DETERMINAÇÃO DE CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR
ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA
Claudio Shiguero Matsunaga Konaga
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE
DA COORDENÇÃO DE QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO
DO TÍTULO DE BACHAREL EM QUÍMICA INDUSTRIAL
ANÁPOLIS, GO - BRASIL
DEZEMBRO 2011
DETERMINAÇÃO DE CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR
ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA
Claudio Shiguero Matsunaga Konaga
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE
DA COORDENÇÃO DE QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO
DO TÍTULO DE BACHAREL EM QUÍMICA INDUSTRIAL
Aprovado por:
ii
KONAGA, CLAUDIO SHIGUERO
MATSUNAGA.
Determinação de concentração de
chumbo em soja por espectroscopia de
absorção atômica. [ANÁPOLIS] 2011.
x, 47 p. 29,7 cm (UnUCET/UEG,
Bacharel, Química Industrial, 2011)
Trabalho de Conclusão do Curso –
Universidade Estadual de Goiás, UnUCET
1. Chumbo em soja
2. Agrotóxicos
3. Espectroscopia de Absorção Atômica
I.UnUCET/UEG II. Título (serie)
iii
AGRADECIMENTOS
A Deus
Aos meus pais pelo apoio e incentivo
A minha companheira Bruna pelo apoio
Aos colegas e amigos pelo apoio
Ao professor Msc. Fernando Afonso pela orientação e paciência.
Aos Técnicos dos Laboratórios de Química pela colaboração e pelo apoio.
A UEG pelos reagentes e equipamentos para a realização deste trabalho
iv
Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a UnUCET/UEG como
parte dos requisitos necessários para obtenção do titulo de Bacharel em Química
Industrial
DETERMINAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE CHUMBO EM SOJA POR
ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA
Claudio Shiguero Matsunaga Konaga
Orientador: Profº Msc. Fernando Afonso da Silva
Curso: Química Industrial
Agrotóxicos podem ter alguns metais pesados em sua constituição, como o chumbo
que apresenta alta toxicidade. O presente trabalho teve como objetivo de determinar
o teor de chumbo presente em grãos de soja comercializados nas regiões dos
estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
Das 10 amostras analisadas 8 estão disponíveis comercialmente e 2 adquiridas
diretamente dos produtores. As amostras foram preparadas nos laboratórios de
química da UnUCET/UEG. Os teores de chumbo foram determinados por um
espectrofotômetro de absorção atômica no laboratório do MAPA/LANAGRO-GO.
Baseado nos valores de Limite Máximo de Tolerância (LMT) estabelecidos pela
Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sendo este valor o mesmo
estabelecido pela União Européia (EU) e a China, 3 amostras apresentaram
concentrações de chumbo acima do permitido. Já para os Estados Unidos da
América (EUA) o qual apresenta limites mais rigorosos, 5 amostras apresentaram
concentrações de chumbo acima do permitido.
DEZEMBRO/2011
v
ÍNDICE
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS .......................................................................viii
ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................ ix
ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................. x
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................... 3
2.1 Breve histórico da soja ....................................................................................... 3
2.2 Importância da soja ............................................................................................ 3
2.3 Características da soja ....................................................................................... 4
2.3.1 Fatores de desenvolvimento da planta ........................................................ 4
2.3.2 Composição da soja .................................................................................... 4
2.4 Pragas da soja ................................................................................................... 5
2.4.1 Pragas que atacam folhas ........................................................................... 7
2.4.2 Pragas que atacam vagens e grãos ............................................................ 7
2.4.3 Pragas que atacam o caule ......................................................................... 7
2.4.4 Pragas que atacam a raiz ............................................................................ 8
2.4.5 Controle biológico da lagarta-da-soja .......................................................... 8
2.4.6 Controle biológico de percevejo ................................................................... 9
2.4.7 Controle químico das pragas da soja........................................................... 9
2.5 Doenças da soja .............................................................................................. 12
2.5.1 Principais doenças ..................................................................................... 12
2.5.2 Controle das doenças da soja ................................................................... 14
2.6 Plantas daninhas.............................................................................................. 15
2.6.1 Controle preventivo .................................................................................... 17
2.6.2 Controle físico ............................................................................................ 17
2.6.3 Controle químico ........................................................................................ 17
2.7 Soja geneticamente modificada ....................................................................... 19
2.8 Produtos químicos na agricultura ..................................................................... 20
2.7.1 Herbicidas .................................................................................................. 21
2.7.2 Inseticidas .................................................................................................. 21
2.7.3 Fungicidas ................................................................................................. 22
2.7.4 Fertilizantes ............................................................................................... 22
2.8 Metais Pesados................................................................................................ 23
2.8.1 Metais Pesados no solo ............................................................................. 23
2.8.2 Metais pesados nos organismos................................................................ 24
vi
2.8.3 Metais pesados nas plantas ...................................................................... 25
2.9 ABSORÇÃO ATÔMICA.................................................................................... 25
2.9.1 Fonte de calor ............................................................................................ 26
2.9.2 Monocromador ........................................................................................... 27
2.9.3 Detector ..................................................................................................... 28
2.9.4 Fontes de raias de ressonância ................................................................. 28
3 MATERIAIS E MÉTODOS ...................................................................................... 30
3.1 Determinação de umidade ............................................................................... 30
3.2 Abertura da amostra ........................................................................................ 31
3.3 Análise da amostra .......................................................................................... 33
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................... 34
4.1 Teor de umidade .............................................................................................. 34
4.2 Análise das amostras ....................................................................................... 34
5 CONCLUSÃO ......................................................................................................... 37
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA ............................................................................... 38
ANEXO A – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NO BRASIL .............................. 43
ANEXO B – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA UE ...................................... 44
ANEXO C – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA CHINA ................................ 45
ANEXO D – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NOS EUA ................................. 46
ANEXO E – FORMULÁRIO ....................................................................................... 47
vii
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
AAS – Espectroscopia de Absorção Atômica
ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância Sanitária
Btk - Bacillus thuringiensis sorovar kurstaki
CE – Comunidade Européia
CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento
EDL – lâmpada de descarga elétrica
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EPI – Equipamentos de Proteção Individual
EPSPS - 5-enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintetase
EUA – Estados Unidos da América
IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
LANAGRO – Laboratório Nacional Agropecuário
LMR – Limite máximo de Resíduos
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
RR – Roundup Ready
UE – União Européia
US-EPA – United States Environmental Protection Agency
VD – Valores Diários
VPNAg - Vírus de Poliedrose Nuclear de Anticarsia gemmatalis
g - gramas
K - Kelvin
kcal – quilocalorias
kg - quilogramas
kJ - quilojoule
L - litros
mg – miligramas
mL – mililitros
ng – nanogramas
nm – nanômetros
ppm – parte por milhão
V – volts
viii
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1: Moinho de martelo...................................................................................... 31
Figura 2: Sistema de aquecimento.. .......................................................................... 32
Figura 3: Sistema de filtração.. .................................................................................. 33
ix
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1: Tabela com informação nutricional da soja. ................................................ 5
Tabela 2: Insetos-pragas da soja e a parte de planta que atacam. ............................. 6
Tabela 3: Inseticidas indicadas para o controle da Anticarsia gemmatalis (lagarta-dasoja)........................................................................................................................... 10
Tabela 4: Inseticidas indicados para o controle dos insetos-pragas: N. viridula
(percevejo verde), P. guildinii (percevejo verde-pequeno) e E. heros (percevejo
marrom). .................................................................................................................... 11
Tabela 5: Inseticidas indicados para outros insetos-pragas. ..................................... 12
Tabela 6: Doenças da soja causadas por fungos. ..................................................... 13
Tabela 7: Doenças da soja causadas por bactérias, vírus e nematóides. ................. 14
Tabela 8: Fungicidas indicados para o controle da ferrugem da soja (Phakopsora
pachyrhizi), doenças de final de cicilo e doenças de oídio (Erysiphe diffusa). .......... 15
Tabela 9: Principais plantas daninhas da cultura da soja no cerrado. ....................... 16
Tabela 10: Herbicidas para o controle de plantas daninhas em culturas de soja. ..... 18
Tabela 11: Local de origem das amostras................................................................. 30
Tabela 12: Resultados dos cálculos de teor de umidade das amostras de soja. ...... 34
Tabela 13: Resultados das concentrações de chumbo nas amostras de soja. ......... 35
x
1 INTRODUÇÃO
A produção de soja é a que mais cresceu entre as produções de grãos nas
ultimas décadas, tanto a nível nacional quanto a nível mundial. Sendo que entre os
maiores países produtores de soja, o Brasil se destaca em segundo lugar e o EUA
na liderança. Entretanto em termos de expansão para produção de soja, o Brasil é o
que apresenta maior potencial de área para o cultivo. Sendo assim, um grande
candidato a ter a maior produção de soja do mundo.
A soja tem se destacado mundialmente graças ao interesse comercial por
seus derivados, principalmente pelo óleo vegetal (óleo comestível e bicombustível).
O seu alto teor de massa protéica é aproveitado para produção de rações animais
(animais domésticos e produtores de carne). Atualmente tem conquistado a
preferência de civilizações ocidentais nas suas alimentações, ao contrario das
civilizações asiáticas nas quais a soja já era bastante consumida.
Apesar de ser a oleaginosa mais produzida, a soja possui vários problemas
durante o seu cultivo assim como qualquer outra espécie vegetal a ser cultivada.
Entre eles estão as plantas daninhas, as doenças que a soja pode manifestar e as
pragas. Para tais ocasiões é muito comum os produtores utilizarem defensivos
agrícolas pela sua praticidade e baixo custo de mão-de-obra. Caso contrario seria
economicamente inviável para os produtores, alem de não serem capazes de
produzir quantidades suficientes para suprir o mercado consumidor.
Em muitos casos a utilização de produtos químicos para o controle de
pragas é realizada de maneira incorreta, ocasionando na poluição do ambiente,
desequilíbrio no ecossistema das lavouras, intoxicação das plantas e até mesmo do
próprio manipulador e outros trabalhadores rurais.
As plantas podem absorver os elementos tóxicos presentes nos produtos
químicos e repassarem para a cadeia alimentar, podendo assim intoxicar as
pessoas.
Dentre estes elementos tóxicos o arseniato de chumbo foi muito utilizado em
pesticidas. Pelo fato deste oferecer risco a saúde do homem, o seu uso foi proibido.
O chumbo é um dos metais pesados mais preocupantes devido ao seu elevado
1
potencial de contaminação e os problemas que pode causar no organismo do
homem.
Este trabalho apresenta como objetivo a determinação de resíduos de
chumbo presentes nos grãos de soja através do método de espectrometria de
absorção atômica (chama).
2
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Breve histórico da soja
No período entre 2883 a 2838 A.C. pode-se encontrar uma das primeiras
citações a respeito do grão. A soja era considerada um grão sagrado juntamente
com o arroz, cevada, trigo e milheto na China onde provavelmente teve sua origem
como plantas rasteiras. O resultado do cruzamento entre espécies de soja selvagem
originou um grande ancestral que deu início a uma série de evolução até as
espécies conhecidas hoje (EMBRAPA, 2010).
A China se destacou na produção de soja até o início do século XX. O cultivo
da soja pela civilização ocidental teve início somente a partir da década de 20 pelos
Estados Unidos, o qual sofreu uma grande expansão na produção e comercio do
grão após a Segunda Guerra Mundial conquistando o mercado internacional
(MSSÃO, 2006; SCHLESINGER, 2006).
No Brasil, o cultivo da soja iniciou-se no início do século XX no Rio Grande do
Sul por pequenos produtores como alimentação para suínos, aves e adubos. Logo
depois o cultivo da soja se expandiu para outros estados como Santa Catarina,
Paraná,
São
Paulo,
Minas
Gerais
e
outros
estados
do
Centro
Oeste
(SCHLESINGER, 2006).
Em 2006, foi aprovado pelo MAPA, o projeto de Produção Integrada de Soja a
qual consiste na aplicação de boas praticas agrícolas em relação a conservação do
solo, manejo de pragas e aplicação de agroquímicos garantindo a preservação do
meio ambiente (LIMA, et al., 2008).
2.2 Importância da soja
A soja representa uma das oleaginosas mais importantes cultivadas no
mundo. Em relação à exportação brasileira, a soja e seus derivados (farelo e óleo)
apresentam uma grande participação e contribuição para a economia do país
(SILVA, 2006).
Segundo a CONAB, estima-se que o Brasil apresenta uma produção de soja
de 72,965 milhões de toneladas no levantamento de setembro da safra 2010/2011.
3
A produção de farelo de soja foi estimada em 28,4515 milhões de toneladas e o óleo
de soja aproximadamente 7,2053 milhões de toneladas. A exportação de soja em
grãos foi de 32,850 milhões de toneladas, a de farelo de soja foi de 14,950 milhões
de toneladas e o óleo foi de 1,630 milhões de toneladas (CONAB, 2011).
Alem disso a economia da soja propiciou um grande avanço tecnológico no
ramo, introduzindo maquinas modernas nas lavouras, modernização de meios de
transporte, expansão dos territórios agrícolas, abastecimento do ramo da
agropecuária e enriquecendo a alimentação da população brasileira (DALL’AGNOL
et al., 2008).
Como não é de tradição brasileira o consumo da soja na alimentação,
diferentemente da população asiática, as entidades associadas ao comercio do grão
encontram muitas dificuldades para criarem produtos de soja que sejam aceitos pelo
comercio interno. A utilização da soja no mercado interno é preferencialmente feita
na forma de óleo e farelo (ROESSING e GUEDES, 1993).
2.3 Características da soja
2.3.1 Fatores de desenvolvimento da planta
O fenótipo de um organismo vegetal depende da interação entre as
características genéticas do vegetal e o ambiente. O ambiente é o fator limitante
para que a planta desenvolva toda a sua capacidade de crescimento. Outros fatores
podem ser relacionados a questão do ambiente como fatores climáticos (radiação
solar, temperatura e umidade), edáficos (físico e químico) e biológicos (organismos
de toda natureza). Sendo que alguns fatores como a irrigação, controle de pragas e
doenças e nutrição das plantas podem ser controladas de maneira antrópica, outros
fatores dependem da natureza (TANAKA et al., 1993).
2.3.2 Composição da soja
O principal constituinte da soja é a água cuja porcentagem pode alcançar até
95% do seu peso, variando de acordo com a espécie, idade e da quantidade
disponível de água. E a matéria seca das plantas é constituída, aproximadamente
90%, de elementos químicos como carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O). O
4
carbono e oxigênio são provindos do processo de fotossíntese e o hidrogênio da
água absorvida pela planta. Cerca de 6% da matéria seca é constituída por minerais.
(TANAKA et al., 1993).
A Tabela 1 contem informações de nutrientes da soja em uma quantidade de
porção de 15 g com suas respectivas porcentagens de Valores Diários (VD), em
embalagens de soja disponíveis comercialmente.
Tabela 1: Tabela com informação nutricional da soja.
Informação Nutricional
Quantidade por porção 15 g (1 colher sopa)
% VD (*)
Valor Calórico
62 kcal = 260 kJ
3%
Carboidratos
4g
1%
Proteínas
5g
7%
Gorduras Totais
3g
5%
Gorduras Saturadas
0g
0%
Gorduras Trans
0g
Colesterol
0 mg
0%
2g
8%
Cálcio
41 mg
4%
Ferro
2 mg
14%
Sódio
0 mg
0%
Magnésio
42 mg
16%
Fósforo
106 mg
15%
Vitamina B1
0,13 mg
11%
Vitamina B2
0,13 mg
10%
Vitamina B3
0,24 mg
2%
Fibra Alimentar
(*)% Valores Diários com base em uma dieta de 2.000 kcal ou 8400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores
ou menores dependendo de suas necessidades energéticas.
Fonte: Embalagem de soja comercializada na região de Hortolândia – São Paulo.
2.4 Pragas da soja
Nas culturas de soja são encontrados vários insetos. Entretanto, apenas
determinados insetos são considerados como pragas devido a sua alimentação,
especificamente os que se alimentam das folhas e das vagens de soja
(HOFFMANN-CAMPO, 2000).
Tais pragas causam danos significativos nas lavouras, necessitando de
controles adequados. Apesar disso, a prevenção através de produtos químicos não
é aconselhável pois, a utilização incorreta destes pode causar poluição ambiental,
5
elevar os gastos da lavoura e provocar o desequilíbrio da população dos insetos
(EMBRAPA SOJA, 2010).
Para minimizar estas conseqüências é necessário realizar estudos a respeito
dos insetos como a quantidade e o tamanho, e também do estagio de
desenvolvimento da planta da soja baseados nos fundamentos do “Manejo de
Pragas” (EMBRAPA SOJA, 2010).
A Tabela 2 apresenta alguns insetos-pragas comuns da soja e a parte da
planta que atacam.
Tabela 2: Insetos-pragas da soja e a parte de planta que atacam.
Nome científico
Nome comum
Parte da planta
--------------------------------------------------------Principais-----------------------------------------------------Anticarsia gemmatalis
Lagarta-da-soja
Fo
Euschistus heros
Percevejo marrom
Va, Se
Piezodorus guildinii
Percevejo verde pequeno
Va, Se
Nezara viridula
Percevejo verde
Va, Se
-------------------------------------------Regionalmente importantes-------------------------------------------Sternechus subsignatus
Tamanduá-da-soja
Há
Scaptocoris spp.
Percevejos-castanhos-da-raiz
Ra
Phyllophaga cuyabana,
Corós
Ra
Liogenys spp. e Plectris pexa
-----------------------------------------------------Secundárias-----------------------------------------------------Elasmopalpus lignosellus
Broca-do-colo
Há
Chalcodermus sp.
Bicudinho
Fo
Pseudoplusia includens
Falsa-medideira
Fo
Maecolaspis calcarifera,
Vaquinha
Fo
Megascelis sp.
Dichelops melacanthus
Barriga verde
Va, Se
Edessa meditabunda
Va, Se
Clocidosema aporema
Broca-das-axilas
Fo, Br, Va
Diabrotica speciosa
Patriota
Fo(A), Ra(L)
Cerotoma sp.
Vaquinha
Fo, Va(A), No(L)
Aracanthus mourei
Torrãozinho
Co, Fo, Pe
Bemisia tabaci Biotipo B
Mosca branca
Fo
Tripes
Fo
Poilho-de-cobra
Pl, Se, Fo
Caracóis e lesmas
Pl, Co, Fo
Dysmicoccus sp.,
Cochonilhas-da-raiz
Ra
Pseudococcus sp.
Omiodes indicata
Lagarta-enroladeira
Fo
Ácaros
Fo
6
Br=brotos; Co=cotilédones; Fo=folhas; Ha=hastes; No=nódulos; Pe=pecíolos; Pl=plântulas; Ra=raízes;
Se=sementes; Va=vagens.
(A)=adulto; (L)=larva.
Fonte: Embrapa Soja, 2010.
2.4.1 Pragas que atacam folhas
Alguns insetos como lagartas e besouros alimentam-se das folhas. Um
exemplo mais comum de lagarta é a lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis). O
ataque desta às lavouras costuma ser mais freqüente na época de novembro no
Paraná, e dezembro no sul do país. As lavouras vítimas das lagartas podem perder
até 100% de suas folhagens (HOFFMANN-CAMPO, 2000).
Além da lagarta da soja, pode-se encontrar também a chamada lagarta falsa
medideira (Pseudoplusia includens). As folhas de soja atacadas por esta
apresentam características próprias por motivo da lagarta não consumir as nervuras.
Estas também se alojam no baixeiro das plantas, dificultando a ação dos inseticidas.
Demais espécies de Plusiinae, como Rachiplusia nu, podem ser encontradas na
região sul do Rio Grande do Sul (BELLETTINI, 2007; HOFFMANN-CAMPO, 2000).
2.4.2 Pragas que atacam vagens e grãos
Os insetos sugadores mais conhecidos são os percevejos os quais são
capazes de causar sérios problemas econômicos a uma sojicultura. Algumas
espécies como percevejo marrom (Euschistus heros) e percevejo pequeno
(Piezodorus guildinii) são facilmente encontradas nos cerrados. Estes são capazes
de perfurar as sementes, diminuindo a capacidade germinativa, teores de óleo e
proteína pela danificação do tecido da soja. Alem de servir também como vetor de
doenças causadas por fungos como Nematospora coryli. As vagens e grãos
danificadas atrasam a
queda
das
folhas
e
consequentemente
atrasa
o
amadurecimento da soja na época da colheita (GODOY et al., 2010; MAZIERO et
al., 2009; PANIZZI, 2003).
2.4.3 Pragas que atacam o caule
Nas épocas de seca após o cultivo da soja, no cerrado, o inseto broca-docolo-da-soja (Elasmopalpus lignosellus) pode ser considerado uma praga capaz de
danificar gravemente uma lavoura. Na sua fase de larva, esta cava uma galeria no
7
interior da plântula de soja. Geralmente as plantas atacadas pela larva que estão no
inicio da fase de crescimento morrem, e as mais desenvolvidas tornam-se plantas
com o caule frágil, podendo ser rompido com o vento ou durante as colheitas
(SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
2.4.4 Pragas que atacam a raiz
Estes insetos-pragas são larvas de besouros que se alimentam de raízes
encontradas nas regiões do centro-oeste e norte de Paraná, São Paulo, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Espécies como Phyllophaga cuyabana
(Paraná) e Lyogenis suturalis (Mato Grosso do Sul) são as mais comuns. O ataque
destas resulta em aparecimento de manchas, plantas amareladas, murchas e sem
raízes secundarias, podendo levar a morte da planta (HOFFMANN-CAMPO, 2000).
2.4.5 Controle biológico da lagarta-da-soja
O controle destas pragas pode ser realizado através de inimigos naturais ou
pela utilização de produtos químicos. Como predadores da lagarta destacam-se as
aranhas, percevejos dos gêneros Nabis e Geocoris, formigas lava-pé (Solenopsis
spp.) são os mais encontrados em cultivos de soja. Os menos comuns são os
coleópteros das espécies Calosoma granulatum, Callida sp., Cycloneda sanguinea,
Eriopis connexa, Lebia concinna e Hippodamia convergens, e percevejos do gênero
Podisus e Alcaeorrhynchus (SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
Existem espécies chamadas de parasitóides as quais atacam outro organismo
como um hospedeiro para completar o seu ciclo de vida. Na maioria das vezes os
parasitóides matam o hospedeiro no momento que atinge sua forma adulta e sai do
corpo do hospedeiro (SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
No grupo de parasitóides a mais importante é a Microcharops bimaculata a
qual ataca a lagarta-da-soja, A. gemmatalis. Outros parasitóides importantes da A.
gemmatalis são a vespa, Euplectrus pluterii, e a mosca, Patelloa similis. Já a
vespinha Copidosoma truncatellum e a mosca Voria ruralis atacam as lagartas falsamedideiras (HOFFMANN-CAMPO, 2000; SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
Alguns microrganismos também podem ser usados como controle da
população das lagartas-da-soja. O principal é o fungo Nomuraea rileyi. Quando este
8
é estabelecido a condições climáticas e umidade favoráveis pode controlar a
população da lagarta em ate 100%. Existem outros microrganismos que também são
capazes de controlar a população de lagartas desfolhadoras como o Entomophthora
spp., Paecilomyces tenuipes, Erynia radicans, Telenomus remus, B. bassiana e o
Baculovirus anticarsia. Outros agentes microbiológicos como Bacillus thuringiensis
sorovar kurstaki (Btk) e Vírus de Poliedrose Nuclear de Anticarsia gemmatalis
(VPNAg) são interessantes no controle da lagarta (EMBRAPA SOJA, 2010; KNAAK
e FIUZA, 2005; SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
2.4.6 Controle biológico de percevejo
Os parasitóides dos percevejos são geralmente vespas e moscas. Um
exemplo de espécie de moscas é a Eutrichopodopsis nitens, a qual deposita ovos no
tegumento do Nezara viridula. Estas larvas penetram no percevejo e alimentam-se
dos tecidos afetando negativamente a sua capacidade reprodutiva. A mosca E.
nitens é capaz de atacar o percevejo Thyanta perditor e outras espécies como E.
heros e Piezodorus guildinii, sendo que as duas ultimas são menos freqüente. O
Euschistus heros, percevejo marrom, também tem como parasitóide a mosca
Gymnoclytia paulista (CORRÊA-FERREIRA, 2007; CORSO, 2005; SOSA-GÓMEZ et
al., 1993).
Entre as espécies mais comuns de vespinhas que podem ser utilizado para
controle de percevejo em lavouras de soja estão a Trissolcus basalis e Telenomus
podisi (GODOY et al., 2005)
Existem alguns fungos como Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae,
Verticillium spp. e Entomophaga spp. que são capazes de infeccionar os percevejos,
atuando como um meio de controle de praga. No entanto, os percevejos E. heros,
N. viridula e P. guildinii são capazes de suportar a infecções causadas pelo fungo M.
anisopliae e B. bassiana (SOSA-GÓMEZ et al., 1993).
2.4.7 Controle químico das pragas da soja
As tabelas Tabela 3, Tabela 4 e Tabela 5 indicam alguns inseticidas para o
controle de determinados insetos-pragas.
9
Tabela 3: Inseticidas indicadas para o controle da Anticarsia gemmatalis
(lagarta-da-soja).
Nome técnico
Nome comercial
Baculovirus anticarsia
Bacillus thuringiensis
Dipel PM
Thuricide
Betaciflutrina
Buldock 125 SC
Betacipermetrina
Akito
Carbaril
Sevin 480 SC
Carbaryl Fersol 480 SC
Clorfuazuron
Atabron 50 CE
Clorpirifós
Lorsban 480 BR
Diflubenzuron
Dimilin
Etofenprox
Trebon 300 CE
Endossulfam
Dissulfan CE
Thiodan CE
Lufenuron
Metoxifenozide
Match CE
Intrepid 240 SC
Valient
Novalurom
Rimon 100 CE
Permetrina SC
Tifon 250 SC
Profenofós
Curacron 500
Tebufenozide
Mimic 240 SC
Teflubenzuron
Nomolt 150 SC
Tiodicarbe
Larvin 800 WG
Triclorfom
Dipterex 500
Triclorfon 500 Defensa
Alsystin 250 PM
Triflumuron
Alsystin 480 SC
Certero
Libre
Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010.
10
Tabela 4: Inseticidas indicados para o controle dos insetos-pragas: N. viridula
(percevejo verde), P. guildinii (percevejo verde-pequeno) e E. heros (percevejo
marrom).
Nome técnico
Nome comercial
Acefato
Orthene 750 BR
Carbaryl
Carbaryl Fersol 480 SC
Sevin 480 SC
Dissulfan CE
Endossulfam
Thiodan CE
Endossulfam SC
Endozol
Fenitrotiom
Sumithiom 500 CE
Fenitrotiona + esfenvarelato
Pirephos CE
Imidacloprido + beta-ciflutrina
Connect
Tamaron BR
Metamidofós
Hamidop 600
Metafós
Faro
Monocrotofós
Azodrin 400
Paratiom metílico
Folidol 600
Tiametoxan+lambda-cialotrina
Engeo Pleno
Triclorfom
Dipterex 500
Triclorfom 500 Defensa
Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010.
11
Tabela 5: Inseticidas indicados para outros insetos-pragas.
Inseto-praga
Nome técnico
Nome comercial
Dinafos
Faro
Hamidop 600
Metamidofós
Metafós
Metasip
Epinotia aporema (broca das axilas)
Stron
Tamaron BR
Bravik 600 CE
Paratiom metílico
Folidol 600
Mentox 600 CE
Elasmopalpus lignosellus (broca do colo)
Pseudoplusia includens (lagarta falsa medideira)
Bemisia tabaci (mosca branca)
Spodoptera cosmioides, Spodoptera eridania (lagarta-dasvagens)
Sternechus subsignatus (tamanduá-da-soja)
Carbaryl
Sevin 480 SC
Thiamethoxam
Carbaril
Cruiser 700 WS
Carbaryl Fersol 480
SC
Ciflutrina
Baytroid CE
Endosulfan
Dissulfan CE
Metamidofós
Metafós
Metomil
Lannate BR
Espiromesifeno
Imidacloprido+betaciflutrina
Clorpirifós
Oberon
Metamidofós
Metafós
Fipronil
Standak 250 SC
Connect
Lorsban 480 BR
Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010.
2.5 Doenças da soja
Além das pragas, várias doenças atacam as lavouras de soja causadas por
microrganismos como bactérias fungos, nematóides e vírus. A cada dia aumenta-se
o numero de doenças que ataca a soja de acordo com o seu cultivo em novas áreas
(YORINORI et al., 1993).
2.5.1 Principais doenças
No Brasil foram encontradas e identificadas algumas doenças como mostrado
nas tabelas Tabela 6 e Tabela 7. (EMBRAPA SOJA, 2010).
12
Tabela 6: Doenças da soja causadas por fungos.
Doenças fúngicas
Doenças foliares
Ferrugem asiática
Mancha foliar de altenária
Cercospora kikuchii
Phakopsora meibomiae
Phakopsora pachyrhizi
Alternaria sp.
Mancha foliar de ascoquita
Ascochyta sojae
Crestamento foliar de cercóspora
Ferrugem americana
Doenças da haste, vagem e semente
Antracnose
Cancro da haste
Mancha púrpura da semente
Seca da haste e da vagem
Seca da vagem
Mancha de levedura
Mancha foliar de mirotécio
Mancha parda
Colletotrichum truncatum
Diaporthe phaseolorum var. meridionalis
Diaporthe phaseolorum var. caulivora
Cercospora kikuchii
Phomopsis spp.
Mancha "olho-de-rã"
Míldio
Mancha foliar de filosticta
Mancha alvo
Mela ou requeima da soja
Mofo branco
Fusarium spp.
Nematospora corily
Myrothecium roridum
Septoria glycines
Cercospora sojina
Peronospora manshurica
Phyllosticta sojicola
Corynespora cassiicola
Rhizoctonia solani AG 1
Sclerotinia sclerotiorum
Oídio
Erysiphe diffusa
Doenças radiculares
Podridão de carvão
Podridão parda da haste
Podridão de fitóftora
Podridão radicular de cilindrocládio
Tombamento de esclerócio
Murcha de esclerócio
Tombamento de rizoctonia
Morte em reboleira
Podridão da raiz e da base da haste
Podridão vermelha da raiz
Podridão radicular de roselínia
Macrophomina phaseolina
Cadophora gregata
Phytophthora sojae
Cylindrocladium clavatum
Sclerotium rolfsii
Sclerotium rolfsii
Rhizoctonia solani AG 1
Rhizoctonia solani AG 1
Rhizoctonia solani
Fusarium spp.
Rosellinia sp.
Podridão radicular de corinéspora
Corynespora cassiicola
Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010.
13
Tabela 7: Doenças da soja causadas por bactérias, vírus e nematóides.
Doenças bacterianas
Pústula bacteriana
Pseudomonas savastanoi pv. Glycinea
Xanthomonas axonopodis pv. Glycines
Fogo selvagem
Pseudomonas syringae pv. Tabaci
Crestamento bacteriano
Doenças causadas por vírus
Mosaico comum da soja
Queima do broto
VMCS (Soybean mosaic virus)
TSV (Tobacco streak virus)
Mosico cálico
AMV (Alfalfa mosaic virus)
Necrose da haste
CPMMV (Cowpea mild mottle virus)
Doenças causadas por nematóides
Nematóides de galhas
Nematóide de galha
Meloidogyne incógnita
Meloidogyne javanica
Nematóide de cisto da soja
Nematóide reniforme
Moloidogyne arenaria
Heterodera glycines
Rotylenchulus reniformis
Nematóide das lesões radiculares
Pratylenchus brachiurus
Fonte: EMBRAPA SOJA, 2010.
2.5.2 Controle das doenças da soja
Grande parte das doenças ocorre através de patógenos transmitidos pelas
sementes. Essa transmissão ocorre pela parte interna ou externa da semente. Por
isso a melhor forma de combater as doenças das plantas de soja é o uso de
sementes sadias tratadas por fungicidas apropriados (EMBRAPA SOJA, 2010).
Outra forma de controle de doenças da soja é por meio da resistência
genética das plantas. Este meio é o mais econômico. No entanto, como não há
espécies de soja resistentes para todas as doenças é recomendável a utilização de
outros meios como produtos químicos e rotação de cultivos de espécies não
suscetíveis ao mesmo tipo de doenças (EMBRAPA SOJA, 2010).
Na Tabela 8, encontram-se alguns fungicidas utilizados para o controle da
ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi), doenças de final de ciclo e doença de
oídio (Erysiphe diffusa).
14
Tabela 8: Fungicidas indicados para o controle da ferrugem da soja
(Phakopsora pachyrhizi), doenças de final de cicilo e doenças de oídio
(Erysiphe diffusa).
Nome da Doença
Nome comum
Nome comercial
Fe, Fi
Azoxistrobina
Priori
Fe, Fi, O
azoxistrobina+ciproconazole
Priori Xtra
Fi,O
Carbendazim
Bendazol
Derosal 500 SC
Fe
ciproconazole+propiconazole
Artea
Fe, Fi, O
Difenoconazole
Score 250 CE
O
Enxofrre
Kumulus
Fe
Epoxiconazole
Virtue
Fe, O
Fluquinconazole
Palisade
Fe, Fi, O
Flutriafol
Impact 125 SC
Fe, O
Miclobutanil
Systhane 250
Fe
Metconazole
Caramba
Fe, Fi, O
picoxistrobina+ciproconazole
Aproach Prima
Fe, Fi, O
piraclostrobina+epoxiconazole
Opera
Fe, Fi, O
Tebuconazole
Constant 200 CE
Elite 200 CE
Folicur 200 CE
Orius 250 CE
Tebuco Nortox
Tríade 200 CE
Fe, Fi, O
Tetraconazole
Fi,O
tiofanato metílico
Domark 100 CE
Eminent 125 EW
Cercobin 500 SC
Cercobin 700 SC
Support
Fe, Fi
tiofanato metílico+flutriafol
Celeiro
Impact duo
Fe, Fi, O
trifloxistrobina+ciproconazole
Sphere
Fe, Fi
trifloxistrobina+propiconazole
Stratego
Fe
trifloxistrobina+tebuconazole
Nativo
Fe= ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi); Fi=doença de final de ciclo; O=doença de oídio (Erysiphe diffusa).
FONTE: EMBRAPA RORAIMA, 2009.
2.6 Plantas daninhas
As plantas daninhas apresentam características como alta capacidade de
produção de sementes, germinação e disseminação. Por isso a presença destas em
lugares como culturas de soja torna-se indesejável por serem grandes competidoras
15
de água e nutrientes reduzindo assim, a capacidade de produção das lavouras
(GAZZIERO & SOUZA, 1993).
Entretanto as plantas daninhas também apresentam as suas vantagens.
Estas podem ser utilizadas como plantas medicinais, fixadoras de nitrogênio, fonte
de alimento e cobertura para animais silvestres e ajudam na redução de erosão do
solo (GAZZIERO & SOUZA, 1993).
Na Tabela 9 estão listadas as principais plantas daninhas que podem ser
encontradas no cerrado.
Tabela 9: Principais plantas daninhas da cultura da soja no cerrado.
Nome científico
Acanthospermum australe
Acanthospermum hispidum
Ageratum conyzoides
Alternanthera tenella
Amaranthus spp.
Bidens pilosa
Brachiaria decumbens
Brachiaria plantaginea
Nome comum
Eleusine indica
Emillia sonchifolia
Euphorbia heterophylla
Galinsoga parviflora
Hyptislophanta
Hyptis suaveolens
Carrapicho-rasteiro
Carrapicho-de-carneiro
Erva-de-são-joão
Apaga-fogo
Caruru
Picão-preto
Capim-brachiaria
Capim-marmelada
Capim-carrapicho
Tiririca
Carrapicho-beiço-de-boi
Capim-colchão
Capim pé-de-galinha
Falsa-serralha
Amendoim-bravo
Picão-branco
Fazendeiro
Malva-de-cheiro
Ipomoea spp.
Mimosa invisa
Nicandra physaloides
Pennisetum setosum
Portulaca oleracea
Raphanus raphanistrum
Corda-de-viola
Dormideira
Joá-de-capote
Capim-oferecido
Beldroega
Nabiça
Richardia brasiliensis
Senna obtusifolia
Sida rhombifolia
Solanum americanum
Vigna spp.
Poaia-branca
Fedegoso
Guanxuma
Maria-pretinha
Feijão-miúdo
Cenchrus echinatus
Cyperus rotundus
Desmodium purpureum
Digitaria horizontalis
Fonte: GAZZIERO & SOUZA, 1993.
16
2.6.1 Controle preventivo
O controle das plantas daninhas em grandes áreas é um processo que se
depara com grandes problemas. A questão financeira e as características das
plantas daninhas como a capacidade de sobrevivência das sementes a longo
período são algumas delas. Sendo assim, a melhor alternativa para o agricultor é a
prevenção destas. Na maioria das vezes a expansão da população de plantas
daninhas ocorre pelo transporte de sementes destas pelo próprio homem através de
equipamentos e maquinários. A limpeza de maquinas e equipamentos diminui riscos
de plantas daninhas manifestarem em outros locais (GAZZIERO & SOUZA, 1993).
Outro meio de prevenir estas seria favorecendo o desenvolvimento de
culturas de soja para que estas possam competir com as plantas daninhas. A
utilização de sementes de boa qualidade, fertilizantes e um menor espaçamento
entre as plantas ajudam a reduzir a ocorrência de plantas daninhas (GAZZIERO &
SOUZA, 1993).
2.6.2 Controle físico
O controle físico consiste na capina manual e mecânica, sendo utilizada em
pequenas e médias áreas de cultura. Este método é considerado eficiente e também
é uma boa alternativa para diminuir utilização de herbicidas (GAZZIERO & SOUZA,
1993).
2.6.3 Controle químico
A preferência deste método pelo agricultor vem principalmente pelo uso
pratico e rápido. O uso de herbicidas continuamente pode selecionar espécies
resistentes ao produto tornando-as difícil de serem controladas (GAZZIERO &
SOUZA, 1993).
Os herbicidas apresentam três maneiras de aplicação. O pré-plantio
incorporado, pré-emergência e pós-emergência. Alem disso, os herbicidas devem
ser utilizados de acordo com o estagio de desenvolvimento das plantas daninhas,
para garantir um bom funcionamento (EMBRAPA SOJA, 2010).
A forma mais comum de controle de plantas daninhas é a aplicação de
dessecantes antes do cultivo, especificamente cerca de 10 dias. Porem este método
17
pode ocasionar problemas como rebrotas e de novos fluxos de plantas daninhas já
estabelecidas no solo (CONSTANTIN et al., 2009).
A Tabela 10 apresenta alguns herbicidas possíveis de serem utilizados como
controle químico de plantas daninhas em culturas de soja.
Tabela 10: Herbicidas para o controle de plantas daninhas em culturas de soja.
Nome comum
Nome comercial
Acifluorfen-sódio
Blazer Sol
Tackle 170
Alachlor
Laço
Bentazon
Basagran 600
Bentazon+Acifluorfen-sódio
Volt
Chlorimuron-ethyl
Classic
Clethodim
Gamit
Cloransulam-methyl
Pacto
Cyanazine
Bladex 500
Diclosulam
Spider 840 GRDA
Dimethenamide
Zeta 900
Fenoxaprop-p-ethyl+Clethodim
Podium S
Fenoxaprop-p-ethyl
Podium S
Fluazifop-p-butyl
Fusilade 125
Fluazifop-p-butyl+Fomesafen
Fusiflex
Robust
Flumetsulan
Scorpion
Flumiclorac-pentyl
Radiant 100
Flumioxazin
Flumizin 500
Sumisoya
Fomesafen
Flex
Haloxyfop-R, éster metílico
Verdict-R
Imazaquin
Scepter ou Topgan
Scepter 70 DG
Imazethapyr
Pivot ou Vezir
Lactofen
Cobra
S-metolachlor
Dual Gold
Metribuzin
Sencor 480
Oxasulfuron
Chart
Pendimethalin
Herbadox
Pendimethalin+Imazaquin
Squadron
Propaquizafop
Shogum CE
Quizalofop-p-ethyl
Targa 50 CE
Quizalofop-p-tefuril
Panther
Sethoxydim
Poast BASF
Sulfentrazone
Boral 500 SC
18
Tepraloxydim
Aramo
Trifluralin
Premerlin 600 CE
FONTE: EMBRAPA SOJA, 2010.
O solo a ser aplicado o produto deve ter teores de matéria orgânica e texturas
apropriadas ao herbicida. Determinados produtos de alta toxicidade devem ser
utilizados em solos com altos teores de matéria orgânica e argila, pois podem
ocasionar fitotoxicidade a cultura (EMBRAPA SOJA, 2010).
De qualquer modo, o fator mais importante para o controle químico é a
tecnologia de aplicação. Cabe ao agricultor ter o conhecimento da forma de
aplicação correta do produto, na quantidade certa, com menor custo e contaminação
em torno da área aplicada (GAZZIERO & SOUZA, 1993).
2.7 Soja geneticamente modificada
A vasta quantidade de pragas, como insetos, doenças e plantas daninhas,
que podem se manifestar na cultura da soja possibilitou um avanço na tecnologia de
melhoramento genético. Esta tecnologia possibilitou a introdução de genes
resistentes a tais pragas originando assim, novos tipos de soja. São algumas delas:
1.
UFUS Milionária – É resistente as doenças: mancha olho-de-rã, vírus do
mosaico comum, míldio, pústula bacteriana, cancro da haste, vírus da
necrose da haste e moderadamente á mancha parda e oídio (HAMAWAKI et
al., 2005);
2.
CD 216, CD 204, CD 215, CD 211 e CD 218 – Resistentes, no geral, ao
cancro da haste, e mancha olho-de-rã e parcialmente resistente ao oídio da
soja (OLIVEIRA et al., 2005; DELLAGOSTIN et al., 2005);
3.
BRS Raimunda – Resistente ao cancro da haste, oídio e aos nematóides-degalha (GIANLUPPI et al., 2005);
4.
BRSGO Raíssa – Apresenta resistência as doenças como mancha olho-de-rã,
vírus do mosaico comum da soja, pústula bacteriana, cancro da haste,
nematóide de cisto raça 3 e moderadamente ao oídio (SOUZA et al., 2005);
5.
Roundup Ready (RR) – Resistente ao glifosato.
19
Dos tipos de soja transgênica, a que mais se destaca é o tipo Roundup Ready
(RR). Este tipo de soja apresenta características genéticas que permite ser tolerante
frente ao glifosato. Este é um herbicida de classificação não seletiva, bastante
eficaz, e apresenta baixa toxicidade para o seu manuseio (LUDWIG et al., 2010).
O glifosato, N-(fosfonometil)-glicina, é um dos herbicidas mais conceituados
em culturas de sojas transgênicas. Este herbicida é capaz de inibir a enzima 5enolpiruvilchiquimato-3-fosfato sintetase (EPSPS) incapacitando as plantas de
produzirem aminoácidos essenciais. Como conseqüência ocorre a diminuição do
crescimento, ruptura e morte celular das plantas (BENETTI, 2011).
Pelo fato da soja RR ser resistente ao glifosato, o aumento na dosagem deste
herbicida nas lavouras tornou-se uma grande preocupação. Sabendo que o glifosato
interfere na absorção de minerais como N, Fe, Zn e Mn. E também pode afetar na
fixação biológica do nitrogênio por reduzir teores de Ni, o qual é essencial para
microorganismos fixadores (SERRA et al., 2011).
2.8 Produtos químicos na agricultura
O aumento do uso de agrotóxicos como meio de controle de pragas, doenças
e plantas daninhas, gera algumas preocupações a seu respeito. O contato com
esses produtos através de resíduos contidos nos alimentos e durante sua
manipulação acarreta a população uma série de doenças incluindo as cancerígenas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece limites máximos de
resíduos de pesticidas em alimentos (LMR) pela preocupação com o aumento do
uso destes (COSTA, 2010).
Órgãos como a ANVISA é de fundamental importância para a fiscalização do
uso de agrotóxicos em alimentos. Tais procedimentos incluem a detecção de
concentrações de agrotóxicos e resíduos acima do permitido e o tipo de agrotóxico
utilizado, para avaliar se é um produto autorizado ou não (DARDENGO, 2007).
As principais vitimas por intoxicação alimentar são as crianças, sendo que
estas mesmo com pequenas quantidades ingeridas sofrem maior risco de dano ao
sistema fisiológico. A conseqüência disso são as doenças cancerígenas como
leucemia, neuroblastoma, sarcoma e tecidos moles, osteosarcoma, sarcoma de
20
Ewing, cânceres de cérebro, coloretal, testículos e tumor de Wilm em casos de
gestação (ABAD, 2006).
Outro fator de preocupação é o desequilíbrio nos ecossistemas das lavouras
pela utilização abusiva e errônea de agrotóxicos. Como já mencionado antes o uso
dos pesticidas seleciona pragas e ervas daninhas alem de diminuir os inimigos
naturais destes.
2.7.1 Herbicidas
Dentre os agrotóxicos os herbicidas são os mais utilizados, sendo
empregados no controle das plantas daninhas. Os herbicidas são eficazes pela
praticidade e comparado aos inseticidas são menos tóxicos. Apesar disso podem
causar contaminações no ambiente e selecionar, com o tempo, plantas resistentes
aos produtos (COSTA, 2010).
Uma boa parte dos herbicidas apresentam em suas formulações o composto
químico do grupo das triazinas. Estes são compostos constituídos por heterocíclico
de três átomos de nitrogênio posicionados aleatoriamente e três substituintes ligados
aos átomos de carbono (COSTA, 2010).
2.7.2 Inseticidas
Um dos primeiros inseticidas utilizados foram aqueles constituídos por
compostos inorgânicos como arsênico branco, arseniato de alumínio, cálcio e
chumbo, criolita, fluoreto de sódio, calda sulfo cálcica, sulfatos, carbonatos, entre
outros. Estes foram bastante utilizados no controle de pragas e hoje são proibidos
pela sua toxicidade (FARIA, 2009).
A maioria dos agrotóxicos utilizados atualmente no controle de insetos são
constituídos pelos grupos de compostos químicos carbamatos, organoclorados,
organofosforados e piretroides (ABAD, 2006; COSTA, 2010).
1.
Os carbamatos são bastante tóxicos principalmente ao sistema nervoso
central, pois inibem as enzimas colinesterases. Esse grupo de enzima
degrada a acetilcolina, um neurotransmissor do sistema nervoso central,
causando distúrbios. Com isso o individuo exposto à intoxicação aparenta
21
sintomas como contrações musculares involuntários, convulsões, alterações
cromossomiais e dermatites de contato.
2.
Os organoclorados, devido a sua toxicidade e por ser estável, ou seja, mais
persistente, o uso deste composto foi proibido no Brasil desde 1985.
3.
Os organofosforados são mais tóxicos que os organoclorados, entretanto são
menos agressivos ao meio ambiente. Organofosforados agem no sistema
nervoso dos insetos pela inativação das enzimas colinesterases, ocasionando
uma serie de efeitos que leva a morte.
4.
Os piretroides possuem propriedades de baixa agressividade ao ambiente e
toxicidade. Estes atuam no sistema nervoso dos insetos como neurotoxinas,
causando nos organismos paralisia e morte. Nos seres humanos os
piretroides podem causar tremores, salivação e hipersensibilidade.
5.
Os neonicotinoides são razoavelmente solúveis em água, biodegradáveis e
seletivos. Atuam como neurotransmissor de forma descontrolada e continua,
ocasionando convulsões e morte do inseto. São cancerígenos ao ser
humano.
2.7.3 Fungicidas
Outros agrotóxicos de ampla utilização são os fungicidas. Dentre eles os que
são constituídos por triazóis são os mais utilizados. Este grupo químico impede a
síntese do ergosterol, constituinte da membrana celular (COSTA, 2010).
2.7.4 Fertilizantes
As exigências minerais para um solo de uma cultura pode ser estabelecida
pela adubação de quantidades de nutrientes apropriada juntamente com a época e o
modo de aplicação. No estado de Goiás o gasto com fertilizantes chega a
representar aproximadamente 22,4% (GUARESCHI et al., 2011).
Pesquisas realizadas pela EMBRAPA SOJA (2010) mostraram que a
utilização de fertilizantes nitrogenados em culturas de soja, em qualquer estagio de
desenvolvimento da planta e qualquer tipo de aplicação, provoca a diminuição da
nodulação e da fixação biológica do nitrogênio. E também não contribui para o
aumento da produtividade.
22
Além disso a adubação nitrogenada em lavouras com a presença de plantas
daninhas resulta no favorecimento destas do que das plantas cultivadas. Isso se
deve pela maior eficiência na absorção de nutrientes do solo das plantas daninhas
não pertencentes a família das leguminosas em relação as plantas de soja
(PROCÓPIO et al., 2004).
No entanto a utilização de fertilizantes para correção do teor de outros
minerais essenciais é incontestável, desde que seja feita a analise do solo para não
acrescentar elevadas quantidades de minerais levando a intoxicação (GONÇALVES
JR. e PESSOA, 2002)
2.8 Metais Pesados
Metais pesados são considerados aqueles que apresentam peso especifico
acima de 6g/m3 ou numero atômico acima de 20. Estão contidos nesse grupo os
metais, semi-metais (As) e não metais (F e Se). Na maioria das vezes são
considerados tóxicos, mas não são todos que apresentam essa propriedade (SILVA,
2009).
A origem dos metais pesados pode ser de forma litogênica e antropogênica.
Esta primeira esta associada a fontes geológicos como resíduos de rochas,
enquanto que a segunda esta associada a atividades humanas. A deposição de
materiais com metais pesados em lugares inadequados podem aumentar a
concentração desses elementos poluindo o solo. Alguns materiais como baterias,
pedaços de carro, pilhas, podem acarretar no aumento de quantidades de elementos
como cádmio, chumbo, mercúrio e níquel (ZEITOUNI, 2003).
Entre os principais fatores de poluição do solo por metais pesados estão as
emissões industriais, efluentes, fertilizantes e pesticidas aplicados em plantas
(ZEITOUNI, 2003).
2.8.1 Metais Pesados no solo
No solo pode-se encontrar naturalmente os metais pesados. Estes
geralmente apresentam concentrações ou formas nas quais não proporcionam risco
ao ambiente. Porem atualmente concentrações de metais pesados esta se elevando
23
pela ação do homem. Solos de produção agrícola são os de maior preocupação a
respeito de acumulo de metais pesados. Uma maior quantidade destes no solo
possibilita com maior facilidade a absorção pelas plantas, ocorrendo o risco de
serem passados pela cadeia alimentar ate o ser humano (SILVA et al., 2007).
Normalmente as plantas são capazes de atuarem como barreiras impedindo
que não haja transferência de metais pesados para a cadeia alimentar. Entre os
metais pesados alguns são considerados essenciais para o desenvolvimento dos
organismos vegetais como Co, Cu, Mn, Mo, Ni, Fe, V e Zn. Alem desses, outros
elementos como o As (semi-metal) e Se (não metal) também são importantes para o
funcionamento fisiológico do vegetal. Existem também aqueles que são classificados
como não essenciais como o Al, Cd, Cr, Hg e Pb (SILVA et al., 2007).
Os metais pesados encontrados no solo podem apresentar varias formas
como íons em formas livres, trocáveis no material orgânico ou inorgânico de troca
ativa, íons quelatos em complexos orgânicos ou organominerais, incorporados em
sais insolúveis, microrganismos e nos seus resíduos biológicos ou preso em
estruturas cristalinas de minerais. (SILVA et al., 2007).
Alguns metais apresentam pouca mobilidade no solo, o caso dos metais na
forma de cátions como Ag 2+, Cu2+, Cr2+, Pb2+. Estes são capazes de formarem
complexos de esfera interna com minerais, com isso tendem a permanecerem
retidos no solo por adsorção. Portanto a baixa capacidade de mobilidade dos metais
no solo possibilita a estes de sofrerem varias transformações alem de serem
mineralizados
e
imobilizados na
biomassa
de
microrganismos
ou
serem
incorporados na cadeia alimentar através da sua absorção pelas plantas (ZEITOUNI,
2003; SILVA, 2009).
2.8.2 Metais pesados nos organismos
Dentre os metais tóxicos, o chumbo é o que oferece maior ameaça a saúde
tanto pela facilidade de intoxicação como pelo alto nível de toxicidade no homem e
animais domésticos. A intoxicação pelo metal ocorre por ingestão ou inalação. No
homem, a intoxicação pelo chumbo pode causar cólicas intestinais, colapso renal,
esterilidade, danos cerebrais e pode acumular na medula óssea dificultando na
24
formação de hemoglobina. Por tais motivos é o elemento principal do objetivo deste
trabalho (CAPITANI, 2009; ZEITOUNI, 2003).
2.8.3 Metais pesados nas plantas
Normalmente as plantas são capazes de atuarem como barreiras impedindo
que não haja transferência de metais pesados para a cadeia alimentar. A absorção
do chumbo pelos vegetais ocorre de maneira passiva, sendo possível de absorver
apenas 0,003% a 0,005% da sua quantidade total presente no solo. Esta pequena
quantidade é absorvida pelas raízes e armazenada nas paredes celulares. Somente
3% da quantidade absorvida pelas raízes é capaz de ser translocado para a parte
aérea da planta. A acumulação de quantidades elevadas de chumbo no vegetal
diminui a elasticidade da parede celular resultando a mudança na coloração das
folhas para uma cor verde escura, atrofiamento das folhas, raízes pouco
desenvolvidas e amarronzadas (ZEITOUNI, 2003).
2.9 ABSORÇÃO ATÔMICA
A espectroscopia atômica consiste na decomposição da amostra em questão
em átomos através de chama, forno ou plasma. Plasma é uma fase gasosa na qual
apresenta temperatura suficiente para que existam íons e elétrons livres. A
temperatura esta na faixa de 2000K a 6000K. A determinação da quantidade dos
elementos presentes é realizada por absorção atômica ou emissão de radiação
visível ou ultravioleta, pelos átomos no estado gasoso (HARRIS, 2005).
Na absorção atômica a amostra na fase liquida é deslocada para o centro da
chama em uma temperatura no intervalo de 2000K a 3000K. A fase liquida é
evaporada enquanto que a fase solida é decomposta em átomos (atomizada). Em
seguida uma lâmpada de cátodo oco emite uma luz na direção dos átomos. Estes
absorvem parte da luz, e o restante que não foi absorvida é determinado pelo
detector (HARRIS, 2005).
Na espectroscopia de absorção atômica (AAS) é necessário no mínimo os
seguintes aparelhos: Nebulizador/queimador, o qual atomiza o metal na fase solido;
Monocromador, o qual seleciona e isola o comprimento de onda desejável; Detector,
25
o qual detecta e realiza a leitura dos espectros; Fontes de raias ressonantes, o qual
emite radiação (VOGEL, 2002).
2.9.1 Fonte de calor
Espectrômetros de chama, geralmente utilizam queimador de mistura previa
ou fluxo laminar. Nesse tipo de queimador ocorre inicialmente a mistura da amostra,
combustível (geralmente o acetileno) e oxidante (geralmente o ar). A mistura é
transformada em um aerosol através de um nebulizador evitando a passagem de
partículas maiores para a chama. A utilização de solventes orgânicos com tensão
superficial menor ao da água facilita na formação de gotículas menores, favorecendo
na atomização da amostra. A chama produzida pela mistura do acetileno e ar
apresenta temperatura na faixa de 2400K a 2700K. Para elementos refratários cujo
ponto de ebulição são elevados, normalmente utiliza-se a mistura de acetileno com
óxido nitroso, chegando a uma temperatura de 2900K a 3100K (VOGEL, 2002;
HARRIS, 2005).
As gotículas entram na chama e decompõem-se em átomos. Muitos
elementos formam óxidos e hidróxidos na região mais externa da chama (cone
externo). A intensidade do sinal atômico das moléculas é menos intenso do que os
átomos por não apresentarem espectros semelhantes. Se a mistura é rica em
combustível, aumenta-se a sensibilidade pelo fato do carbono reduzir os óxidos e
hidróxidos metálicos. Se a mistura é pobre em combustível a chama é mais quente.
O uso de cada tipo de chama assim como a vazão de cada componente depende de
cada elemento a ser analisado (HARRIS, 2005).
Outro método de atomização da amostra sem utilizar chama é o forno de
grafite. O aquecimento deste é realizado com a eletricidade. Os fornos de grafite
apresentam maior sensibilidade e necessitam de menor quantidade de amostra do
que as de chamas. Sendo necessário apenas de 1 a 100μL de amostra enquanto
que na espectroscopia de chama é necessário no mínimo 1 a 2mL. Recomenda-se
no máximo uma temperatura de 2550oC e o tempo máximo de 7 segundos. Utiliza-se
argônio gasoso para evitar a oxidação da grafita (VOGEL, 2002; HARRIS, 2005).
As amostras utilizadas, são geralmente líquidas. Mas no caso de amostragem
direta de sólidos, analisa-se o próprio sólido sem adição de outro produto. Análises
26
de sólidos necessitam de maiores quantidades de amostra, sendo assim o limite de
detecção de impurezas são bem menores do que em amostras líquidas (HARRIS,
2005).
O forno emite radiações através das paredes as quais aquecem a amostra
localizada sob uma plataforma. Quando as paredes do forno apresentar
temperaturas constantes, o analito vaporiza-se. Existem fornos com aquecimento
transversal, de um lado ao outro para que o forno tenha uma temperatura
homogênea em toda a sua parede, e fornos com aquecimento longitudinal, de uma
extremidade a outra. O último gera diferença de temperatura no qual o centro
apresenta temperatura maior do que as extremidades. Ocasionando, assim, na
condensação do analito nessas regiões de menor temperatura. Estes podem
evaporar na próxima análise e interferirem nos resultados. Este efeito é conhecido
como efeito de memória, sendo menos freqüente em fornos com aquecimento
transversal (HARRIS, 2005).
Pode-se reduzir os efeitos de interferência tomando algumas precauções.
Uma delas é o revestimento de grafita comum por grafita pirolítica, impossibilitando a
absorção de átomos pelos poros da grafita. Outra alternativa é utilizar modificador de
matriz, sabendo que matriz é toda a amostra com exceção do analito. Os
modificadores de matriz possuem a finalidade de tornar a matriz mais volátil ou
tornar o analito menos volátil para que ocorra uma separação mais completa
possível. Um exemplo é o nitrato de amônio o qual é utilizado para diminuir a
interferência do cloreto de sódio (NaCl) na analise de Mn em água do mar. O
aquecimento do NaCl durante a atomização, libera fumaça a qual interfere na leitura
da absorvância. O nitrato de amônio reage com o NaCl formando como produto
NH4Cl e NaNO3, sendo estes substancias que evaporam sem formar fumaça
diminuindo a interferência (HARRIS, 2005).
2.9.2 Monocromador
O monocromador realiza a seleção de uma estreita faixa de comprimento de
onda, da radiação emitida pela amostra, para o detector. O monocromador é
formado por uma rede de difração a qual permite a difração (mudança da direção da
radiação causada por uma rede) através de reflexões. A radiação que passa pela
27
rede de difração emite raios de diferentes comprimentos de onda em ângulos
diferentes, permitindo que passe por ela somente a faixa de comprimento de onda
desejada (VOGEL, 2002).
Quanto menor for a faixa de comprimento de onda selecionado maior a
resolução (capacidade de diferenciar dois picos próximos) e mais ruidoso será o
sinal detectado. A largura do comprimento de onda que passa pelo monocromador é
a largura da banda do monocromador. Uma maior largura da banda permite um
melhor sinal e uma leitura mais precisa da absorvância. No entanto pode-se diminuir
a resolução da leitura da absorvância se a largura da banda for maior em relação a
largura do pico (HARRIS, 2005).
Na maioria das vezes comprimentos de ondas indesejáveis acabam passando
pelo monocromador e atingem o detector. Estes são chamados de radiações
parasitas e se originam a partir de difrações em ângulos indesejáveis na parte
interna do aparelho ou por fontes externas. Espectrômetros de alta qualidade
possuem dois monocromadores ou um filtro como vidro colorido para diminuir as
radiações parasitas (HARRIS, 2005).
2.9.3 Detector
O detector é um dispositivo com a capacidade de verificar a existência de um
determinado fenômeno físico. Os detectores chamados transdutores são capazes de
converter fenômenos físicos como intensidade da luz, temperatura, massa e pH em
sinais elétricos. Estes sinais podem ser transformados em números proporcionais a
grandeza original (SKOOG et. al., 2007).
Os detectores quando entram em contato com fótons são capazes de criarem
corrente elétrica proporcional a intensidade da radiação. As fotomultiplicadoras são
detectores bastante utilizados nos espectrofotômetros de absorção atômica
(HARRIS, 2005).
2.9.4 Fontes de raias de ressonância
Para se ter uma medida da absorvância proporcional a concentração da
amostra é necessário que a largura de linha da fonte de radiação seja mais estreita
que a largura de linha do vapor atômico. Para isso utiliza-se uma lâmpada de catodo
28
oco, a qual é a fonte de raia de ressonância mais utilizada. A lâmpada de catodo oco
é capaz de isolar linhas menores que 10 -3 a 10-2 nm. Essas lâmpadas contem gases
de Ar ou Ne, os quais são ionizados quando submetidos a uma tensão de ate 500V.
Esses gases quando ionizados são capazes de transformar átomos metálicos do
cátodo para a fase gasosa. O cátodo deve ser constituído pelo mesmo elemento a
ser analisado. Os átomos na fase gasosa emitem fótons ao se colidirem com
elétrons de alta energia passando para o estado excitado. A radiação absorvida
pelos analitos na chama ou no forno apresenta a mesma freqüência que a radiação
emitida pelos átomos da lâmpada (HARRIS, 2005).
Outra fonte de espectro de linha além das lâmpadas de catodo oco são as
lâmpadas de descarga sem eletrodos. Estas lâmpadas são mais intensas que as de
catodo oco. As lâmpadas de descarga sem eletrodos são constituídas de um tubo de
quartzo e uma quantidade pequena do analito. O tubo de quartzo é selado e contem
um gás inerte (exemplo: argônio) a uma pressão de poucos torr. Como estas
lâmpadas são ausentes de eletrodos, o metal de analito contido nelas é ionizado
através de intensos campos de radiofreqüência ou radiação de microondas. O
analito ionizado ganha energia suficiente para excitar os átomos do metal
analisados. Estas lâmpadas são eficientes para analise de elementos nos quais as
lâmpadas de catodo oco apresentam baixa sensibilidade como As, Se e Te (SKOOG
et al., 2007).
29
3 MATERIAIS E MÉTODOS
Realizou-se a preparação das amostras nos laboratórios de química da
Unidade
Universitária
de
Ciências
Exatas
e
Tecnológicas
(UnUCET)
da
Universidade Estadual de Goiás.
Providenciou-se 10 amostras de diferentes fornecedores, sendo que 8
amostras estão disponíveis comercialmente e 2 amostras obteve-se diretamente dos
produtores. A Tabela 11 apresenta o local de origem de cada amostra.
Tabela 11: Local de origem das amostras.
Amostra
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Local de origem
Hortolândia - São Paulo
Aparecida de Goiânia - Goiás
Goiânia - Goiás
Conquista - Minas Gerais
Brasília - Distrito Federal
São José do Rio Preto - São Paulo
São Paulo - São Paulo
Itaqui - Rio Grande do Sul
Piracanjuba - Goiás
Guapó - Goiás
3.1 Determinação de umidade
Inicialmente realizou-se a moagem da soja de cada amostra (10 amostras)
com um moinho de martelo, modelo SP 33, como mostrado na Figura 1. Em seguida
determinou-se um peso de 5g de cada amostra em cadinhos previamente limpos e
secos. Identificou-se os cadinhos com um lápis na parte do fundo dos mesmos.
Inseriu-se os cadinhos em uma estufa a 110 oC e determinou-se o peso de meia em
meia hora até que atingissem um peso constante. Com os dados dos pesos obtidos
calculou-se o teor de umidade presente em cada amostra utilizando-se a equação
abaixo.
30
em que:
U = teor de umidade (% b. u.);
Pa = peso da água;
Pms = peso da matéria seca;
Pt = peso total.
Sabendo que Pt = Pa + Pms
Figura 1: Moinho de martelo. Fonte: arquivo pessoal.
3.2 Abertura da amostra
A preparação das amostras teve como base o procedimento do Programa de
avaliação laboratorial de resíduos do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e
Reforma Agrária.
Montou-se um sistema de aquecimento em chama, dentro de uma capela,
com um tripé e tela de amianto posicionado sobre o bico de Bunsen conectado a um
bujão de gás, como mostrado na Figura 2. Logo depois colocou-se os cadinhos
sobre a tela de amianto. Aqueceu-se os cadinhos até a carbonização completa da
soja. Resfriou-se os cadinhos em temperatura ambiente. Em seguida transferiu-se
os cadinhos para uma mufla a 550 oC durante 4 horas para calcinar as amostras.
Após 1 hora de resfriamento, quando a temperatura da mufla diminuiu para cerca
31
300 oC, retirou-se os cadinhos com uma pinça metálica. Deixou-se os cadinhos
resfriando novamente até uma temperatura possível de manuseio.
Figura 2: Sistema de aquecimento. Fonte: arquivo pessoal.
Transferiu-se cerca de 30 mL de água destilada com uma proveta de 50 mL
para um balão volumétrico de 100 mL. Utilizou-se uma pipeta de 50 mL e transferiuse uma solução de ácido nítrico P.A., em um béquer contendo esta solução, para o
balão volumétrico de 100 mL com água destilada. Completou-se o volume com água
destilada, obtendo-se assim, uma solução de ácido nítrico a 50% da solução de
P.A.. Realizou-se o mesmo procedimento para a preparação de solução de ácido
clorídrico a 50% da solução de P.A.. Misturou-se as duas soluções em um balão
volumétrico de 200 mL obtendo-se assim, uma solução de mistura de ácido nítrico
com ácido clorídrico em uma proporção de 50% em volume.
Adicionou-se 10mL da mistura de solução de ácido nítrico e ácido clorídrico a
50% aos cadinhos contendo a soja calcinada. Em seguida aqueceu-se as amostras
em uma chapa aquecedora. Cronometrou-se 10 minutos após o inicio de ebulição e
desligou-se a chapa aquecedora. Resfriou-se os cadinhos. Montou-se um sistema
de filtração com suporte universal, alça metálica, funil e papel de filtro e posicionouse um balão volumétrico de 100 mL abaixo do funil, como mostrado na Figura 3.
Filtrou-se o conteúdo do cadinho diretamente em um balão volumétrico de 100 mL e
completou-se o volume com água destilada em cada amostra. Realizou-se
novamente a filtração do conteúdo dos balões diretamente para recipientes de vidro
não-transparentes, limpos e secos. Preparou-se estas amostras em triplicatas.
32
Figura 3: Sistema de filtração. Fonte: arquivo pessoal.
3.3 Análise da amostra
Realizou-se a leitura destas amostras no Laboratório Nacional Agropecuário
em Goiás (LANAGRO-GO) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA). O equipamento utilizado foi o Espectrofotômetro de absorção atômica de
chama do modelo A Analyst 200 da marca Perkin Elmer equipado com lâmpada de
descarga elétrica (EDL system).
Com os valores das leituras obtidas através do espectrofotômetro de
absorção atômica calculou-se a concentração de chumbo presente nas amostras
através da equação abaixo.
no qual:
[Pb] = Concentração de chumbo (mg/L);
L = Leitura (mg/L); e
Conc. Final = Concentração final da amostra (mg/L
33
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Teor de umidade
Com os dados dos resultados obtidos através das pesagens de meia em meia
hora durante a secagem das amostras na estufa a 110 oC, foi possível calcular o teor
de umidade de cada amostra utilizando a equação do mesmo. Os resultados dos
cálculos estão na Tabela 12.
Tabela 12: Resultados dos cálculos de teor de umidade das amostras de soja.
Amostra Teor de umidade (%)
1
12,40
2
10,60
3
10,69
4
9,53
5
19,49
6
11,55
7
10,72
8
11,33
9
24,53
10
8,91
4.2 Análise das amostras
Os resultados obtidos através da leitura do espectrofotômetro de absorção
atômica das amostras de soja preparadas por digestão uma solução de acido nítrico
misturado com acido clorídrico em uma proporção de 50% estão presentes na
Tabela 13.
34
Tabela 13: Resultados das concentrações de chumbo nas amostras de soja.
Amostra Resultado (ppm)
1
0,038
2
0,098
3
0,194
4
0,164
5
0,000
6
0,254
7
0,046
8
0,368
9
0,092
10
0,360
As tabelas em anexo apresentam Limites Máximos de Tolerância (LMT) de
chumbo presente em determinados alimentos de alguns países considerados como
grandes produtores e/ou consumidores de soja.
O Anexo A apresenta os valores de LMT de chumbo em alguns alimentos
com base na legislação da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O Anexo B contem os teores máximos de chumbo presentes nos gêneros
alimentícios da União Européia baseado no regulamento da Comunidade Européia.
Os indicadores de níveis máximos de chumbo em alimentos da China de
acordo com o Ministério da Saúde da China estão disponíveis no Anexo C.
O Anexo D indica intervalos de concentrações de chumbo em alimentos nos
Estados Unidos segundo United States Environmental Protectio Agency.
Com base nas tabelas em anexo apresentadas de teores máximos de
chumbo em alimentos para humanos de diferentes países, apenas 3 amostras estão
excedendo os parâmetros estabelecidos por lei nos países da União Européia,
China e Brasil. Visto que o Brasil, China e União Européia estabelecem o mesmo
valor de limite máximo tolerante ao chumbo em soja, sendo este de 0,2 ppm. As
amostras cujas concentrações de chumbo apresentaram valores significativamente
superiores ao LMT, são as amostras 6, 8 e 10. Os valores das concentrações
apresentadas por estas são 0,254, 0,368 e 0,360 ppm respectivamente. O produto
destas amostras além de serem inapropriadas para a exportação para a China e
União Européia, são inapropriadas para o consumo interno.
35
Entretanto para a legislação dos EUA de LMT do chumbo em alimentos, 5
amostras estão fora dos parâmetros estabelecidos. Sendo estas as amostras 3, 4, 6,
8 e 10 cujas concentrações de chumbo são 0,194, 0,164, 0,254, 0,368 e 0,360 ppm
respectivamente. Isso ocorre pelo fato do teor máximo de chumbo em soja do EUA
ser menor do que o do Brasil, representando a faixa de 0,002 a 0,136 ppm, ou 2 a
136 ppb.
Apenas a amostra 5 não foi possível de detectar a presença de chumbo, por
não apresentar uma concentração mínima de detecção do equipamento de
espectroscopia de absorção atômica.
Um fator preocupante em relação a alta concentração de chumbo presente
nas sojas é a utilização de pesticidas ilegais. Estes produtos químicos são
produzidos sem o monitoramento dos órgãos fiscais como a ANVISA, IBAMA e o
MAPA os quais garantem a qualidade do produto de forma que não poluem o meio
ambiente. Tendo assim uma possibilidade de serem constituídos por compostos a
base de chumbo como arseniato de chumbo.
As amostras cujas concentrações de chumbo foram as mais elevadas,
amostras 8 e 10, são possíveis produtos de cultivos nos quais podem ter ocorrido o
uso abusivo destes pesticidas.
Outra possibilidade é a contaminação do solo pelo uso destes pesticidas
quando estes ainda eram permitidos. Como o chumbo apresenta pouca mobilidade
no solo, é possível que algumas amostras tenham sido cultivadas em solos já
contaminados ocorrendo assim, a absorção do metal por estas.
O consumo destes produtos pode provocar intoxicação alimentar e algumas
conseqüências indesejáveis ao organismo como cólicas intestinais, colapso renal,
esterilidade, danos cerebrais e pode acumular na medula óssea dificultando na
formação de hemoglobina.
36
5 CONCLUSÃO
Nem todas as sojas comercializadas são seguras para consumir nas dietas da
alimentação. Sendo que as amostras 3, 4, 6, 8 e 10 apresentaram valores de
concentrações de 0,194, 0,164, 0,254, 0,368 e 0,360 ppm respectivamente. Estes
são produtos inapropriados para o consumo no caso dos EUA. Já para o Brasil,
China e União Européia as amostras 6, 8 e 10 apresentam teores de chumbo acima
do limite.
Existem ainda, agricultores que utilizam agrotóxicos de forma excessiva e
errônea e sem o conhecimento para aplicar o produto químico adequadamente.
Os produtores de soja devem se conscientizar em adotar boas práticas de
produção agrícola estabelecidas pelo projeto de Produção Integrada da Soja. Desta
forma, utilizando-se insumos químicos eficientes e menos agressíveis ao meio
ambiente para preservar o máximo possível as regiões não contaminadas por
produtos químicos. Além de preservar o equilíbrio das populações de insetos
presentes no ecossistema das culturas de soja.
É necessário também uma fiscalização mais rigorosa em relação ao
contrabando de agrotóxicos ilegais, diminuindo assim os riscos de contaminação do
ambiente, dos trabalhadores rurais e dos consumidores. Sendo estes as principais
vitimas por intoxicação com defensores químicos.
37
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42
ANEXO A – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NO BRASIL
Contaminantes
inorgânicos
Chumbo
Alimentos em que podem ser
encontrados
Origem vegetal
Bulbos
Raízes e tubérculos
Cereais
Hortaliças
Leguminosas
Oleaginosas
Limite Máximo de Tolerância
LMT (ppm)
"in natura"
Industrializado
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,5
0,2
0,2
FONTE: ANVISA, Decreto nº 55.871, de 26 de março de 1965.
43
ANEXO B – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA UE
Gêneros alimentícios
Teores máximos
(ppm)
3.1
Chumbo
3.1.1
Leite cru, leite tratado termicamente e leite para o fabrico
de produtos lácteos
0,02
3.1.2
Fórmulas para lactentes e fórmulas de transição
0,02
3.1.3
Carne (com exceção de miudezas) de bovino, ovino,
suíno e aves de capoeira
0,1
3.1.4
3.1.5
Miudezas de bovino, ovino, suíno e aves de capoeira
Parte comestível do peixe
0,5
0,3
3.1.6
Crustáceos, excluindo a carne escura de caranguejo e
excluindo a carne de cabeça e do tórax da lagosta e de
grandes crustáceos similares (Nephropidae e Palinuridae)
0,5
3.1.7
3.1.8
3.1.9
Moluscos bivalves
Cefalópodes (sem vísceras)
Cereais, legumes e leguminosas
1,5
1,0
0,2
FONTE: Regulamento (CE) nº. 1881/2006 da comissão de 19 de Dezembro de
2006.
44
ANEXO C – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NA CHINA
Tipo de alimento / Nome
Grãos e seus produtos (excluindo farinha de aveia, amido produtos e
glúten)
Farinha de aveia, amido de produtos e glúten
Feijão, farinha de soja
Produtos de soja (excluindo leite de soja)
Leite de soja
Nível Máximo
(ppm)
0,2
0,5
0,2
0,5
0,05
FONTE: Ministério da Saúde da China.
45
ANEXO D – LMT DE CHUMBO NOS ALIMENTOS NOS EUA
Alimentos
[Pb] em ppb
Laticínios
3 – 83
Carnes, peixes, frangos
2 – 159
Grãos e cereais
2 – 136
Verduras e legumes
5 – 649
Frutas e sucos de frutas
5 – 223
Óleos e gorduras
8 – 28
Açúcar
6 – 73
Bebidas não alcoólicas
2 – 41
FONTE: CAPITAINI, et al., 2009.
46
ANEXO E – FORMULÁRIO
47
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