SUZANO ANO 4
ISSN: 2176-5227
Nº 3
ABR. 2012
REVISTA INTERFACES
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Educação ambiental nas ONG(s): uma análise
qualitativa
Ana Claudia Guimarãe dos Santos
Faculdade Unida de Suzano – UNISUZ ([email protected])
Jairo José Matozinho Cubas
Faculdade Unida de Suzano – UNISUZ ([email protected])
Resumo
A educação Ambiental não formal desenvolvida por ONG(s) tem se constituído em um importante espaço de
ensino aprendizagem, entretanto, são escassos os mecanismos de avaliação dos programas desenvolvidos. O
objetivo deste trabalho é averiguar o grau de aprofundamento dos temas discutidos nos projetos de Educação
Ambiental em ONG(s). Para tanto foram realizadas entrevistas com professores e alunos de três instituições
localizadas no Alto Tietê. Os dados indicam um bom comprometimento e seriedade no desenvolvimento dos
projetos, mas constatou-se que a concepção de educação ambiental, segundo a literatura, não está totalmente
contemplada. Entendeu-se que nos projetos analisados os conceitos ambientais são apresentados de forma
lúdica, artística e comprometida, porém são ensinados com base na formação e aprendizado dos coordenadores e colaboradores voluntários, que nem sempre estão totalmente de acordo com os autores e documentos
pesquisados.
Palavras-Chave: Educação não-formal; pedagogia e empresa.
Introdução
A educação ambiental vem sendo, nos últimos
anos, tema de destaque e tem alcançado grande espaço na educação formal. Entretanto, observa-se que
a criança aprende não somente no ambiente escolar,
mas também com a educação não formal, em casa, na
rua com seus colegas e nas organizações não governamentais (ONGs), que vêm a cada dia aumentando seus
núcleos e temas para melhor atender a demanda.
Os objetivos desta pesquisa é investigar o grau de
aprofundamento, de discussão e de envolvimento nos
projetos de Educação Ambiental em três organizações
não governamentais, uma vez que a participação deste segmento na educação ambiental tem aumentado
consideravelmente.
Realizou-se acompanhamento e entrevistas com
coordenadores, professores e crianças que estão envolvidas nestes projetos, seguido de análise quantitativa e qualitativa.
Educação Ambiental não Formal: Conceitos
e Caracterização
De acordo com a Política Nacional de Educação
Ambiental , entende-se por Educação Ambiental não
formal aquelas atividades organizadas fora do sistema regular de ensino. Nelas as ações e práticas educativas são voltadas à sensibilização sobre as questões
ambientais e à sua organização na defesa da quali-
dade do meio ambiente (PNEA, 1999). Neste documento está evidente o papel da educação não-formal:
“Entendem-se por educação ambiental não-formal as
ações e práticas educativas voltadas à sensibilização
da coletividade sobre as questões ambientais e à sua
organização na defesa da qualidade do meio ambiente”. (PNEA, 1999, p.4).
Segundo Born (2008), a educação ambiental não
formal ganhou novos rumos a partir de 1980-1990
passando a se tornar mais abrangente. Entre os veículos de Educação Ambiental não formal pode ser destaca a mídia que é formadora de opiniões fortalecendo
as discussões sobre as questões ambientais.
Segundo a PNEA (1999), o poder público, em níveis
federal, estadual e municipal deverá incentivar a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de
massa, em espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações acerca de temas
relacionados ao meio ambiente, isto está relacionado
diretamente com a educação não formal.
A televisão constitui-se em uma das principais
fontes de informação para uma expressiva parcela da
população, seu papel torna-se decisivo nos processos
de formação de opinião, em vários aspectos, inclusive
sobre a problemática ambiental. (Carneiro e Tomazello, 2001, p. 61).
Carneiro e Tomazello (2001), procuraram analisar
um programa de televisão pública que contemplasse
a Educação não Formal Ambiental e escolheu o repórter ECO/ TV Cultura. Este programa foi criado em 1992
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e foi o primeiro programa exclusivo sobre a temática
ambiental, o objetivo desse programa era, a princípio,
introduzir no cotidiano das pessoas reflexões ambientais, antecipando questões que seriam abordadas na
Rio-92 (Conferência Internacional sobre o Meio Ambiente no século XX). Ao passar a conferência, o programa se transformou em uma Tele revista ambiental.
Outro veículo da educação ambiental não formal,
tema deste trabalho, são as ações das organizações
não governamentais. “No Brasil é certo afirmar que as
organizações não governamentais (ONGs), que lidam
com questões ambientais têm um papel cada vez
maior e mais efetivo em políticas públicas e geração
de iniciativas” (BORN, 2008, p.107).
É fato que a contribuição das ONGs é significativa para a melhoria de vida no planeta, pois favorece
a participação da população na formulação e implementação de políticas públicas voltadas para o meio
ambiente, entretanto, Born (2008), relata que nas organizações não governamentais (ONGs) têm fragilidades em suas organizações.
Rodrigues (2001), aponta que estão filiadas à
ABONG (Associação Brasileira de Organizações não
Governamentais) 270 organizações, porém o número
de ONGs no Brasil é maior. Muitas ONGs brasileiras
não constam no cadastro da ABONG e seus dados
qualitativos permanecem imprecisos.Born (2008),
cita que para trabalhar em ONGs muitas vezes a formação técnica não é o suficiente, principalmente no
movimento ambientalista. É necessário que mobilizem recursos que na maioria das vezes vem de fundações privadas e mobilizem pessoas para pensarem
de maneira diferente de seus colegas de profissão que
trabalham no setor privado.
“Entretanto, o aprofundamento das discussões
acerca de sua identidade mundo globalizado e suas
“regras de mercado” têm levantado importantes questões quanto à proximidade (por vezes consideradas
excessivas) dessas organizações com o Estado e agências de financiamento” (Rodrigues, 2001, p. 24).
O mesmo autor diz ainda que os aprofundamentos
sobre a identidade das ONGs no mundo globalizado
e as suas regras do mercado têm levado em conta a
sua proximidade excessiva com o estado e agencias
de financiamento.
A autora faz um questionamento: Como garantir
autonomia e construir identidade própria quando a
relação de poder econômico entre essas instituições
é desigual?
Born (2008), traça desafios e perspectivas para
o trabalho nas ONGs como, por exemplo, integrar
perspectivas sociais e ambientais; escolher entre ter
a agenda própria ou estar ligados com as iniciativas
do governo; aumentar sua capacidade de decidir onde
quer atuar; facilitar o acesso para organizações que estão centradas no voluntarismo; buscar parcerias com
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empresas privadas e financiadores; superar impasses
e propiciar o fortalecimento institucional e qualificação das organizações.
Temas de Relevância na Educação Ambiental Formal e Não Formal
O tema Educação Ambiental é muito amplo e pode
ser trabalhado de diversas formas enfocando diversos
aspectos. Entre as maneiras de trabalhar a educação
ambiental está a reciclagem, a reutilização dos materiais, a horta escolar, a concepções de alimentação
saudável, entre outros.
Entre os temas mais abordados por alguns autores
atuantes na área podemos citar a horta ,“Quando a
horta da escola passa a fazer parte desse currículo, nós
aprendemos sobre os ciclos alimentares, por exemplo,
e integramos os ciclos alimentares naturais ao ciclo de
plantio, cultivo, colheita, compostagem e reciclagem”.
(CAPRA, 2006, p.15). Segundo o autor, estar na horta
para as crianças é algo mágico, pois elas vão ter um
contato com a terra, com as coisas que crescem dela e
plantar, cozinhar e comer aquilo que se plantou é uma
experiência que vai continuar com a criança para o
resto da vida.
Waters (2006) complementa o pensamento de Capra (2006), com uma crítica aos valores da fast food
e tenta resgatar os valores do slow food, pois acredita que as escolhas que fazemos a respeito do que se
come são de grande importância e não dizem respeito
somente à alimentação e o prazer pessoal, mas, a nossa saúde.
Já para Michael (2006), os valores da educação ambiental podem e devem estar vinculados com a arte,
pois as crianças são especialistas em imaginar lugares desconhecidos e sugere que façamos com que as
crianças imaginem lugares ou coisas que de fato existam como a água, a terra, a rocha e façamos com que a
criança se desenvolva através da imaginação levandoas ao conhecimento.
[...] Vemos crianças encontrando seus lugares no
mu ndo natural, crianças que sabem que a água não
vem simplesmente da torneira, que sabem os nomes
das plantas e dos animais a sua volta, que entendem
o desafio da vida sustentável na Terra, e conseguem
instrumentos e usam a imaginação para resolver esses desafios. (MICHAEL, 2006, p.143).
Segundo Michael (2006), nos últimos anos a educação ambiental tem enfocado em problemas como a
poluição e a extinção das espécies e relata que não é
interessante ressaltar problemas ambientais para as
crianças pequenas, pois isso pode levá-las a um sentimento de impotência com a situação e sua capacidade de mudar.Já para o Eco cidadão (2008), diferente
da autora Michael, acredita que é preciso sim enfocar
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em problemas como a poluição. Primeiramente cita a
mudança de atitude que a população deve ter como
adquirir novos hábitos de consumo e a forma de jogar
o lixo fora.
Dias (2003), acredita que as atividades de educação
ambiental devem levar em conta a realidade da escola
em relação a pouca e nenhuma disponibilidade de recursos, e dá um enfoque a atividades que foram concebidas para estimular a interdisciplinaridade com
estratégias que buscam solução para os problemas
ambientais.
A forma de apresentação das atividades do autor
Dias (2003) foge dos padrões de experimentação muitas vezes encontrados nos livros de ciência e dos moldes comuns de livros de atividades, pois em vez de objetivos, materiais, procedimentos e discussão há uma
descrição como uma conversa informal.As propostas
de atividades pelo autor consistem em observações do
ambiente natural como a fauna e a flora urbana, identificando os animais do ecossistema urbano, observar
o desenvolvimento da natureza, observar e analisar o
amanhecer e o entardecer, o céu à noite, a lua, a chuva e orvalho, o arco-íris, os ventos e os redemoinhos,
o relâmpago e o trovão. O mesmo autor aponta para
a necessidade em se comparar ambiente urbano e
ambiente rural. Cita ainda em suas propostas de atividades a observação dos serviços essenciais da cidade
como coleta, água, proteção ambiental, lazer, esporte
e cultura.
Outras propostas apresentadas por Dia (2003) consiste na verificação dos materiais recicláveis no supermercado, o lixo gerado na escola, a qualidade do ar
que se respira, da água que ingere, dos alimentos que
come e ao final relata que a contribuição individual é
de cada um para a diminuição da degradação.
Esse autor vai ao encontro com a proposta do Eco
cidadão (2008) que relata que é necessária a adoção
de hábitos de consumo responsáveis e conscientes e
cita a busca de alternativas para ter energia por fontes
menos poluidoras, reduzir a quantidade de lixo, evitar
o desmatamento, a exploração excessiva de recursos
naturais e a contaminação da água.
Relata ainda que com a adoção de padrões de consumo sustentável é possível ter uma vida saudável no
presente e no futuro. É necessário olhar o planeta terra como moradia a ser preservada.
Carneiro e Tomazello (2001) creem que os abordar
temas em educação ambiental por meio de projetos
seja mais eficiente. Para as autoras quando definimos objetivos educacionais de um projeto, baseado
no desenvolvimento cognitivo dos alunos estamos
cumprindo finalidades de Educação Ambiental, pois
estamos promovendo a motivação dos alunos, despertando o interesse para o mundo, adquirindo conhecimentos e participando na resolução e prevenção de
problemas ambientais.
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Orr (2006) relata que toda a educação é ambiental, pois através dela ensinamos os alunos que fazemos parte de um todo. “Toda a educação é ambiental
(...) com a qual por inclusão ou exclusão ensinamos
aos jovens que somos partes integral ou separada do
mundo natural”. (Orr, 2006, p.11).
Ainda para Carvalho (2002) não é possível desvincular a Educação Ambiental do movimento histórico
social (movimento ambientalista) que foi um grupo
de pressão que inicialmente era contra uma serie de
atitudes insustentáveis e em seguida assume um caráter social.
Com os poucos exemplos acima é possível perceber que perceber que a diversidade de temas apontados pelos autores com possibilidades de serem
trabalhados em Educação Ambiental e diante do exposto entende-se a necessidade em averiguar o grau
de aprofundamento, de discussão e de envolvimento
nos projetos de Educação Ambiental nas organizações
não governamentais.
Metodologia
Foi realizada uma pesquisa de campo com a finalidade de verificar a concepção de Educação Ambiental
e o ensino aprendizagem na educação não formal em
três Organizações não Governamentais, onde foram
entrevistadas dez crianças e o coordenador de cada
instituição.
Com o objetivo de verificar como acontece a Educação Ambiental no ensino das crianças de 09 e 10
anos na educação não formal, foi realizada entrevista
individualizada com os coordenadores e em rodas de
conversas com as crianças.
Para os coordenadores utilizou-se um roteiro com
nove questionamentos referentes aos projetos desenvolvidos na ONG com relação à Educação Ambiental
desenvolvidas nas respectivas instituições. Para crianças foram utilizada cinco questionamentos; todas as
questões foram abordadas em uma roda de conversa
onde foram gravadas e sintetizadas as respostas.
A análise aplicada sobre a entrevista foi qualitativa descritiva com base nas respostas dos coordenadores e das crianças. As discussões se deram com base
nos autores citados.
Resultado e Discussões
A primeira organização que identificada como
ONG1, está situada em um bairro pouco afastado do
centro de uma cidade do Alto Tietê e depende de recursos financeiros do município para realizar seus
projetos. Atende crianças da região através de cursos de aprendizagem, capacitação para o mercado de
trabalho, oficinas culturais e esportivas e apoio sócio-
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educativo, com vista à promoção da cidadania e inclusão social. Tem a família, o trabalho, a religião, o lazer e
a convivência comunitária como eixos norteadores do
trabalho. Partindo destes eixos, adotou como uma das
linhas de atuação, o desenvolvimento de projetos sociais que atendam a população, tendo como grandes
objetivos a promoção humana, valorização da vida e
contribuir para a formulação e execução das políticas
públicas.
A segunda organização identificada como ONG2,
está localizada em um bairro periférico e depende de
instituição privada e do município para a realização
dos projetos. É uma organização que desenvolve trabalhos voltados ao desenvolvimento social e comunitário, com foco direcionado a educação. O projeto específico de Educação Ambiental dessa ONG é financiado
por uma instituição particular e tem como objetivo
a promoção da conscientização nas pessoas quanto
à preservação do meio ambiente. Esse trabalho vem
sendo realizado com as crianças e adolescentes e é
todo pautado em ações efetivas de reciclagem e da
mudança da realidade onde o projeto está inserido.
A terceira organização, identificada como ONG3,
localiza-se em um bairro pouco afastado do centro da
cidade, mas, com grande referência, pois está dentro
de uma empresa e recebe financiamento tanto privado como do município.Essa organização surgiu a partir de uma conscientização da necessidade de participação efetiva do grupo empresarial em ações sociais
onde pudessem se envolver diretamente com obras
sociais e contribuir para a criação de oportunidades
principalmente para crianças. Foi todo dedicado a
implementar atividades envolvendo crianças e adolescentes da comunidade com abrangência familiar.
Mantém em sua sede, uma vasta área reservada para
reflorestamento de plantas e árvores da mata atlântica, com o objetivo de preservar e ampliar o conhecimento das crianças sobre a origem de cada espécie e
desenvolver a conscientização sobre a importância de
sua preservação.
Na entrevista com os coordenadores verificou-se
que a maior parte dos projetos desenvolvidos na ONG1
foram projetos sócio-educativos para tirar as crianças
das ruas, a ONG2 desenvolveu projetos sócio-educativos, porém com direcionamento á oficinas de artesanato e caminhadas voltadas a sensibilização do meio
ambiente e a ONG3 desenvolveu atividades voltadas
para a coleta seletiva, cultivo de plantas e hortaliças.
Desses projetos realizados foi constatado que na
ONG1 o tema meio ambiente é trabalhado dentro do
contexto dos projetos desenvolvidos, já na ONG2 apenas um dos projetos desenvolvidos trabalha com educação ambiental e na ONG3 todos os projetos foram
relacionados com a educação ambiental.
Segundo Carneiro e Tomazello (2001) uma das características da educação ambiental é ser globaliza-
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dora e interdisciplinar e que as atividades realizadas
com projetos são mais eficientes. Nesta perspectiva
todas as ONGs têm a preocupação, entretanto a ONG3
demonstra observar de modo mais eficiente o caráter
interdisciplinar da Educação ambiental ao identificála em todos os projetos sociais da instituição e perceber a Educação Ambiental de forma globalizadora e
interdisciplinar.
Os temas mais presentes trabalhados dentro dos
projetos da ONG1 estão relacionados à qualidade de
vida, envolvendo direitos humanos, cidadania, planejamento familiar, drogas, meio ambiente, entre
outros. Na ONG2 os temas mais presentes estão relacionados à consciência ambiental como reciclagem,
coleta seletiva e reaproveitamento de materiais. Na
ONG3 o tema mais presente é a flora e a reutilização
dos recursos naturais.
Segundo Carneiro e Tomazello (2001), educação
ambiental não é somente o estudo da fauna e da flora,
pois o meio ambiente não se reduz ao controle de parcelas do meio natural. Verifica-se que as ONGs entrevistadas não se limitam a concepção de fauna e flora,
pois os temas trabalhados dentro de seus projetos são
muito amplos.
Ao questionar qual é a concepção de reciclagem
que é passada para as crianças, a ONG1 respondeu de
acordo com a Política Estadual de Resíduos Sólidos, as
ONGs2 e 3 responderam conceitos que não são de reciclagem e sim de reutilização dos materiais.
XIII- reciclagem- prática ou técnica na qual os
resíduos podem ser usados com a necessidade
de tratamento para alterar suas características físico-químicas;(...)” e “XVII- reutilizaçãoprática ou técnica na qual os resíduos podem
ser usados na forma em que se encontram
sem a necessidade de tratamento para alterar suas características físico-químicas;(...)”
(LEI nº 12.300, 2006, p.5 e 6)
Pode-se observar que os conceitos de reciclagem
não estão claros para os coordenadores das ONGs 2 e
3, apenas o coordenador da ONG1 soube identificar.
Sabemos que se os conceitos são passados de maneira
incorreta para as crianças as mesmas não saberão diferenciar reciclagem de reutilização.
As ONGs1 e 3 têm como principal objetivo trabalhar a preservação do meio ambiente, porém a ONG1
dá mais enfoque no impacto da qualidade de vida e
a ONG3 na conscientização da dependência humana
referente aos recursos naturais. Já a ONG2 tem como
objetivo a mudança de perspectiva visando às crianças como agentes de transformação
Lago (2004), fez uma pesquisa mostrando que a
transformação de consciência depende da mudança
de mentalidade em relação à natureza, e este processo
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passa pela educação. Percebeu-se nas entrevistas que
as ONGs trabalham muito com a qualidade de vida,
conscientização e mudança de perspectiva e isso colabora para promover na crianças uma mudança de
mentalidade em relação à natureza e o meio em que
se vive.
Os valores que a ONG1 espera que as crianças
aprendam é a preservação visando à qualidade de vida
das pessoas, para a ONG2 é a valorização dos recursos
naturais envolvendo consumo e desperdício e para a
ONG3 o desenvolvimento sustentável. Podemos observar que as ONGs envolvem a sustentabilidade em
seus projetos, pois visam que as crianças valorizem e
preservem os recursos naturais e isso ajudará não só
a qualidade de vida atual, mas também das gerações
futuras. Entretanto, verifica-se que nas ONGs 1 e 2 o
conceito de sustentabilidade não está claro, já a ONG3
define sustentabilidade como o uso de recursos de
maneira que o mesmo não venha prejudicar as gerações futuras.
A ONG3 tem os conceitos de sustentabilidade de
acordo com Capra 2008, que definiu sustentabilidade
como uma sociedade capaz de satisfazer suas necessidades sem prejudicar as sociedades futuras.
Percebe-se que todas as ONGs entrevistadas desenvolvem nos projetos noções de sustentabilidade
direta ou indiretamente, porém as ONGs 1 e 2 não têm
claros os conceitos de sustentabilidade mesmo trabalhando com as crianças essa temática.
Ao questionar se há alguma ligação da escola com
a ONG nos projetos que envolvem Educação ambiental, a ONG1 respondeu que a instituição atua de forma
compartilhada com toda a rede de serviço e as atividades sócio-educativas são complementares a escola. A
ONG2 e 3 não responderam.
A ONG1 diz que a comunidade é sensibilizada para
a questão ambiental através de oficinas, a ONG2 diz
que sensibiliza a comunidade através de palestras e
caminhadas e a ONG3 relata que a instituição está
sempre aberta para abordar o tema com a comunidade.Lago (2004), cita que o professor tem o papel de formador de opinião, pois o processo de conscientização
de Educação Ambiental exige um trabalho integrado
entre instituições públicas e privadas como universidades, escolas e organizações não governamentais.
Podemos observar que mesmo desenvolvendo trabalhos direcionados a comunidade as ONG2 e 3 não
mostraram uma ligação com a escola nos projetos
ambientais, ou seja ainda há uma defasagem no trabalho integrado entre escola e organização não governamental.
Seguem abaixo as respostas que mais aparecem
da entrevista com as crianças.
1. Qual atividade você mais gosta de participar na
ONG?
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Respostas
Ler e escrever
Futebol
Desenho e pintura
Recreação
Informática
ONG1
4
3
ONG2
ONG3
Total
4
3
7
1
5
2
3
5
3
3
3
3
Atividades que envolvem
exercício físico
Reciclagem
3
2
1
Atividades com música
1
1
Agricultura
Tabela 1
2
1
A pesquisa mostra que a resposta “ler e escrever”
aparece com frequência na ONG2 e na ONG3, não aparecendo nenhuma vez na ONG1 na qual a atividade
que mais aparece é futebol.
A agricultura aparece apenas uma vez na ONG3
que é a única ONG dentro das entrevistadas que possui essa atividade dentro do projeto com as crianças.
Percebe-se que mesmo a coordenadora dando
grande ênfase nessa atividade, as crianças não a citam como atividade que gostam de participar, isso
acontece pelo fato das crianças não se apropriarem
do meio natural que as envolvem.
Para Michael (2006), é preciso que as crianças se
apropriem de seus lugares no mundo natural, que saibam os nomes das plantas e dos animais a sua volta,
que gostem do ambiente em que vive para que cuidem do mesmo.
2. Tem alguma atividade na ONG que você faz igual
na escola?
ONG1
ONG2
ONG3
Total
Ler e escrever
1
6
8
15
Desenho e pintura
3
8
11
1
9
10
Respostas
Atividades físicas
Informática
6
6
Política
2
Assistir filmes
1
Inglês
2
1
1
1
Tabela 2
Verificamos que as atividades realizadas igual à
escola que aparece com maior freqüência é a leitura
e escrita, 14 de 30 crianças colocaram essa resposta.
Podemos observar que todas as atividades sócio-educativas são complementares a escola não podendo
exercer o papel da mesma, no entanto a resposta ler e
escrever são a que mais aparece.
As atividades que envolvem o cuidado com o meio
ambiente citadas pelas coordenadoras não apareceu
nenhuma vez.
Michael (2006), cita que é preciso dar às crianças a
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oportunidade de conhecer a natureza, observar e criar
um espaço de alegria e admiração, assim quando se
tornarem adultos serão cidadões comprometidos com
a preservação desse lugar.É possível que as crianças
não citem atividades que envolvem o meio ambiente pelo fato de não conhecerem de fato a natureza, o
meio em que os cerca e não ter um espaço para admiração.
3. Cite o que o homem faz de errado contra o meio
ambiente?
ONG1
ONG2
ONG3
Total
Desmatamento
6
4
2
12
Poluição
2
7
9
Joga lixo no meio ambiente
1
Destrói a natureza
1
Respostas
5
6
1
1
Polui o ar andando de carro
1
1
Mata animais
1
Tabela 3
O desmatamento apareceu em todas as ONGs
entrevistadas, mas na ONG1 aparece com maior freqüência, sendo 6 de 10 crianças a responderem essa
opção. Já na ONG2, a resposta que mais aprece é jogar
lixo no meio ambiente, 5 de 10 crianças e na ONG3 a
resposta que mais aparece é a poluição, sendo 7 de 10
crianças a apontarem como resposta.
Nota-se que uma das crianças da ONG2 pontuou a
questão de andar de carro como poluição do ar, como
essa foi uma resposta isolada, deve se levar em conta que a questão do meio ambiente já foi trabalhada
anteriormente com essa criança, seja pela família, ou
pelo projeto da ONG.
Michael (2006) relata que nos últimos anos a educação ambiental tem enfocado em problemas como
a poluição e relata que não é interessante ressaltar
problemas ambientais para as crianças, pois isso pode
levá-las a um sentimento de impotência com a situação. Verificamos que os problemas ambientais enfocados nas ONGs são desmatamento, poluição e extinção das espécies indo contra o que Michael (2006), diz,
pois as crianças teriam que conhecer a natureza, se
apropriar dela criando um espaço de admiração e não
de impotência ou conformismo com a situação.
4. Para você o que é reciclagem
Respostas
Não soube identificar
ONG1
ONG2
10
Acredita que é a
reutilização dos materiais
6
Transformação dos
materiais recicláveis em
outros materiais
Tabela 4
4
ONG3
Total
9
19
1
7
4
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Os resultados apontam que na ONG 1 nenhuma
criança soube identificar o que é reciclagem, na ONG3
9 de 10 crianças não souberam identificar e 1 identificou como a reutilização dos materiais.
Na ONG nº 2, seis das dez crianças entrevistadas
acredita que reciclar é reutilizar os materiais através
de artesanatos e confecções de brinquedos e 4 crianças conseguiram identificar a reciclagem como prática ou técnica na qual os resíduos podem ser usados
com a necessidade de tratamento para alterar suas
características, como cita a Política Estadual de Resíduos Sólidos.
Há uma contradição entre o apontado pelas crianças e o descrito pelo coordenador, pois na ONG1 nenhumas das crianças souberam identificar o que é
reciclagem sendo que a coordenadora relatou que o
conceito de reciclagem não é reutilizar o produto e
sim a sua transformação. Já na ONG2 onde 4 crianças
souberam responder o que é reciclagem a coordenadora não soube definir.
Na ONG3 nem a coordenadora nem as crianças
conseguiram definir, relatando apenas que é a reutilização dos materiais.
5. O que você faz para ajudar a preservar o meio
ambiente
Respostas
Jogar o lixo no lixo
ONG1
6
Plantar árvores e cuidar das
plantas
Separar o lixo para a coleta
seletiva
1
Reciclar os materiais
1
Não cortar árvores ou plantas
2
ONG2
ONG3
Total
5
3
14
2
4
6
2
3
1
3
1
2
Não usar sacolinhas de
plástico
1
1
Evitar andar de carro
Tabela 5
1
1
A maior parte das crianças aponta que contribuem
com o meio ambiente jogando o lixo no lixo. Podemos
observar a sinceridade das crianças com essa faixa
etária, pois sabemos o quanto é difícil implantar maneiras de preservar o meio ambiente em uma sociedade que já tem uma cultura pré-estabelecida de jogar o
lixo no chão. Segundo o Eco Cidadão (2008), é preciso
sim enfocar problemas como a poluição e a mudança de atitude que a população deve ter, como adquirir
novos hábitos de consumo e a forma de jogar o lixo
fora.
As três ONGs entrevistadas desenvolvem algumas
atividades citadas por Dias (2003) que relata que é
necessária a adoção de hábitos de consumo responsáveis e conscientes, como reduzir a quantidade do lixo,
evitar o desmatamento e exploração excessiva de re-
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cursos naturais.
Podemos verificar que as três ONGs desenvolvem
em seus projetos atividades que estimulam as crianças ao cuidado com o meio, pois as crianças das três
ONGs citaram que jogam o lixo no lixo.
Considerações Finais
Verifica-se com os resultados que a concepção de
educação ambiental na educação não formal é ampla, pois envolve vários conceitos como conservação,
sustentabilidade, valores, sensibilização, qualidade do
meio ambiente, entre outros.
Por meio da análise das entrevistas sobre os projetos de educação ambiental conclui-se que as ONGs
entrevistadas têm conceitos de educação ambiental de acordo com os autores e sua responsabilidade
ambiental é muito grande se comprometendo com a
aprendizagem das crianças que participam dos projetos, atingindo suas famílias e comunidade.
Entretanto, verificamos que o grau de aprofundamento, de discussão e de envolvimento nos projetos
de educação ambiental ainda apresenta algumas defasagens no que diz respeito à sustentabilidade, reciclagem e parceria com a escola.
Constata-se com os resultados que nos projetos
dessas organizações a concepção de educação ambiental não é contemplada totalmente, pois as crianças não se sentem apropriadas do meio em que vivem,
respondendo as questões como alguém que contribui
para o meio ambiente e não como alguém que faz
parte dele, a maioria ainda não sabe identificar o que
é reciclagem.
Finalmente entende-se que a educação não formal
desenvolve conceitos ambientais no ensino aprendizagem das crianças de maneira lúdica, artística e comprometida, porém os conceitos são passados de acordo com a formação e aprendizado dos coordenadores
e colaboradores, que nem sempre são os conceitos
corretos de acordo com os autores. Esta constatação
pode ser decorrente de uma formação específica não
totalmente adequada o que compromete os conceitos
sobre o assunto.
Referências Bibliográficas
AGENDA 21, Documento na integra. Disponível em:
http://www.ambiente.sp.gov.br/agenda21.php Acesso em: 18 Out. 2010.
BORN, Rubens Harry. Articulação do capital social
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Informações sobre os autores
Ana Claudia Guimarães dos Santos
Formada em Pedagogia pela Faculdade Unida de Suzano.
Jairo José Matozinho Cubas
Biólogo, Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP,
Professor de Educação Ambiental da Faculdade Unida
de Suzano.
SUZANO
ANO 4
Nº 3 ABR. 2012
ISSN: 2176-5227
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Educação ambiental nas ONG(s): uma análise