4 Quinta-feira, 29 de março de 2012 ECONOMIA COMBUSTÍVEIS Governo deixa de arrecadar mais de R$ 10 bi em Cide Lu Aiko Otta Da Agência Estado Nos últimos seis anos, o governo já deixou de arrecadar pelo menos R$ 10,6 bilhões em Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) dos combustíveis. O dado consta de levantamento feito pela Receita Federal, obtido pela Agência Estado. O resultado da arrecadação federal mostra que o total arrecado com a Cide caiu 40,8% em fevereiro, na comparação com o igual mês do ano passado. O governo federal tem baixado as alíquotas da Cide para evitar a alta dos preços dos combustíveis nas bombas. O preço do petróleo vem subindo no mercado internacional e o governo prefere reduzir a contribuição para evitar o repasse da alta para o preço final dos derivados, como forma de reduzir a pressão sobre a inflação. Em outubro do ano passado, por exemplo, o valor do tributo caiu de R$ 0,192 por litro para R$ 0,091 por litro. Para o óleo diesel, a queda foi de R$ 0,07 por litro para R$ 0,047 por litro Esses cortes vigoram até o final de junho próximo. Na ocasião, o Ministério da Fazenda informou que o objetivo da medida era amenizar as flutuações dos preços internacionais do petróleo. Assim, o corte na Cide buscou manter estáveis os preços ao consumidor. Exagero - “Isso faz sentido em parte”, comentou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires. “A Cide foi criada para isso: não transferir da noite para o dia os impactos do mercado internacional”. No entanto, ele avalia que há exagero no uso do tributo. “O ideal seria ter um mix entre Cide e política de preços”. Pires lembra que o preço do barril do petróleo já foi a US$ 150, caiu para US$ 100, mas “continua tudo igual”. Não por acaso, a nova presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, já pediu ao governo autorização para elevar o preço da gasolina, segundo revelou ao Estado o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista publicada no último domingo. Ele acrescentou que a questão está sendo analisada. Ao longo do ano passado, o então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, havia pressionado sem sucesso por um reajuste no preço dos combustíveis. Segundo Lobão, o atual comportamento da inflação permite que o governo veja o pedido de outra forma. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) prevê reajuste zero para os preços da gasolina e do gás de cozinha para 2012. ABEGÁS Demanda por gás aumenta 3,79% Luciana Collet Da Agência Estado O consumo de gás natural no Brasil registrou crescimento de 3,79% em fevereiro, na comparação com igual mês do ano passado, para uma média diária de 49,287 milhões de metros cúbicos (m3), segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás). Entre as classes de consumo, destaque para setor residencial, que apresentou expansão de 39,82%, para 826,3 mil metros cúbicos por dia (m3/dia). Já o segmento comercial cresceu 4,63%, para 665,5 mil de m3/dia, enquanto as indústrias consumiram 0,83% mais, totalizando 29,064 milhões de m3/dia, representando 58,97% do consumo total de gás natural no segundo mês do ano. Destaque, ainda, para o aumento do consumo das termelétricas, de 17,07%, para 9,418 milhões de m3/dia, enquanto o consumo para cogeração caiu 7,1%, para 3,008 milhões m3/dia e o segmento automotivo registrou queda de 1,18%, para 5,34 milhões de m3/dia. Comparando-se com a demanda registrada em janeiro, o crescimento também é expressivo, de 10,36%, com todos os setores apresentando expansão do consumo: cogeração (1,08%), comercial (3,01%), automotivo (3,26%), industrial (4,05%), residencial (16,51%) e geração elétrica (49,68%). JUÍZO DE DIREITO DA 05ª VARA CÍVEL DO MÉIER - RJ EDITAL DE 1ª, 2ª PRAÇA E INTIMAÇÃO, com prazo de 05 dias, extraído dos autos da ação proposta por CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO PRÍNCIPE FERNANDO em face de ESPÓLIOS DE JOÃO ALVES NUNES e ISABEL FERREIRA NUNES (2004.208.014527-4): A Dra. CRISTINA GOMES CAMPOS DE SETA, Juíza de Direito, faz saber aos ESPÓLIOS-DEVEDORES, de que no dia 03/04/12, às 13h, no Átrio do Fórum do Méier, na Rua Aristides Caire nº 53, Méier/RJ, pelo Leiloeiro Público Rodrigo da Silva Costa, será apregoado e vendido a quem mais der acima da avaliação, ou no dia 17/04/12, no mesmo horário e local, a quem mais der independente da avaliação, o imóvel: Apto 101, Rua Abolição, nº 77, Abolição/ RJ. Avaliado em R$ 49.328,10; registrado no 6º RI, onde consta: Hipoteca a favor da CEF; Penhora da 12ª VFP/RJ, ação movida pela Prefeitura do RJ. Há débitos de IPTU, no valor de R$ 598,95, mais acréscimos legais. Arrematação à vista ou a prazo em até 15 dias mediante caução idônea, acrescido de 5% de comissão ao Leiloeiro, 0,25% de ISS e custas. RJ, 07/02/12. Eu, Renata Moraes Rabelo, responsável pelo expediente, o fiz datilografar e subscrevo. Dra. Cristina Gomes Campos De Seta – Juíza de Direito. FÁBRICA DE ESCOVAS SUISSA S.A. CNPJ/MF nº 33.236.027/0001-37 - NIRE nº 33 3 0009270-6 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA. Data, Hora e Local: 15/03/2012, às 18h, na sede social, na Rua Bandeira de Gouveia, 81, Rocha, Rio de Janeiro/RJ, reuniram-se em AGE, os Acionistas da Fábrica de Escovas Suissa S.A.. Convocação: Dispensada, face a presença de todos os Acionistas, nos termos §4º, do Art. 124 da Lei 6.404/76 , o qual deverá deliberar sobre a seguinte Ordem do Dia: 1. Destituição do Diretor de Produção. Mesa: Presidente: Sr. João Luiz Balbi de Rezende, Diretor da Sociedade, e Secretário: Sr. Carlos José de Moura Rezende. Presença: Acionistas representando a totalidade do Capital Social com direito a voto, conforme assinaturas no Livro de Presença. Deliberações: 1. De acordo com a Ordem do Dia foram apreciados e aceitos pelos acionistas presentes, a destituição do Diretor de Produção o Sr João Luiz de Moura Rezende, brasileiro, natural do Rio de Janeiro/RJ, industrial, casado, residente e domiciliado à Rua Guilhermina Guinle, 170/202, RJ, RG 05846544-4 - IFP, CPF 690.84l.577-53, ficando o Sr. João Luiz Balbi de Rezende, brasileiro, natural de Campos, RJ, industrial, casado, residente e domiciliado à Rua Machado de Assis, l3/201, RJ, RG 057.444-0, Diretor Administrativo-Financeiro acumulando o cargo de Diretor de Produção, até posterior deliberação, ficando desde já empossado. Encerramento: Nada mais havendo a tratar e ninguém desejando fazer uso da palavra, o Sr. Presidente deu por encerrada a Assembléia, tendo antes esclarecido que em todas as votações foram feitas com unanimidade dos presentes, deixando de votar os legalmente impedidos. A seguir o Sr. Presidente determinou a lavratura da presente Ata que, depois de lida e achada conforme, foi aprovada e assinada por todos os Acionistas presentes: João Luiz Balbi de Rezende; Maria José de Moura Rezende; Carlos José de Moura Rezende; João Luiz de Moura Rezende; Paulo Cézar Balbi de Rezende; José Carlos Balbi de Rezende. Esta Ata é cópia da que foi lavrada no Livro das Assembléias Gerais. Rio de Janeiro, 15/03/2012 . João Luiz Balbi de Rezende, Presidente; Carlos José de Moura Rezende, Secretário. Jucerja nº 2306657, em 23/03/2012. Valéria G.M. Serra - Secretária Geral. VISITA Brasil e África do Sul querem banco para Brics Dilma e Zuma concordam com criação de instituição para financiar infraestrutura Tânia Monteiro Enviada especial da Agência Estado A criação de um banco de financiamento exclusivo para os países dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que funcionaria como opção de financiamento de projetos de infraestrutura, foi o tema da reunião bilateral entre o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e a presidente Dilma Rousseff, ontem. Ambos concordam que a criação serviria para suprir a limitação investi- mento que existe hoje no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI), relatou o porta-voz da presidente Dilma, Thomas Traumann. Zuma acredita que o banco possa já ser criado na próxima reunião dos Brics, na África do Sul, no ano que vem, para financiar projetos de desenvolvimento para os cinco integrantes do grupo, informou ainda o porta-voz. “A presidente concordou e eles vão discutir e aprofundar a questão com os outros países na reunião (dos Brics des- ta quinta-feira)”. Traumann acrescentou que Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul podem receber financiamentos com características diferenciadas. Não foi revelada, no entanto, qual seria a proposta de composição do capital. Dilma e Zuma comemoraram ainda a vitória da concessionária sul-africana ACSA que, em parceria com a Invepar (empresa de infraestrutura dos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa) e Petros (Petrobras), em sociedade com a constru- tora OAS), venceu o leilão do aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo. “Este é um grande exemplo de como podem ser os nossos projetos, ou seja, como podem ocorrer novas oportunidades de parcerias, projetos e infraestrutura, como construção de estradas, aeroportos, barragens e usinas hidrelétricas”, teria declarado Zuma, conforme relato do porta-voz brasileiro. O encontro foi realizado no hotel Taj Palace, onde a delegação brasileira está hospedada e durou 50 minutos. Dilma quer mais cooperação com a Índia Karla Wathier e Renata Giraldi Da EBC As autoridades da Índia serão as primeiras na Ásia a formalizar parceria com o Brasil no programa Ciência sem Fronteiras, lançado em julho de 2011, e que pretende enviar para o exterior, em quatro anos, 75 mil estudantes – desde alunos de graduação até cientistas com pós-doutorado. A presidente Dilma Rousseff elogiou ontem os avanços conquistados pelos indianos em ciência, tecnologia e inovação. “Os brasileiros admiram a capacidade da Índia de combinar valores milenares com avanços notáveis em ciência, tecnologia e inovação”, disse Dilma, que foi homenageada com título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Delhi, uma das mais tradicionais da Índia. Segundo a presidente, em breve, o Brasil receberá pesquisa- Durante discurso ao receber o título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Delhi, presidente elogia avanços conquistados pelos indianos em ciência, tecnologia e inovação dores indianos que integrarão o programa Ciência sem Fronteiras. Dilma disse que espera ampliar para 100 mil o número de estudantes brasileiros enviados ao exterior, nos próximos quatro anos. Dilma lembrou também que Brasil e Índia mantêm parcerias nas áreas de tecnologia, petróleo, gás e petroquímica. A ideia é ampliar ainda mais a cooperação entre as duas nações. Ela também pretende aumentar a parceria com a China, África do Sul e Rússia. ONU - Em seu discurso, a presidente defendeu reformas do Conselho de Segurança da ONU e das instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Dilma disse que Brasil e Índia querem um sistema internacional “mais democrático”. “O Brasil e a Índia compartilham o desejo de construir um sistema internacional mais democrático, enraizado no direito internacional, voltado para a cooperação e a paz”, afirmou. Os líderes dos países que compõem o Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – querem a ampliação nos assentos permanentes Conselho de Segurança da ONU e das instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. Para o Brics, a economia sólida e em crescimento dos países do bloco deve ser considerada para essas mudanças sugeridas nos órgãos internacionais. No discurso, a presidente reiterou ainda que o Brasil apoia as negociações pacíficas na busca por acordos em regiões em crise, como a Síria e o Afeganistão, sem a ingerência de forças e pressão estrangeiras. Segundo ela, Brasil e Índia são contrários às ações unilaterais e autoritárias. A afirmação é uma resposta à pressão dos Estados Unidos e da União Europeia em relação ao tema. “(O Brasil e a Índia) rejeitam as ações unilaterais e doutrinas que enfatizam o uso da força”, disse a presidente. Segundo Dilma, brasileiros e indianos são favoráveis à busca pelo consenso e ao multilateralismo. AVIAÇÃO Embraer poderá participar de nova licitação nos EUA Clarissa Mangueira Da Agência Estado* A Embraer planeja participar da reabertura de uma licitação dos Estados Unidos para 20 aviões de suporte aéreo leve após o contrato obtido pela fabricante de aviões brasileira e a companhia norte-americana Sierra Nevada Corp. ter sido cancelado no início desde ano, afirmou o executivo-chefe da unidade de defesa e segurança da Embraer, Luis Carlos Aguiar. Em dezembro, os EUA concederam um contrato de US$ 355 milhões para 20 aeronaves AT-29 Super Tucano da Embraer, como parte de seus planos para armar o Exército afegão. Mas a Força Aérea dos EUA afirmou em fevereiro que não estava “satisfeita” com a documentação e anunciou uma revisão do contrato após uma ação legal da rival americana Hawker Beechcraft Corp. “Nós vamos participar, se eles mantiverem os mesmos requisitos. Nós não vemos razão para eles mudarem os requisitos, mas se fizerem isso nós ainda não sabemos qual será a nossa posição”, afirmou Aguiar durante o 17ª feira bianual FIDAE Air and Space Show, em Santiago, no Chile. O executivo disse que o cancelamento do contrato não afetou os negócios para a divisão de defesa. “(O contrato) foi cancelado após ter sido concedido. Na verdade, nós recebemos mais pedidos depois disso. Nós ganhamos, nós fomos os melhores.” As receitas da Embraer Defesa e Segurança deverá alcançar entre US$ 900 milhões e US$ 950 milhões neste ano, enquanto a receita total da companhia deverá ficar entre US$ 5,8 bilhões e US$ 6,2 bilhões. Até 2020, a unidade representará 25% do total das receitas, ante 15% atualmente. Uma valorização do real em relação ao dólar ajudará a Embraer Defesa e Segurança, tendo em vista que 65% dos contratos da unidade são na moeda local. Segundo Aguiar, o volume grande representa exatamente um hedge (proteção) natural para a empresa como um todo. “Nós vamos criar um hedge natural para a Embraer, mas nós precisamos vender mais para ajudar a companhia como um todo. Nós necessitamos cerca de US$ 600 milhões em vendas locais para ter um hedge natural”, destacou o executivo. Aguiar definiu 2012 como um ano de consolidação para a divisão, na qual a companhia planeja reunir todas as empresas compradas desde o seu início em 2011 para oferecer soluções integradas aos seus clientes. Os principais mercados nos quais a Embraer Defesa e Segurança pretende se concentrar incluem a América Latina, Sudeste da Ásia, África e Oriente Médio, acrescentou Aguiar. *Com agência Dow Jones. China abre espaço para jatos executivos Cláudia Trevisan Correspondente da Agência Estado em Pequim O número de jatos executivos nos céus da China aumentou em 45,3% no ano passado, depois de anos de baixo crescimento. Mesmo com o salto, o país tinha apenas 109 aeronaves desse tipo no fim de 2011, comparadas a 10 mil nos Estados Unidos, mas as autoridades de Pequim começam a dar os primeiros passos para mudar as regras que restringem a expansão do mercado - o que potencialmente beneficia a brasileira Embraer. O diretor da Administração de Aviação Civil da China, Xia Xinghua, disse durante uma feira do setor realizada em Xangai que o governo vai diminuir o prazo para aprovação de licenças de empresas que oferecem voos em jatos executivos, bem como dos planos de voo apresentados pelos pilotos. Atualmente, a obtenção do sinal verde para decolagens pode demorar dias, o que acaba reduzindo os benefícios oferecidos por aviões particulares. Segundo Xia, a intenção do governo é fixar um prazo máximo de três dias para aprovação dos planos de voo, o que ainda é elevado quando comparado a padrões internacionais, pelo quais o consentimento é dado em horas. Além disso, deverá aumentar o número de empresas que oferecem aluguel de jatos executivos. No ano passado, existiam apenas nove em todo o país. Agora, há 48 pedidos de licença à espera de aprovação do governo, mas apenas 30 devem ser constituídas nos próximos três anos por razões de segurança, disse Xia. Outro empecilho à expansão do setor é a falta de infraestrutura. Apenas 180 aeroportos do país permitem o pouso e decolagem de jatos particulares, enquanto nos Estados Unidos o número chega a 15 mil. Com o maior número de bilionários do mundo depois dos Estados Unidos, a China tem um enorme mercado potencial, mas seu desenvolvimento é limitado por um estrito controle do espaço aéreo, falta de infraestrutura e regulação desfavorável. Mercado - Apesar das restrições, o cenário começa a mudar lentamente. A Embraer já vendeu 22 jatos executivos no país, 18 dos quais no ano passado, em contratos que somam cerca de US$ 800 milhões, segundo o presidente da companhia na China, Guan Dongyuan. Do total, cinco foram entregues até agora. “Nossa previsão é de que, nos próximos dez anos, a China terá mais 635 jatos executivos, no valor total de US$ 21 bilhões”, disse Guan à reportagem, sem revelar quanto desse mercado a Embraer espera abocanhar. O número é semelhante às aeronaves do tipo existentes hoje no Brasil. Todos os jatinhos vendidos pela Embraer à China serão produzidos no Brasil, e não na fábrica que a companhia tem na cidade de Harbin em conjunto com a estatal Avic, onde antes eram montados aviões ERJ-145, para 50 passageiros. Durante visita da presidente Dilma Rousseff ao país em abril de 2011, as duas empresas decidiram adaptar a planta para fabricação de jatos Legacy. Mas, passado quase um ano, a produção ainda não começou. Segundo Guan, os funcionários estão em treinamento e a linha de montagem está em fase de aprovação.