4 Opinião - [email protected] O Estado do Maranhão - São Luís, 6 de abril de 2014 - domingo OESTADOMaranhão SECRETÁRIO DE REDAÇÃO: ADEMIR SANTOS - [email protected] COORDENADOR DE REDAÇÃO: CLÓVIS CABALAU - [email protected] COORDENADOR DE REPORTAGEM: DANIEL MATOS - [email protected] DIRETOR DE REDAÇÃO: RIBAMAR CORRÊA “O Maranhão é uma saudade que dói e não passa. Não o esqueço um só dia, um só instante. É amor demais. Maranhão, minha terra, minha paixão.” DIRETOR COMERCIAL: GUSTAVO ASSUMPÇÃO José Sarney FUNDADORES: JOSÉ SARNEY E BANDEIRA TRIBUZI PRESIDENTE: TERESA SARNEY Editorial Senado, memória, motos e carne A política praticamente domina a presente edição. Primeiro pelo primeiro desdobramento da decisão da governadora Roseana Sarney (PMDB) de não renunciar para disputar cadeira no Senado e permanecer no cargo até o último dia, e segundo pela republicação de entrevista histórica do senador José Sarney (PMDB) sobre o Golpe Militar de 1964, divulgada em caderno especial do jornal O Estado de S. Paulo, na edição de 30 de março. A edição traz também uma série de informações de peso, entre elas a retomada da exportação de carne bovina pelo Maranhão e o aumento crescente do número de motocicletas em São Luís e as consequências desse fenômeno. Ao dar uma surpreendente demonstração de maturidade e desprendimento políticos, com a decisão de não concorrer ao Senado, numa eleição em que entraria como franca favorita, a governadora Roseana Sarney abriu caminho para uma disputa saudável dentro do seu grupo, entre o ex-ministro do Turismo, deputado federal Castão Vieira (PMDB), e o suplente de senador no exercício do mandato Lobão Filho (PMDB). Os dois estão estimulados. Gastão, com movi- rou e matou adversários. E relata também como mentos discretos, mas determinado a chegar à se transformou no grande articulador e conducondição de candidato a senador; Lobão Filho tor da transição para a democracia na condição mostrando-se disposto a entrar na disputa in- de presidente da República. Apenas dois ex-cheterna e na corrida às urnas embalado pela sua fes de Estado foram escolhidos por O Estadão atual condição de senador, na qual vem dando para falar sobre o assunto: José Sarney e Fernandemonstrações de talento político. O fato é que, do Henrique Cardoso. A cada resposta, Sarney qualquer que seja a se revela o homem de decisão do PMDB, Estado consciente do A cada resposta, Sarney terá um candidato seu papel na História se revela o homem de competitivo e em do país nos últimos condições de venEstado consciente do seu 50 anos. cer a disputa nas urA edição traz tampapel na História do país bém uma informação nas de outubro. A entrevista do importante e que resnos últimos 50 anos senador José Sarney ponde, em boa medisobre o Golpe de da, indagações para 1964 e todos os seus desdobramentos, publicada um dos maiores problemas da mobilidade de hono final de março pelo jornal O Estado de S. Pau- je em São Luís: a frota de motocicletas. São qualo, é um marco. Nela, o senador fala do seu apoio se 100 mil circulando numa cidade onde os espaao movimento militar no primeiro momento e ços são cada vez mais restritos, já que a Prefeitudas suas relações tensas com o regime quando ra Municipal não investe forte na ampliação da ele se transformou numa ditadura que tirou as malha viária. Veículo de transporte eficiente, coliberdades do país e perseguiu, prendeu, tortu- mo mostram muitos países onde elas dominam Cabral Sobe-Desce Gisele Bündchen não foi o centro das atenções apenas no Parque Cândido Portinari, onde desfilou pela Colcci na noite de quarta-feira, durante o São Paulo Fashion Week. A top também foi destaque no Twitter e se tornou o assunto mais comentado do evento na rede social. Israel é o primeiro país do Oriente Médio a condenar um ex-primeiro-ministro por corrupção. O crime foi cometido durante a gestão de Ehud Olmert quando era prefeito de Jerusalém, há mais de dez anos. Ele, a secretária e outro funcionário "facilitaram" a construção de um gigantesco conjunto habitacional. Um dia como hoje 6 de abril 1815 1998 1199 Napoleão Após a invasão da Rússia em 1812, o exército de Napoleão sofreu severas baixas nunca supridas. Um ano depois, a Sexta Coalizão, o derrotou em Leipzig, forçando Napoleão a abdicar e se exilar na ilha de Elba.... Rei Morre Ricardo I, conhecido omo "Coração de Leão" ou "Cœur de Lion" antes mesmo de sua ascensão ao poder, Ricardo I (1157-1199) reinou na Inglaterra entre 1189 a 1199. Aos 16 anos, Ricardo já comandava seu próprio exército. Tratado A França e o Reino Unido ratificam o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, para impedir o desenvolvimento dessas armas. Para vigir, são necessárias as assinaturas dos 44 países da Conferência de Desarmamento. Pichação ao patrimônio alheio JOSÉ CARLOS SOUSA SILVA Há muitas pessoas andando nas ruas, nas praças, nas estradas e destruindo, inutilizando ou deteriorando coisas alheias. Este fato pode ser considerado típico, antijurídico e culpável, portanto, crime de dano contra o patrimônio. Assim, está definido no artigo: 163 do Código Penal: "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena- detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa". Tal dispositivo do Código Penal brasileiro tem como objetividade jurídica a tutela do patrimônio, da propriedade das coisas móveis e imóveis. No Brasil já dispomos de jurisprudência firmada por vários Tribunais nos termos seguintes: "Quem picha com tinta spray um muro recém-pintado, no mínimo, inutiliza a pintura e, via de conseqüência, causa prejuízo ao proprietário já que a pintura custa dinheiro. Trata-se, pois, de crime de dano". O elemento subjetivo na prática do referido crime é, sem dúvida, o dolo, isto é, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Há também o denominado dano qualificado, assim explicitado no Parágrafo único do artigo 163 do Código Penal nos termos seguintes: "Se o crime é cometido: I - com violência à pessoa ou grave ameaça; II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constituiu crime mais grave; III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista; IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima. Pena-detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à violência". Esse tipo de crime está também sendo praticado no Brasil muito freqüentemente. Em conseqüencia, muitas pessoas sofrem prejuízos ao seu patrimônio. Devem ser praticadas medidas preventivas a fim de evitar tal prática delituosa contra o patrimônio alheio e que assim atingem diariamente muitas pessoas em nosso país. Os criminosos estão por aí agindo em completa liberdade contra o patrimônio alheio e, em alguns casos, de pessoas pobres e dignas do maior respeito de todos. Os Códigos Penais italiano, suíço, francês, alemão, espanhol, português, japonês,uruguaio, argentino, mexicano e chileno, que pesquisei, têm normas explícitas em proteção ao patrimônio alheio e impõem penas rigorosas aos autores de crime de dano. A pichação aos imóveis alheios no Brasil inteiro está sendo praticada diariamente, o que é, como já demonstrado, um tipo de crime, que deve ser investigado e rigorosamente punidos os seus autores. O povo brasileiro merece respeito e o seu patrimônio em geral deve ser protegido. O pichador é criminoso. Ao seu modo danifica o patrimônio alheio. Faz o que quer e gosta. A sua vítima fica mergulhada no sofrimento e sem proteção de ninguém. Há no Brasil pessoas que somente fazem o bem e, por outro lado, há as que somente fazem o mal. Estas devem ser punidas a fim de que a sociedade possa viver em paz. Sempre li os livros do professor e jurista Nelson Hungria com muita atenção e respeito e num deles comentando o disposto no artigo 163 do Código Penal brasileiro, encontrei esta lição: "Não impede o agente o animus lucrandi, mas o ódio, a vingança, o despeito, a inveja, o capricho, quando não o mero de maldade (vandalismo, e rostratismo, desprêzo pela propriedade alheia)". Esse fato é grave e está acontecendo no Brasil, sob o comando do ódio e da inveja, na pichação do patrimônio alheio, que merece proteção de forma rigorosa e pela tranquilidade de todos. Advogado, jornalista e professor universitário, membro da Academia Maranhense de Letras E-m mail: [email protected] O ESTADO DO MARANHÃO não se responsabiliza por opiniões emitidas nesta seção. Os comentários, análises e pontos de vista expressos pelos colaboradores são de sua inteira responsabilidade. As cartas para esta seção devem ser enviadas com nome, número da carteira de identidade, endereço e, se possível, telefone de contato. Os textos devem ser encaminhados para a Redação em nome do editor de Opinião, avenida Ana Jansen, 200 - Bairro São Francisco - São Luís-MA - CEP 65.076-902 ou para os e-mails: [email protected] ou [email protected], ou ainda pelo fax (098) 3215-5054. o cenário, a moto vira também um grande problema quando é usada sem os cuidados necessários nem a responsabilidade que se exige de um condutor. Consequências: a maior parte dos feridos que dão entrada nos hospitais de primeiros socorros de São Luís são vítimas de acidentes com motos, principalmente o próprio condutor. A situação exige da Prefeitura ações que tornem mais racional e eficiente o uso de motos na capital. A edição também registra que o Maranhão volta a aumentar, progressivamente, a exportação de carne bovina. No último trimestre, foram 570 toneladas para fora do país, um volume que não era registrado desde quando o rebanho bovino, um dos maiores do Brasil, foi afetado pela febre aftosa, que tirou o estado do circuito dos exportadores do produto. Foram anos de vacinação e muitas outras ações para que finalmente fosse declarado área sem risco pelas agências internacionais. A volta da exportação é uma notícia alvissareira e representa o início do fortalecimento de um pilar da economia estadual. Boa leitura. A importância geopolítica dos BRICS MARIO GARNERO O economista-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs, Jim O'Neil, foi o primeiro a chamar a atenção do mundo, em 2001, para quatro países com capacidade de se tornarem potências econômicas em médio prazo. Ele chamou de BRICs o conjunto formado por Brasil, Rússia, Índia e China, que se mostravam como forças econômicas com chances de ocupar espaço cada vez maior no G20, o grupo das 20 maiores economias mundiais. A partir de 2011, já reconhecido pela 61ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o grupo recebeu a adesão da África do Sul e passou a ser chamado de BRICS. Desde então as suas movimentações políticas e diplomáticas passaram a ser discutidas no âmbito dos cinco países. Segundo dados do Itamaraty, em 2003, os quatro países respondiam por 9% do PIB mundial; em 2009 essa participação chegou a 14%, e hoje deve superar a barreira dos 20% das riquezas totais do planeta. Os cinco países são grandes produtores de trigo, soja, minérios e petróleo, além de terem incorporado enormes contingentes de novos consumidores. Na China, mais de 300 milhões de habitantes saíram da pobreza absoluta e, no Brasil, 40 milhões migraram para uma emergente classe média, impulsionando as indústrias automobilística, de eletrodomésticos e eletrônicos, entre outras. Aliás, a ascensão social de suas populações é objetivo comum aos integrantes dos BRICS, dos quais quatro países estão entre as dez maiores economias do mundo. Vale observar que, apesar da crise econômica mundial de 2008, os mercados desses cinco países continuaram crescendo, particularmente o da China. Ainda que modesto, até o Brasil vem apresentando crescimento, mesmo que, entre os BRICS, seja o país de desempenho mais acanhado. No ano passado, o crescimento de apenas 0,9% colocou o Brasil na rabeira dos outros quatro. A China evoluiu 7,8%, seguida por Índia, com 5%, Rússia, com 3,4% e África do Sul, com 2,5%. A previsão de crescimento do PIB dos países membros dos BRICS para 2014 também é desabonadora. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Brasil terá um crescimento de 2,5%, inferior aos dos outros quatro países. A China liderará a lista, com previsão de crescer 7,3%, seguida pela Índia, com 5,1%, Rússia, com 3,4% e África do Sul com 2,9%. Entre as razões para o fraco desempenho de nossa economia frente aos demais membros dos BRICS não é difícil apontar a infraestrutura como o nó górdio a frear as tentativas do Brasil de voar mais alto. Elevada carga tributária e intervenção do Estado, além do chamado custo Brasil, têm inibido o investimento estrangeiro e, como consequência, faltam recursos para alavancar um crescimento econômico sustentável. Nossos concorrentes estão nos ultrapassando. Até o fim dos anos 80, o Brasil, juntamente com o Japão, foi uma das nações que mais se desenvolveu no século XX. Já neste século, o Brasil está na lanterna do crescimento econômico. Estes são alguns dos temas a serem examinados no seminário sobre os BRICS que o Fórum das Américas realizará em Nova York no início de abril, reunindo figuras de destaque do mundo empresarial, político e acadêmico de todo o mundo. O objetivo é que essas reflexões auxiliem e lancem luzes sobre estratégias e mecanismos que influenciem positivamente o desenvolvimento dos BRICS e, particularmente, do Brasil. No jogo da globalização, os países dos BRICS têm hoje um imenso poder de negociação. Juntos, correspondem a 19% do PIB do mundo e cerca de 42% da população mundial. De acordo com a "The Economist", os BRICS foram responsáveis por 55% do crescimento global nos últimos três anos. O clube mostra-se como uma sólida potência, mas, num olhar mais atento há ainda muitas contradições e a necessidade de um contínuo processo de consolidação de posições e realidades. O Brasil, em particular, dá sinais de timidez e fragilidade ao conjunto. É necessário, portanto, reorientar a nossa rota de modo a permitir que o nosso país se posicione na vanguarda deste clube. Presidente do Fórum das Américas