Relatório da Gestão 2010-2012 Grupo de Trabalho de Línguas Indígenas (GTLI) Professor Doutor Fábio Bonfim Duarte – Coordenador Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG Faculdade de Letras – FALE Pós-Graduação em Estudos Linguísticos – Poslin Professora Doutora Dulce Franceschini– ViceCoordenadora Universidade Federal de Uberlândia - UFU Instituto de Letras e Linguística - ILEEL Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos PPGEL Associação Nacional de Pesquisa e PósGraduação em Letras e Linguística – ANPOLL Grupo de Trabalho: Línguas Indígenas– GTLI Coordenação Biênio 2010-2012 RELATÓRIO DA GESTÃO 1. Apresentação Este relatório tem por meta apresentar os resultados alcançados pelas atividades realizadas no âmbito do GT de Línguas Indígenas no biênio 20102012. Durante a gestão, o GT participou de vários encontros científicos de caráter nacional e internacional, dentre os quais destaco o III Encontro sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí; o VII Encontro de Línguas e cultura Macro-Jê; o Simpósio Nacional de Letras e Linguística e o Simpósio Internacional de Letras e Linguística, promovido pela Universidade Federal de Uberlândia; a Abralin, dentre outros. Passo a seguir a descrever as principais atividades e os produtos alcançados no período referido acima. 2. Descrição das Atividades 2.1. Encontro Tupí Em relação ao III Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí, buscou-se estimular que os membros apresentassem os resultados apurados das pesquisas em tornos dos temas escolhidos em encontros anteriores, dentre os quais destacamos: (a) a troca de experiências entre pesquisadores das áreas da linguística, antropologia, genética e arqueologia, que desenvolvem pesquisas sobre línguas e culturas desses povos; (b) a realização de um balanço sobre o estado da arte do conhecimento científico sobre povos Tupí, que constituem um dos mais diversificados grupos linguísticos genéticos da América do Sul, cujas dez famílias linguísticas se situam no Brasil, sendo que nove delas exclusivamente neste país (encontro de 2014); (c) a concretização de mais um espaço para debate e divulgação dos trabalhos sobre línguas e culturas indígenas brasileiras; (d) a troca de experiências entre pesquisadores de diversas instituições brasileiras e entre estes e pesquisadores de universidades estrangeiras que desenvolvem pesquisas sobre povos Tupí. Trinta e cinco dos quarenta trabalhos apresentados e debatidos durante o I Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí foram reunidos em forma de livro, o qual acaba foi editado conjuntamente pela editora Curt Nimuendajú, de Campinas, SP, em volume de 468 páginas, sob o título Línguas e Culturas Tupí I. Desses trinta e cinco trabalhos, doze são resultados de pesquisas antropológicas e vinte e dois de pesquisas lingüísticas. Somam-se a esses trabalhos, um artigo de Marília Facó Soares que faz um balanço do Encontro e discute a contribuição dos demais artigos para o avanço do conhecimento científico das línguas e culturas Tupí, e homenagens a duas pesquisadoras brasileiras, a antropóloga Carmen Junqueira e a lingüista Lucy Seki. Vinte dos cinquenta e cinco trabalhos apresentados e debatidos durante o II Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí foram reunidos em forma de livro, o qual encontra-se no prelo, em edição conjunta com a editora Curt Nimuendajú, de Campinas, SP, em volume de 300 páginas, sob o título Línguas e Cultural Tupí II. As conferências desse encontro já foram publicadas nos números I e II do volume 1 da Revista Brasileira de Linguística Antropológica, lançada em dezembro de 2009. O III Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí foi pensado na mesma perspectiva dos dois encontros anteriores, mediante o privilegiamento da cooperação interdisciplinar para o enriquecimento das pesquisas e o reconhecimento do progresso nesse campo, terá como meta principal promover o diálogo e a cooperação entre pesquisadores de diferentes áreas, não só no nível acadêmico, mas também na aplicação dos resultados de suas pesquisas em benefício do fortalecimento das línguas, culturas e integridade física, psíquica e social dos povos estudados. Os objetivos específicos dos encontro sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí são os de: (a) promover o contato essencial dos pesquisadores que descrevem as línguas e as culturas dos povos Tupí, estimulando a cooperação multidisciplinar entre eles; (b) promover a discussão e divulgação dos resultados das pesquisas em andamento e com contribuição efetiva para o avanço do conhecimento científico sobre os povos Tupí; (c) promover a cooperação de pesquisadores das diferentes áreas em projetos de educação voltados para o fortalecimento de línguas e culturas Tupí ameaçadas de extinção; (d) promover a participação ativa, no Encontro, de lideranças Tupí que têm contado com a colaboração de pesquisadores reunidos neste encontro; (e) estimular a participação de jovens pesquisadores (de iniciação científica, mestrandos e doutorandos) nos debates e em intercâmbio com especialistas de outras universidades. Os trabalhos apresentados no III Encontro sobre Línguas e Culturas dos Povos Tupí, realizado em 2010, foram publicados no livro Línguas e Culturas Macro-Jê 2 e Línguas e Culturas Tupí 3. A lista completa dos títulos dos artigos acompanhados por seus respectivos autores é apresentada a seguir: Edmundo Antonio Peggion. Antropologia, psicanálise e compromisso: uma homenagem a Waud Kracke. Marília Facó Soares. I. Homenagem a Márcia Damaso Vieira. Ana Suelly Arruda Câmara Cabral e Jorge Domingues Lopes. II. Homenagem a Márcia Damaso Vieira. Felipe Ferreira Vander Velden. Banhos de sangue: relatos Karitiána de guerras, canibalismo e troféus humanos. Estêvão Rafael Fernandes. Educação, corporalidade e cosmologias indígenas: algumas ponderações a partir dos Xavante. Marcia Damaso Vieira. A contribuição das línguas indígenas brasileiras para a teoria da gramática. Ludoviko dos Santos. Verbos de forma longa e nomes em Suyá. Eduardo Rivail Ribeiro. Prefixos relacionais como evidência históricocomparativa: os casos Chiquitano e Jabutí. Fábio Bonfim Duarte e Isadora Maria de Barcelos Silva. O estatuto do caso ergativo em línguas Jê: uma abordagem formal. Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, Aryon Dall’Igna Rodrigues e Eliete de Jesus Bararuá Solano. “Nós somos pele”: o desenvolvimento de um pronome “nós” em Araweté. Fábio Bonfim Duarte e Quesler Fagundes Camargos. Núcleos causativos na língua Tenetehára: natureza dos complementos selecionados por CAUSE. Carlos Sandro de Oliveira Campos. Considerações sobre a língua usada nos cantos Maxakalí. Marci Fileti Martins. Classes de palavras no Mbyá: há na língua uma classe independente de adjetivo? Maria Sueli Ribeiro da Silva. A morfossintaxe do dialeto paulista do Kaingáng da aldeia Icatu: um estudo descritivo funcional. Talita Rodrigues Silva. A presença pela ausência: cadê o verbo cópula do Pykobjê-Gavião (Timbíra)? Pierric Sans. Is nasality an autosegmental feature in Bésɨro (a.k.a. Chiquitano)? Wilmar da Rocha D’Angelis. Fonologia da língua dos Coroados da Aldeia da Pedra (RJ). Francisco Edviges Albuquerque. Reflexões sobre a Fonologia da Língua Apinayé. Cinthia Neves, Gessiane Picanço e Marília Ferreira-Silva. Análise acústica das vogais orais da língua Parkatêjê. Cristovão Teixeira Abrantes e Edinéia Aparecida Isidoro. Uma análise sociolinguística do Projeto Açaí: a formação dos professores Tupí-Mondé de Rondônia, percepções e temperamento linguístico. Eliane Pereira Machado Soares e Carmélia Gonçalves Farias. Notas sobre a situação sociolinguística da comunidade indígena Kyikatêjê Amtàtí. Áustria Rodrigues Brito. Reflexões sobre práticas pedagógicas e formação dos professores de uma escola indígena do sudeste do Pará. Severina Alves de Almeida e Francisco Edviges Albuquerque. A educação escolar intercultural Apinayé: um olhar para o “professor bilíngue”. 2.2. Encontro Macro-Jê Em relação aos encontros Macro-Jê, o primeiro encontro, criado a partir da iniciativa do Prof. Ludoviko Santos, que foi também o seu organizador, chamou-se o 1º Encontro de Pesquisadores de Línguas Jê e atendeu a um crescente sentimento, entre pesquisadores de línguas indígenas brasileiras da família Jê, da necessidade de reunir-se para trocar informações e partilhar análises sobre aspectos comuns às línguas com que trabalham. Do encontro, realizado nas dependências da Universidade Estadual de Londrina (Londrina, PR) nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2001, participaram 19 linguistas e um arqueólogo de 9 universidades brasileiras. Na sessão final desse encontro, definiu-se que era importante garantir sua continuidade. O Prof. Wilmar da Rocha D’Angelis aceitou organizá-lo no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, que em 2002 estaria comemorando seus 25 anos. Em função da importante participação também de pesquisadores de línguas não-Jê do tronco Macro-Jê, decidiu-se que, na sua continuidade, o encontro seria voltado aos pesquisadores de línguas de todo o tronco Macro-Jê, com a sugestão de chamar-se, então, 2º Macro-Jê. Do primeiro encontro, com apoio do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da UEL que o sediou, decidiu-se publicar o livro Línguas Macro-Jê: estudos vários. Em decorrência da greve ocorrida naquela universidade, o lançamento deste livro só foi possível durante o 2º Macro-Jê. Por fim, no 1º Línguas Jê também foi deliberado reunir informações organizadas por vários pesquisadores para a publicação de uma Bibliografia Macro-Jê, isto é, uma bibliografia unificada dos estudos sobre línguas do tronco Macro-Jê. Essa tarefa foi concretizada graças ao empenho do Prof. Wilmar da Rocha d’Angelis e da doutoranda Carla Cunha, com a colaboração do Prof. Aryon D. Rodrigues. O 2º encontro Macro-Jê realizou-se no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP, sob a coordenação do Prof. Wilmar da Rocha D’Angelis. Nesse encontro foram lançadas três publicações: a revista LIAMES - Línguas Indígenas Americanas e os livros Línguas Jê, Estudos Vários, organizado por Ludoviko dos Santos & Ismael Pontes e Bibliografia das Línguas Macro-Jê, organizado por W. R. D´Angelis, C. M. Cunha & A. D. Rodrigues. A programação acadêmica incluiu duas conferências, cinco mesas redondas e três sessões de comunicações, com a participação de 21 lingüistas e três antropólogos. O 3° Encontro encontro Macro-Jê (EMJ.3) foi promovido pelo Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília e organizado pelos Professores Aryon Dall’Igna Rodrigues e Ana Suelly Arruda Câmara Cabral. Como nos dois encontros anteriores (Londrina 2001 e Campinas 2002), reuniu-se um número significativo de lingüistas que desenvolvem pesquisas com línguas do tronco lingüístico Macro-Jê, assim como outros pesquisadores interessados nas línguas e culturas dos povos Macro-Jê, para a apresentação e discussão de seus estudos. Participaram do evento além de professores e pesquisadores doutores estudantes de pós-graduação e de iniciação científica. O 4º Encontro Internacional sobre Línguas e Culturas Macro-Jê realizou-se na Universidade Federal de Pernambuco (Recife, PE), nos dias 3, 4 e 5 de novembro de 2005, sob a coordenação da Profa. Dra. Stella Telles. Nesse encontro foi lançado o livro Coletânea Axéuvyru, organizado por S. Telles. A programação do evento incluiu seis conferências, nove sessões coordenadas, além de duas homenagens, com a participação de 27 lingüistas, 11 historiadores e 5 antropólogos. O V Encontro Macro-Jê foi realizado em São Paulo, na USP, em maio de 2005, sob a organização de Rozana de Sá Amado. O VI Encontro Macro-Jê ocorreu de 12 a 14 de novembro de 2008 na Universidade Federal de Goiás e foi organizado pelos Professores Silvia Braggio e por Sinval Martins de Sousa Filho. Por fim, o VII Encontro Macro-Jê ocorreu de 18 a 20 de outubro de 2010 na Universidade de Brasília e foi organizado pela Professora Ana Suelly Cabral. Contou com o apoio do Laboratório de Línguas Indígenas e do Departamento de Lingüística da UNB 3. DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA Durante o período de 2010 a 2012, o GT procurou-se promover a produção de livros e de artigos em revistas científicas e em anais de congressos. Arrolo a seguir a produção mais relevante apurada no período. Soares, Marilia Facó e Duarte, Fábio Bonfim (Org) Revista Estudos da Linguagem Número Temático dedicado a Línguas Indígenas Brasileiras, 2010. Cabral, Ana Suelly Arruda Cabral (Org.); Duarte, Fábio Bonfim (Org.); Rodrigues, Aryon (Org.). Línguas e Culturas Tupí. 1. ed. Campinas: Curt Nimuendajú, 2010. v. 1. 195p. Cabral, A. S. A. C. (Org.); Rodrigues, A. D. (Org.) ; LOPES, J. D. (Org.); JULIÃO, Risoleta (Org.). Línguas e Culturas Tupí volume 3 e Línguas e Culturas MAcro-Jê 2. Brasília/Campinas: LALI/Curt Nimuendajú, 2011. v. 1. 343p . Publicações em anais do Sillel/UFU; Abralin, Anpoll. 4. Atividades administrativas Por fim, cabe destacar que o GT participou em reuniões intermediárias, que, em geral, são promovidas pela diretoria da ANPOLL antes do encontro principal. Procuramos ainda incentivar a participação dos membros do GT em outras associações nacionais, tais como o SILEL, Abralin, Assel-RJ, dentre outras. Professor. Doutor Fábio Bonfim Duarte – Coordenador Professora. Dra. Dulce Franceschini– Vice-coordenadora Lista dos e-mails dos membros atuais Dulce Franceschini ([email protected]) Wellington Quintino - [email protected]; Gean Damulakis- [email protected]; Jaqueline Peixoto- [email protected]; Suelli Aguiar - [email protected]; Sanderson - [email protected]; Ana Suelly Cabral- [email protected]; Aryon Rodrigues- [email protected]; Fernão Orphão - [email protected]; Tania Clemente- [email protected]; Isadora Barcelos- [email protected]; Beatriz Carreta - [email protected]; Leia de Jesus- [email protected]; Marília Facó - [email protected]; Angel Corbera- [email protected]; Selmo Apontes- [email protected]; Márcia Damaso - [email protected]; Rogério Vicente- [email protected]; [email protected]; Sílvia Braggio - [email protected]; Sinval Filho - [email protected]; Sueli Aguiar - [email protected]; Quesler Fagundes Camargos - [email protected]>