DETERMINAÇÃO DE CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA Claudio Shiguero Matsunaga Konaga TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DA COORDENÇÃO DE QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE BACHAREL EM QUÍMICA INDUSTRIAL ANÁPOLIS, GO - BRASIL DEZEMBRO 2011 DETERMINAÇÃO DE CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA Claudio Shiguero Matsunaga Konaga TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DA COORDENÇÃO DE QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE BACHAREL EM QUÍMICA INDUSTRIAL Aprovado por: ii KONAGA, CLAUDIO SHIGUERO MATSUNAGA. Determinação de concentração de chumbo em soja por espectroscopia de absorção atômica. [ANÁPOLIS] 2011. x, 47 p. 29,7 cm (UnUCET/UEG, Bacharel, Química Industrial, 2011) Trabalho de Conclusão do Curso – Universidade Estadual de Goiás, UnUCET 1. Chumbo em soja 2. Agrotóxicos 3. Espectroscopia de Absorção Atômica I.UnUCET/UEG II. Título (serie) iii AGRADECIMENTOS A Deus Aos meus pais pelo apoio e incentivo A minha companheira Bruna pelo apoio Aos colegas e amigos pelo apoio Ao professor Msc. Fernando Afonso pela orientação e paciência. Aos Técnicos dos Laboratórios de Química pela colaboração e pelo apoio. A UEG pelos reagentes e equipamentos para a realização deste trabalho iv Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a UnUCET/UEG como parte dos requisitos necessários para obtenção do titulo de Bacharel em Química Industrial DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA Claudio Shiguero Matsunaga Konaga Orientador: Profº Msc. Fernando Afonso da Silva Curso: Química Industrial Agrotóxicos podem ter alguns metais pesados em sua constituição, como o chumbo que apresenta alta toxicidade. O presente trabalho teve como objetivo de determinar o teor de chumbo presente em grãos de soja comercializados nas regiões dos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Das 10 amostras analisadas 8 estão disponíveis comercialmente e 2 adquiridas diretamente dos produtores. As amostras foram preparadas nos laboratórios de química da UnUCET/UEG. Os teores de chumbo foram determinados por um espectrofotômetro de absorção atômica no laboratório do MAPA/LANAGRO-GO. Baseado nos valores de Limite Máximo de Tolerância (LMT) estabelecidos pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sendo este valor o mesmo estabelecido pela União Européia (EU) e a China, 3 amostras apresentaram concentrações de chumbo acima do permitido. Já para os Estados Unidos da América (EUA) o qual apresenta limites mais rigorosos, 5 amostras apresentaram concentrações de chumbo acima do permitido. DEZEMBRO/2011 v ÍNDICE LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS .......................................................................viii ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................ ix ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................. x 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................... 3 2.1 Breve histórico da soja ....................................................................................... 3 2.2 Importância da soja ............................................................................................ 3 2.3 Características da soja ....................................................................................... 4 2.3.1 Fatores de desenvolvimento da planta ........................................................ 4 2.3.2 Composição da soja .................................................................................... 4 2.4 Pragas da soja ................................................................................................... 5 2.4.1 Pragas que atacam folhas ........................................................................... 7 2.4.2 Pragas que atacam vagens e grãos ............................................................ 7 2.4.3 Pragas que atacam o caule ......................................................................... 7 2.4.4 Pragas que atacam a raiz ............................................................................ 8 2.4.5 Controle biológico da lagarta-da-soja .......................................................... 8 2.4.6 Controle biológico de percevejo ................................................................... 9 2.4.7 Controle químico das pragas da soja........................................................... 9 2.5 Doenças da soja .............................................................................................. 12 2.5.1 Principais doenças ..................................................................................... 12 2.5.2 Controle das doenças da soja ................................................................... 14 2.6 Plantas daninhas.............................................................................................. 15 2.6.1 Controle preventivo .................................................................................... 17 2.6.2 Controle físico ............................................................................................ 17 2.6.3 Controle químico ........................................................................................ 17 2.7 Soja geneticamente modificada ....................................................................... 19 2.8 Produtos químicos na agricultura ..................................................................... 20 2.7.1 Herbicidas .................................................................................................. 21 2.7.2 Inseticidas .................................................................................................. 21 2.7.3 Fungicidas ................................................................................................. 22 2.7.4 Fertilizantes ............................................................................................... 22 2.8 Metais Pesados................................................................................................ 23 2.8.1 Metais Pesados no solo ............................................................................. 23 2.8.2 Metais pesados nos organismos................................................................ 24 vi 2.8.3 Metais pesados nas plantas ...................................................................... 25 2.9 ABSORÇÃO ATÔMICA.................................................................................... 25 2.9.1 Fonte de calor ............................................................................................ 26 2.9.2 Monocromador ........................................................................................... 27 2.9.3 Detector ..................................................................................................... 28 2.9.4 Fontes de raias de ressonância ................................................................. 28 3 MATERIAIS E MÉTODOS ...................................................................................... 30 3.1 Determinação de umidade ............................................................................... 30 3.2 Abertura da amostra ........................................................................................ 31 3.3 Análise da amostra .......................................................................................... 33 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................... 34 4.1 Teor de umidade .............................................................................................. 34 4.2 Análise das amostras ....................................................................................... 34 5 CONCLUSÃO ......................................................................................................... 37 REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ............................................................................... 38 ANEXO A – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NO BRASIL .............................. 43 ANEXO B – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA UE ...................................... 44 ANEXO C – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA CHINA ................................ 45 ANEXO D – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NOS EUA ................................. 46 ANEXO E – FORMULÁRIO ....................................................................................... 47 vii LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS AAS – Espectroscopia de Absorção Atômica ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária Btk - Bacillus thuringiensis sorovar kurstaki CE – Comunidade Européia CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento EDL – lâmpada de descarga elétrica EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EPI – Equipamentos de Proteção Individual EPSPS - 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintetase EUA – Estados Unidos da América IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis LANAGRO – Laboratório Nacional Agropecuário LMR – Limite máximo de Resíduos MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento RR – Roundup Ready UE – União Européia US-EPA – United States Environmental Protection Agency VD – Valores Diários VPNAg - Vírus de Poliedrose Nuclear de Anticarsia gemmatalis g - gramas K - Kelvin kcal – quilocalorias kg - quilogramas kJ - quilojoule L - litros mg – miligramas mL – mililitros ng – nanogramas nm – nanômetros ppm – parte por milhão V – volts viii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1: Moinho de martelo...................................................................................... 31 Figura 2: Sistema de aquecimento.. .......................................................................... 32 Figura 3: Sistema de filtração.. .................................................................................. 33 ix ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1: Tabela com informação nutricional da soja. ................................................ 5 Tabela 2: Insetos-pragas da soja e a parte de planta que atacam. ............................. 6 Tabela 3: Inseticidas indicadas para o controle da Anticarsia gemmatalis (lagarta-dasoja)........................................................................................................................... 10 Tabela 4: Inseticidas indicados para o controle dos insetos-pragas: N. viridula (percevejo verde), P. guildinii (percevejo verde-pequeno) e E. heros (percevejo marrom). .................................................................................................................... 11 Tabela 5: Inseticidas indicados para outros insetos-pragas. ..................................... 12 Tabela 6: Doenças da soja causadas por fungos. ..................................................... 13 Tabela 7: Doenças da soja causadas por bactérias, vírus e nematóides. ................. 14 Tabela 8: Fungicidas indicados para o controle da ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), doenças de final de cicilo e doenças de oídio (Erysiphe diffusa). .......... 15 Tabela 9: Principais plantas daninhas da cultura da soja no cerrado. ....................... 16 Tabela 10: Herbicidas para o controle de plantas daninhas em culturas de soja. ..... 18 Tabela 11: Local de origem das amostras................................................................. 30 Tabela 12: Resultados dos cálculos de teor de umidade das amostras de soja. ...... 34 Tabela 13: Resultados das concentrações de chumbo nas amostras de soja. ......... 35 x 1 INTRODUÇÃO A produção de soja é a que mais cresceu entre as produções de grãos nas ultimas décadas, tanto a nível nacional quanto a nível mundial. Sendo que entre os maiores países produtores de soja, o Brasil se destaca em segundo lugar e o EUA na liderança. Entretanto em termos de expansão para produção de soja, o Brasil é o que apresenta maior potencial de área para o cultivo. Sendo assim, um grande candidato a ter a maior produção de soja do mundo. A soja tem se destacado mundialmente graças ao interesse comercial por seus derivados, principalmente pelo óleo vegetal (óleo comestível e bicombustível). O seu alto teor de massa protéica é aproveitado para produção de rações animais (animais domésticos e produtores de carne). Atualmente tem conquistado a preferência de civilizações ocidentais nas suas alimentações, ao contrario das civilizações asiáticas nas quais a soja já era bastante consumida. Apesar de ser a oleaginosa mais produzida, a soja possui vários problemas durante o seu cultivo assim como qualquer outra espécie vegetal a ser cultivada. Entre eles estão as plantas daninhas, as doenças que a soja pode manifestar e as pragas. Para tais ocasiões é muito comum os produtores utilizarem defensivos agrícolas pela sua praticidade e baixo custo de mão-de-obra. Caso contrario seria economicamente inviável para os produtores, alem de não serem capazes de produzir quantidades suficientes para suprir o mercado consumidor. Em muitos casos a utilização de produtos químicos para o controle de pragas é realizada de maneira incorreta, ocasionando na poluição do ambiente, desequilíbrio no ecossistema das lavouras, intoxicação das plantas e até mesmo do próprio manipulador e outros trabalhadores rurais. As plantas podem absorver os elementos tóxicos presentes nos produtos químicos e repassarem para a cadeia alimentar, podendo assim intoxicar as pessoas. Dentre estes elementos tóxicos o arseniato de chumbo foi muito utilizado em pesticidas. Pelo fato deste oferecer risco a saúde do homem, o seu uso foi proibido. O chumbo é um dos metais pesados mais preocupantes devido ao seu elevado 1 potencial de contaminação e os problemas que pode causar no organismo do homem. Este trabalho apresenta como objetivo a determinação de resíduos de chumbo presentes nos grãos de soja através do método de espectrometria de absorção atômica (chama). 2 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Breve histórico da soja No período entre 2883 a 2838 A.C. pode-se encontrar uma das primeiras citações a respeito do grão. A soja era considerada um grão sagrado juntamente com o arroz, cevada, trigo e milheto na China onde provavelmente teve sua origem como plantas rasteiras. O resultado do cruzamento entre espécies de soja selvagem originou um grande ancestral que deu início a uma série de evolução até as espécies conhecidas hoje (EMBRAPA, 2010). A China se destacou na produção de soja até o início do século XX. O cultivo da soja pela civilização ocidental teve início somente a partir da década de 20 pelos Estados Unidos, o qual sofreu uma grande expansão na produção e comercio do grão após a Segunda Guerra Mundial conquistando o mercado internacional (MSSÃO, 2006; SCHLESINGER, 2006). No Brasil, o cultivo da soja iniciou-se no início do século XX no Rio Grande do Sul por pequenos produtores como alimentação para suínos, aves e adubos. Logo depois o cultivo da soja se expandiu para outros estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e outros estados do Centro Oeste (SCHLESINGER, 2006). Em 2006, foi aprovado pelo MAPA, o projeto de Produção Integrada de Soja a qual consiste na aplicação de boas praticas agrícolas em relação a conservação do solo, manejo de pragas e aplicação de agroquímicos garantindo a preservação do meio ambiente (LIMA, et al., 2008). 2.2 Importância da soja A soja representa uma das oleaginosas mais importantes cultivadas no mundo. Em relação à exportação brasileira, a soja e seus derivados (farelo e óleo) apresentam uma grande participação e contribuição para a economia do país (SILVA, 2006). Segundo a CONAB, estima-se que o Brasil apresenta uma produção de soja de 72,965 milhões de toneladas no levantamento de setembro da safra 2010/2011. 3 A produção de farelo de soja foi estimada em 28,4515 milhões de toneladas e o óleo de soja aproximadamente 7,2053 milhões de toneladas. A exportação de soja em grãos foi de 32,850 milhões de toneladas, a de farelo de soja foi de 14,950 milhões de toneladas e o óleo foi de 1,630 milhões de toneladas (CONAB, 2011). Alem disso a economia da soja propiciou um grande avanço tecnológico no ramo, introduzindo maquinas modernas nas lavouras, modernização de meios de transporte, expansão dos territórios agrícolas, abastecimento do ramo da agropecuária e enriquecendo a alimentação da população brasileira (DALL’AGNOL et al., 2008). Como não é de tradição brasileira o consumo da soja na alimentação, diferentemente da população asiática, as entidades associadas ao comercio do grão encontram muitas dificuldades para criarem produtos de soja que sejam aceitos pelo comercio interno. A utilização da soja no mercado interno é preferencialmente feita na forma de óleo e farelo (ROESSING e GUEDES, 1993). 2.3 Características da soja 2.3.1 Fatores de desenvolvimento da planta O fenótipo de um organismo vegetal depende da interação entre as características genéticas do vegetal e o ambiente. O ambiente é o fator limitante para que a planta desenvolva toda a sua capacidade de crescimento. Outros fatores podem ser relacionados a questão do ambiente como fatores climáticos (radiação solar, temperatura e umidade), edáficos (físico e químico) e biológicos (organismos de toda natureza). Sendo que alguns fatores como a irrigação, controle de pragas e doenças e nutrição das plantas podem ser controladas de maneira antrópica, outros fatores dependem da natureza (TANAKA et al., 1993). 2.3.2 Composição da soja O principal constituinte da soja é a água cuja porcentagem pode alcançar até 95% do seu peso, variando de acordo com a espécie, idade e da quantidade disponível de água. E a matéria seca das plantas é constituída, aproximadamente 90%, de elementos químicos como carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O). O 4 carbono e oxigênio são provindos do processo de fotossíntese e o hidrogênio da água absorvida pela planta. Cerca de 6% da matéria seca é constituída por minerais. (TANAKA et al., 1993). A Tabela 1 contem informações de nutrientes da soja em uma quantidade de porção de 15 g com suas respectivas porcentagens de Valores Diários (VD), em embalagens de soja disponíveis comercialmente. Tabela 1: Tabela com informação nutricional da soja. Informação Nutricional Quantidade por porção 15 g (1 colher sopa) % VD (*) Valor Calórico 62 kcal = 260 kJ 3% Carboidratos 4g 1% Proteínas 5g 7% Gorduras Totais 3g 5% Gorduras Saturadas 0g 0% Gorduras Trans 0g Colesterol 0 mg 0% 2g 8% Cálcio 41 mg 4% Ferro 2 mg 14% Sódio 0 mg 0% Magnésio 42 mg 16% Fósforo 106 mg 15% Vitamina B1 0,13 mg 11% Vitamina B2 0,13 mg 10% Vitamina B3 0,24 mg 2% Fibra Alimentar (*)% Valores Diários com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. Fonte: Embalagem de soja comercializada na região de Hortolândia – São Paulo. 2.4 Pragas da soja Nas culturas de soja são encontrados vários insetos. Entretanto, apenas determinados insetos são considerados como pragas devido a sua alimentação, especificamente os que se alimentam das folhas e das vagens de soja (HOFFMANN-CAMPO, 2000). Tais pragas causam danos significativos nas lavouras, necessitando de controles adequados. Apesar disso, a prevenção através de produtos químicos não é aconselhável pois, a utilização incorreta destes pode causar poluição ambiental, 5 elevar os gastos da lavoura e provocar o desequilíbrio da população dos insetos (EMBRAPA SOJA, 2010). Para minimizar estas conseqüências é necessário realizar estudos a respeito dos insetos como a quantidade e o tamanho, e também do estagio de desenvolvimento da planta da soja baseados nos fundamentos do “Manejo de Pragas” (EMBRAPA SOJA, 2010). A Tabela 2 apresenta alguns insetos-pragas comuns da soja e a parte da planta que atacam. Tabela 2: Insetos-pragas da soja e a parte de planta que atacam. Nome científico Nome comum Parte da planta --------------------------------------------------------Principais-----------------------------------------------------Anticarsia gemmatalis Lagarta-da-soja Fo Euschistus heros Percevejo marrom Va, Se Piezodorus guildinii Percevejo verde pequeno Va, Se Nezara viridula Percevejo verde Va, Se -------------------------------------------Regionalmente importantes-------------------------------------------Sternechus subsignatus Tamanduá-da-soja Há Scaptocoris spp. Percevejos-castanhos-da-raiz Ra Phyllophaga cuyabana, Corós Ra Liogenys spp. e Plectris pexa -----------------------------------------------------Secundárias-----------------------------------------------------Elasmopalpus lignosellus Broca-do-colo Há Chalcodermus sp. Bicudinho Fo Pseudoplusia includens Falsa-medideira Fo Maecolaspis calcarifera, Vaquinha Fo Megascelis sp. Dichelops melacanthus Barriga verde Va, Se Edessa meditabunda Va, Se Clocidosema aporema Broca-das-axilas Fo, Br, Va Diabrotica speciosa Patriota Fo(A), Ra(L) Cerotoma sp. Vaquinha Fo, Va(A), No(L) Aracanthus mourei Torrãozinho Co, Fo, Pe Bemisia tabaci Biotipo B Mosca branca Fo Tripes Fo Poilho-de-cobra Pl, Se, Fo Caracóis e lesmas Pl, Co, Fo Dysmicoccus sp., Cochonilhas-da-raiz Ra Pseudococcus sp. Omiodes indicata Lagarta-enroladeira Fo Ácaros Fo 6 Br=brotos; Co=cotilédones; Fo=folhas; Ha=hastes; No=nódulos; Pe=pecíolos; Pl=plântulas; Ra=raízes; Se=sementes; Va=vagens. (A)=adulto; (L)=larva. Fonte: Embrapa Soja, 2010. 2.4.1 Pragas que atacam folhas Alguns insetos como lagartas e besouros alimentam-se das folhas. Um exemplo mais comum de lagarta é a lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis). O ataque desta às lavouras costuma ser mais freqüente na época de novembro no Paraná, e dezembro no sul do país. As lavouras vítimas das lagartas podem perder até 100% de suas folhagens (HOFFMANN-CAMPO, 2000). Além da lagarta da soja, pode-se encontrar também a chamada lagarta falsa medideira (Pseudoplusia includens). As folhas de soja atacadas por esta apresentam características próprias por motivo da lagarta não consumir as nervuras. Estas também se alojam no baixeiro das plantas, dificultando a ação dos inseticidas. Demais espécies de Plusiinae, como Rachiplusia nu, podem ser encontradas na região sul do Rio Grande do Sul (BELLETTINI, 2007; HOFFMANN-CAMPO, 2000). 2.4.2 Pragas que atacam vagens e grãos Os insetos sugadores mais conhecidos são os percevejos os quais são capazes de causar sérios problemas econômicos a uma sojicultura. Algumas espécies como percevejo marrom (Euschistus heros) e percevejo pequeno (Piezodorus guildinii) são facilmente encontradas nos cerrados. Estes são capazes de perfurar as sementes, diminuindo a capacidade germinativa, teores de óleo e proteína pela danificação do tecido da soja. Alem de servir também como vetor de doenças causadas por fungos como Nematospora coryli. As vagens e grãos danificadas atrasam a queda das folhas e consequentemente atrasa o amadurecimento da soja na época da colheita (GODOY et al., 2010; MAZIERO et al., 2009; PANIZZI, 2003). 2.4.3 Pragas que atacam o caule Nas épocas de seca após o cultivo da soja, no cerrado, o inseto broca-docolo-da-soja (Elasmopalpus lignosellus) pode ser considerado uma praga capaz de danificar gravemente uma lavoura. Na sua fase de larva, esta cava uma galeria no 7 interior da plântula de soja. Geralmente as plantas atacadas pela larva que estão no inicio da fase de crescimento morrem, e as mais desenvolvidas tornam-se plantas com o caule frágil, podendo ser rompido com o vento ou durante as colheitas (SOSA-GÓMEZ et al., 1993). 2.4.4 Pragas que atacam a raiz Estes insetos-pragas são larvas de besouros que se alimentam de raízes encontradas nas regiões do centro-oeste e norte de Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Espécies como Phyllophaga cuyabana (Paraná) e Lyogenis suturalis (Mato Grosso do Sul) são as mais comuns. O ataque destas resulta em aparecimento de manchas, plantas amareladas, murchas e sem raízes secundarias, podendo levar a morte da planta (HOFFMANN-CAMPO, 2000). 2.4.5 Controle biológico da lagarta-da-soja O controle destas pragas pode ser realizado através de inimigos naturais ou pela utilização de produtos químicos. Como predadores da lagarta destacam-se as aranhas, percevejos dos gêneros Nabis e Geocoris, formigas lava-pé (Solenopsis spp.) são os mais encontrados em cultivos de soja. Os menos comuns são os coleópteros das espécies Calosoma granulatum, Callida sp., Cycloneda sanguinea, Eriopis connexa, Lebia concinna e Hippodamia convergens, e percevejos do gênero Podisus e Alcaeorrhynchus (SOSA-GÓMEZ et al., 1993). Existem espécies chamadas de parasitóides as quais atacam outro organismo como um hospedeiro para completar o seu ciclo de vida. Na maioria das vezes os parasitóides matam o hospedeiro no momento que atinge sua forma adulta e sai do corpo do hospedeiro (SOSA-GÓMEZ et al., 1993). No grupo de parasitóides a mais importante é a Microcharops bimaculata a qual ataca a lagarta-da-soja, A. gemmatalis. Outros parasitóides importantes da A. gemmatalis são a vespa, Euplectrus pluterii, e a mosca, Patelloa similis. Já a vespinha Copidosoma truncatellum e a mosca Voria ruralis atacam as lagartas falsamedideiras (HOFFMANN-CAMPO, 2000; SOSA-GÓMEZ et al., 1993). Alguns microrganismos também podem ser usados como controle da população das lagartas-da-soja. O principal é o fungo Nomuraea rileyi. Quando este 8 é estabelecido a condições climáticas e umidade favoráveis pode controlar a população da lagarta em ate 100%. Existem outros microrganismos que também são capazes de controlar a população de lagartas desfolhadoras como o Entomophthora spp., Paecilomyces tenuipes, Erynia radicans, Telenomus remus, B. bassiana e o Baculovirus anticarsia. Outros agentes microbiológicos como Bacillus thuringiensis sorovar kurstaki (Btk) e Vírus de Poliedrose Nuclear de Anticarsia gemmatalis (VPNAg) são interessantes no controle da lagarta (EMBRAPA SOJA, 2010; KNAAK e FIUZA, 2005; SOSA-GÓMEZ et al., 1993). 2.4.6 Controle biológico de percevejo Os parasitóides dos percevejos são geralmente vespas e moscas. Um exemplo de espécie de moscas é a Eutrichopodopsis nitens, a qual deposita ovos no tegumento do Nezara viridula. Estas larvas penetram no percevejo e alimentam-se dos tecidos afetando negativamente a sua capacidade reprodutiva. A mosca E. nitens é capaz de atacar o percevejo Thyanta perditor e outras espécies como E. heros e Piezodorus guildinii, sendo que as duas ultimas são menos freqüente. O Euschistus heros, percevejo marrom, também tem como parasitóide a mosca Gymnoclytia paulista (CORRÊA-FERREIRA, 2007; CORSO, 2005; SOSA-GÓMEZ et al., 1993). Entre as espécies mais comuns de vespinhas que podem ser utilizado para controle de percevejo em lavouras de soja estão a Trissolcus basalis e Telenomus podisi (GODOY et al., 2005) Existem alguns fungos como Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae, Verticillium spp. e Entomophaga spp. que são capazes de infeccionar os percevejos, atuando como um meio de controle de praga. No entanto, os percevejos E. heros, N. viridula e P. guildinii são capazes de suportar a infecções causadas pelo fungo M. anisopliae e B. bassiana (SOSA-GÓMEZ et al., 1993). 2.4.7 Controle químico das pragas da soja As tabelas Tabela 3, Tabela 4 e Tabela 5 indicam alguns inseticidas para o controle de determinados insetos-pragas. 9 Tabela 3: Inseticidas indicadas para o controle da Anticarsia gemmatalis (lagarta-da-soja). Nome técnico Nome comercial Baculovirus anticarsia Bacillus thuringiensis Dipel PM Thuricide Betaciflutrina Buldock 125 SC Betacipermetrina Akito Carbaril Sevin 480 SC Carbaryl Fersol 480 SC Clorfuazuron Atabron 50 CE Clorpirifós Lorsban 480 BR Diflubenzuron Dimilin Etofenprox Trebon 300 CE Endossulfam Dissulfan CE Thiodan CE Lufenuron Metoxifenozide Match CE Intrepid 240 SC Valient Novalurom Rimon 100 CE Permetrina SC Tifon 250 SC Profenofós Curacron 500 Tebufenozide Mimic 240 SC Teflubenzuron Nomolt 150 SC Tiodicarbe Larvin 800 WG Triclorfom Dipterex 500 Triclorfon 500 Defensa Alsystin 250 PM Triflumuron Alsystin 480 SC Certero Libre Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010. 10 Tabela 4: Inseticidas indicados para o controle dos insetos-pragas: N. viridula (percevejo verde), P. guildinii (percevejo verde-pequeno) e E. heros (percevejo marrom). Nome técnico Nome comercial Acefato Orthene 750 BR Carbaryl Carbaryl Fersol 480 SC Sevin 480 SC Dissulfan CE Endossulfam Thiodan CE Endossulfam SC Endozol Fenitrotiom Sumithiom 500 CE Fenitrotiona + esfenvarelato Pirephos CE Imidacloprido + beta-ciflutrina Connect Tamaron BR Metamidofós Hamidop 600 Metafós Faro Monocrotofós Azodrin 400 Paratiom metílico Folidol 600 Tiametoxan+lambda-cialotrina Engeo Pleno Triclorfom Dipterex 500 Triclorfom 500 Defensa Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010. 11 Tabela 5: Inseticidas indicados para outros insetos-pragas. Inseto-praga Nome técnico Nome comercial Dinafos Faro Hamidop 600 Metamidofós Metafós Metasip Epinotia aporema (broca das axilas) Stron Tamaron BR Bravik 600 CE Paratiom metílico Folidol 600 Mentox 600 CE Elasmopalpus lignosellus (broca do colo) Pseudoplusia includens (lagarta falsa medideira) Bemisia tabaci (mosca branca) Spodoptera cosmioides, Spodoptera eridania (lagarta-dasvagens) Sternechus subsignatus (tamanduá-da-soja) Carbaryl Sevin 480 SC Thiamethoxam Carbaril Cruiser 700 WS Carbaryl Fersol 480 SC Ciflutrina Baytroid CE Endosulfan Dissulfan CE Metamidofós Metafós Metomil Lannate BR Espiromesifeno Imidacloprido+betaciflutrina Clorpirifós Oberon Metamidofós Metafós Fipronil Standak 250 SC Connect Lorsban 480 BR Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010. 2.5 Doenças da soja Além das pragas, várias doenças atacam as lavouras de soja causadas por microrganismos como bactérias fungos, nematóides e vírus. A cada dia aumenta-se o numero de doenças que ataca a soja de acordo com o seu cultivo em novas áreas (YORINORI et al., 1993). 2.5.1 Principais doenças No Brasil foram encontradas e identificadas algumas doenças como mostrado nas tabelas Tabela 6 e Tabela 7. (EMBRAPA SOJA, 2010). 12 Tabela 6: Doenças da soja causadas por fungos. Doenças fúngicas Doenças foliares Ferrugem asiática Mancha foliar de altenária Cercospora kikuchii Phakopsora meibomiae Phakopsora pachyrhizi Alternaria sp. Mancha foliar de ascoquita Ascochyta sojae Crestamento foliar de cercóspora Ferrugem americana Doenças da haste, vagem e semente Antracnose Cancro da haste Mancha púrpura da semente Seca da haste e da vagem Seca da vagem Mancha de levedura Mancha foliar de mirotécio Mancha parda Colletotrichum truncatum Diaporthe phaseolorum var. meridionalis Diaporthe phaseolorum var. caulivora Cercospora kikuchii Phomopsis spp. Mancha "olho-de-rã" Míldio Mancha foliar de filosticta Mancha alvo Mela ou requeima da soja Mofo branco Fusarium spp. Nematospora corily Myrothecium roridum Septoria glycines Cercospora sojina Peronospora manshurica Phyllosticta sojicola Corynespora cassiicola Rhizoctonia solani AG 1 Sclerotinia sclerotiorum Oídio Erysiphe diffusa Doenças radiculares Podridão de carvão Podridão parda da haste Podridão de fitóftora Podridão radicular de cilindrocládio Tombamento de esclerócio Murcha de esclerócio Tombamento de rizoctonia Morte em reboleira Podridão da raiz e da base da haste Podridão vermelha da raiz Podridão radicular de roselínia Macrophomina phaseolina Cadophora gregata Phytophthora sojae Cylindrocladium clavatum Sclerotium rolfsii Sclerotium rolfsii Rhizoctonia solani AG 1 Rhizoctonia solani AG 1 Rhizoctonia solani Fusarium spp. Rosellinia sp. Podridão radicular de corinéspora Corynespora cassiicola Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010. 13 Tabela 7: Doenças da soja causadas por bactérias, vírus e nematóides. Doenças bacterianas Pústula bacteriana Pseudomonas savastanoi pv. Glycinea Xanthomonas axonopodis pv. Glycines Fogo selvagem Pseudomonas syringae pv. Tabaci Crestamento bacteriano Doenças causadas por vírus Mosaico comum da soja Queima do broto VMCS (Soybean mosaic virus) TSV (Tobacco streak virus) Mosico cálico AMV (Alfalfa mosaic virus) Necrose da haste CPMMV (Cowpea mild mottle virus) Doenças causadas por nematóides Nematóides de galhas Nematóide de galha Meloidogyne incógnita Meloidogyne javanica Nematóide de cisto da soja Nematóide reniforme Moloidogyne arenaria Heterodera glycines Rotylenchulus reniformis Nematóide das lesões radiculares Pratylenchus brachiurus Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010. 2.5.2 Controle das doenças da soja Grande parte das doenças ocorre através de patógenos transmitidos pelas sementes. Essa transmissão ocorre pela parte interna ou externa da semente. Por isso a melhor forma de combater as doenças das plantas de soja é o uso de sementes sadias tratadas por fungicidas apropriados (EMBRAPA SOJA, 2010). Outra forma de controle de doenças da soja é por meio da resistência genética das plantas. Este meio é o mais econômico. No entanto, como não há espécies de soja resistentes para todas as doenças é recomendável a utilização de outros meios como produtos químicos e rotação de cultivos de espécies não suscetíveis ao mesmo tipo de doenças (EMBRAPA SOJA, 2010). Na Tabela 8, encontram-se alguns fungicidas utilizados para o controle da ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), doenças de final de ciclo e doença de oídio (Erysiphe diffusa). 14 Tabela 8: Fungicidas indicados para o controle da ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), doenças de final de cicilo e doenças de oídio (Erysiphe diffusa). Nome da Doença Nome comum Nome comercial Fe, Fi Azoxistrobina Priori Fe, Fi, O azoxistrobina+ciproconazole Priori Xtra Fi,O Carbendazim Bendazol Derosal 500 SC Fe ciproconazole+propiconazole Artea Fe, Fi, O Difenoconazole Score 250 CE O Enxofrre Kumulus Fe Epoxiconazole Virtue Fe, O Fluquinconazole Palisade Fe, Fi, O Flutriafol Impact 125 SC Fe, O Miclobutanil Systhane 250 Fe Metconazole Caramba Fe, Fi, O picoxistrobina+ciproconazole Aproach Prima Fe, Fi, O piraclostrobina+epoxiconazole Opera Fe, Fi, O Tebuconazole Constant 200 CE Elite 200 CE Folicur 200 CE Orius 250 CE Tebuco Nortox Tríade 200 CE Fe, Fi, O Tetraconazole Fi,O tiofanato metílico Domark 100 CE Eminent 125 EW Cercobin 500 SC Cercobin 700 SC Support Fe, Fi tiofanato metílico+flutriafol Celeiro Impact duo Fe, Fi, O trifloxistrobina+ciproconazole Sphere Fe, Fi trifloxistrobina+propiconazole Stratego Fe trifloxistrobina+tebuconazole Nativo Fe= ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi); Fi=doença de final de ciclo; O=doença de oídio (Erysiphe diffusa). FONTE: EMBRAPA RORAIMA, 2009. 2.6 Plantas daninhas As plantas daninhas apresentam características como alta capacidade de produção de sementes, germinação e disseminação. Por isso a presença destas em lugares como culturas de soja torna-se indesejável por serem grandes competidoras 15 de água e nutrientes reduzindo assim, a capacidade de produção das lavouras (GAZZIERO & SOUZA, 1993). Entretanto as plantas daninhas também apresentam as suas vantagens. Estas podem ser utilizadas como plantas medicinais, fixadoras de nitrogênio, fonte de alimento e cobertura para animais silvestres e ajudam na redução de erosão do solo (GAZZIERO & SOUZA, 1993). Na Tabela 9 estão listadas as principais plantas daninhas que podem ser encontradas no cerrado. Tabela 9: Principais plantas daninhas da cultura da soja no cerrado. Nome científico Acanthospermum australe Acanthospermum hispidum Ageratum conyzoides Alternanthera tenella Amaranthus spp. Bidens pilosa Brachiaria decumbens Brachiaria plantaginea Nome comum Eleusine indica Emillia sonchifolia Euphorbia heterophylla Galinsoga parviflora Hyptislophanta Hyptis suaveolens Carrapicho-rasteiro Carrapicho-de-carneiro Erva-de-são-joão Apaga-fogo Caruru Picão-preto Capim-brachiaria Capim-marmelada Capim-carrapicho Tiririca Carrapicho-beiço-de-boi Capim-colchão Capim pé-de-galinha Falsa-serralha Amendoim-bravo Picão-branco Fazendeiro Malva-de-cheiro Ipomoea spp. Mimosa invisa Nicandra physaloides Pennisetum setosum Portulaca oleracea Raphanus raphanistrum Corda-de-viola Dormideira Joá-de-capote Capim-oferecido Beldroega Nabiça Richardia brasiliensis Senna obtusifolia Sida rhombifolia Solanum americanum Vigna spp. Poaia-branca Fedegoso Guanxuma Maria-pretinha Feijão-miúdo Cenchrus echinatus Cyperus rotundus Desmodium purpureum Digitaria horizontalis Fonte: GAZZIERO & SOUZA, 1993. 16 2.6.1 Controle preventivo O controle das plantas daninhas em grandes áreas é um processo que se depara com grandes problemas. A questão financeira e as características das plantas daninhas como a capacidade de sobrevivência das sementes a longo período são algumas delas. Sendo assim, a melhor alternativa para o agricultor é a prevenção destas. Na maioria das vezes a expansão da população de plantas daninhas ocorre pelo transporte de sementes destas pelo próprio homem através de equipamentos e maquinários. A limpeza de maquinas e equipamentos diminui riscos de plantas daninhas manifestarem em outros locais (GAZZIERO & SOUZA, 1993). Outro meio de prevenir estas seria favorecendo o desenvolvimento de culturas de soja para que estas possam competir com as plantas daninhas. A utilização de sementes de boa qualidade, fertilizantes e um menor espaçamento entre as plantas ajudam a reduzir a ocorrência de plantas daninhas (GAZZIERO & SOUZA, 1993). 2.6.2 Controle físico O controle físico consiste na capina manual e mecânica, sendo utilizada em pequenas e médias áreas de cultura. Este método é considerado eficiente e também é uma boa alternativa para diminuir utilização de herbicidas (GAZZIERO & SOUZA, 1993). 2.6.3 Controle químico A preferência deste método pelo agricultor vem principalmente pelo uso pratico e rápido. O uso de herbicidas continuamente pode selecionar espécies resistentes ao produto tornando-as difícil de serem controladas (GAZZIERO & SOUZA, 1993). Os herbicidas apresentam três maneiras de aplicação. O pré-plantio incorporado, pré-emergência e pós-emergência. Alem disso, os herbicidas devem ser utilizados de acordo com o estagio de desenvolvimento das plantas daninhas, para garantir um bom funcionamento (EMBRAPA SOJA, 2010). A forma mais comum de controle de plantas daninhas é a aplicação de dessecantes antes do cultivo, especificamente cerca de 10 dias. Porem este método 17 pode ocasionar problemas como rebrotas e de novos fluxos de plantas daninhas já estabelecidas no solo (CONSTANTIN et al., 2009). A Tabela 10 apresenta alguns herbicidas possíveis de serem utilizados como controle químico de plantas daninhas em culturas de soja. Tabela 10: Herbicidas para o controle de plantas daninhas em culturas de soja. Nome comum Nome comercial Acifluorfen-sódio Blazer Sol Tackle 170 Alachlor Laço Bentazon Basagran 600 Bentazon+Acifluorfen-sódio Volt Chlorimuron-ethyl Classic Clethodim Gamit Cloransulam-methyl Pacto Cyanazine Bladex 500 Diclosulam Spider 840 GRDA Dimethenamide Zeta 900 Fenoxaprop-p-ethyl+Clethodim Podium S Fenoxaprop-p-ethyl Podium S Fluazifop-p-butyl Fusilade 125 Fluazifop-p-butyl+Fomesafen Fusiflex Robust Flumetsulan Scorpion Flumiclorac-pentyl Radiant 100 Flumioxazin Flumizin 500 Sumisoya Fomesafen Flex Haloxyfop-R, éster metílico Verdict-R Imazaquin Scepter ou Topgan Scepter 70 DG Imazethapyr Pivot ou Vezir Lactofen Cobra S-metolachlor Dual Gold Metribuzin Sencor 480 Oxasulfuron Chart Pendimethalin Herbadox Pendimethalin+Imazaquin Squadron Propaquizafop Shogum CE Quizalofop-p-ethyl Targa 50 CE Quizalofop-p-tefuril Panther Sethoxydim Poast BASF Sulfentrazone Boral 500 SC 18 Tepraloxydim Aramo Trifluralin Premerlin 600 CE FONTE: EMBRAPA SOJA, 2010. O solo a ser aplicado o produto deve ter teores de matéria orgânica e texturas apropriadas ao herbicida. Determinados produtos de alta toxicidade devem ser utilizados em solos com altos teores de matéria orgânica e argila, pois podem ocasionar fitotoxicidade a cultura (EMBRAPA SOJA, 2010). De qualquer modo, o fator mais importante para o controle químico é a tecnologia de aplicação. Cabe ao agricultor ter o conhecimento da forma de aplicação correta do produto, na quantidade certa, com menor custo e contaminação em torno da área aplicada (GAZZIERO & SOUZA, 1993). 2.7 Soja geneticamente modificada A vasta quantidade de pragas, como insetos, doenças e plantas daninhas, que podem se manifestar na cultura da soja possibilitou um avanço na tecnologia de melhoramento genético. Esta tecnologia possibilitou a introdução de genes resistentes a tais pragas originando assim, novos tipos de soja. São algumas delas: 1. UFUS Milionária – É resistente as doenças: mancha olho-de-rã, vírus do mosaico comum, míldio, pústula bacteriana, cancro da haste, vírus da necrose da haste e moderadamente á mancha parda e oídio (HAMAWAKI et al., 2005); 2. CD 216, CD 204, CD 215, CD 211 e CD 218 – Resistentes, no geral, ao cancro da haste, e mancha olho-de-rã e parcialmente resistente ao oídio da soja (OLIVEIRA et al., 2005; DELLAGOSTIN et al., 2005); 3. BRS Raimunda – Resistente ao cancro da haste, oídio e aos nematóides-degalha (GIANLUPPI et al., 2005); 4. BRSGO Raíssa – Apresenta resistência as doenças como mancha olho-de-rã, vírus do mosaico comum da soja, pústula bacteriana, cancro da haste, nematóide de cisto raça 3 e moderadamente ao oídio (SOUZA et al., 2005); 5. Roundup Ready (RR) – Resistente ao glifosato. 19 Dos tipos de soja transgênica, a que mais se destaca é o tipo Roundup Ready (RR). Este tipo de soja apresenta características genéticas que permite ser tolerante frente ao glifosato. Este é um herbicida de classificação não seletiva, bastante eficaz, e apresenta baixa toxicidade para o seu manuseio (LUDWIG et al., 2010). O glifosato, N-(fosfonometil)-glicina, é um dos herbicidas mais conceituados em culturas de sojas transgênicas. Este herbicida é capaz de inibir a enzima 5enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintetase (EPSPS) incapacitando as plantas de produzirem aminoácidos essenciais. Como conseqüência ocorre a diminuição do crescimento, ruptura e morte celular das plantas (BENETTI, 2011). Pelo fato da soja RR ser resistente ao glifosato, o aumento na dosagem deste herbicida nas lavouras tornou-se uma grande preocupação. Sabendo que o glifosato interfere na absorção de minerais como N, Fe, Zn e Mn. E também pode afetar na fixação biológica do nitrogênio por reduzir teores de Ni, o qual é essencial para microorganismos fixadores (SERRA et al., 2011). 2.8 Produtos químicos na agricultura O aumento do uso de agrotóxicos como meio de controle de pragas, doenças e plantas daninhas, gera algumas preocupações a seu respeito. O contato com esses produtos através de resíduos contidos nos alimentos e durante sua manipulação acarreta a população uma série de doenças incluindo as cancerígenas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece limites máximos de resíduos de pesticidas em alimentos (LMR) pela preocupação com o aumento do uso destes (COSTA, 2010). Órgãos como a ANVISA é de fundamental importância para a fiscalização do uso de agrotóxicos em alimentos. Tais procedimentos incluem a detecção de concentrações de agrotóxicos e resíduos acima do permitido e o tipo de agrotóxico utilizado, para avaliar se é um produto autorizado ou não (DARDENGO, 2007). As principais vitimas por intoxicação alimentar são as crianças, sendo que estas mesmo com pequenas quantidades ingeridas sofrem maior risco de dano ao sistema fisiológico. A conseqüência disso são as doenças cancerígenas como leucemia, neuroblastoma, sarcoma e tecidos moles, osteosarcoma, sarcoma de 20 Ewing, cânceres de cérebro, coloretal, testículos e tumor de Wilm em casos de gestação (ABAD, 2006). Outro fator de preocupação é o desequilíbrio nos ecossistemas das lavouras pela utilização abusiva e errônea de agrotóxicos. Como já mencionado antes o uso dos pesticidas seleciona pragas e ervas daninhas alem de diminuir os inimigos naturais destes. 2.7.1 Herbicidas Dentre os agrotóxicos os herbicidas são os mais utilizados, sendo empregados no controle das plantas daninhas. Os herbicidas são eficazes pela praticidade e comparado aos inseticidas são menos tóxicos. Apesar disso podem causar contaminações no ambiente e selecionar, com o tempo, plantas resistentes aos produtos (COSTA, 2010). Uma boa parte dos herbicidas apresentam em suas formulações o composto químico do grupo das triazinas. Estes são compostos constituídos por heterocíclico de três átomos de nitrogênio posicionados aleatoriamente e três substituintes ligados aos átomos de carbono (COSTA, 2010). 2.7.2 Inseticidas Um dos primeiros inseticidas utilizados foram aqueles constituídos por compostos inorgânicos como arsênico branco, arseniato de alumínio, cálcio e chumbo, criolita, fluoreto de sódio, calda sulfo cálcica, sulfatos, carbonatos, entre outros. Estes foram bastante utilizados no controle de pragas e hoje são proibidos pela sua toxicidade (FARIA, 2009). A maioria dos agrotóxicos utilizados atualmente no controle de insetos são constituídos pelos grupos de compostos químicos carbamatos, organoclorados, organofosforados e piretroides (ABAD, 2006; COSTA, 2010). 1. Os carbamatos são bastante tóxicos principalmente ao sistema nervoso central, pois inibem as enzimas colinesterases. Esse grupo de enzima degrada a acetilcolina, um neurotransmissor do sistema nervoso central, causando distúrbios. Com isso o individuo exposto à intoxicação aparenta 21 sintomas como contrações musculares involuntários, convulsões, alterações cromossomiais e dermatites de contato. 2. Os organoclorados, devido a sua toxicidade e por ser estável, ou seja, mais persistente, o uso deste composto foi proibido no Brasil desde 1985. 3. Os organofosforados são mais tóxicos que os organoclorados, entretanto são menos agressivos ao meio ambiente. Organofosforados agem no sistema nervoso dos insetos pela inativação das enzimas colinesterases, ocasionando uma serie de efeitos que leva a morte. 4. Os piretroides possuem propriedades de baixa agressividade ao ambiente e toxicidade. Estes atuam no sistema nervoso dos insetos como neurotoxinas, causando nos organismos paralisia e morte. Nos seres humanos os piretroides podem causar tremores, salivação e hipersensibilidade. 5. Os neonicotinoides são razoavelmente solúveis em água, biodegradáveis e seletivos. Atuam como neurotransmissor de forma descontrolada e continua, ocasionando convulsões e morte do inseto. São cancerígenos ao ser humano. 2.7.3 Fungicidas Outros agrotóxicos de ampla utilização são os fungicidas. Dentre eles os que são constituídos por triazóis são os mais utilizados. Este grupo químico impede a síntese do ergosterol, constituinte da membrana celular (COSTA, 2010). 2.7.4 Fertilizantes As exigências minerais para um solo de uma cultura pode ser estabelecida pela adubação de quantidades de nutrientes apropriada juntamente com a época e o modo de aplicação. No estado de Goiás o gasto com fertilizantes chega a representar aproximadamente 22,4% (GUARESCHI et al., 2011). Pesquisas realizadas pela EMBRAPA SOJA (2010) mostraram que a utilização de fertilizantes nitrogenados em culturas de soja, em qualquer estagio de desenvolvimento da planta e qualquer tipo de aplicação, provoca a diminuição da nodulação e da fixação biológica do nitrogênio. E também não contribui para o aumento da produtividade. 22 Além disso a adubação nitrogenada em lavouras com a presença de plantas daninhas resulta no favorecimento destas do que das plantas cultivadas. Isso se deve pela maior eficiência na absorção de nutrientes do solo das plantas daninhas não pertencentes a família das leguminosas em relação as plantas de soja (PROCÓPIO et al., 2004). No entanto a utilização de fertilizantes para correção do teor de outros minerais essenciais é incontestável, desde que seja feita a analise do solo para não acrescentar elevadas quantidades de minerais levando a intoxicação (GONÇALVES JR. e PESSOA, 2002) 2.8 Metais Pesados Metais pesados são considerados aqueles que apresentam peso especifico acima de 6g/m3 ou numero atômico acima de 20. Estão contidos nesse grupo os metais, semi-metais (As) e não metais (F e Se). Na maioria das vezes são considerados tóxicos, mas não são todos que apresentam essa propriedade (SILVA, 2009). A origem dos metais pesados pode ser de forma litogênica e antropogênica. Esta primeira esta associada a fontes geológicos como resíduos de rochas, enquanto que a segunda esta associada a atividades humanas. A deposição de materiais com metais pesados em lugares inadequados podem aumentar a concentração desses elementos poluindo o solo. Alguns materiais como baterias, pedaços de carro, pilhas, podem acarretar no aumento de quantidades de elementos como cádmio, chumbo, mercúrio e níquel (ZEITOUNI, 2003). Entre os principais fatores de poluição do solo por metais pesados estão as emissões industriais, efluentes, fertilizantes e pesticidas aplicados em plantas (ZEITOUNI, 2003). 2.8.1 Metais Pesados no solo No solo pode-se encontrar naturalmente os metais pesados. Estes geralmente apresentam concentrações ou formas nas quais não proporcionam risco ao ambiente. Porem atualmente concentrações de metais pesados esta se elevando 23 pela ação do homem. Solos de produção agrícola são os de maior preocupação a respeito de acumulo de metais pesados. Uma maior quantidade destes no solo possibilita com maior facilidade a absorção pelas plantas, ocorrendo o risco de serem passados pela cadeia alimentar ate o ser humano (SILVA et al., 2007). Normalmente as plantas são capazes de atuarem como barreiras impedindo que não haja transferência de metais pesados para a cadeia alimentar. Entre os metais pesados alguns são considerados essenciais para o desenvolvimento dos organismos vegetais como Co, Cu, Mn, Mo, Ni, Fe, V e Zn. Alem desses, outros elementos como o As (semi-metal) e Se (não metal) também são importantes para o funcionamento fisiológico do vegetal. Existem também aqueles que são classificados como não essenciais como o Al, Cd, Cr, Hg e Pb (SILVA et al., 2007). Os metais pesados encontrados no solo podem apresentar varias formas como íons em formas livres, trocáveis no material orgânico ou inorgânico de troca ativa, íons quelatos em complexos orgânicos ou organominerais, incorporados em sais insolúveis, microrganismos e nos seus resíduos biológicos ou preso em estruturas cristalinas de minerais. (SILVA et al., 2007). Alguns metais apresentam pouca mobilidade no solo, o caso dos metais na forma de cátions como Ag 2+, Cu2+, Cr2+, Pb2+. Estes são capazes de formarem complexos de esfera interna com minerais, com isso tendem a permanecerem retidos no solo por adsorção. Portanto a baixa capacidade de mobilidade dos metais no solo possibilita a estes de sofrerem varias transformações alem de serem mineralizados e imobilizados na biomassa de microrganismos ou serem incorporados na cadeia alimentar através da sua absorção pelas plantas (ZEITOUNI, 2003; SILVA, 2009). 2.8.2 Metais pesados nos organismos Dentre os metais tóxicos, o chumbo é o que oferece maior ameaça a saúde tanto pela facilidade de intoxicação como pelo alto nível de toxicidade no homem e animais domésticos. A intoxicação pelo metal ocorre por ingestão ou inalação. No homem, a intoxicação pelo chumbo pode causar cólicas intestinais, colapso renal, esterilidade, danos cerebrais e pode acumular na medula óssea dificultando na 24 formação de hemoglobina. Por tais motivos é o elemento principal do objetivo deste trabalho (CAPITANI, 2009; ZEITOUNI, 2003). 2.8.3 Metais pesados nas plantas Normalmente as plantas são capazes de atuarem como barreiras impedindo que não haja transferência de metais pesados para a cadeia alimentar. A absorção do chumbo pelos vegetais ocorre de maneira passiva, sendo possível de absorver apenas 0,003% a 0,005% da sua quantidade total presente no solo. Esta pequena quantidade é absorvida pelas raízes e armazenada nas paredes celulares. Somente 3% da quantidade absorvida pelas raízes é capaz de ser translocado para a parte aérea da planta. A acumulação de quantidades elevadas de chumbo no vegetal diminui a elasticidade da parede celular resultando a mudança na coloração das folhas para uma cor verde escura, atrofiamento das folhas, raízes pouco desenvolvidas e amarronzadas (ZEITOUNI, 2003). 2.9 ABSORÇÃO ATÔMICA A espectroscopia atômica consiste na decomposição da amostra em questão em átomos através de chama, forno ou plasma. Plasma é uma fase gasosa na qual apresenta temperatura suficiente para que existam íons e elétrons livres. A temperatura esta na faixa de 2000K a 6000K. A determinação da quantidade dos elementos presentes é realizada por absorção atômica ou emissão de radiação visível ou ultravioleta, pelos átomos no estado gasoso (HARRIS, 2005). Na absorção atômica a amostra na fase liquida é deslocada para o centro da chama em uma temperatura no intervalo de 2000K a 3000K. A fase liquida é evaporada enquanto que a fase solida é decomposta em átomos (atomizada). Em seguida uma lâmpada de cátodo oco emite uma luz na direção dos átomos. Estes absorvem parte da luz, e o restante que não foi absorvida é determinado pelo detector (HARRIS, 2005). Na espectroscopia de absorção atômica (AAS) é necessário no mínimo os seguintes aparelhos: Nebulizador/queimador, o qual atomiza o metal na fase solido; Monocromador, o qual seleciona e isola o comprimento de onda desejável; Detector, 25 o qual detecta e realiza a leitura dos espectros; Fontes de raias ressonantes, o qual emite radiação (VOGEL, 2002). 2.9.1 Fonte de calor Espectrômetros de chama, geralmente utilizam queimador de mistura previa ou fluxo laminar. Nesse tipo de queimador ocorre inicialmente a mistura da amostra, combustível (geralmente o acetileno) e oxidante (geralmente o ar). A mistura é transformada em um aerosol através de um nebulizador evitando a passagem de partículas maiores para a chama. A utilização de solventes orgânicos com tensão superficial menor ao da água facilita na formação de gotículas menores, favorecendo na atomização da amostra. A chama produzida pela mistura do acetileno e ar apresenta temperatura na faixa de 2400K a 2700K. Para elementos refratários cujo ponto de ebulição são elevados, normalmente utiliza-se a mistura de acetileno com óxido nitroso, chegando a uma temperatura de 2900K a 3100K (VOGEL, 2002; HARRIS, 2005). As gotículas entram na chama e decompõem-se em átomos. Muitos elementos formam óxidos e hidróxidos na região mais externa da chama (cone externo). A intensidade do sinal atômico das moléculas é menos intenso do que os átomos por não apresentarem espectros semelhantes. Se a mistura é rica em combustível, aumenta-se a sensibilidade pelo fato do carbono reduzir os óxidos e hidróxidos metálicos. Se a mistura é pobre em combustível a chama é mais quente. O uso de cada tipo de chama assim como a vazão de cada componente depende de cada elemento a ser analisado (HARRIS, 2005). Outro método de atomização da amostra sem utilizar chama é o forno de grafite. O aquecimento deste é realizado com a eletricidade. Os fornos de grafite apresentam maior sensibilidade e necessitam de menor quantidade de amostra do que as de chamas. Sendo necessário apenas de 1 a 100μL de amostra enquanto que na espectroscopia de chama é necessário no mínimo 1 a 2mL. Recomenda-se no máximo uma temperatura de 2550oC e o tempo máximo de 7 segundos. Utiliza-se argônio gasoso para evitar a oxidação da grafita (VOGEL, 2002; HARRIS, 2005). As amostras utilizadas, são geralmente líquidas. Mas no caso de amostragem direta de sólidos, analisa-se o próprio sólido sem adição de outro produto. Análises 26 de sólidos necessitam de maiores quantidades de amostra, sendo assim o limite de detecção de impurezas são bem menores do que em amostras líquidas (HARRIS, 2005). O forno emite radiações através das paredes as quais aquecem a amostra localizada sob uma plataforma. Quando as paredes do forno apresentar temperaturas constantes, o analito vaporiza-se. Existem fornos com aquecimento transversal, de um lado ao outro para que o forno tenha uma temperatura homogênea em toda a sua parede, e fornos com aquecimento longitudinal, de uma extremidade a outra. O último gera diferença de temperatura no qual o centro apresenta temperatura maior do que as extremidades. Ocasionando, assim, na condensação do analito nessas regiões de menor temperatura. Estes podem evaporar na próxima análise e interferirem nos resultados. Este efeito é conhecido como efeito de memória, sendo menos freqüente em fornos com aquecimento transversal (HARRIS, 2005). Pode-se reduzir os efeitos de interferência tomando algumas precauções. Uma delas é o revestimento de grafita comum por grafita pirolítica, impossibilitando a absorção de átomos pelos poros da grafita. Outra alternativa é utilizar modificador de matriz, sabendo que matriz é toda a amostra com exceção do analito. Os modificadores de matriz possuem a finalidade de tornar a matriz mais volátil ou tornar o analito menos volátil para que ocorra uma separação mais completa possível. Um exemplo é o nitrato de amônio o qual é utilizado para diminuir a interferência do cloreto de sódio (NaCl) na analise de Mn em água do mar. O aquecimento do NaCl durante a atomização, libera fumaça a qual interfere na leitura da absorvância. O nitrato de amônio reage com o NaCl formando como produto NH4Cl e NaNO3, sendo estes substancias que evaporam sem formar fumaça diminuindo a interferência (HARRIS, 2005). 2.9.2 Monocromador O monocromador realiza a seleção de uma estreita faixa de comprimento de onda, da radiação emitida pela amostra, para o detector. O monocromador é formado por uma rede de difração a qual permite a difração (mudança da direção da radiação causada por uma rede) através de reflexões. A radiação que passa pela 27 rede de difração emite raios de diferentes comprimentos de onda em ângulos diferentes, permitindo que passe por ela somente a faixa de comprimento de onda desejada (VOGEL, 2002). Quanto menor for a faixa de comprimento de onda selecionado maior a resolução (capacidade de diferenciar dois picos próximos) e mais ruidoso será o sinal detectado. A largura do comprimento de onda que passa pelo monocromador é a largura da banda do monocromador. Uma maior largura da banda permite um melhor sinal e uma leitura mais precisa da absorvância. No entanto pode-se diminuir a resolução da leitura da absorvância se a largura da banda for maior em relação a largura do pico (HARRIS, 2005). Na maioria das vezes comprimentos de ondas indesejáveis acabam passando pelo monocromador e atingem o detector. Estes são chamados de radiações parasitas e se originam a partir de difrações em ângulos indesejáveis na parte interna do aparelho ou por fontes externas. Espectrômetros de alta qualidade possuem dois monocromadores ou um filtro como vidro colorido para diminuir as radiações parasitas (HARRIS, 2005). 2.9.3 Detector O detector é um dispositivo com a capacidade de verificar a existência de um determinado fenômeno físico. Os detectores chamados transdutores são capazes de converter fenômenos físicos como intensidade da luz, temperatura, massa e pH em sinais elétricos. Estes sinais podem ser transformados em números proporcionais a grandeza original (SKOOG et. al., 2007). Os detectores quando entram em contato com fótons são capazes de criarem corrente elétrica proporcional a intensidade da radiação. As fotomultiplicadoras são detectores bastante utilizados nos espectrofotômetros de absorção atômica (HARRIS, 2005). 2.9.4 Fontes de raias de ressonância Para se ter uma medida da absorvância proporcional a concentração da amostra é necessário que a largura de linha da fonte de radiação seja mais estreita que a largura de linha do vapor atômico. Para isso utiliza-se uma lâmpada de catodo 28 oco, a qual é a fonte de raia de ressonância mais utilizada. A lâmpada de catodo oco é capaz de isolar linhas menores que 10 -3 a 10-2 nm. Essas lâmpadas contem gases de Ar ou Ne, os quais são ionizados quando submetidos a uma tensão de ate 500V. Esses gases quando ionizados são capazes de transformar átomos metálicos do cátodo para a fase gasosa. O cátodo deve ser constituído pelo mesmo elemento a ser analisado. Os átomos na fase gasosa emitem fótons ao se colidirem com elétrons de alta energia passando para o estado excitado. A radiação absorvida pelos analitos na chama ou no forno apresenta a mesma freqüência que a radiação emitida pelos átomos da lâmpada (HARRIS, 2005). Outra fonte de espectro de linha além das lâmpadas de catodo oco são as lâmpadas de descarga sem eletrodos. Estas lâmpadas são mais intensas que as de catodo oco. As lâmpadas de descarga sem eletrodos são constituídas de um tubo de quartzo e uma quantidade pequena do analito. O tubo de quartzo é selado e contem um gás inerte (exemplo: argônio) a uma pressão de poucos torr. Como estas lâmpadas são ausentes de eletrodos, o metal de analito contido nelas é ionizado através de intensos campos de radiofreqüência ou radiação de microondas. O analito ionizado ganha energia suficiente para excitar os átomos do metal analisados. Estas lâmpadas são eficientes para analise de elementos nos quais as lâmpadas de catodo oco apresentam baixa sensibilidade como As, Se e Te (SKOOG et al., 2007). 29 3 MATERIAIS E MÉTODOS Realizou-se a preparação das amostras nos laboratórios de química da Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas (UnUCET) da Universidade Estadual de Goiás. Providenciou-se 10 amostras de diferentes fornecedores, sendo que 8 amostras estão disponíveis comercialmente e 2 amostras obteve-se diretamente dos produtores. A Tabela 11 apresenta o local de origem de cada amostra. Tabela 11: Local de origem das amostras. Amostra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Local de origem Hortolândia - São Paulo Aparecida de Goiânia - Goiás Goiânia - Goiás Conquista - Minas Gerais Brasília - Distrito Federal São José do Rio Preto - São Paulo São Paulo - São Paulo Itaqui - Rio Grande do Sul Piracanjuba - Goiás Guapó - Goiás 3.1 Determinação de umidade Inicialmente realizou-se a moagem da soja de cada amostra (10 amostras) com um moinho de martelo, modelo SP 33, como mostrado na Figura 1. Em seguida determinou-se um peso de 5g de cada amostra em cadinhos previamente limpos e secos. Identificou-se os cadinhos com um lápis na parte do fundo dos mesmos. Inseriu-se os cadinhos em uma estufa a 110 oC e determinou-se o peso de meia em meia hora até que atingissem um peso constante. Com os dados dos pesos obtidos calculou-se o teor de umidade presente em cada amostra utilizando-se a equação abaixo. 30 em que: U = teor de umidade (% b. u.); Pa = peso da água; Pms = peso da matéria seca; Pt = peso total. Sabendo que Pt = Pa + Pms Figura 1: Moinho de martelo. Fonte: arquivo pessoal. 3.2 Abertura da amostra A preparação das amostras teve como base o procedimento do Programa de avaliação laboratorial de resíduos do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e Reforma Agrária. Montou-se um sistema de aquecimento em chama, dentro de uma capela, com um tripé e tela de amianto posicionado sobre o bico de Bunsen conectado a um bujão de gás, como mostrado na Figura 2. Logo depois colocou-se os cadinhos sobre a tela de amianto. Aqueceu-se os cadinhos até a carbonização completa da soja. Resfriou-se os cadinhos em temperatura ambiente. Em seguida transferiu-se os cadinhos para uma mufla a 550 oC durante 4 horas para calcinar as amostras. Após 1 hora de resfriamento, quando a temperatura da mufla diminuiu para cerca 31 300 oC, retirou-se os cadinhos com uma pinça metálica. Deixou-se os cadinhos resfriando novamente até uma temperatura possível de manuseio. Figura 2: Sistema de aquecimento. Fonte: arquivo pessoal. Transferiu-se cerca de 30 mL de água destilada com uma proveta de 50 mL para um balão volumétrico de 100 mL. Utilizou-se uma pipeta de 50 mL e transferiuse uma solução de ácido nítrico P.A., em um béquer contendo esta solução, para o balão volumétrico de 100 mL com água destilada. Completou-se o volume com água destilada, obtendo-se assim, uma solução de ácido nítrico a 50% da solução de P.A.. Realizou-se o mesmo procedimento para a preparação de solução de ácido clorídrico a 50% da solução de P.A.. Misturou-se as duas soluções em um balão volumétrico de 200 mL obtendo-se assim, uma solução de mistura de ácido nítrico com ácido clorídrico em uma proporção de 50% em volume. Adicionou-se 10mL da mistura de solução de ácido nítrico e ácido clorídrico a 50% aos cadinhos contendo a soja calcinada. Em seguida aqueceu-se as amostras em uma chapa aquecedora. Cronometrou-se 10 minutos após o inicio de ebulição e desligou-se a chapa aquecedora. Resfriou-se os cadinhos. Montou-se um sistema de filtração com suporte universal, alça metálica, funil e papel de filtro e posicionouse um balão volumétrico de 100 mL abaixo do funil, como mostrado na Figura 3. Filtrou-se o conteúdo do cadinho diretamente em um balão volumétrico de 100 mL e completou-se o volume com água destilada em cada amostra. Realizou-se novamente a filtração do conteúdo dos balões diretamente para recipientes de vidro não-transparentes, limpos e secos. Preparou-se estas amostras em triplicatas. 32 Figura 3: Sistema de filtração. Fonte: arquivo pessoal. 3.3 Análise da amostra Realizou-se a leitura destas amostras no Laboratório Nacional Agropecuário em Goiás (LANAGRO-GO) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O equipamento utilizado foi o Espectrofotômetro de absorção atômica de chama do modelo A Analyst 200 da marca Perkin Elmer equipado com lâmpada de descarga elétrica (EDL system). Com os valores das leituras obtidas através do espectrofotômetro de absorção atômica calculou-se a concentração de chumbo presente nas amostras através da equação abaixo. no qual: [Pb] = Concentração de chumbo (mg/L); L = Leitura (mg/L); e Conc. Final = Concentração final da amostra (mg/L 33 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 Teor de umidade Com os dados dos resultados obtidos através das pesagens de meia em meia hora durante a secagem das amostras na estufa a 110 oC, foi possível calcular o teor de umidade de cada amostra utilizando a equação do mesmo. Os resultados dos cálculos estão na Tabela 12. Tabela 12: Resultados dos cálculos de teor de umidade das amostras de soja. Amostra Teor de umidade (%) 1 12,40 2 10,60 3 10,69 4 9,53 5 19,49 6 11,55 7 10,72 8 11,33 9 24,53 10 8,91 4.2 Análise das amostras Os resultados obtidos através da leitura do espectrofotômetro de absorção atômica das amostras de soja preparadas por digestão uma solução de acido nítrico misturado com acido clorídrico em uma proporção de 50% estão presentes na Tabela 13. 34 Tabela 13: Resultados das concentrações de chumbo nas amostras de soja. Amostra Resultado (ppm) 1 0,038 2 0,098 3 0,194 4 0,164 5 0,000 6 0,254 7 0,046 8 0,368 9 0,092 10 0,360 As tabelas em anexo apresentam Limites Máximos de Tolerância (LMT) de chumbo presente em determinados alimentos de alguns países considerados como grandes produtores e/ou consumidores de soja. O Anexo A apresenta os valores de LMT de chumbo em alguns alimentos com base na legislação da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O Anexo B contem os teores máximos de chumbo presentes nos gêneros alimentícios da União Européia baseado no regulamento da Comunidade Européia. Os indicadores de níveis máximos de chumbo em alimentos da China de acordo com o Ministério da Saúde da China estão disponíveis no Anexo C. O Anexo D indica intervalos de concentrações de chumbo em alimentos nos Estados Unidos segundo United States Environmental Protectio Agency. Com base nas tabelas em anexo apresentadas de teores máximos de chumbo em alimentos para humanos de diferentes países, apenas 3 amostras estão excedendo os parâmetros estabelecidos por lei nos países da União Européia, China e Brasil. Visto que o Brasil, China e União Européia estabelecem o mesmo valor de limite máximo tolerante ao chumbo em soja, sendo este de 0,2 ppm. As amostras cujas concentrações de chumbo apresentaram valores significativamente superiores ao LMT, são as amostras 6, 8 e 10. Os valores das concentrações apresentadas por estas são 0,254, 0,368 e 0,360 ppm respectivamente. O produto destas amostras além de serem inapropriadas para a exportação para a China e União Européia, são inapropriadas para o consumo interno. 35 Entretanto para a legislação dos EUA de LMT do chumbo em alimentos, 5 amostras estão fora dos parâmetros estabelecidos. Sendo estas as amostras 3, 4, 6, 8 e 10 cujas concentrações de chumbo são 0,194, 0,164, 0,254, 0,368 e 0,360 ppm respectivamente. Isso ocorre pelo fato do teor máximo de chumbo em soja do EUA ser menor do que o do Brasil, representando a faixa de 0,002 a 0,136 ppm, ou 2 a 136 ppb. Apenas a amostra 5 não foi possível de detectar a presença de chumbo, por não apresentar uma concentração mínima de detecção do equipamento de espectroscopia de absorção atômica. Um fator preocupante em relação a alta concentração de chumbo presente nas sojas é a utilização de pesticidas ilegais. Estes produtos químicos são produzidos sem o monitoramento dos órgãos fiscais como a ANVISA, IBAMA e o MAPA os quais garantem a qualidade do produto de forma que não poluem o meio ambiente. Tendo assim uma possibilidade de serem constituídos por compostos a base de chumbo como arseniato de chumbo. As amostras cujas concentrações de chumbo foram as mais elevadas, amostras 8 e 10, são possíveis produtos de cultivos nos quais podem ter ocorrido o uso abusivo destes pesticidas. Outra possibilidade é a contaminação do solo pelo uso destes pesticidas quando estes ainda eram permitidos. Como o chumbo apresenta pouca mobilidade no solo, é possível que algumas amostras tenham sido cultivadas em solos já contaminados ocorrendo assim, a absorção do metal por estas. O consumo destes produtos pode provocar intoxicação alimentar e algumas conseqüências indesejáveis ao organismo como cólicas intestinais, colapso renal, esterilidade, danos cerebrais e pode acumular na medula óssea dificultando na formação de hemoglobina. 36 5 CONCLUSÃO Nem todas as sojas comercializadas são seguras para consumir nas dietas da alimentação. Sendo que as amostras 3, 4, 6, 8 e 10 apresentaram valores de concentrações de 0,194, 0,164, 0,254, 0,368 e 0,360 ppm respectivamente. Estes são produtos inapropriados para o consumo no caso dos EUA. Já para o Brasil, China e União Européia as amostras 6, 8 e 10 apresentam teores de chumbo acima do limite. Existem ainda, agricultores que utilizam agrotóxicos de forma excessiva e errônea e sem o conhecimento para aplicar o produto químico adequadamente. Os produtores de soja devem se conscientizar em adotar boas práticas de produção agrícola estabelecidas pelo projeto de Produção Integrada da Soja. Desta forma, utilizando-se insumos químicos eficientes e menos agressíveis ao meio ambiente para preservar o máximo possível as regiões não contaminadas por produtos químicos. Além de preservar o equilíbrio das populações de insetos presentes no ecossistema das culturas de soja. É necessário também uma fiscalização mais rigorosa em relação ao contrabando de agrotóxicos ilegais, diminuindo assim os riscos de contaminação do ambiente, dos trabalhadores rurais e dos consumidores. Sendo estes as principais vitimas por intoxicação com defensores químicos. 37 REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ABAD, F. C.. Determinação multirresíduo de pesticidas em cenouras utilizando extração com liquido pressurizado e cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas. Dissertação (Mestrado em Química). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, p.2-10, 2006. ANVISA, Decreto nº 55.871, de 26 de março de 1965. BELLETTINI, S.; BELLETTINI, N. M. T.; BRITO NETO, A. J. de; NONOMURA, F. 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Dissertação (Mestrado em Agricultura Tropical e Subtropical) – Instituto Agronômico, Campinas – SP, p.1-27, 2003. 42 ANEXO A – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NO BRASIL Contaminantes inorgânicos Chumbo Alimentos em que podem ser encontrados Origem vegetal Bulbos Raízes e tubérculos Cereais Hortaliças Leguminosas Oleaginosas Limite Máximo de Tolerância LMT (ppm) "in natura" Industrializado 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,2 0,2 FONTE: ANVISA, Decreto nº 55.871, de 26 de março de 1965. 43 ANEXO B – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA UE Gêneros alimentícios Teores máximos (ppm) 3.1 Chumbo 3.1.1 Leite cru, leite tratado termicamente e leite para o fabrico de produtos lácteos 0,02 3.1.2 Fórmulas para lactentes e fórmulas de transição 0,02 3.1.3 Carne (com exceção de miudezas) de bovino, ovino, suíno e aves de capoeira 0,1 3.1.4 3.1.5 Miudezas de bovino, ovino, suíno e aves de capoeira Parte comestível do peixe 0,5 0,3 3.1.6 Crustáceos, excluindo a carne escura de caranguejo e excluindo a carne de cabeça e do tórax da lagosta e de grandes crustáceos similares (Nephropidae e Palinuridae) 0,5 3.1.7 3.1.8 3.1.9 Moluscos bivalves Cefalópodes (sem vísceras) Cereais, legumes e leguminosas 1,5 1,0 0,2 FONTE: Regulamento (CE) nº. 1881/2006 da comissão de 19 de Dezembro de 2006. 44 ANEXO C – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA CHINA Tipo de alimento / Nome Grãos e seus produtos (excluindo farinha de aveia, amido produtos e glúten) Farinha de aveia, amido de produtos e glúten Feijão, farinha de soja Produtos de soja (excluindo leite de soja) Leite de soja Nível Máximo (ppm) 0,2 0,5 0,2 0,5 0,05 FONTE: Ministério da Saúde da China. 45 ANEXO D – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NOS EUA Alimentos [Pb] em ppb Laticínios 3 – 83 Carnes, peixes, frangos 2 – 159 Grãos e cereais 2 – 136 Verduras e legumes 5 – 649 Frutas e sucos de frutas 5 – 223 Óleos e gorduras 8 – 28 Açúcar 6 – 73 Bebidas não alcoólicas 2 – 41 FONTE: CAPITAINI, et al., 2009. 46 ANEXO E – FORMULÁRIO 47