V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas.
Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006.
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida:
“O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”.
O BRINCAR COOPERATIVO E
A CULTURA DA PAZ NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida
Universidade Federal do Ceará - UFC
Faculdade de Educação – FACED
Traducción al
castellano
RESUMEN:
O artigo tem como proposta apresentar e compartilhar referenciais teóricos e metodológicos
sobre o brincar cooperativo e a cultura da paz, além de sugerir métodos de aplicação da
cooperação em várias situações do dia a dia, e principalmente, analisar o brincar dentro de
diversos contextos, seja ele na escola, na família, ou em qualquer outro espaço que permita à
criança desenvolver sua expressão lúdica e vivenciar a prática dos valores cooperativos e a
cultura da paz. Acredito que a inclusão do brincar cooperativo na educação infantil formal e
informal tem como meta promover a paz e buscar a participação de todos sem excluir ninguém,
independente de sua raça, classe social, religião, competências motrizes, habilidades pessoais
etc., sempre dentro de um clima prazeroso, cordial, amigo e feliz onde as metas do professor e
dos alunos estarão centradas na união da soma das suas competências individuais na busca de
resultados que tragam benefícios para o coletivo. Nesta proposta visamos a participação de
todos para alcançar um objetivo comum, onde a motivação não é o ganhar ou o perder, a
motivação está centrada na participação. Neste sentido, a proposta educativa tem como
interesse principal o processo e não o resultado. Quando a proposta é centrada no processo,
permite ao participante do jogo perceber os aspectos individuais e coletivos utilizados para se
alcançar as metas que são realizadas com a contribuição de todos.
O brincar cooperativo constrói pontes e aproxima os homens.
O brincar competitivo constrói paredes e separam os homens. ( ALMEIDA., 2004)
INTRODUCCIÓN
Atualmente existem impactos negativos provocados pela sociedade e que afetam
o desenvolvimento das crianças, acredito que estes impactos na vida delas
podem ser minimizados com a vivência1 de manifestações do brincar em
espaços onde as crianças possam expressar sua criatividade, sua autonomia, sua
alegria com segurança e prazer.
Podemos apresentar como impactos negativos:
1
Vivência significando o instante vivido intensamente, conferindo à emoção a palpitante
qualidade existencial do aqui e agora.
1
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A indiferença da sociedade para com o direito de brincar2;
A grande valorização dos estudos teóricos e acadêmicos nas escolas;
O aumento do número de crianças que vivem sem as condições mínimas
para se desenvolverem;
Planejamento ambiental inadequado, patente na proporção
desumanizada das construções, formas de habitações impróprias e má
gestão do tráfego;
A crescente exploração comercial das crianças através dos meios de
comunicação social e de produção em série que conduzem a uma
deterioração dos valores morais e das tradições culturais;
A falta de acesso das mulheres em países do “terceiro mundo” a uma
formação básica sobre cuidados com crianças e sobre o seu
desenvolvimento;
A preparação inadequada das crianças para enfrentarem com êxito uma
sociedade em constante mudança;
A crescente segregação das crianças pela comunidade;
O número crescente de crianças que trabalham e as inaceitáveis
condições desse trabalho;
A exposição constante das crianças à guerra, à violência, à exploração e à
destruição;
A valorização da hipercompetição e do ganhar a todo custo no desporto
infantil.
Na organização atual da sociedade, a família e em especial as crianças, não têm
possibilidades diretas de criar espaços para brincar, a não ser que esta idéia faça
parte de um Programa de Políticas Públicas do município, do estado ou do
governo federal. Uma outra possibilidade é quando iniciativas privadas, de
associações de classe ou do terceiro setor criam programas lúdicos de forma
isolada. Na realidade percebemos que este tipo de ação só acontece no nível
governamental quando as eleições se aproximam, isso quando algum candidato
em seu plano de governo contempla o brincar enquanto um direito do cidadão.
Para BORJA (1992), atualmente a preocupação com o tema lúdico no contexto
político, social e econômico, já faz parte da preocupação da sociedade. As
famílias começam a se preocupar com a importância do brincar na vida de cada
um, lógico que este fato ocorre com maior intensidade em uma determinada
comunidade do que em outra, mesmo que seja de forma dispersa e
desorganizada. Mas o fato é que em todos os países do mais desenvolvido ao
menos desenvolvido o jogo e o brinquedo passou a ser um fenômeno importante
e que merece ser valorizado e estudado.
KISCHIMOTO (1996, p.22) afirma que “se desejamos formar seres criativos,
críticos e aptos para tomar decisões, um dos requisitos é o enriquecimento do
cotidiano infantil com a inserção de contos, lendas, jogos, brinquedos e
brincadeiras”. Reforçando o pensamento da autora VYGOTSKI (1984, p.37) diz:
2
Significa “jugar” em espanhol, quer dizer "jogar" no sentido de brincar, participar de um jogo.
Neste caso em espanhol ficaria “El Derecho de Jugar”.
2
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“O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”.
“(...) a relevância de brinquedos e brincadeiras como indispensáveis para a
criação da situação imaginária. Revela que o imaginário só se desenvolve
quando se dispõe de experiências que se reorganizam. A riqueza dos contos,
lendas e o acervo de brincadeiras constituirão o banco de dados de imagens
culturais utilizados nas situações interativas. Dispor de tais imagens é
fundamental para instrumentalizar a criança para a construção do
conhecimento e sua socialização.”
Para ALMEIDA (2004) ao brincar a criança:
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Movimenta-se em busca de parceria e na exploração de objetos;
Comunica-se com seus pares;
Expressa-se através de múltiplas linguagens;
Descobre regras e toma decisões;
Constrói seus conhecimentos;
Cria uma identidade;
Fortalece sua cultura lúdica;
Resolve conflitos e fortalece sua auto-estima;
Constrói e reforça valores3.
A criança hoje está frente a uma sociedade multicultural geradora de
contradições e conflitos, frente a uma sociedade industrial informatizada e
eletrônica, onde o mundo do brincar se torna cada vez mais sofisticado e caro,
enfim uma sociedade individualista, emergencial e materialista, orientada pela
competência.
O lúdico têm estado sempre presente, em todas as épocas e culturas, sendo uma
das principais coordenadas da vida humana. O jogo e o brinquedo e a sua
relação com a nossa vida, é parte do nosso patrimônio lúdico. Atualmente o
brincar passou a ser um tema de grande relevância para estudiosos e curiosos.
No Brasil e no mundo, o brincar tornou-se importante no cotidiano, com o seu
grande dinamismo e sua adaptabilidade ao tempo e aos espaços, revelando-se
como uma potencialidade lúdica incomparável. A ludicidade tem sua energia
própria e uma magia que teima e resiste às normas e formas impostas pela
sociedade, já que se enraiza nas culturas locais onde mora a verdadeira essência
humana.
Os jogos e brinquedos não aceitam definições prévias, preconceitos ou
reconhecimentos abstratos. A sua legitimação encontra-se na dimensão
histórica e cultural dos comportamentos e no vínculo aos elementos de uma
data situação. Os jogos e brinquedos são marcados por uma identidade
particular, isto é, a identidade do contexto cultural em que a ação lúdica se
realiza. Mas isto não significa dizer que o brincar não esteja aberto aos múltiplos
e diversos cruzamentos de culturas, porque eles não são uma entidade
descontínua, imutável, finita, sem capacidades de reestruturação permanente,
3
Honestidade, respeito ao outro, solidariedade, tolerância, amizade, amor, confiança etc.
3
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como às vezes e erradamente ele tem sido apresentado, com uma visão reduzida
e substantiva do mundo.
Podemos dizer que o brincar tem contido em si os mais diferentes elementos e
valores que são suas virtudes e os seus pecados. Virtudes, porque na essência, o
brincar é constituído de princípios generosos que permitem a revitalização
permanente. Pecados porque ele pode ser também manipulado e desviado para
as mais diferentes finalidades ou objetivos, podendo comprometer a verdade.
A pluralidade cultural para nós é entendida como a convivência em um
mesmo espaço de pessoas procedentes de diferentes culturas, é um fato
presente em nossa sociedade atual. Esta diversidade, longe de significar uma
ameaça pode fortalecer a própria identidade cultural. Muito pelo contrário, a
pluralidade cultural pode favorecer e enriquecer a nossa cultura lúdica4 e se
converter em um fator positivo para o desenvolvimento de indivíduos e
sociedades.
A cultura lúdica é, então, composta de um certo número de esquemas que
permitem iniciar o brincar, já que se trata de produzir uma realidade diferente
daquela da vida quotidiana. A cultura lúdica não é um bloco monolítico, mas um
conjunto vivo, diversificado conforme os indivíduos e os grupos, e, função dos
hábitos lúdicos, das condições climáticas ou espaciais.
Atualmente neste mundo globalizado as culturas lúdicas não são (ainda?)
idênticas de um país para outro. Essa cultura lúdica muda segundo numerosos
critérios. Neste caso, em primeiro lugar, a cultura em que está inserida a criança
é sua cultura lúdica. Elas se diversificam também conforme o meio social, a
cidade, o clima, a organização social, econômica e política de uma determinada
sociedade e mais ainda, o sexo da criança.
O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
“A paz está dentro de cada um de nós” (Pierre Weil, 2005)
“A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”.
(Albert Einstein)
Cada educador deve ter consciência dos reais objetivos da educação infantil.
Estes objetivos podem ser pensados a longo prazo e dentro de uma perspectiva
do desenvolvimento da criança. Estes objetivos serão divididos com relação a
três pontos.
4
É um conjunto de regras e significações próprias do jogo que o jogador adquire e domina no
contexto de seu próprio jogo. A cultura é antes de tudo um conjunto de procedimentos que
permitem tornar o jogo possível.
4
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1. Em relação aos professores: gostaríamos que as crianças
desenvolvessem sua autonomia através de relacionamentos seguros no
qual o poder do adulto seja reduzido o máximo possível.
2. Em relação aos companheiros: gostaríamos que as crianças
desenvolvessem sua habilidade de descentrar e coordenar diferentes
pontos de vista.
3. Em relação ao aprendizado: gostaríamos que as crianças fossem
alertas, curiosas, criticas e confiantes na sua capacidade de imaginar
coisas e dizer o que realmente pensam. Gostaríamos também que elas
tivessem iniciativa, elaborassem idéias, perguntas e problemas
interessantes e relacionassem as coisas umas às outras. (KAMII, 1991, p.
15.)
Para continuar o artigo tenho que responder uma pergunta:
“O que a criança precisa para ser feliz?”
A criança para ser feliz precisa de muita coisa, mas, em especial ela precisa de:
Eu sei e você sabe! Que o brincar é um direito de TODOS e em especial da
criança como apresentam diversos documentos:
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO DIREITO DA CRIANÇA – ONU
(20/11/1959)
“... A criança deve ter todas as possibilidades de entregarse aos jogos e às atividades recreativas, que devem ser
orientadas para os fins visados pela educação; a
sociedade e os poderes públicos devem esforçar-se por
favorecer o gozo deste direito”.(Declaração Universal
dos Direitos da Criança, 1959)
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELO DIREITO DA CRIANÇA
BRINCAR – IPA 1979 (Malta), 1982 (Viena), 1989 (Barcelona)
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Os princípios norteadores da Associação Internacional pelo Direito da Criança
Brincar - IPA são:
SAÚDE: brincar é essencial para saúde física e mental das crianças.
EDUCAÇÃO: brincar faz parte do processo da formação educativa do ser
humano.
BEM ESTAR – AÇÃO SOCIAL: o brincar é fundamental para a vida familiar
e comunitária.
LAZER NO TEMPO LIVRE: a criança precisa de tempo para brincar em seu
tempo de lazer.
PLANEJAMENTO: as necessidades da criança devem ter prioridade no
planejamento do equipamento social.
Segundo BORJA (1992), uma nação que se preocupa com o “Direito de Brincar”,
deve ter em suas políticas públicas ações especificas em três eixos básicos:
1. Criação de espaços lúdicos estruturados para jogos e brinquedos;
2. Organização sistemática de ações de formação lúdica de recursos
humanos em diferentes níveis;
3. Criação de centros de pesquisa, de documentação e assessoria sobre
jogos, brinquedos e outros materiais lúdicos.
Um outro documento de grande relevância no Brasil, foi o estudo introdutório
do referencial curricular nacional para a educação infantil no eixo do brincar e
conhecido como Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN. Este
documento foi criado no ano de 1998 em Brasilia por educadores especialistas
no assunto. Podemos citar alguns pontos relevantes sobre o brincar neste
estudo:
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5
É imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes
são oferecidas nas instituições.
A brincadeira é uma linguagem infantil.
No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e
significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças
recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo
que estão brincando.
O principal indicador da brincadeira5, entre as crianças, é o papel que
assumem enquanto brincam.
Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já
possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca.
O brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados
modelos de adulto.
Os conhecimentos da criança provêm da imitação de alguém ou de algo
conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes,
do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão,
no cinema ou narradas em livros etc.
Que no espanhol será para mim “Jugueteo”.
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•
É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre
as características do papel assumido, suas competências e as relações que
possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando
para outras situações.
Para brincar é preciso que as crianças tenham certa independência para
escolher seus companheiros e os papéis que irão assumir no interior de
um determinado tema e enredo, cujos desenvolvimentos dependem
unicamente da vontade de quem brinca.
Segundo o PCN o brincar apresenta-se por meio de várias categorias. E essas
categorias incluem:
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O movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da
mobilidade física das crianças;
A relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a
combinação e associação entre eles;
A linguagem oral e gestual que oferecem vários níveis de organização a
serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis,
situações, valores e atitudes que se referem à forma como o universo
social se constroe;
E, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um
recurso fundamental para brincar.
O brincar pode, de acordo com os estudiosos e pesquisadores do tema ser
dividido em duas grandes categorias:
1. O brincar social: reflete o grau no quais as crianças interagem umas com
as outras.
2. O brincar cognitivo: revela o nível de desenvolvimento mental da criança.
Estas categorias de experiências podem ser agrupadas em quatro modalidades
básicas de brincar:
1.
2.
3.
4.
O brincar tradicional
O brincar de faz-de-conta
O brincar de construção
O brincar educativo
As crianças na idade de educação infantil vivenciam experiências lúdicas sociais
e não-sociais. Um estudo feito por PARTEN (1932) citado por PAPALIA (2000)
revela que no brincar das crianças pequenas, podemos identificar seis tipos de
atividades lúdicas sociais e não-sociais:
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Comportamento desocupado
Comportamento observador
Atividade independente (solitária)
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Atividade paralela
Atividade associativa
Atividade cooperativa ou organizada suplementar
É importante saber que existem cinco grandes pilares básicos nas ações lúdicas
das crianças em seus jogos, brinquedos e brincadeiras, estes pilares são:
1.
2.
3.
4.
5.
A imitação
O espaço
A fantasia
As regras
Os valores
Cada uma deles pode aparecer de forma mais evidente em um determinado tipo
de brincadeira, de jogo ou no uso de um determinado brinquedo. Lógico que a
idade da criança envolvida, as influências sociais, culturais e as experiências
lúdicas vão influenciar na relação criança/brincar.
Um outro aspecto importante que deve ser considerado são as funções
especificas que cada um dos pilares exercem junto às crianças nas suas ações
lúdicas. Estes pilares básicos podem ter em suas estruturas lúdicas dois estilos
de brincar:
•
O brincar cooperativo: no brincar cooperativo a essência lúdica é
brincar com o outro e não contra o outro, nesta estrutura lúdica o outro é
um parceiro e amigo com metas comuns. O sucesso e o fracasso são
compartilhados por todos.
•
O brincar competitivo: no brincar competitivo a essência lúdica é o
brincar contra o outro, nesta estrutura lúdica o outro é um adversário e
obstáculo que deve ser vencido a todo custo. O sucesso e o fracasso
somente são compartilhados por um ou alguns.
Acredito que propostas transformadoras e inovadoras devem ser
compartilhadas e vivenciadas com todos, e em especial, com nossas crianças.
Por isso, o jogo cooperativo é uma ferramenta de grande valor educativo na
formação e no desenvolvimento de crianças de 3 a 8 anos. Brincar cooperando
na educação infantil significa estar junto, vivenciar, ceder, descobrir, construir,
atuar, re-criar e humanizar dentro de uma relação dinâmica e transformadora.
O BRINCAR COOPERATIVO E A CULTURA DA PAZ
“O brincar fez, faz e sempre fará parte da vida do ser humano.
Sabemos que o brincar é uma necessidade, um desejo
e um direito de todos, além de ser uma experiência
humana, rica e intensa. O homem que brinca
tem uma possibilidade de ser feliz, solidário,
amigo e de construir um mundo melhor e
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mais justo para ele e para todos (ALMEIDA, 2006)
Atualmente a cultura da paz vem sendo refletida dentro de uma perspectiva
educativa de Educação Para a Paz. Para nós a educação para a paz parte da
análise da realidade entendida como um conjunto de relações que o ser humano
pode estabelecer consigo mesmo, com os outros e com instituições por eles
criadas, com a natureza e o meio ambiente em que transcorre a vida. Neste
sentido a educação para a paz trabalha dentro de uma perspectiva integradora
do conjunto destas relações orientada para favorecer processos de
desenvolvimentos igualitários que sejam compatíveis como o desenvolvimento
pessoal, social e do meio ambiente.
Para BRASLAVSKY (2002) o século XX foi marcado com grandes avanços
significativos na escolarização universal. No, entanto, estes avanços não
puderam impedir mais de 180 milhões de mortes de seres humanos provocadas
intencionalmente por outros seres humanos, nem conseguiu solucionar os
conflitos que têm afligido, durante anos, muitos países, e tampouco conseguiu
deter a expansão das mais diferentes doenças.
Estudos realizados pela UNESCO apresentam questionamentos importantes
acerca da Educação X Paz:
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•
Como melhorar o esforço de escolarização iniciado há séculos sob as asas
do Iluminismo?
Que responsabilidade tem a educação nas crises, conflitos
intergeracionais e interétnicos, perseguições e discriminações religiosas e
de outra natureza?
Como pode a educação contribuir para o distanciamento da morte e para
dar sentido à vida de todos?
Que elementos a educação pode oferecer para que se consiga viver juntos
e em paz?
Como as crianças e os jovens, os primeiros a serem afetados pela
qualidade do sistema educativo, podem desenvolver esta capacidade de
“viver juntos” em suas vidas diárias?
Como construir um mundo de paz com as crianças e os jovens de hoje e
de amanhã, um mundo que lhes corresponda?
Estas perguntas foram discutidas na 46º CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
DE EDUCAÇÃO realizada em Genebra em 9/9/2001 que teve como tema
principal “Educação para todos para aprender a viver juntos: um
desafio prioritário no século XXI”.
Os quatro pilares da educação tratados nos estudos de Jacques Delors
(UNESCO, 1996) serviram como referência para várias reflexões acerca da
educação e da paz, estes pilares foram:
1) Aprender a saber;
2) Aprender a fazer;
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3) Aprender a viver juntos;
4) Aprender a ser.
Para UNESCO (2002) existem questões importantes para deixarmos de ser
solitários e nos tornarmos solidários:
ALIENAÇÃO: estamos nos acostumando com as injustiças e criamos uma
espécie de apatia coletiva que nos impede de agir para viabilizar um mundo
melhor. Toda ação é válida, não importa quão pequena ela seja.
SAÚDE COLETIVA: cada habitante da terra desempenha seu papel na saúde
do mundo. Não podemos dar as costas aos milhões que sofrem.
RIQUEZA E POBREZA: os recursos do planeta seriam suficientes para
preencher as necessidades de todos os habitantes, desde que distribuídos com
justiça. Desperdiçamos toneladas de alimentos e milhões passam fome.
PODER PESSOAL: nossas atitudes podem ser transformadoras para o meio
que nos cerca. Como uma alavanca que impulsiona um mecanismo, podemos
gerar um poderoso movimento por meio de atitudes. Seremos, então, coprotagonistas no palco de nossa história.
Segundo a UNESCO a construção da cultura de paz deve ter valores essenciais
como:
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Participação
Igualdade
Respeito aos Direitos Humanos
Respeito à Diversidade Cultural
Liberdade
Tolerância
Diálogo
Reconciliação
Solidariedade
Desenvolvimento
Justiça Social
Somos resultado de uma sociedade a qual ensinou valorizar comportamentos
construtivos e destrutivos. Sempre recebemos estímulos e reforços para fazer ou
não fazer certas coisas.
Nós seres humanos podemos optar ou assumir os distintos comportamentos.
Temos a possibilidade de enriquecer ou destruir, não só a si mesmo, como o
outro e também o ambiente em que nos encontramos.
Podemos ser agressivos ou não, podemos ser competitivos ou cooperativos sem
deixar de sermos competentes, podemos ser felizes ou tristes, otimistas ou
pessimistas, amar ou odiar etc.
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O comportamento que cada um de nós vai assumir na vida está diretamente
ligado à base cultural de valores estabelecidos por cada sociedade, comunidade
ou família. Segundo a antropóloga Margaret Mead os indivíduos não são
competitivos por natureza ou não nascem competitivos, eles aprende
socialmente ou são determinados socialmente.
Todas as realizações humanas são resultado da cooperação em todos os campos
do esforço humano como: na política, na educação, na comunicação, nas artes,
na ciência, na religião, na economia etc. Acreditamos que quanto maior a nossa
cooperação, maior será o nosso sucesso. Quanto menor a nossa cooperação,
maior será a nossa tensão, dor, sofrimento e fracasso. Por isso é importante
estudar essa lei da cooperação e aplicá-la em nossa vida.
Em uma pesquisa desenvolvida por Erich Fromm em 1973, analisou trinta
culturas primitivas e as classificou com base na agressividade e no pacifismo.
Nesse estudo, o autor identificou 2 conjuntos de culturas distintas.
A) Sociedade orientada para a vida:
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Mínimo de hostilidade, violência ou crueldade;
Ausência ou pequena ocorrência de punição rigorosa, crime e guerra;
Crianças tratadas com amor e bondade;
Mulheres geralmente consideradas iguais aos homens;
Há pouca competição, cobiça, inveja, individualismo ou exploração;
Existe muita cooperação;
Prevalece atmosfera de confiança, auto-estima e bom humor.
B) Sociedade mais destrutiva:
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Violência interpessoal, destrutividade, agressividade, malícia e crueldade
(dentro da tribo ou contra os de fora);
Atmosfera geral é de hostilidade, medo e tensão;
Há excesso de competição;
Ênfase na propriedade privada;
Hierarquias são rígidas e o comportamento é belicoso.
De acordo com Erich Fromm existem sociedades pacíficas e cooperativas e
também existem sociedades destrutivas e competitivas. Não podemos inferir
que existe uma natureza humana possível, mas podemos tentar dizer que
existem possibilidades humanas. Nós tanto podemos cooperar ou competir, isso
vai depender de nossa natureza de possibilidades. Acreditamos que estas duas
naturezas coexistem dentro de cada um de nós, e o prevalecimento de uma
sobre a outra vai depender de nossa vontade, discernimento, atitude pessoal e
coletiva e de assumirmos nossa escolha, mesmo que ela seja:
a) Não escolher ou;
b) Se deixar escolher por outros.
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Uma das características que definem a educação para paz é de ser uma proposta
de ação-reflexão-ação. É uma educação de ação porque verificamos o
posicionamento critico do educador, sua posição diante da construção do
conhecimento e os seus valores pessoais que orientam um modelo de
comportamento. Um outro aspecto é a educação para a ação, porque busca uma
continuidade das propostas trabalhadas dentro dos espaços educativos e os seus
efeitos na vida do aluno e da sociedade.
Sabemos que é muito difícil promover situações de intercâmbio da Universidade
com a sociedade ou da escola com a comunidade, mas podemos e temos a
obrigação de criar meios e propostas para favorecer este intercâmbio. Para tal,
construir caminhos favoráveis ao desenvolvimento de uma Cultura para Paz,
criando mecanismos de prevenção à violência, ao egocentrismo, a exclusão etc.
Em nosso caso, o brincar cooperativo e a educação para a paz podem ser
utilizados como instrumentos para favorecer esta integração.
Segundo VELÁZQUEZ (2001) quando falamos sobre PAZ sonhamos com uma
cultura da paz para referir-se a uma nova forma de entender o mundo em que
vivemos, essa cultura da paz tem como referência a Declaração Universal dos
Direitos Humanos, que se “caracteriza pelo respeito à vida e a dignidade de cada
pessoa, despreza a violência em todas as suas formas, na defesa a um conjunto
de valores como a liberdade, o respeito, a cooperação, a comunicação e o dialogo
e rejeita ativamente outros valores como a injustiça, a intolerância, a
competição, o racismo e o fanatismo de qualquer espécie”. VELÁZQUEZ (2001)
acredita e aposta “por uma diversidade cultural e o interculturalismo como meio
de enriquecimento comum, além disso, a cultura da paz deseja um
desenvolvimento que leve em conta a importância de todas as formas de vida e o
equilíbrio dos recursos naturais do planeta”. Para ele “o mais importante é
buscar coletivamente um modo de viver e de se relacionar que contribua na
construção de um mundo mais justo, solidário e melhor em beneficio de toda a
humanidade”.
VELÁZQUEZ (2001) define educação para a paz “como um processo contínuo
de conscientização das pessoas e da sociedade, esta tomada de consciência tem
inicio na concepção positiva da paz e das formas adequadas e criativas no
tratamento dos conflitos, é nesta perspectiva que uma nova cultura da paz
começa a nascer, essa nova cultura terá como eixo norteador o equilíbrio entre
três elementos fundamentais: o homem, o outro e a natureza”. Partindo deste
conceito se faz necessário buscar uma a harmonização do ser humano consigo
mesmo com os outros e com a natureza.
A idéia básica da nossa proposta é a de fazer uma fusão entre os princípios
norteadores da educação para paz com as características especificas do brincar
cooperativo, e propor uma nova concepção de educação. A nossa proposta é a de
utilizar alguns princípios do brincar cooperativo que julgamos importantes e
integrar aos elementos básicos da área que poderiam interagir com as
concepções globais da educação para a paz.
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Tentaremos ao longo do trabalho incorporar tanto a definição da educação para
paz como os três eixos de intervenção originados por ela: o eixo pessoal, o social
e o natural.
O brincar cooperativo atende a este requisito no que diz respeito ao
envolvimento coletivo às práticas solidárias. O brincar cooperativo é um
conjunto de experiências lúdicas que possibilita a todos os envolvidos avaliar,
compartilhar, refletir sobre nossa relação conosco mesmo e com os outros. A
idéia básica da proposta pelo brincar cooperativo é de permitir uma mudança de
sentimentos para entrarmos em contato intimo com as nossas emoções para
potencializar as Habilidades Humanas Básicas como:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
O amor;
A alegria;
A criatividade;
A confiança;
O respeito;
A responsabilidade;
A liberdade;
A autonomia;
A paciência;
A humildade etc.
O brincar cooperativo tem também como proposta tentar diminuir as
manifestações de agressividade nos jogos, estimulando atitudes de
sensibilização, cooperação, comunicação e solidariedade. O brincar cooperativo
busca facilitar o encontro consigo mesmo, com os outros e com a natureza na
tentativa de promover a integração do todo, onde sempre a meta coletiva
prevalecerá sobre a meta individual. No brincar cooperativo os participantes
jogam uns com os outros e não uns contra os outros, jogam para superar os
desafios, os conflitos e os obstáculos encontrados e não superar o outro
individuo ou grupo.
É comum ver pessoas defendendo a competição como um elemento importante
na educação de jovens, sob o pretexto de que assim ficariam melhor preparadas
para a vida. Porém, a verdade é que a competição diminui a auto-estima e
aumenta o medo de falhar, reduzindo a expressão de capacidades e o
desenvolvimento. Ela promove a comparação entre as pessoas e acaba por
favorecer a exclusão baseada em poucos critérios. Um ambiente competitivo
aumenta a tensão e a frustração e pode desencadear comportamentos
agressivos.
Já as atividades cooperativas aumentam a segurança nas capacidades pessoais e
contribuem para o desenvolvimento do sentido de pertencer a um grupo. Nestas
atividades ninguém perde, ninguém é isolado ou rejeitado porque falhou. Num
sistema de cooperação, para além da satisfação e alegria vivenciadas, cada uma
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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas.
Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006.
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida:
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das partes e o todo ganham, em conseqüência da ajuda. Em diversas atividades
o resultado alcançado pelo grupo é melhor do que a soma dos resultados
pessoais obtidos numa situação de competição. Apesar de tanto valorizarmos a
razão, continuamos a trilhar o caminho da irracionalidade, comprometendo
desta forma a nossa permanência no planeta. Para ajudar a transformar o modo
como o homem atual se relaciona com o mundo, é fundamental que a educação
seja capaz de atuar no âmbito da relação interpessoal, pois isso reflete a forma
como cada um se percebe e atua diante do mundo.
A idéia da proposta é de promover um tipo de relação com o outro baseado na
não competição, mas antes na capacidade de cooperar, pode se constituir em
um valioso instrumento na formação para cidadania e de educação para a paz.
Em lugar de um modelo competitivo no qual se apresenta uma situação em que
o indivíduo está contra o outro, em competição com o outro e com o mundo,
neste sentido, os jogos cooperativos ajudam a desenvolver uma relação com o
exterior baseado no respeito e no agir com o outro em benefício de um objetivo
coletivo.
Para BROTTO (1995) o jogo cooperativo “dinamiza processos de interação social
que resultam em uma dimensão ampliada da convivência humana”. Num
mundo globalizado, cada vez mais competitivo, gerenciador de conflitos,
encontrar uma perspectiva cooperativa não é apenas uma estratégia pragmática,
mas um desafio permanente de prevenção.
A inclusão do brincar cooperativo nas aulas de educação infantil para promover
a paz deve buscar a participação de todos sem excluir ninguém, independente
de sua raça, classe social, religião, competências motrizes, habilidades pessoais
etc.
As aulas devem sempre ser realizadas dentro de um clima prazeroso, cordial,
amigo e feliz onde as metas do professor e dos alunos estarão centradas na
união da soma das suas competências individuais na busca de resultados que
tragam benefícios para todos.
Nesta proposta visamos à participação de todos para alcançar um objetivo
comum, onde a motivação não é o ganhar ou o perder, a motivação está
centrada na participação. Neste sentido, a proposta educativa tem como
interesse principal o processo e não o resultado. Quando a proposta é
centrada no processo, permite ao professor e aos alunos perceberem os aspectos
individuais e coletivos utilizados para se alcançar as metas que são realizadas
com a contribuição de todos.
Para existir educação para a paz é necessária a integração entre três elementos
fundamentais como mostra a figura 1.
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Figura 1
A cultura da paz dentro de uma perspectiva integradora
Os cincos princípios que norteiam a educação para a paz são:
1.
2.
3.
4.
5.
Processo continuo e permanente;
Educação em valores;
Com dimensão transversal;
Com fins e meios de acordo;
Para ação.
Objetivo geral da nossa proposta
Promover a cooperação entre as crianças, resgatando o potencial de viver juntos
à partir de uma educação para paz, que visa a melhoria da qualidade de vida
num exercício de convivência.
Objetivos Específicos
1. Praticar a solidariedade tão importante ao convívio entre as pessoas.
2. Aproximar as crianças uma das outras, colaborando com objetivos
comuns.
3. Explorar as potencialidades humanas de um modo positivo
aperfeiçoando o jeito de compreender a vida.
4. Oferecer opções diferentes para a resolução de conflitos de forma
pacífica.
5. Potencializar o brincar dentro de uma perspectiva da cultura da paz.
Metodologia para aprendizagem cooperativa
O brincar cooperativo pode ser desenvolvido dentro de diversas possibilidades
de aprendizagens. Mas de um modo global, a aprendizagem cooperativa faz
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referência a um conjunto de métodos de organização de trabalho em que os
alunos ou jogadores participam de forma interdependente e coordenada,
realizando atividades de caráter educativo, habitualmente planejadas e
propostas pelo professor.
Quando falamos em aprendizagem cooperativa estamos nos referindo aos
métodos de aprendizagem de cooperação que permitam aos participantes ou
jogadores potencializar as seguintes características:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Satisfação dos participantes
Autoconceito positivo
Comunicação
Criatividade
Competência motriz
Aceitação dos companheiros
Convivência intercultural
Convivência interpessoal
Resoluções de problemas ou conflitos
Pró-ativo
Uma atividade de aprendizagem cooperativa costuma ter os
seguintes elementos:
Apresentação do conteúdo
O professor apresenta o conteúdo da atividade como o faria em qualquer
estratégia de ensino.
Discussão entre os participantes do grupo
É importante que o grupo seja heterogêneo, pois se demonstra que quando os
membros têm diferentes perspectivas e capacidades, têm maiores
probabilidades de dedicar-se a alcançar objetivos coletivos comuns, criando
assim, novos laços sociais e duradouros. Os critérios que devem ser observados
durante uma discussão cooperativa são os seguintes:
•
•
•
•
•
•
•
Ser crítico com as idéias, não com as pessoas;
Ter equilibrio em tomar a melhor decisão possível, não em ganhar;
Animar a todos a participar e a dominar toda a informação relevante do
grupo;
Escutar as idéias de todos, mesmo que resultem desagradáveis;
Reformular o que tenha dito alguém se não está muito claro;
Tentar compreender todos os aspectos do problema;
Mudar o próprio pensamento quando a evidência indica com clareza o
que se deve fazer.
Avaliação do domínio individual
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Algumas tarefas que se atribuem aos grupos podem requerer no início que
alguns jogadores façam juntos (em dupla, em trio etc.) um mesmo trabalho, o
trabalho da equipe não se termina até que cada um de seus membros seja capaz
de encontrar a resposta correta independentemente.
Reconhecimento e valorização do grupo
Em alguns métodos de aprendizagem cooperativa todas as equipes buscam
alcançar uma média ou critério estabelecido pelo professor de forma individual
(inter-grupal) e coletiva (grupal).
Em grande parte, o elogio e a honra servem como premiação a seu esforço no
desafio cooperativo. O reconhecimento é uma demonstração pública da
habilidade da equipe em uma superação de uma meta alcançada, ao mesmo
tempo que se reconhece dentro da aprendizagem cooperativa o esforço
individual como parte do esforço da equipe a que pertence o indivíduo.
A cooperação não é um valor e um processo que se fomenta exclusivamente na
sala de aula, ou seja, entre os alunos e entre alunos e professor. Para que a
cooperação seja aceita e praticada no dia-a-dia por parte dos alunos, como um
valor assumido no mundo social e dos adultos, e não uma mera estratégia de
trabalho na aula criada pelo professor, é fundamental estabelecer uma
veracidade nas ações educativas vividas e praticadas dentro da escola e fora da
escola, neste sentido, é preciso estender a cooperação em outros âmbitos da
vida.
Um outro aspecto, é derrubar o mito que Às vezes surge fora da escola, "que
competir é normal" e faz parte da “natureza humana” ou “nós vivemos em uma
sociedade competitiva” entre outraS mensagens de natureza ideológica,
orientada para a exclusão, semeando assim, o individualismo e a competição
entre as pessoas.
Em um método de aprendizagem cooperativa, tem que ficar claro para os
participantes:
•
•
•
•
O objetivo do grupo que se deseja alcançar.
O critério do sucesso.
O fato de que todos receberão a mesma recompensa.
O tipo de atividades que se espera que realizem cooperativamente.
Entre o aluno e o professor/adulto se tem que assegurar algumas regras básicas
de funcionamento, que devem ser aceitas e discutidas por todos. Por exemplo:
•
•
•
Cada qual se responsabiliza por seu próprio trabalho e por seu
comportamento.
É preciso estar disposto a ajudar a quem nos peça.
Um aluno pedirá ajuda ao professor só quando todos os membros do
grupo tenham a mesma dúvida.
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•
Uma das responsabilidades de todo membro do grupo é a de escutar as
idéias dos demais.
O papel do professor é o de assegurar que os grupos trabalhem de forma
produtiva e independente, intervindo só quando seja estritamente necessário.
Estas intervenções podem consistir em eliminar algum bloqueio, esclarecer os
possíveis obstáculos (sejam de conhecimento ou de funcionamento do grupo),
mas nunca dar as respostas.
É importante saber que para um grupo funcionar bem é necessário que o
professor desempenhe tarefas tais como:
•
•
•
•
Lançar idéias;
Captar e matizar idéias;
Animar e resumir;
Tirar conclusões.
CONDUTAS E LINHAS DE ATUAÇÃO DO BRINCAR
COOPERATIVO
A proposta apresentada aqui faz parte de um projeto desenvolvido pelo
professor Carlos Velázquez Callado com jogos cooperativos onde ele faz uma
fusão entre os princípios norteadores da educação para paz com as
características especificas da área de educação física.
Mudar a leitura que a sociedade tem do brincar e da paz é uma missão de todos:
sociedade, escola, educadores e família. O principal objetivo da proposta é trazer
as contribuições do brincar cooperativo a um projeto comum para uma
educação para paz.
VELÁZQUEZ (1991) focalizou em sua proposta diferentes eixos de intervenções
da educação para paz planejando um conjunto de conteúdos prioritários que
julgou importante e necessário para favorecer o desenvolvimento pessoal,
social, natural (ver figura 2) e motriz dos alunos.
Figura 2
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Segundo VELÁZQUEZ (1991) é fundamental que o docente coloque
concretamente estes conteúdos em seu planejamento de aulas. Apresentaremos
em seguida o programa e sugestões de como poderiam ser distribuído os
conteúdos e os programas de ações para cada eixo.
No eixo pessoal: conteúdos e programa de ação
Melhorar a auto-estima:
Objetivo é favorecer que o aluno, desde o primeiro momento, perceba por si
mesmo os aspectos positivos de sua personalidade, suas capacidades, suas
potencialidades e principalmente que perceba que suas virtudes são maiores
em: número e qualidade do que os aspectos negativos. Propostas de atividades:
•
•
•
•
•
Fazer com que o aluno perceba suas conquistas;
Empregar o reforço positivo;
Fomentar os comentários positivos entre os alunos;
Compartilhar o protagonismo nas aulas;
Introduzir jogos e dinâmicas específicas.
Conhecimento e aceitação de si mesmo:
A idéia é que o aluno faça uma reflexão sobre seus atos, tentar entender porque
reage de uma determinada maneira a determinadas situações, um outro aspecto
é de oferecer instrumentos para que perceba suas habilidades e limitações e
tente superar suas dificuldades e principalmente se aceitar como é. Proposta de
atividades:
•
•
•
•
Trabalhar sempre que possível com uma proposta de atividade lúdica
aberta;
Introduzir propostas lúdicas planejadas pelos própios alunos;
Permitir ao aluno a seleção livre do nível da atividade lúdica;
Planejar atividades grupais cooperativas com diferentes funções.
Autonomia para tomar decisões e assumir as decisões tomadas:
Trata-se de discutir entre os alunos as responsabilidades em suas ações. Para
isso é fundamental que o(s) aluno(s): em primeiro lugar, confie nele(s) e em
sua(s) possibilidade(s) e em segundo lugar, planeje uma série de ações
orientadas para que seja o próprio aluno ou o grupo que se encarregue de tomar
as decisões e que se responsabilize pelas suas decisões tomadas.
Só poderemos favorecer a autonomia e a responsabilidade quando o professor
reconhecer que as aulas completamente dirigidas onde os alunos sempre fazem
o que o professor manda, como diz o professor e quando diz o professor, fica
muito difícil. Propostas de atividades:
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•
•
•
Absoluta liberdade para participar ou não das atividades propostas na
aula;
Delegar ao aluno uma série de tarefas ou funções;
Estabelecer com os alunos regras básicas de convivência nas aulas.
No eixo social: conteúdos e programa de ação
Aperfeiçoar as relações interpessoais:
Em nosso ponto de vista o relacionamento interpessoal estabelecido entre os
alunos (meninas e meninos) condiciona a aprendizagem tanto ou mais que
outros aspectos os quais estabelecemos com fundamentais como a didática, os
conteúdos, as metodologias aplicadas etc.
Se queremos que nossos alunos desenvolvam ao máximo suas potencialidades é
fundamental que nas aulas de educação física se crie um clima agradável para
todos. Propostas de atividades:
•
•
•
•
•
Estimular a expressão de sentimentos e os contatos interpessoais;
Introduzir atividades motrizes que impliquem na troca constante de
companheiros;
Favorecer a formação de grupos distintos;
Potenciar a prática de jogos cooperativos de tabuleiros, motrices etc;
Utilizar recompensas grupais.
Aceitação do outro:
Tão importante como ser aceito dentro de um grupo é aceitar os demais ou o
outro independente de sua raça, sexo, classe social, religião etc. Um dos
objetivos prioritários nas nossas aulas de educação física é de eliminar de
qualquer jeito a discriminação que exista ou possa existir dentro do grupo.
Usaremos como estratégias três aspectos: as relações entre meninas e meninos,
as relações entre alunos de culturas minoritárias e os da cultura predominante,
e as relações entre os grupos de meninas e meninos que apresentam alguma
deficiência motriz, mental etc. Propostas de atividades:
•
•
•
•
Introduzir nas aulas elementos lúdicos das culturas minoritárias;
Reforçar positivamente os grupos mistos;
Empregar uma linguagem não sexista;
Adaptar as atividades ao aluno deficiente.
Resolução de conflitos por vias não violentas:
Parte-se da idéia de que o conflito é algo natural e que, por si mesmo, não é
negativo se bem orientado. O negativo é recorrer a violência seja qual for ela,
para impor nosso próprio critério.
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Uma resolução não violenta de conflitos requer uma exposição do nosso ponto
de vista sobre o problema, escutar a visão do outra pessoa e alcançar um acordo
que seja bom para ambos ou para um coletivo. Propostas de atividades:
•
•
•
Favorecer com que o aluno regule seus próprios conflitos;
Reservar um espaço para a regulação dos conflitos;
Reforçar positivamente a regulação não violenta de conflitos por parte do
aluno.
Conhecimento e valorização de outras culturas:
Em um processo de convivência sem violência requer aceitar outros pontos de
vista, porque existem outras formas de ver as coisas.
Neste sentido é importante conhecermos nossa própria história e cultura para
valorizar nosso patrimônio cultural. Mas isso não será desculpa para cair no
etnocentrismo e pensar que nossa cultura é a melhor e a única possível.
Quando compartilhamos informações sobre outras culturas, percebemos com os
nossos alunos que as semelhanças entre as diversas culturas são maiores que as
suas diferenças. Pó isso devemos oferecer condições e oportunidades que os
alunos possam comparar e buscar pontos de coincidências em nossa própria
cultura e em outras culturas (povos, nações etc). Propostas de atividades:
•
•
Empregar músicas de outras culturas.
Introduzir atividades lúdicas de outros povos e culturas.
No eixo natural (meio ambiente): conteúdos e programa de ação
Respeito e preservação da natureza:
A educação para paz não se resume somente nas relações humanas, mas
também na relação do homem com o meio ambiente em que nós vivemos e nos
desenvolvemos.
É dentro da família, na sociedade e na escola que devemos proporcionar aos
nossos alunos e filhos uma série de experiências e informações acerca do meio
ambiente e a sua importância para a sobrevivência de todos os seres. Nossos
alunos têm que entender que preservar o meio ambiente é preservar a espécie
humana.
Compartilhar o conhecimento: com a escola, com a comunidade e
com o mundo
Sabemos que é muito difícil promover situações de intercâmbio da escola com a
sociedade, mas podemos e temos a obrigação de criar meios e propostas para
favorecer este intercâmbio.
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Os professores podem fazer com que determinadas aulas sejam utilizadas como
um momento para favorecer esta integração.
Dentro dos eixos de conteúdos iremos abordar as mais diferentes possibilidades
do uso do brincar cooperativo para o desenvolvimento e aprendizagem dos
métodos citados anteriormente neste artigo.
Vou relacionar abaixo algumas sugestões apresentadas na proposta do professor
VELÁZQUEZ (1991) entre outras que podem ser desenvolvidas para facilitar
este intercâmbio nas aulas dentro da escola.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Resgate dos jogos tradicionais e populares;
Criar um museu do brinquedo tradicional e popular;
Danças, rondas e cirandas do mundo;
Olimpíadas cooperativas escolares e intercolegial;
Aulas abertas com a participação dos pais;
Correio da paz intercolegial;
Resgate dos jogos tradicionais e populares;
Desenvolvimento de atividades lúdicas não-sexistas;
Criação de brincadeiras, jogos e brinquedos não belicosos;
Correio da paz;
Compartilhar as experiências lúdicas com macros jogos humanos
cooperativos;
Brincar cooperativamente junto à natureza.
MÉTODOS DE AVALIAÇÃO PARA JOGOS COOPERATIVOS
Os processos de avaliação nos jogos cooperativos podem ser:
•
•
•
•
•
Global
Continuo
Integrado
Formativo
Compartilhado
A avaliação no jogo cooperativo pode ser dividida em três momentos
importantes:
Avaliação Inicial:
• Das características dos espaços e materiais;
• Das características dos alunos.
Avaliação Continua:
• Estabelecer atividades ou conteúdos de reforço;
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•
Replanejamento da programação.
Avaliação Final
Para avaliar é necessário criar alguns procedimentos de avaliação como:
• Procedimentos de Observação
• Procedimento de Experimentação
• Procedimento de Avaliação dos Alunos
Acreditamos que para avaliar é preciso que perguntas sejam respondidas
Em relação aos alunos
• Jogam juntos as crianças de raças distintas?
• Jogam juntos os meninos e as meninas? Que tipo de jogos?
• Existe algum tipo de relação entre os grupos nos jogos do pátio do
recreio?
• Como se distribuem nos espaços de jogos na escola?
• Que tipo de jogos são os mais freqüentes?
• Como se resolve habitualmente os conflitos na escola na hora de brincar?
• Existem meninos e meninas que frequentemente estão sós na hora do
recreio, sala ou escola?
Em relação ao professor e o grupo de aula
• O aluno participa da elaboração e negociação das normas de convivência
na aula?
• O grupo colabora no desenvolvimento da aula sugerindo idéias para
melhorar a mesma?
• O professor aceita as sugestões dos alunos e as põe em prática?
• O aluno se responsabiliza de certas tarefas durante as aulas? O faz de
forma eqüitativa?
• O professor aceita o diálogo com o aluno orientando-o na busca de uma
solução de consenso como base para a regulação dos possíveis problemas
em aula?
• Existe relação entre o professor e o aluno fora do horário de aula: tempo
de recreio, atividades extra-escolares etc.?
Em relação aos professores
• Existe interação entre os professores das diversas áreas ou saberes dentro
da escola?
• Os professores participam de forma coletiva do planejamento das
atividades ou eixos de conteúdos?
Na avaliação devemos verificar se os nossos alunos aprenderam
• A aceitar o outro em igualdades de condições;
• A colaborar e apoiar o outro;
• A reconhecer e aceitar as virtudes e as deficiências do outro;
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•
•
A respeitar o espaço e o trabalho do outro;
A compreender que a única maneira de alcançar as metas é somando
esforços e cooperando.
Para Giroux (1992) os educadores tem que possibilitar aos estudantes a
oportunidade de aprofundar a compreensão e a importância da cultura
democrática, relações nas quais o prioritário é aprender o valor da cooperação,
do compartilhar e da justiça social. Isto é, para fomentar o valor da cooperação é
preciso vivencia-la diariamente na escola, na família e na sociedade. Imaginar
que uma cultura da PAZ é possivel é a nossa missão.
Imaginar não somente no simbólico, mas tentar viver a PAZ no dia-a-dia de
cada um de NÓS. John Lennon em 9 setembro de 1971 escreveu uma letra de
uma música “Imagine” que retrata bem a importância de criar uma cultura de
paz.
“Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one
(Imagine John Lennon, 9 Septiembre de 1971)
CONSIDERAÇÕES FINAIS DO AUTOR
Tentei neste artigo apresentar uma proposta educativa de educação para a paz
através do brincar cooperativo. Sei que são muitas as dificuldades que iremos
enfrentar para compartilhar uma proposta diferente, inovadora e
transformadora. Por isso dedico o brincar cooperativo e a cultura da paz:
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“A nova geração de crianças e educadores que buscam no brincar,
um instrumento criativo e emancipador, e que,
através dele desfrutem dos jogos de sempre e dos de hoje,
e cresçam buscando a melhor convivência, a justiça e a paz.”
A cristalização do brincar competitivo universalizou-se de tal forma na vida
cotidiana das pessoas que viver neste mundo precisa de coragem, tolerância,
amor, otimismo entre outras coisas.
Acredito que o brincar e a cultura da paz são uma alternativa educativa aos
modelos pedagógicos apoiados na competição, no individualismo, no
egocentrismo, entre outros.
Gostaria de apresentar abaixo o meu desejo e manifesto:
1. RESPEITAR A VIDA
a. O resgate da vida;
b. A defesa da vida;
c. O respeito à vida.
2. REJEITAR TODO TIPO DE VIOLÊNCIA
3. SER GENEROSO
4. SER TOLERANTE
5. OUVIR PARA COMPREENDER
6. PRESERVAR O PLANETA
7. REDESCOBRIR A SOLIDARIEDADE
8. REDESCOBRIR A PAZ
O brincar cooperativo é uma proposta na qual jogamos cooperativamente,
descobrimos como estamos no mundo, percebemos o presente e alcançamos
vôos para o futuro. Hoje eu, você e NÓS podemos trilhar um caminho
alternativo de jogar, ensinar, trabalhar e viver em paz.
A idéia e propósito deste trabalho foi de sensibilizar e instrumentalizar os
educadores no resgate e no desenvolvimento de valores e atitudes cooperativas
consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente dentro de uma
perspectiva da CULTURA DA PAZ.
Garantir o espaço do brincar na educação infantil pode ser um elemento
importante para ampliar o repertório de vida e de conhecimento da criança.
Garantir este espaço é fortalecer sua autonomia, sua capacidade criadora, sua
consciência coletiva, sua solidariedade e sua cooperação.
Brincar e aprender ou brincando e aprendendo de forma cooperativa pode
acrescentar no bojo da formação humana das crianças experiências ricas,
criativas, ímpares e libertadoras. E principalmente, oportuniza construir valores
sólidos e consistentes que servirão para fortalecer suas relações consigo mesmo,
com os outros e com o meio micro e macro.
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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas.
Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006.
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida:
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SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS
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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas.
Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006.
Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida:
“O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”.
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Para contactar con el autor: [email protected]
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