AU TO RA L TO EI DI R DE UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES LE I PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PR OT EG ID O PE LA PROJETO A VEZ DO MESTRE TO ABORDAGENS PEDAGÓGICAS SOBRE OS CONTEÚDOS DO CU M EN MATEMÁTICOS: HISTÓRIA, TENDÊNCIAS E DESAFIOS. Por: Eliane Aparecida Martins Orientadora Maria da Conceição Maggioni Poppe Posse 2007 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE ABORDAGENS PEDAGÓGICAS SOBRE OS CONTEÚDOS MATEMÁTICOS: HISTÓRIA, TENDÊNCIAS E DESAFIOS. Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia Institucional. Por: Eliane Aparecida Martins AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, primeiramente, pela oportunidade de crescimento intelectual, aos meus pais pelo carinho e o apoio constante em minhas atividades de estudos. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao Meu Marido Geraldo, ao meu filho Felipe e as minhas filhas Izabela e Marina pelo amor e pela paciência devido a minha ausência. RESUMO Este trabalho foi elaborado com a finalidade de investigar quais foram as novas a abordagens pedagógicas, surgidas nas últimas décadas, referentes aos conteúdos matemáticos do Ensino Fundamental de 5ª à 8ª série. O ensino da matemática sempre passou por problemas com relação ao rendimento da aprendizagem, evasão escolar e reprovação. Muitos elementos podem ser responsáveis por estes problemas como metodologias inadequadas, formação de professores precária, recursos didáticos escassos, tratamento dos conteúdos inadequados, etc. Este trabalho tem a proposta de refletir sobre um destes itens que é o conteúdo. O resultado desta pesquisa organizado-se em três capítulo para melhor expor o resultado da mesma. A primeira parte destinada-se a parte história do ensino da matemática e da estruturação do conteúdo ao longo dos tempos. Para entender-se melhor o que acontece no presente com o ensino da matemática é necessário buscar elementos históricos do passado. No segundo capítulo colocase as teorias da aprendizagem feitas principalmente por Piaget e Vygotsky, que também contribuíram para que as mudanças no ensino da matemática ocorressem. A interdisciplinaridade e contextualização são novas abordagens pedagógicas para os conteúdos e defendidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais- PCNs. Com a pesquisa de campo percebe-se que essas mudanças estão presentes na prática escolar e o ensino da matemática apresenta-se mais significativo principalmente porque o conteúdo é trabalhado de forma diferente ao método tradicional. METODOLOGIA Este estudo foi realizado através de dois tipos de pesquisa: bibliográfica e de campo. A pesquisa bibliográfica foi feita em bibliotecas, em sites e revistas especializadas em educação. Como foi abordada a história da educação matemática na pesquisa alguns autores foram pesquisados como : Carl B. Boyer, Maria Aparecida Bicudo, Charles H. D”Augustine, Maria Lúcia de Arruda Aranha, Antonio Miguel e Maria Ângela Miorim. E para completar as reflexões sobre as novas propostas pedagógicas em relação aos conteúdos de modo geral e específica da matemática foram pesquisados : PCNs –Matemática , Ubiratan D’Ambrósio, Paulo Freire. Estudos sobre teorias de aprendizagem, pressupostos teóricos de correntes ( positivismo, behaviorismo, , construtivismo, cognitivismo,entre outros) que interferiram na educação : Augusto Comte, Watson, Skiner Jean Piaget, Vygotsky, Quanto a pesquisa de campo por amostragem aconteceu em quatro escolas, duas situadas no centro da cidade e duas na periferia, sendo duas estaduais e duas municipais. Foram entrevistados quatro diretores, oito professores e quarenta alunos no total. Foi aplicado um questionário para cada categoria (diretor, professor e aluno), com perguntas fechadas. Esta pesquisa teve um perfil descritivo. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - O ensino da Matemática e a Estruturação dos conteúdos ao longo dos tempos 11 CAPITULO II - Novas Abordagens pedagógicas para o conteúdo no ensino 21 CAPÍTULO III- A prática pedagógica referente ao conteúdo matemático no 34 cotidiano escolar CONCLUSÃO 41 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 43 ANEXOS 45 FOLHA DE AVALIAÇÃO 49 INTRODUÇÃO Ao olhar a história da humanidade verifica-se como é grande a evolução do homem, vive-se hoje um desenvolvimento tecnológico bem acelerado. Frente a tais mudanças constantes no modo de vida e de pensar do ser humano, a escola necessita acompanhar esta evolução. E a educação vem sendo pensada, refletida ao longo dos tempos e com isso muitas metodologias novas surgem. Pensando em uma educação refletida e sempre aberta para as novas idéias, surgiu a proposta desse trabalho. Este estudo tem como tema: O Ensino da Matemática e os Conteúdos. Será dado um enfoque sobre a questão dos conteúdos na educação matemática, que mudanças referentes as abordagens pedagógicas eles sofreram aos longo dos tempos ( um pouco de história), que colaboração os grandes teóricos deram para o ensino da matemática e também como o conteúdo é visto hoje nas escolas pelos coordenadores, professores e alunos. Muitas mudanças ocorreram na educação matemática nas últimas décadas, com a intenção de tornar o estudo da matemática mais atraente, estimulante, significativo e principalmente ter qualidade. O baixo índice de aprendizagem matemática verificado pelo Sistema Nacional de Avaliação Escolar da Educação Básica ( SAEB) em 1993, foi um dos fatores que incentivaram a criação dos PCNs . Este documento trouxe muitas propostas inovadoras para a educação, inclusive reflexões sobre os conteúdos e como selecioná-los, classificalos e qual a melhor maneira de abordar esses conteúdos. O tratamento do conteúdo na educação é muito importante, se for feito de modo tradicional a qualidade da aprendizagem estará comprometida, por isso, a importância desse estudo. Segundo Cipriano C. Luckesi (1986), o papel do conteúdo é tão significativa que, com a identificação dos conteúdos de uma prática escolar, identifica-se também a direção pedagógica que predomina nessa prática. Este estudo traz a história da educação matemática enfocando como os conteúdos matemáticos foram estruturando-se dependendo de cada modo de pensar a educação de cada época, analisando as necessidades sociais de cada tempo, bem como a influência, no ensino da matemática, dos principais teóricos como Skinner, Jean Piaget, Lev Vygotysk, e outros, Depois de tantas reflexões sobre os conteúdos nas últimas décadas, como a escola hoje está vivenciando as novas propostas metodológicas para o tratamento do conteúdo? é uma pergunta que este trabalho monográfico tenta responder através de uma pesquisa de campo feita em quatro escolas com coordenadores pedagógicos, professores e alunos de 6ª a 9ª séries do ensino fundamental. Visto que as escolas de hoje têm problemas com a aprendizagem matemática, alunos que não conseguem aprender, e que apresentam bloqueios em relação à disciplina ou se acham incapazes, nestes casos a intervenção psicopedagógica é necessária, pois irá investigar os fatores que provocaram tais problemas, enfocando o estudo de como esta matemática está sendo trabalhada, se não está ocorrendo métodos conteudistas, sem significados, e principalmente não respeitando o tempo de assimilação do conteúdo que o aluno necessita. Para melhor distribuição das informações coletadas na pesquisa, optou-se em dividir este trabalho monográfico em três capítulos. O primeiro capítulo foi estruturado em uma abordagem histórica, como o ensino da matemática começou e como esta ciência virou componente curricular, e também como a estruturação do conteúdo foi acontecendo ao longo dos tempo. O segundo capítulo foi elaborado enfocando a questão pedagógica dos conteúdos matemáticos, quais as influências de alguns teóricos como Watson , Piaget e Vygotsky no ensino da matemática e também as novas propostas metodológicas que surgiram nas últimas décadas referentes ao tratamento dos conteúdos. E por fim o terceiro capítulo, que foi estruturado com os dados obtidos na pesquisa de campo, nele encontram-se reflexões sobre como estão na prática as abordagens pedagógicas dos conteúdos. Pretende-se com este estudo proporcionar momentos de reflexões para os professores de matemática, pedagogos e psicopedagogos, e servir de instrumento para tomada de decisões e/ou para planejamento de ações preventivas que resolvam ou pelo menos tentem amenizar os problemas de ensino-aprendizagem de matemática nas escolas, CAPÍTULO I O ENSINO DA MATEMÁTICA E A ESTRUTURAÇÃO DOS CONTEÚDOS AO LONGO DOS TEMPOS Recorrer a história é importante, pois para se entender o que ocorre hoje na educação é necessário verificar o passado e analisar toda a evolução, e Ubiratan D’Ambrosio defende esta idéia no Livro de Maria Aparecida Bicudo : As práticas educativas se fundem na cultura, em estilos de aprendizagem e nas tradições, e a história compreende o registro desses fundamentos. Portanto, é praticamente impossível discutir educação sem recorrer a esses registros e a interpretações dos mesmos. Portanto, é praticamente impossível discutir educação sem recorrer a esses registros e a interpretações dos mesmos. Isso é igualmente verdade ao se fazer o ensino das várias disciplinas. Em especial da matemática, cujas raízes se confundem com a história da humanidade. ( D’Ambrósio, 1998,p 97) Este capítulo tem forte base histórica e foi dividido em quatro partes. A primeira parte traz um pouco da matemática antiga desenvolvida pelos egípcios e gregos, muitos dos conteúdos matemáticos estudados hoje na escola foram desenvolvidos por eles. A segunda parte traz de forma resumida como a educação começou a ser tratada a após a Idade Média e como o ensino da matemática foi estruturando-se nas escolas. A terceira parte abordará a influência no ensino da matemática das teorias da aprendizagem desenvolvidas a partir do final do século XIX. E o quarto capítulo relaciona-se a estrutura dos conteúdos matemáticos e como eles eram tratados no Brasil. 1.1. Um pouco da história da Matemática Antiga: Egípcia e Grega A matemática como prática surgiu com os egípcios a mais de 2000 mil anos antes de Cristo, a maior prova disso são as Pirâmides, grandes monumentos que representam o uso da geometria nas construções. Segundo Carl B. Boyer (1974), o triângulo mais famoso, que é o triângulo retângulo, foi descoberto pelos egípcios, devido as cheias do Rio Nilo, os “esticadores de corda” homens que mediam as terras, utilizavam muito este tipo de formação geométrica. Muitas das informações sobre a matemática desenvolvida pelos egípcios foram encontradas em papiros dessa época. Muito de nossa informação sobre a matemática egípcia vem do Papiro Rhind ou de Ahmes, o mais extenso documento matemático do antigo Egito: mas também outras fontes. Além do papiro de Kahun já mencionada, há um papiro de Berlim do mesmo período, duas pranchas de madeira de Akhmin ( Cairo) de cerca de 2000 a.c. ( BOYER, 1974,p.14) Nesses documentos antigos, segundo Boyer (1974), foram encontrados muitos registros de conteúdos matemáticos: frações, área de círculo, aproximações bem perto do número “pi”, comparações de área de círculos e quadrados, rudimentos da trigonometria, teoria de triângulos semelhantes, cálculos de volume, principalmente do tronco de pirâmide e também ilustrações de figuras espaciais como prismas e pirâmides. Todas essas informações foram encontradas em papiros, registros em paredes e tábuas descobertos por arqueólogos . Essas informações demonstram como os egípcios se interessavam pela matemática, e a desenvolvia para resolver problemas da vida prática como construções e medições. Todos esses achados históricos sobre a matemática egípcia datam por de aproximadamente 2000 a. c. Mais para frente na história uma nova civilização se prepara para assumir a hegemonia cultural : Grécia. Em relação a história da matemática na Grécia, vale ressaltar no sexto século a.c., dois Matemáticos Tales e Pitágoras. Tales de Mileto (624-548 ac) trouxe muitas informações matemáticas do Egito e da Babilônia devidos as suas inúmeras viagens como comerciante. Tales, tendo visitado o Egito, trouxe primeiramente esse conhecimento ( a geometria), para a Grécia: que ele descobriu muitas coisa por si mesmo e comunicou o começo de muitas a seu sucessores , algumas das quais ele tentou de modo mais abstrato. E algumas de uma maneira mais intuitiva ou sensível ( Bicudo, 1999). Encontra-se nos livros didáticos de matemática de hoje, estudo de conteúdos que foram desenvolvidos por Tales, como: um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo reto, ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais, ângulos opostos pelo vértice são congruentes e outros teoremas. Segundo Boyer ( 1974), Tales contribuiu para acrescentar à matemática um elemento novo que é a estrutura lógica, desenvolvendo teoremas de forma abstrata, bem diferentes da forma desenvolvida pelo egípcios. Alguns anos depois, surgiu Pitágoras ( 580-500 a . c.) e sua escola, podese dizer que aí começou o ensino da matemática. Pitágoras, que veio depois de Tales, transformou essa ciência numa forma liberal de instrução, examinando seus princípios desde o início e investigando os teoremas de modo imaterial e intelectual. Descobriu a teoria das proporcionais e a construção de figuras cósmicas.(Boyer,1974,36) É lógico que este ensino não era obrigatória e nem financiado pelo governo, o que existia era grupo de estudo orientado por Pitágoras, a famosa “Escola Pitagórica” e os alunos eram considerados discípulos de Pitágoras. Nestes encontros, Pitágoras desenvolvia teoremas de forma abstrata de um ponto de vista imaterial e intelectual, trabalhando conteúdos que foram descoberto pelos egípcios de forma empírica, agora de forma abstrata. Muitos desses teoremas como o famoso Teorema de Pitágoras, são aplicados hoje nas aulas de matemática. Na verdade os gregos transmitiram dois ramos da matemática desigualmente desenvolvidos, uma geometria sistemática e dedutiva, profundas considerações sobre teorias dos números, e uma aritmética pouco desenvolvida, heurística e empírica, baseada essencialmente em práticas de calcular, não consideradas propriamente como matemática. Esse ramo foi perseguido pelos romanos que fizeram uso prático da medição e contagem desenvolvendo muitas formas de ábacos e de contagem por dedos. Segundo D’Ambrósio(1986), de fato, os gregos davam menos ênfase sobre a capacidade de calcular, o que não era o caso dos romanos. A enorme ênfase dada à teoria dos números pelos pitagóricos e outros, que foi levada até as escolas medievais devem ser separadas da habilidade de calcular. Depois de Tales e Pitágoras, vale ressaltar Euclides ( 300 a.c) que também foi um importante matemático grego que estruturou e desenvolveu mais toda essa matemática de Tales, Pitágoras e outros. A obra mais famosa de Euclides é os Elementos , que representam o mais antigo texto da matemática grega a chegar completo a nossos dias. Os Elementos dedicam um bom espaço à teoria dos números ( três livros), mas com o enfoque geométrico que permeia toda a obra. Euclides representava os números por segmentos de retas, assim como representava o produto de dois números por um retângulo. Mas, sem dúvida, o forte dos Elementos é a geometria. A partir de cinco noções comuns, cinco postulados específicos e algumas definições, centenas de teoremas ( 467 em toda a obra) são deduzidos, alguns de grande profundidade. Assim, não é sem motivo que os Elementos, por dois milênios, além de texto fundamental de geometria, foi modelo de boa matemática.Hoje nos cursos de licenciaturas em matemática de muitas universidades há o componentes curricular Geometria Euclidiana. E nos livros didáticos da educação básica encontram-se geometria desenvolvida por Euclides, Da matemática antiga ( antes de Cristo), cita-se somente, neste trabalho, Tales, Pitágora e Euclides, pois muitos dos estudos matemáticos desenvolvidos por eles, estão presentes nos livros didáticos hoje em forma de conteúdos. 1.2. A educação e o ensino da matemática após a Idade Média É importante ressaltar que durante a Idade Média a Educação era organizada e conduzida pela Igreja, e o fim maior da educação nessa época era a salvação da alma, predominando uma visão teocêntrica. A matemática nesta época não era incorporada ao ensino nas escolas. No final da Idade Média, a descoberta de novas terra , a invenção da imprensa e uma nova estrutura socioeconômica, consideravelmente influenciada pelas descobertas, reforçaram a posição das universidades e estimularam a educação em nível elementar e secundário. No que se refere a matemática, seu lugar na educação desse período é bastante fraco. Nesta mesma época a escola artesanal tecnológica estava ciente do progresso que resultava da revolução científica e o que não passou despercebido da aristocracia, que procurou incorporar alguns momento da escola artesanal à sua escola, modelada essencialmente em Aristóteles. De acordo com D”Ambrósio (1986), nessa época a educação dava muito pouca importância à matemática e ela era ensinada irregularmente e muitas vezes por um professor particular, com a intenção de preparar o jovem para a vida prática, fora do contexto da escola formal, a matemática não no aspecto de ciência. O ensino ainda era voltado para o ensino religioso comandado pelos jesuítas. Os jesuítas são considerados excessivamente dogmáticos, autoritários e por demais comprometidos com o Santo Ofício. O ensino dos jesuítas não deram importância à história, geografia e a matemática.(ARANHA,1996,p94). Segundo D’Augustine (1976), no período colonial americano, algumas escolas foram criadas para ensinar os alunos a calcular, porque a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais empregava homens para cuidar de seus negócios. Os conteúdos trabalhados nessas escolas eram puramente aritméticos. Nesta época a leitura e a escrita eram consideradas essenciais e bastante valorizadas enquanto a aritmética geralmente era omitida dos currículos escolares Na área da matemática a descoberta da geometria analítica por Descartes, coloca um olhar diferente para a geometria e a álgebra. Com a grande defesa das Ciências Naturais, no século XVII, a matemática é grande aliada nas experiências para explicar fatos naturais. A partir dessa época a matemática desenvolveu-se bastante, considerado período de ouro da matemática e muitos dos conteúdos estudados hoje no ensino médio foram desenvolvidos nos séculos XVII e XVIII, : exponencial, logaritmos, geometria analítica, progressão aritmética e geométrica, etc. Com relação a educação faz –se necessário ressaltar que a partir do século no século XVII começam as primeiras preocupações, com a organização da educação. Já que as ciências naturais defendiam métodos científicos para explicar fenômenos da natureza, estas idéias refletiram na educação, pois começou-se a defender a criação de métodos de ensino. Segundo Maria Lúcia de arruda Aranha ( 1996), Comênio ( 1592-1670) foi um pedagogo que pretendia na sua época tornar a educação mais eficaz e atraente. Era contra os castigos físicos nas escolas e queria uma educação universal em todos pudessem aprender. As idéias de Comênio iam de encontro com as idéias realistas que privilegia na educação a experiência, as coisas do mundo e dar mais atenção as coisas da época , contrariando a educação antiga, excessivamente formal e retórica. Apesar do ensino da matemática nas escolas ser ainda uma aritmética simples. Comênio pretende tornar a aprendizagem eficaz e atraente mediante cuidadosa organização de tarefas. Ele próprio se empenha na elaboração de manuais – uma novidade para a época-e minuciosamente detalha o procedimento do mestre, segundo gradações das dificuldades e num ritmo adequado à capacidade de assimilação dos alunos. ( ARANHA, 1996, p.108) Em pleno século XVIII a educação é totalmente tradicional, centrado no Professor, enciclopedista e Rousseau defende idéias que os interesses pedagógicos devem ser centrados no aluno e não no professor, aprender pela curiosidade, pelo contato com a natureza. Baseado no que já foi exposta até aqui, a partir do século XVII, a educação de modo geral é palco de muitas discussões, uns defendendo o método tradicional e outros preocupados em melhorar a aprendizagem do aluno. E o ensino da matemática ? Quando começou a aparecer nas escolas como componente curricular? E como era esse aprendizado? De acordo com D’Augustine (1976), a matemática como disciplina começa a surgir em algumas escolas primárias no fim do século XVII. Até as primeiras duas décadas do século XIX, o ensino da matemática era para crianças acima de dez anos. Este ensino se fazia através de livros que somente o professor possuía e continham basicamente conteúdos comerciais, porque o ensino era voltado para preparar jovens comerciantes. O método de ensino privilegiava a exposição oral do professor e a aplicação de um grande número de exercícios para treinamento. Porém no final do século XIX e começo do século XX , começa uma discussão sobre o currículo do ensino de matemática, as metodologias tradicionais de ensino que orientavam o trabalho do professor começam a ser questionadas. Segundo Schubring (1999), a matemática foi uma das primeiras disciplinas escolares a começar um movimento internacional de reformulação curricular. Tal movimento aconteceu a partir da Alemanha, no início do século XX, sob a liderança do matemático Felix Klein. Nesta época começa a surgir a formação de professor em ensino de matemática, iniciada pelas universidades européias, esse fato impulsionou os estudos sobre o ensino aprendizagem da matemática. O ensino da matemática começa a ser alvo de pesquisa no século XX. Estudos experimentais na área da psicologia, com o objetivo de investigar o processo de aprendizagem da criança e do jovem, contribuíram para intensificar as discussões na educação sobre metodologia de ensino, currículo e avaliação. De acordo com Kilpatrick (1992) a Educação Matemática enquanto campo profissional e científico começou a surgir, pois matemáticos e professores de matemática começaram a se preocupar com a qualidade da divulgação e socialização das idéias matemáticas, bem a preocupação com o ensinoaprendizagem da mesma nas escolas e universidades. 1.3 . O movimento chamado Matemática Moderna e os conteúdos. Para o ensino-aprendizagem da matemática foi de grande importância o Movimento Matemática Moderna, a partir dele a estruturação do currículo e as abordagens pedagógicas do conteúdos matemáticos sofrem grandes mudanças. Com esse movimento, pode-se dizer, que uma “nova era” começou para o ensino da matemático escolar e universitária. O movimento chamado “Matemática Moderna”, começou nos anos 50 e 60, o mesmo surgiu, de um lado motivado pela Guerra Fria, entre União Soviética e Estados Unidos, e de outro, como resposta à constatação, após a 2ª Guerra Mundial, de uma considerável defasagem entre o progresso científico-tecnológico e o currículo escolar então vigente. No final dos anos 50, com o lançamento do Sputinik, os americanos acharam que estavam perdendo sua liderança científica e tecnológica, com conseqüências para sua capacidade de defesa e ataque. As escolas foram consideradas culpadas pela falta de engenheiros e cientistas capazes no país, e surgiu o desafio de como o formar mais cientistas, Esta sensação de fracasso no Ensino das ciências em geral, e da matemática, em particular, agravou um sentimento, já existente em vários países ( incluindo EUA, França e Inglaterra, por exemplo), de que o ensino da matemática não conseguia produzir bons resultados e que a grande maioria dos jovens concluía seus estudos com baixo aproveitamento da disciplina. Assim, para melhorar tal situação, pensou-se que seria necessário, desde cedo, incentivar os ensinos das ciências, fazendo com mais pessoas se interessassem por elas. Importantes cientistas da época foram então chamados para participar da discussão, fortalecendo um movimento baseado na estrutura das disciplinas, que propunha o estudo que correspondiam às estruturas das diferentes disciplinas curriculares. A proposta que ganhou destaque, na época, considerava que as disciplinas científicas, como corpos organizados de conhecimento, veiculavam modelos de pensamento que só podiam ser compreendidos e internalizados por meio da interação do aluno com as estruturas de organização interna da disciplina específica. Preocupados com a preparação pré-universitária dos jovens, matemáticos passaram a identificar quais, entre os conteúdos “estruturantes” da matemática, deveriam ser ensinados na formação básica dos indivíduos. Os formuladores de currículo dessa época insistiam na necessidade de uma reforma de matérias e métodos de ensino. Entretanto, mesmo na discussão pedagógica que buscava incluir no debate daquele momento a necessidade de realização da pesquisa acerca de novos modos de se lecionar matemática, havia a idéia que o fundamental para a mudança do ensino dessa ciência era a decisão acerca do conteúdo correto. Mas qual seria esse conteúdo correto? Os conteúdos que antes eram puramente aritméticos, depois da influência da Matemática Moderna foram estruturados de forma lógica, as mudanças tinham a intenção de aproximar a Matemática escolar da Matemática pura, centrando nas estruturas e fazendo uso de uma linguagem unificadora, a reforma deixou de considerar um ponto básico que viria a ser seu maior problema : o que se propunha estava fora do alcance dos alunos, em especial daqueles das séries iniciais do ensino fundamental. O ensino passou a ter preocupações excessivas com abstrações internas à própria Matemática, mais voltadas à teoria do que à prática. A linguagem da teoria dos conjuntos, por exemplo, foi introduzida com tal ênfase que a aprendizagem de símbolos e de uma terminologia interminável comprometia o ensino do cálculo, da geometria e das medidas.( PCNs, 1997,p.21) No Brasil, a Matemática Moderna mudou toda a estrutura de conteúdos dos livros didáticos, a partir daí o ensino da matemática passou ser “conteúdista” devido a preocupação dos professor em cumprir os programas de conteúdos propostas nos livros e cobrados em vestibulares. Quantidade de conteúdos trabalhados começou a ter maior importância. Esse movimento começou a sofrer muitas críticas e teve seu refluxo a partir da constatação da inadequação de alguns de seus princípios e das distorções ocorridas na sua implantação. CAPITULO II NOVAS ABORDAGENS PEDAGÓGICAS PARA O CONTEÚDO NO ENSINO DA MATEMÁTICA O ato de ensinar sempre esteve presente na história, situações de aprendizagens eram comuns nas famílias. Por toda a humanidade, as pessoas sempre aprenderam: pais ensinando os filhos, o mestre ensinando os aprendizes, essa relação de aprendizagem passada por gerações e gerações. Surgem então as “escolas” como ambiente próprios de ensinar, essa relação de aprendizagem passada de gerações em gerações, perdeu um pouco a sua força. Com o tempo o conteúdo escolar ficou distanciado daquilo que o aluno vivenciava no cotidiano, com isso, os resultados dos conteúdos a serem aprendidos não eram significativos e o desinteresse por essa educação formal passou a ser evidente. Com o surgimento da psicologia e da pedagogia começa-se a questionar todo o processo de aprendizagem e daí surgem as teorias da aprendizagem. Este capítulo oferece em seu primeiro momento reflexões sobre algumas teorias da aprendizagem que influenciaram muito o ensino da matemática nas últimas décadas. Após estas abordagens psicológicas é exposto algumas novas formas de trabalho com os conteúdo como a contextualização e a interdisciplinaridade, bem como a preocupação em utilizar os conteúdos para desenvolver competências e habilidades. 2.1 – As teorias da aprendizagem e as abordagens pedagógicas dos conteúdos É importante ressaltar que no começo do século XX, as idéias da teoria behaviorista eram bastante presentes nas escolas. Esta teoria foi desenvolvida por Skinner, que teve como antecedentes Watson e Pavlov. Segundo Hall (2000),o behaviorismo defende a aprendizagem através de estímulos e respostas, onde a essência é a ciência do comportamento. Os psicólogos adeptos dessa teoria acreditam que toda a motivação nasce diretamente dos impulsos orgânicos ou emoções básicas ou ainda de uma tendência a responder que foi estabelecida por condicionamento anterior dos impulsos e emoções. Dentro desta questão acreditam que os impulsos e as emoções se formam de dentro para fora do organismo. Mas, o que isto tem haver com a educação? Articulando com toda a essência da teoria behaviorista, e, sobretudo, a teoria behaviorista da motivação, que o que está em jogo não é o querer da criança, ou seja, não é se ela quer ou não aprender uma história, por exemplo. Ela deve ser persuadida a estudá-la, a repetir as respostas verbais que associarmos ao conhecimento da história. Skinner desenvolver uma técnica da instrução programada, pela qual o texto apresentado ao aluno tem uma série de espaços em branco para serem preenchidos, em crescente graus de instrução. O processo foi desenvolvido para criar a máquina de ensinar, ... (ARANHA, 1996, p.167) O que se percebe nesta teoria é uma relação mecânica entre professor e aluno, pois o professor deve planejar as respostas que deseja que os alunos desenvolvam. Por isso, as respostas e os condicionamentos com estímulos. Essa teoria influenciou muito o ensino da matemática. Durante os fins do século XIX, prevalecia a tendência de ensino por repetição, num processo mecânico. Os defensores da “disciplina formal” deixaram a marca de sua influência no currículo de ensino da matemática através de treinos intensivos, pois pensavam que, por meio de exercícios repetitivos, poder-se-iam desenvolver certas faculdades mentais das crianças. Até hoje nas escolas encontramos professores que usam essa técnica de repetição, onde os exercícios matemáticos são aplicados em grandes quantidades sem reflexão, principalmente do tratamento da álgebra. Esse método mecânico de aprendizagem influenciado pelas teorias behavioristas, fez com que a matemática tornasse uma disciplina difícil, severa e odiada por alunos. Aliado a grande quantidade de exercícios que o professor obrigava o aluno a fazer, criou-se um mito de que aluno que era bom em matemática era inteligente. Segundo os PCNs (1997) nos anos oitenta e noventa do século XX, começou uma crescente preocupação com a aprendizagem matemática, pois este componente curricular tornou- se a disciplina que mais reprovava os alunos. Este era o parecer dos PCNs no ano de 1997: Além dos índices que indicam o baixo desempenho dos alunos na área de matemática em testes de rendimento , também são muitas as evidências que mostram que ela funciona como filtro para selecionar alunos que concluem, ou não, o ensino fundamental. Freqüentemente, a Matemática tem sido apontada como disciplina que contribui significativamente para elevação das taxas de retenção. (PCNs,1997, p.24) Começa a chegar no Brasil também nos anos oitenta as idéias de Jean Piaget, que foi um teórico que influenciou e influencia até hoje a educação. Com os estudos de Jean Piaget um novo enfoque é dada a aprendizagem, quer dizer como a criança aprende, e isto influenciou a educação e em particular o ensino da matemática. Para Piaget , o homem é um sistema aberto. A resposta do ambiente contribui para um processo constante de reorganização mental, auto- regulando-o. Sua visão teórica é interacionista : O Homem é produto de uma bagagem genética que se desenvolve no meio social. Segundo DAVIS, (1991), para Piaget existe um processo biológico no indivíduo que ocorre a evolução da lógica e da moral que são resumidas em quatro estágios mentais, o sensório motor, intuitivo ou simbólico, operatório concreto, operatório formal. O desenvolvimento passa pelas percepções e movimentos, a lógica infantil, ações concretas e pensamentos lógico. Segundo ele, as crianças são construtoras do próprio conhecimento. Piaget coloca que só falaríamos de aprendizagem na medida em que um resultado (conhecimento ou atuação) é adquirido em função da experiência, essa experiência pode ser do tipo físico ou do tipo lógico-matemático ou dos dois. Esses estudos desenvolvidos por Jean Piaget proporcionaram reflexões e mudanças na educação. Um dos maiores problemas na educação matemática decorre do fato que muitos professores consideram os conceitos matemáticos como objetos prontos, não percebem que estes conceitos devem ser construídos pelos alunos. As idéias de Piaget fizeram que muitos professores ensinassem a matemática partindo do concreto e depois ir para o abstrato. A preocupação com a dosagem de conteúdo e se esse conteúdo é adequado a idade da criança. A contribuição de Piaget para a pedagogia tem sido até hoje, inestimável, sobretudo devido às indicações sobre estágio adequado para serem ensinados determinados conteúdos as crianças, sem desrespeitar suas reais possibilidades mentais, ou seja de acordo com seu desenvolvimento intelectual e afetivo ( ARANHA,1996,p.185) As contribuições de Piaget ajudaram muito na compreensão das práticas pedagógicas. Onde o professor deve planejar desafios que estimulem o questionamento, a colocação de problemas e a busca de soluções, buscando com os alunos meios de adaptar conceitos abstratos em concretos assim aproveitando comparações da matemática escolar e a cotidiana. Jean Piaget contribuiu com um muito importante que foi o Construtivismo. O movimento construtivista que chegou no Brasil na década de oitenta por Jean Piaget e trouxe novas propostas de mudanças para educação brasileira. As abordagens pedagógicas referentes aos conteúdos matemáticos que antes eram embasadas em idéias conteudistas e ensino pelo treinamento, começaram a mudar. Novas formas de se trabalhar a matemática em sala de aula são proposta a partir do construtivismo. Tornando uma educação que atendesse o aluno como um sujeito, na própria construção de significados para sua aplicabilidade no mundo em que o cerca, ou seja, no seu convívio social. Falando em construtivismo não pode-se deixar de falar em Lev Vygotsky. Este teórico pesquisou na área de aprendizagem e contribuiu com idéias construtivistas. Sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada sóciohistórico. Sua questão central é aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio, ou seja, sua questão central é aquisição de conhecimentos pela a inserção do sujeito como o meio e a atividade do sujeito refere-se ao domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por atividade mental. Onde o sujeito não é apenas ativo, interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir das relações intra e interpessoal. Como conteúdo e método estão intrinsecamente relacionados, o mesmo se pode dizer dos métodos. As pesquisas evidenciaram aqueles métodos que mais favoreceram o desenvolvimento mental são os que levam o aluno a pensar, que o desafiam a ir sempre mais além. São, sobretudo, aqueles que o levam a começar um processo por meio de ações externas, socialmente compartilhadas, ações que irão, mediante o processo de internalização, transformando-se em ações mentais.Isso vem confirmar os estudos de Vygostsky sobre a zona de desenvolvimento proximal (MOYSÉS, 1997, p.45) Vygotsky contribuiu muito para as mudanças referentes às metodologias de ensino dos conteúdos matemáticos. Na perspectiva desse teórico os conteúdos devem ser trabalhados de forma significativa. O que se ensina na escola tem que ter ligação com a vida cotidiana do aluno. O ensino da matemática deve mostrar a relação direta do que se está estudando e a realidade, evitando que o saber matemático continue na contramão do saber da vida. A partir do construtivismo com as idéias principalmente de Piaget e Vygotsky, as novas abordagens pedagógicas sobre os conteúdos começam a aparecer. O aluno não é mais considerado um papel em branco, ele traz toda uma bagagem cultural e a partir desse conhecimento prévio o professor pode planejar ambientes de aprendizagem que permita ao aluno aprender a aprender. Ele mesmo irá construindo o seu próprio conhecimento. Colocar o conteúdo em contextos reais (contextualização) começando pelo concreto e depois partir para o abstrato. Os professores também começam a refletir que o conhecimento não pode ser tratado como um armário de gavetas, onde acaba de ensinar um conteúdo fecha a gaveta e abre-se outra gaveta para o novo conteúdo. O conhecimento não é fragmentado na vida, ele se relaciona com outros conhecimento, quer dizer com outras disciplinas ( interdisciplinaridade). 2.2.- Contextualização e Interdisciplinaridade Com Piaget, o tratamento com o conteúdo matemático escolar começou a tomar novos rumos, os professores e pedagogos começaram a perceber a necessidade de verificar a maturidade mental da criança para selecionar conteúdos. Piaget e Vygotsky defendem também a aprendizagem significativa, aprender através da experiência. Segundo Vygotsky (1991), o desenvolvimento humano é constituído ao longo do tempo juntando, história, conceito, cultura e o meio, que é fundamental para a verdadeira assimilação do conteúdo. Ele defende também que toda aprendizagem surge a partir das atividades resultantes do meio social, motivação proposta pela realidade na qual o ser humano está inserido. A contextualização é uma das abordagens pedagógicas que surgiu nas últimas décadas, trabalhar o conteúdo dentro de um contexto para que o aluno possa relacionar, refletir, identificar, questionar todas as informações que o ensino dos conteúdos pode trazer e dar mais significado a aprendizagem. Para construir o saber, o aprendiz aplica os seus conhecimentos e modos de pensar ao objeto; age, observa, seleciona os aspectos que mais chamam a sua atenção, estabelece relações entre os vários aspectos deste objeto e atribui significados a ele, chegando a um a interpretação própria. (BICUDO,1999,p.158) A motivação é fator importante na aprendizagem, quando o aluno percebe a utilização torna mais agradável aprender. Os professores de matemática estavam cansados de escutar as freqüentes perguntas do alunos: “ para que serve isto que estou aprendendo? ” Coma contextualização do conteúdo traz uma proposta de ensinar o aluno a aprender e aprender fazendo. É fundamental não subestimar a capacidade dos alunos, reconhecendo que resolvem problemas, mesmo que razoavelmente os complexos, lançando mãos de seus conhecimentos sobre o assunto e buscando estabelecer relações entre o já conhecido e o novo. Contextualizar o conteúdo que se quer aprendido significa, em primeiro lugar, assumir que todo o conhecimento envolve uma relação entre sujeito e objeto. Segundo os PCNs (1996), ”O significado da atividade matemática para o aluno também resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele percebe entre os diferentes temas matemáticos.”(p.38). Quando se fala em contextualização dos conteúdos matemáticos lembrase também em etnomatemática. A etnomatemática é um programa que defende a pesquisa, ou a busca de como um povo trabalha suas práticas matemáticas, e também é uma proposta possível e viável que valoriza a matemática de diferentes culturas, sem impor supremacias de pensamentos ou construções teóricas. Somos assim levados a identificar técnicas ou mesmo habilidades e práticas utilizadas por distintos grupos culturais na sua busca de explicar, de conhecer, de entender o mundo que os cerca, a realidade a eles sensível e de manejar essa realidade em seu benefício e no benefício do seu grupo.(D’Ambrósio, 1998, p.6) As idéias de Ubiratam D’Ambrósio reforçam que realmente os conteúdos matemáticos devem ser trabalhados de modo significativo, para que o aluno possa utilizar o que está sendo ensinado no seu dia, servindo de instrumento para resolver problemas cotidianos Outra abordagem pedagógica para o conteúdo matemático que surgiu foi a interdisciplinaridade. Na escola, a interdisciplinaridade, conceito que resume a prática de interação entre os componentes do currículo, é uma estratégia pedagógica que assegura aos alunos a compreensão dos fenômenos naturais e sociais. Ao remeter o conhecimento escolar aos contextos naturais e sociais de onde foi extraído e onde é aplicado, a escola deve fornecer, aos alunos as ferramentas para a compreensão e a ação. O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros conhecimentos, que pode ser complementação, questionamentos, de negação, confirmação, de ampliação de e de iluminação de aspectos não distintos.(PEC, 2000, p 58) Quando o ensino tinha o foco no professor e não aluno, no ensino e não na aprendizagem, pouco importava ao professor se o aluno estava relacionando ou não o que estava aprendendo com outros conhecimentos. Hoje a educação é proposta de forma diferente, onde o aluno é o centro do processo e o foco é o ensino-aprendizagem. A forma de trabalhar o conteúdo hoje é bem mais interessante. Antigamente se o professor conversasse com os alunos sobre conteúdos de outras disciplinas, logo os alunos pensavam que o professor estava enrolando a aula. Hoje em dia é proposto ao professor trabalhar o conteúdo de forma interdisciplinar, por exemplo, para explicar como se interpreta e constrói gráficos e tabelas o professor pode trabalhar conteúdos de geografia, biologia, português, etc. Dessa forma o aluno percebe a importância de estudar certo conteúdo matemático, aliás, como já foi dito, no mundo fora da escola o conhecimento não é fragmentado por as disciplinares escolares não podem ser trabalhadas de forma isolada. A aplicação dos aprendizados em contextos diferentes daqueles em que foram adquiridos exige muito mais que a simples decoração ou a solução mecânica de exercícios: domínio de conceitos, flexibilidade de raciocínio, capacidade de análise e abstração. Essas capacidades são necessárias em todas as áreas de estudo, mas a falta delas, em matemática, chama a atenção. Por onde se começa o trabalho escolar com a interdisciplinaridade? O começo não importa muito. O importante é que entre o ponto de partida e de chagada, e vice-versa, o professor tem que saber qual a base teórica para se trabalhar a construção dos conceitos, ter uma lógica interna que seja própria da categoria da disciplina, caso contrário, corre-se o risco de desconsiderar a ciência de cada disciplina. 2.3 - Os conteúdos e o desenvolvimentos de competências e habilidade. As atuais propostas pedagógicas ao invés de transferência de conteúdos prontos, acentuam a interação do aluno com o objeto de estudo, a pesquisa, a construção dos conhecimentos para o acesso ao saber . As aulas são consideradas como situação de aprendizagem, de mediação: nestas são valorizados o trabalho dos alunos (pessoal e coletivo) na apropriação do conhecimento e a orientação do professor para o acesso ao saber. O conteúdo hoje é visto também como uma forma de desenvolver competência e habilidades. Aprender matemática de uma forma contextualizada, integrada e relacionada a outros conhecimentos traz em si o desenvolvimento de competências e habilidades que são essencialmente formadoras, à medida que instrumentalizam e estruturam o pensamento do aluno, capacitando-o para compreender e interpretar situações, para se apropriar de linguagens específicas, argumentar, analisar e avaliar, tirar conclusões próprias, tomar decisões, generalizar e para muitas ações necessárias à sua formação. (PCNs, 2002, p.111) Antes dessas novas abordagens o professor de matemática ao planejar seu ano letivo selecionava os conteúdos e dividia-os em bimestres e preocupa-se em cumprir todo o conteúdo proposto. Hoje as novas propostas defendidas principalmente pelos PCNs, orientam os professores que primeiros selecione as competências e habilidades de querem desenvolver nos alunos. Depois de refletir sobre as competências e habilidades é que ele irá selecionar os conteúdos que ajudarão a trabalhar e desenvolver as competências e habilidades escolhidas. Competências como ler, interpretar, calcular, identificar, tomar decisões, expressar-se corretamente oralmente ou pela escrita, são fundamentais para integrar-se no mundo de hoje. As situações e os desafios que o jovem terá que enfrentar no âmbito escolar, no mundo do trabalho e no exercício da cidadania fazem parte de um processo complexo, no qual as informações são apenas parte de um todo articulado, marcado pela mobilização de conhecimentos e habilidade. Deve –se lembrar que para desenvolver competências é preciso trabalhar por e/ou projetos, propor tarefas que desafiem e motivem os alunos a mobilizar os conhecimentos que já possuem e ir a busca de novos conhecimentos. Competências se desenvolvem sempre em “situação”, em um contexto. Pressupõe uma pedagogia dinâmica que transforme a sala de aula num espaço privilegiado de aprendizagens vivas e enriquecedoras nas quais o aluno participa ativamente na construção do seu conhecimento. O conteúdo é um meio e não um fim em si mesmo. Quando se fala em trabalhar por competência não quer somente trabalhar conteúdos de forma conceitual, existem outros dois tipos de formas de trabalhar os conteúdos: atitudinais e procedimentais. Com isso, também quebra-se o “tabu” que conteúdo trabalhado são somente os conceituais. É claro que muitos conteúdos devem e podem ser tratados de forma conceitual. Esta não é a questão. O que não concebemos é que em sua maioria eles são tratados apenas desta forma, conceitualmente, nunca chegando nem próximo à forma procedimental e é óbvio ficando muito aquém da forma atitudinal.(NOGUEIRA, 2001, p. 18) Nas aulas de matemáticas acontecem algumas vezes do professor, depois de tratar o conteúdo de forma conceitual, pedir para fazer uma pesquisa. Quando o professor orienta e acompanha o aluno na pesquisa ela está trabalhando o conteúdo de forma procedimental, ou melhor, trabalhando-o como procedimento de pesquisa. Isto acontece também nas construções geométricas: maquetes, sólidos, mosaicos, etc. Quando se trabalha valores e normas dentro da aula de matemática podese considerar que se está trabalhando o conteúdo de forma atitudinal, por exemplo, quando é interpretados gráficos que revelam o resultado de uma pesquisa sobre poluição das cidades, com certeza o professor aproveita a oportunidade para debater sobre a poluição e conscientizar os alunos do dever que todos têm de manter a cidade limpa, com isso estará incentivando as mudanças de atitudes que favoreçam a limpeza da cidade. Nessa perspectiva, não só a seleção de temas e conteúdos, como a forma de tratá-los no ensino são decisivas. A maneira como se organizam as atividades e a sala de aula, a escolha de materiais didáticos apropriados e a metodologia de ensino é que poderão permitir o trabalho simultâneo dos conteúdos e competências. Se o professor insistir em cumprir programas extensos, com conteúdos sem significado e fragmentados, transmitindo-os de uma única maneira a alunos que apenas ouvem e repetem, sem dúvida as competências estarão fora do alcance. CAPITULO III A PRÁTICA PEDAGÓGICA REFERENTE AO CONTEÚDO NO COTIDIANO ESCOLAR Este trabalho está dentro de uma proposta psicopegagógica porque o ensino-aprendizagem da matemática necessita de muita reflexão e estudo. O ensino da matemática ainda nos dias de hoje apresenta índices baixos de rendimento escolar segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica –SAEB e também é um componente curricular que apresenta ainda problemas ligadas ao fracasso escolar. Para se ter uma educação com qualidade é necessário estudar todos os fatores que interferem nesse processo, o foco não deve ser escolar, mas também a sociedade e a família somente o ambiente em que o aluno está inserido. Urrutigaray (2006) coloca que um dos itens que devem considerar no processo da psicopedagogia: ...que o fazer psicopedagógico, na atualidade, tem o propósito de centralizar seus esforços na prática escolar. Entendendo que a dimensão instituída pela Escola, dentro do marco social-histórico-cultural, ainda representa um dado de grande relevância na formação de indivíduos para uma sociedade humana. Já que esta instituição contribui, também, para o desenvolvimento pessoal e a socialização. ( p12) É muito importante o papel da psicopedagogia na escola, pois há necessidade da compreensão dos problemas de aprendizagem, atendendo questões relativas ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor que aparecem nessa área. Os estudos feitos até agora sobre abordagens pedagógicas dos conteúdos matemático sinalizam que a coordenação pedagógica, os professores e gestores devem preocupar-se com o currículo da matemática trabalhado, em particular , de 5ª à 8ª série. Este trabalho de pesquisa teve a preocupação de ir até a prática escolar e buscar informações sobre a formação dos professores e sua prática em relação ao trabalho com os conteúdos matemáticos e também obter informações com os alunos sobre como os conteúdos estão sendo trabalhados. A pesquisa foi feita em 4 ( quatro) escolas, com 4 coordenadores, 8 professores e 40 alunos de 5ª à 8ª série. Os questionários desta pesquisa estão no anexo deste trabalho. 3.1 Psicopedagogia e a coordenação pedagógica no Ensino da matemática. Uma das disciplinas que mais apresentam dificuldades de aprendizagem é a matemática e as vezes os alunos que apresentam dificuldade são vistos como “ alunos- problemas”, muitas das vezes o problema não está no aluno e sim na metodologia, nos recursos, no planejamento mal elaborado, na seleção de conteúdos mal feita, na falta de significado na aprendizagem que muitas vezes resulta em desmotivação. ...não podemos nos ater mais em intervenções e práticas psicopedagógicas que não englobem a dimensão relacional e interacional do modelo ensino-aprendizagem. A aprendizagem é o resultado da visão de homem em processo de desenvolvimento. A psicopedagogia na atualidade está, portanto, direcionando a este enfoque mais global, atendo-se aos modelos educacionais que visam a mudança de atitudes e de comportamentos no homem, em função de seu desenvolvimento pessoal. ( ESCOTT,2001, p.34) Para se ter melhores resultados na escola, a formação dos professores e coordenadores é de suma importância. Dos coordenadores pesquisados somente um era formado em Pedagogia e especialista em psicopedagogia os demais eram formados em Licenciatura de Matemática, Língua Portuguesa e Biologia. De certa forma o quadro não é tão ruim, pois pelo menos, todos passaram por uma universidade e já refletiram sobre ensino-aprendizagem. Seria melhor a situação se todos fossem pedagogos e especialistas em psicopedagogia, pois iriam ter mais base conceitual para refletiram e atuarem em situações de dificuldades de aprendizagem. A formação dos professores é também de suma importância para uma educação de qualidade. De acordo com Libâneo (1994), há duas dimensões de formação profissional do professor para o trabalho didático em sala de aula. A primeira destas dimensões é a teórico-científico formada de conhecimentos de filosofia, sociologia, história da educação e pedagogia. E a segunda é a técnicoprática, que representa o trabalho docente incluindo a didática, metodologias, pesquisa e outras facetas práticas do trabalho do professor. Pois, ele define a didática como a mediação entre as dimensões teórico-científica e a prática docente. [...] “ a formação profissional do professor implica, pois uma contínua interpretação entre a teoria e prática, a teoria vinculada aos problemas reais postos pela experiência prática e a ação prática orientada teoricamente” (LIBÂNEO, 1994, p.28). Diante disto para selecionar, planejar e trabalhar os conteúdos matemáticos em sala de aula é fundamental que o professor seja formado em licenciatura em Matemática. Na pesquisa de campo feita com oito professores de matemática , 75% eram formados em matemática, 12,5% tinham licenciatura em outra área e 12,5% tinha o Ensino Médio completo. Este resultado mostra um quadro bom, pois a maioria é formado na área de atuação e tem melhores condições em desempenhar seu papel de professor de matemática. Foi perguntado também se eles estudaram os PCNs, 75% responderam que sim e 25% estudaram um pouco. Esta pergunta foi feita porque os PCNs trazem orientações importantes para o trabalho com os conteúdos que possam atender as necessidades dos alunos de hoje. Todo os professor devem estudar os PCNs e continuar a aprofundar seus estudos em outros materiais. Continuar a formação é importante, pois a cada dia novas propostas surgem e o professor precisa manter-se atualizado. Quando foi perguntado ao professor se ele participava de cursos de formação continuado, 75 % responderam que sim e 25 % responderam que não. A maioria preocupa-se em atualizar e com isso poderá trazer para a sala de aula maior qualidade de ensinoaprendizagem. A coordenação tem papel fundamental no planejamento escolar, pois pode auxiliar e orientar o professor no planejamento das aulas e ajudar ao professor de matemática a resolver problemas de dificuldade em assimilação de conteúdos e participação na sala de aula por parte dos alunos. Nas escolas em que a pesquisa ocorreu os coordenadores responderam que não tinham problemas pedagógicos referentes aos conteúdos matemáticos e foi interessante como uma coordenadora expôs sua forma de orientar os professores matemáticas nos planejamentos: Nós orientamos nossos professores que sigam o plano de curso da escola ( currículo), onde os conteúdos foram selecionados coletivamente pelos mesmos. Pedimos que os conteúdos sejam abordados de forma contextualizada, para que os objetivos sejam alcançados. Sempre seguindo as competências e habilidades que o professor deseja que seus alunos adquiram. ( Coordenadora R.) O planejamento escolar é uma atividade de previsão que requer objetivar uma ação de modo a atingir dentro dos objetivos às possibilidades existentes e os recursos a serem empregados, pois é uma antecipação da prática. Sem planejamento não há gestão e sendo assim as ações são improvisadas e os resultados não são avaliados. A psicopedagogia traz muitos elementos que podem ajudar ao professor na hora de planejar e escolher melhores caminhos para se fazer educação e que levem a melhores resultados. 3.2 Contextualização e interdisciplinaridade na prática. Já foi colocado no capítulo anterior a grande importância de trabalhar os conteúdos matemáticos de forma contextualizada. Vygotsky em seus estudos defendeu um ensino voltado para a realidade dos alunos, o contato com meio cultural é fundamental para a aprendizagem do indivíduo. A aprendizagem necessita ser significativa até mesmo para motivar o aprender. O ensino da matemática nessa perspectiva deve mostrar a relação direta do que se está estudando e a realidade. Segundo Vygotsky é preciso apostar na criatividade e ampliação do ensino aprendizagem trazendo a matemática cotidiana para o cotidiano escolar através de um ensino contextualizado, interdisciplinar e abrangente. As necessidades cotidianas fazem com que os alunos desenvolvam uma inteligência essencialmente prática, que permite reconhecer problemas, buscar e selecionar informações, tomar decisões e, portanto desenvolver uma ampla capacidade para lidar com a atividade matemática. Quando essa capacidade é potencializada pela escola, a aprendizagem apresenta melhor resultado.(PCNs, 1996, p.37) A pesquisa feita nas escolas tinha a proposta de obter informações sobre se as novas abordagens pedagógicas para o tratamento dos conteúdos de matemática como contextualização e interdisciplinaridade estavam presentes na prática. Foi perguntado ao professor se ele trabalho os conteúdos de forma contextualizada, 100 % responderam que sim . E para os alunos foi perguntado se o professor propõe atividade que ajudam a atender para que serve o conteúdo aprendido, 70% responderam que sim sempre, 10 % não e 20% às vezes. Com esses dados obtidos tanto das respostas dos professores como dos alunos percebe-se que esta abordagem pedagógica, a contextualização, esta sendo utilizada pelo professor e percebida pela maioria dos alunos. Deve-se levar em conta que o livro didático também melhorou muito na última década, há uma grande preocupação dos autores em colocar o conteúdo matemático de forma contextualizada e interdisciplinar para melhorar o rendimento do aluno e auxiliar no trabalho do professor. Quanto a interdisciplinaridade, foi perguntado ao professor se ele utiliza assuntos de outros áreas para explicar os conteúdos matemáticos, 100% respondeu que sim. Para o aluno foi perguntado se ele já percebeu que os conteúdos matemáticos podem ser utilizados em geografia, história, ciências e outras disciplinas, 80% responderem que sim e 20% responderam que não. Esses dados também sinalizam que os conteúdos estão sendo trabalhados de mais interdisciplinar. Foi perguntado também se os professores trabalham de forma diversificados os conteúdos, como jogos, laboratório de informática, DVD ou vídeo, isto também faz parte de novas propostas defendidas pelos PCNs, 62,5% responderam que sim e 37,5 responderam que não. Esses dados foram confirmados pelos alunos que também 62,5% responderam que o professor utiliza forma diversificada de ensinar o conteúdo. Foi perguntado também para os alunos sobre a quantidade de conteúdos trabalhados pelo professor e 75% responderam que a quantidade de conteúdo está na medida certa, isto pode demonstrar que o ensino da matemática não está mais tão conteudista, pois a grande quantidade de conteúdos ensinados pelo professor sempre foi uma das queixas dos alunos. Com o resultado dessa pesquisa deu para perceber que a maioria dos professores não estão utilizando somente com o livro didáticos e sim, buscando outros recursos para trabalhar os conteúdos. Pela pesquisa todos os professores trabalham de forma contextualizada e interdisciplinar e esse é um bom sinal, pois está propondo-se uma matemática mais significativa onde o aluno pode sentir –se motivado a estudar esta disciplina e com isso melhorar o rendimento escolar. CONCLUSÃO Durante toda a trajetória histórica do ensino da matemática, percebeu-se que sempre novas propostas eram colocadas para o ensino destes componentes curricular, sempre na tentativa de melhorar o rendimento escolar. Pode-se dizer que a psicologia deu uma contribuição muito valiosa no que diz respeito a aprendizagem. As idéias de Piaget e Vygotsky colocadas a serviço da educação demonstraram e demonstram, porque ainda são utilizadas, que muitas áreas se uniram para melhorar o ensino de modo geral como psicologia e outras como a sociologia, filosofia, antropologia biologia , etc. O ensino da matemática sempre foi alvo de críticas pelo teor rigoroso que esta disciplina demonstrava, e isso contribui para que a matemática fosse considerada a disciplina que mais reprovava e uma das responsáveis pela evasão escolar. Com certeza, quem acredita numa matemática viva, capaz de servir de instrumento para resolver problemas do cotidiano, não poderia deixar que esta ciência tão bonito continuasse com idéia “vilã”. Graças aos pesquisadores como Piaget, Vygotsky, Ubiratam D’Ambrósio, Maria Aparecida Bicudo e outros , ocorreu um despertar para novos caminhos de se fazer matemática em sala de aula, com proposta que contribuem para um ensino mais significativo, estimulante e principalmente que sinalize para o desenvolvimento de competências tão importante como: ler, interpretar , calcular, tomada de decisões. Enfim que os conteúdos matemáticos aprendidos sirvam para o desenvolvimento da criança e do jovem numa perspectiva de aprender a fazer, aprender a aprender e aprender a ser. Nesta proposta é colocado ao professor um desafio de pesquisador, procurar entender como o seu aluno aprende, quais as metodologias são mais eficientes, quais conteúdos estão ligados diretamente com o seu cotidiano e que são fundamentais para auxiliar no desenvolvimento de competências fundamentais para viver em sociedade. Falar em formação básica da cidadania na aprendizagem matemática significa refletir sobre várias condições humanas de sobrevivência sobre a inserção das pessoas no mundo do trabalho, relações sociais. Assim, é importante refletir a respeito da colaboração que a matemática tem a oferecer com vistas à formação da cidadania. Este trabalho trouxe a proposta de reflexão sobre o conteúdo, nele percebe-se que muitos avanços ocorreram como a preocupação de um planejamento de atividades matemáticas mais significativas, a preocupação de utilizar os conteúdos para desenvolver competências no aluno que são importantes para a sua formação. Mas, ainda há muito que ser feito, pois os resultados em avaliações oficiais (ENEM, SAEB e outros) não estão demonstrando melhora na educação brasileira. O desafio é colocado para todos os profissionais da educação, continuar os estudos e fazer da sala de aula um ambiente de pesquisa, detectando as dificuldades no ensino-aprendizagem buscando ajuda de todas as áreas inclusive da psicopedagogia. e BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Ed. Moderna, 1996. BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. Pesquisa em Educação Matemática: Concepções & Perspectivas. São Paulo:UNESP,1999. BOYER, Carl B. História da Matemática. Trad. Elza F. Gomide. São Paulo:Edgard Bücher/Edusp,1974. BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Ciências da Natureza, matemática e suas tecnologias. Parâmetros Curriculares nacionais –PCN + : Ensino Médio. Brasília: MEC,2002. BRASIL, Secretaria de educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: matemática. Brasília: MEC/SEF, 1997. D’AMBROSIO, Ubiratan. Da Realidade à Ação . Reflexões sobre Educação e Matemática. São Paulo: Summus, 1986. _________________. Etnomatemática: arte ou técnica de explicar e conhecer. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1998. D’AUGUSTINE, Charles H. Métodos Modernos para o Ensino da Matemáti ca. Rio de Janeiro: Editora ao Livro Técnico, 1976. DAVIS, C.& OLIVEIRA, Z. Psicologia na Educação. São Paulo: Cortez, 1991. ESCOTT, Clarice. ARGENTI, Patrícia W. A formação em psicopedagogia nas abordagens clínica e institucional, uma construção teórico prática. Nova Hamburgo: Feevale, 2001. HALL, Calvin S. Teorias da Personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2000. KILPATRIK, J. Historia de la investigación en Edycación Matemática. Madrid: Editorial Sonteses, 1992. LIBÂNEO, José C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Atual, 1986. MOYSÉS, Lúcia. Aplicações de Vygotsky à Educação Matemática. Campinas, Sp: Papirus, 1997. NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Pedagogia dos Projetos. São Paulo: Érica, 2001. PEC . FINEP. O PEC e a Reforma do Ensino Médio.São Paulo:Editora Brasil, 2000. SCHUBRING, G. O primeiro Movimento Internacional de Reforma Curricular em Matemática e o papel da Alemanha: Um Estudo de Caso na Transição e Conceitos. Zetetiké, v7, n.11,p.29-50. URRUTIGARAY, Maria Cristina Fontes. Práticas e intervenções psicopedagógicas. Módulo I, 1ª Ed,. Rio de Janeiro: AVM, 2001. VYGOTSKY,L.V. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991. ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 >> Questionários : coordenador, professor e aluno. ANEXO 1 QUESTIONÁRIO (coordenador) Prezado(a) Coordenador (a), este questionário faz parte de uma pesquisa sobre abordagens pedagógicas dos conteúdos matemáticos no Ensino Fundamental – 6º ao 9º Ano. A sua Participação é de grande importância, não precisa identificar seu nome e nem sua escola. Muito obrigada! 1)Quais são as orientações dadas aos professores de matemática durante o planejamento referente a seleção de conteúdos? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 2) Quais são os maiores problemas pedagógicos enfrentados pela coordenação referentes aos conteúdos matemáticos? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ QUESTIONÁRIO (Professor) Prezado(a) Professor(a), este questionário faz parte de uma pesquisa sobre abordagens pedagógicas dos conteúdos matemáticos no Ensino Fundamental – 6º ao 9º Ano. A sua Participação é de grande importância, não precisa identificar seu nome e nem sua escola. Muito obrigada! 1) Qual o seu grau de instrução? a) Ensino Médio completo ( ) b) Ensino Superior Completo em Licenciatura Plena em Matemática ( c) Ensino Superior em outra licenciatura ( ) ) 2) Você já estudou os PCNs de matemática do Ensino Fundamental de 5ª à 8ª série? a)Sim ( ) b) não ( ) c) ( ) um pouco 3) Você participa de cursos de formação continuada na área de matemática? a)Sim( ) b) Não ( ) c) Às vezes ( ) 4) Você trabalha os conteúdos de forma contextualizada? a) ( ) sim b) ( ) Não 5) Você utiliza assuntos de outras áreas para explicar conteúdos matemáticos (interdisciplinaridade)? a) Sim ( ) b) Não ( ) 6) Para explicar os conteúdos você trabalha com recursos pedagógicos diversificados como: jogos, computadores, DVD ou vídeo,etc. ? a) Sim ( ) b) não ( ) QUESTIONÁRIO (Aluno) Querido aluno, este questionário é parte de um trabalho de pesquisa sobre o conteúdo matemático, que poderá contribuir para futuras reflexões sobre o ensino da matemática e ajudar a melhorar a qualidade da aprendizagem da mesma. Responda com atenção e sinceridade. Muito Obrigada! 1) Com relação a quantidade de conteúdos trabalhados pelo (a) professor(a) de matemática durante o ano: a) são muitos conteúdos ( ) b) são poucos conteúdos ( ) c) está na medida certa ( ) 2) Nas aulas de matemática, seu professor(a) trabalha de forma diversificada, incluindo jogos, laboratório de informática , DVD ou vídeo ? : a)( ) Sim b)( ) Não 3) O(a) professor(a) de matemática propõe atividades, que ajudam você a entender para que serve o conteúdo aprendido? a)( ) Sim, sempre b) ( ) Não c) ( ) às vezes 4)Você já percebeu que os conteúdos de matemática podem ser utilizados em Geografia, História, Ciência e outras disciplinas? a)( ) sim b) ( ) Não FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Universidade Cândido Mendes Título da Monografia: Abordagens Pedagógicas sobre os conteúdos matemáticos ; história, tendências e desafios. Autor: Eliane Aparecida Martins Data da entrega: 30.08.07 Avaliado por: Maria da Conceição Maggioni Poppe Conceito: