UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA - UNIMEP FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACIS MESTRADO EM EDUCAÇÃO FISICA CARACTERIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA: UM ENFOQUE SOBRE SAÚDE FÁBIO AUGUSTO BRUGNEROTTO PIRACICABA 2008 FÁBIO AUGUSTO BRUGNEROTTO CARACTERIZAÇÃO DOS CURRÍCULOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA: UM ENFOQUE SOBRE SAÚDE Dissertação apresentada ao Programa de Pós – Graduação Stricto sensu em Educação Física, nível mestrado, da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Metodista de Piracicaba, como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação Física. Área de concentração: Corporeidade, Pedagogia do Movimento e Lazer. Linha de pesquisa: Corporeidade e Pedagogia do Movimento. Orientadora: Professora Dra. Regina Simões. PIRACICABA 2008 FICHA CATALÓGRAFICA Brugnerotto, Fábio A. Caracterização dos currículos de formação profissional em Educação Física: um enfoque sobre saúde /Fábio Augusto Brugnerotto. Piracicaba, 2008.110f. Orientador : Prof. Dra. Regina Rovigatti Simões Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Educação Física, Universidade Metodista de Piracicaba. 1. saúde. 2. Formação profissional. 3. currículo. BANCA EXAMINADORA Professora Doutora Regina Maria Rovigati Simões Professora Doutora Luciane Cruz Lopes Professora Doutora Roberta Cortez Gaio – PUC/Campinas DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que um dia se perguntaram do porque das coisas como elas são. Aos professores de Educação Física e outras áreas que lutam pela a consolidação de um mundo mais justo e digno para o ser humano viver. AGRADECIMENTOS Ao dom da vida que permitiu que eu fizesse este trabalho. A professora Regina Simões pela sabedoria e paciência para me orientar. Aos professores do Mestrado: Wagner, Marcellino, Tânia, Ídico, João Borin, Eline, Roberta, pela ótima e profícua relação nos dias em que aprendi a ser gente. A minha companheira “Mari” que com muita paciência me agüentou nesta caminhada. A toda minha família, meu Pai, mãe, irmão e irmã que também se puseram presentes nos momentos mais complicados. As Universidades Paranaenses que cederam os documentos para que eu pudesse fazer esta análise. A Faculdade Assis Gurgacz e aos companheiros de trabalho que em muitos momentos me substituíram para que eu pudesse consolidar o mestrado. E a todos aqueles que contribuíram e atrapalharam na construção deste trabalho. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 11 2. O CONCEITO DE SAÚDE E A EDUCAÇÃO FÍSICA: (RE) EVOLUÇÕES 14 2.1 Saúde e evolução histórica .................................................................. 14 2.2 Enfoques contemporâneos de saúde ................................................... 23 2.3 Traçando caminhos de saúde no Brasil ............................................... 29 2.4 Educação Física e saúde ..................................................................... 33 3.CURRÍCULO E EDUCAÇÃO FÍSICA: AÇÕES E REFLEXÕES.................. 40 3.1 Currículo e questões conceituais........................................................... 41 3.2 Primeiras reflexões: currículos de Educação Física .............................. 47 4. METODOLOGIA......................................................................................... 65 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................. 69 5.1 Caracterização das Universidades ....................................................... 69 5.2 Caracterização dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado ................. 71 5.3 Caracterização dos componentes curriculares da Licenciatura e do Bacharelado..................................................................................................82 6. CONCLUSÃO............................................................................................. 88 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................... 91 9. APÊNDICES................................................................................................99 10. ANEXOS..................................................................................................100 RESUMO Este estudo objetivou analisar o enfoque de saúde presente nos currículos de formação em Educação Física nas principais Universidades do Estado do Paraná. Para isso, nos balizamos teoricamente em duas vertentes aceitas atualmente, uma que compreende a saúde através do modelo biomédico (CAPRA, 1982), ou seja, ausência de doenças e a outra na estratégia da “nova Promoção a saúde” (BUSS, 1999), que concebe saúde dentro de um amplo espectro de condicionantes sociais e culturais, como um recurso e não como um fim para a qualidade de vida, com o intuito de saber por qual destas respectivamente a Educação Física atual nos seus currículos vem sendo regida. Na metodologia aplicou-se a técnica de análise documental (MARCONI e LAKATOS, 2006). Nesta pesquisa foram analisadas seis Universidades Públicas do Estado do Paraná, sendo no total doze cursos, seis de Licenciatura e seis de Bacharelado. Vale destacar, que os documentos coletados nesta pesquisa foram os Projetos Político Pedagógico, recentemente implantados e construídos após a reformulação baseada nos Pareceres n.º 09/2001, 01/2002, 02/2002, 058/2004 e a Resolução n.º 07/2004. Com os documentos em mãos utilizamos a seguinte estrutura: a) relacionamos o conteúdo dos Projetos Político Pedagógicos com a base legal, pareceres e resoluções da área da Educação Física e da Saúde Pública, para mostrar como aconteceu à transferência do “enfoque de saúde”. b) Verificamos como foi utilizado o “enfoque de saúde” na licenciatura e no bacharelado, de acordo com nossa estrutura em duas linhas, enfoque biomédico e enfoque ampliado de saúde (Promoção da saúde). c) Avaliamos o enfoque dado ao componente curricular, segundo suas características, classificando-os em humanista ou biológico. Os resultados demonstraram que efetivamente foram levadas a cabo as recomendações das Diretrizes Curriculares específicas e por isso o enfoque de saúde recomendado é o da Organização Mundial de Saúde (OMS), porém, para que este enfoque fosse concretizado criaram-se uma série de estratégias específicas, para promover a saúde e prevenir doenças em nível mundial. A principal e atual é conhecida como a da Promoção à saúde. A partir disto, inferimos que os cursos acompanharam este movimento e inseriram no currículo disciplinas que discutem a “nova promoção da saúde” em destaque podemos observar que três cursos optaram por inserir esta disciplina na licenciatura e no bacharelado com diferentes enfoques: humanista para a licenciatura e biológico para o bacharelado. Já os outros três optaram pela inserção da disciplina apenas nos cursos de bacharelado dando ênfase ao enfoque biológico da ação do profissional de Educação Física. Concluímos que apesar das alterações ideológicas que formataram os Projetos Políticos Pedagógicos estarem de acordo “teoricamente” com o movimento da “nova Promoção à saúde” ainda o que predomina é a idéia de que compete ao profissional de Educação Física dar ênfase em sua prática; a prescrição, monitoramento e avaliação de atividades físicas através das bases biológicas do ser humano, e consequentemente é necessário o amadurecimento sobre o real sentido da Promoção da saúde na Educação Física, pois segundo o que observamos o foco da Educação Física seria o de prevenir agravos à saúde através da mudança de “estilo de vida” a partir da prática de atividades físicas sistematizadas e bem sabemos que a prevenção de doenças se manifesta justamente pelo modelo biomédico. Sendo assim, é necessário repensar as interpretações usadas sobre o enfoque de promoção a saúde nos currículos analisados. Palavras-chave: saúde, Educação Física e currículo. ABSTRACT This paper objective was to analyze the health concept at hand in educational curriculums on Physical Education in main universities in the state of Paraná. I this manner, we theoretically limited ourselves in the two most accepted sources now. One that encompasses heath through the biomedical modal (CAPRA, 1982), that is, the absence of illnesses. Another in the “new Promotion to health” strategy (BUSS, 1999), that consider health in a wide spectrum of cultural and social circumstances as resource but not as a means to an end for quality of life envisioning knowing thought which of those, respectively, the current Physical Education in their curriculum is being administered. In the procedure, the documental analysis technique was applied (MARCONI e LAKATOS, 2006). In this study, six public universities in the state of Paraná were analyzed totaling twelve courses, six bachelor degree and six teacher licensing courses. It is worth mentioning that the documents assembled in this study were the recently implanted Pedagogical Political Projects assembled after the reformulation based in the Analyses # 09/2001, 01/2002, 02/2002, 058/2004 and Resolution # 07/2004. With the documents at hand, the following analysis structure was used: a) the content of the Pedagogical Political Projects with the legal base were listed to show how the “health concept” transfer took place. b) It was verified how the “health concept” was utilized in the bachelor degree and the teacher licensing according to our structure in two conceptual lines, the biomedical concept and the amplified concept of health (Promotion of Health). c) The approach given to the curricular component was evaluated according to its characteristics classifying them as humanist or biological. The results showed that effectively, recommendations from specific Curricular Guidelines were put in practice, as a result, the World Health Organization health concept is recommended (WHO). However, to make this concept possible a series of specific strategies were created to promote health and prevent illnesses worldwide. The main and current strategy is known as Promotion to health. Thus, it is inferred that the courses followed this movement and inserted in the curriculum topics that discuss the “new promotion to health”. It could be observed that three of the courses opted for inserting this subject in the bachelor degree and teacher licensing courses with different approaches: humanist for the teacher licensing course and biological for the bachelor degree course. Yet, the other three opted for the introduction of the subject only in the bachelor degree course emphasizing the biological focus of the actions of the Physical Education professional. We concluded that, even though the ideological alterations that formed the Pedagogical Political Projects were theoretically in concordance with the movement of the “new Promotion to health”, still, what dominates is the idea that it is up to the Physical Education professional to give emphasis in its practice; instruction, monitoring, and evaluation of physical activities through human biological bases. Consequently, it is necessary a more mature thought on the real meaning of Health Promotion in Physical Education, since, according to what we observed, the focus of Physical Education would be to prevent health aggravations through a life style change from the practice of systematical physical activities. It is well known that the prevention of illnesses is manifested by the biomedical modal. Thus, it is necessary to rethink the interpretations on the concept of health in the analyzed curriculums. KEYWORDS: Health, Physical Education, Curriculum. LISTA DE QUADROS Quadro 01. Distribuição das características das Universidades Públicas do Paraná.......................................................................................................................... 69 Quadro 02. Distribuição das características dos seis cursos de Licenciatura.............. 72 Quadro 03. Distribuição das características dos seis cursos de Bacharelado............. 75 Quadro 04. Distribuição dos objetivos e perfil do egresso dos seis cursos de licenciatura.................................................................................................................... 77 Quadro 05. Distribuição dos objetivos e perfil do egresso dos seis cursos de Bacharelado.................................................................................................................. 80 Quadro 06. Número de componentes totais e os relativos à saúde.............................. 83 Quadro 07. Características dos componentes curriculares a partir do conceito de saúde e enfoque específico ..................................................................... .............................. 84 1. INTRODUÇÃO A relação entre a Educação Física e a saúde vêm sendo tema de discussão, o que nos leva a buscar a compreensão deste processo. Sabemos que a interpretação do significado do termo “saúde”, se estabeleceu historicamente e tais interpretações, trazem até hoje resquícios, que se manifestam no modo de viver das pessoas. Esta influencia, somada as respectivas organizações políticas, sociais e econômicas, direcionam modelos, a serem seguidos e reproduzidos aos seres humanos como socialmente e culturalmente corretos. Então, se observarmos as literaturas atuais, ainda não se tem um consenso sobre o “conceito de saúde”, desafio amplamente reconhecido dado à complexidade envolvida. Sendo possível fazê-lo a partir de numerosas perspectivas (ALLEYNE, 2001). Considerando essa dinâmica, e sabendo que os profissionais de Educação Física fazem parte da área da saúde, de acordo com a Resolução CNS – n.° 218, de 6 de março de 1997 (BRASIL, 1997); propomos-nos a compreender como os currículos de formação em Educação Física enfocam o termo saúde e como este retorna, a partir das disciplinas aos acadêmicos, futuros profissionais. Isto se justifica em função de existir uma proposta de reestruturação curricular a partir dos Pareceres n.º 01 e 02 de 2002 e da Resolução n. º 07 de 2004, para os cursos de Educação Física. Assim, acreditamos que se analisarmos os currículos atuais de formação em Educação Física, podemos dar um retorno sobre a influência do enfoque de saúde presente, informando para este profissional como estão acontecendo as transformações do mercado de trabalho emergente na área da saúde. Para isto acontecer, acreditamos ser uma motivação saber: Qual é o enfoque dado a saúde nos currículos de formação em Educação Física atualmente nas principais Universidades Públicas do Estado do Paraná? Para entender tais manifestações, é necessário analisar as relações entre as características da formação profissional em Educação Física, com os principais enfoques de saúde atual, para evidenciar se a reforma curricular da Educação Física acompanhou as transformações deste, segundo a área da saúde, na qual o professor/profissional foi inserido. Portanto, o objetivo geral desse trabalho é: analisar o enfoque de saúde usado atualmente no currículo de formação em Educação Física nas principais Universidades Públicas do Estado do Paraná. Para atender a este objetivo estruturamos a dissertação em duas formas de investigação: a bibliográfica e a de campo, sendo que na primeira parte abordamos de forma retrospectiva a gênese da palavra saúde e como esses enfoques foram construídos, após detectar a complexidade que envolve o ato de definir este enfoque, optamos por trilhar os enfoques mais usados que são: o biomédico e o da Promoção da saúde (atual), apontando a influência destas definições para a formação do professor/profissional de Educação Física. Em seguida, discutimos a gênese da palavra “currículo”, para relacionar as principais linhas teóricas existentes com os caminhos que a Educação Física seguiu na perspectiva de colocar em evidência a linha teórica abordada na construção curricular em Educação Física, pois, é a partir dela que os professores pautam sua atuação. Por fim, foi feita uma abordagem sobre a questão da construção das Leis, Pareceres e Resoluções que efetivamente fragmentaram a Educação Física em Licenciatura e Bacharelado relacionando esta mudança com o mercado de trabalho emergente para Educação Física na área da saúde. Na segunda parte, em termos metodológicos, a base foi a pesquisa documental e foram observados os Projetos Político Pedagógico e Programas de ensino dos cursos de Educação Física, nível Licenciatura e Bacharelado em seis Universidades Públicas do Estado do Paraná. 2. O ENFOQUE DE SAÚDE E A EDUCAÇÃO FÍSICA: (RE) EVOLUÇÕES Neste item temos a intenção de discutir a questão do enfoque de saúde. Sabemos que esse desafio é amplamente reconhecido, pois trata um tema muito complexo que pode ser interpretado a luz de várias linhas de pensamento, desde o senso comum à científica. Diante deste pressuposto, buscamos na literatura informações acerca da trajetória histórica do conceito de saúde até a atualidade e quais são seus principais enfoques. A partir deste entendimento fizemos um paralelo com a formação profissional em Educação Física; acreditando que exista uma correlação direta entre conceito de saúde e a ação deste profissional. 2. 1 - Saúde e Evolução Histórica Para que possamos discutir saúde, optamos inicialmente em compreender o significado e origem da palavra, isto é, sua etimologia, pois, a partir do entendimento desta, podemos traçar caminhos e significados para lograr os objetivos deste trabalho. Segundo Cunha (1999, p. 708), “saúde significa ‘estado de são’, ‘salvação’ XIII. Do lat. Salus – utis // salutAR XVI. Do lat. Salutaris-e // salutÍ – FERO XVII // saudÁVEL / XVI, saudabelle XV / o advérbio saudavelmente já se documenta no século XIV” (SIC). Para entendermos esta citação e o respectivo significado que ela propõe, seguimos as vertentes históricas da interpretação do conceito saúde, desde seus primórdios e antepassados, repassando alguns dos principais elementos precursores da sua constituição no seio da cultura ocidental. A gênese da palavra ao conceito construído depende da situação geográfica, cultural e histórica, isto é, está relacionada às crenças, aos valores e aos costumes de cada povo. Nesta lógica, conceituar saúde implica em entender o contexto pelo qual sua significação é construída, isto é compreender o ser humano enquanto ser histórico e sua interação com a natureza, corpo, sociedade, enfim com o cosmo. Desde a Grécia antiga, e por muito se caminhou numa tentativa de ampliar a possibilidade de compreender e definir saúde. Ao longo da história o entendimento dela influenciou diretamente o modo de viver das pessoas, desde a construção de suas casas, bem como nas maneiras ou métodos de cura e estratificação social (CANGUILHEM, 1990). Na Grécia antiga a orientação moral era construída a partir dos mitos, um dos principais poetas rapsodos1 era “Homero” e retratou no poema “Odisséia” a saga de Ulisses no qual encontramos o conto, da “barreira cerácea” que anuncia o advento da cultura que passa, a partir daí, a intervir nos processos, até então exclusivamente naturais, de vida-morte e saúde-doença (MELO-FILHO 1995). A partir do mito, Ulisses em sua saga, remonta uma norma que se relaciona à educação dos marinheiros, para que os mesmos não colocassem em perigo a tripulação do navio com desejos individuais, deveriam tampar os ouvidos com cera para não ouvir o “canto da sereia” (desejos). Isso serviu também para a educação moral na Grécia para determinar condutas específicas no cotidiano social. 1 Rapsodos perambulantes: na antiga Grécia eram os cantores ambulantes de rapsódias, os costuradores de cantos. Podiam ser também poetas e trovadores. O que está posto é a seguinte questão: se “saúde” significa “conservar a vida”, devemos seguir normas pré-estabelecidas, e negar o canto da sereia (desejos), representado pelo termo “salvação”, e se relaciona da seguinte maneira, se não seguir determinadas regras, no caso, aqui da sociedade grega, o ato de ouvir o canto da sereia e suprir os desejos individuais, colocaria em risco sua própria vida e dos outros, pois quebraria o respeito às normas (cultura) constituídas a partir do mito (MELO-FILHO 1995). Outra relação ainda no mundo antigo foi o antagonismo criado pelas duas filhas do deus Asclépio: Panacéia e Higéia. Panacéia era a padroeira da medicina curativa, prática terapêutica baseada em intervenções sobre indivíduos doentes, através de manobras físicas, encantamentos, preces e uso de medicamentos. Sua irmã, Higéia, era adorada por aqueles que consideravam a “saúde” como resultante da harmonia dos homens e dos ambientes, e buscavam promovê-la por meio de ações preventivas, mantenedoras do perfeito equilíbrio entre os elementos fundamentais terra, fogo, ar, água (ALMEIDA-FILHO 2003). As influências dessas interpretações determinaram identidades e relações sociais como, por exemplo: a identidade entre democracia2 e saúde, que parte da idéia de um princípio de igualdade de direitos, primeiro é a “isonomia” entre as forças (terra, água, fogo e ar) que possibilita a saúde, enquanto a “monarquia”3 de um dos quatro elementos significava doença (SEVALHO, 1993). 2 A palavra vem do grego Demos, que significa “povo”. Assim sendo, a Democracia ficou sendo chamada de “governo do povo” (MATA, s/d) 3 Governo de um monarca, forma de governo em que o poder supremo é exercido por um monarca (BUENO, 1996) Neste sentido as interpretações eram geradas num mundo carente de explicações às quais foram estruturadas pelos pensadores do momento, por exemplo: os pré-socráticos, primeiros filósofos gregos, rompem com o mágico-sobrenatural para explicar a gênese da vida e a questão da saúde. A teoria do humor recusa a ontologia da doença e a integra, ao mesmo tempo, a natureza e paixões humanas: o amor (philia) favorece a união dos quatro elementos, enquanto o ódio (neikos) os separa: “Quando os elementos se misturam produz-se à vida; quando se separam ocorre a morte” (TAMAYO, 1988 p.109). Esse desafio e/ou maneira de entender a saúde motivou a pólis grega a assumir determinadas atitudes, que podemos compreender como uma arte médica, que motivaram Hipócrates (o pai da medicina) e outros pensadores da época a constituir um modelo de intervenção, mais conhecido como a “ciência do calor corporal”. Na Atenas de Péricles, a chave da fisiologia humana se explicava pelo calor corpóreo. Os seres capazes de absorver o calor e manter o seu próprio equilíbrio térmico não precisavam de roupas, essa teoria dos “corpos quentes” 4 , gerou significados, e a partir dessa ciência do calor corporal, ditaram regras de dominação e subordinação e focaram seus interesses apenas no ato de “conservar a vida” e minimamente na dos desejos (SENETT, 2003). Talvez estes sejam os principais pontos do conceito grego de saúde, e sua influência na sociedade antiga. Desde o mito de “Ulisses” a teoria dos “corpos quentes” da Atenas de Péricles VI e V a.C. 4 A compreensão antiga sobre o calor do corpo levou as crenças a respeito da vergonha e da honra. “O registro médico, passando de fêmea, fria, passiva e frágil, para macho, quente, forte e participante, formava uma escala ascendente de valores; tratava os machos como superiores as fêmeas, embora fossem da mesma matéria” (SENNETT, 2003, p.42). A concepção de saúde grega e as perspectivas dela provinda, no sentido de modelo de intervenção permaneceram até a renascença, até mesmo porque as idéias remotas sobre, calor corporal sobreviveram na Idade Média com a autoridade de uma sabedoria herdada, ainda que sujeitas a algumas modificações, sempre fortuitas, impostas pelas necessidades da sociedade cristã que as adotou, mil anos depois. Na Idade Média o conceito de saúde das bases gregas sobreviveu a partir dos atos intervencionistas de cura, isto é, pela arte médica de Galeno que nasceu na época de Adriano, aproximadamente em 130 a. C. (SENNETT, 2003). Sua ciência tinha raízes nas idéias de Aristóteles e Hipócrates, e seus escritos chamaram a atenção dos cristãos, com os quais ele era amistoso, e porque ficara famoso por seus serviços gratuitos que prestava aos clientes que o procuravam (SENNETT, 2003). O entendimento de Galeno sobre “saúde” pressupõe um corpo de bom temperamento, ou seja, cujo calor e humores estejam contrabalançados nos quatro órgãos principais (cérebro, coração fígado e testículos) (BOORSTIN, 1989). Porém, nesta época, as doenças que atingiam o corpo, e as grandes epidemias eram consideradas expiação dos pecados cometidos, ou ainda, imputadas a possessões diabólicas, até mesmo os mais céticos foram influenciados pela força que o movimento apostólico romano exerceu na Europa. Esse movimento religioso cristão se manifestou nos atos intervencionistas de interpretação do processo saúde/doença, sendo que, a definição de saúde foi vista como um estado “são”5, e era usada para instituir condutas, pois, as pessoas que 5 Provêm do Latim Sanus, que denota puro, imaculado correto, verdadeiro. O termo “são” ainda aparece como sinônimo de santo. tinham condutas não pecaminosas, isto é, não infringiam os códigos morais da Igreja, estavam “salvas”, caso essa moral fosse infringida, uma série de maldições poderiam acometer esses indivíduos, inclusive a doença. A partir disso, percebe-se um atrito dicotômico que foi característico desta época: bem/mal, carne/espírito, sagrado/profano, divino/mundano entre outros. Neste período medieval, se torna evidente a sacralização do corpo e consequentemente o entendimento de saúde, este pautado hegemonicamente pela força divina, centralizou suas preocupações com a vida posterior a carnal. A partir da época conhecida como Renascimento, esta idéia começa a ser desfeita, a contraditória harmonia entre o indivíduo e a comunidade. É criada uma nova situação: as forças produtivas capitalistas e as relações sociais burguesas emergem nas contradições do feudalismo e exige um atuar, um sentir e um pensar diferentes daqueles da Antiguidade Clássica (MELO-FILHO 1995). Na renascença o conceito de saúde consiste não apenas numa ausência de doença, consiste numa espécie de prazer: Os utopianos distinguem diversas espécies de prazeres verdadeiros: uns se relacionam com o corpo, outros com a alma. [...] Eles dividem em duas espécies as voluptuosidades do corpo: A primeira espécie compreende todas as volúpias que exercem sobre os sentidos uma impressão atual, manifesta, a cuja causa é o restabelecimento dos órgãos consumidos pelo calor interno. [...] A segunda espécie de volúpia sensual consiste no equilíbrio estável e perfeito de todas as partes do corpo, isto é, numa saúde isenta de mal-estar. Com efeito, o homem que não é afetado pela dor, experimenta em si um certo sentimento de bemestar, mesmo que nenhum objeto exterior agite agradavelmente os seus órgãos. É verdade que esta espécie de volúpia não afeta nem atordoa os sentidos, como por exemplo os prazeres da mesa; apesar disso, muitos a colocam em primeiro lugar, a quase todos os utopianos declaram que ela é a base e o fundamento da verdadeira felicidade. Porque, dizem, só uma saúde perfeita torna a condição da vida humana tranqüila e apetecível; sem saúde, não há voluptuosidade possível; sem ela, a própria ausência da dor não é um bem, é a insensibilidade do cadáver [...] (MORUS, s/d: 109-110). A atitude renascentista remonta os interesses da nova ordem social, que foi marcada por revoluções do pensamento humano na época, promulgando a ascensão de modelos de interpretação da sociedade e do ser humano. Este processo de dessacralização do corpo, fruto da revolução do pensamento renascentista, passa a perceber, após dois mil anos, que os princípios relativos ao calor do corpo que governaram a Atenas de Péricles e santificados pelo peso da longa tradição, parecia enfraquecer, pois a observação do corpo racionalmente e anatomicamente modificou o enfoque de “saúde”. A partir dos séculos XVI, XVII, vários filósofos como Bacon, Locke, Hume e Hobbes construíram novos modelos de observação da realidade. Tais modelos influenciaram a interpretação de corpo, mas mantiveram a dicotomia corpo/alma, separando a análise de ambos em ciências empíricas, acarretando novas descobertas (LAÍN-ENTRALGO, 1978). A ciência, neste momento, começa a mapear detalhadamente as estruturas do funcionamento do organismo, considerando o ser vivo como um conjunto de partes entrelaçadas, de forma mecânica. A rota escolhida a partir das descobertas de Willian Harvey, sobre o fluxo sanguíneo, combinada com os novos ideais capitalistas, sobre movimento individual na sociedade propiciou uma mudança moral da perspectiva religiosa cristã para a construção de comunidades modernas, limpas e sem doenças (SENNETT, 2003). Esse modelo ideológico, a partir da descoberta da circulação sanguínea, mostrou que o sangue circulava e a partir desse fluxo a comparação com a cidade medieval que, em seus entulhos e dejetos deixados ao ar livre, prejudicavam o ambiente e consequentemente a “conservação da vida”, vislumbraram uma cidade mais limpa, onde os dejetos e as pessoas circulassem e tivessem espaço e escoamento, uma das primazias da questão do saneamento (SENNETT, 2003) . Essa mudança de paradigma para circulação sanguínea, saúde e individualidade corporal, mudou as relações entre os corpos e o ambiente humano. “Numa sociedade crescentemente secular (...) a “saúde” era vista, cada vez mais, como responsabilidade individual, em vez de uma dádiva de Deus” (SENNETT, 2003). Esta visão, produto das descobertas anátomo-fisiológicas, repercutiu diretamente na sociedade como agente cultural da nova ciência Iluminista dos séculos XVIII e XIX, também, pelas idéias de René Descartes. A “visão mecanicista de mundo” 6 modificou as crenças, valores e costumes da época, bem como o entendimento de saúde e corpo. A visão mecanicista e/ou paradigma cartesiano resultou no chamado modelo biomédico, que constitui o alicerce conceitual da moderna medicina científica. O corpo humano é considerado uma máquina que pode ser analisada em termos de suas peças; a doença é vista como um mau funcionamento dos mecanismos biológicos, que são estudados do ponto de vista da biologia celular e molecular; o papel dos médicos é intervirem, fisicamente ou quimicamente, para consertar o defeito no funcionamento de um específico mecanismo enguiçado (CAPRA, 1982). No século XX, a tendência biomédica persistiu e houve notáveis realizações, mas alguns desses triunfos demonstraram problemas inerentes a seus 6 A maior mudança na história da medicina ocidental ocorreu com a revolução cartesiana. Antes de Descartes, a maioria dos terapeutas atentava para a interação de corpo e alma, e tratava seu pacientes no contexto de seu meio ambiente social e espiritual (CAPRA, 1982, p. 119). métodos, visíveis desde o início do mesmo século, mas que se tornaram evidentes para um grande número de pessoas, dentro e fora do campo da medicina. Este modelo que conduziu a prática da medicina e a organização da assistência à saúde foi levado ao centro do debate público e evidenciou a muitos, que seus problemas estão profundamente interligados com as outras manifestações da nossa crise cultural. Diante dessa visão, Capra (1982, p. 127), nos alerta: “a relação entre medicina e saúde é difícil de ser avaliada porque a maioria das estatísticas sobre saúde usa o limitado conceito biomédico de saúde, definindo-a como ausência de doença”. É evidente que o modelo biomédico trouxe a civilização moderna uma série de benefícios, como o controle de doenças infecto-contagiosas, porém a redução ou limitação das causas da doença a partir de um único pressuposto, o “biológico” no caso, não propiciou a melhora na assistência coletiva de saúde. ... o problema central da assistência contemporânea à saúde é o conceito biomédico de doença, de acordo com o qual as doenças são entidades bem definidas que envolvem mudanças estruturais em nível celular e tem raízes causais únicas. O modelo biomédico deixa margem a várias espécies de fatores causativos, mas a tendência dos pesquisadores é aderir à doutrina de “uma doença uma causa” (CAPRA, 1982, p. 142). Embora o modelo biomédico distinga os sintomas das doenças, cada doença, numa acepção mais ampla, pode ser vista meramente como o sintoma de uma enfermidade subjacente, cujas origens raramente são investigadas. Tal conduta exigiria que a saúde precária fosse considerada dentro do amplo contexto da condição humana reconhecendo-se que qualquer enfermidade, ou distúrbio comportamental, de um determinado indivíduo, só pode ser compreendido em relação à rede de interações em que essa pessoa está inserida. Diante desse modelo, podemos perceber a rede construída, desde a formação do médico, fundamentado no paradigma biomédico, que se centrou na doença, esta vista como um defeito causado por fatores exógenos. Tal problemática conceitual propiciou a hegemonia desse entendimento o que leva a perpetuar o entendimento social e cultural de saúde como ausência de doença. Sendo assim, três séculos depois de Descartes, a medicina ainda se baseia nas noções do corpo como uma máquina, da doença como conseqüência de uma avaria nessa máquina, e que a tarefa do médico e de consertar esta máquina. Como visto a questão cultural-histórica, é e foi fundamental na relação proposta que configurou um movimento que sempre influenciou e influenciará a interpretação simbólica do que significa “saúde”. 2. 2 - Enfoque Contemporâneo de Saúde Em decorrência das mudanças sociais, políticas e culturais houve o esgotamento do paradigma biomédico7, e uma mudança no perfil epidemiológico que se desenvolveu nas últimas décadas através do ideário que conhecemos como o da “Promoção à Saúde”, enquanto uma resposta aos desafios contemporâneos. Sabemos que esta transformação ocorreu a “priori” nos países desenvolvidos, a partir dos anos 7 O que não quer dizer a não utilização do mesmo até hoje, porém reformulado. 70, e foi a principal linha de atuação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que influenciou nos anos seguintes a elaboração de políticas de saúde8 em diversos países. Então, resgatamos o histórico da construção do conceito de saúde da Organização Mundial da Saúde e seus enfoques diante da dinâmica social, culminando com o enfoque de Promoção da Saúde, que na nossa concepção se trata de um enfoque contemporâneo. O processo de transformação veio acontecer no pós-guerra, mais precisamente a partir de 1948, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), propôs um conceito de saúde universal (SÁ JUNIOR, 2004). Porém, só depois de algumas décadas, esse conceito foi oficializado a partir da declaração de Alma-Ata, produto do Relatório da Conferência Internacional sobre cuidados Primários de Saúde, realizada na então União Soviética no período de 6 a 12 de setembro de 1978, contando com representantes de 134 governos e de 67 organizações e agências da ONU e entidades não governamentais com relações oficiais com a OMS e UNICEF, participaram de Alma-Ata (GERALDES, 1992). A saúde foi expressa como ação comunitária, autodeterminação e autoresponsabilidade, associada à eclosão de uma série de eventos que iriam acontecer mundialmente para melhorar as condições de vida no planeta, especificamente promulgou-se num conceito universal. A Organização Mundial de Saúde (OMS, 1978) usou a seguinte expressão: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. 8 Entende-se como política de saúde as formas, historicamente determinadas, de o “Estado” reagir às condições de saúde da população e aos seus determinantes através da produção, distribuição e regulação de bens e serviços que afetam a saúde dos indivíduos e da coletividade (ROUQUAYROL, 1999). Essa reunião se transformou num marco-histórico, pelo reconhecimento dos direitos humanos de todos os povos do mundo em relação ao direito a saúde. A declaração de Alma-Ata, segundo o mesmo autor: ... é o resumo de todos os aspectos temáticos tratados na conferência e que sintetiza a necessidade de ação urgente, por parte dos governos, dos militantes da área de saúde e desenvolvimento e de toda comunidade mundial, no sentido de proteger e promover a saúde de todos os povos do mundo (GERALDES, 1992 p. 20). Diante deste intuito a comunidade internacional colocou-se em ação para alcançá-lo e podemos evidenciar como segundo marco histórico a primeira “Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde” no Canadá, cidade de Ottawa no ano de 1986, na qual se definiu um novo panorama para a questão da saúde mundial, e partiu do seguinte pressuposto: Promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo. Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção de um bemestar global (OMS, 1986, p.01). Essa Conferência foi uma resposta às crescentes expectativas por uma nova Saúde Pública9. As discussões focalizaram principalmente as necessidades em 9 Saúde Pública: Mais conhecida como arte e ciência de prevenir doença e a incapacidade de prolongar a vida e promover saúde física e mental mediante os esforços organizados da sociedade. (PAIM,1998). saúde nos países industrializados, embora tenham levado em conta necessidades semelhantes de outras regiões do globo (OMS, 1986). Tal documento se tornou referência para as demais Conferências Internacionais de Promoção da Saúde, promovidas pela OMS (Adelaide, 1988; Sundswall, 1991; Bogotá, 1992; Jacarta, 1997; México, 2000, Bangkok, 2005). Para essa nova corrente a justiça social, a eqüidade, a educação, o saneamento, a paz, a habitação, o salário digno, a estabilidade do ecossistema e a sustentabilidade dos recursos naturais são pré-requisitos essenciais à saúde da população. Recomendam-se como eixos de suas estratégias e ações: a) a constituição de políticas públicas saudáveis; b) a criação de ambientes sustentáveis; c) a reorientação dos serviços de saúde; d) o desenvolvimento da capacidade dos sujeitos individuais e e) o fortalecimento de ações comunitárias (CARVALHO, 2004a). Outro ponto que nos chama atenção nesse contexto é que um dos núcleos filosóficos dessa abordagem, o conceito de “empowerment”, implícita ou explicitamente, está no interior das premissas e estratégias mencionadas. Esta categoria corporifica a razão de ser da nova Promoção à Saúde enquanto um processo que procura possibilitar que indivíduos e coletivos aumentem o controle sobre os determinantes da saúde para, desta maneira, ter uma melhor saúde (CARVALHO, 2004a). A categoria de “empowerment” se revela, como um ponto chave no nosso trabalho, pois, dependendo de como a mesma é interpretada ações direcionadas no ideário da Promoção à saúde, pode tomar diferentes rumos na Educação Física. Para ajudá-los a compreender isto, podemos dizer que, se o “empowerment” for entendido como responsabilidade individual10, significa que é “culpa sua” ter ou não ter saúde, ao aderir ou não ao “estilo de vida ativo” processo visto atualmente como o de “culpabilização do indivíduo11”, que na Educação Física pode remeter na seguinte idéia: “quem não pratica atividade física é um grande preguiçoso”, consequentemente, é o culpado pelos gastos “astronômicos” da saúde pública, sendo que seu sedentarismo repercute em doenças crônico-degenerativas. Por outro lado o “empowerment” pode ser visto através da sociedade, que é constituída de diferentes grupos de interesses que possuem níveis diferenciados de poder e de controle sobre os recursos, fazendo com que processos de “empowerment” impliquem, muitas vezes, na redistribuição de poder e na resistência daqueles que o perdem. Neste sentido o “empowerment” transforma-se, em um conceito de estratégia política que se contrapõem as propostas de gestão e regulação social, que sustentam projetos que contribuem para a manutenção da ordem social “iníqua e injusta” (CARVALHO, 2004 b). A mesma “ordem” (corporativismo) que na Educação Física pode significar a hegemônica base de intervenção social e científica, a partir de incursões “mensurativas”, que objetivam “classificar” comportamentos de risco e de saúde, através da total “tecno-instrumentalização” da ação profissional, esquecendo que existem outros agravantes estruturais que beiram a sobrevivência da população brasileira (BAGRICHEVSKY, 2004). 10 Por meio deste artifício, o governo e instituições conservadoras podem legitimar suas práticas, neutralizando de passagem, proposições que questionam a ordem social (CARVALHO, 2004b). 11 Segundo Czeresnia (1999), a promoção á saúde, em toda sua multiplicidade de dimensões, envolve medidas amplas, além da atenção à singularidade e autonomia dos sujeitos...E que estes sujeitos não podem ser responsabilizados por seus problemas de saúde. Não só esta problemática pode ser argumentada, como também a confusão feita sobre os conceitos de Educação em saúde, informação em saúde entre outros, que ainda prejudicam a ação dos profissionais de saúde e consequentemente o professor/profissional de “Educação Física”, este problema já foi detectado por vários autores, tais como: Buss (1999), Carvalho (2004), Lefrèvre (2004) e Candeias (1997) e vem acontecendo principalmente nos países em desenvolvimento, isto pode ser decisivo no momento do direcionamento de cada um dos profissionais da saúde no ideário proposto pela Promoção da saúde. Este processo acontece da seguinte maneira, verificou-se que a palavra “educação”, freqüentemente mencionada nos documentos oficiais, não passava de uma abstração incômoda. Nunca expressou uma proposta séria das autoridades administrativas que, em geral, tendiam a fundamentar suas ações no modelo biomédico de intervenção, com ênfase na doença e não na saúde12 (CANDEIAS, 1997). Sabe-se, entretanto, que a abordagem biomédica representa apenas uma das cinco formas de intervenção social no cenário da saúde pública, sendo as outras: a abordagem da mudança de comportamento, a abordagem educativa, a abordagem centralizada no cliente e a abordagem societária, cada qual buscando a consecução de determinados objetivos e, para tanto, recorrendo a pressupostos teóricos e conceituais e a especialistas provenientes de vários campos de conhecimento científico. O planejamento se realiza, portanto, de acordo com a lógica circunstancial das necessidades específicas que emergem em diferentes ambientes. 12 Segundo o ideário da nova Promoção da saúde a “saúde” é produto de um amplo espectro de fatores relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e nutrição, de habitação e saneamento, boas condições de trabalho e renda, oportunidades de educação ao longo de toda a vida dos indivíduos e das comunidades (BUSS, 1999). Muitos são os princípios e os conceitos que fundamentam a prática da Educação em saúde e da Promoção da saúde. Sem cair em armadilhas reducionistas, à educação em saúde (não confundir com informação em saúde) procura desencadear mudanças de comportamento individual, enquanto que a promoção da saúde, muito embora inclua sempre a educação em saúde, visa a provocar mudanças de comportamento organizacional, capazes de beneficiar a saúde de camadas mais amplas da população, particularmente, porém, não exclusivamente, por meio da legislação (CANDEIAS, 1997). Estas são algumas das facetas do ideário da nova Promoção da saúde que ainda passa por reformulações, inclusive do próprio enfoque de saúde utilizado. No próximo subitem iremos abordar o processo de implantação deste ideário no Brasil resgatando sua história e peculiaridades. 2.3 - Traçando Caminhos de Saúde no Brasil No Brasil as transformações na conceituação de saúde aconteceram a partir da década de 70 do século XX, motivadas pelas conferências mundiais supracitadas. Esse movimento ficou conhecido como a Reforma Sanitária Brasileira 13 seus ideários consistiam na proposta de um Sistema Único de Saúde (SUS), fundamentalmente estatal, sendo o setor privado suplementar àquele, sob controle 13 Esse movimento trouxe a tona a Expressão Saúde Coletiva no Brasil, que tem a finalidade de alterar substancialmente a forma de promover saúde até essa época, caracterizada, como sabido, pela repressão e exclusão, a principal diferença entre saúde pública e coletiva é que as ações da saúde coletiva são retrato de instituições não governamentais (FENSTERSEIFER, 2005) público, e descentralizado. No bojo desse processo de luta pela democratização política no Brasil que se organiza um movimento de mobilização pela conquista da “saúde” como direito universal dos cidadãos e um dever do Estado. A chegada da Nova República em 1985 pondo fim a 21 anos de governos militares viabilizou condições de democracia e liberdade para o conjunto da sociedade e abriu espaço para um processo de reformas no sentido de reversão do modelo de desenvolvimento então vigente (CARVALHO, 1985). O setor de saúde encontra nesse momento, um conjunto de propostas articuladas configurando um projeto alternativo e um conjunto de quadros políticos e técnicos com elas comprometidos e, até com alguma experiência na área do Poder Executivo. Isso propiciara a presença em postos chaves dos Ministérios da Saúde e da Previdência de quadros político-técnicos oriundos do “movimento sanitário”14 e a adoção como programa de governo algumas teses históricas desse movimento. Esse movimento estava, calcado na experiência italiana sob a liderança não pública do Partido Comunista Brasileiro (PCdoB), congregava os setores de esquerda e os setores progressistas da área da saúde na formulação de propostas para sua reorganização institucional no país e na produção de conhecimento que desse suporte a elas (LAURELL, 1994). A junção desses fatores tornou viável a realização, em março de 1986, em Brasília, da VIII Conferência Nacional de Saúde, reunindo cerca de cinco mil participantes dos mais diversos segmentos sociais e políticos. Este encontro viabilizou uma série de propostas, que vinham sendo construídas desde os primeiros movimentos sanitários no Brasil e no mundo. Todo o 14 Sinônimo de Reforma sanitária. movimento encetado pelo projeto contra-hegemônico, nos campos político, ideológico e institucional, desde o início dos anos 70, vai confluir para esse acontecimento, constituindo-se no momento apical de formatação político-ideológica do projeto da Reforma Sanitária Brasileira (MENDES, 1995). A Reforma Sanitária Brasileira, conceituada como um processo modernizado e democratizante de transformação nos âmbitos político-jurídico, políticoinstitucional e político-operativo, partiram da iniciativa de dar conta da saúde dos cidadãos, entendendo a saúde como um “direito universal” e suportada por um Sistema Único de Saúde (SUS), constituído sob a regulamentação do “Estado”. Tais objetivos solicitaram estratégias do governo com mais eficiência, eqüidade e que fossem construídas permanentemente através do incremento de sua base social, da ampliação da consciência sanitária dos cidadãos, da implantação de outro paradigma assistencial, do desenvolvimento de uma nova ética profissional e da criação de mecanismo de gestão e controle populares sobre o sistema. A célebre VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS) realizada em 1986 utilizou o enfoque de saúde desenvolvido pelo movimento sanitário na mesma época, também internacionalmente, culminando na construção do enfoque de saúde ampliado: Em seu sentido mais abrangente, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida (CNS, 1986, p.8). Porém, o panorama encontrado atualmente, demonstra que no Brasil estamos longe da efetividade dessas ideologias, consolidadas em lei, pois, existem grandes incompatibilidades entre o enfoque de saúde “ampliado”, tal qual redigido pela OMS e a efetiva aplicação destes princípios no Brasil. Os problemas começaram a aparecer diante da realidade social brasileira, em suas distintas regiões, nas quais as diferenças já o são previsíveis, e ainda se comparadas com a do Canadá, Estados Unidos e/ou os países europeus a comparação gera mais incompatibilidades ainda. Isto é, se são previsíveis aqui no próprio país, é previsível também, que se aplicado o suposto modelo nos países signatários, tais preceitos gerem resultados satisfatórios, porém no Brasil, será que os resultados são os mesmos? Vivemos em um país ainda assolado pela iniqüidade, a qual se agrava pela prolongada crise econômica e pelos programas de política de ajuste macroeconômico. Segmentos importantes da população não conseguem ter satisfeitas as suas necessidades básicas, para garantir condições dignas de vida, quadro agravado pela redução histórica do gasto social e das políticas de ajuste, tais quais também, na ordem política, existem barreiras que limitam o exercício pleno da democracia, bem como uma participação ampla na tomada de decisões (COOPER; SAYDE, 2006). Sabendo desta condição de desigualdade social e falta de comprometimento político, é necessário que no Brasil a luta do movimento pela “saúde” preconizada nos documentos oficiais seja pelo cumprimento do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que diz respeito á integralidade (DA ROS, 2006). Além do mais, a Constituição Brasileira reconhece a “saúde” como direito de cidadania e dever do Estado, e a proposta de Promoção da Saúde concebe-a como produção social, dessa forma, engloba um espaço de atuação que extrapola apenas o setor saúde (BRASIL, 2001). Então a conseqüência do enfoque de saúde no sentido ampliado de qualidade de vida depende da articulação de saberes técnicos, populares e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados (BUSS, 2000). Nesta expectativa, concordamos com a idéia de Sá Júnior (2004, p.2): [...] quem se debruçar sobre a Constituição do Brasil verificará que, nela, saúde significa “políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (art. 196). E mais, aqui saúde quer dizer assistência à saúde ou “atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais”, “com participação da comunidade” (art. 198, incisos II e III). Donde se depreende que a legislação brasileira chama de “saúde” o sistema social de atendimento das pessoas e das comunidades. Ninguém, honestamente, tem o direito de pretender outra coisa para este significante neste contexto particular. 2. 4 - Educação Física e Saúde A Educação Física, presente no fim do século XVIII e no princípio do século XIX traz consigo a concepção de ser humano dividido em res cogitans e res extensa, mas sublinhando que o ser humano é essencialmente pensante, em perfeita conformidade com a declaração peremptória de Descartes: “não há nada no conceito de corpo que pertença à mente e nada na idéia de mente que pertença ao corpo” (ROSÁRIO, 1999). Ela se instaurou quando para a pedagogia se transportam as grandes aquisições da medicina de pendor cartesiano, isto é o modelo biomédico. Nesta perspectiva olhamos uma Educação Física pautada no domínio do paradigma mecânico, o qual explicou o ser humano a partir de simples processos físiconaturais. Como se fosse uma máquina, um relógio. Damásio (1996) culpa Descartes de ter divulgado a idéia de um espírito descorporalizado e ter empurrado a medicina para um anátomo-fisiologismo extremo. E não só a medicina, mas, também a Educação Física! Esse paradigma ao longo de trezentos anos propiciou mudanças para o convívio sócio - cultural e nessa visão, não possibilitou enxergarmos o mundo na sua totalidade, mas em partes que ficaram tão distantes que perderam a ligação entre si e as conseqüências não poderiam deixar de atingir a Educação Física, pois sua intervenção foi pautada pelos conhecimentos advindos das produções científicas, principalmente aquelas com vertente no anátomo/fisiologismo, a mesma que fundamentou o entendimento sobre saúde. Então, é possível sugerir que a base pela qual esta área buscou sua legitimidade foi através do conhecimento advindo da ciência, o qual conquistou grande “status” enquanto verdade a partir do século XVI e XVII, juntamente com transformações sociais da época e do pensamento desgarrado da metafísica. A ciência se desenvolveu a partir da idéias de pensadores como Bacon (1561-1626), Locke (1632-1704) e Rousseau (1712-1778), que trazem em cena a importância dos cuidados com o corpo e dos exercícios físicos para a formação dos indivíduos, no contexto do surgimento e consolidação da sociedade burguesa (BETTI, 1996). A revolução industrial alavancou modificações severas no trato com o corpo, pois os indivíduos passavam horas a finco nas fábricas, acreditando no desenvolvimento de sua nação e a prática de exercícios ginásticos foi um coadjuvante técnico para amenizar essa situação, disciplinando e docializando o corpo do trabalhador. Examinando ainda a gênese da Educação Física, sua função seria propiciar a conservação da “saúde” a partir do desenvolvimento de destrezas corporais, e para formação do caráter moral, sempre numa perspectiva utilitarista. Percebe-se aí a instrumentalização do corpo, devendo esse ser forte e saudável, para que possa obedecer a alma (BRACHT, 1999). Contribuíram para isto os métodos ginásticos, como o Alemão, Francês, Sueco e Calistênico. Pode-se, então, vincular a expressão “Educação Física” a sistematização científica ocorrida em torno dos exercícios físicos, jogos e esporte, e o termo “ginástica” nas obras do século XIX pode ser considerado sinônimo de Educação Física e saúde (SOARES, 1994). A partir desta construção que a Educação Física no Brasil justificou sua inserção, como prática pedagógica de intervenção, a “priori”, com objetivos “higienistas” e “militares”. Sendo que, a intenção política do momento era formar corpos dóceis e fortes para produzir mais e reclamar menos. Sabendo, que esse modelo foi importado da Europa, não obstante, a Educação Física, também importou a definição de saúde biomédica. Efetivamente podemos observar que o conceito de saúde predominante é pautado pelo domínio das descobertas anátomo-fisiológicos do século XIX. O mesmo que enfatizou o conceito de unicausalidade para explicar as causas da doença por único vetor (DA ROS, 2000). Neste contexto, e fruto da biologização e naturalização, dirigem a construção da sociedade e a Educação Física foi utilizada pelos médicos higienistas como instrumento de aprimoramento da saúde física e moral, acoplado aos ideais eugênicos de regeneração e purificação da raça, dando respingos desta concepção na ação profissional. Ela se fez protagonista de um corpo saudável, robusto, disciplinado, e de uma sociedade asséptica, limpa, ordenada e moralizada, enquadrada, enfim, nos padrões higiênicos de conteúdo burguês. Podia ser a “receita” e o “remédio” para a cura de todos os “males” que afligiam a caótica sociedade brasileira capitalista em formação (SOARES, 2001). Nesta perspectiva, a Educação Física nas últimas décadas, desenvolveu notável avanço científico e tecnológico, os quais sob a égide de uma série de disciplinas científicas (biologia, biomecânica, fisiologia entre outras) promoveu um certo impacto no estilo de vida e nas relações socioculturais de seus praticantes, e vê-se hoje como remédio para todos os males a “atividade física”. A abordagem investigativa sobre saúde, presente na Educação Física, ainda privilegia enfoques que exploram mais os determinantes biológicos, em detrimento aos elementos sócio-culturais e econômicos intervenientes no processo saúde-doença, por ter aceitado o modelo biomédico como ideal. A dimensão exultada nessa tendência hegemônica é a da “atividade física associada à saúde”, compreensão esta, prevalente em boa parte das publicações acadêmicas na área e que busca advogar a existência de uma relação de ‘causa e efeito’, quase exclusiva, entre “exercício” e “saúde”. Em outras palavras, para tais estudos, a saúde poderia ser tomada, à priori, como conseqüência de efeitos fisiológicos (mensuráveis quantitativamente) produzidos pela prática regular de atividades físicas (BAGRICHEVSKI, 2005). Esse conceito que caracteriza uma das principais linhas de fundamentação conceitual de saúde na área da Educação Física atual foi direcionado a partir de uma visão holística15 e se configura como uma das mais usadas na área. Segundo Nahas (2003, p.19), “Saúde é considerada uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizadas num contínuo, com pólos positivo e negativo”. Esse conceito possui uma definição interessante, porém gostaríamos de discutir alguns pontos. Seu foco é no comportamento, mesmo o autor considerando a influência das barreiras sociais, tem sua base fundamentada nos aspectos físicos do indivíduo, isso gera um processo, mais conhecido como o de “culpabilização” aquele proveniente da categoria de “empowerment”. Na qual é responsabilidade de cada um estruturar seu estilo de vida, para obter níveis considerados saudáveis. No segundo ponto diz respeito à questão de que a representação comum de saúde e doença como extremo oposto de algo contínuo e unidimensional é muito enganadora (PALMA, 2003). A doença física pode ser contrabalançada por uma atitude mental positiva e por um apoio social, de modo que o estado global seja de bem-estar. Por outro lado, problemas emocionais ou o isolamento social podem fazer uma pessoa sentir-se doente, apesar de seu bom estado físico. Essas múltiplas dimensões da saúde afetamse mutuamente, de um modo geral; a sensação de estar saudável ocorre quando tais dimensões estão bem equilibradas e integradas (CAPRA, 1982). 15 Quando se fala em saúde subentende uma visão de totalidade. Diante dessa lógica, acreditamos que essa definição segue uma tendência mercadológica, pois, para obter um estilo de vida correto, criou-se um arsenal para dar suporte, pautado em tecnologias avaliativas que supostamente indicam se os indivíduos estão ou não dentro dos níveis preconizados, sendo estes estabelecidos em índices matemáticos quantificados em gráficos. Este conceito metafórico orientacional foi delineado por Lakoff e Jonhson (1980). Os autores esclarecem que sua formulação tal como apresentada, é limitada, pois, não assinala a inseparabilidade das metáforas de suas respectivas bases experienciais. Estas, por sua vez, podem variar mesmo outras metáforas relativas à verticalidade. No caso de, por exemplo, “saúde e vida é acima”, “doença e morte é abaixo”, a base experiencial parece ser a posição corporal que acompanha estes estados/condições (PALMA, 2003). Mesmo com problemas estruturais, o conceito de saúde exposto é um dos mais utilizados atualmente na Educação Física no Brasil, por alguns autores como: Nahas (2003), Guedes (1995) e Matsudo (1999). Portanto, não é de todo inesperado que a Educação Física venha abrigando esse legado em seu contexto histórico brasileiro, tendo como “carro chefe” o ideal da exercitação corporal como saúde (PALMA, 2006). Por outro lado, já existem indícios, em estudos consistentes apresentados na própria área, que precisam ser destacados, na perspectiva de enriquecimento do debate crítico acerca do fenômeno saúde (MAIA, 1996; DELLA FONTE e LOUREIRO, 1997; CARVALHO, 2001; PALMA, 2001; MIRA, 2000). De todo modo, para que se amplie, qualitativamente, o espectro de criticidade na discussão em foco, surge a necessidade de buscar e incorporar abordagens diferenciadas do tema, para além das tradicionais quantificações biológicas hegemônicas. Na concepção desses autores supracitados a saúde já não pode ser vista apenas no modelo biomédico, pois existem outras áreas que devem ser consideradas no processo saúde-doença. Diferentes saberes produzidos em outros campos, sobretudo daqueles advindos da área da Saúde Coletiva, e das ciências sociais podem somar significativas contribuições à Educação Física, se permearem mais visceralmente, as análises investigativas desenvolvidas na área, que tangenciam aspectos relativos ao processo saúde-doença e à promoção da saúde (BAGRICHEVSKI, 2005). Observamos que a Educação Física perpassa a mesma crise cultural do enfoque de saúde, porém, na área da saúde existem transformações significativas no sentido do enfoque ampliado de saúde como Qualidade de Vida, agora será que a Educação Física atualmente acompanhou estas modificações? Para entendermos isso optamos por criar uma linha de raciocínio com duas vertentes referenciais de interpretação: a biomédica que interpreta saúde como ausência de doença e a outra da Promoção da saúde que considera a saúde como um meio para obter qualidade de vida. Esta atual e utilizada na área da saúde. Analisando esses enfoques, divergentes em determinados momentos e convergentes em outros, podemos vislumbrar um ponto a ser discutido na questão da formação profissional em Educação Física. Qual é o enfoque de saúde predominante atualmente nos currículos? Persiste o reducionismo da idéia de “saúde” como ausência de doença (Biomédico) ou houve transformações que se adequaram ao enfoque de “Promoção à saúde”? Este desafio está lançado, investigar as raízes desse problema e lutar por um trato diferenciado na questão da saúde, julgando menos e compreendendo mais, nesta esperança construímos esse trabalho e esperamos despertar a impreterível necessidade de ampliarmos nossas interpretações do processo saúde-doença. Sendo assim, torna-se imprescindível repensarmos a relação entre estes enfoques e a realidade legal da formação profissional em Educação Física no Brasil. 3. CURRÍCULO E EDUCAÇÃO FÍSICA: AÇÕES E REFLEXÕES Na continuidade deste trabalho e destacando a perspectiva de ampliar as interpretações no processo saúde-doença, nos propomos a encontrar evidências, que apontem na direção do porque da classificação e utilização de determinado enfoque de saúde dentro de um currículo. Desmistificar essas intenções recorrentes, que impulsionam ideologicamente a decisão de aplicar determinado enfoque de saúde, remonta os caminhos para a compreensão do plano político-ideológico, reservado para a formação dos professores de Educação Física e como conseqüência o repasse desses conhecimentos para os alunos. Como vimos no decorrer desta dissertação, a saúde já não pode ser vista de uma maneira reducionista, nem mesmo a doença, o paradigma biomédico que foi a base dos processos de intervenção em saúde, foi regido sob a idéia de corpo/mente separados, a superação veio nas descobertas científicas que eclodiram na proposta do modelo de Promoção da saúde. Então, nesta etapa nos propomos a entender o porquê e quais teorias são utilizadas no processo de construção curricular atual, e se essa base também vem se modificando de acordo com as mudanças paradigmáticas na ciência e na sociedade. O foco está voltado à compreensão do entendimento do enfoque de saúde no currículo de formação em Educação Física. Para isso, buscamos o conceito geral de currículo e as principais linhas teóricas que regem a construção curricular, com o intuito de desvelar as intenções que configuram a construção do currículo na Educação Física diante do panorama políticoideológico brasileiro com a relação ao quesito, “enfoque de saúde”. Para finalizar, iremos abordar a questão da atuação do professor de Educação Física, no mercado de trabalho, que culminou na construção curricular atual, modelo de licenciatura e bacharelado, sabendo que, o intuito é desvelar as intenções desse currículo quando o assunto é “saúde”. 3.1 - Currículo e Questões Conceituais Julgamos relevante apresentar “a priori” uma reflexão sobre o conceito de currículo. Para Goodson (1995, p.31) a gênese da palavra currículo “...vem da palavra latina Scurrere, correr, e refere-se a curso (ou carro de corrida). As implicações etimológicas são que, com isso, o currículo é definido como um curso a ser seguido, ou, mais especificamente, apresentado”. Como observa Barrow (1984, p. 3) “... no que se refere à etimologia o currículo deve ser entendido como o conteúdo apresentado para o estudo”. Segundo Hamilton (1992), a origem do emprego do termo currículo na educação, faz notar sua ligação com as idéias de unidade, ordem e seqüência dos elementos de um curso, e a elas subjacente, as aspirações de se imprimir maior rigor à organização do ensino. Associa-se, portanto, a idéia de formalização, envolvendo plano, método, controle. Nesta visão, é importante salientar que o poder de definição dos caminhos ou curso a serem empreendidos pelo currículo, está nas mãos daqueles que “esboçam” e definem o curso. Acreditamos que o currículo pode ser considerado como uma invenção social que reflete escolhas sociais conscientes e inconscientes, que concordam com os valores e as crenças dos grupos dominantes na sociedade (WHITTY, 1985). Sendo assim, podemos dizer que o currículo é uma questão de poder e que as teorias do currículo, na medida em que busca dizer o que o currículo deve ser, não podem deixar de estar envolvidas em questões de poder. Selecionar é uma operação de poder. Privilegiar um tipo de conhecimento é uma operação de poder. Destacar entre as múltiplas possibilidades, uma identidade ou subjetividade como sendo a ideal é uma operação de poder (SILVA, 2003). Nesta perspectiva, as teorias do currículo não estão situadas num campo “puramente” epistemológico, de competição entre elas. Na realidade estão ativamente envolvidas na atividade de garantir o consenso, de obter hegemonia. As teorias do currículo estão situadas num campo epistemológico social, no centro de um território contestado (GOODSON, 1995). É precisamente essa questão, a da busca do “poder”, que acreditamos separar as teorias tradicionais das teorias críticas e pós-críticas do currículo, pois as teorias tradicionais pretendem ser apenas isso: “teorias” neutras, científicas, desinteressadas. As teorias críticas e as teorias pós-críticas, em contraste, argumentam que nenhuma teoria é neutra, científica ou desinteressada, mas que está inevitavelmente, implicada em relações de “poder” (SILVA, 2003). Essas relações de poder sempre estiveram ligadas a interesses de “classes16” em determinar o certo e o errado e consequentemente isso nos leva a 16 As classes são grandes grupos de pessoas que diferem umas das outras pelo lugar ocupado por elas num sistema historicamente determinado de produção social, por sua relação (na maioria dos casos fixada e formulada perguntar: o que essas classes pensam a respeito da capacidade superior de determinar o rumo da existência do ser humano? O problema não está no julgamento, porém no que as mesmas acreditam. Quais são seus valores? Qual é sua respectiva moral? O que consolida suas bases de interpretação do mundo? E mais especificamente, como entendem a “saúde” num processo social dinâmico? Para entendermos estas questões iremos percorrer as teorias do currículo, tendo em mente a seguinte seqüência, que resume as grandes categorias das teorias de acordo com os conceitos que elas, respectivamente, enfatizam: Teorias tradicionais, Teorias críticas e Teorias pós-críticas. Cada uma destas categorias tem uma base ideológica que de acordo com o momento histórico, no qual ela surgiu e buscou efetivamente se adaptar como um sistema educacional, no sentido de formar uma sociedade. Por isso esses discursos são questionados, pois qual discurso (narração e diálogo) efetivamente é o mais adequado à construção e formação dos conhecimentos de uma sociedade? A orientação dada por Bobbitt iria constituir uma das vertentes dominantes da educação estadunidense no restante do século XX. Mas ela iria concorrer com vertentes consideradas mais progressistas, como a liderada por Jonh Dewey, por exemplo. Bem antes de Bobbitt, Dewey tinha escrito, em 1902, um livro que tinha a palavra currículo no título. The child and the curriculum. Neste livro, o autor estava muito mais preocupado com a construção da democracia que com o funcionamento da economia. em lei) com os meios de produção, por seu papel na organização social do trabalho e, por conseqüência, pelas dimensões e método de adquirir a parcela da riqueza social de que disponham. As classes são grupos de pessoas onde uma pode se apropriar do trabalho de outra, devido a lugares diferentes que ocupam num sistema definido de economia social (Stavenhagen, 1973). Também em contraste com Bobbitt, ele achava importante levar em consideração, no planejamento curricular, os interesses e as experiências das crianças e jovens. Para Dewey, a educação não era tanto uma preparação para a vida ocupacional adulta, como um local de vivência e prática direta de princípios democráticos. A influência de Dewey, entretanto, não iria se refletir da mesma forma que a de Bobbitt na formação do currículo como campo de estudo (PEDRA, 1997). A atração e influência de Bobbitt devem-se provavelmente ao fato de que sua proposta parecia permitir à educação tornar-se científica. Não havia por que discutir abstratamente as finalidades últimas da educação: elas estavam dadas pela própria vida ocupacional adulta. Tudo o que era preciso fazer era pesquisar e mapear quais eram as habilidades necessárias para as diversas ocupações. Com um mapa preciso dessas habilidades era possível, então, organizar um currículo que permitisse sua aprendizagem. A tarefa do especialista em currículo consistia, pois, em fazer o levantamento dessas habilidades, desenvolvendo currículos que permitissem que essas habilidades fossem evidenciadas e, finalmente, planejar e elaborar instrumento de medição que possibilitassem dizer com precisão se elas foram realmente aprendidas (SILVA, 2003). Bobbitt se baseou nos princípios de organização científica. Valendo-se desses mesmos princípios, tratados posteriormente por Ralph Tyler, esse modelo consolidou-se, conformando o currículo em uma questão técnica. Sob esta concepção, denominada técnico-linear, o currículo passou a ser o organizador, o gestor e o controlador do sistema educativo, definindo a ordem, a seqüência e a dosagem dos conteúdos, regulando e controlando, assim, a distribuição dos saberes escolares, de acordo com o público-alvo (SAVIANI, 1988). A idéia de controle social, implícita na concepção técnico-linear de currículo, encontra sua consolidação definitiva no livro de Ralph Tyler, publicado em 1949. O paradigma estabelecido por Tyler iria dominar o campo do currículo nos Estados Unidos, com influência em diversos países, incluindo o Brasil, pelas próximas quatro décadas. Com o livro de Tyler, os estudos sobre currículo se tornam decididamente estabelecidos em torno da idéia de organização e desenvolvimento. Para Tyler (1981) o desenvolvimento do currículo é uma tarefa prática, não um problema teórico, cuja pretensão é elaborar um sistema para conseguir uma finalidade educativa e não-dirigida para obter a explicação de um fenômeno existencial. O sistema deve ser elaborado para que opere de forma efetiva numa sociedade onde existem numerosas demandas e com seres humanos que tem intenções, preferências. Alguns autores com Henry Giroux, Michael Apple, Michael Young esboçaram uma crítica considerando duas dimensões: a) seu caráter instrumental, apolítico e ateórico; b) a pretensão de considerar o campo do currículo como ciência (MOREIRA, 1995). Demarca-se, assim, um movimento progressista que se contrapõe aos modelos tradicionais e autoritários de educação e de práticas curriculares tecnicistas, instalando-se a Teoria Crítica de currículo. Esta efetua uma completa inversão nos fundamentos das teorias tradicionais. Como vimos os modelos tradicionais de Tyler, por exemplo, não estavam absolutamente preocupados em fazer qualquer tipo de questionamento mais radical relativamente aos arranjos educacionais existentes, às formas dominantes de conhecimento ou, de modo mais geral, á forma social dominante. Sobre o currículo, em contraste, começam por colocar em questão precisamente os pressupostos dos presentes arranjos sociais e educacionais. Nesta perspectiva, desconfiam do status quo, responsabilizando-o pelas desigualdades e injustiças sociais. As teorias tradicionais eram teorias de aceitação, ajuste e adaptação. As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical. O importante não é desenvolver técnicas de como fazer o currículo, mas desenvolver conceitos que nos permitam compreender o que o currículo faz (SILVA, 2001). Como reação aos elementos centrais das teorias críticas, ou seja, às grandes narrativas, às noções de razão e racionalidade e a centralização do sujeito soberano, autônomo, racional e unitário, constitui-se um movimento denominado póscrítico, influenciado pelo pós-estruturalismo, pós-modernismo e a virada lingüística (MUÑOZ PALAFOX, 2001). Essa diversidade e cruzamentos de informações sobre as teorias de currículo caracterizam o pensamento contemporâneo sobre currículo, sendo assim, seguimos numa interpretação de que uma teoria de currículo deve considerar as manifestações do conhecimento de uma forma complexa e ampliar as possibilidades de compreensão do mesmo. Silva (2003, p. 17) salienta que: “... os conceitos de uma teoria organizam e estruturam nossa forma de ver a realidade”. Assim, foi uma forma útil distinguirmos as diferentes teorias de currículo e por meio desse exame dos diferentes conceitos que elas empregam. Nas teorias tradicionais, os conceitos mais observados são: ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, organização, planejamento, eficiência e objetivos. Já nas teorias críticas são: ideologia, reprodução cultural e social, poder, classe social, capitalismo, relações sociais de produção, conscientização, inclusão, emancipação e libertação, currículo oculto e resistência. Nas teorias pós-críticas é identidade, austeridade, diferença, subjetividade, significação e discurso, saber-poder, representação cultura gênero, raça, etnia, sexualidade, multi e interculturalismo (FENSTERSEIFER, 2005). A existência de teorias sobre o currículo está identificada com a emergência do campo do currículo como um campo profissional, especializado, de estudos e pesquisas sobre o currículo. Os professores de todas as épocas e lugares sempre estiveram envolvidos, de uma forma ou de outra, antes mesmo que o surgimento de uma palavra especializada como “currículo”, pudesse designar aquela parte de suas atividades que hoje conhecemos como tal. Nesta lógica, refletir sobre currículo é analisar o que Silva (2003, p. 150) coloca: ... depois das teorias críticas e pós-críticas, não podemos mais olhar para o currículo com a mesma inocência de antes. O currículo tem significados que vão muito além daqueles aos quais as teorias tradicionais nos confinaram. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade. 3.2 - Primeiras reflexões: currículos de Educação Física Acreditamos que o currículo de formação em Educação Física se relaciona, historicamente, com o processo de construção da área acadêmica brasileira, tanto pela influência americana, quanto pela européia. Sabemos também que o conhecimento vindo dos ramos da ciência da natureza como a anatomia, a biologia, a fisiologia e a biomecânica fundamentaram o pensar e agir da Educação Física no Brasil. Neste sentido, a Educação Física brasileira17 teve como base de intervenção pedagógica o conhecimento produzido hegemonicamente pelo modelo biomédico e criou sua representação social a partir dos ideais da higiene, eugenia, exercitação física e do esporte, desde a década de 30 do século XX e ainda hoje existem resquícios dessa tendência. A partir dessa base que compreende saúde essencialmente pela visão da ausência de sintomas, o discurso do cuidado individual através da prática da atividade física para saúde foi uma das saídas perfeitas para justificar a funcionalidade da Educação Física na sociedade e, se constituiu num modelo social de vida, tal qual veiculado pela área da saúde e aceito pela Educação Física como base para sua intervenção. Sendo assim, acreditamos ser possível inferir que existe sim, uma relação entre as intenções político-ideológicas do Estado e a área de intervenção da saúde e com a Educação Física. 17 “As práticas corporais eram construídas e vistas como instrumentos para a educação para a saúde e para a educação moral” (BRACHT, 1999, p.17). Saber quais são as intenções presentes no currículo? Isto é, do “conteúdo apresentado” aos acadêmicos nas instituições de ensino e formação dos professores/profissionais de Educação Física? Carece de mais investigações, pois atualmente existe uma grande diversidade de informações, um grande mosaico, para se montado, o que tentaremos mostrar. A formação do profissional de Educação Física no Brasil teve suas origens no âmbito militar, na escola da Marinha, em 1926 e depois, no Estado Novo (19371945) com as primeiras escolas de Educação Física civis, em São Paulo e Rio de Janeiro. Os currículos dessas escolas foram marcantemente influenciados pelos Métodos Ginásticos Europeus e pela instituição militar responsável. Esta formação marcou um perfil do profissional de Educação Física que o diferenciava dos demais profissionais do magistério (COSTA, 1999). A partir dessa configuração, a construção de um currículo que se comprometesse com a formação de um educador, ficou muito penosa. Ficando evidente, no momento em que houve a inserção de disciplinas pedagógica nos currículos da Educação Física em 1962. Isto é, enquanto o currículo preparava o profissional para exercer suas atividades de maneira mecânica, sem reflexão social ou cultural, a constituição de técnicas específicas era suficiente para sua atuação prática. A partir do momento em que a preocupação voltou-se para a transformação social e cultural, as atribuições curriculares, também mudaram. Esse movimento gerou a necessidade de uma nova construção curricular em Educação Física que deu origem à criação do Parecer n.º 672/69 do Conselho Federal de Educação (CFE). Diante dessa realidade, e depois de sete anos, os currículos de formação em Educação Física fixaram o currículo mínimo, sob o Parecer n.º 849/1969 e a Resolução n.º 69/69 que determinava a duração e a estrutura dos cursos superiores de graduação em Educação Física. Este modelo determinou a estrutura curricular a partir da definição de disciplinas obrigatórias, distribuídas em três núcleos de formação: a) básica de cunho biológico; b) profissional, de cunho técnico; e c) pedagógica, como estabelecia o Parecer nº. 672/1969 (BRASIL, 2004). Essa proposta curricular visava tanto à formação do professor de Educação Física com licenciatura plena, quanto à formação do técnico desportivo (habilitação obtida simultaneamente à licenciatura, com o acréscimo de mais duas matérias desportivas, no último ano de formação, que ocorria em 3 anos e 1800 horas. Segundo Tojal (2004), essa formação a partir da Resolução 69/69, acabou por oferecer uma formação com visão mais biologista e esportivizada, gerando algumas situações como: falta de pesquisa e produção própria da área, estreitamento do mercado de trabalho profissional, afastamento da realização dessa formação no âmbito da universidade, sendo que o desenvolvimento dos cursos de graduação ocorria, geralmente, de forma isolada, institucionalmente. Além dessa situação, podem ser apontados outros desvios ocasionados tanto pelo aspecto legal como pela grande massificação do ensino superior ocorrida no final da década de 60, que acabou por favorecer a criação de vários cursos de Educação Física no país. Visando suprir a necessidade de corpo docente, esses cursos acabaram aproveitando, para o oferecimento das disciplinas da área biológica, o concurso a médicos, dentistas, enfermeiros e outros profissionais da área da saúde, encontrados na região próxima de onde se desenvolvia o curso, e, para as disciplinas de conteúdos específicos dos esportes, o concurso e participação de técnicos ex-praticantes, o que certamente ocasionou o direcionamento da formação para a visão de saúde indicada na lei vigente (biomédica) (TOJAL, 2004). Esta opção caracterizou uma formação de caráter técnico-biológico enviesada por uma série de profissões que por sinal estavam estruturadas a partir do modelo biomédico. Como conseqüência os formados por estes cursos ao atuar na escola, na qual o “processo de aprendizagem” deveria ser prioritário, optavam apenas a perfeição técnica do gesto motor e controle higiênico. No entanto esta realidade não contentava a todos os envolvidos na formação profissional e no final dos anos 80, houve a intensificação de debates e iniciase uma série de seminários específicos da área, sob a coordenação do Ministério de Educação e Secretaria de Educação Física e Desportos, para discutir e elaborar um documento norteador para uma nova reforma curricular nos cursos de graduação em Educação Física brasileiros que definisse melhor a especificidade das diferentes áreas de atuação profissional em Educação Física (RESENDE, 2001). Podemos evidenciar nesse período uma crise, oriunda principalmente dos professores universitários que saem para os programas de Pós-Graduação e começam a se preocupar com a Educação Física em especial na escola e na formação profissional. O efeito deste processo deixou suas marcas nas orientações curriculares para os cursos de Educação Física, cujos debates se desenvolveram nos anos seguintes, estudos e fóruns específicos sobre o tema reuniram parcela da comunidade acadêmica, no Rio de Janeiro (1979), em Florianópolis (1981), em Curitiba (1982) e em São Paulo (1984), até culminar na definição do Parecer nº. 215 e na Resolução nº. 03 de 1987 o qual propôs ao Conselho Federal de Educação a superação da concepção de currículo mínimo em favor da seguinte definição: ...da autonomia e da flexibilidade para que cada instituição de Ensino Superior pudesse elaborar seu próprio currículo com ampla liberdade para ajustar-se, numa ótica realista, às peculiaridades regionais, ao seu contexto institucional e às características, interesses e necessidades de sua comunidade escolar, quer no plano docente, quer no discente (PARECER Nº215/87). No que diz respeito a referenciais curriculares, a Resolução nº. 03/87 foi reconhecida como um importante e inequívoco avanço por ter assegurado autonomia e flexibilidade para que as Instituições de Ensino Superior pudessem “estabelecer os marcos conceptuais, os perfis profissionais desejados, elaborar as ementas, fixar a carga horária para cada disciplina e sua respectiva denominação, bem como enriquecer o currículo pleno, contemplando as peculiaridades regionais” (Art. 3º, § 4º), para que pudessem também organizar os conteúdos em campos de conhecimentos, bem como possibilitar um novo tipo de formação – o bacharelado – para além da licenciatura plena (BRASIL, 1987). Na perspectiva apresentada, esta proposta estabeleceu que os currículos plenos para os cursos de graduação em Educação Física deveriam contemplar um núcleo de disciplinas de Formação Geral e um núcleo de Aprofundamento de Conhecimentos. No núcleo de disciplinas de formação geral deveriam ser consideradas áreas de conhecimentos de cunho humanístico (Conhecimentos Filosófico, do Ser Humano, e da Sociedade) e de cunho técnico (Conhecimento da técnica e tática desportiva) (BRASIL, 1987). Sendo que de acordo com a legislação o curso de graduação em Educação Física deveriam ter a duração mínima de 4 anos (ou 8 semestres letivos) e máxima de 7 anos (ou 14 semestres letivos), com a carga horária de 2880 horas/aula, divididas em: a) 80% destinadas à formação geral, que engloba os conhecimentos humanísticos e técnicos, sendo 60% para os conhecimentos técnicos e 20% para humanísticos. b) máximo de 20% para aprofundamento de conhecimentos (MALACO, 1996). Esta concepção e esta forma de organização curricular foram à base do modelo curricular mínimo comum de matérias obrigatórias, em prol de uma concepção curricular aberta e flexível para fazer frente à dinâmica da produção do conhecimento e do próprio mercado de trabalho, porém, gerou críticas. Essa definição dos “currículos mínimos” fez com que a formação acadêmica em Educação Física habilitasse “profissionais/professores”, para atuar em diferentes subáreas, o bacharelado e a licenciatura, isto é, a principal distinção proveniente da resolução 03/87 foi o olhar focado no mercado de trabalho fora de escola, representado por clubes, academias e spas, que na nossa concepção foi conseqüência do “fitness boom18” norte-americano que gerou a crença nas idéias de que a exercitação corporal gera “saúde” por si só. A partir deste momento multiplicaram-se os cursos de pós-graduação, congressos, publicações e eventos, tendo como foco principal as atividades fora da 18 Em 1980 nos Estados Unidos da América foi lançado uma bateria de teste que procurava avaliar os componente da aptidão física tais como: resistência cardiorespiratória, força, resistência muscular, composição corporal e flexibilidade. Este bateria foi originária do Fitness boom, que duas décadas depois se disseminou para os currículos escolares (MASURIER&CORBIN, 2002) escola. Este período da Educação Física voltado para “fora da escola”, fez com que ela se distanciasse dos fóruns específicos que discutiam a educação no país e, propiciou a formação de grupos isolados que pesquisavam e buscavam intervir junto aos cursos formadores de professores/profissionais de Educação Física (há registros de produção científica entre o final da década de 80 e a década de 90 de grupos formados em programas de pós-graduação como o da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na tentativa de resgatar uma “identidade” para a mesma, mas como sabemos foi nesta época que os cursos de Educação Física de cada uma das Universidades supracitadas se caracterizavam por suas propostas metodológicas para a atuação do professor/profissional de Educação Física. Ainda longe de um consenso, esta “identidade” encontra-se ainda em discussão, porém o processo não cessou nem na área da Educação Física, nem na área da Educação que a partir da Lei 9131/95 que desencadeou um amplo processo de reestruturação da concepção e da organização curricular dos cursos superiores, formulados na vigência da legislação revogada pela Lei 9.394/96 deliberou modificações no processo educacional. Na Educação Física em 1998, uma nova comissão de especialistas convocada pela SESU/MEC apresenta um documento com as diretrizes curriculares para os cursos de graduação em Educação Física, pautada, principalmente, na intenção de elaborar uma proposta que superasse as questões criticadas na resolução nº. 03/87, como a questão polêmica do controle curricular, com a fixação detalhada dos mínimos curriculares, com excesso de disciplinas obrigatórias nas grades curriculares e, principalmente definir a questão da formação do bacharel em Educação Física (TOJAL, 2004). Além disto, havia a necessidade de um ajuste às necessidades propostas pela nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9394/96, que se baseava em flexibilidade e autonomia na gestão escolar. O grupo de especialistas (COESP-EF), em abril de 1999, apresenta a nova proposta que aponta avanços na questão do perfil do profissional a ser formado, agora simplesmente um graduado que poderia vir a se especializar em áreas diversas, desde o ensino básico até a formação de técnico esportivo e, enquanto a comunidade acadêmica começa a se posicionar a respeito, outro Grupo de Trabalho da SESU/MEC, o Grupo Temático das licenciaturas, também apresenta documento de diretrizes gerais para as licenciaturas, desmobilizando o andamento dos trabalhos nos colegiados dos cursos das Instituições de Ensino Superior (IES), fóruns onde são veiculados e analisados tais documentos para promover os devidos ajustes nos cursos. A Comissão de Especialistas em Educação Física, designada pela SESU/MEC para esta atribuição, decidiu preservar as linhas gerais da Resolução nº. 03/87, processando as reformulações decorrentes das contribuições enviadas por 24 (vinte e quatro) IES que responderam ao Edital n.º 04/97 (SESU/MEC), e dos trabalhos acadêmicos que avaliaram direta ou indiretamente os efeitos da referida Resolução (BRASIL, 2004). No final de 1999, a proposta de Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação em Educação Física, sistematizada pela COESP-EF, foi encaminhada ao setor competente da SESU/MEC que, por sua vez, a encaminhou ao Conselho Nacional de Educação. Em linhas gerais, as diretrizes formuladas propunham a formação do graduado em Educação Física, a partir de dois núcleos de conhecimentos: a) Conhecimento Identificador da Área (CIA) e b) Conhecimento Identificador do Tipo de Aprofundamento (CITA). O Conhecimento Identificador da Área abrangia um núcleo de Formação Básica (Conhecimentos sobre o Homem e a Sociedade, Conhecimentos sobre o Corpo Humano e seu Desenvolvimento e Conhecimentos Científico-tecnológicos) e um núcleo de Formação Específica (Conhecimentos sobre a Cultura do Movimento Humano, Conhecimentos Didático-pedagógicos, e Conhecimentos Técnico-funcionais Aplicados). O Conhecimento Identificador do Tipo de Aprofundamento era compreendido como o conjunto de conhecimentos que objetivavam o desenvolvimento de competências e habilidades específicas para a intervenção acadêmico-profissional nos campos da docência em educação básica/licenciatura, do treinamento/condicionamento físico, das atividades físico-esportivas de lazer, da gestão/administração de empreendimentos de atividades físico-esportivas, da aptidão física/saúde/qualidade de vida, além de outros possíveis campos emergentes (BRASIL, 2004). Nesta base os cursos de graduação teriam, no mínimo, quatro anos (8 semestres letivos) e, no máximo, sete (14 semestres letivos) anos de duração, com carga horária mínima de 2.880 horas-aula, contando o tempo de prática de ensino/estágio profissional supervisionado e de produção do trabalho de conclusão de curso. Dessas 2.880 horas-aula, 70% são para o CIA e 30% para o CITA. Das 70% cargas horárias do CIA, 40% serão para a formação básica e 60% para a formação específica. Em qualquer aprofundamento escolhido, haverá prática de ensino ou estágio profissional supervisionado com carga horária de 300 horas que poderá ser desenvolvida ao longo do curso. Nesse caso, o CITA poderá ser desenvolvido no decorrer do curso e não só no final. Outrossim, cada aprofundamento deverá resultar em um trabalho final correspondente. Caberia a cada Instituição de Ensino Superior, partindo desta estrutura de conhecimento, propor um ou mais campos de aplicação profissional, a título de aprofundamento, bem como definir o elenco de disciplinas do currículo pleno, considerando as peculiaridades de cada região e os perfis profissionais desejados. Enquanto o documento da COESP-EF define uma identidade para o curso independente das raízes nas áreas de educação e saúde, o documento do Grupo Temático das licenciaturas reativa a velha discussão do lócus das licenciaturas nos centros de educação. O que não foi acatado, pois, isto só teria sido reivindicado pelos centros de Educação justamente quando estes perdem poder em relação ao perfil dos cursos de pedagogia. Finalmente os cursos de Educação Física definem-se por formar um profissional generalista para atuar em diferentes áreas, valorizando cada vez mais a atuação profissional fora da escola (RESENDE, 2001). No entanto, houve uma desarticulação na área da Educação Física a partir da criação do Conselho Federal de Educação Física e as discussões foram descentralizadas, assim como as propostas feitas pelo grupo designado pelo SESU/MEC, não foram efetivadas. Logo após o encaminhamento da versão definitiva da proposta de Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação em Educação Física, o Conselho Nacional de Educação decidiu sobre a nova política e a concepção de organização e de formação dos profissionais de educação, ao aprovar a Resolução sobre os Institutos Superiores de Educação (Resolução CNE/CP no 01/1999) e o Parecer sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena (Parecer CNE/CP n.º 009/2001). A nova concepção e a proposta de organização para a Formação de Professores da Educação Básica atingiram, substancialmente, a tradição da formação do professor e do profissional de Educação Física, na medida em que: ...ganhou, como determina a nova legislação, terminalidade e integralidade própria em relação ao Bacharelado, constituindo-se em um projeto específico. Isso exige a definição de currículos próprios da Licenciatura que não se confundam com o Bacharelado ou com a antiga formação de professores que ficou caracterizada como modelo “3+1” (Parecer CNE/CP no 009/2001). Neste momento ao invés da proposta de Diretrizes Curriculares, originalmente encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, ser devolvida ao SESU/MEC para as devidas reformulações por parte da COESP-EF, como estabelecia o Parecer CNE/CES n.º 776/97, o Conselheiro responsável por relatar a matéria acatou a proposta dos dirigentes do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) de organizar Fóruns Regionais de Diretores de Cursos de Graduação em Educação Física, com o propósito de viabilizar uma nova discussão e proposição de Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação em Educação Física (BRASIL, 2004). Neste clima, outras instituições como o Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte contribuem, a partir das deliberações de uma reunião ocorrida em Campinas/SP (1999), que contou com a participação de dirigentes e especialistas de diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) e representantes da Executiva Nacional de estudantes de Educação Física. Porém, após analisar todos os materiais e documentos, o relator Conselheiro Carlos Alberto Serpa, apresentou seu parecer que foi aprovado na sessão da Câmara de Educação Superior, em 3 de abril de 2002, recebendo a designação Parecer CNE/CES nº. 138/2002, sendo a seguir homologado pelo Senhor Ministro da Educação, definindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Educação Física. A respeito deste parecer Tojal (2003), indica que na fixação dos currículos muitas vezes prevalecem interesses de grupos corporativos, interessados na criação de obstáculos para o ingresso em um mercado de trabalho marcadamente competitivo, o que resultou, nestes casos, em excesso de disciplinas obrigatórias e em desnecessária prorrogação do curso de graduação. Este parecer trouxe à tona a questão da inserção profissional da área Educação Física na área Saúde e para não cair numa discussão terminológica, do tipo professor/profissional, o foco foi voltado a uma análise do que o parecer específico citado tem haver com a questão da delimitação de área de atuação e se há suficiente informação contida nestes documentos, que poderiam subsidiar o processo de intervenção da Educação Física nesta área. O Parecer CNE/CES 0138/02, foi construído visando à preparação de profissionais graduados nesse campo, tendo o Licenciado, ou seja, o professor de Educação Física, ficado adstrito das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de Professores nas Licenciaturas Plenas para a Educação Básica – Resoluções CNE/CP 09/2001, CNE/CP 01 e 02/2002. A saber, e diante das críticas, esse parecer não vingou o que provocou a continuidade do debate para a definição das diretrizes que pudessem evidenciar mais propriedade, no sentido de direção aos destinados a construir o currículo (TOJAL, 2003). A proposta aqui esboçada na tentativa de aperfeiçoar o direcionamento das funções de cada profissional e/ou professor para sua área de atuação passou por um processo um tanto generalista demais, e dificultou o entendimento acadêmico da real intervenção necessária do professor de Educação Física que aqui entendemos como sendo um educador em qualquer área que atue (TOJAL, 2003). Ao mesmo tempo, em que eram debatidas essas questões das críticas tecidas sob o Parecer nº. 138/02 houve a realização de encontros e audiências públicas como exemplo: os de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catariana – dia 16/08/02; Paraná – dia 28/08; Pará – dia 08/09; Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte – dia 15/09; Pernambuco – dia 30/09; São Paulo (cidade de São Bernardo do Campo) – dia 08/10; São Paulo (cidade de São Caetano do Sul) – dia 27/10, em diferentes regiões brasileiras com o objetivo de analisar e propor outra proposta para a formação acadêmica em Educação Física. Então, o Fórum de São Lourenço (MG, 16/08/03) representou o marco de conciliação no sentido da definição das Diretrizes Curriculares da área. Neste fórum foi criado o Conselho de Dirigentes das Instituições de Ensino Superior em Educação Física do Brasil (CONDIESEF-BR) que, após debater e apresentar sugestões à proposta substitutiva da Resolução que estava sendo trabalhada pela COESP-EF endossou a nova versão aprimorada do documento. Uma última reunião foi realizada em Belo Horizonte (dias 10 e 11/11/2003) envolvendo os integrantes da COESP-EF, dirigentes do CONDIESEF-BR e especialistas dos diferentes campos de intervenção acadêmico-profissional em Educação Física, que contribuíram na definição das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Educação Física, em nível superior de graduação plena (BRASIL, 2004). De posse de todas as informações O CNE realizou nova audiência pública, em 15 de dezembro de 2003 e criou grupo de assessoria, com as diversas entidades acadêmicas, e profissionais onde foi construído um consenso que deu origem ao Parecer n.º 0058 de 2004 do Conselho Nacional de Educação (CNE) e Câmara de Educação Superior (CES). Este parecer fundamentou a Resolução nº. 07 de 31 de março de 2004 que instituem as Diretrizes curriculares Nacionais para o curso de graduação atual em Educação Física, em nível superior de graduação plena, assim como estabelece orientações específicas para a licenciatura plena em Educação Física, nos termos definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica (Resolução CNE/CP 07/04). Nesta Resolução está contida uma série de indicações quando a área de atuação do licenciado e do graduado, competências, habilidades, sendo dispostas da seguinte maneira: 1. O curso de graduação plena em Educação Física deverá assegurar uma formação generalista, humanista e crítica, qualificadora da intervenção acadêmicoprofissional, fundamentada no rigor científico, na reflexão filosófica e na conduta ética. 2. O graduado em Educação Física deverá estar qualificado para analisar criticamente a realidade social, para nela intervir acadêmica e profissionalmente por meio das diferentes manifestações e expressões do movimento humano, visando a formação, a ampliação e o enriquecimento cultural das pessoas, para aumentar as possibilidades de adoção de um “estilo de vida fisicamente ativo e saudável”. 3. O Professor da Educação Básica, licenciatura plena em Educação Física, deverá estar qualificado para a docência deste componente curricular na educação básica, tendo como referência a legislação própria do Conselho Nacional de Educação, bem como as orientações específicas para esta formação tratadas nesta Resolução. Em resumo, a proposta é de duas formações distintas com áreas e conteúdos diferentes, subentendendo-se que existem distintas áreas de intervenção acreditando numa formação seria direcional a escola e aprimoraria a ação deste profissional com conteúdos pedagógicos e outra para o mercado de trabalho destinado ao âmbito extra-escolar. Temos então, uma formação para a área escolar e uma formação não escolar, que diferencia respectivamente a licenciatura do bacharelado. Sendo que os cursos de licenciatura podem ter duração entre 3 e 4 anos e o bacharelado de 4 anos, podendo complementar as duas formações. Diante desse perfil os conteúdos apresentados aos construtores dos currículos, isto é, as Instituições de Ensino Superior (IES), estão divididas em duas áreas: a de Formação Ampliada e a Específica. A área de Formação ampliada deve abranger as seguintes dimensões do conhecimento: a) Relação ser humano-sociedade b) Biológica do corpo humano c) Produção do conhecimento científico e tecnológico. A área de Formação Específica deve abranger os conhecimentos identificadores da Educação Física e contempla as seguintes dimensões: a) Culturais do movimento humano b) Técnico-instrumental c) Didático-pedagógico. Além dessas áreas fica a critério da Instituição de Ensino Superior (IES), o projeto pedagógico do curso de graduação em Educação Física poderá propor um ou mais núcleos temáticos de aprofundamento, utilizando até 20% da carga horária total, articulando as unidades de conhecimento e de experiências que o caracterizarão (Resolução CNE/CP 07/04). Para o Curso de Formação de Professores da Educação Básica, licenciatura plena em Educação Física, as unidades de conhecimento específico que constituem o objeto de ensino do componente curricular Educação Física serão aquelas que tratam das dimensões biológicas, sociais, culturais, didático-pedagógicas, técnicoinstrumentais do movimento humano. Mesmo admitindo alguns avanços dentro de aspectos estruturais do processo educativo, pedagógico e curricular sugerido, estes preceitos não refletem significativamente projetos transformadores, uma vez que estes já estão, a priori, determinados por sua matriz epistêmica no campo político e econômico-produtivo do modelo capitalista (DAVID 2002). Além disso, pode-se observar que as diretrizes foram traçadas de forma incipiente, pois, generaliza exacerbadamente o “conteúdo a ser apresentado” para esses profissionais em áreas que são diferentes, somente pela força ideológica de cunho corporativista. Visto a intenção já mostrada do CONFEF, CREF, no processo de formação em Educação Física. Isto na realidade vem gerando uma dificuldade em direcionar os profissionais na atuação e operacionalização desses conteúdos diante da proposta licenciatura e bacharelado como formação distinta, porém ambas na área da saúde. Diante desta observação apresentada não fica claro como a instrumentalização acontecerá, por isso, a responsabilidade fica direcionada as Faculdades de Educação Física que devem estar atentas à abrangência e profundidade da concepção de saúde no currículo, e ainda quando de sua elaboração (MALACO, 1996). Continuando a observar essa questão, vê-se que, não fica bem claro, onde e como os profissionais irão intervir, sendo as direções apontadas amplas e em alguns casos divergentes, ainda mais, sabendo da complexidade que envolve o conceito de “saúde ampliado” e as relações construídas historicamente com as intenções do “Estado” no currículo. Neste caso, sua ineficiência articuladora, entre a teoria proposta e as práticas que vem ocorrendo. Sabemos que, a unidade entre teoria e prática é de suma importância no currículo, principalmente na formação do educador, para “que não se perca a visão de totalidade da prática pedagógica e da formação como forma de eliminar distorções decorrentes da priorização de um dos dois pólos” (PETRUCCI, 1988). Portanto as diretrizes do graduado e do licenciado estão traçadas, pois bem, será que existe a possibilidade de alcançarmos maiores esclarecimentos, a partir do que está estabelecido? Será que esse caminho é o ideal? Muita dúvida vem se perpetuando nesse processo, ainda mais quando pensamos na intervenção do graduado e licenciado na área da saúde pública. Este problema, assim como tantos outros que podem ser diagnosticados como de extrema relevância, necessita ser solucionado a fim de que muitas conseqüências daí decorrentes, não interrompam o processo de aperfeiçoamento desse segmento da investigação científica da Educação Física enquanto atora na construção de um país saudável. Para este trabalho fica, a saber: se a base do currículo de formação atual em Educação Física, está atrelada, ao enfoque de saúde biomédico, ou ao enfoque ampliado da Promoção da saúde. 4. METODOLOGIA Nesse momento destacamos os caminhos metodológicos desta investigação científica, sendo que a opção foi a pesquisa descritiva do tipo documental e consistiu na coleta, classificação, seleção difusa e na utilização de toda espécie de informações, compreendendo também as técnicas e métodos que facilitam a sua busca e sua identificação (FACHIN, 2001). A característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está associada a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser recolhidas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois (MARCONI e LAKATOS, 2006). O local de investigação foi escolhido, a partir do cadastro das instituições de Educação Superior, no Ministério da Educação e Cultura, buscando as principais instituições públicas do Estado do Paraná que desenvolvem cursos de graduação na área da Educação Física. Foram selecionadas as Universidades Públicas através dos critérios de acessibilidade e de representatividade, sendo a amostra do tipo “não probabilística”, proposta por Bruyne, Herman e Schoutheete (1977). Foram escolhidas seis Universidades Públicas do Estado do Paraná, sendo no total doze cursos de Educação Física, seis de Licenciatura e seis de Bacharelado. A opção pelo estado do Paraná foi determinada, pois, o mesmo se encontra entre os cinco estados mais bem conceituados na área de formação de ensino superior em “Educação Física”, segundo senso realizado pelo “Guia do Estudante da Editora Abril (2007)”, característica esta que o coloca como um dos principais pólos estudantis no Brasil. Também, como critério de escolha foi feito o mapeamento geográfico das Universidades Públicas do Estado do Paraná sendo selecionadas nas seguintes regiões: oeste, norte, centro-leste e sul. Após a definição das instituições, inicialmente enviamos uma carta de apresentação, como o modelo que está no Apêndice I. Também foi solicitado aos coordenadores do curso das respectivas universidades, o Projeto Político Pedagógico e os programas das disciplinas (Apêndice II). Houve o consentimento de todas as instituições solicitadas. De posse destes documentos foi realizada uma caracterização das universidades escolhidas a partir dos seguintes itens: 1. ano de início da universidade; 2. total de cursos; 3. quantidade de cursos da área da saúde; 4. número de cursos de pós-graduação “strictu-sensu” geral e na área da saúde. Passamos ao perfil dos doze cursos de Educação Física separando o de Licenciatura e de Bacharelado a partir da análise do Projeto Político Pedagógico, tendo como referência os seguintes itens: 1. início do curso; 2. base legal do curso; 3. carga Horária; 4. grade curricular; 5. percentual e número de disciplinas relacionadas por áreas: área geral, área básica e área específica (ANEXO I). Para a caracterização da grade curricular do Projeto Político Pedagógico utilizamos os componentes curriculares e foram selecionados aqueles que continham a palavra saúde em seu título ou ementa (ANEXO II), e observamos os seguintes itens: 1. ementa; 2. objetivos; 3. conteúdo programático; 4. referencial. Para caracterização dos programas, houve algumas limitações a principal delas foi que os cursos foram recentemente implantados, e neste caso os planos de ensino não estavam concretizados, então em alguns cursos não tivemos acesso a todos os itens sugeridos, sendo assim, fizemos a caracterização de acordo com o que foi disponibilizado pelas coordenações de cada curso (ANEXO III). Buscamos nos Projetos Políticos Pedagógicos o “enfoque de saúde” utilizado na licenciatura e no bacharelado, de acordo com as seguintes linhas: enfoque de saúde biomédico, enfoque de saúde ampliado - Promoção da saúde (humanista) e enfoque da Promoção da saúde biológico. Caracterizamos da seguinte maneira: - Enfoque de saúde biomédico: significa que saúde é interpretada como ausência de doenças, (conceito de saúde negativo). O corpo humano é considerado uma máquina que pode ser analisada em termos de suas peças; a doença é vista como um mal funcionamento dos mecanismos biológicos, que são estudados do ponto de vista da biologia celular e molecular; o papel dos médicos é intervirem, fisicamente ou quimicamente, para consertar o defeito no funcionamento de um específico mecanismo enguiçado (CAPRA, 1982). - Enfoque de saúde ampliado - Promoção da saúde (Humanista): “Saúde” é produto de um amplo espectro de fatores relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e nutrição, de habitação e saneamento, boas condições de trabalho e renda, oportunidades de educação ao longo de toda a vida dos indivíduos e das comunidades (BUSS, 1999). Então quando a disciplina envolvia mais fatores do que apenas os biológicos, foram selecionados com o enfoque humanista (conceito de saúde positivo). - Enfoque da Promoção da saúde biológico: Apesar de constar nos programas de ensino o termo Promoção da saúde e ou Educação para saúde os conteúdos, objetivos ou referencias bibliográficas focalizavam apenas a idéia de prescrição, monitoramento e avaliação de atividades físicas, por isso optamos por colocar o termo promoção da saúde, porém com enfoque biológico, que alguns dos programas nos pareceram ser “biomédico”. Esta perspectiva é conhecida como mecanicista que toma como referencia estreita a crença de que a realização de atividades físicas produz um hábito de prática que continuará no futuro. Por este ponto de vista, a estratégia de promoção consiste em assegurar que a população realize suficiente atividade física, de tal maneira que incremente os níveis de prática. Essa perspectiva não leva em conta os diversos fatores psicológicos, sociais, ambientais, culturais e pedagógicos que condicionam o processo seguido pelas pessoas que se empenham em atividades físicas (DEVÍS & VELERT, 2005). 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste momento demonstramos as características das seis Universidades e consequentemente dos doze cursos de Educação Física, apontando suas peculiaridades para inferirmos na questão do enfoque de saúde dos respectivos currículos. Primeiramente caracterizamos as universidades escolhidas, justificando sua representatividade no quadro social, em segundo lugar mostramos isoladamente as características dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física de cada Universidade, e em seguida analisamos os componentes curriculares, para lograrmos os objetivos da pesquisa como proposto no método. 5.1 Caracterização das Universidades O quadro 01 apresenta o perfil das seis universidades pesquisadas, de acordo com o ano de implantação, número de cursos de graduação e na área da saúde, cursos de pós-graduação strictu-sensu e na área da saúde, para demonstrar sua representatividade social em nível de pesquisa e ensino no Brasil. Quadro 01 – Distribuição das características das universidades públicas do Estado do Paraná, Janeiro - 2008. Universidades Início Total de Cursos Total de cursos na Saúde 01 02 03 04 05 06 1994 1970 1970 1970 1912 1990 34 42 36 28 66 40 07 07 05 07 05 05 Cursos StrictuSensu Mest. Dout. 09 01 23 06 14 04 10 00 44 25 04 00 Legenda: * curso de Mestrado; ** curso de Doutorado Pós-Graduação na Área da saúde 00 02 M* 06 M* 01 M* 03D**/09M* 00 Observando o quadro 01 podemos constatar uma série de evidências que justificam a escolha destas Universidades como representativas socialmente. A Universidade nº. 05 tem um dado relevante, pois foi à primeira no Brasil, isto representa a luta histórica pela emancipação do acesso ao estudo público e gratuito no ensino superior. As Universidades nº. 02, 03 e 04 ao serem implantadas oficialmente em 1970, foram “frutos” da união de faculdades isoladas no Paraná, desde a década de 50 do século XX, que se transformaram em pólos institucionais amparados por decreto do Governo Estadual Paranaense. Este ato representou o fortalecimento intelectual não só para Paraná, mas também, para todo Brasil, pois somado o número de cursos de graduação chega a mais de 500 cursos, alcançando aproximadamente 50.000 alunos. Num país vasto como o Brasil este número parece pequeno, mas não é, pois o acesso ao ensino superior é um privilégio, e se comparados com os outros pólos de ensino como: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a proporção coloca o Paraná neste eixo. Para as Universidades nº. 01 e 06, que foram implantadas mais recentemente, também frutos da união de faculdades isoladas, se mostram como uma nova safra de conhecimento, pois, vem se desenvolvendo através de investimentos em infra-estrutura, tecnologia e pesquisa científica, dados também levantados no Projeto Político Pedagógico das Instituições. Estas evidências demonstram que o Estado do Paraná, apesar de “novo”, tem grande relevância no quadro nacional e internacional de desenvolvimento tecnológico, social e cultural, cabe a nós ressaltarmos o impacto provindo desta grande estrutura estatal na sociedade. Acreditamos que este quadro talvez não demonstre a amplitude das ações e produções destas Universidades, porém, nos parece que é suficiente e significativo para justificar nossa escolha por estas Universidades Públicas do Estado do Paraná no nosso trabalho. Estas instituições propiciam informação suficiente para o trabalho proposto no sentido de que muitas vezes a “intenção ideológica” do ser humano se apresenta como consciência em atos, e estes atos podem ser interpretados como certos ou errados, dependentes da própria moral vigente, no caso aqui aquela que está contida nos currículos. Sendo assim, o currículo torna-se nosso objeto de pesquisa, por ser reconhecidamente um instrumento de poder, e deve estar voltado aos interesses da maioria permitindo o livre acesso ao direito de ter direitos, de forma desalienada e aberta (SILVA, 2003). A partir deste pressuposto segue a caracterização dos cursos, a saber como se dá este processo de transferência de informação sobre o enfoque saúde através do currículo, pelo qual nos disponibilizamos a estudar. 5.2 Caracterização dos Cursos de Educação Física em Licenciatura e Bacharelado Atualmente temos uma divisão na formação da Educação Física, em curso de Licenciatura e de Bacharelado, segundo a definição contida nos documentos vigentes, Parecer nº. 01 e 02 de 2002 e na Resolução nº. 07 de 2004. Esta divisão ocorreu em conseqüência da contínua mudança do mercado de trabalho, bem como, com a dinâmica evolução da sociedade e também pelos interesses ideológicos corporativistas, pois neste caso sempre há um grupo responsável pela construção dos Pareceres, resoluções e leis, que nem sempre são eleitos de forma democrática19 (TOJAL, 2003). Sabendo desta questão, podemos entender que o resultado da construção dos documentos oficiais passou por várias instâncias de contestação ideológica e como vimos no corpo do trabalho, estes documentos contêm interesses, intenções de cunho político, que conduzem a formação do profissional/professor de Educação Física. Os quadros a seguir demonstram o perfil dos doze cursos investigados deste seu ano de início, a base legal que o rege, carga horária e sua grade curricular dividida por percentuais e por áreas: Área Geral, Área Básica e Área Específica. Também são explicitados os objetivos e perfil dos egressos. O quadro - 02 - mostra as características dos seis cursos de Licenciatura. Quadro 02 – Distribuição das características dos seis cursos de Educação Física em Licenciatura das universidades públicas do Estado do Paraná, Janeiro - 2008. GRADE CURRICULAR CURSOS 01 02 BASE LEGAL 2006 09/01, 27 e 28/01 e 058/04. 2005 01 e 02/02. 03 2006 04 2006 05 2004 06 19 INÍCIO 1998 058/04, 09/01 e 138/02. 09/01, 01 e 02/02, 138/02. 01 e 02/02 e próprio da instituição. 138/02 01 e 02/02 CARGA HORÁRIA % n % N Área Específica % n 3498 h 20 07 17 06 63 22 2912 h 18 07 10 04 72 28 3349 h 16 06 16 06 58 25 3294 h 12 05 15 07 73 33 2870 h 20 09 07 03 73 32 3226 h 20 09 10 05 70 33 Área Geral Área Básica “Na fixação de currículos muitas vezes prevalecem interesses de grupos corporativos interessados na criação de obstáculos para o ingresso em um mercado de trabalho marcadamente competitivo, o que resultou, nestes casos, em excesso de disciplinas obrigatórias e em desnecessária prorrogação do curso de graduação” (TOJAL, 2003). Podemos notar neste quadro que nas Universidades nº. 01, 02, 03, 04, a implantação (início) aconteceu após a reformulação política, pautada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº. 9394/96 e consolidadas na base legal dos Pareceres nº. 09/01, 01 e 02/02 e 138/02(não homologado). Na Universidade 05 a diferença principal é que além dos Pareceres 01 e 02/02, esta utilizou as recomendações feitas pela “Comissão Especial do Ministério do Esporte 2003”, estas diretrizes foram construídas em conseqüência das críticas tecidas ao Parecer nº. 0138/02, (não homologado), a partir da convocação por intermédio da Secretaria de Ensino Superior (SESu), de toda comunidade dos diferentes cursos de graduação em Educação Física para serem analisadas por uma comissão. A comissão de Especialistas de Ensino em Educação Física assumiu, por indicação da SESu a responsabilidade de analisar o material recebido de 24 Instituições de Ensino Superior para subsidiar os trabalhos de proposição das Diretrizes curriculares para os cursos de Graduação em Educação Física (BRASIL, 2004). O resultado foi a consolidação das novas Diretrizes curriculares da Educação Física. Analisando o Projeto Político Pedagógico da Instituição supracitada observamos que o documento utilizado é resultante das últimas incursões feitas pelas comissões responsáveis, só que nesta instituição o documento de base para a construção curricular foi elabora no colegiado e a partir das propostas alternativas de diretrizes curriculares para o curso de Educação Física, enviado a comissão de especialista do ministério do esporte em 24/06/03. Na Universidade 06 o Projeto Político Pedagógico está em trâmite, ainda não foi implantado mais já foi reformulado e vem seguindo a lógica dos Pareceres 01 e 02/02 e 0138/02 (não homologado). Quanto à carga horária, houve variações de até 500 horas, que na nossa concepção é resultante das particularidades institucionais e também pela oferta dos cursos de licenciatura em diferentes turnos. No caso do curso 01(3498 h) é ofertado apenas no período Integral e prazo de conclusão mínima de 4 anos, o curso 02 (2912h), é ofertado no período matinal e noturno e também 4 anos para conclusão, o curso 03 (3349h) é ofertado no período Integral só que com prazos de conclusão mínima diferentes, de 4 anos para o integral e de 5 anos para o noturno, no curso 04 (3294h) é ofertado apenas no noturno e prazo mínimo de conclusão de 4 anos, os cursos 05 (2870h) e 06 (3326h) são ofertados no período Integral e noturno ambas com prazo mínimo de 4 anos para a conclusão. Para afirmarmos estas questões, constatamos as informações diretamente no Projeto Político Pedagógico dos cursos. Segundo o Parecer n. º 02/02 referente à carga horária, o mínimo solicitado é de 2800h. Então, como podemos observar no Quadro 01, todos os cursos não só acataram o Parecer, como extrapolaram a carga estipulada. Na questão da distribuição disciplinar ou dos componentes curriculares nossa opção foi dividir as Grades curriculares (ANEXO I) por áreas: área geral, básica e específica, com intuído de evidenciar as diferenças entre os cursos. Após feita a divisão, percebemos que houve certo padrão na distribuição das disciplinas por áreas, que na nossa concepção é conseqüência do Art. 7º das Diretrizes curriculares da Educação Física: [...] Caberá à Instituição de Ensino Superior, na organização curricular do curso de graduação em Educação Física, articular as unidades de conhecimento de formação específica e ampliada, definindo as respectivas denominações, ementas e cargas horárias em coerência com o marco conceitual e as competências e habilidades almejadas para o profissional que pretende formar (BRASIL, 2004. Res. 07/04). Tal constatação se justifica também pelo Artigo 5º do Parecer nº. 058/04, que permite a cada Universidade e/ou curso autonomia na construção de seus objetivos, ou seja, de acordo com as características de cada curso especificamente direcionado a localização da universidade, bem como, do corpo docente. Estas são as principais características dos cursos de Licenciatura das principais Universidades Públicas do Estado do Paraná e seus respectivos cursos, segue agora as características dos cursos de bacharelado. O quadro – 03 – Refere-se à caracterização dos seis cursos de Bacharelado e temos o seguinte mapeamento. Quadro 03. Distribuição das características dos seis cursos de Educação Física em Bacharelado das universidades públicas do Paraná, Janeiro – 2008. GRADE CURRICULAR CURSOS 01 02 03 04 05 06 INÍCIO BASE LEGAL CARGA HORÁRIA % n % n Área Específica % N Área Geral Área Básica 2006 07/04 e 058/04 3332 h 16 07 14 06 70 29 2005 07/04 e 058/04 3056 h 07 03 11 05 82 36 2007 138/04 e 07/04 3383 h 10 04 18 07 72 28 2006 07/04 3226 h 08 04 18 09 74 37 2004 Comunidade Acadêmica/ 2003. 2940 h 17 07 12 05 71 30 2006 07/04 3758 h 16 07 19 08 65 27 Os cursos de Bacharelado são as mais recentes, pois estiveram na discussão desde o parecer nº. 03/87, mas na oficialização da grade a característica ficou voltada ao estilo 3+1. Conseqüentemente esta estrutura durou até esta nova reformulação, pautada nos Pareceres nº. 01 e 02 de 2002 e Resolução nº. 07 de 2004, efetivados enquanto estrutura curricular na Educação Física no ensino superior. A implantação oficial dos cursos como podemos ver ocorreram a partir do ano de 2004, todos os cursos se atualizaram e estão se regulamentando pautados nas idéias dos pareceres supracitados, salvo o curso 05 que optou por uma estrutura produzida na própria instituição e acabou por implantar seu currículo antes da resolução nº. 07/04, porém utilizando os Pareceres nº. 01 e 02/2002, e a proposta enviada a comissão de especialistas do Ministério do esporte de 24/06/03. Na questão legal podemos evidenciar que a base mais utilizada foi a nº. 07/04, salvo o curso 03 que acrescentou a sua estrutura a resolução nº. 138/02. Característica interessante, pois, este parecer não vingou na comissão parlamentar do senado, mas, ficou claro que foi utilizado como base na construção curricular, pois, a mesma cita no seu projeto Político Pedagógico partes condizentes com este parecer. Observando a carga horária encontramos diferenças de até 400 horas, conseqüência da flexibilidade permitida por lei para a construção curricular, outro motivo é a oferta dos cursos em diferentes turnos (ex.: integral, matutino ou noturno). Para a distribuição das disciplinas as maiores diferenças encontradas foram dos cursos nº. 02, 03 e 04 que na área geral tiveram menos disciplinas que nos cursos nº. 01, 05 e 06. Essas variações também aconteceram nas outras áreas, conseqüentemente pelas características regionais e ou até mesmo ideológicas dos colegiados que a construíram. Quanto aos objetivos e perfil dos egressos de licenciatura, o quadro 04 mostra o seguinte: Quadro 04 – Distribuição dos objetivos e perfil do egresso dos seis cursos de Educação Física em Licenciatura das universidades públicas do Estado do Paraná, Janeiro 2008. CURSOS 01 02 03 04 05 06 OBJETIVO Garantir qualidade e relevância no preparo profissional, comprometido com a construção de valores que resgatem o humano, que possibilitem o surgimento de uma sociedade nova, na perspectiva de um futuro melhor, mais solidário. Promover a formação de profissionais para a atuação no processo ensino-aprendizagem da Educação Física em todos os níveis e modalidades de ensino, bem como para o desenvolvimento de estudos e pesquisas em educação sobre a temática da área. Formação pautada em pressupostos epistemológicos coerentes com uma prática pedagógica transformadora, reconhecendo e respeitando a diversidade dos alunos em seus aspectos sócio-culturais, evitando-se qualquer forma de discriminação e possibilitando o domínio de conhecimentos técnicos, pedagógicos, filosóficos e metodológicos específicos da área ou gerais, garantindo interlocuções entre os distintos campos do saber. Preparação de professores, para enfrentarem os enormes desafios educacionais que estão presentes em nossa sociedade atualmente, cuja formação não se limite em somente ensinar e orientar, mas, que esteja comprometido com o sucesso e aprendizagem dos alunos com os quais irá atuar e saibam lidar com as diversidades existentes entre os alunos. PERFIL DO EGRESSO Deve ser formado para estudar, pesquisar, esclarecer e intervir profissional e academicamente no contexto específico e histórico-cultural, a partir de conhecimentos de natureza técnica, científica e cultural, de modo a atender as diferentes manifestações e expressões da Atividade física. Atua nos níveis e modalidades de educação e ensino, caracterizando-se como espaço propício à compreensão das ações referentes ao aprender a pensar e fazer, tendo como referência a visão da totalidade da realidade e o princípio das múltiplas dimensões dos saberes pertinentes à área e do mundo do trabalho. Habilitar um profissional da educação para trabalhar na escola com conhecimentos da cultura corporal historicamente produzido pelo homem, ensinado, estimulando a pesquisa, incentivando a reflexividade crítica, despertando o interesse pelas práticas corporais e desenvolvendo projetos de relevância social e pedagógica, considerando uma atuação marcada pela transmissão e (re)significação dos conhecimentos da cultura corporal, juntamente com os alunos, fomentando uma prática educacional coletiva e dinâmica. Pressupõe uma interdisciplinaridade, um modo de operar em equipe com metas comuns, e isto requer um trabalho cooperativo com responsabilidade ante os demais. O que equivale dizer que é uma forma de evitar o simplismo de que um olhar possa ver tudo. Nesta proposta curricular, o importante é o trabalho recorrente de auto-crítica induzindo estilos abertos e plurais de argumentação, o que acontece no exterior e entre as disciplinas, é tão importante como o que ocorre no seu interior. O objetivo geral definido para o curso é formar um profissional dotado de orientação críticohumanista, de modo a atender as diferentes manifestações da cultura do movimento presentes na sociedade e sensível às necessidades e expectativas postas pela comunidade, onde a Universidade se insere, em termos de ensino, pesquisa e extensão, com vistas às mudanças sócio-culturais historicamente exigidas pela sociedade. Exercer atividades de ensino da Educação Física nos diversos níveis e modalidades previstas pelo sistema: educação infantil, ensino fundamental, médio e superior; atuar em contextos educativos formal ou não-formal, tais como nos programas de educação popular, adultos e especial; dominar conteúdos disciplinares das áreas de sua escolha e as respectivas didáticas e metodologias com vistas a conceber, construir e administrar situações de aprendizagem e de ensino de Educação Física. Generalista, humanista, crítica e reflexiva, qualificado para o exercício profissional com base no rigor científico e intelectual e pautado no princípio ético. Deverá ser formado para: estudar, pesquisar, esclarecer e intervir de forma profissional; no contexto específico e histórico-cultural, a partir de conhecimentos de natureza científica, técnica e cultural de modo a atender as diferentes manifestações e expressões de Atividade Física/Movimento Humano. Formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, qualificado/a para o exercício profissional com base no rigor científico e intelectual e pautado no princípio ético. Deverá ser formado para estudar, pesquisar, esclarecer e intervir profissional e academicamente no contexto específico e históricocultural, a partir de conhecimentos de natureza técnica, científica e cultural de modo a atender as diferentes manifestações e expressões da Atividade Física/Movimento Humano. Os objetivos da formação em Educação Física dos cursos de licenciatura predominam sob a visão humanista20. Sendo que ela está focalizada de forma geral na transformação social. 20 Com o foco centrado no ser humano, considerando as relações estabelecidas consigo mesmo, com os outros e com o mundo (MERLEAU-PONTY, 1994). O que podemos notar é que a Licenciatura tem este caráter, pois, trabalha com a formação dos valores que as pessoas devem construir e cultivar ao longo de sua vida, a fim de melhorar a convivência social. Tal proposta nos mostra certa insatisfação com o modelo social atual e permeia a necessidade de formar seres humanos num olhar crítico e reflexivo para entender as demandas reprimidas, discriminadas, por gênero, classe social, econômica entre outros; que não deveriam ser. Este tipo de exclusão gera outros problemas como a violência e a desigualdade social, subentendem-se a necessidade de dar mais atenção neste quesito na escola, até mesmo porque o Brasil é um país em desenvolvimento. Acreditamos que esta tendência encontrada é produto do processo de construção do conhecimento da Educação Física Escolar no Brasil, destinado à intervenção pedagógica, mais especificamente, nos últimos 20 anos, momento particularmente profícuo, que resultou na construção das atuais Diretrizes curriculares. Porém, as propostas21 construídas teoricamente principalmente na década de 80 do século XX, passam por uma série de dificuldades de efetividade prática, e nos leva crer que a intervenção permanece estruturada em valores dominantes, existentes há várias décadas, já questionados na área da Educação Física, mas nem por isso foram modificados, segue nas palavras dos autores: [...] Os profissionais formados nos cursos de licenciatura atualmente, recebem as informações das novas produções de conhecimento surgidas no interior da área, mas, via de regra, não aplicam o conteúdo aprendido quando se tornam professores na escola (MOREIRA & SIMOES, 2004, p.70). 21 Investigando a produção de conhecimento sobre a intervenção de profissionais da Educação Física, destacam-se três, com trabalhos muito divulgados: Medina, Ghiraldelli Jr e Castellani Filho (MOREIRA & SIMOES, 2004) Sabemos que este problema não será resolvido neste trabalho, porém quando pensamos no “enfoque de saúde” utilizado no currículo de formação em Educação Física, se faz necessário evidenciarmos essa questão, pois o “mesmo” pode acontecer no processo de efetivação das propostas da saúde pública para a Educação Física Escolar. Ao analisar o perfil do egresso nos transpareceu que os seis cursos seguem a mesma base, o que é óbvio, pois, já não é cedo para perceber que as transformações curriculares foram feitas a partir principalmente das Diretrizes específicas. Então a característica principal permeia a seguinte idéia: “Formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, qualificado para o exercício profissional com base no rigor científico e intelectual e pautado no princípio ético” (BRASIL, 2004). Tal definição faz parte da Resolução nº. 07/04 e se encontra no parágrafo 4º do documento, isto mostra que as universidades pautaram a construção do projeto Político Pedagógico nos documentos já citados, isto nos possibilita inferir de antemão que o enfoque de saúde presente nos currículos, é o da Organização Mundial da Saúde (OMS), que se tratando de documentos legais, deve ser o usado oficialmente. Ainda nos resta saber, como se manifesta esse enfoque dado, no momento da construção das disciplinas e/ou componentes curriculares respectivos(as) para a formação do professor de Educação Física, e como vimos pode ter cunho biomédico e/ou da Promoção à saúde, que também interferirá na atuação daqueles formados nos diferentes enfoques. Então, entendemos que existe a preocupação de formar um professor, capaz de ter uma visão de totalidade, que englobe a saúde nas suas mais variadas interpretações, através do corpo indissociado da mente e do movimento humano, mas ainda procuramos saber como isso vem acontecendo, agora a partir do perfil curricular proposto aos Bacharéis em Educação Física, mais um passo, nesta construção. Quadro 05. Distribuição dos objetivos e perfil do egresso dos seis cursos de Educação Física em bacharelado das universidades públicas do Estado do Paraná, Janeiro 2008. CURSOS 01 02 03 OBJETIVO DO CURSO A Educação Física na perspectiva da saúde e qualidade de vida tem como objetivo a melhoria do bem-estar individual e da população. Neste sentido, trabalha-se na perspectiva de prevenção de problemas de agravo, promoção e proteção da saúde. Qualificar o bacharel em Educação Física a prestar serviços relacionados ao estudo, planejamento, execução e avaliação de programas de Educação física ou atividade Física. Planejar intervenções individualizadas e ou para grupos populacionais por meio de programas sistematizados, bem como desenvolver e gerenciar estudos e produção de equipamentos e métodos relacionados com sua prática profissional. Consiste em dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades gerais e específicas as quais estão nos Pareceres 0138/02 e 058/04 e Resolução 07/04. 04 Visa à preparação de profissionais para enfrentarem os enormes desafios que estão presentes em nossa sociedade atualmente. Um profissional cuja formação não se limite em somente ensinar e orientar, mas, comprometido com o sucesso e aprendizagem dos indivíduos com os quais irá atuar, que saiba lidar com as diversidades existentes, que incentive atividades de enriquecimento cultural, desenvolva práticas investigativas. 05 Profissional que tenha como premissa a intervenção na sociedade de forma efetiva na formação de sujeitos, entendendo que as ações práticas deverão ser trabalhadas à luz do conhecimento. Diante desta perspectiva é inadmissível a formação profissional frente à complexidade da sociedade atual sem o “saber pensar” e o “aprender a aprender”. Qualificar o graduado em Educação Física a prestar serviços relacionados ao estudo, planejamento, execução, avaliação e prescrição de programas de atividades físicas, planejar intervenções individualizadas e/ou para grupos populacionais por meio de programas sistematizados direcionados à promoção da saúde. 06 PERFIL DO EGRESSO Deverá atuar para o treinamento de alto rendimento das pessoas, para aumentar as possibilidades de adoção de um estilo de vida fisicamente ativo e saudável. A compreensão da educação física se dá como área do conhecimento, cuja orientação central é a educação para o esporte e para a saúde e Qualidade de vida. Deve possuir conhecimentos teórico-metodológicos e técnicos que, do ponto de vista conceitual e da aplicação profissional, lhe permitam otimizar as possibilidades e potencialidades do ser humano para mover-se de forma genérica ou específica, capacitandoo para adaptar-se, interagir e transformar o meio em que vive sempre da compreensão da cultura e da promoção do bem-estar Humano. Profissional capaz de planificar, desenvolver e avaliar programas, pesquisas e projetos em instituições não escolares. Esses programas e pesquisas são estruturados de forma não só a atender aos anseios e interesses de indivíduos e da sociedade, como também a possibilitar uma melhor integração do homem consigo mesmo e com o meio. Formação generalista, humanista, crítica, e reflexiva, qualificadora da intervenção acadêmica profissional, fundamentada no rigor cientifico, na reflexão filosófica e pautado no princípio ético, devendo o aluno ser formado para estudar, pesquisar, esclarecer e intervir profissional e academicamente no contexto especifico e históricocultural, a partir de conhecimentos de natureza técnica, cientifica e cultural de modo a atender as diferentes manifestações e expressões da Atividade Física/Movimento Humano. (esporte, ginástica, musculação, danças, lutas, lazer, recreação etc.). Profissional que em função da sua qualificação e sensibilidade seja capacidade a: exercer atividades de ensino/aperfeiçoamento e treinamento dos diferentes esportes; exercer atividade de ensino dos esportes no diferentes contextos não formais; orientar e prescrever atividades físicas e esportivas para a população em geral nos diferentes espaços clubes, academias, spas, hotel, praça de lazer, condomínios, etc.; O processo pedagógico de curso de Educação Física da UNIVERSIDADE visa assegurar uma formação acadêmico-profissional generalista, humanista e crítica, qualificadora de uma intervenção fundamentada no rigor científico, na reflexão filosófica e na conduta ética. Através da análise dos objetivos podemos notar que os cursos nº. 01, 02, 03, e 06 focaram suas preocupações numa lógica de atuação que permeia a problemática da saúde, a partir da idéia de Promoção da saúde e prevenção de doenças através da pratica de atividade física. Já para os cursos nº. 04 e 05 o foco está mais amplo, com o objetivo de formar um profissional “ligado” aos desafios contemporâneos e com um caráter mais crítico. Para o perfil do egresso, observamos nos cursos nº. 01, 02, 03 e 05 que as propostas se concentram no ideário, que na nossa concepção é o hegemônico, isto é, na prática da atividade física ou “exercitação” física como carro chefe e artifício de prevenção de doenças, proteção e promoção da saúde, outro ponto observável é o direcionamento do profissional para atividades profissionais fora da escola. Agora para os cursos nº. 04 e 06 o perfil do egresso é o mesmo, igual o da licenciatura, proveniente do parágrafo 04 da resolução nº. 07/04. Parece-nos pertinente afirmar que houve alterações significativas após as reformulações dos pareceres e resoluções da área, principalmente a nº. 07/04, que entende o bacharel em Educação Física como integrante na área da saúde pública, só que inserido através do “mercado informal” (fora da escola). Resumindo, as questões do perfil do egresso, mantiveram-se nos cursos nº. 01, 02, 03 e 05 sob o ideário da “prevenção de doenças” e “promoção da saúde” através da prática da atividade física. Característica herdada da Resolução nº. 07/04 no Artigo 4º que diz: [...] § 1º O graduado em Educação Física deverá estar qualificado para analisar criticamente a realidade social, para nela intervir acadêmica e profissionalmente por meio das diferentes manifestações e expressões do movimento humano, visando a formação, a ampliação e o enriquecimento cultural das pessoas, para aumentar as possibilidades de adoção de um estilo de vida fisicamente ativo e saudável. Então temos dois pontos: o primeiro de que o Bacharel é formado para o “mercado fora da escola”, e segundo que a ação deste profissional tem base no ideário que envolve a prescrição, monitoramento e avaliação de atividades físicas em ambientes como: clubes, academias, spas e envolvem também atividades de lazer, segundo os projetos políticos pedagógicos analisados. Enquanto para os cursos nº. 04 e 06, o perfil continuou o mesmo da licenciatura, também sob a égide do Parágrafo nº. 04 da Resolução nº. 07/04. Estas são as características respectivas de cada um dos cursos que compreendem uma mudança significativa, diante das reformulações curriculares. Agora iremos observar especificamente como se deu este processo. 5.3 Caracterização dos componentes curriculares (disciplinas) dos cursos de Educação Física em Licenciatura e Bacharelado Para chegarmos até este quadro, optamos primeiramente em chamar disciplina de componente curricular, para isso, fizemos à seleção nas grades de cada curso de todos os componentes curriculares e os dividimos por áreas (ANEXO I), depois, procuramos por disciplinas que tivessem em seu título a palavra que envolvesse algum tipo de relação e ou especificamente discutisse a área da saúde22, então selecionamos dentre todas as grades dos 12 cursos os componentes curriculares que em seu título ou ementa, contivessem as palavras: “saúde”, “saúde coletiva” e ou 22 Concernente a todas as ações que envolvem a saúde; respectivo a Saúde Pública e Saúde Coletiva. “saúde pública”. Então somamos o total de componentes curriculares existentes nas grades apenas para cunho comparativo e apresentamos os selecionados para chegarmos ao quadro 06 que segue: Quadro 06 – Número de componentes curriculares totais e os relativos à saúde nos doze cursos de Educação Física das principais Universidades Públicas do Paraná – Janeiro de 2008. Licenciatura Bacharelado Cursos 01 02 03 04 05 06 Total dos componentes 35 39 37 45 44 47 Ementas relativas Saúde 01 00 00 01 00 01 Total dos componentes 42 44 39 50 42 42 Ementas relativas Saúde 01 01 01 01 01 01 O quadro 06 representa o número de componentes curriculares totais e os que têm em seu título ou ementa a palavra “saúde”, “saúde coletiva” e ou “saúde pública” que impreterivelmente discutem na nossa concepção a entrada do professor/profissional de Educação Física na área da saúde. Gostaríamos de demonstrar que estes componentes curriculares especificamente são as grandes mudanças que ocorreram no currículo, pois foram os únicos novos e diferentes dos outros que já existiam e foram remanejados ou mudaram de nome. Sabendo disso, entendemos que o aparecimento destes componentes nas grades curriculares das principais Universidades do Paraná foi uma resposta às resoluções 218/97 do Conselho Nacional da Saúde, da LDB 94/96, dos Pareceres 01 e 02/02 e da Resolução 07/04. Os componentes curriculares apareceram em todos os cursos de Bacharelado em Educação Física, e em apenas três dos cursos de licenciatura, isto mostra que não houve um consenso sobre a questão de como o professor vai agir na escola sob o ideário da Promoção da saúde e respectivamente fora dela, tal atitude pode ser interpretada como se as ações de saúde não fizessem parte do currículo escolar23, apesar de estarem contidas nos documentos oficiais como os Parâmetros curriculares Nacionais e nas Políticas de Promoção da Saúde veiculadas pela Organização Mundial da saúde. Estas entre outras preocupações nos mostram que a inserção de apenas uma disciplina24 não seja suficiente, porém seria necessário estabelecer outro estudo para saber como vêm acontecendo à interação entre todas as disciplinas, pesquisas e programas nas suas mais variadas formas, para obtermos respostas mais satisfatórias quanto a inserção do ideário da Promoção à saúde pela Educação Física na escola e fora dela. Para evidenciarmos estas questões buscamos nas características dos componentes curriculares, a saber, quanto da utilização do enfoque de saúde: biomédico, Promoção à saúde ampliado ou biológico. Quadro - 07 - Características dos componentes curriculares dos doze cursos de Educação Física das principais Universidades Públicas do Paraná a partir do enfoque de saúde específico – Janeiro de 2008. 23 O conceito de Escola Promotora de saúde defendido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) diz que cabe a ela estimular estilos de vida saudáveis em toda a comunidade escolar, desenvolvendo ambiente saudável condizente com a proposta de promoção da saúde (OPAS, 1998). 24 A saúde não pode ser trabalhada numa disciplina isolada, deve incorporar o cotidiano escolar, perpassando todas as disciplinas e concretizando-se em práticas que reflitam a visão de mundo e o projeto pedagógico de cada unidade escolar (LEFÈVRE, 2004). LICENCIATURAS Objetivos/ Ementas Conteúdos Promoção da Humanista saúde Cursos 01 02 X X 03 X X Promoção da saúde X Promoção da saúde 04 05 06 Humanista X Biológico BACHARELADOS Objetivos/Conteú Ementas dos Promoção da Biológico saúde Promoção da Não disponibilizado saúde Promoção da Humanista saúde Promoção da Biológico saúde Biomédico Biológico Promoção da Biológico saúde Legenda: X significa que o curso não apresenta o componente curricular estudado. Seguem as características dos componentes curriculares escolhidos. Para isso caracterizamos os conteúdos das ementas (ANEXO II), objetivos, programas e referencial bibliográfico (ANEXO III) de acordo com o material disponibilizado pelas universidades. Os resultados mostram que no Curso 01 a opção foi de inserir o componente curricular na Licenciatura e no Bacharelado, interessante notar que ambas as ementas caracterizam sua base estrutural no conceito de Promoção da saúde, mas com enfoques diferentes, isto é, para licenciatura o enfoque humanista e para o bacharelado o biológico. Esta característica demonstra efetivamente25 a separação da área de atuação dos professores/profissionais de Educação Física. O Bacharel fica destinado a atuar principalmente fora da escola e seu principal instrumento de intervenção prática é pela atividade física para alcance da qualidade de vida. Este instrumento também seria aquele que se justifica como proposta de mudança de estilo de vida das pessoas. Para o Licenciado a base de intervenção pauta-se nas políticas 25 As licenciaturas visam preparar o profissional para atuar como docente na educação básica, já os bacharelados excluem de sua formação a possibilidade de atuar na educação básica (STEINHILBER,2006). de saúde atuais que permeiam a ideário da Promoção à saúde com olhares voltados as questões sociais e culturais. No Curso nº. 2 a opção de inserção do componente curricular aconteceu apenas no Bacharelado, com o diferencial de ter usado o termo Educação para saúde ao invés de Promoção para saúde. Uma limitação foi não ter tido acesso ao Programa de ensino na integra. O termo Educação em saúde se “entende por quaisquer combinações de experiências de aprendizagem delineadas com vistas a facilitar ações voluntárias conducentes á saúde26” (CANDEIAS,1997 p. 210). Este termo usado pelo curso 02, na sua ementa (ANEXO II), significa na área da saúde, apenas uma fração das atividades técnicas voltadas para a saúde, pretendendo-se especificamente à habilidade de organizar logicamente o componente educativo de programas que se desenvolvem em quatro diferentes ambientes: a escola, o local de trabalho o ambiente clínico, em seus diferentes níveis de atuação, e a comunidade, compreendida aqui como contendo populações-alvo que não se encontram normalmente nas três outras dimensões. Por constituir apenas uma parte de um conjunto de atividades, é óbvio tratar-se de uma atividade-meio. Esta idéia supracitada nos leva a afirmar que está lógica também pode ter sido usada para separar a área de atuação dos professores/profissionais, ambos com 26 A palavra combinação enfatiza a importância de combinar múltiplos determinantes do comportamento humano com múltiplas experiências de aprendizagem e de intervenções educativas. A palavra delineada distingue o processo de educação em saúde de quaisquer outros processos que contenham experiências acidentais de aprendizagem, apresentando-o como uma atividade sistematicamente planejada. Facilitar significa predispor, possibilitar e reforçar. Voluntariedade significa sem coerção e com plena compreensão e aceitação dos objetivos educativos implícitos e explícitos nas ações desenvolvidas e recomendadas. Ação diz respeito a medidas comportamentais adotadas por uma pessoa, grupo ou comunidade para alcançar um efeito intencional sobre a própria saúde (CANDEIAS, 1997). especificidades técnicas respectivas para atuação nas “fatias” do mercado que a Educação Física deveria dar conta, ou nos critérios interpretacionais, que não estão bem delimitados na área da Educação Física, visível nas divergências de estabelecidas na construção curricular, mesmo seguindo o mesmo documento basilar. Para o Curso 03 a disciplina foi inserida apenas no Bacharelado, porém com o enfoque mais humanizado que se aproxima das condições reais da sociedade brasileira e das políticas de Promoção da saúde. A proposta principal é de fazer relação com outras áreas do conhecimento para entender saúde entre elas a biologia, sociologia, antropologia e epidemiologia. Como podemos observar no Curso 04 a escolha foi de inserir a disciplina com a temática Educação Física e saúde pública nas duas grades, tendo como base a política da Promoção da saúde, nesta instituição os programas de ensino ainda não estavam completos, então estabelecemos os objetivos pela característica específica do referencial bibliográfico, isto nos possibilitou enxergar os enfoques dados a cada uma das formações, sendo mais humanizado na licenciatura e voltado a princípios biológicos no bacharel. No curso 05 e em decorrência da não utilização do Parecer 058/04 e Resolução 07/04, foi inserido o componente curricular Atividade Física e saúde apenas no Bacharelado e a análise dos objetivos só foi possível fazê-la a partir do conteúdo programático que está centrado nas manifestações da atividade física e saúde a partir do entendimento fisiológico. Tal qual se caracteriza como biomédico. Para o Curso 06, a opção foi da inserção do componente curricular nos dois cursos, e a base estrutural permeia a proposta da Promoção da saúde veiculada pela Organização Mundial da Saúde, o maior problema encontrado foi a fusão da disciplina de socorros de urgência com a de saúde pública, que no nosso entendimento não é possível fazê-lo. Os resultados nos mostram que houve transformações a partir das propostas do ideário da “Promoção à saúde”, e que cada curso teve certa autonomia em construir seu currículo, sendo assim, podemos concluir nosso trabalho. 6. CONCLUSÃO Ao iniciarmos o presente estudo através de uma análise mais ampla e geral, optamos por compreender o processo pela qual se usa determinado “enfoque de saúde” na construção curricular em Educação Física. Observamos que isto depende dos que são incumbidos a realizar a tarefa. O currículo como instrumento de “poder” representa os interesses de classes, pois de qualquer forma segundo nossa lógica política, são as classes eleitas que direcionam o caminho a ser seguido. Neste momento podemos dizer que está afirmação só aparece aqui porque ela realmente aconteceu, e isto pode ser observado no nosso trabalho que teve o objetivo de analisar o enfoque de saúde presente nos currículos de formação em Educação Física nas principais Universidades Públicas do Paraná. O objetivo foi atingido e nos mostrou a necessidade de amadurecimento das propostas encontradas nos currículos, e talvez o problema não esteja no currículo, mas no modo pelo qual ele é implantado, mas é utópico pensar na possibilidade de mudança nas decisões de escolha de qual é o melhor ou pior currículo a ser implantado. Partimos do pressuposto que a visão democrática, isto é o poder de decisão voltada à maioria, que por muitas vezes estão à beira da marginalidade, não possa ser efetivo, pois, estão “desempoderados” desta “capacidade” política, e na nossa concepção em detrenimento do próprio processo de construção da sociedade nos moldes e valores capitalistas. Então enquadramos este novo currículo naquilo que os especialistas de currículo chamam de tendência técnico-linear, que pressupõe uma área já existente no “mercado”, e a qual necessita de recursos humanos para dar suporte aos objetivos provenientes da sua existência. Isto pode ser visto nos resultados, pois as recomendações das Diretrizes Curriculares específicas foram as balizadoras da reestruturação curricular e sabendo disto podemos afirmar que o conceito de saúde recomendado é o da Organização Mundial de Saúde (OMS), porém, historicamente este conceito passou por uma série de mudanças específicas e para alcançar o objetivo almejado de promover a saúde e prevenir doenças em nível mundial, foi traçado uma série de estratégias. A principal e atual, é conhecida como a “nova Promoção da saúde”. Os cursos analisados acompanharam este movimento, porém de formas diferentes: primeiro observamos a inserção no currículo das disciplinas específicas que discutem a “Promoção da saúde”. Nos cursos 01 e 04 a opção foi inserir esta disciplina tanto na licenciatura quanto no bacharelado só que com diferentes enfoques: humanista para a licenciatura e biológico para o bacharelado. Já os outros três cursos 02, 03 e 05 optaram pela inserção da disciplina apenas no bacharelado dando ênfase ao enfoque biológico da ação do profissional da Educação Física. Já no curso 06 a opção foi inserir a disciplina na licenciatura e no bacharelado, mas ambas com enfoque biológico. Esta atitude nos mostra que houve divergências entre os cursos, no momento de interpretar o significado da estratégia da Promoção à saúde relacionada com a Educação Física, ou simplesmente por opção, que é mais provável, daqueles que construíram o caminho a ser trilhado nesta nova perspectiva. Além disso, é inerente a estratégia da Promoção à saúde o conceito de saúde que se manifesta através da idéia de saúde como recurso e não como um fim para obter Qualidade de vida, que dá a saúde um sentido amplo e positivo, ao contrário do conceito de saúde negativo produto do modelo biomédico, que restringe saúde apenas pela ausência de doença. Então, as dificuldades encontradas neste trabalho, dizem respeito ao grande fluxo interpretacional existente hoje na área da saúde, mas foi a proposta deste trabalho, construir pontes, trilhar caminhos, efetivamente isto não foi fácil, pois toda a documentação analisada pode ser algo produzido estritamente numa visão burocrática que muitas vezes não mostram explicitamente o que cada grupo docente dos cursos realmente gostariam que acontecesse. Concluímos que apesar das alterações ideológicas que formataram os Projetos Políticos Pedagógicos estarem de acordo “teoricamente” com o movimento da “nova Promoção à saúde” ainda o que predomina é a idéia de que compete ao profissional de Educação Física dar ênfase em sua prática; a prescrição, monitoramento e avaliação de atividades físicas através das bases biológicas do ser humano. Consequentemente é necessário o amadurecimento sobre o real sentido da Promoção da saúde na Educação Física, pois segundo o que observamos o foco da Educação Física seria o de prevenir agravos à saúde através da mudança de “estilo de vida” a partir da prática de atividades físicas sistematizadas e bem sabemos que as estratégias de prevenção de doenças se manifestam justamente pelo modelo biomédico. Sendo assim é necessário repensar as interpretações usadas sobre o conceito de saúde nos currículos analisados e nos permite indicar novos estudos que possam evidenciar se as práticas destes profissionais irão condizer com o que está explícito no currículo, ou se o que está implícito se sobrepõe. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Saúde, justiça e cidadania. Ciência & Saúde Coletiva, 7(3):599, 2002. ALLEYNE, G. Health and the quality of life. Pan Am J Public Health, 9(1): 1-6, 2001. ALMEIDA, E.S. 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Problemática Pensando nas interfaces da atuação do professor de Educação física como um “ator” na área da saúde atualmente, optou-se neste estudo por identificar no currículo de formação dos professores de Educação física como o conceito de saúde é abordado. Diante dessa perspectiva surgem as perguntas: Qual é o enfoque de saúde presente nos currículos de formação em Educação Física atualmente nas Universidades Públicas do Estado do Paraná? Essa definição de saúde presente no currículo corresponde às expectativas atuais da área da saúde? Quais são as intenções presentes no currículo atual de formação em graduação plena em Educação Física no quesito saúde? Objetivo Geral “Detectar qual o enfoque de saúde usado no currículo de formação atual em Educação Física nas Universidades Públicas do Estado do Paraná”. Objetivos Específicos Selecionar nos currículos de formação das universidades públicas do Paraná as disciplinas que contêm as palavras saúde, saúde pública e saúde coletiva. Verificar o conteúdo dos planos de ensino destas disciplinas relacionado com o quesito saúde. Identificar o enfoque de saúde dos planos de ensino. METODOLOGIA O trabalho será desenvolvido a partir de um estudo qualitativo, através de uma pesquisa documental. Nessa fase, utilizarei a Técnica de análise proposta por TRIVINÕS 2001. Disponibilizo-me a dar quaisquer outros esclarecimentos, se necessário. Certo da colaboração dessa coordenação, agradeço desde já. Fábio Augusto Brugnerotto Contato: (45) 3037-7214 [email protected] ILUSTRÍSSIMO SENHOR PROFESSOR COORDENADOR DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIVERSIDADE. Fábio Augusto Brugnerotto, portador do RG–5170.196.-8 e do C.P.F. 030.691.969-93, residente e domiciliado na Rua Carlos Bartolomeu Cancelli nº 410, Bairro Cancelli na cidade de Cascavel –PR, telefone de contato residencial: (45)3037-7214, e-mail: [email protected], vem mui respeitosamente à presença de Vossa Senhoria requerer o que segue: 1. Projeto Político pedagógico do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física. 2. Planos de Ensino completos das disciplinas contidas no PPP de ambos os cursos; contendo: ementa, objetivos, conteúdo programático, metodologia, avaliação e referencial bibliográfico. Essas informações são necessárias para dar prosseguimento da pesquisa. Os referidos documentos são necessários para o desenvolvimento da minha dissertação de mestrado na UNIMEP – Piracicaba - SP, conforme carta de apresentação em anexo, na qual apresenta os objetivos, problemática, metodologia e demais esclarecimentos da pesquisa proposta. Ressalto que o nome da instituição fornecedora de tais documentos necessários para a pesquisa será preservado e não constará na análise dos dados, nem na posterior - publicação da dissertação. Com a devida vênia, requer o fornecimento dos referidos documentos no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar da data do presente protocolo, para fins de viabilizar a conclusão do trabalho em tempo hábil. Os referidos documentos serão retirados pessoalmente pelo requerente, ou pelo procurador devidamente constituído para os atos necessários, munido de procuração simples. Grato pela atenção. Atenciosamente, Fábio Augusto Brugnerotto Contato: (45) 3037-7214 ANEXOS ANEXO I U N I V E R S I D A D E 1 LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 17% Anatomia Humana aplicada a Educação Física Noções de Biologia Humana. Aspectos culturais e sociais da Educação Física. BACHARELADO ÁREA BÁSICA – 14% Anatomia Humana Biologia Dimensões Sociais e Políticas da Ed. Física Fisiologia da Educação Física. Educação Física e Saúde. Fundamentos Biomecânicos da Educação Física e Esportes. Fisiologia da Atividade Física Educação Física, Saúde e qualidade de Vida. Fundamentos Biomecânicos da Educação Física e Esportes ÁREA GERAL – 20% Psicologia da Educação Física. ÁREA GERAL – 16% Dimensões Psicológicas da Atividade Física e dos Esportes. Emergências na Atividade Física e Esportes Seminário de Monografia Higiene Social e Socorros de urgência. Didática, Planejamento e Currículo da Educação Física. Optativa I Optativa II Optativa III Seminário de Monografia. ÄREA ESPECÍFICA – 63% Téc. de Estudo, comunicação e expressão. História e filosofia da Educação Física. Prática no Ensino Fundamental (Estágio 5º a 8º séries). Prática no Ensino Médio (Estágio no ensino médio). Crescimento e Desenvol. Humano Ritmos e danças Ginástica Atletismo Voleibol Aprendizagem Motora Handebol Metodologia do Treinamento Esportivo Métodos de avaliação em Educação Física Lúdico, Lazer e Animação sócio-Cultural Basquetebol Futebol de Campo Educação Física na infância Administração e organização da Educação Física Métodos de pesquisa em Educação Física e Esportes Futebol e futsal Metodologia do treinamento esportivo Educação Física adaptada. Aprendizagem Motora - Optativa I Optativa II Optativa III Formação independente ÄREA ESPECÍFICA – 70% História e Teoria da Educação Física Crescimento e Desenvol. Humano Prática de Estágio supervisionado I. Prática de Estágio supervisionado II. Ginástica Atletismo Voleibol Musculação Ginástica de Academias Medidas e Avaliação em atividade Física e Esportes. Aprendizagem Motora Natação Handebol Metodologia do Treinamento Esportivo Métodos de Ensino da Educação Física e Esportes Lúdico, Lazer e Animação sócio-Cultural Basquetebol Futebol de Campo Lutas Gerenciamento e Marketing na Educação Física e esportes Métodos de pesquisa em Educação Física e Esportes Futebol de Salão (Futsal) Educação Física com Cuidados Especiais Jogos e esportes complementares I Esporte Adaptado e Atividade Física para pessoa deficiente Jogos e esportes complementares II Nutrição, Atividade Física e Esporte. Dimensões Filosóficas da Ed. Física Prática de Estágio supervisionado III. U N I V E R S I D A D E 2 LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 04 - 10% Anatomia do Aparelho locomotor Biologia celular na Educação Física Introdução a Fisiologia BACHARELADO ÁREA BÁSICA - 5 – 11% Anatomia Humana Fundamentos de Biologia Celular Fisiologia Geral Cinesiologia do movimento Humano Fundamentos da Saúde Pública Biomecânica ÁREA GERAL - 03 – 7% Socorros de Urgência Dimensões Psicológicas da Educação Física Seminário de trabalhos de Conclusão de curso em Educação Física ÁREA GERAL - 07 – 18% Teoria do conhecimento Políticas Públicas em Educação e Educação Física Filosofia Antropologia Filosofia da Ciência Projeto de Pesquisa Sociologia ÄREA ESPECÍFICA - 28 – 72% Teoria geral da Ginástica Dimensões Educacionais do Esporte Intervenção Docente e formação profissional em Educação Física Introdução ao Estudo da Educação Física Aspectos teórico-metodológicos de modalidades esportivas Evolução histórica-política da Educação Física Brasileira Educação Física e pessoas com Necessidade educacionais especiais Bases teórico-metodológicas da ginástica Bases teóricas metodológicas da Dança I Comportamento motor I Aspectos Teórico-metodológicos de modalidades esportivas individuais I Educação Física e pessoas com necessidades educacionais especiais II Processo de Ensino Aprendizagem na Educação Física II Comportamento Motor II Ginástica e Educação Jogos, Brincadeira e a escola Organização curricular na Educação Física I Aspectos Teórico-metodológicos de modalidades esportivas alternativas Organização do estágio curricular supervisionado I Estágio curricular supervisionado I Dança e Educação Aspectos Teórico-metodológicos de modalidades esportivas individuais II Organização curricular na Educação Física II Tópicos especiais de pesquisa em Educação Física Aspectos teórico-metodológicos das lutas Antropometria Organização do estágio curricular supervisionado II Estágio curricular supervisionado II ÄREA ESPECÍFICA - 36- 82% Fundamentos da Educação Física Histologia para a Educação Física Metodologia de pesquisa científica e tecnológica da Educação Física Bases Gimno-Rítmicas Princípios das práticas esportivas individuais I Bases biodinâmicas da atividade motora Projetos Acadêmicos Interdisciplinares I Fisiologia do Exercício Nutrição aplicada à atividade Física Crescimento e desenvolvimento humano Interpretação de dados de pesquisa em Educação Física Educação Física e Ginástica I Princípios das Práticas Esportivas Coletivas I Controle motor Medidas e avaliação na Educação física Desenvolvimento e aprendizagem motora Projetos Acadêmicos interdisciplinares II Dimensões profissionais da Educação Física Seminários Acadêmico-profissionais em Educação Física Educação Física e Dança Princípios das práticas esportivas individuais II Princípios das práticas esportivas coletivas II Educação Física e meio aquático Treinamento com pesos Educação Física e ludicidade Educação Física para pessoas com deficiência Planejamento e programas de Educação Física Estágio profissional Gestão de negócios em Educação Física Lazer e cultura Educação Física e ginástica II Princípios das práticas esportivas Coletivas III Princípios das práticas alternativas e radicais Prescrição e orientação de Exercícios Físicos Prescrição e orientação de Exercícios Físicos para grupos com necessidades especiais Estágio profissional II LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 6 – 16% Anatomia Humana Fisiologia humana geral e do esforço Bioquímica Iniciação à ciência e a pesquisa Biomecânica Biologia Celular e o Exercício Físico U N I V E R S I D A D E 3 ÁREA GERAL - 6 – 16% Psicologia da Educação Didática em Educação Física Políticas Públicas e Gestão educacional para docência em Educação física Socorros em Educação Física Sociologia da Educação Física escolar Seminário de pesquisa em Educação Física. ÄREA ESPECÍFICA - 25 – 68% Aprendizagem e desenvolvimento motor Educação Física adaptada Educação Física infantil Esporte individual I – Natação Esporte individual II – Atletismo Esportes Coletivos I – Voleibol Esportes Coletivos II Esportes Coletivos III Estágio Curricular Supervisionado I Estágio curricular supervisionado II Fundamentos de Educação Física I Fundamentos de Educação Física II Fundamentos de Rítmica e Dança Ginástica escolar Introdução à Ginástica Introdução aos esportes coletivos Capoeira Lutas Medidas e avaliação em Educação Física Nutrição e metabolismo na Atividade Física BACHARELADO ÁREA BÁSICA - 7 - 18% Anatomia Humana Fisiologia Humana geral e do esforço Bioquímica Iniciação a ciência e a pesquisa Atividade Física e saúde Biomecânica Biologia Celular e o Exercício Físico ÁREA GERAL - 4 – 10% Psicologia aplicada ao exercício e esporte Políticas Públicas em Educação Física Socorros em Educação Física Seminário de pesquisa em Educação física ÄREA ESPECÍFICA - 28 – 72% Aprendizagem e desenvolvimento motor Atividade Física para populações Especiais Educação Física e cultura Educação Física e sociedade Esporte individual I – Natação Esporte individual II – Atletismo Esportes Coletivos I – Voleibol Esportes Coletivos II Esportes Coletivos III Estágio Curricular Supervisionado I Estágio curricular Supervisionado II Fundamentos da Educação Física I Fundamentos da Rítmica e dança Ginástica Introdução à ginástica Introdução aos Esportes Coletivos Capoeira Lutas Medidas e avaliação em Educação Física Nutrição e metabolismo na Atividade Física Optativa I Optativa I Optativa II Organização e administração da Educação Física escolar Produção do conhecimento em Educação Física Teorias do Lazer Optativa II Gestão esportiva Produção do conhecimento em Educação Física Recreação Teorias do Lazer Treinamento e prescrição do exercício físico Métodos para intervenção profissional em Educação Física LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 07 – 15% Anatomia Humana e do Movimento Biologia Celular e Histologia BACHARELADO ÁREA BÁSICA - 9 - 18% Anatomia Humana e do Movimento Histologia e Citologia. Fundamentos antropológicos e sociológicos da Educação Física Fisiologia Cinesiologia Saúde Pública. Bioquímica Aplicada à Atividade Física Metodologia da Pesquisa científica Fisiologia Humana. Bases Neurofuncionais. Fundamentos Antropológicos e Sociológicos da Educação Física e dos Esportes. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Educação Física e Esportes. Cinesiologia. ÁREA GERAL - 05 – 12% Psicologia da Educação: crescimento e desenvolvimento Estrutura e funcionamento Didática aplicada a Educação Física escolar T.C.C. U N I V E R S I D A D E 4 Noções de Higiene e socorros de Urgência em Educação Física ÄREA ESPECÍFICA - 33 - 73 % Ritmo e Dança Fundamentos do Futebol e Futsal. Fundamentos da Ginástica Geral. Fundamentos Históricos Filosóficos da Ed. Física Escolar. Fundamentos dos Jogos e Brincadeiras Fundamentos do Atletismo. Fundamentos da Educação Física Adaptada. Fundamentos dos Esportes Aquáticos. Fundamentos do Basquetebol. Fundamentos do Voleibol Fundamentos do Handebol. Planejamento e Organização de Eventos Escolares. Fundamento dos Esportes Complementares. Aprendizagem Motora Danças Folclóricas Educação física na Educação Infantil Medidas e avaliação em Educação Física Escolar Fundamentos da Ginástica Rítmica Fundamentos da ginástica Olímpica Fundamentos das Lutas e Esportes de combate Fundamentos das Danças – Afro Brasileira Planejamento e Organização de Eventos escolares. Fundamentos do Esporte e Lazer Atividades Físicas e Esportes para Grupos Especiais Aspectos Nutricionais na Infância e Adolescência Fundamentos da Hidroginástica Metodologia das Atividades Alternativas Fundamentos do ensino da Recreação e do Lazer. Estágio Supervisionado I Estágio Supervisionado II Prática de ensino: projeto integrado I, II e III Saúde Coletiva e atividade Física ÁREA GERAL - 4 – 8% Psicologia Desportiva T.C.C. Bioestatísitca. Noções de Higiene e Socorros de Urgência em Educação Física e Esportes ÄREA ESPECÍFICA - 37 – 74% História e Teoria da Educação Física e do Esporte no Brasil. Crescimento e Desenvolvimento Aprendizagem Motora Métodos e técnicas de Pesquisa em Educação Física e Esportes Ritmo e Dança Fund. da Ginástica Geral Fundamentos do Atletismo Educação Física Adaptada Fundamentos da Natação Fundamentos do Futebol Fundamentos do Basquetebol Fundamentos da Ginástica Rítmica desportiva Fundamentos da Ginástica Olímpica Fisiologia do Esforço Medidas e avaliação em Educação Física e ciência do Exercício. Treinamento Esportivo I Organização, Marketing e ética em Educação Física e esportes Fundamentos do Voleibol Fundamentos do Handebol Atividades Físicas em Academias Atividade Física e o esporte para Grupos Especiais Fundamentos dos Esportes complementares Fundamentos do Esporte e do Lazer Fundamentos dos Esportes e Lutas de Combate Hidroginástica Musculação e a Atividade Física com Sobrecarga Treinamento Esportivo II Treinamento em Atletismo Treinamento em Futebol e Futsal. Treinamento em Basquetebol Treinamento em Natação Treinamento em Voleibol Treinamento em Handebol Esporte e Lazer II Marketing e Gestão de Negócios em Educação Física e esportes. Estágio Supervisionado I Estágio Supervisionado II LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 03 – 7% Anatomia Aplicada à Educação Física Fisiologia Humana Metodologia da pesquisa ÁREA GERAL - 09 – 20% Fundamentos psicológicos da Educação Sociologia e Educação Física U N I V E R S I D A D E 5 Filosofia e Educação Física Didática Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros Política e planejamento da Educação no Brasil Organização e Gestão da Escola Seminário de Monografia A Seminário de Monografia B ÄREA ESPECÍFICA - 32 – 73% Introdução a Educação Física História da Educação Física Atividades Rítmicas Introdução a Educação Física Adaptada Desenvolvimento Motor Controle e Aprendizagem Motora Fundamentos Ginásticos Esportes I Esportes II Esportes III Esportes IV Esportes Aquáticos Lutas Esportes Ginásticos Dança Atividade Física na Infância e Adolescência Organização e administração em Educação Física Fundamentos do Lazer Metodologia de Ensino da Educação Física Bases filosóficas do pensamento da Educação Física escolar Currículos em Educação Física Pedagogias da Educação Física Educação Física em contextos Educativos I. Educação Física em contextos Educativos II. Educação Física em contextos Educativos III. Prática de Ensino A Prática de Ensino B Seminários Temáticos A Seminários Temáticos B Projetos Integrados A Projetos Integrados B Projetos Integrados C Projetos Integrados D BACHARELADO ÁREA BÁSICA - 05 – 12% Anatomia Aplicada à Educação Física Fisiologia Humana Genética humana e evolução Introdução a Biomecânica Metodologia da Pesquisa ÁREA GERAL - 07 – 17% Fundamentos psicológicos da Educação Filosofia e Educação Física Bioestatística Prevenção de Acidentes e primeiros Socorros Atividade física e Saúde Seminário de Monografia A Seminário de Monografia B ÄREA ESPECÍFICA - 30- 71% Introdução a Educação Física História da Educação Física Atividades Rítmicas Introdução a Educação Física Adaptada Desenvolvimento Motor Controle e Aprendizagem Motora Fundamentos Ginásticos Esportes I Esportes II Esportes III Esportes IV Esportes Aquáticos Lutas Esportes Ginásticos Dança Atividade Física na Infância e Adolescência Fisiologia do exercício Medidas e avaliação em Educação Física Organização e administração em Educação Física Fundamentos do Lazer Pedagogia do Movimento Humano Metodologia do Treinamento Desportivo Sociologia do Esporte Políticas públicas para o Esporte e Lazer Atuação profissional no Lazer Exercício para indivíduos em Condições Especiais de Saúde Tópicos especiais em exercício e esporte Atividades em Academia Estágio A Estágio B Estágio C LICENCIATURA ÁREA BÁSICA - 5 – 10% Anatomia Humana Aplicada à Ed. Física Fisiologia Humana Aplicada à Educação Física Metodologia de Pesquisa em Educação Física Biomecânica do exercício U N I V E R S I D A D E 6 ÁREA GERAL - 9 – 20% Psicologia da Educação Didática Socorros Urgentes e Saúde Pública Bioestatística Trabalho de Conclusão de Curso Teatro e Dança Informática Básica Inglês Instrumental Organização e Funcionamento da Educação Básica ÁREA ESPECÍFICA - 33 – 70% Atletismo Crescimento e desenvolvimento Fisiologia do exercício Futebol Recreação Teoria e Princípios da Educação Física Aprendizagem Motora Basquetebol Educação Física Adaptada Esporte e Lazer comunitário Handebol Teoria e Prática da ginástica Voleibol Estágio Supervisionado em Esporte e Lazer comunitário Estágio Supervisionado nas séries Iniciais Extensão em esporte e lazer Medidas de Avaliação em Educação Física Natação Organização e Ações em Educação Física Recreação e jogos na terceira idade Tópicos Especiais Estágio supervisionado no Ensino Fundamental Estágio Supervisionado no Ensino Médio Ginástica Rítmica Desportiva Seminários em Educação Física Treinamento desportivo Atividades em Academia Atividades Físicas Complementares Esportes Olímpicos Adaptados Esportes Radicais Noções Básicas de Nutrição em Educação Física Psicologia do Esporte Reabilitação Motora BACHARELADO ÁREA BÁSICA – 8 – 19% Anatomia Humana Bioquímica do Exercício Citologia e histologia Fisiologia Humana Análise Biomecânica do movimento Cineantropometria Fundamentos da epidemiologia e saúde pública Métodos e técnicas de pesquisa em Educação Física ÁREA GERAL – 7 – 16% Psicologia do Esporte Imunologia e Patologia das doenças não transmissíveis Dimensões Filosóficas da Educação física Bioestatística Organização, Administração e Projetos em Educação Física Educação Física e cultura Trabalho de conclusão de curso ÁREA ESPECÍFICA - 27 - 65% Atividades Rítmicas Crescimento e desenvolvimento Esporte, Lazer e sociedade História e teoria da Educação Física Leitura e produção de textos aplicados a Ed. F. Metodologia do Atletismo Metodologia do Handebol Recreação e Lazer Aprendizagem Motora Fundamentos da Ginástica Geral Metodologia da natação Metodologia do Basquetebol Metodologia do voleibol Pedagogia do Esporte Políticas Públicas de Esporte e Lazer Estágio Supervisionado I Fisiologia do exercício Metodologia do Futebol e Futsal Atividades em academia Avaliação e Prescrição de Exercícios físicos para Grupos Especiais Educação física para 3º idade Esportes complementares Estágio Supervisionado II Treinamento Desportivo Atividades complementares Estágio Supervisionado III Prática curricular ANEXO II EMENTAS DOS CURSOS CURSO 01 Neste curso das 35 disciplinas da Licenciatura apenas uma contém o foco na questão da saúde e das 44 do Bacharelado também apenas uma, sendo as seguintes. 1.1 Licenciatura: Educação Física e Saúde - 3º semestre – 68 h/a. Ementa: Estudo das abordagens epistemológicas sobre saúde e educação física. Estudo, análise e aplicação dos aspectos relacionados com a qualidade de vida e saúde na Educação Física Escolar. Conhecimento das questões sociais, culturais, ambientais e éticas da Educação Física e da saúde. Discute as tendências e programas de Educação Física escolar na promoção da saúde. 1.2 Bacharelado: Educação Física, Saúde e Qualidade de Vida - 2º semestre - 65 h/a Ementa: Abordagem de saúde e qualidade de vida tanto na perspectiva individual, quanto social, bem como dos principais indicadores em termos individuais e populacionais. Análise das dimensões humanas que englobam a qualidade de vida. Identificação e elaboração da proposta com o objetivo de melhorar a qualidade de vida individual da comunidade. CURSO 02 Neste curso na Licenciatura nenhuma disciplina focaliza especificamente o tema saúde das 39 existentes. No Bacharelado das 44, existe uma disciplina. 2.1. Bacharelado: Fundamentos da Saúde Pública - 2º semestre – 34 h/a Ementa: Discussão da determinação social das doenças. Abordagem interdisciplinar do processo saúde-doença. Conhecimento e análise crítica das relações saúde e sociedade, privilegiando os aspectos relacionados ao processo saúde-doença, a organização do sistema de saúde pública brasileiro e a intervenção do profissional de Educação Física nesta política pública. Análise dos papéis desempenhados pelas instituições e profissionais da área do planejamento de programas de Educação para saúde. CURSO 3 Nesta Instituição, o curso de Licenciatura em Educação Física não oferta nenhuma disciplina que discuta a questão saúde das 37 existentes. Já no curso de Bacharelado existe a oferta de 01 disciplina dentro do rol de 39 existentes. 3.1 Bacharelado: Atividade Física e saúde - 3º semestre - 68h/a. Ementa: Estudo da relação entre atividade física e saúde e sua repercussão em diferentes grupos populacionais. CURSO 04 Nesta Instituição, o curso de Licenciatura em Educação Física oferta uma disciplina que discute a questão saúde das 45 existentes. No curso de Bacharelado existe a oferta de uma disciplina dentro do rol de 50 existentes. 4.1 Licenciatura: Saúde Coletiva e Atividade Física - 4 ª semestre - 68h/a Ementa: História e evolução dos conceitos de saúde dentro da sociedade. Evolução nos modelos explicativos do processo saúde doença. A moderna saúde pública: promoção e saúde, totalidade, e holismo. Condicionante e determinante de saúde: alimentação, habitação, água, esgoto e resíduos sólidos. 4.2. Bacharelado: Saúde Coletiva e Atividade Física - 4ª semestre 68h/a. Ementa: tendências e características básicas; principais concepções e praticas; bases biológicas e epidemiológicas. Lesões desportivas: conceitos fundamentais classificação evolutiva e segundo nível de acometimento; gênese e determinantes; quantificação dos fatores de risco; profilaxia e controle; equipamentos de proteção individual e coletiva; aspectos epidemiológicos descritivos. CURSO 05 Nesta Instituição, o curso de Licenciatura em Educação Física não oferta nenhuma disciplina que discuta a questão saúde das 44 existentes. Já no curso de Bacharelado existe a oferta de 01 disciplina dentro do rol de 42 existentes. 5.1 Bacharelado: Atividade Física e saúde - 7º semestre - 60h/a. Ementa: Estudo e aplicação das adaptações do organismo frete ao esforço e à prescrição de atividades para a aptidão física e saúde. CURSO 06 Nesta Instituição foi analisado o curso de Licenciatura e Bacharelado sendo que no curso de Licenciatura são ofertadas 47 disciplinas nas quais uma disciplina trata do assunto saúde. No Bacharelado das 42 disciplinas ofertadas, apenas uma focalizada a questão da saúde no foco desejado. 6.1 Licenciatura: Socorros Urgentes e Saúde Pública - 2ª semestre 68h/a. Ementa: Reconhecimento da situação de emergência e procedimento frente ao acidentado. Prevenção, identificação e primeiros cuidados com lesões ocorridas nas diferentes modalidades esportivas e atividades relacionadas a aula de Educação Física. Identificação e encaminhamento em estados patológicos do escolar. Noções sobre promoção da saúde e prevenção de doenças crônico-degenerativas. 6.2 Bacharelado: Fundamentos da Epidemiologia e Saúde Pública. 3º série – 68h/a. Ementa: Perfil e freqüência das doenças associadas à redução das atividades físicas. A qualidade e os métodos de estudos epidemiológicos e seus indicadores de saúde. Estudo das atividades básicas de Saúde Pública em destaque para os diversos níveis de prevenção. ANEXO III OBJETIVOS CURSO 01 1.1. 1.2. Licenciatura: Educação Física e Saúde - 3º ano– 68 h/a. Bacharelado: Educação Física, Saúde e Qualidade de Vida - 2º ano - 65 h/a Objetivos: 1. 2. 3. 4. Desenvolver a apreciação e compreensão da importância das concepções de saúde e doença numa visão holística do homem. Proporcionar informações acerca dos hábitos de higiene e favoráveis a uma vida saudável. Possibilitar a aquisição de conhecimentos e diferenciação da atividade física em relação ao exercício físico. Alertar para as contra-indicações do exercício físico. CURSO 02 2.1. Bacharelado: Fundamentos da Saúde Pública - 2º semestre – 34 h/a . CURSO 03 3.1 Bacharelado: Atividade Física e saúde - 3º semestre - 68h/a. Objetivos: 1. 2. 3. Entender a relação entre atividade física e saúde no contexto social brasileiro. Estudar as políticas públicas voltadas a promoção da saúde e a possibilidade de inserção da atividade física nessas políticas. Estabelecer relações dos estudos de saúde na Educação Física com outras áreas do conhecimento: biologia, sociologia, antropologia e epidemiologia. CURSO 04 4.1 Licenciatura: Saúde Coletiva e Atividade Física - 4 ª semestre - 68h/a. Referencial bibliográfico: 1. ALVES, E. D.; ARRATIA, A; SIVA, D. M. G. Perspectiva Histórica e Conceitual da Promoção da Saúde. Cogitare Enfermagem, Cutitiba, v. 1, n.2, p. 2-7, jul./dez. 1996. 2. BARROS, F. C.; VICTORA, C. G. Epidemiologia da Saúde Infantil. 3. ed. São Paulo: Hucitec/Unicef, 1998. 3. BARROS, R. DE V., et al. Saneamento manual de saneamento e proteção ambiental para os Municípios. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995. v. 2. 4. KLOETZEL, Kurt. Temas de Saúde: Higiene Física e do Ambiente. São Paulo: EPL. 5. VASCONCELLOS, José Luiz; GEWANDSNAJDER, Fernando. Programa de Saúde. São Paulo: ÁTICA 1. a., 1986. 6. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal. 1988. 4.2. Bacharelado: Saúde Coletiva e Atividade Física - 4ª semestre - 68h/a. Referencial bibliográfico: 1. GONÇALVES, A. et alli, Saúde coletiva e Urgência em Educação Física. Campinas/SP: Papirus, 1997. 2. JEKEL, J. F.; ELMORE, J. KATZ, D. L. Epidemiologia, bioestatística e medicina preventiva. Porto Alegre: ARTMED. 2002. 3. NIEMAN, D. C. Exercicio e saúde.São Paulo: Manole, 1999. 4. PEREIRA, M. G. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 5. SILVA, M. G. C. da. Saúde Pública: auto-avaliação e revisão. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 1997. CURSO 05 5.1 Bacharelado: Atividade Física e saúde - 7º semestre - 60h/a. Programa: 1. Definições de atividade física e saúde; 2. Relações entre aptidão Física, atividade física e saúde; 3. Aptidão cardiorrespiratória; 4. Adaptações ao treinamento de endurance cardiorrespiratório 5. Adaptações promovidas pelos exercícios resistidos; 6. Adaptações neuromusculares; 7. Composição corporal; 8. Avaliações e prescrições do exercício; 9. Equações metabólicas para estimativa de demanda energética; 10. Atividade física na infância e na adolescência; 11. Exercício e envelhecimento; 12. Nutrição da atividade. CURSO 06 6.1 Licenciatura: Socorros Urgentes e Saúde Pública - 2ª semestre - 68h/a. Objetivos: 1. Diferenciar os diferentes tipos de contusões; 2. Discutir procedimentos básicos que possam dar subsídios para que o futuro professor saiba como agir em situações de emergência. 6.2 Bacharelado: Fundamentos da Epidemiologia e Saúde Pública. 3º série – 68h/a.