UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CURSO DE ENGENHARIA DE CONTROLE E AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Implementação de um Sistema Integrado para Cadastro dos Dados e Automatização dos Balanços de Massa e Energia dos Testes Realizados em uma Unidade Multipropósito de FCC Monografia submetida à Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a aprovação da disciplina: DAS 5511 Projeto de Fim de Curso Roberto Oenning Florianópolis, Setembro de 2005 Implementação de um Sistema Integrado para Cadastro dos Dados e Automatização dos Balanços de Massa e Energia dos Testes Realizados em uma Unidade Multipropósito de FCC Monografia submetida à Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a aprovação da disciplina: DAS 5511: Projeto de Fim de Curso Roberto Oenning Florianópolis, setembro de 2005 2 Implementação de um Sistema Integrado para Cadastro dos Dados e Automatização dos Balanços de Massa e Energia dos Testes Realizados em uma Unidade Multipropósito de FCC Roberto Oenning Esta monografia foi julgada no contexto da disciplina DAS 5511: Projeto de Fim de Curso e aprovada na sua forma final pelo Curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial Banca Examinadora: Eng° Alberto Jamhour Orientador Empresa Prof. Daniel Juan Pagano Orientador do Curso Prof. Augusto Humberto Bruciapaglia Responsável pela disciplina Prof. Nestor Roqueiro, Avaliador Rodrigo Szpak, Debatedor Rafael May Taouil, Debatedor 3 Agradecimentos Agradeço à minha família, amigos e colegas de curso, em especial a meus pais, que me deram todo o apoio necessário para que eu chegasse até aqui. Ao engenheiro e orientador Alberto Jamhour, pela oportunidade oferecida, pelo conhecimento repassado e pela confiança depositada em mim e no meu trabalho. Ao professor e orientador Daniel Juan Pagano e ao doutorando Agustinho Plucenio, por tudo o que me ensinaram ao longo do curso e da minha participação no programa PRH 34. Aos engenheiros Samia Kamal Genena, Alex Scheuer e Fabiano Luis Bernardi, ex-estagiários do curso de Engenharia de Controle e Automação da UFSC, que realizaram excelentes trabalhos na UN-SIX, possibilitando a viabilização deste estágio e futuramente de muitos outros. A todos os colegas de trabalho no estágio realizado na SIX e no programa PRH 34, pelo respeito, amizade e bom humor, que fizeram com que o ambiente de trabalho se tornasse prazeroso, saudoso e inesquecível. À Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - e aos professores do curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial, responsáveis pela minha formação. Agradeço à PETROBRAS/UN-SIX pela estrutura e pelo aprendizado oferecidos e a toda a força de trabalho da UN-SIX que teve participação, direta ou indiretamente, no meu estágio. Agradeço ao apoio financeiro da Agência Nacional do Petróleo - ANP, e da Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, por meio do Programa de Recursos Humanos da ANP para o Setor de Petróleo e Gás - PRH nº 34 - ANP/MCT. Finalmente, agradeço aos funcionários do Hotel São Mateus, onde residi no período de estágio, e aos demais estagiários da PETROBRAS/UN-SIX que compartilharam o período de estágio comigo, pela diversão, respeito, amizade e companheirismo. i Resumo As unidades de pesquisa da PETROBRAS/UN-SIX são unidades de testes que visam reproduzir condições operacionais reais. Desta forma, frequentemente estas unidades realizam séries de testes, obtendo dados que são estudados pelos engenheiros e pesquisadores da SIX e do Centro de Pesquisas da PETROBRAS (CENPES), no Rio de Janeiro. A análise dos dados dos testes é uma atividade muito trabalhosa e que demanda muito tempo, dados o elevado número de variáveis e a complexidade dos cálculos envolvidos. Assim sendo, foi desenvolvido na UN-SIX há alguns anos um conjunto de aplicações (denominadas UMProcess OPER, UMProcess DATALAB e UMProcess BME), que visam a auxiliar os técnicos, analistas, engenheiros da unidade Multipropósito de FCC (U-144) e pesquisadores do CENPES na tarefa de analisar os resultados dos testes realizados na U-144. Estes softwares funcionavam satisfatoriamente e reduziam para alguns segundos o trabalho de horas de cálculos, porém ainda havia muitas idéias de melhorias para aumentar a praticidade e a automatização do processo de análise que não haviam sido implementadas. O Projeto de Fim de Curso relatado a seguir consistiu em desenvolver um novo sistema, que integrou e acrescentou novas funcionalidades aos três softwares citados acima, além de implementar outros aplicativos menores para cadastros de outras informações sobre a U-144. As atividades desenvolvidas na PETROBRAS/UN-SIX que serão abordadas neste relatório estiveram relacionadas ao estudo do sistema a ser modificado, ao projeto de um novo banco de dados unificado e à migração da base de dados antiga, além da criação do novo sistema, desenvolvido totalmente em linguagem JAVA, o que o tornou portável a várias plataformas. ii Abstract The PETROBRAS/UN-SIX research units are units of tests with the objective of to reproduce real operational conditions. On this way, these units frequently carry through series of tests, getting data that will be studied by engineers and researchers of the SIX and the PETROBRAS Research Center (CENPES), in Rio De Janeiro. The analysis of the tests data is a very hard activity and demand much time, given to the raised number of variables and the complexity of the involved calculations. Thus, it was developed in the UN-SIX at some years ago a set of applications (called UMProcess OPER, UMProcess DATALAB and UMProcess BME), to assist the technician, analysts, engineers of the Multipurpose FCC Unit (U144) and researchers of the CENPES in the task to analyze the results of the tests carried through in the U-144. These softwares functioned satisfactorily and reduced for some seconds the work of hours of calculations, however there were many ideas of improvements to increase the practicity and the automatization of the analysis process that had not been implemented. The End of Course Project as follow was consisted of developing a new system, that integrated and added new functionalities to three softwares cited above, besides implementing other small applications for register of other informations on the U-144. The activities developed in the PETROBRAS/UN-SIX that will be boarded in this report had been related to the study of the system to be modified, to the project of a new unified database and to the migration of the old database, beyond the creation of the new system, developed total in Java language, what became it portable to some platforms. iii Sumário AGRADECIMENTOS ................................................................................................. I RESUMO......................................................................................................................II ABSTRACT ............................................................................................................... III SUMÁRIO...................................................................................................................IV CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO .................................................................................. 1 CAPÍTULO 2: PETROBRAS – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A.......................... 3 2.1: A PETROBRAS HOJE ......................................................................................... 4 2.1.1: Abastecimento .............................................................................................. 4 2.1.2: Exploração e Produção................................................................................ 5 2.1.3: Gás e Energia............................................................................................... 5 2.1.4: Internacional ................................................................................................ 6 2.2: UNIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO XISTO – SIX................................................ 7 2.2.1: O Xisto Pirobituminoso................................................................................ 9 2.2.2: A Exploração de Xisto................................................................................ 11 2.2.3: O Processo PETROSIX – “Tirando Óleo De Pedra”................................ 13 2.2.4: O Parque Tecnológico da SIX.................................................................... 15 2.2.5: Unidade Multipropósito de FCC (U-144).................................................. 17 2.2.5.1: Descrição Geral ................................................................................... 18 2.2.5.2: O Processo de Craqueamento Catalítico Fluidizado - FCC ................ 19 2.2.5.3: Produtos do Craqueamento.................................................................. 22 2.2.5.3.1: Gás Combustível .......................................................................... 22 2.2.5.3.2: Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ................................................ 22 2.2.5.3.3: Nafta de Craqueamento ................................................................ 23 2.2.5.3.4: Óleo Leve de Craqueamento (LCO)............................................. 23 2.2.5.3.5: Óleo Decantado ............................................................................ 23 2.2.5.3.6: Gás Ácido (H2S) .......................................................................... 24 iv 2.2.5.4: Catalisadores para FCC ....................................................................... 24 2.2.5.5: Carga para Craqueamento ................................................................... 25 2.2.5.6: Variáveis Operacionais........................................................................ 25 2.2.5.7: Fluxo de Catalisador............................................................................ 26 2.2.5.8: Fluxo de Carga .................................................................................... 27 2.2.5.9: Fluxo de Ar.......................................................................................... 27 2.2.5.10: Fluxo de Vapor .................................................................................. 27 2.2.5.11: Fluido de Selagem ............................................................................. 28 2.2.5.12: Amostrador de Topo e Sistemas de Condensação............................. 28 CAPÍTULO 3: O CONJUNTO DE APLICATIVOS UMPROCESS.................... 29 3.1: FUNCIONAMENTO DOS APLICATIVOS UMPROCESS ............................................. 31 3.1.1: UMProcess OPER...................................................................................... 31 3.1.2: UMProcess DATALAB............................................................................... 32 3.1.3: UMProcess BME........................................................................................ 32 CAPÍTULO 4: ETAPAS DO TRABALHO DESENVOLVIDO............................ 34 4.1: PROJETO DO NOVO SISTEMA ............................................................................... 36 4.2: ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DO NOVO SISTEMA .................................................... 37 4.2.1: Estudo do Sistema Antigo........................................................................... 37 4.2.2: Construção do Novo Banco de Dados ....................................................... 37 4.2.3: Programação do Sistema ........................................................................... 39 4.3: APRESENTAÇÃO DO NOVO SISTEMA ................................................................... 40 4.3.1: Tela Inicial ................................................................................................. 40 4.3.2: UMProcess OPER...................................................................................... 42 4.3.3: UMProcess DATALAB............................................................................... 44 4.3.4: UMProcess BME........................................................................................ 47 4.3.5: Relatórios da U-144 ................................................................................... 51 4.3.6: Cadastros da U-144 ................................................................................... 51 4.3.7: Gerenciamento do Sistema......................................................................... 52 4.4: MIGRAÇÃO DOS DADOS DA ANTIGA PARA A NOVA BASE DE DADOS.................. 53 CAPÍTULO 5: RESULTADOS, CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS ................ 55 BIBLIOGRAFIA:....................................................................................................... 57 v Capítulo 1: Introdução O assunto a ser abordado no decorrer deste relatório foi desenvolvido durante a execução do Projeto de Fim de Curso, realizado durante período de estágio na empresa PETROBRAS/UN-SIX, onde se trabalhou junto à Gerência de Pesquisa com o então Software (agora Sistema) UMProcess. Sendo o UMProcess um sistema concebido para integrar e automatizar o cadastro, armazenamento, apresentação de informações e realização dos balanços de massa e energia de uma unidade inteira de pesquisa da UN/SIX, esse Projeto de Fim de Curso está completamente inserido no contexto do curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial. Constavam, entre os objetivos do trabalho a ser realizado, a migração dos softwares que compunham o “pacote” UMProcess e de toda a base de dados existente para um único novo sistema, multiplataforma, de modo a eliminar a dependência dos mesmos ao ambiente Microsoft Windows, além de promover as melhorias necessárias de forma a facilitar o uso do sistema pelos operadores, analistas e engenheiros da Unidade Multipropósito de FCC. A metodologia adotada foi baseada no aprendizado e no conhecimento adquiridos progressivamente sobre o funcionamento do software através do estudo do código-fonte original em linguagem Visual Basic, aliado a pesquisas na internet e a conversas com engenheiros, operadores e analistas de laboratório, que são os maiores conhecedores de todo o processo englobado pelo sistema. No decorrer deste relatório será possível acompanhar as etapas de desenvolvimento do trabalho realizado. No capítulo 2, é feita uma apresentação da empresa onde o estágio foi realizado, composta de um breve relato sobre sua história e áreas de atuação. Neste mesmo capítulo é feita uma descrição do processo de craqueamento catalítico fluidizado, a título de informação para os leitores, e de sua implementação na Unidade de Industrialização do Xisto – SIX. 1 No capítulo 3 descreve-se o funcionamento do conjunto de softwares do pacote UMProcess, enquanto que no quarto capítulo são descritas as atividades desenvolvidas durante o estágio. Finalmente, no quinto e último capítulo, é apresentada uma discussão dos resultados, junto com conclusões e perspectivas sobre o projeto, onde se faz uma análise crítica das tarefas realizadas e das dificuldades encontradas durante o período. 2 Capítulo 2: PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A Em outubro de 1953, através da Lei nº. 2.004, a PETROBRAS era criada para executar as atividades do setor de petróleo no Brasil em nome da União. Ao longo de cinco décadas, tornou-se líder em distribuição de derivados no país, colocandose entre as vinte maiores empresas petrolíferas na avaliação internacional. A PETROBRAS foi a pioneira na indústria do petróleo no Brasil, e por isso enfrentou dificuldades pela falta de infra-estrutura e de tecnologias adequadas. Nos anos 50 e 60, com o início das atividades no setor petróleo no país, a empresa precisou construir suas primeiras refinarias. A indústria nacional era, então, acanhada, e a PETROBRAS contribuiu, assim, para estimular seu crescimento. Naquela época, com a necessidade de dotar o Brasil de uma infra-estrutura adequada, o Governo brasileiro optou pela substituição de importações e pelo incentivo à instalação de empresas estrangeiras no Brasil. No início da década de 80 este modelo foi substituído, na PETROBRAS, pelo Sistema de Nacionalização. Além da substituição da importação de itens prioritários, este sistema passou a buscar fornecedores alternativos e uma maior autonomia de decisão da empresa nos aspectos tecnológicos e industriais. A demanda por materiais altamente sofisticados era crescente, principalmente pela necessidade de viabilizar a extração do óleo e do gás em águas cada vez mais profundas, situação em que, muitas vezes, não havia, no mundo, tecnologias disponíveis para este propósito. No final da mesma década, com a legislação que previa a modernização e o aumento da competitividade do parque industrial no Brasil, foram criados mecanismos de estímulo ao desenvolvimento tecnológico. O mercado interno, a esta altura, já atendia a 94% das necessidades da PETROBRAS. Em 1997 o Brasil ingressou no seleto grupo de 16 países que produz mais de um milhão de barris de óleo por dia, e neste mesmo ano foi criada a Lei nº. 9.478, que abriu as atividades da indústria petrolífera à iniciativa privada. Com a lei, foram criados a Agência Nacional do Petróleo (ANP), encarregada de regular, contratar e fiscalizar as atividades do setor, e o Conselho Nacional de Política Energética, um órgão formulador da política pública de energia. Em sintonia com a mudança do 3 cenário, a PETROBRAS seguiu preparada para a livre competição, ampliando novas perspectivas de negócios e tendo maior autonomia empresarial. Noventa e três plataformas de produção, mais de dez refinarias, quase dezesseis mil quilômetros em dutos e mais de sete mil postos de combustíveis são números da PETROBRAS, que evidenciam sua forte presença no Brasil. Além de estar presente em diversos países, a PETROBRAS conta ainda com o apoio de seus escritórios no exterior, como em Nova Iorque e no Japão. Além disso, há o CENPES, o Centro de Pesquisas da PETROBRAS, que possui uma das mais avançadas tecnologias do mundo e é reconhecido internacionalmente pela sua competência. 2.1: A PETROBRAS Hoje Com sede na cidade do Rio de Janeiro, a PETROBRAS possui escritórios e gerências de administração em importantes cidades brasileiras, como Salvador, Brasília e São Paulo. Devido à alta competitividade do novo cenário da indústria de energia, a PETROBRAS reposicionou-se em relação ao futuro, utilizando os mais modernos instrumentos de gestão. Uma nova estrutura, forte e bem posicionada, está fazendo com que a empresa alcance suas metas estratégicas de expansão, internacionalização, rentabilidade e produtividade. A PETROBRAS atua em várias áreas do setor de energia. Desde a exploração de gás e petróleo até a distribuição, passando pelo refino e abastecimento, as atividades da companhia estão divididas em: Exploração e Produção, Gás e Energia, Abastecimento, e Internacional. 2.1.1: Abastecimento A PETROBRAS abastece quase toda a demanda do mercado brasileiro por derivados de petróleo – cerca de 1,7 milhões de barris/dia -, mercado este composto por 140 milhões de consumidores. Além do objetivo de aumentar sua capacidade de produção, de modo a atender a crescente demanda por derivados, a PETROBRAS precisa enfrentar outro desafio: adaptar suas refinarias de modo a aumentar a taxa de conversão de 4 diferentes tipos de óleo, dentro da já existente estrutura de processamento, eliminando, assim, a dependência da importação. De acordo com a Petroleum Intelligence Weekly, a PETROBRAS é a nona maior companhia no setor downstream - refino, transporte e comercialização. O termo downstream, na PETROBRAS, está ligado a boa parte da estrutura operacional da companhia: suas onze refinarias, duas fábricas de fertilizantes, bases, dutos, terminais e navios. 2.1.2: Exploração e Produção O órgão de Exploração e Produção (E&P) da PETROBRAS é responsável pela pesquisa, localização, identificação, desenvolvimento, produção e incorporação de reservas de óleo e gás natural dentro do território nacional. Impulsionado pelo fato de grande parte das reservas brasileiras se encontrarem em bacias marítimas a grandes profundidades, o E&P, em parceria com outras áreas da Companhia, tem alçado a PETROBRAS à excelência mundial em desenvolvimento e aplicação de tecnologia de exploração e produção em águas profundas. Este esforço foi reconhecido internacionalmente através do recebimento, pela segunda vez, no ano 2001, do prêmio mais importante da indústria mundial de petróleo, o Distinguished Achievement Award, oferecido na Offshore Technology Conference (OTC). 2.1.3: Gás e Energia A área de negócios de Gás & Energia é responsável pela comercialização do gás natural nacional e importado e pela implantação de projetos, em parceria com o setor privado, que irão garantir a oferta deste combustível em todo o país. Elevar a participação do gás natural na matriz energética do país dos atuais 3% para 10% é um dos principais objetivos da companhia. Para isto, a PETROBRAS dedica esforço permanente junto às distribuidoras de gás e seus clientes, buscando alternativas técnicas e econômicas que ampliem o uso do gás nos segmentos industriais, automotivos e na geração e co-geração de energia. A área de Gás & Energia da PETROBRAS é responsável por grande parte da estrutura de transporte e comercialização, atuando sempre de maneira segura e ambientalmente correta. 5 Entre todos os combustíveis atualmente disponíveis em larga escala, o gás natural é aquele que se destaca como o mais versátil, econômico e limpo. 2.1.4: Internacional A PETROBRAS desenvolve também diversas atividades no exterior e mantém uma consistente atividade internacional, como: exploração; compra e venda de petróleo, tecnologias, equipamentos, materiais e serviços; acompanhamento do desenvolvimento da economia americana e européia; operação financeira com bancos e bolsa de valores; recrutamento de pessoal especializado; afretamento de navios; apoio em eventos internacionais, entre outros. Ainda assim, a Companhia está associada às maiores empresas de petróleo do mundo, fazendo-se presente em Angola, Argentina, Bolívia, Colômbia, Cazaquistão, Estados Unidos, Guiné Equatorial, Nigéria e Trinidad & Tobago. 6 2.2: Unidade de Industrialização do Xisto – SIX Figura 1: Complexo Industrial de São Mateus do Sul A Unidade de Negócio da Industrialização do Xisto (UN-SIX) foi constituída em 1º de junho de 1954, com a missão de estudar as potencialidades do xisto betuminoso e a viabilidade econômica de sua transformação industrial. Ela incorporou o acervo da extinta Comissão de Industrialização do Xisto Betuminoso (CIXB), órgão do Governo Federal que tinha sido repassado à PETROBRAS no ato da sua criação, em 3 de outubro de 1953. A sede, incluindo a mina e a área industrial, está localizada no município de São Mateus do Sul - PR, onde se encontra parte da formação geológica de Irati. O xisto da formação Irati com baixo teor de umidade pode ser processado com uma menor quantidade de calor, ou seja, com menor custo. 7 A atividade econômica do município de São Mateus do Sul baseia-se na agricultura, na pecuária, na produção e industrialização da erva mate e no Pólo Industrial-Tecnológico do Xisto, composto pela usina do xisto, incubadora tecnológica e a fábrica de pisos Incepa. Figura 2: Mapa demonstrativo da localização da Jazida de xisto - formação de Irati. A UN-SIX conta hoje com 265 empregados próprios e cerca de 580 contratados. Em suas atividades, mantém harmoniosa convivência com a comunidade, procurando respeitar o interesse comum não só no município onde está inserida, como também naqueles situados em suas proximidades. O objetivo da UN-SIX é promover o aproveitamento do xisto e desenvolver tecnologias úteis à sociedade de forma segura e rentável, sendo um referencial de excelência no aproveitamento do xisto e desenvolvimento de tecnologias com foco na rentabilidade e responsabilidade social. Em função da capacidade tecnológica desenvolvida na exploração do xisto, a PETROBRAS resolveu transformar a planta industrial do xisto também num centro avançado de pesquisa na área de refino. Hoje, vários projetos estão sendo desenvolvidos em conjunto com universidades e centros de pesquisas. Além disso, a SIX confere atenção especial à preservação dos ecossistemas, promove e apóia os órgãos públicos de defesa do meio ambiente e entidades ambientalistas. 8 Figura 3: Foto aérea da UN-SIX 1- Entrada da SIX; 2- Módulo Industrial – Processo Petrosix; 3- Unidades de Pesquisa; 4- Lago Sul – Área Reabilitada pós-mineração; 5- Mina Escavada (~10 km da entrada da SIX); 2.2.1: O Xisto Pirobituminoso Xisto é um termo geologicamente impróprio, mas de uso generalizado para designar uma rocha sedimentar que contém querogênio disseminado em sua matriz mineral. As rochas oleígenas originam-se pela deposição conjunta de sedimentos e matéria orgânica em ambiente anaeróbico, de águas estagnadas. Isto ocorre devido à existência de abundante fauna que consome o oxigênio dissolvidos nas águas. A matéria orgânica é convertida por processos bacterianos e químicos, durante o soterramento das camadas, num polímero complexo, o querogênio, que contém pequena quantidade de nitrogênio e oxigênio. Os principais ambientes de deposição de xistos são grandes lagos, mares de águas rasas, lagunas e pântanos. 9 O querogênio não pode ser extraído pelos solventes comuns do petróleo, mas pode ser transformado em óleo e gás quando a rocha é submetida a temperaturas relativamente elevadas. A fração mineral da rocha pode incluir argila, minerais, carbonados e sílica, dependendo do ambiente de deposição. Figura 4: Pedra de Xisto ou Folhelho Pirobituminoso Pelo fato de se tratar de rochas sedimentares e estas necessitarem de aquecimento para liberação da matéria orgânica, a nomenclatura mais correta para o caso dos xistos conhecidos no Brasil seria folhelho pirobituminoso. A referência é valida porque ambos os termos são comumente utilizados na literatura para designar este tipo de rocha oleígena. No Brasil existem ocorrências de xisto de diferentes idades geológicas em quase todos os estados, sendo eles São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Pará, Amazonas e território do Amapá. Entretanto, o que deve ser realmente considerado não é o recurso total de óleo de xisto existente no nosso território, mas sim as reservas recuperáveis, com características favoráveis para industrialização em larga escala e com resultados econômicos aceitáveis. Isto implica no desenvolvimento de um trabalho intenso de geologia, baseado em fatores técnicos e econômicos. Esta orientação vem sendo 10 seguida pala PETROBRAS, cujos trabalhos desenvolvem-se mais profundamente nas formações do Vale do Paraíba e do Irati. A formação de Irati constitui parte integrante da coluna de sedimentos paleozóicos de idade Permiana da Bacia do Paraná. Das ocorrências de xisto no Brasil é a que apresenta as condições mais favoráveis ao aproveitamento econômico dos seus recursos em óleo, daí a intensificação dos trabalhos de pesquisa da PETROBRAS, principalmente na jazida de São Mateus do Sul, no estado do Paraná. Na jazida de São Mateus do Sul ocorrem duas camadas de folhelho pirobituminoso, separadas por uma camada de material estéril que, quando combinadas, fornecem espessuras da ordem de dez metros e teores em torno de 8,5 % em óleo. São rochas de coloração negra acastanhada, finamente laminadas, com elevado teor de matéria orgânica. Figura 5: Duas camadas xisto 2.2.2: A Exploração de Xisto A maior parte do xisto localizado em território nacional pertence à formação Irati, que abrange os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás. A PETROBRAS concentrou suas operações na jazida de São Mateus do Sul, onde o minério é encontrado em duas camadas: a camada superior de xisto com 6,4 metros de espessura e teor de óleo de 6,4%, e a camada inferior com 3,2 metros de espessura e teor de óleo de 9,1%. 11 SOLO VEGETAL ARGILA ROCHA CAMADA SUPERIOR DE XISTO CAMADA INTERMEDIÁRIA CAMADA INFERIOR DE XISTO Figura 6: Camadas do xisto na mina de São Mateus do Sul Em 1972, entrou em operação a Usina Protótipo do Irati (UPI), que comprovou a viabilidade técnica do processo PETROSIX, testou equipamentos e levantou dados básicos para projetos de usinas industriais. Figura 7: Unidade protótipo de Irati – Retorta (torre maior) O processo de consolidação da tecnologia PETROSIX se completou em dezembro de 1991, quando entrou em operação o Módulo Industrial (MI), em plena 12 escala. Hoje a SIX processa diariamente 7.800 toneladas de xisto betuminoso, que geram 3.870 barris de óleo de xisto, 120 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de gás liquefeito de xisto e 75 toneladas de enxofre. 2.2.3: O Processo PETROSIX – “Tirando Óleo De Pedra” A principal característica da tecnologia desenvolvida pela PETROBRAS é a simplicidade operacional do processo petrosix, descrito na figura 8. Figura 8: Esquema do processo PETROSIX tradicional Depois de minerado a céu aberto, o xisto vai para um britador, que reduz as pedras a tamanhos que variam de 6 a 70 milímetros. A partir daí estas pedras são levadas a uma retorta reator cilíndrico vertical onde são pirolisadas (cozidas) a uma temperatura de aproximadamente 500ºC, liberando a matéria orgânica nelas contida sob a forma de óleo e gás. 13 O calor para a pirólise é fornecido por uma corrente gasosa de elevada temperatura, que entra na zona de retortagem e se mistura com uma segunda corrente, injetada pela base da retorta, para recuperar o calor do xisto já processado. Nas zonas de aquecimento e secagem, a massa gasosa ascendente cede calor ao xisto e se resfria, resultando na condensação dos vapores de óleo sob a forma de gotículas, transportadas para fora da retorta pelos gases. Estes, com as gotículas, de óleo passam por dois outros equipamentos ciclone e precipitador onde são coletados o óleo pesado e as partículas sólidas arrastadas na etapa anterior. O gás limpo de neblina de óleo ou seja, das gotículas de óleo pesado condensadas durante a retortagem passa por um compressor e se divide em três correntes: uma retorna para o fundo da retorta, outra também volta à retorta após ser aquecida em um forno, e a terceira, denominada gás produto, vai para um condensador onde o óleo leve é recuperado. Depois de retirado o óleo leve, o gás é encaminhado à unidade de tratamento de gás para a produção de gás combustível de xisto e para a recuperação do GLX (gás liquefeito de xisto) e do enxofre. Terminado o processo de retirada do óleo e gás da rocha, o xisto, agora dito “retortado”, é devolvido à área minerada que será reabilitada. O óleo produzido é vendido diretamente para as indústrias e também é enviado à Refinaria da PETROBRAS REPAR, em Araucária - PR. A nafta é toda transferida e processada na REPAR, produzindo gasolina. O GLX e o enxofre são vendidos diretamente para terceiros, e o gás combustível é consumido no próprio processo sob a forma de combustível para os fornos e incineradores, além de abastecer a empresa de revestimentos cerâmicos Incepa por meio de um gasoduto, o gasoduto SIX-Incepa. 14 Figura 9: Aplicações dos Produtos e Subprodutos do Processo PETROSIX 2.2.4: O Parque Tecnológico da SIX O Parque Tecnológico da SIX é um conjunto de 13 plantas protótipo, destinadas a desenvolver tecnologias na área de refino, podendo executar trabalhos de pesquisa e desenvolvimento na área de energia de um modo geral. A GEPES (Gerência de Pesquisa) e o CENPES (Centro de Pesquisas da PETROBRAS) trabalham atualmente em 16 projetos prioritários dos Programas de Tecnologia e Meio Ambiente da PETROBRAS, com ênfase no processamento de petróleo nacional. Poucas empresas do setor de petróleo possuem um conjunto de plantas protótipo similar a este, que é o maior parque dessa natureza da América Latina e um dos maiores do mundo. 15 Figura 10: As unidades de pesquisa instaladas na SIX As 13 plantas Piloto são: • Unidade Multipropósito de FCC (U-144) ; • Unidade de Nebulizadores ou Dispersores de Carga de FCC (U-112); • Unidade a Frio de Ciclones (U-111); • Unidade de Recirculação de Catalisador (U-153); • Unidade de Destilação Atmosférica (U-2110); • Unidade de Hidroconversão Catalítica de Resíduos (U-104); • Unidade de Desasfaltação (U-2325); • Unidade de Destilação a Vácuo (U-2112); • Unidade de Tratamento Ácido de Gasóleo e Emulsões (U-102); • Unidade de Combustão (U-150); • Unidade de Avaliação de Distribuidores Líquido-Gás (U-152); • Unidade de Medição de Partículas a Laser (U-112); • Laboratórios; O Parque Tecnológico tem por objetivo desenvolver os principais equipamentos das plantas industriais, testando-os em escala protótipo, reduzindo 16 assim a margem de incerteza na sua implementação, proporcionando maior segurança no scale-up e, ainda, desenvolver tecnologias, novas e existentes, nas áreas de refino, petróleo, energia e tratamento de efluentes da produção industrial. Figura 11: Foto noturna das unidades de pesquisa 2.2.5: Unidade Multipropósito de FCC (U-144) Plantas multipropósito são unidades de testes que visam reproduzir condições operacionais reais. Estas unidades, de porte intermediário entre uma unidade piloto e protótipo, buscam representar os fenômenos de um processo, sendo adequadas para estudos de otimização de processos e equipamentos. Entre os objetivos de uma unidade multipropósito podemos citar: • Aquisição de dados experimentais para desenvolvimento de modelagem matemática e simulação do processo; • Desenvolvimento de equipamentos e sistemas; • Estudo de processos em novas condições operacionais, como por exemplo alteração das vazões processadas e de catalisadores. 17 2.2.5.1: Descrição Geral A unidade de FCC visa o aproveitamento de certas frações de petróleo, transformando-as em frações nobres, como GLP e Gasolina. A unidade multipropósito estuda o comportamento do processo, considerando variáveis como: temperatura, pressão, tipo de catalisador, tempo de contato, etc. As principais características da planta são: • Carga entre 60 e 300 kg/h; • Temperatura de reação entre 460 e 580 ºC; • Temperatura de carga entre 100 e 350 ºC; • Pressão do reator entre 1,0 e 2,5 kgf/cm2 man; • Temperatura de regeneração entre 600 e 730 ºC. A planta é monitorada por um SDCD – Sistema Digital de Controle Distribuído, que conta com inúmeros indicadores de pressão, temperatura e diferenciais de pressão com grandes facilidades de acompanhamento. Figura 12: Unidade de Craqueamento Catalítico Fluidizado - FCC (U-144) 18 2.2.5.2: O Processo de Craqueamento Catalítico Fluidizado - FCC O processo de Craqueamento Catalítico Fluidizado – FCC (Fluid Catalytic Cracking) – nasceu em 1942 e, apesar de quase 60 anos de amadurecimento, continua sendo uma tecnologia em evolução, sendo atualmente o principal processo de conversão das frações pesadas de petróleo para produtos leves das refinarias modernas. Até 1913, toda a gasolina produzida era obtida por destilação direta do petróleo, portanto tanto a qualidade como a quantidade dependiam unicamente do tipo de cru refinado. Como havia grande variedade de petróleos, havia também uma grande variação no rendimento e na qualidade das gasolinas. Em média, entretanto, o rendimento situava-se em torno de 20% em volume. A partir da segunda década do século XX começaram a surgir processos comerciais de craqueamento, objetivando suprir as necessidades da indústria automobilística. Iniciando com o craqueamento térmico, o processo mais tarde passou a utilizar a versão catalítica, em leitos fixo, móvel ou fluidizado, desenvolvendo-se de forma notável esta última concepção, até atingir o estágio em que hoje nos encontramos, onde o craqueamento catalítico fluido é praticamente um processo imprescindível às modernas refinarias. O craqueamento catalítico é um processo de refino que visa aumentar a produção de gasolina e de gás liquefeito de petróleo – GLP, através da conversão de cortes pesados provenientes da destilação do petróleo (gasóleo e resíduos), em frações mais leves. É um processo largamente utilizado em todo o mundo, uma vez que a demanda de gasolina em vários países é superior a dos óleos combustíveis. O craqueamento catalítico corrige a produção de gasolina e GLP, suplementando a diferença entre a quantidade obtida diretamente do petróleo e a requerida pela refinaria de modo a atender ao mercado. O FCC emprega catalisador na forma de um pó muito fino, cujas partículas comportam-se como um líquido quando fluidizadas com vapor d’água ou ar. A técnica tradicional consiste em alimentar a mistura íntima de catalisador na forma de suspensão quente com a carga de hidrocarbonetos atomizada em 19 pequenas gotículas, em um reator tubular de fluxo ascendente – riser -, onde ocorrem as reações de craqueamento. No final do riser ocorre a rápida separação das partículas de catalisador coqueado da suspensão de hidrocarbonetos craqueados. A suspensão de catalisador e hidrocarbonetos craqueados proveniente do riser é direcionada para o interior de um vaso separador, geralmente na forma de um jato descendente, onde ocorre a separação da maior parte do catalisador pela ação gravitacional. Hidrocarbonetos coqueados e fluido de retificação arrastando algum catalisador escoam pela parte superior do vaso separador. O riser é o reator propriamente dito, por onde a carga vaporizada e o catalisador fluem em direção ascendente. O stripper possui um sistema de ciclones para separar o catalisador dos gases. Além disso, neste equipamento é injetado vapor para que ocorra a separação de substâncias voláteis que ainda estejam aderidas ao catalisador. Em seguida, o catalisador que se acumula no stripper é enviado para um reator secundário. No Regenerador o catalisador coqueado recebe ar, por meio de um distribuidor, para que ocorra a queima do material orgânico. Contudo, em virtude do limite de temperatura que o catalisador pode atingir sem sinterizar, a queima do coque é realizada apenas parcialmente. Nessa combustão é produzido apenas monóxido de carbono, que é levado a uma caldeira de queima de monóxido, para gerar energia. Assim, a unidade multipropósito de FCC tem como objetivo testar condições operacionais, catalisadores, cargas e equipamentos de uma unidade de craqueamento catalítico fluidizado através da quebra de resíduos atmosféricos (RAT), resíduos de vácuo (RV) e gás-óleo pesado (GOP). 20 Figura 13: Esquema básico de uma unidade de FCC Figura 14: Diagrama de Blocos do Craqueamento Catalítico 21 2.2.5.3: Produtos do Craqueamento 2.2.5.3.1: Gás Combustível É composto basicamente de hidrogênio, metano, etano e eteno. Além destes, podemos encontrar também, em menores proporções, outros gases, como o propano, propeno, n-butano, iso-butano, n-buteno, iso-buteno, CO, CO2, N2. Os três últimos compostos citados são provenientes do arraste de gás de combustão pelo catalisador regenerado. Há também uma proporção variável de H2S, gerado pelas reações de craqueamento dos compostos sulfurados presentes na carga. Este gás, porém, é removido da mistura gasosa pelo tratamento DEA, de tal modo que o gás combustível sai praticamente isento de H2S. O H2S, conhecido como gás ácido, é enviado à unidade de recuperação de enxofre (URE), onde este elemento é produzido. Devido ao seu alto poder calorífico, sua facilidade de queima, seu caráter antipoluente (em virtude do baixo teor de enxofre) e sobretudo porque – caso não seja utilizado – será queimado na tocha, o gás combustível é largamente consumido em fornos e caldeiras das diversas unidades da refinaria. 2.2.5.3.2: Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) O GLP de Craqueamento é basicamente composto de propano, propeno, butanos e butenos. Em menores proporções ocorre também a presença de etanos e pentanos. De forma similar ao gás combustível, também há ocorrência de H2S, que é eliminado pelo tratamento DEA. Outros compostos de enxofre também podem estar presentes, tendo seus teores reduzidos através do tratamento Merox. A Unidade de FCC é a principal responsável pela geração do gás liquefeito nas refinarias. Especificamente no Brasil isto é de extrema importância, devido ao grande consumo deste derivado no país. 22 2.2.5.3.3: Nafta de Craqueamento A nafta produzida no FCC, devido à sua composição, é um excelente componente para a produção de gasolina. Ela é rica em olefinas, isoparafinas e aromáticos, sendo pobre em naftênicos e n-parafinas. Esta proporção de hidrocarbonetos conduz a uma gasolina de bom índice de octanagem, bastante superior aos valores de naftas de destilação e de processos térmicos de conversão. O teor de enxofre de nafta de craqueamento é alto, necessitando submetê-la ao tratamento Merox, que reduz o teor daquele elemento, além de diminuir e enquadrar-se devidamente à corrosividade. O elevado teor de enxofre é devido ao alto teor deste elemento presente na carga. Quando se craqueia cargas com resíduos, o problema tende a se agravar devido à maior quantidade de enxofre de natureza aromática que o tratamento Merox não consegue remover. O rendimento da gasolina no craqueamento varia de 50 a 65% do volume. 2.2.5.3.4: Óleo Leve de Craqueamento (LCO) O Óleo Leve de Craqueamento (Light Cycle Oil – LCO) é uma fração cuja faixa de destilação é aproximadamente a do óleo diesel. Ele é constituído de uma elevada concentração de aromáticos bi e tri nucleados com ramificações, além de grandes quantidades de olefinas e diolefinas de longas cadeias. Em função desta composição, seu número de cetano é baixo, não sendo aproveitado como óleo diesel. 2.2.5.3.5: Óleo Decantado O Óleo Decantado, também conhecido como Óleo Clarificado (ClO), Óleo Combustível de FCC e Resíduo de Craqueamento é, como o último nome indica, o produto líquido mais pesado das reações de craqueamento. Este produto é riquíssimo em hidrocarbonetos aromáticos polinucleados, com algumas ramificações e olefinas pesadas também ramificadas. Seu maior uso em refinarias é, à semelhança do LCO, servir como diluente do resíduo de vácuo para a produção de óleos combustíveis. O Óleo Clarificado, embora bastante denso, é muito menos viscoso que os resíduos de vácuo. Devido à elevada aromaticidade, ele tem também uma alta relação carbono/hidrogênio. Por isso, conforme sua característica, ele pode 23 ser enquadrado como Resíduo Aromático (RARO), produto este que pode ser vendido às indústrias petroquímicas especializadas em produção de negro de fumo (carbono coloidal finamente dividido). O negro de fumo é utilizado como carga para produção de pneus, plásticos, pigmentos pretos, etc. 2.2.5.3.6: Gás Ácido (H2S) A corrente de gás ácido é proveniente do tratamento de gás combustível e do GLP pela Unidade de Tratamento DEA. Sendo rica em H2S, ela é enviada para ser processado numa URE. O rendimento de gás ácido é bastante variável em função do tipo de carga processada e das condições de severidade das reações de craqueamento. 2.2.5.4: Catalisadores para FCC O catalisador de craqueamento em leito fluidizado desempenha três funções principais no processo: • Promotor das reações de craqueamento: Esta é a principal função do catalisador no processo. Ele promove a ocorrência de reações de quebra em condições bem mais suaves do que aquelas requeridas ao craqueamento térmico. Além disso, a quantidade e a qualidade dos produtos são bastante superiores às dos processos realizados na ausência de catalisador. • Agente de transporte de coque: O carbono depositado na superfície do catalisador é transportado do reator para o regenerador, onde é queimado, produzindo energia, sendo esta a principal fonte de calor do processo. Este efeito é muito importante, pois, caso não houvesse o catalisador, o coque formado tenderia a se depositar no interior dos vasos de reação, acabando por provocar entupimentos, reduzindo, em consequência, o tempo de operação contínua da unidade. Isto se observa constantemente no craqueamento térmico. • Agente de transferência de calor: O calor gerado pela queima do coque no regenerador é parcialmente utilizado no aquecimento do catalisador, elevando sua temperatura em 100 a 350°C. A circulação do catalisador retira 24 esta energia do regenerador e a utiliza para aquecer e vaporizar a carga, de modo a possibilitar e manter as reações de craqueamento. 2.2.5.5: Carga para Craqueamento A carga enviada a uma unidade de craqueamento constitui-se em uma das mais relevantes variáveis deste processo. Suas características influenciam diretamente na conversão e, em consequência, na qualidade e quantidade dos produtos obtidos pela quebra das moléculas. A qualidade da carga é determinada pelos vários tipos e quantidades de hidrocarbonetos que a constitui, assim como as impurezas que nela estão presentes. A composição da carga, por sua vez, é influenciada pelas características do petróleo original e do seu refino. A carga é constituída de hidrocarbonetos parafínicos, olefínicos, naftênicos e aromáticos, nas suas diversas formas e arranjos, além de outros compostos de caráter orgânico ou não, classificados como impurezas. Dentro deste último grupo, encontram-se os compostos orgânicos de nitrogênio, oxigênio e enxofre, juntamente com pequenas quantidades de metais pesados (níquel, cobre, ferro e vanádio) e alcalinos (sódio, potássio e cálcio). 2.2.5.6: Variáveis Operacionais O FCC é um processo no qual devem existir três equilíbrios simultâneos em sua operação: • Equilíbrio de calor: O excesso de geração de energia causa elevadas temperaturas, causando danos ao equipamento e ao catalisador. A baixa geração de energia causa temperaturas insuficientes do catalisador, fazendo com que as reações não ocorram corretamente. • Equilíbrio de pressões: É fundamental para que o catalisador circule corretamente e não ocorra inversão do fluxo. • Equilíbrio químico: Também chamado de equilíbrio de coque ou balanço de carbono, consiste na queima do coque gerado na reação. A insuficiência da queima de coque causa um acúmulo deste no catalisador, o que afeta as 25 conversões. Por outro lado, a insuficiência na geração de coque afeta o balanço térmico. Assim, o Craqueamento Catalítico é um processo bastante complexo devido à quantidade de variáveis que estão envolvidas. Pode-se classificar as variáveis operacionais em dois grandes grupos: variáveis independentes (ou de ação direta), nas quais se atua através de um controlador e variáveis dependentes (ou de ação indireta), que são alteradas em consequência da mudança de alguma variável independente. Pode-se citar como variáveis independentes: vazão de carga fresca, qualidade da carga fresca, atividade do inventário de catalisador, temperatura do reator, etc. Como variáveis dependentes pode-se citar: conversão, rendimento dos produtos, razão catalisador/óleo, circulação de catalisador, tempo de contato, temperatura da fase densa do regenerador, vazão de ar para combustão, etc. O riser apresenta quatro pontos de injeção da carga, permitindo variar o tempo de contato entre 0,5 e 3 segundos com qualquer tipo de carga. 2.2.5.7: Fluxo de Catalisador O catalisador percorre um circuito fechado dentro do conversor. O escoamento se torna possível pelo fato de toda a massa estar em estado fluidizado, o que se consegue com ar, hidrocarbonetos vaporizados e vapor de água. O catalisador regenerado e aquecido escoa do regenerador para a base do riser. Ao entrar em contato com a carga fornece calor, vaporizando-a, sendo então arrastado pelos vapores de hidrocarbonetos e vapor de água, através do riser, onde ocorrem as reações de transformação da carga, agregando-se o coque ao catalisador. Na saída do riser o fluxo passa por ciclones onde há a separação catalisador/produtos. O catalisador escoa pelas pernas dos ciclones e deposita-se no stripper, onde passa por um processo que utiliza vapor de água para a retirada dos hidrocarbonetos que podem estar presentes no catalisador. Do stripper o catalisador escoa por uma tubulação para o regenerador, onde em contato com o ar queima o coque agregado durante as reações, completando o ciclo. 26 2.2.5.8: Fluxo de Carga A carga é pré-aquecida a uma certa temperatura. Em seguida é enviada para os bicos dispersores, entrando no riser e vaporizando em contato com o catalisador. Após a passagem pelo riser e pelos ciclones, o gás separado do catalisador passa para a primeira etapa de condensação. A seguir passa por um segundo permutador de calor, onde o óleo condensado é armazenado nos tanques e a corrente gasosa mais os hidrocarbonetos leves passam por um condensador a freon. O fluxo segue então para os tanques de selagem e em seguida para o flare, onde os gases são queimados. A carga pode ser injetada no riser em quatro pontos distintos, com o objetivo de alterar o tempo de contato com o catalisador, como já citado. Os produtos armazenados durante o teste são amostrados e transferidos para o tanque de produtos. 2.2.5.9: Fluxo de Ar Passando por um aquecedor, o fluxo é aquecido e direcionado para a base do regenerador, onde, através de uma placa distribuidora, entra no equipamento promovendo a fluidização e queima do coque no catalisador, regenerando-o. Os gases formados no regenerador passam por ciclones para a separação de partículas arrastadas do leito, que são devolvidas ao regenerador. O fluxo isento de sólidos é lançado na atmosfera. 2.2.5.10: Fluxo de Vapor • Vapor de Lift: É o vapor utilizado para acelerar o catalisador na base do riser. O vapor é condensado por um sistema de condensação, sendo posteriormente separado do óleo. • Vapor de dispersão: É o vapor utilizado para atomizar a carga. Entra no riser pelos bicos dispersores, seguindo também com os produtos para o sistema de condensação sendo posteriormente separado. • Vapor de “estripagem”: É utilizado para remover os hidrocarbonetos presentes no catalisador, sendo que estes e o vapor saem pelo topo do 27 stripper somando-se ao fluxo de produtos, seguindo então para o sistema de condensação. 2.2.5.11: Fluido de Selagem Ar e gás inerte servem como fluidos de selagem para o processo em linhas e válvulas. O gás inerte é pressurizado e armazenado em um vaso pulmão, onde um compressor garante sua pressão na saída. 2.2.5.12: Amostrador de Topo e Sistemas de Condensação Após o craqueamento, sai do riser uma mistura contendo vapores de hidrocarbonetos, vapor de água, gases e catalisador gasto (com coque). Esta mistura segue para dois ciclones em série, nos quais o catalisador gasto é separado. A corrente que segue ao topo da unidade é então composta apenas de vapores e gases, sendo que uma parte desta segue para o sistema de condensação e outra parte é desviada para o Amostrador de Topo ou RMS (Reactor Mixer Sampler – Amostrador da Mistura de Produtos do Reator). No amostrador de topo, a corrente passa por um permutador a ar, condensando parte do óleo, que é coletado em um tanque. O restante da corrente passa por um permutador a água, condensando uma fração menos pesada de óleo, também coletado em um tanque. Finalmente, a mistura não condensada segue para uma torre de recheio, na qual a neblina restante, que passou com esta corrente, é retida. O último permutador utiliza freon, sendo condensada a parte mais leve do óleo. O gás resultante é coletado e levado para a análise cromatográfica. O óleo (composto de todas as frações condensadas) também é encaminhado ao laboratório para a destilação simulada. Para medir a quantidade de gás que passa pelo amostrador de topo, existe um medidor MGU (Medidor de Gás Úmido). A outra parte da corrente que sai do ciclone e que não foi desviada ao RMS, passa por um sistema de condensação semelhante ao do Amostrador de Topo, porém com os dois primeiros permutadores a água. A vazão de gás é indicada pelo SDCD, tem sua amostra coletada para análise cromatográfica e é depois queimada no flare. O óleo condensado é coletado em um tanque e depois de separado de grande parte da água, sendo então levado ao laboratório para análise de destilação simulada. 28 Capítulo 3: O Conjunto de Aplicativos UMProcess Por se tratar de uma unidade de pesquisa, a U-144 realiza frequentemente várias baterias de testes sob demanda, de modo a obter dados que serão estudados posteriormente. Entre os testes de cada bateria há a variação de um ou mais parâmetros, dependendo do objetivo dos mesmos. Ao final de uma bateria de testes, as amostras recolhidas durante os mesmos são enviadas ao laboratório para a análise, e os dados dos testes são analisados na forma de balanços de massa e energia. Por exemplo, em uma bateria de testes em que o objetivo é melhorar a produção de gasolina, cada teste é realizado variando-se alguns parâmetros (temperatura e tipo do catalisador, pressão da carga, etc). Ao final a bateria estudase os resultados das análises de laboratório (como qualidade do produto, por exemplo), em conjunto com algumas variáveis obtidas através dos balanços de massa e energia dos testes (quantidade de produto produzido, rendimento, etc), verificando quais testes obtiveram os melhores resultados em função do objetivo almejado e quais os parâmetros utilizados nestes testes. Um problema frequente do passado era a realização dos balanços de massa e energia dos testes, pois a realização manual dos balanços de cada teste chegava a levar várias horas e, como o número de testes realizados estava aumentando cada vez mais, esta prática estava começando a tornar-se inviável. Devido a este problema, foram desenvolvidas as aplicações UMProcess OPER, UMProcess DATALAB e UMProcess BME, em linguagem Visual Basic em conjunto com bancos de dados MS ACESS. Estes softwares foram desenvolvidos na UN-SIX pelo engº Alberto Jamhour, com o propósito de automatizar o processo de análise dos testes da U-144, auxiliando os analistas, técnicos, engenheiros e pesquisadores. O trabalho, que anteriormente demandava várias horas, com o auxílio do UMProcess passou a ser realizado em alguns segundos. O UMProcess OPER é responsável por fornecer uma interface para a entrada dos dados provenientes da operação, tais como tipo de catalisador, carga utilizada, resultados de coletas de produtos, etc. O UMProcess DATALAB fornece uma interface para a entrada dos dados provenientes do laboratório da pesquisa, onde 29 são analisadas as amostras de diferentes produtos retirados de diversos pontos de amostragem da unidade em cada teste. Entre os dados inseridos no UMProcess DATALAB pode-se citar os resultados das análises cromatográficas de cada amostra, contendo as frações molares de cada composto presente, a área cromatográfica de cada composto, etc. Cada um destes softwares armazena os dados em um banco de dados próprio. Finalmente, o UMProcess BME é responsável por coletar os dados inseridos pela operação e pelo laboratório, acrescentar os dados provenientes do SDCD, calcular os balanços de massa e de energia da unidade e gerar relatórios (padrão e/ou personalizados, de acordo com a necessidade de cada usuário) com os resultados dos balanços. Os dados de saída do UMProcess BME são armazenados em um banco de dados diferente para cada série de testes analisada. A figura 15 mostra um esquema desta configuração. 30 Figura 15: Esquema da Arquitetura dos Antigos Softwares UMProcess 3.1: Funcionamento dos Aplicativos UMProcess O funcionamento dos aplicativos, desde o cadastramento de um novo teste até a conclusão dos balanços de massa e energia da unidade, é descrito a seguir: 3.1.1: UMProcess OPER Através do UMProcess OPER é criado o nome do próximo teste a ser realizado na U-144. Este nome se baseia na sequência dos números da série e dos testes realizados, seguindo o padrão “XXX-YYY-Z”, onde “XXX” é um número de 31 001 a 999 correspondente à série de testes, “YYY” é o número do teste a ser realizado, também compreendido entre 001 e 999, e “Z” é um número entre 0 e 9, inclusive, representando o número da repetição do teste. Uma repetição acontece quando algum teste realizado não foi bem-sucedido. Ao se criar um novo teste, o programa pede a série do teste, no caso de um teste novo, ou então pede a série e o número do teste, para o caso de uma repetição. No ato a geração do nome dos testes são também setados (automaticamente, de acordo com algum padrão prédefinido, ou manualmente) alguns parâmetros do teste, como tipo e quantidades de bicos dispersores, tipo de fluido da serpentina, objetivo do teste, tipo de carga, tipo de catalisador, data e hora do teste, etc. Após a conclusão desta etapa os testes já ficam disponíveis nas telas do programa acessadas pela operação e pela engenharia, onde outros parâmetros são setados. Após a conclusão do teste, as informações sobre os produtos recolhidos são também cadastradas. Todas estas informações são utilizadas nos cálculos dos balanços da unidade. 3.1.2: UMProcess DATALAB Durante a realização do teste, são coletadas várias amostras de diferentes produtos (gás de combustão, gás de processo, gás inerte, carga, catalisador, etc) em alguns pontos de coleta da unidade. Estas amostras são cadastradas no Sistema de Cadastro de Amostras (SCAD), utilizado pelo CENPES, e no aplicativo de controle de amostras dos operadores. Nenhum destes aplicativos possuía alguma comunicação com o UMProcess. Depois de cadastradas, as amostras são etiquetadas e enviadas para a análise no laboratório. Após a análise, os resultados são cadastrados no UMProcess DATALAB nas partes correspondentes a cada tipo de amostra. Estes resultados são utilizados nos balanços da unidade. 3.1.3: UMProcess BME Após o término do cadastro dos dados por parte da operação e do laboratório, faltam apenas os dados provenientes do SDCD para se poder dar início à realização dos balanços da unidade. Estes dados correspondem à média de algumas das variáveis da unidade (temperaturas em diferentes pontos, vazões, pressões, etc) medidas pelo SDCD durante a realização do teste. Como o SDCD 32 está localizado na rede Infinet (rede da automação) e o UMProcess roda na rede corporativa, os dados do SDCD precisam ser transferidos manualmente de um banco de dados MS SQL SERVER, onde ficam armazenados, para um arquivo no formato MS EXCEL, e daí então para um banco de dados MS ACESS, acessado pelo UMProcess BME. Devido ao grande número de testes e variáveis envolvidas neste processo (os balanços geralmente são realizados após o término de uma série de testes), este trabalho se torna demorado e repetitivo. Cada usuário pode selecionar, dentre as variáveis de saída do programa, um ou mais conjuntos de variáveis que julgar mais adequado para serem apresentadas em um relatório personalizado em separado. Uma vez realizado os processos descritos acima, indica-se qual o número da série a qual se deseja realizar os balanços e, caso todos os dados necessários sejam encontrados, o programa calcula os balanços de massa e energia e gera um novo banco de dados contendo tabelas com os dados dos resultados do balanço e com os relatórios personalizados pré-definidos. 33 Capítulo 4: Etapas do Trabalho Desenvolvido Como foi visto no capítulo anterior, embora os três softwares do “pacote” UMProcess funcionassem satisfatoriamente, ainda havia muitas coisas que poderiam ser melhoradas, de modo a aumentar a automatização do processo de análise dos dados de cada teste realizado na U-144. A seguir são relatados alguns problemas do antigo pacote UMProcess: • O SDCD que faz o controle da U-144 armazena os seus dados em um banco de dados MS SQL Server, através do software OPERATE IT. Como este sistema está localizado na rede Infinet (rede da automação) e o UMProcess BME tem acesso somente à rede corporativa (que, por motivos de segurança, é separada da rede Infinet), os dados do SDCD para cada teste precisam ser inseridos manualmente no banco de dados do UMProcess BME. O procedimento adotado para isso era a exportação destes dados para uma planilha no formato MS EXCEL e daí então se dava a inserção manual dos mesmos no banco de dados do UMProcess BME. Como o número de dados utilizados para cada teste era grande (cerca de 400 variáveis diferentes), e cada série contém um nº elevado de testes, este procedimento era um tanto trabalhoso e anulava um pouco a automação pretendida pelo uso do conjunto UMProcess. Além disso, a manipulação manual dos dados diretamente no banco de dados é uma atividade não recomendável, pois qualquer erro ou imprevisto pode comprometer não apenas os dados sendo inseridos como também todo o conjunto de dados armazenado, motivo pelo qual esta atividade era realizada apenas pelo administrador do sistema, tornando a utilização do sistema altamente dependente do mesmo. • Como a parte de cadastros das amostras dos produtos coletadas em cada teste não estava integrada com o sistema UMProcess, não era possível ter um controle sobre as amostras retiradas e, consequentemente, sobre o status de cada uma. Caso algum usuário desejasse saber alguma informação de uma amostra coletada, o mesmo deveria acessar o sistema de cadastro de amostras dos operadores para obter tais informações. 34 • Os bancos de dados MS ACESS estavam se mostrando incompatíveis com alguns recursos dos softwares, chegando a ponto de forçar o armazenamento de alguns dados do tipo números de ponto flutuante em formatos de texto. Esta incompatibilidade causava alguns erros inesperados nos programas. Além disso, os bancos de dados em MS ACESS não apresentam um bom desempenho quando comparados a outros bancos de dados. • Armazenar as informações de cada software em um banco de dados separado torna mais lento o acesso destes por parte do UMProcess BME e torna mais difícil a organização, o acesso e o backup dos mesmos. Além disso, os relacionamentos entre os dados não se tornam tão evidentes e alguns dados são armazenados em mais de um banco de dados, ocupando espaço extra e sobrecarregando o sistema desnecessariamente. • O fato de se utilizar a linguagem Visual Basic em conjunto com bancos de dados MS ACCESS para o desenvolvimento dos programas UMProcess OPER, UMProcess DATALAB e UMProcess BME torna os mesmos dependentes da plataforma Microsoft Windows que, apesar de ainda ser a mais utilizada no ambiente empresarial, é considerada pouco confiável, apresentando frequentes instabilidades. Além disso, existem correntes internas favoráveis a que a PETROBRAS, acompanhando a tendência de outras grandes empresas, como a IBM, por exemplo, tem a idéia de migração dos seus sistemas, nos próximos anos, do ambiente MS Windows para a plataforma LINUX. Este fato impediria a continuação do uso do conjunto de softwares UMProcess na forma atual. • A parte de acesso aos programas se dava de forma diferente para cada tipo de usuário. Cada usuário do programa possuía um login name e uma senha, précompilados e não passíveis de modificação. O acesso às diferentes partes do programa era permitido ou não dependendo dos privilégios pré-definidos para cada usuário e, caso houvesse a necessidade de alguma modificação nos privilégios de acesso de algum usuário, o programa teria que ser recompilado e redistribuído aos usuários. Isto tornava o programa inflexível a este tipo de mudanças. • Os softwares UMProcess OPER, UMProcess DATALAB e UMProcess BME funcionavam como aplicativos independentes, o que não era muito prático, pois 35 não raramente alguns usuários (especialmente os engenheiros da unidade) necessitavam acessar áreas de mais de um deles para realizar alguma mudança ou edição de um parâmetro de um dado teste. Um único sistema que unificasse as funcionalidades destes 3 aplicativos seria mais prático. A partir dos problemas citados acima, foi projetado um novo sistema que englobaria todas as funcionalidades do sistema antigo e que implementaria as mudanças necessárias de modo a suprir as deficiências do mesmo. 4.1: Projeto do Novo Sistema O primeiro requisito para o novo sistema requeria que este fosse independente de plataforma operacional. Este fato já descartou o uso da linguagem Visual Basic, utilizada no sistema anterior. Após se estudar as opções para a nova linguagem a ser utilizada, foram destacadas 2 opções: PHP e Java. A primeira tinha a característica de ser “leve” e de poder gerar um sistema na forma de páginas da web, a ser acessado através de browsers via intranet. A segunda opção possuía todas as vantagens da primeira, além de ser uma linguagem de alto nível, largamente utilizada para os mais variados fins e de possuir APIs desenvolvidas por comunidades independentes que auxiliariam no desenvolvimento da tarefa. Juntando todas as vantagens da linguagem Java com alguma experiência em programação adquirida por mim durante o curso, esta foi facilmente definida como a linguagem a ser utilizada. Uma vez definida a linguagem, foi a vez de decidir qual banco de dados seria utilizado. Os requisitos para o mesmo requeriam que este fosse rápido, confiável, multiplataforma e de livre licença. Seguindo as orientações do engº Alberto Jamhour, foi decidido pelo uso do banco de dados MySQL, pelo fato deste apresentar todos os requisitos necessários, além de uma poderosa ferramenta (PHPMyAdmin) que auxilia muito no gerenciamento do banco de dados. O último item a ser definido foi o formato do novo sistema. A idéia inicial seria desenvolver um sistema com uma interface do tipo página da web, a ser acessada por qualquer browser, como o Internet Explorer, por exemplo. Esta idéia foi descartada após se chegar à conclusão de que os usuários do novo sistema (em sua maioria operadores e analistas de laboratório) seriam os mais afetados pelo 36 novo formato, podendo gerar uma certa resistência ao uso do novo sistema, causada pela mudança. Desta forma, foi decidido construir um sistema com uma interface gráfica muito parecida com a interface do sistema antigo, objetivando minimizar o impacto causado pela mudança. 4.2: Etapas da Construção do Novo Sistema 4.2.1: Estudo do Sistema Antigo A construção do novo sistema iniciou pelo conhecimento detalhado do sistema antigo através do estudo dos códigos-fonte do mesmo. A maior dificuldade encontrada por mim nesta etapa foi a familiarização com a linguagem Visual Basic, uma vez que eu não possuía nenhum conhecimento sobre a mesma. Um vez ultrapassada esta barreira, o desenvolvimento do novo sistema iniciou sem maiores problemas. Seguindo os conhecimentos adquiridos durante a disciplina de Integração de Sistemas Corporativos, ministrada pelo prof. Ricardo Rabelo na 9ª fase do curso, o novo sistema englobaria totalmente o conceito de programação orientada a objetos, utilizando objetos para a transferência de dados, para o acesso ao banco de dados e para as interfaces gráficas. Para isto fez-se o uso das IDEs Netbeans 4.1 e Eclipse 3.0. O ambiente Netbeans foi utilizado para criar as “cascas” das interfaces gráficas, que eram depois importadas no ambiente Eclipse, juntamente com os demais objetos, e preenchidas com os códigos. 4.2.2: Construção do Novo Banco de Dados Após um breve estudo do sistema antigo, foi observado que a maioria das estruturas dos bancos de dados antigos poderiam ser mantidas, sendo necessário apenas unificar os mesmos e eliminar as redundâncias e os itens desnecessários. Como o novo sistema agregaria novas funcionalidades, que também necessitariam o armazenamento de registros no banco de dados, este foi sendo projetado e implementado progressivamente, à medida que o sistema ia sendo desenvolvido. 37 Para facilitar a construção e o gerenciamento do novo banco de dados, foi utilizada a ferramenta PHPMyAdmin. As figuras 16 e 17 e mostram a interface gerada por esta ferramenta. Figura 16: Visão Geral do Banco de Dados Figura17: Criação de uma Tabela do Banco de Dados 38 Como a ferramenta PHPMyAdmin é desenvolvida em PHP, foi instalado um servidor de páginas web (Apache) no mesmo servidor onde estava localizado o banco de dados MySQL, de modo a tornar a ferramenta PHPMyAdmin acessível a partir de qualquer computador ligado à intranet corporativa, bastando, para isso, o usuário entrar com um login name e com uma senha. Apenas o eng° Fabiano Bernardi e eu, desenvolvedores do novo sistema, possuíamos privilégios de acesso ao referido banco de dados. Como os dados a serem armazenados no banco de dados são extremamente confidenciais, após o término do desenvolvimento do sistema este tipo de acesso direto ao banco de dados será utilizado apenas por pessoal qualificado e para fins de backup e/ou manutenção do mesmo. 4.2.3: Programação do Sistema O procedimento adotado durante a concepção no novo sistema foi basicamente o seguinte: • Escolhia-se uma tela do sistema antigo a ser programada; • Estudava-se o código-fonte da tela escolhida; • Criava-se no banco de dados a(s) tabela(s) necessária(s) ao funcionamento da tela em questão, preenchendo-as com dados quaisquer (mas que seguiam os padrões dos dados reais a serem armazenados posteriormente) de modo a permitir testes por parte do programa; • Criava-se no ambiente Eclipse os objetos de transferência e de acesso ao banco de dados a serem utilizados pela tela; • Construía-se a interface gráfica no ambiente Netbeans, importando a mesma no ambiente Eclipse após a sua conclusão; • Programava-se o resto do código e realizavam-se alguns testes em busca de erros e/ou “bugs”. Embora muitas telas do novo sistema sejam baseadas em telas do sistema antigo, toda a lógica da programação foi modificada, esperando-se obter o maior desempenho possível. Alem disso, à medida que sugestões e/ou idéias de melhorias fossem aparecendo, estas passavam a ser implementadas. 39 Uma observação importante a se fazer é o fato de que o novo sistema não se restringiu a implementar e melhorar as funcionalidades do sistema antigo, mas também incorporou outros aplicativos menores que vinham sendo utilizados pelos colaboradores da U-144 ou que foram criados atendendo às necessidades específicas dos mesmos. A título de curiosidade, o novo sistema possui mais de 80 telas, reunindo mais de 100.000 linhas de código distribuídas em aproximadamente 180 arquivos, e o novo banco de dados possui 53 tabelas diferentes, armazenando atualmente cerca de 25.000 registros. 4.3: Apresentação do Novo Sistema Neste ítem serão apresentadas algumas telas do novo sistema, de modo a dar uma melhor idéia do trabalho desenvolvido durante a realização deste Projeto de Fim de Curso. 4.3.1: Tela Inicial Ao executar o programa, o usuário se depara com uma janela pedindo um login name e a uma senha. Como o login name foi adotada a “chave” de cada usuário. A chave de um usuário é uma sequência de 4 letras, única, fornecida para cada empregado da PETROBRAS e utilizada para efetuar o logon nos computadores da empresa. A utilização da chave do usuário como login name evita a necessidade da criação de mais um login name a ser lembrado por cada usuário. Figura 18: Janela de Login Após o usuário clicar no botão “OK”, o programa faz uma busca no banco de dados, verificando se o login name e a senha estão corretos e, em caso afirmativo, 40 mostra ao usuário a tela principal do programa, ativando as opções de acesso de acordo com os privilégios de acesso de cada usuário. É importante salientar que as senhas de cada usuário são armazenadas no banco de dados em um formato encriptado. Figura 19: Tela Principal Acessada por um Usuário com Privilégios Totais de Acesso 41 Figura 20: Tela Principal Acessada por um Usuário com Privilégios de Acesso Somente ao UMProcess DATALAB A partir da tela principal do programa, o usuário pode, dentro das limitações de seus privilégios, acessar as diferentes partes do sistema. Estes partes são descritas a seguir. 4.3.2: UMProcess OPER O UMProcess OPER é a parte do sistema utilizada pelos engenheiros e, principalmente, pelos operadores da U-144. Abaixo segue uma lista com as funcionalidades do UMProcess OPER. Os itens sublinhados correspondem a funcionalidades do novo sistema que não existiam ou que ainda não haviam sido implementadas no software antigo. • Gera nomes para os testes de acordo com o padrão da unidade; • Permite a entrada, por parte da operação, de dados dos testes que serão utilizados nos balanços de massa e de energia, como por exemplo valores das massas dos produtos recolhidos, tipo e calor específico do fluido utilizado na serpentina, etc; 42 • Permite o cadastramento das amostras coletadas na unidade; • Gera etiquetas adesivas com códigos de barras contendo o nº da amostra e do SCAD e/ou em papel comum, ambas com as informações das amostras coletadas na unidade; • Permite o rastreamento das amostras coletadas, a partir do registro das mesmas no sistema, auxiliando na identificação de possíveis extravios; • Permite a monitoração das etiquetas geradas, bem como o número da amostra de cada etiqueta; • Permite a importação automática dos dados proveniente do sistema PI (Plant Information), que substituem os dados oriundos do SDCD. As figuras 21 e 22 mostram a tela responsável por gerar o nome de um novo teste e lançá-lo no sistema e a tela onde são inseridas algumas informações sobre os testes, respectivamente. Figura 21: Tela de Geração Automática de Nomes para os Testes 43 Figura 22:Tela de Inserção de Dados Provenientes da Engenharia Entre os dados provenientes da engenharia, há a opção de utilizar nos balanços da unidade os dados provenientes do PI em substituição aos dados do SDCD. Caso esta opção seja selecionada, após o preenchimento das datas de início e de final de teste o programa busca e armazena automaticamente a média, durante o período do teste, dos valores das variáveis utilizadas, eliminando a antiga etapa manual de transferir os dados provenientes do SDCD para um arquivo no formato EXCEL e então para o banco de dados do UMProcess BME. NOTA: A utilização do PI somente foi possível em virtude da estabilidade alcançada após as ações dos estagiários anteriores que trabalharam no sistema. 4.3.3: UMProcess DATALAB O UMProcess DATALAB é a parte do sistema utilizada pelos engenheiros da U-144 e, principalmente, pelos analistas do Laboratório da Gerência de Pesquisa. Abaixo segue uma lista com as funcionalidades do UMProcess DATALAB. Os itens sublinhados correspondem a funcionalidades do novo sistema que não existiam no software antigo. 44 • Permite a entrada, por parte do laboratório, de dados dos resultados das análises das amostras coletadas de cada teste, como por exemplo análises cromatográficas de gás de processo, de gás combustível, informações sobre a carga e/ou catalisador utilizado no teste, etc. Estes dados são utilizados nos balanços de massa e energia da unidade; • Permite a aprovação ou não de cada resultado por parte dos engenheiros da unidade; • Permite o cadastro de novas definições de carga e catalisador utilizados nos testes; • Permite o registro das amostras tanto na chegada das mesmas ao laboratório como no cadastro dos resultados das análises. Este registro permite o rastreamento das amostras da unidade; • Permite a seleção automática do tipo de amostra e, consequentemente, da tela de entrada de dados, facilitando o trabalho dos analistas; As figuras 23 e 24 mostram as telas onde são cadastrados os resultados das análises dos gases Combustível e de Processo e do Óleo Condensado no RMS, respectivamente. 45 Figura 23: Tela de Cadastro dos Resultados das Análises dos Gases Combustível e de Processo 46 Figura 24: Tela de Cadastro dos Resultados das Análises do Óleo Condensado do RMS 4.3.4: UMProcess BME O UMProcess BME é a parte do sistema utilizada pelos engenheiros da U144. A seguir há uma lista com as funcionalidades do UMProcess BME. Os itens sublinhados correspondem a funcionalidades do novo sistema que não existiam no sistema antigo. 47 • Permite a realização dos balanços de massa e energia de uma série de testes e geração automática dos relatórios padrão e personalizados dos resultados; • Permite a customização de relatórios a serem gerados em cada balanço, de acordo com as necessidades de cada usuário; • Permite a geração automática de códigos-fonte para a atualização do programa após alguma mudança nas variáveis utilizadas; • Permite a alimentação manual ou automática dos dados dos testes provenientes do SDCD (PI); • Permite a geração de relatórios personalizados em um formato compatível com o software MS EXCEL (opcional); As figuras 25 e 26 mostram as telas onde são criados e selecionados os relatórios personalizados a serem gerados automaticamente pelo programa e de acompanhamento do progresso do cálculo dos balanços, respectivamente. Figura 25: Interface para Criação e Seleção dos Relatórios Personalizados a serem Gerados pelo Programa 48 Figura 26: Tela de Acompanhamento do Cálculo dos Balanços Após a realização dos balanços de uma série de testes, o programa gera um sumário em formato texto contendo algumas informações sobre o balanço realizado, como por exemplo tempo de processamento, número de balanços realizados, testes com dados incompletos, erros ocorridos, etc. A Figura 27 ilustra uma parte de um exemplo de um sumário gerado. 49 Figura 27: Algumas Informações Contidas no Sumário Gerado nos Balanços Calculados 50 4.3.5: Relatórios da U-144 De modo a integrar os softwares utilizados pelo pessoal da U-144 em um único sistema, os Relatórios de Atividades Diárias e Relatórios das TRIPs de Paradas da U-144, antes gerados em aplicativos desenvolvidos em MS ACCESS, foram incorporados ao UMProcess. Estes novos aplicativos permitem a consulta e o cadastro diário das atividades e pendências da U-144 e das TRIPs que ocasionam paradas na unidade. A figura 28 mostra a interface do aplicativo de cadastro de Atividades Diárias da U-144. Figura 28: Interface do Aplicativo de Cadastro de Atividades Diárias da U-144 4.3.6: Cadastros da U-144 A partir de uma necessidade dos engenheiros da U-144, foi criado um aplicativo responsável por fazer o cadastro das informações dos os testes já realizados na mesma. Neste sistema são cadastradas as informações básicas de cada teste, bem como a sua localização nas pastas de informações dos arquivos da 51 U144, facilitando a localização dos dados de um teste específico em meio aos inúmeros testes já realizados e arquivados. A figura 29 mostra a interface do aplicativo para cadastro da localização dos dados dos testes realizados na U-144. Figura 29: Interface do Aplicativo para Cadastro da Localização dos Dados dos Testes Realizados 4.3.7: Gerenciamento do Sistema Como este novo sistema desenvolvido integrou vários softwares existentes e incorporou outras novas funcionalidades, seria inviável o cadastro e o gerenciamento dos usuários através de login names e senhas pré-definidas para cada usuário. Assim sendo, foi criada uma lógica de acesso ao sistema onde poderiam ser criadas várias categorias com diferentes privilégios, e cada usuário seria cadastrado dentro de uma das categorias existentes, herdando os privilégios da mesma. Deste modo, o administrador do sistema pode inserir e/ou excluir usuários do cadastro sem ter que modificar o programa. Além disso, há uma maior flexibilidade sobre os privilégios de acesso e inserção/modificação/exclusão de dados de cada usuário nas diferentes partes do sistema. A figura 30 mostra a interface de criação e gerenciamento de categorias de usuários. 52 Figura 30: Interface para a Criação e Gerenciamento de Categorias de Usuários Com esta nova técnica de gerenciamento foi possível implementar a monitoração dos acessos ao sistema. Cada vez que algum usuário tenta fazer logon no sistema, é armazenado no banco de dados um registro contendo a data e a hora da tentativa, a chave do usuário, a informação indicando se foi efetuada uma troca de usuário ou um novo logon e a indicação de que o logon foi bem sucedido ou não. Isto permite ao administrador do sistema verificar dados como a frequência de acessos ao sistema, quais usuários acessam (ou não) o sistema, etc. 4.4: Migração dos Dados da Antiga para a Nova Base de Dados Uma vez o sistema finalizado, faltava apenas a migração dos dados para a nova base de dados para a conclusão do trabalho. O procedimento adotado nesta etapa foi exportar os dados dos bancos de dados MS ACCESS para arquivos CSV (comma separated values) e então importar os mesmos para o banco de dados MySQL através da ferramenta PHPMyAdmin. Como nem todas as novas tabelas do novo banco de dados possuíam a mesma 53 estrutura das tabelas antigas, algumas vezes foi necessário adaptar a estrutura dos arquivos CSV gerados (criando ou excluindo colunas de dados) de modo a tornar a importação dos dados compatível. Durante este procedimento foi verificado que alguns dados do tipo números de ponto flutuante não estavam sendo corretamente transferidos e, após algum estudo do problema, foi verificado que o MS ACCESS gerava valores de ponto flutuante truncados na segunda casa após a vírgula nos arquivos CSV. Este arredondamento causava uma perda da exatidão de algumas variáveis, influenciando nos resultados finais dos balanços. Para contornar este problema foi decidido criar um programa simples que atuasse como uma “ponte” entre os bancos de dados MS ACESS e MySQL, transferindo diretamente os dados das tabelas que apresentaram problemas. Este procedimento resolveu completamente o problema. 54 Capítulo 5: Resultados, Conclusões e Perspectivas No período inicial do estágio na UN-SIX, onde foi realizado o Projeto de Fim de Curso descrito neste relatório, procedeu-se um estudo sobre os aplicativos do “pacote” UMProcess, o que resultou num aprendizado progressivo sobre as suas funcionalidades e a sua importância dentro da U-144. Após uma familiarização com o sistema, foi possível propor e implementar novas funcionalidades ao mesmo, visando aumentar a automatização gerada e acabando com muitas tarefas manuais, repetitivas e/ou dependentes da presença do administrador do sistema. Algumas destas novas funcionalidades trouxeram um grande benefício aos usuários do sistema e colaboradores da U-144, destacando-se a geração de etiquetas adesivas com códigos de barras para as amostras, a disponibilidade de rastreamento das amostras coletadas e a integração do sistema UMProcess com o sistema PI. A portabilidade do novo sistema UMProcess torna o mesmo preparado para uma eventual futura mudança na política da PETROBRAS quanto ao uso de Sistemas Operacionais, enquanto que o uso de um banco de dados MySQL aumentou o desempenho do sistema, principalmente em tarefas como o cálculo dos balanços da unidade, que requerem múltiplos acessos ao banco de dados. Conclui-se, portanto, que a função de construir e implementar um Sistema Integrado para Cadastro dos Dados e Automatização dos Balanços de Massa e Energia dos Testes Realizados na U-144, inserida no contexto do curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial, obteve sucesso, sabendo que o trabalho desenvolvido no período de março a setembro de 2005 teve seu valor reconhecido pelas partes interessadas. Como perspectivas futuras para este trabalho, pode-se citar: • Migração do banco de dados MySQL para um servidor mais robusto e confiável, dado que isto apenas não foi realizado por questões burocráticas da empresa; 55 • Inserção automática dos dados provenientes dos resultados dos balanços no banco de dados do servidor PI como uma forma de backup dos mesmos, caso isto se mostre necessário; • Criação de um aplicativo para a geração dos relatórios operacionais de uma forma mais eficiente do que o sistema utilizado atualmente e integração do mesmo ao sistema UMProcess; • Automatização do método de inserção dos dados dos resultados das análises de laboratório, eliminando a necessidade de digitação dos dados por parte dos analistas; • Adequação do sistema às frequentes mudanças ocorridas na unidade, geradas pelo caráter de pesquisa da U-144. 56 Bibliografia: [ 1 ] Acessing OPC Server from JAVA – Disponível em: <http://jintegra.intrinsyc.com/support/com/doc/other_examples/OPC_Server. htm>. Acesso em: 14 de Julho de 2005. [ 2 ] Adilson de Souza Dias - Página Pessoal - Código de Barras/Imprimindo em impressoras matriciais – Disponível em: <http://www.adilson.com.br/testeUtil.jsp>. Acesso em: 19 de Julho de 2005. [ 3 ] Apostilando.com 2005 - Apostilas de Lógica de Programação. Disponível em: <http://www.apostilando.com>. Acesso em: 03 de Junho de 2005. [ 4 ] Bernardi, Fabiano L., “Customização e Administração do Sistema PI na Unidade Multipropósito de FCC”, Projeto de Fim de Curso, DAS, UFSC, Março de 2005. [ 5 ] Devx.com - Learn to read and write Microsoft Excel documents with Jakarta' s POI – Disponível em: <http://www.devx.com/Java/Article/17301>. Acesso em: 03 de Agosto de 2005. [ 6 ] Flib - High Quality Java Components – Disponível em: <http://flib.sourceforge.net/>. Acesso em: 10 de Agosto de 2005. [ 7 ] GUJ – Grupo de Usuários Java - Introdução ao JDBC – Disponível em: <http://www.guj.com.br/java.artigo.7.1.guj>. Acesso em: 13 de Julho de 2005. 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