EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: COMO TRABALHAR
NO ÂMBITO ESCOLAR?
Welington Fernandes Oliveira
Aluno do Programa de Iniciação Científica do Unileste - MG
Pós-Graduado em Ciência do Treinamento Personalizado – Personal Training
[email protected]
Marley Pereira Barbosa Alvim
Professora Mestre do curso de Educação Física do Unileste – MG
RESUMO
Atualmente A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Política Nacional
do Meio Ambiente, a Política Nacional de Educação Ambiental e os Parâmetros
Curriculares Nacionais legitimam a importância e a necessidade de trabalhar a
temática transversal, Educação Ambiental (EA), no âmbito Educacional. Muitos
professores de Educação Física (EF) apresentam dificuldades ou, até mesmo,
certa resistência quanto a inserção da EA em seus conteúdos curriculares. Com
essa escassez de referências, os professores não conseguem associar a EA em
suas aulas. As pesquisas realizadas por Alvim e Coelho (2004); Alvim, Carvalho,
Costa, Jesus e Moreira (2005) apontam dificuldades dos professores de EF no
entendimento da relação EA e EF. As pesquisas evidenciaram que os professores
reconhecem a importância de trabalhar a EA, mas não sabem como associa-la
aos conteúdos da EF. Dessa forma, essa investigação objetivou elaborar um
programa de trabalho, para ser desenvolvido nas aulas de EF, focando a EA.
Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa. Trata-se de uma
pesquisa exploratória onde realizamos uma revisão da literatura. O plano anual e
os planos de aula tiveram como parâmetro metodológico Ferreira Neto (2001) e
Krebs (2001) e foram elaborados para a 5ª série ou 6º ano do ensino
fundamental.
Palavra chave: Educação Física. Educação Ambiental. Práticas Docente.
ABSTRACT
The law of Guidelines and Bases of the National Education, the National
Environment Policy, the National Environmental Education Policy and the National
Curricular Parameters legitimize the importance and need to work the transversal
thematic, Environmental Education (EE), in the educational field. Many teachers of
Physical Education (PE) have difficulties, or even some resistance, on the
insertion of EE in their curricular contents. The researches carried out by Alvim
and Coelho (2004); Alvim, Carvalho, Costa, Jesus and Moreira (2005) pointed out
the difficulties PE teachers have in understanding the relationship EE and PE.
The researches show that teachers recognize the importance of working EE, but
don’t know how to associate it with PE contents. The lack of references makes it
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difficult to the teachers to associate EE in their classes. Thus, this research aimed
to draw up a work program to be developed in PE classes focusing on EE. This is
an investigative research in which we made a literature revision. The annual plan
and the classes plan had Ferreira Neto (2001) and Krebs (2001) as
methodological parameter and were elaborated for 5th grade (6th year of primary
school).
Keywords: Physical Education. Environmental Education. Teacher’s practice.
1- INTRODUÇÃO
De acordo com Gadotti (2000) a Educação Ambiental trata-se de uma
mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida, que está
diretamente ligada ao tipo de convivência que se mantém com a natureza e que
implica atitudes, valores e ações. Trata-se de uma opção de vida por uma relação
saudável e equilibrada com o contexto, com os outros, com o ambiente mais
próximo, a começar pelo ambiente de trabalho e pelo ambiente doméstico.
A Educação Ambiental surgiu da necessidade de implementação de uma
educação de caráter interdisciplinar, voltada para os problemas atuais e urgentes,
que preparasse a população para viver e se desenvolver em um mundo
interdependente e em harmonia com as leis da natureza (PORTO, 1996).
Quando os educadores refletem sobre Educação Ambiental, eles referemse à educação de um modo geral, que pode ser construída a partir da escola, mas
não somente através dela, como também pela família, pelos meios de
comunicação, entre outros. Nesse sentido, é de suma importância que os
educadores, em geral, tenham uma visão multidisciplinar e um conhecimento
básico sobre Educação Ambiental e Ecologia, para formar cidadãos com
princípios humanos e comprometidos com o futuro do planeta.
De acordo com Pérez e Vásquez (2000) a formação de convicções meio
ambientais, através da Educação Física, contribui na formação de gerações de
homens preocupados com o humano, tendo em vista que o meio ambiente não é
responsabilidade somente das Ciências Naturais, pois seu enfoque é
interdisciplinar, além de multidisciplinar.
Segundo Tavares (2004) o papel do professor deve ser analisado
permanentemente e revisto com profundidade em uma sociedade em aceleradas
mudanças e com contrastes muito marcantes. O professor pode ser o
responsável, ainda que não direta ou individualmente, por uma concepção de
desenvolvimento que esteja direcionado às finalidades “mais ou menos
humanas”. Por isso é preciso oportunizar ao professor uma reflexão mais
profunda, séria e compromissada do seu papel social, da sua ação pedagógica.
A Educação Ambiental tem como papel fomentar a ação cooperativa entre
os indivíduos, os grupos sociais e entre as instituições. Os processos ecológicos
vieram mostrar ao ser humano que ele nunca está só, mas imerso numa
gigantesca teia de interações. Fazendo parte do todo, o homem não é o dono do
planeta, ele tem responsabilidades com as gerações vindouras e deve pensar no
todo (DIAS, 2003).
A Educação Ambiental está inserida na Política de Educação Nacional, não
é restrita à área de Ciências ou Biologia e é executada por uma equipe
multidisciplinar, assim como os professores de Educação Física.
A primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental foi
realizada em Tbilisi no ano de 1977, é considerado um marco e um referencial
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mundial para o desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental. Esta
conferência foi um avanço para que esse assunto fosse difundido com maior
ênfase na sociedade e no crescimento das linhas de pesquisas ambientais.
Segundo Meller (1997), a Educação Ambiental não deve ser uma
disciplina, mas uma expressão relacionada ao campo pedagógico que reflete a
interdisciplinaridade de conteúdos de diferentes áreas do conhecimento, devendo
permear o currículo escolar como um Tema Transversal. A interdisciplinaridade é
um ponto de vista capaz de exercer uma reflexão aprofundada, crítica e salutar,
permitindo a consolidação da autocrítica e revisão das relações existentes entre
as disciplinas e entre os problemas da sociedade, (FAZENDA, 2002).
De acordo com Oliveira (2000, p.97), “o desafio de inserção da temática
ambiental nos currículos escolares deve procurar abordar as questões ambientais
em sua totalidade, evitando enfoques de temas isolados, mesmo que relevantes”.
Uma das propostas implantada pelo MEC (1997), nos Parâmetros
Curriculares Nacionais é que, além de informações e conceitos, a escola e seus
professores, se proponham a trabalhar com atitudes, formação de valores, e
também o ensino e a aprendizagem de habilidades e procedimentos
(BARCELOS, 1996).
Muitos educadores apresentam dificuldades ou, até mesmo, certa
resistência quanto à inserção da Educação Ambiental em seus conteúdos
curriculares, em suas atividades rotineiras. Isto se deve ao fato de ter poucas
referências sobre práticas educativas relacionadas ao ambiente. Com esta falta
de referências, os educadores, em geral, sentem-se perdidos em relação à prática
da Educação Ambiental.
As pesquisas realizadas por Alvim e Coelho (2004); Alvim, Carvalho,
Costa, Jesus e Moreira (2005) apontam à carência dos professores de Educação
Física no entendimento da sua relação com a Educação Ambiental. As pesquisas
evidenciaram que os professores reconhecem a importância de trabalhar com o
tema transversal Educação Ambiental, e os professores de Educação Física não
podem ficar fora dessa reflexão e trabalho. Mas eles não sabem como trabalhar,
como devem ser as tarefas.
Segundo COSTA (2002, p.35), “se devemos mudar pela educação, a
primeira coisa que precisamos fazer é capacitar o professor que é o principal
agente transformador dessa mudança”.
De acordo com Maccariello (1999) faz-se necessário uma Educação
Ambiental que conscientize a população para a necessidade de conhecer,
participar e fiscalizar as ações que agridem o bem comum – a natureza e seus
ecossistemas.
Nesse sentido, esse trabalho de pesquisa tem por objetivo elaborar um
programa de trabalho, para ser desenvolvido nas aulas de Educação Física,
focando o tema transversal Educação Ambiental, no ensino fundamental,
buscando atender essa demanda da prática docente dos professores de
Educação Física, oferecendo assim, um início e possibilidade clara de
operacionalizar a Educação Ambiental nas aulas de Educação Física, tendo como
ponto de partida as seguintes questões: É importante que o tema Educação
Ambiental esteja inserido nas aulas de Educação Física, no âmbito escolar?
Como operacionalizar o tema Educação Ambiental nas aulas de Educação Física,
no ensino fundamental? Como metodologia, utilizamos a técnica do estudo
exploratório através da revisão de literatura pertinente sobre o assunto: meio
ambiente e saúde. Um estudo exploratório é usado quando o tema escolhido é
pouco explorado, permitindo uma visão geral sobre o fenômeno em estudo e
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aumentando a familiaridade do pesquisador com o ambiente para estudos futuros
mais precisos (GIL, 1994).
É evidente que essa proposta não será a única e a melhor, mas
proporcionará a elaboração de outras propostas e principalmente a sugestão para
iniciar um trabalho de suma importância.
A EDUCAÇÃO FÍSICA E SUA LEGISLAÇÃO
De acordo com Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Lei
nº. 9.394/96), também chamada de Lei Darcy Ribeiro, abrange todos os níveis de
ensino, da educação infantil à pós-graduação, do ensino público e privado à
educação especial e dos grupos étnico-culturais minoritários. Por isso é chamada
de Constituição da Educação (GADOTTI, 2000). Esta lei fixa diretrizes da
Educação Nacional, isto é, parâmetros, princípios, rumos a imprimir à educação
no país. No artigo 26 da LDB e parágrafos a ele relacionados trata
especificamente da disciplina Educação Física.
O tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global, elaborado na Conferencia Rio 92, reconhece a
educação como um processo dinâmico em permanente construção, reconhece
ainda que a Educação Ambiental para uma sustentabilidade eqüitativa é um
processo de aprendizagem permanente baseado no respeito a todas as formas
de vida (FONSECA et al, 2005).
De acordo com Lei (nº. 9795) da Política Nacional da Educação Ambiental
(PNEA), Art. 2 ressalta que:
“A Educação Ambiental é um componente essencial e permanente
da educação nacional, devendo estar presente, de forma
articulada, em todos os níveis e modalidades do processo
educativo”, e ainda o Art.3, especifica “Como parte do processo
educativo mais amplo, todos têm direito à Educação Ambiental,
incumbindo: I – ao Poder Público, nos termos dos arts”. 205 e 225
da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem
a dimensão ambiental, promover a Educação Ambiental em todos
os níveis de ensino e engajamento da sociedade na conservação,
recuperação e melhoria do meio ambiente; II – às instituições
educativas, promover a Educação Ambiental de maneira integrada
aos programas educacionais que desenvolvem; III – aos órgãos
integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente – Sisnama,
promover ações de Educação Ambiental integradas aos
programas de conservação, recuperação e melhoria do meio
ambiente; IV – aos meios de comunicação de massa, colaborar de
maneira ativa e permanente na disseminação de informações e
práticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a dimensão
ambiental em sua programação; V – às empresas, entidades de
classe, instituições públicas e privadas, promover programas
destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e
ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre
as repercussões do processo produtivo no meio ambiente; VI – à
sociedade como um todo, manter atenção permanente à formação
de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação
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individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a
solução de problemas ambientais.
A Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº. 9.394/96) reafirma os propósitos
constitucionais:
A Educação Ambiental será considerada na concepção dos
conteúdos curriculares de todos os níveis de ensino, sem
constituir disciplina específica, implicando desenvolvimento de
hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à
natureza, a partir do cotidiano da vida, da escola e da sociedade.
As mudanças e criação de novas leis e normas são vistas como
necessárias de acordo com o progresso social. Um exemplo disso são os
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN’s, que constituem um referencial de
qualidade para a educação em todo país, incluindo orientações gerais de
trabalho, como uma nova forma de educar alunos para o novo milênio, que só
funcionam se aplicadas pelo professor de acordo com a realidade e a
necessidade dos alunos.
A Educação Física, dentro do que se propõe nos PCN’s, é a área do
conhecimento que introduz e integra o aluno na cultura corporal do movimento,
com finalidades de lazer, de expressão de sentimentos, afetos e emoções, de
manutenção e melhoria da saúde.
Segundo Nascimento (2000), os PCN’s representam um discurso de
intenções que buscam realizar uma harmonização a fim de assegurar
determinada qualidade de oferta da disciplina de Educação Física na escola.
È preciso a participação conjunta dos profissionais (orientadores,
supervisores, professores polivalentes e especialistas) para tomada de decisão
sobre os aspectos da prática didática, bem como a sua execução. Essas decisões
serão necessariamente diferentes de escola para escola, pois dependem do
ambiente local e da formação dos professores.
Para estar em harmonia com as demandas atuais da sociedade, é
necessário que a escola trate de questões que interferem na vida dos alunos e
com as quais se vêem confrontados no seu dia-dia.
Os temas transversais que compõe os PCN’s são: Ética, Saúde, Meio
Ambiente, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo; e
envolvem problemáticas sociais atuais de abrangência nacional e internacional.
Essa abrangência não significa que os temas transversais devem ser tratados
igualmente em todos os lugares. Ao contrário, podem exigir adaptações para que
correspondam às reais necessidades de cada região ou mesmo de cada escola.
Além das adaptações dos temas apresentados, segundo o PCN’s do Meio
Ambiente e Saúde (1997) tornam-se importantes o desenvolvimento de temas
locais de acordo com a necessidade e realidade de cada contexto social, político,
econômico e cultural.
A releitura crítica do ensino tradicional indicou a improdutividade das
disciplinas de forma dinâmica e questionadora. Isto não significa que foram
criadas novas áreas ou disciplinas, pois os objetivos e conteúdos dos temas
transversais devem ser incorporados nas áreas já existentes e no trabalho
educativo da escola. A abordagem a partir dos temas transversais pode significar
um salto de qualidade tanto no processo de formação dos alunos, que entendem
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o significado do que estão estudando, como dos professores, que ensinam de
forma criativa e dinâmica (COIMBRA, 2006).
A transversalidade promove uma compreensão dos diferentes objetos de
conhecimento, bem como a percepção da implicação do sujeito de conhecimento
na sua produção, abrindo espaço para a inclusão de saberes extra-escolares,
possibilitando a referência a sistemas de significado construídos na realidade dos
alunos.
As diretrizes curriculares constituem orientações para a elaboração dos
currículos que devem ser necessariamente adotadas por todas as instituições de
ensino superior. As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de
graduação em Educação Física deverá assegurar uma formação generalista,
crítica e reflexiva. O aluno deve ser qualificado para o exercício profissional com
base no rigor científico e intelectual e pautado no princípio ético. O graduado de
Educação Física com Licenciatura deverá estar capacitado a atuar na educação
básica e na educação profissional, deverá também ser formado para estudar,
pesquisar, esclarecer e intervir profissional e academicamente no contexto
específico e histórico-cultural, a partir de conhecimentos de natureza técnica,
científica e cultural de modo a atender as diferentes manifestações e expressões
da Atividade Física/Movimento Humano (MEC, 2002).
A categoria dos profissionais de Educação Física no Brasil deve ser
identificada como a força de trabalho qualificada e registrada no Conselho Federal
de Educação Física - CONFEF/CREFs, responsável pelo exercício profissional na
área de Educação Física e que neste sentido, utiliza e investiga, respectivamente,
com fins educativos e científicos, as possíveis formas de expressão de atividade
física. O CONFEF e os CREFs, pelas suas atribuições em lei e comprometimento
diante da Educação Física no Brasil, atuam fundamentalmente no compromisso
de uma Educação Física de qualidade, sendo que, para isto, devem intervir por
uma melhoria e valorização dos seus profissionais, inclusive quanto ao
cumprimento do Código de Ética estabelecido, complementando a sua
intervenção com ações vigorosas e consistentes, como a elaboração e difusão da
Carta Brasileira de Educação Física (CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
FÍSICA, 2004).
Educação Física Escolar
A Educação Física, enquanto disciplina comprometida com o
desenvolvimento integral do aluno busca fundamentar a sua prática através de
teorias do desenvolvimento humano. As teorias do desenvolvimento humano
serão as ferramentas básicas para a compreensão da relação indissociável entre
sujeito e contexto, em qualquer processo educativo. Seu objetivo central diz
respeito ao desenvolvimento do aluno enquanto um sujeito único (o eu sujeito) e,
ao mesmo tempo, como um ser social (o eu social). Mais especificamente, a
Educação Física objetivará o desenvolvimento progressivo e constante da
consciência corporal e consciência espaço-temporal de todos os alunos, sem
exclusão de algum que seja (Krebs, 2001, p.180 e 184).
De acordo com a Federação Internacional de Educação Física - Manifesto
Mundial da Educação Física Fiep (2000: 11 e 12):
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Art.2 – A educação física como direito de todas as pessoas é um
processo de educação, seja por vias formais ou não-formais, que
ao interagir com as influências culturais e naturais (água, ar, sol
etc.) de cada região e instalações e equipamentos artificiais
adequados; que ao utilizar atividades físicas na forma de
exercícios ginásticos, jogos, esportes, danças, atividades de
aventura, relaxamento e outras opções de lazer ativo, com
propósitos educativos; que ao objetivar aprendizagem e
desenvolvimento de habilidades motoras em crianças, jovens,
adultos e idosos, aumentando as suas condições pessoais para a
aquisição de conhecimentos e atividades favoráveis para a
consolidação de hábitos sistemáticos de prática física; que ao
promover uma educação efetiva para a saúde e ocupação
saudável do tempo livre de lazer; que ao reconhecer que práticas
corporais relacionadas ao desenvolvimento de valores podem
levar à participação de caminhos sociais responsáveis e busca da
cidadania constitui-se num meio efetivo para a conquista de um
estilo de vida ativo dos seres humanos.
A Educação Física Escolar deve oferecer espaço de novas experiências de
movimento onde o aluno se integra socialmente, desenvolve seus domínios
cognitivos, motor e afetivo-social, com oportunidade de criar, experimentar, tomar
decisões, avaliar e se relacionar. Para que a Educação Física faça parte do ato
educativo, ela não pode ter uma ação pedagógica mecanizada, pois assim estará
estimulando a sua inexistência como prática no contexto escolar. A Educação
Física Escolar deve objetivar o desenvolvimento global de cada aluno, procurando
formá-lo como indivíduo participante; deve visar à integração desse indivíduo
como ser independente, criativo e capaz, uma pessoa verdadeiramente crítica e
consciente, adequada à sociedade em que vive. Esse objetivo deve ser atingido
através de um trabalho consciente do educador, que precisa ter uma visão aberta
às mudanças necessárias do processo educacional. O compromisso educacional
da educação incita as transformações quando busca atender às necessidades do
educando. A Educação Física pode ser um dos caminhos para que ela atinja esse
objetivo através de suas atividades específicas (PICCOLO, 1995).
Todo professor de Educação Física que conhece a real importância do seu
fazer pedagógico, objetiva a aprendizagem dos seus alunos. Ele não é
diretamente responsável pela aprendizagem, mas sim, responsável por propiciar
lhes um ambiente pedagógico de condições ótimas para que ocorra. E este,
ambiente vai se configurar em decorrência de muitos fatores, entre eles podemos
citar: filosofia de vida do professor, conhecimentos, características de
desenvolvimento dos alunos, nível de aprendizagem, etc. O professor de
Educação Física, no desempenho do seu fazer pedagógico, não se restringe a
simplesmente administrar a aula, em si, pois ele começa muito antes do seu
encontro com os alunos, que é o planejamento desta aula (CANFIELD, 2001).
Segundo os PCN’s da Educação Física (1997), a Educação Física Escolar
pode sistematizar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos alunos
o acesso a conhecimentos práticos e conceituais. Para isso é necessário mudar a
ênfase na aptidão física e no rendimento padronizado que caracterizava a
Educação Física, para uma concepção mais abrangente, que contemple todas as
dimensões envolvidas em cada prática corporal. É fundamental também que se
faça uma clara distinção entre os objetivos da Educação Física Escolar e os
objetivos do esporte, da dança, da ginástica e da luta a nível profissional, pois,
embora seja uma referência, o profissionalismo não pode ser a meta almejada
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pela escola. A Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos
para que se desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não
seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos. Nesse sentido, cabe
assinalar que os alunos portadores de deficiências físicas não podem ser privados
das aulas de Educação Física.
O ensino da Educação Física não pode, portanto, perder de vista a
perspectiva de uma prática pedagógica inclusiva, não discriminatória entre
homens e mulheres de todas as idades, classes sociais, etnias,
independentemente de suas habilidades e performances nas práticas corporais.
Segundo Caparroz (1997), existem duas posições teóricas frente à
Educação Física Escolar: uma que considera redundante o qualificativo escolar,
na medida em que parte do princípio de que o termo Educação Física refere-se
tão somente à disciplina/atividade dada na instituição escolar, e outra que
considera a Educação Física como abrangendo diversas práticas sociais
(escolares, desportivas, terapêuticas, de lazer, etc.).
A Educação Física Escolar, segundo Daolio (1997), não deve colocar como
seu objetivo o ensino de uma técnica considerada eficiente, já que, ao fazer isso,
pode estar desconsiderando as formas culturais características do grupo alvo de
um determinado programa. Dessa forma, a Educação Física Escolar não é,
ensinar o basquetebol, voleibol ou handebol, mas utilizar atividades valorizadas
culturalmente num dado grupo para proporcionar um conhecimento que permita
ao aluno, a partir da prática, compreender, usufruir, criticar e transformar as
formas de ginástica, as danças, as lutas, os jogos e os esportes, elementos da
chamada cultura corporal ou cultura física.
Trabalhar com uma prática esportiva nas aulas de Educação Física é muito
mais do que o ensino das regras, técnicas e táticas próprias daquela modalidade,
é necessário contextualizar esta prática na realidade sociocultural em que ela se
encontra, e ninguém melhor que o profissional de Educação Física para realizar
este trabalho, pois se encontra conectado com a esta realidade.
Na prática educacional, o próprio professor e seus alunos são influenciados
pela cultura, mas a cultura é criada, recriada e transformada pelas pessoas nela
inserida. É importante, vislumbrar uma prática de Educação Física que leve à
transformação da realidade, permitindo ao homem uma evolução em todos os
aspectos; pois o homem, mais do que fruto, é agente da cultura (PICOCOLO,
1995).
Barbosa (1997) ressalta que a escola, enquanto produtora de cultura e
conhecimento interfere decisivamente na história cultural de um povo, o que
pressupõe que a aula de Educação Física seja um lugar de produção de outras
práticas corporais ou de outros significados para essas práticas.
Na Educação Física, pretende-se que se repita a experiência centenária de
desporto-natureza e se assuma o contexto de práticas e relações socioculturais
como referência básica. E, nesse contexto, que se imponha a figura do interventor
responsável, isto é, o educador físico. Assim é possível localizar a
responsabilidade social nas condições de cidadania ecológica, tal qual está
ocorrendo ou deverá ocorrer com todas as profissões e agentes potenciais de
intervenção (DA COSTA, 2001, p.100 e 101).
Segundo a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (2005), no
que tange à estrutura organizacional dos conteúdos da disciplina de Educação
Física ao longo da Educação básica, definiu a partir das orientações da LDB, a
estruturação dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC), conteúdos relevantes e
necessários ao desenvolvimento das competências e habilidades consideradas
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imprescindíveis aos alunos em cada nível de ensino e que, portanto, devem ser
ensinados em todas as escolas da rede estadual de ensino de Minas Gerais. Para
enriquecer o CBC, cada escola deverá definir também os conteúdos
complementares para atender às necessidades e aos interesses dos alunos,
observando as condições da escola e as características locais e regionais da
comunidade onde está inserida.
É imprescindível entender que a Educação Física é, sobretudo Educação,
envolve o homem como uma unidade em relação dialética com a realidade social.
Os valores fins da Educação em geral e seus respectivos objetivos estendem-se
em sua totalidade, à Educação Física, que como ato educativo, está voltado para
a formação do homem, tanto em sua dimensão pessoal como social
(GONÇALVES, 1997).
Educação Física na 5ª série
De acordo com Seybold (1989) na 5ª e 6ª séries há uma grande mudança
no comportamento das crianças, pois o interesse infantil volta-se para as “leis que
atuam por trás das coisas e dos fenômenos isolados”. A criança quer saber como
se realiza o rendimento esportivo. Interessa-lhe a técnica do movimento, a
aplicação precisa da força. Tarefas que lhe parecem muito difíceis, ela as
dispensa rapidamente. Inclina-se a exagerar intencionalmente dificuldades
imaginadas, para que depois, sua atuação ressalte com mais brilho.
Segundo os PCN´s da Educação Física (1997), espera-se ao final do
ensino fundamental que os alunos sejam capazes de participar de atividades
corporais respeitando as diferenças de cada um, adotando atitudes de respeito
mútuo, reconhecer elementos integrantes do ambiente, além de conhecer a
diversidade de padrões de saúde, beleza e estética corporal. O documento
enfatiza que existem alguns itens que são trabalhados nos ciclos iniciais do
ensino fundamental que poderão ser retomados e aprofundados e/ou tornarem-se
mais complexos nos ciclos posteriores, como por exemplo, a participação em
diversos jogos e lutas, bem como a resolução de situações de conflito por meio do
diálogo, discussão das regras do jogo, criação e participação de brincadeiras
cantadas, reconhecimento de algumas das alterações provocadas pelo esforço
físico, entre outros.
De acordo a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (2005), a
Educação Física é desafiada a propiciar aos alunos oportunidades de aprender a
conhecer e a perceber, de forma permanente e contínua, seu corpo, suas
limitações, na perspectiva de superá-las; aprender a conviver consigo, com o
outro e com o meio ambiente; aprender a ser cidadão consciente, autônomo,
responsável, competente, criativo, crítico e sensível; aprender a viver plenamente
sua corporeidade, de forma lúdica, tendo em vista a qualidade de vida, promoção
e manutenção da saúde.
O termo adolescência é de difícil definição, pois não se trata apenas de um
período de rápida alteração física, mas também de transição social e psicológica
da infância à idade adulta. O comportamento adolescente é exploratório e não
deve ser considerado sem importância porque ajuda o indivíduo a encontrar seu
lugar na sociedade, apesar disso, este comportamento carrega grandes riscos,
pois a adolescência é uma época agitada, repleta de mágoas e de problemas. É
ingênuo supor que a adolescência vai ser tão suave e plácida quanto a infância.
Trata-se de um período de questionamentos, desafios, de exploração e de exame
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crítico das ações dos colegas, amigos e adultos. Além disso, não se deve esperar
que os adolescentes demonstrem obediência cega à autoridade, mas uma
liderança adulta sensata, modelos positivos de papéis a desempenhar e uma
orientação que desenvolva a coragem, são essenciais para um processo
psicossocial saudável e produtivo de desenvolvimento desses anos (GALLAHUE,
2003).
Segundo o autor supracitado, a socialização é um processo ativo e não se
trata de mera interiorização de status, papeis e regras sociais, apesar de ser
importante, é mais do que a rotulagem passiva do indivíduo pela sociedade.
Somos seres dinâmicos, continuamente em desenvolvimento e, com tal, trazemos
abundância de diferenças individuais a este processo. Assim, a socialização
cultural deve ser encarada como um processo interativo entre a sociedade e o
indivíduo. Muitos fatores influenciam este processo, incluindo pessoas, onde a
família torna-se o agente dominante de socialização desde a infância até quase o
final da adolescência, propiciando a este adolescente entre outros fatores, o
sentido de autonomia, o amor e a confiança, também influência tremendamente a
introdução das crianças às atividades físicas e ao esporte, e esta participação é a
fim de se tornar membro de um grupo, bem como para sobrelevar habilidades e
oportunidades para competir; instituições, em que a escola é o agente básico pela
simples razão de que nela o adolescente passa boa parte do dia, e a Educação
Física Escolar torna responsável pelo desenvolvimento de movimentos
fundamentais e de habilidades esportivas nas atividades da cultura, encarregando
de informar as crianças sobre a aptidão e ajudá-las a desenvolver as habilidades
necessárias para uma vida saudável; as atividades, que assegura o
desenvolvimento ideal de adolescentes devendo ser o compromisso prioritário de
todos os agentes de socialização, seja em casa, em instituições juvenis ou na
escola, onde nenhum grupo, pode ser responsável pela integração bem-sucedida
de adolescentes à sociedade, devendo ser um trabalho em conjunto para
promoção desta transição.
Além desses fatores acredita-se, ainda sobre este autor, que a auto-estima
e o desempenho estão vinculados, à formação de atitudes, comportamento
aprendido que atribui valor para algo ou para alguém, e estas são adquiridas em
um contexto social, e podem ser ensinadas, modificadas e formadas, e a
atividade física na forma de brincadeiras com os colegas, jogos e esportes, pode
moldar atitudes positivas, que quando agrupadas nas estruturas frequentemente
indefiníveis de caráter, desportismo e conduta honesta, contribuem para o
desenvolvimento moral e para a integridade do indivíduo. O esporte fornece um
ambiente ideal para ensinar os valores da honestidade, lealdade, autocontrole e
de justiça.
Atletas, alunos adolescentes necessitam de treinadores e professores que
sejam não apenas competentes, confiantes, altamente motivadores, mas justos e
consistentes em seus comportamentos e que os apóiem, primeiramente como
indivíduos, e depois como cidadãos.
A Educação Física e a Educação Ambiental
Entende-se por educação ambiental os processos por meio do qual o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de
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seu uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua
sustentabilidade (PNEA, 1999).
A Educação Ambiental deve chegar a todas as pessoas, onde elas
estiverem – dentro e fora das escolas, nas associações comunitárias, religiosas
culturais, esportivas, profissionais, etc. Ela deve ir onde estão as pessoas
reunidas. A Educação Ambiental deverá promover o resgate e a criação de novos
valores, compatíveis com o novo paradigma do desenvolvimento sustentável
(DIAS, 2003).
Cada professor pode contribuir para que haja a interação da sua disciplina
com as questões ambientais, levando em consideração a realidade atual e a
urgência de formação de uma consciência sensível à garantia da sobrevivência
da humanidade.
Inserir a Educação Ambiental às atividades escolares rotineiras, nada mais
é do que tomar como foco principal de toda e qualquer atividade, a questão
ambiental que esteja inserida no contexto do conteúdo que estão sendo
desenvolvido. Não é necessário ser um biólogo ou engenheiro agrônomo para
falar em Educação Ambiental, na verdade todos os educadores são educadores
ambientais, só falta desenvolver uma forma de perceber a relação ambiental com
a relação educacional, ou seja, inserir a Educação Ambiental como conteúdo a
ser desenvolvido no planejamento das aulas de Educação Física (FARIA, 1992).
A escola pode ser considerada como um dos locais privilegiados para a
consecução da Educação Ambiental, que com a perspectiva de educação, deve
permear todas as disciplinas, enquanto enfocar as relações entre a humanidade e
o meio natural. Cada disciplina tem sua contribuição a dar nas atividades de
Educação Ambiental (REIGOTA, 1994).
A inserção da Educação Ambiental no currículo da educação básica
apresenta uma situação ímpar para a renovação educativa escolar, visando uma
educação de qualidade, que responda às necessidades cognitivas, afetivas e
éticas, capaz de contribuir com o desenvolvimento integral das potencialidades
dos sujeitos (MEDINA e SANTOS, 2001).
A sustentabilidade é um princípio reorientador da educação e,
principalmente, dos currículos. A ecopedagogia pode ser vista tanto como um
movimento pedagógico quanto como uma abordagem curricular. Ela não é uma
pedagogia escolar e não se dirige apenas aos educadores, mas aos habitantes da
Terra em geral (GADOTTI, 2000).
O autor supracitado exemplifica uma abordagem da ecopedagogia, onde a
população conhece o que é lixo, asfalto, barata, etc., mas não entende a questão
ambiental na sua significação ampla. Daí a necessidade de uma ecopedagogia,
de uma pedagogia para o desenvolvimento sustentável. A ecopedagogia como
movimento social e político surge no seio da sociedade civil, nas organizações,
tanto de educadores quanto de ecologistas, trabalhadores e empresários
preocupados com o meio ambiente.
Gadotti (2002, p.12) propõe ser necessária “uma pedagogia apropriada a
esse momento de reconstrução paradigmática, apropriada à cultura da
sustentabilidade e da paz”. Segundo o autor supracitado, é preciso saber pensar
a realidade; saber aprender; educar os sentimentos; compreender que somos
interdependentes; educar na direção de novos valores como a simplicidade, a
solidariedade, a ética, a paz e o ativismo político.
A Educação Ambiental deverá ser capaz de catalisar o desenvolvimento de
ações que permitam preparar os indivíduos e a sociedade para o paradigma do
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desenvolvimento sustentável, modelo estrategicamente adequado para responder
aos desafios dessa nova clivagem social (DIAS, 2003).
Os estudos em Educação Ambiental procuram levar em conta a
importância de reflexões sobre esta interação humana com o meio ambiente,
apontando o compromisso com mudanças de atitudes e valores, que possam
interferir positivamente nessa relação (BRUHNS, 1997).
De acordo com Delevatti (2003, p.67) “a Educação Ambiental faz-se
imprescindível para que as pessoas se tornem cada vez mais conscientizadas da
importância do meio ambiente e, consequentemente, venham a defendê-lo”.
Sendo assim, fundamental para que os docentes conheçam as legislações que
tratam das questões ambientais no país, para que possam trabalhá-las em sala,
enfatizando a sua real importância, e conscientizando os indivíduos de que
também são responsáveis pela luta da preservação do meio ambiente.
Para Tavares (2004) é preciso ambientalizar os currículos de Educação
Física, não apenas praticar atividades de saídas de campo: trilhas ecológicas,
práticas de ginástica ao ar livre, excursionar, etc., mais do que isto é preciso
educar em valores. A ambientalização das aulas de Educação Física passa pela
ética como proposição fundamental da Educação Ambiental, no intuito de educar
em valores. Valores que suplantam os méritos das vitórias esportivas, mas do
"verdadeiro espírito desportivo", que pressupõe respeito, oportunidade, acesso ao
conhecimento relativo às práticas corporais como fator indispensável às relações
entre os seres humanos e destes com a natureza, propiciando uma melhor
dignidade de vida para a população.
A Educação Ambiental aliada à Educação Física concebe meios
fundamentais de práticas, de integração, de forma que os indivíduos se tornem
mais conscientes, mais responsáveis e mais preparados para lidar com os
desafios de preservação do meio ambiente e da vida da sociedade através da
mudança social e cultural (DIAS, 2003).
A emergência da crise ambiental como uma preocupação específica da
educação foi procedida de certa “ecologização das sociedades”. Essa
ecologização começou no momento em que o meio ambiente deixou de ser um
assunto exclusivo de amantes da natureza e se tornou um assunto da sociedade
civil mais ampla. E vem sendo incluída nos currículos escolares a partir de uma
perspectiva de transversalidade e transdisciplininaridade, capaz de responder
com eficácia às necessidades sociais (GRÜN, 1996).
A Educação Ambiental deve estar presente desde os primeiros dias de
aula. Inicialmente, o ensino se dará mais no campo emotivo e na criação de bons
hábitos ambientais, sem que o professor sobrecarregue o aluno (PIRES, 1993).
Quanto mais jovens forem os educandos, maiores possibilidades haverá de
construir com eles o respeito a todas as formas de vida. A Educação Ambiental e
com ela o contato com a natureza desde a mais tenra idade são uma boa
proposta para construção de valores e de cidadania (ARRUDA, 2003).
Faz parte da construção da cidadania do jovem à compreensão de como o
modelo de desenvolvimento adotado na construção do espaço originou focos de
concentração de renda, de produção, de consumo de informação. O
conhecimento real desses processos permite ao aluno posicionar-se frente às
questões ambientais e as políticas públicas implantadas ou apresentadas para
minimizar ou eliminar tais problemas, que dizem respeito à utilização do território
(PONTUSCHKA, 1996).
De acordo com Vargas e Tavares (2004), o meio natural apresenta-se
como local de grande interesse por parte dos alunos na medida em que são
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realizadas atividades como saneamento na comunidade, áreas naturais e no
próprio espaço da Educação Física, além de cuidado e preservação das áreas
desportivas e cuidados com higiene pessoal e com o vestuário, assim como da
escola.
Todas as recomendações, decisões e tratados internacionais sobre o tema
evidenciam a importância atribuída por lideranças de todo o mundo para a
Educação Ambiental como meio indispensável para se conseguir criar e aplicar
formas cada vez mais sustentáveis de interação sociedade-natureza e soluções
para os problemas ambientais. Evidentemente, a educação sozinha não é
suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente é condição
necessária para tanto de acordo com os PCN’s do Meio Ambiente e Saúde
(1997). Para Freire (2002, p.12), “mudar é difícil, mas é possível”. Baseado nesta
afirmativa, alimenta nossa esperança de que ocorram transformações
necessárias, e a começar pela escola, como acreditam os educadores
ambientais.
Atualmente, a análise crítica e a busca de superação apontam à
necessidade de que, além do corpo e do movimento, a Educação Física
considere também as dimensões cultural, social, política e afetiva, presentes no
corpo vivo, isto é, no corpo das pessoas, que interagem e se movimentam como
sujeitos sociais e como cidadãos (Brasil (b), PCN’s da Educação Física, 1997).
CONCLUSÃO
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Política Nacional do
Meio Ambiente, a Política Nacional de Educação Ambiental e os Parâmetros
Curriculares Nacionais legitimam a importância e a necessidade de trabalhar a
temática transversal, Educação Ambiental (EA), no âmbito Educacional. Muitos
professores de Educação Física (EF) apresentam dificuldades ou, até mesmo,
certa resistência quanto à inserção da EA em seus conteúdos curriculares.
São desenvolvidas ações esporádicas, não acontecendo a continuidade
dessas ações. Faz-se necessário fomentar a cultura da Educação Ambiental em
especial, na disciplina Educação Física, onde os professores reconhecem a
importância de trabalhar a temática em suas aulas, mas têm dificuldades em
associá-la as atividades planejadas. Ao elaborar o plano anual/bimestral e os
planos de aula foi percebido que é possível trabalhar a temática Educação
Ambiental nas aulas de Educação Física. Mas para que isso aconteça é
necessário que o professor planeje suas aulas de forma sistematizada e atenda a
realidade da escola. Por mais difícil que seja essa realidade é possível abordar a
temática Educação Ambiental nas aulas de Educação Física. É importante
associar a temática aos conteúdos da Educação Física.
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