CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO PARANÁ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA
METADADOS: ESTUDO DE SUA APLICAÇÃO NO TRATAMENTO DE
RECURSOS VIRTUAIS E ANÁLISE DE UM PROJETO DO
PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT
LIGIA LEINDORF BARTZ KRAEMER
Dissertação apresentada como requisito parcial à
obtenção do grau de Mestre em Tecnologia, Área
de
Concentração:
Inovação
Tecnológica.
Programa de Pós-Graduação em Tecnologia,
Centro Federal de Educação Tecnológica do
Paraná.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Graça Maria Simões Luz
CURITIBA
2001
LIGIA LEINDORF BARTZ KRAEMER
METADADOS: ESTUDO DE SUA APLICAÇÃO NO TRATAMENTO DE
RECURSOS VIRTUAIS E ANÁLISE DE UM PROJETO DO
PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT
Dissertação apresentada como requisito parcial à
obtenção do grau de Mestre em Tecnologia, Área
de
Concentração:
Inovação
Tecnológica.
Programa de Pós-Graduação em Tecnologia,
Centro Federal de Educação Tecnológica do
Paraná.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Graça Maria Simões Luz
CURITIBA
2001
Kraemer, Ligia Leindorf Bartz
Metadados: estudo de sua aplicação no tratamento de recursos
virtuais e análise de um projeto do Programa Prossiga do IBICT /
Ligia Leindorf Bartz Kraemer. – Curitiba, 2001.
x, 138 f. ; 30cm
Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em
Tecnologia, Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná.
1. Metadados. 2. Sistema de informação. I. Título.
CDD 025.524
Dedico esta produção a meus filhos, Luis
Ricardo e Silvia, como uma mensagem de
responsabilidade e perseverança na busca de
seus ideais.
ii
AGRADECIMENTOS
Ao meu marido Sergio, por todas as palavras e ações que me motivaram a
enfrentar este período com mais coragem e vivacidade.
Aos meus pais, Doris e Paulo, que sempre acolheram a mim e aos meus com
um amor incondicional e souberam me conduzir para a construção de uma vida
pessoal e profissional com ética e humildade.
Aos meus sogros, Rosy e Roberto, pela compreensão nos sobrecarregados
momentos que interferiram na nossa convivência.
À minha querida orientadora Professora Graça Maria Simões Luz, que, com
paciência e dedicação, guiou-me zelosamente pelas rotas do trabalho científico e
mostrou-se sempre confiante nos resultados da pesquisa.
Aos colegas Luiz Fernando Sayão e Vanderley Ortêncio, que, com
entusiasmo, me motivaram e auxiliaram na busca por novos conhecimentos e na
superação das barreiras temáticas.
Aos professores participantes da Banca Examinadora, pelas críticas e
sugestões, oferecendo-me subsídios para a condução do trabalho.
Aos docentes do Departamento de Ciência e Gestão da Informação da UFPR,
especialmente às professoras Helena de Fátima Nunes Silva e Patrícia Marchiori, por
conduzirem o processo de meu afastamento para a conclusão da pesquisa.
Aos meus colegas de turma e amigos que, de alguma forma, contribuíram
com a agregação de conhecimentos e valores humanos durante esta trajetória.
À Deus que, com sua graça, me concedeu vida (corpo, mente e espírito) e me
oferece continuamente recursos sadios para enfrentá-la e desfrutá-la.
iii
É importante mencionar para referência futura que o
poder criativo que brota de forma tão agradável no
início de um novo livro diminui depois de um certo
tempo. Surgem as dúvidas (...) Daí você se torna um
resignado. A determinação em não desistir e uma visão
do resultado final, mais do que qualquer coisa, nos
empurram para a frente.
Virginia Woolf
iv
SUMÁRIO
LISTA DE ILUSTRAÇÕES .........................................................................................
vii
LISTA DE SIGLAS.......................................................................................................
viii
RESUMO.......................................................................................................................
ix
ABSTRACT...................................................................................................................
x
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................
1
2 ABORDAGEM CONTEXTUAL .............................................................................
9
3 METADADOS ..........................................................................................................
25
3.1
CONCEITO ...........................................................................................................
25
3.2
ORIGEM ...............................................................................................................
29
3.3
FUNÇÕES .............................................................................................................
31
3.4
PRODUÇÃO .........................................................................................................
33
3.5
ESTRUTURA........................................................................................................
36
3.6
PADRÕES E MODELOS ......................................................................................
38
3.6.1
Dublin Core........................................................................................................
41
3.6.2
GILS...................................................................................................................
44
3.7
LINGUAGENS DE MARCAÇÃO PARA A DESCRIÇÃO
DE METADADOS ................................................................................................
46
3.7.1
SGML.................................................................................................................
48
3.7.2
HTML ................................................................................................................
50
3.7.3
XML...................................................................................................................
52
3.7.4
RDF....................................................................................................................
54
4 CONSIDERAÇÕES AO TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO...........................
57
4.1
PRODUÇÃO DE METADADOS VERSUS CATALOGAÇÃO .............................
57
4.2
O PRINCÍPIO DA "CATALOGAÇÃO-NA-FONTE"............................................
66
4.3
SOBRE A NORMALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO.............................................
67
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DO ESTUDO DE CASO ..................
69
6 O PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS DO
PROGRAMA PROSSIGA .......................................................................................
72
6.1
O PROGRAMA PROSSIGA .................................................................................
72
6.2
O PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS (BVs) ............................
73
v
6.2.1
Metadados Produzidos ........................................................................................
80
6.2.2
Comparação com o Dublin Core (DC)................................................................
86
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................
89
8 RECOMENDAÇÕES...............................................................................................
93
GLOSSÁRIO.................................................................................................................
95
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 102
FONTES COMPLEMENTARES ................................................................................ 106
APÊNDICE 1 - ELEMENTOS DUBLIN CORE E SUAS
CARACTERÍSTICAS........................................................................ 109
APÊNDICE 2 - ENTREVISTA SOBRE O PROGRAMA PROSSIGA/IBICT ......... 113
ANEXO 1 - EXEMPLO DE UM DOCUMENTO HTML QUE UTILIZA
METADADOS DUBLIN CORE EMBUTIDOS ...................................... 114
ANEXO 2 - EXEMPLO DE APRESENTAÇÃO DE UM RECURSO VIRTUAL
QUE UTILIZA METADADOS GILS ..................................................... 117
ANEXO 3 - PORTAL DO PROGRAMA PROSSIGA NA INTERNET .................... 122
ANEXO 4 - PORTAL DO PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS
TEMÁTICAS, DO PROGRAMA PROSSIGA ....................................... 124
ANEXO 5 - PÁGINA DINÂMICA PRODUZIDA COMO RESULTADO
DE UMA BUSCA NO PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS
TEMÁTICAS DO PROGRAMA PROSSIGA ........................................ 126
vi
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
QUADROS
1 ELEMENTOS DUBLIN CORE, POR CATEGORIA ..............................................................................
41
2 CAMPOS QUE COMPÕEM O BANCO DE DADOS DO PROJETO BIBLIOTECAS
VIRTUAIS TEMÁTICAS, DO PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT....................................................
77
3 CAMPOS PREVISTOS, PORÉM NÃO UTILIZADOS NO BANCO DE DADOS DO
PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS DO PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT,
SEGUNDO O TIPO DE RECURSO DE INFORMAÇÃO.......................................................................
79
4 METADADOS PRODUZIDOS NAS PÁGINAS FRAMESET E FRAMES DAS BIBLIOTECAS
VIRTUAIS TEMÁTICAS (BVs), DO PROGRAMA PROSSIGA, DO IBICT .......................................................
82
5 METADADOS PRODUZIDOS NAS PÁGINAS HTML, QUE NÃO UTILIZAM FRAMESET,
DAS BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS (BVs) DO PROGRAMA PROSSIGA, DO
IBICT.........................................................................................................................................................
83
6 TÍTULOS ATRIBUÍDOS ÀS BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS, SEGUNDO SUA
LOCALIZAÇÃO.......................................................................................................................................
85
7 EQUIVALÊNCIA ENTRE OS METADADOS DO PADRÃO DUBLIN CORE E OS
PRODUZIDOS NO BANCO DE DADOS DO PROJETO BVS..............................................................
87
8 EQUIVALÊNCIA ENTRE OS METADADOS DO PADRÃO DUBLIN CORE E OS
PRODUZIDOS NAS PÁGINAS HTML DO PROJETO BVS .....................................................................
87
FIGURAS
1 EVOLUÇÃO E DERIVAÇÃO DE ALGUMAS LINGUAGENS DE MARCAÇÃO PARA
O TRATAMENTO DE RECURSOS VIRTUAIS.....................................................................................
48
2 EXEMPLO DA LINGUAGEM SGML.....................................................................................................
49
3 EXEMPLO DA LINGUAGEM HTML ....................................................................................................
51
4 EXEMPLO DA LINGUAGEM XML.......................................................................................................
54
5 EXEMPLO DA LINGUAGEM RDF........................................................................................................
56
6 EXEMPLO DE UMA FICHA CATALOGRÁFICA.................................................................................
60
7 EXEMPLO DE UM REGISTRO MARC .................................................................................................
62
8 ESTRUTURA DE UM METADADO EM UM BANCO DE DADOS ....................................................
91
9 ESTRUTURAS BÁSICAS DE UM METADADO EM PÁGINAS HTML .............................................
91
vii
LISTA DE SIGLAS
AACR
- Anglo-American Cataloging Rules
ABNT
- Associação Brasileira de Normas Técnicas
ANSI
- American National Standards Institute
ASCII
- American Standard Code for Information Interchange
ASP
- Active Server Pages
BVS
- Bibliotecas Virtuais Temáticas
C&T
- Ciência e Tecnologia
CERN
- Counseil European pour La Recherche Nucleari
CNPQ
- Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
DC
- Dublin Core
DTD
- Data Type Document
FAPERJ - Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro
GILS
- The United States Federal Government Information Locator Service
GPO
- Government Printing Office
HTML
- Hipertext Markup Language
IBICT
- Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
ISO
- International Organization for Standardization
LCS
- Laboratory for Computer Science
LNCC
- Laboratório Nacional de Computação Científica
MARC - Machine Readable Cataloging
MIT
- Massachusets Institute of Technology
MS
- Microsoft
MS-SQL - Microsoft-Structured Query Language
OCLC
- Online Computer Library Center
PICS
- Platform For Internet Content Selection
RDF
- Resource Description Framework
RNP
- Rede Nacional de Pesquisa
SGML
- Standard Generalized Markup Language
SQL
- Structured Query Language
URL
- Uniform Resource Locator
XHTML - Extensive Hypertext Markup Language
XML
- Extensible Markup Language
W3C
- World Wide Web Consortium
WF
- Warwick Framework
WWW
- World Wide Web
viii
RESUMO
A pesquisa tem por objetivo a identificação dos princípios que regem o uso de
metadados no tratamento de recursos virtuais. Explora as fontes bibliográficas para a
construção de um referencial teórico-conceitual sobre o assunto, definindo e
caracterizando os metadados segundo sua origem, funções, produção, estrutura,
padrões e modelos, e linguagens de formatação. Promove o início de uma reflexão
sobre a concepção e produção de metadados e sua relação com os princípios da
catalogação-na-fonte e o processo de normalização, à luz dos paradigmas histórico e
contemporâneo do tratamento da informação. Por meio de um estudo de caso investiga
o sistema de informação do Projeto Bibliotecas Virtuais Temáticas, vinculado ao
Programa Prossiga, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
(IBICT), descrevendo-o com base na documentação impressa e virtual disponível,
assim como explorando seu site para a identificação dos metadados utilizados. A
análise das dezesseis bibliotecas virtuais que compõem o Projeto permite o
conhecimento de uma realidade na aplicação de metadados, comparando-a com o
padrão Dublin Core. Conclui que os metadados são essenciais para o tratamento de
recursos virtuais na medida em que possibilitam a denominação semântica de seu
conteúdo, sua identificação e recuperação seletiva. Sua utilização com eficácia exige a
adoção de formatos-padrão para a representação da informação e de linguagens de
marcação que permitam uma estruturação semântica e flexível destes formatos.
Recomenda estudos complementares e evolutivos sobre o tema para a garantia de
futuras implementações de sistemas e tecnologias da informação. Um glossário
apresenta a conceituação dos termos e expressões utilizados, segundo seu significado
para a pesquisa. Uma lista de Fontes Complementares contribui com aqueles que se
iniciam no assunto.
ix
ABSTRACT
The present research aims at identifying the metadata use ruling principles concerning
virtual resources processing. It explores bibliographic sources in order to build
theoretical-conceptual references on the subject, thus defining and characterizing
metadata according to their origin, function, production, structure, pattern, model and
format languages. It promotes careful thinking on metadata conception and production
and their relation to the cataloguing in publication data and standardization, from the
viewpoint of information processing historical and contemporary paradigms. By
means of a case study this research investigates the Projeto Bibliotecas Virtuais
Temáticas (Thematic Virtual Library Project) information system, which is linked to
the Programa Prossiga (Prossiga Program) under the Science and Technology
Information Brazilian Institute (IBICT). It also describes such project based on the
available printed and virtual documentation, and explores the project site to identify
the metadata it used. The analysis of the Project sixteen virtual libraries allows us to
know the metadata it really used by comparing them to the Dublin Core pattern. It also
infers that metadata are essential for the virtual resources processing as far as they
make it possible the contents’ semantic denomination, identification and selective
recuperation. To use Metadata efficiently, it is necessary to make use of standard
formats to represent information and markup languages which can allow such formats
to have semantic and flexible structures. The present research recommends
complementary and developing studies on the subject to guarantee the implementation
of future information systems and technologies. As a support, this research contains a
glossary showing the term and expression concepts used in it, as well as a list of
additional sources to help the ones who are interested in such subject.
x
1
1
INTRODUÇÃO
Invenções e inovações têm sua origem no deleite pelo saber e pelo domínio de
situações. A necessidade de reduzir incertezas, de chegar a verdades, de mecanizar, de
informatizar, de preservar, de racionalizar, de organizar, enfim, poder-se-ia relacionar
inúmeros verbos, ou ações, é o que motiva os seres humanos a pesquisar constantemente
com vistas ao alcance de um futuro mais autônomo e seguro.
A contribuição à evolução do conhecimento nas ciências é meta de toda e
qualquer pesquisa. Elucidativa, enriquecedora, conquistadora e triunfante, como define
MORIN (1998, p. 15-16), a ciência com seus conhecimentos determina progressos à
humanidade a partir da investigação e análise de realidades, de complexidades e de
problemáticas.
Devidamente documentada, toda pesquisa sistematiza um avanço na área do
estudo, pois os registros decorrentes proporcionam novas leituras, novas análises e
ampliam os horizontes do conhecimento acerca do tema.
Pesquisas têm demonstrado que ao longo da existência do homem suas
descobertas, sua vida e sua história foram sendo registradas de acordo com a
concepção cultural e com o instrumental disponível em cada época. Isso demonstra a
necessidade humana em depositar seus conhecimentos, seja como uma manifestação
sócio-cultural espontânea, seja intencionalmente para uso futuro próprio ou coletivo.
A quantidade de registros informativos gerados atualmente difere, em
número e tipo, de épocas remotas, quando as tecnologias para a geração e o tratamento
da informação não se encontravam no estágio em que estão hoje, quando áreas afins
compartilham esforços para a obtenção de melhores resultados para os casos onde as
preocupações são mútuas.
O acelerado avanço no desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia ocorrido na
última década provocou mudanças nos modos de agir e pensar das sociedades, pautadas no
reconhecimento e na valorização de um "novo" recurso socioeconômico: o conhecimento.
2
Diferentes suportes para o registro do conhecimento, diferentes veículos de
comunicação para a transmissão do conhecimento e diferentes formas de representação
de dados e informações que compõem este conhecimento exigem e continuarão
exigindo alternativas dinâmicas para a sistematização, organização e possibilidade de
reuso deste conhecimento.
Recurso invisível, intangível e difícil de imitar, porém altamente reutilizável, o
conhecimento, por conseqüência, fez emergir um novo componente na gestão
organizacional: o capital intelectual, que, por sua vez, tem se apresentado como o maior
diferencial competitivo entre as organizações (TERRA, 2000, p.20-21).
Apesar de essa cadeia de valores ter assumido tal importância apenas
recentemente, pode-se dizer que sua origem remonta dos estoques de informação
acumulados, explicita e tacitamente, na história da humanidade. Sobre a acumulação
tácita não há nenhuma forma de controle coletivo de sua produção e uso, mas no que
diz respeito à acumulação explícita as tentativas para isto têm se adaptado aos novos
"ambientes" provenientes das tecnologias disponíveis.
Verifica-se que padrões de tratamento já foram estabelecidos, inclusive em
nível mundial, no que se refere à informatização (aplicação de software, representação
em bancos de dados e intercâmbio de registros) de estoques locais compostos por
objetos físicos (expressão doravante utilizada para denominar os "pacotes" de dados,
informações e/ou conhecimentos originados, mantidos e disponibilizados em algum
tipo de material físico palpável, tais como: livros e similares, partituras, fitas-cassete,
fitas de vídeo, discos, CDs, artefatos tridimensionais, reálias, iconografias, mapas,
entre outros). Estes padrões têm garantido, se não perfeitamente, um alto índice de
precisão no trabalho com informações, conforme se constata nos sistemas tradicionais
vinculados a bibliotecas e outras unidades de informação.
Porém, quanto aos recursos virtuais (expressão doravante utilizada para
designar os "pacotes" de dados, informações e/ou conhecimentos, originados sob o
formato de arquivo digital, e mantidos e disponibilizados na Internet por meio de
recursos hipertextuais e de hipermídia), verifica-se, ainda, a existência de problemas
3
em relação ao seu tratamento, comprometendo o resultado de pesquisas realizadas na
rede e, conseqüentemente, o desenvolvimento de áreas que dela dependem como fonte
de informações.
Há séculos existe a preocupação quanto ao aperfeiçoamento das técnicas de
tratamento da informação para organizar os estoques de informação dispersos e
desorganizados, mas o que se evidencia, até muito recentemente, em relação à Internet,
é que esta preocupação tem se voltado prioritariamente à aplicação de tecnologias para
permitir o acesso irrestrito e quantitativo de informações,
mais do que à
organização com vistas a acessos refinados e inteligentes dessas informações.
Atribui-se a origem desse problema a fatores como: a repentina ampliação do
estoque de informações para fora dos ambientes das tradicionais bibliotecas e outras
unidades de informação similares (onde repousava, até pouco tempo, grande parte dos
sistemas de informação) e os escassos esforços específicos no desenvolvimento de
novas tecnologias para a redução dos obstáculos entre usuários e informações, devido
à complexidade e à subjetividade da questão, não permitindo, na mesma proporção do
acelerado avanço das tecnologias da comunicação de dados, o estabelecimento de
critérios qualitativos e universais para as bases estruturais dos recursos virtuais.
Diminuir a barreira entre a geração e o acesso à informação "estocada", tem se
tornado, portanto, um desafio, mesmo em se agregando as facilidades oferecidas pelas
tecnologias que reúnem os conhecimentos das áreas que, na Sociedade da Informação,
vêm adquirindo destaque, ou seja, a Informática, a Eletrônica, as Telecomunicações e a
Ciência da Informação.
Estoques de informação precisam ser tratados para justificar sua existência,
mas tratar significa processar sob critérios que visem à maior das metas: a reutilização
(busca + acesso + uso) da informação.
A preocupação com a eficácia nos resultados das buscas, para a reutilização
da informação em redes eletrônicas, surgiu nos primeiros anos da década de 90 do
século XX, mas apenas nos países desenvolvidos, onde o uso de redes de informações
já era uma realidade; a partir de então, encontram-se inúmeros trabalhos sobre o
4
assunto, principalmente em língua inglesa. No Brasil, onde as redes eletrônicas
tomaram corpo somente no final dos anos 90, verifica-se que o assunto começa a ser
explorado neste período.
De acordo com o Livro Verde do Programa Sociedade da Informação do
Brasil (TAKAHASHI, 2000, p.8),
em um contexto globalizado, o volume de informações disponíveis nas redes passa a ser
um indicador da capacidade de influenciar e de posicionar as populações no futuro da
sociedade. (...) Portanto, questão estratégica nas políticas e programas de inserção na
sociedade da informação é - além de cuidar do uso adequado das tecnologias - aumentar a
quantidade e a qualidade de conteúdos nacionais que circulam nas redes eletrônicas e nas
novas mídias.
Sendo assim, urge estabelecer princípios e formas padronizadas que
permitam o monitoramento dos recursos virtuais gerados e disponibilizados pelo
homem, criando ou inovando tecnologias para os processos da gestão da informação,
de modo a não somente aproveitar os desenvolvidos recursos da Ciência e da
Tecnologia, mas, a partir destes, proporcionar avançados e eficientes instrumentais
para toda a cadeia do trabalho com informações, ou seja, os processos de geração,
tratamento, intercâmbio, disseminação, busca, acesso e uso.
Pesquisas e experiências, relatadas na literatura sobre o assunto, têm
demonstrado que a solução para o tratamento de recursos virtuais é o uso de metadados.
Porém, ainda estão em vigor estudos para o estabelecimento e implantação de um padrão
mínimo para sua estruturação, com vistas a proporcionar aos sistemas de informação e
ferramentas de busca1 utilizadas formas de reconhecimento e seleção mais precisas no
atendimento às buscas de informações.
Pressupondo que a qualidade na busca seletiva, automática e inteligente na
Internet requer, além de eficientes programas associados a ferramentas de busca, um
armazenamento das informações praticado sob critérios estruturais básicos suportados por
um entendimento teórico-conceitual da essência do tratamento da informação, buscou-se
nesta pesquisa estudar um dos aspectos que compõem o processo de tratamento da
1
Mecanismos que localizam recursos de informação na Internet, selecionando-os e
agrupando-os segundo critérios predeterminados.
5
informação na Era Digital, os metadados, que podem ser genericamente definidos como
dados sobre os dados, ou seja, a informação digital que possibilita a identificação,
caracterização e localização das informações disponíveis nas redes eletrônicas.
No Brasil, o Programa Sociedade da Informação, iniciado em 1996 pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), inclui em
suas propostas de pesquisas estímulos a estudos que melhorem a capacidade de
recuperação das ferramentas de busca da Internet. Sobre o tema metadados propõe "o
estabelecimento de normas técnicas para o tratamento de conteúdos (metadados), para
garantir maior racionalidade nos processos de armazenamento e maior pertinência e
relevância na recuperação de informações, considerando os níveis e limitações dos
grupos de usuários potencialmente interessados" (TAKAHASHI, 2000, p.66), e a
definição de "um modelo de metadados para informações governamentais..."
(TAKAHASHI, 2000, p.80).
No entanto, para que isso se efetive, é necessário, primeiramente, o domínio
do assunto pelos profissionais que atuam na área da Informação, o que motivou a
realização da presente pesquisa, no sentido de conjugar dois fatores:
a) necessidade de atualização profissional da autora, em função da atuação
acadêmica;
b) emergência do assunto em razão da diversidade e do crescente número de
recursos virtuais disponibilizados na Internet.
Diante do pressuposto e das necessidades apresentadas, a pesquisa tem seu
enfoque sobre a seguinte problemática:
a) escassez de estudos em língua portuguesa que sirvam de referencial
teórico-conceitual para aqueles que atuam ou atuarão na área dos recursos
virtuais, à procura da integração de diferentes fontes em diferentes
ambientes, sem perder a garantia de um resultado confiável e adequado às
necessidades requeridas pelos usuários;
b) ausência de uma análise reflexiva sobre os metadados ante os paradigmas
histórico e contemporâneo do tratamento da informação.
6
Por conseqüência, esta pesquisa tem objetivo geral a identificação dos
princípios que regem o uso de metadados no tratamento de recursos virtuais.
Para a obtenção dos resultados que permitissem a identificação desses
princípios, foram definidos os seguintes objetivos específicos:
a) explorar as fontes bibliográficas a fim de construir um referencial teóricoconceitual sobre o assunto;
b) promover o início de uma reflexão sobre os metadados à luz dos
paradigmas histórico e contemporâneo do tratamento da informação;
c) realizar um estudo de caso para verificar a aplicação de metadados em um
sistema nacional de informação virtual.
A pesquisa caracteriza-se, por conseguinte, como do tipo bibliográfica. Segundo
GIL (1994, p.71), "a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já
elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos". Para adaptar esse
conceito aos atuais meios de veiculação da informação, acrescentaram-se como material
bibliográfico os textos sobre o tema disponíveis na Internet.
Pelas diversas abordagens possíveis sobre os metadados, cabe esclarecer que o
tema é desenvolvido segundo a ótica da construção do saber teórico acerca dos metadados
e do estabelecimento de diretrizes para seu tratamento. Evidencia-se, portanto, a exclusão
dos enfoques relativos aos protocolos de comunicação e à arquitetura dos bancos de dados
envolvidos na implementação dos esquemas de metadados.
A pesquisa não se encerra no seu enfoque bibliográfico, pois um estudo de
caso a complementa, proporcionando uma visão prática sobre o uso de metadados em
um sistema de informação.
A realização da pesquisa transpôs as seguintes etapas:
a) levantamento da literatura, o que resultou na identificação de 44 artigos de
periódicos (13 em língua portuguesa e 31 em língua estrangeira), e 59
monografias e outros trabalhos (25 em língua portuguesa e 34 em língua
estrangeira), distribuídos entre fontes impressas e eletrônicas. Destes, alguns
7
serviram para o embasamento teórico, sendo citados no texto e indicados na
seção Referências, outros agregaram conhecimentos ao autor e, como não
tiveram sua menção no texto, resultaram na lista de Fontes Complementares,
apensada ao trabalho como fonte de referência para aqueles que se iniciam
no assunto;
b) leitura e análise da bibliografia levantada, o que propiciou a exploração
do tema sob a ótica de diferentes autores, bem como o seu delineamento,
subsidiando, ainda, o estudo de caso à luz da teoria envolvida;
c) realização do estudo de caso para a verificação prática do uso de
metadados, tendo como objeto o projeto Bibliotecas Virtuais Temáticas,
vinculado ao Programa Prossiga, do Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia (IBICT).
As informações obtidas e os conhecimentos adquiridos no percurso do
desenvolvimento da pesquisa foram sistematizados em um texto subdividido em
seções, conforme segue.
O trabalho inicia-se com esta Introdução, na qual o tema é problematizado e
justificado, e a pesquisa delimitada em termos de seus objetivos, abordagem e
metodologia.
A segunda seção, Abordagem Contextual, busca proporcionar a compreensão
sobre o encadeamento que conduz ao núcleo estudado, ou seja, aos metadados.
Sintetizam-se as questões da Era da Informação, do novo mecanismo de comunicação (a
Internet) e seus derivados intermediadores, as conseqüências da explosão de recursos
virtuais e as implicações no processo de recuperação desses recursos. Embora muito já se
tenha escrito sobre estes assuntos, considera-se que o entendimento das relações existentes
entre eles e os metadados é pré-requisito à compreensão das demais abordagens tratadas
nesta pesquisa.
Na seção seguinte, sob o título Metadados, estes são caracterizados em
subseções, as quais apresentam aspectos relativos ao conceito, origem, funções,
8
produção, estrutura, padrões e modelos, e linguagens de formatação, construindo-se
um referencial teórico-conceitual sobre o assunto.
A quarta seção, Considerações ao Tratamento da Informação, faz uma
reflexão acerca da concepção e produção de metadados, e sua relação com o princípio
da catalogação-na-fonte e o processo de normalização, sob duas abordagens: histórica
e contemporânea.
Os Procedimentos Metodológicos do Estudo de Caso são descritos na quinta
seção.
A sexta seção, O Projeto Bibliotecas Virtuais Temáticas do Programa
Prossiga, apresenta a análise descritiva do estudo de caso, permitindo o conhecimento
de uma realidade na aplicação de metadados, comparando-a com o padrão Dublin
Core (DC).
A seção intitulada Considerações Finais apresenta a síntese conclusiva, as
implições práticas e as limitações da pesquisa.
Por fim, a seção Recomendações traz sugestões para a garantia da
continuidade de estudos complementares e evolutivos sobre o tema e pontos básicos a
serem levados em consideração no desenvolvimento de futuras implementações em
tecnologias da informação.
Um Glossário apresenta a conceituação de termos e expressões segundo seu
significado para a pesquisa. Uma lista de Referências relaciona os documentos citados
no texto da pesquisa e uma lista de Fontes Complementares contribui com os leitores
que se iniciam no assunto.
9
2
ABORDAGEM CONTEXTUAL
Era da Informação, Era do Acesso, tempos em que "o conhecimento tornou-
se, (...) mais do que no passado, um dos principais fatores de superação de
desigualdades, de agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação
do bem estar" (TAKAHASHI, 2000, p.v).
Era "em que a conectividade leva ao acesso de todos a todos, de tudo a tudo
e de tudo a todos" (TAYLOR e WACKER, 1999, p.302).
Era que se caracteriza pelo avanço das tecnologias da informação, da
informatização de produtos e serviços, das infovias e da gestão de sociedades baseadas na
informação em diversos países, exigindo novas formas de organização social baseadas em
uma nova leitura da vida e em uma nova linguagem de comunicação.
Esta nova ótica que rege a economia das sociedades pelo conhecimento,
denomina genericamente o mundo globalizado de Sociedade do Conhecimento, para o
que TERRA (2000, p. 24-30) relaciona sinais de sua evidência, quais sejam:
a) a importância da inovação tecnológica para o crescimento econômico e a
competitividade empresarial;
b) a evolução dos setores de informática e telecomunicações;
c) a importância relativa dos ativos intangíveis; e
d) os impactos econômicos e sociais dos níveis de educação e qualificação
profissional.
Poder público, organizações privadas e sociedade civil em geral envolvem-se em
transformações nos diversos níveis do processo de internacionalização sociocultural e
econômica dos países, baseada em acessos sem fronteiras à informação, proporcionados
pelas redes de informação que induzem à formação de cidadãos globais.
A grande rede de redes, a Internet, idealizada nos anos 60, do século XX,
pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, é um exemplo vivo da globalização
e, ao mesmo tempo, fator determinante do desenvolvimento da Ciência e da
Tecnologia na nova sociedade.
Há que se destacar que, de acordo com TERRA (2000, p.158),
10
a Internet não implica aumento da capacidade de processamento computacional. Esta vem
mantendo sua trajetória de crescimento acelerado quase independentemente da Internet, a
qual pode ser vista simplesmente como um protocolo (chamado TCP/IP), que permite uma
eficiente (por dividir qualquer informação em pequenos pacotes que otimizam o fluxo nas
redes) comunicação entre: pessoas com pessoas; pessoas com máquinas; máquinas com
máquinas (de diferentes origens, funções e capacidade de processamento). É esse fantástico
aumento na capacidade de comunicação que explica o enorme impacto da Internet.
O uso da Internet, infelizmente, ainda não está ao alcance de todos por
questões de políticas de acesso e de inabilidades pessoais, mas, pelo que indicam as
estatísticas em termos de redes conectadas e número de usuários, seu crescimento é
exponencial e a tendência é que a exclusão digital torne-se cada vez menor.
Milhares de dados, informações e documentos são disponibilizados na Internet
por meio portais2 e sites3, individuais ou institucionais, acessíveis através de provedores
que permitem a conexão entre pessoas e fundem conhecimentos em tempo real.
De acordo com CASTELLS (1999, p.113),
a comunicação de conhecimentos em uma rede global de interação é, ao mesmo tempo a
condição para acompanhar o rápido progresso dos conhecimentos e o obstáculo para o
controle de sua propriedade. Além disso, a capacidade de inovação está armazenada
basicamente em cérebros humanos, o que possibilita a difusão da inovação com a
rotatividade de cientistas, engenheiros e administradores entre organizações e sistemas
produtivos.
As possibilidades e vantagens oferecidas pela Internet, sem dúvida,
potencializam o desenvolvimento do homem, seus feitos e relações, cuja agregação no
tempo e no espaço reafirmam o capital intelectual como maior propulsor dos sistemas
produtivos da humanidade.
Diante do vasto universo informacional que se apresenta como uma explosão
frente à própria capacidade de controle e acompanhamento do homem, surgem os
2
Portal é um recurso de informação virtual, disponível na Internet, por meio do qual se tem
acesso a informações remotas de diferentes sites.
3
Site é um termo da língua inglesa que significa sítio, ou seja, o conjunto de páginas na
Internet pertencentes ao mesmo criador, disponíveis a partir de uma home page (primeira página do
site que resume seu conteúdo) e vinculandas na forma de links.
11
sistemas intermediadores para agirem como facilitadores de acesso no atendimento à
demanda: os sistemas de informação.
Há diversas maneiras de se definir sistema de informação. De forma clara e
abrangente, STAIR (1998, p.427) afirma que sistema de informação é o "conjunto de
elementos que funcionam juntos para processar entradas e produzir e distribuir dados e
informações de saída". Segundo esse autor, os sistemas de informação informatizados
caracterizam-se, genericamente, por empregarem hardware, software, bancos de
dados, pessoas, procedimentos para coletar, manipular, armazenar e transformar dados
em informação e, na maioria dos casos, telecomunicações (STAIR, 1998, p.427).
Complementando com a visão de ARMS, BLANCHI e OVERLY (1997, p.3),
pode-se destacar que o repositório de dados, o sistema de busca, os provedores de
recursos eletrônicos e a interface com o usuário são os principais e atuais componentes
de um sistema em rede no mundo virtual.
Os elementos de um sistema devem operar em sincronia entre si e de acordo
com as metas de sua concepção e da instituição à qual estão vinculados, uma vez que o
desempenho de um sistema de informação é medido por sua eficácia (proporção com que
atinge seus objetivos) e sua eficiência (proporção entre o que é produzido e
disponibilizado e o que é consumido para tornar isto possível), o que se considera
totalmente dependente das técnicas e da tecnologia aplicada para seu funcionamento.
O desenvolvimento dos sistemas de informação tem mostrado a sua tendência
em coletar, tratar, explorar e disponibilizar automaticamente informações, geralmente
desvinculadas de objetos físicos, pois a massa de dados que estes sistemas vêm operando
refere-se à própria informação eletrônica disponibilizada na forma de arquivos digitais.
Em muitos casos podem incluir, também, dados representativos e referenciais de objetos
físicos, associando-os não a uma Uniform Resource Locator (URL)4, mas ao local físico
4
Uniform Resource Locator (URL) significa Localizador Uniforme de Recursos. É o
padrão de endereçamento de fontes de informação na Web que combina informações sobre o tipo de
protocolo utilizado, o endereço do site em que o recurso está localizado (domínio), subdiretórios e o
nome do arquivo.
12
onde estão disponíveis, ou mesmo disponibilizando-os integralmente na forma digital por
meio de recursos hipertextuais ou de hipermídia.
Portais, sites, home pages são hoje entradas para muitos sistemas de informação
na Internet, os quais variam em termos de diversidade e exaustividade temática. É por
meio desses sistemas que está garantido o acesso às informações acumuladas na história
da humanidade, ao que a literatura chama de estoques de informação. Convém
considerar que os sistemas estocadores de informação não devem ser dispositivos
estáticos, ou meros repositórios, mas intermediadores dinâmicos entre emissores e
receptores da informação, portanto mecanismos inteligentes e flexíveis cuja matéria-prima
(dado, informação e/ou conhecimento) deve se moldar a cada caso na agregação de
valores e na solução de problemas com informação de diferentes usuários.
Importante salientar que a razão da existência de um sistema de informações é o
usuário; são as pessoas que, potencial ou efetivamente, utilizam as informações
disponibilizadas pelo sistema. Sendo assim, todo e qualquer mecanismo ou ferramenta
implementado para maximizar o uso de sistemas deve estar voltado para as necessidades
da comunidade à qual serve, levando sempre em consideração as possíveis variações na
busca, dependentes do conhecimento e da bagagem de cada membro desta comunidade.
Por conseguinte, o atendimento às necessidades de informação dos usuários deve ser
periodicamente avaliado para que o sistema possa adequar-se à demanda. Neste sentido,
os índices de revocação, precisão, rejeição, especificidade, seletividade, tempo de
resposta, esforço do usuário, cobertura e novidade são medidas de eficácia que podem ser
aplicadas (GUINCHAT e MENOU, 1994, p.327).
A necessidade de monitorar os estoques de informação tem obrigado as
organizações a criarem seus próprios sistemas de informação, sob critérios muitas
vezes particulares, visando apenas ao pronto atendimento às suas necessidades internas
e imediatas, resultando daí, inúmeros modelos isolados, principalmente em empresas
com fins lucrativos e princípios competitivos de mercado.
Já nas organizações filantrópicas e estatais, que visam ao atendimento às
necessidades educacionais, culturais e sociais de comunidades, regiões, nações ou
mesmo no âmbito internacional, percebe-se a preocupação com a interatividade, a
13
arquitetura, a manutenção e o uso de sistemas que contemplem as diversidades
existentes no mundo globalizado.
Os sistemas disponíveis na Internet devem, pela própria característica da
rede, contemplar o requisito de interoperabilidade (capacidade de diferentes máquinas,
programas e linguagens trabalharem de forma compartilhada), atendendo à maior
razão de sua existência: conectar pessoas e máquinas em tempo real, disponibilizando
dados, informações e conhecimentos de forma interativa.
MIRANDA (2000, p.71), analisando a organização e o uso adequado dos
estoques de informação do futuro, afirma que a intervenção profissional para isto
estaria centrada no binômio estrutura e conteúdo, ou seja, por um lado, na capacidade
técnica de implementação das redes e sistemas e, por outro, no tratamento documental dos
registros físicos e não físicos dos tradicionais e novos suportes da informação. Tarefa de
dimensões extraordinárias, com enfoque interdisciplinar e planejamento em equipe. A
qualidade da recuperação estará em relação proporcional com a capacidade de tratamento
da informação nas fases de controle e processamento.
Felizmente, a atuação integrada de alguns diferentes profissionais na busca
de um trabalho qualitativo com informações que compõem esses estoques tem
proporcionado uma evolução gradual e contínua dos sistemas que atuam no setor
informacional das sociedades.
No entanto, conforme afirmou Miranda, acima citado, proporcionar o
encontro entre a informação estocada e aqueles que a procuram, não é uma tarefa fácil,
pois requer, acima de tudo, a adoção de procedimentos técnicos específicos e
ferramentas de busca adequadas para sua identificação e localização.
Pode-se dizer que no processo de busca de informações encontram-se três
classes de problemas:
a) relacionados aos instrumentos e técnicas criados pelo homem para tratar a
informação e agilizar sua busca, sua disponibilidade, complexidade e grau
de atendimento frente às reais necessidades dos usuários;
b) relacionados ao próprio homem, sua disponibilidade (de tempo, e
econômica), seu interesse, sua bagagem cognitiva e seu poder de avaliação
da informação encontrada; e
14
c) relacionados à informação propriamente dita, sua fidedignidade (quanto ao
conteúdo e à autoridade), sua validade (legal e temporal) e seu nível de
especificidade.
A busca por informações se processa a partir de uma necessidade, que leva o
indivíduo a sair à procura de novos conhecimentos ou de informações sistematizadas a
respeito de algo que já faz parte de sua bagagem intelectual. Este processo exige uma
seleção, dentre todo o estoque de informações existentes, daquelas que suprem suas
necessidades, tarefa em que estão embutidas as três classes de problemas antes citadas.
A busca de informações, no tocante ao acesso aos estoques de informações,
pode ocorrer de duas formas:
a) procura de recursos de informação (entendidos aqui como todo e qualquer
suporte que contenha dados, informações e/ou conhecimento) diretamente
nos estoques existentes; ou
b) busca nas representações destes recursos em sistemas estocadores de
informações.
A primeira alternativa vem se tornando impossível diante da quantidade e
dispersão dos recursos. Tornou-se impossível a visita local aos diversos estoques físicos
associados a bibliotecas e outras unidades de informação, assim como impossível,
também, acessar todas as URLs procurando encontrar as informações desejadas.
O uso da segunda alternativa, busca nas representações dos recursos, traz um
resultando mais eficaz aos processos de exploração e seleção, visto que é realizada por
intermédio de sistemas de informação, ou mesmo de mecanismos estruturados que,
previamente, identificam, localizam, descrevem e "controlam" os recursos estocados,
preparando-os para as possíveis consultas à sua procura. O termo "controlados" deve
vir entre aspas pois, muitas vezes, é aplicado erroneamente. Há que se dizer que,
embora complexo, o controle é uma tarefa indispensável quando se almeja a qualidade
de serviços.
De modo geral, o controle abrange todos os aspectos do sistema e pode ser
dividido, conforme STAIR (1998, p.391), em:
15
a) controles de entradas;
b) controles de processamento;
c) controles de saídas;
d) controles de bancos de dados;
e) controles de telecomunicações; e
f) controles de pessoal.
Há que se considerar que estes controles são interdependentes, podendo
resultar em insatisfação da organização e dos seus usuários, se pelo menos um dos
aspectos for relegado.
Controlar informações que compõem sistemas significa orientar técnicas e
procedimentos para a qualidade de serviços e produtos derivados; contudo, TERRA
(2000, p.155) afirma que " 'controlar' é um verbo que está associado à Era Industrial,
enquanto 'facilitar' está associado à Era do Conhecimento".
Controlar e monitorar informações em sistemas envolve, necessariamente,
atividades em todas as fases do trabalho com informação (conforme já dito
anteriormente: geração, tratamento, intercâmbio, disseminação, busca, acesso e uso);
porém, as fases de geração e tratamento é que vão determinar os limites dos serviços e
produtos a serem oferecidos.
Monitorar a geração de recursos de informação significa dar-lhes um "formato"
inteligível e disponibilizar, em seu conteúdo, informações que possibilitem a sua
caracterização, preferencialmente a partir de um modelo-padrão, compatível com todas as
formas de entendimento humano, independentemente de raça ou país que venha a
manuseá-lo. Para livros, teses, dissertações e publicações periódicas, por exemplo,
encontram-se as normas internacionais da International Organization for Standardization
(ISO), e, no caso do Brasil, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), as quais determinam como cada um destes produtos deve ser apresentado em
termos de formato e conteúdo. No caso dos mais recentes recursos de informação, os
recursos virtuais, ainda não se chegou a um modelo que possa servir de padrão universal
(já que a Internet é uma rede de redes, portanto universal) para a garantia de seu
16
reconhecimento semântico automático, pois não mais somente os humanos, mas máquinas
também devem poder compreender sua estrutura e conteúdo.
Monitorar o tratamento de recursos de informação significa estabelecer um
formato de armazenamento em ambiente eletrônico (estrutura do banco de dados) do
"pacote" que compõe o recurso, bem como um formato para os dados e informações
que lhe pertencem e que servirão para sua identificação, localização e recuperação
(formato de entrada de dados). Esta divisão em formatos proporciona, aos produtos e
serviços de informação, flexibilidade no manuseio e na apresentação.
Por estabelecimento de um formato de armazenamento em ambiente
eletrônico entende-se a configuração em máquina de uma estrutura capaz de acomodar
e possibilitar o intercâmbio, total ou parcial, de "pacotes" de informação, sem o
comprometimento de seu conteúdo; ou seja, proporcionar a integração entre bancos de
dados, garantindo autonomia e significado a cada informação.
Estabelecer um formato de entrada de dados é dar um padrão mínimo às
informações que representam os "pacotes", observando aspectos como sinonímias e
polissemias de palavras, registro normalizado de datas, números, abreviaturas, siglas,
pessoas, organizações, enfim, termos e expressões que são utilizados verbal ou
graficamente sob diferentes formas por diferentes pessoas, garantindo-lhes a semântica
originalmente concedida.
Apesar de diferentes dispositivos possibilitarem a entrada de dados em
sistemas, todos os dados são armazenados fisicamente na máquina, na forma de bits.
Contudo, a estrutura ou organização lógica e física dada ao sistema para a acomodação
dos diferentes dados e a consideração ao seu valor semântico é que irão determinar o
índice de recuperação da informação em processos de busca.
O princípio básico a ser aplicado para uma efetiva recuperação da
informação é o da separação dos dados e/ou informações, de acordo com o seu valor
semântico. Nenhum programa é capaz de identificar eficazmente um dado ou uma
informação específica, entre os milhões de caracteres armazenados, se não lhe for
17
atribuído um formato de alocação no sistema, inclusive traçando seus limites de início
e fim. Isto significa que cada informação deve ter seu respectivo recipiente e, sempre
que possível, assumir um formato-padrão de entrada.
Eis aqui outro princípio básico: a padronização dos dados. Ao procurar um
dado ou informação solicitada, o programa utilizado "varre" o sistema até encontrar
uma seqüência de caracteres (string) idêntica à que foi indicada como termo(s) de
busca, sem levar em consideração qualquer outro termo que possua o mesmo valor
semântico, seja por sinonímia, seja por derivação ou outro fator, ou que tenha a mesma
morfologia, porém com significado diferente, a menos que esteja previamente
programado para isto.
Concorda-se com o argumento de VAUGHAN-NICHOLS (1997, p.89)
segundo o qual, apesar do avanço dos sistemas, uma busca com palavras-chave produz
diferentes resultados em diferentes sistemas. Pesquisas idênticas, mesmo em sistemas
que utilizam a mesma sintaxe de busca, apresentam resultados radicalmente diferentes.
Ambos os monitoramentos, do formato de armazenamento e do formato dos
dados, são os únicos meios de assegurar o acesso com qualidade aos estoques de
informação, oferecendo integridade aos dados, eliminando a redundância, reduzindo
incertezas, garantindo precisão sem, contudo, eliminar as possíveis diversidades
intrínsecas ao conteúdo da informação na sua forma original e sem que se perca tempo
com a conversão de sistemas, quando este for o caso.
A tarefa de monitoramento impôs, portanto, e com mais ênfase, a utilização
de instrumentos comuns que garantissem a possibilidade de comunicação entre
máquinas, programas e dados, e a padronização de procedimentos. Estes instrumentos
são respectivamente:
a) para a comunicação entre máquinas: dispositivos e protocolos de (tele)
comunicação padronizados segundo princípios da Eletrônica para
transmitir e converter sinais;
b) para a comunicação entre programas e dados: protocolos de comunicações
que ditam métodos e procedimentos-padrão para a transferência de dados,
estabelecidos pela Informática, utilizando-se dos recursos da Eletrônica;
18
c) para a padronização de procedimentos: documentos e manuais que
descrevem e orientam sobre a operação do sistema, desenvolvidos por
aqueles que diretamente estão envolvidos com a tarefa de operação.
AGUIAR (1993, p.62) salienta que um sistema de informação automatizado,
efetivamente preocupado com a disseminação e o uso, deve levar em conta os diferentes
problemas físicos, lógicos e operacionais que ocorrem em dois de seus subsistemas: os
relativos à informação que entra e os pertinentes à que sai. A afirmação da autora enfatiza
a relação direta existente entre os meios, métodos e técnicas de armazenamento, de
representação e de organização dos "pacotes" que compõem o repertório de dados, e as
técnicas, os procedimentos, os dispositivos de recuperação e a política de disseminação
que determina a saída da informação.
Abordando especificamente a problemática da informação propriamente dita,
ou seja dos conteúdos dos "pacotes", STAIR (1998, p.118) enfatiza a quantidade, a
volatilidade e a imediação como características relevantes a serem consideradas no
tratamento da informação.
No que se refere à quantidade, controles estatísticos são capazes de monitorar
medições a respeito de alterações, incrementos, deleções e outras operações ocorridas.
No que se refere à volatilidade (instabilidade e necessidade de alterações,
adições e deleções) e à imediação (medida de rapidez com que as mudanças devem ser
feitas) dos dados, características que influenciam diretamente o início de qualquer
processamento de dados, ou seja, a entrada dos dados, e indiretamente os demais
processos, há que se ponderar uma série de fatores que guardam o segredo do sucesso
de sistemas de informações.
TERRA (2000, p.155) defende que "os sistemas de informação só podem ser
úteis à medida que os dados, informações e bases de conhecimento que os alimentam
são confiáveis relevantes e atualizados".
Em suma, o resultado do processo de busca que leva ao acesso de
informações somente tem validade se for garantida a autenticidade, a fidedignidade, a
19
atualização e a preservação do conteúdo disponibilizado, mesmo nos casos em que
oferecem apenas dados referenciais que remetem a outros recursos de informação,
reais ou virtuais.
Voltando à questão da busca de informações, anteriormente abordada sob o
aspecto das formas de acesso a estoques de informação, ela é retomada agora sob os
métodos de busca.
Consultar diretamente os recursos de informação ou utilizar-se de suas
representações para identificá-los e selecioná-los nos estoques de informação, conforme
visto anteriormente, implica dois métodos de buscas: um simples browsing ou um
planejamento em que critérios são previamente estabelecidos.
Considerando-se o caso do browsing manual não há muito o que se relevar,
pois, em se tratando de "uma atividade não orientada, não programada, informal, não
sistemática, casual", seu sucesso é dependente dos sentidos, da experiência e do
intelecto de cada indivíduo particularmente (NAVES, 1998, p.1), o que foge a qualquer
tipo de controle.
Quanto ao browsing inteligente, ou browsing automatizado executado por
ferramentas de busca, pode-se dizer que é um poderoso mecanismo, mas totalmente
dependente de sua política de ação e da organização e classificação dada aos recursos
de informação pelos sistemas intermediadores.
Inúmeras são estas ferramentas de busca on-line disponíveis na Internet. É
preciso conhecer como elas trabalham para poder avaliar os resultados apresentados às
pesquisas.
Os artigos de LANGA (1998) e BRANSKI (2000) demonstram as diferenças
existentes entre as ferramentas, as quais podem ser classificadas em quatro categorias:
a) as que respondem às solicitações de pesquisa consultando índices dos
recursos virtuais construídos prévia e automaticamente por meio de
palavras-chave extraídas desses recursos, sem qualquer classificação
temática. Estes índices compõem o banco de dados da ferramenta, o qual
20
é alimentado por meio de programas, conhecidos por spiders5, que
percorrem a rede visitando e revisitando sites, lendo seu conteúdo,
seguindo seus links6 e indexando-os. O conteúdo dos recursos levado em
consideração na indexação varia a cada ferramenta: conteúdo integral do
site; no mínimo, as cem primeiras palavras de cada página, incluindo o
título e a descrição que o autor tenha fornecido na estrutura da página e
excluindo códigos da Hipertext Markup Language (HTML), comandos
JavaScript e palavras tais como artigos, pronomes, conjunções,
preposições entre outras não significativas para as buscas; somente o
título e o resumo; imagens; datas; entre outros. A maneira mais garantida
de as páginas serem indexadas é adicionando-se meta tags7 ao cabeçalho
de seu script8. Exemplos de ferramentas que constroem índices são: Alta
Vista, Excite, HotBot, Infoseek, Northern Light e Fast Search;
b) as que respondem às solicitações de pesquisa consultando catálogos, ou
diretórios, de bancos de dados construídos previamente por meio da
seleção, análise, organização e classificação dos recursos eletrônicos em
categorias de assuntos, tarefa que envolve normalmente o trabalho
humano. Meta tags não são utilizadas na construção desses catálogos, e
alguns exemplos deste tipo de ferramenta são: Yahoo, Galaxy, Magellan,
NetGuide e Cadê;
5
Spiders, também denominados robôs de busca, são programas que rastream a Internet,
visitando os sites, lendo, extraindo e organizando seus dados em um banco de dados, a fim de servirem
como elementos em futuras buscas de informações.
6
Link é um elo de ligação entre dois elementos que, estando em ambiente eletrônico,
emprega recursos hipertextuais ou de hipermídia.
7
Meta tags são tipos de marcações onde atributos são definidos na forma nome="valor",
permitindo que a informação do campo possa ser lida pelos browsers e pelas ferramentas de busca e
alguma ação possa ser executada a partir de sua identificação.
8
Script é o texto onde são definidas as ações a serem executadas, quer para a visualização
dos dados, quer para o cumprimento de uma tarefa.
21
c) as que respondem às solicitações de pesquisa acionando simultaneamente
diversas ferramentas (mencionadas nas alíneas "a" e "b" anteriores). Não
possuem banco de dados próprio, pois apresentam como resultado da
pesquisa uma lista única compilada a partir das diversas pesquisas realizadas
pelas outras ferramentas. Por não realizarem por si próprias as buscas, estas
ferramentas são denominadas metaferramentas. Exemplos deste tipo de
ferramenta são: Metacrawler, Dogpile, Inference Find, Mamma, MetaFind e
Tay Meta Pesquisador;
d) ferramentas que buscam informações de interesses específicos, tais como:
Filez (localiza exclusivamente sites que permitem transferência de
arquivos), Super Mail (catálogo de endereços eletrônicos no Brasil), Liszt
(procura listas de discussão), Research-it (localiza dicionários, tradutores,
telefones, códigos postais, etc.), e Expoguide Home Page (localiza, no
mundo, feiras, conferências e eventos em geral).
As ferramentas normalmente oferecem, ao usuário, formas avançadas de
refinar pesquisas muito amplas pressupondo, para isto, que o usuário conheça a
maneira correta de expressar o que deseja de acordo com o método como a ferramenta
procura e seleciona a pesquisa (apesar da Ajuda oferecida pela ferramenta). O recurso
mais usado na seleção é o conjunto dos operadores booleanos9 que, aparentemente
simples, não dispensa a leitura prévia da Ajuda, uma vez que as ferramentas adotam
critérios de default diferentes, além de exigir um raciocínio bastante lógico e relacional
para um efetivo uso. Outros recursos usados são os operadores relacionais10, os
operadores de adjacência11 ou posicionais e o truncamento12. Nestes casos, a busca
9
Os operadores booleanos AND (conjuntiva), OR (aditiva/não exclusiva) e NOT
(subtrativa/negativa) compõem a lógica de busca por meio de combinações de termos.
10
Os operadores relacionais são aqueles que limitam a busca por meio das seguintes indicações:
igual a, não igual a, menor que, maior que, contém, entre outros, todos simbolizados por algum sinal gráfico.
11
Os operadores de adjacência ou posicionais são aqueles que indicam, por meio de sinais,
palavras consecutiva, palavras a uma distância específica, palavras existente no conteúdo de um
determinado metadado, etc.
12
Truncamento é o recurso da busca por prefixos ou parte de palavras. Normalmente se
indica a parte oculta (aquela possível de variação) por meio de um asterisco (*).
22
planejada, que é a elaboração de uma estratégia por meio da qual são estabelecidas
limitações baseadas em critérios de área geográfica, idioma, período cronológico,
especificidades temáticas, entre outros, está diretamente embutida, como condição sine
qua non para um resultado eficaz na busca.
A busca planejada também pode ser efetuada manualmente por meio do
acesso direto a sistemas específicos locais ou sistemas on-line.
De modo geral, os sistemas de informações estão preparados para que as
buscas possam ser restringidas de acordo com diferentes estratégias, o que os torna
excelentes instrumentos de busca. Um salto evolutivo nos sistemas de informação
ocorreu após a introdução dos computadores em seus mecanismos de estruturação,
alimentação, processamento, saída e controle, o que trouxe um aumento de
inestimáveis benefícios aos seus maiores interessados, os usuários. O advento das
redes de informações incrementaram os sistemas a ponto de, por um lado, torná-los
extremamente complexos em sua configuração mas, por outro, facilitarem o "acesso
irrestrito" ao estoque de informações mundiais. Aqui mais uma vez se traz um termo
entre aspas dado que, paradoxalmente à Era da Informação, nele estão embutidas as
barreiras
descritas
anteriormente,
principalmente
aquelas
relacionadas
aos
instrumentos e técnicas e ao próprio homem (quando ainda não superadas), acrescidas
de fatores políticos e econômicos contextuais, o que leva à constatação de que, no
acesso, sempre se encontra algum tipo de restrição.
Hoje, o que se almeja são mecanismos para o alcance de diversos estoques
de informações em uma única busca; ferramentas que consigam identificar o que se
procura fazendo uma varredura exaustiva nos diversos recursos disponíveis em rede,
mas de modo eficaz, com um alto índice de precisão.
Para que isto seja possível, é indispensável a existência de padrões mínimos
tanto no que se refere às configurações de programas, provedores e protocolos, como no
próprio registro da informação. Mas, de acordo com FROEHLICH (1998, p.37),
uma das maiores ironias da sociedade da informação é que apesar da informação ser ruim ou
inadequada, as pessoas anseiam por pagá-la contanto que venha pelo computador ou network,
mas não querem pagar por aquilo que faria da informação algo verdadeiramente útil:
classificação humana, indexação, catalogação, etc. Elas irão imediatamente pagar por
tecnologias de computação, mas não por tecnologias cognitivas.
23
Um outro aspecto muito importante a ser considerado nesta contextualização é o
da preservação dos recursos de informação. Sabe-se que o papel é o mais resistente e
duradouro dos materiais em que a informação pode ser registrada. Contudo, sabe-se
também que, devido ao seu alto custo de produção, ao comprometimento ecológico desta
produção e ao não menos custoso processo para a editoração de documentos em papel,
está se tornando economicamente inviável. Salvo a barreira lingüística, documentos em
papel não apresentam nenhum tipo de impedimento quanto à sua leitura, que pode ser
feita diretamente pelo homem.
Totalmente diferente do papel, demais suportes da informação como discos
de vinil, fitas-cassete, filmes cinematográficos, disquetes, CDs, entre outros,
dependem de equipamentos para serem utilizados, muitos dos quais já não são mais
fabricados, o que impede a utilização dos suportes a eles vinculados.
Em se tratando dos recursos virtuais, este problema deve ser superado para
garantir sua reutilização em todo e qualquer ambiente, pois, como estão disponíveis para
acesso remoto mundial, estão, também, sujeitos a diferentes plataformas.
A dinâmica com que a inovação tecnológica tem evoluído exige a produção
de recursos de informação desvinculados de qualquer tipo de suporte e aplicação, isto
é, recursos que veiculem a informação desprendida da estrutura computacional que os
originou. Somente desta maneira é que um recurso pode ser transferido para qualquer
ambiente sem perda de sua forma e conteúdo, e com garantia de sua reutilização futura
e permanente.
Levando em consideração todos os aspectos contextuais do trabalho com
informação abordados anteriormente, FROEHLICH (1998, passim) aponta diversos
problemas existentes na maior rede da atualidade, a Internet:
a) oferta excessiva de informações;
b) crescente quantidade de publicidade ligada a interesses comerciais;
c) miscelânea de itens de diversas formas;
d) pouca ou nenhuma autoridade ou controle sobre as informações
veiculadas;
e) desigualdade no acesso à informações;
24
f) pouco conhecimento, por parte dos usuários, sobre como filtrar
informações de acordo com suas necessidades específicas;
g) diferentes mecanismos de buscas utilizados pelos diversos provedores de
informação;
h) buscas sem um intermediário especialista em informação, o que reduz a
certeza de um resultado eficiente; entre outros.
Amplamente reconhecidos, os problemas na Internet tendem a ser
solucionados à medida
que se verifiquem novos avanços nas tecnologias da
informação, e é neste particular que se encontram os metadados. A adoção de
metadados na produção de recursos virtuais tem o objetivo de atender ao chamado
geral para a organização das informações veiculadas na Internet. Os metadados são
elementos indispensáveis na configuração de um grande catálogo para buscas coletivas
e simultâneas nos diversos estoques de informações, permitindo a interoperabilidade
dos sistemas e a conseqüente reutilização da informação.
25
3
METADADOS
Esta seção aborda os aspectos relativos ao conceito, origem, funções,
produção, estrutura, padrões e modelos, e linguagens de marcação para a descrição de
metadados.
ANDRADE e CARVALHO (1999, p.43-44) classificam a literatura sobre
metadados em cinco categorias, a saber:
a) descritiva e conceitual;
b) comparação e mapeamento do Dublin Core com outros sistemas de
metadados (Machine Readable Cataloging - MARC, The United States
Federal Government Information Locator Service - GILS, etc);
c) reação das organizações que utilizam o Dublin Core;
d) projetos que examinam o Dublin Core e o expandem para informações
não textuais, introduzindo links; e
e) artigos, textos, projetos etc. que não se enquadram nas categorias
anteriores.
3.1
CONCEITO
Os autores das áreas da Ciência da Informação e da Informática são
unânimes em afirmar que metadados, ou meta-dados, como encontrado em alguns
documentos, são dados sobre dados, ou dados que se relacionam com outros dados.
Apresentando um conceito mais específico BERNARDINO (1998, p.1)
afirma: "metadado é uma abstração sobre o dado. É um dado de mais alto nível que
descreve um dado de mais baixo nível".
Para LIDDY13, citado por MAGUIRE (1997, p.19), metadados são "apenas
dados em um nível diferente de especificidade".
13
Technology.
Liddy Nevile é o diretor da Sunrise Research Enterprise, do Royal Melbourne Institute of
26
MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.1), fazendo referência ao projeto Desire14
do Reino Unido, reproduzem sua definição de metadados: " 'dados associados com
objetos que aliviam seus usuários potenciais de ter que ter conhecimento completo
sobre sua existência e características'. Em outras palavras, informação bibliográfica
padronizada, sumários, termos indexados e resumos são todos substitutos do material
original, conseqüentemente metadados' ".
Catalogação do dado ou descrição do recurso eletrônico é a definição para
metadados atribuída por SOUZA, VENDRUSCO e MELO (2000, p.93).
Não diferindo, mas sendo mais específico, SAN SEGUNDO MANUEL (1998,
p.1) define metadados como "um conjunto de elementos que possuem uma semântica
comum aceitável, ou seja, tratam de representar a informação eletrônica dispersa e
representam a descrição bibliográfica de recursos eletrônicos". Há que se fazer uma
observação a este conceito quando expressa que os metadados representam a descrição
"bibliográfica"
de recursos
eletrônicos,
termo este que,
apesar de advir
etimologicamente de livro (biblio) e escrita (grafia), não deve ser entendido apenas
abrangendo a descrição do ponto de vista de documentos bibliográficos convencionais,
mas, neste caso, também os atuais suportes para a difusão do conhecimento. Talvez
uma outra maneira de expressar este sentido pudesse ser: tratam de representar a
informação eletrônica, ou informação digital, dispersa nas infovias, descrevendo-a
como um recurso eletrônico, ou um recurso virtual de informação.
Levando em consideração o arranjo dos dados em sistemas de informação,
SOUZA, CATARINO e SANTOS (1997, p.93-94) concordam em dizer que as
descrições que localizam e dão significado às informações disponíveis em bancos de
dados são chamadas de metadados, definindo-os como "descrições de dados
armazenados em banco de dados, ou como é comumente definido ‘dados sobre dados a
partir de um dicionário digital de dados’".
14
Disponível em: http://www.ukoln.ac.uk/metadados/desire/overview/ver_ti.htm
27
ANDRADE e CARVALHO (1999, p.20) consideram que "metadado é
informação descritiva sobre o conteúdo e a organização do dado que pode ser
recuperado, manipulado e apresentado de diferentes formas, podendo ser simples e
não-estruturado tal como uma descrição textual, ou estruturado e complexo, como um
dicionário de dados usado para controlar múltiplos bancos de dados". Sob este aspecto,
TENNANT (1998a, p.1) explica que "metadado, simplificadamente, é a informação
estruturada sobre a informação", assegurando que estruturada é a questão-chave.
Neste particular, a conceituação de TAYLOR (1999, p.1) é privilegiada por
comportar a questão da estruturação dos metadados, pois, segundo o autor, "metadados
são dados estruturados que descrevem as características de um recurso". Do mesmo
modo, TAKAHASHI (2000, p.172) conceitua metadados como "dados a respeito de outros
dados, ou seja, qualquer dado usado para auxiliar na identificação, descrição e localização
de informações. Trata-se, em outras palavras, de dados estruturados que descrevem as
características de um recurso de informação".
Para GOMES (2000, p.2), os bibliotecários estão contribuindo com cientistas
da computação na busca de uma solução estruturada para "as indicações de categorias
de dados para que os browsers possam encontrar as informações requeridas pelos
usuários", indicações estas que a autora denomina de metadados.
Também pensando no usuário, uma vez que, em benefício deste é que os
produtos e serviços de informação são projetados, DEMPSEY e HEERY (1998, p.149)
dão uma definição formal para metadados, qual seja: "metadados são dados associados
a objetos, que auxiliam seus usuários potenciais para obter um conhecimento completo
sobre sua existência ou características", e complementam afirmando que "metadados
são conhecimentos que permitem usuários humanos e automáticos agirem com
inteligência". Interessante observar que esses três autores associam a questão da
recuperação ao conceito de metadados, ponto este de extrema importância atualmente
nas discussões sobre o uso da Internet.
GARDER (1997, p.1) amplia a visão sobre metadados sustentando que "para
os administradores de tecnologia da informação, metadados são mais do que dados
28
sobre dados, é informação sobre o empreendimento". No contexto de data warehouse,
o termo refere-se a alguma coisa que define o objeto da data warehouse, tal como uma
tabela, questão, relatório, regra de negócio ou algoritmo".
Da mesma forma, INMON, WELCH e GLASSEY (1999, p.358, 73) definem
metadados como "a descrição da estrutura, conteúdo, chaves, índices de dados, etc.". Os
autores tratam os metadados como "o centro nervoso do data warehouse", afirmando
que sem os quais "o data warehouse e seus componentes associados no ambiente
projetado são meramente componentes soltos funcionando independentemente e com
objetivos separados".
PASQUINELLI,15 citado por CLIVERS e FEATHER (1998, p.365), além de
definir metadados como dados sobre dados, como os demais autores, defende o
princípio de estar embutida nesta definição a informação sobre o contexto do dado, o
conteúdo do dado e o controle de e sobre o dado.
Como se pode observar, os autores apresentam diferentes conceitos para
metadados conforme o tipo e objetivo de sua aplicação. Contudo, decompondo o
termo, para se chegar a sua essência, verifica-se que o prefixo grego meta é definido
no dicionário MICHAELIS (1998, p.1363) como um termo que "exprime a idéia de
depois de, sucessão" e, por STAIR (1998, p.4), como um termo que indica uma ordem
superior. Para dados selecionou-se, entre inúmeras definições, a do próprio STAIR:
"são fatos em sua forma primária". Isto leva à conclusão que, apesar de o conceito de
metadado poder assumir diferentes níveis de extensão, o fator primordial que o rege é
seu princípio: dado/informação que descreve um recurso de informação, possibilitando
sua identificação, caracterização e localização.
15
PASQUINELLI, A. (Ed.). Information technology directions in libraries: a Sun
Microsystems white paper: August 1997. Disponível em: <http://www.sun.com/products-n-solutions/
edu/libraries/libtechdirection.html>
29
3.2
ORIGEM
Para HUC, LEVOIR e NONON-LATAPIE (1997, p.2), "o conceito de metadados
originou-se em sistemas gerenciais de grandes coleções de objetos (nos museus e nas
bibliotecas por exemplo). Hoje, o principal uso é na área das coleções de dados digitais".
De acordo com WEIBEL (1997, p.9), metadados foram "originalmente
concebidos para a descrição da geração de autor nos recursos da Web, foi também atraído
para a descrição de recursos formais de comunidades como museus e bibliotecas".
MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.3) afirmam que
a idéia de metadados como conceito novo surgiu fora do contexto tradicional e da área
bibliográfica. Como arquivos de dados, especialmente dados geoespaciais, foram
desenvolvidos, ficou evidente que seriam exigidos substitutos para prover mais informação
sobre os conteúdos dos dados. Um crescente número e tipos de objetos têm sido
disponibilizados digitalmente, mas foi reconhecido que dados crus têm pouco valor sem
informações sobre como foram coletados, seu propósito, formatos, plataformas de visualização
e manipulação, e restrições para reprodução e reutilização, além de mais informações
convencionais para sua identificação, como autor ou produtor, título, assunto e resumo.
Concorda-se com SOUZA, CATARINO e SANTOS (1997, p.94-95) quando
afirmam que "a tecnologia metadados está surgindo em função da necessidade das
organizações conhecerem melhor os dados que elas mantêm e conhecer com mais
detalhes os dados de outras organizações". As autoras resumem a sua origem
deduzindo que "a descrição por metadados surgiu com a necessidade de se criar
estrutura para a descrição padronizada de documentos eletrônicos, para tornar possível
e mais efetiva a recuperação da informação na Internet".
A origem da utilização de metadados na Web pode ser sintetizada em um breve
histórico que se inicia em outubro de 1994 quando Tim Berners-Lee, criador da Web,
fundou, em colaboração com o Counseil European Pour la Recherche Nucleari (CERN),
o World Wide Web Consortium (W3C) no Laboratory for Computer Science (LCS), do
Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), com os objetivos de:
a) tornar a Web acessível mundialmente;
b) desenvolver mecanismos semânticos para a Web de modo a otimizar o
uso dos recursos disponíveis; e
30
c) direcionar a Web para o desenvolvimento de tecnologias confiáveis, legal,
comercial e socialmente.
Desde então, os esforços do W3C concentram-se em três princípios:
a) visão: se a Web é verdadeiramente um espaço informacional, então seus
pesquisadores e engenheiros devem contribuir para que o W3C seja capaz
de identificar os requisitos técnicos necessários para a satisfação dos
usuários da Web;
b) design: projetar tecnologias para a Web levando em consideração não
apenas as tecnologias existentes atualmente, mas as possibilidades
futuras; este princípio, por sua vez, está pautado em três componentes:
interoperabilidade, evolução e descentralização; e
c) padronização: produzir recomendações que especifiquem e promovam a
funcionalidade e universalidade da Web.
Fundamentado em seus objetivos e princípios, o W3C iniciou suas atividades
nas áreas tecnológica e política da Web, dentre as quais desenvolveu, a partir de
outubro de 1995, a Plataform for Internet Content Selection (PICS), ou seja, uma
plataforma para a seleção de conteúdos da Internet, fazendo uso, pela primeira vez, de
metadados na Web. De acordo com MILLER (1998, p.2), trata-se de um mecanismo
para comunicar categorizações das páginas Web de um servidor para os clientes, sem
contudo pré-fixar um conjunto de categorias, mas permitir que diferentes organizações
e pessoas possam classificar as páginas Web de acordo com seus objetivos e valores, a
fim de selecionar ou restringir o acesso àquelas páginas que não vão ao encontro de
seus interesses.
Em face da emergente e urgente necessidade de aplicar novas tecnologias ao
tratamento dos recursos virtuais, especialmente os metadados, profissionais da
informação, mais especificamente bibliotecários e pesquisadores da Ciência da
Informação, pronunciaram-se, e continuam a pronunciar-se, afirmando que os princípios
que estão sendo colocados na atual teoria para o processamento de recursos virtuais nada
mais são do que os princípios do tratamento da informação, que vêm sendo aplicados aos
31
objetos físicos incorporados a acervos documentários em unidades de informação ao
longo de toda a prática bibliotecária, porém com instrumentos e equipamentos de alta
tecnologia. Sobre esta discussão, a seção 4, Paradigmas do Tratamento da Informação,
aborda o assunto com maior particularidade.
3.3
FUNÇÕES
Embora as funções dos metadados sejam diversas, todas se voltam a um ponto
comum: servir de elemento de ligação entre criação/criador da informação e usuário.
De maneira genérica, de acordo com COSTA (2000, p.2) "os metadados são
utilizados para descrever as características de um documento e seus relacionamentos
com outros documentos".
FROEHLICH (1998, p.17), discorrendo sobre a política de informações na
Internet, destaca que "é preciso estruturar estratégias de metadados a fim de facilitar as
necessidades dos usuários" quando buscam informações.
Sob o ponto de vista da consideração ao usuário, GARDNER (1997, p.1) afirma
que "a administração de metadados dá ao usuário maior controle dos dados da corporação
provendo um mapa de alocação, de onde o dado está armazenado. Provê também um
esquema que mostra como um tipo de informação deriva de outro".
Há que se considerar, contudo, a observação de MILSTEAD e FELDMAN
(1999, p.3) quando ressaltam que os "metadados não podem servir completamente a
seu propósito, a menos que estejam sujeitos a uma certa quantia de padronização",
fator este merecedor de atenção em grande parte da literatura.
MAGUIRE (1997, p.18) já mencionava, há quatro anos, que o interesse e as
atividades com metadados na Austrália eram muito grandes, envolvendo bibliotecários,
arquivistas, museólogos, administradores de redes, administradores da informação e
pesquisadores de tecnologias da informação, na busca por tornar a informação eletrônica
realmente útil a um custo adequado, mas que encontrar um fórum comum para discussão
e cooperação não era muito fácil.
32
Da mesma forma, países como os Estados Unidos, a Noruega, a Alemanha, a
Dinamarca, a França, a Holanda, a Noruega, a Suécia, entre muitos outros, empenhamse a estudar os metadados na intenção de empregá-los como meio para a organização e
a recuperação de recursos virtuais.
Sob a ótica da função organizadora das informações disponíveis na Internet,
efetivos usuários desta rede a criticam afirmando que a mesma se encontra num
estágio problemático devido a dois fatores: excesso de informações e falta de
possibilidade de confiança em seus dados. Neste sentido, DAVENPORT (1999, p.1)
afirma que a Rede "não pode ser considerada uma fonte estruturada de informação", e
cita as palavras do criador da Web, Tim Berners-Lee: "Os mecanismos de busca
perdem-se em meio à massa indiferenciada de documentos que oscilam muito em
termos de qualidade, atemporalidade e relevância da informação. Precisamos de
informação sobre a informação, ‘metadados’, informação que nos auxilie como
organizar a própria informação".
Com o mesmo sentido de representar e organizar a informação, SOUZA,
CATARINO e SANTOS (1997, p.94), declaram que "a finalidade principal dos metadados é
documentar e organizar de forma estruturada os dados das organizações com o objetivo de
minimizar a duplicação de esforços e facilitar a manutenção dos dados".
Na tentativa de sintetizar as funções dos metadados, EFTHIMIADIS e
CARLYLE (1997, p.5) afirmam que estes:
a) "podem aumentar a probabilidade de o recurso pertinente ser recuperado,
prover uma clara avaliação do assunto e aperfeiçoar a habilidade do
usuário para distinguir entre fontes similares", e
b) prover um índice ou um diretório sobre o recurso descrito, descobrindo se
o recurso existe e como acessá-lo e obtê-lo.
BERNARDINO (1998, p.5) reforça o sentido de um índice, afirmando que
"o objetivo primário do metadado é fornecer um guia completo sobre o recurso de
dados".
Em um estudo de caso efetuado por CLIVERS e FEATHER (1998, p.369), os
autores sintetizaram as razões apontadas pelas organizações para a necessidade do uso
33
de metadados, quais sejam: localizar dados, dar significado aos dados e manter o
acesso aos dados.
Propósitos adicionais à descoberta, ao acesso, à recuperação e à localização de
recursos eletrônicos são enumerados por TAYLOR (1999, p.5), quais sejam:
a) controle administrativo;
b) segurança;
c) informação pessoal;
d) gestão da informação;
e) classificação de conteúdos;
f) identificação de recursos;
g) gestão dos direitos autorais; e
h) preservação.
Conclui-se que, diante da dimensão que os metadados podem atingir, se
devidamente sistematizados e estruturados de acordo com a função que lhes é
atribuída, converte-os em uma poderosa ferramenta para a gestão de sistemas de
informações digitais.
3.4
PRODUÇÃO
Por produção de metadados entende-se a inserção da informação rotulada em
ou sobre um recurso virtual, a fim de possibilitar sua catalogação em redes de
informação, para posterior recuperação. De acordo com o conceito que cada autor
atribua aos metadados, também a concepção de produção assume diferentes
amplitudes, como se observa a seguir.
MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.3) consideram que, em sistemas de
informação,
metadados podem ser criados sempre que se criar um objeto, ambos por ou sob os
auspícios de seu criador. Eles também podem ser adicionados depois como parte do
processo de catalogação tradicional. O primeiro modo de criação é supostamente o
predominante, em grande parte porque os métodos tradicionais (de catalogação e
indexação) simplesmente não podem concorrer com o volumoso e crescente número de
objetos eletrônicos existentes.
34
De acordo com TAYLOR (1999, p.2), metadados podem ser produzidos de
diferentes formas:
a) embutidos em uma página Web pelo seu criador ou agente criador,
utilizando meta tags na codificação HTML da página;
b) como um documento HTML independente, vinculado ao recurso que o
descreve; ou
c) em um banco de dados associado a um recurso, podendo cada qual ser
criado diretamente dentro do banco de dados ou extraído de outra fonte,
como de uma página Web.
O ideal, ainda de acordo com TAYLOR (1999, p.10), é que os metadados
fossem criados utilizando-se ferramentas específicas, com seus respectivos manuais
estabelecendo critérios mínimos e suportando:
a) a inclusão de uma sintaxe para o modelo (por exemplo: o nome do
elemento, os sub-elementos, o qualificador e a codificação HTML);
b) um conteúdo default que pudesse ser sobrescrito;
c) conteúdos selecionados de uma lista de limitadas escolhas (por exemplo:
função, tipo, formato); e
d) a validação de elementos, sub-elementos, esquemas e valores obrigatórios.
Por ser um tema que está em fase de desenvolvimento, e portanto definindo-se
com respeito a critérios para sua melhor forma de produção e aplicação, verifica-se uma
certa inquietude por parte de autores da área da Ciência da Informação, sustentada pela
prática na área do tratamento normalizado de grandes massas de informações
documentárias. Esta preocupação é levantada por MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.6-7),
que indagam:
a) quem deve atribuir/criar os metadados aos documentos quando inseridos
em vias eletrônicas?
b) quem tomará a decisão final sobre quais campos usar e qual proposta não
apoiar entre as concorrentes?
c) quem aplicará metadados?
35
d) apesar da existência de vocabulários controlados, como criaremos um que
atinja todos os assuntos e idéias, incluindo aquelas criadas hoje?
Neste mesmo sentido, EFTHIMIADIS e CARLYLE (1997, p.5) fazem alguns
questionamentos sobre as implicações na produção de metadados, tais como:
a) qual o preço da "catalogação"?
b) quem fará a descrição?
como poderão ser acomodadas as necessidades de diferentes comunidades
nos diferentes tipos de metadados?
d) podem ou deveriam os extraordinários recursos heterogêneos serem
alocados em uma simples estrutura?
e) em que nível de detalhes e estrutura devem as descrições serem
padronizadas? quando e por quem?
f) como podemos garantir que, uma vez descrito, podem ser localizados ao
longo de sua existência?
g) como podemos negociar com conteúdos dinâmicos dos vários recursos?
Para ANDRADE e CARVALHO (1999, p. 24-25),
grandes são os problemas de definição e aplicação dos metadados, por serem aplicados
pelos próprios criadores dos objetos que não se preocupam em atualizar e adaptar os
mesmos ao universo do conhecimento. Alguns, com o objetivo de aumentar o índice de
visitas em seus sites, abarrotam os documentos com termos inadequados, repetições de
uma mesma palavra aumentando sua incidência, ou uso indiscriminado de sinônimos,
obrigando a várias pesquisas sobre um mesmo documento.
Pode-se depreender, portanto, que a inserção e disponibilização de um
recurso eletrônico em rede não é uma tarefa simples. Há que se ter, no mínimo,
conhecimentos básicos relativos:
a) à volatilidade da informação;
b) às técnicas do processo de tratamento da informação, tanto do ponto de
vista da Informática como da Ciência da Informação;
c) aos instrumentos disponíveis para auxiliar o processo de tratamento da
informação;
36
d) à exigência de padrões mínimos para garantir o retorno preciso nas buscar
da informação;
e) à diversidade de necessidades do usuário potencial e de necessidades
específicas de usuários de uma comunidade.
Conclui-se que a grande experiência da Ciência da Informação na produção de
registros bibliográficos leva os profissionais da área a não permitirem que sistemas de
informação virtuais sejam criados na perspectiva de não cumprirem com seus objetivos
pela precipitação na geração de produtos e serviços sem o devido planejamento de
critérios essenciais para sua eficácia. Por esse motivo, verifica-se o crescente
envolvimento destes profissionais em estudos e implementações de sistemas
automatizados, para que, em um trabalho integrado com os demais profissionais,
compartilhem conhecimentos e somem esforços na geração de mecanismos que supram as
necessidades e expectativas do trabalho com informação, especialmente no que se refere à
análise e produção de dados acerca do imenso estoque de recursos de informação que vem
está sendo progressivamente gerado.
3.5
ESTRUTURA
Estruturar
metadados
é
atribuir-lhes
uma
forma
sistematizada de
processamento, de maneira a possibilitar a integração sintática entre diferentes redes e
sistemas e a integração semântica entre diferentes representações do conhecimento.
No caso da aplicação de metadados para bibliotecas digitais, TENNANT
(1998a, p. 30) identifica três categorias:
a) metadados descritivos: equivalente à descrição bibliográfica e à
indexação da fonte;
b) metadados estruturais: descrevem como a fonte está estruturada, quais
arquivos estão interligados, dispondo caminhos para se navegar na fonte
digital;
c) metadados administrativos: descrevem como os arquivos digitais foram
produzidos e suas propriedades.
37
SOUZA, CATARINO e SANTOS (1997, p.95), em um estudo sobre o assunto,
concluíram que
o metadado é estruturado com os elementos de descrição do conteúdo dos dados. Cada
bloco de informações deve conter, por exemplo, autor, título, data de publicação etc. e cada
campo poderia conter as seguintes informações: nome do campo, descrição do campo, tipo
de dados, formato etc. e qualquer informação que seja relevante para a recuperação da
informação. Os elementos que comporão os metadados são de livre escolha, ou seja, são
abertos.
Além de defender a necessidade de uma estruturação padrão para os
metadados, MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.2) insistem na necessidade de se
estabelecer uma terminologia padrão, dizendo que "não beneficia ninguém ter campos
etiquetados como ‘criador’, ‘autor’, ‘escultor’ ou ‘compositor’ se estes campos, os
quais têm a mesma função, não podem ser mapeados para o mesmo simples conceito".
Uma das mais importantes características da estruturação dos metadados, conforme
SAN SEGUNDO MANUEL (1998, p.1), é a "...capacidade de relações ou de estabelecer
conexões" entre informações de diferentes tipos, integrando formas heterogêneas de
fontes de informação, bem como diferentes formatos de bases de dados.
MILLER (1998, p.1) destaca que:
o uso eficiente de metadados pelas diversas aplicações, contudo, requer convenções comuns
sobre semântica, sintaxe e estrutura. Comunidades individualizadas de descrição de recursos
definem a semântica, como o significado, de metadados que atendem a suas necessidades
particulares. A sintaxe, o arranjo sistemático de elementos dos dados para processamento em
máquina, facilitam o intercâmbio e uso de metadados dentre as múltiplas aplicações. A
estrutura pode ser imaginada como um contingenciamento formal sobre a sintaxe para a
representação consistente da semântica.
De um ou de outro ponto de vista, o fato é que as categorias que descrevem
metadados precisam ser predefinidas, especificando atributos ao valor que lhes será
associado, fator este que lhes dá uma estrutura.
A estrutura física de um metadado é, em suma, uma entidade formada por um
conjunto predeterminado de elementos, cada qual tendo um rótulo ou etiqueta (tag) e seu
correspondente atributo, ao qual associam-se um dado ou uma informação, também
denominado valor que, na realidade, representa o conteúdo do elemento.
38
Essa estrutura básica que separa o conteúdo de seu atributo, se devidamente
aplicada pelas linguagens de marcação capazes de agregar semântica à sintaxe, por
meio de uma codificação apropriada, é condição sine qua non para a
interoperabilidade de sistemas e para um resultado satisfatório na busca por
informações específicas.
3.6
PADRÕES E MODELOS
Os padrões de metadados "têm como função fornecer as definições e formar
uma rede para automatizar registros de propriedades e dados cadastrais de uma forma
padronizada e consistente" e podem ser vistos como:
a) padrões de conteúdo dos metadados;
b) padrões de intercâmbio de dados por meio eletrônico;
c) padrões para modelos de dados (SOUZA, CATARINO e SANTOS, 1997,
p.95-96).
Com o mesmo entendimento, COSTA (2000, p.2) é de opinião que
a obtenção de informações na Web requer uma organização dos documentos no que diz
respeito aos seus metadados, pois a catalogação não se resume apenas na leitura das
características (propriedades) de um documento, mas também na interpretação dessas
características. Quanto mais informações sobre o documento for fornecida, mais fácil será
a pesquisa e a manutenção do mesmo na Web. Tais informações devem obedecer a padrões
de representação do documento e de seus metadados.
RYSSEVIK e MUSGRAVE (2000, p.3) consideram que "para um arquivo de
dados globais que oferece uma interface integrada, a normalização dos metadados não é
somente desejável, mas sim, necessária. Ao longo dos anos, inúmeras iniciativas têm
sido criadas para estabelecer padrões de metadados, mas nenhuma tem alcançado o nível
satisfatório de aceitação para ser considerada um êxito".
De acordo com CLIVERS e FEATHER (1998, p.366), muitos formatos
estruturados de metadados já existiam há cerca de três anos, variando quanto ao
estágio de desenvolvimento e quanto ao nível de complexidade, cada qual com seus
méritos e suas fraquezas.
39
Para TAYLOR (1999, p.5), há centenas de esquemas estruturados de
metadados e este número está crescendo rapidamente em função das diferentes
comunidades procurarem atender às necessidades específicas de seus membros.
O método para se conseguir chegar ao ideal de um catálogo coletivo para
recursos virtuais, no entender de TENNANT (1998c, p.38), é criar um "agente
inteligente" (uma ferramenta de busca especial) que possa rastrear periodicamente as
bibliotecas digitais à procura do que se deseja, mas os requisitos mínimos para se ter
sucesso neste tipo de tecnologia são:
a) que o agente saiba onde achar as bibliotecas digitais;
b) que o agente tenha a capacidade de interrogar estas bibliotecas
adequadamente;
c) que o agente possua um método de processar as respostas das buscas num
formato comum para mesclá-las e possibilitar seu manuseio.
A escolha do padrão e dos elementos a serem utilizados na elaboração de um
modelo de metadados deve, segundo TAYLOR (1999, p.7), basear-se em três fatores:
a) as necessidades específicas da comunidade local para maximizar a busca
e a gestão das informações;
b) não atribuir maior valor ao processo de criação e manutenção de
metadados, do que ao propósito para o qual foi concebido, prejudicando o
alcance de seus objetivos e, portanto, tornando contraproducente sua
aplicação;
c) a capacidade de sustentar o esquema dos metadados em termos de manter
os registros atualizados.
Um padrão que poderia ser adotado para a produção automática de catálogos e o
intercâmbio de dados é o Formato MARC: instrumento de padrão internacional que
estabelece a estrutura de um registro bibliográfico a fim de ser lido e interpretado pelo
computador. Entretanto, TENNANT (1998a, p.30) considera que para alguns casos ele é
40
muito complexo e requer pessoas altamente especializadas, assim como também está
voltado para objetos físicos e não para recursos virtuais.
Para resolver o problema da diversidade estrutural e da necessidade de
compatibilização entre sistemas de informação, diante da atual complexidade da rede
mundial, o W3C, organização responsável pelos padrões da Web, tem se ocupado com
os desafios técnicos e sociais que envolvem a interoperabilidade de sistemas, tentando
definir padrões mínimos compatíveis por todos os navegadores, a fim de facilitar a
interpretação dos recursos virtuais com seus respectivos metadados e proporcionar
segurança, internacionalização e acessibilidade a Web.
É importante salientar que o estabelecimento de padrões não deve vincularse às tecnologias disponíveis na atualidade, mas a diretrizes e princípios básicos a
serem aplicados independentemente do estágio de evolução destas tecnologias, a fim
de possibilitar sua vida útil no decorrer dos tempos.
A atual procura de ferramentas para manipulação e administração de dados
tem resultado, de acordo com GARDER (1997, p.47), em produtos de tecnologia da
informação que processam metadados diferentemente, e esta situação evidencia a
necessidade de padronização de metadados. Para os autores, é preciso desenvolver
uma linguagem comum de comunicação antes de se construir padrões, o que envolve
bons processos de entendimento e comunicação para nomear os elementos de
metadados, para padronização dos tipos e tamanhos dos metadados e para manutenção
de um glossário descritivo.
A concepção de um formato que unifique os dados necessários para descrever,
identificar, processar, localizar e recuperar recursos virtuais, beneficiando mantenedores e
usuários de sistemas de informação introduzidos em redes, levou profissionais e entidades
a estabelecerem padrões mínimos que direcionem aplicações com metadados. Dentre
estas iniciativas destaca-se o modelo Dublin Core, o qual está caminhando para assumir
um carácter de padrão internacional, uma vez que tem tido ampla aceitação nas
41
comunidades virtuais, e o padrão GILS, para a identificação e descrição de informações
governamentais com o intuito de torná-las recuperáveis.
3.6.1
Dublin Core
O padrão Dublin Core (DC), desenvolvido a partir de 1994 por iniciativa de
um grupo de bibliotecários e especialistas, coordenados por um especialista da Online
Computer Library Center (OCLC), tornou-se realidade no Dublin Metadata Workshop,
realizado em março de 1995, na cidade de Dublin, Ohio, USA, quando foram
estabelecidos 13 elementos mínimos para a descrição dos documentos eletrônicos,
estes incrementados posteriormente para 15, e denominados Dublin Metadata Core
Element Set (conhecidos como Dublin Core).
TAYLOR (1999, p.5-6) classifica estes elementos em categorias, segundo o
tipo de informação (quadro 1):
QUADRO 1 - ELEMENTOS DUBLIN CORE, POR CATEGORIA
CONTEÚDO
Título
Assunto
Descrição
Fonte de onde deriva
Idioma
Relação com outros recursos
Cobertura geográfica e temporal
PROPRIEDADE INTELECTUAL
Criador
Editor
Colaborações
Direitos autorais
MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
Data
Tipo
Formato
Identificador
Cada elemento Dublin Core foi definido de acordo com os dez atributos do
padrão ISO/IEC 11179,16 quais sejam:
a) nome: o rótulo do elemento;
b) identificador: o identificador único atribuído ao elemento;
16
A ISO/IEC 11179 é uma norma internacional da área de Tecnologia da Informação que
especifica e padroniza os elementos de dados em seis partes: estrutura, classificação, atributos básicos,
normas e diretrizes para sua definição, denominação e identificação, e registro (ftp://sdctsunsrv1.ncsl.nist.gov/x318/1179).
42
c) versão: a versão do elemento;
d) direitos autorais: entidade autorizada para registrar o elemento;
e) idioma: o idioma no qual o elemento foi especificado;
f) definição: uma frase que representa claramente o conceito e a natureza
essencial do elemento;
g) obrigatoriedade: indicação se o elemento deve ou pode ter um valor;
h) tipo: indicação do tipo de dado que deve representar o valor do elemento;
i) ocorrências: indicação do limite de repetitividade do elemento;
observação: nota sobre a aplicação do elemento.
O apêndice 1 apresenta a lista dos elementos e suas respectivas
características, para melhor entendimento sobre o padrão.
MILSTEAD e FELDMAN (1999, p.11) afirmam que "...se é para existir uma
língua franca para metadados, o Dublin Core será, mas no nível básico".
WEIBEL,17 citado por SOUZA, VENDRUSCULO e MELO (2000, p.93),
garante que
o Dublin Core não tem a intenção de substituir modelos mais ricos como o código
AACR2/MARC, mas apenas fornecer um conjunto básico de elementos de descrição que
podem ser usados por catalogadores ou não-catalogadores para simples descrição de
recursos de informação.
Entre os profissionais habituados ao trabalho automatizado nas bibliotecas
tradicionais, é comum encontrar a comparação do Dublin Core com o formato MARC,
verificando-se a afirmativa de que o Dublin Core é para a biblioteca eletrônica o que o
MARC é para a biblioteca tradicional.
Segundo WEIBEL (1997, p.9) o Dublin Core se encaixa em diversas
categorias:
a) simplicidade – tem a intenção de ser usado por qualquer pessoa, ou
mesmo por autores ou criadores de páginas Web, isto é, pessoas que
17
WEIBEL, S. The Dublin Core: a simple content description model for eletronic
resources. Bulletin of the American Society for Information Science, p. 9-11, Oct. 1977.
43
desconheçam o processo de catalogação tradicional, pois seu modelo não
é de uma complexa descrição, mas de dispositivos centrais de descrição
de elementos;
b) interoperabilidade semântica – apesar das diferentes necessidades de cada
área, há um conjunto de elementos comuns que servem a qualquer área e
necessidade;
c) consenso internacional – contou com a participação de diversos países do
mundo;
d) flexibilidade – tem flexibilidade suficiente para codificar estrutura
adicional apropriada para cada aplicação;
e) modulação na Web – objetivado para descobrir recursos, pode ser funcional
para outros objetivos como arquivo administrativo, por exemplo.
Ainda segundo WEIBEL (1997, p.10), os modelos para o emprego do Dublin
Core na Web são:
a) metadados embutidos: embutir em documentos HTML (usando o meta
tag). A vantagem é que os metadados não precisam de um sistema
adicional, pois integram o recurso e podem ser colhidos pelos agentes
indexadores da Web;
b) metadados terceirizados: uma entidade coleta e administra registros de
metadados que apenas referenciam os recursos, mas não estão embutidos
nestes, como os catálogos de uma biblioteca; serve também para agências
de desenvolvimento que podem ajustar as etiquetas dos recursos
conforme critérios de conveniência e aceitabilidade;
c) filtro panorâmico: uma entidade administra a variedade de dados
existentes na Web e mapeia os diversos esquemas de descrição num
dispositivo comum, dando ao usuário um simples modelo.
O Dublin Core tem recebido ampla aceitação na comunidade de informações
eletrônicas e, segundo TAYLOR (1999, p.7-8), uma série de vantagens podem ser
elencadas:
a) sua utilidade e flexibilidade;
44
b) a semântica de seus elementos está claramente designada para ser
entendida por todos os usuários, sem a necessidade de treinamento;
c) seus elementos são facilmente identificáveis;
d) tem a intenção de descrever somente as características essenciais que
proporcionam a descoberta do recurso de informação;
e) tem independência de sintaxe para poder se adaptar à ampla gama de
aplicações;
f) a princípio todos os seus elementos são opcionais;
g) seus elementos são repetitivos;
h) seus elementos podem ser modificados por meio de qualificadores
específicos;
i) pode ser estendido para atender à demanda de comunidades específicas.
Um levantamento dos projetos baseados no padrão Dublin Core nos diversos
países pode ser encontrado no anexo 1 do documento Informação para a Internet, de
Marcia Izabel Fugisawa SOUZA et al. (2000).
Um exemplo de um recurso que utiliza metadados Dublin Core embutidos na
página HTML é apresentado no anexo 1.
3.6.2
GILS
De acordo com a Superintendent of Document, do Government Printing
Office (GPO), dos EUA, o The United States Federal Government Locator Service
(GILS) é um esforco para identificar, localizar e descrever publicamente recursos
federais de informação, incluindo recursos eletrônicos. É uma coleção descentralizada
de agências que usam a tecnologia de rede e padrões internacionais para direcionar
usuários para informações relevantes do governo federal americano (ESTADOS
UNIDOS, 2001, p.1).
O padrão GILS tem por objetivo facilitar a busca de informações de todos os
tipos, em todos os suportes, em todos os idiomas e a qualquer tempo.
45
Informações sobre o GILS podem ser obtidas em diversos sites na Internet,
entre os quais o http://gils.net/, do qual foram selecionados os dados básicos que
seguem (GLOBAL..., 2001).
Inicialmente desenvolvido nas bibliotecas e comunidades de serviços de
informação, hoje o GILS está presente na Internet e outras redes eletrônicas, sendo
inclusive utilizado pelos países membros do G-7 (Alemanha, EUA, França, GrãBretanha, Japão, Itália e Canadá).
O GILS provê um padrão para o desenvolvimento de um serviço localizador
de informações, projetado para identificar e descrever recursos de informação e para
auxiliar as ferramentas de busca na obtenção da informação. Utilizando-se das atuais
tecnologias de rede, o GILS tem as características da interoperabilidade, sem ser
restritivo, e da coerência, sem centralizar o sistema.
Padrão internacional, baseado na ISO 23950,18 o GILS especifica como
expressar a busca e como o resultado deve retornar, não se envolvendo na
administração de servidores de rede, nem na forma como o usuário utiliza os registros.
De aplicação eficiente em qualquer ambiente operacional, o GILS tem se posicionado
bem no desenvolvimento de redes para a busca de informações.
Além de sugerir 45 elementos opcionais para a descrição de recursos de
informação, o GILS considera como obrigatórios outros 22 elementos:
1)
agência/programa superior;
2)
contato para maiores informações;
3)
data da última modificação;
4)
disponibilidade;
5)
fonte de registro;
6)
fonte dos dados;
7)
identificador de controle;
18
A norma ISO 23950, Information retrieval Application Service Definition and Protocol
Specification for Open Systems Interconnection, é um padrão para busca de informações que suporta
pesquisa em texto completo e em grandes e complexas coleções de documentos.
46
8)
identificador de controle original;
9)
índice de assunto local;
10) informação suplementar;
11) metodologia;
12) número administrativo;
13) originador;
14) período coberto;
15) propósito;
16) referência cruzada;
17) referência geográfica;
18) restrições de acesso;
19) restrições de uso;
20) resumo;
21) título;
22) vocabulário controlado.
Em função da descentralização da coleção de recursos, o governo americano
disponibiliza o site GPO Access, portal que agrega informações de 32 agências federais
dentre todas as estatais. Um exemplo de um recurso que utiliza metadados padronizados
pelo GILS, na apresentação dos recursos, é demonstrado no anexo 2.
3.7
LINGUAGENS DE MARCAÇÃO PARA A DESCRIÇÃO DE METADADOS
As linguagens de marcação destinadas a rotular cada elemento informacional
presente nos recursos virtuais, descrevendo-os, são também denominadas de
linguagens hipertextuais.
Inicialmente, segundo McQUEEN e BURNARD (2000, p.1), a palavra
"marcação" foi usada para descrever uma anotação, ou outra marca dentro de um texto,
para instruir o datilógrafo sobre as particularidades a serem consideradas na impressão de
um texto; porém, quando a formatação e a impressão de textos tornou-se automática, o
termo foi estendido para cobrir todos os tipos especiais de códigos de marcação inseridos
nos textos eletrônicos para sua formatação, impressão ou outro processo.
47
BAX (2000, p.2, 5) considera que "a partir destas descrições, os programas de
computador podem melhor compreender e, em conseqüência, melhor tratar ou processar
as informações contidas em documentos eletrônicos" e "a utilização de padrões de
marcação internacionais abertos (...) permite assim a criação de documentos portáveis,
i.e., documentos que não são dependentes de um determinado software, hardware, ou
sistema operacional". Ainda segundo esse autor,
as linguagens de marcação libertam a informação da "prisão" dos formatos proprietários.
Além disso, permitem múltiplas apresentações do documento, de forma totalmente
independente da mídia de veiculação, monitores, celulares, impressora, interpretador
braile, televisão, etc. A aplicação que deve tratar a informação é que se encarrega de
interpretar as marcas e processá-las, para efeitos de estilo, ou outros processamentos"
(BAX, 2000, p. 5).
Para McQUEEN e BURNARD (2000, p.1), as linguagens de marcação
precisam especificar quais códigos, ou marcas, podem ser usadas, quais códigos são
requeridos, quais códigos distinguem as marcação do texto propriamente dito e o que
os códigos significam.
As linguagens de marcação abordam dois tipos de especificações dos
recursos virtuais:
a) estilo e a apresentação; e
b) identificação do conteúdo.
Em ambos os tipos de especificações, as marcações, ou comumente
denominadas tags, estão inseridas entre os sinais menor e maior (< >). Um par desses
sinais delimita seu início e final, em cujo centro está a informação que deve sofrer a ação
da tag ou simplesmente a informação pertencente a tag. Exemplos de tags são:
...projetos que examinam o <i>Dublin Core</i> e o expandem...
<TITLE>Metadados em documentos digitais</TITLE>
As tags podem estar presentes em todo o recurso de informação, porém sua
alocação depende de sua função, podendo, inclusive, estar embutidas umas nas outras.
Existe um tipo de marcação, chamada de meta tag, onde atributos são
definidos na forma nome = "valor", permitindo que a informação deste campo possa
ser lida pelos browsers e pelas ferramentas de busca, e provocar algumas ações, entre
elas, a indexação destas informações nas suas bases de dados, para futura recuperação
e reuso do recurso. Exemplos de meta tags são:
48
<META NAME="Description" CONTENT="Coleção de fotos sobe ecoturismo no Paraná">
<META NAME= "Keywords" CONTENT="Ecoturismo, Paraná, Brasil, Turismo, Caminhos de
tropeiros>
A figura 1 apresenta a evolução e a derivação de algumas das linguagens
antes e após a determinação da PICS.
FIGURA 1 - EVOLUÇÃO E DERIVAÇÃO DE ALGUMAS
TRATAMENTO DE RECURSOS VIRTUAIS
LINGUAGENS
DE
MARCAÇÃO
PARA
O
SGML
HTML
Plataform for Internet Content Selection (PICS)
XHTML
Netscape
MCFXM
Microsoft
XMLDATA
XML
RDF
Dublin Core
Warwick
Framework
FONTE: Elaboração do autor
Com o intuito de oferecer uma abordagem básica, seguem-se sínteses das
quatro linguagens mais relevantes citadas no diagrama.
3.7.1
SGML
A Standard Generalized Markup Language (SGML) é um padrão
internacional de processamento de texto, que define a estrutura de recursos virtuais.
49
Inicialmente desenvolvida como GML (Generalized Markup Language) pelo
Dr. Goldfarb, da IBM, em 1970, transformou-se em padrão da American National
Standards Institute (ANSI) em 1978 e, posteriormente, um padrão da ISO, por meio da
norma ISO 8879, de 1986.
Segundo EDWARDS19, citado por BAX (2000, p. 7), seu recurso de marcação é
simples: cada entidade informacional pode conter um ou vários elementos ou atributos,
sendo que cada qual possui uma tag inicial e outra final, e um valor associado.
Sua sintaxe é baseada no American Standard Code for Information
Interchange (ASCII) e, portanto, flexível e independente da plataforma de trabalho,
facilmente identificada e lida, e passível de impressão direta.
Metalinguagem a partir da qual é possível definir outras linguagens, a
SGML, "não é um conjunto predeterminado de marcas e sim uma linguagem para se
definir quaisquer conjuntos de marcas, uma linguagem auto-descritiva; cada
documento SGML carrega consigo sua própria especificação formal, o DTD – ‘Data
Type Document’ ..." (BAX, 2000, p.7).
"Cada DTD é uma espécie de gramática que dita as regras para a verificação da
correção do documento. O DTD define os tipos de elementos (capítulos, título de capítulo,
cabeçalho de seção, parágrafo, etc.) que constituem a estrutura do documento, assim como
o relacionamento que existe entre estes elementos" (BAX, 2000, p.9).
Um exemplo de marcação estruturada de acordo com a SGML é:
FIGURA 2 - EXEMPLO DA LINGUAGEM SGML
<paper>
<date>15/5/92</date>
<title>SGML (Standard Generalised Markup Language)</title>
<chairman>Roger Fairman, South Bank Polytechnic</chairman>
</paper>
<content>
<title>SGML concepts</title>
................
<hdr>Structure not style</hdr>
<p>............
......see <fig>1</fig>, which shows .......
</content>
FONTE: Parte extraída da figura 5 do texto: BRADLEY, N. SGML
concepts. Aslib Proceedings, v.44, n.7/8, p.271-274, jul./ago.
1992
19
EDWARDS,
M. XML:
data the way you
<http://msdn.microsoft.com/xml/articles/xmldata.asp>
want
it. 1997.
Disponível
em:
50
3.7.2
HTML
A linguagem Hypertext Markup Language (HTML) é, conforme MILLER,
MILLER e BRICKLEY (1999, p.1), e o próprio W3C (2000, p.1), a língua franca da
maioria das páginas da Web. É uma aplicação especial e limitada de sua originária, a
SGML, usada para codificar documentos a serem disponibilizados por meio de
servidores de rede e utilizados por meio de navegadores da Web.
Para TAKAHASHI (2000, p.169), HTML é uma "linguagem de marcação de
hipertexto. Linguagem padrão usada para escrever páginas de documentos para WWW,
variante (subconjunto) da SGML. Possibilita preparar documentos com gráficos e links
para visualização em sistemas compatíveis com o WWW".
Na verdade, "a linguagem dos documentos WWW, a HTML, é
essencialmente um DTD em SGML" (MARCOUX e SÉVIGNY, 1997, p.590). A HTML
utiliza marcações ou tags, predefinidas, em meio ao texto, para delimitá-lo, enfocando
sua codificação na estrutura e apresentação da informação a ser transferida por meio
das páginas da Internet, e não na semântica para seu uso, isto é, não permite explicar o
significado das informações.
De acordo com COSTA (2000, p.3), a HTML
não possibilita a criação de rótulos personificados e quebra de páginas longas em seções
lógicas. Não faz uso de padrões para a especificação dos tipos das hiperligações, que
resultaria na maior performance do navegador. Devido não ser extensiva unilateralmente,
um novo Tag pode possuir uma semântica e apresentação ambígua.
GOMES (1999, p.4) enumera as seguintes características para a linguagem
HTML:
a) alto grau de utilização e implantação;
b) simplicidade;
c) caráter genérico;
d) alto nível de exaustividade para a recuperação;
e) insensibilidade ao contexto.
51
Em dezembro de 1997, a versão HTML 4.0 foi recomendada pelo próprio
W3C, seu criador, como padrão para os metadados na Web, o que perdurou apenas até
o ano de 1999, quando foi reformulado na versão 4.01. Apesar da "relativa facilidade
em ser entendida pelo usuário da Web e de ser processada, mesmo em diferentes
navegadores" (BAX, 2000, p.10), devido à falta de flexibilidade, a HTML 4.01 foi
revista e reformulada em XML, resultando na XHTML 1.0, que passou a ser a nova
recomendação do W3C.
Em um documento HTML existem duas zonas de informação, também
delimitadas por tags, onde as demais tags podem se apresentar:
a) <HEAD>...</HEAD>: zona onde são definidos valores para todo o
recurso; não visível pelo usuário ao visitar a página;
b) <BODY>...</BODY>: zona onde estão as informações do recurso; visível
pelo usuário ao visitar a página.
Exemplo de marcação estruturada pela linguagem HTML é:
FIGURA 3 - EXEMPLO DA LINGUAGEM HTML
<h1>
Rhubard Cobbler</h1>
<h2>[email protected]</h2>
<h3>Wed, 14 Jun 95</h3>
Rhubard Cobbler made with bananas as the main sweetener. It was delicious. Basicly it was
<table>
<tr><td> 2 ½ cups <td> diced rhubarb (blanched with boiling water, drain)
<tr><td> 2 tablespoons <td> sugar
<tr><td> 2 <td> fairly ripe bananas sliced ¼"round
<tr><td> 1/4 teanspoon <td> cinnamon
<tr><td> dash of <td> nutmeg
</table>
Combine al and use as cobbler, pie, or crisp.
Related recipes: <a href="#GardenQuiche">Garden Quiche</a>
FONTE: MOLLER, A.; SCHWARTZBACH, M. I. The XML revolution: technologies
for the future Web. 2000. Disponível em: <http://www.brics.dk`amoeller/xml/.
Acesso em: 10 jun. 2001
52
3.7.3
XML
Extensible Markup Language (XML) é uma sintaxe ou linguagem emergente,
desenvolvida em 1996 pelo W3C, que identifica o significado de cada informação/dado.
Derivada da linguagem SGML,
muitos dos recursos SGML tiveram de ser retirados para que a XML fosse leve e pequena
o suficiente para se tornar eficaz, tornando-se assim, um perfil da SGML, menos complexa,
pois a especificação da linguagem tem 26 páginas, enquanto a referência-padrão SGML
tem 500 páginas + 100 de anexos. (XML: Linguagem de Marcação Extensiva, 2001, p. 4)
TAKAHASHI (2000, p. 168) define XML como
linguagem de marcação extensível. Metalinguagem, subconjunto da SGML, que permite a
criação de formatos de informação compartilháveis por um conjunto de usuários, no que se
refere tanto aos conteúdos quanto aos próprios formatos. Usa símbolos de marcação para
indicar tipos de informação em conteúdos, a forma como os dados vão ser interpretados e
como se vai interagir com eles.
De acordo com GOMES (1999, p.4), "dados os problemas apresentados pela
HTML, o W3C propôs a criação de um grupo de trabalho que, a partir de um corpo
relativamente simples de elementos, elimine tais problemas. XML é o resultado deste
trabalho, e tem as vantagens da simplicidade e generalidade da HTML, ao mesmo
tempo resultando sensível ao contexto".
A XML foi projetada especificamente para a descrição de fontes de
informação na Web, isto é, "para transmitir dados estruturados para aplicações Web"
(COSTA, 2000, p.4), de forma mais eficaz que a HTML em termos de conteúdo e
funcionalidade, uma vez que "foi projetada para facilitar o intercâmbio de informações
e não somente para a exibição, o que é função da HTML" (COELHO et al., 2001, p.2).
A linguagem XML provê caminhos estruturados nos quais se codifica desde
páginas Web até entradas de bancos de dados. XML representa um avanço sobre a
HTML, pois prevê a busca de informações em seções de cabeçalhos.
Na opinião de MILLER (1998, p.2), "a sintaxe da XML provê independência
do distribuidor, extensibilidade ao usuário, validação, facilidade de leitura pelas
pessoas e capacidade de representar estruturas complexas".
53
COSTA (2000, p.4) elenca como características da XML:
a) "linguagem simples para definir, validar tipos de documentos e de ser
implementada;
b) documentos feitos em HTML 4.0 podem ser facilmente convertidos para
XML;
c) cada usuário pode definir seus próprios conjuntos de rótulos, ou seja,
produzir documentos auto-descritivos;
d) permite a especificação de diferentes tipos de relacionamentos entre
documentos, pois a nova tecnologia de links gerência de diversos
relacionamentos e de forma [sic];
e) reune [sic] a força da linguagem SGML com a portabilidade da HTML.
Possui DTD (Document Type Definition) que são as normas que definem
como os tags são estruturados no [sic] documentos, o donwload torna-se
rápido, pois a XML pode ser navegada com ou sem DTD;
f) possui fácil manutenção e é uma linguagem inteligente que permite que
uma marcação mais genérica possa ser alterada para uma marcação mais
específica".
Criada em função da crescente quantidade de dados que chegam à rede
diarimente, a linguagem XML tem se projetado para executar melhor a tarefa de
gerenciamento de informações, e por este motivo seu uso deve chegar, até o final de
2001, a 75% das empresas que fazem parte do ranking Fortune 50020 em projetos de
tecnologia de informação que envolvam a integração de aplicações (MÁQUINAS...,
2001, p.87).
Exemplo de um documento estruturado pela linguagem XML é:
20
Ranking que seleciona as 500 maiores corporações dos Estados Unidos.
54
FIGURA 4 - EXEMPLO DA LINGUAGEM XML
<recipe id="117" category="dessert">
<title>Rhubarb Cobble</title>
<author><email>[email protected]</email></author>
<date>Wed, 14 Jun 95</date>
<description>
Rhubard Cobbler made with bananas as the main sweetener. It was delicious.
</descrition>
<ingredients>
...
</ingredients>
<preparation>
Combine al and use as cobbler, pie, or crisp.
</preparation>
<related url="#GardenQuiche">Garden Quiche"</related>
</recipe>
FONTE: MOLLER, A.; SCHWARTZBACH, M. I. The XML revolution: technologies for the
future Web. 2000. Disponível em: <http://www.brics.dk`amoeller/xml/.
Acesso em: 10 jun. 2001
3.7.4
RDF
A Resource Description Framework (RDF) é uma estrutura de dados que tem
como objetivo sustentar a interoperabilidade dos metadados, ou seja, a criação, o
intercâmbio e o uso de metadados na Web, uma vez que é estruturado por meio de
propriedades ou elementos descritivos.
Apesar de alguns autores indicarem o W3C como responsável pelo
desenvolvimento da RDF, MILLER (1998, p. 3) afirma que "nenhum indivíduo ou
organização inventou a RDF. Ela é resultado de um esforço cooperativo", pois foi
inspirado em especificações da PICS, cujo resultado advém de muito trabalho dos
membros do W3C com a comunidade bibliotecária digital, "beneficiando-se do design
da XML bem como de propostas submetidas pela Microsoft (XMLDATA) e pela
Netscape (MCFXML). Outros esforços com metadados, como o Dublin Core (DC) e o
Warwick Framework (WF)21 também influenciaram no design da RDF".
21
Warwick Framework é uma arquitetura que surgiu no Segundo Metadata Workshop,
realizado em Warwick (Reino Unido), em 1996, desenvolvida para possibilitar o intercâmbio de
55
A RDF utiliza a sintaxe da XML, onde as propriedades da informação são
estruturadas por meio de rótulos, o que a possibilita sustentar metadados em diferentes
ambientes. Cada uma das propriedades da informação contém, então, uma etiqueta que
a associa a um valor, ou conteúdo da descrição da informação, não comprometendo a
sua semântica.
Esta "etiqueta" é denominada namespace e identifica, "sem ambigüidades a
semântica e as convenções que regem o uso particular dos tipos de propriedade através da
identificação única da Autoridade controladora do vocabulário" (MILLER, 1998, p.6).
De acordo com MILLER, MILLER e BRICKLEY (1999, p.5), "o conceito de
namespace da linguagem XML é utilizado pela RDF para permitir que diferentes
comunidades desenvolvam seus próprios meios de descobrir os recursos e para que
descrições individuais possam ser selecionadas de uma ou mais destas estruturas
específicas das comunidades, conforme necessidade".
IANNELLA (2000, p.9) conclui que "o grande benefício que a RDF traz é a
permissão, para as comunidades descritoras deste recurso, focarem primeiramente na
semântica e não na sintaxe e na estrutura dos metadados".
A RDF é, conforme TENNANT (1998a, p.30), a ferramenta que melhor irá
prover um método para codificar automaticamente a informação eletrônica através de
uma forma de análise gramatical. Essa afirmativa é corroborada por MILLER (1998,
p.1), no que se refere à estrutura da RDF:
A RDF (...) é uma infra-estrutura que propicia a codificação, o intercâmbio e a reutilização
de metadados estruturados. Esta infra-estrutura confere aos metadados a interoperabilidade
através do design de mecanismos que suportam convenções comuns de semântica, sintaxe
e estrutura. A RDF não estipula a semântica para cada comunidade de descrição de
recursos, mas, ao invés disso, dá capacidade a estas de definir elementos de metadados
conforme a necessidade.
A RDF representa, portanto, uma evolução no campo das linguagens de
marcação, uma vez que as integra, possibilitando a agregação do valor semântico à
informação.
pacotes de metadados, designados para satisfazer as necessidades de diferentes comunidades que
elaboraram seus próprios modelos.
56
Um exemplo de formatação por meio da linguagem RDF é:
FIGURA 5 - EXEMPLO DA LINGUAGEM RDF
<rdf:RDF xmlns:rdf=http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#
xmlns:dc=http://purl.org/dc/elements/1.1>
<rdf:Description rdf:about=http://doc
dc:creator="Joe Smith"
dc:title="My document"
dc:description="Joe's ramblings about his summer vacation."
dc:date="1999-09-10" />
</rdf:RDF>
FONTE: BERNERS-LEE, T.; BRICKLEY, D.; SWICK, R. R. Frequently asked questions about RDF.
2001. Disponível em: <http://www.w3.org/RDF/FAQ>. Acesso em: 06 jun. 2001
57
4
CONSIDERAÇÕES AO TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO
Esta seção tem o intuito de desenvolver uma reflexão sobre o tratamento da
informação influenciado pelo uso de metadados, enfocando sua relação com as áreas
da catalogação, representação e normalização da informação, e com o princípio que
rege a catalogação-na-fonte.
Procurou-se, de forma objetiva e sintética, abordar o tema sob a ótica
contemporânea do tratamento da informação, resgatando de práticas anteriores
subsídios necessários a serem levados em consideração na reflexão.
4.1
PRODUÇÃO DE METADADOS VERSUS CATALOGAÇÃO
Primeiramente, é importante refletir sobre o uso do termo metadados no
contexto histórico do tratamento da informação e o termo catalogação no contexto
digital do tratamento da informação.
O primeiro caso se refere à tentativa de se comparar a aplicação de
metadados ao processo tradicional de catalogação em bibliotecas e demais unidades de
informação. Acredita-se que isto se deve ao fato de a raiz meta indicar uma ordem
superior e, por isso, ser aplicada à relação entre o dado existente em um
documento/objeto físico e sua respectiva representação em um sistema.
Essa concepção pode ser observada em trabalhos como de GOMES (2000, p.
2) e SAN SEGUNDO MANUEL (1998, p.1) os quais enfatizam que o que até agora
vinha se denominando descrições bibliográficas ou registros bibliográficos, hoje em
dia são denominados metadados.
WEIBEL22, citado por SOUZA, VENDRUSCULO e MELO (2000, p.93),
também compara os elementos que compõem o conjunto de metadados descritos pelo
22
WEIBEL, S. The Dublin Core: a simple content description model for eletronic
resources. Bulletin of the American Society for Information Science, p. 9-11, out. 1977.
58
Dublin Core, um dos modelos para a descrição de metainformações, com os elementos
de uma ficha catalográfica.
Contudo, GRADMANN (1998, p. 4) é de opinião que
ainda que os resultados da produção de metadados (...) possam ser semanticamente
similares a um registro catalográfico simplificado (...), o contexto geral da produção e uso
desta informação é substancialmente diferente e está impulsionado pela intenção de ir além
do paradigma tradicional da catalogação. Considerar que o processo de criação de
metadados é um tipo de catalogação simplificada, seria provavelmente um sério erro.
GRADMANN (1998, p.2-4) afirma, ainda, que os metadados e os registros
catalográficos convencionais não são complementares, mas completamente distintos,
cujos modos de trabalho se contrapõem, embora em ambos os casos, tratamento de
documentos físicos reais ou recursos virtuais, o que se intenciona com os metadados é
a produção de autênticas e confiáveis meta-informações. Para esse autor, trata-se de
questões de mudanças terminológicas e também de certas variantes de complexidade.
O segundo caso se refere ao uso do termo catalogação para o ato da
representação de "pacotes de informação", ou mesmo de dados e informações contidas
nestes "pacotes", quando da composição de instrumentos facilitadores na busca de
informações na Internet.
TENANNT (1998b, p.28), diz que a palavra catalogação está sendo utilizada
erroneamente, pois o que está se tentando fazer com os registros da Internet é elaborar
bibliografias, e para isto não são necessários catalogadores. Neste aspecto, é conveniente
esclarecer a diferença entre bibliografia e o produto gerado pelos catalogadores, o
catálogo. Bibliografia é uma relação de recursos existentes sobre um fato, uma pessoa, um
assunto, entre outros motivos, com o objetivo de comunicar a sua existência. Já o
catálogo, apesar de também relacionar recursos de informação, agrupando-os de acordo
com critérios (autoria, assunto, publicador, etc.), foca seu objetivo na comunicação do
endereço do recurso para sua localização, além da comunicação de sua existência. Apesar
da distinção convencional e teórica entre os dois termos, na prática verifica-se a utilização
indiscriminada dos termos, como se pode observar em muitas fontes impressas e on-line.
59
Discordando da opinião do autor, entende-se que, realmente, os provedores e
outras organizações, por meio de seus sistemas de informação, antecipam-se à
demanda elaborando bibliografias como serviços aos usuários, uma vez que reúnem,
sob diretórios, a relação de recursos identificados na rede. Mas, naturalmente estes
recursos vêm seguidos de seu endereço, tratando-se, portanto, mais de um catálogo
hierarquizado de assuntos do que de uma bibliografia.
Deve-se ter clareza que, enquanto os sistemas de informações de bibliotecas
físicas
ainda
trabalham
focando
seu
maior
objetivo
na
recuperação
de
documentos/objetos físicos palpáveis, distintos, permanentes em sua forma original e,
na sua grande maioria, disponíveis localmente, utilizando-se de produtos digitais
(elaborados por terceiros) apenas como serviços a serem prestados, os atuais sistemas
de informações que trabalham com metadados têm como foco o acesso a recursos
virtuais dispersos na Internet, isto é, um conjunto associado de bits (e não é uma
produção física material palpável) que, apesar de gerados por alguém, em algum lugar,
estão disponíveis há qualquer tempo e em qualquer lugar.
Na opinião de TENNANT (1998c, p.38), a vantagem de se trabalhar com
bibliotecas virtuais é que seus registros são todos da mesma natureza (eletrônicos),
diferente das tradicionais bibliotecas, que trabalham com registros de diferentes
suportes, portanto, diferentes informações para descrevê-los.
Indistintamente, documentos/objetos físicos palpáveis ou recursos virtuais,
quando inseridos em sistemas de informação, devem ser representados para permitir
sua identificação e localização. Representar significa simbolizar, reproduzir, expressar
ou retratar algo em outro meio, como por exemplo um ícone na tela do computador,
um retrato de família, o desenho de uma criança, um código de trânsito, bit e bytes em
um programa, etc.
Historicamente verifica-se que, da simples confecção de inventários de acervos
e listas ordenadas sob algum critério, em que as informações constantes variavam em
60
número e tipo, até o resgate recente, porém tradicional, dos sistemas existentes nas
bibliotecas, o processo de representação dos recursos de informação passou por diferentes
estágios. Pode-se dizer que este processo tornou-se estável a partir dos anos 60, do século
XX, quando a representação dos recursos existentes em um determinado ambiente
começou a ser feita com base em padrões internacionais, os quais evoluíram no decorrer
dos anos, adaptando-se aos novos suportes da informação e às novas tecnologias, mas
mantendo-se fiel a seus princípios.
A disponibilização, aos usuários, das informações resultantes do processo de
catalogação assumiu, por muitas décadas, o modelo de uma ficha catalográfica (fig. 2).
Sem nenhuma indicação do significado de cada informação, o que era de
conhecimento apenas dos especialistas que exerciam a atividade catalográfica, esta
forma de apresentação encontrou resistência por grande parte dos usuários, com
exceção dos poucos que se interessavam por entender o instrumento que utilizavam na
busca de informações.
FIGURA 6 - EXEMPLO DE UMA FICHA CATALOGRÁFICA
Castells, Manuel, 1942[The rise of the network society. Português]
A sociedade em rede / Manuel Castells ; tradução: Roneide Venancio Majer com a colaboração de
Klauss Brandini Gerhardt ; [prefácio de Fernando Henrique Cardoso]. -- São Paulo : Paz e Terra,
1999.
iii, 617 p. : il. ; 23 cm. -- (A Era da Informação : economia, sociedade e cultura ; v. 1).
Título original: The rise of the network society.
Inclui índice.
Bibliografia: p. [507]-569.
ISBN 85-219-0329-4 (broch.)
1. Tecnologia da informação - Aspectos econômicos. 2. Tecnologia da informação - Aspectos
sociais. 3. Sociedade da informação. 4. Redes de informação. I. Cardoso, Fernando Henrique.
II. Título. III. Série.
A partir do uso do computador nas bibliotecas e demais unidades de
informação, verificou-se a necessidade de desvincular o armazenamento dos dados
representativos dos documentos de sua apresentação final, o que permitiu a flexibilidade
na disponibilização e no exercício de controle da informação. A partir de então, surgiram
61
os bancos de dados bibliográficos e foi introduzido o termo registro bibliográfico, ou
registro catalográfico, ao conjunto de campos, devidamente etiquetados, nos quais são
inseridos dados ou informações sobre uma unidade documentária.
Novas concepções tiveram que ser incorporadas ao processo de gestão
documentária, o que fez surgir a distinção entre três aspectos: estrutura, conteúdo e
apresentação,
não
só
no
tratamento
técnico
efetuado
pelo homem,
mas
necessariamente no processamento realizado pelo computador, permitindo que este
reconheça automaticamente o valor ou conteúdo da informação, independentemente da
linguagem e do programa que se utilize para seu armazenamento e manipulação.
Percebeu-se que, para ampliar as possibilidades de uso da informação, dever-se-ia
flexibilizá-la de modo a fazer com que a máquina reconhecesse, de forma automática,
seu valor semântico.
Surgiram, então, os formatos bibliográficos nas suas diferentes versões, mas
mútuos em seus princípios: criar uma estrutura para a catalogação em máquina, de
modo a separar cada dado ou informação que caracteriza o documento, atribuindo-lhe
um elemento identificador por meio do qual o computador o reconhecesse e
controlasse, como pode ser observado no exemplo do mesmo documento (figura 6),
representado no padrão do Formato MARC na figura 7.
A figura que contém o registro MARC demonstra que, para cada informação
há um campo, devidamente etiquetado, isto é, um rótulo ou uma tag identificada por
caracteres numéricos. Cada campo possui dois indicadores a serem preenchidos, ou
não, conforme a especificidade de seu conteúdo e um espaço para o dados ou
informações que constituem o conteúdo do campo, alocados em subcampos,
identificados por um delimitador (|) e uma letra. A utilização de indicadores e
subcampos justifica-se na medida em que possibilita a geração de produtos criteriosa e
uniformemente elaborados, garantindo independência aos dados e o uso de critérios de
forma automática, uma vez que estabelecidos quando da criação do registro.
62
FIGURA 7 - EXEMPLO DE UM REGISTRO MARC
001
003
005
008
012
020
040
041
082
092
100
240
245
260
300
440
500
500
504
650
650
650
650
700
852
902
949
99092910370715059
Br
19990920192732.7
990719s1999 spba 001 0 por d
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1_ |a Castells, Manuel, |d 194204 |a The rise of the network society. |l Português
12 |a A sociedade em rede / |c Manuel Castells ; tradução: Roneide Venancio
Majer com a colaboração de Klauss Brandini Gerhardt; [prefácio de
Fernando Henrique Cardoso]. -__ |a São Paulo : |b Paz e Terra, |c 1999.
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__ |a Bibliografia: p. [507]-569.
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12 |a Cardoso, Fernando Henrique.
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__ |a 99/07/09 15:29:35 cristina |a 99/07/14 09:57:15 marcia |a 99/07/19
11:05:03 FERNANDO |a 99/07/19 11:07:29 FERNANDO |a 99/08/02
10:32:50 alexandre |a 99/08/27 18:21:43 RAFAEL |a 99/09/20 19:27:32
marilene
__ |a 972.686 DL 13/0799
FONTE: Registro extraído do Catálogo on-line da Biblioteca Nacional disponível na Internet em:
http://www.bn.br
Comparando a figura 6 com a figura 7, verifica-se que no registro MARC há
muito mais informações: informação de controle interno do sistema e de quem registra
o recurso (não necessárias à visualização pelos usuários: 001, 003, 005, 012, 852, 902
e 949); informações sobre o conteúdo, mas que servem para controle interno (também
não necessárias à visualização pelos usuários: 008, 040, 041, 092); e informações
63
codificadas através de indicadores, que indicam ações a serem executadas sobre os
conteúdos quando da geração de produtos e serviços. Em ambos os casos, a criação do
registro bibliográfico é feita de forma manual, mas, no segundo caso, qualquer que
seja o produto ou serviço executado, há a vantagem de poder gerar automaticamente,
de forma flexível e de acordo com as necessidades de cada caso, produtos e serviços
de informação, sem a duplicação de esforços.
Com a automação das bibliotecas, os catálogos passaram de instrumentos
rígidos, com chaves de acesso restritas, a bancos de dados flexíveis com ilimitadas
possibilidades de acesso e geração de produtos e serviços aos usuários e ao controle
do acervo, inclusive de meio eficaz para o compartilhamento de informações.
Obviamente esta evolução exigiu a integração de profissionais de diferentes áreas
para que, em conjunto, agregassem seus conhecimentos em prol do rompimento das
barreiras que até então retardaram o desenvolvimento e a evolução na área do
tratamento e uso da informação.
Comparando as informações que compõem os antigos catálogos impressos
com os atuais catálogos on-line, tanto a estrutura quanto o conteúdo dos recursos e seu
endereço localizador são representados de forma normalizada, obedecendo a padrões
prescritos internacionalmente. A diferença básica entre os dois casos é que no
primeiro, a representação (ficha catalográfica) dispõe apenas do conteúdo, ou
informação propriamente dita. No segundo caso, ao conteúdo está agregado um rótulo
identificador de sua semântica, porém codificado, o que lhe atribuiu uma estrutura
formal em termos de armazenamento digital e flexibilidade nas formas de
apresentação, quer seja ao usuário, quer seja ao controle interno do sistema.
É evidente que a utilização da informática, ou melhor, a necessidade de
adaptar o processo de tratamento de recursos de informação às modernas tecnologias,
tem forçado seu aperfeiçoamento. Analisando sob a ótica das atuais tecnologias da
informação, pode-se afirmar que, apesar de a passagem entre a produção de fichas
catalográficas para a produção de registros bibliográficos do tipo MARC ter
representado na época um avanço para a área, o que ocorreu na verdade foi uma
64
simples substituição das ferramentas até então utilizadas (máquinas de datilografia e
reprodutores de fichas) por ferramentas mais potentes (o computador e seus
periféricos), permanecendo o processo manual de catalogação tal como era. Houve
apenas uma transposição da produção de registros de uma plataforma para outra,
modelo que permanece até hoje.
TENNANT (1998b, p.28) faz a seguinte observação sobre a informatização
do processo de catalogação nas bibliotecas:
a) existe um sistema automatizado para criar e editar complexos registros no
formato MARC;
b) há necessidade de um alto treinamento individual de bibliotecários sobre
catalogação em geral e especificamente sobre o Anglo-American
Cataloguing Rules (AACR); e
c) um tempo significativo é gasto para criar cada registro.
Complementando, TENANNT (1998b, p.28) alerta que, se o processamento de
informações for ampliado para os recursos da Web, deve-se completar com as seguintes
características:
a) há necessidade de diretrizes específicas sobre os recursos da Web para
ajudar os catalogadores a fazer o processamento;
b) há necessidade de um caminho para conferir automaticamente os links do
registro; e
c) é preciso que catalogadores conheçam os recursos da Internet e estejam
capacitados sobre a Web.
Cabe esclarecer que a catalogação, tradicionalmente concebida, pode ser
feita segundo padrões internacionais em diferentes níveis, do mais genérico ao mais
complexo, dependendo do tipo de recurso e da finalidade da criação dos registros,
mantendo-se um núcleo comum, o que faz com que os conteúdos levados em
consideração nos bancos de dados bibliográficos mantenham-se uniformes em seu
cerne. Mas, por outro lado, um aspecto a ressaltar sobre as regras de catalogação é que
as normas estabelecidas são, até hoje, praticamente as mesmas determinadas em
épocas remotas, onde o processo era todo manual, quando o formato de saída ainda era
65
a ficha catalográfica e a única maneira de se permitir o acesso aos diferentes pontos de
um registro bibliográfico era o seu desdobramento em cabeçalhos principal e
secundários, o que exige uma complexa interpretação dos instrumentos normativos.
Evidencia-se aqui, novamente, que não houve uma evolução no tratamento da
informação, mas simplesmente uma transposição das regras utilizadas no papel para o
computador, tornando a tarefa de catalogação mais ágil, porém não menos complexa e
dependente de especialistas.
Como resultado da reflexão, concorda-se plenamente com a concepção de
metadados atribuída por CAPLAN23 (citado por GRADMANN, 1998, p. 3), que
considera o termo metadados um bom termo, e neutro, que cobre qualquer base de
dados, sem que para isso deva-se fazer qualquer relação com os padrões do AACR ou
dos formatos bibliográficos, porque, na verdade, é a descrição da informação sobre a
informação que está em jogo nesta concepção.
Quanto ao termo catalogação, conclui-se que, se considerado sob sua
etimologia (catalogar + ação, cuja derivação vem de catálogo - relação sistemática de
coisas, pessoas, ou outro elemento), pode também ser aplicado à descrição de recursos
da Internet, uma vez que esta descrição tem por objetivo possibilitar a sua recuperação,
na forma de listas arranjadas sob algum critério e seu acesso por meio de seu
localizador. Isto corrobora com a expressão catalogação de recursos da Internet,
muito encontrada na literatura, se admitida a descrição e disponibilidade de todos os
recursos como um grande catálogo virtual que pode ser moldado em tempo real e de
forma personalizada a partir de ferramentas capazes de "varrer" a rede mundial de
computadores e, por meio dos metadados (em substituição aos cabeçalhos
disponibilizados como pontos de acesso), identificar, selecionar e localizar os recursos
para obter um resultado seletivo sob a forma de uma lista.
23
CAPLAN, P. You call it corn, we call it syntax-independent metadata of documents-like
objects. The Public-Access Computer Systems Review, v. 6, n. 4, 1995. Disponível também em:
http://info.lib.uh.edu/pr/v.6/n4/capl6n4.html.
66
4.2
O PRINCÍPIO DA "CATALOGAÇÃO-NA-FONTE"
Em meados do século passado, diversos países determinaram que em cada
livro publicado deveria ser impressa, no verso da folha de rosto, a sua ficha
catalográfica, de acordo com os códigos vigentes para esta tarefa. Esta decisão visava
à redução de esforços na tarefa de produção da ficha para a composição de catálogos,
uma vez que, se um profissional especialista executasse a tarefa quando da editoração
do livro, todas as demais bibliotecas e outras unidades de informação que viessem a
incorporar o mesmo livro em seu acervo poderiam apenas "copiar" as informações,
adaptando-as quando necessário, economizando tempo e recursos, em uma atividade
cooperativa entre profissionais. Esta determinação, apesar de ser prescrita por
instrumentos normativos, nunca foi regulamentada e, portanto, sempre teve caráter
facultativo. Editoras alegam que a tarefa requer o serviço de um profissional
especializado e, além disso, não traz retornos financeiros, motivo pelo qual esta prática
não foi implementada por todas as organizações publicadoras.
Entende-se o princípio da "catalogação-na-fonte"24 como um redutor de custos
para os sistemas de informação e, principalmente no atual modelo econômico vigente,
deve ser resgatado, não em relação aos livros, mas em relação aos recursos virtuais.
Exponencialmente produzidos, os recursos virtuais não dispensam de
tratamento para sua reutilização. Porém, se tratados sob a forma como
tradicionalmente vêm sendo os demais documentos, isto exigirá estruturas
organizacionais talvez impossíveis de serem sustentadas, em serviços intermináveis e
defasados. Cabe aqui, então, uma nova concepção de "catalogação-na-fonte", com a
descrição do recurso feita diretamente pelo seu autor, isto é, no momento de sua
criação. Isto é perfeitamente possível com o uso das atuais linguagens de marcação,
como já acontece com os documentos gerados em HTML, permitindo a introdução de
metadados em seu cabeçalho (HEAD), lidos pelas ferramentas de busca.
24
Criado inicialmente com o nome de "catalogação-na-fonte", foi posteriormente denominado,
pela Ciência da Informação, de "catalogação-na-publicação". Nesta pesquisa utiliza-se a expressão
conforme concebida originalmente devido ao termo fonte se adaptar aos atuais recursos de informação.
67
A implantação de um sistema dessa natureza, que utilize alguma linguagem
de marcação pelo próprio criador do recurso e que permita a associação semântica da
informação à descrição (tal como a RDF), reduziria drasticamente as tarefas e os custos
do trabalho com informação. No entanto, essa tarefa derivaria em inúmeras formas de
simbolizar "coisas", fatos, pessoas, etc. idênticas e ocasionaria alta revocação nos
resultados de buscas, isto é, um baixo índice de precisão.
Desencadeia-se, então, outro fator a ser considerado: o da normalização da
informação.
4.3
SOBRE A NORMALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Durante décadas trabalhou-se na estruturação de instrumentos normativos
para o registro da informação textual em suporte papel, como para o registro
representativo da informação em sistemas vinculados a bibliotecas e outras unidades
de informação. Surgiram as normas internacionais e nacionais de documentação, os
códigos de catalogação e classificação, as listas estruturadas de linguagens de
indexação e os formatos legíveis por máquina.
A necessidade de atividades rigorosamente normalizadas tinha uma razão de
ser: as formas de tratamento e acesso à informação, se não eram manuais, o eram
apenas automatizadas, para não dizer mecanizadas, o que não garantia a recuperação
com alta precisão e baixa revocação.
Estipulou-se o que descrever sobre cada recurso de informação, quais
informações a respeito do recurso deveriam ser registradas tal como o autor as denominou
e quais deveriam ser normalizadas de acordo com regras, preferencialmente
internacionais, em que formato de apresentação deveriam os recursos ser disponibilizados,
entre outros aspectos, tudo em nome da compatibilidade entre diferentes sistemas para o
atendimento a diferentes usuários.
Nas atuais circunstâncias, com o aumento da capacidade de processamento de
dados em termos quantitativos e qualitativos, com o aperfeiçoamento dos mecanismos de
68
busca e com a compulsória introdução dos usuários no domínio das técnicas de
recuperação da informação na Internet, agregada à tendência da catalogação dos recursos
virtuais por seu próprio criador, chegou o tempo de avaliar a necessidade no rigor dos
processos de normalização por parte daquele que cataloga o recurso.
A normalização traz inúmeros benefícios, principalmente qualidade aos
produtos e serviços. Mas, há que se admitir que a qualidade quando exagerada, torna-se
economicamente inviável e, neste caso, há que se encontrar alternativas para que o
processo de normalização não seja relegado em nome das novas tecnologias, mas também
não se torne uma barreira à agilidade na difusão da informação.
Trata-se de transferir o processo complexo da normalização para outra instância,
ou seja, para mecanismos inteligentes que associem a informação contida na catalogação
dos recursos, realizada por seu produtor, com instrumentos auxiliares que contenham a
informação estruturada de acordo com critérios normativos (estes sim produzidos e
gerenciados por equipes de especialistas), em uma atividade intermediária, porém,
transparente entre usuários e informação, identificando, deste modo, as diferentes formas de
consulta quando de mesmo valor semântico.
69
5
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DO ESTUDO DE CASO
Para enriquecer a investigação, realizou-se um estudo sobre um caso de uso
de metadados à luz da teoria analisada.
Pode-se definir o estudo de caso como "uma forma de se fazer pesquisa
social empírica ao investigar-se um fenômeno atual dentro de seu contexto de vidareal" (YIN25, citado por CAMPOMAR, 1991, p. 96).
GIL (1994, p.78) considera o estudo de caso "um estudo profundo e exaustivo
de um ou poucos objetos, de maneira a permitir conhecimento amplo e detalhado do
mesmo", ressaltando que, quando o caso é selecionado adequadamente, é possível que as
conclusões sejam significativas a ponto de poderem ser generalizadas para todo o
universo ou, pelo menos, poderem estabelecer bases para investigações posteriores, mais
sistemáticas e precisas.
Contudo, a pesquisa não faz inferências a outros casos, além do estudado,
pois, conforme CASTRO (1977, p. 88), "nos estudos de caso o pesquisador deixa as
inferências relativas ao todo por conta da capacidade de julgamento do leitor".
As atividades e os procedimentos para a realização do estudo de caso
tiveram como base as etapas estabelecidas por STAKE26, SIMONS27 e YIN28, citados
por SOY (1998, p. 1), aqui enumeradas e indicadas com as respectivas informações
acerca desta pesquisa:
a) delimitação das questões de pesquisa:
- relativas ao contexto: categorias profissionais envolvidas; perfil exigido
das pessoas; treinamento recebido; produtos e serviços oferecidos; e
base da definição dos produtos e serviços;
25
YIN, Robert K. Case study research: design and methods. EUA: Sage Publications, 1984.
26
STAKE, R. E. The art of case study research. Thousand Oasks, CA: Sage, 1995.
27
SIMONS, H. Towards a science of the singular: essays about case in education research and
evolution. Norwich, UK: University of East Anglia, Centre for Applied Research in Education, 1980.
28
YIN op. cit.
70
- relativas ao tratamento das informações e uso de metadados: origem
das informações; meio de identificação, captura e atualização das
informações; etapas que compõem o tratamento; banco de dados
utilizado; e estrutura do banco de dados em termos de padrão e
metadados;
- relativas à disponibilização na Internet: disponibilização do banco de
dados; metadados embutidos nas páginas HTML; e padrão de
metadados adotado;
- relativas à recuperação das informações: cadastro das páginas HTML
nas ferramentas de busca;
b) escolha do caso a servir de objeto de estudo:
- o Programa Prossiga, do IBICT, foi selecionado como objeto de análise
por se tratar de um caso típico de sistema de informação virtual, além
de se caracterizar como o sistema oficial de informação em Ciência e
Tecnologia no Brasil. Tendo o Programa diversos projetos, estudou-se
aqui apenas o intitulado Bibliotecas Virtuais Temáticas (BVs), uma vez
que, além de ser um dos dois que têm a sua gestão na cidade do Rio de
Janeiro, suas informações originam-se integralmente da Internet,
oferecendo um conjunto de dezesseis casos, o que pode aumentar a
profundidade do estudo;
c) determinação do instrumento de coleta de dados:
- entrevista semi-estruturada (apêndice 2), aplicada à pessoa responsável
pelo Projeto, cujas perguntas de cunho técnico, foram agrupadas de
acordo com as limitações das questões de pesquisa. Quando houve
necessidade, recorreu-se a contatos posteriores via e-mail para maiores
esclarecimentos;
d) trabalho de campo:
- aplicação da entrevista ao responsável pelo Projeto;
71
- exploração do portal do Programa Prossiga do IBICT29; especialmente
os sites do Projeto e das BVs;
e) análise dos dados:
- descrição do Projeto com base nas informações obtidas na entrevista, no
manual do sistema, na exploração do portal do Programa e dos sites do
Projeto e das BVs;
- comparação entre as informações obtidas no trabalho de campo com o
modelo Dublin Core.
O estudo do sistema de informações do Projeto BVs constitui-se em uma
investigação particular que ultrapassa a análise acadêmica de um caso, constituindo-se
em uma avaliação de importante expressão e interesse para o Programa Prossiga sobre
o uso de metadados pelo Projeto.
29
http://www.prossiga.br
72
6
O PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS DO PROGRAMA
PROSSIGA
O projeto analisado, Bibliotecas Virtuais Temáticas (BVs), integra o rol de
projetos do Programa Prossiga, criado junto à Presidência do CNPq, mas transferido para o
IBICT em março de 2001.
Nas seções a seguir apresenta-se o Programa e descreve-se e analisa-se o projeto
conforme proposta metodológica do estudo de caso.
6.1
O PROGRAMA PROSSIGA
O Programa Prossiga, portal oficial de divulgação de informações brasileiras
em C&T, cujo slogan é "Informação e comunicação para a pesquisa", visa a promoção
da integração de comunidades virtuais de conhecimento científico (anexo 3).
O portal de informações é composto de um conjunto de projetos
apresentados por meio de sites especializados em informações de C&T, divididos em
três linhas de pesquisa:
a) informação: que disponibiliza, de forma ordenada e integrada, informações
relevantes para a pesquisa; abarca os seguintes projetos: Bibliotecas virtuais
temáticas; Bibliotecas virtuais de pesquisadores; ProssigaBrasil; Produção
científica; Bolsistas e projetos de pesquisa; Instituições de C&T;
Pesquisadores; Mercado de trabalho e ComoAchar;
b) comunicação: que coloca à disposição dos pesquisadores ferramentas
sofisticadas de comunicação, tais como: Chats; Conexão C&T, e Fatos,
dados e Notícias;
c) educação: que oferece cursos à distância para uso dos recursos da
Internet, como a Escola Virtual Prossiga.
Estas linhas de pesquisa não só disponibilizam informações externas, mas
informações gerenciais advindas das atividades do CNPq, órgão criador e mantenedor
do Programa até março de 2001.
73
Criado em 1995, o Programa Prossiga
adotou para sua concepção algumas premissas básicas (...). A primeira, que o uso da Internet
não é uma tendência, mas uma realidade (...). A segunda está relacionada com o compromisso
de introduzir e fomentar a informação brasileira sobre ciência e tecnologia na Internet, uma vez
que se constata a escassez dessa informação na rede. A terceira vê a Internet como uma
"tecnologia da inteligência" ... e por isso pode contribuir decisivamente para a criação
intelectual (GOMES e CHASTINET, 1997, p.1).
Yone CHASTINET (1996, p.3), coordenadora do Programa Prossiga, afirma que
"sem o uso da informação como fator de atualização, de descobertas e de identificação de
novas necessidades e oportunidades de aperfeiçoamento, o capital adquirido, o
conhecimento, se desvaloriza a cada dia" (CHASTINET, 1996, p.3). Também sob esta
concepção é que o Prossiga conta com parcerias como o Laboratório Nacional de
Computação Científica (LNCC) e a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), sendo apoiado
também pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ).
O Programa Prossiga tem sua sede em Brasília, junto ao IBICT, mas a
coordenação de três de seus projetos, ProssigaBrasil, Bibliotecas Virtuais Temáticas e
Pesquisadores, está sediada no Rio de Janeiro.
6.2
O PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS (BVs)
O Projeto BVs é um portal que, desde 1996, serve de catálogo para
direcionar os usuários de temas específicos para recursos virtuais especializados
disponíveis na Internet, e tem como objetivos: estabelecer uma metodologia de
geração de bibliotecas virtuais; oferecer, para pesquisadores, o acesso à informação de
suas áreas, disponibilizadas na Internet; e integrar à Internet dados e informações
nacionais pertinentes ao desenvolvimento da pesquisa (anexo 4).
Primeiro projeto de bibliotecas virtuais no Brasil, criado no contexto da área
da Ciência da Informação, o Projeto BVs está sob a responsabilidade de uma
coordenação, no Rio de Janeiro, e conta com uma equipe local interdisciplinar
(Biblioteconomia, Engenharia Florestal, Química, Literatura, Saúde Pública, Educação
Artística, especialistas em redes e construção de bancos de dados, entre outros) que
74
interage nos serviços, sendo que cada BV é de responsabilidade de um supervisor
profissional da área temática da BV.
Tanto nas BVs mantidas pela equipe do Projeto como naquelas cuja
manutenção é feita por uma instituição parceira, a equipe supervisionada é composta por
um técnico para busca e registro, um bibliotecário para análise e um coordenador
científico (profissional da área temática) para avaliação da pertinência do site. Muitas
vezes o técnico e o bibliotecário são a mesma pessoa. O perfil exigido dos profissionais
para integrar a equipe é: dominar o uso da Internet (navegação, busca, estrutura dos sites e
páginas), usar corretamente a ortografia e a gramática da língua portuguesa e saber
resumir com clareza, coerência e consistência.
Uma BV pode ser definida de duas maneiras:
a) de acordo com a demanda da parcela da sociedade envolvida na área de
C&T que, explicitando suas necessidades de informação junto ao
Prossiga, em conjunto com a coordenação do Projeto BVs, avalia a
pertinência e a possibilidade, e define um acordo para o trabalho
conjunto; ou
b) por avaliação própria das coordenações do Prossiga e do Projeto BVs,
com base nas necessidades e interesses do tema para a C&T.
O Projeto já disponibilizou dezesseis BVs, sendo três de execução do próprio
IBICT (Referência para Pesquisa em C&T, Bibliotecas Virtuais sobre Bibliotecas
Virtuais e Políticas Públicas em C&T) e treze de execução de instituições parceiras
(Estudos Culturais, Energia, Inovação Tecnológica, Economia, Óptica, Educação à
Distância, Engenharia de Petróleo, Educação, Jurídica, Saúde Reprodutiva, Ciências
Sociais, Engenharia Biomédica e Arte e Cultura). A coordenação das BVs de
Educação e Jurídica estão sediadas em Brasília, enquanto as demais no Rio de Janeiro,
na própria sede do Prossiga.
No caso das parcerias para a criação e manutenção das BVs, o Prossiga assegura
o treinamento e a assessoria técnica. A partir de um treinamento efetuado pelo supervisor
do projeto na sede da instituição parceira, esta dá início à coleta de informações e inserção
75
remota destas (via Internet) em um banco de dados, localizado em servidor do Prossiga no
Rio de Janeiro, ou, em alguns casos, da instituição parceira. Por um período médio de seis
meses, há uma supervisão exaustiva do trabalho efetuado pela parceira e contatos
permanentes entre ambas para atendimento a dúvidas e, quando necessário, correção dos
dados com reforço nas instruções. Após todos os ajustes necessários e verificação do
domínio da parceira para a atualização e manutenção dos dados, é feito o lançamento
oficial da BV, a partir do que é disponibilizada na Internet. A supervisão continua
permanentemente, porém menos freqüente na medida em que se observa o maior domínio
sobre o trabalho.
Em cada BV os recursos virtuais oferecidos variam de acordo com as
necessidades e especificidades do tema, sendo organizados basicamente nas seguintes
categorias:
a) livros, artigos e outros textos: artigo de periódico científico, anais e
comunicações científicas de eventos, dissertações e teses, livros e
coletâneas, artigos de jornais e revistas, entrevistas, papers, manuais,
estudos e relatórios;
b) periódicos: periódicos científicos e fontes secundárias de periódicos;
c) bases de dados: bibliográficas, textuais, cadastrais, factuais;
d) associações e sociedades científicas: associações científicas e sociedades
científicas;
e) bibliotecas e centros de documentação: bibliotecas, sistemas de
informação, redes de bibliotecas, centros de informação/documentação e
serviços referenciais de informação;
f) instituições de ensino e pesquisa: centros, grupos e institutos de pesquisa,
universidades, faculdades, departamentos acadêmicos, centros, institutos ou
laboratórios vinculados a instituições de ensino superior e outras instituições
que desenvolvem atividades de pesquisa e/ou ensino;
g) livrarias e editoras: livrarias e editoras universitárias e virtuais;
76
h) museus: museus e centros de ciências;
i) órgãos de política, coordenação e fomento: ministérios, secretarias
estaduais e municipais, agências de fomento e financiamento;
j) eventos: eventos científicos ou técnicos, tais como congressos,
seminários, colóquios, simpósios, encontros, jornadas e workshops;
k) pesquisadores: home pages pessoais já existentes na rede, home pages
geradas automaticamente pelo software do Prossiga a partir do
preenchimento de formulário pelo pesquisador da BV;
l) bibliotecas virtuais: sites com informações capturadas, organizadas,
sistematizadas e disponibilizadas na Internet com links ou metadados sobre
documentos, temas, pessoas, pessoas, instituições, serviços e objetos;
m) listas de discussões;
n) projetos e programas de pesquisa;
o) programas de pós-graduação: programas de pós-graduação e cursos de
mestrado e doutorado;
p) fontes de referência: bases de dados, diretórios, guias, cadastros,
calendários, coletâneas de links, listas, etc. referenciais às BVs.
Cada nova BV segue o padrão básico de estruturação dos recursos de
informação nas categorias citadas mas, em havendo necessidade, pode-se agrupá-los
de maneira diferente, incluindo novas categorias, como é o caso da BV de Estudos
Culturais, para a qual foi criada a categoria Rio: lazer e cultura (pontos turísticos,
festas, restaurantes, cinemas, teatros, etc.), e da BV de Inovação Tecnológica, com as
categorias Estatísticas e indicadores, Patentes e marcas, Estudos e diagnósticos
setoriais brasileiros, entre outros casos.
O banco de dados do Prossiga, composto pelas informações acerca dos recursos
disponibilizados no portal, está sobre a plataforma Microsoft (MS) Structured Query
Language (SQL) Server 6.5, sendo que os campos foram definidos pelo próprio Prossiga,
baseado nas necessidades e especificidades das BVs. O quadro 2 apresenta a lista de todos
os campos estabelecidos para o banco de dados do Projeto.
77
QUADRO 2 - CAMPOS QUE COMPÕEM O BANCO DE DADOS DO PROJETO BIBLIOTECAS
VIRTUAIS TEMÁTICAS, DO PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT
CAMPOS SOBRE O
CONTEÚDO DOS RECURSOS
Informação primária/secundária
Entrada
Sigla
URL
Contato
Cidade
Estado
País
Área do CNPq
Natureza
Termos livres
Vocabulário controlado
Comentário
CAMPOS ADMINISTRATIVOS
Separador de categoria
Separador de registro
Separador de registro novo
Classificador
Data de expiração
Data da última visita
Fonte
Observações internas
Traduzido
Revisado
Escondido
ESCOPO
Tipo de informação: fonte primária (site sobre determinado
livro, artigo, entidade, evento, pesquisador, etc.) ou fonte
secundária (página que reúne sites que apresentam
diretórios, guias, cadastros, etc.)
Referência bibliográfica de livros, artigos e outros textos;
nome e sigla oficiais de periódicos, bases de dados,
entidades, eventos, etc.; nome e titulação de pesquisadores
Siglas incluídas no recurso
Endereço eletrônico do recurso
e-mail do responsável pelo recurso
Nome da cidade de localização do produtor do recurso,
quando for brasileiro
Nome do Estado, quando se tratar de recurso brasileiro
Nome do país onde o recurso foi produzido
Nome da área de acordo com o 2° nível da tabela do CNPq
Natureza do recurso (administrativa, geográfica, etc.)
Assuntos tratados no recurso
Assuntos de acordo com um instrumento controlador de
vocabulário
Resumo e outras informações de interesse
ESCOPO
Brasileiro, estrangeiro ou internacional
Teor tipológico (cronológico, localidade, etc.)
Outra categoria definida para o recurso
Não se aplica
Não se aplica
Última data em que o recurso foi visitado para alteração,
cancelamento ou substituição
Nome da ferramenta, pessoa, entidade, recurso
documental, etc. que deu origem ao recurso
Outras informações julgadas necessárias
Não se aplica
Informar se revisado ou não
Informar sobre o status: escondido ou disponibilizado
FONTE: CNPq. Programa de Comunicação e Informação para a Pesquisa.
tratamento de dados para bibliotecas virtuais. Rio de Janeiro, 2000.
Manual de
Conforme o tipo de categoria em que se insere o recurso disponibilizado,
determinados campos não se aplicam, como pode ser visto no quadro 3. Apesar de os
campos Classificador e Vocabulário Controlado constarem no Manual de tratamento
de dados para bibliotecas virtuais (CNPq, 2000), na prática não são utilizados; o
primeiro caso devido a todas as BVs inserirem seus recursos em categorias, não
necessitando de nenhuma classificação especial que a substitua, e o segundo em razão
78
de que não se segue nenhum instrumento de normalização para os termos que
descrevem os assuntos tratados no recurso.
Para facilitar a entrada de dados no banco, o campo Data da Última Visita já
vem com o conteúdo preenchido por default. O campo Entrada é de preenchimento
obrigatório, sendo o mesmo conferido pelo software. Os demais campos também devem
ser preenchidos, mas não possuem controle automático de validação.
O conteúdo a ser preenchido em cada campo origina-se de duas maneiras:
a) de recursos de informação capturados pessoal e aleatoriamente na
Internet; e
b) do cadastro enviado pelos usuários através de formulário próprio
disponibilizado em cada BV (com exceção das Bv de Inovação Tecnológica,
Óptica, Educação, Jurídica e Referência para Pesquisa em C&T).
O processo de alimentação do banco de dados, em sua fase de manutenção,
tem a seguinte seqüência:
a) busca de recursos virtuais na Internet e recebimento do cadastro de
usuários;
b) avaliação da pertinência do site, pelo coordenador científico;
c) descrição (preenchimento do formulário on-line de entrada de dados).
Alguns campos têm opções fixas, outros são de preenchimento livre
mas com instruções disponíveis no Manual, inclusive sobre o idioma
em que registrar, sobre o uso de maiúsculas e minúsculas e sobre a
pontuação a utilizar;
d) revisão dos dados pelo supervisor;
e) correção, quando necessário;
f) liberação do registro contendo os dados do recurso, para busca no site da
respectiva BV;
g) atualização do recurso sempre que necessário, o que é efetuado
manualmente com visitas periódicas ao site.
79
QUADRO 3 -
CAMPOS PREVISTOS, PORÉM NÃO UTILIZADOS NO BANCO DE DADOS DO PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS
DO PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT, SEGUNDO O TIPO DE RECURSO DE INFORMAÇÃO
80
O desenvolvimento do software e do banco de dados e a elaboração do
manual para o tratamento dos dados do Projeto são de responsabilidade do Prossiga.
Quando há parceria, a home page de cada BV é desenvolvida pela instituição parceira,
bem como a manutenção e a atualização dos dados.
Dentre todos os campos do banco de dados, os referentes a Entrada,
Natureza, Áreas do CNPq, Termos Livres e Comentários são definidos como campos
de recuperação. Isto significa que o banco de dados gera um índice com os termos
destes campos, de onde ele vai selecionar os itens de busca que apontam para o
registro completo, de onde, por sua vez, são extraídas as informações para a
visualização dos resultados.
As buscas solicitadas a partir do site são executadas por meio de
programação Active Server Pages (ASP), da Microsoft, com conexão ao banco de
dados MS-SQL Server, e podem ser feitas de duas maneiras:
a) elaborando a estratégia de busca diretamente na home page da BV; ou
b) selecionando primeiramente a categoria da informação desejada e seu
separador (brasileiro, estrangeiro ou internacional), para depois elaborar a
estratégia de busca, ou visualizar todos os registros dessa seleção.
No resultado das buscas, são geradas páginas dinâmicas com registros
contendo basicamente as informações constantes nos campos Entrada, URL,
Comentário e Contato, separados por categoria, sendo que a Entrada, algumas
informações do Comentário e o e-mail constante no Contato são links para o recurso,
como pode-se observar no anexo 5.
6.2.1
Metadados Produzidos
Nesta análise são considerados dois tipos de metadados: os embutidos no banco
de dados do Projeto e os embutidos nas páginas HTML que compõem o site do Projeto e
de cada BV em particular. Neste último caso, levou-se em consideração apenas os
metadados utilizados para caracterizar os recursos em termos de seu conteúdo temático e
descritivo (propriedade intelectual e outras responsabilidades, denominação, dados de
produção (idioma, local, entidade, data) e aspectos e relações "físicas").
81
6.2.1.1 Metadados no banco de dados
Em se tratando da produção de metadados embutidos no banco de dados do
Projeto, repositório dos recursos de informação, nesta análise consideram-se os
respectivos conteúdos dos campos como metadados, uma vez que representam os
dados que compõem os recursos virtuais.
Conforme listados anteriormente no quadro 2, os metadados produzidos no
banco de dados dividem-se em duas categorias e identificam-se pelas seguintes tags:
a) metadados de conteúdo da informação: informação primária/secundária,
entrada, sigla, URL, contato, cidade estado, país, área do CNPq, natureza,
termos livres, vocabulário controlado e comentário;
b) metadados administrativos: separador de categoria, separador de registro,
separador de registro novo, classificador, data de expiração, data da última
visita, fonte, observações internas, tradução, revisão e status.
6.2.1.2 Metadados nas páginas HTML do Projeto
No caso dos metadados embutidos nas páginas HTML do Projeto, o único
dado descritivo sobre o recurso encontrado foi o título, uma vez que se trata de um
elemento "obrigatório" da linguagem HTML. Por conter a representação do título do
recurso, possibilitando sua identificação e indexação pelas ferramentas automáticas de
busca, este elemento foi considerado um metadado, identificado apenas por uma tag.
A home page (primeira página) do site do Projeto é uma página frameset30, em
cujo código fonte foi, então, encontrado o metadado título (<TITLE>Programa
Prossiga/REI</TITLE>) na área do cabeçalho (<HEAD>). REI significa Repositórios de
Informação da Internet, nome atribuído ao Projeto quando de seu início.
Entre as frames (molduras) que compõem a primeira página do projeto, estão
arquivos do tipo figura e páginas com seu respectivo código fonte, dentre as quais
30
Frameset é uma página, em linguagem HTML, que contém apenas a estrutura, ou a
alocação, das frames (molduras) que pertencem à página visualizada.
82
encontra-se outro metadado para o título, porém com um conteúdo diferente:
<TITLE>Bibliotecas Virtuais TEMATICAS</TITLE>.
6.2.1.3 Metadados nas páginas HTML das BVs
A partir dos ícones disponíveis na home page do Projeto, acessa-se o site
próprio de cada BV, no qual existem diversos níveis de páginas, dependendo da
categorização que lhes foi atribuída.
Em onze das dezesseis BVs a home page (primeira página) que se abre é
uma frameset. Entre as frames (molduras) que compõem esta primeira página estão
arquivos do tipo figura e páginas com seu respectivo código fonte, no qual encontramse até quatro tipos de metadados em seu cabeçalho (<HEAD>): título, descrição,
palavras-chave e autor, conforme nos apresenta o quadro 4.
QUADRO 4 - METADADOS PRODUZIDOS NAS PÁGINAS FRAMESET E FRAMES DAS BIBLIOTECAS VIRTUAIS
TEMÁTICAS (BVs), DO PROGRAMA PROSSIGA, DO IBICT
METADADOS NA PÁGINA
FRAMESET
BVs
METADADOS NAS FRAMES
Com meta tags
(1)
Estudos Culturais
Pol. Públicas em C&T
Energia
Referências. em C&T
Inovação.Tecnológica
.
Economia
Óptica
Educação.a Distância
Eng. de Petróleo
(1)
Educação
(1)
Jurídica
Saúde Reprodutiva.
Bibliotecas. Virtuais
(1)
Ciências. Sociais
Eng. Biomédica.
(1)
Arte & Cultura
Com meta tags
Descrição
Palavraschave
Título
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
X
-
Título
Descrição
Palavraschave
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
X
X
X
X
-
X
X
X
Autor
(2)
FONTE: Elaboração do autor
(1) Esta BV não apresenta frameset.
(2) Este metadado se refere ao elaborador da página e não ao autor intelectual do conteúdo da página.
83
Nas BVs que não utilizam frames para a construção de sua home page, podese visualizar o script da página por meio da exibição de seu código fonte diretamente
na barra de menu do browser, e em cujo cabeçalho (<HEAD>) foram produzidos os
metadados demonstrados no quadro 5.
QUADRO 5 - METADADOS PRODUZIDOS NAS PÁGINAS HTML, QUE NÃO UTILIZAM FRAMESET, DAS
BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS (BVs) DO PROGRAMA PROSSIGA, DO IBICT
METADADOS
BVs
Estudos Culturais
Educação
Ciências Sociais
Arte & Cultura
Título
Com meta tags
Descrição
Palavras-chave
X
X
-
X
X
-
X
X
X
X
(1)
Autor
X
X
FONTE: Elaboração do autor
(1) Este metadado se refere ao elaborador da página e não ao autor intelectual do conteúdo
da página.
Os metadados produzidos seguem apenas o padrão da linguagem HTML,
conforme mostra o código fonte da página:
a) título: <TITLE>título da BV</TITLE>;
b) descrição: <meta name="description" content="resumo do conteúdo do
site">;
c) palavras-chave: <meta name="keywords"
content="palavras-chave
relacionadas ao site">;
d) autor: <meta name="author"
content="nome da pessoa que criou a
página">.
Observa-se que a estrutura do metadado referente ao título mostra-se
diferente das demais, nas quais estão presentes meta tags.
No metadado título das home pages (que utilizam ou não frames) o
conteúdo, em muitos casos, varia tal como nos mostra o quadro 6.
Os demais metadados, descrição, palavras-chave e autor, têm cada qual um
conteúdo específico que condiz com o tema de cada BV, tal como nos demonstram os
exemplos abaixo:
84
Exemplo 1 - Biblioteca Virtual de Estudos Culturais:
<meta name="description" content="Seleção de sites comentados que privilegia uma
perspectiva interdisciplinar no estudo da cultura urbana contemporânea e suas
relações com a política">
<meta name="keywords" content="estudos culturais, gênero, mulheres, gays, negros,
etnicidade, indústria cultural, literatura, crítica cultural, arquitetura, urbanismo,
globalização, modernismo, pós-modernismo, cultura, arte, nação, nacionalismo,
imigração, história, política, movimentos sociais, multiculturalismo, ciberespaço, artes
plásticas, cinema, vídeo, dança, design, fotografia, festas populares, moda, música,
teatro, artes cênicas, lésbicas, aids, direitos humanos, ecologia, meio-ambiente,
infância, adolescência, organizações da sociedade civil, produção cultural, índios,
comunicação, mídia, sindicatos, ongs, terceiro setor, minorias">
Exemplo 2 - Biblioteca Jurídica Virtual:
<meta name="Author" content="Denis Andrade">
Exemplo 3 - Biblioteca Virtual de Engenharia de Petróleo:
<meta name="keywords" content="Prossiga, informacao, Brasil, biblioteca virtual,
engenharia de petroleo, explotação de óleo e gás, CNPq, Pronex">
<meta name="description" content="Biblioteca Virtual em Engenharia de Petróleo,
desenvolvida pelo Núcleo de Excelência em Engenharia de Petróleo da UNICAMP,
em parceria com o Prossiga/CNPq.">
85
QUADRO 6 - TÍTULOS ATRIBUÍDOS ÀS BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS, SEGUNDO SUA
LOCALIZAÇÃO
86
A Biblioteca Virtual de Educação apresenta dois metadados para as palavraschave, tendo cada qual conteúdo distinto, porém com uma designação diferente para a
meta tag, a saber:
<meta http-equiv="keywords" content= "..."> e
<meta name "keywords" content="...">.
A tag http-equiv tem a função de promover uma mudança automática de
páginas e, portanto, supõe-se que houve algum equívoco no seu uso.
Nas home pages (compostas ou não por frameset e em suas respectivas
frames) estão, portanto, presentes os metadados anteriormente citados; porém, nas
páginas seguintes a estas (de primeiro, segundo e seguintes níveis) apenas algumas os
apresentam, sendo os metadados idênticos aos da home page, tanto no "atributo" como
no "valor". Isso porque, apesar de serem páginas estáticas, são intermediárias para a
categorização das informações, ou para a elaboração da estratégia de busca, não
apresentando nenhum outro tipo de informação que mereça ser catalogada.
Em relação às páginas que apresentam os resultados das buscas efetuadas por
meio da própria BV, com exceção das BVs de Inovação Tecnológica e de Educação, treze
delas31 possuem apenas o metadado título (<TITLE>) e, por serem páginas dinâmicas,
utilizam um metadado com meta tag direcionado aos mecanismos de busca, informandoos que não as indexem (<META NAME="robots" CONTENT="noindex, nofollow">).
6.2.2
Comparação com o Dublin Core (DC)
A comparação entre os metadados do Projeto BVs e do padrão Dublin Core
justifica-se pelas seguintes razões:
a) o Dublin Core ser um padrão concebido internacionalmente com base nos
princípios da simplicidade na descrição mínima da informação para sua
interoperabilidade semântica;
b) o Projeto BVs ser uma iniciativa nacional que pode vir a se tornar modelo
referencial para o Brasil e, portanto, para outras nações.
31
Desconsiderou-se a BV de Arte & Cultura por se encontrar ausente do site quando da pesquisa.
87
Traçando, então, um paralelo entre os metadados determinados pelo Dublin
Core e os aplicados no banco de dados e nas páginas HTML do Projeto BVs, verificase que, dos quinze elementos DC (apêndice 1), apenas seis estão presentes no banco de
dados das BVs, e, no máximo, três nas páginas HTML, correspondendo à equivalência
mostrada nos quadros 7 e 8. Cabe ressaltar que, apesar da existência do metadado
título nas páginas HTML, para este corresponder ao determinado no padrão DC deveria
utilizar meta tag, tal como os demais.
QUADRO 7 - EQUIVALÊNCIA ENTRE OS METADADOS DO PADRÃO DUBLIN CORE E
OS PRODUZIDOS NO BANCO DE DADOS DO PROJETO BVS
DUBLIN CORE
Título
Criador
Assunto
Descrição
Editor
Colaborador
Data
Tipo
Formato
Identificador
Fonte de onde deriva
Idioma
Relação com outros recursos
Cobertura geográfica e temporal
Direitos
PROJETO BVS
Título
Originador + Autor pessoal/institucional
Assunto
Resumo
Tipo
Endereço da página
-
FONTE: Elaboração do autor
QUADRO 8 - EQUIVALÊNCIA ENTRE OS METADADOS DO PADRÃO DUBLIN
CORE E OS PRODUZIDOS NAS PÁGINAS HTML DO PROJETO BVS
DUBLIN CORE
Título
Criador
Assunto
Descrição
Editor
Colaborador
Data
Tipo
Formato
Identificador
Fonte de onde deriva
Idioma
Relação com outros recursos
Cobertura geográfica e temporal
Direitos
FONTE: Elaboração do autor
PROJETO BVS
Título
Palavras-chave
Descrição
-
88
Conclui-se, portanto, que apesar de os metadados terem sido criados de
acordo com as necessidades específicas do Projeto, e estarem atendendo internamente
às expectativas de informação, não se enquadram totalmente no padrão Dublin Core.
O comprometimento do não uso do padrão está no fato de o sistema não descrever os
recursos utilizando os elementos mínimos estabelecidos por um modelo que está se
consagrando internacionalmente, o que dificulta a interoperabilidade do sistema
quando, porventura, necessitar integrar-se a outros sistemas, em um modelo amplo de
recuperação unificada.
89
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O atendimento à demanda de informações na sociedade contemporânea
exige uma nova ótica para o tratamento e acesso aos conhecimentos registrados.
Em tempos passados, as informações concentravam-se nas bibliotecas e em
outras unidades de informação. Embora as pessoas tivessem de se locomover até esses
locais, sabiam que as encontraríam, ou obteríam referências de onde e como encontrálas. Hoje, com o mundo virtual, todas as informações estão em todos os lugares,
distantes apenas a alguns "clics" do mouse, surgindo a cada momento e fluindo em
tempo real. Precisamos de informação e sabemos que ela existe, mas nem sempre
sabemos como nem onde encontrá-la.
A Internet tem se mostrado como uma ponte entre usuários e informações,
mas uma ponte que leva a inúmeros lugares e, ao mesmo tempo, a um número infinito
de informações; devido a isso, a poucos tem ajudado com precisão, pois há sempre
algum tipo de limitação ou barreira que impede o acesso direto e eficaz à informação.
Pessoas que não tinham o hábito de buscar informações estão sendo incitadas
a se tornarem usuárias da Internet e a assimilarem os conhecimentos inerentes às novas
tecnologias; sistemas locais estão, compulsoriamente, adaptando-se às necessidades
remotas e virtuais do mercado global e competitivo, mudando conceitos e
procedimentos; equipamentos e programas computacionais estão sendo aperfeiçoados
constantemente na corrida contra os limites espaciais e temporais. Em nenhum desses
casos, os processos de desenvolvimento transcorrem de maneira fácil e isolada, pois,
no mundo digital, onde sociedades interagem virtualmente, o maior desafio é a
compatibilidade entre sistemas bem como a interação homem-máquina.
A Internet, objetivando a localização e o acesso a informações com seu caráter
de organismo descentralizado, cresceu em uma proporção jamais estimada. Abrindo
inúmeros horizontes para o trabalho com informação, traz, também, necessidades comuns
a sistemas de informação e seus componentes e aos produtores de informação,
expandindo conhecimentos até então restritos a determinadas áreas do saber, a um saber
90
convergente entre áreas especializadas, principalmente no que tange ao tratamento das
informações para a interoperabilidade dos sistemas que se integram à rede.
Diversas considerações estão se tornando incontestáveis no mundo virtual:
a) a alimentação dos sistemas de informação tem extrapolado a via das
organizações que filtram a produção, tratando-a com extensivos e
onerosos processos;
b) para acabar com a defasagem no tratamento da informação, a catalogação
dos recursos virtuais precisa efetivar-se de forma descentralizada,
simultaneamente a sua produção;
c) todo usuário, quando realiza pesquisas na Internet, está interessado
apenas em uma pequena parcela das informações disponíveis e que
estão, geralmente, em um mesmo contexto, o que exige das buscas alto
grau de seletividade;
d) é indispensável a implementação de mecanismos automáticos que
garantam não somente a localização de recursos virtuais, mas sua seleção
e identificação pelo valor semântico das informações que os caracterizam;
e) é indispensável a unificação de sistemas heterogêneos para buscas
compartilhadas, o que será possível somente por meio da adoção de
padrões implementados na produção dos recursos de informação, base
para todo e qualquer trabalho, posterior e de qualidade, com informação.
É neste contexto, dinâmico e global, porém com necessidades particularizadas,
automatizado, sem dispensar o trabalho humano, contemporâneo, mas sem relegar as
bases sólidas sobre as quais se desenvolveram os processos de tratamento da informação,
que se inserem os metadados.
A exploração bibliográfica sobre metadados, um dos objetivos deste
trabalho, permitiu a construção de um referencial teórico sobre o assunto, no qual
ficou evidenciada a necessidade do uso de metadados nos sistemas que pretendem
atuar com inteligência.
A reflexão sobre o tratamento da informação, segundo objetivo do trabalho,
associado à análise bibliográfica, levou às seguintes constatações:
91
a) o termo "metadado", apesar de novo, pode ser conceitualmente considerado
uma evolução da designação das representações da informação anteriores ao
mundo virtual, uma vez que, em ambos os casos, representação impressa
(Era não Digital) e representação digital (Era Virtual), a essência é a
disponibilização de um vínculo que represente "dados sobre dados e/ou
informações", estejam estes embutidos em materiais físicos visíveis,
palpáveis e interpretáveis a olho nu, ou suportes que necessitam de meios e
mecanismos tecnológicos para seu acesso e interpretação;
b) existe uma diferença estrutural entre os metadados anteriores à Era Digital
(compostos apenas do próprio conteúdo da informação e disponíveis em
catálogos impressos, elaborados manualmente), e aqueles produzidos em
bancos de dados ou presentes em recursos virtuais na Internet (escritos em
diferentes linguagens, mas suportados basicamente em páginas HTML).
Estas estruturas estão representadas nas figuras abaixo:
FIGURA 8 - ESTRUTURA DE UM METADADO EM UM BANCO DE DADOS
atributo (tag)
conteúdo
FIGURA 9 - ESTRUTURAS BÁSICAS DE UM METADADO EM PÁGINAS HTML
<atributo (tag)>
conteúdo
<meta name="atributo"
</atributo (tag)>
content="conteúdo">
c) a estruturação de metadados por meio de meta tags é um recurso que
permite o cumprimento das funções de organização, identificação,
caracterização e classificação da informação, além da padronização e
interoperabilidade entre sistemas e, conseqüentemente, a recuperação
semântica automática da informação;
92
d) o padrão Dublin Core está consagrando como modelo básico para a
descrição de recursos virtuais, uma vez que foi estabelecido por meio de
um consenso internacional, apresentando simplicidade e flexibilidade
suficientes para sua implantação imediata;
e) as linguagens de marcação utilizadas na produção de recursos virtuais de
informação estão se aperfeiçoando na medida em que está sendo admitida
a necessidade simultânea de padronização e flexibilidade na descrição dos
recursos virtuais;
f) apesar do avanço tecnológico no tratamento da informação, é
indispensável a contribuição humana no monitoramento semântico dos
metadados, instrumentalizando os sistemas para a garantia da qualidade
na recuperação da informação.
O estudo de caso revelou que o Projeto Bibliotecas Virtuais Temáticas
produz metadados embutidos em seu banco de dados, estes determinados a partir das
necessidades informacionais identificadas pela equipe do próprio Projeto. Ao
disponibilizar seu Sistema na Internet, o Projeto embute, na maioria das páginas
HTML, os metadados básicos desta linguagem (título, descrição e palavras-chave). Em
ambos os casos, não há adoção de nenhum modelo como padrão para a descrição dos
recursos virtuais catalogados e os conteúdos dos metadados não sofrem nenhum
processo de normalização compatível com algum instrumento de catalogação ou
indexação existente.
Embora a
pesquisa tenha demonstrado que a literatura estrangeira vem
explorando exaustivamente o tema, supõe-se que a implementação de sistemas, à luz
da teoria estabelecida, é que demonstrará a sua eficácia e as necessidades de
aperfeiçoamento, e/ou reformulação.
Espera-se que este trabalho tenha contribuído com informações e
conhecimentos a todos aqueles que estejam adentrando na área do tratamento da
informação, em busca de elucidações sobre metadados, e que o estudo de caso tenha
oferecido subsídios para o encaminhamento do Projeto no alcance de seus objetivos.
93
8
RECOMENDAÇÕES
Uma vez que o trabalho que ora se encerra não pretendeu esgotar a
abordagem sobre metadados, faz-se necessária a continuidade no aprofundamento do
assunto, principalmente no que se refere à interconexão com as questões dependentes
da Informática.
Para garantir a efetiva gestão da informação e o desempenho de futuras
implementações
em
tecnologias
da
informação,
considera-se
importante
a
continuidade de estudos sobre as seguintes questões relacionadas ao tratamento de
recursos informacionais:
a) tratamento de estoques de informação:
- metodologias para a conversão de estoques não digitais de informação
para bancos de dados que contemplem o uso de metadados a serem
utilizados como meta-metadados na Internet;
- metodologias para a conversão de bancos de dados que não
contemplam metadados compatíveis com os meta-metadados, para a
sua adaptação às necessidades da Internet;
- estabelecimento de meta-metadados mínimos comuns que devam ser
utilizados para a compilação de grandes bancos de dados índices que
referenciem e remetam o usuário diretamente aos bancos de dados
disponíveis na Internet;
b) recuperação da informação:
- criação de home pages e sites, utilizando-se de diferentes linguagens de
marcação, oras fazendo uso oras não de padrões de metadados,
comparando-os em relação aos resultados apresentados por diferentes
ferramentas de busca;
- comparação entre as políticas de catalogação e indexação adotadas
pelas ferramentas de busca;
94
c) normalização da informação a servir de atributo e conteúdo para os
metadados: levantamento dos padrões internacionais existentes para a
especificação de dados, tais como: nomes geográficos, nomes de idiomas,
designação das tags, entre outros, a fim de compilar um instrumento
referencial para o tratamento da informação e subsidiar a padronização
automática dos dados;
d) atendimento à demanda: levantamento e análise do conhecimento dos
usuários acerca das fontes de informação disponíveis e dos recursos
utilizados nas buscas de informação através das ferramentas de busca, bem
como a sua satisfação em relação aos resultados obtidos via diferentes
ferramentas, com o intuito de identificar os problemas e propor soluções às
questões da interatividade homem-máquina e máquina-máquina.
Além da continuidade de estudos que antecedam, implementem ou avaliem o
uso de metadados, recomenda-se que as escolas que mantém cursos que contemplem
as ciências, as técnicas e as tecnologias da informação, iniciem imediatamente a
introdução de conteúdos relacionados ao assunto, a fim de despertarem e capacitarem
a curto prazo, profissionais que se dediquem ao acompanhamento, uso e/ou
desenvolvimento de tecnologias para a qualidade do trabalho com informação, tanto
do ponto de vista de seu monitoramento como de seu uso.
A criação de mecanismos que aliem a capacidade de análise e avaliação
humanas com as capacidades de armazenamento, processamento e filtragem das
máquinas, na busca pela efetivação da qualidade no trabalho com informação, é um
ideal que somente se tornará realidade com a conscientização de que os sistemas de
informação devem servir ao mercado por meio da agregação de valor a seus produtos e
serviços, o que implica a adoção dos princípios básicos do tratamento da informação,
abordados aqui de forma introdutória.
95
GLOSSÁRIO
AACR
Abreviatura de Anglo-American Cataloging Rules. Código de catalogação publicado pela
primeira vez em 1969; atualmente na 2.a edição revista. Destina-se à elaboração de
catálogos de bibliotecas e inclui regras para a descrição, o estabelecimento das entradas
(desdobramentos) de autoria e títulos e a elaboração de remissivas para todos os materiais
de bibliotecas. Seu princípio está pautado na padronização da apresentação e da
disposição dos dados, na separação destes dados em elementos e áreas e em uma
pontuação uniforme para a separação e a identificação destes.
BIT
Um dígito binário (1 ou 0). Um conjunto de oito bits representa um caracter (uma letra,
um número, ou um sinal) em um sistema básico de armazenamento por computador.
BROWSING
Busca, procura de informações de modo aleatório.
CONHECIMENTO
Saber estruturado que tem como base a relação entre dados e informações e a agregação
de significado e valor à experiências, fatos, etc., mediante o uso de habilidades e recursos
mentais.
DADO
Registro representativo de coisas, fatos, conceitos, seres, etc., cujo significado e valor
restringem-se a si próprios.
DATA WAREHOUSE
Uma coleção de bancos de dados integrados, orientados ao objeto de interesse (assunto),
que foram criados para atender a sistemas de suporte a decisões; no banco de dados, cada
unidade de dados (fixos ou variáveis) é relevante em algum momento.
DEFAULT
Valor previamente definido para um campo de dados a ser atribuído automaticamente
pelo sistema.
DOCUMENTO
Todo pacote de dados, informações e/ou conhecimentos originados, mantidos e
disponibilizados em algum tipo de material físico palpável.
EFICÁCIA
Medida de proporção entre o que se consegue alcançar dentre os objetivos pretendidos e
os próprios objetivos (STAIR, 1998, p. 9).
96
EFICIÊNCIA
Medida de proporção entre o que é utilizado dentre o que se produziu e disponibilizou e a
própria produção (STAIR, 1998, p. 9).
ESTOQUE DE INFORMAÇÕES
Conjunto de dados, informações e conhecimentos armazenados em algum tipo de suporte
e acumulados na história da humanidade.
ESTRUTURA
Organização dos elementos que formam o todo.
FERRAMENTA DE BUSCA
Mecanismo que localiza recursos de informação na Internet, selecionando-os e
agrupando-os segundo critérios predeterminados.
FORMATO BIBLIOGRÁFICO
Instrumento padrão que estabelece a estrutura do armazenamento de dados que
representam os documentos bibliográficos em sistemas informatizados.
FORMATO MARC
Marc é a abreviatura de Machine Readable Cataloging. O Formato Marc é um formato
bibliográfico internacional, ou seja, um instrumento padrão que estabelece a estrutura de
um registro bibliográfico a fim de ser lido e interpretado pelo computador, para a
produção automática de catálogos e o intercâmbio de dados. O Formato Marc suporta a
catalogação de acordo com as regras do Anglo-Amercican Cataloging Rules (AACR).
FRAMESET
Página, em linguagem HTML, que contém apenas a estrutura, ou a alocação, das frames
(molduras) que pertencem à página visualizada.
HOME PAGE
Primeira página de um site, a qual contém
páginas.
um resumo deste e os links para as outras
IMEDIAÇÃO DOS DADOS
Característica dos dados de um banco de dados referente à medida de rapidez com que as
mudanças devem ser feitas.
ÍNDICE DE COBERTURA
Total de recursos pertinentes existentes no sistema, em relação ao total de recursos
existentes sobre o tema (inclusive fora do sistema).
97
ÍNDICE DE ESPECIFICIDADE
Proporção entre o número de recursos avaliados pelo usuário como pertinentes e o
conjunto de recursos existentes.
ÍNDICE DE ESFORÇO DO USUÁRIO
Proporção entre o tempo que o usuário gasta fazendo a busca direta no sistema e o tempo
que gasta selecionando os recursos pertinentes entre aqueles recuperados pelo sistema.
ÍNDICE DE NOVIDADE
Total de recursos desconhecidos pelo usuário dentre aqueles recuperados pelo sistema.
ÍNDICE DE PRECISÃO
Proporção entre o número de recursos avaliados pelo usuário como pertinentes, entre aqueles
recuperados pelo sistema, e o número total de documentos recuperados pelo sistema.
ÍNDICE DE REJEIÇÃO
Proporção entre o número de recursos avaliados pelo usuário como não-pertinentes, entre
aqueles recuperados pelo sistema, e o total de recursos não-pertinentes existentes no
sistema.
ÍNDICE DE RESPOSTA
Proporção entre o tempo ocorrido entre a solicitação de uma pesquisa ao sistema e a
obtenção da resposta.
ÍNDICE DE REVOCAÇÃO
Proporção entre os recursos recuperados pelo sistema e o total de recursos pertinentes
existentes no sistema.
ÍNDICE DE SELETIVIDADE
Proporção entre o número de recursos não pertinentes eliminados pelo sistema e o
conjunto de não-pertinentes existentes no sistema.
INFORMAÇÃO
Conjunto de dados organizados de tal forma que adquirem significado e valor adicionais
em função da relação que assumem entre si (STAIR, 1998, p. 4-5).
INFORMAÇÃO DIGITAL
Basicamente, é a informação que utiliza dígitos para sua apresentação e comunicação, tal
como nos relógios digitais, nos painéis digitais de controle, etc. Aplica-se também às
informações que, ao serem armazenadas pelo computador e transmitidas via determinadas
redes de telecomunicações, são transformadas em cadeias de dígitos binários,
decodificadas novamente ao serem visualizadas pelo usuário final.
Ver Informação Eletrônica.
98
INFORMAÇÃO ELETRÔNICA
Expressão popularizada de Informação Digital, decorrente da utilização de recursos da
Eletrônica para seu registro, processamento e disponibilização.
INTERNET
"Uma rede híbrida, uma rede de redes em torno do mundo" (STAIR 1998, p. 417).
"Sistema mundial de redes de computadores - uma rede de redes - que pode ser utilizado por
qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, onde haja ponto de acesso, e que oferece um
amplo leque de serviços básicos, tais como correio eletrônico, acesso livre ou autorizado a
informações em diversos formatos digitais, transferência de arquivos. Os protocolos básicos
para o transporte dos dados são do TCP/IP" (TAKAHASHI, 2000, p. 171).
INTEROPERABILIDADE
Também denominada pela literatura como interoperacionalização e interoperatividade,
consiste na capacidade de máquinas, programas, linguagens e protocolos trabalharem
conjuntamente.
LINGUAGEM DE MARCAÇÃO
Linguagem de estruturação dos dados, caracterizada pelo uso de marcas padronizadas por
caracteres que delimitam um dado ou uma informação com o objetivo de identificar e
tratar os recursos virtuais.
LINK
Elo de ligação entre dois elementos que, estando em ambiente eletrônico, emprega
recursos hipertextuais ou de hipermídia.
META TAG
Tipo de marcação definida na forma meta name="atributo" content="valor",
permitindo que a informação do campo possa ser lida pelos browsers e pelas ferramentas
de busca e que alguma ação desejada possa ser executada a partir de sua identificação.
METADADO
Dado sobre um dado. Dado/informação que permite a identificação, caracterização e
localização de recursos de informação.
METAFERRAMENTA DE BUSCA
Mecanismo que, ao invés de realizar por si buscas na Internet, se utiliza, simultaneamente, de
várias ferramentas de busca para localizar os recursos de informação.
OBJETO FÍSICO
"Pacotes" de dados, informações e/ou conhecimentos originados, mantidos e
disponibilizados em algum tipo de material físico palpável, tais como: livros e similares,
partituras, fitas-cassete, fitas de vídeo, discos, CDs, artefatos tridimensionais, reálias,
iconografias, mapas, entre outros.
99
OPERADORES BOOLEANOS
Os operadores booleanos AND (conjuntiva), OR (aditiva/não exclusiva) e NOT
(subtrativa/negativa) compõem a lógica de busca por meio de combinações de termos.
OPERADORES DE BUSCA
Elementos que indicam a relação pretendida entre os termos em uma expressão de busca
de informações.
OPERADORES DE ADJACÊNCIA
Os operadores de adjacência ou posicionais são aqueles que indicam, por meio de
sinais, palavras consecutiva, palavras a uma distância específica, palavras existente no
conteúdo de um determinado metadado, etc.
OPERADORES RELACIONAIS
Os operadores relacionais são aqueles que limitam a busca por meio das seguintes
indicações: igual a, não igual a, menor que, maior que, contém, entre outros, todos
simbolizados por algum sinal gráfico.
PORTAL
Recurso de informação virtual, disponível na Internet, por meio do qual se tem acesso a
informações remotas de diferentes sites.
RECURSO VIRTUAL
"Pacote" de dados, informações e/ou conhecimentos, originados sob o formato de arquivo
digital, e mantidos e disponibilizados na Internet por meios hipertextuais e de hipermídia.
RECURSOS DE INFORMAÇÃO
Todo e qualquer suporte que contenha dados, informações e/ou conhecimento.
REGISTRO BIBLIOGRÁFICO
Conjunto de informações que compõem a representação (descritiva e temática) de um
documento bibliográfico.
SCRIPT
Texto em que são definidas as ações a serem executadas, quer para a visualização dos
dados, quer para o cumprimento de uma tarefa.
SISTEMA DE INFORMAÇÃO
"Conjunto de elementos que funcionam juntos para processar entradas e produzir dados e
informações de saída" (STAIR, 1998, p. 427).
100
SITE
Termo da língua inglesa que significa sítio, ou seja, o conjunto de páginas na Internet
pertencentes ao mesmo criador, disponíveis a partir de uma home page.
SPIDER
Também chamado de robô de busca, é um programa que rastreia a Internet, visitando os
sites, lendo, extraindo e organizando seus dados em um banco de dados, a fim de servir
como elementos em futuras buscas de informações.
STRING
Cadeia, ou seqüência de caracteres.
TAG
Traduzido por etiqueta ou rótulo, é uma marca padronizada por caracteres que delimita
um dado ou uma informação, indicando sua função no documento, sem, contudo,
constituir seu conteúdo, mas tendo um conteúdo, ou valor, a ela associado.
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Tecnologias utilizadas para tratamento, organização e disseminação de informações
(TAKAHSHI, 2000, p.176).
TRATAMENTO
Aplicação de técnicas e tecnologia para causar um novo efeito a alguma coisa,
possibilitando sua (re)utilização.
TRUNCAMENTO
Truncamento é o recurso da busca por prefixos ou parte de palavras. Normalmente se
indica a parte oculta (aquela possível de variação) por meio de um asterisco (*).
URL
Acrônimo de Uniform Resource Locator (Localizador Uniforme de Recursos). É o
padrão de endereçamento de fontes de informação na Web que combina informações
sobre o tipo de protocolo utilizado, o endereço do site em que o recurso está localizado
(domínio), subdiretórios e o nome do arquivo.
USUÁRIO
Indivíduo que utiliza serviços e produtos, ou que potencialmente pode vir a utilizá-los.
VOLATILIDADE DOS DADOS
Característica dos dados referente à sua instabilidade e necessidade de alterações, adições
e deleções com respeito ao seu valor semântico e sua realidade factual.
101
WORLD WIDE WEB (WWW)
Popularizada como Web, a WWW é um "conjunto interligado de hipertextos que permite
fácil navegação através do grande conjunto, em rápida expansão, de programas e
documentos disponíveis na Internet" (STAIR, 1998, p. 431).
"Teia global. Enorme conjunto de documentos e serviços, que faz parte da Internet,
organizados em forma de páginas de hipertexto, em que cada página é identificada por
um URL. Também é chamada de web" (TAKAHASHI, 2000, p. 178).
102
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ASSOCIATION FOR LIBRARY COLLECTIONS AND TECHNICAL SERVICES. Cataloging
and Classification Section. Task force on metadata: draft interim report, 15/1/99. Disponível
em: <http://www.ala.org/alcts/organization/ccs/ccda/rt-meta2.html>. Acesso em: 10 maio 2000.
ASSOCIATION FOR LIBRARY COLLECTIONS AND TECHNICAL SERVICES. Cataloging
and Classification Section. Task force on metadata and the cataloging rules: final report,
August 21, 1998. Disponível em: <http://www.ala.org/alcts/organization/ccs/ccda/tf-tei.html>.
Acesso em: 10 maio 2000.
COMPUTERWIRE. Briefing paper: what is metadata. Disponível em:
<http://computerwire.com/bulletinsuk/212e_1a6.htm>. Acesso em: 10 maio 2000.
DORAN, K. Meta for a data. Online, v. 23, n. 1, p. 42-50, jan./fev. 1999.
ESTADOS UNIDOS. Government Information Locator Service. FAQ: frequently asked
questions. Disponível em: <http://www.gils.net/faq.html>. Acesso em: 05 set. 2000.
GIGUERE, M. D. Metadata: enhance eletronic records. Disponível em:
<http://computer.org/proceedings/meta97/papers/miguere/miguere.htm>. Acesso em:
31 mar. 2000.
108
GRANDMANN, S. Catalogación versus metadata : vino viejo en odres nuevos? 1998.
Disponível em: <http://ifla.org/IV/ifla64/007-126s.htm>. Acesso em: 09 dez. 1999. Apresentado
no 64th IFLS General Conference, em agosto de 1998, em Amsterdam.
HEERY, R. Review of metadata formats. Disponível em:
<http://cpcug.org/user/jaubert/metadata/review.html>. Acesso em: 31 mar. 2000.
LICHTENBERG, J. Metadata for the millennium: publishers must begin now to reshope their
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MAZUMDAR, S. Organizing metadata using datalog rules. Disponível em:
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NATIONAL LIBRARY OF AUSTRALIA. Preserving access to digital information: metadata.
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NYPAN, T. The norwegian environmental meta information system. Aslib Proceedings,
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SAKATA, T.; TADA, H.; OHTAKE, T. Metadata mediation: representation and protocol.
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SUTTON, S. A.; OH, S. G. GEM: using metadata to enhance Internet retrival by K-12 teachers.
Bulletin of the American Society for Information Science, v. 24, n. 1, p. 21-24, out./nov. 1997.
VELLUCCI, S. Option for organizing eletronic resources: the coexistence of metadata. Bulletin
of the American Society for Information Science, v. 24, n. 1, p. 14-17, oct./nov. 1997.
WHEATLEY, A.; AMSTRONG, C. J. Metadata, recall, and abstracts: can abstracts ever be
reliable indicators of document value? Aslib Proceedings, London, v. 49, n. 8, p. 206-213,
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WILKIE, C. Multimedia metadata: our 70 year experience. Disponível em:
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WOOL, G. A mediation on metadata. Serials Librarian, New York, v. 33, n.1/2, p.167-178, 1998.
XU, A. Metadata conversation and the library OPAC. Serials Librarian, New York, v. 33, n.
1/2, p. 179-198, 1998.
NORMALIZAÇÃO
WARD, S. Standards: their relevance to scientific and technical information. Aslib Proceedings,
v. 46, n. 1, p. 3-14, jan. 1994.
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
MORESI, E. A. D. Delineando o valor do sistema de informação de uma organização. Ciência
da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 14-24, jan./abr. 2000.
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
MOORE, N. A sociedade da informação. In: A INFORMAÇÃO: tendências para o novo milênio.
Brasília: IBICT, 1999.
109
APÊNDICE 1 - ELEMENTOS DUBLIN CORE E SUAS CARACTERÍSTICAS
Elemento: Título
Nome: Título
Identificador: Título
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: o nome dado para o recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: tipicamente, um título pelo qual um recurso é formalmente conhecido.
Elemento: Criador
Nome: Criador
Identificador: Criador
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma entidade primariamente responsável pelo conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: exemplos de criador são: uma pessoa, uma organização ou um serviço.
Tipicamente, o nome do criador deve ser usado para indicar a entidade.
Elemento: Assunto
Nome: Assunto e palavras-chave
Identificador: Assunto
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: o assunto do conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: tipicamente, o tema expresso em palavras-chave, frases-chave ou código de
classificação que descreve o assunto do recurso. Recomenda-se selecionar o
assunto de um vocabulário controlado ou um esquema de classificação formal.
Elemento: Descrição
Nome: Descrição
Identificador: Descrição
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: explicações sobre o conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: a descrição pode incluir, mas não é limitado: ao resumo, ao sumário,referência
de uma representação gráfica do conteúdo ou um texto livre sobre o conteúdo.
110
Elemento: Editor
Nome: Editor
Identificador: Editor
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: a entidade responsável por disponibilizar o recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: exemplos de um editor incluem uma pessoa, uma organização ou um serviço.
Tipicamente, o nome do editor deve ser usado para indicar a entidade.
Elemento: Colaborador
Nome: Colaborador
Identificador: Colaborador
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma entidade responsável pela contribuição ao conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: exemplos de um contribuidor incluem uma pessoa, uma organização ou um
serviço. Tipicamente, o nome do colaborador deve ser usado para indicar a
entidade.
Elemento: Data
Nome: Data
Identificador: Data
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma data associada com a vida do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: tipicamente, a data deve estar associada com a criação ou a disponibilização
do recurso. Recomenda-se usar a ISO 8601 para codificar a data e seguir o
formato YYY-MM-DD.
Elemento: Tipo
Nome: Tipo de recurso
Identificador: Tipo
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: a natureza ou genero do conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: o tipo inclui termos que descrevem categorias gerais, funções, gêneros ou
nível de agregação do conteúdo. Recomenda-se selecioná-lo de um
vocabulário controlado.
111
Elemento: Formato
Nome: Formato
Identificador: Formato
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma manifestação física ou digital do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: tipicametne, o formato pode incluir o tipo de mídia ou dimensões do recurso. O
formato pode ser usado para determinar o software, o hardware ou outro
equipamento necessário para exibir ou operar o recurso. Exemplos de
dimensões inclui tamanho e duração. Recomenda-se selecioná-lo de um
vocabulário controlado.
Elemento: Identificador
Nome: Identificador do recurso
Identificador: Identificador
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma inigualável referência para o recurso dentro de um contexto
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: recomenda-se identificar o recurso por meio de um string ou número de acordo
com a identificação formal do sistema. Exemplo formal de identificação de
sistema inclui o Uniform Resource Identifier (URI) incluindo o Uniform
Resource Locator (URL)), o Digital Object Identifier (DOI) e o International
Standard Book Number (ISBN).
Elemento: Fonte
Nome: Fonte
Identificador: Fonte
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma referência ao recurso do qual o presente recurso deriva
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: o presente recurso pode ser derivado de uma fonte no todo ou em parte.
Recomenda-se referenciá-lo por meio de um string ou número de acordo com
a identificação formal do sistema.
Elemento: Idioma
Nome: Idioma
Identificador: Idioma
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: o idioma do conteúdo intelectual do recurso
112
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: recomenda-se definir o idioma de acordo com o RFC 1766, o qual inclui duas
letras para codificá-los. Opcionalmente, este código pode ser seguido de duas
letras que codifiquem o país, conforme a ISO 3166.
Elemento: Relação
Nome: Relação
Identificador: Relação
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: uma referência a um recurso relacionado
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: recomenda-se referenciar o recurso por meio de um string ou número de
acordo com a identificação formal do sistema.
Elemento: Cobertura
Nome: Cobertura
Identificador: Cobertura
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: a extensão ou escopo do conteúdo do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: a cobertura tipicamente inclui o nome do local ou as coordenadas geográficas,
o período ou a jurisdição. Recomenda-se selecioná-la de um vocabulário
controlado.
Elemento: Direitos
Nome: Gerenciamento dos direitos
Identificador: Direitos
Versão: 1.1
Direitos autorais: Dublin Core Metadata Iniciative
Idioma: en
Definição: informação sobre os direitos assegurados do recurso
Obrigatoriedade: opcional
Tipo: string de caracteres
Ocorrências: ilimitadas
Observação: tipicamente, o elemento Direitos contém a declaração da gerência dos direitos
do recurso, ou referência ao serviço que provê esta informação. Informação
sobre os direitos, normalmente envolve os Direitos de Propriedade Intelectual,
o copyright e vários direitos de propriedade.
113
APÊNDICE 2 - ENTREVISTA SOBRE O PROGRAMA PROSSIGA/IBICT
Projeto: ...................................................................................................................................
Entrevistado: ............................................................................................................................
Função: ...................................................................................................................................
Caracterização:
Endereço:
Responsável:
Cargo:
Quais as categorias profissionais envolvidas na criação e manutenção do Projeto?
As pessoas envolvidas recebem treinamento? Onde, por quanto tempo e como é o
treinamento? Qual o perfil exigido das pessoas envolvidas?
Proposições do Projeto em termos de produtos e serviços de informação?
Como
foram definidos esses produtos/serviços? Estudo/levantamento das
necessidades da comunidade científica e tecnológica, ou, outra forma?
Tratamento das informações e uso de metadados:
Qual a origem das informações disponibilizadas nos produtos e serviços?
Como são identificadas e capturadas estas informações?
Como é monitorada a atualização destas informações?
Qual a seqüência e como é feito o tratamento das informações (descrição, indexação,
metadados, controle de consistência e padronização dos dados)?
Em que banco de dados são armazenadas estas informações? Onde se encontra este
banco de dados?
Dê as características do banco de dados quanto:
- aos campos para recuperação?
- a obrigatoriedade de preenchimento dos campos?
Disponibilização na Internet e uso de metadados:
Como as informações do banco de dados são disponibilizadas na Internet?
O projeto produz metadados inseridos nas páginas produzidas para a Internet? Quais?
Que padrão utiliza?
Recuperação das informações:
As ferramentas de busca indexam as páginas do Projeto? Quais ferramentas o fazem?
O Projeto cadastra suas páginas nas ferramentas de busca da Internet?
Observações complementares:
114
ANEXO 1 - EXEMPLO DE UM DOCUMENTO HTML QUE UTILIZA
METADADOS DUBLIN CORE EMBUTIDOS
115
1 p.
116
2p.
117
ANEXO 2 - EXEMPLO DE APRESENTAÇÃO DE UM RECURSO VIRTUAL
QUE UTILIZA METADADOS GILS
118
1 p.
119
2 p.
120
3 p.
121
4 p.
122
ANEXO 3 - PORTAL DO PROGRAMA PROSSIGA NA INTERNET
123
1p.
124
ANEXO 4 -PORTAL DO PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS,
DO PROGRAMA PROSSIGA
125
1 p.
126
ANEXO 5 - PÁGINA DINÂMICA PRODUZIDA COMO RESULTADO DE
UMA
BUSCA
NO
PROJETO
BIBLIOTECAS
TEMÁTICAS DO PROGRAMA PROSSIGA
VIRTUAIS
127
QUADRO 3 - CAMPOS PREVISTOS, PORÉM NÃO UTILIZADOS NO BANCO DE DADOS DO PROJETO BIBLIOTECAS VIRTUAIS DO PROGRAMA PROSSIGA DO IBICT, SEGUNDO O TIPO DE RECURSO DE INFORMAÇÃO
RECURSOS/CAMPOS
LIVROS,
ARTIGOS...
ETC.
PERIÓDICOS
BASES DE
DADOS
ASSOC. E
SOC.
BTCAS E
INSTIT. E
CENTROS... CENTROS...
LIVRARIAS
E ...
MUSEUS
ÓRGÃOS
DE
POLÍTICA...
EVENTOS
PESQUISAD
ORES
BTCAS
VIRTUAIS
LISTAS DE
...
PROJETOS
E ...
PROGRAMAS...
FONTES DE
...
X
X
X
INF. Primária e secundária
Entrada
Sigla
X
X
X
Url
Contato
Cidade
Estado
País
Área do CNPQ
Natureza
X
X
X
Termos livres
Vocabulário controlado
Comentário
Separador de categoria
Separador de registro
_
Classificador
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Data de expiração
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Data da última visita
Fonte
Observações internas
Traduzido
Revisado
Escondido
FONTE: CNPq. Programa de Comunicação e Informação para a Pesquisa. Manual de tratamento de dados para bibliotecas virtuais. Rio de Janeiro, 2000
X
QUADRO 6 - TÍTULOS ATRIBUÍDOS ÀS BIBLIOTECAS VIRTUAIS TEMÁTICAS, SEGUNDO SUA LOCALIZAÇÃO
TÍTULO VISUALIZADO AO SE ACESSAR A BV
Expressão
Embutido em um
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FONTE: Elaboração do autor
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