O custo ecológico do que comemos Raymond Romand Uma atitude ecológica para impedir mudanças climáticas e favorecer sua saúde. Existe uma ligação entre os nossos hábitos alimentares e o futuro ecológico do planeta? Em caso afirmativo, qual é a nossa responsabilidade? As perguntas podem parecer acadêmicas e pouco relevantes, mas diante da problemática situação atual, elas não são. Não importa o lugar que você esteja, é só olhar ao redor para constatar imediatamente a situação. Em algumas partes do mundo, as pessoas vivem como se os recursos para satisfazer as suas necessidades fossem ilimitados, enquanto que em outros lugares, as pessoas lutam para satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência. O primeiro caso envolve excesso, e assim produz desperdício; no segundo caso, simplesmente não há recursos suficientes. Jeffrey Sachs, professor de Gestão e Política de Saúde da Universidade de Columbia e conselheiro especial do secretário geral da ONU Ban KiMoon, argumenta que se não forem feitas alterações na forma como gerimos o planeta, “é provável que o mundo experimente crescente conflito entre os ricos e os pobres, intensificando as catástrofes ambientais e reduções nos padrões de vida causadas pelas crises de bloqueio de energia, água, alimentos e conflitos”.1 O mundo de hoje é uma rede altamente interconectada, impulsionada pela troca de ideias, informações e pessoas. Ninguém pode ser ignorante ou deve ficar indiferente aos acontecimentos que ocorrem em todo o mundo. Para melhor ou pior, estamos cada vez mais interdependentes.2 Este artigo trata de apenas um dos aspectos dessa interdependência: a comida. Vamos olhar para as modificações da dieta nos últimos 50 anos e seu impacto sobre a vida humana, tanto as consequências a curto prazo quanto as de longo prazo, e verificar os efeitos mais profundos sobre a natureza e as pessoas. Vamos focalizar principalmente o custo de uma dieta à base de proteína animal, que pode ser medida pelo seu impacto sobre a agricultura, a ecologia, o consumo de água e a saúde. DIÁLOGO 22 • 1 2010 O custo agrícola Considere os produtos de origem animal, especialmente os de bovinos criados intensivamente, alimentados em parte com alimentos feitos de soja. Em média, cada europeu consome 87 kg de carne (124 kg nos EUA) e 250 ovos por ano. Para se produzir esse alimento é preciso o equivalente a 400 m2 de cultivo de soja. A terra necessária para esse cultivo, para cada consumidor europeu, corresponde a uma superfície do tamanho de uma quadra de basquete! Países como a China e os EUA têm áreas limitadas de cultivo e, por isso, visam a sua expansão em países da América do Sul, como o Brasil, a Argentina, a Bolívia e o Paraguai. Na Europa, a maioria da soja utilizada provém dos EUA ou do Brasil. Em 2005, o Brasil exportou 49% da sua produção de soja para a União Europeia.3 O governo brasileiro permitiu a apropriação das terras necessárias, enquanto os credores internacionais garantiram o menor custo possível para os produtores de soja. Isso, claro, foi uma boa notícia para os brasileiros envolvidos na produção agrícola. Mas a enorme produção de soja para atender a demanda de carne do mundo ocidental tem seu efeito sobre a ecologia e o meio ambiente. A natureza tem as suas próprias leis, muitas vezes cíclicas, e não pode escapar da ilimitada e constante exploração. A fim de manter a produção de soja no seu limite máximo, as técnicas introduzidas, a curto prazo, superam a restrição sazonal, mas à custa do consumo de energia, água, espaço e outros valiosos recursos naturais. A elevada taxa de utilização desses produtos pode provocar consequências imprevisíveis para o futuro. Em 2005, o Brasil exportou 34% de sua produção de carne bovina para a Europa. O gado foi, sem dúvida, alimentado, em parte com soja. O suprimento de soja foi assegurado através da utilização de uma parte da Floresta Amazônica para o seu cultivo. O efeito sobre as florestas foi notado através de observações por satélite.4 Mesmo a carne que é orgulhosamente declarada em supermercados franceses como sendo “de origem francesa” é provável que seja de gado alimentado, em parte, por soja cultivada em outros países. Essa produção de carne continua utilizando uma grande quantidade de soja, enquanto que em muitas partes do mundo, as pessoas estão sofrendo fome e privações. Entretanto, um ecossistema imprescindível, como a primária floresta da Bacia Amazônica, está sendo destruído. Igualmente afetada é a Bacia Amazônica, que produz a maioria de suas próprias águas pluviais através de um ciclo complexo exclusivo para as regiões das florestas tropicais. Interesses financeiros relacionados, principalmente, às atividades agroindustriais, madeireira e pecuária estão levando à redução diária da superfície da floresta. Recentemente, um especialista em clima, energia e meio ambiente comentou: “Para os mercados do mundo, as 5 florestas valem mais mortas do que vivas.”5 Durante os últimos 40 anos, cerca de 20% da Floresta Amazônica desapareceu. Isso é mais do que foi destruído desde a chegada dos primeiros europeus 450 anos atrás. A metade dessa madeira é destinada principalmente à exportação para os EUA e 28% para a Europa.6 O custo ecológico a longo prazo A destruição da Floresta Amazônica pode parecer “um assunto para os ecologistas”, mas deve envolver profundamente a todos nós. Esse ecossistema, como outros, presta serviço para toda a humanidade, fornecendo produtos como plantas medicinais e madeira para a construção local de casas. O ecossistema também dá suporte a outros sistemas que são muitas vezes subestimados: a filtração da água, a regulação climática, o controle de inundações, a manutenção de solos e do bem-estar da comunidade local.7 A destruição das florestas tropicais é realizada de forma irresponsável para o plantio de grandes superfícies de monocultura de soja no Brasil ou palmeiras na Malásia e Indonésia.8 Depois de cultivarem um pedaço de terreno por vários anos, mudam o cultivo para uma nova área em busca de terras férteis. Uma vez que a floresta foi cortada e queimada, o solo empobrecido é completamente esgotado em menos de dois ou três anos. Então é oxidado pelo Sol e seus nutrientes restantes são lavados pela chuva tropical. O resultado é a rápida erosão do solo, os depósitos de sedimentos em rios e zonas normalmente alagadas pelas chuvas, e a poluição da superfície por pesticidas e fertilizantes, que trazem consequências desastrosas para a biosfera, a flora e fauna.9 Em 1970, centenas de milhares de pessoas deixaram os Estados do Paraná e Rio Grande do Sul por causa da produção de soja. Uma grande parcela dessa população se mudou para a Bacia Amazônica, onde foram incentivados a cultivar a terra da floresta posteriormente queimada. Essa atividade acelerou fortemente a degradação da floresta primária, com consequências ainda Assine Diálogo Você quer ser um pensador e não meramente um refletor do pensamento de outras pessoas? A DIÁLOGO continuará a desafiá-lo a pensar criticamente, como um cristão. Fique em contato com o melhor da ação e do pensamento adventista ao redor do mundo. Assine DIÁLOGO. Assinatura anual (3 exemplares – via aérea): US$13.00 Números atrasados: US$4.00 cada. Gostaria de assinar DIÁLOGO em o Inglês o Francês o Português o Espanhol Edições Iniciem minha assinatura com a próxima edição. Gostaria de receber estes números anteriores: Vol.______. No ______. Pagamento Estou juntando um cheque internacional ou ordem de pagamento. Meu Mastercard ou VISA é _____________________________ Data de validade: ________________________ Por favor, preencha: Nome ___________________________________________________________ Endereço___________________________________________________________ ___________________________________________________________ Remeta os dados para: DIALOGUE Subscriptions, Linda Torske 12501 Old Columbia Pike; Silver Spring, MD 20904-6600; EUA. FAX 301 622 9627 [email protected] 6 imprevisíveis a longo prazo para todo o planeta. O custo da energia A dieta baseada em produto animal também cria a demanda para que os produtos agrícolas sejam cultivados fora do ciclo natural. Essa demanda tem um custo de energia que se tornou um problema enorme para o mundo agrícola.10 A dieta ocidental com o seu elevado teor de proteínas (carnes, produtos lácteos etc) é energia cara.11 Por exemplo, 13 kg de cereais (ou 30 kg de forragem) são necessários para obter um quilograma de carne bovina. É evidente que uma dieta rica em proteínas não é rentável do ponto de vista econômico. De um ponto de vista energético, uma dieta altamente proteica exige uma superfície maior e muito mais energia que uma dieta lacto-vegetariana.12 O cultivo da maioria dos produtos verdes, tais como grãos, frutas ou vegetais, requer duas calorias de energia de combustível fóssil para uma caloria de energia alimentar; enquanto a proporção de carne pode ser tão elevada quanto 80 para 1.13 Sabendo que a população mundial crescerá para mais de nove bilhões em 207514 e que a terra disponível para a agricultura é limitada, isso constitui um problema grave. Qual é a solução? Alguns recomendariam,15 especialmente nos países com densa população, um aumento na produção agrícola, utilizando fertilizantes químicos. Infelizmente, os preços do petróleo tiveram um forte efeito sobre o custo dos fertilizantes, efetivamente minimizando o seu uso.16 Além disso, as reservas de petróleo não são inexauríveis.17 O custo da água A proteína animal tem o seu custo também em termos do uso da água. Considere o caso de um hambúrguer versus uma maçã. O hambúrguer médio tem um valor energético de 245 kcal, enquanto que a maçã pode ser de 50 kcal. Uma refeição de hambúrguer consiste de um pão, alguma salada e carne. A produção desses elementos vai DIÁLOGO 22 • 1 2010 exigir um investimento de 2,4 mil litros de água, enquanto uma maçã necessita apenas de 70 litros! Além disso, o volume de água necessário para os produtos do hambúrguer cresceu seis vezes desde 1990 por causa da maior demanda por esses produtos.18 Um quilo de proteína animal exige 100 vezes a quantidade de água utilizada na produção equivalente a de 1 kg de vegetais.19 Fato que criou uma forte concorrência para o acesso à água entre diferentes setores: agricultura, energia, indústria e uso doméstico. 20 O custo da saúde O custo da saúde por consumir carne e alimentos ricos em gordura saturada é bem observado no aumento de doenças como as cardiovasculares, diabetes mellitus, obesidade e alguns tipos de câncer.21 De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1,6 bilhão de adultos em todo o mundo estão acima do peso ou obesos. O problema não está limitado unicamente aos países ricos, tem atingido também países em desenvolvimento, onde um aumento na dieta de proteína de origem animal é observado. Alternativamente, tem sido demonstrado que em muitos países do Mediterrâneo, uma dieta contendo uma proporção relativamente elevada de cereais, legumes e frutas, e um consumo de carne muito menor do que no Norte da Europa, está associada a taxas significativamente mais baixas de doenças crônicas.22 Além disso, práticas que visem à produção mais intensiva de qualquer tipo de carne podem incorrer em um custo à saúde pública através do uso dos alimentos – doenças herdadas, irradiação, utilização de antibióticos e hormônios de crescimento, reforçando ainda mais a afirmação de que “somos aquilo que comemos”. Será que uma dieta vegetariana requer energia? Embora o custo da produção de produtos verdes seja muito menor do que a produção de carne, o custo de energia para a produção de frutas e hortaliças é surpreendente. Os principais custos DIÁLOGO 22 • 1 2010 incluem fertilizantes, tratamentos fitossanitários para evitar a propagação de doenças e pragas nas plantas, irrigação, energia utilizada por máquinas agrícolas, estocagem e embalagem, mão de obra e os custos de transporte. O livro Eating Oil 23 mostra a relação entre as várias dietas e os combustíveis fósseis.24 Temos ouvido falar da “revolução verde” que, desde 1950, tem promovido um grande aumento na produção agrícola.25 No entanto, essa evolução prodigiosa chegou a um preço que verdadeiramente só agora estamos começando a apreciar. Antes da revolução verde, a maioria dos nossos alimentos ou consistia em produtos de origem vegetal ou animal, provenientes do gado que pastava na vegetação natural formada pelo processo natural da fotossíntese de captação de energia solar. No entanto, com o advento da revolução verde, tudo mudou, principalmente no que diz respeito à energia. Agora o alimento encontrado nos supermercados e seus preços são decididos mais pelo petróleo do que pelo Sol.26 Nos Estados Unidos, as estatísticas de 1994 indicam que para a produção anual de alimentos e a distribuição para um indivíduo eram necessários 1.500 litros de gasolina. Os números são comparáveis com a Europa de hoje. Essa energia pode ser vista da seguinte forma: 31% para a fabricação de fertilizantes não orgânicos são necessários para o cultivo intensivo, 19% para máquinas agrícolas, 16% para o transporte, 13% para a irrigação, sendo o restante dividido entre os custos de produção de pesticidas e o armazenamento da colheita. Esse custo da energia não inclui o de embalagens, transporte rápido para os distribuidores, os sistemas de refrigeração envolvidos, a transformação de gêneros alimentícios primários, ou aditivos para o cozimento. Os supermercados aparentam ser tão confiáveis, mas que energia acumulada eles necessitam! Se os combustíveis fósseis fossem inesgotáveis, poderíamos continuar reproduzindo esse mesmo padrão de consumo subsidiado pelo petróleo. Talvez pudéssemos manter as coisas como estão, fazendo pouco caso das ameaças do aquecimento global. Mas os combustíveis fósseis são limitados. Segundo as previsões mais respeitadas, as reservas conhecidas de petróleo serão esgotadas de 40 a 70 anos.”27 Conclusão: O que devemos fazer? A discussão, até agora, enfatiza as interrelações complexas entre muitos fatores macroeconômicos na alimentação das populações, enquanto explica a interdependência encontrada em níveis de energia e ecologia. A maneira pela qual nos alimentamos tem consequências ecológicas ou energéticas para todo o planeta. Como cristãos e cidadãos, devemos nos preocupar e nos perguntar: Como devemos reagir? A ação pode ser realizada em duas frentes: individual e coletiva. Enquanto indivíduos, podemos tomar medidas simples de disciplina pessoal. Por que não substituir o consumo de produtos de origem animal por alimentos com um menor consumo de carbono, que além de serem mais saudáveis e ajudarem a manter a forma física, também contribuem com o meio ambiente?28 Essa sugestão simples apresenta várias Assinatura gratuita para a biblioteca de sua faculdade ou universidade! Deseja ver a Diálogo disponível na biblioteca de sua faculdade ou universidade, de modo que seus amigos possam ter acesso à revista? Procure o bibliotecário e sugira que solicite uma assinatura gratuita, usando papel timbrado da instituição. Cuidaremos do resto! As cartas devem ser endereçadas a: Dialogue Editor-in-Chief; 12501 Old Columbia Pike; Silver Spring, MD 20904-6600; EUA. 7 ideias interessantes em termos econômicos e do ponto de vista dos recursos energéticos, incluindo a preservação das paisagens naturais e o retardamento do aquecimento global. Eles também propõem um caminho para melhorar o bem-estar pessoal de maneira econômica. Pode-se ir mais adiante, tentando consumir apenas os produtos que estão disponíveis na estação, evitando assim o desperdício de energia por não comprar produtos de outros continentes, e apoiar a agricultura orgânica e de pequenos produtores locais. Mesmo que os seus produtos não sejam perfeitos, eles consomem menos energia do que os produzidos em lugares distantes. Cedo ou tarde, esse tipo de engajamento terá seu efeito sobre a ecologia. Podemos ter uma influência positiva em nosso ambiente e na saúde do planeta. Raymond Romand (Ph.D. pela Universidade de Montpellier, França), é professor de Neurociência da Universidade de Strasbourg (França) e ex-professor de Biologia e Ecologia Tropical da Universidade de Dakar, Senegal. Referências 1.J. D.Sachs. Common Wealth: Economics for a Crowded Planet. New York: Penguin Press, 2009, p. 386. 2. P. Boniface e H. Védrine. Atlas du monde global. Paris: Armand Colin/Fayard, 2010, p. 144. 3. S. Wallace e A. Webb. “Last of the Amazon”. In: National Geographic, Jan. 2007. p. 35-71. 4. G. Asner et al.. Condition and Fate of Logged Forests in the Brazilian Amazon. Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos EUA., (2006), 103:12947-12950. L. Curran e S. Trigg, Sustainability Science from Space: Quantifying Forest Disturbance and Land-use Dynamics in the Amazon. Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos U.S.A.,(2006), 103:12663-12664. M. Scouvart e E. Lambin “Approche systémique des causes de la déforestation en Amazonie brésilienne: syndromes, synergies et rétroactions.” Espace géographique (2006), 35:241-254. 5. J. Tollefson. “Save the trees.” Nature (2008), 452:8, 9. 6. Veja a referência 3. 7. P. Kareiva e M. Marvier. “Repenser l’écologie.” Pour la Science, 2008, 364:38-45. 8. M. White e M. Klum. “Can the island fabled biodiversity be saved?” In: National Geographic, nov. 2008, 214: 34-63. 9. G. Bonan. “Forests and climate change: forcings, feedbacks and the climate benefits of forests.” In: Science, 2008, 320:1444-1449. Y. Malhi et al. “Climate change, deforestation, and the fate of the Amazon.” In: Science, 2008, 319:169-172. 10.H. Gibbs, S. Brown, J. Niles e J. Foley. “Monitoring and estimating tropical forest carbon stocks: making REDD a reality.” In: Environment Research Letters, 2007, 2:1-12. 11.D. Dufour. “Acides gras trans. Le poison qui ne doit pas être ignoré!” In: Science et Vie, Jun. 2007. p. 102-109. 12.D. Pimentel e M. Pimentel. “Sustainability of meat-based and plant-based diets and the environment.” In: American Journal of Clinical Nutrition, 2003, 78 Suppl.:660S-663S. 13.B. Walsh. “Eat your greens.” In: Time, Mar. 2009, 2:38. 14.Disponível em: <http://www.earthcollaboratory.org/>. 15.Veja a referência 1. 16.K. Bradsher e A. Martin. “Rising cost of fertilizer threatens gains in world food supply.” In: The New York Times, 10 de Mai. 2008. 17.R. De Paul. 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Pimentel. “Green revolution and chemical hazards.” In: Science Total Environment, 1998,188 Suppl.1: S86-S98. 26.Veja as referências 23 e 24. 27.Veja as referências 2 e 17. Montbrial de e P. Moreau Defarges. RAMSES 2010. Rapport annuel mondial sur le système économique et les stratégies. Dunod, 2009. p. 335. 28.Veja a referência 13. Pontius Puddle Eu gostaria de trabalhar para a paz na Terra, Senhor, mas o que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? 8 O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? O que pode fazer uma pessoa? DIÁLOGO 22 • 1 2010