0 UNISALESIANO Centro Univesitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Enfermagem Elizabete Santana Lígia Maria Abraão Patrícia Cristina Ritz AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS CIRÚRGICOS REPROCESSÁVEIS E SUA RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO LINS SP 2009 1 ELIZABETE SANTANA LÍGIA MARIA ABRAÃO PATRÍCIA CRISTINA RITZ AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS CIRÚRGICOS REPROCESSÁVEIS E SUA RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Enfermagem sob a orientação da Profª Esp.Viviane Cristina Bastos Armede e orientação técnica da Profª Esp. Jovira Maria Sarraceni. LINS SP 2009 0 S223a Santana, Elizabete; Abraão, Lígia Maria; Ritz, Patrícia Cristina Avaliação da durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis e sua relação com os índices de infecção do sítio cirúrgico / Elizabete Santana; Lígia Maria Abraão; Patrícia Cristina Ritz Lins, 2009. 67 p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Enfermagem, 2009 Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Viviane Cristina Bastos Armede. 1. Campos Cirúrgicos Reprocessáveis. Antimicrobiana. 3. Infecção - Sítio Cirúrgico. I Título. CDU 616-083 2. Barreira 2 ELIZABETE SANTANA LÍGIA MARIA ABRAÃO PATRÍCIA CRISTINA RITZ AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS CIRÚRGICOS REPROCESSÁVEIS E SUA RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO SÍTIO CIRÚRGICO Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem. Aprovada em: _____/______/_____ Banca Examinadora: Prof(a) Orientador(a): Viviane Cristina Bastos Armede Titulação: Especialista em Centro Cirúrgico e Central de Material e Esterilização pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Assinatura: __________________________ 1º Prof(a) _________________________________________________ Titulação: _________________________________________________ _________________________________________________________ Assinatura: __________________________ 2º Prof(a): ________________________________________________ Titulação: _________________________________________________ _________________________________________________________ Assinatura: __________________________ 3 EPÍGRAFE A tarefa não é contemplar o que ninguém ainda contemplou, mas meditar, como ninguém ainda meditou, sobre o que todo mundo tem diante dos olhos. Schopenhauer 4 A Deus Por ter me oportunizado a realização deste curso e conhecer e formar amigos. Por ter me honrado e guiado meus passos, fortificando-os no caminho desta longa trajetória. Agradeço-te por todas as bênçãos que tens me dado, pelo dom da vida e as dificuldades, que tem me feito maturar e crescer. Devo-te tudo que tenho que sou e serei. Obrigada por me amar e fazer-me amar-te infinitamente. Aos meus pais: José Roberto e Casimira Por serem as pessoas que depois de Deus mais me amam, por confiarem em meus sonhos, abraçarem meus ideais, me transmitirem valores morais, serem guerreiros e meus fiéis escudeiros, pelo carinho, amor, dedicação. Pelo dom da vida, pelas noites em claro, pelas palavras de conforto, por me ouvirem nos momentos de choro, por me entenderem, por me refugiarem em um universo de amor por me guiarem nos primeiros passos e jamais soltarem minha mão no longo trajeto que é a vida. Por serem meus grandes amigos, minhas vigas de sustentação, meu porto seguro, fortalezas construídas de amor e paciência.... Eu os amo demais. À minha Irmã Janete Por ser minha amiga, confidente, acreditar no meu potencial, pelo carinho, por estar comigo em todos os momentos de alegria, tristeza e dúvidas. Você também faz parte desta conquista, uma das muitas que iremos dividir... Amo-te imensamente. És um presente de Deus em minha vida! Às minhas Amigas Edileide e Débora Yumi Pelos momentos de confidência, amizade, descontração, apoio, alegria... Por terem se tornado minhas irmãs Gêmula como tantas vezes brinquei. Amo-as muito e oro a Deus que as abençoe cada vez mais...esta etapa em nossa vidas termina agora, mas nossa amizade tenho certeza que perdurará por longos anos. 5 A minha pastora Nilça Obrigada por ter desapertado meus olhos, ouvidos e coração para esse Deus tão lindo, pelas palavras de carinho que sempre me destina, por ter se tornado, como muitas vezes brinquei, uma maezona . Amo-te muito. Aos Amigos A todos, não tão somente os da Universidade, quero que se sintam lembrados e que saibam que também são muito amados por mim. As minhas companheiras de monografia Lígia e Patrícia Lígia: Pela dedicação, comprometimento, descontração e amizade. Certamente a pela sua disposição e vontade de fazer sempre o melhor, tenho certeza que a escolha não poderia ser melhor. Nossa amizade construiu-se ao longo destes quatro anos e tenho certeza que foi Deus quem direcionou nossos passos para que nos tornássemos verdadeiras escuderias. Crescemos e amadurecemos muito ao longo destes anos. Espero que o tempo e o futuro, que hoje parece tão incerto, não nos afaste jamais. Você e mara te amo muito e você sabe disso. Muito sucesso! Paty: Por dedicar-se ao longo dessa trajetória. Desejo a você muito sucesso, e tenho certeza que ele virá como conseqüência de seu trabalho. Foi muito bom estar ao seu lado nessa trajetória. Você é alguém especial. Que Deus te abençoe ricamente. A Professora Jovis Por sempre nos conceder um tempinho. Pelo carinho com o qual exerce sua função. Pelas palavras de incentivo, momentos de descontração e por ser simples e cativante. Hoje você não é só minha professora, mas também minha grande amiga. Admiro-te muito e espero ter-te sempre 6 próxima. Jamais permita que sua luz se apague. Que Deus a abençoe ricamente. A Professora Viviane Por todos os momentos em que nos socorreu com o Trovão Azul . Por compartilhar suas experiências profissionais e pessoais. Agradeço também, pela paciência, carinho, dedicação, incentivo e por ter se tornado ao longo do tempo uma pessoa tão especial em minha vida. Que Deus a faça prosperar sempre. A Professora Ângela: Por toda a paciência e por ter compartilhado seu vasto conhecimento e tempo na elaboração deste trabalho, ensinando-nos que nada na vida é tão perfeito que não se possa buscar aperfeiçoamento. Admiro-te muito e espero que Deus a ilumine sempre. Sou imensamente grata por tudo. Aos Demais professores Por terem contribuído com a minha formação e terem me instruído ao longo destes quatro anos me apresentando esta área tão apaixonante que é a Enfermagem. (Bete) 7 A Deus A razão da minha vida, de minha existência, aquele que faz possível o impossível, que opera maravilhas onde já não existe esperança... Aquele que com todos os obstáculos permitiu que eu chegasse ao término de mais essa jornada. Aos Meus pais Mara e Mário ; e irmãos Aline e Guilherme Os protagonistas de toda minha história. Meus alicerces, meus amores... Só Deus sabe o que passamos para que eu pudesse chegar até aqui. Tantas lagrimas, tantas saudades... Quantas orações né Mamãe... Mas a oração do justo pode muito em seus efeitos, e após as lutas sempre chegam as vitórias. É chegado o tempo de colheita em nossas vidas, e esses frutos nós iremos colher juntos. Amo vocês, amo incondicionamente... Essa conquista é nossa! Meus avós Irene e Roberto (in memorian) Aqueles que sempre me deram crédito, e que sempre me apoiaram para que eu batalhasse em busca de meus ideais... A Minha avó Ditinha (In Memorian)... Gostaria que você ainda estivesse aqui para presenciar esse momento que tanto esperamos... Obrigada por ter acreditado em mim, obrigada pelo amor inigualável, pelo carinho e atenção sincera que sempre me disponibilzou, obrigada simplesmente por ter existido em minha vida. Amo você e vou continuar amando sempre... Saudades Eternas! A Minha Tia Ana (Guinha) Tia, se não fossem as tuas intercessões e o seu cuidado, eu não teria chegado até aqui. Obrigada por sempre me direcionar para os caminhos trilhados segundo a vontade de Deus. 8 Ao tio Clodô e a tia Jane Obrigada pelo carinho, cuidado e atenção. Que o Senhor Jesus possa recompensá-los por tudo o que fizeram por mim. A Professora Angela Pessoa mais que abençoada, que eu tive o privilégio de ter em meu caminho. Umas das pessoas sem a qual este trabalho não teria se realizado. Saiba que lhe admiro muito pelo seu caráter, por sua competência, por sua simplicidade, e pela profissional maravilhosa que é... Obrigada por tudo, pela transferência de conhecimento, pelo apoio, pelas correções, obrigada por ter se feito presente neste momento tão importante de nossas vidas. A minha orientadora A precursora de todo esse trabalho, aquela que conquistou um espaço enorme não somente no meu coração, mas em toda minha vida. Aprendi muito com você, não somente no decorrer das aulas, mas sim com seu jeito de ser e com sua maneira de viver. Obrigada por tudo o que fez por mim... Amo para sempre! A Professora Marilisa Baralhas A alegria em pessoa, que contagia a todos com seu brilho, com seu simples jeito de ser... obrigada pela confiança, por sempre ter me dado forças para eu acreditasse que é possível irmos além do que os nossos olhos podem ver. A Professora Jovira Professora, você nos motivou a sempre estar em busca de novos horizontes... de crescimento, de aprimoramento. Com você a metodologia deixou de ser um bicho de sete cabeças. Obrigada por tudo... E parabéns, pois você cativa a todos com seu jeito único de ensinar... 9 A minha amiga Paty Zamian Minha amiga, conselheira, cuidadora... minha mãezinha do coração! Se hoje eu me tornei uma pessoinha melhor, você é uma das responsáveis por isso. Agradeço a Deus por ter colocado alguém de tamanha importância em minha vida. Amo você e certamente sentirei muito sua falta. Sucesso! A minha amiga, irmã, companheira e parceira de quarto: Joseana Jô, obrigada por fazer parte da minha vida, obrigada por me ouvir, por me aconselhar, por me aturar nos momentos de estresse, por me consolar nas horas de angústia, por me aguentar com a luz acesa até altas horas... por ceder um espaço na sua família, por ter me proporcionado inúmeros momentos de alegria... Enfim, obrigada por cada instante que passamos juntas! Amo-te! A minha amiga Ana Paula Dantas Amada do Senhor, lamento por não te-la conhecido antes. Você é uma benção que veio diretamente dos céus para iluminar a minha vida! Você faz toda a diferença pelos lugares onde passa... Nunca se esqueça de que eu nunca te esqueço . A minha grande amiga Cristiane Naves Não tenho palavras para descrever a tamanha importância que tem para mim... você faz parte de toda minha história, é um dos presentes mais preciosos que Jesus poderia ter me dado! Sua amizade me faz bem, me fez crescer, amadurecer... Não importa a distancia, os verdadeiros amigos sempre permanecem e as verdadeiras amizades nunca morrem. Nós somos a prova disso e essa conquista também é sua! As minhas amigas do Oasis: Aquelas a quem eu chamo carinhosamente de fididas Juntas vivemos momentos além de especiais, sentirei muita falta de cada uma... e as nossas lembranças ficarão eternamente guardadas em meu coração! 10 Helô: A gente se entende... a gente se dá bem! Pessoa mais que especial na minha vida, exemplo vivo de determinação e com certeza de muito sucesso! Lidjuka : Aquela que trouxe alegria e descontração aos meus dias. Fidi! você vai morar pra sempre em meu coração! Sabrina Favarão: Quem sempre me apoiou e torceu para que eu me desse bem... Você é muito especial na minha vida... Amo! Marina: Pessoa que põe amor em tudo aquilo que faz, sempre disposta a oferecer um ombro amigo! Mara Jackson... amo demais! Léslie: Você é única viu Fidida! E muito especial também, além do que imagina. Carol: Minha japoneusa preferida. Ooh Bacuritiense, você vai fazer muita falta! Dayse Belissíma: Tem um brilho que não existe... contagia e faz bem a todos com sua alegria. Ana Vasconcellos (ex moradora do Oasis): de quem eu vou encher as paciências ano que vem? Você já mora no meu coração, viu sua TO de Sucesso! As minhas parceiras de monografia Bete e Paty A você Bete, o meu muito obrigada por me ouvir sempre, por me aconselhar, por me fazer enxergar as coisas, por me aturar e acima de tudo por estar sempre ao meu lado em toda e qualquer circunstância. Amo-te, vc é presente de Deus em minha vida! Já estou sentindo falta de tudo o que vivemos... Sucesso amiga! Que Deus lhe abençoe sempre, e que nós nunca venhamos perder a essência do que é realmente ser amigo... Paty, obrigada por tudo, pela amizade, companheirismo e cumplicidade! Vc tem o coração de ouro, obrigada por sempre se preocupar comigo, obrigada por ter estado ao meu lado ao longo dessa luta de 4 anos. Valeu a pena, que essa venha ser 1ª de inúmeras conquistas em nossas vidas! (Lígia) 11 Deus e Nossa Senhora Por terem me dado força, coragem e sabedoria para enfrentar os problemas que surgiram ao longo deste trabalho. Por todas as vezes que uma porta se fechava para nós, dezenas se abriam em seguida. Obrigada por terem permitido que mais uma etapa de minha vida fosse concluída com sucesso. Aos meus pais Celso e Eliani Porque se cheguei até aqui foi graças a vocês, que desde o começo estiveram ao meu lado, sempre me ensinando o verdadeiro valor da vida. Estão sempre ao meu lado nos momentos de angústia e medo, mas principalmente estão nos momentos mais felizes da minha vida. Quando eu crescer quero ser igual a vocês. Essa vitória é nossa! Amo vocês!!! Aos meus irmãos Biela, Biel e Gi Pelos sorrisos e abraços que recebia ao voltar pra casa nos finais de semana. Por todas as vezes que me ligaram só pra dizer Estamos com saudades de você. Fique com Deus . Isso tudo foi para vocês e por vocês. Amo vocês meus anjos Ao meu namorado Rafael Por todas as vezes que escutou as minhas reclamações, por ter segurado a minha mão nos momentos em que eu achei que fosse cair. E quando eu pensava em desistir me lembrava do quanto eu era capaz de superar as dificuldades. Obrigada por fazer parte de mais essa conquista. Amo você! A minha parceira de quarto Lidjuca Minha amiga irmã, uma pessoa que aprendi a amar e admirar, uma muleca nas horas de brincadeira e uma mulher quando tinha que falar sério. Foi muito bom ter dividido não só o quarto nesses 3 anos, mas uma linda amizade. Lidjuca e Paty amigas for ever...rs 12 As minhas parceiras de monografia Lígia não preciso nem dizer o quanto você foi, é e será importante na minha vida, você é uma pessoa que eu levarei guardadinha no meu coração pra sempre, a fididinha mais cheirosa que eu conheci...rs Bete aprendi várias coisas com você, inclusive o caminho para a ... rs. Sei que esse trabalho foi o início de uma grande amizade. Foi muito bom ter vocês ao meu lado nessa etapa da minha vida. Adoro vocês!!! As minhas amigas presentes... Carol e Gabi minhas japonesas preferidas, sempre alegres, contagiando a todos com sua alegria de viver. Gi quietinha, mas sempre companheira. Jú gordinha suas histórias vão ficar pra sempre. Maria Laura (Car) valeu pelas caronas...rs Jaci sempre estressada, mas bem humorada. Sol sempre sorrindo. Nessa a baladeira estudiosa. Paty e Débora uma dupla dinâmica. Agradeço sempre a Deus por ter permitido que nós nos conhecêssemos . Minha casa e meu coração estarão sempre abertos para vocês. E as amigas ausentes Mi aprendi tantas coisas com você nos anos que passamos juntas, dedicação a sua profissão, carinho pelos pacientes, determinação , sua marca registrada é o companherismo. Lê além de T.O compositora, uma música melhor que a outra. Saudades de um tempo que não volta mais. Adoro vocês!!! 13 A Prof. Viviane Obrigada pela dedicação durante esses anos, pelos pasteis na Dalci, pelo carinho, amizade, companheirismo. Você estará sempre no meu coração e claro o Trovão Azul também. Espero que nossa amizade perdure por muito tempo. Te adoro do fundo do meu coração professora loira! A Prof. Ângela Por ter acolhido esse trabalho com tanto carinho e dedicação. Obrigada por ter nos ajudado na realização desse projeto sem pedir nada em troca. Que Deus te ilumine sempre. A Prof. Marilisa (Mamy) Não sei nem como posso te agradecer tudo o que fez por mim. Hoje você é mais que uma professora é uma amiga. Apesar de sua pouca idade o meu carinho por você é o mesmo de uma filha por sua mãe. Obrigada por ter aberto as portas da sua casa para mim, sua família. Que Deus te conserve sempre assim. Te amo Mamy A Prof. Jovis Uma pessoa maravilhosa. Exigente quando tinha que ser, mas compreensiva, justa e amiga, que entendeu o problema pelo qual meu grupo passava e nos ajudou. Você sempre diz que professor de metodologia nunca é homenageado, o que eu acho uma grande injustiça, pois você merece sim muitas homenagens não só pela profissional que você é, mas também pela mulher que você é. Te amo do fundo do meu coração! (Paty) 14 AGRADECIMENTOS A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram e torceram pela realização deste trabalho. A vocês o nosso MUITO OBRIGADA! A nossa querida professora Angela Obrigada pela credibilidade, pelo apoio e segurança que sempre nos transmitiu... que Deus possa recompensá-la por tudo o que fez por nós! Aos professores Francisco, Flávio e Luis Alberto Massarote Muito obrigada pela atenção, pelo tempo cedido a nosso favor, pelo auxílio e pelas ricas sugestões que só vieram acrescentar em nosso trabalho. Ao Moacir Por ser sempre tão prestativo e nos ter auxiliado com tanto zelo e dedicação. Ao José Roberto Por nos auxiliar com seus conhecimentos na área de informática e pela amizade. As Meninas da Lavanderia e Central de Materiais Pelo carinho, serviços prestados, por terem nos auxiliado de tão bom grado na realização das lavagens e esterilizações dos campos. Por terem se tornado pessoas especiais em nossas vidas e por toda experiência adquirida junto a vocês. Ao centro Universitário a Unidade Hospitalar Que gentilmente cederam suas instalações, oportunizando a realização deste trabalho. 15 A Cantina do Bigode Pelo carinho que todos os funcionários dedicaram não tão somente a nós, mas a todos que se utilizam deste refúgio tão amado. Todos vocês são pessoas especiais, das quais nos recordaremos com carinho. As Meninas da biblioteca (Vera, Adriana, Carla, Cris, Raquel e Sandra) Por abrigarem nossas reuniões de monografia e pela paciência e dedicação prestada durante os quatro anos. Aos Demais funcionários do Centro Universitário Pela dedicação com que realizam suas funções, contribuindo sempre para o bom funcionamento da instituição. Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a convicção das coisas que não se vêem . (Hebreus 11: 01) (Bete, Lígia e Paty) 16 RESUMO O uso de campos operatórios para proteção dos pacientes contra possíveis infecções ao longo de intervenções cirúrgicas data desde o final do século XIX, sendo os do tipo reprocessáveis mais utilizados, devido ao seu baixo custo. Estes devem repelir líquidos, barrar bactérias e serem resistentes à tração. Não há consenso acerca da durabilidade dos campos cirúrgicos. A literatura demonstra que hospitais não possuem métodos de monitorização do uso dos campos, utilizando-os à sua exaustão, favorecendo acúmulo de microrganismos, podendo elevar a incidência de infecções do sítio cirúrgico. O presente estudo desenvolveu-se no Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário da Cidade de Lins, Lavanderia e Central de Materiais e Esterilização de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP, tendo por objetivo investigar a durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos (50% poliéster e 50% algodão), tamanho 50 cm x 50 cm, identificando sua eficácia como barreira antimicrobiana, enquanto novos e após múltiplos reprocessamentos. Para tanto, utilizou-se a metodologia alemã da Deutsches Institut for Normüng (DIN), empregada na realização de testes com materiais porosos. O microrganismo de escolha foi o Staphylococcus aureus ATCC 25.923. Os resultados microbiológicos obtidos determinaram que a barreira antimicrobiana dos campos cirúrgicos simples 50% poliéster e 50% algodão, permanece eficaz até o número limite de 50 vezes. Ao final na pesquisa pode-se concluir que os campos cirúrgicos possuem um tempo de vida útil, o qual deve ser respeitado, através de mecanismos que possibilitem um sistema de controle, afim de não expor o paciente a condições que possam caracterizar risco para aquisição de infecções e / ou maiores agravos a sua saúde. Palavras-chave: Campos Cirúrgicos Reprocessáveis. Barreira Antimicrobiana. Infecção-Sitio Cirúrgico. 17 ABSTRACT The use of field surgical for protecting patients against possible infections in surgical room has been carried out since the end of the nineteenth century being the reprocessable type more used, due to its low cost. These must repel liquids, to bar bacterias and will be more resistant to tension. There is not an agreement about the durability of field surgical. The Literature shows that hospitals do not have methods of use of fields, using them to its exhaustion, allowing accumulate of microorganisms, increasing the incidence of surgical site infections. The present study was carried out in the Microbiology Laboratory at Center University in city Lins, in the Laundry and the Sterilization and Material Center of a Hospital Unit in Lins, São Paulo, Brazil. The purpose was to investigate the durability of surgical field reprocessable simple mixed from 50% cotton and 50% polyester and measuring 50cmX50cm, in order to identify its antimicrobial efficiency while new and after successive reprocessements, using the Deutsches Institut for Normüng (Din) methodology, employed in the realization of tests with porous material. The microorganism selected was the Staphylococcus aureus ATCC 25.923. The microbial results showed that the antimicrobial barrier of mixed simple 50% polyester and 50% cotton surgical field, seems efficient up to the limit number of 50 times. Thus, it is concluded that surgical field has a time of life usefull, what must be respected, through of mechanisms that allow a control system similar not to expose the patient to the conditions that can characterize risks to infections acquisition and/or more appeals to its health. Keywords: Reprocessed field surgical. Antimicrobial barrier. Infection. Surgical site. 18 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Repique de bactérias.................................................................... 50 Figura 2: Repique de bactérias.................................................................... 50 Figura 3: Preparo de suspensão bacteriana ............................................... 50 Figura 4: Disposição das placas de Petri no fluxo laminar.......................... 51 Figura 5: Disposição das placas de Petri no fluxo laminar.......................... 51 Figura 6: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica 52 Figura 7: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica 52 Figura 8: Inoculação de suspensão bacteriana........................................... 52 Figura 9: Inoculação de suspensão bacteriana........................................... 52 Figura 10: Realização de cultura bacteriana ............................................... 53 Figura 11: Realização de cultura bacteriana ............................................... 53 Figura 12: Proliferação bacteriana............................................................... 56 Figura 13: Escala visual de coloração dos campos cirúrgicos reprocessáveis ............................................................................................. 57 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Separação de roupas hospitalares por sujidades ...................... 43 Quadro 2: Fases do Processo de Autoclavagem ........................................ 54 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos..................... 55 Tabela 2: Proliferação bacteriana dos campos do Grupo 3 ........................ 56 LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS 19 AORN: Association of Operating Romm Nurses (Associação de Enfermeiros de Centro Cirúrgico) ASM: Ágar Sal Manitol ATCC: American Type Culture Collection (Coleção Americana dos Tipos de Cultura) ºC: Graus Celsius CCIH: Comissão de Controle de Infecção Hospitalar CDC: Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) CEP: Comitê de Ética e Pesquisa cm: centímetros CME: Central de Materiais e Esterilização DIN: Deusches Institut für Normung (Instituto Alemão para Normatização) EPI: Equipamento de proteção individual EUA: Estados Unidos da América IH: Infecções hospitalares ISC: Infecção do sítio cirúrgico kg: quilogramas LH: Lavanderia hospitalar ml: mililitros l: microlitros MO: Microrganismos NNIS: National Nosocomial Infections Surveillance (Fiscalização Nacional das Infecções Nosocomiais) PVP-I: Solução asséptica SOBECC: Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico TNT: Tecido não tecido TSA: Tryptone Soya Agar UCC :Unidade de Centro Círúrgico UFC: Unidade de Formação de Colônias UV: Ultra-violeta 20 SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................................................................................. 22 1 CONCEITOS PRELIMINARES......................................................... 25 1.1 Centro Cirúrgico ................................................................................ 25 1.2 Cirurgia .............................................................................................. 26 1.3 Microrganismos ................................................................................. 27 1.4 Infecção ............................................................................................. 28 1.4.1 Infecções Hospitalares ...................................................................... 29 1.4.2 Infecção do Sítio Cirúrgico ................................................................ 30 1.5 Métodos de Controle de Infecção ..................................................... 32 1.6 Campos Cirúrgicos............................................................................ 34 1.6.1 Campos Cirúrgicos Reutilizáveis ...................................................... 36 1.6.2 Campos Cirúrgicos Descartáveis...................................................... 37 1.7 Central de Material e Esterilização ................................................... 38 1.7.1 Esterilização ...................................................................................... 40 1.8 Lavanderia......................................................................................... 41 1.8.1 Área suja ........................................................................................... 44 1.8.1.1 Processo de Lavagem ..................................................................... 44 1.8.1.1.1 Umectação .................................................................................... 45 1.8.1.1.2 Enxágüe ........................................................................................ 45 1.8.1.1.3 Pré-Lavagem ................................................................................ 45 1.8.1.1.4 Lavagem ....................................................................................... 46 1.8.1.1.5 Alvejamento .................................................................................. 46 1.8.1.1.6 Amaciamento ................................................................................ 46 1.8.1.1.7 Neutralização ................................................................................ 47 1.8.2 Área limpa ......................................................................................... 47 2 MATERIAIS E MÉTODOS................................................................ 47 2.1 Condições Ambientais....................................................................... 48 21 2.2 Material.............................................................................................. 48 2.3 Testes Microbiológicos...................................................................... 49 2.4 Testes de barreira microbiana .......................................................... 50 2.4.1 Processamento dos campos............................................................. 53 2.5 Análise Estatística ............................................................................. 55 2.6 RESULTADOS .................................................................................. 55 2.7 DISCUSSÃO ..................................................................................... 57 2.8 CONCLUSÃO.................................................................................... 61 REFERÊNCIAS ........................................................................................... 63 22 INTRODUÇÃO O enfermeiro é o profissional que além de supervisionar, gerenciar e coordenar sua equipe constitui o elo principal na relação profissional-cliente. É considerado, segundo a legislação oficial, o responsável pelos cuidados de enfermagem de alta complexidade técnica, procedimentos esses de risco para a incidência das infecções. Contudo, pode-se dizer que este profissional é de grande importância para identificação, notificação, prevenção e manutenção do controle de infecções. (FONTANA; LAUTERT, 2006) Embora tenham ocorrido avanços tecnológicos no ambiente cirúrgico, bem como uma constante ampliação no conhecimento sobre fatores de risco de infecção hospitalar, ainda são altas e significativas as taxas de infecção do sítio cirúrgico. Segundo Mangramm (apud BURGATTI, 2007), são muitas as medidas de controle e prevenção de infecção do sítio cirúrgico recomendadas, sendo que as mais reconhecidas reúnem-se nas Diretrizes de Recomendações de Controle de Infecção do Sítio Cirúrgico do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Estados Unidos, de 1999, onde são considerados fatores de risco intrínsecos e extrínsecos. Dentre esses fatores encontram-se os relacionados ao paciente como: idade, tipo de cirurgia, doenças de base, enfermidades associadas, e os que se referem aos procedimentos assistenciais, como: a técnica cirúrgica, o preparo pré-operatório, o ambiente, a paramentação cirúrgica, a antibioticoprofilaxia entre outros. Tradicionalmente, a paramentação cirúrgica constitui-se de gorro, máscara, luvas estéreis, óculos de proteção, propé, uniforme privativo, campos cirúrgicos e avental cirúrgico esterilizados, tendo como principal finalidade impedir a transferência de microrganismos da equipe cirúrgica e da própria pele do paciente para a ferida operatória, reduzindo o risco de sua contaminação e 23 de infecção do sítio cirúrgico. (LACERDA et al., apud BURGATTI, 2007) Este estudo traz como enfoque central os campos cirúrgicos simples mistos, que constituem um dos principais instrumentos de proteção, sendo organizados a fim de criar e manter uma barreira antimicrobiana eficaz que minimize a passagem de microrganismos entre áreas não-estéreis e estéreis. Para ser eficaz, o campo deve servir como barreira física resistente ao sangue, soluções aquosas e atrito, mantendo-se íntegro, livre de fiapos e puídos. Segundo Silva et al., (1997) o campo cirúrgico do tipo reprocessável possui como características: ser de fácil conservação, resistente e durável, gerando economia devido ao seu baixo custo, sendo de fácil manuseio. Muitos fabricantes de campos cirúrgicos registram perda de qualidade da barreira antimicrobiana do campo após 75 processos de lavagem ou ciclos de esterilização. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) De acordo com Rodrigues et al. (2006), a lavagem dos campos cirúrgicos de tecido em hospitais não deve exceder o número de 65, devido à alteração sofrida em sua barreira após os vários reprocessamentos, o que a torna ineficaz. Ramos (2003), afirma que mediante os testes realizados, o efeito barreira dos têxteis cirúrgicos é garantido até os 35 ciclos de lavagem. Ainda não existe um consenso acerca da durabilidade e ciclos de esterilizações as quais podem ser submetidos os campos cirúrgicos, além de serem poucas as publicações referentes ao assunto, o que aponta a necessidade de se realizar mais estudos e pesquisas que possam viabilizar tais dados. Os enfermeiros reconheceram a falta de controle de qualidade efetiva no reprocessamento, não sendo possível determinar a meia vida dos tecidos, onde muitas vezes os componentes são utilizados até rasgar e mesmo rasgados. (MONTEIRO et al., 2000) Meeker; Rothrock (1997) propõem em sua literatura, um sistema para monitorizar o número de vezes que um material foi lavado, o que é essencial para o controle de qualidade da barreira antimicrobiana. A literatura demonstra que os hospitais atuais não possuem nenhum método de controle que possibilite a monitorização do uso dos campos cirúrgicos reprocessáveis, utilizados a sua exaustão, sendo muitas vezes 24 cerzidos, favorecendo o acúmulo de microrganismos, podendo elevar a incidência de infecções do sítio cirúrgico, bem como o aumento da ocorrência de infecções hospitalares. A infecção do sítio cirúrgico é a mais importante causa de complicações do pós-operatório no paciente cirúrgico. Estatísticas do Centro para Controle de Prevenção de Doenças (CDC) indicam que 14 a 16% das infecções hospitalares são atribuídas às infecções de sítio cirúrgico, fato esse que adiciona-se a significativos custos relativos a cuidados de saúde devido a complicação dessas infecções. (CIOSAK; OLIVEIRA, 2007, p.259) As infecções do sítio cirúrgico eram consideradas a terceira modalidade das infecções hospitalares, sendo uma complicação relevante, contribuindo diretamente para o aumento da morbimortalidade de pacientes pós-cirúrgicos causando prejuízos tanto físicos como emocionais, além de elevar consideravelmente os custos com tratamento, repercutindo em uma maior permanência hospitalar. (SILVA, et al., 2007; CIOSAK; OLIVEIRA, 2007) Levando-se em consideração que as preocupações com a proteção do meio ambiente aumentaram significativamente nos últimos 30 anos. Pode-se dizer que a utilização de campos cirúrgicos reprocessáveis, tem contribuído de modo direto para a redução do impacto ambiental, já que o uso de campos cirúrgicos descartáveis gera grande demanda de resíduos hospitalares, o que implica em maiores custos à unidade, prejudicando as condições do meio ambiente. (RAMOS, 2003) Com base nos dados apresentados, esta pesquisa propõe investigar a durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis, identificando sua eficácia como barreira microbiana, enquanto novos e após vários reprocessamentos, utilizando para isso testes microbiológicos padronizados, avaliando sua eficácia antimicrobiana. Através de levantamento bibliográfico pretende-se descrever os conceitos preliminares de centro cirúrgico, cirurgia, infecção do sítio cirúrgico e hospitalar, métodos de controle e prevenção, campos operatórios, ciclos de lavagem e esterilização, lavanderia e central de materiais e esterilização. Dando continuidade ao experimento, objetiva-se realizar reprocessamentos dos campos, observando as alterações sofridas após os ciclos de lavagem e esterilização, para posterior análise estatística. 25 O presente estudo foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário da Cidade de Lins, na Lavanderia e Central de Materiais e Esterilização (CME) de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP, utilizando campos cirúrgicos simples, mistos 50% poliéster e 50% algodão do tamanho (50 cm x 50 cm). No laboratório foram realizados as contaminações e testes para avaliação da barreira microbiana; na lavanderia, os processos de lavagem e na CME, os ciclos de esterilização. A pesquisa norteou-se pela seguinte questão: o uso exaustivo dos campos cirúrgicos reprocessáveis excedendo a sua durabilidade pode expor o paciente a riscos de infecção e maiores agravos a sua saúde? Em resposta a este questionamento pode-se levantar a seguinte hipótese: o campo cirúrgico torna-se ineficiente como barreira microbiana após múltiplos reprocessamentos, por isso reflete maior incidência e prevalência da contaminação e ou infecção hospitalar. 1 CONCEITOS PRELIMINARES 2.4 Centro Cirúrgico A Unidade de Centro Círúrgico (UCC) pode ser compreendida como conjunto de elementos cujo fim se destina às atividades cirúrgicas, bem como à recuperação anestésica e pós-operatória. É constituída por área onde se concentram salas, equipamentos e materiais utilizados pela equipe cirúrgica. Representa lugar de importância relevante no contexto hospitalar, devido às finalidades as quais se destina como a complexidade da assistência no tratamento de pacientes que necessitam de intervenções cirúrgicas, provenientes das mais diversas afecções, sejam em caráter eletivo ou emergencial. (BRASIL apud SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997; SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) Em geral, a UCC é fisicamente isolada das demais áreas do hospital ou da clínica cirúrgica, o que por sua vez, torna a área restrita, de modo que o 26 local permaneça reservado apenas para equipe e paciente. É subdividido em áreas limpa e contaminada, a fim de minimizar os focos de infecção. As salas são projetadas para serem eficazes, atingindo à demanda de procedimentos de forma imediata. O mobiliário utilizado é feito de material que facilite a limpeza e desinfecção, e a temperatura das salas geralmente é baixa, com o intuito de impedir ou reduzir o crescimento bacteriano, oferecendo conforto à equipe cirúrgica. (TIMBY; SMITH, 2005) Compete ao enfermeiro de UCC, organizar e prover o setor de recursos materiais e humanos, mantendo o ambiente em boas condições de funcionamento; planejando as ações assistenciais e administrativas; gerenciando as ações planejadas através de metodologia científica e humanística, zelando pela eficiência no atendimento ao paciente. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) 2.5 Cirurgia Segundo Miller (2003), entende-se por cirurgia o trabalho desempenhado pelo cirurgião em uma UCC, especificamente a sala operatória. Constitui-se como ramo das ciências de saúde, destinada ao tratamento de processos patológicos, lesões ou deformidades, utilizando-se de procedimentos manuais ou cirúrgicos. O tratamento cirúrgico é uma das formas terapêuticas utilizadas pela medicina no tratamento das doenças . (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997, p. 63) A palavra cirurgia tem origem do latim chirurgia retirada do grego kheirourgia, de kheir, mão mais érgon, trabalho. Recebe, portanto, o significado de trabalho manual, arte, ofício, no qual se emprega as mãos para sua execução, ou seja, procedimentos terapêuticos que exigem trabalho manual. (REZENDE, 2005) De acordo com Oliveira et al. (2002) a cirurgia pode ser constituída como procedimento de risco, devido ao rompimento da barreira epitelial, o que desencadeia reações sistêmicas no organismo, facilitando a ocorrência de 27 processos infecciosos. Para Galluci (apud SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997), as cirurgias destinam-se à remoção de focos de infecção, retirada de órgãos doentes, restauração de funções alteradas no organismo, implantação de próteses e aparelhos eletrônicos, por meio de técnicas manuais e instrumentais. As equipes de enfermagem, cirurgia e anestesia, trabalham em conjunto a fim de estabelecer métodos de cuidado profissional, controlando riscos iatrogênicos e individuais para promoção de resultados qualitativos para o paciente que se submete a uma intervenção cirúrgica. (SMELTZER; BARE, 2005) 2.6 Microrganismos Os microrganismos (MO) são agentes das doenças infecciosas humanas, pertencendo a cinco grupos principais: bactérias, fungos, protozoários, helmintos e vírus. (LEVINSON; JAWETZ, 2005) Comumente denominados germes, os MO, não são visíveis a olho nú, sendo possível observá-los apenas através de um microscópio. Quando ocorre invasão por microrganismos, são desencadeados três eventos: mecanismos imunológicos que os eliminam, instalação dos MO no corpo sem ocasionar a doença, ou produção da infecção ou doença infecciosa. (TIMBY; SMITH, 2005) De acordo com Kawamoto (1999), o desenvolvimento de um processo infeccioso está relacionado ao grau de virulência do patógeno, e resistência do hospedeiro. As bactérias são seres unicelulares, distintos em sua morfologia, que se apresentam nas formas arredondadas (cocos), bastões (bacilos) e espirais (espiroquetas). (TIMBY; SMITH, 2005) O Staphylococus aureus é uma das bactérias causadoras de infecção humana mais comum. Sua importância clínica vem crescendo em virtude do aumento da ocorrência de infecções hospitalares graves, ocasionadas por amostras multiresistentes, sendo descrito como um dos principais agentes 28 bacterianos responsáveis por infecções, principalmente em procedimentos limpos. Encontrado com relativa frequência na microbiota normal do corpo humano, é considerada uma das bactérias patogênicas mais importantes. Agente de ampla gama de infecções, que variam desde localizadas, superficiais, até as disseminadas com elevada gravidade. (LEVINSON; JAWETZ, 2005; TRABULSI; ALTERTHUM, 2008; RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000) 2.7 Infecção De acordo com Timby; Smith (2005), infecção é definida como reação localizada contra um microrganismo invasor, resultando em um processo inflamatório. Como resposta a este processo, ocorre extravasamento de líquido, colóides e íons dos capilares, através das células para o interior dos tecidos entre as mesmas produzindo edema. Uma resposta sequencial gera hiperemia e calor, enquanto a resposta química ocasiona a dor. Para Garnier et al. (2002), infecção é o estado em que ocorre invasão de um hospedeiro por um MO patogênico, resultando em uma doença infecciosa. A infecção constitui importante problema médico-social para a humanidade; nos pacientes cirúrgicos, a infecção é uma das causas mais frequentes de mortalidade relacionada ao ato cirúrgico. Subdividem-se em dois tipos: o das não hospitalares, nas quais o paciente é admitido do hospital já apresentando infecção e; hospitalares, em que as infecções são contraídas no decorrer do tratamento em um serviço de saúde, não se encontrando ativas, incubadas ou em fase crônica no ato da internação. (KAWAMOTO, 1999; TIMBY; SMITH, 2005). São atribuídas inúmeras etiologias e fatores predisponentes às infecções, os últimos serão descritos a seguir. Os fatores que facilitam a aquisição de infecção são os inerentes ao próprio paciente (idade, fumo, malformação congênita, lesões cutâneas, desnutrição, obesidade, diabetes, viroses, insuficiência cardíaca, distúrbios no processo imunológico); agressão diagnóstica e terapêutica [presença de 29 terapêutica respiratória, realização de exames, administração de medicamentos, transfusão de sangue/derivados, punções, cateteres venosos, passagem de sonda vesical, próteses vasculares e cardíacas, realização de cirurgias (grau de contaminação bacteriana, local de operação, tamanho da ferida operatória, duração da cirurgia, intercorrências, falha de técnica cirúrgica e técnica de curativo)] e ao ambiente hospitalar. Considera-se infectada qualquer ferida cirúrgica que elimine secreção purulenta com ou sem cultura positiva. (KAWAMOTO, 1999) 2.7.1 Infecções Hospitalares As infecções hospitalares (IH) são um importante problema de Saúde Pública de modo que a preocupação com esta problemática sempre esteve presente no cotidiano do profissional enfermeiro. (SILVA et al., 2007) Para Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (2007), a estimativa é de que a cada dez pacientes submetidos à hospitalização, um seja acometido por infecção após sua admissão, prolongando a permanência do mesmo em uma unidade hospitalar e elevando gastos em virtude do aumento do tempo de internação, das intervenções terapêuticas e diagnósticas utilizadas. De acordo com Veiga; Padoveze (2003), as infecções hospitalares definem-se como síndrome infecciosa cujo indivíduo adquire após hospitalização ou realização de procedimentos ambulatoriais, podendo se manifestar após a alta, desde que esteja relacionada com algum procedimento realizado durante a internação. Infecção hospitalar é aquela que não apresenta qualquer evidência de estar presente ou em incubação no momento da admissão a um hospital; é adquirida como resultado de uma hospitalização. (TORTORA; FUNKE; CASE, 2005, p. 422) As infecções hospitalares possuem importância notória, pois aumentam os índices de morbimortalidade, sendo uma das principais causas de complicação em pacientes cirúrgicos. Sabe-se que a IH é multicausal, sendo 30 resultante do confronto dos microrganismos com o sistema imunológico dos pacientes. (MARTINS et al., 2008; RODRIGUES, 2000) Nas UCC, as principais fontes de bactérias oriundas de pacientes e profissionais, são transmissíveis através do ar. Entretanto, essa não é a via mais importante de transmissão de infecções. No interior das salas operatórias, também são considerados como fontes de patógenos, os materiais empregados para curativos, como faixas, fitas adesivas, antissépticos entre outros. A veiculação de infecções por meio do ar é muito mais fácil de ocorrer a partir do próprio paciente do que para o paciente. (RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000) Os gastos empregados no tratamento de pacientes que evoluem para infecção cirúrgica elevam-se até três vezes mais quando comparados aos pacientes que não a contraem. Estas infecções podem ser de origem endógena ou por causas iatrogênicas, advindas dos profissionais em enfermagem, oriundas de mitos e rituais. (KUNZLE et al., 2006) O compromisso e a responsabilidade do profissional enfermeiro com o controle das IH é algo consensual e tem sido bastante discutido e difundido, de modo particular, pelos enfermeiros atuantes nas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). As crenças existentes na prática de enfermagem podem vir a influir na qualidade da assistência prestada ao paciente no centro cirúrgico contribuindo para o aumento dos índices de infecção hospitalar elevando custos e gerando prejuízos à instituição e ao paciente. Os enfermeiros são os profissionais que mantém contato mais contínuo e íntimo com o cliente, o que aumenta a sua responsabilidade e evidencia a importância da prática assistencial de enfermagem dentro da medicina preventiva. (FONTANA; LAUTERT, 2006) 2.7.2 Infecção do Sítio Cirúrgico As infecções de sítio cirúrgico (ISC), antes nomeadas como infecções de ferida operatória, ocorrem em tecidos e órgãos incisados e cavidades manipuladas durante um procedimento cirúrgico. (MARTINS et al., 2008) 31 Para Oliveira; Ciosak; Lorenzo (2007), infecções do sitio cirúrgico são as que ocorrem na incisão cirúrgica, atingindo tecidos, órgãos e cavidades, podendo ser diagnosticadas até 30 dias após a operação. Constitui um dos sítios mais importantes de infecção, superada (algumas vezes), apenas pelas infecções do trato urinário. As ISC são as infecções hospitalares mais comuns, sendo que dois terços relacionam-se à incisão e um terço envolve órgãos e espaços abordados durante o procedimento . (POVEDA; GALVÃO; SANTOS, 2005, p. 31) De acordo com estudos realizados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC-P) (apud Silva et al., 2007) a infecção do sítio cirúrgico era avaliada como terceira modalidade das IH, acometendo de 14 a 16% dos pacientes hospitalizados. Como método de precaução às infecções de sítio cirúrgico é utilizado o componente cirúrgico do sistema de vigilância das infecções hospitalares National Nosocomial Infections Surveillance (NNIS) do CDC, no qual os pacientes devem ser acompanhados até 30 dias do pós-operatório ou até um ano, se houver implante de prótese. Durante o período de internação, para vigilância utiliza-se o método de busca ativa, onde é realizado o exame direto da ferida operatória em busca de sinais de infecção de sítio cirúrgico. (MARTINS et al., 2008). A frequência da ocorrência de infecções de sitio cirúrgico é um importante indicador da atuação dos cirurgiões e do hospital. A tendência mundial de hoje, é reduzir ao máximo a permanência em ambiente hospitalar, tornando cada vez menor o diagnóstico e ocorrência das infecções de sítio cirúrgico extra-hospitalares, uma vez que de 12% a 84% destas infecções manifestam-se após a alta do hospital. No Brasil, a maioria dos serviços de vigilância hospitalar não inclui o acompanhamento sistemático dos pacientes cirúrgicos pós-alta, sendo que esta é imprescindível para diminuir a incidência de subnotificações de infecções. Para isso devem ser utilizados vários métodos, dentre eles o método de busca ativa, notificação passiva pelo cirurgião ou pelo paciente, revisão de prontuários, avaliação de exames microbiológicos e revisão de bancos de dados de planos de saúde. No entanto, nenhum destes métodos foi validado. (OLIVEIRA et al., 2002; BURNS; DIPPE apud MARTINS et al., 2008; MARTINS et al., 2008) 32 2.8 Métodos de Controle de Infecção Estudos e pesquisas voltados para IH, iniciaram-se somente no século XVIII, quando os hospitais se transformaram em locais curativos. Nesse contexto, pode-se destacar a atuação de Florence Nightingale que desenvolveu prática com suporte epidemiológico prevenindo e controlando doenças infecciosas e infecções hospitalares, num período pré-bacteriológico, sendo que essas práticas ainda repercutem nos tempos atuais. No final do século XIX, as práticas de controle de Infecções Hospitalares foram respaldadas pela bacteriologia, levando ao aumento de procedimentos de controle do meio, antissepsia, desinfecção, esterilização, degermação e dos antibióticos terapêuticos e profiláticos. (LACERDA apud CARRARO, 2004) Segundo Silva et al., (2007), a ocorrência de IH está ligada ao fato do hospital possuir ou não um controle de fatores que predispõem o seu surgimento. Uma das grandes dificuldades encontradas na Unidade de Centro Cirúrgico é controlar as diversas variáveis de fontes de MO e os próprios fatores de risco dos pacientes e tipos de procedimentos cirúrgicos. (RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000) A literatura existente demonstra que o controle de infecções enfatiza a vertente prevenção e contágio. Essa vertente deposita nos profissionais da assistência responsabilidade intangível no sentido de cuidados objetivos e reais, voltados para prevenção e o controle das infecções. (CARRARO, 2004, p.2) A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) possui grande importância nas instituições, pois atua diretamente com o paciente, serviços de apoio, educação continuada e normatiza procedimentos e condutas em conjunto com a vigilância sanitária. (FONTANA; LAUTERT, 2006) O controle ambiental da sala cirúrgica é essencial para amenizar os riscos de contaminação, promovendo maior proteção ao cliente. A integridade deste ambiente depende da estrita colaboração de todas as pessoas com a técnica estéril. Relacionada à equipe cirúrgica, deve-se limitar o fluxo de pessoas durante a cirurgia, realizar a escovação das mãos e antebraços com escova estéril embebida com sabão e detergente, enxaguar em água corrente 33 e posteriormente, aplicar a solução asséptica (PVP-I). Em relação ao Centro de Materiais, deve-se controlar a qualidade e integridade dos materiais que serão desinfectados e/ou esterilizados, realizando em períodos definidos os testes de controle de esterilidade dos materiais. (LAWRENCE, 1995; KAWAMOTO, 1999) Em relação ao ambiente cirúrgico, deve-se: Manter limpas e desinfectadas todas as dependências, restringir o número de pessoas circulantes e utilizar roupas, propé, gorro e máscara de uso exclusivo do Centro Cirúrgico. (KAWAMOTO, 1999, p. 18) As roupas incluem vestidos de algodão bem adaptados, pijamas, macacões e aventais. As partes consideradas estéreis dos aventais são as mangas e a parte que recobre a cintura até os ombros. As máscaras são utilizadas em todos os momentos na área restrita da sala de cirurgia. O gorro deve cobrir por completo os cabelos, de modo que os fios de cabelo, grampos, presilhas e partículas de poeira e caspa não caiam no campo esterilizado. Os calçados usados no exterior à UCC devem ser cobertos com sapatilhas descartáveis a fim de proteger contra sujeira. (KAWAMOTO, 1999; LAWRENCE, 1995) As barreiras como às roupas cirúrgicas e máscaras, não protegem inteiramente o paciente contra os microorganismos . (SMELTZER; BARE, 2005, p.448) A assepsia previne contra a contaminação das feridas cirúrgicas e junto com a esterilização, constituem etapas importantes de uma cirurgia, a fim de que não ocorra contaminação. Refere-se ao uso de agentes químicos para destruir bactérias em superfícies animadas. Os profissionais que atuam no centro cirúrgico, executam a escovação cirúrgica nas mãos e braços antes do procedimento operatório com sabões antissépticos, e cuidadosa atenção é dada ao preparo pré-operatório da pele do paciente ao se construir uma área com redução das bactérias, para que não ocorra contaminação. Uma boa assepsia da pele do paciente, juntamente com uma esterilização efetiva dos materiais esterilizados contribui para a melhor cicatrização da ferida operatória e recuperação do paciente. A rígida adesão à assepsia cirúrgica é à base de 34 prevenção das infecções dos sítios cirúrgicos. (LAWRENCE, 1995) Todos os suprimentos cirúrgicos, instrumentos, agulhas, suturas, curativos, luvas, campos e soluções que possam entrar em contato com a ferida cirúrgica e os tecidos expostos devem ser esterilizados antes da sua utilização. (SMELTZER; BARE, 2005, p. 448) Todos os profissionais envolvidos na fase intra-operatória têm a responsabilidade de fornecer e manter um ambiente seguro aos pacientes. Os membros da equipe cirúrgica usam capotes esterilizados com mangas compridas e luvas. Uma área da pele do paciente maior que a exposição exigida durante a cirurgia é meticulosamente limpa, recebendo aplicação de um agente antimicrobiano. A assepsia cirúrgica exige a limpeza e manutenção do ambiente da sala de cirurgia. Todo equipamento que entra em contato direto com o paciente deve ser estéril, para isso são utilizados lençóis, campos e soluções esterilizados. (KAWAMOTO, 1999) Para diminuir a quantidade de bactérias no ar, a ventilação padronizada na sala de cirurgia fornece 15 trocas gasosas por hora. Algumas salas de cirurgia possuem fluxo laminar, que quando usadas de forma adequada reduzem o número de MO. (SMELTZER; BARE, 2005) 2.9 Campos Cirúrgicos O uso de campos operatórios como forma de proteção dos pacientes contra possíveis infecções na sala de operações data desde o fim do século XIX, sendo que os mais utilizados são os reprocessáveis. Os campos operatórios são destinados a proteger os pacientes e os profissionais de saúde de qualquer fluído possivelmente contaminado. Estes são colocados sobre o paciente no respectivo local onde é efetuada a intervenção cirúrgica, assegurando a proteção do paciente. Os mesmos devem possuir propriedades de repelir líquidos, barrar bactérias, sendo resistentes à tração. Eles têm a finalidade de manter a temperatura do paciente, prevenindo que sua própria flora atinja o campo operatório. (RAMOS, 2003; RHABAE; RIBEIRO; 35 FERNANDES, 2000) Nos hospitais brasileiros é comum o uso de campos de algodão para empacotar artigos cirúrgicos, isso se deve ao fato de que o orçamento dos hospitais é bastante reduzido. (RODRIGUES et al., 2006) Os campos são divididos em três grupos: corporais, que cobrem o paciente e delimitam o campo cirúrgico; plásticos de incisão que cobrem a pele no local da incisão; e campos de extremidades da ferida, colocados para cobrir as extremidades da pele quando o cirurgião faz a incisão. Cria-se o campo cirúrgico estéril através da disposição de lençóis estéreis e toalhas em posições específicas mantendo-se a esterilidade, onde os instrumentos estéreis e mãos enluvadas podem ser colocados. Todo o objeto estéril que tocar a ferida operatória deve ficar restrito a uma área de segurança, evitando desta forma o transporte de microrganismos para o interior da ferida aberta. Os objetos devem ser dispostos de forma a criar e manter uma barreira que minimize a passagem de microrganismos de áreas nãoestéreis para áreas estéreis. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) Os campos estabelecem limites da área demarcada e devem funcionar como barreira para prevenir a contaminação. Os tipos de campos incluem os de tecido, tecido não-tecido, e os de plásticos aderentes, empregados na prevenção de contaminação das adjacências. Os campos plásticos aderentes possibilitam que a incisão seja feita através dos mesmos, dificultando que MO de áreas não estéreis atinjam os tecidos do sítio cirúrgico, entretanto, suas bordas podem se soltar permitindo a passagem de fluídos, com risco de contaminação. (RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000). Os campos de tecido e os de tecido não tecido não foram descritos, pois serão abordados nos subitens 1.6.1 e 1.6.2. Vários materiais reutilizáveis e descartáveis exibem barreira de qualidade, porém, eles não se mantêm impermeáveis por igual em um dado período de tempo. As propriedades da barreira variam, de acordo com a intensidade do uso aplicado aos campos. O principal aspecto que faz os campos serem usados repetidamente é a sua impermeabilidade aos líquidos quando estão em condições de uso. A impermeabilidade da textura de um campo deve ser fornecida pelo seu fabricante. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) 36 2.9.1 Campos Cirúrgicos Reutilizáveis Os Campos Cirúrgicos Reutilizáveis são definidos por Magalhães (1983) como sendo porções de tecido grosso de origem vegetal ou sintética, tendo formato retangular ou quadrado e de dimensões variáveis. Podem ser chamados de simples, quando possuem apenas uma lâmina de tecido e, duplos quando constituídos por duas lâminas unidas por costura, sendo utilizados para cobrir as mesas de instrumentação ou regiões altamente susceptíveis à contaminação. Os campos podem ser vazados, com orifícios circulares, ovais ou retangulares, chamados de campos oculares, ou fenestrados, utilizados em cirurgias de regiões operatórias muito pequenas. Para Silva; Rodrigues; Cesaretti, (1997) o campo de algodão possui como características ser de fácil conservação, resistente e durável, gerando economia devido ao seu baixo custo, sendo de fácil manuseio. Segundo Ramos (2003), os têxteis cirúrgicos reutilizáveis da nova geração são normalmente baseados em materiais compostos laminados, incluindo uma membrana intermediária com microporos que asseguram o efeito barreira aos microrganismos. Os campos são utilizados para criar e manter uma barreira eficaz que minimize a passagem de microrganismos entre áreas não-estéreis e estéreis, sendo que para isso é necessário que o campo seja constituído de material resistente ao sangue, soluções aquosas e atritos, além de ser tão livre de fiapos quanto possível. O material de confecção dos mesmos deve permitir a penetração de vapor sob pressão ou gás para poder ser esterilizado em ambiente hospitalar. Devem também permitir a formação de dobras para que, o profissional que manuseie o pacote de luvas possa manuseá-los com facilidade e segurança. As dobras correspondem aos ângulos extremos dos campos e devem estar presentes nos dois cantos, ambos do mesmo lado, da superfície dos campos para favorecer a sua abertura para cobrir determinadas regiões. (MEEKER; ROTHROCK, 1997; MAGALHÃES, 1983) Compete a divisões de enfermagem e cirurgia um cuidadoso planejamento para determinar o tipo e tamanho dos lençóis e toalhas para a realização da cirurgia. Um lençol completo ou plano cobre a mesa de 37 instrumentais cirúrgicos e regiões do corpo, para isso deve ser largo, oferecendo segurança de proteção entre o ambiente físico circunvizinho e o campo operatório preparado. Lençóis fenestrados ou móveis cobrem o paciente e deixam o campo operatório exposto. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) Estes campos podem ser submetidos a processos de lavagem e esterilização a vapor. Tais procedimentos fazem com que a textura das fibras aumente. Em contra partida, o processo de secagem desse material encolhe as fibras do tecido. Estes ciclos resultam no afrouxamento das fibras que alteram a estrutura do pano, sendo necessário um sistema para monitorizar o número de vezes que o campo foi lavado, para assegurar sua efetividade como barreira. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) No que diz respeito ao uso dos campos reutilizáveis, estes possuem menores custos de aquisição e reduzem o impacto ambiental pela possibilidade de serem submetidos a múltiplos reprocessamentos. (RAMOS, 2003) 2.9.2 Campos Cirúrgicos Descartáveis Os campos descartáveis são representantes da modernidade. O tecido não tecido (TNT) foi desenvolvido na década de 60, por norte americanos, para confecção de roupas cirúrgicas. Esse material revolucionou várias áreas principalmente a de higiene pessoal e a de produtos cirúrgicos e viabiliza a produção das roupas descartáveis em escala industrial. Sua estrutura é formada por fibras ou filamentos naturais, artificiais ou sintéticos dispostos em várias direções e solidificados através de processos químicos, mecânicos ou físicos (calor e pressão, jatos de água e ar). Diferencia-se do tecido convencional unicamente pela forma que suas linhas são tecidas, fato este que definirá a gramatura do tecido. São escolhidos para determinada função, de acordo com a característica desejada, podendo ser leves ou pesados, macios, flexíveis ou rígidos, coloridos ou estampados, absorventes, impermeáveis, porosos, entre outros. (EMPREGA BRASIL, 2009) A coleção, transporte e acondicionamento dos lixos cirúrgicos pode ser um problema, uma porção do material que é compactado pode estar 38 contaminada grosseiramente, e os códigos da cidade ou país podem proibir o transporte deste material potencialmente infeccioso pelas ruas da cidade ou seu despejo a céu aberto. A incineração é um método alternativo, no entanto, esses incineradores devem ser controlados adequadamente a fim de se evitar a contaminação ambiental. Todo hospital deve avaliar sua capacidade e restrições no manuseio e despejo dos campos antes que uma conversão é implementada. (MEEKER; ROTHROCK, 1997) Esses campos parecem não contribuir para redução das taxas de infecção. Estudos demonstram que o número de MO é o mesmo tanto em campos de tecido como nos adesivos, com taxas de infecções idênticas. (RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000) 2.10 Central de Material e Esterilização A partir do século XX, ocorreram inúmeros avanços tecnológicos, o que gerou um aprimoramento das técnicas e dos processos de limpeza, preparo esterilização e armazenamento de materiais e roupas. Em virtude disso surgiu a necessidade de se criar uma Central de Materiais e Esterilização (CME) sob a supervisão de um enfermeiro. (LEITE, 2008) A Resolução RDC nº. 307, de 14 de novembro de 2002, considera a CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente processados, proporcionando, assim, condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios, no entanto, uma grande parcela dos hospitais públicos encontra-se em desacordo com esta determinação. (LEITE, 2008, p. 2) Segundo a Portaria n° 1884 de 11/11/94, que determina que a CME deve constar com uma área para recepção, desinfecção, e separação de materiais; área para lavagem de materiais, área para recepção de roupas limpas, área de preparo de materiais e roupas limpas, área de preparo de materiais e roupas, área para esterilização (física, química gasosa, química líquida), sala de armazenagem e distribuição de materiais e roupas esterilizadas, área para armazenagem e distribuição de materiais descartáveis, 39 sala administrativas, sanitários com vestiários para funcionários, depósito para materiais de limpeza e almoxarifado. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) Na CME deve conter máquinas lavadoras e esterilizadoras de instrumental, autoclaves, estufa elétrica, carros para carregamento de autoclave, carro de transporte de materiais, suporte e cestos de guarda de materiais, mesa e balcão de trabalho, cadeiras anatômicas, baldes, bacias e respectivos suportes, recipientes para lixo e/ou suportes para sacos de lixo. Estes equipamentos viabilizam o seu funcionamento. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) A CME presta apoio técnico dentro do estabelecimento de saúde, recebendo todos os materiais considerados sujos e contaminados, para laválos, descontaminá-los, prepará-los, esterilizá-los, acondicioná-los e distribuí-los para Ambulatórios, Unidades de Internação, Centro Cirúrgico Central e Ambulatorial. Além disso, deve preparar e esterilizar as roupas limpas provenientes da lavanderia armazenando-as para futura distribuição. (LEITE, 2008) Os materiais ao chegarem a CME são separados em material crítico (entra em contato com vasos sanguíneos ou tecidos livres de microorganismos), semicrítico (entra em contato com mucosa ou pele não íntegra) e, não crítico (entra em contato com pele íntegra). (KAWAMOTO, 1999) Segundo a NBR- 7192 da ABNT e as especificações da Portaria n°1884, sua localização deve permitir fácil acesso às Unidades de Centro Cirúrgico, Centro Obstétrico, Pronto-Socorro, Terapia intensiva e outras, localizando-se no andar superior ou inferior ao Centro Cirúrgico, sendo que o transporte de materiais pode ocorrer por monta cargas. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) A equipe de enfermagem que trabalha na CME presta assistência indireta ao paciente, de igual importância a dos que prestam a assistência direta ao paciente, por este motivo estes profissionais devem ser bem treinados e qualificados para não comprometer a eficácia do serviço prestado. Para isso, o enfermeiro deve investir no treinamento e reciclagem do pessoal auxiliar, na elaboração de manuais operacionais, na supervisão e controle das operações . 40 (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997) O quadro de pessoal de uma CME deve ser composto por enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e auxiliares administrativos, cujas funções estão descritas nas práticas recomendadas da SOBECC. (LEITE, 2008) 2.10.1 Esterilização O processo de esterilização pode ser descrito como sendo a eliminação de todas as formas de microrganismos, incluindo bactérias, esporos virais e fungos, com o uso de equipamentos especiais que emprega o calor úmido, calor seco ou gás óxido de etileno. (LAWRENCE, 1995) A esterilização a vapor é o agente esterilizante mais utilizado para esterilizar artigos termorresistentes. É realizada em autoclaves, este processo possui fases de remoção do ar, penetração do vapor e secagem, sendo que a remoção do ar é diferente de acordo com os modelos de autoclaves. Os ciclos de esterilização seguem orientações do fabricante. (BURGATI, 2007; COMISSÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR, 2009) Os ciclos de influentes físicos que apresentam as seguintes etapas: aquecimento (geração de vapor); remoção de ar; aquecimento e carga de vapor; esterilização; exaustão; secagem; e fim de ciclo. O processo de esterilização não limpa o material, sendo necessário que o mesmo esteja previamente limpo. A garantia de que as condições de esterilização foram alcançadas pode ser obtida através de um teste de controle biológico. Os monitorizadores do processo, tais como a fita sensível ao calor, indicam a exposição às condições de esterilização; entretanto, elas não podem assegurar a esterilidade. Os indicadores químicos podem ser de classe I, II, III, IV, V, VI. (FERREIRA, 2005) A classe I é constituída por tiras impregnadas com tinta termoquímica (muda de coloração quando exposto à temperatura), que são utilizados na 41 parte externa de todos os pacotes evidenciando que o material passou pelo processo de esterilização. Os de classe II compreendem o teste de BOWIE & DIC, que testa a eficácia do sistema de vácuo da autoclave pré-vácuo, ou seja, verifica a eficiência da bomba de vácuo. Para que seja efetivo, deve-se esperar que ocorra a mudança uniforme da cor do papel, em toda sua extensão, caso não haja homogeneidade na revelação, efetuar revisão imediata do equipamento. Recomenda-se sua realização no primeiro ciclo do dia ou no mínimo a cada 24 horas. A classe III são os indicadores de parâmetro único, ou seja, controlam um único parâmetro que é a temperatura pré-estabelecida. Estes são colocados no centro dos pacotes. Indicadores de classe IV dizem respeito aos multiparamétricos, que indicam a temperatura e o tempo necessários para o processo. A classe V é o Integrador, que indica a temperatura, o tempo e a qualidade do vapor. E a classe VI é o integrador mais preciso que oferece margem de segurança maior, reagindo somente quando 95% do ciclo de esterilização é concluído. Os itens embalados são também marcados com uma data de esterilização. Sendo recomendado pela Resolução SS-374, de 15/12/95 do Manual de Biossegurança 2000, que os materiais submetidos à esterilização por processo físico tenham validade de sete dias, sendo que caso estes tenham sido violados, sem serem utilizados, deverão ser considerados contaminados, sendo submetidos a um novo processo de esterilização. (FERREIRA, 2005; FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU-USP, 2000) 2.11 Lavanderia O reconhecimento das roupas como fonte de infecção teve seu marco no terceiro século antes de Cristo. Mais tarde, Florence Nightingale com o auxílio de engenheiros militares organizou um serviço de lavanderia. (ABRIL; REBELO apud FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000) 42 A roupa suja é considerada como fonte relevante de contaminação, visto que o ser humano elimina de 3 a 60 mil bactérias por minuto, que se prendem as fibras de tecido, contribuindo com a proliferação de infecções. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; BRAGATO et. al., 2007) A lavanderia hospitalar (LH) pode ser descrita como unidade funcional de apoio logístico destinada ao atendimento dos clientes internos e/ou externos do hospital, cujas finalidades são: coleta, separação, processamento, confecção, reparo, reforma, fornecimento e distribuição de roupa hospitalar em condições de uso, higiene, quantidade, qualidade e conservação. (LISBOA apud MOZACHI; SOUZA, 2005). De acordo com Arsego et al. (2008), a lavanderia de um hospital é de extrema importância, já que seu bom funcionamento contribui de modo direto com a eficiência da unidade, bem como para o controle de infecções. A lavanderia trabalha em prol do paciente através da responsabilidade pelo processamento e distribuição das roupas, deixando-as em perfeitas condições de higiene, mantendo suas propriedades no decorrer das fases de lavagem. O processo normal de lavagem, que consiste na remoção da sujidade, reduz até 99% da contaminação, através da ação mecânica da água, temperatura, alteração de pH, alvejante (cloro ou peróxido de hidrogênio) e amaciante [...]. (GRENNE apud FERNADES; FERNANDES; SOARES, 2000, p. 1256) Segundo Mozachi; Souza (2005) um bom sistema de processamento da roupa é fator de redução das infecções hospitalares. Estudos realizados na área de microbiologia revelaram que o processamento da roupa em ambiente único, utilizado nas lavanderias tradicionais, propiciava a recontaminação constante da roupa limpa na lavanderia. Quanto à localização, a lavanderia pode se encontrar dentro do hospital, em edifício externo, serviço terceirizado ou lavanderia coletiva, utilizada por várias instituições. Atualmente a preferência é de que as lavanderias estejam situadas no pavimento do térreo, junto ao setor de serviços gerais, favorecendo o transporte e circulação das roupas, atendendo a demanda da instituição. Considera-se de fundamental importância que haja separação entre as áreas suja e limpa da lavanderia, a fim de contribuir para o controle de infecções. 43 (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1986) Segundo o Ministério da Saúde (1986), uma LH moderna deve possuir uma barreira de contaminação que permita a separação da mesma em duas áreas distintas: área suja e área limpa. Para que esta barreira de contaminação seja eficiente, é necessária a existência de 2 lavadoras de desinfecção, com duas portas de acesso, sendo uma para cada área, localizadas na parede de isolamento entre as mesmas. Nesta barreira, podem existir visores, que facilitarão a comunicação e controle entre ambas as áreas, o que contribui com a eficiência do setor. Após coletadas, as roupas são submetidas a um processo de separação, descrito no quadro abaixo. Classificação Tipo de Sujidade Tipo de Roupa Pesada Grande quantidade de sangue; fluídos Compressas; corpóreos; e medicamentos e etc. contaminadas. Presença de sangue; fluídos corpóreos; Roupa e medicamentos e etc. cirúrgicos; Média e roupas cirúrgica; campos lençóis; fronhas, toalhas de banho; e camisolas. Leve Suor, poeira e etc. lençóis; fronhas, toalhas de banho; camisolas; cobertores e etc. Fonte: Consultoria; Equipe CCIH, 2002, p. 10. Adaptado por: Santana; Abraão; Ritz, 2009. Quadro1: Separação de roupas hospitalares por sujidades. No decorrer do processo de separação, os funcionários devem estar utilizando aventais de borracha, luvas descartáveis, roupas exclusivas, máscaras, toucas descartáveis e botas de borracha. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002). Os profissionais da LH devem ser capacitados tanto na coleta, separação, distribuição e reforma das roupas operacionalização do maquinário utilizado no processo de lavagem. como na 44 1.8.1 Área suja Área suja ou contaminada pode ser definida como sendo o local destinado à coleta, separação, pesagem e lavagem das roupas hospitalares. Roupas hospitalares podem ser entendidas como: todo o artigo de tecido que é destinado à lavanderia hospitalar. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) O funcionário que estiver incumbido da coleta de roupas hospitalares deverá paramentar-se com os equipamentos de proteção individual (EPI) para evitar possíveis contaminações, sendo eles: gorro, máscara, avental, luvas e calçados impermeáveis, retirando os mesmos quando entrar na área limpa. Devendo também, realizá-las nos horários estabelecidos, manuseando-as com muito cuidado, agitando-a minimamente. Estas roupas devem ser acondicionadas em sacos de tecido ou de plástico e serem transportadas em carrinhos apropriados, fechados, que devem ser higienizados com água, sabão e álcool 70%, depois das coletas. (BRAGATO et al., 2007; CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) Após a coleta é realizada a separação da roupa, em suja e contaminada. A terminologia suja é aplicada às roupas que são advindas dos pacientes, não dependendo do grau de sujidade do tecido. Contaminada, por sua vez diz respeito às roupas de pacientes portadores de doenças transmissíveis importantes na cadeia epidemiológica. Esta fase é a de maior periculosidade para os funcionários da lavanderia adquirirem infecções. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000) Após a separação, as roupas são pesadas, e colocadas na máquina, segundo a sua capacidade, de acordo com a sujidade das peças. (SILVEIRA et al., 2003) 1.8.1.1 Processo de Lavagem A lavagem é uma operação que visa devolver à roupa seu aspecto original, eliminando as sujidades que estão fixadas, restituindo um nível 45 bacteriológico aceitável, preservando as fibras e as cores, mantendo também a maciez e elasticidade. Para que ocorra infecção, a área contaminada deve conter, por grama de tecido, mais de 105 microrganismos inoculados. Além disso, o microrganismo deve ser capaz de ultrapassar as barreiras imunológicas do hospedeiro, ocasionando desequilíbrio entre parasita e hospedeiro. (MOZACHI; SOUZA, 2005; POVEDA; GALVÃO; SANTOS, 2005) A lavagem pode ser definida como sendo uma sequência de operações ordenadas, em que são levadas em consideração o tempo de contato entre a quantidade dos produtos químicos, a ação mecânica e a temperatura. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) O processo de lavagem pode se subdividir em: 1.8.1.1.1 Umectação Processo que visa molhar as sujidades solúveis, facilitando consequentemente sua remoção através de um tensoativo. Utiliza-se para tanto, a máquina em nível de água alto. (PRADO, 2008) 1.8.1.1.2 Enxágue Operação que se destina à retirada de resíduos de produtos e sujidades existentes na solução da lavagem. Realiza-se com nível de água alto. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) 1.8.1.1.3 Pré-Lavagem Procedimento que visa retirar 70% das sujidades dos tecidos (sujidade pesada) através da utilização de produtos específicos de lavagem. Utilizam-se 46 produtos específicos, nível de água baixo e ciclo de lavagem pesada. (PRADO, 2008) 1.8.1.1.4 Lavagem Remove completamente a sujidade, que na pré-lavagem não eliminou (lavagem leve). São utilizados produtos para lavagem principal e nível de água baixo. Além disso, deve-se utilizar a água em temperatura elevada (acima de 85°C), após ser garantida a remoção de proteínas das roupas (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002). 1.8.1.1.5 Alvejamento O processo de alvejamento tem como função a remoção das manchas por descoloração, branqueamento e desinfecção química. Promove a desinfecção da roupa e remoção de manchas sensíveis à oxidação. Utiliza-se nível de água baixo. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) 1.8.1.1.6 Amaciamento Este processo tem como função perfumar, tornar a roupa mais confortável, além de possuir possível poder bacteriostático pelo quaternário de amônia, e diminuir a carga eletrostática do tecido. Quando necessário o amaciamento pode ser feito no mesmo banho de neutralização. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000) 47 1.8.1.1.7 Neutralização A neutralização tem como finalidade a eliminação de resíduos alcalinos dos detergentes. Quando necessário o amaciamento pode ser feito no mesmo banho de neutralização. Os produtos utilizados nesta fase, se não retirados, podem provocar amarelamento das roupas, ao passarem pelas calandras ou a ferro. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) 1.8.2 Área limpa Esta área é destinada ao processamento da roupa já limpa até que a mesma seja entregue ao setor de origem, implicando em selecionar, secar, passar, dobrar e acondicionar, sendo que o último deve utilizar armários específicos para este fim, construídos de material de fácil limpeza. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; GUIMARÃES et al. 2002) A lavanderia deve ser dotada dos seguintes equipamentos e recursos tecnológicos: máquinas de lavar, centrífuga, secadora e calandra. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002) 2 MATERIAIS E MÉTODOS Neste item foram descritos os processos aos quais os tecidos foram submetidos, buscando assemelhar-se aos processos agressivos pelos quais os mesmos passam diariamente nos hospitais (lavagem, secagem, transporte, manipulação e esterilização). Descreveu-se as condições para realizar os testes de forma que os mesmos foram empregados. 48 2.1 Condições Ambientais Após aprovação do Projeto de Pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Unisalesiano (CEP), Protocolo nº 233/2009, os testes foram realizados nos períodos matutino e vespertino no Laboratório de Microbiologia de um Centro Universitário do Município de Lins e nas instalações de uma Unidade Hospitalar do mesmo Município, respectivamente Lavanderia e CME, que constam de infra-estrutura adequada, com insumos necessários para o desenvolvimento das atividades, durante o período de maio a agosto de 2009. 2.2 Material a) 16 campos cirúrgicos reprocessáveis simples de algodão, padronizados de acordo com as normas da ABNT, medindo 50 cm x 50 cm, de tecido de 50% algodão e 50% poliéster T-175, conhecido como barreira T-175, por apresentar 175 fios/pol², fornecidos pela unidade hospitalar onde se desenvolveu a pesquisa; b) cepa ATCC 25923 de Staphylococcus aureus; c) meio de cultura Ágar Sal Manitol (ASM) e TSA (Tryptone Soya Agar); d) placas de Petri; e) estufa microbiológica (Tecnal Biologic Oxygen Demond, TE 391); f) autoclave (Ortosíntese, modelo AC 254/L, braços concêntricos, microprocessador, chaparia externa em inox com uma porta); g) máquina de lavar (Susuki, LRS-150) h) centrífuga (Susuki, CD 215, série 1315); i) secadora (Susuki, 330G, série 848); j) produtos de limpeza (Laundry Cleaner, Laundry Neutralize, Laundry Acetic, Laundry Reforce, Laundry Clor L, Houghto Mist, fornecidos pela empresa Jaú Química); k) luvas de procedimento; 49 l) caneta para tecidos (Acrilex); m) máquina fotográfica (Sony Ciber Shot de 7.2 mega pixels); n) sacos de lixo (branco); o) container de plástico (para transporte do material contaminado); p) pipeta automática de 100 l; q) pinça anatômica; r) geladeira (Cônsul Essencial); s) solução salina estéril 0,9%; t) capela de fluxo laminar (Veco, CGC 46.255.972/0001-28 IEP:38264); u) álcool 70%; v) bico de Bunsen. 2.3 Testes Microbiológicos Os testes foram realizados segundo a metodologia alemã da Deutsches Institut für Normung (DIN) 58.953/37, que se trata de um procedimento utilizado para avaliação das propriedades da barreira microbiana, descrito com maiores detalhes no item subseqüente. (RODRIGUES, 2000) Como o enfoque no presente trabalho foi à eficácia da barreira microbiana dos campos cirúrgicos, adotou-se tal método com base na pesquisa realizada por Rodrigues (2000), que desenvolveu trabalho semelhante, referindo dificuldade na tentativa de encontrar técnicas indicadas especificamente para tecidos, sendo a metodologia de DIN o método em maior grau de similaridade a ser utilizado, apesar de ter sido desenvolvida para avaliação de papéis de embalagem através de cultura bacteriana em meio líquido. (RODRIGUES, 2000) O processo consiste em instilar gotículas de caldo de cultura dos microrganismos sobre a superfície a ser testada, checando após sua secagem a proporção de MO que penetraram através da mesma. O microrganismo utilizado na metodologia adotada foi Staphylococcus aureus - American Type Culture Collection (ATCC) 25923. Antes do início dos testes, as cepas foram repicadas nos meios ágar sal 50 manitol e TSA (figura 1 e figura 2), posteriormente preparou-se um inóculo com a cepa do segundo repique, em solução salina estéril a 0,9%, ajustado pela escala de McFarland no padrão 0,5 (1,5 x 10 8 UFC/ml) a ser instilado nos campos (figura 3). 1 2 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009. Figuras 1 e 2: Repique de bactérias 3 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009. Figuras 3: Preparo de suspensão bacteriana. 2.4 Testes de barreira microbiana 51 Os testes de barreira microbiana dos campos cirúrgicos foram realizados no 1º reprocessamento e consecutivamente, em múltiplos de cinco até o 30º reprocessamento. Posteriormente, os intervalos entre a realização dos testes se tornaram menores, visando manter uma monitorização mais cuidadosa e dirigida dos objetivos do estudo. Como parte do controle ambiental, realizou-se previamente a limpeza do equipamento de fluxo laminar com álcool a 70% e irradiação de luz ultravioleta (UV). Os campos cirúrgicos foram subdivididos em quatro grupos (grupo 1, grupo 2, grupo 3 e grupo 4), marcados em suas respectivas bordas com caneta específica para tecidos, onde realizava-se também anotação dos ciclos de reprocessamento, possibilitando a monitorização. Cada grupo, possuía quatro campos (C1, C2, C3 e C4), dos quais eram separados dois destes (Cx e Cy), aleatoriamente, para proceder a contaminação e análise da barreira. Os campos foram introduzidos assepticamente na capela de fluxo laminar, de modo que sob o verso do centro e das quatro pontas dos mesmos, foram posicionadas placas de Petri estéreis (figuras 4, 5, 6 e 7). Nas respectivas superfícies do tecido, foram inoculados 100 l de suspensão bacteriana de Staphylococcus aureus ATCC 25923 com volume controlado por pipeta automática (figura 8 e figura 9). 4 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009 Figuras 4 e 5: Disposição das Placas de Petri no fluxo laminar. 5 52 6 7 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009 Figuras 6 e 7: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica. 8 9 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009. Figuras 8 e 9: Inoculação de suspensão bacteriana. De acordo com a metodologia, após esta técnica, foi necessário um período de 6 horas para secagem da suspensão bacteriana. Posteriormente, utilizando uma pinça anatômica estéril, as pontas contaminadas do têxtil foram levadas até o centro do mesmo previamente delimitado, onde se exerceu uma pressão durante 20 segundos com uma placa de Petri também estéril, sobre os meios de ágar sal manitol e TSA, ambos colocados no verso do campo individualmente (figura 10 e figura 11). Esta técnica simula a condição da rotina 53 diária em uma UCC, ilustra o que geralmente ocorre na superfície do campo durante o ato cirúrgico. Em seguida, as placas foram incubadas em estufa bacteriológica, a 37°C, por 24 horas. Após esse período, verificava-se o crescimento bacteriano. 10 11 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009. Figuras 10 e 11: Realização de cultura bacteriana Subsequentemente, os campos foram transportados para a lavanderia de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP, onde foram submetidos ao processo de lavagem e esterilização. Os números de lavagens foram anotados nos próprios campos e em caderneta, onde se armazenou as tarjas e fitas de esterilização com data, validade e nome do profissional responsável por embalar e esterilizar os pacotes. 2.4.1 Processamento dos Campos Após a contaminação, os campos foram submetidos a processos de lavagem, descrito no subitem 1.8.1.1.4 do capítulo anterior. Sequencialmente 54 ao processo de lavagem, desenvolvido na lavanderia, os campos foram transportados até a CME, onde foram recepcionados, conferidos e encaminhados para área de preparo (bancadas desinfetadas com álcool 70 %), cujo local se realizou a confecção dos pacotes conforme a técnica de envelope. Após a confecção dos pacotes, é realizada a limpeza da autoclave, em seguida a montagem da carga a ser autoclavada. Os pacotes são colocados no sentido vertical a fim de facilitar a saída do ar, permitindo a entrada do vapor. Este processo compreende basicamente 3 fases, expostas no quadro abaixo: 1) Pré vácuo pulsante Fase em que se aplica o vácuo seguido de pressão na câmara interna por 3 vezes (4 vácuos e 3 pressões). Este ciclo é controlado por pressão com valores pré-definidos. 2) Aquecimento Nesta fase, o equipamento aguarda que a câmara interna atinja a pressão e tempo de trabalho definidas. Somente quando estes valores forem atingidos é que se inicia a fase de esterilização. 3) Esterilização Nesta fase é mantida por um tempo determinado a pressão programada para câmara interna. 4) Secagem Fase em que é realizado o vácuo por um determinado tempo, para a secagem dos materiais esterilizados. Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009 Quadro 2 - Fases do processo de autoclavagem As fases do processo de autoclavagem possuem um tempo específico de duração. Entre as fases 1 e 2, compreende-se o tempo de 5 minutos; a fase 2 que é a de aquecimento tem duração de 12 minutos até atingir a temperatura de 134º C, onde inicia-se a fase 3, da esterilização que compreende também o tempo de 12 minutos; na fase 4, ocorre a secagem dos materiais, que ocupa um período de 30 minutos. Com o término da fase 4, conclui-se o processo, aguardando mais 15 minutos para o resfriamento da máquina e dos materiais. A cada ciclo de esterilização é realizado o controle do funcionamento das autoclaves, onde registram-se os parâmetros do processo, verificando se estão dentro dos padrões. Diariamente, as autoclaves da CME são submetidas a testes biológicos, para comprovar a eficácia da esterilização. 55 2.5 Análise Estatística As variáveis quantitativas foram descritas por meio de medidas de séries e tendência central. As variáveis qualitativas foram descritas através de razões, proporções e análise visual. Utilizou-se o programa Microsoft Office Word 2007 para a construção de uma base de dados e armazenamento das variáveis. 2.6 Resultados Após a realização do experimento, observou-se que, a integridade da barreira antimicrobiana dos campos cirúrgicos mistos reprocessáveis, mantevese preservada até o 50º reprocessamento. A partir do 55º reprocessamento, notou-se quebra da qualidade da barreira antimicrobiana dos campos inseridos no grupo 3, como mostra a tabela 1, que apresenta quatro grupos de campos (grupos 1, 2, 3 e 4), contendo quatro campos em cada grupo ( C1, C2, C3 e C4), onde foram retiradas duas amostras aleatoriamente (Cx e Cy), para análise da proliferação bacteriana. Foram enfatizados apenas os resultados almejados. Tabela 1: Campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos Grupos Quantidade dos Amostras Proliferação bacteriana campos Grupo 1 C1; C2; C3; C4 C x e Cy Ausente Grupo 2 C1; C2; C3; C4 C x e Cy Ausente Grupo 3 C1; C2; C3; C4 C x e Cy Presente no 55º rep. Grupo 4 C1; C2; C3; C4 C x e Cy Ausente até o 50º rep. Total 16 campos 1 grupo Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009). Como pode-se observar na tabela 1, os campos pertencentes ao grupo 3 apresentaram proliferação bacteriana no 55º reprocessamento, sendo que as 56 amostras C1 e C3, apresentaram contaminação nos dois meios de cultura utilizados: Ágar sal manitol e TSA. Conforme os dados descritos na Tabela 2. Tabela 2: Proliferação bacteriana dos campos do Grupo 3 Grupo 3 Divisão Meios de Cultura Proliferação bacteriana C1 TSA Presente ÁSM Presente TSA - ASM - TSA Presente ÁSM Presente TSA - ÁSM - C2 C3 C4 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009). A figura 12 mostra, respectivamente, os meios de cultura TSA e Ágar Sal Manitol, nos quais obteve-se proliferação do microrganismo Staphylococcus aureus, no 55º ciclo de reprocessamento dos campos. 12 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009). Figura 12: Proliferação bacteriana 57 Observou-se, através de análise visual subjetiva, alterações na coloração dos campos ao longo dos ciclos de reprocessamento, todavia, em algumas partes deste processo as alterações eram muito singelas, por este motivo, convencionou-se apresentar os dados obtidos em intervalos de tempo maior que dos testes microbiológicos, como mostra a figura 13. 13 Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009). Figura 13: Escala visual de coloração dos campos cirúrgicos reprocessáveis. As alterações foram perceptíveis a partir do 10º ciclo de reprocessamento, tomando por base o 1º ciclo de esterilização. Ao analisar as amostras com 20º e 30º ciclos de reprocessamento percebeu-se que os tecidos dos mesmos passaram por um desgaste significativo, pois a coloração perdeu sua avives. Do 30º ao 40º processo de lavagem, essas alterações foram mais singelas se comparadas ao desgaste de coloração encontrados nas duas primeiras amostras. A partir do 40º ciclo, até a ocorrência de contaminação no 55º reprocessamento, os campos apresentaram desgaste mais acentuado na coloração das fibras, no entanto os mesmos ainda possuíam características físicas de boa conservação, pois em nenhuma das amostras encontrou-se rasgos ou furos, porém, suas propriedades de barreira microbiológica não se demonstravam efetivas. 2.7 Discussão O objetivo geral deste estudo consistiu em identificar a durabilidade dos 58 campos cirúrgicos reprocessáveis frente ao processo de lavagem e esterilização, verificando sua eficácia enquanto barreira microbiana. No entanto, constatou-se escassez, na literatura disponível, de trabalhos de pesquisa abordando a efetividade da barreira microbiana dos campos cirúrgicos reprocessáveis simples, habitualmente utilizados para demarcar regiões operatórias de modo a proteger pacientes e profissionais de quaisquer fluídos possivelmente contaminados. Pautado nessa problemática, optou-se por identificar dados referentes à utilização e reprocessamento de têxteis cirúrgicos, cujos resultados permitem aproximação com os achados no presente experimento, fundamentando a discussão dos resultados obtidos. Nas literaturas em questão, pode-se observar inexistência de consenso acerca da durabilidade e ciclos de esterilizações aos quais podem ser submetidos os campos cirúrgicos. Ramos (2003), afirma em seus estudos, haver escassez nas publicações referentes ao assunto, apontando a necessidade de se realizar mais trabalhos e pesquisas que possam viabilizar tais dados. A presente pesquisa identificou efetividade da barreira antimicrobiana até o 50º ciclo de lavagem e esterilização. Este resultado não entra em consonância com nenhuma das bibliografias utilizadas, pois Meeker; Rothrock (1997) apontam a perda de barreira antimicrobiana após 75 reprocessamentos, Stanewick; Taylor (apud Rodrigues, 2000), afirmam que campos mistos não podem exceder 40 ciclos de lavagem e esterilização. Mediante este assunto, Ramos (2003) discorre que a barreira dos têxteis cirúrgicos é garantida até 35 ciclos de lavagem e Rodrigues et al. (2006) em sua literatura afirma que o número máximo de reprocessamento é de 65 ciclos. Não houve aproximação entre os estudos sob análise, em virtude da variância dos materiais empregados na execução dos testes e de que as pesquisas semelhantes não os descreveram minuciosamente, evidenciando existência de margem de variação entre os estudos. Este feito pode ser explicado por diferentes empregos de técnica, manuseio, modelos de maquinário aos quais os campos foram submetidos, ciclos de higienização dos mesmos entre outros. É importante salientar que testes laboratoriais não reproduzem as 59 situações reais de cirurgia, embora, Beck; Collete (apud BURGATTI, 2007), em estudos realizados com aventais confeccionados de material semelhante ao dos campos cirúrgicos, sugiram que os testes sejam desenvolvidos em laboratórios. Parece haver concordância na literatura em relação à importância de uma barreira eficaz para repelir microrganismos oriundos da microbiota dos indivíduos, equipe e do ambiente cirúrgico. Todavia, não existe padronização da técnica utilizada pelos autores, para verificação de alterações na estrutura das fibras e seu grau de comprometimento. Conforme Rodrigues (2000), não há em âmbito universal métodos que possibilitem a padronização e controle da efetividade da barreira microbiana dos campos reutilizáveis e descartáveis. Observou-se através dos testes, que ao longo dos ciclos de reprocessamento os campos cirúrgicos, sofrem mudanças nas suas estruturas, devido ao desgaste de suas fibras, o que ocasiona a diminuição gradativa de suas propriedades de barreira. Este fato vai de encontro com as afirmações de Burgatti (2007, p. 116) que constatou-se que quanto maior o número de lavagens, tanto maior o desgaste do tecido, reduzindo sua habilidade de repelir líquido e de prevenir passagem de microrganismos . Mediante análise subjetiva da coloração dos campos cirúrgicos, pode-se estabelecer um parâmetro associativo com a diminuição da propriedade de barreira microbiana, pois, este está intimamente ligado ao desgaste das fibras do tecido, que ao liberar pigmento também rompe gradativamente sua estrutura. Este fato confirma-se pelas constatações da Association of Operating Romm Nurses (AORN) (apud RODRIGUES, 2000), que sugere padrões qualitativos visuais para avaliar materiais com furos, desgastes e outras avarias. Ao perderem sua capacidade de barreira antimicrobiana, os campos cirúrgicos, deixam de ser uma forma de defesa ao organismo do indivíduo, pois favorecem o acúmulo de microrganismos em suas fibras, podendo elevar os riscos de infecção da ferida operatória. A capacidade de barreira microbiológica de campos reutilizáveis está diretamente relacionada com a estrutura de sua composição. Fato evidenciado através da observação de estudo realizado por Burgatti; Possari; Moderno 60 (2004), onde foram utilizados campos de algodão 100%, que apresentaram quebra de barreira no 6º reprocessamento. Evidencia-se que os campos reutilizáveis, possam ser utilizados desde que seja respeitado o seu tempo de vida útil, atentando para o estado de conservação dos mesmos, sendo de fundamental importância que estes estejam íntegros e livre de fiapos. Em síntese, pode-se afirmar que a utilização dos campos cirúrgicos 50% algodão e 50% poliéster não ultrapasse o número máximo de 50º ciclos. Seu uso acima do respectivo valor pode caracterizar risco para os clientes adquirirem infecções do sitio cirúrgico, e maiores agravos a sua saúde. Este fato se deve segundo a INDA (apud RODRIGUES, 2000), (associação não comercial que promove o desenvolvimento tecnológico educacional do uso de não-tecidos), por que os tecidos degradam suas propriedades de barreira microbiana a cada lavagem, pois seus fios soltam-se alterando a propriedades de proteção ao paciente, equipe e artigos médicos-hospitalares. Conforme a metodologia utilizada, os dados obtidos através dos testes evidenciaram que a partir do 55º reprocessamento, os campos não comportam barreira microbiana eficaz. A ausência de monitoramento eficaz dos campos dentro do ambiente hospitalar pode possibilitar o aumento da incidência das infecções hospitalares, como afirma Monteiro et al. (2000) em sua literatura relatando que: enfermeiros reconheceram a falta de controle de qualidade efetiva no reprocessamento, não sendo possível determinar a meia vida dos tecidos, onde muitas vezes os componentes são utilizados até rasgar e mesmo rasgados. Meeker; Rothrock (1997) propõem em sua literatura, um sistema para monitorizar o número de vezes que um material foi lavado, o que é essencial para o controle de qualidade da barreira antimicrobiana. A AORN (apud RODRIGUES, 2000), tendo por base a recomendação de um fabricante de tecidos com 280 fios, determinou a durabilidade do tempo de vida útil dos tecidos empregados na confecção de aventais, campos cirúrgicos e campos para embalagem, como sendo de 75 reprocessamentos, recomendando ainda que estes sejam confeccionados por materiais que minimizem a passagem de microrganismos. No entanto, em sua literatura não especifica a metodologia empregada nos testes microbiológicos que embasam 61 tal afirmação e a padronização dos tecidos para confecção dos aventais e campos. Grande parte dos hospitais não possuem método de controle que possibilite a monitorização do uso dos campos cirúrgicos reprocessáveis, utilizados até o seu depauperamento, favorecendo assim, o acúmulo de microrganismos, podendo contribuir para o aumento da incidência de infecções do sítio cirúrgico, bem como a ocorrência de infecções hospitalares. Este fato e evidenciado pela AORN em 1999 (apud RODRIGUES, 2000), onde esta orienta a necessidade da criação de um sistema que estabeleça o controle dos campos, aventais cirúrgicos e invólucros de tecidos ao que se refere às propriedades de barreira microbiana. Não corrobora também métodos avaliativos, evidenciando, no entanto, que o mesmo não deve ficar limitado à contagem do número de reprocessamentos, devendo avaliar a qualidade da barreira microbiana como um todo. 2.8 Conclusão Ao término deste estudo, pode-se constatar a impetração dos objetivos propostos, pois se ratificou que os campos cirúrgicos possuem um tempo de vida útil, que se restringe a 50 ciclos de lavagem e esterilização, conforme a metodologia utilizada. A durabilidade dos campos, ou seja, o tempo de vida útil deve ser respeitado através de mecanismos que possibilitem um sistema de controle, a fim de não expor o paciente a condições que possam caracterizar risco para aquisição de infecções e / ou maiores agravos a sua saúde. Embora existam divergências a cerca do número de vezes ao qual um têxtil cirúrgico deva ser submetido, é sabido a veracidade de tal afirmação, o que leva a crer que este tempo deva ser circunspecto adequadamente. Seria de grande relevância para qualidade da assistência, juntamente com a saúde e bem estar do paciente em uma UCC, se os campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos viessem com um rótulo, explicitando a validade dos mesmos, corroborada por meio de testes realizados em laboratórios com aprovação do Ministério da Saúde. Bem vindo também seria se cada campo 62 incorporasse um dispositivo, com atributos para indicar aos usuários o momento correto em que as propriedades de barreira microbiana estivessem próximas a perder sua efetividade, a fim de que os mesmos fossem retirados de circulação. A proposta de buscar evidências sobre o uso de campos cirúrgicos reprocessáveis, no controle da contaminação da ferida operatória ou ISC, tem finalidade de garantir segurança dos pacientes submetidos a cirurgias e também facilitar a tomada de decisão dos enfermeiros, médicos e administradores hospitalares na aquisição de materiais de barreira. Mediante resultados obtidos neste estudo, e a problemática levantada, sugere-se implantação de um sistema que possibilite o monitorização dos campos dentro do ambiente hospitalar, a fim de que a durabilidade dos campos não seja ultrapassada. Espera-se que este trabalho possa fomentar interesse em realizar novas pesquisas relacionadas à barreira microbiana de têxteis cirúrgicos, atentando principalmente para variabilidade dos tecidos existentes, quantidade e grau de patogenicidade dos microrganismos para ocasionar infecção do sítio cirúrgico. 63 REFERÊNCIAS ARSEGO, J. et al. Riscos ocupacionais na área contaminada de uma lavanderia hospitalar: XXVIII Encontro nacional de engenharia de produção. 13 a 16 de out. 2008. Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/enegep2008/resumo_pdf/enegep/TN_STO_072_512 _11011.pdf>. Acesso em: 07 de ago. 2009. BRAGATO, F. E. et al. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Lins. In: (org.). Administração Hospitalar: Implementando um modelo de lavanderia. 2007. Monografia (Graduação em Administração). Centro Universitário Católico Salesiano, UNISALESIANO, Lins - SP. BURGATI, J. C. Revisão sistemática sobre o uso de aventais cirúrgicos, conforme o material de confecção, no controle da contaminação/infecção do Sitio Cirúrgico. 2007. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Universidade Escola de Enfermagem, São Paulo. BURGATTI, J. C.; POSSARI, J. F.; MODERNO, A. M. B. Avaliação da barreira microbiana do campo cirúrgico simples de algodão. Revista SOBECC. São Paulo, v. 9, n. 1, p. 24-32, jan - mar. 2004. CIOSAK, S. I.; OLIVEIRA, A. C. Infecção de sítio cirúrgico em hospital universitário: vigilância pós-alta e fatores de risco. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 41, n. 2, p. 259, jun. 2007. CARRARO, T. E. Os postulados de Nightingale e Semmelweis: poder/vital e prevenção/contágio como estratégias para a evitabilidade das infecções. Rev Latino-am Enfermagem: 2004 julho-agosto; v. 12, n. 4, p 650-657. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v12n4/v12n4a11.pdf>. Acesso em: 18 de maio 2009. COMISSÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR. Esterilização. São Paulo, 2009. Disponível em: <www.cih.com.br>. Acesso em: 14 de maio 2009. . CONSULTORIA E EQUIPE CCIH. Manual técnico administrativo: lavanderia hospitalar Hospital Geral Universitário. V. 2. Cuiabá Mato Grosso, 2002. EMPREGA BRASIL. Confecção de roupas descartáveis: como montar empresa de confecção de roupas descartáveis. Disponível em: 64 <http://www.empregabrasil.org.br/fp/montar_confeccao_de_roupas_descartavei s.htm>. Acesso em: 08 de jun. 2009. FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU USP. Manual de biossegurança. Bauru, 2000. Disponível em: <http://www.fob.usp.br/adm/comissoes/bioseg/cap03.htm>. Acesso em: 10/08/09. FERNANDES, T. F.; FERNANDES, M. O. V; SOARES, M. R. Lavanderia Hospitalar. In: FERNANDES, T. F. (org.); FERNANDES, M. O. V.; RIBEIRO, N. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. Vol. 2. São Paulo: Atheneu, 2000. FERREIRA, S. A. Desinfecção e Esterilização de artigos médicohospitalares: Centro de Vigilância Epidemiológica Prof° Alexandre Vranjac. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/ih/provitae/prov_aulaester.ppt.com>. Acesso em: 22 de maio 2009. FONTANA, R. T.; LAUTERT, L. A prevenção e o controle de infecções: um estudo de caso com enfermeiras. Revista Brasileira de Enfermagem. Rio de Janeiro, v. 59, n. 3, p. 257 - 260, maio - jun. 2006. GARNIER, M. et al. Dicionário Andrei de termos de Medicina. 2. ed. São Paulo: Andrei, 2002. GUIMARÃES, L. B. M. et al. Avaliação de posturas em uma lavanderia hospitalar: VII Congresso Latino Americano de Ergonomia, I Seminário Brasileiro de Acessibilidade Integral, XII Congresso Brasileiro de Ergonomia (ABERGO). Recife, 2002. Disponível em: <http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/cd49/119.pdf>. Acesso em: 07 de ago. 2009. KAWAMOTO, E. M. Infecção hospitalar. In: (org). Enfermagem em clínica cirúrgica. São Paulo: EPU, 1999. KUNZLE, S. R. M. et al. Auxiliares e técnicos de enfermagem e controle de infecção hospitalar em centro cirúrgico: mitos e verdades. Revista da Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 40, n. 2, p. 215, 2006. 65 LAWRENCE, P. F. Fundamentos de cirurgia geral. Peter F. Lawrence. Tradução Jaques Vissoky. 2. ed. Porto Alegre: Artes médicas, 1995. LEITE, F. B. Central de material esterilizado: projeto de reestruturação e ampliação do hospital regional de Francisco Sá. Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/artigo_CME_flavia_leite.pdf>. Acesso em: 08 de jun. 2009. LEVINSON, W.; JAWETZ, E. Microbiologia Médica e Imunologia. Tradução José Procópio Senna. SENNA, J.P.M. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica experimental. Savier: São Paulo, 1983. MARTINS, M. A. et al. Vigilância pós-alta das infecções de sítio cirúrgico em crianças e adolescentes em um Hospital Universitário de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, maio-2008, v. 24, n. 5, p. 1033 - 1041. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/csp/v24n5/10.pdf>. Acesso em: 13 de maio 2009. MEEKER, M. H.; ROTHROCK, J. C. Alexander: Cuidados de enfermagem ao paciente cirúrgico. Tradução Cláudia Lúcia Caetano de Araújo. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. MILLER, B. F. Enciclopédia e dicionário médico para enfermeiros & outros profissionais da saúde. Tradução Paulo Marcos Agria de Oliveira, Sílvia M. Spada. 6. ed. São Paulo: Roca, 2003. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de lavanderia hospitalar. Brasília, 1986. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/lavanderia.pdf>. Acesso em: 07 de ago. 2009. MONTEIRO; C. E. C. et al. Paramentação cirúrgica: avaliação de sua adequação para a prevenção de riscos biológicos em cirurgias - parte II: os componentes da paramentação. Revista Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 34, n. 2, p. 1 a 17, junho 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S008062342000000200 008&lng=en&nrm=iso >. Acesso em: 04 de jan. 2009. MOZACHI, N.; SOUZA, V. H. S. O Hospital: Manual do Ambiente Hospitalar. 11. ed. 2005. 66 OLIVEIRA, A. C.; CIOSAK, S. I.; LORENZO, C. D. Vigilância pós-alta e o seu impacto na incidência da infecção do sítio cirúrgico. Revista de Escola de Enfermagem da USP. São Paulo, v. 41, n. 4, p. 863-868, 2007. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n4/15.pdf >. Acesso em: 15 de jun. 2009. OLIVEIRA et al. Estudo comparativo do diagnóstico da infecção do sítio cirúrgico durante e após internação. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 36, n. 6, p. 717, 2002. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v36n6/13526.pdf>. Acesso em: 15 de maio 2009. PRADO, C. R. S. J. Manual de lavanderia hospitalar. Lins: 2008. POVEDA, V. B.; GALVÃO, C. M.; SANTOS, C. B. Fatores predisponentes à infecção do sítio cirúrgico em gastrectomia. Acta Paulista Enfermagem. São Paulo, v. 18, n. 1, p. 31-38, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010321002005000100 005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em 18 de maio 2009. RAMOS, D. G. G. Têxteis cirúrgicos reutilizáveis e seu impacte ambiental. 2003, Tese (Mestrado em Química Têxtil) Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia Têxtil, Universidade do Minho, Guimarães Portugal. Disponível em: <http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/361/2/Corpo%20da%20tes e.pdf >. Acesso em: 04 de jan. 2009. REZENDE, J. M. Cirurgia e patologia. Acta Cirúrgica Brasileira. São Paulo, v. 20, n. 5, p. 346, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010286502005000500001&script=sci_ar ttext>. Acesso em: 18 de maio de 2009. RHABAE, G. N.; RIBEIRO, N. F.; FERNANDES. Infecção do sítio cirúrgico. In: FERNANDES, A. T. (org.). Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. Vol. 1. São Paulo: Atheneu, 2000. p. 491 493 - 494. RODRIGUES, E. Reutilização de campos duplos de tecido de algodão padronizados pela ABNT utilizados para embalagens de artigos médicohospitalares na esterilização por calor úmido. 2000 (Tese de Doutorado em Enfermagem). Universidade de São Paulo, São Paulo. RODRIGUES, E. et al. Evaluation of the use and re-use of cotton fabrics as 67 medical and hospital wraps. Brazilian Journal of Microbiology. [s. l], v. 37, p. 113 116, 2006. SECRETARIA DA SAUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Divisão de Infecção Hospitalar do Centro de Vigilância Epidemilógica: Prof. Alexandre Vranjac. Coordenadoria de Controle de Doenças. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 41, n. 4, p. 674-783, ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v41n4/itss.pdf>. Acesso em: 18 de maio 2008. SILVA, J. S. et al. Fatores de riscos associados à infecção em sítio cirúrgico de pacientes ortopédicos: visão da enfermagem. Enfermagem Brasil. [s. l.], v. 6, n. 3, p. 149 - 159. maio - jun. 2007. SILVA, M. D. A. A.; RODRIGUES, A. L.; CESARETTI, I. U. R. Enfermagem na unidade de centro cirúrgico. 2. ed. São Paulo: EPU, 1997. SILVEIRA et al. Biodegradabilidade anaeróbia e avaliação da toxicidade de efluente de lavanderia hospitalar. 22º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. De 14 a 19 de set., 2003. Joinville Santa Catarina. Disponível em: <http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/abes22/txiv.pdf>. Acesso em: 07 de ago. 2009. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Tratamento de Enfermagem Intra-operatório. In: (org.). Brunner & Suddarth, tratado de enfermagem médico cirúrgica. Tradução José Eduardo Ferreira de Figueiredo. Vol. 1, 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. SOBECC, Nacional. Práticas Recomendadas. Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico Recuperação Anestésica e Centro de Material de Esterilização. 4. ed. São Paulo, 2007. TIMBY, B. K.; SMITH, N. E. Enfermagem Médico Cirúrgica. Tradução Marcos Ikeda. 8. ed. Barueri SP: Manole, 2005. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. Tradução Roberta Marchiori Martins. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. TRABULSI, L. R.; ALTERTHUM, F. Microbiologia. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2008. VEIGA, J. F. F. S.; PADOVEZE, M. C. Infecção Hospitalar: informações para público em geral. Out. 2003. Disponível em: 68 <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/ih/if_publico.htm>. Acesso em: 15 de jun. 2009. This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.