História, imagem e narrativa
No 20, abril/2015 - ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br
As mídias cinemáticas no ensino de História
Luiz Paulo da Silva Soares
Mestrando em Educação – PPGEDU – FURG
[email protected]
Resumo: O presente trabalho de pesquisa tem por intuito apresentar algumas reflexões sobre a utilização das
mídias cinemáticas como possibilidade para o ensino de História. Uma vez que estes materiais são ferramentas
importantíssimas por trazer consigo símbolos e imagens, que são linguagens que nos auxiliam na compreensão
do passado. De acordo com Carmo (2003, s/p.) o “[...] cinema como prática pedagógica pode fazer o aluno se
interessar pelo conhecimento, pela pesquisa, pelo modo mais vivo e interessante que o ensino tradicional,
apoiado em aulas expositivas e seminários. (...)”. Desta forma, as tecnologias da informação e de comunicação
em massa como o cinema, propiciam a criação de um espaço de construção de novos conhecimentos por meio da
reflexão, da curiosidade e criticidade do educando. Diante disso, o objetivo deste trabalho é demonstrar como a
utilização da mídia cinemática pode contribuir para o ensino-aprendizagem através de diferentes procedimentos
metodológicos e temáticos de como utilizar esta ferramenta no ensino de História.
Palavras-chave: Ensino-aprendizagem, Mídias Cinemáticas, Ensino de História.
Abstract: This research paper is aimed at presenting some reflections on the use of cinematic media as a
possibility for teaching history. Once these materials are very important tools for bringing with symbols and
images, which are languages that help us understand the past. According to Carmel (2003, s / w.) The "[...] film
as pedagogical practice can make students become interested in knowledge for the research, the more lively and
interesting so that traditional teaching, supported by lectures and seminars. (...) ". Thus, information technology
and mass media such as film, favor the creation of a space for the construction of new knowledge through
reflection, curiosity and criticality of the student. Thus, the objective of this work is to demonstrate how the use
of cinematic media can contribute to teaching and learning through different methodological and thematic
procedures of how to use this tool in teaching history.
Keywords: Learning, teaching Media Kinematics, History Teaching.
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"As artes são canais de expressão derivados do verbo: a escultura é a palavra
coagulada, a pintura é a palavra colorida, a dança é a palavra em
movimento, a música é a palavra em harmonia; mas a palavra, em si,
é a própria vida."
André Luiz
Considerações iniciais...
Em pleno século XXI, vivemos em meio à era digital, a era dos meios de comunicação
em massa. Isso nos faz pensar se os recursos como a fotografia, o computador/internet, a
música, o cinema trazem benefícios se utilizados em sala de aula. Há algum tempo atrás, esses
recursos tecnológicos não eram utilizados em sala de aula pelos professores no ensinoaprendizagem de nossos alunos. Mas como estamos em um mundo onde a tecnologia, a
velocidade como a informação se espalha, principalmente quando colocada disponível na
nuvem1, os acontecimentos que estão acontecendo aqui e agora se propagam com uma rapidez
exacerbada. Diante disso, os professores tem que se adaptar ao mundo em que os educandos
vivem para que assim possam planejar aulas utilizando tais recursos que a criançada de hoje
dominam por completo.
Pensando nesse propósito, uma das diversas ferramentas que podem auxiliar no
desenvolvimento das aulas são as mídias cinemáticas, que por sua vez, são recursos
tecnológicos importantíssimos se utilizadas de forma crítica em sala de aula. Assim, o
presente trabalho de pesquisa tem como intuito responder aos questionamentos que
direcionaram esta pesquisa. Tais como: Quais os motivos de se utilizar as mídias cinemáticas
no ensino de História? De que forma abarcar essa mídia de comunicação em massa em sala de
aula? Inúmeras são as indagações que norteiam este trabalho. No entanto, nos detivemos a
responder apenas três.
Cabe salientar que, ao utilizar essa tecnologia tão importante no ambiente escolar,
devemos ter em mente que é necessário possuir um planejamento prévio para que o
transcorrer da aula ocorra como pensado. Com base nisso, apresentaremos alguns caminhos
metodológicos que podem auxiliar no decorrer de uma aula utilizando como aporte a mídia
cinemática.
1
Aqui nuvem é subentendida como rede de internet.
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O trabalho aqui exposto é uma releitura de forma simplificada do primeiro capítulo de
minha monografia em História Licenciatura intitulada: As Mídias Cinemáticas no Ensino de
História: A Visão de Professores das Escolas da Cidade do Rio Grande. Dessa forma,
Apresentarei algumas reflexões de forma simplificada da mesma. Para realizar o
desenvolvimento metodológico deste, utilizamos como aporte da pesquisa a semiótica, que
tem por objetivo, auxiliar no estudo de fenômenos culturais. De acordo com Eco (2007, pg.
16), a mesma analisa os modos de significação e representação que rodeiam os atores sociais
através de qualquer sistema signeo. Seguindo este pressuposto, a Nova História Cultural e a
semiótica proporcionaram uma analise da utilização das mídias cinemáticas no ensino de
história, com o intuito de responder aos questionamentos que foram realizados no início deste
trabalho.
As mídias cinemáticas estão cada vez mais presentes no cotidiano dos indivíduos,
começando pelos extintos videocassetes e suas mídias VHS, e atualmente seja através do
DVD (Digital Versatile Disc, tradução para o português, Disco Digital Versátil), da mídia BluRay (mídia de alta definição) e/ou através das telonas do cinema com qualidade Imax (com
resolução 4k). Esse recurso, que com o passar dos anos se aperfeiçoou possibilitando na
ampliação e difusão cada vez maior do cinema para a sociedade, alcançando um número
extraordinário de pessoas que possuem algum destes aparelhos em suas residências. Isso
ocorreu não só pelo avanço da tecnologia, mas também pelo barateamento dessas mercadorias
com o passar do tempo.
O Cinema no ensino de História
O cinema bem como outras ferramentas pode tornar o ensino de história estimulante, e
os historiadores sabem da importância exercida por esta ferramenta no processo de
aprendizagem. Segundo Regina Oliveira, Vanusia Almeida e Vitória Fonseca (2012, pg 31),
“vários historiadores e estudiosos da Educação pensam e produzem conhecimento a respeito
das possibilidades das relações entre cinema e história”. No entanto, antigamente, os recursos
visuais como as mídias cinemáticas não eram consideradas por muitos historiadores como
uma fonte para o estudo da História.
Por isso, que as histórias fílmicas, tanto podem ser de ficção científica como também
retratar o dia-a-dia dos indivíduos em algum lugar no mundo, contam com uma indústria que
patrocina as narrativas de suspense, ação, efeitos especiais dentre outros atrativos, usadas para
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difundir ideias e conceitos. Os diálogos presentes nas películas, muitas vezes são imbuídos de
ideologias, que são capazes de minar o pensamento dos atores sociais.
Segundo as autoras citadas anteriormente,
(...) todos os filmes são, de alguma forma, históricos, pois nos dizem sobre a época em que
foram produzidos. Dessa maneira, um filme realizado na década de 1930 pode ser histórico se
usado como documento para estudar a década de 1930, mesmo que não trate de um tema do
seu passado” (OLIVEIRA, ALMEIDA & FONSECA 2012, p. 34).
Diante disso, a perspectiva utilizada pelas autoras é que o docente pode utilizar esta
ferramenta sobre diferentes ângulos, pois as pessoas de alguma forma representam o que
vivem em seus processos cotidianos. O que também irá acarretar em uma compreensão da
sociedade que o representa. Dessa maneira, quem utiliza o cinema como recurso didático,
deve estar atento que, a análise critica do mesmo deve ser sempre uma das principais
características.
Ferro (2010, p.33) exemplifica que devemos “analisar no filme principalmente a
narrativa, o cenário, o texto, as relações do filme com o que não é filme: o autor, a produção,
o público, a crítica, o regime”. Isso irá acarretar em uma compreensão da sociedade que o
representa. Seguindo o pensamento do autor, o filme deve ser analisado como um todo,
principalmente no que se refere a sua narrativa, e todos os outros meandros que envolvem a
História. Dessa forma, quem utiliza o cinema como recurso didático, deve estar atento que, a
análise critica do mesmo deve ser sempre uma das principais características.
Diante do que foi exposto, Guimarães afirma que,
Nessa perspectiva, ensinar é estabelecer relações interativas que possibilitem ao educando
elaborar representações pessoais sobre os conhecimentos, os objetos de ensino e da
aprendizagem. O ensino se articula em torno dos alunos e dos conhecimentos e a aprendizagem
depende desse conjunto de interações. (GUIMARÃES, 2013, pg. 166).
Seguindo o raciocínio da autora, essas mídias são de extrema importância, pois,
possuem uma abrangência de temas que podem ser abarcados em sala de aula, através de
dinâmicas que envolvam a imagem, o som, a fotografia, desde que tenha relação com a
película escolhida. Isso irá favorecer a compreensão das inquietações dos discentes de acordo
com o que esta sendo desenvolvido no momento, e cabe ao professor conduzir a mesma de
forma que consiga atingir todos os presentes.
Nos últimos tempos, a renovação metodológica que vem ocorrendo no Ensino de
História, em detrimento do ensino tradicional que se encontra defasado, e que acarreta o
desinteresse dos discentes, isso fez com que muitos professores/pesquisadores passassem a
utilizar novas possibilidades de linguagens para trabalhar em sala de aula. E as mídias
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cinemáticas, assim como tantas outras mídias surgem como ferramentas didáticas para
auxiliar no processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
No entanto, o professor deve auxiliar nesse desenvolvimento, fazendo links,
explicando o que ocorreu no passado, para que os discentes tenham uma compreensão mais
exata dos fatos, e que possam fazer conexões. Diante disso, Bock afirma que:
A aprendizagem é [...] um processo essencialmente social, que ocorre na interação com adultos
e os colegas. O desenvolvimento é resultado desse processo, e a escola, o lugar privilegiado
para essa estimulação. A educação passa, então a ser como processo social sistemático de
construção da humanidade (BOCK, 2002, p. 126).
Por isso, que:
Rádio, livros, enciclopédias, jornais, revistas, televisão, cinema, vídeo e computadores também
difundem personagens, fatos, datas, cenários e costumes que instigam meninos e meninas a
pensarem sobre diferentes contextos e vivências humanas. Nos Jogos Olímpicos, no centenário
do cinema, nos cinqüenta anos da bomba de Hiroshima, nos quinhentos anos da chegada dos
europeus à América, nos cem anos de República e da abolição da escravidão, os meios de
comunicação reconstituíram com gravuras, textos, comentários, fotografias e filmes, glórias,
vitórias, invenções, conflitos que marcaram tais acontecimentos. (BRASIL, 1998, p. 38).
É fato que qualquer material pode ser utilizado como material de ensino. Entretanto, o
professor deve ter em mente o que esses materiais podem repercutir em sala de aula.
Segundo Soares (2014, pg. 26), “a busca pela valorização do ensino de História é algo
constante na vida deste profissional.”. Principalmente quando os professores utilizam em suas
aulas o embasamento teórico. Este de acordo com o autor, “é extremamente relevante para
que os alunos tenham instrumentos para evoluir em todas as etapas do ensino. Nessa direção é
preciso refletir sobre alguns aspectos e materiais que são utilizados como ferramenta de
instrução no âmbito escolar.”.
Contudo, tanto o cinema quanto os outros recursos visuais, possuem um ponto em
comum. Todos eles devem ser planejados com antecedência, para que não se perca o foco de
trabalhar com tais mídias em sala de aula.
Assim, é possível perceber que quando o professor planeja previamente suas aulas
utilizando como aporte as mídias cinemáticas no ensino de História – mas não somente nesta
– as mesmas possuem um resultado positivo, quando bem empregada à utilização destas
mídias no ensino. Jamais se deve utilizar o cinema em sala de aula apenas como “um tapa
buraco”, preencher uma lacuna, sem ter um proposição com a exibição da película, e que
acabará acarretando no não aprendizado dos educandos. Logo, a utilização desses recursos
midiáticos enquanto ferramenta pedagógica nas aulas contribui de maneira positiva no
processo de ensino-aprendizagem, sempre com a mediação do professor neste processo.
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Matos corrobora com esse pensamento ao afirmar que:
(...) o professor ao se dispor a utilizar o cinema como reurso didático, não deve pensar que ele
por si mesmo é capaz de estabelecer um processo de ensino-aprendizagem, pois, não o é. O
professor é a peça chave em todo esse planejamento, pois é ele quem deve estabelecer quais
são os objetivos para a utilização desse recurso. (MATOS, 2012, pg. 32-33).
O excerto acima enfatiza que, todo e qualquer tipo de recurso tecnológico deve ser
utilizado na educação, com objetivo de auxiliar o processo de ensino-aprendizagem. Mesmo
assim, o papel do professor se torna essencial neste processo, uma vez que o mesmo deve ter
os objetivos reais de para que utilizar essas ferramentas em suas aulas, além de contextualizálas, ou seja, aproximar as mídias cinemáticas à realidade dos alunos, tornando-os
participativos no durante as aulas.
Diante disso, o organograma abaixo expressa que ao utilizar as mídias cinemáticas,
professor estará trabalhando/explorando com os discentes diversos aspectos.
Imagem nº 1 – Organograma elaborado pelo autor.
Analisando o organograma acima, constata-se que a utilização dessas mídias,
principalmente o cinema, pode enriquecer o aprendizado, além de facilitar a compreensão do
tema a ser abordado em aula. Além do mais, é evidente que o professor deve sempre propor
um trabalho em cima do filme que foi assistido, seja discutir determinado conteúdo através de
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um debate, seja através de um a resenha, ou trabalho em grupos. Independente do trabalho a
ser feito, o importante é realizar uma análise da mídia cinemática.
Existem algumas maneiras de trabalhar com as mídias cinemáticas no ensino de
História. Para tanto, é necessário que o professor tenha alguns objetivos em mente. Assim, o
professor deve explanar previamente aos estudantes sobre a mídia a ser assistida
familiarizando os mesmos de que não irão apenas assistir um filme, visto que o cinema será
utilizado como um recurso pedagógico adicional à aula para complementar ou iniciar algum
conteúdo. Desta forma, o professor estará enfatizando que o ato de assistir a película é
exclusivamente educativo. Haja vista, que após a exibição do material cinematográfico, será
realizado algum tipo de trabalho e/ou discussão sobre o tema do filme relacionando com o
conteúdo da disciplina de História.
Os filmes quando empregados em sala de aula, sem dúvida alguma, são grandes
recursos para tornar as aulas mais prazerosa em diversas disciplinas, principalmente nas aulas
de História, Literatura e de Ciências, onde podemos trabalhar o tempo histórico através da
evolução do homem na sociedade, entre outros aspectos. Os mesmos manifestam diferentes
tipos de pensamentos, atitudes, emoções, ideologias etc. Sendo muitas vezes apenas uma
representação cultural presente em diversas sociedades, podendo ser expressa de inúmeras
maneiras. Então, o objeto de estudo da História são “os processos históricos relativos às ações
e às relações humanas praticadas no tempo, bem como a respectiva significação atribuída
pelos sujeitos, tendo ou não consciência dessas ações” (PARANÁ, 2008, p. 46).
Como foi dito anteriormente, cabe ressaltar que independente da mídia a ser
trabalhada em aula, o professor deve apresentar algumas informações como a sinopse, a ficha
técnica, algumas curiosidades, possíveis prêmios, elementos de linguagem cinematográfica.
Tais etapas visão auxiliar os discentes na compreensão da película relacionando-o com o
conteúdo da aula, e possivelmente analisando outros arquétipos que envolvem a construção da
mídia cinemática.
Dessa forma, o professor pode estimular que os educandos assistam essas ferramentas
audiovisuais não somente nas escolas, mas em casa, para que ativem e aprofundem cada vez
mais a criticidade em relação ao que esta assistindo, analisando todo o conjunto da obra
cinematográfica.
Sendo que o cinema além de um processo comunicativo que envolve
inúmeros atores sociais desde o momento em que o mesmo começa a ser planejado, até a sua
apreciação pelos telespectadores nas telonas dos cinemas.
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Mizukami (1986, p. 63-64) diz que o “[...] conhecimento é considerado como uma
construção continua. A passagem de um estado de desenvolvimento para o seguinte é sempre
caracterizada por formação de novas estruturas que não existiam anteriormente no indivíduo”.
Por isso que as mídias cinemáticas são importantes recursos educacionais. Desta forma, o
professor deve ter cuidado ao trabalhar com essas mídias. Pois, as mesmas não podem ser
trabalhadas em sala de aula “[...] como portadores de verdades, mas sim como interpretação
de uma realidade” (VASCONCELLOS, 1999, p. 118).
Trabalhar com as mídias cinemáticas no ensino de História, deve ser um ato prazeroso
para ambas as partes, tanto para o professor, quanto para o aluno. Onde todos os materiais que
fazem parte do filme, podem ser utilizados como fonte documental, visto que, por exemplo,
os cenários cujos quais são gravados as cenas, podem conter diversas características de um
dado tempo, de uma sociedade em questão, etc. Por isso “é indispensável ir além dos
documentos escritos, trabalhando com os iconográficos, os registros orais, os testemunhos de
história local, além de documentos contemporâneos, como: fotografia, cinema, quadrinhos,
literatura e informática” (PARANÁ, 2008, p. 53).
De fato, trabalhar com as mídias cinemáticas no ensino de História não é uma tarefa
fácil. Afinal trabalhar esse meio de comunicação em massa requer alguns planejamentos
prévios. Por isso, antes de tudo, ao escolher a mídia a ser exibida em sala de aula, o professor
deve primeiramente assisti-la. Estudar o filme, recorrendo a outros recursos, como jornais,
livros e etc., que possam dar uma base teórica sobre a história que a película representa,
prestando atenção nas cenas, observando detalhes presentes nos cenários e diálogos
importantes entre os personagens, anotando toda e qualquer informação que possa ser
relevante. Isso por que o filme a ser trabalhado com os discentes deve ser adequado à faixa
etária. Além disso, o professor pode montar em cima da película um projeto de estudo/ensino
sobre o tema. O filme escolhido não precisa necessariamente ser de cunho histórico. O gênero
do mesmo pode ser uma aventura, um romance, um drama, um documentário, uma animação
etc. Entretanto, o mesmo pode se relacionar direta ou indiretamente com o assunto abordado
em aula. Porém, o professor deve fazer com que os alunos analisem o filme e comparem com
o que foi trabalhado e discutido em aula. Isso proporcionará que os educandos desconstruam a
mídia assistida, percebendo que dependendo do filme, ele não retratará em si determinado
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conteúdo, como, por exemplo, no filme Gladiador2, mas também, pode-se realizar uma
análise da sociedade que o produziu, no caso os Estados Unidos dos anos 2000.
Outro fator de suma importância, e que deve ser observado e trabalhado pelo professor
é a questão da emoção, da linguagem, dos sentidos da narrativa cinematográfica, os símbolos
e significados, os valores que expressos por essas mídias. O filme escolhido deve fazer com
que os educandos se emocionem de alguma forma. As emoções fazem com que os discentes
deem um sentido ao que estão assistindo. Por isso que, o professor deve realizar algumas
interrupções durante a exibição da mídia cinemática promovendo um diálogo interpretativo,
crítico e aberto com os discentes. Após a exibição do filme, o professor deve fazer o papel de
mediador, coordenando as discussões que poderão se desdobrar com a temática.
Nesse meio tempo de organização do fazer pedagógico que a utilização dessa
linguagem cinematográfica, deverá ser problematizada, levando em consideração as
particularidades do ensino de História relacionando com o presente.
É imprescindível que após assistirem o filme, os educandos realizem uma análise da
crítica do mesmo. Seja de forma oral, ou por escrito, onde os mesmos possam expressar as
suas opiniões a respeito do que foi visto relacionando com o conteúdo ou com a realidade de
cada um.
Apesar dos limites da forma de utilização dos meios audiovisuais, principalmente como
substitutos de professores e aulas, ainda acreditamos nas suas potencialidades de
enriquecimento da relação ensino-aprendizagem. Tal posição exige, evidentemente, repensar a
nossa relação com os “meios didáticos”, em particular com o audiovisual, e construir propostas
que possam oferecer experiências ricas e variadas de produção do conhecimento no espaço
escolar. (BARBOSA, 2004, pg. 109-110 Apud COUSIN, 2008, pg 23).
De acordo com a afirmação do autor, a utilização das mídias cinemáticas em sala de
aula aproxima o aluno da realidade e também deixa a aula prazerosa, fazendo com que o
aluno participe com mais entusiasmo, pois querendo ou não quando se esta escutando um
ritmo de nosso gosto é quase que impossível ficar quieto, sem esboçar nenhuma reação.
A narrativa que engloba ideias, fatos e apresenta causas e consequências presentes nas
mídias cinemáticas, tem por proposta para o ensino de História uma nova perspectiva. A
perspectiva de conceber o conhecimento através dos processos históricos de forma lúdica e
crítica, abandonando o sistema arcaico de ensino, com metodologias ultrapassadas. Por isso
cabe ao professor se atualizar e passar a utilizar as tecnologias a seu favor. Os filmes, por
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Gladiador é um filme norte-americano do diretor Ridley Scott, lançado em 2000, de gênero aventura. No
mesmo é retratada a última etapa política de Roma: o Império. Além disso, também é retratado como eram as
lutas entre gladiadores dentro do Coliseu. Cabe frisar ainda que, no filme retratam alguns aspectos que não
aconteceram como, por exemplo, Commodus matando seu pai Marco Aurélio. Tal fato não ocorreu. Marco
Aurélio morreu em uma expedição contra os Marcomanos.
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exemplo, podem ser trabalhados de forma disciplinar, ou multidisciplinar, em um projeto de
ensino e/ou estudo. Cabe o mesmo potencializar essa ferramenta em um modelo que
possibilite o ensino-aprendizagem mútuo, de maneira a alcançar a todos os presentes na sala
de aula.
Conforme Duarte (2002:17), “ver filmes é uma prática social tão importante, do ponto
de vista da formação cultural e educacional das pessoas, quanto à leitura de obras literárias,
filosóficas, sociológicas e tantas mais”. Ou Seja, as mídias cinemáticas quando trabalhadas
em sala de aula, requerem uma metodologia especializada. Devido á isso, cabe ao docente
escolher como irá apresentar aos educandos a película. Se o mesmo optar por apresentar o
filme por inteiro, ou irá selecionar apenas alguns fragmentos que podem auxiliar na
elucidação do tema abordado e uma ampliação das discussões.
Muitas vezes, quando o professor diz á classe que irá passar um filme, muitos alunos
afirmam que não vai ter aula, é apenas assistir um filme. Nesse momento todos os alunos
ficam ouriçados por que aula propriamente dita não teria. Antes de qualquer coisa, o professor
deve mencionar que não é um passatempo, e que o filme a ser assistido faz parte do ensino–
aprendizagem dos mesmos. Além disso, deverão fazer um trabalho relacionando com o
conteúdo, ou algo do tipo. Dependendo do viés norteador que o docente irá dar para a
utilização deste material em sala de aula.
Por isso, cabe ao regente da turma informar o que deverá ser feito, antes, durante e
depois de assistirem ao filme. Uma vez que não se deve utilizar o filme como desculpa para
não dar aula.
Renato Mocellin (2009, pg. 32) ao citar o professor Mark C. Carnes da Universidade
de Columbia, onde o mesmo afirma que o cinema por sua vez, diverte as pessoas, mas
também ensina verdades que são importantes sobre a condição dos atores sociais. Ainda
segundo Mocellin,
Se todo conhecimento é poder, como propôs Gramsci, munir os alunos de
conhecimentos suficientes para entender como a ideologia é manipulada, inclusive
pelo Estado, através dos meios de comunicação, é também dar à sociedade o poder
de entender e mudar as estruturas sociais, a cultura e as relações socioculturais.
(MOCELLIN: 2009, pg. 32).
Assim, ao citar Bourdieu, Duarte assevera que:
a experiência das pessoas com o cinema contribuiu para desenvolver o que se pode
chamar de “competência para ver” isto é, certa disposição, valorizada socialmente,
para analisar, compreender e apreciar qualquer história contada em linguagem
cinematográfica. Entretanto, o autor assinala que essa competência não é adquirida
apenas vendo filmes; a atmosfera em que as pessoas estão imersas – que inclui, além
da experiência escolar o grau de afinidade que elas mantêm com as artes e a mídia –
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é o que lhes permite desenvolver determinadas maneiras de lidar com os produtos
culturais, incluindo o cinema. (BOURDIE , apud DUARTE, 2002, pg. 13).
Edileiza Souza corrobora com este pensamento ao afirmar que:
Na sala de aula, como em qualquer espaço educativo, o cinema é um rico material
didático. Agente socializante e socializador, ele desperta interesses teóricos,
questionamentos sociopolíticos, enriquecimento cultural. E cada vez mais, tem-se
intensificado o número de programas educativos e formativos em que o cinema é
utilizado como um dos aparatos tecnológicos da educação. (SOUZA, 2006, p.9).
Os recursos visuais exercem um papel importantíssimo na construção do
conhecimento histórico ao possibilitar não apenas uma aula diferenciada, mas também, como
estímulo ao debate e a socialização de saberes.
Segundo, Jairo Nascimento (2008, p. 12) “o conhecimento não é “algo” dado pela
imagem; é construído a partir de problematizações; e, no espaço escolar, essa construção dáse na interação entre professor/aluno.”.
Considerações Finais
Portanto, fica claro que é valiosíssima a utilização das mídias cinemáticas em sala de
aula. Uma vez que, as mesmas além de proporcionar aos discentes uma interação audiovisual,
envolve diversos mecanismos na produção de um filme – cenários, personagens, enredo,
trilha sonora, imagens em movimento, todos esses meandros acabam por facilitar a elucidação
e a compreensão de determinados conteúdos. Essa abordagem visual acaba tornando o ensinoaprendizagem dos educandos mais significativa, mais prazerosa, o que pode aguçar a
consciência critica de cada um dos alunos. Friso que cabe ao professor promover um espaço
de discussão, pois a mídia cinemática sozinha não o faz, e os discentes também não o farão
pois precisam de um mediador nesta empreitada.
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