilidade de erosões, escorregamentos, carreamento de sedimentos para cursos d’água e a geração e gerenciamento de resíduos. Para esses impactos, as medidas mitigadoras são relativamente conhecidas e consolidadas e podem ser aplicadas com grande eficiência durante as atividades de controle ambiental das obras. Dessa forma destaca-se a necessidade de implantação do Programa de Controle Ambiental da Obra. Para o meio físico, podem ser destacados dois principais impactos, sendo a interferência nos processos de dinâmica superficial do solo e o impacto da diminuição das vazões de cheias a jusante. Para o primeiro, de natureza negativa, estão previstas diversas medidas e ações de mitigação e controle que tem a capacidade de diminuir a magnitude do impacto, como realizar os serviços durante a estação seca, implantar estruturas provisórias de controle e retenção do escoamento das águas pluviais, implantar a proteção superficial vegetal nas áreas de embate das Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 15 REV0 ondas dos lagos, entre outras. Já para o impacto positivo da diminuição das vazões de cheias a jusante, espera-se que com as barragens implementadas, as vazões decorrentes das precipitações com 50 anos de período de recorrência sejam menores que as vazões de restrição do rio. Para monitorar a efetividade, é interessante que se implemente um Programa de monitoramento hidrológico com a instalação de postos pluviométricos e fluviométricos na bacia do rio Panelas. Com relação ao meio biótico, os principais impactos referem-se à perda de habitat natural para a fauna, à alterações na estrutura da paisagem, que podem dificultar o deslocamento e dispersão dos organismos, além da intervenção, mesmo que de baixo impacto, em Área de Preservação Permanente (APP). Para a mitigação desses impactos estão sendo propostos dois programas ambientais complementares, o Programa de Reposição Florestal e o Programa de Resgate de Fauna. Com a implantação desses dois programas ambientais será feita a restauração florestal de aproximadamente 110 ha, distribuídos nas novas APPs a serem criadas no entorno dos reservatórios. Com a inserção dessas novas áreas florestais, haverá um significativo incremento na quantidade de habitat disponível para a fauna, assim como um aumento na conectividade funcional da paisagem, o que facilitará o fluxo de indivíduos da fauna e propágulos da flora ao longo da paisagem. Assim, passando de uma situação atual, em que a APP encontra-se bastante desprovida de cobertura florestal, para uma situação posterior em que a APP ficará totalmente revitalizada. Para o impacto de intervenção no curso d’água diretamente afetado pelo empreendimento, o Programa de Resgate da Ictiofauna pode se evidenciar como efetivo. Sobre o meio socioeconômico, apesar de terem sido identificados alguns impactos negativos de baixa e média magnitude, ressalta-se que foram levantados diversos impactos positivos de média e grande magnitudes, com destaque para o significativo aumento na oferta de empregos para a população local, a mobilização de grupos populacionais e ONGs, a dinamização das economias municipais, o aumento das receitas municipais e o principal, a diminuição das enchentes para a população, o que irá ocorrer na diminuição de perdas e vidas humanas, além das perdas materiais. Diante da análise de impactos aqui apresentada, conclui-se que o os impactos ambientais associados à implantação e operação das barragens de Panelas II e Gatos podem ser positivos, caso sejam implementadas as medidas de mitigação e compensação dos impactos negativos previstos. Considera-se que o empreendimento acarretará em diversos benefícios as populações da mata sul do Estado de Pernambuco assim como aos municípios da área de influência. Julho/2011 Estudo de Impacto Ambiental – Barragens Panelas II e Gatos Sumário Executivo 16 REV0