Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” Metodologia para determinação da perda de carga localizada em emissores não coaxiais integrados a tubos de polietileno Osvaldo Rettore Neto Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Agronomia. Área de concentração: Irrigação e Drenagem Piracicaba 2008 2 Osvaldo Rettore Neto Engenheiro Agrícola Metodologia para determinação da perda de carga localizada em emissores não coaxiais integrados a tubos de polietileno Orientador: Prof. Dr. JARBAS HONORIO DE MIRANDA Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Agronomia. Área de concentração: Irrigação e Drenagem Piracicaba 2008 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) DIVISÃO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - ESALQ/USP Rettore Neto, Osvaldo Metodologia para determinação da perda de carga localizada em emissores não coaxiais integrados a tubos de polietileno / Osvaldo Rettore Neto. - - Piracicaba, 2008. 61 p. : il. Dissertação (Mestrado) - - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2008. Bibliografia. 1. Irrigação localizada 2. Modelos matemáticos 3. Perda de carga I. Título CDD 631.7 “Permitida a cópia total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor” 3 Dedico este trabalho Ao meu pai, Osvaldo Luiz Rettore, exemplo de uma pessoa íntegra, trabalhadora e honesta que sempre acreditou em mim, que sempre me incentivou e custeou meus estudos apesar das dificuldades, sempre querendo o melhor; meu amor e gratidão por tudo que faz por mim; À minha mãe Maria das Graças Silva Rettore, uma pessoa dedicada, carinhosa e enérgica, que dedicou sua vida a minha criação e de meus irmãos; faltam-me palavras para expressar tanta gratidão e amor que sinto pela senhora; Ao meu filho Osvaldo Luiz Rettore Neto, pelo carinho e compreensão durante esta árdua jornada que apesar da distância que nos separa meu coração não para de pensar em você um só instante, te amo meu filho, hoje e para todo o sempre. Os meus avôs, Osvaldo Rettore e José Inácio da Silva, que infelizmente não estão mais entre nós agradeço pelo carinho e amor que fizeram com eu me torna-se o que sou hoje. Ao meu estimado e querido tio, “Nureyev Lancaster”, por todo o carinho, apoio e orientação de valor inestimado, ficando difícil resumir em palavras minha gratidão carinho e respeito a esta pessoa que é muito mais que tio, meu muito obrigado. A minha madrinha Maria Aparecida por todo o amor, carinho durante toda a minha vida, meu eterno amor e gratidão. Aos meus irmãos Herberth Hicher Rettore e Laila Fabiana Rettore, que sempre me ajudaram, mesmo nas dificuldades e apesar da distância, sempre os tenho no coração. 4 AGRADECIMENTOS A Deus pela força e coragem para superar todas as dificuldades e momentos difíceis durante a realização desse trabalho. Ao Departamento de Engenharia Rural pela oportunidade de realizar o curso de mestrado. À ESALQ/USP e ao Programa de Pós-Graduação em Irrigação e Drenagem, pelo apoio para desenvolver este trabalho; Ao amigo e Prof. Jarbas Honorio de Miranda, pelo apoio, pela orientação no decorrer do curso e na realização da dissertação. Aos Professores José Antonio Frizzone e Tarlei Ariel Botrel pelo auxilio durante o desenvolvimento do trabalho. Ao Prof. Manoel Alves de Faria, pelas sugestões no presente trabalho. À Gisele Cristina Bercelino, pelo carinho, apoio e amor, durante esta jornada. Aos funcionários do Departamento de Engenharia Rural, Gilmar Batista Grigolom, Antonio Agostinho Gozzo, Hélio Toledo Gomes, Luis Custodio de Camargo pelo auxílio na obtenção de materiais utilizados nesse trabalho. Aos meus colegas e amigos, que tornaram o mestrado mais agradável, e a todos que de alguma forma estiveram comigo nessa caminhada; Àquelas pessoas que de alguma forma direta ou indireta me ajudaram na conclusão do meu trabalho 5 "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." ( Fernando Pessoa ) 6 SUMÁRIO RESUMO ........................................................................................................................................ 7 ABSTRACT .................................................................................................................................... 8 LISTA DE SÍMBOLOS .................................................................................................................. 9 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 11 2 DESENVOLVIMENTO............................................................................................................. 12 2.1 Revisão Bibliográfica .............................................................................................................. 12 2.1.1 A irrigação localizada........................................................................................................... 12 2.1.2 Emissores.............................................................................................................................. 14 2.1.3 Linhas laterais....................................................................................................................... 15 2.1.4 Perda de carga distribuída em linhas laterais........................................................................ 17 2.1.5 Perda de carga localizada nos emissores .............................................................................. 22 2.2 Material e métodos .................................................................................................................. 25 2.2.1 Montagem do experimento em laboratório .......................................................................... 25 2.2.2 Desenvolvimento da conexão para medição da perda de carga ........................................... 27 2.2.2.1 Metodologia para padronização do orifício....................................................................... 28 2.2.2.2 Conexão para medição da perda de carga ......................................................................... 28 2.2.3 Medição da perda de carga distribuída ................................................................................. 29 2.2.4 Determinação da perda de carga nos emissores ................................................................... 32 2.2.5 Determinação da seção de escoamento ................................................................................ 32 2.2.6 Desenvolvimento matemático do modelo da perda de carga localizada em emissor integrado não coaxial..................................................................................................................................... 34 2.3 Resultados e discussão ............................................................................................................ 44 2.3.1 Perda de carga continua no tubo........................................................................................... 44 2.3.2 Perdas de carga localizada nos emissores integrados à linha lateral tipo não coaxial.......... 46 3 CONCLUSÕES .......................................................................................................................... 54 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................ 55 ANEXOS ....................................................................................................................................... 58 7 RESUMO Metodologia para determinação da perda de carga localizada em emissores não coaxiais integrados a tubos de polietileno O procedimento de dimensionamento de uma linha lateral de irrigação localizada necessita ser avaliado com precisão, devido às perdas de carga tanto distribuídas na tubulação como nas inserções dos emissores com os tubos. Devido a isso, desenvolveu-se uma metodologia para a determinação da perda de carga localizada mediante a formulação de um modelo matemático a partir do índice de obstrução. Estas perdas localizadas podem ser significativas quando comparadas com as perdas de carga totais, devido ao grande número de emissores instalados ao longo da linha lateral. O experimento foi junto ao Departamento de Engenharia Rural (ESALQ-USP) e ajustado para valores número de Reynolds (R), no intervalo de 7.480 a 32.597 para proporcionar fluxo turbulento e velocidade máxima de 2,0 m s-1. A pesquisa foi conduzida em duas etapas: 1) ajuste do fator f para um seguimento de 0,5 m de tubo,sendo realizada 10 repetições, com o intuito de validação da metodologia empregada comparando-se o ajuste dos dados encontrados com os trabalhos existentes na literatura, 2) determinação da perda de carga (hf) em um seguimento de tubo de 1 m de comprimento com emissor devidamente vedado, portanto, pela diferença entre a hf do tubo mais o emissor e a hf do tubo obtido na primeira etapa, obteve-se a perda de carga localizada do emissor (hfe). Além disso, com a determinação da geometria do emissor, pelo projetor ótico HB 400, formulou-se uma equação que permitiu o cálculo da perda de carga localizada utilizando-se as características geométricas do emissor (comprimento do emissor, índice de obstrução e coeficiente de contração). Pelos resultados obtidos para 4 modelos utilizados, o modelo estimou satisfatoriamente para 2 modelos, e também verificou-se que o modelo apresentou um desempenho classificado como ‘ótimo’, portanto, podendo ser empregado para estimativa de perda de carga localizada provocada por emissores integrados não coaxiais com geometria semelhante ao emissor Uniram e Drip Net. Palavras-chave: Emissores integrados; Perda de carga; Coeficiente de contração; Raio hidráulico 8 ABSTRACT Methodology for Localized head loss determination of non coaxial emitters inserted in polyethylene pipe The design of a lateral line of trickle irrigation requires an accurate evaluation of head losses in not only the pipe but the emitters as well. A procedure was developed to determine localized head losses within the emitters by the formulation of a mathematical model accounting for the obstruction caused by the insertion point. These localized losses can be significant when compared with the total head losses within the system, due to the large number of emitters typically installed along the lateral line. An experiment was carried out by altering flow characteristics to create Reynolds Number (R) in the interval from 7480 to 32597 to provide turbulent flow and a maximum velocity of 2.0 m s-1. The geometry of the emitter point was determined by an optical projector and sensor. An equation was formulated that allows the localized head loss calculation using the geometric characteristics of the emitter (emitter length, obstruction index and the contraction coefficient). The obtained results for 4 used models, the model esteemed satisfactorily for 2 models, and was also verified that the model presents an acting classified as 'great', therefore, could be used to estimate localized head loss provoked by non coaxial emitters inserted in polyethylene pipe with similar geometry as the Uniram and Drip Net emitters. Keywords: Emitter; Head loss; Contraction coefficient; Hydraulic radius 9 LISTA DE SÍMBOLOS A – área de passagem do fluido pelo tubo sem emissor (L2); Ac – área de passagem do fluido pelo tubo com emissor inserido (L2); Ar – área de passagem do fluido pelo emissor (L2) C – coeficiente da equação de Blasius; c – Coeficiente de confiança ou desempenho de Camargo Cc – Coeficiente de contração; D – Diâmetro do tubo (L); f – fator de atrito da equação de Darcy-Weisbach; g – aceleração da gravidade (L T-2); H – pressão nominal do emissor (kPa); hf – perda de carga distribuída (L); hfL – perda de carga localizada (L); hfe – perda de carga do emissor (L); Id – índice de concordância de Willmott; IO – índice de obstrução; J – perda de carga unitária no tubo (L L-1); J´ – perda de carga unitária no tubo com emissores vedados (L L-1); K – coeficiente da equação de Darcy-Weisbach com f de Blasius; KL – coeficiente de carga cinética ou de resistência de perfil; L – comprimento do tubo (L); Le – comprimento do emissor (L); m – expoente da equação de Blasius; N – número de emissores na linha lateral; P – pressão no tubo logo após o emissorr (F L-2); Pc – pressão no tubo no momento em que o fluido passa pelo inicio do emissor (F L-2); Pr – pressão no tubo durante a passagem do fluido pelo emissor (F L-2); Q – vazão de escoamento (L3 T-1); R – Número de Reynolds; r* – coeficiente de correlação de Pearson; 10 r – razão de obstrução; rh – raio hidráulico (L); V – velocidade de passagem do fluido logo após o conector (L T-1); Vo – velocidade média de aproximação da corrente fluida (L T-1); Vc – velocidade no inicio da passagem do fluido pelo emissor (L T-1); Vr – velocidade de passagem do fluido através do emissor (L T-1); x – coeficiente do regime de escoamento do emissor; η – viscosidade cinemática da água (L2 T-1); β – coeficiente de ajuste da equação característica de emissores; ε – altura das rugosidades do tubo (L); γ – peso especifico (F L-3); ρ – massa especifica (M L-3); κ – expoente da vazão na equação empírica para calculo de hfe; α – coeficiente da equação empírica para calculo de hfe. 11 1 INTRODUÇÃO Os sistemas de irrigação localizada distribuem água diretamente nas proximidades das plantas, seja por gotejamento ou por microaspersão, utilizando-se dispositivos denominados de emissores, instalados em tubos de polietileno de diâmetros relativamente pequenos, com espaçamentos definidos, possibilitando o aumento da eficiência no uso de água, revelando-se de grande interesse para uso em regiões com limitada disponibilidade de recursos hídricos. Nos últimos anos, a irrigação localizada tem aumentado significativamente sua participação nas áreas irrigadas. O sistema de gotejamento destaca-se como um dos principais processos de irrigação que permite economia de água, de energia e de mão de obra. Entretanto, a operação adequada do sistema é muito dependente das condições hidráulicas do projeto, uma vez que o sistema opera com baixa vazão e baixa pressão, requerendo pequenas variações na carga hidráulica para se obter elevada uniformidade de distribuição de água. A indústria de plásticos e seus derivados, com o auxilio da engenharia de materiais, tem aprimorado a qualidade dos materiais destinados à fabricação dos tubos, principalmente de polietileno. Estes têm suas características internas melhoradas, com redução da rugosidade da superfície interna, requerendo novos estudos para definir o fator de atrito da equação universal de perda de carga. Os tubos atuais de polietileno são mais lisos do que os tubos utilizados por Blasius, quando definiu os parâmetros do modelo para calcular o fator de atrito. Além disso, a flexibilidade desses tubos permite o aumento do diâmetro interno com o aumento da pressão. Nos tubos gotejadores com emissores integrados ocorre uma redução da seção de escoamento no local da inserção do gotejador, proporcionando uma significativa perda de carga localizada, adicional à perda de carga contínua, conforme demonstrado por Juana; RodriguesSinobas e Losada (2002a). Em decorrência, para se obter elevada uniformidade de distribuição de água nas unidades operacionais, o dimensionamento hidráulico do sistema deve ser realizado considerando a perda de carga total na tubulação, de forma a se obter pequena variação de vazão dos emissores ao logo da linha lateral. Entretanto, as perdas de carga localizadas são, geralmente, negligenciadas por não se dispor de um modelo de fácil aplicação para estimá-las. Diante do exposto, essa pesquisa teve como objetivo, desenvolver uma metodologia para determinação da perda de carga localizada, mediante a formulação de um modelo matemático a partir do índice de obstrução, à semelhança das analises hidráulicas realizadas nos estudos de 12 escoamento de água em condutos com redução e alargamento bruscos de seção, com aplicações das equações da conservação de energia e massa. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Revisão Bibliográfica 2.1.1 A irrigação localizada Os principais sistemas de irrigação localizada compreendem o gotejamento e a microaspersão. Particularmente, o sistema de gotejamento foi desenvolvido para aplicar água e nutrientes de forma pontual, ou em faixas molhadas, diretamente no volume de solo que contém as raízes das plantas, em baixo volume e alta freqüência, de forma a manter um ajustado balanço entre a oferta e o consumo de água por evapotranspiração. A aplicação de água por gotejamento pode ser feita de duas formas: por tubos gotejadores e por fitas gotejadoras. Os tubos gotejadores podem ser classificados quanto à fixação do emissor no tubo em “on-line”, “in-line” e integrados (coaxiais e não coaxiais). Já nas fitas gotejadoras, os emissores são impressos nas paredes dos tubos na forma de labirinto de longo percurso, cuja função e dissipar a energia de pressão e permitir a aplicação da vazão na forma de gotas. A irrigação por gotejamento, em sua forma atual, foi iniciada nos anos 40, mas, nos anos 60, com a introdução do polietileno começou a ganhar reconhecimento como um sistema eficiente, com potencial para aumenta a produtividade das culturas, reduzir o consumo de água e as perdas por percolação de fertilizantes e outras substâncias químicas. Segundo Coelho (2007) não existe consenso técnico sobre o local de origem da irrigação por gotejamento no mundo; ao que tudo indica, ela surgiu simultaneamente em 4 países: Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Israel. É inegável admitir que os israelenses sejam os que mais se dedicam ao desenvolvimento e divulgação desta tecnologia. Podem-se ressaltar algumas das principais contribuições para a irrigação localizada. Simcha Blass, um engenheiro de água israelense, dedicou-se a fazer o deserto florescer. Blass, em 1930, observou uma cerca viva com um arbusto notoriamente mais saudável e mais alto que os outros. Cavando debaixo da superfície aparentemente seca da terra, descobriu que existia uma pequena área molhada em forma de uma “cebola” provocada por um vazamento, em uma 13 tubulação que expandia alcançando as raízes desta arvore em particular. Chapin Watermatics, em 1950, foi quem utilizou tubos de polietileno para fornecer água a plantas e flores em estufas. Davis Esterlino, em 1963, instalou a primeira experiência em campo com microirrigação na superfície do solo em limões e laranjas. Norman Smith, em 1964, foi um dos inventores da fita gotejadora chamada de “mangueira de orvalho”. Em 1969, Bernarr começou a realizar tentativas que usavam a irrigação por gotejamento na superfície do solo, em morangos e tomates, juntamente com “mulches” de plástico, próximo a San Diego, Califórnia. A tecnologia da irrigação por gotejamento foi amplamente comercializada nos anos 80 por empresas nos Estados Unidos e Israel. A década de 90 pode ser vistas como a que utilizou a engenharia para a melhoria dos dispositivos de irrigação existentes. Além do desenvolvimento tecnológico, a última década foi um período onde as companhias expandiram-se ao redor do mundo e também houve a entrada de novos fabricantes no seguimento. Na Figura 1 ilustra-se o desenvolvimento dos emissores utilizados em gotejamento. Figura 1*- Desenvolvimento histórico do emissor <http://www.netafim.com>Acesso em 11 agosto 2007 * O uso de produtos ou marcas registradas tem apenas a finalidade de facilitar a compreensão. 14 2.1.2 Emissores Emissores são peças que têm a função de permitir a passagem da água da linha lateral para o meio externo, de uma forma controlada. Existem dois tipos de emissores, os gotejadores, que trabalham com uma faixa de vazão de 2 a 20 L h,-1 e os microaspersores, com vazões variando de 20 a 140 L h-1 (BERNARDO; SOARES; MANTOVANI, 2005). Os emissores são fabricados para trabalhar em uma faixa de pressão adequada, chamada de pressão de serviço, sendo que a quantidade de água aplicada dependerá de uma relação numérica envolvendo a pressão de operação. Existem os que trabalham com vazões constantes sobre uma faixa bem ampla de pressão (emissores compensados de pressão), que é uma característica bastante desejável, pois permite uma distribuição uniforme da vazão de água ao longo da linha e outros com uma maior variação de vazão para uma mesma faixa de pressão (emissores não compensados de pressão). A relação matemática entre pressão e vazão para um emissor é denominada equação característica do emissor, representada desta forma: q=β Hx (1) sendo: q – vazão do emissor (L h-1); β – coeficiente de ajuste; H – pressão de operação do emissor (kPa); x – expoente do emissor. Cada tipo de emissor tem uma equação específica que o identifica. Segundo Pizarro (1990) um emissor perfeito teria o expoente x = 0 (autocompensamte), os de regime laminar x = 1 e os de regime turbulento x < 1. Keller e Karmeli (1974) consideram os de regime turbulento com x = 0,5. Muitos autores reconhecem que as turbulências são geradas pela contração que os emissores e suas conexões provocam na linha lateral, diminuindo-se o diâmetro para a passagem da água. A introdução de emissores ao longo da linha lateral modifica o curso das linhas de fluxo, causando turbulência local que resulta em perdas de carga adicionais às perdas distribuídas no tubo. A turbulência é conseqüência da presença de um elemento na parede interna do tubo que causa um grau de obstrução na seção de escoamento causando, uma contração no local da inserção, diminuindo o diâmetro de escoamento (AL-AMOUD, 1995; BAGARELLO et al., 15 1997; JUANA; RODRIGUES-SINOBAS; LOSADA, 2002 a,b; PROVENZANO; PUMO, 2004; PROVENZANO; PUMO; DI DIO, 2005; PALAU-SALVADOR et al., 2006). Quanto ao tipo de inserção os gotejadores comercialmente disponíveis podem ser classificados em quatro grupos distintos. O grupo 1 compõe-se dos emissores “in-line” que são instalados entre duas extremidades do tubo de polietileno, ou seja, o tubo é segmentado e o emissor é instalado. No grupo 2 os emissores são instalados “on-line”, ou seja, o tubo de polietileno é furado, com ferramenta apropriada, e o gotejador é inserido sobre ele. O grupo 3 trata-se de emissores “integrados”, isto é, os emissores são colocado dentro do tudo durante o processo de fabricação. Já no grupo 4 os emissores são formados ou estampados no tubo,sendo o sistema tubo-emissor denominado de fita gotejadora (ABNT/CE-04:015.08-016, 2005). Na Figura 2 são ilustrados alguns modelos de emissores. 2.1.3 Linhas laterais As linhas laterais em um sistema de irrigação localizada são tubulações que recebem a água das linhas de derivação, que possuem maior diâmetro, e a distribuem ao longo de seu comprimento, pelos emissores. Segundo Bernardo, Soares e Mantovani (2005), linha lateral é aquela na qual estão inseridos os emissores. São constituídas de material plástico flexível, PVC ou polietileno, com diâmetros inferiores a 25 mm, sendo mais comuns os de 13, 16, 18, 22 mm. O dimensionamento hidráulico do sistema deve ser realizado com cautela, requerendo características técnicas sobre os emissores, as tubulações, o sistema de filtragem e acessórios diversos, a serem utilizados, para possibilitar a redução de custos e maximização do lucro na atividade agrícola. Particularmente, o dimensionamento de uma linha lateral deve seguir critérios que permitam atingir alta uniformidade de distribuição de água. Para os emissores não compensados, a uniformidade de emissão de vazão ao longo da linha lateral depende da variação de pressão devida à perda de carga na tubulação, à variação da topografia da área irrigada, do coeficiente de variação de fabricação do emissor, do número de emissores, da temperatura da água e do grau de obstrução dos emissores (WU, 1997; PROVENZANO; PUMO, 2004). 16 (A*) (C*) (B*) (D*) Figura 2 * – Modelo de emissores: Emissor In-line (A), Emissor On-line (B), Emissor Integrado (C) e Emissor estampado (D) * O uso de produtos ou marcas registradas tem a finalidade de facilitar a compreensão. A alteração do diâmetro das linhas laterais é algo comum de ocorrer, já que sua flexibilidade permite esta alteração. Este tipo de deformação é provocado pela pressão que o fluido exerce em sua parede interna. Assim, os projetistas devem estar atentos a este fenômeno, uma vez que o diâmetro na equação universal de perda de carga, utilizando o fator de atrito de 17 Blasius, é elevado à potência 4,75, o que eleva bastante o erro para um pequeno acréscimo no diâmetro. 2.1.4 Perda de carga distribuída em linhas laterais Perda de carga nas tubulações é um fator importante para os projetos de engenharia de irrigação, pois afeta o custo total e o balanço hidráulico do sistema (KAMAND, 1988). O diâmetro dos tubos da rede de distribuição de água depende da perda de carga admitida no sistema pelo projetista. O custo operacional é afetado inversamente pelo diâmetro dos tubos; com o aumento do diâmetro, para uma determinada vazão, a perda de carga por unidade de comprimento diminui, reduzindo a energia de bombeamento requerida, porém proporciona aumento do capital necessário para aquisição dos tubos. Neste caso, o projetista deve determinar o sistema ótimo econômico. Por simplicidade matemática, muitos projetistas de sistemas de irrigação preferem utilizar equações empíricas, como as de Hazen-Williams, Manning e Scobey, para determinar as perdas de carga, em vez de utilizar a equação teórica de Darcy-Weisbach. Entretanto, uma importante limitação dessas equações empíricas é que um fator de rugosidade constante é assumido para todos os diâmetros e velocidades de escoamento (KAMAND, 1988). Em decorrência dessa suposição a perda de carga calculada pelas equações empíricas pode diferir significativamente daquela calculada pela equação de Darcy-Weisbach, na qual o fator de atrito varia com as condições de escoamento (BOMBARDELLI; GARCÍA, 2003). Isto pode influenciar na seleção dos diâmetros dos tubos e, conseqüentemente, na estimativa da energia requerida. Existe um predomínio de material plástico nas tubulações das redes de distribuição de água de sistemas de irrigação localizada; isto porque, para tubulações de pequenos diâmetros, que transportam pequenas vazões, os tubos de plásticos fabricados em polietileno de baixa densidade são economicamente mais competitivos que os tubos dos demais materiais disponíveis no mercado. Em razão desses tubos serem produzidos com material plástico, seus diâmetros podem variar em decorrência das variações na pressão de operação. Isso pode influenciar na perda de carga real, o que resultaria em alterações nas condições hidráulicas do projeto. Andrade (1990), estudando as características hidráulicas de um tubo de polietileno perfurado, com espessura de parede de 200 µm, verificou para um acréscimo de pressão de 90%, dentro da faixa de operação recomendada pelo fabricante, um aumento de 10,67% no diâmetro interno da tubulação. 18 Considerando que, para uma vazão constante, a perda de carga é inversamente proporcional à quinta potência do diâmetro do tubo, os acréscimos máximos de diâmetros ocasionados pelo aumento da pressão verificados no experimento de Andrade (1990) reduziriam a perda de carga de 15 % chegando até a 60,24%, o que poderia alterar sensivelmente as condições hidráulicas e elétricas de um projeto de irrigação localizada. O acréscimo no diâmetro do tubo de polietileno, em função da pressão de operação, também foi observado por Frizzone, Vieira e Paz (1998), ao analisar um tubo gotejador com paredes de 225 µm de espessura. Vilela et al. (2003) trabalhando com tubos de polietileno, com espessuras de paredes de 1325 µm e 1050 µm, observaram influência significativa da pressão de operação no diâmetro dos tubos e relataram que alterações nos diâmetros internos, em virtude de variações na pressão de operação, podem ocasionar variações nas perdas carga superiores a 20%. Para o tubo DN12, houve uma relação linear entre a pressão e o diâmetro. Para o tubo DN20, cuja classe de pressão é superior ao DN12, a relação foi potencial, representando maior variação de diâmetro interno com as pressões. Os resultados encontrados por Vilela et al. (2003) contrariam a suposição de que tubos com paredes de menor espessura apresentariam maior deformação com a pressão de operação. Para explicar este efeito, além da espessura da parede e do coeficiente de elasticidade do material, outro componente a considerar é a força de deformação que atua nas paredes internas do tubo, que é diretamente proporcional ao diâmetro; portanto, para um comprimento unitário, pressão constante, e mesmo material, no tubo de maior diâmetro atuará maior força na parede interna o que resultará em maior deformação. O escoamento em tubos está sempre sujeito à resistência hidráulica e à dissipação de energia. A dissipação de energia, representada pela perda de carga, em escoamentos permanentes e turbulentos de fluidos reais, através de tubos de seção cilíndrica, pode ser calculada por diferentes equações, apresentadas na literatura básica de hidráulica (PORTO, 1998). A contribuição mais importante é expressa pela equação de Darcy-Weisbach (KAMAND, 1988; VON BERNUTH, 1990; BAGARELLO et al., 1995; ROMEO; ROYO; MONZÓN, 2002; SONNAD; GOUDAR, 2006), cuja forma é expressa pela eq. (2): hf = f L V2 D 2g (2) 19 em que: hf – perda de carga (L); L – comprimento do tubo (L); D – diâmetro do tubo (L); V – velocidade média do escoamento (L T-1); g – aceleração da gravidade (L T-2); f – fator de atrito, dependente do número de Reynolds (R) e do tamanho das asperezas da parede do tubo (ε). Outra forma comum de expressar a perda de carga é por unidade de comprimento de tubo, conforme eq. (3): 2 1V J= f D 2g (3) sendo: J a perda de carga unitária (L L-1). A resistência hidráulica, expressa como um fator de atrito (f) constitui a informação básica necessária ao projeto hidráulico. Desde as contribuições pioneiras de Weisbach, em 1845, de Darcy, em 1857, de Boussinesq, em 1877 e de Reynolds em 1895 ambos citados no trabalho de Yoo e Singh (2005), a resistência ao escoamento hidráulico tem sido objeto de muito interesse e estudo. Na equação de Darcy-Weisbach, a estimativa do fator de atrito (f) é essencial para o cálculo da perda de carga em redes de tubulações. Para escoamento laminar (R < 2000), o cálculo do fator de atrito é feito pela equação de Hagen-Poiseuille (f = 64/R), sendo apenas uma função do número de Reynolds (R), o qual depende exclusivamente das propriedades do fluido, do diâmetro do tubo e da velocidade do escoamento. Porém, para escoamento permanente turbulento, a estimativa do fator de atrito é mais complexa, pois f é uma função da rugosidade relativa das paredes do tubo (ε/D) e do número de Reynolds (ROMEO; ROYO; MONZÓN, 2002; SONNAD; GOUDAR, 2006). Para o escoamento turbulento uniforme em tubos comerciais rugosos, a equação de Colebrook-White é a mais utilizada para calcular f (PORTO, 1988; ROMEO; ROYO; MONZÓN, 2002; YOO; SINGH, 2005; SONNAD; GOUDAR, 2006), sendo válida para 2000<R<108 e 0 ≤ε/D≤0,05. Esta equação relaciona o fator de atrito com a rugosidade relativa e com o número de Reynolds conforme a eq. (4): ⎛ε 2,52 ⎞⎟ = −2 log⎜⎜ D + ⎜ 3,71 R f ⎟⎟ f ⎝ ⎠ 1 (4) 20 sendo ε a altura das rugosidades do tubo (L). Esta equação é válida também para o caso limite de tubos lisos (ε = 0) e escoamento completamente turbulento. Para escoamento turbulento uniforme em tubos lisos, o tamanho das asperezas não influi sobre a turbulência do escoamento, e o coeficiente f independe da rugosidade do conduto e a eq. (4) pode ser reescrita como uma relação funcional entre f e R, denominada equação de von Karman, da seguinte forma (eq. 5): (PORTO, 1998) 1 f ( ) = 2 log R f − 0,8 (5) válida para R entre 4000 e 3,4 x 106. As Eqs. (4) e (5) são implícitas em f e requerem soluções por métodos numéricos iterativos como o de Newton-Raphson. Embora o trabalho computacional seja trivial no contexto da capacidade dos atuais computadores, a estimativa de f por métodos iterativos pode aumentar significativamente o trabalho computacional para redes de tubulações complexas onde é necessário o cálculo de múltiplos fatores de atrito. Além disso, o valor inicial atribuído a f e o critério de convergência para as iterações deverão ser selecionados cuidadosamente para se obter exatidão na estimativa. Reconhecendo estas dificuldades, vários autores propuseram aproximações explícitas para as Eqs. (4) e (5), tornando-as convenientes para implementações computacionais (SWAMMI; JANE, 1976; ROMEO; ROYO; MONZÓN, 2002; YOO; SINGH, 2005; SONNAD; GOUDAR, 2006). Para tubos lisos e 4000 ≤ R ≤105 o fator de atrito pode ser estimado por uma equação simples proposta por Blasius (VON BERNUTH, 1990). A equação de Blasius é uma função somente do número de Reynolds sendo apresentada pela eq. (6): f = c Rm (6) Blasius, ao propor esta equação para estimar f, determinou m como sendo uma constante de valor igual a 0,25 enquanto que o coeficiente c seria outra constante de valor igual a 0,316. Para von Bernuth (1990) a inserção do fator de atrito de Blasius na equação de Darcy-Weisbach 21 resulta em uma equação combinada com as seguintes vantagens: (a) é teoricamente perfeita e dimensionalmente homogênea. Tanto a equação de Darcy-Weisbach quanto a de Blasius têm bases teóricas; (b) tem bom grau de exatidão para tubos plásticos quando o 4000≤ R ≤105. O número de Reynoldos limite não é restritivo para sistemas de irrigação que usam tubos com diâmetros inferiores a 80 mm; (c) pode ser facilmente corrigida para variações na viscosidade da água. Von Bernuth (1990) salienta que para R menor que 4000 a equação de Blasius superestima os valores de f. Considerando-se os coeficientes da equação de Blasius, a eq. (3) pode ser reescrita da seguinte forma eq.(7): J = K η 0, 25 Q 1, 75 D −4,75 (7) sendo: η – viscosidade cinemática da água (1,01x10-6 m2 s-1 à 20oC); K = 2,458 x 10-2 para o sistema internacional de unidades; Q – vazão (m3 s-1); D – diâmetro interno do tubo (m). A determinação dos coeficientes da equação de Blasius também foi alvo de estudo de Bagarello et al. (1995). Estes autores, trabalhando com tubos de diâmetros nominais de 16, 20 e 25 mm, variaram o número de Reynolds pela mudança da viscosidade do fluido (R entre 3.037 e 31.373), ao se alterar a temperatura, obtendo c = 0,302 para m = 0,25. O valor do coeficiente c foi dado por uma constante que representou a média dos valores para os diâmetros experimentados. Por outro lado, ao fazerem uma análise semi-teórica do fator de atrito, estudando o perfil de distribuição da velocidade em uma seção da tubulação, concluíram que o coeficiente c pode variar bastante, sendo possível correlacioná-lo com R, propondo uma equação da seguinte forma: c= 6,152 R 0,183 (8) enquanto que o valor do expoente m pode ser calculado pela seguinte expressão: m= 2 12,4 8 − 0,157 R (9) 22 Alternativas empíricas para determinar f, por ensaios de laboratório, satisfazem a expectativa de se obter resultados satisfatórios, já que alguns autores (VON BERNUTH, 1990; BAGARELLO et al., 1995; HATHOOT; AL-AMOUD; MOHAMMAD, 1993) obtiveram bons resultados usando equações do tipo potência, semelhante a de Blasius. Alves (2000) mostrou que no regime de escoamento turbulento em tubos lisos, com R entre 7.000 e 40.000, a equação de Blasius é uma forma cuidadosa para determinar o fator de atrito da equação de Darcy-Weisbach. 2.1.5 Perda de carga localizada nos emissores Para avaliar com exatidão as perdas de carga ao longo das linhas laterais de irrigação localizada, devem ser consideradas as perdas de carga contínuas nos segmentos uniformes da tubulação e as perdas localizadas devidas à presença dos emissores (BAGARELLO et al., 1997; AL-AMOUD 1995; PROVENZANO; PUMO; DI DIO, 2003). Varias pesquisas têm sido publicadas para analisar o escoamento permanente e turbulento, em linhas laterais de irrigação localizada (WU; GITLIN, 1975; VON BERNUTH, 1990; WU, 1992; KANG; NISHIYAMA; CHEN, 1996; WU, 1997; ZAYANI et al., 2001). Alguns trabalhos, entretanto, não consideram as perdas de carga localizadas por julgá-las de menor significância. Recentemente, tem-se reconhecido a importância destas perdas de carga, o que tem estimulado o desenvolvimento de modelos matemáticos para estimá-las (BAGARELLO et al.,1997; JUANA; RODRIGUES-SINOBAS; LOSADA, 2002 a,b; VALLESQUINO; LUQUE-ESCAMILLA, 2002; PROVENZANO; PUMO, 2004; PROVENZANO; PUMO; DI DIO, 2005; PALAU-SALVADOR et al., 2006, CARDOSO, 2007). A perda de carga localizada (hfL) nos emissores ou em suas conexões com a lateral, devese à resistência à movimentação da corrente fluída oferecida pelo elemento obstrutor no interior do tubo, sendo expressa na forma clássica como uma fração da carga cinética (KL), obtida pelo princípio da similaridade de Reynolds , eq. (10): hf L = K L V02 2g (10) 23 sendo: hfL – perda de carga localizada (L); Vo – velocidade média de aproximação da corrente fluida (L T-1); KL – coeficiente de carga cinética ou de resistência de perfil, g – aceleração da gravidade (L T-2). Aumentando-se a velocidade de escoamento, maiores serão as perdas localizadas, uma vez que a turbulência do fluido na passagem entre o emissor e a parede do tubo tende a aumentar. O coeficiente KL depende das características geométricas da inserção do emissor e do Número de Reynolds, R. Para uma dada seção do tubo (A), vazão transportada (Q) e para uma conexão com dimensões definidas, o valor de KL reduz-se com o aumento de R até certo limite a partir do qual mantém-se aproximadamente constante (BAGARELLO et al., 1997; PROVENZANO; PUMO, 2004). Na prática, o efeito das forças viscosas são negligenciados a partir de um valor limite de R (superior a 10.000 segundo BAGARELLO et al., 1997). Neste caso, o fator K pode ser expresso apenas por relações geométricas entre a seção de escoamento no tubos e a do elemento obstrutor. Para emissores “on-line”, a relação entre KL e a geometria da seção de escoamento pode ser obtida utilizando o teorema de Bélanger, aplicado a uma contração brusca da seção e subseqüente ampliação, cujo esquema é apresentado na Figura 3, em que Ac = r A, sendo r a razão de obstrução. Ac representa a área de passagem do fluido pela tubulação com emissor inserido e A representa a área de passagem do fluido pelo tubo sem emissor. Da mesma forma, Vc e V representam as velocidades em cada seção. A Vo Ac Vc AV Figura 3 - Representação esquemática da contração e expansão do fluxo para o emissor tipo on line 24 Aplicando-se os teoremas da conservação da energia e da massa entre as seções Ac e A chega-se à equação de Bélanger, eq. (11): hf L = (Vc − V )2 2g 2 ⎛ A ⎞ V2 = ⎜⎜ − 1⎟⎟ ⎝ Ac ⎠ 2g (11) Comparando-se as Eqs. (10) e (11) verifica-se que são correspondentes, pois, as velocidades Vo e V são iguais. Na eq. (11) o fator geométrico é denominado índice de obstrução (IO) (eq. 12). 2 ⎞ ⎛ A ⎛1− r ⎞ IO = ⎜⎜ − 1⎟⎟ = ⎜ ⎟ ⎝ r ⎠ ⎠ ⎝ Ac 2 (12) sendo r a razão de obstrução (r = Ac/A). O coeficiente de carga cinética KL depende do tamanho e da forma da protrusão do conector e, devido à variabilidade morfológica (forma e tamanho) de fabricação, os conectores de emissores comerciais requerem investigação experimental particular. Pela dificuldade de sintetizar a complexidade do escoamento por meio de um elemento obstrutor na tubulação, temse proposto o desenvolvimento de relações empíricas para expressar KL em função do grau de obstrução causado por protrusões na seção de escoamento. Para conexões “on-line”, Bagarello et al. (1997) propôs a seguinte relação empírica, eq. (13): ⎞ ⎛1 K L = 1,68 ⎜ − 1⎟ ⎠ ⎝r 1, 29 (13) Al-Amound (1995) apresentou um trabalho em que, utilizando oito tipos de conectores “on-line”, constatou acréscimo de perda de carga nas conexões dos emissores em relação ao tubo sem emissor, tendendo a crescer com o aumento das saliências dos conectores, podendo chegar a 32%, num espaçamento de 1m entre emissores. O autor propõe que os valores de hfL possam ser encontrados experimentalmente da seguinte forma: mede-se a perda de carga unitária em uma linha lateral sem emissor (J) e, em seguida, faz-se a mesma medida de perda de carga na linha com emissores vedados (J´). As diferenças entre os valores de perdas de carga devem ser 25 multiplicadas pelo comprimento da linha (L) e divididas pelo número de emissores (N) conectados a ela. O resultado é a perda de carga provocada por um emissor. Esse processo pode ser representado pela eq. (14): hf L = J '− J L N (14) As linhas laterais de irrigação localizada são de polietileno flexível de baixa densidade. Conseqüentemente, devem-se esperar variações na geometria ao longo do tubo. Isto pode dificultar a obtenção de medidas precisas, especialmente àquelas relativas ao índice de obstrução decorrente da protrusão dos conectores. Portanto, a estimativa de r deve ser feita com base estatística, utilizando-se valores médios de Ac e A (JUANA; RODRIGUEZ-SINOBAS; LOSADA, 2002a), pois estes valores podem ser modificados pelo efeito da pressão de operação sobre o diâmetro interno do tubo, dependendo da elasticidade do polietileno (VILELA et al., 2003). 2.2 Material e métodos 2.2.1 Montagem do experimento em laboratório O experimento foi conduzido junto ao Laboratório de Irrigação do Departamento de Engenharia Rural - ESALQ/USP, Piracicaba-SP. Construiu-se uma bancada de ensaio de perda de carga que facilitou o controle, monitoramento e aquisição dos dados necessários para desenvolvimento do trabalho (Figura 4) 26 7 6 1:Reservatório 2: Inversor freq. 3: Filtro 4: Motobomba 5: tubo gotejador 6: Man. diferencial 7: Medidor de vazão 2 3 1 5 4 Figura 4 – Croqui da bancada de ensaio de perda de carga Utilizou-se um reservatório com capacidade de 1000 litros e uma motobomba modelo Hydrobloc C3000-KSB ligada a um inversor de freqüência Siemens modelo Micromaster 420, com a finalidade de manter a rotação do motor constante durante os ensaios, evitando-se alteração de vazão provocada pela variação de voltagem na rede de alimentação. No recalque instalou-se um filtro de disco de 1”; logo após foram conectados dois registros de gaveta para controlar a pressão na entrada da linha. Para o monitoramento da pressão utilizou-se um manômetro digital com faixa de trabalho de 0 a 1500 kPa, com precisão de 1 kPa. Durante os ensaios manteve-se a pressão entre 145 e 155 kPa para minimizar a alteração do diâmetro dos tubos, cujo efeito na perda de carga foi relatado por Vilela et al. (2003). A vazão no tubo foi medida por um medidor magnético indutivo de ½” instalado no final da tubulação, com 1% de precisão, e após a passagem pelo medidor a água era conduzida ao reservatório. A perda de carga foi medida por um manômetro diferencial contendo líquido manométrico com densidade 1,5. (Figura 5) 27 (A) (B) (C) (D) Figura 5 – Equipamentos utilizados: Moto bomba e filtro (A), Inversor de freqüência (B), medidor de vazão magnético (C) e manômetro digital (D) 2.2.2 Desenvolvimento da conexão para medição da perda de carga Para determinação da perda de carga em um seguimento de tubo com um metro de comprimento foi necessária a solução de dois problemas: 1) desenvolver uma metodologia para perfurar o tubo de polietileno de forma que todos os furos ficassem padronizados, evitando-se a formação de rebarbas na parte interna do tubo, que poderiam comprometer os ensaios. 2) desenvolvimento de uma conexão que não fosse necessário introduzir nenhum tipo de material no interior do tubo. 28 2.2.2.1 Metodologia para padronização do orifício Para a confecção do gabarito utilizou-se uma barra de aço inox com diâmetro de 2,4 mm e comprimento de 20 cm, sendo que em uma das extremidades foi feito uma ponta e a outra dobrada formando um círculo com a finalidade apenas de evitar acidente. Inicialmente era feito o furo a uma distância de 0,50 m do emissor denominado de furo marcador. Após este furo o furador era aquecido por meio de um fogareiro e novamente introduzido no furo marcador sendo necessário apenas uma leve pressão, a retirada do furador era realizada lentamente e com movimentos circulares (girando) para que o material proveniente do furo fosse aderindo ao furador e projetado para fora. Assim, a ocorrência de rebarba era pequena não interferindo nas leituras. Após está etapa o material aderido ao furador era retirado com auxilio de uma lâmina de um estilete e lixado com uma lixa de ferro no 120 para manter uma parte áspera, facilitando a aderência do material proveniente do furo. É importante ressaltar que no caso de tubos de polietileno, quando são apenas furados o material do furo é projetado para dentro do interior do tubo, a parte externa do furo fica com um aspecto satisfatório, porém ao pressurizar a tubulação o material que foi descolado para dentro volta à sua posição, obstruindo parcialmente o orifício e prejudicando as medições. Devido a esta observação no decorrer dos ensaios preliminares que se percebeu a necessidade da realização do procedimento de padronização dos furos. 2.2.2.2 Conexão para medição da perda de carga Para a determinação da perda de carga no segmento de tubo utilizado, com um metro de comprimento, não seria possível utilizar nenhum tipo de conexão vendida no mercado, pois estas seriam introduzidas dentro do tudo aumentando assim a perda de carga. Segundo (ALVES, 2002) utilizou-se uma conexão que envolvia o tubo de polietileno, porém, para realizar a vedação entre a conexão e o tubo era necessário utilizar um anel de vedação. Ocorre que ao fixar a conexão no tubo o anel de vedação este era pressionado contra o tudo formando uma pequena deformação, que em certo momento era formada a favor do fluxo e em outro contra o fluxo, interferindo assim nas leituras devido à adição da componente velocidade em alguns casos. Assim desenvolveu-se uma conexão a partir de uma mangueira de silicone. Utilizou-se uma mangueira com 10 mm de diâmetro externo e espessura de parede de 2,5 mm, a qual foi cortada em vários seguimentos de 29 25 mm de comprimento. Os segmentos eram envolvidos por duas voltas com um arame de 0,9 mm de diâmetro e deixando-se sobras nas extremidades, conforme ilustrado na Figura 6 C. Em seguida este segmento já com o arame em volta era colado com uma cola de secagem rápida (Super Bonder), com a finalidade de aderir o seguinte de silicone ao tudo de modo que o centro do furo fica-se no centro do seguimento da mangueira de silicone. Após a fixação utilizou-se uma cola de secagem em 2 minutos (araldite) para colar o seguimento de silicone ao tubo, em seguida, depois de transcorrido o tempo de secagem, envolveu-se o segmento de silicone com o arame já colado no tubo por uma cola de secagem lenta, 24 horas para secagem, utilizada para colar calhas (veda calha). A finalidade do arame enrolado na mangueira de silicone e para ajudar na fixação, (Figura 6 D). Foi necessário envolver a conexão com uma borracha (câmara de ar) para evitar choque mecânico e também auxiliar a fixação da conexão no tudo. A borracha era enrolada com uma leve tensão de forma que não afetaria o diâmetro do tubo (Figura 6 F). 2.2.3 Medição da perda de carga distribuída Para a medição da perda de carga utilizou-se um manômetro diferencial em “U”, com escala em mm (1000 – 0 – 1000) e líquido manométrico com densidade 1,5 (Figura 7). Figura 7 – Manômetro de coluna em “U” 30 (A) (B) (C) (D) (E) (F) Figura 6 – Etapas para a conexão no tubo: Alinhamento dos tubos (A), Furo finalizado (B), Seguimento da mangueira de silicone (C), Conexão após a colagem (D), Conexão envolvida pela fita de borracha (E) e Conexão de silicone pronta para o ensaio (F) 31 A perda de carga foi medida em um seguimento de tubo 0,5 m de comprimento, utilizando-se um segmento com um metro de comprimento, retirado em uma bobina de tubo gotejador onde os emissores estavam espaçados de um metro. Os segmentos dos tubos foram furados a 0,25 m das extremidades conforme descrito no item 3.2.1 e acoplado à conexão conforme descrito no item 3.2.2. Após esta etapa, tal segmento foi conectado ao tudo de 25 mm de diâmetro interno no sistema de pressurização, descrito no item 3.1, mediantes adaptadores internos nas duas extremidades e luvas de união. Os microtubos do manômetro de coluna em “U” foram conectados ao tubo experimental por meio das conexões de silicone. Os ensaios foram realizados de forma a medir a vazão que passava pelo do tubo em função da diferença de pressão entre os dois pontos, registrada pelo manômetro de coluna em “U”. A vazão média inicial foi de 0,3421 m3 h-1 e a final de 1,4619 m3 h-1. O número de vazões medidas foi no mínimo 19 e no máximo 21 para cada tubo. O número de repetições foi de 10 amostras de tubo. Durante os ensaios foi monitorada a temperatura da água, que variou entre 20,5 a 24,5 oC, sendo utilizada para corrigir a viscosidade cinemática da água nos cálculos da perda de carga. Para a determinação do diâmetro interno do tubo utilizou-se um projetor ótico de perfil, Starret, modelo HB 400, acoplado a um microcomputador, cujo funcionamento está detalhado no item 3.5. Pela Tabela 1 são apresentados o diâmetro e a espessura da parede dos tubos utilizados no experimento. Tabela 1 – Característica do tubo utilizado Parâmetros Valor médio Desvio padrão (mm) (mm) Coeficiente de variação (%) Diâmetro interno medido 15,53 0,134 0,86 Espessura da parede 1,07 0,06 5,61 Os valores experimentais da perda de carga foram utilizados para calcular f pela eq. (1), conhecidos os valores de V2/2g , L e D . Para determinar o valor do coeficiente c da eq. (5), fez-se uma regressão linear entre os valores de f e R-0,25. Para a validação da metodologia de se utilizar 0,5 m de tubo para determinar a perda de carga contínua, comparou-se o fator de atrito (f) no tubo com o calculado pelo modelo proposto por Bagarello et al. (1995). 32 No presente trabalho utilizou-se tubo de polietileno com diâmetro interno de 15,53 mm e variação de vazão que corresponderam a ao numero de Reynolds entre 8244 a 35127, resultando em 193 pontos observados. 2.2.4 Determinação da perda de carga nos emissores Foram analisados quatro tipos de emissores não coaxiais integrados à parede do tubo (Titan, Uniram, Drip Net PC e Twin Plus)com características geométricas distintas. Utilizaram-se dez amostras de tubo com emissor para cada modelo e, devido aos diferentes espaçamentos entre emissores para cada modelo, obteveram-se três comprimentos diferentes de tubo com emissor, que foram: 1,4 m para o Tiran, 1,5 m para o Uniram e Drip Net PC e 2,0 m para o Twin Plus. Posteriormente, os emissores foram vedados para que durante os ensaios as vazões de entrada e saída no tubo permanessem constantes. Os microtubos do manômetro diferencial com coluna em “U” foram conectados ao tubo contendo o emissor, utilizabdo-se a conexão descrita no item 3.2, realizada a 0,5 m da extremidade do emissor, de ambos os lados. Determinou-se a perda de carga entre os dois pontos (1m de tubo com emissor) para 15 valores de vazão, sendo a vazão média inicial de 0,3421 m3 h-1e final de 1,4619 m3 h-1. A temperatura da água durante o ensaio foi registrada para uso posterior no equacionamento matemático. A perda de carga provocada pelo emissor foi determinada pela diferença entre a perda de carga do seguimento de 1 m com emissor e a perda de carga calculada pela equação de DarcyWeisbch com f determinado para o tubo estudado. Na Tabela 2 são apresentadas as características dos tubos gotejadores utilizados no experimento. 2.2.5 Determinação da seção de escoamento Para a determinação da seção de escoamento utilizou-se o projetor ótico Starrett modelo HB 400. Este equipamento projeta um feixe de luz sobre o objeto passando posteriormente por uma lente de aumento, incidindo sua imagem vertical sobre uma superfície que contém o sensor 33 ótico. A plataforma onde é fixado o objeto permite a realização de movimento na direção vertical e horizontal, permitindo que toda a extensão do objeto seja detectada pelo sensor. Tabela 2 - Principais características dos emissores utilizados e distâncias das conexão de tomadas de pressão em relação ao inicio e ao final do tubo Diâmetro Diâmetro Fabric. Modelo Pressão Vazão -1 Espaçamento Distância das entre Conexões nominal interno de (DN) (DI) operação emissores (mm) (kPa) (m) (m) (l h ) 17,5 15,5 Irrimon Twin Plus 100 a 350 1,8 1,00 0,48 17 D 14,4 Netafim Tiran 300 2,0 0,70 0,17 17 D 14,4 Netafim Uniram 50 a 350 2,3 0,75 0,20 17 15,2 Netafim Drip Net 40 a 250 1,6 0,75 0,20 O projetor ótico está acoplado a um micro-computador com software QC 4000 desenvolvido pela Metronics, que interpreta os sinais enviados pelo sensor. Com o sistema de medição integrado, projetor ótico e software QC 4000 e pelas funções de medição é possível a determinação de ponto, reta, diâmetro, distância, ângulo e semicírculos. O software QC 4000 permite que a figura do objeto seja exportada com extensão “dtx”, podendo ser visualizada em software específico para desenho. A determinação da seção foi realizada em duas etapas: 1)sendo a primeira a caracterização geométrica do emissor e, 2) a determinação do diâmetro do tubo de polietileno que continha o emissor. Para a caracterização da geometria do emissor utilizou-se lente de aumento de 25 vezes e função de medição de semicírculo, reta e distância. Para a junção dos seguimentos da figura do objeto utilizou-se o software Auto Cad, obtendo-se a altura, largura, comprimento e forma do emissor, sendo realizadas 10 repetições para cada modelo. Para a determinação do diâmetro do tubo utilizou-se lente de aumento de 10 vezes e ferramenta de medição de diâmetro. Para cada tudo gotejador foram realizadas 10 repetições. Para a determinação do perímetro molhado foram utilizadas as figuras geométricas do emissor e do tubo. A figura do emissor foi adicionada ao tubo com auxílio do software Auto CAD 34 tornando-se apenas uma figura, obtendo-se o perímetro molhado, que foi utilizado para determinação do raio hidráulico. Na Tabela 3 apresentam-se as característica geométricas dos emissores determinadas pelo projetor ótico e na Figura 8 são ilustrados os equipamentos utilizados. 2.2.6 Desenvolvimento matemático do modelo da perda de carga localizada em emissor integrado não coaxial A perda de carga em tubos é função inversa de uma potência do diâmetro. Como os tubos utilizados nas linhas laterais de irrigação localizada não são completamente circulares, ao se propor a modelagem matemática para o cálculo da hfe (perda de carga no emissor) optou-se pelo diâmetro calculado a partir do raio hidráulico, utilizando-se o perímetro molhado. Assim todas as relações de diâmetro apresentadas são originadas do raio hidráulico, eq. (15), sendo: Rh = Área de passagem Perímetro molhado (15) Sendo, Dr- Diâmetro obtido a partir do raio hidráulico ( Dr = 4 Rh ) Tabela 3 – Características geométricas e de escoamento para os diferentes emissores Emissor* Características geométricas 2 Área do tubo (mm ) Desvio padrão CV % Área do emissor (mm2) Desvio padrão CV % Perímetro molhado (mm) Desvio padrão CV % Comprimento do emissor (mm) Desvio padrão CV % Twin Plus 189,42 3,27 1,73 57,12 0,56 0,99 58,65 0,24 0,41 36,13 0,11 0,31 Tiran 158,97 2,23 1,4 35,93 0,516 1,44 49,06 0,14 0,28 72,02 0,04 0,05 Uniram 155,89 1,48 0,95 69,86 2,28 3,26 51,77 0,55 1,06 44,63 0,15 0,33 * O uso de produtos ou marcas registradas tem a finalidade de facilitar a compreensão. Drip Net 176,20 2,65 1,51 53,66 0,61 1.14 52,80 0,51 0,96 21,54 0,17 0,77 35 (A) (B) (C) (D) Figura 8 – Projetor de ótico (A) e (B), tela do software CQ 4000 (C) e ilustração do processo de montagem da parte geométrica (D) Na Figura 9 ilustra-se o emissor (A), a área do tubo (B) e o perímetro molhado (C). (A) (B) Figura 9 – Representação gráfica do emissor (A), da área do tubo (B) e do perímetro molhado (C) 36 Para a determinação da perda de carga em emissores não coaxial, considerou-se três componentes sendo, a perda de carga na entrada (hfent), perda de carga no comprimento do emissor (hfcomp) e perda de carga na saída (hfsai). Na Figura 10, tem-se a representação de um emissor integrado à linha lateral com as respectivas considerações para o equacionamento matemático. A V A Cc r Ar A Pc Pr P Vc Vr V 1 3 Le 2 Figura 10 – Ilustração do comportamento do fluido ao passar pelo gotejador Aplicando-se o teorema de Bernoulli à parte de contração (1), para determinar a perda de carga na entrada (Hfent), tem-se: Vc 2 Pc Vr 2 Pr + = + + Hfe 2g 2g γ γ (16) Vc 2 Vr 2 Pc Pr Hfent = − + − γ γ 2g 2g (17) Hfent = Vc 2 Vr 2 ⎛ Pr Pc ⎞ ⎟ − −⎜ − 2g 2 g ⎜⎝ γ γ ⎟⎠ (18) Pela segunda lei de Newton, tem-se: F = m.a onde: (19) 37 ρ= m ⇒ m = ρ .Vol Vol (20) Q= ∆Vol ∆T (21) a= ∆V ∆T (22) Como: F = ρ Q ∆T a ⇒ = ρ Q ∆T ∆V ∆T ⇒ = ρ Q ∆V ∴ F = ρ Q (Vc − Vr ) (23) Onde: P= F A (24) F = (Pr − Pc ) Ar (25) Assim: (Pr − Pc) Ar = ρ Q (Vc − Vr ) (Pr − Pc ) = Q (Vc − Vr ) ⇒ (Pr − Pc ) = Vr Ar (Vc − Vr ) ρ ρ Ar Multiplicando-se os dois termos por Ar (26) (27) 1 : g 1 (Pr − Pc ) 1 = Vr .(Vc − Vr ) g ρ g (28) (Pr − Pc ) = Vr (Vc − Vr ) (29) (Pr − Pc ) = 2Vr (Vc − Vr ) (30) γ γ g 2g Substituindo a eq.(30) na eq.(16) Hfent = Vc 2 Vr 2 2Vr (Vc − Vr ) − − 2g 2g 2g (31) 38 Hfent = Vc 2 − Vr 2 + 2Vr 2 − 2Vr Vc 2g ⇒ Hfent = 2 ( Vc − Vr ) ∴ Hfent = Vc 2 + Vr 2 − 2VrVc 2g (32) (33) 2g Desmembrando a eq. (33), onde : Vc = r Cc V (34) Vr = r V (35) Ar = r A (36) r= Ar A (37) r′ = 1 r (38) Ac = r Cc A Cc′ = (39) 1 Cc (40) Assim: Vc 2 − 2Vr Vc + Vr 2 Hfent = 2g Hfent = (41) r ′ 2 V 2 Cc ′ 2 − 2r ′V Cc ′ V r ′ + V 2 r 2 2g ( V2 2 Hfent = r ′ Cc ′ 2 − 2r ′ 2 Cc ′ + r ′ 2 2g ( ) ) (42) (43) Hfent = V2 2 r ′ Cc ′ 2 − 2Cc ′ + 1 2g (44) Hfent = V2 2 2 r ′ (Cc ′ − 1) 2g (45) 39 Substituindo r ′ = 1 1 e Cc′ = , temos: r Cc V2 1 ⎛ 1 ⎞ Hfent = − 1⎟ 2 ⎜ 2 g r ⎝ Cc ⎠ 2 (46) Assim a perda de carga na entrada pode ser calculado pela eq. (47): V ⎛ 1 1⎞ − ⎟⎟ Hfent = 2 ⎜⎜ 2 g ⎝ r Cc r ⎠ 2 (47) Aplicando a equação de Darcy-Weisbach, na extensão do emissor (2), com f de Blasius, para determinar a perda de carga no comprimento (hfcom), temos: hfcom = f hfcom = Le Vr 2 Dr 2 g 0,296 Le Vr 2 R 0, 25 Dr 2 g hfcom = (48) = 0,296 ⎛ Vr.Dr ⎞ ⎟⎟ ⎜⎜ ⎝ η ⎠ 0.25 Le Vr 2 Dr 2 g 0,296 1, 75 0, 25 Vr η Dr −1, 25 Le 2g (49) (50) Em que: Vr - Velocidade na passagem pelo emissor Dr - Diâmetro obtido a partir do raio hidráulico. Le - Comprimento do emissor Aplicando-se o teorema de Bernoulli na saída do fluxo da seção que contem o gotejador (3), para determinar a perda de carga na saída (hsai), tem-se: 40 Vc 2 Pc Vr 2 Pr + = + + hfsai 2g 2g γ γ (51) Vr 2 V 2 Pr P hfsai = − + − 2g 2g γ γ (52) Vr 2 V 2 ⎛ P Pr ⎞ − − ⎜ − ⎟⎟ γ ⎠ 2 g 2 g ⎜⎝ γ hfsai = (53) Pela segunda lei de Newton, tem-se: F = m.a onde: ρ= m ⇒ m = ρ .Vol Vol (54) Q= ∆Vol ∆T (55) a= ∆V ∆T (56) Como: F = ρ Q ∆T a ⇒ = ρ Q ∆T ∆V ∆T ⇒ = ρ Q ∆V ∴ F = ρ Q (Vc − Vr ) (57) (58) Onde: P= F A (59) ∴ F = (Pr − Pc ) Ar (60) (P − Pr ) Ar = ρ Q (Vr − V ) (P − Pr ) = Q (Vr − V ) ⇒ (P − Pr ) = V . A (Vr − V ) (61) Assim: ρ ρ Ar Multiplicando-se os dois termos por 1 g A (62) 41 1 (P − Pr ) 1 = V (Vr − V ) g ρ g (63) (P − Pr ) = V (Vr − V ) (64) (P − Pr ) = 2V (Vr − V ) (65) γ g γ 2g Substituindo-se a eq. (65) na eq.(53) Vr 2 V 2 2V (Vr − V ) hfsai = − − 2g 2g 2g hfsai = Vr 2 − V 2 + 2V 2 − 2V Vr 2g ∴ hfsai = (66) ⇒ hfsai = Vr 2 + V 2 − 2VVr 2g (Vr − V )2 (67) (68) 2g Desmembrando-se a eq. (68) (Vr − V )2 hfsai = 2g (Vr − V )2 V 2 = V2 2g 2 2 ⎛ Vr − V ⎞ V =⎜ ⎟ ⎝ V ⎠ 2g (69) 2 2 ⎛ Vr ⎞ V hfsai = ⎜ − 1⎟ ⎝V ⎠ 2g (70) Onde: Q A V = (71) Q Ar (72) Ar = r A (73) Vr = r= Ar A (74) 42 ⎛1 ⎞ V hfsai = ⎜ − 1⎟ ⎝r ⎠ 2g 2 2 2 ⎛1 − r ⎞ V ⇒ ⎜ ⎟ . ⎝ r ⎠ 2g (75) 2 ( 1 − r) V 2 hfsai = r2 (76) 2g Portanto, a equação para determinação da perda de carga pode ser expressa como: 2 2 2 1⎞ 0,148 1, 75 0, 25 V ⎛ 1 ⎛1− r ⎞ V −1, 25 ⎜ Hfe = Vr η Dr Le + ⎜ − ⎟ + ⎟ 2 g ⎜⎝ Cc r r ⎟⎠ g ⎝ r ⎠ 2g (77) Em que: 2 2 ⎛1− r ⎞ ⎛ A ⎞ − 1⎟ = Índice de obstrução (IO) ⎜ ⎟ =⎜ ⎝ r ⎠ ⎝ Ar ⎠ r= (78) Ar = razão de obstrução A Cc – Coeficiente de contração Para emissores integrados não coaxiais, o coeficiente de contração pode ser obtido pela aproximação desenvolvida por Juana; Rodríguez-Sinobas e Losada (2002 b), conforme eq. (79). Cc = 0,907 − 0,523 (1 − r ) + 0,659 (1 − r ) − 0,321 (1 − r ) 2 3 (79) Para avaliar o desempenho do processo de estimativa de perda de carga localizada provocada no emissor inserido não coaxial, utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson eq.(80), o índice de concordância de Willmott eq. (81) e o Índice de confiança ou desempenho de Camargo eq.(80), sendo sua classificação apresentada na Tabela 4. 43 ● Precisão – Coeficiente de correlação de Pearson (r*) r∗ = ⎞ ⎞ ⎛ N ⎞⎛ N ⎛ N N ⎜⎜ ∑ SjOj ⎟⎟ − ⎜⎜ ∑ Sj ⎟⎟ ⎜⎜ ∑ Oj ⎟⎟ ⎠ ⎝ j =1 ⎠ ⎝ j =1 ⎠ ⎝ j =1 (80) 2 2 ⎡⎛ N ⎤ ⎞ ⎤ ⎡⎛ N N N ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ ⎞ 2 2 ⎢ ⎜ N ∑ (Sj ) − ⎜ ∑ Sj ⎟ ⎟ ⎥ ⎢⎜ N ∑ (Oj ) ⎟ − ⎜ ∑ Oj ⎟ ⎥ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎟ ⎢ ⎜ j =1 ⎠ ⎝ j =1 ⎠ ⎥⎦ ⎝ j =1 ⎠ ⎠ ⎥⎦ ⎢⎣⎝ J =1 ⎣⎝ ● Exatidão – Índice de concordância de Willmott (Id) N Id = 1 − ∑ (Sj − Oj ) 2 j =1 (81) ∑ ( Sj − O + Oj − O ) 2 Em que: Sj = Variável simulada Oj = Variável observada O = Média da variável observada ● Índice de confiança ou desempenho de Camargo (C) C = r * × Id (82) Tabela 4 – Classificação do índice de confiança ou de desempenho (C) proposto por Camargo e Sentelhas (1997) C Desempenho > 0,90 Ótimo 0,81 a 0,90 Muito Bom 0,71 a 0,80 Bom 0,51 a 0,70 Mediano 0,41 a 0,50 Sofrível 0,31 a 0,40 Mau ≤ 0,30 Péssimo 44 2.3 Resultados e discussão 2.3.1 Perda de carga continua no tubo Na Figura 11 são apresentadas as perdas de carga observadas (m m-1), obtidas em experimentos de laboratório, em função da vazão, onde verifica-se que há relação potencial entre Q e hf ao nível de 1% de probabilidade, obtendo-se R2 = 0,9938. Assim, 99,38% das variações da perda de carga podem ser explicados pela variação da vazão utilizando-se para esta determinação 1m de tubo. O expoente da vazão ajustada por regressão foi 1,733, caracterizando-se escoamento turbulento. Este expoente difere de 0,97% do expoente da equação de perda de carga de DarcyWeisbach com f calculado pela equação de Blasius (1,75). Pela Figura 12 apresenta-se a relação Perda de carga observada (m m -1) entre f e R-0,25, com coeficiente de determinação de 82,08%, para 8244 ≤ R ≤ 35127. 0,4 J = 0,1667 Q1.733 R2 = 0,9938 0,3 0,2 0,1 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 Vazão (m 3 h-1) Figura 11 - Perda de carga distribuída para o tubo de polietileno com 1,0 m de comprimento A determinação dos coeficientes do modelo de Blasius eq( 6) também foi objeto de estudo de Bagarello et al. (1995), trabalhando com tubos de diâmetro de 16, 20 e 25 mm, com número de Reynolds variando entre 3.037 e 31.373. Estes autores obtiveram c = 0,302 para m=0,25, enquanto Alves (2000) encontrou um valor de 0,295 e Cardoso (2007) um valor de 0,300, ambos para tubos de polietileno. 45 0,04 Fator de atrito -0,25 ff ==0,2959 0.2959 RR-0,25 RR22= 0.8217 = 0,8217 0,03 0,02 0,01 0,06 0,07 0,08 0,09 R 0,1 0,11 -0,25 Figura 12 – Relação entre o fator de atrito (f) e o número de Reynolds (R) obtido através do ajuste dos dados experimentais com m = - 0,25 Na presente pesquisa utilizou-se tubo de polietileno de 15,53 mm de diâmetro interno e vazões que corresponderam a números de Reynolds entre 8.244 a 35.127 resultando em c igual a 0,296. Pela Figura 13 são apresentados os fatores de atrito calculados pelo modelo de Bagarello et al. (1995), comparados com os valores experimentais obtidos nessa pesquisa. 0,034 Bagarello et al. (1995) : f = 0,302 R 0,032 Experimento : f = 0,296 R -0,25 -0,25 Fator de atrito 0,030 0,028 0,026 0,024 0,022 0,020 0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000 Número de Reynolds Figura 13 – Comparação entre o fator de atrito (f) encontrado por Bagarello et al.(1995) e ajustado pelas observações em laboratório Comparando-se o coeficiente c (0,302) encontrado por Bagarello et al. (1995), mediante uma análise semi-teórica, utilizando-se a lei da distribuição potencial das velocidades, com valor 46 de c (0,296) obtido experimentalmente neste trabalho, verificou-se uma diferença de apenas 1,99% entre eles. Maior diferença, de (6,3%), seria encontrada ao se comparar com o valor proposto na equação de Blasius (0,316). Este fato ocorreu, provavelmente, pelas melhorias realizadas pela engenharia de material na fabricação dos tubos de polietileno, contribuindo para uma redução do fato f, fato já observado em pesquisas anteriores (BAGARELLO et al., 1995; ALVES, 2000; CARDOSO, 2007). Na Tabela 5 apresenta-se a estatística F, utilizada para testar a significância da regressão. Verificou-se que há relação potencial entre f e R ao nível de 1% de probabilidade. Neste caso obteve-se R2 = 0,8280, indicando que 82,08% das variações do fator de atrito podem ser explicadas pela variabilidade no número de Reynolds. Isto também significa que a utilização do modelo de regressão potencial reduziu a variabilidade na previsão do fator de atrito em 82,08% e que 17,92% desta variabilidade pode ser explicada pelos fatores ao acaso. O valor de t também e significativo ao nível de 1% de probabilidade, isto e, há uma probabilidade inferior a 1% de se obter por simples acaso um valor de c igual ou superior a 0,296. Tabela 5 – Análise de variância da regressão de f em função de R-0,25 e intervalo de confiança para o coeficiente c Fonte de Soma dos Graus de Quadrado variação quadrados liberdade médio Regressão 0,00182193 1 0,00182193 Erro 0,00039513 192 2,057984 x10-6 Total 0,00221706 193 Coeficiente Valor Erro padrão Valor t F F critico (1%) 885,298 6,63 Tcritico (1%) Intervalo de confiança (95%) c 0,296 0,001233 239,967 2,58 0,293 a 0,298 2.3.2 Perdas de carga localizada nos emissores integrados à linha lateral tipo não coaxial Nas Figuras 14 e 15 são apresentadas as perdas de cargas observada versus a perda de carga estimada pelo modelo, eq.(77), utilizando o Cc calculado individualmente para cada emissor, pela eq.(79). Em todas as temperaturas da água os valores estimados e observados das perdas de cargas, para os emissores Drip Net Uniram estão relativamente próximos, enquanto 47 para os demais emissores, os desvios aumentaram. Verifica-se que somente o efeito da temperatura não explica as variações crescentes de perda de carga observadas com o aumento da vazão. 0,08 0,10 T = 17 oC Tiran T = 19 oC hfe observado (m ca ) hfe observado (mca) 0,10 0,06 0,04 0,02 Tiran 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,00 0,08 0,02 0,04 0,06 0,08 0,00 0,10 0,02 0,04 hfe observado (mca) hfe observado (m ca ) 0,25 Drip Net Uniram 0,15 0,10 0,05 0,00 0,16 Twin Plus 0,12 0,08 0,04 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,00 0,04 hfe estimado (mca) hfe observado (mca) hfe observado (m ca) 0,16 0,20 T = 22,5 oC 0,25 Uniram 0,15 0,10 0,05 0,00 0,00 0,12 0,30 T = 22 oC Twin Plus Drip Net 0,20 0,08 hfe estimado (mca) 0,30 0,25 0,10 T = 21 oC T = 20 oC 0,00 0,08 0,20 0,30 0,20 0,06 hfe estimado (mca) hfe estimado (mca) 0,20 Twin Plus Uniram Tiran 0,15 0,10 0,05 0,00 0,05 0,10 0,15 hfe estimado (mca) 0,20 0,25 0,30 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 hfe estimado (mca) Figura 14 – Representação gráfica da perda de carga estimada versus perda de carga observada para os emissores Tiran, Uniram, Drip Net e Twin Plus , com a temperatura da água variando de 17 a 22,5 oC 48 0,30 0,10 T = 23 oC T = 24 oC Twin Plus hfe observado (mca) hfe observado (mca) 0,25 Uniram 0,20 Tiran 0,15 0,10 0,05 0,00 Drip Net 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,00 0,02 0,04 hfe estimado (mca) 0,08 0,10 0,10 0,10 T = 25 oC T = 24,5 oC 0,08 Tiran hfe observado (mca) hfe observado (mca) 0,06 hfe estimado (mca) 0,06 0,04 0,02 0,00 0,08 Tiran 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,00 0,02 0,04 hfe estimado (mca) 0,06 0,08 0,10 hfe estimado (mca) Figura 15 – Representação gráfica da perda de carga estimada versus perda de carga observada para os emissores Tiran, Uniram, Drip Net e Twin Plus , com a temperatura da água variando de 23 a 25 oC 0,10 0,14 Tiran 0,12 T = 17 C o T = 19 C 0,08 hfe o bse rvada (m ca ) hfe observado (mca) o T = 23 oC 0,06 o T = 25 C 0,04 0,02 Drip Net T = 20 oC o T = 22 C o T = 24 C 0,10 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 0,0 1,2 0,2 0,4 0,6 Vazão (m 3 h-1) 0,20 o T = 22,5 C T = 23 oC 0,10 1,2 1,4 Uniram T = 21 oC o T = 22 C 0,15 1,0 0,30 Twin Plus hfe o bserva do (m ca) h fe ob servad o (m ca ) 0,25 0,8 Vazão (m 3 h-1) 0,05 0,25 T = 20 oC o T = 22 C 0,20 T=22,5 oC T = 23 oC 0,15 0,10 0,05 0,00 0,00 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 3 Vazão (m h-1) 1,2 1,4 1,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 Vazão (m 3 h-1) Figura 16 – Representação gráfica da relação exponencial entre vazão (Q) e perda de carga observada no emissor (hfe observado) 49 Na Tabela 6 apresenta-se a estatística F, utilizada para testar a significância da regressão entre vazão e perda de carga no emissor, independente da temperatura. Pela Figura 16, pode-se verificar que há relação potencial entre Q e hfe ao nível de 1% de probabilidade, obtendo-se R2 = 0,9844 para o emissor Uniram, R2 = 0,9550 para o Twin Plus, R2 = 0,9006 para o Drip Net e R2 = 0,9993 para o Tiran. Observa-se que 98,44% (Uniram), 95,50% (Twin Plus), 90,06 % (Drip Net) e 99,93% (Tiran) das variações da perda de carga localizada no emissor podem ser explicadas pela variabilidade da vazão. Isto também significa que a utilização do modelo de regressão potencial reduziu a variabilidade na previsão da perda de carga localizada no emissor em 98,44% para o Uniram, 95,50% para o Twin Plus, 90,06 % para o Drip Net e 99,93% para o Tiran e que 1,56 % (Uniram), 4,5 % (Twin Plus), 9,94% (Drip Net) e 0,7% (Tiran) desta variabilidade pode ser explicada pelos fatores ao acaso. Tabela 6 – Analise de variância da regressão de Hfe em função de Q Emissor Tiran Drip Net Twin Plus Uniram Fonte de variação Regressão Soma dos quadrados 0,0614512 Graus de liberdade 1 -5 Erro 4,45509 x10 100 Total 0,0614958 101 Regressão 0,0752072 1 Quadrado médio F F critico (1%) 0,0614512 137934,97 6,93 944,861 6,93 3694,49 6,63 5189,17 7,00 -7 4,455091 x10 0,0752072 -5 Erro 0,00811881 102 7,959616 x10 Total 0,0833261 103 Regressão 0,313240 1 0,313240 Erro 0,0145831 172 8,478570 x10-5 Total 0,327823 173 Regressão 0,376384 1 0,376384 Erro 0,0058026 80 7,253266 x10-5 Total 0,382186 81 Na Tabela 7 apresenta-se os coeficientes das equações de perda de carga localizada para cada emissor estudado e o intervalo de confiança de 95% de probabilidade. Verifica-se pelo teste t que os coeficientes são significativos a 1% de probabilidade. 50 Tabela 7 - Intervalo de confiança para os coeficientes α e κ da equação empírica ( hfe = α Q κ ) para determinação da perda de carga (mca) em função da vazão (m3 h-1) Emissor Coeficiente Tiran Drip Net Twin Plus Uniram Valor Erro padrão Valor t tcritico Intervalo de (1%) confiança (95%) α 0,0732375 0,0001032 709,263 2,63 0,07303 a 0,07344 κ 1,842237 0,0064067 287,558 2,63 1,8295 a 1,8549 α 0,0667730 0,001086 61,4592 2,63 0,06462 a 0,06893 κ 1,814051 0,074999 21,188 2,63 1,66529a 1,96281 α 0,0896994 0,0008316 107,868 2,58 0,08806 a 0,09134 κ 1,833650 0,03959 46,315 2,58 1,75549 a 1,91180 α 0,218267 0,001617 134,980 2,65 0,21505 a 0,22149 κ 1,778844 0,031135 57,134 1,71689 a 1,84080 Observou-se que o modelo matemático quando aplicado ao emissor Twin Plus resultou em uma perda de carga inferior, em média 54,98%, à observada em laboratório. Isto se deve, provavelmente, devido às características geométricas do emissor, pois além da contração na parte superior (Cc = 0,800) proposta no modelo deve ter ocorrido uma contração na parte lateral do emissor, provoca pela geometria irregular ao longo do comprimento que não foi prevista pelo modelo (Figura 17) e na Tabela 8 apresenta-se a geometria dos emissores. 0,200 hfe observado (mca) hfe obs = 1.5498 hfe est. R2 = 0.9552 0,150 0,100 0,050 0,000 0,000 0,050 0,100 0,150 0,200 hfe estimado (mca) Figura 17 – Comparação entre a perda de carga estimada versus perda de carga observada para o emissor Twin Plus 51 Tabela 8 – Ilustração da geometria dos emissores utilizados Emissor* Vista superior Vista frontal Twin Plus Drip Net Uniram Tiran * O uso de produtos ou marcas registradas tem a finalidade de facilitar a compreensão Utilizando-se o modelo para a estimativa da perda de carga localizada no emissor Tiran, obtém-se valores maiores, em media 28,85%, que os valores observados (Figura 18). Nesse caso, possivelmente não ocorreu efeito da contração do fluxo na entrada do emissor e, como o modelo contempla um valor de Cc = 0,816, resultou em uma superestimativa da perda de carga. 52 0,10 hfe obs. = 0.7115 hfe est. R2 = 0.9293 hfe observado (mca) 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 hfe estimado (mca) Figura 18 – Comparação entre a perda de carga estimada versus perda de carga observada para o emissor Tiran Ao estimar a perda de carga localizada dos emissores Uniram e Drip Net, com Cc individual, 0,775 e 0,796, verificou-se que para estes emissores houve uma melhor relação entre a perda de carga observada e estimada(Figura 19). 0,30 0,18 Drip Net 0,14 0,25 hfe obs = 1.1093 hfe est. 0,12 R2 = 0.9166 hfe observado hfe observado (mca) 0,16 0,10 0,08 0,06 0,20 Uniram hfe obs = 0.8951 hfe est R2 = 0.9818 0,15 0,10 0,04 0,05 0,02 0,00 0,00 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 hfe estimado (mca) 0,12 0,14 0,16 0,18 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 hfe estimado Figura 19 – Comparação entre a perda de carga estimada versus perda de carga observada para o emissor Drip Net e Uniram Devido à melhor relação da perda de carga estimada e observada a apresentada pelos emissores Drip Net e Uniram, calculou-se o Cc médio (0,786) que foi a media aritmética do Cc calculada para cada modelo individualmente pela eq.(79). Com o Cc médio estimou-se a perda de carga localizada para emissores (Figura 20). Neste caso, verifica-se que o modelo superestima os valores de perda de carga localizada em 2,31% em média, com erro padrão de 0,006 mca. 53 hfe Observado (mca) 0,30 0,25 0,20 hfe obs = 0.9278 hfe est. R2 = 0.9769 0,15 0,10 0,05 0,00 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 hfe Estimado (mca) Figura 20 – Comparação entre a perda de carga estimada versus perda de carga observada para o emissor Drip Net e Uniram com Cc médio A significância da regressão apresentada na Figura 20 foi analisada pela estatística F (Tabela 9). Verifica-se que há relação linear entre hfe estimado e hfe observado. O valor da estatística t indica que o coeficiente da regressão foi significativo ao nível de 1% de probabilidade (Tabela 9). O coeficiente de correlação de Pearson (r*), eq.(80), foi de 0,9906 indicando uma ótima precisão das estimativas de perda de carga, assim como o coeficiente Willmott, eq.(81) igual a 0,9929 indicando ótima exatidão. De acordo com o índice de confiança ou desempenho proposto por Camargo e Sentelhas (1997), eq.(82) foi de 0,9836, sendo classificado de acordo com a Tabela 4 como “ótimo” desempenho. Tabela 9 – Analise de variância da regressão de hfe estimado em função de hfe observado e intervalo de confiança para o coeficiente da equação linar (hfe obs = a + b Hfe est.) Fonte de Soma dos Graus de variação quadrados liberdade Regressão 0,748360 1 Erro 0,0176120 185 Total 0,765972 186 Coeficiente Valor Erro padrão Quadrado médio F F critico (1%) 0,748360 7860,9 6,63 Tcritico (1%) Intervalo de 9,5200246x10 Valor t -6 confiança (95%) a 0 b 0,92779 0,0063827 145,3605 2,58 0,91520 a 0,94038 54 3 CONCLUSÕES 1) Para os tubos de polietileno utilizado em linhas laterais de irrigação localizada o fator de atrito f da equação de Darcy-Weisbach pode ser estimado com c =0,296 e m = 0,25. 2) As maiores perdas carga localizadas resultam da combinação de tubulações de maiores diâmetros com emissores integrados não coaxiais de maior área, indicando que as perdas de carga localizadas devido a emissores intergrados não coaxiais estão relacionadas ao grau de obstrução à passagem do fluido. 3) Pode-se prever a perda de carga localizada dos emissores integrados não coaxiais utilizados em sistemas de irrigação localizada conhecendo-se as características geométricas do emissor. 4) O modelo matemático eq.(77) pode ser utilizado para estimar a perda de carga localizada provocada pelo gotejador integrado não coaxial com características geométricas semelhantes aos emissores Uniram e Drip net. 55 REFERÊNCIAS AL-AMOUD, A.I. 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