Laboratório Brasileiro de Design – uma revisão da sua
importância histórica para o Design brasileiro
Brazilian Design Laboratory – a review of its historical importance to Brazilian Design
Pereira, Lívia Marsari; Mestranda em Design; Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho
[email protected]
Medeiros, Maria Carolina; Mestranda em Design; Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho
[email protected]
Silva, José Carlos Plácido da; Doutor; Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
plá[email protected]
Resumo
Esse estudo apresenta uma discussão, por meio de uma revisão teórica sobre o design e a
industrialização no Brasil, tendo como foco principal o Laboratório Brasileiro de Design,
LBDI, relatando sua importância histórica, realizações e dificuldades na realização dos
objetivos propostos, bem como sua contribuição para o fortalecimento do design em âmbito
nacional.
Palavras Chave: Laboratório Brasileiro de Design; design; história do design no Brasil.
IMPORTANTE: na parte inferior desta primeira página deve ser deixado um
espaço de pelo menos 7,0 cm de altura, medido da borda inferior, no qual serão
acrescentadas, pelos editores, informações para referência bibliográfica
Laboratório Brasileiro de Design – uma revisão da sua importância histórica para o Design brasileiro
Abstract
This study presents a discussion through a theoretical review of the Brazilian design and
industrialization, having in the main focus the Brazilian Design Laboratory, LBDI, describing
its historical importance, achievements and difficulties in achieving the proposed objectives
and its contribution to strengthen the design in the country.
Keywords: Brazilian Design Laboratory; design; Brazilian design history.
9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
Laboratório Brasileiro de Design – uma revisão da sua importância histórica para o Design brasileiro
Introdução
A importância do design como fator de competitividade e como forma de alavancar a
produção brasileira, seja com foco interno ou externo, há muito já vem sendo discutida e,
mesmo com ações desconexas e pontuais, programas para a promoção e implantação do
design vêm sendo implantados pelo governo ao longo das décadas.
Em 1984 o governo brasileiro adota uma série de ações com o intuito de promover a
competitividade dos produtos locais, com foco em substituir as importações e equilibrar a
Balança de Pagamentos, resultando na criação de três laboratórios de design, espalhados pelo
país (região sul, sudeste e nordeste).
Neste trabalho serão abordados o design e a industrialização no Brasil, tendo como
foco principal o Laboratório Brasileiro de Design Industrial, apresentando suas dificuldades e
realizações; bem como sua importância histórica para o fortalecimento do design no Brasil,
incrementando o desenvolvimento econômico e social, a melhoria da qualidade e,
conseqüentemente, da competitividade do produto brasileiro.
Design e industrialização no Brasil
Apesar de a colonização ter começado no inicio do século XVI, a indústria
manufatureira só surgiu na metade do século XIX e só veio a representar papel importante na
economia brasileira em meados do século XX.
Até a segunda metade do século XX, a economia do país dependia basicamente da
exportação de certos produtos chave de natureza primária, que predominaram por ciclos
sucessivos na estrutura de suas exportações: pau-brasil, açúcar, ouro, diamantes, borracha,
algodão, cacau (BAER, 1966).
Antes da independência importavam-se todos os bens manufaturados, devido à política
portuguesa, que proibia qualquer tipo de desenvolvimento industrial no Brasil. “No Brasil, o
desenvolvimento econômico seguiu os interesses de Portugal, através de tratados com a
Inglaterra, garantindo, assim, a hegemonia inglesa na manufatura de bens e mantendo o Brasil
como meros consumidores” (NIEMEYER, 2000 p.49).
Na segunda metade do século XIX tornam-se mais dignas de nota as tentativas de criar
indústrias (BAER, 1966). O autor ainda afirma que o primeiro surto de industrialização
ocorreu nos últimos anos do século XIX e que fatores como o desenvolvimento das ferrovias,
abundância de matérias-primas locais e uma política governamental favorável à
industrialização, permitiu o fortalecimento da indústria interna.
O advento da Primeira Guerra Mundial representou uma grande oportunidade para as
nascentes indústrias brasileiras. A interrupção dos produtos que eram importados eliminou a
competição estrangeira e muitas novas indústrias foram instaladas para preencher o mercado
interno, e mesmo para suprir o mercado externo.
No final da década de 1920 e início 1930 a economia foi afetada por uma profunda
crise originada pela superprodução cafeeira e pela depressão mundial. A entrada de capitais
externos cessou e o desenvolvimento industrial estava ameaçado. Mas em 1931 a produção
industrial dava índices de recuperação.
Até a década de 1930 o governo teve pouco interesse em planejar o desenvolvimento
econômico, particularmente a industrialização do país (BAER, 1966). Porém, durante a
administração de Getúlio Vargas operou-se uma mudança decisiva no plano da política
interna sendo então adotada uma política industrializante. Vargas investiu forte na criação do
alicerce industrial: indústrias de base e energia, por meio de leis voltadas para a
regulamentação do mercado de trabalho, medidas protecionistas e investimentos em infraestrutura (BAER, 1966).
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Outros fatores que contribuíram para o desenvolvimento industrial a partir de 1930
foram:
 o grande êxodo rural, devido a crise do café, com o aumento da população urbana que foi
constituir um mercado consumidor;
 a redução das importações em função da crise mundial e da Segunda Guerra Mundial, que
favoreceu o desenvolvimento industrial, livre de concorrência estrangeira.
Na década de 40 começaram a desenvolver novas atividades industriais como o setor
de minerais, metalurgia, siderurgia, ou seja, setores mais sofisticados tecnologicamente; o que
abriu perspectivas para o desenvolvimento industrial do país, já que esses constituem a base
para vários ramos ou tipos de indústria.
Na década de 1950, o Brasil passava por um período de transição no qual se desejava
criar condições para que a indústria firmasse posição como um importante setor da economia.
No governo de Juscelino Kubitschek, 1956 a 1961, criou-se um Plano de Metas que
estimulou o setor de energia e transporte e aumento da produção de petróleo e a potência de
energia elétrica instalada, visando a assegurar a instalação de indústrias.
No entanto, o desenvolvimento industrial foi calcado, em grande parte, com capital
estrangeiro, atraído por incentivos cambiais, tarifários e fiscais oferecidos pelo governo.
Nesse período teve início em maior escala a internacionalização da economia brasileira,
através das multinacionais.
No campo de ação do design, destacam-se contribuições para o início do ensino. A
elite cultural paulistana vislumbrou a necessidade da formação de profissionais que
atendessem a demanda da indústria, com relação à configuração de produtos (NIEMEYER,
2000). Desta forma, começam no Museu de Arte de São Paulo (MASP) as primeiras
atividades envolvendo o design, sendo inaugurado em 1951 o Instituto de Arte
Contemporâneo (IAC) do MASP, que foi a primeira experiência do ensino do design de nível
superior no Brasil, que durou apenas três anos. Em 1952, é inaugurado o Museu de Arte
Moderna (MAM) no Rio de Janeiro, e em 1958 é fundada a Escola Técnica de Criação (ETC).
“A emergência institucional do designer no Brasil está diretamente ligada à ideologia
nacional-desenvolvimentista dos anos 50, num universo nitidamente inserido nas crenças
modernistas que começaram a tomar forma no país” (NIEMEYER, 2000 p.17).
Na década de 1960, começaram a surgir instituições de ensino do design. Em 1962, foi
incluído o design no curso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo (FAU-USP) que permaneceu subordinado ao curso de arquitetura (NIEMEYER, 2000).
Textos sobre design industrial são incluídos nas revistas de arquitetura e design de
interiores. “Pouco a pouco eles ocupam seções especiais e aqueles se transformam em
revistas de design industrial mesmo” (BONSIEPE,1997, p.72).
Em seguida surge o projeto do curso de desenho industrial do Instituto de Belas Artes
(IBA) que foi o responsável pela fundação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI).
Niemeyer (2000 p.17) afirma que:
O marco histórico do design no Brasil é, sem duvida, a criação da Escola Superior
de Desenho Industrial (ESDI), no então Estado da Guanabara, em 1962. O estatuto
profissional do designer foi traçado a partir de sua implantação. A ESDI, como está
demonstrado aqui, se ajustava ao plano desenvolvimentista esboçado pelo partido do
governador Carlos Lacerda, a UDN, e praticado pelo Larcedismo.
O governo militar, que toma o poder no Brasil através do Golpe de Estado em 1964,
estabelece, como estratégia prioritária para legitimar o novo regime, um plano de
crescimento, com vistas a superação da condição de Terceiro Mundo. “O plano de ação do
governo, militar procurava propiciar, na verdade, as estruturas de base para promover o
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assentamento de novos parques produtivos, visando uma forte e rápida industrialização do
país” (NIEMEYER, 2000, p. 82).
Essa espécie de corrida ao desenvolvimento industrial idealizado pelo governo militar
propiciou indubitavelmente um clima favorável ao investimento das empresas provenientes
dos países mais industrializados, que detinham os recursos tecnológicos e previam a expansão
de suas empresas para além de suas fronteiras. Da década de 1960 em diante, percebe-se, de
forma acentuada no território brasileiro, o assentamento de parques produtivos e de
investimentos econômicos provenientes de diversas partes do mundo rico ocidental e do Japão
(NIEMEYER, 2000).
Em 1968, no Rio de Janeiro, foi criado o Instituto de Desenho Industrial, que
contribuiu com projetos de design na área de mobiliários escolares baseados em pesquisas
antropométricas. É nesse período também que surge o pensamento de aliar o design ao
desenvolvimento sustentável. “Em 1972, a UNIDO organizou um encontro em Viena para
discutir o papel do design nos países em desenvolvimento” (BONSIEPE, 1997, p.72), que
incitou os governos a abrirem possibilidades ao design.
Em 1979, pela 1ª vez, as exportações de produtos industrializados e semiindustrializados superaram as exportações de bens primários (BRUM, 1999).
A crise do petroleo de 1981 a 1983 caracterizou-se como um período recessivo.
Porém, os investimentos nos setores prioritários do programa de substituição de importações
mantiveram-se crescentes (BAER, 1966). Desta forma, as empresas industriais brasileiras não
desenvolveram capacitação de inovação própria e a evolução tecnológica acabou por se
limitar à produção.
Após um período de inflação ascendente, o Plano Cruzado foi lançado em 1986, e
procurava estabilizar os preços e criar condições para a introdução de reformas econômicas. A
ininterrupta elevação dos preços culminou em um desequilíbrio no programa de estabilização
de preços relativos. Agra e Santos (2005) afirmam que como o aumento do consumo foi bem
maior do que o aumento da oferta, logo houve um esgotamento da capacidade da indústria, o
que contribuiu para uma crise.
No âmbito do design, em 1981 no mandato de Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque na
presidência do CNPq o design industrial foi oficialmente incorporado à política científica e
tecnológica do Brasil. Resultando no surgimento do Laboratório Brasileiro de Design
Industrial (LBDI).
Laboratório Brasileiro do Design
Em 1984 o governo brasileiro adota uma série de ações com o intuito de alavancar a
competitividade dos produtos locais, com foco em substituir as importações e equilibrar a
Balança de Pagamentos. Através do Ministério da Indústria, Comercio e Turismo (MICT), do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora
de Estudos e Projetos (FINEP), entre outros, estabelecem-se três laboratórios de design: um
na cidade de Florianópolis, na região sul do país, outro em São Carlos, região Sudeste e, por
fim, outro em Campina Grande, Paraíba. A estratégia inicial era difundir e estimular a prática
do design pelo país, por isso a escolha de laboratórios nestas regiões. (MORAES, 2006).
Os laboratórios tinham por objetivos principais apoiar as empresas brasileiras a
aumentar a competitividade de seus produtos e serviços, auxiliando no desenvolvimento de
novos produtos; capacitar recursos humanos em design, complementando a formação
acadêmica; desenvolver projetos e pesquisas de interesse social; promover eventos que
discutissem o design; captar, processar e difundir informações técnicas de interesse do design.
Para alcançar estes objetivos foram realizadas inúmeras atividades de capacitação,
como cursos de aperfeiçoamento e especialização; pesquisa e desenvolvimento tecnológico;
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atendimento das necessidades das empresas em suas demandas por design; atividades de
política e promoção do design; atividades de difusão, cooperação e intercâmbio.
Dentre os três laboratórios, o que mais se destacou foi o de Florianópolis. Sob
coordenação inicial de Gui Bonsiepe e depois de Eduardo Barroso Neto, o laboratório recebeu
a denominação de “Laboratório Associado de Desenvolvimento de Produto/Desenho
Industrial de Santa Catarina” e, posteriormente, atuando em âmbito nacional a partir de 1988,
recebe o nome de Laboratório Brasileiro de Design Industrial (LBDI). O laboratório oferecia
cursos de aperfeiçoamento aos profissionais já graduados e assessoria técnica na área de
design destinadas às pequenas e médias empresas (PMEs) do estado de Santa Catarina.
A partir de 1987, com o fechamento dos outros dois laboratórios de design e com a
saída de Gui Bonsiepe e entrada de Eduardo Barroso Neto, a atuação do LBDI passa a ser
nacional. Uma análise dos dois anos de funcionamento dos três laboratórios foi feita e revelou
que os projetos desenvolvidos quase nunca eram implantados e, quando eram, a repercussão
destes projetos era mínima. Portanto era necessária uma adequação, voltando o
direcionamento para empresas de maior porte. (BARROSO NETO, 1998).
Ainda buscou-se a realização de projetos sociais, especificamente na área de saúde.
Para isso, foi necessário uma nova estrutura, que consistia na divisão em duas grandes áreas:
uma com a responsabilidade de planejamento e coordenação e outra com atribuições
executivas, perdurando este modelo até o ano de 1990.
Com o governo Collor e as teorias neoliberais, que acreditavam que as pesquisas
tecnológicas poderiam ser auto-financiadas (no caso, pela indústria), o LBDI deveria buscar
uma fórmula institucional que possibilitasse sua sobrevivência (BARROSO NETO, 1998).
Além disso, o confisco da poupança pelo mesmo governo trouxe como conseqüências uma
retração nas demandas e investimentos das indústrias e isso, conseqüentemente, teve forte
impacto na procura por projetos e assessoria do LBDI. Com isso o laboratório teve que
redirecionar sua estratégia, voltando-se ao setor público, buscar novos parceiros e
patrocinadores, diminuir pessoal, realizar cortes de despesa e investimentos na infra-estrutura.
Em março de 1994, com o fim do convênio com o governo de Santa Catarina,
momento que coincide com o elevado prestígio alcançado pelo LBDI a nível externo, com a
inclusão no ICSID – Internacional Council of Societies of Industrial Design e a realização de
grandes eventos nacionais, o LBDI passa a fazer parte do FIESC (Federação das Indústrias de
Santa Catarina), como uma unidade descentralizada do SENAI.
Com isso adota-se um novo modelo organizacional, com a criação de uma editora e a
diversificação de serviços de design, na área de infodesign.
A partir de 1995, com a alteração que concede ao sistema SENAI o direito de uso dos
recursos de um deposito compulsório realizado pelas empresas para garantir sua manutenção
e custeio, o LBDI, como parte desse sistema, vê-se obrigado a propor um novo sistema de
paridade de receita e despesa, realizando parcerias com o SEBRAE e outras unidades do
SENAI.
No ano de 1996 revelou-se a dificuldade do LBDI a alcançar esta paridade. Assim,
para conseguir sanar esta eficiência o laboratório é transferido para o prédio do SENAI /
CTAI, dividindo a mesma estrutura, os mesmo serviços básicos, normas operacionais,
regulamento e mesma direção.
O LBDI encerra suas atividades em agosto de 1997, por conta da decisão do SENAI
nacional em apoiar centros setoriais de design.
Fases e características
Alterada inúmeras vezes, dependendo da gestão e do ambiente político, seis fases
caracterizam bem a estrutura do LBDI. São elas:
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Primeira fase: de 1984 a 1987 – sob coordenação de Gui Bonsiepe e com equipe de 7
pessoas, os clientes eram PMEs de Santa Catarina. As atividades desenvolvidas eram:
projetos de produto, cursos de especialização e publicações técnicas;
Segunda fase: de 1987 a 1989 - tendo por coordenador geral Eduardo Barroso Neto, a
equipe constituía-se de 35 pessoas, e tinha por atividades projetos de pesquisa aplicada e
cursos de curta duração. Nesta fase os principais clientes eram de grandes empresas;
Terceira fase: de 1990 a 1992 – a organização passa a ser constituída de células de
projetos – de design industrial, gráfico e engenharia; além da coordenação, administração
e documentação. Nesta fase a equipe era composta de 15 pessoas, atendendo órgãos
públicos. Tinha por atividades a articulação política, a busca de um novo modelo
organizacional e a diversificação de serviços.
Quarta fase: de 1993 a 1994 – esta fase caracteriza-se pela decadência, corte de pessoal e
custos. O sistema de células foi transferido para forças tarefas, que se estruturavam de
acordo com o projeto a ser desenvolvido. A coordenação era compartilhada entre Eduardo
Barroso Neto, Marcelo Resende e Jorge Abrams. Os clientes eram pequenas empresas de
Santa Catarina e as atividades destinavam-se a cooperação técnica e intercâmbios,
realização de eventos e cursos;
Quinta fase: 1995 e 1996 – sob coordenação de Eduardo Barroso Neto e SENAI, o
laboratório passou a atender instituições do sistema e parceiros e tinha por equipe 10
pessoas. As atividades concentravam-se em eventos, publicações e ações políticas;
Sexta fase: 1997 - nesta última fase o SENAI nacional opta por apoiar dez centros
setoriais de design e, assim, escolhe encerrar as atividades do LBDI em agosto de 1997.
(BARROSO NETO, 1998).
Fatores que levaram a encerramento das atividades
No LBDI foram desenvolvidos mais de 120 projetos, de todos os níveis de
complexidade, sendo a maioria dos clientes do estado de Santa Catarina. Com uma equipe
técnica de projetos compreendendo entre cinco e sete designers, o laboratório executou uma
média de 1 projeto por mês, em seus 13 anos de existência. Destes 120 projetos, apenas um
percentual muito pequeno chegou realmente a ser implantado, entre 10 a 20% e nenhum deles
está ainda no mercado.
Moraes (2006) nos alerta para o fato de que uma das maiores dificuldades é a falta de
interesse das próprias PMEs, seja pela falta de capacidade tecnológica como pela ausência de
recursos financeiros, já que no Brasil a classificação do tamanho de uma empresa é apenas
pela quantidade de funcionários, sem levar em conta sua capacidade fabril. O autor considera
uma utopia a plena inserção do design em todas as micro, pequenas e médias empresas.
Barroso Neto (1998) aponta outros fatores que levaram a falência do LBDI. Para o
autor, a decisão do CNPQ em transferir o LBDI para a esfera industrial, não assumindo o
laboratório como centro de pesquisa, criado em mantido com recursos do próprio CNPq foi
um fator decisivo. Ele ainda destaca: a falta de alternância na condução do LBDI – onde o
diretor e o vice diretor ficaram no cargo por mais de 10 anos; a natureza transitória da equipe
técnica, que era mantida através de bolsa e que não poderia passar de 2 anos, provocando um
não comprometimento; a falta de apoio político; a baixa capacidade de atendimento às
necessidades da indústria, de forma mais abrangente e interdisciplinar; e, ainda que o
laboratório se preocupou tanto com o intercâmbio e alianças internacionais que esqueceu de
fazer o mesmo dentro do próprio país.
Realizações
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O laboratório, no entanto, foi responsável por várias realizações importantes para o
fortalecimento do design no país como a criação da ABEND, hoje AEnD-Br – Associação
para o Ensino do Design no Brasil, responsável pela reforma do ensino do design – criando
assim um currículo mínimo nos cursos superiores; a mudança da nomenclatura de Desenho
Industrial para Design Industrial, procurando assim facilitar a assimilação das atividades do
profissional pelo público em geral; a criação do Programa Brasileiro do Design.
Ainda foi responsável pela criação do curso de mestrado e doutorado em gestão do
design, na UFSC; realização dos dois primeiros “Interdesigns” na América do Sul;
capacitação de mais de 500 profissionais; publicação de 8 livros técnicos; realização de 10
seminários internacionais, promovendo o intercambio entre os profissionais; projeção do
design nacional no exterior.
Considerações finais
A criação do Laboratório Brasileiro de Design pode ser considerado um marco para a
difusão, capacitação e introdução do design no cotidiano brasileiro, nas indústrias e empresas,
bem como no ensino, resultando em realizações consideráveis no fortalecimento do design.
Muitas dificuldades foram encontradas, principalmente em relação ao entrosamento
com a indústria, resultando no não atendimento das reais necessidades e capacidades das
mesmas; entre outros problemas de cunho administrativo, governamental e ainda em relação à
economia no país. No entanto esta pode ser considerada uma grande e indiscutivelmente
importante iniciativa para o fortalecimento do design, no reconhecimento da importância da
atividade pelas autoridades governamentais e empresariais; servindo ainda de base para a
criação de outras iniciativas essenciais e culminando na criação do Programa Brasileiro de
Design, atual programa federal para a inserção e disseminação da gestão do design nos setores
produtivos do país, lançado em 1995.
O Brasil ainda dá os primeiros passos na consolidação e implantação plena e de forma
sistemática nas empresas, mas reconhecemos essas iniciativas de vital importância para se
atingir este objetivo. Desta forma, a história do LBDI não deve ser esquecida para que
possamos aprender com seus erros e sucessos.
Referências
AGRA, F. M. M. R.; SANTOS, F. A. A. Globalização e economia brasileira. Revista
Eletrônica de Economia, Juiz de Fora, n. 5, mar. 2005. Disponível em:
<http://www.viannajr.edu.br/revista/eco/doc/artigo_50005.pdf >. Acesso em: 19 out. 2009.
BAER, W. A Industrialização e o Desenvolvimento Econômico do Brasil. Tradução: Paulo
de Almeida Rodrigues. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1966.
BARROSO NETO, E. LBDI – Laboratório Brasileiro de Design. Uma história que não
terminou
–
1984
–
1997.
Fortaleza,
1998.
Disponível
em:
http://eduardobarroso.blogspot.com/search/label/Hist%C3%B3ria. Acesso em 25 de out.
2009.
BONSIEPE, G. Design: do Material ao Digital. Tradução Cláudio Dutra. Florianópolis:
FIESC/IEL, 1997.
BRUM, A. J. Desenvolvimento Econômico Brasileiro. Ijuí: Unijuí, 1999.
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Laboratório Brasileiro de Design – uma revisão da sua importância histórica para o Design brasileiro
MORAES, DIJON. Análise do design brasileiro – entre Mimese e mestiçagem. São Paulo:
Edgard Blucher, 2006.
NIEMEYER, L. Design no Brasil: origens e instalações. Rio de Janeiro: 2AB, 2000.
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