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UNISALESIANO
Centro Univesitário Católico Salesiano Auxilium
Curso de Enfermagem
Elizabete Santana
Lígia Maria Abraão
Patrícia Cristina Ritz
AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS
CIRÚRGICOS REPROCESSÁVEIS E SUA
RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO
SÍTIO CIRÚRGICO
LINS
SP
2009
1
ELIZABETE SANTANA
LÍGIA MARIA ABRAÃO
PATRÍCIA CRISTINA RITZ
AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS CIRÚRGICOS
REPROCESSÁVEIS E SUA RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO
SÍTIO CIRÚRGICO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Banca Examinadora do
Centro Universitário Católico Salesiano
Auxilium, curso de Enfermagem sob a
orientação da Profª Esp.Viviane Cristina
Bastos Armede e orientação técnica da
Profª Esp. Jovira Maria Sarraceni.
LINS
SP
2009
0
S223a
Santana, Elizabete; Abraão, Lígia Maria; Ritz, Patrícia Cristina
Avaliação da durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis
e sua relação com os índices de infecção do sítio cirúrgico / Elizabete
Santana; Lígia Maria Abraão; Patrícia Cristina Ritz
Lins, 2009.
67 p. il. 31cm.
Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico
Salesiano Auxilium UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em
Enfermagem, 2009
Orientadores: Jovira Maria Sarraceni; Viviane Cristina Bastos
Armede.
1. Campos
Cirúrgicos
Reprocessáveis.
Antimicrobiana. 3. Infecção - Sítio Cirúrgico. I Título.
CDU 616-083
2.
Barreira
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ELIZABETE SANTANA
LÍGIA MARIA ABRAÃO
PATRÍCIA CRISTINA RITZ
AVALIAÇÃO DA DURABILIDADE DOS CAMPOS CIRÚRGICOS
REPROCESSÁVEIS E SUA RELAÇÃO COM OS ÍNDICES DE INFECÇÃO DO
SÍTIO CIRÚRGICO
Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium,
para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.
Aprovada em: _____/______/_____
Banca Examinadora:
Prof(a) Orientador(a): Viviane Cristina Bastos Armede
Titulação: Especialista em Centro Cirúrgico e Central de Material e
Esterilização pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Assinatura: __________________________
1º Prof(a) _________________________________________________
Titulação: _________________________________________________
_________________________________________________________
Assinatura: __________________________
2º Prof(a): ________________________________________________
Titulação: _________________________________________________
_________________________________________________________
Assinatura: __________________________
3
EPÍGRAFE
A tarefa não é contemplar o que ninguém ainda
contemplou, mas meditar, como ninguém ainda
meditou, sobre o que todo mundo tem diante dos
olhos.
Schopenhauer
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A Deus
Por ter me oportunizado a realização deste curso e conhecer e formar
amigos. Por ter me honrado e guiado meus passos, fortificando-os no
caminho desta longa trajetória. Agradeço-te por todas as bênçãos que
tens me dado, pelo dom da vida e as dificuldades, que tem me feito
maturar e crescer. Devo-te tudo que tenho que sou e serei. Obrigada por
me amar e fazer-me amar-te infinitamente.
Aos meus pais: José Roberto e Casimira
Por serem as pessoas que depois de Deus mais me amam, por
confiarem em meus sonhos, abraçarem meus ideais, me transmitirem
valores morais, serem guerreiros e meus fiéis escudeiros, pelo carinho,
amor, dedicação. Pelo dom da vida, pelas noites em claro, pelas
palavras de conforto, por me ouvirem nos momentos de choro, por me
entenderem, por me refugiarem em um universo de amor por me
guiarem nos primeiros passos e jamais soltarem minha mão no longo
trajeto que é a vida. Por serem meus grandes amigos, minhas vigas de
sustentação, meu porto seguro, fortalezas construídas de amor e
paciência.... Eu os amo demais.
À minha Irmã Janete
Por ser minha amiga, confidente, acreditar no meu potencial, pelo
carinho, por estar comigo em todos os momentos de alegria, tristeza e
dúvidas. Você também faz parte desta conquista, uma das muitas que
iremos dividir... Amo-te imensamente. És um presente de Deus em
minha vida!
Às minhas Amigas Edileide e Débora Yumi
Pelos momentos de confidência, amizade, descontração, apoio,
alegria... Por terem se tornado minhas irmãs Gêmula como tantas
vezes brinquei. Amo-as muito e oro a Deus que as abençoe cada vez
mais...esta etapa em nossa vidas termina agora, mas nossa amizade
tenho certeza que perdurará por longos anos.
5
A minha pastora Nilça
Obrigada por ter desapertado meus olhos, ouvidos e coração para esse
Deus tão lindo, pelas palavras de carinho que sempre me destina, por
ter se tornado, como muitas vezes brinquei, uma maezona . Amo-te
muito.
Aos Amigos
A todos, não tão somente os da Universidade, quero que se sintam
lembrados e que saibam que também são muito amados por mim.
As minhas companheiras de monografia Lígia e Patrícia
Lígia:
Pela
dedicação,
comprometimento,
descontração
e
amizade.
Certamente a pela sua disposição e vontade de fazer sempre o melhor,
tenho certeza que a escolha não poderia ser melhor. Nossa amizade
construiu-se ao longo destes quatro anos e tenho certeza que foi Deus
quem direcionou nossos passos para que nos tornássemos verdadeiras
escuderias. Crescemos e amadurecemos muito ao longo destes anos.
Espero que o tempo e o futuro, que hoje parece tão incerto, não nos
afaste jamais. Você e mara te amo muito e você sabe disso. Muito
sucesso!
Paty:
Por dedicar-se ao longo dessa trajetória. Desejo a você muito sucesso, e
tenho certeza que ele virá como conseqüência de seu trabalho. Foi
muito bom estar ao seu lado nessa trajetória. Você é alguém especial.
Que Deus te abençoe ricamente.
A Professora Jovis
Por sempre nos conceder um tempinho. Pelo carinho com o qual exerce
sua função. Pelas palavras de incentivo, momentos de descontração e
por ser simples e cativante. Hoje você não é só minha professora, mas
também minha grande amiga. Admiro-te muito e espero ter-te sempre
6
próxima. Jamais permita que sua luz se apague. Que Deus a abençoe
ricamente.
A Professora Viviane
Por todos os momentos em que nos socorreu com o Trovão Azul . Por
compartilhar suas experiências profissionais e pessoais. Agradeço
também, pela paciência, carinho, dedicação, incentivo e por ter se
tornado ao longo do tempo uma pessoa tão especial em minha vida.
Que Deus a faça prosperar sempre.
A Professora Ângela:
Por toda a paciência e por ter compartilhado seu vasto conhecimento e
tempo na elaboração deste trabalho, ensinando-nos que nada na vida é
tão perfeito que não se possa buscar aperfeiçoamento. Admiro-te muito
e espero que Deus a ilumine sempre. Sou imensamente grata por tudo.
Aos Demais professores
Por terem contribuído com a minha formação e terem me instruído ao
longo destes quatro anos me apresentando esta área tão apaixonante
que é a Enfermagem.
(Bete)
7
A Deus
A razão da minha vida, de minha existência, aquele que faz possível o
impossível, que opera maravilhas onde já não existe esperança... Aquele que
com todos os obstáculos permitiu que eu chegasse ao término de mais essa
jornada.
Aos Meus pais
Mara e Mário ; e irmãos Aline e Guilherme
Os protagonistas de toda minha história. Meus alicerces, meus amores... Só
Deus sabe o que passamos para que eu pudesse chegar até aqui. Tantas
lagrimas, tantas saudades... Quantas orações né Mamãe... Mas a oração do
justo pode muito em seus efeitos, e após as lutas sempre chegam as vitórias. É
chegado o tempo de colheita em nossas vidas, e esses frutos nós iremos
colher juntos. Amo vocês, amo incondicionamente... Essa conquista é nossa!
Meus avós
Irene e Roberto (in memorian)
Aqueles que sempre me deram crédito, e que sempre me apoiaram para que
eu batalhasse em busca de meus ideais...
A Minha avó Ditinha (In Memorian)...
Gostaria que você ainda estivesse aqui para presenciar esse momento que
tanto esperamos... Obrigada por ter acreditado em mim, obrigada pelo amor
inigualável, pelo carinho e atenção sincera que sempre me disponibilzou,
obrigada simplesmente por ter existido em minha vida. Amo você e vou
continuar amando sempre... Saudades Eternas!
A Minha Tia Ana (Guinha)
Tia, se não fossem as tuas intercessões e o seu cuidado, eu não teria chegado
até aqui. Obrigada por sempre me direcionar para os caminhos trilhados
segundo a vontade de Deus.
8
Ao tio Clodô e a tia Jane
Obrigada pelo carinho, cuidado e atenção. Que o Senhor Jesus possa
recompensá-los por tudo o que fizeram por mim.
A Professora Angela
Pessoa mais que abençoada, que eu tive o privilégio de ter em meu caminho.
Umas das pessoas sem a qual este trabalho não teria se realizado. Saiba que
lhe admiro muito pelo seu caráter, por sua competência, por sua simplicidade,
e pela profissional maravilhosa que é... Obrigada por tudo, pela transferência
de conhecimento, pelo apoio, pelas correções, obrigada por ter se feito
presente neste momento tão importante de nossas vidas.
A minha orientadora
A precursora de todo esse trabalho, aquela que conquistou um espaço enorme
não somente no meu coração, mas em toda minha vida. Aprendi muito com
você, não somente no decorrer das aulas, mas sim com seu jeito de ser e com
sua maneira de viver. Obrigada por tudo o que fez por mim... Amo para
sempre!
A Professora Marilisa Baralhas
A alegria em pessoa, que contagia a todos com seu brilho, com seu simples
jeito de ser... obrigada pela confiança, por sempre ter me dado forças para eu
acreditasse que é possível irmos além do que os nossos olhos podem ver.
A Professora Jovira
Professora, você nos motivou a sempre estar em busca de novos horizontes...
de crescimento, de aprimoramento. Com você a metodologia deixou de ser um
bicho de sete cabeças. Obrigada por tudo... E parabéns, pois você cativa a
todos com seu jeito único de ensinar...
9
A minha amiga Paty Zamian
Minha amiga, conselheira, cuidadora... minha mãezinha do coração! Se hoje
eu me tornei uma pessoinha melhor, você é uma das responsáveis por isso.
Agradeço a Deus por ter colocado alguém de tamanha importância em minha
vida. Amo você e certamente sentirei muito sua falta. Sucesso!
A minha amiga, irmã, companheira e parceira de quarto: Joseana
Jô, obrigada por fazer parte da minha vida, obrigada por me ouvir, por me
aconselhar, por me aturar nos momentos de estresse, por me consolar nas
horas de angústia, por me aguentar com a luz acesa até altas horas... por
ceder um espaço na sua família, por ter me proporcionado inúmeros momentos
de alegria... Enfim, obrigada por cada instante que passamos juntas! Amo-te!
A minha amiga Ana Paula Dantas
Amada do Senhor, lamento por não te-la conhecido antes. Você é uma benção
que veio diretamente dos céus para iluminar a minha vida! Você faz toda a
diferença pelos lugares onde passa... Nunca se esqueça de que eu nunca te
esqueço .
A minha grande amiga Cristiane Naves
Não tenho palavras para descrever a tamanha importância que tem para mim...
você faz parte de toda minha história, é um dos presentes mais preciosos que
Jesus poderia ter me dado! Sua amizade me faz bem, me fez crescer,
amadurecer... Não importa a distancia, os verdadeiros amigos sempre
permanecem e as verdadeiras amizades nunca morrem. Nós somos a prova
disso e essa conquista também é sua!
As minhas amigas do Oasis: Aquelas a quem eu chamo
carinhosamente de fididas
Juntas vivemos momentos além de especiais, sentirei muita falta de cada
uma... e as nossas lembranças ficarão eternamente guardadas em meu
coração!
10
Helô: A gente se entende... a gente se dá bem! Pessoa mais que
especial na minha vida, exemplo vivo de determinação e com certeza de
muito sucesso!
Lidjuka : Aquela que trouxe alegria e descontração aos meus dias. Fidi!
você vai morar pra sempre em meu coração!
Sabrina Favarão: Quem sempre me apoiou e torceu para que eu me
desse bem... Você é muito especial na minha vida... Amo!
Marina: Pessoa que põe amor em tudo aquilo que faz, sempre disposta
a oferecer um ombro amigo! Mara Jackson... amo demais!
Léslie: Você é única viu Fidida! E muito especial também, além do que
imagina.
Carol: Minha japoneusa preferida. Ooh Bacuritiense, você vai fazer muita
falta!
Dayse Belissíma: Tem um brilho que não existe... contagia e faz bem a
todos com sua alegria.
Ana Vasconcellos (ex moradora do Oasis): de quem eu vou encher as
paciências ano que vem? Você já mora no meu coração, viu sua TO de
Sucesso!
As minhas parceiras de monografia Bete e Paty
A você Bete, o meu muito obrigada por me ouvir sempre, por me
aconselhar, por me fazer enxergar as coisas, por me aturar e acima de tudo
por estar sempre ao meu lado em toda e qualquer circunstância. Amo-te, vc
é presente de Deus em minha vida! Já estou sentindo falta de tudo o que
vivemos... Sucesso amiga! Que Deus lhe abençoe sempre, e que nós
nunca venhamos perder a essência do que é realmente ser amigo...
Paty, obrigada por tudo, pela amizade, companheirismo e cumplicidade! Vc
tem o coração de ouro, obrigada por sempre se preocupar comigo, obrigada
por ter estado ao meu lado ao longo dessa luta de 4 anos. Valeu a pena,
que essa venha ser 1ª de inúmeras conquistas em nossas vidas!
(Lígia)
11
Deus e Nossa Senhora
Por terem me dado força, coragem e sabedoria para enfrentar os problemas
que surgiram ao longo deste trabalho. Por todas as vezes que uma porta se
fechava para nós, dezenas se abriam em seguida. Obrigada por terem
permitido que mais uma etapa de minha vida fosse concluída com sucesso.
Aos meus pais Celso e Eliani
Porque se cheguei até aqui foi graças a vocês, que desde o começo estiveram
ao meu lado, sempre me ensinando o verdadeiro valor da vida. Estão sempre
ao meu lado nos momentos de angústia e medo, mas principalmente estão nos
momentos mais felizes da minha vida. Quando eu crescer quero ser igual a
vocês. Essa vitória é nossa! Amo vocês!!!
Aos meus irmãos Biela, Biel e Gi
Pelos sorrisos e abraços que recebia ao voltar pra casa nos finais de semana.
Por todas as vezes que me ligaram só pra dizer Estamos com saudades de
você. Fique com Deus . Isso tudo foi para vocês e por vocês. Amo vocês meus
anjos
Ao meu namorado Rafael
Por todas as vezes que escutou as minhas reclamações, por ter segurado a
minha mão nos momentos em que eu achei que fosse cair. E quando eu
pensava em desistir me lembrava do quanto eu era capaz de superar as
dificuldades. Obrigada por fazer parte de mais essa conquista. Amo você!
A minha parceira de quarto Lidjuca
Minha amiga irmã, uma pessoa que aprendi a amar e admirar, uma muleca nas
horas de brincadeira e uma mulher quando tinha que falar sério. Foi muito bom
ter dividido não só o
quarto nesses 3 anos, mas uma linda amizade. Lidjuca e Paty amigas for
ever...rs
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As minhas parceiras de monografia
Lígia não preciso nem dizer o quanto você foi, é e será importante na minha
vida, você é uma pessoa que eu levarei guardadinha no meu coração pra
sempre, a fididinha mais cheirosa que eu conheci...rs
Bete aprendi várias coisas com você, inclusive o caminho para a ... rs. Sei que
esse trabalho foi o início de uma grande amizade.
Foi muito bom ter vocês ao meu lado nessa etapa da minha vida. Adoro
vocês!!!
As minhas amigas presentes...
Carol e Gabi minhas japonesas preferidas, sempre alegres, contagiando a
todos com sua alegria de viver.
Gi quietinha, mas sempre companheira.
Jú gordinha suas histórias vão ficar pra sempre.
Maria Laura (Car) valeu pelas caronas...rs
Jaci sempre estressada, mas bem humorada.
Sol sempre sorrindo.
Nessa a baladeira estudiosa.
Paty e Débora uma dupla dinâmica.
Agradeço sempre a Deus por ter permitido que nós nos conhecêssemos .
Minha casa e meu coração estarão sempre abertos para vocês.
E as amigas ausentes
Mi aprendi tantas coisas com você nos anos que passamos juntas, dedicação a
sua profissão, carinho pelos pacientes, determinação , sua marca registrada é
o companherismo.
Lê além de T.O compositora, uma música melhor que a outra.
Saudades de um tempo que não volta mais. Adoro vocês!!!
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A Prof. Viviane
Obrigada pela dedicação durante esses anos, pelos pasteis na Dalci, pelo
carinho, amizade, companheirismo. Você estará sempre no meu coração e
claro o Trovão Azul também. Espero que nossa amizade perdure por muito
tempo. Te adoro do fundo do meu coração professora loira!
A Prof. Ângela
Por ter acolhido esse trabalho com tanto carinho e dedicação. Obrigada por ter
nos ajudado na realização desse projeto sem pedir nada em troca. Que Deus
te ilumine sempre.
A Prof. Marilisa (Mamy)
Não sei nem como posso te agradecer tudo o que fez por mim. Hoje você é
mais que uma professora é uma amiga. Apesar de sua pouca idade o meu
carinho por você é o mesmo de uma filha por sua mãe. Obrigada por ter aberto
as portas da sua casa para mim, sua família. Que Deus te conserve sempre
assim. Te amo Mamy
A Prof. Jovis
Uma pessoa maravilhosa. Exigente quando tinha que ser, mas compreensiva,
justa e amiga, que entendeu o problema pelo qual meu grupo passava e nos
ajudou. Você sempre diz que professor de metodologia nunca é homenageado,
o que eu acho uma grande injustiça, pois você merece sim muitas homenagens
não só pela profissional que você é, mas também pela mulher que você é. Te
amo do fundo do meu coração!
(Paty)
14
AGRADECIMENTOS
A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram e torceram pela
realização deste trabalho. A vocês o nosso MUITO OBRIGADA!
A nossa querida professora Angela
Obrigada pela credibilidade, pelo apoio e segurança que sempre nos
transmitiu... que Deus possa recompensá-la por tudo o que fez por nós!
Aos professores Francisco, Flávio e Luis Alberto Massarote
Muito obrigada pela atenção, pelo tempo cedido a nosso favor, pelo auxílio e
pelas ricas sugestões que só vieram acrescentar em nosso trabalho.
Ao Moacir
Por ser sempre tão prestativo e nos ter auxiliado com tanto zelo e dedicação.
Ao José Roberto
Por nos auxiliar com seus conhecimentos na área de informática e pela
amizade.
As Meninas da Lavanderia e Central de Materiais
Pelo carinho, serviços prestados, por terem nos auxiliado de tão bom grado na
realização das lavagens e esterilizações dos campos. Por terem se tornado
pessoas especiais em nossas vidas e por toda experiência adquirida junto a
vocês.
Ao centro Universitário a Unidade Hospitalar
Que gentilmente cederam suas instalações, oportunizando a realização deste
trabalho.
15
A Cantina do Bigode
Pelo carinho que todos os funcionários dedicaram não tão somente a
nós,
mas a todos que se utilizam deste refúgio tão amado. Todos vocês são
pessoas especiais, das quais nos recordaremos com carinho.
As Meninas da biblioteca (Vera, Adriana, Carla, Cris, Raquel e Sandra)
Por abrigarem nossas reuniões de monografia e pela paciência e dedicação
prestada durante os quatro anos.
Aos Demais funcionários do Centro Universitário
Pela dedicação com que realizam suas funções, contribuindo sempre para o
bom funcionamento da instituição.
Ora, a fé é o firme fundamento das
coisas que se esperam, e a convicção
das coisas que não se vêem .
(Hebreus 11: 01)
(Bete, Lígia e Paty)
16
RESUMO
O uso de campos operatórios para proteção dos pacientes contra
possíveis infecções ao longo de intervenções cirúrgicas data desde o final do
século XIX, sendo os do tipo reprocessáveis mais utilizados, devido ao seu
baixo custo. Estes devem repelir líquidos, barrar bactérias e serem resistentes
à tração. Não há consenso acerca da durabilidade dos campos cirúrgicos. A
literatura demonstra que hospitais não possuem métodos de monitorização do
uso dos campos, utilizando-os à sua exaustão, favorecendo acúmulo de
microrganismos, podendo elevar a incidência de infecções do sítio cirúrgico. O
presente estudo desenvolveu-se no Laboratório de Microbiologia do Centro
Universitário da Cidade de Lins, Lavanderia e Central de Materiais e
Esterilização de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP, tendo por
objetivo investigar a durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis
simples mistos (50% poliéster e 50% algodão), tamanho 50 cm x 50 cm,
identificando sua eficácia como barreira antimicrobiana, enquanto novos e após
múltiplos reprocessamentos. Para tanto, utilizou-se a metodologia alemã da
Deutsches Institut for Normüng (DIN), empregada na realização de testes com
materiais porosos. O microrganismo de escolha foi o Staphylococcus aureus
ATCC 25.923. Os resultados microbiológicos obtidos determinaram que a
barreira antimicrobiana dos campos cirúrgicos simples 50% poliéster e 50%
algodão, permanece eficaz até o número limite de 50 vezes. Ao final na
pesquisa pode-se concluir que os campos cirúrgicos possuem um tempo de
vida útil, o qual deve ser respeitado, através de mecanismos que possibilitem
um sistema de controle, afim de não expor o paciente a condições que possam
caracterizar risco para aquisição de infecções e / ou maiores agravos a sua
saúde.
Palavras-chave: Campos Cirúrgicos Reprocessáveis. Barreira Antimicrobiana.
Infecção-Sitio Cirúrgico.
17
ABSTRACT
The use of field surgical for protecting patients against possible infections
in surgical room has been carried out since the end of the nineteenth century
being the reprocessable type more used, due to its low cost. These must repel
liquids, to bar bacterias and will be more resistant to tension. There is not an
agreement about the durability of field surgical. The Literature shows that
hospitals do not have methods of use of fields, using them to its exhaustion,
allowing accumulate of microorganisms, increasing the incidence of surgical site
infections. The present study was carried out in the Microbiology Laboratory at
Center University in city Lins, in the Laundry and the Sterilization and Material
Center of a Hospital Unit in Lins, São Paulo, Brazil. The purpose was to
investigate the durability of surgical field reprocessable simple mixed from 50%
cotton and 50% polyester and measuring 50cmX50cm, in order to identify its
antimicrobial efficiency while new and after successive reprocessements, using
the Deutsches Institut for Normüng (Din) methodology, employed in the
realization of tests with porous material. The microorganism selected was the
Staphylococcus aureus ATCC 25.923. The microbial results showed that the
antimicrobial barrier of mixed simple 50% polyester and 50% cotton surgical
field, seems efficient up to the limit number of 50 times. Thus, it is concluded
that surgical field has a time of life usefull, what must be respected, through of
mechanisms that allow a control system similar not to expose the patient to the
conditions that can characterize risks to infections acquisition and/or more
appeals to its health.
Keywords: Reprocessed field surgical. Antimicrobial barrier. Infection. Surgical
site.
18
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Repique de bactérias.................................................................... 50
Figura 2: Repique de bactérias.................................................................... 50
Figura 3: Preparo de suspensão bacteriana ............................................... 50
Figura 4: Disposição das placas de Petri no fluxo laminar.......................... 51
Figura 5: Disposição das placas de Petri no fluxo laminar.......................... 51
Figura 6: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica 52
Figura 7: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica 52
Figura 8: Inoculação de suspensão bacteriana........................................... 52
Figura 9: Inoculação de suspensão bacteriana........................................... 52
Figura 10: Realização de cultura bacteriana ............................................... 53
Figura 11: Realização de cultura bacteriana ............................................... 53
Figura 12: Proliferação bacteriana............................................................... 56
Figura 13: Escala visual de coloração dos campos cirúrgicos
reprocessáveis ............................................................................................. 57
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Separação de roupas hospitalares por sujidades ...................... 43
Quadro 2: Fases do Processo de Autoclavagem ........................................ 54
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos..................... 55
Tabela 2: Proliferação bacteriana dos campos do Grupo 3 ........................ 56
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
19
AORN: Association of Operating Romm Nurses (Associação de Enfermeiros de
Centro Cirúrgico)
ASM: Ágar Sal Manitol
ATCC: American Type Culture Collection (Coleção Americana dos Tipos de
Cultura)
ºC: Graus Celsius
CCIH: Comissão de Controle de Infecção Hospitalar
CDC: Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e
Prevenção de Doenças)
CEP: Comitê de Ética e Pesquisa
cm: centímetros
CME: Central de Materiais e Esterilização
DIN: Deusches Institut für Normung (Instituto Alemão para Normatização)
EPI: Equipamento de proteção individual
EUA: Estados Unidos da América
IH: Infecções hospitalares
ISC: Infecção do sítio cirúrgico
kg: quilogramas
LH: Lavanderia hospitalar
ml: mililitros
l: microlitros
MO: Microrganismos
NNIS: National Nosocomial Infections Surveillance (Fiscalização Nacional das
Infecções Nosocomiais)
PVP-I: Solução asséptica
SOBECC: Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico
TNT: Tecido não tecido
TSA: Tryptone Soya Agar
UCC :Unidade de Centro Círúrgico
UFC: Unidade de Formação de Colônias
UV: Ultra-violeta
20
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO............................................................................................. 22
1
CONCEITOS PRELIMINARES......................................................... 25
1.1
Centro Cirúrgico ................................................................................ 25
1.2
Cirurgia .............................................................................................. 26
1.3
Microrganismos ................................................................................. 27
1.4
Infecção ............................................................................................. 28
1.4.1 Infecções Hospitalares ...................................................................... 29
1.4.2 Infecção do Sítio Cirúrgico ................................................................ 30
1.5
Métodos de Controle de Infecção ..................................................... 32
1.6
Campos Cirúrgicos............................................................................ 34
1.6.1 Campos Cirúrgicos Reutilizáveis ...................................................... 36
1.6.2 Campos Cirúrgicos Descartáveis...................................................... 37
1.7
Central de Material e Esterilização ................................................... 38
1.7.1 Esterilização ...................................................................................... 40
1.8
Lavanderia......................................................................................... 41
1.8.1 Área suja ........................................................................................... 44
1.8.1.1 Processo de Lavagem ..................................................................... 44
1.8.1.1.1 Umectação .................................................................................... 45
1.8.1.1.2 Enxágüe ........................................................................................ 45
1.8.1.1.3 Pré-Lavagem ................................................................................ 45
1.8.1.1.4 Lavagem ....................................................................................... 46
1.8.1.1.5 Alvejamento .................................................................................. 46
1.8.1.1.6 Amaciamento ................................................................................ 46
1.8.1.1.7 Neutralização ................................................................................ 47
1.8.2 Área limpa ......................................................................................... 47
2
MATERIAIS E MÉTODOS................................................................ 47
2.1
Condições Ambientais....................................................................... 48
21
2.2
Material.............................................................................................. 48
2.3
Testes Microbiológicos...................................................................... 49
2.4
Testes de barreira microbiana .......................................................... 50
2.4.1 Processamento dos campos............................................................. 53
2.5
Análise Estatística ............................................................................. 55
2.6
RESULTADOS .................................................................................. 55
2.7
DISCUSSÃO ..................................................................................... 57
2.8
CONCLUSÃO.................................................................................... 61
REFERÊNCIAS ........................................................................................... 63
22
INTRODUÇÃO
O enfermeiro é o profissional que além de supervisionar, gerenciar e
coordenar sua equipe constitui o elo principal na relação profissional-cliente. É
considerado, segundo a legislação oficial, o responsável pelos cuidados de
enfermagem de alta complexidade técnica, procedimentos esses de risco para
a incidência das infecções. Contudo, pode-se dizer que este profissional é de
grande importância para identificação, notificação, prevenção e manutenção do
controle de infecções. (FONTANA; LAUTERT, 2006)
Embora tenham ocorrido avanços tecnológicos no ambiente cirúrgico,
bem como uma constante ampliação no conhecimento sobre fatores de risco
de infecção hospitalar, ainda são altas e significativas as taxas de infecção do
sítio cirúrgico. Segundo Mangramm (apud BURGATTI, 2007), são muitas as
medidas de controle e prevenção de infecção do sítio cirúrgico recomendadas,
sendo que as mais reconhecidas reúnem-se nas Diretrizes de Recomendações
de Controle de Infecção do Sítio Cirúrgico do Centro de Controle e Prevenção
de Doenças (CDC), Estados Unidos, de 1999, onde são considerados fatores
de risco intrínsecos e extrínsecos. Dentre esses fatores encontram-se os
relacionados ao paciente como: idade, tipo de cirurgia, doenças de base,
enfermidades
associadas,
e
os
que
se
referem
aos
procedimentos
assistenciais, como: a técnica cirúrgica, o preparo pré-operatório, o ambiente, a
paramentação cirúrgica, a antibioticoprofilaxia entre outros.
Tradicionalmente, a paramentação cirúrgica constitui-se de gorro,
máscara, luvas estéreis, óculos de proteção, propé, uniforme privativo, campos
cirúrgicos e avental cirúrgico esterilizados, tendo como principal finalidade
impedir a transferência de microrganismos da equipe cirúrgica e da própria pele
do paciente para a ferida operatória, reduzindo o risco de sua contaminação e
23
de infecção do sítio cirúrgico. (LACERDA et al., apud BURGATTI, 2007)
Este estudo traz como enfoque central os campos cirúrgicos simples
mistos, que constituem um dos principais instrumentos de proteção, sendo
organizados a fim de criar e manter uma barreira antimicrobiana eficaz que
minimize a passagem de microrganismos entre áreas não-estéreis e estéreis.
Para ser eficaz, o campo deve servir como barreira física resistente ao
sangue, soluções aquosas e atrito, mantendo-se íntegro, livre de fiapos e
puídos.
Segundo Silva et al., (1997) o campo cirúrgico do tipo reprocessável
possui como características: ser de fácil conservação, resistente e durável,
gerando economia devido ao seu baixo custo, sendo de fácil manuseio. Muitos
fabricantes de campos cirúrgicos registram perda de qualidade da barreira
antimicrobiana do campo após 75 processos de lavagem ou ciclos de
esterilização. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
De acordo com Rodrigues et al. (2006), a lavagem dos campos
cirúrgicos de tecido em hospitais não deve exceder o número de 65, devido à
alteração sofrida em sua barreira após os vários reprocessamentos, o que a
torna ineficaz.
Ramos (2003), afirma que mediante os testes realizados, o efeito
barreira dos têxteis cirúrgicos é garantido até os 35 ciclos de lavagem. Ainda
não existe um consenso acerca da durabilidade e ciclos de esterilizações as
quais podem ser submetidos os campos cirúrgicos, além de serem poucas as
publicações referentes ao assunto, o que aponta a necessidade de se realizar
mais estudos e pesquisas que possam viabilizar tais dados.
Os enfermeiros reconheceram a falta de controle de qualidade efetiva no
reprocessamento, não sendo possível determinar a meia vida dos tecidos,
onde muitas vezes os componentes são utilizados até rasgar e mesmo
rasgados. (MONTEIRO et al., 2000)
Meeker; Rothrock (1997) propõem em sua literatura, um sistema para
monitorizar o número de vezes que um material foi lavado, o que é essencial
para o controle de qualidade da barreira antimicrobiana.
A literatura demonstra que os hospitais atuais não possuem nenhum
método de controle que possibilite a monitorização do uso dos campos
cirúrgicos reprocessáveis, utilizados a sua exaustão, sendo muitas vezes
24
cerzidos, favorecendo o acúmulo de microrganismos, podendo elevar a
incidência de infecções do sítio cirúrgico, bem como o aumento da ocorrência
de infecções hospitalares.
A infecção do sítio cirúrgico é a mais importante causa de
complicações do pós-operatório no paciente cirúrgico. Estatísticas do
Centro para Controle de Prevenção de Doenças (CDC) indicam que
14 a 16% das infecções hospitalares são atribuídas às infecções de
sítio cirúrgico, fato esse que adiciona-se a significativos custos
relativos a cuidados de saúde devido a complicação dessas
infecções. (CIOSAK; OLIVEIRA, 2007, p.259)
As infecções do sítio cirúrgico eram consideradas a terceira modalidade
das infecções hospitalares, sendo uma complicação relevante, contribuindo
diretamente para o aumento da morbimortalidade de pacientes pós-cirúrgicos
causando
prejuízos
tanto
físicos
como
emocionais,
além
de
elevar
consideravelmente os custos com tratamento, repercutindo em uma maior
permanência hospitalar. (SILVA, et al., 2007; CIOSAK; OLIVEIRA, 2007)
Levando-se em consideração que as preocupações com a proteção do
meio ambiente aumentaram significativamente nos últimos 30 anos. Pode-se
dizer que a utilização de campos cirúrgicos reprocessáveis, tem contribuído de
modo direto para a redução do impacto ambiental, já que o uso de campos
cirúrgicos descartáveis gera grande demanda de resíduos hospitalares, o que
implica em maiores custos à unidade, prejudicando as condições do meio
ambiente. (RAMOS, 2003)
Com base nos dados apresentados, esta pesquisa propõe investigar a
durabilidade dos campos cirúrgicos reprocessáveis, identificando sua eficácia
como barreira microbiana, enquanto novos e após vários reprocessamentos,
utilizando para isso testes microbiológicos padronizados, avaliando sua eficácia
antimicrobiana.
Através de levantamento bibliográfico pretende-se descrever os
conceitos preliminares de centro cirúrgico, cirurgia, infecção do sítio cirúrgico e
hospitalar, métodos de controle e prevenção, campos operatórios, ciclos de
lavagem e esterilização, lavanderia e central de materiais e esterilização.
Dando
continuidade
ao
experimento,
objetiva-se
realizar
reprocessamentos dos campos, observando as alterações sofridas após os
ciclos de lavagem e esterilização, para posterior análise estatística.
25
O presente estudo foi desenvolvido no Laboratório de Microbiologia do
Centro Universitário da Cidade de Lins, na Lavanderia e Central de Materiais e
Esterilização (CME) de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP,
utilizando campos cirúrgicos simples, mistos 50% poliéster e 50% algodão do
tamanho (50 cm x 50 cm). No laboratório foram realizados as contaminações e
testes para avaliação da barreira microbiana; na lavanderia, os processos de
lavagem e na CME, os ciclos de esterilização.
A pesquisa norteou-se pela seguinte questão: o uso exaustivo dos
campos cirúrgicos reprocessáveis excedendo a sua durabilidade pode expor o
paciente a riscos de infecção e maiores agravos a sua saúde?
Em resposta a este questionamento pode-se levantar a seguinte
hipótese: o campo cirúrgico torna-se ineficiente como barreira microbiana após
múltiplos reprocessamentos, por isso reflete maior incidência e prevalência da
contaminação e ou infecção hospitalar.
1
CONCEITOS PRELIMINARES
2.4
Centro Cirúrgico
A Unidade de Centro Círúrgico (UCC) pode ser compreendida como
conjunto de elementos cujo fim se destina às atividades cirúrgicas, bem como à
recuperação anestésica e pós-operatória. É constituída por área onde se
concentram salas, equipamentos e materiais utilizados pela equipe cirúrgica.
Representa lugar de importância relevante no contexto hospitalar, devido às
finalidades as quais se destina como a complexidade da assistência no
tratamento
de
pacientes
que
necessitam
de
intervenções
cirúrgicas,
provenientes das mais diversas afecções, sejam em caráter eletivo ou
emergencial. (BRASIL apud SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997; SILVA;
RODRIGUES; CESARETTI, 1997)
Em geral, a UCC é fisicamente isolada das demais áreas do hospital ou
da clínica cirúrgica, o que por sua vez, torna a área restrita, de modo que o
26
local permaneça reservado apenas para equipe e paciente. É subdividido em
áreas limpa e contaminada, a fim de minimizar os focos de infecção. As salas
são projetadas para serem eficazes, atingindo à demanda de procedimentos de
forma imediata. O mobiliário utilizado é feito de material que facilite a limpeza e
desinfecção, e a temperatura das salas geralmente é baixa, com o intuito de
impedir ou reduzir o crescimento bacteriano, oferecendo conforto à equipe
cirúrgica. (TIMBY; SMITH, 2005)
Compete ao enfermeiro de UCC, organizar e prover o setor de recursos
materiais e humanos, mantendo o ambiente em boas condições de
funcionamento;
planejando
as
ações
assistenciais
e
administrativas;
gerenciando as ações planejadas através de metodologia científica e
humanística, zelando pela eficiência no atendimento ao paciente. (SILVA;
RODRIGUES; CESARETTI, 1997)
2.5
Cirurgia
Segundo
Miller
(2003),
entende-se
por
cirurgia
o
trabalho
desempenhado pelo cirurgião em uma UCC, especificamente a sala operatória.
Constitui-se como ramo das ciências de saúde, destinada ao tratamento de
processos
patológicos,
lesões
ou
deformidades,
utilizando-se
de
procedimentos manuais ou cirúrgicos.
O tratamento cirúrgico é uma das formas terapêuticas utilizadas pela
medicina no tratamento das doenças . (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI,
1997, p. 63)
A palavra cirurgia tem origem do latim chirurgia retirada do grego
kheirourgia, de kheir, mão mais érgon, trabalho. Recebe, portanto, o significado
de trabalho manual, arte, ofício, no qual se emprega as mãos para sua
execução, ou seja, procedimentos terapêuticos que exigem trabalho manual.
(REZENDE, 2005)
De acordo com Oliveira et al. (2002) a cirurgia pode ser constituída como
procedimento de risco, devido ao rompimento da barreira epitelial, o que
desencadeia reações sistêmicas no organismo, facilitando a ocorrência de
27
processos infecciosos.
Para Galluci (apud SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997), as
cirurgias destinam-se à remoção de focos de infecção, retirada de órgãos
doentes, restauração de funções alteradas no organismo, implantação de
próteses e aparelhos eletrônicos, por meio de técnicas manuais e
instrumentais.
As equipes de enfermagem, cirurgia e anestesia, trabalham em conjunto
a fim de estabelecer métodos de cuidado profissional, controlando riscos
iatrogênicos e individuais para promoção de resultados qualitativos para o
paciente que se submete a uma intervenção cirúrgica. (SMELTZER; BARE,
2005)
2.6
Microrganismos
Os microrganismos (MO) são agentes das doenças infecciosas
humanas,
pertencendo
a
cinco
grupos
principais:
bactérias,
fungos,
protozoários, helmintos e vírus. (LEVINSON; JAWETZ, 2005)
Comumente denominados germes, os MO, não são visíveis a olho nú,
sendo possível observá-los apenas através de um microscópio. Quando ocorre
invasão por microrganismos, são desencadeados três eventos: mecanismos
imunológicos que os eliminam, instalação dos MO no corpo sem ocasionar a
doença, ou produção da infecção ou doença infecciosa. (TIMBY; SMITH, 2005)
De acordo com Kawamoto (1999), o desenvolvimento de um processo
infeccioso está relacionado ao grau de virulência do patógeno, e resistência do
hospedeiro.
As bactérias são seres unicelulares, distintos em sua morfologia, que se
apresentam nas formas arredondadas (cocos), bastões (bacilos) e espirais
(espiroquetas). (TIMBY; SMITH, 2005)
O Staphylococus aureus é uma das bactérias causadoras de infecção
humana mais comum. Sua importância clínica vem crescendo em virtude do
aumento da ocorrência de infecções hospitalares graves, ocasionadas por
amostras multiresistentes, sendo descrito como um dos principais agentes
28
bacterianos responsáveis por infecções, principalmente em procedimentos
limpos. Encontrado com relativa frequência na microbiota normal do corpo
humano, é considerada uma das bactérias patogênicas mais importantes.
Agente de ampla gama de infecções, que variam desde localizadas,
superficiais, até as disseminadas com elevada gravidade. (LEVINSON;
JAWETZ, 2005; TRABULSI; ALTERTHUM, 2008; RHABAE; RIBEIRO;
FERNANDES, 2000)
2.7
Infecção
De acordo com Timby; Smith (2005), infecção é definida como reação
localizada contra um microrganismo invasor, resultando em um processo
inflamatório. Como resposta a este processo, ocorre extravasamento de
líquido, colóides e íons dos capilares, através das células para o interior dos
tecidos entre as mesmas produzindo edema. Uma resposta sequencial gera
hiperemia e calor, enquanto a resposta química ocasiona a dor.
Para Garnier et al. (2002), infecção é o estado em que ocorre invasão
de um hospedeiro por um MO patogênico, resultando em uma doença
infecciosa.
A infecção constitui importante problema médico-social para a
humanidade; nos pacientes cirúrgicos, a infecção é uma das causas mais
frequentes de mortalidade relacionada ao ato cirúrgico. Subdividem-se em dois
tipos: o das não hospitalares, nas quais o paciente é admitido do hospital já
apresentando infecção e; hospitalares, em que as infecções são contraídas no
decorrer do tratamento em um serviço de saúde, não se encontrando ativas,
incubadas ou em fase crônica no ato da internação. (KAWAMOTO, 1999;
TIMBY; SMITH, 2005). São atribuídas inúmeras etiologias e fatores
predisponentes às infecções, os últimos serão descritos a seguir.
Os fatores que facilitam a aquisição de infecção são os inerentes ao
próprio paciente (idade, fumo, malformação congênita, lesões cutâneas,
desnutrição, obesidade, diabetes, viroses, insuficiência cardíaca, distúrbios no
processo imunológico); agressão diagnóstica e terapêutica [presença de
29
terapêutica
respiratória,
realização
de
exames,
administração
de
medicamentos, transfusão de sangue/derivados, punções, cateteres venosos,
passagem de sonda vesical, próteses vasculares e cardíacas, realização de
cirurgias (grau de contaminação bacteriana, local de operação, tamanho da
ferida operatória, duração da cirurgia, intercorrências, falha de técnica cirúrgica
e técnica de curativo)] e ao ambiente hospitalar. Considera-se infectada
qualquer ferida cirúrgica que elimine secreção purulenta com ou sem cultura
positiva. (KAWAMOTO, 1999)
2.7.1 Infecções Hospitalares
As infecções hospitalares (IH) são um importante problema de Saúde
Pública de modo que a preocupação com esta problemática sempre esteve
presente no cotidiano do profissional enfermeiro. (SILVA et al., 2007)
Para Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo (2007), a estimativa é
de que a cada dez pacientes submetidos à hospitalização, um seja acometido
por infecção após sua admissão, prolongando a permanência do mesmo em
uma unidade hospitalar e elevando gastos em virtude do aumento do tempo de
internação, das intervenções terapêuticas e diagnósticas utilizadas.
De acordo com Veiga; Padoveze (2003), as infecções hospitalares
definem-se
como
síndrome
infecciosa
cujo
indivíduo
adquire
após
hospitalização ou realização de procedimentos ambulatoriais, podendo se
manifestar após a alta, desde que esteja relacionada com algum procedimento
realizado durante a internação.
Infecção hospitalar é aquela que não apresenta qualquer evidência
de estar presente ou em incubação no momento da admissão a um
hospital; é adquirida como resultado de uma hospitalização.
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2005, p. 422)
As infecções hospitalares possuem importância notória, pois aumentam
os índices de morbimortalidade, sendo uma das principais causas de
complicação em pacientes cirúrgicos. Sabe-se que a IH é multicausal, sendo
30
resultante do confronto dos microrganismos com o sistema imunológico dos
pacientes. (MARTINS et al., 2008; RODRIGUES, 2000)
Nas UCC, as principais fontes de bactérias oriundas de pacientes e
profissionais, são transmissíveis através do ar. Entretanto, essa não é a via
mais importante de transmissão de infecções. No interior das salas operatórias,
também são considerados como fontes de patógenos, os materiais
empregados para curativos, como faixas, fitas adesivas, antissépticos entre
outros. A veiculação de infecções por meio do ar é muito mais fácil de ocorrer a
partir do próprio paciente do que para o paciente. (RHABAE; RIBEIRO;
FERNANDES, 2000)
Os gastos empregados no tratamento de pacientes que evoluem para
infecção cirúrgica elevam-se até três vezes mais quando comparados aos
pacientes que não a contraem. Estas infecções podem ser de origem
endógena ou por causas iatrogênicas, advindas dos profissionais em
enfermagem, oriundas de mitos e rituais. (KUNZLE et al., 2006)
O compromisso e a responsabilidade do profissional enfermeiro com o
controle das IH é algo consensual e tem sido bastante discutido e difundido, de
modo particular, pelos enfermeiros atuantes nas Comissões de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH). As crenças existentes na prática de enfermagem
podem vir a influir na qualidade da assistência prestada ao paciente no centro
cirúrgico contribuindo para o aumento dos índices de infecção hospitalar
elevando custos e gerando prejuízos à instituição e ao paciente. Os
enfermeiros são os profissionais que mantém contato mais contínuo e íntimo
com o cliente, o que aumenta a sua responsabilidade e evidencia a importância
da prática assistencial de enfermagem dentro da medicina preventiva.
(FONTANA; LAUTERT, 2006)
2.7.2 Infecção do Sítio Cirúrgico
As infecções de sítio cirúrgico (ISC), antes nomeadas como infecções de
ferida operatória, ocorrem em tecidos e órgãos incisados e cavidades
manipuladas durante um procedimento cirúrgico. (MARTINS et al., 2008)
31
Para Oliveira; Ciosak; Lorenzo (2007), infecções do sitio cirúrgico são as
que ocorrem na incisão cirúrgica, atingindo tecidos, órgãos e cavidades,
podendo ser diagnosticadas até 30 dias após a operação. Constitui um dos
sítios mais importantes de infecção, superada (algumas vezes), apenas pelas
infecções do trato urinário.
As ISC são as infecções hospitalares mais comuns, sendo que dois
terços relacionam-se à incisão e um terço envolve órgãos e espaços abordados
durante o procedimento . (POVEDA; GALVÃO; SANTOS, 2005, p. 31)
De acordo com estudos realizados pelo Centers for Disease Control and
Prevention (CDC-P) (apud Silva et al., 2007) a infecção do sítio cirúrgico era
avaliada como terceira modalidade das IH, acometendo de 14 a 16% dos
pacientes hospitalizados.
Como método de precaução às infecções de sítio cirúrgico é utilizado o
componente cirúrgico do sistema de vigilância das infecções hospitalares
National Nosocomial Infections Surveillance (NNIS) do CDC, no qual os
pacientes devem ser acompanhados até 30 dias do pós-operatório ou até um
ano, se houver implante de prótese. Durante o período de internação, para
vigilância utiliza-se o método de busca ativa, onde é realizado o exame direto
da ferida operatória em busca de sinais de infecção de sítio cirúrgico.
(MARTINS et al., 2008). A frequência da ocorrência de infecções de sitio
cirúrgico é um importante indicador da atuação dos cirurgiões e do hospital.
A tendência mundial de hoje, é reduzir ao máximo a permanência em
ambiente hospitalar, tornando cada vez menor o diagnóstico e ocorrência das
infecções de sítio cirúrgico extra-hospitalares, uma vez que de 12% a 84%
destas infecções manifestam-se após a alta do hospital. No Brasil, a maioria
dos serviços de vigilância hospitalar não inclui o acompanhamento sistemático
dos pacientes cirúrgicos pós-alta, sendo que esta é imprescindível para
diminuir a incidência de subnotificações de infecções. Para isso devem ser
utilizados vários métodos, dentre eles o método de busca ativa, notificação
passiva pelo cirurgião ou pelo paciente, revisão de prontuários, avaliação de
exames microbiológicos e revisão de bancos de dados de planos de saúde. No
entanto, nenhum destes métodos foi validado. (OLIVEIRA et al., 2002; BURNS;
DIPPE apud MARTINS et al., 2008; MARTINS et al., 2008)
32
2.8
Métodos de Controle de Infecção
Estudos e pesquisas voltados para IH, iniciaram-se somente no século
XVIII, quando os hospitais se transformaram em locais curativos. Nesse
contexto, pode-se destacar a atuação de Florence Nightingale que desenvolveu
prática com suporte epidemiológico prevenindo e controlando doenças
infecciosas e infecções hospitalares, num período pré-bacteriológico, sendo
que essas práticas ainda repercutem nos tempos atuais. No final do século
XIX, as práticas de controle de Infecções Hospitalares foram respaldadas pela
bacteriologia, levando ao aumento de procedimentos de controle do meio,
antissepsia, desinfecção, esterilização, degermação e
dos antibióticos
terapêuticos e profiláticos. (LACERDA apud CARRARO, 2004)
Segundo Silva et al., (2007), a ocorrência de IH está ligada ao fato do
hospital possuir ou não um controle de fatores que predispõem o seu
surgimento. Uma das grandes dificuldades encontradas na Unidade de Centro
Cirúrgico é controlar as diversas variáveis de fontes de MO e os próprios
fatores de risco dos pacientes e tipos de procedimentos cirúrgicos. (RHABAE;
RIBEIRO; FERNANDES, 2000)
A literatura existente demonstra que o controle de infecções enfatiza
a vertente prevenção e contágio. Essa vertente deposita nos
profissionais da assistência responsabilidade intangível no sentido de
cuidados objetivos e reais, voltados para prevenção e o controle das
infecções. (CARRARO, 2004, p.2)
A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) possui grande
importância nas instituições, pois atua diretamente com o paciente, serviços de
apoio, educação continuada e normatiza procedimentos e condutas em
conjunto com a vigilância sanitária. (FONTANA; LAUTERT, 2006)
O controle ambiental da sala cirúrgica é essencial para amenizar os
riscos de contaminação, promovendo maior proteção ao cliente. A integridade
deste ambiente depende da estrita colaboração de todas as pessoas com a
técnica estéril. Relacionada à equipe cirúrgica, deve-se limitar o fluxo de
pessoas durante a cirurgia, realizar a escovação das mãos e antebraços com
escova estéril embebida com sabão e detergente, enxaguar em água corrente
33
e posteriormente, aplicar a solução asséptica (PVP-I). Em relação ao Centro de
Materiais, deve-se controlar a qualidade e integridade dos materiais que serão
desinfectados e/ou esterilizados, realizando em períodos definidos os testes de
controle de esterilidade dos materiais. (LAWRENCE, 1995; KAWAMOTO,
1999)
Em relação ao ambiente cirúrgico, deve-se:
Manter limpas e desinfectadas todas as dependências, restringir o
número de pessoas circulantes e utilizar roupas, propé, gorro e
máscara de uso exclusivo do Centro Cirúrgico. (KAWAMOTO, 1999,
p. 18)
As roupas incluem vestidos de algodão bem adaptados, pijamas,
macacões e aventais. As partes consideradas estéreis dos aventais são as
mangas e a parte que recobre a cintura até os ombros. As máscaras são
utilizadas em todos os momentos na área restrita da sala de cirurgia. O gorro
deve cobrir por completo os cabelos, de modo que os fios de cabelo, grampos,
presilhas e partículas de poeira e caspa não caiam no campo esterilizado. Os
calçados usados no exterior à UCC devem ser cobertos com sapatilhas
descartáveis
a
fim
de
proteger
contra
sujeira. (KAWAMOTO,
1999;
LAWRENCE, 1995)
As barreiras como às roupas cirúrgicas e máscaras, não protegem
inteiramente o paciente contra os microorganismos . (SMELTZER; BARE,
2005, p.448)
A assepsia previne contra a contaminação das feridas cirúrgicas e junto
com a esterilização, constituem etapas importantes de uma cirurgia, a fim de
que não ocorra contaminação. Refere-se ao uso de agentes químicos para
destruir bactérias em superfícies animadas. Os profissionais que atuam no
centro cirúrgico, executam a escovação cirúrgica nas mãos e braços antes do
procedimento operatório com sabões antissépticos, e cuidadosa atenção é
dada ao preparo pré-operatório da pele do paciente ao se construir uma área
com redução das bactérias, para que não ocorra contaminação. Uma boa
assepsia da pele do paciente, juntamente com uma esterilização efetiva dos
materiais esterilizados contribui para a melhor cicatrização da ferida operatória
e recuperação do paciente. A rígida adesão à assepsia cirúrgica é à base de
34
prevenção das infecções dos sítios cirúrgicos. (LAWRENCE, 1995)
Todos os suprimentos cirúrgicos, instrumentos, agulhas, suturas,
curativos, luvas, campos e soluções que possam entrar em contato
com a ferida cirúrgica e os tecidos expostos devem ser esterilizados
antes da sua utilização. (SMELTZER; BARE, 2005, p. 448)
Todos os profissionais envolvidos na fase intra-operatória têm a
responsabilidade de fornecer e manter um ambiente seguro aos pacientes. Os
membros da equipe cirúrgica usam capotes esterilizados com mangas
compridas e luvas. Uma área da pele do paciente maior que a exposição
exigida durante a cirurgia é meticulosamente limpa, recebendo aplicação de um
agente antimicrobiano. A assepsia cirúrgica exige a limpeza e manutenção do
ambiente da sala de cirurgia. Todo equipamento que entra em contato direto
com o paciente deve ser estéril, para isso são utilizados lençóis, campos e
soluções esterilizados. (KAWAMOTO, 1999)
Para diminuir a quantidade de bactérias no ar, a ventilação padronizada
na sala de cirurgia fornece 15 trocas gasosas por hora. Algumas salas de
cirurgia possuem fluxo laminar, que quando usadas de forma adequada
reduzem o número de MO. (SMELTZER; BARE, 2005)
2.9
Campos Cirúrgicos
O uso de campos operatórios como forma de proteção dos pacientes
contra possíveis infecções na sala de operações data desde o fim do século
XIX, sendo que os mais utilizados são os reprocessáveis. Os campos
operatórios são destinados a proteger os pacientes e os profissionais de saúde
de qualquer fluído possivelmente contaminado. Estes são colocados sobre o
paciente no respectivo local onde é efetuada a intervenção cirúrgica,
assegurando a proteção do paciente. Os mesmos devem possuir propriedades
de repelir líquidos, barrar bactérias, sendo resistentes à tração. Eles têm a
finalidade de manter a temperatura do paciente, prevenindo que sua própria
flora atinja o campo operatório. (RAMOS, 2003; RHABAE; RIBEIRO;
35
FERNANDES, 2000)
Nos hospitais brasileiros é comum o uso de campos de algodão para
empacotar artigos cirúrgicos, isso se deve ao fato de que o orçamento dos
hospitais é bastante reduzido. (RODRIGUES et al., 2006)
Os campos são divididos em três grupos: corporais, que cobrem o
paciente e delimitam o campo cirúrgico; plásticos de incisão que cobrem a pele
no local da incisão; e campos de extremidades da ferida, colocados para cobrir
as extremidades da pele quando o cirurgião faz a incisão.
Cria-se o campo cirúrgico estéril através da disposição de lençóis
estéreis e toalhas em posições específicas mantendo-se a esterilidade, onde
os instrumentos estéreis e mãos enluvadas podem ser colocados. Todo o
objeto estéril que tocar a ferida operatória deve ficar restrito a uma área de
segurança, evitando desta forma o transporte de microrganismos para o interior
da ferida aberta. Os objetos devem ser dispostos de forma a criar e manter
uma barreira que minimize a passagem de microrganismos de áreas nãoestéreis para áreas estéreis. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
Os campos estabelecem limites da área demarcada e devem funcionar
como barreira para prevenir a contaminação. Os tipos de campos incluem os
de tecido, tecido não-tecido, e os de plásticos aderentes, empregados na
prevenção de contaminação das adjacências. Os campos plásticos aderentes
possibilitam que a incisão seja feita através dos mesmos, dificultando que MO
de áreas não estéreis atinjam os tecidos do sítio cirúrgico, entretanto, suas
bordas podem se soltar permitindo a passagem de fluídos, com risco de
contaminação. (RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000). Os campos de
tecido e os de tecido não tecido não foram descritos, pois serão abordados nos
subitens 1.6.1 e 1.6.2.
Vários materiais reutilizáveis e descartáveis exibem barreira de
qualidade, porém, eles não se mantêm impermeáveis por igual em um dado
período de tempo. As propriedades da barreira variam, de acordo com a
intensidade do uso aplicado aos campos. O principal aspecto que faz os
campos serem usados repetidamente é a sua impermeabilidade aos líquidos
quando estão em condições de uso. A impermeabilidade da textura de um
campo deve ser fornecida pelo seu fabricante. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
36
2.9.1 Campos Cirúrgicos Reutilizáveis
Os Campos Cirúrgicos Reutilizáveis são definidos por Magalhães (1983)
como sendo porções de tecido grosso de origem vegetal ou sintética, tendo
formato retangular ou quadrado e de dimensões variáveis. Podem ser
chamados de simples, quando possuem apenas uma lâmina de tecido e,
duplos quando constituídos por duas lâminas unidas por costura, sendo
utilizados para cobrir as mesas de instrumentação ou regiões altamente
susceptíveis à contaminação. Os campos podem ser vazados, com orifícios
circulares, ovais ou retangulares, chamados de campos oculares, ou
fenestrados, utilizados em cirurgias de regiões operatórias muito pequenas.
Para Silva; Rodrigues; Cesaretti, (1997) o campo de algodão possui
como características ser de fácil conservação, resistente e durável, gerando
economia devido ao seu baixo custo, sendo de fácil manuseio.
Segundo Ramos (2003), os têxteis cirúrgicos reutilizáveis da nova
geração são normalmente baseados em materiais compostos laminados,
incluindo uma membrana intermediária com microporos que asseguram o efeito
barreira aos microrganismos.
Os campos são utilizados para criar e manter uma barreira eficaz que
minimize a passagem de microrganismos entre áreas não-estéreis e estéreis,
sendo que para isso é necessário que o campo seja constituído de material
resistente ao sangue, soluções aquosas e atritos, além de ser tão livre de
fiapos quanto possível. O material de confecção dos mesmos deve permitir a
penetração de vapor sob pressão ou gás para poder ser esterilizado em
ambiente hospitalar. Devem também permitir a formação de dobras para que, o
profissional que manuseie o pacote de luvas possa manuseá-los com facilidade
e segurança. As dobras correspondem aos ângulos extremos dos campos e
devem estar presentes nos dois cantos, ambos do mesmo lado, da superfície
dos campos para favorecer a sua abertura para cobrir determinadas regiões.
(MEEKER; ROTHROCK, 1997; MAGALHÃES, 1983)
Compete a divisões de enfermagem e cirurgia um cuidadoso
planejamento para determinar o tipo e tamanho dos lençóis e toalhas para a
realização da cirurgia. Um lençol completo ou plano cobre a mesa de
37
instrumentais cirúrgicos e regiões do corpo, para isso deve ser largo,
oferecendo segurança de proteção entre o ambiente físico circunvizinho e o
campo operatório preparado. Lençóis fenestrados ou móveis cobrem o
paciente e deixam o campo operatório exposto. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
Estes campos podem ser submetidos a processos de lavagem e
esterilização a vapor. Tais procedimentos fazem com que a textura das fibras
aumente. Em contra partida, o processo de secagem desse material encolhe as
fibras do tecido. Estes ciclos resultam no afrouxamento das fibras que alteram
a estrutura do pano, sendo necessário um sistema para monitorizar o número
de vezes que o campo foi lavado, para assegurar sua efetividade como
barreira. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
No que diz respeito ao uso dos campos reutilizáveis, estes possuem
menores custos de aquisição e reduzem o impacto ambiental pela possibilidade
de serem submetidos a múltiplos reprocessamentos. (RAMOS, 2003)
2.9.2 Campos Cirúrgicos Descartáveis
Os campos descartáveis são representantes da modernidade. O tecido
não tecido (TNT) foi desenvolvido na década de 60, por norte americanos, para
confecção de roupas cirúrgicas. Esse material revolucionou várias áreas
principalmente a de higiene pessoal e a de produtos cirúrgicos e viabiliza a
produção das roupas descartáveis em escala industrial. Sua estrutura é
formada por fibras ou filamentos naturais, artificiais ou sintéticos dispostos em
várias direções e solidificados através de processos químicos, mecânicos ou
físicos (calor e pressão, jatos de água e ar). Diferencia-se do tecido
convencional unicamente pela forma que suas linhas são tecidas, fato este que
definirá a gramatura do tecido. São escolhidos para determinada função, de
acordo com a característica desejada, podendo ser leves ou pesados, macios,
flexíveis ou rígidos, coloridos ou estampados, absorventes, impermeáveis,
porosos, entre outros. (EMPREGA BRASIL, 2009)
A coleção, transporte e acondicionamento dos lixos cirúrgicos pode ser
um problema, uma porção do material que é compactado pode estar
38
contaminada grosseiramente, e os códigos da cidade ou país podem proibir o
transporte deste material potencialmente infeccioso pelas ruas da cidade ou
seu despejo a céu aberto. A incineração é um método alternativo, no entanto,
esses incineradores devem ser controlados adequadamente a fim de se evitar
a contaminação ambiental. Todo hospital deve avaliar sua capacidade e
restrições no manuseio e despejo dos campos antes que uma conversão é
implementada. (MEEKER; ROTHROCK, 1997)
Esses campos parecem não contribuir para redução das taxas de
infecção. Estudos demonstram que o número de MO é o mesmo tanto em
campos de tecido como nos adesivos, com taxas de infecções idênticas.
(RHABAE; RIBEIRO; FERNANDES, 2000)
2.10 Central de Material e Esterilização
A partir do século XX, ocorreram inúmeros avanços tecnológicos, o que
gerou um aprimoramento das técnicas e dos processos de limpeza, preparo
esterilização e armazenamento de materiais e roupas. Em virtude disso surgiu
a necessidade de se criar uma Central de Materiais e Esterilização (CME) sob
a supervisão de um enfermeiro. (LEITE, 2008)
A Resolução RDC nº. 307, de 14 de novembro de 2002, considera a
CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o
fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente
processados, proporcionando, assim, condições para o atendimento
direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios, no
entanto, uma grande parcela dos hospitais públicos encontra-se em
desacordo com esta determinação. (LEITE, 2008, p. 2)
Segundo a Portaria n° 1884 de 11/11/94, que determina que a CME
deve constar com uma área para recepção, desinfecção, e separação de
materiais; área para lavagem de materiais, área para recepção de roupas
limpas, área de preparo de materiais e roupas limpas, área de preparo de
materiais e roupas, área para esterilização (física, química gasosa, química
líquida), sala de armazenagem e distribuição de materiais e roupas
esterilizadas, área para armazenagem e distribuição de materiais descartáveis,
39
sala administrativas, sanitários com vestiários para funcionários, depósito para
materiais de limpeza e almoxarifado. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI,
1997)
Na CME deve conter máquinas lavadoras e esterilizadoras de
instrumental, autoclaves, estufa elétrica, carros para carregamento de
autoclave, carro de transporte de materiais, suporte e cestos de guarda de
materiais, mesa e balcão de trabalho, cadeiras anatômicas, baldes, bacias e
respectivos suportes, recipientes para lixo e/ou suportes para sacos de lixo.
Estes equipamentos viabilizam o seu funcionamento. (SILVA; RODRIGUES;
CESARETTI, 1997)
A CME presta apoio técnico dentro do estabelecimento de saúde,
recebendo todos os materiais considerados sujos e contaminados, para laválos, descontaminá-los, prepará-los, esterilizá-los, acondicioná-los e distribuí-los
para Ambulatórios, Unidades de Internação, Centro Cirúrgico Central e
Ambulatorial. Além disso, deve preparar e esterilizar as roupas limpas
provenientes da lavanderia armazenando-as para futura distribuição. (LEITE,
2008)
Os materiais ao chegarem a CME são separados em material crítico
(entra
em
contato
com
vasos
sanguíneos
ou
tecidos
livres
de
microorganismos), semicrítico (entra em contato com mucosa ou pele não
íntegra) e, não crítico (entra em contato com pele íntegra). (KAWAMOTO,
1999)
Segundo a NBR- 7192 da ABNT e as especificações da Portaria n°1884,
sua localização deve permitir fácil acesso às Unidades de Centro Cirúrgico,
Centro Obstétrico, Pronto-Socorro, Terapia intensiva e outras, localizando-se
no andar superior ou inferior ao Centro Cirúrgico, sendo que o transporte de
materiais pode ocorrer por monta cargas. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI,
1997)
A equipe de enfermagem que trabalha na CME presta assistência
indireta ao paciente, de igual importância a dos que prestam a assistência
direta ao paciente, por este motivo estes profissionais devem ser bem treinados
e qualificados para não comprometer a eficácia do serviço prestado. Para isso,
o enfermeiro deve investir no treinamento e reciclagem do pessoal auxiliar, na
elaboração de manuais operacionais, na supervisão e controle das operações .
40
(SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 1997)
O quadro de pessoal de uma CME deve ser composto por enfermeiros,
técnicos
de
enfermagem,
auxiliares
de
enfermagem
e
auxiliares
administrativos, cujas funções estão descritas nas práticas recomendadas da
SOBECC. (LEITE, 2008)
2.10.1 Esterilização
O processo de esterilização pode ser descrito como sendo a eliminação
de todas as formas de microrganismos, incluindo bactérias, esporos virais e
fungos, com o uso de equipamentos especiais que emprega o calor úmido,
calor seco ou gás óxido de etileno. (LAWRENCE, 1995)
A esterilização a vapor é o agente esterilizante mais utilizado para
esterilizar artigos termorresistentes. É realizada em autoclaves, este processo
possui fases de remoção do ar, penetração do vapor e secagem, sendo que a
remoção do ar é diferente de acordo com os modelos de autoclaves. Os ciclos
de esterilização seguem orientações do fabricante. (BURGATI, 2007;
COMISSÃO DE INFECÇÃO HOSPITALAR, 2009)
Os ciclos de influentes físicos que apresentam as seguintes etapas:
aquecimento (geração de vapor); remoção de ar; aquecimento e carga de
vapor; esterilização; exaustão; secagem; e fim de ciclo. O processo de
esterilização não limpa o material, sendo necessário que o mesmo esteja
previamente limpo.
A garantia de que as condições de esterilização foram alcançadas pode
ser obtida através de um teste de controle biológico. Os monitorizadores do
processo, tais como a fita sensível ao calor, indicam a exposição às condições
de esterilização; entretanto, elas não podem assegurar a esterilidade.
Os indicadores químicos podem ser de classe I, II, III, IV, V, VI.
(FERREIRA, 2005)
A classe I é constituída por tiras impregnadas com tinta termoquímica
(muda de coloração quando exposto à temperatura), que são utilizados na
41
parte externa de todos os pacotes evidenciando que o material passou pelo
processo de esterilização.
Os de classe II compreendem o teste de BOWIE & DIC, que testa a
eficácia do sistema de vácuo da autoclave pré-vácuo, ou seja, verifica a
eficiência da bomba de vácuo. Para que seja efetivo, deve-se esperar que
ocorra a mudança uniforme da cor do papel, em toda sua extensão, caso não
haja homogeneidade na revelação, efetuar revisão imediata do equipamento.
Recomenda-se sua realização no primeiro ciclo do dia ou no mínimo a cada 24
horas.
A classe III são os indicadores de parâmetro único, ou seja, controlam
um único parâmetro que é a temperatura pré-estabelecida. Estes são
colocados no centro dos pacotes.
Indicadores de classe IV dizem respeito aos multiparamétricos, que
indicam a temperatura e o tempo necessários para o processo.
A classe V é o Integrador, que indica a temperatura, o tempo e a
qualidade do vapor. E a classe VI é o integrador mais preciso que oferece
margem de segurança maior, reagindo somente quando 95% do ciclo de
esterilização é concluído.
Os itens embalados são também marcados com uma data de
esterilização. Sendo recomendado pela Resolução SS-374, de 15/12/95 do
Manual de Biossegurança 2000, que os materiais submetidos à esterilização
por processo físico tenham validade de sete dias, sendo que caso estes
tenham sido violados, sem serem utilizados, deverão ser considerados
contaminados, sendo submetidos a um novo processo de esterilização.
(FERREIRA, 2005; FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU-USP, 2000)
2.11 Lavanderia
O reconhecimento das roupas como fonte de infecção teve seu marco
no terceiro século antes de Cristo. Mais tarde, Florence Nightingale com o
auxílio de engenheiros militares organizou um serviço de lavanderia. (ABRIL;
REBELO apud FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000)
42
A roupa suja é considerada como fonte relevante de contaminação, visto
que o ser humano elimina de 3 a 60 mil bactérias por minuto, que se prendem
as
fibras
de
tecido,
contribuindo
com
a
proliferação
de
infecções.
(FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; BRAGATO et. al., 2007)
A lavanderia hospitalar (LH) pode ser descrita como unidade funcional
de apoio logístico destinada ao atendimento dos clientes internos e/ou externos
do hospital, cujas finalidades são: coleta, separação, processamento,
confecção, reparo, reforma, fornecimento e distribuição de roupa hospitalar em
condições de uso, higiene, quantidade, qualidade e conservação. (LISBOA
apud MOZACHI; SOUZA, 2005).
De acordo com Arsego et al. (2008), a lavanderia de um hospital é de
extrema importância, já que seu bom funcionamento contribui de modo direto
com a eficiência da unidade, bem como para o controle de infecções. A
lavanderia trabalha em prol do paciente através da responsabilidade pelo
processamento e distribuição das roupas, deixando-as em perfeitas condições
de higiene, mantendo suas propriedades no decorrer das fases de lavagem.
O processo normal de lavagem, que consiste na remoção da
sujidade, reduz até 99% da contaminação, através da ação
mecânica da água, temperatura, alteração de pH, alvejante (cloro ou
peróxido de hidrogênio) e amaciante [...]. (GRENNE apud
FERNADES; FERNANDES; SOARES, 2000, p. 1256)
Segundo Mozachi; Souza (2005) um bom sistema de processamento da
roupa é fator de redução das infecções hospitalares. Estudos realizados na
área de microbiologia revelaram que o processamento da roupa em ambiente
único, utilizado nas lavanderias tradicionais, propiciava a recontaminação
constante da roupa limpa na lavanderia.
Quanto à localização, a lavanderia pode se encontrar dentro do hospital,
em edifício externo, serviço terceirizado ou lavanderia coletiva, utilizada por
várias instituições. Atualmente a preferência é de que as lavanderias estejam
situadas no pavimento do térreo, junto ao setor de serviços gerais, favorecendo
o transporte e circulação das roupas, atendendo a demanda da instituição.
Considera-se de fundamental importância que haja separação entre as áreas
suja e limpa da lavanderia, a fim de contribuir para o controle de infecções.
43
(FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; MINISTÉRIO DA SAÚDE,
1986)
Segundo o Ministério da Saúde (1986), uma LH moderna deve possuir
uma barreira de contaminação que permita a separação da mesma em duas
áreas distintas: área suja e área limpa. Para que esta barreira de contaminação
seja eficiente, é necessária a existência de 2 lavadoras de desinfecção, com
duas portas de acesso, sendo uma para cada área, localizadas na parede de
isolamento entre as mesmas. Nesta barreira, podem existir visores, que
facilitarão a comunicação e controle entre ambas as áreas, o que contribui com
a eficiência do setor.
Após coletadas, as roupas são submetidas a um processo de
separação, descrito no quadro abaixo.
Classificação
Tipo de Sujidade
Tipo de Roupa
Pesada
Grande quantidade de sangue; fluídos
Compressas;
corpóreos; e medicamentos e etc.
contaminadas.
Presença de sangue; fluídos corpóreos;
Roupa
e medicamentos e etc.
cirúrgicos;
Média
e
roupas
cirúrgica;
campos
lençóis;
fronhas,
toalhas de banho; e camisolas.
Leve
Suor, poeira e etc.
lençóis; fronhas, toalhas de
banho; camisolas; cobertores e
etc.
Fonte: Consultoria; Equipe CCIH, 2002, p. 10.
Adaptado por: Santana; Abraão; Ritz, 2009.
Quadro1: Separação de roupas hospitalares por sujidades.
No decorrer do processo de separação, os funcionários devem estar
utilizando aventais de borracha, luvas descartáveis, roupas exclusivas,
máscaras, toucas descartáveis e botas de borracha. (CONSULTORIA E
EQUIPE CCIH, 2002). Os profissionais da LH devem ser capacitados tanto na
coleta,
separação,
distribuição
e
reforma
das
roupas
operacionalização do maquinário utilizado no processo de lavagem.
como
na
44
1.8.1 Área suja
Área suja ou contaminada pode ser definida como sendo o local
destinado à coleta, separação, pesagem e lavagem das roupas hospitalares.
Roupas hospitalares podem ser entendidas como: todo o artigo de tecido que é
destinado à lavanderia hospitalar. (CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002)
O funcionário que estiver incumbido da coleta de roupas hospitalares
deverá paramentar-se com os equipamentos de proteção individual (EPI) para
evitar possíveis contaminações, sendo eles: gorro, máscara, avental, luvas e
calçados impermeáveis, retirando os mesmos quando entrar na área limpa.
Devendo também, realizá-las nos horários estabelecidos, manuseando-as com
muito
cuidado,
agitando-a
minimamente.
Estas
roupas
devem
ser
acondicionadas em sacos de tecido ou de plástico e serem transportadas em
carrinhos apropriados, fechados, que devem ser higienizados com água, sabão
e álcool 70%, depois das coletas. (BRAGATO et al., 2007; CONSULTORIA E
EQUIPE CCIH, 2002)
Após a coleta é realizada a separação da roupa, em suja e contaminada.
A terminologia suja é aplicada às roupas que são advindas dos pacientes, não
dependendo do grau de sujidade do tecido. Contaminada, por sua vez diz
respeito às roupas de pacientes portadores de doenças transmissíveis
importantes na cadeia epidemiológica. Esta fase é a de maior periculosidade
para os funcionários da lavanderia adquirirem infecções. (FERNANDES;
FERNANDES; SOARES, 2000)
Após a separação, as roupas são pesadas, e colocadas na máquina,
segundo a sua capacidade, de acordo com a sujidade das peças. (SILVEIRA et
al., 2003)
1.8.1.1 Processo de Lavagem
A lavagem é uma operação que visa devolver à roupa seu aspecto
original, eliminando as sujidades que estão fixadas, restituindo um nível
45
bacteriológico aceitável, preservando as fibras e as cores, mantendo também a
maciez e elasticidade. Para que ocorra infecção, a área contaminada deve
conter, por grama de tecido, mais de 105 microrganismos inoculados. Além
disso, o microrganismo deve ser capaz de ultrapassar as barreiras
imunológicas do hospedeiro, ocasionando desequilíbrio entre parasita e
hospedeiro. (MOZACHI; SOUZA, 2005; POVEDA; GALVÃO; SANTOS, 2005)
A lavagem pode ser definida como sendo uma sequência de operações
ordenadas, em que são levadas em consideração o tempo de contato entre a
quantidade dos produtos químicos, a ação mecânica e a temperatura.
(CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002)
O processo de lavagem pode se subdividir em:
1.8.1.1.1 Umectação
Processo
que
visa
molhar
as
sujidades
solúveis,
facilitando
consequentemente sua remoção através de um tensoativo. Utiliza-se para
tanto, a máquina em nível de água alto. (PRADO, 2008)
1.8.1.1.2 Enxágue
Operação que se destina à retirada de resíduos de produtos e sujidades
existentes na solução da lavagem. Realiza-se com nível de água alto.
(CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002)
1.8.1.1.3 Pré-Lavagem
Procedimento que visa retirar 70% das sujidades dos tecidos (sujidade
pesada) através da utilização de produtos específicos de lavagem. Utilizam-se
46
produtos específicos, nível de água baixo e ciclo de lavagem pesada. (PRADO,
2008)
1.8.1.1.4 Lavagem
Remove completamente a sujidade, que na pré-lavagem não eliminou
(lavagem leve). São utilizados produtos para lavagem principal e nível de água
baixo. Além disso, deve-se utilizar a água em temperatura elevada (acima de
85°C), após ser garantida a remoção de proteínas das roupas (CONSULTORIA
E EQUIPE CCIH, 2002).
1.8.1.1.5 Alvejamento
O processo de alvejamento tem como função a remoção das manchas
por descoloração, branqueamento e desinfecção química. Promove a
desinfecção da roupa e remoção de manchas sensíveis à oxidação. Utiliza-se
nível
de
água
baixo.
(FERNANDES;
FERNANDES;
SOARES,
2000;
CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002)
1.8.1.1.6 Amaciamento
Este processo tem como função perfumar, tornar a roupa mais
confortável, além de possuir possível poder bacteriostático pelo quaternário de
amônia, e diminuir a carga eletrostática do tecido. Quando necessário o
amaciamento pode ser feito no mesmo banho de neutralização. (FERNANDES;
FERNANDES; SOARES, 2000)
47
1.8.1.1.7 Neutralização
A neutralização tem como finalidade a eliminação de resíduos alcalinos
dos detergentes. Quando necessário o amaciamento pode ser feito no mesmo
banho de neutralização. Os produtos utilizados nesta fase, se não retirados,
podem provocar amarelamento das roupas, ao passarem pelas calandras ou
a ferro. (FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; CONSULTORIA E
EQUIPE CCIH, 2002)
1.8.2 Área limpa
Esta área é destinada ao processamento da roupa já limpa até que a
mesma seja entregue ao setor de origem, implicando em selecionar, secar,
passar, dobrar e acondicionar, sendo que o último deve utilizar armários
específicos para este fim, construídos de material de fácil limpeza.
(FERNANDES; FERNANDES; SOARES, 2000; GUIMARÃES et al. 2002)
A lavanderia deve ser dotada dos seguintes equipamentos e recursos
tecnológicos:
máquinas
de
lavar,
centrífuga,
secadora
e
calandra.
(CONSULTORIA E EQUIPE CCIH, 2002)
2
MATERIAIS E MÉTODOS
Neste item foram descritos os processos aos quais os tecidos foram
submetidos, buscando assemelhar-se aos processos agressivos pelos quais os
mesmos passam diariamente nos hospitais (lavagem, secagem, transporte,
manipulação e esterilização). Descreveu-se as condições para realizar os
testes de forma que os mesmos foram empregados.
48
2.1
Condições Ambientais
Após aprovação do Projeto de Pesquisa pelo Comitê de Ética e
Pesquisa do Unisalesiano (CEP), Protocolo nº 233/2009, os testes foram
realizados nos períodos matutino e vespertino no Laboratório de Microbiologia
de um Centro Universitário do Município de Lins e nas instalações de uma
Unidade Hospitalar do mesmo Município, respectivamente Lavanderia e CME,
que constam de infra-estrutura adequada, com insumos necessários para o
desenvolvimento das atividades, durante o período de maio a agosto de 2009.
2.2
Material
a) 16
campos
cirúrgicos
reprocessáveis
simples
de
algodão,
padronizados de acordo com as normas da ABNT, medindo 50 cm x
50 cm, de tecido de 50% algodão e 50% poliéster T-175, conhecido
como barreira T-175, por apresentar 175 fios/pol², fornecidos pela
unidade hospitalar onde se desenvolveu a pesquisa;
b) cepa ATCC 25923 de Staphylococcus aureus;
c) meio de cultura Ágar Sal
Manitol (ASM) e TSA (Tryptone Soya
Agar);
d) placas de Petri;
e) estufa microbiológica (Tecnal Biologic Oxygen Demond, TE 391);
f) autoclave (Ortosíntese, modelo AC 254/L, braços concêntricos,
microprocessador, chaparia externa em inox com uma porta);
g) máquina de lavar (Susuki, LRS-150)
h) centrífuga (Susuki, CD 215, série 1315);
i) secadora (Susuki, 330G, série 848);
j) produtos de limpeza (Laundry Cleaner, Laundry Neutralize, Laundry
Acetic, Laundry Reforce, Laundry Clor L, Houghto Mist, fornecidos
pela empresa Jaú Química);
k) luvas de procedimento;
49
l) caneta para tecidos (Acrilex);
m) máquina fotográfica (Sony Ciber Shot de 7.2 mega pixels);
n) sacos de lixo (branco);
o) container de plástico (para transporte do material contaminado);
p) pipeta automática de 100 l;
q) pinça anatômica;
r) geladeira (Cônsul Essencial);
s) solução salina estéril 0,9%;
t) capela de fluxo laminar (Veco, CGC 46.255.972/0001-28 IEP:38264);
u) álcool 70%;
v) bico de Bunsen.
2.3
Testes Microbiológicos
Os testes foram realizados segundo a metodologia alemã da Deutsches
Institut für Normung (DIN) 58.953/37, que se trata de um procedimento utilizado
para avaliação das propriedades da barreira microbiana, descrito com maiores
detalhes no item subseqüente. (RODRIGUES, 2000)
Como o enfoque no presente trabalho foi à eficácia da barreira
microbiana dos campos cirúrgicos, adotou-se tal método com base na pesquisa
realizada por Rodrigues (2000), que desenvolveu trabalho semelhante,
referindo
dificuldade
na
tentativa
de
encontrar
técnicas
indicadas
especificamente para tecidos, sendo a metodologia de DIN o método em maior
grau de similaridade a ser utilizado, apesar de ter sido desenvolvida para
avaliação de papéis de embalagem através de cultura bacteriana em meio
líquido. (RODRIGUES, 2000)
O processo consiste em instilar gotículas de caldo de cultura dos
microrganismos sobre a superfície a ser testada, checando após sua secagem
a proporção de MO que penetraram através da mesma.
O microrganismo utilizado na metodologia adotada foi Staphylococcus
aureus - American Type Culture Collection (ATCC) 25923.
Antes do início dos testes, as cepas foram repicadas nos meios ágar sal
50
manitol e TSA (figura 1 e figura 2), posteriormente preparou-se um inóculo com
a cepa do segundo repique, em solução salina estéril a 0,9%, ajustado pela
escala de McFarland no padrão 0,5 (1,5 x 10
8
UFC/ml) a ser instilado nos
campos (figura 3).
1
2
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009.
Figuras 1 e 2: Repique de bactérias
3
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009.
Figuras 3: Preparo de suspensão bacteriana.
2.4
Testes de barreira microbiana
51
Os testes de barreira microbiana dos campos cirúrgicos foram realizados
no 1º reprocessamento e consecutivamente, em múltiplos de cinco até o 30º
reprocessamento. Posteriormente, os intervalos entre a realização dos testes
se tornaram menores, visando manter uma monitorização mais cuidadosa e
dirigida dos objetivos do estudo.
Como parte do controle ambiental, realizou-se previamente a limpeza do
equipamento de fluxo laminar com álcool a 70% e irradiação de luz ultravioleta
(UV). Os campos cirúrgicos foram subdivididos em quatro grupos (grupo 1,
grupo 2, grupo 3 e grupo 4), marcados em suas respectivas bordas com caneta
específica para tecidos, onde realizava-se também anotação dos ciclos de
reprocessamento, possibilitando a monitorização. Cada grupo, possuía quatro
campos (C1, C2, C3 e C4), dos quais eram separados dois destes (Cx e Cy),
aleatoriamente, para proceder a contaminação e análise da barreira.
Os campos foram introduzidos assepticamente na capela de fluxo
laminar, de modo que sob o verso do centro e das quatro pontas dos mesmos,
foram posicionadas placas de Petri estéreis (figuras 4, 5, 6 e 7).
Nas respectivas superfícies do tecido, foram inoculados 100
l de
suspensão bacteriana de Staphylococcus aureus ATCC 25923 com volume
controlado por pipeta automática (figura 8 e figura 9).
4
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009
Figuras 4 e 5: Disposição das Placas de Petri no fluxo laminar.
5
52
6
7
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009
Figuras 6 e 7: Disposição dos campos no fluxo laminar com técnica asséptica.
8
9
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009.
Figuras 8 e 9: Inoculação de suspensão bacteriana.
De acordo com a metodologia, após esta técnica, foi necessário um
período de 6 horas para secagem da suspensão bacteriana. Posteriormente,
utilizando uma pinça anatômica estéril, as pontas contaminadas do têxtil foram
levadas até o centro do mesmo previamente delimitado, onde se exerceu uma
pressão durante 20 segundos com uma placa de Petri também estéril, sobre os
meios de ágar
sal manitol e TSA, ambos colocados no verso do campo
individualmente (figura 10 e figura 11). Esta técnica simula a condição da rotina
53
diária em uma UCC, ilustra o que geralmente ocorre na superfície do campo
durante o ato cirúrgico. Em seguida, as placas foram incubadas em estufa
bacteriológica, a 37°C, por 24 horas. Após esse período, verificava-se o
crescimento bacteriano.
10
11
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009.
Figuras 10 e 11: Realização de cultura bacteriana
Subsequentemente, os campos foram transportados para a lavanderia
de uma Unidade Hospitalar do município de Lins-SP, onde foram submetidos
ao processo de lavagem e esterilização.
Os números de lavagens foram anotados nos próprios campos e em
caderneta, onde se armazenou as tarjas e fitas de esterilização com data,
validade e nome do profissional responsável por embalar e esterilizar os
pacotes.
2.4.1 Processamento dos Campos
Após a contaminação, os campos foram submetidos a processos de
lavagem, descrito no subitem 1.8.1.1.4 do capítulo anterior. Sequencialmente
54
ao processo de lavagem, desenvolvido na lavanderia, os campos foram
transportados
até
a
CME,
onde
foram
recepcionados,
conferidos
e
encaminhados para área de preparo (bancadas desinfetadas com álcool 70 %),
cujo local se realizou a confecção dos pacotes conforme a técnica de envelope.
Após a confecção dos pacotes, é realizada a limpeza da autoclave, em
seguida a montagem da carga a ser autoclavada. Os pacotes são colocados no
sentido vertical a fim de facilitar a saída do ar, permitindo a entrada do vapor.
Este processo compreende basicamente 3 fases, expostas no quadro abaixo:
1) Pré
vácuo pulsante
Fase em que se aplica o vácuo seguido de pressão na câmara
interna por 3 vezes (4 vácuos e 3 pressões). Este ciclo é
controlado por pressão com valores pré-definidos.
2) Aquecimento
Nesta fase, o equipamento aguarda que a câmara interna atinja
a pressão e tempo de trabalho definidas. Somente quando estes
valores forem atingidos é que se inicia a fase de esterilização.
3) Esterilização
Nesta fase é mantida por um tempo determinado a pressão
programada para câmara interna.
4) Secagem
Fase em que é realizado o vácuo por um determinado tempo,
para a secagem dos materiais esterilizados.
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, 2009
Quadro 2 - Fases do processo de autoclavagem
As fases do processo de autoclavagem possuem um tempo específico
de duração. Entre as fases 1 e 2, compreende-se o tempo de 5 minutos; a fase
2 que é a de aquecimento tem duração de 12 minutos até atingir a temperatura
de 134º C, onde inicia-se a fase 3, da esterilização que compreende também o
tempo de 12 minutos; na fase 4, ocorre a secagem dos materiais, que ocupa
um período de 30 minutos. Com o término da fase 4, conclui-se o processo,
aguardando mais 15 minutos para o resfriamento da máquina e dos materiais.
A cada ciclo de esterilização é realizado o controle do funcionamento
das autoclaves, onde registram-se os parâmetros do processo, verificando se
estão dentro dos padrões. Diariamente, as autoclaves da CME são submetidas
a testes biológicos, para comprovar a eficácia da esterilização.
55
2.5
Análise Estatística
As variáveis quantitativas foram descritas por meio de medidas de séries
e tendência central. As variáveis qualitativas foram descritas através de razões,
proporções e análise visual. Utilizou-se o programa Microsoft Office Word 2007
para a construção de uma base de dados e armazenamento das variáveis.
2.6
Resultados
Após a realização do experimento, observou-se que, a integridade da
barreira antimicrobiana dos campos cirúrgicos mistos reprocessáveis, mantevese preservada até o 50º reprocessamento. A partir do 55º reprocessamento,
notou-se quebra da qualidade da barreira antimicrobiana dos campos inseridos
no grupo 3, como mostra a tabela 1, que apresenta quatro grupos de campos
(grupos 1, 2, 3 e 4), contendo quatro campos em cada grupo ( C1, C2, C3 e C4),
onde foram retiradas duas amostras aleatoriamente (Cx e Cy), para análise da
proliferação bacteriana. Foram enfatizados apenas os resultados almejados.
Tabela 1: Campos cirúrgicos reprocessáveis simples mistos
Grupos
Quantidade dos
Amostras
Proliferação bacteriana
campos
Grupo 1
C1; C2; C3; C4
C x e Cy
Ausente
Grupo 2
C1; C2; C3; C4
C x e Cy
Ausente
Grupo 3
C1; C2; C3; C4
C x e Cy
Presente no 55º rep.
Grupo 4
C1; C2; C3; C4
C x e Cy
Ausente até o 50º rep.
Total
16 campos
1 grupo
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009).
Como pode-se observar na tabela 1, os campos pertencentes ao grupo 3
apresentaram proliferação bacteriana no 55º reprocessamento, sendo que as
56
amostras C1 e C3, apresentaram contaminação nos dois meios de cultura
utilizados: Ágar sal manitol e TSA. Conforme os dados descritos na Tabela 2.
Tabela 2: Proliferação bacteriana dos campos do Grupo 3
Grupo 3
Divisão
Meios de Cultura
Proliferação bacteriana
C1
TSA
Presente
ÁSM
Presente
TSA
-
ASM
-
TSA
Presente
ÁSM
Presente
TSA
-
ÁSM
-
C2
C3
C4
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009).
A figura 12 mostra, respectivamente, os meios de cultura TSA e Ágar Sal
Manitol, nos quais obteve-se proliferação do microrganismo Staphylococcus
aureus, no 55º ciclo de reprocessamento dos campos.
12
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009).
Figura 12: Proliferação bacteriana
57
Observou-se, através de análise visual subjetiva, alterações na
coloração dos campos ao longo dos ciclos de reprocessamento, todavia, em
algumas partes deste processo as alterações eram muito singelas, por este
motivo, convencionou-se apresentar os dados obtidos em intervalos de tempo
maior que dos testes microbiológicos, como mostra a figura 13.
13
Fonte: Santana; Abraão; Ritz, (2009).
Figura 13: Escala visual de coloração dos campos cirúrgicos reprocessáveis.
As
alterações
foram
perceptíveis
a
partir
do
10º
ciclo
de
reprocessamento, tomando por base o 1º ciclo de esterilização. Ao analisar as
amostras com 20º e 30º ciclos de reprocessamento percebeu-se que os tecidos
dos mesmos passaram por um desgaste significativo, pois a coloração perdeu
sua avives. Do 30º ao 40º processo de lavagem, essas alterações foram mais
singelas se comparadas ao desgaste de coloração encontrados nas duas
primeiras amostras. A partir do 40º ciclo, até a ocorrência de contaminação no
55º reprocessamento, os campos apresentaram desgaste mais acentuado na
coloração das fibras, no entanto os mesmos ainda possuíam características
físicas de boa conservação, pois em nenhuma das amostras encontrou-se
rasgos ou furos, porém, suas propriedades de barreira microbiológica não se
demonstravam efetivas.
2.7
Discussão
O objetivo geral deste estudo consistiu em identificar a durabilidade dos
58
campos cirúrgicos reprocessáveis frente ao processo de lavagem e
esterilização, verificando sua eficácia enquanto barreira microbiana. No
entanto, constatou-se escassez, na literatura disponível, de trabalhos de
pesquisa abordando a efetividade da barreira microbiana dos campos
cirúrgicos reprocessáveis simples, habitualmente utilizados para demarcar
regiões operatórias de modo a proteger pacientes e profissionais de quaisquer
fluídos possivelmente contaminados.
Pautado nessa problemática, optou-se por identificar dados referentes à
utilização e reprocessamento de têxteis cirúrgicos, cujos resultados permitem
aproximação com os achados no presente experimento, fundamentando a
discussão dos resultados obtidos.
Nas literaturas em questão, pode-se observar inexistência de consenso
acerca da durabilidade e ciclos de esterilizações aos quais podem ser
submetidos os campos cirúrgicos. Ramos (2003), afirma em seus estudos,
haver escassez nas publicações referentes ao assunto, apontando a
necessidade de se realizar mais trabalhos e pesquisas que possam viabilizar
tais dados.
A presente pesquisa identificou efetividade da barreira antimicrobiana
até o 50º ciclo de lavagem e esterilização. Este resultado não entra em
consonância com nenhuma das bibliografias utilizadas, pois Meeker; Rothrock
(1997) apontam a perda de barreira antimicrobiana após 75 reprocessamentos,
Stanewick; Taylor (apud Rodrigues, 2000), afirmam que campos mistos não
podem exceder 40 ciclos de lavagem e esterilização. Mediante este assunto,
Ramos (2003) discorre que a barreira dos têxteis cirúrgicos é garantida até 35
ciclos de lavagem e Rodrigues et al. (2006) em sua literatura afirma que o
número máximo de reprocessamento é de 65 ciclos.
Não houve aproximação entre os estudos sob análise, em virtude da
variância dos materiais empregados na execução dos testes e de que as
pesquisas semelhantes não os descreveram minuciosamente, evidenciando
existência de margem de variação entre os estudos. Este feito pode ser
explicado por diferentes empregos de técnica, manuseio, modelos de
maquinário aos quais os campos foram submetidos, ciclos de higienização dos
mesmos entre outros.
É importante salientar que testes laboratoriais não reproduzem as
59
situações reais de cirurgia, embora, Beck; Collete (apud BURGATTI, 2007), em
estudos realizados com aventais confeccionados de material semelhante ao
dos campos cirúrgicos, sugiram que os testes sejam desenvolvidos em
laboratórios.
Parece haver concordância na literatura em relação à importância de
uma barreira eficaz para repelir microrganismos oriundos da microbiota dos
indivíduos, equipe e do ambiente cirúrgico. Todavia, não existe padronização
da técnica utilizada pelos autores, para verificação de alterações na estrutura
das fibras e seu grau de comprometimento. Conforme Rodrigues (2000), não
há em âmbito universal métodos que possibilitem a padronização e controle da
efetividade da barreira microbiana dos campos reutilizáveis e descartáveis.
Observou-se através dos testes, que ao longo dos ciclos de
reprocessamento os campos cirúrgicos, sofrem mudanças nas suas estruturas,
devido ao desgaste de suas fibras, o que ocasiona a diminuição gradativa de
suas propriedades de barreira. Este fato vai de encontro com as afirmações de
Burgatti (2007, p. 116) que constatou-se que quanto maior o número de
lavagens, tanto maior o desgaste do tecido, reduzindo sua habilidade de repelir
líquido e de prevenir passagem de microrganismos .
Mediante análise subjetiva da coloração dos campos cirúrgicos, pode-se
estabelecer um parâmetro associativo com a diminuição da propriedade de
barreira microbiana, pois, este está intimamente ligado ao desgaste das fibras
do tecido, que ao liberar pigmento também rompe gradativamente sua
estrutura. Este fato confirma-se pelas constatações da Association of Operating
Romm Nurses (AORN) (apud RODRIGUES, 2000), que sugere padrões
qualitativos visuais para avaliar materiais com furos, desgastes e outras
avarias.
Ao perderem sua capacidade de barreira antimicrobiana, os campos
cirúrgicos, deixam de ser uma forma de defesa ao organismo do indivíduo, pois
favorecem o acúmulo de microrganismos em suas fibras, podendo elevar os
riscos de infecção da ferida operatória.
A capacidade de barreira microbiológica de campos reutilizáveis está
diretamente relacionada com a estrutura de sua composição. Fato evidenciado
através da observação de estudo realizado por Burgatti; Possari; Moderno
60
(2004), onde foram utilizados campos de algodão 100%, que apresentaram
quebra de barreira no 6º reprocessamento.
Evidencia-se que os campos reutilizáveis, possam ser utilizados desde
que seja respeitado o seu tempo de vida útil, atentando para o estado de
conservação dos mesmos, sendo de fundamental importância que estes
estejam íntegros e livre de fiapos.
Em síntese, pode-se afirmar que a utilização dos campos cirúrgicos 50%
algodão e 50% poliéster não ultrapasse o número máximo de 50º ciclos. Seu
uso acima do respectivo valor pode caracterizar risco para os clientes
adquirirem infecções do sitio cirúrgico, e maiores agravos a sua saúde. Este
fato se deve segundo a INDA (apud RODRIGUES, 2000), (associação não
comercial que promove o desenvolvimento tecnológico educacional do uso de
não-tecidos), por que os tecidos degradam suas propriedades de barreira
microbiana a cada lavagem, pois seus fios soltam-se alterando a propriedades
de proteção ao paciente, equipe e artigos médicos-hospitalares.
Conforme a metodologia utilizada, os dados obtidos através dos testes
evidenciaram que a partir do 55º reprocessamento, os campos não comportam
barreira microbiana eficaz.
A ausência de monitoramento eficaz dos campos dentro do ambiente
hospitalar pode possibilitar o aumento da incidência das infecções hospitalares,
como afirma Monteiro et al. (2000) em sua literatura relatando que: enfermeiros
reconheceram a falta de controle de qualidade efetiva no reprocessamento,
não sendo possível determinar a meia vida dos tecidos, onde muitas vezes os
componentes são utilizados até rasgar e mesmo rasgados.
Meeker; Rothrock (1997) propõem em sua literatura, um sistema para
monitorizar o número de vezes que um material foi lavado, o que é essencial
para o controle de qualidade da barreira antimicrobiana.
A AORN (apud RODRIGUES, 2000), tendo por base a recomendação de
um fabricante de tecidos com 280 fios, determinou a durabilidade do tempo de
vida útil dos tecidos empregados na confecção de aventais, campos cirúrgicos
e
campos para embalagem, como sendo de 75 reprocessamentos,
recomendando ainda que estes sejam confeccionados por materiais que
minimizem a passagem de microrganismos. No entanto, em sua literatura não
especifica a metodologia empregada nos testes microbiológicos que embasam
61
tal afirmação e a padronização dos tecidos para confecção dos aventais e
campos.
Grande parte dos hospitais não possuem método de controle que
possibilite a monitorização do uso dos campos cirúrgicos reprocessáveis,
utilizados até o seu depauperamento, favorecendo assim, o acúmulo de
microrganismos, podendo contribuir para o aumento da incidência de infecções
do sítio cirúrgico, bem como a ocorrência de infecções hospitalares. Este fato e
evidenciado pela AORN em 1999 (apud RODRIGUES, 2000), onde esta orienta
a necessidade da criação de um sistema que estabeleça o controle dos
campos, aventais cirúrgicos e invólucros de tecidos ao que se refere às
propriedades de barreira microbiana. Não corrobora também métodos
avaliativos, evidenciando, no entanto, que o mesmo não deve ficar limitado à
contagem do número de reprocessamentos, devendo avaliar a qualidade da
barreira microbiana como um todo.
2.8
Conclusão
Ao término deste estudo, pode-se constatar a impetração dos objetivos
propostos, pois se ratificou que os campos cirúrgicos possuem um tempo de
vida útil, que se restringe a 50 ciclos de lavagem e esterilização, conforme a
metodologia utilizada. A durabilidade dos campos, ou seja, o tempo de vida útil
deve ser respeitado através de mecanismos que possibilitem um sistema de
controle, a fim de não expor o paciente a condições que possam caracterizar
risco para aquisição de infecções e / ou maiores agravos a sua saúde.
Embora existam divergências a cerca do número de vezes ao qual um
têxtil cirúrgico deva ser submetido, é sabido a veracidade de tal afirmação, o
que leva a crer que este tempo deva ser circunspecto adequadamente.
Seria de grande relevância para qualidade da assistência, juntamente
com a saúde e bem estar do paciente em uma UCC, se os campos cirúrgicos
reprocessáveis simples mistos viessem com um rótulo, explicitando a validade
dos mesmos, corroborada por meio de testes realizados em laboratórios com
aprovação do Ministério da Saúde. Bem vindo também seria se cada campo
62
incorporasse um dispositivo, com atributos para indicar aos usuários o
momento correto em que as propriedades de barreira microbiana estivessem
próximas a perder sua efetividade, a fim de que os mesmos fossem retirados
de circulação.
A proposta de buscar evidências sobre o uso de campos cirúrgicos
reprocessáveis, no controle da contaminação da ferida operatória ou ISC, tem
finalidade de garantir segurança dos pacientes submetidos a cirurgias e
também facilitar a tomada de decisão dos enfermeiros, médicos e
administradores hospitalares na aquisição de materiais de barreira.
Mediante resultados obtidos neste estudo, e a problemática levantada,
sugere-se implantação de um sistema que possibilite o monitorização dos
campos dentro do ambiente hospitalar, a fim de que
a durabilidade dos
campos não seja ultrapassada.
Espera-se que este trabalho possa fomentar interesse em realizar novas
pesquisas relacionadas à barreira microbiana de têxteis cirúrgicos, atentando
principalmente para variabilidade dos tecidos existentes, quantidade e grau de
patogenicidade dos microrganismos para ocasionar infecção do sítio cirúrgico.
63
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2009.
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avaliação da durabilidade dos campos cirúrgicos