Obesidade e
Transtornos Alimentares
Psicóloga Ms Cristina Di Benedetto
NECPAR
Maringá
26 e 27 de Julho de 2013
[email protected]
OBESIDADE
E
OBESIDADE
MÓRBIDA
PRAZER X DESAFIO PROFISSIONAL
Prática Clínica / Docência / Pesquisa / Divulgação
sobre aspectos psicológicos e avaliação
psicológica há 20 anos
Início do Interesse: atividade prática curso de
especialização
Percepção das dificuldades emocionais
importantes da população de pessoas com
condição severa de obesidade: baixa
expressividade emocional e prejuízo interações
sociais
Saúde: Avanços consideráveis (laboratórios e medicina)
Análise do Comportamento: Aspectos sociais e
psicológicos: Campo de pesquisa a ser explorado
(Abeso, 2008; Coutinho, 1998; Halpern, 1999; Segal, 1999)
OBESIDADE
OBESIDADE MÓRBIDA
DOENÇA CRÔNICA grave, que põe em risco a vida do
indivíduo.
 OBESIDADE E ATUALIDADE:
 MEDICINA: associada a uma série de complicações
orgânicas e ao aumento da taxa de mortalidade.
 De referencial de saúde passa a ser apontada como
doença (Benedetti, 2002), e posteriormente como
“doença mental”, a partir do momento em que a
psicologia passa a figurar na lista de áreas científicas
que estudam a obesidade.
 Muda a avaliação da sociedade com relação à
obesidade
 BEBÊ GORDINHO: Símbolo de saúde ?! ?! ?!
 TWIGGY: Perseguição crescente da magreza (a partir
dos anos sessenta
O PAPEL DO
PSICÓLOGO
Quando Recebe o cliente:
• Falhas anteriores sucessivas na tentativa de
lidar com o seu problema
• Consequências negativas na vida do obeso:
- Manutenção do peso excessivo – com ganho
de peso gradual;
• Autoconceito empobrecido, defendido;
• Falta de iniciativa, descrença em si mesmo.
• Relacionamento interpessoal prejudicado
• Percebe o outro como perseguidor e hostil
ANALISTA DO COMPORTAMENTO
O que avaliar
E
Como ajudar
Elaborar um esboço de uma sessão inicial com um cliente
obeso, identificando
a. os principais aspectos relacionados à aquisição da
obesidade;
b. a descrição das principais consequências psicológicas
e comportamentais associadas ao quadro;
c. esboço de proposta de intervenção.
Etiologia e Fatores de Desenvolvimento
 MULTIFATORIAL RESULTANTE DA COMBINAÇÃO DE DIVERSOS ASPECTOS
INTER-RELACIONADOS:
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 http://www.muitoalemdopeso.com.br
FATORES DESENCADEANTES E MANTENEDORES DE APRENDIZAGEM
INADEQUADA DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR
(Di Benedetto,2006, 2003,2002; Saito,2001)
OBESIDADE
FATORES
GENÉTICOS
(Familiares)
FATORES
AMBIENTAIS
(Gerais e
Familiares)
FATORES
INDIVIDUAIS
PREPONDERÂNCIA ATUAL DOS
FATORES
AMBIENTAIS
(Gerais e Familiares)
NA AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA OBESIDADE
 FATORES AMBIENTAIS
FATORES AMBIENTAIS
(Baum 1999; Skinner, 1991; Skinner, 1974; Chaud e Marchioni, 2004 )
Aquisição do hábito alimentar: baseado em
experiências prévias individuais, história genética,
inseridas num contexto social e cultural vigente.
........
REFLETE ...
FATORES AMBIENTAIS
(Fisberg, 2004;Chaud e Marchioni, 2004; Di Benedetto, 2002 )

FATORES AMBIENTAIS
 que incluem as relações e os hábitos familiares
(OU: SE EU CHEGAR EM SUA CASA NO DOMINGO,O QUE TEMOS
PARA COMER?)
FATORES AMBIENTAIS que incluem as relações familiares:
Engajamento de pelo menos um dos pais no
tratamento dos adolescentes;
Pesquisas Indicam: Filhos únicos; pais
separados; um dos pais obeso;
Presença de ligações afetivas relacionadas ao
ato de comer, por exemplo, agradar aos pais, ser
obediente e gentil.
FATORES AMBIENTAIS que incluem as relações familiares:
Conscientização dos pais de seu papel no
desenvolvimento emocional dos filhos. Estes
podem colaborar para a instalação de bons ou
maus hábitos alimentares;
Relação mãe-filho: associação entre alimentar-
se e resolver/aplacar conflitos emocionais;
Alexitimia;
Reforçamento social do papel de mãe que
alimenta bem o seu filho, como sendo uma mãe
atenciosa, amorosa e cuidadosa.
FATORES AMBIENTAIS
GERAIS:
Sedentarismo;
 Uso excessivo de alimentos
fast food e industrializados;
 Influência da mídia na
distorção de hábitos
alimentares das crianças e
adolescentes
FATORES AMBIENTAIS
(Fisberg, 2004;Chaud e Marchioni, 2004; Di
Benedetto, 2002 )
FATORES AMBIENTAIS
GERAIS:
Mudança de Estilo de
Vida
Abuso do Computador
Mudanças de Hábitos
Alimentares
Aumento das Porções
FATORES PSICOLÓGICOS INDIVIDUAIS
(Di Benedetto, 2002;Saito, 2001)
Adolescência: Alta freqüência de comportamentos
de abuso em todas as direções;
Discriminação pelo grupo = baixa auto-estima;
Fuga/esquiva de contatos interpessoais; de
atividades sociais e de condicionamento físico,
perpetuando o problema;
FATORES PSICOLÓGICOS INDIVIDUAIS(Di
Benedetto, 2002;Saito, 2001)
Reformulações da imagem corporal =
mudanças corporais, psíquicas e nas relações
sociais;

Diminuição de suas habilidades sociais e
prejuízo da expressividade emocional;
Impulsividade: busca imediata de
reforçadores e prazer. (auge na adolêscencia)
Homem obeso
...
...
...
Mulher obesa
...
...
...
DISCRIMINAÇÃO REAL PARA COM OS OBESOS EM GERAL:
 Obesidade: vista pelas pessoas como uma
doença “sob controle voluntário de quem a tem”
 Fischler (1995): Como as pessoas percebem os
obesos? Adultos e crianças os vêem como
trapaceiros, sujos, maus, feios, etc.
 Púbico leigo e profissionais da saúde: é do obeso
a culpa de ocupar um excessivo lugar no mundo,
desconsiderando outros fatores de etiologia da
obesidade
 Igreja Católica: gula incluída no rol dos sete
pecados capitais.
 Obesidade e sentimentos associados: Transtorno
visível gerando ridicularização: vergonha, pena e
culpa.
 Legado de fracassos no controle do peso índices aumentados de hipocondria, depressão e
introversão social em obesos mórbidos.
 Co-morbidades associadas à obesidade:
intensificar sentimentos de vergonha e de culpa.
 Frustração e autopiedade: aumentam quando
perdem peso e voltam a ganhá-lo, aumentando
quando profissionais da saúde sugerem que “não
tinham muita vontade em perder peso, pois do
contrário fariam mais esforços”.
 Fischler (1995, p. 69) “uma das características de
nossa época é sua lipofobia, sua obsessão pela
magreza, sua rejeição quase maníaca à
obesidade”. Ser obeso é considerado quase uma
contravenção, uma aberração social diante dos
padrões estéticos vigentes.
 Reação cultural negativa: Ser obeso não é
saudável; indústria da moda (conceito de magreza
absoluta= normalmente artificial); excessivo
aumento da preocupação com a autoimagem;
ideal de manutenção da eterna da juventude.
 Construção social do conceito de obesidade
sobre as mulheres, que ao terem um corpo
perfeito, estariam respondendo simbolicamente às
exigências de perfeição nos outros aspectos de
sua vida.
 Denise B. Sant’Anna (doutora em História da
Beleza) PUC/SP ( 2001): Escravidão das mulheres
ocidentais pela busca do corpo e sexualidade
ideais é parecida com a tirania que era
recentemente imposta às mulheres do Afeganistão
FATORES AMBIENTAIS
(Baum 1999; Skinner, 1991; Skinner, 1974; Chaud e Marchioni, 2004 )
Análise Funcional: interação entre o
comportamento e o meio externo;
Sentimentos e repertório comportamental:
dimensões ontogenéticas, filogenéticas e culturais.
Adequação ao contexto social depende de como o
seu comportamento está em conformidade com as
expectativas desse meio.
Repercussão na autoestima e imagem corporal

(Biancarelli ,1999 ; Polivy e Tholsen,1998)
 80% das mulheres almejam perder peso (mesmo quando se
encontram apenas com sobrepeso).
 Os homens (sinal evidente de
“masculinidade”).
 Folha de São Paulo: Pesquisas Divisão de Psicologia do
Hospital
das
Clínicas
da
USP
(1999):
55% homens: alegam que não precisam perder peso (boa
imagem
corporal)
33,6% mulheres dentro do peso : sofrem por “sentirem-se
gordinhas”, ainda que outras pessoas lhes dissessem que
estavam
bem.
ASPECTOS PSICOLÓGICOS.
Existe um perfil do obeso?
 Obesidade: influência do fator psicológico?
distúrbios emocionais são causa ou conseqüência da
obesidade
...questão aberta (Benedetti, 2001).
A população de obesos apresenta uma grande
heterogeneidade no que diz respeito a características
psicológicas que os definem
 Não reconhecimento do sofrimento psíquico (Beales e
Dolton, 2000);
 Cuidado ao se dimensionar apenas os aspectos
psicológicos. (Di Benedetto, 2008;2006, 2002; Benedetti, 2001).
Várias teorias mencionam fatores etiopatogênicos,
ainda que muitas investigações não demonstrem
resultados conclusivos que as comprovem (Di Benedetto,
2002).
Stunkard e Wadden, (1992): população de obesos
grande heterogeneidade de características psicológicas
que os definem.
Necessidade de estudos para identificar as relações
entre obesidade e aspectos emocionais,
EXISTE UM PADRÃO PSICOLÓGICO DOS OBESOS?
 Necessário compreender e abordar psicologicamente a
obesidade com um enfoque que considere, tanto a
etiologia, como a manutenção: as variáveis cognitivas
(crenças), as variáveis afetivas e as variáveis ambientais
(costumes, hábitos familiares, etc.). Tratamentos “em
massa” para a obesidade são ineficazes.
OBESIDADE E ALEXITIMIA:
Beales e Dolton (2000): Inabilidade de identificar ou
expressar emoções e também a inabilidade em
distinguir entre emoções e sensações corporais: não
conseguir distinguir a ansiedade da depressão ou
diferenciar excitação de fadiga, ou, até mesmo, raiva
de fome.
Bulimia anorexia e obesidade: presença de traços de
alexitimia, com forte tendência à somatização do
estresse emocional.
ESTUDOS JÁ REALIZADOS DEMONSTRAM QUE A
OBESIDADE ESTÁ ASSOCIADA A:
 Depressão, ansiedade, hipocondria, introversão social
(Black,1992; Rogers, 1997; Segal,1999; Terra, 1997);
 Imagem corporal prejudicada (Fairburn, 1995);
 Indícios da dificuldade em expressão emocional
(Anaruma, 1995; Costa e Biaggio, 1998; Duckro, 1983; Gold, 1979; Martins,
1986);
Variedade de sintomas psicopatológicos em obesos:população
heterogênea no que diz respeito aos aspectos psicológicos.
199 pacientes obesos MMPI: três subgrupos de níveis psicológicos
Primeiro grupo não apresentava essencialmente nenhum desvio de
acordo com as normas, sendo os participantes considerados com
bom nível de funcionamento psicológico.
Segundo grupo: traços neuróticos (depressão, hipocondria, baixa
auto-estima e falta de habilidades sociais). Especificamente neste
grupo, notou-se um nível mínimo de assertividade, com a
supressão da expressão de raiva, que era autodirigida.
Terceiro grupo : psicopatia, esquizofrenia e hipomania, em níveis
importantes, havendo a presença de raiva e hostilidade,
expressadas ativamente ou passivamente, juízos sociais pobres e
irritabilidade.
Depressão e
obesidade
a)Relações alterações de apetite, peso e a síndrome depressiva
identificadas na antiguidade greco-romana por Areteo de
Capadócia
b) 1970:mudanças de apetite e de peso podem significar alterações
psicológicas do humor (sintomas psicossomáticos). Obesos
compartilham marcadores neuroendócrinos com os depressivos.
c) Alto índice de prevalência de depressão clínica e outros sintomas
psicopatológicos (redução de auto-estima e qualidade de vida dos
pacientes)
d) Hafner, Watts e Rogers (1997):Índice mais alto de hostilidade
encoberta, insatisfação conjugal, ansiedade fóbica e depressão nos
obesos mórbidos, que na população de não obesos estudados.
PREJUÍZO DA
IMAGEM
CORPORAL
Estudo
investigativo
da imagem
corporal em
mulheres
obesas
mórbidas na
cidade de
Maringá-PR.
 EMPOBRECIMENTO DA
EXPRESSIVIDADE
EMOCIONAL E
ASSERTIVIDADE
 DÉFICIT DE
HABILIDADES
SOCIAIS
Obesos têm maior dificuldade para responder positivamente diante de
situações que geram conflitos, não expressando adequadamente a
hostilidade. Eles mantêm a hostilidade num nível encoberto
(representada pela não assertividade e auto-agressividade).
Benedetti (2001), descobriu uma alta prevalência a não revidar
agressões, a “engolir tudo”, a não brigar com ninguém e a guardar para
si a mágoa resultante dos momentos de agressão “Antes eu ficava
achando que era o errado. Sempre pensava assim: eu sou gordo eu
estou errado e eles estão certos. Então nem falava nada, só
concordava”.
Benedetti (2001), Di Benedetto(2002): Os obesos vivem para os outros
não conseguindo colocar limites, vivendo a preocupação pelas
necessidades alheias
Costa e Biaggio (1998): investigações das relações entre obesidade e
as variáveis psicológicas ansiedade e raiva. Resultados positivos
para a presença de raiva voltada para dentro no grupo de obesos
Anaruma (1995): reconheceu a presença camuflada dos sentimentos
de raiva em mulheres obesas que foram submetidas à investigação
durante realização de tratamento para a obesidade em grupos de
apoio psicológico.
Larsen e Torgersen (1982 a 1985): obesos mórbidos inscritos no serviço
de avaliação psicológica para a realização da cirurgia de redução do
estômago: dados que reiteram a existência de dificuldades em
expressão de sentimentos de hostilidade e agressividade neste grupo
que também apresentou uma taxa elevada de hipersensibilidade à
crítica.
Kahtalian (1992): estudos dos aspectos da diminuição da expressividade
de sentimentos negativos como a raiva nos obesos, observa que a
agressividade nestes pacientes é muito reprimida. Para ele, muitas
vezes essa agressividade manifesta-se psicopatologicamente como
forma de enganar o médico ou outras pessoas, “fazer artes”, desfazer
compromissos, boicotar o tratamento, etc.
ESTUDO SOBRE HOSTILIDADE ENCOBERTA E DÉFICIT
EM EXPRESSIVIDADE EMOCIONAL
(Di Benedetto, 2002)
Inventário STAXI (Spielberger, 1992)
Sub-escalas: Raiva para fora; Controle da raiva; Expressão da
Raiva + Questionário Estruturado
Obesos mórbidos e não Obesos
Verificar se: I)O grupo de obesos mórbidos apresenta índice de
hostilidade encoberta significativamente maior do que o grupo
sem obesidade.
II) Existe correlação positiva entre o que o obeso percebe como
apreciação das outras pessoas e o empobrecimento de sua
interação social.
a) Expressão de sentimentos de hostilidade:
 Os obesos mórbidos têm maior dificuldade que os não obesos
 Prejuízo das Interações Sociais:
 Obesos Mórbidos: percebem o olhar do outro como hostil;
 Isolamento das atividades sociais;
QUALIDADE DE VIDA E ENGAJAMENTO SOCIAL
POSTERIOR À GASTROPLASTIA (“PREFEREM TER UMA
PERNA ARRANCADA A VOLTAREM A SER OBESOS”).
TRATAMENTOS PARA A OBESIDADE MÓRBIDA
 DIFERENTES OBESIDADES: diferentes tipos de
tratamentos eficazes
 Muitas ofertas de tratamento X Dificuldade de uma
terapêutica eficaz para redução e manutenção do peso
 Tratamentos médicos/ Nutricionais => associados ou
não a psicoterapia.
 Cirurgia bariátrica é uma realidade quando se fala em
tratamento de redução de peso para obesos mórbidos
(CAMPAGNOLO et al. 2004; WAIDERGON, LOPES E EVANGELISTA, 1999).
ANÁLISE DOS
MÚLTIPLOS
ASPECTOS
CLÍNICOS
TRATAMENTO
DA
OBESIDADE
PSICOTERAPIA
REEDUCAÇÃO
ALIMENTAR
ATIVIDADE
FÍSICA
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